Maria Irene Maluf - O Percurso do Sucesso Escolar
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Maria Irene Maluf - O Percurso do Sucesso Escolar

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  • 1. “ O PERCURSO DO SUCESSO ESCOLAR : da EDUCAÇÃO INFANTIL ao ENSINO MÉDIO” Maria Irene Maluf Psicopedagoga Presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia - ABPp
  • 2. OBJETIVO Refletir sobre a possibilidade real de contribuição que a Psicopedagogia , pode trazer à equipe multidisciplinar , no planejamento e intervenção educativa, dentro da Escola Inclusiva desde a Educação Infantil até o Ensino Médio.
  • 3. SUCESSO ESCOLAR O êxito escolar é um fato imaginário, que depende das características e idade da criança, da estrutura e dinâmica familiar, da escola, do meio social, da época e do local onde tudo isso acontece. O fracasso na aprendizagem atinge o individuo, a sua família e o meio social já que o conhecimento significa poder na nossa cultura. Os problemas de aprendizagem são construídos na trama da organização familiar e social que lhe outorga significações.
  • 4. SUCESSO ESCOLAR Para todas as crianças o sucesso escolar é importantíssimo, já que seu desempenho como pessoa está vinculado em grande parte à sua atuação como aluno Para a família, o sucesso escolar dos filhos é quase que um atestado social de exito dos pais como educadores Para a escola, alunos com bom desempenho acadêmico, em geral significam profissionais bem sucedidos no futuro
  • 5. Individualmente, a criança, a escola ou a família não são linearmente responsáveis pelos problemas de aprendizagem das crianças ou em última análise, do SUCESSO OU FRACASSO escolar, MAS a combinação entre fatores congênitos e as experiências vivenciadas nesses ambientes, levam a emersão das predisposições pré existentes, que podem ser desencadeadoras potenciais dos transtornos de aprendizagem.
  • 6. PSICOPEDAGOGIA “ campo de atuação em saúde e educação que lida com o processo de aprendizagem humana, seus padrões normais e patológicos , considerando a influência do meio-família, escola e sociedade , no seu desenvolvimento, utilizando procedimentos próprios da psicopedagogia.” (Código de Ética da ABPp, 1996)
  • 7. A PSICOPEDAGOGIA tem um papel decisivo e importante na construção do bom desempenho escolar ou seja do sucesso escolar, pois trabalha com as dificuldades de aprendizagem e suas vicissitudes, dentro da realidade vivida por cada criança, jovem ou adulto .
  • 8.
    • A FAMÍLIA NA CLINICA PSICOPEDAGÓGICA
    • Ao nos propormos olhar-analisar-compreender a criança no contexto familiar, conseguimos chegar mais próximo da função denunciadora do sintoma que se revela como: não querer, não conseguir, não poder aprender.
    • Neste contexto poderemos captar a complexidade das relações nas dificuldades ou distúrbios de aprendizagem.
  • 9. A FAMÍLIA NA CLINICA PSICOPEDAGÓGICA Ao nascer uma criança ocorrem mudanças de contexto e de funções na família Exige do casal novas identidades , com acordos implícitos e explícitos estabelecidos entre o par nuclear e entre eles e suas redes de pertinência. Se os novos arranjos não acontecem ou se operam de maneira disfuncional, o bebê sofre conseqüências em várias esferas de seu desenvolvimento.
  • 10.
    • Pretende-se através da
    • ABORDAGEM PSICOPEDAGÓGICA COM A FAMÍLIA:
    • Conscientizar e orientar os familiares sobre os transtornos de aprendizagem e suas características, enfatizando meios de ajudá-los a suportar e dar continência aos comportamentos decorrentes: do social, a auto-estima e a aprendizagem
    • Instruir sobre o curso e os fatores de risco das recaídas
    • Enfatizar a importância de seguir ordens médicas, não negligenciando com os tratamentos e acompanhamentos prescritos, quando estes forem indicados, sendo que o aspecto afetivo tem grande influência sobre os resultados;
  • 11.
