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111 INTRODUÇÃO1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS      A eletricidade é um fenômeno físico há muito conhecido pelo homem.Acredita-s...
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223 METODOLOGIAS APLICÁVEIS      Atualmente não há normalização técnica nacional que verse sobre qual dasmetodologias exis...
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24                   Entorno de parte condutora energizada, não segregada, acessível inclusive                   acidental...
25  Figura 10: Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e livre, com                      ...
26desenvolvimento, de acordo com Tomiyoshi (2000, p. 5) “muitos ferimentos foramevitados posicionando-se as pessoas na áre...
27Arc Exposure” (1997, p.1045) na mesma revista da publicação de Lee, em julho de1997 (INSHAW & WILSON, 2004, p. 4; INSHAW...
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30energia incidente liberada sob a forma de calor quando da ocorrência da falha,sendo eles:          • Tempo de extinção d...
31                        (K + 0, 662⋅log(I bf )+ 0,0966⋅V + 0,000526⋅G + 0,5588⋅V ⋅log(I bf )− 0,00304⋅G⋅log(I bf ))     ...
32                                                              X                                                  t    61...
33                                             Distância                Tensão        Tipo de        típica dos      Fator...
34valor teto de energia incidente. Esses valores são apresentados ao quadro 2 abaixo,adaptado da Tabela 130.7 (C)(9) da re...
354 VESTIMENTA DE PROTEÇÃO      No Brasil, a NR-6 (MTE, 1978) “Equipamentos de Proteção Individual – EPI”rege o assunto. O...
36      Ainda de acordo com Tomiyoshi (2000, p. 7), em 1998 fora publicada a norma“American Society for Testing and Materi...
375 CONCLUSÃO      As conseqüências para os acidentes ocorridos na ocasião de arcos elétricossão demasiado custosas, tanto...
38                               REFERÊNCIASALMEIDA, Aguinaldo Bizzo de; GOECKING, Reyder Knupfer. Manual técnico sobreves...
39FUNCOGE. Relatório 2010: Estatísticas de Acidentes no Setor Elétrico Brasileiro.Disponível em: <http://www.funcoge.org.b...
40SHIPP, David D.; VILCHECK, William S.; ANGELINI, Frank J.; COSTA, Luiz FelipeO. Arco Elétrico na Indústria Petroquímica....
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Monografia - Cálculo Da Energia Incidente Para Escolha Adequada Da Vestimenta De Proteção Ao Arco Elétrico-Jean Soares Choucair

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Apresenta-se neste trabalho as metodologias internacionalmente
reconhecidas para o cálculo da energia incidente quando da ocorrência de arcos
elétricos, além de determinar-se ainda a fronteira de segurança ao mesmo para
cada uma das metodologias em questão, diferenciando esta das zonas de
segurança delimitadas em norma afim. Em seguida explana-se a respeito da correta
e adequada escolha das vestimentas de proteção ao referido fenômeno físico.
Através de extensa e pertinente pesquisa bibliográfica, discorre-se a respeito do
estado da arte em termos da referida determinação da energia oriunda dos arcos,
tratando-se ainda das demais normas de análise do desempenho das vestimentas
de proteção ao arco elétrico ao longo de sua vida útil, em relação às atitudes de
conservação do equipamento como processos de lavagens, etc. Apresenta-se ainda
algumas estatísticas relativas a acidentes ocorridos em virtude da ocorrência do
fenômeno arco elétrico nas imediações do Sistema Elétrico de Potência (SEP) em
algumas das empresas a ele ligadas ou relacionadas.

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Monografia - Cálculo Da Energia Incidente Para Escolha Adequada Da Vestimenta De Proteção Ao Arco Elétrico-Jean Soares Choucair

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA FACULDADE DE ENGENHARIA PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO JEAN SOARES CHOUCAIRCálculo da energia incidente para escolha adequada da vestimenta de proteção ao arco elétrico Juiz de Fora 2011
  2. 2. i JEAN SOARES CHOUCAIRCálculo da energia incidente para escolha adequada da vestimenta de proteção ao arco elétrico Monografia apresentada ao curso de Pós- Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho da Universidade Federal de Juiz de Fora como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro de Segurança do Trabalho. Área de concentração: Engenharia de segurança do trabalho. Orientador: Paschoal Roberto Tonelli Juiz de Fora 2011
  3. 3. ii JEAN SOARES CHOUCAIRCálculo da energia incidente para escolha adequada da vestimenta de proteção ao arco elétrico Monografia apresentada ao curso de pós- graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho da Universidade Federal de Juiz de Fora como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro de Segurança do Trabalho.Aprovada em 20 de agosto de 2011.Por: _____________________________________________ Prof. MSc. Paschoal Roberto Tonelli (Orientador) Universidade Federal de Juiz de Fora _____________________________________________ Prof. MSc. Affonso Paulo Mendes Universidade Federal de Juiz de Fora Juiz de Fora 2011
  4. 4. iii DEDICATÓRIA Dedico este trabalho às pessoas que mais amo: minha mãe Celis, minha irmãGeandra e minha noiva Elisa. Obrigado pelo carinho e pela paciência durante todoesse curso em que tive que abrir mão dos momentos com vocês para agora concluirmais esta etapa de minha vida. Amo vocês...
  5. 5. iv “Viver é negócio muito perigoso.”João Guimarães Rosa (1908-1967)
  6. 6. v RESUMOCHOUCAIR, Jean Soares. Cálculo da energia incidente para escolha adequadada vestimenta de proteção ao arco elétrico. 2011. 40 p. Trabalho de Conclusãode Curso (Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho)-Faculdade deEngenharia, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2011. Apresenta-se neste trabalho as metodologias internacionalmentereconhecidas para o cálculo da energia incidente quando da ocorrência de arcoselétricos, além de determinar-se ainda a fronteira de segurança ao mesmo paracada uma das metodologias em questão, diferenciando esta das zonas desegurança delimitadas em norma afim. Em seguida explana-se a respeito da corretae adequada escolha das vestimentas de proteção ao referido fenômeno físico.Através de extensa e pertinente pesquisa bibliográfica, discorre-se a respeito doestado da arte em termos da referida determinação da energia oriunda dos arcos,tratando-se ainda das demais normas de análise do desempenho das vestimentasde proteção ao arco elétrico ao longo de sua vida útil, em relação às atitudes deconservação do equipamento como processos de lavagens, etc. Apresenta-se aindaalgumas estatísticas relativas a acidentes ocorridos em virtude da ocorrência dofenômeno arco elétrico nas imediações do Sistema Elétrico de Potência (SEP) emalgumas das empresas a ele ligadas ou relacionadas. Palavras-chave: Energia incidente. Arco elétrico.
