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A Ordem Dos Cavaleiros Do Templo
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A Ordem Dos Cavaleiros Do Templo

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Transcript

  • 1. A GNOSE TEMPLÁRIA Em 1118, com a finalidade de proteger os peregrinos da Terra Santa, dois cavalheiros franceses: Hugues de Payns e Godefroy de Saint-Omer, com mais outros sete companheiros, ocuparam o sítio de Athlit a fim de cobrirem um dos mais perigosos desfiladeiros que existiam a caminho do Santo Sepulcro, ponto alto dos peregrinos europeus na Terra Santa. Seu Quartel General foi instalado perto de um conjunto de construções próximo ao antigo Templo de Salomão; daí lhes veio logo o cognome de “Pobres Cavalheiros do Templo de Salomão.” A primeira coisa que chama a atenção de um observador atento é o seguinte detalhe: curiosamente de 1118 até 1127, ou seja, durante nove anos consecutivos, o número desses cavalheiros do Templo nunca ultrapassou o número efetivo da partida, ou seja 9. O mistério templário acabava de nascer. Desde então, os acontecimentos históricos vão precipitar o desenvolvimento dessa ordem originalmente semelhante à Ordem dos Hospitalários. Durante estes 9 anos, os 9 cavalheiros fundadores aceitavam o combate, ainda que fosse “um contra três”, como nos revela a sua regra básica... Um exemplo, de qualquer modo, de seu conhecimento esotérico do mistério da tri-unidade, da qual a Igreja fez a Trindade! O rápido aumento de seu efetivo decorreu quase certamente do fato de que eles resgatavam os erros dos cavalheiros excomungados; compreendamos com isso que eles rogavam por eles junto aos bispos, sob promessa de sua afiliação à ordem. O excomungado arrependido, uma vez ingresso na Ordem, tinha sua proteção definitiva: o privilégio dos cavalheiros, consistia em desfrutar de uma total imunidade no que se referisse às sentenças de excomunhão. Hugues de Payns, encorajado por esses rápidos sucessos, decidiu-se então a pedir a consagração de sua ordem: em 1127 ele envia a Roma uma embaixada ao papa Honório II com a finalidade de obter esses reconhecimento. Aqui se dá um episódio cuja importância é essencial na história do Templo: a proteção e o “patrocínio” de que os cavalheiros vão se beneficiar por parte de uma figura fora do comum, ou seja, do famoso São Bernardo, abade de Clairvaux, em Champagne. Este pequeno monge, que do fundo de sua célula, dava ordens aos papas e à cristandade inteira, redige, em honra dos companheiros de Hugues de Payns, uma vibrante defesa para apoio de sua pretensão; é o famoso De Laude Novae Militiae... O resultado de tal intervenção não se fez esperar muito, e Honório II apresentou-se em reconhecer esses bravos milicianos do Cristo, que seu bom São Bernardo se sentia no dever de recomendar. Os embaixadores extraordinários do Templo dirigem-se sem mais demora para junto de seu protetor, coma o fim de lhe agradecer. São Bernardo lhes revela então qual deve ser seu verdadeiro lugar no seio da cristandade: sua frase, que se tornaria daí por diante famosa: “É necessário tirar as duas espadas”, traça-lhes o que será de então por diante seu destino, o de uma organização de monges-soldados. E, como para reforçar suas diretrizes, o pequeno abade de Clairvaux redigirá também uma nova regra que compreenderá 72 artigos e que será o breviário de suas ações temporais. Mas já então a ordem do Templo deixa transparecer um esoterismo que não é senão o reflexo da tradição primordial de que seus fundadores foram os herdeiros. Na realidade o Templo de Salomão, em seu aspecto tradicional, representa (passagem do quadrado ao círculo pelo polígono) os três mundos caros a toda gnose.
  • 2. Na geometria sagrada, tal como o Tríplice recinto druídico, esta tríplice interpretação geométrica, quadrado polígono círculo, visualiza bem os três mundos gnósticos: físico, astral, divino. No caso dos Templários que ocupavam o sítio do Templo de Salomão, esses três mundos giravam bem em torno de um eixo: o célebre “plateola” (Santo Jardim de Jerusalém). Quem não apreende esta simbólica do centro não pode apreender o sentido da arquitetura tão reveladora empregada pelos Templários na construção de suas igrejas... Estas últimas, pentagonais, como uma lembrança deste centro do mundo que é Jerusalém “O plano dessa cidade fora erigido sobre o modelo da cidade divina. A própria cúpula do Templo indicavam aqui ainda, a passagem do quadrado ao retângulo e em seguida ao círculo. Essa última figura não é outra senão o símbolo da divindade imutável que faz girar a roda do mundo: o “Zoe Diakone” em torno do qual gravitam os signos do zodíaco”. Do mesmo modo, a análise cabalística do número de cavalheiros fundadores da Ordem (9) revela que esse algarismo é o da “Realização”... Um fato notável e perturbador é que foi sob o 22º Grão-Mestre da Ordem (Jacques de Molay) que foi consumada a destruição dessa associação cavaleiresca. Poderíamos crer que os “superiores-desconhecidos”, que se mantinham por trás destes misteriosos “monges-soldados”, os tivessem abandonado à sua sorte, porque seus intuitos fossem julgados prematuros? Ou então, simplesmente, porque já tivessem desempenhado o papel a eles atribuído?... “22” como uma coincidência fatal representa bem “a realização dos esforços”. Mas qual era entretanto o sentido verdadeiro desses esforços? Desde o início (e este fato nunca foi demasiadamente demostrado), os templários parecem ter-se “afastado” um pouco da linha ortodoxa do cristianismo romano: Suas características pitagóricas, por exemplo, foram muitas vezes observadas: o encontro do número 9 é um índice, porque, se encontramos 9 fundadores na criação da ordem, há também 9 províncias do Templo, e, na hora das vésperas, os Templários recitavam 9 Pater, encontramos 9 anos antes da transformação definitiva da ordem em “Ordem do Templo”, 9 embaixadores todas as vezes em que uma missão diplomática fazia com que deixassem a casa- mãe, ou suas comendadorias... E não teria fim a enumeração das coincidências! Do mesmo modo, sua preferência por São João e seus desprezo pelo patrocínio de Pedro são muito significativos. Os Templários, com isso, identificavam-se com esta predileção dos gnósticos pelo autor presumido do “Apocalipse”. Preferência marcante e cheia de subentendidos, porque faz alusão ao outro São João: “O Batista” ou “Mestre de Jesus”, aquele que lhe transmitiu a Unção. Sua veneração e, como corolário, sua indiferença pelo natal e pela Páscoa: o reino do Espírito Santo devendo suceder, no esquema de pensamento gnóstico, aos dois reinos precedentes (o do Pai e do Filho). Entretanto, sua regra e seu inspirador nos confirmarão tais coisas mais que esses pontos de contato, aliás muito reveladores. A primeira regra da Ordem do templo é chamada de inspiração agostiniana, antes de ceder lugar a novos estatutos redigidos por São Bernardo. Ora, Santo Agostinho foi maniqueísta, e sua conversão à ortodoxia é algo tático: como já observamos em obra precedente, o bispo de Hipona prezava muito os credos gnósticos antes de se separar dos mesmos. Mais notável é o caso de São Bernardo, cujas bases célticas e druídicas já foram observadas bem antes. Os brasões de sua ordem representam um carvalho decapitado. E ele próprio escolheria o selo druídico por excelência; um vaso quebrado do qual escapa uma serpente. Este galicano que dava ordens aos reis e desfazia os papas do fundo de sua abadia quis se apoiar sobre o Templo nascente para recriar uma igreja esotérica portadora da tradição.
