MBA DE GESTÃO EM SUSTENTABILIDADE CORPORATIVADisciplina: Responsabilidade Social CorporativaProf. Prof. JUVENAL CORREIA F...
 RESUMOEste artigo analisa algumas questões levantadas por Joel Barkan em seulivro a Corporação. São tratados assuntos com...
 encontra uma barreira considerável: ao contrário do governo, que é escolhidopelas pessoas através do voto, sendo que cada...
 trabalho dentro destas instituições, acaba por perceber que a competição pelomercado tem ficado cada vez mais acirrada e ...
 “Para Jung, os arquétipos hereditários e representam o aspecto psíquico docérebro. São universais, comuns a todos os sere...
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 consideradas como “problema dos outros”; externalidades. Milton Friedman (inBAKAN, pg.72, 2008) apresenta um conceito de ...
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 4. VÍTIMAS DO EGOÍSMO (CASES DE INSUCESSO)Ainda tendo Barkan (2008) como base deste artigo, pode-se citar dois“cases” de ...
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 descobriu depois de seguir o destino do lixo até aterros sanitários, gravesproblemas que afetavam diretamente os direitos...
 e egoístas. Os tempos são outros. Consumidores tem se tornado cada vez maisexigentes e mais interessados em conhecer a pr...
 Barkan (2008) lista algumas maneiras de fazer com que as corporações setransformem a médio e longo prazo. São elas:a) Mel...
 6. REFERÊCIASBAKAN, Joel. A corporação. São Paulo, Editora Novo Conceito,2008.JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Incons...
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As Corporações e O Arquétipo de Destruição

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Trabalho desenvolvido a partir da leitura do livro A Corporação, de Joel Barkan, desenvolvida durante a disciplina de Responsabilidade Social Corporativa do MBA de Gestão em Sustentabilidade Corporativa, empregado como avaliação da referida disciplina.

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As Corporações e O Arquétipo de Destruição

  1. 1.  MBA DE GESTÃO EM SUSTENTABILIDADE CORPORATIVADisciplina: Responsabilidade Social CorporativaProf. Prof. JUVENAL CORREIA FILHOAs Corporações e O Arquétipo de DestruiçãoConsuelo MarquesJean Michel da SilvaTrabalho desenvolvido a partir da leitura do livroA Corporação, de Joel Barkan, desenvolvidadurante a disciplina de Responsabilidade SocialCorporativa do MBA de Gestão emSustentabilidade Corporativa, empregado comoavaliação da referida disciplina.Curitiba, ParanáMaio / 2013
  2. 2.  RESUMOEste artigo analisa algumas questões levantadas por Joel Barkan em seulivro a Corporação. São tratados assuntos como a característica externalizadoradas corporações, o arquétipo bem definido e estabelecido das mesmas – nesteponto recorre-se a conceitos da Psicologia Analítica de Jung; também é feito umestudo sobre a Corporação Psicopata, além da análise de cases que retratam oquão devastadora tem sido a relação entre empresas e sociedade.1. INTRODUÇÃOÉ um fato afirmar que nos dias atuais as corporações ditam o ritmo denossas vidas. O que compramos, comemos, assistimos, qual roupa devemosvestir e como nos comportar. A corporação nos dita regras, e até mesmocontrolam a sociedade.Sua origem tem na necessidade humana de criar um ser, um ente, umainstituição com direitos de pessoas, porém sem deveres de pessoas; sem moral esem consciência. As empresas criadas como “pessoas jurídicas” poderiam serlevadas a julgamento, mas sem comprometer as pessoas de carne e osso quecomandam a corporação e ditam suas ações. De acordo com Bakan (2008), osucesso da corporação está ligado a sua talentosa forma, “e a razão de seunotável crescimento ao longo dos três últimos séculos foi, e é, sua capacidade decombinar o capital, e portanto o poder econômico de um ilimitado número depessoas.”Esse ser dotado de muita ganância e sem nenhuma consciência tornou-setão poderoso e influenciável a ponto de tornar o governo um ente vulnerável àssuas decisões. No momento em que se instalam na esfera pública, são ascorporações que controlam os setores da sociedade.Por pressão dos lobbies, o governo retrocede, e deixa de exercer suafunção reguladora. Bakan (2008) afirma que existe uma nova forma de regulaçãopara ditar o ritmo das corporações: o mercado. Porém, este modelo de regulação
