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Revista Pró Inovação - Edição 04
 

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    Revista Pró Inovação - Edição 04 Revista Pró Inovação - Edição 04 Document Transcript

    • TECNOLÓGICA Uma publicação da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica EM REVISTA ANO l Nº 4 - novembro/dezembro 2010 As bases para umaindústria competitivaEncontro Nacional da Inovação Tecnológicareúne propostas do governo e do setor produtivo ial C ec ITEpara impedir o avanço do apagão tecnológico Esp N E IX
    • Inteligente, prático e fácil de usar. Novo Portal Protec.O espaço da inovação tecnológicana internet está renovado para você.O site da Protec acaba de se transformar em portal. Agora, tudo que você precisar saber sobre inovação tecnológica na indústria estáreunido em um só lugar. Acesso a sites temáticos e das principaisassociações setoriais do País, notícias, reportagens exclusivas, publicaçõesespecializadas. Sem falar nos serviços, como agenda de editais, eventos,simulador de incentivos e muito mais. Este é o presente de fim de ano quea Protec antecipa para você.Aproveite! Confira as novidades em Portal Inovação na Indústria Brasileira
    • editorial editorial TECNOLÓGICA Diálogo aberto Uma publicação da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica E M R E V I S TA em favor da inovação Sociedade Brasileira Pró-InovaçãoTecnológica O IX Encontro Nacional da Inovação Tecnológica (Enitec) foi, mais uma vez, cenário de profundas Presidente: discussões sobre como avaliar os resultados e melhorar Humberto Barbato as políticas públicas de inovação. Pelo menos dez Vice-presidentes: Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, propostas foram apresentadas pelas entidades setoriais Jorge Lins Freire, Paulo Skaf, e serão consolidadas pela Protec em documento a ser Robson Braga de Andrade e encaminhado para o governo eleito. Para dar transpa- Rodrigo Rocha Loures rência às conclusões dos debates, esta edição da Pró- Conselheiros: Inovação Tecnológica em Revista é totalmente dedicada à cobertura do Enitec, além de Armando Monteiro Neto, Carlos Alexandre Geyer, mostrar momentos da entrega do Prêmio Inovar para Crescer, oferecido pela Protec no Franco Pallamolla, Dia da Inovação (19 de outubro). Celso Antônio Barbosa, O Enitec mostrou, com a análise dos resultados do Edital Senai de Inovação, que João Carlos Basílio, não só é possível, como necessário, usar critérios empresariais para selecionar e José Manuel de Aguiar Martins, Luiz Aubert Neto, verificar a efetividade de projetos de inovação. A orientação serve em especial para a Luiz Guedes, Luiz Amaral, subvenção econômica da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). No encontro, Merheg Cachum, Paulo Godoy e também foram indicadas propostas de melhorias específicas para esse mecanismo, Paulo Okamotto com base em um estudo da Protec. Com a presença de representantes da Finep prontos Diretoria: a ouvir críticas e sugestões, e ao mesmo tempo expor os limites institucionais, o Enitec Roberto Nicolsky, Marcos Oliveira, Fabián Yaksic e Joel Weisz estabeleceu o diálogo aberto entre a agência reguladora e a indústria. O papel mediador se fez presente também nos debates sobre a desindustrialização.Pró-Inovação Tecnológica em Revista é BNDES, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), uma publicação bimestral da setores da indústria e o especialista no assunto Nelson Marconi, da Fundação Getúlio Sociedade Brasileira Vargas (FGV), compartilharam múltiplas visões sobre o tema. Foi possível, assim, Pró-Inovação Tecnológica traçar as diferentes facetas desse problema complexo. A dificuldade maior tem sido Expediente convencer o Governo a assumir que ele ocorre de fato. Coordenação editorial: Mas passados o Enitec e as eleições, o tema começou a ser oficialmente encarado. Natália Calandrini Em meados de novembro o jornal “Valor Econômico” divulgou informações de Textos: documento finalizado pelo MDIC em julho que revela a preocupação com a “desin- Natália Calandrini Igor Waltz dustrialização negativa”, admitindo a "reprimarização" da pauta de exportações Colaboração: desde 2007. Diz, ainda, o que a Protec alerta há alguns anos: a desindustrialização Luciana Ferreira brasileira não se caracteriza pela queda da produção. Ela consiste na “perda relativa de Projeto e produção editorial: dinamismo da indústria na geração de renda e emprego”, como define o texto, que Ricardo Meirelles também aponta a deterioração dos setores de maior intensidade tecnológica. Diagramação: Jessica S. Gama A divulgação do fato acende a esperança de que os problemas do País e as possíveis Estagiárias: soluções apontadas pela indústria comecem a ser considerados pelo Governo. Fernanda Magnani O Enitec se mostrou um eficiente canal de comunicação para que os pleitos sejam Mayara Almeida avaliados e encaminhados, em um esforço conjunto para a melhoria de políticas Comercial e Marketing: públicas que direta ou indiretamente impactam na inovação tecnológica brasileira. Alexandre Nicolsky Circulação: 5 mil exemplares Roberto Nicolsky Diretor-geral da Protec . Protec - Sociedade Brasileira Sumário Pró-Inovação Tecnológica Notas............................................................................................................................................ 2Av. Churchill, 129 - Grupo 1101 - Centro Indústria – O que fazer para combater a desindustrialização................................................................ 3 Rio de Janeiro - RJ Subvenção – Sugestões para melhorar a oferta de recursos não reembolsáveis.........................6 CEP 20020-050 Tel.: (21) 3077-0800 Financiamento – O papel do governo para estimular o investimento privado em inovação.............9 Fax.: (21) 3077- 0812 Legislação – As transformações provocadas pela MP 495 e a Lei do Bem.....................................10 revista@protec.org.br Espaço Rets................................................................................................................................ 12 www.protec.org.br www.protec.org.br 1