  7. 7. vi ABSTRACT This paper presents the internationally recognized methodologies forcalculating the incident energy upon the occurrence of electrical arcs, anddetermines the flash protection boundary for each of the methodologies in question,distinguing this of security zones defined in related standard. It explains about thecorrect and proper choice of protective clothing to that physical phenomenon.Through extensive research and relevant literature research, explains too about thestate of the art in accordance with the determination of energy from the arches,aiming the other standards of performance for protective clothing to the electric arcalong its life related to the conservational attitudes as washing processes, etc.. It alsopresents some statistics related to accidents due to the occurrence of arcingphenomenon in the vicinity of the Electric Power System (EPS) in some of its relatedcompanies or correlated. Keywords: Incident energy. Electric arc.
  8. 8. vii LISTA DE FIGURASFigura 1: Arco elétrico..............................................................................................................16Figura 2: Queimadura por arco elétrico....................................................................................17Figura 3: Queimadura elétrica clássica.....................................................................................18Figura 4: Percentual de sobrevivência de vítimas de queimaduras ..........................................19Figura 5: Acidentados com arco elétrico por ano.....................................................................20Figura 6: Acidentados com arco elétrico por área....................................................................20Figura 7: Acidentados com arco elétrico por instalação...........................................................21Figura 8: Acidentados com arco elétrico por nível de tensão...................................................21Figura 9: Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e livre ...24Figura 10: Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e livre,com interposição de superfície de separação física adequada..................................................25Figura 11: Limitação das zonas de aproximação .....................................................................29Figura 12: Limitação das zonas de aproximação .....................................................................36
  9. 9. viii LISTA DE QUADROSQuadro 1: Fatores .....................................................................................................................33Quadro 2: Categorias de risco ..................................................................................................34
  10. 10. ix LISTA DE ABREVIATURASCLT – Consolidação das Leis do TrabalhoSSST – Secretaria de Segurança e Saúde no TrabalhoMTE – Ministério do Trabalho e EmpregoNR – Norma RegulamentadoraCIPA – Comissão Interna de Prevenção de AcidentesGM – Gabinete do MinistroABNT – Associação Brasileira de Normas TécnicasNBR – Norma Brasileira RegistradaABA – American Burn AssociationFuncoge – Fundação Comitê de Gestão EmpresarialIEEE – Institute of Electrical and Electronics EngineeringNFPA – National Fire Protection AssociationASTM – American Society for Testing and MaterialsATPV – Arc Thermal Performance Value
  11. 11. xSUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................11 1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ..........................................................................11 1.2 JUSTIFICATIVA...............................................................................................12 1.3 OBJETIVOS.....................................................................................................14 1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO ........................................................................142 O ARCO ELÉTRICO ..............................................................................................15 2.1 QUEIMADURAS ..............................................................................................16 2.2 ESTATÍSTICAS ...............................................................................................193 METODOLOGIAS APLICÁVEIS ............................................................................22 3.1 MODELO DE RALPH H. LEE ..........................................................................22 3.2 MODELO DA NFPA 70E .................................................................................26 3.3 MODELO DO IEEE Std 1584 ..........................................................................29 3.4 COMPARAÇÕES ENTRE MODELOS.............................................................334 VESTIMENTA DE PROTEÇÃO .............................................................................355 CONCLUSÃO.........................................................................................................37REFERÊNCIAS.........................................................................................................38
  12. 12. 111 INTRODUÇÃO1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS A eletricidade é um fenômeno físico há muito conhecido pelo homem.Acredita-se que tenha sido o filósofo grego Thales de Mileto quem tenha descoberto,ainda no século VI a.c, a propriedade do âmbar, uma resina vegetal fossilizada, deatrair palha, fragmentos de madeira, poeira, entre outros quando atritado a umpedaço de lã de ovelha. Do nome em grego de tal mineralóide, o âmbar, ( ,transliterando-se, elétron), deriva o nome do referido fenômeno. Ainda assim,somente a partir do fim do século XVI que essa área do conhecimento físico passa aser objeto de estudo com afinco e rigor científico por parte de diversos grandesnomes da história das ciências e, devido a isso, em um intervalo de alguns séculosexperimenta um crescimento vertiginoso no conhecimento de suas causas e efeitos. A partir do fim do século XIX a energia elétrica passa a ser utilizada de formaextensiva, tornando-se rapidamente uma das formas de energia mais largamenteutilizada pelo homem e hoje nos é essencial à vida moderna, quer seja no âmbito dotrabalho, quer no conforto de nossos lares. Devido a isso é amplamente aceita comofonte de energia sem que em muitas das vezes se conheça, contudo, os riscos a seuemprego envolvidos e, dessa forma, não é tratada com as precauções necessárias. O risco envolvido com a eletricidade mais amplamente conhecido é o choqueelétrico, quer seja pela ampla bibliografia disponível acerca do assunto, quer sejapor conhecimento prático de causa, pois, de acordo com Kindermann (2005, p. 2),pode-se considerá-lo um evento corriqueiro e que cada pessoa já o tenha recebidopelo menos uma vez. Os campos eletromagnéticos oriundos da larga utilização da eletricidadetambém são capazes de ocasionar diversos danos ao homem. A larga utilização desistemas de energia elétrica e principalmente de serviços de telecomunicações, fazcom que, por vezes, se deva tomar precauções com relação às radiações não-
