Planos aulas: competências,  habilidades e conhecimentos exigidos pelo novo Enem
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    Planos aulas: competências,  habilidades e conhecimentos exigidos pelo novo Enem Planos aulas: competências, habilidades e conhecimentos exigidos pelo novo Enem Document Transcript

    • PLANOS DE AULA 24 lExplicandooEnem24 lExplicandooEnem Agora é com você, professor Uma equipe de professores elaborou 12 planos de aula que podem ajudar você a incentivar seus alunos a desenvolver algumas competências, habilidades e conhecimentos exigidos pelo novo Enem N as páginas seguintes, você lerá projetos de aula pensados por uma equipe de professores que, assim como você, querem ajudar alunos do Ensino Médio a enfrentar o novo Enem. Durante dois dias, estudantes em todo o país farão provas com 180 questões, divididas em quatro áreas do conhecimento – Linguagens e Có- digos; Matemática; Ciências da Natu- reza; Ciências Humanas. Partindo da Matriz de Referência divulgada pelo MEC, foram elaborados três planos para cada área de conhecimento, e que contemplam as disciplinas cur- riculares de Língua Portuguesa, Ma- temática, Biologia, Física, Química, Geografia, História e Filosofia. Cada plano foi estruturado a partir de ha- bilidades, competências e objetos de conhecimento definidos pela matriz. Vale ressaltar que os modelos ela- borados são sugestões para auxiliá-lo em seu trabalho. Cabe a você adequar o conteúdo a suas aulas. Cada plano contém: a) descrição da(s) competência(s) e habilidade(s) exigida(s); b) descrição do(s) objeto(s) de co- nhecimento envolvido(s); c) desenvolvimento da aula, com su- gestões e orientações para a re- visão de conteúdos curriculares, além de textos e ilustrações; d) uma questão inédita, resolvida e comentada, com base na(s) com- petência(s) e habilidade(s) pro- posta(s); e) cinco questões selecionadas do modelo do antigo Enem e/ou ou- tras instituições, resolvidas e co- mentadas. O objetivo dos planos é ajudar os alunos a alcançar as competências e habilidades compreendidas nas áreas do conhecimento. No entanto, não deixe de ressaltar aos estudantes que é importante também saber o conteúdo das disciplinas que serão exigidas no novo exame. Durante as aulas, estimule o de- bate. Valorize o conhecimento obtido em todas as disciplinas. Essa é uma forma de valorizar também a inter- disciplinaridade. Explique ao aluno quanto é importante manter-se sem- pre bem informado. Sugira leituras, pesquisa sobre temas relevantes, esti- mule consultas bibliográficas e visitas a sites de pesquisa na internet (veja sugestões específicas para os planos na seção “Dicas”, página 71). Enfim, pense em uma aula diferente. Utilize ao máximo os recursos oferecidos pela escola, como o data show, apa- relhos de vídeo, filmes. É necessário treinar a nova fórmula também em exercícios e simulados. Boa sorte! AmiltonIshikawa
    • ExplicandooEnem l25 LINGUAGENS,códIGOSE SUASTEcNOLOGIAS LÍNGUA PORTUGUESA cOMPETÊNcIA 6ff Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferenteslinguagenscomomeiosdeorganização cognitiva da realidade pela constituição de signi- ficados,expressão,comunicaçãoeinformação. HABILIdAdEff 19. Analisar a função da linguagem predomi- nante nos textos em situações específicas de interlocução. OBJETOS dO cONHEcIMENTOff Uso de recursos linguísticos em relação ao con- texto em que o texto é constituído. OBJETO ESPEcÍFIcOff Elementos de referência pessoal, temporal, es- pacial.Tempos e modos verbais. PROcESSO dE cOMUNIcAÇÃO E FUNÇÕES dA LINGUAGEM DESENVOLVIMENTO Inicie a aula retomando os conceitos básicos do processo de comunicação por meio de ilustrações, textos, histórias em quadrinhos, anúncios publici- tários, capas de revista, notícias de jornal ou letras de música. Apresenteaosalunosacapado GUIA DO ESTUDAN- TE sobre o novo Enem e chame atenção para os ele- mentostextuaisegráficosqueacompõem:chamada dacapa,ilustraçãoeboxes,ressaltandoconteúdos. Pergunte-lhes qual é o emissor, qual é o receptor e qualamensagemprincipaldacapa.Emseguida,so- licite-lhesqueindiquemesseselementosdecomuni- cação.Recordequetodoequalqueratocomunicativo produzumamensagem.Enãoimportaqualsejaela, háumprocessoqueenvolve: • emissor ou remetente: aquele que envia a mensagem (no caso, a publicação). • receptoroudestinatário:aquelequerecebea mensagem (os leitores, estudantes). • mensagem: o conteúdo das informações trans- mitidas (por exemplo,“Veja o que muda na pro- va. E prepare-se melhor”.Trata-se da mensagem principal. • código: o conjunto de signos combinados nas mensagens verbais (a língua portuguesa). • canaldecomunicação:omeiofísicopeloqualé transmitidaamensagem(mídiaimpressa). • contexto ou referente: objeto, assunto, si- tuação ou lugar a que a mensagem se refere (os aspectos relacionados ao novo Enem). Ressalte que há muitas formas de estabelecer co- municação. Um gesto para fazer parar um ônibus ou um aceno para cumprimentar um amigo, por exemplo, são utilizados com objetivos indivi- duais. Já a televisão, o cinema, o rádio, o jornal e a revista são meios de comunicação que veiculam mensagens sobre as quais não temos participação direta; somos espectadores, ouvintes, leitores. Por isso, são denominados meios de comunicação de massa ou social. Aquilo que transmitem deve atingir o maior número de pessoas possível. REGISTRE NA LOUSA A comunicação ocorre quando enviamos, transmitimos ou recebemos mensagens por meio da linguagem verbal – oral ou escrita – ou da linguagem não verbal. Reforce a ideia de que estamos sempre enviando ou recebendomensagensverbaisenãoverbais.Recorde oquecaracterizacadaumadasfunçõesdelingua- gem (referencial, conativa, emotiva, fática, metalin- guística, poética) e evidencie que a escolha de uma delas depende das intenções do emissor: informar, aconselhar, alertar, persuadir, emocionar, expressar sentimentose/ouopiniões,etc. REGISTRE NA LOUSA Relação entre os elementos de comunicação e as funções da linguagem. Peça aos alunos que apontem a função de lingua- gempredominantenacapadoGUIADOESTUDAN- TE e explique por que ela é denominada conativa ou apelativa. REGISTRE NA LOUSA Função conativa ou apelativa: a mensagem está centrada no receptor. A intenção do emis- sor é influir no comportamento do emissor, por meio de apelo, ordem ou sugestão. É comum o uso de vocativos e de verbos no imperativo, conjugados em 2ª e 3ª pessoa. Pergunte que elementos procuram persuadir, sedu- zir o leitor e peça que identifiquem o modo verbal empregado (imperativo) e a função dos pronomes de 3ª pessoa. Retome os aspectos principais do modo impe- rativo e dos pronomes, explicando sua impor- tância na construção da mensagem e na estru- tura do ato comunicativo. O emissor consegue atingir seu objetivo de convencer o estudante da importância do GUIA para se preparar para o novo Enem? Solicite aos alunos que expliquem como o emissor busca envolver o receptor, le- vando-o a adotar determinado comportamento. Oriente-osparaquerelacionemalinguagemverbal à linguagem não verbal (visual). Pergunte qual é a relação da chamada de capa com a imagem da estudante no primeiro plano. Que relação pode ser estabelecida entre “Prepare-se melhor” e as fotos do segundo plano? Explique que a associação das imagens à diversidade cultural e às várias áreas do conhecimento valoriza a proposta do exame. Questione-os sobre até que ponto eles se identi- ficam com a representação de aluno construída pelo emissor da mensagem. Eles compartilham os mesmos valores? Qual é a relação entre emissor e receptor? Exemplifique a função poética da linguagem com o texto a seguir: Tudo que li me irrita quando ouço rita lee LEMINSKI, Paulo. MelhorespoemasdoPauloLeminski. São Paulo: Global Editora, 2001. Emissor Emotiva Receptor Conativa ou apelativa Contexto Referencial Código Metalinguística Mensagem Poética Canal Fática
    • PLANOS DE AULA 26 lExplicandooEnem Leve-os a observar como o autor explora a parte gráfica e sonora das palavras: li — irrita — rita — lee. Auxilie-os a reparar na disposição dos versos: todas as palavras estão em evidência e não há sinais de pontuação, o que reforça o estado de “irritação”do emissor. REGISTRE NA LOUSA Função poética: o objetivo do emissor é dar atenção à forma, à sonoridade, ao ritmo, ao grafismo do texto. Há um trabalho que envolve uma seleção especial de palavras, bem como uma forma peculiar, inusitada ou criativa de combiná-las. Leia o texto a seguir, para evidenciar a função re- ferencial: Tudo o que consumimos é embrulhado em pa- pel ou plástico: é lixo que não sabemos onde pôr. Quanto mais consumimos, mais lixo faze- mos.Mesmoondeoconsumoébaixo,comoem lugares pobres, afastados, de pouco comércio, um certo tipo de lixo vai chegando.Tampinhas, caixinhas, invólucro de bala. As havaianas vêm em saquinho de plástico. Em resumo, mesmo o consumo de baixo preço gera um lixo que fica aí, coalhando o mato, a mata, as beiras de rio, as praias. MAUTNER, AnnaVerônica. FolhadeS.Paulo. Folha Equilíbrio. 8 fev. 2001. REGISTRE NA LOUSA Função referencial ou denotativa: o propósi- to do emissor é transmitir dados da realidade de forma direta e objetiva, por isso, a mensa- gem está centrada no referente, isto é, na in- formação em si, no contexto. Prevalece o uso de palavras em sentido denotativo, impedindo qualquer outra interpretação. QUESTÃO✔ Convide os alunos a resolver a seguinte questão, elaborada a partir da competência 6 e habilidade 19. A atividade proposta leva em conta o novo formato do Enem. Resolva-a em conjunto com os alunos, orientando-os a analisar o enunciado, ler todas as alternativas e eliminar as respostas incorretas explicando por que são inadequadas. Valide a resposta correta sintetizando as compe- tências e habilidades envolvidas. Leia a seguinte afirmação: Não geram escravos, Que estimem a vida Sem guerra e lidar. — Ouvi-me, Guerreiros, — Ouvi meu cantar. Valente na guerra, Quem há, como eu sou? Quem vibra o tacape Com mais valentia? Quem golpes daria Fatais, como eu dou? — Guerreiros, ouvi-me; — Quem há, como eu sou? Gonçalves Dias Macunaíma (Epílogo) Acabou-se a história e morreu a vitória. Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na triboTapanhumas e os filhos dela se acaba- ramdeumemum.Nãohavia mais ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles campos, furos puxa- douros arrastadouros meios-barrancos, aqueles matosmisteriosos,tudoerasolidãododeserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio Urari- coera. Nenhum conhecido sobre a terra não sa- bia nem falar da tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber do Herói? Mário de Andrade Considerando-se a linguagem desses dois textos, verifica-se que: a) afunçãodalinguagemcentradanoreceptorestá ausente tanto no primeiro quanto no segundo texto. b) a linguagem utilizada no primeiro texto é co- loquial, enquanto, no segundo, predomina a linguagem formal. c) há, em cada um dos textos, a utilização de pelo menos uma palavra de origem indígena. d) a função da linguagem, no primeiro texto, cen- tra-se na forma de organização da linguagem e, no segundo, no relato de informações reais. e) a função da linguagem centrada na primeira pessoa, predominante no segundo texto, está ausente no primeiro. Resposta: C Chega-se à resposta correta dessa questão por eliminação das incorretas: a) no texto 1 está presente a função apelativa da linguagem (cen- trada no receptor); b) no texto 1 predomina a Em nossa civilização apressada, o “bom-dia”, o “boa-tarde” já não funcionam para engatar conversa. Qualquer assunto servindo, fala-se do tempo ou do futebol. O texto faz referência à função da linguagem cuja meta é“quebrar o gelo”. Assinale a alternativa que melhor explica essa função. a)Trata-se da função poética da linguagem, pois o textoenvolveumaseleçãoespecialdepalavrase uma forma criativa de combiná-las. b)Trata-se da função fática da linguagem, pois são citadas expressões que visam a estabelecer con- tato entre os falantes. c) Trata-se da função referencial, pois o objetivo do texto é informar o leitor sobre elementos utiliza- dos no processo comunicativo. d) Trata-se da função metalinguística, pois o texto apresentadefiniçõeseexplicaçõessobrealíngua portuguesa. e) Trata-se da função emotiva da linguagem, pois o texto está todo centrado nas emoções do emissor. Resposta: B Observe que o enunciado, além de explicitar que o tópico abordado éfunçõesdalinguagem, apresen- ta uma expressão sinônima de “engatar a conversa”: “quebrar o gelo”, característica essencial da função fática. Também está explícito que as expressões “bom-dia” e “boa-tarde” são elementos utilizados para “engatar uma conversa”, ou seja, estabelecer contato entre os falantes, embora não mais fun- cionem“emnossacivilizaçãoapressada”. REGISTRE NA LOUSA Função fática: o propósito do emissor é esta- belecer o contato, verificar se o receptor está recebendo a mensagem plenamente ou, ainda, prolongar o contato entre os falantes. Essas si- tuaçõesvisamatestarocontatocomoreceptor, por isso dizemos que ocorre um teste do canal de comunicação. PRATICANDO HABILIDADES✔ Competência 6, habilidades 18 e 19 (veja quadro na página 14). Q.1 (Enem 2008) Leia os textos: O canto do guerreiro Aqui na floresta Dos ventos batida, Façanhas de bravos
    • ExplicandooEnem l27 linguagem formal; d) nos textos 1 e 2, predomina a função poética, uma vez que ambos revelam preocupação com o arranjo estético das palavras; e) no texto 1, ocorre função emotiva, função não observada no texto 2. Q.2 (Enem 2003) Leia o texto: Eucomeçariadizendoquepoesiaéumaquestão delinguagem.Aimportânciadopoetaéqueele tornamaisvivaalinguagem.CarlosDrummond de Andrade escreveu um dos mais belos versos da língua portuguesa com duas palavras co- muns: cão e cheirando. Um cão cheirando o futuro (EntrevistacomMário Carvalho.FolhadeS.Paulo.24/05/1988.Adaptação.) O que deu ao verso de Drummond o caráter de ino- vador da língua foi: a) o modo raro como foi tratado o“futuro”. b) a referência ao cão como“animal de estimação”. c) a flexão pouco comum do verbo“cheirar”(ge- rúndio). d) a aproximação não usual do agente citado e a ação de“cheirar”. e) o emprego do artigo indefinido“um”e do artigo definido“o”na mesma frase. Resposta: A O que surpreende no verso de Carlos Drummond de Andrade não é a aproximação entre o agente (sujeito), “cão”, e a ação de “cheirar”, como afirma a alternativa D, mas sim o objeto inusitado de tal ação (“futuro”), como propõe a alternativa A. As outras alternativasnãoprocedememnenhumaspecto. Q.3 (PUC) Em todas as alternativas os versos de Manuel Bandeira são metalinguísticos, exceto: a) Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo Minha avó Meu avô Totônio Rodrigues Tomásia Rosa Onde estão todos eles? (Profundamente) b) Teu corpo claro e perfeito, Teu corpo de maravilha, Quero possuí-lo no leito Estreito da redondilha... (Poemeto erótico) c) Perdão, perdão, Colombina! Perdão, que me deu na telha Cantar em medida velha Teus encantos de menina... (Arlequinada) d) E nestes versos de angústia rouca Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca. (Desencanto) Resposta: A Nas demais alternativas estão presentes termos que remetem a elementos de construção do poema: re- dondilha,medidavelha,versos. (Enem 2007)Textos para as questões 4 e 5: Texto I Agora Fabiano conseguia arranjar as ideias. O que o segurava era a família.Vivia preso como um novilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente. Se não fosse isso, um soldado amarelo não lhe pisava o pé não. (...) Tinha aqueles cambões pendurados ao pescoço. Deveria continuar a arrastá-los? Sinha Vitória dormia mal na cama de varas. Os meninos eram uns brutos, como o pai. Quando cresces- sem, guardariam as reses de um patrão invisí- vel, seriam pisados, maltratados, machucados por um soldado amarelo. Ramos, Graciliano. VidasSecas. São Paulo: Martins, 23.ª ed., 1969, p. 75. Texto II Para Graciliano, o roceiro pobre é um outro, enigmático, impermeável. Não há solução fácil para uma tentativa de incorporação des- sa figura no campo da ficção. É lidando com o impasse, ao invés de fáceis soluções, que Graciliano vai criar Vidas secas, elaborando uma linguagem, uma estrutura romanesca, umaconstituiçãodenarradoremquenarrador e criaturas se tocam, mas não se identificam. Em grande medida, o debate acontece por- que, para a intelectualidade brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de aparecer idealizado em certos aspectos, ainda é visto como um ser humano de segunda categoria, simples demais, incapaz de ter pensamentos demasiadamente complexos. O que Vidas se- cas faz é, com pretenso não envolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta de uma riqueza humana de que essas pessoas seriam plenamente capazes. Bueno, Luís. Guimarães. Clarice e antes. In: Teresa. São Paulo: USP, n.° 2, 2001, p. 254. Q.4 A partir do trecho de Vidas secas (texto I) e das informações do texto II, relativas às concepções artísticas do romance social de 1930, avalie as se- guintes afirmativas: I. O pobre, antes tratado de forma exótica e folclórica pelo regionalismo pitoresco, trans- forma-se em protagonista privilegiado do romance social de 30. II. A incorporação do pobre e de outros margi- nalizados indica a tendência da ficção bra- sileira da década de 30 de tentar superar a grande distância entre o intelectual e as ca- madas populares. III. GracilianoRamoseosdemaisautoresdadéca- da de 30 conseguiram, com suas obras, modi- ficar a posição social do sertanejo na realidade nacional. É correto apenas o que se afirma em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. Resposta: D A afirmativa III apresenta uma informação erra- da ao admitir que as obras literárias que se cen- traram na figura do sertanejo, na década de 30, modificaram sua condição social, o que elimina as alternativas C e E. Já a afirmativa II reitera a ideia apresentada em I. Q.5 No texto II, verifica-se que o autor utiliza: a) linguagem predominantemente formal, pa- ra problematizar, na composição de Vidas se- cas, a relação entre o escritor e o personagem popular. b) linguageminovadora,vistoque,semabandonar a linguagem formal, dirige-se diretamente ao leitor. c) linguagem coloquial, para narrar coerentemente uma história que apresenta o roceiro pobre de forma pitoresca. d) linguagem formal com recursos retóricos próprios do texto literário em prosa, para analisar determinado momento da literatura brasileira. Resposta: A OtextoIIéumensaioemqueoautortemaintenção de ressaltar aspectos da obra Vida Secas, predomi- nando,portanto,alinguagemformal.
    • PLANOS DE AULA 28 lExplicandooEnem LINGUAGENS,códIGOSE SUASTEcNOLOGIAS LÍNGUA PORTUGUESA cOMPETÊNcIA 8ff Compreender e usar a língua portuguesa como línguamaterna,geradoradesignificaçãoeinte- gradora da organização do mundo e da própria identidade. HABILIdAdESff 25. Identificar, em textos de diferentes gêne- ros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. 26. Relacionar as variedades linguísticas a si- tuações específicas de uso social. 27. Reconhecer os usos da norma-padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação. OBJETOS dO cONHEcIMENTOff Usos da língua: norma culta e variação lin- guística. OBJETO ESPEcÍFIcOff Registro linguístico, grau de formalidade e se- leção lexical. VARIEdAdES LINGUÍSTIcAS DESENVOLVIMENTO Destaque que, diariamente, temos contato com textos de diferentes gêneros: letras de música, car- tazes, outdoors, convites, e-mails, anúncios publi- citários, histórias em quadrinhos, contos, crônicas, embalagens, notícias de jornal e revistas, receitas culinárias e até bulas de remédio. Selecione exem- plos para demonstrar registros de linguagem e sua importância na produção de mensagens. REGISTRE NA LOUSA A capacidade humana de se manifestar ou de manifestar algo a outros é realizada pela lin- guagem, um complexo conjunto de sinais que não só permite a comunicação entre os indiví- duos, mas também expressa toda a cultura de um povo. Exemplos: CARTÃO-POSTAL Patrícia e Renato, Finalmente consegui achar um tem- pinho para escrever. Conheci um pessoal ótimo que está me levando pra cima e pra baixo. Já fui a vários pontos turísticos, mas ainda tem muita coisa pra ver. Queria tanto que vocês estivessem aqui, comemorando comigo os meus 40 aninhos! Beijocas, Bia Patrícia B. Ramos Rua da Praia, 200 CEP: 0 0 1 0 - 0 0 0 1 Santos, SP De: zezitop@comunidade.com.br Data: segunda-feira, 13 de julho, 2009 18:30 Para: tiagoj@comunidade.com.br Assunto: Re Desencana Ti, tb axo q v6 naum deve viaja pq tá xato. miax pq tantu problema com ixu! eu ixcreve axim! zezito ----- Original Message ----- De: tiagoj@comunidade.com.br Para: zezito@ Data: segunda-feira, 13 de julho, 2009 18:01 Assunto: Desencana Zezito, As meninas estão morando numa cidade pequena. Fica um pouco longe daqui. Tem q pegar busão, trem e metro. De- sencanei de lá. E voce? Responde logo, mas tecla direito, ñ en- tendi nada da última vz. Abs Ti E-MAIL CARTA 25 de novembro de 1977 Minha querida Clarice, Queriaapenasdizer-lhequeoseulivroAHorada Estrela é muito belo e que você é muito amada. Segui seu conselho, comprei roupas claras (de preferência,o branco, você disse) ecortei o cabe- lo. Acho que recomeço a viver, vamos recomeçar Peça aos alunos que escolham um dos exemplos e indiquem o remetente, o destinatário, o as- sunto, os recursos verbais e visuais e o meio pelo qual foi transmitida a mensagem. Leve-osaobservarqueostextosforaminiciadoscom vocativoseguidodevírgula(“PatríciaeRenato”,“Ti”, “Minha querida Clarice”e“Zezito”) e finalizados com palavras de despedida (“Beijocas”,“Abs”ou o nome do remetente). Já o nível de informalidade variou conformeasituaçãoeosinterlocutores. Ressalteque,emtodososexemplos,hápredomínio dalinguageminformal,marcadaporcoloquia- lismos (pra, em vez depara), gírias (busão); estru- turas soltas ou palavras incompletas (pq em vez de porque; vz em vez de vez); e descuido com a grafia (voce em vez de você; metro em vez de metrô). Observe que o e-mail se aproxima do bilhete ou do telegrama. As frases são curtas e podem ser completadas com o chamado emoticon – uma se- quência de caracteres tipográficos ou uma imagem que transmite um estado emotivo. Por exemplo: (estou alegre), (estou triste). Pergunte aos alunos se utilizam com frequência o ”internetês”: a grafia caracterizada pela escrita abreviada com regras próprias (”tb axo q vc naum deveviajapqtáxato). TIRA HUMORÍSTICA OU QUADRINHOS NíquelNáusea–FernandoGonsales.FolhadeS.Paulo.14/fev./2007. juntas?SeeuforaípassaroNatalcommeuirmão, querotelevarumpente(comoaquelequetedei, outrascores)etedarumbeijo. Lygia[FagundesTelles].CorrespondênciasdeClariceLispector. OrganizaçãodeTeresaCristinaMonteiro.RiodeJaneiro:Rocco,2002.