    • notas notas Crescimento à base da inovação A entrega do Prêmio Inovar para Crescer reuniu represen- tantes do governo e da indústria que exercem importante papel na formulação e execução de políticas públicas para inovação. Entre eles, o secretário de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Francelino Grando, e o diretor da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Clayton Campanhola. Realizada no Dia da Inovação (19 de outubro), no Clube Hebraica, em São Paulo, a cerimônia foi a oportunidade de compartilhar experiências bem-sucedidas no uso da inovação tecnológica como melhoria incremental. O Prêmio foi oferecido pela Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), em parceria com o Senai, às empresas: Nibtec (Revelação/Pequena Empresa); Altus Sistemas de Informática (Estratégia/Média Empresa); Embraer (Visão/Grande Empresa); Eggon João da Silva, co-fundador da WEG (Personalidade Inovadora) e Carlos Chiti, co-fundador das Indústrias Romi (Personalidade Inovadora In Memoriam). Na abertura do evento, o 1 2 presidente da Protec, Humberto Barbato, expressou preocupação com o déficit comercial e tecnológico do Brasil. Porém, destacou que a oferta do Prêmio Inovar para Crescer demonstra a capacida- de de superação da indústria. O que falta são políticas públicas capazes de incentivar a ino- vação, o investimento pro- dutivo e as exportações. O gerente executivo do3 4 Departamento Nacional do Senai, Orlando Clapp Filho, destacou os esforços da instituição para aumentar a disponibilidade de serviços de apoio tecnológico e de recursosparainovaçãonaindústria. Segundo ele, atualmente são mais de 100 laboratórios acreditados à disposição e 150 empresas desenvolvem produtos ou processos com investimentos do Senai, que pretende aumentar esses números em 2011. 5 Da esq. p/a dir.: [1] o presidente da Protec, Humberto Barbato, entrega o prêmio Personalidade Inovadora ao presidente do Conselho de Administração da WEG Décio da Silva, representando o pai, Eggon João da Silva; [2] o diretor da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Clayton Campanhola, e o presidente da Altus, Luiz Gerbase; [3] o vice-presidente executivo de Tecnologia da Embraer, Emilio Kazunoli Matsuo, e o secretário de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Francelino Grando; [4] o gerente do Senai Nacional, Orlando Clapp, e Bruno Gouvea, diretor do Grupo Giga/Nibtec; [5] Eugênio Guimarães Chiti, chefe de Marketing e Relações Institucionais da Romi, recebe a homenagem póstuma ao pai, Carlos Chiti, do diretor- geral da Protec, Roberto Nicolsky
    • indústria indústriaNelson Marconi“A indústria nacionalestá se tornando umagrande linha de montagem”A queda da participação da indústria brasileira no Produto Interno Bruto(PIB) está acontecendo cedo demais, na outros setores, acredito que a desindustrialização brasileira está acontecendo prematuramente.avaliação de Nelson Marconi, economistada Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Foi Como o senhor explicariao que constatou o estudo feito a partir de esse processo?dados do Instituto Brasileiro de Geografia e N. M.: Em parte, podemosEstatística (IBGE). Para o especialista, os explicar esse fato pelo aumentonúmeros são alarmantes. Entre 1947 e 1973, da participação do setor dea participação da indústria de serviços na medida em que atransformação no PIB saltou de 15% para economia cresce. Mas a taxa de23,5%, mas, a partir dessa data, o câmbio também tem um pesopercentual do setor produtivo despencou. importante no processo deSegundo ele, em 1982, a indústria de desindustrialização. Com o realtransformação respondia por 20% do PIB, valorizado, a indústria nacionalpassando para 17% em 1992, e atingiu hoje encontra dificuldade deseu menor patamar desde 1947, com 15%. competir com os produtosA seguir, o professor da FGV analisa o estrangeiros e opta por importarprocesso brasileiro de desindustrialização máquinas e insumos para(leia a matéria da pág. 4), tema de painel do IX compensar a perda de receita —Encontro Nacional de Inovação fenômeno conhecido comoTecnológica (Enitec). hedge produtivo. Dessa forma, ocorre o desmonte da cadeiaA participação da indústria no PIB produtiva, em detrimentobrasileiro vem caindo desde meados principalmente dos produtoresdos anos 1970. Como o senhor avalia intermediários. A indústriaessa redução? brasileira está se tornando uma Que medidas devem ser adotadas peloNelson Marconi: A desindustrialização vem grande linha de montagem. Governo para combater o processo deocorrendo de forma bastante intensa no desindustrialização?Brasil, o que é preocupante. Os dados nos A desindustrialização atinge princi- N.M.: A principal medida é desvalorizar amostram que atualmente a indústria de palmente quais setores? taxa de câmbio para garantir que atransformação está no mesmo patamar que o N. M.: Os setores mais afetados são os indústria nacional tenha mais condições dedo fim da década de 1940, quando o País intensivos em mão de obra, como o têxtil, competir. Mas são necessárias tambémainda tinha uma economia essencialmente e os intensivos em tecnologia, como o da ações de longo prazo, como estímulo aoagrária. Essa diminuição do percentual é algo indústria eletrônica. A redução dos investimento em inovação tecnológica eque já foi observado na economia dos países manufaturados pode ser explicada pela linhas de crédito de acordo com asdesenvolvidos, mas com uma importante evolução das importações. Nos setores de demandas de cada um dos segmentosdiferença. Neles, o processo teve início alta e média-alta tecnologia, as compras industriais. Outra iniciativa importantequando a renda per capta estava em torno de externas de produtos acabados tiveram seria o incentivo à formação de clusters.US$ 10 mil, enquanto no Brasil teve início um crescimento de 149% no período de Organizados na forma de Arranjoscom uma renda de R$ 4 mil. Como o valor 1995 a 2007. Já a participação dos bens Produtivos Locais, as indústrias de umadicionado per capita gerado pela indústria intermediários importados saltou de 63% mesmo setor podem adotar ações conjuntasde transformação é maior que o gerado pelos para 69,6% no mesmo período. para aumentar sua competitividade. www.protec.org.br 3
