A influencia da psicomotricidade para o desenvolvimento da linguagem e da escrita
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A influencia da psicomotricidade para o desenvolvimento da linguagem e da escrita

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O objetivo deste trabalho consiste em entender como a psicomotricidade contribui para o
processo desenvolvimento da linguagem e da escrita. É um estudo bibliográfico, que informa
que a psicomotricidade na escola pretende levar a criança a sentir o seu corpo como um todo
em busca da percepção global, do esquema corporal, do corpo estático ao movimento em
relação ao mundo ao seu redor. As habilidades psicomotoras são essenciais ao bom
desempenho no processo de alfabetização. Sem dúvida uma criança que não conhece a si
mesmo e que não descobriu o mundo que a cerca não conseguirá também relacionar a sua
educação escolar com a realidade cotidiana, e uma vez desvinculado esses fatores,
desvinculada será sua concentração e capacidade de cognição em relação ao aprendizado.
Palavras-chaves: Psicomotricidade, Criança, Escola, Linguagem, Escrita.
ABSTRACT
The objective of this study is to understand how the process contributes to the psych

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  • 1. A INFLUÊNCIA DA PSICOMOTRICIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM E DA ESCRITA Maria Rildamar Evangelista1RESUMOO objetivo deste trabalho consiste em entender como a psicomotricidade contribui para oprocesso desenvolvimento da linguagem e da escrita. É um estudo bibliográfico, que informaque a psicomotricidade na escola pretende levar a criança a sentir o seu corpo como um todoem busca da percepção global, do esquema corporal, do corpo estático ao movimento emrelação ao mundo ao seu redor. As habilidades psicomotoras são essenciais ao bomdesempenho no processo de alfabetização. Sem dúvida uma criança que não conhece a simesmo e que não descobriu o mundo que a cerca não conseguirá também relacionar a suaeducação escolar com a realidade cotidiana, e uma vez desvinculado esses fatores,desvinculada será sua concentração e capacidade de cognição em relação ao aprendizado.Palavras-chaves: Psicomotricidade, Criança, Escola, Linguagem, Escrita.ABSTRACTThe objective of this study is to understand how the process contributes to the psychomotordevelopment of language and writing. It is a bibliographical study, which reports that thepsychomotor school intends to take the child to feel your body as a whole in pursuit of globalperception of body schema, static body of the movement toward the world around them.Psychomotor skills are essential to good performance in the literacy process. Certainly a childwho does not know himself and did not discover the world around you can not also relatetheir school education with everyday reality, and once detached from these factors, theirconcentration will be disconnected and the ability of cognition in relation to learning.Keywords: Psychomotor, Child, School, Language, Writing.1 Graduada em Pedagogia, professora do 1º ano do ensino fundamental no Município de Búzios/RJ. E-mail:rildabz@hotmail.com
  • 2. 21 INTRODUÇÃO A psicomotricidade na escola pretende levar a criança a sentir o seu corpo como umtodo em busca da percepção global, do esquema corporal, do corpo estático ao movimento emrelação ao mundo ao seu redor. A alfabetização através da psicomotricidade constitui-se arelação entre o pensamento e a ação, envolvendo também a emoção. Essa relação éfundamental para o desenvolvimento harmonioso da linguagem e da escrita na primeirainfância. O trabalho psicomotor precisa ser entendido como uma técnica cuja organização deatividades possibilita a criança conhecer de uma maneira concreta o ambiente e reconhecer opróprio corpo. A psicomotricidade aplicada em crianças de 0 a 6 anos estimula váriosaspectos a serem observados, como por exemplo, a coordenação, a orientação e a adaptaçãono espaço, o equilíbrio geral e o comportamento. Justifica-se a realização deste estudo, a importância de aplicação da psicomotricidadepara o desenvolvimento da linguagem e da escrita dos alunos. Percebe-se que a maioria dascrianças que passam por dificuldades na escola, a causa do problema não está no nível deescolarização que chegaram, mas bem antes, no nível da formação básica. Portanto, é precisooferecer suporte técnico para que o professor caminhe de forma agradável o processo doensino-aprendizagem, sem os sofrimentos habituais que ocorrem na realidade de algumaspráticas pedagógicas atuais. Dessa forma, o olhar para a importância da psicomotricidade pode contribuir para aformação de professores que alfabetizam crianças nas séries iniciais de escolarização. Epossibilitar o conhecimento desta temática para a utilização no processo deensino/aprendizagem de diversos conhecimentos. O objetivo deste trabalho consiste em entender como a psicomotricidade contribuipara o processo desenvolvimento da linguagem e da escrita. A metodologia para realizaçãodeste estudo é de caráter bibliográfico, enfocando a literatura específica, ao tema em questão. O conhecimento do mundo que nos rodeia envolve funções como percepção,linguagem, formação de conceitos e desenvolvimento do pensamento, pois elas se entrosam ese interdependem, influenciando-se mutuamente. Segundo Fonseca (1985), podemos definir a psicomotricidade como sendo a relaçãoentre o pensamento e a ação e englobando, portanto, as funções neurofisiológicas e psíquicas.
