Desenho da família. Psicopedagogia.

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O desenho da família avalia: o estado afectivo da criança, estruturação da personalidade, vivência do contexto familiar, dinâmica familiar – sua representação, maturidade psicomotora, formação do esquema corporal.

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Desenho da família. Psicopedagogia.

  1. 1. Desenho da famíliaO desenho da família avalia: o estado afectivo da criança, estruturação da personalidade,vivência do contexto familiar, dinâmica familiar – sua representação, maturidadepsicomotora, formação do esquema corporal.Interpretação1. Nível gráfico:1.1. Amplitude do traço:Extroversão: linhas traçadas num gesto amplo e ocupam uma boa parte da página.Indicam energia. (Expansão vital)Introversão: gesto de pouca amplitude, linhas curtas, indica falta de energia einibição.1.2. Força do traço: representa a força dos impulsos, com liberação ou inibiçãodos instintos.Traço forte: indica agressividade, impulsividade e audácia.Traço fraco: é indicador de fragilidade e timidez.É muito significativo o extremo em ambos.1.3. Ritmo do traçado: subentende-se como o sujeito desenvolve a tarefa deforma mais espontânea ou, pelo contrário, estereotipadamente, numa repetição simétricade traços, pontos, etc., até atingir um grau de minuciosidade que pode chegar a sercompulsivo. A repetição rítmica (repetição de personagem para personagem, isto é,desenhar as personagens de forma igual: cabeça, tronco, pernas, tamanho) indica perdade espontaneidade e presença de um ambiente repressivo com regras rígidas. Casosmuito pronunciados poderão diagnosticar neurose ou a presença de traços obsessivos.A simetria das personagens poderá indicar repetição, hesitação ou estereótipo.1.4. Localização:Zona inferior: ausência de fantasia, de energia, cansaço, astenia e depressão.Zona superior: expressão da fantasia, imaginação e criatividade.Zona esquerda: relaciona-se com o passado, tendências regressivas, passividade,falta de iniciativa, forte dependência dos pais.1
  2. 2. Zona direita: relaciona-se com o futuro, desenvolvimento progressivo (evolução),capacidade de autonomia e de iniciativa. Os lugares que ficam vazios significam zonas proibidas.1.5 Sentido do desenho:Sentido para a direita: sentido natural, sentido progressivo.Sentido para a esquerda: sentido regressivo. Num destro representa problemasperceptivos, podendo ser observado em esquizofrénicos.2. Nível das estruturas formais:A representação da figura humana é pressuposta como o esquema corporal dosujeito, sendo possível avaliar a sua maturidade e a presença de transtornos do esquemacorporal.2.1. Esquema corporal: como é desenhada cada parte do corpo, detalhesatribuídos ou omitidos. Proporções, vestimentas e ornamentos. O grau de perfeição dodesenho torna-se um indicador de maturidade. Pode ser influenciado por factoresemocionais.2.2. Estrutura do corpo: ausência ou não de interacções entre as personagens,contexto animado ou imóvel no qual evolui.2.3 Tipo Sensorial: mais espontâneo e livre. Linhas curvas – interesse pelaestimulação emocional, espontaneidade, sensibilidade ao ambiente circundante.2.4. Racional: mais rígido. Linhas rectas e ângulos – rigidez, racionalidade,repressão de emoções, ambiente muito exigente e rígido.3. Nível do conteúdo:3.1. Valorização do personagem principal: o personagem principal é o maisimportante no sentido de que as relações do sujeito com ele são especialmentesignificativas, seja porque o “admira, inveja, teme”, seja porque se identifica com ele.- Personagens desenhadas em 1º lugar, ocupando quase sempre o lugar àesquerda.- Pelo tamanho, geralmente maior.- O desenho é executado com maior cuidado e investimento gráfico.2
