Espiritismo e Consciência deKrishna - Parte 1Escrito por Edinete MelloSeg, 19 de Março de 2012 16:03Um estudo comparativo ...
com grande interesse. Na capa da obra, ao fundo, o topo de vários templos no queparecia ser o amanhecer ou o entardecer. Q...
vida não pode ser mais fácil? Por que um autor que julguei conhecer tudo perfeitamentetinha essa “mácula” de tamanho contr...
comunicação, mas a tem como irrelevante para investigações acerca de Deus, da alma eda matéria inerte. Aos adeptos da cons...
existir. Ela é não nascida, eterna, sempre existente e primordial. Ela não morre quando ocorpo morre”. (2.20) No atinente ...
“Há e que sobrevive ao corpo”.                      Será esse princípio uma alma semelhante à do homem?                   ...
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outros e em vários lugares”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, p. 31)        Assim, não há uma base sólida acerca do pos...
neste weblink: terraqueos.org. Outros documentários similares se encontram na mesma página.         **Desenvolvi, a princí...
reações pecaminosas. Porém, com a oportunidade de fazer tais coisas em corposanimais, o indivíduo dá vazão a seus pecados ...
espíritas aceitam que alguém que foi doutor em Letras pode, caso aja pecaminosamente,nascer como alguém cego, surdo, mudo ...
ser comparada a alguém que estava caminhando para frente e, ao se deparar com umburaco à sua frente, recua um pouco para s...
de almas. Tal fórmula é dada no Bhagavad-gita (18.20-22):                       Você deve compreender que está no modo da ...
Acerca da localização das colônias espíritas e sua identificação com o modo da paixão,falaremos mais adiante, na seção den...
ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem nenhuma necessidade dos matadouros efrigoríficos... Consolemo-nos com ...
PARTE 2 de 4Uma análise da posição dos espíritos segundo o espiritismo         Em O Evangelho Segundo o Espiritismo*, o es...
*KARDEC, Allan. A Gênese. Brasília: FEB, 1995       Então, um estudo esmerado do espiritismo mostra os quatros atributos q...
completo a estes dois mandamentos é este:                       “Amar o próximo como a si mesmo: fazer pelos outros o que ...
tudo saberem e, acerca do que não sabem, também podem ter opiniões pessoais* maisou menos sensatas” (Livro dos Espíritos p...
**Palestra de Srila Prabhupada em Londres sobre o Bhagavad-gita 1.15, em 15de julho de 1973        Outro atributo do Espír...
homem se foi adiantando no conhecimento dessas leis, tambémfoi penetrando os mistérios da criação e retificando as ideias ...
Pois que é impossível se conceba a Gênese sem os dados que a                       Ciência fornece, pode dizer-se com inte...
(17.20-22, 18.22,68):                        A caridade dada por dever, sem expectativa de recompensa, no                 ...
Para a alma, em tempo algum existe nascimento ou morte. Ela                       não passou a existir, não passa a existi...
*“Aquele ocupado em serviço devocional se livra tanto das boas quanto das másreações, mesmo nesta vida. Esforça-te, portan...
No filme Nosso Lar, por exemplo, encontramos:        “Aos poucos, tudo começava a fazer sentido. Nosso Lar era a vida real...
Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, de Srila Prabhupada, a leitura da qual serecomenda após a leitura de O Bhagavad-...
PARTE 3 de 4Uma análise da posição dos espíritos segundo a consciência de Krishna       Antes de colocarmos a posição dos ...
alcançá-lo – essa é Minha morada suprema”. (idem. 8.20-21)         Aqueles que se comunicam com os médiuns não são chamado...
**Algumas de tais perturbações são descritas no Garuda Purana (2.9.57-62): “Falar-te-ei agora acerca dostormentos ocasiona...
*Cf. Sri Caitanya-caritamrta Adi-lila 7.107 e 2.86. (vedabase.com/en/cc)         Há aqui, no entanto, duas divergências en...
logo, se vocês têm uma máquina para chegar lá, eles têm uma máquina para divergi-los. „Esses sujeitos infames estãovindo a...
contato com outro espírito mais elevado e assim por diante até alguém perfeito emcontato com Deus. Contudo, analisando as ...
Que os espíritos usam de seus sentidos e inteligência falíveis para suasconclusões já foi exposto em suas conclusões perme...
superamos toda a nossa condição precária ao não expressarmos nenhuma opiniãoreunida de pesquisas, reflexões pessoais ou re...
Bhagavad-gita em “todas as outras obras ditas reveladas que li sei que não eram”, poisseria um preconceito.         Em res...
começa com o próprio Krishna, Deus, sejam inferiores por terem misericordiosamentevindo a este mundo. Além disso, há a van...
fazê-lo, senão que o faz apenas em relação aos semideuses, pois, sendo muito maiselevados e residentes de planetas muito s...
Mim”. (9.34) É o mesmo mandamento maior, como ensinado por Jesus, “Amarás oSenhor teu Deus de todo o teu coração, e de tod...
Um estudo comparativo da transmigração da alma.                       Espiritismo e Consciência de Krishna:               ...
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Espiritismo e Consciência de Krishna:
Um Estudo Comparativo em Transmigração da Alma,
Posição dos Espíritos (Bhutas), Epistemologia e Objeto de Culto

por Thiago Costa Braga
(Bhagavan Dasa Adhikari Bhakti-sastri)

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  1. 1. Espiritismo e Consciência deKrishna - Parte 1Escrito por Edinete MelloSeg, 19 de Março de 2012 16:03Um estudo comparativo da transmigração da alma. Espiritismo e Consciência de Krishna: Um Estudo Comparativo em Transmigração da Alma, Posição dos Espíritos (Bhutas), Epistemologia e Objeto de Culto por Thiago Costa Braga (Bhagavan Dasa Adhikari Bhakti-sastri) PARTE 1 de 4 Lembro-me como se fosse hoje. Em minhas mãos, aquele livro que comprei soba propaganda de que desdobraria os temas da palestra que eu havia acabado de ouvir
  2. 2. com grande interesse. Na capa da obra, ao fundo, o topo de vários templos no queparecia ser o amanhecer ou o entardecer. Quando cheguei em casa, deitei em minhacama ainda com a roupa do corpo e li novamente na capa o título do livro, o qual medizia muito, pois era o que eu vivia. Seu título: Em Busca da Verdade. Seu autor: A.C.Bhaktivedanta Swami Prabhupada, fundador da Sociedade Internacional para aConsciência de Krishna. Devorei cada página como se estivesse com muita fome. Tanto aprendi quementalmente agradecia a Deus por aquele livro. Fui introduzido a temas como aimpossibilidade de ser obediente a Deus sem uma descrição clara de Seus desejos eordens, a necessidade fundamental de conhecermos em detalhes a personalidade deDeus para podermos amá-lO, a compreensão derradeira da ordenação do universo combase nos três modos da natureza material, a inutilidade de tentar ser honesto sem ter oconhecimento de que Deus é o proprietário de tudo e vários outros temas que, tamanhasua profundidade, sequer sabia de sua existência, menos ainda que haveria alguémcapaz de apresentá-los de maneira tão acessível como o autor que agora eu lia. Nem tudo me foi alegria ao término da leitura, no entanto. Em meu coração,além do contínuo agradecimento a Deus, estava o desejo de divulgar esse livro tantoquanto eu pudesse, a tantos amigos quanto eu tivesse. Porém, uma única página destaobra me desmotivava. Pensei então em comprar vários desse livro e presenteá-lo aamigos sem essa página que me incomodava, porém veriam que uma folha havia sidoarrancada. Uma segunda ideia: Fotocopiá-lo tirando essa página e apagando os númerosdas páginas, de modo que ninguém saberia do excerto. Por fim, não tomei nenhuma deminhas medidas cogitadas, pois minha ocupação em distribuir esse conhecimento teriade aguardar um pouco mais meu amadurecimento. A referida passagem, enfim, era esta: “Como espíritos puros, todas as almas sãoiguais, inclusive nos animais”*. (p. 34) Ai de mim, como dizem os poetas. Por que a
  3. 3. vida não pode ser mais fácil? Por que um autor que julguei conhecer tudo perfeitamentetinha essa “mácula” de tamanho contrassenso de afirmar que a alma que anima osanimais e os homens é a mesma, com o agravante que descobri mais tarde, de que é amesma alma também que pode passar inclusive por corpos vegetais? *PRABHUPADA, A.C. Bhaktivedanta Svami. Perguntas Perfeitas Respostas Perfeitas. SãoPaulo: BBT, 2012, p. 34. Perguntas Perfeitas Respostas Perfeitas é o novo título que em português quese deu ao então Em Busca da Verdade, esta edição agora com tradução literal do título original da obra,Perfect Questions Perfect Answers. Minha dificuldade se dava por minha formação espírita, a qual, embora me tenhaconduzido a buscar a reunião que assisti sobre a consciência de Krishna, em virtude deutilizar termos da mesma, como karma e chakra*, tinha diferentes concepções acercadestes conceitos e outros, e, como foi o espiritismo a religião que me convenceu daexistência de Deus, livre-arbítrio, transmigração da alma e outros tópicos, era-me difícillidar com os conflitos entre ela e meu novo achado da consciência de Krishna. *Karma e chakra não são, a rigor, conceitos doutrinários do espiritismo. Seu uso entre osespíritas é considerado fruto de hibridismo com religiões orientais. Tais termos não se encontram na obrakardeciana, sendo encontrados apenas em obras subsidiárias. Hoje, passados oito anos desde este meu primeiro contato com a consciência deKrishna, graduei-me em Bhakti-sastri* após residência no Seminário de Filosofia eTeologia Hare Krishna de Campina Grande e traduzi para a ISKCON mais de dezlivros, cem artigos e outros materiais, além de ter-me dado a leituras diversas sobre oassunto da consciência de Krishna. Esse acúmulo de conhecimento de minha parte tantoda doutrina espírita quanto da consciência de Krishna faz-me sentir obrigado a produzireste material de estudo comparado, para o benefício tanto dos espíritas quanto dosadeptos da consciência de Krishna. Para os primeiros, uma oportunidade de diálogointer-religioso não muito explorada. Embora os espíritas promovam sua religião emconflito com religiões que duvidam do contato com os espíritos; a consciência deKrishna é um desafio inteiramente novo, dado que acredita plenamente nesta
  4. 4. comunicação, mas a tem como irrelevante para investigações acerca de Deus, da alma eda matéria inerte. Aos adeptos da consciência de Krishna, este tenta esclarecer algumasdas zonas de conflito entre as duas religiões para fortalecimento da fé de tais adeptoscom argumentos científicos, lógicos e teológicos. As zonas de conflito a seremanalisadas são reencarnação em oposição a metempsicose, conhecimento descendenteem oposição a conhecimento ascendente, equivalência de espíritos de luz e almasespirituais semipiedosas identificadas com o corpo, e culto a tais indivíduos e adoraçãoexclusiva a Deus. *Título obtido pelo sucesso em uma prova internacional a que se submetem os membros doMovimento Hare Krishna e outros interessados após estudo básico de sânscrito e estudo profundo dasobras O Bhagavad-gita Como Ele É, Isopanisad, Néctar da Devoção (Bhakti-rasamrta-sindhu) e Néctarda Instrução (Upadesamrta).Transmigração da Alma: Reencarnação e Metempsicose Ambas as religiões em análise têm como princípio básico que a alma espiritualindestrutível tem a faculdade de transmigrar para um corpo novo ante a destruição docorpo em que se encontrava anteriormente. Em O Livro dos Espíritos*, encontramos:“Chamamos alma ao ser imaterial e individual que em nós reside e sobrevive ao corpo”(Introdução, p. 15), “A alma passa então por muitas existências corporais? „Sim, todoscontamos muitas existências‟” (2.4.166b), e, em seguida, afirma-se que “vivemo-las emdiferentes mundos” (2.4.172). *KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1995 Todos estes três pontos são comuns à consciência de Krishna, comoevidenciamos por estes versos introdutórios do Bhagavad-gita*. No atinente àcontinuidade da alma após a morte do corpo: “Para a alma, em tempo algum existenascimento ou morte. Ela não passou a existir, não passa a existir e nem passará a
  5. 5. existir. Ela é não nascida, eterna, sempre existente e primordial. Ela não morre quando ocorpo morre”. (2.20) No atinente às múltiplas existências: “Assim como alguém vesteroupas novas, abandonando as antigas, a alma aceita novos corpos materiais,abandonando os velhos e inúteis” (2.22), e também “Assim como, neste corpo, a almacorporificada seguidamente passa da infância à juventude e à velhice; do mesmo modo,chegando a morte, a alma passa para outro corpo. Uma pessoa ponderada não ficaconfusa com tal mudança”. (2.13) No atinente à existência em diferentes planetas:“Aqueles situados no modo da bondade gradualmente elevam-se aos planetassuperiores; aqueles no modo da paixão vivem nos planetas terrestres; e aqueles noabominável modo da ignorância descem para os mundos infernais”. (14.18) *Todas as citações do Bhagavad-gita aqui contidas são as traduções de O Bhagavad-gita ComoEle É, disponível gratuitamente e em português em vedabase.com/pt-br/bg. Os pontos de conflito entre o espiritismo e a consciência de Krishna, comoanalisaremos aqui, estão no fato de que o espiritismo advoga, ou parece advogar, que aalma que ocupa os corpos humanos jamais habitou corpos animais ou então que, umavez que tenha deixado os corpos animais em sua evolução a partir de sua criação porDeus “simples e ignorantes” (Livro dos Espíritos 2.1.115), jamais poderia retornar a umcorpo animal dado que isto contradiz a lei do progresso, lei esta que dá título ao capítulosexto da obra O Livro dos Espíritos. Tal ensinamento é chamado “reencarnação”, emoposição a “metempsicose”, cuja transmigração de uma mesma categoria de alma –categoria única, distinta apenas de Deus e da matéria inerte – se dá por todos os corpos. Nesta passagem de O Livro dos Espíritos, nega-se a transmigração de umamesma espécie de alma por corpos humanos e animais, atribuindo a eles “almasdiferentes”: Pois que os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação, haverá neles algum princípio independente da matéria?