  • 3. 3 Fonseca, afirma ainda que “Psicomotricidade é a concepção psicopedagógica domovimento humano” (1985, p. 29). Dessa forma, ela destaca a sua importância naaprendizagem formal que possibilita a aquisição de mecanismos de leitura e escrita, comotambém, raciocino lógico-matemático, percepção espacial que consequentemente agrupamtodos os conhecimentos próprios ao processo de aprendizagem.2 PSICOMOTRICIDADE O termo psicomotricidade apareceu pela primeira vez com Dupré em 1920,significando um entrelaçamento entre o movimento e o pensamento. Desde 1909, ele jáchamava a atenção de seus alunos para o desequilíbrio motor, denominando o quadro de“debilidade motriz”. Verificou que existia uma estreita relação entre as anomalias motrizes, oque o levou a formular o termo psicomotricidade (ALVES, 2003, p.12). A psicomotricidade como ciência da Educação, trabalha o movimento ao mesmotempo em que põem em jogo as funções intelectuais. A ciência da motricidade humana tevesua pré-história na Educação Física, mas esta por si não se fundamenta como ciência, não sefunda como teoria ou conceito. Assim, tal educação motora é ramo pedagógico da Ciência daMotricidade Humana que inclui a psicomotricidade, a dança, a recreação e reabilitação. Conforme Ferreira (2011, p.93) ao se falar em desenvolvimento psicomotor,“referimo-nos a uma evolução, embora sinalizada pela normativa das teorias, individual, emque cada ser humano trilha seu caminho na representação das suas funções motrizes ecorporais e no seu (re)conhecimento como sujeito delas”. Pode-se verificar que algumas dessas teorias referem-se ao desenvolvimento comouma sucessão de estágios, mas é importante destacar que a constituição de um sujeito nãoconsiste na simples transição entre fases, em um jogo de acesso e abandono ou no somatóriode aquisições, senão em um processo complexo de “individuação e subjetivação para o qual apresença do outro é fundamental – no olhar, no toque, na palavra e no espaço que cria – parapermitir que uma criança possa desenvolver-se da melhor maneira possível” (FERREIRA,2011, p.93). Para ilustrar essas fases, o quadro apresentado a seguir, vem demonstrar as teorias dealguns estudiosos sobre o assunto.
