Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos

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Breve descrição das principais doenças, desparasitações e vacinações que mais afetam e influenciam a produção suína em geral.

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Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos

  1. 1. UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Engenharia Zootécnica Produção Suína Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos Docente: Prof. Divanildo Outor Monteiro Job Ferreira nº. 16783 Vila Real, Novembro de 2005
  2. 2. ÍNDICEINTRODUÇÃO........................................................................................... 31. DOENÇAS GENERALIZADAS............................................................ 41.1. Erisipelas (Mal Rubro) ........................................................................ 41.2. Leptospirose......................................................................................... 51.3. Peste Suína Clássica (Cólera Suína) .................................................... 71.4. Peste Suína Africana (PSA) ................................................................ 111.5. Doença de Aujeszky............................................................................. 122. DOENÇAS DO TRACTO RESPIRATÓRIO......................................... 152.1. Pneumonia Enzoótica........................................................................... 152.2. Síndrome Reprodutivo e Respiratório Suíno (PRRS).......................... 163. DOENÇAS DO TRACTO DIGESTIVO............................................. 203.1. Colibacilose.......................................................................................... 204. PARASITAS INTERNOS...................................................................... 215. PARASITAS EXTERNOS..................................................................... 27CONCLUSÃO............................................................................................. 29BIBLIOGRAFIA......................................................................................... 30
  3. 3. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)INTRODUÇÃO Não é possível a existência de uma produção animal racional e moderna semadopção de medidas de higiene e sanidade; o não respeito de regras neste campo podeacarretar muitos dissabores, em virtude do aumento de probabilidade de insucesso nasproduções, de doenças nos animais e aumento de transmissão de doenças ao Homem. A matéria-prima é o material genético de que o animal é portador, bem comoalimentação que lhe é fornecida. O processo de produção encontra-se intimamenteligado ao maneio, e, consequentemente, a medidas de higiene e sanidade que têm porfim tirar o maior rendimento possível na expressão e transformação dessa matéria-prima. De tudo o que ficou dito se infere a responsabilidade do Médico Veterinário,Engenheiro Zootécnico e outros Técnicos de Produção Animal, que detêm em suasmãos os conhecimentos necessários à criação de animais. Animais e plantas encontram-se circundados por microrganismos. Os seres vivosmicroscópicos compreendem as bactérias, os vírus, os fungos e os protozoários.Qualquer destes seres vivos, à excepção dos vírus é dotado da possibilidade de mutação,capacidade de absorver substâncias nutritivas, metaboliza-las e excretar produtos do seumetabolismo, bem como de se reproduzir. O microbismo tem importância muito especial em produção animal. Ele condicionaos níveis de produção quer directa ou indirectamente. Influencia indirectamente aclassificação da carcaça, e directamente a qualidade higiénica dos produtos de origemanimal. Entende-se por profilaxia mediadas destinadas a opor barreiras à produção ouaparecimento de determinados processos infecciosos, actuando ao nível do hospedeiro,instalações, microrganismos e meio ambiente. Nesta medida é utilizada a vacinação e a desparasitação como medidas profilácticas. 3
  4. 4. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)1. Doenças Generalizadas1.1. Erisipelas (Mal Rubro) A Erisipelotrix rhusiopathiae é uma bactéria de distribuição mundial, capaz de viverna água, solos, matérias orgânicas em putrefacção, no corpo dos peixes e em animaismortos. A bactéria apresenta um tempo variável de sobrevivência nos solos, masgeralmente não mais de 35 dias; os porcos e outros hóspedes portadores podem causarcontaminação. Causa Erisipelas suínas nas suas diversas formas. A doença aguda, malrubro geralmente ocorre com um bacilo delgado, gram positivo de aproximadamente 1 –2 µm de comprimento. É resistente a certos anti-sépticos de uso comum, como oformaldeído, o fenol, a água oxigenada e o álcool, mas é destruído facilmente por sodacaustica e hipocloritos. É muito sensível à Penicilina e pouco à Tetraciclina. Asnumerosas estirpes apresentam uma variação considerável na sua patogenicidade. O diagnóstico de Erisipelas aguda pode ser difícil nos porcos que somenteapresentam temperatura elevada, falta de apetite e apatia.PROFILAXIA E TRATAMENTO Usam-se bactérias mortas em alguns países e cultivos de estirpes imunizantes vivasde pouca virulência para os porcos. A bactéria com formalina, adsorvida em hidróxidode alumínio confere uma imunidade que na maioria dos casos protegerá o porco emcrescimento contra as formas agudas da doença. Usa-se também uma vacina oral depouca virulência. Os animais reprodutores jovens, incluindo os varrascos, devem servacinados duas vezes nos intervalos recomendados e vacinados posteriormente a cada 6meses depois do nascimento de cada ninhada. Não se aconselha a vacinação de fêmeasprenhas. A vacinação aumenta o nível de imunidade, mas não proporciona protecçãocompleta. Todavia podem ocorrer casos agudos após vacinação e talvez não se dêprotecção contra as formas artríticas ou cardíacas da doença. Ocorre alguma variaçãoantigénica entre as estirpes bacterianas, de modo que uma vacina pode não serigualmente eficaz contra todas as estirpes selvagens. 4