  • 3. Infelizmente, para seus protegidos, dos quais ele redigira a regra, sua morte (20 de agosto de 1153) deixou a Ordem desamparada. Ora, sete anos ,mais tarde, evocando esses mesmos Templários, podia-se ler no Parzifal de Wolfram Von Eschenbach: “Valentes cavaleiros têm sua morada no castelo de Montsalva, onde se guarda o Graal, São os Templários, que vão muitas vezes cavalgar ao longo”. Assim a presença de segredos tradicionais de que os Templários são os depositários, começa a chegar ao conhecimento do grande público. Basta lembrarmos a campanha sub- reptícia que se desencadeia após o desaparecimento de São Bernardo, e que visava aos Templários. Esses valetes cavaleiros foram acusados de todas as espécies de torpezas e, fato bem mais grave na época, foram suspeitos de obedecerem a uma regra secreta e de protegerem os Cátaros... Que poderia haver de fundamentado nessa última acusação? No que se refere a estes herdeiros da tradição primordial, não é de se surpreender vermos figuras nesta herança recolhida pelos Templários a Mensagem do Graal. Podemos mesmo supor com razão que eles se tornaram os seus guardiões, tanto quanto os Cátaros, aliás. Entretanto, a cruzada contra os Albigenses, que foi o primeiro sinal de destruição da Massênia do Graal Para alguns autores seria por meio dos essênios que a fusão Cátaro-Templária teria podido se realizar. Em apoio a fusão Cátaros-Templários teria podido se realizar. Em apoio de suas teses esses autores explicam que o fundador da ordem do Templo, Hugues de Payns, teria entrado em relação com a ordem do Solitários, ainda denominadas Kadosh. Este termo Kadosh tem aliás a mesma significação que o de katharos, já que significa Santo, Perfeito, Puro. Os Kadosh já haviam comunicado seus segredos aos gnósticos, e comunicaram-nos em seguida a Hugues de Payns e a Godefroy de Saint-Omer, que resolveram fazer reviver a ordem dos essênios em toda a sua grandeza passada. Essa explicação tem o mérito de propor uma solução à floração, de outra forma inexplicável, de ordens gnósticas nessa época da Idade Média. O que é certo, de qualquer modo é a fusão que se operou entre o catarismo, o templarismo e o partido imperial ou gibelino. poderia servir-lhes como advertência sobre o afinco com que as potências temporais procurariam por sua vez destruí-los. O ciclo do Graal era bretão em sua construção legendária; poderíamos com isso ver na concepção desta massênia (corporação religiosa) uma reencarnação do espírito druídico? Não esqueçamos a influência de São Bernardo e suas ligações com os celtas. Lembremo-nos desta regra redigida sob a inspiração de São Bernardo e, mais particularmente ainda, o capítulo consagrado aos cavaleiros excomungados: “Lá onde forem por vós reunidos cavaleiros excomungados, recomendamo-vos ir; e de ninguém que se queira entregar e ajustar à ordem de cavalaria das partes de além-mar, não deveis tão-somente esperar o proveito temporal, mas sim a salvação eterna de sua alma. Nós recomendamos como condição para que ele seja recebido que venha diante do bispo da província e lhe faça saber o seu propósito. E depois que o bispo o tiver ouvido e absolvido, seja ele mandado ao mestre e aos irmãos do Templo, e se sua vida for honesta e digna de sua companhia, se ele parecer bem ao mestre e aos irmãos, que seja recebido misericordiosamente; e se entrementes ele morrer, pela angústia ou pelo trabalho por que tiver passado, seja-lhe dado todo o benefício da fraternidade de um dos pobres cavalheiros do Templo”. Com a leitura desse trecho, podemos indagar se isso não constituía um refúgio oferecido aos Albigenses, aos perfeitos e a todos esses mártires da Liberdade evangélica (a propósito dos Cátaros, São Bernardo declarava: “Não havia, aparentemente, discursos mais cristãos que os seus, e seus costumes eram tão distantes quanto possível de qualquer espécie de mancha...”). A regra secreta do Templo, ou suposta como tal, dirige-se aos cavaleiros eleitos e consolados: adjetivos que não deixam de lembrar-nos o Consolamentum dos Cátaros, esse sacramento que não será outro senão o batismo do espírito dos gnósticos. Muitos autores observaram aliás as aproximações geográficas das fortalezas templárias como a de Montréal-De-Sos, que barrava a estrada que conduzia outrora a Aragão. Alguns
  • 4. julgavam ver nessa fortaleza o local em que teria sido deposto o tesouro espiritual dos Cátaros após a queda de Montségur. De qualquer forma aí se poderia notar o painel de três cores cantado por Chrestien de Troyes e relativo à legenda graálica. As relações entre essas duas heresias - no sentido eclesiástico do termo - são igualmente perceptíveis na utilização de símbolos comuns, já que são encontradas em certos selos da Ordem do Templo as duas lanças do brasão de Sabarthès (região de Montségur). Esse símbolo era gnóstico, sendo aliás completado pelas três cores maniqueístas: o vestido e o manto branco, a cruz vermelha e o cavalo negro. Essas três cores que se encontram até mesmo na obra alquímica são ainda mais facilmente perceptíveis no “estandarte” metade cortado de areia e de prata, com a cruz aberta por boca”, (negro/branco/vermelho) Para completar esse panorama gnóstico da simbólica templária ser-no-á necessário concluir pelo abraxas, personagem com cabeça de galo. O abraxas, servindo como selo secreto aos iniciados do Templo, é muitas vezes representado com o corpo coberto de escamas e as pernas em forma de serpentes. Este nome de abraxas foi dado por extensão a todos os selos ou cunhos que eram apostos nos documentos