  • 4. 4 IDADE PIAGET WALLON FREUD ERIKSON 0 Sensório-motor Impulsivo-Emocional Fase Oral Confiança vs. 2 Sensório-motor e Desconfiança Projetivo 3 Pré-operatório Personalista Fase Anal Autonomia vs. 4 Vergonha e 5 Dúvida Fase Fálica Iniciativa vs. Culpa 6 Operatório Categorial Período de Indústria vs. Concreto Latência Inferioridade 11 12 Operatório Puberdade e Fase Genital Identidade vs. Formal Adolescência Confusão de 18 papéisFigura 1: Quadro comparativo das teorias normativasFonte: FERREIRA, Carlos Alberto de Mattos. Psicomotricidade Escolar. Rio de Janeiro: Wak Ed., 2011. Conforme Vayer & Toulouse (1982), o Sistema Psicomotor Humano baseia-se emestruturas simétricas do sistema nervoso, compreendendo o tronco cerebral, o cerebelo, omesencéfalo e o diencéfalo, que constituí a integração e a organização psicomotora datonicidade, da equilibração e parte da lateralização. E, também, de estruturas assimétricascompreendendo os dois hemisférios cerebrais, que asseguram a organização psicomotora danoção do corpo, da estruturação espaço-temporal e da praxia global e fina, exclusivas deespécie humana devido à sua complexidade organizativa e sistemática. A dinâmica sistemática do SPMH requer a participação dinâmica e concatenada dastrês unidades funcionais do cérebro, a saber: integração, elaboração e expressão domovimento voluntário. A primeira compreende as funções psicológicas vitais da integração e da atençãoresponsável pelos fatores psicomotores da tonicidade e da equilibração. A segundacompreende as funções psicológicas de análise, síntese e armazenamento, responsáveis pelanoção do corpo e da estruturação espaço-temporal. E a terceira unidade, compreende a
  • 5. 5planificação, programação e regulação responsáveis pela praxia global e da praxia fina(FONSECA, 1985). As três unidades em permanente integração formam uma constelação de trabalho queprocessa a motricidade, organizando-a antecipadamente antes que se constitua em produtofinal. Tal constelação de trabalho, verdadeiro sistema harmonioso e autogeneralizado,composto de subsistemas espalhados pelo todo cerebral, preside à organização psicomotorahumana, como conjunto de componentes ordenados e integrados. Le Boulch (1983) esclarece que a educação psicomotora é formadora de uma baseindispensável a toda criança, pois objetiva assegurar o desenvolvimento funcional. Apsicomotricidade não é exclusiva de um novo método, ou escola, ou corrente de pensamento,ou técnica, ela visa fins educativos pelo emprego do movimento humano, já que o movimentoé sempre a expressão de uma existência. Sem dúvida uma criança que não conhece a si mesmo e que não descobriu o mundoque a cerca não conseguirá também relacionar a sua educação escolar com a realidadecotidiana, e uma vez desvinculado esses fatores, desvinculada será sua concentração ecapacidade de cognição em relação ao aprendizado.2.1 As bases psicomotoras da aprendizagem da leitura e da escrita A escrita e a linguagem são um modo de expressão e de comunicação. A linguagem éanterior ao grafismo e o aprendizado da leitura e da escrita. Antes do aprendizado da leitura, épreciso ajudar a criança a utilizar a linguagem mais rica e correta possível. A escrita é ummeio de comunicação e um meio de expressão pessoal. Este modo de expressão apoia-se numcódigo gráfico a partir do qual devem ser encontrados sons portadores de sentido. Exige odesempenho de dois sistemas simbólicos: um sonoro; outro, gráfico. A constituição do códigográfico e sua decifração exigem a atuação de funções psicomotoras. As habilidadespsicomotoras são essenciais ao bom desempenho no processo de alfabetização. Aaprendizagem da leitura e da escrita exige habilidades tais como: dominância manual jáestabelecida (área de lateralidade); conhecimento numérico suficiente para saber, porexemplo, quantas voltas existem nas letras m e n, ou quantas sílabas formam uma palavra(área de habilidades conceituais); movimentação dos olhos da esquerda para a direita,domínio de movimentos delicados adequados à escrita, acompanhamento das linhas de umapágina com os olhos ou os dedos, preensão adequada para segurar lápis e papel e para folhear(área de coordenação visual e manual); • discriminação de sons (área de percepção auditiva);