    • indústria indústria A quebra da cadeia produtiva S eja qual for o termo que usem, especialistas do governo e represen- tantes do setor produtivo caminham déficit comercial da indústria foi de US$ 25,7 bilhões de janeiro a outubro de 2010. Em todo o ano de 2007, o saldo alavancado a importação dos bens de capital, já que o câmbio valorizado e os juros altos deixam o produto nacional para um consenso de que a indústria comercial tinha sido de US$ 22 bilhões sem competitividade. brasileira está sendo cada vez mais positivos. Já o déficit tecnológico, ainda “Alguns podem falar que estamos impactada pela invasão de produtos mais grave, é de US$ 69,9 bilhões nos importando produtos tecnológicos [que importados, somada aos altos custos de primeiros dez meses do ano, contra US$ seriam inexistentes no País]. Eu digo que produção. No painel “Riscos de 48,4 bilhões no mesmo período de 2009. estamos importando qualquer coisa. desindustrialização” do IX Encontro Evitando a polêmica palavra “desin- Tenho comparado e vejo que são Nacional da Inovação Tecnológica dustrialização”, o diretor de Plane- produtos idênticos ou de tecnologia (Enitec), entidades setoriais reclamaram jamento do BNDES, João Carlos Ferraz, mais baixa que a nossa”. Segundo em coro da rápida e acentuada perda de falou em desarticulação da cadeia Muller, está acontecendo um des- espaço no mercado nacional e até produtiva para identificar o fenômeno. colamento da produção física industrial internacional, que tem levado à redução “O processo não é homogêneo; ele das vendas do varejo. “Estamos ou interrupção da produção, com perda acontece de formas diferentes em cada importando bens finais”. de conteúdo tecnológico. setor, por dentro da cadeia produtiva. Os números da economia reforçam o Não podemos generalizar”. Impactos na cadeia produtiva argumento das entidades setoriais. Mas em 22 de outubro, no dia Humberto Barbato, presidente da Segundo levantamento feito pela seguinte ao Enitec, o presidente do Protec e da Associação Brasileira da Sociedade Brasileira Pró-Inovação BNDES, Luciano Coutinho, assumiu que Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Tecnológica (Protec) em dados do o Brasil precisa "abrir os olhos" para disse que a situação é tão grave que há Ministério do Desenvolvimento, o evitar o processo de desindustrialização. empresas pedindo para que não sejam Na Federação das Indústrias do Estado tomadas medidas contra os importados. de São Paulo (Fiesp), ele afirmou que a “Já temos filiados dependentes de valorização cambial incentiva o importação. É como um câncer que se crescimento das importações, com espalha por toda a cadeia produtiva”. indícios de concorrência desleal. "Não Ele mencionou que transformadores, podemos jogar a toalha e aceitar o disjuntores, cabos, torres e outros esvaziamento de cadeias produtivas e produtos do setor de energia elétrica, em que uma explosão de importados que o Brasil tem indústria consolidada, esvazie especialmente as indústrias de estão vindo da China. Segundo Barbato, bens de capital e mecânica", declarou. as ligações Tucuruí-Manaus e Tucuruí- A Associação Brasileira da Indústria Macapá foram todas feitas com produtos de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) chineses e o mesmo só não acontecerá é apenas uma das entidades que há com a construção da usina de Belo Monte, tempos vêm alertando para esse perigo. no Pará, porque o setor se movimentouDa esq. p/a dir.: Rafael Moreira, do Ministério do Klaus Curt Muller, representante da para pedir providências do governo,Desenvolvimento; Nelson Marconi, da FGV; Roberto Nicolsky, da Abimaq, disse em sua apresentação no obtendo uma linha de financiamento doProtec; Rodrigo Loures, da Fiep; e Klaus Curt Muller, da Abimaq Enitec que o consumo aparente tem BNDES. Em todo a área de eletroeletrô- 4 Pró-Inovação em Revista - Ano I - nº 4 - novembro/dezembro 2010
    • nicos, as importações de produtosterminados é de 20% do faturamento “e o déficit comercial deve chegarUS$ 27 bilhões este ano. Por isso, Barbato Falam quesugeriu o aumento do imposto de impor- importamos produtostação de alguns itens provisoriamente. tecnológicosSoluções apontadas inexistentes no País, Apesar de discordar das evidênciasde “um processo generalizado de mas comparo e vejo que sãodesindustrialização”, assim como Ferraz,o diretor da Agência Brasileira de Desen-volvimento Industrial (ABDI), ClaytonCampanhola, afirmou que “não produtos idênticos ou de tecnologia “devemos cruzar os braços”. Ele lembrou mais baixa mentos orientados ao mercado, e a baixaque o governo está definindo as macro- que a nossa difusão da cultura de inovação.metas da Política de Desenvolvimento De acordo com Rafael, a falta de mãoProdutivo para 2011 a 2014 e que esta é a de obra qualificada também contribuioportunidade de instâncias públicas e Klaus Curt Muller para a desindustrialização. Faltamprivadas reverem os mecanismos de profissionais em setores como o deincentivo à produção existentes. indústria química e instrumentação, e, Para mudar o quadro, o professor de segundo ele, o governo vem seEconomia da Fundação Getúlio Vargas “Temos ilhas de dinamismo tecnológico esforçando para casar demanda e oferta.(FGV-SP) Nelson Marconi (veja entrevista no Brasil, apesar da insuficiência das Segundo pesquisa de uma consultoria,na pág. 3) apontou medidas para políticas públicas, da carga tributária 55% das empresas não conseguemdesvalorizar o câmbio, promover que onera investimentos, do ambiente de efetivar contratações, algumas impor-negociações internacionais no campo da juros adverso para os investimentos e da tando profissionais.Organização Mundial do Comércio burocracia”, afirmou.