  3. 3. - As personagens são ricas em acessórios: com mais adornos.- Localização ao lado de uma figura importante.- A personagem ocupa um lugar de destaque. Ser desenhado em posição maiscentral, de modo a chamar a atenção entre as figuras.- Personagem mais enfatizada, por representar o próprio sujeito, que com ele seidentifica.- Capacidades que se distinguem pelo físico valorizado relativamente às outras.- Estão associados sentimentos mais fortes do sujeito, sejam negativos oupositivos.3.2. Desvalorização de um personagem: implica intentos de negação, que éindicada, frequentemente, pela:- Omissão total da personagem ou de detalhes da mesma.- Personagem menor que as outras.- Personagem colocada em último lugar, na margem da página.- Personagem desviada/distanciada ou debaixo das outras, horizontalmente ou emplano inferior.- Personagem desenhada com menor cuidado ou com omissão de detalhesimportantes.- Depreciada de alguma maneira: por um atributo negativo ou alteração da idade,omissão do nome, ao contrário das restantes que integram o desenho.- Figura com que raramente o sujeito se identifica.- Geralmente um dos irmãos.3.3. Distância entre as figuras: associa-se com dificuldades no relacionamento etanto pode ser indicada pelo afastamento entre as representações dos personagensquanto por outros indícios, como por um traço de separação.3.4. Presença de representações simbólicas:- Inclusão de animais, domésticos ou selvagens, que serviriam para a expressãomais livre de diferentes tendências pessoais, que podem, assim, ser mascaradas.- Desenhar irmãos como figuras de animais seria uma forma de desvalorizá-loscomo pessoas. Afectividade:3
  4. 4. Positiva: sentimentos de admiração e carinho que fazem com que a criança invistana figura privilegiando-a.Negativa: sentimentos de desconsideração que fazem com que a criançadesinvista, desvalorizando o objecto. Negação de Existência: a criança não se reconhece como parte da família.Não se desenha como se “não existisse” na família. Há omissão do próprio narepresentação da família, quando ele não se sente incluído, quando não participa, nãorecebe afecto ou se há um problema de rejeição. Ausência de poder ou de influência nafamília. Baixa auto-estima. Inversão de papéis: troca de papéis no desenho.Transferência: transfere para outra personagem, isto é, a criança não faz partedo desenho, mas esta faz o irmão afirmando ser ela.Regressão: no desenho a criança diz ter menos idade do que na realidade.Personagens acrescidas:- Pode aparecer no desenho uma ou mais figuras imaginárias, que pode fazer tudoo que a criança não ousa fazer:Um bebé – fortes tendências regressivas.Uma criança mais velha/adulto – ser o mais feliz.Um duplo – características da criança que podem ser livremente expressas(desenha outra criança em que esta pode fazer tudo o que a criança não pode fazer). Os laços e as relações:- Os laços estabelecidos no desenho reflectem o modo como a criança encaraessas relações. A aproximação entre duas pessoas indica a intimidade desprezada oudesejada pela criança.- O afastamento entre as personagens pode corresponder à verdade, por exemplo,quando os pais estão separados. Tanto a distribuição sequencial, como ênfases especiais no desenho de algummembro da família, podem-se relacionar com a valência afectiva que ele tem para osujeito, seja num sentido positivo como negativo.4
  5. 5.  Se o sujeito coloca-se em primeiro lugar, a hipótese é de egocentrismo e, emúltimo, de restringimento. Representação de algum membro em negrito: conflito com essa pessoa. Figura riscada: desejo de afastá-la da família ou subentender um desejo dasua morte. Membro da família circunscrito num círculo: mesmo significado que oanterior ou denunciar uma ênfase especial por razões afectivas ou circunstanciais(problema de doença, por exemplo). Inclusão de pessoas falecidas: fixação. Família desenhada em grupos que se distanciam uns dos outros: hipótesede divisão na constelação familiar. Grande figura materna: mãe dominante. Pai pequeno: apenas maior que o sujeito, indica que este percebe aquele comosendo somente um pouco mais importante que ele. Por outro lado, chama a atenção paraa existência ou não de uma relação entre tamanho e idade. A forma como as figuras são representadas, bem como a ordem sequencial emque aparecem, permitem explorar as relações inter-familiares e a maneira como o sujeitose percebe dentro do contexto. Cozinhar: simboliza uma figura materna protectora. Limpar: associa-se a mães compulsivas que se preocupam mais com a casado que com a gente que a habita. Pai representado a guiar ou no trabalho: parece não estar integrado nafamília, como aquele que lê o jornal, paga as contas ou brinca com os filhos: que sãoactividades frequentes de pais normais. Personagem em posição precária ou no verso do papel: existência detensão, ou de conflito não resolvido. Sujeito mal desenhado: insegurança quanto aos seus sentimentos depertencer à família. Figuras em plano mais elevado: associam-se a sentimentos de dominação epoder. Braços estendidos: podem sugerir uma tentativa de controlo do ambiente. Bolas: usadas para indicar interacção, às vezes com um sentido competitivo.5