  • 6. 6adequação da escrita às dimensões do papel, reconhecimento das diferenças dos pares b/d,q/d,p/q etc., orientação da leitura e da escrita da esquerda para a direita, manutenção da proporçãode altura e largura das letras, manutenção de espaço entre as palavras e escrita orientada pelaspautas (áreas de percepção visual, orientação espacial, lateralidade,habilidades conceituais)pronúncia adequada de vogais, consoantes, sílabas, palavras (área de comunicação eexpressão); noção de linearidade da disposição sucessiva de letras, sílabas e palavras (área deorientação têmporo-espacial); capacidade de decompor palavras em sílabas e letras (análise);•possibilidade de reunir letras e sílabas para formar novas palavras (síntese) (MEUR, 2004). A escrita é um dos sistemas simbólicos inventados ao longo da evolução cultural da humanidade. Aprender a ler é um processo que permite ao ser humano se apropriar de um produto da cultura. Essa aprendizagem, como qualquer outra, é de natureza biológica e cultural. Embora não exista herança genética para a leitura, ela se apoia em condições dadas pela genética da espécie, notadamente, a função simbólica e a memória (LIMA, 2012, p.31). Ler é um ato de significação de símbolos que se organizam em padrões com valorposicional, formando as silabas e as palavras. O cérebro extrai, seleciona, classifica e exploraas regularidades da escrita. “Assim, a criança é capaz de perceber que a escrita temregularidades, como as sílabas. Isso, todavia, não implica que a criança aprendaimediatamente as sílabas” (LIMA, 2012, p.33). Toda aprendizagem ocorre através do corpo. Os órgãos sensoriais, os membros e ocorpo como um todo, são interfaces (portas de comunicação) de entrada e saída deinformações processadas pelo Sistema Nervoso Central - SNC, de forma consciente ou não.As reações deste corpo são resultados de sua busca pelo equilíbrio entre processos endógenose exógenos. Este evento, a homeostase, é um dos processos de aprendizagem no qual o corpose adapta e responde ao ambiente. Estas respostas podem ser desde a adequação datemperatura interior ao ambiente exterior, como também podem constituir-se em repostaselaboradas dentro de sistemas de representações cognitivas, abstratas ou concretas, psíquicasatravés da fala, escrita expressão corporal ou ação do corpo sobre qualquer objeto, inclusivesua própria matéria. Para Oliveira (2007): Uma pessoa para manipular objetos da cultura em que vive precisa ter certas habilidades que são essenciais. Ela precisa saber se movimentar no espaço com desenvoltura, habilidade e equilíbrio, e ter domínio do gesto e do instrumento (coordenação fina). Esses movimentos, desde o mais simples ao mais complexo, são determinados pelas contrações musculares e controlados pelo sistema nervoso. Dependem, portanto da maturação do sistema nervoso (OLIVEIRA, 2007, p.41).
  • 7. 7 A leitura e escrita constituem-se em processos de cognitivos que permitem ao serhumano perpetuar sua cultura, saberes e conhecimentos, comunicar e expressar pensamentos,sentimentos, emoções, ideias e tudo o mais que lhe for possível criar. Segundo Le Boulch(1987, p.59), o domínio da língua escrita é derivado de um conjunto de condições: o domínioda linguagem, sua pronúncia e sintaxe; a familiarização global com o código gráfico; econdições psicomotoras. Existem aspectos funcionais do aprendizado da leitura (ibid, p. 31), então, tanto acodificação (escrita) quanto a descodificação (leitura) alfabética ou de outro sistema degrafema-fonema, solicitam a atuação de sistemas psicomotores. “A escrita é, antes de maisnada, um aprendizado motor” (LE BOULCH, 1987, p.32). Para se adquirir esta práxiaespecifica, e complexa, necessita-se que haja um preparo que proporcione motricidadeespontânea, coordenada e rítmica. Este preparo pode evitar o surgimento de disgrafia. Afunção de interiorização é exigência deste aprendizado. A prática constante conduz a umaprogressiva