(OMC) e outras instâncias para proteger Para o Brasil potencializar seuos produtos nacionais dos importados, e desenvolvimento tecnológico, itemimplantar políticas de pesquisa, essencial contra a desindustrialização, Proposições para...desenvolvimento e financiamento à precisa vencer alguns gargalos. Entreinovação de acordo com as demandas de eles, Rafael Henrique Rodriguessegmentos industriais. Ferraz, do Moreira, gerente de projeto da Secretaria Reverter o processoBNDES, também defende a criação de de Inovação do Ministério do Desen- de desindustrializaçãoestratégias setoriais. volvimento, Indústria e Comércio “O governo precisa prestar apoio a Exterior, destacou a baixa articulação de • Aumentar provisoriamentesetores transversais, como os de bens de atores do sistema brasileiro de inovação, a insegurança jurídica dos incentivos, os impostos de importaçãocapital e de eletroeletrônicos, que dãocompetitividade para a economia como investimentos públicos concentrados em C&T associados à baixa oferta de instru- • Adotar medidas para desvalo-um todo. Até o agronegócio depende rizar o câmbiodisso”, disse Rodrigo da Rocha Loures,presidente da Federação das Indústrias • Negociar internacionalmente ado Estado do Paraná (Fiep), referindo-se proteção de produtos brasileiros “às políticas econômicas e comerciais. Já temos • Implantar políticas de inovação filiados na Abinee de acordo com demandas de segmentos industriais, com com- dependentes partilhamento do risco pelo Estado de importação. É como um câncer “ • Promover o ajuste fiscal e a redução dos juros para incentivar que se espalha por os investimentos em inovação e toda a cadeia em produção produtiva Humberto Barbato www.protec.org.br 5
    • subvenção subvenção Recursos não reembolsáveis: Enitec conquista melhorias e aponta novos rumos E stá consolidado na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) o entendi- mento de que a subvenção econômica à O palestrante reiterou que as novas regras do edital tiveram base em reivindicações da Protec e de entidades Segundo o palestrante, no modelo anterior, muitas vezes as empresas proponentes não conheciam seus inovação consiste em instrumento setoriais, inclusive apresentadas em concorrentes e o mercado, não estando destinado exclusivamente a empresas Enitecs anteriores. O seminário de preparadas para receber os recursos. produtivas. A nova visão, antecipada à avaliação de resultados de 2009 Pró-Inovação Tecnológica em Revista na realizado pela Finep também conferiu Eliminar a restrição temática edição passada pelo superintendente da subsídios para a mudança. “A subven- De acordo com levantamento apresen- área de Financiamento, Luiz Coelho, foi ção mascarava projetos que eram de tado pelo consultor da Protec, Fernando reforçada pelo chefe do Departamento Instituições Científicas e Tecnológicas Varella, sobre o desempenho da subvenção de Acompanhamento da Finep, (ICTs), mas ela é para as empresas. O nas edições de 2006 a 2009, ainda há espaço Mauricio Syrio, no IX Encontro Nacional mecanismo deve oferecer apoio e não ser para melhorar o formato do programa. da Inovação Tecnológica (Enitec). fonte de sobrevivência. Não queremos Para começar, acabando com a restrição a Durante o painel “Subvenção e apoios empresas sobrevivendo da subvenção”, áreas específicas para desenvolvimento de não reembolsáveis”, Syrio destacou que disparou Syrio. projetos. “Muitas empresas deixam de o edital de subvenção de 2010 sofreu Com as mudanças, o número de participar dos editais porque suas alterações nos critérios de seleção para projetos apresentados caiu (de 2.558 em propostas não estão enquadradas, apesar ser direcionado a empresas de mercado, 2009 para 993 em 2010). Porém, a de elas atuarem em setores classificados que têm condições de lançar produtos e qualidade aumentou, tendo maiores como estratégicos pela Política de processos com retorno econômico. chances de sucesso, garantiu Syrio. Desenvolvimento Produtivo”, relata. 6 Pró-Inovação em Revista - Ano I - nº 4 - novembro/dezembro 2010
    • subvenção incrementais correm o risco de chegarem a resultados já ““ velhos e com tecnologia Muitas empresas A subvenção ultrapassada”, disse. Das 114 companhias deixam de participar mascarava projetos selecionadas no edital de dos editais de que eram 2006, 79 responderam à pesquisa da Protec. Delas, 44% tinham Instituições Científicas subvenção porque “ eseus projetos não Tecnológicas (ICTs), “ “ concluído seus projetos e inserido as A subvenção soluções no mercado; 22% concluíram estão enquadrados mas ela é para mascarava projetos sem inserção; e 34% não concluíram. Syrio confirmou que os números se aproximam nos tópicos as empresas que eram de da avaliação em curso pela Finep. definidos Instituições Científicas “ “ Mauricio Syrio e Tecnológicas (ICTs), Avaliação de impactos A necessidade e as formas de se Fernando Varella mas ela é para mensurar resultados econômicos dos as empresas projetos subvencionados estiveram em discussão no painel. Para Varella, é imprescindível que a Finep divulgue, com Mauricio Syrio transparência, os impactos do programa na economia – quantos produtos foram Varella sugeriu ainda que seja introduzidos no mercado e o número dediminuído o valor mínimo para projetos patentes registradas, por exemplo. Oapresentados por micro e pequenas especialista considera que a metodologiaempresas, de R$ 500 mil para R$ 250 mil. de avaliação adotada pela Finep em 2009,Assim, é possível aumentar as chances de seminário fechado e com fichas dede se gerir melhor o projeto e pulverizar avaliação preenchidas pelas própriasrecursos. Em 2006, 327 micro e pequenas empresas, não é adequado. Juntando osreceberam 37,3% dos recursos disponibi- seminários realizados em 2009 e 2010, umlizados, uma média de R$ 1,8 milhão por total de 71 empresas foram avaliadas,empresa. O número é nove vezes o valor representando 11,5% do universo apoiado A importância do foco no negócio, a faltamédio do faturamento anual das MPE, no período, uma “amostra pouco de recursos para se levar o produto