  5. 5. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27) Se ocorrem casos de Erisipelas aguda numa vara não vacinada, pode administrar-seanti-soro, se estiver disponível, aos porcos em contacto ou pode administrar-sePenicilina ou Tetraciclinas. A Penicilina é o fármaco de eleição nos porcos doentesagudos e pode usar-se ao mesmo tempo que o anti-soro. A eliminação de portadores na ênfase da sanidade e um programa de vacinaçãoregular, devem ser eficazes em varas que apresentem problemas recorrentes e graves.1.2. Leptospirose Doença contagiosa dos animais e do homem causada por infecção com váriosmicrorganismos leptospirais que se agrupam em serovariantes imunologicamentedistintas, a maioria das quais consideram-se como subgrupos de Leptospira interrogans.As infecções podem ser assintomáticas ou podem resultar de uma variedade de sintomasincluindo febre, icterícia, hemoglubinuria, infertilidade, aborto e morte. Depois dainfecção aguda, as leptospiras normalmente localizam-se nos rins ou órgãosreprodutivos e são excretadas na urina, algumas vezes em número elevado durantemeses ou anos. A Leptospirose é uma doença transmitida principalmente pela água, jáque os microrganismos sobrevivem em águas superficiais durante períodosprolongados. A infecção normalmente é transmitida por contacto da pele ou membranasmucosas com a urina e, com menor incidência por ingestão de alimentos ou águacontaminados por urina. As infecções estabelecem-se facilmente pelas rotas da mucosaconjuntival ou vaginal e através de abrasões cutâneas. Se os animais excretores sãointroduzidos numa vara livre da doença, as leptospiras disseminam-se rapidamente epodem ocorrer abortos ou mortes, que são comuns na metade do terço final da gestação.Os quadros clínicos podem ser graves, leves ou inaparentes. A recuperação do doentecom quadros agudos, geralmente está associada com a produção de anticorposcirculantes e diminuição das leptospiras do sangue. Os abortos por Leptospirose podem ser seguidos por retenção das membranas fetaisconduzindo à diminuição da fertilidade. Os casos infecciosos são auto limitantes emvaras pequenas mas o controlo da infecção endémica em varas grandes geralmenteexige a administração de imunidade ou quimioterapia, levantar cercas para evitar que osanimais entrem em contacto com as águas superficiais e evitar o contacto com roedorese outros portadores selvagens. 5
  6. 6. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27) A Leptospirose em suínos tem como serovariante mais comum a Pomona, mas amais difundida é a Bratislava. Os animais podem também ser infectados pelasserovariantes Grippotyphosa, Canicola e a Icterohemorrhagiae. Aparentemente osporcos podem excretar grande número de microrganismos na urina até um ano depoisde recuperarem de uma infecção aguda. Os porcos frequentemente transmitem a doençaao Homem e na Europa a afecção é conhecida como “ a doença do porqueiro”. ALeptospirose aguda que ocorre em porcos jovens é cauda por Pomona e Grippotyphosa,caracteriza-se por febre, icterícia e morte. A infecção por Bratislava está associada aredução da eficiência reprodutiva. A Leptospirose suína aguda não está claramente definida. Em alguns porcos podenão ser aparente; outros mostram somente reacções febris e anorexia que dura 3-4 dias.Os casos clínicos mais graves incluem pouco aumento de peso, anorexia, transtornosintestinais e, ás vezes, meningites com rigidez, espasmos e movimentos em círculos. Asleptospiras instalam-se frequentemente em fetos abortados. Os abortos e nascimentosdébeis representam os casos de Leptospirose mais fáceis de reconhecer numa vara. Onúmero de abortos pode ser reduzido por tratamento e vacinação de todas asreprodutoras da vara.Fig.1- Hemorragias cutâneas de um aborto provocado por Leptospirose. 6
  7. 7. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)PROFILAXIA E TRATAMENTO Interrupção da transmissão por porcos infectados é o factor crítico de controlo. Ocontrolo da Leptospirose depende do uso combinado de três estratégias: terapiaantibiótica, vacinação e maneio. Infelizmente nem todas estas opções são viáveis emtodos os países; por exemplo, vacinas não estão disponíveis em muitos países Europeus,e problemas relacionados com os resíduos de antibióticos tornam o uso da terapiaantibiótica difícil noutras situações. Os programas de controlo devem ser modificados,no sentido de encontrarem as condições locais. A vacinação induz a imunidade de curta duração. A imunidade para a infecçãonunca é de 100%, na melhor das hipóteses dura no máximo 3 meses. A vacinação reduza incidência da infecção na Terra, porém não a elimina. O controlo da infecção