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  • 1. PROGRAMA GESTÃO DAAPRENDIZAGEM ESCOLARGESTAR ILÍNGUA PORTUGUESACADERNO DE TEORIA E PRÁTICA 7LITERATURA INFANTIL
  • 2. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃOSECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICAFUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃODIRETORIA DE ASSISTÊNCIA A PROGRAMAS ESPECIAISPROGRAMA GESTÃO DAAPRENDIZAGEM ESCOLARGESTAR ILÍNGUA PORTUGUESACADERNO DE TEORIA E PRÁTICA 7LITERATURA INFANTILBRASÍLIA2007
  • 3. © 2007 FNDE/MECTodos os direitos reservados ao Ministério da Educação - MEC.Qualquer parte desta obra pode ser reproduzida desde que citada a fonte.DIPRO/FNDE/MECVia N1 Leste - Pavilhão das Metas70.150-900 - Brasília - DFTelefone (61) 3966-5902 / 5907Página na Internet: www.mec.gov.brIMPRESSO NO BRASIL
  • 4. SumárioSumárioSumárioSumárioSumárioSumárioSumárioSumárioSumárioSumárioTP7 : LiteraTP7 : LiteraTP7 : LiteraTP7 : LiteraTP7 : Literatura Infantiltura Infantiltura Infantiltura Infantiltura InfantilAPRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 7UNIDADE 1: Literatura infantil: conceito e especificidades................................................................. 9SEÇÃO 1: Os conceitos de literatura e de texto literário ............................................................ 10SEÇÃO 2: O gênero “literatura infantil”: origens e evolução...................................................... 17SEÇÃO 3: A literatura infantil brasileira: dos anos 70 até nossos dias ....................................... 26UNIDADE 2: Modalidades de textos de “literatura infantil”........................................................ 37SEÇÃO 1: Os textos visuais .......................................................................................................... 38SEÇÃO 2: Os textos em prosa ...................................................................................................... 45SEÇÃO 3: Os textos teatrais ......................................................................................................... 52UNIDADE 3: Atividades didáticas de leitura e interpretação de textos de literatura infantil ..... 65SEÇÃO 1: Atividades de leitura e interpretação de textos visuais ..................................................... 66SEÇÃO 2: Atividades didáticas de leitura e interpretação de textos em prosa ........................... 75SEÇÃO 3: Atividades de leitura e interpretação de textos teatrais ............................................. 83CorCorCorCorCorrrrrreção das aeção das aeção das aeção das aeção das atititititividades de estudovidades de estudovidades de estudovidades de estudovidades de estudoUNIDADE 1................................................................................................................................... 99UNIDADE 2................................................................................................................................. 102UNIDADE 3................................................................................................................................. 106OfOfOfOfOficinas de Ficinas de Ficinas de Ficinas de Ficinas de Fororororormação de Professormação de Professormação de Professormação de Professormação de ProfessoresesesesesSessão Presencial Introdutória .............................................................................................. 115Sessão Presencial Semanal: UNIDADE 1 .................................................................................... 117Sessão Presencial Semanal: UNIDADE 2 .................................................................................... 119Sessão Presencial Semanal: UNIDADE 3 .................................................................................... 121Anexos ................................................................................................................................... 123
  • 5. ApresentaçãoProfessorNos cadernos anteriores, estudamos as características de vários tipos de textos –narrativo, história em quadrinhos, jornalístico, publicitário, poético, epistolar e infor-mativo – e pensamos nas diferentes maneiras de utilizá-los em sala de aula.Chegou o momento de pensarmos em como levar nossos alunos a identificarem oque caracteriza um texto literário. Para isso, teremos que discutir o conceito de litera-tura e situar o gênero a que se costuma chamar “literatura infantil”. É disso que trata-remos neste novo caderno.Geralmente se reconhece a importância da literatura infantil; sabemos que deveestar presente na escola, em casa, nas bibliotecas, mas sabemos também que nemsempre é utilizada de forma adequada. Há muito a fazer para melhorar os conheci-mentos dos professores sobre a literatura infantil. Todos nós queremos promovermudanças no tratamento desse assunto, mas estamos cientes de que as dificuldadessão inúmeras, principalmente devido ao desconhecimento.Nosso propósito, portanto, é mostrar que a literatura infantil não pode ser reduzi-da a exercícios de ensino da gramática ou a outros tipos de abordagem que privilegi-am o caráter educativo do livro para crianças. É preciso oferecer aos alunos a oportu-nidade de conviverem com textos cuja leitura seja fonte de prazer, de contato com alíngua e suas variedades, de conhecimento dos atos e dos sentimentos humanos.Na Unidade 1, discutiremos, primeiramente, os conceitos de texto literário e deliteratura. Em seguida, traçaremos um breve histórico da literatura infantil brasileirae identificaremos os traços temáticos e estilísticos dos textos que compõem o universoda literatura infantil.Na Unidade 2, estudaremos três modalidades de textos da literatura infantil – osque se apresentam apenas por meio de imagens, os textos em prosa e os textos tea-trais. Veremos que a imagem assume uma dimensão especial no texto da literaturainfantil e, assim sendo, o trabalho do ilustrador deve ser considerado, antes de tudo,como o de um criador de linguagens.Na Unidade 3, para que você possa aprimorar seu trabalho em sala de aula, serãoapresentadas sugestões de atividades de leitura e de produção que envolvem as trêsmodalidades de textos da literatura infantil analisadas na Unidade 2.Esperamos que você desenvolva um bom trabalho.
  • 6. TeoriaePrática7•Unidade1911 Literatura infantil:conceito e especificidadesINICIANDO NOSSA COINICIANDO NOSSA COINICIANDO NOSSA COINICIANDO NOSSA COINICIANDO NOSSA CONVERSANVERSANVERSANVERSANVERSANesta primeira unidade, vamos estudar os conceitos de texto literário e de literatu-ra, buscando definir o gênero “literatura infantil”, suas origens e evolução, e asespecificidades do texto produzido para o destinatário criança. Pensaremos nas finali-dades do trabalho com a literatura infantil na escola e nos critérios que devem guiar aseleção dos textos a serem utilizados em atividades de leitura e produção.Na seção 1, vamos abordar algumas características que nos levam a classificar umtexto como literário, estabelecendo confrontos com textos não-literários. Definiremosliteratura como uma forma de arte que nos permite vivenciar e recriar experiências,experimentar sentimentos e emoções.Na seção 2, vamos traçar um breve histórico do gênero a que costumamos chamar“literatura infantil”, identificando suas origens e evolução e ressaltando o papel deMonteiro Lobato na formação da literatura infantil brasileira.Na seção 3, trataremos das mudanças que ocorreram a partir dos anos 70 e identi-ficaremos as novas tendências que marcam os textos da literatura infantil brasileira.Pensaremos nos interlocutores desses textos e na relação que se estabelece entre eles,ou seja, entre o adulto, que produz o texto com finalidades educacionais e/ou estéti-cas, e a criança, destinatário principal desse texto. Analisaremos a linguagem empre-gada e os traços temáticos e estilísticos mais comuns dos textos voltados para o públi-co infantil.DEFININDO NOSSO PODEFININDO NOSSO PODEFININDO NOSSO PODEFININDO NOSSO PODEFININDO NOSSO PONTNTNTNTNTO DE CHEGO DE CHEGO DE CHEGO DE CHEGO DE CHEGADADADADADAAAAAEsperamos que, no final desta unidade, você possa:a) identificar os elementos que caracterizam um texto literário;b) descrever as origens e a evolução do gênero “literatura infantil”;c) distinguir os traços temáticos e estilísticos de textos da literatura infantil brasilei-ra moderna e contemporânea.
  • 7. TeoriaePrática7•Unidade110Seção 111Os conceitos de literatura e de texto literárioObjetivo a ser alcançado no final desta seção:• Identificar os elementos que caracterizam um texto literário.ProfessorQuem não se lembra de uma história interessante, que foi contada, na infância,pelos pais, avós, tios, mestres, ou que foi apresentada no cinema ou na televisão? Equem esquece os poemas que aprendeu a declamar quando era criança?Contos, fábulas, romances, poemas estão muito presentes em nossa vida. Esses tex-tos nos proporcionam prazer, diversão, conhecimentos e experiências de vida. Sabe-mos reconhecer os elementos que caracterizam esses tipos de textos e temos até nos-sas preferências por alguns deles. Muitas vezes, ao lermos um poema, um romance,um texto teatral, reconhecemos situações que vivemos ou que gostaríamos de viver,compreendemos o que é adequado ou não para a convivência em sociedade, conhece-mos, enfim, os seres humanos.Pensar nesses textos, que nos proporcionam toda essa vivência, é pensar em litera-tura. É pensar também no papel do professor, que deve estimular a formação de leito-res apreciadores de literatura.Atividade 1Atividade 1Atividade 1Atividade 1Atividade 1a) Exponha, nas linhas abaixo, o modo como você costuma trabalhar na escola paraque os alunos desenvolvam o interesse e o gosto pela leitura. (É muito importante quevocê relate sua experiência, sem preocupar-se com críticas. Nossa intenção é que vocêfaça uma avaliação constante de seu trabalho em sala de aula e observe se as suges-tões aqui apresentadas podem contribuir para aprimorar seu desempenho como pro-fessor.)________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 8. TeoriaePrática7•Unidade111b) Agora, procure explicar como você diferencia um texto literário de um texto não-literário.______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Se foi difícil responder, não se preocupe. Esta seção foi organizada para que vocêcompreenda os critérios que, em geral, são usados para caracterizar o texto literário.Para isso, precisamos definir bem o que é literaliteraliteraliteraliteraturaturaturaturatura.É comum encontrarmos a definição de literatura como uma forma de arte. Assimcomo a pintura é a arte dos traços e das cores, a música, a arte dos sons, a dança, a artedos movimentos, a literatura é a “arte da palavra”. Como todas as artes, a literaturanos faz pensar no homem e no universo.Pensemos no trabalho de um artista. Ao criar uma pintura, ele retrata a visão quetem do mundo, das pessoas, dos acontecimentos. Essa visão é única, pessoal. Cadaartista tem um modo individual (um estilo) de retratar a sua época.Atividade 2Atividade 2Atividade 2Atividade 2Atividade 2Observe atentamente a pintura abaixo, do famoso pintor francês Auguste Renoir(1841-1919). Repare nas figuras humanas, observe bem as expressões de seus rostos, oambiente em que se encontram, o que fazem. Em seguida, escreva tudo o que a pintu-ra sugere a você.______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Das Frühstück: Pierre und Jean Renoir, 1898. London, Sammlung Lady Marks.
  • 9. TeoriaePrática7•Unidade112Quem observa a obra de um pintor, como, por exemplo, essa de Renoir, pode reco-nhecer ali acontecimentos e experiências que já viveu ou imaginou e pode experimen-tar sentimentos e emoções (alegria, prazer, dor, medo etc.), que são únicos, pessoais,como são os do artista. Este, por meio de traços e cores, nos permite recriar o mundoa partir do que observamos. Assim, podemos imaginar as atividades, as funções, omodo de ser das três figuras humanas retratadas; o local onde se encontram e ostraços desse ambiente. Percebemos os planos mais próximos e os mais distantes eassim por diante.Vamos fazer uma comparação dessa experiência com a que a literatura nos propor-ciona. A literatura permite ao leitor, por meio da interação com o texto, tomar contatocom uma série de experiências, de conhecimentos, de impressões, que os homensforam acumulando com o passar dos séculos. É como se esse conhecimento estivesseguardado em nossa memória até o momento em que o reconhecemos nas manifesta-ções artísticas. Esse reconhecimento é que provoca o prazer, faz sonhar, permite mui-tas interpretações e recriações.A literatura é feita de palavras – o mesmo material, portanto, de que são feitos osartigos científicos, as reportagens jornalísticas, as correspondências comerciais – mas,na literatura, as palavras são manipuladas de forma especial.Observe como um poeta define a poesia, no seguinte texto:ConvitePoesiaé brincar com palavrascomo se brincacom bola, papagaio, pião.Só quebola, papagaio, piãode tanto brincarse gastam.As palavras não:quanto mais se brincacom elasmais novas ficam.Como a água do rioque é água sempre nova.Como cada diaque é sempre um novo dia.PAES, José Paulo. Poemas para brincar. São Paulo: Atica, 1990.
  • 10. TeoriaePrática7•Unidade113Imagine quantas coisas podemos mostrar aos alunos para que percebam o modocomo o texto é organizado, como as palavras se combinam para dar um ritmo especialao texto e para levar o leitor a imaginar, a recriar situações.Atividade 3Atividade 3Atividade 3Atividade 3Atividade 3Pense na sua experiência em sala de aula e no que você já estudou sobre o poemano caderno Teoria e Prática 6.Para trabalhar o poema de José Paulo Paes com seus alunos, o que é preciso anali-sar? Descreva a atividade que você pode propor.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________É bom lembrar que as primeiras manifestações literárias se deram em forma depoesia. A literatura, portanto, tem origem na poesia. As histórias antigas de grandesbatalhas ou de viagens extraordinárias, em que os heróis são muitas vezes descenden-tes dos deuses e realizam ações sobre-humanas, salvando até nações, foram escritasem forma de poemas. Você já deve ter ouvido falar nos dois maiores poemas da Gréciaantiga, a Ilíada e a Odisséia. Esses textos, que são o resultado de uma longa tradiçãooral de histórias e lendas, foram escritos em versos, pois dessa forma poderiam sermemorizados mais facilmente e preservados de geração em geração.É importante lembrar que, assim como todas as artes sofreram e sofrem transfor-mações ao longo do tempo, a literatura também passou e passa por mudanças cons-tantes. Há muitas diferenças entre obras literárias de épocas diferentes. O conjuntodessas obras de diferentes épocas nos permite compreender a literatura de hoje, queinfluencia nosso modo de pensar e de agir.Ao produzir um texto literário, o autor organiza a mensagem, recriando certos con-teúdos. Para isso, faz uso de variados recursos, de acordo com o tipo de texto queproduz. Escolhe com rigor as palavras, combina-as para dar ritmo e sonoridade aotexto, descreve situações, apresenta os personagens e suas ações e pensamentos. Notexto literário, não importa apenas o que se vai ser dito, mas o modo como se vai dizer.
  • 11. TeoriaePrática7•Unidade114A linguagem que caracteriza o texto literário éuma linguagem plurissignifplurissignifplurissignifplurissignifplurissignificaicaicaicaicatititititivavavavava, isto é, apresentamuitos significados; é conotaconotaconotaconotaconotatititititivavavavava. Nesse tipo de texto, omodo como o assunto vai ser tratado é tão importantequanto o conteúdo a ser transmitido. O texto literárioexige, portanto, um leitor preparado para essa lingua-gem que sugere, que admite interpretações diferentes.Podemos afirmar que o texto literário tem umafunção estéticafunção estéticafunção estéticafunção estéticafunção estética, enquanto o não-literário tem uma fun-fun-fun-fun-fun-ção utilitáriação utilitáriação utilitáriação utilitáriação utilitária (pretende informar, provar, convencer).Vamos, então, confrontar dois textos em prosa para identificar qual deles é umtexto literário.TEXTO 1O Estado de S.Paulo. Caderno Telejornal, 7/10/01, ano 10, No 487, p.T8
  • 12. TeoriaePrática7•Unidade115TEXTO 2Pôr de sol de trombetaO pôr do sol de hoje é de trombeta – disse Emília, com asmãos na cintura, depezinha sobre o batente da porteira onde,naquela tarde, depois do passeio pela floresta, o pessoal de DonaBenta havia parado. Eles nunca perdiam ensejo de apro-veitar os espetáculos da natureza. Nas chuvasfortes, Narizinho ficava de nariz colado àjanela, vendo chover. Se ventava,Pedrinho corria à varanda com o binó-culo para espiar a dança das folhassecas – “quero ver se tem saci dentro”.E o Visconde dava as explicações cien-tíficas de todas as coisas.O pôr do sol daquele dia estava re-almente lindo. Era um pôr do sol detrombeta. Por quê? Porque Emília tinhainventado que em certos dias o Sol “to-cava trombeta a fim de reunir todos osvermelhos e ouros do mundo para a festado acaso”. Diante dum pôr de sol de trombetaninguém tinha ânimo de falar, porque tudo quan-to dissessem saía bobagem. Mas Dona Benta não se conteve.- Que maravilhoso fenômeno é o pôr do sol! – disse ela.Emília deu um pisco para o Visconde por causa daquele “fe-nômeno”, e resolveu encrencar.- Por que é que se diz “pôr do sol”, Dona Benta? – perguntoucom o seu célebre ar de anjo de inocência. – Que é que o Sol põe?Algum ovo?Dona Benta percebeu que aquilo era uma pergunta-ar-madilha, das que forçavam certa resposta e preparavam o terre-no para o famoso “então” da Emília.- O sol não põe nada, bobinha. O sol põe-se a si mesmo.- Então ele é o ovo de si mesmo. Que graça!LOBATO, Monteiro. A chave do tamanho, In Obra infantil completa. Vol. 3.Edição Centenário (1882-1982), São Paulo: Brasiliense, p.1105.
  • 13. TeoriaePrática7•Unidade116INDO À SALA DE AULAAtividade 4Atividade 4Atividade 4Atividade 4Atividade 4a) Indique qual dos dois textos (texto 1 ou texto 2) é literário e explique por que vocêchegou a essa conclusão.______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) Agora, explique por que o outro texto não é literário.______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________c) Compare as duas respostas anteriores com a resposta que você deu ao item bbbbb daAtiAtiAtiAtiAtividade 1vidade 1vidade 1vidade 1vidade 1 desta seção e responda:A forma de você definir um texto literário mudou com a leitura dos textos A volta doSítio do picapau e Pôr de sol de trombeta? Explique._____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________É fácil perceber em qual dos dois textos o escritor se preocupa com o plano daexpressão, utilizando uma linguagem mais subjetiva, escolhendo e combinando aspalavras de modo a “jogar” com a imaginação do leitor, levando-o a também imaginare recriar experiências. Sua intenção é proporcionar prazer e diversão ao leitor e, aomesmo tempo, instigá-lo a questionar, a descobrir outros caminhos e soluções para osproblemas.Uma atividade interessante para levar os alunos a diferenciarem o texto literáriodo não-literário é solicitar que eles criem, a partir de um tema dado (escolha sempreum assunto que seja do interesse das crianças), um texto narrativo ou poético (ou osdois) e um texto informativo (depois de pesquisarem o assunto em livros, jornais,revistas ou outras fontes). Se a turma puder ser dividida em vários grupos, incluatambém na atividade o texto jornalístico. Dessa forma, os alunos terão também aoportunidade de identificar os elementos que envolvem a produção de cada tipo detexto.
  • 14. TeoriaePrática7•Unidade117O texto literário é diferente de um texto cujas finalidades são informar, explicar,expor dados com exatidão, para esclarecer o leitor. Esse texto, não-literário, apresentauma linguagem mais objetiva, que não deixa espaço para mais de uma interpretação.Seu autor mostra-se mais preocupado com o conteúdo a ser transmitido do que com oplano da expressão. O leitor não é “chamado” a fazer parte do texto; situa-se externa-mente a ele.Para compreendermos o conceito de texto literário, devemos entenderbem o que é literatura.A literatura pode ser definida como uma forma de arte, a arte da palavra. Ela nospermite vivenciar e recriar acontecimentos e experiências, experimentar sentimen-tos e emoções.O texto literário é aquele que apresenta uma linguagem subjetiva, conotativa,plurissignificativa (que admite muitos significados). Por isso dizemos que o textoliterário tem uma função estética. Sua finalidade, em geral, é proporcionar ao leitorprazer, diversão, conhecimento e experiências vividas num mundo imaginário, in-ventado.O texto não-literário apresenta uma linguagem objetiva, precisa, que não admiteinterpretações diversas. Quem produz um texto não-literário, em geral, quer trans-mitir um conteúdo, apresentando dados, expondo fatos do mundo real. É um textoque tem função utilitária.Seção 222O gênero “literatura infantil”: origens eevoluçãoObjetivo a ser alcançado no final desta seção:- descrever as origens e a evolução do gênero “literatura infantil”.ProfessorQuanto mais nossos alunos tiverem contato com variados tipos de textos, fazendosua própria seleção, manuseando e conhecendo os livros, mais facilmente eles pode-rão adquirir o gosto e o interesse pela leitura.
