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Cidades pela retoma público
 

Cidades pela retoma público

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Notícia sobre 'Cidades pela Retoma' no Público 27FEV 2011

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    Cidades pela retoma público Cidades pela retoma público Document Transcript

    • 4 • Cidades • Domingo 27 Fevereiro 2011 Cidadania Provocações em formato low cost a O mundo actual está cheio Sarkozy. Ou nomes mais próximos de exemplos de como se cria Cinco passos dos portugueses, como Ernâni inquietação a partir da Internet e é para uma agenda Lopes e Augusto Mateus. precisamente isso que o movimento As sementes do movimento cívico Cidades Pela Retoma quer Cidades Pela Retoma foram lançadas promover. Aderir ao movimento e exercer por José Carlos Mota. É a partir São académicos que não usam cidadania requer, igualmente, de Aveiro que este especialista fato e gravata, pelo menos à hora em mobilização e participação. E em planeamento do território e que exercem as suas provocações também alguma organização, docente universitário vai agitando cívicas num teclado de computador. pelo que estão definidos cinco consciências. “O movimento nasceu Não gritam, não são contestatários, passos que podem conduzir no quadro de um conjunto de pesquisam, reflectem, lançam à elaboração de uma agenda dinâmicas cívicas e de profissionais bases de discussão e propõem algo local, no âmbito do “Cidades pela ligados à investigação em de novo para as suas cidades. Vão Retoma”. planeamento do território para agarrando ideias na blogosfera, reflexão sobre as cidades e o seu numa base de baixo custo, desde 1. Siga a campanha através papel no desenvolvimento do país”, que elas melhorem a qualidade de do site noeconomicrecovery explica Mota. vida dos cidadãos. withoutcities.blogs.sapo. Muitos outros projectos O número de aderentes a este pt, no Facebook (facebook. fazem ou fizeram o mesmo no movimento já vai na ordem dos com/cidadespelaretoma) ou estrangeiro: o Core Cities, focado milhares, incluindo 64 plataformas inscrevendo-se na mailing no desenvolvimento das cidades cívicas nacionais. Juntaram-se list (groups.google.pt/group/ inglesas; nos Estados Unidos, o numa rede de blogues e sites – a cidadespelaretoma). Emerald Cities, que mais não é do Global City 2.0 – para pensarem de que uma ampla coligação nacional forma colectiva o futuro dos locais 2. Organize um grupo. Marque em que se misturam sindicatos, onde vivem e trabalham. Nesta um encontro preliminar com grupos cívicos, especialistas, “esquina” da Internet encontram- pessoas da mesma cidade. É políticos preocupados em definir se 230 blogues, de 15 países, a importante levar conhecimento estratégias para tornar as nossas que se juntaram nove parceiros técnico e científico para o cidades e metrópoles mais verdes. institucionais. processo de reflexão. Cative Só isto chegaria para dar voz A voz vai, portanto, engrossando alguém dos quadrantes de ao que, globalmente, já está e tende a contrariar uma certa economia, cultura, terceiro sublinhado: “Não há recuperação surdez sempre que se fala na palavra sector, ensino, saúde, política económica sem as cidades.” “cidadania”. “Os benefícios de um e media que possam ajudar no Barack Obama, Presidente dos processo de inquietação colectiva lançamento da ideia. Estados Unidos, terá pensado podem ser múltiplos: cria a o mesmo quando criou, na sua oportunidade de conhecer melhor a 3. Crie um blogue/site para Administração, o gabinete de agenda de preocupações que outros informar a comunidade sobre a estudos urbanos. países estão a construir e com as ideia. quais podemos aprender. Podemos Tirar partido da web identificar recursos e potenciais 4. Promova conversas O movimento luso também se desconhecidos e lançar desafios informais sobre o papel da concentra em particular nos para encontrar iniciativas de baixo cidade na retoma. “instrumentos de política pública custo e alto valor acrescentado de cidades – como parcerias para a de execução e efeito rápido e 5. Produza uma agenda local regeneração urbana – e o seu papel visível e que possam animar a vida para a retoma económica e a na retoma económica”, salienta económica e social das nossas animação social da cidade. José Carlos Mota, especificando que cidades. Uma acção que pode ajudar “a informalidade do movimento a combater algum marasmo cívico advém do facto de a sua génese ser e ajudar a mudar o quadro mental