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  • 1. Paixões no Oeste Vol. II
  • 2. Paixões no Oeste – Vol. II 2
  • 3. Paixões no Oeste – Vol. II Janice GhisleriPaixões no Oeste Vol. II 1ª Edição - 2011 3
  • 4. Paixões no Oeste – Vol. II Copyright ©2011 – Todos os direitos reservados a: Janice Ghisleri 1ª Edição - 2011 www.janiceghisleri.wordpress.com Design da Capa: Gracilene Chaves Todos os direitos reservados. Nenhuma parte do conteúdo deste livropoderá ser utilizada ou reproduzida em qualquer meio ou forma, seja eleimpresso, digital, áudio ou visual sem a expressa autorização da editora sob penas criminais e ações civis. 4
  • 5. Paixões no Oeste – Vol. II H aviam se passado quatro anos desde o casamento deIan e Jayne. Estavam tão apaixonados como quando se conheceram,viviam harmoniosamente e contemplavam dos mais felizes anos desuas vidas, tudo estava bem e perfeito. Josh com quatro anos de idade estava um esplendor demenino, feliz e sorridente, ficava enlouquecido quando via os cavalos.Ian, era um pai muito atencioso, adorava colocá-lo consigo no cavaloe andar com ele pelos pastos, lhe mostrava tudo e conversava com eledizendo que quando crescesse, o ajudaria na fazenda, que seria umgrande homem. Encantado, o pequeno Josh o olhava como se todasas suas palavras lhe fizessem sentido. Angel, que estava com onzeanos já montava muito bem os cavalos de porte grande. Jayne e Ian aincentivavam a galopar e ela passava horas com os cavalos e sempresaiam para fazer piqueniques, passeios, curtiam o máximo de tempoque podiam os quatro juntos. A fazenda e o trabalho estavam às maravilhas, conseguiramdesenvolver-se nos negócios de reprodução de cavalos. Por poucasvezes neste período tiveram dificuldades ou problemas, obtiveramsucesso e os lucros vinham facilmente os recompensando peloesforço e empenho que dedicavam à fazenda. Eles trabalhavamincansavelmente, ampliaram e reformaram a casa grande deixando-amagnífica e melhoraram muito a fazenda. O casal Buller fez nome entre os criadores de cavalos pormaior parte dos Estados Unidos. Seus cavalos eram da mais altaestirpe, o sêmen de seus garanhões custava uma considerável quantia.Contrataram vários empregados para auxiliar nos trabalhos e homensarmados que ficavam sempre de prontidão para segurança da fazenda,pois o aumento de roubo de cavalos aumentara consideravelmente naregião e se tratando de reprodutores, um único cavalo custava umapequena fortuna. Ian era muito atencioso e protetor, tinha medo quebandidos tentassem invadir a fazenda e pudesse não somente roubarseus cavalos, mas pôr em risco a vida de Jayne e das crianças. Ambos 5
  • 6. Paixões no Oeste – Vol. IIestavam orgulhosos um do outro, conseguiram o que qualquer serhumano gostaria de ter, amor, felicidade, uma família maravilhosa,dinheiro e reputação. Willian e Emily estavam felizes juntos, cuidando atentamentede se amado filho Ethan, assim como David e Mary, que encantadosviam sua pequenina Samantha que inocentemente começava desfrutardas alegrias da vida. Mitchel e Julia estavam bem, mas ainda nãohaviam sido agraciados com um filho, o que lhes trazia um certodesconforto, mas se amavam e levavam suas vidas tranquilamente. A vida dos quatro amigos que traçaram seus destinos unidoscom suas famílias andava a passos largos. Nos quatro anos que sepassaram, viveram momentos de paz e harmonia. Seus laços deamizade continuavam fortes como rochas, sempre que podiamestavam juntos, ajudavam uns aos outros, compartilhavam todos osmomentos de alegria e se ajudavam nas adversidades. Naquele ano o inverno fora rigoroso, a neve caiu impiedosatornando os pastos brancos. Os fazendeiros tinham trabalhodobrado, pois como não havia pastagem para os cavalos nem o gado,tinham que tratá-los com ração e feno e ter cuidados redobrados, poistinham mais riscos de adoecerem. O trabalho ao ar livre também erapenoso, levantar cedo como de costume era árduo, mas necessário.As crianças pouco saiam de dentro de casa, a não ser pelo fim damanhã e início da tarde se o sol fosse generoso, a diversão era brincarcom a neve. A paisagem esbranquiçada dava às montanhas umabeleza descomunal. Com a chegada da primavera a paisagem começava a mudar,o verde dava o ar de sua graça, os pastos esverdeavam possibilitandoque as criações se divertissem com seu pasto ralo. O sol resplandeciacom mais força e o vento já não era cortante. Os picos das colinasmais altas eram as últimas a perder seu branco pela neve. Mas pelasmanhãs ainda era frio e acordavam com os intensos nevoeiros quecobriam as montanhas e a noite ainda era mais longa. Flores exóticase coloridas começavam a florescer dando uma beleza peculiar àquelelugar. Os grandes cactos pareciam imponentes no meio da relva rala eas imensas árvores enchiam-se de folhas verdes. Era a vida respirandopelos vales de West Side. ** Na tarde de sexta-feira já estavam exaustos pela semana que 6
  • 7. Paixões no Oeste – Vol. IIhavia sido árdua e lotada de atividades. Findando seus afazeres, Jaynefoi orientar o jantar. Ian demorou mais tempo nas coxias até que foipara casa. -Pensei que ia dormir com os cavalos. - Jayne disse sorrindopara ele e lhe dando um copo de refresco. -Quase. Mas amanhã estarei livre para ficar com você e meusfilhotes. - disse sorrindo e bebendo um gole do refresco. Ian sentou-se na cadeira de balanço na varanda e suspirouprofundamente. -Meu querido, o que tem para fazer agora? - Jayne perguntousentando no seu colo e abraçando-o. -Bem... Eu pretendia descansar, estou exausto. -Está cansado para mim também? -Para você, nunca. -O que você acha de nós termos um momento a sós hoje? -Acho ótimo. O que tem em mente? -Você vai saber se vier comigo. Confia em mim? -Sempre... - disse sorrindo e dando um beijo na aliança deJayne. -Então pegue os cavalos que eu já volto. Ela foi para a cozinha e Ian ao estábulo, pegou seu cavalo e odela, que ainda estavam encilhados. Ela saiu com uma pequena cestana mão, os dois subiram nos cavalos e começaram a galopar devagar. -Aonde a senhora vai me levar? - Ian perguntou curioso. -Há tempos não vamos mais ao lago para olhar o pôr-do-soljuntos e sozinhos. Hoje o horizonte vai ficar vermelho, acho quemerecemos isso, não acha? -Não poderia ser melhor! -O que seria de você sem mim? - disse sorrindo. -Provavelmente eu seria uma criatura chata e triste. -Chata e triste eu não sei se seria, mas pelo menos não terianinguém para bater você na corrida. Jayne atiçou o cavalo e saiu em disparada forçando Ian a daruma gargalhada e sair correndo atrás dela, ela adorava bater corridacom ele, e muitas vezes ela o vencia. Os dois correram pelos pastosalegremente até chegarem ao lago que tinha uma vista maravilhosapara contemplar o pôr-do-sol. A água estava translúcida e refrescante,adoravam tomar banho no lago, era isolado e tranquilo. 7
  • 8. Paixões no Oeste – Vol. II Quando chegaram, Jayne rindo desceu do cavalo, Ian chegoulogo atrás. -Ian, eu acho que você me deixa ganhar quando batemoscorrida, seu cavalo corre mais que isso. -Ah! Acho que não, você é muito boa nisso e eu já ganhei devocê. Aliás, você sempre sai na minha frente. -Hum... Eu acho que está me enganando. -Acho que minto bem, não é? -Não. - os dois riram. -O que está pensando agora? -Não consegue adivinhar? -Não. -Então acho que vou ter que lhe mostrar. - Ian pegou Jayneno colo e foi até a beira do lago e a jogou nele fazendo-a gritar eafundar na água, quando subiu ela começou a rir. -Ian... Está gelada! Você me paga. -Pago o que você quiser. - disse rindo e pulou na água indoencontrar-se com ela, abraçaram-se e beijaram-se apaixonadamente. -Nunca pensei que pudesse ser tão feliz. - disse ajeitando oscabelos de Ian que lhe caiam nos olhos. -Eu também, querida. - ele a beijou docemente. - O que vocêtrouxe naquela cesta? -Hum, o que você gosta... Vinho, queijo, algumas frutas. -Espero que nossa vida seja sempre assim, sempre cuidandoum do outro. -Sempre vou cuidar de você. Eu não quero que seu amor pormim morra nunca. -Jayne, isso é impossível. -O mesmo acontece comigo, você é maravilhoso. -Mesmo quando judio de você e a jogo na água gelada? -perguntou rindo. -Ah sim, às vezes você me judia demais. -Então, vamos beber o vinho? Esta água está gelada demais. Saíram do lago e Jayne tirou sua saia e a torceu. -Minha nossa, isto pesa uma tonelada! -Não sei por que vocês mulheres usam tanta roupa. -Às vezes eu me pergunto a mesma coisa, eu acho que voucomeçar a usar calças. - disse rindo. -Sério? Calças como homem? Teria coragem? 8
  • 9. Paixões no Oeste – Vol. II -Ora e por que não? Seria muito mais prático para andar acavalo e fazer minhas atividades, pelo menos para ficar na fazendaseria ótimo. O que acha? Permite-me usá-las? Muitas já usam. -Você e suas modernidades. Sempre me surpreende com assuas idéias fora do juízo. -Ian... -Tudo bem... Se você quiser pode usar, mas somente nafazenda. Nada de calças na cidade, não quero falatórios. Ian arrumou os longos cabelos molhados de Jayne para tráslhe caindo nas costas e depois a abraçou, a suspendeu nos braçosfazendo com que ela ficasse com as pernas enlaçadas em sua cintura eos braços ao redor do seu pescoço e ele sorridente começou a dançarlentamente com ela e cantarolar uma música lenta. Jayne ficou oolhando e sorrindo, encantada com o gesto carinhoso e o ouvindocantar. Quando ele parou de cantar beijaram-se apaixonadamente. -Eu te amo tanto. - ela sussurrou. -Eu também. Jayne... -Hum? -Vinho... Ele a saltou num solavanco fazendo-a pensar que iria cair, elagritou de susto, mas ele logo a agarrou rindo e a pôs no chão, os doisriram e ela deu um tapa em seu braço por aquilo. Jayne abriu a cesta,estendeu uma toalha e colocou encima uma travessa com os queijos,vinho e os copos, sentaram-se no chão e serviram-se, sentiam umaimensa alegria e paz. Aqueles momentos sozinhos que de vez emquando se proporcionavam renovavam o sentimento puro e simplesde amor que sentiam, apreciavam qualquer pequeno gesto que umfazia para o outro, nunca deixavam de celebrar o amor. O pôr-do-solmostrava-se magnífico deixando o céu azul mais escuro, com rajadosde laranja e avermelhado que se misturavam criando desenhos comalgumas nuvens. Era deslumbrante, ficaram apreciando cada palavra,cada toque, cada sensação debaixo daquela imensa pintura criada porDeus. Adoravam a natureza e a usufruíam da melhor maneirapossível para emoldurar seu amor. ** Ian estava na varanda, tomando café na sua canequinha deesmalte, peça qual, Jayne nunca conseguiu fazê-lo abandonar, e nemsua mania de repousar o pé na cerca da varanda que o ajudava a 9
  • 10. Paixões no Oeste – Vol. IIimpulsionar a cadeira de balanço. Ele estava trajando uma grossajaqueta longa até os joelhos, de couro marrom com gola de pelo decarneiro, sobre uma camisa e um colete com um lenço amarrado aopescoço, uma calça se sarja marrom mais clara e bota com as esporasengatadas no calcanhar. Este era seu hábito matinal para ver oamanhecer antes de sentar-se à mesa do café da manhã com a família.Isso quando não se permitia ficar na cama até mais tarde com Jayne.Às vezes acordava quando o galo cantava e ele mesmo fazia seu cafée ia para a varanda, deixando-a dormir mais um pouco. Ele ficou olhando os três amigos Mitchel, Willian e David seaproximarem em seus cavalos pela entrada principal da sua fazenda. -Bom dia, amigos. - Ian disse feliz ao vê-los. -Bom dia, Ian. -Todos aqui a esta hora? Está tudo bem? -Como assim? Esqueceu-se que havíamos prometido pegarum cavalo para Angel? -Ah! Não me esqueci, mas achei que não viriam hoje, estavaadiando isso, não sei se é uma boa idéia pegar um Mustang para ela. -É no que dá ficar contando histórias aventureiras para seusfilhos. -Eu? Ta bom... - disse olhando de cara feia para os rapazes. -Mas se você não trouxer um hoje, vai ter que trazer amanhã,porque ela não vai desistir desta idéia. - Mitchel disse zombando dele. -Isto é. Ela quer porque quer um cavalo selvagem. Mas queloucura, e ainda disse que o quer domar! Esta menina vai me dar umtrabalho quando ficar mais velha. -Ah, vai! - David disse rindo. -Eu acho melhor você preparar logo sua espingarda para osmarmanjões, pois ela vai se tornar uma mulher imensamente linda, eos gaviões vão começar a rondar. -Ai Willian, não diga isso que me dá um frio no estômago. -É inevitável, ter filha mulher é sempre uma dor de cabeça. -É! Não vai ser fácil, meu amigo. - Willian disse. -Olá rapazes, como estão? - Jayne disse chegando à varanda. -Olá, Jayne. -Vocês vão à exposição na Califórnia? - Willian perguntou. -Estamos vendo ainda, mas creio que sim, será muito bompara os negócios, haverá muitos fazendeiros importantes. 10
