Relatorio PEPAC: Inspeção Sanitária (DGV)

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Este relatório descreve não só o trabalho realizado, mas também a
experiência e o conhecimento adquiridos, ao longo dos doze meses, em que decorreu o
meu estágio profissional como assistente de Inspeção Sanitária na Direção Geral de
Veterinária de Lisboa e Vale do Tejo, mais concretamente no Núcleo de Intervenção
Veterinária de Torres Vedras.
Este estágio teve, como objectivo principal, uma abordagem directa e
objectiva do que é e como actua, na prática, a Inspeção Sanitária em Portugal
preparando assim, os formandos com os conhecimentos necessários e seguros para
futuro desempenho de funções na Inspeção Sanitária, quando tal for necessária

Relatorio PEPAC: Inspeção Sanitária (DGV)

  1. 1. DIREÇÃO DE SERVIÇOS VETERINÁRIOS DA REGIÃO DE LISBOA E VALE DO TEJO (D.S.V.R.L.V. T) DIVISÃO DE INTERVENÇÃO VETERINÁRIA DO OESTE (D.I.V.O.) NÚCLEO DE INTERVENÇÃO VETERINÁRIA DE TORRES VEDRAS (N.I.V.) RELATÓRIO DE ESTÁGIO – PEPAC 2010/2011 ÁREA DE FORMAÇÃO: Inspeção Sanitária Por: Job Carvalho Ferreira Torres Vedras, 2011
  2. 2. APROVADO EM: 15/ 07/ 10O orientador: Drª. Maria Helena Alvelos Dias Gomes Coordenadora do NIV Torres Vedras Direcção Geral de Veterinária DSVRLVT/DIVO/NIV TORRES VEDRAS (mhgomes@dgv.min-agricultura.pt)O estagiário: Engº. Job Carvalho Ferreira (job.ferreira@hotmail.com)
  3. 3. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 PREFÁCIO Este relatório descreve não só o trabalho realizado, mas também aexperiência e o conhecimento adquiridos, ao longo dos doze meses, em que decorreu omeu estágio profissional como assistente de Inspeção Sanitária na Direção Geral deVeterinária de Lisboa e Vale do Tejo, mais concretamente no Núcleo de IntervençãoVeterinária de Torres Vedras. Este estágio teve, como objectivo principal, uma abordagem directa eobjectiva do que é e como actua, na prática, a Inspeção Sanitária em Portugalpreparando assim, os formandos com os conhecimentos necessários e seguros parafuturo desempenho de funções na Inspeção Sanitária, quando tal for necessária. Este relatório foi elaborado tendo como alvo principal: inspectoressanitários, assistentes sanitários, agentes económicos interessados em obter maisinformação acerca do que é e como actua o corpo de Inspeção Sanitária, podendo serútil, também, a futuros estagiários nesta área de formação. Este relatório foi elaborado por Job Ferreira. 3
  4. 4. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 AGRADECIMENTOS Ao longo destes doze meses em que estive envolvido neste estágio, respectivaformação teórica e prática e, ainda, na redação deste relatório, tive a oportunidade e oprazer de contar com o apoio de um grupo vasto de pessoas que, directa ouindirectamente, contribuíram para o sucesso, que do meu ponto de vista, foi este estágio,quer como formando, quer como simples cidadão consumidor da industria de carnes... Sem qualquer ordem especial, gostava de agradecer plublicamente, a todo oCorpo de Inspeção do Matadouro Regional de Mafra, nomeadamente: Drª. Oihane eDrª. Ana Pinto e aos Engenheiros Sandra, Sebastião, Celeste e Otávio. Obrigado pelaajuda, camaradagem, compreensão e motivação. Um agradecimento especial também atodos os funcionários (sem excepção) deste matadouro e à sua respectiva Direção. Aqui registo também, o agradecimento ao Corpo de Inspeção da Sicasal,nomeadamente: Drª. Paula e Dr. Palma e aos Engenheiros: Susana, Branco e Natércia.O meu muito obrigado, também, aos operadores de linha de abate desta empresa. Queria ainda agradecer o apoio e camaradagem das seguintes Entidades: Dr.Alexander, Engº. Hugo, Drª. Elizabete, Drª. Sofia, Drª. Ana Guerreiro, Dr. Mário, Drª.Ana Bela e Dr. Rui Morgado e à Engª Armanda. Gostava de deixar também um agradecimento especial, pela simpatia, boavontade e amabilidade, ao Dr. Eurico (M.R. Mafra), Drª. Maria dos Anjos (Sicasal), atoda a família Caneira (H.M. Caneira), João Esteves e esposa (J.C. Esteves) e à Drª.Helena Gomes (Avibom). O meu muito obrigado. ... E como “os últimos são os primeiros”, o meu agradecimento, muito especial,à minha coordenadora de estágio, Dra. Maria Helena Alvelos Dias Gomes, pelo apoio,compreensão, simpatia, amabilidade, preocupação e carinho dispensados e que eurecordarei para sempre.. Espero não ter esquecido ninguém. Mas, se tal injustiça cometi, aqui deixo aabrangência das minhas antecipadas e indeléveis desculpas…Bem Hajam! 4
  5. 5. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 INDICE RESUMO ............................................................................................................10 LEGISLAÇÃO SUPORTE .................................................................................11 LISTA DE ABREVIATURAS ...........................................................................15 INTRODUÇÃO GERAL ....................................................................................16 PARTE A | FORMAÇÃO TEÓRICA ............................................................18 1. ORGANIZAÇÃO DA INDÚSTRIA AGRÍCOLA/EXPLORAÇÕES .....18 1.1. Disposições Gerais ...........................................................................18 2. BEM ESTAR ANIMAL ...............................................................................21 2.1. Disposições gerais ............................................................................21 2.2 Bem estar no transporte e descarga dos animais ...............................21 2.3. Animais mortos durante o transporte (SIRCA) ................................25 2.4. Influência do stress na qualidade da carne .......................................26 2.5. Atordoamento ou insensibilização ...................................................27 2.6. Sangria .............................................................................................30 2.7. Monitorização diária do bem estar animal .......................................32 3. INSPEÇÃO EM VIDA .................................................................................33 3.1. Disposições gerais ............................................................................33 3.2. Identificação animal e procedimentos gerais ..................................34 3.3. Etapas do exame em vida .................................................................36 3.4. Resultados do exame em vida ..........................................................38 3.5. Documentação de acompanhamento dos animais para abate ..........40 3.5.1 Bovinos ..............................................................................40 3.5.2. Pequenos ruminantes .........................................................43 3.5.3. Suínos ................................................................................43 3.5.4. Solípedes ...........................................................................43 5
  6. 6. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 4. INSPEÇÃO POST-MORTEM ......................................................................44 4.1. Disposições gerais ............................................................................44 4.2. Inspeção post-mortem ......................................................................45 4.3. Exame bacteriológico de carcaças ...................................................52 4.4. Marcação de carnes ..........................................................................52 4.5. Decisão sanitária ..............................................................................53 4.6. Abates especiais de emergência .......................................................54 4.7. Mapa de registo mensal das rejeições ..............................................56 4.8. Determinação da idade dos bovinos .................................................56 4.8.1. Dentição ............................................................................57 4.8.2. Maturidade óssea ...............................................................58 5. HIGIENE DAS OPERAÇÕES DE ABATE ...............................................59 5.1. Disposições gerais ............................................................................59 5.2. Fatores importantes na qualidade da carne ......................................59 5.2.1. Estado de limpeza dos animais ..........................................61 5.2.2. Eficácia da inspeção ante-mortem .....................................61 5.2.3. Sangria ...............................................................................61 5.2.4. Esfola e depilação ..............................................................62 5.2.5. Depilação ...........................................................................62 5.2.6. Evisceração ........................................................................62 5.2.7. Realação entre carcaça e as suas vísceras .........................63 5.2.8. Eficácia sda inspeção post-mortem ...................................63 5.2.9. Contaminação cruzada ......................................................63 5.2.10. Remoção dos subprodutos ...............................................64 5.2.11. Lavagem das carcaças e vísceras ....................................65 5.2.12. Arrefecimento das carcaças .............................................65 6
