Agrener 2010 jim_adriana_v4_10

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  • 1. Cenários para Eficiência Energética no Brasil: realidade ou ilusão? Jim Silva Naturesa*+ Carlos Alberto Mariotoni* Adriana Scheffer Quintela Ferreiraº * Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP Faculdade de Engenharia Civil Arq. Urb. – FEC-DRH/NIPE/UNICAMP Área de Recursos Hídricos, Energéticos e Ambientais Grupo de Planejamento Energético e Sistemas Elétricos – GPESE Avenida Albert Einstein, 951 - Caixa Postal: 6021 13083-852 – Campinas – SP (19) 3521-2307 + Departamento de Pós-Graduação e Extensão – Anhanguera Educacional Alameda Maria Tereza, 2000 13278-181 – Valinhos – SP (19) 3512-1700 ramal 1546 jimnaturesa@yahoo.com º Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais – campus Juiz de Fora Rua Bernardo Mascarenhas, 1283 36080-001 – Juiz de Fora – MG (32) 4009-3003 / 4009-3009Abstract: The personal daily activities demand the use of some type of energy, for instance, to light alamp or to move a vehicle. Since last century, researches try to improve the efficiency of machinesand devices. In addition, create systems capable to take advantage of forms of energy that are lostin some processes, such as the cogenaration. For the economical growth of Brazil, considering themaintainable development, it is done necessary the rational use of the energy resources. Actionswell structured, gone back to the increase of the rational production and of the use in efficient ofenergy they are necessary in the economical aspect and in the reflexes on the environment. In thiscontext, the present article approaches the progresses of the brazilian politics regarding the energyefficiency with relationship to the use of the electric power.Resumo: As atividades cotidianas de qualquer pessoa exigem o uso de alguma forma de energia,por exemplo, para acender uma lâmpada ou na utilização de um meio de transporte. Desde oséculo passado, pesquisas procuram melhorar o rendimento de máquinas e dispositivos etambém criar sistemas capazes de aproveitar formas de energia que são perdidas em algunsprocessos, tais como a cogeração. Para o crescimento econômico do Brasil considerando odesenvolvimento sustentável, faz-se necessário o uso racional dos recursos energéticos. Açõesbem estruturadas, voltadas para o aumento da produção racional e do uso de forma eficiente deenergia são necessárias tanto no aspecto econômico quanto nos reflexos sobre o meio ambiente.Neste contexto este artigo aborda os avanços das políticas de ação referente à eficiênciaenergética no país quanto ao uso da energia elétrica.1 - Introdução O uso eficiente da energia interessa por si mesmo; como de resto são oportunas todas asmedidas de redução das perdas e de racionalização técnico-econômica dos fatores de produção,cabendo também observar o caráter estratégico e determinante que o suprimento de eletricidadee combustíveis apresenta em todos os processos produtivos. Ainda que representando uma 1
  • 2. parcela por vezes reduzida dos custos totais, via de regra a energia não possui outros substitutossenão a própria energia, sem a qual os processos não se desenvolvem. Cada vez mais, asempresas e seus gestores de energia precisam entender os aspectos legais e regulatórios dosmercados de energia, as tendências e perspectivas energéticas no Brasil e no exterior, além de sepreocuparem com eventuais situações de desabastecimento gerado pelo equilíbrio entre oferta edemanda de energia (SANTOS et al., 2007). A produção de energia tem grande influência sobre o meio ambiente por dois fatores:desmatamento e emissão de poluentes. Vários estudos têm demonstrado que gerenciar apoluição urbana e industrial concentrando-se no tratamento “end-of-pipe”, ou seja, utilizando-se demétodos corretivos, em muitos casos não é só custoso como também insustentável. Experiênciasdos Estados Unidos e outros países