  6. 6. “Há e que sobrevive ao corpo”. Será esse princípio uma alma semelhante à do homem? “É também uma alma, se quiserdes, dependendo isto do sentido que se der a esta palavra. É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus”. (2.11.597 e 597a) A alma animal, ainda segundo a mesma obra (2.11.601), evolui por diferentescorpos animais, tal como a alma humana: Os animais estão sujeitos, como o homem, a uma lei progressiva? “Sim; e daí vem que nos mundos superiores, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são, dispondo de meios mais amplos de comunicação. São sempre, porém, inferiores ao homem e se lhe acham submetidos, tendo neles o homem servidores inteligentes.” A consciência de Krishna, baseada nos Vedas, declara, no entanto, que existeuma só alma que habita por diferentes corpos, passando por todas as formas inferioresaté atingir a forma humana. No Brahma Vaivarta Purana, por exemplo, figura osseguintes versos: “Atinge-se a forma humana de vida após a transmigração por milhõesde espécies ao longo do processo gradual de evolução, e essa vida humana é arruinadapelos tolos orgulhosos que não se refugiam nos pés de lótus de Govinda [Deus]”*. OPadma Purana descreve esse número de formas antecedentes à forma humana pelasquais passa a alma: “Em todo o universo, existem 900.000 espécies aquáticas;2.000.000 de entidades vivas imóveis, como árvores e plantas; 1.100.000 espécies deinsetos e répteis, e 1.000.000 de espécies voadoras. No que diz respeito aos animaisterrestres, existem em número de 3.000.000, e as espécies humanas existem em número
  7. 7. de 400.000”**. *VedaBase: 25. Song, Prayer and Verse Books / Srila Prabhupada Slokas / Selected Verses Fromthe Puranas / Brahma Vaivarta Purana. info.vedabase.com. O verso original diz: asitim caturas caivalaksams tan jiva-jatisu/ bhramadbhih purusaih prapyam manusyam janma-paryayat/ tad apy abhalatamjatah tesam atmabhimaninam/ varakanam anasritya govinda-carana-dvayam. **VedaBase: 25. Song, Prayer and Verse Books / Srila Prabhupada Slokas / Selected VersesFrom the Puranas / Padma Purana. O verso original diz: jalaja nava-laksani sthavara laksa-vimsati/krmayo rudra-sankhyakah paksinam dasa-laksanam/ trimsal-laksani pasavah catur-laksani manusah. No Srimad-Bhagavatam* (3.29.28-32), encontramos uma descrição ainda maisdetalhada, a qual nos informa que o tato é o primeiro sentido que se experimenta, o qualse desenvolve ao se ter um corpo de árvore. Em seguida, experimenta-se paladar ao seobter um corpo de peixe. Após o corpo de peixe, pode-se obter um corpo como deabelha e desenvolver olfato. A audição então se faz presente rudimentarmente em umcorpo de cobra, e, mais adiante, pode-se ter um corpo que tem todos os sentidos e aindaé capaz de distinguir formas, como os corpos de algumas aves e, por fim, dequadrupedes. Finalmente, tem-se o corpo humano. Os seres humanos ainda sãodivididos entre diferentes níveis de estruturação social e rendição a Deus, partindo dosseres humanos incivilizados e indo até “o devoto puro de Deus, que Lhe presta serviçodevocional sem nenhuma expectativa”. *As citações do Srimad-Bhagavatam são traduções minhas da tradução inglesa de SrilaPrabhupada, disponível em vedabase.com/en/sb. O leitor mais arguto deve ter atentado que, na ocasião em que eu disse que oespiritismo advoga que a alma que ocupa os corpos humanos jamais habitou corposanimais ou então que, uma vez que tenha deixado os corpos animais em sua evolução apartir de sua criação, jamais poderia retornar a um corpo animal, eu intercalei oseguimento “ou parece advogar”. A explicação para isto é que, como veremos emdiscussões acerca de epistemologia, a revelação dos espíritos não é um sistema fechado
  8. 8. e concluído como o da consciência de Krishna, isto porque seus reveladores sãoinvestigadores no modelo de investigação científico-filosófico, isto é, baseadorespectivamente na percepção dos sentidos e da mente, motivo pelo qual certamenteterão conflitos entre si como têm os cientistas e filósofos encarnados. Assim é que ummesmo espírito pode ter diferentes opiniões em diferentes momentos ou variadosespíritos terem diferentes opiniões contemporâneas, e encontramos no Livro dosEspíritos (p. 303) que isso de fato se dá com a dicotomia reencarnação e metempsicosee acerca da relação entre os homens e os animais: O ponto inicial do espírito é uma dessas questões que se prendem à origem das coisas e de que Deus guarda o segredo. Dado não é ao homem conhecê- las de modo absoluto, nada mais lhe sendo possível a tal respeito do que fazer suposições, criar sistemas mais ou menos prováveis. Os próprios espíritos longe estão de tudo saberem e, acerca do que não sabem, também podem ter opiniões pessoais mais ou menos sensatas. É assim, por exemplo, que nem todos pensam da mesma forma quanto às relações existentes entre o homem e os animais. Segundo uns, o espírito não chega ao período humano senão depois de se haver elaborado e individualizado nos diversos graus dos seres inferiores da Criação*. Segundo outros, o espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal. O primeiro desses sistemas apresenta a vantagem de assinar um alvo ao futuro dos animais, que formariam então os primeiros elos da cadeia dos seres pensantes. O segundo é mais conforme à dignidade do homem. (grifo nosso) *Emmanuel, por exemplo, em várias psicografias de Chico Xavier, defende esta primeira teoriacontra a opinião daqueles que compuseram O Livro dos Espíritos: “O animal caminha para a condição dohomem tanto quanto o homem evolui no encalço do anjo”. (Alvorada do Reino, Na Senda da Ascensão)Em sua obra Emmanuel: Dissertações Mediúnicas sobre Importantes Questões que Preocupam aHumanidade, encontramos: “Como o objetivo desta palestra é o estudo dos animais, nossos irmãos inferiores, sinto-me àvontade para declarar que todos nós já nos debatemos no seu acanhado círculo evolutivo. São eles osnossos parentes próximos, apesar da teimosia de quantos persistem em o não reconhecer. Considera-se, àsvezes, como afronta ao gênero humano a aceitação dessas verdades. E pergunta-se como poderíamosadmitir um princípio espiritual nas arremetidas furiosas das feras indomesticadas, ou como poderíamoscrer na existência de um rio de luz divina na serpente venenosa ou na astúcia traiçoeira dos carnívoros.Semelhantes inquirições, contudo, são filhas de entendimento pouco atilado”. (XAVIER, Chico. FEB. p.119) Interessante notar que o espiritismo diz que sua validade está em não haver contradição entre osespíritos: “Uma só garantia séria existe para o ensino dos espíritos: a concordância que haja entre asrevelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos
  9. 9. outros e em vários lugares”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, p. 31) Assim, não há uma base sólida acerca do posicionamento dos espíritos emrelação a se a alma anima primeiramente corpos animais ou começa já em corposhumanos, logo não há um posicionamento absoluto acerca de se a alma animal progrideunicamente por corpos animais ou se é a mesma sorte de alma que anima agora corposhumanos. Contudo, como a obra O Livro dos Espíritos mostra predileção pela teoria deque existem dois tipos de almas, humanas e animais, ou mais precisamente, três, umatambém apenas a animar vegetais*, tomaremos isso como o fundamento espírita e oiremos expor aos ensinos conscientes de Krishna. A primeira dificuldade para sustentar a teoria espírita de que os animais sempreserão animais e sempre foram animais é que ela é contraditória com o senso de justiçavinculado a que alguém sofre por mau uso de seu livre-arbítrio e que alguém temconforto por bom uso de seu livre-arbítrio, o que é aceito por ambas as religiões emestudo. No entanto, como os animais não têm livre-arbítrio (Livro dos Espíritos2.11.599), o que ambas as religiões concordam, Deus Se torna injusto na teoria espírita,pois todo o sofrimento excruciante pelo qual passam, por exemplo, as vacas, porcos,galinhas e outros animais em fazendas-fábricas e abatedouros* é um sofrimentodesmerecido, não decorrente de nenhuma escolha ruim, tampouco há justiça oujustificativa em uma vaca viver livremente e outra não. Deste modo, Deus torna-Sealguém horrendo que criou almas animais apenas para animarem corpos animaisinferiores e irem progredindo por corpos animais superiores sempre sofrendo as doresdo nascimento, da morte, da velhice e da doença mesmo não tendo feito nenhuma máescolha ou ato contrário à vontade de Deus. Tais almas animais são submetidas a umprocesso automático (idem. 2.11.602) de evolução por diferentes corpos – reitero,dolorosíssimo – e evoluem sem nenhum mérito para chegarem ao estágio máximo delas,estágio máximo este no qual não conhecem Deus (idem. 2.11.603)**. *Aqueles que não estão inteirados deste “avanço” da civilização podem se inteirar do mesmoassistindo ao documentário Terráqueos [Earthlings] ou similares. O referido documentário está disponível
  10. 10. neste weblink: terraqueos.org. Outros documentários similares se encontram na mesma página. **Desenvolvi, a princípio, estar argumentação sob o norteamento de Santo Anselmo, que diz queo conceito perfeito de Deus é, entre outras coisas, de um ser absolutamente justo e infinitamente bom, eque o conceito em que se tenha uma justiça e uma bondade insuperáveis é o conceito verdadeiro.Semelhante argumentação que apresento, no entanto, parece também estar inteiramente em A Gênese(3.12), onde se diz: “Se os animais são dotados apenas de instinto, não tem solução o destino deles enenhuma compensação os seus sofrimentos, o que não estaria de acordo nem com a justiça, nem com abondade de Deus”. A única maneira de se conciliar existir sofrimento no mundo e Deus seronipotente e bom é a exigência do amor ser precedido por livre-arbítrio, haja vista queum amor forçado não é amor, dado que amar exige a espontaneidade de ter o direito denão amar. Agora, se os animais jamais conhecerão Deus para amá-lO e não têm livre-arbítrio, por que os criar e os submeter a uma evolução dolorosa e sem sentido até oestágio de perfeição em que não conhecem seu criador? Certamente é absurdo atribuir aDeus tamanho capricho, em virtude do que o Livro dos Espíritos só pode dizer sobreisso as palavras com que encerra o capítulo nono da parte segunda: “Quanto às relaçõesmisteriosas que existem entre o homem e os animais, isso, repetimos, está nos segredosde Deus”. O conhecimento da consciência de Krishna, no entanto, mantém Deus comojusto ao colocar que os animais sofrem porque as almas que habitam tais animais queestão sofrendo com nascimento, morte, doenças e velhice fizeram mau uso de seu livrearbítrio, isto é, não procederam de acordo com a vontade de Deus, quando possuíamcorpos humanos ou no ato de se desconectarem de Deus. Assim é que um açougueiro ouaqueles que comem carne terão de nascer, pelas reações de seus pecados, em corpos deanimais que serão brutalmente criados e abatidos. Os corpos animais para as almastambém têm um propósito muito amável, que é que uma alma em condição pecaminosapode dar vazão a suas tendências pecaminosas sem criar novo mau karma. Deste modo,alguém afeito a dormir excessivamente pode ter um corpo de urso; alguém afeito acomer carne, um corpo de tigre; alguém afeito à promiscuidade, um corpo de macaco eassim por diante. Caso se fizesse tais atos no corpo humano, incorreria em grandes