  • 15. TeoriaePrática7•Unidade118Se a maioria dos textos que circulam entre os alunos dos primeiros anos do ensinofundamental compõe o gênero a que chamamos literatura infantil, devemos compre-ender bem o que caracteriza essa literatura, entender como se formou, saber quaisforam seus principais momentos, os autores mais importantes e as obras que devemosselecionar para a leitura e o trabalho em sala de aula. Trataremos desses assuntosnesta seção.Vamos partir das seguintes reflexões: é possível falarmos de um tipo de literaturaque só agrade ao público infantil e outra que só agrade ao público jovem ou adulto?As histórias da literatura infantil não agradam também aos adultos? O que caracterizaa literatura infantil?Atividade 5Atividade 5Atividade 5Atividade 5Atividade 5Pense na sua experiência com os alunos e nos textos que você utiliza em suas aulas.Você conhece as preferências das crianças, sabe como elas se comportam diante doslivros. Responda, então:Para que as crianças se interessem pela leitura, que características as obras de lite-ratura infantil devem ter?______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________É importante lembrarmos a definição de literatura como uma forma de recriar omundo, de apelar para a imaginação do leitor, de permitir que ele reconheça no textosuas próprias experiências de vida e experimente emoções e sentimentos.Quando se trata dos textos para crianças, imediatamente pensamos na espécie deleitor que os autores esperam atingir. Isso determina a inclusão de certos textos nogênero denominado literatura infantil. A origem dessa literatura se vincula ao apareci-mento desse público. Sua história compreende as transformações pelas quais se podeperceber o tratamento que se deu e se dá à infância.
  • 16. TeoriaePrática7•Unidade119Há dois modos de compreender a literatura infantil. Por um lado, ela revela a preo-cupação do adulto em relação à criança. Intencionalmente ou não, o interlocutor-adultoinfluencia o interlocutor-criança, passando-lhe valores ideológicos. Dessa forma, o textoassume um caráter pedagógico.De outro lado, quando esses textos se comprometem com o interesse da criança,passam a ser um meio de acesso ao real, pois podem permitir que ela ordene suasexperiências e conhecimentos. É uma forma efetiva de desenvolver a linguagem, entreoutros benefícios. Além disso, esses textos em geral transitam do real para o maravi-lhoso, incorporam imagens e ilustrações e admitem modalidades próprias, como oconto de fadas ou a história com personagens animais.Existe, naturalmente, entre os interlocutores desses textos (adulto e criança), umadistância na capacidade de compreender o mundo, de captar conteúdos abstratos e dedominar plenamente a linguagem. Assim, o adulto-escritor procura reduzir essa dis-tância, adaptando os assuntos às experiências e conhecimentos da criança. Usa umvocabulário e construções sintáticas que devem estar ao alcance da compreensão des-se leitor e utiliza, para compor o significado geral do texto, recursos gráficos, imagens,ilustrações, muitas cores etc. Ele deve oferecer espaço para que a criança exercite aimaginação, crie, descubra.Muitos autores se dedicaram a escrever obras sobrea literatura infantil, nas quais você encontrará textosteóricos e práticos que podem ajudá-lo no seu trabalhoem sala de aula. Esses autores apresentam sugestõespara a seleção e para a análise dos textos destinados àscrianças. Eis as capas de algumas dessas obras:
  • 17. TeoriaePrática7•Unidade120Breve histórico da literatura infantil. Das origens a Monteiro LobatoAs obras que aparecem como pioneiras na história da litera-tura infantil são aquelas que, no século XVII, eram considera-das adequadas ou apropriadas às crianças: entre outras, naFrança, as Fábulas, de La Fontaine (inspiradas na tradição defábulas de Esopo e também nas indianas) e os Contos de Ma-mãe Gansa, de Charles Perrault, que recolheu e adaptou his-tórias folclóricas muitas vezes inspiradas nos contos de fa-das que deviam ser populares na época. Algumas das fa-mosas histórias de Perrault são: O Gato de Botas, ABorralheira, Barba Azul etc.No século XVIII, começaram a ser publicadas, na Euro-pa, as obras que se destinavam especialmente ao públi-co infantil. Muitas dessas obras assumiam um caráterpedagógico, portanto eram vinculadas essencialmenteà educação das crianças. Outras eram adaptações detextos clássicos, como, por exemplo, os romances deaventuras Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, e Viagens de Gulliver,de Jonathan Swift.São do século XIX os famosos contos dos irmãos Grimm, da Alemanha (A Bela Ador-mecida, Os Sete Anões e a Branca de Neve, Os Músicos de Bremen, O Chapeuzinho Verme-lho, A Gata Borralheira), os contos do dinamarquês H.C. Andersen (A Sereiazinha, OPatinho Feio, A Pequena Vendedora de Fósforos, A Roupa Nova do Imperador), As Aven-turas de Pinóquio, do italiano Collodi, Alice no País das Maravilhas, do inglês LewisCarroll, entre muitas outras obras e coleções.Atividade 6Atividade 6Atividade 6Atividade 6Atividade 6Dentre as obras acima citadas, é provável que você conheça algumas. É possível atéque as utilize em aula. Descreva o modo como você as apresenta às crianças, indiqueas histórias de que elas mais gostam, enfim, mostre sua experiência com esses textosna escola. Se não as utiliza, explique a razão.________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________No Brasil, até o final do século XIX, as obras destinadas às crianças eram traduçõesque chegavam principalmente de Portugal, muitas delas com objetivos bem definidosde educar e moralizar e, secundariamente, divertir. Em 1894, por exemplo, AlbertoFigueiredo Pimentel publicou os Contos da Carochinha, uma coleção de 40 contos po-pulares, traduzidos ou adaptados de outros povos, entre os quais alguns de Perrault,Grimm e Andersen.
  • 18. TeoriaePrática7•Unidade121No século XX, precisamente em 1921, acontecea publicação da obra A menina do narizinho arre-bitado, de Monteiro Lobato, que inaugura a pro-dução regular brasileira de obras destinadas àscrianças.Atividade 7Atividade 7Atividade 7Atividade 7Atividade 7Nas linhas abaixo, descreva sua experiên-cia com as obras de Monteiro Lobato. (Mos-tre se já leu alguma delas, se assistiu ao se-riado O sitio do Picapau Amarelo, se reco-mendou a leitura das obras de Lobato aosalunos, se analisou com eles algum texto,enfim, exponha o que achar importantesobre essa experiência. Se não leu ou nãoutiliza os textos de Lobato, diga por queisso ocorreu ou ocorre.)__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Foi com Monteiro Lobato que, em nosso país, se começou a adquirir a consciênciade que a literatura infantil não deve ser considerada um gênero menor ou subliteratura.Em suas obras destinadas aos públicos infantil e juvenil, Lobato discute temas históri-cos, narra inúmeros contos e lendas de nosso folclore e cria aventuras de um mundoimaginário, maravilhoso. Além disso, traz para o universo infantil assuntos e temasque antes eram reservados ao público adulto. Consegue, em suas obras, expressar suapreocupação com os problemas do Brasil e do mundo, apresentando, nas discussõesdesses temas, o ponto de vista da criança ao lado ou em confronto com o do adulto.Um bom caminho para que os alunos, mesmo os menores, se familiarizem com ostextos de Lobato é contar-lhes (ou ler oralmente) alguns episódios narrados nas inú-meras obras do autor (Reinações de Narizinho, Caçadas de Pedrinho, O Saci, Memó-rias de Emília, A Chave do Tamanho, A Reforma da Natureza, O Minotauro, Fábulas etantas outras). Para alunos de 3oe 4oanos, você pode sugerir que eles mesmos pre-parem a leitura ou que dramatizem os textos. Se eles assistirem ao seriado O sítio doPicapau Amarelo, apresentado na TV, vão conseguir dramatizar os textos mais facil-mente.INDO À SALA DE AULA
  • 19. TeoriaePrática7•Unidade122Leia um trecho de uma das obras de Lobato. Observe bem a linguagem que eleapresenta.O irmão de Pinóquio— Coitada de vovó! – disse um dia Narizinho. De tanto contar históriasficou que nem bagaço de caju; a gente espreme e não sai mais nem umpingo.Era a pura verdade aquilo – tão verdade que a boa senhora teve de escre-ver a um livreiro de São Paulo, pedindo que lhe mandasse quanto livro fosseaparecendo. O livreiro assim fez. Mandou um e depois outro e depois outro epor fim mandou o Pinóquio.— Viva! – exclamou Pedrinho quando o correio entregou o pacote. Voulê-lo para mim só, debaixo da jabuticabeira.— Alto lá! – interveio dona Benta. Quem vai ler o Pinóquio para quetodos ouçam, sou eu, e só lerei três capítulos por dia, de modo que o livrodure e nosso prazer se prolongue. A sabedoria da vida é essa.— Que pena! – murmurou o menino fazendo bico. Não fosse a tal sa-be-do-ri-a da vida, que nunca vi mais gorda, e hoje mesmo eu dava conta dolivro e ficava sabendo toda a história do Pinóquio. Mas não! Temos de ir natoada de carro de boi em dia de sol quente – nhen, nhen, nhen...Sua zanga, porém, não durou muito, e assim que chegou a noite e tiaNastácia acendeu o lampião e gritou o “É hora!”, ninguém se mostrava maisassanhado que ele.— Leia da sua moda, vovó! – pediu Narizinho.A moda de dona Benta ler era boa. Lia “diferente” dos livros. Como quasetodos os livros para crianças que há no Brasil são muito sem graça, cheios determos do tempo da onça ou só usados em Portugal, a boa velha lia tradu-zindo aquele português de defunto em língua do Brasil de hoje. Onde estava,por exemplo, “lume”, lia “fogo”; onde estava “lareira” lia “varanda”. E sem-pre que dava com um “botou-o” ou “comeu-o”, lia “botou ele”, “comeu ele” –e ficava o dobro mais interessante.LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho, in Obra Infantil Completa. Vol. 1. Ed. Centenário(1882-1982). São Paulo: Brasiliense, p.102.
  • 20. TeoriaePrática7•Unidade123Atividade 8Atividade 8Atividade 8Atividade 8Atividade 8a) Leia a seguinte afirmação:No texto que acabamos de ler, Lobato utiliza uma linguagem predominante-mente coloquial, simples e clara, marcada pelo tom de oralidade e pela explora-ção das várias possibilidades que a língua oferece para representar o ambientede conversa, de comunicação entre os personagens.Você concorda com essa afirmação? Justifique.______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) O autor faz no texto uma crítica aos livros de literatura infantil de sua época. Oque ele diz sobre essas obras?______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________As obras de Monteiro Lobato apresentam uma linguagem bem próxima da realida-de, tanto no discurso do narrador quanto na fala dos personagens. Você deve ter nota-do que a intenção de Lobato é mostrar o prazer de se comunicar, de contar e de ouvirhistórias, de trocar idéias. Suas obras tiveram grande aceitação por parte do público-leitor, razão pela qual foram publicadas sucessivas vezes. Dominaram, durante longotempo, o universo de livros destinados a crianças e jovens de nosso país e serviram demodelo a muitos outros escritores.Na época de Lobato, surgiram escritores que fica-ram famosos e cujas obras até hoje circulam entre nós.Eles também discutiram temas históricos, de inspira-ção folclórica e de aventuras, voltados para o públicojovem. É o caso de Graciliano Ramos (Alexandre eoutros heróis; A terra dos me-ninos pelados), José Lins doRego (Histórias da velhaTotônia); Viriato Correia (His-tória do Brasil para crianças,Cazuza), Érico Veríssimo (Asaventuras de Tibicuera; Ostrês porquinhos pobres), en-tre outros.
  • 21. TeoriaePrática7•Unidade124Nessa época também muitos autores recorriam a animais como personagens desuas obras. O próprio Lobato apresentava animais falantes em seus textos: o porcoRabicó, o burro falante, o rinoceronte Quindim etc. Isso sem falar na boneca de panoEmília, no sabugo de milho, o sábio Visconde de Sabugosa, na Cuca. Mas, nos textos deLobato, os animais e bonecos não substituem as crianças; pelo contrário, convivemcom elas, dividindo as aventuras, os sentimentos e emoções.Leia um pequeno trecho da obra de uma autora que viveu na época de Lobato erepare como são utilizados os animais.Samba tem uma idéiaO cachorrinho ficou pensativo. Se nãohavia bicho algum mais forte que a Onça, haveriaalgum mais astuto e de qualquer modo ela seriaeliminada.A Macaca-de-Cheiro suspirou:— Tudo isso veio acontecer justamente na véspera do casamento de mi-nha filha. Que azar!O marido encorajou-a:— Vamos ter confiança e esperar. Quem sabe a Onça vai morrer e aindafestejaremos o casamento de nossa filha!— Qual! Já estou perdendo as esperanças. E o banquete que estávamospreparando ia ser uma coisa louca. Ia ter de tudo nesse banquete, tudo quese possa imaginar. A orquestra estava encomendada, os canários ensaiavamhá muitos dias...Quando os bichos ouviram falar em banquete, começaram a passar alíngua nos lábios, imaginando as coisas gostosas que iriam comer. Todosficaram ainda com mais raiva da Onça.DUPRÉ, M. J. O cachorrinho Samba na Floresta. 6ª ed. São Paulo: Ática, 1984, p.47, 1ª ed. 1940.Atividade 9Atividade 9Atividade 9Atividade 9Atividade 9A ler o texto, percebemos que os animais se comportam exatamente como sereshumanos. O que nos faz perceber isso?______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________O cachorrinho Samba é um personagem que, a partir de 1940, aparece em várias
  • 22. TeoriaePrática7•Unidade125obras de Maria José Dupré. Narrativas como essa certamente foram inspiradas nasfábulas e contos de fadas, cujas origens se perdem no tempo e que, muitas vezes,trazem, como personagens, animais que “representam” seres humanos.Samba desobedece aos donos, perde-se na floresta, passa por maus momentos,luta para voltar e, enfim, consegue. O cachorrinho, animal pequeno, doméstico, repre-senta a criança, a quem era preciso transmitir ensinamentos e modelos de comporta-mento, já que era considerada uma criatura frágil e incapaz de pensar por si mesma.Em geral, os valores transmitidos às crianças, naquela época, eram os valores do mun-do dos adultos e um desses valores era a obediência.Atividade 10Atividade 10Atividade 10Atividade 10Atividade 10Releia o texto de Maria José Dupré e observe atentamente a linguagem que elautiliza.Assinale com um (X) a alternativa correta.O texto apresenta palavras e expressões muito próximas da oralidade, do tomde conversa que acontece geralmente entre amigos, entre marido e mulher;a autora utiliza, portanto, um padrão coloquial de linguagem.A autora optou por utilizar um padrão mais próximo ao padrão culto da lín-gua, tanto para representar o discurso do narrador, quanto para mostrar afala dos personagens; não há, assim, uma preocupação em representar fiel-mente o “tom de conversa”, o diálogo entre os amigos.Justifique sua escolha.______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Se compararmos o texto de Maria José Dupré com os de Monteiro Lobato que jálemos aqui, vamos perceber o pioneirismo de Lobato, sua atitude renovadora, apoia-da no diálogo, como forma de ensino, no apego ao conhecimento, na busca de solu-ções, e, sobretudo, na aposta na capacidade da criança de contribuir para a transfor-mação da sociedade.
  • 23. TeoriaePrática7•Unidade126As primeiras obras européias destinadas ao público infantil surgiram no sé-culo XVIII. Eram obras voltadas principalmente para a educação da criança.É no século XX que se inaugura a produção brasileira de obras especialmentevoltadas para as crianças. O ponto de partida é a publicação, em 1921, da obra Amenina do narizinho arrebitado, de Monteiro Lobato.Nos textos de Lobato destinados aos públicos jovem e infantil, a linguagem ébem próxima da realidade; é a linguagem das narrativas orais dos serões domésticos.A finalidade desses textos é mostrar o prazer de contar e ouvir histórias, de trocaridéias, de procurar soluções alternativas para os problemas do dia-a-dia, do país edo mundo.As obras de Lobato serviram de modelo a muitos escritores de sua época e inspi-ram até hoje autores que se preocupam em produzir obras que levem as crianças abuscar significados, a criar, a descobrir.Seção 3A literatura infantil brasileira: dos anos 70 aténossos diasObjetivo a ser alcançado no final desta seção:• Distinguir os traços temáticos e estilísticos de textos da literatura infantil brasi-leira moderna e contemporânea.ProfessorComo anunciamos no início deste caderno, nossa intenção é expor, aqui, um brevehistórico da literatura infantil, apontando os autores principais e os textos com osquais vale a pena trabalhar em sala de aula.Começamos esse histórico na seção 2; vamos retomá-lo, agora, verificando como seencontrava a literatura infantil brasileira nos anos 70 e identificando as principaistransformações que a partir dali marcaram os textos destinados às crianças.Nos anos 70, houve uma grande preocupação das autoridades educacionais com obaixo índice de leitura dos alunos. Assim, o Instituto Nacional do Livro (fundado em1937), em convênio com a iniciativa privada, começou a editar um grande número de
  • 24. TeoriaePrática7•Unidade127obras da literatura infantil e juvenil, incentivando a publicação de novos títulos, patro-cinando novos autores e fazendo chegar às escolas essa produção.Já é possível imaginar como se desenvolveu, a partir dessa época, o mercado delivros destinados às crianças e aos jovens, quantas livrarias passaram a vender essasobras, quantos autores e ilustradores surgiram.Muitos autores, já famosos na época, como Cecília Meireles, Mário Quintana e ClariceLispector, que escreviam para o público não-infantil, passaram a produzir obras volta-das para crianças.Esse grande crescimento na produção de obras destinadas às crianças favoreceu oaperfeiçoamento das técnicas de editoração, a utilização mais adequada de recursosgráficos, o cuidado maior com as ilustrações.Outro aspecto que marca a literatura infantil nos anos 70 é que as obras apresenta-vam cada vez mais os problemas da sociedade contemporânea, a pobreza, o sofrimen-to infantil, a marginalização, os preconceitos, a injustiça social. Surgem obras comoJustino, o Retirante, de Odette de Barros Mott, Lando das Ruas, de Carlos de Marigny, ACasa da Madrinha, de Lygia Bojunga Nunes, Nó na Gar-ganta, de Mirna Pinsky. É pioneira na apresentação maisfiel da realidade social muitas vezes cruel e violenta aColeção do Pinto, inaugurada por Wander Piroli, com aobra O Menino e o Pinto do Menino, de 1975.Desaparecem os temas moralizantes, os valores auto-ritários e conservadores que eram comuns em épocasanteriores. Esses temas dão lugar ao humor, à ironia, àsaventuras policiais, à ficção científica. Os personagens,na maioria das vezes, são crianças que vivenciam osproblemas sociais e tentam resolvê-los.
