XII Encontro sobre Investigação na Escola
“Compartilhar conhecimentos e práticas: um desafio para os educadores”

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Relato de experiência sm

  1. 1. XII Encontro sobre Investigação na Escola “Compartilhar conhecimentos e práticas: um desafio para os educadores” CONTRIBUIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO DO LEITOR CRÍTICO: DESMISTIFICANDO O PRECONCEITO Jonas dos Santos (jonas.santos.rs@hotmail.com) Luís Fernando da Rosa Marozo (luis.marozo@gmail.com) Resumo Acreditamos que a escola tem um papel importante: o de promover espaços de discussão sobre questões sociais. Entretanto, algumas temáticas consideradas tabu em nossa sociedade, como a homofobia, ainda sofrem resistências para serem abordadas com os alunos. O objetivo do nosso trabalho é, justamente, inserir na sala de aula reflexões sobre diversidade. Nossa inserção no ambiente escolar foi proporcionada pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à docência – PIBID, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES, com o subprojeto de Letras Língua Materna, na Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA – campus Jaguarão/RS. A possibilidade de tratar da homofobia no ensino está ancorada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) do Ensino Fundamental que criou os temas transversais no intuito de promover um ensino democrático, inclusivo e igualitário. Nesse sentido, buscamos aliar o tema transversal, homofobia, com a proposta do PIBID Letras língua materna, qual seja a formação de leitores capazes de entenderem a diferença entre os diversos gêneros discursivos, presentes na sociedade. Adotamos a metodologia interacionista de leitura que promove um intercâmbio entre leitor e texto, bem como o processo do antes, durante e depois da leitura (SOLÉ, 1998). A partir da notícia retirada do jornal “O Globo” do dia 18/07/2011, cuja manchete aborda “Pai e Filho são espancados após se abraçarem”, desenvolvemos a técnica de “leitura protocolada” (COSCARELLI, 1996), em uma turma do Ensino Fundamental, de uma escola situada no município de Jaguarão/RS. Percebemos que os alunos tiveram uma aprendizagem significativa, pois puderam produzir textos criativos e bem escritos que demonstraram seus conhecimentos acerca do gênero notícia; além disso, puderam expor sua visão e refletir sobre o que pensam em relação à homofobia. É necessário haver esses espaços de reflexão sobre diversidade porque foi possível averiguar como alguns alunos se sentiram incomodados e não quiseram participar do trabalho por causa de tal temática. Palavras chave: Ensino, Leitura, Preconceito. 1. CONTEXTO DO RELATO As atividades − do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à docência (PIBID), promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) – são desenvolvidas no Município de Jaguarão/RS, cidade fronteiriça com o Uruguai, que tem uma população estimada de 28.244 habitantes. Vale ressaltar que em 2011, o índice do Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), nas escolas estaduais, foi inferior a 3,5. Nesse sentido, acreditamos que a inserção do (PIBID) no ambiente escolar é importante para uma mudança favorável em relação a esses índices. Um dos objetivos do PIBID é promover o diálogo entre educação básica e educação superior e possibilitar ao acadêmico a inserção no âmbito escolar para que possa desenvolver metodologias para suas práticas futuras. Fazemos parte do subprojeto de Letras Língua Materna, na Universidade Federal do Pampa UNIPAMPA – campus Jaguarão/RS, que tem como objetivo desenvolver atividades para o Santa Maria, 23 e 24 de agosto de 2013.
  2. 2. XII Encontro sobre Investigação na Escola “Compartilhar conhecimentos e práticas: um desafio para os educadores” ensino de leitura em diferentes gêneros, tendo como base, as estratégias de leitura (SOLÉ, 1998). O subprojeto é coordenado pelo Prof.º Dr.º Luís Fernando da Rosa Marozo que orienta quinze bolsistas de Iniciação à Docência (ID) e três Supervisores, esses últimos, professores da rede básica de Jaguarão/RS. Dos quinze alunos, são distribuídos cinco bolsistas ID por escola. No nosso caso, fazemos nossa intervenção na Escola Municipal de Ensino Fundamental Marechal Castelo Branco, situada em um bairro periférico do município, em uma turma de 8ª série, com alunos na faixa etária entre 14 e 16 anos. Aplicamos atividades de produção textual com a supervisão da Professora Maria Tereza, utilizando diferentes gêneros, no intuito de fomentar o gosto pela leitura. Para esse relato, propomos expor as aulas, com o gênero notícia, nas quais tratamos a temática da diferença social. A escolha do gênero justifica-se por constatarmos, através de um questionário, que os alunos liam somente História em Quadrinhos (HQ) e Charges, pelo fato desses textos conterem imagens. Então, procuramos apresentar para os educandos novas formas textuais que também possuíam imagens, como noticias de jornal. Em relação à temática, escolhemos porque acreditarmos que no contexto escolar é necessário refletir e discutir questões como o preconceito. Isso é possível, pois os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) do Ensino Fundamental sugere que o ensino de temas transversais. Apesar de os educadores seguirem um currículo guia cada instituição tem a autonomia de adaptar à grade suas necessidades. Nesse sentido, partimos dos preceitos teóricos que tem como base uma concepção de leitura interativa na qual tratamos o antes, o durante e depois da leitura (SOLÉ, 1998) e procuramos promover a reflexão sobre o tema da notícia. 