Diagnostico social de Évora
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Diagnostico social de Évora

on

  • 2,165 views

 

Statistics

Views

Total Views
2,165
Views on SlideShare
2,163
Embed Views
2

Actions

Likes
0
Downloads
8
Comments
0

1 Embed 2

http://evorasolidaria.no.comunidades.net 2

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

Diagnostico social de Évora Diagnostico social de Évora Document Transcript

  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 ÍNDICENOTA INTRODUTÓRIA....................................................................... 2METODOLOGIA ................................................................................ 5BREVE CARACTERIZAÇÃO DO CONCELHO DE ÉVORA ................................. 8PROTECÇÃO SOCIAL ....................................................................... 13SANTO ANTÃO .............................................................................. 14Resultados dos Questionários:.......................................................................................... 15Principais conclusões:...................................................................................................... 43Análise S.W.O.T. de Santo Antão: ................................................................................... 45Instituições: ........................................................................................................... ….46Análise Social da Freguesia de Santo Antão:.................................................................... 47Propostas: ................................................................................................................... 49SÃO MAMEDE ............................................................................... 50Resultados dos Questionários:.......................................................................................... 52Principais conclusões:................................................................................................. 75Análise S.W.O.T. de S. Mamede:..................................................................................... 77Instituições: ................................................................................................................ 78Análise Social da Freguesia de São Mamede:................................................................... 79Propostas: ................................................................................................................... 80SÉ/SÃO PEDRO ............................................................................ 81Resultados dos Questionários:.......................................................................................... 83Principais conclusões:............................................................................................... 106Análise S.W.O.T. de Sé/São Pedro:................................................................................ 108Instituições: .............................................................................................................. 109Análise Social da Freguesia da Sé/São Pedro: ................................................................ 110Propostas: ................................................................................................................. 111REFLEXÃO FINAL SOBRE O CENTRO HISTÓRICO .................................. 112Análise S.W.O.T. do Centro Histórico: .......................................................................... 119BIBLIOGRAFIA ............................................................................ 120ADENDA: ................................................................................... 123 1 PáginaO PAPEL DAS AUTARQUIAS NO ....................................................... 123DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMUNITÁRIO ..................................... 123
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 NOTA INTRODUTÓRIA 2 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007O diagnóstico apresentado surge da necessidade sentida pelos actores locais, presidentesdas Juntas de Freguesia de Santo Antão, São Mamede e Sé/São Pedro quanto aolevantamento e reconhecimento das necessidades da população destas freguesias,também denominada por população intramuros eborense, uma vez que estas freguesiasfazem parte do Centro Histórico de Évora.Face a esta necessidade e às novas exigências das políticas sociais actuais, cada vezmais territorializadas e activas, responsabilizando as organizações locais (Autarquiaslocais, Instituições Particulares de Solidariedade Social, Organizações não governamentaise outras) tornava-se imperativo que houvesse um documento de referência, que nãopermitisse apenas a leitura das necessidades/potencialidades mas que apontasse medidasde combate aos problemas sociais, nestas freguesias.Compreendendo a necessidade deste estudo, importa defini-lo enquanto conceito: “ODiagnóstico Social pode ser definido como um processo concertado, permanente ereiterado, de identificação e de análise, entre os actores implicados, do conjunto dascausas e características das situações de exclusão social. Confere além disso, oselementos que orientam a acção, ajuda a definir as necessidades, a conhecer os recursose os obstáculos existentes e a iniciar o estabelecimento das prioridades, a concretizar e aadaptar na função de planificação. O Diagnóstico corresponde à análise da realidadesocial num determinado contexto social, espacial e temporal, respeitante a uma ou váriassituações problemáticas” (Câmara Municipal de Tondela: 2005, 5).Este trabalho assenta, sobretudo, numa perspectiva de Desenvolvimento Social eComunitário visto aqui como uma “técnica social de promoção humana e de mobilizaçãode recursos humanos, integrada nos programas nacionais de desenvolvimento; e queatende, basicamente, ao processo educativo” e à promoção de solidariedades nospequenos grupos (Ware cit. in Mascarenas, 1996: 44).Enquadra-se no âmbito da Rede Social, mais concretamente na Comissão Social Interfreguesias do Centro Histórico de Évora, que resulta da conjugação de sinergias deentidades públicas, privadas e de cidadãos, presentes na localidade e que em parceriaprocuram combater a pobreza e exclusão social. A Rede Social poderá contribuirdecisivamente para a efectivação de uma consciência pessoal e colectiva dos problemassociais, para activação dos meios e agentes de resposta, para as inovações nos modos deagir e ainda, para promover o desenvolvimento social local. Em suma, trata-se de criar ummodelo de co-responsabilidade e de gestão participada, no combate à pobreza e àexclusão social, com base territorial.Para que a análise dos problemas e das suas causas fosse o mais participada possível,procurando enriquecer-se através da perspectiva de vários profissionais de diferentesáreas, foi constituída uma equipa em que participaram elementos do Departamento doCentro Histórico, Património e Cultura da Câmara Municipal de Évora e a Assistente Socialda Comissão Social Interfreguesias do Centro Histórico de Évora, formando um núcleorestrito de trabalho.Este grupo conta também com a colaboração pontual de um grupo de alunos de Sociologiada Universidade de Évora, pois só puderam participar por questões de tempo e interessena freguesia de São Mamede e com um grupo de seis voluntários do Programa deOcupação de Tempos Livres do Instituto Português da Juventude.Embora todos os elementos da equipa estivessem presentes apenas no momento da 3recolha de dados, poder-se-á afirmar que todos contribuíram em maior ou menor grau para Páginaas reflexões apresentadas neste estudo, pelo que se deve um agradecimento aos
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007mesmos, principalmente ao Departamento do Centro Histórico, Património e Cultura daCâmara Municipal de Évora.Neste contexto, e sentindo as Juntas de Freguesia do Centro Histórico de Évora – St.Antão, S. Mamede e Sé/S.Pedro necessidade de um maior conhecimento das principaiscaracterísticas da comunidade intramuros, nos seus aspectos socio-económicos, eprocurando abrir novos caminhos na sua forma de apoiar a comunidade, foi realizado noano 2007 um Diagnóstico Social na comunidade intramuros. E este documento que daíresultou, pretende ser mais do que um instrumento de leitura, um instrumento deintervenção com finalidade de promoção humana e comunitária.A metodologia seleccionada para a realização deste diagnóstico foi a metodologiaquantitativa e qualitativa. Quantitativa pois foi utilizado o inquérito por questionárioaplicado, quer a uma amostra representativa dos agregados familiares intramuros, quer àsinstituições que fazem parte da Comissão Social de Freguesias do Centro Histórico,efectuando-se a análise de dados e estatística. Qualitativa quando as técnicas utilizadasbasearam-se na observação directa, sistemática, na análise documental e recolha deinformação através de informadores privilegiados, que em muito contribuíram para asreflexões apontadas.Os capítulos seguintes serão apresentados na seguinte ordem: a metodologia que explicacomo se fez a estudo aqui presente, uma breve caracterização do concelho de Évora queinclui dados relativos ao Centro Histórico; depois entramos na análise de cada freguesiaintramuros. O capítulo de cada freguesia é composto pelos resultados dos questionários,principais conclusões desta análise, análise S.W.O.T., referência às instituições presentesna comunidade e análise social da freguesia. Terminando no capítulo da reflexão finalsobre o Centro Histórico. Este diagnóstico inclui também uma adenda onde se apresentauma pequena reflexão sobre o papel das autarquias locais no desenvolvimento social ecomunitário. 4 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 5 Página METODOLOGIA
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Para a concretização do Diagnóstico Social das Freguesias Intramuros, “o DiagnósticoSocial pode ser definido como um processo concertado, permanente e reiterado, deidentificação e de análise, entre os actores implicados, do conjunto das causas ecaracterísticas das situações de exclusão social. Confere além disso, os elementos queorientam a acção, ajuda a definir as necessidades, a conhecer os recursos e os obstáculosexistentes e a iniciar o estabelecimento das prioridades, a concretizar e a adaptar nafunção de planificação. O Diagnóstico corresponde à análise da realidade social numdeterminado contexto social, espacial e temporal, respeitante a uma ou várias situaçõesproblemáticas” (Câmara Municipal de Tondela: 2005, 5). O estudo diagnóstico estáintrinsecamente associada a ideia de intervir, é um momento em que se deve gerar umconhecimento dos problemas sobre os quais se vai intervir, este conhecimento permite iratingindo as restantes fases de intervenção com maior eficácia.Aqui o objecto de análise é a comunidade, ancorada na necessidade de ter um bomconhecimento da dinâmica de conjunto da comunidade, desde o seu espaço territorial aoseu espaço social. Privilegiaram-se as metodologias quantitativas, embora estas nãolimitassem o estudo somente à análise numérica, uma vez que os investigadoresparticiparam em todos os momentos do diagnóstico e que foram eles mesmos a aplicar osquestionários. Situação que permitiu uma observação directa e muitas vezes participante,o que contribuiu para uma abordagem qualitativa. Houve um contacto privilegiado com apopulação que permitiu não só a recolha da informação, mas também a agilização derespostas a problemas apontados, quase findando numa metodologia de investigação-acção. No que diz respeito aos procedimentos de recolha empírica, o presente estudo apresenta-se com contributos bastante diversificados. Recorreu-se, deste modo, aos seguintesinstrumentos, para caracterizar cada espaço físico e social: a) Consulta de fontes documentais, tendo em vista obtenção de elementos de caracterização local, que permitissem contextualizar e melhor compreender as dinâmicas existentes, problemas detectados e o contexto sócio-económico- político-histórico, tais como: Diagnóstico Social da Rede Social de Évora de 2003, o Plano de Desenvolvimento Social de Évora de 2004, Plano Nacional de Acção para a Inclusão, entre outros; b) Consulta de dados estatísticos existentes disponíveis no Instituto Nacional de Estatística; c) Recolha e compilação de vários documentos escritos (relatórios, dados, levantamentos ou análises sócio-demográficas e urbanísticas) cedidas, principalmente pelo Departamento do Centro Histórico, Património e Cultura – Câmara Municipal de Évora; d) Conversas informais com informadores privilegiados da comunidade; tais como os presidentes das Juntas de Freguesia e técnicos que intervinham na área em análise. Depois de uma primeira fase de contextualização, passou-se para um segundo momentoa construção de questionários a serem aplicados quer à população, quer às intuiçõessociais que providenciam apoios socais à comunidade intramuros e que fazem parte daComissão Social Interfreguesias do Centro Histórico de Évora. Face ao número de famíliasresidentes no Centro Histórico cerca de 2647 (INE, 2001), e ao número dos recursoshumanos disponíveis recorreram-se a amostras aleatórias simples em cada freguesia,sendo que os meios de recolha foi o chamado “questionário porta-a-porta”, e apenas erainquirida uma pessoa por agregado familiar. O que contribuiu para uma melhor percepçãoterritorial, dos espaços habitacionais e comerciais existentes. 6 PáginaO Instituto Nacional de Estatística define como família clássica residente o conjunto depessoas que residem no mesmo alojamento e que têm relações de parentesco; qualquer
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007pessoa independente que ocupa uma parte ou a totalidade de uma unidade de alojamentoe as empregadas domésticas residentes no alojamento onde prestavam serviço. Freguesia Famílias Amostra Amostra Residentes Valores Absolutos PercentagemSanto Antão 685 205 30%São Mamede 1018 211 20%Sé/São Pedro 944 112 12%Total Centro Histórico 2647 528 17%Em Ciências Sociais define-se que uma amostra representativa de um universo de valorconsiderável deve fica situada no mínimo entre os 15% e os 30%, sendo preferencial aaproximação dos 30% do universo (Duarte, 2005). Atendendo-se a estes valores, nafreguesia da Se/São Pedro não se conseguiu concretizar uma amostra representativa,devido às limitações temporais. Estes questionários tiveram por objectivos: - Conhecer a comunidade intramuros, analisando o seu contexto social, económico, cultural e ambiental; - Conhecer a qualidade de vidas dos habitantes locais, - Identificar problemas existentes e as necessidades percepcionadas pela comunidade; - Clarificar os recursos e forças existentes na comunidade intramuros - Apontar para possíveis prioridades de intervenção; - Proporcionar um quadro referencial. E atenderam aos seguintes vectores de análise: - Análise sócio-histórica e demográfica do meio; - Análise dos recursos do meio; - Análise condições habitacionais; - Análise das redes de solidariedade locais; - Análise dos valores culturais; - Análise dos problemas sociais na comunidade.Pode-se afirmar que, os questionários utilizados foram sendo aperfeiçoados ao longo docontacto com a população, procurando ser um instrumento aberto e dinâmico ao longo daanálise, para que permitissem uma maior compreensão da realidade e da comunidade quese encontrava a ser analisada. Limitações do Diagnóstico SocialEste estudo apresenta limitações que não permitiram o aprofundamento de algumasquestões que serão apresentadas. Entre as limitações identifica-se: o facto de ser umestudo que se debruça nas características generalistas dos agregados residentes noCentro Histórico, não houve a análise da vertente mais pública deste território como aconvergência dos serviços, comércio e parque habitacional, portanto privada; o facto deeste diagnóstico ter sido construído num espaço de nove meses e a equipa que tratou darecolha de dados só esteve disponível em horário laboral, das 9h às 20h; no que concerne 7aos questionários às instituições presentes na comunidade foram poucos os que Páginadevolvidos. O que não tornou possível a auscultação das entidades presentes sobre estacomunidade, no presente estudo.
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 8 Página BREVE CARACTERIZAÇÃO DO CONCELHO DE ÉVORA
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 “A cidade de Évora é testemunha de um passado irrequieto, marcado pela presença de povos e culturas distintas. Évora é uma cidade notável destes períodos remotos da Península Ibérica”. (Silva et all: 1998)No estudo aqui apresentado, e apesar de se pretender somente reflectir sobre o CentroHistórico de Évora, julgou-se ser importante fazer uma breve caracterização da cidade deÉvora, para que se contextualize a realidade envolvente da qual o Centro Históricoconstitui vital parte.No coração do Alentejo, o concelho de Évora tem a área de 1 308,25 km² (Ficha deCaracterização Concelhia 1999:207), sendo a sede de um dos maiores municípios dePortugal, com a configuração mais ou menos circular, com um raio aproximado de 20quilómetros. Évora situa-se no meio da planície alentejana, a uma altitude média 240metros.O município é limitado a norte pelo município de Arraiolos, a nordeste por Estremoz, aleste pelo Redondo, a sueste por Reguengos de Monsaraz, a sul por Portel, a sudoestepor Viana do Alentejo e a oeste por Montemor-o-Novo. Situando-se junto do eixo Lisboa -Madrid. Localizada no ponto de encontro de três grandes bacias hidrográficas – Tejo,Sado, Guadiana.Évora é descrita como sendo uma planície docemente ondulada, com uma paisagemaberta, clima mediterrâneo, suavizado pela influência atlântica. “Évora cidade – museu,assim classificada por artistas, arqueólogos e escritores, não desmereceu do cognome,que só aparentemente consagra uma imobilidade estética, de certo modo presa a sombrastradicionais e tutelares das suas características e origens monumentais, mas que adinâmica cultural em vivência, actualidade e cosmopolitismo relegou para a magiacontemplativa da Antiguidade. Évora é uma cidade viva, relativamente pequena (…), masde um humanismo e pitoresco inimitáveis, sobretudo no Centro histórico, medalhado em1982 pela Fundação F.V.S., de Hamburgo, e de valor artístico europeu reconhecido pelaUNESCO” (Roteiro: 2000/2001, 13).A história de Évora está intrinsecamente ligada à história de Portugal e é uma das grandesembaixadoras da identidade do povo alentejano e de Portugal, através do turismo dá aconhecer os costumes, as artes, a gastronomia, etc., projectando uma ideia de romantismoe de pacatez.A cidade Évora é o principal pólo regional de comércio e serviços, evidenciando-se nosúltimos anos o turismo como um sector em franco crescimento. Sendo o maior centrourbano do Alentejo com total de 55 619 habitantes (Anuário Estatístico da Região doAlentejo, 2004:71), encontra-se subdividido em 19 freguesias. E apesar de ter passado porperíodos de diminuição de população, Évora entre 1991 e 2001 apresentou umcrescimento efectivo de população como se poderá verificar no Quadro A. Quadro AAno 1911 1940 1960 1970 1981 1991 2001População 14 108 22 174 28 652 28 190 14 851 38 094 58 564 Fonte: INE, Censos 2001Para Silva et all (1998:267) dois factores que contribuíram para modificar o panoramasocioeconómico de Évora: a dinâmica ganha pela Universidade local e a projecção 9decorrente da classificação da cidade como Património da Humanidade pela UNESCO. PáginaSegundo estes autores, a presença da Universidade permitiu inverter o processo deenvelhecimento da população eborense. É um rejuvenescimento parcial, na medida em
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007que os jovens não se irão, em geral, fixar na cidade ou no concelho, uma vez diplomados.Contudo, quando partirem serão substituídos por outros, e graças a esta populaçãoflutuante Évora ganhou uma outra animação. É o aluguer de quartos e casas, é um maiormovimento nos cafés, restaurantes e estabelecimentos similares, e sobretudo, uma vidacultural e também nocturna com características muito diferentes das tradicionais.Apesar deste cenário em que se aponta para um crescimento efectivo da população Évoravive uma dicotomia, se por um lado tem vindo manifestar um crescimento populacionalefectivo, por outro lado o Centro Histórico desta cidade tem perdido população a um ritmoacentuado. Tal, como demonstrado no seguinte Quadro B e Gráfico 1. Quadro B Evolução da População Residente 1911 1940 1960 1970 1980 1990 2000CHE 14074 18559 15696 12696 10783 7842 5661CEM 34 3615 12956 15494 4068 30252 41970 Fonte: Mourão, Susana – C.M.E. (2001:s/p) Gráfico 1 Evolução da População Residente 60000 50000 40000 CEM 30000 CHE 20000 10000 0 1911 1940 1960 1970 1980 1990 2000 Fonte: Mourão, Susana – C.M.E. (2001:s/p)Efectivamente, os dados apontam para uma perda de população no Centro Histórico deÉvora (CHE) em benefício da Cidade Extra Muros (CEM), segundo um estudo realizadopelo Departamento do Centro Histórico e Património da Câmara Municipal de Évora(Oliveira et all: 2003:3), as causas deste fenómeno demográfico devem-se sobretudo aoaparecimento de núcleos urbanos fora das muralhas e um centro histórico superpovoadolevou os moradores do Centro Histórico à procura de habitações nestes novos espaços. Oque se traduziu num primeiro momento num equilíbrio entre espaço residencial/população,mas que depois originou um profundo desequilíbrio, perdendo o centro da cidadevitalidade. O que segundo os autores deste mesmo estudo “levou a uma roturademográfica, dos 20 000 habitantes em 1940, restam pouco mais de ¼” (Ibidem).Comparativamente à densidade populacional verifica-se que embora afastado da média 10nacional, o distrito de Évora se encontra ligeiramente abaixo dos valores apresentadospela região do Alentejo, tal como demonstra Gráfico 2. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 2 Densidade Populacional 150 113,92 100 Hab/Km2 50 24,38 23,11 0 Portugal 1 Alentejo Distrito Évora Fonte: INE, O País em Números, 2004No que concerne à distribuição etária, Gráfico 3, verifica-se que a Évora apresenta osseguintes valores: 15% da população apresenta idades compreendidas entre os 0-14anos, 12% da população encontra-se entre os 15-24 anos e grande maioria 73% dapopulação tem idades superiores aos 24 anos. O que demonstra uma populaçãomaioritariamente com idade adulta. Gráfico 3 Distribuição Etária 50000 40000 30000 20000 10000 0 0-14 Anos 15-24 Anos <24 Anos Fonte: Anuário Estatístico da Região Alentejo, 2004Quanto aos indicadores sociais, o concelho, no ano lectivo 2004/2005, encontravam-secerca de 67 instituições de ensino, Gráfico 4, sendo que ao nível do ensino pré-escolar 19estabelecimentos pertencem ao ensino privado e 13 ao ensino público, ao nível do ensinobásico 1 estabelecimento pertence ao ensino privado e 26 ao ensino público, pertencendotodos os outros níveis ao ensino público. 11 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 4 Estabelecimentos de Ensino 3 3 2 32 27 Educação Pré-escolar Ensino Básico Ensino Secundário Escolas Profissionais Ensino Superior Fonte: Anuário Estatístico da Região Alentejo, 2004Nos indicadores de saúde, Évora em 2004 apresentava valores acima da média nacional,no que respeita a enfermeiros, médicos e farmácias por habitante. Tal como demonstradono Gráfico 5. Gráfico 5 Indicadores de Saúde 9,9 10 8 6 4,4 4,2 4 3,4 3,3 2 1,7 0,3 0,4 0,4 0 Enfermeiros por Médicos por Farmácias e 1000 Habit. 1000 Habit. postos de med. 1000 Habt. Portugal Alentejo Évora Fonte: Anuário Estatístico da Região Alentejo, 2004Ao nível da protecção social, e no que toca mais exactamente ao número de pensionistase subsidiários no final do ano de 2004, esta cidade apresentava os valores apresentadosno Quadro C. 12 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Quadro C Protecção Social Pensionista Invalidez 2091 Pensionista Velhice 9692 Pensionista Sobrevivência 3418 Pensionista 15201 Beneficiário da prestação de desemprego 1727 Abono de família a crianças e jovens 2561 Subsídio por assistência à terceira pessoa 26 Subsídio Mensal vitalício 9 Subsídio funeral 11 Subsídio por doença 2314 Subsídio Maternidade 348 Subsídio de Paternidade 148 Fonte: Anuário Estatístico da Região Alentejo, 2004Tendo o Distrito de Évora em 2003, uma totalidade 36 equipamentos sociais, segundo aCarta de Equipamentos e Serviços de Apoio à População – 2002, sendo estes 8 Creches,12 Centros de Dia e 16 Lares.No que se refere à educação, mais propriamente ao analfabetismo, Évora apresenta umataxa elevada quando comparada com o Alentejo e Portugal, tal como demonstrado noseguinte gráfico. Gráfico 6 Taxa de Analfabetismo - 2001 20 15,9 14,8 15 9 Portugal 10 Alentejo Évora 5 0 Analfabetos Fonte: INE, O País em NúmerosQuanto às freguesias do Centro Histórico, em análise – Sé/São Pedro, St. Antão e SãoMamede, três das dezanove freguesias do concelho de Évora, caracteristicamenteurbanas, cingem em si importantes serviços para toda a população eborense, podendointitular-se as artérias principais do concelho. Representando no seu conjunto cerca de 9%da população eborense. 