O que é literatura de cordel
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Like this? Share it with your network

Share

O que é literatura de cordel

  • 2,654 views
Uploaded on

Literatura de Cordel

Literatura de Cordel

More in: Education
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
No Downloads

Views

Total Views
2,654
On Slideshare
2,654
From Embeds
0
Number of Embeds
0

Actions

Shares
Downloads
35
Comments
1
Likes
1

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. O QUE É LITERATURA DE CORDEL É história contada em versos Jorge Marcos de Oliveira1 Em estrofes a rimar, Escrita em papel comum Responder esta pergunta não Feita pra ler ou cantar é tarefa das mais fáceis. É extremamente (...) difícil encontrar uma resposta que O cordel é uma expressão satisfaça a todos os estudiosos do tema. Da autêntica poesia Encontramos diversas formas de definir Do povo da minha terra o que é Literatura de Cordel, também Que luta pra que um dia conhecida por folhetos de feiras, "folhas Acabem a fome e miséria, volantes" ou "folhas soltas" ou ainda Haja paz e harmonia.5 literatura de cego2. Uma delas é de autoria de Marco Haurélio 3, que assim a Literatura de Cordel é, como define é: qualquer outra forma artística, uma manifestação cultural. Por meio da “a poesia popular impressa e escrita são transmitidas as cantigas, os herdeira do romanceiro poemas e as histórias do povo — pelo tradicional, da literatura próprio povo.6 É uma modalidade oral (em especial dos contos impressa de poesia, original do Nordeste populares, com do Brasil, que já foi muito estigmatizada, predominância dos contos de mas hoje em dia é bem aceita e encantamento)”. respeitada7, possuindo, inclusive uma Academia Brasileira de Literatura de Francisco Diniz4 recorre ao Cordel, fundada em 1988 8. Segundo Ana formado de cordel para definir, segundo Paula Araujo9, seu ponto de vista o que é Literatura e Cordel: “devido ao linguajar despreocupado, Literatura de Cordel regionalizado e informal É poesia popular, utilizado para a composição dos textos essa modalidade 1 Jorge Marcos de Oliveira. Professor de História da Rede Pública e Privada de Ensino. Coautor de “De Massaranduba a Industrial” e “Os 5 Este texto faz parte do Cd Literatura de Cordel 6 Símbolos Municipais”, entre outros. http://www.lendo.org/o-que-e-literatura-de- 2 21 de março de 2013 Esta nomenclatura é devido a uma lei cordel-autores-obras/ 7 promulgada por Dom João V, autorizando o Araújo, A. Ana Paula de in comércio dos folhetos pela Irmandade dos http://www.infoescola.com/literatura/literatura- Homens Cegos de Lisboa. de-cordel/ 3 8 Cordelista e pesquisador da Cultura Popular Concebida por Gonçalo Ferreira da Silva, Brasileira. Coordena pela editora Nova cearense de Ipu, poeta com raízes eruditas e Alexandria, a Coleção Clássicos em Cordel. populares. A Academia acabou se fundindo Literatura de Cordel: Tradição e modernidade com a Casa de Cultura São Saruê, criada pelo in General Humberto Pelegrino, e incorporou ao http://www.recantodasletras.com.br/cordel/181 seu acervo preciosidades hoje à disposição de1 7119. Acessado em 27 de agosto de 2012. estudiosos e entusiastas do cordel.Página 4 9 Francisco Diniz. O que é Literatura de Cordel? Araújo, A. Ana Paula de in In http://literaturadecordel.vila.bol.com.br. http://www.infoescola.com/literatura/literatura- Acessado em 27 de agosto de 2012. de-cordel/