  3. 3.  encontra uma barreira considerável: ao contrário do governo, que é escolhidopelas pessoas através do voto, sendo que cada pessoa tem direitoigualitariamente a um voto; no mercado a pessoa basicamente tem seu poderrelacionado ao seu poder de aquisição. Em resumo, para o governo: pessoa =voto, para a corporação: pessoa = cifra. Sendo assim, ainda que controlado pelasociedade, a regulação da corporação pelo mercado é desigual, favorece apenasuma parte desta sociedade; aquela com maior poder aquisitivo.Qual seria então um modelo de regulamentação destas corporações?Deixá-la nas mãos dos acionistas continuaria não resolvendo o problema, poisestes estão focados apenas nos lucros. E os consumidores? O desafio aqui écomo eles terão acesso a informações sobre a produção do produto, a análise dociclo de vida; onde se disponibilizariam essas informações e quão representativaseria a fatia de consumidores conscientes que poderia provocar pressão suficientena corporação para que esta mude suas atitudes impensadas e psicopatas, vistoque movimentos desta natureza ainda são esporádicos e sem força.Porém, dentre todas estas, as sanções formais do governo ainda tornam-sea melhor alternativa (regulações através de leis exequíveis). Bakan (2008), afirmaque as regulações exigem que as corporações sejam responsáveis, tanto socialquanto ambientalmente. Definem padrões apropriados para o comportamentocorporativo, onde o governo dita as regras; governo este que tem como únicopropósito “proteger e promover os interesses da população e refletir o desejo daspessoas”. Por este meio, buscam-se valores sociais que vão além de interessesde acionistas e “riquezas que ditam os comportamentos de corporações emercados.”2. A COPORAÇÃO E SEU ARQUÉTIPO DEFINIDOA má fama das corporações se arrasta ao longo do século XX e chega aosdias de hoje. O profissional que optou, ou foi condicionado a escolher, pelo
  4. 4.  trabalho dentro destas instituições, acaba por perceber que a competição pelomercado tem ficado cada vez mais acirrada e a ética tem sido deixada emsegundo plano.Numa luta indiscriminada pelo poder e pela alta lucratividade a qualquercusto, muitas organizações escolhem métodos fraudulentos e ilegais com o intuitode garantir fatia do mercado, cortar custo e ter mais rentabilidade – tudo isto àcusta de funcionários, estrategicamente denominados por “colaboradores”, meioambiente e sociedade em geral.E de acordo com Bakan (2008) estas e outras características sãofacilmente identificadas em algumas corporações “doentes”. Entre muitas,destacamos:a) Incapacidade de seguir as normas sociais e condutas dentro da lei;b) Descaso pelos sentimentos alheios;c) Incapacidade de manter relações duradouras;d) Descaso pela segurança alheia;e) Insinceridades: repetidas mentiras e trapaças para obter lucro e;f) Incapacidade de sentir culpa.Segundo o autor, todas estas características podem ser observadas nascorporações deficientes de qualquer moral ou ética. Ao analisarmos ascorporações como extensões da mentalidade humana – visto que elas nãoexistiram caso não houvesse pessoas para gerenciá-las – pode-se notar que estepadrão repetitivo e doentio acabou por criar um arquétipo bem definidoenvolvendo o egoísmo e a necessidade descontrolada de tirar vantagens sobre opróximo. Vale trazer aqui a definição de arquétipo – termo este criado pelopsiquiatra suíço pai da psicologia analítica, Carl Gustav Jung.Segundo Jung (2002) os arquétipos são estruturas virtuais, primordiais dapsique, responsáveis por padrões e tendências de comportamentos comuns.