    • ExplicandooEnem l29 Relembrequeoprincipalobjetivodastirashumo- rísticas é divertir, mas que também podem revelar característicasdocomportamentohumanooufazer críticas sociais. Lembre os estudantes de que a linguagem verbal estárelacionadaàidentidadedofalanteeàcircuns- tância em que ocorre o ato da fala, portanto varia segundo idade, grau de instrução, profissão e situ- ação. Essas modalidades são chamadas de varian- tes linguísticas. REGISTRE NA LOUSA Variantes linguísticas gíria jargão regionalismo neologismo estrangeirismo Ressalte que médicos, advogados, economistas e professores, por exemplo, utilizam termos e cons- truções linguísticas específicos de suas atividades, mas dificilmente usam esse mesmo vocabulário com seus familiares e amigos. Nesse caso, chama- mosessavariantedejargão.Porexemplo,“piolho”, para jornalistas, é um erro que escapou da revisão; “boneco”,parapublicitários,éaapresentaçãodeum projeto gráfico. Enfatize que a língua é dinâmica e está em cons- tante transformação. Determinadas palavras caem em desuso; outras são criadas ou“emprestadas”de outras línguas para suprir necessidades; e algumas mudam de sentido de acordo com o uso. Explique que gírias são palavras ou expressões criadas por determinado grupo social ou geração para marcar uma identidade. Apresente algumas e solicite aos alunos que indiquem outros exemplos e o contexto em que são utilizados. GÍRIAS QUE MARCARAM: OS ANOS 1960 Dar tábua (recusar-se a dançar), fossa (de- pressão, crise existencial), pão (homem boni- to), pra frente (moderno). OS ANOS 1970 Barra (situação difícil), bicho (amigo), bicho- grilo (hippie, pessoa malvestida), joia (tudo bem). OS ANOS 1980 Bode(mauhumor),deprê(depressão),masô (masoquista), massa (bom, ótimo, legal). OS ANOS 1990 Animal (pessoa de expressão), azaração (namoro, flerte), é o bicho (coisa que esteja acontecendo), sarado (saudável). Expliquequeregionalismossãotermosouexpres- sões típicos de determinadas regiões. As variantes regionais brasileiras se diferenciam, principalmen- te,pelapronúnciadosfonemas,pelaentonaçãodas frasesepelovocabulário.Soliciteexemplos.Informe que, em Porto Alegre, o motorista para no“sinalei- ro”. Já em São Paulo, no“farol”. No Norte e Nordeste, come-se “macaxeira”, enquanto no Rio de Janeiro, “aipim”, e em São Paulo,“mandioca”. Reforce que neologismo é uma palavra criada para suprir uma necessidade do falante. Em infor- mática existem várias ocorrências: deletar (apagar), printar (imprimir), escanear (copiar). Chame atenção para os estrangeirismos e expli- que que muitas palavras tomadas emprestadas de outras línguas já foram aportuguesadas, como bife (beef), xampu (shampoo) e abajur (abat-jour). Ou- tras, como shopping, outdoor e office boy, mantêm a grafia original. Destaquequetodasasvarianteslinguísticassão legítimas, desde que cumpram com sua finalidade: a comunicação e/ou interação entre as pessoas. Ressaltequeoconvíviosocialpermitedescontração e informalidade ao falar e escrever. Apresente aos alunos este exemplo da linguagem coloquial: —Vocês vão ao cinema? — Ela não lhe disse? Nós vamos acampar. — Acampar? Só vocês dois? — É. Qual é o galho? — Não. É que… Sei lá. — Já sei o que você tá pensando, cara. Saquei. — É!Você sabe como é… —Saquei.Vocêestápensandoquesónósdois, no meio do mato, pode pintar um lance. — No mínimo isso. Um lance, até dois. VERISSIMO, Luis Fernando. OanalistadeBagé. Porto Alegre: L&PM. 1981. Observe que foram utilizadas expressões e cons- truções linguísticas coloquiais que em nada com- prometem a comunicação. Entretanto, na apre- sentação de um relatório, por exemplo, elas não seriam adequadas. Reforce que, em determinadas circunstâncias, é preciso atentar e obedecer às re- gras gramaticais e usar uma linguagem mais for- mal, a linguagem culta ou a norma-padrão. É preciso adequar o nível de linguagem à situação, ao contexto, ao interlocutor e à intenção. REGISTRE NA LOUSA A linguagem culta é a variante linguística que se caracteriza pelo emprego da linguagem re- ferenciada em um conjunto de regras estabele- cidas pela gramática normativa. Explique aos alunos que, entre as características distintivasmaisfrequentementeapontadasentreas modalidades falada e escrita, estão as seguintes: Fala Escrita Não planejada Planejada Fragmentária Não fragmentária Incompleta Completa Pouco elaborada Elaborada Predominância de frasescurtas,simples ou coordenadas Predominância de frases complexas, com subordinação abundante Pouco uso de passivas Emprego frequente de passivas, etc. QUESTÃO✔✔ Convide os alunos a resolver a seguinte questão, elaborada a partir da competência 8 e habilida- de 27. A atividade proposta leva em conta o novo formato do Enem. Resolva-a em conjunto com os alunos, orientando-os a analisar o enunciado, ler todas as alternativas e eliminar as respostas incor- retas explicando por que são inadequadas. Valide a resposta correta sintetizando as competências e habilidades envolvidas. Observeotextoabaixo.Trata-sedarespostadeuma jovem ao repórter que lhe fez a pergunta: “Para você, o que é ser feliz?”. Sei lá o que te dizer sobre esse negócio de ser feliz,masachoque,pratodomundoencontrara felicidade, a gente tem que dizer um“não”bem grande pras coisas ruins que acontecem pra gente na vida. Que alternativa propõe a transposição dessa frase para uma forma adequada à língua escrita e culta? a) Não sei bem o que dizer sobre isso que você está perguntando,“o que é ser feliz?”, mas acho que, talvez, precisamos, todo mundo, negar for-
    • PLANOS DE AULA 30 lExplicandooEnem temente as coisas ruins que nos acontece, para assim, alcançar a felicidade. b) É difícil de dizer o que seja ser feliz, mas a gente temdetentarencontrarafelicidade,dizendoum “não”, com bastante energia, a tudo que aconte- ce de ruim na vida, não só para mim, mas para todo mundo igual. c) Não sei exatamente o que dizer a respeito de “oqueéserfeliz”,masacreditoquesejanecessá- rio negar energicamente todos os aspectos ruins da vida para alcançar a felicidade. d) Tenho dificuldade em falar disso que você per- guntou, mas acredito que ser feliz implica dizer “não”,commuitaforça,àscoisasruinsqueapon- tavam para nós, para que alcances, e todo mun- do também, a felicidade. e) Isso de“ser feliz”é complexo, e por isso não sei muito bem o que falar, mas imagino que, para todo mundo mesmo encontrar a felicidade, precisam de negar veementemente os aconteci- mentos negativos da vida. Resposta: C Observe que, à exceção de C, todas as alternativas apresentamindíciosdeoralidade,comomudançada 1ºpessoadosingularparaa1ªdoplural(”nãosei..., masachoqueprecisamos”) PRATICANDO HABILIDADES✔ Competência 8, Habilidades 25, 26 e 27 (veja quadro na página 14). (Fuvest-SP 2007) Texto para as questões 1, 2 e 3. Sou feliz pelos amigos que tenho. Um deles muito sofre pelo meu descuido com o verná- culo. Por alguns anos ele, sistematicamente, me enviava missivas eruditas com precisas informações sobre as regras da gramática, que eu não respeitava, e sobre a grafia correta dos vocábulos, que eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que fiz de uma palavra no último “Quarto de Badulaques”. Acontece que eu, acostumado a conversar com a gente das Mi- nas Gerais, falei em “varreção” — do verbo “varrer”. De fato, tratava-se de um equívoco que, num vestibular, poderia me valer uma reprovação. Pois o meu amigo, paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário (...). O certo é “varrição”, e não “varreção”. Mas estou com medo de que os mineiros da roça façam troça de mim, porque nunca os ouvi falar de “varrição”. E, se eles rirem de mim, não vai justas.Notexto,apalavraéassociadaaumdefensorda variante culta da língua portuguesa que acredita dever defendê-lados“erros”cometidospeloautor. Q.3 “Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, masreclamasemprequeopratoestárachado.”Con- siderada no contexto, essa frase indica, em sentido figurado, que, para o autor: a) a forma e o conteúdo são indissociáveis em qualquer mensagem. b) a forma é um acessório do conteúdo, que é o essencial. c) o conteúdo prescinde de qualquer forma para se apresentar. d) aformaperfeitaécondiçãoindispensável para o sentido exato do conteúdo. e) o conteúdo é impreciso, se a forma apresenta alguma imperfeição. Resposta: B Rubem Alves emprega as metáforas “sopa” e “prato”, respectivamente, para fazer referência ao conteúdo e à forma daquilo que escreve ou diz. No contexto, menciona o fato de o “amigo oculto” ler o que ele escreve(conteúdo)e,semcomentarseotextoé“bo- nito ou feio”, fixar-se na questão gramatical (forma): semprelheindicaqueo“pratoestárachado”eapon- tao“descuidocomovernáculo”. Q.4 (Fuvest-SP 2005) Sim, que, à parte o sentido prisco, valia o ileso gume do vocábulo pouco visto e menos ainda ouvido, raramente usado, melhor fora se jamais usado. Porque, diante de um gravatá, selva mol- dadaemjarrojônico,dizer-seapenasdrimirimou amormeuzinho é justo; e, ao descobrir, no meio da mata, um angelim que atira para cima cin- quentametrosdetroncoefronde,quemnãoterá ímpeto de criar um vocativo absurdo e bradá-lo —ócolossalidade!—nadireçãodaaltura? João Guimarães Rosa,“São Marcos”, in Sagarana. prisco=antigo,relativoatemposremotos. gravatá=plantadafamíliadasbromeliáceas. Neste excerto, o narrador do conto “São Marcos” expõe alguns traços de estilo que correspondem a características mais gerais dos textos do próprio autor, Guimarães Rosa. Entre tais características só NÃO se encontra: a) o gosto pela palavra rara. b) o emprego de neologismos. c) aconjugaçãodereferênciaseruditasepopulares. me adiantar mostrar-lhes o xerox da página do dicionário (...). Porque, para eles, não é o dicionário que faz a língua. É o povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala“varre- ção”, quando não “barreção”. O que me deixa triste sobre esse amigo oculto é que nunca tenha dito nada sobre o que eu escrevo, se é bonito ou se é feio. Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, mas reclama sempre que o prato está rachado. Rubem Alves. http://rubemalves.uol.com.br/quartodebadulaques. Q.1 Ao manifestar-se quanto ao que seja“correto” ou“incorreto”no uso da língua portuguesa, o autor revela sua preocupação em: a) atender ao padrão culto, em“fi-lo”, e ao registro informal, em“varrição”. b) corrigir formas condenáveis, como no caso de “barreção”, em vez de“varreção”. c) valer-se o tempo todo de um registro infor- mal, de que é exemplo a expressão “missivas eruditas”. d) ponderar sobre a validade de diferentes usos da língua, em diferentes contextos. e) negar que costume cometer deslizes quanto à grafia dos vocábulos. Resposta: D Percebe-se a atenção aos diversos usos da língua em contextos diferentes quando o autor argumenta que os “mineiros da roça” fariam “troça” se ele deixasse deusaraformapopular“varreção”paraadotar“var- rição”. No trecho “Fi-lo sofrer”, Rubem Alves observa com rigor as normas da língua culta escrita, pois seu interlocutor é outro, um amigo identificado como “paladinodalínguaportuguesa”. Q.2 O amigo é chamado de “paladino da língua portuguesa”porque: a) costuma escrever cartas em que aponta incorre- ções gramaticais do autor. b) sofre com os constantes descuidos dos leitores de“Quarto de Badulaques” c) julga igualmente válidas todas as variedades da língua portuguesa. d) comenta criteriosamente os conteúdos dos tex- tos que o autor publica. e) étolerantecomosequívocosquepoderiamcau- sar reprovação no vestibular. Resposta: A O termo “paladino” remete ao indivíduo destemido, que sempreestáprontoadefenderosoprimidoseascausas
    • ExplicandooEnem l31 d) a liberdade na exploração das potencialidades da língua portuguesa. e) a busca da concisão e da previsibilidade da lin- guagem. Resposta: E Com exceção da E, as alternativas resumem premissas do texto, que enumera princípios técnicos e temas a ser adotados por um artista, e deve ser entendido como uma poética. A passagem é autorreferencial, ou metalinguística, e propõe que a literatura se baseie: a) em vocábulos de baixa frequência (“pouco visto e menos ainda ouvido, raramente usado”); b) na in- venção de neologismos (“drimirim”, “amormeuzinho”, “colossalidade”);c)nafusãodoeruditocomopopular (referência a plantas por seu nome corrente: “gravatá”, “angelim”); d)nousoexpressivodalíngua(exploração da dimensão conotativa das palavras, como em “atira paracimacinquentametrosdetroncoefronde”). Q.5 (Uepa) O texto abaixo está escrito em lingua- gem de uma época passada. Antigamente Acontecia o indivíduo apanhar constipação; fi- cando perrengue, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à botica para aviar a receita, decápsulasoupílulasfedorentas.Doençanefas- ta era a phtísica, feia era o gálico. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, lombrigas (...) Carlos Drummond de Andrade. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar. Observe outra versão, em linguagem atual. Antigamente Aconteciaoindivíduoapanharumresfriado;fican- domal,mandavaoprópriochamarodoutore,de- pois, ir à farmácia para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a tuber- culose, feia era a sífilis. Antigamente, os sobrados tinhamassombrações,osmeninos,vermes(...). Comparando-se esses dois textos, verifica-se que, na segunda versão, houve mudanças relativas a: a) vocabulário. b) construções sintáticas. c) pontuação. d) fonética. e) regência verbal. Resposta: A Fica evidente que houve mudanças apenas no voca- bulário, pois foram utilizados os mesmos verbos e as mesmasconstruçõessintáticas. Linguagens,códigose suastecnologias LÍNGUA PORTUGUESA COMPETÊNCIA 7ff Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações es- pecíficas. HABILIDADESff 23. Inferir em um texto quais são os objetivos deseuprodutorequeméseupúblico-alvo,pela análise dos procedimentos argumentativos uti- lizados. 24. Reconhecer no texto estratégias argumen- tativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, co- moção, chantagem, entre outras. OBJETOS DO CONHECIMENTOff O texto argumentativo, seus gêneros e recursos linguísticos. OBJETO ESPECÍFICOff Uso dos recursos linguísticos em processo de coesão textual: elementos de articulação das sequências dos textos ou da construção da mi- croestrutura do texto. ESTRUTURA DO TEXTO ARGUMENTATIVO DESENVOLVIMENTO Inicie a aula relembrando aos alunos que todos os textos escritos possuem características formais que permitem a sua identificação. Reconhecemos com certa facilidade um poema, por exemplo, pela dis- posição gráfica; uma carta, por meio de indicadores como remetente e destinatário. Poema, carta, con- to, romance, ensaio, artigo de jornal são gêneros textuais. Apresente-lhes o texto a seguir: Direito humano à alimentação Nossa história nos mostra que têm sido raras as situações em que sociedades humanas conseguiram garantir uma alimentação de qualidade para todos os seus membros. Ne- nhum dos paradigmas de desenvolvimento adotados nos últimos séculos possibilitou a superação da fome, da desnutrição e de outras doenças carenciais relacionadas à alimenta- ção, de forma sustentável. Cerca de um quinto da humanidade ainda padece destes flagelos. Esta situação reflete a exploração, a negação do direito à partilha da riqueza produzida e mesmo a exclusão social e econômica de par- celas significativas da humanidade. Adicionalmente, as novas práticas agropecuá- rias, baseadas em forte utilização de insumos químicos, associadas à mudança de hábitos alimentares urbanos, têm produzido agravos à saúde humana, consubstanciados no aumento da incidência de doenças crônico-degenerativas (obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer,entreoutras)associadasaumaalimenta- ção inadequada, que setransformaram na déca- dade1990nasprincipaiscausasdemortalidade. Odistanciamento,afaltadeinformaçãoeaperda de controle dos seres humanos sobre o processo deprodução,seleção,preparoeconsumodosali- mentosépartecentraldesteprocesso. A sociedade brasileira convive atualmente com a existência das doenças associadas à pobreza e à exclusão, tais como a fome e a desnutrição, e aquelasassociadasahábitosalimentaresinade- quados que afetam mais gravemente as popu- lações pobres, mas que também atingem dura- mente todas as outras parcelas da sociedade. Valente, Flávio L. S. Direitohumanoàalimentação: desafioseconquistas.São Paulo: Cortez, 2002. Apósaleitura,ressaltequeosprocessosdecomposi- çãodeumtextopodemseragrupadosemtrêsmoda- lidades:narração,descriçãoedissertação. REGISTRE NA LOUSA Modalidade Vozdotexto Objetivos Componentes Narração Narrador Contar, relatar Fatos, acontecimentos, ações Descrição Observador Detalhar, identificar Seres, objetos, ambientes Dissertação Argumentador Discutir, expor Ideias, opiniões, argumentos Evidencie que o objetivo de um texto é transmitir uma mensagem. Portanto, o modo como ele é or- ganizado é determinado pela intenção e pelo obje- tivo de quem o produz. Ressalte que quem escreve precisa selecionar a forma mais adequada para apresentar suas ideias, organizando-as de modo a facilitar a compreensão de seu público-alvo.
    • PLANOS DE AULA 32 lExplicandooEnem do-se como os caranguejos para poderem sobreviver. Parados como os caranguejos na beira da água ou caminhando para trás como caminham os caranguejos. É por isso que os habitantes dos mangues, depois de terem um dia saltando dentro da vida, nessa lama pegajosa dos mangues, dificilmente conse- guiam sair do ciclo do caranguejo, a não ser saltando para a morte e, assim, afundando- se para sempre dentro da lama. CASTRO, Josué de. Fome:umtemaproibido. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1997. ESTRUTURA Parágrafo de abertura Destaque a importância da estrutura do parágrafo de introdução, que determina os procedimentos ar- gumentativos a ser utilizados no decorrer do texto. Apresente parágrafos de abertura sobre o mesmo tema para que os alunos reconheçam diferentes recursos utilizados para a elaboração da introdução. Tome como exemplo o tema“os pichadores”. •Traçarumparaleloentreopassadoeopre- sente Oscandidatosapoetaeosmilitantesqueagiam nas décadas passadas tinham algo a dizer para a cidade, pretendiam comunicar-se, falar com ela – seja com uma ideia, uma piada, uma iro- nia. Os garotos de hoje são habitantes de uma cidade que mudou, onde o espaço público ficou menor e a comunicação se degradou — a tal ponto que eles saem de casa para escrever em muros sobre si mesmos, e pouco lhes importa saberqueamaioriadaspessoasnãofazideiado que estão falando. • Iniciar com citação “Os pichadores fazem parte de uma fração da juventude que quer, sim, participar dos códi- Diga aos alunos que o texto lido anteriormente é dissertativo, relembrando que uma das característi- cas de um texto escrito em prosa é a organização linearesuadivisãoemparágrafos–enunciados compostos de frases, orações e períodos. Soliciteaosalunosqueexplicitemaideia-núcleodo primeiro parágrafo do texto – o tópico frasal: Nossa história nos mostra que têm sido raras as situações em que sociedades humanas conse- guiram garantir uma alimentação de qualidade a todos os seus membros. Faça-os perceber que o tópico frasal é seguido de outro período que demonstra ou explica a validade da afirmação inicial: Nenhum dos paradigmas de desenvolvimento adotados nos últimos séculos possibilitou a superação da fome, da desnutrição e de outras doenças carenciais relacionadas à alimentação, de forma sustentável. Cerca de um quinto da humanidade ainda padece desses flagelos. Reforce a importância do tópico frasal, pois ele não sóintroduzoassuntocomoorientaaconstruçãodos períodos subsequentes e ajuda a formar um racio- cínio completo. Peça aos alunos que indiquem o número de pa- rágrafos do texto e delimitem suas partes: intro- dução (1º parágrafo), desenvolvimento (2º parágrafo) e conclusão (3º parágrafo). Lembre- lhes de que todo parágrafo apresenta em seu conteúdo períodos que introduzem, desenvolvem econcluemoraciocínio(1º;2ºe3º;e4ºperíodos, respectivamente). REGISTRE NA LOUSA Estrutura-padrão do texto dissertativo Introdução Parágrafo de abertura do texto dissertativo. Apresentaaideiaprincipalesugereosaspectos a ser desenvolvidos. Desenvolvimento Parágrafo(s) em que o autor revela sua capa- cidade de influenciar, persuadir ou conven- cer o leitor. Trazargumentos,provaseraciocíniosutilizados para fundamentar e sustentar a ideia exposta na introdução. Conclusão Parágrafo final do texto dissertativo. Retoma, de modo sucinto, as ideias anterior- mente desenvolvidas ou apresenta nova ideia para o problema proposto, como forma de ins- tigar o leitor. Questione quais procedimentos argumentativos fo- ram adotados no desenvolvimento do texto em análise.Oargumentador,porexemplo,fundamenta as ideias apresentadas na introdução? Peça aos alunos que relacionem a conclusão (“ape- sar dos modelos econômicos adotados nos últimos tempos, as sociedades humanas não têm conse- guido resolver o problema da desnutrição”) com a introdução. Comente a linguagem empregada: formal e com recursos linguísticos da norma culta. REGISTRE NA LOUSA A produção de texto dissertativo requer o uso da norma culta da língua portuguesa. DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA Explique que o texto apresentado não faz apenas umaexposiçãodeideias.Eledeixaevidenteainten- ção do autor de convencer o leitor.Trata-se de uma dissertação argumentativa, pois, por meio de exposição, interpretação e discussão de ideias ob- jetivas, o leitor é levado a compartilhar o ponto de vista do argumentador. Reforceaideiadequeobjetividadeéumacaracte- rísticadotextodissertativoargumentativo. REGISTRE NA LOUSA O texto dissertativo argumentativo deve ser, de preferência, redigido em 3ª pessoa do singular ou em 1ª pessoa do plural, mesmo quando se trata de expor a própria opinião. DISSERTAÇÃO SUBJETIVA Retome o conceito de dissertação subjetiva, em que predominam as impressões pessoais a respeito de determinado fato. Não há compromisso em for- mar a opinião do leitor, mas sim partilhar inquieta- ções e descobertas de ordem subjetiva. Demonstre com o trecho a seguir: Cedo me dei conta desse estranho mimetis- mo: os homens se assemelhando em tudo aos caranguejos. Arrastando-se, acachapan- JanduariSimões/FolhaImagem
    • ExplicandooEnem l33 gos comunicativos das metrópoles a que per- tencem”, explica o professor José Carlos Sebe Meihy, titular do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Huma- nasdaUSP.Entretanto,elescultivamumsistema próprio, fechado, chamado de“letrismo”. • Lançar uma ou mais interrogações Osbandosdeadolescentesquesededicamaen- fearopatrimônioalheiopodemsercombatidos? • Progredir do geral para o particular Pelas múltiplas — e sempre deploráveis — formas que assume, a delinquência que se espraia cada vez mais pela sociedade brasileira não cessa de chocar. No último domingo, foi a vez de a pichação do Palácio do Governo causar profundo espanto e indignação. Parágrafo argumentativo Reforce que, na dissertação, pode-se expor ou expli- carumaideiasemnecessariamentetentarinfluenciar ou formar a opinião do leitor. Porém, se a intenção é convencersobredeterminadopontodevista,deve-se produzirumadissertaçãoargumentativa. Explique que a argumentação não pode ser vista apenascomopartedotextodissertativo,mascomo sua forma de composição. Evidencie que o texto argumentativo deve apresen- tar, além de sólidos argumentos, consistência de raciocínio e comprovações, como dados estatísticos e testemunhos, enumeração de fatos e outros ele- mentos de credibilidade. Retome o 2º parágrafo do texto“Direito humano à alimentação” para exemplificar os procedimentos argumentativos utilizados: apontamento de causas e consequências, associação de ideias e enumera- ção de elementos que comprovam que o problema da desnutrição ainda não foi superado. Relembre que um texto apresenta coesão quando há conexão e harmonia entre as partes que o com- põem. Constituem elementos de coesão as expres- sões que estabelecem a transição de ideias entre frases e parágrafos, como pronomes, advérbios e conjunções. Peça aos alunos que identifiquem esses elemen- tos no texto (adicionalmente, tais como, mas também). REGISTRE NA LOUSA Exemplos de elementos de coesão Causa/consequência como resultado, em virtude de, de fato, assim, portanto, por causa de Comparação/ semelhança igualmente, da mesma forma, assim também, do mesmo modo, similar- mente, de maneira idêntica, do mesmo ponto de vista Acréscimo/ continuação/ enumeração além disso, outrossim, ainda mais, por outro lado, não só... mas também Contraste/restrição/ ressalva ao contrário, em contraste com, ainda que, embora, no entanto, apesar de Parágrafo de conclusão Reforceoconceitodequeoparágrafodeconclusãoé umaespéciedesíntese,jáqueretomaoobjetivopro- posto na introdução e as informações analisadas no desenvolvimento.Eledeve“amarrar”asideiasefechar otextodeformaareforçaroenfoqueadotado. Releia o 3º parágrafo do texto “Direito humano à alimentação” e demonstre como o argumentador sintetizou suas ideias. QUESTÃO✔✔ Convide os alunos a resolver a seguinte questão, elaborada a partir da competência de área 7 e das habilidades 23 e 24. A atividade proposta leva em conta o novo formato do Enem. Resolva-a em conjunto com os alunos, orientando-os a analisar o enunciado, ler todas as alternativas e eliminar as respostas incorretas explicando por que são inade- quadas. Valide a resposta correta sintetizando as competências e habilidades envolvidas. As ideias propostas nos itens abaixo não estão em ordemlógica.Procureorganizá-las,demodoquese possa estruturar uma sequência coerente de intro- dução, argumentação e conclusão. O homem: mediador da ciência e da tec- nologia? I. Sendo diversas as possibilidades de aplicação do conhecimento científico e das invenções tecnoló- gicas, a utilização, atual e futura, da ciência e da técnicadependedeumadecisãodohomem. II. Em síntese: o futuro da ciência e da tecnologia se decidirá fora da própria ciência e tecnologia, ou seja, no âmbito da vontade humana. III. Seja qual for a utilização da ciência e/ou tec- nologia, o homem é sempre o responsável por sua aplicação. IV. Há provas, tanto lógicas quanto de evidência, de que a boa ou a má aplicação da ciência e da técnica condiciona-se à maior ou menor com- petência do homem. V. Na atual sociedade, a posse do conhecimen- to científico e da tecnologia representa um instrumento de poder: a partir daí, pode-se desenvolver, por parte das elites, um controle social e cultural dos cidadãos. Assinaleasequênciaquemelhorrefleteaorganiza- ção e a estrutura textual: a) III, I, IV,V e II. b) IV, III,V, II e I. c) I, II, III, IV eV. d) I, III, II, IV eV. e) V, IV, III, I e II. Resposta: A Chame a atenção dos alunos para o fato de estar evidente no item II o início de um parágrafo de con- clusão(“Emsíntese”),oqueinvalida,deimediato,as alternativasB,CeD. PRATICANDO HABILIDADES✔✔ Competência 5, habilidades 15 e 16 (veja quadro na página 14). (Fuvest-SP)Texto para as questões 1 e 2. Das vãs sutilezas Os homens recorrem por vezes a sutilezas fúteis e vãs para atrair nossa atenção. (...) Aprovo a ati- tude daquele personagem a quem apresentaram umhomemquecomtamanhahabilidadeatirava umgrãodealpistequeofaziapassarpeloburaco de uma agulha sem jamais errar o golpe. Tendo pedido ao outro que lhe desse uma recompen- sa por essa habilidade excepcional, atendeu o solicitado, de maneira prazenteira e justa a meu ver, mandando entregar-lhe três medidas de alpiste a fim de que pudesse continuar a exercer tão nobre arte. É prova irrefutável da fraqueza de nosso julgamento apaixonarmo-nos pelas coisas só porque são raras e inéditas, ou ainda porque apresentam alguma dificuldade, muito embora nãosejamnemboasnemúteisemsi. Montaigne, Ensaios. Q.1 O texto revela, em seu desenvolvimento, a se- guinte estrutura: a) formulação de uma tese; ilustração dessa tese por meio de uma narrativa; reiteração e expan- são da tese inicial. b) formulação de uma tese; refutação dessa tese por meio de uma narrativa; formulação de uma nova tese, inspirada pela narrativa.
