• Like
  • Save
A mais completa apresentação sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

A mais completa apresentação sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

on

  • 2,750 views

Uma apresentação extremamente completa debatendo diversos assuntos, no entanto sntética, sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A História das divergência ortográficas, a ...

Uma apresentação extremamente completa debatendo diversos assuntos, no entanto sntética, sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A História das divergência ortográficas, a legislação aplicável, as razões para o desentendimento, todas as alterações em Portugal e no Brasil, e as diversas controvérsias que o Acordo gera, assim como as grandes vantagens e desvantagens do Acordo.

Statistics

Views

Total Views
2,750
Views on SlideShare
2,750
Embed Views
0

Actions

Likes
1
Downloads
60
Comments
0

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Microsoft PowerPoint

Usage Rights

CC Attribution-ShareAlike LicenseCC Attribution-ShareAlike License

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

    A mais completa apresentação sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa A mais completa apresentação sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa Presentation Transcript

    • O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa Rui Pereira BentoJoão Pimentel Ferreira Março de 2012 Assinado em Lisboa a 16 de Dezembro de 1990
    • AgendaLegislaçãoHistóriaRazões para o desentendimentoAnálise das alteraçõesOs prós e os contrasConclusões
    • Legislação• Resolução da Assembleia da República nº 26/91 de 23 de Agosto • Aprova, para ratificação, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa – AOLP (1990).  Acordo Assinado em Lisboa a 16 de Dezembro de 1990. • Determina , no artigo 3º, a entrada em vigor do Acordo em 1 de Janeiro de 1994, após o depósito dos instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República Portuguesa. • Aprovada em 4 de Junho de 1991. • Publicada no Diário da República, 1ª Série – A, nº 193, de 23 de Agosto de 1991, pp. 4370-88.
    • Legislação• Decreto do Presidente da República nº 43/91 • Ratifica o AOLP (1990). • Assinado em 4 de Agosto de 1991 pelo Presidente da República Dr. Mário Soares • Referendado em 7 de Agosto de 1991, em nome do Primeiro-Ministro. • Publicado no Diário da República, 1ª Série – A, nº 193, de 23 de Agosto de 1991, p. 4370.• Retificação nº 19/91 • Pela Assembleia da República em 15 de Outubro de 1991. • Publicada no Diário da República, 1ª Série – A, nº 256, de 7 de Novembro de 1991, p. 5684.
    • Legislação• Resolução da Assembleia da República nº 8/2000 de 28 de Janeiro • Aprova o Protocolo Modificativo ao AOLP (1990), assinado na Praia, Cabo Verde, em 17 de Julho de 1998.  Considerando que o Acordo ainda não tinha sido ratificado por todas as Partes Contratantes, dá nova redação, em particular, ao artigo 3º do Acordo, determinando a entrada em vigor do Acordo após depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República Portuguesa, mas sem estabelecer nova data para o efeito. • Aprovada em 18 de Novembro de 1999. • Publicada no Diário da República, 1ª Série – A, nº 23, de 28 de Janeiro de 2000, p. 368.
    • Legislação• Decreto do Presidente da República nº 1/2000 de 28 de Janeiro • Ratifica o Protocolo Modificativo ao AOLP (1990). • Assinado em 12 de Janeiro de 2000. • Referendado pelo Primeiro-Ministro em 19 de Janeiro de 2000. • Publicado no Diário da República, 1ª Série – A, nº 23, de 28 de Janeiro de 2000, p. 368.
    • Legislação• Resolução da Assembleia da República nº 35/2008 [1/2] • Aprova o Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao AOLP (1990), adotado na V Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada em São Tomé em 26 e 27 de Julho de 2004.  Considerando que o Acordo ainda não tinha podido entrar em vigor por não ter sido ratificado por todas as partes contratantes, dá , no seu nº 1, nova redação ao artigo 3º do Acordo, determinando a entrada em vigor do Acordo ao terceiro depósito de instrumento de ratificação junto da República Portuguesa.  Mais, no seu nº 3, estabelece a entrada em vigor do presente Protocolo ao primeiro dia do mês seguinte à data em que três Estados membros da CPLP tenham depositado, junto da República Portuguesa, os respetivos instrumentos de ratificação ou documentos equivalentes que os vinculem ao Protocolo.  Assinado em São Tomé a 25 de Julho de 2004.
