A resposta cristã para a dor
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Este é um sermão que virou um livreto. A partir de Jó capítulo 19, a Escritura nos oferece a resposta cristã para o dilema do sofrimento humano.

Este é um sermão que virou um livreto. A partir de Jó capítulo 19, a Escritura nos oferece a resposta cristã para o dilema do sofrimento humano.

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A resposta cristã para a dor A resposta cristã para a dor Document Transcript

  • A resposta cristã para a dor Jean FrancescoINTRODUÇÃO O povo brasileiro é apaixonado por telenovelas. Elas fazem sucesso entrehomens, mulheres, pais, mães, crianças, idosos, sogras, sogros, jovens,adolescentes e etc. Qual é a razão de seu sucesso em nossa culturabrasileira?Talvez seja o fato de que toda novela se conecta intimamente com anossa própria história – e claro, com a curiosidade,principalmente, de algumasdonas de casa. Novelas, filmes, seriados ganham multidões de espectadores porquelidam com a doença, com grandes paixões, nos imprimem o desejo pelo sucesso,revelam-nos os mistérios de outras culturas, dá voz às minorias, tribos, estilos devida, comportamentos e etc. Elas têm o poder de nos fazer sofrer com o destino de seu protagonista, rircom suas graças, alimentar raiva de seus inimigos e nos emocionar com o seu finalfeliz (na maioria dos casos). Histórias nos convidam para o seu mundo, e ainda hoje,é a melhor forma de comunicar e influenciar mentes e comportamento. A Bíblia é um dos maiores arsenais de histórias do mundo; não será exageroafirmar que ela possui a coleção de histórias mais conhecidas da humanidade. Umadessas histórias é o drama do personagem Jó. Esse livro é uma novela não porqueseja uma ficção ou algo inventado, mas porque narra a história de um protagonista,seu estilo de vida, suas aventuras, seus dramas pessoais, seu clímax e o seudesfecho. Jó, o homem mais importante de todo oOriente Jó foi um rico xeique do deserto de Uze vivia no lado oriental da Palestina,provavelmente nos tempos de Abraão, Isaque e Jacó. Os primeiros capítulos do livroque leva o seu próprio nome como título (1-3) nos apresentam a qualidade sem igualde sua vida. Jó tinha uma grande família, sete filhos e três filhas, possuía sete milovelhas, muitos camelos, junta de bois e etc., de fato, era o homem mais importantede todo o Oriente! Jó se relacionava intensamente com Deus. Ele se levantava cedo e entregavauma oferta de sacrifício em favor de cada um de seus filhos, no caso de um deles tercometido pecado. Ele odiava a maldade, era um homem de palavra e muito honesto.
  • A resposta cristã para a dor Jean FrancescoE o mais interessante do começo do livro é que o próprio Deus tinha muito apreçopor ele, pois fazia lhe fazia elogios perante “o público celeste”, e essa fama foi seespalhando até que Satanás decidiu questionar se, de fato, ele era tão íntegro eespecial assim como o próprio Deus dizia. A proposta de Satanás foi um teste. Sua argumentação é a de que Jó temsido mimado por Deus como uma criança; ele cuida de tudo para que nada de malaconteça a ele, à sua família, ou à sua riqueza e ainda abençoa tudo o que ele faz!Desse modo quem não seria fiel a Deus? O que aconteceria se fosse tirado tudo oque ele tem? Com certeza, ele amaldiçoaria a Deus face a face! Deus, como Soberano inclusive sobre Satanás, decide aceitar o seu desafio,como se dissesse: “Vá em frente, faça o que quiser com tudo que ele tem. Só não omachuque”. Famosos estudiosos das línguas semíticas afirmam que o nome, Jó, tinha osignificado semelhante ao de “um homem perseguido” e isso parece estarrelacionado às calamidades que ele sofreu. Pois abruptamente da família, fortuna esaúde a história de Jó imerge no sofrimento. Seus sete filhos e três filhas sãoassassinados violentamente, seus animais – que representam sua riqueza – sãoroubados e seus trabalhadores mortos de maneira inesperada. Jó passa no primeiro teste de maneira muito satisfatória. Jó se levantou,rasgou a própria roupa, rapou a cabeça e se jogou no chão. Ali, prostrado ele louvoua Deus com um poema: Nu saí do ventre da minha mãe, Nu retornarei ao seio da terra. O Eterno dá, o Eterno tira. O nome de Deus seja louvado para sempre1. Após Jó ter passado no primeiro teste, Satanás propõe a Deus o segundo:tirar-lhe a sua saúde. Com certeza ele amaldiçoaria a Deus se sua saúde lhe fortirada, disse Satanás. Deus aceita o segundo desafio, mas com uma condição, vocêpode fazer o que quiser com ele, só não tire a sua vida.1 A versão da Bíblia aqui utilizada foi a paráfrase bem conhecida de Eugene Peterson, “AMensagem”, publicada em português no ano de 2011 pela Editora Vida