  11. 11. reações pecaminosas. Porém, com a oportunidade de fazer tais coisas em corposanimais, o indivíduo dá vazão a seus pecados e pode, quando Deus considerarapropriado, habitar novamente um corpo humano já esgotado desse hábito. Assim é queo Garuda Purana (2.46.9-10) afirma sobre as almas pecaminosas que estão deixando osplanetas infernais: “Quando as torturas expiatórias e restringentes cessam, as entidadesvivas nascem novamente na forma humana ou em uma forma animal com os traçoscaracterísticos de seus pecados”. Por traços característicos dos pecados, entende-se umapessoa incestuosa nascer cão ou alguém que não discrimina o que comer e o que nãocomer nascer como porco. Com a metempsicose, a justiça de Deus é preservada, pois o sofrimento da almano corpo animal tem um porquê imediato, isto é, suas ações passadas, e tem umpropósito futuro: uma vez que atinja a perfeição em um dos 400.000 tipos de corposhumanos que propiciam o livre-arbítrio de poder render-se a Deus, conhecerá Deus e serelacionará com Ele em serviço devocional e bem-aventurança eterna. Embora o espiritismo diga, como citado anteriormente, que talvez as almas quehoje habitam os corpos humanos tenham sim habitado corpos animais, o espiritismo emmomento algum assume que a alma possa involuir, o que eles acreditam acontecer nametempsicose. Isto é um erro, no entanto; ao menos na metempsicose mais antiga quese conhece – a metempsicose consciente de Krishna. No Bhagavad-gita (2.40), Krishnadiz: “Neste caminho [o caminho da gradual rendição a Deus] não há perda nemdiminuição, e um pequeno esforço neste caminho pode proteger a pessoa do maisperigoso tipo de medo”. Em outras palavras, como explica Prabhupada em seucomentário, qualquer avanço que uma alma tenha feito em se render a Deus estáeternamente no crédito dela, e ela sempre continuará daquele ponto, e Krishna diz que,desde que ela continue fazendo o mínimo progresso (pequeno esforço) ela estará livredo mais perigoso tipo de medo (cair em uma forma sub-humana). Aqui pode parecerhaver uma contradição: Não há perda nem diminuição, ou involução, mas, se ela pararde progredir, cairá em corpos animais. Isso não é uma contradição assim como os
  12. 12. espíritas aceitam que alguém que foi doutor em Letras pode, caso aja pecaminosamente,nascer como alguém cego, surdo, mudo e paralítico. Tal aparente involução, isto é,alguém antes pesquisador acadêmico sequer ter sentidos e consciência o bastante parainteragir ou se movimentar, é um estado temporário de “inferioridade” à vida passada, oqual, quando superado e terminado, terá sido um grande aprendizado para o doutor, quepoderá então continuar seu progresso novamente em um corpo com inteligência, mastemeroso de pecar e reconsiderando se o mero conhecimento acadêmico realmenteconstitui progresso. Assim é que, quando alguém cai em um corpo animal após ter tido um corpohumano, ao deixar o corpo animal – ou os vários corpos animais, a depender de seusatos –, retoma sua vida com livre-arbítrio do ponto de rendição a Deus em que estava, esua experiência em determinado corpo animal serve-lhe de lição ou de esgotamento dealguma tendência animalesca que tinha mesmo no corpo humano. A história do rei Bharata, por exemplo, relatada no Quinto Canto do Srimad-Bhagavatam – para o qual já fornecemos um weblink – relata a história de um rei querenunciou seu reino quando mais velho e se recolheu para a floresta para se dedicar apráticas espirituais. Contudo, porque negligenciou sua vida espiritual tendo-se atraídopor um veadinho na floresta, adquiriu um corpo de veado na vida seguinte. No corpo deveado, intuitivamente rumou para a casa de grandes devotos de Deus e lá ficou atémorrer. Uma vez de volta ao corpo humano, na vida seguinte, ele retomou sua vidaespiritual com muito mais seriedade e cuidado. Assim, é evidente que, embora tenhaadquirido um corpo sub-humano após ter tido um corpo humano, não houve involuçãoda consciência, mas uma experiência chocante tal qual alguém que alguma vezenxergou porém teve um nascimento cego. Assim, negar a metempsicose porque amesma pressupõe a involução da consciência é ignorância de todos os sistemas demetempsicose*, visto que a metempsicose dos Vedas, escrituras estas que formam abase do movimento Hare Krishna, conciliam perfeitamente a transmigração pordiferentes corpos sem aceitar a involução da consciência. Tal aparente “involução” pode
  13. 13. ser comparada a alguém que estava caminhando para frente e, ao se deparar com umburaco à sua frente, recua um pouco para saltá-lo. Tal recuo não é um retrocesso em seucaminhar para frente, mas parte de seu progresso. *Parece que o espírito que se posiciona contra a metempsicose se informou insuficientemente,apenas em fontes semelhantes àquelas consultadas por Jung, que também possuía conhecimentoincompleto da metempsicose: “O conceito de renascimento é multifacetado. Em primeiro lugar destaco ametempsicose, a transmigração da alma. Trata-se da ideia de uma vida que se estende no tempo, passandopor vários corpos, ou da sequência de uma vida interrompida por diversas reencarnações. O budismoespecialmente centrado nessa doutrina – o próprio Buda vivenciou uma longa série de renascimentos –não tem certeza se a continuidade da personalidade é assegurada ou não; em outras palavras, pode tratar-se apenas de uma continuidade do karma. Os discípulos perguntaram ao mestre, quando ele ainda eravivo, acerca desta questão, mas Buda nunca deu uma resposta definitiva sobre a existência ou não dacontinuidade da personalidade”. (JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo.Petrópolis: Vozes, 2002. p. 119). Quando tal afirmação de Jung, que não conseguiu estender-se para apsicose mais antiga que se conhece, a metempsicose védica ou pré-budista, foi apresentada a SrilaPrabhupada, este comentou: “Srila Prabhupada: Uma personalidade está sempre presente, e mudanças corpóreas nãomudam isso. A pessoa, entretanto, identifica-se de acordo com o seu corpo. Quando, por exemplo, a almaestá dentro do corpo de um cachorro, ela pensa de acordo com aquela construção corpórea particular. Elapensa: “Sou um cachorro, e tenho minhas atividades particulares”. Na sociedade humana, a mesmaconcepção está presente. Por exemplo, quando alguém nasce na América, ele pensa: “Sou americano, etenho meu dever”. De acordo com o corpo, a personalidade se manifesta, mas, em todos os casos, apersonalidade está presente. Discípulo: Mas essa personalidade é contínua? Srila Prabhupada:Certamente a personalidade é contínua. À morte, a alma passa para outro corpo grosseiro juntamente comsuas identificações mentais e intelectuais. O sujeito obtém diferentes tipos de corpos, mas a pessoa é amesma”. (Beyond Illusion and Doubt. Cap. 15. vedabase.com/en/bid/15) Então, porque o espiritismo não possui uma resposta clara sobre se a alma queatualmente ocupa corpos humanos já ocupou corpos animais, e porque seu argumentode que a metempsicose não pode ser real porque implica a involução da consciência éproduto de ignorância da metempsicose consciente de Krishna, temos aqui, acredito,bastante espaço para reflexão. Algo muito interessante é que Krishna deixou-nos já uma fórmula no Bhagavad-gita, cinco mil anos atrás, que nos informa que a opinião de quem reside onde residemaqueles que conversaram com Allan Kardec é, em geral, de que existem diferentes tipos
  14. 14. de almas. Tal fórmula é dada no Bhagavad-gita (18.20-22): Você deve compreender que está no modo da bondade aquele conhecimento com o qual se percebe uma só natureza espiritual indivisa em todas as entidades vivas, embora elas se apresentem sob inúmeras formas. O conhecimento com o qual se vê que em cada corpo diferente há um tipo diferente de entidade viva, você deve entender que está no modo da paixão. E o conhecimento pelo qual alguém se apega a um tipo específico de trabalho como se fosse tudo o que existe, sem conhecimento da verdade, e que é muito escasso, diz-se que está no modo da ignorância. O universo, segundo os Vedas, é regido por três cordas, ou modos da naturezamaterial, os quais se chamam bondade, paixão e ignorância. Assim, classifica-se tudonos três modos, como alimentação, caridade etc. Pode-se ler sobre os mesmos noscapítulos 14, 17 e 18 do Bhagavad-gita. Aqui Krishna está dizendo que, quando alguémestá no modo da ignorância, esse alguém quer apenas trabalhar, sendo indiferente adiscussões se a alma existe ou não existe, se ela é a mesma tramitando por diferentescorpos ou se cada tipo de corpo comporta um tipo de alma. Em seguida, superiores sãoas pessoas controladas pelo modo da paixão, as quais já aceitam a existência da alma,embora, por seus sentidos imperfeitos e por seu desejo de explorar os outros, digam quea alma da mulher, do índio, do negro ou dos animais é inferior. Por fim, existem aquelesno modo da bondade, o melhor de todos, os quais percebem que é a mesma alma queaparece em diferentes corpos, assim como a mesma luz branca às vezes parece azul,vermelha ou amarela a depender da cor do invólucro que recebe. Assim, as escrituras conscientes de Krishna dizem que onde residem aqueles queconversaram com Allan Kardec é uma morada no modo da paixão (Srimad-Bhagavatam4.29.28, significado), a qual se chama, em sânscrito, Antariksa, daí a opinião deles. Atese espírita ser prevista milênios antes do surgimento do espiritismo e ainda proporuma tese superior é certamente algo que deve promover buscadores sinceros aconsiderarem se não há livros na Terra mais avançados do que os cinco livroscodificados por Kardec e similares. A leitura do Bhagavad-gita Como Ele É, nacompanhia daqueles que já o estudam há mais tempo, é um começo recomendável.