    • Legislação• Resolução da Assembleia da República nº 35/2008 [2/2] • Estabelece, no nº 2 do artigo 2º, o prazo de seis anos após o depósito do instrumento de ratificação do Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao AOLP (1990) para que a ortografia se conforme às disposições do Acordo. • Aprovada em 16 de Maio de 2008. • Publicada no Diário da República, 1ª Série, nº 145, de 29 de Julho de 2008, pp. 4802-3.
    • Legislação• Decreto do Presidente da República nº 52/2008 de 29 de Julho • Ratifica o Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao AOLP (1990). • Assinado em 21 de Julho de 2008. • Referendado pelo Primeiro-Ministro em 22 de Julho de 2008. • Publicado no Diário da República, 1ª Série, nº 145, de 29 de Julho de 2008, p. 4784.
    • Legislação1. Aviso nº 255/2010 do Ministério dos Negócios Estrangeiros • Torna público que o Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao AOLP (1990) entrou em vigor, nos termos dos seus artigos 1º e 3º, em 1 de Janeiro de 2007, após o depósito dos respetivos instrumentos de ratificação por parte da República Federativa do Brasil e da República de Cabo Verde, em 12 de Junho de 2006, e pela República Democrática de São Tomé e Príncipe, em 6 de Dezembro de 2006. • Torna público igualmente que, por parte de Portugal, o depósito do respetivo instrumento de ratificação foi feito em 13 de Maio de 2009, data em que o referido Acordo entrou em vigor em Portugal. Portugal • Feito em 13 de Setembro de 2010 pelo Diretor-Geral de Política Externa. • Publicado no Diário da República, 1ª Série, nº 182, de 17 de Setembro de 2010, p. 4116.
    • Legislação1. Resolução do Conselho de Ministros nº 8/2011 • Determina que, a partir de 1 de Janeiro de 2012, o Governo e todos os serviços, organismos e entidades sujeitos aos poderes de direção, superintendência e tutela do Governo aplicam a grafia do AOLP (1990), em todos os atos, decisões, normas, orientações, documentos, edições, publicações, bens culturais ou quaisquer textos e comunicações, sejam internos ou externos, independentemente do suporte, bem como a todos aqueles que venham a ser objeto de revisão, reedição, reimpressão ou qualquer outra forma de modificação. • Presidência do Conselho de Ministros, 9 de Dezembro de 2010. • Publicado no Diário da República, 1ª série, nº 17, de 25 de Janeiro de 2011, pp. 488-9
    • Legislação AOLP 1990-12-16 Entrada em vigor 1994-01-01 Ratificação por todos PM-AOLP 1998-07-19 Reitera importância AOLP Ratificação por todos sem data fixada AS-PM-AOLP 2004-07-25 Entrada em vigor após 3 ratificações em 2007-01-01 Em Portugal em vigor desde 2009-05-13AR determinou 6 anos de transição que terminam em 2015-05-12 Legenda: AOLP – Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa PM-AOLP – Protocolo Modificativo ao AOLP AS-PM-AOLP – Acordo do Segundo PM-AOLP AR – Assembleia da República
    • HistóriaLetreiro no Porto, escrito antes da reforma ortográfica de 1911 Autor: Manuel dos Santos, retirado da Wikipédia
    • História• 1911 – Reforma ortográfica (unilateral) em Portugal (PT), não seguida pelo Brasil (BR).• 1931 – A Academia Brasileira de Letras (ABL) e a Academia das Ciências de Lisboa (ACL) promovem o primeiro acordo ortográfico entre PT e BR, para minimizar os inconvenientes da situação criada em 1911.• 1943 – Convenção Ortográfica (Formulário Ortográfico). Consequência do facto do primeiro acordo ortográfico não ter produzido a unificação.• 1945 – Convenção Ortográfica Luso-Brasileira ou Acordo Ortográfico (Lisboa). Consequência do facto de persistirem divergências entre os Vocabulários entretanto publicados pelas duas Academias. Adotado em PT mas não no BR.• 1971 – No BR, foi aprovada legislação para reduzir substancialmente as diferenças ortográficas entre PT e BR.
