Isaias

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Isaias

  1. 1. Bíblia Sagrada Velho Testamento Isaias virtualbooks.com.br 1
  2. 2. Capítulo 1 1 Profecia de Isaías, filho de Amós, a respeito de Judá e Jerusalém no tempo de Ozias, de Joatão, de Acaz e de Ezequias, rei de Judá. 2 Ouvi, céus, e tu, ó terra, escuta, é o Senhor que fala: Eu criei filhos e os eduquei, eles, porém, se revoltaram contra mim. 3 O boi conhece o seu possuidor, e o asno, o estábulo do seu dono; mas Israel não conhece nada, e meu povo não tem entendimento. 4 Ai da nação pecadora, do povo carregado de crimes, da raça de malfeitores, dos filhos desnaturados! Abandonaram o Senhor, desprezaram o Santo de Israel, e lhe voltaram as costas. 5 Onde vos ferir ainda, quando persistis na rebelião? Toda a cabeça está enferma, e todo o coração, abatido. 6 Desde a planta dos pés até o alto da cabeça, não há nele coisa sã. Tudo é uma ferida, uma contusão, uma chaga viva, que não foi nem curada, nem ligada, nem suavizada com óleo. 7 Vossa terra está assolada, vossas cidades, incendiadas. Os inimigos, à vossa vista, devastam vosso país. (É uma desolação, como a ruína de Sodoma). 8 Sião está só como choupana em uma vinha, como choça em pepinal, como cidade sitiada. 9 Se o Senhor dos exércitos não nos tivesse deixado alguns da nossa linhagem, teríamos sido como Sodoma, e ter-nos-íamos tornado como Gomorra. 10 Ouvi a palavra do Senhor, príncipes de Sodoma; escuta a lição de nosso Deus, povo de Gomorra: 11 De que me serve a mim a multidão das vossas vítimas?, diz o Senhor. Já estou farto de holocaustos de cordeiros e da gordura de novilhos cevados. Eu não quero sangue de touros e de bodes. 12 quando vindes apresentar-vos diante de mim, quem vos reclamou isto: atropelar os meus átrios? 13 De nada serve trazer oferendas; tenho horror da fumaça dos sacrifícios. As luas novas, os sábados, as reuniões de culto, não posso suportar a presença do crime na festa religiosa. 14 Eu abomino as vossas luas novas e as vossas festas; elas me são molestas, estou cansado delas. 15 Quando estendeis vossas mãos, eu desvio de vós os meus olhos; quando multiplicais vossas preces, não as ouço. Vossas mãos estão cheias de sangue, 16 lavai-vos, purificai-vos. Tirai vossas más ações de diante de meus 2
  3. 3. olhos. 17 Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva. 18 Pois bem, justifiquemo-nos, diz o Senhor. Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã! 19 Se fordes dóceis e obedientes, provareis os melhores frutos da terra; 20 se recusardes e vos revoltardes, provareis a espada. É a boca do Senhor que o declara. 21 Como se prostituiu a cidade fiel, Sião, cheia de retidão? A justiça habitava nela, e agora são os homicidas. 22 Tua prata converteu-se em escória, teu vinho misturou-se com água. 23 Teus príncipes são rebeldes, cúmplices de ladrões. Todos eles amam as dádivas e andam atrás do proveito próprio; não fazem justiça ao órfão, e a causa da viúva não é evocada diante deles. 24 Por isso eis o que diz o Senhor, Deus dos exércitos, o Poderoso de Israel: Ah! eu tirarei satisfação de meus adversários, e me vingarei de meus inimigos. 25 Voltarei minha mão contra ti, e te purificarei no crisol, e eliminarei de ti todo o chumbo. 26 Tornarei teus juízes semelhantes aos de outrora, e teus conselheiros como os de antigamente. Então te chamarão Cidade da Justiça, Cidade fiel. 27 Sião será remida pelo direito, e seus convertidos pela justiça.. 28 Os rebeldes e os pecadores serão destruídos juntamente, e aqueles que abandonam o Senhor perecerão. 29 Então tereis vergonha dos carvalhos verdes que cobiçais, e corareis de pejo dos jardins que ora vos agradam, 30 porque sereis como um carvalho verde com folhagem seca, e como um jardim sem água. 31 O homem forte será a estopa. e sua obra, a faísca; eles arderão sem que ninguém possa extinguir. Capítulo 2 1 Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e Jerusalém. 2 No fim dos tempos acontecerá que o monte da casa do Senhor estará colocado à frente das montanhas, e dominará as colinas. Para aí acorrerão todas as gentes, 3 e os povos virão em multidão: Vinde, dirão eles, subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacó: ele nos ensinará seus caminhos, e nós trilharemos as suas veredas. Porque de Sião deve sair a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor. 3
  4. 4. 4 Ele será o juiz das nações, o governador de muitos povos. De suas espadas forjarão relhas de arados, e de suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se arrastarão mais para a guerra. 5 Casa de Jacó, vinde, caminhemos à luz do Senhor. 6 Vós rejeitastes inteiramente vosso povo, a casa de Jacó, porque ela está cheia de adivinhos do Oriente, e de agoureiros como os filisteus; ela transige com os estrangeiros. 7 A sua terra está cheia de prata e de ouro, e há tesouros sem fim. A sua terra está cheia de cavalos e há um sem-número de carros. 8 A sua terra está cheia de ídolos; os homens se prosternam diante da obra de suas mãos, diante daquilo que seus dedos fabricaram. 9 Os mortais serão abatidos e o homem será humilhado; vós não os perdoareis de maneira nenhuma. 10 Refugiai-vos nos rochedos, escondei-vos debaixo da terra, sob o impulso do terror do Senhor, e do esplendor de sua majestade, quando ele se levantar para aterrorizar a terra. 11 A soberba dos mortais será abatida, e o orgulho dos homens será humilhado. Só o Senhor será exaltado naquele tempo. 12 Porque o Senhor dos exércitos terá um dia (para exercer punição) contra todo ser orgulhoso e arrogante, e contra todo aquele que se exalta, para abatê-lo, 13 contra todos os cedros do Líbano, altos e majestosos, e contra todos os carvalhos de Basã, 14 contra todos os altos montes, e contra todos os outeiros elevados, 15 contra todas as torres altas, e contra todas as muralhas fortificadas, 16 contra todas as naus de Társis e contra todos os objetos de luxo. 17 A pretensão dos mortais será humilhada, o orgulho dos homens será abatido. Só o Senhor será exaltado naquele tempo, 18 e todos os ídolos desaparecerão. 19 Refugiai-vos nas cavernas dos rochedos, e nos antros da terra, sob o impulso do terror do Senhor, e do esplendor de sua majestade, quando ele se levantar para aterrorizar a terra. 20 Naquele tempo o homem lançará aos ratos e aos morcegos os ídolos de prata e os ídolos de ouro, que para si tinha feito a fim de adorá-los; 21 refugiar-se-á nas cavernas dos rochedos e nas fendas da pedreira, por causa do espanto da presença do Senhor, e do esplendor de sua majestade, quando ele se levantar para aterrorizar a terra. 22 Cessai de confiar no homem, cuja vida se prende a um fôlego: como se pode estimá-lo? 4
  5. 5. Capítulo 3 1 Eis que o Senhor, Deus dos exércitos, vai tirar de Jerusalém e de Judá todo sustentáculo, todo recurso: toda a reserva de pão e toda a reserva de água, 2 o valente e o guerreiro, o juiz e o profeta, o adivinho e o ancião, 3 o chefe de cinqüenta, o grande e o conselheiro, aquele que possui segredos, e se dedica aos sortilégios. 4 Por príncipes eu lhes darei meninos, e adolescentes deterão o poder sobre eles. 5 Os povos se maltratarão uns aos outros, cada um (atormentará) seu próximo: o jovem insultará o velho, e o vilão, o nobre. 6 Um homem se aproximará de outro e dirá: Tu tens um manto na casa de teu pai; é mister que sejas nosso príncipe; toma sob teu poder esta ruína. 7 O outro, então, protestará: Eu não posso curar estas chagas; e em minha casa não há nem pão nem manto; não me façais príncipe do povo. 8 Jerusalém, com efeito, ameaça ruína, e Judá se desmorona, porque suas palavras e suas ações se opõem ao Senhor, e desafiam os olhares de sua majestade. 9 Sua parcialidade testemunha contra eles; ostentam seus pecados (como Sodoma), em vez de escondê-los. Ai deles, porque causam dano a si mesmos. 10 Feliz o justo, para ele o bem; ele comerá o fruto de suas obras. 11 Ai do ímpio, para ele o mal; porque ele será tratado segundo as suas obras. 12 O meu povo é oprimido por tiranos caprichosos, e cobradores de impostos o dominam. Povo meu, teus guias te desencaminham, destroem o caminho por onde tu passas. 13 O Senhor se levanta para acusar, e se ergue para julgar seu povo. 14 O Senhor entra em juízo contra os anciãos e os magistrados de seu povo. Fostes vós que devorastes a vinha, o espólio do pobre está em vossas casas. 15 Por que razão calcais aos pés o meu povo, e maltratais a face dos pobres?, declara o Senhor Deus dos exércitos. 16 E o Senhor disse: Já que são pretensiosas as filhas de Sião, e andam com o pescoço emproado, fazendo acenos com os olhos, e caminham com passo afetado, fazendo retinir as argolas de seus tornozelos, 17 o Senhor tornará sua cabeça calva e desnudará sua fronte. 18 Naquele tempo o Senhor lhes tirará as jóias, as argolas, os colares, as lúnulas, 19 os brincos, os braceletes e os véus, 20 os diademas, as cadeias, os cintos, os frascos de perfumes e os 5
  6. 6. amuletos, 21 os anéis e os pingentes da fronte, 22 os vestidos de festa, os mantos, as gazas e as bolsas, 23 os espelhos, as musselinas, os turbantes e as mantilhas. 24 E então, em lugar de perfume, haverá podridão, em lugar de cinto, uma corda, em lugar de cabelos encrespados, uma cabeça raspada, em lugar do largo manto, um cilício, uma cicatriz em lugar da beleza. 25 Teus varões tombarão à espada, e teus bravos, na batalha. 26 Suas portas gemerão e se lastimarão; e ela, despojada, sentar-se-á por terra. Capítulo 4 1 Naquele tempo, sete mulheres disputarão entre si um homem, e dirão: É do nosso pão que comeremos, e de nossas vestes que nos cobriremos. Deixa-nos apenas trazer o teu nome, faze cessar nosso opróbrio. 2 Naquele tempo, aquilo que o Senhor fizer crescer será o ornamento e a glória, e o fruto da terra será o orgulho e o ornato daqueles de Israel que foram salvos. 3 O que restar de Sião, os sobreviventes de Jerusalém, serão chamados santos, e todos os que estiverem computados entre os vivos em Jerusalém. 4 Quando o Senhor tiver lavado a imundície das filhas de Sião, e apagado de Jerusalém as manchas de sangue pelo sopro do direito e pelo vento devastador, 5 o Senhor virá estabelecer-se sobre todo o monte Sião e em suas assembléias: de dia como uma nuvem de fumaça, e de noite como um fogo flamejante. Porque sobre todos se estenderá a glória do Senhor, 6 como a cobertura de uma tenda, à guisa de sombra contra o calor do dia, e de refúgio e abrigo contra a procela e a chuva. Capítulo 5 1 Eu quero cantar para o meu amigo seu canto de amor a respeito de sua vinha: meu amigo possuía uma vinha num outeiro fértil. 2 Ele a cavou e tirou dela as pedras; plantou-a de cepas escolhidas. Edificou-lhe uma torre no meio, e construiu aí um lagar. E contava com uma colheita de uvas, mas ela só produziu agraço. 3 E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes entre mim e minha vinha. 4 Que se poderia fazer por minha vinha, que eu não tenha feito? Por 6