13 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 14 SANTO ANTÃO Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007A Freguesia de Santo Antão é uma das freguesias urbanas de Évora, sendo a maispequena deste Concelho, e consequentemente do Centro Histórico, ocupa uma áreageográfica de cerca de 0,27 Km2 e os limites do seu território entre a Rua dos Mercadorese a Rua José Elias Garcia. Tem como património a Igreja de Santo Antão, a FonteHenriquina, o Convento de Santa Clara, o Teatro Garcia de Resende e o Convento doCalvário. É, também, nesta freguesia que se situa a famosa Praça do Giraldo, que aindahoje serve de ponto da sociedade eborense. Freguesia de Santo Antão A Freguesia de Santo Antão corresponde à área sombreada da imagem. Fonte: Departamento do Centro Histórico Património e Cultura – C.M.E.Segundo o Instituto Nacional de Estatística em 2001, St. Antão apresentava cerca de 1473habitantes residentes, sendo que 58% são mulheres e 42% são homens, uma densidadepopulacional de 5462,8 hab/km2. No que respeita ao edificado apresentava 1020alojamentos e 697 edifícios, como se poderá verificar pelos dados do Quadro E. Quadro E Proporção N.º Pessoas Famílias de Residente H M ResidentesAlojamentos Edifícios Reformados 1473 614 859 685 1020 697 38,8% Fonte: INE 2001Face ao universo apresentado e às limitações temporais e dos recursos humanos, foidecidido construir uma amostra da população para a realização de questionários,efectuando-os “porta-a porta”. Deste modo, os investigadores tiveram a possibilidade deconhecer melhor a comunidade local e a população.Resultados dos Questionários:Quanto à amostra, de um universo de 685 famílias residentes, foram efectuados 205questionários à população desta freguesia, abrangendo 30% das famílias residentes nafreguesia como comprova o gráfico 1. A recolha de dados foi realizada entre as 9h e as20h e foram percorridas todas as ruas desta freguesia e inquiridas o máximo de pessoaspossível. 15 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 1 Amostra Famílias Residentes Inquiridas ; 205; 30% Famílias Residentes Não Inquiridas ; 480; 70%Quanto ao sexo dos inquiridos, maioritariamente foram mulheres, cerca de 147 mulheres e58 homens, com as percentagens representadas no Gráfico 2. Gráfico 2 Se xo dos Inquiridos Masculino 28% Feminino 72%A apresentação dos dados será dividida através das várias temáticas abordadas noquestionário: caracterização dos agregados familiares, rendimentos, saúde, mobilidade,habitação, bens de conforto, a relação face ao Centro Histórico, 3º Idade e, e por fim,factores de interesse. Caracterização dos Agregados Familiares:No que respeita às idades verifica-se, que maioritariamente os agregados familiares sãocompostos por adultos, com particular incidência para pessoas nas faixas etárias entre os31-65 anos e pessoas com idades superiores aos 76 anos de idade, Gráfico 3. 16 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 3 Idades Elementos Agregados Familiares 120 119 100 96 80 79 N Ps o s 73 º es a 60 40 20 15 10 0 0-14 15-18 19-30 31-65 66-75 >76 idade sO que nos revela uma população particularmente envelhecida, atendendo a que sejuntarmos as pessoas com idades iguais e superiores aos 66 anos, estas tem maisrepresentatividade que qualquer outro grupo.Quanto à composição do agregado familiar verificou-se que os núcleos familiares sãosuperiores ao grupo de indivíduos que vivem sozinhos, ficando em último lugar apopulação flutuante composta pelos jovens estudantes universitários que se encontravama residir nesta freguesia, Gráfico 4. Gráfico 4 Distribuição População Pop. Flutuante 5% Pessoas Núcleos Isoladas Familiares 40% 55% Núcleos Familiares Pessoas Isoladas Pop. FlutuanteOs núcleos familiares eram compostos sobretudo por dois elementos, na sua maioriacasais, Gráfico 5. 17 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 5 Composição do Agregado Familiar 12; 6% 6; 3% 1; 0% 2; 1% 21; 10% 82; 40% 81; 40% 1 2 3 4 5 6 7 Sendo que são as famílias nucleares e os agregados isolados os mais representados, com cerca de 80% da composição dos agregados familiares nesta freguesia.No que respeita à escolaridade 36% dos indivíduos que componham o agregado familiartinham o 1º ciclo do ensino básico (4º ano), 14% tinha o 3º ensino básico (9º ano) e 12%não sabiam ler nem escrever, havendo depois distribuição por todos os escalões deescolaridade, tal como presente no Quadro F. Quadro F Escolaridade Nível de Ensino V.A. % Não sabe ler/escrever 46 12 Sabe ler e escrever sem possuir qualquer grau 4 1 Ensino Básico 1º 141 36 Ensino Básico 2º 18 5 Ensino Básico 3º 55 14 Ensino Secundário 37 0,9 Ensino Médio 7 2 Bacharelato 4 1 Licenciatura 21 5 Mestrado 3 1 Doutoramento 1 0, 1 Frequentam Universidade 40 10 Frequentam Escola 15 4Podemos concluir que a amostra caracteriza-se pelas baixas qualificações escolares,consequência directa desta ser uma população envelhecida com vivências de umaépoca em que a escolaridade não era obrigatória nem tinha importância maior.Contudo, salienta-se a elevada percentagem de analfabetos. 18Relativamente às categorias profissionais com maior representatividade são: ostrabalhadores não qualificados com 49%, os estudantes com 17% e pessoal dos serviços Páginaou vendedores com 13%, as restantes categorias também se encontram presentes nestafreguesia embora em número bastante inferior, Quadro G. Neste item também foram
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007válidas as profissões dos pensionistas, uma vez que nos permitiam confirmar indicadorescom rendimentos, idades e escolaridade. Quadro G Categoria Profissional V.A. %Membros Forças Armadas 7 2Quadros Superiores da Administração Pública 1 0Especialistas das profissões intelectuais e científicas 30 8Técnicos e profissionais de nível intermédio 3 1Pessoal administrativo e similares 33 8Pessoal dos serviços e vendedores 49 13Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e 1pescas 2Operários, artífices e trabalhadores similares 5 1Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da 1montagem 4Trabalhadores não qualificados 193 48Estudantes 65 17 A baixa qualidade de mão-de-obra, encontra-se igualmente relacionada com o facto de esta ser uma população envelhecida com baixas qualificações escolares, e o mercado de trabalho não se encontrava tão desenvolvido ao nível da especialização.Quanto à situação profissional em que se encontravam os membros do agregado familiarverificou-se que 52%; 27% mantinham-se activos, 16% inactivos e aqui incluíram-seprincipalmente donas de casa restando 5% da população que se encontravadesempregada, Gráfico 6. Gráfico 6 Situação Profissional Activos 27% Des empregad Reformados os 52% 5% Inactivos 16% Mais de metade dos elementos do agregado familiar encontrava-se na reforma, o 19 que não é surpresa com as idades médias apresentadas nesta amostra. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007No que concerne à naturalidade dos elementos dos agregados, 322 pessoas, nasceram noDistrito de Évora, representando 81% da amostra, os restantes encontram-se divididosentre o Baixo Alentejo com 34 pessoas, Alto Alentejo com 5 pessoas, Centro com 3indivíduos, Sul com 2 pessoas, Norte 5 pessoas, das Ilhas 2 pessoas e do estrangeiro quesurpreendentemente tem representatividade com cerca de 19 pessoas, Gráfico 7. Estegrupo de estrangeiros são sobretudo adultos, vivem em pequenos núcleos familiares comlaços de consanguinidade ou não, activos, exercendo funções em serviços, ou enquantooperários ou trabalhadores não qualificados. Gráfico 7 Naturalidade 1% 1% 5% 1% 1% 1% 9% 81% Évora Baixo Alentejo Alto Alentejo Centro Sul Norte Ilhas Estrangeiro RendimentosQuando inquiridos sobre as fontes de rendimento a maioria afirmou que vivia das suaspensões/reformas (56%). A segunda fonte de rendimento com maior representatividade éo salário (26%), logo seguido pelo auxílio de terceiros (13%) e aqui encontram-serepresentados fundamentalmente os estudantes que subsistem devido ao apoio dos seuspais. O subsídio de desemprego ficou em quarto lugar (2%), seguido com igualrepresentatividade (1%) de negócios próprios, Rendimento Social de Inserção e outrasformas de rendimento, Gráfico 8. Gráfico 8 Fontes de Rendimento 13% 1% 1% 2% 26% 1% 56% Salário Negócio Próprio Pensão/Reforma Subsídio Desemprego Auxílio de 3ºs RSI Outro 20 PáginaSem surpresas face às idades dos agregados familiares inquiridos, a fonte derendimentos advém principalmente das pensões/reformas.
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007No que respeita aos rendimentos médios do agregado familiar 80 pessoas (20%)atestaram receber valores inferiores a 250 € e as restantes 102 pessoas (27%) indicaramusufruir de valores entre os 251€ e 400€. O segundo grupo com maior representatividade(20%) apresenta valores superiores a 1200€. No terceiro grupo encontram-se pessoascom rendimentos entre os 601€ e os 800€ (13%). Sendo seguidos de perto pelo grupo depessoas que apontam possuir entre os 401€ e 600€ (11%), havendo ainda outros escalõesintermédios destes valores, tal como demonstrado no Gráfico 9. Gráfico 9 Rendimento Médio Agregado Familiar 20% 20% 6% 3% 27% 13% 11% <250 250-400 401-600 601-800 801-1000 1001-1200 >1200Maior área de gastos é a saúde, dado que não é surpreendente articulando-se as idadesdos inquiridos e a necessidade de maiores cuidados médicos.Relativamente aos gastos do orçamento familiar a maioria, 55%, dos inquiridos indicaramser a saúde a área com maior peso para as suas famílias, seguido da alimentação 33%, arenda/empréstimos com 9% e finalmente a educação com 3%, Gráfico 10. Gráfico 10 Área Maiores Gastos Agregados Familiares 67; 33% 113; 55% 7; 3% 18; 9% Alimentação Educação Renda/Empréstimo Saúde Podendo-se concluir que cerca de 50% recebe da amostra recebe menos de um salário mínimo nacional o que revela agregados familiares de baixos recursos. 21 PáginaNo que respeita a prestações sociais, entendendo-se por estes apoios os complementaresà pensão sob forma pecuniárias de prestações. Dos inquiridos 92% das pessoas
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007afirmaram não ter qualquer tipo de apoios, 7% atestaram usufruir do Cartão do MunícipeIdoso, 1% asseveraram receber o Complemento Solidário para Idosos e 1 pessoa recebiaapoio da antiga entidade patronal, não tendo representatividade percentual. Através doGráfico 11 consegue-se verificar os valores absolutos. Gráfico 11 Prestações Sociais 200 187 150 Nº 100 50 15 2 1 0 Cartão Idoso C.S.I. Entidade Não tem Patronal Na amostra constituída o apoio da Câmara Municipal de Évora, através do Cartão do Munícipe Idoso, é superior aos apoios complementares concedidos pela Segurança Social, por exemplo o Complemento Solidário para Idosos.Relativamente a apoios institucionais, e entendem-se por estes respostas sociais comoapoio domiciliário, apoio alimentar e apoio da acção social directo das diversas entidadesexistentes. Dos inquiridos 91% afirmaram não tem qualquer tipo de apoio, sendo que osrestantes 9% afirmaram receber apoios de diversas entidades, encontrando-se repartidospelas seguintes entidades: Cáritas 5%, Santa Casa da Misericórdia 2%, Fundação AlentejoTerra Mãe/ Associação Pão e Paz (F.A.T.M.) 1% e Câmara Municipal de Évora/Junta deFreguesia 1%. Tal como se verifica no Gráfico 12. Gráfico 12 Apoios Institucionais 200 187 150 100 50 10 4 2 2 0 M. . ta s rita s sa .M un oi o .T ./J ap Cá . Ca F.A .E em St M C. ot Nã 22 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Somente nesta freguesia a Fundação Alentejo Terra Mãe/Associação Pão e Pazapareceu como entidade que presta apoio alimentar aos inquiridos, apoiocompletamente gratuito. O que para pessoas que vivem de parcos rendimentos é umenorme auxílio. SaúdeQuanto à saúde 88% dos inquiridos asseveraram ter médico de família e 12% afirmaramnão ter, este último grupo associado à população universitária e a novos residentes quenão regularizaram a sua situação nos serviços de saúde, Gráfico 13. Gráfico 13 Médico Família 180 200 150 Nº Pessoas 100 25 50 0 Sim Não Não foi detectado qualquer problema no que se refere ao acesso dos serviços de saúde, nesta freguesia.No que concerne a gastos com medicamentos dos inquiridos 49 pessoas responderamnão ter (25%), 27 não sabem quanto gastam (13%), contudo, 110 pessoas afirmam tergastos até 150€ mensais (54%), como se poderá verificar Gráfico 14. Gráfico 14 Gastos em Medicamentos 50 49 46 46 40 30 27 Nº 20 18 11 10 3 3 2 0 <50 51-100 101- 151- 201- 251- >300 Não Não 150 200 250 300 Sabe tem 23 gastos Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Mesmo com baixos recursos económicos, mais de metade dos inquiridos tem gastosaté 150€ mensais, o que representa uma enorme despesa para esta população. No que se refere a doenças crónicas, e aqui ressalva-se o facto de se ter questionado aos inquiridos se tinham ou não alguma doença crónica, cerca de 137 pessoas responderam não padecer de alguma doença crónica. No entanto, 68 pessoas atestaram sofrer de várias doenças, sobretudo diabetes, Gráfico 15. Gráfico15 Doenças Crónicas Diabetes Bronquite Cardíaca Asma Artroses Depressões Parkinson Alzhameir Outras 26% 48% 3% 4% 1% 9% 4% 1% 4% No que respeita a incapacidades gerais, 117 (57%) pessoas afirmaram não sentir qualquer dificuldade ou incapacidade, todavia 88 (43%) asseguraram: ter dificuldade em transpor lanços de escadas (56 pessoas), dificuldade de locomoção (16 pessoas), necessidade de dispositivos de compensação (12 pessoas), e (4 pessoas) sofrem de outras incapacidades, tais como auditivas e visuais. Como demonstrado no Gráfico 16. Gráfico 16 Incapacidades Gerais 5% 18% 14% 63% Incapacidade Locomoção Dificuldades Transpor lanços Escadas Dispositivos de compensação Outras Incapacidades 24 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Dos inquiridos 43% apresentavam algumas incapacidades, principalmente, dificuldade de transpor lanços de escadas e incapacidades locomoção. Estas incapacidades estão relacionadas com as idades dos inquiridos e o consequente aumento do grau de dependência. Mobilidade urbanaQuanto à mobilidade a maioria dos inquiridos (53%) responderam não ter automóvel, emoposição a 47% que afirmaram ter automóveis, como se poderá verificar no Gráfico 17. Gráfico 17 Número Automóveis 57; 28% 109; 53% 39; 19% 1 Automóvel 2 Automóvel Não temRelativamente ao meio de transporte utilizado na cidade intramuros, Gráfico 18, 60%declararam andar a pé, 25% utilizam os transportes públicos e 15% utilizam os própriosautomóveis ou algumas das vezes são os filhos que transportam os pais, situações que seencontra relacionada com problemas de saúde e dificuldade de deslocação mesmo a pé. Gráfico 18 Meio Transporte Utilizado 31; 15% 51; 25% 123; 60% Automóvel Autocarros Pé Podemos afirmar que os inquiridos apresentaram hábitos saudáveis e positivos para o ambiente, pois as formas de locomoção privilegiadas são as deslocações a pé e os transportes públicos. 25 Página Habitação
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Quanto à função da habitação encontra-se distribuída entre habitação permanente esegunda habitação, esta última profundamente relacionada com as deslocações deestudantes que arrendam casas perto da universidade, uma vez que o endereço oficialdestes jovens continua a ser a casa dos seus pais. Maioritariamente, as casas tinham porfunção serem permanentes, Gráfico 19. Gráfico 19 Função Habitação 16; 8% 189; 92% Segunda Habitação Habitação PermanenteQuanto ao vínculo contratual da habitação, em larga escala as casas são arrendadas 69%,seguindo a situação de casa própria 30%, e a habitação cedida cerca de 1%.Esta últimaassociada a questões familiares em que um membro da família disponibiliza sua habitaçãopara usufruto de um outro familiar, Gráfico 20. Gráfico 20 Tipo de Vínculo à Habitação 2; 1% 61; 30% 142; 69% Própria Arrendada Cedida A maioria dos inquiridos era arrendatária.Entre os indivíduos em situação de arrendatários verificou-se que quanto ao contratopropriamente dito, Gráfico 21, 71% dos casos afirmavam ter contratos ilimitados, seguidopelos indivíduos que afirmavam não ter contrato mas terem recibos e por aqueles queasseveravam não ter, nem contrato nem recibos, ambos com 13%. Verificou-se que 3%dos inquiridos, não sabia qual tipo de contrato que tinham estabelecido. A situação de não 26existência de contrato ou recibos tinha particular incidência na população universitária. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 21 Tipo de Contrato 4; 3% 18; 13% 18; 13% 102; 71% Sem Contrato/Sem Recibo Sem Contrato/Com Recibo Contrato Ilimitado Não sabeQuanto aos anos de celebração de contrato verificou-se que 63% dos casos eramcontratos com mais de vinte anos, havendo ainda um valor considerável, 21%, decontratos com menos de cinco anos. Tal como demonstrado Gráfico 22. Gráfico 22 Anos de Contrato 3; 1% 44; 21% 58; 28% 33; 16% 67; 34% <5 6-20 21-40 41-60 >60No que toca ao valor da renda verificou-se que, 53% da população paga menos de 100€,associado a contratos mais antigos. Por sua vez no outro extremo, mas também comalguma representatividade, 29% têm rendas entre os 301€ e 350€. Encontrando-se entreestes extremos valores intermédios como se poderá verificar através do Gráfico 23. 27 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 23 Valor Renda <50 51-100 101-150 151-200 201-250 251-300 301-350 41; 29% 50; 35% 4; 3% 7; 5% 26; 18% 3; 2% 11; 8% Concluindo-se que, as rendas baixo valor estão associadas a vínculos contratuais antigos, sob a forma de contratos ilimitados e as rendas de elevado valor estão associadas a vínculos contratuais mais recentes sob a forma de vínculos sem contrato e sem recibos, maioritariamente. Bens de ConfortoNo que se refere a bens de conforto, todos os inquiridos afirmaram ter fogão, frigorífico etelevisor. No que toca a esquentador 7 afirmaram não ter, 10 asseveraram não termáquina de lavar roupa e 6 declararam não ter telefone fixo ou móvel. Quanto aocomputador cerca de 50 pessoas afirmaram não ter, Gráfico 24. Gráfico 24 Bens de Conforto 250 200 150 Nº Pessoas 100 50 0 r r r ão do va fone Tv frico ado Fog nta . La le ri ut e aq Te go mp qu Fi Es M Co BensRelativamente a condições de conforto e salubridade constatou-se que todos os inquiridosafirmaram ter água canalizada, saneamento básico e electricidade. Contudo, 13 pessoasafirmaram não ter casa de banho completa, apontando para a falta de uma banheira ouduche, e 9 pessoas afirmaram não ter cozinha completa, nem as mínimas condições para 28cozinhar, Gráfico 25. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 25 Condições de Conforto e Salubridade 205 200 Nº Pessoas 195 190 185 a al o de co ad nh on da si iz Ba ci Bá al ci ra t ri an de to pe ec C en a O El as ua am ha C Ág in ne oz Sa CQuanto às patologias no edifício, e aqui foi questionado se os inquiridos identificavamproblemas ao nível da água canalizada, saneamento básico, electricidade, estrutura ououtros. Dos inquiridos 78%, afirmaram ter a casa não identificar qualquer problema derelevante importância, todavia 22% apontaram ter problemas de conservação, entre osquais problemas de salitre, degradação da casa, caixilharia, etc., Gráfico 26. Gráfico 26 Patologias no Edifício 46; 22% 159; 78% Sim Não Relação com Centro HistóricoNo que se refere à relação dos inquiridos com Centro Histórico, foram aplicadas uma sériede questões que permitiram ver a identificação dos residentes com este território, as redesde solidariedades locais e as necessidades, potencialidades deste, de acordo com aopinião da própria população, a identificação dos problemas sociais e possíveis respostas.Assim, relativamente ao prazer de viver no Centro Histórico de Évora 89% dos inquiridosafirmou ter gosto em viver neste local e, apenas, 11% atestou que não gostava, Gráfico 27. 29 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 27 Prazer em Viver no Centro Histórico 23; 11% 182; 89% Sim NãoPela forma como os inquiridos respondiam a esta questão de gostarem ou não de morarno Centro Histórico de Évora muito reactiva e defensiva, podemos aferir que há umsentimento de orgulho e de pertença associado a este espaço.Dos 23 inquiridos que asseveraram não gostar de viver no Centro Histórico, 13%gostariam apenas de mudar de residência, mas não deixariam o Centro Histórico e 87%prefeririam ir viver para fora dos muros, Gráfico 28. Não se conseguindo aferir as causasdesta possível mudança. Gráfico 28 Local da Mudança 3; 13% 20; 87% Fora Muros CidadeRelativamente aos principais problemas sociais apontados da população da freguesia, osinquiridos responderam principalmente pobreza (31%), depois degradação habitacional(18%) e o isolamento/abandono particularmente face aos idosos (14%), entre outrasproblemáticas como se poderá verificar no Quadro H. 30 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Quadro H Problemáticas Apontadas Nº % Pobreza 93 31 Isolamento/Abandono 42 14 Doença 32 11 Degradação Habitacional 53 18 Desemprego 32 11 Especulação Imobiliária 1 0,001 Toxicodependência 9 0,3 Violência Doméstica 5 0,2 Envelhecimento População 6 0,2 Maltrato 1 0,001 Alcoolismo 8 0,3 Famílias Disfuncionais 3 0,1 Desertificação 3 0,1 Exclusão Social 4 0,1 Baixa Qualificação Escolar 3 0,1 Mendicidade 1 0,001Foram identificados como principais problemas da população de Santo Antão, porordem decrescente: a pobreza, a degradação habitacional, isolamento/abandono dosidosos, doença e o desemprego.Quanto aos equipamentos sociais 69% dos inquiridos acharam que eram insuficientes faceas necessidades da população, 14% admitiram ser suficientes aqueles que já existem, emigual percentagem ficaram aqueles que não sabiam responder e 3% acharam que aquelesque existem eram demasiados face às necessidades, Gráfico 29. Gráfico 29 Equipamentos Sociais 28; 14% 7; 3% 28; 14% 142; 69% Demais Suficientes Insuficientes Não SabeDaqueles que responderem ser insuficientes os equipamentos existentes, 80% apontarampara a necessidade de haver mais apoio à população envelhecida, particularmente, maislares, apoio domiciliário, centros de convívio; 13% aludiram não saber o que faziaexactamente falta; 5% indicaram a falta de equipamentos na área de infância e de apoio àpopulação envelhecida e 2% apontaram apenas para a infância, Gráfico 30. 31 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 30 Áreas Necessidade Equipamentos Sociais 10; 5% 27; 13% 5; 2% 163; 80% 3º Idade Infância Infância e 3º Idade Não Sabe Quanto aos equipamentos sociais houve uma clara manifestação de maior necessidade destes, sendo os equipamentos de apoio à população envelhecida os mais indicados como necessários.No que toca às redes de apoio em situações de emergência ou necessidade, Gráfico 31,64% dos inquiridos afirmaram procurar a família, 16% socorrem-se dos vizinhos, 16%procuram instituições e 4% pedem apoio a amigos. Gráfico 31 Rede Apoio 9; 4% 32; 16% 32; 16% 132; 64% Amigos Vizinhos Instituições FamíliasNesta freguesia verificou-se que é a que mais se socorre das instituições em casos deemergência, o que é indicador de isolamento social.Quanto à participação em eventos, 66% das pessoas responderam não participar emqualquer evento, 29% participam em cultos religiosos, 3% participam nos eventos que a 32Junta de Freguesia organiza, principalmente nos passeios que promove e 3% participa emfestas da freguesia, Gráfico 32. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 32 Participação em Eventos 60; 29% 6; 3% 135; 66% 4; 2% Cultos Religiosos Eventos Junta de Freguesia Festas das Freguesias Não Participa em nenhum eventoMesmo, quando questionados se tem alguma participação enquanto sócios deassociações, colectividades ou outros, 85% afirma não pertencer a qualquer colectividadeou associação, e apenas 15% afirma ser sócio de alguma entidade, Gráfico 33. Gráfico 33 Participação enquanto Sócios 31; 15% 174; 85% Sócio Não Sócio A maioria dos inquiridos não participa em qualquer evento, o que revela que há muito pouca dinâmica social, cultural ou associativa nesta população.Relativamente ao local onde normalmente efectuam compras, Gráfico 34, 50% afirmou irapenas às grandes superfícies, 33% declarou comprar quer no comércio tradicional, quernas grandes superfícies, alguns destes casos mesmo quando as pessoas não seconseguem deslocar aos grandes supermercados é a família que lhe faz as compras. E17% apenas efectuam compras no comércio tradicional, questão também associada àdificuldade mobilidade que a pessoa tem e eventualmente, ao não apoio da família. 33 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 34 Local de Compras 68; 33% 102; 50% 35; 17% Comércio Tradicional e Grandes Superfícies Comércio Tradicional Grandes SuperfíciesQuanto à ocupação dos tempos livres, 32% afirmou que aproveita estes tempos pararealizar tarefas domésticas, 19% opta por passear, 15% vê televisão e 10% dedica-se àrealização de trabalhos manuais, Gráfico 35. Gráfico 35 Ocupação Tempos Livres 4%4% 4% 2% 19% 15% 5% 32% 5% 10% Passear Cuida Casa Trabalhos Manuais Apoio Família/Cuida netos Voluntariado Ver Tv Teatro Ler Internet/Computador DescansarMesmo a ocupação de tempos livres é vivida de forma muito isolada, remetendo quasena sua totalidade para a esfera privada, indicador de falta de dinâmica social.No que respeita aos aspectos positivos de morar no Centro Histórico de Évora foramapontados as seguintes aspectos registados no Quadro I, entre estes destacam-se: aproximidade dos serviços/comércio, a segurança, vizinhança e a beleza/monumentos. 34 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Quadro I Aspectos Positivos V.A. % Proximidade Comércio/Serviços 117 39 Vizinhança 23 8 Segurança 57 20 Sossegado 21 7 Beleza/Monumentos 23 8 Deslocações a Pé 10 3 Linha Azul 5 2 Limpeza 11 4 Proximidade Família 3 1 Diversão Nocturna 3 1 Gosta de Tudo 8 3 Não gosta de nada 5 2 Não Sabe 5 2 O factor positivo, mais apontado, de morar no Centro Histórico foi a proximidade do comércio e serviços, o que deve ser considerado em qualquer exercício de intervenção e reabilitação deste espaço.Nos aspectos negativos apontados de relevância verifica-se que, 20% dos inquiridos nãoencontraram aspectos negativos, 14% apontaram o estacionamento, 9% a falta de civismodevido aos dejectos caninos entre outras situações apontadas como se poderá verificar noQuadro J. Quadro J Aspectos Negativos V.A. % Vizinhança 1 1 Barulho Bares 16 8 Falta de Espaços verdes/Desportivos 8 4 Abandono/Degradação Casas 14 7 Desertificação/Isolamento pessoas e comércio 15 8 Falta de lugares de Estacionamento 26 14 Preços das casas/Especulação Imobiliária 7 4 Más condições Habitacionais 3 2 Falta de civismo/dejectos caninos 18 9 Vandalismo 2 1 Insegurança 11 5 Trânsito 10 5 Calçada 15 8 Falta de Hipermercados 7 4 Não tem aspectos negativos 38 20 35 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Embora grande parte dos inquiridos não encontrassem nenhum aspecto negativo de morar no Centro Histórico, o que demonstra que gostavam de viver neste espaço, de entre os aspectos apontados encontramos a falta de lugares de estacionamento, que deve ser um elemento importante na reabilitação deste espaço e falta civismo dos donos dos cães, que gera sujidade a ponto de incomodar os habitantes desta freguesia.Quanto às sugestões de actividades para a Junta de Freguesia, 51% afirmou não ternenhuma sugestão, e entre as mais apontadas encontram-se as actividades desportivas eas actividades para idosos, como se poderá ver Gráfico 36. Gráfico 36 Sugestões Actividades 34; 17% 41; 20% 5; 2% 20; 10% 105; 51% Actividades Idosos Associação Moradores Actividades Desportivas Não Sabe Não sente necessidadeEntre os pedidos endereçados à Junta de Freguesia, que os inquiridos julgavam serimportantes para melhorarem a sua vida, embora 49% dos inquiridos não lhe ocorressenada, entre os que efectivamente tinham pedidos, encontramos pedido de apoioeconómico e social 17%, pedido de apoio da conservação das casas 7% e maisactividades 5%, entre outras que constam no Quadro K. Quadro K Pedidos à Junta de Freguesia V.A. % Não sabe 100 49 Cuidar casas 14 7 Regular bares 4 2 Actividades 10 5 Apoio Social e Económico 34 17 Arranjar calçada 4 2 Segurança 3 1 Regular Trânsito 4 1 Promover Associativismo/Voluntariado 3 1 36 Gosta Atendimento Junta 4 1 Limitações Orçamentais 7 3 Página Criar Espaços verdes 3 1 Nada 15 7
