Amantes, amantes, negócios à parte                                          IDepois de todo o conflito ocorrido com Max, A...
Depois do banho, eles se deitam e se abraçam em silêncio na cama. Ela ficaencostada no peitoral de Vitor, ainda quente pel...
existiam outras pessoas ao redor. Os dois dançam por um bom tempo até amúsica terminar e se beijam em seguida, voltando pa...
- Amei, amei, amei...- Calma, calma. – Vitor diz segurando as mãos de Amélia. – Ainda não acabou.- Não? – Ela sorri ainda ...
Glorinha, Pimpinela, Nancy, Bruno, Pérola, Cirso, as “Jóias”, Lurdinha, Solano,Estela, Mariquita, Aspásia, Genão, entre ou...
- Nossa, espera, ainda tô sem entender...- O que foi, Vitor? – Amélia senta ao lado de Vitor, um pouco assustada.- Era um ...
- Prazer.– Vitor aperta a mão de Paulo. - Como sabia que éramos nós?- Ah, foi fácil. Vocês dois não saem das capas de revi...
- É! Um dos motivos no qual eu escolhi esse lugar... Aqui já planejamos deconstruir uma pequena área, pra justamente dar e...
Lurdinha logo dá um abraço em Vitor, animada, e ele sorri se divertindo com aespontaneidade dela.- Ai gente! Tô tão feliz ...
- Jura que você pensou isso? – Ele a beija no rosto várias vezes. – Táenganada, madame. Depois de casado eu fiquei ainda p...
Amélia sorri e beija Vitor rapidamente, mas ele a puxa de volta, segura suanuca com fervor e a beija por um bom tempo, dei...
- Tava com uma saudade dessa Lurdinha! – Diz Amélia sorrindo.- Pois é, eu também! Uma figura.À noite após o jantar, Lurdin...
A viagem é curta e Vitor pára o carro em frente ao armazém. Paulo ficaadmirado com Girassol:- Mas que cidade ótima. Aconch...
- É, esse cara aqui é muito responsável profissionalmente, mas precisa serfisgado por alguém pra sossegar essa vida social...
Dois dias se passam e Vitor tem que retornar para Juruanã por conta dofrigorífico. Amélia diz que vai junto, mas Vitor não...
- Ah, mais uma coisa. Cuida bem da Amélia, hein. – Ele começa a rir e toca oombro de Paulo.- Tá certo. – Paulo sorri sem g...
- O quê?- Nada, queria só ouvir mais um pouco sua voz!- Bobo você!Os dois começam a rir e Vitor diz, animado:- Olha só, qu...
- Perfeito! Eu acabei de passar no escritório, dei uma arrumada por lá. Jápodemos inaugurar.- Que bom, meu amor! Não vejo ...
- Pois é. Tô ansioso pra começar logo. Bom dia, Amélia.- Bom dia!- Vamos entrar, então. – Vitor abre a porta e todos ficam...
- Espera, vou atender... – Amélia se levanta e alcança o telefone ao lado dacama.- Alô? Oi... Paulo? Aconteceu alguma cois...
- Bom, Fátima, acho que já está tudo certo, né?- Sim, Vitor! Fica despreocupado. Hoje você ficou o dia todo bastante agita...
Nesse momento o telefone de Paulo toca:- Alô? Oi, Rudy, e aí?Rudy responde:- Tudo bem. Cara, precisava conversar sério com...
ninguém atendia. Amélia havia deixado o celular desligado e com todo o stressnem lembrou de ligá-lo.Vitor então decide lig...
- Por que, Amélia? Por que a gente tá se afastando tanto?- Meu amor! Me escuta... – Amélia toca o rosto de Vitor mas ele s...
- Não foi.Ele sai da sala sem se explicar com Fátima, que fica sem entender.Na Rurbana, Amélia chega e Paulo a cumprimenta...
Saindo da Rurbana, Amélia se depara com Vitor apoiando o braço na porta docarro de cabeça baixa. Ela se aproxima, ainda ne...
Amélia logo se desprende de Vitor e se recompõe:- Não é nada, foi só um mal estar, já passou.- Sério? Eu te levo pro hospi...
- Meu filho. Depois tenta se abrir, me explicar o que aconteceu... Você e aAmélia brigaram, não é?- É...- Tudo bem, não pr...
- E aí, Vitor? Já fiquei sabendo mais ou menos o que houve. A Lurdinha ligou,preocupada.- Por quê? A Amélia está passando ...
- Eu sei disso, eu vou procurar o Vitor e explicar tudo.- É o mínimo que você deve fazer. Eu te conheço, Paulo. Você nunca...
- Filha, eu não tô aguentando essa situação. Eu não vou me conformar emperder o Vitor... não vou.- Mãe, me escuta, olha pr...
Paulo vai embora com as mãos nos lábios, tentando amenizar a dor, sem olharpara ninguém.Já sem a movimentação por conta da...
De repente, Vitor é despertado por Terê:- Vitor!- O... Oi, Terê. – Ele apenas olha rapidamente para Terê e volta a olhar A...
- Eu sei, imagino como você deve estar se sentindo. Mas se anima, aposto quea dona Amélia vai estar nessa festa também. – ...
indígena, porém, Estela aceitou se casar também na igreja, para a felicidade deSolano.Vitor estava sentado logo a frente c...
- Eu sei, eu sei! Mas me diz mais uma coisa... A Amélia contou isso praManuela?- Hum, eu vi a Manu dizendo bem assim: “O V...
sente uma vontade imensa de estar junto dele naquele momento,compartilhando a felicidade que sentira ao saber de sua gravi...
seu vestido. Ele a puxa para mais perto fazendo com que as mãos dela -entrelaçadas com as suas - tocassem de leve sua cint...
Amantes, amantes, negócios à parte
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Amantes, amantes, negócios à parte

  1. 1. Amantes, amantes, negócios à parte IDepois de todo o conflito ocorrido com Max, Amélia e Vitor seguem para oJalapão para a tão esperada lua-de-mel e se hospedam em um hotel 5 estrelasque Vitor fez questão de pesquisar antes de reservar, tendo a certeza que seriaà altura de Amélia.Os dois, após aproveitarem os pontos turísticos no segundo dia, retornam aohotel, cansados mas felizes, sorrindo e conversando em voz alta peloscorredores, refazendo o dia maravilhoso que tiveram nas dunas:- Ah meu amor, nem acredito ainda que isso tudo tá acontecendo! – Vitorsegura a cintura de Amélia no corredor do quarto e ela segura o rosto dele comas mãos sorrindo:- Pois é! Parece um sonho. – Ela olha os lábios de Vitor que a beija no mesmomomento.- Agora vamos tomar um banho... juntos! Tô cheio de areia! – Ele abre a portado quarto sorrindo, a conduzindo para dentro ainda com as mãos em suacintura e com um olhar travesso.- Você não tem jeito mesmo, hein?- Claro que não. Você acha que eu vou abrir mão de passar todos os segundospossíveis do teu lado? Hein? – Nisso, ele a puxa com mais força, fechando aporta com os pés e a beija intensamente.Ainda envolvida pelo beijo, ela tenta se desprender de Vitor e diz:- Espera! – Ela olha em sua volta e só percebe naquele momento que o quartoestava todo enfeitado com flores e duas taças de champagne se encontravamem cima da mesinha central.- O que é tudo isso, Vitor? Meu Deus!- Por que o espanto? Eu ainda não te disse que você entrou numa roubada?Ela sorri, ainda nos braços dele, e questiona:- Como assim?- Eu vou te surpreender pro resto da vida... Quer dizer... – Ele a segura comuma das mãos pela nuca – Isso se você me quiser pelo resto da vida, né?- Você ainda tem dúvidas disso?Ele a olha com desejo e sorri, a beijando rapidamente e diz em seguida:- Mas então, vamos aproveitar essa decoração que eu fiz e depois a gente vaidireto praquele banheiro... – ele fala olhando Amélia de cima abaixo. E ela sorrimordendo os lábios, sem graça.- Aqui, meu amor. Pega sua taça... Quero brindar esse momento, esse começode vida, o nosso amor.- Te amo. – Ela acaricia o rosto de Vitor levemente com uma das mãos e osdois brindam, sorrindo.- Sabe que eu acho que não vou querer terminar esse champagne?! – Vitorpisca para Amélia e tira a taça de sua mão.- Não? – Ela sorri e deixa Vitor a levar pela cintura até o banheiro.Vitor abre o zíper do vestido de Amélia devagar e beija sua nuca. Ela fecha osolhos e segura as costas de Vitor com força, tirando sua camisa que cai nochão. Ele liga o chuveiro ainda a abraçando e a leva com cuidado para debaixoda água, e os dois finalmente se amam.
  2. 2. Depois do banho, eles se deitam e se abraçam em silêncio na cama. Ela ficaencostada no peitoral de Vitor, ainda quente pelo banho, vestida com umacamisa dele.Vitor beija os cabelos ainda molhados de Amélia, com os olhos fechados,sentindo o perfume dela após o banho e diz:- Como eu te amo! Queria ficar uma eternidade assim, abraçadinho com você,sem te largar nunca mais.Ela sorri, abre os olhos e alcança o rosto de Vitor, acariciando-o:- Eu também... te amo! Muito!Os dois se beijam devagar, Vitor vai tirando a camisa de Amélia, puxando oscabelos dela suavemente, intensificando cada vez mais o beijo. E os dois seamam novamente. IIMais tarde, Amélia se arruma depois do almoço no quarto e Vitor diz:- Amor, coloca um biquíni.- Agora?- Nesse segundo. Vamos pra uma cachoeira que me recomendaram aqui nohotel. Tô louco pra repetir a dose! Olha que você me deve muitas.Amélia sorri, se aproxima de Vitor ainda vestida com sua camisola e o beijasorrindo:- Você e esses banhos de cachoeira. Desse jeito você vai enjoar.- Enjoar? Com você junto? Nunca!! Vem aqui, vem. – Vitor puxa o corpo deAmélia contra o seu e a beija mais forte.Já prontos para o dia na cachoeira, eles descem do carro e vão direto pro local.Vitor animado, tira fotos da paisagem e logo depois larga tudo no carro, tira abolsa das mãos de Amélia e a puxa pelo braço:- Vem!Amélia sorrindo diz, ainda eufórica pela corrida que dão até a cachoeira:- Calma!Vitor tira a camisa e depois a bermuda, puxa Amélia contra seu corpo e a beija,tirando ao mesmo tempo o vestido dela, a deixando somente de biquíni, e aconduz devagar até a queda de água da cachoeira.Depois, ele a olha fixamente, segura o rosto dela com suas mãos debaixo daágua e diz:- Você tá linda! A mulher mais linda desse mundo.Amélia sorri e olha para os lábios de Vitor, o beijando apaixonadamente.Os dois passam a tarde toda na cachoeira, esperam abraçados e sentadosnuma pedra, o sol secarem seus corpos, e depois seguem para um pequenorestaurante turístico perto da estrada de terra, para depois retornarem ao hotel.No restaurante, um cantor toca ao vivo para os turistas e todos resolvemdançar. Vitor aproveita, levanta da mesa e estende sua mão chamando Améliapara dançar. A música que toca é: “Só tinha de ser com você” de Tom Jobim.Amélia sorri um pouco sem graça e aceita o pedido, segurando a mão de Vitore seguindo para o centro do salão, onde já se encontravam outras pessoas.Vitor segura firme a cintura de Amélia, prende uma das mãos dela contra seupeito e leva a outra na cintura dele, abraçando-a ao dançar. Ela deixa Vitor aconduzir e fecha seus olhos, encostando seu rosto no dele e esquecendo que
  3. 3. existiam outras pessoas ao redor. Os dois dançam por um bom tempo até amúsica terminar e se beijam em seguida, voltando para a mesa e sentando umde frente para o outro.Vitor segura a mão de Amélia na mesa e diz:- Eu já disse que te amo hoje? Tô muito chato?- Já! Mas pode repetir... – Ela sorri para ele e toca seu rosto suavemente –Pode ser chato assim sempre!Vitor beija a mão de Amélia que está em seu rosto e sorri, encantado. IIIUma semana se passa, Vitor e Amélia retornam para Girassol após saberemda morte de Max. Os dois preparam os papéis da Estância juntamente comFred e Manu e entregam para Solano, devolvendo os direitos pelas terras a elee ao seu filho Beni. Nesse mesmo dia, após um almoço na fazenda, Améliaanuncia a todos que ela e Vitor estão apenas de passagem:- Pois é, filha, foi bom a gente ter conversado sobre a fazenda, saber que vocêtem interesse em seguir com os negócios do seu pai. Porque o Fred eu sei quenão quer, não é, filho?- Não mesmo. Estou muito bem com a operadora e ajudando a Jana com oarmazém.Vitor chega na sala e senta no braço do sofá ao lado de Amélia.- E então, meu amor? Resolveu tudo?- Sim, já decidimos. Podemos ir tranquilos!- Olha lá hein, cara! Juruanã não é tão perto assim, não vou poder ficar de olhoem vocês.- Que é isso, Fred, confia em mim. Pretendo ser um padrasto bonzinho. Vou teconvidar sempre pra uma cervejinha.Todos começam a rir e Amélia os interrompe:- Bom, nem desfiz muito minhas malas, porque na verdade tudo está pronto láem Juruanã, já compramos um imóvel com a venda daquele que tínhamos e ooutro do Vítor.- Sério, mãe? Que ótimo. Quero ajudar a decorar.- Ih! Ah lá! Não vou poder palpitar em nada!- Não mesmo, Vitor Villar! – Manu se levanta e Amélia também. – Isso é coisapra mulher – Ela abraça a mãe, animada.Vitor levanta os braços sorrindo, acuado.Ao final do dia, Vitor e Amélia seguem para o carro com as malas, ao lado deManuela, Fred, Rudy e Janaína. Amélia beija os filhos e os dois seguem paraJuruanã.Chegando no apartamento, Amélia abre a porta e tem uma surpresa:- Meu Deus! O apartamento está todo montado? Como assim?- Pois é né... - Vitor olha para o chão sem conter o riso.- Vitor!- Bom, a ideia foi minha, já a decoração... claro que foi da Manu.- Ai, não acredito! Ela já sabia de tudo e disfarçou tão bem!- É! Sua filha é mestre! Mas... E aí? – Vitor chega mais perto de Amélia,segurando suas mãos – Gostou?Amélia sorri para ele e o beija várias vezes, dizendo:
  4. 4. - Amei, amei, amei...- Calma, calma. – Vitor diz segurando as mãos de Amélia. – Ainda não acabou.- Não? – Ela sorri ainda mais.- Não... – Vitor tira do bolso uma caixa de veludo preta e entrega para Amélia.- Você pensou que eu ia esquecer da coisa mais importante?- Vitor...- Abre!Amélia abre a caixa e encontra duas alianças de ouro.- Meu Deus.- E então? Você aceita o pedido desse pobre rapaz, de ser a esposa dele, naalegria e na tristeza, na saúde e na doença, pro resto da vida?Ela não contém a felicidade e o abraça. E segurando na nuca dele, diz:- Claro que sim!Os dois se beijam e Amélia deixa a caixinha na mesa, ainda beijando Vitor.Eles seguem até o sofá, se esbarrando nas mesas e móveis. Ele desabotoa ablusa de Amélia e beija seu pescoço intensamente, ao mesmo tempo que tirasua própria camisa. Ainda eufóricos, Vitor segura o rosto de Amélia e diz:- Amanhã já. Amanhã você já vai ser minha mulher oficialmente.- Amanhã?- Isso mesmo, senhora Maria Amélia Villar. Já marquei no cartório, seus filhosjá sabem, e convidei nossos amigos mais próximos. Fiz mal?Amélia se levanta, arrumando sua blusa.- Nossa, não... é que foi tudo tão rápido.- Desculpa, meu amor. É que você me conhece, eu fico louco pra fazer essassurpresas pra você, nem penso...Amélia não deixa Vitor terminar de falar e o interrompe, cerrando seus lábios:- Não diz mais nada. Eu não falei que não gostei... pelo contrário! Tá tudoperfeito. É o que mais quero...- Sério?Amélia não diz nada, apenas o beija com paixão, e os dois terminam o quehaviam começado, no mesmo sofá. IVNo dia seguinte, estão todos reunidos no cartório. Vitor espera Amélia ansioso,vestido com um terno cinza escuro, camisa azul clara e uma gravata azul emtom mais escuro. Cabelos despojados mas arrumados com um pouco de gel.Amélia já está a caminho com Manuela, que foi até o apartamento para ajudá-la a se arrumar.- Calma, Vitor. Já já elas chegam. – Diz Fred, batendo nas costas do“padrasto”.Vitor não consegue parar de andar de um lado para o outro quando escutaJanaína dizer:- Pronto! Chegaram!- Ai, meu deus! – Vitor diz, nervoso, ao olhar a porta de madeira se abrir. Aover Amélia entrando, com um vestido longuete nude, colado ao corpo e comdetalhes suaves bordados a mão, seus olhos brilham e ficam ainda maisverdes. Amélia estava deslumbrante causando sorrisos nos que estavampresentes: Manuela, Rudy, Janaína e Fred como padrinhos, Terê, Neca,
  5. 5. Glorinha, Pimpinela, Nancy, Bruno, Pérola, Cirso, as “Jóias”, Lurdinha, Solano,Estela, Mariquita, Aspásia, Genão, entre outros, como convidados.Seus cabelos estavam presos para trás, com presilhas delicadas de acrílico epedras discretas de diamante, brincos de ouro pequenos e uma corrente duplatambém de ouro, com dois pingentes iguais aos brincos.Ela entra e logo segura as mãos de Vitor e os dois se beijam rapidamente. Ojuiz pergunta se pode começar e os dois acenam com a cabeça que sim. Vitorcoloca a aliança em Amélia e diz sussurrando:- Te amo... minha vida.Ela sorri e murmura, colocando a aliança em Vitor e olhando em seus olhosfixamente:- Eu também.Os dois assinam o livro juntamente com as testemunhas e se beijamnovamente.Logo depois, em um salão ao lado eles recebem os convidados e brindam ocasamento com um pequeno bolo.- E então, o que vocês pensam em fazer agora aqui em Juruanã? Não vãomais voltar pra Girassol? – pergunta Terê, já com saudade dos amigos.- Bom, Terê, conversamos bastante e decidimos ficar mais por aqui, pra seguirde perto os negócios do Vitor com o frigorífico e eu continuo com as minhasjóias na Rurbana. Vamos montar um escritório aqui, mais administrativo e noJalapão vai ficar a sede, com a produção em si.- Que ótimo, Amélia. Fico feliz por vocês. Mas que pena que não vamos maisnos ver com tanta freqüência.- Mas vamos estar em Girassol quase sempre, Terê. Afinal, minhas melhoresartesãs estão lá!- É verdade! E vocês que não passem lá na estalagem pra verem essa velhaamiga, hein? Vou ficar chateada!- Imagina, Terê, nunca faria isso. Faço questão de passar sempre por lá!As duas se abraçam e sorriem.Nesse instante, Vitor chega, abraça Amélia e os três começam a conversaranimados.O tempo passa e todos se despedem. Amélia e Vitor chegam no apartamento:- E então, senhorita? Como está se sentindo agora, casada de novo?Amélia segura Vitor pelo terno e diz:- De novo não. É a primeira vez que me caso, e é a primeira vez que me sintotão feliz e realizada.Vitor não se segura ao ouvir Amélia, a olha com paixão e a beija, passandosuas mãos por todo seu corpo, enquanto ela segura seus ombros deixando queele desabotoe seu vestido suavemente. Os dois vão andando até o quarto eVitor a encosta contra a porta retirando todo seu vestido e beijando sua nuca.Ela fecha os olhos, depois o ajuda a tirar o terno e os dois se deitam na cama.De repente, o telefone toca.- Ah não... - Vitor reclama. – Quem será, agora?- Atende. Pode ser importante.Vitor contra sua vontade atende o telefone, que toca insistentemente.- Alô. Isso! Sou eu. Sei, sei...Depois de falar algum tempo, Vitor desliga e Amélia pergunta, curiosa:- Quem era?
  6. 6. - Nossa, espera, ainda tô sem entender...- O que foi, Vitor? – Amélia senta ao lado de Vitor, um pouco assustada.- Era um cara dizendo que conseguiu meu telefone com o Rudy, da Manuela.Ele mora no Rio de Janeiro e já tinha ouvido falar muito da Rurbana e pareceque já trabalha há muito tempo com esse mercado. Enfim... Ele queria marcarum encontro com a gente pra discutir sobre uma possível parceria.- Sério? Nossa, mas isso seria perfeito. Se ele é de confiança...- Sim, a gente deveria falar com o Rudy antes.- É, vou ligar pra Manu. Imagina só? Você poderia continuar com seusnegócios no frigorífico e eu teria alguém pra me ajudar com os negócios daRurbana, pra não tirar seu foco.- Meu amor... Você sabe que isso não vai me atrapalhar, já te falei mil vezesque eu amo ficar do teu lado, te ajudando com a Rurbana.- Eu sei. – Amélia acaricia o rosto dele. – Mas eu sei também que você senteuma necessidade enorme de retomar os negócios do seu pai, e entendo isso.Vou ligar pra Manu!Ela sorri e tenta se levantar, mas Vitor não a deixa:- Não, nada disso! Agora a gente vai terminar aquela outra coisa pendente. –Vitor a puxa contra ele e a beija, e os dois esquecem do mundo lá fora, seamando.Mais tarde Amélia liga para Manuela e confirma sobre o amigo de Rudy:- Meu amor, a Manuela disse que já conversou com o Rudy sobre esse amigo,e ia me ligar pra contar, só não queria estragar a nossa lua-de-mel! – Améliadiz sorrindo.- É! Mas não adiantou muito não, o cara mesmo se prontificou, né? – Os doiscomeçam a rir.- Então, o nome dele é Paulo Borges, amigo muito próximo e de confiança doRudy e quer ser nosso sócio. E aí?- Hum, não sei. Vamos conversar com ele pessoalmente, né? Quem sabe.- E você pensou naquilo que te falei, do frigorífico?Vitor se levanta da cama e vai até a cadeira da penteadeira onde Améliaestava arrumando seu cabelo, de costas para ele. Ele coloca suas mãos noombro dela e diz:- Bom, a gente pode ver isso com calma. Temos tempo. – Amélia segura asmãos dele e vira seu rosto, alcançando os lábios de Vitor que já descia paraencontrar os dela.- E então? Você vai ligar pro Paulo?- Sim, agora mesmo.Vitor liga para o amigo de Rudy e eles combinam de se encontrarem em umrestaurante conhecido de Juruanã no dia seguinte. VNo outro dia Amélia e Vitor se arrumam para o almoço. Eles chegam norestaurante e logo um homem moreno , alto e vestido com uma camisa social ejeans, se aproxima ( ator: Daniel Boaventura)- Boa tarde! Vocês são Amélia e Vitor, não é?- Isso! E você é o Paulo? – Diz Vitor.- Correto!
  7. 7. - Prazer.– Vitor aperta a mão de Paulo. - Como sabia que éramos nós?- Ah, foi fácil. Vocês dois não saem das capas de revista!- Que exagero! – Amélia diz sorrindo, cumprimentando Paulo com um apertode mão também.- Bom, vamos nos sentar? Separei aquela mesa para nós.- Claro.Os três sentam e logo começam a conversar sobre a possível sociedade.Depois de muita conversa, Vitor e Amélia percebem que Paulo é de bastanteconfiança e tem um conhecimento e portfólio abrangente na área comercial.Eles marcam uma viagem para o Jalapão, no intuito de mostrarem para ele asede da Rurbana e de como o trabalho é feito.- Perfeito! Então está combinado. Viajamos na semana que vem? – Diz Paulo,animado.- Isso. Vamos ver de perto a matéria-prima, depois vamos pra Girassolconhecer o trabalho das artesãs. – Vitor fala, se despedindo com outro apertode mão.- Muito obrigado pela confiança. Podem ter certeza que esse tempo deexperiência vou absorver o máximo possível e mostrar trabalho! – Paulo sedespede de Vitor e dá um beijo no rosto de Amélia.- Até mais! – Amélia se despede também.Amélia e Vitor seguem de carro para o escritório que estava sendo reformado,próximo ao frigorífico, no qual Amélia iria administrar a Rurbana. Os doisentram no local para checar o andamento da obra:- Olha só! Já tá quase tudo pronto! – Diz Vitor animado olhando o local a suavolta.- Sim! Jurava que ia demorar mais... Acho que só falta a parte elétrica, não é?- É, e isso é super rápido... – Vitor vai se aproximando de Amélia e a pega pelacintura com um sorriso no rosto – Quem diria hein! Nós dois aqui, com umescritório praticamente pronto da Rurbana...E a Dona Amélia Villar: umaempresária! – Ele toca o queixo de Amélia com carinho e depois a beijasuavemente.- Pois é. E além de empresária eu sou uma recém-esposa muito feliz! – Elabeija Vitor novamente, várias vezes seguidas. – E o que você achou do Paulo?- Ah, a primeira impressão foi boa, né? Mas acho melhor conversarmos maisum pouco com a Manu e o Rudy, e acho que essa viagem pro Jalapão e nossaida pra Girassol vai ser bom pra ver a adaptação dele, o interesse pelonegócio.- É, também acho... Vamos ver. – Vitor fica olhando fixamente Amélia falar esorri.- Que foi? – Amélia pergunta sorrindo e sem graça.- Nada! Você que fica linda a cada dia que passa... Fico impressionado comisso!- Bobo! – Amélia sorri e os dois se beijam intensamente, até que Vitor sedesprende com dificuldade, dizendo:- Que tal a gente subir pra ver como andam as instalações lá em cima?- Vamos lá...Os dois sobem de mãos dadas e chegam em um terraço onde é possívelenxergar toda a cidade de Juruanã do alto.- Que vista maravilhosa! – Diz Amélia, incrédula.
  8. 8. - É! Um dos motivos no qual eu escolhi esse lugar... Aqui já planejamos deconstruir uma pequena área, pra justamente dar espaço pra essa vista. O Fredjá veio aqui ontem antes do nosso casamento, deu uma olhada por cima, umasdicas pro nosso arquiteto.- Sério?! Esse meu filho não existe!Amélia e Vitor continuam conversando sentados em uma lona esticada noterraço do prédio. Eles se abraçam e namoram a tarde toda, até que se dãoconta de que o sol já estava se pondo:- Amor, já está ficando tarde. Vamos? – Amélia acaricia o rosto de Vitor, queestava deitado em seu colo.- Ah não. Mas tá tão bom aqui. – Vitor fala em um tom insatisfeito, com jeito demenino.Amélia não resiste e continua em silêncio, acariciando suavemente os cabelosde Vitor. De repente, Vitor se levanta e puxa a nuca de Amélia, fazendo com oque o rosto dela ficasse colado ao seu. Os dois apenas fecham os olhos eficam ensaiando um beijo, sentindo a pele um do outro e o perfume de cadaum. Vitor não resiste e a beija com paixão, deitando o corpo dela no chão eperfazendo-o por completo com suas mãos, até alcançar o laço que prendia ovestido de Amélia no pescoço, desfazendo-o delicadamente. Amélia, emcontrapartida, vai subindo a camisa de Vitor e a retira com dificuldade. Aindaeufóricos, mesmo sem nenhuma necessidade de pressa naquele dia, eles seamam no terraço do prédio com urgência e com todo o amor que parecia nãose esgotar nunca – sob o olhar do sol que ainda não havia se posto. VIAlguns dias se passam e Amélia está no quarto arrumando sua mala e a deVitor para a viagem até o Jalapão, juntamente com Paulo. O escritório já estavapronto e Fred iria ao local para rever as instalações enquanto os doisestivessem fora.- E então? Tudo pronto? – Vitor abraça Amélia e lhe dá um beijo no rosto,depois a solta e termina de abotoar sua camisa.- Quase! Sua mala já está pronta, a minha ainda não.Vitor começa a rir enquanto calça o tênis:- Essas mulheres, viu...- Pronto, terminei. Você acha que vamos ficar muito tempo por lá?- Não acho necessário, mas depende do Paulo. E também tô morrendo desaudade da nossa lua-de-mel no Jalapão. A gente podia repetir, hein... - Vitorse aproxima de Amélia e a olha de cima abaixo, enroscando seus dedos nosdela.- Hum. Nós vamos à trabalho. – Ela sorri e deixa que Vitor a beije.Os dois vão até a sala e nesse instante o interfone toca. Amélia diz:- Ué, quem será a essa hora?- Não sei. Vamos ver... - Vitor atende o interfone e pede para a pessoa subir.- Quem é?Sem que Vitor tenha tempo para responder, logo já batem na porta e ele abrecorrendo. Amélia olha para a porta incrédula e diz:- Lurdinha!- Oi, oi, dona Amélia, seu Vitor! Que saudade!
