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Paixões no Oeste Vol 1 (prova)

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Transcript

  • 1. Paixões no Oeste Vol. I
  • 2. Paixões no Oeste – Vol. I 2
  • 3. Janice GhisleriPaixões no Oeste Vol. I 1ª Edição Florianópolis 2011
  • 4. Paixões no Oeste – Vol. I Copyright ©2011 – Todos os direitos reservados a: Janice Ghisleri 1ª Edição Maio 2011 www.paixoesnooeste.blogspot.com Design da Capa: Gracilene Chaves Todos os direitos reservados. Nenhuma parte do conteúdo deste livropoderá ser utilizada ou reproduzida em qualquer meio ou forma, seja eleimpresso, digital, áudio ou visual sem a expressa autorização sob penas criminais e ações civis. 4
  • 5. Paixões no Oeste – Vol. I Considerações da Autora Com este volume inicia-se uma saga de quatro livros, umahistória cheia de amor e aventura, intensa e arrebatadora. Trago umavisão apaixonada do Texas, que nasceu da inspiração de meus ídolose como sempre fui admiradora de western, não poderia ter saído algodiferente. Paixões no Oeste tomou uma proporção além da minhaexpectativa, uma história que a princípio seria de um volume tornou-se quatro. O que mostra que Paixões, que originalmente nasceu comouma fanfiction, não é somente uma simples história, mas sim, algoque faz nos apaixonar pelo enredo e pelos personagens neste inóspitolugar chamado Texas no fim do século XIX. 5
  • 6. Paixões no Oeste – Vol. I 6
  • 7. Paixões no Oeste – Vol. I A pequena cidadezinha de West Side no norte doTexas, Estados Unidos, estava em expansão, grandes casas demadeira e concreto estavam sendo construídas. A chegada da estradade ferro estava trazendo avanço à cidade, a rua central era larga eempoeirada, havia movimentos de charretes, cavalos e coches. Atranquilidade da cidade permitia aos moradores sentarem-se navaranda para ler as amarelas páginas do novo jornal The West, e oshomens esbanjavam seu tempo no Saloon onde tomavam tequila ouwisque e jogavam pôquer, eram estimulados pela presença das moçasfaceiras com suas roupas provocantes, onde muitas vezes somenteexibiam as roupas de baixo com seus formosos e estranguladoresespartilhos, fazendo a alegria dos homens. Mas de outro lado amoralidade e pomposidade social imperava nas famílias. A proximidade do fim do século XIX e chegada do séculoXX traziam consigo as novas tecnologias e progressos às grandescidades que aos poucos agraciava as do interior, fazendo com que amodesta população de West Side se deleitasse com as novidadesvindas das cidades grandes. Aos arredores da pequena cidade ficavam as fazendas, ondese criavam gado e cavalos. Onde era possível encontrar os cowboysque faziam o ginete, os vaqueiros das comitivas, os grandes epequenos fazendeiros. As colinas, penhascos, pastos e riachos eramsuas moradas, o lar dos texanos, o qual eles se orgulhavam de amar. Os quatro amigos, Ian, Willian, Mitchel e David, cuidavam desuas pequenas fazendas que eram vizinhas. Estas foram adquiridas emantidas com muito custo, cuidando da criação de gado e de cavalos.Gostavam de se reunir ao fim da tarde para jogar conversa fora,tomar tequila ou wisque e relembrar as aventuras. Eles criaram-sejuntos, aprenderam a montar, laçar, atirar e a farrear juntos. Sempreestavam unidos, eram companheiros, amigos, irmãos. Houvesse oque houvesse, não deixavam de dar apoio um ao outro. O que mais 7
  • 8. Paixões no Oeste – Vol. Iimportava para eles era estarem unidos e compartilharem alegrias edificuldades. Naquele entardecer do fim de inverno podiam vislumbrar opoente avermelhado do sol sumindo atrás das colinas, os quatroestavam reunidos na fazenda de Willian. Eles fizeram uma fogueira,um assado de lebre sustentado por um alicerce de madeira, que eragirado de vez em quando sobre o fogo de chão. Eles pegaram suasbebidas e começaram as bagunças. Era assim que se reuniam à noitepara descontrair após um dia de lida, para as prosas vazias, masengraçadas, para as brincadeiras bobas, mas sempre inebriantes. Eraum costume e uma necessidade dos rapazes de terem nas suas vidaseste ritual. -Willian, sua fazenda está ficando uma beleza. - Ian disseolhando ao redor. -Sim, o trabalho está grande, mas esta cerca vai ficar ótima. -Willian respondeu entusiasmado com um sorriso majestoso. -Verdade! Eu sei como é. A minha está ficando uma belezatambém, mas se você precisar de ajuda com a cerca, nós estamos aí. -Ian disse muito sorridente ao amigo e lhe dando uma leve palmadanas costas. -E quando vamos atrás daquele Mustang? - David perguntoutodo animado. -Bem... O cercado já está pronto, nós podemos ir quandoquiserem. - Willian disse. -Por mim, vamos amanhã. - Mitchel disse empolgado poruma aventura e bebendo um gole enorme da tequila fazendo careta. -Por mim também. - concordou Ian. -Tudo bem, então nós vamos amanhã cedo. Ele está porperto, eu o vi no topo da montanha esta manhã. -Ótimo, eu estou sempre pronto. - David disse. -Willian, você tem visto aquela moça? Como é o nome dela?- Ian perguntou. -Jessy. Não, não a vi mais... Mas eu confesso que ela é muitobonita, eu gostaria de cortejá-la oficialmente, mas ela é meio estranha,fica sempre me enrolando, não deixa eu me aproximar da sua família. -Willian, todas as mulheres para você são estranhas. - Daviddebochou e todos riram. -Acho que é nossa fama. 8
  • 9. Paixões no Oeste – Vol. I -Fama? Nós somos uns santos. - Mitchel disse erguendo assobrancelhas. -Santo é o Ian, você é um capeta. - Willian retrucou para ele. -Bem... Com isso eu concordo. - Mitchel disse soltando umagargalhada. -Ainda bem que assume. - David disse rindo. -Quem sabe podemos ir à cidade e você dá sorte de vê-la. -Mitchel sugeriu. -Verdade, aí nós já aproveitamos e vamos ao Saloon. - Davidfalou com cara de safado. -David, eu concordo com você, aquelas moçoilas me piram acabeça. - falou Mitchel com uma cara de sempre, levantando uma dassobrancelhas e fazendo cara de conquistador. -Ah Mitchel que novidade, você vive com a cabeça piradapelas moçoilas, você não toma jeito. - Ian retrucou jogando umgalhinho de mato em Mitchel e todos riram. -Ué, o que você quer que eu faça? Se não tenho uma ficocom duas. - disse soltando uma gargalhada. - Ian, eu não sou certinhocomo você, e você tem que se soltar mais, quando vai ao Saloonnunca fica com nenhuma mulher. -Mitchel, você me conhece, eu não sou chegado a estasdevassidões com cocotes, estou esperando a mulher certa. -É... Desse jeito ele vai continuar virgem. - Willian faloudando uma gargalhada e todos riram. -Não seja engraçadinho, Will. - Ian falou com fisionomia decontrariado. -Você vai encontrar Ian. Mas você não está com a esperançade encontrar aquela moça ainda, ou está? - David questionou. -Não... Eu acho que nunca mais vou vê-la de novo, masconfesso que nunca esqueci seu rosto. Ian abaixou os olhos e lhe veio à memória a visão de umamoça que vira há três anos, quando foi à cidade de Tempty. Elaestava no meio da estrada com a roda de sua charrete presa na lama ea tentava empurrar. Ian estava andando calmamente a cavalo na suavolta para casa e parou para oferecer ajuda quando a avistou naquelasituação complicada. -Precisa de ajuda, Srta? - Ian perguntou baixando um pouco acabeça e puxando a aba do chapéu. 9
  • 10. Paixões no Oeste – Vol. I -Não, obrigada. - disse a moça sem olhar para ele. -Desculpe-me, Srta, mas não creio que irá conseguir tirar essaroda daí sem ajuda. -Pode deixar, Hanna é uma égua muito forte, vai puxar acharrete sozinha. Ela estava atrás da charrete a empurrando e ainda não haviaolhado para ele. Como se o ignorasse completamente, fez forçanovamente. Ian achou aquilo engraçado, deu um leve sorriso com umar de gozação e pensou que não ouvira direito algo tão absurdo vindode uma dama em uma situação daquelas. Aquilo o deixou um tantoespantado. “Mas que mulher teimosa”. - pensou. -Tudo bem, se não quer minha ajuda eu vou embora, mas éuma pena que seus belos sapatos e seu vestido estejam mais atoladosna lama que sua charrete. Até mais. Ele tocou seu cavalo com a espora e começou a andarcalmamente. Ela olhou para si já com os pés e a barra do vestidotodos sujos de lama, deu uma suspirada, fez uma cara de contrariada eadmitiu, mesmo sem querer, que ele estava certo. -Ok, está certo, eu preciso de ajuda. Ele parou de andar novamente e nisso ela se virou, levantouos olhos e encarou o homem encima do cavalo e ele fez o mesmo.Quando seus olhos se cruzaram ambos ficaram paralisados seolhando, sentiram um baque no coração e um frio lhes afligir oestômago. Ian possuía uma beleza escultural, cabelos um poucocompridos, olhos exóticos, verdes amendoados, corpo esbelto, alto,pele clara, surpreendentemente clara para um texano, era um rapazmuito lindo aos olhos das moças. Ela era uma moça belíssima, alta,magra, pele alva, olhos cor de mel e muito marcantes, tinha cabeloscastanhos, longos e ondulados que estavam semi presos debaixo deum lindo chapéu de cor pérola de abas largas, sua roupa era de quempossuía uma boa posição social. Parecia muito jovem, mas tinhaaltivez de uma mulher madura. Ele ficou encantado com sua beleza,de tal maneira que o ar lhe faltou nos pulmões. Ian desceu do seu cavalo Trovão e o acariciou. Ele amavaaquele cavalo, era de uma beleza incrível, todo branco, um Mustangque ele e os rapazes haviam capturado nas montanhas e foi domadopor ele há algum tempo atrás. Ele foi até a charrete para ajudar aempurrar e erguer a roda atolada. Quando chegou ao seu lado, olhou 10
  • 11. Paixões no Oeste – Vol. Identro dos seus olhos e os dois ficaram sem jeito. -Vamos lá, o que está esperando? Vai ficar aí me olhando aoinvés de empurrar? - retrucou-o nervosa. -Vá lá na frente e puxe a égua, eu vou empurrar. Meu Deus,seu humor é ótimo! - ele disse fazendo uma cara de indignado. - Iancolocou toda sua força e num súbito empurrão tirou a roda atolada. -Prontinho. - disse batendo as mãos forradas com uma luva de couropara limpá-las. -Obrigada. -De nada. A Srta. não devia andar sozinha por estas estradas,pode ser perigoso. -Eu sei me cuidar, não se preocupe. -É... Eu estou vendo. A propósito, eu me chamo Ian Buller. -Jayne... - ela ia continuar, mas parou de pronunciar seunome completo. Era costume dizê-lo ou somente apresentar-se pelosobrenome. Ian estranhou, mas não questionou, o nome dela ecooudentro de sua cabeça como um som dos deuses. -Prazer em conhecê-la, Srta. - disse fazendo reverência com ochapéu e sorrindo. Ela sentiu-se atordoada com aquele sorrisoencantador, e só assentiu com a cabeça retribuindo o cumprimento. -Permita-me ajudá-la a subir na charrete. Ian retirou as luvas e segurou sua mão, pôde sentir sua pelemacia e Jayne tremeu quando ele a tocou. Quando ela estava em pésubindo no degrau da charrete, Hanna andou levando-a consigofazendo Jayne perder o equilíbrio e cair. Ian tentou segurá-la, mas elaveio por cima dele e os dois caíram na lama. Ela soltou um grito desusto, quando abriu os olhos seu rosto estava praticamente colado nodele, seus olhos fixaram-se, seus lábios estavam quase se tocando. Elepodia sentir seu perfume embriagante e seu hálito a dois centímetrosde sua boca. Os dois corpos unidos caídos no chão, trouxe umasensação que ambos nunca haviam sentido, deixou-os atordoados. -Solte-me, seu abusado! - ela falou nervosamente tentando sedesvencilhar dos braços dele e levantar. -Eu não estou a agarrando. Se não fosse eu, você teria dadode cara na lama. -A culpa foi sua. -Minha? -É. - ela levantou-se e se olhou, estava toda enlameada. -Veja 11
  • 12. Paixões no Oeste – Vol. Iisto, que tragédia! -Sim... Para uma dama mimada como a Srta. isto deve serrealmente uma tragédia. -Mimada, eu? Você que é um grosseirão. -Meu Deus! Você parece uma potra xucra. - disse indignado,mas mudou a fisionomia e sorriu olhando para aquela beleza. -Masnão vou negar que é muito linda. - retrucou-a ironicamente. -Potra xucra? Como se atreve, seu, seu, arrft... - ela ficoufuriosa, virou as costas e entrou pela lateral da estrada entre asárvores, se enroscando nos matos. -Ei... Aonde você vai? - ele gritou. -Vou me lavar no rio, estou imunda. E vá embora. - gritousem olhar para trás. -Huum... Lavar-se no rio, até que é uma boa idéia. - falouolhando-se todo cheio de lama. -Que gênio tem esta mulher, mas émuito linda. - falou colocando um sorriso no rosto. Ele a seguiu até o rio, quando chegou à margem avistou-abanhando-se, ela usava uma saia verde cor de musgo, uma blusabranca ornada de finas rendas com um corpete por cima, seus cabelosestavam soltos e molhados caindo sobre seus ombros, sua saia longae anáguas estavam embolando-se na água enquanto tranquilamentetentava boiar, parecia ter se esquecido dele, estava deleitando-senaquela água cristalina e fria. Ele ficou paralisado vendo-a daquelamaneira, admirou cada centímetro dela, estava inebriado. -Não vá se afogar. - ele gritou com um sorriso irônico. Ela se assustou soltando um grito e foi para o fundo, subiurápido e passou as mãos nos olhos. -O que você ainda está fazendo aí? Não falei para ir embora? -Ah! Eu não sabia que este rio pertencia a Srta., eu tambémvou tomar banho. -Não se atreva a entrar aqui. - gritou arregalando os olhos eIan deu uma gargalhada muito debochada. -Vou entrar. - ele começou a tirar as roupas. -O que você está fazendo? - disse apavorada o vendo tirar ocinturão com a pistola e jogar no chão e seu casaco. -Pare com isso. Jayne começou a ir para a margem e saiu do rio, sua roupaparecia estar pesando uma tonelada dando dificuldade a ela delocomover-se. Ela levantou-se ao seu lado com muito custo e olhou 12
