O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO NO ATENDIMENTO ÀS DIFICULDADES DE
APRENDIZAGEM
Luciana Pereira de Souza
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do processo de aprendizagem e a relação que o aprendiz
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5.2. As atribuições do Psicopedagogo
Segundo Bossa (1994), ao psicopedagogo cabe: detectar as pos...
descer escadas e encaixar e copia atividades do quadro com rapidez.
Foram utilizados, como metodologia, os itens abaixo pa...
série e de não conseguir acompanhar a turma nesse sentido, PBQC não se sente desestimulada
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• Trazer materiais diversificados para uso em algumas atividades, possibilitando
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O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO NO ATENDIMENTO ÀS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM por Luciana Pereira de Souza

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A aprendizagem é um dos principais objetivos de toda e qualquer prática pedagógica, a
compreensão do que se entende por aprender é fundamental na construção de uma nova
proposta de educação, mais aberta e dinâmica, definindo, por consequência, práticas
pedagógicas transformadoras. O ato de aprender a aprender é, sem dúvida, uma das
principais funções do difícil ato de educar. A construção de um individuo mais autônomo no
processo de aprender torna-o mais autônomo no processo de viver e definir os rumos de sua
vida. Podemos, assim, entender que não mais cabe uma educação na qual somente se pensa
em uma onipotência do educador e da escola, mas é sempre preciso colocar em questão as
práticas pedagógicas desenvolvidas por estes agentes da educação. Até agora o fracasso na
aprendizagem tem sido entendido por fatores como a evasão, a repetência ou a permanência
na escola caracterizada pelo ritmo de aprendizagem diferente dos demais, das dificuldades
de motivação e, acima de tudo, por um intenso sentimento de infelicidade da vida escolar.
Para compreender essas crianças que não aprendem ou que aprendem diferente das demais,
é preciso antes de tudo, que o professor e a escola deem um novo significado para o termo
aprendizagem, compreendendo que ela é um processo. Nesse sentido, entende-se a
necessidade do trabalho psicopedagógico atuando de forma a acompanhar o aprendiz nos
processos envolvidos na aquisição e elaboração de conhecimento, estudando condições para
que isso ocorra; localizando, quando necessário, dificuldades e problemas que levam
paradas nesses processos propondo caminhos para que o aprendiz possa superá-los.
autora: Luciana Pereira de Souza

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O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO NO ATENDIMENTO ÀS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM por Luciana Pereira de Souza

  1. 1. O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO NO ATENDIMENTO ÀS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM Luciana Pereira de Souza A aprendizagem é um dos principais objetivos de toda e qualquer prática pedagógica, a compreensão do que se entende por aprender é fundamental na construção de uma nova proposta de educação, mais aberta e dinâmica, definindo, por consequência, práticas pedagógicas transformadoras. O ato de aprender a aprender é, sem dúvida, uma das principais funções do difícil ato de educar. A construção de um individuo mais autônomo no processo de aprender torna-o mais autônomo no processo de viver e definir os rumos de sua vida. Podemos, assim, entender que não mais cabe uma educação na qual somente se pensa em uma onipotência do educador e da escola, mas é sempre preciso colocar em questão as práticas pedagógicas desenvolvidas por estes agentes da educação. Até agora o fracasso na aprendizagem tem sido entendido por fatores como a evasão, a repetência ou a permanência na escola caracterizada pelo ritmo de aprendizagem diferente dos demais, das dificuldades de