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco E assim aconteceu. Sua saúde foi tomada, ficou coberto de úlceras e feridasda cabeça aos pés. Elas doíam e coçavam tanto que ele pegou um caco de vasoquebrado para raspar suas feridas estando sentado no meio de cinzas. A sua dor foi tão grande que sua própria esposa amaldiçoou o seu Deus. Elanão conseguiu suportar ter que perder filhos, fortuna e a própria saúde de seumarido. Jó responde a ela, em outras palavras, "se recebemos coisas boas de Deus,por que não receberíamos também coisas ruins?” Jó continua vivendo integramentecom Deus, sem pecar, apesar de seu sofrimento. A partir do capítulo 4 até o seu desfecho no capítulo 37, Jó trava uma longadiscussão com seus amigos Elifaz, Bildade, Zofar e Eliú. Jó não aceitou seusofrimento calma ou piamente. Não deu ouvido aos “filósofos” do seu tempo, aindaque fossem seus amigos, ele apresentou seu caso diante de Deus e ali se queixoude seus sofrimentos, sem meias palavras. Ele se recusou a aceitar o silêncio comoresposta. Jó era gente como nós. Ele é mencionado como uma pessoa histórica e nãoum ser inventado como alguns tem pensado. É citado em Ezequiel 14.14,20 comoum homem sábio e justo e no Novo Testamento em Tiago 5.11 elogiado por suapaciência. Sem dúvida, Jó diz corajosamente o que alguns de nós têm medo dedizer. Ele faz poesia daquilo que, para a maioria de nós, não passaria de umamistura de reclames individuais. Ele grita com Deus sobre o seu estado, mas emmomento algum ele amaldiçoa a Deus, como sua esposa lhe ordenou. Jó nos ensina algo maravilhoso: não se deve fugir da dor. A sua vida é umapoesia sem igual a nos ensinar que o sofrimento pode levar o ser humano àpresença de Deus num estado de adoração, ainda que em gritos de desespero. Issoporque na leitura de todo o livro há uma máxima irrefutável: não existe vida sem dor;ela é algo inevitável e inerente a todo ser humano e deve ser encarada comsabedoria. Jó, como um livro inspirado por Deus, é um dos exemplos áureos de queDeus resolveu ensinar o seu povo a lidar com as dificuldades da vida por intermédiode histórias. Contar histórias seria um hábito do povo de Deus no decurso de suasvidas e no desenrolar de seu relacionamento pessoal com Deus.Essa história é umadas mais impressionantes de toda Escritura, pois nos impressiona do começo ao fim,mexe com o mais profundo de nossa alma: a dor. View slide
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco Jó: a novela da dor Jó é uma novela de dor, pois possui3 capítulos de “alegria”, os dois primeirose o último, e outros 39 capítulos que falam de intensa dor, crise, desentendimentos,perguntas sem respostas, ambientes desagradáveis, doença, culpa, mistérios emuitos diálogos perturbadores. Jó é como nós: ele sofre, e sofre intensamente.Jó é como a humanidadedepois do evento da Queda em Gn3: vultos de alegria e intensidade de dor. Estelivro bíblico não apenas remonta a história da Igreja Cristã, mas da condição danossa sociedade, como cantam alguns poetas de nosso cancioneiro: “tristeza nãotem fim, felicidade, sim” (Vinícius de Morais); ou como disse Alcides Caminha: “tire oseu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor”. A história dahumanidade é marcada por duas cicatrizes notáveis: o riso e o choro. Se você pudesse contar todos os episódios e histórias que você já vivenciou,qual das duas cicatrizes você mais encontraria, dor ou festa? Sem sombra dedúvidas, a resposta é dor. É por isso que o livro de Jó é a mais fantástica novela davida real; ela não quer nos prender na intenção de satisfazer nossa curiosidade,bisbilhotices ou interesses sensuais - como não raro acontece nas novelas atuais –,ela quer nos ensinar a viver; quer nos ensinar a lidar com o nosso sofrimento. Capítulo 19: o momento decisivo da história de Jó Chegamosao capítulo 19.Estamos em um lugar estratégico desta novelafascinante. Muitos estudiosos afirmam que aqui é o centro da história dopersonagem Jó. O capítulo 19 faz parte de uma das contra argumentações de Jó aoseu amigo Bildade. O centro do livro é marcado por estas discussões de seus amigos a respeitodo sofrimento de Jó. É, com grande plausibilidade, o centro, pois éo momento emque Jó elabora de forma consciente o seu estado de crise profunda; aquelastensõesque lhe tiram o sono e a respiração. É daí que nasce mais um lamento: quando elepõe pra fora a sua dor; quando ele vomita a sua angústia infernal. E não apenas Jó olha para trás e elabora sua condição existencial ele setorna apto pela graça de Deus a olhar para frente com olhares de esperança. É apartir deste capítulo que podemos perceber tanto na vida de Jó como na nossa que View slide
  • A resposta cristã para a dor Jean Francescoa dor e o sofrimento não darão a última palavra. E essa última palavra, ainda queseja minoria em tamanho de palavras no longo relato sofrido do livro é a palavra queprevalece: esperança. Vamos olhar mais de perto agora o que chamo dos 3 capítulos da dor de Jó,que nada mais são do que as 3 dimensões de sua dor/sofrimento. Veremos que ador é mais nossa aliada do que inimiga e que o principal ensinamento de todo estelivro se resume em uma frase: é possível experimentar Deus na realidade dosofrimento.
  • A resposta cristã para a dor Jean FrancescoI. Dor existencial“Então, respondeu Jó:Até quando afligireis a minha2 almaeme quebrantareis com palavras?Já dez vezes me vituperastese não vos envergonhais de injuriar-me.Embora haja eu, na verdade, errado,comigo ficará o meu erro”.Jó 19.1-4“ Pereça o dia em que nascie a noite em que se disse:Foi concebido um homem!Converta-se aquele dia em trevas;e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele,nem resplandeça sobre ele a luz. [...]Por que não morri eu na madre?Por que não expirei ao sair dela?Por que houve regaço que me acolhesse?E por que peitos, para que eu mamasse?Porque já agora repousaria tranqüilo;dormiria, e, então, haveria para mim descanso”.Jó 3. 3-4,11-13.2 Note as partes grifadas na 1°pessoa do singular.