  5. 5.  “Para Jung, os arquétipos hereditários e representam o aspecto psíquico docérebro. São universais, comuns a todos os seres humanos e ordenam imagensreconhecíveis pelos efeitos que produzem. Pode-se percebê-los pelos complexosque todos temos, pelas imagens arquetípicas que geram, assim como pelastendências culturais coletivas.” (Novaes, 2005).Ao construirmos uma instituição dotada de valores completamentedistorcidos, na qual a moral e o respeito à vida e ao planeta são questõesindiferentes ( pois, teoricamente, não influenciam aos números de “EBITIDA”, logonão são de interesse às corporações) , acabamos por criar um padrão decomportamento, no qual ser socioambientalmente irresponsável se torna algocomum e impassível de questionamento.“Em todas as tomadas de decisão corporativas, ariqueza intangível da vida e sua fragilidadetornam-se invisíveis em meio a cálculos abstratose análises de custo e benefício” (Barkan, 2008, pg.77).Ainda utilizando a metáfora da corporação como um “ser vivo” comcomportamento altamente doentio e contagioso, percebemos a forte presença deum sentimento destruidor em sua essência: o egoísmo. As empresas estão cadavez mais centradas em si mesmas e enxergam os seus funcionários(“colaboradores”) como peças, infelizmente, necessárias ao funcionamento detoda a engrenagem.“[para a corporação, trabalhadores] não são sereshumanos e sim recursos humanos. Para acorporação moralmente cega, eles sãoferramentas para gerar o maior lucro possível. E ‘a ferramenta’ pode ser tratada como um simples
  6. 6.  pedaço de metal: você usa se quiser e joga forase não quiser mais” (Barkan, pg. 82, 2008)Bakan (2008) dá o nome a estas instituições de “corporações psicopatas”.Para entendermos este paralelo, vale o um pequeno aprofundamento no tema. Apalavra psicopata foi descrita pela primeira vez em 19411pelo psiquiatra Hervey MCleckey. O médico classificou como portadores desta característica, pessoasegocêntricas, desonestas e indignas de confiança. Com frequência, adotamcomportamentos irresponsáveis sem razão aparente, exceto pelo fato de sedivertirem com o sofrimento alheio. Os psicopatas não sentem culpa. Raramenteaprendem com seus erros ou conseguem frear impulsos.A maneira desumana com que as corporações vem tratando a sociedade emeio ambiente, retrata nitidamente o perfil psicopata de suas relações. Ela nãoconsegue seguir preceitos morais para evitar o prejuízo ao próximo. Elas vivemem busca de seus próprios objetivos egoístas. “A corporação, assim como apersonalidade psicopata com que se parece, está programada para explorar osoutros visando o lucro” (Bakan, pg. 82, 2008).O arquétipo da destruição está moldado e operante. E uma das maneirasda corporação terceirizar as reponsabilidades de sua loucura desenfreada pelolucro é tentar repassar o peso de suas decisões catastróficas aos outros atravésda externalização.3. A EXTERNALIZAÇÃONão sendo regida por preceitos morais e éticos, levando em consideraçãoapenas seus próprios interesses, a única obrigação da corporação é agradar seusacionistas. Para este ser psicopata, todas as outras relações negativas possíveiscom comunidade, meio ambiente, consumidores e colaboradores são____________1LILIENFELD, Scott O. O Que é um psicopata? Disponível em: <http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/o_que_e_um_psicopata_.html> Acesso em: 20 de Maiode 2013.