espontaneidade. A percepção e representação mental do espaço influenciam a leitura e escrita. Aimagem do corpo orientado mantém relação com surgimento de problemas como disgrafia edislexia. Do mesmo modo, a dislateralidade manifesta-se, entre outras formas, em processosde aquisição de leitura e escrita. Neste sentido, Launay (1952, apud LE BOULCH 1987, p.33)afirma que: “nossas próprias observações nos permitem afirmar que em muitos casos dedislexia, constata-se uma dominância lateral cruzada da mão e visão”. A psicomotricidade constitui-se, ou pelo menos deveria constituir-se, em elementofundamental de pesquisas sobre processos de leitura e escrita, em qualquer nível ouabordagem. A fala, leitura e escrita são funções do sistema funcional da linguagem. O serhumano utiliza-se de três sistemas verbais o auditivo, que necessita de menor maturidadecognitiva. Já a leitura e escrita dependem do desenvolvimento e maturação de outras funçõespsicomotoras. Segundo Le Boulch (1987, p.59) conforme decisão das instruções oficiais, osaprendizados da escrita e da leitura não podem ser separados. Mas esta ligação é realizada demodo diferente segundo os métodos e as preferências dos mestres. No contexto pedagógico dos métodos ativos, desde a escola maternal as primeirasexperiências de leitura e de escrita apelam, em geral, para a função de globalização. Estatentativa apresenta a vantagem de conferir um sentido à linguagem gráfica e fazer com que acriança compreenda, de repente, seu valor semântico. Entretanto, grandes são as dificuldadespara passar do simbolismo da linguagem à compreensão do código gráfico. Conforme afirma
  • 8. 8Le Boulch (1987, p.59), o domínio da língua escrita é submetido a um conjunto de condições:o domínio da linguagem; a familiarização global com código gráfico e condiçõespsicomotoras. Dessa forma o domínio da linguagem, tanto no plano sintático como no da pronúnciados diferentes fonemas, a criança forma frases há vários anos e sabe utilizar termos como:antes, depois, em cima, debaixo, lá em cima, embaixo, ao lado, dentro, fora, que supõem umacerta orientação no espaço e no tempo já adquirida ou consolidada durante o trabalhopsicomotor realizado na escola maternal e continuado no curso preparatório. A familiarização global com código gráfico demonstra que embora a criança chegueprecocemente à função simbólica verbal (ao redor dos 2 anos), é apenas com vários anos deintervalo que ela vai descobrir a existência de um segundo sistema simbólico feito não maisde sons, mas de sinais gráficos. As condições psicomotoras no sentido lato do termo, implicando conforme explica LeBoulch (1987, p.60) “um certo nível de desenvolvimento psicoafetivo e funcional”, onde asatividades de expressão e de jogos espontâneos, a coordenação global num climatranquilizado e calmo desempenham um papel essencial tanto na boa disposição motoraglobal como no equilíbrio geral da criança. Além disso, estas atividades globais permitem, namaior parte dos casos, a consolidação da dominância lateral e sua conscientização que terminana lateralização direita ou esquerda. Buscando identificar as condições necessárias para que a leitura e a escrita possam sedesenvolver, em Levin (2002), encontra-se: [...] o que escreve é um sujeito-criança, mas, para fazê-lo, necessita de sua mão, de sua orientação espacial (lateralidade), de um ritmo motor (relaxamento-contração), de sua postura (eixo postural), de sua tonicidade muscular (preensão fina e precisa) e de seu reconhecimento no referido ato (função imaginária) (LEVIN, 2002, p.161). Quando fala da mão como condição primeira para que o sujeito-criança escreva, oautor se remete, sem dúvida, ao aparelho biológico como condição mesma da existênciahumana do sujeito, uma vez que é onde tudo começa e se torna possível. De acordo com Paulo Freire (1991), a leitura do mundo provém da leitura da palavra.Em sua experiência de vida, o educador percebeu que a “leitura” do mundo em que viviaprocedia da “leitura” da “palavra do mundo”: “A leitura do mundo procede à leitura dapalavra” (FREIRE, 1991, p. 11).
