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  • 1. GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DA EDUCAÇÃO AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM EM PROCESSO Subsídios para o Professor de Língua Portuguesa Prova de Língua Portuguesa Comentários e Recomendações Pedagógicas São Paulo 1° Semestre de 2014 6ª Edição 35 3a série do Ensino Médio 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 1 18/12/13 17:44
  • 2. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio2 Avaliação da Aprendizagem em Processo APRESENTAÇÃO A Avaliação da Aprendizagem em Processo se caracteriza como ação desen- volvida de modo colaborativo entre a Coordenadoria de Informação, Monito- ramento e Avaliação Educacional e a Coordenadoria de Gestão da Educação Básica, que também contou com a contribuição de Professores do Núcleo Pe- dagógico de diferentes Diretorias de Ensino. Aplicada desde 2011, abrangeu inicialmente o 6º ano do Ensino Fundamental e a 1ª série do Ensino Médio. Gradativamente foi expandida para os demais anos/séries (do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e 1ª a 3ª série do Ensino Médio) com aplicação no início de cada semestre do ano letivo. Essa ação, fundamentada no Currículo do Estado de São Paulo, tem como ob- jetivo fornecer indicadores qualitativos do processo de aprendizagem do edu- cando, a partir de habilidades prescritas no Currículo. Dialoga com as habilida- des contidas no SARESP, SAEB, ENEM e tem se mostrado bem avaliada pelos educadores da rede estadual. Propõe o acompanhamento da aprendizagem das turmas e do aluno de forma individualizada, por meio de um instrumento de caráter diagnóstico. Objetiva apoiar e subsidiar os professores de Língua Portuguesa e de Matemática que atuam nos Anos Finais do Ensino Fundamen- tal e no Ensino Médio da Rede Estadual de São Paulo, na elaboração de estra- tégias para reverter desempenhos insatisfatórios, inclusive em processos de recuperação. Além da formulação dos instrumentos de avaliação, na forma de cadernos de provas para os alunos, também foram elaborados documentos específicos de orientação para os professores – Comentários e Recomendações Pedagó- gicas – contendo o quadro de habilidades, gabaritos, itens, interpretação pe- dagógica das alternativas, sugestões de atividades subsequentes às análises dos resultados e orientação para aplicação e correção das produções textuais. Espera-se que, agregados aos registros que o professor já possui, sejam instru- mentos para a definição de pautas individuais e coletivas que, organizadas em um plano de ação, mobilizem procedimentos, atitudes e conceitos necessários para as atividades de sala de aula, sobretudo aquelas relacionadas aos proces- sos de recuperação da aprendizagem. Coordenadoria de Informação, Monitoramento e Avaliação Educacional Coordenadoria de Gestão da Educação Básica 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 2 18/12/13 17:44
  • 3. 3Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio Avaliação da Aprendizagem em Processo – Língua Portuguesa A Avaliação da Aprendizagem em Processo de Língua Portuguesa, em sua 6ª edição, apresenta dez questões objetivas compostas por quatro alternativas e uma produção textual para todas as séries/anos do ensino fundamental anos finais e ensino médio. Para a elaboração das provas objetivas, foi elaborada a Matriz de Referência para a AAP, pautada em conteúdos e habilidades do Currículo Oficial do Esta- do de São Paulo, Caderno do Professor: Língua Portuguesa, Matriz de Referên- cia para a Avaliação – SARESP, Prova Brasil, ENEM. Quanto às produções escritas, os gêneros textuais abaixo elencados, conforme série/ano, obedecem ao que está previsto no Currículo do Estado de São Paulo e, consequentemente, às Situações de Aprendizagem presentes nos Cadernos do Professor e do Aluno e a temas propostos pelo SARESP e ENEM. - 6º ano do Ensino Fundamental: conto; - 7º ano do Ensino Fundamental: relato de experiência vivida; - 8º ano do Ensino Fundamental: notícia; - 9º ano do Ensino Fundamental: texto de opinião1 ; - 1ª série do Ensino Médio: artigo de opinião; - 2ª série do Ensino Médio: artigo de opinião; - 3ª série do Ensino Médio: artigo de opinião. Com o intuito de apoiar o trabalho do professor em sala de aula e também de subsidiar a elaboração do plano de ação para os processos de recuperação, são colocados à disposição da escola materiais com orientações para leitura e reflexão sobre as provas de Língua Portuguesa. Esses materiais contêm as matrizes de referência elaboradas para essa ação, as questões comentadas, a habilidade/descritor em cada uma das questões, recomendações pedagógi- cas, indicações de outros materiais impressos ou disponíveis na internet e re- ferências bibliográficas. O objetivo principal da AAP é levar os professores a realizar inferências com relação aos acertos e também buscar sanar as dificuldades que levaram a pos- síveis erros. Lembramos que, em se tratando de avaliação, a cada aplicação, os itens são testados e avaliados, inclusive, pelos professores da rede. Alguns desses itens, provavelmente, precisarão ser modificados e, por vezes, substituídos, de forma a garantir a eficácia da proposta, buscando, assim, reforçar seu caráter proces- sual, contínuo. EQUIPE DE Língua Portuguesa 1 DOLZ, J. SCHNEUWLY, B. Gêneros orais e escritos na escola. Tradução e organização Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2004, p. 51-52. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 3 18/12/13 17:44
  • 4. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio4 MATRIZ DE REFERÊNCIA – AAP 1o SEMESTRE 2014 Eixo I - Procedimentos básicos de leitura Descritores Ensino Fundamental (anos finais) Ensino Médio 6º 7º 8º 9º 1ª 2ª 3ª 1 Localizar informações explícitas em um texto. x x x x x x x 2 Inferir o sentido de uma palavra ou expressão. x x x x x x x 3 Inferir informações implícitas (conceitos/opiniões, tema/assunto principal, entre outros) em um texto. x x x x x x x 4 Identificar tema ou assunto principal de um texto. x x x x x x x 5 Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato. - - x x x x x 6 Identificar formas de apropriação textual (paráfra- ses, paródias, citações, discurso direto, indireto, in- direto livre). x x x x x x x 7 Identificar os fatos de um texto em sequência lógica. x x x x x x x Eixo II - Implicações do suporte, do gênero, do enunciado e do receptor na compreensão textual Descritores Ensino Fundamental (anos finais) Ensino Médio 6º 7º 8º 9º 1ª 2ª 3ª 8 Identificar o público alvo de um texto. x x x x x x x 9 Localizar os elementos constitutivos da organiza- ção interna de um texto. x x x x x x x 10 Interpretar texto com o auxílio de recursos gráfico- -visuais. - - x x x x x 11 Identificarafinalidadedetextosdediferentesgêneros. x x x x x x x Eixo III - Relação entre textos do mesmo gênero ou de gêneros diferentes Descritores Ensino Fundamental (anos finais) Ensino Médio 6º 7º 8º 9º 1ª 2ª 3ª 12 Identificar posições distintas entre duas ou mais opi- niões relativas ao mesmo fato ou ao mesmo tema. - - x x x x x 13 Estabelecer relações entre textos não verbais; ver- bais; verbais e não verbais. x x x x x x x 14 Reconhecer diferentes formas de tratar uma in- formação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, considerando as condições de produ- ção e de recepção. x x x x x x x 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 4 18/12/13 17:44