    • É IMPRESCINDÍVEL QUE A FAMÍLIA POSSA:
    • Oferecer segurança através de boa vinculação, para desenvolver na criança / adolescente alto nível de empatia e comportamento pró-social adequado
    • Ensinar a criança / adolescente a se cuidar
    • Respeitar e acatar afetivamente as limitações e orientações de comportamento da criança / adolescente
    • Procurar manter uma atitude de serenidade durante os momentos mais difíceis de relacionamento para ajudar a criança / adolescente a desenvolver inclusive a percepção de modelo de conduta (auto-regulação)
  • 12. TRANSTORNO OU DISTÚRBIO DE APRENDIZAGEM
    • APRENDIZAGEM: PROCESSO QUE SE REALIZA NO INTERIOR DO INDIVÍDUO E SE MANIFESTA POR UMA MUDANÇA DE COMPORTAMENTO RELATIVAMENTE PERMANENTE
    DIS + TURBARE = ALTERAÇÃO VIOLENTA DA ORDEM NATURAL DA APRENDIZAGEM
  • 13. TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM
    • CARACTERÍSTICAS :
    • Atinge a criança em nível individual e orgânico.
    • Termo genérico que se refere a um grupo heterogêneo de alterações manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e uso da leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas .
  • 14.
    • A habilidade mental se desenvolve de forma irregular, de modo que se verifica uma discrepância marcante entre a capacidade e a execução nas tarefas acadêmicas, considerando-se a idade da criança, seu quociente de inteligência e grau de escolaridade.
    TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM
  • 15.
    • O baixo nível do desempenho verificado deve intervir significativamente no rendimento acadêmico ou nas atividades da vida cotidiana que exigem as habilidades afetadas, como cálculo, leitura ou escrita;
    • Caso haja um déficit sensorial, as dificuldades observadas devem exceder as habitualmente associadas a esse tipo de condição
    TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM
  • 16. NOS TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM
    • A disfunção neurológica , ou seja, o desvio das funções do SNC que constituem os transtornos de aprendizagem, podem envolver:
    • desenvolvimento irregular da habilidade mental,
    • fatores hereditários,
    • lesões específicas do cérebro,
    • disfunções químicas,
    • os quais resultam numa discrepância marcante entre a capacidade e a execução nas tarefas acadêmicas.
  • 17. TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM ( DSM-IV)
    • O DSM -IV (Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Americana - APA), considera os transtornos de aprendizagem como uma das categorias básicas dentro do conjunto dos transtornos que tem seu inicio e desenvolvimento na infância e o subdivide nas seguintes categorias:
    • TRANSTORNO DA LEITURA
    • TRANSTORNO DO CÁLCULO
    • TRANSTORNO DA EXPRESSÃO ESCRITA
  • 18. TRANSTORNO OU DISTÚRBIO DE APRENDIZAGEM DEFINIÇÃO
    • “ Os transtornos da aprendizagem são diagnosticados quando os resultados do indivíduo em testes padronizados e individualmente administrados de leitura, matemática ou expressão escrita estão substancialmente abaixo do esperado para sua idade, escolarização e nível de inteligência.
    • Os problemas de aprendizagem interferem significativamente no rendimento escolar ou nas atividades da vida diária que exigem habilidades de leitura, matemática ou escrita”
  • 19. CRITÉRIOS DIAGNóSTICOS PARA O TRANSTORNO DE LEITURA (DSM IV)
    • O rendimento da leitura, medido por testes padronizados, administrados individualmente, de correção ou compreensão da leitura, está acentuadamente abaixo do nível esperado, considerando a idade cronológica, a inteligência medida e a escolaridade apropriada à idade do indivíduo
    • A perturbação interfere significativamente no rendimento escolar ou atividades da vida diária que exigem habilidades de leitura
    • Em presença de um déficit sensorial, as dificuldades de leitura excedem aquelas geralmente a este associadas.
  • 20. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA TRANSTORNO DA MATEMÁTICA (DSM IV)
    • A capacidade matemática, medida por testes padronizados, individualmente administrados, está acentuadamente abaixo do nível esperado, considerando a idade cronológica, a inteligência medida e a escolaridade apropriada à idade do indivíduo.
    • A perturbação interfere significativamente no rendimento escolar ou atividades da vida diária que exigem habilidades em matemática.
    • Em presença de um déficit sensorial, as dificuldades na capacidade matemática excedem aquelas geralmente a este associadas.