    • História• 1973 – Em PT, foi feito o mesmo.• 1975 – A ACL e a ABL elaboraram um novo projeto de acordo que não foi aprovado oficialmente por razões políticas, sobretudo vigentes em PT.• 1986 – Acordo Ortográfico (Rio de Janeiro), já com a participação dos PALOP. Falhou devido à polémica que causou, sobretudo em PT.• 1990 – Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (Lisboa).
    • Razões para o desentendimento• Os acordos de 1945 e 1986 visavam impor uma unificação ortográfica absoluta.• O Acordo de 1945 propunha uma unificação de quase 100% do vocabulário geral da língua. Essa unificação assentava em dois princípios, não aceites no BR: • conservação das consoantes mudas, o que para o BR era, não uma conservação, mas uma restauração das consoantes já abolidas; • acentuação das vogais tónicas e e o, seguidas das consoantes nasais m e n, das palavras proparoxítonas (ou esdrúxulas), com acento agudo (de acordo com a prática portuguesa) e não circunflexo (de acordo com a prática brasileira).
    • Razões para o desentendimento• Contra a tradição ortográfica, o Acordo de 1945 estipulava que o acento agudo, nos referidos casos, apenas assinalava a tonicidade da vogal e não o seu timbre.• O Acordo de 1986 conseguia a unificação ortográfica em cerca de 99,5% do vocabulário geral da língua (em cerca de 110 000 palavras; estudos da ACL).• O Acordo de 1986 fazia a unificação à custa da simplificação drástica do sistema de acentuação gráfica, pela supressão dos acentos nas palavras proparoxítonas e paroxítonas, o que não foi bem aceite por uma parte substancial da opinião pública portuguesa.• O Acordo de 1990 visa fixar e delimitar as diferenças atualmente existentes e prevenir contra a desagregação ortográfica da língua, que será potenciada pela sua dispersão pelo mundo.
    • Razões para o desentendimento1. O Acordo de 1990 é menos forte do que os de 1945 e 1986 mas unifica cerca de 98% do vocabulário geral da língua.
    • Análise das alterações• Supressão das sequências consonânticas interiores não articuladas (mudas) c e p • constituem 0,54% do vocabulário geral da língua, pouco mais de 600 palavras em cerca de 110 000.
    • Análise das alterações Antes (PT) Depois Antes (PT) Depois acção ação efectivo efetivo accionar acionar efectuar efetuarSupressão de c e p – Exemplos abstracção abstração Egipto Egito abstracto abstrato eléctrico elétrico acto ato espectáculo espetáculo actual atual estupefacção estupefação activar ativar exacto exato Antes (PT) Depois adjectivo adjetivo excepção exceção dejecção dejeção adoptar adotar excepto exceto descontracção descontração afectivo afetivo extracto extrato dialecto dialeto antárctico antártico factura fatura didáctico didático Antárctida Antártida fracção fração direcção direção Árctico Ártico fractura fratura direccionar direcionar arquitecto arquiteto injecção injeção directo direto atractivo atrativo inspector inspetor director diretor bissectriz bissetriz lectivo letivo colecção coleção nocturno noturno contracção contração objecção objeção correcção correção objecto objeto correcto correto óptico ótico
    • Análise das alterações• Supressão de c e p – Três objeções rebatidas • Objeção 1 – Desvio etimológico e similitude com as restantes línguas neolatinas – contraexemplos • francês objet e castelhano objeto • francês projet e castelhano proyecto • italiano oggetto e progetto • português vitória – que antes do AO já se escrevia sem c – e francês victoire, castelhano victoria, e italiano vittoria
    • Análise das alterações• Supressão de c e p – Três objeções rebatidas • Objeção 2 – Abertura da vogal precedente – contraexemplos • vogal pré-tónica aberta: corar, padeiro, oblação, pregar • manutenção da vogal anterior: actual, actualidade, exactidão, tactear • Objeção 3 – Incongruências de parentesco lexical – contraexemplos • AOLP (1990) – Egito e egípcio, apocalítico e apocalipse • Acordo 1945 – assunção e assumptivo, cativo e captor e captura, dicionário e dicção, noturno e noctívago
    • Análise das alterações• Supressão de c e p – Duas vantagens • Vantagem 1 – Não necessidade de memorizar qual a consoante muda a escrever, se c, se p • Vantagem 2 – Não necessidade de memorizar quais as palavras que se escrevem com consoante e quais as que se escrevem sem consoante, quando estão relacionadas por parentesco lexical.