oficiais: entretanto, a cabeça de galo, por causa de sua crista vermelha, sempre personificou a gnose por excelência. Quanto aos diferentes modelos de cruzes templárias, ainda que a cruz prateada (cheia e de braços alisados, isto é “flamada”) seja a mais conhecida, a cruz dos Grão-Mestres aparece como uma derivação do swastika e da cruz céltica... isto sem nada dizermos das cruzes propriamente esotéricas cuja explicação se liga aqui à do simbolismo Rosa†Cruz. Apresentamos aqui alguns exemplos de Cruz templária, rutena e gamada: Essa apresentação da gnose templária, herdeira do Egito e da tradição primordial, não deve fazer com que nos esqueçamos das duas outras fontes nas quais se inspiraram os fundadores da ordem: a magia nórdica e o sufismo islâmico . A JOMVIKING E OS SUFIS Os Templários conhecem esta lei cósmica da qual as runas são o alfabeto divino a simbólica solar, e, como eles não eram de origem oriental, integraram-na em sua escrita sagrada. Há um fato pouco conhecido e passado sob silêncio. Meio século antes da primeira cruzada, esta havia sido precedida de expedição vikings provenientes dos portos italianos e espanhóis, expedições rebaixadas atualmente ao simples nível de atos de pirataria. De qualquer modo, quando se levantou o grande burgúndio branco, São Bernardo, e quando ao seu apelo desceram os escandinavos e os normandos, os da Espanha e de novgord, assiste-se na verdade a um fato histórico e não a uma fábula inventada em todas as suas partes. E isso é tão verdadeiro que, reunindo a tradição judaica-cristã a ponto de sucumbir sob o impulso do fanatismo muçulmano, esses homens de uma religião vencida souberam cortar o caminho das invasões. Que se teria passado se os normandos e seus aliados não tivessem ocupados a Sicília e a ponta extrema do Mediterrâneo em geral, enquanto o Islã já se arrojava sobre todos esses pontos? A História é feita de tal modo que deseja atualmente ignorar este supremo esforço dos sectários de Tor; ele, entretanto, inspirou a organização interior do Templo.
  • 5. A JOMVIKING, INSPIRADORA DA ORGANIZAÇÃO TEMPLÁRIA Os jomvikings, ou guerreiros celibatários, aparecem no Ocidente como precursores da cavalaria templária. Também conhecidos sob a denominação de Peles De Urso (Ber-Saerk), estes membros de uma associação guerreiros escandinava tiravam, ao que se diz, seu frenesi belicoso de uma bebida alucinógena. Encontraremos entre os Assassinos muçulmanos a mesma alusão ao uso de drogas: desta vez tratar-se-á do haxixe. O que é certo é que esta organização escandinava desempenhou um papel importante na implantação viking na Grã-Bretanha e na Normandia. O movimento templário terá sido uma reorganização desta associação nórdica? Muitos indícios poderiam fazer com que supuséssemos isso. Não Trataremos aqui do trabalho de beneditino consistente em destacar os múltiplos traços desta implantação, mas preferiremos dar uma interpretação original e pouco conhecida desta influência viking sobre a Ordem do Templo. Na mitologia nórdica, isto é, no esoterismo do mesmo nome, fez-se muitas vezes menção à ferida de Mimir, de que devemos agora dizer algumas palavras. Trata-se do combate mitológico que teria oposto Tor a Hungnir. Este último, armado de uma pedra de afiar, perde o combate. O Modo pelo qual ele o perde é significativo: o martelo de Tor quebra a sua pedra antes de lhe quebrar o crânio, mas um raio vem se cravar em sua cabeça. Na imagem desta pedra alojada na fronte de um deus, encontramos este terceiro olho das legendas hindus, tanto quanto a esmeralda caída da fronte de Lúcifer durante a sua queda, esmeralda na qual teria sido talhado o Graal. Estas cabeças de Mimir, que encontramos atualmente na península escandinava, devem também ser assimiladas á Bela de três cabeças das tradições hindus porque esses Mimir escandinavos possuem três faces todas munidas de um olho frontal. Este símbolo da sabedoria, e principalmente do conhecimento, lembra essas estátuas videntes encontradas na ilha de Rugen (Báltico), centro Jomviking por excelência. A lembrança dos tempos em que os homens possuíam a clarividência é vista também no mito de Palna-Toke, o fundador da associação jomviking. Mas o que mais particularmente nos interessa, é a explicação relativa ao famoso Baphomet dos Templários, explicação que se esclarece com tais elementos. Para o Baphomet, bem como para a legenda de Mimir, faz-se menção de uma cabeça, que teria sido conservada por processos à base de ervas e de fragrâncias, apresentando a particularidade de dizer oráculos quando era interrogada. Seriam tais cabeças da mesma origem que a do para Gerberto (999-1003), a respeito da qual se diz que ela respondia por “sim” ou “não” às perguntas que lhe eram feitas? Animada como um verdadeiro autômato, funcionando sem dúvida sobre o princípio do cálculo binário, essa cabeça desapareceu sem deixar vestígios. A Ordem do Templo, por sua vez, ainda que se tenha mostrado discreta sobre a origem de semelhantes cabeças, deixou transparecerem algumas luzes sobre o local de onde se originou o Baphomet: seria a miraculosa cabeça de Sídon, esta deusa levantina assim como supôs John Charpentier em seu notável estudo? Não pensamos assim; esse verdadeiro ídolo era constituído de dois pedaços de pele humana embalsamada, com dois rubis à guisa de olhos, e, principalmente, duas barbas, ornamento piloso assimilável ao do Janus Bifrons, isto é, do deus “que tudo vê”. A tal propósito, podemos esboçar uma aproximação que fará com que possamos constatar que o símbolo vela uma verdade permanente.