    • PLANOS DE AULA 34 lExplicandooEnem c) desenvolvimento de uma narrativa; formulação de tese inspirada nos fatos dessa narrativa; de- monstração dessa tese. d) segmento narrativo introdutório; desenvolvi- mentodanarrativa;formulaçãodeumahipótese inspirada nos fatos narrados. e) segmento dissertativo introdutório; desenvol- vimento de uma descrição; rejeição da tese introdutória. Resposta: A O primeiro período do texto constitui claramente a formulação de uma tese, apresentando um comentá- rio com elementos abstratos (“sutilezas”, “fúteis”, “vãs”, “atenção”) e genéricos: os “homens” não são particu- larizados,representamatotalidadedossereshumanos — o que atesta tratar-se de um período dissertativo. De “Aprovo” até a palavra “arte”, temos uma narrativa caracterizadatantoporelementosconcretos(persona- gens, “grão de alpiste”, “agulha”) quanto pela progres- sãotemporalentreosenunciados.Otrechotem,assim, clara função de ilustrar a tese. No último período do texto, a tese é ratificada e expandida, deixando explí- citooposicionamentodoargumentador. Q.2 A expressão sublinhada no trecho “ou ainda porqueapresentamalgumadificuldade,muitoem- boranãosejamnemboasnemúteisemsi”podeser substituída, sem prejuízo para o sentido, por: a) desde que. . b) contanto que. c) uma vez que. d) a não ser que e) se bem que. Resposta: E A expressão “muito embora” tem claro valor conces- sivo.Essevalorsóéveiculadopelaexpressão“sebem que”, da alternativa E. “Desde que”, “contanto que” e “a não ser que” têm valor condicional, e a expressão “umavezque”temvalorexplicativo. (Fuvest-SP)Texto para as questões 4, 5 e 6. O filme Cazuza, o tempo não para me deixou numa espécie de felicidade pensativa. Tento explicar por quê. Cazuza mordeu a vida com todos os dentes. A doença e a morte parecem ter-se vingado de sua paixão exagerada de viver. É impossível sair da sala de cinema sem se perguntar mais uma vez: o que vale mais, a preservação de nossas forças,quegarantiriaumavidamaislonga,oua livre procura da máxima intensidade e varieda- de de experiências? Digoqueaperguntaseapresenta“maisumavez” porqueaquestãoéhojetriviale,aomesmotem- po,persecutória.(...)Obedecemosaumaprolife- ração de regras que são ditadas pelos progressos da prevenção. Ninguém imagina que comer ba- nha, fumar, tomar pinga, transar sem camisinha e combinar, sei lá, nitratos comViagra seja uma boa ideia. De fato não é. À primeira vista, parece lógico que concordemos sem hesitação sobre o seguinte: não há ou não deveria haver prazeres que valham um risco de vida ou, simplesmente, que valham o risco de encurtar a vida. De que adiantaria um prazer que, por assim dizer, cor- tasseogalhosobreoqualestousentado? Os jovens têm uma razão básica para desconfiar de uma moral prudente e um pouco avara que sugere que escolhamos sempre os tempos su- plementares. É que a morte lhes parece distan- te, uma coisa com a qual a gente se preocupará mais tarde, muito mais tarde. Mas sua vontade de caminhar na corda bamba e sem rede não é apenas a inconsciência de quem pode esquecer que“o tempo não para”. É também (e talvez so- bretudo) um questionamento que nos desafia: para disciplinar a experiência, será que temos outras razões que não sejam só a decisão de durar um pouco mais? Contardo Calligaris, FolhadeS.Paulo. Q.3 Considere as seguintes frases: I. O autor do texto assistiu ao filme sobre Cazuza. II. O filme provocou-lhe uma viva e complexa reação. III. Sua reação mereceu uma análise. O período em que as frases anteriores estão articu- ladas de modo correto e coerente é: a) Tendo assistido ao filme sobre Cazuza, este pro- vocou o autor do texto numa reação tão viva e complexa que lhe mereceu uma análise. b) Mereceu uma análise, a viva e complexa reação, provocadaspelofilmequeoautordotextoassis- tiu sobre Cazuza. c) A reação que provocou no autor do texto o filme sobre Cazuza foi tão viva e complexa que mere- ceu uma análise. d) Foivivaecomplexaareação,que,aliás,mereceu uma análise, provocado pelo filme sobre Cazuza, que o autor assistiu. e) O filme sobre Cazuza que foi assistido pelo autor provocou-lheumareaçãovivaecomplexa,quea sua análise foi merecida. Resposta: C Para articular as três frases em um único período, mantendo-lhesosentido,énecessárioutilizarrecursos coesivos—nessecaso,opronomerelativo“que”. Q.4 Embora predomine no texto a linguagem for- mal, é possível identificar nele marcas de coloquia- lidade, como as expressões assinaladas em: a) “mordeu a vida”e“moral prudente e um pouco avara”. b) “sem se perguntar mais uma vez”e“não deveria haver prazeres”. c) “parece lógico”e“que não sejam só a decisão”. d)“ecombinar,seilá,nitratos”e“agentesepreocupa”. e) “quevalhamumriscodevida”e“(etalvezsobre- tudo) um questionamento”. Resposta: D Há marcas de coloquialidade na expressão “sei lá” (“e combinar, sei lá, nitratos”), que faz uso de uma fórmula típica da variante informal para exprimir a hesitação do enunciador do texto ao comentar as combinações que trariam efeitos nocivos à saúde. A expressão “a gente se preocupa” contrapõe-se, como uso mais informal, à escolha da primeira pessoa do plural(nós),predominantenotexto. Q.5 Considere as seguintes afirmações: I. Os trechos“mordeu a vida com todos os den- tes”e “caminhar na corda bamba e sem rede” podem ser compreendidos tanto no sentido figurado quanto no sentido literal. II. Na frase“De que adiantaria um prazer que (...) cortasse o galho sobre o qual estou sentado”, o sentido da expressão sublinhada corresponde ao de“se está sentado”. III. Em“mais uma vez”, no início do terceiro pará- grafo, o autor empregou aspas para indicar a precisa retomada de uma expressão do texto. Está correto o que se afirma em: a) I, somente. b) I e II, somente. c) II, somente. d) II e III, somente. e) I, II e III. Resposta: D Os trechos “morder a vida” e “caminhar na corda bamba e sem rede”, citados em I, não podem ser interpretados em sentido literal, pois no contexto apresentam, respectivamente, o sentido figurado de “vivercomintensidade”e“viverdemodoarriscado”. rosE JordÃo é bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), professora do Ensino Médio e autora de diversos livrosdidáticos.
    • ExplicandooEnem l35 Matemáticaesuas tecnologias MATEMÁTICA COMPETÊNCIA 6ff Interpretar informações de natureza científica e social obtidas da leitura de gráficos e tabelas, realizando previsão de tendência, extrapolação, interpolação e interpretação. HABILIDADESff 24. Utilizar informações expressas em gráficos ou tabelas para fazer inferências. 25. Resolver problemas com dados apresenta- dos em tabelas ou gráficos. 26.Analisarinformaçõesexpressasemgráficos ou tabelas como recurso para a construção de argumentos. OBJETOS DO CONHECIMENTOff Conhecimentos algébricos. OBJETO ESPECÍFICOff Gráficos e funções. REPRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS DESENVOLVIMENTO Inicie a aula propondo um desafio que estimule a curiosidade dos alunos e os incite a pensar e a procurar uma solução. Contextualize uma situação- problema, como a seguinte, como pretexto para propor várias atividades durante a aula: O gráfico abaixo representa o número de gols marcados por duas equipes de futebol nas dez últimas partidas realizadas entre elas. Oriente os alunos sobre a importância de observar essasrepresentaçõeseretirardelasinformaçõesne- cessárias para a solução de problemas. É importante que os alunos conheçam diversas for- mas de apresentar resultados ao analisar gráficos e tabelas.Recordebrevementeconteúdosquepodem ser utilizados na resolução de atividades. REGISTRE NA LOUSA Porcentagem ou taxa porcentual é a razão entre um número real p e o número 100. Indica-se: p 100 ou p%. Observe: A tabela representa a distribuição do mercado de telefone celular quanto ao tipo de plano: pré-pago e pós-pago. pré-pago pós-pago 80% 20% Esses dados podem ser representados em gráficos de setor e de barras: Gráfico de setor Acima do tipo de plano utilizado está representa- da uma barra (coluna) cujo comprimento é pro- porcional à porcentagem de usuários. Peçaaosalunosquetragamàsaladeaulamateriais, como jornais, revistas e anúncios publicitários, que contenham informações em gráficos (de barras, de setor, de linhas) ou em tabelas. Ferramenta útil O Microsoft Office Excel é uma ferramenta que podeauxiliarprofessorealunosatreinaracons- trução de gráficos. QUESTÃO✔✔ Convide os alunos a resolver as seguintes questões, elaboradas a partir da competência de área 6 e das habilidades 24, 25 e 26. As atividades propostas le- vamemcontaonovoformatodoEnem.Resolva-as em conjunto com os alunos, orientando-os a anali- sar o enunciado, ler todas as alternativas e eliminar as respostas incorretas explicando por que são ina- dequadas.Valide a resposta correta sintetizando as competências e habilidades envolvidas. 1 O gráfico abaixo, mostrado no início da aula, re- presentaonúmerodegolsmarcadosporduasequi- pes de futebol nas dez últimas partidas realizadas entre elas. Ressalte que cotidianamente observamos em jor- nais, revistas, livros e na televisão a presença de gráficos e tabelas com as mais variadas formas. O círculo está dividido em dois setores circulares, cujas medidas dos ângulos centrais são proporcio- nais às frequências correspondentes: Pré-pago Pós-pago Gráfico de barras ou colunas Considerando-se que, nesse torneio, as equipes ga- nham 3 pontos para cada vitória, 1 ponto por em- pateezeroemcasodederrota,onúmerodepontos acumulados pelas equipes A e B nas últimas dez partidas são, respectivamente: a) 9 e 18 pontos. b) 18 e 9 pontos. c) 15 e 6 pontos. d) 6 e 15 pontos. e) 15 e 9 pontos. Resposta: B Repare que, para reforçar as habilidades descritas, a questão pode ser explorada de outras maneiras. Por exemplo: 6 5 4 3 2 1 0 1ª 2ª Númerodegolsmarcados partidas 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª 9ª 10ª EQUIPE A EQUIPE B 72º 288º pré-pago pós-pago 6 5 4 3 2 1 0 1ª 2ª Númerosdegolsmarcados partidas 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª 9ª 10ª EQUIPE A EQUIPE B 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% pré-pago pós-pago 100% → 360º 80% → x ⎧ ⎨ ⎩ ⇒ x =288º 100% → 360º 20% → x ⎧ ⎨ ⎩ ⇒ x =72º
    • PLANOS DE AULA 36 lExplicandooEnem 2EmquaisdasdezpartidasaequipeAteveomaior número de gols? Resposta: Na 3ª, 6ª e 10ª partidas (marcou 3 gols em cada uma). Comente os resultados diferentes dessas três parti- das.Na3ªpartida,aequipesofreutrêsgolsemarcou três (jogo empatado); na 6ª partida, sofreu um gol emarcoutrês (aequipeganhouapartida);ena10º partida marcou 3 gols e não sofreu nenhum (melhor jogodasdezpartidasdocampeonato). 3EmquaisdasdezpartidasaequipeBteveomaior número de gols? Resposta: Na 4ª partida (marcou cinco gols). 4 Em quais partidas as equipes empataram? Resposta: Na 3ª, 7ª e 9ª partidas. 5 Quais foram os placares da 2ª e da 6ª partidas? Resposta:2ªpartida:4x1afavordaequipeB. 6ª partida: 3 x 1 a favor da equipe A. Que tal desdobrar a análise do gráfico em outras atividades? Por exemplo: • Criar uma tabela com o número de vitórias, der- rotas e empates para mostrar o desempenho da equipe A no campeonato. vitórias derrotas empates 5 2 3 • Determinar o porcentual de vitórias, derrotas e empates que a equipe A teve nas dez últimas parti- das do campeonato. •Construirumgráficodesetorcomasporcentagens calculadas no item anterior. • Construir um gráfico de barras ou colunas com as porcentagens calculadas. Oteoralcoólicoédiretamenteproporcionalàquan- tidade de açúcar presente nas uvas, que aumenta com o tempo de amadurecimento da fruta. Logo, quanto mais amadurecida estiver a uva, maior será a quantidade de açúcar e seu teor alcoólico. Já a acidez do vinho é uma grandeza inversamen- te proporcional às quantidades de ácidos málicos e tartárico, que diminuem com o tempo de ama- durecimento das uvas. Logo, para que o vinho seja menosácido,auvateráqueterumtempomaiorde amadurecimento. Aproveite a questão para retomar os conceitos de grandezas diretamente e inversamente pro- porcionais. Q.2 (Enem 2003) A eficiência do fogão de cozinha pode ser analisada em relação ao tipo de energia que ele utiliza. O gráfico abaixo mostra a eficiência de diferentes tipos de fogão. PRATICANDO HABILIDADES✔ Competência 6, habilidade 24 (veja quadro na página 17) Q.1 (Enem 2006) As características dos vinhos de- pendem do grau de maturação das uvas nas parrei- ras, porque as concentrações de diversas substân- cias da composição das frutas variam à medida que elas vão amadurecendo. O gráfico a seguir mostra a variação da concentração de três substâncias pre- sentes em uvas, em função do tempo. O teor alcoólico do vinho deve-se à fermentação dos açúcares do suco da uva. Por sua vez, a acidez do vinho produzido é proporcional à concentração dos ácidos tartárico e málico. Considerando-se as diferentes características desejadas, as uvas podem ser colhidas: a) mais cedo, para a obtenção de vinhos menos ácidos e menos alcoólicos. b) mais cedo, para a obtenção de vinhos mais áci- dos e mais alcoólicos. c) maistarde,paraaobtençãodevinhosmaisalco- ólicos e menos ácidos. d) mais cedo e ser fermentadas por mais tempo, para a obtenção de vinhos mais alcoólicos. e) mais tarde e ser fermentadas por menos tempo, para a obtenção de vinhos menos alcoólicos. Resposta: C Pode-se verificar que a eficiência dos fogões au- menta: a) àmedidaquediminuiocustodoscombustíveis. b) à medida que passam a empregar combustíveis renováveis. c) cerca de duas vezes, quando se substitui fogão a lenha por fogão a gás. d) cerca de duas vezes, quando se substitui fogão a gás por fogão elétrico. e) quando são utilizados combustíveis sólidos. Resposta: C Umainterpretaçãodográficolevaàresposta:aefici- ênciaparalenhaécercade30%e,paragás,cercade 60%. Logo, de um para outro o aumento é de cerca deduasvezes. Pode-se, utilizando essa questão como introdução, proporaosalunosumadiscussãoarespeitodefontes de energia renováveis e não renováveis. Pergunte a eles quanta eletricidade equivale a 1 tonelada de lenha. A mesma quantidade equivale a quantos bo- tijõesdegás? Relembrequeaeletricidadepodevirounãodefon- tes renováveis. Por exemplo, uma casa cujas luzes provêm da energia solar utiliza energia renovável. Já uma termoelétrica que queima gás, uma fonte não renovável. Vitória : 5 10 = 50 100 = 50% Derrotas: 2 10 = 20 100 = 20% Empates: 3 10 = 30 100 = 30% s Vitórias Derrotas Empates 30% 20% 50% 4 4,5 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Vitórias Derrotas Empates Açúcares Ácido tartárico Ácido málico Concentração Tempo Açúcares Ácido tartárico Ácido málico Concentração Tempo 70 60 50 40 30 20 10 0 Fogões a lenha Fogões a carvão Fogões a gás Eficiência do fogão (%) Fogões elétricos Fogões a querosene
    • ExplicandooEnem l37 Competência 6, habilidade 26 (veja quadro na página 17) Q.3 (Enem 2008) Moradores de três cidades, aqui chamadas de X,Y e Z, foram indagados quanto aos tipos de poluição que mais afligiam as suas áreas urbanas. Nos gráficos abaixo estão representadas as porcentagens de reclamações sobre cada tipo de poluição ambiental. Competência 6, habilidade 25 (veja quadro na página 17) Q.4(Enem2005)Oíndicedemassacorporal(IMC) é uma medida que permite aos médicos fazer uma avaliação preliminar das condições físicas e do risco de uma pessoa desenvolver certas doenças, confor- me mostra a tabela abaixo: IMC Classificação menos de 18,5 magreza entre 18,5 e 24,9 normalidade entre 25 e 29,9 sobrepeso entre 30 e 39,9 obesidade 40 ou mais obesidade grave Considere as seguintes informações a respeito de João, Maria, Cristina, Antônio e Sérgio. nome peso (kg) altura (m) IMC João 113,4 1,80 35 Maria 45 1,50 20 Cristina 48,6 1,80 15 Antônio 63 1,50 28 Sérgio 115,2 1,60 45 Os dados das tabelas indicam que: a) Cristinaestádentrodospadrõesdenormalidade. b) Mariaestámagra,masnãocorreriscodedesen- volver doenças. c) Joãoestáobeso,eoriscodedesenvolverdoenças é muito elevado. d) Antônio está com sobrepeso, e o risco de desen- volver doenças é muito elevado. e) Sérgio está com sobrepeso, mas não corre risco de desenvolver doenças. Resposta: C De acordo com as tabelas, João está obeso e o risco dedesenvolverdoençasémuitoelevado. Com essa questão também é possível desenvolver outras atividades em sala de aula, por exemplo, pro- mover um debate sobre o problema da obesidade. Você sabe o que é IMC? O Índice de Massa Corporal (IMC) é uma medida do grau de obesidade de uma pessoa.PormeiodocálculodeIMCépossívelsaberse alguém está acima ou abaixo dos parâmetros ideais depesoparasuaestatura.OIMCéobtidoaodividiro peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros). Proponha aos alunos checar os IMCs de João, Maria, Cristina,AntônioeSérgio. Dados revelam que o excesso de peso no Brasil afeta 41%doshomense40%dasmulheres.Sabendoque o excesso de peso dos brasileiros está relacionado ao aumento do consumo de alimentos industrializados e também à ingestão de grande quantidade de açú- car e gordura, questione: Que medidas podem ser tomadasparareverteressequadro? Considerando a queixa principal dos cidadãos de cada cidade, a primeira medida de combate à po- luição em cada uma delas seria, respectivamente: a) Manejo do lixo, saneamento e controle de emis- são de gases. b) Controle de dejetos industriais, manejo do lixo e controle de emissão de gases. c) Manejo do lixo, saneamento e controle de deje- tos industriais. d) Controle de emissão de gases, controle de deje- tos industriais, saneamento. e) Controle de dejetos industriais, manejo do lixo e saneamento. Resposta: E De acordo com a observação dos gráficos, as maio- res porcentagens de reclamações de cada cidade são: na cidade X, dejetos tóxicos (34%); na cidade Y, lixo (40%); e na cidade Z, esgoto aberto (36%). Analisando as alternativas apresentadas, a primeira medidadecombateàpoluiçãoemcadaumadasre- giõesseriaocontrolededejetosindustriais,omanejo dolixoeosaneamento,respectivamente,nascidades X,YeZ. Essa questão pode ser aproveitada como introdução para um projeto integrado com a área de Ciências da Natureza, pesquisando e levantando hipóteses sobre as maneiras de combater as diversas formas de po- luiçãonasgrandescidades. Matemáticaesuas tecnologias MATEMÁTICA COMPETÊNCIA 1ff Construir significados para os números naturais, inteiros, racionais e reais. HABILIDADEff 2. Identificar padrões numéricos ou princípios de contagem. COMPETÊNCIA 7ff Compreender o caráter aleatório e não deter- minístico dos fenômenos naturais e sociais e utilizar instrumentos adequados para medi- das, determinação de amostras e cálculos de probabilidade para interpretar informações de variáveis apresentadas em uma distribuição estatística. HABILIDADEff 28. Resolver situação-problema que envolva conhecimentos de estatística e probabilidade. OBJETOS DO CONHECIMENTOff Conhecimentos numéricos. Conhecimentos de estatística e probabilidade. OBJETOS ESPECÍFICOSff Princípios de contagem. Noções de probabilidade. PROBLEMAS DE CONTAGEM, ANÁLISE COMBINATÓRIA E PROBABILIDADE DESENVOLVIMENTO O objetivo desta aula, além da familiarização do aluno com problemas que envolvem contagem, é ajudar na compreensão e aplicação do conceito de probabilidade. Tome como exemplo a situação- problema a seguir: Atualmente, o comércio eletrônico está ainda mais simples graças aos bons sistemas de segurança de- senvolvidos pela web. Sites de compras investem cada vez mais na proteção dos seus clientes. Para acessar os serviços de um portal de vendas, o usuá- rio deve cadastrar uma senha formada por quatro algarismos distintos. O sistema, entretanto, não aceita senhas que contenham um ou mais dígitos correspondentes ao ano de nascimento do cliente. Quantas senhas podem ser cadastradas por alguém que nasceu em 1988? Lixo Poluição do ar Esgoto aberto Dejetos tóxicos Poluição sonora 22% 23% 40% 13%2% 30% 24% 0% 12% 34% 12% 7% 22% 23% 36% X Y Z
    • PLANOS DE AULA 38 lExplicandooEnem a) 360 b) 840 c) 1680 d) 3024 e) 5040 Antes de resolver a questão, pergunte quem já adquiriu algum bem ou serviço via internet e se sa- bem o que é um site seguro. Questione-os sobre o funcionamento das“chaves de segurança”dos sites bancários e a diferença entre uma senha de quatro algarismos e outra de quatro algarismos distintos. Indague o que difere uma senha de um número de quatro algarismos. REGISTRE NA LOUSA Sendo A um conjunto de m elementos e B um conjunto de n elementos, com A e B disjuntos, para a escolha de um elemento de A e de um elemento de B, numa certa ordem, existem m.npossibilidades.Esseéoprincípiofunda- mental da contagem. Porexemplo:comosdígitos0,1,3,5e8,quan- tos números de três algarismos podem ser for- mados? Resposta: 4 . 5 . 5 = 100 números (o número não pode começar com o dígito zero) Com os mesmos dígitos, quantos números de trêsalgarismosdistintospodemserformados? Resposta: 4 . 4 . 3 = 48 números (o dígito zeronãopodeserusadonacasadacentena, mas agora existem quatro possibilidades para as dezenas e três para as unidades) Ainda com os mesmos dígitos, quantas senhas de três algarismos podem ser formadas? Resposta:5.5.5=125senhas(porsetratar de“senha”, e não de número de três algaris- mos, o zero pode ser usado em qualquer posição) Utilizando os mesmos números, quantas se- nhas de três algarismos distintos podem ser formadas? Resposta:5.4.3=60senhas(sãocincopos- sibilidades para a escolha do 1º algarismo, quatro para o 2º, que esse deve ser distinto do 1º, e três para o 3º) Indique que a resposta correta da situação-proble- ma é a letra B. Explique que, segundo as regras do portaldevendas,oclientequenasceuem1988não pode escolher, entre os dez algarismos do sistema decimal (de zero a nove), o 1, o 8 e o 9, porque esses formam o seu ano de nascimento. Como a senha é composta de algarismos distintos, ele tem sete possibilidades para a escolha do 1º número, seis para o 2º, cinco para o 3º e quatro para o úl- timo. Utilizando o princípio fundamental da contagem: total de senhas: 7 . 6 . 5 . 4 = 840. Dê continuidade à aula propondo a seguinte si- tuação: Outrasduaspessoasacessamoportaldevendas e precisam cadastrar suas senhas. Uma nasceu em 1987 e a outra, em 1999. Segundo as mes- masregras,qualototaldesenhasquecadauma delas pode cadastrar? Comente que quem nasceu em 1987 terá seis possibilidades para o 1º algarismo da senha (dez algarismos do sistema decimal, menos 1, 9, 8 e 7), cinco para o 2º, quatro para o 3º e três para o último. São 6 . 5 . 4 . 3 = 360 senhas possíveis. Já a pessoa nascida em 1999 terá oito possibilidades para o 1º algarismo da senha (dez algarismos do sistema decimal, menos os algarismos 1 e 9), sete para o 2º, seis para o 3º e cinco para o 4º, em um total de 8 . 7 . 6 . 5 = 1680 senhas possíveis. REGISTRE NA LOUSA Experimento aleatório: todo fenômeno que, repetido várias vezes sob condições idênticas, apresentaresultadosdiferentes(imprevisíveis). Como o lançamento de uma moeda, de um dado ou sorteio da loteria. Espaçoamostral:conjuntodetodososresulta- dos possíveis de um experimento aleatório. Evento: todo subconjunto de um espaço amostral. Probabilidade em um espaço amostral equi- provável:SejaAumeventodeumespaçoamos- tral . A probabilidade P(A) da ocorrência do eventoAéarazãoentreonúmerodeelementos deA,indicadoporn(A),eonúmerodeelementos doespaçoamostral,indicadoporn( ).Assim: P(A)= n A n ouP(A)= número de casos favoráveis número de casos possíveis Exemplo 1: No lançamento de um dado, qual a probabilidadedeseobterumnúmeroprimona face voltada para cima? Espaço amostral: . = {1, 2, 3, 4, 5, 6} Evento (A): ocorrência de número primo A = {2, 3, 5} P(A) = n A n 3 6 = 1 2 = Exemplo 2: Para formar uma senha bancária, João vai escolher um número de cinco algaris- mos. Os quatro primeiros correspondem ao ano de nascimento de sua mãe, 1958, e estão deci- didos. Se ele escolher ao acaso o algarismo que falta,qualéaprobabilidadedequesejaforma- do um número com algarismos distintos? Espaço amostral: = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9}, n ( ) = 10 Evento(A):algarismodistintodosjádefinidosA = {0, 2, 3, 4, 6, 7} P(A) = n A n = 6 10 = 3 5 =0,6=60% Apresente aos alunos o texto a seguir: Sete dos dez crackers mais ativos são do Brasil O Brasil continua no topo da lista dos grupos crackers em todo o mundo. De acordo com pesquisa desenvolvida pela mi2g Intelligence Unit, empresa de consultoria de risco digital baseada em Londres, entre os dez grupos que mais invadiram sites durante o mês de outubro, sete estão baseados no Brasil. Nos últimos dois anos, o Brasil vem figurando com destaque na lista dos crackers que incluem desde pessoas que invadem pequenos sites, até os que conse- guemfraudarcartõesdecréditosousistemasde governo. De acordo com a mi2g, só neste ano a ação dos crackers já causou prejuízos entre US$ 118,8bilhõeseUS$145,1bilhões(entreR$336 bilhões e R$ 413 bilhões) em todo o mundo. A ação dos crackers em 2003 aumentou em relação ao ano passado, quando os brasileiros lideraram também o topo da lista. Disponívelem:www.invasao.com.br/2008/02/16/sete-dos-dez- crackers-mais-ativos-sao-do-brasil/.Acessoem:11ago.2009. Comente que notícias como essa são comuns e que senhas, chaves e bloqueios são recursos re- correntes nos sites ditos seguros. Peça aos alunos que suponham a seguinte situação: um cracker quer descobrir a senha de quem acessou o portal de vendas em um determinado dia. Ele sabe que,