  • 2. de literatura nem sempre foi ilustradas pelos artistas responsáveis respeitada”. pela xilogravura no cordel. A Literatura de Cordel faz Encontramos esta outra parte do folclore, da cultura popular. definição de Literatura de Cordel: Para a Comissão Nacional do Folclore (1995) Cultura Popular e Folclore são “literatura de cordel é um entendidos como sinônimo. Pode ser assim definida: “conjunto das criações tipo de poesia popular, culturais de uma comunidade, baseado originalmente oral, e depois nas suas tradições expressas individual impressa em folhetos ou coletivamente, representativo de sua identidade social” 11 rústicos ou outra qualidade Luis da Câmara define o de papel, expostos para folclore como “[...] a cultura do popular, venda pendurados em cordas tornada normativa pela tradição”. Portanto, para o autor o folclore é a ou cordéis, o que deu origem própria cultura popular 12. ao nome que vem lá de Cristiane Nepomuceno assim Portugal, que tinha a se posiciona quanto cultura popular: tradição de pendurar “cultura popular que folhetos em barbantes”10. perpassa a tradição e possui característica dinâmica e transformadora. Na cultura Diferentemente de outras que ao passo que se formas de literatura, o cordel é derivado moderniza e se transforma, da tradição oral. Isto é, surge da fala também não esquece suas comum das pessoas, e também das raízes: À própria cultura histórias como contadas por elas, e não popular e ao povo cabe como fixadas no papel. A literatura 11 nasceu oral e foi assim durante muito COMISSÃO NACIONAL DE FOLCLORE. Carta do folclore brasileiro. Salvador: [s.n.], tempo. 1995, 1 In: BRASIL. Ministério da Educação. Fundação Joaquim Nabuco. Disponível em: Com a diversidade de <http://www.fundaj.gov.br/geral/folclore/carta. pdf>. Citado por ASSIS, Regiane Alves de; assuntos que aborda e com uma TENÓRIO, Carolina Martins; BARBOSA, 21 de março de 2013 linguagem poético-visual, o folheto de Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte de informação. Ver CRB-8 Digital, São Paulo, cordel atrai olhares e é – ou foi - fonte de v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 | inspiração para grandes escritores. A http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de admiração entre cordel e grandes autores agosto de 2012. 12 CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do é recíproca. Clássicos da literatura folclore brasileiro. 11.ed. São Paulo: Global, mundial já podem ser lidos em 2001., p. 240. Citado por ASSIS, Regiane adaptações produzidas por cordelistas e Alves de; TENÓRIO, Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de2 cordel como fonte de informação. Ver CRB-8Página 10 Literatura do Cordel. Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 http://aracajumaisbela.no.comunidades.net/inde | http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de x.php?pagina=1063035625 agosto de 2012.
  • 3. reinventar, recriar e galanteios para, quase sempre agradar ressignificar o seu saber e o aos poderosos.14 seu saber-fazer. Revelar a Posteriormente, esses artistas todos que seu universo vai começaram a registrar suas falas em além da conservação, preservação ou resgate, folhas soltas, prendendo-as em torno do tampouco pré-moderna e corpo em barbantes para que as atrasada. Necessário se faz recitassem e, ao mesmo tempo, apreender a cultura popular garantissem as mãos livres para os como resultado de momentos movimentos.15 Esses autores, históricos específicos e denominados de trovadores, geralmente, consequentemente dinâmica, quando as declamava, eram apta a apropriar-se das práticas culturais mais acompanhados por uma viola, que eles diversas e adaptá-las ao seu mesmos tocam.16 Eles “se apresentavam cotidiano”.13 para o povo e falavam da cultura popular da localidade, dos acontecimentos mais Dentre as diferentes falados nas redondezas, de amor, etc.” expressões da cultura popular, podemos Segundo Érica Georgino 17, o incluir a Literatura de Cordel. verbete "cordel" apareceu apenas em ORIGEM DA LITERATURA DE 1881, registrado no dicionário português CORDEL Caldas Aulete. Era sinônimo de publicação de baixo valor e prestígio, Quando surgiu a Literatura como as que na época eram vendidas de Cordel? Eis outra difícil pergunta a penduradas em cordões na porta das ser respondida. livrarias - esses "varais" de literatura Para alguns, as origens do logo caíram em desuso, mas o nome cordel nos remete a Idade Média. A prevaleceu. origem dos cordéis são as cantigas dos O termo “literatura de trovadores medievais, que comentavam cordel” foi cunhado pela primeira vez as notícias da época usando versos, que pelo pesquisador francês Raymond eles próprios cantavam. Esta forma Cantel “para designar os folhetos da literária era muito praticada pelos literatura popular, vendidos nas feiras trovadores, que declamavam louvações e populares, pendurados em pequenas cordas, cordinhas, cordões”.18 13 14 21 de março de 2013 NEPOMUCENO, Cristiane Maria. O jeito Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da nordestino de ser globalizado. 