motivação e, acima de tudo, por um intenso sentimento de infelicidade da vida escolar. Para compreender essas crianças que não aprendem ou que aprendem diferente das demais, é preciso antes de tudo, que o professor e a escola deem um novo significado para o termo aprendizagem, compreendendo que ela é um processo. Nesse sentido, entende-se a necessidade do trabalho psicopedagógico atuando de forma a acompanhar o aprendiz nos processos envolvidos na aquisição e elaboração de conhecimento, estudando condições para que isso ocorra; localizando, quando necessário, dificuldades e problemas que levam paradas nesses processos propondo caminhos para que o aprendiz possa superá-los. PALAVRAS-CHAVE: Educando. Educador. Psicopedagogo. Dificuldades de aprendizagem. 1. INTRODUÇÃO O entendimento do papel do psicopedagogo no atendimento às dificuldades de aprendizagem é diariamente vivenciado no espaço escolar e no trabalho pedagógico do professor. Estas vivências e angústias acompanham crianças, pais e professores na relação do processo de construção do conhecimento. Pode-se verificar que a psicopedagogia acompanha a necessidade de organizar os variados processos que fazem parte do aprendizado humano, refletindo questões relacionadas ao desenvolvimento cognitivo, psicomotor e afetivo à situação de aprendizagem do sujeito aprendente. E sua ação atua não só no interior do aluno, mas, busca sensibilizá-lo para a construção do conhecimento, respeitando seus desejos, necessidades com o acompanhamento do professor. Este, como facilitador do processo de ensinar e aprender, faz diferenças na construção do conhecimento do sujeito, e precisa estar aberto a repensar práticas metodológicas que possibilitem o desenvolvimento cognitivo na escola, como espaço fundamental na construção da identidade do indivíduo, pois atua na formação de valores e princípios que irão nortear e aprendizado e a vida cognitiva de seus escolares. O psicopedagogo constantemente acompanha junto aos professores e coordenadores o aprendizado de seus educandos, orientando-os e discutindo essas relações. Discute conteúdos, formas de aprender e ensinar, as avaliações, relação família e escola e, ainda, faz a ponte entre profissionais que atuam de forma multidisciplinar no acompanhamento do desenvolvimento humano, como neurologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e fisioterapeutas. O comprometimento de todos os envolvidos no processo de construção de conhecimento embasam decisões da ação psicopedagógica para o sucesso do acompanhamento as
  2. 2. dificuldades de aprendizagem. Constata-se que os problemas de aprendizagem são presença constante em sala de aula e sanar essa problemática requer comprometimento com as dificuldades, pois sabe-se que vínculos negativos com o objeto de conhecimento efetivam problemas para aprender. O estudo evidencia o papel do psicopedagogo clínico diante da forma de ensinar e aprender com ações que repensem o ato de aprender, as práticas pedagógicas, avaliações, planejamentos, abraçar e considerar o educando em suas dimensões incluindo as dificuldades, e auxiliando-os a superá-las. O artigo faz uma abordagem das aprendizagens de crianças com dificuldades, e como isso os tem levado ao fracasso escolar. Frente a essa problemática, o psicopedagogo vem organizar a relação da aprendizagem e acompanhar suas angústias, a relação dos familiares, professores e os principais envolvidos na construção do conhecimento desses escolares. Sugere, em sua atuação, intervenções que solucionem a busca da aprendizagem e que resgatem os elementos essenciais do ato de aprender. A grande questão é: Que caminhos o psicopedagogo deve tomar para uma ação efetiva diante as dificuldades de aprendizagem? Para responder a ela, realizou-se uma pesquisa qualitativa, com contato direto com a criança observada e o ambiente escolar. Analisou-se, também, o processo de dificuldade de aprendizagem e como acontece a intervenção do psicopedagogo para a superação destas dificuldades. Os instrumentos utilizados para o alcance de conclusões foram a observação, como também a entrevista, EOCA – Entrevista Operatória Centrada na Aprendizagem; a EFES – Entrevista Familiar Exploratória Situacional; o teste da Psicogênese; e provas do diagnóstico Operatório de Piaget. 