  • 25. TeoriaePrática7•Unidade128Vamos ler um trecho da obra História meio ao contrário, de Ana Maria Machado, de1979....E então eles se casaram, tiveram uma filhalinda como o raio de sol e viveram felizes parasempre...Tem muita história que acaba assim. Maseste é o começo da nossa. Quer dizer, se a gentetem que começar em algum lugar, pode muitobem ser por aí. Vai ser a história da filha des-ses tais que se casaram e viveram felizes parasempre. E a história dos filhos começa é nahistória dos pais. Ou na dos avós, bisavós,tataravós ou requetatatataravós – se alguémconseguir dizer isso e se lembrar de todas es-sas pessoas.Bem,temalguémquelembra.Índiolem-bra. Em muitas tribos, pelo menos. (...)Mas isso é coisa de índio. Homem branco hoje em dia não liga mais paraessas coisas. Prefere saber escalação de time de futebol, anúncio de televisão,capitais de países, marcas de automóveis e outras sabedorias civilizadas.Você sabe a história dos seus pais? E dos seus avós? E dos seus bisavós? Eutambém não sei muito não. Mas quando não sei invento.Tem gente que gosta, acha divertido. Tem gente que só quer saber de his-tórias muito exatas e muito bem arrumadinhas – então é melhor mudar dehistória, porque esta aqui é meio atrapalhada mesmo e toda ao contrário.Ela nem começou direito e já apareceram aí em cima uns índios que não têmnada a ver com a história. Mas é que eu gosto muito de índios e piratas (porisso adoro a história de Peter Pan) e toda hora eu lembro deles.Mas vamos começar de novo pelo começo.... E então eles se casaram, tiveram uma filha linda como um raio de sol eviveram felizes para sempre.MACHADO, Ana Maria. História meio ao contrário. São Paulo: Ática, 1979.Atividade 11Atividade 11Atividade 11Atividade 11Atividade 11a) Observe, primeiramente, a linguagem que a autora utiliza. Compare esse tipo delinguagem com a do texto de Maria José Dupré (O cachorrinho Samba), que você anali-sou na seção 2. Explique quais são as diferenças.______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 26. TeoriaePrática7•Unidade129b) No trecho que lemos da obra de Ana Maria Machado, fica clara a finalidade dotexto. Também o título (História meio ao contrário) mostra a intenção da autora. Expli-que qual é essa intenção.______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Ao iniciar a leitura do texto de Ana Maria Machado, você deve ter se lembrado doscontos de fadas que geralmente terminam com “..e foram felizes para sempre”.No texto História meio ao contrário, a autora dá um rumo diferente à história daprincesa, que começa exatamente onde terminam os contos de fada. Mas, ao longo dotexto, a autora reproduz situações vividas pelos personagens dos contos das históriastradicionais.Observe como essas situações aparecem, lendo estes outros trechos da mesma obrade Ana Maria Machado.Mamãe, que escuridão! Cadê tudo? Onde estão os jardins? A aldeia? Oscampos? Tudo sumiu... – choramingava a Princesa.— Não sei, minha filha, nunca pensei que uma coisa dessas pudesse acon-tecer. Mas não tenha medo, filhinha. Seu pai vai dar um jeito. Vamos lá parajunto dele.(...)Mas o Rei não se atrapalhava. Ele já devia ter lido muitas histórias de reis,princesas e dragões, sabia direitinho o que dizer:— Avise a todos que quem conseguir liquidar o monstro terá a mão deminha filha em casamento.(...)No dia seguinte, a novidade da aldeia era a chegada de um Príncipe vin-do de terras distantes a todo galope em seu veloz cavalo. Não era um Prínci-pe Encantado, mas a Pastora, que o tinha visto chegar, afirmava que eraum Príncipe Encantador.(...)Aí é que foi a surpresa. Porque o que a Princesa disse era coisaque ninguém esperava:— Meu real pai, peço desculpas. Mas se o casamento é meu,quem resolve sou eu. Só caso com quem eu quiser e quandoquiser. O Príncipe é muito simpático, valente, tudo isso. Masnós nunca conversamos direito.(...)Foi um deus-nos-acuda. O Rei gritou, urrou, esbravejou. ARainha explicou que todas as princesas das histórias casamcom os príncipes que vencem os dragões e os gigantes. E queos dois vivem felizes para sempre.Não adiantou nada. A Princesa olhava a Pastora, via comoera bonita aquela moça de olhar firme e cabeça levantada, einsistia:— Nada disso. Minha história quem faz sou eu. Posso até casar comesse Príncipe. Mas só se ele e eu quisermos muito.(...)
  • 27. TeoriaePrática7•Unidade130INDO À SALA DE AULAAtividade 12Atividade 12Atividade 12Atividade 12Atividade 12a) Que personagens e situações dos contos de fadas tradicionais você reconheceunesses trechos da obra de Ana Maria Machado?______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) Que partes do texto mostram que nessa obra as situações dos contos de fada seresolvem de forma diferente?______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Em História meio ao contrário, o príncipe se casa com a pastora e não com a prince-sa. Essa alteração da história tradicional é exemplo das tendências da literatura infan-til moderna.Ao utilizar uma obra como a de Ana Maria Machado (História meio ao contrário)na sala de aula, você não pode perder a oportunidade de ler para os alunos ou desugerir que eles leiam alguns contos de fada tradicionais, que terminam com o “...eforam felizes para sempre” (Cinderela e Branca de Neve, por exemplo), apontando:• as finalidades dos textos,• os marcadores de tempo e de espaço,• o apelo ao sonho e à fantasia,• as provas pelas quais alguns personagens passam,• as ações da bruxa e da madrasta má e seus merecidos castigos,• o papel da fada-madrinha.É um bom exercício para que eles percebam as características do texto narrativoficcional. Ao comparar os textos, os alunos vão perceber que as histórias podem seradaptadas aos novos tempos e novos padrões sociais, ou subvertidas totalmente,mas que permanece o “diálogo” que os textos mantêm entre si.A comparação dos textos pode ser feita oralmente pelos alunos, que, primeira-mente, contam a história tradicional e, em seguida, apontam as partes do texto queforam subvertidas ou adaptadas a outros padrões.Você e os alunos certamente terão muitos assuntos para o diálogo que essa ativi-dade permite.
  • 28. TeoriaePrática7•Unidade131Nos textos da literatura infantil moderna e contemporânea, os personagens passama apresentar um comportamento e um modo de pensar muito mais próximos da maneirade ser das crianças: questionam, imaginam, sonham, brigam, formam turmas,enfrentam problemas em casa, na rua e na escola. Além das obras de Ana Maria Machado,as de Lygia Bojunga Nunes (Os Colegas, Angélica, A Bolsa Amarela, O Sofá Estampado) ede Ruth Rocha (Sapo Vira Rei Vira Sapo; O Reizinho Mandão; Marcelo, Marmelo e OutrasHistórias) são exemplos dessas novas tendências de representar o universo infantil.À medida que os livros para crianças foram se multiplicando e sofrendo modificaçõesnos temas, como vimos, eles também manifestaram transformações em relação aosrecursos gráficos, que passaram a ser vistos não mais como simples ilustrações/enfeitespara os textos verbais, mas como recurso autônomo, que “dialoga” com o texto,acrescentando-lhe significados. Isso pode ser verificado nas obras de Ziraldo (O meninomaluquinho, Flicts), de Ricardo Azevedo (Um homem no sótão), de Angela Lago (Uma festano céu, Uni, duni e tê), de Helena Alexandrino, ilustrando o livro de Lúcia Villares (Cotovia),entre inúmeros outros exemplos.Atividade 13Atividade 13Atividade 13Atividade 13Atividade 13Leia o seguinte trecho de uma obra de Ricardo Azevedo e observe as ilustrações queele mesmo faz para seu texto.Essas ilustrações dão à criança a oportunidade de imaginar, recriar, divertir-se? Jus-tifique sua resposta, utilizando detalhes das imagens e de trechos do texto.________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________A obra O Marinheiro Rasgado traz uma série de aventuras que têm o personagem do1O homem apareceu um dia na praça, mas foi como se já fizesse parte dapaisagem desde sempre.Estava lá quando amanheceu, compenetrado, as mãos cruzadas nas cos-tas, andando devagar. Trouxe um saco de pano grosso cheio até a boca, duaslatas velhas de biscoito e uma caixa de sapatos amarrada com um laço defita. Ajeitou tudo numcanto debaixo de um banco de cimento e pronto! Demudança feita, passeava com um ar sério, mergulhando os olhos brilhantesem todos os lugares.Era uma figura, aliás, até um pouco bonita. Nem moço, nem velho. Ma-gro. De barbas longas. Pele queimada pelo sol. Usava um paletó cinzento elargo feito, sem dúvida, para um corpo maior e bem mais gordo . Vestiacalça de brim remendada e desbotada, com uma perna mais curta que aoutra. Num pé, calçava um tênis vermelho, amarrado com um fio de plásti-co. N outro, sandália havaiana. Na cabeça, uma espécie de meia de jogadorde futebol servia como chapéu e ainda ajudava a guardar sua imensa cabe-leira.Costumava passear arrastando uma lata de cerveja vazia. Amarrava alata na borda do paletó e saía devagar, segido sempre por um barulhinho demetal raspando no chão e por um animal de pêlo amarelo arrepiado quetalvez fosse um cachorro.Enquanto as pessoas passavam pela praça gesticulando, levando embru-lhos, bolsas e contas para pagar, o homem examinava de cócoras uma for-miga carregando uma folha no chão.AZEVEDO,Ricardo.Marinheirorasgado.SãoPaulo:Scipione.1990.
  • 29. TeoriaePrática7•Unidade132título como centro. Com ele se envolve um grupo de crianças, amigos de escola e debrincadeiras de rua. As ilustrações, criadas pelo próprio autor, reforçam certos deta-lhes do enredo e criam um certo suspense, que pode provocar o interesse da criançapela leitura da obra.A imagem assume, assim, uma dimensão especial no texto da literatura infantil. Otrabalho do ilustrador passa a ser considerado como o de um criador de imagens enão como o de alguém que apenas dispõe formas e cores para ornamentar o texto. Aocriar ilustrações, o ilustrador cria linguagens.Também a poesia para crianças intensifica-se e transforma-se muito nos temposmodernos. A marca principal dessa nova poesia é também o abandono dos temasligados à tentativa de transmitir à criança conselhos e ensinamentos. Aposta-se, agora,no poder comunicativo das palavras, dos versos, dos sons; valoriza-se, por exemplo, arelação criança/natureza. Podemos citar inúmeras dessas obras. Eis algumas: Ou Istoou Aquilo, de Cecília Meireles, A Arca de Noé, de Vinícius de Morais, Poemas para Brin-car, de José Paulo Paes, De Cabeça pra Baixo, de Ricardo da Cunha Lima.Atividade 14Atividade 14Atividade 14Atividade 14Atividade 14Agora, leia trechos de outra obra, esta destinada a crianças menores. Observe bemas ilustrações, os espaços em branco, a combinação das palavras.
  • 30. TeoriaePrática7•Unidade133Imagine que você vai utilizar esse texto na sala de aula. O que você faria para des-pertar nos alunos o interesse pela história?__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________A autora constrói uma obra que tem duas capas e duas histórias paralelas (Formigarra,Cigamiga e Cigamiga, Formigarra), inspiradas, como você deve ter notado, na fábulatradicional que todos conhecemos. Por meio do jogo das palavras e dos movimentossugeridos pelas imagens, a cigarra e a formiga se fundem num só personagem e issoacontece numa e noutra história. O meio do livro é exatamente o final das duas histó-rias.É possível mostrar à criança a presença da fábula clássica nessa nova história dacigarra e da formiga, dando-lhe a oportunidade de analisar comportamentos e senti-mentos humanos com um olhar crítico, aberto às diferentes possibilidades de recria-ção e de descoberta que o texto oferece.Não podemos deixar de mencionar, neste breve histórico, o texto teatral destinadoàs crianças, que tem como principal representante Maria Clara Machado. Ela transferiupara o palco, para o visual, para o animado, muitos elementos dos contos clássicos,das histórias de piratas, pastores, reis, bruxas. São exemplos de suas peças: Pluft, oFantasminha, A Bruxinha que era boa, O Cavalinho Azul. Você vai estudar, na próximaunidade deste caderno, o texto teatral na literatura infantil.
  • 31. TeoriaePrática7•Unidade134Lição de casaLição de casaLição de casaLição de casaLição de casaNos anos 70, houve um expressivo crescimento da produção literária infantilbrasileira, motivado, principalmente, pelos projetos de autoridades educacionais,preocupadas com o baixo índice de leitura dos alunos e decididas a fazer chegar àsescolas um grande número de obras destinadas às crianças e aos jovens.A expansão do mercado dessas obras, além de provocar o aparecimento de novostítulos e de novos autores, favoreceu o aperfeiçoamento das técnicas de editoraçãoe de utilização de recursos gráficos e visuais.Os temas moralizantes, conservadores e autoritários, que predominavam em épo-cas anteriores, dão lugar ao humor, à narração de aventuras e de viagens espaciais,ao envolvimento dos personagens nos problemas sociais e na busca de soluções.Também na poesia destinada às crianças manifestam-se grandes transformaçõesnos temas e na própria construção do poema. Valoriza-se agora o poder comunicati-vo das palavras, dos versos, dos sons.As ilustrações passam a interagir efetivamente com o texto verbal, compondo oconjunto significativo do texto.Leia os dois textos a seguir.TEXTO 1SPENCE, M.. Energia Solar. Coleção S.O.S. Planeta Terra. São Paulo: Melhoramentos, p.4.
  • 32. TeoriaePrática7•Unidade135TEXTO 2Lição de BiologiaEu plantei um pé de amorno fundo da minha vida.A semente foi brotando.Primeiro criou raiz,da raiz nasceu o broto,do broto nasceu o caule,do caule nasceu o galho,do galho nasceu a folha,da folha nasceu a flore da flor nasceu o fruto.E o fruto, que era verde,depressa ficou maduro.E com ele eu fiz um doce,que eu dei pra você provar,que eu dei pra você querer,que eu dei pra você gostar.Organize uma atividade didática para alunos de 3º ano, utilizando os doistextos que você leu. Mostre como você vai apresentar os textos, como vailevar os alunos a perceberem a linguagem que caracteriza cada texto, as fina-lidades de um e de outro, os recursos gráficos utilizados, o suporte em queforam publicados etc.AZEVEDO,Ricardo.DezenovePoemasDesengonçados.SãoPaulo:Ática,1998,p.25.
  • 33. TeoriaePrática7•Unidade23722 Modalidades de textos de“literatura infantil”INICIANDO NOSSA COINICIANDO NOSSA COINICIANDO NOSSA COINICIANDO NOSSA COINICIANDO NOSSA CONVERSANVERSANVERSANVERSANVERSAProfessorNa unidade 1, deste caderno de Teoria e Prática -TP7, você teve a oportunidade deestudar o que é o gênero literário conhecido como literatura infantil. Você analisou oconceito de literatura infantil e identificou especificidades dos textos destinados àscrianças.Nesta unidade 2, você vai conhecer algumas modalidades dos textos da literaturadestinada às crianças. Ao longo deste projeto GESTAR, essas modalidades já foramestudadas. Nesta unidade, porém, três modalidades serão trabalhadas maisdetalhadamente.Na seção 1, você vai participar da análise de textos visuais, levando em conta aimportância que eles representam como “ponto de partida de muitas leituras, que po-dem significar um alargamento do campo de consciência: de nós mesmos, de nosso meio,de nossa cultura e do entrelaçamento de nossa com outras culturas, no tempo e no espa-ço”, como diz Luís Camargo em seu livro Ilustração do Livro Infantil, Belo Horizonte:Lê, 1995, p.79.Na seção 2, você vai ler textos em prosa e analisar a forma, estilo, tom, motivos etemas que caracterizam os textos em prosa destinados às crianças. A partir dessa aná-lise, vai avaliar a qualidade dos textos a serem levados para a classe.Na seção 3, estudará textos de teatro infantil, identificando a especificidade dalinguagem, os temas abordados, a forma como se estruturam e analisar as possibilida-des de esse tipo de texto ser levado aos alunos.DEFININDO NOSSO PODEFININDO NOSSO PODEFININDO NOSSO PODEFININDO NOSSO PODEFININDO NOSSO PONTNTNTNTNTO DE CHEGO DE CHEGO DE CHEGO DE CHEGO DE CHEGADADADADADAAAAAEsperamos que, ao final desta unidade, você seja capaz de:• distinguir os traços característicos dos textos visuais voltados para o universoinfantil;• identificar as características dos textos em prosa voltados para a criança;• identificar as especifididades dos textos teatrais destinados às crianças.
  • 34. TeoriaePrática7•Unidade238SeçãoSeçãoSeçãoSeçãoSeçãoOs teOs teOs teOs teOs textos visuaisxtos visuaisxtos visuaisxtos visuaisxtos visuaisObjetivo a ser alcançado ao final desta seção:• Distingüir traços característicos dos textos visuais voltados para o universo infantil.ProfessorVocê já estudou que, em leitura, todos os elementos (visuais ou verbais, entre ou-tros) envolvidos no texto são importantes para a construção do sentido. Verificou queé importante dar ao aluno a oportunidade de ler textos diversificados, tanto aquelesem que predomina a linguagem verbal, como aqueles mais visuais.Nesta seção, você estudará um texto puramente visual, para analisar as imagens, oefeito que as cores e suas combinações produzem e verificar como tudo isso contribuina construção do significado do texto. Vai, também, pensar nos textos visuais comomeios para desenvolver a habilidade de construir seqüências narrativas, bem comopara estimular a percepção visual, a reflexão e a fantasia.Para iniciar esse estudo, você vai ler o texto Laura e Leo em Um Buraco No Telhado, deLiliana Iacocca e Michele Iacocca.Para tornar possível o acompanhamento da análise desse texto, o livro foi reprodu-zido, tendo as imagens reduzidas e agrupadas na mesma página.1
  • 35. TeoriaePrática7•Unidade239Leia atentamente as gravuras abaixo, na seqüência em que são apresentadas.
  • 36. TeoriaePrática7•Unidade240Atividade 1Atividade 1Atividade 1Atividade 1Atividade 1É possível afirmar que essa seqüência de gravuras constitui um texto? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Você deve ter considerado que, na forma como o livro foi reproduzido, a leitura ficaprejudicada: o tamanho reduzido das imagens e a apresentação de várias delas namesma página limitam o campo de ação do leitor. Leve em conta que, na forma origi-nal, cada quadro, identificado por um número no canto inferior, se encontra em umapágina. A passagem do olhar de uma a outra página, o ato de folhear o livro fazem oleitor criar expectativas, experimentar surpresas, formular hipóteses. Tudo isso con-corre para a construção de significados. Entretanto, essa foi a forma encontrada paravocê poder acompanhar a análise. Seria desejável que a biblioteca da escola pudessecontar com esse livro, para o aluno folheá-lo e apreciá-lo mais adequadamente. Ape-sar dessas limitações, é possível acompanhar a seqüência das ações e construir signifi-cados.Atividade 2Atividade 2Atividade 2Atividade 2Atividade 2Leia atentamente a imagem da página 1(do livro reproduzido). Observe que a ima-gem apresenta uma visão ampla, geral, do ambiente em que os fatos acontecem.a) O que é importante fazer o aluno analisar, na página 1?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) Observe, agora, as imagens da página 2. Note que são visões mais restritas, par-ticularizadas.Que mudanças podem ser notadas? Por que é importante levar o aluno a perce-ber a mudança que ocorre na imagem de uma página para outra?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Você deve ter considerado que é importante levar a criança a observar as imagensdentro do contexto em que aparecem. Dessa forma, pode ser possível que ela levantehipóteses sobre os acontecimentos representados e acompanhe mais adequadamentea seqüência das situações.
  • 37. TeoriaePrática7•Unidade241De acordo com Luís Camargo, em seu livro Ilustra-ção do Livro Infantil, a criança lê a imagem em três ní-veis de leitura, conforme a idade e o desenvolvimento:1. enumeração de elementos isolados;2. descrição de situações, cenas (elementos em relação);3. narração de uma história (seqüência de cenas).Levando em conta esses níveis, é possível concluirque é importante, desde o início da escolarização, a cri-ança ser habituada à leitura de imagens para alcançar,o quanto antes, um nível de leitura que possibilita com-preender a narração de uma história.Atividade 3Atividade 3Atividade 3Atividade 3Atividade 3a) Volte à página 1 do texto reproduzido. Observe as cores que os autores usam e omodo como fazem a combinação dessas cores. Que efeito esse uso e combinaçãodas cores produzem?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) Leia com atenção as outras páginas, observando o uso e a combinação das cores.É possível afirmar que esses elementos sofrem variações, acompanhando mu-danças na narrativa? Justifique.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Certamente, você observou que as cores claras predominam em todas as imagens enão mudam ao longo da história. É possível que essa regularidade esteja relacionada ànecessidade de apresentar muitos detalhes e às características dessa história, cuja in-tenção parece ser divertir o leitor, revelando a fantasia que cada personagem cria, apartir dos mesmos fatos vivenciados.