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Embora cerca de metade dos inquiridos não soubessem em que medida é que a Junta de Freguesia poderia melhorar a sua vida, novo indicador de falta de participação cívica; o pedido mais frequente é o apoio económico e social, o que indica vulnerabilidades nestas áreas. 3.ª IdadeQuanto à 3.ª Idade e verificado que grande parte dos inquiridos tinha idades iguais ousuperiores a 65 anos, julgou-se ser importante perceber as dinâmicas desta população emparticular. No que respeita à frequência de equipamentos para a 3.ª Idade, apenas três dototal dos inquiridos se encontravam a frequentar estes equipamentos, Gráfico 37. Gráfico 37 Frequência Equipamentos 3º Idade 3; 1% 202; 99% Frequenta Não FrequentaQuanto a inscrições nestes equipamentos, no total da amostra verificaram-se 12 pessoasinscritas, Gráfico 38. Gráfico 38 Inscrições Equipamento 3º Idade 12; 6% 193; 94% 37 Inscrito Não Inscrito Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007A todas as pessoas que participaram no questionário também lhes foi perguntado setinham algum familiar a residir na freguesia, e 31% responderam afirmativamente, Gráfico39. Gráfico 39 Família Residente na Freguesia 64; 31% 141; 69% Residente Não ResidenteE quando inquiridos sobre se mantinham contacto com familiares, que poderiam ir paraalém dos residentes na freguesia, 10% afirmou não ter qualquer contacto com familiares,mesmo telefónicos, Gráfico 40. Gráfico 40 Contactos com Familiares 21; 10% 184; 90% Não tem Contacto Mantém Contacto Mais metade dos inquiridos não frequentam e não se encontram inscritos em qualquer equipamento para a população mais envelhecida e não tem familiares a viver no Centro Histórico. Sendo que 10% da amostra não têm qualquer contacto com familiares, mesmo telefónicos. 38 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Factores de Relevante InteresseDurante o tratamento dos questionários sobressaíram aspectos que mereceram especialatenção, um destes aspectos foi número de pessoas que viviam sozinhas cerca de 40% daamostra, 82 indivíduos. Face a este facto decidiu-se aprofundar a análise neste grupoparticular.Quanto às idades neste grupo de 82 indivíduos, verificamos que a maioria (44%) encontra-se entre os 71 e os 80 anos, e o segundo maior grupo tem idades compreendidas entre os81 e 90 anos de idade (28%), Gráfico 41. Gráfico 41 Idades Pessoas Vivem Sozinhas 40 36 35 30 25 23 Nº 20 15 10 8 8 6 5 1 0 <30 31-60 61-70 71-80 81-90 >90 IdadeQuanto ao sexo maioritariamente são indivíduos do sexo feminino 78%, Gráfico 42. Gráfico 42 Sexo 18; 22% 64; 78% Feminino Masculino 39 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007O envelhecimento vive-se sobretudo no feminino, como podemos comprovar pelaamostra. No que se refere às profissões, 76% destes indivíduos foram trabalhadores nãoqualificados, ficando os restantes distribuídos pelas profissões apresentadas no Quadro L. Quadro L Categorias Profissionais V.A. % Membros Forças Armadas 1 1 Quadros Superiores da Administração Pública 2 2 Especialistas das profissões intelectuais e científicas 2 2 Técnicos e profissionais de nível intermédio 1 1 Pessoal administrativo e similares 3 4 Pessoal dos serviços e vendedores 6 7 Trabalhadores não qualificados 62 76 Estudantes 5 7Quanto à situação profissional, 87% encontram-se já reformados, 7% são inactivos e nestegrupo encontramos representados os estudantes e donas de casa e 6% encontram-se noactivo, Gráfico 43. Gráfico 43 Situação Profissional 5; 6% 6; 7% 71; 87% Inactivo Activo Reformado 40 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Os rendimentos são em 73% dos inquiridos inferiores a 250€ por mês, obtendo o segundo maior grupo rendimentos entre os 250 e os 400€, encontrando-se os seguintes repartidos em outros escalões, Gráfico 44. Gráfico 44 Rendimentos 70 65 60 50 40 30 20 8 10 3 3 1 2 0 <250 250-400 400-600 600-800 800-1000 >1200Cerca de 80% vive de baixos rendimentos, com menos de um salário mínimo nacional, nãoatingindo 73% os 250€ mensais. A área de maiores gastos continua a ser a saúde 72%, logo seguida pela alimentação 24%, e depois a renda e a educação com 2%, Gráfico 45. Gráfico 45 Maiores Gastos 2; 2% 2; 2% 20; 24% 58; 72% Alimentação Saúde Renda Educação Deste grupo 46% indicaram ter alguma doença crónica, 36% afirmaram não saber qual é o gasto mensal em medicamentos, assim como 5% atestaram não ter qualquer gasto em 41 medicamentos, aqueles que indicaram gastos encontram-se representados no Gráfico 46. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 46 Gastos em Medicamentos 14 14 13 12 12 11 10 8 6 4 2 2 0 <50 50-100 100-150 150-200 200-250Neste grupo, apenas, 1 pessoa frequenta um equipamento social e 5 encontram-seinscritos em lares; 56 (58%) inquiridos têm família residente na freguesia e dos 82indivíduos apenas 69 (84%) mantêm contacto com familiares, e 13 (16%) afirmaram nãoter qualquer contacto com família. O que revela fragilidade nos laços sociais, e aponta paraquestões de isolamento. 42 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Principais conclusões: Há um decréscimo de população no Centro Histórico de Évora, o que tem conduzido a uma desertificação física e humana deste espaço; A população inquirida apresenta uma média de idades igual a 64 anos, e a idade média dos agregados situa-se nos 55 anos de idade; Dos agregados familiares 169 indivíduos (82%) apresentam uma idade igual ou superior a 65 anos, portanto são o maior grupo etária apresentado, o que demonstra uma população já na 3.ª Idade, logo envelhecida; Há dois modelos familiares os indivíduos isolados e as famílias nucleares, havendo poucas famílias com filhos, o que leva à não renovação do tecido social; 36% dos elementos do agregado familiar só têm o 1º ciclo do ensino básico e 12% dos inquiridos não sabe ler nem escrever, observando-se população com baixas qualificações escolares e com níveis de analfabetismo com significado; 49% dos agregados familiares são trabalhadores não qualificados, o que conduz a situações de precariedade laboral; 56% dos elementos dos agregados familiares vivem das suas baixas reformas; sendo que 47% subsiste com rendimentos inferiores ao salário mínimo nacional, o que os conduz a situações de precariedade económica; Dos inquiridos, 92 pessoas afirmaram ter gastos de saúde compreendidos em valores inferiores a 50€ e os 100€ mensais, e foi considerada a saúde a área de gastos elevados no orçamento familiar, o que indica saúde precária; Quanto à habitação 69% dos ocupantes são arrendatários, na maioria com vínculos contratuais superiores a 20 anos e em 53% com rendas compreendidas entre menos de 50€ a 100€, portanto rendas de baixo valor associadas a vínculos contratuais antigos; Contrapondo-se aos contratos de arrendamento mais recentes que apresentam valores entre os 300 e 350 € mensais, rendas de elevados valor associado a vínculos contratuais mais recentes; Quanto às condições de conforto e salubridade 13 pessoas asseveraram não ter casa de banho completa e 9 afirmaram não ter cozinha operacional, indica más condições de habitabilidade, assim como, 7 pessoas afirmaram não ter esquentador, 10 declararam também não ter máquina de lavar, apontando para falta de bens de conforto; 89% dos inquiridos gostam de viver no Centro Histórico, muitas vezes associada a uma ideia de romantismo e orgulho, associado a um forte sentimento de pertença; Os aspectos positivos do Centro Histórico residem principalmente na proximidade serviços/comércio (39%), na segurança (20%) e as relações de vizinhança (8%); Nos aspectos negativos 20% afirmaram que não encontravam aspectos negativos, entre os que apontaram (14%) falta de lugares de estacionamento e 9% falta civismo/dejectos caninos; E quanto às problemáticas sociais predominantes são apontadas a pobreza (31%), a degradação habitacional (18%) e o isolamento/abandono dos idosos (14%) como os principais problemas da freguesia; 16% dos inquiridos procuram instituições em situações de necessidade ou emergência, o que traduz falta de rede familiar de apoio; 66% dos inquiridos não participa em qualquer evento, o que indica não participação nas dinâmicas culturais, sociais e associativas mesmo perante este cenário 29% sugerem mais actividades; Mesmo as ocupações dos tempos livres são vividos de forma muito isolada uma vez que 69% das actividades realizam-se dentro de casa e apenas 10% dos 43 inquiridos apresentam actividades sociais, como o voluntariado e apoio à família, o Página que aponta para não participação em dinâmicas sociais;
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007A falta de dinâmica social é acompanhada de mais um dado relevante, uma vezque 10% afirma não manter qualquer contacto com a restante família, induz aquestões de isolamento social severo;Quanto à população dos inquiridos que vivem sozinhos (40%) merecem algumasconsiderações, pois, são compostas sobretudo por idosos, do sexo feminino, comreformas inferiores a 250€, com gastos substanciais na saúde e 16% não mantêmcontacto com as respectivas famílias, o que revela potencial risco social;Quanto aos pedidos a fazer à Junta de Freguesia, um dado importante e que deveser interpretado é que, 49% dos inquiridos não sabia em que medida é que juntapoderia melhorar a sua condição de vida e 17% aludiram para a necessidade deapoio económico e social. 44 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Análise S.W.O.T. de Santo Antão:A análise S.WO.T. resulta numa análise estratégica através de quatro elementos chave. Pontos Fortes Pontos Fracos Envelhecimento da população Proximidade de serviços e Não renovação do tecido comércio social Questões da vizinhança Pouca atractividade para novos casais Oportunidades Especulação imobiliária Ameaças Oportunidades Novo Quadro Comunitário – Desertificação física e QREN humana da freguesia Sentimento de orgulho e de Emergência territórios de pertença associado à cidade risco social S.R.U. 45 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Instituições:As entidades presentes no Quadro M encontram-se localizadas na Freguesia de SantoAntão. Quadro M Instituição Resposta Social Nº de Utentes Associação dos Funcionários Centro Convívio 30 Aposentados da Segurança Social Creche 43 Centro de Actividade Infantil Pré-escolar 40 ATL C/A 60 Lar de Santa Helena Lar de Crianças e Jovens 42 Casa de Abrigo 24 Creche 35 Legado Caixeiro Alentejano – Pré-Escolar 63 Associação Mutualista ATL C/A 41 Centro de Dia 40 Apoio Domiciliário 40 Fundação Alentejo Terra Mãe ------- --------- -------- -------- Legado Operário de ÉvoraAssociação de Deficientes das ------ ------- Forças Armadas Liga dos Combatentes de ------- -------- Évora (Núcleo de Évora) Comissão de Protecção de Protecção Menores -------- Crianças e Jovens de Évora Associação Pão e Paz Apoio alimentar 60Escola Básica do 2º e 3º Ciclos Ensino Básico 2º e 3º Ciclo 2.º Ciclo: 303 de Santa Clara Cursos de Educação e 3 º Ciclo: 259 Formação (2006/2007) CEF: 13Fonte: Centro Distrital da Segurança Social de Évora, 2007; www.drealentejo.pt; www.cm-evora.pt. 46 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Análise Social da Freguesia de Santo Antão:Embora, os dados apontados permitam retirar ilações sobre a freguesia de Santo Antão, ocontacto com a população e a observação directa, acabaram por contribuir para um olharmais atento e mais profundo sobre as dimensões psico-sociais que a compõem.No terreno foi possível observar, tal como os dados confirmam, uma populaçãoextremamente envelhecida, que vive dependente das suas reformas, e que em quasecinquenta por cento da amostra, subsistem com rendimentos inferiores ao salário mínimonacional. Com elevados custos na área da saúde e com rendas de casa baixíssimas.Sendo que estas viviam, principalmente, ou sozinhas, ou em famílias nucleares,compostas essencialmente por casais. Havendo, claramente, manifestações dasconsequências de uma população envelhecida, que naturalmente vai aumentando o seugrau de dependência e de necessidade de acompanhamento.A questão social coloca-se ao nível do envelhecimento populacional, toda a reflexão aquiapresentada irá centrar-se nesta problemática e no risco que uma população envelhecidaacarreta para a freguesia de Santo Antão.O que mais impressionou neste estudo, foram os dados que os números não revelam,pois, em não raras situações pessoas choraram durante o questionário. A título deexemplo, num destes casos, uma senhora chamemos Maria quando inquirida porque éque chorava, respondeu: “ Porque desde a Páscoa, que ninguém entrava na minha casa”.Ou o questionário que demoraria em situações normais cerca de vinte a trinta minutos aser respondido, chegou a demorar manhãs e tardes inteiras com o mesmo indivíduo, poiseles continuamente apresentavam fotografias da família, e contavam episódios das suasvidas, sem que em momento algum isto fosse pedido, mas que lhes era de importânciaextrema contar. O que exteriorizava uma necessidade colossal de comunicar, de seremouvidos e de serem alvos de meritíssima atenção por parte dos outros.Estes factos revelaram-se tão ou mais importantes que as dimensões avaliadasquantitativamente, não são exclusivos desta freguesia, mas tiveram maior visibilidadenesta. Revelam questões de isolamento atrozes, revelam formas muito particulares deviver a velhice, de forma muito solitária e a fragilidade das relações inter-sociais, queformam a rede primária de suporte, das quais as famílias são o elemento chave. Mas quepor situações de afastamento intergeracional, por causas que vão desde as migrações defilhos para outras cidades ou concelhos, até ao ritmo de vida que é imposto às famílias eque muitas vezes por uma gestão de tempo em prol das gerações descendentes (filhos),abdica-se de um efectivo acompanhamento das gerações ascendentes (pais dos pais –avós), potenciando situações de abandono e isolamento – de risco social. Mesmo apesar,de sabermos que o “Homem não é uma ilha” é um ser social e a comunicação é uma dasnecessidades primárias, isto remete-nos para necessidades de auto-estima e devalorização pessoal que são necessárias para o nosso bem-estar.Acentua-se, particularmente, em Santo Antão as questões de isolamento, devido àdesertificação, o que fragiliza a questão da vizinhança enquanto rede de suporte social queainda funciona como principal rede, na falta da família. Ainda, que caracterizada por umaforma que assenta no voluntarismo a título individual e não organizada, podemos assistir avariadíssimas manifestações da sua existência e são disto exemplo, o facto de estarmos aentrevistar uma pessoa e surgirem vizinhos a questionar o que estávamos a fazer, e isto 47aconteceu quer por curiosidade, quer por sentimento de protecção inter-vizinhos; assim Páginacomo, assistimos inúmeras vezes a vizinhos a cuidarem de outros vizinhos. Quando a
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007questão da desertificação se acentua, surgem então as instituições como principal rede deapoio.Neste cenário a pobreza agudiza, os reformados residentes em Santo Antão têm umasituação muito precária economicamente, encontram-se no limiar da pobreza ou napobreza propriamente dita e sem apoio da família a situação torna-se ainda maisvulnerável. A situação agrava-se quando as formas de viver a pobreza são profundamenteenvergonhadas e solitárias, chegando mesmo a limitar a sua participação cívica nasociedade. Estabelecendo fronteiras para as suas vivências, nas paredes das suas casas,fomentando lógicas de exclusão social. O que se traduz num isolamento severo eextremamente penoso.Quando nos debruçamos sobre a realidade observada e os dados estatísticosapresentados percebemos, que a população desta freguesia procura obter níveis desatisfação, mesmo que mínimos, das necessidades fisiológicas e de segurança, e que sãosem dúvida importantes. Mas que para Maslow estas necessidades são quase dadascomo inatas uma vez que estão ligadas ao processo biológico, contudo, as necessidadessociais e as necessidades de estima que levam, segundo o autor, conduzem à auto-realização do ser humano estão longe de ser atingidas.Não pretendendo de forma alguma criar alguma imagem apocalíptica da freguesia ou atémesmo do Centro Histórico, é contudo, é necessário alertar para as situações de pobrezae exclusão social em que muitos cidadãos se encontram. Embora o Centro Histórico deÉvora detenha uma imagem muito positiva, sendo mesmo definida como uma pérola doAlentejo, vigoroso embaixador de Portugal, reconhecido destino turístico, e Santo Antão éelemento chave nesta imagem. A verdade é que no âmbito social torna-se imperativo umnovo olhar, com novas abordagens relativas a este território, a cidade também é aspessoas. Até porque neste momento, a questão do apoio aos mais velhos é iminente, mashá um outro fenómeno a ocorrer em simultâneo, não sendo exclusivo desta freguesiaencontrando-se por todo o Centro Histórico, causado pelo envelhecimento e desertificaçãohumana, que é a emergência de territórios de risco, o que potencia o aparecimento denovas e preocupantes problemáticas. 48 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Propostas:As acções a desenvolver deverão passar pelas lógicas do desenvolvimento social ecomunitário, o sentimento de pertença, a identidade colectiva tão profundamente enraizadadeve ser aproveitada no sentido de desenvolver lógicas de participação e de cidadania. Éaqui que a Junta de Freguesia tem um importante papel, de promotor destas lógicas,envolvendo entidades parceiras e população em novos projectos, e criando e agilizandonovas respostas de apoio à comunidade, que deve passar num primeiro momento porapoio aos munícipes com mais de 65 anos, mas que deve simultaneamente permitir umasérie de outras respostas atractivas à comunidade.Nesta perspectiva seria importante criar: Acções de educação cívica, destinadas à população que tem animais domésticos, uma vez que este foi detectado como problema; Atendendo ao isolamento da população mais envelhecida e há falta de equipamentos socais nas valência que permitam o combate a este fenómeno, propõe-se a criação de um pequeno centro comunitário nesta freguesia, com espaços de leitura e acesso à Internet, onde os residentes desta freguesia se poderão encontrar e conviver um pouco, animado por voluntários, contadores de histórias, etc., e onde se prestem serviços à comunidade como pequenos arranjos domésticos e lavandaria social. A lavandaria poderia funcionar em articulação com o serviço desta valência na A.P.P.C.D.M. Este pequeno centro comunitário serviria também de observatório social para técnicos. 49 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 50 SÃO MAMEDE Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007A Freguesia de São Mamede é uma das freguesias urbanas de Évora, sendo a segundamaior freguesia do Centro Histórico em termos de área, ocupando cerca de 0,2 Km2 etendo os limites do seu território entre a Rua dos Mercadores e a Rua Menino Jesus e amaior em termos populacionais. Tem como património cultural a Igreja de São Mamede,Aqueduto da Prata e Fonte do Largo de Avis. Freguesia de São Mamede A Freguesia de São Mamede corresponde à área sombreada da imagem. Fonte: departamento Centro Histórico, Património e Cultura – C.M.E.Segundo o Instituto Nacional de Estatística em 2001, São Mamede apresenta cerca de2170 habitantes residentes, sendo que 58% são mulheres e 42% são homens, umadensidade populacional de 9271,7 hab/km2. No que respeita ao edificado apresenta 1345alojamentos e 896 edifícios, como se poderá verificar pelos dados do Quadro E. Quadro E N.º Pessoas Famílias Proporção Residente H M ResidentesAlojamentos Edifícios Reformados 2170 915 1255 1018 1345 896 36,7% Fonte: INE 2001Face ao universo apresentado e às limitações temporais e de recursos humanos, tal comoem Santo Antão, foi decidido construir uma amostra da população para a realização dequestionários, efectuando-os “porta-a porta”. Deste modo, os investigadores tiveram apossibilidade de conhecer melhor a comunidade local e a população. 51 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Resultados dos Questionários:Quanto à amostra, de um universo de 1018 famílias residentes (INE), foram efectuados211 questionários à população desta freguesia, abrangendo-se 20% das famíliasresidentes na freguesia como comprova o Gráfico 1. A recolha de dados foi realizada entreas 9h e as 20h, foram percorridas todas as ruas desta freguesia e inquiridas o máximo depessoas possível. Gráfico 1 Amostra 211; 20% 825; 80% Famílias Residentes Não Inquiridas Famílias Residentes InquiridasQuanto ao sexo dos inquiridos eram maioritariamente mulheres, cerca de 165 mulheres e46 homens, com as percentagens representadas no Gráfico 2. Gráfico 2 Sexo dos Inquiridos 46; 22% 165; 78% Feminino MasculinoA apresentação dos dados, tal como no capítulo de Santo Antão, será dividida através devárias temáticas abordadas no questionário: caracterização dos agregados familiares,rendimentos, saúde, mobilidade, habitação, bens de conforto, a relação com o CentroHistórico, 3.ª Idade e, e por fim, factores de interesse. Caracterização dos Agregados Familiares:No que respeita às idades verifica-se que maioritariamente os agregados familiares sãocompostos por adultos, com particular visibilidade pessoas nas faixas etárias entre os 31- 5265 anos. Seguidamente encontramos pessoas com idades compreendidas entre os 19-30anos, Gráfico 3. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Os inquiridos apresentaram em média a idade de 64 anos e a idade média do agregado familiar é de cerca de 54 anos, portanto estamos perante uma população envelhecida. Gráfico 3 Idades Elementos Agregados Familiares 195 200 180 160 140 120 93 Nº 100 80 62 58 60 40 22 20 10 0 0-14 15-18 19-30 31-65 66-75 >76Quanto à composição do agregado familiar verificou-se que os núcleos familiares sãosuperiores ao grupo de indivíduos que moram sozinhos, Gráfico 4 e 5. Sendo que osagregados familiares nucleares são compostos sobretudo por casais, Gráfico 5. Gráfico 4 Composição Agregados Familiares 8; 4% 82; 39% 121; 57% Núcleos Familiares Pessoas Isoladas Pop. Flutuante 53 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 5 N.º de Elementos do Agregado Familiar 80 77 73 70 60 Nº Agregados 50 40 35 30 20 20 10 4 2 0 1 2 3 4 5 6 Nº Elementos Nesta freguesia o modelo familiar com maior representatividade são núcleos familiares, composto sobretudo por dois elementos, casais.No que respeita à escolaridade 47% dos indivíduos que compunham o agregado familiartinham o 1º ciclo do ensino básico (4º ano), 11% tinha o 3º ciclo ensino básico (9º ano) e10%a licenciatura, tal como está presente no Quadro M. Quadro M Escolaridade Nível de Ensino V.A. % Não sabe ler/escrever 21 5 Sabe ler e escrever sem possuir qualquer grau 4 1 Ensino Básico 1º 209 47 Ensino Básico 2º 25 6 Ensino Básico 3º 47 11 Ensino Secundário 22 5 Ensino Médio 11 3 Bacharelato 1 0 Licenciatura 46 10 Mestrado 1 0 Doutoramento 1 0 Frequenta Universidade 39 9 Frequenta Escola 13 3 A população inquirida detém baixos níveis escolares, na sua maioria com o 1º e 3º ciclos do ensino básico, havendo ainda analfabetismo, o que se encontra directamente relacionado com as idades dos inquiridos e os processos vivenciais destes. Havendo um terceiro grupo de habilitações superiores, licenciatura. 54Relativamente às categorias profissionais com maior representatividade são: os Páginatrabalhadores não qualificados com 48%, pessoal dos serviços e vendedores com 17%,