2. BREVE HISTÓRICO DA PSICOPEDAGOGIA A psicopedagogia nasceu do aumento progressivo do fracasso escolar em várias regiões do mundo. Na França, a psicopedagogia se une às demais áreas de atendimento à criança, a saber: assistência social, medicina, fonoaudiologia, fisioterapia, psicologia, pedagogia, (NEVES, 1991). Bossa (1994) comenta que, na década de 80, a psicopedagogia se afirma como um campo de conhecimento multidisciplinar, cujo foco é a aprendizagem. Neves (1991) e Bossa (1994) explicam que a psicopedagogia pode ser clínica e institucional. A psicopedagogia clínica está ligada à atuação direta do/a profissional com o/a com o aluno/a, sobre o/a qual recai uma queixa de aprendizagem. Esta é a modalidade de atuação mais conhecida, por ser mais divulgada e, usualmente, é a de maior interesse dos profissionais em formação. Os desafios para psicopedagogos atuantes na área clínica é lidar com a complexidade do ser humano e se deparar com patologias que podem ter inúmeras causas, sendo necessário atuar de forma interdisciplinar, apontar formas de metodologia que organizem e aprendizagem do aprendente sanado suas dificuldades. Analisar o aprender nos aspectos normais e patológicos faz da psicopedagogia uma área que considera o aspecto psicológico do sujeito, no entanto por ser uma área aplicada, os procedimentos precisam ir além da práxis, buscam desenvolver pesquisas que objetivem a criação de seu campo de conhecimento próprio. No entanto, é aceitável que a psicopedagogia não tenha ainda desenvolvido seu corpo teórico específico, por se tratar de uma área absolutamente nova que depende não só da Psicologia e Pedagogia, mas também de outras áreas de conhecimento como Neuropsicologia e Psicolinguística. [...] num primeiro momento a Psicopedagogia esteve voltada para a busca e o desenvolvimento de metodologias que melhor atendessem aos portadores de dificuldades, tendo como objetivo fazer a reeducação ou a remediação e desta forma promover o desaparecimento do sintoma. E, ainda, a partir do
  3. 3. momento em que o foco de atenção passa a ser a compreensão do processo de aprendizagem e a relação que o aprendiz estabelece com a mesma, o objeto da Psicopedagogia passa a ser mais abrangente: a metodologia é apenas um aspecto do processo terapêutico, e o principal objetivo é a investigação da etiologia da dificuldade de aprendizagem, bem como a compreensão do processamento da aprendizagem, considerando todas as variáveis que intervêm neste processo (RUBINSTEIN, 1987:103). Nesse sentido, considera-se que o processo de aprendizagem a ser contemplado pela psicopedagogia abre portas para toda e qualquer relação que se estabeleça no contexto educacional, tendo em vista a qualidade e bem estar das relações humanas durante a formação educacional, privilegiando alunos e professores. A esse respeito, Weiss (2004), afirma que a psicopedagogia busca a melhoria das relações com a aprendizagem, assim como a qualidade na construção da própria aprendizagem de alunos e educadores. Tais afirmações do objeto de estudo da psicopedagogia sugerem uniformidade de opiniões quanto ao fato de que ela deve ter como foco a aprendizagem humana. No entanto, há uma ilusão de se acreditar que esse consenso conduza a um único caminho. Não existem formas prontas de aprendizagem. A construção do conhecimento é um processo contínuo, no qual o objeto de estudo é sempre o sujeito aprendente. Hoje, o trabalho da psicopedagogia tem a concepção de acompanhar a aprendizagem verificando o processo, o humano, o biológico, suas características afetivas e intelectuais próprias participam ativamente, interferindo nas relações do sujeito, sendo que essas características influenciam e sofrem influências das condições socioculturais do sujeito e do meio. Sendo clínico ou preventivo, o trabalho psicopedagógico é teórico, tendo em vista a necessidade de se refletir sobre a prática. 3. DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM Entender a realidade que envolve a dificuldade de aprendizagem é algo importante para o âmbito escolar, pois nele se vivencia constantemente esse processo. Boa parcela dos que lidam com o processo de aprendizagem deparam-se com o desafio de superar tais questões, porque não é algo há ser resolvido em curto prazo e de forma técnica. Requer um trabalho teórico, profissionais competentes, dedicação da complexidade humana em seus amplos aspectos: biológico, psicológico, cognitivo e social. As explicações produzidas ao longo das últimas décadas podem ser agrupadas em três grandes grupos de reflexão: Um primeiro que assume o enfoque orgânico; um que enfatiza o lado psicológico e a influência do ambiente externo; e, por último, um grupo mais recente que procura tratar as questões de aprendizagem e do fracasso escolar numa perspectiva multidimensional e interdisciplinar (MANTOVANINI. 2001:21). Segundo Mantovanini( 2001), todo o processo educativo historicamente assentado no capitalismo, ao pensar no ser humano, esquece as forma do trabalho pedagógico voltado para suprir as dificuldades de aprendizagem. Outros aspectos importantes e relevantes, no processo educativo, são outros fatores que colaboram no processo, como insuficiência de verbas para a educação, a desvalorização da carreira docente, as deficiências na formação de professores, atenção precária por parte da família, além de inúmeros outros problemas. Como se pode notar, as questões que justificam o baixo rendimento de qualquer aluno e o descaso com o aprendizado estão presentes na escola pública ou particular. As soluções
  4. 4. são necessárias em todos os níveis envolvidos, pois cada um deve fazer sua parte contra a discriminação dos que não aprendem e passam a ser considerados como: “problemas”, “casos perdidos”, quando lhes retiram a capacidade de aprender e ensinar. 4. PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA / PONTOS RELEVANTES 4.1. Modalidade de aprendizagem Dar entendimento ao que seja modalidade de aprendizagem será significativo para nortear o estudo de caso. É uma realidade que se faz necessário na relação ensino/aprendizagem do aprendente e do ensinante. Vai se dar entendimento compreendendo que, segundo Fernández (1991), a modalidade de aprendizagem é uma matriz, um molde, um esquema de operar que é utilizado nas diferentes situações de aprendizagem. Entende-se que a modalidade é presente no sujeito aprendente e diretamente ligada à sua personalidade, entrelaçada com a “modalidade de aprendizagem familiar”, e na infância há uma história construída entre o sujeito e o grupo familiar, que tem grande significação na construção do seu conhecimento. Fernández (1991) enfoca, ainda, que devem ser observados os seguintes aspectos do aprendente na relação com o aprendizado: a imagem de si mesmo como aprendente; como agem fantasmaticamente as figuras ensinantes pai e mãe; o vínculo com o objeto de conhecimento; as histórias das aprendizagens, principalmente algumas cenas paradigmáticas que fazem a novela pessoal de aprendente que cada um constrói; a maneira de jogar; a modalidade de aprendizagem familiar. Embora a modalidade de aprendizagem do aprendente com problemas seja sintomática e que, por conseguinte haja dificuldade para o aprendizado, existe algo que revela como conseguiu aprender. É nesse momento que se investiga como construiu seu aprender, o que se deve fazer para tal aprendizado se efetivar. 