  • 5. 5Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio Eixo IV - Coesão e Coerência no processamento do texto Descritores Ensino Fundamental (anos finais) Ensino Médio 6º 7º 8º 9º 1ª 2ª 3ª 15 Identificar relações entre segmentos de texto, a par- tir de substituições por formas pronominais. x x x x x x x 16 Estabelecer relações de causa e consequência, en- tre partes e/ou elementos de um texto. x x x x x x x 17 Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conectivos. x x x x x x x 18 Diferenciarasideiascentraisesecundáriasdeumtexto. - x x x x x x 19 Identificar a tese de um texto. - - x x x x x 20 Estabelecer relação entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la. - - - x x x x 21 Identificar os elementos que constroem a narrativa. x x x x x x x 22 Identificar o conflito gerador do enredo. x x x x x x x Eixo V - Recursos expressivos e efeitos de sentido Descritores Ensino Fundamental (anos finais) Ensino Médio 6º 7º 8º 9º 1ª 2ª 3ª 23 Reconhecer efeitos de ironia e/ou humor em textos variados. - x x x x x x 24 Reconhecer o efeito de sentido produzido pela explo- ração de recursos ortográficos e/ou morfossintáticos. - x x x x x x 25 Reconheceroefeitodesentidoproduzidopelaexplora- ção de recursos gráficos (pontuação e outras notações). x x x x x x x 26 Identificar recursos semânticos expressivos (figu- ras de linguagem). - x x x x x x 27 Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão. x x x x x x x 28 Identificar vocábulos que, por sinonímia, substituem outrosvocábulospresentesnotextoemqueseinserem. x x x x x x x 29 Identificar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução. - - x x x x x Eixo VI - Variação Linguística Descritores Ensino Fundamental (anos finais) Ensino Médio 6º 7º 8º 9º 1ª 2ª 3ª 30 Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto. x x x x x x x 31 Identificar as marcas linguísticas em textos do pon- to de vista do léxico, da morfologia ou da sintaxe. x x x x x x x 32 Reconhecer os usos da norma padrão da língua nas diferentes situações de comunicação. x x x x x x x 33 Relacionar as variedades linguísticas a situações espe- cíficas de uso social. - - x x x x x Bases de referência:Currículo do Estado de São Paulo; Matrizes do SARESP, SAEB e ENEM. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 5 18/12/13 17:44
  • 6. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio6 MATRIZ DE REFERÊNCIA PARA AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA 3a série do Ensino Médio Item Habilidades Habilidades - Matriz de Referência para a AAP. 1 Inferir informações implícitas (concei- tos/opiniões, tema/assunto principal, entre outros) em um texto. H3 – Eixo I 2 Reconhecer efeitos de ironia e/ou hu- mor em textos variados. H23 – Eixo V 3 Interpretar texto com o auxílio de recur- sos gráfico-visuais. H10 – Eixo II 4 Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de tex- tos que tratam do mesmo tema, consi- derando as condições de produção e de recepção. H14 – Eixo III 5 Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato. H5 – Eixo I 6 Estabelecer relação entre a tese e os ar- gumentos oferecidos para sustentá-la. H20 – Eixo IV 7 Estabelecer relações de causa e conse- quência, entre partes e/ou elementos de um texto. H16 – Eixo IV 8 Identificar as marcas linguísticas em tex- tos do ponto de vista do léxico, da mor- fologia ou da sintaxe. H31 – Eixo VI 9 Reconhecer o efeito de sentido produzi- do pela exploração de recursos gráficos (pontuação e outras notações). H25 – Eixo V 10 Reconhecer o efeito de sentido produzi- do pela exploração de recursos ortográ- ficos e/ou morfossintáticos. H24 – Eixo V 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 6 18/12/13 17:44
  • 7. 7Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio GABARITO DE PROVA QUESTÕES A B C D 1 X 2 X 3 X 4 X 5 X 6 X 7 X 8 X 9 X 10 X 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 7 18/12/13 17:44
  • 8. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio8 Leia o texto e responda às questões 1 e 2: Conversa de menino Rachel de Queiroz Amanheceu aberta uma rosa, uma rosa grande e rubra, na roseira do meu jardim. Modesto jardim à moda antiga, um pedaço de grama, um pé de ma- nacá, um coqueiro-anão, um jasmim-do-cabo, algumas roseiras. Nem jardim propriamente é. Mas para o meninozinho que nasceu num décimo-primeiro andar, que tem pai comerciário e mãe oficial administrativo – para aquele ga- roto o meu jardim é um parque, um reino. Ele mal foi saltando do carro, juntou as mãozinhas, riu e disse que lá estava um balãozinho de papel encarnado em cima daquela planta. A mãe que tem hábitos pedagógicos, logo explicou que aquilo era uma rosa numa roseira. O menino entretanto não concordou, disse que só era então um“balão de roseira”. E quando insistiram em que se tratava de uma flor, o rapaz perdeu a paciência:“Flor é pequenininho, e só dá na feira”. Nativo da Zona Sul, natural que pense que as flores e os legumes nascem nas barracas. Depois entrou em casa: entrou e parece que não gostou ou não entendeu. Foi perguntando onde é que ficava o elevador. E sabendo que não havia elevador, indagou como é que se ia para cima. Nós explicamos que não havia lá em cima. Ele ficou completamente perplexo e quis saber onde é que o povo morava. [...] QUEIROZ, Rachel de. Conversa de menino. In: Ver de novo: histórias sobre o meio ambiente. Coleção para gostar de ler. São Paulo: Ática, 2013, p. 54-55. Habilidade Inferir informações implícitas (conceitos/opiniões, tema/assunto principal, entre outros) em um texto. (H3 – Eixo I) Questão 01 A perplexidade do menino deve-se ao fato de que (A) ele apenas conhece aspectos da vida na cidade. (B) a mãe conseguiu explicar bem o que é uma flor. (C) ele havia estado em um jardim antes. (D) a mãe também explicou que não havia elevador. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 8 18/12/13 17:44
  • 9. 9Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio Comentários e Recomendações Pedagógicas Entre os procedimentos básicos de leitura que vêm sendo trabalhados, insis- tentemente, desde os primeiros anos da Educação Básica, está a identificação de pistas ou elementos não explícitos no texto que favoreçam a construção de sentido. No entanto, há alunos que ainda têm dificuldades em realizar in- ferências, ou seja, construir sentido por meio de pressupostos ou deduções a partir da leitura e da compreensão global do texto. As informações implícitas podem ser deduzidas ao serem reconhecidas certas reações da personagem, ou manifestações do narrador, por exemplo. O leitor realiza inferências ao estabelecer relações entre as informações ba- seadas no texto e suas experiências de mundo. Por exemplo, quando expli- cam ao menino que “não havia lá em cima” e ele pergunta: “onde é que o povo morava”, nosso conhecimento de mundo nos permite deduzir que ele apenas sabe que as pessoas moram em altos prédios de apartamentos, com elevadores, como na Zona Sul da cidade em que ele reside. Por essa razão, é possível pressupor, também, o que leva a personagem a ter certas atitudes diante de determinadas situações, como perguntar pelo elevador ou dizer que “flor é pequeninho, e só dá na feira”. Esses caminhos foram percorridos por aqueles que assinalaram corretamente a alternativa A. A compreensão global do texto em situação de prova passa necessariamente pela capacidade de leitura autônoma. É importante que, no decorrer do ano letivo, sejam propostas atividades para que, a cada leitura, o aluno vá criando o hábito de construir uma espécie de memória, ou sequência de ideias reti- radas do texto. Essa construção acontece na interação entre as informações que o texto traz e os conhecimentos do leitor, e depende, sobretudo, de es- tabelecer conexões por meio de inferências. A fim de que os alunos desenvolvam a leitura com compreensão, o professor pode propor, além da leitura silenciosa, uma segunda leitura compartilhada, em voz alta, para reflexão e discussão sobre alguns trechos. Deve, portanto, preparar a problematização, de forma a conduzir o processo. Importante é conseguir transformar em hábito, a conversa sobre a leitura realizada, pro- pondo que os questionamentos venham dos alunos, também. Esse exercício, transformado em rotina na aula de Língua Portuguesa, pode levar à autono- mia na construção de sentidos. O texto em questão traz vários indícios, muitos deles podem ser verificados por meio de manifestações do narrador, os quais nos levam a deduzir as prin- cipais características da personagem a quem o enunciado se refere. Quem é o menino? Onde ele chega? Quem vem com ele? O que ele vê ao chegar? Qual é a reação dele? Qual seria a sua reação? Ele tem contato com a natu- reza em seu dia a dia? E você? Por que o menino pergunta sobre o elevador? são questionamentos que podem orientar uma conversa sobre o texto com os alunos e auxiliá-los à compreensão das inferências nele contidas. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 9 18/12/13 17:44