  • 11. Paixões no Oeste – Vol. II -Haverá premiação para garanhões reprodutores, deveríamosinscrever Thor e Diamante, eles estão perfeitos, Ian. - Jayne disse. -Sim. Se eles ganhassem uma premiação aí sim que teremosum bom lucro e compradores, aumentará os pedidos de cobertura. -Então, estão esperando o quê para decidirem? Ouvi dizerque o prêmio é um valor bem alto. -É que eu quero que Jayne vá junto comigo, mas não seriabom levar as crianças e deixar a fazenda sozinha por tantos dias. -Mas será possível que vocês dois não podem se desgrudarpor uma semana? Jesus! Eu acho que ao invés de casarem, vocês doisforam colados. -Não enche Mitchel! - Ian disse rindo. -Ora, é verdade, casal favo de mel. Mas também se quiseremir os dois, seu capataz é muito responsável Ian, ele dará conta ecuidará bem da fazenda, acho que não deve se preocupar. -Verdade. James está sendo muito valioso aqui, mas ele devevoltar logo para a fazenda do papai. Afinal, ele foi somente umempréstimo. - Jayne disse sorridente. -Will está tentando me convencer a ir também. - David disse. -Isso David, seria bom, terá a parte de gado também, achoque poderá fazer negócios. - Ian disse. -Acho que você tem razão, será uma boa oportunidade. -Bem, então vamos indo? Temos uma lida braba para acharum Mustang selvagem para sua filha, Sr. Buller. -Vamos. Todos foram indo para seus cavalos. -Vocês vão atrás de um Mustang? - Jayne indagou. -Sim, vou fazer um agrado para Angel trazendo um, já queela não fala em outra coisa, mas não diga nada até voltarmos, poispode ser que não consigamos hoje. - Ian disse. -Você vai mimá-la desse jeito, Ian. - Jayne disse sorrindo. -Olha quem fala... E você havia concordado. -Eu sei, mas tenho medo que ela se machuque com ele. -Não se preocupe. Não confia em mim para domar cavalos? -Nunca vi melhor domador que você. -Pois é, domei você. - disse rindo. -Ah, engraçadinho! Não vai comer nada? -Roubei um pedaço de bolo na cozinha. - ele disse sorrindo e 11
  • 12. Paixões no Oeste – Vol. IIJayne riu. -Então, tome cuidado. -Sempre tomo. Até mais. - disse lhe dando um beijo. Os rapazes passaram a manhã toda em função de capturar oMustang, voltaram já era depois do meio dia com um muito rebelde,dava pinotes o tempo todo. Com muito trabalho conseguiram colocá-lo no cercado. Jayne e Angel foram para fora para vê-lo. -Papai, que lindo! - Angel gritou toda eufórica. Ele muito sorridente veio ao seu encontro. -Gostou dele? -Sim, é lindo! -Então é seu. Papai prometeu e aí está ele. Angel gritou e pulou em seu pescoço o abraçando, estavanuma felicidade sem tamanho. -Vou domá-lo, o senhor me ajuda? -Claro querida. Mas você precisa ter paciência e cuidado. Nãopense em montá-lo até eu disser que pode, estamos entendidos? -Sim, senhor. Eu posso ficar aqui com ele? -Claro, vá pensando em um nome bem bonito. -Pode deixar. Ela saiu correndo e subiu no cercado pelo lado de fora, ficouolhando para ele com um gigantesco sorriso nos lábios e Ian foi atéJayne que sorria para ele. -Chame os rapazes, vão se lavar que vocês precisam almoçar.Não achei que demorariam tanto. -Este deu mais trabalho do que pensei, ele é terrível. -E mesmo assim vai dar a ela? -Eu disse que era terrível, e não impossível de domá-lo. -Vocês é que são impossíveis. Desse jeito vão me deixar decabelos brancos. Vamos, vou pedir a Anna que aqueça o almoço. ** No outro dia se encontraram na fazenda de Willian para orotineiro encontro das famílias e para comemorar o aniversário deEmily. Os Cullen também participaram do almoço, para parabenizara filha e aproveitar para estarem com a família reunida. -Fazia tempo que não nos reuníamos assim. - Willian disse. -Sim, eu estava com muito trabalho. - Ian disse. -Ainda não conseguiu terminar aquela porteira? 12
  • 13. Paixões no Oeste – Vol. II -Não, mas quero deixar pronta antes de ir viajar. -Este nosso encontro está ficando lotado. - Mitchel disserindo e vindo de encontro de Ian e Willian que estava com o pequenoEthan agarrado à sua perna. -Sim. Antigamente éramos somente nós quatro e agora olhaquanta gente, isso me deixa feliz. - Ian disse. -E você Mitch, já erahora de terem filhos, já faz tempo que casaram e até agora nada. Temalgo errado? - Ian perguntou um tanto cauteloso. -Não há nada errado. Quando for a hora teremos um filho. Ian viu que algo estava estranho, mas não insistiu para nãoconstranger Mitchel, preferiu se calar. -Mitchel, não espere demais senão você vai brincar debengala com seu filho. - Willian zombou. -Willian, você anda muito engraçadinho, vai levar umas bifasse não regular esta tua língua. -Eu não estou. Você é que anda chato e mal humorado, andadormindo com o traseiro descoberto? -Deve ter sido a neve, congelou o cérebro dele. - David dissedando uma bebida a ele. -Ahn David, você também? -Beba e se anime, nós vamos parar de atormentá-lo. -Que milagre! Mudando de assunto, David, eu acho que vocêpoderia casar a Samantha com o Ethan ou Josh. Todos caíram na gargalhada. -Mitchel, essa foi demais. - Ian disse divertindo-se. -Minha nossa, isso vai demorar! - Willian disse rindo. -Minha filha ainda é um bebê e você já está falando emcasamento? Está a fim de me matar? -Ora, pelo menos saberia tudo sobre a família do homem quevai casar com ela. - disse rindo. -Sabe que até gostei da idéia? - David riu. -Eu também gostei da idéia. - Ian disse. -Temos dois homens e uma mulher, alguém vai sobrar. -Pois é, vai saber, agora tem que ver se isso acontece daqui aalguns anos. - Willian disse. -É. Bastante anos... - David disse fazendo careta. -A gente fica de olho, pois pode acontecer o que aconteceucom o David e a Mary que foram criados tão juntos que pareciam até 13
  • 14. Paixões no Oeste – Vol. IIirmãos e deu no que deu. -Ah, verdade! -Há muitas famílias que fazem isso. Comprometem os filhosde pequenos para se casarem quando crescem. -Verdade. Mas eu não gosto deste costume. - Ian disse. -E como minha princesa terá dois pretendentes, não podereifazer isso, pois não saberia qual dos dois escolher, Josh ou Ethan. -Escolhe Josh, é mais rico. - Mitchel disse rindo. Eles riram com gosto olhando para a cara que Ian fez, masachou divertido. -Ai Mitchel, que interesseiro. - Ian brincou. -Ora, foi uma piadinha. -Vamos comer. - Willian disse retirando a carne do fogo. Dirigiram-se para a mesa montada para acolher a todos eserviram-se. Depois de almoçarem foi servido um café e um licor queIan havia levado. -Emily, eu gostaria de dar meu presente. -Ai Will, obrigada, meu amor. O que é? - disse animada esorridente esfregando as mãos de ansiedade. Emily pegou um pequeno embrulho quadrado, rasgou opapel e avistou uma caixinha, a abriu e dentro havia uma corrente deouro com um pingente em forma de coração todo trabalhado a mãocom belíssimos e delicados relevos. -Willian! -Ele abre. - disse mostrando como fazia. Emily abriu e dentro de cada lado havia uma pequena foto,uma de Ethan e outra de Willian. Ela ficou emocionada e abraçou-o. -Will, é maravilhoso! Como conseguiu estas fotos? -Ah! Isto é segredo. Ele a ajudou a colocá-lo em seu pescoço e ela o abraçoufortemente. Todos deram os presentes que haviam trazido para ela,foi um momento de balburdia e alegria. Emily parecia uma criançarecebendo tantos presentes. Jayne olhou para Julia e a viu meioestranha e calada e foi falar com ela. -Julia, você está bem? -Sim. Por que pergunta? -Eu ando achando você estranha, triste. O que está havendo? -Nada querida, eu só quero ir para casa descansar. 14
  • 15. Paixões no Oeste – Vol. II -Hum... Está tudo bem entre você e Mitchel? -Está sim, não se preocupe, é só cansaço mesmo. -Sei que não é isso, eu a conheço. Se não quiser me contar,não vou perguntar mais, mas se precisar conversar, estou aqui. -Irmã, não se preocupe, estou bem e não há nada de errado. -Está bem... Ficaram reunidos até meados da tarde quando começaram aguardar tudo, o sol já havia sumido e todos estavam querendodescansar no fim do sábado. -Jayne, se você for viajar com os rapazes fique de olho nomeu marido. -Por que eu tenho que ficar de olho nele? -Lá deve ter um bando de mulheres rondando. -Minha nossa! Se eu tiver que cuidar do Ian e de Willian euvou ter trabalho. -Ai não fale assim, que já fico com ciúmes. -Eu achava melhor é o Willian se preocupar com a Emily,porque tem um fogo isso aí. - Julia brincou. -Ai, tenho nada. Eu só falo, mas não faço nada, e olhar nãotira pedaço de ninguém. Falando nisso tem um peão trabalhando láem casa que me valha Jesus! Dá-me até um frio na barriga. -Emily, sua doida, fique quieta! - Jayne disse espantada. -Eu estou quieta, não estou fazendo nada. -Mas está falando. -Está bem, eu vou fechar minha boca. Mas que aquele Nick élindo ah isso é, ai ai! -Emily! - Julia e Jayne disseram juntas arregalando os olhos. -Um dia você ainda vai se meter em encrencas por ser tãodesbocada. Meu Deus menina, onde perdeu seu recato? -Jayne, você me conhece, eu só falo, estou brincando. -Eu sei que sim, mas se alguém estranho a ouvir pode levar asério e sua reputação vai à lama. É melhor irmos, está ficando tarde eeu quero curtir meu maridinho o resto do dia. - Jayne disse. -Ai que novidade! - Emily disse zombando dela. -Sabia queme falaram que existe uma tal de lua de mel? -O que é isso? - Jayne perguntou. -Quando o casal se casa, ficam sozinhos por um período delua, podem sair, passear, viajar, enfim, só amor e borboletas coloridas. 15
  • 16. Paixões no Oeste – Vol. IIClaro que quem não é rico, não pode fazer estas coisas, então fica emcasa, mas as pessoas evitam visitá-los, para deixá-los sozinhos. -Por que não inventaram isso quando a gente se casou? -Jayne, já existia, nós que não sabíamos. E você e Ian vivemintegralmente em lua de mel, nunca vi tanto mel. - todas riram. -Verdade. Mas nós não viajamos, nós ficamos cuidando dafazenda e dos meus filhotinhos, afinal quando realmente nos casamosestávamos com dois filhos. -Ah é verdade. Fazer o quê, que façam quem se casar agora. -É, mas com Ian todos os dias é maravilhoso e cada dia oamo mais. -É minha irmã, tivemos muita sorte. -Verdade. - disse sorrindo satisfeita. ** O dia de domingo estava tentando despontar, mas estavapreguiçoso assim como os moradores de West Side. O nevoeiro jáestava levantando e o sol estava tímido atrás das montanhas. Ianhavia contratado alguns empregados que moravam na fazenda.Construíra alguns ranchos na parte de trás da casa grande para eles, eeram encarregados de tratar as criações pela manhã e tirar o leitefresco. Coisa que Ian quis conseguir já que antigamente era ele quetinha que fazer isso quando morava sozinho. Sua vida mudouconsideravelmente e sentia-se orgulhoso do que conquistou em tãopouco tempo com a ajuda de Jayne. Procurava proporcionar tudo debom que pudesse dar a ela e aos seus filhos. Isso permitia que ele nãoprecisasse mais levantar tão cedo nos fins de semana como eraacostumado a fazer, mesmo porque adorava ficar um pouco mais nacama com ela. Jayne acordou e se aconchegou para sentir o calor de seucorpo. -Está com frio? - sussurrou sem abrir os olhos e a abraçando. -Aham... Quando você vai colocar minha lareira no quarto? -Desculpe, eu lhe prometi isto para este inverno, não foi? -Foi. Não cumpriu sua promessa. -Eu sei, mas vou providenciar, eu prometo... Tem certezaque quer fazer isso? Nunca vi lareira no quarto, você e suas manias. -Tenho, mas agora você vai ter que me esquentar. -Com todo o prazer, meu amor. - disse enroscando-se mais 16
  • 17. Paixões no Oeste – Vol. IInela e colocando sua perna por cima das suas coxas. -Venha comigopara a Nova Califórnia, assim teremos um tempo somente para nós,eu vou adorar viajar com você. E você é minha sócia, precisa estarpresente para receber o primeiro prêmio do seu cavalo Diamante. -Hum... - resmungou dengosa e pensativa. -Podemos fazer dessa viagem a nossa lua de mel, como vocême contou. O que acha? -Acho ótimo, mas nós vamos a trabalho. -Meu amor, nós não iremos ficar em função disso o tempotodo, e nós podemos fazer coisas que nunca fizemos. Podemos ficarnum bom hotel, ir a restaurantes, passear, podemos ver o mar. -Ian, agora você me convenceu, vai ser maravilhoso! -Ótimo. Vou à cidade mandar o telegrama para a organizaçãopara inscrever Thor e Diamante e vamos preparar tudo. Mas... O quevocê acha de nós começarmos nossa lua de mel agora e aí vocêtermina de me convencer a ter a dita lareira. -Acho perfeito. - disse sorrindo e o beijando. ** Jayne e Ian prepararam tudo para levar Thor e Diamantepara a exposição, e deixaram Kate e as crianças com os pais dela. Sr.Cullen andava meio adoentado e a presença alegre das crianças odeixava muito feliz. Jayne, Ian, Willian e David acomodaram os cavalos no vagãotraseiro do trem, próprio para o transporte de cavalos e embarcaramno vagão para os passageiros. O novo modelo da Maria Fumaça erarequintado, fazia longas distâncias, era preparado para acomodar ospassageiros em cabines privadas e bem decoradas. O vagãorestaurante servia refeições e bebidas, tudo era confortável, desde osaposentos até o Ala Carte. O que era desconfortável era o valor dobilhete da passagem que era um tanto exorbitante, mas para fazeruma viagem cruzando diretamente quase três estados, era necessário.A viagem foi longa e cansativa fazendo algumas paradas no NovoMéxico e no Arizona, mas eles transformavam tudo em diversão,estavam apreciando a viagem. Chegando à Nova Califórnia, Jayne e Ian levaram Thor eDiamante diretamente para o reservado na exposição, os entregarampara o encarregado que iria lhes dar banho, cuidar de seu pelo ealimentá-los. Tudo estava bem preparado para que os cavalos fossem 17