5. ATUAÇÕES DO PSICOPEDAGOGO/ INTERVENÇÃO 5.1. Os Ambientes Os ambientes para organizar o aprendizado são importantíssimos para a atuação do psicopedagogo. É nesses ambientes que a competência, apoio e orientações à ação educativa, possibilitam e estabelecem critérios para melhorar a ação pedagógica dos processos educacionais. Qualquer que seja seu campo de atuação profissional, o objetivo primordial é estabelecer a união entre teoria explicativa e a ação prática. O campo de atuação do psicopedagogo refere-se não só ao espaço físico onde se dá esse trabalho, mas especialmente ao espaço epistemológico que lhe cabe, ou seja, o lugar deste campo de atividade e o modo de abordar o seu objeto de estudo (BOSSA, 1994:22). Bossa (1994) acrescenta a importância do espaço físico que o psicopedagogo organiza para dar atendimento ao sujeito da aprendizagem. O que define se a abordagem é clínica, preventiva ou teórica é exatamente a forma como o profissional aborda o objeto de estudo, sem deixar de levar em conta que, por ser clínico, não deixa de ser preventivo, pois tratando problemas de aprendizagem, evita-se o aparecimento de outros. Da mesma forma, o trabalho de prevenção no conceito psicopedagógico é sempre clínico, por considerar a singularidade de cada pessoa. O conceito “clínica” faz referência a uma postura, a um comportamento ético, à maneira de se ler as situações e intervir. Essa postura clínica faz parte da atuação do psicopedagogo, esteja ele atuando em uma escola, em uma faculdade, em um consultório ou
  5. 5. no hospital. (SÁ, 2006). 5.2. As atribuições do Psicopedagogo Segundo Bossa (1994), ao psicopedagogo cabe: detectar as possíveis perturbações no processo de ensino-aprendizagem; identificar, analisar e elaborar uma metodologia de diagnóstico e intervenção com o objetivo de sanar as dificuldades de ensino e aprendizagem; participar da dinâmica da relação da comunidade educativa como um articulador entre o ensinar e o aprender, entre a família, a escola e a comunidade; atuar junto ao corpo docente promovendo orientações metodológicas de acordo com as características do grupo, enfatizando os aspectos relevantes do planejamento e do desenvolvimento das respostas educacionais, curriculares e organizacionais; realizar processos de orientação educacional, vocacional; essa orientação consiste em orientar o aluno na construção de seu projeto de vida, com clareza, raciocínio e equilíbrio e resgatar o interesse dos alunos pelos estudos; consiste em organizar a vida escolar do aluno quando o mesmo não consegue fazê-lo espontaneamente, com ações que promovam melhor uso do tempo, elaboração de agenda e dicas como estudar, como se preparar para a prova, como escrever um texto; apropriação dos conteúdos escolares. Para Bossa (2004), o objetivo do psicopedagogo é promover o domínio das disciplinas escolares em que o aluno demonstra dificuldade, utilizando o conteúdo escolar como estratégias para fornecer ao aluno condições necessárias ao desenvolvimento cognitivo. No desenvolvimento do raciocínio, a atuação do psicopedagogo consiste em criar, através do lúdico, um contexto de observação e diálogo sobre processos de pensar e de construir o conhecimento. Neste sentido, fica claro que a forma de atuar deste profissional deve ser junto ao educando que apresenta problemas de aprendizagem, com o objetivo de identificar os fatores que interferem no processo, auxiliando-o a superar as dificuldades, através de acompanhamento. Segundo Bossa (2004), a psicopedagogia entende que o desenvolvimento e a aprendizagem precisam ser vistos a partir do olhar abrangente sobre o sujeito, no seu desenvolvimento, suas diferenças individuais, históricas e sociais. Esse aspecto nos remete à necessidade de caracterizarmos melhor os tipos de dificuldades de aprendizagem, sua natureza e os fatores mais relevantes na intenção de atingirmos, como resultado de impacto social, o fracasso escolar em última instância. Reconhecem-se as dificuldades em estabelecer parâmetros, que resgatem o processo histórico e reavalie ações com propostas de retirem e afastem os educandos das dificuldades de aprendizagem, foco da psicopedagogia, tendo a intervenção com o aprendizado e o desenvolvimento humano. 