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco Entramos na primeira parte da argumentação de Jó; seu argumento é que aspessoas com suas palavras e a própria vida com suas contingências o fizeram empedaços. Jó está destruído. O argumento de seus amigos é a lógica convencional “causa e efeito” oulógica da retribuição. Ela pode ser mais bem compreendida pela pequena tabela quecompreende seus discursos até o cap. 19:A lógica dos amigos Elifaz, Bildade e Zofar Referência bíblicaOs ímpios sempre se dão mal 4.7-11; 5.2-7; 8.8-19; 15.17-35; 18.5-21Os justos vivem em felicidade 5.17-21, 25-26; 8.5-7, 20-22; 11.15-19 Quando lemos o livro até o final percebemos que o narrador não quis outracoisa senão desmascarar a religiosidade convencional dos companheiros de Jó. Otexto quer nos ensinar, pelo contrário, que todo justo passa pelo sofrimento. É isso o que Paulo diz em 2Tm 3.12 “Ora, todos quantos querem viverpiedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”. É esse o drama do salmista nosalmo 73, que o grande pregador do século vinte, Dr. Martyn Lloyd-Jones tematizoude: “Por que prosperam os ímpios?” Que naturalmente leva em seu bojo umasegunda pergunta: “por que os justos sofrem tanto na vida?” A dor distorce,de maneira brutal, a forma como enxergamos a nós mesmos.Nos momentos de dor desconhecemos quem somos; saímos totalmente docontrole!Jó está desolado, quebrado, falido, em pânico e, até aqui, sem perspectivade futuro a respeito de si mesmo. A dor intensa chega a tal ponto que Jó descreve a si mesmo como se da suaexistência tivesseapenas “sobrado a pele dos dentes”, v. 20.Jó está indomado e nãoesconde os seus sentimentos, ele diz, em outras palavras: “Até quando vocês vãome colocar pra baixo? Até quando meu coração vai estar fraturado? Até quando aspessoas vão usar meus problemas contra mim? Até quando as pessoas vãoaniquilar a minha vida?”. Jó está confuso, faz muitas perguntas, pois ele certamente não tem asrespostas que precisa. No processo de encarar, questionar o sofrimento, Jó sedescobre dentro de outro mistério – maior que o sofrimento – o mistério de Deus.Jó: o estereótipo da nossa dor existencial
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco A vida é um verdadeiro zigue-zague; é inesperada e chocante como umamontanha russa. O famoso escritor Oscar Wilde afirmou em um de seus poemas –Loucos e Santos – "normalidade é uma ilusão imbecil e estéril”. Toda normalidade émentirosa.Nossa vida é exclusivamente um trailer, um curta-metragem, quem sabeuma breve sinopse e não somos nós os diretores, não estamos e nem estaremos nocontrole de nada. Quando paramos para compreender esta realidade chegamos a umaconclusão inegável: a vida é frágil o tempo todo. Jamais poderemos calcular comcerteza se acordaremos melhor na manhã do dia seguinte. Como é na vida de Jó e na nossa, correr riscos, ter dúvidas, não terrespostas, a crise e todas as outras coisas amargas da vida fazem parte da nossarelação com Deus. Ser cristão não significa apenas ter aceitado a Jesus, mas,significa ter aceitado um caminho, o do discipulado,no qualcrises, perdas, alegrias,inveja, perseguição, paz, choro, gargalhadas, refúgio, algumas respostas, e ascachoeiras de dúvidas são parte da caminhada. Quando Jesus nos chama para segui-lo, ele espera que nós estejamosintegralmente comprometidos com ele. Nós, isto é, ele quer que caminhemos com asnossas dúvidas, com o que não sabemos, com as nossas impossibilidades, vícios,manias, sofrimento, problemas e tudo o que configura a nossa realidade presente. Infelizmente temos nos acostumadocom uma mentalidade que não aceitaapossibilidade de uma fé que chora, uma fé que não pode lamentar, uma fé que nãopode duvidar, uma fé sem tragédias, uma fé sem tristeza, uma fé sem conflitos, quena verdade é uma fé sem o peso maciço da cruz.Viver uma fé que não encara a dorcomo uma coisa inevitável é uma grande alucinação, para não dizer enganação. Jó nos coloca em frente a um dos princípios mais elementares dahumanidade: nós não damos conta da nossa dor. A dor de Jó nos ensina liçõesmaravilhosas para aqueles momentos nos quais nós nos desconhecemos. A dor tema capacidade de nos colocar na parede e nos empurrar para as perguntasexistenciais: “quem sou, por que sou assim, para que?”. As nossas dúvidas,confusões, dores, crises, fazem parte do caminho. A dor nos acorda para a vida
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco A dor, além disso, nos tira de nossa zona de conforto. O sofrimento nos movepara a vida com uma intensidade inacreditável.É como aquela volição sequiosa queme faz correr atrás de água. Corremos atrás de algo porque esse algo nos falta. Aausência de amor me faz correr atrás de um par. A fome por comida me faztrabalhar ou até mesmo roubar para comer. A ausência de sentido me faz correratrás de melhores explicações, respostas e filosofias de vida. Nós corremos atrás de médicos quando nos falta saúde – ou, na maioria dasvezes quando estamos à beira da morte. Corremos até a poesia quando nos faltampalavras. Corremos até o banco quando sentimos falta de dinheiro. Corremos àmúsica quando nos faltam melodias. E da mesma forma nós corremos até Deusquando a nossa humanidade não mais nos basta. Não é diferente com a dor: corremos para a cura porque estamos doentes.Em outras palavras, a dor nos torna mais sensíveis para as realidades simples etambém complicadas do dia a dia, e somada a essa maior sensibilidade, nos tornapessoais mais preparadas para agir em situações de risco. Encontramos todo tipo de gente a todo instante cruzando nossos caminhos.Pessoas que tem medo de viver, que desconhecem suas habilidades, pessoasdesmotivadas, que acreditam na impossibilidade das mudanças: “a vida é assimmesmo...”. Nós, cristãos, às vezes perdemos boas expectativas na vida, nosenclausuramos pelo insucesso, somos achatados pelas derrotas. O que sobra paramuitos de nós em alguns momentos da vida é a indiferença e a crise existencial. Caminhando com a nossa dor Precisamos aprender como Jó a buscarmos as respostas que precisamos nocaminhar com Deus e não fora dele; caminhando com as nossas dorescrentes nocuidado paterno do nosso Deus. “Quem foi que te disse que a vida é um mar de rosas? Rosas têm espinhos epedras no caminho”, já dizia o músico João Alexandre.A fé cristã é uma fé que abreespaço para quem tem problemas. A Igreja é a comunidade onde os imperfeitos sãobem-vindos, e quando a nossa dor é vivenciada junto aos irmãos percebemos que avida realmente continua apesar da dor.