  7. 7. que, quando eu esperava vê-la produzir uvas, só deu agraço? 5 Pois bem, mostrar-vos-ei agora o que hei de fazer à minha vinha: arrancar-lhe-ei a sebe para que ela sirva de pasto, derrubarei o muro para que seja pisada. 6 Eu a farei devastada; não será podada nem cavada, e nela crescerão apenas sarças e espinhos; vedarei às nuvens derramar chuva sobre ela. 7 A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta de sua predileção. Esperei deles a prática da justiça, e eis o sangue derramado; esperei a retidão, e eis os gritos de socorro. 8 Ai de vós, que ajuntais casa a casa, e que acrescentais campo a campo, até que não haja mais lugar, e que sejais os únicos proprietários da terra. 9 Os meus ouvidos ouviram ainda este juramento do Senhor dos exércitos: Grande número de casas, eu o juro, será devastado, grandes e magníficas herdades ficarão desabitadas. 10 Dez jeiras de vinha não produzirão mais que um bato, e um homer de semente não dará mais que um efá. 11 Ai daqueles que desde a manhã procuram a bebida, e que se retardam à noite nas excitações do vinho! 12 Amantes da cítara e da harpa, do tamborim e da flauta, e do vinho em seus banquetes, mas para as obras do Senhor não têm um olhar sequer, e não enxergam a obra de suas mãos. 13 Por causa disso meu povo será desterrado sem nada pressentir. Sua nobreza será atenazada pela fome, e a multidão, mirrada pela sede. 14 Por isso a morada dos mortos se alargará, e abrirá desmesuradamente a boca. O esplendor (de Sião) e sua multidão barulhenta, seu alvoroço e sua alegria desaparecerão dela. 15 O homem será curvado, os grandes serão humilhados, os olhares altivos serão abatidos, 16 e o Senhor dos exércitos triunfará no juízo; o Deus santo mostrar-se- á como tal, fazendo justiça. 17 Os cordeiros serão apascentados nesses lugares como em suas pastagens, e sobre as ruínas pastarão os cabritos. 18 Ai daqueles que arrastam a correção com as cordas da indisciplina, e a pena do pecado como com os tirantes de um carro! 19 (Ai) daqueles que dizem: Que ele se avie, que faça já sua obra, a fim de que a vejamos. Que o plano do Santo de Israel se execute para que o conheçamos! 20 Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce! 21 Ai daqueles que são sábios aos próprios olhos, e prudentes em seu próprio juízo! 22 Ai daqueles que põem sua bravura em beber vinho, e sua coragem 7
  8. 8. em misturar licores; 23 (ai) daqueles que, por uma dádiva, absolvem o culpado, e negam justiça àquele que tem o direito a seu lado! 24 Por isso, assim como a palhoça é devorada por uma língua de fogo, e como a palha é consumida pela chama, assim a raiz deles sucumbirá na podridão e sua flor voará como a poeira, porque repudiaram a lei do Senhor dos exércitos, e desprezaram a palavra do Santo de Israel. 25 Por isso o furor do Senhor se inflama contra seu povo, apodera-se dele e o castiga; os montes tremem, seus cadáveres, como carniça, jazem nas ruas. Entretanto, sua cólera não se aplacou, e sua mão está prestes a precipitar-se. 26 Ele arvora uma bandeira para chamar uma nação longínqua, assobia para fazê-la vir dos confins da terra, e ei-la que, ágil, acorre às pressas. 27 Ninguém dentre eles se arrasta ou tropeça, ninguém dorme nem cochila; ninguém desata a cinta de seus rins, nem desaperta a correia dos sapatos. 28 Agudas são as suas flechas e todos os seus arcos, entesados. Os cascos de seus cavalos são (duros) como a pederneira, e as rodas de seus carros assemelham-se à tempestade. 29 É (como) o rugido da leoa, e o rosnar do leãozinho. Ele brame e agarra a sua presa, e a carrega sem que ninguém lha arrebate. 30 Naquele tempo, um estrondo, semelhante ao bramido do mar, retumbará contra ele. Quando olhar a terra, só verá trevas e angústia, e no céu se estenderão nuvens tenebrosas. Capítulo 6 1 No ano da morte do rei Ozias, eu vi o Senhor sentado num trono muito elevado; as franjas de seu manto enchiam o templo. 2 Os serafins se mantinham junto dele. Cada um deles tinha seis asas; com um par (de asas) velavam a face; com outro cobriam os pés; e, com o terceiro, voavam. 3 Suas vozes se revezavam e diziam: Santo, santo, santo é o Senhor Deus do universo! A terra inteira proclama a sua glória! 4 A este brado as portas estremeceram em seus gonzos e a casa, encheu-se de fumo. 5 Ai de mim, gritava eu. Estou perdido porque sou um homem de lábios impuros, e habito com um povo (também) de lábios impuros e, entretanto, meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos! 6 Porém, um dos serafins voou em minha direção; trazia na mão uma brasa viva, que tinha tomado do altar com uma tenaz. 7 Aplicou-a na minha boca e disse: Tendo esta brasa tocado teus lábios, teu pecado foi tirado, e tua falta, apagada. 8
  9. 9. 8 Ouvi então a voz do Senhor que dizia: Quem enviarei eu? E quem irá por nós? Eis-me aqui, disse eu, enviai-me. 9 Vai, pois, dizer a esse povo, disse ele: Escutai, sem chegar a compreender, olhai, sem chegar a ver. 10 Obceca o coração desse povo, ensurdece-lhe os ouvidos, fecha-lhe os olhos, de modo que não veja nada com seus olhos, não ouça com seus ouvidos, não compreenda nada com seu espírito. E não se cure de novo. 11 Até quando, Senhor' disse eu. E ele respondeu: Até que as cidades fiquem devastadas e sem habitantes, as casas, sem gente, e a terra, deserta; 12 até que o Senhor tenha banido os homens, e seja grande a solidão na terra. 13 Se restar um décimo (da população), ele será lançado ao fogo, como o terebinto e o carvalho, cuja linhagem permanece quando são abatidos. (Sua linhagem é um germe santo). Capítulo 7 1 No tempo de Acaz, filho de Joatão, filho de Ozias, rei de Judá, Rasin, rei de Arão, foi com Pecá, filho de Romelia, rei de Israel, contra Jerusalém para lhe dar combate; mas não pôde apoderar-se dela. 2 Quando se soube, na casa de Davi, que (o exército da) Síria estava acampado em Efraim, o coração do rei e o de seu povo ficaram perturbados como as árvores das florestas agitadas pelos ventos. 3 Então disse o Senhor a Isaías: Vai ter com Acaz, com Sear-Jasub, teu filho, na extremidade do aqueduto do reservatório superior, no caminho do campo do pisoeiro. 4 E dize-lhe: Tem ânimo, não temas, não vacile o teu coração diante desses dois pedaços de tições fumegantes. (Diante do furor de Rasin, da Síria, e do filho de Romelia). 5 Visto que a Síria decidiu tua perdição, com Efraim e o filho de Romelia, dizendo: 6 Vamos contra Judá, nós o bateremos, e nos apoderaremos dele, e proclamaremos rei o filho de Tabeel. 7 Eis o que disse o Senhor Javé: Isso não acontecerá, essas coisas não se realizarão, 8 porque a capital da Síria é Damasco, e a cabeça de Damasco é Rasin. (Dentro de sessenta e cinco anos Efraim desaparecerá do rol dos povos.) 9 E a capital de Efraim é Samaria, e a cabeça de Samaria é o filho de Romelia. Se não o crerdes, não subsistireis. 10 O Senhor disse ainda a Acaz: 11 Pede ao Senhor teu Deus um sinal, seja do fundo da habitação dos 9
  10. 10. mortos, seja lá do alto. 12 Acaz respondeu: De maneira alguma! Não quero pôr o Senhor à prova. 13 Isaías respondeu: Ouvi, casa de Davi: Não vos basta fatigar a paciência dos homens? Pretendeis cansar também o meu Deus? 14 Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco. 15 Ele será nutrido com manteiga e mel até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem. 16 Porque antes que o menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra, cujos dois reis tu temes, será devastada. 17 O Senhor fará vir sobre ti, sobre teu povo e sobre a casa de teu pai, dias tais como não houve desde que Efraim se separou de Judá [o rei dos assírios]. 18 Naquele dia, o Senhor assobiará às moscas que estão nas margens dos rios do Egito e às abelhas da terra da Assíria. 19 Elas virão pousar em massa nos vales escarpados, nas cavernas dos rochedos, sobre todas as moitas e todas as pastagens. 20 Naquele tempo, com uma navalha emprestada do outro lado do rio [com o rei da Assíria] o Senhor vos raspará a cabeça e os pêlos das pernas, assim como a barba. 21 Naquele tempo, cada homem manterá uma vaca e duas ovelhas; 22 comer-se-á a manteiga de todo o leite que elas derem, porque é de manteiga e mel que viverão aqueles que subsistirem na terra. 23 Naquele tempo, todo terreno que contiver mil vides valendo mil siclos de prata será abandonado às sarças e aos espinhos. 24 Ali só se entrará com setas e arcos, porque toda aquela terra estará coberta de sarças e espinhos. Não se voltará mais aos montes que eram cultivados à enxada, por causa das sarças e dos espinhos; será permitido aos bois pastá-los e serão pisados pelos carneiros. Capítulo 8 1 E o Senhor disse-me: Toma uma grande placa e escreve nela em caracteres legíveis: Maer-chalal-hach-baz. (Toma depressa os despojos, faze velozmente a presa). 2 Tomai por testemunhas fidedignas o sacerdote Urias e Zacarias, filho de Jeberequias. 3 Eu me aproximei da profetisa, que concebeu e deu à luz um filho. (Então) o Senhor me disse Chama-o Maer-Chalal-hach-baz, 4 porque antes que o menino saiba dizer: papai, mamãe, as riquezas de Damasco e os despojos de Samaria serão carregados diante do rei da Assíria. 10
  11. 11. 5 O Senhor disse-me ainda: 6 Porque este povo rejeitou as águas tranqüilas de Siloé, e perdeu o domínio diante de Rasin e do filho de Romelia, 7 o Senhor fará cair sobre ele as águas do rio, abundantes e impetuosas (o rei da Assíria com todo o seu poder); subirá por toda parte pelas suas ribanceiras, transbordará por todas as suas margens, 8 invadirá Judá, inundá-lo-á e o submergirá, e subirá até o pescoço. Com suas asas desdobradas cobrirá toda a terra, ó Emanuel! 9 Aprendei-o, povos, e ficareis consternados. Ouvi com atenção, terras longínquas. Podeis pegar em armas e sereis destruídos; 10 preparai um plano, e ele malogrará; dai ordens e elas não serão executadas, porque Deus está conosco. 11 Porque eis o que o Senhor me disse quando me agarrou e me preveniu contra essa política: 12 Não chameis conspiração tudo aquilo que o povo chama conspiração; não vos assusteis. 13 É o Senhor que vós deveis ter por conspirador; é a ele que é preciso respeitar, a ele que se deve temer. 14 Ele será a pedra de escândalo e a pedra de tropeço para as duas casas de Israel, o laço e a cilada para os habitantes de Jerusalém. 15 Muitos dentre eles vacilarão, cairão e serão despedaçados; serão presos ao laço e apanhados na armadilha. 16 Eu vou recolher esta declaração e selar esta revelação para os meus discípulos. 17 Terei confiança no Senhor que se esconde da casa de Jacó,e esperarei nele. 18 Eu e os filhos que o Senhor me deu somos, em Israel, sinais e presságios da parte do Senhor dos exércitos, que habita no monte de Sião. 19 Se vos disserem: Consultai os espíritos dos mortos, os adivinhos, os que conhecem segredos e dizem em voz baixa: Porventura um povo não deve consultar os seus deuses? Consultar os mortos em favor dos vivos? 20 Para aceitar uma lei e um testemunho. É o que se dirá. Porque não haverá aurora para eles. 21 Andarão errantes pela terra, fatigados e esfomeados; atormentados pela fome, agastar-se-ão e amaldiçoarão o seu rei e o seu Deus. Levantarão os olhos, depois olharão para a terra, 22 e só verão misérias, escuridão e trevas angustiantes. Repelir-se-ão dentro da noite 23 (pois não há trevas onde há angústia?). No passado ele humilhou a terra de Zabulon e de Neftali, mas no futuro cobrirá de honras o caminho do mar, a Transjordânia e o distrito das nações. 11
  12. 12. Capítulo 9 1 O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz. 2 Vós suscitais um grande regozijo, provocais uma imensa alegria; rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos. 3 Porque o jugo que pesava sobre ele, a coleira de seu ombro e a vara do feitor, vós os quebrastes, como no dia de Madiã. 4 Porque todo calçado que se traz na batalha, e todo manto manchado de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão presa das chamas; 5 porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz. 6 Seu império será grande e a paz sem fim sobre o trono de Davi e em seu reino. Ele o firmará e o manterá pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre. Eis o que fará o zelo do Senhor dos exércitos. 7 O Senhor profere uma palavra contra Jacó, e ela vai cair sobre Israel. 8 Todo o povo conhece seus efeitos, Efraim e os habitantes de Samaria, que dizem no seu orgulho e na sua pretensão: 9 Os tijolos caíram, nós edificaremos com pedras lavradas, os sicômoros foram cortados, nós os substituiremos por cedros. 10 O Senhor sustentou seus inimigos contra ele, e estimulou seus adversários. 11 Os arameus do Oriente, os filisteus do Ocidente devoraram Israel com bons dentes. Apesar de tudo, sua cólera não se aplacou, e sua mão está prestes a precipitar-se. 12 O povo, porém, não se voltou para quem o feria, e não buscou o Senhor dos exércitos. 13 Então o Senhor cortou a cabeça e a cauda de Israel, a palma e o junco em um só dia 14 (a cabeça é o ancião e o respeitável, a cauda é o falso profeta). 15 (Aqueles que conduziam esse povo, desencaminharam-no, e os que eles conduziam, perderam-se.) 16 Por isso o Senhor não poupa os jovens e não tem piedade dos órfãos nem das viúvas, porque todos eles são ímpios e perversos, e todas as bocas proferem infames palavras. Apesar de tudo, sua cólera não se aplacou, e sua mão está prestes a precipitar-se. 17 Porque a maldade queima como um fogo que devora as sarças e os espinhos, e depois envolve a espessura da floresta, de onde a fumaça se eleva em turbilhões. 18 Pela cólera do Senhor a terra está em fogo, e o povo veio a ser presa das chamas. 19 Cortam à direita, e têm fome, comem à esquerda, e não se 12