  7. 7. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 5.2.13. Experiência e formação profissional ...............................65 5.2.14. Roupa de proteção ...........................................................66 5.2.15. Utilização de vala mãos e esterilazores ...........................66 5.2.16. Outras atitudes higiénicas ................................................67 5.2.17. Condições gerais e especiais das instalações ..................67 5.2.18. Circuitos ..........................................................................67 6. HIGIÉNE DAS OPERAÇÕES APÓS ABATE ..........................................68 7. SUBPRODUTOS ..........................................................................................70 7.1. Disposições gerais ............................................................................70 7.2. Classificação dos subprodutosanimais .............................................71 7.2.1. Materiais de categoria 1 (M1) ...........................................71 7.2.2. Materiais de categoria2 (M2) ............................................72 7.2.3. Materiais de categoria 3 (M3) ...........................................72 7.3. Expedição de subprodutos animais ..................................................72 8. DOENÇAS DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA (DDO) ......................73 8.1. Disposições gerais ............................................................................73 8.2. Doenças de comunicação obrigatória à Comissão Europeia ...........73 8.3. Doenças de comunicação obrigatória nacional ................................75 8.4. Doenças de comunicação obrigatória ao OIE ..................................76 9. PROGRAMAS DE ERRADICAÇÃO ........................................................76 9.1. Disposições gerais ........................................................................76 10. SISTEMA DE TROCA DE INFORMAÇÃO RÁPIDA ..........................79 11. CONTROLOS VETERINÁRIOS .............................................................80 7
  8. 8. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 PARTE B │FORMAÇÃO PRÁTICA ...........................................................82 INTRODUÇÃO ........................................................................................... 82 A – MATADOURO REGIONAL DE MAFRA (MRM) ...............................83 1- BOVINOS .................................................................................................83 1.1. Disposições gerais .........................................................................83 1.2. Identificação (SNIRB) ..................................................................84 1.3. Passaporte ...................................................................................86 1.4. Recepção dos animais .....................................................................87 1.5. Registo dos brincos na base de dados e marcação das carcaças .....88 1.6. Inspeção ante-mortem ..................................................................89 1.7. Insensibilização e sangria ..............................................................91 1.8. Corte das extremidades podais ........................................................92 1.9. Esfola ...........................................................................................94 1.10. Cabeça e gânglios linfáticos ..........................................................94 1.11. Animais com mais de 48 meses e touros de lide ...........................97 1.12. Vísceras torácicas ...........................................................................99 1.13. Vísceras abdominais ...............................................................102 1.14. Corte longitudinal da carcaça e remoção da espinal medula .......104 1.15. Inspeção da carcaça e remoção dos rins ...................................104 1.16. Remoção das colunas a animais com mais de 30 meses ..............117 1.17. Pesagem e rotulagem ................................................................1082. PEQUENOS RUMINANTES ............................................................................108 2.1. Disposições gerais ...................................................................108 2.2. Inspeção de pequenos ruminantes ...............................................1093. CONCLUSÕES ............................................................................................114B – SICASAL, INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES, S.A. .........................1151. SUÍNOS .........................................................................................................115 1.1. Inspeção ante-mortem ............................................................115 1.2. Inspeção post-mortem ...........................................................116 8
  9. 9. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 1.3. Marcação dos lotes ...................................................................117 1.4. Marca de salubridade ..............................................................117 1.5. Destino das carcaças .............................................................118 1.6. Pesquisa de Triquinelas (Triquinelose) ....................................118 1.7. Unidade de transformação industrial .....................................1192. REGISTO FOTOGRÁFICO COMPLEMENTAR ................................................1203. CONCLUSÕES .................................................................................................129C. J.C.C ESTEVES E AVIBOM ...............................................................................1301. AVES .............................................................................................................1302. CONCLUSÕES ...............................................................................................131PARTE C │OBJETIVOS DO ESTÁGIO ............................................................132CONCLUSÃO FINAL ...........................................................................................150BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................152 9
  10. 10. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 RESUMO Este relatório pretende descrever resumidamente o conhecimento e experiênciapor mim adquiridos como Auxiliar de Inspeção Sanitária: principais funções na defesada saúde pública, o campo de intervenção, regulamentações e legislação associada, entreoutras. Foram objectivos deste estágio o desenvolvimento de competências pessoais, naárea de técnicas auxiliares dos actos de inspeção sanitária oficiais, tais como: avaliaçãodas condições de bem-estar dos animais no transporte e abate, inspeção sanitária emvida e post-mortem, controlo da higiene (incluindo a auditoria das boas práticas dehigiene e dos procedimentos HACCP nos matadouros, salas de desmancha e unidadesde processamento e armazenamento de carne) e contribuir com informação para osplanos de controlo e erradicação de doenças. Os resultados alcançados, durante estes doze meses, possibilitaram-me, quer emtermos teóricos, quer em termos práticos, uma vastíssima aquisição de experiência econhecimento que me possibilitarão, de futuro, desempenhar a função de Auxiliar deInspeção Sanitária com sucesso e profissionalismo.Palavras-chave: inspeção; sanitária; defesa; saúde; bem-estar; higiene; informação; controlo; erradicação. 10
  11. 11. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 LEGISLAÇÃO DE SUPORTE Regulamento (CE) nº 1760/2000 do Parlamento Europeu e do Conselho de 17 de Julho, que estabelece um regime de identificação e registo de bovinos relativo à rotulagem da carne de bovino e dos produtos à base de carne de bovino, e que revoga o Regulamento (CE) nº 820/97 do Conselho. Regulamento (CE) nº 178/2002 do Parlamento Europeu e do Conselho de 28 de Janeiro de 2002, que determina princípios e normas gerais da legislação alimentar, cria a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos e estabelece procedimentos em matéria de segurança dos géneros alimentícios; Regulamento (CE) nº 852/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de Abril de 2004, relativo à higiene dos géneros Regulamento (CE) nº 853/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de Abril de 2004, que estabelece as regras específicas de higiene aplicáveis aos géneros alimentícios de origem animal -Higiene no abate; Regulamento (CE) nº 854/2004 do Parlamento Europeu e do conselho de 29 de Abril de 2004, que estabelece regras específicas de organização dos controlos oficiais de produtos de origem animal destinados ao consumo humano; Regulamento (CE) nº 1/2005 do Conselho de 22 de Dezembro de 2004, relativo à protecção dos animais durante o transporte e operações afins; 11
  12. 12. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 Regulamento (CE) nº 999 do Parlamento Europeu e do conselho de 22 de Maio de 2001, que estabelece as regras para prevenção, o controlo e a erradicação de determinadas encefalopatias espongiformes transmissíveis. Regulamento (CE) nº 1183/2006 do Conselho de 24 de Julho de 2006, relativo à grelha comunitária de classificação das carcaças de bovinos adultos; Regulamento (CE) nº 103/2006 da Comissão de 20 de Janeiro de 2006, que estabelece disposições complementares para a aplicação da grelha comunitária de classificação das carcaças de bovinos adultos; Regulamento (CE) nº 700/2007 do Conselho de 11 de Junho de 2007, relativo à comercialização da carne de bovino de idade não superior a 12 meses; Regulamento (CE) nº 566/2008 da Comissão de 18 de Junho de 2008, que estabelece normas de execução do Regulamento (CE) nº 1234/2007 do Conselho no que diz respeito à comercialização de carne de bovino de idade não superior a doze meses; Regulamento (CEE) nº 344/91 da Comissão de 13 de Fevereiro de 1991, que prevê as normas de execução do Regulamento (CEE) nº 1186/90 do Conselho, que estabelece a extensão do âmbito de aplicação da grelha comunitária de classificação das carcaças de bovinos adultos; Regulamento (CE) nº 2680/1999 da Comissão, de 17 de Dezembro, que aprova um regime de identificação de touros destinados a certames culturais e desportivos; 12