  6. 6.  Certas actividades agressivas entre irmãos, que também podem envolver oarremesso de uma bola ou de uma faca, podem indicar rivalidade fraterna. Luz e fogo: representações concretas de sentimentos positivos na interacção,relacionados com afeição e amor, embora fogo, possa subentender raiva por falta degratificação das necessidades correspondentes. Nuvens pesadas: relação com preocupações e depressão. Se há sentimentos de instabilidade, o sujeito pode tentar criar algumainstabilidade, sublinhando todo o desenho ou os indivíduos com os quais as suas relaçõesparecem instáveis. Chapéu: precisa de protecção.Manual:O tamanhoA relação entre o tamanho dos desenhos e o espaço disponível projecta a vivência darelação dinâmica entre o indivíduo e o ambiente, mais concretamente, entre o indivíduo eas figuras parentais. A forma de responder a pressões ambientais e ao sentimento deautoestima é também outra característica.O tamanho no teste da família depende, pelo menos parcialmente, do nível cultural.Desenhos grandes: correspondem a pessoas que reagem habitualmente apressões ambientais com atitude agressiva e expansiva.O tamanho grande é mais frequente na classe alta que na média e na baixa. As criançasprocedentes dos níveis sócio culturais elevados tendem a reagir com maior frequência deforma expansiva e agressiva, têm uma auto-imagem mais forte, aceitam as frustraçõescom mais dificuldade e defendem os seus interesses com mais afinco.Desenhos demasiadamente grandes: que tendem a pressionar as bordas daspáginas, denotam sentimentos de opressão (ansiedade) do ambiente, acompanhados deacções e fantasias sobrecompensatórias. O orgulho ou vaidade, o desejo de superar ossentimentos de inferioridade, a necessidade de demonstrar algo, etc.Desenhos pequenos: associam-se a uma auto-imagem da pessoa insuficiente, asentimentos de inferioridade formas auto-controladas de responder às pressõesambientais e a retraimento.Os desenhos pequenos aparecem com maior frequência nos sujeitos pertencentes àsclasses média e baixa, levando a pensar que estes possuem uma auto-imagem mais6
  7. 7. débil, que reagem a pressões ambientais com maior auto-controlo, retraimento e commenos espírito de luta. As classes economicamente débeis parecem mostrar estruturasmais rígidas, e a falta de tolerância e de flexibilidade incide na personalidade dascrianças, tornando-as mais limitadas.A inibição nas reacções, projectada através do tamanho dos desenhos, afecta também odesenvolvimento das capacidades criativas e isso justificaria, em parte, as diferençasreiteradamente intelectual das crianças procedentes da dita classe social,economicamente baixas.Os primogénitos tendem a fazer desenhos maiores do que os filhos mais novos, porqueos primeiros são vítimas de uma relação mais ansiosa com os pais, sofrem maiscomparações, são incumbidos de responsabilidades desproporcionadas e sobretudo,porque a segurança vê-se ameaçada pelos irmãos que podem mudar-lhes as situaçõesfalsamente consideradas pelos pais como privilegiadas. Os mais novos porque vivemgeralmente uma situação de ambivalência, acabam por ser mais mimados esobreprotegidos e, por outro lado, como parecem menos maduros que os seus irmãos, ospais tratam-nos um pouco à margem das normas familiares; mais, o costume de receberajuda pode dar lugar a um Ego débil, que parece projectar-se através de uma maiortendência a realizar desenhos pequenos.Zona da páginaZona superior – representa o mundo das ideias, a fantasia e o espiritual.Quanto mais acima de situam os desenhos, maior probabilidade haverá dos sujeitos fugirda realidade, procurando as satisfações na fantasia.Zona inferior – significa sólido, firme, concreto.Os desenhos situados na zona inferior parecem revelar um maior contacto com arealidade e correspondem a sujeitos mais firmemente enraizados. Na zona inferiorcorresponde a sujeitos mais maduros.Zona central – zona do coração, dos afectos e da sensibilidade.Os desenhos na margem da página parecem reflectir tendências depressivas,insegurança, necessidade de apoio e dependência exagerada.A ligação à zona superior da página, especialmente se o desenho é pequeno e ficadeslocado para o lado esquerdo, parece mostrar uma tendência regressiva.7