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007seguidos, por pessoal administrativo e similares 9%. As restantes categorias também seencontram nesta freguesia presentes, embora em número bastante inferior, Quadro N. Quadro N Categoria Profissional V.A. %Membros Forças Armadas 13 3Quadros Superiores da Administração Pública 1 0Especialistas das profissões intelectuais e científicas 34 8Técnicos e profissionais de nível intermédio 18 4Pessoal administrativo e similares 41 9Pessoal dos serviços e vendedores 74 17Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e pescas 1 0Operários, artífices e trabalhadores similares 12 3Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores damontagem 7 2Trabalhadores não qualificados 211 48Estudantes 28 6A baixa qualidade de mão-de-obra, encontra-se igualmente relacionada com o factode esta ser uma população envelhecida com baixas qualificações escolares, e omercado de trabalho não se encontrava tão desenvolvido ao nível da especialização.Quanto à situação profissional em que se encontravam os membros do agregado familiar,verificou-se que 53% já se encontravam reformados, 28% mantinham-se activos, 13%inactivos e aqui incluíram-se principalmente donas de casa, restando 6% da populaçãoque se encontrava desempregada, Gráfico 6. Gráfico 6 Situação Profissional 124; 28% 233; 53% 27; 6% 56; 13% Reformados Inactivos Desempregados Activos Quanto à situação profissional mais de metade dos inquiridos já se encontravam reformados. 55No que concerne à naturalidade dos elementos dos agregados, 367 pessoas nasceram no PáginaDistrito de Évora representando 83% da amostra, os restantes encontram-se divididosentre o Baixo Alentejo com 24 pessoas, Alto Alentejo com 7 pessoas, Centro com 11
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007indivíduos, Sul com 5 pessoas, Norte 3 pessoas e do estrangeiro que surpreendentementetem representatividade com cerca de 23 pessoas, Gráfico 7. Este grupo de estrangeirossão sobretudo adultos, vivem em pequenos nichos familiares com laços deconsanguinidade ou não, activos, exercendo funções em serviços, ou enquanto operáriosou trabalhadores não qualificados. Gráfico 7 Naturalidade 5;3; 1% 23; 5% 1% 7; 11; 3% 2% 24; 5% 367; 83% Évora Baixo Alentejo Alto Alentejo Centro Sul Norte Estrangeiro RendimentosQuando inquiridos sobre as fontes de rendimento a maioria afirmou que vivia das suaspensões/reformas (60%), a segunda fonte de rendimento com maior representatividade é osalário (31%), logo seguido por auxílio de terceiros (4%) e aqui encontram-serepresentados fundamentalmente os estudantes que subsistem devido ao apoio dos seuspais, o subsídio de desemprego ficou em quarto lugar (2%), seguido com igualrepresentatividade (1%) de negócios próprios, Rendimento Social de Inserção e outrasformas de rendimento, Gráfico 8. Gráfico 8 Fontes de Rendimento 3; 1% 3; 1% 6; 2% 10; 4% 78; 31% 2; 1% 148; 60% Salário Negócio Próprio Pensão/Reforma Subsídio Desemprego Auxílio de 3ºs RSI Outro Devido às idades dos inquiridos e à situação profissional em que a maioria se 56 encontrava, a maior fonte de rendimento são as reformas/pensões. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007No que concerne aos rendimentos médios do agregado familiar 47 pessoas (22%)atestaram receber valores inferiores a 250 € e os restantes 38 pessoas (18%) indicaramusufruir de valores entre os 251€ e os 400€. O segundo grupo com maiorrepresentatividade (22%) apresenta valores entre os 601-800, seguindo-se o grupo comrendimentos superiores a 1200€, (21%), tal como demonstrado no Gráfico 9. Gráfico 9 Rendimentos do Agregado Familiar 44; 21% 47; 22% 11; 5% 12; 6% 38; 18% 12; 6% 47; 22% <250 250-400 401-600 601-800 801-1000 1001-1200 >1200 No que respeita aos rendimentos médios do agregado familiar, 40% dos inquiridosafirmaram receber valores inferiores ao salário mínimo nacional.Relativamente aos gastos do orçamento familiar a maioria (59%), dos inquiridos indicaramser a saúde a área com maior peso para as suas famílias, seguido da alimentação 39%, arenda/empréstimos com 2% e finalmente a educação, Gráfico 10. Gráfico 10 Áre a de M aior es Gas tos do Agre gado Fam iliar 82; 39% 123; 59% 1; 0% 5; 2% Alimentação Educação Renda/Empréstimo Saúde Maior área de gastos é a saúde, dado que não é surpreendente, dadas as idades dos inquiridos e a necessidade de maiores cuidados médicos.No que respeita a prestações sociais, entendendo-se por estes apoios os complementares 57às pensões sob forma pecuniárias de prestações. Dos inquiridos 89% das pessoas Páginaafirmaram não ter qualquer tipo de apoios, 9% atestaram usufruir do Cartão do Munícipe
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Idoso, 2% asseveraram receber prestações sociais da Segurança Social. Através doGráfico 11 verificam-se os valores absolutos. Gráfico 11 Prestações Sociais 187 200 180 160 140 120 100 80 60 20 40 4 20 0 Cartão Idoso Outras Prestaçoes Não tem Segurança SocialConclui-se que o apoio da Câmara Municipal de Évora, através do Cartão do MunícipeIdoso, é superior aos apoios complementares concedidos pela Segurança Social.Relativamente a apoios institucionais, e entendendo-se por estes as respostas sóciascomo apoio domiciliário, apoio alimentar e apoio da acção social directo das diversasentidades sociais existentes. Dos inquiridos 96% afirmaram não tem qualquer tipo deapoio, sendo que os restantes 4% afirmaram receber apoios de diversas entidades,encontrando-se repartidos pelas seguintes entidades: Cáritas 2%, Santa Casa daMisericórdia 1% e Câmara Municipal de Évora/Junta de Freguesia 1%.,Gráfico 12. Gráfico 12 Apoios Institucionais 250 201 200 150 100 50 4 3 3 0 Cáritas St. Casa M. C.M.E./Junta Não tem apoios SaúdeQuanto à saúde 95% dos inquiridos asseveraram ter médico de família e 5% afirmaramnão ter, Gráfico 13. Este último grupo (5%) está relacionado com a população universitária 58ou novos residentes que ainda não regularizaram a sua situação nos serviços de saúde. Página Gráfico 13
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Médico de Família 200 200 150 100 50 11 0 Sim NãoNão foi detectado qualquer problema no que se refere ao acesso aos serviços desaúde.No que concerne a gastos com medicamentos dos inquiridos 36 (20%) pessoasresponderam não ter, 26 (14%) não sabem quanto gastam, e 122 (66%) pessoas temgastos compreendidos em até aos 100€ mensais, como se poderá verificar no Gráfico 14em valores absolutos. Gráfico 14 Gastos na Saúde 70 62 60 60 50 40 36 30 26 20 10 10 10 3 2 2 0 <50 51-100 101- 151- 201- 251- >300 Não Não tem 150 200 250 300 Sabe gastosMesmo com baixos recursos económicos, mais de metade dos inquiridos tem gastos naordem dos 100€ mensais, o que representa uma elevada despesa para esta população.No que se refere a doenças crónicas, e aqui ressalva-se o facto de se ter questionado aosinquiridos se tinham ou não alguma doença crónica, cerca de 122 pessoas responderamnão padecer de alguma doença crónica, e 89 pessoas atestaram sofrer de doenças que seencontram representadas no Gráfico 15, com os valores percentuais. 59 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 15 Doenças Crónicas 23; 26% 31; 34% 5; 6% 3; 3% 6; 7% 4; 4% 7; 8% 5; 6% 5; 6% Diabetes Bronquite Cardíaca Asma Artroses Depressões Parkinson Alzhameir OutrasNo que respeita a incapacidades gerais, 135 (64%) pessoas afirmaram não sentir qualquerdificuldade ou incapacidade, mas 76 (36%) asseguraram: ter dificuldade em transporlanços de escadas (23 pessoas); em ter alguma incapacidade de locomoção (28 pessoas);necessitarem de dispositivos de compensação (9 pessoas); sofrerem de outrasincapacidades sendo disto exemplo as auditivas e as visuais (9 pessoas); ter necessidadede cadeira de rodas (4 pessoas) e 3 pessoas certificaram ter pessoas acamadas em casa,Gráfico 16. Gráfico 16 Incapacidades 9; 12% 9; 12% 28; 37% 3; 4% 23; 30% 4; 5% Incapacidade Locomoção Pessoas acamadas Necessidade de cadeira de rodas Dificuldades Transpor lanços Escadas Dispositivos de compensação Outras IncapacidadesDos inquiridos 36% afirmaram sofrer de alguma incapacidade, principalmentedificuldade de locomoção e transposição de lanços de escadas. Havendo ainda 4pessoas que afirmaram ter necessidade de cadeira de rodas e 3 pessoas asseguraramter pessoas acamadas em casa. Mobilidade urbanaQuanto à mobilidade a maioria dos inquiridos (81%) responderam não ter automóvel, emoposição a 19% que afirmaram ter automóveis, como se poderá verificar no Gráfico 17. 60 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 17 Nº de Automóveis 27; 13% 13; 6% 171; 81% 1 Automóvel 2 Automóvel Não temRelativamente ao meio de transporte utilizado na cidade intramuros, Gráfico18, 80%declararam andar a pé, 1% utilizam os transportes públicos e 19% utilizam os própriosautomóveis ou algumas das vezes são os filhos que transportam os pais, situações que seencontra relacionada com problemas de saúde e dificuldade de deslocação mesmo a pé. Gráfico 18 Meio de deslacação mais utilizado 40; 19% 3; 1% 168; 80% Automóvel Autocarros Pé Conclui-se maioria os inquiridos apresentam hábitos saudáveis e positivos para o ambiente, pois a forma privilegiada de mobilidade são as deslocações a pé. HabitaçãoQuanto à função da habitação encontra-se distribuída entre habitação permanente esegunda habitação, esta última relacionada com as deslocações de estudantes quearrendam casas perto da universidade, tornando-se estas segundas habitações uma vezque o endereço oficial destes jovens continua a ser a casa de seus pais. Como tal,maioritariamente as casas tinham por função serem permanentes, Gráfico 19. 61 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 19 Função de Habitação 8; 4% 203; 96% Habitação Permanente Segunda HabitaçãoQuanto ao vínculo contratual da habitação, a maioria das casas são arrendadas 54%,seguindo a situação de casa própria 40%, e a habitação cedida 6%, esta última associadaa questões familiares em que um membro da família disponibiliza uma sua habitação parausufruto de um outro familiar, Gráfico 20. Gráfico 20 Tipo de Vínculo 12; 6% 84; 40% 115; 54% Própria Arrendada CedidaA maioria dos inquiridos é arrendatária.Entre os indivíduos em situação de arrendatários verificou-se que quanto ao contratopropriamente dito, Gráfico 21, 77% dos casos os inquiridos afirmavam ter contratosilimitados. Seguindo-se os indivíduos que afirmavam não ter nem contrato nem recibos14% e logo depois os que asseveravam não ter contrato mas terem recibos 7%. Verificou-se que 2% dos inquiridos que não sabiam qual tipo de contrato tinha estabelecido. Asituação da não existência de contrato ou recibos tinha particular incidência na populaçãouniversitária. 62 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 21 Tipo de Contrato 2; 2% 16; 14% 8; 7% 89; 77% Sem Contrato/Sem Recibo Sem Contrato/Com Recibo Contrato Ilimitado Não sabeQuanto aos anos de vigência de contrato verificou-se que 69% dos casos já eramcontratos com mais de vinte anos, havendo ainda um valor considerável, 31%, decontratos com menos de vinte anos. Tal como demonstrado Gráfico 22. Gráfico 22 Anos de Vínculo 34; 16% 32; 15% 32; 15% 33; 16% 80; 38% <5 6-20 21-40 41-60 >60No que toca ao valor da renda verificou-se que, 61% da população paga menos de 100€mensais, associadas a contratos mais antigos. E no outro extremo, mas também comalguma representatividade, de 12% tem rendas superiores aos 301€ mensais.Encontrando-se entre estes extremos valores intermédios como se poderá verificar atravésdo Gráfico 23. Gráfico 23 Valor da Re nda 4; 3% 14; 12% 7; 6% 1; 1% 8; 7% 67; 59% 14; 12% 63 Página <50 51-100 101-150 151-200 201-250 251-300 >301
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Bens de ConfortoNo que se refere a bens de conforto, todos os inquiridos afirmaram ter fogão, frigorífico etelevisor. No que toca a esquentador 11 afirmaram não ter, 15 asseveraram não termáquina de lavar roupa e 4 declararam não ter telefone fixo ou móvel. Quanto aoscomputadores cerca de 107 pessoas afirmaram não ter, Gráfico 24. Gráfico 24 Bens de Conforto 250 211 207 211 211 200 196 200 150 104 100 50 0 or r r o va ne Tv ic o do gã ad La fo ifr ta Fo nt le or pu ue aq. Te ig m q F o Es M CRelativamente a condições de conforto e salubridade constatou-se que todos os inquiridosafirmaram ter água canalizada, saneamento básico e electricidade. Contudo, 9 pessoasafirmaram não ter casa de banho completa, apontando para a falta de uma banheira ouduche e 3 pessoas afirmaram não ter cozinha completa, nem as mínimas condições paracozinhar, Gráfico 25. Gráfico 25 Bens de Conforto e Salubridade 212 211 211 211 210 208 208 206 204 202 202 200 198 196 Água Saneamento Electricidade Casa de Banho Cozinha Canalizada Básico OperacionalQuanto às patologias no edifício, e aqui foi questionado se os inquiridos identificavamproblemas ao nível da água canalizada, saneamento básico, electricidade, estrutura ououtros. Dos inquiridos 82% afirmaram não identificar qualquer problema, todavia 18%apontaram ter problemas de conservação, entre os quais problemas de salitre, degradaçãoda casa, caixilharia, etc., Gráfico 26. 64 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 26 Patologias 38; 18% 173; 82% Sim Não Relação com o Centro HistóricoNo que se refere ao Centro Histórico propriamente dito, foram realizadas uma série dequestões que nos permitiram ver a identificação dos residentes com este território, asredes solidariedades locais e as necessidades e potencialidades deste de acordo com aopinião da própria população.Assim, relativamente ao prazer de prazer de viver no Centro Histórico de Évora, 98% dosinquiridos afirmaram gosto em viver neste local e, apenas, 2% atestou que não gostava,Gráfico 27. Gráfico 27 Prazer em Morar no Centro Histórico 4; 2% 207; 98% Sim Não Pela forma como os inquiridos responderam a esta questão, muito reactiva e defensiva, podemos aferir que há um sentimento de orgulho e de pertença associado a este espaço.Destes 2% que asseveraram não gostar de viver no Centro Histórico, 25% gostariamapenas de mudar de residência, mas não deixariam o Centro Histórico e 75% prefeririam irviver para fora muros, Gráfico 28. 65 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 28 Local de M udança 1; 25% 3; 75% Fora Muros Cidade Contudo, é de que a esmagadora maioria dos inquiridos, incluindo estudantes gostam de viver no Centro Histórico.Relativamente aos principais problemas sociais apontados nesta freguesia, os inquiridosresponderam principalmente pobreza (26%), depois doença (12%) e oisolamento/abandono particularmente face aos idosos (10%), entre outras problemáticascomo se poderá verificar no Quadro O. Quadro O Problemáticas Apontadas Nº % Pobreza 93 26 Isolamento/Abandono 34 10 Doença 43 12 Degradação Habitacional 33 9 Desemprego 14 4 Especulação Imobiliária 2 1 Toxicodependência 12 3 Violência Doméstica 1 0 Envelhecimento População 25 7 Maltrato 1 0 Alcoolismo 3 1 Famílias Disfuncionais 2 1 Desertificação 5 1 Exclusão Social 3 1 Baixa Qualificação Escolar 11 3 Mendicidade 13 4 Desemprego 7 2 Problemas psicológicos e/ou mentais 5 1 Não sabe 57 16 Foram identificadas como principais problemas da população de São Mamede, por 66 ordem decrescente: a pobreza, a doença e o isolamento/abandono dos idosos. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Quanto aos equipamentos sociais 67% dos inquiridos acharam que eram insuficientes faceas necessidades da população, 7% admitiram ser suficientes os que já existem e 26% nãosabiam responder, Gráfico 29. Gráfico 29 Equipamentos Sociais 7% 26% 67% Suficientes Insuficientes Não SabeDaqueles que responderem ser insuficientes os equipamentos existentes 80% apontarampara a necessidade de haver mais apoio à 3.ª Idade, particularmente, mais lares; 13%aludiram não saber o que fazia exactamente falta; 5% anotaram para falta deequipamentos na área de Infância e da 3ºIdade e 2% apontaram apenas para a Infância,Gráfico 30. Gráfico 30 Áre a de Nece ssidade de Equipamentos Sociais 11; 8% 18; 13% 5; 4% 108; 75% 3º Idade Infância Infância e 3º Idade Não SabeQuanto aos equipamentos socais houve uma clara manifestação de maiornecessidade destes, sendo os equipamentos de apoio à população envelhecida osmais indicados como mais necessários, com o exemplo mais apontado os lares.No que toca às redes de apoio em situações de emergência ou necessidade, 77% dos 67inquiridos afirmaram procurar a família, 11% socorrem-se nos vizinhos, 8% procuraminstituições e 4% pedem apoio a amigos, Gráfico 31. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 31 Rede de Apoio 8; 4% 24; 11% 17; 8% 162; 77% Amigos Vizinhos Instituições Famílias Esta é a freguesia que mais afirmou procurar a família em situações de emergência ou necessidade.Quanto à participação em eventos, 59% das pessoas responderam não participar emqualquer evento, 34% participam em cultos religiosos, 1% participam nos eventos que aJunta de Freguesia Organiza, principalmente nos passeios que promove e 6% participa emfestas da freguesia, Gráfico 32. Gráfico 32 Participação em Eventos 71; 34% 125; 59% 2; 1% 13; 6% Cultos Religiosos Eventos Junta de Freguesia Festas das Freguesias Não Participa em nenhum eventoMesmo, quando questionados se tem alguma participação enquanto sócios deassociações, colectividades ou outros, 80% afirma não pertencer a qualquer colectividadeou associação, e apenas 20% afirma ser sócio de alguma entidade, Gráfico 33. 68 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 33 Participação Enquanto Sócios 42; 20% 169; 80% Sócio Não Sócio A maioria dos inquiridos não participa em qualquer evento, o que revela que há pouca dinâmica social, cultural ou associativa nesta freguesia.Relativamente ao local onde normalmente efectuam compras, 46% afirmou ir apenas àsgrandes superfícies, 27% declarou comprar quer no comércio tradicional, quer nas grandessuperfícies, alguns destes casos mesmo quando as pessoas não se conseguem deslocaraos grandes supermercados é a família que lhe faz as compras. E 27% apenas efectuamcompras no comércio tradicional, questão também associada à mobilidade que a pessoatem, Gráfico 34. Gráfico 34 Local Compras 57; 27% 96; 46% 58; 27% Comércio Tradicional e Grandes Superfícies Comércio Tradicional Grandes SuperfíciesQuanto à ocupação dos tempos livres 23% afirmou que aproveita estes tempos paratarefas domésticas, 16% dedica-se à realização de trabalhos manuais, 13% opta porapoiar a família e cuidar dos netos, 10% passear, entre outros como se poderá verificar noGráfico 35. 69 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 35 Ocupação Tempos Livres 14; 7% 21; 10% 21; 10% 4; 2% 16; 8% 45; 23% 7; 3% 13; 6% 33; 17% 27; 13% 2; 1% Passear Tarefas Domésticas Trabalhos Manuais Apoio Família/Cuida netos Voluntariado Conviver Vizinhança Desporto Ler Internet/Computador Descansar Ver Tv Mesmo a ocupação de tempos livres é vivida na sua maioria de forma muito isolada, remetendo quase na sua totalidade para a esfera privada. Contudo esta é freguesia com maiores índices de apoio à família e convívio com os vizinhos.No que respeita aos aspectos positivos relacionados com o facto de morar no CentroHistórico, foram apontados os aspectos registados no Quadro P. Entre os quais sedestacam a proximidade dos serviços/comércio com 49% das respostas, a vizinhança quearrecadou 13% das respostas, a segurança com 7% e as deslocações a pé com 7%. Quadro P Aspectos Positivos V.A. % Proximidade Comércio/Serviços 128 49 Vizinhança 34 13 Segurança 19 7 Sossegado 16 6 Beleza/Monumentos 10 4 Deslocações a Pé 18 7 Linha Azul 3 1 Limpeza 6 2 Proximidade Família 3 1 Diversão Nocturna 2 1 Gosta de Tudo 12 5 Não gosta de nada 5 2 Não Sabe 6 2Também nesta freguesia se verificou que o factor positivo mais indicado foi aproximidade de comércio e serviços, o que deve ser considerado em qualquer exercíciode intervenção e reabilitação deste espaço. 70Nos aspectos negativos apontados com maior relevância verificou-se que, 19% dos Páginainquiridos afirmaram que o Centro Histórico não tem aspectos negativos, 13% nãoencontraram aspectos negativos a indicar, 17% referiram a falta de lugares de
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007estacionamento, 15% indicaram o barulho resultante dos estabelecimentos nocturnos,entre outras situações apontadas como se poderá verificar no Quadro Q. Quadro Q Aspectos Negativos V.A. % Vizinhança 7 4 Barulho dos Estabelecimentos Nocturnos 28 15 Falta de Espaços verdes/Desportivos 3 2 Abandono/Degradação Casas 7 4 Desertificação/Isolamento pessoas e comércio 5 3 Falta de Lugares de Estacionamento 31 17 Preços das casas/Especulação Imobiliária 4 2 Falta de Equipamentos Saúde 6 3 Falta limpeza ruas/dejectos caninos 12 7 Prostituição 3 2 Insegurança 2 1 Trânsito 6 3 Calçada 6 3 Falta de Hipermercados 4 2 Não tem 34 19 Não sabe 23 13 Embora grande parte dos inquiridos não encontrassem nenhum aspecto negativo em morar no Centro Histórico ou não conseguissem indicar, o que demonstra que efectivamente gostavam de viver neste espaço; entre os aspectos negativos apontados encontramos a falta de lugares de estacionamento, que deve ser um elemento a considerar na reabilitação deste espaço e o barulho de estabelecimentos nocturnos.Quanto às sugestões de actividades para a Junta de Freguesia, 80% afirmou não ternenhuma sugestão, e entre as mais apontadas encontram-se mais actividades recreativas,desportivas e de ocupação tempos livres para crianças e idosos, como se poderá verGráfico 36. 71 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 36 Sugestões Actividades 10; 5% 4; 2% 18; 9% 9; 4% 170; 80% OTL Crianças e Idosos Recreativas Desportivas Não Sabe Não sente necessidadeEntre os pedidos endereçados à Junta de Freguesia, que os inquiridos julgavam serimportantes para melhorarem a sua vida, embora 28% dos inquiridos não lhe ocorressenada, entre os que efectivamente tinham pedidos, os mais evidentes ficaram a criação demais estacionamento 13%, pedido de apoio económico e social 12%, pedido para que ajunta regulasse a actividade dos bares 11%, assim como outros indicados tal comopodemos verificar no Quadro R. Quadro R Pedidos à Junta de Freguesia V.A. % Não sabe 71 28 Regular actividade dos estabelecimentos nocturnos 28 11 Criar de Espaços Verdes/Desportivos 9 3 Cuidar Casas 22 8 Actividades Recreativas 10 4 Criar mais estacionamento 32 13 Combater especulação imobiliária 7 3 Falta limpeza ruas/dejectos caninos 12 5 Combater a insegurança 6 2 Trânsito 6 2 Calçada 8 3 Falta de Equipamentos Saúde 8 3 Apoio económico/social 32 12 Gosta Atendimento Junta 3 1 Limitações Orçamentais 6 2 Embora haja uma percentagem de pessoas que não soubessem em que medida é que a Junta poderia melhorar a sua qualidade de vida, esta foi contudo a população que mais se mostrou activa e reivindicadora de direitos e de mais apoio por parte da Junta de Freguesia. 72 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 3ª IdadeQuanto à 3º Idade e verificado que grande parte dos inquiridos tinha idades iguais ousuperiores a 65 anos, julgou-se ser importante perceber as dinâmicas desta população emparticular. No que respeita à frequência de equipamentos para a 3.ª Idade apenas 14 dosinquiridos se encontravam a frequentar estes equipamentos, principalmente nas valênciasde Centros de Convívio, Gráfico 37. Gráfico 37 Frequência Equipamentos 14; 7% 197; 93% Frequenta Não FrequentaQuanto a inscrições nestes equipamentos e noutros como lares, em toda a amostra havia9 pessoas inscritas, Gráfico 38. Gráfico 38 Incrição Equipamento 9; 4% 202; 96% Inscrito Não InscritoA todas as pessoas que participaram no questionário também lhes foi perguntado se 73tinham algum familiar a residir na freguesia, e 30% responderam afirmativamente, Gráfico Página39.
