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Handebol Treinamento Com Cargas

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    Handebol   Treinamento Com Cargas Handebol Treinamento Com Cargas Document Transcript

    • Carga e Adaptação no Andebol 1 NOTA DO AUTOR Este documento serve de apoio aos treinadores de andebol que se encontram numa fase inicial da sua carreira. Pretendo acima de tudo contribuir para um universo do conhecimento mais alargado, por parte dos jovens treinadores, através da apresentação de algumas matérias essenciais à sua formação, que se não forem completadas através do espírito ambicioso do treinador na procura de mais informação e de maior qualidade, poderão ser insuficientes. A informação aqui contida resulta da pesquisa da bibliografia apresentada, da troca de informações e conhecimentos entre treinadores e da experiência no treino de jovens a vários níveis, desde a captação para a modalidade até à fase de especialização profunda. Este documento funcionará como um ponto de partida para a prática do treinador e um meio de desenvolvimento da sua actividade. Temos plena consciência que alguns dos conceitos e metodologias aqui apresentados se encontram em constante evolução, de forma que a sua validade por vezes é escassa. Cabe ao treinador continuar a investigar as novas tendências do treino desportivo e aplicá-las no seu dia a dia de forma a comprovar a sua validade na modalidade e nos seus atletas. No entanto o aspecto mais importante consiste na passagem da nossa prática diária no terreno para o papel de forma a validar ou contrariar algumas das teorias vigentes. É o treinador que deve comanda a investigação em função da sua actividade e não o contrário como normalmente sucede. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 2 INTRODUÇÃO O sucesso no alto rendimento depende de inúmeros factores que estão associados ao momento da competição assim como à sua preparação. A construção de equipas de sucesso depende da quantidade de trabalho acumulada ao longo dos anos, da qualidade desse mesmo trabalho e da existência de uma boa matéria prima, ou seja atletas com condições para o alto rendimento. O objectivo principal do alto rendimento desportivo consiste em ganhar. Para tal procura-se através de novos meios e métodos de treino melhor as performances individuais e colectivas. Desta forma o treino assume uma responsabilidade maior na preparação do atleta. Treinar é solicitar que o atleta realize esforços cada vez mais complexos que lhe permitam realizar acções anteriormente inatingíveis por ele. Cabe ao treinador desde cedo explicar e motivar os atletas para o prazer e os benefícios do treino dos diferentes factores do jogo de forma a que estes superem as suas dificuldades e melhorem a sua actuação em jogo. A carga e adaptação estão intimamente relacionadas e o conhecimento destes dois processos é que permite uma rentabilização do processo de treino desportivo na sua plenitude. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 3 CARGA DE TREINO A carga é a quantidade de estímulos que os exercícios têm sobre o organismo. A carga de treino deverá proporcionar, quando bem planeada e aplicada deverá levar a um aumento da forma desportiva através da melhoria dos índices técnicos, tácticos e físicos. Desta forma o produto final da aplicação da carga de treino leva a um aumento dos níveis do organismo, o que proporciona uma adaptação que num estado final se pode caracterizar por um nível de eficácia máxima, com o menor dispêndio de energia possível e uma rápida recuperação entre as acções realizadas. A orientação e distribuição da carga de treino ao longo da temporada deverá respeitar as características e necessidades individuais dos atletas, o calendário competitivo e o período da época em que nos encontramos. É igualmente importante que se respeitem os períodos de repouso que são decisivos para se assegurar uma adaptação positiva às cargas de treino, pois caso contrário poderemos anula-las. A carga de treino encontra-se dividida em 3 diferentes períodos, durante os quais a carga de treino sofrerá alterações significativas em termos quantitativos e qualitativos.  Período de Estabilização Período de adaptação às cargas sofridas e regeneração das diversas estruturas e sistemas envolvidos. Na maior parte das vezes a inexistência de períodos intermédios onde o jovem deverá amadurecer a adaptação às novas cargas poderá levar a casos de fadiga crónica ou sobretreino (manutenção constante e progressiva de cargas demasiado altas). De igual forma o treino a níveis de intensidade demasiado baixos (< 20%) leva à inexistência de adaptações e perda de capacidades. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 4 Após a determinação da carga óptima, esta deverá ser repetida a fim de actuar positivamente sobre o organismo e provocar novas adaptações. Para que a carga seja eficaz aconselha-se a sua repetição durante 4 a 6 semanas  Período de Desenvolvimento Neste período observa-se que o atleta realiza com facilidade as tarefas que lhe são dadas e na ausência da sintomas de cansaço (Fc 120-130 ou menos). Assim está pronto para novo aumento da carga de treino. O aumento da carga poderá ser uniforme ou descontinuamente progressivo. Depois de se atingir um nível de rendimento máximo a carga não deverá aumentar, pois os resultados não serão visíveis nem benéficos. O aumento da carga não é linear com o aumento do rendimento a curto prazo. A realização de sessões cujo objectivo principal será o aumento de determinadas qualidades específicas (força, resistência anaeróbia láctica) é desaconselhado em determinadas idades pois as estruturas de suporte ainda não estão devidamente construídas e consolidadas. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 5 As sessões anaeróbias antes dos 14 anos não serão aconselhadas e após esta idade até sensivelmente aos 18 anos este tipo de sessão não deverá ser utilizada mais do que uma vez por semana.  Período de Redução Encontra-se intimamente relacionado com a periodização. Após 3 ou 4 semanas de aumento ou estabilização da carga é necessário reduzir devido ao provável aparecimento de fadiga. A seguir a um microciclo de choque (bastante forte), uma sessão de treino mais intensa ou um exercício mais exigente em termos de esforço, o atleta deverá ter momentos de recuperação consoante o nível de exigência proposta e os seus níveis de fadiga. Desta forma é usual utilizarem-se diversos procedimentos que levem a uma recuperação total das capacidades do atleta de forma a este estar apto a nova carga de treino. O tipo de recuperação poderá ser activa ou passiva implicando sempre uma diminuição da carga. Fazem parte deste tipo de procedimentos os microciclos de recuperação, as sessões e os exercícios de recuperação. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 6 Aumento da Carga de Treino O desenvolvimento e aumento da carga do treino encontra-se relacionado com princípios de ordem metodológica e pedagógica. A sua correcta aplicação de acordo com as características específicas do jovem atleta e da modalidade desportiva, garantem o sucesso na formação e promoção desse jovem. O aumento da carga deverá ser progressivo com o avançar dos anos de preparação assim como da capacidade de adaptação e suporte de novas cargas de treino cada vez mais exigentes e complexas por parte do jovem. Numa primeira fase ha uma necessidade de aumento da frequência das sessões de treino, esse aumento faz através do acréscimo pontual de uma sessão, de forma repetida no tempo e sempre com a mesma frequência. Por outro lado a frequência de treino aumenta anualmente, pois os atletas ao mudarem de escalão automaticamente treinam mais vezes, o número de sessões de treino por semana é maior. Após o incremento da frequência de treino, o aumento deve-se fazer através do volume de treino. O volume é conseguido através da duração da própria sessão e da quantidade de tarefas que nela estão incluídas. De seguida, diminui-mos o tempo de recuperação, aumentando a densidade da sessão de treino. Num estado mais avançado sem, descurar as componentes anteriores, provocamos o aumento da intensidade do treino. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 7 O TREINO DAS CAPACIDADES CONDICIONAIS Para uma correcta programação do treino das capacidades condicionais há que ter um conhecimento profundo do jogo de Andebol. O jogo de Andebol poderá resumir-se a uma actividade acíclica onde predominam as acções complexas que necessitam de velocidade, potência e uma resistência específica realizadas a uma intensidade variável com intervalos de pausas de recuperação incompleta. Devido à complexidade do jogo raramente se observa a manifestação de uma capacidade condicional isolada. Para uma correcta aquisição da técnica desportiva assim como do desenvolvimento da preparação física, necessitamos que o repertório motor se encontre devidamente adquirido, desenvolvido e consolidado. Na sua complexidade de acções podemos distinguir os seguintes elementos motores básicos, como determinantes para se poder jogar Andebol; - correr em diferentes direcções, alternando o ritmo da corrida e a cadência dos apoios; - saltar com um ou com os dois apoios; - travar a um ou com os dois apoios; - lançar a bola com uma mão; - apanhar/receber a bola com uma ou com as duas mãos. Estes são os elementos básicos para uma aquisição e utilização dos padrões técnicos da modalidade com sucesso. Após a sua aquisição devemos proceder lentamente à sua combinação e ao aumento da sua complexidade. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 8 O TREINO DA FORÇA A força qualidade é indispensável para a realização de maior parte das acções motoras, poderá ser descrita como a capacidade de alterar o estado de repouso ou de movimento de um corpo. A força máxima constitui a base do trabalho de potência muscular. A selecção dos exercícios a aplicar deverá ser de acordo com a especialidade desportiva de forma a aproveitar os possíveis transferes. Antes de prosseguirmos para forma avançadas de desenvolvimento da força convém referir, que esta se começa por desenvolver em primeiro lugar através do recurso a exercícios cuja resistência é dada pelo próprio corpo, de seguida poderemos trabalhar com a ajuda do corpo do parceiro. Durante esta fase poderemos proceder ao desenvolvimento da força através de circuitos ou estações, visto serem uma forma viável de controlar a carga e ao mesmo tempo individualiza-la. O passo seguinte leva-nos ao trabalho com halteres livres. Para que tal aconteça é determinante que os jovens aprendam e dominem a técnica de realização dos exercícios (pegas, colocação do corpo, arranque, dinâmica da execução, etc.), sendo necessário que nesta fase se limitem à realização dos exercícios apenas com o peso da barra. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 9 4 - Quadro dos métodos para o desenvolvimento da força máxima através de contracções concêntricas Método Repetições I* Repetições II* Repetições III Piramidal Intens. 80%-85% 70%-80% 60%-75% 60%-100% Rep. 5-7 6-12 6-12 1-8 Séries 3-5 3-5 3-5 7-14 Repouso 3’-5’ 2’-5’ 3’-5’ 3’-5’ Veloc.exec Média alta Média alta Média Média a Máxima . Máxima Máxima Tipo Mais 1 a 3 rep > n.º possível de 2 a 6 rep. sem se realizar > n.º possível de esforço por série repetições por série repetições por série c/ajuda mais Efeitos Aum. F.max Aum. F.max Base para suportar cargas Hipertrofia e nervoso Hipertrofia Hipertrofia alta mais fortes no futuro. média > amplitude de UM recrutadas Aum.déficit F. Aum.peso Observ. Pode-se Pode-se utilizar Jovens e principiantes Múltiplo efeito. utilizar c/principiantes Tentar ganhar tempo. c/principiante Combinado. Dupla pirâmide s Pouca aplicação em avançados. *o principal efeito só é obtido nas últimas repetições 5 - Quadro para uma periodização a longo prazo para o treino da força segundo T. Bompa Estados de Pré-puberdade Puberdade Pós- Alto desenvolvimento puberdade rendimento Formas Exercícios simples Jogos Força Específica Jogos/brincadeiras específica Métodos Informal Circuito Circuito Hipertrofia Circuito Potência Potência Volume Fraco Fraco - médio Médio Médio Alto Intensidade Muito fraca Fraca Fraca Média Média Alta Máxima Meios Peso corporal Bola medicinal Bola medicinal Halteres Peso colega Pesos livres Máquinas Outros Bola medicinal Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 10 O TREINO DA FORÇA EXPLOSIVA Segundo Schmidtbleicher, entende-se por potência à possibilidade do sistema neuromuscular produzir o maior estímulo num determinado período de tempo. No entanto este espaço de tempo depende da resistência ou da carga que se tem de ultrapassar e da aceleração imposta. Apesar da maior parte das acções se realizarem de uma forma explosiva (remate, arranque e a travagem), o Andebol possui um vasto conjunto de acções motoras que diferem quanto à natureza muscular do movimento. Desta forma uma mudança de direcção, uma suspensão ou um remate poderão à primeira vista parecerem idênticos, no entanto a sua duração temporal e as resistências que têm de ser ultrapassadas condicionam a acção muscular. Quando as resistências externas são demasiado baixas existe uma diminuição dos níveis de força máxima em detrimento da taxa de produção de força. Por sua vez a taxa máxima de produção de força (força explosiva) é igual para todas as cargas superiores a 25% da força máxima. Logo os movimentos explosivos realizados contra cargas inferiores a 25% da força máxima sofrem uma influência da taxa inicial de produção de força. A duração do movimento é igualmente determinante para a caracterização da acção. Os movimentos inferiores 250 ms sofrem uma maior influência da taxa inicial de produção de força e da taxa máxima de produção de força. A partir desse valor temporal existe um predomínio da força máxima. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 11 Quando nos referimos aos saltos (projecções horizontais ou verticais) tão característicos deste desporto, a realidade quanto à acção mecânica do movimento é diferente. Enquanto nas acções anteriormente descritas o tipo de concentração é concêntrica, já no caso dos saltos estes são realizados na maior parte das vezes de forma pliométrica, envolvendo o ciclo muscular alongamento-encurtamento. Por outro lado a coordenação intermuscular (relação entre os músculos agonistas, antagonistas e sinergistas) e intramuscular (relação entre os mecanismos excitatórios e inibitórios) promovem a melhoria da potência. O desenvolvimento da potência muscular está bastante dependente da especificidade muscular, não existindo transferes entre cadeias musculares, promovendo a coordenação intermuscular. O músculo necessita de um período longo de tempo para se adaptar às cargas de treino e poder reagir da melhor forma. Após a sessão de treino as alterações (força máxima e explosiva) são principalmente de ordem biomecânica, podendo durar cerca de duas semanas. Numa primeira fase os ganhos são principalmente devido à coordenação intermuscular e só mais tarde à coordenação intramuscular (menor tempo de recrutação das unidades motoras e aumento da tolerância dos motoneurónios). Cronologia das adaptações ao treino de força: 1º - coordenação intermuscular (duas semanas) 2º - coordenação intramuscular - adaptações nervosas (6 a 8 semanas) 3º - aumento da força máxima Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 12 Os métodos de treino deverão estar mais orientados para as adaptações nervosas do que para a hipertrofia. Os métodos de treino para o aumento da taxa de produção de força são bastante exigentes, necessitando de uma preparação muscular anterior. Ao utiliza-los pretende-se melhorar o potencial do músculo quanto à sua activação nervosa e á taxa de produção de força, sem aumento substancial do peso corporal e da massa muscular Pretende-se que a velocidade de contracção seja máxima independentemente da velocidade de realização ser mais baixa. Isto justifica-se devido ao facto das cargas serem máximas ou perto destas. 