  13. 13. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 Regulamento (CE) nº 1774/2002, referente aos subprodutos; Decreto-lei nº 142/2006 de 27 de Julho, cria o SNIRA (sistema Nacional de informação e Registo Animal); Decreto-lei nº 214/2008 de 10 de Novembro, aprova o regime REAP (Regime Exercício Actividade Pecuária); Declaração de rectificação nº1 – A/2009 de 9 de Janeiro; Decreto-lei nº 265/2007 de 24 de Julho, que estabelece as regras relativas à protecção dos animais em transporte e operações afins; Decreto-lei nº 28/96 de 2 de Abril, relativo ao bem-estar do animal no abate e occisão Edital nº23 da língua azul Diretiva 94/36/CE de 30 de Junho – L 237, relativa à marcação da salubridade das carnes. Portaria 971/ 94 de 29 de Outubro, relativa ao abate especial de emergência fora do matadouro. 13
  14. 14. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 Art.º 10º da Port. 971/94 de 29 de Outubro, relativo ao programa de autocontrolo do estabelecimento. Portaria nº 768/91 de 6 de Agosto, relativa às doenças de declaração obrigatória à Comissão Europeia. Portaria 789/73 de 13 de Novembro, relativo à marcação dos animais submetidos a abate sanitário. Regulamento (CE) nº 2075/2005 da Comissão, de 5 de Dezembro de 2005, que estabelece regras específicas para os controlos oficiais de detecção de larvas de Triquinela na carne. 14
  15. 15. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 LISTA DE ABREVIATURAS AI – Auxiliar de Inspeção Aw – Atividade da Água BSE – Bovine Spongiform Encephalopathy (EEB) CAT - Centros de Atendimento Telefônico DDO – Doenças de Declaração Obrigatória DFD – Dark, Firm and Dry (escura, firme e seca) DGV – Direção Geral de Veterinária DIV – Divisão de Investigação Veterinária DOP – Denominação de Origem Protegida DRA – Direção Regional da Agricultura DSVR – Direção de Serviços Veterinários Regionais EEB - Encefalopatias Espongiformes Bovina EET - Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis GPP – Gabinete de Planeamento e Políticas HACCP - Análise de Riscos e Controlo dos Pontos Críticos IFAP - Instituto de Financiamento de Agricultura e Pescas INE – Instituto Nacional de Estatística IRCA – Informação Relativa à Cadeia Alimentar IS – Inspetor Sanitário MRE – Materiais de Risco Especificado OIE - Office International des Epizooties OPP – Organização de Produtores Pecuários PPCB – Peripneumonia Contagiosa Bovina PSE – Pale, Soft and Exudative (pálida, mole e exsudativa) SIRCA - Sistema de Recolha de Cadáveres de Animais Mortos na Exploração SNIRA - Sistema Nacional de Identificação e Registo Animal SNIRB – Sistema Nacional de Identificação e Registo Bovino T3/B3/L3 ou L4 – Tuberculose, Brucelose e Leucose VNIV - Laboratório Nacional de Investigação Veterinária UTS - Unidades de Transformação de Subprodutos 15
  16. 16. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 INTRODUÇÃO GERAL Segundo o Regulamento (CE) n.º 854/2004 do Parlamento Europeu e doConselho de 29 de abril de 2004 foi definido "Controlo oficial", qualquer forma decontrolo efetuado pela autoridade competente para verificar o cumprimento dalegislação alimentar, incluindo as normas de saúde animal e de bem-estar dos animais.A “Autoridade competente”, ou seja, a autoridade central de um Estado Membro daU.E. que efetua os controlos veterinários, em Portugal, é a DGV. Compete então àInspeção Sanitária, efectuada pela DGV, a actividade que visa avaliar os animais,estabelecimentos, alimentos e respectiva transformação, condições ambientais e detrabalho das empresas do setor alimentar, da sua gestão e dos seus sistemas deprodução, incluindo documentos, testes de produtos e práticas de alimentação deanimais, bem como da origem das matérias-primas e do destino dos produtos a fim deverificar o cumprimento dos requisitos legais em todos os casos. Esta avaliação é feitadentro de certos padrões técnicos préviamente e devidamente estabelecidos por agentesfiscalizadores e por uma legislação sanitária em vigor, cujo o incumprimento resultanuma consequente aplicação de medidas de orientação ou punitivas, se assim for o caso.Assim sendo, o agente fiscalizador, isto é, o inspector sanitário ou “veterinário oficial”,é o profissional técnico habilitado a atuar nessa qualidade, legalmente constituído emacto formal, portador de credencial e com competência para realizar inspeçõessanitárias. A inspeção sanitária conta ainda com “auxiliares oficiais” que são as pessoashabilitadas a atuar, nos termos do presente regulamento, nomeadamente pela autoridadecompetente de trabalho, sob a autoridade e a responsabilidade do “veterinário oficial”. A legislação comunitária exige que um estabelecimento, para as atividades emquestão, só deve ser aprovado pela autoridade competente (DGV) se após a visita aolocal, o(s) operador(es) da empresa do setor alimentar, tiver(em) demonstrado que o(s)mesmo(s) cumpre(m) os requisitos dos Regulamentos (CE) n.o 852/2004 e 853/2004do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de Abril de 2004, bem como quaisqueroutros requisitos pertinentes em matéria de legislação alimentar. Contudo a DGV podeconceder uma aprovação condicional se a visita ao local revelar que o estabelecimentosatisfaz todos os requisitos em matéria de infra-estruturas e equipamento. Assim,aprovação final só deverá ser concedida se uma nova visita ao local, realizada no prazode três meses a contar da concessão da aprovação condicional, revelar que o 16
  17. 17. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011estabelecimento satisfaz os demais requisitos referidos nos Regulamentos anteriormentecitados. Contudo, se tiverem sido efetuados progressos nítidos, mas o estabelecimentoainda não satisfizer todos os requisitos, esta aprovação continua condicional, nãopodendo exceder um total de seis meses, nesta condição. Cada estabelecimentoaprovado, incluindo os de aprovação condicional, recebe um número de aprovação aoqual podem ser acrescentados códigos para indicação dos tipos de produtos de origemanimal neles fabricados. No caso dos mercados grossistas, o número de aprovação podeser acompanhado de números secundários para indicação das unidades ou grupos deunidades que comercializam ou fabricam produtos de origem animal. É aindaimportante referir que qualquer produto saído de um estabelecimento desta naturezanecessita de uma “marca de salubridade” (normalmente um carimbo a tinta ou etiqueta)que, ao ser aplicada, informa que foram efetuados controlos oficiais nos termos doregulamento CE) n.º 854/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de abril de2004. 17
  18. 18. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011PARTE A │FORMAÇÃO TEÓRICA 1 – ORGANIZAÇÃO DA INDÚSTRIA AGRICOLA/EXPLORAÇÕES 1.1. Disposições gerais e organização Em Portugal, os sistemas de exploração pecuária dividem-se em: produçõesextensivas, intensivas, semi-intensivas e produção biológica. Produção extensiva: Resumidamente, a produção extensiva carateriza-se porser efectuada em grandes áreas e em locais relativamente áridos e/ou montanhosos, ouseja, em solos com fraca aptidão agrícola. Os animais utilizados apresentam granderusticidade, biótipos adaptados ao meio (ex: raças DOP), baixas fecundidades enormalmente de baixa produtividade. Este é um tipo de produção que visa o máximoaproveitamento dos recursos naturais da região através de um investimento de capitalreduzido e alta rentabilidade em relação ao capital investido. Contudo, é um tipo deagro-pecuária com imensos aspetos negativos, nomeadamente: produção sazonal,tipificação deficiente, graves problemas higio-sanitários, ciclos produtivos muitolongos, pouca e fraca disponibilidade de mão-de-obra e a estrutura heterógenea daspopulações exploradas. Produção intensiva: O sistema intensivo de produção carateriza-se por serindependente em relação ao fator “terra”, mas quando este existe, é um sistema demelhor qualidade, refletindo um aumento de produção. Os animais usados neste sistemasão de raças selecionadas, altamente produtivas e de baixa rusticidade. Neste sistematemos uma maior necessidade de mão-de-obra e mais qualificada. Exige também umamaior capacidade de planeamento e de gestão: diminuição dos custos de produção,revalorização dos produtos e integração da exploração. Este sistema, que tem comoobjetivo o máximo rendimento dos animais, tem como pontos fortes: o elevadorendimento monetário, a independência relativamente às condições climáticas e adisponibilidade de alimento, produtos uniformes, oferta constante, ciclos de produçãoreduzidos, melhor remuneração da mão-de-obra e a possibilidade de intervenção direta 18
  19. 19. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011do setor produtivo na comercialização. Contudo, este sistema implica um elevadocapital investido: custos da terra, instalações, tecnologia, animais e alimentação. Produção semi-intensiva: A produção semi-intensiva é praticada empropriedades de menor extensão, relativamente ao extensivo e geralmente mais próximode grandes centros consumidores. Obedece ao aumento da população, aodesenvolvimento industrial, à elevada procura de produtos pecuários e à valorização dasterras. Carateriza-se, no entanto, pelo emprego de mais e mais qualificada mão-de-obra(seleção, alimentação e sanidade) e mais capital e melhor qualidade e caraterizaçãoracial, relativamente ao sistema extensivo. Trata-se então de um sistema já com certaspreocupações na seleção, nutrição e maneio dos animais e, consequente, nas medidashigiénicas e sanitárias, com o objetivo de uma melhor qualidade dos seus produtos. Produção Biológica: Por último, o modo de produção biológica caracteriza-sepor ser uma forma de produção “alternativa” que permite a obtenção de produtos dequalidade num sistema de produção em que é privilegiado o bem-estar animal e oequilíbrio com o meio ambiente. Os princípios da produção animal biológica baseiam-se em providenciar as condições que promovam a saúde e que vão de encontro àsnecessidades físicas, fisiológicas e comportamentais dos animais, tendo em conta obem-estar animal, estando, aqui, inerente o conceito de uma produção animal ética. Paraalém dos aspectos relacionados com a segurança e qualidade alimentar, são as baixasdensidades e encabeçamentos, as instalações e os sistemas corretos de maneio, asprincipais preocupações dos consumidores, quanto à produção animal. A agriculturabiológica é atualmente o sector em maior desenvolvimento na área alimentar, o queperspectiva um bom mercado. Os produtos de origem animal são os que experimentammaior crescimento. Começam agora a surgir no mercado os primeiros produtosbiológicos portugueses de origem animal, existindo já, e em funcionamento, algumasestruturas de distribuição e comercialização que procuram, junto da produção primária,produtos que possam assegurar, de forma regular, as necessidades manifestadas pelosconsumidores. Em Portugal, as primeiras regras para este modo de produção de animaise produtos animais apenas surgiram com o Regulamento (CE) 1804/99, que modifica oregulamento base do Modo de Produção Biológico – Regulamento (CEE) 2092/91. 19
