Autoria e data
O autor do quarto evangelho é João, discípulo por quem Jesus tinha especial carinho, amizade
e respeito (13...
temporária com a finalidade de salvar o ser humano das amarras do pecado, da condenação eterna
e restaurá-lo à comunhão or...
4. As orientações do Filho de Deus: (13.1 – 16.33)
A. Quanto ao perdão: (13.1-20)
B. Quanto à traição: (13.21-30)
C. Quant...
1 “Palavra” (em grego, logos). No AT, Jesus é a expressão criadora de Deus. No NT, Jesus é Deus encarnado. Jesus é a Palav...
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unigênito, que está no seio do Pai, é quem
o revelou.
João Batista clama no deserto
Is 40.3; Mt 3.1-12; Mc 1.2-8; Lc 3.1...
7 JOÃO 1, 2
42 E o levou a Jesus. Quando Jesus olhou
para ele, disse: “Tu és Simão, o filho de
João; tu serás chamado Cefas...
8JOÃO 2, 3
naum, com sua mãe, seus irmãos e seus
discípulos; e ficaram ali não muitos dias.
Jesus purifica o templo
13 A Pás...
9 JOÃO 3, 4
13 Ninguém jamais subiu ao céu, a não
ser Aquele que veio do céu: o Filho do
homem que está no céu.3
14 Assim ...
10JOÃO 4
5 Assim, chegou a uma cidade de Sama-
ria, chamada Sicar, perto das terras que
Jacó dera a seu filho José.1
6 Havi...
11 JOÃO 4, 5
32 Mas Ele lhes disse:“Tenho um alimen-
to para comer que vós não conheceis.”.
33 Então os discípulos dissera...
12JOÃO 5
3 Nestes, ficava grande multidão de
enfermos, cegos, mancos e paralíticos,
esperando pelo movimento nas águas.2
4 ...
13 JOÃO 5, 6
25 Mais uma vez, verdadeiramente vos
afirmo: vem a hora, e já chegou, em que
os mortos ouvirão a voz do Filho ...
14JOÃO 6
6 Mas disse isso apenas para o provar,
pois Ele bem sabia o que ia fazer.
7 Filipe lhe respondeu: “Duzentos de-
n...
15 JOÃO 6
30 Por esse motivo o desafiaram: “Que
sinal poderás realizar para que o vejamos
e creiamos em ti? Que obra farás?...
16JOÃO 6, 7
57 Assim como o Pai, que vive, me enviou
e Eu vivo por causa do Pai, assim aquele
que se alimenta de mim viver...
17 JOÃO 7
o meu tempo apropriado ainda2
aa não che-
gou por completo.”.
9 E tendo dito essas palavras a eles, per-
maneceu...
18JOÃO 7
ninguém lhe pôs a mão, pois ainda não
era chegada a sua hora.
31 E muitos que estavam na multidão,
acreditaram ne...
19 JOÃO 7, 8
52 Eles responderam-lhe: “És igualmen-
te tu um galileu? Procura e verás que ne-
nhum profeta se levantou20
n...
20JOÃO 8
“Vós não conheceis nem a mim nem a
meu Pai. Se conhecêsseis a mim, da mes-
ma forma conheceríeis a meu Pai.”.
20 ...
21 JOÃO 8, 9
42 Replicou-lhes Jesus: “Se Deus fosse
vosso Pai, vós me amaríeis, pois Eu pro-
cedo de Deus e estou aqui. Eu...
22JOÃO 9
da ungiu3
os olhos do cego com aquela
mistura.
7 E ordenou ao homem: “Vai, lava-te no
tanque de Siloé”4
(que sign...
23 JOÃO 9, 10
sim, és um discípulo dele; mas nós so-
mos discípulos de Moisés.
29 Sabemos que Deus falou a Moisés;
mas qua...
24JOÃO 10
trar por mim, será salva. Entrará e sairá; e
encontrará pastagem.6
10 O ladrão não vem, senão para roubar,
matar...
25 JOÃO 10, 11
mas sim por blasfêmia, e porque, sendo
tu um simples homem, te fazes passar
por Deus.”.
34 Jesus lhes conte...
26JOÃO 11
18 Ora, Betânia ficava próxima de Jerusa-
lém, cerca de quinze estádios.3
19 E muitos, dentre os judeus, tinham
v...
27 JOÃO 11, 12
dos com faixas de linho e o rosto envolto
com um pano. E Jesus orientou-os: “Re-
tirai as faixas dele e dei...
28JOÃO 12
do responsável pela bolsa de dinheiro,5
freqüentemente tirava o que nela era
depositado.
7 Mas Jesus respondeu: ...
29 JOÃO 12
Eu vim precisamente com esse propósito
e para esta hora.11
28 Pai, glorifica o teu Nome!”. Então, veio
uma voz d...
O evangelho segundo joão
O evangelho segundo joão
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O evangelho segundo joão

  1. 1. Autoria e data O autor do quarto evangelho é João, discípulo por quem Jesus tinha especial carinho, amizade e respeito (13.23; 19.26; 20.2; 21.7; 20.24). Somente uma testemunha ocular dentre o círculo mais íntimo dos seguidores do Senhor, como João, poderia fornecer tantos detalhes particulares como os que são citados nesse livro (12.16; 13.29). Relatos especiais e algumas vezes indiretos da pre- sença ou participação de João, são outros argumentos que comprovam sua autoria (1.37-40; 19.26; 20.2,4,8; 21.20,24). Os pais da Igreja – como Irineu e Tertuliano – declaram que João escreveu esse evangelho, e todas as demais evidências corroboram com essa declaração. O fragmento de uma antiga cópia (datada do segundo século), indica que o original é bem mais antigo e pertence seguramente ao período em que João vivia. Teólogos, biblistas e arqueólogos respeitáveis em todo o mundo concordam que a mais provável data de autoria do evangelho de João esteja entre o final dos anos 50 da era cristã e antes da terrível destruição de Jerusalém, no ano 70 d.C. Propósitos Vários e mundialmente reconhecidos pensadores e estudiosos apresentam diferentes interpretações quanto aos objetivos de João ao escrever seu evangelho. Clemente de Alexandria chegou a declarar que João teria escrito para suplementar os relatos dos evangelhos sinóticos. Outros afirmam que João escreveu para pregar uma mensagem cristã que fosse atraente ao sistema de pensamento helênico. E, outros ainda, acreditam que João desejava complementar teologicamente as doutrinas apresentadas nos demais evangelhos, para combater as formas de heresia que começavam a florescer em seu tem- po, bem como opor-se àqueles que ainda seguiam fanaticamente as orientações de João Batista. Contudo, o comitê internacional de tradução da Bíblia King James Atualizada, decidiu, simplesmen- te, dar evidência à própria palavra de João acerca do propósito que teve ao escrever seu evangelho: “Verdadeiramente Jesus realizou, na presença dos seus discípulos, muitos outros milagres, que não estão escritos neste livro. Estes, entretanto, foram escritos para que possais acreditar que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais vida em Seu Nome” (Jo 20.30-31). Desde o prefácio do livro (1.1-18), com seu ponto alto: “Vimos a sua glória...” (v.14), até à confissão de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!” (20.28), o leitor é constantemente motivado a render-se incon- dicionalmente em adoração sincera e absoluta a Deus. O Senhor Jesus Cristo surge como mais do que um simples homem sábio e poderoso, muito mais que uma representação da Divindade na terra. Jesus é o verdadeiro e único Deus, que se fez pessoa humana e habitou entre nós. Todavia, os judeus, esperando pelo seu Messias (Cristo), necessitavam de uma prova indiscutível sobre a reivindicação de Jesus de ser o prometido unigênito do Antigo Testamento. E João, preocu- pado que a ninguém faltasse essa convicção e a mensagem principal do Evangelho, apresenta es- sas provas em profusão. Milagres, ensinos e pregações selecionados dentre apenas cerca de vinte dias dos três anos de ministério público do Senhor são publicados com o objetivo de comprovar a posição de Jesus Cristo como Filho de Deus. Vários sinais milagrosos realizados pelo Senhor reve- lam não somente o Seu poder divino, mas igualmente atestam Sua glória como o único e verdadeiro “Eu Sou” (o nome de Deus em hebraico). A água transformada em vinho, comerciantes inescrupulosos e animais para sacrifícios expulsos do Templo; o filho do nobre curado à distância; o paralítico curado no sábado; as multiplicações de pães e peixes; o caminhar tranqüilo e onipotente sobre as águas revoltas; a vista restaurada ao cego de nascença; Lázaro chamado novamente à vida dentre os mortos: todos esses milagres e maravi- lhas revelam quem Jesus Cristo é e o que Ele faz. Passo a passo, João descreve Jesus como a fonte da nova vida, a água da vida, e o pão dessa nova e eterna vida. Até seus próprios inimigos batem em retirada e se rendem perante o “Eu Sou”, que seguiu confiante para Jerusalém, onde se ofereceu voluntariamente, em sacrifício eterno pela humanidade, por meio do seu sofrimento e crucificação (18.5,6). O Logos (a Palavra, em grego) eterno se fez carne (humanizou-se) e fez da terra sua habitação INTRODUÇÃO O EVANGELHO SEGUNDO JOÃO JO_B.indd 2 16/8/2007, 14:20:51
  2. 2. temporária com a finalidade de salvar o ser humano das amarras do pecado, da condenação eterna e restaurá-lo à comunhão original e ideal com Deus (1.14), bem como a uma vida de santidade (estilo de vida em que a expressão sincera de adoração a Deus e amor ao próximo ocupam lugar de prioridade absoluta). Por meio exclusivo de Sua Graça, homens fracos e corrompidos encontraram a necessária qualifi- cação para serem habitados por Seu Espírito (14.20) e, finalmente, para terem acesso às “mansões eternas” (14.2,3). Em Sua própria pessoa, Jesus cumpre o sentido principal das grandes profecias bíblicas e todas as celebrações do Antigo Testamento. Jesus vence até mesmo a morte e a sepultura, e lega a todos os seus seguidores, de todos os tempos, uma notável herança para que Sua missão siga e seja completada até o final dos tempos, quando de Seu glorioso retorno. Estendendo-se de eternidade a eternidade, o quarto evangelho une o destino tanto de judeus como de gentios (todos os que não são judeus), como parte de toda a criação, à ressurreição do Cristo encarnado e crucificado. Nosso Logos Eterno. Esboço Geral de João 1. A Encarnação do Filho de Deus: (1.1-18) 2. A Apresentação do Filho de Deus: (1.19 – 4.54) A. Por João, o Batista: (1.19-34) B. Aos discípulos de João: (1.35-51) C. Em um casamento em Caná da Galiléia: (2.1-11) D. No Templo em Jerusalém: (2.12-25) E. A Nicodemos: (3.1-21) F. Por João, o Batista: (3.22-36) G. Para a mulher samaritana: (4.1-42) H. A um oficial em Cafarnaum: (4.43-54) 3. Os debates do Filho de Deus: (5.1 – 12.50) A. Em uma festa em Jerusalém: (5.1-47) 1. O sinal de Betesda: (5.1-9) 2. A reação de todos: (5.10-18) 3. A pregação: (5.19-47) B. Durante a Páscoa na Galiléia: (6.1-71) 1. O sinal da multiplicação dos pães e peixes: (6.1-21) 2. A pregação: (6.22-40) 3. As reações: (6.41-71) C. Na Festa dos Tabernáculos em Jerusalém: (7.1-10.21) 1. Primeira discussão – a pregação: (7.1-29) 2. As reações: (7.30-36) 3. Segunda discussão – a pregação: (7.37-39) 4. As reações: (7.40-53) 5. Terceiro debate – os discursos: (8.1-58) 6. A resposta: (8.59) 7. Quarta discussão: o sinal (milagre): (9.1-12) 8. As reações: (9.13-41) 9. Quinta discussão: sobre o Bom Pastor: (10.1-18) 10. As reações: (10.19-21) D. Na Festa da Dedicação em Jerusalém: (10.22-42) 1. O discurso: (10.22-30) 2. A rejeição: (10.31-42) E. Em Betânia: (11.1 – 12.11) 1. O sinal da ressurreição de Lázaro: (11.1-44) 2. As reações: (11.45-57) 3. A unção por Maria: (12.1-8) 4. As reações: (12.9-11) F. Em Jerusalém: (12.12-50) 1. A entrada triunfal: (12.12-19) 2. A doutrina de Jesus: (12.20-50) JO_B.indd 3 16/8/2007, 14:20:51
  3. 3. 4. As orientações do Filho de Deus: (13.1 – 16.33) A. Quanto ao perdão: (13.1-20) B. Quanto à traição: (13.21-30) C. Quanto à sua partida: (13.31-38) D. Quanto ao céu: (14.1-14) E. Quanto ao Advogado: (14.15-26) F. Quanto à paz: (14.27-31) G. Quanto ao desenvolvimento espiritual: (15.1-17) H Quanto ao mundo: (15.18 – 16.6) I. Quanto ao Espírito Santo: (16.7-15) J. Quanto à sua segunda vinda: (16.16-33) 5. A oração do Filho de Deus: (17.1-26) 6. A crucificação do Filho de Deus: (18.1 – 19.42) A. A prisão: (18.1-11) B. Os inquéritos: (18.2 – 19.16) 1. Diante de Anás: (18.12-23) 2. Diante de Caifás: (18.24-27) 3. Diante de Pilatos: (18.28 – 19.16) C. A crucificação: (19.17-37) D. O sepultamento: (19.38-42) 7. A ressurreição do Filho de Deus: (20.1 – 21.25) A. O sepulcro vazio: (20.1-10) B. Os reaparecimentos de Jesus Cristo: (20.11 – 21.25) 1. A Maria Madalena: (20.11-18) 2. Aos discípulos: (20.19-25) 3. A Tomé: (20.26-31) 4. A sete discípulos: (21.1-14) 5. A Pedro e a João – o discípulo amado: (21.15-25) JO_B.indd 4 16/8/2007, 14:20:52