6 - Quadro representativo dos métodos da taxa de produção de força Séries Repetições Intensidade Pausa Sub-máximo* 1,2,3,4+5 3,1,1,1+1 90,95,97,100 3-5 Concêntrico 5 1 100 3-5 máximo Excêntrico 3 5 150 3 máximo Concêntrico/ 3-5 6-8 70-90 5 Excêntrico *este método está estruturado como uma pirâmide, na qual, na última série tenta-se melhorar o valor máximo anterior O método excêntrico máximo, no qual a carga deverá ser supra-máxima (nunca superior a 150% da força isométrica máxima) tem a sua aplicação no Andebol. Deve-se respeitar as regras de realização e segurança tão importantes para se retirar o máximo benefício do exercício e evitar as lesões. Durante a fase concêntrica do movimento o atleta deverá ser ajudado pelo treinador ou colegas na superação da carga. A combinação dos vários métodos existentes (método misto) parece ser benéfica para o treino do jovem, pois encontra-se estruturada progressivamente por série (70% até 100%), regressando posteriormente ao valor inicial. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 13 TREINO PLIOMÉTRICO Os métodos utilizados para desenvolvimento do ciclo muscular alongamento- encurtamento deverão ser desenvolvidos perante a ausência de fadiga, logo aconselha-se a sua realização após o aquecimento. Desta forma para os membros inferiores temos os seguintes exercícios: - saltos verticais - multissaltos (steps e hops) - saltos em profundidade 7 - Metodologia de treino pliométrico Séries Repetições Intensidade Pausa Saltos 3-5 30 Máxima 5 verticais Multissaltos 3 20 Máxima 5 Saltos em 3-5 10 Máxima 10 profundidade Os saltos verticais poderão ser realizados com um ou dos apoios, com um ritmo individual. A intensidade (maior número possível de contactos com o solo) e a elevação deverão ser máximas. O número de repetições baixa para 10 quando são realizadas com um só apoio. Nos exercícios de multissaltos poderemos englobar os saltos triplos e outros idênticos, nos quais o valor da distância alcançada representa o resultado positivo da carga. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 14 TECIDO MUSCULAR O tecido muscular é constituído por cerca de 85% de fibras e 15% de material extra-fibras musculares. Um músculo sofre alterações mecânicas, bioquímicas e de dimensão após o treino, nomeadamente no que diz respeito às suas fibras. O bicips braquial num recém nascido têm um peso de 2 gr, e num adulto entre 110 e 150 gr. Também o diâmetro das fibras e o seu comprimento sofrem alterações. Por outro lado não existe uma relação directa entre a força e a dimensão do músculo. No treino do músculo o importante é a efectividade do trabalho que é realizado, que se encontra relacionado com a maior ou menor incidência de um trabalho para a tensão muscular (lançadores, halterofilistas) ou para as capacidades metabólicas (fundistas) relacionadas com a capilarização da fibra, em função das características da modalidade desportiva.  Músculo Esquelético A estrutura muscular, nomeadamente o músculo esquelético, sobre o qual assenta a maior parte do trabalho a realizar nas acções desportivas, dá-nos diferentes respostas, derivadas da sua constituição. O músculo esquelético é constituído por diferentes fibras musculares, que são responsáveis pelo trabalho muscular específico. A enzima responsável pela contracção do músculo esquelético é a Miosina ATPase, a qual existe em concentração nas fibras de contracção rápida. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 15 Para que se dê uma contracção muscular é necessário que a Miosina ATPase se junte ao magnésio (Mg++) para hidrolizar o ATP em ADP +Pi, proporcionando desta forma energia suficiente para as ligações entre a actina e a miosina que irão provocar a contracção muscular. A contracção muscular poderá ser considerada quanto ao tipo de trabalho realizado como:  Positiva – trabalho concêntrico  Negativa – trabalho excêntrico  Tensão – trabalho isométrico  Fibras Musculares As fibras musculares podem ser distinguidas em função da sua constituição e tipo de trabalho para o qual estão maioritariamente preparadas. As fibras musculares não são todas idênticas variando entre si quanto à sua densidade, composição e volume o que lhes permite realizar diferentes tipos de trabalhos. Desta forma podemos distinguir dois grandes grupos de fibras musculares: fibras do tipo I (vermelhas) e tipo II (brancas). Fibras lentas – ST (slow twitch), tipo I ou vermelhas devido à maior concentração de mioglobina. Possuem bastante mitocôndrias e enzimas oxidativas o que lhes permite funcionar de acordo com o metabolismo energético aeróbio. A sua densidade é maior que a das outras fibras. Possuem SDH (desidrogenase sucinato) que é a enzima responsável pelo metabolismo aeróbio. Demoram cerca de 110 milisegundos até atingir o pico de activação após a sua estimulação. Possuem cerca de 10 a 180 fibras musculares por neurónio motor. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 16 Devido à sua capacidade oxidativa são mais resistentes à fadiga, logo são as responsáveis pela maior parte do trabalho muscular nos esforços de maior duração e média intensidade. Encontram-se em maior percentagem nos atletas de modalidades onde a resistência prevalece (velocista 24% - atleta longa distância 79%). O seu aumento e rentabilidade são determinados geneticamente e pelo treino. Fibras rápidas – FT (fast twitch), tipo II ou brancas. Este tipo de fibras é o responsável pelos esforços de curta duração e intensidade alta. Realizam o metabolismo energético anaeróbio. Têm um diâmetro maior que as fibras tipo I. Possuem CPK (creatinafosfoquínase) que é a enzima responsável pela rápida regeneração do ATP a partir da CP (fosfocreatina). O retículo sarcoplasmático encontra-se mais desenvolvido de forma a armazenar cálcio. Possuem um maior número de fibras a contrair, cada neurónio motor possui cerca de 300 a 800 fibras. Encontram-se em maior percentagem nos atletas de modalidades onde as acções realizadas à máxima velocidade e ou de forma potente prevalecem (sprinter 76% atleta longa distância 21%). Por vezes têm tendência para apresentar reservas de glicogénio mais ricas que as fibras tipo I. As pontes de fósforo aumentam a sua concentração nas fibras tipo II com treinos máximos de pouca duração. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 17 No entanto as fibras tipo II dividem-se em 3 diferentes grupos: IIa – têm alguma capacidade oxidativa possuindo alguma resistência à fadiga. Bastante utilizadas nos exercícios de musculação, 1500 metros ou nas provas de natação de 400 metros. IIb – utilizadas em esforços muito potentes ou de extrema velocidade. Permitem uma grande acumulação de ácido láctico. IIc – representam 1% do músculo. Têm uma maior capacidade oxidativa. São consideradas como células de transição. Através do treino específico a composição muscular do nosso tecido poderá alterar-se principalmente das fibras tipo II para as fibras tipo I. O contrário não parece ser possível. As concentrações de sódio (Na++) e de potássio (K+) são idênticas em ambos os tipos das fibras. A LDH (lactatodesidrogenase) nas fibras tipo II (LDH5) encontra-se no retículo sarcoplasmático, favorecendo a produção de ácido láctico e ácido pirúvico. Nas fibras tipo I (LDH1 e LDH2) encontra-se nas mitocôndrias diminuindo a produção de lactato e piruvato. Poderemos dar um exemplo prático de como estes processos se manifestam na realidade: Imaginemos um treino de intensidade média (65% Vo2 Max) com uma duração de 3 horas. Nesse treino o atleta terá uma maior tendência para esgotar em primeiro lugar as reservas de glicogénio das ST e só depois destas as das FT. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 18 Os saltos em profundidade representam um dos pontos mais fortes do treino de impulsão no Andebol. No entanto a sua aplicação depende do estado de preparação física e maturidade das estruturas (ossos, músculos, tendões e ligamentos) envolvidas na mecânica dos movimentos. A altura da queda (24 a 102 cm) deverá variar de atleta para atleta, tendo como referência que cada um não deverá contactar o solo com os calcanhares. Outro aspecto igualmente interessante relaciona-se com o facto de um contacto excessivamente longo ou curto com o solo interferir negativamente nos ganhos. Para os membros superiores também se realizam exercícios com os mesmos objectivos. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 19 O TREINO DA VELOCIDADE A escolha dos exercícios é determinante para o sucesso do treino de velocidade. Segundo Bauersfeld e Voss (cit. J.Castelo) a componente cognitiva da velocidade foi fortemente desprezada no treino com jovens. E esta é determinante nomeadamente ao nível da análise e tomada de decisões tácticas. Numa primeira fase, durante a infância devemos adaptar a actividade física à realidade da criança. Daí que devemos iniciar através de competições simples contra o próprio corpo (eu vou ser mais rápido!). Mais tarde introduzimos a competição contra um adversário directo, até chegarmos ao modelo pretendido no jogo. Cada exercício deverá ser realizado com uma velocidade máxima e se possível acima da solicitada pela competição. Também a realização do exercício em tempo determinado ajuda a pressionar o atleta. Em termos metodológicos deveremos trabalhar em primeiro lugar a velocidade acíclica (remate) e só depois a cíclica (sequências de passe e recepção). A velocidade está intimamente ligada com a força para obtenção da potência. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 20 O TREINO DA RESISTÊNCIA O Andebol poderá ser caracterizado como uma modalidade onde prevalece uma resistência específica de jogo que é fruto da associação entre a velocidade e a resistência, utilizada com intervalos curtos de recuperações incompletas. A capacidade aeróbia apresenta-se como a base do trabalho de desenvolvimento da resistência específica do jogo. Só assim poderemos aspirar a que os nossos atletas possam ter um melhor rendimento durante a competição e uma rápida recuperação. O treino da resistência desempenha duas grandes funções no praticante - durante o período de formação do jovem atleta (até aos 19 anos) e no período de exploração das suas potencialidades como atleta (a partir dos 20 anos e até ao final da sua carreira). Segundo G.Gacon (cit. A.Quintallet), no período de formação pretende-se: - aumentar o VO2max. Entende-se que o valor de 60 mml/Kg é o valor mínimo para a prática de uma modalidade colectiva de alto nível (C.Bosco 1985) - melhorar a capacidade de recuperação perante intensidades específicas - aumento do índice técnico de recuperação (diferença entre a frequência máxima e o número de pulsações registadas durante o primeiro minuto após o final do esforço) Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 21 No período de exploração pretende-se: - utilização máxima do VO2max - melhorar a capacidade de recuperação perante intensidades específicas (quanto melhor for a capacidade de recuperação de um atleta, maior será a sua capacidade de ligação de esforços decisivos, para o menor o tempo de recuperação) De seguida passamos a apresentar um quadro com os vários métodos de desenvolvimento da resistência. 8 - Quadro representativo dos métodos de treino para o desenvolvimento da resistência Método Vol. Int. VO2max Fc Vel. Extensivo 30` 60% 45% 125 Constante Contínuo Uniforme 2h 80% 60% 160 Intensivo 30` 90% 60% 140 Constante 60` 95% 90% 190 Variado 20` 60% 140 Variada 2h 95% 175 Intervalos Intervalado 15`` 65% 60% 140 Depende do 15` 100% 90% max objectivo Repetições 20`` 80% Max. 3` 95% Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 22  Ácido Láctico O ácido láctico apesar de ser um produto resultante da glicólise pode ser utilizado como substrato metabólico do músculo esquelético e mais tarde do músculo cardíaco. As concentrações de acido láctico em primeiro lugar acontecem na fibra muscular e só depois são enviadas para o sangue. Para que exista uma maior concentração de acido láctico, é necessário a presença de algumas condições especiais para que tal se desenvolva.  Pressão parcial de oxigénio no ar (quanto menor for a pressão maior é a produção)  Temperatura ambiental (quanto mais quente maior é a produção)  Quanto mais localizado for o trabalho maior é a concentração Na prática um trabalho realizado a 60% do Vo2 Max a produção de acido láctico não sobe para valores intolerantes. 70% a 80% do Vo2 Max aumenta a produção durante os primeiros minutos (5`- 10`) podendo manter-se constante depois. Essa constância poderá igualmente aumentar ou diminuir em função da intensidade do esforço e sua duração. A 85% a 90% do Vo2 Max observa-se um aumento contínuo. Após um trabalho de esforço máximo e prolongado a eliminação de ácido láctico é favorecida pela realização de esforços sub-máximos (o acido láctico é metabolizado na presença de oxigénio). Para uma melhor recuperação recomenda-se a realização de uma actividade contínua a 50% - 60% da anterior. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 23 Ciclos da Periodização Vários autores têm escrito e apresentado diferentes estruturas dos ciclos da periodização. Apenas iremos apresentar aquelas que em nosso entender se ajustam ao andebol. As diferentes formas encontram-se estruturas dentro do ciclo de treino da seguinte forma:  Macrociclo – um ano ou mais  Mesociclo – 1 a 3 meses  Microciclo – uma semana  Unidade de treino – sessão de treino Também I.Verjoshanski apresentou um modelo com a seguite constituição:  Ciclo anual  Grande etapa – (3 a 5 meses)  Microciclo Estas diferentes estruturas têm diferentes funções em função do período em que nos encontramos. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 24  Microciclo Preparatório Pré-Competitivo Competitivo  Baixa exigência  Ocorre na maior  Termina numa competitiva parte do ano competição  Característica da periodização simultânea (jovens e colectivos)  Fornecimento de  Desenvolvimento de  Estruturado em volume que sirva de aspectos qualitativos função da base para futuros e situações similiares competição treinos à competição para alcançar a forma desportiva  2 dias bastante mais  Depende do dia da  Dia mais forte fortes separados entre competição encontra-se si 3 a 4 dias distante da competição  Grande volume e  Aumento geral da intensidade baixa intensidade e diminuição do volume  1 ou 2 dias de repouso  Repouso após a  Repouso após a competição competição * em anexo apresenta-se a estrutura dos diferentes microciclos em função do período da época desportiva Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 25  Mesociclo Os mesociclos são considerados como momentos de maior amplitude temporal onde estão periodizadas as semanas de carga e de repouso. No entanto não são uniformes quanto à carga. Estas estruturas têm tendência a diminuir com o avançar da época Segundo Lyden (citado por Año 1997), a duração do mesociclo depende do tipo de treino que se pretende realizar. Normalmente são mais curtos no período competitivo. Refere ainda o autor, para que um trabalho de base (geral) ganhe solidez e eficácia são necessários no mínimo 28 dias, o mesmo acontecendo para um trabalho de qualidade (específico) o qual necessita de pelo menos 21 dias. Já os efeitos do treino intervalado poderão ser observados após um período de 10 a 14 dias de treino. Ao longo da época desportiva será importante a presença de um mesociclo de recuperação, coincidindo com momentos de paragem dos campeonatos, onde é possível registar uma diminuição dos níveis da carga. Num mesociclo existem semanas de progressão, estabilização e diminuição da carga, logo o aumento da carga não é uniformemente linear.  Macrociclo O macrociclo é uma estrutura maior que as anteriores chegando a demorar um período anual. O seu planeamento é em função do momento da competição, sendo o tempo necessário para se atingir a forma determinado pela capacidade do praticante e o tipo de modalidade. No entanto nunca é inferior a 6 semanas. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 26  Grandes Períodos do Treino Desportivo Os ciclos da periodização encontram-se adaptados em função do período em que nos encontramos na época desportiva. Os seus objectivos e a sua construção estão sempre centrados em determinado momento da época desportiva. Existem 3 grandes momento ou períodos sobre os quais o treinador deve debruçar e planear a sua época em função da maior ou menor disponibilidade temporal e proximidade da competição.  