  • 10. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio10 Habilidade Reconhecer efeitos de ironia e/ou humor em textos variados. (H23 – Eixo 5) Questão 02 Há traços de ironia em: (A) Amanheceu aberta uma rosa, uma rosa grande e rubra, na roseira do meu jardim. (B) Modesto jardim à moda antiga, um pedaço de grama, um pé de manacá, um coqueiro-anão, um jasmim-do-cabo, algumas roseiras. (C) Nativo da Zona Sul, natural que pense que as flores e os legumes nas- cem nas barracas. (D) O menino entretanto não concordou, disse que só era então um“balão de roseira”. Comentários e Recomendações Pedagógicas Embora traços de ironia estejam presentes, com frequência, nas conversas do dia a dia, podem surgir dificuldades quando se trata de perceber a ironia em textos escritos. O jeito de olhar, o gestual, a postura corporal ajudam a compreender a fala do interlocutor. Já, a leitura silenciosa, como na situação de prova, por exemplo, pode representar uma dificuldade a mais, ao leitor que ainda tem problemas para compreender o texto autonomamente. Ao assinalar corretamente a alternativa C, o aluno demonstra reconhecer o caráter irônico de certas formas de dizer usadas no texto. Trata-se do rompi- mento da regularidade de uso de determinada expressão, intencionalmente provocado pelo autor, para causar alguma espécie de impacto no leitor. No texto, o narrador se refere ao nativo da cidade grande como alguém que desconhece eventos da natureza, que são corriqueiros na vida do campo. Ironicamente faz menção ao nascimento de flores e legumes em barracas (na feira), ao invés de referir-se ao nascimento de flores e legumes em plan- tações, algo óbvio para quem vive no campo ou já viu esse ambiente antes. Nas práticas de leitura em sala de aula, reforçamos a ideia de que é preciso incentivar a leitura crítica, estimulando os alunos a se manterem atentos às escolhas de palavras e expressões feitas pelo autor, pois essas escolhas são reveladoras daquilo que fica“por trás das linhas”2 e que pode passar desper- cebido numa leitura rápida. De acordo com Colomer e Camps3 , quando le- mos, ativamos conhecimentos que nos levam a fazer inferências, estabelecer 2 SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Porto Alegre: Artmed, 1998. 3 COLOMER,Teresa; CAMPS, Anna. Ensinar a ler, ensinar a compreender. Porto Alegre: Artmed, 2002. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 10 18/12/13 17:44
  • 11. 11Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio relações entre explícitos e implícitos no texto, formular hipóteses e verificar se elas se confirmam no decorrer da leitura. O professor, enquanto mediador de leitura, pode orientar os alunos em dire- ção à construção de sentido do texto como um todo ou de trechos, partindo de questões provocadoras de reflexão, por exemplo: no texto, a que menino se refere o narrador? É morador do campo ou da cidade? É comum a quem nasceu e vive na cidade não ter contato com a vida do campo? O que o narra- dor deixa transparecer? As respostas a essas perguntas são hipóteses? O que pensam sobre isso? Como confirmar ou rechaçar as hipóteses, lendo o texto? Os questionamentos ao texto, quando transformados em rotina na sala de aula, durante a atividade de leitura compartilhada, podem estimular refle- xões, que deverão acontecer de forma autônoma, em situação de prova, por exemplo. Muitas vezes, a releitura feita de forma mais lenta, desfrutando as- pectos marcantes de diferentes passagens do texto, auxilia o reconhecimen- to dos efeitos de sentido propostos pelo autor. Habilidade Interpretar texto com auxílio de recursos gráfico-visuais. (H10 – Eixo II) Questão 03 O QUE TEM NESSE RECORTE DE JORNAL, MANOLITO? AS COTAÇÕES DO MERCADO DE VALORES DE VALORES MORAIS? ESPIRITUAIS? ARTÍSTICOS? HUMANOS? NÃO, DOS QUE SERVEM PARA ALGUMA COISA Disponível em http://clubedamafalda.blogspot.com.br/2012/10/tirinha-562.html#.UfFpeI3FVp4. Acesso em: 25 de julho de 2013. A postura e a fala das personagens na tira nos revelam que: (A) Mafalda interessa-se pelos valores envolvidos nas relações comerciais. (B) Manolito interessa-se pelos valores envolvidos no comércio de ações. (C) Os jornais tratam dos valores de mercado que não servem para nada. (D) As personagens estão preocupadas com os valores nas relações humanas. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 11 18/12/13 17:44
  • 12. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio12 Comentários e Recomendações Pedagógicas Quando nos deparamos com um texto em que há elementos verbais e não verbais, temos uma demanda de leitura que requer a compreensão da arti- culação entre esses códigos diferenciados e os conhecimentos do leitor para a construção de sentido. Nesse caso, não se trata apenas de decodificar as di- ferentes linguagens, mas de perceber a integração entre imagens e palavras e sua importância para o entendimento do texto como um todo. Circula em nosso cotidiano um grande número de textos cuja organização composicional conta com a mistura bem temperada de material gráfico di- verso e palavras escritas. Daí a necessidade de levar para a sala de aula, ativi- dades para que os alunos possam desenvolver a habilidade de interpretação desses gêneros textuais ao explorarem formas de expressão que utilizem as linguagens verbal e não verbal. Ao assinalarem corretamente a alternativa B, os alunos notaram, além das palavras, as expressões faciais dos personagens e a sequência apresentada na tirinha. Compreender o significado da expressão“mercado de valores”uti- lizada no segundo quadrinho, também é fundamental para acertar a ques- tão. É preciso saber que é sinônimo de“bolsa de valores”, onde são negocia- das as ações das empresas as quais, segundo Manolito, são as que “servem para alguma coisa”. As outras alternativas propostas podem seduzir um leitor menos atento, al- guém que se atenha apenas a um ou outro elemento, ou indício do texto, sem considerar seu plano global. Como existe uma variedade muito grande de gêneros textuais com essas características, vale levar para a classe, histórias em quadrinhos, tirinhas, charges, anúncios publicitários e propor questões, mesmo oralmente, para que os alunos compreendam, interpretem e troquem impressões sobre as leituras de gêneros multimodais. Há outros gêneros textuais em que se mesclam as linguagens verbal e não verbal, com os quais o professor pode elaborar atividades de interpretação do significado e construção de sentido como mapas, gráficos, tabelas, rotei- ros. Todos presentes em nosso dia a dia. Para saber mais, sugerimos a leitura do artigo“Capacidades de leitura de tex- tos multimodais”, de Cláudia Graziano Paes de Barros4 . 4 Disponível em: http://cpd1.ufmt.br/meel/arquivos/artigos/341.pdf. Acesso em: 26 de agosto de 2013. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 12 18/12/13 17:44