  13. 13. 12ionizantes, havendo no Brasil, inclusive, legislação pertinente que limite a exposiçãoa estes campos, a Lei nº 11.934 de 5 de maio de 2009. Muito antes do conhecimento da eletricidade, porém, o raio já submetia oshomens e demais animais aos riscos de origem elétrica, de forma direta ou indireta.Foi somente no final do século XVIII que se comprovou a natureza elétrica dasdescargas atmosféricas, através do famoso e controverso experimento da pipaempinada durante uma tempestade, sugerido por Benjamin Franklin em carta ao seuamigo Peter Collinson, datada de 19 de Outubro de 1752. A outra grande causa de injúrias ao ser humano em virtude da eletricidade é aocorrência de arcos elétricos que por vezes provocam queimaduras das mais gravesàs vítimas. Este risco é objeto de estudo nessa pesquisa bibliográfica que visaexplanar sobre o estado da arte das metodologias de prevenção e controle desterisco quanto à correta especificação das vestimentas de proteção específica.1.2 JUSTIFICATIVA A legislação trabalhista brasileira reconhece o perigo que a eletricidadeoferece ao trabalhador, através de diversos dispositivos legais. A ConstituiçãoFederal (BRASIL, 1988), em seu artigo 7º enuncia que “São direitos dostrabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de suacondição social”, em seu inciso XXIII “adicional de remuneração para as atividadespenosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei”. A Consolidação das Leis doTrabalho (CLT), no Capítulo V “Da segurança e da medicina do trabalho” seção XIII“Das atividades insalubres ou perigosas” artigo 193 complementa: São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado. E neste, ainda que não se trate do tema previamente citado e objeto desteestudo, a Lei nº 7.369 de 20 de Setembro de 1985 “Institui salário adicional para os
  14. 14. 13empregados no setor de energia elétrica, em condições de periculosidade” e oDecreto nº 93.412 de 14 de Outubro de 1986 tem em seu caput: Revoga o Decreto nº 92.212, de 26 de Dezembro de 1985, regulamenta a Lei nº 7.369 de 20 de Setembro de 1985 que institui salário adicional para empregados do setor de energia elétrica em condições de periculosidade e dá outras providências. Equivalentam-se, então, as atividades que se dão em contato com aeletricidade àquelas que dão direito à percepção do adicional de periculosidade. Ainda, a Portaria nº 25, da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho(SSST) vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de 29 de Dezembrode 1994, inclui, através do Artigo 2º, parágrafo único, na Norma Regulamentadora(NR) nº 5 “Comissão Interna de Prevenção de Acidentes” (CIPA) como Anexo IV, aTabela I constante no anexo da referida portaria, onde na coluna de riscos deacidentes, grupo 5 (cor azul), a eletricidade encontra-se entre outros fatores de risco. A NR-10 “Segurança em instalações e serviços em eletricidade”, com redaçãodada pela Portaria nº 598, do Gabinete do Ministro (GM) vinculado ao MTE, de 07 deDezembro de 2004, é muito clara em seu item 10.1.2: Esta NR se aplica a todas as fases de geração, transmissão, distribuição e consumo, incluindo as etapas de projeto, construção, montagem, operação, manutenção das instalações elétricas e quaisquer trabalhos realizados nas suas proximidades, observando-se as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos órgãos competentes e, na ausência ou omissão destas, as normas internacionais cabíveis. Assim sendo, nota-se que o conteúdo da referida norma aborda atividades detodos os segmentos de um sistema elétrico de potência, conforme definição dadapela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em sua Norma BrasileiraRegistrada (NBR) 5460 “Sistemas elétricos de potência – Terminologia” de 30 deAbril de 1992 em seu item 3.613 “Sistema elétrico (de potência)”, no subitem 3.613.1“Em sentido amplo, é o conjunto de todas as instalações e equipamentos destinadosà geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.”.
  15. 15. 141.3 OBJETIVOSEste trabalho tem como intuito explanar acerca das metodologias existentes para amensuração da energia térmica liberada por falhas elétricas do tipo arco elétrico e,apresentar ainda as especificidades de cada uma, determinando-se, em seguida, asdistâncias seguras à percepção de energia suficiente capaz de causar queimadurasde 3º grau incuráveis.1.4 ESTRUTURA DO TRABALHOO presente trabalho encontra-se dividido da seguinte forma:Parte 1 – Nessa seção faz-se uma breve contextualização da temática e sãoapresentados objetivos da pesquisa, justificativa para sua elaboração e suaestrutura.Parte 2 – O Arco Elétrico. Nesta seção discorre-se a respeito desse fenômeno físico,explicitando-se brevemente suas características, injúrias possíveis de causar e aindaapresenta-se estatísticas relativas aos acidentes relacionados ao exposto no âmbitonacional.Parte 3 – Metodologias Aplicáveis: É a principal seção do trabalho, na qualapresenta-se as três metodologias internacionalmente reconhecidas dequantificação da energia térmica incidente a uma dada distância da fonte do arcoelétrico.Parte 4 – Vestimenta de Proteção: Aqui encontrar-se-a uma breve introdução àespecificação de equipamentos de proteção individual do tipo vestimenta deproteção ao arco elétrico.Parte 5 – Conclusão: Discorre-se a respeito dos resultados encontrados e tambémtece-se alguns comentários pertinentes a respeito da normatização em vigor no país.
  16. 16. 152 O ARCO ELÉTRICO O arco elétrico, ou como por vezes também referenciado arco voltaico,segundo Lee (1982, p. 246), é o termo aplicado à substancial passagem da correnteelétrica através do que previamente fora o ar. Ou ainda, é o fluxo de corrente atravésdo caminho consistindo do material vaporizado dos terminais (LEE, 1982, p. 247).Na definição de Neal, Bingham & Doughty (1997, p. 1042), é a passagem dacorrente elétrica entre dois eletrodos através do ar ionizado. Segundo Ayello et al(2010, p. 1), o “arco voltaico pode ser definido como um curto-circuito através do ar”.Para Almeida & Goecking (2009, p. 18): O arco elétrico é um fenômeno da eletricidade, inerente aos sistemas elétricos, que pode liberar calor intenso e controlado nos casos de soldas elétricas e fornos industriais ou com liberação de pequena quantidade de calor como nos casos de interruptores para lâmpadas. (2004, p. 4). O arco elétrico é uma fonte de calor extremo que pode alcançar 20000 K nosterminais do arco e 13000 K em sua parte intermediária, respectivamente 4 e 2,6vezes mais altas que a superfície do sol, estimada em 5000 K, sendo assim asegunda mais poderosa fonte de calor na terra, ficando atrás somente de algunstipos de raio laser que podem atingir 100000K (BALIGA & PFENDER, 1975 apudLEE, 1982, p. 247; BROWN & CADICK, 1980 apud LEE, 1982, p. 247). Conformesalienta-se JGB em seu website: A quantidade de energia produzida por arcos elétricos pode ultrapassar 100 cal/cm²/s. Isto é uma quantidade muito grande de calor. Para se ter idéia da magnitude deste valor, a pele humana exposta a esta quantidade de energia atingiria, em 1/2 segundo, a temperatura de 500 ºC e a água ali contida aumentaria seu volume algo ao redor de 500 vezes. Este efeito seria similar ao de uma explosão, pela quase instantaneidade da expansão. O ar aquecido pela passagem desta enorme quantidade de energia também expandiria seu volume ao redor de 2,5 vezes. Outra explosão. Esta segunda explosão atingiria o corpo com um pequeno retardo em relação ao calor que seria praticamente instantâneo (velocidade da luz). Estes dois efeitos combinados tornam o arco elétrico um dos mais graves e terríveis riscos a que o ser humano pode ser submetido. A figura 1 mostra o momento da ocorrência de um arco elétrico em ensaiolaboratorial.