  9. 9. Lurdinha logo dá um abraço em Vitor, animada, e ele sorri se divertindo com aespontaneidade dela.- Ai gente! Tô tão feliz de tá aqui. Mas que apartamentão, hein, dona Amélia!Nem deve tá sentindo falta lá da fazenda.- Mas Lurdinha, espera! O que você tá fazendo aqui, mulher?- É, Amélia. Eu não disse nada, porque queria fazer surpresa. – Vitor dizsorrindo. – Mas eu achei que seria bom a Lurdinha cuidar do nossoapartamento. Tanto agora com a nossa viagem, quanto pro resto dos dias.Afinal, a Manuela nem pára na fazenda, tem tantos empregados por lá, e agente aqui, sem ninguém.- Meu Deus. Eu... – Amélia não consegue terminar de falar pois Lurdinha ainterrompe, quase aos prantos:- Ai, dona Amélia. A senhora não gostou da ideia, não?Amélia fica séria e quieta por um instante e de repente abre um enorme sorriso:- Lurdinha, não chora! Vem aqui. – Amélia a abraça e todos começam a rir. – Éclaro que eu amei a ideia. Eu tava morrendo de saudade do seu cafezinho!- Ai, dona Amélia, que coisa boa. Eu também tô tão feliz de ficar aqui com asenhora, com o seu Vitor, numa chiqueza só, né. Vou ser empregada da cidadegrande, a Aspásia vai morrer de inveja!- Ai, Lurdinha, só você mesmo! – Amélia sorri enquanto abraça Vitor.Vitor e Amélia deixam o apartamento aos cuidados de Lurdinha e seguem parao hotel de Paulo, de onde pegarão um vôo para o Jalapão.Chegando no Jalapão, eles vão direto para o hotel, se arrumam e seguem paraa sede da Rurbana. Lá, algumas artesãs locais contratadas por eles, trabalhamcom a matéria-prima e aprimoram as joias que são feitas pelas artesãs deGirassol.- E então, Paulo? Gostando? – Amélia pergunta.- Demais, Amélia. Estou achando isso tudo incrível. E os seus desenhos sãogeniais.Amélia sorri e agradece Paulo, e os três seguem observando o trabalhoartesanal.Paulo fica dois dias no Jalapão e segue para Juruanã:- Foi muito bom ter essa experiência aqui com vocês. Estou realmente muitointeressado nessa parceria. Espero que dê tudo certo.- Deu pra perceber sua motivação. Ficamos muito felizes com isso, e temosótimas recomendações suas. Tem tudo pra dar certo! – Diz Vitor, apertando amão de Paulo e se despedindo.- Até logo, Amélia. – Paulo beija o rosto de Amélia e entra no carro.Nisso, Vitor olha para Amélia sorrindo e diz:- Bom, acho que sobramos só nós dois aqui. E mais aquela cachoeira ali atrás– Vitor mostra a cachoeira para Amélia com os olhos.- Vitor! – Amélia o repreende.- Engraçado que eu não me canso dessa cachoeira. Vamos pro hotel trocar deroupa?- Você não tem jeito mesmo, não é? Pensei que depois de casado você iasossegar!Vitor começa a rir e puxa o corpo de Amélia contra o dele:
  10. 10. - Jura que você pensou isso? – Ele a beija no rosto várias vezes. – Táenganada, madame. Depois de casado eu fiquei ainda pior! – Vitor a puxa commais força, a encosta no carro segurando firme em sua cintura, olha nos seusolhos e a beija intensamente.Depois de passarem o dia na cachoeira, os dois retornam ao hotel edescansam, logo depois seguem para Juruanã.Amélia e Vitor chegam no outro dia bem cedo:- Oi Lurdinha! Chegamos... Tudo bem por aqui?- Ô dona Amélia, seu Vitor! Tá tudo bem por aqui. O Fred acabou de sair.- Sério? Ai queria tanto ver meu filho... Tô com uma saudade enorme. – DizAmélia sorrindo.- Calma meu amor, vamos amanhã mesmo pra Girassol e você mata suasaudade!- Ai é mesmo? Cês vão pra Girassol? Posso ir junto só pra contar as novidadeaqui da cidade pra Aspásia?Vitor começa a rir:- Ai, Lurdinha, pode sim. A gente te leva. Mas com uma condição.- Qual?- Pára de me chamar de seu Vitor, por favor.Lurdinha começa a rir sem graça:- Ah tá. É a força do hábito, sabe.Amélia e Vitor riem e vão para o quarto.- Ai, deu pra cansar, hein. Tô exausta.- Eu também. Mas foi bom... Acho que essa sociedade com o Paulo vai prafrente né?- É... Tomara! E você? Vai ainda hoje no frigorífico?- Sim, só o tempo de tomar um banho.Amélia acaricia o rosto de Vitor:- Espera mais um tempo e descansa, meu amor. A viagem foi cansativa.Vitor beija as mãos de Amélia com os olhos fechados:- Hum, só se você ficar aqui do meu lado na cama, descansando comigo! –Vitor diz de um jeito travesso, fixando o olhar em Amélia.- Sei!Vitor sorri e a beija com carinho nos lábios:- Por que você não vem tomar esse banho comigo?- Não senhor, vai você antes. Vou arrumando a nossa outra mala pra Girassol!- Ahn... - Vitor faz uma cara de insatisfação e vai até o banheiro, falando com avoz em tom mais alto:- Preciso ligar depois pro Paulo combinando um horário amanhã pra irmosjuntos.- Certo. Vou também avisar a Manu pra preparar os quartos na fazenda.- Ok. – Vitor abre o chuveiro e Amélia segue arrumando as malas.Depois do banho Vitor aparece no quarto secando o cabelo com uma toalha eoutra enrolada na cintura.- Meu amor. Você devia ter pedido pra Lurdinha arrumar essas coisas.- Já terminei. São poucas coisas pra mudar na mala.- Hum. Mas você tá cansada. Vai tomar seu banho que eu te espero aquisentadinho tá?
  11. 11. Amélia sorri e beija Vitor rapidamente, mas ele a puxa de volta, segura suanuca com fervor e a beija por um bom tempo, deixando-a sem fôlego:- Você é impossível, hein! Desse jeito não vou conseguir fazer nada.- Ah, meu Deus, não resisto. Fica cada dia mais difícil resistir a você!Vitor a olha de cima abaixo segurando seu rosto com as duas mãos, até queela se desprende, beija as mãos dele e segue até o banheiro dizendo:- Te amo!Vitor diz o mesmo piscando para ela.Ao terminar o banho, Amélia sai do banheiro vestida com um roupão de sedarosa claro e os cabelos molhados. Vitor, vestido apenas com uma bermuda, seaproxima de Amélia:- Adoro quando você sai do banho!Ela sorri e retribui os carinhos de Vitor quando o telefone do quarto toca.- Ah não, já tô ficando com trauma desse telefone. – Vitor reclama.- Atende! – Amélia diz, se divertindo.- Alô! Opa, oi, Paulo. E aí? Claro, podemos marcar lá sim. Te pego amanhãentão, às 8 da manhã. Tchau, tchau.Vitor desliga:- Era o Paulo combinando o local pra encontrarmos.- Hum. Tudo certo então pra amanhã?- Sim, vamos pra Girassol matar as saudades do pessoal!- Não vejo a hora!Vitor se aproxima da porta e a tranca, vai até Amélia, desfaz o laço de seuroupão que cai no chão, e os dois se beijam apaixonadamente e se amam atéa hora de Vitor ir para o frigorífico. VIIAo chegar do frigorífico, Vitor encontra Amélia conversando com Lurdinha efazendo seus desenhos no sofá da sala:- Oi família! – Diz Vitor sorrindo e se aproximando para dar um beijo emAmélia.- Oi, meu amor! Pensei que você ia demorar mais por lá.- Ah é? Já tá querendo se ver livre de mim, é?- Ai, seu Vitor... Quer dizer, Vitor! Não fala assim não. A dona Amélia não paroude falar em você, na beleza que foi a lua-de-mel lá no Jalapão.- Então tudo bem. Tá perdoada. – Vitor senta no braço do sofá e beija Amélianovamente. Depois pega um dos desenhos:- Olha só esses desenhos, cada dia mais caprichado, hein!- Sério? Gostou?- Sou suspeito pra falar. Mas pra mim você é a designer mais talentosa dessemundo.Amélia sorri e acaricia o braço de Vitor.- Eu tô indo fazer o jantar então – avisa a empregada.- Vai lá Lurdinha, tô morrendo de fome! – Diz Vitor sorrindo.- Vitor, a dona Amélia me passou um cardápio só com o seu gosto, sabia?- Jura? Assim eu vou ficar mal acostumado. Eu tinha certeza que ia ser umbom negócio te trazer pra cá, Lurdinha!Todos começam a rir e Lurdinha vai para a cozinha preparar o jantar do casal.
  12. 12. - Tava com uma saudade dessa Lurdinha! – Diz Amélia sorrindo.- Pois é, eu também! Uma figura.À noite após o jantar, Lurdinha vai para o quarto de empregados e deixa Vitor eAmélia a sós. Os dois tomam vinho juntos na sala ao som de “Tonight” –Amélia encosta-se no peitoral de Vitor que acaricia os cabelos dela enquantotoma seu vinho:- Sabia que você tá linda hoje?- Hum. São seus olhos. – Ela sorri.Vitor enrosca seus dedos nos cabelos de Amélia, a admirando, e ela diz:- Acho melhor a gente ir dormir, senão esse vinho não vai deixar a gentelevantar amanhã!- Mas já? Espera só mais um pouco... Vem cá.Vitor se levanta, tira a taça de vinho das mãos de Amélia e a puxa para ocentro da sala:- Dança comigo!Amélia sorri e deixa Vitor a conduzir. Ele a prende em seus braços, balançandoseu corpo junto ao dela.Seguindo o ritmo da música ele sussurra no ouvido de Amélia e beija seupescoço:- Eu te amo tanto... Sou louco por você.Os dois continuam dançando abraçados e Amélia apenas fecha seus olhossentindo a respiração de Vitor em sua nuca.Vitor se desprende de Amélia e a puxa pela mão, desliga o som e a leva até oquarto...Já é de manhã e o casal está na mesa posta por Lurdinha, tomando o café damanhã:- Hum, o Paulo me ligou quando você estava no banho. Falei que já estávamosindo pro hotel. – Diz Vitor, tomando o seu café rapidamente.- Calma, meu amor. Come direito. Ainda tem tempo.- Eu sei, é que fiquei de ligar também pra Fátima. Preciso passar umascoordenadas pra ela antes de viajarmos.- Tudo bem. Mas toma seu café antes. – Amélia toca a mão de Vitor sobre amesa.- Te amo, sabia?Vitor levanta rapidamente e vai até a cadeira de Amélia, a beija no rosto esegue para a sala com o celular nas mãos.- Ah, mas que amor! - Diz Lurdinha encantada.Amélia começa a sorrir.Depois de um tempo, Vitor consegue falar com Fátima e termina de se arrumar.Amélia e Lurdinha fecham o apartamento e os três seguem até o hotel dePaulo.Chegando no hotel, Paulo já estava na porta esperando pelo casal:- Olá! Bom dia.- Bom dia! Vou te ajudar com a mala. – diz Vitor o cumprimentando.Vitor coloca a bagagem no porta-malas e os dois entram no carro. Paulo sentano banco da frente junto com Vitor, olha para trás e cumprimenta Amélia eLurdinha.
  13. 13. A viagem é curta e Vitor pára o carro em frente ao armazém. Paulo ficaadmirado com Girassol:- Mas que cidade ótima. Aconchegante.Vitor concorda:- Pois é. Tudo isso foi construído com a ajuda de cada um que mora nessacidade, e claro, com a iniciativa do Solano. Você vai conhecê-lo.- Ótimo!Ao chegarem, são recepcionados por Janaína, Fred e Terê. Amélia abraçatodos, matando as saudades.Depois de beberem um suco no armazém e de apresentarem Paulo já como onovo sócio da Rurbana, eles seguem para a fazenda.- Mãe! Que saudade! – Manuela abraça a mãe assim que ela chega nafazenda.- Oi, filha! Eu também tava morrendo de saudades de você! Deixa eu te ver... –Amélia segura as mãos de Manu e a olha com brilho nos olhos.- A senhora tá cada dia mais linda hein, dona Amélia. Será que é o amor?Vitor as interrompe:- Pode ter certeza que sim, Manu!- Ah, que fofo! – Diz Manu sorrindo.- Bom, esquecemos de fazer as apresentações. Esse é o Paulo, nosso maisnovo sócio na Rurbana. – Vitor apresenta Paulo a Manu.- Ah, você que é o famoso Paulo? O Rudy fala muito em você. Prazer.- Espero que fale bem! Prazer. – Paulo sorri e aperta a mão de Manu.- Sim, tenho certeza que minha mãe e o Vitor fizeram muito bem em aceitaressa parceria.- Fico grato pela confiança. Estou adorando fazer parte desse negócio. Suamãe tem um talento e uma delicadeza pras jóias que nunca havia visto antes, eo tino pros negócios o Vitor tem de sobra. Só temos a ganhar!Todos sorriem animados até que Lurdinha os interrompe:- Gente, enquanto cês conversavam eu já preparei um cafezinho.- Nossa, que eficiência, Lurdinha. Nem bem me falou oi e já foi pra cozinha! –Diz Manu, se divertindo.- Claro! Tava sentindo falta da minha cozinha aqui na fazenda!- Que é isso, Lurdinha, agora sua cozinha é outra. Lá em Juruanã. – Vitor arepreende.- Eu sei, Vitor! Agora eu tenho duas cozinhas e um monte de patrão. Até meusalário aumentou!Todos se divertem com Lurdinha enquanto tomam o café. Nesse instante, Rudychega na fazenda e cumprimenta todos, principalmente Paulo que é um grandeamigo de infância:- E aí cara? Quanto tempo. Fiquei muito feliz dessa parceria ter dado certo.- Eu também, meu amigo! Tô adorando tudo isso aqui, e tenho que teagradecer muito pela oportunidade.- Imagina! E eu tenho certeza que o Vitor e a Amélia vão colocar você noseixos e aproveitar bem esse teu talento pros negócios.- Colocar nos eixos? – Pergunta Manuela, curiosa.