  20. 20. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 Portugal conta com várias entidades envolvidas na atividade pecuária nacionaldas quais se destacam: o INE, a DGV, o Eurostat, o GPP, o Anuário Pecuário e a OPP.A nível de entidades oficiais e particulares, é de relevar a importância da Associação deCriadores e do Agrupamento de Produtores, não só na promoção e apoio aos criadores,mas também nos programas de melhoramento genético, aprovisionamento e promoçãodos produtos. As 46 raças autótenes presentes em Portugal proporcionam também umaimportante fonte de rendimentos de certos meios rurais mais pobres e desertificados. Estudos do INE em 2008 revelam que a produção pecuária em Portugal temvindo aumentar nos últimos anos, consequência de um aumento de consumo de carne,leite e ovos, Per Capita. O quadro 1 ilustra resultados desses estudos: Espécie Efetivo Produção de Leite e Ovos CarneBovinos de Carne 411 Bovinos de Leite 307 106 2.028 Suínos 310 385 ___ Ovinos 2.253 24 ___ Caprinos 379 2 ___ Aves ___ 316 122 Equinos 59 0.2 ___ Unidades Milhares de ♀ Milhares de Milhares de adultas Toneladas ToneladaQuadro 1: Efetivo pecuário e produção de carne, leite e ovos em Portugal (Fonte: INE, 2008). 20
  21. 21. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 2 – BEM-ESTAR ANIMAL 2.1. Disposições Gerais O Bem–Estar Animal foi definido por Hughes como "um estado de completasaúde física e mental, em que o animal está em harmonia com o ambiente que o rodeia"(Hughes, 1976). Posteriormente, Broom (1986) defendeu que o bem-estar animal édefinido pela "sua capacidade em se adaptar ao seu meio ambiente". Por outro lado,também o transporte, encaminhamento, estabulação, imobilização, atordoamento esangria de animais criados e mantidos para a produção de carne, ou para oaproveitamento da pele ou de outros produtos, devem ser feitos de forma a minimizar aexcitação, dor ou sofrimento, conforme as normas de proteção dos animais,estabelecidas no Dec. Lei nº 28/96 de 2 de Abril. Cabe, por isso, aos InspetoresSanitários, a responsabilidade , não só legal, mas também moral, de monitorizar ocumprimento dessas leis. 2.2. Bem estar no transporte e descarga dos animais O transporte de animais para o matadouro e a maneira como são tratados, antesdo abate, tem grande influencia tanto na qualidade higiênica das carnes como na suacapacidade de conservação. Além disso, durante o transporte, há perdas significativas depeso dos animais, traumatismos, mortes e perdas de qualidade da carne, traduzindo-seisto em perdas econômicas por vezes muito significativas. O Regulamento (CE) N.º1/2005 do Conselho de 22 de Dezembro de 2004 e o Decreto-Lei Nº 265/07 de 24 deJunho, relativos à proteção dos animais, durante o transporte e operações afins, visagarantir o cumprimento do bem-estar, nestas operações. Além disso, o “Manual deControlo para o Transporte Rodoviário de Animais Vivos” é também uma importanteferramenta no cumprimento das normas. Manual este que pretende harmonizar oscritérios a que devem obedecer aos controlos de bem estar dos animais em transporte. 21
  22. 22. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 Os controlos de transporte rodoviário de animais vivos são feitos no própriomatadouro pelos inspetores e auxiliares de inspeção. Existem ainda relatórios decontrolo rodoviário que visam assegurar o cumprimento da legislação em vigor. Afrequência destes controlos é feita consoante a persistência de fatores de risco. Oesquema 1 ilustra, de forma básica, a forma de proceder relativamente ao controlo dobem estar no transporte dos animais. CONTROLO DE VERIFICOU-SE A BEM ESTAR NO EXISTÊNCIA DE INFRACÇÕES À NÃO TRANSPORTE LEGISLAÇÃO SIM AUTO DE APREENSÃO NOTÍCIA DOS ANIMAIS E VEÍCULOS PROCESSO DE CONTRA- ORDENAÇÃO Esquema 1: Algoritmo relativo ao controlo do bem-estar no transporte. O transportador, tendo em vista um melhor cumprimento do bem-estar exigido e as perdas consequentes deve: - fazer uma condução cuidadosa; -evitar arranques e travagens bruscas; - evitar curvas apertadas; - atrasos desnecessários; - evitar o transporte de fêmeas prestes a parir, ou cujo parto tenha acontecido à menos de 12 horas; - evitar o transporte de animais jovens cujo umbigo ainda não esteja cicatrizado; 22
  23. 23. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 - proporcionar espaço suficiente para os animais manterem as suas posições naturais; - evitar o sobrelotamento (aumenta a agressividade e consequentes traumatismos); - o transporte deve proteger os animais contra as condições climáticas adversas; - durante os meses quentes de Verão, efetuar o transporte durante a noite; - no carregamento e no descarregamento, os animais não devem ser içados ou arrastados pelas cabeças, cornos, patas, caudas ou velos; - não usar paus ou objetos rígidos para conduzir os animais; - as vacas em latação devem ser ordenhadas em intervalos de cerca de 12 horas. Em relação aos meios de transporte usados, estes devem: - ser fáceis de limpar; - impedir a fuga dos animais; - garantir a segurança dos animais e evitar traumatismos desnecessários; - ter divisórias; - ter rampa de descarga que não seja escorregadia; - ter uma barreira para quando a rampa de descarga é descida; - ter acessos para inspecionar os animais e o próprio veículo; - usar areia ou outro material no piso, quando este é escorregadio. Por vezes, surge ainda a necessidade de fazer a separação dos animais no próprio veículo, tendo em vista a redução do stress e a consequente minimização dos traumatismos, assim: - adultos e jovens (não se aplica a fêmeas com filhos não desmamados, os quais devem estar separados de outros animais); - bovinos com e sem cornos; - animais de origens diferentes; - espécies diferentes; 23
  24. 24. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 - Adultos machos e fêmeas; - animais presos e soltos. A duração da viagem não pode exceder 8 horas, a menos que o veículo cumpracertos requisitos apresentados no “Manual de Controlo para o Transporte Rodoviário deAnimais Vivos” Quando um animal ficar incapacitado de continuar viagem (por traumatismos,parto, doença, etc.), deve ser descarregado para tratamento ou abate no matadouro maispróximo (animais traumatizados devem ser abatidos logo que possível), sendo o cadáverretirado também, o mais rapidamente possível. A descarga dos animais nos matadouros deve ser acompanhada, sempre quepossível, pelo inspetor sanitário de forma a assegurar o bem estar animal. Animaisamedrontados, excitados e maltratados são sinais de incumprimento das normasestipuladas por lei. As pontes, rampas e corredores destinados à descarga dos animais,não devem ter um piso escorregadio, devem ter protecções laterais para prevenir quedasdos animais e não devem ter uma inclinação superior a 20%. Os animais apenas podemser conduzidos para a caixa de abate ou corredor de abate, imediatamente antes do seuabate, caso contrário, devem ser estabulados. Após a descarga dos animais os veículos têm que ser lavados e desinfectadosimediatamente, removendo todos os detritos com jato de água de alta pressão edesinfectante. Os animais para abate devem ser apresentados o mais próximo possível doestado fisiológico normal, desta forma o repouso pré-abate assume, aqui, umaimportância relevante na qualidade final da carne. A legislação determina que animaisdemasiadamente excitados ou fatigados devem repousar, pelo menos 24 horas, salvodecisão contrária do IS. Pode ser autorizado o abate direto, sem qualquer implicação naqualidade da carne, se os animais não estiverem fatigados e tiverem cumprido um jejumhídrico. Animais em sofrimento ou com lesões graves, à chegada ou durante otransporte para o matadouro, devem ser abatidos imediatamente, no local em que seencontram. Porém, o excesso de repouso acarreta também alguns inconvenientes, como: 24
  25. 25. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 - infecções oportunistas (ex: salmonella) resultantes do contato com as fezes(mais verificado em vitelos e leitões); - perdas de peso (mais verificado em borregos e leitões); Em relação às abegoarias estas devem ter: - arejamento - parques de espera com condições de higiene - pavimento e paredes impermeáveis e fáceis de lavar e desinfectar - iluminação adequada - bebedouros e comedouros - sistema de escoamento de líquidos - instalações próprias para armazenagem de alimentos. Outro fator importante é o jejum, antes do abate, pois o esvaziamento doreservatório gástrico previne a contaminação das carcaças e vísceras, durante asoperações de abate. Este jejum deve ser de 5 a 10 horas, antes do abate. Contudo,animais na abegoaria mais de 12 horas, devem ser alimentados sob o risco de implicarperdas entre os 7% nas carcaças e 30% no fígado. Esta situação de permanência de maisde 12 horas, deve ser evitada pelos programas dos abates dos matadouros. 2.3. Animais mortos durante o transporte (SIRCA) O SIRCA foi criado no sentido de se proceder à recolha dos animais, em tempoútil, e permitir efetuar a despistagem obrigatória de eventuais EET´s, em conformidadecom o disposto no Regulamento (CE) n.º 1069/2009 que estabelece regras sanitárias 25