  8. 8. A ligação à parte central da página, se o tamanho é normal indica segurança. Mas se odesenho é pequeno é indício de uma vivência de proibição da expansão vital sobre omundo ambiente: problema que tem as suas raízes num conflito entre o instintivo einconsciente e, por outro lado, o Ego e Super-Ego.Crianças pertencentes a níveis sócio culturais elevados manifestam através do desenhoda própria família um maior enraizamento, uma melhor adaptação à realidade e umaorientação mais clara e concreta. As crianças vindas de níveis sócio culturais médios ebaixos projectam frequentemente, por uma parte, idealismo, fuga à realidade e refúgio nomundo da fantasia, e por outra, uma maior tendência para a regressão. Ambas reacçõesparecem ser congruentes e depender de uma raiz comum: o medo do futuro, darealidade, da vida; numa palavra: a falta de esperança, base de impulso e de força vital,levando ao conformismo, ao desinteresse e à resignação.No nível sócio cultural mais baixo existe maior repressão no seio da família e uma maiorvivência da proibição da expansão vital, por conseguinte, existe neste caso uma menordisponibilidade para se relacionar com o ambiente e com as figuras parentais, com umadinâmica acusada, que favoreça as interacções e, em consequência, o desenvolvimento.Nas famílias pequenas as crianças mostram com maior frequência tendência aoidealismo, a fugir da realidade, a buscar satisfações na fantasia, e a realizar condutasregressivas. Pelo contrário, as crianças pertencentes a famílias mais numerosasmanifestam maior adaptação à realidade e sentem-se mais fortemente arreigados.Nas famílias pequenas efectuam-se mais pressões sobre os filhos, para que estes secomportem segundo as expectativas dos pais, criando-se um estado de tensão familiar.As famílias mais numerosas têm uma ampla gama de problemas que lhes são próprios,mas em contrapartida mimam, sobre-protegem e pressionam menos os seus filhos.Os primogénitos manifestam uma maior inibição e rigidez na forma de se relacionar com oambiente e as figuras parentais. Os primogénitos são mais susceptíveis, emotivos ereservados que os outros irmãos e isso pode ser devido aos seus sentimentos defracasso, originados pelo idealismo dos pais.Existe nos filhos das famílias numerosas maior serenidade na vivência dos problemasemocionais.SombreadoÉ um dos indicadores mais importantes de conflitos emocionais. A presença dosombreado em certa extensão e intensidade alerta para a existência de conflitosemocionais: angústia, ansiedade, etc.8
  9. 9. As hipóteses pressupõem que o sombreado em qualquer quantidade é um índice deansiedade, e que, se é intenso (em tal caso acompanhado de um traço vigoroso e forte),reflecte uma descarga da agressividade. O nível de ansiedade na classe média é superiorao projectado pelas crianças vindas de outras classes, sendo também mais frequente aprojecção consequentemente da agressividade.As crianças pertencentes à classe média são vítimas de uma maior exigência por partedos pais. Estes aspiram que os seus filhos sejam cultural e profissionalmente mais queeles, fazendo-os viver essa experiência. Frequentemente os pais insistem no muito emque se sacrificam e trabalham para que possam alcançar os níveis que eles nãoconseguiram. Deste modo, os pais conduzem os seus filhos a ser conscientes e por isso aesforçar-se desmesuradamente na escola e se não o fizerem, culpabilizam-nos.Não é raro que estas crianças manifestem uma maior ansiedade, acumulando certaagressividade, como consequência desta dinâmica relacional.As situações de ansiedade são menos frequentes na classe alta, do que na classe média,provavelmente porque existe uma ordem mais democrática e coerente.Na classe social alta existe um maior respeito pelo filho, apesar de também existir umacerta pressão para a obtenção das expectativas dos pais; por outra parte, o facto dedispor de mais tempo e dinheiro para actividades de lazer em que a família inteiraparticipa, contribui para atenuar os sentimentos de ansiedade e de agressividade.Também as crianças procedentes de níveis sócio culturais baixos manifestam uma menorquantidade de problemas, em parte, porque os pais ao ter escassa formação, valorizammenos a cultura e em consequência, pressionam menos os filhos para que tenham êxitoescolar satisfatório; e em parte, também, porque o espírito de luta destas crianças ébaixo, devido ao sentimento de incapacidade dos pais e filhos para mudar de statussocial.Em famílias de três