  • 13. Paixões no Oeste – Vol. Iseriamente para ele. -É... Agora você está parecendo um gato molhado. - disserindo para ela debochadamente. -Igualzinha a você. - ela colocou as duas mãos no peito dele eo empurrou para dentro da água. -Aproveite seu banho. - falou rindoe dando as costas para ele. Ian emergiu, sacudiu os cabelos e olhou para ela. -Você é o diabo! - gritou. Ela foi embora rindo e ele a perdeude vista no mato. -Mas que diabos! Que mulher é essa? Nunca vialguém assim... Mas é linda! - disse estampando um sorriso no rosto. Ian ficou um tempo na água e Jayne estava indo em direção àestrada e olhou para trás, parou de andar sentindo vontade de vê-lonovamente. Tentou conter aquela ansiedade que abruptamente lheconsumiu, mas foi em vão, ela voltou tentando não fazer barulho eescondeu-se atrás de uma grande árvore. Ficou admirando a belezaestonteante de Ian, ela estava embasbacada, nunca havia visto homemtão belo e tão atraente como ele. Ele saiu da água, tirou o colete, baixou o suspensório, tirou acamisa e começou a torcê-las, ela arregalou os olhos e ficou quasesem ar de ver seu peito nu, seus músculos perfeitamente torneados.Quando ele sacudiu os cabelos e os jogou para trás os ajeitando coma mão, Jayne parou completamente de respirar. Ele vestiu a camisa ecolocou o casaco, jogando o colete sobre os ombros, juntou suascoisas do chão para voltar ao seu cavalo, ela então, se viu numaenrascada. Saiu correndo para chegar antes dele e sair com a charrete,subiu rapidamente e tocou a égua. Quando ele chegou à estrada,avistou-a indo embora, ficou parado no meio da estrada olhando-a,sentiu um vazio de vê-la ir-se. Jayne olhou para trás e o viu parado,Ian involuntariamente sorriu, acenou com a mão dizendo adeus e elapensou em não retribuir, mas com um aperto no peito sem nem saberexplicar o que sentia, retribuiu o aceno. Ian foi outras vezes àquela cidade que era relativamentegrande, mas nunca mais a viu ou soube qualquer coisa dela. Tentouencontrá-la e nada, pois nem sabia seu sobrenome. Ele sempre serecordava dela e sentia tristeza, mas sorria quando se lembrava dasconfusões do intempestivo encontro. Inexplicavelmente Ian foiarrebatado por aquela bela e estonteante dama, tão meiga, mas tãoestrondosamente rebelde e impulsiva. 13
  • 14. Paixões no Oeste – Vol. I -Ei! Ian, acorda. - gritaram os rapazes o trazendo de suaslembranças. -Estava lembrando-se dela? -Estava. - Ian respondeu esfregando o rosto com as mãos. -Homem, esquece esta mulher, você nunca mais vai vê-la,você precisa arrumar outra. Uma de carne e osso. - disse Mitchel. -É... Vocês têm razão, eu sou um idiota mesmo. -Eu não acho que você seja idiota, acho você um românticoincompreendido. - Willian disse ironizando. -Ahhh isso ele é mesmo, por ele e por mim. - Mitchel disserindo. -Mitchel, você é um cafajeste. - David debochou. -Qualquerdia você vai levar um tiro de algum marido enfurecido. - todos rirame concordaram. -Lembram-se do dia que ele pulou a janela da casa dos Jensensó de ceroulas? - Willian lembrou matando-se de rir e todos riram. -Isso... Riam de mim, aquele dia quase virei presunto. Foi porpouco que o pai dela não me acha em seu quarto. -Ah Mitchel, mas também, o que você queria? Se meter coma filha do xerife, deve estar a fim de virar peneira. - Ian indagourindo. - Ele pode ser uma lesma, mas teria o enforcado se o pegasse. Os rapazes começaram a contar histórias, a rir e a beber,cantavam algumas músicas para alegrar enquanto Willian tocavabandolim. Já havia anoitecido e Mary saiu na varanda e ficou poralguns instantes contemplando os meninos com um sorriso noslábios. Mary era irmã mais nova de Willian, moça bonita, muitoparecida com o irmão, possuía os cabelos negros e longos, olhosverdes, e corpo esguio. Adorava a companhia dos rapazes e escondiauma paixão por David. Não poderia revelar nada, pois era tímida etinha medo que causasse algum desentendimento entre os amigos. -O jantar está na mesa, se esta lebre está pronta venhamantes que esfrie. - ela gritou. Willian retirou a lebre do fogo levando o espeto para dentroe os rapazes o seguiram. Todos entraram, lavaram as mãos na baciacom água e sentaram-se à mesa. -Boa noite Mary, como você está? Está muito bonita hoje. -David disse sorridente. 14
  • 15. Paixões no Oeste – Vol. I -Estou bem, e obrigada. - por dentro ela derreteu-se pelocomentário. “Será que ele realmente me acha bonita?” - pensou. -Ah, a comida da Mary é um espetáculo. - Mitchel disselambendo os lábios e esfregando as mãos. -Verdade Mary, você cozinha muito bem. - Ian confirmou. -Obrigada rapazes. Willian, você deveria aprender elogiosassim. - falou com um sorrisinho para o irmão. -Ah Mary, que injustiça. Você sabe que adoro sua comida. -falou rindo. -Sei. Vocês sabem quem comprou a fazenda dos Thompson?- Mary perguntou servindo os pratos. -Se chamam Cullen, é o dono do banco que abriu na cidade,Carl Cullen eu acho, dizem que são bem ricos. - Ian respondeu. -Ouvi falar que ele tem três filhas. - Mitchel disse com umacara de safado erguendo uma de suas sobrancelhas. -Ah meu Deus! Lá vai Mitchel atacar as filhas do banqueiro. -exclamou David rindo. -Ah homem deixa uma para mim. - riu maisainda e os rapazes riram também. Mary sentiu-se triste com ocomentário de David, mas disfarçou. Ele realmente não ligava paraela. -Vocês não têm jeito mesmo. - Ian disse rindo. -Mitchel, se ele tem três filhas, deve ter também três trabucoscarregados. - Willian brincou. -Não tem problema, eu vou ser discreto, vou lá pedir umempréstimo no banco e faço amizade com ele. -Ah ta! Eu acho mais fácil você trabalhar de empregado nafazenda dele limpando o celeiro. - David debochou. -Há, há, engraçadinho. - Mitchel falou fazenda cara deindignado. -Meu Deus, ele pirou de vez. - Willian retrucou. O jantar passou alegre, falaram de diversos assuntos e rirammuito. Mais tarde despediram-se e cada um foi para sua fazenda. ** Na manhã seguinte voltaram para a fazenda de Willian parairem atrás do Mustang. Todos devidamente providos de seusapetrechos, laços, cantil, luvas de couro, chapéus e esporas. -Ainda bem que a neve está acabando, estava me cansandode ver tudo branco. - David disse ajeitando as luvas. 15
  • 16. Paixões no Oeste – Vol. I -Todo inverno você diz a mesma coisa, parece um trecodaquele que toca música, engasgado. - Willian disse. -É fonógrafo, Willian. - Ian o corrigiu rindo. -O que posso fazer? Eu não gosto de branco, gosto de verde. -Vamos lá rapazes, chega de conversa fiada e vamos colocaremoção neste dia gelado. - Ian disse. -Todos prontos? - Mitchel perguntou. -Sim. - Willian respondeu. -Iááá. Saíram galopando montanha acima. A vista das colinas eramaravilhosa, a neblina ainda cobria os prados que timidamentecomeçavam a ficarem verdes. Eles amavam aquelas terras, eram seuslares e de uma beleza incrível. Galoparam até chegarem a uma colinaonde havia pedras gigantescas. -Oooo... - Willian gritou ao seu cavalo. Ele levantou a mãopara os rapazes para pararem de correr e não fazer barulho, pararamde galopar e começaram a andar. -Ele deve estar por aqui. -Tem certeza? -Sim, este pasto é o preferido dele. Está começando a ficardenso, então ele vem aqui atrás de comida. -Quero ver quem vai domá-lo dessa vez. - Ian falou. -Willian, ora. - David respondeu. -Hummm... Quero ver. - Ian disse zombeteiro. -Lá está ele. - Willian gritou. -Vamos. Ele esporou o cavalo e saiu em disparada. Os outros oseguiram e espalharam-se formando um círculo para cercá-lo.Corriam para um lado e para o outro tentando laçar o Mustang, masele era arisco e muito rápido, era lindo de se ver, completamentepreto e seu pêlo cintilava. Após uma hora tentando pegá-lofinalmente Ian conseguiu laçá-lo. Os quatro jogaram mais laços paratentar segurá-lo, ele se empinava e tentava escapar, foi uma briga.Num dos puxões, o Mustang derrubou David do cavalo. -David, você está bem? - Ian gritou. -Acho que machuquei o braço. Ele levantou-se fazendo caretas de dor, agarrou a corda dopescoço do Mustang com a outra mão para ajudar a segurá-lo. Apósmais alguns pinotes, o Mustang se acalmou um pouco. -Tudo bem, ele já está mais calmo, vamos tentar levá-lo para 16
  • 17. Paixões no Oeste – Vol. Ia fazenda. - disse Willian, e começaram a voltar, estavam exaustos. -Bem rapazes, missão cumprida. - Mitchel disse. -Ainda não, tem que domá-lo. - Ian disse rindo. -E este vai ser de quem? - perguntou David. -Boa pergunta, vamos tirá-lo no pôquer. -Ah não Mitchel, pôquer não, sempre perco. - Willian disse. -Então no palito. - falou Mitchel. -Acho que eu o merecia, pois me machuquei. - David disse. -Devia ser meu, pois vai ficar no meu cercado. - Willian disse. -Então devia ser meu, pois fui eu que dei a idéia. - Ian disse. -Ian, você já tem o Trovão que foi uma peleja daquelas parao pegarmos, este, vamos disputar entre nós três. - David falou rindo. -Tudo bem, eu estou feliz com Trovão. - Ian falou rindo eacariciando seu amado cavalo que parecia entendê-lo e balançou acabeça afirmativamente relinchando e todos riram deles. -É. Este caso de amor está ficando grave. - Mitchel disse. -Ah cale a boca! - resmungou Ian. Voltaram para casa, e de vez em quando o Mustang seagitava e eles insistentemente o tentavam acalmar para que parasse dedar pinotes, pior ainda foi colocá-lo dentro do cercado, mas comdificuldade conseguiram. Mary correu para fora da casa quando os viuchegando. -Nossa! Como ele é lindo. - ela exclamou sorridente. -Realmente é uma beleza de cavalo. - Willian falou. -Ai... - David gemeu contorcendo-se. -Mary, cuide de David, está machucado. - Willian pediu. -Ah meu Deus! Venha aqui. - Mary levou-o para dentro decasa, pegou uma caixa com alguns medicamentos e ataduras para verseu braço. Ela tirou-lhe o longo casaco que quase lhe chegava aospés, a jaqueta e a camisa o deixando com o peito desnudo, pegou umpano com água para limpar a ferida, quando ela tocou, David gritou. -Desculpe. Vocês parecem moleques, eu vivo tendo que fazercurativos. - falou com um sorrisinho repreendendo David. -Verdade, você é nossa enfermeira oficial. - respondeu rindo. -Não vai precisar de pontos, está somente esfolado, creio quea dor foi mais da batida, mas não parece estar quebrado, seria bomvocê ficar com o braço imobilizado um pouco. -O que? Eu não posso ficar com o braço imobilizado Mary, 17
  • 18. Paixões no Oeste – Vol. Ieu preciso deste braço. -Bem... Isto é o que dá suas aventuras, sinto muito, mas seubraço vai ter que ser enfaixado, pelo menos por uma semana, e nãodiscuta comigo. -Está bem, está bem... Obrigado, Mary. Neste momento David olhou bem nos olhos de Mary e elasentiu um frio na barriga. Ela estava tão perto dele, sentiu vontade debeijá-lo, distraiu-se e sem querer apertou seu braço ferido. -Aaaiii Mary. Está me torturando? -Desculpe. Depois do curativo pronto e ela ter enfaixado seu braço, oajudou a vestir-se e colocou uma tipóia. -O que vou fazer agora com o braço deste jeito? -Ficar sem laçar Mustangs. - ela disse sorrindo lhe ajeitando ocasaco. Ele olhou para seu rosto e sorriu, David era muito alto pertodela, ele tinha mais de um metro e noventa, cabelos claros e olhosverdes. Mary ficou encabulada com aquele sorriso. -Obrigado Mary. Ele a beijou na face, o que deixou Mary ruborizada e sem ar,não esperava aquela atitude dele que a pegou de surpresa, ele foi parafora ver o cavalo enquanto ela sentou na cadeira com a mão no peitoe suspirando. Como o amava. -Bem rapazes... Eu vou para casa, estou inutilizado por unsdias, mas valeu à pena, este cavalo é lindo. Só não sei se algum de nósvai conseguir montá-lo. -Também vou para casa, tenho coisas para fazer na fazenda.Amanhã vamos à cidade? - Ian perguntou e todos concordaram. -Ok.Até mais. ** No dia seguinte todos se reuniram e foram à cidade, iamcalmamente galopando e conversando um ao lado do outro. -Ian, você está com cara de morte. O que houve? - Willianperguntou. -Não sei, estou me sentindo estranho hoje, não dormi direito,tive sonhos esquisitos, pesadelos. -Que tipo de pesadelos? Já sei, sonhou com a Dona Michela,seus 180 kilos e sua boca sem dentes. - Mitchel brincou. 18