porBratislava e problemas residuais inerentes é feito normalmente por Tetraciclina. O despiste deverá ser feito com estreptomicina a 25mg/kg de peso corporal ouTetraciclina (oral). O uso de inseminação artificial é uma ferramenta importante nocontrolo da infecção por Bratislava.1.3. Peste Suína Clássica (Cólera suína) Doença viral altamente contagiosa do porco. A doença causada por estirpesvirulentas, inicia-se subitamente afectando animais de todas as idades, com umamorbilidade e mortalidade elevadas. Os adultos são o grupo menos afectado. As estirpes menos virulentas causam doença crónica ou leve, fracasso reprodutivo emortes neonatais. Também pode existir infecção oculta. A Cólera suína é endémica em muitos países da América do Sul, Africa e Ásia. Nãoexiste no Canadá, Austrália e Nova Zelândia e julga-se que terá sido erradicada emmuitos países Europeus. A causa é um pestivirus da família Togaviridae. Tem alguns antigénios comuns como Vírus da Diarreia Viral Bovina (VDVB), mas as provas de neutralização distinguem-nos como espécies distintas. As estirpes de vírus da Cólera Suína são específicas para ohóspede em condições naturais; em geral formam um grupo antigénico mais compactoque as estirpes de VDVB, no entanto variantes serológicas de pouca virulência e pouca 7
  8. 8. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)patogenicidade podem causar dificuldades diagnósticas. O vírus replica-se em cultivoscelulares de origem suína e a maioria das estirpes não produzem efeito citopático viral.No meio ambiente das reprodutoras, os excrementos e camas podem permanecercontaminados desde poucos dias a várias semanas, dependendo maioritariamente dastemperaturas ambientais. O vírus sobrevive na carne de porco congelada, durante pelomenos 4 anos e nas carnes refrigeradas e carcaças conservadas pelo menos 3-6 meses. O modo normal de transmissão é por contacto directo. O vírus encontra-se em todasas excreções e secreções corporais dos animais infectados em quantidades relacionadascom a virulência da estirpe. Os porcos persistentemente virémicos depois da infecçãotransplacentária ou pós-natal podem infectar animais sãos. A alimentação com resíduosnão processados, ou processados de modo inadequado, com carnes infectadas, tambémpodem ser um meio importante de difusão. Os tecidos de porcos infectados sãopotencialmente infecciosos mesmo antes que a doença se possa observar ou durante arecuperação, isto é, depois de se começarem a desenvolver anticorpos neutralizantesséricos. Outras rotas de difusão menos importantes incluem numerosos vectoresmecânicos, embora a difusão pelo ar pareça improvável. A rota mais comum de entrada viral é a ingestão e o local principal de multiplicaçãosão as amígdalas. A difusão linfática e a virémica ocorrem 24h depois da infecção. Amultiplicação secundária do vírus em leucócitos circulantes, células endoteliais de vasossanguíneos e linfáticos, tecido linfóide visceral, baço e medula óssea contribuem muitopara a difusão virémica aos 5-6 dias. A difusão de estruturas epiteliais depois dos 3-4dias resulta na evacuação do vírus pelas excreções e secreções corporais. Os porcos quesobrevivem à infecção durante 6 semanas apresentam esgotamento generalizado detecido linfóide e correm o risco de contrair infecções concorrentes. A história dos quadros clínicos e das lesões macroscópicas apoiam o diagnósticoprovisional nos casos de doença aguda. As petéquias difundidas, que afectam a laringe,bexiga e rim, enfarte esplénico, as “úlceras em botão”, o eritema cutâneo e pneumoniasão muito indicadores. A leucopenia e trombocitopenia achados frequentes porem devefazer contagens leucocitárias pelo menos em seis animais. O diagnóstico diferencial deve considerar a Peste Suína Africana, Salmonelosesepticémica, Pasteurelose, Estreptococcidiose, Leptospirose, Mal Rubro, entre outras.Os sinais nervosos da Peste Suína Africana não podem diferenciar-se dos causados poroutras encefalites ou por outros transtornos nervosos não infecciosos. A confirmação do 8
  9. 9. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)diagnóstico em qualquer das suas formas clínicas exige métodos de diagnóstico delaboratório. SINAIS CLÍNICOS São reconhecidas as formas aguda e crónica da PSC. A manifestação clínicadepende da idade do animal e da virulência da cepa viral envolvida. A taxa demortalidade pode atingir 90% em animais jovens, enquanto que em suínos mais velhosa doença pode ter manifestação discreta ou mesmo ser subclínica. Fig.2-Os sinais clínicos iniciais incluem depressão e febre alta (41oC/106oF), associados com leucopénia severa (a contagem total de leucócitos pode estar abaixo de 4.000/mm3). Lesões equimóticas na pele de leitões afectados por PSC. Fig.3-Hemorragia da mucosa ocular. São observados eritemas, hemorragia e cianose em animais de pele branca, particularmente nas extremidades, abdómen, axilas e face interna dos membros. Hemorragias petequiais também são observadas em mucosas, embora este achado não seja consistente. 9