    • ExplicandooEnem l39 dos muitos usuários, um nasceu em 1987, outro em 1988 e um terceiro em 1999. Quem está mais seguro e tem a menor probabilidade de ter sua senha descoberta? Demonstre que a probabilidade de a pessoa que nasceu em 1987 ter sua senha descoberta é de: Número de elementos do espaço amostral: n( ) = 6 . 5 . 4 . 3 = 360 Evento (A): senha correta = 1 P(A) = Jáaschancesdapessoaquenasceuem1988sãode: Número de elementos do espaço amostral: n( ) = 7 . 6 . 5 . 4 = 840 Evento (A): senha correta = 1 P(A) = E a probabilidade de quem nasceu em 1999 é de: Número de elementos do espaço amostral: n( ) = 8 . 7 . 6 . 5 = 1680 Evento (A): senha correta = 1 P(A) = Deixe claro que a pessoa mais segura é aquela que nasceuem1999,poiséelaquemtemamenorpro- babilidade de ter sua senha descoberta. QUESTÃO✔✔ Convide os alunos a resolver a seguinte questão, elaborada a partir das competências de área 1 e 7 e das habilidades 2 e 28. A atividade proposta leva em conta o novo formato do Enem. Resolva-a em conjunto com os alunos, orientando-os a analisar o enunciado, ler todas as alternativas e eliminar as respostas incorretas explicando por que são inade- quadas. Valide a resposta correta sintetizando as competências e habilidades envolvidas. O senhor Antonio Carlos Bezerra nasceu em 1960 e vai registrar a senha do cartão de crédito, que deve ser composta de três letras e cinco algaris- mos distintos. Ele decidiu utilizar as iniciais do seu nome, o ano de seu nascimento e mais um algarismo qualquer de modo que o número for- mado seja divisível por 3. Qual o total de senhas possíveis a ser registradas? a) 18 b) 81 c) 36 d) 63 e) 6 Resposta: A A senha é formada por oito caracteres, e os três pri- meiros, que são as iniciais do nome da pessoa, já estão definidos. Pelo princípio fundamental da con- tagem,sãotrêsescolhasparaa1ªposição,duaspara a2ªeumaparaa3ª. Lembrequeumnúmeroédivisívelpor3seasoma de seus algarismos também o for. Como o ano do nascimento do senhor Antonio estará na senha, te- mos 1 + 9 + 6 + 0 = 16. O último dígito deve ser distinto dos anteriores e, somado a 16, resultar em ummúltiplode3.Aspossíveisescolhassão: 1+9+6+0+2=18 1+9+6+0+5=21 1+9+6+0+8=24 Ototaldesenhasquepodemserregistradas: 3 . 2 . 3=18 Peça aos alunos que respondam quantas senhas podem ser registradas com todos os algarismos dis- tintos,massemqueonúmeroformadosejamúltiplo de 3. Ainda assim, qual é a probabilidade de isso acontecer? Se as letras pudessem se repetir, quantas seriam as senhas? E se, além disso, o último dígito pudesseserigualaqualquerumdosoutros? PRATICANDO HABILIDADES✔✔ Competência 1, habilidade 2 (veja qua- dro na página 16) Q1. (Enem2004)NoNordestebrasileiro,écomum encontrarmos peças de artesanato constituídas por garrafaspreenchidascomareiadediferentescorese formando desenhos. Um artesão deseja fazer peças com areia das cores cinza, azul, verde e amarela, mantendo o mesmo desenho, mas variando as co- resdapaisagem(casa,palmeiraefundo),conforme a figura. Ofundopodeserrepresentadonascoresazuloucin- za; a casa, em azul, verde ou amarelo; e a palmeira, cinza ou verde. Se o fundo não pode ter a mesma cor da casa ou da palmeira, por uma questão de contraste, as variações que podem ser obtidas são: a) 6 b) 7 c) 8 d) 9 e) 10 Reposta: B Monteoquadrocomosalunosparaverificação. Fundo Casa Palmeira Paisagem Azul Verde/ Amarela Cinza/ Verde A/V/C A/V/V A/A/C A/A/V Cinza Verde/ Amarela/ Azul Verde C/V/V C/A/V C/A/V Onúmerodevariaçõesquepodemserobtidas,por- tanto, é: 4 + 3 = 7. Q.2 (Enem 2002) A escrita Braile, para cegos, é um sistema de símbolos no qual cada caracter é um conjunto de 6 pontos dispostos em forma retangu- lar e dos quais pelo menos um se destaca em relação aos demais. O número total de caracteres que podem ser representados no sistema Braile é: a) 12 b) 31 c) 36 d) 63 e) 720 Resposta: D Para cada ponto temos duas opções: destacado ou nãodestacado. Pelo princípio fundamental da contagem, temos 26 =64caracteres.Comopelomenosumdospontos se destaca, devemos desconsiderar uma das 64 pos- sibilidades.Então: 26 –1=63caracteres. Q.3 (Enem 2002) O código de barras, contido na maior parte dos produtos industrializados, consiste em um conjunto de várias barras preenchidas ou não com cor escura. Quando um leitor óptico passa sobre elas, a leitura de uma barra clara é convertida no número 0 e a de uma escura, no 1. Observe a seguir um exemplo simplificado de um sistema de código com 20 barras. fundo 1 9 3 2 1 1 1 1 1 3 6 0
    • PLANOS DE AULA 40 lExplicandooEnem Se o leitor óptico for passado da esquerda para a direita, lerá: 01011010111010110001 Se o leitor óptico for passado da direita para a es- querda, lerá: 10001101011101011010 Para organizar o processo de leitura óptica de cada código de barras, deve-se levar em consideração que alguns podem ter ambas as leituras iguais, como, por exemplo, 00000000111100000000. Em um sistema que utilize apenas cinco barras, a quantidade de códigos com leitura da esquerda para a direita igual à da direita para a esquerda, desconsiderando-se todas as barras claras ou es- curas, é: a)14 b)12 c) 8 d)6 e) 4 Resposta: D Os códigos com leitura da esquerda para a direita igual à da direita para a esquerda são chamados de palíndromos. Em um sistema que utilize cinco barras, temos: Paraa1ª,2ªe3ªcasas,duaspossibilidades(claraou escura). Como o código é palíndromo, a 4ª casa deve ter a mesma cor da 2ª (apenas uma possibilidade) e a5ª,amesmacorda1ª. Temos 2 . 2 . 2 . 1 . 1 = 8 códigos. Como são des- considerados aqueles com todas as barras claras ou escuras,são:8–2=6códigos. Competência 7, habilidade 28 (veja quadro na página 17) Q.4 (Enem 2005) Um aluno de uma escola será escolhido por sorteio para representá-la em uma atividade. A escola tem dois turnos. No diurno, há 300 alunos distribuídos em 10 turmas de 30. No noturno, são 240 alunos distribuídos em 6 turmas de 40. Em vez do sorteio direto envolvendo os 540 alunos, foram propostos dois outros métodos: Método I: escolher ao acaso um dos turnos (por exemplo, lançando uma moeda) e, a seguir, sortear um dos alunos do turno escolhido. Método II: escolher ao acaso uma das 16 turmas (por exemplo, colocando um papel com o número de cada turma em uma urna e sorteando uma de- las) e, a seguir, sortear um dos alunos dessa turma. Sobre os métodos I e II de sorteio, é correto afirmar: a) em ambos os métodos, todos os alunos têm a mesma chance de serem sorteados. b) no método I, todos os alunos têm a mesma chance de serem sorteados, mas, no método II, a chance de um aluno do diurno ser sorteado é maior que a de um aluno do noturno. c) no método II, todos os alunos têm a mesma chance de serem sorteados, mas, no método I, a chance de um aluno do diurno ser sorteado é maior que a de um aluno do noturno. d) nométodoI,achancedeumalunodonoturnoser sorteadoémaiordoqueadeumalunododiurno, enquantonométodoIIocorreocontrário. e) em ambos os métodos, a chance de um aluno do diurno ser sorteado é maior do que a de um aluno do noturno. Resposta: D Achancedeumalunosersorteadoé: Diurno Noturno Método I Método II Pelo método I, a chance de um aluno do notur- no ser sorteado é maior do que a de um do diurno 1 1 480 600 144 320 3 3 .PelométodoII,achancedeumalu- nododiurnosersorteadoémaiorqueadeumaluno donoturno 1 1 480 600 144 320 3 3 . Q.5 (Enem 2006) Um time de futebol amador ganhou uma taça ao vencer um campeonato. Os jogadores decidiram que o prêmio seria guardado nacasadeumdeles,mastodosquiseramguardara taça. Na discussão para decidir com quem ficaria o troféu, travou-se o seguinte diálogo: Pedro, camisa 6: – Tive uma ideia. Somos 11 jogadores e nossas camisas estão numeradas de 2 a 12. Tenho dois dados com as faces numeradas de 1 a 6. Se eu jogá-los, a soma dos números que ficarem para cima pode variar de 2 (1 + 1) até 12 (6+6).Vamosjogarosdados,equemtiveracami- sa com o número do resultado guarda a taça. Tadeu,camisa2: –Nãoseinão.Pedrosemprefoi muito esperto! Acho que ele está levando alguma vantagem... Ricardo, camisa 12: – Você pode estar certo. Conhecendo o Pedro, é capaz que ele tenha mais chances de ganhar que nós dois juntos! Desse diálogo conclui-se que: a) Tadeu e Ricardo estavam equivocados, pois a probabilidade de ganhar a guarda da taça era a mesma para todos. b) Tadeu tinha razão e Ricardo estava equivocado, pois, juntos, tinham mais chances de ganhar a guarda da taça do que Pedro. c) Tadeu tinha razão e Ricardo estava equivocado, pois, juntos, tinham a mesma chance que Pedro de ganhar a guarda da taça. d) TadeueRicardotinhamrazão,poisosdoisjuntos tinham menos chances de ganhar a guarda da taça do que Pedro. e) Nãoépossívelsaberqualdosjogadorestinhara- zão, por se tratar de um resultado probabilístico, que depende exclusivamente da sorte. Resposta: D Espaçoamostral: = {(1, 1), (1, 2),(1, 3), (1, 4), ..., (6, 5), (6, 6)}. Pelo princípio fundamental da contagem, são 6 . 6 = 36 pares que compõem o espaço amostral querepresentaasfacesvoltadasparacimanolança- mentodedoisdados.Logo,n( )=36. Evento (A): soma dos pontos ser 6 (número da ca- misadoPedro): {(1,5),(2,4),(3,3),(4,2),(5,1)} P(A)= ,Pedroguardaataça. Evento(B):somadospontosser2(númerodacami- sadoTadeu):{(1,1)} P(B)= ,Tadeuguardaataça. Evento (C): soma dos pontos ser 12 (número da ca- misadoRicardo):{(6,6)} P(C)= ,Ricardoguardaataça. Temos P(A) > P(B) + P(C). Pedro tem mesmo mais chancesdeganharaguardadataçadoqueosoutros doisamigosjuntos. 1 2 ⋅ 1 300 = 1 600 10 16 ⋅ 1 30 = 3 144 1 2 ⋅ 1 240 = 1 480 6 16 ⋅ 1 40 = 3 320 1 2 ⋅ 1 300 = 1 600 10 16 ⋅ 1 30 = 3 144 1 2 ⋅ 1 240 = 1 480 6 16 ⋅ 1 40 = 3 320 1 2 ⋅ 1 300 = 1 600 10 16 ⋅ 1 30 = 3 144 1 2 ⋅ 1 240 = 1 480 6 16 ⋅ 1 40 = 3 320 1 2 ⋅ 1 300 = 1 600 10 16 ⋅ 1 30 = 3 144 1 2 ⋅ 1 240 = 1 480 6 16 ⋅ 1 40 = 3 320 2 2 2 1 1
    • ExplicandooEnem l41 Matemáticaesuas tecnologias MATEMÁTICA COMPETÊNCIA 2ff Utilizar o conhecimento geométrico para rea- lizar a leitura e a representação da realidade e agir sobre ela. HABILIDADESff 6. Interpretar a localização e a movimentação de pessoas/objetos no espaço tridimensional e sua representação no espaço bidimensional. 7. Identificar características de figuras planas ou espaciais. 8. Resolver situação-problema que envolva co- nhecimentos geométricos de espaço e forma. 9.Utilizarconhecimentosgeométricosdeespa- ço e forma na seleção de argumentos propostos como solução de problemas cotidianos. OBJETOS DO CONHECIMENTOff Conhecimentos geométricos. OBJETOS ESPECÍFICOSff Identificação e reconhecimento das característi- cas dos principais sólidos geométricos. Cálculo do volume dos principais sólidos geo- métricos. Comparação entre os volumes dos sólidos geométricos. SÓLIDOSGEOMÉTRICOS: IDENTIFICAÇÃOE DETERMINAÇÃO DEVOLUME DESENVOLVIMENTO Inicie a aula contando um pouco da história da ma- temática. Comente que os primeiros estudos sobre volume de sólidos surgiram com a necessidade de armazenamento de alimentos em sociedades agrícolas antigas. Primeiro, foram desenvolvidos métodos para o cálculo aproximado de volumes e, depois, foram elaboradas fórmulas específicas para alguns sólidos geométricos, como prismas, pirâmi- des, cilindros, cones e esferas. Grande parte dessas fórmulas de volume foi deter- minada ainda na Antiguidade; no tratado de Arqui- medes sobre a Esfera e o Cilindro, em que já há que: ovolumedequalqueresferaéquatrovezeso de um cone com base igual a um grande cír- culodaesferaealturaigualaoraiodamesma esfera.Arquimedesutilizavaométodoexperimental paracomprovarsuasafirmações. Depois de introduzir o assunto, peça exemplos de objetos, embalagens de produtos, formas que lem- brem os principais sólidos geométricos. Faça com que os alunos, intuitivamente, comparem os volumes dos sólidos. Entre um copo de forma cilíndrica e outro de forma cônica, qual deles apre- senta maior volume? Existe relação entre o volume de um cubo e o de uma pirâmide? Apresente-lhes a seguinte situação-problema: RetomeoconceitodeArquimedes(287a.C-212 a.C) – matemático, engenheiro, inventor e físi- co grego – que diz que o volume de qualquer esfera é quatro vezes o de um cone com base igualaumgrandecírculodaesferaealturaigual aoraiodamesmaesfera.Considereumcopinho de sorvete, em forma de cone, com 10 cm de profundidade e 4 cm de diâmetro no topo, em que há uma bola de sorvete também de 4 cm de diâmetro. Se o sorvete derreter para dentro do copinho, pode-se afirmar que: a) não transbordará e irá encher mais que a me- tade do copinho. b) não transbordará e irá encher metade do copinho. c) não transbordará e irá encher menos que a metade do copinho. d) o copinho ficará cheio de sorvete, mas não transbordará. e) transbordará. Antes de resolver a questão, estimule os alunos a identificar os sólidos geométricos envolvidos e, assim, perceber qual a grandeza geométrica a ser calculada. REGISTRE NA LOUSA Sólidos de revolução: todo sólido produzido pela rotação completa de uma figura plana em torno de um eixo. Esfera: Sólido produzido pela rotação de um semicírculo em torno de um eixo coincidente com o diâmetro. Vesfera = R : raio da esfera Cone reto: sólido produzido pela rotação de um triângulo retângulo em torno de um eixo coincidente com um de seus catetos. Vcone = r: raio da base h: altura Cilindro reto: sólido produzido pela rotação de um retângulo em torno de um eixo coincidente com um de seus lados. Vcilindro = r: raio da base h: altura o R R o h r h r hh r r
    • PLANOS DE AULA 42 lExplicandooEnem Retome a situação-problema proposta: • O volume do sorvete é igual ao volume de uma esfera de diâmetro 4 cm. Logo, de um raio de 2 cm: Vesfera = 4 3 π 2( ) 3 32 3 π 1 3 π 2( ) 2 ⋅10 40 3 π 20 3 π Vesfera 4 3 π 2( ) 3 32 3 π 1 3 π 2( ) 2 ⋅10 40 3 π 20 3 π cm3 • O volume do copinho é igual ao volume de um conedediâmetrodabase4cm.Logo,deumraiode 2 cm e altura igual a sua profundidade, 10 cm: Vcone = 4 3 π 2( ) 3 32 3 π 1 3 π 2( ) 2 ⋅10 40 3 π 20 3 π Vcone = 4 3 π 2( ) 3 32 3 π 1 3 π 2( ) 2 ⋅10 40 3 π 20 3 π cm3 • Comparando os volumes calculados, o volu- me da esfera (sorvete) é menor que o volume do cone (copinho), porém maior que sua metade ( 4 3 π 2( ) 3 32 3 π 1 3 π 2( ) 2 ⋅10 40 3 π 20 3 π cm3 , seria metade!). Resposta: A Se o sorvete derreter, ele não transbordará, mas irá encher mais que a metade do copinho. Ou seja, mais dametadedovolumedocopinho. QUESTÃO✔ Convide os alunos a resolver a seguinte questão, elaborada a partir da competência de área 2 e ha- bilidades 8 e 9. A atividade proposta leva em conta o novo formato do Enem. Resolva-a em conjunto com os alunos, oriente-os a analisar o enunciado, ler todas as alternativas e eliminar as respostas in- corretasexplicandoporquesãoinadequadas.Valide as respostas corretas sintetizando as competências e habilidades envolvidas. O senhor Olavo Pires é dono de uma lanchonete e venderefrigerantesemcoposdeformatocônicopor R$ 1,50. Já o senhor Oscar A. Melo é dono de uma doceria e vende refrigerantes em copos de formato cilíndrico por R$ 3,60. Considerando que os dois re- frigerantessãodamesmamarcaequeosdoiscopos têm a mesma altura e bocas com o mesmo diâme- tro, pode-se concluir que o preço do refrigerante na doceria, em relação ao preço do refrigerante na lanchonete, está: a) 60% mais caro. b) 40% mais caro. c) 14% mais caro. d) 20% mais barato. e) 25% mais barato. Resposta: D Considerando que os dois refrigerantes são da mes- ma marca e que os dois copos têm a mesma altura e bocascomomesmodiâmetro,temos: •Preçodocopocônicoderefrigerante:R$1,50 •Preçodocopocilíndricoderefrigerante:R$3,60 Para comparar preços é preciso comparar volumes iguais. Portanto, é necessário dividir o volume e o preçodocilindropor3.Temos: • Preço do mesmo volume no copo cilíndrico = O refrigerante na doceria do senhor Oscar A. Melo, servido em copo cilíndrico, é mais barato do que na lanchonete do senhor Olavo Pires, que usa copo cônico. E, ao dividirmos o preço da doceria pelo da lanchonete,percebemosque: • 1,20 1,50 = 0,8 . Ou seja, o refrigerante na doceria é 20%maisbaratodoquenalanchonete. Aproveite a questão para retomar o conceito de por- centagem e proponha uma nova comparação, des- ta vez, ao contrário. O refrigerante na lanchonete é quantoporcentomaiscarodoquenadoceria? PRATICANDO HABILIDADES✔ Competência 2, habilidades 8 e 9 (veja quadro na página 16). Q.1 (ESPM) No desenho acima, dois reservatórios de altura h e raio r, um cilíndrico e um cônico, estão totalmente vazios,ecadaumseráalimentadoporumatorneira, ambas de mesma vazão. Se o reservatório cilíndrico leva duas horas e meia para ficar completamente cheio, o tempo necessário para que isso ocorra com o reservatório cônico será de: a) 2 h b) 1 h c) 30 min d) 1h30 min e) 50 min Resposta: E Estamoscomparandoovolumedeumconecomode um cilindro de mesmo raio da base e mesma altura. Nessas condições, o volume do cone é 1 3 do volume do cilindro. Então, se o recipiente cilíndrico leva 2h30 min, ou 150 minutos, para ficar cheio, como as tor- neiras têm a mesma vazão, o recipiente cônico ficará cheioem 1 3 dessetempo. Q.2 (ESPM 2009) Dois copos, um cilíndrico e outro cônico,têmamesmaalturaeomesmodiâmetroda boca.SeumatorneiracomvazãoconstanteQenche o copo cilíndrico num tempo t, podemos concluir queumatorneiracomvazãoconstanteQ/2encherá o copo cônico num tempo igual a: a) t/2 b) 3 t/2 c) t/3 d) 2 t/3 e) t Resposta: D Estamos, novamente, comparando o volume de um cone com o de um cilindro de mesmo raio da base e mesma altura. Já vimos que, nessas condições, o volumedoconeé 1 3 dovolumedocilindro. A diferença é que, agora, uma das torneiras tem vazão igual à metade da outra. Se o cone tivesse o mesmo volume do cilindro, e fosse abastecido pela torneira de vazão Q/2, ele ficaria cheio no tempo 2t. Mas o volume do cone é 1 3 do volume do cilindro, otemponecessárioparaenchê-loseráde 2t 3 . Vcone = 1 3 πr2 ⋅h Vcilindro =πr2 ⋅h ⇒Vcone = 1 3 Vcilindro R$3,60 3 = R$1,20 h h r r h 2R 2R Vcone = 1 3 πr2 ⋅h Vcilindro =πr2 ⋅h ⇒Vcone = 1 3 Vcilindro
    • ExplicandooEnem l43 Comente que as grandezas vazão e tempo são in- versamente proporcionais. Retome, a partir de- las,osconceitosdeproporcionalidadediretaeinversa. Competência 2, habilidades 7 e 8 (veja quadro na página 17) Q.3 (ESPM) Assinale a alternativa que apresenta coerência entre as formas das taças e seus respec- tivos volumes em litros: a) 1 litro 2 litros 3 litros b) 1 litro 2,5 litros 3 litros c) 1 litro 2 litros 4 litros d) 2 litros 3 litros 4 litros e) 2 litros 3 litros 6 litros Resposta: A Observe que o teste pede coerência entre as formas dastaçaseseusrespectivosvolumes.Podemosadmi- tirquea1ªtaçatemaformadeumconeretoderaio da base x e altura x. A 2ª taça tem a forma de uma semiesfera de raio também x e a última, a forma de umcilindroretoderaiodabasexealturax,então: Q.4 (Enem 2005) Os três recipientes da figura têm formas diferentes, mas a mesma altura e o mesmo diâmetro da boca. Neles, são colocados líquidos até a metade de suas alturas, conforme indicado. Representando por V1 , V2 e V3 o volume de líquido em cada um dos recipientes é: a) V1 =V2 =V3 b) V1 <V3 <V2 c) V1 =V3 <V2 d) V3 < V1 <V2 e) V1 <V2 =V3 Resposta: B Podemos resolver a questão admitindo que, no 2º recipiente,olíquidopreenchaumasemiesfera.Ecom basenaseguintefigura: •No1ºrecipiente, • • •V1 <V3 <V2 Competência 2, habilidades 7, 8 e 9 (veja quadro na página 16) Q.5 (UFSM-RS) Um artista plástico construiu uma obra de arte para enfeitar sua galeria. Ela é composta por um cilindro feito de material trans- parente, com 4 m de diâmetro e 6 m de altura, no qual foi inscrito um cone de mesma base e altura, também transparente. Esse cone contém, no seu interior, um líquido vermelho com muitas esferas douradas. Estas, por um movimento constante do meio, criam um belo visual para quem observa. Sabe-se que as esferas têm 3 cm de raio e tota- lizam 10000 unidades. Assim, adotando π = 3, o volume do líquido contido no cone, em metros cúbicos, é: a) 20,76 b) 22,92 c) 24,00 d) 70,92 e) 72,00 Resposta: B Esteéumtestemaisexigente.Inicialmente,devemos calcular o volume do cone, que tem o mesmo raio da baseeamesmaalturadocilindrotransparente. • ,adotando m3 •Devemosnotarqueoraiodasesferinhasé 3cm= m. •Calculamosovolumedecadauma: m3 . • Como são 10000 = 104 esferinhas, e adotando ,ovolumeocupadoportodaselasé: •Ovolumedolíquidovermelhoéigualaovolumedo conemenosovolumeocupadoportodasasesferas: V=24–1,08=22,92m3 Carlos Eduardo Bentivegna é formado em Matemática e DesenhoGeométricopelaFaculdadedeFilosofiaCiênciaseLetras deMoemaeemPedagogiapelaUniversidadeBandeirantedeSão Paulo (Uniban). É professor em escolas particulares e em cursos pré-vestibularesdeSãoPaulo.V1 V2 V3 V1 r r r r r V2 V3 r h r
    • PLANOS DE AULA 44 lExplicandooEnem • aquecedores elétricos: chuveiros e boilers. Ressalte que em todos os aparelhos elétricos mos- trados, e em quaisquer outros, o fabricante deve in- dicarqualapotêncianominal(emwatts)eatensão correta (em volts) para ligá-los. Retome brevemen- te o conceito de potência com os alunos. REGISTRE NA LOUSA Apotênciamedearapidezdatrocadeenergia entre dois sistemas. Estimule a participação da classe e fomente um debate sobre a seguinte questão:“O que consome mais energia elétrica, um banho de uma hora em chuveiro elétrico de potência 4 kW ou uma lâmpa- da de 200 W funcionando durante 20 horas?”. Evi- dencie que o produto potência . tempo, que é a energiaconsumidapelosaparelhos,éigualnosdois casos, já que 4 kW . 1hora e 200 W . 20 horas são iguaisa4kWhou4000Wh.Portanto,emambosos casos o consumo de energia será o mesmo. REGISTRE NA LOUSA Energia = potência . tempo Aproveite para lembrar os alunos de que em análi- ses de consumo e custo de energia elétrica, costu- ma-seusar: quilowatt(kW)parapotência;hora(h) paratempo;equilowatt-hora(kWh)paraaenergia consumida.Alerte-osparaadiferençaentrewatte watt-hora, quilowatt e quilowatt-hora. Enfatizequeoquesepagapelousodoaparelhoéa energia consumida por ele, e não sua potência. REGISTRE NA LOUSA Atenção, não existem as unidades watt por hora e quilowatt por hora! Apresente à classe uma conta de energia elétrica doméstica (“conta de luz”, na linguagem usual). cIÊNcIASdANATUREzAE SUASTEcNOLOGIAS FÍSIcA cOMPETÊNcIA 2ff Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos. HABILIdAdESff 6. Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de apare- lhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum. 7. Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e pro- dutos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do trabalhador ou a qualidade de vida. OBJETOS dO cONHEcIMENTOff Fenômenos elétricos e magnéticos. OBJETO ESPEcÍFIcOff Relaçãoentrepotênciaelétricaeenergiaelétrica consumida. Cálculodoconsumoedocustodaenergiaelétrica. Comparação entre consumos e cálculo da eco- nomia de energia e da diferença de custos. ENERGIA E POTÊNcIA DESENVOLVIMENTO Desperteacuriosidadeeointeressedosalunospara o tema ”Consumo e economia de energia elétrica”. Para ilustrar a aula, mostre à classe exemplos de aparelhos elétricos simples, como lâmpadas, se- cador de cabelos, aquecedores, etc. Utilize imagens como as que seguem de: • lâmpadas: incandescentes e fluorescentes. • motores elétricos: barbeador elétrico, ventilador, secador de cabelos, etc. Explore as informações da conta, destacando os campos em que estão registrados: o consumo em kWh,atarifaemreaisporquilowatt-hora(R$/kWh) e o total a ser pago pelo consumidor. Mostre que, sem incluir os impostos, o valor a pagar é obtido do mesmo modo como foi feito no início da aula, com a questãosobreoconsumodochuveiroedalâmpada. QUESTÃO✔ Convide os alunos a resolver a seguinte questão, elaborada a partir da competência de área 2 e das habilidades 6 e 7. A atividade proposta leva em conta o novo formato do Enem. Resolva-a em conjunto com os alunos, orientando-os a analisar o enunciado, ler todas as alternativas e eliminar as respostas incorretas explicando por que são inade- quadas. Valide a resposta correta sintetizando as competências e habilidades envolvidas. Atualmente encontramos no mercado aparelhos eletrodomésticos que trazem o selo de economia de energia elétrica do Programa Nacional de Con- servação de Energia Elétrica (Procel). São produtos que observam certas normas de preservação do meio am- biente. Consideredoismodelosdege- ladeira apresentados na tabela abaixo, um não econômico (NE) e outro econômico (EC): MODELONE MODELOEC Consumomensal:47kWh Consumomensal:22kWh Um consumidor está na dúvida sobre ad- quirir uma geladeira nova, modelo EC, quecustaaproximadamenteR$1600,00;eummo- delo NE, que custa cerca de R$ 900,00. Considerando que a tarifa de R$ 0,40/kWh se mantenha constante, o custo adicional na compra de uma geladeira do modelo EC, em relação ao modelo NE, será recuperado pela economia nas contas de energia elétrica em: a)exatos dois anos. b)menos de três anos. c) exatos cinco anos. d)pouco menos de seis anos. e)pouco mais de seis anos. Resposta: D Comente os valores numéricos descritos na atividade e destaque o valor da tarifa cobrada pelo kWh, que varia um pouco de um local para outro. A questão privilegia a interdisciplinaridade, pois trabalha com conceitos elementares de matemática e economia doméstica. FabioMangaberia DarcioTutak RocardoRojas Divulgação AmiltonIshikawa CaioMello XxxxxxXxxxx