  • 19. Paixões no Oeste – Vol. I Todos caíram na gargalhada. Dave soltou uma gargalhadadaquelas, que se escutou do outro lado da montanha. -Mitchel, você me mata. Não, eu sonhei... Ah, deixa para lá. -Ihhh, eu não vou nem perguntar, porque eu já sei com quemsonhou. - Willian retrucou rindo. -Tudo bem Ian, vamos fazer o seguinte, hoje nós vamostomar um porre no Saloon, ok? Você vai para a esbórnia com asmulheres, tira a barriga da miséria e ver estrelinhas. Está bem assim? -Está Mitchel, está. - Ian disse rindo. -É isso aí amigo, é assim que se fala. - David riu e deu umtapinha nas costas de Ian. Chegando à cidade, os quatro andavam enfileirados lado alado atravessando a rua principal, não havia uma moça que nãoolhasse para aqueles quatro homens, eles eram muito conhecidos,pelas suas farras, pela união dos amigos e pela beleza estonteante decada um que deixava as moças encantadas. Mas apesar de suas famasde galanteadores e bem sucedidos em suas fazendas, nenhuma moçaos fisgava. Apearam dos cavalos e os atrelaram em frente ao coche deágua. Ian estava andando distraído de costas falando com os rapazesquando Willian tentou puxar seu braço, mas não deu tempo. Quandoele se virou, esbarrou em uma moça que estava à sua frente comalguns pacotes na mão. Ela, com a trombada, derrubou os pacotes nochão e começou a esbravejar. -Por que não olha por onde anda? Ian petrificou, ficou parado a olhando, quando ela ergueu osolhos e avistou-o, derrubou o outro pacote que ainda estava na suamão. Os rapazes percebendo aquilo se entreolharam sem entendernada. -Você? - Ian perguntou quase sem voz, sentindo um enormebaque afligir seu coração. Jayne não se mexia, parecia uma estátua e nem sequer piscavaolhando para ele. Willian abriu um largo sorriso para a moça paradaao seu lado, ele fez reverência tirando o chapéu. Emily, irmã maisnova de Jayne, sorriu para ele sem jeito e o cumprimentou com acabeça. Moça muito bonita, com os cabelos escuros, longos e lisos,olhos castanhos esverdeados, sorrisinho de marota. Mitchel esticouos olhos para a outra moça que estava logo atrás. Julia, a outra irmã,moça bonita, os olhava séria e observava a cena sem entender o que 19
  • 20. Paixões no Oeste – Vol. Ise passava com aquelas duas estátuas humanas, mas não perdeu obelo sorriso que Mitchel lhe lançou. Jayne para disfarçar seu súbitoespanto e sua falta de ar, após tanto tempo reencontrar aquelehomem que a deixou inebriada à três anos, soltou uma frase irônica. -Ora, ora! Se não é o gato molhado. Ian riu sem jeito com o coração completamente acelerado. -Como vai Srta.? O que faz aqui nesta cidade? - ele perguntougentilmente. -Estou morando aqui com minha família, e você? Ian quase morreu de felicidade a ouvindo falar aquilo. Seucoração pareceu quicar dentro do peito. -Eu sempre morei aqui. -Ian, não vai apresentar as moças? - Willian perguntou. Ian nem ouviu, Mitchel deu uma cotovelada nele para ver seele acordava. -Ah sim, desculpe, está é... Quando ia continuar a conversa ouviram um estrondo decavalos e tiros, todos meio que se abaixaram olhando de onde vinhaaquilo. Um grupo de uns dez homens entrou pela rua principal dacidade, estavam com lenços no rosto e atiravam para cima gritando.Ian agarrou Jayne pelo braço, Willian agarrou Emily e todos correrampara dentro do armazém que estava na frente deles e se abaixaramdebaixo da janela. David e Mitchel os seguiram com Julia e tirandosuas pistolas da cintura. Todos gritavam e corriam pela rua. -O que é isso? - Jayne gritou. -Não sei, devem ser bandidos querendo alguma coisa. -Eles estão entrando no banco. - David disse espiando pelajanela. -Meu pai está lá. - Jayne gritou tentando se levantar. -Fique abaixada. - Ian disse puxando-a para baixo. -Meu pai está lá dentro, pode acontecer algo a ele. -E o que você vai fazer, entrar lá e atirar em todos? -Boa idéia. Meninas! - ela gritou. Ela passou a mão na pistola que estava na cintura de Ian,quebrou uma das vidraças com a coronha da arma e deu um tirocerteiro em um dos homens que estava no cavalo. Os rapazes seolharam com cara de espanto e começaram a atirar também e osbandidos revidaram atirando, as balas começaram a estilhaçar as 20
  • 21. Paixões no Oeste – Vol. Ijanelas fazendo-os encolher-se. Emily levantou seu vestido e pegouuma arma pequena que estava presa na liga da sua meia. Willianvendo isso, ficou boquiaberto. “Que mulheres são essas, meu Deus?”- perguntou-se, sem contar que rapidamente correu os olhos na pernada moça. -Há homens encima dos telhados, me dêem cobertura. - disseMitchel e saiu porta afora agachado jogando-se atrás do coche,acertou dois deles nos telhados. Emily acertou outro que estava numcavalo. -Eu não trouxe minha arma. - Julia gritou. -Você... Dê-meuma. - falou para Willian vendo que ele tinha mais uma na cinta. -Está louca? - Willian perguntou espantado. -Haimmm... - Julia resmungou. -Me dá logo isso aí. - falouesticando a mão. Willian com uma cara de paspalho lhe entregou a arma e elacomeçou a atirar também. Os rapazes vendo aquelas atitudes ficaramembasbacados. -Mas que mulheres são essas? - Willian perguntou puxando obraço de David. -Não faço a menor idéia. - respondeu com cara de espanto. -Eu vou pelos fundos. David, fique com elas, Willian, venhacomigo. - Ian disse. Os dois levantaram e correram para os fundos. Outroshomens da cidade pegaram seus rifles e tentaram revidar. Muitos seesconderam. Jayne olhou pela janela e viu alguns homens saindo comseu pai e mais duas pessoas com as mãos na cabeça de dentro dobanco, o tiroteio de repente cessou. -Papai. - gritou levantando-se e David a puxou pelo vestido. -Fique abaixada. O homem mascarado puxou o lenço do rosto revelando-o,fez o velho ajoelhar, dando menção de que iria atirar nele. -Jayne, nós temos que fazer alguma coisa. - Emily disse emdesespero. Jayne pensou cerrando os olhos e olhou para David. -Você tem balas? Dê-me. -Tenho. O que vai fazer? -Não pergunte, dê-me as balas. - ele lhe deu um punhado.Ela levantou as saias enfiou o monte de balas nas meias e enfiou a 21
  • 22. Paixões no Oeste – Vol. Ipistola de Ian no cano da bota. Num salto, que nem David conseguiuagarrá-la, ela foi para fora. -Parem. - gritou com as mãos para cima. -Vocês já pegaram o dinheiro, os deixem em paz. Ian que estava com Willian na lateral da rua vendo Jayne,sentiu seu coração gelar. -Mas que diabos de mulher. Por que não ficou lá dentro?Está tentando se matar? - disse enlouquecido e nervoso. -Ora, ora, ora, o que vejo aqui? - Kid ironizou, um ladrão debancos, chefe do bando, muito perigoso e sarcástico, procurado emmuitos estados juntamente com seu bando. -Aproxime-se bela dama.- disse ele e ela começou a andar em direção dele calmamente. -Jayne não faça isso. - gritou seu pai. Kid deu uma coronhada na cabeça dele o fazendo desmaiar. -Pai! - ela gritou e correu para junto de seu pai se ajoelhandoao lado dele. -Hum, mas o que vejo aqui? Uma filha dedicada? Que lindo.- ele agarrou-a pelo braço, tirando-a do chão. -Qual é seu nome? - ela não respondeu. Ele colocou a armadebaixo do seu queixo. -Vou perguntar de novo, qual é seu nome? -Jayne... Jayne Cullen. -Você quer brincar Sra. Jayne Cullen? Então por que vocênão vem com a gente? - Jayne cerrou a mão e deu um soco no rostode Kid que lhe cortou com seu anel, ele colocou a mão no rosto e aolhou vendo que estava sangrando. Ele deu-lhe uma bofetada,agarrou-a pelo braço e a jogou para outro homem segurar. -Você émuito valente, não? Mas você vai pagar por isso. Kid mirou sua arma para o pai de Jayne. -Não! - gritou tentando se desvencilhar do homem. Ian estarrecido vendo aquilo atirou em Kid, acertando-lhe oombro. - ele cambaleou, derrubou a arma, mas não chegou a cair. Otiroteio recomeçou. -Vamos rapazes, a festa acabou. Rápido, vamos sair daqui. -gritou pulando em seu cavalo com Jayne de bruços na sua frente. Ian começou a atirar e derrubar um por um, Willian mirava eera tiro certeiro. Mitchel derrubou mais três que estavam nostelhados, David saiu correndo para fora atirando, Emily e Julia foramlogo atrás. -Jayne! - Emily gritou. 22
  • 23. Paixões no Oeste – Vol. I Ian montou em Trovão e saiu em disparada atrás deles. Umdos bandidos vendo que ele os estava seguindo virou-se para trás edeu um tiro certeiro em Trovão que caiu derrubando Ian. -Papai. - Emily gritou correndo até ele. Julia foi estar com ele também, ele estava zonzo, mas estavavoltando a si. Willian e David correram até Ian que esbravejava dedor no chão. -Ian, você está bem? -Estou. Não, Trovão... - abraçou o cavalo baleado sentindoseu coração estilhaçar, ele estava vivo, mas agonizava. Ian cerrou osolhos por um minuto tomando coragem, engatilhou a arma e lhe deuum tiro. -Vamos atrás deles. - disse enfurecido. Todos vieram para a rua para socorrer os feridos. Ian olhoucom tristeza para seu cavalo que era seu companheiro por anos.Willian foi até Emily e a levantou do chão. -Venha, é melhor levá-lo a um médico. -Temos que ir atrás de Jayne - Julia falou angustiada. -Nós vamos cuidar disso. - disse Mitchel olhando para Julia. -É melhor você levar seu pai para casa e avisar a família. -Não, eu irei junto. - Julia disse. -Eu também vou. - Emily disse. -Ninguém vai a lugar nenhum. - Ian disse enfurecido. - Senão fosse a Jayne ter dado uma de heroína, nada disso teriaacontecido. E que diabos de família são vocês? Mulheres armadas,com pontaria, metidas a valente. - Ian continuou gritando. -Fomos criadas para nos defender - retrucou Julia. -Bem... Isso agora não importa, nós temos que trazer Jaynede volta... Vamos para casa pegar munição e vamos atrás deles. -Jayne... Essa é a sua garota? - Mitchel perguntou espantado. -É... Ela mesma. -Minha nossa! Isso é que eu chamo de reencontro. -Pelo menos nós já sabemos por que ele gamou nela. - disseWillian, levantando as sobrancelhas. -Vamos Ian, vamos em meu cavalo. - David disse. -Onde está o xerife? - Willian perguntou. -Ah, provavelmente debaixo de sua mesa. - David retrucou. -Eu não preciso do xerife, vou cuidar disso pessoalmente. -Ian disse montando. -Vamos embora rapazes, não temos tempo a 23
  • 24. Paixões no Oeste – Vol. Iperder. Vocês não são obrigados a irem comigo, mas eu vou com ousem vocês, então quem quiser ir comigo me siga. -Eu não vou perder a diversão. - David disse. -Eu também não. - Willian disse. -Ah e muito menos eu, esta vida estava ficando chata mesmo.- Mitchel disse. -Então vamos. Eles saíram em disparada, algum tempo depois já estavamtodos na casa de Ian, carregaram as armas e pegaram munição extra.Ele foi à coxia e selou outro cavalo. -Vamos embora rapazes. Eles devem ter ido para o sul,temos que pegá-los à noite, assim vai ser mais fácil de tentar resgatarJayne. Temos que correr para poder alcançá-los, eles têm um bomtempo de vantagem. -Como sabe que foram para o sul? -Instinto. -Eu diria que ele está seguindo o cheiro do perfume dela. -Mitchel disse irônico. -Cale a boca, meus instintos nunca falham. -Acredito nele. - David disse. -Tudo bem, se estiver errado vai me pagar uma bebida. -Pare de resmungar e vamos embora. Montaram em seus cavalos e cavalgaram o mais rápido quepuderam até chegarem a uma clareira, eles viram uma luz distantevinda de uma fogueira. Ian levantou a mão para que parassem efizessem silêncio. -Podem ser eles, vamos a pé para verificarmos. Atrelaram os cavalos nas árvores a uma distância razoável edepois seguiram a pé. Embrenharam-se na mata e chegando perto,avistaram a fogueira e alguns homens rindo. Willian avistou Jayne efez sinal para Ian, ela estava amarrada com as mãos para trás, sentadano chão perto de uma grande árvore. Os homens do bando estavamem somente cinco, estavam contando o dinheiro que haviam roubadodo banco e tomando tequila. Enquanto eles cochichavam para vercomo iam agir, David viu movimentos de Jayne. -Ian. - David chamou cochichando e fazendo sinal. Ele olhou entre as árvores e viu Jayne passando suas mãosamarradas por debaixo das pernas e pegou a arma dele que ela havia 24
  • 25. Paixões no Oeste – Vol. Iescondido na bota. -Droga. - Ian engatilhou sua arma e todos se aprontaram. Num piscar de olhos Jayne atirou em um dos bandidos, elespularam da mata atirando, e mataram três deles, Kid e mais um deseus homens fugiram com a bolsa de dinheiro, mas havia levado maisum tiro. Quando tudo tinha acabado, Ian chegou enlouquecido pertode Jayne e a agarrou pelo braço empurrou-a contra uma árvore comtoda força. -Você é louca? Quer morrer? -Estou me defendendo e não preciso de ninguém que façaisso por mim. Ian estava tão perto dela, daquela boca, teve uma vontadelouca de beijá-la, mas ao mesmo tempo de estrangulá-la. Que mulherimpetuosa, maluca e tão avassaladoramente linda. -Ai... Vamos embora. - disse puxando-a pelo braço engolindoa seco e rangendo os dentes. -Onde estão Emily e Julia? -Ficaram com seu pai, estão bem, não se preocupe. -Desamarre-me. -Pensei que pudesse fazer isso sozinha. -Não seja estúpido. Ele pegou uma faca no seu cinturão e cortou a corda de seuspulsos, Ian colocou Jayne em seu cavalo e montou por detrás dela.Os rapazes somente os ficaram observando e se entreolharam, todosvoltaram mudos até a estrada perto de suas fazendas, mesmo por que,os dois tão próximos montados naquele cavalo deixou-os sem fala.Jayne sem controlar-se adormeceu no peito de Ian. -Rapazes, vão para casa, vou levá-la para minha fazenda epela manhã a levo para sua casa. Todos assentiram com a cabeça e seguiram rumos diferentes. Quando chegaram à fazenda de Ian, era tarde da noite, Jayneestava adormecida profundamente, ele tentou descer do cavalo comcuidado, pegou-a no colo e a levou para dentro de casa, foi para seuquarto e lentamente deitou-a na sua cama e a cobriu. Ele por algunsminutos ficou contemplando tal beleza, retirou os cabelos que lhecaiam sobre o rosto, para vê-lo melhor, sentou-se em uma poltronapróxima a cama, não conseguia tirar os olhos dela, após um tempoadormeceu, estava exausto. 25