  26. 26. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011relativas aos subprodutos animais não destinados ao consumo humano, nomeadamenteas que decorrem da interdição, em geral, do enterramento dos animais mortos naexploração. Este sistema é coordenado pela DGV e pelo IFAP, intervindo ainda oLNIV e as UTS. Para assegurar o funcionamento do sistema, foram criados Centros deAtendimento Telefônico do SIRCA (CAT SIRCA) que centralizam as comunicaçõesdos detentores relativas às mortes dos animais nas suas explorações. A recolha decadáveres é desencadeada pela comunicação telefônica, do detentor do animal morto,para o CAT SIRCA, no prazo de 12 horas. Admite-se que, nalgumas situações, por motivos operacionais, não seja possívelsatisfazer a recolha do cadáver em tempo útil (até às 20 horas do dia seguinte ao dacomunicação). Quando tal se verificar, solicita-se que seja comunicado à linhatelefônica disponibilizada, a ocorrência de uma não recolha. Neste caso, os serviços doCAT SIRCA darão indicações sobre o procedimento a seguir. 2.4. Influência do stress na qualidade da carne Stress, foi definido por FRASER (1980) como a necessidade de ajustescomportamentais ou fisiológicos, anormais ou extremos, como reacção a condiçõesadversas ambientais ou de maneio. A verdade é que animais destinados ao abate estãoinvariavelmente sujeitos a níveis de stress elevados, podendo isto refletir-se na carcaça ena qualidade da carne. Situações de stress, antes do abate, relacionam-se com oresultado das carnes PSE ou DFD e ainda com o síndroma da síncope cardíaca dossuínos (associados essencialmente aos níveis glicogénio e ácido lático presentes nascarcaças). As carnes DFD, frequentes em animais jovens devido ao temperamento ecomportamento, caraterizam-se por um aumento do pH na carne que aumenta aatividade enzimática do músculo que utiliza o oxigénio e impede a penetração deoxigénio no músculo. A cor escura resulta do fato de apenas uma parte pequena demioglobina estar convertida em oximioglobina. A carne DFD tem uma cor e sabormenos apetecível e uma fraca capacidade para ser armazenada, por se deteriorar maisrapidamente pelas bactérias que se multiplicam mais facilmente em pH, próximo daneutralidade. Nos suínos pode determinar-se se está a instalar-se a DFD, medindo o PH 26
  27. 27. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011no quadricípede femural (perna) e no semi-espinal (pescoço). Administrar uma soluçãoaçucarada aos suínos (cerca de 300 a 500 g por animal), 2 a 4 h antes do abate, evita oaparecimento de carnes DFD (Gracey, 1992) e tem as vantagens adicionais de aumentaro peso do fígado, aumentar ligeiramente o peso da carcaça e diminuir o PH da carne.Nos bovinos este efeito não é verificado. Em suínos saudáveis e repousados, após oabate, o pH desce de 7 para cerca de 5,5 em 12 horas. Este abaixamento de pH é oresponsável pelo aparecimento das carnes PSE (Pale/pálida, Soft/mole e Exudative/exsudativa) que se caraterizam pela incapacidade das proteínas musculares reterem água(algumas tornam-se mesmo insolúveis na água neste meio ácido). Estas alterações, emmeio ácido, tornam a carne aguada, com cor pálida e com pouco sabor. Outraimportante reação ao stress é a Sindroma da síncope cardíaca, muito frequente nossuínos da raça Pietrain e Landrace. Carateriza-se por morte súbita, precedida dehipertermia, eritema e dispneia. Na necropsia, apresentam alterações do músculoesquelético e grande quantidade de líquido no pericárdio. 2.5. Atordoamento ou insensibilização O atordoamento consiste em induzir ao animal um estado de insensibilizaçãoque deverá durar até à morte com o objectivo de poupar sofrimento a todo e qualqueranimal. A UE aprovou normas de proteção animal1 em que está prevista ainsensibilização obrigatória seguida de morte por sangria, onde a insensibilizaçãodeverá durar até que a morte cerebral do animal aconteça. A eficiência dainsensibilização depende, então, do intervalo de tempo entre o atordoamento e o inicioda sangria (que deverá ser o mais reduzido possível) e também da eficácia da própriasangria. Existem vários métodos de atordoamento sendo cada um deles mais ou menosespecífico para cada espécie animal: - Métodos mecânicos:1 Com a excepção de duas derrogações: abate judeu e abate muçulmano. 27
  28. 28. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 ∙ percursão penetrante – mais utilizado em bovinos, consiste no uso dapistola de êmbolo retrátil2; produz insensibilização imediata por destruição do córtex edas partes mais profundas do cérebro; deve ser aplicado na intersecção das linhas queunem a base do corno com o canto medial do olho do lado oposto. Nos equídeos, emlocal semelhante (substituindo o corno por pavilhão auricular), e nos pequenosruminantes, na zona frontal e quando providos de cornos, deve ser aplicado na nuca edirigido para a boca, permitindo uma boa sangria. Esta, deve começar, 60 segundosapós a insensibilização e exclui a utilização do cérebro para consumo humano. Estemétodo não é indicado para suínos, devido à resistência e espessura do osso frontal. ∙ percursão não penetrante – método menos eficaz que o anterior porproduzir uma insensibilização pouco duradoura (aproximadamente 30 segundos); maisutilizada em vitelos e ovinos; permite a utilização do cérebro na alimentação humana. - Anestesia por CO2: utilizado só em suínos e consiste em submeter os animais auma câmara de gás com uma atmosfera de 70% de CO2 e 30% de ar, durante umperíodo de 45 s a 1 minuto; a anestesia produz-se por excesso de CO2 e não por falta deoxigénio; o dióxido de carbono causa depressão do SNC porque provoca umadiminuição do pH no cérebro; o animal recupera em 1 a 3 minutos, pelo que tem que sersangrado nos 30s seguintes; a legislação prevê que a sangria seja feita, no máximo, até60 s depois da saída da câmara; melhora a sangria, pois o CO2 estimula a respiração,que por sua vez favorece a circulação pelo aumento do ritmo cardíaco e pressãosanguínea; não há hemorragias musculares porque não há vaso-constrição periférica; osanimais insensibilizados não apresentam convulsões, ficam relaxados, sendo mais fáceisde manipular, além disto melhorar a qualidade da carne de suíno. - Electronarcose3: é o método mais utilizado em suínos, aves e pequenosruminantes, mas também é utilizado em alguns matadouros, para bovinos (os pelosfinos da cabeça dos bovinos têm um efeito isolante); consiste na passagem de umacorrente alterna através do cérebro do animal, a qual produz um estado confusional,causado pela incoordenação das células nervosas do cérebro (interrupção da atividadenormal); a sangria deve ser efetuada imediatamente após o choque; a relação entre a2 Ver alínea a), nº1, ponto II do anexo D do Dec. Lei nº 28/96 de 2 de Abril.3 Ver subalínea 1) da alínea A) do nº 3 do ponto II do anexo D do Dec. Lei nº 28/96 de 2 de Abril). 28
  29. 29. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011intensidade da corrente eléctrica (medida em Amperes), a voltagem (medida em volts) ea resistência ou impedância (medida em ohms) é expressa pela lei de ohm: Intensidade (A) = Voltagem (v)__ Resistência ( )NOTA 1: Os animais contêm uma grande quantidade de líquido, que é bom condutor daelectricidade, no entanto, a pele, a gordura, o osso e o pelo são maus condutores. Osanimais com muito pelo, pele espessa ou muito gordos têm uma grande resistênciaeléctrica. Um exemplo elucidativo desta situação está ilustrado no mapa abaixo sobre aaplicação da lei de ohm no atordoamento de ovinos: Condição dos ovinos Seco, gordo e com muita lã Molhado, magro e tosquiado Voltagem aplicada 200 v 200 v Resistência através da cabeça 1000 150 Intensidade 0.2 A 1.3 A Resultado Atordoamento ineficaz Atordoamento eficazQuadro 2: (Fonte Humane Slaughter Association). A próxima tabela dá exemplos de como, utilizando a lei de ohm, se podeverificar se a corrente utilizada produz um atordoamento eficaz. 29
  30. 30. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 Espécie Voltagem Resistência ( ) Intensidade (A) Atordoamento eficaz ? (V)Suíno (eléctrodos limpos) 250 150 1.6 SimSuíno (eléctrodos sujos e 250 350 0.7 Não enferrujado)Ovino (pouca lâ e 250 200 1.25 Simmolhada) Ovino (lã seca e grande) 250 1000 0.25 NãoQuadro 3: (Fonte Humane Slaughter Association). A passagem da corrente eléctrica pelo cérebro, produz no animal umacontracção violenta dos músculos estriados (fase espasmódica) e a sua queda brusca daqual podem resultar fracturas. O animal deixa de ter uma respiração rítmica, a cabeçafica levantada, os membros anteriores estendem-se, os posteriores flectem-se e esteefeito dura cerca de 10 a 20 segundos nos pequenos ruminantes e suínos. Uma faseespasmódica longa é indicativa de um atordoamento eficaz. Esta é seguida por uma fasede contracções clónicas dos músculos, as quais, durante a sangria, podem provocarluxações coxo-femurais porque os animais escoiceiam violenta e involuntariamente,podem urinar e defecar, durante este processo e finalmente ocorre uma fase de exaustãomuscular (relaxamento), caracterizada pela flacidez dos musculos. Durante as três fasesreferidas o animal permanece inconsciente. 2.6. Sangria A sangria é a forma de tirar a vida ao animal e deve ser feita o mais rapidamentepossível, após o atordoamento, para evitar o risco de hemorragias musculares. O seugrau pode ser determinado em exames post-mortem pela cor dos músculos, da gordura eda medula óssea, pelo ingurgitamento dos vasos do tecido conjuntivo e espaçosintercostais. Pode ainda ser determinada através de exames laboratoriais. 30