    • ExplicandooEnem l45 Esclareça que a resolução pode ser encaminhada de duasmaneiras: Resolução 1 Cálculo do custo mensal do consumo de energia elé- tricadecadageladeira: •geladeiraNE:Eelétricaconsumida .tarifa= 47kWh. R$0,40/kWh=R$18,80 •geladeiraEC:Eelétricaconsumida . tarifa= 22kWh.R$0,40/kWh=R$8,80 Cálculodaeconomiamensalnocustodoconsumode energiaelétrica: diferençanocustomensal: ∆custo=R$18,80–R$8,80=R$10,00 diferença no preço de compra dos aparelhos: ∆preço=R$1600,00–R$900,00=R$700,00 Cálculo do tempo necessário para a recuperação do “investimento”naeconomiadeenergiaelétrica: R$10,00 g 1mês R$700,00 g n n=70meses Resolução 2 Cálculodadiferençanoconsumomensaldeenergia elétricaentreosdoisaparelhos: ∆consumo=47kWh–22kWh=25kWh Cálculo da economia mensal no consumo de energia elétrica ∆custo=25kWh .R$0,40/kWh=R$10,00 Cálculodadiferençanopreçodecompradosmodelos dosaparelhos: ∆preço=R$1600,00–R$900,00=R$700,00 Cálculodotempoesperadoparaarecuperaçãodo “investimento”naeconomiadeenergiaelétrica: R$10,00 g 1mês R$700,00g n n=70meses Ao final da resolução, peça aos alunos que pesquisem mais informações sobre o Procel. Estimule-os a divul- gar as dicas a seguir, dadas pelo programa, entre fa- miliares, vizinhos e amigos, e contribuir, assim, com o consumoconscienteeaeconomiadeenergiaelétrica. Veja algumas dicas • Prefira eletrodomésticos, motores e lâmpadas que tenham o selo do Procel, pois são mais efi- cientes e gastam menos energia; • Ao fazer instalações elétricas, use fios adequa- dos e não faça emendas malfeitas; • Evite o uso de benjamins (tomadas emT) para ligar vários aparelhos; • Substitua as lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes compactas ou circulares; • Desligue lâmpadas, ar-condicionado e a te- levisão em ambientes desocupados e também não durma com aTV ligada; •Nãoguardealimentosquentesedestampados nageladeiraeaconserveorganizadaparaevitar que a porta fique aberta por muito tempo; • Não coloque roupas para secar atrás do freezer ou refrigerador e regule o termostato de acordo com a estação do ano, pois, no frio, a tempera- tura não precisa ser tão baixa; • Mantenha as borrachas de vedação do freezer e da geladeira em boas condições. Caso não es- tejam, troque por novas borrachas; • Procure utilizar o ferro elétrico – que sobre- carrega muito a rede elétrica – enquanto outros aparelhosestiveremdesligados.Paranãoligá-lo várias vezes, passe uma grande quantidade de roupas de uma só vez; • Evite banhos demorados e regule a chave do chuveiro com a estação do ano; • Na hora de usar a máquina de lavar, coloque a quantidade máxima de roupa ou louças e use o nível de sabão adequado para evitar muitos enxágues, e • Comunique à concessionária quando identifi- car usos irregulares de energia, inclusive furtos ou fraudes. AgênciaNacionaldeEnergiaElétrica.Pordentrodacontadeluz. Brasília:ANEEL.out.2008.Disponívelem:<www.aneel.gov.br/ arquivos/PDF/Cartilha_1p_atual.pdf>.Acessoem:13ago.2009. PRATICANDO HABILIDADES✔✔ Competência 1, habilidade 1 (veja qua- dro na página 18) Q.1 (Encceja 2006) As estações de rádio e TV transmitem suas programações por meio de ondas eletromagnéticas diferentes umas das outras para que elas possam ser distinguidas e para minimizar interferências. Duas características das ondas que, de forma equi- valente, distinguem as ondas eletromagnéticas de várias estações são: a) a velocidade e a refração. b) a difração e a amplitude. c) a frequência e o comprimento de onda. d) a amplitude e o comprimento de onda. Resposta: C Comente que a velocidade de propagação, intensi- dade, frequência e comprimento são características fundamentais de qualquer tipo de onda. Entretanto, aatividadefalaemcaracterísticasquedistinguem, de modo equivalente, ondas da mesma natureza. Reforce que uma onda se diferencia de outras de mesma natureza pela sua frequência e pelo seu comprimento. Competência 5, habilidades 17 e 18 (veja quadro na página 18) Q.2 (Unifesp 2009) A sonda Phoenix, lançada pela Nasa, detectou em 2008 uma camada de gelo no fundo de uma cratera na superfície de Marte. Nesse planeta, o gelo desaparece nas estações quentes e reaparece nas estações frias, mas a água nunca foi observada na fase líquida. Com auxílio do diagra- ma e das fases da água, analise as três afirmações seguintes. I. O desaparecimento e o reaparecimento do gelo, sem a presença da fase líquida, sugerem a ocorrência de sublimação. II. Se o gelo sofre sublimação, a pressão atmos- férica local deve ser muito pequena, inferior à pressão do ponto triplo da água. III. O gelo não sofre fusão porque a temperatura no interior da cratera não ultrapassa do ponto triplo da água. De acordo com o texto e com o diagrama de fases, pode-se afirmar que está correto o contido em: a) I, II e III. b) II e III apenas. c) I e III apenas. d) I e II apenas. e) I apenas. Resposta: D A partir do enunciado e da observação do gráfico, podemos afirmar que o gelo, em algumas estações do ano em Marte, se transforma diretamente em água. Ou seja, ela passa por um processo de subli- mação. A hipótese I, portanto, é verdadeira. O eixo 760 4,579 0,0098 100 Temperatura (0C) líquido ponto triplo sólido Pressão(mmHg)
    • PLANOS DE AULA 46 lExplicandooEnem Equipe A Equipe B tração atrito tração atrito tração atrito tração atrito tração atrito vertical do gráfico indica pressão atmosférica e o horizontal, a temperatura. Vemos que, à altura do ponto triplo da água, abaixo do qual ela passa di- retamente do estado sólido para o gasoso, a pressão é baixa. A hipótese II é verdadeira. Ainda analisando o gráfico, concluímos que a hipótese III é falsa, pois, no eixo horizontal, com a água já em estado gasoso, pode haver temperaturas superiores à registrada no pontotriplodaágua. Competência 5, habilidade 18 (veja quadro na página 18) Q.3 (Ufabc 2009) Cabo de guerra Quem diria que uma brincadeira de criança já valeu medalha de ouro. Esse esporte esteve presente em todas as Olimpíadas disputadas entre 1900 e 1920, quando ainda era conside- rado uma modalidade de atletismo. Em 1908, em Londres, o resultado foi um pódio caseiro e fardado. A polícia de Londres ficou em primeiro, seguida por policiais de Liverpool e da polícia Metropolitana, respectivamente. Revista Galileu, Ed. n.º 204, julho 2008. Considere duas equipes A e B, formada por três ga- rotas cada uma, numa disputa de cabo de guerra sobreumasuperfícieplanaehorizontal,comomos- tra a figura. A alternativa que mostra corretamente a força de tração aplicada pela corda e a força de atrito aplicada pelo solo nas mãos e nos pés, respectivamente, de umaintegrantedaEquipeB,duranteadisputa,é: Resposta: E Oriente os alunos a prestar atenção à pergunta: “a força de tração aplicada pela corda nas mãos” (e não pelas mãos da menina na corda) e “a força de atritoaplicadapelosolonospés”.Ameninadaequi- pe B puxa a corda com força de tração, mas a corda exerce tração contrária. No solo onde o garota se apoia,aforçadeatritoéigualecontrária,emdireção oposta. Competência 2, habilidade 5 (veja qua- dro na página 18) Q.4 (Fuvest-SP 2009) Na maior parte das resi- dências que dispõem de sistemas de TV a cabo, o aparelho que decodifica o sinal permanece ligado sem interrupção, operando com uma potência aproximada de 6 W, mesmo quando a TV não está ligada. O consumo de energia do decodificador, durante um mês (30 dias), seria equivalente ao de uma lâmpada de 60 W que permanecesse ligada, sem interrupção, durante: a) 6 horas. b) 10 horas. c) 36 horas. d) 60 horas. e) 72 horas. Resposta: E Como a potência do decodificador é um décimo da potência da lâmpada, para que ambos gastem a mesma quantidade de energia elétrica, a lâmpada deverá ficar ligada apenas um décimo do tempo de funcionamento do decodificador, portanto três dias ou72horas. Competência 6, habilidade 22 (veja quadro na página 18) Q.5 (Simulado Enem 2009) “Quatro,três,dois,um...Vá!”Orelógiomarcava 9h32min(4h32minemBrasília)nasaladeco- mando da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (CERN), na fronteira da Suíça com a França, quando o narrador anunciou o sur- gimento de um flash branco nos dois telões. Era sinal de que o experimento científico mais caro e mais complexo da humanidade tinha dado seus primeiros passos rumo à simulação do Big Bang, a grande explosão que originou o universo. A plateia, formada por jornalistas e cientistas, comemorou com aplausos assim que o primeiro feixe de prótons foi injetado no aneldoGrandeColisordeHadrons(LHC–Lar- ge Hadrons Collider), um túnel de 27 km de circunferência construído a 100 m de profun- didade. Duas horas depois, o segundo feixe foi lançado, em sentido contrário ao primeiro. Os feixes vão atingir velocidade próxima à da luz e, então, colidirão um com o outro. Essas co- lisões poderão nos ajudar a decifrar mistérios do universo. CRAVEIRO, R.“Máquina do Big Bang”é ligada. Correio Braziliense, Brasília, 11 set. 2008, p. 34 (com adaptações). Segundo o texto, o experimento no LHC fornecerá dados que possibilitarão decifrar os mistérios do universo. Para analisar esses dados provenientes das colisões no LHC, os pesquisadores utilizarão os princípios de transformação da energia. Sabendo desses princípios, pode-se afirmar que: a) as colisões podem ser elásticas ou inelásticas e, em ambos os casos, a energia cinética total se dissipa na colisão. b) a energia dos aceleradores é proveniente da energia liberada nas reações químicas no feixe injetado no interior do Grande Colisor. c) o feixe de partículas adquire energia cinética pro- veniente das transformações de energia ocorridas nainteraçãodofeixecomosaceleradores. d) os aceleradores produzem campos magnéticos que não interagem com o feixe, já que a energia preponderantedaspartículasnofeixeéaenergia potencial. e) a velocidade das partículas do feixe é irrelevante nos processos de transferência de energia nas colisões, sendo a massa das partículas o fator preponderante. Resposta: C. Nos aceleradores de altas energias, como o LHC do CERN, as partículas interagem com os campos elétricos e magnéticos gerados externamente por fontes gigantescas, atingindo velocidades muitís- simo próximas à da luz e, como consequência, ad- quirindo energias de até 7 trilhões de elétrons-volt (7 TeV). Quando os feixes colidem entre si, provo- cam mais 600 milhões de colisões por segundo(!), gerando todo tipo de produtos de reação. Como curiosidade, conte aos alunos que, no caso que es- tamosabordando,adiferençaentreavelocidadeda luzeavelocidadedosfeixesnoinstantedacolisãoé de apenas 2,5 m/s. Carlos Magno aZinarotorrEsébacharelemFísica,mestre emFísicaTeóricaeespecializadoemEngenhariaElétricapelaUni- versidade de São Paulo (USP), além de ter Complementação Pe- dagógicapelaUniversidadeBandeirantedeSãoPaulo(Uniban). Equipe A Equipe B tração atrito tração atrito tração atrito tração atrito tração atrito a) b) c) d) e)
    • ExplicandooEnem l47 CiênciasdaNaturezae suastecnologias QUÍMICA COMPETÊNCIA 5ff Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos. HABILIDADEff 17. Relacionar informações apresentadas em diferentesformasdelinguagemerepresentação usadas nas ciências físicas, químicas ou bioló- gicas, como texto discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica. 18. Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou proce- dimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam. OBJETOS DO CONHECIMENTOff Materiais e suas propriedades. OBJETO ESPECÍFICOff Processos de separação de misturas. O sal marinho DESENVOLVIMENTO Desperte o interesse dos alunos formulando uma sériedeperguntas.Porexemplo:“Deondeseobtém osaldecozinha?”.Certamenteelessaberãorespon- der que ele vem do mar. Ressalte que a concentração do sal do mar é de aproximadamente 35 g/L. E, apesar de ser o mais abundante,ocloretodesódionãoéoúnicocompo- nente dissolvido na água. Reforce que, após a evaporação da água, os prin- cipais íons presentes no“sal”obtido são (porcenta- gens aproximadas em massa): REGISTRE NA LOUSA íon porcentagem cloreto Cl– 56 sódio Na+ 28 sulfato SO4 2– 8 magnésio Mg2+ 4 cálcio Ca2+ 1,5 potássio K+ 1 Comente que nem todos os íons cloreto poderão formarocloretodesódio.Demonstrecomaseguin- te resolução. REGISTRE NA LOUSA 23,0 g Na+ -------------35,5 g Cl– 28 g Na+ ------------- m m = 43 g de Cl– EvidenciequeháexcessodeíonsCl– emrelaçãoaos íons Na+ . No “sal grosso”, formado na evaporação, hátambémcertaquantidadedecloretodemagné- sioepequenasquantidadesdeíons,comobrometo, iodeto, bicarbonato, ferro, etc. Pergunte o que existe dissolvido na água do mar. A resposta sal será unânime, mas você pode indagar acerca de outros componentes. Por exemplo: “Há areia na água do mar? Ela não está dissolvida, mas em suspensão e se sedimenta espontaneamente.”; “Ear?Afinal,comoospeixesrespirariam?”;“Equan- to a substâncias orgânicas? Claro que sim, o mar é um ambiente com vida e os produtos da atividade vital também podem estar presentes.” Os alunos podem lembrar que no mar há iodo. Explique que é verdade, apesar de a presença desse elemento ser em quantidade muito pequena. Questione como o sal é obtido a partir da água do mar. Como é muito provável que quase todos os alunos conheçam esse processo, aproveite para explorar os processos de separação de misturas. In- dague sobre o que ocorrerá se filtrarmos água do marcomumfiltrodepapeloudepanoesesobrará algum resíduo. Explique que a resposta é positiva, porqueaáguadomartemmateriaisemsuspensão, como areia, terra e restos de animais e vegetais. O iodo no sal marinho Encontramos iodo na água do mar na forma de íons iodeto I– , mas em concentração muito baixa. Ressalte que, para podermos utilizá-lo na ali- mentação, o sal passa por um processo de refi- naçãoparaeliminaralgunscomponentes,como ocloretodemagnésio,quetendeaumedecê-lo. Osalpurificadoéfinamentemoídoerecebepor lei a adição de composto de iodo, geralmente o iodato de sódio. Explore o processo de separação de uma mistura homogênea de soluto não volátil e indague se esse modo de separação também pode ser aplicado a uma mistura de água e álcool. Peça aos alunos que expliquem por que não é possível separar água e álcool por evaporação simples. Questione: “Que alimentos são fontes de sal?”. Re- lembre-os de que ingerimos sal de várias maneiras: na manteiga ou na margarina que passamos no pão, nos embutidos (mortadela, salsicha, linguiça, salame), no pão comum ou de forma, em bolos e bolachas, etc. Ressalte que, apesar da recomendação médica de 5 g por pessoa, nosso consumo médio diário é de 10 g. Advirta que o excesso de sal causa aumentodapressãoarterialepode,emalgunscasos, provocar hemorragias (“derrames”) por rompimento devasossanguíneos. Peça exemplos de outros usos que pode ter o sal, além da alimentação. Comente, por exemplo, que em países frios se costuma jogar sal nas estradas e ruas para derreter a neve. Efaledousomaisimportantedosaldopontodevis- tadaQuímica:aproduçãodasodacáustica.Peçaaos alunosqueexpliquemaimportânciadesseproduto. Apresente o texto a seguir: Como o sal é produzido? O Brasil está entre os dez maiores produtores de sal de cozinha do mundo. A produção bra- sileira está por volta de 7 milhões de toneladas anuais. Dessa produção, 5 milhões de toneladas correspondemaosalmarinho(extraídodaágua do mar) e o restante é o sal-gema retirado de depósitos terrestres. A extração do sal marinho é feita deixando-se a água do mar em depósitos abertos nos quais a água evapora sob a ação do calor e dos ventos. A água do mar vai se concentrando e a partir de certo ponto se inicia a cristalização do chamado sal bruto. O sal bruto é então refinado; várias de suas impurezas são eliminadas até restar o cloretodesódiopraticamentepuro.Antesdeser vendido à população ou empregado pelas in- dústrias de alimentos, o sal recebe o acréscimo depequenasporçõesdeiodatodesódio(NaIO3 ) porque a falta de iodo pode causar alguns pro- blemasdesaúde,comoobócio(“papo”).Quan- toaousoindustrial,nãoénecessáriaessaadição deiodato;osalématéria-primaparaaprodução de soda cáustica, cloro e alvejantes. A indústria (não alimentícia) utiliza o cloreto de sódio para a produção de uma variedade de substâncias. A eletrólise da solução aquosa do sal gera produtos e subprodutos importantes.
    • PLANOS DE AULA 48 lExplicandooEnem REGISTRE NA LOUSA A eletrólise do NaCl aquoso 2NaCl(aq) +2H2 O(l) g2Na+ (aq) +2OH-(aq) +H2(g) Mostre que o produto principal dessa reação ele- trolítica é o hidróxido de sódio, mais conhecido na indústria e no comércio com o nome de“soda cáus- tica”. Suas principais aplicações estão na produção do sabão (a partir de óleos e gorduras) e do papel (a partir de fibras vegetais). Recordebrevementequeosgaseshidrogênioecloro sãoliberadosempolosdiferentesepodemsercom- binadosparaformarocloretodehidrogênio.Eesses gases podem ter outras aplicações. O hidrogênio pode ser usado como combustível e na transforma- çãodosóleosemgordura(“gordurahidrogenada”). O cloro entra na produção de alguns inseticidas e na produção do PVC (policloreto de vinila). Quando umacorrentedegáscloroatravessaumasoluçãode hidróxido de sódio fria ocorre a produção de hipo- clorito de sódio. Peça aos alunos que montem a equação da reação entre o hidrogênio e o cloro, produzindo cloreto de hidrogênio. Escreva as equações abaixo na lousa, sem os coefi- cientes,esoliciteaelesquefaçamobalanceamento das equações. REGISTRE NA LOUSA 2NaOH(aq) +Cl2(g) gNaCl(aq) +NaClO(aq) +H2 O(l) , ou simplificadamente: Cl2 (g)+2OH– (aq) gCl– (aq) +ClO– (aq) +H2 O Comente que a solução aquosa de cloreto/hi- poclorito de sódio é conhecida como alvejante e desinfetante (“água de lavadeira”). O íon hi- poclorito é o responsável pelas propriedades oxidantes da mistura. MostreemquaisassuntosdaQuímicaaextraçãoeo uso do sal marinho têm importância: a)Separação de misturas A água do mar (após a sedimentação do mate- rial em suspensão) é uma mistura que pode ser considerada homogênea. A extração dos solutos não pode ser feita por filtração ou decantação. Nesse caso, a evaporação da água é o processo mais indicado. b) Química inorgânica UmdosassuntosdaQuímicainorgânicaéafunção inorgânica“sal”.Essetópicoenvolvenomenclatura, ocorrência,processosdeobtençãoeusos. c) Eletrólise No processo de eletrólise aquosa, a água “des- carrega”antes dos cátions dos metais alcalinos, como o sódio. A reação é: 2 H2 O(l) + 2 e- gH2(g) + 2 OH– (aq) Já os ânions cloreto se oxidam antes da água: 2 Cl– (g) g2 e- + Cl2(g) Proponha aos alunos responderem às seguintes questões para avaliar se sabem manipular alguns outros conceitos químicos. REGISTRE NA LOUSA 1. A água do mar apresenta densidade igual a 1,02g/cm3 .Considerandoasalinidadeiguala35 g/L,quemassade“salgrosso”(emquilogramas) podeserretiradade10m3 deáguadomar? Dado: 1 m3 corresponde a 103 L Resposta: 1 L g35 g 104 L gm m = 35 . 104 g 350 kg 2. A tabela a seguir apresenta a concentração aproximada de alguns íons presentes na água do mar. Há maior número de íons magnésio ou sulfato? íon concentração g/L concentração mol/L cloreto Cl- 19,4 0,55 sódio Na+ 9,8 0,43 sulfato SO4 2- 2,8 0,03 magnésio Mg2+ 1,4 0,06 cálcio Ca2+ 0,5 0,01 Resposta: Há maior número de íons magnésio. Em 1 L há 0,06 mol de magnésio e apenas 0,03 mol de sulfato. O íon sulfato é mais abundante em massa, mas o íon magnésio é mais abundante quanto ao número de partículas. QUESTÃO✔ Convide os alunos a resolver a seguinte questão, elaborada a partir da competência de área 5 e das habilidades 17 e 18. A atividade proposta leva em conta o novo formato do Enem. Resolva-a em conjunto com os alunos, orientando-os a analisar o enunciado, ler todas as alternativas e eliminar as respostas incorretas explicando por que são inade- quadas. Valide a resposta correta sintetizando as competências e habilidades envolvidas. O sal de cozinha é formado pela substância cloreto de sódio e pode ser obtido de várias fontes. Existem depósitos terrestres de sal e, nesse caso, ele é co- nhecido como sal-gema ou halita. Há sal dissolvido na água de alguns lagos (lagos salgados) e no mar. Na água do mar, a concentração de sal é de aproxi- madamente 35 g/L. A extração do sal marinho no Brasil é relativamente simples. A água do mar é bombeada para grandes piscinas na praia, onde, com o calor e o vento, eva- pora. O sal bruto obtido, dependendo do seu uso previsto, passa então por processos de purificação e refinação. Oquadroaseguirmostraadistribuiçãodoconsumo de sal no Brasil: Tipo de consumo Porcentagem humano e animal 38 indústria química 15 frigoríficos, curtumes, etc. 47 O que faz a indústria química com o sal? Quando uma corrente elétrica contínua atravessa uma solu- ção aquosa de sal ocorrem reações que podem ser representadas pela equação global: 2NaCl(aq) + 2H2 O(l) g 2NaOH(aq) + H2(g) + Cl2(g) Considere as afirmativas abaixo e identifique a ver- dadeira. a)O sal é obtido a partir da água do mar por um processo chamado destilação. b)Aproduçãodohidróxidodesódio(sodacáustica) éaprincipalresponsávelpeloconsumodesalno Brasil. c) A eletrólise do cloreto de sódio aquoso transfor- ma substâncias compostas em outras substân- cias simples ou compostas. d)Todos os produtos dessa eletrólise representam perigo para o meio ambiente, com exceção do hidrogênio, que constitui quase 80% do ar em volume. e)117gdecloretodesódioproduzem,teoricamen- te,80gdesodacáustica.Assim,apartirde1Lde água do mar seria possível obter, no mínimo, 28 g de NaOH. sal marinho NaCl e água H2O hipocrorito de sódio NaClO ácido clorídrico HCl hidróxido de sódio NaOH hidrogênio H2 cloro Cl2
    • ExplicandooEnem l49 Resposta: C Sobre as alternativas erradas, explique que o processo deobtençãodesalapartirdaáguadomaréaevapo- ração. A destilação é empregada quando se pretende recolher ou recuperar também o solvente, e, assim, envolveumaparelhoqueconsisteemumrecipientede aquecimento, um tubo de saída de vapor e um con- densador. Depois, comente que todos os produtos da eletrólisepodemserperigososparaomeioambiente.O hidróxidodesódioécorrosivoeocloroéumgástóxico. Ohidrogênioéomenosperigoso,maselepraticamente não existe no ar; o gás que constitui cerca de 80% do volume do ar é o nitrogênio. Aproveite para refazer o cálculodaalternativaEdemaneiracorreta: 117gNaCl-------------80gNaOH 35g ------------- m m≈24gdeNaOH A respeito da resposta correta, explique que a ele- trólise é uma reação provocada pela passagem da corrente elétrica por uma substância ou por uma solução. Os produtos da eletrólise do cloreto de sódio constituem duas substâncias simples (hidrogênio e cloro)eumacomposta(hidróxidodesódio). PRATICANDO HABILIDADES✔✔ Competências 3 e 5, habilidades 10 e 17 (veja quadro na página 18) Q.1 (Enem 1998) Um dos índices de qualidade do ar diz respeito à concentração de monóxido de car- bono (CO), pois esse gás pode causar vários danos à saúde. A tabela seguinte mostra a relação entre a qualidade do ar e a concentração de CO. Qualidade do ar Concentração de CO– ppm* (média de 8h) Inadequada 15 a 30 Péssima 30 a 40 Crítica Acima de 40 *ppm (parte por milhão) = 1 micrograma de CO por grama de ar (10–6 g) Para analisar os efeitos de CO sobre os seres huma- nos, dispõe-se dos seguintes dados: Concentração de CO (ppm) Sintomas em seres humanos 10 Nenhum 15 Diminuição da capacidade visual 60 Dores de cabeça 100 Tontura, fraqueza muscular 270 Inconsciência 800 Morte Suponha que você tenha lido em um jornal que na cidade de São Paulo foi atingido um péssimo nível dequalidadedoar.Umapessoaqueestivessenessa área poderia: a) não apresentar nenhum sintoma. b) ter sua capacidade visual alterada. c) apresentar fraqueza muscular e tontura. d) ficar inconsciente. e) morrer. Resposta: B Uma concentração de 30 a 40 ppm de CO equivale a um péssimo nível de qualidade de ar. A melhor al- ternativa é a que indica “diminuição da capacidade visual.” Abaixo de 15 ppm não haveria sintomas e acimade60ppmapessoasofreriadoresdecabeça. Observe que, como a tabela não tem um valor defi- nido para o aluno escolher, ele tem de avaliar qual a faixa mais adequada para a qualidade classificada comopéssima. Competências 5 e 7, habilidades 18 e 24 (veja quadro na página 18) Q.2 (Enem 1998) A tabela a seguir registra a pres- são atmosférica em diferentes altitudes, e o gráfico relaciona a pressão de vapor da água em função da temperatura. Altitude (km) Pressão atmosférica (mm Hg) 0 760 1 600 2 480 4 300 6 170 8 120 10 100 Um líquido, num frasco aberto, entra em ebuli- ção a partir do momento em que a sua pressão de vapor se iguala à pressão atmosférica. Assi- nale a opção correta, considerando a tabela, o gráfico e os dados apresentados, sobre as se- guintes cidades: Natal (RN) Nível do mar Campos do Jordão Altitude de 1628 m Pico da Neblina Atitude de 3014 m A temperatura de ebulição será: a) maior em Campos do Jordão. b) menor em Natal. c) menor no Pico da Neblina. d) igual em Campos do Jordão e Natal. e) não dependerá da altitude. Resposta: C Um líquido, em frasco aberto, entra em ebulição quando sua pressão de vapor se iguala à pressão atmosférica.AmenorpressãoatmosféricaéadoPico da Neblina, porque, quanto maior a altitude, menor apressãoatmosférica.Assim,atemperaturadeebu- liçãodaáguaserámenorali. Competências 5 e 7, habilidades 17 e 24 (veja quadro na página 18) Q.3 (UFRGS 2001) Soluções de ureia, (NH2 )2 CO, podem ser utilizadas como fertilizantes. Uma so- lução foi obtida pela mistura de 210 g de ureia e 1 000 g de água. A densidade da solução final é 1,05 g/mL. A concentração da solução em per- centual de massa de ureia e em mol/L, respecti- vamente, é: Porcentagem em massa Concentração em mol/L a) 17,4% 3,04 b) 17,4% 3,50 c) 20,0% 3,33 d) 21,0% 3,04 e) 21,0% 3,50 Resposta: A Amassadasoluçãoformadaéiguala1210g.Dessa massa,210gsãodeureia. 1210g-----------100% 210g-------------x x=17,4% Para calcular a concentração em mol/L será neces- sária a massa molar da ureia (a partir da fórmula e das massas atômicas). Calcula-se a “quantidade de matéria” (número de mols) e n = 210 g/ 60 g/mol =3,5mol. O volume da solução em mililitros é 1210 g/ 1,05g/mL=1152mL(ou1,15L). A concentração (em mol/L) será dada pelo cálculo: 3,5mol/1,5L=3,04mol/L. Carlos Alberto M.Ciscato équímicoindustrialeformado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Hu- manas da Universidade de São Paulo (FFLCHUSP). Em coautoria comLuisFernandoPereira,publicouolivroPlanetaQuímica,pela EditoraÁtica(2008). 800 700 600 500 400 300 200 100 0 0 20 40 60 Temperatura Pressãodevaporda águaemmmHg 80 100 120