  • 6. A Suíça - e isto poderia nos surpreender - tem a insigne honra de possuir um Baphomet característico na pessoa do filho de seu herói nacional: Guilherme Tell. Com efeito ninguém observou ainda que este brilhante arqueiro talha a sua flecha em um ramo de agário, antes de alojá-la, tal como Deus escandinavo, na maça que faz o papel do terceiro olho (este simbolizando o fruto proibido do conhecimento). Isso nada tem de espantoso, quando se sabe que essa legenda helvécia provém em linha reta de uma legenda irlandesa transplantada para a Suíça por volta do século XV (o mesmo ocorre com o herói flamengo Til Eulenspiegel, magnificamente encarnado em nossas telas por Gerard Philipe). Til e Tell, estes “espelhos loucos” (22ª lâmina do tarot) são alias geralmente assimilados a Palna-Toke, criador legendário da Jomviking. mas, voltando ao famoso Baphomet, veremos que há outras hipóteses que vão procurar sua explicação do lado do sufismo islâmico. Ninguém, com efeito, os pontos de encontro entre “Assassinos” muçulmanos e Templários cristãos. O VELHO DA MONTANHA E SEUS ASSASSINOS Em meados do século XI nasceu em Rei (Pérsia atual) um certo Hassan, cujo nome seria logo esquecido pela posterioridade em proveito do cognome tão célebre de Velho da montanha. Com a idade de 38 anos ele é vítima de uma sombria maquinação que faz com que deixe Ispahan e volte à sua cidade natal de Rei, onde se entrega a estudos esotéricos, em ligação com a seita dos ismaelitas, da qual ele é um bravo partidário. Esta seita, da qual atualmente é Karim Aga-Khan o chefe espiritual, foi a única sociedade espiritual tendo a originalidade de dividir o mundo em duas partes bem distintas: a primeira povoada de escravos ignorantes e a segunda de mestres iniciados. Essa mística havia surgido no ano de 764, e procurava o filho do 6º Imã xiita: Ismael, de onde o nome de seus adeptos: Ismaelitas. Ismael desaparecera muito misteriosamente, e esta fração xiita esperava sua volta e organizou-se para durar. Mas o verdadeiro fundador da seita tem o nome de Abadallanh-Bem-Maimoum; este fixou a doutrina com a finalidade de fazer dela uma verdadeira religião. Sob o impulso deste israelita convertido ao Islã, a seita dos ismaelitas se transformou em um verdadeiro instrumento de combate. Codificada esta doutrina representava com efeito a filosofia grega, o cristianismo, o gnosticismo e o judaísmo... tudo afogado no Islã pela virtude de um sincretismo aliás muito bem dosado; E mais ainda, esta religião era articulada sob a forma de uma verdadeira sociedade secreta na qual todos os membros eram “aconselhados” a darem livre curso às suas inclinações naturais. Para completar o quadro, é necessário explicarmos que a doutrina ismaelita dava um Messias aos judeus, um Espírito Santo ao cristãos, um Madhi aos muçulmanos, e, enfim uma teogonia persa e síria aos partidários do paganismo: um amplo leque de crenças era portanto reservado aos futuros adeptos, como se pode perceber! O número de fiéis aceito foi entretanto consideravelmente contido pelo “filtro iniciático”, que comportava nada menos que nove graus: em sua maioria os ismaelitas atingiam raramente o 3º grau, digamo-lo de passagem. Não está em nossos propósitos fazer aqui o resumo do conteúdo deste ritual iniciático; mencionemos simplesmente o fato de que, a partir do 4º, o fiel cessava definitivamente de ser muçulmano, No 5º grau, o prosélito era introduzido na filosofia e na geometria sagradas propriamente ditas; o 6º era como que o coroamento deste edifício iniciático.
  • 7. No 7º e no 8º graus eram irreversivelmente rejeitados todos os dogmas das religiões chamadas reveladas, enquanto que o 9º fazia com que o iniciado voltasse ao início da escala iniciática que ele tão penosamente havia subido! Era-lhe aconselhado, nesse estádio terminal, que esquecesse tudo o que havia podido aprender, e que só confiasse em sua própria razão... Esta Via do “homem astucioso” será o caminho preconizado por Hassan após três longos anos de pregação e de arregimentação; durante esses anos ele se apoderará, no interior, de cidadelas estratégicas julgadas inexpugnáveis. Seu método de iniciação assemelha-se estranhamente ao que foi adotado pelos padres jesuítas: Perinde ac cadaver...”Que eles estejam entre minhas mãos do lavrador de “mortos”, declara ele a seus discípulos, que o repreendiam por não provocar mais adesões. Mas, após nove anos de longa paciência, o resultado lá estava; Hassan, ajudado por seus mais fiéis partidários, apoderou-se do ninho de águia de Alamout7 A descrição deste ninho de águia parece sair diretamente de um conto fantástico: “alamout, uma das mais importantes fortalezas do distrito de Rudbar, situado a uma altura inacessível por sua notável posição o nome do “ninho de águia”. Ele apresenta a forma de um leão estendido sobre seus joelhos, coma a cabeça apoiada sobre a terra. Os muros são a pique e talhados na rocha. Só há um ponto; e pode ser facilmente defendido: sobe-se por pequenos degraus, ou antes, por cavidades feitas na rocha. No interior dos muros há uma aldeia que trabalha ativamente, arqueando as fortificações a fim de proteger uma guarnição e cavando no próprio rochedo grandes bacias destinadas a conservar o mel, óleo e a condicionar o trigo. O próprio castelo é construído acima do precipício.” Essa descrição, que devemos aos enviados do grande vizir, inquieto com o caminho que tomavam os acontecimentos, é completada por outros detalhes não menos explícitos: todos os homens cativos ou fora de condições de tomarem as armas, haviam sido expulsos do sítio; vários fanáticos acorriam de todas as partes, outros deixavam o castelo para misteriosas missões... . Todos esses detalhes são referidos na obra: Histoire de l’orde des Assassins (de HAMMER- PURGSTALL, Trad. P. A. De la Nourais, 1883). É necessário também citarmos: Fragments relatifs à la doctrine des ismaéliens (por S. Guyard 1874) e, principalmente, La Forteresse d’Alamout (por C. HUART 1908), a 4 de setembro de 1090. Disposto desde então de uma fortaleza inviolável, cercado por uma centena de fiéis devotados de corpo e alma a seu novo Madhi, o “Velho da Montanha” - como logo começou a ser chamado - dedicou-se à tarefa de pôr em prática o seu método, em grande escala. A população das aldeias vizinhas não tardou a se declarar “Ismaelita”, e a primeira expedição imperial de 10 de junho de 1092 foi repelida sem dificuldades. Mas, do outro lado do país, um exército incomparavelmente mais numeroso perseguiu os Ismaelitas do Kuzistão: estes últimos, esperando um milagre, chamaram em seu socorro o “Velho da Montanha”... o “Milagre” se produziu, e deveria durar mais de dois séculos! Inicialmente, e a título de advertência, o grão-vizir foi apunhalado; em seguida o Sultão morreu, misteriosamente envenenado; a Pérsia inteira ficou desorganizada, e tudo era apenas um começo! Os assassinos fanatizados, os “Fidawis” (ou “devotados”) sucumbiram sob os mais atrozes tormentos; estavam entretanto felizes por poderem oferecer sua vida ao “Velho da Montanha”... e este não cessava de pedir tais sacrifícios! Nada é verdadeiro, tudo é permitido, tal era a divisa do verdadeiro chefe dos Ismaelitas, o chefe daqueles que sem hesitação, serão logo conhecidos pelo terrível nome de “Assassinos”. A ação psicológica foi levada, naquele tempo, a excessos raramente igualados: o “Fidawi” conhecia todos os prazeres da vida em Alamout, onde um verdadeiro “Paraíso Artificial” havia sido recriado; em seguida, quando o adepto já se saciara suficientemente, o “Velho da Montanha”, seu Chefe Espiritual, o enviara contra os adversários do momento, prometendo-lhe em caso de insucesso “um Paraíso Cem Vezes mais agradável”.