    • Análise das alterações• Introdução de dupla grafia em relação às consoantes c, p, b, g, m e t • facto e fato, recepção e receção, súbdito e súdito, amígdala e amídala, amnistia e anistia, aritmética e arimética • afeta cerca de 0,5% do vocabulário geral da língua, pouco mais de 575 palavras em cerca de 110 000.
    • Análise das alterações• Introdução de dupla grafia em c, p, b, g, m e t – Exemplos abjecção abjeção aspecto aspeto connosco conosco abjecto abjeto asséptico assético contacto contato acepção aceção assumpção assunção corrupção corrução acupunctor acupuntor bijecção bijeção dicção dição afecção afeção bissecção bisseção facto fato afectar afetar carácter caráter indemnização indenização afecto afeto característica caraterística infecção infeção amígdala amídala céptico cético insecto inseto amnistia anistia ceptro cetro jacto jato anoréctico anorético cofactor cofator Neptuno Netuno anticoncepciona anticonceciona colecta coleta omnipotente onipotente l l antiepiléptico antiepilético colectivo coletivo omnisciente onisciente antisséptico antissético concepção conceção quociente cociente apocalíptico apocalítico conectivo conetivo secção seção artiodáctilo artiodátilo confecção confeção súbdito súdito aritmética arimética conjectura conjetura subtil sutil
    • Análise das alterações• Grafia dupla e simples da acentuação • Proparoxítonas ou esdrúxulas • Grafia dupla – Nas vogais tónicas a, e e o seguidas das consoantes nasais m e n com as quais não formam sílaba, quando há oscilação do timbre (Dánao e Dânao, académico e acadêmico, cómodo e cômodo) • Observação – Para a, os casos são raros: nomes próprios gregos • Grafia simples – AOLP (1990) não introduz alterações • Nas vogais tónicas a, e e o seguidas das consoantes nasais m e n com as quais não formam sílaba, quando não há oscilação do timbre (âmago, sêmola, cômoro) • Observação – Para e e o os casos não são frequentes • Nas vogais tónicas a, e e o seguidas das consoantes nasais m e n com as quais formam sílaba. O timbre, fechado, não varia.
    • Análise das alterações• Grafia dupla e simples da acentuação • Paroxítonas ou graves • Grafia dupla – Nas vogais tónicas e e o em final de sílaba, seguidas das consoantes nasais m ou n, para dar conta da oscilação do timbre (fémur e fêmur, bónus e bônus), sendo poucos os casos • Oxítonas ou agudas • Grafia dupla – Nas vogais tónicas e e o que estão no fim das palavras (bebé e bebê, cocó e cocô), sendo também poucos os casos • Com variantes oxítonas e paroxítonas • Grafia dupla – Na vogal tónica o (judo e judô, metro e metrô), sendo casos raros
    • Análise das alterações1. Grafia dupla e simples da acentuação • 1,27% das palavras do vocabulário geral da língua têm grafia dupla, 1400 em 110 000
    • 1. Grafia dupla e simples da acentuação – Exemplos ortografia portuguesa ortografia brasileira Boémia Boêmia abdómen abdômen bónus bônus académico acadêmico canónico canônico acanónico acanônico carácter (símbolo) caractere afónico afônico cénico cênico Amazónia Amazônia cerimónia cerimônia anatómico anatômico colónia colônia anónimo anônimo cómico cômico antimónio antimônio cómodo cômodo antónimo antônimo cónego cônego António Antônio cónico cônico antropónimo antropônimo crónica crônica Arménia Armênia crónico crônico arménio armênio demónio demônio astrónomo astrônomo económico econômico atómico atômico eletrónica eletrônica
    • Análise das alterações 1. Supressão de acentos gráficos • Homografia heterofónica • Em pára, flexão de parar, de timbre aberto (á), que passa a escrever-se para, ficando igual a para, preposição, de timbre fechado (â) • Em pêlo, substantivo, de timbre fechado (ê), que passa a escrever-se pelo, ficando igual a pelo, flexão de pelar, de timbre aberto (é) e contração de per com lo (por + o), de timbre fechado (ê) • Razões • Pertença a classes gramaticais diferentes permite, pelo contexto, a distinção • Antecedentes no Acordo 1945Antes Depoispára para • Escreve-se acerto para o substantivo, de timbre fechado, sinónimo depêlo pelo ajustamento (e não acêrto), e para a flexão, de timbre aberto, dopêra pera verbo acertarpólo polo
