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Revista pró inovação - edição 03
 

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    Revista pró inovação - edição 03 Revista pró inovação - edição 03 Document Transcript

    • TECNOLÓGICA Uma publicação da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica EM REVISTA ANO l Nº 3 - setembro/outubro 2010 Inovação sob medida Como a avaliação de resultadoscontribui para ajustar as políticas públicas a modelos mais eficientes 6º Prêmio Inovar para Crescer No Dia da Inovação, Protec homenageia empresas 2010
    • editorial editorial TECNOLÓGICA Uma publicação da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica Política de inovação e retorno E M R E V I S TA econômico-social Sociedade Brasileira Esta edição tem como tema o IX Encontro Nacional Pró-InovaçãoTecnológica da Inovação Tecnológica (Enitec), principal fórum de Presidente: discussão da área, que será realizado pela Protec nos Humberto Barbato dias 20 e 21 de outubro, em São Paulo. O tema do Vice-presidentes: evento, “Políticas públicas de inovação – resultados e Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, proposições”, é de tamanha importância que recebeu Jorge Lins Freire, Paulo Skaf, Robson Braga de Andrade e abordagem aprofundada nas diversas reportagens da Rodrigo Rocha Loures revista, de forma a adiantar as discussões deste ano. Conselheiros: A matéria de capa lança luz sobre a necessidade de governo e agências de fomento Armando Monteiro Neto, à inovação medirem os resultados de suas ações. Mas não por meio do dispêndio Carlos Alexandre Geyer, Franco Pallamolla, realizado, como costuma acontecer, e sim pelo retorno econômico e social desse Celso Antônio Barbosa, investimento. Só assim será possível ajustar efetivamente as políticas públicas à João Carlos Basílio, realidade do setor produtivo, este o verdadeiro motor da inovação. As iniciativas do José Manuel de Aguiar Martins, Senai e da Finep em avaliar seus editais de apoio, mostradas na reportagem, oferecem Luiz Aubert Neto, subsídios para se pensar em orientações a serem adotadas ou evitadas nessa missão. Luiz Guedes, Luiz Amaral, Merheg Cachum, Paulo Godoy e Mas nada adianta discutirmos maneiras de redefinir os rumos da política para a Paulo Okamotto inovação sem apontarmos as falhas no campo econômico que vêm inviabilizando o Diretoria: desenvolvimento tecnológico do País. Por este motivo, o Enitec terá um painel Roberto Nicolsky, Marcos Oliveira, dedicado à desindustrialização. Uma prévia do panorama a ser apresentado no evento Fabián Yaksic e Joel Weisz pode ser conferida no artigo de Luiz Aubert Neto sobre a influência do câmbio. APró-Inovação Tecnológica em Revista é página 2 traz o assunto sob outro enfoque, com a pesquisa da FGV que confirma a uma publicação bimestral da queda da participação da indústria no PIB. Sociedade Brasileira Ainda nesse espaço, mostramos a programação completa do Enitec, que, pela Pró-Inovação Tecnológica primeira vez, terá um período dedicado à definição de linhas referenciais para o planejamento estratégico da Rede de Entidades Tecnológicas Setoriais (Rets). A Expediente Comercial e Marketing: decisão demonstra a determinação das entidades em seguirem com um trabalho cada Alexandre Nicolsky vez mais coeso em favor do fomento público à inovação. Coordenação editorial: Nos oito anos de Enitec acumulados até aqui, já obtivemos importantes avanços Natália Calandrini por meio da interação das entidades no evento, como a criação da subvenção Textos: econômica e do mecanismo de dedução automática de gastos com P&D na Lei do Bem. Natália Calandrini Colaboração: Sem perder de vista a longa trajetória que ainda temos pela frente, devemos relembrar Luciana Ferreira e comemorar as vitórias no Dia da Inovação (19 de outubro), sancionado este ano Igor Waltz devido à proposta da Protec enviada ao Congresso Nacional em 2002. Projeto e produção editorial: Na reportagem da página 8, adiantamos as novidades do Prêmio Inovar para Ricardo Meirelles Crescer, que será concedido nessa data. As empresas contempladas fizeram do Diagramação: Jessica Gama aperfeiçoamento de produtos e processos seu instrumento de competitividade. Estagiárias: Esperamos que elas sirvam de inspiração para termos políticas públicas direcionadas à Fernanda Magnani e inovação em seu sentido estrito. Ou seja: mais que a descoberta genial, o Mayara Almeida aprimoramento continuado que, acessível e vital, consiste na chave para a sobrevivência dos negócios. Circulação: 5 mil exemplares Roberto Nicolsky Diretor-geral da Protec . Protec - Sociedade Brasileira Sumário Pró-Inovação Tecnológica Notas............................................................................................................................................ 2Av. Churchill, 129 - Grupo 1101 - Centro Opinião – O câmbio e outros males que levam à desindustrialização ........................................ 3 Rio de Janeiro - RJ Capa – Avaliação de resultados: primeiro passo para as políticas públicas de inovação darem certo....4 CEP 20020-050 Tel.: (21) 3077-0800 Especial – Inovar para Crescer homenageia empresas que apostam na melhoria como inovação....8 Fax.: (21) 3077- 0812 Entrevista – Richard Macret revela como funciona o sistema de inovação da Rhodia..................10 revista@protec.org.br Espaço Rets................................................................................................................................ 12 www.protec.org.br www.protec.org.br 1
    • notas notas Soluções conjuntas para a inovação Entre os dias 20 e 21 de outubro, as Entidades Tecnológicas Setoriais (ETS), representantes do governo e de agências de fomento à inovação estarão dedicados à discussão, avaliação e proposição de políticas públicas durante o IX Encontro Nacional da Inovação Tecnológica (Enitec). Com o tema “Políticas públicas de inovação – resultados e proposições”, o evento será realizado pela Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec) no São Paulo Center. Um dos destaques da programação será a definição das linhas referenciais para o planejamento estratégico das ETS e sua rede (Rets), seguindo a proposta sugerida pelas próprias entidades em sua última reunião, em setembro. Para fomentar o debate, está no ar o blog Fórum Rets (forumrets.zip.net), em que as ETS podem publicar suas sugestões para o trabalho. Outros assuntos a serem abordados no evento são o poder de compra do Estado e os riscos de desindustrialização, processo que