  17. 17. 16 Figura 1: Arco elétrico Fonte: Almeida & Goecking (2009, p. 13)2.1 QUEIMADURAS A queimadura é a lesão dos tecidos orgânicos causada por um trauma deorigem térmica que pode se apresentar por uma bolha ou flictema até respostassistêmicas relacionadas à extensão e profundidade das lesões (GOMES, SERRA &MACIEIRA, 2001, apud RIBEIRO & FERRANTI, 2005, p. 14). Ou ainda: [...] é uma lesão causada por agentes térmicos, químicos, elétricos ou radioativos que agem no tecido de revestimento do corpo humano, podendo destruir parcial ou totalmente a pele e seus anexos, até as camadas mais profundas (MENEZES & SILVA, 1988, apud RIBEIRO & FERRANTI, 2005, p. 14). Dos diversos tipos de lesões por acidentes, a queimadura ocupa o segundolugar em freqüência no mundo, ficando atrás tão somente das fraturas(MAGALHÃES, MAURICIO & SANTANA, 2008, apud SOUZA, 2009, p. 17). Suaimportância, entretanto, se dá não só pela freqüência com que ocorre, mas
  18. 18. 17principalmente pela severidade das seqüelas funcionais, estéticas e psicológicasque é capaz de acometer às vítimas, além da grande taxa de mortalidade associada(MAGALHÃES, MAURICIO & SANTANA, 2008, apud SOUZA, 2009, p. 17). A figura2 apresenta um exemplo de queimadura ocasionada em virtude da ocorrência dearco elétrico. Figura 2: Queimadura por arco elétrico Fonte: Acervo pessoal A queimadura de etiologia elétrica está entre as mais graves lesões possíveisde acometer as vítimas de acidentes. É uma queimadura de quarto grau e é,segundo O’Sullivan & Schmitz (1993, p. 592, apud RIBEIRO & FERRANTI, 2005, p.21): [...] uma queimadura de 4º grau envolve uma completa destruição de todos os tecidos, desde a epiderme até e inclusive o tecido ósseo subjacente. Este tipo de queimadura ocorre normalmente em resultado do contato com eletricidade. Classicamente haverá uma ferida de entrada, que estará carbonizada e deprimida. Onde a eletricidade deixou o corpo, haverá também uma ferida de saída que normalmente exibe bordas explosivas. Se a corrente for forte o suficiente, também pode ocorrer fraturas do osso subjacente. A pele ao longo do curso da queimadura não branqueará, serão necessárias umas extensas incisões cirúrgicas e, possivelmente amputação, para que o paciente retorne certo grau de capacidade funcional
  19. 19. 18 [...]. As queimaduras elétricas são extremamente imprevisíveis, tornando o tratamento e prognóstico muito difícil. A figura 3 apresenta um corte esquemático de uma queimadura elétrica de 4ºgrau onde nota-se a profundidade do acometimento causado pela mesma. Figura 3: Queimadura elétrica clássica Fonte: O’ Sullivan & Schmitz (1993, p. 593, apud RIBEIRO & FERRANTI, 2005, p. 22) Diferentemente da queimadura causada por qualquer outra fonte de calorexterna, a queimadura proveniente do arco elétrico queima internamente com maisintensidade do que externamente (OLIVEIRA, 2007, apud SOUZA, 2009, p. 17). Assim, deve-se treinar todos os profissionais envolvidos com eletricidade comintuito de diminuir os riscos de exposição às queimaduras originadas por arcoselétricos. A NR-10 (MTE, 2004) preconiza em seu item 10.8.8: Os trabalhadores autorizados a intervir em instalações elétricas devem possuir treinamento específico sobre os riscos decorrentes do emprego da
  20. 20. 19 energia elétrica e as principais medidas de prevenção de acidentes em instalações elétricas, de acordo com o estabelecido no Anexo II desta NR. (210.082-7/I=4). Segundo estudo da American Burn Association (ABA), realizado nos EstadosUnidos da América no período de 1991 a 1993 e revisado em 2002, a possibilidadede sobrevivência de vítimas de lesões por queimaduras varia de acordo com aidade, conforme gráfico à Figura 4 (OLIVEIRA, 2007; NEITZEL, 2008, p. 2, apudSOUZA, 2008, p. 18). Figura 4: Percentual de sobrevivência de vítimas de queimaduras Fonte: Oliveira (2007, apud SOUZA 2008, p. 18)2.2 ESTATÍSTICAS Atualmente, no Brasil, não se dispõe de estatísticas oficiais de ocorrências dearcos elétricos no âmbito do trabalho, tampouco relativo a acidentes domésticos demesma natureza. A Fundação Comitê de Gestão Empresarial (Funcoge), porém,realliza pesquisas anuais junto às, hoje, 67 empresas a ela ligadas e que atuam naárea de abrangência do Sistema Elétrico de Potência (SEP) e que, através das
  21. 21. 20quais, responde por 90% de toda a energia elétrica gerada, transmitida, distribuída econsumida do país. As informações consolidadas relativas a essa pesquisa sãodivulgadas aqui às figuras 5 a 8 que apresentam dados relativos a ocorrência dearcos elétricos. Figura 5: Acidentados com arco elétrico por ano Fonte: FUNCOGE (2011) Figura 6: Acidentados com arco elétrico por área Fonte: FUNCOGE (2011)
  22. 22. 21 Figura 7: Acidentados com arco elétrico por instalação Fonte: FUNCOGE (2011)Figura 8: Acidentados com arco elétrico por nível de tensão Fonte: FUNCOGE (2011)