  15. 15. Acerca da localização das colônias espíritas e sua identificação com o modo da paixão,falaremos mais adiante, na seção denominada “Uma análise da posição dos espíritossegundo a consciência de Krishna”. Ainda nos argumentos na dicotomia reencarnação e metempsicose, além dosargumentos da questão do sofrimento a quem nunca teve livre-arbítrio para fazer algoque merecesse sofrimento e de que Krishna previu esse argumento para aqueles quehabitam Antariksa, há o argumento moral, possivelmente o mais forte, de que perceberoutras entidades vivas como ontologicamente inferiores é a inconsciência fundamentalpara se explorar o outro. Só me é possível explorar o negro, a mulher, o judeu ou oíndio, por exemplo, depois que eu me convencer de que são menos importantes paraDeus ou inferiores a mim, pois, se são iguais a mim, dou o direito de que façam comigoo mesmo que faço com eles, e se são tão importantes para Deus quanto eu sou, Deus mepunirá de alguma forma. Assim, vê-se rotineiramente que, conquanto os espíritas seapiedem de seres humanos em sofrimento, são promotores do sofrimento dos animaisem seus hábitos alimentares, de vestes etc., hábitos estes tendo em vista o gozo dossentidos. No Movimento Hare Krishna, todo membro faz o voto vitalício de não comercarne, peixe ou ovos, e as verduras e outros alimentos também são ingeridos apenasapós serem consagrados a Deus. Assim, é visível a superioridade moral e caridosanaqueles possuidores da visão de que a alma que anima os animais e plantas não é pornatureza inferior ou sem o propósito de um dia alcançar Deus, mas uma alma tal comonós que agora estamos em corpos humanos*. *Esta questão de que o fundamento para não explorarmos os animais ou humanos de diferentescategorias se encontra na necessidade de os vermos como indivíduos na mesma categoria que nós, umacategoria única abaixo de Deus, fica evidente caso contrastemos, por exemplo, espíritos que acreditamque os animais possuem almas constitucionalmente inferiores e aqueles que pensam diferente. Vemos,por exemplo, que os reveladores do Livro dos Espíritos, partidários da ideia de que a alma em um corpoanimal é distinta, e eternamente distinta, da alma em um corpo humano, não promovem o vegetarianismoe o consequente bem-estar dos animais: “Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, docontrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forçase sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a suaorganização” (O Livro dos Espíritos 3.5.723). O já mencionado espírito Emmanuel, partidário da ideia deque as almas que ocupam corpos animais e humanos são as mesmas, defende o vegetarianismo: “Aingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes consequências, do qual derivaram numerososvícios da nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado dematerialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem
  16. 16. ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem nenhuma necessidade dos matadouros efrigoríficos... Consolemo-nos com a visão do porvir, sendo justo trabalharmos, dedicadamente, peloadvento dos tempos novos em que os homens terrestres poderão dispensar da alimentação os despojossangrentos de seus irmãos inferiores”. (O Consolador, questão 129) Assim fica aparente que, por trás doempenho em categorizar o outro como ontologicamente inferior, está o desejo e o ato degradado deexplorá-lo. Deste modo, apresentado o sistema de metempsicose do Movimento HareKrishna, que remonta mais de 50 séculos na história registrada, sistema este que nãonega a evolução permanente da consciência e que a evolução da alma pelos animais éprogressiva, a metempsicose passa a ser verdadeira segundo estes dizeres da página 303do Livro dos Espíritos: “Seria verdadeira a metempsicose se indicasse a progressão daalma, passando de um estado a outro superior, onde adquirisse desenvolvimentos quelhe transformassem a natureza”.Espiritismo e Consciência de Krishna - Parte 2Escrito por Edinete MelloSáb, 07 de Abril de 2012 12:19Um estudo comparativo da transmigração da alma.Espiritismo e Consciência de Krishna:Um Estudo Comparativo em Transmigração da Alma,Posição dos Espíritos (Bhutas), Epistemologia e Objeto de Culto por Thiago Costa Braga (Bhagavan Dasa Adhikari Bhakti-sastri)
  17. 17. PARTE 2 de 4Uma análise da posição dos espíritos segundo o espiritismo Em O Evangelho Segundo o Espiritismo*, o espiritismo promove-se comosucessor de Jesus em ensinamentos, valendo-se das passagens bíblicas que se referemao “Espírito de verdade”, a saber, João 14:17, 15:26 e 16:13: “O Espírito de verdade,que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis,porque habita convosco, e estará em vós. Mas, quando vier o Consolador, que eu daparte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, eletestificará de mim. Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará emtoda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vosanunciará o que há de vir”**. *KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Brasília: FEB, 1996 **bibliahabil.com.br Podemos identificar quatro atributos (mais do que isso tornaria este muito longo)para análise do Espírito de Verdade segundo os referidos versos bíblicos: O Espírito deVerdade procede do Pai; não ensinará algo diferente do que Jesus disse; guiará aspessoas em toda a verdade; e não falará de si mesmo, mas antes do que houver ouvido. O Consolador é identificado nas obras canônicas do espiritismo como o próprioespiritismo, como em A Gênese* (1.42): “O espiritismo realiza todas as promessas doCristo a respeito do Consolador anunciado”, e o Espírito de Verdade é aquele queinspira (1.39) e preside (1.40) essa doutrina. Em termos práticos, podem-se analisar osquatro atributos no espiritismo como uma análise paralela do Espírito de Verdade, pois,uma vez que o espiritismo, o Consolador, é “inspirado” e “presidido” pelo Espírito deVerdade, não pode haver diferença ou contradição doutrinária entre os dois.
  18. 18. *KARDEC, Allan. A Gênese. Brasília: FEB, 1995 Então, um estudo esmerado do espiritismo mostra os quatros atributos queselecionamos acima? Analisemos cada um. O Espírito de Verdade “procede do Pai” significa que ele já esteve com o Pai,isto é, já O viu e O conhece, o que é possível segundo o Livro dos Espíritos (1.1.11):“Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade? „Quando não maistiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houveraproximado de Deus, ele O verá e compreenderá‟”. Assim, o Espírito de Verdade, queprocede do Pai, deve ser alguém que viu Deus e O conhece, o que nenhum espírito quese comunicou conosco disse ter feito. Dizer que “vem do Pai” significa que os espíritossão partes de Deus e criados por Ele, daí “virem do Pai”, seria algo sem sentido, pois osespíritos em estado encarnado também veem do pai, de modo que “vir do Pai” não podeser uma questão ontológica. O Espírito de Verdade não ensinará algo diferente do que Jesus ensinou. Novelho testamento, aceito por Jesus, visto que não veio negar a lei, mas cumpri-la(Mateus 5:17), encontramos: “Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seufilho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nemfeiticeiro. Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico,nem quem consulte os mortos. Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação aoSENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti”.(Deuteronômio 18:10-14) Jesus também ensinou que o mandamento maior é Amar a Deus, e o segundomandamento é amar o próximo: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesusdisse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e detodo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo,semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:36-39). Ocapítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo que trata deste assunto, curiosamente, trazo título do segundo mandamento mais importante, Amar o Próximo como a Si Mesmo.Embora seja citada toda a passagem bíblica que aqui citei, quando os espíritos acomentam, eles não dizem absolutamente nada sobre o primeiro mandamento, que Jesusdisse ser o mais importante, mas comentam apenas o segundo. Seu comentário
  19. 19. completo a estes dois mandamentos é este: “Amar o próximo como a si mesmo: fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós” é a expressão mais completa da caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo. Não podemos encontrar guia mais seguro, a tal respeito, que tomar para padrão, do que devemos fazer aos outros aquilo que para nós desejamos. Com que direito exigiríamos dos nossos semelhantes melhor proceder, mais indulgência, mais benevolência e devotamento para conosco, do que os temos para com eles? A prática dessas máximas tende à destruição do egoísmo. Quando as adotarem para regra de conduta e para base de suas instituições, os homens compreenderão a verdadeira fraternidade e farão que entre eles reinem a paz e a justiça. Não mais haverá ódios, nem dissensões, mas, tão-somente, união, concórdia e benevolência mútua. (Evangelho Segundo o Espiritismo 11.4) Assim, fica claro que o espiritismo estabelece a comunicação com os mortos,tida pelo velho testamento como “abominação ao Senhor”, e coloca o segundomandamento de Jesus como o primeiro, alteração esta facilmente assimilável à primeiraconstatação de não conhecerem Deus, prerrogativa para amá-lO. A adoração a Deus éirrelevante em uma religião cuja lei de ação e reação é soberana, haja vista que um ateucaridoso tem o mesmo destino de um teísta caridoso que louva a Deus em oração ecânticos. Deus é mero dador das reações, quer boas, quer ruins, o que O torna mecânicoou impessoal e, logo, irrelevante*. *As primeiras perguntas de Allan Kardec são sobre Deus, e as respostas sãodescrições meramente mecânicas: “Que é Deus? „Deus é a inteligência suprema, causaprimária de todas as coisas‟. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?„Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causade tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá‟”. (Livro dos Espíritos1.1.1 e 4) O Espírito de Verdade também guiará as pessoas em toda a verdade. Contudo, seos espíritos não conhecem tudo, como já citamos – “Os próprios espíritos longe estão de
  20. 20. tudo saberem e, acerca do que não sabem, também podem ter opiniões pessoais* maisou menos sensatas” (Livro dos Espíritos p. 303) – como poderão ensinar tudo? OEspírito de Verdade tem mesmo de ser alguém que vem do Pai, pois apenas semelhantepessoa pode tudo saber, ou então ser o próprio Pai, como defendem os Católicos, queafirmam o Espírito de Verdade ser o Espírito Santo, termo este equivalente naconsciência de Krishna a Paramatma**. *Não haveria problema algum nessa divisão de opiniões caso o espiritismo sereduzisse à posição de pesquisa científica e filosófica, como por vezes faz. Contudo, aose atribuir valor divino, como ter vindo do Pai e só dizer o que ouve, a existência dediversas opiniões lança-lhe descrédito. Os mestres do Movimento Hare Krishna tambématribuem a si o valor divino de só dizerem o que ouviram de Deus – como registradasSuas palavras pelo avatara Vyasadeva no Bhagavad-gita – porém, em coerência, jamaisse vê que tenham opiniões diferentes, pois todos respondem as perguntas pelo queouviram do Bhagavad-gita; no caso da transmigração da alma, que a alma que habitacorpos humanos atualmente pode e passa por corpos animais. Sobre isso, SrilaPrabhupada comenta: “Mediante avanço especulativo, ninguém é capaz de chegar à plataforma real deconhecimento. No presente momento, muitíssimos filósofos, cientistas, estão tentandoavançar em conhecimento através da especulação: „Eu acho‟, „Na minha opinião‟,„Talvez‟ e assim por diante. Isso continua. Grandessíssimos filósofos, cientistas, elesdão sua opinião. Todos estão achando. „Eu acho...‟. E isso está sendo apoiado.Conhecimento tornou-se sinônimo de poder pensar de qualquer maneira, e, no momentoatual, isso está sendo aceito”. (palestra em 19 de abril de 1974, Hyderabad) Sobre o guru, ou mestre, fidedigno, diz: “O guru [mestre] é um. Embora centenas e milhares de acaryas [mestresexemplares] tenham ido e vindo, a mensagem é a mesma. Portanto, o guru não pode serdois. O verdadeiro guru não falará algo diferente. Alguns gurus dizem: „Na minhaopinião, você deve ser assim‟, e alguns gurus dirão: „Na minha opinião, faça assim‟ –eles não são gurus; são todos velhacos. O guru não tem opinião pessoal. O guru temapenas uma opinião: a opinião que foi expressa por Krishna [Deus]”. (Palestra em 22 deagosto de 1973, Londres)