  14. 14. - É, esse cara aqui é muito responsável profissionalmente, mas precisa serfisgado por alguém pra sossegar essa vida social.- Que isso. Pára de inventar. – Diz Paulo, sorrindo junto com Rudy e osdemais. VIIIMais tarde todos jantam juntos na fazenda e depois tomam um vinho na sala.Amélia está sentada no sofá ao lado de Vitor com uma das suas mãos sobre aperna dele, enquanto ele a envolve com os braços.Ela então coloca a taça na mesa e diz:- Bom, acho que já vou indo. Estou exausta.Vitor a beija no rosto:- Também vou indo com você.Quando os dois se levantam, todos levantam também e seguem para osquartos.Amélia e Vitor tomam um banho e vão para a cama. Vitor começa a ler um livrocom seus óculos de grau e Amélia lembra que esqueceu de pegar um copo deágua na cozinha:- Vou na cozinha, meu amor, já volto.- Tá. Volta logo! – Vitor a olha fixamente, a puxa pelo braço quando ela selevanta e a beija. Amélia retribui e sai do quarto olhando para ele, sorrindo.- Linda! – Ele diz, antes de Amélia sair.Todos já estavam dormindo e a luz da cozinha estava apagada, quando derepente Amélia se choca com alguém ao tentar acender a luz. A outra pessoa asegura pelo braço com o susto, e acende a luz:- Amélia!- Meu Deus, que susto... Paulo?! – Amélia pergunta, ainda confusa com o sustoque levou.- Me desculpa, eu não tinha te visto. – Paulo começa a atropelar as palavras,sem graça, e continua segurando o braço de Amélia.- Tudo bem. – Amélia olha para seu braço e Paulo logo a solta, sem terreparado que a estava segurando por tanto tempo.- Desculpa, me desculpa... - Paulo começa a rir e Amélia também.- É... eu vim pegar um copo de água. – Diz Amélia, ajeitando a manga de seuroupão.- Eu também. – Paulo a olha encantado, mas logo tenta disfarçar.Amélia pega o copo e logo sobe para o quarto, se despedindo de Paulo:- Boa noite, então...- Boa noite, Amélia. E me desculpa mais uma vez.- Imagina...Paulo fica sozinho na cozinha e sorri, sem controlar seus pensamentos emAmélia naquela noite. Mas logo se auto-reprime, dizendo em voz alta:- Pára com isso, Paulo. Pelo amor de Deus.
  15. 15. Dois dias se passam e Vitor tem que retornar para Juruanã por conta dofrigorífico. Amélia diz que vai junto, mas Vitor não concorda:- Meu amor, acho interessante você ficar com o Paulo por aqui. Pelo menos atéo final da semana... pra ele entender melhor o trabalho das artesãs, sefamiliarizar.- Tudo bem. – Amélia diz, um pouco desanimada.- Eu vou morrer de saudade de você. – Vitor acaricia o rosto de Amélia. – Sequiser eu fico aqui e...- Não, de jeito algum. Você precisa resolver os problemas do frigorífico, nãovou te prender.- Prender? Pára com isso, hein. Você é minha mulher, esqueceu?Os dois começam a rir e Vitor a beija segurando sua nuca com força:- Te amo tanto. Se eu pudesse viveria só de amor. Te amando pra sempre.- Eu também te amo.Os dois se beijam novamente quando de repente Paulo aparece e osinterrompe:- Vitor eu... Opa. Desculpa.Vitor e Amélia se afastam, assustados:- Imagina. Entra aí Paulo... É que você sabe né, com uma mulher linda dessaspor perto todo dia, ninguém resiste.Paulo sorri sem graça e Amélia abraça Vitor dizendo:- Bobo!- É, então... eu vim saber quanto tempo vamos ficar por aqui. Quando oescritório vai inaugurar... – Paulo não consegue tirar os olhos de Amélia,tentando sempre disfarçar seu interesse.- Pois é, estávamos conversando justamente sobre isso antes de você nosflagrar! – Vitor sorri e continua:– Eu vou ter que voltar pro frigorífico mais cedo, mas acho interessante você ea Amélia ficarem por aqui até o final da semana. Sexta-feira as artesãs játerminam uma boa parte das jóias, e a gente tem que levar pro Jalapão.- Perfeito! – Paulo se anima com a idéia de ficar mais tempo em Girassol.- Fechado então. Vou arrumar minhas coisas. – Diz Vitor, saindo do escritório.- Eu te ajudo. – Amélia e Vitor sobem para o quarto e se despedem de Paulo:- Até logo. – Paulo se despede e segue Amélia com os olhos, sem que Vitorperceba, quando de repente:- Seu Paulo!!!- Ah, que susto, Lurdinha!- Ô, o senhor me desculpa. Não queria te assustar não... Cê quer umcafezinho? – Diz Lurdinha tentando flertar com Paulo.- Obrigado, Lurdinha, agora não.- Paulo sorri e também sobe para o seuquarto.Chegando no quarto, Paulo pensa consigo mesmo:- Droga. Eu não podia tá interessado nessa mulher... – Ele faz uma pausa ediz: - E que mulher...Nesse instante batem na porta:- Já vai. Oi, Vitor.- E aí cara? Desculpa incomodar, é que já estou indo pra Juruanã. Venhobuscar vocês na outra semana.- Ótimo. Combinado então.Os dois apertam as mãos e Vitor, que já estava saindo, retorna:
  16. 16. - Ah, mais uma coisa. Cuida bem da Amélia, hein. – Ele começa a rir e toca oombro de Paulo.- Tá certo. – Paulo sorri sem graça.- Até mais.Paulo coloca a mão na cabeça, preocupado consigo mesmo, e diz:- Se controla, cara. Se controla. IXJá é sexta-feira e todos se reúnem na sala depois do almoço:- Bom, onde vamos hoje? – Pergunta Paulo para Amélia, Manu e Rudy.- Hum, eu e o Rudy marcamos uma fugidinha pra um banho de rio! – Manu eRudy se abraçam sorrindo.Amélia sorri também e diz:- Então eu acho que vamos ter que trabalhar sozinhos, Paulo.- Tudo bem... - Paulo diz com um leve sorriso no rosto quando Rudy ointerrompe:- Trabalho é o nome do Paulo!- Menos...Todos começam a rir e se dividem. Amélia sai conversando com Paulo:- Vamos passar na casa da Pérola, as artesãs estão reunidas por lá.- Ok! Posso ir dirigindo?- Tudo bem.Chegando na casa de Pérola, Paulo e Amélia conversam no sofá analisandoalguns papéis de exportação. Ele não consegue tirar os olhos de Amélia,porém ela não percebe nenhum sinal das investidas...Pérola está conversando com as artesãs quando repara em Paulo e faz umafeição preocupada. Mas evita comentar com Amélia, temendo ser apenasimpressão.No meio da conversa Amélia interrompe Paulo:- Ai, desculpa, Paulo. Preciso ligar pro Vitor. Tô morrendo de saudades. – Elasorri.- Tudo bem. Vai lá. – Paulo diz com um sorriso forçado no rosto.- Alô, meu amor? Tudo bem?Em Juruanã, Vitor responde:- Mais ou menos, tô sentindo tanto sua falta. Que idéia a minha ter te deixadotanto tempo longe.- Eu também estou morrendo de saudades, meu amor. Mas hoje ainda euestou aí, umas 17 horas.- Como assim? Eu vou até aí buscar vocês.- Pensei que você tivesse que ficar no frigorífico.- Não, não. A Fátima vai cuidar de tudo. Você acha que vou deixar você voltarsozinha?- Posso pedir pra Manu nos levar.- Nada disso. Eu vou... Me esperem aí.- Tudo bem, te espero ansiosa!- Te amo.- Te amo também – Amélia diz sorrindo com os olhos brilhando.- Ah, espera, não desliga. – Vitor quase grita ao telefone.
  17. 17. - O quê?- Nada, queria só ouvir mais um pouco sua voz!- Bobo você!Os dois começam a rir e Vitor diz, animado:- Olha só, quando a gente chegar em Juruanã e ficarmos sozinhos eu quero...- Vitor!- O que foi?- Depois a gente conversa sobre isso.Vitor começa a rir e os dois se despedem.Paulo observa Amélia e comenta:- Bonito o casamento de vocês.- Ah, pois é. A gente passou por muita coisa até ficarmos bem.- Sério? Bom, pelo menos valeu a pena, né.- Com certeza. O Vitor é um anjo na minha vida... o homem da minha vida.Paulo olha para baixo e sorri, disfarçando seu incômodo com as palavras deAmélia.- Bom, mas vou parar de falar, senão você fica enjoado. É que eu não canso defalar nele, e enfim... - Amélia ri, sem graça.- Imagina. Eu acho que sei como é...Nesse momento, Pérola se aproxima dos dois mostrando as jóias já prontas:- Dona Amélia, olha só. Terminamos uma boa parte pra senhora levar proJalapão.- Que ótimo, querida! Viu só, Paulo? Essas minhas artesãs são as melhores!- É, estou vendo mesmo! Estão lindas essas peças. – Paulo pega uma daspeças nas mãos e a admira.- Imagina, a senhora é que é talentosa demais. – Diz Pérola pegando nas mãosde Amélia.Paulo concorda:- É, não canso de dizer que a Amélia é excepcional. Nunca tinha visto antesuma facilidade em desenhar assim. É tudo tão perfeito!- Ai, gente, pode parar. Assim eu fico sem graça.Pérola sorri e fica cada vez mais desconfiada dos elogios de Paulo.Amélia e Paulo se despedem de Pérola e das mulheres dos assentados eseguem para a fazenda, conversando sobre a Rurbana no decorrer do trajeto.Chegando lá, Vitor já os esperava na sala:- Meu amor! – Amélia diz sorridente, vai correndo até ele e os dois se beijam.- Nossa, que saudade que eu tava de você! – Vitor a olha como se a fossedevorar com os olhos, sem se importar com os demais ao redor.Manu começa a rir e os dois então se desprendem:- Desculpa gente, não posso ficar um segundo longe dessa mulher, imaginauma semana!- Ah, que lindo! – Rudy brinca com Vitor.- Bom, mas e aí? Como está tudo por aqui?- Ótimo. Fiquei fascinado com tudo que vi. – Paulo se anima ao falar. – Jápegamos as peças novas e agora é só levar pras artesãs do Jalapão.Vitor abraça Amélia ao falar:
  18. 18. - Perfeito! Eu acabei de passar no escritório, dei uma arrumada por lá. Jápodemos inaugurar.- Que bom, meu amor! Não vejo a hora de começar a trabalhar. – Amélia obeija de leve nos lábios.Paulo resolve subir para arrumar as malas:- Bom, vou subir. Falta arrumar algumas coisas.- Tudo bem. – Diz Vitor. – E você, meu amor? Tudo pronto?- Sim, a Lurdinha já arrumou tudo.- Ai, mãe, vou ficar com saudades de novo. – Manu abraça a mãe.- Ô, minha filha! Você sabe o nosso endereço hein. Você me visitou tão poucasvezes.- Eu sei, eu sei. Mea culpa, dona Amélia. Prometo que eu e o Rudy vamos commais freqüência né?- Claro! Aproveito e conheço o escritório. Tô curioso.- Isso, apareçam por lá mesmo, hein? – Amélia retribui o abraço da filha que sedesprende dela e diz:- Bom, vou lá fora esperar o Fred. Vamos Rudy?- “Vambora”!Nesse momento, Amélia e Vitor ficam sozinhos na sala. Vitor olha Amélia delonge e vai se aproximando. Ele a observa apaixonadamente, como seestivessem há muito tempo longe um do outro. Ela morde os lábios e sorri, atéque ele alcança as mãos de Amélia e as leva na sua cintura, a abraçando comforça e desejo.Ele sente o perfume de Amélia com os olhos fechados, a beija devagar portodos os pontos de seu pescoço, chegando até seus lábios. Os dois se beijamcom fervor, matando as saudades e o intenso desejo. XVitor, Amélia, Paulo e Lurdinha já estão prontos para voltar à Juruanã. Améliase despede dos filhos com um beijo:- Vou morrer de saudades! Não sumam de mim, hein?- Pode deixar, dona Amélia. A gente não vive sem você! – Fred a abraça comcarinho.Os quatro entram no carro e partem.Vitor deixa Paulo no hotel e os três seguem para o apartamento.Chegando, Lurdinha vai para o quarto arrumar suas coisas e Vitor e Amélia vãologo para a suíte do casal. Vitor coloca as malas rapidamente no chão, fecha aporta e diz para Amélia:- Finalmente! Não agüentava mais ficar perto de você sem poder te tocar. – Elese aproxima e segura o rosto de Amélia. – Sem te beijar...Vitor olha para os lábios de Amélia, não resiste e a beija com paixão.Ele vai tirando a blusa de Amélia com cuidado, descendo seus lábios até opescoço dela. Amélia fecha os olhos e deixa Vitor a conduzir até a cama. Osdois se amam, cheios de saudade.No dia seguinte, Vitor acompanha Amélia até o escritório. Chegando lá, Paulojá os esperavam na porta.- E aí, cara? Já chegou? – Pergunta Vitor, cumprimentando Paulo.