  • 38. TeoriaePrática7•Unidade242Atividade 4Atividade 4Atividade 4Atividade 4Atividade 4a) Você deve ter notado que, até a página 6, há uma regularidade nos modos comoas imagens são apresentadas (à esquerda, uma visão mais ampla do ambiente e,à direita, visões mais particularizadas de cada personagem) e, a partir da página7, há uma variação. Qual é a regularidade e qual é a mudança que podem seridentificadas?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) Que significados podem ser atribuídos a esses modos de apresentação das imagens?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________c) Observe que, nas páginas 13 e 14, outra alteração é percebida. Que significadopode ser atribuído a esse novo modo de apresentação das imagens?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Certamente, você considerou que a organização de um livro de imagens pode apre-sentar alguma semelhança com a forma de estruturar uma narrativa puramente ver-bal. Ou seja, é possível identificar as partes que compõem uma narrativa: orientação,complicação, desenvolvimento da complicação, clímax e resolução.Atividade 5Atividade 5Atividade 5Atividade 5Atividade 5Suponha que você esteja utilizando, em sua classe, o texto Leo e Laura em Um Bura-co no Telhado.a) Por que é importante levar o aluno a observar elementos como o modo de apre-sentar as situações (numa visão mais ampla ou mais restrita), o uso e a combina-ção das cores, a forma como o texto se organiza?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 39. TeoriaePrática7•Unidade243INDO À SALA DE AULAb) Depois dessa análise, que atividade você poderia propor para a classe?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Certamente, você considerou que, durante essas atividades de análise, o aluno tevea necessidade de verbalizar o que ia observando e que essa verbalização é fundamen-tal para o desenvolvimento das habilidades de usos da linguagem. Ou seja, você deveter compreendido que, ao participar dessas atividades, o aluno teve oportunidade dedesenvolver habilidades relacionadas à leitura e produção de textos.Atividade 6Atividade 6Atividade 6Atividade 6Atividade 6Para que classes esse tipo de atividade – leitura e análise de livros de imagens –pode ser adequado? Justifique.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Você deve considerar que é importante oferecer ao aluno oportunidades de ler osmais variados tipos de textos, uma vez que o objetivo do ensino de Língua Portuguesana escola é formar bons leitores e produtores competentes de textos. A leitura e análi-se de diferentes tipos de textos que circulam em nossa sociedade ampliam as possibi-lidades de desenvolvimento do aluno. A adequação não se encontra no próprio texto,mas no uso que se faz dele. Ou seja, é o uso do texto que o torna adequado ou nãopara esta ou aquela classe.Professor, há uma variedade muito grande de livros só de imagens que podemser utilizados em sala de aula, seja de 1º , 2º , 3º ou 4º ano.Por exemplo, há um livro de Eva Furnari chamado Esconde-esconde, São Paulo:Ática, que apresenta pequenas histórias que podem ser facilmente utilizadas comqualquer classe. Utilizando esse livro, você pode ler, analisar, observando com osalunos:
  • 40. TeoriaePrática7•Unidade244• a apresentação das cenas (verificar se a cena dá uma visão geral do ambienteou restringe-se à apresentação dos personagens);• a organização das partes da narrativa;• o uso e a combinação das cores.Depois dessa leitura, é possível você propor atividades que levem o aluno a:• contar oralmente a história que foi narrada pelas imagens;• escrever a história que foi narrada;• ler para os colegas a história que escreveu;• ilustrar a história que escreveu;• expor, no varal da classe, a história escrita e ilustrada de cada aluno.Nesta seção, você estudou que a presença do livro de imagens na sala de aulaé importante porque contribui no desenvolvimento das habilidades de uso da lin-guagem. Para ser possível essa contribuição, é preciso que o aluno seja levado a lere analisar livros de imagens, considerando as especificidades dos textos visuais des-tinados às crianças. É importante que o aluno perceba:• o efeito que produzem o uso e a combinação de cores;• o modo de apresentação das imagens (visão mais ampla ou mais restrita doambiente);• as mudanças que ocorrem nas imagens de uma página a outra ou de umquadro a outro;• a organização da narrativa expressa pelas imagens;• a possibilidade de verbalização das ações expressas pelas imagens;• a possibilidade de produzir textos orais e escritos a partir das imagens.A presença de livros de imagens é importante, sobretudo, para a fruição, o prazerdo contato com a arte.INDO À SALA DE AULA
  • 41. TeoriaePrática7•Unidade245SeçãoSeçãoSeçãoSeçãoSeçãoOs teOs teOs teOs teOs textos em prxtos em prxtos em prxtos em prxtos em prosaosaosaosaosaObjetivo a ser alcançado ao final desta seção• identificar as características dos textos em prosa voltados para a criança.ProfessorNa seção 1, desta unidade, lemos um livro só de imagens e analisamos as possibili-dades de esse tipo de texto freqüentar as salas de aula e contribuir na formação deleitores entusiasmados e produtores mais competentes de textos. Identificamos, ain-da, alguns elementos que fazem dos textos visuais instrumentos importantes para de-senvolver habilidades das crianças no uso da linguagem.Nesta seção, estudaremos textos em prosa, uma modalidade muito comum na lite-ratura em geral. Os textos em prosa se distinguem da poesia: não são escritos emversos; em sua organização não são levados em conta o ritmo, a sonoridade que resul-ta das rimas, aliterações, assonâncias e metro; levam em conta um ritmo decorrenteda própria organização da trama, articulada por uma tensão. São valorizados, ainda,outros elementos como a seqüência lógica, as relações de causa e conseqüência, aarticulação das partes (coesão), formando um todo coerente. Muitos textos em prosa jáforam lidos e analisados em todos os cadernos estudados até aqui, na forma de narra-tivas ficcionais.Para esse estudo, vamos ler trechos de um texto em prosa, O Cavalinho Azul, deMaria Clara Machado. Trata-se de um texto narrativo ficcional, derivado da peça deteatro infantil, de mesmo título, da mesma autora. Esse texto foi escolhido porquepermite distinguir as características de um texto em prosa das de um texto de teatro (aser estudado na seção 3, desta unidade), destinados ao público infantil.O Cavalinho Azul é uma narrativa em que sonho e realidade se confrontam: o so-nho do menino Vicente choca-se com a realidade dos adultos, preocupados em ga-nhar dinheiro, sem tempo a perder com as preocupações de um menino à procura deseu cavalinho azul.Vicente era um menino sonhador. Para ele, um velho pangaré feio, marrom, magroera um cavalinho azul, mágico que cantava, dançava e, juntos, ele e o pangaré, sabiamfazer coisas de circo. Depois que o pai vendeu o velho pangaré, o menino saiu pelomundo a sua procura. Encontrou uma menina que gostava de circo e aceitou sair emsua companhia. Os dois enfrentaram bandidos interessados em roubar o cavalinhoazul, quando o menino o encontrasse. Os bandidos foram presos e Vicente continuousozinho, porque a menininha se cansou e voltou para casa. O menino conversava sem-pre com um velho, João de Deus, que encontrara na estrada a quem confessou já estarcansado e com saudade de casa, mas não voltaria enquanto não encontrasse o cavali-2
  • 42. TeoriaePrática7•Unidade246nho azul. Vicente encontrou o cavalinho e voltou para casa, galopando nele.Leia o trecho inicial de O Cavalinho Azul.Esta história foi um velho que me contou.Um velho com uma barba enorme, tão grande quequase chegava ao chão.Ele se chamava João de Deus.Era um vagabundo. Andava pelas estradas vendoas coisas.De tanto ver, sabia uma porção de histórias dosoutros.Foi ele que me contou a história de Vicente ede seu cavalo.Vicente era um menino pobre que tinha um pangaré.O pangaré era marrom, bem feio, bem magro e bem velho.O cavalo servia para puxar a carroça do pai de Vicente que levava para acidade verduras que ele colhia, vendia e ganhava um dinheirinho. Quando o ca-valo não estava puxando a carroça quem brincava e dava capim a ele era Vicente.Vicente adorava dar capim a seu cavalo. Era nesta hora que ele conversavacom o pangaré.Ele dizia uma porção de coisas também quando o levava a beber água nabeira do córrego que passava atrás da casa.CONVERSA DE VICENTE COM SEU CAVALO— Bebe água, meu cavalinho azul! Este rio está meio sujinho, mas vou te levarpara um rio enorme de água limpa e branquinha que tem lá atrás daqueles mor-ros! Vamos atravessar uma enorme campina verde, toda verdinha de tanto capimverde! Depois, quando você estiver bem treinado, bem escovado, vou te levar parao circo lá da cidade!— Lá, vou andar com um pé só em cima de você, sem cair. O outro pé eu deixoboiando no ar, para mostrar aos meninos que vão ao circo como nós dois sabe-mos fazer coisas de circo! Nós vamos fazer outras coisas difíceis. E todo mundo vaificar olhando a gente, e admirando seu pêlo brilhando de tão azul naquela luzforte do circo!MACHADO, Maria Clara. O Cavalinho Azul. Rio de Janeiro: Cedibra, 1969.
  • 43. TeoriaePrática7•Unidade247AtiAtiAtiAtiAtividade 7vidade 7vidade 7vidade 7vidade 7Na conversa inicial desta seção, você viu que texto em prosa se distingue de textoem versos. Prosa tem também o significado de conversa, maneira natural de falar e deescrever, uma forma simples de contar uma história.A leitura desse trecho permite classificar o texto como uma prosa? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Certamente o trecho transcrito representa uma amostra muito pequena do texto,mas já oferece elementos para que o leitor faça uma avaliação inicial. É possível iden-tificar elementos que caracterizam o tipo de texto, a linguagem utilizada, o leitor aque se destina, a intenção com que foi escrito e uma idéia da imagem que o autor temdo seu leitor.Atividade 8Atividade 8Atividade 8Atividade 8Atividade 8Releia o trecho inicial do textoEsta história foi um velho que me contou.Um velho com uma barba enorme, tão grande que quase chegava ao chão.Ele se chamava João de Deus.Era vagabundo. Andava pelas estradas vendo as coisas.De tanto ver, sabia uma porção de histórias dos outros.Foi ele que me contou a história de Vicente e de seu cavalo.a) Observe que o narrador apresenta esta história dizendo Esta história foi um ve-lho que me contou. É possível afirmar que o narrador participa da história ouapenas conta o que observa? Justifique.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 44. TeoriaePrática7•Unidade248b) Observe as palavras e expressões que o narrador emprega para contar a história:Andava pelas estradas vendo as coisas. ... sabia uma porção de histórias dos ou-tros. Vendo as coisas. ...uma porção de histórias... são expressões normalmenteutilizadas em conversas. Você considera que esse modo de começar uma histó-ria é adequado para atrair a atenção de leitores infantis? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Ao realizar essas atividades, você deve ter lembrado o que já estudou no cadernoTeoria e Prática 4 – TP 4: as narrativas ficcionais, os elementos que caracterizam essasnarrativas, analisando a importância do narrador e os diferentes modos como ele seapresenta para contar a história. Esses diferentes modos podem revelar intenções quemotivam a produção de um texto.Professor, mesmo alunos que ainda não conseguemler com autonomia, podem envolver-se em histórias,ouvindo a leitura que um adulto faz em voz alta. Umaleitura cuidada permite ao aluno perceber a mudançano humor dos personagens, emoção, sentimentos de rai-va, medo, o mundo da fantasia vivido na história, as in-tenções que determinaram a produção de um texto. Éuma fonte muito rica de vivências para os alunos. É umaforma de exercitar a imaginação, além de capacitar osalunos a se familiarizarem com a estrutura da língua es-crita. É, portanto, uma forma de desenvolver nos alunoshabilidades no uso da língua.Atividade 9Atividade 9Atividade 9Atividade 9Atividade 9Releia o trecho CONVERSA DE VICENTE COM SEU CAVALO.a) Que impressão causou em você a presença de um título, marcando a fala dopersonagem? Justifique.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 45. TeoriaePrática7•Unidade249INDO À SALA DE AULACertamente você levou em conta a forma como o narrador articula a história: enquan-to apresenta os personagens e fatos, revela um estilo particular de contar histórias.b) Releia o trecho que conta a conversa do menino com o cavalinho. Que caracterís-ticas você pode identificar no personagem Vicente? Justifique.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Você pode ter considerado que esse diálogo funciona como uma apresentação dopersonagem para o leitor. O comentário inicial do narrador dá apenas algumas dicassobre as características de Vicente e esse diálogo permite que o leitor comece a conhecê-lo.c) Suponha que você vai ler esse texto com seus alunos. O que você considera im-portante analisar com eles em relação à escolha e à combinação das palavras?Justifique.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________É importante conversar com os alunos sobre o que eles entenderam da leitura elevá-los a pensar a respeito do valor das palavras, do modo como elas são escolhidas ecombinadas para permitir que o leitor construa significados a partir delas. Você podeter pensado, ainda, que seria bom solicitar que os alunos destacassem palavras poucoconhecidas e conferir se a presença delas impediu ou não a compreensão do texto.Professor, a existência de grande quantidade de textos destinados às criançasrepresenta, ao mesmo tempo, um benefício e um problema para aquele que desejaescolher livros destinados a esse público. Ao selecionar livros para a leitura de seusalunos, você pode ter em mente, questões como:• o texto é para ser lido de forma autônoma pelo aluno ou para ser lido peloprofessor?• O assunto tratado é do interesse de que alunos?• A linguagem é adequada aos alunos a quem se destina?• O texto está bem articulado?
  • 46. TeoriaePrática7•Unidade250• O assunto é apresentado de forma suficientemente aberta, de modo a permi-tir aos alunos desenvolverem a imaginação, a observação, o levantamento dehipóteses, a ampliação de experiências?• As ilustrações contribuem para ampliar a construção dos significados dotexto?• A história foi produzida com a intenção de emocionar, divertir, instigar acuriosidade , despertar o desejo de ler outros textos?Esses são alguns questionamentos que podem contribuir na escolha de livros maisadequados para que os alunos desenvolvam habilidades de leitura e se tornem leito-res competentes.Atividade 10Atividade 10Atividade 10Atividade 10Atividade 10No trecho que leu, você pôde perceber um jeito particular de contar história: apre-sentar os personagens, marcando a parte com um título. O narrador conta que conhe-ceu essa história por meio de outro personagem, João de Deus. Além dessas caracterís-ticas, constrói um personagem sonhador que transforma o mundo pobre, feio e mal-vado em um mundo fantástico, azul e iluminado.Você gostou desse jeito particular de contar história, observado neste texto? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Os diferentes modos, formas, de narrar uma história, de relatar fatos, de exporinformações determinam os diferentes tipos de textos. Mas há também modos parti-culares, pessoais de narrar, relatar ou expor e que marcam estilos diferentes de autor,de época e de sociedade. Dizemos, então, que em cada texto podemos identificar umestilo ou tom que o diferencia de textos de autores, épocas e lugares diferentes.Atividade 11Atividade 11Atividade 11Atividade 11Atividade 11Você já estudou que o título deve ser uma síntese do texto.Você considera que o título O Cavalinho Azul, bem como a apresentação da históriapelo narrador, o diálogo de Vicente com o cavalinho permitiram fazer uma idéia dotema (assunto principal) desse texto? Justifique.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________INDO À SALINDO À SALA DE AA DE AULULAA
  • 47. TeoriaePrática7•Unidade251O título, o início da história, o diálogo de Vicente com seu cavalinho, bem como alinguagem utilizada dão mostras de que o tema se refere à capacidade de um meninode inventar um mundo colorido, cheio de alegrias, para compensar tudo o que faltaao seu mundo real.Você deve observar que textos em prosa dirigidos ao leitor infantil se preocupam,quase sempre, em desenvolver temas relacionados a esse universo de fantasia, com-patível com o modo como a criança vê o mundo.Atividade 12Atividade 12Atividade 12Atividade 12Atividade 12Outro elemento importante a ser considerado na análise de um texto é identificar omotivo que conduz toda a história.Releia o resumo de O Cavalinho Azul apresentado na introdução desta seção 2.Qual pode ser o motivo condutor dessa história? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Você pode considerar que seria necessário ler o texto na íntegra para identificar omotivo condutor da história. Mas é importante considerar, também, que um resumodeve dar conta do tema e do motivo condutor da história para permitir ao leitor fazeruma idéia do significado do texto.Nesta seção, você estudou que, na análise de um texto em prosa, alémdo modo de o narrador contar a história, a organização do texto, a caracte-rização e a apresentação dos personagens, é importante considerar fatores como:• o estilo ou o tom particular do autor;• o motivo que conduz a história e• o tema em torno do qual se desenvolve a história.
  • 48. TeoriaePrática7•Unidade252SeçãoSeçãoSeçãoSeçãoSeçãoOs teOs teOs teOs teOs textos teaxtos teaxtos teaxtos teaxtos teatraistraistraistraistraisObjetivo a ser alcançado ao final desta seção• identificar as especificidades dos textos teatrais destinados às crianças.ProfessorNas seções 1 e 2, desta Unidade, lemos e analisamos um texto visual e um texto emprosa, procurando identificar-lhes as características e pensar na importância de levaresses tipos de texto para a sala de aula.Nesta seção, vamos ler e analisar trechos de um texto teatral e discutir as razões quejustificam a presença desse tipo de texto em classes do ensino fundamental.Para discutirmos a importância de o texto teatral estar presente nas salas de aulado ensino fundamental, é preciso que analisemos o papel que o teatro, o jogo dramá-tico exercem no processo de formação da criança. Chamamos de jogo dramático aimitação, a representação, o “faz de conta”, em que a criança se envolve, imitando asatitudes dos adultos, colocando-se no lugar do outro, aprendendo a se relacionar come no meio em que vive.Segundo Peter Slade, um autor inglês que se dedicou ao estudo dojogo dramático infantil, “o jogo dramático é uma parte vital da vidado jovem. Não é uma atividade de ócio, mas antes a maneira dacriança pensar, comprovar, relaxar, trabalhar, lembrar, cri-ar, absorver. O jogo é na verdade a vida.” (Peter Slade. Ojogo dramático Infantil, São Paulo: Summus Editorial, 1978.)No âmbito do ensino de Língua Portuguesa, além daimportância do teatro, do jogo dramático na formação dacriança, o que justifica a presença de textos teatrais na salade aula é o seu valor como um tipo específico de texto.Tendo em vista que sua função é dar sustentação ao ato derepresentar, o texto teatral apresenta características pró-prias, não encontradas em outros tipos de texto.Para observarmos essas características, optamos por re-tomar O Cavalinho Azul, de Maria Clara Machado, que foiapresentado, na seção 2, para exemplificar texto em prosa. Trata-se da mesma histó-ria, contada em linguagens diferentes: narrativa e teatro.Maria Clara Machado é autora de textos teatrais para crianças. Além de escrevertextos, ela fundou o Tablado, uma oficina de teatro infantil. Dedicou a vida toda aoteatro para crianças.333O Estado de São Paulo. Caderno 2. São Paulo, 25/10/2001
  • 49. TeoriaePrática7•Unidade253Vamos ler o trecho inicial da peça teatralO Cavalinho Azul, de Maria Clara Machado1 ato e 9 cenasmúsica de Reginaldo de CarvalhoPERSONAGENSJoão de DeusVicente, o meninoO paiA mãeO pangaréO palhaçoO músico gordoO músico altoO músico baixoA meninaO 1º homemO 2º homemO 3º homemA lavadeiraO vendedorOs três soldadosVelha-que-viuO cowboyOs três elefantesOs quatro cavalosOs personagens dos três elefantes podem ser os mesmos dos três soldados. Os qua-tro cavalos podem ser os soldados, o 1º e o 2º homem.CENÁRIO - O palco vazio com fundo azulado. Os elementos das várias cenas vãosendo colocados à medida que a ação se desenrola.1ª cena: Sugestão de uma casa.2ª cena: O mesmo.3ª cena: Cena vazia.4ª cena Sugestão de arquibancada de circo, 3 cadeiras.5ª cena: O mesmo.6ª cena: Cena vazia.7ª cena: Sugestão de uma cidade: um coreto.8ª cena: O curral do cowboy.9ª cena: Cena vazia.1ª CENA(Ao abrir-se o pano, vê-se apenas o palco vazio. Enquanto se ouve a música 1A, 1B, umvelho de longas barbas, maltrapilho e vagabundo, simpático e bonachão se dirige emdireção à platéia segurando um tamborete.)