  • 26. Paixões no Oeste – Vol. I Ao amanhecer, Jayne acordou assustada, sentou-se na cama eolhou ao redor para ver onde estava. Avistou Ian sentado na poltronaadormecido. Ela por um momento admirou-o e tentou lembrar-se detudo que aconteceu na noite passada. Passou a mão no rosto,levantou-se sem fazer barulho para que ele não acordasse, chegouperto dele e quis tocar seu rosto, deu um leve sorriso lembrando-setão perfeitamente dele, parecia mais lindo do que nunca. Seu peito seencheu de ansiedade que ela nem entendeu, sua vontade de tocá-loestava latente, mas desistiu, andando devagar foi para fora, pegou ocavalo de Ian e seguiu o rumo de sua casa. Quando Ian acordou, tentou abrir os olhos, seu corpo estavadolorido e passou as mãos no rosto. Olhando para a cama, viu queestava vazia e pulou da poltrona. -Onde ela está? - disse olhando ao redor. Foi para a sala, para a cozinha e nada, ela havia ido embora.Sentiu uma tristeza e ao mesmo tempo raiva. Pegou a jarra de água edespejou um pouco na bacia de porcelana e lavou o rosto, respirouprofundamente lembrando-se de Trovão, uma tristeza invadiu seucoração, teve vontade de chorar, como sentiria saudades dele, tentouafastar as memórias e foi para a cozinha preparar um café. “Como elafoi embora, a pé?” - pensou, foi para fora e seu cavalo não estava. -Mas será possível! - ele disse em voz alta. -Ela levou meucavalo. Mas também Ian, como você queria que ela fosse embora?Mas ela devia ter me acordado, eu a levaria e não ter pegado meucavalo e ido embora sem dizer nada. Mas que mulher que me tira asestribeiras. - irritado, voltou para a cozinha fazer seu café e o bebeu. -Meu Deus! Eu preciso de um banho. Ian pegou alguns baldes de água no poço para aquecer eencher a tina, na maioria das vezes tomava banho no chuveiro queficava num cercado do lado de fora da casa, não tinha muita paciênciapara puxar e aquecer água, mas como ainda estava frio, naquelemomento decidiu que iria ficar de molho num banho de tina por pelomenos meia hora. Depois do banho preparado, despiu-se e afundounaquela água morna e relaxante, recostou a cabeça na beirada, fechouos olhos e ficava lembrando-se do rosto dela que insistia em não sairde sua mente. Quando estava absorto em seus pensamentos, ouviuuma batida na porta da sala de banho e voltou num susto. Jayne abriua porta subitamente chamando seu nome, ele automaticamente jogou 26
  • 27. Paixões no Oeste – Vol. Io braço para o lado, pegou a arma e num pulo levantou-se apontandoa arma para a porta. Jayne quando o avistou deu um grito, fechou osolhos e virou-se para o lado. -Ai meu Deus! - ela gritou. Quando Ian viu que era ela, abaixou a arma. -Isso é jeito de entrar aqui? Quase lhe dou um tiro. - brigou erapidamente pegou uma toalha a enrolando na cintura. -Por que nãochamou? -Desculpe, eu vim devolver seu cavalo, e eu chamei seunome, mas você não respondeu... Por acaso é surdo? - falou ainda delado e gaguejando e depois esbravejando. -É! Eu deveria ser surdo para não ter que ouvir o que vocêfala. - falou bravo saindo da tina. -Por que não me acordou antes de irembora? -Você parecia cansado, eu não quis acordá-lo. - falou comvoz mansa tentando disfarçar o nervosismo de tê-lo visto nu. Ele suspirou, abaixou a guarda e mudou o tom da voz. -Está bem, mas não precisava ter trazido meu cavalo, eu teriabuscado. -Não... Eu fiz questão, pois queria lhe agradecer pelo que fezontem indo me salvar, obrigada. -Não precisa agradecer. - Ian estava parado com a toalhaenrolada na cintura e olhava para ela, estava imóvel. Jayne olhou paraele de canto de olho, seu coração estava acelerado no peito. -“Meu Deus que homem é esse?” - perguntou em seuspensamentos e rapidamente virou o rosto novamente. -Será que daria para você colocar uma roupa, por favor? -Ah sim... Por quê? Deixo-te desconfortável? - ele disseironicamente. -Meu Deus! Como você é petulante, vou embora. - ela virou-se para sair. -Não. - falou num súbito. -Não precisa ir embora, espere-mena sala, eu já volto. Ele entrou para o quarto e ela foi para a sala quase passandomal. “Mas que diabos, nem um tiroteio me deixa assim nervosa” -pensou com as mãos na barriga e dando um profundo suspiro. Alguns minutos depois ele voltou vestido e com os cabelosmolhados, Jayne olhou para ele e pensou. “Será que seria possível ver 27
  • 28. Paixões no Oeste – Vol. Ieste homem em um estado feio pelo menos uma vez na vida? Comoele fica lindo de cabelos molhados”. -Aceita um café? -Sim obrigada. - respondeu. Ele pegou um café para ambos eforam para a varanda. -Você tem uma bela fazenda. - disse olhandoao redor. -Sim, era do meu pai, eu a estou melhorando como posso. Jáestá bem diferente do que era antes. -Belo trabalho. -Obrigado. Então, você é filha do banqueiro? -Sou. -Então você se chama Jayne Cullen? -Sim... Mora aqui sozinho, ou é... Casado? -Não sou casado. - disse com um leve sorriso e ela sorriu semjeito. -Aquelas moças que estavam com você são suas irmãs? -São. Emily e Julia. -Mas daria para me responder, por que vocês têm esse jeitoagressivo? Nunca vi mulheres assim. -É uma longa história. - disse meio apreensiva. -Estou interessado em saber. -Mas eu não quero falar sobre isso, só vim lhe entregar seucavalo, obrigada pelo café. - ela colocou a caneca na mesinha queestava ao seu lado. -Tenho que ir, adeus. -Espere, não vá. -Tenho que ir, e sinto muito pelo seu outro cavalo, soube queele foi baleado ontem. -Obrigado. - respondeu tristemente. Ela montou em seu cavalo e olhou para Ian, lhe deu umsorriso e o admirou por alguns instantes. -Você deveria aprender a fazer café, o seu é horrível. - ela lhedeu um sorriso irônico e antes que ele dissesse alguma coisa, Jayneatiçou o cavalo e saiu galopando para fora da fazenda. Ele ficou olhando-a distanciar-se até sumir, sentiu um apertono peito, aquela mulher estava o tirando do sério, nem acreditava quea havia reencontrado. Ian olhou para dentro de sua caneca. -Ela tem razão, é horrível mesmo. - ele fez uma careta ejogou o café fora. Quando chegou em casa, suas irmãs estavam a esperando. 28
  • 29. Paixões no Oeste – Vol. I -Então, como foi lá? - Emily perguntou. -Nada de mais. - Jayne respondeu sem olhar para elas. -Cheguei, devolvi o cavalo e vim embora. -Ah ta! E se foi só isso, por que você está com esta cara,heim? Eu a conheço, alguma coisa aconteceu. - Julia perguntou eJayne pensativa, deu um suspiro. -Bem... Eu o vi nu. -O que? - Julia gritou. -Como assim? O que aconteceu? Vocêêss... - Emily faloufazendo um movimento circular com as mãos e com os olhosarregalados. -Imagina Emily! Eu nem o conheço, foi um acidente. -Aham, como assim? Eu nunca vi um acidente deste tipo,desembucha, mulher. - Julia falou sem muita paciência. -Não foi nada, eu entrei na casa e o peguei tomando banho,foi só isso. -Ai meu Deus... Só isso? Aquilo tudo sem roupa? Jesus! Porisso que você está com cara de palerma. - Emily falou nervosamente,mas olhando para a irmã como se imaginasse. -Emily, pare com isso, deixe de ser desbocada menina. Nãoaconteceu nada e eu nem liguei, não foi nada de mais. -Sim... Não deve ter sido mesmo, só queria saber o que foique deixou você com esta cara de bocó se não foi ver aquele homemnu. Pelo amor de Deus! - Julia falou com as mãos no rosto. -É meninas, não vou negar que ele é todo perfeito, meu Deusque corpo ele tem, e aqueles cabelos molhados, o que é aquilo? E orosto, é perfeito. Nunca pensei que depois de tanto tempo iria vê-lonovamente, parece que estou fora de mim. -Realmente eu nunca achei que você iria vê-lo de novo. Masenfim, agora você o achou e o que vai fazer? - Julia perguntou. -Nada. -Como assim, nada? - Emily gritou. -Nada oras, não quero saber dele. Não vou me envolver nemcom ele nem com ninguém. -Jayne, talvez seja uma boa idéia. Nós não temos sorte comhomens, eles são uns canalhas, é melhor deixar as coisas do jeito queestão. - Júlia disse. -Meninas, vocês estão loucas? Aquele homem é muito lindo e 29
  • 30. Paixões no Oeste – Vol. Iparece ser uma ótima pessoa. E além do mais ele e seus amigosarriscaram-se para salvar Jayne, não é? Julia, dá uma chance. -Tudo bem. Eu admito que gostei desta parte. - Julia disse. -Ai meninas parem com isso, por favor! Não há nada entrenós, ele é um grosseirão. - Jayne disse meio revoltada. -Ui, bem que eu queria um grosseirão desses. - Emily disserindo. -Ah, mas quero saber quem são aqueles outros homens queestavam com ele, meu Deus aquele moreno de olhos verdes é muitolindo, me encantei com ele, e Julia o outro lá ficou a encarando de umjeito que pensei que ele fosse a engolir. -Quem, o grandalhão? -Não, aquele com cara de cafajeste. - Emily disse rindo. -É eu percebi, mas com aquela cara dele eu vou ficar é bemlonge, ele deve ser um safado e mulherengo. - disse Julia. -Jayne, você sabe os nomes deles? - Emily perguntou. -Eu não sei direito... Eu acho que o moreno de olhos verdeschama-se Willian, o com cara de cafajeste como diz você é Mitchel eo outro... Hum, não me lembro, como é mesmo? -Acho que é David. - Julia disse pensativa. -Sim, eu também acho que é. - Emily complementou. -Eu só digo uma coisa, não quero saber de Ian, melhor eleficar longe. O que aconteceu não significa nada, não me impressionae nem me interessa. Bem meninas, vou ver meus cavalos. - disse meiodescontrolada e saiu do quarto. -Julia, Jayne está apaixonada por ele. -Está. E eu nem quero ver onde isso vai parar. -É, mas se ela não agarrar este homem eu lhe juro que jogoela no chiqueiro. Não foi à toa que o reencontrou desse jeito. -Olha... Por muito tempo eu a defendi e achei que ela deviaficar afastada de homens, mas agora concordo com você, depois dejogá-la no chiqueiro eu ainda a afogo no poço. - as duas riram. ** Os rapazes foram até a fazenda de Ian para ver como ascoisas estavam. -Olá Ian. -Olá rapazes. -E então? Viemos aqui saber se está tudo bem, quero saber oque aconteceu com a moça. - David perguntou. 30
  • 31. Paixões no Oeste – Vol. I -Ela está bem, foi para casa. -Hum... Sei. - Willian disse. -E aí meu amigo, conte-me o que aconteceu com a moçaontem à noite, vocês dois aqui sozinhos... - Mitchel disse ansioso. -Mas que interrogatório é esse? Não aconteceu nada, eladormiu na minha cama e eu na poltrona. Quando amanheceu ela foiembora e ponto final. -Ai meu Deus! Ian, você é um caso perdido... Como você metraz uma mulher daquelas para sua casa, ela dorme na sua cama e nãoacontece nada? - Mitchel falou indignado. -Mitchel, não havia nada para acontecer, eu nunca iriadesrespeitá-la, ela é uma moça de família. -Ah... Eu iria. - David riu, zombando dele. -É Ian, esta foi difícil. Como você se controlou, amarrou-senuma árvore? Não, porque depois de três anos esperando ver estamulher novamente, salvá-la de bandidos e ainda ela dormir na suacama e vocês não fazerem nada, meu Deus! Você deve estar comalgum problema. - Willian disse rindo. -Engraçadinhos. Eu não estou com problema algum, nãoexiste nada entre nós, só isso. -Ai ai, imagina se existisse. - David suspirou. -Falando em bandidos, você quer me explicar o que acontececom aquelas malucas? Quando vi aquela moça erguendo o vestidoque quase me deixou louco, porque mostrou as pernas bem debaixodo meu nariz e sacou uma arma, eu quase pirei. - Willian disse. -Verdade, elas parecem mais pistoleiras que filhas de umbanqueiro, meu Deus nunca vi mulheres atirarem daquele jeito! Eesta tua mulher mesmo Ian, é louca, sair e enfrentar os bandidos parasalvar o pai. O que é isso? - Mitchel falou com uma cara de quem nãoacreditava o que tinha visto. -Realmente rapazes, elas são malucas e estou pensando quenão foi uma boa para mim tê-la reencontrado, ela é mais maluca doque eu imaginei, mas ela me deixa completamente louco. Ao mesmotempo em que tenho uma vontade de agarrar aquela mulher e beijá-latenho vontade de torcer seu pescoço, nunca vi alguém tão impetuosae boca suja, ela sempre me arrebenta. - disse indignado. -Ian, eu acho que ela é daquelas mulheres que precisam serdomadas, como os Mustangs selvagens. 31