  • 18. Paixões no Oeste – Vol. IIbem cuidados. Enquanto isso, David e Willian levaram as bagagenspara o Hotel Califórnia Plaza, e depois, foram para a exposição parase encontrar com os dois. -Ian, eu acho que vai ser uma ótima exposição. -Sim querida, eles são profissionais, tudo aqui é de primeira,já avistei alguns fazendeiros importantes e pelo que vi dos outroscavalos, teremos boas chances de conseguir alguma premiação. -Também espero, vai ser ótimo. Veja... - disse enganchada nobraço de Ian e cochichando discretamente. - Aquele é o Sr. Callahan,um criador excêntrico de gado que tem o abatedouro que lhe falei. -Hum... Ele demonstra sua excentricidade pelas suas vestes. -Ian disse brincando e olhando de relance para ele. -Sim meu amor, mas para nós o que vale é a boa impressãoque nos cabe dar a ele e o dinheiro que ele traz na guaiaca. -Verdade. - concordou rindo. -Onde está David e Willian? Eles têm que o conhecer, se elesfizerem negócios com ele, será ótimo. -Não sei, devem estar por aí, já devem ter vindo do hotel.Vou procurá-los, vai ficar aqui? -Sim. Vou falar com algumas pessoas e com ele. - disse elaapontando discretamente com a cabeça. -Cuidado, há muitos gaviões por aqui, principalmente este Sr.Callahan, pelo que sei, adora uma bela mulher. -Hum, é mesmo? Não havia percebido. -Engraçadinha. -Não se preocupe meu amor, garanto que não há ninguémaqui que me interesse mais do que você. Ian sorrindo lhe deu um beijo no rosto e se afastou, ficouandando pelo espaço reservado olhando tudo, até que avistou Williane David conversando e olhando o gado que estavam em um cercado. -Ora, quem eu vejo, meus amigos se regalando com uma belavista. -Ian, veja que gado magnífico. -Pela marca é do Sr. Callahan. - disse os analisando. -Ele estáaqui, vocês têm que falar com ele. -Por quê? -Porque além de criador ele possui um abatedouro, ele podecomprar seu gado. 18
  • 19. Paixões no Oeste – Vol. II -Ótimo. Você o conhece? -Só de vista, mas Jayne o conhece. Ela pode apresentá-lo. -Onde ela está? -Nas baias, vão até lá, eu irei ver alguns cavalos. -Está bem, até mais. Ian continuou andando e sentiu que parecia que estava sendoobservado, mas não deu atenção, seguiu cuidadosamente olhandotudo que lhe aparecia pela frente. Quando ele estava distraído comseus olhos exigentes para analisar os cavalos, escorado com os braçoscruzados numa cerca e com um dos pés na grade baixa, alguém lhechegou pelo lado, fazendo-se olhar para os cavalos. -Boa tarde. -Boa tarde, Senhora. - Ian disse olhando para a dama eleganteque parou ao seu lado. -Senhorita. - ela corrigiu. -Admirando os cavalos? -Sim, é meu trabalho. -Você mora aqui? -Não, eu moro em West Side, no Texas. -Ora vejam, vindo de longe para ver cavalos? -Não só ver, fazer negócios e também trouxe dois cavalospara concorrer ao prêmio. -Que ótimo. Você vende cavalos? -Vendo e trabalho na reprodução. -Hum, isso parece interessante. -E a Srta., conhece cavalos? -Não, somente gosto, eu estou a passeio. -Que bom. - Ian a olhou bem, ela era uma moça bonita ebem vestida. Mas ela o olhava de uma maneira tão devastadora queIan virou o olhar sentindo-se incomodado. -Vai haver uma festa, um baile por causa da exposição, osenhor gostaria de me fazer companhia? Ian a olhou rapidamente e espantou-se com aquele convite. -Ham... Desculpe Senhorita, mas eu sou casado. - dissemostrando a mão com a aliança. -Ora, mas isso não impede que o Senhor me acompanhe, nãoé? Como amigos. - disse jogando um charme sedutor para cima dele. Ian ficou meio sem jeito com aquela investida direta e virou-se para encará-la de frente. 19
  • 20. Paixões no Oeste – Vol. II -Não quero ser rude, mas impede sim. Se eu for ao baile, euirei com minha esposa, ela está aqui comigo. -Uma esposa que acompanha o marido em exposições, isto éinusitado, geralmente as esposas ficam em casa cuidando dos filhos. -Não é este o caso. Se me dá licença, eu tenho que ir,Senhorita... - disse fazendo menção que esperava que ela dissesse seunome pela boa educação. -Srta. Austin. - disse oferecendo a mão. -Encantado, com licença. - disse beijando sua mão e lhe deuas costas. Ela ficou indignada com o seu descarte, não era acostumadaque lhe dessem as costas daquela maneira, dificilmente se negavamaos seus encantos. Quando ele estava se afastando, ela o chamou. -Sr... - Ian se virou. -O Senhor não me disse seu nome. -Buller, Ian Buller. - ele fez reverência e virou-se novamentesaindo de perto dela. Ela o ficou admirando ir-se. O achou incrivelmente lindo eencantador, pena que não se interessou por ela, ou melhor, se ele nãofosse casado e metido a fiel, a teria admirado e aceitado seu convite.Assim passava pelos seus pensamentos. Ian se encontrou com Jayne que conversava com um senhormuito distinto. Enquanto se aproximava, lembrou-se logo dele. -Sr. Crawford, que prazer vê-lo novamente. -Boa tarde, Sr. Buller. Igualmente. - disse apertando sua mão. -Veio comprar algum cavalo? -Sim, vou comprar. Mas acho ótimo que o tenha encontradoaqui, poderemos fazer negócios novamente. -Ótimo, e como estão as crias? -Sr. Buller, nós estávamos falando disso, os cavalos estãoespetaculares, realmente seus garanhões são de primeira. -Obrigado, Senhor. -Eu ampliei minha fazenda no Colorado, vou mandar algunscavalos para lá. No próximo mês quero levar duas éguas que adquirinum leilão e eu quero que emprenhem, pode fazer isso? -Por certo. É só me avisar quando vai mandá-las. -Eu já lhe mostrei Thor e Diamante, Ian, e ele quer cria deles. -Ah sim, estes dois cavalos estão esplendorosos, garanto quea cria deles será perfeita. 20
  • 21. Paixões no Oeste – Vol. II -Muito bem, entrarei em contato, mas agora, se um dos seusgaranhões ganhar a premiação, não vá me meter a faca. - disse rindo. -Pode deixar, mas o Senhor sabe que será mais valorizado. -Ian disse sorrindo astuciosamente. -Sim, eu sei. Boa sorte. -Obrigado e até mais. Jayne enganchou no braço de Ian e continuaram andandolentamente. -Minha esposinha não perde tempo. -Não mesmo. - disse sorrindo. -Falou com Sr. Callahan? -Sim. Já o apresentei a David e Willian, os três devem estarconversando neste momento. -Hum... E ele se comportou com você? -Ele é um galanteador meu querido, arrebata belas mulheres. -Sei... E a Senhora foi arrebatada também? -Fui sim, mas por outro homem. -É mesmo? Quem, posso saber? - disse a olhando espantado. -Não sei se você o conhece, ele tem uns olhinhos puxados,cabelos compridos, me deve uma lareira... - Ian começou a rir antesque ela terminasse de falar. -Muito engraçada. -Já está escurecendo, vamos para o hotel? Estou cansada. -Vamos. Saíram da exposição e Ian olhando para trás para ver se viaDavid e Willian, avistou aquela mulher novamente que andava atrásdeles, mas distante. Ian fez de conta que não a viu, mas sabia que elao estava cuidando. -Amanhã vai ter um baile para abertura do evento, vamos? -ela perguntou. Disseram que iam enviar nossos convites para o hotel. -Ouvi falar, podemos ir. Pegaram um coche de aluguel e seguiram para o hotel epegando a chave na recepção encaminharam-se ao quarto. -Nossa, que lindo! - Jayne disse olhando ao redor e retirandoo chapéu que glamourosamente combinava com seu vestido. -Ah, eu adorei esta cama. É bem maior que a nossa... E olhaque eu acho a nossa grande. - Ian disse rindo. -Pelo menos aí não tem perigo de cair da cama. 21
  • 22. Paixões no Oeste – Vol. II -Ah, isso aconteceu só uma vez. - ele disse soltando uma belagargalhada lembrando-se do episódio em que os dois brincandorolaram cama abaixo. -Quero tomar um banho naquela banheira ali. Que maravilhaque tem sala de banho! Não gosto das salas de banho públicas. -Eu também não, assim nós podemos tomar banho juntos. -disse a abraçando. -Adorei esta parte. - disse beijando seus lábios suavemente. -Quero jantar no quarto, assim não precisamos nos vestirpara ir ao restaurante, queria ficar aqui à vontade. -Está ótimo. Minha nossa! Como adoro luz elétrica. Quandoé que vamos ter este luxo na nossa casa? -Nem imagino. -Ian, este hotel deve custar uma fortuna. - disse olhando aoredor. Temos dinheiro para isso? -Não importa, eu pedi o melhor quarto e não se preocupecom isso. -Hum... Estou começando a gostar disso. - os dois sorriram ese abraçaram. -Eu vou providenciar o jantar e o banho. ** No outro dia foram para a exposição, conversaram commuitas pessoas, viram muitas criações e engataram negócios. Pelatarde foram passear pela cidade. A Nova Califórnia estava bemdesenvolvida, com belíssimas construções e atrações, a cidade estavalotada de pessoas que vieram de fora. Uma Ópera House foiconstruída em estilo barroco com detalhes em Art Nuveau, e traziaatrações e óperas européias, havia belos restaurantes, casas e lojas,carros circulando entre as charretes, ladies desfilando novos modelosde roupas vindas da França, alguns modelos excêntricos de bicicletasque algumas moças modernas desfilavam com suas calças blummer.Ou ainda se via algumas mulheres vestindo roupas com algumascaracterísticas de raízes espanholas e inglesas e muitos mexicanoscom suas roupas características. A modernidade chegava à NovaCalifórnia a passos lentos, mas já era nítida. Ian e Jayne andavampelas ruas centrais de braços dados demonstrando alegria ecuriosidade, comentavam sobre tudo que viam. Os dois foram à umamodista que havia vestidos prontos e Jayne provou vários, precisavacomprar um vestido elegante para ir ao baile que exigia rigor. Ian a 22
  • 23. Paixões no Oeste – Vol. IIacompanhou, não tinha muita paciência para estas coisas, mas fez umesforço para não deixá-la sozinha. -Jayne, você provou vários vestidos, já escolheu? -Já. -Qual deles? -Nenhum dos que você viu. -E por que não me mostrou? -Porque será surpresa, hoje à noite você verá. -Ah! Você e suas surpresas. Vamos, estou com fome. Pegaram as caixas e voltaram ao hotel, lavaram-se e trocaramde roupa para irem jantar no restaurante do hotel. Era muitorefinado, com pratarias e cristais, luminárias estrategicamentecolocadas dando ao restaurante um ar muito aconchegante a meia luz.Pediram uma deliciosa refeição e para beber, um champagne. -Um brinde a nós. - ele disse erguendo uma belíssima taça decristal talhado, brindaram e beberam olhando-se carinhosamente. -Meu amor, você está me olhando de maneira diferente, oque houve? - perguntou olhando para Ian meio desconfiada. -Minha querida, eu não sei. Parece que algo aconteceu dentrode mim nos últimos dias, parece que de repente sinto maisnecessidade de ficar perto de você. De fazer tudo com você. Eutenho vontade de sorrir só de olhar seu rosto. Parece que meu amorestá diferente, não sei explicar o que é. Parece difícil ficar sem tervocê na minha mira. - Ian pegou na mão de Jayne sobre a mesa. -Eute amo cada dia mais e sei que você é a única pessoa que vou amar navida. Não quero me separar de você nunca. Jayne colocou sua outra mão sobra a dele. -Fico tão feliz de ouvir isso, Ian. Eu sinto o mesmo por você,sou tão grata pelo seu amor. Eu também não consigo ficar muitotempo sem olhá-lo. Eu te amo muito, meu amor. -Obrigado por ter vindo comigo. - Ian beijou sua mão. Ambos olharam-se com um sorriso terno, com os olhoscompenetrados um no outro, felizes de estarem juntos. Serviram ojantar e eles o degustaram lentamente, conversaram e sorridentesaproveitaram aqueles doces momentos. Terminando o jantar, foram para o quarto aprontar-se para obaile. Ian vestiu sua roupa nova e elegante, brigando com a gravata,como sempre. Jayne fechou-se no quarto de trajes, havia solicitado 23
  • 24. Paixões no Oeste – Vol. IIuma camareira do hotel para lhe ajudar com as vestes deverascomplicadas, ela já havia ido embora, mas Jayne ainda não havia saídodo quarto. -Jayne, está viva aí dentro? -Já vou sair, só mais um segundo. -Mulher, nós estamos atrasados. - disse olhando no relógiode bolso. -Mulheres e suas roupas. - resmungava impaciente enquantoarrumava o cabelo para trás. - quando Jayne saiu do quarto Ian aolhou dos pés à cabeça, ficou petrificado. Ela parou e ficou olhandopara ele com um sorriso. -Minha nossa! - disse boquiaberto. Jayne deu uma voltinha fazendo charminho, para que elevisse o belíssimo vestido vermelho com o corpete estruturado e umapequena manga fofa, mas que deixava seu colo e ombros nus, asancas traseiras fofas em tufos de tecidos lhe deixava com a silhuetabem marcada e elegante, e completando o seu inebriante visual, usavauma luva longa de cetim branco, ela ergueu uma parte dos cabelospara trás deixando alguns cachos definidos lhe caírem pelas costas. -Então, gostou? -Jayne... Você está deslumbrante. - ele foi até ela e a olhavacom um olhar mais apaixonado que nunca. -Você é a mulher maislinda que eu vi. - disse extasiado e beijou a sua mão. -Obrigada. Você também está lindo e elegante, parece umLorde. - disse o olhando com admiração e ajeitando sua gravata. -Eu tenho um presente para você, ia lhe dar depois, mas achoque vai combinar com seu vestido. Quer dizer, eu acho, não entendomuito bem destas coisas. -O que é? Ian pegou sua maleta, pegou uma caixa de veludo de dentro efoi à frente dela a abrindo. -Meu Deus! Ian... É maravilhoso. - disse passando os dedosnos brincos e num colar que faziam jogo. -Isto é rubi de verdade? -É. -Onde conseguiu? Isso vale uma fortuna. -Há tempos eu queria lhe dar um presente assim e acho queesta seria uma boa oportunidade para usá-lo. Ian retirou o colar da caixa e colocou em seu pescoço, Jaynetirou os brincos que estava usando e colocou os que ele deu. Olhou-se no imenso espelho com uma grossa moldura de madeira talhada 24