  • 13. 13Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio Habilidade Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tra- tam do mesmo tema, considerando as condições de produção e de recepção. (H14 – Eixo III) Leia os textos e responda à questão 4: Texto 1 IDH municipal do Brasil cresce 47,5% em 20 anos, aponta Pnud País estava no nível‘muito baixo’de desenvolvimento humano em 1991. Com resultado de 2010, divulgado nesta segunda (29), saltou para‘alto’.  O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil cresceu 47,5% entre 1991 e 2010, segundo o “Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013”, divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). De acordo com a publicação, a cidade com o IDHM mais elevado é  São Caetano (SP), e os municípios que tiveram maior evolução no quesito“renda”são das regiões Norte e Nordeste. A classificação do IDHM geral do Brasil mudou de “muito baixo” (0,493), em 1991 para“alto desenvolvimento humano”(0,727), em 2010. Em 2000, o IDHM geral do Brasil era 0,612, considerado“médio”. O IDHM é um índice composto por três indicadores de desenvolvimento hu- mano: vida longa e saudável (longevidade), acesso ao conhecimento (educa- ção) e padrão de vida (renda). [...] Em 20 anos, 85% dos municípios do Brasil saíram da faixa de“muito baixo de- senvolvimento humano”, segundo classificação criada pelo Pnud. Atualmente, 0,57% dos municípios, ou 32 cidades das 5.565 do país, são consideradas de “muito baixo desenvolvimento humano”. De acordo com os dados do “Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013”, 85,8% dos municípios brasileiros faziam parte do grupo de“muito baixo desenvolvimento humano” em 1991. Em 2000, esse número caiu para 70% e, em 2010, despencou para 0,57%. As faixas classificatórias do Índice de Desenvolvimento Municipal (IDHM) são “muito baixo” (0 a 0,499); “baixo” (0,500 a 0,599); “médio” (0,600 a 0,699); “alto” (0,700 a 0,799) e“muito alto”(0,800 a 1). Atualmente, 74% das cidades se encontram nas faixas de“médio”e“alto desen- volvimento”, e cerca de 25% deles estão na faixa de “baixo desenvolvimento”. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 13 18/12/13 17:44
  • 14. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio14 Apesar da evolução, o Nordeste ainda tem 61,3% dos municípios na faixa de “baixo desenvolvimento humano” e no Norte, 40,1% das cidades estão nessa classificação. [...] As regiões Sul e Sudeste têm a maioria dos municípios concentrada na faixa de “alto desenvolvimento humano”, 64,7% e 52,2%, respectivamente. No Centro- -Oeste e no Norte, a maioria dos municípios é considerada como “médio de- senvolvimento”: 56,9% e 50,3%, respectivamente. Disponível em: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/07/idh-municipal-do-brasil-cresce-475- -em-20-anos-aponta-pnud.html. Acesso em: 30 de julho de 2013. Texto 2 Disponível em: http://noticias.uol.com.br/infograficos/2013/07/29/idh-dos-municipios.htm. Acesso em: 30 de julho de 2013. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 14 18/12/13 17:44
  • 15. 15Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio Questão 04 A informação sobre a diminuição da desigualdade do IDHM nos municípios brasileiros verificada no gráfico, na comparação entre 1991 e 2010 está consta- tada no texto da notícia, no trecho: (A) Em 20 anos, 85% dos municípios do Brasil saíram da faixa de “muito baixodesenvolvimentohumano”,segundoclassificaçãocriadapeloPnud. (B) O IDHM é um índice composto por três indicadores de desenvolvimento humano: vida longa e saudável (longevidade), acesso ao conhecimento (edu- cação) e padrão de vida (renda). (C) As regiões Sul e Sudeste têm a maioria dos municípios concentrada na faixa de“alto desenvolvimento humano”, 64,7% e 52,2%, respectivamente. (D) Atualmente, 74% das cidades se encontram nas faixas de “médio” e “alto desenvolvimento”, e cerca de 25% deles estão na faixa de “baixo desenvolvi- mento”. Comentários e Recomendações Pedagógicas Textos de gêneros diferentes (notícia e gráfico) tratam a mesma informação em composições organizacionais com características diferentes. Repetidos contatos dos alunos com essa diversidade textual é fundamental para desen- volverem a habilidade em questão e, também, para assumirem uma atitude crítica e reflexiva em relação às ideias que perpassam os textos. Embora tratem do mesmo assunto, os textos divergem em sua forma de abordagem. A disposição e a visibilidade das informações apresentadas no gráfico são fatores facilitadores para aqueles já habituados a essa leitura. Há nesse texto multimodal, a combinação das linguagens verbal e não verbal, com a função de exemplificar e reiterar as informações que também estão na notícia. Por seu caráter ilustrativo, o infográfico favorece o dinamismo da leitura, principalmente ao ser veiculado junto a textos verbais informativos envolvendo conteúdos quantitativos. Apesar do grande número de informações contidas nos dois textos, para res- ponder corretamente a questão, o aluno precisa localizar no texto 1 (notícia) a informação destacada no enunciado. Essa informação está explícita e o ga- barito é A. Os distratores trazem informações, também facilmente apontadas no texto da notícia, no entanto não são as informações a que se refere o destaque no enunciado. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 15 18/12/13 17:44
  • 16. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio16 Levar esse tipo de leitura para a sala de aula é uma prática recomendável, desde que mediada pelo professor. Há muitas atividades a serem realizadas tendo o jornal5 como suporte textual, entre estas convém privilegiar a inte- gração notícia e infográfico, bastante comum na esfera jornalística. Habilidade Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato. (H5 – Eixo I) Leia o texto e responda à questão 5. O movimento dos metaleiros A análise de uma espécie de dança praticada pela plateia em con- certos de heavy metal pode ajudar a entender o comportamento de uma multidão em fúria ou pânico e orientar o planejamento de ambientes mais adequados a essas situações. Por: Cássio Leite Vieira Publicado em 18/07/2013 | Atualizado em 18/07/2013 Sem saber, metaleiros estão dando uma contribuição importante à cultura ao praticarem uma dança caótica e violenta em concertos de heavy metal, um tipo de rock rápido, distorcido e barulhento. A análise desse comportamento pode ajudar cientistas, engenheiros e arquitetos a salvar vidas. A ciência tem estudado o movimento coletivo de pássaros e peixes. E isso tem ajudado a entender movimentos organizados de humanos, como pessoas atravessando faixas de pedestres, entrando e saindo de estações de metrô, ca- minhando em largas avenidas e mesmo a famosa‘ola’nos estádios. Mas como entender a multidão em fúria ou pânico? A não ser em computa- dores, essas situações são difíceis de simular. E, mesmo nas simulações com humanos, os voluntários não se comportam como em uma situação real – e, por motivos claramente éticos, não se pode causar pânico ou medo em lugar cheio de gente para analisar o que acontece. 5 Sugestão de leitura para o professor: http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica- pedagogica/jornal-sala-aula-423555.shtml. Acesso em: 30 de julho de 2013. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 16 18/12/13 17:44