6. ESTUDO DE CASO PBQC está com 11 anos de idade, cursa o 5º ano do ensino fundamental (4ª série) em escola particular, onde estuda desde o início do presente ano. A mãe relatou que a criança tem muitas dificuldades na leitura, escrita de palavras, interpretação de textos e principalmente no raciocínio lógico matemático. Necessita, assim, de ajuda para realizar atividades como leitura, interpretação e cálculos matemáticos. Ao escrever, troca letras como: c por g, g por j, lh por li, “engole” fonemas que tem “RR”, “SS”, palavras com “N”. Não tem bom raciocínio e tem preguiça para resolver atividades. No que diz respeito aos aspectos emocionais PBQC é uma criança carinhosa, comunicativa, gosta de brincar com todos e tem uma ótima socialização. Sempre apresenta sinceridade em suas ações, mesmo quando está errada, apresenta insegurança extrema, não tem confiança em si mesma e sempre oscila em suas respostas. Está numa fase de transição entre o mundo infantil de princesas e o mundo adolescente de primeiros amores, inclusive se mostrando encantada por um menino da escola. Não tem dificuldades de correr, pular, subir,
  6. 6. descer escadas e encaixar e copia atividades do quadro com rapidez. Foram utilizados, como metodologia, os itens abaixo para formulação do diagnóstico psicopedagógico1 : • EOCA – Entrevista Operatória Centrada na Aprendizagem; • EFES – Entrevista Familiar Exploratória Situacional; • Teste da Psicogênese; • Provas do diagnóstico Operatório de Piaget; Após a aplicação da metodologia citada, foram determinadas as seguintes hipóteses: • As dificuldades de aprendizagem foram produzidas e encontram-se sustentadas por falhas de mediação didáticas pedagógicas, desde a educação infantil, prin- cipalmente para construção de leitura e escrita no período de alfabetização; • Há traços indicativos de apatia para finalização de tarefas e oscilação e insegu- rança nas respostas; • Infantilização devido ao longo contato com a avó, gerando um quadro regressi- vo infantilizado com dependência para solução nas tarefas, imaturidade para a presente idade e dificuldade para perseverar e concluir tarefas propostas; • Dificuldades na aprendizagem devido à carência de acompanhamento pedagó- gico pela família; 6.1. AVALIAÇÃO 6.1.1. Área pedagógica Ao realizar o teste da psicogênese, percebe-se que PBQC encontra-se no nível ortográfico e, durante a leitura e interpretação de texto, leu de modo lento e compreendeu apenas parte da leitura. Ao escrever, troca, omite letras e usa incorretamente letras maiúsculas e minúsculas. Ao falar, PBQC não se atém a detalhes, se expressa numa sequência lógica e não possui um bom repertório de vocabulário. Quando desenha possui consciência do próprio corpo, tem padrões definidos de sua família, relaciona um ser superior, desenho compatível com a idade apresentando riqueza de detalhes. Os resultados apresentados revelaram que a aluna apresenta interesse pelo ambiente escolar e bloqueio em tudo o que diz respeito à área da Matemática, claramente identificado na hora dos jogos (tem aversão à tabuada). 6.1.2. Área cognitiva Na área cognitiva, as modalidades de aprendizagem sintomatizadas correspondem a acomodação, recusa, oscilação. PBQC apresenta dificuldades de internalizar os conhecimentos, apenas usa as estruturas que já possui, não usa criatividade, apenas repete o que já sabe. Na maioria das provas de Piaget, ela apresentou condutas intermediárias – Nível 2. É lenta na maioria das atividades, consequência da falta de concentração, porém lhe agradam muito as atividades manuais e os desenhos. Apresenta, ainda, falta de iniciativa, o que compromete a atenção e também leva à não compreensão das leituras que realiza. Não apresenta dificuldade em estabelecer vínculo afetivo com os objetos e situações de aprendizagem. Apesar de seu nível de aprendizagem estar aquém do indicado para sua 1. O diagnóstico psicopedagógico surge da demanda social e tem como objetivo obter dados necessários para que se entenda o significado, as causas e a modalidade da perturbação, que se constituem obstáculos relacionados ao modelo de aprendizagem do sujeito impedindo o seu desenvolvimento (PAIN, 1985).