  23. 23. 223 METODOLOGIAS APLICÁVEIS Atualmente não há normalização técnica nacional que verse sobre qual dasmetodologias existentes e aceitas que se adotar a respeito da quantificação daenergia liberada pelo arco elétrico em vista da especificação adequada davestimenta de proteção ao mesmo. Faz-se necessário então utilizar-se basesnormativas internacionais para a proteção do trabalhador. Isto porque, como rege ocódigo de defesa do consumidor (BRASIL, 1990) em sua seção IV, "Das PráticasAbusivas", no artigo 39 que determina, dentre outros, que “é vedado ao fornecedorde produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas" em seu inciso VIII, colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro). Além disso, como já previamente mencionado, a própria NR-10 (MTE, 2004)enuncia em seu item 10.1.2: Esta NR se aplica a todas as fases de geração, transmissão, distribuição e consumo, incluindo as etapas de projeto, construção, montagem, operação, manutenção das instalações elétricas e quaisquer trabalhos realizados nas suas proximidades, observando-se as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos órgãos competentes e, na ausência ou omissão destas, as normas internacionais cabíveis. A seguir, apresentar-se-á as metodologias vigentes para a corretaespecificação das vestimentas de proteção dos trabalhadores em eletricidade.3.1 MODELO DE RALPH H. LEE Ralph H. Lee publicou em maio de 1982 na revista do “Institute of Electricaland Electronics Engineering” (IEEE), “IEEE Transactions on Industry Applications” o
  24. 24. 23artigo “The Other Electrical Hazard: Electric Arc Blast Burns”. Tal fato é tido comosendo a primeira pesquisa de como ingressar em áreas de risco associado ao arcoelétrico (INSHAW & WILSON, 2005, p. 146). Ammerman, Sen & Nelson (2009, p. 43)concordam que este artigo é tido como a mais importante pesquisa acerca dofenômeno do arco elétrico em ambientes abertos. Ele determinou um modelo teórico, baseado em equações de transferência decalor, para calcular a mínima distância de segurança ao ponto de falha obtendo-se aseguinte fórmula: DC = 2, 65 ⋅ MVABF ⋅ t Onde: DC: Distância ao ponto de falha para uma queimadura curável em ft; MVABF: Potência de curto-circuito sólido simétrico no ponto de falha em MVA; t: Tempo de extinção do arco em s. A essa distância aqui representada pela variável DC, Tomiyoshi (2000, p. 5)chama de “área segura” e Almeida & Goecking (2009, p. 63) nomeiam-na “fronteirade proteção contra arco elétrico”, ou ainda, “limite de aproximação segura” (2009, p.46). O tempo de extinção do arco pode ser obtido a partir de um estudo decoordenação e seletividade da proteção ao sistema elétrico, a partir de curvascaracterísticas dos dispositivos como disjuntores e/ou fusíveis. De acordo comTomiyoshi (2004, p. 4), “A metodologia de cálculo da corrente de curto-circuito éconsagrada e conhecida na engenharia elétrica.”. A NR-10 (MTE, 2004) cria e define espaços físicos para as condições deexposição de pessoas, advertidas ou não, através do conceito de zonas de risco,controlada e livre, como ilustra as figuras 9 e 10. Em seu glossário, no item 30,define-se a zona de risco como sendo:
  25. 25. 24 Entorno de parte condutora energizada, não segregada, acessível inclusive acidentalmente, de dimensões estabelecidas de acordo com o nível de tensão, cuja aproximação só é permitida aos profissionais autorizados e com a adoção de técnicas e instrumentos apropriados de trabalho. Já no item 31, a zona controlada é conceituada como: Entorno de parte condutora energizada, não segregada, acessível, de dimensões estabelecidas de acordo com o nível de tensão, cuja aproximação só é permitida a profissionais autorizados.Figura 9: Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e livre Fonte: MTE (2004, p. 14)
  26. 26. 25 Figura 10: Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e livre, com interposição de superfície de separação física adequada Fonte: MTE (2004, p. 15) Onde: PE: ponto da instalação energizado; ZR: zona de risco; ZC: zona controlada; ZL: zona livre; SI: superfície isolante construída com material resistente e dotada de todosdispositivos de segurança. A área segura ou fronteira de proteção contra arco elétrico diferesignificativamente daquelas encontradas enunciadas à NR-10 (MTE, 2004)supracitadas pois, aquelas, referem-se ao risco elétrico relativo aos choques tãosomente e não ao arco elétrico, como o caso desta. A equação obtida é aplicável a quaisquer casos, independentemente dosníveis de tensão e/ou correntes de curto-circuito envolvidos. Através desse
  27. 27. 26desenvolvimento, de acordo com Tomiyoshi (2000, p. 5) “muitos ferimentos foramevitados posicionando-se as pessoas na área segura, porém continuava o risco paraos que necessitavam trabalhar perto dos equipamentos, dentro da área de risco”.Ainda de acordo com Tomiyoshi (2000, p. 5): Como os estudos de A. M. Stoll e M. A. Chianta, publicado em 1969, concluiu que o máximo valor de energia radiante que uma pessoa, exposta durante 1 segundo poderia suportar sem sofrer queimadura do segundo grau é 1,2 cal/cm², valor conhecido como o limiar de queimadura do segundo grau, podemos introduzir a variável E (calor) na fórmula de Lee levando em consideração que na distância calculada a energia máxima é o limiar de queimadura, e fazendo as respectivas transformações para o sistema métrico obtém-se a fórmula: 5,117 ⋅ kV ⋅ kA ⋅ t E= d2 Onde: E: Energia incidente em cal/cm²; d: Distância ao ponto de falha em cm; t: Tempo de extinção do arco em s; kA: Corrente de curto-circuito sólido simétrico em kA; kV: Tensão do arco em kV. Segundo definições da National Fire Protection Association (NFPA, 2009),entende-se como energia incidente a quantidade de energia disseminada sobre umasuperfície, a uma determinada distância da fonte que a originou, gerada durante aocorrência de um arco elétrico.3.2 MODELO DA NFPA 70E Os primeiros a expressar o efeito direcional do arco em relação aconfiguração fechada em invólucros foram Thomas E. Neal, Allen H. Bingham eRichard L. Doughty com a publicação de “Protective Clothing Guidelines for Electric