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco Somente com essa clareza de pensamento descobriremos que saúdeemocional não significa ausência de problemas, mas, aprender que é possível lidarcom eles sem que sejam o centro das nossas atenções. Perguntas para reflexão: 1. Como você tem lidado com as suas dúvidas sobre você mesmo? 2. Qual o lugar de Deus e da comunidade cristã neste processo? 3. O que a dor tem te forçado a aprender?
  • A resposta cristã para a dor Jean FrancescoII. A dor espiritual“Se quereis engrandecer-vos contra mime me argüis pelo meu opróbrio,sabei agora que Deus é que me oprimiue com a sua rede me cercou.Eis que clamo: violência! Mas não sou ouvido;grito: socorro! Porém não há justiça.O meu caminho ele fechou,e não posso passar;e nas minhas veredas pôs trevas.Da minha honra me despojoue tirou-me da cabeça a coroa.Arruinou-me de todos os lados,e eu me vou;e arrancou-me a esperança, como a uma árvore.Inflamou contra mim a sua irae me tem na conta de seu adversário.Juntas vieram as suas tropas,prepararam contra mim o seu caminhoe se acamparam ao redor da minha tenda”.Jó 19.5-12.
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco Uma segunda dimensão da dor é a dor em relação ao Soberano, Todo-Poderoso, o Criador. Jó, de maneira muito corajosa, transfere a sua dor para Deus.Em sua reflexão sobre o peso que o sofrimento tem lhe causado ele conclui quedeve haver um culpado: Deus! Ele tem alguma coisa contra mim. Há neste texto pelo o menos seis razões pelas quais Jó transfere a culpa aDeus: 1. Ele é o responsável pelo meu sofrimento; 2. Ninguém ouve o meu clamorpor justiça, Deus se calou; 3. Ele fechou todos os bons caminhos da vida; 4. Eleacabou com a minha fama, popularidade; 5. Ele tirou a minha esperança na vida; 6.Ele colocou muitos inimigos em meu caminho. Onde está Deus em minha dor? Quando experimentamos a dor, em muitos momentos, salta-nos umapergunta muito antiga: onde está Deus em todo esse sofrimento?Não é essa apergunta que temos vontade de fazer às vezes? Por que isso tudo está acontecendo? Até quando a doença? Até quandovamos imaginar ou pensar que Deus está calado? Deus age? Deus interagecomigo? Por que o caminho de Deus é tão difícil? Por que em alguns casos tudo dácerto para algumas pessoas e sempre dá errado para mim? Para Jó todas essasperguntas são perguntas justas. Toda dor é específica, Deus lida com a dor de cada pessoa à sua maneira.Não há como padronizar o que Deus faz em cada ser humano em suas diferentesdores. No entanto, no próprio livro de Jó percebemos que é Deus quem controlatodas as situações e até Satanás como um de seus “subordinados” não pode ir alémdo que a palavra sua palavra soberana o delimita. Muitas pessoas não cristãs nos fazem a seguinte pergunta: se Deus é bompor que Ele permite o sofrimento, dor, tragédias, tsunamis? Certamente essapergunta é justa e sempre atual, mas foi feita com a pressuposição errada. Quemsabe a pergunta correta deveria ser: se nós somos totalmente corruptos, por queDeus permite que apenas 1% da humanidade nasça sem o sentido da visão? Ou, senós somos totalmente depravados e imundos, por que Deus permite que apenas14.5% da sociedade brasileira tenha alguma dificuldade de enxergar, ouvir,locomover-se ou alguma deficiência física ou intelectual?