  • 25. Paixões no Oeste – Vol. IIsuspensa num cavalete. Ele estava atrás e a contemplava no espelho. -São lindos... -Você parece uma princesa. Ela se virou para ele e suspirou. -Obrigada meu amor... -Eu te amo. - disse sorrindo e acariciando seu rosto. -Eu também, mais do que você possa imaginar. Esta viagemestá sendo muito preciosa para mim. Beijaram-se e se deram um abraço longo e amoroso. -Vamos minha querida, estamos muito atrasados, os rapazesdevem estar tendo ataques lá embaixo. - disse dando o braço a ela. Desceram as escadarias e foram até o saguão do hotel ondeWillian e David estavam conversando, já impacientes. Quandoolharam para os dois ficaram embasbacados os olhando se aproximar. -Minha nossa senhora! - David disse espantado. -Com todo respeito, Jayne, você está linda! - Willian disse. -Obrigada, rapazes. -Minha mulher não parece uma princesa? -Parece. Eu estou impressionado! Nunca vi uma princesaantes, mas deve se parecer com isso. - todos riram de Willian. -Vocês também estão muito bonitos e elegantes rapazes. -eles ficaram bobos sorrindo. -Mas se comportem. Dois homensbonitos assim numa festa sozinhos, hum... É um perigo. -Perigo por quê? - David perguntou meio inocente. -Ora David, deixe de ser tapado, ela está se referindo a todasas mulheres da festa que vão cair aos nossos pés. - Willian disse rindo. David soltou uma gargalhada estrondosa. -Pode deixar Jayne, vamos nos comportar, afinal somoshomens muito bem casados. - David disse. -Vamos então, o cocheiro já está esperando a um tempão. -Willian disse. Logo que entraram na festa chamaram a atenção. A presençados três homens belíssimos e Jayne deslumbrante com sua roupa ebeleza, resplandeceu na entrada principal do salão. Muitos os olharame algumas moças vendo os três rapazes, cochichavam colocando amão na frente da boca. Alguns homens a olharam, admirando a suabeleza e porque não dizer, a cobiçando. O anfitrião da festa, um doshomens mais ricos da cidade veio recepcioná-los. 25
  • 26. Paixões no Oeste – Vol. II -Boa noite, sejam bem vindos. Sr. e Sra. Buller, correto? -Sim, Sr. Adams, é um prazer conhecê-lo pessoalmente. -disse Ian estendendo-lhe a mão e ele a apertou. -Sra. Buller. - disse beijando sua mão. -Estou encantado, suabeleza ofuscou todo o salão. -Obrigada. Sr. Adams estendeu a mão para David. -Sr. Stweart? -Sim. Prazer em conhecê-lo. -E o senhor deve ser Sr. Jonhson. São de West Side? -Sim. É um prazer senhor, obrigado pelo convite. -Por favor, fiquem à vontade. Peter vai levá-los até sua mesa,o champagne está sendo servido, espero que apreciem a noite. -Obrigado. - Ian disse. O garçom os direcionou a uma mesa que ficava numa daslaterais e sentaram-se. Outro garçom já veio servir o champagne emsuas taças. Os quatro conversavam animados e alguns canapés eramservidos enquanto alguns casais dançavam. -Eu acho que devíamos ter trazido Emily e Mary, elas iriamadorar isso aqui. - Willian disse. -Também acho. - David disse. -Vocês não foram persuasivos como meu marido. - Jaynedisse rindo para eles meio debochada. -É. Ian é sempre persuasivo demais. -Pelo menos agora eu estou bem acompanhado, enquantovocês estão aí largados, seus panacas. -Falou tudo. - David disse. -Olhem e aprendam seus bobos. - Ian disse rindo. -Você deveria fazer uma cartilha com instruções, não somoscomo você. - todos riram. -Vamos fazer um brinde, já que agora não adianta reclamar,pelo menos aproveitem a festa. -Ah vou mesmo! Pois acho que nunca mais na vida irei a umafesta como essa. Brindaram e conversaram enquanto degustavam os canapés ebebiam o champagne. -Vou dar uma volta. Vamos David, desgruda destes canapés,parece que não jantou. 26
  • 27. Paixões no Oeste – Vol. II -Ai, mas isso é bom demais. -David, eles podem revistá-lo na saída, não enfie canapés nosbolsos. - Ian disse rindo. -Ah engraçado, também não sou morto de fome. -Vamos, homem! - Willian disse puxando o braço de Davidque enfiava mais um canapé na boca. -Está gostando da festa? - Ian perguntou olhando para Jayneamorosamente. -Amando. - disse passando os dedos no rosto dele. -Se eu soubesse a convidaria para dançar, mas me perdoe, eunão sei. -Tudo bem meu amor, mas nós poderíamos nos mexer umpouquinho, não precisamos dar um baile aqui, não é? -Verdade. Afinal, nós merecemos experimentar tudo quetemos direito e odiaria ver você ficar aqui sentada. - Ian ofereceu suamão a ela e levantaram, distanciaram-se só um pouco das mesas. Elea envolveu pela cintura e segurou sua outra mão e lentamente foramdançando e olhavam-se nos olhos. -Viu? Está dançando. - disse sorrindo para ele. -Estou tão feliz, Jayne. Você nem imagina o quanto. -Eu também. Parece um dos contos de fadas da Angel. -Ah sim! Aqueles em que o príncipe vai salvar a princesa emperigo e vivem felizes para sempre, dançam num baile num castelo,enfim... - concordou rindo. -Exatamente. Você é meu príncipe que me salvou, moramosnum lindo castelo e estamos dançando num baile. -Perfeito, minha princesa! - eles dançaram por mais algunsinstantes. -Todos os homens estão olhando para você. -Estão olhando para o casal mais feliz da festa, só isso. -Sr. e Sra. Buller, que bom vê-los aqui. - Sr. Fergson disse seaproximando. -Que bom revê-lo. -Sra. Buller... - disse beijando a sua mão. -Está esplendorosaesta noite. -Obrigada. -Sr. Buller, em outras circunstâncias eu a roubaria do senhor.- os três riram. -Será que o Sr. me permitiria uma dança com a suaesposa, com o maior respeito, por favor. - Ian olhou para Jayne. 27
  • 28. Paixões no Oeste – Vol. II -Claro. Sr. Fergson foi dançar com Jayne. Era um senhor de idade,cabelos totalmente brancos, muito gentil, riquíssimo e viúvo. Tinhatítulo de Conde, mas detestava que o chamassem assim. Era inglês ehá alguns anos mudou-se para os Estados Unidos, ainda esbanjavafortemente o sotaque britânico. Já havia feito alguns negócios comIan e era agradabilíssimo de conversar, adorava contar histórias. Ian foi até a mesa pegando a taça de champagne, tomou umgole e ficou olhando para eles, admirando Jayne de longe. Seucoração estava tão abarrotado de amor por ela, que parecia quetransbordava pelos seus olhos que brilhavam como estrelas. Eleolhava para ela que ria das conversas de Sr. Fergson. Jayne enquantodançava, de vez em quando buscava os olhos de Ian, pois se para eleera difícil parar de olhá-la, para ela era impossível, sorriram um para ooutro e Ian deu um beijo na sua aliança para que ela visse, fazendo-asorrir encantadoramente, e seus olhos brilharem ainda mais. Nãohavia uma pessoa que estava por perto que não reparasse nos dois.Ian os observava dançando tomando seu champagne e estava comum pequeno sorriso no canto da boca, admirado de como o sorrisodela iluminava aquele salão. Foi interrompido de seu devaneio poruma voz feminina ao seu lado. -Boa noite Sr. Buller. Ian olhou e reconheceu a mulher. -Srta... Austin, não é? -Sim, boa memória. O que faz aqui sozinho? -Não estou sozinho. -Eu sei, mas sua esposa creio eu, está dançando com outrohomem, será que poderíamos dançar também? -Perdoe-me, mas eu não sei dançar como eles. -Não faz mal, eu também não sou exímia dançarina. Ian quis negar, mas ela insistiu, e sem querer ser rude foidançar. Conversaram e dançaram por alguns minutos, ela o olhavacom olhar penetrante, que parecia querer entrar pelos seus olhos. Ian,evitava a olhar diretamente. -Está constrangido ou não consegue me olhar? -Desculpe, eu sou meio tímido. -Adoro homens tímidos, são intrigantes. -Senhorita Austin, está sozinha aqui na festa? 28
  • 29. Paixões no Oeste – Vol. II -Sim, mas poderia não estar. -Realmente poderia. Há muitos homens sozinhos, a senhoritapoderia estar dançando com algum deles. -Hum... Mas eu queria dançar com o Sr. -Fico lisonjeado, madame. -Você é muito bonito, seus olhos são exóticos. -Obrigado. A Senhorita também é bonita. - a músicaterminou e iniciou outra. -Srta. Austin, obrigada pela dança, maslamento, eu tenho que ir. -Não vá, por favor, vamos dançar mais uma... - disse osegurando pela mão. -Teremos a dança marcada. -Desculpe-me, eu não sei dançar, com licença. - Ian beijou amão dela e saiu deixando-a, sentia-se constrangido. Foi até Jayne e Sr.Fergson que estavam do outro lado do salão conversando com Davide mais dois homens e riam animados. -Oi amor, tudo bem? - Jayne disse envolvendo seu braçoquando ele chegou ao seu lado. -Desculpe, estava conversando. -Estava dançando que eu vi. - disse sorrindo para ele dandoum olhar de que estava com uma ponta de ciúmes. -Sim, mas sou péssimo nisso. -Quem é a dama? -Uma admiradora de cavalos. -Hum... Eu acho que ela estava admirando você. -Meu amor, não precisa ficar com ciúmes. - ele a pegou pelacintura dançando aos passos lentos com ela. -Não tenho olhos paramais ninguém, nem consigo parar de olhá-la. Aliás, eu sairia daquicom você agora mesmo. -Se quiser, podemos ir. Eu somente quero ficar com você,não importa o lugar. Ian sorrindo deu-lhe um beijo na testa. -Então vamos, eu acho que já impressionamos o bastante. Despediram-se de Sr. Fergson e dos rapazes. -Já vão? Mas é cedo. - David disse. -Vocês podem ficar, aproveitem a festa. Falando nisso ondeestá Will? - Ian perguntou. -Não sei, deve estar por aí. Foram despedir-se de mais algumas pessoas conhecidas e do 29
  • 30. Paixões no Oeste – Vol. IIanfitrião. Encontraram Willian conversando com uma moça e foramaté eles. -Willian, estamos indo. - ele espantado os olhou. -Oi, mas já? - Ian olhou para a moça e fez uma cara que aconhecia. -Ian, lembra-se da Jessy Jacob? - Willian disse sem jeito. -É claro, como vai? Quanto tempo eu não a via. -Bem obrigada. Sim, muito tempo. -Esta é minha esposa, Jayne. -É um prazer conhecê-la Sra. Buller. -O prazer é meu. - Jayne disse a observando. -Ham... Daqui a pouco eu também já estarei indo. - Williandisse meio sem jeito. -Boa noite então, prazer em revê-la Srta. Jacob. - Ian disse. Ian e Jayne retiraram-se e foram para o hotel, enquantoestavam no coche Jayne meio intrigada perguntou. -Quem é aquela Jessy? -Hum... Eu sabia que ia perguntar. É uma ex corte de Willian. -Ex corte? Ele parecia muito sem jeito quando nos viu. Nãoé muito fácil encontrar ex cortes, Ian. -Meu amor, não se preocupe, são só amigos, e acho que eleficou sem jeito porque você é irmã da Emily. Aliás, nem vá comentaruma coisa destas, ela pode ficar com ciúmes. -Ela deveria ter ciúmes desta mulher? -Não. Mas vocês mulheres adoram fazer um drama, então émelhor não colocar chifres na cabeça de cavalos. -Drama? Eu nunca fiz drama por causa de ciúmes. -Porque eu nunca dei motivos. - disse sorrindo. -Hum... Porque eu confio em você, mas hoje eu poderia terfeito um. -Não, não poderia porque eu não dei nenhum motivo paraisso, ou dei? -Não. Mas aquela dama estava louca para dar um motivo. Chegando ao hotel desceram do coche e foram para o quartopegando a chave na recepção. Ian começou a tirar o paletó e a gravatae jogou sobre uma poltrona, abriu alguns botões da camisa para ficarmais a vontade e tirou os sapatos. Jayne entrou na saleta de trajes efechou-se lá. Ele havia pedido na recepção para trazerem uma garrafade champagne e bateram na porta para entregá-la, e ele calmamente 30
  • 31. Paixões no Oeste – Vol. IIserviu nas taças. Jayne saiu da saleta e Ian a olhou petrificadonovamente. Ela estava usando um lindíssimo penhoar de seda brancaque ele nunca havia visto e propositalmente deixou as jóias e oscabelos soltos. Jayne andou calmamente com um leve sorriso norosto e pegou uma das taças que ele estendeu a ela. -Isso é... Novo... - ele disse meio aturdido. -Sim, eu comprei para você. -Minha nossa! - disse boquiaberto e fazendo cara de espanto.-Um brinde a nós, e ao nosso amor. - brindaram e beberam. Ian abeijou ainda segurando a taça na mão. -Você está irresistivelmentesedutora. -Posso seduzi-lo? - disse chegando seus lábios junto aos delequase os tocando, o incitando ao beijo provocadamente, mas semtocá-los. Ian sentiu que seu corpo todo pegou fogo e fechou os olhospor um segundo. Pegou as taças e colocou na mesa e a abraçoubeijando-a, fazendo com que sua respiração mudasse de ritmo. Jaynecom seu corpo foi empurrando-o para trás até chegarem à beira dacama, ela o soltou e com as mãos lentamente o fez se sentar. Jaynevagarosamente foi abrindo o penhoar revelando a camisola de sedalonga com detalhes de renda francesa no decote que sutilmente lherevelava o corpo. Ian olhou para ela de cima abaixo e pensou que seucoração pararia de bater. -Você vai me matar desse jeito. -Esta é a intenção, mas só se for de amor. Ian levou as pontas dos dedos até seu pescoço e foi descendolentamente delineando sua silueta. Seus dedos deslizavam pela sedamacia e Jayne sentia o toque sutil em seu corpo fazendo-a estremecer,ele foi descendo as duas mãos pelas suas pernas e as subiu novamentelevantando a camisola até suas coxas, Jayne sentou de a cavalo sobreas pernas dele o abraçando. -Eu te amo, Jayne... -Eu também te amo, amo, amo... Beijaram-se afogando as palavras que desapareceram porcompleto, ele a girou lentamente a deitando na cama, indo sobre ela.Ian beijou cada parte de seu corpo lentamente e Jayne sentia seuslábios e suas mãos tocando-a que a fazia gemer de prazer. Ele estavatão enlouquecido por ela que a tocava de uma maneira intensa, como 31