  7. 7. série e de não conseguir acompanhar a turma nesse sentido, PBQC não se sente desestimulada em aprender e tampouco demonstra dificuldade no relacionamento com os colegas. No teste de Matemática, obedeceu às ordens dos números, não inverteu os mesmos, mas apresentou dificuldades na compreensão do que leu. Não conserva quantidades e apresenta interesse em usar o material concreto. Nas provas de diagnóstico operatório, observou-se que PBQC oscila entre o nível pré-operatório e operatório concreto, o que determina a necessidade da utilização de materiais concretos, jogos para maior desenvolvimento do raciocínio lógico e, assim, visualizar concretamente situações que envolvam relações lógicas entre objetos e conhecimentos. Sara Paín (1985), sintetiza esse aspecto como “submissão do contexto a aprendizagem versus hiperacomodação/hipoassimilação” e acontece quando houve superestimulação da imitação. A criança pode cumprir as instruções atuais, mas não dispõe de suas expectativas nem de sua experiência prévia com facilidade. Esta criança é descrita como “não é mau aluno, mas não tem iniciativa, não é criativa, falha na redação...” 6.1.3. Área afetivo-social Na área afetivo-social, PBQC demonstra ter bom relacionamento com a professora e com os colegas. É a segunda filha de um relacionamento instável, mora distante do pai biológico, mas tem um padrasto que cumpre esse papel, apesar de não acompanhá-la nas atividades escolares. É uma criança amada pela família, apesar de sua mãe não depositar em PBQC confiança necessária para que possa desenvolver e criar mais autonomia nas atividades diárias, inclusive escolares. 6.1.4. Área Psicomotora No aspecto psicomotor, não possui dificuldades no manuseio de objetos e não derruba as coisas com facilidade. Apresenta-se disposta e cooperativa mas, ao realizar as atividades, demonstra insegurança e falta de criatividade. Observou-se que tem uma boa percepção auditiva, apresentou boa memória no jogo, mas não nas atividades matemáticas; reconhece, discrimina e nomeia cores, mas nos blocos lógicos não reconhece o fator cor como um grupo. Diferencia quantidades, situa-se no tempo, não apresenta lateralidade cruzada e sua escrita é incompatível com a idade. 6.2. Sínteses dos resultados – Hipóteses diagnósticas • Falhas na mediação didático-pedagógica, na leitura, escrita e no raciocínio ló- gico matemático. • Encontra-se no período pré-operatório o que determina a necessidade de mate- riais concretos e jogos para o maior desenvolvimento de raciocínio lógico; • Problemas na relação socioafetiva no início da escolarização; • Carência de apoio familiar quanto à realização de atividades, insegurança e in- credibilidade por parte dos responsáveis; 6.3. Sugestões Psicopedagógicas à Escola • Sugere-se que os alunos sejam dispostos em círculo, pois a proximidade com o professor pode auxiliar a promover e manter a atenção e assim o aluno se senti- rá tratado com diferença; • Para motivar o cumprimento das atividades, sugere-se que o professor propo- nha tarefas curtas, cuidando de dar retornos imediatos à realização, apontando os resultados obtidos. No caso de alunos com falta de concentração, dispersão, necessitam de um (feedback) ao longo da realização de suas atividades, a fim de resgatar a sua auto-estima;
  8. 8. • Trazer materiais diversificados para uso em algumas atividades, possibilitando a motivação na realização das tarefas; • Trabalhar com materiais concretos para melhor assimilação dos conteúdos; • A avaliação qualitativa é fundamental. Momentos de auto-avaliação com o es- tudante podem ser muito úteis para controlar o comportamento desatento dos mesmos; • Antes de solicitar uma tarefa, o professor deve cuidar de explicar claramente todos os passos desejados; • Buscar qualidades da aluna, condutas e ações dignas de elogio, enaltecendo-as e reconhecendo-as diante do grupo. • Para trabalhar a compreensão, a aluna deverá determinar uma história contada pela professora. Dramatizar ações em forma de mímica. Identificar gravuras com histórias lidas ou contadas, responder adivinhações, interpretar as gravuras e ações; • Adaptação curricular com exercícios extras para que a criança recupere de al- guma forma o conteúdo que ficou a desejar nas séries anteriores; 6.4. Sugestões Psicopedagógicas à Família • Fazer uso de meios que favoreçam a organização. Ex: Quadro