  • 17. 17Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio O grupo de Jesse Silverberg, da Universidade Cornell (EUA), encontrou algo bem parecido com isso no som e na fúria dos concertos de heavy metal. Nessas apresentações, é comum que parte da plateia pratique o chamado mosh, um movimento coletivo que se assemelha a choques corporais aleatórios (e, por vezes, violentos) contra a pessoa na vizinhança mais próxima. [...] Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2013/305/o-movimento-dos-metaleiros/ view. Acesso em: 26 de julho de 2013. Questão 05 Uma opinião do autor sobre o fato relatado está presente em: (A) A ciência tem estudado o movimento coletivo de pássaros e peixes. (B) Nessas apresentações, é comum que parte da plateia pratique o chamado mosh. (C) E isso tem ajudado a entender movimentos organizados de humanos . (D) Sem saber, metaleiros estão dando uma contribuição importante à cultura. Comentários e Recomendações Pedagógicas Ter uma visão global do texto é muito importante para localizar as referên- cias àquilo que é fato, distinguindo-as do que é opinião. Uma leitura atenta e a busca no texto pela expressão citada no enunciado podem facilitar a esco- lha da resposta correta D, já que a opinião sobre o fato citado no enunciado está logo no início do texto. Recorrer à pesquisa no dicionário, para conhecer o significado dos verbetes fato e opinião pode ser um bom auxílio no desenvolvimento da habilidade testada nesse item. Conforme o Novo dicionário Aurélio da língua portu- guesa6 : Fato. S. m. 1. Coisa ou ação feita; sucesso, caso, acontecimento 2. Aqui- lo que realmente existe, que é real. Opinião. S. f. Modo de ver, de pensar, de deliberar: “liberdade de opi- nião”; 2. Parecer, conceito: “Na minha opinião, venceremos”. 5. Ideia sem fundamento, presunção “Sua opinião de que vai ser ministro é bem ridícula”. 6 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. 4. ed. Curitiba: Positivo, 2009. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 17 18/12/13 17:44
  • 18. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio18 O aluno deve ser capaz de fazer distinção entre o que é fato (o acontecido) e aquilo que representa uma opinião sobre o que aconteceu ou acontecia. As opiniões contêm, na maioria das vezes, avaliações sobre o fato. É o momento em que o narrador, ou uma personagem, ou o autor (dependendo do gênero textual) expõe aquilo que pensa em relação a um fato ou a alguma coisa. No caso do texto utilizado para a questão, o autor deixa clara sua opinião sobre os fatos que relata. Uma maneira apropriada de criar condições para que os alunos desenvolvam a habilidade é recorrer a textos de gêneros variados, que tragam os fatos e as opiniões sobre os mesmos, para que exercitem a possibilidade de estabe- lecer relações entre elementos do texto, de forma a perceberem a diferença entre uma coisa e outra. A escolha de um conto curto, uma crônica, um artigo de opinião ou um arti- go de divulgação científica para leitura, é ponto de partida para a atividade de identificação da relação fato x opinião. O texto-base acima pode ser ex- plorado em um exercício interessante e que pode ser feito oralmente, com a participação de toda a classe. O professor prepara na lousa, duas colunas: uma para os fatos encontrados no texto e outra para as opiniões. A sala é di- vidida em dois grupos que se alternam: quando um cita o fato, o outro deve dizer uma opinião ou vice-versa. Se o aluno não souber, o outro, do grupo adversário, pode responder e marcar ponto. É um jogo que motiva e ajuda, também, a construção de sentidos para o texto. Leia o texto e responda às questões 6 e 7. Francisco se foi, vamos falar de juventude? Para a mídia, em geral as crianças e jovens são vistos sob duas óticas: como consumidores ou como infratores Por: Dal Marcondes Publicado em 30/07/2013 Até poucos dias antes da chegada do papa Francisco ao Brasil a pauta de ju- ventude não era bucólica e carregada de mensagens de paz e esperança. Pelo contrário, era alto o brado pela redução da maioridade penal e fortes os ata- ques ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que garante direitos a uma das pontas frágeis da sociedade. Para a mídia, em geral as crianças e jo- vens são vistos sob duas óticas: como consumidores ou como infratores. Não há uma reflexão nos meios de imprensa sobre o papel dos jovens na socieda- de enquanto atores capazes de oferecer a energia que alimenta as utopias ou pessoas com grande capacidade para inovar e propor caminhos, alternativas e novas tecnologias. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 18 18/12/13 17:44
  • 19. 19Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio A abordagem da imprensa dos fatos de uma sociedade não é feita pela óti- ca da normalidade, daquilo que é a rotina do cotidiano, mas da exceção. Ou seja, quando um adolescente comete um crime bárbaro aquilo é martelado à exaustão nos canais de TV e jornais, principalmente porque a anomalia é no- tícia e, portanto, vende mais, atrai mais público. A repetição da anomalia cria na sociedade uma falsa sensação de que aquilo é corriqueiro, que os crimes cometidos por jovens são a maioria e que eles precisam ser punidos. [...] O debate sobre a maioridade penal deveria ser mais abrangente, envolvendo uma discussão ampla sobre as políticas voltadas para a juventude em todo o Brasil, nas questões de educação, saúde e moradia, mas principalmente em relação ao acesso dos jovens a oportunidades, principalmente de trabalho. [...] Debater a maioridade penal é importante, porque a sociedade precisa enten- der o porquê das garantias que o ECA dá aos jovens. Os jovens de 18 a 24 anos são o maior grupo por faixa etária da população carcerária de pouco mais de meio milhão de presos no Brasil. Eles representam 30% do total de detentos, enquanto os jovens de 25 a 29 anos somam 26% dos presos no Brasil. Ou seja, mais da metade da população carcerária do país já é composta por jovens. Agora que o papa Francisco se foi e que a Jornada da Juventude chegou ao fim, é uma boa hora para retomar o debate sobre como a sociedade brasileira trata seus jovens. Educação, saúde, habitação, oportunidades... Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/francisco-se-foi-vamos-falar-de-juventu- de-6486.html. Acesso em: 30 de julho de 2013. Habilidade Estabelecer relações entre a tese os argumentos para sustentá-la. (H20 – Eixo IV) Questão 06 Em: “Para a mídia, em geral as crianças e jovens são vistos sob duas óticas: como consumidores ou como infratores” há uma ideia sustentada pelo argu- mento de que (A) a imprensa aborda os fatos do cotidiano destacando o que é exceção e não normalidade sobre os jovens. (B) a população carcerária no Brasil é constituída por jovens de 18 a 24 anos, em sua maioria. (C) a sociedade brasileira aceita a importância do ECA para garantir os direitos da juventude. (D) a imprensa reconhece o papel dos jovens e sua capacidade de inovar e traçar novos rumos para a sociedade. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 19 18/12/13 17:44