  • 9. 9 A educação psicomotora engloba itens indispensáveis que só se aprende através daprática e deve ser considerada como uma educação de base na escola primária. O ensino da escrita exige também uma certa coordenação global do ato de sentar. Acriança precisa adquirir uma postura correta para realizar os movimentos gráficos no sentidode torná-la mais cômoda e relaxada. Além disso, necessita adquirir uma dissociação e controledos movimentos. É fundamental que consiga também controlar a pressão gráfica exercidasobre o lápis e o papel, para alcançar maior destreza e consequentemente maior velocidade nomovimento. Isto é facilitado quando possui uma lateralidade bem definida (ALVES, 2003).3 ESTUDOS REALIZADOS SOBRE PSICOMOTRICIDADE: LEITURA E ESCRITA Trabalhar a Psicomotricidade na escola é de certo muito importante, principalmentequando as crianças entram na fase da leitura e da escrita. É necessário que elas tenham todauma preparação para que possa segurar o lápis e ter uma leitura correta, observando aspontuações, sabendo realizá-la corretamente. Muitos estudos comprovam a importância da Psicomotricidade para odesenvolvimento e a aprendizagem global das crianças. É praticamente um requisito básicopara a construção de diversas outras formas de conhecimento. Segundo Ferreira (2011) a educação psicomotora auxilia as crianças a desenvolveremsua unidade e globalidade de ser humana, sua organização espacial, temporal e deintensidades, sua relação afetiva por meio das interações com terceiros. Nossa experiência pessoal nos permite constatar de que forma a inteligência e afetividade dependem intimamente da vivência corporal e motora, e de que forma está o corpo implicado em todo o processo chamado intelectual (LAPIERRE e AUCOUTERIER, 1977, p.3). É preciso que os professores estejam atentos a isso, pois são eles os motivadoresdessas crianças. São eles que terão que fazer com que a relação de aprendizagem sejaamorosa, prazerosa e motivada. Assim, o educador deve ser visto como um elemento facilitador, que estimula aexperiência, a exploração e a expressão. Para aprender a ler e escrever, a criança precisa ter adquirido um nível suficiente dedesenvolvimento intelectual, afetivo, social e físico. Além disso, é necessário que apresente
  • 10. 10certas funções desenvolvidas, tais como: linguagem, percepção, lateralidade, orientaçãoespacial e temporal, bem como esquema corporal. Segundo Lagrange (1977) para a escrita a criança que não tem uma boa noção de seuesquema corporal, não percebe com nitidez o que está do seu lado, do outro, acima, abaixo, nafrente, atrás, ou seja, das noções que deverá ter de si em relação a tudo o mais no espaço. Estacriança, não terá facilidade para perceber a posição que as letras ocupam nas palavras umasem relação às outras. O ato gráfico, antes de adquirir uma carga de organização e de transformar-se numaforma de linguagem, é basicamente, uma coordenação de movimentos finos e precisos queimplicam em certo número de fatores. Para dominar o gesto da escrita, é necessário haver um equilíbrio entre as forçasmusculares, flexibilidade, agilidade de articulação do membro superior. Por esta razão é quese torna necessário fixar as bases motoras da escrita, através da educação psicomotora, antesde ensinar a criança a dominar o lápis (LAGRANGE, 1977, p.23). A preparação para a escrita envolve a necessidade de domínio e de comando, por parteda criança, de todo o seu corpo e não somente dos dedos, os quais representam apenas aspartes terminais de um sistema de coordenação de grandes, médios e pequenos músculos. Em uma pesquisa realizada por Elkind (1969), utilizando a teoria de Piaget sobre apercepção e a dificuldade da leitura, concluiu ter encontrado duas atividades perceptuais, aesquematização perceptual e a reorganização, que foram descritas como componentesessenciais para o processo da leitura. Nos estudos realizados por Fox e Saracho (1990), para muitas crianças, a escritaantecede a leitura. Elas começam copiando sinais, letras etc. O tempo que elas despendemdesenhando ou “escrevendo” vai depender das condições que lhes são oferecidas. Os estudosdemonstraram que nas famílias e nas instituições educacionais que dispõem de maiscondições para incentivar a leitura e a escrita, o interesse pela atividade de escrita antecede oda leitura a partir do desenho. Assim, a linha que conduz uma educação psicomotora que parte da vivência motoraaté a abstração é o caminho proposto para ajudar as crianças a desenvolverem sua unidade e aglobalidade de pessoa humana, sua organização perceptiva espacial, temporal e deintensidades, sua relação afetiva por meio das interações com os outros.