  21. 21. **Palestra de Srila Prabhupada em Londres sobre o Bhagavad-gita 1.15, em 15de julho de 1973 Outro atributo do Espírito de Verdade é que “não falará de si mesmo, mas antesdo que houver ouvido”. Este é o atributo essencial de um mestre espiritual segundo aconsciência de Krishna, que ele tem de ter ouvido de uma autoridade, que ouviu deoutra autoridade e assim por diante até que a primeira autoridade tenha sido alguém queouviu do próprio Deus, como descrito no já citado Livro dos Espíritos 1.1.11. Paramaior credibilidade, é importante também que essa ordem de Deus que é transmitidaadiante também possa ser uma fonte primária para quem a recebe, isto é, deve-se poderconsultar tanto o mestre que traz o conhecimento acerca de Deus como Deusdiretamente na obra que registra as palavras de Deus, ou, caso contrário, a relação como mestre será de mera fé em alguém cuja autenticidade não se pode determinar. Vemosque os espíritos, no entanto, não têm essa posição de que receberam instruçõessuperiores e assim por diante até alguém que está em contato com Deus, supostamente oEspírito de Verdade, senão que têm opiniões e investigam o universo, Deus etc. atravésde suas experiências. Por exemplo, o estudo da origem do Universo e dos mundos se dápela disciplina da Ciência, e não por revelação de uma autoridade infalível: A história da origem de quase todos os povos antigos se confunde com a da religião deles, donde o terem sido religiosos os seus primeiros livros. E como todas as religiões se ligam ao princípio das coisas, que é também o da Humanidade, elas deram, sobre a formação e o arranjo do Universo, explicações em concordância com o estado dos conhecimentos da época e de seus fundadores. Daí resultou que os primeiros livros sagrados foram ao mesmo tempo os primeiros livros de ciência, como foram, durante largo período, o código único das leis civis. Nas eras primitivas, sendo necessariamente muito imperfeitos os meios de observação, muito eivadas de erros grosseiros haviam de ser as primeiras teorias sobre o sistema do mundo. Mas, ainda quando esses meios fossem tão completos quanto o são hoje, os homens não teriam sabido utilizá-los. Aliás, tais meios não podiam ser senão fruto do desenvolvimento da inteligência e do consequente conhecimento das leis da Natureza. À medida que o
  22. 22. homem se foi adiantando no conhecimento dessas leis, tambémfoi penetrando os mistérios da criação e retificando as ideias queformara acerca da origem das coisas.Impotente se mostrou ele para resolver o problema da criação,até ao momento em que a Ciência lhe forneceu para isso achave. Teve de esperar que a Astronomia lhe abrisse as portasdo espaço infinito e lhe permitisse mergulhar aí o olhar; que,pelo poder do cálculo, possível se lhe tornasse determinar comrigorosa exatidão o movimento, a posição, o volume, a naturezae o papel dos corpos celestes; que a Física lhe revelasse as leisda gravitação, do calor, da luz e da eletricidade; que a Químicalhe mostrasse as transformações da matéria e a Mineralogia osmateriais que formam a superfície do globo; que a Geologia lheensinasse a ler, nas camadas terrestres, a formação gradual dessemesmo globo. À Botânica, à Zoologia, à Paleontologia, àAntropologia coube iniciá-lo na filiação e sucessão dos seresorganizados. Com a Arqueologia pode ele acompanhar os traçosque a Humanidade deixou através das idades. Numa palavra,completando-se umas às outras, todas as ciências houveram decontribuir com o que era indispensável para o conhecimento dahistória do mundo. Em falta dessas contribuições, teve o homemcomo guia as suas primeiras hipóteses.Por isso, antes que ele entrasse na posse daqueles elementos deapreciação, todos os comentadores da Gênese, cuja razãoesbarrava em impossibilidades materiais, giravam dentro de umcírculo, sem conseguirem dele sair. Só o lograram, quando aCiência abriu caminho, fendendo o velho edifício das crenças.Tudo então mudou de aspecto. Uma vez achado o fio condutor,as dificuldades prontamente se aplanaram. Em vez de umaGênese imaginária, surgiu uma Gênese positiva e, de certomodo, experimental. O campo do Universo se distendeu aoinfinito. Acompanhou-se a formação gradual da Terra e dosastros, segundo leis eternas e imutáveis, que demonstram muitomelhor a grandeza e a sabedoria de Deus, do que uma criaçãomiraculosa, tirada repentinamente do nada, qual mutação à vista,por efeito de súbita ideia da Divindade, após uma eternidade deinação.
  23. 23. Pois que é impossível se conceba a Gênese sem os dados que a Ciência fornece, pode dizer-se com inteira verdade que: a Ciência é chamada a constituir a verdadeira Gênese, segundo a lei da Natureza. (A Gênese 4.1-3) É claro que, assim como os atuais cientistas acreditam que, embora todos oscientistas antes deles estivessem errados, eles agora não o estarão pelo aprimoramentode suas ferramentas; serão muitos aqueles, na mentalidade cientificista dacontemporaneidade, a acreditarem que as ferramentas dos espíritos desencarnados serãosuficientes para esse exame. Em todo caso, não é possível atribuir a tais espíritos ocaráter de “falam o que ouvem”. Assim, parece evidente que o espiritismo não tem todos ou nenhum dos atributosque se espera no que Jesus descreveu como Espírito de Verdade e Consolador, fazendoparecer, destarte, que o uso bíblico é apenas um artifício de autopromoção com a atitudede aproveitar de um corpo textual bem estruturado e famoso para isso, tal qual fezGandhi em relação ao Bhagavad-gita. Contudo, façamos outra reflexão. Se oespiritismo veio para adicionar aos ensinamentos de Jesus a explicação de como aspessoas sofrem por reações a atos de vida passada*, o que não podia ser explicado 2.000anos atrás onde Jesus pregou, o que podemos esperar dos ensinamentos da Índia, ondese falou o Bhagavad-gita 5.000 anos atrás, no qual se fala claramente de tudo o que oespiritismo fala apenas hoje? No Bhagavad-gita, temos instruções claras sobre caridade,reencarnação, amor a Deus e assim por diante. Se 5.000 anos atrás, 3.000 anos antes deJesus poder falar limitadamente, e quase 5.000 anos antes do espiritismo poder falar oque fala hoje, o povo da Índia estava pronto para esse conhecimento, o que será quepodemos aprender com a Índia hoje, especialmente em uma sucessão ininterrupta demestres e discípulos desde o Bhagavad-gita 5.000 anos atrás, sucessão estarepresentada, entre outros, por Prabhupada, o fundador do Movimento Hare Krishna? *“[O espiritismo] vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdadosda Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores”.(Evangelho Segundo o Espiritismo 6.4) Sobre caridade, entre outros versos, Krishna, ou Deus, diz no Bhagavad-gita
  24. 24. (17.20-22, 18.22,68): A caridade dada por dever, sem expectativa de recompensa, no local e hora apropriados e dada a alguém digno, está no modo da bondade. Mas a caridade executada com expectativa de alguma recompensa, ou com desejo de resultados fruitivos, ou com má vontade, diz-se que é caridade no modo da paixão. E a caridade executada em lugar impuro, em hora imprópria e feita a pessoas indignas ou sem a devida atenção e respeito diz-se que está no modo da ignorância. Os atos de sacrifício, caridade e penitência não devem ser abandonados, mas sim executados. Na verdade, sacrifício, caridade e penitência purificam até as grandes almas. Para aquele que explica aos devotos este segredo supremo, o serviço devocional puro está garantido, e, no final, ele voltará a Mim. Não há neste mundo servo que Me seja mais querido do que ele, tampouco jamais haverá alguém mais querido. Sobre reencarnação, diz (22.12-17, 20-25 e 28-30): Nunca houve um tempo em que Eu não existisse, nem você, nem todos esses reis, e, no futuro, nenhum de nós deixará de existir. Assim como a alma encarnada passa seguidamente, neste corpo, da infância à juventude e à velhice, da mesma maneira, a alma passa para outro corpo após a morte. Uma pessoa sóbria não se confunde com tal mudança. Ó filho de Kunti, o aparecimento temporário da felicidade e da aflição, e o seu desaparecimento no devido tempo, são como o aparecimento e o desaparecimento das estações de inverno e verão. Eles surgem da percepção sensorial, ó descendente de Bharata, e precisa-se aprender a tolerá-los sem se perturbar. Ó melhor entre os homens [Arjuna], quem não se deixa perturbar pela felicidade ou aflição e permanece estável em ambas as circunstâncias, está certamente qualificado para a liberação. Aqueles que são videntes da verdade concluíram que não há continuidade para o inexistente [o corpo material] e que não há interrupção para o existente [a alma]. Eles concluíram isto estudando a natureza de ambos. Saiba que aquilo que penetra o corpo inteiro é indestrutível. Ninguém é capaz de destruir a alma imperecível.
  25. 25. Para a alma, em tempo algum existe nascimento ou morte. Ela não passou a existir, não passa a existir e nem passará a existir. Ela é não nascida, eterna, sempre existente e primordial. Ela não morre quando o corpo morre. Assim como alguém veste roupas novas, abandonando as antigas, a alma aceita novos corpos materiais, abandonando os velhos e inúteis. A alma nunca pode ser cortada em pedaços por arma alguma, nem pode ser queimada pelo fogo, ou umedecida pela água ou definhada pelo vento. Esta alma individual é inquebrável e indissolúvel, e não pode ser queimada nem seca. Ela é permanente, está presente em toda a parte, é imutável, imóvel e eternamente a mesma. Diz-se que a alma é invisível, inconcebível e imutável. Sabendo disto, você não deve se afligir por causa do corpo. Todos os seres criados são imanifestos no seu começo, manifestos no seu estado intermediário, e de novo imanifestos quando aniquilados. Então, qual a necessidade de lamentação? Alguns consideram a alma como surpreendente, outros descrevem-na como surpreendente, e alguns ouvem dizer que ela é surpreendente, enquanto outros, mesmo após ouvir sobre ela, não podem absolutamente compreendê-la. Ó descendente de Bharata, aquele que mora no corpo nunca pode ser morto. Portanto, você não precisa afligir-se por nenhum ser vivo. Sobre o amor a Deus, diferentemente do espiritismo, a consciência de Krishnasabe conciliá-la com a lei do karma, sem retirar o panorama de misericórdia e aimportância do louvor exclusivo a Deus. Na consciência de Krishna, não se alcançaDeus através do acúmulo de bom karma, senão que este conduz a alma apenas adimensões superiores de conforto, conhecimento e bondade. Contudo, a lei do karma éa resposta de Deus às almas que não quiseram morar no reino dEle, onde Ele controlatudo. Assim, rebeldes do controle de Deus, Deus cria-lhes o mundo material – queinclui a morada dos espíritos –, onde elas mesmas são as controladoras e Ele nada faz,isto é, os atos das almas condicionadas determinam sua ventura ou desventura, nãoDeus. Querer chegar a Deus pelo acúmulo de bom karma é manter a mentalidade de sero controlador e autossuficiente: “Sou alguém que pode sair do mundo material por meupróprio esforço e mérito”. Quando alguém se rende a Deus, ele se livra tanto do bomkarma quanto do mau karma, tornando-se akarma*, isto é, tornando-se alguém que nãoterá mais nenhuma existência promovida por seus próprios atos, mas existirá no reinode Deus, onde Deus é o controlador direto. Estas e outras instruções estão no Bhagavad-gita claramente.