  4. 4. 1 “Palavra” (em grego, logos). No AT, Jesus é a expressão criadora de Deus. No NT, Jesus é Deus encarnado. Jesus é a Palavra de Deus em ação. O Verbo Eterno (Sl 33.6; Sl 107.20; Is 55.11). 2 O evangelista deixa claro que a “Palavra”, o “Verbo Eterno” e a “Sabedoria” são a mesma Pessoa: Jesus Cristo; o qual sempre esteve com Deus (Gn 1.26; Pv 8.22-31; Is 44.24). 3 “Através” (em grego, dia) é a expressão criadora do Pai (Hb 2.10). Deus através do seu Filho, a Palavra (logos), criou tudo o que há ex-nihilo (do absolutamente nada). O termo egéneto, “feito” ou “fez-se”, não admite qualquer possibilidade de dualismo metafísico ou de gnosticismo (17.4). 4 Aqui a tradução literal é necessária. Deus é o Criador e sua Palavra, o Agente (Gn 1; Sl 33.6; Pv 3.19, 8.30; Sl 104.24; Cl 1.16s; Hb 1.2). Em Ap 3.14, o “Amém” é derivado da palavra hebraica âmôn (arquiteto), como em Pv 8.30. 5 “Venceram”: compreenderam, prevaleceram ou derrotaram. A luz de uma pequena vela pode dissipar a escuridão de uma grande sala. Luz e trevas são forças opostas, mas não de igual energia. A luz é mais poderosa (12.35; 1Jo 2.8). 6 Se alguém permanece nas trevas espirituais não é por falta de luz, mas porque, deliberadamente, prefere o mal (8.12; 9.5). Jesus é a luz que ilumina a todos os seres humanos (em grego: tôn anthrôpôn). 7 A expressão grega plural ex haimatõn “dos sangues” indica que o nascimento espiritual é um dom de Deus, concedido a cada crente, em especial, e não pode vir por descendência humana nem pelo cumprimento de qualquer ritual de iniciação à religião (3.4-6; 6.44). 8 “Excelência”: primazia, superioridade, prioridade, preferência. O Espírito de Deus habitou plenamente (em grego: skenoő “tabernaculou”) o corpo humano de Jesus, Deus encarnado (v.14;Rm 8.3; 1Jo 4.2,3). 9 “Filho”, assim como no original de King James (1611). No NTG (Novum Testamentum Graece): Deus Unigênito. O EVANGELHO SEGUNDO JOÃO A Palavra se fez carne 1No princípio era a Palavra,1 e a Pa- lavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. 2 Ele, a Palavra, estava no princípio com Deus.2 3 Todas as coisas foram feitas através3 dele, e, sem Ele, nada do que existe teria sido feito. 4 Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens;4 5 e a luz resplandece nas trevas, mas as trevas não a venceram.5 6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. 7 Ele veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. 8 João não era a luz, mas foi enviado para testemunhar da luz. 9 A Palavra é a luz verdadeira que, vinda ao mundo, ilumina a toda a humani- dade.6 10 Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito através dele, mas o mundo não o reconheceu. 11 Ele veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. 12 Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, ou seja, aos que crêem no seu Nome; 13 os quais não nasceram do sangue,7 nem da vontade da carne, nem da von- tade do homem, mas de Deus. 14 E a Palavra se fez carne e habitou en- tre nós. Vimos a sua glória, glória como a do Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade. A proclamação de João Batista 15 João testemunha sobre Jesus e excla- ma, dizendo: “Este é Aquele de quem eu disse: Ele, o que vem depois de mim, tem a excelência,8 porquanto já existia antes de mim.” 16 E da sua plenitude todos nós temos recebido, graça sobre graça. 17 Porquanto a Lei foi dada por inter- médio de Moisés; mas a graça e a verda- de vieram através de Jesus Cristo. 18 Ninguém jamais viu a Deus; o Filho9 JO_B.indd 5 16/8/2007, 14:20:52
  5. 5. 6 unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou. João Batista clama no deserto Is 40.3; Mt 3.1-12; Mc 1.2-8; Lc 3.1-18 19 E este é o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdo- tes e levitas para o interrogarem: “Quem és tu?”. 20 Eleconfessouenãonegou;masdeclarou francamente:“Eu não sou o Cristo.”.10 21 E o questionaram:“Quem és, então? És tu Elias?”. Ele disse: “Não o sou.”“És tu o q Profeta?”. E João afirmou: “Não.”. 22 Então, perguntaram a ele: “Quem és tu? Dá-nos uma resposta, para que a levemos àqueles que nos enviaram; que dizes a respeito de ti mesmo?”. 23 E João lhes disse:“Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Fazei um caminho reto para o Senhor’, como disse o profeta Isaías”.11 24 Ora, os que haviam sido enviados fa- ziam parte dos fariseus. 25 E perguntaram-lhe ainda: “Então, por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o Profeta?”. 26 João respondeu-lhes, dizendo: “Eu ba- tizo com12 água; mas, no meio de vós, já está quem vós não conheceis. 27 Ele é aquele que vem depois de mim, cujas correias das sandálias não sou digno de desamarrar”. 28 Essas coisas aconteceram em Betânia,13 do outro lado do Jordão, onde João esta- va batizando. Jesus, o Cordeiro de Deus 29 No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha caminhando em sua direção, e disse:“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! 30 Este é aquele do qual eu disse: ‘depois de mim vem um homem que tem a exce- lência, pois que já existia antes de mim’. 31 Eu não o conhecia, mas, a fim de que Ele fosse revelado a Israel, vim, por isso, batizando com água”. João batiza Jesus Mt 3.13-17; Mc 1.9-11; Lc 3.21,22 32 E João testemunhou, dizendo: “Vi o Espírito descendo do céu como uma pomba e permaneceu sobre Ele. 33 Eu não o conhecia; Aquele, entretanto, que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires descer e permanecer o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo’. 34 E eu, de fato, vi e testifico que este é o Filho de Deus”. Os primeiros discípulos de Cristo Mt 4.18-22; Mc 1.16-20; Lc 5.1-11 35 No dia seguinte, João estava outra vez na companhia de dois dos seus discípulos 36 e, observando que Jesus passava, disse: “Eis o Cordeiro de Deus!”. 37 Os dois discípulos ouviram o que ele falou, e se tornaram seguidores de Jesus. 38 Então Jesus, voltando-se e vendo que os dois o seguiam,disse-lhes:“Que estais pro- curando?”. Eles disseram: “Rabi (que quer dizer Mestre), onde estás hospedado?”. 39 E Jesus disse: “Vinde e vede”.14 Eles fo- ram e viram onde Jesus estava morando; e ficaram com Ele aquele dia, sendo isso por volta da hora décima. 40 Um dos dois que ouviram João falar e seguiram a Jesus, era André, irmão de Simão Pedro. 41 Ele primeiro procurou seu próprio irmão, Simão, e lhe disse: “Encontramos o Messias (que quer dizer, o Cristo)”.15 10 A palavra grega Cristo corresponde a Messias em hebraico. 11 Isaías 40.3. 12 Com, ou, em água. Também nos versículos 31 e 33. 13 “Betânia”, como no NTG, ou Bethabara, como na antiga KJ. 14 Este é o convite de Cristo a todo aquele que deseja verdadeiramente conhecer a Deus: “vem e vê”. João traduz o honroso título aramaico: Rabi (literalmente, meu grande mestre), para seus leitores gregos. Durante o primeiro século, Rabi passou a seri um título conferido aos mestres ordenados nas escolas rabínicas. Hora décima: quatro horas da tarde pelo horário judaico. 15 Adjetivo verbal semita que aparece somente neste Evangelho. Aqui e em 4.25, é interpretado pelo equivalente grego christos. JOÃO 1 JO_B.indd 6 16/8/2007, 14:20:53
  6. 6. 7 JOÃO 1, 2 42 E o levou a Jesus. Quando Jesus olhou para ele, disse: “Tu és Simão, o filho de João; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Rocha)”.16 Jesus encontra outros discípulos 43 No dia seguinte, Jesus decidiu ir para a Galiléia. Quando encontrou a Filipe, disse-lhe: “Segue-me.” 44 Ora, Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. 45 Filipe encontrou a Natanael e disse- lhe: “Encontramos Aquele sobre quem Moisés escreveu na Lei, e a respeito de quem também escreveram os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José”. 46 E Natanael disse-lhe: “Pode alguma coisa boa vir de Nazaré?”. Filipe respon- deu-lhe: “Vem e vê”. 47 Jesus viu Natanael se aproximando e disse a seu respeito: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade!”. 48 Disse-lhe Natanael: “De onde me conheces?”. Respondeu-lhe Jesus: “Antes de Filipe te chamar, quando tu estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49 Natanael exclamou: “Mestre, Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de Israel!”. 50 Jesus lhe respondeu:“Porque Eu disse que te vi debaixo da figueira, crês? Pois tu verás coisas muito maiores do que estas”. 51 E disse-lhes Jesus: “Em verdade, em verdade17 vos asseguro que vereis o céu7 aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem”. O primeiro milagre de Jesus 2No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava ali. 2 Jesus e seus discípulos também foram convidados. 3 Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. 4 Jesus lhe disse: “Mulher,1 em que essa tua preocupação tem a ver comigo? Ainda não é chegada a minha hora”. 5 Sua mãe disse aos serviçais: “Seja o que for que Ele vos pedir, fazei”.2 6 Estavam ali seis jarros de pedra, que os judeus usavam para as purificações, e cada um levava duas ou três metretas.3 7 Jesus disse aos serviçais: “Enchei os jarros com água”. E os encheram até à borda. 8 Então lhes disse: “Tirai agora, um pou- co, e levai ao mestre-sala”.4 Eles assim o fizeram. 9 Quando o mestre-sala provou a água transformada em vinho,não sabendo don- de viera, embora o soubessem os serviçais que tiraram a água, chamou o noivo 10 e lhe disse:“Todo homem serve primei- ro o bom vinho e, depois que os convida- dos já beberam bastante, o vinho inferior é servido; tu, entretanto, guardaste o bom vinho até agora”. 11 Com esse, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele. 12 Depois disso, desceu Ele para Cafar- No AT, essa forma designava o rei de Israel (o ungido do Senhor, como em 1Sm 16.6), o sumo sacerdote (o sacerdote ungido – Lv 4.3) e, uma vez, no plural, os patriarcas em seu papel de profetas (meus ungidos – Sl 105.15). Jesus cumpriu a profecia messiânica, exercendo as três funções. 16 “Cefas” (como o apóstolo Paulo o chamava – 1Co 9.5; Gl 1.18): kepha, em aramaico ou keph, em hebraico – rocha (Jó 30.6; Jr 4.29), ou ainda petros, em grego. Portanto, Pedro significa pedra ou rocha (Is 51.1). Mas, como para o nome de um homem era necessário usar a forma masculina, permaneceu petros. 17 “Em verdade”, ou com toda a certeza, como em KJA (em grego: amen, de origem hebraica: munã), significa “fiel e digno de confiança”. Jesus usa essa frase sempre que reivindica sua autoridade messiânica. Capítulo 2 1 Mulher ou Senhora. Termo respeitoso em aramaico. 2 Gn 41.55. 3 “Duas ou três metretas”: em grego, de 80 a 120 litros no total. 4 Mestre-sala: gerente ou encarregado da festa. JO_B.indd 7 16/8/2007, 14:20:54
  7. 7. 8JOÃO 2, 3 naum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias. Jesus purifica o templo 13 A Páscoa5 dos judeus estava se aproxi- mando, e Jesus subiu para Jerusalém. 14 Encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e cambistas as- sentados negociando; 15 tendo feito um chicote de cordas, ex- pulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos cambistas e virou as mesas; 16 e disse aos que vendiam as pombas: “Tirai essas coisas daqui; não façais da casa de meu Pai, casa de comércio.”. 17 Então seus discípulos lembraram-se do que foi escrito: “O zelo pela tua Casa me consumirá.”.6 18 Os judeus o contestaram, dizendo: “Que sinal de autoridade nos mostras, para agires dessa maneira?”. 19 Jesus lhes respondeu: “Destruí este templo, e, em três dias, Eu o reconstrui- rei.”. 20 Replicaram os judeus: “Em quarenta e seis anos foi construído este templo, e tu afirmas que em três dias o levantarás?”. 21 Ele, porém, se referia ao templo do seu corpo. 22 Por essa razão, quando Jesus ressusci- tou dentre os mortos, recordaram-se os seus discípulos de que Ele dissera isso; e creram na Escritura e na Palavra pregada por Jesus. Jesus conhece a índole humana 23 Estando Ele em Jerusalém, durante a festa da Páscoa, muitos, vendo os sinais que Ele fazia, creram em seu Nome; 24 mas Jesus não se confiava a eles, por- que os conhecia a todos. 25 E não necessitava que alguém lhe desse testemunho acerca do homem, pois Ele bem conhecia o que havia na natureza humana. O novo nascimento 3Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, membro do supremo tribunal dos judeus. 2 Ele, de noite, procurou a Jesus e lhe dis- se: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer esses sinais que estás realizando, se Deus não estiver com ele.”. 3 Jesus respondeu-lhe, declarando: “Em verdade, em verdade te asseguro que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.”. 4 Nicodemos questionou-o:“Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, todavia, entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e nascer novamente?”. 5 Arrazoou Jesus: “Em verdade, em ver- dade te asseguro: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. 6 O que é nascido da carne é carne; mas o que nasce do Espírito é espírito. 7 Não te surpreendas pelo fato de Eu te haver dito: ‘deveis nascer de novo.’. 8 O vento sopra onde quer, você escuta o seu som, mas não sabe de onde vem, nem para onde vai; assim ocorre com todos os nascidos do Espírito.”. 9 Replicou-lhe Nicodemos: “Como pode acontecer isso?”. 10 Explicou-lhe Jesus1 : “Tu és mestre em Israel e não compreendes essas verda- des? 11 Em verdade, em verdade te asseguro que nós dizemos do que conhecemos e testemunhamos do que temos visto; con- tudo, não acolheis o nosso testemunho.2 12 Se, falando de assuntos da terra, não me credes, como crereis, se vos falar dos celestiais? 5 Êx 12.1-27. 6 Sl 69.9. Capítulo 3 1 Esta resposta conclusiva de Jesus vai até o versículo 21. 2 O freqüente uso da palavra testemunho e de expressões jurídicas confere a este Evangelho o caráter de um imenso processo. JO_B.indd 8 16/8/2007, 14:20:55