  • 32. Paixões no Oeste – Vol. I -David, eu concordo com você. - Willian disse. -Meu amigo, eu sinto muito lhe dizer, mas você está numaenrascada daquelas. - Mitchel disse dando umas palmadinhas nascostas de Ian e todos riram. -Mas eu quero saber daquela morena,meu Deus, que mulher é aquela? E que cara de brava que ela tem.Quando a vi senti um frio no meu estômago, mas vou jogar meucharme para ela, com certeza ela cairá aos meus pés. -É Mitchel, ela é muito linda mesmo, assim como a que eume encantei, a de cabelos lisos, acho que o nome dela é Emily, mas asua tem uma cara de que vai fazer você andar no trilho do trem. -Willian disse rindo e todos riram concordando. -Ian realmente, agoraeu entendi porque você nunca conseguiu tirar Jayne da cabeça, ela éuma mulher maravilhosa, além de maluca, claro. -É verdade. -Bem rapazes, eu acho que nossa tentativa de ir ao Saloonontem foi fracassada, apesar de ter adorado a aventura. Fazia tempoque não dava uns tiros, mas eu sugiro irmos hoje, estou em brasa,quero fazer umas festas com as moçoilas, já que aquela beldade demorena não me deu bola, por enquanto, porque vou jogar meucharme para ela mais tarde. O que acham? - Mitchel perguntou. -Mitchel, se mexer com a irmã da Jayne, eu acho que você vaise meter numa enrascada pior que a do Ian... Mas não vou ao Saloon,meu braço está doendo muito, vou para casa. - David disse. -Eu também não vou. - Ian disse. Mitchel olhou para Willian com uma fisionomia implorativa,e ele riu. -Tudo bem, eu vou com você. -Ahhh... Até que enfim alguém com juízo neste lugar, entãovamos logo. Despediram-se e seguiram seus rumos. Ian sentou-se navaranda com uma garrafa de tequila e começou a pensar em Jayne.Como o destino lhe pregou uma peça, depois de tanto tempo areencontrou, e ele estava tão perdido que não sabia o que fazer. Masela o deixava completamente fora de seu juízo, seu coração estava deum jeito que ele não conseguia entender, e seu rosto e sua voz nãolhe saia do pensamento. Lembrou-se dela dormindo em seu peito, decolocá-la na cama adormecida como um anjo. -Como ela é linda, odeio quando ela me desafia, mas ela fica 32
  • 33. Paixões no Oeste – Vol. Imais linda ainda. Ai... Esta mulher vai me enlouquecer. Como ela medeixa nervoso. Ele continuou na varanda até altas horas da noite somentepensando em Jayne e tomando tequila, depois se recolheu ao seuquarto para dormir. ** Emily foi cavalgar, adorava ir até aos penhascos ondeavistava o rio, não conhecia todas aquelas terras ainda e estava curiosapara ver tudo, desceu de seu cavalo e ficou admirando a paisagem e orio que corria lá embaixo. Enquanto estava absorta em seuspensamentos ouviu uma voz que a assustou. -Olá Srta. - Willian disse se aproximando no seu cavalo, elaassustando-se e levantou num salto vendo que era o amigo de Ian. -Olá. - disse meio sem jeito. Como ele estava encantador, seus olhos verdes brilhavamcomo duas estrelas e que sorriso ele lhe dava. Emily ficou olhandocada centímetro do rosto dele e ficou inebriada sem respirar. -Como está seu pai? - perguntou escorado com um braço nasela do seu cavalo. -Está bem. - disse meio que gaguejando e Willian desceu docavalo e foi para perto dela. -Fico feliz. E a Senhorita, como está? -Estou bem, obrigada. - Emily disse abaixando os olhos. -Esta vista é maravilhosa, sempre venho aqui. - Willian disseolhando para o rio lá embaixo. -Sim, descobri este lugar a pouco tempo, mas adoro vir aqui. -Você é irmã mais nova de Jayne, certo? -Sim. -Seu nome é Emily? -É. -O meu é Willian Jonhson, no meio daquela confusão, nósnão tivemos tempo de nos apresentarmos formalmente. -Sim, foi uma loucura. Prazer em conhecê-lo Sr. Jonhson. -Me chame de Willian. Encantado senhorita. - disse beijandosua mão deixando-a encabulada. -Eu tenho que lhe agradecer por ter ido atrás de Jayne. Peloque ela me disse estava tentando escapar quando vocês chegaram, e aajudaram. 33
  • 34. Paixões no Oeste – Vol. I -Não tem o que agradecer, Ian iria de qualquer maneira e nósjamais o deixaríamos ir sozinho, se fossemos esperar pelo palerma doxerife ela ainda estaria com os bandidos. - disse rindo. -Ouvi dizer que ele não serve nem para chavear as celas. -É... Realmente não, se bobear ele não consegue nem achar acabeça do cavalo, é capaz de montar ao contrário. - os dois riram. -Você é muito bonita. - disse olhando nos olhos dela. -Obrigada. - disse encabulada com o comentário. -Vocêtambém. “Ai eu disse isso?” - pensou espremendo os olhos. -Obrigado. - ele disse abrindo um largo sorriso que deixouEmily com as pernas bambas. Ele percebeu que ela soltou ocomentário sem querer. -Venha algum dia à minha fazenda, tenhouma irmã que deve ter sua idade, ela ficaria feliz em conhecê-la, eucreio que é meio difícil chegar a uma cidade estranha sem conhecerninguém. -Agradeço e irei sim. Realmente eu não conheço ninguém,mas tenho minhas irmãs que gosto de conversar. -Parece-me que sua irmã tem uma situação meio estranhacom meu amigo. - disse levantando as sobrancelhas. -É verdade, o caso deles é de causar preocupação. - falourindo e dando uma olhada para Willian de canto de olho. -Ian nunca esqueceu aquele encontro que teve com Jayne háalguns anos, depois disso nunca se envolveu com nenhuma mulher,sempre teve esperança de vê-la novamente. -Verdade? - Emily disse admirada. -Sim, é verdade. Nós até ficamos meio preocupados com ele,pois nunca me passou pela cabeça que alguém pudesse se apaixonarassim tão rapidamente. Achei que ele tinha batido com a cabeça eficado retardado, mas sinceramente depois que vi sua irmã e o jeitodela, tenho que admitir que isso fosse possível. -Bem, eu creio que isso aconteceu com Jayne também, elaficou desnorteada quando o conheceu, mas não acho que ele vai termuita sorte. Ela é difícil de agarrar. -Você acha que Ian não terá chance com ela? -Eu não sei. Ela não vai abaixar a guarda facilmente pelo queconheço dela, tem um gênio terrível e depois do que lhe aconteceu,ela ficou amargurada e brava, mas talvez haja uma possibilidadeporque estamos falando de Ian, não é? - falou dando uma risadinha. 34
  • 35. Paixões no Oeste – Vol. I -Sim, a mesma coisa aconteceu a ele. -Hum... Estranho isso. - resmungou pensativa. -Sinceramente, acho que eles foram feitos um para o outro. -Sabe que eu também acho? - falou rindo. -Mas creio que vaiser difícil. -Mas o que aconteceu com ela? -Desculpe, eu acho bom não falarmos nisso, é assunto dela. -Ok. Não precisa me contar nada se não quiser. -E você, o que faz? -Eu tenho uma fazenda, crio gado. Quando Willian foi abrir a boca para falar algo mais, ouviramo relinchar do seu cavalo que estava atrás deles. Assustara-se comuma cobra. -Ôôô... Calma. - Willian gritava tentando puxá-lo pela rédea,mas o cavalo empinava-se, pois a cobra estava a ponto de dar o bote.Ele sacou a arma e deu um tiro na sua cabeça. Mas seu cavalo estavaassustado e andou desengonçado em direção à Emily que foi indopara trás para não ser pisoteada. Ela chegou muito à beirada dopenhasco e acabou escorregando, deslizou ficando dependurada,gritou escorregando para baixo. Ela agarrou-se nos matos na margempara tentar segurar-se, fazendo com que Willian num salto pulassepara a margem tentando a segurar pela mão. -Segure minha mão. - gritou assustado. Ela tentou segurar,mas não conseguia alcançar. -Emily pegue minha mão. - Williantentou ir mais abaixo para alcançá-la, mas ela escorregava cada vezmais. Ela não conseguiu segurar-se e caiu do penhasco gritando. -Emily! - gritou a vendo despencar. Ela caiu no rio e Willian olhou para os lados e não havia nadaa fazer, sem pensar pulou do penhasco caindo no rio atrás dela,quando emergiu tentou avistar Emily e nadar o mais rápido que pode,mergulhava e a procurava. Ela voltou do fundo e tentava nadar, masa correnteza estava muito forte, e foi para o fundo novamente. Acorrenteza os levava rio abaixo, Willian avistou-a e nadou fortementeao seu encontro. Ele a agarrou e forçosamente nadou para a margemdo rio com ela desacordada em seus braços. -Emily, acorde pelo amor de Deus! - dizia tentando reanimá-la soprando ar para seus pulmões e com dificuldade, ela voltou a si. - 35
  • 36. Paixões no Oeste – Vol. IEmily, você está bem? - ele perguntou em pânico, ela tossiu jogandoágua para fora e assentiu com a cabeça. -Ai senhor... Graças a Deus.Tenho que levá-la a um médico, você está sangrando. - ele disseapavorado, ela havia se cortado nos galhos, suas mãos estavam todasarranhadas. -Eu não preciso de médico, eu quero ir para casa. -Tudo bem, eu vou dar um jeito. - disse dando uma olhadaao redor e para cima. -Temos que subir, nossos cavalos estão láencima do penhasco. Pode se levantar? - perguntou vendo que ela jáestava recobrando os sentidos. -Sim. -Eu preciso fazer um curativo em suas mãos, permite-me? -ele perguntou já rasgando uma tira de tecido da saia de Emily semesperar que ela lhe desse permissão e cuidadosamente enfaixou suasmãos. -Vamos, já está anoitecendo, se não conseguirmos chegar atéos cavalos antes do anoitecer estamos ferrados. Tentaram subir, mas a subida era íngreme demais e haviamuitos matos fechados, tentaram dar uma volta enorme e entãopegaram a noite. Ele ia à frente e a segurava pelo punho, pois suasmãos estavam feridas. -Estou com frio. - Emily disse tremendo. -Eu sei, acho melhor acharmos um lugar para pararmos eacender uma fogueira para nos aquecermos. Eles encontraram uma imensa pedra oca, Willian catou unsgalhos e fez uma fogueira batendo duas pedras sobre finos galhossecos, seus fósforos haviam se molhado e ele indignado o olhoujogando para longe, teria que usar o que tinha em mãos. Ele demorouem acender a fogueira, mas Emily sorriu quando o viu conseguir tirarfogo de pedras. Os dois tremiam, a noite caíra e o frio estavacongelante, principalmente porque estavam com as roupas molhadas. -E agora o que vamos fazer? Não conseguiremos chegar láencima no escuro. - Emily perguntou apavorada. -Teremos que passar a noite aqui e de manhã seguiremos. -Minha família ficará enlouquecida porque eu não voltei. -Eu sei. Minha irmã também ficará, mas nós não temos comoprosseguir nesta escuridão, não há lua e pode ser perigoso. -Eu estou com medo. -Está tudo bem, nós precisamos nos aquecer, venha aqui. 36
  • 37. Paixões no Oeste – Vol. I Willian a abraçou para reconfortá-la e para que o calor dosseus corpos pudessem os ajudar a aquecer, aquele abraço fez os doissentirem-se constrangidos. Ficaram ali parados na frente da fogueirasem ter outra coisa para fazer e o silêncio imperou na imensidão danoite. ** -Julia, Emily saiu para cavalgar e ainda não voltou. - Jaynedisse apreensiva. -O que? - perguntou olhando para ela com cara de susto. -Será que ela se perdeu? Será que aconteceu alguma coisa? -disse Jayne tentando pensar andando em círculos. -Temos que ir atrás dela, eu vou avisar papai e pegar algunshomens. -Vá falar com papai, vou ver quantos homens posso reunir. Jayne estava com os cavalos e apenas dois homens. Julia saiuda casa com seu pai, com lamparinas e espingardas. -Papai, nós temos que ter mais gente, se ela está perdidateremos que nos espalhar, não tenho idéia para que lado ela possa terido. -Podemos pedir ajuda para algum fazendeiro aqui por perto.- disse Sr. Cullen. -Também acho. Por que não pedimos ajuda para o Sr. Bullere seus amigos? Eles moram aqui perto e conhecem bem esta região. -Julia disse olhando para Jayne. -Está bem, vamos. - Jayne disse subindo em seu cavalo. Galoparam até chegar à fazenda de Ian. Ele ouvindo ostrotes dos cavalos se aproximarem, pegou uma espingarda e abriu aporta, ficou admirado quando viu quem era. -Boa noite, Sr. Buller. - Jayne disse. -Boa noite. Algum problema? -Boa noite, Sr. Buller. Sou Carl Cullen, minha filha Emily estádesaparecida, saiu para cavalgar e não voltou até estas horas da noite,receio que possa ter acontecido algo e estamos juntando algunshomens para irmos atrás dela. O Senhor poderia nos ajudar? - pediunervosamente. -Claro, podemos pedir para meus amigos, eles irão também. Ian olhou para Jayne por um instante, virou-se e entrou,pegou seu chapéu, vestiu um sobretudo e pegou um rifle com balas, 37