  10. 10. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27) Sinais nervosos são observados frequentemente, incluindo letargia, convulsõesocasionais, ranger de dentes e dificuldade de locomoção. Fig.4-Animais susceptíveis geralmente morrem em menos de 10 dias após o início dos sinais clínicos. Os animais que sobrevivem por períodos mais prolongados podem desenvolver sinais de envolvimento respiratório e intestinal, caracterizados inicialmente por constipação seguida de diarreia. Na manifestação crónica, após uma manifestação inicial de febre, os animais têm recuperação transitória seguida de recorrência com febre, anorexia e depressão. Fig.5-A exposição natural ao vírus durante a gestação pode resultar em várias anormalidades fetais e neonatais que incluem aborto, mumificação, anasarca, ascite, natimortos, hipoplasia cerebelar, hipomielinogénese, tremores congénitos e mortalidade neonatal. Infecções em estágios iniciais da gestação (antes do 20o dia de gestação) podem resultar em mortalidade embrionária e absorção. 10
  11. 11. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)PROFILAXIA E TRATAMENTO O soro hiper-imune é o único tratamento disponível e pode ser eficaz nas primeirasetapas da doença ou para proteger os animais em contacto. O controlo resideessencialmente na erradicação ou vacinação. A erradicação por abate de todos os porcosem contacto e a disposição segura das fezes tem tido êxito. As instalações infectadasdevem ser desinfectadas e devem ficar vazias durante algum tempo. Os movimentos dosporcos nas áreas infectadas são estritamente controlados. A alimentação com restos decomidas está regulada em países com uma politica de erradicação. Os países onde adoença é endémica empregam maioritariamente vacinas com vírus vivos atenuados.Embora se possa usar a vacinação para reduzir a incidência da doença endémica, estadeve acabar quando se faz a erradicação por abate, e não está permitida em áreas“oficialmente” livres da doença.1.4. Peste Suína Africana (PSA) Doença viral muito contagiosa dos porcos, com sinais e lesões similares aos dePeste suína clássica. A PSA estava confinada a Africa até 1957, sendo uma infecçãoaltamente virulenta dos porcos domésticos por contacto com porcos selvagens. O javalifrequentemente é um portador não aparentemente infectado pelo vírus. As primeirasextensões da PSA ocorreram em Portugal em 1957 e em Espanha em 1960. A PSA é uma doença produzida por um vírus ADN recentemente classificado nafamília Asfarviridae, que afecta o porco doméstico. Os vírus podem instalar-se a partir de tecidos de animais portadores até 3 anos,depois de ter ocorrido a infecção. É excepcionalmente resistente, mantendo a suacapacidade infecciosa durante 18 meses ou mais, à temperatura ambiente. A falta deuma vacina digna de confiança é um factor crítico nos esforços de controlo. Um aspectofora do comum da resposta imunitária ao vírus da PSA, é a ausência de anticorponeutralizante facilmente demonstrada. Os anticorpos produzem-se e a sua transferênciapassiva oferece uma certa protecção que se observa pelo início demorado, a redução dasquantidades de vírus circulantes e a modificação da severidade dos casos clínicos. 11
  12. 12. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27) As manifestações clínicas das doenças são muito variáveis podendo apresentar-sedesde formas agudas a formas subclínicas, dependendo da virulência do vírus causadore da resistência do animal infectado. As lesões das formas sobre agudas a agudas e sub-agudas resultam em alterações de carácter congestivo-hemorrágico generalizado,morrendo os animais em estado de choque hipovolêmico. Assim, os animais mortos emcasos agudos da doença apresentam edema pulmonar severo, hemorragias nos gânglioslinfáticos, especialmente nos gastrohepáticos e renais, hemorragias em varias serosas eórgãos. Os suínos parecem ser os únicos animais naturalmente sensíveis à PSA, que podetransmitir-se por contacto directo ou indirecto. Qualquer doença similar a esta deve sercomunicada imediatamente às autoridades sanitárias. As lesões visíveis de Peste SuínaClássica e de PSA são demasiado similares para que seja permitida um diagnósticodiferencial seguro, existem pequenas diferenças fulcrais para a distinção.PROFILAXIA E TRATAMENTO A difusão da PSA até à Europa, Caribe e Brasil e ausência de vacina, intensificam operigo internacional. É necessário que hajam esforços internacionais cooperativos paraproibir o movimento de animais, produtos ou vectores infectados. Os veterináriosdevem estar atentos para reconhecer a PSA e devem utilizar os serviços sanitáriosestatais de diagnóstico. Um diagnóstico positivo de PSA deve ser seguido de quarentenaestrita e abate. Não existe tratamento.1.5. Doença de Aujeszky Doença viral do SNC que está associada principalmente a porcos. As infecçõesnaturais ocorrem numa grande variedade de hóspedes, nos quais a infecção é fatal, emquase todos os mamíferos infectados, excepto os porcos. O Homem, os macacos,chimpanzés e poiquilotérmicos, entre outros, são resistentes à infecção. O vírus pode 12