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco E ainda mais, se nós somos trapos e injustos em nosso proceder diário, porque Deus permite que 87% dos bebês que nascem no mundo inteiro venham aomundo fisicamente perfeitos? Se somos pecadores, inimigos do bem, por que Deuspermite tão poucas tragédias? Só há uma resposta: Deus se mantémgraciosomesmo em um mundo caído. Seu caráter de misericórdia e graça sustentam omundo criado com mais favor do que imaginámos. Quando fazemos o teste de noscolocar no banco dos réus – em vez de sempre tentarmos adequar Deus a ele –compreendemos melhor que ele, na verdade, é indizivelmente maravilhoso demaispara nós. Jó: nosso guia para experimentar Deus no sofrimento Quando passamos pela dor nosso relacionamento com Deus é totalmentetransformado. A dor nos faz correr para a pessoa certa: Deus, mesmo comperguntas erradas, que, aliás, o narrador dá a entender no livro que são essenciaispara o processo de cura emocionalde Jó e de seu relacionamento com Deus. Perguntas aparentemente “erradas” são comuns na poesia hebraica. Umaboa lida no livro de Salmos saciaria nossa sede por essas evidências. Perguntascomo: “Até quando?”“O Senhor não me ouve?”“O Senhor não vai fazer nada?”“Ondeestão as tuas promessas?”“O Senhor não vê o nosso sofrimento?” “O Senhor nãopercebe que os inimigos estão nos destruindo?” são todas comuns no livro deoração do povo de Deus. Nos primeiros capítulos de Jó, vemo-lo feliz, cheio de amigos, mulher, muitosfilhos, mas, daí vem a dor. E já no capítulo 3 Jó amaldiçoa o dia em que nasceu,reclama com Deus, chama Deus de culpado. E mesmo assim, o próprio Deus afirmaque na acusação de Jó não houve pecado, ele é totalmente inocente (42.7,8). Questionar a Deus de sua “suposta” ausência, expressar sua dor diante deseus ouvidos, vomitar suas tristezas não é pecado, pelo contrário, pode ser o inícioda cura. Os Salmos de Lamento (a maioria dos salmos) são um ótimo exemplodisso, neles estão escritas todas as emoções da nossa vida, o derramamento dasdores, e ansiedades, o desabafo do crente com Deus, Alguém disposto a nos ouvir. A dornos conduz a uma maior intimidade com Deus, pois nos adverte quesomos passageiros e mortais. A Teologia Bíblica nos ajuda a perceberno
  • A resposta cristã para a dor Jean Francescosofrimentouma oportunidade de se aproximar de Deus, pois a dor também é umaamostra da graça de Deus. Bill Hybels escreveu um livro intitulado Encontrando Deus nas Dificuldades davida e uma das ideias que ele trabalha ali é a de que a prosperidade causa na almadoenças que a adversidade jamais causará. A tragédia nos ensina, de formatotalmente nova, que temos de valorizar e celebrar a vida. Nosso Deus éespecialista em trazer algo de bom a partir do monte de escombros. Durante o sofrimento, Deus lembra às pessoas que todos precisam de Suasabedoria, Seu amor e Sua força. As vitórias não produzem esse feito, as derrotas,sim. A partir de uma confiança plena na soberania de Deus podemos acertar nossaperspectiva no meio da calamidade e sair do outro lado melhores do que entramos. Faça o teste. Olhe ao seu redor, tente enxergar o infinito do horizonte só poralguns minutos e vislumbrarás o seu Deus mais perto do que nunca. O fogo que faz o milho virar pipoca O educador Rubem Alves escreveu “A Pipoca”, uma crônica que nos deixaclaro o fato de que não podemos jogar fora a nossa dor, pois é por intermédio delaque a nossa maneira de viver a vida é aperfeiçoada. A ideia é que um milho depipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre e jamais setransformará numa real pipoca. “As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo”, dizele.Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas deuma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham queseu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numasituação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor,perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo dedentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui.Com isso, a possibilidade da grande transformação também. A crônica nos leva a imaginar a pobre pipoca, fechada dentro da panela, cadavez mais quente; ela pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua cascadura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si.
  • A resposta cristã para a dor Jean FrancescoNão pode imaginar a transformação que esta sendo preparada para ela. Porém, semaviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E elaaparece como outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nuncahavia sonhado. Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa aestourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, serecusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que ojeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que nãoestoura. Rubem Alves termina dizendo que aquelas pessoas que negligenciam a dortem um final trágico: “o destino delas é triste, já que ficarão duras, a vida inteira. Nãovão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria paraninguém.” Deus existe? A dor como vimos pode ser uma ótima aliada em nosso relacionamentocomDeus. Lembro-me das primeiras duras semanas em que entrei no SeminárioPresbiteriano do Sul. Bateu-me uma dúvida cruel, que para alguns pode soar atécomo engraçado; minha dúvida era a seguinte: Deus existe? Se ele não existir, qualé a razão para eu continuar aqui?Será mesmo que Ele me chamou para o ministériosagrado ou o que me fez chegar até aqui foi alguma tipo estranho de voz oualucinação? Estas eram as minhas inquietações, e que graves inquietações. Contudo, issome motivou dia após dia a buscar uma resposta, a qual parecia confusa – confusãoé um atributo típico de seminaristas – em minha mente. Isso me fez abrir os olhospara a tolice de meus pensamentos e me aprofundar no conhecimento do Deus quesempre me amparou em todos os momentos da minha vida. Sim, podemos ter certeza: Ele existe e cuida de nós. Aliás, Ele é o melhorpsicólogo em atividade, Ele nos ouve,Ele nos responde, e ainda não cobra peloserviço prestado. Não tenhamos medo de levar nossas inquietações diante de Deus,mesmo que elas não sejam teologicamente certas – como culpar Deus e etc – comoforam as de Jó e como são as nossas.
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco Toda dor precisa de um desabafo. Deus quer ouvir a nossa angústia: “invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.” Salmo 50.15. A “oraçãodos retos é o seu contentamento.” Provérbios 15.8. Perguntas para reflexão: 1. Qual foi a última vez que você irou-se com Deus devido a sua dor? 2. Quais são as perguntas que você tem para fazer hoje a Deus? 3. Você experimenta mais de Deus na realidade do sofrimento?