vem fazendo setor produtivo brasileiro perder conteúdo tecnológico. O Enitec incluirá, ainda, a análise de resultados de projetos apoiados pelo Senai, realizada pela Protec (veja a matéria de capa, na pág. 4), além da tradicional avaliação e formulação de propostas para a subvenção econômica e as linhas de financiamento à inovação. Para mais informações sobre o Enitec, acesse: www.protec.org.br. Setor industrial encolhe A indústria de transformação per capta variava entre US$ 8 mil e Se a dívida dos anos 80 e a abertura brasileira atingiu a mais baixa participa- US$ 11 mil, aumentando a demanda comercial da década de 90 explicam a ção no Produto Interno Bruto (PIB) pelo setor de serviços, que pode ocupar desindustrialização nacional de antes, desde 1947, quando o setor ainda estava parte do papel da indústria na econo- hoje o câmbio valorizado é um dos pouco estruturado e o Brasil era um país mia. Mas a desindustrialização aqui, fatores que mais contribuem para o agrícola. Na época, o segmento respon- segundo o estudo, começou na década processo. Este se manifesta na importa- dia por 16% do PIB. Em 2004, o percen- de 80, quando a renda média era ção de insumos, peças, componentes e tual caiu para 19,2% e, no ano passado, inferior a US$ 4 mil. até produtos acabados, desarticulando ficou em modestos 15,5%. Os dados as cadeias produtivas. Porém, o estudo foram apontados em levantamento da também aponta elementos conjunturais Fundação Getúlio Vargas (FGV), que (como a recessão dos países ricos), reuniu estatísticas de contas nacionais permanentes (o efeito-China, por do Instituto Brasileiro de Geografia e exemplo) e os altos custos de produção. Estatística (IBGE), além de analisar estudos internacionais. As conclusões da pesquisa reforçam a existência de um processo de desindustrialização, como será debatido no IX Enitec. Uma comparação recuperada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) indica um peso ainda menor da indústria do Brasil sobre o PIB, de 14,4% em 2008, enquanto na China ele era de 35,4% e na Argentina, de 16,8%. O trabalho da FGV conclui que o Brasil chegou "muito cedo" a um processo de desindustrialização. Em outros países, o fenômeno aconteceu quando a renda 2 Pró-Inovação em Revista - Ano I - nº 3 - setembro/outubro 2010
    • opinião opinião Foto: Divulgação AbimaqE o câmbio continua matandoLuiz Aubert NetoT emos chamado a atenção, insistente- mente, para o processo de desindustri-alização e desnacionalização que vem Apesar de todas as oportunidades existentes, a indústria vive um momento de incertezas, diante de um paradoxo queocorrendo no Brasil. Nos últimos 20 anos, merece explicação clara por parte dopassamos de 5º maior produtor mundial governo. Se, por um lado, a indústria dede máquinas e equipamentos a um máquinas – que produz bens de alto valormodesto 14º lugar. A verdade, compro- agregado, que gera desenvolvimento ao mesmo período de 2009. Em 2005, avada diversas vezes em números, é que a tecnológico, que oferece empregos China não aparecia entre os 10 principaisindústria de transformação do Brasil está qualificados e que paga os melhores países de origem das nossas importações.sem condições de competir em igualdade salários da indústria de transformação – Hoje já é o terceiro colocado e, ainda emcom as demais indústrias instaladas busca a sua sobrevivência, convivendo 2010, deverá ser o segundo, superando,mundo afora. O mais duro desta consta- com crédito extremamente caro e de curto inclusive, a Alemanha, o maior fabricantetação é que a perda de competitividade prazo, por outro lado, o setor financeiro de bens de capital do mundo.não ocorre do portão para dentro das vem batendo recordes de lucratividade. Diante deste cenário, não nos restounossas empresas, ou seja, há décadas a No último trimestre, ele foi o mais outra alternativa senão pedir, em caráterindústria vem dando demonstração de lucrativo de todos os setores, com lucro emergencial, o aumento da alíquota doforça, de melhoria constante da produtivi- líquido de R$ 10,1 bilhões, ficando, Imposto de Importação de 14% paradade, de desenvolvimento e inovação inclusive, à frente do segmento de 35%. Após a realização de um estudotecnológica, em uma luta constante pela petróleo e mineração. O sistema finan- aprofundado, chegamos à conclusão desobrevivência. Somente quem vive o dia a ceiro é altamente competente e nós somos que esta é a única medida capaz dedia do chão de fábrica sabe o quanto é um bando de incompetentes? Não há minimizar a perda de competitividadedifícil produzir neste País. nada de errado na política econômica? da indústria de máquinas frente aos Para mim, a resposta é simples e óbvia: concorrentes internacionais. falta uma política industrial séria, que Alguns vão dizer que tal medida se privilegie o investimento produtivo em configura protecionismo ou reserva de “ vez do não produtivo, da mesma forma mercado. Em nossa opinião, tal argumento Nos últimos que os países hoje desenvolvidos não se sustenta, pois só se poderia falar em 20 anos, o Brasil compreenderam que a industrialização é proteção se a indústria nacional estivesse o caminho para o desenvolvimento. É concorrendo em condições de igualdade, passou de 5º maior sempre bom lembrar que, para proteger as ou seja, se houvesse isonomia. Também produtor mundial suas indústrias até se tornarem fortes, vale ressaltar que outros setores da de máquinas e equipamentos a um modesto “ esses países adotaram a seguinte política: desoneração total dos investimentos, câmbio e financiamento competitivos, incentivo às exportações de bens de alto valor agregado, desenvolvimento e economia contam com uma alíquota de 35%, a nosso ver uma proteção justa, pois sem ela esses setores já teriam sido extintos. O momento é de atenção e o aumento da alíquota se faz necessário para dar 14º lugar inovação tecnológica. Um bom e recente sobrevida às nossas indústrias, pelo exemplo é a Coreia do Sul. menos enquanto tivermos que conviver Mas, enquanto essa política industrial com um câmbio que inviabiliza o não é implementada, não podemos processo produtivo. Os desafios são enormes: custo Brasil – continuar reféns de um câmbio que, de O governo precisa ter a sensibilidadeque torna os produtos brasileiros cerca de forma acelerada, vem sendo o grande de que o remédio imediato é o aumento43% mais caros (caso da indústria de vilão do processo de desindustrialização da alíquota de importação, ou conti-máquinas) –, taxas de juros mais altas do e desnacionalização vivenciado pela nuaremos a assistir o câmbio a matar asmundo, carga tributária que representa cerca indústria de transformação. Para se ter nossas indústrias.de 35% dos nossos custos, e taxa de câmbio – uma ideia, no caso do setor de máquinas eque impõe uma perda irreparável ao setor equipamentos, o déficit acumulado da Luiz Aubert Neto é presidente daprodutivo, pois faz com que a indústria fique balança, de 2004 a 2010, já é superior a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) emenos competitiva nas exportações e, por US$ 43 bilhões. Somente as importações participará do painel “Riscos deoutro lado, abre o mercado brasileiro aos vindas da China cresceram cerca de 57% desindustrialização” do IX Encontroprodutos importados. no primeiro semestre de 2010, comparado Nacional da Inovação Tecnológica (Enitec) www.protec.org.br 3