  8. 8. 9 JOÃO 3, 4 13 Ninguém jamais subiu ao céu, a não ser Aquele que veio do céu: o Filho do homem que está no céu.3 14 Assim como Moisés levantou a ser- pente no deserto,4 desse mesmo modo é necessário que o Filho do homem seja levantado, 15 para que todo o que nele crê não pere- ça, mas5 tenha a vida eterna. 16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 17 Portanto, Deus enviou o seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele. 18 Quem nele crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no Nome do Filho unigê- nito de Deus. 19 E o julgamento é este: que a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. 20 Pois todo aquele que pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam ex- postas. 21 Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se veja claramente que as suas obras são realizadas em Deus.”. João Batista exalta Jesus 22 Depois disso, Jesus e seus discípulos foram para a terra da Judéia; ali perma- neceu com eles e batizava. 23 E João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e o povo vinha para ser batizado. 24 Porquanto João ainda não tinha sido aprisionado. 25 Então surgiu uma discussão, entre alguns discípulos de João e os judeus, sobre a purificação. 26 E se dirigiram a João e lhe disseram: “Rabi, aquele que estava contigo do ou- tro lado do Jordão, de quem tens dado testemunho, está batizando, e todos es- tão indo ao encontro dele.” 27 Ao que João esclareceu: “Um homem não pode receber coisa alguma, a não ser que lhe tenha sido dada do céu. 28 Vós mesmos sois testemunhas do que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. 29 O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que lhe serve e o ouve, alegra-se grandemente por causa da voz do noivo. Portanto, essa satisfação já se cumpriu em mim. 30 É necessário que Ele cresça e que eu diminua. 31 Quem vem das alturas está acima de todos; aquele que vem da terra é terrestre e fala da terra; quem veio do céu está acima de todos. 32 Ele testifica o que tem visto e ouvido; mas ninguém aceita o seu testemunho. 33 Aquele que aceita o seu testemunho, certifica que Deus é verdadeiro. 34 Pois o enviado de Deus fala as palavras de Deus, porque Deus não dá o Espírito com limitações. 35 O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou em suas mãos. 36 Quem crê no Filho tem a vida eterna; aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele.”. A samaritana encontra o Messias 4Por isso, quando o Senhor soube que os fariseus ouviram que Ele, Jesus, fa- zia e batizava mais discípulos que João, 2 embora Jesus mesmo não batizasse, mas, sim, os seus discípulos, 3 deixou a Judéia e partiu uma vez mais para a Galiléia. 4 Entretanto, era-lhe necessário atraves- sar por Samaria. 3 O NTG omite “que está no céu”. 4 Nm 21.9. 5 O NTG omite “não pereça, mas”. JO_B.indd 9 16/8/2007, 14:20:55
  9. 9. 10JOÃO 4 5 Assim, chegou a uma cidade de Sama- ria, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José.1 6 Havia ali a fonte de Jacó. Jesus, todavia, cansado da viagem, sentou-se à beira do poço. Isso aconteceu por volta da hora sexta.2 7 Nisso, uma mulher de Samaria veio tirar água. Pediu-lhe Jesus: “Dá-me um pouco de água para beber.”. 8 Pois seus discípulos haviam ido à cida- de comprar alimentos. 9 Então lhe respondeu a mulher de Sa- maria: “Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, uma mulher samaritana?”. (Pois os judeus não se relacionam bem com os samaritanos.)3 10 Jesus respondeu a ela: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é o que te pede: ‘dá-me de beber’, tu lhe pedirias, e Ele te daria água viva.”. 11 Indagou-lhe a mulher: “Senhor, tu não tens com que pegar água,e o poço é fundo; onde tu podes conseguir essa água viva? 12 Acaso tu és maior do que nosso pai Jacó que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu e, bem assim, seus filhos e seu gado?”. 13 Jesus afirmou-lhe: “Quem beber dessa água terá sede outra vez; 14 aquele, porém, que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede. Ao con- trário, a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna.”. 15 A mulher lhe pediu: “Senhor! Dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise voltar aqui para tirar água.”. 16 Pediu-lhe Jesus:“Vai,chama teu marido e volta aqui.”. 17 Confessou-lhe a mulher: “Não tenho marido.”. Replicou-lhe Jesus: “Respon- deste acertadamente, ao dizer que não tens marido; 18 pois cinco maridos já tiveste, e esse ho- mem com quem tu agora vives não é teu marido; quanto a isso falaste a verdade.” 19 Reconheceu a mulher: “Senhor, eu percebo que tu és um profeta! 20 Nossos pais adoravam sobre este mon- te, mas vós, judeus, dizeis que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.” 21 Declarou Jesus a ela: “Mulher, podes crer-me, está próxima a hora quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23 Mas a hora está chegando, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adora- dores adorarão o Pai, em espírito e em verdade; pois são esses que o Pai procura para seus adoradores. 24 Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.”. 25 A mulher disse a Jesus: “Eu sei que o Messias (chamado Cristo) está para vir. Quando Ele vier, Ele nos esclarecerá sobre tudo.”. 26 Assegurou-lhe Jesus: “Eu, que te falo, sou o Messias.”. A grande colheita 27 Neste ponto, chegaram os seus discí- pulos e se admiraram de que estivesse conversando com uma mulher; todavia, ninguém lhe perguntou: “Que queres saber?”. Ou: “Por que falas com ela?”. 28 A mulher, então, deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse aos homens: 29 “Vinde e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Não seria esse o Cristo?”. 30 Saíram, pois, da cidade e foram para onde Jesus estava. 31 Enquanto isso, os discípulos insistiam com Ele: “Mestre, come!”. 1 Gn 33.19 e Js 24.32. 2 “Hora sexta”: por volta do meio dia. 3 Ou, literalmente, no original hebraico: não usam pratos que os samaritanos já usaram alguma vez (2 Rs 17.24-41; Ed 4.1-5;z Ne 4.1,2). JO_B.indd 10 16/8/2007, 14:20:56
  10. 10. 11 JOÃO 4, 5 32 Mas Ele lhes disse:“Tenho um alimen- to para comer que vós não conheceis.”. 33 Então os discípulos disseram uns aos outros: “Será que alguém lhe teria trazido algo para comer?”. 34 Explicou-lhes Jesus: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra. 35 Não dizeis vós:‘Ainda há quatro meses até a colheita?’. Eu, porém, vos afirmo: erguei os olhos e vede os campos, pois já estão brancos para a colheita. 36 Aquele que ceifa recebe o seu salário e colhe fruto para a vida eterna, e assim se alegram juntos o semeador e o ceifeiro. 37 Dessa forma, é verdadeiro o ditado: ‘Um semeia, e o outro colhe.’. 38 Eu vos enviei para ceifar o que não plantaste. Outros realizaram o cultivo, e vós usufruístes do labor deles.”. O salvador do mundo 39 Muitos samaritanos daquela cidade creram nele, em virtude da palavra da- quela mulher que testemunhara: “Ele me disse tudo quanto tenho feito.”. 40 Assim, quando os samaritanos se encontraram com Jesus, insistiram em que se hospedasse com eles, e Ele ficou dois dias. 41 E muitos outros creram, por causa da sua Palavra. 42 Então disseram à mulher: “Agora cremos, não somente por causa do que tu falaste, mas porque nós mesmos o ouvimos e sabemos que este é verdadei- ramenteoCristo,4 oSalvadordomundo.”. Jesus é bem recebido na Galiléia 43 Depois daqueles dois dias, Ele partiu dali para a Galiléia. 44 O próprio Jesus havia testemunhado que um profeta não tem honra em sua própria terra. 45 Assim, quando chegou à Galiléia, os galileus o receberam bem, porque viram todas as coisas que Ele fizera em Jeru- salém, por ocasião da festa à qual eles também tinham comparecido. A cura do filho de um oficial 46 Então Jesus voltou mais uma vez a Caná da Galiléia, onde transformara água em vinho. E ali havia um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum. 47 Quando ele ouviu que Jesus havia chega- do à Galiléia,vindo da Judéia,dirigiu-se até Ele e lhe implorou que descesse para curar seu filho, que estava a ponto de morrer. 48 E Jesus lhe disse: “A menos que vejais os sinais e maravilhas, nunca crereis.”. 49 O oficial do rei disse a Jesus: “Senhor, desce, antes que o meu menino morra!”. 50 Assegurou-lhe Jesus: “Pode seguir, o teu filho vive.”. O homem acreditou na palavra de Jesus e partiu. 51 E, quando estava descendo, a caminho, seus servos vieram ao seu encontro e lhe deram a notícia: “Teu filho vive!”. 52 Então, inquiriu deles a hora em que o menino havia melhorado, e eles lhe disseram:“Ontem, à hora sétima5 , a febre o deixou.”. 53 Assim, o pai reconheceu ser aquela a mesma hora em que Jesus lhe dissera:“O teu filho vive.”. E creu ele e todos os que viviam em sua casa. 54 Esse foi o segundo sinal6 realizado por Jesus, depois que veio da Judéia para a Galiléia. A cura do homem de Betesda 5Algum tempo depois, havia uma festa dos judeus, e Jesus subiu para Jerusalém. 2 Existe em Jerusalém, perto da Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em he- braico Betesda,1 tendo cinco pavilhões. 4 O NTG omite “o Cristo”. 5 “À hora sétima”: à uma hora da tarde. 6 “Sinal”: milagre ou sinal miraculoso. Capítulo 5 1 Em alguns originais: Betzata ou Betsaida. A forma correta é Betesda (em hebraico: bêth ‘eshdâh – “lugar do derramamento”). JO_B.indd 11 16/8/2007, 14:20:56
  11. 11. 12JOÃO 5 3 Nestes, ficava grande multidão de enfermos, cegos, mancos e paralíticos, esperando pelo movimento nas águas.2 4 De certo em certo tempo, descia um anjo do Senhor e agitava as águas. O pri- meiro que entrasse no tanque, depois de agitadas as águas, era curado de qualquer doença que tivesse. 5 Estava ali um certo homem, enfermo havia trinta e oito anos. 6 Quando Jesus o viu deitado, e sabendo que estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: “Queres ser curado?” 7 O homem enfermo queixou-se: “Se- nhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois, enquanto estou indo, desce outro antes de mim.” 8 Ordenou-lhe Jesus: “Levanta-te, apanha o teu leito3 e anda.”. 9 Imediatamente o homem ficou curado, pegou seu leito e andou. E aquele dia era sábado.4 10 Por isso, disseram os judeus ao que fora curado: “É sábado e não te é permi- j q tido carregar o leito.” 11 O homem respondeu a eles: “Aquele que me curou ordenou-me: ‘Apanha o teu leito e anda’!” 12 Então lhe perguntaram: “Quem é o homem que te disse: ‘Apanha o teu leito e anda’?”. 13 Mas o homem que havia sido curado não sabia quem era; pois Jesus tinha se retirado, sendo que havia uma multidão naquele lugar. 14 Mais tarde, Jesus o encontrou no templo e lhe disse: “Veja que já estás curado; não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior.”.5 15 O homem partiu e disse aos judeus que fora Jesus quem o havia curado. Honra o Pai e o Filho 16 Por essa razão, os judeus perseguiam a Jesus e tentavam matá-lo,6 pois Ele estava fazendo essas coisas durante o sábado. 17 Mas Jesus respondeu a eles: “Meu Pai continua trabalhando até agora, e Eu também estou trabalhando.”. 18 Por isso, os judeus ainda mais procu- ravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu Pai, fazendo a si próprio igual a Deus. 19 Retomando a palavra, explanou Jesus: “Em verdade, em verdade vos asseguro, que o Filho nada pode fazer de si mesmo, mas somente pode fazer o que vê o Pai fazer, pois o que este fizer, o Filho seme- lhantemente o faz. 20 Porque o Pai ama o Filho, e lhe mostra todas as coisas que realiza. E maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis. 21 Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos e os faz viver, assim também o Filho dá a vida a quem Ele desejar. 22 Assim, o Pai a ninguém julga, mas confiou todo o julgamento ao Filho, 23 a fim de que todos honrem o Filho exatamente como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho não honra o Pai que o enviou. 24 Em verdade, em verdade vos asseguro: quem ouve a minha Palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida. João se refere a “festas dos judeus” com o desejo de informar os gentios (não judeus) sobre as tradições judaicas. Os capítulos centrais deste Evangelho são cronologicamente relacionados com as diversas festas do ano judaico. Páscoa (6.4), Tabernáculos (7.2), Dedicação (10.2). A festa aqui se refere ao Ano Novo (Trombetas – Lv 23.23-25). Os pavilhões são cinco arcadas com grandes colunas em torno de um tanque duplo. 2 O NTG omite essa última frase do texto e todo o versículo 4. 3 Uma espécie de maca ou esteira. Em grego krabattos, como em Mc 2.9-12. 4 Sabbath em KJ. O dia do descanso conforme a Lei (Gn 2.2; Êx 20.8-11; Gl 4.1-10; Hb 4.4-11). 5 Jesus sabia que a causa da enfermidade daquele homem fora seu pecado, entretanto não quis revelá-la ao público; mas advertiu o homem de que a repetição ou permanência no pecado poderia levá-lo a coisa pior: a morte eterna. 6 O NTG omite a frase: “e tentavam matá-lo”, mantida nas revisões de KJ. JO_B.indd 12 16/8/2007, 14:20:57