  26. 26. *“Aquele ocupado em serviço devocional se livra tanto das boas quanto das másreações, mesmo nesta vida. Esforça-te, portanto, pelo yoga, que é a arte de todotrabalho”. (Bhagavad-gita 2.50) Em resumo, pode-se ver o espiritismo como uma revelação inválida porquantonão sustenta os atributos que diz ter, lembrando, proceder do Pai; não ensinar algodiferente do que Jesus disse; guiar as pessoas em toda verdade; e não falar de si mesmo,mas antes do que houver ouvido. Neste ponto, algumas perguntas interessantes podem estar visitando ainteligência do leitor. Por exemplo, o Bhagavad-gita não descreve com toda a lucidezde detalhes as colônias e planetas superiores, como faz o espiritismo. Isto não faria doespiritismo superior? O Bhagavad-gita possui uma justificativa para não fazersemelhante descrição. Os Vedas o fizeram profusamente, e a crítica de Krishna, noBhagavad-gita (2.27), é esta: “Os homens de pouco conhecimento estão muitíssimoapegados às palavras floridas dos Vedas, que recomendam várias atividades fruitivasàqueles que desejam elevar-se aos planetas celestiais, com o consequente bomnascimento, poder e assim por diante. Por estarem ávidos por gozo dos sentidos e vidaopulenta, eles dizem que isto é tudo o que existe”. E completa, em Bhagavad-gita 8.16,dizendo que mesmo a morada de Brahma, a morada mais elevada que existe, em seiscamadas superiores à residência dos espíritos, ou bhutas, é miserável. Assim, ouvir asdescrições de tais lugares apenas aumenta o nosso desejo de tentarmos ser felizes longede Deus: “Aqui está ruim, mas lá, apesar de Deus não residir lá pessoalmente, vai serbom”. Contudo, na opinião de Krishna, lá também é ruim, até a residência de Brahma,sendo bom apenas onde Ele mora em Seu aspecto pessoal*, morada esta chamadaVaikuntha. Krishna chama as descrições de tais lugares de “linguagem florida” porqueaqueles que os descrevem não os descrevem de modo justo, senão que descrevemimpressionados em ter um local onde têm mais conforto do que tinham na superfície daTerra ou em outros lugares. *“Transcendentalistas doutos, os quais conhecem a Verdade Absoluta, chamamessa substância não dual de Brahman [a refulgência de luz que emana do aspectopessoal de Deus], Paramatma [Deus como a testemunha e o mestre espiritual residenteno coração do corpo sutil] ou Bhagavan [Deus em Si, em Seu aspecto pessoal com oqual interage sobretudo com as almas liberadas de todo condicionamento grosseiro esutil]”. (Srimad-Bhagavatam 1.2.11)
  27. 27. No filme Nosso Lar, por exemplo, encontramos: “Aos poucos, tudo começava a fazer sentido. Nosso Lar era a vida real, e a Terraapenas uma passagem”. (36:00) Se o espírito progride por várias moradas, por que oNosso Lar não é tratado apenas como passagem, tal como se chamou de passageira aTerra? Em outra cena, André Luiz diz: “Eu ainda era o mesmo homem, preso aos meuspróprios erros, ao meu egoísmo, ao meu passado”. (36:40) Diante disso, não é possívelter os moradores de tal local como autoridades, o que dizer de autoridades livres de todoerro, embora eles se vejam assim, com na cena em 1:04:00, onde uma servidora dacolônia Nosso Lar leva para André Luiz o registro de orações feitas a ele, gravadas emuma espécie de pen drive, e diz que ali não há erros: - Nossa, demorei a achar. Faz tempo não é? Só tem dois arquivos. - Como assim? - O registro de duas pessoas. - Só duas? Você colocou meu nome correto? “André Luiz”. - Não há erros aqui, senhor. Como pode não haver erros em um local onde trabalha pessoas presas em seuspróprios erros, egoísmo e passado? Se ela teve dificuldade em encontrar – como apontacom os dizeres “Nossa, demorei a achar” – as duas pessoas que oraram a André Luiz,como pode não haver possibilidade de erros ou de não encontrar? Isto é o que definelinguagem florida: Descrever um local temporário, com sofrimento e pessoasimperfeitas como sendo “Nosso Lar, a vida real, um local onde não há erros, etc.”; éprecisamente o que Krishna diz ser produto de pessoas que estão ávidas por conforto egozo dos sentidos. O Bhagavad-gita e as escrituras que o sucedem, no entanto, após condenaremsemelhante audição ou leitura, descrevem com minúcias o mundo onde Deus reside comas almas puras e toda a interação que se dá entre os mesmos. Destacamos a obra
  28. 28. Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, de Srila Prabhupada, a leitura da qual serecomenda após a leitura de O Bhagavad-gita Como Ele É, do mesmo autor. Fonte: Amigos de KrishnaEspiritismo e Consciência deKrishna - Parte 3Escrito por Edinete MelloSáb, 07 de Abril de 2012 12:28Um estudo comparativo da transmigração da alma. Espiritismo e Consciência de Krishna: Um Estudo Comparativo em Transmigração da Alma, Posição dos Espíritos (Bhutas), Epistemologia e Objeto de Culto por Thiago Costa Braga (Bhagavan Dasa Adhikari Bhakti-sastri)
  29. 29. PARTE 3 de 4Uma análise da posição dos espíritos segundo a consciência de Krishna Antes de colocarmos a posição dos espíritos na consciência de Krishna,esclareçamos questões conceituais. A consciência de Krishna chama de espiritual aquiloque é eterno, pleno de conhecimento e pleno de bem-aventurança, de modo que jamaischamará a colônia Nosso Lar, por exemplo, de espiritual, haja vista que, segundo a obrahomônima, foi fundada no século XVI, é a residência de pessoas egoístas que precisamrenascer etc. e é um local onde há variados sofrimentos. Temporariedade: “„Nosso Lar‟é antiga fundação de portugueses distintos, desencarnados no Brasil, no século XVI”.(p. 48) Ignorância: “Notando-me a dificuldade para apreender todo o conteúdo doensinamento, com vistas à minha quase total ignorância dos princípios espirituais, Lísiasprocurou tornar a lição mais clara”. (p. 66) Tristeza: “Notando que a senhora Lauraentristecera subitamente ao recordar o marido, modifiquei o rumo da palestra” (p. 116). *XAVIER, Francisco Cândido. Nosso Lar. Brasília: FEB, 1996. Assim, as colônias também são chamadas de materiais por nós. A morada deDeus, Krishna, sim é chamada espiritual, haja vista que não possui data de fundaçãonem se a deixa uma vez que se a tenha alcançado, todos lá possuem conhecimentoperfeito acerca de tudo simplesmente por lá estarem e desconhecem qualquer espécie desofrimento. Residência eterna para os que a alcançam: “Essa Minha morada supremanão é iluminada pelo Sol ou pela Lua, nem pelo fogo ou pela eletricidade. Aqueles que aalcançam jamais retornam a este mundo material”. (Bhagavad-gita 15.6) A morada emsi: “Quando todo este mundo é aniquilado, aquela região [a morada de Deus] permaneceinalterada. Aquilo que os vedantistas descrevem como imanifesto e infalível, aquilo queé conhecido como o destino supremo, aquele lugar do qual jamais se retorna após
  30. 30. alcançá-lo – essa é Minha morada suprema”. (idem. 8.20-21) Aqueles que se comunicam com os médiuns não são chamados de espíritos, poiseles não estão na morada espiritual de Deus, de modo que seus corpos têm que ser feitosda mesma substância da morada deles. Aqueles que moram na morada de Deus, que éeterna, plena de conhecimento e de bem-aventurança, têm um corpo dessa natureza,chamado em sânscrito de siddha-deha, ao passo que aqueles que residem na parte sutildo mundo material possuem corpos sutis materiais. Para se entrar no reino de Deus, épreciso abandonar também o corpo sutil, o que se chama liberação, ou moksha. Caso seabandone o corpo sutil sem o desejo de servir Deus, mas apenas por se atingir umestágio de não possuir nenhum desejo egoísta, a alma, sem nenhum corpo, funde-se narefulgência do corpo de Deus (Brahman). Caso abandone o corpo sutil, tendo atingido aperfeição de não ter nenhum desejo egoísta, mas possuindo o desejo de servir Deus,recebe um corpo da mesma natureza do corpo de Deus, lembrando, um corpo eterno,pleno de conhecimento e de bem-aventurança. Aqueles chamados pelo espiritismo de espíritos de luz e espíritos de pouca luzsão chamados ambos de bhutas, que significa “apegados ao passado”. Quando errantes,ficam nesta condição: Aqueles que são muito pecaminosos e apegados à sua família, casa, vila ou país não recebem um corpo grosseiro feitos dos elementos materiais, senão que permanecem em um corpo sutil, composto de mente, ego e inteligência. Aqueles que vivem em tais corpos sutis são chamados de fantasmas (ghosts*). Essa posição fantasmagórica é muito dolorosa, porque um fantasma tem o corpo sutil e quer desfrutar da vida material, mas, porque ele não tem um corpo material grosseiro, tudo o que ele pode fazer é criar perturbações** devido à falta de satisfação material. (Srimad- Bhagavatam 4.18.18, significado) *A palavra que Prabhupada usa em inglês é ghost, a qual parece ser cognato com a palavra sânscrita guha.Guha significa literalmente tanto “conhecido por poucos” como “residente no coração". A palavra que atualmentetraduz ghost nos livros de Prabhupada em português, no entanto, é bastante infeliz, porque a raiz de fantasma éfantasia, isto é, algo que não existe fatualmente. Por ora, utilizaremos “fantasma”, embora um termo mais apropriadoem português esteja em debate pelos responsáveis pelas traduções em português das obras de Prabhupada e outras.
  31. 31. **Algumas de tais perturbações são descritas no Garuda Purana (2.9.57-62): “Falar-te-ei agora acerca dostormentos ocasionados pelos fantasmas contra as pessoas na Terra. Quando uma mulher menstrua em vez deengravidar, não havendo crescimento da família apesar de vida sexual saudável, isso é influência de fantasmas.Também é influência de fantasmas quando alguém morre jovem, perde repentinamente seu emprego, é objeto deinsultos, quando há repentino incêndio em uma casa, vê-se que em uma casa há constante desunião e brigas, falsoselogios, sofrimento devido à ganância, e doenças que suscitam vergonha. Quando o dinheiro investido da maneiracorreta não rende, mas se perde, isso se deve à perseguição de um fantasma. Quando safras se perdem mesmo apóschuva apropriada, quando atividades comerciais fracassam, quando a esposa ou o esposo se mostra irritado, isso sedeve à influência de fantasmas”. Quando se enfartam de causar perturbações, caso tenham algum mérito piedoso,podem ir para Antariksa, ou podem ir diretamente para lá caso sejam semipiedosos,como descreve o Srimad-Bhagavatam (5.24.5): “Abaixo de Vidyadhara-loka,Caranaloka e Siddhaloka, no céu conhecido como Antariksa, estão os locais de desfrutedos yaksas, raksasas, pisacas, bhutas e assim por diante”. Estes são diferentes nomespara designar aqueles que não têm corpos grosseiros. O mais comum é bhuta. Parece-me seguro dizer que essa morada descrita como Antariksa é a mesma descrita pelosespíritas, tanto por ser a morada paradisíaca dos bhutas, aqueles apegados à família ecom algum envolvimento mais ou menos recente com pecados, e por sua descriçãoespacial mais adiante no mesmo verso: “Antariksa se estende até onde o vento sopra eas nuvens flutuam no céu. Acima de Antariksa, não há mais ar”, o que coincide com amaior parte das descrições espíritas. Assim, a condição de não ter um corpo grosseiro é tida como algo negativo, eembora tenham uma morada confortável destinada para eles, essa morada continuasendo a morada de pessoas identificadas com o corpo, apegadas à família, sujeitas aosdefeitos das almas condicionadas – a saber, a tendência a enganar os outros, a enganar asi mesmos, possuir sentidos imperfeitos e cometer erros*. Logo não é uma posiçãodesejável estar com eles, tampouco suas instruções devem ser tidas como de pessoasabalizadas nos entendimentos acerca de Deus e de Sua vontade. O conhecimentoconsciente de Krishna então divide as moradas acima de Antariksa, todas tambémmateriais na definição consciente de Krishna, em seis agrupamentos: Bhuvarloka,Svargaloka, Maharloka, Janaloka, Tapoloka e Satyaloka.