    • capa Capa Desde que foi regulamentada a Lei de Inovação, há cinco anos, a cultura empresarial e os mecanismos de incentivo só fizeram evoluir no Brasil. Ainda que se aponte a necessidade de mais investimentos, anualmente eles vêm crescendo. O que falta agora é o governo e as agências de fomento avaliarem com consistência se suas ações têm obtido êxito, o que significa retorno econômico para a sociedade. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) deu este passo, contratando uma auditoria externa para conferir os resultados dos projetos de inovação que apoia. Como consequência da ousadia em verificar os próprios erros e acertos, a entidade já começa a estudar aperfeiçoamentos em seu edital. Essa e outras experiências, abordadas nesta reportagem, serão tema do IX Encontro Nacional da Inovação Tecnológica (Enitec), que será realizado nos dias 20 e 21 de outubro, em São Paulo. Políticas públicas de inovação: avaliar é preciso O Senai decidiu verificar este ano os resultados de seu Programa de Inovação, contratando a consultoria propostas apresentadas por iniciativa do Senai e por iniciativa da empresa. Quase 54% dos projetos apresentados zação e o retorno econômico do produto desenvolvido. Inclusive, a exigência do plano de negócio passou a ser adotada no externa da Sociedade Brasileira Pró- por empresas já tiveram boa inserção no edital de subvenção da Finep”, defende o Inovação Tecnológica (Protec), que mercado. O relatório apresenta uma diretor-geral da Protec, Roberto Nicolsky, firmou parceria com o Instituto de síntese dos fatores que contribuíram para coordenador do estudo. Economia da Universidade Federal do a inserção dos produtos e processos no O Programa de Inovação, de Rio de Janeiro (UFRJ). Foram avaliados mercado: escolha adequada da empresa abrangência nacional, já segue nessa 42 projetos apoiados nos editais lançados parceira (84,6% dos casos), plano de linha, por contemplar propostas entre 2004 e 2007, por meio de entrevistas negócios consistente (61,5%), conjuntura elaboradas pelas diretorias regionais do presenciais com técnicos das diretorias de mercado favorável (53,8%) e comple- Senai em parceria com indústrias locais regionais do Senai e com visitas às xidade tecnológica baixa (61,5%). para o desenvolvimento de produtos, empresas participantes. A equipe da “A conclusão confirma que o foco no processos e serviços. Segundo o gerente pesquisa mensurou o sucesso dos mercado, principalmente por meio da executivo do Departamento Nacional do projetos do ponto de vista da inserção no elaboração de um plano de negócio, é Senai, Orlando Clapp Filho, a instituição mercado, criando dois indicadores: fundamental para garantir a comerciali- considera central que os projetos de 4 Pró-Inovação em Revista - Ano I - nº 3 - setembro/outubro 2010
    • Capainovação tecnológica sejam incorporados Recomendações analisadas (24) corresponde a menos decomo negócio pelas empresas. O estudo recomenda que os editais 8% do total de 322 apoiadas nos editais de “Desta forma, adotamos como futuros deixem de exigir o chamado 2006 e 2007. Outra reclamação foiindicador de desempenho o percentual caráter inovador para o projeto. “A direcionada à falta de transparência nade projetos concluídos, que apresenta a característica pode desestimular a avaliação, baseada em dados das própriasevidência formal dessa incorporação. E apresentação de projetos de aprimo- empresas, sem auditoria externa.entendemos que a confiabilidade do ramento de produtos ou processos, com Ainda assim, a iniciativa de começar aindicador terá seu maior reconhecimento rápida execução, porém alto impacto medir resultados conta como pontosendo produzido por terceira parte”, econômico”, diz Nicolsky. Outra positivo. A avaliação continuará a serafirma, referindo-se à contratação da sugestão é a incorporação de juízes feita anualmente, porém ainda no mesmoconsultoria externa. externos para compor, junto com o corpo formato. Este ano, foram convidadas a Foto: Divulgação Senai técnico do Senai, uma mesa avaliadora participar 44 empresas, com 47 projetos para a seleção dos projetos beneficiados, dos editais de 2006 e 2007, que receberam conferindo credibilidade e multi- integralmente a verba até abril deste ano. plicidade de visões ao processo. Elas já começaram a preencher o Um dos principais méritos do questionário, que foi ampliado e inclui Programa Senai de Inovação apontados dados como percentual de gastos com no relatório é a alta capilaridade na pesquisa e desenvolvimento, aquisição de concessão dos incentivos, promovendo a softwares e equipamentos, continuidade inovação com base nas vocações econômi- das atividades do projeto no período, cas e o conhecimento tecnológico alcance geográfico da inovação, se projeto acumulados nas regiões do Brasil. O ainda está em protótipo ou foi convertido levantamento realizado ajudará também em produto, e de onde virão os recursos nessa missão, pois mede o desempenho para lançá-lo no mercado. Em novembro, dos estados, podendo orientar a distribui- será realizado o seminário. A avaliação ção de recursos. Amorim, do Senai, terá doutores de universidades e destaca que a participação ativa da institutos de pesquisa como consultores entidade nos projetos, aliando apoio externos. “Mais adequado seria a técnico e financeiro, tem se mostrado o incorporação de profissionais de caminho correto. mercado, capazes de analisar os resulta- O Senai, segundo o analista, já estuda dos do ponto de vista de negócio e não a aplicação de aperfeiçoamentos no edital acadêmico”, diz Nicolsky, da Protec. a partir dos resultados da avaliação, como Luiz Coelho, superintendente da área“ de Financiamento