2005, p. 31. Academia Brasileira de Literatura de Cordel. 193 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais)– Ver Como surgiu a literatura de cordel de Érica Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Georgino. 15 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Como surgiu a literatura de cordel de Érica Natal, 2005. Disponível em: Georgino. 16 <http://bdtd.bczm.ufrn.br/tedesimplificado//tde Araújo, A. Ana Paula de in _busca/ arquivo.php?codArquivo=149>. Citado http://www.infoescola.com/literatura/literatura- por ASSIS, Regiane Alves de; TENÓRIO, de-cordel/ 17 Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Ver Como surgiu a literatura de cordel de3 Literatura de cordel como fonte de informação. Érica Georgino.Página 18 Ver CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3- Dicionário Brasileiro de Literatura de Cordel 21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. (2005, p. 45 apud VASQUEZ, 2008, p. 11). Acessado em 28 de agosto de 2012. Citado por ASSIS, Regiane Alves de;
  • 4. multidões onde ali se estaria narrando, a O CORDEL NO BRASIL modo de reportagem, algum feito heroico, alguma novidade espetacular. A literatura de cordel é hoje Desde os tempos medievais, uma das mais importantes manifestações mesmo nos pequenos vilarejos, existia , da literatura popular brasileira. O cordel pelo menos um dia da semana, quando está presente em todo o Brasil, mas é no se realizavam as tocas de mercadorias – nordeste que mostra sua força. Aqui o as feiras. Era justamente nessas ocasiões, cordel fincou suas raízes e floresceu. que, “um grande número de pessoas se Não resta a menor dúvida entre os dirigia à cidade, e ali os camponeses estudiosos que foram os portugueses os vendiam seus produtos, os comerciantes responsáveis pela introdução da ofereciam suas mercadorias e artistas se Literatura de Cordel no Brasil. No apresentavam para a multidão”. Em Brasil, a literatura de cordel é produção meio as transações comerciais surgia o típica do Nordeste. Por volta de 1750, artista querido por muitos – o trovador apareceram os primeiros poetas ou menestrel, que logo começavam a populares que narravam sagas em contar histórias de todo tipo: de versos, visto que a maioria desse povo, aventuras, de romance, de paixões e sequer sabia ler e as histórias eram lendas de reis valentes. decoradas e recitadas nas feiras ou nas Ao final da performace, da praças19. apresentação, a plateia agradecida, Foi no Nordeste, desde a recompensava o artista, jogando moedas época da colonização, distante dos dentro do estojo do instrumento musical centros do litoral, abandonado pelas do artista (alaúde). O trovador, satisfeito, autoridades, dominado pelos grandes agradecia e partia em direção a outra proprietários de terras – os fazendeiros e cidade ou da próxima feira.20 senhores de engenhos, onde as leis, as normas, os valores e costumes eram Segundo Paulo Moura21, ditados por eles. Esse foi o cenário ideal para se talhado o homem nordestino – “o ano de 1830 é valente e destemido. considerado historicamente, O nordestino absorveu do o ponto de partida da poesia colonizador europeu a poesia e a prosa popular nordestina. Tendo transformado em discurso em meio às como seus primeiros 21 de março de 2013 divulgadores os poetas TENÓRIO, Carolina Martins; BARBOSA, Ugolino de Sabugi e seu Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte irmão Nicandro, filhos do de informação, p.11. Ver CRB-8 Digital, São não menos famoso Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de 20 agosto de 2012. Fábio Sombra. “Proseando Sobre Cordel”. 