  31. 31. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011Os animais sangram em média 40 a 60% do volume de sangue total. As vísceras retêm20 a 25% e a carcaça 15 a 20%. ESPÉCIE Relação- sangrado/ peso do animal Bovino 4a6% Equídeo 8,5 a 10 % Ovino 6a7% Caprino 6,5 a 7,5 % Suíno 3 a 3,5 % Quadro 4: (Fonte: Manual de boas práticas de inspeção sanitária). ESPÉCIE Tempo médio de sangria Bovino 6 min Ovino 5 min Suíno 6 min Quadro 5: (Fonte: Manual de boas práticas de inspeção sanitária). Perda da actividade cerebral após vários métodos de sangria, utilizando aelectronarcose (Humane slaughter Association) Espécie Método de sangria Tempo Suínos Incisão na entrada do peito 18 s Peq. Ruminantes Incisão na entrada do peito 4,5 s Degola completa (1) 14 s Meia degola (2) 70 s Bovinos Degola completa (1) 55 s Vitelos Incisão na entrada do peito 5s Degola completa (1) 17sQuadro 6: (Fonte: Manual de boas práticas de inspeção sanitária). (1) duas carótidas e duas jugulares (2) uma carótida e uma jugular 31
  32. 32. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 Nos bovinos a sangria pode ser feita através da incisão na parte ventral dopescoço, caudalmente à laringe, a qual secciona as carótidas e jugulares (abatesreligiosos) ou através da incisão na entrada do peito, seccionando o troncobraquiocefálico e a veia cava anterior. Em qualquer uma das formas a sangria devedurar menos de 6 min. Um bovino sangra 4 a 6% do seu peso, em média 13,6 Kg ( asvacas vertem mais sangue que os bois, vacas velhas podem sangrar 22 Kg). Nos ovinose caprinos a sangria é feita por verdadeira degola. É feita a secção das artérias carótidase veias jugulares ao nível da faringe, sem cortar a traqueia e o esófago. Nos suínos aincisão é feita na zona mediana da face ventral do pescoço, anteriormente ao manúbriodo esterno, seccionando a veia cava anterior. Às vezes a artéria carótida também écortada. A resultante ferida da sangria, não deve ser muito grande para que não hajarisco de contaminação da carcaça por penetração de água do escaldão (horizontal). 2.7. Monitorização diária do bem estar animal Quando o Inspector verifica a existência de indícios de incumprimento dasnormas dispostas o Dec. Lei nº 64/2000 de 22 de Abril, relativo à protecção dos animaisna exploração, deve comunicar imediatamente a situação à DIV de que depende, paraque os Serviços de Saúde Animais tomem conta da ocorrência. Todas as operações que envolvam animais vivos devem ser verificadas pelomenos uma vez por dia e registadas todas as não conformidades no mapa diário. Temoscomo exemplos: verificação de hematomas múltiplos, de agressões nos parques derepouso, de fraturas de membros, da marca do tiro da pistola de êmbolo retrátil emlocais indevidos, entre muitas outras, que devem ser relatadas no mapa diário. Assimsendo, torna-se importante a observação diária de certos pontos-chave para um melhorcumprimento do bem-estar no matadouro. Alguns exemplos são: descarga dos animais(equipamentos, pontes, rampas, corredores, piso, etc); imobilização dos animais,atordoamento e sangria (tempos e maneio); estado dos instrumentos e materiais;condução dos animais para a caixa de abate e nos corredores; tempos de permanência 32
  33. 33. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011dos animais na abegoria e disponibilidade de água; modos de actuação dos operadores;entre muitos outros. Além do relatório diário do bem-estar animal, existe ainda outro mensal quedeve ser preenchido com base nos mapas diários. Quando o IS verificar que as nãoconformidades são em grande número e de difícil correcção, deve agendar com oresponsável pelo estabelecimento um mapa das alterações a efectuar, definindoprioridades e prazos para as mesmas. Este mapa deve seguir anexo ao relatório mensal.Sempre que necessário, o IS pode solicitar a ajuda do Coordenador de InspecçãoSanitária. Este relatório deve ser remetido à DIV, até ao quinto dia útil do mês seguinte,que o analisa, actua se necessário e faz uma compilação mensal registando as situaçõesem que actuou. A DIV dá conhecimento da compilação efectuada, simultaneamente, àDirecção de Serviços de Veterinária da Direcção Regional e à DGV. 3 – INSPEÇÃO EM VIDA 3.1. Disposições Gerais A Portª. 971/94 de 29 de Outubro refere, no n.º 77 do capitulo XVI do anexo I,que só ao Médico Veterinário compete assumir a responsabilidade de todas as decisõesrelativas de admissão dos animais no matadouro, bem como pelas deliberações tomadasa seguir à inspecção ante e post-mortem. Os animais destinados ao abate para consumo público, como sejam: bovinos,suínos, ovinos, caprinos, bisontes, solípedes e animais de caça, devem ser submetidos auma inspeção ante-mortem, ou seja, uma inspeção em vida no prazo inferior a 24 horas,após a chegada ao matadouro e inferior a 24 horas, antes do abate. A importância desteexame em vida é um dos principais pontos críticos para a produção de carne fresca. 33
  34. 34. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 A inspeção em vida dos animais tem os seguintes objetivos: 1- Tornar o exame post-mortem mais eficiente e menos laborioso, utilizando os dados colhidos no exame em vida. 2- Detectar animais com doenças que não são detectáveis no exame post-mortem ( ex: Carbúnculo Hemático, Raiva, EEB, Tétano, envenenamentos, etc...) 3- Identificar os animais que exigem uma manipulação especial, durante as operações de abate (animais muito sujos, doença ou defeito), assim como identificar aqueles em que é necessário um exame post-mortem especial, evitando assim a contaminação da linha de abate e de outras carnes e não comprometer a saúde do pessoal que manipula as carnes. 4- Evitar prejuízos à produção, não abatendo animais susceptíveis de recuperação. A inspeção ante-mortem deve ser facilitada pela administração do matadouro asssim como qualquer manipulação que o IS considere útil (por ex. isolamento de animais, alteração da ordem de abate por motivos técnicos, contenção de um animal para exame mais pormenorizado, adiamento do abate, separação de lotes, etc...) e não permitir a presença de pessoas estanhas ao serviço, durante este período. 3.2. Identificação animal e procedimentos gerais Todos os animais a abater devem apresentar uma identificação que permita àautoridade competente determinar a sua origem. Desta forma e atendendo a que asirregularidades que permitem determinar a origem do animal prendem-seessencialmente com erros de preenchimento de documentos, aconselhamos a consultadas normas para a emissão e preenchimento de: - passaporte/ informação sanitária do bovino (mod. 241/DGV e242/DGV) e passaporte de rebanho (mod. 245/DGV)/ destacável do passaporte derebanho (mod 246/DGV; 34
  35. 35. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 - Guia de trânsito; - Declaração de deslocação. Quando há uma irregularidade na identificação e não é possível determinar aorigem do animal, o IS deve: 1) No caso dos animais das espécies suína, ovina e caprina, dar início ao competente processo de contra ordenação, por infracção do disposto n.º 1 do art.º 7º do Dec. Lei n.º 338/99 de 24 de Agosto, cumprindo a seguinte tramitação:- Auto de Notícia, relatando a irregularidade. - Auto de Apreensão do animal vivo. - Declaração emitida pelo Médico Veterinário Oficial, em que este determina o abate do animal para defesa do bem-estar animal e da qualidade higio- sanitária da carne. - Declaração do IS em que atesta que a carcaça apreendida se encontra aprovada para consumo público. - Auto de Instituição de fiel depositário/ Termo de depósito da carcaça. - Avaliação da carcaça. 35
  36. 36. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 - Envio do processo devidamente organizado à Direcção de Serviços de Veterinária da DRA. - O Director de Serviços emite uma ordem de venda da mercadoria apreendida, se a entidade que aplica a coima (DGV) lhe tiver delegado essa competência, indicando a pessoa que deverá efectuar a venda e o valor mínimo pela qual a pode efectuar. - O vendedor, lavra o instrumento de venda e remete-o juntamente com o produto da venda e o Auto de destituição de fiel depositário à DGV, entregando a mercadoria ao comprador. 2) No caso dos bovinos e de acordo com o nº 2 do artº 12 do Dec. Lei nº 338/99 de 24 de Agosto, o animal deverá ser destruído sob a supervisão das autoridades veterinárias, se o detentor não puder fazer prova da identificação do animal, no prazo de dois dias úteis. Para este efeito o Médico Veterinário Oficial deverá participar a ocorrência à DIV, a qual envidará todas as diligências necessárias para determinar a origem do animal e ordenará a destruição se for caso disso. 3.3. Etapas do exame em vida O exame em vida dos animais consiste em tês etapas: a) Controlo documental: documentação obrigatória de acompanhamento dos animais para abate. Todos estes dados devem ser registados no mapa de registo de entrada de animais, que acompanhará o IS durante todo o exame em vida. 36
  37. 37. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 b) Controlo de identidade: marcas de identificação dos animais, devem condizer com os dados constantes no mapa de registo de entrada dos animais, que por sua vez devem condizer com os documentos de acompanhamento. c) Controlo físico: feito na mesma sequência para evitar omissões e esquecimentos. Este deve ser feito: - discretamente, para que não se excitem ou modifiquem atitudes ou posições anormais em que se possam encontrar; - de forma a detectar qualquer alteração do animal, ou do lote de animais (exame geral), como presença, nos parques de repouso, de vestígios de sangue, pus, fetos ou membranas fetais, saliva e fezes com características anormais. - de forma a detetar alguma alteração do estado normal dos animais (exame especial). O exame geral deve contemplar a observação de: - idade - aptidão produtiva do animal - temperamento e comportamento - fácies - atitudes - gestos - pêlo - pele e faneras - sujidade dos animais - conformação - locomoção 37
