marxismo

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    1. KARL MARX A VIDA DE MARX Karl Marx nasceu em Trier, na Alemanha, filho de um advogado. Por um certo período pareceu seguir os passos do pai, mas em 1836 Marx trocou o curso de direito pelo de Filosofia na Universidade de Berlim. Marx escreveu uma tese de doutorado sobre Demócrito e Epicuro - os materialistas da Antiguidade. Marx mais tarde formularia sua própria concepção do "materialismo histórico". No entanto, a carreira de Marx como filósofo acadêmico teve uma vida curta. Quando Friedrich Wilhelm IV subiu ao poder, em 1840, o movimento jovem hegeliano, do qual Marx fazia parte, foi alvo de criticas. Marx casou-se em 1843 e passou alguns anos na França, Bélgica e Alemanha, editando publicações políticas radicais. Ainda em Paris, participou do movimento da classe trabalhadora e desenvolveu um profundo interesse pela economia. Em 1848, Marx ajudou a fundar a Liga Comunista e publicou O manifesto comunista. Após a publicação, Marx foi expulso da Prússia e se mudou para Londres, onde ele e a família passaram a viver em condições de extrema pobreza. Três dos seis filhos morreram e a saúde de Marx se deteriorou gravemente. Mesmo assim, continuou a escrever e permaneceu politicamente ativo, fundando em 1864 e Associação dos Trabalhadores. Em 1867 foi publicado o primeiro volume de O capital, sua obra mais importante sobre o capitalismo. Dois outros volumes foram publicados apos sua morte, em 1883. FILOSOFIA PRÁTICA O pensamento de Marx tinha um objetivo pratico - ou político. Ele não foi apenas filosofo, mas também historiador, sociólogo e economista. Nenhum outro filosofo teve maior importância para a política. É preciso, no entanto, ter cautela para não identificar com o pensamento de Marx tudo o que é chamado de marxismo. Há quem diga que Marx só teria se tornado marxista na metade da década de 1840, mas mesmo depois disso ele às vezes sentiu a necessidade de afirmar que não era marxista. Desde o inicio, o amigo e colega Friedrich Engels contribuiu para que mais tarde, ficou conhecido como marxismo. Em nosso século, Lênin, Stalin, Mao Tse-Tung e muitos outros também contribuíram para o marxismo, ou o marxismo-leninismo. MARX E A HISTÓRIA Marx não era um materialista filosófico como os atomistas da Antiguidade que ele estudara, nem defendeu o materialismo mecanicista dos séculos XVII e XVIII. Mas ele achava que, em grande parte, os fatores materiais na sociedade é que determinariam nosso modo de pensar. Hegel assinalou que o desenvolvimento histórico seria impulsionado pela tensão entre opostos - a qual seria, então, resolvida por uma mudança repentina. Marx desenvolveu essa idéia ainda mais. Mas, de acordo com Marx, Hegel via as coisas de cabeça para baixo. Hegel chamou essa força que impulsiona a história de espírito universal, ou razão universal. Marx afirmou, essa concepção estaria invertida. Ele queria mostrar que as mudanças materiais é que afetariam a historia. As "relações espirituais" não criariam uma mudança material; o oposto, sim, é o que aconteceria. A mudança material criaria novas relações espirituais. Marx salientou, em especial, que as forças econômicas na sociedade criariam a mudança e, com isso, impeliria a história para diante. A filosofia e a ciência da Antiguidade tinham propósitos puramente teóricos. Ninguém estava particularmente interessado em colocar novas descobertas em pratica. Iss se devia ao modo como a vida econômica da comunidade se organizava. A produção se baseava principalmente no trabalho escravo, de modo que os cidadãos não tinham necessidade de aumentar a produção com inovações praticas. Marx chamou essas relações materiais, econômicas e sociais de base ou infraestrutura da sociedade. Ao modo de uma sociedade pensar, suas instituições políticas, suas leis e ate mesmo sua religião, moral, arte, filosofia e ciência, Marx chamaram de superestrutura da sociedade. AS BASES DA SOCIEDADE Marx identificou três níveis nas bases da sociedade. O nível mais básico e o que podemos chamar de condição de produção da sociedade. Em outras palavras, as condições ou recursos naturais disponíveis. Elas são o alicerce de qualquer sociedade, e, claramente, refletem seu tipo de produção sua natureza e sua cultura em geral. Não se pode ter um comércio de arenque no Saara, ou plantar tâmaras na Noruega. O modo de pensar dos povos em sua cultura normanda é muito diferente do modo de pensar em uma vila de pescadores na Noruega. O nível seguinte é os meios de produção da sociedade. Por esse nível Marx entendia os vários tipos de equipamentos, ferramentas e máquinas que a produção emprega, além das matérias-primas disponíveis. O terceiro nível na base da sociedade se refere ao controle dos meios de produção. A divisão de trabalho, ou a distribuição de trabalho, e as relações de posse constituem o que Marx chamou de "relações de produção" da sociedade. 1