19 Literatura de Cordel. Poesia popular Extraído do Blog Cultura Nordestina. 21 característica do Nordeste in Pedagogia & Ver Blog Educar com Cordel de Paulo Moura4 Comunicação, p. 3 in inPágina http://educacao.uol.com.br/cultura- http://portaldopajeu.com/index.php/cultura/42- brasileira/literatura-de-cordel-1-poesia- cultura/358-origem-da-literatura-de- popular-caracteristica-do-nordeste.jhtm cordel.html
  • 5. Agostinho Nunes da Costa A literatura de cordel como Teixeira. Estes, os primeiros um meio de comunicação, retrata a cantadores da poesia de pé cultura do povo nordestino através da de parede e dos contos que expressão de seus valores, convidando a se faziam acompanhar com o refletir acerca da realidade da sociedade repique da viola, da rabeca, em que vivemos, possibilitando a do pandeiro ou até mesmo inserção de ideias e dessa maneira do ganzá”. influencia e modifica o leitor por meio de seus folhetos25. A literatura de cordel Outros afirmam que “as evoluiu, passando da comunicação oral honras de "pai" da literatura de cordel para a comunicação escrita, e atualmente brasileira cabem ao paraibano Leandro modificou a forma de se comunicar com Gomes de Barros, que começou a seus leitores, se desprendendo de seu imprimir livretos e alcançou o mérito, suporte tradicional, o folheto, e indo para digno de poucos poetas, populares ou o mundo digital26. não, de sustentar a família apenas com os dividendos das centenas de títulos A incorporação dessas novas lançados”. 22 tecnologias tem garantido “a sobrevivência dos cordelistas, que não Com as primeiras dependiam mais de um único suporte publicações, a literatura de cordel se para a produção de sua arte”27. Esta nova transformou na coqueluche do nordeste, alcançando quase todos os estados 25 SILVA, Silvio Profirio da et. al. Literatura de nordestinos em particular e os de todo o cordel: linguagem, comunicação, cultura, país, de certa forma.23 Um dos primeiros memória e interdisciplinaridade. Raídos, Dourados, MS, v. 4, n. 7, p. 303-322, jan./jun. cordéis de sucesso foi A Guerra de 2010. Citado por ASSIS, Regiane Alves de; Canudos, em que o conflito de 1896 e TENÓRIO, Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte 1897, opondo Antônio Conselheiro ao de informação, p.9. Ver CRB-8 Digital, São Exército brasileiro.24 Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado em 28 de agosto de 2012. LITERATURA DE CORDEL COMO 26 SILVA, 2010, p. citado por ASSIS, Regiane MEIO DE COMUNICAÇÃO Alves de; TENÓRIO, Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte de informação, p.9. Ver CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, 22 21 de março de 2013 Ver Como surgiu a literatura de cordel de jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado Érica Georgino. em 28 de agosto de 2012. 23 27 Ver Blog Educar com Cordel de Paulo Moura DINIZ, Madson Góis. Do folheto de cordel in para o cordel virtual: interfaces hipertextuais da http://portaldopajeu.com/index.php/cultura/42- cultura popular. Hipertextus: revista digital. v. cultura/358-origem-da-literatura-de- 1. 2007. Disponível em: cordel.html <http://www.hipertextus.net/volume1/artigo11- 24 O tema foi “retratado em versos por João madson-gois.pdf>. Citado por ASSIS, Regiane Melquíades Ferreira da Silva, que fora soldado Alves de; TENÓRIO, Carolina Martins; naquelas batalhas e se tornaria um grande BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de5 nome da primeira geração de cordelistas cordel como fonte de informação. 9. Ver CRB-Página brasileiros”. Citado por Érica Gregorino em 8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 3-21, jan. Como surgiu a Literatura de Cordel. Acessado 2012 | http://revista.crb8.org.br. Acessado em em 27 de agosto de 2012. 28 de agosto de 2012.