  • 50. TeoriaePrática7•Unidade254Velho: Eu me chamo João de Deus. Sou vagabundo. Estou aqui para contar ahistória do menino Vicente e de seu cavalo. Um dia perdi a tesoura de cortar barba etive que deixar crescer esta barba. No princípio não gostava; sujava muito quando eucomia, mas agora gosto; quando faz frio cubro-me assim. (Mostra) e minha barba ser-ve de cobertor. Também aprendi a comer com minha barba: faço assim. (Mostra.)gosto dela também por causa do Vicente, que me achou parecido com o Padre Eterno.Isto quer dizer que a minha barba se parece com a barba de Deus. Por isso cuido dela.Barba de Deus é coisa séria. Vou contar como é que essa história começou. Aqui (Pelaesquerda entram o pai e a mãe carregando a casa.) morava Vicente com seu pai e suamãe, nesta casinha. (O pai e a mãe colocam a casa e o banquinho e desaparecem.) Eali vem ele — nem me viu ainda — com seu cavalo. Vou deixar esta história contar-sepor si mesma, enquanto vou ajudando aqui, ao lado. (O velho senta-se no tamborete,fora da cena, perto da cortina, na semi-obscuridade, enquanto a luz cresce dentro dopalco, onde se vê um menino pobre puxando uma enorme corda que prende ao pesco-ço de um feio pangaré, sujo, magro, com cara infeliz. O menino, em êxtase, procuraconvencer o cavalo. (Dois atores em pé, um fazendo a cabeça com uma máscara e ooutro fazendo o traseiro.)Vicente: Se você der mais uma voltinha, só mais uma voltinha, meu cavalinho,eu prometo levar você lá numa campina toda verdinha de tanto capim verde. Vamos,vamos, meu cavalinho azul! (O cavalo se levanta com grande esforço e começa a trotarem volta do menino.) Vamos, meu cavalinho azul! Upa! Upa! Upa! (O cavalo, cansado,começa a se arrastar.)Vicente: (Zangado.) Assim você não poderá trabalhar no circo! Não pode. Veja comoeu faço. Como aquele grande cavalo branco lá do circo da cidade. Buuuuuuuu, assim,levantando as patas e depois me levando na garupa como a bailarina Lili, toda verdede tão bonita, e o domador Rogério de boné dourado e calças vermelhas...Upa! upa!Upa! Vamos, vamos! (O cavalo está exausto.) Bem, por hoje, chega. Amanhã treinare-mos mais. Você está cada vez melhor e mais bonito.Mãe: (De dentro.) Vicente!Vicente: O que é, mamãe?Mãe: (Saindo com uma trouxa de roupas para lavar.) Venha estudar, menino.Está quase na hora da escola.Vicente: Já vou, mamãe. Deixa eu conversar mais um pouquinho só com meu cava-linho azul.Mãe: Que cavalinho azul, que nada! Um pangaré velho que não presta maisnem para puxar a carroça de teu pai (Saindo com a trouxa.) Cavalinho azul!... Azul!Vicente: (Baixo, para o cavalo.) Não liga não, meu cavalinho. (Para a platéia.) Ma-mãe chama meu cavalinho de sujo e velho porque ela pensa que ele é sujo e velho,porque mamãe é gente grande e gente grande tem que lavar roupa, fica cansada emaltrata o cavalinho, sem querer. Como é que ela pode saber a cor do meu cavalo senem vê ele direito de tanto cozinhar, arrumar e lavar a roupa? Também ele anda um
  • 51. TeoriaePrática7•Unidade255pouco sujo hoje, mas é porque a água do nosso rio está quase seca, não lava maisdireito, (Para o cavalo.) mas amanhã vou também te levar num rio muito grande,muito branco de tão limpo, que passa perto da campina verde. Lá você tomará umbanho e vamos para o circo. Quem não estiver muito limpo e lindo também não podeentrar no circo, está ouvindo?Pai: (Chegando com o balde.) Vicente, olha a ração do Mimoso. E chega de fazê-lo rodar. Ele está muito magro, precisa descansar.Vicente: Vou levar ele, papai, para a grande campina verde e vou dar um banhonele no rio de água branca.Pai: (Bem humorado.) Onde é que existe esta campina, menino? Tudo está seco,isto sim. Seco e esturricado. Onde é que tem um rio grande e branco?Vicente: Aquele lá longe.Pai: Longe, onde?Vicente: Ora, papai, lá longe, do outro lado daquele morro mais longe.Pai: Lá longe é a cidade.Vicente: Onde está o circo, não é?Pai: É. Vá estudar, menino.Vicente: Vou buscar meu livro e venho estudar aqui, tá bem? (Entra por trás da casa.)Pai: (Depois de misturar a comida do cavalo.) Toma, pangaré, come isto paranão morrer de fome. (O pangaré enfia a cara no balde. O pai sai e volta o menino.)Vicente: Você sabe o que é uma ilha? É uma quantidade de terra cercada deágua por todos os lados... Um istmo (Diz baixinho, como procurando decorar.) Umistmo ... é... Sabe, cavalinho, nós vamos lá... nós vamos na ilha cercada de água portodos os lados, cercada de istmos... de cabos, de tudo. Depois vamos ao promontório.Depois, eu monto em você e saímos correndo atrás das capitanias hereditárias... Vaiser ótimo!Mãe: (De dentro.) Vicente, venha estudar cá dentro. Sozinho, longe deste cavalo.Vicente: Estou indo. (Entra gritando.) Vamos para as capitanias hereditárias! Eue meu cavalinho azul...Pai: (Chegando e ouvindo as últimas palavras do filho.) Mulher! Venha cá. (A mãechega.) Mulher, temos que vender o pangaré. (O cavalo levanta a cara do balde, assus-tado.)Mãe: (Preocupada.) Vender? Por quê?Pai: Este pangaré não serve mais para nada. Já vendi a carroça. Este cavalosó serve para comer mais dinheiro. Se for vendido, posso apurar uns cobres e com elescomprar umas galinhas e começar uma criação.
  • 52. TeoriaePrática7•Unidade256Mãe: E o menino?Pai: O menino esquece. Arranja outro brinquedo.Mãe: Esquece não. ele só pensa nisto.Pai: Está ficando doido: melhor é levar o cavalo logo. (Põe o chapéu, pega ocavalo pela corda.) Vou à cidade vendê-lo. Pro menino trago um brinquedo. Adeus,mulher. (Sai.)Mãe: Por que você não vende a vaquinha?Pai: (Parando e voltando-se.) A vaquinha dá leite.Mãe: Mas o cavalo dá alegria ao menino.Pai: Mas não dá dinheiro. O menino se acostuma. (O pai sai puxando opangaré. No proscênio ele se encontra com o velho João de Deus e pára.)Velho: Bom dia.Pai: Quem é o senhor?Velho: Sou João de Deus.Pai: O que é que está fazendo aqui?Velho: Estou vendo tudo.Pai: Para quê?Velho: Para contar aos outros, (Para a platéia.) eles.Pai: (Depois de olhar para a platéia.) Vai contar na certa que sou um pai muitoruim porque vou vender o pangaré!...Velho: O senhor tem que vender mesmo?Pai: Depois quem vai arranjar dinheiro para o menino comer? É muito fácilter pena do pangaré, mas de mim ninguém tem. Adeus. (Sai muito zangado.)Velho: O pai ficou muito zangado e partiu para a feira, onde vendeu o cavalo.Pensamos que o menino ia ficar muito triste. Alguns dias se passaram, e vejam o nossoVicente sentadinho na porta, com sua bola, presente do pai. (Escurece no velho eclareia na cena.)2ª CENAVicente, sentado na soleira da porta, de vez em quando dá uma espiadela para fora.(Ouve-se a música nº 3 A.)
  • 53. TeoriaePrática7•Unidade257AtiAtiAtiAtiAtividade 13vidade 13vidade 13vidade 13vidade 13Você leu a primeira parte da peça teatral O Cavalinho Azul. Trata-se da mesma históriaapresentada na seção anterior como exemplo de um texto em prosa.a) O que você observou de diferente neste texto, comparando-o com o apresentadona seção 2 (apresentação dos personagens, do cenário por exemplo)?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) Você observou que a história começa a ser contada a partir da CENA 1.Quem conta a história? Existe um narrador como no texto narrativo apresentadona seção 2? Explique o que você observou.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Você viu que o texto teatral apresenta uma estrutura bastante diferente daquelaapresentada em um texto narrativo ficcional. Veja como Maria Antonieta Cunha expõeem seu livro Literatura Infantil: Teoria e Prática a explicação sobre a estrutura de umapeça: A obra dramática apresenta normalmente três partes: a exposição, o conflito, odesenlace.Na primeira parte, o público toma conhecimento dos acontecimentos que antecedemos fatos vividos em cena e cuja notícia é importante para a compreensão e motivação daplatéia (os antecedentes da ação). Fica sugerido de início o problema proposto pela peça,problema que só será resolvido, evidentemente, no fim. Cria-se assim no espectador atensão, que alimentará o interesse dos presentes até o desenlace.Atividade 14Atividade 14Atividade 14Atividade 14Atividade 14Lembre-se de que no texto narrativo ficcional O Cavalinho Azul, havia um narradorque ia articulando a história para possibilitar ao leitor acompanhar as ações e explica-va que quem contou a história foi João de Deus.a) Neste texto teatral, quem é João de Deus?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 54. TeoriaePrática7•Unidade258b) Um texto teatral necessita de um narrador? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________c) Releia o trecho final da fala de João de Deus Aqui (Pela esquerda entram o pai e amãe carregando a casa.) morava Vicente com seu pai e sua mãe, nesta casinha. (O pai e amãe colocam a casa e o banquinho e desaparecem.) E ali vem ele — nem me viu ainda —com seu cavalo. Vou deixar esta história contar-se por si mesma, enquanto vou ajudandoaqui, ao lado. (O velho senta-se no tamborete, fora da cena, perto da cortina, na semi-obscuridade, enquanto a luz cresce dentro do palco, onde se vê um menino pobre puxandouma enorme corda que prende ao pescoço de um feio pangaré, sujo, magro, com carainfeliz. O menino, em êxtase, procura convencer o cavalo. (Dois atores em pé, um fazendoa cabeça com uma máscara e o outro fazendo o traseiro.)Observe que João de Deus afirma que vai deixar a história contar-se por si, en-quanto ele vai ajudando ali do lado. Escreva abaixo o que você entendeu dessetrecho.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________A análise da mesma história expressa em dois tipos de textos, com objetivos dife-rentes, permite identificar características que definem cada um deles. Num texto nar-rativo-ficcional, a tensão que articula toda a história precisa ser sentida na leitura dapalavra escrita e o envolvimento do leitor depende do narrador. Num texto teatral,não acontece o mesmo.Lembre-se: o texto teatral dá sustentação à representação, ou seja, na leitura, essetipo de texto precisa dar indicações do modo como a ação deve ser representada.Vamos ler o trecho a seguir:1ª CENA(Ao abrir-se o pano, vê-se apenas o palco vazio. Enquanto se ouve a música1A, 1B, um velho de longas barbas, maltrapilho e vagabundo, simpático ebonachão se dirige em direção à platéia segurando um tamborete.)Você observou que há nesse trecho algumas orientações: caracterização do espaçoem que vai ser encenada a peça; caracterização do personagem que entra, enquantose ouve uma música (1A, 1B), cuja partitura é apresentada no final da peça.Essas indicações são chamadas rubricas.
  • 55. TeoriaePrática7•Unidade259AtiAtiAtiAtiAtividade 15vidade 15vidade 15vidade 15vidade 15Leia o trecho seguinte:Vicente:Se você der mais uma voltinha, só mais uma voltinha, meu cavali-nho, eu prometo levar você lá numa campina toda verdinha de tanto capim verde.Vamos, vamos, meu cavalinho azul! (O cavalo se levanta com grande esforço ecomeça a trotar em volta do menino.) Vamos, meu cavalinho azul! Upa! Upa! Upa!(O cavalo, cansado, começa a se arrastar.)a) Que rubricas você identificou nesse trecho?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) O que elas indicam?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________c) Suponha que você vai propor que seus alunos representem esse trecho. Vocêconsidera que as indicações são suficientes para os alunos representarem estaprimeira cena? Justifique.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Ao realizar estas atividade, certamente você considerou que estudar diferentes ti-pos de textos permite ao aluno desenvolver habilidades de expressar-se de diferentesmodos, ler e atribuir significados a diferentes tipos de textos, atendendo a diferentesobjetivos de leitura e de escrita.
  • 56. TeoriaePrática7•Unidade260Professor: considerando que um texto teatral é es-crito para ser representado, a leitura desse tipo de tex-to em sala de aula, além de desenvolver habilidades deleitura e de escrita, serve fundamentalmente para de-senvolver habilidades de linguagem oral. O aluno tema oportunidade de vivenciar papéis diferentes, adequara fala a diferentes padrões, de acordo com o lugar, otipo de pessoa, a classe, o grupo social a que pertence opersonagem. Fatores relacionados à entonação, modu-lação da fala, emoção expressa pelo uso da voz, dasexpressões do rosto e do corpo todo são importantespara a compreensão do que representa a linguagem(verbal e não-verbal) na vida do ser humano.Atividade 16Atividade 16Atividade 16Atividade 16Atividade 16Releia as informações apresentadas no início do textoO Cavalinho Azul1 ato e 9 cenasObserve o modo como o texto se organiza: é constituído de um ato, dividido em 9cenas. Você leu uma cena completa e acompanhou a movimentação e as falas dos perso-nagens Vicente, Pai, Mãe e Velho. Escreva, explicando o que você entendeu por cena.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________É importante que você leve os alunos a compreenderem que num texto teatral aorganização tem características diferentes das de uma narrativa ficcional. As cenasfazem parte de uma organização textual. Apresentam indicações para serem seguidasna representação, na encenação do conteúdo da história.
  • 57. TeoriaePrática7•Unidade261INDO À SALA DE AULAAtiAtiAtiAtiAtividade 17vidade 17vidade 17vidade 17vidade 17Você observou que nesse texto aparece a indicação de que é constituído de um ato. Essaindicação significa que outros textos teatrais podem apresentar mais atos. Você consideraque é importante o aluno saber como se constituem os textos teatrais? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Convém considerar que o fato de você ter lido apenas a 1ª cena dificulta a compre-ensão do significado que tem um ato num texto teatral. Seria conveniente que vocêlesse um texto completo para poder chegar à definição pela própria experiência. Pelalimitação de espaço, porém, é possível dar a você uma definição rápida. Podemosdizer que ato, na organização de um texto teatral, é uma parte do texto que apresentauma seqüência de cenas. Em alguns textos, toda a seqüência de cenas se dá em umato, como é o caso deste que estamos analisando. Outros, mais longos, são constituí-dos de dois, três ou mais atos. Um texto mais longo pode cansar crianças menores.Uma atividade que pode ser realizada em sala de aula (em classes de 2º, 3º e 4ºano), sem a necessidade de recursos difíceis de serem encontrados, é a leitura dra-mática de uma cena como a que está sendo analisada.Você pode, inicialmente, fazer uma leitura em voz alta, para a classe ter o primei-ro contato. Depois de um comentário, uma discussão sobre o assunto tratado, dasindicações dos personagens e dos cenários, os alunos devem receber uma cópia dotexto (caso não disponha de exemplares do livro suficientes para o acompanhamen-to da leitura). Você deve dar um tempo para cada um fazer uma leitura silenciosa elevantamento de algumas dúvidas a respeito da forma de apresentação do texto;comentar as rubricas, a sua função. É importante que, além de ler silenciosamente,os alunos façam a leitura em voz alta, como preparação da leitura dramática.Em seguida, propor que cada aluno represente um personagem e leia as falascorrespondentes. As rubricas não devem ser lidas, mas as indicações devem ser se-guidas na leitura. Por exemplo: Vicente (zangado) Assim você não poderá trabalharnum circo! A fala de Vicente tem que expressar essa zanga e o aluno decide qual é aforma mais adequada para representar esse sentimento.Esse tipo de atividade exige que todos estejam atentos, para entrar na hora certae com entonação, volume de voz adequados. Com certeza, a primeira experiêncianão deve trazer um resultado muito agradável. Os alunos vão perceber que é precisoensaiar a leitura várias vezes, para conseguirem fazer uma leitura prazerosa. Prova-velmente, surgirá o desejo de representarem o texto decorado, sem a necessidade detê-lo na mão. A partir desse momento, você estará proporcionando aos alunos aoportunidade de experimentarem ser um outro, num mundo do faz de conta, buscarsoluções para os problemas que se apresentarem. Estará, enfim, dando a oportuni-dade de os alunos pensarem sobre seu próprio mundo, seus problemas, descobrin-do-se como pessoas.
  • 58. TeoriaePrática7•Unidade262AtiAtiAtiAtiAtividade 18vidade 18vidade 18vidade 18vidade 18a) Você analisou dois modos diferentes de contar a mesma história. É importante osalunos poderem comparar formas diferentes de expressar o mesmo assunto? Porquê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) É comum o professor pedir que os alunos escrevam textos, contando as coisasque fazem num dia, antes ou depois do horário da escola. Imagine que vocêqueira aproveitar esses textos para propor um exercício dramático, um jogo dra-mático, ou seja, que os alunos representem aquelas ações que descreveram nostextos. Escreva a proposta que você pode fazer aos alunos._____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Comparar textos é uma forma bastante eficaz de identificar características e obser-var as especificidades de cada um. Conhecer as características próprias de cada tipo detexto pode contribuir para compreender melhor o texto lido e, também, produzir tex-tos mais adequados às suas finalidade.
  • 59. TeoriaePrática7•Unidade263Lição de casaNesta seção, você leu uma cena do texto O Cavalinho Azul, de MariaClara Machado, e analisou características que tornam o texto teatral dife-rente de outros. Observou que, em virtude de seu objetivo de dar sustentação àencenação, apresenta rubricas, que são importantes para os atores e diretores deteatro.Um texto teatral apresenta características como:• divide-se em atos;• organiza os atos em cenas;• apresenta rubricas que são indicações necessárias para a representação dotexto.Escolha um texto visual (uma foto, uma gravura, uma história em imagens entreoutros) e pense numa proposta de trabalho para sua classe (pode ser de 2º , 3º , ou 4ºano) desenvolver a leitura e produção de texto visual, texto em prosa e teatral.Escreva a proposta de leitura e produção que você pensou.
  • 60. TeoriaePrática7•Unidade36533 Atividades didáticas de leiturade textos de literatura infantilINICIANDO NOSSA COINICIANDO NOSSA COINICIANDO NOSSA COINICIANDO NOSSA COINICIANDO NOSSA CONVERSANVERSANVERSANVERSANVERSANa unidade anterior, analisamos as características de três modalidades de textosdestinados ao público infantil. Ressaltamos o valor da ilustração no texto, sobretudocomo uma forma de linguagem, analisamos a organização das idéias, os personagens,as especificidades da linguagem, os temas e os motivos dos textos destinados às crian-ças.Nesta unidade, vamos retomar essas idéias, sugerindo atividades de leitura e inter-pretação de textos das três modalidades estudadas na unidade 2, para que você possaaprimorar seu trabalho em sala de aula.Na seção 1, você vai encontrar sugestões de atividades com os textos visuais, tendoem vista a necessidade de levarmos nossos alunos a aprenderem a ler de forma ade-quada as histórias que são contadas unicamente por meio de imagens.Na seção 2, vamos pensar nas atividades que podemos planejar para trabalhar ade-quadamente os textos em prosa, em especial, o texto narrativo ficcional e levar osalunos a identificarem as seqüências narrativas, o modo de apresentar os persona-gens, as expressões que marcam o tempo e o lugar onde os fatos acontecem.Na seção 3, as atividades sugeridas envolvem os textos teatrais voltados para o pú-blico infantil. Vamos pensar em como podemos levar o aluno a perceber o jogo dra-mático, o “faz de conta” em que o leitor ou o espectador são envolvidos ao entraremem contato com esse tipo de texto.DEFININDO NOSSO PODEFININDO NOSSO PODEFININDO NOSSO PODEFININDO NOSSO PODEFININDO NOSSO PONTNTNTNTNTO DE CHEGO DE CHEGO DE CHEGO DE CHEGO DE CHEGADADADADADAAAAAEsperamos que, no final desta unidade, você possa:a) organizar atividades de leitura e interpretação de textos visuais;b) organizar atividades de leitura e interpretação de textos em prosa;c) organizar atividades de leitura e interpretação de textos teatrais.
  • 61. TeoriaePrática7•Unidade366Seção 1Atividades de leitura e interpretação de textosvisuaisObjetivo a ser alcançado ao final desta seção• organizar atividades de leitura e interpretação de textos visuais.ProfessorNesta seção, vamos apresentar algumas sugestões de atividades de leitura e inter-pretação de textos visuais, com a intenção de contribuir para ampliar seus conheci-mentos e promover mudanças no tratamento desse assunto.Estudamos na seção 1, da Unidade2 deste TP7, que, ao desenvolver habilidades deleitura de imagens, o aluno amplia as possibilidades de construção de significados dotexto. Esses textos podem ser os puramente visuais, como também aqueles em que asimagens complementam a escrita.É importante levarmos em conta que as atividades devem ser propostas com afinalidade de desenvolver a leitura como fonte de prazer, além do contato com a lín-gua e suas variedades, do conhecimento dos atos e sentimentos humanos.Depois de analisada a proposta sugerida, você será solicitado a organizar atividadesde leitura e interpretação de textos visuais, para serem desenvolvidas com os alunos.Para iniciar nosso estudo, vamos analisar as possibilidades de desenvolver ativida-des de leitura e interpretação de um texto de Regina Coeli Rennó, História de Amor.Regina Rennó é uma artista plástica e gráfica mineira, nascida em Itajubá. Fez cursosde Belas-Artes e Artes Gráficas na Fundação Guignard, especializando-se em litografiae modelagem. É professora e vive em São Paulo desde 1986. Trabalha junto às grandeseditoras como capista e ilustradora de livros didáticos e de literatura.Leia a seguinte história
  • 62. TeoriaePrática7•Unidade367Atividade 1Atividade 1Atividade 1Atividade 1Atividade 1a) É possível identificar uma história nessas imagens? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) Que aspectos desse texto são importantes para a construção dos significados(utilização dos traços, imagens, efeito das cores e de suas combinações)? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________c) Você considera adequado o título? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________d) O assunto desenvolvido na história é adequado às crianças a que o livro se desti-na? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________O fato de o texto não ser apresentado na íntegra prejudica a leitura. É possíveltambém considerar que o trecho citado apresenta uma unidade e permite fazer umaleitura da parte inicial e levantar hipóteses a respeito de sua continuação.Leve o aluno a analisar aspectos relacionados à utilização dos traços simples, linhasretas e curvas; imagens nítidas, carregadas de informações comuns, que fazem partedo cotidiano de crianças dessa época; cores e suas combinações. Tudo isso é muitoimportante para uma compreensão mais ampla do texto e avaliar a adequação ou nãopara o leitor a que se destina.