filhos, os segundos fazem mais sombreados nos desenhos, emquantidade e extensão maior, que os primogénitos e os mais novos. Os segundosadaptam-se mais facilmente a grupos sociais e isso reflecte-se especialmente no tamanhode seus desenhos. Assim, dos dados relativos ao sombreado levam a dizer que estesfilhos são mais ansiosos e agressivos que os seus irmãos e que se angustiam maisfacilmente que eles.O filho que ocupa o lugar do meio numa família de três filhos é mais provável que esteseja deixado de lado. Certamente não tem privilégios do mais velho e do mais pequeno,ao que estes sujeitos estão mais sujeitos a certas tensões, têm uma maior propensão aacumular agressividade, devido ao maior número de frustrações que recebem.9
  10. 10. Através do sombreado projectam-se tensões emocionais vinculadas a estados deansiedade e agressividade, mais frequentes nos filhos do meio do que os que ocupam oslugares extremos na hierarquia de irmãos nas famílias de três filhos.Apagar com a borrachaO apagar com a borracha é um indicador importante de conflitos emocionais. É sabidoque o apagar em adultos se observa mais em neuróticos do tipo obsessivo-compulsivo eque poucas vezes aparece em crianças muito pequenas e em sujeitos com défices no seudesenvolvimento. As interpretações mais frequentes têm um objectivo: a ansiedadereflectida pelo apagar deve-se a uma insatisfação consciente, é a diferença da projectadapelo sombreamento, que aparece inconsciente.No caso de filhos únicos, talvez exista um nível de ansiedade inferior devido à ausênciade rivalidade fraternal.Por razões diversas parece que o filho mais velho é mais retraído e auto-controlado queos seus irmãos. Apagar poderá ser algo proibido. Não podem consciencializar tanto aansiedade devido a uma maior repressão e censura; apagar suja o papel, é algo que estámal; há que fazer bem as coisas à a primeira vez, e deve ser um exemplo para os irmãos.É possível que o primogénito tenha um nível mais baixo de ansiedade e que, por isso,apague menos, mas também pode dever-se a um maior auto-controlo. Por outro lado, amaior sobre-protecção pode ter uma dupla influência, fazendo-o menos ansioso e maisauto-controlado, e por sua vez mais inibido.A distância entre as personagensa) Desenhos em estratosNo desenho a representação das personagens em planos diferentes reflecte algum graude falta de comunicação, a não ser que os distintos planos se justifiquem pela presençade um elevado número de personagens, que não podem ser justapostos por razões deespaço, como no caso das famílias mais numerosas.A distância emocional entre os personagens da própria família projecta-se em numerosasocasiões pela distância física existente entre os mesmos nos desenhos.Do ponto de vista interpretativo, não é o mesmo que os pais formem um bloco, ou não,que os filhos estejam ou não amontoados, ou que um membro qualquer está isolado doresto da família. É claro que a classe social influência na maior ou menor estratificaçãodos desenhos da própria família.10
  11. 11. Em sujeitos precedentes de níveis sócio culturais elevados, é raro encontrar desenhos emque todas as personagens, que integram a família, não contenham o mesmo planoespacial. A distância emocional entre eles é menor. Esta variável leva a concluir queexistem menos tensões emocionais e menos problemas de comunicação nas famíliasadequadas. Há um maior equilíbrio afectivo por estas famílias menos repressivas. Otamanho grande é mais frequente, que o observado nas outras classes sociais, sendo otamanho pequeno o menos usual. Segundo a zona da página, conclui-se também que aadaptação à realidade era mais positiva e que as tendências regressivas apareciam commenor frequência.Tanto na classe média, como na baixa, abundam os desenhos em que os pais e os filhosaparecem em planos distintos. Estas causas podem ser devido: à existência de estruturasfamiliares mais autoritárias nas classes económicas débeis; na maior pressão que os paisexercem sobre os filhos, para que estes superem o status sócio económico actual dafamília; um maior afastamento em casa por parte dos pais, devido às necessidades detrabalho e a uma escassa atenção à satisfação das necessidades básicas dos filhos.Ao aumentar o número de irmãos aumenta também a percentagem de desenhosestratificados. O menor número de filhos, é percebido como mais compacto, sendo osentimento de vinculação parental superior, existindo