  • 8. Os “Devotados” disputavam entre si a honra de serem “Eleitos”, isto é, de sucumbirem pela causa: drogas e cânhamo indiano completava a preparação, e assim os “Fidawis” foram qualificados de “Hachchachin” ou “Comedores de Haxixe”. . . palavra logo transformada em “Assassinos”. Entrementes os Cruzados haviam surgido, e, com eles, os Templários: os Ismaelitas aproveitaram-se disso para erigirem para si um verdadeiro Império. O fundador da “Ordem” dos Assassinos morrera, mas seu sucessor prosseguia uma política que dera bons resultados, e sua aliança foi procurada pelos Cruzados e pelos muçulmanos, como a de uma grande Potência. Tal como Hassan, o primeiro “Velho da Montanha”, seu sucessor, Rechid-Eddin Sinan, fazia apelo aos seus conhecimentos mágicos e esotéricos: fez com que o Rei de Jerusalém acreditasse que ele estava bem mais próximo dos cristãos que dos muçulmanos, apesar de serem estes últimos seus compatriotas. Ele recebeu uma embaixada de São Luís, manteve relações com Filipe Augusto e Ricardo Coração de Leão. Posteriormente abandonou a fortaleza de Alamout, que julgava menos segura que o fora no passado, e se instalou na Síria, posição eminentemente estratégica, que se encontrava na junção do reino cristão de Jerusalém e das nações muçulmanas. Sua morte deixou a Ordem desamparada, porque ele tinha a reputação de um santo entre seus numerosos fiéis. Com a morte desse último Grão-Mestre, seus castelos caíram uns após os outros em poder dos califas do Egito ou dos emires. Sem dúvida o abandono dos métodos de Hassan para a consecução de suas finalidades não era motivo estranho a este recuo estratégico. De qualquer modo, o que nos admira nesta organização, e que não deixa de nos lembrar a ordem do Templo, é o sucesso de uma organização secreta que se apoiava sobre um esoterismo e uma rede de relações múltiplas obedecendo a palavras de ordem ocultas. O relacionamento histórico com os templários foi logo estabelecido: até mesmo as cores dessas duas ordens são idênticas. Os cavalheiros cristãos traziam uma cruz vermelha sobre o seu manto branco, e os “Assassinos” também usavam faixas vermelhas sobre um hábito branco. Encontraremos, bem mais tarde, uma lembrança dessa semelhança na ordem dos jesuítas e em certos aspectos da política do Vaticano, Pensamos mais especialmente aqui no panfleto publicado por ocasião da morte do rei Henrique IV, o qual tinha o curioso título: Assassinato do Rei ou máximas do Velho da montanha Vaticana”. Do mesmo modo, a organização em graus, e a lembrança de um ritual iniciático, não deixam de fazer-nos pensar que Templários e “Assassinos” buscavam uma finalidade similar: a rejeição dos dogmas e a implantação de uma verdadeira gnose na qual se uniam, no exemplos dos assassinos: Platão Pitágoras e os gnósticos alexandrinos, tudo em um cadinho alquímico que dava parte bem restrita ao Islã. Os elos que se estabeleceram entre estas duas “ordens” iniciáticas não desapareceram com o desaparecimento dos “assassinos” no início do século XIV; os Templários autorizaram os fiéis de Hassan a voltarem para o Líbano, onde eles se fortificaram por meio de um tributo simbólico. Mas tarde, como observará tão corretamente René Guénon: “Após a destruição da Ordem do Templo, os iniciados no esoterismo cristão se reorganizaram, de acordo com estes iniciados no esoterismo islâmico, para manter, na medida do possível, para manter, na medida do possível, o elo que havia sido aparentemente rompido por essa destruição...” Qual era portanto esta Finalidade que fazia a unanimidade das duas ordens, ainda que tão diferentes? O Esoterismo Templário faz com que possamos entrever uma resposta possível a essa questão que deveria apaixonar os historiadores até os nossos dias.