  • 63. TeoriaePrática7•Unidade368Atividade 2Atividade 2Atividade 2Atividade 2Atividade 2Você observou, que durante a análise dos aspectos relevantes do texto, o alunoverbaliza a leitura que a análise possibilita.Que importância tem o fato de o aluno verbalizar a história?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Convém considerar que a leitura de texto de imagens é um importante meio paradesenvolver a oralidade e a capacidade de contar histórias.Atividade 3Atividade 3Atividade 3Atividade 3Atividade 3É possível identificar uma seqüência narrativa, a partir dessas imagens? Escrevaabaixo a seqüência que você imaginou.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Você pode ter imaginado a parte inicial da narrativa, ou seja, a Orientação: a situa-ção inicial de equilíbrio com a apresentação dos personagens, do espaço e da passa-gem do tempo. Além disso, você pode ter percebido o indício de uma complicação.Na leitura de qualquer tipo de textos, você deve le-var o aluno a observar todos os aspectos que contribu-em para a compreensão mais ampla dos significados.No caso dos textos visuais, a observação do modo comoo autor utiliza as linhas, traçando formas e criando ima-gens que revelam ou não o movimento; o efeito dascores e de suas combinações, entre tantos aspectos, éfundamental para desenvolver habilidades de leiturado texto não-verbal. O desenvolvimento dessas habili-dades pode possibilitar uma leitura mais ampla de ou-tros textos, porque o aluno passa a considerar relevan-tes todos os aspectos, incluindo os espaços em brancoda página e o suporte em que é apresentado.
  • 64. TeoriaePrática7•Unidade369Atividade 4Atividade 4Atividade 4Atividade 4Atividade 4Você já observou que foi apresentado o trecho da história que vai até o surgimentode um elemento que pode significar uma complicação. Imagine uma continuação paraessa história e escreva-a no espaço a seguir.________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Ao continuar a história, é bom observar a coerência com a situação inicial. Mesmoque você queira fazer uma seqüência surpreendente, a surpresa só pode ocorrer, quandoo leitor depara com algo que ele não esperava, dentro de uma situação apresentada.Ou seja, os fatos devem estar articulados, com coerência, para poder criar expectativase ser possível frustrá-las com uma seqüência inusitada, permitindo ao leitor refletir ebuscar outras formas de resolução para o conflito.Seria interessante que os alunos pudessem conhecer a história completa. Assim,eles teriam a possibilidade de confrontar a continuação que imaginaram com a pensa-da pela autora.
  • 65. TeoriaePrática7•Unidade370Atividade 5Atividade 5Atividade 5Atividade 5Atividade 5Leia, agora, um texto de Juarez Machado.Juarez Machado é desenhista, pintor, escultor, figurinista, cenó-grafo, escritor e ilustrador de livros de imagem. Nasceu em Joinville,Santa Catarina. Formou-se pela Escola de Música e Belas-Artes doParaná. Seus desenhos foram publicados em vários periódicos,como o Jornal do Brasil, Manchete, Jornal dos Sports e em revis-tas da Alemanha, França e Finlândia. Ida e Volta recebeu prê-mio, no Japão, em 1977 e em 1981, O Melhor Livro Sem Textoda Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.Ida e Volta
  • 66. TeoriaePrática7•Unidade371a) Que pergunta você pode propor, para levar o aluno a pensar na relação entre otítulo e a história narrada?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) Escreva abaixo perguntas que, na sua opinião, ajudariam a criança a observar oelemento que mais contribui para a compreensão do significado do texto e a conhecero personagem da história.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________c) Que tipo de perguntas você pode fazer, para direcionar a observação do alunopara outros elementos que podem contribuir para a percepção de mudanças quemostram a seqüência da história?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Você deve ter em mente que a criança precisa ser acompanhada de perto, indican-do os elementos importantes a serem observados. Ou seja, para a criança identificar apresença de uma narrativa nessas imagens, ela precisa ser levada a reconhecer oselementos que compõem uma narrativa: personagens, ação, o lugar, a seqüência dasações.Atividade 6Atividade 6Atividade 6Atividade 6Atividade 6Pense, agora, em outros fatores importantes a serem considerados num texto visuale elabore perguntas que levem os alunos a fazerem essas observações._____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Você deve lembrar-se de que nesse tipo de texto, é importante levar em conta aforma como o autor utiliza os traços, as imagens, o efeito que as cores e suas combina-ções produzem.
  • 67. TeoriaePrática7•Unidade372Atividade 7Atividade 7Atividade 7Atividade 7Atividade 7Pense, agora, numa atividade para os alunos escreverem uma narrativa, a partir daanálise das imagens do livro Ida e Volta, apresentadas na Atividade 5.a) Que perguntas podem direcionar o raciocínio do aluno, no sentido de completara história até chegar ao fim proposto pelo autor?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) Escreva uma narrativa, a partir das imagens do livro analisado.______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Convém levar os alunos a observarem que as seqüências apresentadas não são sufi-cientes para indicar a necessidade de outro banho: o que pode ter acontecido para opersonagem sentir a necessidade de outro banho?Você pode propor outras perguntas que provoquem a imaginação do aluno, contri-buindo para uma produção mais satisfatória. Pode, ainda, levar os alunos a observa-rem a diferença que existe nas cores dos rastros da ida e da volta.
  • 68. TeoriaePrática7•Unidade373INDO À SALINDO À SALINDO À SALINDO À SALINDO À SALA DE AA DE AA DE AA DE AA DE AULULULULULAAAAAUm texto adequado para desenvolver atividades de leitura e interpretação comseus alunos pode ser Cabra – Cega, de Eva Furnari, São Paulo: Ática, 1995.Tata-se deum livro que apresenta várias histórias visuais, constituídas de três, quatro ou cincoimagens, fáceis de serem reproduzidas para a leitura e interpretação dos alunos.Você pode levar a classe a ler as imagens, conversando sobre o que os alunossabem sobre a brincadeira da cabra – cega: qual é a regra dessa brincadeira? Depois,observando as personagens, perguntar quem eles seriam: crianças, adultos? Que tra-ços desses personagens contribuíram para a conclusão a que chegaram? Como é olugar onde se encontram? As cores utilizadas são adequadas para expressar a idéiade alegria, brincadeira, divertimento entre amigos? Qual é a história que pode serlida na seqüência dessas imagens? O que mostra a última imagem?Na seqüência, você pode solicitar que os alunos escrevam um texto narrativo.
  • 69. TeoriaePrática7•Unidade374Atividade 8Atividade 8Atividade 8Atividade 8Atividade 8Organize uma atividade que leve os alunos a transformarem uma pequena históriaem narrativa de imagens. Você pode pensar em pedir que os alunos criem uma histó-ria, ou aproveitem outra que tenham lido.Escreva uma proposta de atividade para alunos de sua classe (2º , 3º ou 4º ano).____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________É importante que você leve seus alunos a vivenciarem diversas situações narrativas:contar histórias por escrito, por meio de desenhos, pela música, gestos, expressão dorosto, do corpo, com a utilização da voz. Em cada situação, os alunos são solicitados adecidir sobre vários aspectos que contribuam para tornar mais adequada a narrativa.Nesta seção, você analisou atividades que podem ser desenvolvidascom textos de imagens, observando a importância de levar os alunos a iden-tificarem e analisarem a forma de utilização de recursos como :• imagens;• traços;• cores;• combinação das cores;• seqüencia de imagens/quadros, definindo espaço, tempo, ação dos persona-gens.
  • 70. TeoriaePrática7•Unidade375Seção 2Atividades didáticas de leitura e interpretaçãode textos em prosaObjetivo a ser alcançado no final desta seção:• Organizar atividades de leitura e interpretação de textos em prosa.ProfessorJá vimos que o trabalho com os textos da literatura infantil em sala de aula, paraser eficiente, requer do professor uma série de cuidados. O primeiro deles é a seleçãorigorosa dos textos. Precisamos avaliar se o texto é apropriado ao leitor infantil, se oautor optou por uma linguagem que sugere significados variados e provoca no leitor ointeresse em descobrir soluções, imaginar outras situações, experimentar sentimentose emoções. Precisamos também planejar com cuidado cada etapa do trabalho quevamos desenvolver com o texto escolhido.Nesta seção, vamos apresentar sugestões para auxiliá-lo a desenvolver o trabalhoem sala de aula com os textos em prosa da literatura infantil, em especial, com o textonarrativo ficcional, que circula com maior freqüência entre as crianças.Vamos pensar nas estratégias que podemos adotar para levar os alunos a percebe-rem como a história é construída, que partes compõem o texto, que recursos lingüísticosforam utilizados e com que finalidades.Sugerimos que você faça, antes de tudo, uma revisão das seções do caderno Teoriae Prática 4, que foi destinado exatamente ao estudo do texto narrativo ficcional.Primeiramente, vamos lembrar o que nos leva a classificar um texto como narrati-vo ficcional e como podemos levar os alunos a reconhecerem os elementos que carac-terizam esse tipo de texto.Leia atentamente os seguintes trechos da obra Uni, Duni e Tê, de Ângela Lago. Ob-serve bem como as ilustrações compõem, com o texto verbal, o sentido da obra. Ima-gine que você selecionou esses trechos para seu trabalho em sala de aula.Leia, então:
  • 71. TeoriaePrática7•Unidade376Antes de propor a leitura do texto aos alunos, é importante que você crie umaexpectativa de leitura, para que eles se interessem pelo texto e se lembrem do que jásabem sobre o assunto.
  • 72. TeoriaePrática7•Unidade377Atividade 9Atividade 9Atividade 9Atividade 9Atividade 9Explique o que você pode fazer para criar essa expectativa de leitura do texto deAngela Lago.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Sabemos que um texto não surge do nada, isto é, há sempre uma intenção porparte de quem o produz e o assunto tratado levará o leitor a pensar em experiências eacontecimentos que já viveu, que já ouviu ou que já leu em outros textos. Por issosempre será possível conversar com os alunos antes de propor a leitura de um texto. Osconhecimentos e experiências que ele já tem e o que vai ouvir dos colegas e do profes-sor, tudo, com certeza, vai contribuir para que ele se interesse pelo texto e faça umaleitura mais proveitosa.Atividade 10Atividade 10Atividade 10Atividade 10Atividade 10Tendo escolhido o texto e tendo criado a expectativa para a leitura, o que você podepropor em seguida? Explique com detalhes a sua proposta._______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________É importante que, depois da leitura, o aluno se manifeste sobre o que encontrou notexto e mostre se aprendeu algo, se gostou ou não do texto, se pensou em outras soluçõespara os problemas apresentados. Trata-se de uma boa oportunidade para que os alunosdesenvolvam a habilidade de expressar-se oralmente.
  • 73. TeoriaePrática7•Unidade378TeoriaePrática2•Unidade3A leitura compartilhada de um texto é uma boa oportuni-dade para conversar com os alunos, auxiliando-os na compre-ensão das partes que possam ficar obscuras e levando-os a• captar informações e idéias;• estabelecer relações entre textos;• perceber o sentido das palavras desconhecidas e as signi-ficações de frases e expressões de difícil entendimento;• reconhecer a estrutura textual;• atribuir e organizar significados, uma vez que tudo o mais,de certo modo, decorre disso;• perceber como é organizada a obra e a finalidade de cadaum dos elementos que a compõem: a capa, os recursosgráficos, o suporte, as imagens, as palavras.O professor deve permitir que os alunos perguntem, res-pondam, formulem hipóteses, troquem impressões. Deve ex-plorar ao máximo os aspectos literários que agradam às crian-ças: o imaginário, a intemporalidade, o maravilhoso, o humor,a emotividade.Atividade 11Atividade 11Atividade 11Atividade 11Atividade 11Em seguida, é preciso que os alunos reconheçam os elementos que constituem umtexto narrativo ficcional.Explique as estratégias que você adotaria para levar os alunos a identificarema) o narrador (se é personagem ou apenas observa os fatos).___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) o assunto do texto.___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 74. TeoriaePrática7•Unidade379c) os personagens e suas características.___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________d) as palavras e expressões que marcam o tempo e o lugar onde os fatos ocorrem.___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Num texto narrativo, é o narnarnarnarnarradorradorradorradorrador quem nos conta os fatos, organiza as seqüênciasnarrativas, constrói o enredo, apresenta os personagens, usa palavras e expressões quemarcam o tempo e o lugar onde tudo acontece. São fatos de um mundo imaginário,vividos pelos personagens e organizados em episódios, que são articulados, em geral,por um confconfconfconfconflitolitolitolitolito. A essa organização dos fatos damos o nome de enrenrenrenrenredoedoedoedoedo.Ao ler os trechos da obra de Angela Lago, podemos identificar o desenvolvimentodas seqüências narrativas: há um primeiro episódio (O Cravo e a Rosa), composto detrês momentos, e um segundo episódio, narrado nas duas partes seguintes (O gatomudo e Na delegacia), também composto por três momentos.Observe:Zé do Cravo se chamava Zé da Silva (Situação inicial) aaaaaté queté queté queté queté que......arranjou um cravo no pé, que doía... Foi aí que... Comprou um paletó... Elese apaixonou pela Rosa... De cara, a pediu em casamento... Brigam e namo-ram... A última briga foi... (Complicação/clímax)O Cravo saiu ferido e a Rosa despedaçada...O Cravo teve um desmaio e aRosa pôs-se a chorar. (Situação final)Atividade 12Atividade 12Atividade 12Atividade 12Atividade 12Você pode fazer o mesmo com o outro episódio. Identifique as três seqüências nar-rativas que compõem as duas outras partes (O gato mudo e Na delegacia), preenchen-do o seguinte quadro:Orientação (situação inicial)Complicação/clímaxSituação finalDepois dessa visão geral dos elementos que caracterizam um texto narrativo ficcional,vamos pensar em alguns dados da autora e da obra que estamos analisando.
  • 75. TeoriaePrática7•Unidade380Angela Lago nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, onde vive. Além de escritora,é ilustradora dos livros que escreve e também de obras de outros autores. A obra queestamos analisando se encontra nas mais importantes listas de recomendações delivros para crianças. Foi premiada pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, em1981, e pela Fundação Nacional de Literatura Infantil e Juvenil, em 1982, e seleciona-da para a CIRANDA DO LIVRO e para o Programa SALAS DE LEITURA MEC/FAE.Vamos analisar outros aspectos da obra para que você verifique se vale a penarecomendá-la aos alunos.Atividade 13Atividade 13Atividade 13Atividade 13Atividade 13Observe as palavras que a autora escolhe, como as combina, o “modo de dizer”, ouseja, o padrão de língua que ela adota para produzir o texto, e responda:a) O texto apresenta uma linguagem apropriada para as crianças? Por quê?___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Certamente quem lê o texto reconhece as letras de músicas infantis, de cantigas deroda que há muito tempo estão presentes nas brincadeiras das crianças. A autora vaientrelaçando os personagens das letras dessas músicas. Vale lembrar: o título Uni,Duni e Tê, que é o mesmo de uma parlenda muito conhecida, é, na obra, o códigosecreto de certos bilhetes que causam todo o entrelaçamento dos episódios, baseadosnas letras de O Cravo e a Rosa, Atirei um pau no gato, Senhora Viúva, Samba Lelê eTerezinha de Jesus. Assim, cria-se um clima de suspense, de busca do criminoso (autordos bilhetes), de aventura policial, de trabalho de detetive.b) Explique por que as palavras mato-to-to e salame-me-me foram assim escritas noepisódio O gato mudo.___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Por várias razões, é muito fácil reconhecer que o texto de Angela Lago é um textoliterário. Notamos que ele provoca o leitor, levando-o a imaginar situações, criar ou-tras soluções para os problemas apresentados, descobrir, aprender, cantar, divertir-se.O “diálogo” que mantém com outros textos (como já vimos, as cantigas de roda) étambém uma das marcas do texto literário.Outro fator que chama a atenção no texto de Angela Lago é a presença do humor,tanto nas ilustrações quanto na escolha e combinação das palavras e frases.
  • 76. TeoriaePrática7•Unidade381Observe atentamente a ilustração da capa do livro:Atividade 14Atividade 14Atividade 14Atividade 14Atividade 14Agora, observe novamente as ilustrações das três partes do texto que você leu.a) Você nota a presença do humor nessas imagens? Justifique.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) Você diria que as imagens, as palavras, as frases e expressões escolhidas pelaautora nos fazem concluir que a própria história narrada é uma brincadeira? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 77. TeoriaePrática7•Unidade382INDO À SALA DE AULAUma boa estratégia para que os alunos desenvolvam o interesse e o gosto pelaleitura é criar na classe um “cantinho de leitura”. É fácil fazer isso.Coloque numa estante, ou numa cesta grande, livros dos mais variados gêneros,revistas, gibis, suplementos infantis de jornais, cartões de cartolina com textos pro-duzidos pelos próprios alunos (poemas, histórias em quadrinhos, narrativas).Você deve destinar uma parte de algumas aulas para que os alunos manuseiem omaterial e escolham o que vão ler. Se possível, agrupe os alunos, sentados à vontade,no chão, para fazer a leitura e trocar com os colegas impressões sobre as obras.Estabeleça sempre um diálogo com eles sobre o que acharam do texto que esco-lheram, peça detalhes dos personagens, das ações, dos assuntos tratados, das ima-gens e sua interação com o texto verbal.De acordo com as impressões que eles vão transmitindo sobre o que leram, ou-tros podem interessar-se por fazer a leitura da obra. Por isso os materiais que com-porão a estante ou a cesta devem ser muito bem selecionados.Você pode informar-se sobre novos títulos por meio dos catálogos que as livrariase editoras enviam às escolas. Muitas delas enviam aos professores as próprias obraspara exame. Outra idéia é consultar a biblioteca de sua cidade, freqüentá-la e suge-rir que os responsáveis atualizem o acervo de obras da literatura infantil.Antes de propor a leitura de um texto aos alunos, é preciso criar umaexpectativa de leitura, verificar o que já sabem sobre o assunto, deixar queeles se manifestem. Os textos narrativos geralmente oferecem boas oportunida-des para um diálogo inicial com os alunos.É preciso, portanto, escolher com muito cuidado o livro ou os livros a serem suge-ridos para a leitura ou analisados em sala de aula. É preciso observar se as imagenscompõem com o texto verbal um conjunto significativo, harmonioso.Para o trabalho com o texto narrativo ficcional, é preciso utilizar estratégias quepermitam ao aluno imaginar situações, criar outras soluções para os problemas apre-sentados, descobrir, aprender.