  • 6. forma de se comunicar e manter viva a Humorísticos e picarescos (os mais tradição do cordel também permitem que populares); Exemplos morais (deixam surjam novos autores e novas formas de uma lição); Pelejas (relatos de cantorias colaboração. As famosas pelejas dos entre repentistas. Os textos são frutos da folhetos de cordel foram incorporadas no imaginação do cordelista); Folhetos de meio digital e não perderam seu discussão (apresentam dois pontos de dinamismo, e seus leitores podem vista sobre uma mesma questão) e acompanhar tanto o resultado final desse conselhos, profecias, cachorradas, embate. descaração, política, educação e aqueles feitos sob encomenda.29 Com o advento OS TEMAS dos meios de comunicação de massa, os astros da TV também passaram a O que os cordelistas falam aparecer como personagens de cordel. em seus folhetos? Na literatura de cordel nordestina há uma grande variedade de temas, tradicionais ou contemporâneos, que refletem a vivência popular, desde os problemas atuais até a conservação de narrativas inspiradas no imaginário ibérico. Portanto, os temas são os mais variados. Eis alguns temas: Romances (histórias de amor não correspondido, virtudes ou sacrifícios); Histórias mágicas e maravilhosas (histórias da carochinha, que falam de príncipes, Acervo da Cordelteca “João fadas, dragões e reinos encantados); Firmino” Histórias ligadas ao cangaço e a tema religioso (apresentam o imaginário nordestino ligado a figuras como Lampião); Noticiosos (funcionam como jornais) 28; Histórias de valentia (apresentam personagens lendários na 21 de março de 2013 região); Anti-heróis (falam de nordestinos que vencem mais pela esperteza do que pela força); 28 Como no Nordeste, no início do século XIX não havia jornais, rádio ou televisão, os cordéis passaram a falar também sobre os 29 acontecimentos recentes. Ver De que nos fala a Ver Blog Educar com Cordel de Paulo Moura6 literatura de cordel? inPágina http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/ima http://portaldopajeu.com/index.php/cultura/42- ges/atividadespedagogicas/atividade-literatura- cultura/358-origem-da-literatura-de- de-cordel.pdf cordel.html
  • 7. Segundo Mark J. Curran31 os folhetos cumpriram o papel de jornal e novela do povo sertanejo, exerceram a função de ao mesmo tempo informar e entreter, em muitos momentos integrando à vida nacional populações que ainda não haviam sido atendidas pelos serviços tradicionais de comunicação. Na opinião de Raymond 32 Acervo da Cordelteca “João Cantel , o nosso cordel "o mais Firmino” importante, no sentido quantitativo, entre as literaturas populares do mundo" em função da quantidade de livretos publicados. A XILOGRAVURA A xilogravura foi adotada pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel como a ilustração por excelência dos folhetos de cordel. Ela é a ilustração mais característica, mas não a única. Como diz Marco Haurélio, Acervo da Cordelteca “João Firmino” “a ilustração não nasceu com o cordel. As primeiras publicações não utilizavam No século XX, marcado capas ilustradas. Nas primeiras pelas inovações tecnológicas, novas publicações eram usadas as chamadas formas de comunicação entre as pessoas, “capas cegas”, sem qualquer ilustração”. “o teor da literatura de cordel jamais parou de se desenvolver. Os versos não 21 de março de 2013 Literatura de Cordel. Acessado em 27 de abandonaram o tom matuto, o diálogo do agosto de 2012. 31 Mark J. Curran. Retrato do Brasil em Cordel. sertanejo com suas crenças, suas Citado por Érica Gregorino em Como surgiu a percepções e seus dilemas cotidianos, Literatura de Cordel. Acessado em 27 de agosto de 2012. embora ao longo das décadas a realidade 32 Segundo Érica Gregorino, Raymond Cantel é do povo nordestino mudasse e muitos autoridade internacional no tema. Chegou ao autores e leitores partissem, em ondas Brasil na década de 1950 para pesquisas de campo, tornou-se um dedicado colecionador migratórias, para o centro-sul do país”. 307 das histórias e introduziu seu estudo naPágina Universidade de Sorbonne, em Paris. Ver Érica 30 Mark J. Curran. Retrato do Brasil em Cordel. Gregorino in Como surgiu a Literatura de Citado por Érica Gregorino em Como surgiu a Cordel. Acessado em 27 de agosto de 2012.