  28. 28. 27Arc Exposure” (1997, p.1045) na mesma revista da publicação de Lee, em julho de1997 (INSHAW & WILSON, 2004, p. 4; INSHAW & WILSON, 2005, p. 146;AMMERMAN, SEN & NELSON, 2007, p. 2; AMMERMAN, SEN & NELSON, 2009, p.44). Em seguida, a publicação de Richard L. Doughty, Thomas E. Neal & H.Landis Floyd II, “Predicting Incident Energy to Better Manage the Electric Arc Hazardon 600 V Power Distribution Systems” (2000, p. 263), ainda na mesma revistasupracitada, em sua edição de janeiro de 2000, desenvolveram um conjunto deequações semi-empíricas para 2 configurações típicas (ANDREWS, JONES &McCLUNG, 2001, p. 13; INSHAW & WILSON, 2004, p. 4; INSHAW & WILSON,2005, p. 146; AMMERMAN, SEN & NELSON, 2007, p. 2; AMMERMAN, SEN &NELSON, 2009, p. 44) com as seguintes condições de contorno: • Curto-circuito trifásico; • Extinção do arco em 6 ciclos; • Distância entre eletrodos de 1,25 in; • Invólucro cúbico de 20 in de aresta, com uma das faces abertas. Segundo Inshaw & Wilson (2004, p. 4; 2005, p. 146), Jones, McClung &Andrews (2001, p. 1170), Andrews, Jones & McClung (2001, p. 13), a partir desseartigo, desenvolveu-se ainda a edição de 2000 da 70E “Standard For ElectricalSafety In The Workplace”, que é existente desde 1979 (ANDREWS, JONES &McCLUNG, 2001, p. 10; McCLUNG & ANDREWS, 2001, p. 1167; AMMERMAN,SEN & NELSON, 2007, p. 1; AMMERMAN, SEN & NELSON, 2009, p. 43), tendosido elaborada para assistir a OSHA (Occupational Safety and HealthAdministration) no tocante à segurança elétrica, em consonância com a NEC(National Electric Code). Na edição de 1991 começa a se referir a arcos elétricos esomente em 1995 que a referida norma passou a tratar especificamente de proteçãocontra o arco elétrico (AMMERMAN, SEN & NELSON, 2007, p. 2; AMMERMAN,SEN & NELSON, 2009, p. 43), Em sua edição mais recente (2009) prescreve paraos cálculos da energia incidente o seguinte conjunto de equações, aplicáveis atensão inferior a 0,60 kV, com corrente de curto-circuito sólido simétrico entre 16 –50 kA: • Para configuração aberta:
  29. 29. 28 ( Ei = 5271⋅ D −1,9593 ⋅ t ⋅ 0,0016 ⋅ I bf − 0,0076 ⋅ I bf + 0,8938 2 ) • Para configuração fechada, exceto uma das faces do invólucro: ( Ei = 1038,7 ⋅ D −1,4738 ⋅ t ⋅ 0,0093⋅ I bf − 0,3453⋅ I bf + 5,9675 2 ) Onde: Ei: Energia incidente em cal/cm²; D: Distância ao ponto de falha em in; t: Tempo de extinção do arco em s; Ibf: Corrente de curto-circuito sólido simétrico em kA dentro dos limites deaplicabilidade de cada equação. A NFPA 70E incorporou ainda, desde sua edição de 1995, a fórmula teóricade Ralph H. Lee para determinação da distância de segurança, uma forma dereconhecimento e constatação da eficiência e aplicabilidade da mesma na proteçãoenvolvendo atividades de risco ao arco elétrico (TOMIYOSHI, 2000, p. 4). Ainda assim, pode-se determinar um conjunto de equações relativas a essemétodo especificamente, que nos levará à determinação da distância deaproximação segura. Isso dar-se-á em função de isolar-se nas equações o termorelativo à distância em questão e aplicar-se naquele da energia incidente o valor tidocomo limiar de queimadura de segundo grau (1,2 cal/cm²). Feito isso obtém-se oseguinte: • Para configuração aberta: −1 1, 9593 1,2 D= ( 5271 ⋅ t ⋅ 0,0016 ⋅ I − 0,0076 ⋅ I bf + 0,8938 2 bf ) • Para configuração fechada, exceto uma das faces do invólucro:
  30. 30. 29 −1 1, 4738 1,2 D= ( 1038,7 ⋅ t ⋅ 0,0093 ⋅ I bf − 0,3453 ⋅ I bf + 5,9675 2 ) A NFPA (2004) define ainda o conceito de zona proibida. A figura 11 denotaesse conceito juntamente com as demais zonas já conhecidas e estabelecidas. Figura 11: Limitação das zonas de aproximação Fonte: NFPA (2004)3.3 MODELO DO IEEE Std 1584 De acordo com Almeida & Goecking (2009, p. 56), esse método é baseadoem equações empíricas obtidas através de medições diversas obtidas em testeslaboratoriais. Segundo Tomiyoshi (2004, p. 5), como principal diferença para ametodologia adotada pela NFPA 70E que foi baseado no modelo teórico de Ralph H.Lee (1982), o novo modelo apresentado pela IEEE Std 1584 (2002) “Guide ForPerforming Arc-Flash Hazard Calculations” é baseado em ensaios realizados,levando-se em consideração diversos fatores que influenciam diretamente na