    • Análise das alterações1. Supressão de acentos gráficos a) Homografia heterofónica • Razões • Antecedentes no Acordo 1945 • Escreve-se acordo para o substantivo, de timbre fechado (ê), sinónimo de entendimento (e não acôrdo), e para a flexão, de timbre aberto (ó), do verbo acordar • Escreve-se sede para o substantivo, de timbre fechado (ê), sinónimo de vontade de beber (e não sêde), e para o também substantivo, de timbre aberto (é), sinónimo de local principal
    • Análise das alterações 1. Supressão de acentos gráficos • Paroxítonas com os ditongos ei e oi na sílaba tónica • Em assembleia, boleia, ideia, que no BR tinham acentuação grafada com acento grave (é), por o ditongo soar aberto • Em comboio, dezoito, estroina, que no BR admitia grafia dupla, por lá haver oscilação do timbre • Razões • Consonância com a posição adotada para a homografia heterofónica • Consistência com o facto de, em geral, não se assinalar graficamente o timbre das vogais tónicas a, e e o das paroxítonas, dada a tendência da Antes Depois língua para a paroxitonia bóia boiaasteróide asteroide • cada (â) e fada (á); espelho (ê) e velho (é); virtuoso (ô) e virtuosa (ó)heróico heroico jóia joia
    • Análise das alterações1. Supressão de acentos gráficos • Paroxítonas terminadas em oo • É abençoo, enjoo, moo, povoo, voo e não abençôo, enjôo, môo, povôo, vôo, que era usado no BR • Razões • Consonância com as posições anteriores adotadas • Não existência de diferença de timbre em todo o domínio da língua
    • Análise das alterações1. Supressão de acentos gráficos • Nas formas verbais paroxítonas que contêm um e tónico oral fechado em hiato com a terminação em da terceira pessoa do plural do presente do indicativo ou do conjuntivo • É creem, deem, veem, que antes era crêem, dêem, vêem, tanto e PT como no BR • Razões • Consonância com as posições anteriores adotadas Antes Depois dêem deem vêem veem lêem leem crêem creem
    • Análise das alterações1. Supressão de acentos gráficos • Nas formas verbais com u e ui tónicos precedidos de g ou de q • É apazigue (1ª e 3ª pessoas singular presente conjuntivo de apaziguar), arguem (3ª pessoa plural presente indicativo de arguir), onde antes era apazigúe e argúem • Razões • São palavras paroxítonas • O u é sempre articulado em qualquer conjugação dos verbos • É argui (3ª pessoa singular presente indicativo de arguir), delinquis (2ª pessoa singular presente indicativo de delinquir), onde antes era argúi e delinqúis • Razões • São palavras oxítonas terminadas no ditongo tónico ui
    • Análise das alterações1. Supressão de acentos gráficos • Nas formas verbais com u e ui tónicos precedidos de g ou de q • É argui (3ª pessoa singular presente indicativo de arguir), delinquis (2ª pessoa singular presente indicativo de delinquir), onde antes era argúi e delinqúis • Observação • Grafa-se arguí, delinquí (1ª pessoa singular pretérito perfeito indicativo), pois não há ditongo e a vogal tónica é i
    • Análise das alterações• Hífen • Emprega-se nas formações por prefixação e recomposição (com pseudoprefixo de origem grega ou latina) quando: • O segundo elemento da formação começa por h ou pela mesma vogal ou consoante com que termina o prefixo ou pseudoprefixo • anti-higiénico, contra-almirante, hiper-resistente • O prefixo ou falso prefixo termina em m ou n e o segundo elemento começa por vogal, m ou n • circum-adjacente, circum-murado, circum-navegação • pan-africano, pan-mixia, pan-negritude
    • Análise das alterações • Hífen • Não se emprega: • Quando o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, dobrando-se estas consoantes • antirreligioso, microssistema iii. Quando prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente daquela, aglutinando-se os dois • antiaéreo, aeroespacial v. Nas formas do presente do indicativo do verbo haver • hei de, hás de, há de, e não hei-de, hás-de, há-deAntes (PT) Depois hei-de hei de hás-de hás de há-de há de hão-de hão de