  13. 13. satisfazem. Cada um devora a carne de seu próximo, e ninguém tem piedade de seu irmão; 20 Manassés come Efraim, e Efraim, Manassés; depois os dois juntos atacam Judá. Apesar de tudo, sua cólera não se aplacou, e sua mão está prestes a precipitar-se. Capítulo 10 1 Ai daqueles que fazem leis injustas e dos escribas que redigem sentenças opressivas, 2 para afastar os pobres dos tribunais e negar direitos aos fracos de meu povo; para fazer das viúvas sua presa e despojar os órfãos. 3 Que fareis vós no dia do ajuste de contas, e da tempestade que virá de longe? Junto de quem procurareis auxílio, e onde deixareis vossas riquezas? 4 A menos que vos curveis entre os cativos, tombareis entre os mortos. Apesar de tudo, sua cólera não se aplacou, e sua mão está prestes a precipitar-se. 5 Ai da Assíria, vara de minha cólera e bastão que maneja o meu furor. 6 Eu o enviei contra uma nação ímpia, e o lancei contra o povo, o objeto de minha cólera, para que o entregasse à pilhagem e lhe levasse os despojos, e o calcasse aos pés como a lama das ruas. 7 Mas ele não entendeu dessa maneira, e este não foi o seu pensamento. Ele só pensa em destruir, em exterminar nações em massa. 8 Porque disse: Porventura meus chefes não são todos eles reis? 9 Não teve Calano o destino de Carcamis, Emat, o de Arfad, e Samaria, o de Damasco? 10 Assim como minha mão se apoderou dos reinos de falsos deuses, cujos ídolos eram mais numerosos que os de Jerusalém e de Samaria, 11 assim como tratei Samaria e seus falsos deuses, não devo tratar também Jerusalém e seus ídolos? 12 Quando o Senhor tiver terminado a sua obra no monte Sião e em Jerusalém, ele punirá a linguagem orgulhosa do rei da Assíria e seus olhares insolentes. Porque ele disse: 13 Foi pela força de minha mão que eu agi, e pela minha destreza, porque sou hábil. Dilatei as fronteiras, saqueei os tesouros e lancei por terra aqueles que estavam no trono. 14 Minha mão tomou como um ninho a riqueza dos povos. Assim como se recolhem os ovos abandonados, eu reuni a terra inteira. Ninguém moveu a asa, nem abriu o bico, nem piou. 15 Acaso o machado se vangloria à custa do lenhador? Ou a serra se levanta contra o serrador? Como se a vara fizesse agitar aquele que a 13
  14. 14. maneja, como se o bastão fizesse mover o braço! 16 Por isso o Senhor Deus dos exércitos fará enfraquecer seus robustos guerreiros, e debaixo de sua glória acender-se-á um fogo como o de um incêndio. 17 A luz de Israel tornar-se-á um fogo e seu Santo, uma chama, para queimar e devorar as suas sarças e seus espinhos em um só dia. 18 O esplendor de seu bosque e de seu jardim ele o aniquilará, corpo e alma. (Será como um doente que definha.) 19 Restarão tão poucas árvores em sua floresta, que um menino poderá contá-las. 20 Naquele tempo, o restante de Israel e os remanescentes da casa de Jacó deixarão de apoiar-se naquele que os fere, mas apoiar-se-ão com confiança no Senhor, o Santo de Israel. 21 Um resto voltará, um resto de Jacó, para o Deus forte. 22 Ainda que teu povo fosse inumerável como a areia do mar, dele só voltará um resto. A destruição está resolvida, a justiça vai tirar a desforra. 23 Esta sentença de ruína o Senhor Deus dos exércitos executará no centro de toda a terra. 24 Por isso o Senhor Deus dos exércitos disse: Povo meu, que habitas em Sião, não temas o assírio que te castiga com a vara, e brande seu bastão contra ti, como outrora os egípcios. 25 Porque dentro de muito pouco tempo meu ressentimento contra vós terá fim e minha cólera o aniquilará. 26 O Senhor Deus dos exércitos vibrará o açoite contra ele como quando feriu Madiã no penhasco de Oreb, e quando estendeu seu bastão sobre o mar, contra o Egito. 27 Naquele tempo, o peso que ele te impôs será tirado de teus ombros, e o seu jugo desaparecerá de teu pescoço... Ele avança pelo lado de Rimon, 28 vai contra Aiat; passou por Magron, e depositou sua bagagem em Micmas; 29 transpuseram o desfiladeiro, e acamparam em Gaba. Ramá está aterrorizada, e Gabaat de Saul, tomada de pânico. 30 Levanta tua voz, ó filha de Galim; escuta, Laís; responde-lhe Anatot. 31 Medmena está em fuga, e os habitantes de Gabim retiraram-se; 32 mais um dia de pouso em Nobe, e depois ele levantará sua mão contra o monte Sião, contra a colina de Jerusalém. 33 O Senhor Deus dos exércitos, com um golpe terrível, abate os ramos, as grandes árvores são cortadas, e as mais altas lançadas por terra; 34 a ramagem da floresta tomba pelo ferro, e o Líbano desaba pela força. 14
  15. 15. Capítulo 11 1 Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. 2 Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor. 3 (Sua alegria se encontrará no temor ao Senhor.) Ele não julgará pelas aparências, e não decidirá pelo que ouvir dizer; 4 mas julgará os fracos com eqüidade, fará justiça aos pobres da terra, ferirá o homem impetuoso com uma sentença de sua boca, e com o sopro dos seus lábios fará morrer o ímpio. 5 A justiça será como o cinto de seus rins, e a lealdade circundará seus flancos. 6 Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá; 7 a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi. 8 A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. 9 Não se fará mal nem dano em todo o meu santo monte, porque a terra estará cheia de ciência do Senhor, assim como as águas recobrem o fundo do mar. 10 Naquele tempo, o rebento de Jessé, posto como estandarte para os povos, será procurado pelas nações e gloriosa será a sua morada. 11 Naquele tempo, o Senhor levantará de novo a mão para resgatar o resto de seu povo, os sobreviventes da Assíria e do Egito (de Patros, da Etiópia, de Elão, de Senaar, de Emat e das ilhas do mar). 12 Levantará o seu estandarte entre as nações, reunirá os exilados de Israel, e recolherá os dispersos de Judá dos quatro cantos da terra. 13 A inveja de Efraim abrandar-se-á, e os inimigos de Judá se desvanecerão. (Efraim não mais invejará Judá, e Judá não será mais inimigo de Efraim.) 14 Eles voarão para o lado dos filisteus ao Ocidente e, juntos, saquearão os filhos do Oriente. Estenderão a mão sobre a Iduméia e Moab, e os amonitas lhes serão submissos. 15 Assim como o Senhor pôs a seco o braço de mar do Egito, com seu sopro ardente, ele estenderá a mão sobre o rio e o dividirá em sete braços, de sorte que se poderá atravessar a vau. 16 O caminho se abrirá para o resto de seu povo que escapar da Assíria, como se abriu para Israel no tempo em que ele saiu da terra do Egito. 15
  16. 16. Capítulo 12 1 E dirás naquele tempo: Eu vos rendo graças, Senhor, porque vos irritastes; vossa cólera se aplacou e vós me consolastes. 2 Eis o Deus que me salva, tenho confiança e nada temo, porque minha força e meu canto é o Senhor, e ele foi o meu salvador. 3 Vós tirareis com alegria água das fontes da salvação, 4 e direis naquele tempo: Louvai ao Senhor, invocai o seu nome, fazei que suas obras sejam conhecidas entre os povos; proclamai que seu nome é sublime. 5 Cantai ao Senhor, porque ele fez maravilhas, e que isto seja conhecido por toda a terra. 6 Exultai de gozo e alegria, habitantes de Sião, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel. Capítulo 13 1 Oráculo contra Babilônia, revelado a Isaías, filho de Amós. 2 Levantai o estandarte sobre a colina escalvada, elevai a voz contra eles. Fazei-lhes sinal com as mãos, para que transponham as portas dos nobres. 3 Em minha cólera requisitei minhas tropas sagradas, e chamei os meus bravos e meus altivos triunfadores. 4 Escutai esse ruído sobre os montes como vozerio de grande multidão; escutai o tumulto dos reinos e das nações reunidas. É o Senhor dos exércitos que passa em revista suas tropas para a batalha. 5 Chegam de uma terra longínqua, da extremidade dos céus, o Senhor e os instrumentos de seu furor, para devastar toda a terra. 6 Lamentai-vos, porque o dia do Senhor está próximo como uma devastação provocada pelo Todo-poderoso. 7 Por causa disso deixam cair os braços; todos perdem a coragem; 8 ficam cheios de terror... Tomados de convulsões e dores, eles se retorcem como uma mulher em parto. Olham uns para os outros e têm o rosto em fogo. 9 Eis que virá o dia do Senhor, dia implacável, de furor e de cólera ardente, para reduzir a terra a um deserto, e dela exterminar os pecadores. 10 Nem as estrelas do céu, nem suas constelações brilhantes, farão resplandecer sua luz; o sol se obscurecerá desde o nascer, e a lua já não enviará sua luz. 11 Punirei o mundo por seus crimes, e os pecadores por suas maldades. Abaterei o orgulho dos arrogantes e humilharei a pretensão dos tiranos. 12 Tornarei os homens mais raros que o ouro fino, e os mortais mais 16
  17. 17. raros que o metal de Ofir. 13 Farei oscilar os céus, e a terra abalada será sacudida pela ira do Senhor Deus dos exércitos, no dia do seu furor ardente. 14 Então, como uma gazela assustada, como um rebanho que ninguém recolhe, cada um voltará para seu povo, e fugirá para sua terra. 15 Todos aqueles que forem encontrados serão mortos; os que forem apanhados serão passados à espada. 16 Seus filhinhos serão massacrados diante de seus olhos, suas casas serão saqueadas, e suas mulheres, violadas. 17 Suscitarei contra eles os medos, que não se interessam pela prata, nem apreciam o ouro. 18 Seus arcos abaterão os jovens; não terão compaixão pelos frutos das entranhas, nem piedade das crianças. 19 Então Babilônia, a pérola dos reinos, a jóia de que os caldeus tanto se orgulham, será destruída por Deus, como Sodoma e Gomorra. 20 Nunca mais será habitada, nem povoada até o fim dos tempos. O árabe não mais erguerá aí sua tenda, os pastores não amalharão aí seus rebanhos, 21 as feras terão aí seu covil, os mochos freqüentarão as casas, as avestruzes morarão aí, e os sátiros farão aí suas danças. 22 Os chacais uivarão nos seus palácios, e os lobos, nas suas casas de prazer. Sua hora está próxima e seus dias estão contados. Capítulo 14 1 Porque o Senhor terá compaixão de Jacó, e ainda dará a Israel a sua predileção e os restabelecerá na sua terra, os estrangeiros se reunirão a eles e se agregarão à casa de Jacó. 2 Os povos virão buscá-los para conduzi-los à sua morada. Possuí-los-á a casa de Israel na terra do Senhor como servos e como servas. Conservarão prisioneiros aqueles que os tinham detido, e dominarão seus opressores. 3 Quando o Senhor te tiver aliviado de tuas penas, de teus tormentos e da dura servidão a que estiveste sujeito, 4 cantarás esta sátira contra o rei de Babilônia, e dirás: Como? Não existe mais o tirano! Acabou-se a tormenta! 5 O Senhor despedaçou o bastão dos perversos e o cetro dos opressores. 6 Ele feria os povos com fúria, vibrando golpes sem interrupção, e governava as nações com brutalidade, subjugando-as sem piedade. 7 Toda a terra conhece o repouso e a paz, todos exultam em cantos de alegria. 8 Até os ciprestes se regozijam de tua queda, dizendo com os cedros do 17