  • 9. O GRANDE INSTITUTO E O REI DO MUNDO Guardiões da tradição primitiva, os Templários conheciam os segredos e as lacunas da Igreja de Roma: todo o drama dessa ordem e até mesmo sua supressão provêm desse único ponto desconhecido: qual era portanto esta finalidade que eles tão ativamente procuraram atingir? Não se pode afirmar, atualmente, que não detivessem um segredo ligado à Tradição primordial! Porque os Templários, ainda que tenham sido, no dizer de certos pesquisadores, os depositários da Arca da Aliança e dos segredos dos construtores de catedrais, foram igualmente, com os Cátaros, os últimos possuidores do mistério do Graal e de nossas origens. Uma ordem militar e monástica que possui uma frota constrói estradas e as controla, serve como banco e como financiadora, na Idade Média, não será capaz de despertar a inveja e o ciúme dos contemporâneos? Mas a história oficial, que ignora (ou quer ignorar) a legenda, reflexo das paixões ocultas, deixou cuidadosamente de lado as conseqüências da supressão dessa ordem futurista: dois séculos de guerra européias foram o resgate disso, tanto mais que nunca é muito bom ter razão muito cedo. Seu Grande Intuito (o dos Estados-Unidos da Europa), foi-nos comunicado por Gautier Walter: “Tudo isso estava muito adiantada: a curva espiralada da história deveria inicialmente passar pela constituição dos Estados nacionais. Ele o sabiam (...) eis porque guardavam em segredo toda esta estrutura supranacional. Eles queriam evitar mil anos de guerras fratricidas, e fazer como que um curto-circuito sobre os ciclos da história (...) forçando-a a dar um salto até o ano 2000... Mas a natureza não dá saltos. Evolui Algumas inabilidades secundárias (um pouco de orgulho, também) puseram-nos a perder. É eles tiveram o erro de tê-la demasiadamente cedo, e de não a ocultar suficientemente. A inteligência é sentida como uma injuria pelo medíocre, e a generosidade como uma humilhação. A História deve avançar mascarada, porque os homens têm medo da verdade, de sua verdade: ela desvenda as suas mentiras.” Mas, para sermos completos, nos é necessário assinalar o quê este intuito político era acompanhado de um outro: um intuito místico. Os Templários eram JOANITAS, o que quer dizer que sonhavam com o estabelecimento de uma Igreja de João, igual ou mesmo superior à de Pedro. Por cima do Evangelho exotérico de Roma, o Evangelho esotérico de Éfeso! Tal era o sentido profundo da procura templária... Carlos Magno já concebera o projeto de estabelecer na cristandade três centros apostólicos: ele situava o primeiro em ROMA sob a égide de São Pedro, o segundo em Santiago De Compostela, o terceiro em Éfeso, sob o patrocínio de São João. Projeto ambicioso que teria mantido a unidade crística, ao mesmo tempo em que deixaria aos féis suas liberdades confessionais Notemos que desses projetos, aprovado pelo papa Calixto II, deveriam nascer as denominações dos sectários peregrinos: Romel, Pellegrini e Palmieri, para aqueles que se dirigiam ao Oriente. Esse projeto, conhecido pelo nome de “Crônica de Turpino”, era idêntico ao de Alexandre o Grande... onze séculos antes. Visava nada menos que reunir o Oriente e o Ocidente sob uma crença comum, preservando contudo as diversidades étnicas e confessionais. Os Templários retomaram por sua conta este sonho das Igrejas, mas os acontecimentos não permitiram que eles se ligassem por muito tempo à sua conquista oriental.
  • 10. Filipe o Belo havia pressentido, ou talvez mesmo adivinhado, o objetivo político dos cavalheiros do Templo. Daí suas propostas (tantas vezes reiteradas) para se fazer nomear ou para agradar seu filho como Grão-Mestre da Ordem. Mas os cavalheiros rejeitavam esse soberano, já que nenhum poder conseguia quebrar sua vontade tortuosa de dominação. O infame Nogaret, celerado sem escusa, porque seu pai havia sido um supliciado albigense, ofereceu a Filipe o Belo um meio de se livrar desses cavaleiros. A história é bastante conhecida para que a relatemos aqui: as chamas das fogueiras cátaras levaram por sua vez estes primeiros defensores da unidade européia. Mas a lei das compensações atingiu os autores dessas sombria maquinação e seus sectários: desde Filipe o Belo, que morreu em 1314 atingido de paralisia, até Guilherme Imbert, o grande inquisidor da França, passando pelo legista astuto Enguerrand de Marigny, para terminar enfim em Nogaret, a alma danada do rei. Os termos da maldição do 22º Grão-Mestre, Jacques de Molay, não esqueciam também o papa em seu pronunciamento: “Clemente, juiz iníquo e cruel carrasco, eu te conjuro a comparecer dentro de quarenta dias diante do Tribunal do Soberano Juiz.” A 20 de abril de 1314, ou seja, 40 dias após essa profecia, Clemente V morreu no castelo de Roquemaure, perto de Carpentras. A maldição do Templo, da qual maçons e Rosa†Cruzes se consideram como os executores testamentários, não cessou com a morte desses dois personagens. Os restos do mausoléu pontifical de Clemente V foram brutalmente quebrados em 1793 pelos revolucionários, enquanto seus ossos já haviam desaparecido: foram lançados aos cães em 1577 pelos calvinistas, dignos herdeiros espirituais do liberalismo cátaro. Os restos de Filipe o Belo, por sua vez, também haviam tido a mesma sorte, por ocasião do saque da capela de Saint-Denis. Esse ódio intenso no prosseguimento de uma vingança “além dos tempos” seria inexplicável se não nos lembrássemos de que as duas potências que se mantinham por trás do rei e da Igreja eram as mesmas que se encarniçavam contra Joana d’Arc, membro de uma “terceira-ordem” templária, e em seguida contra Henrique IV, cuja estátua se ergue simbolicamente no local exato do Sena onde Jacques de Molay e seus companheiros de infortúnio foram executados. Por uma coincidência que não parece chocar os historiadores, o duque de Epernon, que arrematou o gesto de Ravaillac, era justamente o descendente direto de Guilherme de Nogaret. Napoleão, que retomou por sua conta a mensagem templária, quis ter a alma limpa a tal respeito, e mandou retirar do Vaticano as peças do processo dos cavaleiros: um mistério paira até sobre os rolos de documentos, que não foram todos entregues após 1815. Mais perto de nós, o enigma de Gisors, por ocasião da conquista do espaço, faz tremerem sobre suas bases certos corpos constituídos: tratar-se-ia simplesmente de se refazer a História com documentos verdadeiros, e não com peças truncadas ou falsificadas! Tentemos, entretanto, reconstituir uma parte desta História com documentos dignos de fé. O GRANDE INTUITO ordem monástica e ordem militar, o Templo era bem situado para restabelecer o elo entre os dois pólos de uma tradição originalmente comum: o Oriente e o Ocidente. Ligados à autoridade espiritual de Roma, e submetidos ao poder temporal dos reis de França, não é de admirar que os Templários tenham conservado em depósito a tradição solar da primeira cavalaria, que era ao mesmo tempo espiritual e temporal, antes de se tornar, por efeito das circunstâncias, unicamente material. Não é nosso propósito estabelecer um debate entre cavalaria terrestre e cavalaria celestial: limitemo-nos apenas a constatar que os templários eram igualmente bem colocados para reunirem sob a sua ordem as qualidades inerentes e essas duas formas de nobreza.