  • 20. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio20 Comentários e Recomendações Pedagógicas Os artigos de opinião circulam cotidianamente na esfera jornalística e estão sempre presentes em nosso dia a dia, graças à influência dos formadores de opinião. A partir da exposição de uma tese, o autor elabora argumentos para dar sustentação a seu ponto de vista. A lógica existente entre os elementos que constituem as sequências predo- minantemente argumentativas do texto, na questão, deixa transparecer a coerência entre as ideias expostas. Além da coerência, a forma coesa e orga- nizada como as ideias se desenvolvem, favorece a produção de sentido. É importante levar para a rotina da sala de aula, esse gênero textual e tra- balhar a leitura compartilhada de maneira que o aluno compreenda o texto não como um agrupamento de frases justapostas, mas como um conjunto, unidade de sentido, em que todas as partes estão relacionadas. Quanto mais contemporânea for a temática e envolvente a questão polê- mica, mais atrativas podem ser as atividades propostas aos alunos. Alguns questionamentos podem ajudar a distinguir o tema, a ideia principal e as secundárias, assim como os argumentos que confirmam ou contrapõem as ideias expostas, as conclusões ou propostas de intervenção feitas pelo au- tor. Esses exercícios realizados com frequência podem levar à autonomia de compreensão de leitura, imprescindível em inúmeras situações. O gabarito A traz um argumento que corrobora a ideia apresentada no tre- cho do texto que constitui o enunciado da questão. Os distratores apresen- tam argumentos que não se relacionam com a ideia em destaque e os alunos têm condições de distinguir o gabarito, ao estabelecerem relações entre a tese e os argumentos, a partir da construção de sentido para o texto. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 20 18/12/13 17:44
  • 21. 21Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio Habilidade Estabelecer relações de causa e consequência, entre partes e/ou elementos de um texto. (H16 – Eixo IV) Questão 07 “[...] quando um adolescente comete um crime bárbaro aquilo é martelado à exaustão nos canais de TV e jornais, principalmente porque” (A) uma boa parte da população carcerária no Brasil é constituída por jovens. (B) uma notícia sobre aberrações atrai mais público, dá bons resultados financeiros. (C) o debate sobre a maioridade penal envolve ampla discussão sobre políticas públicas. (D) o acesso do jovem, principalmente, à oportunidade de trabalho está muito difícil. Comentários e Recomendações Pedagógicas É importante reconhecer as relações de causa e consequência ou de motivo e efeito estabelecidas em um texto, pois estas fazem parte de uma articu- lação lógica que leva à constituição de sentido do texto. Para responder de forma adequada a essa questão, é preciso identificar os elementos do texto que fazem esse jogo, onde um fato é resultado de outro.Trata-se de compre- ender as ligações entre segmentos em determinado período ou, por vezes, no texto como um todo. B é a alternativa correta. É recomendável que o professor trabalhe com textos de gêneros variados em que essa relação esteja presente e chame a atenção dos alunos para os inúmeros exemplos possíveis, sempre considerando a leitura do período completo ou do parágrafo como um todo. As ideias de causa e consequência são apreendidas a partir da compreensão de, pelo menos, uma unidade de sentido. Há elementos coesivos que estabelecem a relação de causa entre orações. É o caso da questão em análise. A conjunção subordinativa adver- bial causal porque, presente no enunciado, já nos adverte que o segmento a ser selecionado por completar o sentido da oração “aquilo é martelado à exaustão nos canais deTV e jornais”, responde à pergunta por quê?, estabele- cendo, portanto, uma relação lógica de causa. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 21 18/12/13 17:44
  • 22. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio22 Propor atividades em que os alunos completem os períodos, por exemplo, de forma que mantenham na articulação de seus elementos a ideia de causa e consequência pode ser eficiente para que desenvolvam a habilidade tes- tada neste item. Há sugestões para o trabalho com as orações subordinadas adverbiais, no Portal do Professor7 . Habilidade Identificar marcas linguísticas em textos do ponto de vista do léxico, da morfologia ou da sintaxe. (H31 – Eixo VI) Leia o texto e responda à questão 8: [...] Entretanto digamos sempre o que eram as Folias desse tempo, apesar de que os leitores o saberão pouco mais ou menos. Durante os 9 dias que precediam ao Espírito Santo, ou mesmo não sabemos se antes disso, saía pelas ruas da cidade um rancho de meninos, todos de 9 a 11 anos, caprichosamente vesti- dos à pastora: sapatos de cor-de-rosa, meias brancas, calção da cor do sapa- to, faixas à cintura, camisa branca de longos e caídos colarinhos, chapéus de palha de abas largas, ou forrados de seda, tudo isto enfeitado com grinaldas de flores, e com uma quantidade prodigiosa de laços de fita encarnada. Cada um destes meninos levava um instrumento pastoril em que tocavam pandeiro, machete8 e tamboril. Caminhavam formando um quadrado, no meio do qual ia o chamado imperador do Divino, acompanhados por uma música de bar- beiros, e precedidos e cercados por uma chusma de irmãos de opa9 levando bandeiras encarnadas e outros emblemas, os quais tiravam esmolas enquanto eles cantavam e tocavam. O imperador, como dissemos, ia no meio: ordinariamente era um menino mais pequeno que os outros, vestido de casaca de veludo verde, calção de igual fa- zenda e cor, meias de seda, sapatos afivelados, chapéu de pasta, e um enorme e rutilante emblema do Espírito Santo ao peito: caminhava pausadamente e com ar grave. 7 Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=13608. Acesso em: 01 de agosto de 2013. 8 Machete - |ê| s. m. 1. Sabre de artilheiro, com dois gumes.2. Faca de mato. 3.[Música] Viola pequena.4. [Música] Espécie de viola pequena de quatro cordas. = BRAGA, CAVAQUINHO. Conf. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Disponível em: http://www.priberam.pt/dlpo/Default. aspx?pal=machete. Acesso em: 19 de setembro de 2013. 9 Opa–s.f.–tipodevesteoucapacomaberturasemlugardasmangas,geralmenteusadopormembros de irmandades em cerimônias religiosas. Conf. Grande Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa. Disponível em: http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=opa. Acesso em: 13 de agosto de 2013. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 22 18/12/13 17:44
  • 23. 23Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio Confessem os leitores se não era coisa deveras extravagante ver-se um imperador vestidodeveludoeseda,percorrendoasruascercadopor umranchodepastores, ao toque de pandeiro e machete. Entretanto, apenas se ouvia ao longe a fanhosa música dos barbeiros, tudo corria à janela para ver passar a Folia: os irmãos apro- veitavam-se do ensejo, e iam colhendo esmolas de porta em porta. [...] ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. Ministério da Cultura. Fundação Biblioteca Nacional. Departamento Nacional do Livro. Disponível em: http://www.dominiopublico. gov.br/download/texto/bn000022.pdf. Acesso em: 31 de julho de 2013. Questão 08 Nos trechos destacados do texto, há aposto em: (A) “Durante os 9 dias que precediam ao Espírito Santo, ou mesmo não sabe- mos se antes disso,” (B)“Confessem os leitores se não era coisa deveras extravagante ver-se um im- perador vestido de veludo e seda.” (C) “[...] um rancho de meninos, todos de 9 a 11 anos, caprichosamente vestidos à pastora: sapatos de cor-de-rosa, meias brancas, calção da cor do sapato, faixas à cintura,” (D)“[...] uma chusma de irmãos de opa levando bandeiras encarnadas e outros emblemas, os quais tiravam esmolas enquanto eles cantavam e tocavam.” Comentários e Recomendações Pedagógicas Para que os alunos sejam capazes de identificar em um texto, marcas linguís- ticas do ponto de vista do léxico, da morfologia ou da sintaxe, é preciso man- ter uma rotina constante de trabalho com análise linguística. Ao longo do período de escolaridade, desde os anos iniciais, os recursos linguísticos pró- prios da língua escrita e característicos do estilo de cada autor devem fazer parte das situações de aprendizagem planejadas e realizadas com os alunos. É importante que os aspectos linguísticos e discursivos dos textos, de gêne- ros diversos, sejam trabalhados de forma contextualizada. Cada item grama- tical representa, sem dúvida, uma escolha linguística e discursiva feita por aquele que produz o texto e, certamente, terá efeito para a construção de sentido pelo leitor. No item em análise, o enunciado pede a identificação de uma marca linguís- tica em seu aspecto sintático. O termo “aposto” refere-se ao sintagma nomi- nal, em posição catafórica, utilizado pelo autor para revelar determinadas informações ao leitor. É uma espécie de estratégia do autor, ao fazer uso de 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 23 18/12/13 17:44