  32. 32. *Cf. Sri Caitanya-caritamrta Adi-lila 7.107 e 2.86. (vedabase.com/en/cc) Há aqui, no entanto, duas divergências entre a consciência de Krishna e oespiritismo. Primeiramente, não se chega a essas moradas apenas com o corpo sutil,corpo de bhuta, no sentido de que das colônias, ou de Antariksa, evolui-se mais e secontinua sutilizando o corpo até as moradas superiores. Tais moradas possuem corposgrosseiros refinadíssimos para seus residentes, os quais lhe dão mais oportunidades doque possui o corpo sutil sozinho*. Em Satyaloka reside Brahma, que é a entidade vivamais poderosa e pura do mundo material, o qual preside todos os planetas, e Brahmapossui um corpo grosseiro. Outra divergência é que nenhum dos moradores destesplanetas, para não falar dos residentes de Antariksa, com seu peculiar apego aos laçosfamiliares, pode estabelecer o caminho religioso para os terrestres ou qualquer outrapessoa. Isso é declarado no Srimad-Bhagavatam (6.3.19): “Os verdadeiros princípiosreligiosos são enunciados pela Suprema Personalidade de Deus. Embora completamentesituados no modo da bondade, nem mesmo grandes sábios que ocupam os planetas maiselevados podem determinar os princípios religiosos verdadeiros, tampouco o podem osdevas [residentes de Svargaloka] ou os líderes de Siddhaloka [um planeta da esferaBhuvarloka], isso para não falar dos asuras [literalmente, pessoas sem (a-) luz (sura)],dos seres humanos comuns, os Vidyadharas e Caranas [outros residentes de outros doisplanetas de Bhuvarloka]”. *Uma vez que não obter um corpo grosseiro é prerrogativa dos pecadores, não é possível aceitar queBrahma, por exemplo, a entidade que preside a morada material [material na acepção daqueles conscientes deKrishna] mais elevada não tenha um corpo grosseiro dado que, apenas para residir em seu planeta, para não falar deter o seu cargo, exige-se que, ao longo de 100 vidas, o indivíduo aspirante não se desvie de nenhum dever prescrito(Brhad-bhagavatamrta 1.2.49, dig-darsini). Além disso, vê-se que personalidades como Indra, de Svargaloka;Hanuman, de Bhuvarloka, e Manu e outros interagem com os seres humanos sem qualquer dificuldade ounecessidade de um médium ou algo similar. Em 28 de dezembro de 1972, em Bombaim, transcorreu a seguinteconversa entre Prabhupada e seus discípulos: “Devota: Na Lua, há corpos de uma natureza mais sutil de modo que, se fôssemos lá, não seríamos capazesde vê-los? Prabhupada: Não. Você pode vê-los. Eles têm corpo material. Devota: Poderíamos vê-lo com nossosolhos? Prabhupada: Sim. Por que não? Na água, por exemplo, os corpos dos aquáticos são diferentes, mas vocêpode vê-los. Por que não? Se não fosse visível, como você está vendo a Lua? Se você está vendo a Lua, então não éinvisível. A Lua é uma morada celestial [Svargaloka]; os semideuses [devas] vivem lá. Temos essas informações.Eles também são inteligentes: „Essas pessoas [os astronautas] estão vindo do planeta terrestre desautorizadamente.Então, divirjamo-los para a porção desértica‟. Se a Lua é celestial, seus habitantes são mais inteligentes do que vocês;
  33. 33. logo, se vocês têm uma máquina para chegar lá, eles têm uma máquina para divergi-los. „Esses sujeitos infames estãovindo aqui sem nenhuma licença de imigração. Que eles sejam divergidos para a porção desértica e, desapontados,irão embora‟. Devoto: Há terra nos corpos deles ou seus corpos são feitos de ar? Prabhupada: Não. Estes corpostêm cinco elementos: terra, ar, água, fogo e éter. O corpo sutil: mente, inteligência e ego. Em algum planeta, a porçãode terra pode ser maior ou a porção de fogo ou a porção de éter, mas são todos corpos materiais; não são corposespirituais. O corpo espiritual está dentro. A qualquer lugar que você vá dentro do universo, você obtém o corpomaterial, e, segundo o corpo, a duração de vida é diferente”. Assim fica evidente que ter apenas o corpo sutil é desprivilegio, não sintoma de estado de consciênciasuperior. Segundo citado anteriormente, a não obtenção de um corpo grosseiro decorre de apego familiar, ou dopassado de modo geral, e acúmulo de pecados, e não de sintoma de “evolução da consciência”. Enquanto as escrituras descrevem os residentes de Antariksa como bhutas,“pecadores apegados à família imediata ou estendida”, as escrituras descrevem osresidentes de planetas superiores, por exemplo, como indivíduos com o seguinte mérito:“Vosso mundo [Brahmaloka] pode ser auferido somente por pessoas santas queobservam sem nenhum pecado seus deveres sociais prescritos, livres de orgulho e outrosvícios, ao longo de cem vidas”. (Brhad-bhagavatamrta 1.2.49, dig-darsini) Se mesmotais pessoas muito superiores não podem estabelecer códigos de religião, certamente nãoo podem os bhutas. Neste ponto talvez já tenha surgido um questionamento muito interessante noleitor. “Você, um membro da Sociedade Internacional para a consciência de Krishna,está negando a autoridade dos espíritos, ou bhutas, bem como de personalidades maiselevadas do que eles em dimensões superiores, mas, acaso, você também não é alguémfalível, tanto você quanto Srila Prabhupada? O verso supracitado do Srimad-Bhagavatam diz que os devas, siddhas etc. não podem estabelecer os princípiosreligiosos, mas também menciona que não o podem os „seres humanos comuns‟”. Certamente Prabhupada, como apenas uma centelha de Deus, e não Deus empessoa, é falível. Contudo, diferentemente dos bhutas, ou espíritos, ele assume suacondição de não poder chegar a algum conhecimento perfeito através de seus sentidos ededuções, isto é, através de ciência e filosofia. Algumas vezes, acredita-se que osespíritos que ditam estão em contato com outro espírito mais elevado que está em
  34. 34. contato com outro espírito mais elevado e assim por diante até alguém perfeito emcontato com Deus. Contudo, analisando as obras, sabemos que não é isso o queacontece. Em A Gênese (17.32), por exemplo, encontramos a ideia de que o espiritismose tornará a religião mundial de todos por meio da razão e da ciência: Entretanto, a unidade se fará em religião, como já tende a fazer-se socialmente, politicamente, comercialmente, pela queda das barreiras que separam os povos, pela assimilação dos costumes, dos usos, da linguagem. Os povos do mundo inteiro já confraternizam, como os das províncias de um mesmo império. Pressente-se essa unidade e todos a desejam. Ela se fará pela força das coisas, porque há de tornar-se uma necessidade, para que se estreitem os laços da fraternidade entre as nações; far- se-á pelo desenvolvimento da razão humana, que se tornará apta a compreender a puerilidade de todas as dissidências; pelo progresso das ciências, a demonstrar cada dia mais os erros materiais sobre que tais dissidências assentam e a destacar pouco a pouco das suas fiadas as pedras estragadas. Demolindo nas religiões o que é obra dos homens e fruto de sua ignorância das leis da Natureza, a Ciência não poderá destruir, malgrado a opinião de alguns, o que é obra de Deus e eterna verdade. Afastando os acessórios, ela prepara as vias para a unidade. Interessante notar a analogia de que haverá uma só religião pela força da ciênciae da razão humana assim como os povos estão se unindo social e politicamente.Algumas décadas após esses dizeres, irrompeu-se a primeira guerra mundial, e algumasdécadas mais à frente, com a ciência e a dita razão em seu auge, a segunda guerramundial, na qual se conseguiu matar muito mais do que na primeira. Hoje aglobalização comercial se mostra um evento que tornou o mundo um grandesupermercado de futilidades e artigos degradantes – com a grandiosa internet tendocomo dois terços de seu conteúdo pornografia – e o sucesso em reproduzir aalimentação e o entretenimento americanos é o parâmetro de se um país é desenvolvidoou não. Se o espírito for tão feliz em sua previsão do espiritismo como a religião queunirá todos os religiosos do mundo quanto foi feliz em dizer que o mundo caminhavapara uma união social, política e comercial, então certamente a ciência e a razão não sãomeios para se conhecer os desígnios de Deus e unificar as crenças. A razão e a ciênciada pós-modernidade mostram como algo percebido com os sentidos, a mente e ainteligência sempre será subjetivo e, logo, jamais unificador, mas produtor das maisdiferentes teorias, todas necessariamente falhas.