  • 8. As editoras preferiam os desenhos e os acervo. Cabe a toda a Biblioteca e ao clichês de cartões postais e com fotos de “profissional bibliotecário disponibilizar artistas de Hollywood.33 e divulgar este tipo de literatura, demonstrando seu valor e importância. A presença da literatura de cordel na biblioteca contribui não só para a valorização de seu conteúdo informativo, mas também de seu autor”34. Desde 2013 funciona no térreo da Biblioteca Clodomir Silva no bairro Siqueira Campos, a primeira Cordelteca do Estado de Sergipe. A iniciativa foi do cordelista Gilmar Santana Ferreira. Trata-se de uma pequena sala onde abriga um minúsculo acervo cordelista sergipano bem como a biografia e foto de 36 cordelistas Exemplo de Xilogravura. Acervo da Cordelteca sergipanos ou radicalizado aqui. “João Firmino” REPENTISTA X CORDELISTA Por conta desta musicalidade, o cordel é constantemente confundido com o repente. É sempre bom lembrar que repentista não é cordelista, e cordelista não é repentista. Repentista pode ser cordelista, e vice- versa. Mas não é regra. Têm-se registros Interior da Cordelteca “João Firmino” na de repentistas que se aventuram com Biblioteca “Clodomir Silva” sucesso pela literatura de cordel, apesar de raros nos dias atuais, existem. A este espaço foi dado o CLODOMIR SILVA E A nome de “Cordelteca João Firmino CORDELTECA Cabral”, “conhecido por ser o maior 21 de março de 2013 cordelista do estado de Sergipe em Embora seja a literatura de atividade. Ele cresceu ouvindo e lendo as cordel potencial fonte de informação e histórias escritas pelo pai. É dele a um meio de comunicação de linguagem missão de abrir todas as manhãs a única acessível, ainda são poucas as bibliotecas que possuem folhetos em seu 34 ASSIS, Regiane Alves de; TENÓRIO, Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia8 33 Literatura de Cordel: Tradição e modernidade Literatura de cordel como fonte de informação,Página in p. 18. Ver CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 1, http://www.recantodasletras.com.br/cordel/181 p. 3-21, jan. 2012 | http://revista.crb8.org.br. 7119. Acessado em 27 de agosto de 2012. Acessado em 28 de agosto de 2012.