  13. 13. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)sobreviver na superfície corporal das moscas domésticas, que podem servir como fontede vírus. O vírus persiste em estado latente em neurónios ganglionares numa percentagemelevada de porcos infectados. Há muitas estirpes virais que variam desde aparentementesem virulência para os porcos a altamente virulentas. O porco é um hóspede primário e é o único reservatório conhecido. Os porcosexcretam grandes quantidades de vírus na saliva e secreções nasais ou pela urina efezes. Os porcos podem estar latentemente infectados durante toda a vida e podemexcretar o vírus durante uma semana. A sobrevivência no meio ambiente depende datemperatura, humidade, o vírus geralmente não sobrevive mais de duas semanas fora doanimal vivo. A maioria dos animais infectam-se por contacto directo com porcos queestão a excretar o vírus. A infecção por ingestão de tecidos contaminados ou porinalação de aerossóis contaminados é menos comum, no entanto parece ocorrertransmissão com aerossóis a distâncias significativas. A patogenia e expressão da doença são similares em todas as espécies sensíveis. Ovírus é captado dentro dos canais oronasais e inicia a infecção nas células epiteliais;circula no axoplasma dos nervos craniais ao cérebro e simultaneamente infecta as viasrespiratórias superiores, podendo chegar aos alvéolos. A virulência é intermitente, masoferece ao vírus acesso a todas as partes do corpo. O período de incubação nos porcos é de 30-40 horas. Os primeiros sinais são osespirros e tosse, seguidos rapidamente de febre, anorexia e cansaço. A continuação poderesultar em infecção neurológica manifestada por tremores, falta de coordenação,convulsões e coma. Em alguns porcos jovens ocorrem vómitos e diarreia. A morte podeocorrer 3-6 dias depois da infecção. A mortalidade pode chegar a 100% em leitõeslactantes, mas diminui com a idade; poucos ou nenhuns adultos morrem. A incidênciade abortos, mumificações e/ou mortes ao nascimento podem aumentar dependendo daetapa da gestação e do momento da infecção. Depois de um caso inicial numa vara, aimunidade passiva protege os leitões até ás 6-12 semanas de vida, podendo observar-secasos somente em porcos em crescimento. 13
  14. 14. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27) Fig.6- Animal doente apresentando cansaço e dificuldade de movimentos.PROFILAXIA E TRATAMENTO Não existe tratamento. As vacinas administradas são eficazes para impedir aevolução da doença mas nenhuma impedirá a infecção por vírus selvagens. Os porcosvacinados também excretam vírus depois da infecção com estirpes selvagens, só que asconcentrações são menores e durante um período mais curto que os porcos infectadosnão vacinados. Estão disponíveis vacinas geneticamente alteradas; as provas serológicasassociadas permitem associar os porcos vacinados dos infectados com a estirpeselvagem do vírus. Cada uma destas provas deve utilizar-se conjuntamente com umavacina específica. Para manter um lote de animais livre do vírus deve-se:  Introduzir no lote somente animais serologicamente negativos;  Evitar o contacto com explorações infectadas e impedir o acesso do público ás instalações;  Manter animais selvagens especialmente javalis e animais soltos, fora do contacto com a exploração;  Evitar o uso de equipamentos pertencentes a outras explorações Em caso de doença, o isolamento dos animais infectados talvez limite a difusão dadoença. 14
  15. 15. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)2. Doenças do Tracto Respiratório2.1. Pneumonia Enzoótica Nome utilizado normalmente para a doença infecciosa de animais mantidos emgrupo, confinados ou ao ar livre. Incide principalmente em animais com menos de 6meses, mas pode ocorrer até 1 ano de idade. As taxas de morbilidade podem chegar a100%; as taxas de mortalidade são variáveis, mas normalmente superiores a 20%. Trata-se de uma infecção viral respiratória primária, seguida de uma sobre infecçãobacteriana. É resultado de mau maneio, por exemplo: falta de transferência deimunidade passiva, ventilação inadequada, introdução constante de animais no grupo ouespaço inadequado. Podem estar implicadas várias variedades de vírus ou bactérias. O tratamento maiseficaz deve ser avaliado a partir de antibiogramas. Nos casos agudos a temperatura corporal vai desde 39,5ºC a 41,5ºC, acompanhadade respiração rápida e descarga nasal serosa. A infecção pode resolver-se lentamente, outornar-se mais severa, caracterizada por tosse seca, descarga nasal tenaz, anorexia,desidratação e debilidade. Há animais que embora superem a doença, tossemesporadicamente, engordam, mas têm sempre pouco rendimento. Fig.7- Pulmão de suíno. Ausência de imonomarcação no epitélio respiratório (400x). 15
  16. 16. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27) Fig.8- Pulmão de suíno. Superfície epitelial exibindo imunorreação (400x).PROFILAXIA E TRATAMENTO Para obter os melhores resultados os animais infectados devem tratar-seprecocemente. Os animais doentes devem ser identificados, isolados e tratados comagentes anti-bacterianos de amplo espectro, salvo que administrem medicamentos deacção prolongada, o tratamento deve repetir-se durante 3 a 4 dias pelo menos. Otratamento pode fracassar se, se inicia tarde ou se o microorganismo é resistente aosantibióticos seleccionados. A administração de medicamentos na alimentação ou naágua, geralmente é de valor limitado, já que os animais doentes não comem nem bebemo suficiente para produzir concentrações inibitórias de antibiótico no sangue. O maneio dos animais constitui uma das chaves para o controlo. A prevençãocomeça com a vacinação contra bactérias e vírus respiratórios específicos.2.2. Síndrome Reprodutivo e Respiratório Suíno (PRRS) Em 1991 o nome PRRS foi proposto para esta doença que até então suscitava muitasconfusões e diferentes nomes em várias partes do mundo, entre outros: doença suínamisteriosa, doença da orelha azul, síndrome da infertilidade e aborto suíno ou aindasíndrome do aborto epidémico e respiratório suíno. 16