  12. 12. 13 JOÃO 5, 6 25 Mais uma vez, verdadeiramente vos afirmo: vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. 26 Pois, assim como o Pai tem a vida em si mesmo, igualmente outorgou ao Filho ter vida em si mesmo. 27 E também lhe deu autoridade para executar julgamento, porque é o Filho do homem. 28 Não vos admireis quanto a isso,pois está chegando a hora em que todos os que re- pousam nos túmulos ouvirão a sua voz 29 e sairão; os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e aqueles que tiverem praticado o mal, para a ressur- reição da condenação.7 30 Por mim mesmo, nada posso fazer; conforme ouço, assim julgo; e o meu jul- gamento é justo, porque não busco agra- dar a meu próprio desejo, mas satisfazer a vontade do Pai que me enviou. 31 Se Eu der testemunho acerca de mim mesmo, o meu testemunho não será válido.8 32 Há outro que testemunha a meu favor, e Eu sei que o seu testemunho acerca de mim é verdadeiro. 33 Vós enviastes representantes a João, e ele deu testemunho da verdade. 34 Eu, entretanto, não busco o testemu- nho dos homens, mas digo essas verda- des para que sejais salvos. 35 Ele era uma candeia que queimava e iluminava, e vós quisestes, por um mo- mento, rejubilar-vos na sua luz. 36 Todavia Eu tenho um testemunho maior do que o de João; a própria obra que o Pai me deu para consumar, e que estou realizando, testemunha que o Pai me enviou. 37 E o Pai que me enviou, Ele mesmo tes- temunhou sobre mim. Jamais ouvistes a sua voz, nem contemplastes a sua face. 38 Igualmente não tendes a sua Palavra habitando em vós, porque não credes naquele a quem Ele enviou. 39 Vós examinais criteriosamente as Es- crituras,9 porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testemu- nham acerca de mim. 40 Todavia, vós não quereis vir a mim para terdes a vida. 41 Eu não aceito honra que procede dos homens. 42 Mas Eu vos conheço bem e sei que não tendes em vós o amor de Deus. 43 Eu vim em Nome de meu Pai, e vós não me recebeis. Se outro vier em seu próprio nome, declaro-vos que o recebereis. 44 Como podeis crer, vós que recebeis honra uns dos outros, mas não buscais a glória que vem do Deus único? 45 Não penseis que Eu vos acusarei diante do Pai.Quem vos acusa é Moisés,em quem tendes depositado a vossa esperança. 46 Todavia, se de fato crêsseis em Moisés, de igual modo haveríeis de crer em mim, pois foi a meu respeito que ele escreveu. 47 Mas, se não credes em seus escritos, como crereis em minhas palavras?”. A multiplicação dos pães e peixes Mt 14.13-21; Mc 6.30-44; Lc 9.10-17 6Passado algum tempo, Jesus foi para a outra margem do mar da Galiléia, que é o mar de Tiberíades. 2 Então, uma grande multidão o seguia, porque tinham visto os sinais que Ele realizava nos enfermos. 3 E Jesus subiu ao monte, e sentou-se ali com seus discípulos. 4 Ora, a Páscoa, uma festa dos judeus, estava próxima. 5 Jesus ergueu os olhos e, vendo uma grande multidão que vinha em sua dire- ção, disse a Filipe: “Onde compraremos pães para lhes dar a comer?” 7 As almas dos que morreram, repousam ou dormem (Dn 12.2). A decisão judicial suprema é tomada em vida: os que tiverem7 feito o bem são os que vieram à Luz; esses já estão vivendo a vida eterna como salvos. Os que tiverem praticado o mal são os que “amaram mais as trevas do que a Luz” (3.19-21). Essas pessoas, a não ser que, em vida, se arrependam e recebam a Jesus em seus corações, já estão condenadas para sempre (3.18). Não há bem maior do que entregar a vida aos cuidados de Cristo (Ef 2.8-10). 8 A lei judaica exigia mais de um testemunho para validar uma declaração. 9 Graphe em grego. A carta de Deus. Todo o AT e o NT (2 Pe 3.16). JO_B.indd 13 16/8/2007, 14:20:58
  13. 13. 14JOÃO 6 6 Mas disse isso apenas para o provar, pois Ele bem sabia o que ia fazer. 7 Filipe lhe respondeu: “Duzentos de- nários1 não seriam suficientes para que cada um recebesse um pequeno pedaço de pão.”. 8 Um de seus discípulos,André, irmão de Simão Pedro, disse a Jesus: 9 “Há aqui um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixes pequenos; mas de que servem no meio de tanta gente?”. 10 Então Jesus disse: “Fazei que o povo se assente”; pois havia muita grama naque- le lugar.Assim, assentaram-se os homens em número de quase cinco mil.2 11 Jesus pegou os pães e, tendo dado graças, repartiu-os entre os discípulos,3 e para os que estavam assentados; e da mesma maneira se fez com os peixes, tanto quanto desejaram. 12 E quando estavam fartos, disse Jesus aos seus discípulos:“Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.”. 13 Assim sendo, eles os ajuntaram e encheram doze cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada, deixados por aqueles que haviam comido. 14 Então, vendo aqueles homens o sinal que Jesus havia realizado, disseram:“Este é, verdadeiramente, o Profeta que devia vir ao mundo.”. Jesus caminha sobre o mar Mt 14.22-33; Mc 6.45-52 15 Percebendo, então, Jesus, que estavam prestes a vir e levá-lo à força para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte. 16 Ao anoitecer, seus discípulos desceram para o mar. 17 Entraram num barco e passaram para o outro lado, rumo a Cafarnaum. Já estava escuro, e Jesus ainda não havia chegado até eles. 18 O mar agitava-se devido ao forte vento que soprava. 19 Quando eles haviam remado uns vinte e cinco a trinta estádios,4 viram Jesus aproximando-se do barco, andando so- bre o mar, e ficaram amedrontados. 20 Mas Ele tranqüilizou-os dizendo:“Sou eu! Não temais.”. 21 Então, eles, de boa vontade, o recebe- ram no barco, e imediatamente chega- ram à praia para a qual se dirigiam. Jesus é o pão do céu 22 No dia seguinte, as pessoas que fica- ram do outro lado do mar viram que ali não havia senão um barco e Jesus não havia entrado nele com seus discípulos, mas que eles tinham partido sós. 23 Entretanto, outros barcos chegaram de Tiberíades, próximo do lugar onde o povo havia comido o pão, após o Senhor haver dado graças. 24 Quando as pessoas da multidão perce- beram que Jesus não estava ali nem seus discípulos, entraram em seus barcos e partiram para Cafarnaum à procura de Jesus. 25 E, tendo-o encontrado do outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Mestre, quan- do chegaste aqui?” 26 Jesus respondeu a eles assim: “Em verdade, em verdade vos afirmo: vós me buscais não porque vistes os sinais, mas porque comestes os pães e vos fartastes. 27 Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pela comida que permanece para a vida eterna, alimento que o Filho do homem vos dará; pois Deus, o Pai, colocou o seu selo5 sobre Ele.” 28 Então, eles questionaram a Jesus:“O que faremos para realizar as obras de Deus?” 29 Jesus lhes asseverou: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por Ele foi enviado.” 1 Denário: moeda romana de prata, equivalente a um dia de trabalho braçal. 2 Era um costume judaico contar apenas os homens. 3 O NTG omite “entre os discípulos, e para os”. 4 Entre cinco e seis quilômetros. 5 Selar (esphragisen em grego). O Pai abençoa o Filho com seu Espírito: a Trindade em plena ação na pessoa de Jesus. JO_B.indd 14 16/8/2007, 14:20:58
  14. 14. 15 JOÃO 6 30 Por esse motivo o desafiaram: “Que sinal poderás realizar para que o vejamos e creiamos em ti? Que obra farás? 31 Nossos pais comeram o maná no de- serto; como está escrito: ‘Ele lhes deu a comer pão do céu’.”.6 32 Respondeu-lhes, então, Jesus: “Em verdade, em verdade vos asseguro: não foi Moisés quem vos deu o Pão do céu; mas é meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do céu. 33 Pois o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo.” 34 Então, eles pediram a Jesus: “Senhor, dá-nos sempre desse pão.” 35 Diante disso, Jesus ministrou-lhes: “Eu sou o Pão da Vida; aquele que vem a mim jamais terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede. 36 Todavia, como Eu vos disse, embora me tenhais visto, ainda não credes. 37 Todo aquele que o Pai me der, esse virá a mim; e o que vem a mim, de maneira alguma o excluirei.77 38 Pois Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39 E esta é a vontade do Pai, o qual me enviou: que Eu não perca nenhum de todos os que Ele me deu, mas que Eu os ressuscite no último dia.8 40 De fato, esta é a vontade daquele que me enviou: que todo aquele que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia.”. Jesus não é compreendido 41 Então, os judeus começaram a se quei- xar dele, porque dissera: “Eu sou o pão que desceu do céu.”. 42 E comentavam: “Não é este Jesus, o filho de José? Cujo pai e mãe nós conhe- cemos? Como pode então Ele dizer: ‘Eu desci do céu’?”. 43 Por essa razão Jesus assim respondeu- lhes: “Não murmureis entre vós. 44 Ninguém pode vir a mim a menos que o Pai, o qual me enviou, o atrair; e Eu o ressuscitarei no último dia. 45 Está escrito nos Profetas:‘E serão todos ensinados por Deus’.9 Sendo assim, todo aquele que ouve o Pai e dele aprende, vem a mim. 46 Não que alguém tenha visto o Pai, a não ser Aquele que vem de Deus. Só Ele viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos assegu- ro: aquele que crê em mim10 tem a vida eterna. 48 Eu sou o Pão da Vida.11 49 Vossos pais comeram o maná no de- serto e estão mortos. 50 Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não morra. 51 Eu sou o Pão Vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá eter- namente; e o pão que deverei dar pela vida do mundo é a minha carne.”. 52 Houve, então, grande discussão entre os judeus e esbravejavam uns com os ou- tros: “Como pode este homem dar-nos a comer a sua própria carne?”. 53 Então Jesus os advertiu: “Em verdade, em verdade vos afirmo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida dentro de vós. 54 Todo aquele que comer a minha carne e beber o meu sangue tem vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. 55 Pois a minha carne é verdadeira comi- da, e meu sangue é verdadeira bebida. 56 Aquele que come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e Eu nele. 6 Maná: Pão do céu; a Torá (Lei de Moisés). Veja: Êx 16.4; Ne 9.15; Sl 78.24,25. 7 Excluir, lançar fora ou rejeitar, como em KJ. Veja: Jo 17.6-12. 8 Todo o que crê em Jesus recebe o Selo da Redenção Eterna: o Espírito Santo (2Co 1.21-22; Ef 1.13; Ef 4.30). 9 Veja: Is 54.13; Jr 31.31-34; Hb 8.6-18. Cristo é a redenção de Israel e de todos os povos. 10 O NTG omite “em mim”. Entretanto, já havia ficado claro que só aquele que crê em Jesus está salvo: agora e para sempre. 11 “Eu sou.” A expressão em grego egô eimi evoca o nome de Deus (Êx 3.14), transliterado Jeovái Yahweh, e Jesus a repete sete vezes. O “Eu sou” é o próprio “Pão da Vida” (Pv 9.5). Jesus é Deus! JO_B.indd 15 16/8/2007, 14:20:59