    • Análise das alterações As regras de hifenização sofrem alterações, fazendo com que uns hífenes sejam eliminados e outras palavras passem a ser hifenizadas quando até agora não o eram. Elimina-se o hífen em Elimina-se o hífen em Eliminação do hífen palavras que perderam palavras compostas com a noção de composição elementos de ligação Antes Depoisanti-semita antissemita Antes Depoisanti-religioso antirreligioso Antes Depois dia-a-dia dia a diacontra-regra contrarregra pára-choque parachoque fim-de-semana fim de semanaextra-escolar extraescolar manda-chuva mandachuva cor-de-vinho cor de vinhoco- pára-quedas paraquedas coadministrador ponto-e-vírgula ponto e vírgulaadministradorpré-fabricado prefabricado cara-de-pau cara de pau maria-vai-com-as- maria vai com as outras outras leva-e-traz leva e traz deus-me-livre deus me livre bicho-de-sete-cabeças bicho de sete cabeças faz-de-conta faz de conta
    • Análise das alterações• Introdução das letras k, w e y no alfabeto Novo alfabeto 26 letras a A (á) n N (ene) b B (bê) o O (o) c C (cê) p P (pê) d D (dê) q Q (quê) e E (é) r R (erre) f F (efe) s S (esse) g G (guê) t T (tê) h H (agá) u U (u) i I (i) v V (vê) j J (jota) w W (dâblio) k K (capa) x X (xis) l L (ele) y Y (ípsilon) m M (eme) z Z (zê)
    • Análise das alterações• Abolição do trema, que ainda era usado no BR • Exceção • Nos nomes próprio de origem estrangeira e seus derivados – Müller, mülleriano • Razão • Harmonização • Seguimento da abolição parcial feita em 1971 no BR, que restringia o seu uso às sequências gu e qu, seguidas de e ou de i – aguentar, equestre qu Antes (BR) Depois eqüestre Equestre agüentar Aguentareqüidistante Equidistante lingüiça Linguiça seqüestro Sequestro tranqüilo tranquilo
    • Análise das alteraçõesOs meses, as estações do ano e os pontos cardeaisdeixam de ser grafados com letra inicial maiúscula Antes (PT) Depois Janeiro janeiro Fevereiro fevereiro Primavera primavera Verão verão Norte norte Sul sul
    • Análise das alterações Consoantes mantidas – as que são articuladas Conservam-se também palavras com sequênciasconsonânticas que são invariavelmente proferidas por todas as pronúncias cultas da língua portuguesa: eucalipto adepto ficção apto fricciona compacto r convicçã inepto o núpcias convicto opção díptico pacto egípcio pictural erupção rapto
    • Os prós e os contrasArgumentos contra o AOLP (1998): •Necessidade e custo da proposta •Projeção internacional e abrasileiramento da língua •Possibilidade de múltiplas grafias (facultatividades) •Interesses políticos •Prosódia dos diversos dialetos e falares
    • Necessidade do Acordo ?!Parte dos críticos acredita que a proposta, é insuficiente para atingir seus propósitos,uma vez que muitas palavras continuarão a apresentar possíveis variantesortográficas.O professor de português Pasquale Cipro Neto afirma que "é uma reforma meia-sola, que não unifica a escrita de fato",enquanto que o escritor João Ubaldo Ribeiro afirma que "é uma reforma tímida, que não faz grandes inovações".Refere-se ainda que se está a resolver um não-problema, uma vez que as variantesescritas da língua portuguesa são perfeita e confortavelmente inteligíveis.O sucesso de vendas dos escritores portugueses José Saramago e Miguel SousaTavares, no Brasil, cujos livros usam a grafia lusitana por exigência dos autores, é umaevidência de que não é por falta do Acordo que não há mais intercâmbio literáriodentro do espaço lusófono
    • Custo da Proposta •Adaptação do corpo literário já existente pelas editoras. •Súbita obsolescência de dicionários, gramáticas e livros escolares, que têm que ser substituídos. •Reaprendizagem ortográfica por parte de uma grande massa de pessoas, incluindo crianças.Pasquale Cipro Neto alertava que: "vamos enterrar dinheiro em uma mudança que não trará efeitos positivos"enquanto que o professor Cláudio Moreno refere que: "essa ideia messiânica, utópica de que a unificação vai transformar o português em uma língua de relações internacionais é uma tolice"