  18. 18. Líbano: Desde que caíste, não sobe até nós o lenhador. 9 Debaixo da terra se agita a morada dos mortos, para receber-te à tua chegada; despertam em tua honra as sombras dos grandes, e todos os senhores da terra, e levantam-se de seus tronos todos os reis das nações. 10 Todos tomam a palavra para dizer-te: Finalmente, eis-te fraco como nós, eis-te semelhante a nós. 11 Tua majestade desceu à morada dos mortos, acompanhada do som de tuas harpas. Jazes sobre um leito de vermes e os vermes são a tua coberta. 12 Então! Caíste dos céus, astro brilhante, filho da aurora! Então! Foste abatido por terra, tu que prostravas as nações! 13 Tu dizias: Escalarei os céus e erigirei meu trono acima das estrelas. Assentar-me-ei no monte da assembléia, no extremo norte. 14 Subirei sobre as nuvens mais altas e me tornarei igual ao Altíssimo. 15 E, entretanto, eis que foste precipitado à morada dos mortos, ao mais profundo abismo. 16 Detêm-se para ver-te melhor, e procuram reconhecer-te: Porventura é aquele que fazia tremer a terra, e abalava os impérios, 17 que fazia do mundo um deserto, e destruía as cidades, e impedia os prisioneiros de voltarem para suas casas? 18 Todos os reis das nações, todos repousam com glória, cada um no seu túmulo; 19 tu, porém, foste atirado para longe de teu sepulcro, como um aborto que causa horror. Os cadáveres dos homens mortos à espada jazem sobre as pedras de uma tumba; 20 tal como uma carniça que se calca aos pés, tu não te reunirás a eles no sepulcro, porque arruinaste tua terra, e fizeste perecer o teu povo. Nunca, jamais se falará da raça dos ímpios. 21 Preparai o massacre dos filhos por causa da iniqüidade dos pais. Que eles não se levantem para conquistar o mundo, e invadir toda a face da terra. 22 Levantar-me-ei contra eles, declara o Senhor dos exércitos, apagarei o nome e o vestígio de Babilônia, sua raça e sua posteridade, diz o Senhor. 23 Farei dela o domínio da garça real, um lodaçal. Varrê-la-ei com a vassoura da destruição, - palavra do Senhor dos exércitos. 24 Jurou o Senhor dos exércitos: Por certo será feito como eu decidi, e o que resolvi se cumprirá. 25 Esmagarei o assírio em minha terra e o calcarei aos pés nos meus montes. Serão livres de seu jugo, e o seu fardo não lhes pesará nos ombros. 26 Eis a decisão tomada para toda a terra; é assim que eu estendo a mão sobre todas as nações. 18
  19. 19. 27 O Senhor dos exércitos decidiu, quem mudará sua sentença? Sua mão está estendida, quem o fará retirá-la? 28 Este oráculo data do ano da morte do rei Acaz: 29 Não te alegres, ó terra dos filisteus, de que tenha sido quebrada a vara que te feria, porque da estirpe da serpente nascerá uma áspide, e seu fruto será um dragão voador. 30 Os humildes poderão pastar nas minhas pastagens, e os pobres dormirão tranqüilos. Eu farei, porém, morrer de fome a tua raça, e matarei tua posteridade. 31 Lamenta-te, ó porta! Grita, ó cidade! Treme, ó terra inteira dos filisteus! Porque do norte vem uma nuvem de poeira, e batalhões em filas cerradas. 32 E que responderá (meu povo) aos mensageiros desta nação? Que o Senhor fundou Sião, e que os humildes de seu povo aí encontrarão o refúgio. Capítulo 15 1 Oráculo contra Moab. Sim, atacada de noite, Ar-Moab foi destruída. Sim, atacada de noite, Quir-Moab foi destruída. 2 O povo de Dibon subiu aos lugares altos para chorar, ao Nebo e ao Medaba: Moab lamenta-se. Todas as cabeças estão raspadas, todas as barbas cortadas. 3 Na rua vestem burel e lamentam-se nos terraços. Tudo geme e se desfaz em pranto. 4 Hesebon e Eleale soltam gritos, e sua voz chega até Jasa. Também Moab sente seus rins fremirem e sua alma desfalecer. 5 Do fundo do coração Moab geme, seus fugitivos alcançam Segor (em Eglat-Salisia). Sim, a subida de Luit, fazem-na chorando. Sim, pela estrada de Oronaim soltam gritos de aflição. 6 Ah! As águas de Nemrim se esgotaram. A erva secou, a relva murchou, e as plantas não mais existem, 7 Por isso levam seus bens e suas provisões para além da torrente dos salgueiros. 8 Porque o clamor circula por todas as fronteiras de Moab, suas lamentações ecoam até Eglaim, suas lamentações atingem Beer-Elim. 9 Porque as águas de Dimon estão cheias de sangue (porque enviarei sobre Dimon novos infortúnios, um leão contra os remanescentes de Moab e contra os sobreviventes de Adma). Capítulo 16 19
  20. 20. 1 Enviai o cordeiro ao soberano da terra de Selá, pelo deserto, ao monte de Sião. 2 Como aves espantadas, como ninhada dispersa, tais serão as filhas de Moab na passagem do Arnon. 3 Dá teu aviso, intervém como árbitro, cobre-nos com tua sombra como a noite, em pleno meio-dia; esconde os exilados, não traias os fugitivos. 4 Deixa morar em tua casa os exilados de Moab, sê o seu refúgio contra o devastador, até que o opressor desapareça, a devastação tenha fim, e o invasor deixe a terra. 5 O trono se consolidará pela bondade; nele sentará constantemente, na casa de Davi, um juiz amante do direito e zeloso da justiça. 6 Nós conhecemos o orgulho de Moab, o soberbo, sua arrogância, sua altivez, sua insolência e a perfídia de sua língua. 7 Por isso Moab geme sobre Moab e todos se lamentam. Pelos bolos de uvas de Quir-Hasereth, eles suspiram consternados; 8 porque o campo de Hesebon está seco e os soberanos das nações saquearam a vinha de Sabama, cujos sarmentos atingiram Jáser e se perdiam no deserto, cujos rebentos se prolongavam e atravessavam o mar. 9 Por isso eu choro com Jáser sobre a vinha de Sabama; banho-vos com minhas lágrimas, Hesebon e Eleale; porque sobre vossa colheita e vossa messe retumbou o grito do pisoeiro. 10 A alegria e a animação desapareceram dos pomares, nas vinhas não há mais cantos nem vozes alegres; já não se pisa a vindima nas cubas, e o grito do pisoeiro cessou. 11 Por isso estremeço sobre Moab como uma harpa, e meu coração geme sobre Quir-Hares; 12 por mais que Moab se agite nos lugares altos, por mais que visite seus santuários para orar, nada obterá. 13 Esse é o oráculo que o Senhor pronunciou outrora contra Moab. 14 E agora, ele declara: Dentro de três anos, contados como os anos de um assalariado, a soberania de Moab, tão considerável, será insignificante, e dela não restará senão um débil vestígio. Capítulo 17 1 Oráculo contra Damasco. Damasco vai ser suprimida do número das cidades, e será reduzida a ruínas abandonadas para sempre. 2 Suas cidades serão abandonadas aos rebanhos que virão repousar aí sem que ninguém os enxote. 3 Foi tirado o baluarte de Efraim, foi tirada a realeza de Damasco; os restos de Aarão perecerão, passarão como a glória de Israel. Oráculo do Senhor dos exércitos. 20
  21. 21. 4 Naquele dia a glória de Jacó declinará, e sua gordura reduzir-se-á em magreza, 5 como quando o ceifador já colheu o trigo e seu braço cortou as espigas, alguém rebusca as searas no vale de Rafaim; 6 aí não haverá para respigar, como quando já se varejou as oliveiras, senão dois ou três bagos no mais alto topo. Oráculo do Senhor, Deus de Israel. 7 Naquele dia o homem voltará seus olhares para o seu Criador, seus olhos verão o Santo de Israel; 8 e ele não olhará mais aquilo que seus dedos fizeram (as estacas sagradas e as estelas ao sol). 9 Naquele dia, tuas cidades serão abandonadas como as cidades despovoadas dos amorreus e dos heveus, abandonadas no tempo da invasão dos israelitas. Elas ficarão desabitadas, 10 porque esqueceste o Deus que te salva, e não te lembraste de tua fortaleza! Esforçar-te-ás em vão para plantar jardins de Adônis, e neles semear plantas exóticas; 11 no dia em que plantares, vê-los-ás crescer, e numa bela manhã tua planta dará flores; porém a colheita será nula no dia do infortúnio, e o mal, irremediável. 12 Oh! Esse barulho de povo numeroso, esse rumor semelhante ao do mar! Esse tumulto de nações poderosas, semelhante ao brilhar de águas impetuosas! 13 Ele as ameaça e elas fogem para longe como, nas alturas, a palha levada pelo vento, como a poeira levantada pela tempestade. 14 Quando veio a noite, houve terror, e antes da manhã, nada mais restava deles. Esta será a sorte daqueles que nos saqueiam, tal será o quinhão daqueles que nos despojam. Capítulo 18 1 Oh! terra em que ressoa o ruído de asas, além dos rios da Etiópia, 2 tu enviaste mensageiros por mar, em barcos de papiro, sobre a face das águas. Ide, mensageiros velozes, a um povo de alta estatura e de pele luzente, a uma nação temida ao longe, a uma nação poderosa e dominadora, cuja terra é cortada pelos rios. 3 Vós, que habitais o mundo e povoais a terra, quando o estandarte se erguer nas alturas, olhai. E quando soar a trombeta, ouvi! 4 Pois eis o que o Senhor me disse: Eu olho com serenidade do lugar onde me encontro, como o calor suave de um dia luminoso, como a nuvem que dá o orvalho durante o calor da messe. 5 Porque antes da vindima, quando tiver passado a floração, e a flor se tornar um cacho amadurecente, os sarmentos serão cortados com a 21
  22. 22. foice, e as cepas serão aparadas e arrancadas, 6 e serão todos abandonados aos abutres dos montes, aos animais selvagens da planície; os abutres viverão deles no estio e os animais selvagens da planície os comerão no inverno. 7 Naquele tempo serão levadas oferendas ao Senhor dos exércitos da parte do povo de alta estatura e pele luzente, do povo temido ao longe, da nação poderosa e dominadora, cuja terra é cortada pelos rios; serão levadas ao lugar onde reside o nome do Senhor dos exércitos, sobre o monte Sião. Capítulo 19 1 Oráculo contra o Egito. Eis que o Senhor, montado numa nuvem rápida, vem ao Egito. Os ídolos do Egito tremem diante dele e o Egito sente desfalecer sua coragem. 2 Excitarei os egípcios, uns contra os outros, e eles se baterão irmão contra irmão, amigo contra amigo, cidade contra cidade, reino contra reino. 3 O Egito perderá a cabeça, e eu abolirei sua prudência. Consultarão os ídolos e os feiticeiros, os evocadores de mortos e os adivinhos. 4 Entregarei esta terra nas mãos de um soberano cruel, um rei implacável a dominará. Oráculo do Senhor dos exércitos. 5 As águas do mar se estancarão, e o rio se tornará seco e árido. 6 A água estagnará nos canais, os rios do Egito diminuirão e secarão. Juncos e caniços murcharão 7 nas campinas à margem do Nilo; tudo o que cresce ao longo do rio secará, cairá e desaparecerá; 8 os pescadores ficarão desolados, os que lançam o anzol no rio se lamentarão, e os que lançam suas redes às águas ficarão consternados. 9 Os que trabalham o linho ficarão decepcionados, os cardadores e os tecelães serão confundidos, 10 os tecedores ficarão à míngua, e todos os trabalhadores em desolação. 11 Os príncipes de Soã enlouquecerão, os sábios conselheiros do faraó formarão um conselho insensato. Como ousais dizer ao faraó: Eu sou filho de sábios, filho dos antigos reis? 12 Onde estão agora os teus sábios? Que eles te anunciem e te façam saber os desígnios do Senhor dos exércitos contra o Egito! 13 Os príncipes de Soã perdem a razão, os príncipes de Nof são iludidos; e os chefes das tribos desencaminham o Egito. 14 O Senhor difundiu entre eles um espírito de vertigem, e eles vagueiam por todo o Egito sem desígnio certo, como um bêbado que cambaleia em seu vômito. 22