  15. 15. 16JOÃO 6, 7 57 Assim como o Pai, que vive, me enviou e Eu vivo por causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por mi- nha causa. 58 Este é o pão que desceu do céu. De modo algum comparável ao maná comido por vossos pais, que agora estão mortos. Aquele que comer deste Pão viverá para sempre.”. 59 Essas verdades disse Jesus, enquanto ensinava na sinagoga em Cafarnaum. Muitos discípulos deixam Jesus 60 Portanto, muitos dos seus discípulos, ao ouvirem isso, disseram: “Dura é essa declaração.Quempoderácompreendê-la?”. 61 Quando Jesus percebeu, em seu ínti- mo, que seus discípulos estavam mur- murando por causa de suas palavras, inquiriu-os: “Isso vos escandaliza?12 62 O que acontecerá quando virdes o Filho do homem ascender13 para o lugar onde estava antes? 63 É o Espírito quem dá vida; a carne em nada se aproveita; as palavras que Eu vos tenho dito são Espírito e são vida. 64 Entretanto, existem alguns de vós que não crêem.”. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o iria trair. 65 E continuou: “É por isso que Eu vos q tenho dito que ninguém pode vir a mim, a não ser que isso lhe seja concedido por meu Pai.”. 66 Daquele momento em diante, muitos dos seus discípulos recuaram e não mais andaram com Ele. 67 Então Jesus interpelou os doze: “Vós também desejais ir embora?”. 68 Mas Simão Pedro respondeu a Ele: “Senhor14 , para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. 69 Sendo assim, nós temos crido e reconhecido que Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo.”.15 70 Então Jesus acrescentou:“Não vos esco- lhi, Eu, aos doze? Todavia, um dentre vós é um diabo.”.16 71 Falava de Judas, o filho de Simão Is- cariotes.17 Este, ainda que fosse um dos7 doze, mais tarde o haveria de trair. A falta de fé dos irmãos de Jesus 7Depois desses fatos, Jesus andou pela Galiléia, porque não queria passar pela Judéia, pois os judeus1 procuravam matá-lo. 2 Nessa ocasião, a festa judaica dos Taber- náculos estava próxima. 3 Sendo assim, os irmãos de Jesus lhe disseram: “Parte deste lugar e vai para a Judéia, para que os teus discípulos, semelhantemente, vejam as obras que fazes. 4 Porque ninguém age às ocultas enquan- to procura ser publicamente reconheci- do. Se realizas estas obras, manifesta-te ao mundo.”. 5 Pois nem mesmo seus irmãos acredita- vam nele. 6 Então Jesus lhes afirmou: “O meu tem- po ainda não chegou; para vós, porém, qualquer hora é correta. 7 O mundo não pode odiar-vos, mas odeia a mim, pois Eu dou testemunho de que suas obras são más. 8 Podeis vós subir à festa. Eu, neste mo- mento, não subo para essa festa, porque 12 A palavra escandalizar (ofender, como em KJ) é derivada de um vocábulo grego skadalizei que significa “fazer tropeçar”. Assim, Cristo serviu de “pedra de tropeço” para Israel como fora profetizado (Is 8.14,15). 13 “Ascender” (voltar à fonte ou origem) como em KJ. A ascensão de Cristo (3.13). 14 Senhor (kurios em grego). Na Septuaginta, a autoridade e o poder de Deus (Yahweh). 15 O NTG traz: “Tu és o Santo de Deus.” A KJ acompanha, neste caso, o Textus Receptus como está em Mt 16.16. 16 Diabo; em grego, diabolos: difamador, caluniador ou falso acusador. Aqui é provável que Jesus tenha usado o termo hebraico/aramaico, um servo (demônio) de Satanás: sattan (adversário). 17 Jesus e sua Igreja sofrem com os traidores (6.64; 13.27). Iscariotes (em hebraico‘îsh qe riyyôth) significa simplesmente “o homem de Queriote”, uma localidade da Judéia (Js 15.25), de onde Judas e seu pai Simão vieram. Capítulo 7 1 Judeus aqui se refere aos habitantes da Judéia (ioudaioi). As autoridades governantes. JO_B.indd 16 16/8/2007, 14:21:00
  16. 16. 17 JOÃO 7 o meu tempo apropriado ainda2 aa não che- gou por completo.”. 9 E tendo dito essas palavras a eles, per- maneceu na Galiléia. O Mestre celeste 10 Mas, após seus irmãos terem subido, então, Ele também subiu para a festa, não abertamente, mas em segredo. 11 Então, os judeus o procuravam na fes- ta e especulavam: “Onde estará Ele?” 12 E havia grande murmuração entre o povo a respeito dele. Alguns comentavam: “Ele é bom.”. E outros: “Não, ao contrário, Ele ilude o povo.”. 13 Todavia, ninguém falava dele em pú- blico, por medo dos judeus. 14 Assim, próximo ao meio da festa, Jesus subiu ao templo e ensinava. 15 E os judeus, maravilhados, diziam: “Como sabe este homem letras,3 sem nunca ter estudado?” 16 Respondeu-lhes Jesus: “A minha dou- trina4 não é minha, e sim, daquele que me enviou. 17 Se alguém desejar fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela vem de Deus ou se Eu falo por minha própria autoridade.5 18 Aquele que fala por si mesmo está pro- curando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça.6 19 Não foi Moisés quem vos deu a Lei? Entretanto, nenhum de vós pratica a Lei. Por que procurais matar-me?” 20 Contestou o povo: “Tu estás com um demônio! Quem está procurando ma- tar-te?” 21 Jesus respondeu a eles, dizendo: “Realizei só uma obra,7 e todos vos assombrais. 22 Por causa de Moisés vos haver dado a circuncisão (embora ela não tenha vindo de Moisés, mas sim, dos patriarcas), vós circuncidais um homem no sábado. 23 E, se um homem8 pode receber a cir- cuncisão no sábado, para que a Lei de Moisés não seja quebrada, por que vos irais contra mim por Eu ter curado com- pletamente um homem no sábado? 24 Não julgueis de acordo com a aparên- cia, mas decidi com justos julgamentos.” Jesus é o Messias! 25 Então,alguns de Jerusalém diziam:“Não é este aquele a quem procuram matar? 26 Mas observai! Ele fala atrevidamente, e eles não lhe dizem nada. Será que as autoridades reconhecem que Ele é verda- deiramente9 o Messias? 27 Entretanto,nós sabemos de onde é este homem; quando o Cristo vier, ninguém saberá de onde Ele é.” 28 Então Jesus, enquanto ensinava no templo, proclamou: “Vós não somente me conheceis, como também sabeis de onde Eu Sou; e não vim porque Eu, de mim mesmo, o desejasse, mas Aquele que me enviou é verdadeiro; Aquele a quem vós não conheceis. 29 Mas10 Eu o conheço, porque venho dele e por Ele fui enviado.”. 30 Por isso, procuravam prendê-lo; mas 2 O NTG omite a palavra “ainda”. A expressão “meu tempo apropriado” deriva da expressão grega kairos (literalmente, “opor- tunidade” – o momentum, certo e predeterminado de Deus). 3 Jesus não estudou em escola rabínica, mas conhecia bem “as letras” (grammala, em grego) ou “escritos”, como em 5.47. 4 Mais que “ensino”. A doutrina de Jesus é o conjunto de princípios básicos do sistema filosófico e religioso de todo o Cristianismo. 5 Os profetas de Deus falavam: “Assim diz o Senhor”; enquanto Jesus, exercendo a autoridade do Pai, dizia: “Eu vos digo” (3.34; 5.36). A vontade de Deus só é perfeitamente conhecida através do “desejar fazer” (thelei, verbo no presente contínuo em grego). 6 Adikia (em grego: o oposto a certo, justo e verdadeiro). O mundo tenta relativizar a moral e a justiça. Em Jesus não há qual- quer falsidade. Ele é a verdade (14.6). 7 Obra (ou milagre), como em KJ e nos melhores textos em grego. Refere-se ao milagre de 5.8-10. 8 Homem como em KJ, ou “menino”. Os rabinos acreditavam que o rito da circuncisão podia curar uma parte do corpo do homem e melhorar sua capacidade reprodutora. 9 O NTG omite a palavra: “verdadeiramente”. Cristo é a tradução grega da palavra hebraica Messias. 10 O NTG omite a palavra: “mas”. JO_B.indd 17 16/8/2007, 14:21:00
  17. 17. 18JOÃO 7 ninguém lhe pôs a mão, pois ainda não era chegada a sua hora. 31 E muitos que estavam na multidão, acreditaram nele e afirmaram: “Quando o Cristo vier,fará,porventura,mais sinais do que esses feitos por este homem?”. Jesus e os líderes religiosos 32 Os fariseus ouviram a multidão fo- mentando esses comentários a respeito dele. Então os chefes dos sacerdotes e os fariseus11 enviaram guardas do templo para o prenderem. 33 Exclamou, então, Jesus: “Eu ainda estarei convosco por pouco tempo e logo irei para Aquele que me enviou. 34 Vós procurareis por mim, mas não me encontrareis; e onde Eu estou vós não podeis chegar.” 35 Então os judeus comentaram entre si: “Para onde Ele pretende ir, que não o pos- samos encontrar? Planeja ir para a Disper- são12 entre os gregos, para ensinar a eles? 36 Qual é o significado do que Ele disse: ‘Vós procurareis por mim, mas não me encontrareis; e onde Eu estou vós não podeis chegar’?”. A promessa do Espírito Santo 37 No último dia, o mais solene dia da festa, Jesus colocou-se em pé e clamou em pranto: “Se alguém tem sede, deixai- o vir a mim para que beba.13 38 Aquele que crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.”. 39 Mas Ele se referiu ao Espírito que,mais tarde, receberiam os que nele cressem;14 pois o Espírito Santo15 até aquele mo- mento não fora concedido, porque Jesus não havia sido ainda glorificado. Quem é Jesus Cristo? 40 Então, muitos16 dentre a multidão, quando ouviram essas palavras, disse- ram: “Verdadeiramente este é o Profeta.” 41 Outros concluíram: “Este é o Messias.” Mas, alguns divergiram: “Como pode o Cristo vir da Galiléia? 42 Não diz a Escritura que o Cristo virá da semente17 de Davi, da cidade de Belém, de7 onde era Davi?”. 43 Assim houve uma divisão entre o povo por causa dele. 44 E alguns dentre o povo quiseram pren- dê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos. Rejeitado pelas autoridades 45 Então, os guardas do templo voltaram aos chefes dos sacerdotes e aos fariseus, os quais lhes inquiriram: “Por que não o trouxestes?”. 46 Os guardas explicaram: “Nenhum ho- mem jamais falou como este Homem!”.18 47 Replicaram-lhes os fariseus:“Será pos- sível que fostes vós também iludidos? 48 Porventura, acreditou nele alguém das autoridades ou dos fariseus? 49 E, quanto a esse povo comum, que nada sabe da Lei, são uns malditos!”. 50 Nicodemos, sendo um dos sacerdotes, o qual estivera com Jesus à noite,19 ques- tionou-os: 51 “Acaso a nossa lei julga um homem, sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele está fazendo?”. 11 Os chefes dos sacerdotes (em grego: archiereis) faziam parte das famílias sacerdotais mais ricas e poderosas e formavam o Sinédrio. Os fariseus pertenciam a uma seita política radical na observância da Lei, e eram inimigos dos saduceus (sacerdotes). 12 Dispersão: regiões a norte e oeste da Judéia onde havia colônias judaicas em terras gregas. 13 O último dia era o oitavo dia da festa dos Tabernáculos e era sagrado como um sábado. Em todo o tempo da festa, um jarro de ouro com água do tanque de Siloé era derramado, como libação, sobre o altar do sacrifício matinal. Cristo se apresenta como a Rocha da qual flui água salvadora (Nm 20.2-13; 1Co 10.4). Uma profecia sobre sua morte expiatória (19.34). 14 O TM (Texto Majoritário) traz: “que creram”. 15 O NTG omite “Santo”, como está em KJ. 16 O NTG traz: “alguns”. 17 “Semente”, como nos originais e em KJ, ou “descendência”, como em algumas traduções. 18 “Homem!”: ênfase ao ser humano especial que os guardas viram em Jesus; como aparece nas novas versões de KJ. 19 “À noite” como em KJ, ou “antes” como no NTG. JO_B.indd 18 16/8/2007, 14:21:01