  • 32. Paixões no Oeste – Vol. IInão havia feito antes e Jayne também o fazia, deleitando-se com ocorpo perfeito dele, beijando sua pele macia, delineando seusmúsculos rijos e torneados. Diziam que uma mulher não poderiasoltar tais barulhos, era indecente, mas Jayne não estava interessadaem céu e inferno naquele momento e Ian muito menos, ele sabia queela era ousada e gostava disso, pois ela era dele, se permitiam serintensos um com o outro, isso os fascinava, os excitava mais.Amaram-se perdidamente, como se eles quisessem marcar cadamovimento, cada toque em suas memórias. Entregaram-se àquelapaixão que os queimava, sentiam-se intensos e arrebatados um pelooutro. O que estavam sentindo era tão profundo que lhes chegavadoer. As sensações traziam o gemido de ambos, que eram abafadospor intensos beijos. Seus movimentos eram como uma dança,perfeita harmonia, quando seus olhares se cruzavam eles tinham asensação que podiam ver a alma um do outro. Estavam completos,rodeados de uma aura de felicidade e do mais intenso amor. Naquela noite não queriam dormir, não queriam que aquiloacabasse nunca, amarem-se entre os lençóis era melhor que qualquersono. Dormiram tarde e pouco, mas nem se sentiam cansados, oamor lhes dera uma essência de vitalidade, o suficiente para que ascarícias lhes acendessem para que tudo recomeçasse novamente. Eraimpossível para eles ficar sem tocar-se, um fazia parte do outro, nãohavia regras, tabus, medos, vergonha, hora. Eram completos eperfeitos, nunca um recusara-se entregar-se ao outro, jamaisconseguiriam deixar de unir-se, pois o desejo que ambos sentiamfazia crescer mais e mais, eram duas metades que precisavam estarunidas, e aquele estranho sentimento de sentirem falta um do outroque lhes vinha rondando ultimamente, intensificou-se naquelasdemonstrações de amor e afeto. Precisavam estar juntos. Quando eraalta madrugada, se entregaram ao sono e dormiram profundamente eabraçados. Jayne acordou antes que ele e sorriu quando o viu dormindocom a cabeça sobre sua barriga. Ele pegou este costume há algumtempo, ele ficava naquela posição e Jayne ficava lhe acariciando oscabelos e conversavam, muitas vezes ele adormeceu daquela maneira.Então, à vezes ela o pegava fazendo a mesma coisa dormindo, ele seatravessava na cama deitando-se com a cabeça na sua barriga, comose involuntariamente esperasse que ela lhe acariciasse os cabelos. 32
  • 33. Paixões no Oeste – Vol. IISorrindo ela os acariciou retirando algumas mechas que lhe caiam norosto e ela pode observá-lo sereno a dormir. Como o achava lindo.Sem querer acordá-lo, levantou-se devagar e repousou sua cabeçanum travesseiro para que ele dormisse mais um pouco. Vestiu openhoar e olhou as horas no relógio de bolso de Ian. O camareirobateu à porta e alguns homens providenciaram o encher da banheirae também um café da manhã, com frutas, pães, café e suco,arrumaram tudo e saíram. Ela colocou algumas guloseimas em umabandeja e levou até a cama. -Hora de acordar meu amor. - sussurrou em seu ouvido e obeijando suavemente. - Ian sem abrir os olhos sorriu e resmungoualguma coisa. -Se você não acordar vou ter que tomar o café e banhonaquela banheira enorme e quentinha sozinha. - tentou novamentesussurrando. Ian automaticamente abriu os olhos sorrindo, moveu-sena cama e espreguiçou-se. -Hum... Foi o café ou a banheira que o fezacordar de vez? -Os dois. - disse a puxando para que se deitasse sobre ele. -Bom dia, dorminhoco. -Bom dia. Eu estava com saudade. -Saudade, de que? -De beijá-la. -Ah isso eu também estava. Os dois beijaram-se docemente e sentaram na cama edeliciaram-se com o café e riam fazendo brincadeiras com a comidaum com o outro. -Temos que tomar banho para irmos, senão nós vamos nosatrasar, não podemos perder as apresentações. - Jayne disse. Ian pegou o relógio e olhou as horas. -Temos tempo, ainda dá para nós aproveitarmos bem aquelabanheira. - disse com uma carinha maliciosa. -Hum... Isto tudo está ficando cada vez melhor. - disse rindo. Ian a pegou no colo e foi até a banheira, a despiu e entraramna banheira juntos. -Jayne... A noite passada foi a mais incrível que eu já tive. -Para mim também foi. - ele a olhou estranhamente, pareciaque queria dizer algo. -O que foi, Ian? Você está estranho. - ela disseacariciando seu rosto. Ele segurou a sua mão, beijou sua palma e a colocou em seu 33
  • 34. Paixões no Oeste – Vol. IIpeito, ela pode sentir seu coração bater descompassado. -Você foi feita para mim, nunca pensei que pudesse desejartanto uma mulher como desejo você, como eu amo você. Quando euestou nos seus braços, este é o único lugar que eu quero estar. Jayne o ouvia e seu coração bateu fortemente, amava aquelehomem perdidamente. Ela o beijou com um nó na garganta e sentiaque seus olhos estavam inundados pelas lágrimas, mas eram de tantafelicidade, que parecia estar transbordando por seus olhos. -Eu nunca quero me afastar de você. Se um dia eu o perdesseacho que eu morreria de tristeza. Prometa que sempre estará comigoIan, prometa. -Eu prometo. Você nunca vai me perder, Jayne. Abraçaram-se e beijaram-se fortemente, seus sentimentosestavam mais intensos que nunca, eles sentiam medo de perderem-see inexplicavelmente estavam com aquele sentimento no peito. ** Na apresentação dos cavalos, havia jurados que analisavamtodas as categorias cabíveis aos garanhões. Porte, marcha, pelagem,certificado de linhagem, uma avaliação médica perita, enfim, todos osrequisitos deveriam ser analisados. Todos os cavalos faziam suapassagem pelos jurados um a um guiados por um encarregado econtinham um número, a apresentação era feita pelo microfone porum locutor que dava as descrições de cada cavalo e atiçava a platéiaque os via. Thor e Diamante estavam com as notas mais altas e todosestavam ansiosos pelo resultado que sairia no outro dia. -Ian, eu acho que vamos conseguir premiação para os dois! -Eu também acho e isso é maravilhoso! -Esperar até amanhã será uma tortura. - Jayne disse eufóricaenquanto iam de encontro aos seus cavalos. -Muito bem, meu rapaz,estava lindo! - dizia sorrindo e acariciando a cara de Diamante. -Estou muito satisfeito. Mesmo que nós não ganhemos oprimeiro lugar, com certeza Diamante será o segundo. Mas agoravamos almoçar que já passa das duas e eu estou morrendo de fome. -Eu também. A hora passou e eu nem me dei conta. -Depois podemos ir ver o mar, o que acha? -Acho perfeito. Foram almoçar e depois à praia, ela estava vazia e o som dasondas parecia um cântico aos seus ouvidos. Ambos pararam na areia 34
  • 35. Paixões no Oeste – Vol. IIsentindo a brisa marítima. -Quanto tempo que eu não via o mar. A última vez que o vi,nem percebi sua beleza. - Jayne disse olhando as ondas quebrarem. -Por quê? -Porque quando estive aqui estava atrás de Edward e Angel,sentei-me na areia e apenas fazia chorar. Nem percebi como o mar étão lindo, não conseguia nem ouvir este som do estrondo das ondas. Ian a abraçou por suas costas, colocando seu queixo sobreseu ombro e Jayne cruzou seus braços sobre os dele. -Isso passou meu amor. Agora você pode ver o mar comoutros olhos. -Verdade. Com você aqui, isto parece o paraíso. -Eu vim aqui quando era bem jovem com os rapazes, foi amaior aventura e loucura que já fizemos juntos. Andar por aí semrumo, e aqui no mar, brincamos como crianças. Foi muito bom.Acho que foi a única vez que fiquei longe de casa por tanto tempo. Equando voltei, estava tudo um caos. Depois nunca mais saí para tãolonge. Primeiro, eu queria fugir dali, não aguentava ver a casa quemeus pais viviam e depois foram mortos. Senti raiva daquele lugar,mas quando fiquei longe, me dei conta que ali é minha casa, minhasraízes, não sei viver longe daquilo. Por isso às vezes quando vejo ascoisas que você gosta, tenho medo que sinta falta. -Eu não sinto falta de nada. - disse se virando e olhando paraele. -Gostar de alguma coisa e não poder ter naquela hora, pode nãosignificar nada. Eu tenho tudo que preciso, você e meus filhos.Somos abençoados Ian, temos tudo. Não pense estas coisas, que mefalta algo, porque não falta. E além do mais, o que conquistamos foijuntos, se estamos aqui hoje e podemos ter o luxo de comerespeciarias, tomar champagne, foi porque trabalhamos juntos comoloucos para isso. Vamos poder dar aos nossos filhos um futuro lindoe feliz e eu adoro a fazenda, eu não sairia de lá por nada deste mundo. -Você tem razão. Acho que nos acostumamos com os gostosdos outros. Eu acabei gostando de coisas que você gosta e você comcoisas que eu gosto. -Verdade. -Quando você esteve aqui, por acaso entrou no mar? -Não. -E você gostaria de entrar? 35
  • 36. Paixões no Oeste – Vol. II -Até gostaria, mas podemos voltar outra hora e comprar umaroupa de banho, pois não às temos. -Roupa de banho? - disse fazendo cara de más intenções. Jayne pelo olhar safado dele, percebeu logo sua intenção. -Não, não Ian... - Jayne saiu correndo gritando e ele foi atrásdela a agarrando e a pegando no colo, ela batia os pés e gritava, elerindo foi para o mar e se jogou com ela nos braços sobre as pequenasondas. -Ian, seu maluco! -Como pensa vir aqui e não cair na água? - disse segurando-apela cintura e levantando-a. -Meu Deus, como é bom! -Eu não disse? - abraçaram-se e riram muito, brincaram naágua como duas crianças, até cansarem, depois saíram do mar, caíramna areia rindo e Ian a beijou. -Você está salgada e cheia de areia. -Aham, eu pareço o peixinho empanado que nós comemosno almoço. - riram. -Você vai ter que deixar as calças para pagar ocoche que está ali há horas nos esperando. -Vai ser divertido voltar para o hotel sem calças. - riram. -Mas o dinheiro que está no seu bolso está todo molhado. -Nossa, é verdade! -Que inconsequente. -Não faz mal, não era muito. Quando chegarmos ao hotel eupago o cocheiro, mas valeu à pena esta loucura toda. - disse rindocompletamente feliz se jogando de costas na areia e olhando para océu azul com um sorriso no rosto. -Verdade, foi ótimo. - disse Jayne, suspirando e sentindo norosto os raios do sol. Jayne se virou e foi por cima dele e o beijou. -Não íamos voltar para a exposição? -Íamos, mas vamos amanhã, hoje só quero ficar com você. Eagora está tarde e teríamos que tomar banho e trocar de roupa. -Pois veja o que você fez. -Não me provoque, senão a jogo de novo na água. Jayne ficou deitada sobre ele com a cabeça em seu peito e eleestava abraçado a ela. -Ian, nossos filhotinhos iriam adorar o mar. -Então teremos que trazê-los aqui algum dia. -Nós quatro aqui, iria ser maravilhoso. -Então vamos providenciar isso. 36
  • 37. Paixões no Oeste – Vol. II Ian pegou na cintura dela fazendo cócegas para que ela saíssede cima dele, levantaram rindo e desgrenhados da água e areia. Foramaté o coche tentando se alinhar e voltaram para o hotel, ficaram umpouco constrangidos, mas riam quando as pessoas os olhavamcochichando daquele estado deplorável que se encontravam. Sentiam-se adolescentes em sua vida apaixonada e madura. Foram para a salade banho banhar-se e colocar roupas limpas, encontraram-se comDavid e Willian para jantar e depois todos foram descansar. ** Willian e David estavam acomodados no mesmo quarto, equando voltaram do jantar, David se jogou na cama afofando ostravesseiros e olhou para o amigo que andava de um lado a outro.Estava aparentemente nervoso, com o semblante meio transtornado. -Willian, quer parar de andar. -Estou nervoso. -Por quê? Você está esquisito o dia inteiro, está tentandodisfarçar principalmente quando Jayne está por perto, mas eu oconheço como a palma da minha mão. Por que está assim? -Nada David, nada. -Olha só... Eu não sou cego, isso tem haver com a Jessy.Onde vocês foram ontem que você sumiu do baile? -David, eu não quero falar sobre isso. -Willian, pode falar para mim, eu não vou falar para ninguém.Pode confiar, se você está confuso, quem sabe eu posso ajudar. -É que nem eu mesmo sei o que pensar David, então medeixe quieto. -Encontrá-la o deixou neste estado? Teve uma recaída? -Ela mexeu com minhas idéias, eu não sei o que fazer. -Will, eu estou besta! E Emily? Pensei que era louco por ela! -E sou David, eu sou. Amo Emily! -Mas então, homem, o que está querendo fazer? Vai colocarem risco perder o que construiu com Emily, por causa da Jessy?Depois de tanto tempo, não achei que teria uma recaída destas. Nemsabia que gostava tanto da Jessy para se abalar desse jeito. -Não é uma recaída, David. Só que ela me deixou atordoado,ela me disse umas coisas que me viraram do avesso. -Que coisas, Will? Você ficou com ela ontem? Quando eu fuiprocurá-lo para virmos embora, não o encontrei, vim para cá e você 37
  • 38. Paixões no Oeste – Vol. IInão estava, nem vi você chegar. -Eu não devia tê-la deixado na época, na verdade eu devia terme casado com ela. -Meu Deus! O que está dizendo? Homem, se você dormiucom ela, deixe isso para lá, esqueça isso e o assunto morre aqui. Issonão pode ter importância, mas eu não estou entendendo por que issoo deixou neste estado. -Vou sair. Ele virou as costas e saiu porta afora. -Willian, volte aqui! - mas ele não deu atenção. ** Estavam nervosos e eufóricos esperando o resultado dapremiação. Anunciaram o quarto lugar e nada dos seus cavalos.Quando anunciaram o terceiro, que eles estavam esperando que fosseThor, chamaram Astor. Os quatro gritaram e se abraçaram, isso jásignificava que Thor e Diamante receberam os dois primeiros lugares. -Ai meu Deus, eu não acredito! - Jayne pulou no pescoço deIan e ele a ergueu do chão e a rodou. David e Willian os abraçaram cumprimentando-os felizespela conquista. Ian e Jayne ficaram numa felicidade tal que nãoconseguiam parar de rir. Foram chamados para receber os prêmios etodos os aplaudiam e eles ficaram posicionados do lado de seuscavalos. Diamante ficou com o primeiro prêmio e Ian o recebeu eJayne recebeu o segundo de Thor. Todos foram cumprimentá-los, foi um momento de imensaalegria. Ian e Jayne estavam tão sorridentes que nem cabiam em si,abraçaram os seus cavalos demonstrando todo o amor e respeito quesentiam por eles. -Isto merece uma comemoração de primeira. - Willian disseabraçando os dois. David muito sorridente também os abraçou,parabenizando-os novamente. -Sim, hoje vamos comemorar em grande estilo. - Ian disse. -E o que vamos fazer para comemorar? -Podíamos, jantar no restaurante do hotel, podemos convidaralgumas pessoas e fazer uma festa, o que acham? Por minha conta. -Ian disse animadamente. -Acho ótimo! - disse Jayne. Conversaram com as pessoas que queriam convidar para o 38