desenvolvidos têm demonstrado que, a longo prazo, aprevenção da poluição através de minimização de resíduos e de uma produção com tecnologiasmais limpas e eficientes, é mais sensata tanto na relação custo-benefício, como também para opróprio meio ambiente, se comparado com as técnicas tradicionais. Além disso, técnicas deprevenção da poluição podem aplicar-se a qualquer processo de manufatura, variando desdemudanças operacionais relativamente fáceis até mudanças mais profundas, tais como, asubstituição de substâncias tóxicas, implementação de tecnologias mais limpas e eficientes ouinstalações de equipamentos de recuperação de resíduos. Com a prevenção da poluição pode-seconseguir aumentar a eficiência da planta, reduzir a quantidade de energia e matéria primautilizadas na produção de bens e serviços e reduzir custos de disposição final devido à diminuiçãodrástica da quantidade de resíduos gerada. Além destes aspectos, a prevenção deve serconsiderada na estratégia de ampliação de mercado, contando com a melhoria da imagem públicada empresa e de seus produtos perante os consumidores, o que pode propiciar uma atraçãomaior de investidores e acionistas contando com financiamentos favorecidos (MARQUES et al.,2001). No Brasil, como nos demais países, cada vez mais restrições de ordem financeira eambiental se somam incrementando os custos dos energéticos e configuram perspectivaspreocupantes de descompasso entre as disponibilidades e as demandas energéticas, ampliandosignificativamente a importância do uso responsável de energia. E em boa parte dos casos, aredução das perdas decorre essencialmente da aplicação de conhecimento, semnecessariamente implicar em investimentos elevados. Com efeito, resultados significativos naeconomia de energia podem ser conseguidos mediante a simples conscientização dos usuários.Sem dúvida, para bem usar energia, é necessário difundir informação e conhecimento aplicado(SANTOS et al., 2007). Embora as fontes renováveis de energia tais como, solar, eólica, geotérmica, biomassa,dos oceanos e pequenas centrais hidrelétricas, ofereçam benefícios meio-ambientaiscomparando-as com os combustíveis fósseis, o custo de geração ainda permanece mais caro.Estes custos têm diminuído, e é provável que diminuam ainda mais, porém, sua implementaçãopoderia ser acelerada se os governos gastassem quantidades de dinheiro adicionais em pesquisae desenvolvimento. Fazendo-se isto, gerações atuais e futuras poderiam obter benefícios atravésdo uso de energia sustentável e de um meio ambiente mais limpo. O aumento da eficiênciaenergética de equipamentos, sistemas e processos é obtido através da adequação de normas ecódigos e, principalmente, através de programas de premiação e promoção das empresaseficientes. Ademais, o combate aos desperdícios comportamentais se faz pela conscientização eeducação do consumidor, mostrando-se o resultado direto em economia e benefícios ambientaisprovocados pela mudança de hábitos e comportamentos. (MARQUES et al., 2001). Este artigo mostra os resultados e as ações do PROCEL que são perceptíveis. Entretanto,o Brasil por ter uma situação privilegiada com possibilidade de gerar eletricidade a partir de fonteslimpas, precisa investir mais no potencial eólico, aumentar a eficiência energética das construçõese adotar transportes híbridos/elétricos. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética, opotencial para geração eólica é de 143 GW e o Brasil aproveita nem 1 % do potencial. Apesar daprodução hidrelétrica ser predominante no país, alternativas são necessárias entre os meses dejunho e novembro devido ao nível baixo dos reservatórios durante a estiagem. O uso de usinas 2