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 39 Família a Residir no Centro Histórico 63; 30% 148; 70% Residente Não ResidenteE quando inquiridos sobre se mantinham contacto com familiares, que poderiam ir paraalém dos residentes na freguesia, surpreendentemente 5% afirmou não ter qualquercontacto com familiares, mesmo telefónicos, Gráfico 40. Gráfico 40 Contacto Família 11; 5% 200; 95% Não tem Contacto Mantém Contacto Mais de metade dos inquiridos não frequentam e não se encontram inscritos em qualquer equipamento para a população mais envelhecida e não tem familiares a viver no Centro Histórico. Sendo que 10% da amostra não tem qualquer contacto com familiares, mesmo telefónicos. 74 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Principais conclusões: Há uma perda de população no Centro Histórico de Évora, o que tem conduzido a uma desertificação física e humana deste espaço; A população inquirida apresenta uma média de idades igual a 64 anos, e a idade média dos agregados situa-se nos 54 anos de idade; Os agregados familiares apresentam algum equilíbrio nas faixas etárias inferiores a 30 anos e superiores a 65 anos de idade, contudo o número de elementos compreendidos entre os 31 e os 64 anos apresentam-se em maior valor com uma clara tendência para um envelhecimento efectivo; 57% dos inquiridos vivem em núcleos familiares compostos por duas ou mais pessoas, e 39% dos indivíduos moram sozinhos, o que demonstra pela amostra constituída que esta freguesia ainda acolhe bastantes famílias; 47% dos elementos do agregado familiar só têm o 1º ciclo do ensino básico e 11% dos inquiridos têm o 2º ciclo, seguidos de perto pelos licenciados, a população embora apresente baixas qualificações escolares, não apresenta um número tão grande de analfabetos; 49% dos agregados familiares são trabalhadores não qualificados, o que conduz a situações de precariedade laboral; 53% dos elementos dos agregados familiares subsistem através das suas reformas; sendo que 40% subsiste com rendimentos inferiores ao salário mínimo nacional, o que os conduz a situações de precariedade económica; Dos inquiridos 123 pessoas afirmaram ter gastos de saúde até aos 100€ mensais, e foi considerada a saúde a área de maiores gastos no orçamento familiar, o que indica saúde precária; Quanto à habitação 54% dos ocupantes são arrendatários, na maioria com vínculos contratuais superiores a 20 anos e em 59% com rendas até aos 100€ mensais, portanto rendas de baixo valor associadas a vínculos contratuais antigos; Contrapondo-se aos contratos de arrendamento mais recentes que apresentam valores entre os 300 e 350 € mensais, rendas de elevado valor associado a vínculos contratuais mais recentes; Quanto às condições de conforto e salubridade 9 pessoas asseveraram não ter casa de banho completa e 3 afirmaram não ter cozinha operacional, indicando más condições de habitabilidade, assim como, 11 pessoas afirmaram não ter esquentador, 15 declararam também não ter máquina de lavar e 3 atestaram não ter telefone apontando para falta de bens de conforto; 98% dos inquiridos gostam de viver no Centro Histórico, muitas vezes associada a uma ideia de romantismo e orgulho, associado forte pertença; Os aspectos positivos do Centro Histórico residem principalmente na proximidade serviços/comércio (49%), as relações de vizinhança (13%), na segurança (7%) e as deslocações a pé (7%); Os aspectos negativos 19% afirmaram que não encontravam aspectos negativos, entre os que apontaram (17%) indicaram a falta de lugares de estacionamento e 15% barulho dos estabelecimentos nocturnos; E quanto às problemáticas sociais predominantes são apontadas a pobreza (26%), a degradação habitacional (16%) e o isolamento/abandono dos idosos (14%) e degradação habitacional (9%) como os principais problemas da freguesia; A família e a vizinhança funcionam nesta comunidade como a rede de apoio de solidariedade local, havendo apenas 8% dos inquiridos a procurar instituições em situações de necessidade ou emergência; Embora 59% dos inquiridos não participam em qualquer evento, o que indica não participação nas dinâmicas culturais, dos 41% que participam 6% fazem-no 75 através das festas da freguesia, que parece levar a um sentimento de partilha e Página identidade da comunidade; Embora, as ocupações dos tempos livres sejam vividos de forma muito isolada uma vez que 65% das actividades realizam-se dentro de casa, 35% dos inquiridos
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007apresentam actividades sociais, como: apoio à família, convivência com osvizinhos, o voluntariado, o desporto o que parece indicar uma não participação emdinâmicas sociais, mas que se deve atender às novas formas de ocupação como aconvivência com vizinhos e o desporto;Quanto aos pedidos a fazer à Junta de Freguesia, um dado importante e que deveser interpretado é que, 28% dos inquiridos não sabia em que medida é que juntapoderia melhorar a sua condição de vida e 13% aludiram para a necessidade deapoio económico e social, e para a necessidade de regulação das actividades dosbares 12%. 76 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Análise S.W.O.T. de S. Mamede:A análise S.WO.T. resulta numa análise estratégica através de quatro elementos chave. Pontos Fortes Pontos Fracos Envelhecimento da população Proximidade de serviços e Não renovação do tecido comércio social Questões da Especulação imobiliária vizinhança/parentesco Elevada participação na esfera Oportunidades social e cultural Ameaças Oportunidades Novo Quadro Comunitário – Desertificação física e QREN humana da freguesia Sentimento de orgulho e de Emergência territórios de pertença associado à cidade e risco social à comunidade local – São Mamede S.R.U 77 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Instituições:As Instituições presentes no Quadro S encontram-se localizadas na Freguesia de SãoMamede. Quadro S Instituição Resposta Social Nº de Utentes Coopberço Creche 30 Pré-Escolar 40 Obra de S. José Operário Pré-Escolar 44 APPACDM ---------- ------Centro de Convívio para Idosos e Reformados da Câmara ---------- -------- Municipal de ÉvoraDepartamento de Psiquiatria e Saúde Mental ------- -------Associação Benévolos Dadores de Sangue de Évora -------- -------Escola Básica do 2º e 3º Ciclos Ensino Básico 1º (2006/2007) 1.º Ciclo: 261 de São MamedeFonte: Centro Distrital da Segurança Social de Évora, 2007; www.drealentejo.pt; www.cm-evora.pt. 78 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Análise Social da Freguesia de São Mamede:Embora, os dados apontados dêem para retirar ilações sobre freguesia de São Mamede, ocontacto com a população e a observação directa, acabou por contribuir para um olharmais atento e mais profundo sobre as dimensões psico-sociais que compõe esta.Os dados apurados nesta freguesia indicam a existência de uma população envelhecida,que vive na sua maioria em núcleos familiares, contudo 39% dos indivíduos vivemsozinhos, apresentam baixas qualificações escolares, trabalhadores não qualificados, 40%subsistem com rendimentos inferiores ao salário mínimo nacional, área de maiores gastosa saúde, arrendatários, alguns com falta de condições de habitabilidade e bens deconforto, e onde a família e a vizinhança desempenham um importantíssimo recurso, poisconstituem a rede de solidariedade local.A questão social nesta freguesia coloca-se ao nível da identidade local e doenvelhecimento da população, a reflexão aqui apresentada irá centrar-se nestas temáticas.Ao contrário de Santo Antão das pessoas que vivem sozinhas em São Mamede, rarasforam as que apresentavam indícios de isolamento e solidão. Havia uma rede desolidariedade social em que família e vizinhos estavam muito presentes, foi a freguesiacom maiores índices de apoio à família e de convívio com a vizinhança como ocupaçãodos tempos livres. Foi, também, a freguesia com menor representatividade no queconcerne a socorrer-se das entidades locais.Pode-se confirmar através da observação directa e ao nível de participação noquestionário que é a comunidade que mais reivindica os seus direitos, está mais atenta àsnecessidades da comunidade e solidariza-se mais. É a população que participa mais nasactividades promovidas pela Junta de Freguesia, tem uma capacidade de organização,através de um movimento popular voluntário, da qual as Festas de Santo António sãoresultado directo.Conhecendo a trajectória histórica desta população pode-se aferir que esta noção deidentidade local tão demarcada, é resultado de uma reacção ao estigma de esta ser afreguesia com menos prestígio, ao longo da história da cidade de Évora. Uma vez, que eraaqui que se situava a mouraria, classe social menos privilegiada na idade média,entendida como o ghetto intramuros, que face a este processo de exclusão desenvolveuuma auto sustentabilidade, criando comércio, mercados e oficinas próprias. Estasdenominações para além de determinarem percursos históricos, marcam os territórios, osespaços dentro da cidade, tal como a Escola de Chicago defende.As fortes malhas de solidariedade locais originaram uma identidade local própria, queperante situações de pobreza, isolamento, exclusão social reagem como uma instância deprotecção de primeiro grau. Perante isto, os idosos tem maior acompanhamento davizinhança e as situações de pobreza não agudizam tanto, pois os vizinhos e famíliaprocuram colmatar as necessidades.A identidade local é uma potencialidade que deve ser aproveitada para captar sinergias epotenciar o desenvolvimento social e comunitário, pois existe uma boa base, umacomunidade já definida. Contudo, também, nesta freguesia está a ocorrer a desertificaçãoe o surgimento de novas problemáticas, como a emergência de territórios de risco social. 79 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Propostas: As acções a desenvolver deverão passar pelas lógicas do desenvolvimento social ecomunitário, o sentimento de pertença, a identidade colectiva tão profundamente enraizadadeve ser aproveitada no sentido de desenvolver lógicas de participação e de cidadania. Éaqui que, também, esta Junta de Freguesia tem um importante papel, de promotor destaslógicas, envolvendo entidades parceiras e população em novos projectos, e criando eagilizando novas respostas de apoio à comunidade.Atendendo às principais conclusões deste estudo, propõe-se as seguintes acções: Fomento de acções destinadas à intergeracionalidade, criando espaços de apoio às crianças e avós, pois verificou-se que muitos inquiridos eram os cuidadores dos netos. As acções destinadas à população mais envelhecida devem incluir actividades para os netos, fortalecendo ainda mais os laços de parentesco e de solidariedade, aqui também se pode resgatar o património incorpóreo e procurá-lo incutir nos mais jovens, criando pontes para que entre o passado e o futuro; Uma vez que há um movimento popular voluntário, criar uma estrutura de apoio ao associativismo e voluntariado nesta freguesia, procurando conduzir formas de desenvolvimento sustentável. 80 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 SÉ/SÃO PEDRO 81 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007A Freguesia de Sé/São Pedro é a freguesia intramuros com maior área geográfica,ocupando uma área de cerca de 0,6 Km2, e a segunda maior em termos populacionaistendo um total de 2025 habitantes. Os limites do seu território situam-se entre a Rua dosMercadores e a Rua Menino Jesus. Tem como principal património edificado a Catedral,Templo Romano, Palácio Cadaval, Universidade, entre outros. Freguesia Sé/São Pedro A Freguesia de da Sé/São Pedro corresponde à área sombreada da imagem. Fonte: Departamento do Centro Histórico, Património e Cultura – C.M.E.Segundo o Instituto Nacional de Estatística em 2001, Sé/São Pedro tinha cerca de 2025habitantes residentes, 58% mulheres e 42% homens; uma densidade populacional de3199,2 hab/km2. No que respeita ao edificado apresenta 1484 alojamentos e 965 edifícios,como se poderá verificar pelos dados no Quadro T. Quadro T N.º Pessoas Famílias Porção Residente H M ResidentesAlojamentos Edifícios Reformados 2025 847 1178 944 1484 965 38,8% Fonte: INE 2001Tal como nas outras freguesias, face ao universo apresentado e às limitações temporais ede recursos humanos, foi decidido construir uma amostra da população para a realizaçãode questionários. Deste modo permitindo desta forma aos investigadores um melhorconhecimento da comunidade local e à população. 82 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Resultados dos Questionários:De um universo de 944 famílias residentes, foram efectuados 112 questionários aosagregados familiares, abrangendo-se 12% das famílias residentes, como comprova oGráfico 1.A amostra recolhida pode não ser representativa, mas devido às restrições temporaisdecidiu-se apresentar os dados, podendo ser interpretados como uma possível projecçãodo universo. A recolha de dados foi realizada entre as 9h e as 18h, foram percorridas todasas ruas desta freguesia e inquiridas o máximo de pessoas possível, de acordo com acapacidade de resposta da equipa. Gráfico 1 Amostra 112; 12% 832; 88% Famílias Residentes Não Inquiridas Famílias Residentes InquiridasQuanto ao sexo dos inquiridos maioritariamente eram mulheres, cerca de 84 mulheres e28 homens, de acordo com as percentagens representadas no Gráfico 2. Gráfico 2 Sexo dos Inquiridos 28; 25% 84; 75% Feminino MasculinoA apresentação dos dados, tal como freguesias anteriores, foi dividida em várias temáticas 83abordadas no questionário: caracterização dos agregados familiares, rendimentos, saúde, Páginamobilidade, habitação, bens de conforto, relação face ao Centro Histórico e a 3.ª Idade. Caracterização dos Agregados Familiares:
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007No que respeita às idades do agregado familiar verifica-se, que maioritariamente estes sãocompostos por adultos, com particular visibilidade pessoas nas faixas etárias entre os 19-30 anos, seguidas de pessoas com idades compreendidas entre os 31-65 anos e os 66-75anos. Com efeito, o escalão com maior representatividade é o dos 19-30 anos, algo quepode ser atribuído ao facto de ser esta freguesia a que acolhe a Universidade e ser a queapresentou maior número de famílias compostas por três gerações. Contudo, mesmo comeste contributo a população apresenta-se envelhecida, como demonstra o Gráfico 3. Gráfico 3 Idades Elementos Agregados Familiares 70 63 60 55 55 50 45 40 Nº 30 21 20 10 7 0 0-14 15-18 19-30 31-65 66-75 >76Mesmo verificando-se a predominância de jovens dos 19 aos 30 anos, a populaçãodesta freguesia apresenta-se envelhecida.Quanto à composição do agregado familiar verificou-se que os núcleos familiares sãosuperiores ao grupo de indivíduos que moram sozinhos, ficando em último lugar apopulação flutuante composta pelos jovens estudantes universitários que se encontravama residir nesta freguesia, Gráfico 4. Gráfico 4 Composição Agregados Familiares 7; 6% 40; 36% 65; 58% Núcleos Familiares Pessoas Isoladas Pop. Flutuante 84No gráfico seguinte apresenta-se estes mesmos agregados familiares mas agora Páginaanalisados pelo número de elementos que compõem estes. Aqui se verifica novamenteque os agregados constituídos por núcleos familiares são superiores às pessoas que
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007vivem sozinhas, salienta-se que estes núcleos são compostos sobretudo por casais, comose poderá verificar, no Gráfico 5. Gráfico 5 N.º de Elementos do Agregado Familiar 40 40 35 35 Nº Agregados 30 25 20 17 16 15 10 5 3 1 0 1 2 3 4 5 6 Nº Elementos Nesta freguesia o modelo familiar com maior representatividade são núcleos familiares, compostos por dois ou mais elementos.No que respeita à escolaridade, 47% dos indivíduos que componham cada agregadofamiliar tinham o 1º ciclo do ensino básico (4º ano), 14% são licenciados e 13% frequentama Universidade, tal como presente no Quadro U. Quadro U Escolaridade Nível de Ensino V.A. % Não sabe ler/escrever 16 7 Sabe ler e escrever sem possuir qualquer grau 0 0 Ensino Básico 1º 81 33 Ensino Básico 2º 23 9 Ensino Básico 3º 20 8 Ensino Secundário 22 9 Ensino Médio 3 1 Bacharelato 0 0 Licenciatura 34 14 Mestrado 0 0 Doutoramento 0 0 Frequenta Universidade 32 13 Frequenta Escola 15 6 A amostra caracteriza-se pelas baixas qualificações escolares, consequência desta ser uma população envelhecida e dos processos socais que viveu. Contudo, a segunda percentagem mais elevada são os licenciados o que indica uma melhoria na 85 qualificação escolar. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Relativamente às categorias profissionais com maior representatividade destacam-se: os trabalhadores não qualificados com 29% das respostas, pessoal dos serviços e vendedores com 22%; e 15% dos inquiridos são estudantes. O quadro seguinte indica mão-de-obra mais qualificada, contudo, as restantes categorias também se encontram presentes nesta freguesia, Quadro V. Quadro V Categoria Profissional V.A. % Membros Forças Armadas 3 1 Quadros Superiores da Administração Pública 7 3 Especialistas das profissões intelectuais e científicas 24 10 Técnicos e profissionais de nível intermédio 9 4 Pessoal administrativo e similares 17 7 Pessoal dos serviços e vendedores 54 22 Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e pescas 2 1 Operários, artífices e trabalhadores similares 14 6 Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da 2 montagem 5 Trabalhadores não qualificados 73 29 Estudantes 38 15Quanto às categorias profissionais, embora o maior grupo se caracterize pela baixaqualidade de mão-de-obra, os dois maiores grupos seguintes são pessoal dosserviços e vendedores e os especialistas das profissões intelectuais e científicas, oque demonstra uma propensão na melhoria da mão-de-obra. Quanto à situação profissional em que se encontravam os membros do agregado familiar verificou-se nesta freguesia um maior equilíbrio entre os activos e os pensionistas, verificando-se uma grande percentagem de inactivos que correspondem sobretudo a estudantes e donas de casa, e alguns desempregados, Gráfico 6. Gráfico 6 Situação Profissional 92; 38% 89; 36% 13; 5% 52; 21% 86 Reformados Inactivos Desempregados Activos Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Nesta freguesia verificou-se que a maioria dos inquiridos encontravam-se activos 38%, logo seguido pelos reformados 38%, indica um equilíbrio.No que concerne à naturalidade dos elementos dos agregados, 187 pessoas, nasceram noDistrito de Évora representando 76% da amostra, sendo que os restantes inquiridosencontram-se repartidos entre o Baixo Alentejo com 9 pessoas; o Alto Alentejo com 3pessoas; o Centro do país com 19 indivíduos; o Sul com 8 pessoas, o Norte com 7pessoas, das Ilhas 2 pessoas e do estrangeiro 11 pessoas, Gráfico 7. Este grupo deestrangeiros é semelhante, ao grupo encontrado nas outras freguesias, adultos, vivem empequenos núcleos familiares e são activos. Gráfico 7 Naturalidade 3% 1% 4% 3% 8% 1% 4% 76% Évora Baixo Alentejo Alto Alentejo Centro Sul Norte Ilhas Estrangeiro RendimentosQuando inquiridos sobre as fontes de rendimento, 41% declararam auferir rendimentosprovenientes de pensões/reformas, seguindo-se o salário (37%), o auxílio de terceiros(10%). Sendo que nestes últimos representam fundamentalmente os estudantes quesubsistem devido ao apoio dos seus pais, depois os negócios próprios (9%), terminandocom o subsidio de desemprego (3%), Gráfico 8. Gráfico 8 Fontes de Rendimento 21; 10% 7; 3% 77; 37% 82; 41% 19; 9% 87 Salário Negócio Próprio Pensão/Reforma Subsídio Desemprego Auxílio de 3ºs Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 As fontes de rendimentos advêm na sua maioria das pensões reformas com 41%, uma vez que grande parte das famílias eram compostas por várias gerações e dado a idade dos agregados inquiridos, seguindo-se os salários com 37%.No que respeita aos rendimentos médios por agregado familiar, 50% afirma que o seuagregado familiar tem rendimentos superiores a dois salários mínimos nacionais, e 24%afirma ter rendimentos inferiores ao salário mínimo nacional, tal como demonstrado noGráfico 9. Gráfico 9 Rendimentos do Agregado Familiar 11; 11% 28; 26% 15; 14% 11; 11% 10; 10% 14; 14% 14; 14% <250 250-400 401-600 601-800 801-1000 1001-1200 >1200 Esta freguesia apresenta algum conforto económico uma vez que cerca de metade dos inquiridos admite ter rendimentos superiores a dois salários mínimos.Relativamente aos gastos do orçamento familiar a maioria, 49% declara ser a alimentaçãoa área de maiores gastos do agregado familiar, seguido pelo saúde 29%, pelas rendas eempréstimos, e 2% afirma ser a educação, Gráfico 10. Gráfico 10 Área de Maoires Gastos do Agregado Fam iliar 33; 29% 55; 49% 22; 20% 2; 2% Alimentação Educação Renda/Empréstimo Saúde 88 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 A maior área de gastos dos agregados familiares é, nesta freguesia, a alimentação.No que respeita a prestações sociais, entendendo-se por estas apoios complementares àspensões sob forma pecuniária de prestações. Dos inquiridos 93% das pessoas afirmaramnão ter qualquer tipo de apoios, 5% atestaram usufruir dos apoios concedidos pelo Cartãodo Munícipe Idoso, e 2% declararam ter apoio da acção social das Cáritas Diocesanas deÉvora, no Gráfico 11 seguinte se poderá ver os valores absolutos. Gráfico 11 Prestações Sociais 120 104 100 80 60 40 20 6 2 0 Cartão Idoso Cáritas Não temConclui-se que apoio concedido pela Câmara Municipal através do Cartão do Idosoé superior a qualquer outro.Relativamente a apoios institucionais, entendendo-se por estes, respostas sociais comoapoio domiciliário, apoio alimentar e acção social directa das diversas entidadesexistentes. Dos inquiridos 94% afirmaram não tem qualquer tipo de apoio, sendo que osrestantes 6% afirmaram receber apoios de diversas entidades, encontrando-se repartidosequitativamente pelas seguintes entidades: Cáritas 2%, Santa Casa da Misericórdia 2% eCruz Vermelha Portuguesa 2%. Tal como se verifica no Gráfico 12, em valores absolutos. Gráfico 12 Apoios Institucionais 120 106 100 80 60 40 20 2 2 2 0 Cáritas St. Casa M. Cruz Vermelha Não tem apoios 89 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Boa cobertura dos médicos de família, não tendo sido detectado qualquer problemano acesso aos serviços de saúde. SaúdeQuanto à saúde 85% dos inquiridos asseveraram ter médico de família e 15% afirmaramnão ter, este valor encontra-se mais uma vez relacionado com o fluxo de jovensestudantes Gráfico 13. Gráfico 13 Médico de Família 95 100 80 60 40 17 20 0 Sim NãoNo que concerne a gastos com medicamentos pelos inquiridos, 27 pessoas responderamnão ter, 20 não sabem quanto gastam. Daqueles que declararam despender encargos nasaúde, 50% aprestam valores inferiores a 150€ mensais, como se poderá verificar 14 emvalores absolutos. Gráfico 14 Gastos na Saúde 30 27 25 24 23 20 20 15 10 7 5 3 2 1 1 0 <50 51-100 101- 151- 201- 251- >300 Não Não tem 150 200 250 300 Sabe gastos Os gastos mensais na saúde, para o grupo que admitiu despender, rondam valores até os 150€ mensais. 90 PáginaNo que se refere a doenças crónicas, e aqui ressalva-se o facto de se ter questionado aosinquiridos se tinham ou não alguma doença crónica, cerca de 62 pessoas responderam
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007não padecer de qualquer doença crónica e 50 atestaram sofrer de patologias que seencontram representadas no Gráfico 15. Gráfico 15 Doenças Crónicas 70 62 60 50 40 30 23 20 9 10 6 6 6 0 Diabet es Cardí aca Asma Ost eoporose Out r as Não Tem DoençasNo que respeita a incapacidades gerais, 67 pessoas afirmaram não sentir qualquerdificuldade ou incapacidade, mas 45 afirmaram sofrer de alguma incapacidade, tal comodemonstrado no Gráfico 16. Gráfico 16 Incapacidades 2; 4% 8; 18% 17; 38% 13; 29% 3; 7% 2; 4% Incapacidade Locomoção Pessoas acamadas Necessidade de cadeira de rodas Dificuldades Transpor lanços Escadas Dispositivos de compensação Outras Incapacidades Dos inquiridos 40% afirmaram sofrer de alguma incapacidade, principalmente dificuldade de locomoção e de transposição de lanços de escadas. Mobilidade urbanaQuanto à mobilidade a maioria dos inquiridos (60%) responderam não ter automóvel, em 91oposição a 40% que afirmaram ter automóveis, como se poderá verificar no Gráfico 17. Página Gráfico 17
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Nº de Automóveis 29; 26% 67; 60% 16; 14% 1 Automóvel 2 Automóvel Não temRelativamente ao meio de transporte utilizado na cidade intramuros, Gráfico 18, 92%declararam andar a pé, 6% utilizam os transportes públicos e 2% utilizam os própriosautomóveis ou algumas das vezes são os filhos que transportam os pais, situações que seencontra relacionada com problemas de saúde e dificuldade de deslocação mesmo a pé. Gráfico 18 M eio de deslacação mais utilizado 2; 2% 7; 6% 103; 92% Automóvel Autocarros Pé Conclui-se que os inquiridos apresentam hábitos saudáveis e positivos para o ambiente, pois as formas de locomoção privilegiadas são as deslocações a pé e os transportes públicos. HabitaçãoQuanto à função da habitação encontra-se distribuída entre habitação permanente esegunda habitação, esta última relacionada com de deslocações de estudantes quearrendam casas perto da universidade, tornando-se estas segundas habitações uma vezque o endereço oficial destes jovens continua a ser a casa de seus pais. Como tal,maioritariamente as casas são habitações permanentes, Gráfico 19. 92 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 19 Função de Habitação 6; 5% 106; 95% Habitação Permanente Segunda HabitaçãoQuanto ao vínculo contratual da habitação, maioritariamente as casas são arrendadas53%, seguindo a situação de casa própria 43%, e a habitação cedida 4%, esta últimaassociada a questões familiares em que um membro da família disponibiliza uma suahabitação para usufruto de um outro familiar, Gráfico 20. Gráfico 20 Tipo de Vínculo 4; 4% 48; 43% 60; 53% Própria Arrendada CedidaEntre os indivíduos em situação de arrendatários verificou-se que quanto ao contratopropriamente dito, Gráfico 21, em 65% dos casos os inquiridos afirmavam ter contratosilimitados, seguindo-se os indivíduos que afirmaram não ter nem contrato nem recibos 15%e logo depois os que asseveraram não ter contrato mas terem recibos 10%. Os contratocom prazo determinado obtiveram 7% das respostas, sendo que 3% dos inquiridos quenão sabia qual o tipo de contrato que tinha estabelecido. Verificou-se que a situação denão terem contrato, nem recibos, tinha particular incidência na população universitária. 93 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 21 Tipo de Contrato 4; 7% 2; 3% 9; 15% 6; 10% 39; 65% Sem Contrato/Sem Recibo Sem Contrato/Com Recibo Contrato Ilimitado Contrato com prazo determinado Não sabeA maioria dos inquiridos é arrendatária.Quanto aos anos de celebração de contrato verificou-se que 66% dos casos eramcontratos com mais de vinte anos, havendo ainda um valor considerável, 23%, decontratos recentes, com menos de cinco anos, mais uma vez associados à população maisjovem, Gráfico 22. Gráfico 22 Anos de Vínculo 9; 10% 21; 22% 22; 23% 11; 12% 31; 33% <5 6-20 21-40 41-60 >60No que se refere ao valor da renda, verificou-se que 63% da população paga rendas devalores inferiores a 100€, associadas aos contratos mais antigos. E no outro extremo, mastambém com alguma representatividade, 18% têm rendas superiores aos 301€, Gráfico 23. 94 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 23 Valor da Re nda 10; 18% 3; 5% 27; 50% 4; 7% 1; 2% 7; 13% 3; 5% <50 51-100 101-150 151-200 201-250 251-300 >301Concluindo-se que, as rendas de baixo valor estão associados a vínculos contratuais Bantigos, sob forma de contratos ilimitados e as rendas de elevado valor estão eassociadas a vínculos contratuais mais recentes sob forma de vínculos sem contrato n se sem recibos, maioritariamente. d e Conforto No que se refere a bens de conforto todos os inquiridos afirmaram ter fogão, frigorífico e televisor. No que toca a esquentador 3 afirmaram não ter, 7 asseveraram não ter máquina de lavar roupa e 1 declarou não ter telefone fixo ou móvel. Quanto aos computadores cerca de 64 pessoas afirmaram não ter, Gráfico 24. Gráfico24 Bens de Conforto 120 112 112 112 109 111 105 100 80 60 48 40 20 0 o or ar ne Tv o do r gã ad av fo ric Fo nt .L le rif ta ue aq Te go pu sq M Fi om E C Relativamente a condições de conforto e salubridade constatou-se que todos os inquiridos 95 afirmaram ter água canalizada, saneamento básico e electricidade. Que 7 pessoas afirmaram não ter casa de banho completa, apontando para a falta de uma banheira ou Página duche, e 5 pessoas afirmaram não ter cozinha completa, nem as mínimas condições para cozinhar, Gráfico 25.
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 25 Bens de Conforto e Salubridade 112 112 112 112 110 108 107 106 105 104 102 100 Água Saneamento Electricidade Casa de Cozinha Canalizada Básico Banho OperacionalQuanto às patologias no edifício, e aqui foi questionado se os inquiridos identificavamproblemas ao nível da água canalizada, saneamento básico, electricidade, estrutura eoutros. Dos inquiridos 82% afirmaram não identificar qualquer problema relevante, todavia18% apontava para problemas de salitre, degradação da casa, caixilharia, etc., Gráfico 26. Gráfico 26 Patologias 20; 18% 92; 82% Sim Não O Centro HistóricoNo que se refere ao Centro Histórico propriamente dito, foram realizadas uma série dequestões que nos permitiram ver a identificação dos residentes com este território, asredes solidariedades locais e as necessidades e potencialidades deste de acordo com aopinião da própria população.Assim relativamente, ao prazer de viver no Centro Histórico de Évora 97% afirmou tergosto em viver neste local e, apenas, 3% atestou que não gostava, Gráfico 27. 96 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 27 Prazer em M orar no Ce ntro Histórico 3; 3% 109; 97% Sim Não Pela forma como os inquiridos respondiam a esta questão de forma muito reactiva e defensiva, podemos aferir que há um sentimento de orgulho e de pertença associado a este espaço.Quando questionados se mudariam ou não para um novo local nove pessoas responderamafirmativamente, destas uma apenas desejava sair do Centro Histórico e as restantes 8desejavam sair mesmo da cidade de Évora, deslocando-se sobretudo para o local de ondesão naturais, Gráfico 28. Gráfico 28 Local de Mudança 1; 11% 8; 89% Fora Muros CidadeRelativamente aos principais problemas sociais apontados nesta freguesia, os inquiridosresponderam principalmente pobreza (20%), a degradação habitacional (14%), comvalores equivalentes doença e o isolamento/abandono dos idosos (11%), entre outrasproblemáticas como se poderá verificar no Quadro W. 97 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Quadro W Problemáticas Apontadas Nº % Pobreza 39 20 Isolamento/Abandono 22 11 Doença 21 11 Degradação Habitacional 28 14 Desemprego 11 6 Toxicodependência 5 3 Violência Doméstica 4 2 Envelhecimento População 17 9 Maltrato 1 1 Alcoolismo 9 5 Desertificação 1 1 Exclusão Social 4 2 Baixa Qualificação Escolar 3 2 Desemprego 1 1 Problemas psicológicos e/ou mentais 1 1 Não sabe 2 11Foram identificados como principais problemas da Sé/São Pedro, por ordemdecrescente: a pobreza, a degradação habitacional, doença e isolamento/abandonodos idosos.Quanto aos equipamentos sociais, 58% acharam que eram insuficientes face asnecessidades da população, 21% admitiram ser suficientes os existentes, assim como,21% não sabiam responder, Gráfico 29. Gráfico 29 Equipamentos Sociais 21% 21% 58% Suficientes Insuficientes Não SabeDaqueles que responderem ser insuficientes os equipamentos existentes 48% não sabiamo que fazia falta, nos que apontaram possíveis respostas: 39% indicavam a área da 3.ªidade, 12% área da terceira idade e infância e 1% apenas infância, Gráfico 30. 98 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 30 Área de Necessidade de Equipamentos Sociais 44; 39% 54; 48% 1; 1% 13; 12% 3º Idade Infância Infância e 3º Idade Não SabeQuanto aos equipamentos sociais houve uma clara manifestação de maiornecessidade destes, sendo os equipamentos de apoio à população envelhecida aosmais indicados como necessários.No que toca às redes de apoio em situações de emergência ou necessidade, 71% dosinquiridos afirmaram procurar a família, 11% socorrem-se nos vizinhos, 10% pedem apoioa amigos e 8% procuram instituições, Gráfico 31. Gráfico 31 Rede de Apoio 11; 10% 12; 11% 9; 8% 80; 71% Amigos Vizinhos Instituições Famílias Embora os inquiridos afirmassem, na sua maioria, que procuravam apoio/auxílio na família, esta foi a freguesia em que mais se indicou os amigos como rede de apoio e solidariedade.Quanto à participação de eventos, 76% das pessoas responderam não participar em 99qualquer evento, 20% participam em cultos religiosos, 4% participam nos eventos que aJunta de Freguesia promove, Gráfico 32. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 32 Participação em Eventos 22; 20% 5; 4% 85; 76% Cultos Religiosos Eventos Junta de Freguesia Não Participa em nenhum eventoMesmo, quando questionados se tem alguma participação enquanto sócios deassociações, colectividade ou outros, 71% afirma não pertencer a qualquer colectividadeou associação, e 29% afirma ser sócio de alguma entidade, Gráfico 33. Gráfico 33 Participação enquanto Sócios 32; 29% 80; 71% Sócio Não Sócio Embora a maioria dos inquiridos, não participe em qualquer evento, o que revela que há muita pouca dinâmica social, cultural e associativa nesta população. Esta foi a freguesia houve se registou maior número de dinâmica associativa.Relativamente ao local onde normalmente efectuam compras, Gráfico 34, 39% declararamcomprar quer no comércio tradicional, quer nas grandes superfícies, 33% restringe as suascompras ao comércio tradicional e 28% efectua compras somente nas grandes superfícies. 100 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 34 Local Compras 31; 28% 44; 39% 37; 33% Comércio Tradicional e Grandes Superfícies Comércio Tradicional Grandes SuperfíciesQuanto à ocupação dos tempos livres 19% afirmaram passear e ler, 13% vêem televisão, e9% fazem as suas tarefas domésticas, entre outros como se poderá verificar no Gráfico 35. Gráfico 35 Ocupação dos Tempos Livres 21; 16% 27; 19% 17; 13% 12; 9% 4; 3% 6; 4% 1; 1% 25; 19% 8; 6% 8; 6% 5; 4% Passear Tarefas Domésticas Trabalhos Manuais Apoio Família/Cuida netos Conviver Vizinhança Desporto Ler Internet/Computador Descansar Ver Tv Não responde A ocupação de tempos livres é vivida de forma isolada, mas remete para actividades mais recreativas e culturais, como passear e ler.No que respeita aos aspectos positivos de morar no Centro Histórico de Évora foramapontados as seguintes aspectos registados no Quadro X, entre estes destacam-se aproximidade dos serviços/comércio 49%, as deslocações a pé 10%, a vizinhança 8%, entreoutras. 101 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Quadro X Aspectos Positivos V.A. % Proximidade Comércio/Serviços 83 49 Vizinhança 14 8 Segurança 8 5 Sossegado 7 4 Beleza/Monumentos 10 6 Deslocações a Pé 17 10 Linha Azul 7 4 Renda Baixo Valor 3 2 Proximidade Família 3 2 Diversão Nocturna 2 1 Gosta de Tudo 3 2 Não sabe 12 7Também nesta freguesia, o factor positivo mais apontado de morar no CentroHistórico foi a proximidade do comércio e serviços, o que deve ser considerado emqualquer exercício de intervenção e reabilitação deste espaço.Os aspectos negativos apontados de relevância verifica-se que 16% apontaram a falta deestacionamento, 14% dos inquiridos não encontraram aspectos negativos, 12% indicaramo barulho resultante dos estabelecimentos nocturnos e o abandono/degradação casas,entre outras situações apontadas como se poderá verificar no Quadro Y. Quadro Y Aspectos Negativos V.A. % Barulho Bares 16 12 Falta de Espaços verdes/Desportivos 2 1 Abandono/Degradação Casas 12 12 Desertificação/Isolamento pessoas e comércio 14 10 Estacionamento 22 16 Falta limpeza ruas/dejectos caninos 9 7 Trânsito 12 9 Calçada 9 7 Falta de Hipermercados 4 3 Não tem 19 14 Não sabe 16 12 Os aspectos negativos mais apontados foram: a falta de lugares de estacionamento, o barulho dos estabelecimentos nocturnos e o abandono/degradação das casas.Quanto às sugestões de actividades para a Junta de Freguesia, 43% afirmou não ter 102nenhuma sugestão, 29% declarou não sentir necessidade, pois achavam que a ofertaexistente era suficiente, e entre as mais apontadas encontram-se mais actividadesrecreativas, desportivas e de ocupação tempos livres para crianças e idosos, como se Páginapoderá ver Gráfico 36.