  19. 19. - Pois é. Tô ansioso pra começar logo. Bom dia, Amélia.- Bom dia!- Vamos entrar, então. – Vitor abre a porta e todos ficam maravilhados com adecoração do local.- Meu Deus! Vocês capricharam enquanto estávamos fora! Adorei tudo.- Muito bacana! – Paulo concorda e fixa o olhar em Amélia.Nesse momento, sem que Paulo percebesse, Vitor repara o olhar do sócio eestranha. Mas logo é despertado por Amélia:- Amor, e como está lá em cima? Quero ver como ficou aquela vistamaravilhosa do terraço.- Ah claro. Vamos subir. – Vitor diz, ainda incomodado.Os três passam a tarde conversando sobre os negócios da Rurbana e Vitoracaba fazendo um esforço para esquecer o olhar fixo de Paulo em Amélia,torcendo para ter sido apenas impressão ou ciúmes natural de recém-casado.As semanas se passam e Vitor fica cada dia mais atarefado no frigorífico,vendo Amélia somente de manhã e no final da tarde.Amélia também está a mil por hora com os negócios da Rurbana, e a rede dejóias cresce cada vez mais com a sociedade feita com Paulo. Ele consegueabrir filiais e exportar um grande número de peças, tornando a empresa aindamais conhecida no mundo todo.Vitor continua vendo de perto os negócios da empresa com Amélia, porém,quando chegam em casa, ficam exaustos para comentar sobre trabalho.Já é noite e Vitor e Amélia estão no quarto. Amélia tira os sapatos assim quechega do trabalho – depois de Vitor:- E aí? Como andam as coisas na Rurbana?- Tudo certo. Um pouco corrido... Alguns fornecedores atrasaram a entrega dealgumas peças, por isso demorei hoje.- Hum. E o Paulo? Tá se saindo bem?- Sim, cada dia melhor nas negociações.- É, preciso conversar melhor com ele, acabei me distanciando.- E o frigorífico?- Tudo certo. Os mesmos problemas de sempre... contornáveis.- Sei... Bom, vou tomar um banho. Me espera?- Claro. Vem logo tá?! Ultimamente a gente anda esquecendo até de tomarbanho juntos. – Vitor sorri para Amélia que se aproxima dele e beija seus lábiosrapidamente.- Outro dia a gente faz isso!Vitor logo pára de sorrir assim que Amélia entra no banheiro, sentindo umadistância que ele tanto temia nos últimos dias.Quando Amélia volta do banho, Vitor desliga o laptop que estava em seu colo ecoloca na mesinha ao lado da cama. Ele espera Amélia passar o creme nocorpo como faz todas as noites e deitar ao seu lado. Nisso, ele se aproxima e abeija devagar. O beijo vai se intensificando e Vitor vai tirando a camisola delaao mesmo tempo que ela prende seus dedos em suas costas, sem camisa.Mas os dois são interrompidos com o telefone:- Droga. Quem será? – Vitor reclama.
  20. 20. - Espera, vou atender... – Amélia se levanta e alcança o telefone ao lado dacama.- Alô? Oi... Paulo? Aconteceu alguma coisa?Vitor sente o sangue subir mas faz de tudo para conter os ciúmes.Depois de um tempo conversando, Amélia desliga o telefone e Vitor pergunta:- O que aconteceu?- Nada demais. O Paulo acabou esquecendo a senha pra desligar ocomputador do escritório. Ele teve que ficar até mais tarde por lá.- Ah tá. E você confia nele o bastante pra dar a chave, pra ele ficar lá até essahora?- Ué. Você não confia?- Não, não é isso. – Vitor engasga ao falar. – Sei lá, eu não ando tendo muitocontato com ele ultimamente.- Não se preocupa, meu amor. O Paulo é bastante responsável e é amigo deinfância do Rudy. Ele não faria nada.- É, eu sei, foi bobagem minha, esquece... Agora vem aqui, não pensa que euesqueci aonde a gente estava... – Vitor puxa o corpo de Amélia contra o dele ea beija novamente, dizendo:- Te amo tanto.Ele termina de tirar a camisola de Amélia e os dois se amam a noite toda. XINo dia seguinte, no café da manhã, Vitor faz um convite à Amélia:- Amor, que tal se a gente sair hoje a noite pra jantar, naquele restaurante aolado do escritório? Faz tanto tempo que a gente não faz isso né?- É verdade! É claro que eu topo! Que horas você estava pensando?- Bom, acredito que até umas 20 horas eu estou lá.- Combinado. 20 horas eu saio do escritório e vou direto pra lá.Vitor deixa Amélia no trabalho e no mesmo instante Paulo chega também.- E aí, Vitor, tudo bem?- Tudo ótimo! Vim trazer a empresária pro trabalho.- Sei! Bom dia, sócia.- Bom dia, Paulo.Vitor interrompe o cumprimento dos dois e diz:- Faz tempo que eu não acompanho de perto os negócios da Rurbana.Qualquer dia desses eu dou uma passada por aqui com calma.- Faz isso sim, cara. Tá tudo indo muito bem. Acho que a Amélia comentou né,o aumento das vendas, exportações.- Sim, claro. Fico muito feliz com isso.Paulo sorri e bate nas costas de Vitor que se despede de Amélia com um beijo:- Até mais tarde, hein?- Até! Te amo!Amélia acompanha Vitor ir embora com os olhos brilhando até que Paulo lhediz:- Vamos entrar? – Ele aponta a mão para que Amélia entre. Ela vai na frente ePaulo toca seu ombro indo atrás dela. Vitor passa de carro e vê a cena.A tarde passa rapidamente e Vitor já fica ansioso para o jantar com Amélia:
  21. 21. - Bom, Fátima, acho que já está tudo certo, né?- Sim, Vitor! Fica despreocupado. Hoje você ficou o dia todo bastante agitadoné... – Fátima sorri.- É, Fátima. Não vejo a hora de encontrar a Amélia, nunca senti isso porninguém, é impressionante!- Nunca te vi assim mesmo! Que bom, eu acho vocês dois um casalmaravilhoso.- Obrigado, Fátima. Agora já vou indo... encontrar...Fátima o interrompe, animada:- Vai logo, Vitor! Não faz sua mulher esperar!Vitor pega a chave do carro, sua carteira e sai apressado do frigoríficoenquanto Fátima o observa sorridente.Enquanto isso, Amélia está sob pressão de um fornecedor ao telefone, desligae logo se queixa com Paulo, que estava trabalhando no computador:- Não agüento isso, Paulo. Falei mil vezes o local pras entregas, e mesmoassim atrasaram.- Calma, Amélia, vamos dar um jeito nisso. Você está muito cansada hoje.Acho melhor te levar pra casa.- Tudo bem, vou aceitar. Preciso mesmo de um banho, descansar...- Isso. Só o tempo de desligar o computador e já vamos.- Ok.Amélia, muito estressada e preocupada com o atraso na entrega do capim-dourado e outras matérias-primas para a confeccção das jóias, acaba seesquecendo do encontro que havia marcado com Vitor.- Vamos? Já fechei tudo. – Diz Paulo apontando a porta para Amélia.- Sim, vamos.Enquanto isso no restaurante ao lado, Vitor já está sentado na mesa esperandoAmélia. Como ainda não são 20 horas ele aguarda tomando um copo de vinho.Nesse momento, Paulo já estaciona em frente o apartamento de Amélia edesliga o carro. Amélia agradece, já saindo:- Obrigada pela carona, Paulo, nos vemos amanhã. Boa noite.Paulo tira o cinto de segurança e puxa levemente o braço de Amélia:- Espera.Amélia pára e olha para ele:- Sim?- Amélia, eu... Bom, eu queria dizer que estou muito feliz em fazer parte desseprojeto com vocês.Amélia sorri com uma feição cansada, e responde educadamente Paulo:- Eu também estou, Paulo. Só estou um pouco cansada... Acho que talvez eutenha exagerado na tentativa de sair tudo perfeito. E acabei me estressando eaté descontando em você algumas vezes. Me desculpa. - Imagina. Não fala assim... Estamos indo muito bem, e amanhã é outro dia.Você vai estar melhor.- Espero que sim!Paulo sorri e depois fixa seu olhar nos lábios de Amélia. Ela, sem perceber,sorri também e se despede já abrindo a porta:- Até mais, Paulo. Boa noite.- Boa noite. – Paulo responde desanimado.
  22. 22. Nesse momento o telefone de Paulo toca:- Alô? Oi, Rudy, e aí?Rudy responde:- Tudo bem. Cara, precisava conversar sério com você, por isso te liguei.- Pode falar.- É o seguinte. A Pérola veio falar comigo esses dias e comentou que sentiuum interesse seu pela Amélia. Isso é sério, cara? XII- Que é isso? Como assim?- Olha só, o negócio tá complicando, Paulo. Olha lá o que você tá fazendo. Euconfiei em você. Você é um ótimo profissional e...- Espera aí, Rudy, calma. Deixa eu falar. – Paulo se altera com os comentáriosde Rudy. – Eu não sei como esse boato foi chegar até aí. Imagina se isso vaiparar nos ouvidos do Vitor...- Pois é, por isso te liguei, pra saber melhor, pra te alertar. Parece que aLurdinha também comentou isso com a outra empregada aqui de Girassol e afofoca tá se espalhando.- Meu Deus! Não acredito nisso... Rudy, eu vou ser sincero, algumas vezes eunão consegui controlar meu interesse, mas nunca fiz nada. Isso não podechegar nos ouvidos da Amélia e nem do Vitor.- Cara, eu confiei em você. Se segura, meu irmão. Presta atenção no que vocêvai fazer. A Amélia não merece sofrer por bobagem, e nem o Vitor. Você nãosabe o que esses dois passaram pra ficarem juntos.- Eu sei, eu sei. Não aconteceu nada.- E nem vai acontecer! Tá maluco, cara? Você vai me jurar agora que vaidesfazer esse engano antes que isso tome uma proporção maior.- Mas o que eu posso fazer?! – Diz Paulo, nervoso - Eu sempre soube quenunca teria chances. E eu não faria nada contra o Vitor, nem faria a Améliasofrer. Seria uma burrice, sempre guardei isso pra mim.- Pois é, agora você se vira Paulo. Numa boa, o melhor é você se distanciar daAmélia, não ficar mais ao lado dela no escritório, porque pelo jeito você não táconseguindo guardar isso só pra você né? Tenta trabalhar em casa, sei lá...- Não tem jeito, sem chances... Rudy, preciso desligar, estou no trânsito. Porfavor, tenta contornar isso aí em Girassol. Te mando notícias...- Tudo bem. Mas se eu souber de alguma coisa pior, Paulo, eu vou ser oprimeiro a aceitar que você se desligue dessa sociedade – Rudy diz,insatisfeito.- Fica tranqüilo. Nada vai acontecer.Paulo desliga, olha o apartamento de Amélia e segue nervoso para casa.Em Girassol, somente Manu, Rudy, Pérola e Aspásia sabem do boato sobrePaulo e Amélia e tentam segurá-lo para que não se espalhe. Rudy conversacom Manu e garante que não aconteceu nada. Eles decidem não tocar noassunto com Amélia ou Vitor por enquanto.Já passava das 20 horas e 30 minutos e Vitor começa a ficar preocupado. Eletenta insistentemente ligar para o escritório e para o celular de Amélia, mas
  23. 23. ninguém atendia. Amélia havia deixado o celular desligado e com todo o stressnem lembrou de ligá-lo.Vitor então decide ligar para Paulo:- Alô! Paulo? Até que enfim!- O... Oi Vitor. – Paulo gagueja ao falar, temendo o motivo pelo qual Vitortelefonava para ele.- Cara, estou tentando falar com vocês no escritório faz um tempão. Aconteceualguma coisa aí com o telefone?- Ué, não. Nós já saímos do escritório Vitor. Acabei de deixar a Amélia emcasa.- Como assim?- Faz uns 20 minutos que a deixei lá no apartamento.- Não é possível... – Vitor se levanta nervoso e tenta enxergar a luz apagada doescritório, logo à frente do restaurante – Acho que aconteceu um desencontro,só isso. Boa noite, Paulo, até mais. – Vitor desliga e nem espera Paulo sedespedir.- Eu hein. – Paulo diz, sem entender.Vitor paga a conta do seu vinho e sai extremamente chateado com o que haviaacontecido, sem conseguir imaginar um motivo para que Amélia tenhaesquecido do encontro entre eles. Fica mais ainda perturbado quando nãoconsegue conter seus pensamentos, imaginando que Amélia poderia estar comPaulo.Ele segue nervoso dirigindo seu carro até o apartamento.Chegando lá, Vitor acende a luz da sala e vai até a cozinha beber água. Elesenta na banqueta e se apóia no muro com as mãos sobre a cabeça, semsaber o que falar para Amélia ou com medo do que irá escutar.Nesse instante Lurdinha aparece de pijama:- Seu Vitor? Aconteceu alguma coisa, quer que eu faça algo, um café, um chá?- Que susto, Lurdinha! – Vitor logo se levanta. – Não, obrigado, a Amélia jáchegou?- Sim, já faz um tempinho. A Dona Amélia chegou bem nervosa e se trancou noquarto. Acho que ela tá dormindo.- Obrigado, Lurdinha. Pode ir se deitar, também já vou indo.- Sim, senhor. Boa noite.Vitor vai até o quarto, abre a porta devagar e encontra Amélia dormindo. Ele vaiaté o banheiro e toma uma ducha fria. Voltando para o quarto, Vitor se deita aolado dela e a olha dormir com uma feição triste, sem saber o que pensar.Nisso, ele vira para o lado e também dorme. XIIINo dia seguinte, Vitor acorda e não encontra Amélia ao seu lado, quando elese levanta encontra Amélia parada, com o rosto preocupado e muito nervosa,olhando para ele sem dizer nada. Alguns segundos se passam e Amélia diz:- Vitor! Me perdoa, ontem eu acabei me esquecendo... Eu estava tão cansadaque acabei pegando no sono e... me perdoa.Ela coloca as mãos na boca aparentando um quase choro e se aproxima dacama. Vitor logo se levanta e tenta não se comover com o desespero deAmélia:
  24. 24. - Por que, Amélia? Por que a gente tá se afastando tanto?- Meu amor! Me escuta... – Amélia toca o rosto de Vitor mas ele se esquiva ecaminha até a penteadeira, se apoiando na cadeira, de costas para ela:- Não foi só por você ter esquecido do nosso jantar ontem. Mas foi isso e osacontecimentos todos que foram se acumulando, Amélia. Você já parou prapensar em tudo que anda acontecendo?- Eu sei, eu sei. É que ando tão nervosa, tão... sem controle de mim mesma... –Amélia diz eufórica e chorando, segurando os braços de Vitor. – Por favor,Vitor, me perdoa. Vitor a olha com amor e tristeza ao mesmo tempo. Tentaresistir à vontade de tocá-la no rosto e de ampará-la, mas o nervosismo e ociúmes falam mais alto:- Amélia... Eu não agüento mais! Não agüento mais essa nossa falta dediálogo, a sua correria com a Rurbana, junto com... esse seu sócio.- O que você quer dizer com isso?- Exatamente o que eu disse.- Não estou entendendo. O jeito com que você fala sobre o Paulo faz parecer...- Olha, Amélia. Eu acho melhor a gente...- O quê? Melhor a gente acabar com tudo, é isso?- Você quem está dizendo... – Vitor fica o tempo todo de costas.- Eu não acredito no que estou ouvindo... – Amélia olha para Vitor, incrédula, econtinua - Vitor, eu entendo que não existe justificativa pro meu esquecimentode ontem, mas dizer que isso tudo é só culpa minha... – Amélia tira as mãos dobraço de Vitor e continua. – Essa correria e falta de diálogo foram de ambas aspartes, não se esqueça disso.Amélia termina a conversa ali e se tranca no banheiro. Vitor chuta a cadeira:- Droga, droga!Amélia chora muito durante o banho, sem acreditar ainda na sua discussãocom Vitor e no seu esquecimento na noite anterior. Não sabia se se sentiaculpada ou injustiçada pelas desconfianças de Vitor.Depois do banho ela sai do boxe e sente uma tontura, se apóia na parede elogo depois sente náuseas:- Meu Deus, o que é isso?Ela logo imagina que deva ser a tensão causada pelo stress e pela briga comVitor, se senta e tenta fazer com que sua pressão volte ao normal.Quando Amélia sai do quarto encontra Vitor na copa terminando o café damanhã junto com Lurdinha, que o servia. Ela senta à mesa e os dois ficamcalados. Lurdinha faz uma cara desconfiada e vai para a cozinha.- Eu já vou indo. Depois eu passo no escritório pra te buscar, pode ser? – Vitorpergunta, sério.- Tudo bem. – Amélia fica observando Vitor sair chateado.Lurdinha aparece e pergunta:- Dona Amélia, a senhora tá bem?- Não, Lurdinha, tá tudo péssimo. Péssimo.Amélia vai para o quarto, pega sua bolsa, a chave do seu carro e sai.Vitor chega no frigorífico e mal consegue se concentrar:- E aí, Vitor, como foi o jantar? – Pergunta Fátima.Vitor respira fundo e diz:
  25. 25. - Não foi.Ele sai da sala sem se explicar com Fátima, que fica sem entender.Na Rurbana, Amélia chega e Paulo a cumprimenta, animado:- Amélia! Bom dia! Você não acredita. Acabei de fechar negócio com umaimportadora de Portugal! Não te falei que hoje o dia ia ser bom?- Hum. Que bom. – Amélia diz, tentando sorrir.- O que aconteceu, Amélia? Você está bem?- Ai, Paulo. Desculpa... Não vou conseguir me concentrar, mas eu precisava virpra cá, espairecer...- O que foi? – Paulo se preocupa e se aproxima de Amélia, tocando em seubraço.Amélia começa a passar a mal e quase desmaia. Paulo a segura,desesperado:- Amélia, Amélia. O que foi? Você está bem? Senta aqui...- Nada... Foi só um mal estar, já passou...- Você está pálida. Vou te levar pro hospital.- Não precisa, sério. Estou bem.- Sério mesmo? Hein? – Paulo a segura na cadeira, a olhando compreocupação e acaricia seu rosto.Amélia se esquiva e levanta:- Já estou bem. É que ontem... Eu tive uma briga horrível com o Vitor.- Sério? O que houve? – Amélia fica um tempo calada e Paulo se corrige: -Desculpa, se não quiser falar sobre isso...- Não... É que, eu preciso desabafar, senão eu sinto que vou explodir..detristeza, de culpa...Paulo a olha fixamente e a escuta com atenção:- Eu... esqueci que ontem tinha marcado com ele um jantar, aqui no restauranteao lado e fui embora com você.- Meu Deus... Por isso então que ele me ligou perguntando de você, nervoso.- Sim. Eu juro Paulo que me esqueci totalmente mas nunca foi proposital.- Claro que não. Você estava bastante cansada e estressada ontem, eu vi isso.- Pois é, mas não justifica, não é?- Mas ele vai compreender...- Não, ele não vai.- Calma, Amélia. Vocês dois se amam tanto, isso não pode afetar. – Paulo seaproxima cada vez mais de Amélia. – Fica calma. Você não merece sofrerassim, e eu... eu queria tanto...Paulo não termina a frase, acaricia o rosto de Amélia e não resiste ao beija-la àforça, sem dar tempo para que ela evitasse. Nesse instante, durante umafração de segundos, Vitor aparece sem que ninguém o veja e os flagra, masatordoado ele sai correndo e não vê quando Amélia empurra Paulo com força elhe dá um tapa no rosto:- O que você fez??? – Ela diz, assustada, se afastando de Paulo.- Me desculpa, Amélia. Por favor, eu não queria que... – Paulo diz, sentindo ador do tapa em seu rosto ao tocá-lo.- Sai de perto de mim. Você não podia... - Amélia começa a chorar e sai doescritório.
  26. 26. Saindo da Rurbana, Amélia se depara com Vitor apoiando o braço na porta docarro de cabeça baixa. Ela se aproxima, ainda nervosa:- Vitor...Vitor levanta a cabeça depois de um tempo, ainda atordoado, olha para Améliacom os olhos vermelhos e diz:- Por favor, Amélia, entra no carro. Vamos embora daqui.Amélia não entende mas teme que Vitor tenha visto o que não devia. Ela entrano carro em silêncio e ele faz o mesmo. XIVChegando no prédio, Vitor e Amélia sobem em silêncio no elevador, sem olharum para o outro. Vitor segura a porta e deixa Amélia sair antes, ele abre a portado apartamento e dá espaço para ela entrar.Lurdinha aparece na sala sorridente:- Ô, dona Amélia, que bom que a senhora chegou! Não tava sabendo o quefazer pro almoço amanhã e... – Vitor a interrompe:- Lurdinha, por favor, teria como você dar uma saidinha, ir na casa daquela suaamiga do andar de baixo? Preciso conversar com a Amélia, a sós.Lurdinha se assusta e percebe que o clima não está bom entre os patrões:- Ah tá, tô indo, então... – Lurdinha sai, olhando para trás.Vitor espera Lurdinha sair e tranca a porta. Ele olha para Amélia, que estáainda em choque, sem saber o que Vitor irá falar.- Tá sendo muito difícil falar alguma coisa nesse momento. Eu só quero quevocê me diga a verdade, Amélia.Amélia olha para ele e já imagina que ele possa ter visto Paulo a beijar a força:- Verdade? Sobre...- Pelo amor de Deus, Amélia. Não complica as coisas... Você sabe muito bemdo que eu estou falando...- Vitor! Se você viu...- Pronto! Aí está! Não é tão difícil assim dizer a verdade, não é? E tambémAmélia, eu sempre disse que mentir não é seu forte.- Por favor, Vitor, não fala assim. – Amélia se aproxima dele, tentando pegarem seu braço, mas ele se esquiva com os olhos vermelhos e cheios de fúria.- Amélia... Eu tô me segurando pra não dizer o que não quero. Eu não consigoraciocinar, porque não entra na minha cabeça que você e o... – Nessemomento ele se afasta de Amélia e coloca as mãos na cabeça, desarrumandoo cabelo, desnorteado. – Eu pensava que tudo entre a gente era verdadeiro,que nada podia... – Ele fica em silêncio e chuta de leve a cadeira em suafrente, dizendo:- Mas que droga.- Vitor, me escuta! Não é nada como você está imaginando, você tem que meescutar...- Chega, Amélia! Pára com isso. Não é só uma suposição agora, eu vi! Eu vi!Você não entende o tanto que está doendo?- Você não pode me julgar assim, sem antes saber o que realmente aconteceu.– Amélia já não se sente mais culpada, e sim, injustiçada, sem poder seexplicar. De repente, ela sente também um mal estar e tem uma vertigem. Vitorse assusta e a segura:- O que aconteceu? Amélia, olha pra mim.
  27. 27. Amélia logo se desprende de Vitor e se recompõe:- Não é nada, foi só um mal estar, já passou.- Sério? Eu te levo pro hospital...- Não precisa. – Amélia diz nervosa tirando o braço das mãos de Vitor. – Jáestou bem.- Eu preciso tomar um ar, sair daqui. Vou pedir pra Lurdinha voltar e cuidar devocê. – Vitor sai, olhando para trás, oscilando entre ampará-la em seus braçosou manter seu orgulho ferido. Por fim, ele escolhe a segunda opção, mesmoque hesitante.Amélia fica estática e não consegue emitir mais nenhuma palavra. Apenas olhaVitor se afastar e entrar no quarto. Ela não segura seu desespero e tristeza ecai em lágrimas.Vitor tira algumas roupas do armário e as coloca de qualquer jeito dentro deuma mala, não conseguindo evitar que algumas lágrimas saíssem de seusolhos também.Alguns minutos se passam e Vitor sai do quarto de cabeça baixa, sem olharonde Amélia estava, temendo não resistir e voltar atrás de sua decisão de irembora. Amélia levanta do sofá e o vê saindo. Ela então diz baixo, sem queVitor a escute:- Vitor...Ele sai e Amélia continua olhando para a porta, que já estava fechada:- Não me deixa...Vitor encontra Lurdinha e pede que ela cuide de Amélia enquanto ele estiverfora, e a alerta sobre a vertigem que a esposa teve:- Cuida bem dela, Lurdinha, por favor, fica de olho.- Tudo bem, seu Vitor... Mas, mas... Por que essa mala? – Lurdinha se assustae fica sem entender o que está acontecendo.- Não é nada, Lurdinha, só estamos dando um tempo um para o outro. Cuidadela, hein? – Vitor sorri de lado e se despede de Lurdinha.Chegando no apartamento, Lurdinha encontra Amélia aos prantos no sofá, elase aproxima da patroa e diz:- Dona Amélia. A senhora tá bem? Tá se sentindo mal?- Ai, Lurdinha! – Amélia não se segura e desaba nos braços de Lurdinha,chorando.Vitor chega em Girassol e vai direto para a estalagem:- Boa noite, Terê! Tem um lugar pro seu antigo hóspede ainda?- Vitor! Você por aqui? O que aconteceu? Essa mala...- Pois é, Terê. É uma grande história que eu não vou conseguir te falar agora...Só precisava urgente de um quarto.- Sim, meu filho. Mas você não quer se sentar antes, beber alguma coisa? Seurosto está horrível.Vitor sorri e diz:- Ai, Terê. Esse rosto horrível não vai mudar com alguma bebida, com nada...Infelizmente.Terê fica preocupada e leva Vitor até o quarto.- Obrigado, Terê.