  • 39. Paixões no Oeste – Vol. IIjantar e foram para o hotel, levando a grande soma em dinheiro quereceberam pelos dois prêmios. Chegando lá, Ian e Jayne foram falarcom o gerente para que colocasse o dinheiro no cofre, seria maisseguro. Conversaram com o métre para que preparasse um jantarespecial para seus convidados e disse quantas pessoas estariampresentes, para que providenciassem tudo de acordo, depois forampara seus quartos. Jayne tirou o chapéu e o colocou na mesinha, nemconseguia parar de sorrir por um instante. Ian parou perto da cama eolhava para ela rindo com as mãos na cintura, seu rosto estava tãoiluminado pela felicidade que parecia que um raio de luz pairavasobre ele. Jayne o olhou dando um imenso suspiro de satisfação. -Nós conseguimos, Jayne! - disse orgulhoso e extasiado. Jayne gritou e correu, pulou nos braços dele colocando suaspernas enroscadas na sua cintura e o abraçando pelo pescoço. -Meu amor, eu estou orgulhosa! Você merece isso. -O mérito é nosso, meu amor. Nós conseguimos, juntos. Beijaram-se rindo. Ian se jogou na cama e os dois rolarampela cama rindo e se beijando e na empolgação rolaram cama abaixose estatelando no chão, fazendo-os gritar e rir mais ainda. -Pelo jeito, nem esta cama deste tamanho consegue conosco!- Ian disse se matando de rir. -Ai... Isso doeu! - ela disse rindo e fazendo cara feia. Beijaram-se, perdendo-se naquele momento tão feliz. Maistarde, todos foram reunindo-se no restaurante e seus convidadosforam chegando e os cumprimentando alegremente. Champagne eraservido livremente e degustaram o delicioso jantar. Conversaram eriram noite adentro, foi uma linda recepção, tal festa que Ian jamaispensou que ofereceria a convidados ilustres em sua vida, estavasentindo-se importante e orgulhoso de si mesmo e de sua esposa enão escondia isso de ninguém. Os amigos que os haviam contatadospara as procriações anteriormente à premiação, reforçaram seuspedidos satisfeitos com os resultados dos seus cavalos. Sr. Callahanque também foi convidado interessou-se pelo gado de David eWillian e prontificara-se a ver seus rebanhos para comprá-los,deixando-os felicíssimos. Sr. Fergson contava histórias engraçadasfazendo todos rirem. Outros convidados como Sr. Adams e suaesposa eram mais reservados, mas agradabilíssimos e se divertiramcom tudo. David, sempre risonho arrancava gargalhadas de suas 39
  • 40. Paixões no Oeste – Vol. IIpróprias gargalhadas que contagiavam todo mundo. Foi uma noiteimpecável e agradável a todos. Ao tardar da noite, os convidadoscomeçaram a ir embora se despedindo alegremente. Mais uma noitefeliz passara-se. Willian tentava manter-se calmo para não dar na vista, masseu nervosismo estava aparente e David tentou conversar com elenovamente, mas ele não disse nada. Disse que estava bem e que logoestariam em casa e as coisas voltariam ao normal. David parou deinsistir, quanto ele quisesse falar, estaria ali para o amigo. Finalizada as questões sobre a exposição, ficaram mais doisdias para passear. Ian e Jayne passaram praticamente sozinhos amaioria do tempo restante, aproveitando seus momentos juntos, masforam com David e Willian à praia para admirar aquela beleza natural.Ficaram numa parte lateral da praia, colocaram uma toalha para quetodos ficassem sentados bebendo um vinho, aproveitaram o mar, aareia e muitas brincadeiras. Contaram histórias de quando elespassaram por ali. Jayne aproveitou todas as brincadeiras que Ian fazia,na verdade, ele estava com um bom humor maior que já vira. Ela oadmirava por aquilo, parecia um menino grande, às vezes tãoenergicamente sério, mas sem ser rude ou ríspido. Na verdade, a suaseriedade era tranquila e serena, falava calmamente até quando estavanervoso, poucas vezes o viu perder a calma ou alterar o tom de voz. Por um momento Jayne percebeu que Willian havia sumido,olhou ao redor e o viu sentado na areia distante deles e sozinho,olhava o mar e ela cutucou Ian o fazendo olhar. Ele franziu a testa,sabia que o amigo estava com problemas. -Eu vou falar com ele. - Jayne disse. -Querida, eu acho que não vai adiantar. -Eu já volto. - ela lhe deu um beijo e foi em direção a Willian. -David, Willian se envolveu com a Jessy, suponho. -Sim. Será que ele vai contar à Jayne, seria louco? -Ninguém resiste ao jeito manso da Jayne, se quiser, ela lheretira as tripas e você nem sente. David deu uma gargalhada. -É amigo... Você é um ferrado. -Sou! Mas sou um ferrado feliz. Ela me faz feliz, David! Maisfeliz que eu pudesse sonhar! Eu me orgulho dela e a amo muito. -Ah! Isso eu não posso negar, mas você precisa contar a ela. 40
  • 41. Paixões no Oeste – Vol. II Ian, ela precisa saber de tudo. -Um dia eu vou contar, somente não achei o momento. -Quanto mais esperar, pior pode ser. -Ela vai me entender, faço isso por ela e meus filhos. -Ian, eu não sei como isso seria visto por ela de bom tom. -David, você sabe o que isso nos causou, somente os queroproteger, Jayne vai querer o mesmo, eu a conheço. -Espero que sim, Ian. -Vocês prometeram, nunca vão falar nada. -Sim, nós prometemos. Fique tranquilo, nós vamos cumprir anossa promessa. ** Jayne chegando ao lado de Willian, sentou-se na areia. -Oi. - ela disse mansamente. -Oi. -Por que você está assim? Posso ajudá-lo? -Não. Eu estou bem, não se preocupe. -Willian, eu sei que você não está bem, está com algo lhequeimando a cabeça e sei que provavelmente não irá me contar, se ésobre o que estou desconfiada. -E posso saber do que está desconfiada? -Bem... Eu já o percebi estranho no dia do baile quando vocêestava com aquela moça e depois disso, você só piorou. -Não é nada, estou com saudades de casa. Quero voltar logo. -Você não quer contar-me o que houve? -Por que contaria para você que é mulher e minha cunhada. -Willian, eu sou irmã de Emily, mas também sou sua amiga,não sou? Não vou julgá-lo, eu prometo. Você sabe quanto sua famíliasignifica para você, não sou eu que tenho que lhe dizer isso. Masestou odiando ver você aí desse jeito, eu quero ajudar. -Estou atordoado. Estou me sentindo mal, por coisas que fiz. -Você traiu Emily, não foi? - perguntou com a voz suavetentando não o assustar. Willian a olhou e respirou fundo. -Foi. Ele mesmo não acreditou que confessou aquilo à Jayne, masde uma maneira que nem soube como, praticamente jogou para forao que estava entalado na sua garganta. Jayne sentiu seu coração gelar e mil coisas lhe passaram pela 41
  • 42. Paixões no Oeste – Vol. IIcabeça. Sentiu vontade de esbofeteá-lo, mas conteve-se, prometeuque não o julgaria, ela respirou fundo tentando manter a calma. -E por que você fez isso? - continuou com a voz mansa. Sedemonstrasse seu desapontamento ele pararia de falar. -Eu não sei, perdi a cabeça e eu fiquei bêbado. -Pelo jeito essa Jessy foi muito importante, você a conheciaantes de Emily? -Sim, eu gostava dela. Mas quando eu conheci a Emily meperdi completamente por ela, com seu jeito espevitado e sem tramelasna língua, e ela é tão linda. Encheu minha vida de alegria. -Sim, ela é assim mesmo, às vezes eu sinto vontade deestrangulá-la, mas ela é um doce pecaminoso. Então você percebeuque ainda ama Jessy? -Eu achei que a amava na época, Jayne. Mas ela era estranha,às vezes eu não entendia o que ela fazia. Eu disse a ela que eu queriafazer corte, me comprometer, mas ela não contou para ninguém,disse que seu pai e irmãos não permitiriam, e ela era muito nova. Masnós nos encontrávamos mesmo assim. Depois nós nos afastamos enos encontramos poucas vezes, aquilo era mais um flerte, eu tinha aimpressão que ela não me amava. Depois que eu comecei a cortejarEmily, Jessy veio me procurar, ela queria me contar alguma coisa, maseu não a deixei falar, estava eufórica e eu a cortei logo e disse que iame casar com a Emily, que não havia mais nada entre nós. -E o que ela fez? -Me deu um tapa na cara e foi embora sem dizer mais umapalavra, depois disso eu nunca mais a vi, ela foi embora da cidade, eunem sabia que ela estava aqui na Nova Califórnia. -Então quando você a encontrou aqui, reviveram o passado,beberam demais e foram para a cama juntos. -Foi. -E você está se sentindo culpado por isso? -Estou. Eu sei que não devia ter feito isso, mas tem algo queestá me matando de remorso mais ainda. -O que é? - disse meio descrente. -Isso ela só me contou depois, de manhã quando acordamos.Na época o que ela tinha vindo me falar era que estava grávida, queesperava um filho meu. -Meu Deus, Willian! 42
  • 43. Paixões no Oeste – Vol. II -Mas como antes que ela falasse algo, eu disse que amavaEmily e ia me casar com ela, Jessy não falou nada, simplesmente foiembora. Quando os pais dela ficaram sabendo da gravidez ela negou-se a dizer quem era o pai, ninguém sabia que nós nos encontrávamos.Então a mandaram para cá, morar com uma prima para ter o filho. -E seu filho Will, onde está? Você o viu? -Não. Ela disse que morreu quando tinha dois anos de idade,de pneumonia. Lágrimas correram dos olhos de Willian. Jayne viu a dor norosto dele e o abraçou. -Willian, eu sinto muito por tudo isso. Nem imagino comovocê está se sentindo. -Estou péssimo, estou sentindo remorso duas vezes. Nuncaimaginei que um assunto desses me deixaria assim. -Que bom que se arrependeu. Isso demonstra que é umhomem íntegro, mas dormir com essa mulher foi um ato vil Willian. -Ela foi extremamente sedutora, vocês mulheres sabem bemfazer um homem perder a cabeça. Mas depois ela me disse que fez depropósito, enchia minha taça o tempo todo, me envolvia com suaspalavras e eu tolo, caí. Quando eu perguntei por que ela quis dormircomigo depois de tudo, se deveria estar me odiando, ela respondeuque aquela era a sua vingança, me fazer trair minha mulher e aindafazer-me sentir culpado por tudo que ela passou. -E ela conseguiu... - acrescentou Jayne. -Conseguiu. -Mas Emily não merecia isso, você podia ter resistido. -Mas eu acho que eu aceitei porque também quis me vingarda Emily. -Como assim? O que ela fez? -Sempre aceitei as brincadeiras dela, relevei as bobeiras queela fala, mas eu ouvi a conversa de vocês no dia do aniversário dela. -Que conversa? -A do peão loiro lindo que trabalha para mim. - disse meioirônico a olhando de canto de olho. -Ai meu Deus, Willian! - disse lembrando-se daquele dia. -Eu preparei uma festa para ela, eu lhe comprei um presentecaríssimo, que era mais que eu podia pagar, eu ia pedir para que elaviesse comigo para cá, e é isso que eu ouvi, ela ficar se derretendo por 43
  • 44. Paixões no Oeste – Vol. IIum peão. -Jesus! -Como vê, ela não é tão certinha. Jayne nem sabia o que dizer a ele. Estava atordoada comtantas informações, nem sabia quem era culpado naquela história. -Você aproveitou a chance com a Jessy para se vingar daEmily, e Jessy aproveitou sua raiva para se vingar de você. Willian, eunem sei o que dizer-lhe e quem defender. Na verdade todos vocêssão culpados, todos fizeram coisas erradas. Mas Emily nunca traiuvocê, ela te ama, ela tem aquele jeito de ficar falando bobeiras, masela jamais ficaria com outro homem. -Como pode ter certeza, Jayne? Eu estou aqui e ela está lá,como vou saber se ela não ficou com ele. -E por que você não o mandou embora? -Eu mandei, tive vontade de matá-lo, mas não fiz nada, sódispensei os serviços dele, mas ele pode ter voltado lá. -Isso já é suposição. -Mas ela teria oportunidade. -E você deu a oportunidade, pois você poderia tê-la trazido. -É eu sei, mas eu quis ficar longe dela. Estava morto deciúmes e de raiva. Eu queria dar um tempo para que minha cabeçaesfriasse, e olha no que deu, piorei tudo e agora nem sei o que fazer,nem sei como olhar para ela, nem sei o que fazer com Jessy. -Primeiro você tem que descobrir aí no meio desta confusãoque está seu coração e saber quem você ama. -Eu amo Emily, a amo demais. -Então converse com ela sobre isso, conte a ela isso que vocêsente, o que aconteceu aqui, quem sabe ela para com estas bobeiras ete perdoe. Ela não faz por mal falar essas coisas, são só brincadeiras.Emily é destrambelhada, mas é uma mulher direita e uma boa esposa,boa mãe. Vocês têm um filho, cuide do seu casamento. -Eu sei Jayne, ela sempre foi tão boa para mim, dedicada ame fazer feliz, sei que ela me ama. -Então Will... -Trair no pensamento também é trair, Jayne. Eu me sentitraído, nunca sequer olhei para outra mulher depois que estou comela, e ouvir aquilo da sua boca foi como se eu tivesse visto eles sebeijando. Senti uma raiva por dentro que me partiu em dois. 44