Período Preparatório  Período Competitivo  Período Transitório À medida que vamos avançando no processo de formação desportiva a importância destes períodos aumenta assim como se vai clarificando a função e respectivos objectivos de cada um desses períodos. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 27 Unidade ou Sessão de Treino E passamos à prática. Local onde as decisões tomadas são avaliadas e correspondidas positiva ou negativamente, de forma a mantermos ou alterarmos a sua estrutura. A sessão deverá ser controlada de forma a que haja ou não alguma interferência, sobre as decisões do planeamento. A estrutura de uma sessão de treino é composta por;  fase de aquecimento Quanto mais novos forem os atletas maior deverá ser a acção do treinador, optando por um estilo de liderança mais directivo , conduzindo os exercícios a realizar. Como o sistema nervoso se encontra menos desenvolvido, demora mais tempo a activar. É importante um bom aquecimento das estruturas musculares e ligamentares pois encontram-se em fase de crescimento),  parte principal É a fase mais rica do treino onde são expostos os principais exercícios, que visam atingir os objectivos do treino  regresso à calma Relaxamento muscular No final é sempre conveniente fazer um breve balanço sobre o que foi a sessão e comportamentos a modificar em futuras situações. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 28 Na estruturação dos exercícios devemos ter cuidado com os seguintes aspectos, relacionados com o aumento da sua complexidade:  exercícios suaves  aumento do volume provocando uma maior motivação  o aumento da intensidade provoca um maior desgaste fisiológico ADAPTAÇÃO AO TREINO A adaptação é um processo simples de desenvolvimento de estruturas latentes (orgânica, motora e psicológica) que permitem ao atleta atingir níveis superiores aos anteriormente atingidos desde que as cargas de treino sejam correctamente administradas, de acordo com a individualidade, as características da modalidade e os princípios do treino desportivo. A qualidade da adaptação está definida através do genótipo (evolução do conjunto das condições do meio e dos indivíduos em função das transformações hereditárias e de selecção natural) e do fenótipo (desenvolvimento individual durante a vida como resposta à acção de distintos do meio exterior). Desta forma a maior ou menor capacidade de adaptação de um indivíduo poderá estar determinada à partida por características hereditárias e assim como pelas influências do meio. Podemos distinguir diversos tipos de adaptação, no que diz respeito às diversas circunstâncias.  Materiais (calçado, piso, equipamento, bola, resina)  Carga (intensidade, volume, densidade e complexidade)  Condições externas (público, temperatura) Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 29  Síndrome Geral de Adaptação O processo de adaptação pode ser explicado através do Síndrome Geral de Adaptação (Seyle 1982), o qual explica o funcionamento da cadeia principal do mecanismo de adaptação. Após um estímulo stressante (sessão de treino ou um simples exercício) sobre o organismo, produz-se uma activação da hipófise o que origina um aumento da produção hormonal (adrenocorticotropa), a qual irá estimular a actividade do córtex das suprarenais as quais irão provocar uma estimulação dos mecanismos de adaptação. Desta forma as diversas estruturas orgânicas sobre as quais um determinado estímulo de treino tem influência reagem de diversas formas consoante a sua função permitindo um conjunto de estados de resposta os quais resultam em adaptação.  Avaliação da Adaptação A adaptação aos efeitos do treino normalmente é avaliada pelos resultados obtidos na competição, pelas alterações estruturais e funcionais. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 30 FONTES DE ENERGIA Também as diversas fontes de energia, o seu estado de desenvolvimento são decisivos para um melhor processo de adaptação. O corpo humano possui dois grandes sistemas de produção de energia – aeróbio e anaeróbio (aláctico e láctico) – em função da presença de O2 no metabolismo celular.  Sistema anaeróbio aláctico ATP + CP Este sistema actua em situações de esforços de curta duração, normalmente inferiores a 8 segundos, mas de intensidade máxima (ex: remate). Normalmente durante a competição existe uma grande dificuldade de regeneração deste sistema. Após séries de exercícios desta natureza o organismo necessita de um maior tempo de recuperação O organismo recorre ao ATP (adenosina trifosfato) e à CP (fosfocreatina) como fontes de energia para as acções a realizar. O ATP após ser utilizado dá origem ao ADP e ao fosfato inorgânico – ADP + Pi + 7300 calorias Mais tarde dá-se o processo de re-síntese do ATP no sarcoplasma e perante a ausência de oxigénio. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 31 Sistema Glicolítico O sistema energético anaeróbio aláctico também poderá ser utilizado em esforços sub-máximos, onde a duração do esforço varia entre os 8 e os 20 segundos. O organismo recorre ao ATP + CP e ao sistema glicolítico com produção de acido láctico, como fontes de energia. O tempo de recuperação deste sistema será de 24 horas para 100% e 30 minutos para 80% da sua capacidade. Desta forma podemos distinguir estas duas formas de obtenção de energia nas seguintes situações: ATP + CP Glicolítico Aeróbio 60 mts 32% 67% 1% 200 mts 19% 74% 7%  Sistema anaeróbio láctico O sistema energético anaeróbio láctico é utilizado em esforços de intensidade média, onde a duração do esforço varia entre os 20 segundos e os 2 minutos. Como o próprio nome indica este sistema produz acido láctico, devido à sua curta duração e intensidade o ciclo não se cumpre na sua totalidade, daí que o oxigénio não chegue aos músculos e se acumule o lactato. A maior parte destes esforços realizam-se na ausência de oxigénio. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 32 Quando repetido várias vezes este sistema é desaconselhado para os jovens devido à acumulação residual de acido láctico. Caso o número de repetições seja reduzido poderá ser benéfico para a estimulação neuromuscular. O organismo recorre ao ATP + CP e ao sistema glicolítico com produção de acido láctico, como fontes de energia. O tempo de recuperação deste sistema será de 24 horas para 100% e 30 minutos para 80% da sua capacidade.  Sistema aeróbio Este sistema actua em situações de esforços de longa duração (acima dos 2 minutos) e baixa intensidade (a alta velocidade a capacidade de tolerância diminui e aumentam os níveis de ácido láctico), na presença de oxigénio. Existe um predomínio das qualidades resistentes, o que faz um maior aproveitamento das fibras vermelhas tipo I e em menor número das fibras tipo IIb e IIc. Tabela de tempos de recuperação Tº de actividade Jovens Adultos 6`` - 8`` 30` 30` < 20`` 30` 30` < 2` 5` - 10` 3` - 5` > 2` 3` - 5` 45`` - 3` Desta forma são recomendáveis para os crianças antes da puberdade esforços até 75% e para os adultos esforços acima destes valores. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 33 Curva da forma Desportiva A curva da forma desportiva encontra-se adequada a um período preparatório longo e a momentos competitivos pontuais (maior parte das modalidades individuais), optando-se pela realização de periodizações simples, duplas ou triplas. De uma forma geral os últimos picos são mais altos que os primeiros. Este tipo de periodização também é utilizada quando existe tempo para a preparação de competições em concentração (fases finais, campeonatos da Europa ou do Mundo). Patamar de Rendimento Modelo de periodização muito utilizado nos desportos colectivos onde as pequenas ondulações da carga de treino em função da constante proximidade de competições (semanais ou bi-semanais). Com um curto período preparatório (1 mês a 1 mês e meio) e um longo período de competições. Ao longo da época poderão existir 2 ou 3 patamares de rendimento. Hoje em dia procura-se conciliar os valores do volume e da intensidade sempre muito elevados durante toda a época. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 34 A Forma Desportiva A forma desportiva é considerado como um estado de excelência, física, técnica e psicológica, que depende da qualidade da adaptação resultante dos estímulos do treino individual. A forma desportiva depende de algumas questões que o treinador tem de resolver mais cedo ou mais tarde. Qual a carga semanal ao longo do ano? Quando se deve manter ou variar? Quando e quanto treinar as capacidades condicionais e as componentes técnico-tácticas? Etc... Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 35 PLANEAMENTO DO TREINO DO JOVEM “Planear é projectar o futuro antes de começar” L.Matveiev Planear é prever o futuro. É desta forma que o treinador estrutura a sua actividade após um conhecimento da modalidade, das características dos atletas e das suas próprias características. Num sistema desportivo ideal o treinador planeava a sua intervenção numa área mais abrangente em termos espaciais e temporais. O plano deveria incorporar as várias áreas de apoio ao treino e ao treinador (físico, técnico, táctico, psicológico, social) assim como as suas disciplinas (metodologia do treino, pedagogia, desenvolvimento pessoal e social) e sua sub-disciplinas (andebol, biomecânica , estratégias de ensino, planeamento, controlo, avaliação), até chegarmos à unidade central de todo o processo que é a sessão de treino e seus exercícios. O planeamento do treino do jovem deveria assentar na formação desportiva do jovem, desde a sua iniciação desportiva até à integração no alto rendimento. O resultado só seria conhecido no final deste processo caso o jovem se integrasse e adaptasse às exigências da competição sénior com sucesso. No entanto tal não é possível pois a maior parte dos treinadores de andebol não chega a trabalhar mais do que dois anos com os jovens. A continuidade pedagógica não é seguida o que permite que ano após ano o jovem atleta se sujeite a diferentes cargas de treino, na maior parte das vezes não respeitado princípios de continuidade, estabilização ou progressão. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 36 Hoje em dia discute-se muito sobre a idade da iniciação desportiva. Concretamente não podemos definir uma idade ideal para o início de uma determinada modalidade desportiva, pois este aspecto está relacionado com a maior ou menor precocidade da modalidade desportiva assim como o grau de motricidade da criança. Prevê-se que o período compreendido entre os 6 e os 10 anos seja o ideal para a iniciação desportiva. Para a criança o desporto não surge como um fim mas um meio para o desenvolvimento psico-social. Por outro lado não nos podemos esquecer que qualquer orientação desportiva tem de ter em vista a alta competição. Naturalmente que numa primeira fase deve-se estimular os hábitos desportivos. Em comparação com o adulto a criança deve brincar mais do que treinar. Criança Jovem Adulto BRINCA JOGA COMPETE O treino infanto-juvenil tem por objectivo o fornecimento de uma boa condição física de forma a promover uma qualidade de vida para o futuro desportivo. O treino desportivo poderá assumir diferentes objectivos como; a aprendizagem o rendimento e a reabilitação. Segundo Piaget e Inhelder o período compreendido entre os 8 e os 12 anos representa um momento fértil para as aprendizagens. Neste período devido ao desenvolvimento psicomotor da criança esta consegue realizar qualquer movimento por mais difícil que ele seja (o desenvolvimento máximo não é atingido visto existir uma dependência directa dos níveis de força). Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 37 Desta forma Piaget e Inhelder denominam este momento temporal como o período das operações concretas. Antes dos 8 anos o SNC (sistema nervoso central) não se encontra desenvolvido de forma a poder realizar os devidos movimentos assim como a sua capacidade de concentração ainda é reduzida. Durante este período (5 aos 8 anos deve-se promover o desenvolvimento de habilidades motoras) Por sua vez o pensamento lógico (análise, processamento e retenção de informação), útil nas situações tácticas do jogo, só mais tarde (puberdade) é que se desenvolve. Os jovens por sua vez possuem algumas vantagens de aprendizagem em relação aos adultos, não só por serem mais recentes ou estarem menos sobrecarregados pelas necessidades do dia a dia. Entre as várias vantagens destacam-se a plasticidade do SNC, um maior nível afectivo-cognitivo e uma maior capacidade de percepção e imitação. Desta forma e segundo Hahn (1986) o processo de treino desportivo do jovem encontra-se dividido em 3 fases: Básico – desenvolvimento motor de carácter geral Desenvolvimento – preparação específica desportiva (condição física, motora e técnica) Alto rendimento – optimização de processos e recursos com vista à alta competição Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 38 Princípios de adaptação do treino do jovem 1. O jovem atleta deve treinar com cargas inferiores a 75% da intensidade máxima 2. O jovem apresenta uma menor capacidade de tolerância das cargas de treino 3. Maior probabilidade de aparecimento de fadiga 4. A maior ou menor utilização dos sistemas energéticos depende do efeito de treino que os sistemas têm sobre o jovem Para que exista uma correcta adaptação às cargas de treino, levando a uma supercompensação teremos que ter em conta as capacidades do atleta e as características da carga. Em comparação com o adulto o jovem atinge a forma física com menor carga e com menor duração, sendo esta igualmente menos duradoura em termos temporais. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 39 A adaptação no treino do jovem manifesta-se em dois níveis: 1. Metabólico Utilização de processos aeróbios Aumento da capacidade de recuperação Degradação da glicose na presença de O2 Desenvolvimento do sistema cardiovascular 2. Morfológico (neuronal e muscular) Hipertrofia muscular Adaptações aeróbias das fibras musculares (excepção das FT ou tipo IIa) Tendência de conversão de algumas fibras IIb em IIc Sistema nervoso Aumento da capacidade de reacção Aumento dos estímulos do organismo (SNSimpático) * a teoria da estimulação eléctrica está contraproducente nos jovens Desta forma podemos afirmar que a adaptação dos jovens ao treino está relacionada com a administração da carga, as fontes de energia recrutadas e os princípios do treino. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 40 FASES do TREINO do JOVEM Fase Idade Objectivo Características Preparação desportiva Educação física  Desenvolvimento motor inicial 8 – 10 anos  Multidisciplinar  Preparação física geral  Preparação neuromotora Preparação desportiva Orientação  Iniciação desportiva especializada 11 – 15 anos desportiva motora Preparação física geral e dirigida Preparação específica Especialização  Especialização por profunda postos 16 – 18 anos  Preparação física específica  Início do treino de potência Mestria desportiva > 19 anos Alto rendimento  Especialização profunda  Máximo rendimento Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 41 PLANEAMENTO da FORMAÇÃO DESPORTIVA do JOVEM ATLETA Em primeiro lugar o treino do jovem atleta tem por objectivos intimamente ligados à sua formação desportiva e não a objectivos competitivos ou de rendimento. O planeamento do treino neste caso é um processo a longo prazo onde a ansiedade de resultados poderá comprometer todo o processo. No entanto alguns estudos mostram-nos algumas das diferenças entre a preparação e adaptação do adulto e do jovem. No andebol o rendimento desportivo situa-se acima dos 20 anos, logo existe um período bastante alargado para se preparar o jovem atleta para que possa responder de forma positiva às exigências da competição sénior. Desta forma faz todo o sentido planear o treino a longo prazo por razões relacionadas com:  Aumento do rendimento desportivo futuro baseado em parâmetros básicos do desenvolvimento e aprendizagem do jovem  Consciência da duração do tempo e sua divisão por etapas  Organização racional dos meios e dos métodos  Controlo das valorizações específicas Desta forma poderemos concluir que o máximo rendimento só se obtém quando os meios e as bases são correctamente aplicados na infância e na adolescência. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 42 Para que um planeamento desportivo seja correctamente elaborado está dependente de alguns factores internos ou externos ao atleta (mesmo no treino das modalidades desportivas a formação individual deve prevalecer em detrimento de um maior colectivismo da equipa. O que nós pretendemos como treinadores de jovens, é formar atletas com níveis superiores aqueles que se encontram na alta competição de acordo com as tendências futuristas da modalidade e do desporto. Desta forma as noções de desenvolvimento baseadas na homogeniedade de processos em função do grupo é desactualizada e nefasta para o jovem, pois podemos cair no erro de estar a trabalhar para alguém que não existe – um ponto médio. Por outro lado estamos a criar sistemas homogéneos limitando a evolução dos melhores em detrimento dos fracos. Não nos podemos esquecer que uma selecção natural é realizada em primeira instância, por razões muitas vezes externas ao treino desportivo. Ao longo deste processo a selecção dos mais aptos adopta critérios cada vez mais específicos de acordo com parâmetros que permitem atingir sucesso na modalidade – antropométricos, motores, técnico-tácticos, psicológico e sociais). Hoje em dia o planeamento do jovem assume características multilaterais, assentando em princípios de aprendizagem e desenvolvimento das qualidades e tarefas múltiplas. No entanto essa característica vai-se perdendo com o tempo principalmente após a entrada na fase da especialização profunda. Começa então a ganhar formas mais unilaterais. No entanto o princípio da multilateralidade deverá estar sempre presente pois os transferes são importantes nas principais modalidades colectivas. Ao planear o treino devemos igualmente não esquecer o calendário competitivo (apesar de na formação este assumir preferencialmente objectivos formativos), a periodização e o calendário escolar. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 43  Factores Intervenientes no Desenvolvimento do Planeamento Desportivo 1. Nº de anos para chegar à alta competição Com um início por volta dos 12 a 14 anos, o jovem demorará entre 5 e 10 anos até atingir o máximo rendimento 2. Idade em que se chega ao alto rendimento A longevidade competitiva tem vindo a aumentar, cada vez ais se assiste a campeões mais velhos 3. Nível de preparação e capacidade do desportista Para tal é necessário um conhecimento profundo das características individuais dos atletas, de forma a poder-se individualizar o mais possível, não correndo o risco de colocar as exigências desadaptadas face às capacidades dos atletas. 4. Idade em que se iniciou no treino especializado Encontra-se dependente da modalidade desportiva, da idade biológica, das características individuais e do momento em que o treino se tornou sistematizado. 5. Aumento progressivo com os anos de treino do nº de competições, carga de treino e o nível de especialização 6. As componentes do treino distribuem-se de acordo com as etapas e a especialidades Respeito pelos períodos sensíveis para a maior ou menor estimulação das diferentes qualidades Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 44 7. A carga de treino deve aumentar ano após ano respeitando as variações da periodização anual Cabe ao treinador articular o aumento da carga com o nível de maturação dos atletas, a aplicação dos sistemas de treino e do planeamento 8. Aumento lento do volume de treino 9. Aumento da intensidade das sessões de treino 10. Capacidade de diferenciação entre o treino do jovem e o treino do adulto de alto rendimento Nos jovens o mais importante é o ensino em detrimento da competição. É claro que os níveis de competição estão sempre presentes na actividade desportiva do jovem, só que de uma forma controlada e pedagogicamente aplicada. 11. Definição clara de objectivos, meios e sistemas a utilizar em cada etapa 12. Variabilidade de exercícios 13. Standardização de testes para efeitos de controlo e avaliação  Momentos fundamentais do Planeamento Idade de início do treino - + - 10 anos Idade da especialização desportiva - + - 14 anos Idade do máximo rendimento - + - 20 anos Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 45 CARGA DE TREINO O treino é influenciado por factores de ordem quantitativa e qualitativa. Esses factores permitem uma correcta evolução, estagnação ou retrocesso das capacidades do jovem. A sua correcta aplicação em termos espaciais e temporais é decisiva para o sucesso da preparação desportiva de um atleta Quantitativos Qualitativos  Volume (séries e repetições por  Intensidade exercício)  Frequência (nº de sessões de  Recuperação treino)  Duração (volume e tempo de  Densidade recuperação)  Complexidade Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 46  Planeamento da Carga de Treino A distribuição da carga de treino deve ter em conta a idade e o nível inicial do praticante, as suas capacidades adaptativas e a determinação do nível da carga. Após o conhecimento deste 3 pontos será possível planear a carga respeitando sempre, determinados princípios como a repetição, a progressão e a estabilização. CARGA REPETIÇÃO ESTABILIZAÇÃO ADAPTAÇÃO AUMENTO Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 47 Periodização do Treino do Jovem Iremos agora passar para uma fase de operacionalização dos conceitos anteriormente focados no que diz respeito ao planeamento e à periodização do treino do jovem.  Periodização do Treino do Jovem Numa primeira fase devemos dividir a época em 3 períodos naturais correspondentes aos períodos escolares. Desta forma a nossa época poderá reger-se por 3 grandes períodos: Natal, Páscoa e Verão. Não nos podemos esquecer que durante as férias escolares destes períodos (momentos óptimos de treino, principalmente os 2 primeiros), muitos jovens deslocam-se para fora com os pais afim de festejarem essas quadras, ou vão para casa de familiares, o que de certa forma inviabiliza o trabalho a realizar. De seguida elaboramos um planeamento nunca superior a 2 anos (em princípio) por causa das alterações de crescimento e desenvolvimento das estruturas assim como as possíveis alterações de treinador. Os objectivos, meios e sistemas de controlo fazem parte, do modelo de programação, os quais devem definir os possíveis estados de evolução a atingir. A mesma sessão de treino deverá manter-se durante 4 a 6 semanas de forma que as aprendizagens sejam consolidadas. Os jovens devem ter uma actividade desportiva orientada e sistematizada durante um período anual de 9 a 10 meses. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 48 Para uma correcta periodização do treino entendemos que no que diz respeito à frequência das sessões de treino e sua duração, estas devem ter um aumento cronológico. Ano após ano o número de sessões aumenta assim como a duração destas. Infantis – 2 + 1 (45`a 60` + treino ou competição) Iniciados – 3 + 1 (60`a 90`) Juvenis – 4 + 1 (75`a 105`) Juniores – 5 + 1 (90`- 120` introdução das sessões bi-diárias) Quando começamos a estruturar as sessões de treino alguns princípios devem estar presentes, para que a nossa actividade tenha sucesso. O treino inicia-se através da sistematização de processos. Em primeiro lugar há que explicar aos jovens o que é o treino, quais as suas regras, rotinas e forma de organização. A variação de exercícios é decisiva a cada 15 dias de forma a combater alguma monotonia que possa surgir sem alterar contudo os objectivos da sessão, microciclo ou etapa. O volume e a intensidade devem manter-se constantes por um período de 4 a 6 semanas para que as adaptações se façam sentir. O microciclo representa a estrutura fundamental da periodização, onde a dinâmica da carga de treino, objectivos técnicos da sessão são controlados. Período Preparatório – 15 dias a um mês Período Formação – 2 a 4 meses Período da boa forma – 2 a 3 meses com tendência para aumentar nas modalidades colectivas Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 49 Por final passamos para a operacionalização de todo o processo ou seja a elaboração da sessão de treino e sua aplicação no terreno.  