  7. 7.  consideradas como “problema dos outros”; externalidades. Milton Friedman (inBAKAN, pg.72, 2008) apresenta um conceito de externalidade:“Uma externalidade é o efeito de uma transaçãopara um terceiro que não havia consentido emparticipar da realização dessa transação.”Porém, visto o tamanho e a magnitude da influência da corporação, asexternalidades por elas causadas podem ter seus efeitos sentidos no mundo comoum todo. “Externalizar os custos embutidos na corporação está na raiz de muitasdoenças ambientais e sociais do mundo”. (BAKAN, 2008)Talvez a situação mais polêmica e discutida de externalizaçao é a questãoenvolvendo os produtos “Made in China”. Nos dias atuais é praticamenteimpossível fugir de um produto feito por chineses. As grandes empresas de varejoimportam a grande maioria de seus produtos da nova grande potência que setornou a China. Mao de obra disponível e barata é o principal fator que leva asempresas a procurar fornecedores chineses. Porém, como se dá a produçãodestes produtos? Quais as reais condições de trabalho destas pessoas que estãonas fabricas? Qual o custo real do produto adquirido?O projeto “The Story of Stuff” lançado em 2010, mostra à populaçãomundial, em formato de vídeo, uma provocação sobre como devastamos osrecursos naturais e exploramos pessoas para mantermos hábitos de consumoinsustentáveis, impulsionados pela mídia de massa que nos força a ter novasnecessidades.Sara Bongiorni, uma jornalista americana, aceitou o desafio de juntamentecom sua família permanecer um período sem consumir produto algum fabricadona China. O resultado dessa “odisseia” foi o livro “Um ano sem Made in China”,onde a mesma relata os desafios e dificuldades de passar um ano inteiroverificando a origem de cada produto antes de compra-lo, e recusá-lo caso fossechinês. Sara não foi motivada por nenhum cunho político, o que ela pretendia
  8. 8.  verificar era a dependência extrema dos norte-americanos aos produtos chineses.E confirmou, pois cada vez que precisava de um produto, a dificuldade deencontrar um não chinês era evidente. Além disso, as despesas com roupas,móveis, brinquedos, sapatos, etc., tornaram-se muito mais altas, visto que osprodutos chineses são vendidos a preços baixíssimos no mercado, o quedificilmente paga o seu custo real. Esse fato exemplifica a ciência da exploração,maximizar o lucro “sugando” o trabalho de pessoas pagas por produção, emcondições de miséria e sofrimento.O caso dos trabalhadores chineses, entre tantos outros de externalização, éuma das provas do uso da análise de custos e benefícios utilizados pelascorporações. A forma como é constituída uma corporação, sua necessidade deatingir os interesses financeiros acima de tudo, sua prioridade em explorar acimade beneficiar, faz com que as decisões sejam baseadas apenas nos benefíciospara as corporações e não nos custos, e este é o seu negócio e o principal motivopelo qual a corporação não assume suas externalidades. “Cada custo que elaconsegue descarregar em outra pessoa é um benefício para si mesma, umcaminho direto para o lucro” (BARKAN, 2008).Quem paga o preço das decisões tomadas pelas corporações? Acidentesde trabalho, mortes, destruição crônica do meio ambiente, diminuição daqualidade de vida de pessoas, exploração, desvalorização da vida humana epoluição. Estes são o preço que a sociedade, embora às vezes não os veja, pagadireta ou indiretamente, mais cedo ou mais tarde, pela deficiência da consciênciadeste ser psicopata que é a corporação.O egoísmo da corporação não tem limites, e dele muitas pessoasdiretamente já se tornaram vítimas, em situações que mudaram suas vidas parasempre.