  23. 23. 15 O Egito não está em condições de decidir o que devem fazer a cabeça e a cauda, a palma e o junco. 16 Naquele tempo, os egípcios serão como mulheres, tremerão de medo sob a ameaça da mão do Senhor levantada sobre eles. 17 Então a terra de Judá será o terror do Egito; logo que se fale nela, ele se encherá de pavor, por causa dos desígnios que o Senhor dos exércitos formou contra ele. 18 Naquele tempo, haverá no Egito cinco cidades que falarão a língua de Canaã e jurarão pelo Senhor dos exércitos. Uma delas será chamada a Cidade do Sol. 19 Naquele tempo, haverá um altar erguido ao Senhor, em pleno Egito, e, em suas fronteiras, um obelisco dedicado ao Senhor. 20 E eles servirão de monumento ao Senhor na terra do Egito. Quando maltratados pelos opressores, invocarão o Senhor, e ele lhes enviará um salvador, um defensor que os libertará. 21 O Senhor se dará a conhecer ao Egito, os egípcios conhecerão o Senhor naquele tempo, e lhe oferecerão sacrifícios e oblações; farão votos ao Senhor e os cumprirão. 22 Quando o Senhor ferir os egípcios, será para curá-los; eles se voltarão para o Senhor, que se deixará aplacar e os curará. 23 Naquele tempo, haverá um caminho do Egito para a Assíria; os assírios irão ao Egito, e os egípcios, à Assíria. O Egito e a Assíria renderão culto ao Senhor. 24 Naquele tempo, Israel será, como terceiro, aliado ao Egito e à Assíria, objeto da bênção no meio da terra que o Senhor dos exércitos abençoará nestes termos: Bendito seja meu povo do Egito, a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança! Capítulo 20 1 No ano em que veio a Azot o general enviado por Sargão, rei da Assíria, este assediou Azot e apoderou-se dela. 2 (Naquele tempo o Senhor tinha falado pelo ministério de Isaías, nestes termos: Vai, desata o saco que trazes às costas e tira as sandálias dos teus pés. Isaías dispôs-se a executá-lo, ia nu e descalço.) 3 O Senhor disse: Do mesmo modo que meu servo Isaías vagueia nu e descalço há três anos, para dar uma imagem do que aguarda o Egito e a Etiópia, 4 assim serão levados pelo rei da Assíria os prisioneiros egípcios e os deportados da Etiópia, moços e velhos, nus e descalços, com o dorso descoberto (a nudez do Egito). 5 Então aqueles que esperavam na Etiópia e punham no Egito a sua confiança serão amedrontados e confundidos. 23
  24. 24. 6 Os habitantes desta costa dirão naquele dia: Eis aqueles em quem esperávamos, entre os quais queríamos encontrar proteção, procurar auxílio e socorro contra o rei da Assíria! Como nos livraremos deles? Capítulo 21 1 Oráculo do deserto marítimo. Como um furacão desencadeado do meio-dia, assim vem isto do deserto, de uma terra horrível. 2 Uma visão sinistra me foi revelada: O salteador rouba, o destruidor devasta. Arroja-te, ó Elão, assaltai, ó medos; não tenhais piedade. 3 Por essa causa tenho os rins atenazados, e sou tomado de dores como uma mulher no parto. Atordoa-me o sofrimento, cega-me o terror; 4 minha razão desvaira, o terror me invade, e o crepúsculo desejado causa-me espanto. 5 Põem a mesa, estendem o tapete, comem e bebem... Alerta, capitães! Untai o escudo. 6 Porque o Senhor me disse: Vai postar uma sentinela! Que ela te anuncie o que vir! 7 Se vir uma fila de cavaleiros, dois a dois, uma fila de asnos, outra de camelos, que preste atenção, muita atenção. 8 E então grite: Eu vejo! Em meu posto de guarda, Senhor, eu me mantenho o dia inteiro; em meu observatório permaneço de pé todas as noites. 9 Eis que vem a cavalaria, cavaleiros dois a dois. Tomam a palavra e dizem-me: Caiu, caiu Babilônia! Todos os simulacros de seus deuses foram despedaçados contra a terra. 10 Ó povo meu, pisado, malhado como o grão, o que aprendi do Senhor dos exércitos, do Deus de Israel, eu te anuncio. 11 Oráculo contra Edom. Gritam-me de Seir: Sentinela, em que pé está a noite? Sentinela, em que pé está a noite? 12 E a sentinela responde: A manhã chega, igualmente a noite. Se quereis sabê-lo, voltai a interrogar. 13 Oráculo das estepes. Passai a noite nas brenhas da estepe, caravanas de dedanitas; 14 ide levar água àqueles que têm sede, habitantes da terra de Pemá, ide oferecer pão aos fugitivos. 15 Porque fogem diante das espadas, diante da espada nua, diante do arco retesado, diante do rude combate. 16 Porque eis o que me disse o Senhor: Ainda (um) ano, contado como os anos do mercenário, e desaparecerá o império de Cedar. 17 E só ficará um punhado dos valentes arqueiros, filhos de Cedar. O Senhor, Deus de Israel, o disse. 24
  25. 25. Capítulo 22 1 Oráculo do vale da Visão. Que tens, pois, para subir em multidão aos terraços, 2 cidade ruidosa, cidade turbulenta, cidade alegre! Teus mortos não foram transpassados pela espada, nem mortos em combate. 3 Todos os teus chefes escaparam e fugiram para longe; teus bravos foram feitos prisioneiros sem que tivessem estirado o arco. 4 Por isso eu digo: Não me olheis, deixai-me derramar lágrimas amargas, não procureis consolar-me da ruína de meu povo. 5 Porque este é um dia de derrota, de esmagamento e de confusão, enviado pelo Senhor, Deus dos exércitos. No vale da Visão abalam a muralha e gritam para a montanha. 6 Elão toma sua aljava, Arão monta a cavalo, Quir prepara o seu escudo. 7 Teus belos vales estão atravancados de carros, os cavaleiros postam- se às tuas portas: 8 tirou-se o véu de Judá! Nesse dia voltais os olhos para o arsenal do palácio da Floresta. 9 Olhais as brechas da cidade de Davi e vedes que elas são numerosas. Acumulais as águas da piscina inferior, 10 examinais as casas de Jerusalém e as demolis para consolidar a muralha. 11 Cavais um reservatório entre os dois muros para as águas da piscina velha. Mas não olhais para aquele que quis estas coisas, e não vedes aquele que as preparou já de há muito. 12 O Senhor Deus dos exércitos vos convida nesse dia a chorar e a dar brados de pesar, a raspar a cabeça e a cingir o cilício. 13 E eis que tudo se destina à alegria e ao prazer; matam bois, degolam carneiros, comem carne e bebem vinho: Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos! 14 Porém o Senhor dos exércitos revelou-me: jamais este crime será perdoado sem que sejais mortos. Oráculo do Senhor, Deus dos exércitos. 15 Contra Sobna, prefeito do palácio. Eis o que diz o Senhor, Deus dos exércitos: Vai ter com esse ministro, 16 que cava para si um sepulcro num lugar elevado, que talha para si uma morada na rocha. Que propriedade tens aqui, que parentes tens nela, para ousares cavar-te nela um sepulcro? 17 Eis que o Senhor te lança com força, ó grande homem, arremessa- te, rolando, 18 lançando-te como uma bola para uma terra vasta em todo o sentido. É lá que morrerás, lá será a tua famosa tumba! Ó vergonha da casa de 25
  26. 26. teu senhor! 19 Depor-te-ei de teu cargo e arrancar-te-ei do teu posto. 20 Naquele dia chamarei meu servo Eliacim, filho de Helcias. 21 Revesti-lo-ei com a tua túnica, cingi-lo-ei com o teu cinto, e lhe transferirei os teus poderes; ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. 22 Porei sobre seus ombros a chave da casa de Davi; se ele abrir, ninguém fechará, se fechar, ninguém abrirá; 23 fixá-lo-ei como prego em lugar firme, e ele será um trono de honra para a casa de seu pai. 24 Dele estarão pendentes todos os membros de sua família, os ramos principais e os ramos menores, toda espécie de vasos, desde os copos até os jarros. 25 Porém, um belo dia, diz o Senhor dos exércitos, o prego, fincado em lugar firme, cederá, arrancar-se-á e cairá, e toda a carga que ele sustentava será feita em pedaços: palavra do Senhor. Capítulo 23 1 Oráculo contra Tiro. Lastimai-vos, navios de Társis, porque vosso porto foi destruído. Foi no regresso de Chipre que eles receberam a nova. 2 Estão estupefatos os habitantes da costa, o mercador de Sidon, o corredor do mar, 3 cujos mensageiros navegam ao largo. O grão de Sihor era a sua colheita, e sua renda era tirada do comércio das nações. 4 Envergonha-te, Sidon, porque o mar (a fortaleza do mar) te diz: Eu não concebi nem dei à luz. Não criei rapazes nem eduquei moças. 5 Quando o Egito receber esta nova, tremerá ao ter conhecimento da sorte de Tiro. 6 Passai a Társis, lastimai-vos, habitantes da costa. 7 Acaso não é a vossa cidade gloriosa, cuja origem remonta aos dias antigos, e que dirigia seus passos para se estabelecer ao longe? 8 Quem, pois, tomou essa decisão contra Tiro, essa cidade coroada, cujos mercadores eram soberanos, e os traficantes, fidalgos da terra? 9 Foi o Senhor dos exércitos quem o decidiu, para ferir o orgulho da nobreza e para aviltar os mais considerados da terra. 10 Cultiva agora a terra, filha de Társis, teu porto já não existe. 11 O Senhor estendeu a mão sobre o mar e abalou os reinos. Ele ordenou a destruição das fortalezas de Canaã. 12 E disse: Cessa de rejubilar-te, Sidon, filha desonrada! Levanta-te e vai estabelecer-te em Chipre! Mesmo lá, não terás repouso. 13 Reduziram-na a ruínas. 26
  27. 27. 14 Lastimai-vos, navios de Társis, porque vosso porto foi destruído. 15 Naquele tempo, Tiro será esquecida durante setenta anos. No reinado de outro rei, ao fim de setenta anos, realizar-se-á para ela a canção da meretriz: 16 Toma a tua cítara, percorre a cidade, meretriz esquecida, toca com perfeição, canta a toda voz para que se lembrem de ti. 17 No fim de setenta anos, o Senhor visitará Tiro, e ela recomeçará a enriquecer-se, mantendo comércio com todos os reinos do mundo, em toda a superfície da terra. 18 Porém, os lucros, que lhe trouxer seu comércio, serão consagrados ao Senhor, em vez de serem entesourados; seu comércio aproveitará àqueles que habitam na presença do Senhor, a fim de que tenham com que se nutrir com abundância e se vestir magnificamente. Capítulo 24 1 Eis que o Senhor devasta a terra e a torna deserta, transtorna a sua face e dispersa seus habitantes. 2 Isso acontece ao sacerdote como ao leigo, ao senhor como ao escravo, à senhora como à serva, ao vendedor como ao comprador, ao que empresta como ao que toma emprestado, ao credor como ao devedor. 3 A terra será totalmente devastada, inteiramente pilhada, porque o Senhor assim o decidiu. 4 A terra está na desolação, murcha; o mundo definha e esmorece, e os chefes do povo estão aterrados. 5 A terra foi profanada por seus habitantes, porque transgrediram as leis, violaram as regras e romperam a aliança eterna. 6 Por isso a maldição devora a terra e seus habitantes expiam suas penas; os habitantes da terra são consumidos, um pequeno número de homens sobrevive. 7 O mosto está triste, a vinha, murcha, e os que tinham o coração em alegria suspiram. 8 O som alegre dos tamborins cessou, os risos morreram e o som alegre da cítara calou-se. 9 Não se canta mais bebendo vinho. O licor é amargo ao bebedor. 10 A cidade desordenada está em ruínas, todas as casas fechadas, para que ninguém possa entrar nelas. 11 Gritam nas ruas: Não há mais vinho! Acabada a alegria, o regozijo foi banido da terra. 12 Na cidade só restam escombros e a porta arrombada está em pedaços, 13 pois isso acontece na terra, no meio dos povos, como com as 27
  28. 28. oliveiras que alguém vareja, como com as uvas que, acabada a vindima, alguém rebusca. 14 Eles elevam a voz e cantam, do lado do mar aclamam a majestade do Senhor: 15 Glorificai, pois, ao Senhor, nas regiões da luz, e, nas ilhas do mar, o nome do Senhor, Deus de Israel. 16 Dos confins da terra, ouvimos cantar: Honra ao justo! Eu, porém, disse: Infeliz de mim, infeliz de mim! Ai de mim! Os salteadores saqueiam, os salteadores obstinam-se na pilhagem. 17 O terror, a fossa e a cilada vão apanhar-te, habitante da terra. 18 O que fugir para escapar do terror cairá na fossa, o que se livrar da fossa será preso no laço. Porque as comportas lá do alto abrir-se-ão e os fundamentos da terra serão abalados. 19 A terra é feita em pedaços: estala, fende-se, é sacudida, 20 cambaleia como um homem embriagado e balança como uma rede. Seus crimes pesam sobre ela, e ela cairá para não mais se levantar. 21 Naquele tempo o Senhor, lá do alto, examinará a milícia celeste e os reis do mundo, sobre a terra. 22 Serão amontoados como prisioneiros num calabouço, serão encerrados numa prisão, e, depois de muitos dias, serão castigados. 23 A lua corará de vergonha e o sol empalidecerá, porque o Senhor dos exércitos reinará sobre o monte Sião e em Jerusalém, e sua glória resplandecerá diante de seus anciãos. Capítulo 25 1 Senhor, vós sois meu Deus; exaltar-vos-ei e celebrarei vosso nome, porque executastes maravilhosos desígnios, concebidos, de há muito, com firme constância. 2 Reduzistes a cidade a um montão de pedras e a fortaleza a um acervo de ruínas. A cidadela dos orgulhosos está aniquilada e jamais será reconstruída. 3 Por isso um povo forte vos glorifica e a sociedade das nações valentes vos venera. 4 Porque vós sois refúgio para o fraco, refúgio para o pobre na sua tribulação, abrigo contra a tempestade e sombra contra o calor. (Porque o sopro dos tiranos é como uma tempestade de inverno, 5 como o calor sobre uma terra árida. Vós fazeis cessar o clamor dos tiranos, assim como cessa o calor à sombra de uma nuvem. O canto triunfal dos tiranos extinguir-se-á). 6 O Senhor dos exércitos preparou para todos os povos, nesse monte, um banquete de carnes gordas, um festim de vinhos velhos, de carnes gordas e medulosas, de vinhos velhos purificados. 28