da Finep, admite a O Senai adotou revisar a estrutura do plano de negócio possibilidade de, futuramente, entidades exigido, verificando se o estudo de como indicador de viabilidade técnico-econômica atende às e associações da área tecnológica serem desempenho a necessidades, e reforçar a capacitação dos convidadas para reforçar o time de representantes regionais. “Consta-tando auditores, sempre mantendo as regras de incorporação da “ que o edital está conseguindo cumprir em sigilo tecnológico. Ele destaca os inovação tecnológica boa parte o objetivo de inserção no desdobramentos já obtidos com a primeira avaliação, que subsidiou em como negócio mercado, temos motivos para fortalecê-lo grande parte as mudanças feitas no edital com orçamentos cada vez maiores, pelas empresas aumentando o número de empresas de subvenção econômica de 2010. Coelho apoiadas”, ressalta Amorim. afirma que as críticas das entidades Orlando Clapp setoriais e da Protec também foram Análise da subvenção econômica incorporadas. “Afinal, a subvenção é para Já com o acompanhamento consolida- a indústria”, ressalta. De acordo com Alysson Andrade do nas linhas de capital semente e As principais mudanças positivas noAmorim, analista da Gerência de financiamento, a Financiadora de Estudos edital foram a limitação do valor liberadoInovação Tecnológica do Senai Nacional, e Projetos (Finep) começou a avaliar os ao faturamento da empresa, a exigênciadesde o início a instituição avalia resultados da subvenção econômica em de comprovação de que ela está ativa,internamente o resultado dos projetos, 2009. As empresas responderam a um com objeto social compatível com opor meio das sugestões e críticas feitas questionário e apresentaram os desdobra- projeto e registrada há mais de um ano epelos interlocutores das unidades mentos dos projetos em um seminário meio. As medidas evitam que empresasestaduais. Com a experiência, o edital foi fechado, sob críticas das entidades sejam criadas apenas para concorrer àsendo aperfeiçoado. A auditoria externa setoriais ao modelo adotado e a abrangên- subvenção e aumentam as chances debusca aprofundar as avaliações já feitas. cia restrita – o universo de companhias acesso do setor produtivo aos recursos. www.protec.org.br 5
    • Capa Foto: Divulgação AbineeFoto: João Luiz Ribeiro / Divulgação Finep co. “Os gestores da subvenção começari- am a ser cobrados como gestores de um fundo econômico. Quanto deu sua taxa de sucesso este ano? E no próximo, quanto ela será?”. Mas, pondera Freire, alguns questio- nam que os projetos de novas descober- tas, que são de alto risco, seriam excluídos se adotado o parâmetro do resultado econômico. “Se fosse usado um sistema que mesclasse os dois tipos de inovação, o gestor público trabalharia com uma taxa de falha, mas com o retorno econômico também”. Segundo ele, o mesmo vale para bolsas, financiamentos e outros “ mecanismos de fomento. “Estaremos “ mais afinados para redirecionar esforços inovadores no futuro”. Se as políticas públicas não “ Na opinião de Fernando Varella, A subvenção é consultor da Protec, as agências de tiverem os impactos para a indústria fomento não têm dado a devida atenção à econômicos avaliação dos resultados dos projetos mensurados, quem Luiz CoelhoOs riscos da falta de avaliação apoiados. “Com exceção do Senai, não há auditoria externa. Esse tipo de ação confere a transparência que vem sendo cobrada insistentemente pela sociedade, em especial pelas entidades de representa- pode levar a culpa pelo baixo aumento da inovação é “ Diretor de Tecnologia da AssociaçãoBrasileira da Indústria Elétrica e ção empresarial”, pontua. “Por exemplo, a indústria quais foram os resultados da subvençãoEletrônica (Abinee), Nelson Freire reforça econômica? Ela possibi-litou o lançamentoque projetos de inovação precisam ser de quantos produtos no mercado, quanto Nelson Freiremonitorados, especialmente os da de retorno financeiro para as empresas esubvenção econômica. Para ele, se asubvenção não for eficiente, corre o riscode ser questionada pelo governo quanto àsua adequação para fomentar a inovação. “Se as políticas públicas não tiverem De olho no mercado, sucesso garantidoos impactos econômicos mensurados, Quando o projeto de inovação ria do Senai em 2007 e desenvolveuquem pode levar a culpa pelo baixo surge em uma empresa produtiva, um novo processo de produção paraaumento da inovação é a indústria. com base em necessidades reais retirar a granulação das telhas ePerderíamos um processo necessário para detectadas no mercado, suas chances esmaltá-las. O projeto foi criado aas empresas brasileiras competirem no de dar certo aumentam conside- partir da demanda local pelo produto,mundo. A subvenção não deve ser a ravelmente. Esses fatores de sucesso que, inexistente na região, erafundo perdido e sim um fundo de muito puderam ser comprovados na comprado no Sul do País pelosretorno econômico”, diz Freire. Ele cita avaliação de resultados do Programa moradores. Apesar de ainda não tercomo exemplo a linha da Finep para Senai de Inovação. O estudo fornece lançado as telhas esmaltadas (o quealocar mestres e doutores nas empresas, exemplos inspiradores para outros será feito após a inauguração da novaque teve demanda inferior à oferta, pois modelos de apoio às empresas. A fábrica em construção), a Ceramitelhaos requisitos do edital não atendiam às Ceramitelha é um deles, por ter melhorou a qualidade de seu produtocompanhias. Mas poderia parecer que conseguido incrementar o negócio já tradicional, economizou na fabricaçãohouve desinteresse do setor. no processo de desenvolvimento, e aumentou as vendas de 350 mil para Para ele, o compartilhamento das antes mesmo do produto ir para o 850 mil peças por mês.informações sobre o retorno econômico mercado. Interessada em melhorarda inovação por parte das empresas suas telhas cerâmicas de barrodeveria ser uma condicionante estabele- vermelho, a empresa buscou a parce-cida no edital de subvenção e emcontrato, preservado o segredo tecnológi-6 Pró-Inovação em Revista - Ano I - nº 3 - setembro/outubro 2010