uma maior facilidade para aintercomunicação.Em famílias com três filhos, os segundos realizaram o desenho da família em estratoscom maior frequência que os seus irmãos. Mas isso não indica que exista nos segundosum sentimento de maior independência, ou uma maior maturidade, senão deveinterpretar-se mais como um indicativo emocional. Também se diferenciam dos seusirmãos noutras características conflituosas, como, por exemplo, na realização maisfrequente do sombreado intenso nos desenhos, no qual se pode interpretar como umaprojecção da ansiedade e agressividade.b) Não ComunicaçãoA distância física entre os personagens desenhados pelo sujeito reflecte uma distânciaemocional existente entre os mesmos. A esta vivência de distância emocional é chamadanão comunicação porque as personagens desenhados aparecem não só distanciados nodesenho mas também isolados.Nos sujeitos vindos da classe social mais alta, os problemas de comunicação sãoinferiores ao da classe média.11
  12. 12. Os desenhos que sugerem pouca comunicação aumentam com o número de filhos. Nasfamílias pequenas as possibilidades de intercomunicação entre os seus membros sãomaiores e, em consequência, a família é percebida como mais compacta pelos filhos; avinculação parental nesses casos parece superior e talvez também a necessidade deprotecção e dependência.Em famílias de três filhos, os segundos diferem dos seus irmãos, apresentando commaior frequência as características da não comunicação. A diferença destes noutrascaracterísticas conflituosas, reafirmam a conclusão que as linhas de não comunicaçãonão podem interpretar-se como algo positivo, no sentido de haver alcançado uma maiorindependência, sem que reflictam uma certa carência afectiva.Em famílias numerosas, pelo contrário, parece que existe nos segundos filhos uma maiormaturidade do que nos irmãos que ocupam lugares extremos.Valorização e desvalorizaçãoO pai desenhado em primeiro lugarA valorização de um personagem qualquer aparece desenhado em primeiro lugar,geralmente à esquerda. A criança desenha primeiro o personagem que considera maisimportante, que admira, inveja ou teme. Em alguns desenhos o personagem desenhadoem primeiro lugar aparece no centro da página, pondo os restantes elementos da famíliaao redor.A identificação com o progenitor do mesmo sexo em crianças é um fenómeno frequente e,em princípio, positivo.No mais baixo nível sócio cultural há uma maior percentagem de sujeitos que desenham opai em primeiro lugar.A mãe desenhada em primeiro lugarA representação da mãe em primeiro lugar nos desenhos de crianças reflecte algum tipode valorização, de identificação, ou de dependência. Em alguns casos pode-se tratar deuma relação edípica, se encontramos nos desenhos outros indicadores de respeito, comopodem ser a desvalorização ou supressão do progenitor do mesmo sexo, a proximidade àmãe da própria representação. Desenhar a mãe em primeiro lugar não se deve considerarnecessariamente como algo conflituoso e tensional, mas juntos com outros indícios, podeprojectar os conflitos edípicos das crianças.12
  13. 13. Ao aumentar o número de irmãos, tende a diminuir a percentagem de casos quedesenham a mãe em primeiro lugar. Este facto parece lógico se tivermos em conta aestrutura das famílias com um só filho, e as circunstâncias ambientais concomitantes.As crianças que apresentam esta característica tendem a mostrar alguma maioransiedade através do sombreado e do apagar, do que aqueles que começam os seusdesenhos representando o pai. A percentagem de crianças que, além de desenhar a mãeem lugar de destaque, sombreiam ou apagam, é significativamente inferior àqueles quecomeçam por desenhar um irmão.As crianças que desenham em primeiro lugar a mãe separam a parelha intercalando comoutro personagem entre os pais, em proporção maior que os que começam os seusdesenhos desenhando o pai.Desenhar a mãe em primeiro lugar em caso de crianças de nove anos parece ser umindício de conflitos emocionais.Um irmão desenhado em primeiro lugarNão é muito frequente, e tal circunstância parece ser um indicativo de conflitosemocionais de certa importância. O sujeito pensa antes num irmão que nos próprios pais.Provavelmente o irmão desenhado em primeiro lugar é admirado e invejado, podendo serfrequentemente o causador principal das tensões emocionais do sujeito que realiza estetipo de desenhos.Começar a representação da família desenhando