2. DETALHAMENTO DAS ATIVIDADES A atividade de leitura baseada em uma percepção interativa coloca o aluno no papel de um leitor autor que “[...] procura pistas formais, antecipa essas pistas, formula e reformula hipóteses, aceita ou rejeita conclusões.” (KLEIMAN, 2011). Para tal procedimento foi utilizada a técnica da leitura protocolada para que os educandos realizassem inferências e levantassem hipóteses sobre os fragmentos do texto. Esse modelo de atividade, desenvolvida em uma turma de 8º ano, propõe que o professor consiga: a) motivar seus alunos; b) proporcionar que eles conheçam o objetivo da atividade; c) incentivar suas reflexões; d) ativar seus conhecimentos prévios e e) possibilitar que eles posicionem-se diante do texto. Para nossa atividade, os dois últimos itens serão explorados com a técnica de leitura protocolada. Como primeiro passo, perguntamos aos alunos sobre o que seria para eles uma notícia, se tinham o hábito de lerem jornais e quais temáticas preferiam. Em seguida, compartilhamos diferentes tipos de jornais, para que os alunos lessem em grupo e pedimos a eles que cortassem as notícias e relatasse qual era o tema. Na aula seguinte, selecionamos as notícias escolhidas e confeccionamos um mural intitulado, “Fique por dentro”, o qual seria inserido novas notícias semanalmente. Na terceira aula apresentamos para os alunos as estruturas do gênero notícia para que eles identifiquem as especificidades e possam explorá-las no processo da escrita, pois os alunos teriam que escrever uma notícia. Na aula seguinte, exploramos as estratégias incentivadas durante a leitura, quais sejam ler, resumir, solicitar esclarecimentos e prever sentidos. Segundo Palincsar e Brown (1984) essa ordem possibilita auxiliar a compreensão leitora do educando. Na quinta aula desenvolvemos a técnica protocolada com uma notícia específica para que os alunos pudessem refletir. A manchete era “Pai e Filho são confundidos com casal gay e Santa Maria, 23 e 24 de agosto de 2013.
  3. 3. XII Encontro sobre Investigação na Escola “Compartilhar conhecimentos e práticas: um desafio para os educadores” agredidos por grupo em São João da Boa Vista, SP”. Mostramos primeiramente a imagem impressa e digital e realizamos algumas perguntas: o que tratará a notícia? Como ocorreu a notícia? As hipóteses levantadas pelos educandos foram copiadas para o quadro para ver se seriam confirmadas após a leitura na integra. Posteriormente, colocamos, no slide, o primeiro parágrafo da notícia e pedimos para resumirem oralmente o texto, no intuito de esclarecer as possíveis dúvidas. Mostramos, então, o título e fizemos as seguintes perguntas: Que motivo levou um grupo de jovens ter decepado a orelha de um homem de 42 anos? Por que se formou um grupo para violentar um indivíduo? Vocês já vivenciaram algo parecido? Qual tipo de evento é este citado no fragmento? Em seguida, continuamos com a atividade lendo os parágrafos da notícia e seguindo a ordem (ler, resumir, solicitar esclarecimentos, prever). É interessante ressaltar que até os mais inquietos e despersivos quiseram levantavar hipóteses. Incentivamos, depois da leitura, que os alunos retirassem do texto as ideias principais e fizessem um resumo escrito sobre o que leram. Na sequência solicitamos a escrita de uma notícia que eles gostariam de relatar, mas não saiu em nenhum jornal. Na sexta aula, solicitamos aos alunos que sentassem em duplas para que pudéssemos entregar seus textos, pois nosso objetivo era que eles tivessem contato com o texto do colega, a fim de realizarem a revisão textual. Para tal procedimento, distribuímos dicionários e explicamos para os educandos que quando surgisse alguma dificuldade, eles poderiam consultá-lo. Acreditamos que esse momento é de suma importância no processo, pois eles revisariam o texto do outro colega e seria possível averiguar os vazios e as ideias incompletas. Nosso o objetivo seria, depois da revisão deles e da nossa, postar a notícia em um blog para que os textos pudessem ser lidos expostos na internet. Por fim, depois de os textos revisados, solicitamos ao laboratório de informática da escola para finalizar a atividade com o gênero notícia. Os alunos, com sua conta e senha criada, entraram no blog do projeto e eles mesmos postaram suas notícias. Notamos a empolgação dos alunos quando visualizaram seus textos no blog. Essa tarefa incentivou os educandos a lidarem com a tecnologia, pois alguns alunos não tinham acesso à internet tampouco tinham noções de informática. 3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DO RELATO A aplicação do projeto foi com os alunos do ensino médio, em uma escola no município de Jaguarão/RS, sendo de suma importância para compartilhar novas metodologias sobre o ensino de leitura. A inserção do subprojeto PIBID Letras- Língua Materna no contexto escolar percebeu que ainda há um espaço diluído para o desenvolvimento da compreensão leitora nas aulas de produção textual. A escolha do gênero notícia auxiliou para que a interação ocorresse com esses alunos, pois o indicado é escolher textos com temáticas apropriadas para o dialogo entre autor, texto e leitor. Atividade proporcionou discussões e reflexões em torno do texto, neste caso, a temática foi “homofobia”, no qual se teve um espaço para os jovens argumentarem e colocarem seus pontos de vista. Notamos que os alunos têm aproximação com a notícia, mas não percebiam as especificidades do gênero. Nesse sentido, é interessante que os professores levem diferentes textos para que os educandos conheçam a diversidade e possam por em prática seus conhecimentos prévios para levantar hipóteses e realizarem inferências. Para contribuir no auxílio da compreensão leitora dos alunos, acreditamos ser importante a utilização da técnica da leitura protocolada, pois foi possível ver a empolgação dos alunos no intuito de fazer e confirmar suas hipóteses. Nesse sentido, o resultado foi satisfatório, porque, segundo a professora titular, até mesmo os alunos que não costumavam participar das aulas de português, participaram e realizaram perguntas referentes à atividade. Santa Maria, 23 e 24 de agosto de 2013.