  • A resposta cristã para a dor Jean FrancescoIII. A dor relacional“ Pôs longe de mim a meus irmãos,e os que me conhecem,como estranhos, se apartaram de mim.Os meus parentes me desampararam,e os meus conhecidos se esqueceram de mim.O meu hálito é intolerável à minha mulher,e pelo mau cheiro sou repugnante aos filhos de minha mãe.Até as crianças me desprezam,e, querendo eu levantar-me, zombam de mim.Todos os meus amigos íntimos me abominam,e até os que eu amava se tornaram contra mim.Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne,e salvei-me só com a pele dos meus dentes”.Jó 19.13-20
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco Jó perdeu sua identidade social; ele vive agora a realidade dosrelacionamentos quebrados. (1) seus irmãos de sangue o abandonaram; (2) os seusparentes o largaram; (3) os conhecidos não olham mais para ele; (4) sua mulher nãosuporta o seu hálito; (5) seus filhos estão mortos; (6) as crianças zombam delequando ele passa; (7) seus melhores amigos se tornaram adversários. Sofrendo, sozinho Pior que sofrer, é sofrer quando se está sozinho. Este parece ser um retratofiel dos nossos dias, principalmente o das pessoas que vivem a vida em grandescentros urbanos. Não é incomum presenciar lares quebrados, filhos que não veemos pais, maridos que batem em suas esposas, esposas que subjugam seus maridos,mães que irritam em demasia seus filhos, filhos que não ouvem seus pais, filhoseducados pela pedagogia das telas, seja a televisão, seja o computador, seja pelosgames. Os nossos jovens estão crescendo como pessoas virtuais que não saem doquarto, sofrendo por não possuírem amigos para compartilhar seus problemas,exibindo, assim, sua vida particular em redes sociais através de fotos obscenas,pensamentos de raiva, decepção e solidão. Isso evidencia, na verdade, quecarecem de relacionamentos verdadeiros e saudáveis. A dor relacional é, comcerteza, um dos maiores males da sociedade e do próprio ser humano. Quando mascaramos os nossos vazios relacionais, entramos em conflito total.Em muitos dos chamados países desenvolvidos o trabalho se tornou o maior alvo daexistência, gerando na opinião de alguns sociólogos “monstros de qualidade”: ótimosprofissionais, péssimos seres humanos. Até mesmo filósofos não cristãos têm chegado à conclusão de que qualquercultura que substitua a prioridade relacional da família pelo trabalho estará fadada auma geração do estresse, infelicidade e depressão. Pessoas: a maior riqueza que possuímos Mas Deus tem algo a nos dizer por intermédio do livro de Jó. Esta é a históriaque insiste nas três grandes perguntas do mundo: Quem sou eu? Quem é
  • A resposta cristã para a dor Jean FrancescoDeus?Quem é o outro? Somos levados a crer, por intermédio de Jó, que essas trêscoisas devem ser alvo dos nossos maiores investimentos. Vale a pena chorar pela falta de sentido da nossa existência; vale a penainvestirmos em nosso relacionamento com Deus mesmo sem termos as respostasque queremos; vale a pena gritar de angústia pelos nossosrelacionamentosquebrados e com a ajuda de Deus reconstruí-los. A Escritura como um todo nos revela que a verdadeira pobreza na vida é terque perder pessoas. Nosso patrimônio e maior riqueza são os nossosrelacionamentos. Seres humanos carecem de Deus tanto quanto carecem depessoas. O outro é necessário onde eu não posso mais. Em meio à dor o ser humano sempre estende a mão em busca de ajuda e dealento. E, embora Jó esteja triste com seus amigos, ele pede compaixão, v.21. Jónão anseia que expliquem o seu sofrimento, mas que apenas participem dele. Damesma forma, nós precisamos de gente para participar empaticamente da nossa dore por outro lado, Deus espera de nós que sejamos estas pessoas para os outros. Participando da dor O livro de Jó pode nos ajudar a lidar com os nossos relacionamentos,primeiro, priorizando-os. Segundo, em Jó 2.11-13 temos um belo relato da primeirafase de amizade – bem mais positiva que a segunda – oferecida pelos seus amigos: “Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que lhe sobreviera, chegaram, [...] e combinaram ir juntamente condoer-se dele e consolá-lo. Levantando eles de longe os olhos e não o reconhecendo, ergueram a voz e choraram; e cada um, rasgando o seu manto, lançava pó ao ar sobre a cabeça. Sentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande”. Talvez não exista outro método melhor de ajuda que nós podemos oferecer apessoas vivendo com crises relacionais do que estar junto a elas participando deseu sofrimento. Nessa descrição do encontro de Jó com seus amigos há umproblema na tradução em português. A versão Almeida traz que os amigos não oreconheceram. Ora, se não o reconheceram, porque então choraram com ele?
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco O texto em inglês diz que eles mal puderam reconhecê-lo. Neste caso ficaclaro que ele foi reconhecido, mas estava desfigurado e quase irreconhecível. Jóestava tão maltratado pelo sofrimento que sua aparência gerou espanto em seusamigos. Foram pelo o menos sete dias de silêncio; sete dias que seus amigostiveram para redescobrir o Jó por trás de sua feição deformada. Os momentos em que nós nos sentimos mais perto de Deus são aqueles emque a dor é tanta que achamos que não conseguiremos viver nem mais um dia.Nessas horas sentimos sobrenaturalmente o Espírito Santo nos confortando, e essecuidado vai além quando alguém decide investiralgumas horas e silêncio conosco.Gente ao nosso lado nos faz perceber que a dor é apenas um detalhe, que a vidacontinua apesar da dor. Todos nós estamos sujeitos a crises relacionais, desentendimentos, mágoas,decepção e traição. Todos nós passamos por processos de perda. Nossa missão éacolher. Alguns verbos no texto supracitado são essenciais para essa missão:condoer-se (sofrer junto), consolar, chorar, sentar-se com, e uma das maisimportantes, o silêncio. Para confortar pessoas nem sempre precisamos abrir a boca, pelo contrário,falemos com os nossos olhos e com a nossa presença. Para confortar precisamoschegar perto das pessoas. É tentar fazer parte daquilo que está no íntimo da pessoaao lado.Isso é possível através de um comprometimento sincero com a pessoa portrás da sua doença ou sofrimento. Ser empático não é algo fácil, pois se identificar com alguém em um estadovisivelmente aterrador sem se mostrar assustado com a pessoa ou com o momentoexige muito treino, disciplina e principalmente, amor. Paulo em Rm 12.15 nos recomenda a nos alegrarmos com os que se alegrame chorar com os que choram. Quando nos alegramos com a alegria de alguém nostornamos pessoas mais importantes para ela, mas quando nos dispomos a chorar asua dor nos tornamos pessoas totalmente indispensáveis a ela. Chorar com alguémque está triste é como tatuar-se no seu coração, pois esse alguém nunca mais seráesquecido. Não precisamos obrigatoriamente ter a resolução para os problemas dosoutros. O que podemos fazer é compartilhar o fardo das pessoas, ouvi-lasempaticamente; deixar que elas exponham suas emoções mais profundas e recebe-las; acolhê-las, como gostaria que elas fizessem por nós.