    • Projeção internacional e abrasileiramento da línguaCríticos apontam que é falsa a ideia de que a união ortográfica fortalece a línguaportuguesa internacionalmente, uma vez que a projeção duma língua não depende daexistência de divergências ortográficas.O inglês não tem ortografia oficial e apresenta variadas divergências quer gráficas quernão-gráficas entre os países onde é falado e tal não impede que seja a línguainternacional por excelênciaO comentador e escritor Miguel Sousa Tavares refere que o AOLP é uma "ameaça por parte dos políticos e dos membros das Academias" cujo objetivo é "pôr-nos [os portugueses] a escrever como os brasileiros, assim lhes facilitando a sua penetração e influência nos países de expressão portuguesa“Vasco Graça Moura, diz que se trata de um "diktat neocolonial, em que o mais forte (o Brasil) determina a sua vontade ao mais fraco (Portugal)" deixando a dúvida se “alguém imagina os Estados Unidos a ditarem à Inglaterra as regras ortográficas da língua inglesa?”
    • Possibilidade de múltiplas grafias (facultatividades)De forma a contemplar as diferenças fonéticas entre Portugal e o Brasil, o AOLP prevê aexistência de abundantes casos de palavras com duas ou mais grafias possíveis.Segundo Vasco Graça Moura, o reconhecimento oficial de grafias duplas e múltiplasenfraquece seriamente a unidade da língua portuguesa escrita e: vai mesmo contra o conceito de ortografia, as facultatividades permitem pôr num saco todos os casos duvidosos, a pretexto de que pode haver diferenças entre a pronúncia portuguesa e brasileira, abrindo inaceitavelmente a porta a todas as diferenças de grafia e mesmo, no limite, à opção individual por determinada maneira de escrever (…) chegando ao ponto da lei do menor esforço e do facilitismo"A Associação Portuguesa de Linguística, em parecer de 2005 refere: "os negociadores do Acordo autorizam duplas ou múltiplas grafias no interior de cada país, com base num critério da pronúncia, que em nenhuma língua pode ser tomado como propriedade identificadora dum sistema linguístico e da(s) sua(s) respetiva(s) norma(s) nacionais, mas sempre e apenas de uma sua variedade dialetal ou social"
    • Interesses políticosSegundo a antiga ministra da cultura Isabel Pires de Lima, "o Brasil procurou, a partir de um certo momento e por interesses de diversa natureza, entre os quais está o domínio do mercado editorial da CPLP, que até agora Portugal detém, liderar o processo acompanhado daqueles dois países [Cabo Verde e São Tomé]“Vasco Graça Moura afirma que a ideia do Acordo veio do antigo presidente brasileiro José Sarney, que enviou um emissário aos PALOP com esta finalidade, e refere que "para o Brasil, mais realista e mais pragmático, tudo era, desde o início, uma pura questão de mercado". Na AR, afirmou que "o tratado serve interesses geopolíticos e empresariais brasileiros, em detrimento de interesses inalienáveis dos demais falantes de português no mundo", em especial de Portugal, e representa "uma lesão inaceitável de um capital simbólico acumulado e de projeção planetária"
    • Prosódia (boa pronúncia) dos diversos dialetos e falaresA unificação ortográfica, ao contrapor-se à tendência regional de cada falar, que éinelutável, descrita nas leis da evolução da pronúncia e decorrente inevitavelmente dosdiversos usos regionais da língua, aumenta a heterofonia, ou seja:torna a língua escrita cada vez mais distante da prática, criando dificuldades tanto paraseu aprendizado quanto, no caso de vocábulos menos comuns ou de textos maisconcisos, para a própria leitura, mormente em voz alta (discurso, declamação)Exemplo: Pára -> Para
    • Argumentos a favor do AOLP: • Insustentabilidade da situação até então existente • Assegurar a unidade da língua • Simplificação da escrita • Difusão internacional do português • Inevitabilidade da sua aplicação
    • Insustentabilidade da situação até então existenteO diferendo ortográfico começou em 1911 quando Portugal promoveu unilateralmenteuma profunda reforma ortográfica da língua. Ao longo de todo o século XX, as váriastentativas de unificação da ortografia do português não surtiram efeito.Vital Moreira, professor da Universidade de Coimbra, lembra que: "não existe nenhuma razão lógica para que uma mesma língua mantenha tantas divergências ortográficas entre duas normas nacionais, quando elas não correspondem a uma divergência real na sua expressão oral".O jurista português Pedro Lomba refere que "havendo uma língua única, devemos perguntar se será sensato insistir numa divisão desnecessária e complicativa das regras ortográficas dos dois países“Mauro de Salles Villar, coautor do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa: "A variedade do português do Brasil e de Portugal é muito aproximada. Não temos razão em ter duas formas oficiais de grafar a língua"