  9. 9.  4. VÍTIMAS DO EGOÍSMO (CASES DE INSUCESSO)Ainda tendo Barkan (2008) como base deste artigo, pode-se citar dois“cases” de insucesso, nos quais a irresponsabilidade e o egoísmo doentio dascorporações foi responsável pela destruição de vidas, de famílias e do meioambiente.Case 1 - General Motors e Patrícia Anderson.O primeiro caso trazido por Barkan, nos leva a uma profunda reflexão arespeito da vida e dos valores distorcidos de uma sociedade detentora de muitascorporações psicopatas. O autor narra o caso de Patricia Anderson e o famosocarro Chevrolet Malibu 1979. Era natal de 1993. Patrícia voltava de casa comseus quatro filhos. A moça, ao ver o sinal ficar vermelho, pára o carro. No entantoum veículo em alta velocidade não vê o carro parado e colide fortemente com oChevrolet Malibu. Patricia e os filhos sofreram graves queimaduras de segundo eterceiro graus que acabaram por desfigurar seus rostos – o motorista, que porsinal estava bêbado, nada sofreu além de pequenos arranhões. Patríciaprocessou a General Motors, culpado a companhia pela explosão e pelo incêndio.De acordo com os advogados de Anderson, “O tanque do combustível de seuMalibu, não tinha proteção adequada contra o impacto de uma colisão” ( Barkan,pg 73, 2008).Após longo julgamento, o júri decidiu que a GM realmente era culpada, poishavia posicionado o tanque de combustível de forma perigosa com o intuito decortar custos. O juiz da Surprema corte de Los Angeles, Ernest G. Williams,deliberou com o seguinte texto:“A corte considera que evidências claras econvincentes demonstraram que o tanque decombustível do acusado foi colocado atrás do eixodos automóveis no projeto de fabricação domodelo em questão, com o objetivo de maximizar
  10. 10.  os lucros, em detrimento da segurança pública” (Barkan, pg 73, 2008)Segundo provas coletadas, a GM estava ciente desta possibilidadeincêndios quando projetou o Malibu e alguns de seus outros modelos. Após o casoter ganhado espaço na mídia, outros 6 casos vieram a tona, mostrando que oproblema realmente era sério e necessitava atenção.Algo muito discutido enquanto acontecia o processo era o valor da vidahumana. Tanto júri, quanto acusados, não conseguiam entrar num consenso decomo indenizar as vítimas. A empresa argumentava que seria necessário estimaro valor em dólares para ser feita a restituição – um ponto controverso. No fim docaso, a corporação teve a audácia de indicar que os jurados “ eram humanosdemais” para avaliar a situação. Que eles valorizavam a vida de acordo com seuspróprios interesses, motivos familiares, afetivos, de amizade, e outros “intangíveis”que fazem “a vida valer a pena”.Analisado os fatos, podemos perceber o quão egoísta é acorporação e como somente o resultado das vendas é o que interessa.“Os executivos não têm autoridade para levar emconsideração os efeitos prejudiciais que umadecisão pode ter para outras pessoas, comoPatrícia Anderson e seus filhos, ou para o meioambiente, a menos que esses efeitos tenhamconsequências negativas para a própriacorporação.” ( Barkan, pg 76, 2008)CASE 2 – Nike e o massacre aos direitos humanosOutro caso interessante citado pelo autor, aconteceu na RepublicaDominicana. Charles Kernaghan, diretor do Comitê Nacional do Trabalho,
  11. 11.  descobriu depois de seguir o destino do lixo até aterros sanitários, gravesproblemas que afetavam diretamente os direitos humanos.Pode-se dizer que ele achou “ouro” meio a tanta sujeira. Em uma de suasincursões ele encontrou cópias de documentos internacionais de precificação daNike em uma caixa que havia sido deixada por um dos caminhões de lixo. Lá,continham números que mostravam o quanto os trabalhadores eram exploradospela corporação de renome internacional.