  17. 17. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27) A origem do vírus da doença (PRRSV) ainda é desconhecida, mas estudos revelamque embora hajam algumas diferenças genótipicas e fenotipicas as linhagens americanae europeia possuem um ancestral comum. A PRRS é uma doença que continua afectar muito a industria suína como doençarespiratória endémica e é responsável por uma elevada taxa de abortos. Recentementefoi descoberta no EUA uma doença reprodutiva epidérmica severa que foi descritacomo uma variante atípica e/ou aguda da PRRS. Tal facto sugere que esta doença emmudanças evolutivas pode complicar bastante o combate, o controlo e possívelerradicação. Informação corrente sugere que o PRRSV introduziu-se recentemente na populaçãosuína doméstica, mas rapidamente se transmitiu entre ela sendo um vírus altamenteinfeccioso e ubiquitário. Os suínos são susceptíveis devido à sua exposição à doença, nomeadamente: oral,intranasal, intramuscular, intraperitoneal e vaginal. A sua transmissão necessita daexposição dos animais a uma dose infecciosa mínima. A infecção resulta datransmissão do vírus de um animal infectado através da saliva, urina, secreçõesmamárias, sangue e sémen. Portanto exige uma especial atenção na inseminaçãoartificial com sémen infectado. A transmissão do vírus através da saliva, urina e fezesresulta de uma contaminação ambiental, porém o PRRSV é um vírus frágil que éfacilmente inactivado no meio ambiente. Este vírus pode permanecer infeccioso duranteum longo período de tempo mediante certas condições de temperatura e humidade. Embora o PRRSV seja muito infeccioso não é altamente contagioso e raramenteocorre a sua eliminação espontânea. O portador da infecção tem um estado prolongado eestudos revelam que animais infectados só começaram a apresentar sintomas da doençameses após a transmissão. Alguns animais e principalmente aves podem servir depotenciais portadores da doença. Tipicamente o vírus é perpetuado através de um ciclo de transmissão das mães paraos leitões, tanto no útero como pós parto, ou mesmo através da introdução naexploração de novos animais infectados. O colostro pode providenciar alguns anticorposque ajudam a prevenir a doença, mas esta resistência é de curta duração. Os sinais clínicos são influenciados pelo tipo de vírus, pelo estado imunitário dosanimais e factores de maneio. Ninhadas afectadas nascem, mortas ou mumificadas,fracos ou pequenos ou ainda, aparentemente normais. A mortalidade ao nascimento émuito elevada. 17
  18. 18. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27) Na infecção endémica dos animais os sinais principais são na sala de recria eincluem: redução do apetite, dispneia, apneia, exacerbar de outras doenças endémicas eaumento da mortalidade. A anorexia e apatia é a primeira fase da PRRS e duraaproximadamente 2 semanas. Existem outros sinais clínicos e subclinicos que podemser vistos em animais doentes de todas as idades: estados febris com temperaturasrectais de 39-41ºC, alguma hipertensão e agressividade. Alguns animais apresentamainda um manchado azulado cutâneo passageiro, em certas extremidades, normalmentemais visível nas orelhas, focinho, glândula mamária e vulva. Este vírus induz uma infecção multisistémica que pode potenciar generalizadasinfecções virais, contudo a maior parte das lesões são normalmente observadas emapenas alguns tecidos: o respiratório e o linfóide. Fig. 9- PRRS, animal infectado.PROFILAXIA E TRATAMENTO A fonte primária da doença continua a ser o animal infectado. Pode dizer-se queactualmente ainda não existem programas de tratamentos para a doença, mas foramfeitos esforços para reduzir a febre, utilizando drogas esteróides anti-inflamatórias ouestimulantes de apetite (vitamina B). O uso de antibióticos também foi usado parareduzir os efeitos das bactérias patogénicas oportunistas, porém os resultados obtidosforam confusos. Por isso a fonte de controlo primária da doença é a prevenção. Assimaquando da chegada de animais novos a uma exploração, estes devem ser isolados 45- 18
  19. 19. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)60 dias antes de serem colocados junto dos outros. O abate de animais infectados emexplorações de sistemas intensivos é também uma alternativa. Apesar destas medidas terem tido algum sucesso os riscos de reinvenção a longoprazo são altos, portanto é importante a prevenção da expansão do vírus em animaisjovens. É importante também a desinfecção agressiva de locais que se suspeitemsusceptíveis de contrair a doença e em casos mais graves devem se deixados 7-14 diasvazios após desinfecção. Esta técnica permite uma eliminação com sucesso do vírus(seronegatividade) e os animais voltam ao seu normal produtivo e às normais taxas decrescimento e mortalidade. Uma recente e eficaz vacina comercial, licenciada para o uso em leitões com 3-18semanas e porcas não gestantes permitiu um controlo e prevenção dos efeitos dasdoenças, minimizando perdas económicas. Contudo esta vacina não foi aprovada em seradministrada em animais PRRS negativos. 19