  • 3. térmicas através de combustíveis fósseis não servem de solução, pois emitem gazes e provocamo efeito estufa. Usinas nucleares apresentam o risco, mesmo que pequeno, de acidentes e assimde vazamento de radiações nocivas para o ambiente exterior, comprometendo a saúde dos seresvivos, além de produzir resíduos nucleares que devem ser isolados em depósitos impermeáveisdurante longo tempo. O uso de iluminação por lâmpadas mais eficientes e até mesmo o uso deiluminação natural deve ser mais abrangente, além de aquecimento solar ou a gás, reduzindo ademanda em horários de pico.2 – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica O objetivo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL) épromover a racionalização da produção e do consumo de energia elétrica. O PROCEL foi criadoem dezembro de 1985 pelos Ministérios de Minas e Energia e da Indústria e Comércio, sendogerido por uma Secretaria Executiva subordinada à ELETROBRÁS. Em 1991, o PROCEL foitransformado em Programa de Governo, tendo suas abrangência e responsabilidade ampliadas.Os principais resultados do Procel, para o período de 1986 a 2007, estão indicados na Tabela 1.As principais áreas de atuação do programa são: comércio, saneamento, educação, indústria,edificações, prédios públicos, gestão energética municipal e iluminação pública(www.eletrobras.gov.br/procel/site/home/). A Tabela 2 mostra os resultados acumulados. Osinvestimentos totais realizados ultrapassam a marca de 1 bilhão de reais, além disso, a energiaeconomizada equivale a uma usina de 6.841 MW. Tabela 1 - Principais resultados do Procel (1986 a 2007).Resultados 1986/2003 2004 2005 2006 2007 (a)Investimentos Eletrobrás/Procel (R$ milhões) 252,01 27,18 37,17 29,24 13,62 (b)Investimentos RGR (R$ milhões) 412,00 54,00 44,60 77,80 39,16Investimentos do Projeto de Eficiência Energética (c) 2,09 12,97 16,23 6,20 -para o Brasil (R$ milhões)Investimentos Totais Realizados (R$ milhões) 666,08 94,15 98,02 113,24 52,78Energia Economizada (bilhões de kWh/ano) 17,22 2,373 2,158 2,845 3,930Redução de Demanda na Ponta (MW) 4.633 622 585 772 1.357 (d)Usina Equivalente (MW) 4.033 569 518 682 942Investimentos Postergados (R$ bilhões) 10,65 2,50 1,77 2,23 2,76Fonte: www.eletrobras.com/procel (maio de 2010).(a) Refere-se somente aos recursos orçamentários do Procel efetivamente realizados em cada ano, não sendo considerados os salários do pessoal Eletrobrás/Procel(b) RGR (Reserva Global de Reversão) é o fundo federal constituído com recursos das concessionárias, proporcionais aoinvestimento de cada uma.(c) Refere-se ao investimento de US$ 11,9 milhões do GEF (Global Environment Facility) e a contrapartida da Eletrobrás;(d) Obtida a partir da energia economizada, considerando um fator de capacidade médio típico de 56% para usinas hidroelétricas e incluindo 15% de perdas médias na T&D para a parcela de conservação de energia. Tabela 2 – Resultados Acumulados pelo Procel.Resultados Total (e)Investimentos Totais Realizados (R$ bilhão) 1,02Energia Economizada e Geração Adicional (bilhões (f) 28,5de kWh/ano)Redução de Demanda na Ponta (MW) 7.969Usina Equivalente (MW) 6.841Investimento Postergado (R$ bilhões) 19,9 3
  • 4. Fonte: www.eletrobras.com/procel (maio de 2010).(e) Inclui a parcela relativa à RGR e os Recursos do Projeto de Eficiência Energética para o Brasil;(f) A energia economizada e a geração adicional acumuladas são calculadas apenas adicionando-se as economias acada ano, não considerando a persistência das medidas implementadas. Em novembro de 2006, a Eletrobrás/PROCEL lançou o portal PROCEL INFO – CentroBrasileiro de Informação de Eficiência Energética (www.procelinfo.com.br). O PROCEL INFO temcomo objetivos reunir e disponibilizar informações de interesse, produzidas no Brasil e no exterior,para os públicos que atuam na área de eficiência energética, e facilitar sua integração e, assim,ser reconhecido com referência nacional na disseminação de informação qualificada sobre o usoracional e eficiente da energia. O portal está dividido em: Informações Institucionais, Indicadores,Informações Técnicas, Simuladores, Agentes, Fontes de