Periodização da forma Desportiva no Jovem Atleta Após uma correcta definição de objectivos, conhecimento dos atletas, programação de conteúdos e planeamento destes, cabe-nos agora a periodização, ou seja a distribuição das cargas em função dos diferentes momento da época desportiva. É claro que este conceito assume uma importância menor quanto menor for o escalão, e a necessidade competitiva. A periodização estrutura a carga de treino de acordo com os princípios do treino de forma a atingir-se a forma desportiva. Apesar de obrigatoriamente presente no treino do jovem esta assume uma perspectiva formativa e mais descontraída quanto aos momentos competitivos. Não queremos dizer que a partir de escalões como os juvenis ou juniores, com o aumento do número de competições e da sua importância, começa a fazer sentido igualmente preparar os jovens para as competições mensais ou semanais sem descurar os objectivos principais formativos e os princípios de ordem pedagógica. Por outro lado como a carga de treino é ondulatória, não sendo sempre a mesma, a periodização assume uma função de controlo e enquadramento temporal desta, em função dos objectivos do planeamento e do momento actual do atleta/equipa. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 50 A periodização poderá assumir características simultâneas ou sucessivas.  Sucessiva Em função do período em que nos encontramos trabalhamos uma ou outra característica. Periodização simples com um pico de forma  Simultânea Desenvolvimento de todas as capacidades de forma integrada e articulada em todas as etapas do ano, respeito a individualização e a dinâmica da carga de treino Periodização dupla e tripla Plataforma de rendimento (modalidades colectivas)  Fases da Periodização 1. Preparatória - Multidisciplinar - Bases da técnica - Introdução à competição 2. Específica - Aumento do nível da preparação física geral - Desenvolvimento do nível da preparação física específica - Aperfeiçoamento técnico e táctico - melhoramento dos aspectos psicológicos - conhecimento teórico do treino e da modalidade praticada Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 51 GLOSSÁRIO DE TERMOS Adaptação - Capacidade de um organismo ou de uma população responderem às pressões ambientais através de modificações permanentes que mantêm o equilíbrio com o meio. Biópsia - Técnica de extração de uma parte da fibra muscular com o objectivo de descobrir a percentagem de fibras de ambos os tipos. Capacidade - Soma da aptidão com as influências do meio. A capacidade é a expressão do fenótipo. Crescimento - Conjunto das modificações dimensionais do corpo. Crítico, Periodo - Periodo da ocorrência da máxima taxa mitótica de uma estrutura. Desenvolvimento - É um processo total (pela quantidade de variáveis envolvidas), interactivo (pela influência recíproca entre o organismo e o meio) e complexo (pela impossibilidade de estabelecer relações directas e deterministas). Dotado (gifted) - Aquele que possui uma habilidade generalizada para realizar tarefas de natureza físico-motora. Estado de Prontidão Desportiva - Situação de equilíbrio entre as exigências próprias do treino e da competição desportiva e as capacidades actuais de resposta da criança e do jovem a essas exigências. Estímulo - Influência que produz uma resposta de um receptor. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 52 Intensidade do esforço - Quantidade de trabalho a realizar na unidade de tempo. Late Bloomer - Talento de afirmação tardia. Maturação - Processo de regulação genética que determina, o momento, a intensidade e a cadência a que se processam as modificações. Metabolismo - Somatório das modificações químicas ou das reacções que ocorrem no organismo. Metodologia - Parte da ciência que estuda os métodos aos quais ele se liga ou de que se utiliza. Métodos antropométricos - Métodos de mensuração sistemática e análise quantitativa das variações dimensionais do corpo humano. Mioglubina - É uma proteína, que se encontra no sangue, e que é responsável pelo tranporte de oxigénio para a célula que se encontra em actividade. Planeamento - Estabelecimento de um plano em relação a qualquer objectivo. Princípio - Elemento fundamental sobre o qual se fundamenta uma teoria científica. Prospecção - Conjunto de identificação de valores (psicológicos, morfológicos, habilidade natural para a modalidade), que são importantes nas considerações do passo seguinte deste processo - promoção Quinantropometria - Antropometria do desporto. Saúde - Bem estar psíquico, físico e social. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 53 Selecção (no desporto) - Conjunto de adaptações temporárias induzidas pelo processo de treino. Sensível, Periodo - Idêntico ao conceito de periodo crítico só que no entanto inclui o crescimento hiperplásico e hipertrófico. Sistema - Conjunto de partes componentes, e das ligações que se estabelecem entre elas, concorrendo para a obtenção de um determinado resultado. Somatótipo - Descreve a morfologia geral do corpo através de: endomorfia, mesomorfia, ectomorfia. Talento - Aquele que manifesta uma elevada aptidão específica para uma forma particular de actividade. Talento Motor - Conjunto integrado de faculdades condicionais e coordenativas que formam o espectro das capacidades biomotoras. Técnica desportiva - Estrutura dinâmica, funcional e económica visando a obtenção de altos rendimentos desportivos. Treinabilidade - A elevação da resposta funcional de uma estrutura ou de um sistema devida à influência de estímulos externos, organizados segundo os princípios inerentes à definição do processo de treino; ou ainda influência atribuível a estímulos externos que actuam sobre as capacidades motoras de base e os eu rendimento, em relação com a respiração, o sistema cárdio- vascular e o metabolismo dos músculos sujeitos a estimulação, bem como as componentes psico-físicas. Treino - Programa de exercícios para desenvolver o atleta para uma determinada situação de competição. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 54 Volume do esforço - Quantidade total de trabalho realizado. soma de todos os esforços executados pelo atleta. Vo2 Max. - Consumo máximo de oxigénio que um atleta utiliza num esforço com a duração de um minuto, que o levaria ao esgotamento entre quatro a oito minutos. Pode ser avaliado em laboratório durante um esforço em tapete rolante. Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 55 BIBLIOGRAFIA Año, V. (1997) “ Planificación y organización del entrenamiento juvenil” Gymnos Editorial, Madrid Bompa, T. (1994) “Theory and methodology of training – the key to athletic performance” Kendal/Hunt Publishing Company, Dubuque Bosco, C. (1996) “Aspectos fisiológicos de la preparación física del futebolista” Editorial Paidotribo, Barcelona Castelo, J. e outros (1999) “Metodologia do treino desportivo” FMH Edições, Lisboa Chirosa Rios, L.; Chirosa Rios, I. (1999) “ El trabajo integrado dentro del entrenamiento de un procedimento de juego en balonmano” AEBM Chirosa Rios, L. e outros (1999) “Planificación y secuenciacion de un modelo de entrenamiento integrado dentro del juego complejo en balonmano” Educación Física y Deportes, Abril Jiménez, J. (1997) “La programación anual de entrenamiento en la edad juvenil” Jornadas de Balonmano – Instituto Andaluz del Deporte, Julho Manso, J. e outros (1996) “Planificación del entrenamiento deportivo” Gymnos Editorial, Madrid Matveiev, L. (1991) “Fundamentos do treino desportivo” Livros Horizonte, Lisboa Platonov, V. (1994) “La adapatción en el deporte” Editorial Paidotribo, Barcelona Pedro Alvarez Abril 2003
    • Carga e Adaptação no Andebol 56 Platonov, V. (1999) “El entrenamiento deportivo – teoria y metodologia” Editorial Paidotribo, Barcelona Ribeiro, B. (1997) “O Treino do músculo” Editorial Caminho, Lisboa, Abril 1997 Silva, M.; (1998) “Planeamento do Treino” Treino Desportivo, CEFD, Lisboa, Setembro Soares, J.M.; Duarte, J. (1993) “Plasticidade Muscular – Adaptação morfológica e funcional do músculo esquelético ao exercício” Edição Ministério da Educação – Direcção Geral dos Desportos, Lisboa, Abril Verjoshanski, I. (1990) “Entrenamiento deportivo” Ediciones Martinez Roca, Barcelona Pedro Alvarez Abril 2003