    • Assegurar a unidade da línguaEm 1984, já o linguista brasileiro Celso Cunha afirmava: Chega-se assim à evidência de que, para a geração atual dos brasileiros, cabo- verdianos, angolanos, etc., o português é uma língua tão própria, exatamente tão própria, como para os portugueses (…). A luta pela pureza do idioma foi o anseio do século XIX: hoje, não pode ser mais o nosso principal objetivo: nossa luta tem de ser para impedir a fragmentação do idioma comum.A linguista Edite Estrela refere: Há quem questione a uniformização da escrita, invocando as diferenças vocabulares e de pronúncia entre Portugal e o Brasil. Ora, escrever do mesmo modo não significa falar do mesmo modo, como provam, designadamente, os alentejanos e os micaelenses. E, quanto ao vocabulário, recordo que em território português, por exemplo, o estrugido e a sertã convivem, sem problemas, com o refogado e a frigideira
    • Simplificação da escritaAs diferenças introduzidas pelo AOLP (1990) são pouco extensas: • 1,6% do vocabulário da língua em Portugal • 0,5% do vocabulário da língua no BrasilVão todas no sentido da simplificaçãoO autor português D Silvas Filho refere que: "A língua precisa de ser simplificada. Sem abandonar a sua matriz etimológica, para que se adapte às várias pronúncias, deve, no entanto, expurgar-se de elementos presentemente inúteis (…). Por mais que alguns linguistas defendam paradoxalmente o contrário, o senso comum diz-nos que é mais lógico ler e é mais fácil escrever as palavras sem as letras que não têm qualquer função na oralidade”
    • Difusão internacional do portuguêsPara além de contribuir para a preservação da língua comum, uma ortografia unificadatorna-se também necessária às organizações internacionais onde o português é línguade trabalho, aos estabelecimentos estrangeiros de ensino do nosso idioma, à difusão epromoção do livro em português nos domínios interlusófonos e internacional.A jornalista e escritora Clara Ferreira Alves refere: A uniformização da grafia só pode beneficiar a língua e promover o seu prestígio e divulgação, facilitando as relações da nossa língua comum com as línguas mais usadas e faladasA possível adoção do português como língua oficial da ONU é um facto, já que, naspalavras do ministro brasileiro da Cultura, Juca Ferreira: As Nações Unidas vinham resistindo porque [a língua portuguesa] não tinha uma ortografia comum, então esse acordo ortográfico (…) unifica e possibilita essa demanda ser atendida pela comunidade internacional
    • Inevitabilidade da sua aplicaçãoO escritor e professor universitário Deonísio da Silva refere: Línguas de cultura como o latim, o grego, o inglês, o francês, o alemão, o espanhol e o italiano estão unificados há muito tempo. Até o árabe, que tinha catorze grafias, agora tem uma só. Passou o tempo de lamentar e reiterar que o Acordo poderia ter sido feito de outro modo. É hora de, todos juntos, colaborarmos para sua aplicação. O Acordo agora é lei.Num artigo do jornal Público, a jornalista Alexandra Prado Coelho escreve: O grande argumento (…) é que Portugal já não pode recuar num acordo que já assinou“, "É tarde para sair do comboio.”Esta é, para Francisco José Viegas, secretário de estado da cultura, uma das grandesrazões para se avançar para o acordo
    • Conclusões• AOLP (1990) em vigor em Portugal desde 13 de Maio de 2009.• Período de transição termina em 12 de Maio de 2015 (6 anos).• Obrigatório nos documentos produzidos pelo Estado desde 1 de Janeiro de 2012.• Não é possível unificar administrativamente divergências que assentam em diferenças de pronúncia, um dos critérios em que se baseia, o sistema ortográfico da língua portuguesa.
    • Muito obrigadospela vossa atençãoPerguntas / Sugestões / Críticas / Dúvidas