    • Capacriou quantos empregos?”, questiona. Para o consultor, esses são osresultados que importam, pois têmimpacto social. Ele ressalta a iniciativa da Lei para o bem da inovaçãoFinep de realizar mudanças nas regras doedital de 2010 do programa de O Ministério da Ciência e fiscal efetiva”, revela Ronaldo Mota,Subvenção Econômica como uma Tecnologia (MCT) analisa anual- secretário de Desenvolvimentodemonstração de cuidado com o melhor mente os relatórios da Lei do Bem, Tecnológico e Inovação do MCT.uso do dinheiro público. que concede incentivos fiscais para Apesar das críticas quanto ao fato Avanços ainda maiores poderiam empresas que invistam em ativida- de impossibilitar o acesso dasser obtidos se as agências investissem des de pesquisa, desenvolvimento e pequenas empresas, a Lei do Bemem avaliações aprofundadas dos inovação tecnológica. Trata-se de tem se mostrado um dos maisresultados das inovações. Assim, uma análise documental, em que se eficientes mecanismos de fomento.poderiam perceber ou confirmar fatores verifica a conformidade das Em 2006, 130 empresas declararamindispensáveis para o sucesso dos informações e das atividades investimentos de aproximadamenteprojetos. Na visão de Varella, por descritas com a lei, ou seja, verifica a R$ 2,2 bilhões. Já em 2007, osexemplo, o baixo nível de inovação coerência do investimento com o números pularam para 299 empresastecnológica na economia brasileira tem beneficio usufruído. declarando mais de R$ 5 bilhões. Norelação com o reduzido apoio financeiro A avaliação relativa ao exercício ano passado (relativamente ao anodo governo e o compartilhamento de de 2009 deve ser concluída até o fim de 2008), foram 460 empresas e osriscos, existentes em todo projeto de de outubro. “Podemos adiantar que investimentos atingiram mais de R$inovação. “Muitos países já compreen- os prognósticos indicam que teremos 8 bilhões. Em apenas três anos, oderam que, por causa disso, o governo investimentos entre R$ 8,5 e R$ 9 incremento do número de compa-precisa ser parceiro das empresas nos bilhões, o que significará algo em nhias é da ordem de 240% e deriscos. O Brasil encontra nesse aspecto torno de R$ 1,2 bilhão de renúncia valores, 270%.um dos grandes gargalos de suaspolíticas públicas”, avalia Varella.O desafio de desenvolver indicadoresO ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) conta com a CoordenaçãoGeral de Indicadores, responsável por auxiliem na revisão das metas para a C&T. Também cria base para a compara- ção com o desempenho de outros países ção de indicadores de impacto. Uma delas é o fato de o conceito de inovação em governo e indicadores para medirlevantar informações sobre a execução e para as agências de fomento monitora- seus efeitos ainda estão sendo elabora-das políticas de ciência e tecnologia e de rem suas políticas. dos internacionalmente. Hoje, osdesenvolvimento produtivo em todo o Porém, o consultor da Protec, indicadores da Coordenação sãoPaís. O levantamento é dividido entre os Fernando Varella, contesta a adoção de produzidos a partir de dados coletadoschamados indicadores de insumos e os artigos científicos e patentes como em fontes como o Sistema Integrado dede resultado. Os primeiros incluem os parâmetro para se medir resultado de Administração Financeira do Governogastos em P&D e atividades científicas e inovações. Segundo ele, a inovação, que Federal (Siafi) e a Pesquisa Industrial detécnicas correlatas realizados pelo consiste em melhoramentos, em geral Inovação Tecnológica (Pintec) dogoverno federal, estados e empresas, não se traduz em patente, que se refere a Instituto Brasileiro de Geografia ealém dos recursos humanos dedicados a descobertas. Segundo ele é por isso que Estatística (IBGE).essas atividades. O segundo grupo vemos o Brasil no 13º lugar no ranking Segundo Mariana, a metodologiaconsiste na produção científica, internacional de artigos científicos de adotada será revista para ampliar osverificada pelo número de artigos 2008, porém na 68ª posição no ranking indicadores relacionados às empresas,publicados, e na quantidade de patentes mundial de inovação de 2010, produzido incluindo segmentos não cobertos pelapedidas e concedidas. pela escola mundial de negócios Insead. Pintec, como os de energia e construção O objetivo dos indicadores gerados é A coordenadora Geral de Indicado- civil. Outra mudança será contabilizar osmonitorar o desempenho das políticas res do MCT, Mariana Rebouças, explica dispêndios das secretarias de Ciência epúblicas, oferecendo informações que que ainda há limitações para a elabora- Tecnologia dos municípios. www.protec.org.br 7
    • especial especial Prêmio Inovar para Crescer destaca aperfeiçoamentos que fazem a diferença . I novar: tornar novo, renovar; introduzir novidade em algo. Essa é a definição do dicionário Aurélio para um dos termos mais usados da atualidade. Porém, ela passa uma noção bem diferente daquela que vem se cristalizando no imaginário social, referenciado nas descobertas revolucionárias de gênios criativos. É para difundir o conceito de inovação como atividade incremental que o Prêmio Inovar para Crescer presta homenagem a empresas que fizeram do aperfeiçoa- mento constante de produtos e processos um fator de competitividade. A premia- ção será realizada em uma cerimônia no conseguir crescer e a disposição para tecnologia e valor agregado para atender Dia da Inovação, em 19 de outubro, inovar, apesar das dificuldades, revelada demandas de mercado”, declara Bruno antecipando o IX Encontro Nacional da pelas jovens empresas”, explica o gerente Gouvea, diretor do Grupo Giga, do qual Inovação Tecnológica (Enitec). Comercial e de Marketing da Protec, a empresa faz parte. Oferecido pela Sociedade Brasileira Alexandre Nicolsky. . Pró-Inovação Tecnológica (Protec) em Escolhida para a categoria Revelação, Fortalecimento da imagem institucional parceria com o Senai, o Prêmio Inovar a Nibtec – hoje Giga Security – desenvol- O laboratório farmacêutico Cristália para Crescer ganhou novos nomes para ve e fabrica produtos para segurança foi contemplado com o Prêmio em 2009. algumas de suas categorias. Grande eletrônica, como leitores para controle de Para o presidente da empresa, Ogari Empresa se tornou Visão; Média acesso por radiofrequência e biométri- Pacheco, o reconhecimento formal Empresa, Estratégia; e Pequena Empresa, cos. “É com grande honra e felicidade contribuiu para colocar o Cristália na Revelação. “Com a novidade, buscamos que recebemos da Protec o reconheci- vitrine do setor. “Fortalecemos nossa valorizar a visão de futuro de companhi- mento de um ideal que nosso time imagem institucional, o que ajudou na as hoje consolidadas, a estratégia sempre buscou: o ideal de fabricação contratação de novos talentos e motivou consistente daquelas que inovaram para competitiva nacional de produtos de alta empresas transnacionais a buscarem nossa Conheça as empresas que serão premiadas Visão: Estratégia: Revelação: Embraer Altus Sistemas de Informática Nibtec No mercado há mais de 40 anos, já É líder nacional no uso de tecnologia Incorporada pelo Grupo Giga em produziu cerca de 5 mil aviões, que própria no setor de automação e controle 2008, a empresa passou a se chamar operam em 88 países. Seu portfólio de processos industriais. Foi pioneira no Giga Security e se destaca no mercado revela a inovação permanente. Em desenvolvimento e fabricação de de segurança eletrônica. Desen- 1999, se destacou ao lançar uma controladores programáveis na América volveu tecnologias de identificação aeronave de médio porte para rotas Latina. A Altus possui matriz no Polo de por radiofrequência e biometria cujo regionais, um mercado até então não Informática de São Leopoldo (RS), nove retorno permitiu aumentar os explorado. Em seu Centro de filiais no Brasil e operações na investimentos em P&D. A escolha da Realidade Virtual, realiza simulações Alemanha, Argentina, Chile e Estados empresa também pretende para configuração de novas Unidos. Participa de redes mundiais de homenagear o polo tecnológico de aeronaves e reduz o tempo de empresas que se unem para oferecer eletroeletrônicos de Santa Rita de desenvolvimento dos produtos. soluções globais e produtos inovadores Sapucaí (MG), conhecido como Vale para seus clientes. da Eletrônica. 8 Pró-Inovação em Revista - Ano I - nº 3 - setembro/outubro 2010
    • Foto: Divulgação Grupo Giga especial “ Recebemos da Protec o reconhecimento de um ideal: a fabricação nacional competitiva de produtos de alta tecnologia e valor “ Um dia dedicado à inovação O Dia da Inovação passou a ser oficialmente celebrado em 19 de outubro a partir deste ano, com a agregado, voltados sanção da Lei 12.193/2010 – uma para o mercado sugestão encaminhada pela Protec para o Congresso Nacional em 2002. A intenção é valorizar a perseverança Bruno Gouvea dos inovadores em busca da parceria. Muitos pesquisadores tiveram a iniciativa de nos apresentar projetos, ao introdução sistemática de novidades mesmo tempo em que o relacionamento abordagem mais técnica, aumentarão sua em produtos ou processos, em vez universidade-empresa foi facilitado”, produtividade. Ganharão velocidade na das descobertas complexas, onerosas conta. “Ações como essa retroalimentam o condução de ações permanentes, com e de alto risco tecnológico. A data espírito de pesquisa e inovação que existe resultados mais consistentes, criando um escolhida foi quando Alberto Santos em nossa empresa”, acrescenta. ciclo virtuoso no ambiente de negócio”, Dumont, brasileiro conhecido como Na avaliação de Rafael Lucchesi, defende Lucchesi, pontuando outro Pai da Aviação, circundou pela diretor de Operações da Confederação papel importante exercido pelo Prêmio. primeira vez a Torre Eiffel, em seu Nacional da Indústria (CNI) – instituição “Ao se lançar luz sobre o que vem sendo dirigível nº 6, no ano de 1901. O feito apoiadora do Prêmio –, a inovação está feito pelo empresariado, é possível cobrar só foi possível graças a uma série de mais presente na rotina das empresas do maior efetividade das políticas públicas. inovações anteriores. Em 1900, o que as descobertas. Porém, em muitos Por isso, a CNI é parceira da Protec desde magnata do petróleo Henry Deutsch casos, esses processos não são notados. sua instituição. Acreditamos no prêmio e ofereceu um prêmio de 100 mil Para ele, o prêmio Inovar para Crescer na entidade”, declara. francos a quem partisse de Saint contribui para despertar essa percepção “O reconhecimento da atuação Cloud e, sem tocar na terra, entre as companhias, na medida em que destacada das empresas conforme os contornasse a Torre Eiffel e rastreia as melhores práticas do setor requisitos do Prêmio Inovar para Crescer regressasse ao ponto de partida em produtivo, documenta casos de sucesso e é um importante estímulo à adoção da até 30 minutos. Dumont aperfeiçoou difunde as informações. inovação no ambiente empresarial”, seu dirigível nº 4 para diminuir o “Se as empresas conseguirem finaliza o diretor-geral do Departamento peso da estrutura. Após testá-lo e identificar o conjunto de atividades de Nacional do Senai, José Manuel de melhorá-lo, desenvolveu o nº 5, com inovação que já fazem e adotarem uma Aguiar Martins. o qual sofreu dois acidentes. Somente após aperfeiçoar novamente sua máquina conseguiu cumprir o objetivo, vencendo a competição. Personalidade Inovadora: Personalidade Inovadora In Memoriam: Egon João da Silva Carlos Chiti O administrador foi um dos três Inovador e empreendedor por natu- fundadores da fábrica de motores WEG, reza, Carlos Chiti foi co-fundador e na pequena cidade catarinense de presidente do Conselho Consultivo das Jaraguá do Sul. Desde o início, em 1961, Indústrias Romi, empresa produtora Silva criou na empresa a cultura da de máquinas a que se dedicou durante inovação, em um cenário em que a 80 anos. Italiano de nascimento, foi proteção do mercado interno por meio de quem propôs a fabricação do veículo barreiras alfandegárias desestimulava o italiano Romi Isetta, que se tornou o investimento em tecnologias locais. A primeiro a ser produzido integral- postura garantiu a sobrevivência e o mente no Brasil, na década de 50. Entre crescimento da WEG do período de os legados deixados por Chiti, está o abertura comercial até hoje. perfil inovador assumido pela Romi, que possui mais de 60 patentes. www.protec.org.br 9
    • entrevista Entrevista Richard Macret Entre o radical e o incremental, Rhodia segue na rota da inovação para o mercado Foto: José Carlos Brasil / Divulgação Rhodia N o carro, no creme dental, nas roupas, no xampú e até nos alimentos, ela está presente. Empresa mundial de química de especialidades, a Rhodia investe 1% de seu faturamento no Brasil (algo em torno de R$ 27 milhões) em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para fornecer insumos inovadores para setores que vão desde o agroquímico até o eletroeletrônico. Em seu centro de pesquisa em Paulínia (SP) – um dos cinco que mantém no mundo –, possui 50 projetos em andamento, com mais de 100 profissionais ao todo. Entre as linhas de pesquisa, estão os produtos químicos de origem renovável, como a glicerina, e fios têxteis com funcionalidades, por exemplo proteção contra raios UV e eliminação do mau cheiro do suor. Apesar da superestrutura, a Rhodia aposta no equilíbrio entre projetos de alto risco e de baixo risco, como os de novos usos para produtos já existentes. É o caso da sílica para pneus que foi adaptada para aplicação em ração para frangos. O portfólio da empresa está longe de focar apenas em novos produtos de altíssima tecnologia, como muitos poderiam pensar. Mais importante para a Rhodia é a sustentabilidade financeira e ambiental da inovação, como conta o diretor de P&D da Rhodia América Latina, Richard Macret, que também analisa os mecanismos brasileiros de incentivo à inovação, um dos temas do IX Encontro Nacional da Inova-ção Tecnológica (Enitec). Quem confirma o sucesso da fórmula de inovação da Rhodia é o mercado. Não à toa a empresa faturou US$ 1,03 bilhões no País em 2009. 10 Pró-Inovação em Revista - Ano I - nº 3 - setembro/outubro 2010