  29. 29. 7 Nesse monte tirará o véu que vela todos os povos, a cortina que recobre todas as nações, 8 e fará desaparecer a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e tirará de toda a terra o opróbrio que pesa sobre o seu povo, porque o Senhor o disse. 9 Naquele dia dirão: Eis nosso Deus do qual esperamos nossa libertação. Congratulemo-nos, rejubilemo-nos por seu socorro, 10 porque a mão do Senhor repousa neste monte, enquanto que Moab é pisada no seu lugar como pisada é a palha no monturo. 11 Aí estende as suas mãos como as estende o nadador para nadar. Porém, (o Senhor) abate o seu orgulho, e frustra-lhe o esforço das mãos. 12 Suas muralhas, soberbas e fortes, ele as faz cair e as arrasa até o rés-do-chão. Capítulo 26 1 Naquele tempo será cantado este cântico na terra de Judá: Nós vimos uma cidade forte, em que se pôs por proteção muro e antemuro. 2 Abri as portas, deixai entrar um povo justo, que respeita a fidelidade, 3 que tem caráter firme e conserva a paz, porque tem confiança em vós. 4 Tende sempre confiança no Senhor, porque o Senhor é o rochedo perene. 5 Ele derrubou os que habitavam nas alturas e destruiu a cidade soberba; derrubou-a por terra e ao nível do chão a reduziu. 6 Ela é calcada aos pés pela plebe, sob os passos dos indigentes. 7 O caminho do justo é reto; vós aplanais a senda do justo. 8 Seguindo a vereda de vossos juízos, Senhor, nós vos esperamos; por vosso nome e vossa memória nossa alma aspira. 9 Minha alma vos deseja durante a noite e meu espírito vos procura desde a manhã. Quando vossos juízos se exercem sobre a terra, os habitantes do mundo aprendem a justiça. 10 Porém, se se perdoar o ímpio, ele não aprenderá a justiça; na terra da retidão ele se entregará ao mal e não verá a majestade do Senhor. 11 Senhor, vossa mão está levantada sem que o percebam. Que vejam vosso ardente amor por vosso povo, e sejam confundidos; e que o fogo, bom para os vossos inimigos, os devore. 12 Senhor, proporcionai-nos a paz! Pois vós nos tendes tratado segundo o nosso procedimento. 13 Senhor, nosso Deus, outros senhores, além de vós, nos têm dominado, mas não queremos reconhecer outro senão vós. 14 Os mortos não reviverão, as sombras não ressuscitarão, porque vós 29
  30. 30. os castigastes e destruístes e apagastes até sua memória. 15 Aumentai a nação, Senhor (aumentai a nação), manifestai vossa grandeza, e dilatai as fronteiras da nação. 16 Senhor, na tribulação, nós vos buscamos, e clamamos a vós na angústia em que vosso castigo nos abate. 17 Como uma mulher grávida, prestes a dar à luz, se retorce e grita em suas dores, assim estamos diante de vós, Senhor: 18 nós concebemos e sofremos para dar à luz (o vento), sem poder dar a salvação à nossa terra; não nasceram novos habitantes no mundo. 19 Que os vossos mortos revivam! Que seus cadáveres ressuscitem! Que despertem e cantem aqueles que jazem sepultos, porque vosso orvalho é um orvalho de luz e a terra restituirá o dia às sombras. 20 Vai, povo meu, entra nos teus quartos, fecha atrás de ti as portas. Esconde-te por alguns instantes até que a cólera passe, 21 porque o Senhor vai sair de sua morada para punir os crimes dos habitantes da terra; porque a terra fará brotar o sangue que ela bebeu, e não ocultará mais os corpos dos assassinados. Capítulo 27 1 Naquele dia o Senhor ferirá, com sua espada pesada, grande e forte, Leviatã, o dragão fugaz, Leviatã, o dragão tortuoso; e matará o monstro que está no mar. 2 Naquele dia se dirá: Cantai a bela vinha! 3 Eu, o Senhor, sou o vinhateiro; no momento oportuno eu a rego, a fim de que seus sarmentos não murchem. Dia e noite eu a vigio, 4 e nada tenho contra ela. Se nela crescerem sarças e espinhos, eu lhes farei guerra e os queimarei a todos, 5 a menos que se coloquem sob minha proteção, que façam a paz comigo, que façam comigo a paz! 6 Um dia Jacó lançará raízes, Israel produzirá flores e botões, e eles cobrirão o mundo de frutos. 7 Porventura (o Senhor) os feriu como feriu aqueles que os feriam? Massacrou-os como massacrou aqueles que os massacravam? 8 Ele operou justiça, mediante a expulsão e o exílio deles, arrebatando- os com seu sopro impetuoso como o vento do Oriente. 9 Assim foi expiado o crime de Jacó, e este é o resultado do perdão de seu pecado: ele quebrou as pedras dos altares, como se trituram as pedras de cal; as estacas sagradas e os monumentos ao sol não se erguem mais, 10 porque a cidade forte é agora uma solidão, uma morada abandonada como o deserto. Aí vêm pastar os bois e aí pernoitam e comem os seus ramos. 30
  31. 31. 11 Tão logo os galhos secos se quebram, as mulheres vêm e lhes põem fogo. É um povo sem compreensão, por isso seu Criador não tem piedade dele, aquele que o formou não lhe dá nenhum perdão. 12 Naquele tempo o Senhor malhará o trigo desde o leito do rio até a torrente do Egito. E vós sereis apanhados um a um, filhos de Israel. 13 Naquele tempo soará a grande trombeta. E serão vistos chegar os exilados da terra da Assíria, e os fugitivos espalhados pela terra do Egito. Eles adorarão o Senhor no monte santo, em Jerusalém. Capítulo 28 1 Ai da coroa pretensiosa dos embriagados de Efraim e da flor murcha que faz ostentação de seu ornato, dominando o vale fértil de homens vencidos pelo vinho. 2 Eis que vem, por ordem do Senhor, um homem forte e poderoso como chuva de pedras, um furacão destruidor. Como trombas de água que se abatem com violência, precipita (tudo) por terra. 3 Será pisada aos pés a coroa pretensiosa dos embriagados de Efraim, 4 e a flor murcha que faz ostentação de seu ornato, dominando o vale fértil. Será como o figo prematuro, antes do verão, que a gente vê, logo colhe, e apenas o tem na mão, já o devora. 5 Naquele dia o Senhor dos exércitos será uma coroa resplandecente, um diadema esplêndido para o resto do seu povo, 6 um espírito de justiça para o juiz que faz parte do tribunal, e de valentia, para aqueles que rechaçam às portas o inimigo. 7 Mas também estes titubeiam sob o efeito do vinho, alucinados pela bebida; sacerdotes e profetas cambaleiam na bebedeira. Estão afogados no vinho, desnorteados pela bebida, perturbados em sua visão, vacilando em seus juízos. 8 Todas as mesas estão cobertas, de asqueroso vômito, não há sequer um lugar limpo. 9 A quem pretende ele ensinar a sabedoria? A quem quer fazer compreender as revelações? A meninos apenas desmamados que acabam de deixar o seio? 10 E ordem sobre ordem, ordem sobre ordem, norma sobre norma, norma sobre norma, ora para cá, ora para lá! 11 Pois bem, será por gente que balbucia, será numa língua bárbara que o Senhor falará a esse povo! 12 Por mais que se lhes dissesse: Eis o repouso, deixai repousar aquele que está fatigado, é o momento de estarem calmos, eles nada quiseram ouvir. 13 Por isso a palavra de Deus lhes vai dizer: Ordem sobre ordem, ordem sobre ordem, norma sobre norma, norma sobre norma, ora para 31
  32. 32. cá, ora para lá! A fim de que caiam de costas e se despedacem, e sejam apanhados no laço e presos. 14 Escutai, pois, gracejadores, a palavra do Senhor, vós que governais esse povo que está em Jerusalém. 15 Fizemos um pacto com a morte, dizeis vós, uma convenção com a morada dos mortos; a inundação passará sem atingir-nos porque fizemos da mentira um abrigo, e da perfídia um refúgio. 16 Por isso o Senhor Deus lhes diz: Eu coloquei em Sião uma pedra, um bloco escolhido, uma pedra angular preciosa, de base: quem confiar nela não tropeçará. 17 Tomarei o direito por fio de prumo e, por nível, a justiça. O granizo derrubará o abrigo da mentira, e as águas inundarão o refúgio ilusório. 18 Vosso pacto com a morte será quebrado, vosso entendimento com a morada dos mortos não subsistirá; quando a onda transbordante passar, sereis por ela esmagados. 19 Cada vez que ela passar, arrebatar-vos-á, porque ela passará cada manhã (de dia e de noite). E aí só haverá terror na interpretação de oráculos. 20 Porque o leito será muito curto para que alguém se deite nele, e o cobertor muito estreito para que alguém se cubra com ele. 21 Porque o Senhor se levantará como no monte Perasim e fremirá como no vale de Gabaon para concluir sua obra, sua obra singular, para executar seu trabalho, seu trabalho inaudito. 22 Assim, pois, cessai de zombar para que vossos grilhões não se apertem, porque eu ouvi uma sentença de ruína por ordem do Senhor dos exércitos (contra toda a terra). 23 Aplicai os ouvidos para ouvir minha voz, sede atentos para escutar minha palavra! 24 Porventura o trabalhador trabalha sempre (para semear)? Cava e amanha incessantemente o seu terreno? 25 Acaso, depois de ter aplainado a superfície, não espalhará aí a nigela e semeará o cominho? Ele lançará aí o trigo e a cevada, e a espelta a eito. 26 É o seu Deus quem o instruiu, quem lhe ensinou o costume. 27 Pois não será necessário pisar a nigela com a grade, nem passar a roda do carro sobre o cominho; mas a nigela será batida com um pau e o cominho com a vara. 28 E preciso triturar o trigo? Não, não se bate indefinidamente. Uma vez que sobre ele passe a roda do carro, joeira-se sem triturá-lo. 29 Isso também vem do Senhor: admirável é seu conselho e alta a sua sabedoria. Capítulo 29 32
  33. 33. 1 Ai de Ariel, ai de Ariel, a cidade em que Davi acampou! Ajuntai um ano a outro; que se complete um ciclo de festas, 2 e cercarei Ariel, haverá prantos e gemidos; e tu te tornarás para mim como um ariel. 3 Acamparei contra ti como Davi, cercar-te-ei de acampamentos e levantarei trincheiras contra ti. 4 Falarás baixinho, da terra; tua voz sufocada subirá da poeira (tua voz sairá da terra como a de um espectro, tua palavra se elevará da poeira como um ganido). 5 A multidão de teus inimigos será como a poeira fina; a multidão de teus soldados será como a palha, que voa, pois, de repente, 6 serás visitada pelo Senhor dos exércitos com forte trovão, tremor de terra e estrondos, tempestade, furacão e chamas de fogo devorador. 7 Como se dissipa um sonho, uma visão noturna, assim se desvanecerá a multidão das nações que atacam Ariel, os acampamentos e as trincheiras daqueles que a sitiam. 8 Isso acontecerá tal como acontece com o esfomeado que sonha estar comendo e desperta com o estômago vazio, tal como o sequioso que sonha estar bebendo e acorda fatigado pela sede; assim será feito da multidão das nações que atacam a montanha de Sião. 9 Pasmai-vos e maravilhai-vos, obstinai-vos, feridos de cegueira, embriagai-vos, mas não de vinho, cambaleai, mas não por causa da bebida. 10 Porque o Senhor espalhou sobre vós um espírito de torpor, fechou vossos olhos e cobriu vossas cabeças. 11 A revelação de todos esses acontecimentos permanece para vós como o texto de um livro selado. Quando o oferecem a um letrado, pedindo-lhe que o leia, ele responde: Não posso, o livro está selado; 12 se o oferecem a um iletrado, pedindo-lhe que o leia, ele responde: Não sei ler. 13 O Senhor disse: Esse povo vem a mim apenas com palavras e me honra só com os lábios, enquanto seu coração está longe de mim e o temor que ele me testemunha é convencional e rotineiro, 14 por isso continuarei a tratar esse povo de modo tão estranho que a sabedoria dos espertalhões se perderá e a inteligência dos astutos desaparecerá. 15 Ai daqueles que querem esconder do Senhor seus desígnios, que fazem intrigas nas trevas e dizem: Quem nos vê e quem nos conhece? 16 Que perversidade a vossa! Pode-se tratar como barro o oleiro? Pode a obra dizer do artífice: Ele nada me fez? Pode o pote dizer do oleiro: Ele nada entende disso? 17 Acaso, dentro de mui pouco tempo, não será o Líbano convertido em vergel, e o vergel não passará por floresta? 33