aosegundo dado do Sebrae de São Paulo. representativa”, segundo ele. mercado e o baixo risco tecnológico dos Outro ponto importante, segundo o Apesar de reconhecer as limitações do projetos foram algumas delas.consultor, é diminuir o tempo entre estudo, Syrio, da Finep, destacou as A Finep também observou que maislançamento da chamada e contratação. conclusões possíveis de serem extraídas da metade dos contemplados ainda nãoTambém há necessidade de se reduzir o do primeiro seminário e que permitiram obteve receitas com o produto subvencio-tempo para o desenvolvimento, que o aprimoramento do edital de subvenção. nado. A falta de inadequação da subven-atualmente varia de 36 a 48 meses. “Após ção para empresas pré-operacionais e aesse tempo, os projetos de inovações dificuldade de os beneficiados gerencia- “ rem mais de um projeto ao mesmo tempo Projetos reforçam as recomendações encaminha- acadêmicos podem das pela Protec em outros anos. Já quanto à própria metodologia de avaliação, a ser ótimos, mas Finep notou inconsistências em questio- não estão baseados “ nários, com a necessidade de melhorias na experiência em seu formato. de mercado para Fatores de sucesso comercialização Com base em estudo sobre os resultados do Edital Senai de Inovação, Roberto Nicolsky, diretor-geral da Roberto Nicolsky Protec, identificou os fatores de sucesso www.protec.org.br 7
    • subvençãopara os projetos de subvenção. Eleapontou o perfil de empresas adequadaspara receber esse tipo de recursos. São Proposições para...aquelas com estrutura produtiva jápreparada para fazer o produto ouprocesso desenhado no projeto. Essas Aperfeiçoamento da subvençãoobtiveram 86% de inserção efetiva da econômica à inovaçãoinovação no mercado. A apresentaçãodo plano de negócios e de projetoformulado por iniciativa da própria • Eliminar restrição do edital • Desclassificar propostasempresa também impactaram positiva- a temas específicos cujos gestores não compro-mente nos resultados. vem efetiva experiência na “A principal fonte de subsídios para • Restringir a aprovação de fabricação e comercializaçãoo projeto deve ser o mercado, e não o novo projeto de empresas que dos produtos e processos queprofessor Pardal, um gênio da universi- ainda não concluíram projetos pretendem inovardade. Este é nosso medo com relação a contratados anteriormenteprojetos acadêmicos. Eles podem ser • Exigir a inserção competi-ótimos, mas não estão baseados na • Aprovar apenas um projeto tiva no mercado do novoexperiência de mercado para comerciali- por empresa produto, processo ou servi-zação”, disse o coordenador do estudo. ço, com previsão de despesas Pensando na ponta do acesso aos • Reduzir o valor mínimo para de pelo menos 15% dosrecursos, Carlos Cavalcanti, da Asso- projetos apresentados por recursos solicitadosciação Brasileira da Indústria Elétrica e micro e pequenas empresasEletrônica (Abinee), sugeriu a simplifi- para R$ 250 mil, melhorando a • Divulgar os impactos docação das informações sobre os mecanis- gestão e pulverizando recursos programa na economiamos de fomento. “Do ponto de vista doempresário, os mecanismos são difíceis • Diminuir o tempo entre • Ampliar os recursos, alo-de entender e parecem se sobrepor, lançamento da chamada e cando pelo menos 30% dosdentro da própria Finep e entre asagências de fomento. Muitas vezes o contratação para o desenvol- recursos do Fundo Nacional detomador não sabe a que guichê recor- vimento do projeto Desenvolvimento Científico erer”, afirmou. Na opinião de Cavalcanti, Tecnológico (FNDCT), o queé preciso se discutir mais a inovação e o • Comprovar a fonte de re- corresponderia a R$ 1 bilhãodesenvolvimento tecnológico do ponto cursos das contrapartidas em 2010de vista de diretrizes gerais para o País,coordenadas a ações nos estados.Novos editais do Sebrae O Sebrae reformulou seu programa inovação, prototipagem de produtos e meses e projetos em valor de até R$ 600 mil,Sebraetec e incluiu a distribuição de encadeamento empresarial, com prazo somando R$ 113,4 mil até 2013. O Sebraerecursos não reembolsáveis, diretamente de implementação de até 12 meses e Nacional arcará com 50% dos projetos,para empresas, destinados a projetos de valores de até R$ 90 mil. O desembolso sendo o restante coberto pela empresa e oinovação a partir de janeiro de 2011. total, em três anos, será de R$ 9,1 milhões. Sebrae no estado. O novo Sebraetec, comAntes concentrado apenas no custeio de Para a inovação de ruptura foi criada a valor total de R$ 787 milhões de 2011 aserviços tecnológicos, ele terá a linha modalidade Sebraetec Inova, também 2013, também engloba serviços de apoioSebraetec Inovação, para inovação direcionada a eco-inovação e encade- tecnológico (básico e avançado) e umaincremental, principalmente em eco- amento empresarial, porém prazo de 24 linha para indicação geográfica.8 Pró-Inovação em Revista - Ano I - nº 4 - novembro/dezembro 2010
    • financiamento financiamento O desafio de aumentar o dispêndio privado O s recursos crescem e as opções são variadas, mas ainda falta o comparti- lhamento de risco para que os financia- tivo. Conforme o Estado aumentou sua contribuição, as empresas aprenderam a importância de inovar e, hoje, respon- mentos para a inovação dêem certo no dem por 70% dos investimentos. Brasil. “Sem isso, recursos serão disponi- “É um equívoco pensar que a bilizados, porém com procura reduzida”, empresa tem por norma arriscar para decretou o diretor-geral da Sociedade aumentar ganhos. Ela se preocupa em Brasileira Pró-Inovação Tecnológica assegurar o que já tem e tende a inovar (Protec), Roberto Nicolsky, no painel defensivamente”, disse Nicolsky. Ele “Financiamentos” do IX Encontro apontou ainda problemas culturais. Nacional da Inovação Tecnológica “Não costumamos incentivar a inovação (Enitec). Segundo ele, foi sob o modelo de a partir do estágio em que as empresas se compartilhamento de risco que a Coreia do Sul conseguiu estabelecer o alto encontram; queremos logo dar o salto para a fronteira da tecnologia. Mas Outro olhar: padrão tecnológico atual. Em 1970, a quando o projeto faz parte da linha de financiamento à inovação participação da indústria nos investimen- produção da empresa, as chances de tos em inovação não era mais que 13%, sucesso são enormes, de mais de 80%”. no Nordeste enquanto 80% dos recursos públicos para Segundo Flávia Kickinger, do a área eram destinados ao setor produ- BNDES, o banco vem aumentando os Se o acesso a recursos para o recursos para inovação com o objetivo de desenvolvimento tecnológico é precário estimular o crescimento dos dispêndios para empresas do Sul e Sudeste do Brasil, privados para a área. Foram desembolsa- nas demais regiões o quadro tende a ser dos R$ 721,6 milhões entre janeiro e julho ainda mais duro. O Banco do Nordeste só deste ano, contra R$ 562,9 milhões no ano consegue atender a 10% dos projetos de de 2009. Ainda assim, Nicolsky considera inovação que recebe para sua linha de pouco. “São cerca de 1% dos recursos do apoio não reembolsável. Ainda assim, BNDES, quando deveriam ser 5%”. segundo Laércio de Matos Ferreira, do Para finalizar, Afonso Moura, da Escritório Técnico de Estudos Econô- Associação Brasileira Técnica de micos do Nordeste, a política nacional de Celulose e Papel (ABTCP), lançou uma expansão industrial contribuiu para provocação: “Precisamos entender o aumentar, mesmo que timidamente, o perfil dos financiamentos de hoje – se apoio às empresas. “Participamos deDa esq. p/a dir.: Maurício Syrio, da Finep; Flávia Kickinger, do reuniões como o Enitec para buscar estão mais voltados para a melhoria deBNDES; Roberto Nicolsky, da Protec; Laércio de Matos Ferreira, processos e produtos, ou para grandes maneiras de customizar nossas linhas dedo Banco do Nordeste; e Afonso Moura, da ABTCP inovações de ruptura”, questionou. financiamento para resultarem cada vez mais em desenvolvimento tecnológico efetivo”, disse. Além da linha não reembolsável, o Banco do Nordeste tem Proposições para... o financiamento reembolsável e cotas em fundos de capital de risco. Seguindo Melhorar as condições de financiamento instrução legal, é uma das poucas instituições de crédito que aplicam parte • Compartilhar o risco da inovação dos recursos em projetos na região do semi-árido. www.protec.org.br 9
    • legislação legislação MP 495 Mais um estímulo à inovação nacional A medida Provisória 495, que altera a Lei de Licitações (nº 8666/93), foi um importante passo para estimular a um verdadeiro Buy Brazilian Act [uma referência ao Buy American Act, lei assinada pelo presidente Franklin um impacto positivo para garantir o fortalecimento da cadeia produtiva nacional, incentivando a pesquisa inovação no País, pois institui margem de Roosevelt em 1933 para ajudar os Estados tecnológica no País, mais do que simples- preferência nas compras governamentais Unidos a se recuperarem da crise mente a produção nacional”, afirmou. de até 25% para produtos e serviços de econômica]”, explica Nicolsky. “Depois, Mas para Marcio Bosio, diretor empresas que praticam atividades de continuamos batalhando para que o institucional da Associação Brasileira da P&D no Brasil. Mas, sozinha, essa inciso fosse realmente utilizado. Indústria de Artigos e Equipamentos iniciativa tem efeito limitado, e é Farmanguinhos foi uma das poucas Médicos, Odontológicos, Hospitalares e necessária a implantação de mecanismos instituições a colocar o recurso em prática de Laboratórios (Abimo), a medida pode paralelos para que ela tenha efetividade. para a compra de antirretrovirais”. ter efeito limitado. “A MP é positiva, pois Essa foi uma das conclusões do painel insere o item da encomenda tecnológica, “Incentivos fiscais e o uso do poder de Setores estratégicos mas ela se aplica apenas às empresas que compra”, realizado durante o IX A MP 495 beneficia principalmente estão com seus projetos quase no ponto Encontro Nacional de Inovação os setores mais dependentes das de execução. É preciso outras medidas de Tecnológica (Enitec). aquisições públicas, como saúde, defesa apoio às empresas que estão dando os Durante o encontro, Roberto e telecomunicações. Um exemplo seus primeiros passos em inovação”. Nicolsky, diretor-geral da Sociedade recente foi o edital da Telebrás para a Brasileira Pró-Inovação Tecnológica compra de equipamentos DWDM Incentivos fiscais (Protec), lembrou o papel decisivo da (tecnologia que alimenta a fibra ótica) O painel abriu espaço também para a instituição na formulação das diretrizes para a infraestrutura necessária ao Plano discussão sobre a Lei 11.196/2005, gerais da MP 495, lançada em julho. Nacional de Banda Larga. Com base na conhecida como Lei do Bem, que Antes, em 2004, a Protec já havia proposto medida provisória, o edital foi restrito a permitiu um aumento significativo nos a inclusão de um artigo na Lei de Inovação tecnologias desenvolvidas no Brasil ou investimentos privados em P,D&I no que apontava a preferência, nas compras nos membros do Mercosul. Os próximos Brasil. De acordo com Reinaldo Danna, públicas, de empresas que desenvol- editais devem incorporar o mesmo coordenador-geral de inovação tecnoló- vessem tecnologia no País. O artigo não recurso, com exceção dos roteadores de gica do Ministério da Ciência e foi aceito conforme proposto, pois seria grande porte, que não têm produção Tecnologia (MCT), o marco legal deduz necessária a alteração da Lei de Licitações, local nem nos países vizinhos. do Imposto de Renda e da Contribuição mas foi incluído na forma de um inciso No Enitec, Lelio Augusto Maçaira, Social Sobre Lucro Líquido (CSLL) das que favoreceu as empresas inovadoras. vice-presidente da Associação Brasileira empresas os investimentos em pesquisa “Sugerimos ao relator da Lei de das Indústrias de Química Fina, básica e aplicada, desenvolvimento Inovação, Ricardo Zarattini (PT/SP), a Biotecnologia e suas Especialidades tecnológico e de protótipo, além de inclusão do inciso IV no artigo 27, que (Abifina), apresentou os principais serviços de apoio tecnológico. estabelece essa prioridade. Tratou-se de impactos da MP 495. “A iniciativa tem A lei prevê ainda a diminuição de 10 Pró-Inovação em Revista - Ano I - nº 4 - novembro/dezembro 2010