  • 11. Mas a volta às origens da cavalaria os fascinava: desejavam a volta dessa união entre os dois poderes, cujo confronto deveria conduzir ao fosso que separa atualmente os espiritualistas dos materialistas; e essa volta ao passado, na época em que o banco começa a aparecer, tem um nome: é a sinarquia. Qual era portanto esse sistema político que os Templários desejam substituir à monarquia francesa? Por seus elos com os “Assassinos”, os drusos, os franco-mações operativos, os odinistas e os sábios cabalistas, bem situados para criar e enquadrar um Estado supranacional que teria possibilitado um entendimento durável entre o Oriente e o Ocidente. Saint-Yves d’Alveydre, ardente defensor do princípio sinárquico, pode escrever no último século que esta visão política dos Templários havia dominado todo o continente e possibilitado uma união estreita entre as tradições muçulmanas, búdica, bramãnica, nórdica e judaica-cristã. O autor de Mission des souverains vai aliás mais longe nesta análise que prenunciava o futuro de mais de seis séculos, já que a Europa não é uma realidade, apesar da existência desta sinarquia capitalista de que nos falam há muitos anos... Que nos revela Saint-Yves d’Alveydre? No que se refere à França, a sinarquia templária ganhou um tento a 10 de abril de 1302... lembremo-nos: era a criação dos Estados Gerais, sobre a qual podemos afirmar que os Templários foram os instigadores. Ironia da sorte: em 1789, os últimos Estados Gerais desencadearam a Revolução e a prisão da família real no Templo... A destruição dessa torre no bairro do Marais, em Paris, seguiu de perto a execução de Luís XVI e de seus parentes. O menos que poderia dizer um observador imparcial, seria que a História segue decididamente um caminho rico em coincidências! Mas, voltando aos primeiros Estados Gerais reunidos em Notre-Dame de Paris a 10 de abril de 1302, “eles eram, sempre segundo Saint-Yves d’Alveydre, os próprios quadros da sinarquia, com os três poderes sociais que a distinguem entre todas as instituições”. De modo mais claro, podemos dizer que esses três poderes sociais correspondiam, na ordem das classes da época: 1) ao ensino, personificado pelo episcopado; 2) à justiça, representada pela nobreza de aspada; 3) à economia descentralizada (que adiantamento sobre nossa época!), cujos representantes eram exatamente os almotacéis, os inspetores de preços e medidas, os cônsules, os magistrados municipais e outros prebostes - prebostes dos mercadores. Diante de um programa tão ambicioso para a época, os espíritos desgostosos não deixarão de observar que o sufrágio universal (esta conquista do século XIX) estava ausente do programa templário. Ora, ainda que correndo o risco de surpreender alguns leitores, devemos observar que a mulher votava como o marido, seis séculos e meio antes da 4ª República! Com efeito, a mulher que não fosse menor podia votar, como seu marido, para a eleição de três candidatos por profissão e para cada corporação. A reunião desses candidatos, formando um primeiro conselho que agrupava as três funções (Ensino, Justiça e Economia), escolhia em seu seio os membros de um segundo conselho igualmente tríplice, do qual saía um conselho de Estado legislativo de três seções: autoridade espiritual, poder temporal e economia. Se desejarmos penetrar mais detalhadamente nesse conselho de Estado, veremos que à primeira destas seções correspondiam os cultos e o ensino; à segunda eram atribuídas a justiça, a guerra, a marinha e a diplomacia, sendo, enfim a terceira encarregada mais especialmente da economia e das finanças, da agricultura, da indústria e do comércio.
  • 12. Mas que ocorria com o poder executivo, perguntar-se-á? Ele saía desse conselho de Estado, já que, segundo a tríplice repartição já enunciada, 3 ministros eram nomeados pelo conselho: um para a vida intelectual, outro para a vida moral e o terceiro, enfim, para a vida econômica. Esses 3 ministros, tomados no conselho de Estado, fizeram com que se dissesse que os Templários tinham a intenção de repartir a França em três reinos: compreender-se-á então porque Filipe o Belo teria tanto medo a respeito de seu futuro e do futuro de sua dinastia! Ainda que, para os Capetos, o perigo não residisse nessa falsa interpretação da tríplice essência do poder sinárquico, é necessário dizer que, como todos os grandes iniciados, os Templários acreditavam na reencarnação... E, como por acaso, a sinarquia não admite a hereditariedade13 A melhor prova dessa posição política reside, em nossa opinião, na própria escolha da cor adotada pelos Templários para seu emblema: como nobres que eram, estes cavalheiros deveriam ter mantido a bandeira de “goela” (cor da nobreza e do clero); ora, eles adotaram as cores do p ovo, e tal escolha deve ser relacionada com suas intenções sinárquicas, sendo essa forma de governo apoiada no povo. Como por acaso, as três cores da bandeira nacional francesa apresentam a características dessa triplicidade: o vermelho da nobreza e do clero, o branco dos camponeses e azul dos burgueses... Todas as três colocadas em estrito pé de igualdade. O REI DO MUNDO E OS TEMPLÁRIOS É público e notório o fato de que, em 1245, o papa Inocêncio IV havia enviado em representação junto ao grande khan dos mongóis uma embaixada conduzida por um franciscano: Jean Duplan de Carpin... Missão de representação que prosseguiu em 1253 por São Luís e seu embaixador, Guilherme de Rubruquin, outro monge, este porém franciscano. Esses dois enviados cristãos tomaram itinerários pouco conhecidos e perigosamente freqüentados; entretanto puderam realizar seu contato: belo exemplo das relações que deviam manter os Templários nessas regiões longínquas, porque somente as recomendações junto às ordens iniciáticas podiam abrir em tais distâncias as portas da viagem! Relata-se que após a supressão da Ordem do Templo, seu grande Prior, o cavaleiro de Gonneville, voltou-se para esse misterioso reinado do Preste João, essa misteriosa Agarta, imagem do “centro do mundo” e sede do repouso eterno... Também chamado (e em linguagem simbólica) o reino de São João na visão joanita dos cavaleiros do Templo. Aliás, desde 1145 o bispo de Gabala, na Armênia, assinala pela primeira vez ao papa Eugênio III a existência desse misterioso personagem... Qualificado ora como preste João, ora como príncipe João, este último teria reinado sobre um império `a maneira de um pontífice e de um rei. Seu reino seria situado, na época, muito além da Armênia: isto é, nas Índias, Somente muito mais tarde foi identificado com a Etiópia esse misterioso império... As razões desse erro “intencional” já se mostram como evidentes: desejavam-se confundir as pistas. Cada povo tem seus enigmas, mas que dizer de um reino que é por si próprio um enigma?! Isso corria, na verdade, com esse reino do príncipe João. Tentemos recolocar as coisas em seus lugares... O bispo de Gabala, que, em 1145, havia observado pela primeira vez a existência desse misterioso monarca, teve o mérito insigne de relatar tal acontecimento por meio de um cronista de origem germânica: Otto Von Freisingen. Idéias feliz, porque, por ocasião da morte do papa Eugênio III, seu sucessor, Alexandre III, recebeu, em 1177, uma carta assinada pelo nome de preste João, monarca da Tartária.