Financiamentos, Legislação, Cursos eEventos, Notícias e Reportagens, além de ferramentas de colaboração disponíveis. A Figura 1apresenta a concepção geral do portal. Figura 1 – Concepção geral do portal PROCEL INFO. Fonte: Procel Info – Um ano: Resultado e Perspectivas, 2007. O portal apresentou, nos meses de novembro de 2006 a novembro de 2007, uma média de306 usuários cadastrados por mês, totalizando aproximadamente 3.700 no período. Dessesusuários, cerca de 40% são do Rio de Janeiro e São Paulo. O fato de o maior número de usuárioscadastrados serem dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, é conseqüência da estratégia deatuação do Portal, que tem como público-alvo os agentes intermediários da área de eficiênciaenergética, concentrados na região Sudeste. Analisando-se ainda o perfil de usuários, pode-severificar que há forte interesse de universidades no tema de eficiência energética. O contrato de concessão de energia elétrica, firmado entre as empresas de distribuição e aAgência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), estabelece uma série de obrigações e encargos;sendo que uma dessas obrigações “consiste em aplicar anualmente o montante de no mínimo 0,5% de sua receita operacional líquida, em ações que tenham por objetivo o combate ao desperdíciode energia elétrica” (ANEEL, 2008). Para o cumprimento desta obrigação, as concessionáriasdevem apresentar à ANEEL uma série de projetos que compõem seu Programa Anual deCombate ao Desperdício de Energia Elétrica (PEE), no qual devem conter metas físicas efinanceiras. A Tabela 3 apresenta os resultados desse projeto; podem ser identificadas a quantidadede empresas que participaram, o investimento realizado, a demanda evitada e a energiaeconomizada. Percebe-se que durante o período de 1998 a 2006, foram investidos 1.919 milhõesde R$ o que acarretou em uma economia de energia 5.559 GWh. A Tabela 4 mostra os tipos deprojetos realizados (período 2000/2001 a 2004/2005); deve-se ressaltar que a maioria desses 4
  • 5. projetos visa o consumidor de baixa renda através da substituição de geladeiras antigas por novase de lâmpadas incandescentes por eletrônicas. Tabela 3 – Investimentos das distribuidoras em pesquisa e eficiência energética. Energia Números de Investimento Demanda evitada Ciclo economizada empresas (milhões de R$) (MW) (GWh/ano) 1998/1999 17 196 250 755 1999/2000 42 230 370 1020 2000/2001 64 152 251 894 2001/2002 64 142 85 348 2002/2003 64 154 54 222 2003/2004 64 313 110 489 2004/2005 64 175 275 925 2005/2006 64 296 141 538 2006/2007 60 261 138 368 Total 1919 1674 5559Fonte: ANEEL e CZAPSKI, 2008; com modificações. Tabela 4 – Tipos de projetos realizados (período 2000/2001 a 2004/2005). Tipo Investimento apropriado Demanda evitada Energia economizada (milhões de R$) (MW) (GWh/ano) Iluminação pública 374,6 175 797 Residencial 133,5 313 930 Industrial 96,0 59 376 Serviços públicos 91,3 118 312 Educação 80,9 25 90 Comércio e serviços 59,5 30 130 Poder público 34,8 14 57 Aquecimento solar 19,4 n.d. n.d. Rural 14,6 9 83 Perdas 12,4 17 79 Gestão E. municipal 11,5 n.d. n.d. Fator de carga 11,2 6 0,6 Total 939 765 2853Fonte: ANEEL e CZAPSKI, 2008; com modificações. Um passo importante foi dado com a criação do portal PROCEL INFO – Centro Brasileirode Informação de Eficiência Energética. Nele são encontrados os dados mais relevantes sobre aeficiência energética no Brasil e os softwares que auxiliam os projetos; além de uma relação dasfontes de financiamento. Segundo dados do PROCEL, o total de investimentos em eficiênciaenergética foi de R$ 292 milhões, com uma economia de energia média de 1.573 GWh/ano. Na Tabela 5 são apresentados o consumo final e as energias economizadas (porprograma) anuais. As considerações para a elaboração da tabela foram: (a) A unidade utilizada foi a tonelada equivalente de petróleo (tep). Segundo o BalançoEnergético Nacional (BEN) 