    • legislação legislação 50% no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para aquisição de Impactos da Lei do Bem bens de capital utilizados em P&D e a redução a zero do imposto sobre as Renúncia fiscal decorrente Investimentos realizados remessas ao exterior relativas a marcas, Ano dos investimentos em P&D pelas empresas em P&D patentes e cultivares. “Uma vez que as empresas apresentem informações detalhadas ao MCT sobre seus progra- 2006 R$ 229 milhões R$ 2,191 bilhões mas de pesquisa, o uso desses recursos é automático, sem a necessidade de um 2007 R$ 884 milhões R$ 5,138 bilhões analista do Governo”, explica Danna. “Além disso, o benefício pode ser 2008 R$ 1,544 bilhão R$ 8,798 bilhões aplicado a dispêndios em inovação próprios da empresa ou contratados de universidades, instituições de pesquisa, empresas pularam de R$ 2,2 bilhões para ciente. Para ele, todos os investimentos do inventores independentes ou micro e R$ 8,8 bilhões, o que representa um salto setor produtivo devem contar com pequenas empresas”. de 0,09% para 0,3% do PIB. “Em 2008, isenção fiscal. “Trata-se de um ciclo Segundo o coordenador, o sucesso da tivemos 552 empresas cadastradas e 460 virtuoso, pois, com uma carga tributária lei está estampado nos números. Em beneficiadas pela Lei, o que significa um menor, as empresas poderiam investir 2006, o governo deixou de arrecadar crescimento de 253% em relação a 2006”, mais em qualidade, ampliariam seus R$ 229 milhões em renúncia fiscal, comenta. “Em 2009, foram recebidos 635 mercados, e o governo poderia arrecadar enquanto em 2008 o valor subiu para formulários das empresas, que ainda se ainda mais”, defende. “Quando se taxa o R$ 1,5 bilhão. No mesmo período, os encontram em análise”. investimento, se encarece a produção e investimentos realizados em P&D pelas . fica mais fácil trazer o produto acabado Articulação dos mecanismos de de fora. Hoje, nosso sistema tributário apoio à inovação fomenta a importação”. Para Roberto Nicolsky, a Lei do Bem Apesar das críticas, Reinaldo Danna representou um grande avanço, mas seu acredita que o Governo já possui um forte efeito é limitado. Para o diretor-geral da conjunto de mecanismos de apoio à Protec, a lei só alcança as grandes inovação. O que falta, em sua opinião, são companhias e, na prática, apoia apenas as empresas melhorem a gestão tecnoló- aquelas que já inovam. “A Lei do Bem gica de seus programas de P&D. “Em estimula as empresas que já iniciaram geral, essa gestão é muito ruim. As suas atividades de pesquisa, e exclui as empresas precisam formalizar seus empresas que ainda pretendem come- programas, com projetos mais bem çar”, declara. “Por isso, defendo a estruturados e com controles técnicos, subvenção econômica. Um único financeiros e administrativos que mecanismo não é suficiente; é preciso que possibilitem a sua execução”. pelo menos a subvenção, as compras Outro fator que pesa como entrave à públicas e a renúncia fiscal estejam inovação é a burocracia estatal. “É precisoDa esq. p/a dir.: Marcio Bosio, da Abimo; Reinaldo Danna, estruturados e bem articulados entre si”. que as instâncias de Governo conversemdo MCT; Roberto Nicolsky, da Protec; e Lelio Augusto Marcio Bosio concorda que desonerar melhor entre si. Incentivos lançados porMaçaira, da Abifina as atividades de inovação não é sufi- um ministério muitas vezes encontram barreiras impostas pelos tribunais de contas, que complicam a vida das empresas beneficiadas e do próprio ministério”, alega Bosio. Proposições para... Para que o sistema de apoio à inovação seja aperfeiçoado, Nicolsky defendeu que as próprias empresas Estímulos não-financeiros expressem suas reivindicações junto ao Governo. Um exemplo de que a estratégia • Governo sustentar diferentes instrumentos de apoio à inovação, funciona é o Edital de Subvenção 2010 da em paralelo à Lei do Bem Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que incorporou propostas • Tornar todo investimento em produção e inovação isento de impostos encaminhadas pela Protec, com base nas proposições feitas em Enitecs anteriores. www.protec.org.br 11
    • espaço rets espaço rets Rets inicia seu planejamento estratégico A Rede de Entidades Tecnológicas Setoriais (Rets) foi criada em 2007 para articular as ações das ETS em torno de demandas tecnológicas comuns a todos os Associados da Rets Abendi – Associação Brasileira de Ensaios setores da indústria, inclusive o encaminhamento de sugestões para aprimorar as Não Destrutivos e Inspeção políticas públicas de inovação. Desde então, foram grandes as conquistas, mas a necessidade de se ampliar a visibilidade da rede é quase uma unanimidade entre seus Abifina - Associação Brasileira das membros. No dia 21 de outubro, durante o IX Encontro Nacional de Inovação Indústrias de Química Fina, Biotecnologia Tecnológica (Enitec), em São Paulo, os representantes das ETS iniciaram o planeja- e suas Especialidades mento estratégico da Rets para os próximos anos. “A Rets precisa concentrar-se em ações para ampliar sua legitimidade política, Abimo – Associação Brasileira das promovendo sistematicamente encontros e reuniões com representantes dos órgãos Indústrias de Artigos e Equipamentos de fomento”, afirmou Carlos Eduardo Cavalcanti, assessor econômico da Associação Médicos e Odontológicos Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Durante a reunião, foram Abiquim – Associação Brasileira da instituídos três grupos de trabalho, que atuarão de forma paralela para a nova Indústria Química estruturação da rede. Conheça suas funções: ABM – Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração Governança Desenvolverá as diretrizes para o gerenciamento da Rets. As propostas de ação Abraco – Associação Brasileira de incluem o aumento do número de associados, maior divulgação da rede, além de uma Corrosão comissão que participará da organização das próximas edições