  • 78. TeoriaePrática7•Unidade383Seção 3Atividades de leitura e interpretação de textosteatraisObjetivo a ser alcançado ao final desta seção• organizar atividades de leitura e interpretação de textos teatrais.ProfessorNa seção 3, da Unidade 2 deste TP7, você leu e analisou cena de uma peça teatral,escrita por Maria Clara Machado, O Cavalinho Azul. Discutiu a importância de esse tipode texto estar presente na sala de aula do ensino fundamental: além da contribuiçãoque o teatro traz para a formação do ser humano, levar o aluno a reconhecer as carac-terísticas próprias desse tipo de texto pode ser importante para a formação de umleitor mais competente.Nesta seção, você vai conhecer um texto teatral adaptado de um conto infantil, Ocasamento de Dona Baratinha. O texto teatral é de Walmir Ayala, um escritor gaúcho,autor de vários livros de poesia, romance, literatura infantil, contos, teatro, entre ou-tros. Trata-se de um autor que já recebeu vários prêmios.Esse texto foi escolhido porque permite ao professor ler o conto com os alunos,reconhecer suas características textuais e, em seguida, ler a adaptação teatral, compa-rando os dois tipos de texto.Leia o texto
  • 79. TeoriaePrática7•Unidade384O Casamento de Dona BaratinhaPEÇA EM 1 ATOPersonagens: Dona Baratinha; O Galo; O Cachorro; Dom Ratão; Dona Baratona;Dona BaratosaCenário:Cenário:Cenário:Cenário:Cenário: Numa rua qualquer de qualquer cidade do mundo. A fachada da casade Dona Baratinha, com porta e janela, uma cerca e um jardim estilizado.Ao abrir o pano: Dona Baratinha, vestida, como uma senhora caseira, de vivas cores,varre a frente de sua casa.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Ai, que vida triste. Trabalho, trabalho, trabalho. Varro, varro, varroe vivo tão sozinha. E sou tão pobre. Ai, ai! (E varre, varre, varre.) e dizem que sou feia, quenunca terei amigos nem irei a bailes. (E varre, varre, varre.) Que fazer? (De repente encon-tra uma moeda de prata.) Que é isso? Dinheiro? (Morde a moeda para ver se é verdadei-ra.) Oh, estou rica! Meu Deus, que alegria! Estou rica! (Dança.) Lá, lá, lá, lá... Que farei?(Pensativa.) Vou viajar. Não. Para quê? Vou comprar um palácio. Para quê? Para viversozinha?... Ah, já sei, vou me casar. Isto mesmo. Resolvido. Vou me casar. (Entra paradentro da casa, põe-se à janela, a cantar.)Quem quer casar com a Dona BaratinhaQue tem dinheiro na caixinha...(Repete. Aproxima-se o galo.)GaloGaloGaloGaloGalo: (Tirando seu chapéu de crista.) Bom dia.....Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: (Desmanchando-se.) Bom dia...Galo:Galo:Galo:Galo:Galo: Será que ouvi bem? A senhora procura um marido. E tem dinheiro?Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: (Agitada.) É... na caixinha...............Galo:Galo:Galo:Galo:Galo: Pois eu quero... quero me casar com a senhora.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: E o que é tu sabes fazer?Galo:Galo:Galo:Galo:Galo: Sei cantar. Quer ver?Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Quero.Galo:Galo:Galo:Galo:Galo: Có—có—có—ri—có! Có—có—có—ri—có!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: (Batendo palmas.) Que bonito!GaloGaloGaloGaloGalo: (Vaidoso.)Có—có—có—ri—có! Có—có—có—ri—có!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinhatinhatinhatinhatinha: Lindo! Lindo! E quando canta você?Galo:Galo:Galo:Galo:Galo: De manhã cedinho. Antes de amanhecer.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Ah, então não caso não. Não poderia dormir descansada o resto daminha vida. Pode andar. Não me interessa.....(O galo sai, muito jururu.)Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Quem quer casar com a Dona BaratinhaQue tem dinheiro na caixinha?(Aparece um cachorro velho e manso.)Cachorro:Cachorro:Cachorro:Cachorro:Cachorro: Bom dia.....Dona Baratinha:Dona Baratinha:Dona Baratinha:Dona Baratinha:Dona Baratinha: Bom dia.
  • 80. TeoriaePrática7•Unidade385CacCacCacCacCachorhorhorhorhorrrrrro:o:o:o:o: Procura marido?Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Pois é, arranjei um dote.CacCacCacCacCachorhorhorhorhorrrrrro:o:o:o:o: Pois eu quero me casar.....Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: E o que sabes fazer?CacCacCacCacCachorhorhorhorhorrrrrro:o:o:o:o: Dizem que sou o mais fiel dos animais. E sei guardar uma casa comoninguém.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Ótimo! Só assim ninguém roubará o meu dinheiro. Você me serve.CacCacCacCacCachorhorhorhorhorrrrrro:o:o:o:o: Ninguém ultrapassará o umbral desta casa sem se ver comigo!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Espere! (Sai de casa e enfia o braço no cachorro.) Estamos noivos.(Vão andando. De repente a baratinha pára para se coçar.) Que é isto?CacCacCacCacCachorhorhorhorhorrrrrro:o:o:o:o: (Desapontado) Oh!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: (Coçando sempre.) Meus Deus, que é que tem em você que estápassando para mim?CacCacCacCacCachorhorhorhorhorrrrrro:o:o:o:o: São as pulgas, senhora minha noiva.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Ah, é assim? Pois passe com suas pulgas e me deixe em paz. Nãocaso com você. (Entra furiosa para dentro de casa enquanto o cachorro sai com o raboentre as pernas. Vai para a janela e recomeça a cantilena.)Quem quer casar com a Dona BaratinhaQue tem dinheiro na caixinha?(Vem se aproximando Dom Ratão, muito empertigado, de cartola e bengala.)Dom RDom RDom RDom RDom Raaaaatão:tão:tão:tão:tão: Eu quero, eu quero!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Ah, Dom Ratão, mas o senhor é um nobre e eu sou uma pobrebaratinha.Dom RDom RDom RDom RDom Raaaaatão:tão:tão:tão:tão: Pobre nada, Dona Baratinha. Pobre sou eu, apesar de nobre. A senhoratem dinheiro na caixinha.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Pois eu sou rica. Vamos lá, o que sabe o senhor fazer?Dom RDom RDom RDom RDom Raaaaatão:tão:tão:tão:tão: (Tosse atrapalhado.) Bem, não sei fazer nada de excepcional. Mas descu-bro os mais gostosos quitutes pelo faro. Queijos que ninguém sonha. E sou elegante. Veja.(Desfila diante da baratinha maravilhada.).).).).)Obs. Dom Ratão estivera espiando desde o princípio a chegada de outros pretenden-tes.Dom RDom RDom RDom RDom Raaaaatão:tão:tão:tão:tão: E não faço barulho pela manhã. Gosto de acordar tarde. Nem canto paraacordar os outros, cada um que durma o quanto quiser. E não tenho pulgas. Minha peleé limpinha e lisa.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Oh, Dom Ratão, o senhor é exatamente o noivo que me convém.Dom RDom RDom RDom RDom Raaaaatão:tão:tão:tão:tão: Marcamos as bodas?Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Marcamos. Como estou feliz! Entre para combinarmos. (Entram emcasa. Dona Baratinha volta em seguida para conversar com a garotada.) Agora vou mecasar. Vai ter festa e doce e guaraná e uma grande feijoada. Vocês todos estão convida-dos. Vai ter doce que não acaba mais. Estou rica. E mandei comprar uma grinalda linda.Vocês verão. Chega de varrer minha casinha sozinha. Agora passearei de braço com Dom
  • 81. TeoriaePrática7•Unidade386Ratão. Ele é lindo, vocês não acham? Pois estou muito feliz e a festa vai continuar,esperem. (Entra. Põe véu e grinalda. Sai dando ordens a duas outras baratinhas. Umaestá com uma colher de pau na mão. A outra arranja a grinalda de Dona Baratinha.)Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Baratona, vá mexer o feijão para não grudar.....Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratona:tona:tona:tona:tona: (Rindo.) Dom Ratão não sai de perto da panela. Está com o focinhocomprido e cheira o ar deliciado.....Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: É o único defeito do meu noivo: a gula. (Dona Baratona entra paracuidar da feijoada.)Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: (Grita.) Ai, você fincou um grampo na minha cabeça. Cuidado!!!!!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa:tosa:tosa:tosa:tosa: Perdão, perdão! Estou tão nervosa!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Quem casa sou eu, Dona Baratosa.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa:tosa:tosa:tosa:tosa: Eu sei, eu sei, Dona Baratinha, mas quem vai cantar a Ave-Maria soueu.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Ora, deixe de bobagem. Cantar é fácil. Casar é que é difícil.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa:tosa:tosa:tosa:tosa: Não acho não, Dona Baratinha. Cantar é muito difícil. (Dando osúltimos retoques na noiva.) A senhora está linda. (Dá um espelho para ela.) Veja!!!!!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: (Olha-se envaidecida.) Acho que todos vão se maravilhar.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa:tosa:tosa:tosa:tosa: Todos vão se maravilhar, garanto.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratina:tina:tina:tina:tina: Ah, estou tão nervosa!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa:tosa:tosa:tosa:tosa: Casar é fácil, dona Baratinha.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Não diga tal asneira, Dona Baratosa.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa:tosa:tosa:tosa:tosa: É só achar dinheiro e colocar na caixinha, Dona Baratinha.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Ora, ora, Dona Baratosa.(Volta Dona Baratona, sempre empunhando a colher de pau.)Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratona:tona:tona:tona:tona: Acabo de colocar o toucinho no feijão.Dona Baratinha:Dona Baratinha:Dona Baratinha:Dona Baratinha:Dona Baratinha: E o chouriço?Dona Baratona:Dona Baratona:Dona Baratona:Dona Baratona:Dona Baratona: Também.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa:tosa:tosa:tosa:tosa: Quando vai ser o banquete?Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Depois da cerimônia, Dona Baratosa.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa:tosa:tosa:tosa:tosa: Espero não ficar muito nervosa para poder comer bastante.....Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Não se exceda, Dona Baratosa. Os convidados são muitos.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratona:tona:tona:tona:tona: Eu volto para vigiar os quitutes, Dona Baratinha.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Vá, não se descuide... vá. (Dona Baratona entra.) Hoje é o dia maisfeliz da minha vida.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa:tosa:tosa:tosa:tosa: O noivo está pronto?Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Há muito tempo. Quando o conheci já estava. É tão romântico,Dom Ratão!Dona Baratosa:Dona Baratosa:Dona Baratosa:Dona Baratosa:Dona Baratosa: É?Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Nem imagina, sabe coisas bonitas. Andou roendo livros de poesia eficou sábio.
  • 82. TeoriaePrática7•Unidade387Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa :tosa :tosa :tosa :tosa : Isso é que vale, casar bem assim.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Também com dinheiro na caixinha pude escolher meu noivo adedo. (Ouve-se um grito vindo de dentro.) Que é isso?Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa:tosa:tosa:tosa:tosa: É um grito da Baratona.(Aparece Dona Baratona.)Dona Baratona:Dona Baratona:Dona Baratona:Dona Baratona:Dona Baratona: Que horror!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: O que houve? Fale!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosatosatosatosatosa: (Abanando Dona Baratona.) Acalme-se.Dona Baratona:Dona Baratona:Dona Baratona:Dona Baratona:Dona Baratona: Que horror!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Horror, o quê?Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratona:tona:tona:tona:tona: Dom Ratão caiu na panela do feijão.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: (Num princípio de choro.) Oh, então nem casamento?Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa:tosa:tosa:tosa:tosa: Nem Ave-Maria?Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratona:tona:tona:tona:tona: Nem banquete. Dom Ratão está lá boiando no feijão. Tanto chegouperto, tanto espiou, tanto cheirou, que caiu...Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: (Desmaiando.) Como sou infeliz.Dona Baratona e Dona baratosa, juntas:Aprendam bem a lição:A pobre da BaratinhaSe enganou com Dom Ratão.Nem bem achou seu dinheiroPõe-se a cantar no portão,E ninguém era bastantePara conceder a mão.Tanto escolheu que caiuNas mãos de um pobre guloso.Agora está só, e o noivoCozinha em morto repousoNa panela de feijão.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratosa:tosa:tosa:tosa:tosa: Nem eu canto Ave-Maria.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratona:tona:tona:tona:tona: Nem vocês festejarão!(Música.)Fim
  • 83. TeoriaePrática7•Unidade388Atividade 15Atividade 15Atividade 15Atividade 15Atividade 15Imagine que você vai utilizar este texto na sala de aula.a) Antes de dar o texto para a leitura dos alunos, o que você precisa informar arespeito desse tipo de texto?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) Trata-se de um texto adaptado de uma história infantil que pode ser conhecidapelos alunos. Você considera importante levar os alunos a compararem os dois textos?Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Fornecer informações que permitam ao aluno ir ao texto com alguma expectativa,pode ser um meio de proporcionar condições para uma leitura mais ampla. O alunopode buscar elementos que satisfaçam essa expectativa, passando a compreender aleitura como forma de conhecer aspectos diversificados do mundo.Atividade 16Atividade 16Atividade 16Atividade 16Atividade 16a) Ao comparar os dois textos, o conto e o teatro, que aspectos podem ser evidenci-ados para caracterizar melhor o texto teatral? Por quê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________b) Que atividade você pode propor para os alunos reconhecerem a função das ru-bricas (lembre-se: rubricas são as indicações apresentadas entre parênteses)?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Discutir com os alunos a forma de organização do texto em prosa, comparandocom a do texto teatral e observar as transformações que decorrem desses modos dife-rentes de se organizar: narrador, personagens, formas de articulação do texto, podelevar os alunos a compreenderem melhor as características específicas de cada tipo detexto.
  • 84. TeoriaePrática7•Unidade389Atividade 17Atividade 17Atividade 17Atividade 17Atividade 17Suponha que seus alunos queiram dramatizar o texto. O que eles precisam levar emconsideração?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Discutir com os alunos a necessidade de a dramatização permitir ao espectadorcompreender a história, observando o humor, a simpatia ou a antipatia que os perso-nagens podem despertar; que esses sentimentos devem ser percebidos no conjuntotodo que compõe a dramatização, pode possibilitar ao aluno a compreensão do modocomo funciona o texto teatral.Professor, você deve levar em conta a importânciado momento de conversa, de troca de idéias depois daleitura dos textos. Levar os alunos a reconhecerem aestrutura particular de cada tipo de texto é fundamen-tal para que eles possam identificá-los e ter condiçõesde criar expectativas, levantar hipóteses a respeito dotexto que vão ler, podendo, assim, ir ao texto com umolhar de curiosidade. Mas é também importante, os alu-nos experimentarem emoções, sentimentos e amplia-rem suas vivências. No texto teatral O Casamento deDona Baratinha, por exemplo, é fundamental que vocêabra espaço para comentários, discussões, troca de idéi-as. Você pode questionar os alunos a respeito deensinamentos que podem ser identificados. A fala deDona Baratona e Dona Baratosa, no final do texto é bema expressão da moral, da lição que esses personagensquerem que as crianças tenham aprendido. Você develevar os alunos a pensarem sobre a questão, fazê-losrefletir e verificar a presença ou não de alguns precon-ceitos.
  • 85. TeoriaePrática7•Unidade390Atividade 18Atividade 18Atividade 18Atividade 18Atividade 18Antes de pensarem em dramatizar o texto inteiro, você pode propor que cada grupoescolha um trecho e o prepare para uma apresentação.Suponha que um grupo escolhesse o seguinte trecho:Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Quem quer casar com a Dona BaratinhaQue tem dinheiro na caixinha?(Aparece um cachorro velho e manso.)Cachorro:Cachorro:Cachorro:Cachorro:Cachorro: Bom dia.....Dona Baratinha:Dona Baratinha:Dona Baratinha:Dona Baratinha:Dona Baratinha: Bom dia.CacCacCacCacCachorhorhorhorhorrrrrro:o:o:o:o: Procura marido?Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Pois é, arranjei um dote.CacCacCacCacCachorhorhorhorhorrrrrro:o:o:o:o: Pois eu quero me casar.....Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: E o que sabes fazer?CacCacCacCacCachorhorhorhorhorrrrrro:o:o:o:o: Dizem que sou o mais fiel dos animais. E sei guardar uma casacomoninguém.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Ótimo! Só assim ninguém roubará o meu dinheiro. Vocêmeserve.CacCacCacCacCachorhorhorhorhorrrrrro:o:o:o:o: Ninguém ultrapassará o umbral desta casa sem se ver comigo!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Espere! (Sai de casa e enfia o braço no cachorro.) Estamosnoivos. (Vão andando. De repente a baratinha pára para se coçar.) Que éisto?CacCacCacCacCachorhorhorhorhorrrrrro:o:o:o:o: (Desapontado) Oh!Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: (Coçando sempre.) Meus Deus, que é que tem em vocêque está passando para mim?CacCacCacCacCachorhorhorhorhorrrrrro:o:o:o:o: São as pulgas, senhora minha noiva.Dona BaraDona BaraDona BaraDona BaraDona Baratinha:tinha:tinha:tinha:tinha: Ah, é assim? Pois passe com suas pulgas e me deixe empaz. Não caso com você. (Entra furiosa para dentro de casa enquanto o ca-chorro sai com o rabo entre as pernas. Vai para a janela e recomeça acantilena.)Quem quer casar com a Dona BaratinhaQue tem dinheiro na caixinha?a) Que orientação você pode dar para que os alunos tenham condições de fazeruma apresentação prazerosa para o próprio grupo e para os outros?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 86. TeoriaePrática7•Unidade391b) Por que é conveniente fazer esse trabalho prévio à dramatização do texto inteiro?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Você deve considerar que um texto teatral apresenta muitas informações a que osalunos não estão acostumados. Um trecho menor pode permitir que eles observemdetalhes importantes e que contribuem para tornar a encenação mais próxima do queo texto propõe.Atividade 19Atividade 19Atividade 19Atividade 19Atividade 19Outra atividade prévia pode ser a leitura dramática do texto O Casamento de DonaBaratinha.Que orientações você precisa dar a seus alunos?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________É preciso que os alunos desenvolvam algumas habilidades de uso da linguagem,oral e escrita. Na leitura dramática, eles terão oportunidade de experimentar modosde realizar as falas e adequá-las às mais variadas situações. Assim, poderão ter maiselementos para utilizarem um texto teatral e prepararem uma encenação.Você deve considerar que a presença de texto teatral em sala de aula do ensinofundamental está relacionada à importância de os alunos conhecerem variados tiposde textos que utilizam linguagens diferentes e desenvolverem habilidades de usos dalíngua em diversas situações.É verdade, também, que a dramatização, o faz de conta, é uma atividade que agra-da às crianças e permite a percepção da necessidade de adequação da linguagem àssituações, ao tipo de pessoa representada, por exemplo. Nesse sentido, desenvolveratividades com jogos dramáticos pode ser interessante com alunos de qualquer idade.
  • 87. TeoriaePrática7•Unidade392INDO À SALINDO À SALINDO À SALINDO À SALINDO À SALA DE AA DE AA DE AA DE AA DE AULULULULULAAAAAAtividade 20Atividade 20Atividade 20Atividade 20Atividade 20Suponha que você vai propor aos alunos pequenas dramatizações. O que você podepropor? Pense e descreva uma atividade que poderia desenvolver com sua classe. Lem-bre-se: o grupo vai brincar de faz de conta, eles devem colocar-se como personagens efingir que são outras pessoas. Quem poderiam ser? Que situações poderiam represen-tar?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________É preciso considerar que esse tipo de atividade deve ser proposta com a intenção delevar os alunos a desenvolverem a criatividade e a autonomia. Para isso, eles precisamsentir-se livres para buscar soluções que considerarem mais adequadas para a situa-ção que pretendem representar.Uma atividade interessante para os alunos compreenderem melhor o funciona-mento de um texto teatral pode ser a proposta de eles produzirem pequenos textospara serem representados na classe. Para isso, você pode dividir a classe em grupos,de até quatro pessoas. Os grupos se reúnem, discutem, trocam idéias sobre o tipo desituação que desejam encenar. Você pode sugerir que sejam situações do cotidianodos próprios alunos, seja na escola, em casa, na rua, na igreja, em lojas, lanchonetes,cinema, parque, piscina, enfim, situações semelhantes às conhecidas pela classe.Escolhida a situação, cada grupo vai escrever o texto que servirá de roteiro paraa encenação .Nesta fase, você deve orientá-los para que os textos apresentem:• cenário com descrição detalhada que possibilite ao espectador reconhecer olugar onde acontecem os fatos;• personagens com nome e características que ajudem o ator a construir seupersonagem;• falas dos personagens, indicadas pelas rubricas.Você deve orientar os alunos, no sentido de que as falas sejam o mais próximasdo modo de falar das pessoas representadas. Ou seja, as falas devem soar comoconversa e não como leitura de um texto. Os diálogos devem ser bem informais,como são as conversas das pessoas em geral.
  • 88. TeoriaePrática7•Unidade393INDO À SALINDO À SALA DE AA DE AULULAADepois de pronto, lido, relido, corrigido, os grupos devem trocar os textos entre si:um grupo encena o texto escrito por outro. É uma forma de conferir se o texto foiescrito de forma clara, se as rubricas foram bem colocadas e se essas orientaçõesforneceram elementos para o outro grupo realizar a encenação. Enfim, cada grupopode avaliar o seu e o texto do outro grupo, vivenciando as situações como especta-dor e como atores responsáveis pela encenação.Nesta seção, você leu um texto de teatro integral e analisou algumaspossibilidades de trabalho a ser desenvolvido com classes do ensino funda-mental. Você observou a importância de atividades como:• conversa inicial, comentando as diferenças entre texto narrativo e texto tea-tral;• leitura dramática de trechos do texto;• leitura do texto integral;• dramatização de cenas do cotidiano das crianças, numa forma de jogos dra-máticos para que elas compreendam melhor o significado da representaçãoteatral;• encenação de trechos do texto;• escrita de textos para serem representados por outros grupos.