  31. 31. 30energia incidente liberada sob a forma de calor quando da ocorrência da falha,sendo eles: • Tempo de extinção do arco; • Distância ao ponto de falha; • Tensão; • Corrente de curto-circuito sólido simétrico; • Relação X/R do circuito; • Distância dos eletrodos; • Número de fases envolvidas no arco; • Aterramento do sistema (isolado ou aterrado); • Configuração do arco (aberto ou fechado); • Tamanho e formato do invólucro; • Configuração dos eletrodos (em triângulo, alinhados, etc.); • Distância dos eletrodos ao invólucro; • Freqüência elétrica. Aplicou-se então um método estatístico conhecido como DOE (Design OfExperiments) para reduzir quantidade de variáveis aplicáveis, para assim, reduzir-sea quantidade de ensaios necessários. Dessa forma, através dessa análise estatísticaextensiva (GAMMON & MATTHEWS, 2005, p. 29) o resultado da modelagem foialcançado para as seguintes condições de contorno e limitações: • Tensão entre 208 – 15.000 V; • Freqüência elétrica de 50 ou 60 Hz; • Corrente de curto-circuito sólido entre 700 – 106.000 A; • Aterramento do sistema sólido ou isolado, com ou sem resistência; • Configuração do arco em local aberto ou em invólucro fechado; • Distância entre condutores entre 13 – 152 mm; • Curto-circuito trifásico. Essa norma apresenta um conjunto de equações para obter-se a energiaincidente. Primeiramente, calcula-se a corrente do arco elétrico: • Para tensão entre 0,208 – 1 kV:
  32. 32. 31 (K + 0, 662⋅log(I bf )+ 0,0966⋅V + 0,000526⋅G + 0,5588⋅V ⋅log(I bf )− 0,00304⋅G⋅log(I bf )) I a = 10 • Para tensão entre 1 – 15 kV: (0, 00402+ 0,983⋅log(I bf )) I a = 10 Onde: Ia: Corrente de arco em kA; K: Fator de configuração, aberta (-0,153) ou fechada (-0,097); Ibf: Corrente de curto-circuito sólido simétrico em kA; V: Tensão em kV; G: Distância dos condutores em mm, ver Quadro 1. Em seguida, valendo-se do valor encontrado para a corrente de arcoesperada, calcula-se o valor da energia incidente normalizada, que vem a ser aquelapadronizada nos ensaios laboratoriais, antes da entrada dos dados relativos a cadacaso (condições de contorno específicas), ou seja, para tempo de extinção do arcode 200 ms e para distância ao ponto de falha de 610 mm: EN = 10( K1 + K2 +1,081⋅log( I a )+0,0011⋅G ) Onde: EN: Energia incidente normalizada em J/cm²; K1: Fator de configuração, aberta (-0,792) ou fechada (-0,555); K2: Fator de aterramento, sólido (-0113) ou isolado com ou sem resistência(0); Ia: Corrente de arco em kA; G: Distância dos condutores em mm, ver Tabela 1. Finalmente, introduzindo-se as variáveis tempo e distância e os coeficientesde ajuste sobre a energia normalizada, determina-se então a energia incidente comosendo:
  33. 33. 32 X t 610 E = 4,184⋅ C f ⋅ EN ⋅ ⋅ 0,2 D Onde: E: Energia incidente em J/cm²; Cf: Fator de cálculo da tensão, 0,208 - 1 kV (1,5) ou 1 – 15 kV (1,0); EN: Energia incidente normalizada em J/cm²; t: Tempo de extinção do arco em s; X: Fator de distância, ver Quadro 1. Fazendo-se o caminho contrário daquele realizado para o modelo de Ralph H.Lee (1982), partindo-se das equações da energia incidente, pode-se obter umaequação para determinação da distância de aproximação segura, através dealgumas simples manipulações algébricas na fórmulas em questão. Para tal, aplica-se nas fórmulas o valor limiar de queimadura de segundo grau no lugar da energiaincidente, obviamente convertendo-se para as unidades de medida apropriadas (1,2cal/cm² = 5,0 J/cm²), obtendo-se: 1 X t 610 X D = 4,184⋅ C f ⋅ EN ⋅ ⋅ 0,2 5,0
  34. 34. 33 Distância Tensão Tipo de típica dos Fator de [kV] equipamento condutores distância [mm] Aberto 10 - 40 2,000 Disjuntor 32 1,473 0,208 - 1 Painel/CCM 25 1,641 Cabo 13 2,000 Aberto 102 2,000 1-5 Disjuntor 13 - 102 0,973 Cabo 13 2,000 Aberto 13 - 153 2,000 5 - 15 Disjuntor 153 0,973 Cabo 13 2,000 Quadro 1: Fatores Fonte: Ammerman, Sen & Nelson (2007, p. 4)3.4 COMPARAÇÕES ENTRE MODELOS De acordo com Almeida & Goecking (2009, p. 65), “os métodos maisutilizados para o segmento industrial são: NFPA 70E e IEEE Std 1584” e, alémdisso, ambos os métodos apresentam valores aproximados de energia incidente,quando para níveis de tensão até 600 V. Vale notar que, devido as peculiaridades das instalações, no SEP, osmétodos apresentados não são indicados, fazendo-se necessário utilizar-se demétodos específicos, com condições de contorno distintas, muitas vezes elaboradosem softwares proprietários, como o Arc Pro® e o Heat Flux® (ALMEIDA &GOECKING, 2009, p. 59-61). Em tempo, a NFPA (2004) define ainda o conceito de graus de risco emfunção do nível de energia incidente estabelecida pelos cálculos realizados, issopara qualquer dos modelos explanados previamente. Para cada grau de risco há um
  35. 35. 34valor teto de energia incidente. Esses valores são apresentados ao quadro 2 abaixo,adaptado da Tabela 130.7 (C)(9) da referida publicação: Resistência mínima ao Categoria arco elétrico de risco [J/cm²] [cal/cm²] 0 5,00 1,2 1 16,74 4 2 33,47 8 3 104,60 25 4 167,36 40 Quadro 2: Categorias de risco Fonte: NFPA (2004) Vale ressaltar que, embora somente a metodologia do IEEE expresse aenergia liberada em unidades de medida do SI (Sistema Internacional), ou seja,J/cm², e assim de acordo com a Resolução nº 12 do Conmetro de 12 de outubro de1988, as demais metodologias objeto deste estudo apresentam seus resultados emcal/cm² que, segundo Shipp et al (2009) é a mais comumente encontrada naliteratura técnica disponível. Segundo Ammerman, Sen & Nelson (2007, p. 2), em 2006, IEEE e NFPAconcordaram em colaborar em uma iniciativa de pesquisa conjunta para melhorar ocompreendimento do fenômeno do arco elétrico.