  34. 34. 18 Naquele tempo os surdos ouvirão as palavras de um livro; e, livres da obscuridade e das trevas, os olhos dos cegos verão. 19 Os humildes encontrarão cada vez mais ventura no Senhor e os homens mais pobres, graças ao Santo de Israel, estarão jubilosos. 20 Pois não haverá mais tiranos, já terá desaparecido o cético, e todos os que planejavam o mal serão exterminados; 21 os que, por uma palavra, acusam os outros; os que, à porta, procuram enganar o juiz e por um nada fazem o inocente perder sua causa. 22 Por isso eis o que disse o Senhor, o Deus da casa de Jacó, que resgatou Abraão: Daqui em diante Jacó não será mais confundido, e seu rosto não mais empalidecerá, 23 porque, quando virem nele minha obra, bendirão o meu nome. Glorificarão o Santo de Jacó e temerão o Deus de Israel. 24 Os espíritos desencaminhados aprenderão sabedoria, e os que murmuravam receberão instrução. Capítulo 30 1 Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, eles seguem um plano que não vem de mim. Concluem alianças sem o meu consentimento, acumulando, assim, falta sobre falta. 2 Eles se voltam para o Egito sem me consultar, para refugiar-se sob a proteção do faraó, para abrigar-se à sombra do Egito. 3 O apoio do faraó ser-vos-á decepção e o abrigo à sombra do Egito, uma ignomínia. 4 Ainda que os chefes estejam em Soã e que os embaixadores tenham atingido Hanes, 5 todo mundo será enganado por esse povo inútil, que não dá nem auxílio nem socorro, e só causa decepção e opróbrio. 6 (Oráculo contra as feras do sul): Para a terra da tribulação e da angústia, de onde vêm o leão e a leoa, a víbora e o dragão voador, conduzirão as riquezas sobre o dorso de jumentos, e os tesouros sobre a corcova de camelos, para ofertá-los a um povo que não lhes serve de nada. 7 O socorro do Egito é ineficaz e nulo por isso eu o chamo Raab, o inerte. 8 Agora, pois, vai escrever estas coisas numa prancheta, inscreve-as num livro, a fim de que isso permaneça para o futuro e seja um testemunho eterno. 9 Porque este é um povo rebelde, são filhos mentirosos, filhos que se recusam a ouvir as instruções do Senhor. 10 E dizem aos videntes: Não vejais, e aos profetas: Não nos anuncieis 34
  35. 35. a verdade, dizei-nos coisas agradáveis, profetizai-nos fantasias. 11 Afastai-vos do caminho, retirai-vos da vereda, deixai de colocar-nos sob os olhos do Santo de Israel. 12 Por isso, eis a réplica do Santo de Israel: Visto que rejeitais esta advertência, para fiar-vos de meios tortuosos e perversos, e procurar aí vosso apoio, 13 acontecerá para vós, por causa desse crime, como uma fenda que forma saliência numa muralha elevada: de improviso e num instante sobrevém o desabamento; 14 quebra-se como um pote de barro despedaçado sem piedade, de modo que os destroços não ofereçam sequer um caco para apanhar brasas no fogão ou tirar água da cisterna. 15 Porque aqui está o que disse o Senhor Deus, o Santo de Israel: É na conversão e na calma que está a vossa salvação; é no repouso e na confiança que reside a vossa força. Porém, sem nada querer ouvir, 16 vós dissestes: Não, galoparemos a cavalo - pois bem, fugireis, portanto; montaremos corcéis ligeiros - pois bem, sereis perseguidos numa corrida veloz. 17 (Mil fugirão à ameaça de um só), à ameaça de cinco inimigos, deitar- vos-eis a fugir até que não subsista mais do que um vestígio (escasso), como um mastro no cume de um monte, como um estandarte sobre uma colina. 18 É por isso que o Senhor está desejoso de vos perdoar; é por isso que ele se ergue para vos poupar; porque o Senhor é um Deus justo; ditosos aqueles que nele esperam. 19 Sim, povo de Sião, que habitas em Jerusalém, não terás mais de que chorar. À voz de tua súplica ele te fará misericórdia; assim que a ouvir, ele te atenderá. 20 (Quando o Senhor vos tiver dado o pão da angústia e a água da tribulação) aquele que te instrui não se esconderá mais, e verás com teus olhos aquele que te ensina. 21 Ouvirás com teus ouvidos estas palavras retumbarem atrás de ti: É aqui o caminho, andai por ele, quando te desviares quer para a direita, quer para a esquerda. 22 Acharás imundo o revestimento de prata de teus ídolos esculpidos e as aplicações de ouro de tuas estátuas fundidas: arrojá-los-ás como imundícies, gritando-lhes: Fora daqui! 23 (O Senhor) dará chuvas às sementes com que proverdes o solo e o pão que produzir a terra será nutritivo e saboroso. Naquele dia teu gado pastará em vastas pastagens; 24 os bois e os asnos, que trabalham a terra, comerão uma forragem salgada que será joeirada com a pá e com a peneira. 25 Então, em todo monte alto e em toda colina elevada haverá arroios de água corrente, no dia da grande mortandade, em que desabarão as 35
  36. 36. fortalezas. 26 Então a luz da lua será viva como a do sol, e a do sol brilhará sete vezes mais (como a luz de sete dias), no dia em que o Senhor pensar a chaga de seu povo e curar as contusões dos golpes que recebeu. 27 Vede! É o nome do Senhor que vem de longe, sua cólera é ardente, uma nuvem pesada se levanta, seus lábios respiram furor, e sua língua é como um fogo devorador. 28 Seu sopro assemelha-se a uma torrente transbordante cuja água sobe até o pescoço. Ele passará as nações no crivo destruidor e porá nos queixos dos povos um freio que os desencaminhe. 29 Vós, porém, fareis retumbar vossos cânticos, como na noite em que se celebra festa; e tereis alegria no coração, como o que caminha ao som da flauta, para vir ao monte do Senhor, junto ao rochedo de Israel. 30 O Senhor fará retumbar sua voz majestosa, e mostrará como o seu braço desaba em sua cólera ardente, nas chamas de um fogo devorador, na tempestade, com chuva e granizo. 31 À voz do Senhor, o assírio tremerá e será ferido pela vara. 32 A cada golpe da vara vingadora (que o Senhor lhe infligirá), soarão tamborins e cítaras. 33 Sim, um lugar de incineração está preparado também para Moloc, cavado, profundo e largo; palha e lenha ali há em quantidade, e o sopro do Senhor, como uma torrente de enxofre, acendê-lo-á. Capítulo 31 1 Ai daqueles que vão ao Egito buscar socorros, e que contam com a cavalaria, que se fiam no número de carros e no valor dos cavaleiros, em vez de voltarem seus olhares para o Santo de Israel e de consultarem o Senhor. 2 Entretanto, ele também é sábio, e faz vir o mal; não retira sua palavra, e se ergue contra a casa dos maus, e contra a ajuda daqueles que fazem o mal. 3 O egípcio é homem e não deus, seus cavalos são carne e não espírito. Quando o Senhor estender a mão, o protetor cambaleará e o protegido cairá. E eles perecerão conjuntamente. 4 Eis, pois, o que me diz o Senhor: Assim como ruge um leão, um jovem leão que defende sua presa, ainda que se congregue contra ele um tropel de pastores, sem se deixar intimidar pelos seus gritos, e sem recuar diante do número, assim o Senhor dos exércitos descerá ao combate, sobre o monte de Sião e sobre sua colina. 5 Como aves que voam, o Senhor dos exércitos protegerá Jerusalém, pondo-a ao abrigo, libertando-a, poupando e salvando. 6 Voltai, pois, filhos de Israel, àquele de quem estais tão profundamente 36
  37. 37. separados. 7 Naquele dia cada um lançará fora seus ídolos de prata e seus ídolos de ouro, obras de vossas mãos criminosas. 8 O assírio cairá sob os golpes de uma espada que não é de homem, uma espada que não é de um mortal e fará dele sua presa. Ele fugirá diante da espada, e seus jovens guerreiros serão subjugados. 9 Seu rochedo desaparecerá de terror, seus chefes, espavoridos, abandonarão seu estandarte. Palavra do Senhor, cujo fogo está em Sião, e a fornalha em Jerusalém. Capítulo 32 1 Eis que um rei reinará segundo a justiça, e os príncipes governarão com eqüidade. 2 Cada um deles será como um abrigo contra o vento, um refúgio contra a chuva torrencial; como um fio de água num chão ressecado, e como a sombra de um alto rochedo em terra ressequida. 3 Os olhos dos que vêem não mais serão ofuscados, e os ouvidos dos que ouvem estarão atentos. 4 Os espíritos insensatos dispor-se-ão a compreender, e a língua dos gagos falará prontamente e com clareza; 5 não mais se qualificará de nobre ao perverso, nem ao trapaceiro, de grande. 6 Porque o insensato profere loucuras e seu coração dá-se ao mal; comete impiedades, forma sobre o Senhor conceitos errôneos, deixa o faminto queixar-se de sua miséria, priva da bebida àquele que tem sede. 7 As intrigas do trapaceiro são desleais, ele maquina desígnios criminosos para perder os humildes com mentiras, o pobre que faz valer seu direito; 8 o fidalgo, porém, tem pensamentos dignos, e um procedimento nobre. 9 Mulheres descuidadas, escutei minha voz. Jovens confiantes demais, ouvi minhas palavras. 10 Dentro de um ano e alguns dias, tremereis, indolentes, porque a vindima estará perdida e a colheita, frustrada. 11 Fremi, descuidadas, tremei, confiantes. Despi-vos até estardes nuas. Cingi os vossos rins, 12 batei nos vossos peitos, (chorando) sobre a sorte dos campos férteis e das vinhas fecundas, 13 sobre as terras de meu povo, onde só crescem sarças, sobre todas as casas de prazer da cidade alegre. 14 O palácio está deserto, a cidade barulhenta está abandonada. Ofel e a torre de guarda serão para sempre planaltos desnudos, onde 37
  38. 38. vagueiam os asnos selvagens e pastam os rebanhos. 15 Até que sobre nós se derrame o espírito do alto, então o deserto se mudará em vergel, e o vergel tomará o aspecto de uma floresta; 16 no deserto reinará o direito, e a justiça residirá no vergel. 17 A justiça produzirá a paz e o direito assegurará a tranqüilidade; 18 meu povo habitará em mansão serena, em moradas seguras, em abrigos tranqüilos. 19 (A floresta será abatida e a cidade, humilhada). 20 Bem-aventurados sereis por semear à margem de todos os cursos de água, e por deixar o boi e o asno sem peias. Capítulo 33 1 Ai de ti, devastador que ainda não foste devastado, salteador que ainda não foste saqueado! Quando acabares de devastar, serás devastado, quando acabares de saquear, serás saqueado. 2 Senhor, tende piedade de nós, pois esperamos em vós. Sede nosso auxílio em cada manhã e nosso socorro no tempo da tribulação. 3 Ao fragor de vosso trovão, os povos fogem; quando vós vos ergueis, as nações se dispersam. 4 Recolherão o despojo como se amontoam os gafanhotos, saltam por cima assim como se atiram os gafanhotos. 5 O Senhor é grande, porque reina no alto; ele enche Sião de retidão e de justiça. 6 Teus dias estarão em segurança. A sabedoria e o conhecimento garantem a salvação, e o temor do Senhor será o seu tesouro. 7 Eis que a gente de Ariel lamenta nas ruas, os mensageiros de paz choram amargamente. 8 Os caminhos estão desertos, não há mais transeuntes nas veredas; o inimigo violou o tratado, desprezou as testemunhas, e não teve consideração para com ninguém. 9 A terra está enlutada e abatida, o Líbano, desonrado e ressequido, Saron assemelha-se a uma estepe, Basã e o Carmelo perdem sua folhagem. 10 Agora eu me erguerei, diz o Senhor, agora eu me manifestarei em toda a minha sublimidade. 11 Vós concebestes feno e gerareis palha; meu sopro, como um fogo, vos consumirá. 12 Os povos serão calcinados como espinhos cortados que se queimam. 13 Vós, que estais longe, ouvi o que eu fiz; vós, que estais perto, conhecei o meu poder. 14 Em Sião os pecadores serão aterrados, o medo apoderar-se-á dos ímpios. Quem de nós poderá permanecer perto deste fogo devorador? 38