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco Até agora só ouvimos dor, dor e dor. Porém o discurso de Jó não acaba nador. No meio de sua dor pessoal, seus confrontos com o que dizem de si, no meiode sua conturbada relação com Deus, suas dúvidas e desentendimentos, em meioas suas crises relacionais, surge um pedaço de esperança: a dor não perde poresperar! Perguntas para reflexão: 1. Você concorda que a pior perda na vida é perder pessoas? 2. Quanto você está disposto a pedir ajuda a outras pessoas quando experimenta a realidade da dor? 3. Como você tem participado da dor dos outros?
  • A resposta cristã para a dor Jean FrancescoIV. Uma resposta de esperança“Porque eu sei que o meu Redentor vivee por fim se levantará sobre a terra.Depois, revestido este meu corpo da minha pele,em minha carne verei a Deus.Vê-lo-ei por mim mesmo,os meus olhos o verão, e não outros;de saudade me desfalece o coração dentro de mim.”Jó 19.25-27
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco O que Jó está dizendo neste texto é que a dor pode ser grande e opressora,mas vai ter um fim. Há uma segura, firme e certa esperança de que alguém vai tirá-lo dessa. Por mais que o sofrimento faça germinar dentro de nós raízes de dor, énela que podemos nos sentir mais perto de Deus do que em qualquer outro lugar. O resgate da esperança Jó espera por seu Redentor.A palavra mais próxima traduzida para estetermo, na verdade, é o Resgatador, utilizada no Antigo Testamento para designar ohomem que reassume a posição de marido da mulher de seu parente mais próximoque faleceu. O exemplo mais claro das Escrituras é o de Boaz com Rute. Todavia, Jó faz um uso diferente do termo. O seu redentor ou resgatador aquié alguém que pode resgatá-lo não de “um casamento perdido”, mas de uma vida naqual a dor tem sido a última palavra. Ele tem a esperança que alguém fará esteséquito de desespero retroceder. É interessante notar que em todos os tempos os seres humanos mantêmalgum tipo de expectativa sobre um futuro melhor. Esta expectativa é presente emfilmes, histórias, mitos e lendas antigas e presentes, a humanidade sempre sonhoucom um final feliz para a sua história. Heróis devolvem a paz para o mundo nos contos e nas ficções. Aqueles queem meio ao caos nos colocam em liberdade. Parece que alguém criou um mundo deharmonia, paz e estabilidade, mas algo de errado foi feito no passado que prejudicoudrasticamente nosso presente. Porém, em alguém é despejada a expectativa derenovação. Nos filmes como As Crônicas de Nárnia, esse personagem redentor é o leãoAslam que interrompe na vida das personagens em meio ao caos aparente. Em OSenhor dos Anéis temos redentor Frodo. Em Star Wars o salvador é LukeSkywalker. Em Matrix a esperança do cosmos jaz sob o personagem Neo.Todos nóstemos esperança de um mundo em paz onde não haja mais dor, pecado einimizade. Isso ilustra uma grande verdade: o mundo está em estado de caos e anseiapor um herói. Jó também espera esse herói. Todos nós temos uma expectativa deum mundo em paz onde não haja mais dor, pecado e inimizade.
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco Jesus, o nosso Redentor As Escrituras proclamam que muito mais do que um herói esperado como osdemais, Jesus Cristo é o Rei dos Reis, Senhor do Universo. Nele, nós podemos nosfirmar sem medo de errarmos o alvo. Jesus Cristo é a nossa esperança derestauração! A vinda de Jesus Cristo para o planeta Terra é a concretização do planoeterno de Deus. A Escritura nos apresenta Deus, o Criador do universo, de tudo oque existe, o Soberano que estabeleceu um plano com suas criaturas. A segundapágina dessa história é marcada pelas pautas negras do pecado da rebeldia,comumente chamada de Queda. Ali, a depravação do ser humano chegou a um declive tão íngreme que seudestino mais justa não poderia ser outro a não ser de merecer a morte e o inferno.Mas o Criador não foi pego de surpresa, ele promete ao povo manchado pelanegridão da morte uma maravilhosa esperança. Alguém virá não apenas para noslivrar do inferno, mas para tirar o inferno de nós e nos devolver para os braços doCriador, vivendo em amor em um novo mundo restaurado. Esse é Jesus Cristo, a nossa real esperança. Ele cumpriu sua missãoencravando nosso escrito de miséria em seu próprio Corpo, morrendo em uma cruz.Mas, a cruz não pôde pará-lo, ele ressurgiu! E com ele também nós para uma nova história com Deus, que começa desdejá com a presença real do Espirito Santo, mas ainda não plenamente. A esperançade Jó é a mesma dos cristãos: a morte irá morrer para sempre, e nós seremostotalmente redimidos e carregados para o Reino de Jesus Cristo, de onde nuncamais sairemos. A vinda de Jesus para a Terra é a prova de que ele quer consertaras coisas. Encarando a dor com esperança Por isso, o livro de Jó é um convite para experimentar Deus na realidade dosofrimento. Como pode ser possível experimentar a beleza de Deus na realidade donosso sofrimento e calamidades? Com uma palavra:esperança. Nós temos a únicapalavra de esperança que a humanidade precisa conhecer: Jesus Cristo, o nossopronto socorre e resgate definitivo.