2009, cada tep equivale a 11,63 MWh. (b) Com relação ao PROCEL, para os anos de 1999, 2000 e 2001, foi utilizado a média daenergia economizada entre os anos de 1986 a 2001, ou seja, 14 GWh dividido por 16 anos ou0,875 GWh/ano. Pela análise da tabela percebe-se que a energia economizada, devido ao PROCEL, cresceanualmente, passando de 0,392 % da energia consumida com eletricidade em 2002 para 0,953 %em 2007. O Programa Anual de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica (PEE) da ANEELapresenta uma característica irregular, variando de 0,107 % a 0,089 % para o mesmo intervalo detempo – com um pico de 0,246 % no ano de 2005. Os programas somados atingem um poucomais de 1 % para o ano de 2007. Para evitarmos o aumento do consumo de gás, óleo combustívele carvão nos próximos anos essa porcentagem precisa aumentar radicalmente. 5
  • 6. Tabela 5 – Consumo final e energia economizada por ano. 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007Consumo final 170.48 3 171.949 172.186 178.160 182.114 191.197 195.909 202.898 215.499total (10 tep) 2Eletricidade 3 27.144 28.509 26.626 27.884 29.430 30.955 32.267 33.536 35.443(10 tep) 3PROCEL (10 0,075 0,075 0,075 109,20 156,233 204,041 185,554 244,625 337,919tep)PROCEL/ 2,76 X 2,63 X 2,82 XEletricidade 10 -4 10 -4 10 -4 0,392 0,531 0,659 0,575 0,729 0,953(%)PEE – ANEEL 3 64,918 87,704 76,870 29,922 19,088 42,046 79,535 46,260 31,642(10 tep)PEE/Eletricidade 0,239 0,308 0,289 0,107 0,065 0,136 0,246 0,138 0,089(%)Total deenergia 64,993 87,779 76,945 139,122 175,321 246,087 265,089 268,885 369,561economizada 3(10 tep)Energiaeconomizada/ 0,239 0,308 0,300 0,500 0596 0,795 0,821 0,803 1,043Eletricidade(%)Fonte: Elaboração própria com dados de BEN, 2009; ANEEL e CZAPSKI, 2008; www.eletrobras.com/procel,2010.4 – Cenários para Eficiência Energética no Brasil A Tabela 6 mostra as projeções para eficiência energética elaborados pela EPE (Empresade Pesquisa Energética) (PNE – 2030 – Eficiência Energética, 2009) para os anos de 2010, 2020e 2030. O estudo do EPE elaborou quatro cenários, a saber: A – “Na Crista da Onda”, B1 –“Surfando na Marola”, B2 – “Pedalinho e C – “Náufrago”. Os cenários A e B1 são caracterizadospor um processo de gestão eficaz no país, “onde gargalos de infra-estrutura e oferta definanciamento não se constituem restrições efetivas ao desenvolvimento do país”. Os cenários B2e C apresentam restrições internas que impactam negativamente na penetração de alternativaseficientes de uso de eletricidade (PNE – 2030 – Eficiência Energética, 2009). Os dadosapresentados pelo estudo da EPE referem-se à indústria. Tabela 6 – Cenários para Eficiência Energética no Brasil segundo EPE. 2010 2020 2030Cenários Energia Energia Energia Energia Energia Energiapara economizada economizada economizada economizada economizada economizadaIndústria 3 3 3 (GWh) (10 tep) (GWh) (10 tep) (GWh) (10 tep)– EPEA 4.797 412,468 19.398 1.667,928 48.343 4.156,750B1 3.320 285,469 11.846 1.018,573 21.705 1.866,294B2 1.833 157,609 7.139 613,843 13.813 1.187,704C 1.552 133,447 4.996 429,578 9.083 780,997Fonte: Adaptado de EPE, 2009. A Tabela 7 apresenta o potencial de economia de energia segundo a Agenda ElétricaSustentável 2020 (WWF Brasil, 2007). A tabela está dividida em setores residencial (r), industrial(i) e comercial e público (c+p). A penúltima linha é a somatória dos valores da indústria. Pelaanálise da tabela, o setor industrial economizará 85.721 GWh no ano de 2020. Esse valor é quase4,5 vezes maior do que o projetado pela EPE no cenário A - o mais otimista. Em 2030, a indústriaeconomizará 48.383 GWh (segundo dados da EPE), atingindo pouco mais de 50% do que foipublicado pela Agenda Elétrica Sustentável 2020. A Tabela 8 mostra o consumo final deeletricidade para o setor industrial para os anos de 2010, 2020 e 2030 para os quatro cenários. 6