  38. 38. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 - alterações morfológicas O exame especial incidirá sobre o animal suspeito ou sobre aqueles que manifestemsintomas mais expressivos, se de um lote suspeito se tratar e deve considerar-se: - exame geral - temperatura - mucosas - glândula mamária - bolsas testiculares e forro - linfonodos - articulações - exame do aparelho digestivo - exame do aparelho cardiovascular - exame do aparelho respiratório - exame do aparelho urinário 3.4. Resultados do exame em vida A inspeção em vida deve ser capaz de: 1) Determinar animais atingidos por doença transmissível ao homem (carbúnculo bacteriano, brucelose, Listeriose, BSE, etc...) ou aos animais (peste Suína Africana, febre aftosa, etc..) ou de determinar sintomas, ou estados gerais que permitam temer o aparecimento de 38
  39. 39. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 uma dessas doenças ( neste caso não podem ser abatidos para consumo humano). 2) Determinar animais que apresentem sintomas de uma doença ou de uma perturbação do seu estado geral, susceptível de tornar as suas carnes impróprias para consumo humano (também não podem ser abatidos para consumo humano). 3) Determinar animais fatigados, excitados ou feridos (os animais fatigados ou excitados devem descansar durante um período de, pelo menos, 24 horas, salvo decisão em contrário do Médico Veterinário Oficial). 4) Determinar animais que apresentem sinais visíveis de lhes ter sido administrada uma substância com efeito farmacológico, ou qualquer outra substância susceptível de tornar as suas carnes impróprias para consumo (também não podem ser abatidos para consumo humano). 5) Determinar se o animal sofre de uma afecção que não impede a sua aprovação para consumo humano, mas que piore se não for abatido imediatamente ou que o faça sofrer. Neste caso deve ser ordenado o abate de urgência. 6) Determinar se animal ou lote de animais da espécie bovina ou ovina se apresenta inaceitavelmente sujo. O IS exigirá que os animais em questão sejam submetidos a uma limpeza (se não houver risco para o operador e não causar excitação ao animal) e abatidos, separadamente, ou no fim das operações de abate normal, no sentido de evitar a contaminação da linha de abate (facas, mãos, aventais, etc...) e das restantes carcaças. Os animais suspeitos, sobre os quais seja tomada a decisão de adiar o abate paraposterior inspecção, porque se encontram fatigados ou se encontram em condições derisco contra a salubridade das carnes a que vão dar origem, devem ser isolados ealimentados em parques separados, e cujo sistema de eliminação de dejectos deste localseja separado de outros. Após a reinspecção podem ser: - rejeitados para abate para consumo humano; 39
  40. 40. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 - autorizados para abate com precauções especiais; - autorizados para abate sem restrições Os animais que se traumatizam durante o transporte para abate, na descarga, nacondução para os parques de espera ou para permanência nestes e os que apresentemsinais ou sintomas de uma situação de carácter agudo não traumático, devem merecerespecial atenção de um IS. Se esta Entidade, verificar que o animal está em sofrimento,e que a demora infringe o bem-estar do animal, aumentando o risco para o consumidor,deve ordenar o abate de urgência. Caso os animais se mostrem incapazes de se deslocarpara a caixa de abate, não devem ser arrastados mas sim abatidos no local em que seencontram ou transportados vivos se houver condições para efectuar esse transporte semprovocar sofrimento ao animal. Todas as decisões e deliberações tomadas, durante a inspecção ante-mortem,todos os sinais e vestígios de alteração de saúde dos animais a abater e irregularidadesdetectadas no controlo documental e de identidade, bem como a hora em que o exameem vida e a reinspecção foram efectuados se for caso disso, devem ficar registados nomapa de registo da entrada dos animais. 3.5. Documentação de acompanhamento dos animais para abate 3.5.1. Bovinos Relativamente a esta espécie o produtor deve apresentar os animais da seguinteforma:1º - Têm que estar devidamente identificados e isto significa para os bovinosidentificados desde o início de 1999, apresentarem uma marca auricular em cadapavilhão auricular, ambas com o número de identificação e a marca de exploração 40
  41. 41. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011coincidentes (para os bovinos identificados antes da data referida, apenas uma marcaauricular no pavilhão auricular esquerdo).2º - Cada bovino tem que ser portador de um passaporte do bovino, que é equivalente aoanterior boletim sanitário, e este tem que estar devidamente preenchido pelos serviçosoficiais. Dele deve constar o código de identificação presente na marca auricular, eainda, um registo cujo preenchimento é da responsabilidade do proprietário e que dizrespeito a ele próprio, ou seja (Nome, Morada, Localidade, Assinatura, Marca deexploração e data da entrada e saída do animal da exploração).3º- Cada lote de bovinos, e por lote entende-se, conjunto de animais com a mesmaorigem e o mesmo destino, deve fazer-se acompanhar de uma guia de trânsito para abateimediato.Esta guia deve estar completamente preenchida no que respeita aos dados referentes aotransportador, ao veículo, que tem de estar obrigatoriamente licenciado para percursossuperiores a 50 km, à exploração ou centro de agrupamento de origem e ainda os dadosreferentes ao matadouro.No campo reservado às marcas auriculares deve constar o número de identificação dosbovinos, o qual deve ser coincidente com o número que consta no passaporte de bovinoe com o número que consta nas marcas auriculares. O original deste documentoacompanha os animais até ao matadouro de destino e é posteriormente remetido àDirecção Regional de Agricultura da área da exploração de origem.O duplicado fica em arquivo no emissor.Esta guia de trânsito apenas é obrigatória em lotes de bovinos provenientes de efectivosque não são indemnes isto é, que a classificação sanitária do efectivo não sejasimultaneamente T3/B3/L3 ou L4 e isento de PPCB. Daí que, os lotes de bovinosprovenientes de efectivos indemnes, possam circular para abate sem ser acompanhadosdesta guia de trânsito, bastando para tal, a declaração de deslocações.- Este documento tem, sempre, que acompanhar os lotes de bovinos, quer provenientes de efectivos indemnes, quer de não indemnes.É este documento que permite manter actualizada a base de dados informática,conhecida como SNIRB, e controlar a circulação animal, permitindo saber, a cada 41
  42. 42. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011momento, os bovinos existentes em cada exploração e ainda conhecer as exploraçõesonde permaneceram durante a sua vida. No que respeita à circulação de bovinos paraabate, a tramitação deste documento que foi emitido em quadruplicado é a seguinte:- O detentor de origem preenche os campos que o próprio documento indica, regista o destino, deixando em branco os dados que desconhece, como por exemplo o nº de contribuinte do matadouro- destaca o original que envia à base de dados- o duplicado fica em arquivo na exploração- o triplicado e o quadruplicado acompanham os animais para o matadouro que os introduz na base de dados e os arquiva.E por último, o produtor não se pode esquecer de registar no Livro de Existências eDeslocações de Bovinos, a saída dos animais para abate. 3.5.2. Pequenos ruminantes Neste caso a identificação também é importante, e é efectuada da seguinte forma:- uma marca no pavilhão auricular direito com o código da exploração, sendo a aplicação da responsabilidade do Produtor.- Uma marca oficial no pavilhão auricular esquerdo com a identificação individual do animal, quando o mesmo foi sujeito a medidas oficiais de profilaxia médica ou sanitária.Os documentos que devem acompanhar os animais são:- O destacável do passaporte de rebanho, actualizado há menos de 12 meses e ainda aguia do trânsito para abate imediato devidamente preenchida. 42
  43. 43. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 3.5.3. Suínos Os suínos devem circular devidamente identificados, isto é:- Com marca auricular ou uma tatuagem no pavilhão auricular direito com o nº da exploração em que nasceram, precedido do código do país- Uma marca auricular ou uma tatuagem com o nº da exploração ou do centro de agrupamento onde foram engordados, precedido do código do país.Os caracteres inscritos na marca auricular devem ter as dimensões mínimas de 4X3 mm.A tatuagem deverá ser facilmente legível, durante toda a vida do animal e os caracteresdeverão ter as dimensões mínimas de 8X4mm.Esta marcação é da responsabilidade do detentor.O transporte dos suínos para abate deve efectuar-se a coberto de uma guia de trânsitopara abate imediato a qual tem que fazer referência à marca de exploração que os suínosexibem no pavilhão auricular. 3.5.4. SolipedesA identificação dos equídeos é feita, da seguinte forma:- Pelo certificado de origem do qual consta o resenho, efectuado por Médico Veterinário acreditado, nos animais registados em livro genealógico;- Nos animais não registados pela Marca de criador e nº de identificação que podem ser: A fogo A frio Tatuagem 43