  18. 18. 19 JOÃO 7, 8 52 Eles responderam-lhe: “És igualmen- te tu um galileu? Procura e verás que ne- nhum profeta se levantou20 na Galiléia.”. 53 Depois disso, cada um foi para a sua casa.21 Uma adúltera encontra a Luz 8Entretanto, Jesus seguiu para o mon- te das Oliveiras. 2 Ao amanhecer, Ele voltou ao templo, e todo o povo achegava-se ao seu redor. Então, Ele se assentou e lhes ensinava. 3 Os escribas1 e fariseus trouxeram até Ele uma mulher surpreendida em adul- tério. Forçaram-na a ficar em pé no meio de todos, 4 e disseram a Ele:“Mestre,esta mulher foi apanhada2 aa em flagrante ato de adultério. 5 Assim sendo, Moisés, na Lei,3 nos man- dou que tais mulheres sejam apedrejadas. Todavia, tu, que dizes a este respeito?”. 6 Eles falavam assim para prová-lo e terem alguma coisa de que o acusar.4 Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo, como se não tivesse ouvido.5 7 Porque insistiram na pergunta, Ele se levantou6 e lhes disse: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.”. 8 E, novamente, inclinou-se e escrevia na terra. 9 Então, aqueles que ouviram isso, sendo convencidos por suas consciências,7 foram7 se retirando um por um, começando pelos mais velhos até o último. Jesus foi deixado só, e a mulher ficou em pé onde estava. 10 Quando Jesus se ergueu, não vendo a ninguém mais, além da mulher, disse a ela: “Mulher, onde estão aqueles teus8 acusadores? Ninguém te condenou?”. 11 Disse ela:“Ninguém,9 Senhor.” E assim lhe disse Jesus: “Nem Eu te condeno; podes ir e não peques mais.”.10 Jesus defende seu testemunho 12 Falando novamente ao povo, disse Je- sus: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue, não andará em trevas, mas terá a luz da vida.”. 13 Os fariseus, todavia, lhe indagaram: “Tu dás testemunho a respeito de ti mesmo; logo o teu testemunho não é válido.”. 14 Respondeu Jesus, assegurando-lhes: “Ainda que Eu testifique de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, pois sei de onde vim e para onde vou. Todavia, vós não sabeis de onde venho e para onde vou. 15 Vós julgais de acordo com a carne; Eu a ninguém julgo. 16 E mesmo que Eu julgue, o meu julga- mento é verdadeiro, pois não estou só, mas Eu estou com o Pai, que me enviou. 17 Está igualmente escrito na vossa lei que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro. 18 Eu testemunho sobre mim mesmo; e o Pai, que me enviou, testemunha a meu favor.”. 19 Então, eles perguntaram a Ele: “Onde está o teu pai?”. Respondeu-lhes Jesus: 20 Levantar, aparecer ou, como no NTG, surgir. 21 Muitos manuscritos não trazem Jo 7.53 a 8.11. Todavia, mais de 900 manuscritos apresentam todo o texto como em KJ. Capítulo 8 1 Escriba: doutor da Lei entre os judeus, com a responsabilidade de copiar os originais bíblicos sem erros ou alterações. 2 “Apanhada”: como em KJ; ou como no TM: “encontrada”, ou ainda, “surpreendida”. 3 A MDT traz: “em nossa Lei”. 4 Se Jesus discordasse, estaria contra Moisés; concordando, seria um subversivo, pois só Roma poderia condenar alguém à pena de morte. Além disso, Jesus afirmara que viera para a salvação dos pecadores. 5 “Como se não tivesse ouvido” em KJ, mas não consta do NTG e no TM 6 A MDT traz: “Ele olhou para cima.” Em KJ aparece como no NTG. 7 O NTG e o TM omitem: “sendo convencidos por suas consciências”. 8 O NTG omite: “não vendo a ninguém mais” e “teus”. 9 Não houve condenação por falta de acusadores sem culpa. Como Jesus nunca pecou (8.46), tomou os pecados dela sobre si e a perdoou (Rm 8.1-3). 10 O TM acrescenta: “de agora em diante”. JO_B.indd 19 16/8/2007, 14:21:02
  19. 19. 20JOÃO 8 “Vós não conheceis nem a mim nem a meu Pai. Se conhecêsseis a mim, da mes- ma forma conheceríeis a meu Pai.”. 20 Essas palavras Jesus proclamou no lu- gar do gazofilácio,11 enquanto ainda en- sinava no templo; e ninguém o prendeu, pois ainda não era chegada a sua hora. Jesus anuncia a sua partida 21 Uma vez mais, disse-lhes Jesus: “Estou partindo, e vós procurareis por mim, mas morrereis em vossos pecados; para onde Eu vou, vós não podeis ir.” 22 Então, os judeus comentaram: “Terá Ele a intenção de se matar? E, por isso diz: ‘Para onde Eu vou, vós não podeis ir’?”. 23 Mas Ele seguiu dizendo-lhes: “Vós sois daqui de baixo; Eu Sou lá de cima. Vós sois deste mundo; Eu deste mundo não sou. 24 Por isso, Eu vos afirmei que morrereis em vossos pecados. Se vós não crerdes que Eu Sou, certamente morrereis em vossos pecados.”. 25 Então, indagaram-lhe: “Quem és tu?” E Jesus lhes afirmou: “Exatamente o mesmo que vos tenho dito desde o princípio. 26 Eu tenho muito mais a declarar e julgar a respeito de vós. Pois Aquele que me enviou é digno de toda a confiança, assim, transmito ao mundo as palavras que dele ouvi.”. 27 Os judeus, contudo, não entenderam que lhes falava acerca do Pai. 28 Então Jesus preveniu-os: “Quando ti- verdes elevado o Filho do homem, então sabereis que Eu Sou, e que nada faço de mim mesmo, mas transmito tudo con- forme o meu Pai me ensinou. 29 E Aquele que me enviou está comigo. O Pai não me deixou só, pois Eu sempre cumpro a sua vontade como lhe agrada.”. 30 Tendo proferido essas palavras, muitos creram nele. A verdade que liberta 31 Então, disse Jesus aos judeus que haviam crido nele:“Se permanecerdes na minha Palavra, verdadeiramente sereis12 meus discípulos. 32 E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” 33 Eles responderam-lhe: “Somos des- cendência de Abraão e jamais fomos escravos de ninguém. Como podes tu afirmar que seremos libertos?” 34 Jesus explicou-lhes: “Em verdade, em verdade vos asseguro: todo aquele que pratica o pecado é escravo do pecado. 35 O escravo não fica em casa para sempre, mas o filho permanece para sempre.13 36 Assim sendo, se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. A semente de Abraão e de Satanás 37 Eu sei que sois a descendência de Abraão, entretanto, procurais matar-me, porque a minha Palavra não tem lugar dentro de vós. 38 Eu falo do que tenho visto com meu Pai, e vós fazeis o que ouvistes14 de vosso pai.” 39 Eles contestaram a Jesus, dizendo: “Abraão é nosso pai.”. Mas Jesus os cor- rigiu: “Se fôsseis filhos de Abraão, vós faríeis as obras de Abraão. 40 Mas, ao contrário, agora procurais matar a mim, um homem que vos tem declarado a verdade, a qual ouviu de Deus. Abraão não procedeu assim.15 41 Vós fazeis as obras de vosso pai.”. Então lhe asseveraram: “Nós não nascemos de fornicação;16 nós temos um só Pai, Deus.”. 11 “Lugar do gazofilácio” ou “tesouro”, como em KJ: ficava no pátio das mulheres, onde havia treze recipientes em forma de trom- beta para receber as ofertas; seis deles para ofertas voluntárias. Onde Jesus viu a viúva depositar suas moedas (Mc 12.41-44). 12 “Sois”, como em KJ. Só os verdadeiros discípulos permanecem em Jesus, e vivem a fé cristã como estilo de vida. 13 O escravo não tem ligação de sangue com a família, mas o filho pertence a ela para sempre. 14 Embora apareça “visto” em KJ, o mais correto é como no NTG: “ouvistes de”. 15 Abraão é exemplo de obediência a Deus (Gn 26.5; Hb 11.8-12). 16 No NTG: “não nascemos de pornéia”, ou seja, de ato sexual ilícito; “não somos bastardos”. JO_B.indd 20 16/8/2007, 14:21:03
  20. 20. 21 JOÃO 8, 9 42 Replicou-lhes Jesus: “Se Deus fosse vosso Pai, vós me amaríeis, pois Eu pro- cedo de Deus e estou aqui. Eu não vim por mim mesmo, mas Ele me enviou. 43 Por que vós não podeis entender minha linguagem? É porque vós sois q p incapazes de ouvir a minha Palavra. 44 Vós pertenceis ao vosso pai, o Diabo; e quereis realizar os desejos de vosso pai. Ele foi assassino desde o princípio, e jamais se apoiou na verdade, porque não existe verdade alguma nele. Quando ele profere uma mentira, fala do que lhe é próprio, pois é um mentiroso e pai da mentira. 45 Mas, porque Eu digo a verdade, vós não credes em mim. 46 Quem de vós pode me condenar por al- gum pecado? E,se Eu estou dizendo a ver- dade, por que vós não credes em mim? 47 Aquele que é de Deus, ouve as palavras de Deus. Entretanto, vós não ouvis; porque não sois de Deus.”. Antes de Abraão, Eu Sou 48 Então os judeus, em resposta, lhe disseram: “Não dissemos acertadamente quetuéssamaritanoetensumdemônio?”. 49 Replicou-lhes Jesus:“Eu não tenho um demônio; ao contrário, Eu honro a meu Pai, e vós me desonrais. 50 E além do mais, Eu não estou buscan- do minha própria glória; existe Um que a busca por mim e a tudo julga.17 51 Em verdade, em verdade vos asseguro: se alguém obedecer a minha Palavra, ja- mais experimentará a morte.”. 52 Ao ouvirem isso, exclamaram os ju- deus: “Agora estamos certos de que tens um demônio. Abraão morreu, e também os profetas, e tu afirmas: ‘se alguém obedecer à minha palavra, jamais expe- rimentará a morte’. 53 És tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? Da mesma forma, os profe- tas morreram. Quem pretendes ser?”. 54 Jesus declarou-lhes: “Se eu me glorifi- co a mim mesmo, a minha glória nada é; quem me glorifica é meu Pai, o qual vós dizeis que é vosso18 Deus. 55 Todavia, vós ainda não o tendes co- nhecido, mas Eu o conheço. E se Eu disser que não o conheço, Eu serei um mentiroso, assim como vós. No entanto, Eu verdadeiramente o conheço e obede- ço a sua Palavra. 56 Vosso pai Abraão muito se alegrou, pois veria o meu dia; e ele o viu e ficou feliz.”. 57 Então os judeus disseram a Jesus: “Tu ainda não tens cinqüenta anos, e viste a Abraão?”. 58 Respondeu-lhes Jesus: “Em verdade, em verdade vos asseguro: antes que Abraão existisse, Eu Sou.”. 59 Então, pegaram pedras para apedrejá- lo, mas Jesus esquivou-se e, passando por entre eles,19 saiu do templo. Jesus cura um homem cego 9Ao caminhar, Jesus viu um cego de nascença. 2 E seus discípulos lhe perguntaram: “Rabi,1 quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego?”. 3 Jesus lhes respondeu: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que as obras de Deus fossem reveladas na vida dele. 4 Eu2 devo fazer as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. 5 Durante o tempo em que estiver no mundo, sou a luz do mundo.”. 6 Então, tendo dito essas palavras, cuspiu no chão e fez barro com saliva; em segui- 17 Jesus não temia o julgamento dos homens. Ele sabia que o Pai o glorificaria. 18 O NTG e o TM trazem: “nosso”. 19 O NTG omite: “passando por entre eles”. Capítulo 9 1 “Rabi”, como em KJ, significa “Mestre”. 2 Os originais registram “Eu faço”, como em KJ. JO_B.indd 21 16/8/2007, 14:21:04
  21. 21. 22JOÃO 9 da ungiu3 os olhos do cego com aquela mistura. 7 E ordenou ao homem: “Vai, lava-te no tanque de Siloé”4 (que significa: Envia- do). O cego foi, lavou-se e voltou vendo. 8 Portanto, os vizinhos e aqueles que o conheciam como cego, diziam: “Não é este o mesmo homem que costuma ficar sentado, mendigando?”. 9 Alguns afirmavam: “É ele mesmo.” Ou- g tros comentavam: “Apenas se parece com ele.”5 Ele mesmo, entretanto, assegurava- lhes:“Sou eu o homem.”. 10 Por esse motivo, indagaram-lhe: “Co- mo te foram abertos os olhos?”. 11 Ele respondeu: “Um homem chamado Jesus misturou terra com saliva, ungiu meus olhos e disse-me: ‘vai, lava-te no tanque de Siloé.’ Então eu fui, lavei-me, e recebi a visão.”. 12 Em seguida lhe perguntaram: “Onde está Ele?”Ao que respondeu: “Não sei.”. O homem curado é expulso 13 Então, levaram o homem que fora cego à presença dos fariseus. 14 E era sábado, quando Jesus fez aquela mistura de barro e abriu os olhos do homem cego. 15 Então, os fariseus também lhe inquiri- ram como recebera a visão. E o homem tornou a explicar: “Ele aplicou barro aos meus olhos, lavei-me e vejo.”. 16 Por esse motivo, alguns dos fariseus alegavam: “Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado.” Outros murmuravam:“Como pode um homem, sendo pecador, realizar milagres como esses?”. E, novamente, houve divisão entre eles. 17 Uma vez mais, perguntaram ao ho- mem que fora cego: “Que dizes tu a res- peito dele, pelo fato de que abriu os teus olhos?”. O homem asseverou-lhes: “Ele é um profeta.”. 18 Contudo, os judeus não acreditaram que ele fosse cego e havia recebido a visão, até que fossem chamados os pais daquele que recebera a visão. 19 Então os interrogaram: “É este o vosso q q filho, o qual vós dizeis que nasceu cego? Como, então, ele pode ver agora?”. 20 Os pais lhes responderam: “Sabemos6 que ele é nosso filho e que nasceu cego. 21 Mas não sabemos o significado de ele estar vendo agora, e também não sabemos quem lhe abriu os olhos. Per- guntai a ele, já tem idade.7 Ele falará de si mesmo.”. 22 Seus pais responderam dessa maneira porque estavam com medo dos judeus; pois estes já haviam acordado que, se al- guém confessasse que Jesus era o Cristo, seria expulso da sinagoga. 23 Foi por isso que seus pais disseram: “Perguntai a ele, já tem idade.”. 24 Então, eles chamaram de novo o ho- mem que fora cego e lhe ordenaram: “Dá glória a Deus!8 Pois nós sabemos que esse homem é pecador.”. 25 Ao que ele retorquiu: “Se ele é um pecador ou não, eu não sei. Todavia, uma verdade eu sei: eu era cego; agora vejo.”. 26 E, novamente lhe indagaram: “O que Ele te fez? Como abriu teus olhos?”. 27 O homem lhes respondeu:“Eu já o dis- se, mas vós não credes. Por que desejais ouvir tudo uma vez mais? Acaso também quereis tornar-vos discípulo dele?”. 28 Por isso, o insultaram e disseram: “Tu, 3 “Ungir”: passar, friccionar, aplicar, investir de autoridade, purificar, curar. Deus criou o homem do barro (Gn 2.4; 3.19), portanto, pode curá-lo de todos os males. 4 “Siloé” (em hebraico shilôah “águas enviadas”, expressão derivada do verbo shâlah “enviar” e se refere a Jesus, o enviado; (em grego, apestalmenos). Assim como os judeus rejeitaram as águas de Siloé, estavam rejeitando o Messias (Is 8.6,7). 5 O NTG traz: “Não, mas se parece com ele.” 6 “Sabemos” (em grego: oidamen) é usado 11 vezes neste capítulo; numa evidência de quanto os judeus estavam longe de reconhecerem Jesus como Deus (4.22,32). 7 Uma pessoa era aceita como testemunha num tribunal somente após os treze anos de idade. 8 Esta expressão pode ser usada em dois sentidos. Como agradecimento (Lc 17.15-18), e como uma intimação a que se “diga a verdade” (Js 7.19). JO_B.indd 22 16/8/2007, 14:21:05