  • 9. barraca do Mercado Antônio Franco 35 no João Firmino Cabral38 centro de Aracaju, destinada a literatura BIBLIOGRAFIA BÁSICA de cordel. João Firmino é natural de Itabaiana, nascido no ano de 1940. ACOPIARA, Moreira de. Cordel em Aprendeu a ler praticamente sozinho, arte e versos. Xilogravuras de ouvindo as leituras do seu mestre Erivaldo Ferreira da Silva. São Manoel D’Almeida Filho. Aos dezessete Paulo: Acatu, 2009. anos escreveu seu primeiro folheto, uma ______. O que é cultura popular. Xilogravura de Erivaldo da Silva. profecia do Padre Cícero.36 São Paulo: [s.n], 2006. AMORIM, Maria Alice. Existe um João Firmino há 55 anos tem novo cordel?: Imaginário, procurado elevar a cultura nordestina. tradição, cibercultura. [2008?]. Possui mais de 200 obras publicadas e Acervo Maria Alice Amorim: tem grande reconhecimento fora do catálogo de literatura de cordel. estado. Reina uma certa mágoa, pois, Acesso em: 25 out. 2011. Disponível em: < sendo filho ilustre da terra sente muito http://www.cibertecadecordel.com. pela desvalorização do povo de Sergipe. br/pdf/existeumnovo cordel.pdf>. “A gente aqui vende mais para turista, o ÂNGELO, Assis. As origens do cordel. pessoal daqui mesmo não leva muito, só In:______. Presença dos estudantes de escolas ou cordelistas e cantadores universidades”. 37 repentistas em São Paulo. São Paulo: IBRASA, 1996. ______. Uma breve história do cordel. Xilo: Nireuda. São Paulo: [s.n.], [2003]. ARANTES, Antonio Augusto. O que é cultura popular. São Paulo: Brasiliense, 1995. ASSIS, Regiane Alves de.; TENÓRIO , Carolina Martins; BARBOSA, Cleiton Garcia Literatura de cordel como fonte de informação. Trabalho de conclusão de curso da Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) 21 de março de 2013 sob orientação da Profª Dra. Tânia Callegaro e coordenação da Profº Dra. Maria Ignês Carlos Magno. CRB-8 Digital, São Paulo, v. 5, n. 35 Horário de funcionamento: das 09 ás 17 1, p. 3-21, jan. 2012 | horas. http://revista.crb8.org.br. Acessado 36 em 28 de agosto de 2012. http://reporterpontocom.wordpress.com/2011/04/9 30/o-cordel-em-sergipe/Página 37 http://reporterpontocom.wordpress.com/2011/04/ 38 Acervo da Cordelteca – Biblioteca Clodomir 30/o-cordel-em-sergipe/ Silva
  • 10. BRANDÃO, Adelino. Crime e castigo HAURÉLIO, Marco; SÁ, João Gomes no cordel: (crime e pena no de. O cordel: sua história, seus folheto de cordel e no romanceiro valores. Revista Cultura Crítica, folclórico do Brasil). Rio de São Paulo, p. 17-21, jul./dez. 2007. Janeiro: Presença, 1991. KUNZ, Martine. Cordel, criação CASA NOVA, Vera L. C. Cordel e mestiça. Revista Cultura Crítica, biblioteca. R. Esc. Bibliotecon. São Paulo, p. 26-31, jul./dez. 2007. UFMG, Belo Horizonte, v. 1, n. LUCIANO, Aderaldo. Literatura de 11, p. 7-13, mar. 1982. cordel, literatura brasileira. CASCUDO, Luís da Câmara. Revista Cultura Crítica, São Dicionário do folclore brasileiro. Paulo, p. 32-37, jul./dez. 2007. 11. Ed. São Paulo: Global, 2001. LUYTEN, Joseph M. O que é literatura CHAUI, Marilena. Introdução, como de de cordel. São Paulo: Brasiliense, praxe. In:______. Conformismo e 2007. (Coleção Primeiros Passos; resistência: aspectos da cultura 317). popular no Brasil. São Paulo: MATOS, Edilene. Literatura de cordel: a Brasiliense, 1996. escuta de uma voz poética. Revista CLÁSSICOS rimados: obras célebres Cultura Crítica, São Paulo, p. 8- como “Os miseráveis” e “O 14, jul./dez. 2007. alienista” ganham versões de MELO, Veríssimo. Literatura de cordel: cordel. Folha de S. Paulo, São visão histórica e aspectos Paulo, 30 mar. 2009. Folhateen, p. principais. In: LOPES, José 5. Ribamar (Org.). Literatura de COMISSÃO NACIONAL DE cordel: antologia. 