  • 21. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA TRANSTORNO DA EXPRESSÃO ESCRITA (DSM IV)
    • As habilidades de escrita, medidas por testes padronizados, individualmente administrados, estão acentuadamente abaixo do nível esperado,considerando a idade cronológica, a inteligência medida e a escolaridade apropriada à idade do indivíduo
    • A perturbação interfere significativamente no rendimento escolar ou atividades da vida diária que exigem a composição de textos escritos;
    • Em presença de um déficit sensorial, as dificuldades nas habilidades de escrita excedem aquelas habitualmente a este associadas .
  • 22. OUTRAS CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS COM TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM
    • Déficit de atenção
    • Prejuízos das habilidades da linguagem, motora ou viso-espaciais
    • Questões perceptuais
    • Perturbações no comportamento social
    • Dificuldade de aquisição de novas aprendizagens cognitivas...
  • 23.
    • Início do comportamento ou atraso sempre na infância e tem curso estável
    • O transtorno está sempre ligado à maturação biológica do sistema nervoso central
    • Há história familiar de transtornos similares
    • Fatores genéticos têm importância na etiologia (conjunto de possíveis causas) em muitos casos.
    OUTRAS CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS COM TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM
  • 24. PREVALÊNCIA DO TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM
    • Prevalência: de 4 a 5% na população escolar (Roush, 1995)
    • Transtornos de Leitura: predominantes afetando cerca de 80% das crianças acometidas .
    • Se a estas forem acrescidas as que apresentam TDAH chegamos a um valor de 11%.
  • 25. DISTÚRBIOS NO DESENVOLVIMENTO DA ATENÇÂO
    • Educação Infantil: problemas na aprendizagem de números, alfabeto, dias da semana, etc; dificuldade em seguir rotinas.
    • Ensino Fundamental: dificuldades em recordar fatos, dificuldade na memória imediata. conceitos matemáticos; problemas de organização; aquisição lenta de novas aptidões; soletração pobre
    • Ensino Médio: problemas em estudar para as provas; dificuldades na memória de longo prazo
    •  
  • 26. PROBLEMAS NO DESENVOLVIMENTO NA MEMÓRIA
    • Educação Infantil: problemas em permanecer sentado quando necessário,com atividade paralela excessiva; falta de persistência nas tarefas.
    • Ensino Fundamental: impulsividade, dificuldade em planificar; erros por desleixo; distração
    • Ensino Médio: i nconstante, difícil autocontrole,fraca capacidade para perceber detalhes, problemas de memória devido a fraca atenção; fadiga mental.
  • 27. PROBLEMAS NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM
    • Educação Infantil: p roblemas de articulação; aquisição lenta de vocabulário; falta de interesse em ouvir histórias.
    • Ensino Fundamental: atraso na decodificação da leitura; dificuldades em seguir instruções; soletração pobre.
    • Ensino Médio : compreensão pobre da leitura; pouca participação verbal na classe; problemas com palavras difíceis,dificuldade em argumentar; problemas na aprendizagem de línguas estrangeiras; expressão escrita fraca; problemas em resumir.
  • 28. PROBLEMAS NO DESENVOLVIMENTO NA MOTRICIDADE FINA
    • Educação Infantil : problemas na aquisição de comportamentos de autonomia (ex. amarrar os cordões do tênis); relutância para desenhar
    • Ensino Fundamental: instabilidade na preensão do lápis; problemas grafo-motores da escrita (forma da letra, pressão do traço, etc)
    • Ensino Médio: manipulação inadequada do lápis; escrita ilegível, lenta ou inconsistente; relutância em escrever.
  • 29. PROBLEMAS NO DESENVOLVIMENTO DE OUTRAS FUNÇÕES
    • Educação Infantil: problemas na aquisição da noção de direita ou esquerda (possível confusão viso-espacial); problemas nas interações sociais (aptidões sociais pobre)
    • Ensino Fundamental: p roblemas com a noção de tempo (desorganização temporal seqüencial); domínio pobre de conceitos matemáticos.
    • Ensino Médio: estratégias de aprendizagem fracas; desorganização no espaço e no tempo; rejeição por parte dos pares, domínio pobre de conceitos abstratos; problemas na planificação de tarefas; dificuldades na realização de exames e provas.
  • 30. LEMBRETES
    • As crianças com dificuldades de aprendizagem devem ser encorajadas a superarem seus problemas a partir de suas reais potencialidades;
    • A profissional deve conhecer os pontos favoráveis da modalidade de aprendizagem para ajudar aos professores, aos pais e à criança, a superar suas dificuldades de aprendizagem;
    • Ter em mente que mesmo nos grandes prejuízos na aprendizagem, há alguma área na qual a dificuldade é menor e esse é um dado que deve ser valorizado...