  20. 20. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)3. Doenças do Tracto Digestivo3.1. Colibacilose Doença vulgar em leitões lactantes e desmamados, causada por colonização dointestino delgado por estirpes enterotoxigenas de E.colli. Certas estirpes de E.collipossuem fímbrias e pêlos que lhes permitem colonizar células epiteliais do jejuno e doílio. As estirpes patogénicas produzem enterotoxinas que causam secreção de líquidos eelectrólitos dentro do volume intestinal, resultando em diarreia, desidratação e acidose. Os leitões que morrem subitamente podem apresentar eritema cutâneo.Fig. 10 - A E. Colli tem longas projecções, em forma de dedos, chamadas fímbrias (seta), as quaisauxiliam o microorganismo a fixar-se à parede intestinal. Uma vez fixada, a bactéria secreta toxinas queinfectam o animal.PROFILAXIA E TRATAMENTO O tratamento inclui a administração rápida de drogas anti-bacterianas,conjuntamente com restauração de líquidos e equilíbrio electrolítico. É útil fazer oantibiograma para identificar os medicamentos eficazes. A prevenção inclui a reduçãodos factores predisponentes, como a humidade, temperatura, sanidade das instalações,vacinando as porcas gestantes com vacinas específicas. O estímulo da imunidadeintestinal activa por administração oral de antigénios específicos é útil para evitar aColibacilose nos períodos finais da lactação e depois do desmame. 20
  21. 21. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27) 4. Parasitas internos Coccidiose Existem oito espécies de Eimeria que podem (ex: Isospora e Cryptosporidium)infectar os suínos. Os leitões de 5-15 dias de vida caracteristicamente só se infectamcom C. parvum e com I. suis, que causam enterites e diarreia. Estes agentes devemdiferenciar-se dos vírus, bactérias e helmintos, que também causam diarreia nos leitõesrecém nascidos. Conhece-se pouco de C. parvum em leitões. Pensa-se que é de grandeincidência, mas normalmente de baixa morbilidade e mortalidade. A infecção pode darlugar a diarreia não hemorrágica. Isospora prevalece em leitões recém nascidos. A infecção caracteriza-se por umadiarreia aquosa ou mole, normalmente amarelada a branca e com mau cheiro. Os leitõespodem apresentar-se debilitados, desidratados, de menor tamanho que o normal ealgumas vezes morrem. Os oocistos são excretados nas fezes e podem ser identificadospelo seu tamanho, forma e características de esporulação; sem dificuldades, odiagnóstico nas infecções periagudas deve basear-se em descobrir as etapas do parasitaem esfregaços de impressão e secções histológicas do intestino delgado, porque osleitões podem morrer antes que se formem os oocistos. Histológicamente as lesõesconfinadas ao jejuno e ao ílio caracterizam-se por atrofia pilosa, ulceração focal eenterites fibrinonecrótica com etapas parasitárias nas células epiteliais. Se for realizadocontrolo profiláctico administrando agentes anticoccidios na alimentação das porcasduas semanas antes do parto até ao final da lactação ou aos leitões recém nascidos desdeo nascimento até ao desmame e, mesmo assim, se verificar a doença, é porque não foiverificada a eficácia do tratamento. A limpeza a fundo das fezes e desinfecção dasmaternidades entre um parto e outro reduz muito a infecção.PROFILAXIA Boas práticas na alimentação e maneio adequado, incluída a salubridade, podemevitar a doença. Os leitões recém nascidos devem receber colostro. Os animais jovens,susceptíveis, devem alojar-se em jaulas limpas, secas, os comedouros e bebedouros 21
  22. 22. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)devem manter-se limpos e protegidos da contaminação fecal. A administraçãoprofiláctica de agente antitotóxidicos são recomendados quando o historial daexploração conta com casos de Coccidiose.TRATAMENTO A administração rápida do tratamento pode retardar ou inibir o desenrolar das etapasresultantes da infecção, por outro lado podem parar o curso da infecção, reduzindo adescarga de oocistos aliviando a hemorragia, a diarreia, reduzindo a possibilidade queocorram infecções secundárias e mortalidade. Os animais doentes devem ser separadose tratados individualmente sempre que seja possível, para garantir as concentraçõesterapêuticas do medicamento e a contaminação de outros animais. Podem usar-sesulfunamidas intestinais, como sulfaguanidina ou sulfunamidas absorvidas facilmentecomo a sulfamerazina ou sulfametazida. As sulfunamidas solúveis podem administrar-se por via oral ou parenteralmente, sendo mais eficazes que as sulfunamidas entéricas.Ascaris suum É o nemátodo mais comum no porco. As lombrigas adultas no intestino reduzem aeficiência das forragens. A migração das larvas causa inflamação no fígado e nospulmões.Cryptosporidium É um coccideo que adere ao epitélio intestinal de leitões com aproximadamente dezdias de vida causando atrofia pilosa no intestino inferior, que pode resultar em absorçãoeficiente e diarreia.Hyostrongylus rubidus Lombriga estomacal que aparece em porcos criados em pastoreio. Este parasitacausa normalmente efeitos lesivos. 22