do Enitec. Será composto por representantes do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Abravest – Associação Brasileira do Calçados e Artefatos (IBTeC); da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Vestuário Mineração (ABM); da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec); e da Associação Brasileira Técnica de Papel e Abripur – Associação Brasileira da Celulose (ABTCP). Indústria do Poliuretano ABTCP – Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel Relações institucionais Realizará ações para estreitar o relacionamento das ETS com os institutos de CT-Dut - Centro de Tecnologia em Dutos ciência e tecnologia (ICTs) e universidades e fortalecer a influência política da rede, aproximando-a dos poderes Executivo e Legislativo. Também será responsável por FBTS – Fundação Brasileira de ampliar a presença da Rets em fóruns e eventos que tenham a inovação como tema Tecnologia da Soldagem principal. Será formada por colaboradores da Associação Brasileira das Indústrias de Artigos e Equipamentos Médicos (Abimo); Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento IBTeC – Instituto Brasileiro de Tecnologia Tecnológico do Complexo Eletroeletrônico (IDP-Eletron); e Associação Brasileira da do Couro, Calçado e Artefatos Indústria Química (Abiquim). IPDEletron – Instituto de Gestão de Pesquisa e Desenvolvimento para a Indústria Elétrica e Eletrônica Capacitação Promoverá iniciativas para capacitar empresas associadas às ETS e o compartilha- IPD-Farma – Instituto de Pesquisa e mento de experiências entre as entidades. O objetivo é potencializar as ações já Desenvolvimento de Fármacos e Produtos existentes dentro da entidade. Uma das propostas inclui a qualificação de ETS para Farmacêuticos tornarem-se entidades certificadoras. A comissão será formada por representantes do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Máquinas e IPD-Maq - Instituto de Pesquisa e Equipamentos (IPD-Maq); Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos e Desenvolvimento Tecnológico da Produtos Farmacêuticos (IPD-Farma), da Associação Brasileira de Ensaios Não Indústria de Máquinas e Equipamentos Destrutivos e Inspeção (Abendi) e da ABM. ITeB – Instituto Tecnológico da Borracha Itehpec – Instituto de Tecnologia e Estudos de Higiene Pessoal, Perfurmaria e Cosméticos 12 Pró-Inovação em Revista - Ano I - nº 4 - novembro/dezembro 2010
    • Mais um ano de conquistas! Preferência de produtos com tecnologia nacional em licitações públicas Subvenção econômica à inovação com foco nas empresas produtivas Criação oficial do Dia da Inovação no Brasil Inovação começa na indústria. É por isso que a Protec trabalha por políticas públicas de estímulo ao desenvolvimento tecnológico no setor produtivo. A persistência deu resultados. Basta olhar as vitórias obtidas em 2010. Vitórias que só foram possíveis pelo apoio de nossos associados, parceiros e colaboradores.A Protec deseja que 2011 venha cheio de novos desafios e conquistas para todos nós.
    • Veja o que o Senai pode fazer para sua indústria inovar Serviços técnicos e tecnológicos Assessoria Técnica e Tecnológica Se o problema é a qualidade do produto ou a produtividade da empresa ou instituição, o Senai, por meio de um trabalho de diagnóstico e recomendações, pode detectar e corrigir falhas no campo da gestão, da produção e da execução de serviços. Pesquisa Aplicada Trabalho executado com o objetivo de desenvolver ou aprimorar produtos, processos ou sistemas, utilizando uma ampla rede de laboratórios, centros de informação e de especialistas, com foco na pesquisa de novos conhecimentos ou na compreensão dos já existentes. Design Atividade especializada, de caráter técnico-científico, criativo e artístico, com vistas à concepção e desenvolvimento de projetos de objetos e mensagens visuais que equacionem sistematicamente dados ergonômicos, tecnológicos, econômicos, sociais, culturais e estéticos, com atendimento concreto às necessidades humanas. Serviço laboratorial A Rede Senai de laboratórios oferece serviços de calibração, dosagem, ensaio ou teste de desempenho para qualificação de produtos e processos, preferencialmente fundamentada em normas técnicas ou procedimentos sistematizados. Informação tecnológica Atividade que engloba busca, tratamento, organização e disseminação de informações, possibilitando a solução de necessidades de natureza técnica e tecnológica referente a produtos, serviços e processos, para promover a melhoria contínua da qualidade e a inovação no setor produtivo. Cursos sob medida Um dos fatores críticos para o sucesso de sua empresa é possuir um quadro de funcionários treinado, qualificado e atualizado. Seja qual for a necessidade de educação profissional de sua indústria, o Senai tem solução para ela. Além dos 1.800 cursos, em 28 áreas industriais, regularmente ministrados nas unidades operacionais do Senai, a organização oferece cursos especialmente desenvolvidos para as necessidades de cada empresa. Com currículos e horários flexíveis, concebidos para atender à demanda específica de cada cliente, os cursos sob medida do Senai representam um forte diferencial para a sua empresa. Aprendizagem industrial Tão importante para a indústria quanto para a sociedade, a Aprendizagem Industrial está ligada às origens do Senai. Hoje, revitalizada e adequada às novas necessidades do mercado de trabalho, a modalidade também ganhou em flexibilidade e eficácia. Uma das alternativas criadas é a aprendizagem na empresa , promovida nos locais em que não exista escola, curso ou vaga para atender à demanda das indústrias. A aprendizagem na empresa é resultado de uma parceria na qual ambos - Senai e empresa - têm responsabilidades e atribuições bem definidas e negociadas. Criteriosamente planejados, acompanhados, controlados e auditados, os cursos de aprendizagem na empresa representam a possibilidade de unir o cumprimento às leis, o exercício da responsabilidade social e o treinamento de futuros trabalhadores. Consulte o Senai mais próximo e informe-se