3. ed. Fortaleza: FOLCLORE. Carta do folclore Banco do Nordeste do Brasil, brasileiro. Salvador: [s.n.], 1995. 1994. In: BRASIL. Ministério da NEPOMUCENO, Cristiane Maria. O Educação. Fundação Joaquim jeito nordestino de ser Nabuco. Disponível em: globalizado. 2005. 193 f. Tese <http://www.fundaj.gov.br/geral/fo (Doutorado em Ciências Sociais)– lclore/carta.pdf>. Acesso em: 27 Centro de Ciências Humanas, jul. 2011. Letras e Artes, Universidade DINIZ, Madson Góis. Do folheto de Federal do Rio Grande do Norte, cordel para o cordel virtual: Natal, 2005. Disponível em: interfaces hipertextuais da cultura <http://bdtd.bczm.ufrn.br/tedesimp popular. Hipertextus: revista lificado//tde_busca/ digital. v. 1. 2007. Disponível em: arquivo.php?codArquivo=149>. <http://www.hipertextus.net/volum Acesso em: 15 jul. 2011. e1/artigo11-madson-gois.pdf>. OLIVEIRA, Maria José. Benditos sejam: 21 de março de 2013 Acesso em: 02 maio 2011. uma nova maneira de perceber a FREIRE, Wilson. O cordel e suas Literatura de Cordel. In: histórias: medicina preventiva. INTERCOM – SOCIEDADE São Paulo: Abooks, [2002?]. BRASILEIRA DE ESTUDOS GALVÃO, Ana Maria de Oliveira. INTERDISCIPLINARES DA Papéis atribuídos à leitura/audição COMUNICAÇÃO; XXVI de folhetos. In:______. Cordel: CONGRESSO BRASILEIRO DE leitores e ouvintes. Belo CIÊNCIAS DA10 Horizonte: Autêntica, 2001. COMUNICAÇÃO; CONGRESSOPágina (Coleção Historial). ANUAL EM CIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO, 26., 2003,
  • 11. Belo Horizonte. Anais SILVA, Fernanda Isis C. da; SOUZA, eletrônicos... Belo Horizonte, Edivanio Duarte de. Informação e 2003. Disponível em: formação da identidade cultural: o <http://galaxy.intercom.org.br:818 acesso à informação na literatura 0/A3C7D68D-3C3F-4AD2-A342- de cordel. Inf. & Soc.:Est., João 310326349856/FinalDownload/Do Pessoa, v. 16, n. 1, p. 215-222, wnloadId- jan./jun. 2006. Disponível em: 13B34F0C6001DD7D426562E96 <http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index E8FC3AF/A3C7D68D-3C3F- .php/ies/article/view/455/1506>. 4AD2-A342- Acesso em: 5 out. 2010. 310326349856/dspace/bitstream/1 SILVA, Silvio Profirio da et. al. 904/51 Literatura de cordel: linguagem, 31/1/NP17OLIVEIRA.pdf>. comunicação, cultura, memória e Acesso em: 23 mar. 2011. interdisciplinaridade. Raídos, PAGLIUCA, Lorita Marlena Freitag et Dourados, MS, v. 4, n. 7, p. 303- al. Literatura de cordel: veículo de 322, jan./jun. 2010. comunicação e educação em TAVARES, Bráulio. A pedra do meio- saúde. Texto Contexto Enferm, dia ou Artur e Isadora: literatura Florianópolis, v. 16, n. 4, p. 662- de cordel. São Paulo: Ed. 34, 1998. 670, out./dez. 2007. Disponível TERRA, Ruth Brito Lemos. Memória em: de lutas: literatura de folhetos do <http://www.scielo.br/pdf/tce/v16n nordeste: 1893-1930. São Paulo: 4/ a10v16n4.pdf>. Acesso em: 11 Global, 1983. ago. 2010. VASQUEZ, Pedro Afonso. O universo PINTO, Maria Rosário. A evolução da do cordel. In: INSTITUTO Literatura de cordel. In: CULTURAL BANCO REAL. O INSTITUTO CULTURAL universo do cordel. Recife: Banco BANCO REAL. O universo do Real, 2008. cordel. Recife: Banco Real, 2008. 21 de março de 201311Página