  23. 23. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)Isospora suis Forma importante e comum de coccidiose em leitões de 6 dias a 3 semanas de vida.A infecção causa necrose e atrofia pilosa do ílio e do jejuno. É comum que hajainfecção bacteriana secundária da mucosa intestinal lesionada. A mortalidade chega aos20-25% e muitos animais vêem o seu desenvolvimento atrasado.Oesophagostomum Lombrigas nodulares adultas que se encontram no intestino grosso e causam danos,mas as infecções severas por larvas incrustadas na parede intestinal podem causaremagrecimento.Strongyloides ransomi As larvas das lombrigas intestinais podem ser transmitidas pelo colostro ou obtidasa partir da pele contaminada da reprodutora. Os leitões muito infectados desenvolvemdiarreia severa aos 10-14 dias de vida, acompanhada de mortalidade elevada.Trichuris suis As lombrigas entram através da mucosa do ceco e cólon, causando múltiplos focosde inflamação. As infecções severas causam diarreia e emagrecimento. As fezes podemser hemorrágica, no entanto, as infecções severas com estes parasitas podem confundir-se clinicamente com a disenteria suína ou a enterite proliferante. 23
  24. 24. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27) Fig. 11 - Ascaris lumbricoides/ Adulto. Fig. 12 - Ovo de Ascaris. Fig. 13 - Entamoeba histolytica Fig. 14- Lesão de mucosa intestinal por Ambeba Fig. 15 - Ténia adulta Fig. 16 - Balantidium coli 24
  25. 25. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)Fig. 17 - Enterobius vermiculares Fig. 18 - Endolimax nana Fig. 19 - Ancylostoma duodenalis no intestino Fig. 20 - Ancylostomas duodenalisFig. 21 - Ovo de Trichiuris trichiura Fig. 22 - Trichiuris trichiura no intestino 25
  26. 26. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27) Fig. 24 - Estrongiloide stercoralisFig. 23 - Giardia lamblia na mucosa intestinal Fig. 25 - Entamoeba coli Fig. 26 - Hymenolepis nana PROFILAXIA E TRATAMENTO Para além da boa higiene básica das pocilgas, que se deve destacar, o controlo baseia-se na administração de antihelminticos. Os produtos de administração incluem bencimidazoles, levamisol e diclorvos. Programa: tratar as porcas adultas e jovens aproximadamente dez antes da cobrição e novamente antes do parto; tratar os leitões desmamados antes de colocá-los em parques limpos; tratar os varrascos com intervalos de seis meses. Como alternativa pode administrar-se uma só injecção de ivermectina, que também é eficaz contra piolhos e ácaros causadores de sarna. 26
  27. 27. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)5. PARASITAS EXTERNOS Para evitar perdas de animais, pode ser necessário tratar os animais com diversosfármacos para reduzir ou eliminar povoamento de parasitas artrópodes. A identificaçãodo artrópode ou o diagnóstico correcto com base nos sinais exibidos pelo animal é umpercursor necessário à selecção do fármaco apropriado. O agente seleccionado pode seradministrado e aplicado directamente no animal ou introduzido no meio ambiente como objectivo de reduzir a povoação de artrópodes, a um nível que não produzaconsequências económicas e de saúde. Certos artrópodes, como piolhos, moscas e ácaros da sarna vivem continuamente napele, e são controlados exclusivamente por meio de tratamento do hóspede. Os ácarosda sarna escondem-se dentro da pele, e por isso são mais difíceis de controlar, combanhos que os piolhos e moscas que se encontram na superfície da pele. Outrosartrópodes como as carraças e ácaros permanecem no hóspede durante o temponecessário para se alimentar, aproximadamente 30 minutos no caso das ninfas e adultosde carraças, até 21 dias no caso de todas as etapas de alimentação e muda de umaespécie hóspede de carraças. Fig. 27 - Parasitas externosTRATAMENTO Quando as condições de pasto ou condições de maneio o permitem, os animaispodem submergir-se em insecticida. Os tanques são construídos de maneira a que osanimais passem completamente pelo líquido e o liquido drenado do animal retorne ao 27
  28. 28. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)tanque. Devido às necessidades de segurança, existem poucos compostos insecticidasaprovados para o uso em tanques de imersão. Outras técnicas usadas são a aplicação deemulsões ou suspensões aquosas com pulverizadores, espumas, aerossóis, entre outras. 28
  29. 29. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)CONCLUSÃO Os suínos são particularmente animais propensos a doenças por isso são muitorigorosas as medidas higiénicas aplicadas. Os animais devem ser comprados emexplorações isentos de agentes patogénicos específicos. As consequências das alterações de saúde do efectivo são o aparecimento de índicesde morbilidade e de mortalidade superiores aos esperados, além de deficientes índicesde reposição, problemas de fertilidade, aparecimento de abortos e de ninhadas pequenas. Podemos então concluir que a produção suína deve apostar antes de tudo naprevenção pois como diz o ditado “mais vale prevenir que remediar”. 29
  30. 30. Programas de Desparasitação e Vacinação em Suínos 2005 (1-27)BibliografiaFRASER, C., 1993; El Manual Merck de Veterinária; Barcelona, Espanha.PEREIRA, A., 1992; Higiene e Sanidade Animal, Fundamentos da Produção Pecuária, Publicações Europa-América, Mem Martins.III JORNADAS DE SUINICULTURA, 200; Livro de Resumo de Comunicações, pp 99, Vila Real.Websiteshttp://www.arsia.be/pages_web/FR/Aout2003.htmhttp://suinoculturaindustrial.com.br/site/dinamica.asp?id=6306&tipo_tabela=cet&categoria=saude_animalhttp://www.msu.edu/~straw/pathogen.htmhttp://www.ovoonline.com.br/galeria_fotos_geral.asphttp://www.suino.com.br/sanidade/noticia.asp?pf_id=21140&dept_id=3http://www.vet.uga.edu/vpp/IVM/PORT/csf/clinical.htm 30

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