    • PLANOS DE AULA 50 lExplicandooEnem O esquema mostrado dá margem a um debate sobre o progresso tecnológico nessa área e suas aplicações. Estimule a participação dos alunos e solicite-lhes aomenosumexemplodecadaprodutotecnológico apresentado no quadro. Registre tudo na lousa. Peça aos alunos que tragam artigos de jornais e revistas científicas sobre o assunto. Exibir filmes e apresentar questões aplicadas no Enem em anos anteriores também enriquece a aula. Veja, por exemplo, a atividade comentada a seguir: (Enem 2005) Os transgênicos vêm ocupando parte da imprensa com opiniões ora favoráveis ora desfa- voráveis.Umorganismoaorecebermaterialgenético de outra espécie, ou modificado da mesma espécie, passa a apresentar novas características. Assim, por exemplo, já temos bactérias fabricando hormônios humanos, algodão colorido e cabras que produzem fatoresdecoagulaçãosanguíneahumana. ObelgaRenéMagritte(1896-1967),umdospinto- ressurrealistasmaisimportantesdomundo,deixou obras enigmáticas. Caso você fosse escolher uma ilustração para um artigo sobre os transgênicos, qual das obras de Magritte, abaixo, estaria mais de acordo com esse tema tão polêmico? Resposta: B Analise cada alternativa e evidencie que a figura b ilustra a ideia da fusão de DNAs de espécies dife- rentes. Retome o conceito de transgenia e ressalte a importânciadosseguintesconteúdosrelacionados: 1.ODNA,porseruniversal–todososserespossuem osmesmostiposdenucleotídeoemordensdiferentes –,podesermisturadoaoutroDNAqualquer. 2. O código genético é universal, ou seja, a tradu- ção em proteínas será igual em qualquer ser (com raras exceções). cIÊNcIASdANATUREzAE SUASTEcNOLOGIAS BIOLOGIA competência 3ff Associar intervenções que resultam em degra- dação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumentos ou ações científico-tecnológicos. Habilidadeff 11. Reconhecer benefícios, limitações e as- pectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológicos. Objetos do conhecimentoff Moléculas, células e tecidos. Objeto específicoff Aplicaçõesdebiotecnologianaproduçãodeali- mentos, fármacos e componentes biológicos. BIOTEcNOLOGIA dOS TRANSGÊNIcOS DESENVOLVIMENTO Inicie a aula sondando o conhecimento prévio dos alunos a respeito da estrutura da molécula de DNA. Trabalhe com textos de jornal, revistas e sites que tratem do tema. Auxilie-os a interpretar o material e aproveite para revisar o conceito de biotecnologia. Peça-lhes exemplos de produtos biotecnológicos. REGISTRE NA LOUSA 3. Os transgênicos podem ser do tipo: bactéria – ve- getal; bactéria – animal; vegetal – vegetal; animal –animal;evegetal–animal. Depois de debater a questão em classe, recorde com osalunosastécnicasusadaspelabiotecnologiaparaa produção dos transgênicos. Questione-os para saber até que ponto eles conhecem as funções das ferra- mentasbiotecnológicas,comoasendonucleases(en- zimasderestrição)eoPCR(amplificaçãodoDNA). REGISTRE NA LOUSA Os produtos transgênicos e seus benefícios. Relacione alguns benefícios trazidos pelos produtos transgênicos e estimule o debate e a reflexão sobre o temapormeiodetextoscomooreproduzidoaseguir: ONU respalda uso de transgênicos no combate à fome A biotecnologia representa grande esperança paraagricultoresdepaísesemdesenvolvimento, mas, até agora, apenas algumas dessas nações estão desfrutando de seus benefícios. A análise está no relatório anual da Organização para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês)daONUdivulgadonessasegunda-feira. Numa clara defesa da adoção de alimentos transgênicoscomoumadasformasdecombate à fome mundial, a FAO alerta para o fato de que cultivos considerados essenciais, sobretudo nos países mais pobres – como mandioca, batata e trigo – vêm sendo negligenciados por cien- tistas. O documento lembra que o mundo terá 2 bilhões de pessoas a mais para alimentar até 2030 e que a biotecnologia pode ajudar a en- frentar tal desafio. ”Nem o setor público nem o privado investem significativamente em novas tecnologias gené- ticas para os chamados ’cultivares órfãos’, como osorgoeopainço,essenciaisparaospovosmais pobres do planeta”, afirmou o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf. ”Transgênicos são seguros”, diz documento. A posiçãodaFAOvaideencontroàstesesmaisdi- fundidas,segundoasquaisoproblemadafome não está relacionado à escassez de alimentos, mas sim à má distribuição. O documento frisa que o grande desafio da biotecnologia é desenvolver técnicas que com- binem o aumento da produção, a redução dos custos, a proteção do meio ambiente e, ainda, garantam a segurança alimentar. Reprodutiva Terapêutica DNA recombinante Clonagem Transgênicos Projeto Genoma Biotecnologia a) b) c) d) e)
    • ExplicandooEnem l51 Embora o documento sustente que a biotecno- logia não se restringe aos transgênicos, o texto cita o que considera organismos geneticamente modificados bem-sucedidos: ”Exemplos são encontrados em variedades de arroz e canola que contêm consideráveis quantidades de be- tacaroteno. Esse precursor da vitamina A está presente em poucos itens da dieta de muitas pessoas, particularmente nos países em de- senvolvimento, onde poderia ajudar a reduzir deficiências crônicas de vitamina A.” Segundo o texto, a pesquisa agrícola pode tirar pessoasdapobreza,aoaumentaroslucrosere- duzir o preço dos alimentos. Dados da FAO revelam que mais de 70% das pessoas mais pobres do mundo vivem em áreas rurais e dependem diretamente da agricultura para sua sobrevivência. (...) O documento da FAO sustenta que, embora muitos europeus se oponham aos organis- mos geneticamente modificados, o mesmo não ocorre entre os consumidores dos países em desenvolvimento. Embora frise que pouco se conhece sobre os efeitos a longo prazo da ingestão de transgênicos, o texto sustenta que oscientistasemgeralconcordamqueosatuais cultivos transgênicos e os alimentos derivados deles são seguros para comer. ONU respalda uso de transgênicos no combate à fome. O Globo. 18 maio 2004. Disponível em: <www.jornaldaciencia.org.br/ Detalhe.jsp?id=18588>. Jornal da ciência. Acesso em: 13 ago. 2009. Adaptado. Ilustre a aula citando alguns produtos transgênicos, como maçã, milho, mandioca, e seus benefícios, como o aumento da durabilidade, a melhora na qualidade proteica, o prolongamento da vida co- mercial desses alimentos, etc. Ressalte a importância do domínio da biotecnolo- gia para o bem-estar do homem sob os aspectos econômico, tecnológico e social. E associe o avanço daspesquisaseodesenvolvimentodenovastecno- logiascomalgunsbenefíciosparaasaúdehumana, como o aumento na expectativa de vida. Dividaaclasseemdoisgrupos.Umdelesrelaciona- rá os benefícios trazidos pelos transgênicos e o ou- tro, um panorama de como seria a vida das pessoas hoje sem essa tecnologia. Confronte as informações levantadas, reforçando, nesse primeiro momento, a importância dos trans- gênicos para o desenvolvimento humano. REGISTRE NA LOUSA Os produtos transgênicos e seus possíveis pro- blemas. Evidencie que a mistura de DNAs de espécies dife- rentes pode formar genes novos na espécie rece- bedora e gerar produtos indesejáveis. Mostre aos alunos o texto seguinte: Quais os danos à saúde e ao meio am- biente causados pelos transgênicos? Até hoje, não se sabe a extensão do impacto que essas experiências genéticas podem causar aohomemeaomeioambiente.Osmaisgraves, provocados pelo cultivo de transgênicos, são a diminuição da biodiversidade; a contaminação genética (...); o surgimento de superpragas (resistentes a herbicidas); o desaparecimento de espécies; e o aumento da utilização de her- bicidas. Em relação à saúde humana, o que se sabe é que os transgênicos têm causado um aumento de casos de alergia, principalmente entre crianças, além do aumento da resistência a antibióticos. Duasplantastransgênicaspodemcruzarentresi e gerar um descendente não esperado ou pre- vistopeloscientistas.NoCanadá,porexemplo,a canola transgênica Roundup Ready cruzou com a canola transgênica Liberty Link e resultou em uma canola supertransgênica. Além disso, as plantas transgênicas podem produzir substân- cias novas desconhecidas tóxicas ao homem. (...) Alguns cientistas e órgãos de pesquisa afirmam que ainda não foi comprovado que o transgênico faz mal à saúde e ao meio ambiente. Por que discriminar a tecnologia? O Greenpeace defende a ideia de que sejam es- tabelecidos mecanismos de proteção ambiental paraprevenirosriscosdostransgênicos.Paraaor- ganização,todoprodutotransgênicodevepassar por estudos de impacto ambiental (EIA/RIMA) antes de sua liberação. A soja transgênica ainda não foi submetida a nenhum estudo desse tipo, mas é cultivada no país indiscriminadamente. As medidas que visam a garantir a segurança dosalimentostransgênicossãotãofracasquan- to as que tratam de seus riscos ambientais. (...) Por que não consumir transgênicos? O que é realmente prejudicial ou não? O consumo responsável é uma ferramenta po- derosa para qualquer pessoa que deseja contri- buir para a conservação da natureza. A opção de consumir ou rejeitar um produto pode ser uma expressão de sua preocupação com a sua saúde ou da sua intenção de proteger a nature- za. Ao evitar o consumo de transgênicos, você estará evitando que sementes geneticamente modificadas sejam plantadas, e assim ajudará a proteger o meio ambiente e a biodiversida- de brasileira. Nossa recomendação é: se você tem opção, evite a compra desses produtos. O Greenpeace é uma entidade ambientalis- ta, e nossa principal função é proteger o meio ambiente. O plantio de transgênicos traz sérios riscos ambientais, como a perda de biodiver- sidade e o aumento do uso de agrotóxicos. As empresas precisam se comprometer com os consumidores e garantir a segurança e a quali- dade de seus produtos. Por isso, devem investir em sistemas de controle, certificação e rastrea- bilidade de transgênicos, para dessa forma garantir que a matéria-prima utilizada não seja transgênica.Você pode usar todas as ferramen- tas do direito do consumidor, como o direito de informação, de qualidade dos produtos etc. Greenpeace Brasil. Disponível em: <www.greenpeace.org/brasil/ tire-suas-duvidas/campanhas/transgenicos.> Acesso em: 13 ago. 2009. Adaptado. Questioneosalunos:“Sefossemcomprovadoscien- tificamente todos os problemas advindos da trans- genia, valeria a pena utilizar esses produtos?” Por fim, promova uma reflexão sobre os aspectos positivos e negativos dos transgênicos. Observe que a divergência de opiniões sobre esse tema polêmico remete a uma questão ética, a bioética. REGISTRE NA LOUSA Aspectos éticos relacionados à biotecnologia Apresenteaosalunosmaisumasugestãodeleitura: A biotecnologia e os impactos bioéticos na saúde O acirrado desenvolvimento biotecnológico que vemacontecendonomundonasúltimascincodé- cadas em uma velocidade avassaladora, que mal conseguimosacompanhá-lo,fezcomquesurgisse umnovoatornocenáriomundial.Trata-sedabio- ética,que,segundoGARRAFA(1998),éumadisci- plina que tem como objetivo dar conta das refle-
    • PLANOS DE AULA 52 lExplicandooEnem xões, ponderações e mediações sobre os assuntos que causam grande polêmica em todos os cantos do planeta. Temos que considerar que, graças à diversidade cultural, as discussões polemizadas sempreexistirame são próprias do surgimento de novoseventos.SegundoGARRAFA(1998),abioé- tica visa à reflexão e ao desenvolvimento de uma tolerâncianasquestõesconflituosas. Essa tolerância permite que as pessoas convi- vam com respostas diferentes para os mesmos problemas. No campo econômico, deparamos atualmente com questões como a permissão ou proibiçãodosalimentostransgênicos(soja,milho e outros) em nosso país. Não está claro ainda a eficáciadessapráticadabiotecnologia.Seporum ladopoderesultarembenefíciosaosprodutorese consumidores,atravésdeumacolheitaabundan- teemaisresistenteaosagentesexternos,também pode trazer consequências devastadoras ao meio ambienteeàsaúdedaspessoas(FORTES2000). MAFTUM,MariluciAlves;MAZZA,VerônicaMellodeAzevedo; CORREIA,MarileneMangini.Abiotecnologiaeosimpactosbioéticos nasaúde.RevistaEletrônicadeEnfermagem,v.06,n.01,2004. Soliciteexemplosdeprodutosdabiotecnologiacuja prática e/ou utilização gera polêmica. Peça a eles uma lista comparativa de riscos e be- nefícios. Estimule o debate sobre o comportamento humano em situações cotidianas. Reforce a ideia de ética e falta de ética no dia a dia. IncentiveumapesquisasobreaLeideBiossegurança. QUESTÃO✔ Convide os alunos a resolver a seguinte questão, elaborada a partir da competência de área 3 e da habilidade11.Aatividadepropostalevaemcontao novoformatodoEnem.Resolva-aemconjuntocom os alunos, orientando-os a analisar o enunciado, ler todas as alternativas e eliminar as respostas incor- retas explicando por que são inadequadas. Valide a resposta correta sintetizando as competências e habilidades envolvidas. Leia a notícia abaixo: CTNBio avalia liberar novos transgênicos sem análises prévias SÃO PAULO – A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na quinta-feira parecer favorável à liberação comercial da quinta variedade de algodão geneticamente modificado no país. E avançou na criação da norma que per- mitirá a aprovação automática de transgênicos resultantesdocruzamentodeduasoumaismodi- ficaçõesgenéticas.(...)Emumadiscussãorecheada de polêmica, os membros da CTNBio avançaram naconstruçãodeumaregraquepoderáisentarde análisepréviaprodutostransgênicosoriginadosdo cruzamento de espécies já avaliadas pelo colegia- do. (...) Para boa parte da comissão, esses novos produtos, submetidos aos métodos tradicionais de manipulação em laboratório, mantêm carac- terísticas equivalentes aos transgênicos originais. Assim,estariamdispensadosdeanáliseedaemis- sãodeumnovoparecertécnico.Outraparcelados membros do colegiado prega cautela porque não haveriabasecientíficaparacomprovaraequivalên- ciaentreoprodutooriginaleseucruzamentocom outrotransgênico.(...)ApermissãodaCTNBiopara esses produtos, considerados de“ segunda gera- ção“ pelas empresas, reabriu a divisão interna no colegiado. A nova regra seria um sinal de“liberou geral”da comissão, segundo cientistas com restri- ções ao uso da biotecnologia no campo. Para os membros favoráveis à tecnologia de modificação genética, a medida ajudaria a“acelerar a avaliação deprocessosnacomissão.Iniciadocomceleridade, oprocessodecriaçãodanovanormaesbarrouem alegações de eventual ilegalidade na isenção da análise prévia pela CTNBio. O Ministério Público Federalaguardaodesdobramentoparaquestionar anormanaJustiça.“Háuminteressemuitogrande doMPsobreisso.Masjáestamosacostumados.Se for ilegal, é ilegal e pronto. Somos eventualmente ameaçadospeloMP”,dizopresidentedaCTNBio,o médicobioquímicoWalterColli.(...)“Nossaposição técnicanãotemnadaavercomCNBS[conselhode ministros], Anvisa ou Ibama“ , disse. Em parecer, o especialista Leonardo Melgarejo afirmou que os membrosdaCTNBiopoderiamresponderdeforma solidáriaporeventuaisdanoscausadospelosnovos transgênicoscruzados.(...)Aconsultorajurídicado Ministério da Ciência e Tecnologia, Lídia de Lima Amaral, afirmou que, em sua opinião, não haveria motivosparapreocupação:“Deantemão,tranqui- lizoosmembrossobrealegalidadedopedido.Não há motivo para temer a responsabilização civil ou penal“.Mesmoassim,diantedorachaedosques- tionamentos,opresidentedaCTNBiodecidiuretirar os pedidos das empresas da pauta da reunião de ontemeaguardaroprazodeconsultapúblicapara retomaraavaliaçãodeumanovanorma. Mauro Zanatta. ValorEconômico.22maio2009.Disponívelem: www.valoronline.com.br/?online/agropecuaria/196/5580226/ ctnbio-avalia-liberar-novos-transgenicos-sem-analises-previas. Acessoem:17ago.2009. Assinale a alternativa correta quanto aos conceitos relacionados: a)Os ecologistas defendem o uso de transgênicos agrícolas, pois seus efeitos são totalmente pre- vistos e controlados e não existe perigo. b)Não se pode associar algodão transgênico resis- tenteainsetos“BollgardII“combiotecnologiaou com bioética, porque as sementes modificadas são cultivadas no solo, e isso neutraliza qualquer efeito biotecnológico. c) Ofatorelatado,emboraenvolvaquestõesdebioé- tica, nada tem a ver com aspectos de biotecnolo- gia,poisnãoenvolvemanipulaçãodeDNAs. d)Não se trata de uma questão que envolva bio- tecnologia e bioética, pois as técnicas de mani- pulação de DNA e seus possíveis efeitos para a ecologiadolocaldeplantiojásãodetotaldomí- nio e amplamente utilizadas pelos especialistas na área agrícola. e) Ao fazer referência à criação da norma que per- mitirá a aprovação automática de transgênicos resultantes do cruzamento de duas ou mais mo- dificações genéticas, o texto coloca-nos diante de situaçõesclarasdebiotecnologiaedebioética. Resposta: E Ressalte o trecho: “Os membros da CTNBio avança- ramnaconstruçãodeumaregraquepoderáisentar de análise prévia produtos transgênicos originados do cruzamento de espécies já avaliadas pelo cole- giado. (...) Para boa parte da comissão, esses novos produtos, submetidos aos métodos tradicionais de manipulação em laboratório, mantêm caracte- rísticas equivalentes aos transgênicos originais” . Incentive a discussão. PRATICANDO HABILIDADES✔ Competência 4, habilidade 13 (veja quadro na página 18) Q.1 (Simulado Enem 2009) Para evitar problemas de choque anafilático em transfusões sanguíneas, entre outras coisas, deve-se verificar o fator Rh dos envolvidos: pessoas com fator Rh– não podem re- ceber sangue Rh+; mas pessoas com Rh+ podem receber sangue Rh– e Rh+. O quadro seguinte indica fenótipos e genótipos em relação ao fator Rh. Tipo sanguíneo Fenótipo Genótipo Grupo Rh+ (Rh positivo) RR ou Rr Grupo Rh- (Rh negativo) rr
    • ExplicandooEnem l53 Um casal tem três filhos e duas filhas, a mulher com Rh+ e o marido, Rh–. Desconhecendo-se o grupo sanguíneo das crianças, numa situação de urgência que exija transfusão de sangue, pode-se considerar que, por medida de segurança no que se refere ao fator Rh, a) todos os três filhos podem doar sangue tanto ao o pai quanto à mãe. b) os filhos podem doar sangue ao pai e apenas as duas filhas podem doar sangue à mãe. c) todos os filhos e filhas podem doar sangue à mãe, mas não ao pai. d) apenasosfilhospodemdoarsangueaopai,mas não à mãe. Resposta: C Trata-se de uma questão de genética mendeliana. E, embora o enunciado não tenha dito, é importante lembrarqueumaúnicatransfusãodeRh+paraRh– é possível. Mas, desconsiderando essa informação, sabe-sequemãeéreceptorauniversalparaRhe,por isso,podereceberqualquertipodesangue. Competência 1, habilidade 4 (veja qua- dro na página 18) Q.2 (Enem 2004) O bicho-furão-dos-citros causa prejuízos anuais de US$ 50 milhões à citricultura brasileira, mas pode ser combatido eficazmente se um certo agrotóxico for aplicado à plantação na hora certa. É possível determinar esse momento utilizando-se uma armadilha constituída de uma caixinhadepapelão,umapastilhacomoferomônio da fêmea e um adesivo para prender o macho.Ve- rificandoperiodicamenteaarmadilha,percebe-sea épocadachegadadoinseto.Umavantagemdouso dessasarmadilhas,tantodopontodevistaambien- tal quanto econômico, seria: a) otimizar o uso de produtos agrotóxicos. b) diminuir a população de predadores do bicho- furão. c) capturar todos os machos do bicho-furão. d) reduzir a área destinada à plantação de laranjas. e) espantar o bicho-furão das proximidades do pomar. Resposta: A Quando se otimiza o uso de produtos agrotóxicos, serão necessárias aplicações menores, o que é bom paraaagriculturaeparaosconsumidores. Competência 5, habilidade 18 (veja qua- dronapágina18) Q.3 (Enem 2003) Quando o corpo humano é in- vadido por elementos estranhos, o sistema imu- nológico reage. No entanto, muitas vezes, o ata- que é tão rápido que pode levar a pessoa à morte. A vacinação permite ao organismo preparar sua defesa com antecedência. Mas, se existe suspeita de mal já instalado, é recomendável o uso do soro, que combate de imediato os elementos estranhos enquanto o sistema imunológico se mobiliza para entrar em ação. Considerando essas informações, o soro específico deve ser usado quando: a) um idoso deseja se proteger contra gripe. b) uma criança for picada por cobra peçonhenta. c) umbebêdeveserimunizadocontrapoliomielite. d) uma cidade quer prevenir uma epidemia de sa- rampo. e) uma pessoa vai viajar para região onde existe febre amarela. Resposta: B Para a resolução desta questão, o aluno precisa ter um conhecimento prévio de como se produz e quan- do deve ser aplicado o soro. Este é feito de anticorpos específicos e é utilizado como medida terapêutica. Comparecomavacina. Competência 5, habilidade 17 (veja quadro na página 18) Q4(Enem1998)Joãoficouintrigadocomagrande quantidade de notícias envolvendo DNA: clonagem da ovelha Dolly, terapia gênica, testes de paterni- dade, engenharia genética, etc. Para conseguir entender do que se tratava, estudou a estrutura da molécula de DNA e seu funcionamento e analisou os dados do quadro a seguir. Analisando-seoDNAdeumanimal,detectou-seque 40% de suas bases nitrogenadas eram constituídas por Adenina. Relacionando esse valor com o empa- relhamentoespecíficodasbases,osvaloresencontra- dosparaasoutrasbasesnitrogenadasforam: a) T = 40%; C = 20%; G = 40% b) T = 10%; C = 10%; G = 40% c) T = 10%; C = 40%; G = 10% d) T = 40%; C = 10%; G = 10% e) T = 40%; C = 60%; G = 60% Resposta: D Relembre a relação de Chargaff: A + G = 50% e C+T=50% Cláudio Pinto Alves é formado em Ciências Biológicas pela faculdade Organização Santamarense de Educação e Cultura (OSEC),comlicenciaturaplena.ÉprofessordoEnsinoMédio. ATCCGGATGCTT TAGGCCTACGAA UAGGCCUACGAA UAGGCCUACGAA Metionima Alina Leucina Glutamato Bases nitrogenadas: A = Adenina T = Timina C = Citosina G = Guanina U = Uracila I II III IV ATCCGGATGCTT
    • PLANOS DE AULA 54 lExplicandooEnem Ressalte que o meio natural existe antes, e inde- pendentemente, da presença do homem. Evidencie quemesmolugaresondeanaturezapermanecein- tocada estão sob delimitações políticas e sujeitos a acordos internacionais entre aqueles que procuram sua preservação e os que desejam explorá-los de forma predatória. Ressalte também que a humanidade, em busca de sobrevivência, modifica intensa e extensivamente o meio natural. E, assim, cria novos ambientes. Espaço humanizado A Geografia é uma ciência humana e, como tal, seu objeto de estudo é a compreensão do espa- çogeográfico–aqueleproduzidopelohomem. Entender as relações do espaço humanizado, entretanto, requer o aprendizado sobre a dinâ- mica do meio natural. Desperte o interesse dos alunos para o conceito de espaço geográfico, mostrando como o termo espa- ço é empregado em outras áreas do conhecimento: espaço sideral, espaço econômico, espaço pessoal. Evidencie que os espaços desenvolvem um dinamis- mopróprio,e,comooselementosqueosconstituem interagem,cria-se,assim,umainterdependência. RetomeoconceitodeespaçoparaaGeografia,ana- lisando, a partir de uma sequência de imagens, as modificações produzidas pelo trabalho humano no meio natural. Avenida Paulista, em São Paulo-SP, em 1902 Avenida Paulista, em São Paulo-SP, em 1978 Avenida Paulista, em São Paulo-SP, em 2009 cIÊNcIASHUMANASESUAS TEcNOLOGIAS GEOGRAFIA cOMPETÊNcIA 6ff Compreender a sociedade e a natureza, reco- nhecendo suas interações no espaço em dife- rentes contextos históricos e geográficos. HABILIdAdESff 26.Identificaremfontesdiversasoprocessode ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem. 27. Analisar de maneira crítica as intera- ções da sociedade com o meio físico, levan- do em consideração aspectos históricos e (ou) geográficos. 29. Reconhecer a função dos recursos naturais na produção do espaço geográfico, relacionan- do-oscomasmudançasprovocadaspelasações humanas. OBJETOS dO cONHEcIMENTOff Osdomíniosnaturaisearelaçãodoserhumano com o ambiente. OBJETO ESPEcÍFIcOff Relação homem-natureza, a apropriação dos recursos naturais pelas sociedades ao longo do tempo. RELAÇÃO HOMEM-NATUREzA: A cONSTRUÇÃO dO ESPAÇO GEOGRáFIcO DESENVOLVIMENTO Inicie a aula perguntando aos alunos o que eles entendem por meio natural. Questione-os sobre qual seria a concepção de natureza selvagem e peça-lhes que a comparem à concepção de natu- reza humanizada. Retome os princípios básicos da dinâmica da na- tureza e explicite os subsistemas que compõem aTerra. Peça aos estudantes que, primeiro, estabeleçam relações entre os elementos naturais e, depois, expliquem a interação que se dá entre eles. Apro- veite para reforçar a ideia de interdependência no meio natural. REGISTRE NA LOUSA A dinâmica da natureza A Terra não é um elemento estático, mas um grande sistema em permanente mudança. Nela,coexistemoutrossistemas:aatmosfera,a biosfera, a litosfera e a hidrosfera. Todos esta- belecem relação entre si. O sistema terrestre Evidencie, com livros de apoio, atlas geográfico e revistas, como os eventos do meio natural se relacionam. Para estimular a interpretação da linguagem visual, utilize ilustrações cartográficas que demonstrem, por exemplo, a influência da energia solar no clima de diferentes regiões pla- netárias e como isso interfere na distribuição da vegetação nativa. Reforce aos alunos a importância das correlações entreaszonasdeiluminaçãoterrestreadistribuição dos grandes domínios de vegetação e a umidade. Mostre que as condições de temperatura e de umi- dade determinam os biomas terrestres e interferem no funcionamento do ciclo hidrológico e na produ- ção de diversas formas de erosão. REGISTRE NA LOUSA Exemplo de interação dos elementos do meio natural. Questione a compreensão dos alunos sobre a dinâ- mica da natureza, estabelecendo outras relações. Por exemplo: energia interna da Terra x modelado da superfície terrestre; altitude x latitude. Mostre, por meio de mapas e/ou ilustrações, casos de inte- ração de elementos naturais. ReproduçãoCarlosNambaRobertoLoffel Atmosfera Hidrosfera Listosfera Biosfera Neve/gelo Tundra Campos ou deserto Equador Polo Norte Latitude Altitude 3000 m 1500 m 0m Taiga (Pinheiros)