  • 31.
    • A importância maior do estudo dos Transtornos de Aprendizagem, reside no fato de que a escola é um lugar de transmissão de conhecimentos e valores e assim como a família e a sociedade, é um meio de transmissão da cultura e de formação da personalidade social dos indivíduos em desenvolvimento...
    • ...a criança com dificuldade de aprendizagem tem acesso social limitado,sendo suas vivências comprometidas pelo insucesso” (Dr Francisco Assumpção, “Psiquiatria Infantil”, Ed. Manole)
    LEMBRETES
  • 32. INCLUSÃO Incluir : do latim includere – abranger, compreender, envolver Excluir : do latim excludere INCLUSÃO: EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PARA TODOS
  • 33. CONCEITO: INCLUSÃO
    • Processo dinâmico cujo objetivo primordial é encontrar as melhores situações para que cada aluno se desenvolva dentro de suas potencialidades, das características de sua escola e das variáveis educacionais de tempo e oportunidades (déc. 90)
    • Incluir é parar de pensar apenas no sentido de como levar as pessoas com NEE em direção à Inclusão , mas de operacionalizar meios para que as pessoas que criam e mantém a exclusão venham a modificar-se, assumindo uma visão mais ampla, preocupada com a qualidade da educação para todos e suas relações com os demais membros da escola e da sociedade.
  • 34.
    • LINHA DO TEMPO
    • Até séc. XVIII:
      • segregação em organizações religiosas
    • Final do séc. XVIII:
    • industrialização, educação também estendeu-se para os filhos das classes trabalhadoras
    • A partir séc. XIX:
    • primórdios do atendimento especial e da área de reabilitação;
    • Primeira legislação específica sobre a questão do deficiente.
  • 35.
    • Séc. XX:
    • Programas de estimulação precoce e escolas especiais;
    • Visão clínica evidenciava as diferenças entre os indivíduos  enfoque nas dificuldades;
    • Foi proposto modelo de diagnóstico e tratamento terapêutico aos estudantes com dificuldades na aprendizagem;
    • Primeiros programas de reabilitação;
    • Apareceram profissionais especializados / classes especiais;
    • Diferenciação discriminatória: físico, espacial, sociológico e biológico.
  • 36.
    • SEC XX
    • 1950: Iniciada nos EUA
    • Déc. 70/80:
    • Escola integrativa : reformas do sistema mantiveram práticas segregadoras e não acompanhavam os objetivos propostos (educação permanente, acesso a todos, sociedade formadora, etc);
    • Crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE) recebiam educação qualitativamente inferior de seus pares;
    • 1978: resposta educativa não é responsabilidade apenas da criança;
    • Nova concepção mais humanista: enfoque maior nas dimensões sócio-educativas dos deficientes;
  • 37.
    • 1994: CONFERÊNCIA MUNDIAL SOBRE EDUCAÇÃO ESPECIAL EM SALAMANCA
    • Lançadas as bases políticas em direção a uma educação inclusiva
    • Educação inclusiva  plano progressivo de inclusão social escola / comunidade  contexto educativo, público e privado
    • Busca de consenso internacional sobre o direito de todas as crianças de serem educadas nos sistemas regulares de educação
    • Exigia processo progressivo e contínuo de inclusão social da escola nas comunidades.
  • 38. NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS (NEE):
    • Conceito:
    • Necessidades Educativas Especiais (NEE): crianças que por razões congênitas ou adquiridas apresentam dificuldades de aprendizagem ao longo da escolaridade, as quais diminuem sua capacidade adaptativa ao meio, e por isso necessitam de atenção específica e de mais recursos educativos para minorar desvantagens e otimizar suas reais capacidades;
    • Pressupõe : apenas algumas necessidades dos indivíduos são especiais assim como algumas podem ser de caráter transitório.
    • Princípio: integração das crianças com NEE na escola regular,
    • Objetivo: reestruturação da educação especial, e reconhecimento dos direitos de todas as crianças freqüentarem a escola regular
  • 39. NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS : NEE
    • O conceito de NEE engloba, hoje, um amplo número de crianças e adolescentes que necessitam de um atendimento personalizado para poderem retomar o curso de seu desenvolvimento de acordo com suas necessidades e características pessoais.