  • 24. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio24 uma expressão explicativa, enumerativa ou resumitiva10 , no intuito de fami- liarizar o leitor com dados supostamente desconhecidos por ele. Conforme Aulete, aposto é a palavra ou expressão, geralmente isolada por vírgulas, parênteses, dois pontos ou travessão, que se acrescenta a um termo ou frase para explicá-lo, restringi-lo ou classificá-lo.11 O gabarito C traz dois exemplos de aposto: um explicativo usado para expli- car a expressão anterior (um rancho de meninos)“todos de 9 a 11 anos”e, um enumerador: “sapatos de cor-de-rosa, meias brancas, calção da cor do sapato, faixas à cintura”– expressão catafórica que enumera os elementos que com- põem o que o autor chama de “vestimentas à pastora”. Vale observar que, nesse caso, vem isolado por dois pontos e vírgula. Chamamos a atenção para a continuidade do período em que há também o emprego de um aposto resumitivo, normalmente utilizado após uma enume- ração. Observe o que está destacado:“sapatos de cor-de-rosa, meias brancas, calção da cor do sapato, faixas à cintura, camisa branca de longos e caídos colarinhos, chapéus de palha de abas largas, ou forrados de seda, tudo isto enfeitado com grinaldas de flores,”. Não há aposto nos trechos do texto destacados nas outras alternativas. Há atividades que podem auxiliar o professor em relação ao ensino desse item gramatical, no Portal do Professor.12 Habilidade Reconhecer o efeito de sentido produzido pela exploração de recursos gráficos (pontua- ção e outras notações). (H25 – Eixo V) Leia o poema e responda à questão 9. Arte que te abriga arte que te habita Arte que te falta arte que te imita Arte que te modela arte que te medita Arte que te mora arte que te mura Arte que te todo arte que te parte Arte que te torto ARTE QUE TE TURA LEMINSKI, Paulo. Ex-estranho. Org. Alice Ruiz e Áurea Leminski. 3. ed. 3. reimp. São Paulo: Iluminuras, 2009. 10 NEVES, Maria Helena de Moura. Gramática de usos do português. 2. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2011. 11 Disponível em: http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digitalop=loadVerbetepesquisa= 1palavra=aposto#ixzz2aiT6XSRy Acesso em: 1 de agosto de 2013. 12 Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=18987 Acesso em 1 de agosto de 2013. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 24 18/12/13 17:44
  • 25. 25Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio Questão 09 No último verso do poema, a expressão“ARTE QUE TE TURA”foi utilizada para (A) atribuir à palavra“arte”maior importância diante das outras. (B) chamar a atenção do leitor para o significado do verbo “turar”, o mesmo que“aturar”. (C) convencer o leitor sobre o valor da expressão artística no mundo contem- porâneo. (D) encerrar o poema em ritmo brusco e de forma gritante. Comentários e Recomendações Pedagógicas O gabarito D (“encerrar o poema em ritmo brusco e de forma gritante”) res- ponde à questão que explora o reconhecimento do efeito de sentido produ- zido pelo uso de recursos gráficos. É sempre interessante levar literatura à sala de aula. Especialmente, porque antes de qualquer análise, a leitura nos favorece a fruição e é importante promover esse contato mais afetivo com o texto literário, para que os alunos fiquem cada vez mais familiarizados com as emoções que podem ser desper- tadas a partir do mergulho nos sentimentos que afloram com a leitura de um poema, por exemplo. Após uma primeira leitura silenciosa, é recomendável, outra em voz alta, feita pelo professor de maneira expressiva, respeitando o ritmo e a cadência po- ética. Em seguida, o professor tem condições de conduzir os estudos, para que de forma compartilhada, os alunos possam demonstrar e socializar suas impressões sobre o significado apreendido do texto lido. A análise vem na sequência, com o olhar apurado e preparado do professor para chamar a atenção dos alunos sobre o que é relevante em cada texto literário estudado, como o contexto de produção, por exemplo, com um bre- ve histórico do autor e de sua produção literária. Ao tratar-se de um poema, alguns aspectos precisam fazer parte do plano de aula: versos, estrofes, mé- trica, rima, ritmo, repetição. Há no recurso gráfico utilizado por Leminski, no último verso (as letras todas maiúsculas (caixa alta) em ARTE QUE TE TURA) semelhança com o que utili- zamos em comunicação virtual escrita, quando queremos demonstrar que estamos gritando. Os manuais de “netiqueta”13 , em voga nos tempos de co- 13 Netiqueta -“etiqueta que se recomenda observar na internet”. Para saber mais, acesse: http://www. educacaoadistancia.camara.leg.br/ead_cfd/file.php/1/Documentos_geral_/Netiqueta.pdf. Acesso em: 13 de setembro de 2013. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 25 18/12/13 17:44
  • 26. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio26 municação via internet por ICQ, MSN, por exemplo, nos alertavam a esse res- peito, para que soubéssemos quando deveríamos ou não utilizar tal recurso. Essa notação gráfica chama a atenção do leitor, também, para o jogo poético sugerido com a palavra ARQUITETURA e seu significado, ao brincar com as palavras e seus significados em: “Arte que te abriga”; “arte que te habita”; “arte que te modela”;“Arte que te mora arte que te mura”. Para saber mais sobre o trabalho com poemas, sugerimos consultar o Ca- derno do Professor “Poetas na Escola” da Olimpíada de Língua Portuguesa “Escrevendo o Futuro”.14 Habilidade Reconhecer o efeito de sentido decorrente da exploração de recursos ortográficos e /ou morfossintáticos. (H24 – Eixo 5) Leia o texto e responda à questão 10. Se achante Manoel de Barros Era um caranguejo muito se achante. Ele se achava idôneo para flor. Passava por nossa casa Sem nem olhar de lado. Parece que estava montado num coche15 De princesa. Ia bem devagar Conforme o protocolo A fim de receber aplausos. Muito achante demais. Nem parou para comer goiaba. (Acho que quem anda de coche não come goiaba.) Ia como se fosse tomar posse de deputado. Mas o coche quebrou E o caranguejo voltou a ser idôneo para mangue. BARROS, Manoel de. Poemas rupestres. Rio de Janeiro: Record, 2004. 14 Disponível em: http://escrevendo.cenpec.org.br/index.php?option=com_contentview=category layout=blogid=18Itemid=8. Acesso em: 01 de agosto de 2013. 15 Coche – Subst. m. - o mesmo que carruagem de estilo antigo, conf. Grande Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa. Disponível em: http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=coche Acesso em: 26 de agosto de 2013. . 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 26 18/12/13 17:44