  • 38. Paixões no Oeste – Vol. Icolocou seu cinturão com duas pistolas carregadas e saiu da casa,montou em seu cavalo e enfiou a espingarda logo atrás em sua sela. Saíram em disparada e chegaram rapidamente à fazenda deWillian, pararam na frente da casa e Ian gritou seu nome. Maryassustou-se e apareceu na porta com um rifle na mão. -Calma, Mary sou eu, Ian. Onde está Willian? -Ele não está aqui. Saiu de tarde e até agora não voltou, acheique estava com você. O que está acontecendo? -Bem, pode ser que ele esteja na casa dos rapazes. A filha doSr. Cullen está desaparecida e vamos procurá-la, vou à casa dosrapazes, boa noite. -Espero que a encontre logo. - disse olhando para Jayne eeles galoparam até a fazenda de David. -David! - Ian gritou sem descer do cavalo. -O que está acontecendo? - David perguntou indo à varanda.Mitchel estava com ele. -A filha do Sr. Cullen, Emily está sumida, vamos procurá-la,vim pedir ajuda a vocês. -Ok, um minuto. - David entrou para pegar suas coisas. -Mais uma aventura. Parece-me que sua família está agitandoa cidade, Srta. Cullen. - Mitchel disse para Jayne já subindo em seucavalo e ela lhe deu um sorrisinho. -Obrigada por ajudar. -Às ordens. - disse baixando a ponta do chapéu e depois sevirou e olhou bem para Julia. Ela o estava olhando, depois virou orosto dizendo. -Para que lado nós iremos? -Sugiro que nos separemos, assim temos mais chances deencontrá-la ou alguma pista. Eu vou para o lado do rio e vocês vãopara aquele lado, David vem comigo e mais duas pessoas. Onde estáWillian? Ele não está aqui? - Ian perguntou aos rapazes. -Não. Não está em casa? - David perguntou. -Não, eu achei que estivesse com vocês. -Eu o vi hoje à tarde e ele disse que iria para casa. -Isso está estranho. - Ian disse. -Pior que está, será que ele foi à cidade? - David perguntou. -Não creio, ele estava na cidade esta tarde, por que voltaria? -Hum... Eu não quero dizer nada, mas eu estou achando que 38
  • 39. Paixões no Oeste – Vol. IWillian está com a Emily - David cochichou para Mitchel. -Sabe que isso também me passou pela cabeça? -Se isso for verdade talvez eles não queiram ser achados. -David falou rindo baixinho. -Eu não iria querer. - Mitchel soltou uma risada. -Eu ouvi isso. - Jayne disse. -Desculpe Srta. foi só um comentário. -Você vem comigo? - Ian perguntou a Jayne. -Vou. -Vamos lá pessoal. Tocaram os cavalos e separaram-se. O grupo de Ian subiu openhasco contornando o rio. -Não se preocupe, Srta. Cullen. Vamos encontrá-la. -Espero que sim e que ela esteja bem. - disse apreensiva. -O problema é esta escuridão, vai ser difícil encontrarmospistas, teremos que contar com a sorte. Andaram, andaram e nada, de vez em quando gritavam onome de Emily. Estavam quase chegando ao penhasco quandoavistaram um cavalo. -É o cavalo de Emily. Meu Deus! - Jayne disparou até ocavalo e olhou ao redor, gritou o nome dela, mas não teve resposta. -Ela pode estar por perto, vamos por aqui. - disse Ian. Subiram mais até o penhasco e encontraram outro cavalo. -Ian, é o cavalo de Willian. - David gritou. -Então, eles podem estar juntos realmente. - Jayne disseassustada. -Se ele fizer algo a ela eu o mato. -Ei, ei... Acalme-se. Willian nunca faria mal a ela, deve teracontecido alguma coisa, vamos descer e ver se encontramos algo. -Ian, veja. Uma cobra estraçalhada... Parece tiro. - Daviddisse a iluminando com a lamparina. -O chapéu dele. - Ian encontrou sentindo um frio lhe afligir oestômago e logo pensou em desgraça. Ele foi à beira do penhasco,colocou a lamparina próxima ao chão e pode ver que alguém havia searrastado por ali. -Eu acho que eles caíram do penhasco. - Ian disseapavorando-se. -Oh meu Deus! - Jayne gritou. -Isso não pode ser. Emily! -gritou sentindo um desespero. -Calma Jayne. - Ian abraçou-a. 39
  • 40. Paixões no Oeste – Vol. I -Willian! - David gritou. -Ian, qual a probabilidade de elesterem caído mesmo e estarem vivos? - disse nervoso. -Ai meu Deus! - Jayne estava em pânico. -Não sei, Willian sabe nadar muito bem, mas não sabemos oque aconteceu. Se eles caíram, a correnteza deve tê-los arrastado rioabaixo. Vamos fazer o seguinte, você desce o penhasco por este ladoe segue a margem do rio para ver se os encontra, eu e Jayne daremosa volta e iremos pelo outro lado para tentar costear a outra margem evocê... - disse olhando para James que os acompanhava. -Corra atéos outros e diga para virem para cá. -Ok. - disse montando no seu cavalo e se afastando. -Vamos Ian, nós temos que encontrá-los. Os dois subiram nos cavalos e foram para o outro lado. ** -Tudo bem, eu já estou bem. - Emily disse ainda nos braçosde Willian. Ele a soltou, mas na verdade ela não queria que ele a soltassee muito menos ele. Acabaram puxando conversas banais porqueestavam nervosos, falavam de diversas coisas, mas nada de útil. Emilylevantou-se e começou a tagarelar sem parar, fazia isso quando ficavanervosa e ficar ali com aquele desconhecido em plena madrugada erauma coisa inesperada e constrangedora. -Srta. Cullen desculpe-me, mas está me deixando zonzo.Poderia parar de tagarelar um pouquinho? -Ah me desculpe Willian, mas eu estou nervosa. Chame-mede Emily. -Tudo bem Emily, eu sei que está nervosa, mas logo cedovamos para casa. Ele se levantou e colocou mais alguns galhos na fogueira. Elacontinuou falando e andando para lá e para cá. Willian ficou paradoolhando-a escorado na pedra, ela o olhou e parou abruptamente.Perderam-se num olhar fumegante. Num rompante ele estava tãopróximo a ela, ele passou a mão pela nuca de Emily, a puxou e deu-lhe um beijo. Entregaram-se àquele contato inesperado, Emily sentiusuas pernas amolecerem e seu coração disparar. Ele parou de beijá-la,se afastou somente alguns centímetros de seu rosto a olhando. -Desculpe-me, eu não resisti. - sussurrou. -Mas, pelo menosvocê parou de falar. - disse mansamente e sorrindo. 40
  • 41. Paixões no Oeste – Vol. I -Beija-me de novo? - disse sentindo-se sobre uma nuvem. Ele lhe deu um sorriso e beijaram-se novamente, num beijolongo que até esqueceram que estavam perdidos. -Venha, vamos sentar. - Willian disse puxando-a pelo braço,sentaram-se recostados na pedra e ficaram mudos, seus pensamentosestavam confusos que nem sabiam o que falar. -O que foi? Vocêficou muda de repente. - disse rindo e ela riu envergonhada. -É que eu nunca tinha sido beijada antes. -Eu acho que esta situação está inusitada para nós dois. -Por que, nunca havia beijado antes? -Não, é que nunca havia salvado ninguém de um penhasco,ficado perdido e ainda mais com uma Srta. tão encantadora. Ela sorriu para Willian que a olhava encantado e recostou acabeça no seu ombro, ficaram mudos olhando para a fogueira e elaacabou adormecendo. -“Ai meu Deus! Que situação eu me meti... Mas até que esteincidente me saiu melhor que a encomenda, ela é perfeita”. - Willianpensou com um sorriso nos lábios. Agora iriam esperar amanhecer. Ele estava exausto, masmanteve os olhos abertos e sua arma ao seu lado, precisava ficar emalerta caso algum animal aparecesse. Ian e Jayne estavam na margemabaixo, haviam andado por horas. -Jayne, vamos parar um momento. - Ian falou. -Não. -Temos que parar para dar água aos cavalos e descansar umpouco, já está clareando, agora ficará mais fácil. -Está bem. - consentiu meio contrariada. Ian levou seu cavalo para beber água e lavou o rosto. Eleolhou para ela que estava acariciando seu cavalo. -Seu cavalo é muito bonito. Como ele se chama? - ela olhoupara ele e não sabia se dizia o nome dele, pensou um pouco, poissabia que ele se lembraria do seu Trovão que morrera e ficaria triste. -Não vai me responder? - disse indignado. Ela olhou para ele franzindo os olhos e pensando que ele jáestava começando com grosserias. -Eu ia responder, mas agora não vou mais. -Mas como você é ingrata, vai a minha casa pedir ajuda e ficafazendo grosserias comigo, você não pode me responder uma simples 41
  • 42. Paixões no Oeste – Vol. Ipergunta? -Eu já disse que ia responder. Você que não teve paciência deesperar, e você quem foi grosseiro. - disse zangada. -Ah já entendi, é que a resposta demora em sair do seucérebro e chegar à sua boca. - disse irônico. -Ora seu estúpido, não fale assim comigo. Eu pelo menostenho um cérebro, diferente de você que deve ter ovo de galinhadentro da cabeça. -Ovo de galinha? - Ian ficou furioso. -Eu devia tê-la jogadodo penhasco para você fazer uma busca no rio dentro dele mesmo. -Ah é? Se você tivesse tentado me jogar com certeza eu teriao carregado junto. - disse fazendo cara de que ele não conseguiria eIan soltou uma gargalhada. -Essa eu queria ver. -Você se acha muito esperto e machão, não é? - dissezombando. -Aposto que não consegue uma mulher que o aguente. -falou e foi chegando perto dele com as mãos na cintura. -Bem... Você é que não deve conseguir um marido, poisninguém consegue aguentar você falando por quinze minutos, eumesmo jamais me casaria com você. -E quem disse que um dia eu iria pensar uma coisa dessas? Sóse eu estivesse louca, não me casaria com você nem que fosse oúltimo homem da terra. - ele se aproximou mais dela e estavam bemperto e se olhavam nos olhos que fumegavam. -Sua mimada. - ele xingou furiosamente. -Estúpido. - gritou. -Eu não preciso de você, vou seguirsozinha. - ela deu as costas para ele e foi subindo no cavalo. -Você não vai a lugar nenhum sem mim. - ele a puxou devolta, a virou de frente para ele a segurando pelos braços. -Solte-me seu brutamonte! - disse tentando se desvencilhar. Os dois de repente pararam e seus olhos se fixaram de umamaneira estrondosa. Ian não conteve seu desejo e a puxou contra seupeito e a beijou, ela tentou se afastar esmurrando seu peito, mas obeijo dele consumiu-lhe a alma, suas pernas foram amolecendo e elase rendeu aquele beijo ardente. Os dois beijaram-se com uma paixãoavassaladora, seus corpos ardiam em brasa, nenhum dos dois nuncahavia dado tal beijo com tanta paixão e indecência em suas vidas. Issoos consumiu e os tirou o juízo. Os dois se ajoelharam como se 42
  • 43. Paixões no Oeste – Vol. Inenhum dos dois conseguisse sustentar as pernas e beijavam-se.Esqueceram do mundo e só havia eles dois como uma fogueira emchamas, ele empurrou o corpo dela para o chão com o dele ecomeçou a lhe beijar o pescoço. Ian passou sua mão pela sua pernalevantando sua saia e foi até sua coxa, mas ela começou a voltar a si. -Ian, pare. Não! - e o empurrou com força. Ele ficou de joelhos e olhou para ela, estavam ofegantes eengolindo a seco. Ian arregalou os olhos e olhou para ela como setivesse sido jogado de um penhasco. Passou as mãos nos cabelos queestavam desalinhados e lhe caindo sobre o rosto, levantou-se e lhevirou as costas. Deu uns dois passos e virou-se, olhou para ela queestava sentada no chão respirando descompassadamente com osolhos arregalados. Ambos não sabiam como haviam chegado àquelasituação. Ian estava perdido, nunca havia tomado tal atitude, era umrapaz medido, controlado e deveras calmo. Mas de alguma maneiraque ele não sabia explicar, aquela mulher o tirava do seu prumo,perdia a razão ao seu lado e não controlava seus sentimentos ou suasatitudes com ela. Estava arrebatado com um sentimento imenso econfuso. Mas estava envergonhado do que acabara de fazer, assimcomo ela, se Jayne conseguisse pensar naquele momento estaria elamesma lhe dando tapas por ter uma atitude tão íntima com umestranho, se é que assim o poderia chamar. -Desculpe-me. Jayne, eu não sei o que deu em mim. Jamaisdesrespeitaria você, por favor, desculpe-me. Ela levantou-se, alinhou seus cabelos e subiu no cavalo.Estava completamente tonta. -Temos que encontrá-los. - disse nervosa. -Você tem razão. Desculpe-me, isso não vai mais acontecer.Eu não sei o que deu em mim. -É... Não vai mesmo. - disse virando o cavalo e mal olhandopara ele, deu uns dois passos e disse sem olhar para trás. -Trovão. -O que? - perguntou sem entender. -O nome do meu cavalo é Trovão. - e continuou seguindo. Ele ouvindo isso sentiu um turbilhão dentro dele, Trovão. Ocavalo dela chamava-se Trovão como o dele que perdera dias atrás... -“Meu Deus” - gritou dentro de sua cabeça. Ian subiu no seu cavalo,deu uma respirada e a olhou. Ele foi andando atrás dela com os 43
  • 44. Paixões no Oeste – Vol. Ipensamentos completamente fora de ordem, seguiram rio abaixo semdizer uma palavra, pois nem sabiam o que dizer depois do queacontecera. Estavam andando pela beira do rio quando Jayne avistouum pedaço de pano no chão, ela desceu do cavalo, o pegou e olhoupara Ian. -Este pano é da saia da Emily. -Tem certeza? -Sim, eles podem estar por perto. - ela montou no cavalonovamente e gritou pelo nome de Emily e Ian pelo de Willian. ** -Emily, acorde, já está amanhecendo, podemos continuar. -disse Willian a acordando gentilmente que tentou abrir os olhos comdificuldade. -Ai meu Deus! Estou toda dolorida. - disse fazendo caretas. -Eu sei, mas nós temos que ir. - falou olhando para os lados. Levantaram-se e começaram a andar, até que ouviram delonge uma voz. -Acho que ouvi alguma coisa. - Willian disse. -Eu não ouvi nada. Continuaram andando. Ian gritou com toda sua força porWillian. -Agora eu escutei, veio daquela direção. Vamos, Emily. Correram para voltar em direção ao rio, quando Emily ouviuuma voz chamando seu nome. -É a Jayne. - ela disse feliz. Os dois correram e os avistaram. -Jayne! -Emily! - gritou sentindo uma alegria e um alívio enorme, elapulou do cavalo, correu e a abraçou. -Ai meu Deus! Quase morri depreocupação. - Jayne olhou para ela toda rasgada e ensanguentada. -Meu Deus, você está machucada! -Foram só alguns arranhões, estou bem, Willian me salvou. -disse olhando para ele. -Willian, que bom vê-lo bem meu amigo. - Ian disse lhedando um forte abraço. -É... Foi um sufoco, mas estamos bem. - disse sorrindo paraIan. -Vamos para casa, está todo mundo procurando por você. -Jayne disse. -Ele não lhe fez nada? - perguntou baixinho para ela. 44