  • 89. TeoriaePrática7•Unidade394Lição de casaVocê encontrou, nesta Unidade 3, sugestões de atividades didáticas com trêstipos de textos da literatura infantil.Agora é a sua vez de propor atividades, utilizando uma obra que você vaiescolher para analisar em sala de aula.Atividade 1Atividade 1Atividade 1Atividade 1Atividade 1Escolha a obra. Tenha em vista seu trabalho com as crianças, portanto seleci-one uma obra que você possa usar realmente em suas aulas. Justifique sua esco-lha e indique o ano para o qual se destina a atividade.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Atividade 2Atividade 2Atividade 2Atividade 2Atividade 2Elabore uma atividade de análise da obra, em que os alunos vão identificar• os elementos que caracterizam o tipo de texto;• o valor das imagens na construção do sentido do texto;• o tipo de linguagem utilizada;• outros textos que “dialogam” com esse texto.Descreva com detalhes sua proposta.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 90. TeoriaePrática7•Unidade395Referências Bibliográficas:• LAJOLO, Marisa e ZILBERMAN, Regina. LITERATURA INFANTIL BRASILEIRA: História E Histórias.São Paulo: Ática, 1991.O livro traça a história da literatura infantil brasileira, ao longo do século XX, num trabalho depesquisa e interpretação, de um modo completo e sistemático.As autoras desenham um painel amplo de nossa cultura contemporânea, examinando as rela-ções da Literatura infantil com as instituições sociais e com a História da Literatura.• MACHADO, Maria Clara. A AVENTURA DO TEATRO, Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.O livro, considerado pela autora como pequeno manual de Teatro, traz orientações para alunose professores que queiram iniciar um trabalho relacionado à arte da representação.A autora ensina, numa linguagem acessível para quem nunca fez teatro, alguns exercícios parao ator aprender a falar, a expressa-se com o corpo, a relaxar, a desenvolver a sensibilidade e aimaginação. Ensina, ainda, a tratar de aspectos necessários para a produção de um espetáculoteatral.
  • 91. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•SessãoIntrodutória11577 A literatura infantilAtiAtiAtiAtiAtividade:vidade:vidade:vidade:vidade: Sessão Presencial Introdutória (1h)ProfessorNesta oficina, você vai conhecer alguns conteúdos básicos do caderno Teoria e Prática 7:a) as definições de texto literário;b) as características das obras da literatura infantil;c) o valor das ilustrações nos livros destinados às crianças.Vamos utilizar um dos trechos do conto A zanga da princesa, da obra Assombramentos,de Mirna Pinsky. Anexamos aqui a capa do livro e as páginas 6 e 7, que contêm otrecho que nos interessa.
  • 92. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•SessãoIntrodutória1161ª eta1ª eta1ª eta1ª eta1ª etapapapapapaReúna-se com dois colegas para ler o texto e discutir as questões abaixo. Um devocês será o relator, que vai apresentar, na 2ª etapa, as conclusões do grupo.a) O texto que vocês leram é literário ou não-literário? Por quê?b) O que nos leva a afirmar que esse texto é destinado principalmente ao leitorcriança?c) O que as imagens presentes no texto proporcionam ao leitor?d) Que elementos do texto poderemos utilizar para mostrar aos alunos que se tratade um texto narrativo ficcional?2ª eta2ª eta2ª eta2ª eta2ª etapapapapapaUm dos grupos será sorteado para apresentar as conclusões por meio de seu relator.Depois da apresentação, os outros relatores poderão dar sugestões, completar as idéiasexpostas, sugerir outras e compará-las com as de seu grupo.3ª eta3ª eta3ª eta3ª eta3ª etapapapapapaTodos vão fazer, juntamente com o formador, uma síntese do que discutiram. Se for ocaso, cada um anota as dúvidas que tiver para apresentá-las nas outras oficinas.
  • 93. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•Unidade1117777 A literatura infantilAtiAtiAtiAtiAtividade:vidade:vidade:vidade:vidade: Sessão Presencial Semanal (2h)Unidade 1Unidade 1Unidade 1Unidade 1Unidade 1: A literatura infantil: origens e evolução.ProfessorNesta oficina, vamos discutir alguns assuntos básicos da primeira unidade do ca-derno Teoria e Prática 7:a) texto literário e literatura infantil;b) o papel de Monteiro Lobato na formação e no desenvolvimento da literaturainfantil no Brasil;c) traços temáticos e estilísticos da moderna literatura infantil brasileira.Para tratar dessas questões, todos vão partir da leitura dos dois textos que seguemanexos:• Texto 1: No dia seguinte, da obra A Reforma da Natureza, de Monteiro Lobato(1944);• Texto 2: Operação Risoto, de Eva Furnari (1999);1ª eta1ª eta1ª eta1ª eta1ª etapapapapapaOs participantes, divididos em dois grupos (AAAAA e BBBBB), vão realizar as tarefas que se-guem. Cada grupo deve escolher um relator para registrar as conclusões a serem apre-sentadas na etapa seguinte.I. Tarefas do grupo A:a) Analisar o texto de Monteiro Lobato (1944), justificando a idéia de que os assun-tos tratados e a linguagem que utiliza (pioneiros na literatura infantil brasileira)provocam na criança a reflexão, a busca de soluções, o desenvolvimento do raci-ocínio, conforme o que se estudou no caderno TP7.b) Supor que o texto de Lobato vai ser utilizado em atividades didáticas de leitura eprodução textual, com a finalidade de levar os alunos a perceberem o que carac-teriza um texto literário. Descrever essas atividades, indicando o ano de escolari-dade dos alunos a que elas se destinam.
  • 94. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•Unidade1118II. Tarefas do grupo B:a) Analisar o texto de Eva Furnari (1999), indicando os recursos temáticos e estilísticosutilizados (texto verbal, recursos gráficos, imagens, ilustrações), que exemplificamas características da moderna literatura infantil brasileira.b) Supor que o texto será utilizado em atividades didáticas de leitura e produçãotextual, para levar os alunos a reconhecerem a relação entre imagem e textoverbal e a perceberem os elementos que caracterizam uma carta. Descrever es-sas atividades, indicando o ano a que se destinam.2ª eta2ª eta2ª eta2ª eta2ª etapapapapapaTodos se reúnem em forma de plenária.Primeiramente, o relator do grupo AAAAA apresenta as conclusões que registrou e expõeas atividades de leitura e produção que seu grupo descreveu.Os participantes do grupo BBBBB avaliam oralmente as atividades propostas, levandoem conta os seguintes aspectos:• as atividades foram bem detalhadas em relação aos objetivos e aos alunos a quese destinam? Por quê?• ao participarem dessas atividades, os alunos poderão desenvolver as habilida-des de buscar significados, de criar, descobrir? Justificar, apresentando, se for ocaso, sugestões ao grupo que propôs as atividades.Em seguida, o relator do grupo BBBBB apresenta o que registrou e expõe as atividadespropostas por seu grupo. Os participantes do grupo AAAAA vão analisar as atividades, consi-derando os mesmos aspectos indicados acima.3ª eta3ª eta3ª eta3ª eta3ª etapapapapapaAinda reunidos em forma de plenária e coordenados pelo formador, que registraráas conclusões no quadro de giz, todos vão apontar as características que nos permitemclassificar os dois textos analisados nesta oficina como:a) textos literários;b) textos de literatura infantil, adequados aos alunos dos primeiros anos do ensinofundamental.
  • 95. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•Unidade211977 Literatura InfantilAtiAtiAtiAtiAtividade:vidade:vidade:vidade:vidade: Sessão Presencial Semanal (2h)Unidade 2Unidade 2Unidade 2Unidade 2Unidade 2: Modalidade dos Textos de Literatura InfantilProfessor,Na Unidade 2, do caderno TP7, você estudou três modalidades de textos da Litera-tura Infantil: visuais, em prosa e teatrais.Você estudou que cada uma dessas modalidades de texto tem características espe-cíficas que os alunos devem aprender a reconhecer, para apreender de forma maisampla os significados contidos.Nesta oficina, vamos rever essas três modalidades de textos, observando as possibi-lidades de partir de uma, para desenvolver outras. Ou seja, de um texto em prosa(narrativa ficcional) produzir uma narrativa de imagens e um texto teatral.1ª eta1ª eta1ª eta1ª eta1ª etapapapapapaVocês devem formar três grupos, para realizarem as atividades propostas a seguir.Primeiramente, leiam uma história, apresentada por Maria Clara Machado em seulivro A Aventura do Teatro.Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.O fantasmaNum quarto escuro, meninos brincando de fantasmas. No meioda brincadeira, ouve-se um barulho vindo de fora. O medo tor-na-se real. Tomam coragem e se escondem. Entra um ladrão ecomeça a roubar. Os meninos observam e resolvem gozar o la-drão – fazem barulho, aparecem vestidos de fantasmas e o la-drão se apavora e foge.Depois de ler e comentar o texto, observando as possibilidades que a história ofere-ce, cada grupo vai desenvolver uma atividade.Grupo 1:escrever um texto narrativo, contando a história proposta.Grupo 2:contar a mesma história, por meio de uma narrativa de imagens.Grupo 3:escrever um texto teatral, contando a mesma história.
  • 96. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•Unidade21202ª eta2ª eta2ª eta2ª eta2ª etapapapapapaCada grupo apresenta o texto produzido, para ser apreciado por todos.É importante observar se os textos produzidos apresentam elementos característi-cos de cada uma das modalidades textuais propostas.3ª eta3ª eta3ª eta3ª eta3ª etapapapapapaAvaliação da oficina.
  • 97. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•Unidade312177 A literatura infantilAtiAtiAtiAtiAtividade:vidade:vidade:vidade:vidade: Sessão Presencial Semanal (2h)Unidade 3Unidade 3Unidade 3Unidade 3Unidade 3: Atividades de leitura e interpretação de textos da literatura infantilProfessorNesta oficina você vamos discutir o conteúdo da Unidade 3 do caderno Teoria ePrática 7. Conforme você já leu, naquela unidade sugerimos atividades de leitura einterpretação de textos visuais, em prosa e teatrais.O propósito da oficina é que você desenvolva com seus colegas uma das atividadesque pode ser aplicada em sala de aula.A sugestão é que, depois da leitura da obra de Pedro Bandeira, Trocando as Bolas,vocês transformem o texto narrativo em teatral para ser apresentado aos outros parti-cipantes. O texto segue anexo, dividido em três partes.1ª eta1ª eta1ª eta1ª eta1ª etapapapapapaOs participantes da oficina serão divididos em três grupos e cada um trabalharácom uma das partes do texto.O grupo primeiramente vai reescrever a parte que lhe cabe, transformando o textonarrativo em teatral, não deixando de descrever o cenário, de escrever as marcações (oque os atores devem fazer), indicar as falas dos personagens, as entoações de voz etc.2ª eta2ª eta2ª eta2ª eta2ª etapapapapapaO grupo vai preparar a encenação. Vai escolher os personagens, preparar o cenário,ensaiar as falas para apresentar na etapa seguinte.3ª eta3ª eta3ª eta3ª eta3ª etapapapapapaOs grupos, em seqüência, vão apresentar o que prepararam. Todos os participantesvão avaliar tanto o texto transformado como a própria encenação de cada grupo. De-vem anotar o que for preciso, para discutir na última etapa da oficina.
  • 98. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•Unidade31224ª eta4ª eta4ª eta4ª eta4ª etapapapapapaTodos vão fazer, juntamente com o formador, uma avaliação do trabalho dos gru-pos, utilizando as possíveis anotações que fizeram na 3ª etapa.Vão também avaliar se esse tipo de atividade é adequada aos alunos dos primeirosanos do ensino fundamental e por quê.
  • 99. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•Anexos123AneAneAneAneAnexxxxxo 1o 1o 1o 1o 1TP7 - Unidade 1TP7 - Unidade 1TP7 - Unidade 1TP7 - Unidade 1TP7 - Unidade 177TTTTTeeeeexto 1xto 1xto 1xto 1xto 1No dia seguinteNo dia seguinte pularam da cama muito cedo e retomaram a obra dereforma da Natureza. Tudo era examinado e reformado no que lhes pareciatorto. A Rãzinha continuava com as idéias mais absurdas, de verdadeiramaluca. A reforma do Quindim, por exemplo, que a Rã fez sozinha, era acoisa mais esquisita que se possa imaginar. Em vez do famoso chifre sobre onariz, que é característico de todos os rinocerontes, a Rã botou uma flecha deCupido com um coração assado na ponta. Assado, imaginem! E ornamentouos cascos de Quindim com pinturas: Branca de Neve com todos os seus anões.E trocou as quatro pernas do rinoceronte por quatro pernas diferentes – umade veado, outra de ganso, outra de jacaré, outra de pau. E substituiu aquelecouro duríssimo por um revestimento muito bem trançado de palhinha decadeira. Cauda, botou duas; depois três, depois dez, depois cem; deixou-ocom um verdadeiro varal de caudas dando volta inteira em redor do pobreanimal.A reforma do Quindim saiu um tal disparate que nem andar ele podia –uma perna não acompanhava a outra, e havia a tremenda atrapalhação detantas caudas, todas diferentes, umas com borlas(1)na ponta, outras comespinhos de ouriço, outras com campainhas.Quando Emília foi ver a “obra”, não pôde deixar de rir-se. Aquilo era o“bisurdo dos bissurdos”. Quindim estava transformado num verdadeirodestampatório(2).- Isso não é reformar, Rãzinha! – disse ela. – Isso é escangalhar(3)comuma pobre criatura. Ele já não é rinoceronte, nem nenhum bicho possível.Virou quarto de badulaques(4)baú de mascate. Que judiação!...Monteiro Lobato. A Reforma da Natureza. São Paulo:Brasiliense, 1982.Glossário:(1) Borlas: bolotas.(2) Destampatório: despropósito, descomedimento.(3) Escangalhar: desarranjar, estragar, destruir.(4) Badulaques: coisas de pouco valor.
  • 100. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•Anexos12577AneAneAneAneAnexxxxxo 2o 2o 2o 2o 2TP7 - Unidade 1TP7 - Unidade 1TP7 - Unidade 1TP7 - Unidade 1TP7 - Unidade 1TTTTTeeeeexto 2xto 2xto 2xto 2xto 2FURNARI, Eva. Operação Risoto. São Paulo: Ática, 1999.
  • 101. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•Anexos127AneAneAneAneAnexxxxxo 1o 1o 1o 1o 1TP7 - Unidade 3TP7 - Unidade 3TP7 - Unidade 3TP7 - Unidade 3TP7 - Unidade 3777Trocando as Bolas[1ª parte]- Atirei um pau no ga-to-tô,vamos todos cirandar,o cravo saiu feri-do-dô,para o meu amor passar...- Que mania você tem de misturar tudo, Troca Bolas! – recla-mava a meninada. – Assim não dá pra brincar de roda. Vocênunca canta os versos direito!Troca Bolas era assim mesmo. Adorava confundir tudo:- Eu gosto de todas essas músicas – dizia ele. – Por que é queeu tenho de cantar ma só?- Porque as músicas são feitas para ser cantadas do jeito queforam escritas.- Pois eu acho que as músicas devem se cantadas do jeito que agente quiser!Ninguém podia com um João-Teimoso como aquele. Tudo elegostava de trocar e de misturar. A mãe dele vivia dizendo:- Menino, onde já se viu comer ovo frito com goiabada?- Eu gosto assim, mãe!Troca Bolas desenhava muito bem. Mas quando a mãe pediupara ele desenhar o que queria ser quando crescesse, Troca Bolasdesenhou uma cabeça de velho, de cabelo comprido e barbabranca, segurando um violão entre os braços e com pernas dejogador de futebol, com chuteira e tudo.- É isso que eu quero ser quando for grande: uma cabeça deprofessor, de gente inteligente. Braços de quem sabe tocar violãomuito bem e pernas fortes, para jogar futebol como o maiorjogador do mundo!- Assim já é demais, Troca Bolas! Você não pode fazer tudo navida. Não dá para ser um cientista e um jogador de futebol aomesmo tempo.- Por que é que não dá?- Ora, porque... porque ninguém nunca conseguiu isso antes!- Pois eu vou conseguir!E ainda pintou a cara do velho com as cores de um palhaço,pois Troca Bolas adorava circo.- Além disso, nos fins de semana eu vou ser palhaço de circo!
  • 102. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•Anexos129[2ª parte]Quando a irmãzinha do Troca Bolas pedia para ele contar uma histó-ria, o menino se saía com esta:- Era uma vez uma menina muito bonita, com a pele branca como aneve, que vivia no castelo de uma madrasta muito má. Um dia, elacolocou um chapeuzinho vermelho e foi levar doces para a vovozinha.Aí ele ia subindo uma escada e perdeu o sapatinho de cristal. Por isso, abruxa prendeu a coitadinha numa torre e os cabelos dela ficaram com-pridos e o príncipe subia para papear com ela agarrando-se nas trançasda menina. Mas, de vez em quando, a bruxa mandava ela botar o dedi-nho para fora para ver se estava gordinho, porque a bruxa só gostava decrianças gordinhas. Mas daí a menina fugiu e foi jogando pedrinhascoloridas pelo caminho para não se perder na floresta. Foi aí que apare-ceu o Lobo Mau com uma maçã envenenada e soprou a casa de madeiraonde a menina tinha se escondido...É claro que a irmã do Troca Bolas não entendia nada. Mas, comoainda era muito pequena, ria a valer.E assim Troca Bolas ia vivendo. Misturava tudo e o pessoal tinha defazer um esforço tremendo para desmisturar as histórias dele.[3ª parte]Foi aí que aconteceu.A criançada estava brincando na praça, numa tarde de sol, em voltado laguinho de cimento, quando alguém gritou:- Acudam! A Mortadela caiu no lago!Todo mundo assustou. Mortadela era a gatinha da irmã do TrocaBolas e era também a paixão da menina.Troca Bolas vivia querendo fazer reformas na gata e imaginava umgato fofo e peludo como a Mortadela, mas com dentes grandes como osde um cachorro para guardar a casa, asas como as da cegonha para irbuscar as bolas que caíam no telhado e um rabo de macaco para podercomer banana pendurado na árvore.Mas nenhum daqueles planos importava agora. O que importava erasalvar a Mortadela.- A coitadinha da Mortadela ainda é muito pequena. Não vai sabernadar até a borda!- Alguém tem de entrar no laguinho e tirar o gato da água!- É isso mesmo. Quem vai entrar?Só que não foi preciso que ninguém se molhasse. Rapidamente, aágua do lago começou a baixar e logo a Mortadela conseguiu ficar de pésobre o fundo, saindo sem nenhum esforço.O que tinha acontecido?Troca Bolas tinha corrido para abrir o registro da água e esvaziar olago.
  • 103. OficinadeFormaçãodeProfessores•TP7•Anexos131Todos aplaudiram:- Grande idéia, Troca Bolas! Como é que você pensou nisso?- Muito simples – respondeu o menino. – Vocês não estavam pensan-do em tirar o gato da água? Pois eu pensei em tirar a água do gato!BANDEIRA, Pedro. Trocando as Bolas. São Paulo: Melhoramentos, 1993 5ª ed.
  • 104. PROGRAMA GESTÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLARGESTAR IDIPRO / FNDE / MECCONSULTORES DAS ÁREAS TEMÁTICASLíngua PortuguesaMaria Antonieta Antunes CunhaDoutora em Letras - Língua PortuguesaUniversidade Federal de Minas Gerais/UFMGProfessora Adjunta Aposentada - Língua Portuguesa - Faculdade de LetrasUniversidade Federal de Minas Gerais/UFMGMatemáticaCristiano Alberto MunizDoutor em Ciência da EducaçãoUniversidade Paris XIIIProfessor Adjunto - Educação Matemática - Faculdade de EducaçãoUniversidade de Brasília/UnBNilza Eigenheer BertoniMestre em MatemáticaUniversidade de Brasília/UnBProfessora Assistente Aposentada - Departamento de MatemáticaUniversidade de Brasília/UnB
  • 105. PROGRAMA GESTÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLARGESTAR IDIPRO / FNDE / MECDiretora de Assistência a Programas Especiais - DIPROIvone Maria Elias MoreyraChefe da Divisão de Formulação e Implementação - DIFIMDébora Moraes CorreiaEQUIPE EDITORIALAssessoria PedagógicaMaria Umbelina Caiafa SalgadoConsultora - DIPRO/FNDE/MECCoordenação GeralSuzete Scramim Rigo - IQECoordenação PedagógicaRegina Maria F. Elero Ivamoto - IQEElaboraçãoMarília Barros Almeida Toledo - Matemática - IQESuzana Laino Cândido - Matemática - IQEMaria Valíria Aderson de Mello Vargas - Língua Portuguesa - IQEKahori Miyasato - Língua Portuguesa - IQEEquipe de Apoio TécnicoMarcelina da Graça S. Peixoto - IQEMaria Christina Salerno dos Santos - IQEProdução EditorialInstituto Qualidade no Ensino - IQE