  • A resposta cristã para a dor Jean Francesco Quem crê em Jesus, tem certeza que a morte é só o começo, pois Jesusvenceu a morte, a dor, a lágrima e a tristeza. É isso que nos deixa de pé dia apósdia, como diz o Apóstolo Paulo: “Porque para mim tenho por certo que ossofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a serrevelada em nós”. Rm 8.18. A resposta cristã para o sofrimento não é o bem-estar, nem é a ausência dedoença, mas é saber que um dia a dor vai ter um fim.O que nos deixa em pé dianteda dor é a nossa expectante saudade da eternidade. A resposta cristã para o mundo em desordem é que o Redentor irá renovar asua criação, tratando o mal que a desfigura e a corrompe. Por isso, a morte e a dorsão inimigas vencidas. Diferente do que os pensadores do mundo imaginam, omundo em que vivemos não é um projeto que deve ser abandonado, nem umprocesso evolutivo (mito do progresso). O que ele precisa é de redenção e derenovação. É isso que foi prometido e garantido pela ressurreição de Jesus dentreos mortos. É isso o que o mundo inteiro está aguardando. É isso o que nós aguardamos enquanto vivemos em meio à dor, o momentoem que a vida e o poder da ressurreição irão invadir-nos, criando novos céus e novaterra, enchendo-a com a glória de Deus, “como as águas cobrem o mar” (Is 11.9). É o fim das lágrimas dos poetas, da igreja, dos mártires, das mães queperdem seus filhos por causa dos assassinos do verso 8. É o fim das viúvas, é o fimdas crianças que morrem de câncer, dos filhos que perdem os pais, não há maisvelórios, luto ou sepultamentos. É o fim do nominalismo cristão, pois os covardes, aqueles que negam aCristo, são condenados. É o fim dos abomináveis, da prostituição, dos laresdestruídos pela traição. É o fim das religiões de feitiçaria, é o fim da idolatria. É o fimdos seguidores do Diabo, os mentirosos. Acabou o sofrimento, pois os perversosforam finalmente julgados. Deus renova todas as coisas! Diante da alegria eterna o sofrimento se torna um devaneio passageiro, poisDeus nos ama e já tem marcado na sua agenda o grande Dia em que o seu filho,Jesus Cristo, com as suas próprias mãos enxugará dos nossos olhos toda e
  • A resposta cristã para a dor Jean Francescoqualquer lágrima e nos olhará nos olhos dizendo: “o choro acabou, as coisas antigaspassaram, tudo agora é novo e para sempre.” Em Apocalipse 21.4 celebramos a promessa mais esperada dos sereshumanos: a morte da morte, o falecimento do fim e a eternização do “para sempre”.Tudo isso é garantido, pois o Algoz da morte está sentado no trono e ele mesmo nãoestá morto, pois é o alfa e o ômega, o Eterno em pessoa. Jesus Cristo mata a mortepara sempre da história dos seres humanos. Ele é a nossa garantia de vitória! Um futuro maravilhoso nos aguarda. A sociedade quebrada não dará a últimapalavra: Deus vai restaurar o mundo manchado pela queda. O nosso pecado nãoterá a última palavra em nós, Deus vai restaurar a nossa intimidade plena com Ele.E a morte, a temida morte, não tem mais a última palavra sob a aqueles queressuscitaram com Cristo, pois Deus matou a morte na cruz para sempre. Nós podemos esperar ansiosamente pelo o que irá acontecer conosco nofuturo, porque tudo o que Deus faz ele o fazpara a sua glória e para a nossa alegria. Perguntas para reflexão: 1. Como nós temos encarado o sofrimento? 2. Qual tem sido a nossa reação diante da morte? 3. Qual é a esperança que nutre e fortalece os nossos corações? 4. Com qual intensidade temos esperado o nosso Salvador?
  • A resposta cristã para a dor Jean FrancescoLivros que nos ajudam a lidar com a realidade do sofrimento:AITKEN, ElenyVassão de Paula. Aconselhamento a pessoas em final de vida.São Paulo: Cultura Cristã, 2004._______, ElenyVassão de Paula. Mal em bem. São Paulo: Cultura Cristã, 2000.BRÄUMER, Hansjörg. Sombras no meu caminho: o enfermo diante daenfermidade e do Deus inescrutável. Curitiba: EEE, 1999.FERREIRA, J. C. L., LEONEL, João. Perguntas sem respostas? ExperimentandoDeus na realidade do sofrimento. São Paulo: Editora Reflexão, 2009.FRIESEN, Albert. Cuidando na Enfermidade. Curitiba, PR: Editora EvangélicaEsperança, 2007.HYBELS, Bill. Encontrando Deus nas dificuldades da vida. Rio de Janeiro:Textus, 2003.KASTENBAUM, Rua e AISENBERG, R. Psicologia da morte. Editora da USP, SãoPaulo, 1983.KÜBLER-ROSS, Elizabeth. Sobre a morte e o morrer. 8ª edição. Martins Fontes,São Paulo, 1997.PETERSON, Eugene. O pastor que Deus usa. São Paulo: Mundo Cristão, 2008,cap. 3: A tarefa pastoral de compartilhar a dor, p. 111-144.WOLTERSTORFF, Nicholas. Lamento. Tradução de Joel Tibúrcio de Souza,Viçosa, MG: Ultimato, 2007.YANCEY, Philip. Deus sabe que sofremos. Traduzido por Emma Anders de SouzaLima. São Paulo: Editora Vida, 1992.YANCEY, Philip; BRAND, Paul. A dádiva da dor: por que sentimos dor e o quepodemos fazer a respeito. Traduzido por Neyd Siqueira. São Paulo: Mundo Cristão,2005.