  • 45. Paixões no Oeste – Vol. II -Concordo, mas vocês dois são culpados das besteiras quefizeram, então esclareçam tudo. Vocês têm um filho lindo Willian,têm uma vida pela frente, não estrague seu casamento por futilidades,mal entendidos, traições, isso vai destruir vocês. -Eu estou com medo de perdê-la, maldita hora que eu fuiencontrar Jessy, maldita hora. -Você a viu depois do baile? -Vi, fui falar com ela. Ela disse que nunca iria me perdoar,que a morte do nosso filho foi minha culpa, que eu não estava lá paraprotegê-los. Eu estou me sentindo tão sufocado que mal consigorespirar. Se eu tivesse me casado com ela, meu filho estaria vivo. -Calma Willian, não se culpe pela morte de seu filho, mesmoque você estivesse com ele, não o teria salvado. Você precisa esfriar acabeça, assim nervoso você não vai achar solução nenhuma. E sevocê tivesse se casado com ela, não teria Emily e Ethan. O queaconteceu com Jessy foi horrível, mas agora pense no futuro, não hámais nada que possa fazer para consertar as coisas do passado. Tenteconsertar seu casamento com Emily e viver em paz, cuidar de Ethan.Seria terrível levar em frente um casamento abalado, com estessentimentos horríveis que você está sentindo. Vamos, levante daí. -Jayne levantou e ofereceu a mão para que ele levantasse. -Eu não voufalar nada para a Emily, vou esperar que você esfrie sua cabeça e vocêmesmo resolva isso. Fale a verdade, abra seu coração, e somente aívocê vai saber o que vai acontecer. Se vocês se amam de verdade issovai ser perdoado, Willian. Ele deu um imenso suspiro tentando arejar a cabeça. -Obrigado, Jayne. -Eu vou ajudar vocês. Isso tudo vai passar, você vai ver.Venha, vamos almoçar, vamos beber alguma coisa, porque depoisdessa até eu preciso de um uísque, e tente se distrair, pare de pensarum pouco nisso que daqui a pouco as coisas vão começar a clarear evocê vai conseguir encontrar as soluções. Acredite em mim, pois viviisso, o passado nos consome, mas o futuro é que no faz viver. -É... Eu acho que você tem razão. -Bem... Vamos mudar de assunto. Eu tenho uma idéia, vocêtrabalha somente com compra e venda de gado, por que você nãotrabalha com reprodução? Você viu como eu e Ian nos demos bem,você também pode. 45
  • 46. Paixões no Oeste – Vol. II -Reprodução de gado? Não entendo como precisa ser feito. -Eu também não, não entendo muito de gado, mas creio quenão deve ser muito diferente de cavalos. Você deveria comprar unsdois touros de linhagem e começar a fazer isso. -Eles custam caro Jayne, eu não tenho dinheiro para isso. -Você vai vender seu gado agora, quem sabe o dinheiro dê, ese precisar eu e Ian ajudamos. -Você acha que daria certo? -Acho que pode dar sim, vou conversar com Ian e veremos oque dá para fazer. Mas acho uma boa idéia. Os dois foram encontrar Ian e David. -Parece que ela arrancou as tripas dele. - David brincoucochichando para Ian, os observando se aproximar. -Parece que sim. - os dois riram. ** Chegou o dia de irem embora, pegaram o trem para voltar àWest Side. Jayne, havia ido até a cabine trocar de roupa para oalmoço, enquanto Ian e os rapazes foram para o vagão restaurante epediram uma bebida, esperariam ela voltar para pedir o almoço.Mulheres trocarem de roupa, isso parecia mesmo uma demora quemerecia uma bebida. Naquele momento monótono, Ian olhou pelajanela e avistou homens a cavalo correndo pelas laterais do trem epulavam nos vagões. Assustado, ele avisou os rapazes, levantou e saiucorrendo para ir atrás de Jayne. Ela que estava saindo de sua cabine e voltando para o vagãorestaurante, foi surpreendida por um dos homens, que pareciaconhecê-la, a agarrou a jogando contra uma mesa. Jayne sem esperarpor aquilo gritou e arregalou os olhos fitando aquele homem queapontava a arma para seu pescoço. -Onde está o dinheiro? - ele gritou. -Que dinheiro? -Não se faça de desentendida Sra. Buller, eu quero o dinheirodos prêmios. -Não sei do que está falando... -Eu a vi na exposição, a Senhora e seu marido ganharam doisprêmios, eu quero o dinheiro. -Não está comigo. -Ah não? E com quem está? 46
  • 47. Paixões no Oeste – Vol. II -Está no cofre do trem, na cabine central. Pode pegar, se seucérebro conseguir abrir um, seu idiota. -Hum... Algumas dinamites podem resolver isso. Vamos... O homem agarrou Jayne pelo braço e a puxou com todaforça quase o arrancando, mas desvencilhou-se dele e deu-lhe umajoelhada, o homem contorceu-se e ela abriu a porta, passou para ooutro vagão e quando tentava fechá-la, ele se jogou contra elaabrindo-a violentamente fazendo Jayne cair no chão com o baque.Ele a puxou pelo braço levantando-a. -Você quer morrer, mulher? -Solte-me. Vá pegar o dinheiro e me deixe em paz. Ela gritou esmurrando-o, o que fez ele se afastar um poucodela, Jayne olhou para o lado e pegou uma garrafa que estava namesinha e a bateu contra sua cabeça, correu novamente saindo dovagão e pulou para o outro, o homem meio zonzo correu atrás dela.Jayne havia saído do vagão de passageiros, tentou abrir a porta parapassar para o vagão de carga, mas estava trancada. Apavorou-se, poisnão teria como fugir dele, o homem atirou nela e quase a acertaestilhaçando a pequena vidraça bem ao seu lado, ela defendeu-se doscacos com os braços gritando. Sem saber para onde ir, ela olhou paraa escada que dava acesso ao teto e sem pensar, a subiu. O bandidosubiu atrás dela, atirou e errou novamente, mas ela sentiu a bala fazer-lhe vento pelos cabelos. Ian os seguiu, chegou à mesma escada,tentou abrir a porta e ouviu um tiro que vinha de cima e subiu, assimque avistou o teto do trem viu Jayne correndo tentando equilibrar-see o homem a seguindo. Ian enlouquecido de pavor atirou diversasvezes no homem pelas costas e ele caiu, ficando estirado no teto. -Jayne, pare! - ele gritou. Ela virou-se e avistou Ian que corria equilibrando-se. -Ian... -Volte. - disse tentando chegar até ela e esticando seu braço eela começou a voltar. David que estava logo atrás de Ian subiu a escada e osavistou. Estavam passando por uma ponte sobre um rio, a ponte eraestreita e somente tinha a largura dos trilhos. Ela estava quasealcançando Ian, mas o trem bruscamente freou dando um enormesolavanco, Jayne perdeu o equilíbrio e caiu no chão, foi escorregandoe caiu para a beirada do vagão gritando e com o maior esforço 47
  • 48. Paixões no Oeste – Vol. IIconseguiu agarrar-se em uma barra elevada que havia nas beiradas,ficando com as pernas suspensas. Ian, quase caiu, mas conseguiuequilibrar-se e gritou quando a viu escorregar, mais que depressa,tomou equilíbrio e correu até ela. -Jayne, segure-se! - gritava desesperado. David que com o solavanco do trem escorregou da escada equase caiu, conseguiu segurar-se e tentou subir novamente. QuandoIan chegou perto de Jayne na beirada do vagão e ia se abaixar paraagarrar suas mãos, violentamente sentiu os golpes impiedosos dasbalas que o atingiram pelas costas. -Ian! - Jayne gritou em pânico vendo-o ser atingido enquantodesesperadamente tentava ficar agarrada à barra. Ele que estava em pé bem na beirada olhou para Jayne, comoum último olhar, e caiu para frente despencando de cima do trem ecaiu no rio. Jayne vendo-o cair soltou um grito agudo que não sóecoou pelas montanhas, mas lhe rachou o próprio coração. Davidavistou Ian caindo e seu coração gelou, descarregou sua arma aosgritos no homem que estava ainda apontando a arma estendido nochão, fazendo-o rolar e cair de cima do trem. David rapidamentepulou para cima do vagão. -Ian... - gritou desesperado. -David. - Jayne gritou reconhecendo sua voz. Ele a ouvindotentou ver onde ela estava e desesperado tentou agarrar suas mãos. -Jayne, segure minha mão. -Não! Pegue os cavalos e vá para a margem. -O que? - perguntou sem entender quando ela o olhou e nãoagarrou sua mão. Jayne impulsionou seu corpo com os pés para longe dovagão e se jogou ponte abaixo procurando desesperadamente cair empé na água. David ficou aterrorizado olhando-a se jogar atrás de Ian,soltando um grito. Ele a olhou até chegar à água e afundar. Jayne foimuito ao fundo e com todas as forças tentou subir meio atordoada, erecobrando o fôlego. David saiu correndo pulando para baixo dovagão, foi para os vagões da frente procurando Willian gritando seunome, ele o encontrou, estava sangrando no braço. -Willian, pelo amor de Deus, você está bem? -Sim, onde estão Ian e Jayne? -Ian foi baleado e caiu de cima do trem no rio, Jayne jogou-se 48
  • 49. Paixões no Oeste – Vol. IIatrás dele. - disse totalmente desconsertado e acenando os braços. -O que? - gritou apavorado. -Willian, nós temos que ir atrás deles. -Como? Vamos nos jogar no rio também? -Vamos pegar os cavalos que estão no vagão de carga. Saíram correndo vagão após vagão, até chegar ao de cargaonde estavam os cavalos, estava trancada e para abri-la dispararamdiversos tiros na fechadura, puxaram a porta lateral imensa abrindo-ae por sorte esta parte do vagão estava na beirada do penhasco,rapidamente pegaram duas selas que estavam no canto do vagão eatrelaram aos cavalos. Montaram no Diamante e em Thor e de dentrodo vagão foram até bem colados na outra lateral para pegar impulso,esporaram os cavalos e gritaram, num salto surpreendente, saltaramdo vagão em terra firme. -Vamos David, vamos descer a encosta, temos que chegar láembaixo rápido. - cavalgaram com o coração apertado e gritando paraque os cavalos corressem o mais que pudessem. ** Jayne nadava rio abaixo tentando avistar Ian e gritava seunome, mas não ouvia nenhuma resposta. De repente ela o avistou,estava ainda distante dela, mas tentava bater um dos braços e ficarcom a cabeça para fora da água. Ela gritou desesperadamente peloseu nome para ver se ele a podia ouvir e nadou mais fortemente. Acorrenteza que estava fortíssima, cada vez mais os levava rio abaixo.Jayne pôs em seus braços e pernas toda a força e rapidez possível,mas suas longas saias a atrapalhavam, aos poucos ela conseguiualcançar Ian que afundava e subia, ela com todo desespero o agarrou,e os dois continuaram a serem puxados. Ela tentou com todas asforças nadar para a margem, mas o rio era largo e quando ela pensouque conseguiria, sentiu que a correnteza lhe puxava mais forte, a águacomeçou a ficar mais turbulenta, já estava totalmente cansada e umbarulho diferente lhe chegou aos ouvidos, olhou para frente eaterrorizada deu-se conta que havia uma imensa queda de água e osdois estavam sendo puxados para ela. Jayne sentiu um terror tomar-lhe e puxou todas as forças desi para tentar chegar à margem, mas era quase inútil, estavam à beirada queda. Ela agarrou-se nuns galhos que adentravam na água, masquebraram-se e ela foi mais abaixo e os dois chocaram-se em um 49
  • 50. Paixões no Oeste – Vol. IItronco tombado para dentro da água, ela tentou desesperadamentesegurar Ian, ela estava engolindo muita água e esta, judiava seu rosto efaziam seus olhos arderem. Jayne jogou seu braço livre tentando seagarrar ao tronco e com o outro segurava Ian, a força da água estavacomo um triturador envolto de seus corpos. Jayne escorregou dotronco dando uma volta pela sua lateral, pois a água que batia neleformou um turbilhão que a jogou para o lado, as lascas da madeiracruelmente lhe rasgaram o braço fazendo-a gritar, Ian parecia estartomando alguma consciência e escorregou de seus braços, elavorazmente o agarrou pelo punho. Estavam exatamente na beira daqueda. Jayne usou de toda sua força para segurá-lo, mas sentiu umador tão intensa em seu ombro como se ele tivesse sendo arrancado,fazendo-a gritar pela dor horrível, com a força da água Ian pareciapesar quatro vezes mais o seu peso. -Ian... Ian, agarre minha mão, por favor... - tentava gritar. Ele não conseguia mover-se com facilidade e erguer o braçopara tentar segurar-se, não reagia e a água castigava Jayne fazendo-aengolir muita água. Ela não sentia mais força no braço que lhe doíaimensamente e a mão de Ian foi escorregando, ele abriu os olhos e aolhou, como se a encarando por um segundo, sem mais conseguirsegurá-lo, a mão dele escorregou por seus dedos e ele caiu nacachoeira. -Não, Ian! - gritou, sentindo um terror lhe tomar a alma. Ela não tinha mais forças para segurar o tronco e nãoconseguia mais mover o outro braço, seu desespero foi tamanho quepensou em soltar-se, ela não sabia a altura da queda d’água, o queaconteceria se ela se soltasse, mas sentiu uma imensa vontade demorrer e seu pranto em meio àquela água turbulenta se confundiu. Perder Ian, seria algo que não passaria pela sua cabeça, estavaquase desfalecendo de suas forças e suas vistas começaram aescurecer, sua mão deslizou do tronco e soltou-se, mas sentiu alguémagarrar-lhe os braços, soltou um grito de dor como se facasestivessem lhe atravessando o ombro. -David, me ajude aqui. - Willian gritou sobre o troncotentando puxá-la, os dois a puxaram e foram para a margemdeitando-a no chão e segurando-a pelas costas. -Jayne. - Willian chamou desesperado. -Will, Ian caiu... - ela dizia tossindo tentando pegar ar e em 50