  • 45. Paixões no Oeste – Vol. I -Não, estou bem, ele me respeitou. Ele me salvou, Jayne. -Willian! - ouviram David gritar, ele e Mitchel estavam seaproximando. Os dois desceram dos cavalos e foram abraçá-lo. -Que susto você nos deu, pensei que tivesse morrido naquelepenhasco. - David falou com um sorriso enorme no rosto. -Foi só um susto. -Mas conte-nos. O que aconteceu? - Ian perguntou e elecontou tudo o que houve. -E vocês dois se comportaram, não é? - Mitchel perguntourindo para Willian e para Emily que ficou ruborizada. -Claro Mitchel, não pense besteiras. - Willian disse olhandopara Emily. Neste momento Ian e Jayne se olharam e se lembraram doque acontecera com eles. Ela abaixou os olhos sentindo umdesespero. Ian estava morrendo por dentro por causa dela. -Onde estão os outros? - Ian perguntou. -Ficaram mais atrás, vamos por aqui. Emily subiu no cavalo com Jayne e Willian subiu no cavalocom Ian e foram embora, logo mais adiante reencontraram todos,Julia, Sr. Cullen e os homens, foi uma festa. Emily pegou seu cavalo eWillian o dele, que eles estavam trazendo junto. -Agora eu preciso de um trago, pelo amor de Deus! Minhagoela está seca. - Willian disse alto e todos riram dele. -Vamos para minha casa. - disse Ian. Ian olhou para Jayne e foi até ela meio constrangido. -Obrigada por tudo, Sr. Buller. - disse secamente. -Eu gostaria de conversar com você... Sobre o que aconteceu.- disse com uma voz mansa e baixinho. -Não temos nada para falar, é melhor esquecer isso. - dissecom uma voz de tristeza, ela virou o cavalo e foi embora. Ele sentiu uma tristeza enorme em seu coração a vendodistanciar-se, sentia-se imensamente arrependido. Willian aproximou-se de Emily a ajudando a subir no seu cavalo. -Cuide destas mãos. - disse sorrindo para ela. -Pode deixar. Obrigada Willian, se não fosse você eu teriamorrido. - disse olhando naqueles olhos verdes e derretendo-se pordentro. -Não precisa agradecer, mas eu gostaria de vê-la de novo. 45
  • 46. Paixões no Oeste – Vol. I -Nos veremos. - disse sorrindo e começou a distanciar-se eforam para casa. ** As meninas estavam no quarto e Julia cuidadosamente faziacurativos nas mãos de Emily. -Ora ora, quem diria que seria o próprio Sr. Willian Jonhsonque iria lhe salvar. - Julia disse rindo depois de Emily contar a históriatoda. -É minha irmã, parece que eu e Jayne estamos emparelhando,mesmo sem querer. - Emily disse. Julia somente riu das duas após passar o nervosismo. -Meninas, às vezes eu tenho vontade de enforcar vocês porcausa dos sustos que vocês me causam. - Julia disse com a mão nopeito. -Mas, amo vocês de qualquer jeito. -Ah... Mas eu não contei que ele me beijou. - Emily dissesuspirando. -O que? Jura? Mas que coisa, ele se aproveitou da situação,heim? - Julia falou espantada. -Que nada, ele foi um amor e eu fui às nuvens. -Hum, onde isso vai dar, dona Emily? Onde já se viu, beijar orapaz assim? - Julia falou com uma cara de deboche. -Não sei, mas eu quero vê-lo de novo. - disse soltando umimenso suspiro com num sorriso nos lábios. Julia olhou para Jayne que estava perto da janela pensativa enem estava prestando atenção nelas. -Jayne, o que foi? Que cara é essa? Você nem falou nadaquando eu disse que beijei Willian. -Não é nada. - respondeu dando um sorriso amarelo. -Nada, não. Eu a conheço, alguma coisa aconteceu. Foi como Ian? - Julia perguntou. -Foi, mas não quero falar sobre ele. - resmungou tristemente. -Ah Jayne, por favor, conta logo. -É, desembucha! - Julia falou. -Quando estávamos lá no rio, Ian me beijou e eu quase meentreguei a ele. - disse logo de uma vez. -Minha nossa! - Emily gritou. -Jayne do céu, não me diga uma coisa dessas! Espere aí...Você disse quase? Por que, o que houve? Conte os detalhes sórdidos. 46
  • 47. Paixões no Oeste – Vol. I- Julia falou rapidamente. -Eu quase me rendi, ele me deixou louca, não sei o que deuem mim, foi como se minha mente tivesse se apagado quando ele mebeijou, mas eu o mandei parar antes que algo acontecesse. -Hum... - Julia resmungou fazendo uma cara de indignada. -Ai Jayne, como você conseguiu fazer isso? Aquele homem émuito lindo e você está apaixonada por ele. Bem... Não é certo vocêfazer amor com ele porque vocês não são casados, mas enfim,ninguém ia ficar sabendo, não é? Que nosso pai não nos ouça, masvocê não precisa fugir dele, não é mais uma mocinha inocenteesperando uma corte, Jayne. - Emily falou indignada. Jayne começou a ficar nervosa. Ficou contrariada com aquelecomentário. -Não diga asneira, Emily! Não espero corte, mas eu sou umamulher decente. -Eu sei, não estou dizendo que não é. -Jayne, você parou por que não o queria ou por aquele outromotivo? - Julia perguntou meio cautelosa e depois Julia e Emily seolharam. Jayne as olhou e pensou um pouco, estava confusa. -Eu não sei. Ian me deixa louca, ele me afronta, a gentediscute, mas morro quando olho para aqueles olhos dele, eu nunca vibeleza igual. Aquela sua voz me deixa completamente tonta, ficoperdida na frente dele. Mas eu acho que não superei o que houvecomigo, eu fiquei com medo, e eu mal o conheço, não temoscompromisso, eu nem sei o que ele sente por mim, vai que é umaproveitador. - disse nervosa. - E ele é um grosso. -Ah me lembrei! Antes de eu cair do penhasco, eu e Willianestávamos falando de vocês, e ele me disse que Ian está apaixonadopor você, que desde que a conheceu lá em Tempty, ele nunca mais aesqueceu e que também nunca mais ficou com mulher alguma. -Emily disse e Jayne espantada a olhou. -Cruzes! Nenhuma mulher? Isso foi demasiado forte. - Juliadisse boquiaberta. -Jayne, você tem que esquecer o passado e seguirem frente, se você gosta dele e ele de você, não há nada que impeçavocês dois de ficarem juntos. Quer dizer, talvez haja, mas vocêspodem dar um jeito na situação. Ele vai entender, precisa contar a ele. -Contar o quê? Não há nada para contar, minha situação nãotem solução. Eu nunca mais poderei ficar com alguém novamente. 47
  • 48. Paixões no Oeste – Vol. I -Ah querida, você está sendo radical demais. Sempre há umasolução, se dê uma chance. Conte a ele e veja o que acontece. Minhairmã, se eu fosse você, eu iria agora mesmo a casa dele e terminava oque começou. -Julia! - Emily gritou espantada. -É verdade Emily, ele já provou que é um bom homem, quegosta dela, está esperando o quê? Quer se guardar para as minhocas? -Julia disse indignada. -Querida, eu sei que seu passado marcou muitovocê, e que sua situação é complicada, e que também isso seria contraas normas sociais e religiosas, eu a entendo perfeitamente, mas vocêprecisa recomeçar sua vida, por favor, não jogue isso fora. Você estáapaixonada, se entenda com ele, vocês resolvem os problemas depois. -Jayne, eu concordo com a Julia. Está na hora de esquecer opassado, vá procurá-lo. -Meninas, eu não posso fazer uma coisa dessas, ir do nada acasa dele e me jogar em seus braços, vocês estão loucas? O que elevai pensar de mim? - falou indignada. -Querida, ele não teria tempo de pensar em nada, não é?Jayne faça uma loucura boa na sua vida, vá lá e veja o que acontece.Se não quiser fazer nada, apenas converse com ele. Mas não fiqueaqui trancada em casa com cara de morta, pelo amor de Deus! Eunão aguento mais ver você desse jeito. Coloque um pouco de alegriana sua vida, está na hora. Mande tudo para o inferno. -Jayne, Julia tem razão. Vamos menina, corra, vá buscar suafelicidade. Vale a pena arriscar tudo por ele, você suspirou por essehomem por três anos e agora ele está aqui e ele a quer tanto quantovocê a ele. - Emily disse entusiasmada tentando incentivá-la. -Vou pensar. - Jayne beijou as meninas e foi para seu quarto. -É... Ela vai pensar. Então, ela não vai falar com ele. - Emilydisse decepcionada. -Acho que não. Será que ela nunca vai superar isso? -confirmou Julia mais decepcionada ainda. -Ai! Mas como Mitchel élindo, ele me deu umas atiradas enquanto estávamos atrás de você. -disse Julia rindo. -Jura? -Sim. Mesmo com a situação tensa parece que estes homensnão perdem tempo. Mas vou dizer... Ele tem um olhar arrasador, teveuma hora que eu quase caí do cavalo, meu Deus! - disse lembrando-se 48
  • 49. Paixões no Oeste – Vol. Idas investidas de Mitchel. -Mas ele tem uma cara de cafajeste mesmo,deve ser muito mulherengo, daí eu dei uns cortes nos galanteios dele.- Julia falou entusiasmada fazendo Emily rir. -É verdade, mas quem sabe você com suas artimanhas não oconquista, heim? - Emily disse dando uma piscadinha para a irmã. -Pode ser, mas primeiro eu teria que passar na frente comuma vassoura para tirar a mulherada do caminho. - disse rindo. -Ah, mas isso você faz rapidinho. Ai meu Willian... Como eleé lindo. - Emily se jogou na cama abraçando o travesseiro. -É... Vá dormir e sonhar com ele, você está um trapo, masseus olhos estão mais brilhantes que estrelas. - disse sorridente, deuum beijo em Emily e saiu do quarto. ** Na casa de Ian todos os rapazes estavam na maior bagunçatomando wisque e contando os acontecidos. -Willian seu safado, se aproveitou da situação! - David disserindo. -Ah, eu não resisti... Ela é linda. Parece àquelas bonecas deporcelana lá do armazém, eu quero vê-la de novo. - falou com umenorme sorriso. -Ian que está com cara de peráu. O que foi Ian? - Mitchelperguntou. -Nada. Aquela mulher que me faz perder o rumo. - dissebebendo mais um gole da bebida. -Calma, dê tempo ao tempo, vocês vão se acertar. Está nacara que ela gosta de você. - Willian disse. -Não sei... Depois do que aconteceu entre nós hoje, acho queela nunca mais vai querer me ver. - disse tristemente. -O que aconteceu entre vocês? - David perguntou curioso. -Ihh... Pelo visto algo grave aconteceu. Fala homem, o quefoi? - Willian perguntou. -Não foi nada, só tivemos outra discussão. -Ah... Mas isso não é novidade, vocês dois discutem o tempotodo, nunca vi disso, parecem cão e gato. - David disse. -Você a beijou? -Sim. -Isso é ótimo! - Mitchel gritou entusiasmado. -Hum... Mas para ele não parece ótimo, eu acho que isso não 49
  • 50. Paixões no Oeste – Vol. Iacabou bem. - David disse vendo a fisionomia triste de Ian. -Realmente David, acabou pessimamente, fui um idiota. -Estou falando que esta mulher é uma fera indomada. Ian apegue de jeito. - Mitchel disse. -É isso aí Ian, força rapaz, você vai acalmar a onça, só precisade jeito e de tempo. - Willian disse e todos riram. -Rapazes, só vocês mesmo para me animar. -Meninos, eu vou para a cidade. - Mitchel disse. -Eu vou para casa, Mary deve estar preocupada. - Williandisse. -Vou com você, já aproveito e vou pegar aquele novilho. -David disse. -Eu vou dormir, estou exausto. - Ian disse. -Mitchel você vai para a cidade à esta hora fazer o quê? -David perguntou. -Arrumar uma mulher para me consolar, depois do fora que aJulia me deu hoje, vou me afogar num copo de tequila e numa camacom uma mulher linda e perfumada. -Mas não sei por que pergunto. - David disse soltando umagargalhada daquelas. Despediram-se e foram embora. Ian ficou sentado tomandomais wisque, começou a pensar em Jayne e como teve ela em seusbraços, ainda podia sentir o perfume embriagante da sua pele, sentirseus lábios, como esteve tão perto de possuí-la e como ele ficaracompletamente enlouquecido. Jamais pensou que perderia o controledaquela maneira com uma mulher. -Meu Deus! E se Jayne nunca mais quiser me ver? Vouenlouquecer. Ian o que você fez? Mas ela me deseja, eu sei que sim,senti isso em seu beijo e como quase se entregou a mim. O quediabos aconteceu? - sua cabeça fervia e seu coração doía. Ian desistiude ficar na varanda, foi para o quarto e deitou-se na cama, rolou deum lado para o outro até que adormeceu, estava exausto. ** Mitchel chegou à cidade, foi ao Saloon que possuía estalagensno andar de cima. -Olá Steve. - disse para o dono que já era seu amigo. -Veio cedo hoje. - resmungou. -Sim, tive uma noite de cão, preciso relaxar. - disse bebendo 50