  28. 28. - Meu filho. Depois tenta se abrir, me explicar o que aconteceu... Você e aAmélia brigaram, não é?- É...- Tudo bem, não precisa dizer mais nada. Vou deixar você sozinho, quandovocê quiser... estarei aqui.- Obrigado, Terê. E ah... só uma coisa. Não comenta com ninguém que...- Imagina, Vitor, não precisa nem pedir.- Obrigado, de verdade.Terê sai do quarto e diz sozinha:- Ai, meu Deus, esses dois não merecem sofrer mais, não merecem. XVVitor coloca sua mala no chão e nem a desfaz, ele senta na cama e começa apensar sozinho:- O que eu tô fazendo? Eu tenho que confiar na Amélia, tenho.Ele deita na cama e fica a noite toda sem dormir, somente pensando esofrendo por Amélia.Já é de manhã e Vitor, que não conseguiu dormir a noite toda, liga correndopara Lurdinha:- Casa da dona Amélia, bom dia!- Lurdinha, sou eu, o Vitor.- Ô, seu Vitor!- Lurdinha, só quero saber como a Amélia está. Ela tá bem?- Eu chamo ela e...- Não, não! Lurdinha. Só me fala isso, não quero que a chame.- Bom, a dona Amélia não tá muito boa não, seu Vitor. Ela tá numa tristeza dedar dó.- Ela passou mal de novo?- Olha, que eu tenha visto não. Ela tá trancada no quarto e não quis comernadinha.- Tenta fazer ela comer, Lurdinha. Ela pode estar fraca, por isso teve odesmaio.- Sim, eu vou ficar de olho, pode deixar.- Ah, e não diz nada que eu liguei, tudo bem?- Tá certo. – Lurdinha diz, insatisfeita.Ao desligar, Lurdinha diz sozinha:- Ai, minha nossa senhora, e eu que pensava que esses dois nunca que iambrigar... Que tristeza, viu.Enquanto isso, em Girassol, Manu recebe a ligação de Lurdinha, que estápreocupada com a patroa, e fica sabendo que Vitor saiu de casa.Ela logo conversa com Rudy:- Vou atrás do Paulo agora mesmo em Juruanã – Diz Rudy, nervoso. – Sópode ter sido ele.- Eu vou com você, meu amor. Mas antes preciso falar com o Vitor. Me espera?- Claro.Manu segue para a estalagem e vai até o quarto de Vitor:
  29. 29. - E aí, Vitor? Já fiquei sabendo mais ou menos o que houve. A Lurdinha ligou,preocupada.- Por quê? A Amélia está passando mal? O que aconteceu?- Calma, Vitor. Pelo que eu saiba a única coisa que aconteceu foi que vocêsbrigaram.- Ah, Manu. Você não tem idéia do tanto que eu tô acabado.- Mas o que foi que aconteceu, Vitor? Vocês estavam tão bem.- É, não sei, não sei de mais nada. Já fazia um tempo que nós estávamosdistantes, por conta da correria no frigorífico e na Rurbana. E só pode ter sidoculpa minha ter deixado ela sozinha com aquele...- Espera, é o Paulo?- Você tá sabendo de alguma coisa, Manu? A Amélia falou com você?- Não, Vitor. Minha mãe não disse absolutamente nada. Só estou querendoentender essa confusão toda.- Eu vi sua mãe beijando aquele cara, foi só isso que aconteceu... - Vitorcomeça a andar de um lado para o outro e depois se apóia no encosto dacadeira. - Droga! Eu não consigo imaginar essa cena, falar sobre isso...Nãoentra na minha cabeça.- Não é possível, Vitor. Minha mãe nunca faria isso.- Pois é. Eu tô lutando contra as evidências todas. Mas eu já havia sentido umjeito estranho do Paulo, não sei...- Calma. Olha só, se tudo isso foi um mal entendido, a gente tem que desfazer.- Eu sei, mas eu não tô conseguindo agora, Manu. Eu preciso ficar sozinho, porfavor...- Tudo bem. Eu vou até Juruanã ver como minha mãe está.- Tá certo, qualquer coisa me mantém informado tá?- Pode deixar, se cuida aí.Manu se despede de Vitor e segue para Juruanã, junto com Rudy.Vitor coloca uma calça mais leve, uma camiseta e vai até o rio Araguaia a pé.Ele senta na areia e coloca a cabeça entre suas pernas, depois dizsussurrando e com os olhos marejados:- Amélia, eu te amo tanto, tanto... – Vitor começa a lembrar dos tempos quepassou junto a ela, principalmente do último banho de cachoeira no Jalapão,em que ele sentia todo o corpo de Amélia junto ao seu, molhado pela correntede água que caía levemente sobre ela, a deixando mais linda do que nunca...sem ninguém por perto para julgá-los ou persegui-los. Sentiu uma enormesaudade e uma dor imensa no peito, como se tivesse perdido um pedaço de si.Chegando no apartamento, Lurdinha diz a Manu que Amélia está no quarto, elaentra e encontra a mãe sentada na cama com os olhos vermelhos. Amélia selevanta e abraça a filha, chorando.Nesse instante, Rudy está em um bar com Paulo:- Eu tô aqui torcendo pra que você me diga que essa briga do Vitor e a Amélianão tem nada a ver com você.Paulo fica quieto e isso já confirmava para Rudy que ele era o responsável pelaconfusão.- Não acredito nisso. Eu te avisei, Paulo...- Cara, eu tentei, eu juro... Eu não queria causar tudo isso.- Mas causou. Agora o escritório tá temporariamente fechado e os doisseparados. Você viu a merda que você fez?
  30. 30. - Eu sei disso, eu vou procurar o Vitor e explicar tudo.- É o mínimo que você deve fazer. Eu te conheço, Paulo. Você nuncaconseguiu se controlar na vida pessoal.- Eu nunca senti nada igual por outra mulher.- Mas você vai ter que esquecer ela, de qualquer jeito.- Eu sei disso. Ela ama o Vitor, ela nunca me deu nenhum sinal sequer deesperança, e eu não posso deixar que os dois terminem por minha culpa.- Isso mesmo. Pelo menos bom senso você tem.- Claro que tenho. Eu também não sou esse monstro, pelo amor de Deus. Eutambém tô na pior com isso tudo.- Você causou isso tudo.- Eu não queria beijar ela a força, mas eu não resisti, ela estava tão frágil, tinhabrigado com o Vitor e eu...- Não acredito que você fez isso... Por isso então que o Vitor saiu de casa.- É, sei lá. A Amélia deve ter contado pra ele, porque foi no escritório...- Meu Deus! Você é louco.- Eu preciso explicar pro Vitor. Eu vou hoje ainda pra Girassol.- Ótimo, conserta já essa merda toda que você fez. E a parceria com eles, podeesquecer. – diz Rudy, cheio de raiva.- Eu sei.Enquanto isso, Manu e Amélia conversam sobre os acontecimentos:- Ai, mãe. A senhora não teve culpa, pára com isso. Aquele safado do Paulo,hein? Quem ia imaginar...- Não, filha. Eu não podia ter deixado isso acontecer. Se ele me beijou foiporque ele sentiu alguma abertura, não é? Mas eu juro, Manu, eu nuncaimaginei que ele pudesse estar interessado, nunca percebi e nunca permitinada. Pra mim sempre foi uma relação extremamente profissional.- Eu sei mãe. Não precisa jurar. E o Vitor também sabe e confia na senhora. Sóque ele é homem, não quer passar por cima do orgulho.- Você falou com ele? Como ele está?- Falei sim. Ele tá péssimo, sofrendo muito com a distância. E não pára deperguntar por você.Amélia tenta se levantar e tem novamente uma tontura.- Mãe? O que foi? – Manu a segura, preocupada.- Nada, só uma tontura. Já passou.Amélia sente náuseas e sai correndo para o banheiro. Manu a acompanha e aajuda.- Mãe, o que é isso? Vou te levar agora mesmo pro hospital. XVIAmélia e Manu vão para o hospital a contragosto de Amélia. Chegando lá, elafaz alguns exames, sem que o médico lhe dê maiores detalhes do motivo domal estar. Ele apenas recomenda repouso e uma boa alimentação.- Mãe, acho melhor a gente ir pra Girassol. Depois eu passo aqui pra buscar osexames.- Mas o Vitor está lá...- E daí? Vocês precisam mesmo conversar.
  31. 31. - Filha, eu não tô aguentando essa situação. Eu não vou me conformar emperder o Vitor... não vou.- Mãe, me escuta, olha pra mim. Você e o Vitor se amam e nada vai mudarisso.Amélia segura as mãos de Manu e a olha com tristeza.- Eu não me enganei quando vi que esse amor era verdadeiro e grande obastante pra agüentar qualquer tempestade , não é, dona Amélia?Manu sorri para a mãe e ela retribui, ainda triste:- É. Da minha parte você pode ter certeza que esse amor é tão grande quechega a doer.- E da parte do Vitor também, mãe. Tenho certeza.As duas se abraçam e logo depois Manu liga para Rudy e ele vai até o hospitalpara irem os três juntos até Girassol.Nesse momento, Paulo já se encontra na estalagem, procurando por Vitor.- Boa tarde, o Vitor está?- Olá, Paulo. – Diz Terê, séria. – Vou avisar o Vitor que você está aqui.- Obrigado.Terê avisa que Vitor tem uma visita, e quando ele chega até a recepção daestalagem, se depara com Paulo a sua espera:- Paulo...- Oi, Vitor. Acho que a gente precisa conversar.Vitor lança um olhar raivoso para Paulo e indica com a mão a cadeira paraPaulo se sentar.- O que você tem pra falar comigo? – diz Vitor, impaciente.- Cara, olha só, a Amélia não teve culpa nenhuma no que aconteceu.- E o que aconteceu? – Vitor pergunta, cinicamente.- Na verdade não aconteceu nada, porque foi uma tentativa só minha... efrustrada.Vitor não diz nada, apenas escuta Paulo com atenção.- Sua mulher nunca me deu abertura alguma, nem indício de que estavapercebendo alguma proximidade minha. Eu forcei a barra.- Desgraçado. Por que você fez isso? Eu confiei em você, cara. – Vitor tenta sesegurar para não se levantar e dar um soco em Paulo, em público.- Eu sei. Eu só queria isentar a Amélia e também o Rudy, de tudo isso queaconteceu. A culpa foi só minha.Vitor continua sem dizer nada, com os olhos cheios de raiva, e Paulo continua.- Tá sendo difícil pra mim também. Eu tentei controlar o que eu sentia desde oprimeiro momento que eu vi a Amélia. Eu simplesmente me apaixonei...Vitor não aguenta ouvir as palavras de Paulo, se levanta e por um impulso,puxa Paulo pela camisa e lhe dá um soco:- Nunca mais se aproxima dela, tá entendendo? Nunca mais.Paulo se levanta do chão, com a boca machucada e diz:- Tudo bem, cara. Você tem toda razão e todo motivo pra ter feito isso.Todos que estavam na estalagem observam espantados e Terê tenta dispersara confusão:- Vitor, vem comigo.Vitor sai empurrado por Terê, ainda olhando Paulo com raiva.
  32. 32. Paulo vai embora com as mãos nos lábios, tentando amenizar a dor, sem olharpara ninguém.Já sem a movimentação por conta da briga, Manu, Rudy e Amélia chegam nocentro de Girassol. Paulo já havia ido embora.- Mãe, vamos lá no armazém tomar alguma coisa. Você ainda está muito fracae pálida.As duas seguem para o armazém de Janaína e Rudy vai até a estalagem.- Oi, Terê, tudo bem?- Oi, Rudy. Tudo bem e você?- Bem... O Vitor tá por aí?- Sim, mas...- O que foi? Aconteceu alguma coisa?- O Paulo veio até aqui e ...- Eles brigaram?- Sim.- Sabia. Devia ter vindo junto... Desculpa Terê, posso subir pro quarto dele?- Claro... Vai lá. XVIIRudy bate na porta do quarto e Vitor pede para que ele entre:- E aí, cara? Fiquei sabendo que o Paulo esteve aqui.- Pois é. Mas se você não se importa, não queria falar sobre isso não.- Tudo bem. Vim aqui só pra te pedir desculpa mesmo. Nem passou pela minhacabeça que isso tudo poderia acontecer.- Imagina, você não tem culpa de nada.- Não, eu sempre conheci esse jeito do Paulo, ele nunca parou emrelacionamento algum, mas com mulher casada, foi a primeira vez... – Rudypercebe que Vitor ainda está muito incomodado com a situação e pededesculpas novamente. – Desculpa, Vitor. Eu imagino como você deve tá sesentindo, não devia tá falando tudo isso.- Tudo bem... Deixa pra lá.- Bom, também vim aqui te avisar que acabei de deixar a Amélia e a Manu láno armazém da Janaína.- O que? A Amélia tá aqui? – Vitor pergunta, efusivo.- Sim. Caso você queira falar com ela... Achei válido te avisar logo...- Obrigado. – Vitor diz tocando o ombro de Rudy, ainda eufórico e ansioso.- Vou indo nessa, Vitor. Qualquer coisa que precisar... Ah, mais uma coisa, e oescritório da Rurbana?- Eu deixei aos cuidados do meu advogado e da Fátima. O pessoal continuafazendo as entregas normalmente. Estou acompanhando, mesmo de longe.- Legal. Pelo menos aquele maluco do Paulo não te deu prejuízo.- Não, fica tranquilo, Rudy. Obrigado mesmo.- Falow, cara. Me desculpa, até mais...E, procura tua mulher, hein?Vitor sorri de leve e não pára de pensar em Amélia. Ele desce logo após Rudy,e vai até a porta da estalagem.Nisso, ele enxerga Amélia do outro lado da rua sentada com Manu, Fred eJanaína na mesa do armazém. Ele fica parado, sem reação alguma, apenasolhando para ela de longe.
  33. 33. De repente, Vitor é despertado por Terê:- Vitor!- O... Oi, Terê. – Ele apenas olha rapidamente para Terê e volta a olhar Amélia.- Você não vai até lá? Falar com ela?- Não sei, Terê... Ainda não consigo, mesmo querendo muito. Mesmo sendo oque eu mais quero nessa vida... Pegar ela nos meus braços e não largá-lanunca mais.- Então não perca tempo, querido. Lute pelo seu amor. Vocês demoraram tantopra chegar numa felicidade plena, e vão deixar ela escapar assim?Vitor apenas presta atenção nas palavras de Terê e continua a olhar Amélia,sem dizer nada.Um dia se passa e Amélia continua em Girassol junto com Manuela na fazendae Lurdinha também volta. Enquanto isso, Vitor ainda está na estalagem. Osdois continuam sem coragem de tomar a iniciativa para conversarem.Manuela entra no quarto da mãe e diz:- Mãe, vou agora buscar seus exames em Juruanã. Me espera aqui, volto logo.- Tudo bem, filha. Obrigada, viu? Não sei o que seria de mim sem você.Amélia abraça a filha com ternura e ela segue para Juruanã. XVIIINesse dia, Girassol estava fazendo aniversário e era também o casamentooficial de Solano e Estela. Manuela havia combinado de passar no sítio doPadre Emílio para ajudar a arrumar as crianças junto com Dora, e também paraolhar um dos animais que estava doente.Assim que Manu chega de Juruanã ela vai correndo para a fazenda se arrumarpara o casamento – que será de manhã - e para buscar Amélia.Amélia já havia se arrumado. Escolhera um vestido simples, porém sofisticado.Era de seda perolado com flores discretas, tendo uma abertura nas costas, naqual destacava seu porte esguio e eleganteManu entra no quarto já pronta e diz, sorridente:- Mãe! A senhora tá linda!- Obrigada, minha filha. Você também! – Amélia segura as mãos de Manu comcarinho.- Bom, olha só, trouxe os seus exames. Vou levá-los pro sítio porque jáestamos atrasadas e aí damos uma olhada neles por lá, tudo bem?- Claro. Vamos indo então.As duas seguem para o sítio e enquanto isso Vitor está em seu quarto searrumando para a festa, desanimado. Ele fala consigo mesmo:- Que vontade de não sair desse quarto...Nesse instante batem à porta:- Já vai! – Vitor grita.- E aí, cara? Tá pronto?- Oi, Fred. Tô sim. Já vou descer.- Ei, melhora esse humor aí, padrasto. Vim te buscar pra gente se divertir.- Que jeito? Me divertir sem sua mãe?