    • Pode-se dizer que ha 3 grandes grupos de NEE :
    • Superdotados,
    • vários tipos de deficiência: visual, auditiva, mental, motora,
    • distúrbios de aprendizagem e do comportamento.
  • 40. RECURSOS EDUCATIVOS PARA ALUNOS NEE
    • Maior números de professores e especialistas,
    • Maior disponibilidade de material didático,
    • Adequação física dos edifícios escolares para receberem alunos com necessidades especiais,
    • Preparação profissional dos professores para elaboração de um projeto educativo que atenda às novas necessidades, através de adaptações curriculares, dos materiais pedagógicos e do sistema de avaliação,
    • Apoio psicopedagógico.
  • 41. AVALIAÇÃO DO ALUNO COM NEE
    • Processo diagnóstico: focado nas possibilidades de aprendizagem da criança e não em suas deficiências.
    • É importante:
      • Conhecer o perfil de desenvolvimento evolutivo esperado para cada faixa etária e saber como observar o desenvolvimento específico de cada criança ou jovem, suas limitações, atrasos e como identificar eventualmente, a existência de uma etiologia orgânica.
      • Ser capaz de analisar as potencialidades de desenvolvimento e aprendizagem da criança, para poder estabelecer os objetivos e os recursos educativos necessários para melhor alcançá-las.
  • 42. DIFICULDADES NO PROCESSO DE INCLUSÃO
    • Não basta integrar os alunos com NEE , ou seja, não basta que sejam feitas adaptações para aceitar um determinado grupo de alunos. Isso é relativamente fácil de fazer e vem acontecendo, infelizmente, em muitos casos, até hoje. A verdadeira Inclusão requer a reestruturação do sistema educacional de modo que este cuide de todos os alunos, dando-lhes condições de pleno acesso e participação .
    • A verdadeira inclusão promove reflexão sobre políticas globais de educação e a mudança do enfoque da educação especial para a diversidade dentro de uma escola regular para todos
  • 43.
    • A INCLUSÃO
    • Condições prévias:
    • Preparar a sociedade para compreender e adotar o princípio da escola inclusiva
    • Preparar o mercado de trabalho público e privado para receber as pessoas Nee quando saírem da escola
    • Escola inclusiva tem função de instituição de ensino e não de apoio social
    • Ampliaram-se os limites da educação da criança com dificuldades de aprendizagem mais ou menos severas, ao incorporá-las ao sistema regular de    ensino
    • Criou-se um vínculo entre NEE e a provisão de recursos educativos que se ampliaram qualitativa e quantitativamente
  • 44.
    • EDUCAÇÃO INCLUSIVA
    • Exige: atendimento de necessidades especiais, não apenas dos portadores de deficiências, mas de todas as crianças;
    • Implica: trabalhar com a diversidade de forma interativa  escola e setores especializados;
    • É orientada para : acolhimento, aceitação, esforço coletivo e equiparação de oportunidades de desenvolvimento;
    • Requer: que crianças portadoras de necessidades especiais saiam da exclusão e participem de classes comuns
  • 45. CARACTERÍSTICAS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
    • Desaparecem as discriminações entre pessoas devido a gênero, cultura e incapacidades
    • Acessível a todos os estudantes sem exceção e estes têm direito ao um currículo culturalmente bom e adaptado a sua idade e capacidade potencial de aprender
    • Prioriza o respeito pela singularidade das pessoas e por seu ritmo de aprendizagem
    • Procura promover a autonomia de todos os estudantes
    • Objetiva fazer de cada escola um sistema organizado de preparação e facilitação do desenvolvimento integral de todos os alunos e não apenas daqueles com maior ou menor facilidade de aprendizagem
  • 46. CARACTERÍSTICAS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
    • É comprometida com as necessidades e oferta de oportunidades educativas e direitos humanos de todos os alunos, abolindo qualquer tipo de segregação ou discriminação
    • Busca os melhores meios de oferecer apoio aos estudantes, para que desenvolvam suas reais potencialidades dentro do meio educativo, tendo por base uma aprendizagem significativa e centrada no indivíduo
    • A inclusão visa não só aumentar a participação de todos os alunos nos currículos das escolas regulares mas também diminuir a pressão de exclusão nessas escolas.