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 36 Sugestões Actividades 8; 7% 33; 29% 12; 11% 11; 10% 48; 43% OTL Crianças e Idosos Recreativas Desportivas Não Sabe Não sente necessidadeEntre os pedidos endereçados à Junta de Freguesia, que os inquiridos julgavam serimportantes para melhorarem a sua vida, embora 52% dos inquiridos não lhe ocorressenada, entre os que efectivamente tinham pedidos, os mais evidentes foram: o pedido deapoio económico e social 25%, apoio na conservação e recuperação de casas 11% eapoio aos jovens 6%, assim como outros indicados tal como podemos verificar no QuadroZ. Quadro Z Pedidos à Junta de Freguesia V.A. % Não sabe 43 52 Regular actividade dos bares 1 1 Criar de Espaços Verdes/Desportivos 1 1 Apoio na Conservação e Recuperação de Casas 9 11 Apoio Jovens 5 6 Criar mais estacionamento 2 2 Apoio económico/social 21 25 Gosta Atendimento Junta 1 1 Limitações Orçamentais 1 1 Embora, cerca de metade dos inquiridos não soubessem em que medida é que a Junta de Freguesia poderia fazer para melhorar a sua vida, novo indicador de falta de participação cívica; o pedido mais frequente é apoio económico e social. 3.ª IdadeQuanto à 3º Idade e verificado que grande parte dos inquiridos tinha idades iguais ousuperiores a 65 anos, julgou-se ser importante perceber as dinâmicas desta população emparticular. No que respeita à frequência de equipamentos para a 3.ª Idade apenas 12 dosinquiridos se encontravam a frequentar estes equipamentos, Gráfico 37. 103 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 Gráfico 37 Frequência Equipamentos 12; 11% 100; 89% Frequenta Não FrequentaQuanto a inscrições nestes equipamentos, em toda a amostra havia 6 pessoas inscritas,Gráfico 38. Gráfico 38 Incrição Equipamento 6; 5% 106; 95% Inscrito Não InscritoA todas as pessoas que participaram no questionário também lhes foi perguntado setinham algum familiar a residir na freguesia, e 24% responderam afirmativamente, Gráfico39. Gráfico 39 Família a Residir no Centro Histórico 27; 24% 104 85; 76% Página Residente Não Residente
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007E quando inquiridos sobre se mantinham contacto com familiares, que poderiam ir paraalém dos residentes na freguesia, surpreendentemente 4% afirmou não ter qualquercontacto com familiares, mesmo telefónicos, Gráfico 40. Gráfico 40 Contacto Família 4; 4% 108; 96% Não tem Contacto Mantém Contacto Mais de metade dos inquiridos não frequentavam e nem se encontravam inscritos em qualquer equipamento para a população mais envelhecida e não tem familiares a residir no Centro Histórico. Sendo que dos inquiridos 4% não mantém qualquer contacto com familiares. Contudo, esta foi a freguesia que em que mais frequentavam valências como Centro de Convívio.Tal como já enunciado não foi possível constituir uma amostra da população da freguesiada Sé/ São Pedro, portanto todas as conclusões apresentadas em baixo são válidas noâmbito de serem ilações sobre os inquéritos feitos, contudo, face ao universo são em factouma projecção de prováveis características desta população. 105 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Principais conclusões: Há uma perda de população no Centro Histórico de Évora, o que tem conduzido a uma desertificação física e humana deste espaço; A população inquirida apresenta uma média de idades igual a 57 anos e a idade média dos agregados situa-se nos 57 anos de idade; Os agregados familiares apresentam entre a população tendencialmente envelhecida, pois, as faixas etárias superiores aos 65 anos situa-se nos 40%, quase em igualdade 38% situa-se a população menor de trinta anos, contudo, a população entre os 31 e os 64 anos corresponde a 22% dos inquiridos, o que aponta para uma população envelhecida; 58% dos inquiridos vivem em núcleos familiares compostos por duas ou mais pessoas, e 36% dos indivíduos moram sozinhos; 47% dos elementos do agregado familiar só têm o 1º ciclo do ensino básico, 14% são licenciados, 13% frequentam a universidade, o que aponta para baixas qualificações escolares na população mais envelhecida, em contraposição como segundo maior grupo os licenciados; 29% dos agregados familiares são trabalhadores não qualificados, 22% são trabalhadores das áreas de serviço e vendedores, o que induz a melhoria na qualidade de mão-de-obra, mas que mantém em maioria precariedade laboral; 38% dos inquiridos mantém-se no activo e 36% são reformados, 50% apresentavam rendimentos superiores a dois salários mínimos nacionais, contrapondo os 24% que tem rendimentos de cerca de um salário mínimo nacional, que na sua maioria leva a uma situação de algum conforto económico; Dos inquiridos 49% afirmaram fazer maiores gastos na alimentação, 29% na saúde e 20% na renda/empréstimos; Quanto à habitação 53% dos ocupantes são arrendatários, na maioria com vínculos contratuais superiores a 20 anos e em 63% com rendas até aos 100€ mensais, portanto rendas baixo valor associadas a vínculos contratuais antigos; Contrapondo-se aos contratos de arrendamento mais recentes que apresentam valores entre os 300 e 350 € mensais, rendas de elevados valor associado a vínculos contratuais mais recentes; Quanto às condições de conforto e salubridade 7 pessoas asseveraram não ter casa de banho completa e 5 afirmaram não ter cozinha operacional, indica más condições de habitabilidade, assim como, 3 pessoas afirmaram não ter esquentador, 7 declararam também não ter máquina de lavar e 4 atestaram não ter telefone apontando para falta de bens de conforto; 98% dos inquiridos gostam de viver no Centro Histórico, muitas vezes associada a uma ideia de romantismo e orgulho, associado forte pertença; Os aspectos positivos do Centro Histórico residem principalmente na proximidade serviços/comércio (49%), facilidade das deslocações a pé (11%) nas relações de vizinhança (8%); Os aspectos negativos 19% afirmaram que não encontravam aspectos negativos, entre os que apontaram (16%) indicaram a falta de lugares de estacionamento, 12% barulho dos estabelecimentos nocturnos e abandono/degradação parque habitacional; E quanto às problemáticas sociais predominantes são apontadas a pobreza (20%), a degradação habitacional (14%) e o isolamento/abandono dos idosos e doença (11%) como os principais problemas da freguesia; A família e a vizinhança funcionam nesta comunidade como a rede de apoio de 106 solidariedade local, havendo apenas 8% dos inquiridos a procurar instituições em situações de necessidade ou emergência; 59% dos inquiridos não participa em qualquer evento, o que indica não Página participação dinâmicas culturais, mesmo perante este cenário 15% sugerem mais actividades;
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007As ocupações dos tempos livres são vividos de forma muito isolada uma vez que65% das actividades realizam-se dentro de casa e apenas 35% dos inquiridosapresentam actividades sociais, apoio à família, convivência com os vizinhos,passeios o que aponta para não participação em dinâmicas sociais;Quanto aos pedidos a fazer à Junta de Freguesia, um dado importante e que deveser interpretado é que 52% dos inquiridos não sabia em que é medida é que juntapoderia melhorar a sua condição de vida e 25% aludiram para a necessidade deapoio económico e social. 107 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Análise S.W.O.T. de Sé/São Pedro:A análise S.WO.T. resulta numa análise estratégica através de quatro elementos chave. Pontos Fortes Pontos Fracos Envelhecimento da população Proximidade de serviços e Não renovação do tecido comércio social Questões da vizinhança Especulação imobiliária População universitária Ameaças Oportunidades Novo Quadro Comunitário – Desertificação física e QREN humana da freguesia Sentimento de orgulho e de Emergência territórios de pertença associado à cidade risco social 108 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Instituições:As entidades presentes no Quadro AA encontram-se localizadas na Freguesia da Sé/ SãoPedro. Quadro AA Instituição Resposta Social Nº de Utentes Associação da Creche e Creche 108 Jardim-de-infância Pré-Escolar 155 ATL C/A 40 Associação Humanidade e Centro de Convívio 30Respeito pelos Idosos de Évora Associação Reformados e Centro Convívio 40Pensionista e Idosos de ÉvoraSanta Casa da Misericórdia de Creche 44 Évora Apoio Domiciliário 114 Cáritas Centro de Ocupação Tempos ---- Livres IPJ Apoio jovem ------ Associação de Estudantes da Apoio jovens universitários de ------ Universidade de Évora ÉvoraFundação Eugénio de Almeida ------ Hospital Espírito Santo Saúde ------- Polícia Segurança Pública Segurança ------Fonte: Centro Distrital da Segurança Social de Évora, 2007; http:///www.cm-evora.pt; Santa Casada Misericórdia. 109 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Análise Social da Freguesia da Sé/São Pedro:Os inquéritos realizados na freguesia da Sé/São Pedro não foram suficientes paraconstruir uma amostra representativa, contudo poderemos retirar algumas ilações docontacto com a população e a observação directa, acabou por contribuir para um olharmais atento e mais profundo sobre as dimensões psico-sociais que compõe esta.Os dados apurados nesta freguesia indicam a existência de uma população envelhecida,que vive na sua maioria em núcleos familiares, compostos por três ou duas gerações,contudo 36% dos indivíduos vivem sozinhos, apresentam predominantemente baixasqualificações escolares, havendo em oposição um segundo grupo de licenciados, melhoriada qualidade da mão-de-obra face às outras freguesias, maioria apresenta algum confortoeconómico. A área de maiores gastos foi a alimentação, deferentemente das outrasfreguesias, arrendatários, alguns com falta de condições de habitabilidade e bens deconforto, e onde a família e a vizinhança desempenham um importantíssimo recurso, poisconstituem a rede de solidariedade local.A questão social nesta freguesia coloca-se ao nível do envelhecimento da população e doapoio aos jovens estudantes universitários, a reflexão aqui apresentada irá centrar-senestas temáticas.Embora, os inquiridos desta freguesia apresentassem uma melhor situação económica esocial, caracterizado pela sociedade média e média/alta, manteve-se o factor doenvelhecimento populacional e os baixos índices de participação cívica, exercícios aindapouco frequentes neste tipo de população. Portanto, a questão do envelhecimento nãoestá tão relacionada com pobreza na sua dimensão económica, como nas outrasfreguesias, mas com a falta de participação nas dinâmicas sociais, culturais e associativas.Contudo, foi nesta freguesia que se observou maior número de jovens casaisuniversitários, isto deve principalmente ao facto de ser a freguesia que acolhe aUniversidade e ser o primeiro espaço da cidade que recebe estes jovens. O contacto comestes jovens permitiu a conclusão da existência, segundo estes mesmos, de dois ciclos dacidade intramuros, associados aos fluxos de jovens estudantes e a uma maior animaçãonocturna verificada durante o ano lectivo, em oposição aos fins-de-semana e fériaslectivas. Estes jovens casais indicaram gostar mais do ciclo em que encontram outrosjovens, portanto do ano lectivo.Outro facto, também verificado nesta freguesia foi o pedido de apoio aos jovens,relacionado com a inserção no mercado de trabalho e a procura de melhores habitações ea preços mais acessíveis. Neste momento a procura desta freguesia e do próprio CentroHistórico, por estes jovens, como parque habitacional funciona através de um processopouco organizado e voluntário. A Junta de Freguesia poderá desenvolver um importantepapel no desenvolvimento deste processo, apoiando e acompanhando as necessidadesdesta população, em particular. 110 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Propostas:As acções a desenvolver deverão passar pelas lógicas do desenvolvimento social ecomunitário, o sentimento de pertença, a identidade colectiva tão profundamente enraizadadeve ser aproveitada no sentido de desenvolver lógicas de participação e de cidadania. Éaqui que, também, esta Junta de Freguesia tem um importante papel, de promotor destaslógicas, envolvendo entidades parceiras e população em novos projectos, e criando eagilizando novas respostas de apoio à comunidade.Atendendo às principais conclusões deste estudo, propõe-se as seguintes acções: Apoio à implementação de uma UNIVA – Unidade de Inserção na Vida Activa, destinada à população universitária, procurando apoiar a inserção no mercado de trabalho, através de vínculos contratuais ou estágios com empresas da região. Estabelecendo acordos com as indústrias e serviços da região potencializando estes recursos humanos em recursos capazes de capitalizar riqueza e desenvolvimento social; Apoiar a população mais jovem, através abertura de um de espaço de leitura e acesso à Internet; Fomentar a abertura de pequenos cursos, em parceria com a Associação de Estudantes e a própria Universidade de Évora, dirigidos a imigrantes e jovens estudantes, que permitam o enriquecimento curricular e uma melhor recepção desta população. 111 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 112 REFLEXÃO FINAL SOBRE O CENTRO HISTÓRICO Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007O Centro Histórico de Évora é composto pelas três freguesias estudadas Santo Antão, SãoMamede e Sé/S. Pedro, sendo o maior centro histórico do país, com cerca de 104hectares, é o centro de vitalidade desta cidade, onde a esfera privado do parquehabitacional e a esfera pública composta pelo comércio, diversos serviços e universidadeprocuram conviver em equilíbrio. Sendo património mundial a importância deste espaço éprimordial para o desenvolvimento do turismo e da economia local, e devido a estadesignação urze a necessidade de ser analisado sobre diversas perspectivas que sedeverão complementar, pois, este Centro Histórico é a porta do passado onde sedeslumbra o futuro do povo eborense.Quando somos acolhidos por esta cidade somos assombrados pela sua beleza e riquezaarquitectónica, resultado de um passado repleto de grandes momentos. Somos facilmentelevados numa viagem pelo tempo, pela história de Portugal, de que a calçada, praças eruas são testemunhas. Quando compenetrados na lição viva de história que Évora é fruto,somos também obrigados a indignar que povo é este cheio de coragem e valentia queprocurou rumar sempre ao futuro, e que nos legou um património talvez mais grandiosoque o edificado, os seus filhos, a comunidade que faz a cidade. O presente trabalhoassenta na segunda perspectiva sobre a cidade, procurando conhecer a comunidadeintramuros, as suas vivências, práticas, solidariedades, etc., não tem a audácia de seintitular de estudo sociológico, mas é sem dúvida social.Este Centro Histórico já foi alvo de alguns estudos, entre os quais um realizado pelaCâmara Municipal de Évora 2000/2001 (Mourão: 2001, s/p), que incidiu sobre ascondições de habitabilidade neste espaço, atingiu uma amostra entre 38% aos 26% nasfreguesias intramuros, e que chegou a algumas ilações sobre traços gerais dacomunidade que passamos a enunciar: Desde 1940 que a população Centro Histórico tem vindo a decrescer, sendo que este se deve ao envelhecimento da população e à deslocação da população para a cidade extra-muros; Não há renovação do tecido social e existe um acentuado envelhecimento; A população subsiste com recursos económicos muito baixos – 35% dos inquiridos de uma base amostra apresentavam um rendimento inferior a um salário mínimo nacional; Predominância do inquilinato; Patologias identificadas em cozinhas, casas de banho e arejamento/ventilação, na ordem dos 25%; Capacidade de utilização habitacional de alguns edifícios esgotou-se, ficando estes devolutos ou sujeitos a alterações de uso – 278 edifícios devolutos e em mau estado de conservação.Foi perante este cenário que se construíram instrumentos de análise da comunidade e quese procurou inquirir a máximo de pessoas possíveis no tempo exigido, concluindo-se estediagnóstico chegou-se a surpreendentes inferências, podendo estas ser divididas em trêsgrandes temáticas que serão aqui apresentadas: existência de diferentes identidadeslocais; o envelhecimento na sua dimensão sócio-económica e a emergência de territóriosde risco.A primeira conclusão e talvez uma das mais surpreendentes é o facto de se ter verificadoque cada freguesia apresenta uma comunidade diferente, isto é, embora se possaconstruir dimensões que são transversais a todas freguesias, no que respeita às redes de 113solidariedade, que são a malha de protecção de cada indivíduo, há diferenças, ao ponto dese construírem diversas identidades locais. Para percebermos melhor isto, devemos antesde mais definir o conceito de comunidade, Manuel Castells afirma que “as pessoas Páginasocializam-se e interagem no seu ambiente local, seja ele a vila, a cidade, o subúrbio,formando redes sociais entre os seus vizinhos” (2003:72), estas redes constroem
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007identidades locais repletas de significados e reconhecimento social. E funcionam comobarreiras de defesa e de reacção, asseverando ainda o autor que “subitamente indefesasdiante de um turbilhão global, as pessoas agarram-se a si mesmas: qualquer coisa quepossuíssem, e o que quer que fossem, transformou-se na sua identidade” (ibidem).Através da observação e dos questionários constatou-se que, por exemplo, na freguesiade São Mamede de um modo geral existe uma só comunidade bem definida, as festas deSanto António que partem de um movimento popular, a elevada participação nos eventospromovidos pela junta de freguesia, e repetitivos episódios de no momento da realizaçãodos questionários à população vizinhos aparecerem com frequência e algum ar desuspeição, a questionarem o nosso papel, são disto exemplo. Olhando-se para o percursohistórico da comunidade percebemos que nesta freguesia se localizava a mouraria, localonde residiam os mouros e que não eram mais do um espaço de exclusão, o ghetto dacidade. Portanto era um espaço que não tinha prestígio, menos nobre, e onde no decursoda história se alojaram sempre os pobres e os “desgraçados”, com demarcadas ruas deprostituição. A comunidade que aqui residiu e reside desenvolveu formas de defesa e dereacção perante este estigma, talvez não de forma organizada, mas consciente, e a suaelevada participação, o exercício de cidadania são disto resultado.Já a freguesia de Sé/São Pedro e Santo Antão no que respeita a estas redes desolidariedade locais apresentam pequenos nichos, compostos essencialmente porvizinhos, e que funcionam como agentes minimizadores de riscos sociais e que muitasvezes facilitam o sentido de envelhecer, permitindo maior acompanhamento. Contudo,nem toda a população tem estas redes, por exemplo em Santo Antão 16% dos inquiridosresponderam que em situações de emergência recorrem às instituições locais, o que érevelador do isolamento que experienciam. Estas situações agudizam com o facto de, enesta freguesia em particular, 10% dos inquiridos afirmarem que não mantêm contactocom as suas respectivas famílias.A presença destes pequenos nichos, ou a não existência em todo destes mesmos, mudama percepção de identificação de comunidade. Se o indivíduo se encontra numa situação deisolamento não identifica a sua comunidade, não participa, não se envolve,desencadeando um processo de risco social, de vulnerabilidade societal que pode terminarem situações de exclusão social.As situações de isolamento adquirem uma preocupante dimensão com o envelhecimentoda população e o natural aumento de dependência. Nas sociedades contemporâneas, osubstancial aumento da esperança de vida verificado durante o século XX, associado àsprofundas mudanças societárias que para ele ocorreram, fez emergir o envelhecimento e avelhice como questão social, as freguesias do Centro Histórico não fogem a esta realidade.Procurando reflectir sobre a realidade social destas freguesias é incontornável pensarmossobre o envelhecimento. O envelhecimento é uma consequência das mutações sociais eeconómicas, houve um recuar da morte e os velhos ficaram cada vez mais velhos,experienciam uma vida adulta cada vez mais prolongada, marcada pela coexistência dadiversidade e complexidade de papéis. A gestão de papéis no tempo e a gestão do tempona gestão das idades apresentam-se hodiernamente com dados novíssimos da nossaexperiência humana (Quaresma: 2005,5).Koffi Annan (1999:s/P) afirmou sobre a temática do envelhecimento que “ o aumento da 114longevidade está a criar uma nova fronteira para a humanidade, a ampliar as nossasperspectivas mentais e físicas. Os idosos dos nossos dias são, em muitos aspectos,pioneiros. Fazendo jus a este espírito foram inovadores, catalisadores e condutores de Páginamuitas iniciativas levadas a cabo durante o Ano. Ao fazerem-no, ajudaram-nos a preparar
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007para uma vida mais segura, mais saudável e mais rica para muitas gerações de idosos quevirão depois deles”.As actuais gerações de idosos são as primeiras a experimentar estas mudanças, estão asofrer impactes por elas não esperados, mal conhecidos e, muitas vezes, socialmentedistorcidos ou denegados por forças das representações negativas da velhice(Quaresma:2005,5). Esta fase da vida deve perder a sua conotação tão negativa edepreciativa, a velhice não é opaca, a integração é um contínuum na existência dosindivíduos, há um manancial de novas experiências, de potencialidades. Contudo, háriscos também associados a esta fase da vida, riscos sociais, ambientais e de saúde, deisolamento, de solidão, incapacidades e de exclusão. Mas estes riscos devem serreconhecidos e estudados, e deve-se procurar formas de combate a estes mesmos.O que acontece no Centro Histórico de Évora não é diferente desta realidade, a populaçãoé caracteristicamente envelhecida; o isolamento, solidão, pobreza e a exclusão socialtambém se encontram presentes nesta população, tal como verificado em cada freguesia.A respeito da solidão Bernadette Puijalon (Quaresma:2003,10) afirmou “ pode-se estarisolado ou ter um sentimento de solidão em qualquer idade, como escreveu EmmanuelLévinas «A solidão é uma categoria do ser», no entanto, quem diz velhice não dizforçosamente solidão, mas mesmo para aqueles que não a conhecem, nesta idade, ela éum horizonte temido”. O sofrimento dos mais idosos quando causado pela solidão, éconsiderado por muitos, como a mais penosa e problemáticas situações de vida a que setorna necessário responder. O isolamento e a solidão foram diversas vezes verificadasneste diagnóstico social, para isto muito tem contribuído a desertificação do CentroHistórico, o êxodo rural dos descendentes dos idosos intramuros e o desaparecimento davizinhança.O enfraquecimento das redes de solidariedade, das relações de vizinhança, de ondeemergiam um verdadeiro suporte, que satisfaziam aquilo a que Marshal define comonecessidades sociais, importantíssimas para se atingir o bem-estar pessoal e social, quemesmo em casos de dependência proviam e garantiam algum conforto, levou à vivênciade isolamento e solidão. Podendo-se concluir que a população intramuros apresentaalguma vulnerabilidade societal nesta âmbito e que deve ser urgentemente equacionada.Quanto ao fenómeno da pobreza, é reconhecido que certas categorias da população sãoparticularmente vulneráveis, que entre os pobres em número significativo podemosencontrar, desempregados de longa duração ou jovens à procura do primeiro emprego,famílias monoparentais, certas minorias étnicas, e sobretudo deficientes e idosos comrecursos insuficientes para lhes assegurar um nível de vida acima dos limiares de pobreza(Almeida et all, 1992:11).Os baixos montantes dos subsídios recebidos pela grande maioria dos idosos – pensõesde reforma, de invalidez e de sobrevivência – fazem com que a incidência da pobreza ouda vulnerabilidade à pobreza sejam grandes nesta categoria. Em termos comparativos, emqualquer um dos regimes de Segurança Social e para qualquer das pensões atribuídas, osrespectivos montantes não ultrapassam o salário mínimo nacional. E a inexistência, namaior parte dos casos, de rendimentos alternativos, leva a que a duração das situações depobreza nesta população seja longa, acompanhando praticamente o próprio ciclo de vidados pensionistas, e torna altamente improvável que escapem à situação de precariedade. 115Esta realidade, pelas amostras construídas, aparece mais gravosa em Santo Antão,seguindo-se São Mamede e, por último, Sé/S. Pedro respectivamente. PáginaEntre os idosos pensionistas Almeida et all (1992,69) identificaram dois tipos de perfis depobreza, um relacionado com indivíduos que sempre tiveram baixos rendimentos e que a