    • ExplicandooEnem l55 Peça aos alunos que façam uma análise da sequên- ciailustradaerelacionemosconceitosdenatureza e paisagem. Retome, brevemente, a distribuição das grandes paisagens naturais daTerra. Aproveite esse momento para exercitar a interdisci- plinaridade. A partir de conhecimentos adquiridos no estudo da História, relacione as áreas remanes- centes de Mata Atlântica no Brasil aos principais fatores responsáveis por sua condição atual. Ressalte as principais características e transforma- çõesimpostasaomeionaturalpelaeconomiaagro- exportadora brasileira. Questione em que outros lugares do mundo há florestas tropicais nativas e se estão preservadas. Questione os alunos para sondar em que medida eles compreendem as transformações dos espa- ços geográficos como um produto das relações socioeconômicas e culturais. Eles identificam, por exemplo, o papel das técnicas e das tecnologias na organização do trabalho e na vida social? Paisagem Representa a realidade que a percepção huma- na consegue captar. Todo meio natural, e mes- mo aquele aparentemente intocado, apresenta relações sociais e político-econômicas nem sempre percebidas. REGISTRE NA LOUSA O espaço geográfico é uma construção das sociedades, e não da natureza. Pergunte aos estudantes por que o homem precisa modificar o meio natural. Estimule o debate sobre a seguinte formulação, questionando-os sobre até que ponto eles estão comprometidos com esse tipo de visão. REGISTRE NA LOUSA Dopontodevistadahumanidade,omeiofísico compreende um vasto e diversificado depósito de recursos naturais. Apresenteafraseaseguirediscuta-acomaclasse: REGISTRE NA LOUSA Verdadeirooufalso?Anaturezarepresentauma fonte inesgotável de recursos? Por quê? Peça aos alunos que reflitam sobre o custo das ati- vidades humanas para a natureza. Aproveite para exibir, por exemplo, o esquema das páginas 44 e 45 do Guia do estudante - Geografia 2010 (veja reprodução a seguir) e promover uma análise crítica sobre a questão da água no mundo, recurso natural que pode ser compreendido como abundante e es- casso ao mesmo tempo. Observar esquemas como o referido, que apresenta uma situação-problema contextualizada e atual, promoveodesenvolvimentodecompetênciaseha- bilidadesligadasaoutrasdisciplinas,comoQuímica, Física, Matemática, Biologia e Língua Portuguesa. Aproveite o momento para reforçar princípios relacionados à ética e à cidadania, orientando os alunos para as práticas de preservação ambiental e manejo sustentável. A partir do tema “interferência humana sobre o meio natural”, solicite aos alunos que relacionem outrosproblemasqueafetamavidadaspopulações mundiais e, em especial, daquelas que habitam os grandes centros urbanos. REGISTRE NA LOUSA A relação homem-natureza implica alterar o meio natural para criar e recriar permanente- mente o próprio espaço, o espaço geográfico. intervenção humana g modificação do meio natural = espaço geográfico QUESTÃO✔✔ Convide os alunos a resolver a seguinte questão, elaborada a partir da competência de área 6 e das habilidades 26, 27 e 29. A atividade proposta leva em conta o novo formato do Enem. Resolva-a em conjunto com os alunos, orientando-os a analisar o enunciado, ler todas as alternativas e eliminar as respostas incorretas explicando por que são inade- quadas. Valide a resposta correta sintetizando as competências e habilidades envolvidas. No início de abril de 2009, um terremoto que atin- giu6,3pontosnaescalaRichter,seguidoportremo- res menores, sacudiu e arrasou cidades e vilarejos a pouco mais de 100 quilômetros de Roma. Além do enormeprejuízohumano,comregistrosdecentenas demortosedesabrigados,aregiãodeAbruzzo,área sob intensa atividade sísmica e vulcânica, também contabilizou perdas materiais irreparáveis. Observe no mapa a área atingida. Disponível em: http://n.i.uol.com.br/ultnot/0904/ 06mapaitaliaa.gif. Acesso em: 13 ago. 2009. Sobre as características do fenômeno apresentado, e considerando as relações da vida humana com a paisagem, é correto afirmar que: a) não há dependência do homem em relação à natureza, mas dependência do homem em re- lação ao desenvolvimento de técnicas que supe- rem a ação da natureza. b) aItáliaévulnerávelaosdesastresnaturais.Sualo- calização,próximaaoencontrodeduasplacastec- tônicas, está sujeita intensamente aos processos geodinâmicos,comotectonismoevulcanismo. c) a causa principal da tragédia, que destruiu parte importante da memória do povo italiano, deve- se ao desmoronamento do solo provocado pela combinaçãodaocupaçãodesordenadaàdeclivi- dade do relevo. d) o dinamismo da superfície terrestre resulta da atuação das forças endógenas e exógenas. Os terremotos, como os ocorridos na Itália, têm ori- gem nos processos exógenos, responsáveis pelo modelado terrestre. e) o homem quando ocupa áreas com tendência à ocorrência de determinado fenômeno natural não provoca modificação na natureza. Espaço geográfico O homem modifica o meio natural, ele é o agente do espaço geográfico A superfície terrestre é o espaço das transformações Impressão da organização social em determinado tempo e espaço AmiltonIshikawa
    • PLANOS DE AULA 56 lExplicandooEnem Resposta: B Ressalte que os tremores na Itália se tornam ainda mais perigosos porque boa parte das edificações é antiga. Retome brevemente a teoria de tectônica de placaserelacione,pormeiodeilustraçõescartográfi- cas, a distribuição delas às zonas de intensa ativida- desísmicaevulcânicadomundo. Aproveite para perguntar que preocupações devem ter as sociedades que habitam áreas de risco e de que forma elas podem se preparar para esse tipo de desastrenatural. Sensibilize os alunos para o fato de que em rela- ções travadas pelas sociedades com o meio natural, na maioria das vezes, os danos colocam em risco a vida do próprio homem. Essa abordagem, diferente da que coloca as pessoas apenas como vítimas, pro- põe um debate técnico e objetivo acerca da relação homem-natureza. PRATICANDO HABILIDADES✔ Competências 3, 5 e 6, habilidades 11, 12, 24 e 29 (veja quadro na página 22) Q.1 (Enem 2007) O artigo 1º da Lei Federal nº 9.433/1997 (Lei das Águas) estabelece, entre ou- tros, os seguintes fundamentos: I. a água é um bem de domínio público; II. a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico; III. em situações de escassez, os usos prioritários dos recursos hídricos são o consumo humano e a dessedentação de animais; IV. a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas. Considere que um rio nasça em uma fazenda cuja única atividade produtiva seja a lavoura irrigada de milho e que a companhia de águas do município em que se encontra a fazenda colete água desse rio para abastecer a cidade. Considere, ainda, que, du- ranteumaestiagem,ovolumedeáguadoriotenha chegado ao nível crítico, tornando-se insuficiente para garantir o consumo humano e a atividade agrícola mencionada. Nessa situação, qual das medidas abaixo estaria de acordo com o artigo 1º da Lei das Águas? a) Manter a irrigação da lavoura, pois a água do rio pertence ao dono da fazenda. b) Interromper a irrigação da lavoura, para ga- rantir o abastecimento de água para consumo humano. c) Manter o fornecimento de água apenas para aqueles que pagam mais, já que a água é bem dotado de valor econômico. d) Manter o fornecimento de água tanto para a lavoura quanto para o consumo humano, até o esgotamento do rio. e) Interromper o fornecimento de água para a la- voura e para o consumo humano, a fim de que a água seja transferida para outros rios. Resposta: B É preciso, nesse caso, articular ideias sobre a questão do uso da água e sua regulamentação jurídica no Brasil. A partir de uma suposta situação-problema, aescassezdorecursohídrico,exige-seumaavaliação das prioridades para o uso da água. Os alunos não precisamapresentarconhecimentosespecíficossobre a distribuição geográfica desse recurso natural ou a respeitodociclohidrológico. Competência 2, habilidade 6 (veja qua- dro na página 22) Q.2 (Fuvest-SP 2009) Combasenessesgráficossobre15cidades,pode-se concluir que, no ano de 1995: a) as três cidades com o menor número de habi- tantes, por hectare, são aquelas que mais con- somem gasolina no transporte particular de passageiros. b) nas três cidades da América do Sul, vale a regra: maior população, por hectare, acarreta maior consumodegasolinanotransporteparticularde passageiros. c) as cidades mais populosas, por hectare, são aquelas que mais consomem gasolina no trans- porte particular de passageiros. d) nas três cidades da América do Norte, vale a re- gra:maiorpopulação,porhectare,acarretamaior consumodegasolinanotransporteparticularde passageiros. e) astrêscidadesdaÁsiamaispopulosas,porhecta- re, estão entre as quatro com menor consumo de gasolinanotransporteparticulardepassageiros. Resposta: A Paraaresoluçãodaatividade,exige-seodomínioda linguagem de outra área de conhecimento, Mate- mática e suas Tecnologias. Representações gráficas, comuns em exames, especialmente em questões de Geografia, permitem avaliar habilidades como selecionar, organizar, relacionar e interpretar infor- mações. Nesse caso, ao estabelecer relação entre a densidade demográfica das 15 cidades e o consumo decombustível/passageiro,conclui-sequehárelação direta entre menor densidade demográfica e maior consumopercapita,evice-versa. Competências 5 e 6, habilidades 19, 26 e 29 (veja quadro na página 22). Q.3 (PUC-MG 2009) Asfigurasilustramaadoçãodetécnicasdistintasde aproveitamento de encostas para a produção agrí- cola. Analisando-as, marque a afirmativa correta: a) NaárearepresentadapelafiguraI,oplantiopre- serva os padrões de fertilidade do solo, ao res- peitar o alinhamento e o distanciamento preciso entre as plantas. b) Na área representada pela figura II, o plantio procurou respeitar as curvas de nível de terreno, reduzindo a ação destrutiva das águas pluviais e amenizando os processos erosivos. c) Na área representada pela figura II, o cultivo pa- ralelo mantém as diferenças de altitude entre os alinhamentos, acentuando o processo erosivo. Atlanta Nova York Perth Vancouver Zurique Munique Bangkok Tóquio São Paulo Curitiba Hong Kong Cracóvia Bogotá Xangai Cidade de Ho Chi Minh Habitantes por hectare Figura 1 — Densidade demográfica em 15 cidades — 1995 0 50 100 150 200 250 300 350 400 Habitantes por hectare 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 Atlanta Nova York Perth Vancouver Zurique Munique Bangkok Tóquio São Paulo Curitiba Hong Kong Cracóvia Bogotá Xangai Cidade de Ho Chi Minh Figura 2 — Consumo de gasolina em transporte particular de passageiros em 15 cidades — 1995 Fonte: O estado do mundo em 2007. Nosso futuro urbano (2007 State of the word. Our Urban Future). Linda Starke (ed.) Nova Iorque e Londres: W.W. Norton & Company. 2007, p. 69 e 70. Adaptado. Figura 1 Figura 2
    • ExplicandooEnem l57 d) Nas áreas das figuras I e II, os processos ero- sivos apresentarão a mesma intensidade, pois em ambas houve a preocupação de preservar a vegetação nativa nos pontos mais elevados do terreno. Resposta: B Observe que a proposta ilustra o uso de técnicas na apropriação do espaço rural. A questão avalia o reconhecimento do processo de ocupação do meio natural e a função dos recursos naturais na produção do espaço geográfico. Também associa declividade e erosão. Competência6,habilidades26,27,28, 29 e 30 (veja quadro na página 22) Q.4(UFMT2008)Adinâmicaambientalseexpres- sapelocomportamentodoselementosdanatureza, bem como pelos aspectos socioeconômicos da so- ciedade. Sobre o assunto, marqueV para as afirma- tivas verdadeiras e F para as falsas. ( ) A relação entre a sociedade e a natureza forma um conjunto fundamental para a compreensão das análises socioambientais do espaço geográfico. ( ) O processo de desmatamento pode ocasionar o rompimento do ciclo hidrológico, a perda do solo pelo processo erosivo bem como alterações no comportamento de variáveis climáticas. ( )Comoagentedetransformaçãodasrelaçõesen- tre os homens e destes com a natureza, a industria- lização implicou a urbanização baseada na defesa ambiental,implementandomedidasantipoluidoras e protecionistas. Assinale a sequência correta. a) V,V,V. b) F, F, F. c) F,V,V. d) V, F, F. e) V,V, F. Resposta: E A compreensão do enunciado é fundamental para a resolução da questão, pois afirma a interação homem-natureza. O aluno, ao considerar a resposta correta,demonstracapacidadedecompreenderoreal como uma ocorrência entre múltiplas possibilidades, atribuindo significado aos conceitos estudados em Geografia. Teddy Chu é bacharel e licenciada em Geografia pela Pontifícia UniversidadeCatólicadeSãoPaulo(PUC-SP),comespecialização em Geotecnologias Digitais para o Ensino Médio pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é professora e coordena- doradeEnsinoMédio. CiênciasHumanasesuas tecnologias HISTÓRIA COMPETÊNCIA 4ff Entender as transformações técnicas e tecnoló- gicas e seu impacto nos processos de produção, nodesenvolvimentodoconhecimentoenavida social. HABILIDADESff 16. Identificar registros sobre o papel das téc- nicasetecnologiasnaorganizaçãodotrabalho e/ou da vida social. 17. Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territo- rialização da produção. 18. Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações socioespaciais. 20. Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações impostas pelas novas tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho. OBJETOS DO CONHECIMENTOff Características e transformações das estruturas produtivas . OBJETO ESPECÍFICOff A globalização e as novas tecnologias de tele- comunicaçãoesuasconsequênciaseconômicas, políticas e sociais. O CONCEITO DE GLOBALIZAÇÃO EM DOIS MOMENTOS DA HISTÓRIA DESENVOLVIMENTO Pergunte aos alunos o que eles entendem por glo- balização. Após ouvir algumas opiniões, resgate o conceito em seu sentido atual. Lance um desafio à sala, perguntando se o uso do termo se restringe à atualidade ou se pode, com basenosconteúdosdesenvolvidosaolongodocur- so,serempregadoparacaracterizaroutromomento da história. Fonte: Guia do Estudante – HistóriaVestibular + ENEM 2010 Apresente aos alunos um mapa, como o reproduzi- do acima, da expansão marítima europeia dos sé- culos XV e XVI que contenha as rotas de navegação abertasnesseperíodo.Evidencieadimensãoplane- tária do comércio naquela época. Pergunte a eles porque costumamos usar o ter- mo globalização apenas quando nos referimos à atualidade se o comércio já havia atingido uma dimensão global no século XVI. Solicite-lhes que justifiquem suas respostas e lance a seguin- te indagação: REGISTRE NA LOUSA O que difere a globalização do século XVI da de hoje? Sugira a leitura da matéria“Crise na globalização”, publicada no Guia do Estudante – o novo Enem (página 62). AssocieoprocessodeglobalizaçãodosséculosXVe XVIaoconceitodemercantilismo.Resgateaimpor- tância da política mercantilista dos Estados absolu- tistas europeus como instrumento de acumulação de riquezas (“acumulação primitiva do capital”). REGISTRE NA LOUSA A globalização, nos séculos XV e XVI, diz res- peito à expansão das rotas marítimas rumo ao Oriente em busca de especiarias e metais pre- ciosos. Esse processo resultou no descobrimen- to de novas terras (século XV), na colonização daAmérica(séculoXVI)eemumcomérciocom dimensões planetárias. Mercantilismo é o conjunto das práticas que caracterizaram a política econômica das mo- narquias europeias entre os séculos XV e XVIII. Retome também os conceitos de: • Metalismo: busca dos Estados absolutistas eu- ropeus pela maior acumulação possível de ouro e prata. A quantidade desses metais era, durante a Idade Moderna (séculos XV ao XVIII), o indicativo da riqueza dos países.
    • PLANOS DE AULA 58 lExplicandooEnem • Balança comercial favorável ou superavitária: o saldo positivo no comércio exterior garantia os es- toques de ouro e prata. • Intervencionismo: controle do Estado sobre as- suntos econômicos, como concessões de rotas de comércio, fixação dos preços dos produtos coloniais e participação ou mesmo exclusividade sobre ativi- dades comerciais. • Protecionismo: taxação, pelo Estado, de produtos importados. • Sistema (“pacto”) colonial: subordinação total das colônias ao Estado metropolitano. Para reforçar a interdependência entre essas práti- cas, pergunte aos alunos, por exemplo, qual a re- lação entre o protecionismo e a balança comercial favorável. Quando perceber que há segurança no uso dos conceitos, peça-lhes que façam uma com- paração entre as características da primeira globali- zação com as da atualidade. Pergunte à sala se o mercantilismo ainda é uma ca- racterística das relações de comércio entre as nações. DemonstrequeaRevoluçãoIndustrialdoséculoXVIII setransformouemumapolíticaobsoleta. Pegue um objeto qualquer de uso cotidiano dos alunos, como uma calculadora ou uma lapiseira, com a inscrição Made in China, e pergunte por que essesartigossimplesvêmdetãolongeseseriapos- sível produzi-los aqui mesmo, no Brasil. Evidencie que as atuais necessidades do comércio levam em conta o preço final ao consumidor, o qual engloba custos de transporte e de produção, como mão de obra e matéria-prima. Nessa realidade, medidas protecionistas,típicasdomercantilismo,inviabiliza- riam o comércio internacional. REGISTRE NA LOUSA A Revolução Industrial (século XVIII) impôs a necessidadedeeliminarbarreirasentreosmer- cados. O monopólio do comércio das colônias, determinado pelos Estados metropolitanos, aumentava o preço final das mercadorias. Liberalismo, no plano econômico, é a teoria do século XVIII que critica o intervencionismo estatal e prega a não intervenção do Estado na economia. Trata-se da antítese do mercanti- lismo. Já no campo político, é contra o Estado absolutista e defende o Estado representativo. Trata-se da antítese do absolutismo. Destaque que foi a desregulamentação estatal da atividade econômica no fim do século XIX que criou condições para o surgimento das “corpora- ções multinacionais”(veja página 62 do GUIA DO ESTUDANTE – O NOVO ENEM). Saliente que a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, abalou a crença na teoria da“mão invisível” do mercado, elaborada por Adam Smith no século XVIII. Na década de 1930, em todo o mundo, em maior ou menor grau, recorreu-se à intervenção do Estado para superar os efeitos de uma crise global. Evidencie que a atuação das corporações multi- nacionais, sobretudo depois da II Guerra Mundial, colocou os países em uma situação de interdepen- dência.Decertaforma,todospassaramaserprodu- tores, importadores, exportadores e consumidores de mercadorias. Questione com os alunos se é possível compreender que a globalização, em seu sentido atual, incorpora elementoscomoavelocidadeeaquantidadedemer- cadorias, informações, dinheiro e pessoas em movi- mentoportodooplaneta.Pergunteaosalunosoque eles pensam sobre a importância da internet nesse processo e qual é o papel dos meios de transporte. Indague também qual é a relação entre todos esses elementoseadinamizaçãodocomérciomundial. Recorra aos gráficos das páginas 62 e 63 do GUIA DO ESTUDANTE – O NOVO ENEM para demons- trar o porcentual de participação dos continentes na produção de manufaturados (dados de 2006), o volume do comércio entre os continentes, o por- centual de participação de 30 países no comércio mundial e as principais mercadorias comercializa- das (em porcentagem). A abordagem desses elementos abre possibilidade para uma análise interdisciplinar que leve em conta adisponibilidadederecursosnaturaisparaaprodu- çãodeumvolumetãograndedemercadorias;ode- senvolvimento de tecnologias menos poluentes; a reciclagemdemateriais;oestudodeoutraslínguas; as formas de participação de países e continentes numa economia globalizada; as zonas de conflito no mundo como pontos de descontinuidade do processo de globalização; o multiculturalismo; os modelos políticos, etc. REGISTRE NA LOUSA Globalização na passagem do século XX para o XXI: – Eficiência e baixo custo dos transportes – Internet – Grande volume de investimentos, informa- ções, mercadorias e pessoas em trânsito – Consenso de Washington (privatizações, combate aos subsídios, abolição do prote- cionismo e expansão do crédito) – Regulamentação e fiscalização a cargo da Organização Mundial do Comércio (OMC) Explique que o Consenso deWashington, em 1989, apontou para uma nova retração da participação dos Estados nas questões econômicas ao pregar a privatização de empresas estatais; a abolição das tarifas protecionistas; o combate à política de sub- sídios; a liberalização das atividades produtivas e das operações financeiras; e a expansão do crédito ao consumidor. A regulamentação e a fiscalização dessas práticas ficaram sob responsabilidade de órgãosinternacionais,comoaOrganizaçãoMundial do Comércio (OMC), criada em 1995. Por meio das imagens apresentadas a seguir, pro- mova uma discussão acerca das correlações entre a complexidade da economia internacional e a crescente demanda de profissionais cada vez mais qualificados. AntonioMilenaClaudiaGarciaNielsAndreasRogerioMontenegro
    • ExplicandooEnem l59 Pergunte se existe fórmula segura para evitar a perda de emprego em uma situação de crise global como a atual e se há setores da economia que po- dem ser mais ou menos afetados. Questione se o grau de qualificação seria um dife- rencial para um profissional. Estimule os alunos a dizer como poderiam partici- par de um sistema internacional que envolve efi- ciêncianaproduçãoemlargaescala,velocidadedos transportes, processamento de um número imenso de informações, administração de custos, preserva- ção de recursos naturais e produção cultural. QUESTÃO✔✔ Convide os alunos a resolver a seguinte questão, elaborada a partir da competência 4 e habilidades 16, 17 e 20. A atividade proposta leva em conta o novoformatodoEnem.Resolva-aemconjuntocom os alunos, orientando-os a analisar o enunciado, ler todas as alternativas e eliminar as respostas incor- retas explicando por que são inadequadas. Valide a resposta correta sintetizando as competências e habilidades envolvidas. Compare as duas imagens e assinale a alternativa que se refere às transformações socioculturais de- correntes do desenvolvimento do capitalismo no século XX. a) Lentidão do desenvolvimento tecnológico em consequência do grande número de trabalhado- res nas fábricas. b) Políticadeplenoempregocomoformadegarantir ainclusãoeaascensãosocialdegrandeparcelada populaçãodospaísesindustrializados. c) Preservação de postos de trabalho tornados desnecessários com o desenvolvimento tec- nológico. d) Ascensão de um novo perfil de profissional liga- do ao domínio de novas tecnologias. e) Restrição do uso da tecnologia ao ramo da pro- dução de mercadorias. Resposta: D Pergunte aos alunos se as fotos estão ou não em or- dem cronológica e os incentive a procurar diferenças entre elas. Afinal, a resposta certa depende da análi- secorretadasimagens. Há muito tempo, e não apenas na indústria, o problema do desemprego está relacionado ao de- senvolvimento tecnológico: a tecnologia permite o aumento da produtividade e o barateamento de custos, mas, por outro lado, dispensa mão de obra e acaba reduzindo o mercado consumidor. A educação é fundamental na formação de profissionais aptos a trabalharcomnovastecnologias. PRATICANDO HABILIDADES✔✔ Competências 2 e 3, habilidades 9, 10, 11, 13 e 15 (veja quadro na página 22) Q.1 (Uece 2008) Em Chiapas, no México, em 1994, ocorreu uma rebelião conduzida pela Frente Zapa- tista de Libertação Nacional que reivindicava mu- danças na distribuição da terra e benefícios sociais para as populações do campo e indígena. Quanto à utilização do termo "zapatistas", assinale o correto: a) Uma aproximação à imagem de Emiliano Zapa- ta,umlíderdarevoluçãoMexicanaque,noinício do século XX, parecia ser a única esperança para os camponeses do sul do país. b) Uma clara homenagem ao atual presidente espanhol José Luiz Rodríguez Zapatero que, à época da rebelião, era militante do Partido dosTrabalhadoresSocialistasEspanhol(PSOE) e porta-voz internacional das minorias mexi- canas. c) Referência a Zapata, território localizado no pe- quenoestadomexicanoMorelos,cujapopulação de índios e camponeses, há séculos, resiste às violentas expropriações dos fazendeiros sobre suas comunidades. Reprodução“NossoSéculo1910-1930”ClaudioRossi d) Uma homenagem aos irmãos Emiliano e Eufê- mio Zapata, pequenos proprietários de terras, no estado de Morelos, que, injustamente, tiveram suas terras expropriadas por grandes fazendeiros e foram brutalmente assassinados. e) Uma alusão ao líder Emiliano Zapata que, a par- tirdesuapregação,buscavaoretornoàspráticas religiosas da população indígena anterior à che- gada dos espanhóis no século XVI. Resposta: A O movimento organizado de camponeses e indígenas, que tinha como objetivo a disputa sobre a posse da terra e o rompimento de uma dada situação de poder, inspirou-seemumlíderdopassado,EmilianoZapata. Competências 1, 2 e 3, habilidades 2, 3, 7, 9 e 15 (veja quadro na página 22) Q.2 (Enem 2007) A identidade negra não surge da tomada de consciência de uma diferença de pigmentação oudeumadiferençabiológicaentrepopulações negras e brancas e (ou) negras e amarelas. Ela resulta de um longo processo histórico que co- meça com o descobrimento, no século XV, do continente africano e de seus habitantes pelos navegadores portugueses, descobrimento esse que abriu o caminho às relações mercantilistas com a África, ao tráfico negreiro, à escravidão e, enfim,àcolonizaçãodocontinenteafricanoede seus povos. K. Munanga. Algumas considerações sobre a diversidade e a identidade negra no Brasil. In: Diversidade na educação: reflexões e experiências. Brasília: SEMTEC/MEC, 2003, p. 37. Com relação ao assunto tratado no texto, é correto afirmar que: a) acolonizaçãodaÁfricapeloseuropeusfoisimul- tânea ao descobrimento desse continente. b) a existência de lucrativo comércio na África levou osportuguesesadesenvolveremessecontinente. c) o surgimento do tráfico negreiro foi posterior ao início da escravidão no Brasil. d) aexploraçãodaÁfricadecorreudomovimentode expansãoeuropeiadoiníciodaIdadeModerna. e) a colonização da África antecedeu as relações comerciais entre esse continente e a Europa. Resposta: D A busca de uma identidade histórico-cultural africa- na, segundo o autor, tem como referência um pas- sado que submeteu os povos da África à dispersão