  • 47. A CONSTRUÇÃO DE UMA ESCOLA INCLUSIVA
    • Condições prévias:
    • Preparar a sociedade para compreender e adotar o princípio da escola inclusiva
    • Preparar o mercado de trabalho público e privado para receber as pessoas com NEE quando saírem da escola
    • Escola inclusiva tem função de instituição de ensino e não de apoio social.
  • 48. RECURSOS EDUCATIVOS NA ESCOLA INCLUSIVA
    • Na criação de contextos educacionais é preciso:
    • Identificar os recursos, práticas e os conhecimentos pré existentes para apoiar a aprendizagem;
    • Ver as diferenças como oportunidades para aprendizagem;
    • Desenvolver uma linguagem da prática e criar condições que encorajem os professores a assumir riscos;
    • Abraçar o princípio de que na flexibilidade, as diferenças se acomodam melhor e rejeitar os ideais de uma pedagogia que trata de modo igual quem é diferente pois tal princípio produz fracasso e exclusão
  • 49.
    • Programas desenvolvidos para atender às dificuldades de aprendizagem de todas as crianças:
    • Progressão continuada (respeita os diferentes ritmos e estilos de aprendizagem);
    • Correção do fluxo escolar (inclusão de alunos nas séries e nas faixas etárias mais convenientes);
    • Recuperação paralela, intensiva e de ciclo;
    • Salas de recursos.
    INCLUSÃO
  • 50. PAPEL DO PROFESSOR NA ESCOLA INCLUSIVA
    • Recentes discussões acerca do trabalho educacional, com as crianças NEE e a resistência que as políticas de inclusão tem encontrado, torna evidente a necessidade de redefinir o papel dos professores, o que implica que estes se assumam como profissionais reflexivos, capazes de se transformarem e se desenvolverem assim como desenvolverem e transformarem sua prática diária.
  • 51.
    • ABORDAGEM PSICOPEDAGÓGICA COM PROFESSORES OBJETIVA :
    • Informar e orientar escola, professores sobre os transtornos e como trabalhar com a criança / adolescente quanto à orientação do espaço físico, do tempo, da execução de tarefas segundo sua prioridades, etc.
    • Mostrar a importância de se considerar e utilizar a afetividade para permear as relações oportunizando situações que o aluno possa utilizar todo o seu potencial
    • Desenvolver a atenção do corpo docente para a importância da auto-estima de seus alunos e valorizá-los individualmente por seus comportamentos positivos, não enfatizando os negativos
    • Mostrar as vantagens de se dar igual valor às relações afetivas e aos conteúdos programáticos durante o processo ensino – aprendizagem.
  • 52. PAPEL DA PSICOPEDAGOGIA NA ESCOLA INCLUSIVA
    • O diagnóstico psicopedagógico é absolutamente necessário e vantajoso para o aluno com NEE:
    • No desenvolvimento de aspectos importantes da sua personalidade
    • Na relação família-escola
    • Na construção de projetos de vida
    • Na sua progressão escolar.
  • 53. DIFERENÇAS ENTRE INTEGRAÇÃO E INCLUSÃO
    • Integração : levar a criança com deficiências para o espaço escolar.
    • Inclusão : preconiza que não são as crianças que devem ajustar-se às exigências da escola, mas que deverá ser a escola, ao reestruturar o sistema de educação, capaz de efetivamente cuidar de todos os alunos e não que apenas faça adaptações para aceitar um grupo de alunos.
    • Educação Inclusiva deve refletir mais do que o ensino de conteúdos acadêmicos: deve desenvolver o aluno como um todo, cultivando as competências, atitudes, conhecimentos necessários a integração na sociedade.
  • 54. DA EDUCAÇÃO ESPECIAL PARA A INCLUSIVA Conseqüências:
    • Ampliaram-se os limites da educação da criança com dificuldades de aprendizagem mais ou menos severas, ao incorporá-las ao sistema regular de ensino,
    • Colocou-se na própria escola a responsabilidade por grande parte dos problemas de aprendizagem,
    • Criou-se um vínculo entre NEE e a provisão de recursos educativos , que se ampliaram qualitativa e quantitativamente.
  • 55.
    • INCLUSÃO, TRANSDISCIPLINARIDADE, PSICOPEDAGOGIA
    • Não há inclusão sem Psicopedagogia.