cívica e estar ligada à necessidade de muito caracterizado por um ‘deixar mobilização de reflexão colectiva”. andar’”, explica um dos rostos deste Tudo isto “tirando partido das novas movimento, José Carlos Mota. IDM http://www. tecnologias, como a Internet”, e as drummajorinstitute.org novas ferramentas de comunicação, Referências abrangentes Emerald Cities http://www. como os blogues e as redes sociais, As referências são muito emeraldcities.org descreve. abrangentes. Nomes como o do Core Cities http://www. Mais a norte, está Miguel Barbot, pastor protestante Martin Luther corecities.com/home consultor na Sociedade Portuguesa King Jr., o activista dos direitos AcdPorto http://networkedblogs. de Inovação, formado pelo Instituto cívicos norte-americano assassinado com/anEmX de Estudos Superiores Financeiros e em 1968. Ou um documento Faro1540 www.faro1540.org Fiscais do Porto. É um dos activistas estratégico assinado pelo actual C.F. da Associação de Cidadãos do Presidente da França, Nicolas Porto, constituído por profissionais
    • Cidades • Domingo 27 Fevereiro 2011 • 5Gente de todas as áreas e profissões está a unir-se num novo movimento chamado Cidades PelaRetoma. São activistas em ambiente digital que tentam agitar as consciências dos decisores.Dispensam o fato e a gravata, não dizem mal, estão é atentos, observam tendências, e não tiramos olhos das medidas de baixo custo que podem dar altos lucros em termos de qualidadede vida. Será que alguém os ouve? Por Carlos Filipe (textos) e Nuno Saraiva (ilustração)para melhorar as nossas cidades criativos de áreas tão diversas como a economia, gestão, marketing, sistemas de informação, direito, design ou arquitectura. “É o que nos permite construir e oferecer ideias, em vez de nos limitarmos a protestar”, explica Miguel Barbot, que descreve a ACdP como uma organização informal e aberta a todos os cidadãos preocupados com o futuro da cidade e da Região Norte. Cultura conservadora A gestão autónoma do Aeroporto Sá Carneiro, no Porto, foi a causa que serviu de ponto de partida para este grupo, que defendia um modelo baseado nos princípios da economia social. Os proveitos da exploração do aeroporto seriam investidos para pagar o investimento privado já realizado e todos os lucros seriam canalizados para projectos na região, com o duplo objectivo de apoiar o crescimento do aeroporto e de apoiar socialmente populações mais carenciadas. “Todas as ideias da ACdP são baseadas neste princípio: pensar em soluções criativas com forte impacto económico e social”, sustenta Miguel Barbot. No contexto actual, “a agenda política nacional e local tem de se centrar rapidamente nos instrumentos e meios de promoção do desenvolvimento económico e ainda acentuar a necessidade de pensar como o podemos fazer de forma colectiva”, afirmava esta associação portuense, no fim de um debate realizado em Novembro de 2010. Porém, é mais fácil enunciar do que fazer – inquietar é simples, difícil é criar a partir dessa inquietação –, e por essa razão o grupo já fazia então uma ressalva: “Há que ter em conta uma certa cultura conservadora e pouco avessa à mudança.” Falava-se obviamente dos portugueses. O número 1540 é o ano em que Faro foi elevada a cidade. Desde 2009, faz também parte do nome da associação Faro 1540, que se empenha na defesa e promoção do património ambiental e cultural. Conta Bruno Lage, engenheiro do Ambiente e mestre em Gestão e Políticas Ambientais, que “a melhoria substancial do grau de formação dos portugueses” e “o c
    • 6 • Cidades • Domingo 27 Fevereiro 2011 PAULO PIMENTA despertar do conceito de cidadania” mobilizaram “a participação alargada dos cidadãos na gestão e desenvolvimento da sua cidade”. Isso, acrescenta Bruno Lage, “não só ajudará a corrigir erros e falhas técnicas de determinados projectos, programas ou planos, como permitirá que surjam alternativas”. Em Aveiro, José Carlos Mota diz que o trabalho na Escola de Planeamento Territorial ligada à universidade foi uma fonte de experiências internacionais inspiradoras, que acabaram por alimentar o movimento Cidades Pela Retoma. Está tudo na Internet, pejado de documentos com orientações de política pública. José Carlos Mota (Aveiro) FERNANDO VELUDO/NFACTOS O Instituto Drum Major (IDM), uma respeitada associação cívica de Nova Iorque, é uma dessas referências. “Apartidária, think tank não lucrativo e geradora de ideias que alimentam o movimento progressista”, o IDM tem como farol ideológico Martin Luther King