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007situação da pensão não vem alterar em nada a situação anterior de pobreza, vindo apenasprolongar uma situação já existente, estando a diferença apenas na origem dosrendimentos recebidos. Para outros, é com a passagem à de pensionista que a pobrezatende a manifestar-se, já que essa mudança de estatuto pode significar, justamente, umaquebra sensível relativamente aos meios de vida de que dispunham antes. Estes últimos jávivam no limiar da pobreza e com a entrada na reforma deslizam para situações depobreza efectiva. Encontramos assim dois tipos de situações, um referente à reproduçãocontinuada de pobreza tradicional, e outro referente a um empobrecimento recente(Ibidem).Um factor que contribui de modo não desprezível para a fragilização das condições de vidados idosos pensionistas é o das suas necessidades na área da saúde, no que tocaparticularmente à assistência médica e medicamentosa. A composição etária destapopulação faz com que as despesas de saúde sejam um dos maiores pesos no orçamentofamiliar, despesas, essas que só parcialmente são cobertas pelos esquemas de apoiosocial, e que têm sofrido ultimamente sérias reduções. Isto mesmo se verificou, a área dasaúde foi a mais indicada como a área de maiores gastos na freguesia de Santo Antão eSão Mamede.Outra característica da população idosa diz respeito à matéria de habitação, pois encontra-se caracterizado o facto de os idosos residentes nos centros urbanos, usufruem de rendasde casas antigas, cujos montantes, por terem estado congelados durante tantos anos, emesmo apesar de se encontrarem descongelados, acabam por não ter um peso elevadonas despesas orçamentais do agregado familiar (Ibidem:70), também verificada nasfreguesias intramuros.Pelos dados que o Diagnóstico Social apontou: a predominância de trabalhadores nãoqualificados, baixos rendimentos nos agregados familiares, à existência das figuras dohomem “ganha-pão” e a mulher a zeladora do lar, a esperança média de vida ser maiornas mulheres torna a pobreza não só uma questão de classes sociológicas mas umaquestão de género. Existem dificuldades intrínsecas em avaliar a pobreza, resultantes do facto de se tratarsempre de um conceito relativo no tempo e no espaço, são ainda acrescidas porreferências os valores predominantes numa dada sociedade. São vários os domínios emque se pode verificar a pobreza, entre eles: condições económicas, condições dehabitação, condições de saúde, educação, emprego e desemprego, a até sob aperspectiva do desenvolvimento social e comunitário pode ser acrescida a estasdimensões a redes de solidariedade, uma vez que estas são definidas como capazes degerar riqueza e de colmatar situações de precariedade.Remetendo novamente para a análise do Centro Histórico podemos afirmar que a pobrezaconstruí-se sobre variadas dimensões que podem co-existir ou não, e que iremos abordarseguidamente, exceptuando a dimensão económica uma vez que esta já foi previamenteapresentada.No que concerne às condições de habitação “a situação de pobreza corresponde a umafalta de conforto habitacional derivada de elevados graus de insalubridade, desuperlotação e de inadequação geral dos alojamentos” (Almeida et all, 1992:15).Acrescentaria a esta definição a existência de bens de conforto como frigorífico, fogão, 116esquentador ou similar, máquina de lavar roupa e um telefono fixo ou móvel, essenciaispara o bem-estar. Esta dimensão da pobreza está presente na população de cadafreguesia, quer na falta de conforto habitacional, quer na falta de bens de conforto. É de Páginarealçar, que mesmo com os programas de apoio da Câmara Municipal para melhoria dascondições de habitação, há ainda pessoas sem casa de banho completa e cozinhas. Isto
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007deve-se a um sentimento de resignação sobre a própria condição de vida, a um sentidomuito restrito da esfera privada, não querendo muitas vezes os inquilinos “incomodar”como eles próprios definem os senhorios.As condições de saúde “relacionam-se com as desigualdades que se manifestamsobretudo por uma esperança de vida mais curta, maiores níveis de mortalidade infantil,menor consumo de serviços médicos e, simultaneamente, maior risco de contrair doenças”(Almeida et all, 1992:15). Quanto a esta dimensão grande maioria dos inquiridosasseveraram ter médico de família, portanto não há privação no acesso a estes serviços, oque ocorre é que a saúde foi a mais apontada ao nível dos gastos do orçamento familiar,havendo imensos idosos que chegam a gastar mais de metade dos seus rendimentos emmedicamentos. Levando a uma autentica gestão de receitas, aviando apenas os maisurgentes, prejudicando não raras vezes a alimentação em detrimento dos medicamentos.Aqui novamente, a Câmara Municipal tem um importante papel através do Cartão doMunícipe Idoso, que tem vindo a aliviar estas situações.Na educação a pobreza encontra-se associada a níveis de escolaridade mais fracos etardios, saídas precoces do sistema de ensino, e reprovações, tudo isto resultando numamaior proporção de analfabetos e de pessoas com muito baixa escolaridade. Esta tambémé a realidade da população intramuros, com baixas qualificações escolares, existência denúmero considerável de analfabetos, o que conduz a uma “mão-de-obra” não qualificada eà precariedade laboral.A ligação entre o desemprego e a pobreza é de identificação imediata e ainda maissignificativa quando se trata de desemprego de longa duração ou de situações de trabalhomeramente temporário. Ainda que por amostra pequena a existência em todas asfreguesias de desempregados acentua as vulneráveis condições de vida, conduzindo àpobreza. A composição do desemprego caracteriza-se por uma elevada proporção dejovens à procura de primeiro emprego e de pessoa não qualificadas ou mesmoanalfabetas, de onde resultam que um elevado número de desempregados não temsequer qualquer direito a um subsídio de desemprego, enquanto outros o têm por períodoscurtos de tempo (Ibidem).Distingue-se que apesar de ser incontornável abordar o envelhecimento e os riscos sociaisassociados a esta temática que se verificaram no território em análise, este não é por sium problema social. Na perspectiva de Maria Lurdes Quaresma (2007:52) o que constitui o“problema social é a ausência, insuficiência ou inadequação de respostas da organizaçãosocial para o enfrentamento das necessidades naturais desses estratos da população (…)a inexistência de articulação das respostas com a sociedade civil e a necessidade desuperação do desenho habitual das políticas sociais”.Paralelamente, ao risco de desertificação e de envelhecimento da população está aocorrer a emergência de territórios de risco social, estes espaços urbanos desabitados,degradados, pouco povoados, começam a alojar outras problemáticas, que podem até nãoser novas, mas são sem dúvidas preocupantes, a prostituição, marginalidade começam aadquirir maiores dimensões, perturbar a vida quotidiana dos habitantes, trazendoinsegurança e problemas de vizinhança. Esta problemática deve ser acompanhada deimediato, de forma a não dominar estes territórios, devendo ser adoptada uma posturapreventiva e defensiva do Centro Histórico, preferencial à reactiva. 117Todavia, a recém Sociedade de Reabilitação Urbana, criada com base no Decreto-Lei n.º104/2004, de 7 de Maio, destinada à reabilitação dos Centros Histórico é um organismoque deve ser utilizado no combate: à degradação, à desertificação e à emergência destes Páginaterritórios de risco, uma vez que articula financiamento público e privado na reabilitação ereorganização destes espaços. E quantos a estes exercícios de intervenção urbanística os
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007aspectos positivos e negativos que foram considerados pelos habitantes neste estudodevem ser considerados.A própria Universidade de Évora, localizada na freguesia da Sé/São Pedro deve serconsiderada como outra potencialidade, uma vez que por si é capaz de atrair jovens,importantes recursos humanos, que quando bem aproveitados são capazes de gerardesenvolvimento e competitividade ao mais alto nível. Dois importantes parceiros einterlocutores na construção de uma melhor comunidade do Centro Histórico.Reconhece-se, contudo, neste Diagnóstico Social que as entidades locais fazem o quepodem para prestar o melhor apoio possível à comunidade do Centro Histórico, mas asnecessidades são tantas e tão complexas, que é necessário projectar novas medidas deapoio. Este estudo não tem a ousada pretensão de erradicação destes problemas, atéporque não acreditamos que grandes medidas de acções advêm de uma só entidade, masdo esforço concertado de vários agentes, contudo face aos resultados apresentamos duaspropostas de acção: Criação de uma Equipa de Monitorização do Centro Histórico em que interlocutores de segurança, da área social e da autarquia local trabalhassem com o objectivo de acompanhar, despistar e intervir nestas problemáticas; A nível social que se formalize o atendimento social integrado, com reuniões entre os vários parceiros da área social de modo a haver partilha; A implementação de respostas socais atípicas, assentes numa perspectiva de desenvolvimento social e comunitário, que trabalhe e resgate o património incorpóreo e que desenvolva apoios na comunidade de forma a criar um desenvolvimento sustentável providenciando apoio à comunidade existe, envelhecida, e projectando medidas de atractivas para a formação de uma nova comunidade mais jovem. 118 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Análise S.W.O.T. do Centro Histórico: Pontos Fortes Pontos Fracos Proximidade de serviços e Proximidade de serviços Envelhecimento da população comércio Não renovação do tecido e comércio Questões da vizinhança social Questões da vizinhança Especulação imobiliária População universitária População aniversário Oportunidade Ameaças Novo Quadro Comunitário – Desertificação física e QREN humana da freguesia Sentimento de orgulho e de Emergência territórios de pertença associado à cidade risco social SRU Universidade de Évora 119 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 BIBLIOGRAFIA 120 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007ALMEIDA, João et all (1992), Exclusão Social – Factores e Tipos de Pobreza em Portugal,Celta Editores, Oeiras;AMARO, Roque et all (2001) Desenvolvimento – um conceito ultrapassado ou emrenovação, s/l;CARMO, Hermano (1999), Desenvolvimento comunitário, Universidade Aberta, Lisboa;CASTELLS, Manuel (2003), A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura –Volume II – O poder da Identidade; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa;COSTA, Manuel (1993), Autarquias Locais e Desenvolvimento, Biblioteca das Ciências doHomem, Edições Afrontamento, Porto;COSTA, Manuel e NEVES, José (1993), Autarquias Locais e Desenvolvimento: Actas doColóquio;COSTA, A. Bruto (2004) Exclusões Sociais, Cadernos Democráticos, 4ª Edição, FundaçãoMário Soares, Gradiva Publicações, Lisboa;FERNANDES, Ana Alexandre (1997), Velhice e Sociedade – Demografia, Família ePoliticas Sociais Em Portugal, Celta Editora, Oeiras;GIDDENS, Anthony (2000), Sociologia, Fundação Calouste Gulbenkian, LisboaHESPANHA, Pedro (2001) “Mal-estar e risco social num mundo globalizado: Novosdesafios para a teoria social”, in SANTOS, B. Sousa, Globalização Fatalidade ou Utopia,Porto, Ed. AfrontamentoMENEZES, Manuel (2002), Serviço Social Autárquico e Cidadania: A Experiência daRegião Centro, Quarteto Editora, CoimbraMINTZBERG (1995), Estrutura e Dinâmicas das Organizações, Publicações D. Quixote,LisboaMOURÃO, Susana – C.M.E. (2001), Estudo de Caracterização do Centro Histórico,MOURÃO, Susana – C.M.E. (2005), Relatório de Estágio para a Implementação deProgramas de Recuperação no Centro Histórico de Évora.MENEZES, Manuel (2001), As Práticas da cidadania no poder local comprometido com acomunidade, Colecção serviço social nº, Quarteto Editora, Coimbra.OSÓRIO, Agústin Requejo; CABRAL, Fernando Pinto (2007), As Pessoas Idosas –Contexto Social e Intervenção Educativa, Instituto Piaget, Lisboa;PASSARINHO, Isabel (1993) Autarquias Locais e Desenvolvimento: Novos Desafios parao Serviço Social, n.º 5 – 6, Lisboa;QUARESMA, Maria Lurdes et all (2003), Os Sentidos das Idades da Vida – Interrogar a 121Solidão e a Dependência, CESDET Editores, Lisboa;RUIVO, Fernando (2000), Poder Local e Exclusão Social, Quarteto Editora, Coimbra. Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007Endereços electrónicos consultadoshttp:///www.cm-evora.ptwww.seg-social.ptwww.cmevora.ptwww.drea.pt 122 Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 ADENDA: 123 O PAPEL DAS AUTARQUIAS NO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMUNITÁRIO Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007 “Pensar globalmente, agir localmente. Pensar localmente, agir globalmente”Actualmente, vivemos numa época em que somos confrontados com um ritmo aceleradode transformações sociais que mudam, de modo quase imperceptível, os comportamentos,as mentalidades e as próprias necessidades dos agentes e das instituições. Assistimos àtransnacionalização do trabalho, do capital financeiro, da informação, de hábitos ecostumes de vida. A esta transformação deu-se o nome de Globalização, sendo que, esteprocesso caracteriza-se por uma tendência de mundialização dos mercados, dos negócios,gostos e hábitos de consumo, de novas formas de estar em áreas como a economia,cultura, política e a própria sociedade.Este fenómeno mundial provocou alterações nas três esferas sociais: local, nacional e otransnacional ou mundial, “ (…) alterando-se completamente as noções de tempo e deespaço” (Roque Amaro et all, 1992: 12) e estabelecendo novas lógicas entre o local e oglobal. Uma vez que, se por um lado se assiste a um incremento no “grau de integraçãofuncional entre as diversas actividades estabelecidas a nível mundial (Castells, Grupo deLisboa, Porter Cit In Santos, 2001:94), por outro verifica-se um aumento da importânciados factores territoriais, sendo o território considerado como um importante catalisador demúltiplas sinergias que influenciam a própria actividade económica” (Santos, 2001).Esta relevância da territorialização assenta num reconhecimento da existência deidentidades territoriais, que se constituem através de um sentimento de pertença que éenraizado e colectivizado, em que os actores locais comungam dos mesmos valores,costumes, processos históricos, características e problemas. Surgindo o local como umespaço de referência privilegiado de análise e intervenção social capaz de modificar osprocessos geradores de exclusão social (Fernandes e Carvalho, 2003).Como refere Santos (2002:13) devemos encarar o “território à categoria de sujeito activode desenvolvimento”, de modo a que se possa observar, identificar e potenciar asespecificidades dos factores que fazem parte das dinâmicas socio-económicas, culturais ehistóricas dos territórios. Desta forma, tem sido apontado por vários autores que asustentabilidade dos processos de desenvolvimento deve assentar em respostasadaptadas, localizadas, exigindo a percepção dos recursos e da criação de novosrecursos, mesmo onde eles não existem, ou seja apelam à inovação e criação. Exigindotambém, em termos de processo, discussão colectiva, tomada de decisões colectivas,partilha de responsabilidades, compatibilização de relações de poder conflituantes, ouseja, faz apelo a competências relacionais em contextos colectivos de trabalho (Campos,2005:56).Se analisarmos a dimensão territorial de Portugal, verificamos que apesar da pequenadimensão, é um país muito diversificado internamente, em planos como os de tipo edensidade de povoamento, das tradições e identidades culturais, do dinamismo económicoe demográfico, da composição social e dos modos de vida. Para João Almeida (1992:12)não só os tipos de pobreza são tributários dessa diversidade como os desequilíbriosregionais são eles próprios produtores de situações de exclusão e vulnerabilidade àmarginalização social. Neste sentido é imperativo conhecer o território, o local.Urge a necessidade de lógicas de desenvolvimento local, que exprimam segundo Amaro(2001:26) “o processo de satisfação de necessidades e de melhoria das condições de vida 124de uma comunidade local, a partir essencialmente das suas capacidades, assumindoaquela, o protagonismo principal nesse processo e segundo uma perspectiva integradados problemas e das respostas”. Ele surge sob múltiplas formas, representando o símbolo Páginade uma nova cultura económica que renuncia à separação entre o económico e o social.
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007A noção de desenvolvimento local foi proposta como “alternativa às perspectivasfuncionalistas do desenvolvimento territorial que acreditavam que investindo emdeterminadas zonas-motor, a dinâmica do desenvolvimento se alastraria, por si, paraoutras regiões do país o que, em Portugal, deu origem a fortes desequilíbrios territoriais.Passa pela valorização dos recursos endógenos e pela dinamização das populações e dosactores locais, no quadro de uma noção de desenvolvimento sustentável mais englobante,que articula o desenvolvimento social com o desenvolvimento económico e o ambiente. Éuma dinâmica essencialmente territorializada, mas que não é fechada em si, integrando osrecursos e as oportunidades que são oferecidos ao nível nacional e comunitário” (cf.Programa Rede Social, 2001: 41)Uma das dificuldades existentes no processo de desenvolvimento local consiste emorganizar e coordenar as transformações do “espaço urbano e social local”, devidosobretudo, tal como cita Mozzicafredo à relativa «desorganização» do seu processo (cit. inPassarinho, 1993).O Poder Local surge neste contexto, reformulado pelo Poder Central que lhe foitransferindo um leque alargado de competências, que delega para as autarquias locaiscompetências na área da formulação de estratégias e iniciativas políticas que, em largamedida, contribuem para o desenvolvimento de aspectos económicos, urbanísticas, sociaise culturais. E incumbe, também, estes organismos locais um papel de gestor/mediador naresolução de problemas de equilíbrio e de reorganização local. O desenvolvimento dopoder autárquico parece encontrar-se beneficiado, uma vez que, “quanto mais o Estado vêdiminuído o seu campo de actividade, mais as comunidades locais tenderão a assumir,nas próprias mãos, o seu destino, tendo em conta, nomeadamente, a responsabilizaçãoque as próprias populações tendem a depositar, quando bem legitimados, nos órgãos depoder autárquico, com os quais desenvolveram uma relação de proximidade” (Almeida:1992:133).Contudo, a abertura de uma possibilidade de uma tal responsabilização deve seracompanhada por uma série de reflexões problematizadoras, quer em relação a estatransferência de responsabilidades do Poder Central para o Poder Local, quer no queconcerne à relação entre Poder Local e à comunidade local. Quanto à primeira temáticanão será alvo de análise no presente trabalho, embora se reconheça a sua importância,mas deixaremos essa análise para uma outra altura, debruçando-nos no que é principalpara esta breve reflexão.Reconhecida a proximidade entre comunidade local e o Poder Local, esta relação não seencontra de forma alguma consolidada. Não raras vezes as expectativas e exigências, dacomunidade, face às autarquias superam as competências destas. É importante que hajaum efectivo conhecimento das competências dos organismos locais, para que acomunidade compreenda o papel destas, e se aproprie e utilize estes organismos que sãoseus representantes, na concretização dos seus direitos sociais. Arriscaria mesmo a dizerque tão importante que interpretar as suas competências é reconhecer as suas limitações,para que o Poder Local e Comunidade Local construam novas formas de estar,protagonizando-se assim um desenvolvimento local e social.Sendo primordial definir-se o conceito de Autarquias Locais, representantes do PoderLocal. Na Constituição da República Portuguesa (artigo 237, n.º 2) as “Autarquias Locaissão pessoas colectivas territoriais dotadas de órgãos representativos, que visam a 125prossecução de interesses próprios das populações respectivas”. Desta definição legalressalta o facto de que as autarquias locais – a freguesia, o município e a região (artigo238.º, n.º I da Constituição) – são, antes de mais nada, “pessoas colectivas, isto é Páginainstituições possuidoras de direitos e deveres próprios, assentes numa base territorial,determinada por limites específicos. A característica política resulta da existência de
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007órgãos representativos, eleitos por sufrágio directo, universal e secreto. O carácterfuncional da instituição sobressai no que respeita à definição dos fins ou interesses que asautarquias visam prosseguir, ou seja, os que são próprios das populações respectivas”.Em termos de maior desenvolvimento, são os seguintes os elementos que, em teoria,caracterizam a autonomia: “Atribuições próprias, isto é, capacidade jurídica para a prossecução de interessesespecíficos das populações; Independência funcional dos seus órgãos, dentro dos limites da lei; Garantia da própria existência, que se caracteriza do modo seguinte: os órgãos locaispodem ser dissolvidos pelo Governo, em determinadas circunstâncias, mas as autarquiasnão podem auto-dissolver-se; Protecção institucional, dada pelo poder central, relativamente a quaisquer limitações dasua capacidade legal; Capacidade para tomar decisões, sob responsabilidade dos seus órgãos; Personalidade jurídica; Poder de organização dos seus serviços, nos termos da lei, sem sujeição a ordens ouinstruções emanadas de outros organismos públicos; Independência política, isto é, capacidade para eleger os seus órgãos, através desufrágio universal, directo e secreto e garantia de aceitação pelo poder central daorientação política resultante desse sufrágio, mesmo que contrária à do Governo; Receitas e patrocínios próprios e poder de determinação do seu destino, através deorçamento; Capacidade regulamentar nos limites de Constituição e das leis” (cit. in Cadernos deApoio à Gestão Municipal).As autarquias locais possuem património e finanças próprias, bem como “autonomialegislativa (é um quadro geral que as posteriores revisões não alteraram). Saindo da leifundamental, há limitações importantes a estas autonomias, uma vez que muitas destasactividades do poder local são controladas, quer pelo governo (particularmente pelosministérios que se encarregam das finanças, do planeamento e da administração doterritório), quer pelo sistema judicial (como é o caso da necessidade de um visto préviopara muitas das iniciativas que envolvem concursos públicos, a conceder pelo Tribunal deContas) ” (Gonçalves: 2001)Como já foi referido a freguesia é uma forma de autarquia local, assim, quanto à suaintegração no contexto do poder local poder-se-á referir que é na ordem política e jurídica,que a freguesia se integra, não como entidade subalterna – ao contrário do algunserradamente supõe – ou como autarquia de importância secundária, mas como igual àsdemais instituições legais, o município e a região (Passarinho e Sousa, 1993). Com efeito,a Constituição e demais leis proclamam o princípio de estrita igualdade entre as autarquiasque integram o poder local. Quer no que toca ao grau de autonomia quer no que respeitaaos âmbitos dos poderes (atribuições) quer quanto à legitimidade ou à força democráticade criação dos seus órgãos representativos, a freguesia é sempre apresentada no mesmo 126plano de importância que qualquer um dos seus parceiros (Passarinho e Sousa, 1993).“As freguesias são também importantes pessoas colectivas de direito público que têm o Páginaseu papel no contexto da administração autárquica em Portugal e mais concretamente nopós 25 de Abril de 1974, funcionando como guarda avançada dos municípios junto das
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007populações”. Podem ser consideradas como organizações concretas e autónomas que sefundamentam em si mesmas pela sua maior capacidade na realização de determinadosinteresses das populações que representam (Gonçalves: 2001). É nas juntas de freguesiaque a questão da proximidade do Poder Local à comunidade se torna mais evidente, poisos presidentes são reconhecidos como membros da comunidade, a abordagem tem umcariz mais pessoal e informal, o diálogo acontece mais naturalmente (com todos osaspectos positivos e negativos presentes), e o processo de mediação e envolvimento na ecom se comunidade se dá com maior facilidade. São instâncias privilegiadas para análisee intervenção social, e com enormes potencialidades de captar as sinergias locais quer nacomunidade, quer institucionais.As autarquias locais devem ter “consciência da importância capital que assume comointermediador entre a sociedade e o Estado, ou seja recebendo e reconstruindo elementosda comunidade que o envolve, reenviando-os (sob a óptica da especificidade) ao podercentral “ (Menezes: 2001, 42). E devem ser capazes de reconhecer, quer elas mesmas,quer a própria comunidade, a sua natureza, pois, as autarquias nascem de um movimentodialéctico entre forças promotoras e forças centralizadoras, dado que “ a autarquia é aexpressão de uma vontade local por um lado, e a consequência da política deracionalização da estrutura administrativa do Estado Central, por outro, o que leva a queas mesmas possuam duas fontes de legitimação, uma que lhe vem de cima, do Estado e,outra que vem de baixo, da população (Menezes:2001,43).Face às novas exigências e às novas competências do Poder Local, as autarquias devemassumir um papel catalizador das forças sociais da comunidade, para que as mesmastenham uma participação activa na construção de um futuro melhor. É neste pressupostoque surge o Programa da Rede Social, este é resultado de afirmação de uma novageração de políticas sociais activas, baseada na responsabilização e mobilização doconjunto da sociedade e de cada indivíduo para o esforço da erradicação da pobreza e daexclusão social em Portugal. Trata-se, sobretudo, de um modelo de co-responsabilidade ede gestão participada, no combate à pobreza e à exclusão social, com base territorial.As autarquias na área social, apesar de em muitos casos desempenharem um papelcomplementar, em termos de intervenção directa, detêm um papel muito importante quantoà orientação/coordenação, criando as condições para que formas organizativas dasociedade civil possam interferir, eficaz e directamente, na luta contra as diversas formasde marginalização (Sampaio cit in Menezes, 2001:74).Há um papel relevante dos organismos do Poder Local sejam elas Câmaras Municipais ouJuntas de Freguesia, no que concerne ao desenvolvimento social e comunitário. De acordocom a Cimeira de Copenhaga a noção de desenvolvimento social apresenta-se como uma“componente do desenvolvimento sustentável, a par com a noção de desenvolvimentoeconómico e com a protecção ambiental. Trata-se de uma perspectiva sobre odesenvolvimento que dá particular ênfase às necessidades dos indivíduos, das famílias edas suas comunidades, assentando em três pressupostos básicos: o direito ao emprego, aerradicação da pobreza e a promoção da integração social (cf. Programa Rede Social:2001,42).O desenvolvimento comunitário visa libertar potencialidades existentes na comunidadeatravés da associação, realização de interesses comuns, do desenvolvimento decapacidades, confiança e recursos e do fortalecimento de relações (Payne:2002). E é 127entendido como uma “técnica social de promoção do homem e de mobilização de recursoshumanos e institucionais, mediante a participação activa e democrática da população” (citin Carmo, 1999:76). Página
  • Diagnóstico Social das Freguesias do Centro Histórico – Évora 2007É nesta perspectiva que se deve edificar a perspectiva, e toda e qualquer acção do PoderLocal. Um Poder Local assente nas lógicas do Desenvolvimento Social e Comunitário eprofundamente comprometido com a Cidadania. É este o papel das autarquias, que não seespera fácil, pois é acima de tudo um desafio. 128 Página