de tarefas habi- tuando a usá-lo diariamente, onde se inclua lista de tarefas; • Elogios, incentivos e demonstrações de amor são meios mais eficazes para boa parte de dificuldades apresentadas; • Propiciar reforço pedagógico para auxiliar no processo de estruturação de es- crita e raciocínio lógico matemático; • Incentivar leitura de livros, revistas e gibis; • Intervenções psicopedagógicas voltadas á reestruturação cognitiva, dos víncu- los afetivos apresentados na aprendizagem; 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Retomando as ideias iniciais, percebe-se que uma das grandes preocupações no dia a dia dos escolares está relacionada às dificuldades na aprendizagem e, consequentemente, ao fracasso escolar. Embora questões como metodologia, currículo, qualificação profissional ou a própria questão social sejam apontados como possíveis causas para essa problemática, a culpa ainda é atribuída os alunos. Mesmo sabendo que a responsabilidade de ensinar cabe ao professor, verificando o processo de construção de conhecimento requer da criança, da família e dos professores repensarem suas experiências de ensinar, a sua ação pedagógica e não perderem de vista o educando como aquele que constrói sua relação com a aprendizagem. As críticas sobre o sistema educacional e o fracasso escolar apontam que poucas são as alternativas apresentadas para o problema, o que implica alto índice de reprovações. É provável que algumas mudanças na estrutura social, política e econômica viessem a possibilitar a educação de qualidade. Sendo assim, a limitação do sistema educacional no qual se encontra a escola, e a complexidade de fatores que interferem no processo de aprendizagem, surge à necessidade de tentar novos rumos buscando alternativas viáveis de ação. A falta de preparo da escola e consequentemente dos educadores em lidar com o processo de aprendizagem, geram conseqüências como diagnósticos imprecisos e demorados que trazem prejuízos dolorosos, uma vez que a criança passa a ser rotulada e vista como “aluno problema”. Isso implica a necessidade de uma prática que busque contribuir para melhor compreensão desse processo. O trabalho psicopedagógico pode conscientizar os educadores quanto à necessidade de
  9. 9. repensar suas práticas, aprofundarem seus conhecimentos sobre as teorias de aprendizagem, para que reconheçam nas dificuldades de aprendizagem um espaço de comprometimento com toda as complexidades e particularidades do ensinar e aprender dos educandos . Desta forma o educador no processo de ensino /aprendizagem passa a ser o aprendente das várias formas de ensinar. Além disso, o auxílio psicopedagógico oferece condições para que o educador possa fazer uma seleção criteriosa dos alunos, distinguindo com clareza a dificuldade de aprendizagem que pode ser resolvida por ele em sala de aula com apoio pedagógico, da dificuldade que necessita da intervenção de profissionais especializados. Essa postura por parte do educador evitaria a patologização e diminuiria o número de alunos encaminhados a consultórios, muitas vezes sem necessidade. Embora exista, ainda, um longo caminho a ser percorrido para que a Psicopedagogia faça sua história enquanto ciência voltada a desvendar as dificuldades que envolvem o processo de construção do conhecimento, ele já deu seus passos iniciais de contribuições para a reflexão das questões com a aprendizagem. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOSSA, N. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. FERNÁNDEZ, A. A inteligência aprisionada: abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991. MANTOVANINI, M.C. Professores e alunos problema: Um ciclo vicioso. São Paulo: Casa do Psicólogo,2001. NEVES, M.A.M. Psicopedagogia: Um só termo e muitas significações. Revista Psicopedagogia. São Paulo, (21): 10-14, 1º semestre,1991. PAÍN, S. Diagnóstico e tratamento de problemas de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985. RUBINSTEIN, E. A intervenção psicopedagógica clínica. In. SCOZ, B.J.L. et.al. Psicopedagogia: o caráter interdisciplinar na formação e atuação profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987. SÁ, M.S.M.M. Introdução a Psicopedagogia. Curitiba: IESDE, 2006. WEISS, M.L.L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio de Janeiro, DP&A, 2004.

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