  4. 4. XII Encontro sobre Investigação na Escola “Compartilhar conhecimentos e práticas: um desafio para os educadores” Acreditamos que promover aulas nas quais os alunos produzam inferências e façam previsões sobre os possíveis caminhos do texto, possibilita uma atitude reflexiva e crítica. Um fato importante de ser compartilhado é o momento que finalizou a atividade, pois a maioria dos educandos sentiu-se enganado pelo autor do texto, já que esse tipo de técnica faz com que as hipóteses levantadas sejam renovadas na medida em que o texto vai sendo desvendado. A aula de produção textual tornou-se dinâmica, pois os alunos foram desafiados a expressar suas ideias oralmente, por escrito; além de terem que ler tanto a estrutura da noticia como o conteúdo temático. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebemos com este relato que há, geralmente, nos contextos escolares a proibição de manifestações discursivas, por ainda se ter uma ideologia baseada na educação bancária, que segundo Paulo Freire é quando “[...] o educador é o que sabe e os educandos, os que não sabem; o educador é o que pensa e os educandos, os pensados; o educador é o que diz a palavra e os educandos, os que escutam docilmente [...]” (FREIRE apud GADOTTI, 1989, p.9). Não se tem um espaço para os jovens refletirem sobre as leituras abordadas pelos professores e o texto é visto como produto fechado. Com o desenvolvimento da atividade se almejou colaborar para pensar outras maneiras de lidar com a leitura e a escrita. Lembramos que hoje é necessário um novo olhar para o texto e para a leitura, pois há metodologias eficazes no trabalho com a linguagem e que propiciam diálogos entre professor, aluno e texto. Em relação à temática, a sociedade avançou em várias questões que a escola ainda não trata de modo aberto. O espaço escolar deveria estar preparado para receber discutir assuntos ainda considerados tabus, como a homofobia e outras formas de violência. Acreditamos que com a utilização das estratégias de leitura para auxiliar a compressão leitora dos alunos e com desenvolvimento de atividades tendo em vista uma concepção de leitura em que ocorre uma interação entre texto e leitor, o aluno será formado dentro da perspectiva apontada pelos PCNs (1998). Concordamos com Solé (1998), para quem as estratégias ensinadas nas instituições de ensino: [...] devem permitir que o aluno planeje sua tarefa geral de leitura e sua própria localização – motivação, disponibilidade – diante dela, facilitarão a comprovação, a revisão, o controle do que lê e a tomada de decisões adequada em função dos objetivos perseguidos. (SOLÉ, 1998, p.73) Concluímos que as estratégias de leitura são essenciais para desenvolver e formar alunos/leitores proficientes, para que os educandos possam ler de forma independente os textos que circulam na sociedade. Esperamos que os alunos estejam preparados para serem críticos e tenham a capacidade de discernir entre o respeitar e se fazer respeitado. Santa Maria, 23 e 24 de agosto de 2013.
  5. 5. XII Encontro sobre Investigação na Escola “Compartilhar conhecimentos e práticas: um desafio para os educadores” 5. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação, Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, Brasília: INEP, 1999. COSCARELLI, C.V. O ensino da leitura: uma perspectiva psicolingüística. Boletim da Associação Brasileira de Lingüística. Maceió: Imprensa Universitária, dez.1996. p. 163174. CZAPSKI, S. A Implantação da Educação Ambiental no Brasil, Ed. MEC/Unesco, 1997 seção "Fichário", cap "PCN". KLEIMAN, A. Texto e leitor: Aspectos Cognitivos da Leitura. Campinas, SP: Pontes, 2002. MARTINS, M.H. O que é Leitura? 8. ed. São Paulo: Brasiliense, 1988. SOLÉ, I. Estratégias de Leitura. Porto Alegre: Artmed, 1998. Santa Maria, 23 e 24 de agosto de 2013.

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