  • 13. Eis aqui portanto o ponto de partida de uma aventura que durante mais de dois séculos apaixonará a Europa, antes que alguns historiadores neguem pura e simplesmente a própria existência de tal missiva. Falsa ou não, a carta (e suas numerosas cópias) existe, e, fato curioso, ela é endereçada ao papa e ao rei da França pelo “rei todo poderoso sobre todos os reis do Mundo 14 Vemos despontar aqui a confusão intencional que fez do preste João o rei dos Reis, isto é, o monarca etíope. Os Templários, que conheciam sua existência, nunca deram opinião a tal respeito; mas algumas coincidências muito significativas podem ser observadas, revelando a utilização de um mesmo simbolismo. Já observamos, por exemplo, que os Templários e os “Assassinos” utilizavam um simbolismo das cores idêntico ao que era atribuído à casa imperial do preste João. Do mesmo modo, os 72 artigos da regra do Templo podem ser comparados com os 72 vassalos do rei do Mundo... Enfim, há uma menção a quatro monarcas que servem esse misterioso personagem: a analogia é notável, ainda mais quando nos lembramos dos quadros oficiais que cercam o Grão- Mestre do Templo15 Sendo estes quatro oficiais, por ordem de sua importância, o Senescal (verdadeiro “mestre secreto” da Ordem), o Marechal, o Comendador, e, enfim, o Intendente ou roupeiro. Do mesmo modo, ainda que mais difusamente, a presença do Graal é assinalada nesse misterioso reino... de modo que um autor como Saint-Yves d’Alveydre usará a expressão: “TEMPLÁRIOS DE AGARTA”. Para René Guénon, que tomará ao seu encargo a mensagem do “rei do Mundo”, a chave desse mistério reside no nome de Melquisedeque, que aliás ele ortografa Melki-Tsédeq... nome próprio que se refere simplesmente aos dois poderes do rei-sacerdote, ou, se o preferirmos, aos seus dois atributos: justiça e paz. Este monarca-pontífice, rei de Salém, foi por sua vez objeto de uma lastimável confusão com um pretenso rei de Jerusalém... Seria fora de propósito desenvolvermos aqui a demonstração de Guénon, mas ela faz com que possamos esclarecer um certo número de pontos tradicionais da mais alta importância, o que se refere à tradição judaica-cristã de que os Templários são os representares que nos interessam, chegaríamos aos seguintes dados geográficos: Paz SALEM = Agharta Jebus = sítio JERUSALÉM = Lugar de Paz Sholomoh SALOMÃO = O Pacífico Jerusalém, nesse ponto de vista tradicional, apareceria realmente como um centro derivado do centro da tradição Primordial, e é com direito que os Templários podem se chamar “guardiões da Terra Santa”, isto é, “Templários do centro do mundo”, ou da Agharta... A demonstração assim apresentada oferece o mérito de descobrir numerosas conexões com esse centro que é a Agharta. O papel dos Nestorianos na Ásia central aparece sob uma nova luz: a descoberta de cruzes nestorianas no Turquestão (análogas às cruzes das ordens de cavalaria) é uma verdadeira confirmação.
  • 14. Do mesmo modo, as relações dos Nestorianos com os Templários, por um lado, e com os lamas, por outro, são perceptíveis no traçado destas mesmas cruzes nas quais se vê algumas vezes surgir, no centro, um swastika, símbolo do rei do mundo16 Lembremos a existência de um anel ornado de um swastika, que se encontrava no museu de Ulan-Bator (Mongólia). Segundo a tradição esse anel teria sido oferecido a Gengis-Khan pelo rei do Mundo. Assim se explica o fato, se não incompreensível, mas pelo menos qualificativo, observado pelos “Assassinos” muçulmanos e pelos drusos do Líbano, de qualificativo observado também pelos Templários. OS GUARDIÕES DA TERRA SANTA Teriam os cavalheiros do Templo, instruído pelo sufismo islâmico e pela gnose cristã, penetrado o segredo de nossas origens e de nosso devir? Ninguém estava tão apto quanto estes cavaleiros joanitas a penetrar na legenda que atinge a fonte primeira de todas as legendas... Os documentos talvez existam em Roma, se não foram destruídos. Por sua vez os arquivos do “ramo germânico”, dos misteriosos TEMPLEISEN, desapareceram de Nuremberg após a destruição, pela aviação aliada, em 1944, de uma certa torre que os abrigava. Como comentários a esta aventura “templária” que tentava reatar os elos com a tradição Primordial em uma visão renovada do Ocidente cristão, nada poderemos apresentar de melhor que esta maravilhosa evocação de André Gautier-Walter: “... Após a sua destruição, “a Ordem do templo continua também se metamorfoseando de vários outros modos. Em 1318, uma grande convenção reuniu na Dalmácia, em Spalato (salona) um grande número de cavaleiros de tributários, de todos os países nos quais a ordem tinha comendadorias. O grande prior (ou grande pontífice) de Gonneville transmitiu uma mensagem de Jacques De Molay e acrescentou à mesma suas próprias instruções. Anunciou a futura ressurreição da Ordem depois de mais de seis séculos. Para acalmar a cólera dos cavaleiros, e principalmente dos tributários, contra o papado e a monarquia francesa, Gonneville foi obrigado a usar de toda a sua autoridade, sustentado pelo conselho supremo unânime. Ele fez várias profecias, e revelou que os responsáveis pela ordem havia sabido, com vários anos, de antecedência, que esta deveria desaparecer, e que não deveria resistir, ainda que fosse mais forte, por diversas razões, que ele indicou. “... Após essa importante convenção, que durou uma semana, todos voltaram a seus países de origem, enquanto o supremo conselho embarcava para uma ilha do Adriático, que era sem dúvida a antiga Corcíria (a atual Corfu), a ilha em que Ulisses encontrou Nausicaa... e onde Jasão viveu com Medéia. Ele aí permaneceu por mais de três anos, em grande trabalho, antes de se dispensar. “Certos comentaristas são de opinião de que foi lá que foi previsto o que deveria vir a ser, mais tarde, a ordem da Rosa†Cruz e os graus cavaleirescos da F∴M∴escocesa. “O que é certo é que Gonneville partiu em seguida para a Pérsia, de onde passou para a Ásia central, onde desapareceu”.