    2. Marx concluiu que o modo de produção em uma sociedade determina as condições políticas e ideológicas nela encontradas. Não seria por acaso que, hoje pensamos de uma maneira diferente - e possuímos um código moral diferente - das pessoas que viviam na antiga sociedade feudal. TRABALHO Antes de se tornar comunista, o jovem Marx se preocupava com o que acontece com o homem quando ele trabalha. Hegel acreditava que, quando trabalha, o homem interage e a transforma. Mas, ao mesmo tempo, a Natureza também interage com o homem e transforma sua consciência. Assim, a forma de pensar do homem está intimamente ligada ao trabalho que ele faz. Para Hegel e Marx, o trabalho seria algo positivo, intimamente relacionado com a essência da humanidade. Uma pessoa desempregada está, de certo modo, vazia. Ser trabalhador seria, por isso, muito positivo. No sistema capitalista, o trabalhador trabalha para outra pessoa. O trabalho é, portanto, algo exterior a ele - ou algo que não pertence a ele. Para Marx, isso faria o trabalhador se tornar alheio ao trabalho - e o mesmo tempo alheio a si mesmo. Ele se tornaria alienado. Para Marx, isso era inaceitável. Em uma sociedade capitalista, o trabalho é organizado de tal modo que os trabalhadores ou o proletariado seriam na verdade escravos de uma outra classe social - a burguesia. Na época de Marx, o trabalhador chegava a ter uma jornada de trabalho de doze horas por dia, nas piores condições de trabalho. O salário em geral era tão baixo que crianças e mulheres grávidas também tinham de trabalhar. Isso gerou péssimas condições sociais. Em muitos lugares, parte do salário era paga em forma de bebida alcoólica barata, e as mulheres tinham de se prostituir para completar o ordenado. O trabalhador tinha se transformado em besta de carga. A primeira frase de O manifesto comunista, que Marx publicou com Engels em 1848, diz: "Um espectro assombra a Europa - o espectro do comunismo". Isso amedrontou a burguesia, pois agora o proletário começava a rebelar-se. O manifesto termina assim: "Os comunistas detestam ocultar suas idéias e seus objetivos. Eles declaram abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela violenta derrocada de todas as condições sociais existentes. Que as classes dominantes estremeçam diante de uma revolução comunista. Os proletários nada têm a perder a não ser a servidão. Eles têm um mundo a conquistar. Trabalhadores de todo mundo, uni-vos!" EXPLORAÇAO Se um trabalhador produz uma mercadoria, ela tem um determinado valor de venda. Se deduzirmos do valor de venda os salários dos trabalhadores e os custos de outros produtos, sempre irá restar certa quantia. Essa quantia Marx chamou de lucro. Em outras palavras, o capitalismo embolsa um valor que, na verdade, foi gerado pelo trabalhador. É isso o que quer dizer exploração. O capitalista então investe uma parte do lucro em novo capital - por exemplo, na modernização das máquinas e instalações da fabrica na esperança de produzir mercadorias ainda mais baratas, e com isso aumentar os lucros no futuro. Isso parece lógico, mas, em longo prazo, as coisas não acontecem como o capitalismo imagina. Marx estava convencido de que haveria uma serie de contradições no método capitalista de produção. Para ele, o capitalismo seria um sistema econômico autodrestrutivo, porque desprovido de controle racional. Faria parte do sistema capitalista ir ao encontro de sua própria destruição. Nesse sentido, o capitalismo seria "progressista", por ser uma etapa no caminho do comunismo. Imagine que o capitalista tenha dinheiro sobrando e usa parte dessa sobra para modernizar sua fábrica. Ele compra maquinário novo para aumentar seu próprio poder de competição e, por isso, não precisa mais de tantos empregados. Acontece que ele não é o único a pensar assim. O que significa que a produção como um todo vai se tornando mais eficiente. As fábricas ficam cada vez maiores e, pouco a pouco, vão sendo concentradas nas mãos de uma minoria. Como conseqüência, cada vez menos trabalhadores são necessários, o que resulta em mais e mais desempregados. Aumentam, portanto, os problemas sociais. Para Marx, crises como essas seriam um sinal de que o capitalismo estaria marchando rumo à própria destruição. Na descrição de Marx, o capitalismo possuiria vários outros elementos autodestrutivos. Sempre que o lucro for investido nos meios de produção, sem que haja um excedente suficiente para garantia a continuidade da produção a preços competitivos, o dono da fábrica terá de baixar salários a fim de poder comprar matérias-primas para a produção. Quando isso ocorre em grande escala, os trabalhadores empobrecem tanto que não podem comprar mercadorias. Com a queda do poder de compra, o colapso do sistema se torna iminente. Surgiria assim uma situação revolucionaria. APÓS A REVOLUÇAO Marx previu que na primeira etapa apos uma revolução surgiria uma nova "sociedade de classes" na qual os proletários subjugariam a burguesia pela força. Marx chamou a isso de ditadura do proletariado. Mas, após um período de transição, essa ditadura daria lugar a uma "sociedade sem classes", na qual os meios de produção pertenceriam "a todos" - ou seja, ao próprio. 2
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