  44. 44. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 Brinco no pavilhão auricular Transponder Esta marcação por meio físico só é utilizada quando está prevista e definida no livrogenealógico da raça e é da responsabilidade do criador. Se não estiver prevista, aidentificação é efectuada exclusivamente pelo certificado de origem. A documentação de acompanhamento dos equídeos registados e não registados paraabate é a guia de trânsito para abate imediato devidamente preenchida. 4 - INSPEÇÃO POST-MORTEM 4.1. Disposições Gerais A inspeção post-mortem (legislada pelo Regulamento (CE) N.º 854/2004 doParlamento Europeu e do Conselho, de 29 de Abril de 2004) consiste no examesensorial e macroscópico de todas as partes do animal abatido, com o objetivo deassegurar a qualidade da carne colocada no mercado. As principais carateristicasanalisadas são: cor, cheiro, aspeto e consistência. Muitas vezes torna-se necessário aanálise dos órgãos e linfonodos através de incisões, e ainda, se necessário, recorrer ameios auxiliares de diagnóstico. Trata-se de um exame importante que deve serrealizado com consciência pois as carnes aprovadas destinar-se-ão ao consumo humano.Sendo assim, nenhuma parte do animal abatido, excepto as que não se destinem aoconsumo humano, ou que não tenham que ser submetidas à inspecção, deve ser retiradaou separada da carcaça (cabeça, língua, tracto digestivo, pulmões, coração, fígado, baço,rins, mediastino, membranas serosas, cauda ou outras), até que a decisão sanitária sejatomada pelo Médico Veterinário Oficial. Estas partes devem permanecer na zona deinspeção até que seja decidido o destino da carcaça. 44
  45. 45. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 O IS deverá estar ciente da obrigatoriedade da notificação dos casos suspeitosdas doenças de declaração obrigatória e da necessidade da confirmação laboratorial dasmesmas. Estas doenças são as que constam nas listagens da Portª. n.º 768/91 de 6 deAgosto e Dec. Lei n.º 39:209 de 14 de Maio de 1953 relativas respectivamente àsdoenças de declaração urgente e de declaração normal. 4.2. Inspeção Post-mortem A forma de apresentação das carcaças é um fator importante para um examepost-mortem eficiente. Sendo assim, estas devem apresentar-se divididas em duas meiascarcaças nos bovinos e equinos de mais de seis meses e nos suínos com mais de quatrosemanas. Contudo, e caso necessário, o IS pode ordenar a divisão longitudinal dacarcaça de qualquer animal. Todas as carcaças devem ser identificadas com um númerode ordem, com o objetivo de permitir relacionar carcaças com os animais que lhesderam origem e com as partes que lhes foram retiradas, durante as operações de abate(cabeça, língua, vísceras brancas, vísceras vermelhas). Esta identificação deve ser feitacom materiais próprios para a identificação. A inspecção post-mortem deverá incluir:- Exame visual do animal abatido e dos seus órgãos;- Palpação de certos órgãos, nomeadamente, os pulmões, o fígado, o baço, o útero, aglândula mamária e a língua;- Incisão de certos órgãos e gânglios linfáticos;- Pesquisa de anomalias de consistência, cor, cheiro e, eventualmente, de sabor;- Quando necessário, exames complementares. O exame post-mortem, deve proceder-se, designadamente, do seguinte modo: 45
  46. 46. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011a) Exame da cor do sangue, sua capacidade de coagulação e eventual presença decorpos estranhos;b) Exame visual da cabeça, pescoço e gânglios linfáticos retrofaríngicos, submaxilares eparotídeos (ex. Tuberculose, Actinobacilose), bem como das amígdalas, sendo a línguacortada de forma a permitir inspecção minuciosa da boca e sua parte posterior, (ex.Febre Aftosa, Estomatite necrótica, Actinomicose, Actinobacilose, Rinite Atrófica,Mormo). As amígdalas deverão ser retiradas depois de inspeccionadas;c) Inspecção da traqueia (mormo solípedes), exame visual e palpação dos pulmões(ex.Tuberculose, Hidatidose) e do esófago (Sarcosporidiose), com incisão dos gângliosbrônquicos e mediastinicos, sendo a traqueia e as principais ramificações brônquicascortadas longitudinalmente e sendo os pulmões cortados perpendicularmente ao eixomaior no terço terminal;d) Exame visual do pericárdio e do coração (ex. Cisticercose, Hidatidose eLinguatulose) , sendo este objecto de incisão longitudinal de modo a abrir os ventrículose a atravessar o septo interventricular;e) Exame visual do diafragma;f) Exame visual e palpação do fígado (ex. Actinobacilose, Hidatidose, Cisticercose,Distomatose , Linguatulose) , da vesícula e dos canais biliares, bem como dos gângliosretro-hepáticos e pancreáticos ;g) Exame visual do aparelho gastro-intestinal (ex. Tuberculose, Actinobacilose), domesentério e dos gânglios linfáticos estomacais e mesentéricos ;h) Exame visual e, se necessário, palpação e incisão do baço (ex. Antrax, Tuberculose,Hemoprotozooses);i) Exame visual dos rins e respectivos gânglios linfáticos e da bexiga e, se necessário,incisão;j) Exame visual da pleura e do peritoneu;k) Exame visual dos órgãos genitais; 46
  47. 47. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011l) Exame visual e, se necessário, palpação e incisão das glândulas mamárias erespectivos gânglios linfáticos (supramamários);m) Exame visual e palpação da região umbilical e articulações dos animais novos; emcaso de dúvida, deve ser feita incisão na região umbilical e devem ser abertas asarticulações. Em caso de dúvida, deverão também fazer-se incisões, nas mesmas condições,nos seguintes gânglios: cervicais superficiais (suínos), pré-escapulares (ruminantes),axilares, axilares acessórios ou axilares da primeira costela, supra-esternais, cervicaisprofundos, costo-cervicais, poplíteos, precrurais, isquiáticos, ilíacos e lombo-aórticos.Nos ovinos e caprinos, a abertura do coração e a incisão dos gânglios linfáticos dacabeça só se deverá fazer em caso de dúvida. O Veterinário Oficial deverá, além disso, efectuar sistematicamente:A. A pesquisa da cisticercose:a) Nos bovinos com mais de seis semanas de idade, ao nível: - da língua, em cuja musculatura deverá ser feita incisão longitudinal na parteinferior sem danificar demasiado o órgão, - do coração, o qual, além da incisão já referida, deverá ser cortado em dois pontosopostos, das aurículas à extremidade, - dos masséteres externos e internos, aos quais deverá ser feita incisão em planosparalelos à mandíbula, - do diafragma,b) Nos suínos, ao nível das superfícies musculares directamente visíveis, em especial aonível dos músculos do quarto traseiro, da parede abdominal, dos psoas, dos pilares dodiafragma, dos músculos intercostais, do coração, da língua e da laringe. 47
  48. 48. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011B. A pesquisa da distomatose nos bovinos, ovinos e caprinos, por meio de incisões feitas na face gástrica do fígado e que digam respeito aos canais biliares, bem como por meio de incisão profunda da base do lóbulo quadrado.C. A pesquisa do mormo nos solípedes, por meio de análise cuidada das mucosas da traqueia, laringe, fossas nasais, seios nasais e respectivas ramificações, após corte na cabeça, no plano médio, e ablação do septo nasal.D. A pesquisa de melanose nos músculos que se encontram sob a cartilagem escapular e linfonodo sub-romboide, em todos os cavalos brancos ou ruços.E. A pesquisa de triquina nas carnes frescas de animais das espécies suína e equina ou tratamento pelo frio ( Portaria 241/90 de 4 de Abril).F. O despiste de Hematúria Enzoótica dos Bovinos, pela abertura da bexiga de todos os bovinos provenientes dos Açores, os quais apresentam hematúria intermitente e tumor vesical. Este tumor é devido à frequente exposição às toxinas do feto vulgar (Pteridium aquilinum), por ingestão durante o pastoreio. O local mais frequente do aparecimento deste tumor é na bexiga (50,9%) mas também aparece na terceira pálpebra (20%) e na pele (15,7%).G. Colheita de amostras com vista à detecção da EEB, em todos os bovinos com mais de trinta meses de idade, sujeitos a abate normal para consumo humano.H. Pesquisa de Neurofibromatose em vacas adultas, da raça Alentejana, nos nervos intercostais, plexo braquial e plexo cardíaco. 48
  49. 49. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 Os seguintes quadros resumem de forma sucinta a inspeção post-mortem que deveser realizada. 1) Inspeção da cabeça: Bovinos Equinos Pequenos Suínos ruminantes GERAL Exame visual das superfícies externasLINFONODOS Submaxilares Parotídeos Incisão (a) Incisão ___ IncisãoRetrofaríngeosAMIGDALAS Retiradas após ___ ___ Retiradas após inspeção inspeção LINGUA Palpação Palpação OUTROS Incisão dos masseteres Incisão da externos e ___ ___ laringe internos (a) (a) Para bovinos com idade inferior a seis semanas, a incisão é dispensável.Quadro 7: Auxiliar de memória para os requisitos obrigatórios na inspeção post-mortem da cabeça. (fonte:Manual de boas práticas da inspeção sanitária). 49
  50. 50. Relatório de Estágio PEPAC 2010/2011 2) Inspeção das vísceras: Bovinos Equinos Pequenos Suínos ruminantes LINFONODOS Mesentéricos Exame visual Exame visual Exame visual Palpação (b) Retro-hepáticos Incisão (a) Palpação Palpação Palpação Brônquicos Incisão (a) Incisão Palpação Palpação Mediastínicos APARELHO GASTRO- Exame visual Exame visual Exame visual Exame visual INTERTINAL BAÇO Palpação Palpação Exame visual Exame visual FÍGADO Palpação. Exame visual da vesícula biliar (não se aplica a equídeos). Nos bovinos com mais de seis semanas, deve ser efetuada uma incisão para detectar a presença de tremátodos no fígado. PULMÕES Palpação. Incisão transversal no lobo diafragmático para abrir os brônquios. Deve ser aberta a laringe, traquéia e as principais ramificações brônquicas. CORAÇÃO Exame visual. Depois de rebatido o pericárdio, incisão longitudinal de modo a abrir os ventrículos e a atravessar o septo interventricular. RINS Exame visual. Após a enucleação, se necessário incisão. Nos cavalos ruços, incisão do rim inteiro. UTERO Palpação Exame visual Exame visual Exame visual (adultos) (a) Para bovinos com idade inferior a seis semanas apenas é obrigatório o exame visual. (b) Deve-se praticar a incisão sempre que necessário e nos suínos também caso se tenham verificado lesões nos linfonodos submaxilares.Quadro 8: Auxiliar de memória para os requisitos obrigatórios na inspeção post-mortem das víscera.(fonte: Manual de boas práticas da inspeção sanitária). 50

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