  22. 22. 23 JOÃO 9, 10 sim, és um discípulo dele; mas nós so- mos discípulos de Moisés. 29 Sabemos que Deus falou a Moisés; mas quanto a esse sujeito, nem sabemos de onde vem.”. 30 O homem questionou: “Ora, isso é surpreendente! Vós não sabeis de onde Ele vem, e mesmo assim, abriu-me os olhos! 31 É sabido que Deus não ouve pecado- res; mas a todo adorador9 de Deus, e a todo que faz a sua vontade, a esse Ele atende. 32 Desde o início do mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença. 33 Se esse homem não viesse de Deus, não poderia fazer obra alguma.”. 34 Então, concluíram: “Tu que nasceste repleto de pecados, pretendes nos ensi- nar?”. E o excluíram.10 Os cegos receberão a visão 35 Jesus ouviu que o haviam expulsado, e, quando o encontrou, lhe disse: “Acredi- tas tu no Filho de Deus?”.11 36 O homem respondeu: “Quem é Ele, Senhor, para que eu possa nele crer?”. 37 E Jesus lhe assegurou: “Tu o estás vendo. É este que te fala.”. g 38 Então, declarou o homem:“Senhor, eu creio!”. E prostrando-se diante de Jesus, o adorou. 39 Então revelou Jesus: “Eu vim a este mundo para julgamento, a fim de que os cegos vejam e os que vêem se tornem cegos.”. 40 Alguns fariseus que estavam com Ele, ao ouvirem essas palavras, perguntaram a Jesus: “Porventura, nós também somos cegos?”. 41 Afirmou-lhes Jesus: “Se vós fôsseis cegos, não seríeis culpados; mas uma vez que alegais: ‘Nós vemos!’, por essa razão, o pecado persiste dentro de vós. Eu Sou o bom pastor 10Em verdade, em verdade vos as- seguro: aquele que não entra no aprisco das ovelhas1 pela porta, mas sobe o muro à procura de outra passagem, esse é ladrão e assaltante. 2 Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3 Para esse, o porteiro2 abre a porta do aprisco, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama cada uma das suas ovelhas pelo nome, e as guia3 para fora. 4 E depois de conduzir para fora todas as que lhe pertencem,vai adiante delas,e elas o seguem, porque reconhecem a sua voz. 5 Todavia, de modo algum seguirão a um estranho; ao contrário, fugirão dele, por- que não conhecem a voz de estranhos.”. 6 Jesus falou de forma proverbial,4 mas eles não compreenderam o significado do que lhes havia falado. 7 Sendo assim, Jesus lhes disse de novo: “Em verdade, em verdade vos asseguro: Eu Sou a porta das ovelhas. 8 Todos quantos vieram antes5 de mim são ladrões e assaltantes; porém as ove- lhas não os ouviram. 9 Eu Sou a porta.Qualquer pessoa que en- 9 “Adorador”: crente ou devoto sincero, piedoso. 10 Excluir, excomungar, anatematizar, amaldiçoar. Expulso do rol de membros da sinagoga, passaria a ser considerado um (servo do Diabo), inimigo de Deus. 11 O NTG traz o título messiânico de Jesus: “O Filho do homem” (Dn 7.13). Capítulo 10 1 A ligação entre os capítulos 9 e 10 está na exclusão do homem que fora curado da cegueira (9.34). Jesus, entretanto, o abriga, como ovelha (10.3,4,14), em um novo rebanho: a sua Igreja (10.16; Mt 16.18). O aprisco ou curral era, normalmente, um cercado com muros de pedra, com uma entrada guardada por um porteiro. 2 João Batista foi o precursor dos guias verdadeiros (1Pe 5.1-4). Os crentes são convidados a deixar o judaísmo e qualquer outra religião para seguir unicamente a Cristo: o Supremo Pastor (Hb 10). 3 Jesus cumpre a figura de Josué (Nm 27.16-17) e a profecia em Ez 34.23, onde Cristo é o Messias da linhagem de Davi. 4 Provérbio (em grego, paroimia) ou enigma (2Pe 2.22). O termo “parábola” (em grego, parabole) designa o tipo de ilustração usada por Jesus nos Sinóticos. 5 A MDT omite “antes de mim”. Consta, entretanto, em outros bons originais. JO_B.indd 23 16/8/2007, 14:21:06
  23. 23. 24JOÃO 10 trar por mim, será salva. Entrará e sairá; e encontrará pastagem.6 10 O ladrão não vem, senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as ove- lhas tenham vida, e vida em plenitude. 11 Eu Sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. 12 O mercenário, que não é o pastor a quem as ovelhas pertencem, vê a apro- ximação do lobo, abandona as ovelhas e foge. Então, o lobo as apanha e dispersa o rebanho. 13 O mercenário foge, porque é um mer- cenário e não tem zelo pelas ovelhas. 14 Eu Sou o bom pastor. Conheço as mi- nhas ovelhas e sou conhecido por elas; 15 assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai; e entrego minha vida pelas ovelhas. 16 Ainda tenho outras7 ovelhas que não7 são deste aprisco,8 as quais devo da mesma maneira trazer; elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17 Por esse motivo o Pai me ama; porque Eu entrego a minha vida para retomá-la. 18 Ninguém a tira de mim; antes Eu a entrego de espontânea vontade. Tenho poder9 para entregá-la, e poder para retomá-la. Esse é o mandamento que recebi de meu Pai.”. Mais uma divisão entre os judeus 19 Por causa dessas palavras, houve nova- mente divisão entre os judeus. 20 E muitos deles murmuravam:“Ele tem um demônio e enlouqueceu. Por que vós o escutais?”. 21 Outros ponderavam: “Essas palavras não são de alguém que tem um demônio. Pode, porventura, um demônio abrir os olhos dos cegos?”. O pastor conhece suas ovelhas 22 Naquela ocasião, celebrava-se a Festa da Dedicação em Jerusalém, e era in- verno. 23 E Jesus caminhava dentro do templo, pelo Pórtico de Salomão. 24 Então, os judeus rodearam a Jesus para indagar-lhe: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se és o Cristo, dize-nos cla- ramente.”. 25 Respondeu-lhes Jesus: “Eu já vo-lo disse, e vós não acreditais. As obras que realizo em Nome de meu Pai testemu- nham a meu favor. 26 Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas, como já vos afir- mei.10 27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; Eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu lhes dou a vida eterna, e elas nunca perecerão; tampouco ninguém as poderá arrancar da minha mão. 29 Meu Pai, que as deu a mim, é maior do que todos,11 ninguém é capaz de arrancá- las da mão de meu Pai. 30 Eu e o Pai somos um.”. 31 E por isso, uma vez mais, os judeus pegaram pedras para apedrejá-lo. 32 Mas Jesus os interpelou:“Eu tenho vos revelado muitas obras boas da parte do meu Pai. Por qual dessas obras vós que- reis lapidar-me?12 . 33 Os judeus responderam-lhe assim:“Por nenhuma boa obra nós te lapidaremos, 6 Em aramaico (a língua que Jesus falava), tem o sentido de “permanecer em segurança”. A proteção de Deus (Sl 23; Sl 91). 7 “Outras ovelhas”: (em grego alla – outras da mesma espécie). Refere-se aos crentes gentios, em todo o mundo, que se unirão a Cristo e formarão o novo e verdadeiro Israel. 8 As ovelhas judias precisavam ser tiradas do primeiro aprisco (em grego aule), antes de serem reunidas às outras e formarem um novo e único rebanho (em grego poimnê). 9 “Poder” como em KJ ou “autoridade”. É pela autoridade do Pai que o Filho age com independência (5.19-30); um paradoxo próprio do relacionamento único entre Deus-Pai e Deus-Filho. 10 O TM (Texto Majoritário) omite “como já vos afirmei”. 11 O Texto Bizantino, com o apoio do antigo Papiro 66, reforça essa melhor tradução, como em KJ. 12 “Lapidar”, açoitar ou matar por apedrejamento, em função de condenação sumária por pecados considerados hediondos, como blasfêmia, violação do sábado ou adultério. É interessante notar que a expressão “obras boas” (em grego, erga kala) significa literalmente: “obras belas ou lindas”. ) JO_B.indd 24 16/8/2007, 14:21:06
  24. 24. 25 JOÃO 10, 11 mas sim por blasfêmia, e porque, sendo tu um simples homem, te fazes passar por Deus.”. 34 Jesus lhes contestou: “Não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: sois deuses?’13 35 Se Ele chamou ‘deuses’ àqueles a quem veio a Palavra de Deus (e a Escritura não pode ser quebrada), 36 como vós dizeis daquele a quem o Pai santificou e enviou a esse mundo: ‘Tu blasfemas!’, porque vos declarei: ‘Eu Sou o Filho de Deus?’ 37 Se não faço as obras de meu Pai, não acreditais em mim. 38 Mas se as faço, mesmo que não acredi- tais em mim, crede nas obras, para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e Eu estou no Pai.”. 39 Contudo, uma vez mais tentaram pren- dê-lo, mas Ele se livrou das mãos deles. Os crentes além do Jordão 40 Sendo assim, novamente Jesus atra- vessou o Jordão e foi para o lugar onde João batizava no início do seu ministério, e ali ficou. 41 Então, muitos vinham até Jesus, exal- tando: “João não realizou nenhum sinal; todavia, tudo quanto falou a respeito deste Homem era verdade.”. 42 E, naquele povoado, muitos creram em Jesus. A morte do amigo Lázaro 11Um certo homem chamado Láza- ro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã Marta, estava doente. 2 Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava doente, era a mesma que ungiu com óleo perfumado1 o Senhor e lhe enxugou os pés com os próprios cabelos. 3 Assim sendo, as irmãs de Lázaro mandaram dizer a Jesus: “Senhor! Eis que aquele a quem amas está enfermo.”. 4 Ao saber do ocorrido, disse Jesus: “Essa enfermidade não terminará em morte;mas sim,para a glória de Deus,para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela.”. 5 E Jesus amava Marta, a irmã dela, e a Lázaro. 6 Contudo, quando soube que Lázaro estava doente, ficou mais dois dias no lugar onde estava. 7 Depois disso, falou a seus discípulos: “Vamos voltar para a Judéia.”. 8 Ao que lhe advertiram os discípulos: “Rabi, há pouco os judeus tentaram ape- drejar-te, e mesmo assim estás indo para lá outra vez?”. 9 Jesus lhes respondeu: “Não são doze as horas do dia? Se alguém caminhar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; 10 mas, se caminhar na noite, tropeça, porque a luz não está nele.”. 11 Tendo dito essas palavras,prosseguiu ex- plicando-lhes: “Nosso amigo Lázaro dor- me, mas Eu vou até lá para despertá-lo.”. 12 Então seus discípulos lhe disseram: “Senhor, se ele está dormindo, vai ficar melhor.”. 13 Entretanto, Jesus lhes havia falado da morte de Lázaro; mas os discípulos pen- saram que Jesus estivesse se referindo ao repouso do sono. 14 Ao que Jesus lhes disse claramente: “Lázaro morreu; 15 e, para o vosso bem, estou alegre por não ter estado lá; para que agora possais crer. Sendo assim, vamos ter com ele.”. 16 Então Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus companheiros discípulos: “Va- mos também nós para morrermos com ele!”.2 Eu Sou a ressurreição e a vida 17 Ao chegar, encontrou Lázaro já sepul- tado havia quatro dias. 13 Sl 82.6. Deus se refere aos homens como “deuses” ou juízes (em hebraico ‘elohim). Capítulo 11 1 O mesmo que bálsamo (Mc 14.3; Lc 10.38-42). 2 Tomé (em aramaico t’ômâ) significa gêmeo (o mesmo que Dídimo em grego). Tomé expressa lealdade a ponto de oferecer sua vida por Cristo; e prenuncia a morte de Jesus na Judéia. JO_B.indd 25 16/8/2007, 14:21:07