  • 27. 27Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio Questão 10 A expressão achante em “Muito achante demais” (v.9) é um neologismo em- pregado em lugar de (A) tímido. (B) arrogante. (C) humilhado. (D) receoso. Comentários e Recomendações Pedagógicas A Língua Portuguesa, em constante movimento de transformação, sempre nos surpreende com novas palavras. Os poetas, então, recorrem a recursos expressivos que nos prendem pelo efeito de sentido produzido pela escolha adequada ou pela criação de uma palavra que se encaixa perfeitamente no significado proposto. O léxico português, basicamente de origem latina, ao longo da história de sua formação, foi incorporando elementos e vocábulos de várias procedên- cias, inclusive indígenas e africanas. Sem contar os modismos de épocas em que palavras de origem francesa foram agregadas ao nosso vocabulário e, mais recentemente, palavras de origem inglesa. São óbvias as questões his- tóricas e socioculturais envolvidas nessas “importações”. No entanto, é im- portante fazer esse resgate com os alunos, retomando sempre que possível ou necessário, o tópico “formação de palavras” para evidenciar os processos de formação de palavras em português. É preciso que os alunos percebam que ao considerarmos o significado de determinada palavra, devemos levar em conta sua história e sua estrutura (radical, prefixos, sufixos). Mas, vamos convir que nem todos os neologismos vieram de longe. Há cria- ções resultantes de expressões onomatopaicas e casos de formação de no- vas palavras com elementos pré-existentes. Mais do que simplesmente uma nova palavra, vamos considerar um novo significante. A expressão “achante”, conforme a encontramos no poema, é uma criação poética de Manoel de Barros que construiu esse significante a partir de uma derivação por sufixo. Em“achar + ante”, a partir do verbo“achar”com signifi- cado de julgar-se, considerar-se, mais o sufixo –ante (= aquele que, como em amante, por exemplo), temos a palavra“achante”que corresponde a“aquele que se acha”, expressão popularmente aplicada para aqueles que se julgam superiores ao que realmente são. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 27 18/12/13 17:44
  • 28. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio28 “Arrogante” – o gabarito B representa essa ideia e isso pode ser deduzido após uma leitura com compreensão de todo o poema. Os distratores não encontram sustentação no texto, quando considerado seu sentido global. Há atividades interessantes para que os alunos desenvolvam a habilidade em questão, no Portal do Professor.16 Vale a pena conferir e adaptar de acor- do com a necessidade das turmas. 16 Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=27394. Acesso em: 26 de agosto de 2013. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 28 18/12/13 17:44
  • 29. 29Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio Referências Bibliográficas COLOMER, Teresa; CAMPS, Anna. Ensinar a ler, ensinar a compreender. Porto Alegre: Artmed, 2002. NEVES, Maria Helena de Moura. Gramática de usos do português. 2. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2011. SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Educação técnica. Referencial de expectativas para o desenvolvimento da competência leitora e escritora no ciclo II do Ensino Fundamental. São Paulo: SME/DOT, 2006. SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Porto Alegre: Artmed, 1998. Sites pesquisados http://clubedamafalda.blogspot.com.br/2012/10/tirinha-562.html#.UfFpeI3FVp4. Acesso em: 25 de julho de 2013. . http://cpd1.ufmt.br/meel/arquivos/artigos/341.pdf. Acesso em: 26 de agosto de 2013. http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/07/idh-municipal-do-brasil-cresce-475-em-20-anos-aponta-pnud.html. Acesso em: 30 de julho de 2013. http://noticias.uol.com.br/infograficos/2013/07/29/idh-dos-municipios.htm. Acesso em: 30 de julho de 2013. http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/jornal-sala-aula-423555.shtml. Acesso em: 30 de julho de 2013. http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2013/305/o-movimento-dos-metaleiros/view. Acesso em: 26 de julho de 2013. http://www.cartacapital.com.br/sociedade/francisco-se-foi-vamos-falar-de-juventude-6486.html. Acesso em: 30 de julho de 2013. http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=13608. Acesso em: 01 de agosto de 2013. http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000022.pdf. Acesso em: 31 de julho de 2013. http://www.priberam.pt/dlpo/Default.aspx?pal=machete. Acesso em: 19 de setembro de 2013. http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=opa. Acesso em: 13 de agosto de 2013. http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digitalop=loadVerbetepesquisa=1palavra=aposto#ixzz2aiT6XSRy. Acesso em: 1 de agosto de 2013. http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=18987. Acesso em 1 de agosto de 2013. http://www.educacaoadistancia.camara.leg.br/ead_cfd/file.php/1/Documentos_geral_/Netiqueta.pdf. Acesso em: 13 de setembro de 2013. http://escrevendo.cenpec.org.br/index.php?option=com_contentview=categorylayout=blogid=18Itemid=8. Acesso em: 01 de agosto de 2013. http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=coche. Acesso em: 26 de agosto de 2013. 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 29 18/12/13 17:44
  • 30. Avaliação da Aprendizagem em Processo Comentários e Recomendações Pedagógicas – Língua Portuguesa Coordenadoria de Informação, Monitoramento e Avaliação Educacional Coordenadora: Ione Cristina Ribeiro de Assunção Departamento de Avaliação Educacional Diretor: William Massei Assistente Técnica: Maria Julia Filgueira Ferreira Centro de Aplicação de Avaliações Diretora: Diana Yatiyo Mizoguchi Equipe Técnica DAVED participante da AAP Ademilde Ferreira de Souza, Cyntia Lemes da Silva Gonçalves da Fonseca, Juvenal de Gouveia, Patricia e Barros Monteiro, Silvio Santos de Almeida Coordenadoria de Gestão da Educação Básica Coordenadora: Maria Elizabete da Costa Departamento de Desenvolvimento Curricular e de Gestão da Educação Básica Diretor: João Freitas da Silva Centro do Ensino Fundamental dos Anos Finais, Ensino Médio e Educação Profissional Diretora: Valéria Tarantello de Georgel Equipe Curricular CGEB de Língua Portuguesa e Literatura Angela Maria Baltieri Souza, Clarícia Akemi Eguti, Idê Moraes dos Santos, João Mário Santana, Kátia Regina Pessoa, Mara Lúcia David, Marcos Rodrigues Ferreira, Roseli Cordeiro Cardoso, Rozeli Frasca Bueno Alves Elaboração do material de Língua Portuguesa 3ª série - Rozeli Frasca Bueno Alves Leitura Crítica Professores Coordenadores dos Núcleos Pedagógicos das Diretorias de Ensino Ana Cristina Fermino, Ana Maria Sant’Ana Mazivieiro, Andrea Righeto, Aparecida Valentina Ivizi Mantovani, Cleber Luis Dengue, Denise Aparecida Xavier, Edina Narta Dascanio Ferreira, Elaine Gonçalves Ramos, Giane de Cássia Santana, Gisele Maria Russel, Graciana B.Inácio Cunha, Irene Rio Stéfani, Lúcia Helena Calderaro, Magda Regina Pereira Bizio, Marcia Cristina Gonçalves, Maria Márcia Zampronio Pedroso, Marisa Aparecida Palhares Raposo, Mônica Silva de Lima, Patrícia Fernanda Morande Roveri, Raquel Tegedor Azevedo, Reginaldo Inocenti, Ronaldo Cesar Alexandre Formici, Rosmeiri Aparecida Rodrigues, Valéria Leão Leitura Crítica e Revisão Equipe Curricular de Língua Portuguesa – CGEB Clarícia Akemi Eguti, Katia Regina Pessoa, Mara Lúcia David, Marcos Rodrigues Ferreira, Rozeli Frasca Bueno Alves Revisão 3ª série - Clarícia Akemi Eguti 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 30 18/12/13 17:44
  • 31. 31Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio Anotações 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 31 18/12/13 17:44
  • 32. Comentários e Recomendações Pedagógicas / Avaliação de Língua Portuguesa – 3a série do Ensino Médio32 35_AAP_RPLP_3EM_professor.indd 32 18/12/13 17:44

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