    • A Psicopedagogia já nasceu no âmbito de um campo que, pela sua natureza, envolve a transdisciplinaridade.
  • 56.
    • TRANSDICIPLINARIDADE
    • É a busca da transversalidade entre as diferentes disciplinas para atingir a intercomunicação de conhecimentos. Não se trata de criar uma nova disciplina mas de criar projetos que as integrem .
    • Objetiva a abertura entre as disciplinas na medida em que ultrapassa o campo das ciências exatas devido ao seu diálogo com as ciências humanas.
  • 57. PSICOPEDAGOGIA Conceito e breve histórico Psicopedagogia: área transdisciplinar que estuda e lida com o processo de aprendizagem e suas dificuldades. Na ação profissional deve englobar vários campos do conhecimento, integrando-os e sintetizando-os. No Brasil a psicopedagogia começou há mais de 30 anos, tendo como objeto os sintomas das dificuldades de aprendizagem . Seu objetivo era remediar esses sintomas. Na época, a psicopedagogia não era um saber com fundamentos próprios: era uma síntese de conhecimentos pedagógicos e psicológicos.
  • 58. PSICOPEDAGOGIA A partir de 1985 evoluiu da compreensão da aprendizagem como produto para a visão de aprendizagem como processo , o qual se constitui na construção do conhecimento. Começou a ser considerada um saber independente, pois passou a conceituar a aprendizagem e suas dificuldades a partir de uma interseção das contribuições tanto da psicanálise, como da psicologia, pedagogia, neurologia, etc. Seu objetivo passou a ser o facilitar do processo de aprendizagem.
  • 59.
    • A PSICOPEDAGOGIA
    • Trabalha as questões do aprender objetivando a formação do sujeito autônomo.
    • Busca nas relações psicodinâmicas entre a aprendizagem e o sujeito para entender como os sintomas (orgânicos e mentais) atuam no imaginário familiar, ou seja, o sentido que o sujeito e a família dá às suas dificuldades especiais na construção do seu conhecimento.
  • 60.
    • PSICOPEDAGOGIA E EDUCAÇÃO ESPECIAL
      • A Educação Especial tem grande interesse nas neurociências, para tentar compreender as dificuldades severas de aprendizagem.
      • A Psicopedagogia acrescenta à esses conhecimentos, o sintoma, ou seja, o que representa tal distúrbio para a da criança.
  • 61.
    • Manejo Psicopedagógico permite a realização do potencial de aprendizagem do sujeito impedido por fatores que desautorizam a apropriação do conhecimento
    • Quando o potencial do indivíduo é maior do que a execução que ele apresenta, a Psicopedagogia faz-se necessária.
  • 62.
    • Dificuldades na aprendizagem : podem gerar ou precipitar o aparecimento de problemas emocionais, comportamentais, familiares e sociais em diferentes graus de gravidade, comprometendo ainda mais o processo de aprender;
    • 0 diagnóstico e a intervenção psicopedagógica, promovem a melhoria das condições de aprendizagem, recuperação da auto estima e socialização da criança.
  • 63.
    • ALGUNS FATORES QUE INTERFEREM NA CAPACIDADE DE APRENDER
    • Genético, biológico e psicológico,
    • Escola, a família, os aspectos sócio-culturais,
    • O valor que se dá ao conhecimento em determinado momento da vida da criança e em cada sociedade, o que também interfere muito na aquisição da aprendizagem da criança,
    • Método adotado pela escola, pode prejudicar não só a avaliação dos problemas de aprendizagem como ainda evidenciá-los de forma exagerada e não lhes dar continência e encaminhamento adequado .
  • 64. FRACASSO ESCOLAR, PSICOPEDAGOGIA E AFETIVIDADE
    • Causas principais do fracasso escolar:
    •  30%: transtornos de aprendizagem
    • O sucesso na aprendizagem escolar tem grande influência sobre o desenvolvimento cognitivo e afetivo
    • afeto auto estima motivação aprendizagem
  • 65.
    • Redução significativa de interesse e atenção;
    • Redução do rendimento escolar ou presença de transtornos de aprendizagem
    • Presença de comportamentos de hiperatividade, impulsividade ou desatenção com freqüência maior que o esperado
    • Abandono de atividades antes desejadas
    • Retraimento social
    • Perturbações súbitas do sono (relato da criança ou da mãe) acompanhadas de um dos itens acima;
    • Reações emocionais violentas;
    • Rebeldia, birra, implicância, atividades de oposição;
    • Preocupação ou ansiedade exageradas.