um irmão pode projectar também umacerta desvinculação afectiva dos pais, que em muitos casos aparecem desvalorizados eseparados entre si, ficando dividido e quebrado o bloco parental.Pode-se considerar, que existem em tais casos, problemas de rivalidade fraternal dealguma importância, e que não é raro que esses problemas se desenvolvamparalelamente a um sentimento de falta de vinculação aos pais.Ao reafirmar o conflito dos sujeitos que começam os seus desenhos pela representaçãode uma criança, em tais casos, além de sentimentos de rivalidade fraterna e dedesvinculação dos pais, existe uma menor percepção da unidade do bloco parental. Aconflituosidade da separação da parelha fica justificada não somente pela lógica, assimpela coincidência com outras características igualmente conflituosas, que são frequentesnos desenhos cujo primeiro personagem representado não é um dos progenitores.Se desenha primeiro a si mesmo13
  14. 14. Quando isto ocorre, desenham-se geralmente na parte esquerda da página: em algumasocasiões representam-se na parte central do espaço disponível, e logo vão situando aoseu redor os restantes elementos da família. Estes desenhos devem ser acompanhadosde outros indícios de auto-valorizaçao, como o tamanho maior, maior variedade dedetalhes, maior tempo dedicado a si mesmo que ao resto dos personagens e em geral,maior perfeição.A criança que pensa antes em si do que nos outros elementos da sua família, projectaalgum tipo de egocentrismo, devendo haver outros indícios que o confirmem, tanto nasestruturas formais dos desenhos como nos comentários que surgem na entrevista.Quando não acontece, pode querer dizer que a criança superou a fase de egocentrismo edesfruta de certa tranquilidade afectiva que permite orientar o seu interesse em direcçãoao mundo, favorecendo esta circunstância os processos de aprendizagem.Ao aumentar o número de irmãos tende a diminuir a percentagem de crianças que sedesenham em primeiro lugar. A necessidade de partilhar afecto e as coisas conduz asuperar o egocentrismo.O pai desenhado em último lugarÉ uma das formas de desvalorização, desenhar um personagem em último lugarA mãe desenhada em último lugarÉ pouco frequente.Desenhar-se em últimoDesenhar-se a si mesmo em último lugar, não sendo filho único ou o mais novo, deveinterpretar-se como um sinal de desvalorização própria, e é, sem dúvida, de todas ascaracterísticas de desvalorização, uma das que podem quantificar-se de forma maisobjectiva.A frequência de aparição desta variável tem uma alta relação com os níveis sócioculturais de procedência dos sujeitos, de modo que, na classe social mais elevada, estacaracterística é muito menos frequente que nas classes média e baixa. Na classe socialmais elevada os sujeitos apresentam geralmente um Ego mais forte e mais agressivo,enquanto que nas classes baixas abundam mais os sujeitos retraídos e com um Ego maisdébil.Supressão de algum elemento da família14
  15. 15. A supressão de algum elemento da família responde a um mecanismo de defesaconsistente em negar uma realidade que produz angústia. Perante o pensamento deincapacidade de adaptar-se a essa realidade, o sujeito reage negando sua existência.Podemos pensar que um menino de 9 anos que suprime um elemento da família, de umaforma inconsciente deseja a sua eliminação. A este respeito devemos precisar, todavia,que os sentimentos do sujeito podem ser em tais casos ambivalentes, podendo-seapreciar frequentemente a coexistência do amor e do ódio. Devido a sentimentos de culpaque tal eliminação produz na criança, esta tende a racionalizar o seu problema, comoocorre, por exemplo, quando na entrevista nos indica que não houve tempo de desenharcerto personagem, que não coube, ou simplesmente, que se esqueceu.Eliminar um elemento da própria família é a máxima expressão possível dedesvalorização, e indicará sempre, problemas relacionais importantes.Em crianças o pai é suprimido com maior frequência que a mãe. Estas supressõesdevem-se a uma problemática de ciúmes edípicos; então o sujeito elimina o pai quepercebe como rival. Em outros casos, a eliminação do pai obedece a outro tipo deproblemas relacionais.Quando a existência de algum irmão ou irmã causa, por motivos de ciúmes, umasensação de angústia na criança esta tenta proteger-se negando a existência do rival e,em consequência, elimina-os dos seus desenhos. Esta supressão de algum dos irmãos éalgo mais