    • PLANOS DE AULA 60 lExplicandooEnem na condição de escravos. Durante a segunda Revo- lução Industrial, o continente foi retalhado entre as potências europeias. A compreensão desse processo histórico permitiu a construção de uma memória co- mum a vários povos que se integra a manifestações culturaisdopresente. Competências 2 e 4, habilidades 9 e 18 (veja quadro na página 22) Q.3 (Vunesp 2006) ...aampliaçãodocomérciofoiacompanhadade um retardamento drástico do progresso econô- mico real. Entre 1960 e 1980, a renda per capita média mundial subiu ainda em 83%. Nas duas décadas seguintes, a taxa de aumento desceu exatamente para 33%. Esse freio no crescimen- to atingiu os países em desenvolvimento de modo particularmente duro. Na América Latina, onde a renda per capita cresceu 75% de 1960 a 1980, os vinte anos seguintes trouxeram nada mais que 6%. Grefe, Christiane. Attac: o que querem os críticos da globalização. Rio de Janeiro: Globo, 2005. O texto apresenta um quadro da situação econômi- ca mundial contemporânea. Entre os fatores capa- zesdeexplicarosdadosreferentesaosúltimosvinte anos, destacam-se: a) o afluxo e a súbita retirada do capital financeiro, que determinam o ritmo do crescimento econô- mico de países em desenvolvimento. b) a retração das trocas econômicas e a falta de dinheiro líquido e de capital nos mercados dos países capitalistas centrais. c) a nacionalização de empresas estrangeiras e a ampliação da legislação trabalhista nos países em desenvolvimento. d) a emergência de regimes anticapitalistas na América Latina e a suspensão do pagamento de suas dívidas para com os credores. e) a intervenção estatal na esfera econômica e a reduçãointernacionaldosconflitos,oqueprovo- cou a queda na produção de armamentos. Resposta: A A saída de capital financeiro ainda compromete o desempenho econômico dos países em desenvolvi- mento. A partir da confrontação dos dados, percebe- seadivisãodomundoentreasregiõesquedecideme as que ficam sujeitas ao jogo do direcionamento dos investimentos. Competência 1, habilidades 1, 2 e 3 (veja quadro na página 22) Q.4 (Vunesp 2008) Observe o quadro. Pode-se afirmar que a representação de Pedro Américo do inconfidente mineiro: a) foielaboradaduranteoperíododaIndependên- cia, como expressão dos ideais nacionalistas da dinastia de Bragança. b) datadosprimeirosanosdaRepública,sugerindo asemelhançaentreodramadeTiradenteseode Cristo. c) caracteriza-se pela denúncia da interferência da Igreja católica nos destinos políticos e culturais nacionais. d) foi censurada pelo governo de Getúlio Vargas, porque expressa conteúdos revolucionários e democráticos. e) foi proibida de ser exposta publicamente por in- citar o preconceito contra o governo português, responsável pela morte deTiradentes. Resposta: B O elemento cultural mais evidente na obra é o cristianismo. Percebe-se isso não apenas pelo crucifixo, mas pela própria semelhança entre Ti- radentes e a imagem de Jesus Cristo. Tiradentes só foi retratado dessa maneira um século depois de sua morte. nEWton naZaro JunioréformadoemHistóriapelaPontifícia UniversidadeCatólicadeSãoPaulo(PUC-SP)eéprofessordeco- légios particulares e cursos pré-vestibular na capital e no interior deSãoPaulo cIÊNcIASHUMANASESUAS TEcNOLOGIAS FILOSOFIA cOMPETÊNcIA 3ff Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais. HABILIdAdESff 13. Analisar a atuação dos movimentos sociais que contribuíram para mudanças ou rupturas em processos de disputa pelo poder. 14. Comparar diferentes pontos de vista, pre- sentes em textos analíticos e interpretativos, sobre situação ou fatos de natureza histórico- geográfica acerca das instituições sociais, polí- ticas e econômicas. 15. Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história. OBJETOS dO cONHEcIMENTOff Formas de organização social, movimentos so- ciais, pensamento político e ação do Estado. OBJETO ESPEcÍFIcOff Estado e direitos do cidadão a partir da Idade Moderna. Revoluções sociais e políticas na Europa Moderna. dEUS, REI E O HOMEM NA FORMAÇÃO dO PENSAMENTO POLÍTIcO NA IdAdE MOdERNA DESENVOLVIMENTO Inicie a aula despertando o interesse dos alunos com uma discussão sobre um tema da atualidade. As eleições no Irã, por exemplo. Relate brevemente eventos relacionados, como as acusações de fraude eleitoral e a recontagem de votos aprovada pelo Líder Supremo. Aproveite para perguntar aos alu- nos o que sabem sobre o real papel do presidente iraniano. Apresente-lhes o esquema a seguir para analisar a organização do sistema de poder nesse país. (PedroAmérico,Tiradentesesquartejado–óleosobretela262x162cm MuseuMarianoProcópio,JuizdeFora-MG)
    • ExplicandooEnem l61 REGISTRE NA LOUSA ChameatençãoparaofatodeoIrãserumaRepública Islâmicaedeseugovernoserformado, basicamente, porautoridadesreligiosas.Fiqueatentoenãopermita formaçãodejuízosdevalorsobreoislamismo. Questioneosalunossobreoquelhespareceestranho nessaformadeorganizaçãodopoder.Mostrequeela se choca com a visão ocidental atual de Estado, cujo poderpolíticoédesvinculadodopoderreligioso. Pergunte se o Estado do Irã é uma democracia. Provavelmente, a resposta será negativa. Afinal, o maiorpoderconcentra-senumaautoridadereligio- sa e não eleita. Retome, a partir de uma rápida explanação, o fato denossoconceitodedemocraciaserextremamente recente. Mesmo na Europa, relativamente distante do mundo islâmico, a realidade política, até o fim da Idade Moderna, era bem distinta da que conhe- cemos hoje. Leia com os alunos o texto a seguir: Por toda a Europa reinava apenas uma Igreja; se um homem não era batizado na Igreja, não era membrodasociedade.Quemquerquefosseex- comungadopelaIgrejaperdiaautomaticamente seusdireitoscivisepolíti­cos.Eaomesmotempo era a Igreja que dava asilo a todas as almas em perigo, que procuravam abrigo entre os seus muros. Era a Igreja que insistia em recomendar queospo­bresnãojejuassemtantoquantoosri- coseproibiaotraba­lhoservilaosdomingos.Era a Igreja que prestava serviços sociais aos pobres (...) Durante muito tempo nunca houve outra Líder Supremo Poder Conselho de Discernimento (34 membros) Indica Ratifica indicação Eleitos pelo voto A organização do sistema de poder dentro da República do Irã Conselho dos ministros Assembleia de Especialisrtas (86 membros) Parlamento (290 membros) JUDICIÁRIO LEGISLATIVO EXECUTIVO Chefe do Judiciário Conselho de Guardiões (12 membros) Presidente fonte de educação, além da eclesiástica. E era enorme a autoridade que a Igreja possuía não só sobre as almas dos homens como também sobre os seus negócios (...) A. Fremantle Não cite a fonte na íntegra propositalmente e peça aos alunos que localizem o texto no tempo e no espaço. Após algumas opiniões, mostre que ele se refereàIdadeMédiaeuropeia,épocaemqueaIgre- ja Católica exercia grande poder, não apenas social e cultural, mas também político. Reforce, portanto, que o nosso conceito de organização política foi se forjandoaolongodosséculos,notadamenteduran- te a Idade Moderna. Mostre que, na passagem da Idade Média para a Moderna, alguns elementos se combinam e funda- mentam o desenvolvimento do tema proposto: REGISTRE NA LOUSA BAIXA IDADE MÉDIA crise feudal crescimento do comércio formação da burguesia formação das monarquias nacionais Renascimento cultural críticas à Igreja Católica PASSAGEM PARA A IDADE MODERNA reformas religiosas crescimento da economia mercantil consolidação das monarquias nacionais g absolutismo Leia com os alunos o texto a seguir: Senãoexistissemleisegovernos,umavezqueo mundoémaueapenasumserhumanoemmilé umverdadeirocristão,aspessoassedestruiriam umas às outras e ninguém seria capaz de sus- tentarsuamulhereseusfilhos,desealimentare serviraDeus.Omundotornar-se-iaumdeserto. E assim Deus instituiu dois governos, o governo espiritual, que molda os verdadeiros cristãos e aspessoasjustaspormeiodoEspíritoSantosob Cristo,eogovernosecular,quereprimeosmaus e os não cristãos e os obriga a conservarem-se exteriormenteempazepermaneceremquietos, gostem ou não gostem disso. LUTERO, M. Sobreaautoridadesecular:atéquepontoseestende aobediênciaaela?Trad. de Hélio M. L. de Barros e Carlos E. S. Matos. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p. 16. Evidencieaimportânciadopodertemporal(terreno, político) e sua vinculação à religião e aos princípios morais do cristianismo. Retome o papel político da religião na Idade Média e mostre quanto a visão de Lutero, embora expoente máximo do movimento de contestação ao poder da Igreja Católica, ainda estava presa a esse vínculo. Saliente a data em que o texto foi escrito (1542). Mostre que a ligação entre poder político e religião manteve-se ao longo da Idade Moderna, mesmo em circunstâncias diversas. Cite, como exemplo, o casodaFrançadoiníciodoséculoXVIII,paísemque a autoridade do rei Luiz XIV, auge da concepção de poder absoluto, era justificada, fundamentalmente, na obra do bispo católico Jacques Bossuet. Deus toma sob sua proteção todos os governos legítimos,qualquerquesejaaformaemquees- tão estabelecidos: quem tentar derrubá-los não é apenas um inimigo público, mas também um inimigo de Deus. BOSSUET, J.“A política inspirada nas sagradas escrituras”. In: TOUCHARD, J. Históriadasideiaspolíticas. Lisboa: Europa América 1970. p. 130. ContraponhaessasideiasàsdeMaquiavel,frutodireto do racionalismo da Renascença, que apresenta uma visãofundamentalmenteterrenadoEstado,acimada moralcristãedatuteladareligiãoedaIgreja. Reforce que, ao mesmo tempo em que ainda se mantém uma ótica de ligação entre poder político ereligião,jácomeçaaaparecerumavisãoracionale terrena do Estado na Europa renascentista. Há uma dúvida se é melhor sermos amados do que temidos, ou vice-versa. Deve-se responder que gostaríamos de ter ambas as coisas, sendo amados e temidos; mas, como é difícil juntar as duas coisas, se tivermos que renunciar a uma delas, é muito mais seguro sermos temidos do que amados... pois dos homens, em geral, po- demos dizer o seguinte: eles são ingratos, vo- lúveis, simuladores, covardes e ambiciosos; eles furtam-se aos perigos e são ávidos de lucrar. Enquanto você fizer o bem para eles, são to- dos teus, oferecem-te seu próprio sangue, suas posses, suas vidas, seus filhos. Isso tudo até em momentosquevocênãotemnecessidade.Mas, quando você precisar, eles viram-lhe as costas. (...) Tendoopríncipenecessidadedesaberusarbem a natureza do animal, deve escolher a raposa e o leão, pois o leão não sabe se defender das
    • PLANOS DE AULA 62 lExplicandooEnem armadilhas e a raposa não sabe se defender da força bruta dos lobos. Portanto é preciso ser ra- posa, para conhecer as armadilhas e leão, para aterrorizar os lobos. Os homens têm menos escrúpulos em ofender quem se faz amar do que quem se faz temer, pois o amor é mantido por vínculos de gratidão que se rompem quando deixam de ser neces- sários, já que os homens são egoístas; mas o temor é mantido pelo medo do castigo, que nunca falha. TrechosextraídosdeMAQUIAVEL,N.;OPríncipe.EdiçãoRidendo CastigatMores,FonteDigital,versãoparaeBook,eBooksBrasil.com Pergunte aos alunos que diferenças fundamen- tais eles perceberam entre essas duas concep- ções políticas. Saliente que a visão de Maquiavel é bastante téc- nica. Sua obra é praticamente um manual sobre a artedegovernar.EnãohánenhumamençãoaDeus nas suas formulações políticas, o que é espantoso para a época. Em seguida, leio o trecho abaixo, de Thomas Hobbes: O fim último, causa final e desígnio dos ho- mens (que amam naturalmente a liberdade e o domínio sobre os outros), ao introduzir aquela restrição sobre si mesmos sob a qual os vemos viver nos Estados, é o cuidado com sua própria conservação e com uma vida mais satisfeita. Quer dizer, o desejo de sair daquela mísera con- dição de guerra que é a consequência necessá- ria (conforme se mostrou) das paixões naturais dos homens, quando não há um poder visível capaz de os manter em respeito, forçando-os, por medo do castigo, ao cumprimento de seus pactoseaorespeitoàquelasleisdenaturezaque foram expostas nos capítulos décimo quarto e décimo quinto. HOBBES,Thomas. Leviatãoumatéria,formaepoderdeumEstado eclesiásticoecivil.Trad. de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. 2. ed. São Paulo: Abril S/A Cultural e Industrial, 1979, p. 103. Série“Os Pensadores”. Peça uma comparação entre Maquivel e Hobbes. Demonstre que há um aprofundamento teórico de ideiasqueapontamparaamesmadireção,aneces- sidade de um poder forte (absoluto). Enfatize o ponto fundamental da visão de Hobbes sobre a natureza humana, demonstrando-o com a frase“O Homem é o lobo do Homem”. Comente que, para Hobbes, o estado de natureza doHomeméoestadodeliberdade.MasoHomem, ainda segundo ele, é dotado de características tais, de fraquezas ou do que ele chama de paixões, que tornam a vida em liberdade, quando em sociedade, impossível. Retome aqui o trecho no qual Hobbes afirma que o Homem ama a liberdade e o domínio sobre os outros, apresentando tal traço como uma característicainerenteaoHomem.Assim,oHomem é o lobo do Homem, ou seja, se deixado livre, con- duz-se a guerras que ameaçam sua sobrevivência e o levam a uma condição mísera. Por isso, o Ho- mem optou por criar um Estado, ao qual entrega sua liberdade em troca da segurança que esse lhe confere. Dessa forma, na visão de Hobbes, Estado e liberdade são inconciliáveis. Revele o contexto histórico no qual está inserida a obra de Hobbes. O século XVII foi marcado por intensos conflitos nos quais começava um movi- mento de questionamento ao poder real. A obra fundamental de Hobbes, o Leviatã, foi publicada em 1651, ano em que a guerra civil já chegara ao fim, o rei Carlos I havia sido deposto e morto e, em substituição à Monarquia, surgira a República, lide- radaporOliverCromwell,dentrodoprocessoquese chamou de Revolução Puritana. Hobbes, no exílio desde 1640, quando eclodira a Revolução, mostra-se frontalmente contrário a ela e favorável à monarquia. Apresente aos alunos a imagem a seguir: Estimule-os a falar sobre seu significado. É impor- tantequecompreendamalgunselementos,comoa naturezalaica(nãoreligiosa)dafiguradosoberano. Não há ícones religiosos que embasem seu poder. Até mesmo as igrejas ilustradas aparecem como parte da sociedade. O rei emerge da nação e situa- se acima dela. Apresente o texto a seguir, propondo uma discus- são sobre John Locke. Mas, primeiro, contextualize historicamente a Revolução Gloriosa de 1688, mo- mento em que se insere a obra desse pensador. Expliqueque,apósaquedadeCromwell,aInglater- raconheceuumafasechamadadeRestauração,que se estendeu de 1660 a 1688. Durante esse período, a monarquia e o poder absoluto foram restaurados pelo rei Carlos II. Em 1688, uma nova revolução, a Revolução Gloriosa, derrubou o irmão de Carlos II, JaimeII,eentregouotronoaGuilhermedeOrange. Este, em janeiro de 1689, assinou a Declaração de Direitos (Bill of Rights), na qual reconhecia a supre- macia do Parlamento sobre o poder real. Se o homem no estado de natureza é tão livre, conforme dissemos, se é senhor absoluto da sua própria pessoa e posses, igual ao maior e a ninguém sujeito, por que abrirá ele mão dessa liberdade, por que abandonará o seu império e sujeitar-se-áaodomínioecontroledequalquer outro poder? Ao que é óbvio responder que, embora no estado de natureza tenha tal direi- to, a fruição do mesmo é muito incerta e está constantemente exposta à invasão de terceiros porque, sendo todos reis tanto quanto ele, todo homem igual a ele, e na maior parte pouco ob- servadoresdaequidadeedajustiça,afruiçãoda propriedade que possui nesse estado é muito insegura, muito arriscada. Estas circunstâncias obrigam-no a abandonar uma condição que, embora livre, está cheia de temores e perigos constantes; e não é sem razão que procura de boavontadejuntar-seemsociedadecomoutros queestãojáunidos,oupretendemunir-se,para amútuaconservaçãodavida,daliberdadeedos bens a que chamo de‘propriedade’. LOCKE, John. SegundotratadosobreoGoverno.Trad. de E. Jacy Monteiro. 2. ed. São Paulo: Abril S/A Cultural e Industrial, 1978. p. 82. Série“Os Pensadores”. Salienteospontosdecontatoentreopensamentode Locke e o de Hobbes, como a ideia de que o homem originalmenteviviaemliberdadee,aoviveremsocie- dade, passou a ter a necessidade de contar com uma formadeEstado.Mostreque,emambososautores,o Estadoresultadeumacarênciahumanaeracional. Ressalte as discordâncias que Locke apresenta em relação a Hobbes. Evidencie que Locke tem na obra de Hobbes sua referência maior, mas a nega. De-
    • ExplicandooEnem l63 monstre que o pensamento de Locke foi decisivo para a cristalização do princípio de liberdade políti- ca que caracterizou o pensamento iluminista. Mostre que, para Locke, ao criar o Estado, o Homem não abre mão de sua liberdade e enfatize a ideia com a última frase do trecho. O Estado resulta de um contrato entre homens que eram e continuam sendo livres, e só é legítimo se expressar a vontade desses homens, explicitamente, por intermédio de repre- sentantes eleitos para esse fim. Daí a importância do Parlamento,formadoporrepresentantesdanação. Demonstre que o pensamento de Locke foi decisivo para a cristalização do princípio de liberdade políti- ca que caracterizou o pensamento iluminista. Use o seguinte texto de Rousseau como exemplo: Encontrar uma forma de associação que defen- da e proteja a pessoa e os bens de cada associa- do com toda a força comum, e pela qual cada um, unindo-se a todos, só obedece contudo a si mesmo, permanecendo assim tão livre quanto antes. Esse o problema fundamental cuja solu- ção o contrato social oferece. ROUSSEAU, Jean-Jacques.Docontratosocial.Trad. de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Abril S/A Cultural e Industrial, 1973. p. 38. Série“Os Pensadores”. Apesar de Rousseau e os iluministas não fazerem parte do tema deste plano de aula, a apresentação do trecho acima tem como objetivo situar o ilumi- nismo e os nossos conceitos de cidadania e demo- cracia como fruto do pensamento liberal, teorizado anteriormente por Locke. REGISTRE NA LOUSA Hobbes •Visão racional do Estado • Estado surge como uma necessidade sentida pelo Homem. • Incapacidade do Homem de viver em liberda- de:“O Homem é o lobo do Homem”. • Incompatibilidade entre Estado e liberdade. 1688-1689: Revolução Gloriosa •DeclaraçãodeDireitos(BillofRights):suprema- ciadasleisedoParlamentosobreopoderreal. • O Parlamento como órgão que representa a nação. • A visão liberal contrapondo-se à visão abso- lutista. • John Locke como o grande teórico da Revolu- ção Gloriosa. 6 • As origens do pensamento iluminista. QUESTÃO✔✔ Convide os alunos a resolver a seguinte questão, elaborada a partir da competência de área 3 e das habilidades 13, 14 e 15. A atividade proposta leva em conta o novo formato do Enem. Resolva-a em conjunto com os alunos, orientando-os a analisar o enunciado, ler todas as alternativas e eliminar as respostas incorretas explicando por que são inade- quadas. Valide a resposta correta sintetizando as competências e habilidades envolvidas. Mas, se o estado natural não é o inferno de Hobbes, se nele reinam tanta gentileza e be- nevolência, mal compreendemos porque os homens, gozando de tantas vantagens, dele se despojaram voluntariamente. Sim, diz-nos em substância John Locke, respondendo à objeção, os homens estavam bem, no estado de natu- reza; entretanto, achavam-se expostos a certos inconvenientesque,acimadetudo,ameaçavam agravar-se. E, se preferiam o estado de socieda- de, foi para estarem melhor. (Jean Jacques Chevalier; As grandes obras políticas – De Maquiavel aos nossos dias.) Com relação ao pensamento político descrito pelo autor, assinale a alternativa correta: a) Na visão do autor, Locke apenas complementa a ideia de Hobbes, reforçando a visão de que o estado de sociedade é melhor que o estado de liberdade, daí o Homem ter aberto mão de sua liberdade ao viver em sociedade. b) Tanto Hobbes quanto Locke defendem, com ar- gumentos semelhantes, a forma absolutista de Estado. c) Os dois autores negam a necessidade do Esta- do, dado que, ao viver em sociedade, o Homem passou a participar ativamente das decisões que a regem. d) Locke nega Hobbes ao mostrar que o estado de sociedade não representa uma negação à liber- dade do Homem. Assim, o Estado só é legítimo se expressar a vontade do Homem. e) Os dois autores concordam que o Estado tem sua origem numa necessidade sentida pelos ho- mens.Assim,ambosconstituem-seeminimigos do absolutismo. Resposta: D RetomeaquestãodasdiferentesvisõesdeEstadoentre LockeeHobbes.Saliente,naalternativaA,queavisão de Locke, embora partindo de conceitos formulados por Hobbes, afasta-se desse. Na alternativa seguinte, retome que Locke não é um defensor do Absolutismo. E,aoafastar-sedeHobbes,eleilustraumaformapar- ticipativa de poder no qual a nação se manifesta por intermédioderepresentanteseleitos.NaletraC,chame atenção para o fato de que ambos concordam com a necessidade do Estado, e não o contrário. Mostre, na alternativa E, que Hobbes ainda defende o Absolutis- mo.Porfim,evidenciequea respostacorretaexpressa o ponto central de discordância entre os dois quando enfatizaadefesadeLockedeumEstadonoqualopovo possaintervirnasdecisões. PRATICANDO HABILIDADES✔✔ Competência 3, habilidades 13 e 15 (veja quadro na página 22) Q.1 (Enem 2007) Em 4 de julho de 1776, as trezecolôniasquevieraminicialmenteconstituir os Estados Unidos da América (EUA) declara- vamsuaindependênciaejustificavamaruptura do Pacto Colonial. Em palavras profundamente subversivas para a época, afirmavam a igualda- de dos homens e apregoavam como seus direi- tos inalienáveis o direito à vida, à liberdade e à buscadafelicidade.Afirmavamqueopoderdos governantes, aos quais cabia a defesa daqueles direitos, derivava dos governados. Esses concei- tos revolucionários que ecoavam o Iluminismo foram retomados com maior vigor e amplitude treze anos mais tarde, em 1789, na França. EmíliaViottidaCosta.Apresentaçãodacoleção.In:WladimirPomar. “RevoluçãoChinesa”.SãoPaulo:UNESP,2003(comadaptações). Considerando o texto acima, acerca da indepen- dência dos EUA e da Revolução Francesa, assinale a opção correta. a) A independência dos EUA e a Revolução France- sa integravam o mesmo contexto histórico, mas se baseavam em princípios e ideais opostos. b) O processo revolucionário francês identificou-se com o movimento de independência norte- americana no apoio ao absolutismo esclarecido. c) Tanto nos EUA quanto na França, as teses ilumi- nistas sustentavam a luta pelo reconhecimento dos direitos considerados essenciais à dignidade humana. d) Por ter sido pioneira, a Revolução Francesa exer- ceu forte influência no desencadeamento da independência norte-americana. e) Ao romper o Pacto Colonial, a Revolução France- sa abriu o caminho para as independências das colônias ibéricas situadas na América.
    • PLANOS DE AULA 64 lExplicandooEnem Resposta: C Saliente a influência do pensamento iluminista nos dois eventos citados e ajude o aluno a compreender sua contextualização histórica. Dessa forma, será possível compreender o erro da alternativa D, já que a independência dos EUA é anterior ao desencadea- mentodaRevoluçãoFrancesa. Aproveite para enfatizar o sentido mais amplo das ideias iluministas, de resgate da liberdade e da dig- nidadehumanascontraaopressão. Competência1,habilidades1,4e5(vejaqua- dro na página 22) Q.2 (UEL 2008) A exuberância da natureza brasileira impressionou artistas e viajantes europeus nos séculos XVIeXVII.Leiaotextoeobserveaimagemaseguir: [...] A América foi para os viajantes, evangeliza- dores e filósofos, uma construção imaginária e simbólica. Diante da absoluta novidade, como explicá-la?Comocompreendê-la?Comoteraces- so ao seu sentido? Colombo, Vespúcio, Pero Vaz de Caminha, Las Casas, dispunham de um único instrumento para aproximar-se do Mundo Novo: os livros. [...] O Novo Mundo já existia, não como realidade geográfica e cultural, mas como texto, e os que para aqui vieram ou os que sobre aqui escreveramnãocessamdeconferiraexatidãodos antigostextoseoqueaquiseencontra. (CHAUÍ, M. apud FRANZ,T. S. Educação para uma compreensão crítica da arte. Florianópolis: Letras Contemporâneas Oficina Editorial, 2003. p. 95.) Com base no texto e na imagem, é correto afirmar: I. O olhar do viajante europeu é contaminado pelo imaginário construído a partir de textos da Antiguidade e por relatos produzidos no contexto cultural europeu. II. Os artistas viajantes produziram imagens pre- cisas e detalhadas que apresentam com exati- dão a realidade geográfica do Brasil. III. Nas representações feitas por artistas estrangei- ros coexistem elementos simbólicos e mitológi- cos oriundos do imaginário europeu e elemen- tos advindos da observação da natureza e das coisas que o artista tinha diante de seus olhos. IV. A imagem de Debret registra uma cena co- tidiana e revela a capacidade do artista em documentar os costumes e a realidade do in- dígena brasileiro. Assinale a alternativa que contém todas as afirma- tivas corretas. a)I e II. b)I e III. c) II e IV. d)I, III e IV. e)II, III e IV. Resposta: B Q.3 (PUC-SP 2007) No caso da Grécia, a evolução intelectual que vai de Hesíodo [séc.VIII a.C.] a Aristóteles [séc. IV a.C.] pareceu-nos seguir, no essencial, duas orientações: em primeiro lugar, estabelece-se uma distinção clara entre o mundo da natureza, o mundo humano, o mundo das forças sagra- das,sempremaisoumenosmescladosouapro- ximados pela imaginação mítica, que às vezes confunde esses diversos domínios (...). Jean-PierreVernant.“Mito e pensamento entre os gregos”. Rio de Janeiro: Paz eTerra, 1990, p. 17 A partir da citação anterior e de seus conhecimentos, pode-seafirmarque,noperíodoindicado,osgregos: a)separavam completamente a razão do mito, di- ferenciando a experiência humana de suas cren- ças irracionais. b)acreditavam em seus mitos, relacionando-os com acontecimentos reais e usando-os para en- tender o mundo humano. c) definiramocaráterirracionaldoserhumano,garan- tindoplenaliberdadedecultoecrençareligiosa. d)privilegiavam o mundo sagrado em relação ao humano e ao natural, recusando-se a misturar um ao outro. e)defendiam a natureza como um reino intocável, tomando o homem como um risco para o bem- estar do mundo. Resposta: B Os mitos foram fundamentais na formação do pen- samentogrego.Maisdoquemanifestaçõesreligiosas ou ritualísticas, eles constituíram a base na qual os gregosexplicamsuasorigensesuasrelaçõessociais. Competência 3, habilidade 15 (veja quadro na página 22) Q.4 (Fuvest 2006) “Para mim, o mais absurdo dos costumes vale mais do que a mais justa das leis. A nossalegislaçãoalemãcontenta-secomevocaroes- pírito atual, notadamente o espírito francês, mas não faz alusão ao espírito do povo.”Essa frase do alemão WilliamGerlach,em1810,exprimeumavisão: a)liberal e democrática. b)romântica e nacionalista. c) socialista e comunitária. d)teocrática e tradicionalista. e)conservadora e realista. Resposta: B Mostrequeromantismoenacionalismomanifestam- se na valorização da cultura nacional. Cabe ressaltar que, em 1810, a Alemanha não se constituía num país unificado politicamente, estando ainda sob a égide da presença austríaca e das guerras napoleô- nicas. É nesse contexto que o autor enfatiza a reação à legislação (de espírito francês) e o enaltecimento dosvaloresnacionaisalemães. Competências 1 e 5, habilidades 1, 5 e 24 (veja quadro na página 22) Q.5 (Fuvest 2006) Olhando para esta tela do pintor brasileiro Candido Portinari,“Família de Retirantes”, de 1944, pode-se estabelecer relações com: a)as ideias integralistas dos nacionalistas. b)a doutrina social da hierarquia da Igreja católica. c) a propaganda oficial da política deVargas. d)a desesperança típica do pós-guerra. e)a postura de engajamento e crítica social. Resposta: E Saliente que a miséria e a pobreza jamais pode- riam fazer parte das visões oficiais do regime, no caso a era Vargas, ou da Igreja. Ao mesmo tempo, a temática social, quase uma denúncia da misé- ria, indica uma arte engajada e com forte cono- tação social. gilBErto Elias saloMÃoéautordelivrosdeHistóriaeprofes- sor de Ensino Médio e Pré-Vestibular. É também colaborador do UolEducaçãoedarevistaNavedaPalavra. Debret, J. B. Tribo Guaicuru em busca de novas pastagens. 1834-1839)