  • 7. Tabela 7 – Potencial de Economia de Energia para o ano de 2020 segundo WWF Brasil.Setores Potencial de Economia 3 (GWh) (10 tep)Chuveiro elétrico (r) 27.110 2.331,040Iluminação (c+p) 29.984 2.578,160Outros usos (i) 17.097 1.470,077Iluminação elétrica (r) 8.606 739,983Ar-condicionado (r) 1.847 158,813Ar-condicionado (c+p) 6.340 545,141Aquecimento direto (i) 13.441 1.155,718Geladeira (r) 6.178 513,212Freezer (r) 2.715 233,448Refrigeração (c+p) 2.932 252,107Troca de motores (i) 55.183 4.744,884Setor industrial (subtotal) 85.721 7.370,679Total 107.730,6 9.263,164Fonte: Adaptado de WWF Brasil, 2007. Tabela 8 – Consumo final de eletricidade na indústria. 2010 2020 2030Cenários para Indústria – Consumo (TWh) Consumo (TWh) Consumo (TWh)EPEA 238,8 362,6 557,0B1 237,0 338,5 460,3B2 231,9 312,3 415,3C 231,0 292,4 380,4Fonte: Adaptado de EPE, 2009. A porcentagem de energia economizada pode ser calculada dividindo-se a energiaeconomizada (Tabela 6) pelo consumo final de eletricidade (Tabela 8). A Tabela 9 mostra osresultados para os quatro cenários. Pelos dados da Tabela 5 a porcentagem de energiaeconomizada para o ano de 2007 foi de 1,043 %. Esse valor é próximo ao calculado (1,04 %) parao cenário B1. Se os investimentos nos programas de eficiência energética continuarem, aporcentagem de energia economizada ficará entre os dois cenários (A e B1) - para os anos de2020 e 2030. Na melhor situação (cenário A) a porcentagem de energia economizada atinge 8,68% em 2030. Tabela 9 – Porcentagem de energia economizada.Cenários para a 2010 2020 2030IndústriaA 2,01 5,35 8,68B1 1,04 3,50 4,71B2 0,79 2,29 3,33C 0,67 1,71 2,39Fonte: Elaboração própria.5 – Conclusões Os cenários A - “Na Crista da Onda” e B1 – “Surfando na Marola”, elaborados pela EPE,parecem ser os mais realistas para o potencial de energia economizada para os anos de 2020 e2030. Infelizmente os números apresentados pela Agenda Elétrica Sustentável 2020 diferemconsideravelmente do estudo apresentado pela empresa estatal. Para que esses cenários setornem uma realidade é necessário um Plano Nacional de Eficiência Energética que integreindústria, Estado e universidades. Além disso, o Estado também deve estimular os projetos e aconstrução de usinas eólicas, solares, de biomassa etc. Os dois pilares para o desenvolvimentodo país, com um menor impacto ambiental, são: utilização de fontes renováveis de energia eeficiência energética. 7
  • 8. Palavras Chaves: eficiência energética, desenvolvimento sustentável, fontes renováveis, usoracional de energia.6 – ReferênciasCZAPSKI, S. “Investimento em ganho de eficiência atingem R$ 1,4 bi”. Valor Econômico.Especial – Empresa & Comunidade, 22 de janeiro de 2008.EPE - Empresa de Pesquisa Energética. PDE – Plano Decenal de Expansão. Disponível em:www.epe.gov.brMARQUES, M.; HADDAD, J.; MARTINS, A. R. S. M. “Conservação de energia – Eficiênciaenergética de instalações e equipamentos”. Itajubá: FUPAI, 2001.PNE – 2030 – Eficiência Energética. Plano Nacional de Energia 2030. Disponível em:www.epe.gov.brPROCEL INFO - Centro Brasileiro de Informação em Eficiência Energética. Disponível em:http://www.eletrobras.com/elb/procelinfo/main.asp____________. Um ano: Resultado e Perspectivas, 2007. Trabalho apresentado no FórumPermanente de Energia e Meio Ambiente da Unicamp, 4 de Setembro de 2007 (Auditória daBiblioteca Central). Disponível em: http://www.cori.unicamp.br/foruns/energia/foruns_energia.php.SANTOS, A. H. M.; BORTONI, E. C.; GUARDIA, E. C.; NOGUEIRA, F. J. H.; HADDAD, J.;NOGUEIRA, L. A. H.; PIRANI, M. J.; DIAS, M. V. X.; VENTURINI, O.; CARVALHO, R. D. M.;YAMACHITA, R. A. “Eficiência Energética – Teoria & Prática”. 1ª. ed. Itajubá: FUPAI, 2007.WWF Brasil. Agenda Elétrica Sustentável 2020. 2007. Disponível em: http://www.wwf.org.br/6.1 - Referências InfográficasANEEL. In Internet Site: www.aneel.com.brBEN - Balanço Energético Nacional. Ministério de Minas e Energia. In Internet site:https://ben.epe.gov.br/ 8