  36. 36. 354 VESTIMENTA DE PROTEÇÃO No Brasil, a NR-6 (MTE, 1978) “Equipamentos de Proteção Individual – EPI”rege o assunto. O seu item 6.1 define: Para fins de aplicação desta Norma Regulamentadora – NR, considera-se Equipamento de Proteção Individual – EPI, todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. A obrigatoriedade do fornecimento dos mesmos por parte do empregador,além de sua adequação aos riscos é explicitada em 6.3: A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento nas seguintes circunstâncias: a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho; b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; e, c) para atender a situações de emergência. A NR-10 (MTE, 2004) está em consonância com a NR-6 (MTE, 1978) já que,em seu item 10.2.9 “Medidas de proteção coletiva”, no subitem 10.2.9.1 lê-se: Nos trabalhos em instalações elétricas, quando as medidas de proteção coletiva forem tecnicamente inviáveis ou insuficientes para controlar os riscos, devem ser adotados equipamentos de proteção individual específicos e adequados às atividades desenvolvidas, em atendimento ao disposto na NR 6. (210.022-3/I=4) Além disso, no item subseqüente, 10.2.9.2 exige-se: As vestimentas de trabalho devem ser adequadas às atividades, devendo contemplar a condutibilidade, inflamabilidade e influências eletromagnéticas. (210.023-1/I=4) Segundo Tomiyoshi (2000, p. 6): Conhecendo-se o total de calor irradiado, a escolha da proteção se resume em identificar o material que suporta o calor incidente sem permitir que do lado protegido o mesmo não atinja o valor limite que causa queimadura do segundo grau.
  37. 37. 36 Ainda de acordo com Tomiyoshi (2000, p. 7), em 1998 fora publicada a norma“American Society for Testing and Materials” (ASTM) F 1959 “Standard Test MethodFor Determining The Arc Thermal Performance Value Of Material For Clothing” queestabelecia critérios para a medição do desempenho de proteção dos materiaisquando sujeitos a arcos elétricos. A essa característica fora dado o nome de “ArcThermal Performance Value” (ATPV), que vem a ser a máxima energia incidente queo tecido suporta sem permitir que se exceda o limiar de queimadura do segundograu. A figura 12 ilustra essa condição, esquematicamente. Figura 12: Limitação das zonas de aproximação Fonte: Tomiyoshi (2004, p. 4) A medição dessa característica, porém, muitas vezes é de difícil obtenção,devido à combustão do tecido, principalmente, às vezes antes de se alcançar oATPV. Para esses casos, definiu-se um valor equivalente que é o valor médio dos 5valores máximos de energia incidente que não provoca aberturas na camada internamaiores que 0,5 in² em área ou 1 in de comprimento (TOMIYOSHI, 2000, p. 7). Aessa outra característica chama-se “Breakopen Threshold Energy”, à qualusualmente caracteriza-se por EBT. Além dessas especificidades, deve-se levar em conta a vida útil do material ea continuidade da proteção em função das lavagens sofridas. Essas característicasdevem ser discriminadas pelo fornecedor da vestimenta, em conjunto com ofornecedor dos tecidos constituintes das mesmas.
  38. 38. 375 CONCLUSÃO As conseqüências para os acidentes ocorridos na ocasião de arcos elétricossão demasiado custosas, tanto do ponto de vista financeiro quanto do custoincalculável de perdas de vidas humanas. As vestimentas de proteção devem ser selecionadas de acordo comdetalhada análise do sistema elétrico. A sobreproteção, entretanto, também deve serevitada em virtude de significar maior peso sobre o trabalhador com impactonegativo no conforto e na facilidade de execução de suas tarefas, além de tentá-lo asua não-utilização ou utilização de forma errônea. Enquanto não realizar-se experimentos em condições fora daquelasexplanadas nas metodologias constantes da seção supracitadas, Tomiyoshi (2004,p. 5) recomenda o emprego do modelo teórico de Ralph H. Lee (1982), ainda que,de acordo com Almeida & Goecking (2009, p. 56), o método do IEEE seja “maisrealista que o método conservativo [...], não levando a uma proteção excessiva dotrabalhador”. Ademais, faz-se necessário uma condensação das normas técnicasinternacionais em uma única, abrangendo completamente as condições de contornopossíveis de se encontrar, por exemplo os sistemas elétricos em corrente contínua,passo este que já foi iniciado com a intenção, pelo menos, de ambas entidades,IEEE e NFPA, maiores expoentes na normalização do cálculo da energia incidenteoriunda de arcos elétricos. Em tempo, no Brasil, faz-se necessário uma orientação legal e formal maisespecífica quanto, não só às metodologias de cálculo da energia incidente bemcomo da análise de desempenho das vestimentas de proteção. Uma atitude queseria de bom grado, também, é haver o acompanhamento de acidentes envolvendoarco elétrico também por parte de todas as empresas que se utilizam de energiaelétrica, quer tenham em seus quadros profissionais que atuam com eletricidadediretamente ou não, no caso de ocorrência com pessoal inadvertido.
  39. 39. 38 REFERÊNCIASALMEIDA, Aguinaldo Bizzo de; GOECKING, Reyder Knupfer. Manual técnico sobrevestimentas de proteção ao risco de arco elétrico e fogo repentino. Rio deJaneiro: Publit, 2009. 121 p.AMMERMAN, Ravel F.; SEN, P.K.; NELSON, John P. Arc Flash Hazard IncidentEnergy Calculations A Historical Perspective and Comparative Study of TheStandards: IEEE 1584 and NFPA 70E. In: Petroleum and Chemical IndustryTechnical Conference, 2007. 13 p.AMMERMAN, R.F.; SEN, P.K.; NELSON, J.P. Electrical Arcing Phenomena: ahistorical perspective and comparative study of the standards IEEE 1584 and NFPA70E. IEEE Industry Applications Magazine, p. 42-52, May/June 2009.ANDREWS Joseph J.; JONES Ray A.; & McCLUNG L. Bruce. NFPA 70E: UpadatingElectrical Safety Requeriments For Employee Workplaces. IEEE IndustryApplications Magazine, p. 9-16, May/June 2001.AYELLO Fernando; ZANIRATO Eduardo; TANINGA Roberto & ROCHA Geraldo.Sistema de Proteção Contra Arco Voltáico Em Painéis De Média E BaixaTensão. Artigo da Schweitzer Engineering Laboratories, 2010.BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.Brasília, DF, Senado, 1988.BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Gabinete do Ministro. Portaria nº 3.214de 08 de junho de 1978. NR 6 – Equipamento de proteção individual, Brasília, DF. 7p.BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Gabinete do Ministro. Portaria nº 598 de07 dezembro de 2004. NR 10 – Segurança em instalações e serviços emeletricidade, Brasília, DF. 13 p.DOUGHTY, Richard L.; NEAL, Thomas E.; FLOYD II, H. Landis. Predicting IncidentEnergy to Better Manage the Electric Arc Hazard on 600 V Power DistributionSystems. IEEE Industry Applications Magazine, v. 36, p. 257-269, Jan./Feb. 2000.
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