  • 51. Paixões no Oeste – Vol. Ium gole de tequila. -Que rosas são essas aí no balcão? Está ficandosentimental, Steve? - Mitchel debochou. -Uma das meninas deixou aí. - respondeu sorrindo mascandoum pedaço de fumo no canto da boca. -Onde está a minha deusa? -Está lá encima em seu quarto. -Vou vê-la, até mais. - disse pegando uma rosa e indo para asescadas. Mitchel subiu e foi ao quarto de Chloe, bateu na porta eesperou alguns minutos, ele colocou o caule da rosa na boca e fezuma cara totalmente cafajeste. Chloe abriu a porta com uma cara demal humorada, mas quando viu quem estava nela, e ainda por cimacom uma rosa na boca e com aquela cara de conquistador com umadas sobrancelhas erguidas, abriu um sorriso maravilhoso. -Ora, ora, quem está aqui! - disse colocando a mão na cinturae sorrindo. Sem perder tempo puxou Mitchel pela camisa e jogou-odentro do quarto. -Roubei uma rosa para você, minha deusa de mármore. -disse dando a rosa a ela. -Ah... Mas que romântico que você está hoje. - falou sorrindoe colocando a rosa encima da mesinha. -Então, o que você estáprocurando hoje, meu toureiro? Ela colocou o pé encima da cama e puxou a saia. Mitchelolhou para sua perna com ar de satisfação. -Ai meu Deus! Você está com a liga predileta, adoro esta. -disse dando uma gargalhada, agarrou Chloe no colo e jogaram-se nacama. -Chloe, você me deixa maluco. - disse beijando-a. Ficaram por horas na esbórnia, conversaram um pouco edepois ele adormeceu, pois estava exausto. Chloe o abraçou por trásficando bem encaixadinha e dormiram tranquilos por algumas horas.Ele nunca dormia no Saloon, mas como estava exausto ela seaproveitou daquele momento. Mitchel acordou já era meio da tarde, eele a acordou com um beijo. -Eu preciso ir. - disse vestindo-se. -Não vai ficar para o carteado hoje à noite? -Não. Hoje não, eu vou para casa. Mas vou sentir sua falta,eu volto outra hora. - ele colocou alguns dólares encima da mesa,beijou sua mão e saiu. 51
  • 52. Paixões no Oeste – Vol. I ** Willian havia chegado à sua fazenda com David. Maryquando os viu, saiu correndo e foi de encontro deles. -Willian, o que houve, onde você estava? Eu quase morri depreocupação. -Ah Mary, é uma longa história. - ele desceu do cavalo econtou o ocorrido a ela. -Seu maluco, você podia ter morrido. - disse aflita. -Sim, mas não podia deixar de fazer algo, não é? Nem pensei,quando a vi caindo me joguei atrás. -É Mary... Acho que seu irmão está apaixonado. - Daviddisse com um sorriso maravilhoso. Ela olhou para David e tremeu com aquele sorriso. -Hum, sei. - resmungou. -Vá para dentro eu vou lhe prepararum banho. -Eu vou lhe mostrar onde está o novilho. - Willian disse paraDavid. -Deixe que eu mostre. Vá arrumar-se para o banho, vocêprecisa dormir. -Ok, até mais meu amigo. - Willian disse abraçando David. -Ai meu Deus! Eu não sei quem é mais maluco de vocês,assim qualquer dia destes, eu vou morrer do coração. - ela disseenquanto andava com David. -Realmente, Mary. Você deve sofrer um bocado conosco. -Mas... Willian está mesmo interessado nesta moça? -Parece-me que está, ele até a beijou. - disse sorridente. -Verdade? - ela ficou pasma. -Bem... Quem sabe ele não entranos eixos. - disse rindo. -E você Mary... Ainda não arrumou nenhum pretendente? -ela o olhou rapidamente e disse. -Não. -Mas deveria, é uma moça muito bonita, eu acho você muitosozinha. - falou com ar de preocupado. -Você só fica em função deWillian e de seus amigos patetas. -Eu não estou reclamando, David. Mas obrigada por sepreocupar, na verdade eu gosto de um rapaz, mas parece que ele nãogosta de mim. - disse desapontada. -Verdade? Mas que homem idiota! Como assim não gosta de 52
  • 53. Paixões no Oeste – Vol. Ivocê? Você é linda, meiga, educada, dedicada, qualquer homem naface da terra gostaria de se casar com você. Mas quem é este imbecil?- disse indignado. -Você quer mesmo saber, David? - disse olhando para ele. -Quero. - respondeu prontamente. -O novilho é este. - disse apontando para dentro do cercado.-Acho que você não vai querer saber. -Eu quero saber quem é este homem por quem você estáapaixonada, Mary. Quem é ele? Ela deu um suspiro do fundo de sua alma e pensou “É agoraou nunca”. -David, eu estou falando com ele. Ela disse numa vez só, como que se jogasse para fora o queestava entalado e olhando dentro dos olhos dele. Ele parou comouma estátua e ficou olhando para ela. -O que? Como... - ele começou a gaguejar completamenteperdido com aquela revelação de Mary. -Olha... Você queria saber, eu disse, agora pegue seu novilhoe vá embora daqui. - ela virou as costas para ele e saiu andandorapidamente. -Mary espere. - ele correu e a agarrou seu braço. -Você estáfalando sério? Você gosta de mim? -Gosto David, faz muito tempo, só nunca falei nada porquetinha medo que pudesse causar algum constrangimento entre você eWillian e eu não queria isso. Mas agora já falei e eu sei que você nãogosta de mim, então faça de conta que eu não lhe disse nada, estábem? Pegue seu novilho e vá embora. -Mas eu gosto de você. -Gosta como uma irmã e não como mulher, agora David,por favor, vá embora. - ela começou a chorar e saiu correndo paracasa. -Mary, espere. - ele gritou, mas ela não lhe deu atenção. -Eugosto de você também e não é como irmã, ou é? - falou baixinho econfuso para ele mesmo. -David você é o cara mais imbecil que eu jáconsegui conhecer... Droga! Ele pegou o novilho, colocou uma corda em seu pescoço,montou em seu cavalo e foi embora. Mary o olhava pela janela e suaslágrimas corriam pelo rosto. Willian voltou e a viu chorando. 53
  • 54. Paixões no Oeste – Vol. I -O que foi, Mary? - perguntou chegando perto dela. -Nada. - disse secando as lágrimas. -Onde está David? - disse olhando ao redor. -Já foi embora. -E por que você está chorando? -Porque eu me declarei para ele. - ela disse com um imensoarrependimento. -E o que ele disse? -Disse que gosta de mim, mas ele não me ama como euquero que ame. -Eu acho que você está enganada. -O que? Você nem ficou espantado de eu lhe dizer isso? -Claro que não. Há muito tempo eu sei que você gosta dele,eu não sou cego, Mary. -Mas ele não gosta de mim e eu morro de amor por ele. - elase jogou no peito de Willian chorando aos soluços. -Mary, olha... Eu nunca quis perguntar diretamente para ele,mas eu acho que ele gosta de você mais do que uma irmã. -Como você sabe? - disse olhando para o rosto dele. -Porque muitas vezes quando você não estava olhando, eu ovi olhando para você com cara de bocó, lhe admirando. Eu não sei seele a ama, mas eu sei que ele não tem nenhuma outra mulher que elegoste de verdade. Então, pode ser que isto somente esteja um poucoembaralhado, não acha? -Não sei, eu estou confusa. -Eu sei, dê um tempo e veremos o que acontece. Já que vocêjogou isso na cara dele, ele vai ter uma reação. Mas não fique assim,não quero ver você chorando. - Willian secou as lágrimas de Mary,deu um beijo em sua testa e abraçou-a novamente. ** Jayne estava em seu quarto e andava de um lado a outro, coma mão no peito, sentindo seu coração bater descompassado, ficavalembrando-se de Ian no rio, de como ele a beijou com paixão, decomo ela quase se entregou a ele. Estava com uma vontade louca dever Ian e jogar-se nos braços dele. As palavras de Julia e Emilymartelavam na sua cabeça, seu corpo, seu coração, sua alma clamavapor ele. Ela nunca se sentiu tão devastada, sentindo tal desejo ou talconfusão em seu coração. 54
  • 55. Paixões no Oeste – Vol. I -Meu Deus, o que eu faço? Por que estou assim? Parece queestou sufocando. Num rompante ela parou no meio do quarto, virou-se e saiucorrendo, pegou seu cavalo e cavalgou em direção à casa de Ian.Chegou à frente da casa e olhou ao redor para ver se o via, desceu docavalo e bateu na porta, mas ninguém respondia seus chamados, elaentrou, mas a casa parecia vazia. -Ian? Jayne andou calmamente pela casa e não o via, chamou seunome mais uma vez e nada de resposta. Passou por uma portaentreaberta, a abriu lentamente e o viu dormindo na cama, por umminuto ficou o admirando, como ele era lindo dormindo. Ele estavasem camisa somente de calças e descalço, parecia tranquilo em seusono. Jayne deu alguns passos para dentro do quarto e ficou oolhando, parecia que um íma a estava puxando para perto dele. Ficouadmirando o corpo dele ali parada quase sem respirar, ela sentiudesejo por ele, sentimento que já havia esquecido como era. Elavirou-se pensando em ir embora, deu passos leves para que a madeiranão fizesse barulho, mas Ian acordou, sentou na cama meio assustadoquando a viu. Jayne estava na porta do quarto que estava somentecom uma pequena fresta, segurou a maçaneta para puxá-la. -Jayne! - disse espantado. Ela levou um susto, fechou a portaencostando-se nela bruscamente e olhou para ele com o coraçãoacelerado e os olhos arregalados. -O que você está fazendo aqui? -perguntou levantando-se e a olhando atordoado. -Eu... Eu queria falar com você. - disse gaguejando. -Achei que você não queria mais falar comigo depois do queaconteceu. - disse cauteloso. -Não deveria... Mas eu vim. Ian aproximou-se dela lentamente, colocou as duas mãos naporta pelas laterais de Jayne, ela começou a tremer e sua respiraçãoficou difícil, aquele peito nu perto dela, a boca dele tão próxima, amaneira como ele a encurralou e a olhava, a deixou zonza. -Fico feliz com isso. -Desculpe, eu não devia estar aqui, preciso ir. Ela foi se virar para sair, mas ele com a mão encostada naporta a impediu. -Espere, diga o que queria falar comigo. - ele disse a olhando 55
  • 56. Paixões no Oeste – Vol. Iintensamente, passeando com seus olhos pelo seu rosto. Jayne não sentia suas pernas, e não conseguia responder,tentou engolir a saliva, mas sua garganta estava seca. -Deixe-me ir. - soltou num leve sussurro, o ar lhe passavaestrangulado pela garganta. -Não a estou segurando. - disse tão mansamente que sua vozpareceu um cântico em seus ouvidos e ele estava terrivelmente lindocom um pequeno sorriso no canto de sua boca. Ian colou seu corpo no dela devagar, aproximou seus lábiosdos dela quase os tocando, ela fechou os olhos e parou de respirarcompletamente. Sentia seu hálito, seus lábios tão próximos, mas elecom um esforço tremendo, pois a queria beijar, afastou-se algunscentímetros e a olhou. Jayne abriu os olhos e perdeu-se naquelesolhos verdes e tão diferentes do que ela já havia visto, alguns fios deseu cabelo lhe caíam pela testa o deixando irresistivelmente atraente. -Fale... -Na verdade... Eu não quero falar nada. Jayne olhou para seus lábios e lentamente se aproximou delee os tocou com os lábios, ele fechou os olhos sentindo aquele levetoque por alguns segundos e sem mais resistir, os dois afundaramseus lábios num beijo intenso, com a paixão que há tempos os estavadevorando. Ian correspondeu ao beijo, abraçou-a pela cinturapuxando-a contra seu corpo. Jayne com as mãos em suas costas podesentir sua pele macia e seu corpo em chamas. Soltaram-se de seuslábios respirando ofegantes, os dois estavam perdidos e extasiados. -Eu não quero fazer aquilo de novo. Não quero desrespeitarvocê. Eu estava fora do meu juízo, desculpe-me. -Você gosta de mim? Ele sorriu e segurou seu rosto com as mãos. -Desde a primeira vez que a vi, há três anos. Não houve umdia em que não pensasse em você. Você pensou em mim? -Todos os dias. -Por que veio aqui? - perguntou sussurrando e acariciandoseu pescoço com os dedos. Jayne pensou que cairia ali mesmo. -Porque perdi a razão. - ele sorriu salientando as covinhasque ele tinha nas bochechas. Jayne esmoreceu, somente queria beijá-lo. -Não vou fugir desta vez, eu quero ser sua. Ian sentiu seu coração disparar mais do que já estava, então a 56
  • 57. Paixões no Oeste – Vol. Ibeijou. Sem pensar em mais nada a envolvendo pelo pescoço com asmãos, lentamente ele as desceu pelas suas costas sentindo o contornode seu corpo, a envolveu para que ficassem completamente colados ebeijaram-se intensamente. Jayne esqueceu-se se deveria ter algum recato ou pudor, sedeveria fazer algo ou não, simplesmente sua mente se esvaiu esomente queria ter Ian em seus braços e ele sentia o mesmo. Ela deuum passo atrás e lentamente soltou o grampo dos cabelos e eles lhecaíram pelos ombros e o beijou novamente. Devagar, ela o foiempurrando para a cama e os dois caíram sobre ela, Ian a rolou parabaixo de si a beijando, seus lábios, sua face, seu pescoço, estavainebriado com o sabor de sua pele. Sem pressa ele abriu sua blusa efoi retirando o cadarço do seu espartilho, deslizou as mãos pelas suaspernas e coxas e subiu até retirar sua roupa de baixo, sem deixar debeijá-la. Sem medo ou recusas fizeram amor. Queriam se entregar.Ambos sentiram um prazer que até então lhes era desconhecido,sentimentos que nenhum dos dois realmente conhecia até aquelemomento. Ambos perceberam que havia algo diferente ali, algoperfeito que era somente deles. Esqueceram que havia vida foradaquele quarto, somente havia os dois e estavam entregues um aooutro, abrindo seus corações para o amor. Um amor que cresceria nopeito, maior do que jamais pensaram existir. Jayne sem pudor peranteIan permitiu-se ficar nua para ele, isso normalmente seria umaousadia, mas nenhum dos dois estava interessado em convenções,nem estavam situados na sua época naquele momento. Após amarem-se, os dois ficaram abraçados acariciando-sesuavemente, sentindo os leves toques com carinho, não havianenhum arrependimento ou vergonha, estavam sentindo uma imensapaz. Ian beijou-lhe os lábios e afagou seus cabelos. -Você vai me enlouquecer. - Ian disse baixinho. -E você a mim. -Eu estou tentando entendê-la, mas não consigo. Eu achei que você estava me odiando. -Eu deveria se não tivesse perdido meu juízo. Desculpe, àsvezes eu sou meio maluca. -Isso eu já percebi. Mas eu gosto do seu jeito maluca. -Foi uma loucura o que eu fiz. Vir aqui assim. -Divina loucura. 57
  • 58. Paixões no Oeste – Vol. I 58