  35. 35. Que os espíritos usam de seus sentidos e inteligência falíveis para suasconclusões já foi exposto em suas conclusões permeadas de dúvidas, e que se valem deciência e especulação é algo que expressam com frequência e vaidade, sobretudo em AGênese. É interessante notar que Allan Kardec se opõe à razão e à percepção diretacomo meios válidos, mas falhou em perceber que, embora os espíritos tenham melhoresrecursos – supostamente – para poderem perceber a reencarnação como fato, têmrecursos insuficientes para dizerem tudo o que dizem, como falar sobre Deus ou aorigem e o propósito do Universo. O homem que julga infalível a sua razão está bem perto do erro. Mesmo aqueles, cujas ideias são as mais falsas, se apoiam na sua própria razão e é por isso que rejeitam tudo o que lhes parece impossível. Os que outrora repeliram as admiráveis descobertas de que a Humanidade se honra, todos endereçavam seus apelos a esse juiz, para repeli-las. O que se chama razão não é muitas vezes senão orgulho disfarçado e quem quer que se considere infalível apresenta-se como igual a Deus. Dirigimo-nos, pois, aos ponderados, que duvidam do que não viram, mas que, julgando do futuro pelo passado, não creem que o homem haja chegado ao apogeu nem que a Natureza lhe tenha facultado ler a última página do seu livro. (Livro dos Espíritos, p. 30) Soube muito bem Allan Kardec determinar os percalços da razão e da vaidade,mas não os soube identificar nesses mesmos homens esses defeitos depois de mortos –algo bastante próprio para alguém deslumbrado ante o conhecimento da reencarnação, oque jamais aconteceria se fosse nascido na Índia e estudioso da consciência de Krishna.Neste caso, poderia analisar tudo sem deslumbramento, haja vista a popularidade doconhecimento das existências múltiplas – mero pressuposto. Sobre a questão epistemológica, os Vedas dizem que a ciência e a filosofia, ou oconhecimento ascendente, sempre será imperfeito, em especial no que diz respeito aDeus, uma vez que Deus é inalcançável pelos esforços das almas em corpos materiais*,o que inclui os bhutas, em virtude dos já mencionados quatro defeitos das almascondicionadas. No entanto, os Vedas falam de uma terceira epistemologia, chamadasabda-pramana, ou o conhecimento revelado – revelado necessariamente por Deus, éclaro. Assim é que, embora Prabhupada e eu sejamos seres humanos comuns,
  36. 36. superamos toda a nossa condição precária ao não expressarmos nenhuma opiniãoreunida de pesquisas, reflexões pessoais ou revelações de pessoas falíveis. SrilaPrabhupada diz: *“Adoro Govinda, o Senhor primordial, aquele além da concepção material, aquele cuja ponta dos dedosdos pés de lótus é tudo o que abordam os yogis que aspiram ao transcendente e recorrem a pranayama exercitando arespiração, ou o que abordam os jnanis que tentam encontrar o Brahman não-diferenciado por meio do processo deeliminação do mundano, alongando-se nisso por milhares de milhões de anos”. (Brahma-samhita 5.34) Porque eles são todos infames e néscios, o que eles [aqueles que adotam o método científico como epistemologia] podem descobrir? Eles simplesmente teorizam com base em sua necedade – isto é tudo. Esse é o afazer deles. Não há fatos. E aqueles que são infames acreditam neles – isto é tudo. Então, não somos semelhantes sujeitos, porque o nosso conhecimento é recebido a partir do maior cientista, Krishna [Deus]. Eu, pessoalmente, posso ser um patife, mas, porque sigo o maior cientista, minha proposição é científica. Prabhupada aceita que ele, pessoalmente, possa ser um “patife”, mas,diferentemente dos espíritos reveladores, ele não dá vazão à sua “patifaria” ao tentarproduzir algum conhecimento por suas reflexões e observações, senão que aceitaKrishna, Deus, o cientista supremo e infalível, e repete apenas o que Ele diz. Eu, domesmo modo, repito o que Prabhupada diz. O Movimento Hare Krishna, no entanto, não é uma religião de algum “velhinhoindiano” que recebeu uma revelação magnífica de Deus e passou a liderar as pessoas. Arevelação de Deus, ou do cientista supremo, a que se refere Prabhupada estáinteiramente registrada no Bhagavad-gita e outras obras similares, às quais todos têmacesso direto para constatar como Prabhupada e seus seguidores estão ensinando efazendo apenas o que Deus falou. Por que aceitar que esse livro é infalível e realmenterevelado por Deus? Quanto a isso, Krishna diz que a religião se dá por experiênciadireta (Bhagavad-gita 9.2), ou seja, cada leitor deste terá de tirar sua conclusão após lero Bhagavad-gita como o próprio Gita diz que ele deve ser lido: Na companhia dosdevotos de Deus e com os esclarecimentos de um devoto de Deus entendido. Não tenhointeresse no “eu acredito que seja realmente revelada”, tampouco podemos agrupar o
  37. 37. Bhagavad-gita em “todas as outras obras ditas reveladas que li sei que não eram”, poisseria um preconceito. Em resumo, analisando as obras canônicas do espiritismo, encontramos queparece que os espíritos não são quem dizem ser, e, segundo a consciência de Krishna,apenas Deus pode revelar a religião à humanidade, e quem quiser ensinar às pessoas ocaminho da religião deverá conhecê-lo diretamente com Deus ou, mais possivelmente,com alguém que esteja em uma sucessão que comece com o próprio Deus e nãosubordine a revelação de Deus ao que se pode entender com os sentidos e a mente,independente de quão refinado seja o corpo que reveste a alma pura. As almas queatualmente se encontram no estado de bhutas não possuem nenhuma qualificaçãoespecial que lhes permita esclarecer outros acerca de vedanta, a conclusão de todoconhecimento, salvo caso digam apenas o que Deus falou ou o que disse alguém queouviu diretamente de Deus. Não se vê isso nos reveladores do espiritismo. No Srimad-Bhagavatam e, mais sinteticamente, na introdução do Bhagavad-gitaComo Ele É, de Srila Prabhupada, encontramos como o conhecimento perfeito daconsciência de Krishna chegou à Terra, tendo sido ensinado por Deus a Brahma, que oensinou a Narada, que, com seu corpo especial, veio à Terra e o ensinou a Vyasadeva,que o escreveu sobretudo no Srimad-Bhagavatam, cuja introdução é o Bhagavad-gita*. *Embora o Bhagavad-gita e o Srimad-Bhagavatam abordem os mesmos temas, o Srimad-Bhagavatam éconsiderado superior porque seus ouvintes eram sábios autocontrolados e santos, com tempo disponível paradesdobramento de muitos assuntos, ao passo que o Bhagavad-gita foi falado a um guerreiro pouco tempo antes docomeço de uma guerra. Entre os espíritas às vezes se acredita que desencarnados piedosos são em geralsuperiores a piedosos encarnados. Contudo, isso pode ser mera crença, pois, afinal, nãoera Jesus, encarnado, mais elevado do que todos os Espíritos*? Assim, não háfundamento para dizer que os mestres encarnados que seguem a sucessão discipular que
  38. 38. começa com o próprio Krishna, Deus, sejam inferiores por terem misericordiosamentevindo a este mundo. Além disso, há a vantagem de que não é possível ser alguémpassando por outrem, como frequentemente acontece em psicografias. Insisto no pontoanterior. Se os cristãos apenas agora estão prontos para a temática da reencarnação, porque um buscador sincero não beberia do Bhagavad-gita e do Srimad-Bhagavatam,falado a um povo que, 3.000 anos antes do nascimento de Jesus, já estava pronto paraesse conhecimento, analisado a fundo, bem como prontos para tópicos jamaisexplorados pelos espíritas, como as dinâmicas da vida junto a Deus, a Personalidade deDeus, os três modos da natureza material, uma descrição completa do Universo de umaperspectiva revelada, desde o planeta mais baixo ao mais elevado? *À pergunta de se Jesus seria médium, isto é, alguém cujas palavras e obras decorrem de inspiração deEspíritos, é dada a seguinte resposta, que atesta que a visão espírita é que alguém encarnado pode ser superior a todosos Espíritos e unicamente prestar-lhes serviço, sem receber deles nenhum: “Não, porquanto o médium é umintermediário, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados, e o Cristo não precisava de assistência,pois que era ele quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal... Que Espírito, aodemais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum influxo estranhorecebia, esse só de Deus lhe poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus”. (AGênese 15.2) Caso alguém insista que a consciência de Krishna não descreve as colônias eoutras residências materiais tão bem quanto o espiritismo, julgo válido citar este versodo Bhagavad-gita (8.6): “Qualquer que seja o estado de existência de que alguém selembre ao deixar o corpo, ó filho de Kunti, esse mesmo estado ele alcançaráimpreterivelmente”. Deste modo, caso Krishna Se detivesse a descrever a fundomoradas que não são o verdadeiro lar eterno das almas, nem um local onde elasfinalmente encontrarão o néctar pelo qual sempre ansiaram, de ter uma existênciacontínua, plena de conhecimento e plena de bem-aventurança junto a Deus, Ele estariaencaminhando as almas para uma nova situação material pós-morte. Ele diz: “Aquelesque adoram os semideuses nascerão entre os semideuses, aqueles que adoram osancestrais irão ter com os ancestrais, aqueles que adoram espíritos [bhutani] nascerãoentre tais seres, e aqueles que Me adoram viverão coMigo”. Quanto à inferioridade de nascer entre os bhutas, Krishna sequer se detém em
  39. 39. fazê-lo, senão que o faz apenas em relação aos semideuses, pois, sendo muito maiselevados e residentes de planetas muito superiores*, dizer que ir ter com eles após amorte não é uma atitude inteligente basta para que entendamos que o destino junto aosbhutas é igualmente ruim. “Homens de pouca inteligência adoram os semideuses, e seusfrutos são limitados e temporários. Aqueles que adoram os semideuses vão para osplanetas dos semideuses, mas Meus devotos acabam alcançando Meu planeta supremo”.(Bhagavad-gita 7.23) Planeta este sobre o qual já citamos ser um planeta do qual jamaisse retornará após ter sido alcançado e ser um planeta livre de qualquer sofrimento epermissor de contato direto com Deus. *”Abaixo de Vidyadhara-loka, Caranaloka e Siddhaloka, no céu conhecido como Antariksa, estão os locaisde desfrute dos Yaksas, Raksasas, Pisacas, Bhutas e assim por diante”. (Srimad-Bhagavatam 5.24.5) (grifo nosso) Que não se pode morar eternamente nos planetas dos semideuses, para não falarda dimensão dos bhutas, é confirmado por este verso, também do Bhagavad-gita:“Após desfrutarem desse imenso prazer celestial dos sentidos e terem esgotado osresultados de suas atividades piedosas, eles regressam a este planeta mortal” (9.21).Aqui é preciso mais um esclarecimento aos espíritas, que, ao confundirem a evolução daconsciência em rendição a Deus com o acúmulo de bom karma, acreditam que oacúmulo de bom karma jamais se perde. É verdade que o progresso da consciênciajamais se perde, mas esse nada tem a ver com onde se reside – não era Jesus superior atodos os atuais desencarnados residentes das melhores colônias? –, daí que o bomkarma, o grande fator a determinar onde se reside, ser algo que se esvai, como explicadopor Krishna neste verso. Krishna conclui Seu parecer sobre aqueles que buscamcomprar residência em tais moradas temporárias, portanto, dizendo que são “homens depouca inteligência”. (7.23) Como apenas a residência de Deus, ou Krishna, pode nos satisfazer, e onde querque esteja a nossa consciência na hora da morte, para lá iremos, Krishna recomenda:“Ocupa tua mente em pensar sempre em Mim, torna-te Meu devoto, oferece-Mereverências e Me adora. Estando absorto por completo em Mim, com certeza virás a
  40. 40. Mim”. (9.34) É o mesmo mandamento maior, como ensinado por Jesus, “Amarás oSenhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teupensamento. Este é o primeiro e grande mandamento”, o qual os espíritascaprichosamente colocam em segundo plano, absorvem seu pensamento, seu coração esua alma em bhutas, superestimam a morada celestial dos mesmos e consideram quechegarão a Deus acumulando méritos cármicos, comprando Deus assim como secompra uma morada material. Esse caminho de ascensão pelo bom karma é chamado em sânscrito de karma-kandha, sobre o qual Bhaktivinoda, um mestre da sucessão discipular a que pertence aSociedade Internacional para a consciência de Krishna, comenta: “Não é possívelutilizar a causa de uma doença para curar essa mesma doença. O processo karma-kandha é a causa da doença material das entidades vivas. Tal processo jamais produziráo fruto de destruir a existência material das entidades vivas”. (Sri Manah-Siksa, capítulo10) A causa da doença das entidades vivas não estarem mais morando com Deus, deonde vieram, é que desejaram ser independentes dEle, para o que Ele lhes deu a lei dokarma, uma lei automática, ou seja, que não depende de Sua presença ou intervençãopessoal. As entidades vivas quererem se elevar por meio de seus atos e pelas instruçõesde outras almas falíveis, e não se rendendo a Deus, é apenas um sintoma de quepreservam sua doença de quererem ser independentes do controle de Deus. Fonte: Amigos de KrishnaEspiritismo e Consciência de Krishna - Parte 4Escrito por Edinete MelloDom, 08 de Abril de 2012 00:00
  41. 41. Um estudo comparativo da transmigração da alma. Espiritismo e Consciência de Krishna: Um Estudo Comparativo em Transmigração da Alma, Posição dos Espíritos (Bhutas), Epistemologia e Objeto de Culto por Thiago Costa Braga (Bhagavan Dasa Adhikari Bhakti-sastri) PARTE 4 de 4Este ensaio completo encontra-se disponível para visualização online clicando aqui.O mesmo se encontra disponível em pdf clicando aqui.Objeto de Culto Alguém talvez diga: “Mas os seguidores de karma-kandha também adoram aDeus”. No concernente a isso, Bhaktivinoda comenta: “Karma não é nada senãoatividades egoístas. Os karmis [seguidores do caminho karma-kandha] não buscamexclusivamente a misericórdia de Krishna. Embora respeitem Krishna, seu propósitoprincipal é obter alguma sorte de felicidade”. (Sajjana Tosani 11.11) Certamente os seguidores de karma-kandha nunca buscam exclusivamente a

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