“O objetivo da empresa era maximizar o lucro que podiaespremer de meninas e jovens mulheres que costuramroupas para a nike em fábrica que exploram a mão deobra barata em países em desenvolvimento [...] Somandotodas as unidades, os cálculos exigiam que cada camisalevasse no máximo 6,6 minutos para ser fabricada, o quesignifica um custo de trabalho de 8 centavos de dólar parauma camisa que a Nike vende nos EUA por 22,99dólares.” ( Barkan, pg. 78, 2008)De acordo com Kernaghan, a maioria destas trabalhadoras são tratadascomo verdadeiras escravas. Ficam trancafiadas em ambientes impróprios, sãosupervisionadas por guardas que as humilham e as agridem por qualquer motivo erepetem o mesmo movimento (de costurar) cerca de 2000 vezes por dia. Istodemonstra o quão doentio é o processo de exploração criado pelas corporações.5. ConclusãoTendo em vista todo o triste cenário no qual as corporações são asprincipais protagonistas, pode-se acreditar que toda esta situação jamais seinverterá e que nos resta apenas acompanhar estes fatos. No entanto, existe apossibilidade de revertemos esta realidade. Não podemos assistir passivos todaesta destruição que vem sendo causada, dia após dia, por empresas gananciosas
  12. 12.  e egoístas. Os tempos são outros. Consumidores tem se tornado cada vez maisexigentes e mais interessados em conhecer a procedência dos produtos queconsomem, assim como a índole das corporações e todos os envolvidos noprocesso: da matéria prima à logística reversa – para onde está indo o lixoproduzido pelos produtos vendidos pelas corporações?De acordo com Barkan (2008) as corporações são criações nossas, e comocriaturas feitas pelo homem, ainda temos o poder para controla-las e reverter todoeste panorama.“Chegou a hora de usar este poder, não sócolocando em ação as leis de revogação dealvará, mas também, num sentido mais amplo,submetendo as corporações a controlesdemocráticos mais rigorosos” (Bakan, pg 192,2008)Temos que ter em mente que a corporação não é um ser independente. Elafoi uma ferramenta criada pelo Estado com o intuito de desenvolver a políticasocial e econômica. Dessa maneira, ela acaba por ter apenas um objetivoinstitucional: “servir ao interesse público (e não apenas um conceito circular deinteresse público que se ajusta aos interesses comerciais)” (Barkan, 2008).Segundo o autor, existe a possibilidade se recriarmos as corporações comoseres não-psicopatas. Existe a real possibilidade de reconstruí-las para servir,promover e ser responsável por setores mais amplos da sociedade do que apenaspor si mesmas e seus acionistas. Existe aí um grande desafio ( e uma grandeoportunidade): há que se encontrar um meio de controlar a corporação e submetê-la às restrições democráticas e de proteger os cidadãos de suas tendênciasperigosas.
  13. 13.  Barkan (2008) lista algumas maneiras de fazer com que as corporações setransformem a médio e longo prazo. São elas:a) Melhoria do Sistema Regulatório;O sistema regulador deveria ser revisto para melhorar a prestação decontas e evitar tanto a “captura da agência” quanto as tendênciascentralizadoras e burocráticas do regime atual e dos anteriores.b) Fortalecer a Democracia Política;As eleições deveriam ser financiadas pelo poder público, as doaçõescorporativas deveria ser pouco a pouco eliminadas e o lobby e o fluxopendular de pessoal entre o serviço público e as empresas deveriam termais restrições.c) Criação de uma Esfera Pública Forte;Grupos sociais e interesses considerados importantes para o bem públicodeveriam ser governados e protegidos por administrações públicas.d) Desafiar o Neoliberalismo Internacional.As nações deveriam unir-se para afastar as ideologias e as práticas dasinstituições internacionais, como a OMC, O FMI e o Banco Mundial, dofundamentalismo do mercado e sua facilitação por meio da desregulação eda privatização.Existem saídas para todo este problema criado por nós: as corporações.Precisamos reunir esforços para se inverta todo este panorama doentio epsicopata que hoje vemos.“O mais importante é não nos esquecermos damais subversiva das verdades: as corporaçõessão nossa criação. Elas não tem vida, poderes ecapacidades além das que nós, por meio dosgovernos, lhe damos” (Barkan, pg 199, 2008).
  14. 14.  6. REFERÊCIASBAKAN, Joel. A corporação. São Paulo, Editora Novo Conceito,2008.JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Tradução: DoraMariana R. Ferreira da Silva. Petópolis, Ed. Vozes, 2002.LILIENFELD, Scott O. O Que é um psicopata? Disponível em: <http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/o_que_e_um_psicopata_.html> Acessoem: 20 de Maio de 2013.NOVAES, Adenáuer. Mito Pessoal e Destino Humano. Salvador: Fundação LarHarmonia, 2005, p. 250.

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