    • entrevista EntrevistaComo está estruturado o sistema de probabilidade do risco e o impacto “inovação da Rhodia no Brasil? financeiro? Se forem altos, o projeto nãoRichard Macret: Recebemos demandas vai para frente. Fazemos essa avaliação Para medir ainternas ou de clientes e tentamostransformá-las em algo que gere dinheiro em todas as etapas de desenvolvimento. performance de Em cada uma, temos mais informaçõespara a empresa. Existe uma planilha com para avaliar melhor e decidir. Enquanto P&D, calculamos ovários critérios para avaliá-las e selecio-ná-las: o mercado potencial; o tempo não eliminamos os riscos, o projeto não percentual de anda. Apesar de simples, a análise énecessário para o desenvolvimento; a faturamento obtidoprobabilidade de sucesso; se vai ser algototalmente inovador que precise deparceiros externos e assim por diante. Do fundamental para não desperdiçarmos nem recursos, nem uma ideia que pode trazer muito retorno. com produtos criados há menos “início ao fim, toda a empresa é envolvidano processo de inovação. Por exemplo, E quanto ao portfólio de projetos? R. M.: Quanto mais o projeto for de de cinco anospara avaliar o mercado, entra a equipe de ruptura tecnológica, maior será o risco.Marketing. Não é o pessoal de pesquisa e Procuramos ter um portfólio balanceadodesenvolvimento que tem como saber de projetos de alto risco e de baixo risco. que melhora a circulação. Quandoquanto o mercado está disposto a pagar O resultado que vale para a empresa é o começamos a desenvolvê-lo, nãopor um produto. Depois da seleção, as do portfólio. Cerca de 20% dos projetos investiríamos em um laboratório paraideias viram projetos de P&D, que são de de inovação chegam ao final. Porém, o realizar os testes. Então, fazemosdiferentes tipos. Um deles é o de novos mais importante é ver a qualidade desse parcerias com instituições que saibam oprodutos. Outro é o de aplicação, em que percentual. Não adianta termos 70% de que fazer e tenham reconhecimento nopensamos novos usos para um produto desenvolvimentos realizados e as vendas mercado, pois respeitabilidade é impor-existente. Um terceiro tipo de trabalho serem péssimas. tante para o cliente.são estudos de processo de produção, por .exemplo, pensar como a fábrica vai Então o investimento maior da Rhodia Por que a escolha do Brasil como umgastar menos energia. Na Rhodia, é na inovação, ou seja, no aperfeiçoa- dos cinco centros de P&D no mundo?qualquer inovação que não tenha foco na mento de produtos, e não na ruptura R. M.: Não fazemos pesquisa básica. Asustentabilidade é vetada. Logo no início tecnológica? política da Rhodia de P&D está baseadado processo, perguntamos: o produto é R. M.: A ruptura não está na dificuldade no que o mercado demanda, entãotóxico? Esse processo será mais poluente? em fazer o produto, mas em seu beneficio. precisamos estar próximos dele e ver as Em nossa visão interna, quem diz se é oportunidades. O Brasil é responsável ruptura ou não é o mercado. Você pode pela P&D da América Latina. Então, criar um produto complicado, com anos viajamos muito para Argentina, Peru,“ de desenvolvimento, altíssima tecnologia Quem diz se o e ninguém se interessar. Conside-ramos México e outros países da região. . produto é uma ruptura produto novo aquele que o cliente Como o senhor avalia as políticas reconhecer como novo e estiver disposto ou não é o mercado. a pagar mais por ele. públicas de fomento à inovação? R. M.: Avançou muito nos últimos anos. Você pode criar um produto de altíssima tecnologia e ninguém “ Como a empresa verifica o retorno do investimento feito no desenvolvimen- to de produtos? R. M.: Para medir a performance de P&D, A Lei do Bem representa um grande avanço, porém é nova e precisa melhorar. Ela tem uma insegurança jurídica grande, como o entendimento quanto à deprecia- se interessar calculamos o percentual de faturamento ção ser despesa de P&D ou não. A compra obtido com produtos criados há menos de máquina é investimento, mas deprecia de cinco anos dentro do total de vendas. com o tempo. Então, há empresa que Fazemos hoje de 20% a 30%, mas inclui na dedução do imposto, outras queComo funciona o sistema para redu- gostaríamos de chegar a 50%. não. Alguns aspectos não estão claros eção de risco de projetos inovadores? ficamos sem saber o que fazer. Nos editaisR. M.: Uma coisa é o risco do projeto e A Rhodia desenvolve produtos em da Finep [Financiadora de Estudos eoutra é o do portfólio de projetos. Em parceria? Projetos], é difícil de conseguirmos entrar,cada projeto, há uma ferramenta de R. M.: Temos projetos realizados no pois os tópicos definidos para os projetosanálise de riscos. Verificamos desde a laboratório do cliente e outros em são muito específicos. Nossa posição épossibilidade de a planta explodir até a parceria com universidades, neste caso que deveriam ser itens mais abertos. Já naocorrência de efeitos ruins na natureza ou em fase inicial de laboratório, buscando parceria com as universidades, ainda háde o produto ficar caro demais para o competências que ajudam a acelerar o burocracia, mas elas estão bem maismercado. É uma análise simples: qual é a processo. Por exemplo, o fio de poliamida abertas às empresas que anos trás. www.protec.org.br 11