  34. 34. - Eu sei, imagino como você deve estar se sentindo. Mas se anima, aposto quea dona Amélia vai estar nessa festa também. – Fred sorri, batendo nas costasde Vitor.Vitor tenta disfarçar seu entusiasmo sem sucesso, e sorri:- Será mesmo que ela vai?- A Manu já falou que foi até a fazenda buscar sua esposa pra festa. Então...Se ajeita aí e vambora, cara! Até quando vai durar esse desentendimento?- Tá certo, vambora!- Assim que se diz!Os dois saem juntos para a festa, conversando pelo caminho.Enquanto isso no sítio, depois de ajudar as crianças a se vestirem, Manu sentacom Amélia no banco do jardim do sítio para abrirem juntas os examesmédicos:- Hum, exame geral de sangue, tudo certo... Esse aqui também. – Amélia vaipassando as folhas e Manu a observa.- Tudo certo, então?- Espera aí... o que é isso? – Amélia diz, com o semblante apavorado.- Que foi mãe, que cara é essa? Assim você me assusta.- Meu Deus do céu! – Amélia coloca as mãos na boca, incrédula.- Mãe! Pára com isso. Deixa eu ver o que tem nesse exame. – Manu pega ospapéis das mãos de Amélia, que não consegue emitir uma palavra sequer.- Ah! Não acredito! – Manuela fica espantada e feliz ao mesmo tempo.- Manu do céu... Eu tô... grávida?!Manu e Amélia ficam se olhando por longos segundos e simplesmente seabraçam em silêncio e prantos.- Filha, não é possível. Será que isso tá certo?- Dona Amélia, claro que tá certo. Esses enjôos e mal estar... todos ossintomas de uma mulher grávida!- Minha nossa senhora. Como assim? Eu nunca pensei que nessa altura... Eusó me descuidei algumas poucas vezes porque nunca... Ai, nem consigo falardisso com você... - Amélia sorri sem graça, ainda chorando.- Ai, mãe! Pára com isso, agora já tá feito! – Manu começa a rir e abraçaAmélia novamente - Gente, o Vitor vai adorar essa notícia, vai ser papai!Nesse momento, Tomé, que estava brincando por perto, escuta o que Manu dize sorri, voltando a brincar com as outras crianças.Amélia pára de sorrir e fica repentinamente preocupada:- O Vitor... O que será que ele vai achar disso? Tenho tanto medo que ele nãoqueira...- Claro que não, que absurdo. Essa briga de vocês tá durando demais. Só faltavocês se encontrarem pra isso tudo se resolver, e agora com essa notícia... OVitor vai se derreter!- Ai meu Deus! – Amélia passa as mãos sobre a testa, ainda preocupada, esorri novamente sem acreditar que carregava consigo o filho do homem queamava.Mãe e filha se abraçam, felizes.A festa já havia começado, todos estavam na igreja para a cerimônia decasamento entre Solano e Estela. Os dois já estavam casados na tradição
  35. 35. indígena, porém, Estela aceitou se casar também na igreja, para a felicidade deSolano.Vitor estava sentado logo a frente com Fred e quando olha para trás se deparacom Amélia chegando junto com Manuela. Ele não disfarça seu encantamentoao vê-la entrar deslumbrante na igreja, e se lembra com saudades de quandose casaram no cartório de Juruanã. Ele sente um desejo imenso de ter Améliaao seu lado naquele instante.Já Amélia senta do outro lado e também fixa seus olhos em Vitor por algunsinstantes, se sentindo ainda mais fragilizada com a notícia da gravidez.Durante toda a cerimônia os dois trocam olhares e sentem seus coraçõesbaterem mais forte.A cerimônia termina e todos vão para a rua comemorar o aniversário deGirassol, numa festa conjunta. Solano organizou uma banda e junto com elaum desfile da tradição gaúcha, com cavalos e cavaleiros enfeitados com a cordo girassol.Muitas pessoas se reúnem no centro da pequena cidade, formando umaaglomeração. Amélia se perde dos demais e tenta encontrar Manu, sedesviando dos vários braços que a empurravam no meio da multidão.Vitor também estava se contorcendo entre as pessoas, tentando enxergar abanda e o desfile, esticando seu pescoço com dificuldade.De repente, ao olhar distraída para trás, Amélia se choca bruscamente comoutra pessoa. Ela olha rapidamente para frente e tenta pedir desculpas, masfica estática quando percebe os olhos verdes de Vitor a encarando:- Amélia...Vitor a segura no braço suavemente, cheio de desejo e paixão, olhando fundoem seus olhos e depois em seus lábios... O momento dura pouco pois amultidão aumenta e acaba rompendo o quase abraço do casal, queinstintivamente se aproximava cada vez mais.Vitor fica desesperado tentando encontrar Amélia novamente, e ela faz omesmo.Manuela encontra a mãe e a tira da multidão.- Mãe! Vamos sair dessa bagunça... vem pra cá.- Mas... – Amélia diz, sendo puxada por Manu , ainda procurando Vitor entre aspessoas.Vitor se perde totalmente de Amélia e dos demais, quando é atropelado porTomé, que corria sem olhar para frente.- Ei, rapazinho, calma! – Vitor segura Tomé, que quase cai.- Oi! Como seu filho vai chamar? – Tomé diz, assim que é ajudado por Vitor.- Como? – Vitor pergunta sorrindo.- Ué, seu filho. A Manu disse que você vai ser pai. Aí ele pode brincar com agente lá no sítio e eu posso ensinar ele a cuidar da minha galinha de estimaçãotambém e...- Ei ei ei, espera. Vem aqui... - Vitor leva Tomé até uma parte mais vazia, pertodo armazém.- Me conta melhor essa história, Tomé. A Manuela disse isso pra você?- Não, eu ouvi ela falar com a dona Amélia. Mas foi sem querer porque eu nãofico escutando as conversas dos adultos, eu juro.
  36. 36. - Eu sei, eu sei! Mas me diz mais uma coisa... A Amélia contou isso praManuela?- Hum, eu vi a Manu dizendo bem assim: “O Vitor vai adorar ser papai”, aí adona Amélia chorou. Acho que foi de alegria né?Vitor não consegue acreditar no que Tomé diz, começa a sorrircompulsivamente, tomado pelo nervosismo e emoção.- Obrigado, Tomé, obrigado! – Vitor pega Tomé no colo e gira o menino no ar.Depois o coloca no chão e sai correndo. XIXAmélia e Manu estão na operadora, longe da multidão:- Filha, se você quiser ficar mais um pouco, não tem problema...- Não mãe, vou levar você pra casa. Só vou esperar o Rudy chegar, já aviseiele que estávamos aqui.- Tudo bem. Bom, na verdade eu não queria ir pra casa. Precisava pensar umpouco, ficar sozinha.- Aonde você pensou em ficar?- Vou caminhar um pouco perto do rio, depois vou pra fazenda. Se quiser euvou indo a pé mesmo...- Deixa disso, dona Amélia, claro que não. Te deixo por lá. Mas tem certezaque não tem perigo ficar sozinha? A senhora sabe que agora tem que repousare...Amélia acaricia o rosto de Manuela e diz:- Eu sei, Manu. Não se preocupa que vou me cuidar.- Olha lá, hein? Depois me liga que eu te busco.Nesse instante, Rudy chega e os três vão embora da festa. No caminho até ocarro, Terê encontra os três:- Mas vocês já vão?- Sim, vou levar minha mãe embora e já volto pro final da festa.- Amélia! Por que você não fica mais um pouco, querida?- Ai, Terê. Sinceramente não estou com espírito pra festa. Preciso dar umaespairecida., vou andar um pouco nas margens do rio, faz tempo que não façoisso.- Ótimo! Bom passeio, então.- Obrigada! – Amélia abraça Terê e segue com Manu e Rudy para o rioAraguaia.Amélia desce do carro e diz:- Obrigada pela carona, filha, tchau, Rudy! Até mais.- Mãe, tem certeza? A senhora vai ficar bem?- Claro que sim, Manu. Não se preocupa. Vão aproveitar a festa.- Olha lá hein, juízo, dona Amélia. Qualquer coisa me liga, vou estar com ocelular sempre ligado.- Tudo bem, podem ir tranqüilos.- Tchau, Amélia, até mais. – Diz Rudy, já dando partida no carro.Amélia vai até a margem do rio, sobe a barra do seu vestido ao sentar na areia,envolvendo os joelhos com os braços. Ela lembra dos momentos com Vitor e
  37. 37. sente uma vontade imensa de estar junto dele naquele momento,compartilhando a felicidade que sentira ao saber de sua gravidez.Amélia olha pro rio e começa a chorar discretamente, lutando pra conter aslágrimas.Nesse momento, Vitor começa a procurar Amélia por todos os lugares durantea festa.- Ei, Nancy. Você viu a Amélia por aí?- Não, nem cheguei a ver a Amélia hoje, só na igreja.- Obrigado. – Ele toca o ombro de Nancy e sai correndo.Já cansado, Vitor entra na estalagem e encontra Terê, Neca e Glorinhaconversando:- Vitor! E aí? Curtindo a festa? – pergunta Neca.- É... Na verdade eu tô um pouco distraído pra essa festa...Por um acaso vocêsviram a Amélia?- Ah, a Amélia foi embora há um tempinho atrás.- Não acredito... Vou agora mesmo pra fazenda.- Não Vitor! Você não vai encontrá-la na fazenda. – Diz Terê.- Não? Onde é que ela está?Terê se aproxima de Vitor e toca em suas mãos. Ela fecha os olhos e sorri,mudando sua feição como se estivesse tendo uma visão boa sobre o futuro dorapaz.- Acho melhor você correr agora pro rio Araguaia. Ele tem uma surpresa pravocê...Vitor sorri, já imaginando do que se tratava as palavras de Terê.Ele sai em disparado e ao chegar do lado de fora da estalagem, olha para oslados no meio da multidão, tentando imaginar uma maneira mais rápida dechegar até as margens do rio.Ele então vê um cavalo branco parado logo em frente, e sem pensar, dá umimpulso e sobe no animal o mais rápido possível, cavalgando para finalmenteencontrar Amélia.Neca, Terê e Glorinha presenciam o momento e olham sorrindo um para ooutro. Glorinha diz, encantada:- Isso que é amor. Viu só, Neca? Por que você não faz essas coisas pra mim?– Ela empurra Neca, fazendo uma cara de insatisfação.- Ah, mas o que é isso? Eu não tenho vocação pra príncipe encantado, não. Eufaço mais o estilo Don Juan de Marco Tenório!Todos começam a rir e Terê finaliza:- Ai! Esses dois merecem finalmente um recomeço feliz. Estava na hora! XXAmélia ainda se encontra nas margens do rio, e sozinha ela diz para si mesma:- Vitor... Eu preciso tanto de você.- Eu também.Amélia vira para trás assustada, pensando ter tido uma miragem ao ouvir a vozde Vitor. Ela sobe seus olhos e o vê parado, a olhando fixamente e estendendosua mão para ela. Amélia se levanta com a ajuda de Vitor, ajeitando a barra de
  38. 38. seu vestido. Ele a puxa para mais perto fazendo com que as mãos dela -entrelaçadas com as suas - tocassem de leve sua cintura.Amélia sente a respiração ofegante de Vitor perto de seu rosto e retribui osolhares de desejo que ele emite para ela, sem pudor.- Vitor, eu... – Amélia tenta dizer, mas Vitor toca seus lábios suavemente, ainterrompendo:- Me escuta Amélia, me escuta. – Ele diz olhando os lábios dela com paixão –Como eu queria voltar a ter você assim, perto de mim. Sentir sua pele... tãomacia – Vitor toca o rosto de Amélia e ela fecha os olhos. – Sentir seu perfume,sua respiração junto da minha.Ela abre os olhos e apenas sente as palavras de Vitor, como se fossem oremédio necessário pra toda sua dor de saudade.- Meu Deus! Como você é linda. Que saudade que eu tava de você... Da suaboca... – Vitor toca novamente os lábios de Amélia e chegando cada vez maisperto, ele finalmente a pega com mais força nos braços e a beijaapaixonadamente por longos minutos.Ele termina o beijo com vários outros nos lábios e no pescoço de Amélia e elasorri, se sentindo feliz novamente.De repente, alguns turistas começam a chegar e os dois se desprendem. Vitorleva Amélia pelo braço, dizendo:- Vem comigo!- Pra onde?- Sobe aqui... - Vitor aponta o cavalo e segura Amélia pela cintura, a colocandosentada de lado em cima do animal. – Se segura aí.- Vitor, você é louco!- Sou completamente alucinado por você! – Ele diz sorrindo e sobe no cavalo,ficando na frente de Amélia.- Segura firme em mim. – Vitor coloca as mãos de Amélia na cintura dele e osdois cavalgam sem rumo.Vitor anda pelo campo dos girassóis, e pára entre as flores. Ele pega Améliapela cintura e a ajuda a descer. Ela pára com as mãos sobre o peito de Vitor,que ainda a segurava firme, e diz:- Eu senti tanta falta de você.- Eu também, meu amor. Eu também... - Vitor aproxima seu rosto no de Améliae os dois se tocam levemente. Ela sente a barba por fazer de Vitor se encostarem sua pele e seu corpo treme.- Vitor... Espera, me escuta.Ele continua sentindo a pele de Amélia com todas as partes de seu rosto,aproximando os lábios nos dela levemente, sem deixar que ela termine defalar. Mas Amélia resiste e continua:- Escuta, escuta... - Ela segura o rosto de Vitor – Me perdoa? Eu devia terpercebido o que estava acontecendo desde o começo e...- Ei, xiu... - Vitor pede que Amélia não fale mais nada e toca seus lábios. – Nãodiz mais nada. Vamos esquecer tudo isso, tá? Eu é que tenho que pedirdesculpas por ter feito você sofrer, por ter sido orgulhoso...- Não, não foi culpa sua. Fui eu quem fiz você sofrer.- Amélia. Vamos esquecer? Hein? Eu juro que daqui pra frente eu só vou viverpra você, só pra você... – Ele toca o rosto de Amélia com carinho.

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