frequente que a dos pais. Esta característica pode observar-se com algumamaior frequência nos sujeitos pertencentes à classe social mais baixa.A maior acumulação de supressões de algum irmão dá-se nas famílias numerosas daclasse baixa.Qualquer tipo de desvalorização de um irmão ou de um dos progenitores é uma reacçãoagressiva da criança. Perante os mesmos problemas, a criança pode reagir de outrasformas. Devido provavelmente aos sentimentos de culpa vinculados à desvalorização dealgum elemento da família, a criança pode reagir vertendo sobre si mesmo aagressividade. Este facto constitui uma reacção depressiva, e projecta-se nos desenhosatravés da própria desvalorização ou supressão. Os sentimentos de culpa impedematacar os outros e então a criança sente-se infeliz e desvinculado do bloco familiar. Estareacção depressiva pode ser dependente de conflitos de rivalidade fraternal ou deproblemas relacionais com os pais.A maior propensão das crianças das classes baixas a manifestar os seus problemasatravés de reacções depressivas, parece obedecer à realidade de um Ego mais débil.15
  16. 16. Outros indícios de desvalorizaçãoCertas ocasiões, a desvalorização projecta-se através de uma representação maispequena, mais imperfeita, com menos detalhes, o distanciamento da personagemdesvalorizado do resto dos elementos integrantes da família.A supressão das mãos nos desenhosA supressão pode atribuir-se à insuficiente capacidade analítica, dependente dodesenvolvimento intelectual; no entanto deve-se a diferenças individuais no âmbito daafectividade.Alguns autores, apoiando-se no facto natural de que as mãos são órgãos de contacto,relacionam as alterações, deformações ou supressões desta zona corporal, comdificuldades de contacto ambiental. Se estão ocultas ou se suprimem é possível que osujeito projecte sentimentos de culpabilidade. No teste de Machover as alterações nasmãos são interpretadas sistematicamente como expressão de dificuldades de contacto oude sentimentos de culpa em relação com actividades manipuladoras ou de masturbação.A ausência de mãos dá-se frequentemente na classe média, tanto que projectasentimentos de culpabilidade. Isso parece congruente dada a maior exigência e rigidezque se pode observar nas famílias de classe média.As supressões das mãos aumentam paralelamente ao tamanho da família, tanto no quese refere à totalidade das personagens como a cada um dos pais ou irmãos em particular,sendo significativas as diferenças entre famílias pequenas e grandes.A supressão dos traços faciais nos desenhosA supressão dos traços faciais nos personagens que representam a própria família é umindicativo de desvalorização dos mesmos. Provavelmente a dita supressão reflectetambém algum tipo de perturbações nas relações interpessoais, e que a cara é a partemais expressiva do corpo e as feições representam os aspectos sociais por excelência.A adição de outros elementosAs adições mais frequentes consistem em desenhar um ou vários avós, primos, tios,animais, ou paisagem. Qualquer uma destas adições tem um significado diferentesegundo os casos de que se trate.Os avós são a adição mais frequente. Geralmente estes aparecem claramentevalorizados em relação aos pais, ou, pelo contrário, são desenhados num plano distinto16
  17. 17. do resto da família e com sinais claros de desvalorização. Isso dependerá do papel realque tenham dentro da família, e o tipo de relações estabelecidas.A presença de primos ou tios é bastante excepcional. Em geral estes desenhos sãobastante conflituosos, porque estes personagens tendem a interferir nas relaçõesafectivas da criança com os pais, de modo que aparecem com frequência em lugardestes. Isto é, as crianças que desenham especialmente tios tendem a suprimir algumdos progenitores.Em casos, a presença de animais parece projectar uma reacção agressiva do sujeito. Oanimal assume um papel justiceiro, ao ser encarregado de castigar os pais ou irmãos. Emoutros casos observa-se também uma identificação com o animal desenhado, sem queapareça esta intenção punitiva. As crianças indicam que gostariam de ser o cão ou o gatodesenhado, porque a esses animais todo o mundo os acaricia. Nestes casos, o que arealidade projecta é a sensação de uma carência afectiva.A adição de paisagem, sol, nuvens, montanhas, árvores, flores, parece ser um reflexo deuma viva imaginação.17

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