  39. 39. Quem de nós poderá permanecer perto das chamas eternas? 15 Aquele que procede bem e diz a verdade, que não quer um benefício extorquido, que não quer tocar um presente corruptor, que fecha os ouvidos aos propósitos sanguinários e cerra os olhos para não ver o mal. 16 Semelhante homem habitará nas alturas, e terá por asilo os rochedos fortificados; seu pão lhe é dado e a água lhe é assegurada. 17 Teus olhos verão o rei no seu esplendor, e contemplarão um grande território. 18 Teu coração recordará os terrores passados: Que foi feito do cobrador? Que foi feito do fiscal? Onde está aquele que inspecionava as fortificações? 19 Tu não verás mais aquele povo insolente, aquele povo de linguagem ininteligível, de língua bárbara que ninguém compreende. 20 Olha para Sião, a cidade de nossas festas; teus olhos verão Jerusalém, habitação tranqüila, tenda bem fixada, cujas estacas jamais serão arrancadas, nem as cordas rompidas. 21 Lá, na verdade, temos o arroio do Senhor, que nos serve de rios com largos canais; aí não passa embarcação a remo e nenhum navio imponente o sulca. 22 Porque o Senhor é nosso juiz, o Senhor é nosso legislador; o Senhor é nosso rei que nos salvará. 23 (Teus cordames afrouxaram, não sustentam mais o mastro e não estendem mais a vela.) Então o próprio cego apoderar-se-á da sua parte de um grande despojo, e os próprios coxos se entregarão ao saque; 24 ninguém mais (em Jerusalém) se dirá doente: o povo dessa cidade terá seus pecados perdoados. Capítulo 34 1 Aproximai-vos, nações, para ouvir, e vós, Povos, estai atentos! Que ouça a terra e tudo o que ela contém, o mundo e tudo o que ele produz, 2 porque o Senhor está indignado contra todas as nações e enfurecido contra todas as suas tropas. Ele as devotou ao massacre e as destinou ao morticínio. 3 Os que forem mortos serão atirados sem sepultura, e o mau cheiro exalará de seus cadáveres; os montes serão banhados de sangue, 4 que escorrerá de todas as colinas; os céus se enrolarão como um livro, e todo o seu exército tombará, como cai da vinha a folha morta, como deixa a figueira o verdor emurchecido, 5 porque, nos céus, está inebriada (de cólera) a espada do Senhor. Ela vai precipitar-se sobre Edom, sobre o povo que ele destinou ao castigo. 6 A espada do Senhor está coberta de sangue, está impregnada de gordura, do sangue dos cordeiros e dos bodes, da gordura dos rins dos 39
  40. 40. carneiros. Porque há um sacrifício ao Senhor em Bosra, uma grande carnificina na terra de Edom; 7 em vez de búfalos, os povos aí tombarão, uma multidão de robustos guerreiros, em lugar de touros. Sua terra embeber-se-á de sangue, o chão impregnar-se-á de gordura. 8 Porque é para o Senhor um dia de vingança, um ano de desforra para o defensor de Sião. 9 As torrentes da terra mudar-se-ão em pez, e sua terra em enxofre; o chão tornar-se-á pez que arderá 10 dia e noite; jamais se extinguirá, e sua fumaça subirá de geração em geração; (ela) será transformada em deserto por toda a eternidade, e jamais alguém passará por ali. 11 Será domínio do mocho e da garça, a coruja e o corvo habitá-la-ão. O Senhor estenderá sobre ela o cordel da destruição, e o fio de prumo da desolação. 12 Os sátiros farão aí sua morada, ... seus covis. Nela não mais se falará em rei, e todos os seus príncipes terão desaparecido. 13 Os espinhos crescerão em seus palácios, as urtigas e os cardos, em suas fortalezas; será o covil dos chacais e o parque das avestruzes. 14 Nela se encontrarão cães e gatos selvagens, e os sátiros chamarão uns pelos outros; espectro noturno freqüentará esses lugares e neles encontrará o seu repouso. 15 A serpente lá fará seu ninho e porá ovos, chocá-los-á e fará sair da casca os filhotes; lá também se ajuntarão os abutres, nenhum estará ausente. 16 Procurai no livro do Senhor (e lede): nem um só deles faltará, porque é a boca do Senhor que os mandou, e seu espírito que os ajuntou. 17 Foi ele que lhes designou seu quinhão, foi sua mão que lhes repartiu a terra com o cordel. Eles a possuirão para sempre, habitá-la-ão de geração em geração. Capítulo 35 1 O deserto e a terra árida regozijar-se-ão. A estepe vai alegrar-se e florir. Como o lírio 2 ela florirá, exultará de júbilo e gritará de alegria. A glória do Líbano lhe será dada, o esplendor do Carmelo e de Saron; será vista a glória do Senhor e a magnificência do nosso Deus. 3 Fortificai as mãos desfalecidas, robustecei os joelhos vacilantes. 4 Dizei àqueles que têm o coração perturbado: Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus! Ele vem executar a vingança. Eis que chega a retribuição de Deus: ele mesmo vem salvar-vos. 40
  41. 41. 5 Então se abrirão os olhos do cego. E se desimpedirão os ouvidos dos surdos; 6 então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo dará gritos alegres. Porque águas jorrarão no deserto e torrentes, na estepe. 7 A terra queimada se converterá num lago, e a região da sede, em fontes. No covil dos chacais crescerão caniços e papiros. 8 E haverá uma vereda pura, que se chamará o caminho santo; nenhum ser impuro passará por ele, e os insensatos não rondarão por ali. 9 Nele não se encontrará leão, nenhum animal feroz transitará por ele; mas por ali caminharão os remidos, 10 por ali voltarão aqueles que o Senhor tiver libertado. Eles chegarão a Sião com cânticos de triunfo, e uma alegria eterna coroará sua cabeça; a alegria e o gozo possuí-los-ão; a tristeza e os queixumes fugirão. Capítulo 36 1 No décimo quarto ano do reinado de Ezequias aconteceu que Senaquerib, rei da Assíria, atacou todas as cidades fortificadas de Judá e se apoderou delas. 2 O rei da Assíria tinha enviado de Laquis a Jerusalém, contra o rei Ezequias, o general de exército com um poderoso contingente de tropas. Ele tomou posição ao pé do aqueduto do reservatório superior, no caminho do campo do pisoeiro. 3 Eliacim, filho de Helcias, prefeito do palácio, foi ter com ele, junto com o escriba Sobna e o cronista Joaé, filho de Asaf. 4 O general lhes disse: Eis o que direis a Ezequias: Assim fala o grande rei, o rei da Assíria: de onde te vem tanta confiança? 5 Tu só dizes palavras vãs. Entretanto, é de prudência e de bravura que se precisa na guerra. Sobre quem, então, pões tua confiança para contra mim te revoltares? 6 Eu o vejo: é com o Egito que tu contas, com esse caniço rachado que fere e transpassa a mão quando alguém sobre ele se apóia. Eis o que é o faraó, rei do Egito, para todos os que confiam nele. 7 Dir-me-eis, sem dúvida, que é no Senhor, vosso Deus, que pondes vossa confiança. Mas não é esse Deus de quem Ezequias suprimiu os lugares altos e os altares, dizendo ao povo de Judá e Jerusalém: É somente diante desse altar que vos prostrareis? 8 Pois então, faze uma convenção com meu soberano, o rei da Assíria. Eu fornecerei dois mil cavalos, se puderes encontrar cavaleiros para montá-los. 9 Mas como serás capaz de repelir um só dos menores oficiais de meu soberano? Contas com o Egito para arranjar carros e cavaleiros? 10 Porventura foi sem o consentimento do Senhor que ataquei esta 41
  42. 42. terra para destruí-la? O Senhor foi quem me disse: Vai contra aquela terra e a destrói. 11 Eliacim, Sobna e Joaé disseram ao general: Fala a teus servos em aramaico, pois nós entendemos esse dialeto; não nos fales em hebraico, posto que a turba que está sobre a muralha pode ouvir-nos. 12 Porém o general replicou: Porventura é (unicamente) a teu soberano e a ti que meu soberano me encarregou de transmitir esta mensagem? Não é antes a esses homens que estão sobre as muralhas e que vão ser reduzidos, como vós, a comer seus excrementos e a beber sua urina? 13 O general adiantou-se, então, e se pôs a gritar em hebraico: Escutai o que disse o grande rei, o rei da Assíria! 14 Eis o que disse o rei: Não vos deixeis enganar por Ezequias; ele é incapaz de vos livrar. 15 Que ele não vos leve a confiar no Senhor, dizendo que o Senhor vos livrará e que esta cidade não cairá nas mãos do rei da Assíria! 16 Não escuteis o rei Ezequias! Eis o que vos diz o rei da Assíria: Fazei a paz comigo. Rendei-vos. Cada um de vós poderá comer o fruto de sua vinha e de sua figueira e beber a água de seu poço, 17 até que eu venha conduzir-vos a uma terra semelhante à vossa, uma terra de trigo e de vinho, uma terra de cereais e de vinhas. 18 Que Ezequias não abuse de vós dizendo que o Senhor vos livrará! Porventura os deuses das outras nações as livraram cada uma das mãos do rei da Assíria? 19 Onde estão os deuses de Hamat e Arfad? Onde estão os deuses de Sefarvaim? Porventura livraram eles a Samaria de minha mão? 20 Dentre todos os deuses dessas terras qual é o que salvou sua terra de minha mão? Por que então o Senhor preservaria Jerusalém? 21 O povo guardou silêncio. Não houve uma só palavra de resposta, pois o rei lhes havia proibido responder. 22 Eliacím, filho de Helcias, prefeito do palácio, o escriba Sobna e o cronista Joaé, filho de Asaf, retomaram para junto de Ezequias, com as vestes rasgadas, e lhe relataram as palavras do general. Capítulo 37 1 A este relato, o rei Ezequias rasgou suas vestes e, envolvendo-se num saco, dirigiu-se ao templo do Senhor. 2 Depois enviou Eliacim, prefeito do palácio, o escriba Sobna e os decanos dos sacerdotes, cobertos de sacos, ao profeta Isaías, filho de Amós, 3 para dizer-lhe: Eis o que diz Ezequias: este dia é um dia de tribulação, de castigo e de opróbrio. Os filhos estão prestes a nascer, mas falta força para pô-los no mundo. 42
  43. 43. 4 O Senhor teu Deus talvez tenha ouvido as palavras do general enviado pelo rei da Assíria, seu soberano, para insultar o Deus vivo, e irá castigá-lo pelas palavras que ouviu. Intercede, pois, em favor do resto que subsiste ainda! 5 E os servos do rei Ezequias foram ter com Isaías, 6 o qual lhes deu esta resposta: Eis o que diz o Senhor: não te espantes com as palavras que ouviste e com os ultrajes que proferiram contra mim os servos do rei da Assíria. 7 Vou insuflar-lhe um espírito que, ao receber uma certa notícia, fá-lo-á retornar à sua terra, onde eu o farei morrer pela espada. 8 O general, que soubera que o rei da Assíria tinha deixado Laquis, voltou para junto do seu soberano, que encontrou ocupado com o cerco de Lobna. 9 O rei recebeu a seguinte informação a respeito de Taraca, rei da Etiópia: Ele acaba de pôr-se em marcha para fazer-te guerra. Senaquerib enviou então mensageiros a Ezequias dizendo-lhes: 10 Eis o que direis a Ezequias, rei de Judá: não te deixes enganar pelo Deus em que tu confias, pensando que Jerusalém não será entregue às mãos do rei da Assíria. 11 Tu ouviste contar como os reis da Assíria trataram todas as terras que devastaram. E tu escaparias? 12 As nações que meus ancestrais aniquilaram: Gosã, Harã, Resef e os filhos de Éden que estavam em Talasar, porventura foram salvos pelos seus deuses? 13 Onde está o rei de Hamat, o de Arfad e o de Sefarvaim, de Ana e de Ava? 14 Ezequias, tomando a carta das mãos dos mensageiros, leu-a; depois, subiu ao templo e a desdobrou diante do Senhor, 15 dirigindo-lhe esta súplica: 16 Ó Senhor dos exércitos, Deus de Israel, vós que estais sentado sobre os querubins, não há outro Deus, senão vós, por todos os reinos da terra. Vós, que fizestes os céus e a terra, 17 inclinai o ouvido, Senhor, e escutai! Abri os olhos, Senhor, e vede! Ouvi a mensagem que Senaquerib fez trazer para ultrajar o Deus vivo! 18 É verdade, Senhor, que os reis da Assíria despovoaram as nações, devastaram seus territórios 19 e entregaram seus deuses às chamas; é porque não eram deuses, eram objetos feitos pela mão do homem, de pau e de pedra, e eles os aniquilaram. 20 Mas vós, Senhor nosso Deus, livrai-nos da mão de Senaquerib, a fim de que todos os povos da terra saibam que vós, Senhor, sois o único Deus. 21 Então Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: Eis o que disse o Senhor, Deus de Israel: eu ouvi a súplica que tu me dirigiste por 43

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