    SINAIS IMPORTANTES PARA A ESCOLA OBSERVAR NOS ALUNOS E RECOMENDAR UMA VISITA A UM ESPECIALISTA Em escolares:
  • 66.
    • Redução significativa no rendimento escolar;
    • Abandono de atividades antes prazerosas, de amigos ou familiares;
    • Mudança de conduta:alterações do sono, do apetite;
    • Agressões freqüentes, rebeldia, oposição ou reações violentas;
    • Comportamentos destrutivos;
    • Comportamento sexualizado excessivo.
    SINAIS IMPORTANTES PARA A ESCOLA OBSERVAR NOS ALUNOS E RECOMENDAR UMA VISITA A UM ESPECIALISTA Em adolescentes:
  • 67.
    • TRABALHO COM A CRIANÇA
    • Orientar a criança sobre o que é esperado dela em termos de comportamento e aprendizagem, detalhando as razões pelas quais ele está em atendimento;
    • Fornecer informações diretas e claras sobre o transtorno, deixando sempre aberto o canal para futuras dúvidas;
    • Usar de rotinas previsíveis (horário, local, comportamento do profissional) mas evitar tarefas repetitivas ou longas e priorizar novidades e exercícios curtos;
  • 68.
    • TRABALHO COM A CRIANÇA
    • Procurar manter acordos indagando a criança como ela pode aprender melhor;
    • Usar recursos como gravador, computador, jogos (jogos de regras permitem o aprendizado de limites, participação social, o saber ganhar/perder, o desenvolvimento cognitivo e o refazer superando erros), leitura em voz alta, contar e escrever histórias, gibis, exercícios sensório motores, de raciocínio, introduzindo sempre novidades para manter a atenção, a motivação e descobrir o estilo de aprendizagem da criança;
  • 69.
    • TRABALHO COM A CRIANÇA
    • Recompensar o bom comportamento e desempenho, elogiando e encorajando a transposição de limites;
    • Estabelecer limites devagar e firmemente, mas nunca usando de punição ou de reprimendas para evitar frustração, o medo ou a baixa auto-estima;
    • Trabalhar sempre a noção de tempo, espaço, seqüenciação, atenção.
  • 70.
    • TRABALHO COM A CRIANÇA
    • Dosar as instruções em quantidades que permitam um desempenho positivo do aluno, na maior arte das ocasiões;
    • Estimular respostas individuais promovendo feedback imediato ao aluno;
    • Procurar envolver a criança no processo de aprendizagem de maneira a encorajá-lo e motivá-lo à transpor suas limitações
    • O aluno, seja criança ou adolescente, é uma pessoa a ser respeitada, tratada afetivamente dentro das normas sociais do grupo.
  • 71.
    • CONCLUINDO
    • A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA...
    • No âmbito educativo:
    • Trabalha com objetivos educativos, atitudinais, e conceituais similares para todos os alunos;
    • Mas as estratégias devem ser variadas e especializadas, coordenadas com as atuações no âmbito familiar e sócio-econômico;
  • 72.
    • Ritmo de ensino aprendizagem: deve acompanhar o ritmo dos alunos, feitas as adaptações curriculares necessárias;
    • Currículo: amplo e bem equilibrado, funcional, apropriado pra a idade mental, centrado não apenas na aquisição de habilidades mas também dirigido a proporcionar uma melhoria na qualidade de vida dos educandos.
  • 73.
    • ... com pessoas com Transtornos de Aprendizagem apresenta características diferenciais em função do âmbito da intervenção: educativo, familiar e sócio-comunitário
    • Deve-se partir das necessidades especiais e singulares do nível de desenvolvimento e etapa da vida de cada pessoa...
  • 74. E nos lembrarmos de que “ As representações de sucesso e fracasso são construídas pelo sistema escolar e tem maior impacto no destino dos alunos que as desigualdades de competências que estes possam apresentar”. (Perrenould, 2001)
  • 75.
    • Obrigada pela sua atenção!
    Visite o stand da ABPp Cadastre-se e receba nossas newsletter: www.abpp.com.br Maria Irene Maluf [email_address]