    • espaço rets espaço rets Resultados da atuação em rede no Enitec O IX Encontro Nacional da Inovação Tecnológica (Enitec) reunirá as Entidades Associados da Rets Abendi – Associação Brasileira de Ensaios Tecnológicas Setoriais (ETS) para discutirem, junto a agências de fomento e governo, as políticas públicas para a inovação tecnológica nas empresas brasileiras, além de Não Destrutivos e Inspeção proporem mudanças necessárias. Representantes de ETS contam os resultados já Abifina - Associação Brasileira das obtidos por suas organizações a partir da participação em eventos anteriores: Indústrias de Química Fina, Biotecnologia Foto: Antonio Batalha / Divulgação Abifina e suas Especialidades “O Enitec tem contribuído para a cristalização de conceitos e formação de opinião, inclusive entre Abimo – Associação Brasileira das aqueles que irão implantar as sugestões apresentadas. Indústrias de Artigos e Equipamentos Em uma das edições do evento, Eduardo Costa, diretor Médicos e Odontológicos do laboratório público Farmanguinhos, assumiu o primeiro compromisso formal em priorizar os Abiquim – Associação Brasileira da fabricantes nacionais de fármacos nas compras Indústria Química públicas. Isso se consolidou na contratação de empresas locais para a fabricação dos antiretrovirais ABM – Associação Brasileira de lamivudina e zidovudina. O resultado da licitação Metalurgia, Materiais e Mineração chegou a ser contestado na Justiça, que deu ganho de Abraco – Associação Brasileira de causa a Farmanguinhos. A vitória deu a segurança jurídica preliminar necessária para Corrosão incentivar o Ministério da Saúde a criar o marco regulatório do Complexo Industrial da Saúde em 2008.” Nelson Brasil de Oliveira Abravest – Associação Brasileira do 1º Vice-Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Química Vestuário Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina) Abripur – Associação Brasileira da Indústria do Poliuretano “A troca de experiências entre as entidades mostra novas possibilidades. A discussão ABTCP – Associação Brasileira Técnica de sobre as ETS passarem a obter recursos do CNPq [Conselho Nacional de Celulose e Papel Desenvolvimento Científico e Tecnológico] para projeto de interesse dos setores foi pauta de mais de um Enitec. Em 2009, saiu o primeiro edital do CNPq em que as ETS puderam CT-Dut - Centro de Tecnologia em Dutos inscrever projetos de inovação. Foi o Edital MCT/CNPq nº 65/2009 - Entidades Setoriais de Apoio a PD&I nas Empresas. A ABTCP inscreveu um projeto para a criação de FBTS – Fundação Brasileira de indicadores de desempenho para pequenas e médias empresas e benchmarking no setor Tecnologia da Soldagem de celulose e papel. Fomos contemplados com uma verba de R$ 350 mil.” IBTeC – Instituto Brasileiro de Tecnologia Afonso Moura do Couro, Calçado e Artefatos Gerente Técnico da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP) IPDEletron – Instituto de Gestão de Pesquisa e Desenvolvimento para a Indústria Elétrica e Eletrônica “Uma grande contribuição do Enitec é a reunião de autoridades e técnicos envolvidos com a formulação de políticas públicas para debaterem as questões que diretamente IPD-Farma – Instituto de Pesquisa e impactam no desenvolvimento tecnológico da indústria, resultando no avanço e Desenvolvimento de Fármacos e Produtos aprimoramento das políticas públicas, além da oferta de linhas e programas de Farmacêuticos financiamento. Entre alguns dos desdobramentos de Enitecs anteriores, podemos mencionar a flexibilização das condições dos novos editais e a abertura de um IPD-Maq - Instituto de Pesquisa e importante espaço para discussões com instituições de fomento e organismos ligados Desenvolvimento Tecnológico da ao desenvolvimento de políticas públicas.” Indústria de Máquinas e Equipamentos Marina Kobayashi Coordenadora de Assuntos Econômicos da Associação Brasileira da ITeB – Instituto Tecnológico da Borracha Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) Itehpec – Instituto de Tecnologia e Estudos de Higiene Pessoal, Perfurmaria e Cosméticos 12 Pró-Inovação em Revista - Ano I - nº 3 - setembro/outubro 2010
    • Veja o que o Senai pode fazer para sua indústria inovar Serviços técnicos e tecnológicos Assessoria Técnica e Tecnológica Se o problema é a qualidade do produto ou a produtividade da empresa ou instituição, o Senai, por meio de um trabalho de diagnóstico e recomendações, pode detectar e corrigir falhas no campo da gestão, da produção e da execução de serviços. Pesquisa Aplicada Trabalho executado com o objetivo de desenvolver ou aprimorar produtos, processos ou sistemas, utilizando uma ampla rede de laboratórios, centros de informação e de especialistas, com foco na pesquisa de novos conhecimentos ou na compreensão dos já existentes. Design Atividade especializada, de caráter técnico-científico, criativo e artístico, com vistas à concepção e desenvolvimento de projetos de objetos e mensagens visuais que equacionem sistematicamente dados ergonômicos, tecnológicos, econômicos, sociais, culturais e estéticos, com atendimento concreto às necessidades humanas. Serviço laboratorial A Rede Senai de laboratórios oferece serviços de calibração, dosagem, ensaio ou teste de desempenho para qualificação de produtos e processos, preferencialmente fundamentada em normas técnicas ou procedimentos sistematizados. Informação tecnológica Atividade que engloba busca, tratamento, organização e disseminação de informações, possibilitando a solução de necessidades de natureza técnica e tecnológica referente a produtos, serviços e processos, para promover a melhoria contínua da qualidade e a inovação no setor produtivo. Cursos sob medida Um dos fatores críticos para o sucesso de sua empresa é possuir um quadro de funcionários treinado, qualificado e atualizado. Seja qual for a necessidade de educação profissional de sua indústria, o Senai tem solução para ela. Além dos 1.800 cursos, em 28 áreas industriais, regularmente ministrados nas unidades operacionais do Senai, a organização oferece cursos especialmente desenvolvidos para as necessidades de cada empresa. Com currículos e horários flexíveis, concebidos para atender à demanda específica de cada cliente, os cursos sob medida do Senai representam um forte diferencial para a sua empresa. Aprendizagem industrial Tão importante para a indústria quanto para a sociedade, a Aprendizagem Industrial está ligada às origens do Senai. Hoje, revitalizada e adequada às novas necessidades do mercado de trabalho, a modalidade também ganhou em flexibilidade e eficácia. Uma das alternativas criadas é a aprendizagem na empresa , promovida nos locais em que não exista escola, curso ou vaga para atender à demanda das indústrias. A aprendizagem na empresa é resultado de uma parceria na qual ambos - Senai e empresa - têm responsabilidades e atribuições bem definidas e negociadas. Criteriosamente planejados, acompanhados, controlados e auditados, os cursos de aprendizagem na empresa representam a possibilidade de unir o cumprimento às leis, o exercício da responsabilidade social e o treinamento de futuros trabalhadores. Consulte o Senai mais próximo e informe-se