  • 11. 114 CONSIDERAÇÕES FINAIS A psicomotricidade é um instrumento de auxílio na compreensão de problemas deaprendizagem e no planejamento de intervenções, pois se sabendo sobre causa de problemas,suas origens e como se dá sua relação com o corpo, instrumento da aprendizagem pode-sepromover ações mais precisas, logo com maior possibilidade de sucesso. Para aprender a ler e escrever, a criança precisa ter adquirido um nível suficiente dedesenvolvimento intelectual, afetivo, social e físico. Além disso, é necessário que apresentecertas funções desenvolvidas, tais como: linguagem, percepção, lateralidade, orientaçãoespacial e temporal, bem como esquema corporal. Os problemas de aprendizagem são um desafio a educadores, autoridades públicas efamílias. Muitas vezes por falta de informação, preconceitos são disseminados realimentadose acabam por condenar indivíduos a modos de vida com baixa qualidade social, econômica,psicológica e mesmo educacional. A Psicomotricidade voltada para a área educacional principalmente referente aLinguagem e Escrita vem a contribuir com as funções do ensino realizado na escola. Aspráticas psicomotoras utilizada na escola permitem o desenvolvimento integral da criança. Taldesenvolvimento integral diz respeito ao incremento e ampliação das partes motora, cognitivae afetiva do ser humano, ou seja, a psicomotricidade pode ser utilizada na escola para odesenvolvimento de maneira global das crianças, trabalhando todas as partes juntas,simultaneamente, sem separar o corpo e a mente. Cabe a educadores e pesquisadores da psicomotricidade construírem uma ponte deconhecimentos, sustentada por ações efetivas que possam auxiliar a sociedade a promoverações inclusivas, reeducativas e informativas sobre o trato para com pessoas que possuamqualquer tipo de comprometimento psicomotor.
  • 12. 125 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASALVES, Fatima. Psicomotricidade: Corpo, Ação e Emoção. Rio de Janeiro: Wak, 2003.ELKIND, S. Leitura e Escrita na Escola. Revista Pedagógica, 1969, p.141.FERREIRA, C.A. Psicomotricidade Escolar. Rio de Janeiro: Wak, 2011.FONSECA, V. Psicomotricidade. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1985.FOX, B. J & SARACHO, O. N. (1990). Emergent writing: young children solving thewritten language puzzle. Early Child Development and Care, United Kingdom, 56, 81-90.FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler. São Paulo: Cortez, 1991.LAGRANGE, George. Manual de Psicomotricidade. São Paulo: Ed. Estampa, 1977.LAPIERRE, André; AUCOUTURIER, B. A Simbologia do Movimento: Psicomotricidadee Educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.LE BOULCH, J. A educação pelo movimento.Porto Alegre: Artmed, 1983.__________. Educação Psicomotora: a psicocinética na Idade Escolar.Porto Alegre:Artmed, 1987.LEVIN, E., A Infância em Cena. Petrópolis: Ed. Vozes, 2002.LIMA, Elvira Souza. Como o Cérebro Aprende a Ler. Revista Presença Pedagógica. V.18,n.103, jan/fev 2012.Editora Dimensão.MEUR, A . de. Psicomotricidade: educação e reeducação; níveis maternal e jardim.SP:Manole, 2004.
  • 13. 13OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: educação e reeducação num enfoquepsicopedagógico. 12 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.VAYER, Pierre & TOULOUSE, Pierre.Linguagem corporal. Porto Alegre: Artmed, 1982.