  • 51. Paixões no Oeste – Vol. IIcompleto desespero. -Ian caiu... Willian tentou avistar lá embaixo da queda enquanto David asegurava, mas via somente um imenso turbilhão de água, a queda eraenorme. Jayne não sabia se sua dor era pelos ferimentos eu pelaimensa dor que estava sentindo no coração, o corte do seu braçoestava sangrando e ensanguentava sua roupa. -David... Ian caiu, eu tentei segurá-lo, mas eu não consegui. -começou a chorar desesperada. -Vá atrás dele, por favor, me ajude,faça alguma coisa, David, ele não pode morrer, ele não pode morrer... -Calma Jayne. - dizia tentando acalmá-la, mas ele mesmoestava aterrorizado. Jayne então, acabou por desmaiar. -David, nós temos que achar um hospital. -Onde estamos? -Não sei, mas acho que estamos perto de Fox, vamos levá-lapara lá. -E Ian? -Você viu a altura disso? Como pode ele ter sobrevivido eainda baleado? Vamos levar Jayne e voltamos para procurá-lo,precisamos de ajuda, ou vamos procurá-lo e a levamos depois? Eunão sei o que fazer. -Eu também não Will, não quero acreditar que Ian estejamorto. - David tirou um lenço do bolso e amarrou no braço dela quejorrava sangue. -Vamos ao hospital. -Tudo bem, vamos fazer o seguinte, eu vou descer a encostae procurar Ian, você leva Jayne ao hospital ou a um médico, sei lá, edepois você volta para cá, peça ajuda ao xerife para trazer algunshomens, quem sabe ele nos ajuda a fazer uma busca. -Tudo bem. David subiu no cavalo e Willian colocou Jayne na sua frentedesacordada. -Consegue segurá-la? -Sim. David segurou fortemente o corpo dela presa no dele e saiuem disparada, Willian subiu no cavalo e seguiu a encosta penhascoabaixo. David cavalgou por um bom tempo e entrando na cidadepediu se havia um médico, lhe informaram que havia um pequenohospital e ele seguiu para lá. Ele desceu carregando Jayne no colo eadentrou gritando por socorro até que algumas enfermeiras vieram 51
  • 52. Paixões no Oeste – Vol. IIcorrendo ajudar, levaram-na à uma sala fechada, ele informou que iriavoltar e deixá-la aos cuidados deles. Foi rapidamente a delegacia epediu ajuda, o xerife concordou em ajudar e mandou chamar algunsde seus homens para que juntos seguissem David para fazer umabusca no rio, cavalgaram até a encosta da cachoeira, começaram avasculhar as margens tentando encontrar o corpo de Ian, mas nada,depois de muito, se encontraram com Willian. -Willian. - David gritou. -Você o encontrou? -Não. Onde ele está meu Deus? -Senhores, esta queda é impossível de alguém sobreviver,ainda mais se ele estava desacordado e baleado como disseram, nestaparte da cachoeira há muitas pedras, acho impossível encontrar ocorpo. -Xerife, não fale corpo, ele não pode estar morto. - Williandisse nervosamente. -Sinto muito, vamos descer mais o rio, mas a correnteza estámuito forte. Se ele não morreu pelo ferimento, deve ter morridoafogado. -Não me importo, fico aqui até encontrar, ele deve estar emalgum lugar. - David disse com um nó na garganta. Procuraram mas nada de encontrar, ficaram naquela buscadesesperada até começar a escurecer. -Estamos nisso por horas e já vai anoitecer, temos que voltar.- o xerife disse. -Mas não podemos desistir, se ele estiver vivo, nós podemosachá-lo e o levar ao hospital. -Sinto muito rapazes, mas no escuro não vamos encontrarnada, nós vamos voltar agora, amanhã podemos procurar novamente,mas por hoje a busca está encerrada. Willian e David estavam contrariados, mas sabiam que oxerife estava certo. -Will, vamos ficar procurando até que não possamos mais. -David disse. -Tudo bem. O xerife e seus homens foram embora, e eles continuaram abusca, mas nada encontraram. Já havia escurecido e não enxergavammais nada. -Temos que desistir, vamos à cidade ver como está Jayne e 52
  • 53. Paixões no Oeste – Vol. IIamanhã bem cedo voltamos e continuamos a busca. -Está bem, então vamos, não vai adiantar ficarmos aqui. Seguiram para a cidade e foram ao hospital, procuraram omédico que atendeu Jayne. -Então doutor, ela está bem? - David perguntou. -Ela levou vários pontos no braço esquerdo pelos cortes, estácom o direito imobilizado, pois deslocou a clavícula, ela estava emchoque então foi sedada, somente vai acordar amanhã. -Meu Deus, que desgraça! Isso não pode estar acontecendo. -Willian disse andando de um lado a outro com as mãos na cabeça. -Willian, eu não consigo acreditar que ele esteja morto, nóstemos que encontrá-lo. E você está ferido, tem que pedir ao médicoque olhe seu braço. -Eu estou bem. Ah meu Deus, seria um milagre ele estarvivo, praticamente impossível. Vamos rezar para o acharmos, senãoisso vai ser um desastre. O médico disse que trouxeram alguns feridosdo trem para cá. Malditos bandidos. - Willian gritou sentindo dor nobraço. David chamou a enfermeira e pediu que cuidasse dele,Willian estava esgotado, seu ferimento doía e aceitou os cuidados.Passaram a noite no pequeno hospital, estavam exaustos, famintos edesconsolados, logo que amanheceu voltaram e percorreram váriosquilômetros a partir do ponto que haviam parado, passaram quase odia todo naquela situação, mas nada encontraram, nenhum sinal. -David, vamos ter que desistir, se não encontramos nada atéagora, não encontraremos mais... Acho que acabou. - Willian dissecom o coração estraçalhado. David o olhou com uma tristeza descomunal, não queriaacreditar que o amigo estivesse morto. Ficaram imóveis, sem saber oque fazer. -Haveria a possibilidades de alguém tê-lo encontrado e otirado do rio? - David perguntou. -É possível, podemos perguntar nas casas próximas e nohospital de Portland que não é muito longe daqui, para ver se alguémdeu entrada. E assim o fizeram, mas eles não encontraram nada, nenhumapista. Ian realmente havia desaparecido nas águas, estava morto.Quando foram ao hospital no outro dia ver Jayne, falaram com uma 53
  • 54. Paixões no Oeste – Vol. IIenfermeira perguntando como estava, antes de entrar e falar com ela. -Senhor, fisicamente o estado dela é bom, logo vai melhorardos ferimentos, mas ela não para de chorar, chama por um nome, dizque é seu marido. Às vezes ela entra em estado eufórico e temos queacalmá-la, outras ela fica com o olhar parado sem se mover olhandopara o nada. Sua tristeza a está consumindo. Vocês podem entrar,quem sabe a ajude. Quando Jayne viu David e Willian entrarem no quarto,começou a chorar novamente. Willian sentou-se na cama e ela jogou-se em seu peito aos soluços. -Diga que você o encontrou, por favor, me diga que ele nãoestá morto. -Jayne, eu sinto muito, mas não o encontramos. -Não é possível. O que vai ser de mim, dos meus filhos semIan? Não posso viver sem ele. -Calma querida, nós tentamos tudo, mas não o encontramos,com certeza ele deve estar morto. Não há mais nada que possamosfazer, eu sinto muito, Jayne. -Não... Ela chorava incontidamente. Willian e David exauridos, nãoconseguiram conter as lágrimas, perder Ian que era como um irmãopara eles era dolorido demais, e vendo o desespero que Jayne seencontrava lhes causava ainda maior tristeza. O médico liberou Jayne somente no dia seguinte, David eWillian a levaram para West Side. Durante este período ela nãopronunciou nenhuma palavra, só fazia chorar. Chegando à cidadealugaram um coche e seguiram para a fazenda, James o capataz, veiorecebê-los estranhando aquela chegada súbita e vendo o estado queJayne se encontrava. Willian retirou Jayne do carro no colo e a levoupara dentro de casa e chamaram a criada para ajudar a arrumar acama, a colocaram ajeitada nos travesseiros e ali ela ficou, inerte. -Jayne, você vai ficar bem até avisarmos alguém para vir aqui? Ela nem respondeu, acenou com a cabeça que sim e recostoua cabeça no travesseiro e os rapazes foram para fora. -David, a tristeza dela está de amargar. -Eu sei Will, eles estavam tão felizes nestes últimos dias, Ianestava radiante, nunca o tinha visto daquele jeito na minha vida. -Isso não podia ter acontecido. 54
  • 55. Paixões no Oeste – Vol. II -Parece que nosso pacto quebrou-se. -Parece. Mas nós ainda estamos aqui e temos que continuarfirmes. Alguém tem que vir ficar com ela, tenho medo que faça umabesteira. -Concordo. Vou para casa ver Mary e Samantha e depois vouà casa de Mitchel para avisá-los. -Eu também vou para casa. - Willian disse esfregando asmãos no rosto fortemente. -Você está bem? -Não. Além de tudo isso eu ainda tenho que enfrentar Emily. -Se precisar de mim amigo, me chame. Mas vou lhe dar umconselho. Esqueça o que aconteceu lá. O que importa agora é Emily eEthan, sua família, o resto não há mais nada que possa fazer, lute peloseu futuro, lute com o que tem em suas mãos, esqueça o resto e nãoconte nada a ela, pois se contar vai criar uma situação irremediávelWill, não faça essa besteira, enterre esse assunto. Temos que estartodos unidos para enfrentar a perda de Ian. Willian e David se abraçaram demoradamente, tristes edestroçados, despediram-se e foram para suas casas. A cabeça de Willian queimava, estava com todas aquelaspreocupações anteriores e a morte de Ian, sentia-se em pedaços.Estava pensando como encararia Emily, se contaria para ela ou não.Nunca mentiu ou omitiu algo dela, aquela situação lhe corroia pordentro. Tinha medo de lhe contar e ela não lhe perdoar, tinha medode não falar e viver encima de uma mentira. Estava confuso etemeroso, mas David estava certo, melhor seria ficar calado. Chegando em casa, não viu ninguém, olhou no quarto e viuEthan dormindo tranquilamente em sua cama. Willian sorriu quandoo viu, acariciou levemente seus cabelos negros e sua pele macia,estava morrendo de saudades dele, não queria acordá-lo, entãosomente lhe deu um leve beijo em seu rosto. Saiu da casa procurandoEmily, e o que seus olhos viram causou-lhe um terror, uma dor, euma raiva que seu sangue ferveu quando avistou Emily e o peãoestirados no chão ao lado do poço. Ele ficou mudo e paralisado. Elesriam e ele levantou-se, a pegou pelas mãos a levantando do chão, masseus corpos colaram e Nick rapidamente a beijou, sem dar tempopara ela reagir. Willian pensou que fosse morrer Um frio congelantelhe desceu pela espinha e seu estômago embrulhou-se. No súbito 55
  • 56. Paixões no Oeste – Vol. IItirou a arma do coldre e apontou para eles, com fúria a engatilhou eatirou bem próximo aos seus pés fazendo-os se assustar e Nick asoltou, os dois ficaram lado a lado o olhando com os olhosarregalados. O jovem tentou sacar sua arma, mas Willian atirou emsua mão que a deixou cair, ele se contorceu de dor segurando suamão e caindo no chão. -Willian! - Emily gritou apavorada. -O que este maldito está fazendo aqui? - gritou entre osdentes e com os olhos que pareciam duas chamas verdes de ódio. -Sr. Jonhson, eu vim procurá-lo, eu... - disse gemendo, masWillian o interrompeu. -Cale a boca senão mato você agora mesmo. Procurar-me?Eu o mandei embora seu desgraçado, e agora o vejo aqui com aminha mulher. Diga-me uma só uma razão para não matar vocês doisagora. - o rosto de Willian estava transtornado e falava alto com a vozforte e furiosa. -Willian, não é nada disso que está pensando, Nick estava meajudando com o poço. Willian ainda mirando com a arma chegou perto dos dois. -Eu voltei para pedir meu trabalho de volta, o senhor nãoestava, eu a estava ajudando com o poço. Willian olhou para ela que o olhava com os olhos apavoradose com o coração acelerado de pavor. -Will, eu juro... -Eu vi vocês se beijando. - disse gritando a interrompendo. -Eu juro Sr. Jonhson, não fizemos nada demais. Ele deu uma coronhada no rosto do rapaz o fazendo cairnovamente e apontou a arma para sua cabeça. -Willian, pare com isso. - ela gritou apavorada. -Emily, entre agora mesmo. -Will... -Entre! - disse gritando com toda fúria e ela saiu correndo. -Você estava beijando minha mulher, e tem coragem de dizerque não é nada demais? - ele ajoelhou-se com um joelho e encostoua arma debaixo do queixo de Nick. -Foi um impulso... - disse com o sangue escorrendo pelo seurosto e trêmulo. -Eu deveria estourar os seus miolos, Nick. - ele engatilhou a 56
  • 57. Paixões no Oeste – Vol. IIarma novamente forçando mais contra seu queixo. -Não, por favor Sr., eu juro que não fizemos nada de mais,foi só um beijo, eu só a ajudei a levantar, eu a ajudei a arrumar opoço, eu juro. Eu a beijei no impulso. -O que mais aconteceu? -Nada, não aconteceu nada, eu juro, eu juro. Willian tentava controlar a sua raiva para não matá-lo, oolhava com os olhos fulminantes e rangia os dentes, seu dedo tremiano gatilho. Ele levantou, o puxou pela camisa e o empurrou. -Saiadaqui. Nunca mais nem pense passar perto desta fazenda, saia destacidade, suma das minhas vistas e nunca mais volte, eu juro que se over de novo eu meto uma bala na sua cabeça. Nick não falou nada, passou a mão no olho e a olhou vendoo sangue que caia de seu supercílio, foi juntar sua arma, mas Willianatirou no chão próximo a ele o impedindo. -A arma fica. Nick sem dizer nada se virou e foi para seu cavalo, indoembora da fazenda. Willian ficou ali parado com a respiraçãoofegante e tentava controlar sua raiva para não fazer uma loucura, suacabeça estava queimando, teve vontade de gritar. Colocou a arma nocoldre, juntou a outra do chão e entrou em casa como um furacão.Emily estava de pé perto do sofá da sala com as mãos juntas na frentedo corpo e com os olhos arregalados, tremia dos pés à cabeça. -Will, eu juro, foi ele que me beijou, eu não tive culpa. -Emily, como pôde? Como pôde olhar para ele daquele jeito?Como pôde deixar este homem aqui na fazenda? Na nossa casa. -disse gritando. -Mas Willian, ele trabalhava aqui e voltou e eu pedi que meajudasse com o poço. Willian foi para cima dela e a segurou pelos braços com todaforça, seus olhos estavam soltando faíscas. -Você quer me convencer que ele não esteve aqui durante otempo que eu estive na Califórnia? -Não. Eu juro Will, eu não fiz nada. -Não? Vai me dizer que você não se derrete por este Nick?Vai me dizer que vocês não estavam se beijando? Eu vi coisas? Vocêestá apaixonada por ele? -Claro que não. Eu não queria isso. 57

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