Jr. Fundada por Harry Watchel, advogado e conselheiro daquele antigo líder do movimento que lutou pelos direitos cívicos da população nos Estados Unidos, o IDM foi refundado pelos filhos de ambos, William Wachtel e Martin Luther King III. Ao seu trabalho se dirigiu, com reverência, outro antigo Presidente norte-americano, Bill Clinton – “uma prioridade urgente Miguel Barbot (Porto) para a nação”. VASCO CÉLIO Os relatórios do IDM destinam- se a evidenciar as políticas que fragilizam as classes desfavorecidas. No caso de Nova Iorque, uma análise da política urbana ainda recente identificou problemas graves que conduzem a um impasse no seu desenvolvimento. Por exemplo, durante a propagação do vírus H1N1 (gripe A), um milhão de trabalhadores de Nova Iorque não beneficiou de um só dia de trabalho pago, quando eles ou algum familiar foram afectados pela doença. Daí resultou um tombo na produtividade e aumentou-se a possibilidade de contágio. Na Costa Leste dos EUA, em São Francisco, fez-se precisamente o contrário – e Bruno Lage (Faro) a comunidade empresarial não se queixou de ter sido prejudicada. Comissão para a Libertação do tese e referiu que as regiões e as Nova Iorque gasta por ano Crescimento Francês foi composta cidades terão um papel principal milhões de dólares com subsídios por dezenas de personalidades, na estratégia UE-2020, para a qual ou isenções de taxas para empresas dos mais variados quadrantes. A deve ser já iniciada uma agenda de privadas desde que estas assumam liderança foi entregue a Jacques reforma para encorajar uma nova que não vão mudar de cidade. Attali, escritor, membro do economia, que se quer inteligente, Aparentemente, esta ideia parece Conselho de Estado, presidente da ecológica e mais inclusiva”. uma lógica imbatível, uma política PlaNet Finance, organização não José Carlos Mota insiste que defensável, porém, os resultados lucrativa que assiste instituições “as cidades – pensadas em rede – foram efeitos perversos, como em 80 países com programas de têm um potencial interessante de concluiu o IDM: Nova Iorque passou microcrédito. articulação de novas abordagens. O a subsidiar trabalho precário e que falta é uma visão que articule poucos postos de trabalho novos. Cidadãos na liderança as diferentes políticas em torno Em Inglaterra, a união de Mas que ligações podem todas desta nova dimensão e que eleve vozes, mesmo que algumas sejam aquelas medidas ter quando as cidades à categoria de desígnio institucionais, ganha importante centradas na escala portuguesa? O estratégico”. poder de reflexão (e reivindicativo) que é isso das Cidades Pela Retoma Mota defende que “a ideia da com a plataforma Core Cities, uma no cenário nacional? Qual o papel criação de uma agenda local para associação de oito municípios e dos dos decisores? E que benefícios daí a retoma parece interessante e seus presidentes – Birmingham, podem recolher as comunidades mobilizadora”. “O esforço inicial Bristol, Leeds, Liverpool, urbanas? José Carlos Mota coloca-as está dirigido para criar e alimentar Manchester, Newcastle, Nottingham em perspectiva e identifica outros uma troca de informação entre e Sheffield – para a promoção do seu actores: grupos cívicos. Talvez se justifique crescimento. Dialoga com Londres, “Em 2006, o prof. Ernâni Lopes que o poder local pudesse assumir a fim de criar o melhor ambiente [1942-2010, economista e antigo esta bandeira como uma prioridade. económico, na certeza de que são ministro das Finanças] sugeriu que Mas isso não deve inibir o papel aquelas cidades que criam a sua os agentes económicos, sociais e (liderança ou controlo) dos cidadãos própria agenda, e não os gabinetes culturais deveriam ter coragem para no processo. ministeriais. reinventar a economia e o próprio No Porto, Miguel Barbot destaca Em França, o Presidente Sarkozy país, e que essa reinvenção tinha um que “os autarcas serão em breve e o primeiro-ministro François terreno privilegiado em áreas como os políticos mais decisivos, face à Fillon não hesitaram em recorrer o turismo, o ambiente, os serviços importância das cidades enquanto à sociedade civil quando, há um de valor acrescentado e as cidades. catalisadores independentes de ano, em plena crise, pediram que Mais recentemente, o comissário factores e fenómenos económicos, se identificasse a melhor forma europeu da política regional, sociais e culturais decisivos para o de libertar o país desse peso. A Johannes Hahn, sustentou a mesma desenvolvimento dos países”.