  25. 25. 26JOÃO 11 18 Ora, Betânia ficava próxima de Jerusa- lém, cerca de quinze estádios.3 19 E muitos, dentre os judeus, tinham vindo juntar-se ao grupo de mulheres que procuravam confortar Marta e Ma- ria, pela morte do irmão. 20 Assim que Marta ouviu que Jesus esta- va a caminho, saiu ao seu encontro; Ma- ria, no entanto, ficou sentada em casa. 21 Disse Marta a Jesus:“Senhor, se estives- ses aqui, meu irmão não teria morrido. 22 Mas sei que, mesmo agora, seja o que for que pedires a Deus, Ele te dará.” 23 Jesus então assegurou-lhe: “O teu ir- mão ressuscitará!” 24 E Marta lhe disse:“Eu sei que ele vai res- suscitar na ressurreição, no último dia.” 25 Esclareceu-lhe Jesus: “Eu Sou a ressur- reição e a vida. Aquele que crê em mim, mesmo que morra, viverá; 26 e todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Tu crês nisso?” 27 Ela lhe afirmou: “Sim, Senhor, eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo.”. Jesus vence a morte 28 Depois de dizer essas palavras, Marta seguiu seu caminho e chamou Maria, sua irmã, e lhe disse em particular: “O Mestre chegou, e chama por ti.”. 29 Assim que Maria ouviu isso, levan- tou-se apressadamente e foi ao encontro dele. 30 Jesus ainda não havia entrado no povoado, mas estava4 onde Marta o en- contrara. 31 Os judeus que estavam com Maria em casa e a consolavam, vendo que ela se levantou apressadamente e saiu, seguiram-na, julgando que ela fosse ao sepulcro para ali chorar. 32 Então, quando Maria chegou ao lugar onde Jesus estava, vendo-o, prostrou-se aos seus pés e desabafou: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.”. 33 Sendo assim, ao ver Maria chorando, bem como os judeus que vieram com ela, Jesus indignou-se no espírito5 e compa- deceu-se. 34 Perguntou-lhes Jesus: “Onde o colo- castes?”. E eles indicaram-lhe: “Senhor, vem e vê!”. 35 Jesus chorou. 36 Então os judeus comentaram: “Vede como Ele o amava!”. 37 Mas alguns deles questionaram: “Não poderia este homem, que abriu os olhos do cego, ter evitado que seu amigo mor- resse?”. Jesus ressuscita seu amigo 38 Então, novamente Jesus se indigna em seu espírito, e comovido dirige-se ao se- pulcro. Era uma gruta na rocha com uma pedra fechando a entrada. 39 Determinou Jesus: “Tirai a pedra!” Preveniu-lhe Marta, irmã do falecido: “Senhor, ele já cheira mal, pois já se pas- saram quatro dias.”.6 40 Encorajou-a Jesus:“Eu não te falei que, se creres, verás a glória de Deus?”. 41 Então, tiraram a pedra da entrada do lugar onde o homem morto estava deitado.7 E Jesus, levantando seus olhos7 aos céus, agradeceu:8 “Pai, dou-te graças porque me ouviste. 42 Eu sei que sempre me ouves, mas disse isso por causa da multidão que está ao meu redor, para que creiam que Tu me enviaste.”. 43 E, tendo dito essas palavras, clamou em alta voz: “Lázaro, vem para fora!”. 44 Então, o homem que havia morrido, saiu da gruta, tendo os pés e as mãos ata- 3 Cerca de três quilômetros. Em grego, um estádio equivalia a 185 metros. 4 O NTG traz “continuava”. 5 O verbo grego embrimaomai significa, literalmente, “bufou de indignação”. Condoeu-se, conturbou-se, comoveu-se. 6 Havia uma crença entre os judeus de que a alma deixa o corpo três dias após a morte. 7 O NTG omite “do lugar onde o homem morto estava deitado”. 8 Jesus já havia orado; mas ora novamente em voz alta para que o povo creia que Ele e o Pai são a mesma pessoa (17.21). JO_B.indd 26 16/8/2007, 14:21:08
  26. 26. 27 JOÃO 11, 12 dos com faixas de linho e o rosto envolto com um pano. E Jesus orientou-os: “Re- tirai as faixas dele e deixai-o seguir.”. A trama para matar Jesus 45 Assim, muitos dentre os judeus, que tinham vindo consolar Maria, vendo o que Jesus fizera, creram nele. 46 Mas alguns deles foram até os fariseus e os informaram de tudo quanto Jesus havia feito. 47 Então, os chefes dos sacerdotes e os fariseus convocaram uma reunião do Si- nédrio.9 E disseram: “O que poderemos fazer? Pois esse homem realiza muitos sinais. 48 Se o deixarmos seguir livre, todos acre- ditarão nele, e então virão os romanos e tomarão tanto o nosso lugar,10 como a nossa nação.”. 49 Entretanto, um dentre eles, chamado Caifás, que naquele ano era o sumo sa- cerdote, disse a eles: “Vós falais do que não compreendeis. 50 Nem considerais que é do vosso interesse que morra um só homem pelo povo,11 e não pereça toda a nação.”. 51 Por outro lado, ele não revelou isso de si mesmo, mas sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou12 que Jesus mor- reria pela nação judaica. 52 E não somente por aquela nação, mas também para congregar em um só povo os filhos de Deus que andam espalhados pelo mundo. 53 Assim, daquele dia em diante, pactua- ram em tirar a vida de Jesus. 54 Por isso, Ele já não andava livremente entre os judeus. Em vez disso, retirou-se para o interior, próximo ao deserto, che- gando a uma cidade chamada Efraim; e ali permaneceu com os seus discípulos. 55 A Páscoa dos judeus estava próxima, e muitos daquela região do interior subi- ram para Jerusalém, a fim de participa- rem das cerimônias de purificação antes da Páscoa. 56 Então, procuravam Jesus, e comenta- vam uns com os outros, dentro do tem- plo: “Que pensais? Virá Ele à festa?”. 57 Por outro lado, os chefes dos sacer- dotes e os fariseus haviam dado ordem para que, se alguém soubesse onde Ele estava, o denunciasse, a fim de poderem prendê-lo. Jesus ungido para a Páscoa Mt 26.6-13; Mc 14.3-9 12Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi para Betânia, onde estava Lázaro, que havia morrido e fora ressuscitado dentre os mortos. 2 Então, ofereceram-lhe um jantar; Mar- ta servia,1 enquanto Lázaro era um dos convidados,2 sentado à mesa com Jesus. 3 Maria pegou uma libra3 de bálsamo de nardo puro, um óleo perfumado muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos. E a casa encheu-se com a fragrância daquele bálsamo. 4 Mas um de seus discípulos, Judas Isca- riotes, filho de Simão, que mais tarde iria traí-lo, objetou: 5 “Por que este bálsamo perfumado não foi vendido por trezentos denários4 e dado aos pobres?”. 6 Ele não disse isso por se importar com os pobres, mas porque era ladrão; sen- 9 Sinédrio, ou Conselho, era a corte suprema da nação judaica: composto de 75 pessoas, presidido pelo sumo sacerdote. 10 O “nosso lugar” era o templo; o “lugar santo” (At 6.13-28). 11 Caifás pertencia ao partido dos saduceus, conhecidos por sua rudez mesmo entre eles próprios. Ele aconselha o Sinédrio a oferecer um homem por toda a nação; como “bode expiatório” (Lv 9.3; 16.22). 12 Tradicionalmente o sumo sacerdote deveria ser o portador da voz de Deus. Uma vez por ano fazia a expiação (sacrifícios com sangue de animais) pela nação, no Santo dos Santos (Hb 9). Sem perceber, anunciou o sacrifício expiatório de Jesus pelo mundo. Capítulo 12 1 Marta dedicava-se mais ao serviço e Maria, à adoração (Lc 10.38-42). 2 O jantar ou ceia celebrava a nova vida de Lázaro, sendo, ele e Jesus, convidados de honra. 3 A libra (em grego litra) equivale a pouco mais de 300 gramas. 4 Um denário era uma moeda de prata equivalente a um dia de trabalho braçal. JO_B.indd 27 16/8/2007, 14:21:08
  27. 27. 28JOÃO 12 do responsável pela bolsa de dinheiro,5 freqüentemente tirava o que nela era depositado. 7 Mas Jesus respondeu: “Deixa-a em paz; pois para o dia da minha sepultura foi que ela guardou isso. 8 Quanto aos pobres, vós sempre os tereis convosco, mas a mim vós nem sempre tereis.”. A trama para matar Lázaro 9 Por outro lado, uma grande multidão de judeus, assim que soube que Jesus estava ali, veio, não somente por causa de Jesus, mas igualmente para ver Lázaro, a quem Ele ressuscitara dos mortos. 10 Mas os chefes dos sacerdotes trama- ram matar Lázaro também. 11 Pois, por causa do que ocorrera com ele, muitos estavam se afastando e cren- do em Jesus. A entrada profetizada Mt 21.1-9; Mc 11.1-10; Lc 19.28-38 12 No dia seguinte, a grande multidão que tinha vindo para a festa, assim que ouviu que Jesus estava chegando a Jerusalém, 13 pegou ramos de palmeiras e saiu ao seu encontro, exultando:“Hosana!6 Bendito o que vem em o Nome do Senhor!7 Bendito o Rei de Israel!”. 14 E Jesus, tendo conseguido um jumen- tinho, montou-o, conforme está escrito: 15 “Não tenha medo, ó filha8 de Sião; eis que o seu Rei está chegando, montado em um jumentinho.”.9 16 Naquele momento,seus discípulos não entenderam o que estava acontecendo. Só depois que Jesus foi glorificado, eles se lembraram de que esses fatos estavam escritos a respeito dele e também de que isso lhe fizeram. 17 Assim sendo, a multidão que estava com Ele, quando mandara Lázaro sair do sepulcro e o ressuscitara dos mortos, continuou a testemunhar o ocorrido. 18 Por essa razão, um grande número de pessoas saiu ao encontro de Jesus, pois ouviu que Ele realizara esse milagre. 19 Todavia, os fariseus comentavam uns com os outros: “Vós percebestes como nossos esforços são inúteis. Atentai! Eis que o mundo10 todo vai após Ele!”. Jesus veio para todos os povos 20 Entre os que subiram para adorar a Deus durante a festa da Páscoa estavam alguns gregos. 21 Eles se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e lhe rogaram: “Se- nhor! Nós desejamos ver Jesus.” 22 Filipe foi e contou a André, e André e Filipe comunicaram o pedido a Jesus. 23 Jesus lhes respondeu:“Chegou a hora em que o Filho do homem será glorificado. 24 Em verdade, em verdade vos asseguro que se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanecerá ele só; mas se morrer produzirá muito fruto. 25 Aquele que ama a sua vida, a perderá; entretanto, aquele que odeia sua vida neste mundo, a preservará para a vida eterna. 26 Se alguém me serve, precisa seguir- me; e onde estou, o meu servo também estará.Aquele que me serve será honrado por meu Pai. Jesus profetiza sua morte na cruz 27 Agora minha alma está perturbada, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não! 5 A bolsa (em grego glôssokomon) era onde se guardava o dinheiro oferecido a Jesus e aos discípulos por pessoas que queriam ajudá-los (Lc 8.2,3). 6 “Hosana” (em hebraico hôshi ah-nnâ) quer dizer: “dá salvação agora” ou “dá a vitória agora”; tornou-se uma expressão de louvor e gratidão. 7 “Bendito o que vem” (em hebraico7 barûkh habbâ) é uma expressão judaica de boas-vindas (Sl 118.25-27). 8 “Filha” (em grego) ou “Cidade”. 9 Jesus cumpre a promessa divina (Zc 9.9). 10 Com a expressão “o mundo” (em grego kosmos), os fariseus queriam dizer “todas as pessoas de Jerusalém”. João, contudo, ressalta a obra salvadora de Cristo por toda a humanidade (3.16,17). JO_B.indd 28 16/8/2007, 14:21:09
  28. 28. 29 JOÃO 12 Eu vim precisamente com esse propósito e para esta hora.11 28 Pai, glorifica o teu Nome!”. Então, veio uma voz dos céus,12 dizendo:“Eu já o glo- rifiquei e o glorificarei uma vez mais.”.13 29 Todavia, a multidão que estava ali, tendo ouvido a voz, dizia ter trovejado. Outrosgarantiam:“UmanjofaloucomEle.”. 30 Jesus lhes esclareceu: “Essa voz não veio por minha causa, e sim para vosso benefício. 31 Chegou a hora de este mundo ser julgado, e agora o príncipe deste mundo será expulso. 32 Mas Eu, quando for levantado da terra, atrairei todas as pessoas para mim.”. 33 Ele disse isso para expressar o tipo de morte que haveria de sofrer. 34 O povo lhe replicou: “Nós temos ouvido da Lei que o Cristo permanecerá para sempre, como podes afirmar: ‘o Filho do homem precisa ser levantado’? Quem é afinal esse Filho do homem?”. 35 Então Jesus lhes explicou: “Ainda por mais um pouco de tempo a luz estará en- tre vós. Caminhai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos surpreendam, pois aquele que anda nas trevas não sabe para onde vai. 36 Enquanto vós tendes a luz, crede na luz, para vos tornardes filhos da luz.”. E, terminando de falar, partiu e ocultou-se deles. Nem todos creram nos milagres 37 Mas,embora tivesse realizado tantos mi- lagres diante deles, não creram em Jesus, 38 para cumprir a palavra do profeta Isaí- as, que disse: “Senhor, quem creu em nossa mensa- gem, e a quem foi revelado o braço do Senhor?”.14 39 Contudo, não podiam crer, porque como reafirmou Isaías: 40 “Cegou-lhes os olhos e endureceu- lhes o coração, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração, nem se convertam e Eu os cure.”.15 41 Isso disse Isaías porque viu a glória dele e falou a seu respeito. Caminhando na luz 42 Apesar disso, muitos dentre as próprias autoridades acreditaram nele, mas devido aos fariseus, não declaravam sua fé, para não serem excluídos da sinagoga; 43 pois amaram mais a honra dos ho- mens do que a glória de Deus.16 44 Então Jesus exclamou:“Quem acredita em mim, não crê somente em mim, mas naquele que me enviou. 45 Quem vê a mim, vê Aquele que me enviou. 46 Eu vim como luz para o mundo; a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. 47 Se alguém ouvir as minhas palavras e não obedecer a elas, Eu não o julgo; porque Eu não vim para julgar o mundo, mas sim, para salvá-lo. 48 Aquele que me rejeita e não acolhe as minhas palavras tem quem o julgue; a Palavra que proclamei, essa o julgará no último dia. 49 Pois Eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, esse me deu ordens sobre o que Eu deveria dizer e o que proclamar. 50 Eu sei que o seu mandamento é a vida eterna. Sendo assim, tudo o que Eu falo, 11 A hora (em grego kairós). O tempo oportuno (certo, escolhido) de Deus para seus filhos. 12 Pela terceira vez (batismo, transfiguração e nesta passagem) Deus glorifica seu nome, em Jesus, perante o mundo. Esse fenômeno (em grego bath gôl ou “eco de Deus”) era conhecido dos rabinos. Jesus podia ouvir perfeitamente a voz de Deus, masl as demais pessoas apenas ouviam um som estrondoso, como o de trovões. 13 O nome de Deus é glorificado ou santificado quando se faz a sua vontade. 14 Is 53.1. 15 Is 6.10. 16 A “glória de Deus”, neste caso, é a aprovação do Pai para aqueles que, uma vez crendo em Jesus, agem diante dos homens como verdadeiros (cristãos) discípulos. JO_B.indd 29 16/8/2007, 14:21:10

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