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TCC perfil da agricultura familiar, o caso da mandiocultura no corrego da ramada trairi-ce

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  • 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁFACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, ATUÁRIA,CONTABILIDADE E SECRETARIADO EXECUTIVOINSTITUTO UFC VIRTUALCURSO SEMIPRESENCIAL DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃOITAMAR GOMES DE SOUSAO PERFIL DA AGRICULTURA FAMILIAR SOB A PERSPECTIVA DESUSTENTABILIDADE DA CADEIA DE PRODUÇÃO DE FARINHA DE MANDIOCA –O CASO DA COMUNIDADE DO CÓRREGO DA RAMADA, TRAIRI-CE.FORTALEZA, CE2011
  • 2. 1ITAMAR GOMES DE SOUSAO PERFIL DA AGRICULTURA FAMILIAR SOB A PERSPECTIVA DESUSTENTABILIDADE DA CADEIA DE PRODUÇÃO DE FARINHA DE MANDIOCA –O CASO DA COMUNIDADE DO CÓRREGO DA RAMADA, TRAIRI-CE.Trabalho de Conclusão de Curso apresentado àCoordenação do Curso Semipresencial de Graduação emAdministração, da Universidade Federal do Ceará, paraobtenção do grau de bacharel em Administração.Orientador: Rosângela Venâncio NunesFORTALEZA, CE2011
  • 3. 2Sousa, Itamar Gomes deO Perfil da Agricultura Familiar sob a perspectiva desustentabilidade da cadeia de produção de farinha de mandioca– O caso da comunidade do Córrego da Ramada, Trairi-ce.Itamar Gomes de Sousa. São Gonçalo do Amarante, 2011.______150 f.Monografia – Curso de Administração - UniversidadeFederal do Ceará – UFC.1.Agricultura familiar; 2. Sustentabilidade; 3. Cadeia deProdução; 4. Desenvolvimento sustentável; 5. Farinha deMandioca.I. Título.CDU_______
  • 4. 3ITAMAR GOMES DE SOUSAO PERFIL DA AGRICULTURA FAMILIAR SOB A PERSPECTIVA DESUSTENTABILIDADE DA CADEIA DE PRODUÇÃO DE FARINHA DE MANDIOCA –O CASO DA COMUNIDADE DO CÓRREGO DA RAMADA, TRAIRI-CE.Este Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Curso Semipresencial deGraduação em Administração, da Universidade Federal do Ceará, para obtenção do grau deBacharel em Administração, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título deBacharel em Administração, outorgado pela Universidade Federal do Ceará – UFC eencontra-se à disposição dos interessados na Biblioteca da referida Universidade.A citação de qualquer trecho desta monografia é permitida, desde que feita de acordo com asnormas de ética científica.Data da aprovação ____/____/_______________________________________________Prof. Profa. Ms. ou Dr. Rosângela Venâncio NunesOrientador__________________________________________Prof. Profa. Ms. Ms. Aline Maria Matos RochaMembro da Banca Examinadora____________________________________________Profa. Ms. Criseida Alves LimaCoordenadora do Curso Semipresencial em Administração
  • 5. 4Para meus queridos Filhos: Mateus Sousa Gomes Marx Sousa Gomes Mara Beatriz Sousa Gomes e Maick Sousa Gomes
  • 6. 5AGRADECIMENTOSÀ minha esposa e companheira Maria Luciléia Furtado, pelo amor, confiança ecompanheirismo.Aos agricultores familiares da comunidade do Córrego da Ramada em Trairi-Ce, pelagenerosidade com que me receberam.À minha mãe, Josefa Rodrigues de Sousa, pela minha vida, pelo amor, apoio, incentivo epor ter me estimulado a estudar.A minha dedicada tutora Rosângela Venâncio Nunes, que ensina com entusiasmo esabedoria.À Prof.ª Joana D´arc Oliveira pelo apoio a minha formação profissional.Aos professores, funcionários e colegas do curso de Bacharelado em Administração, daUniversidade Federal do Ceará e do pólo de São Gonçalo.A meus amigos do curso de Bacharelado em Administração: Lucia Maciel, Pedro Paulo eLuis Célio pelo apoio e incentivo.
  • 7. 6DEDICATÓRIADedico este trabalho inicialmente a Deus, queamorosamente nos ofertou a oportunidade de realizareste curso de tamanha importância para nossas vidas; aminha mãe Josefa Rodrigues de Sousa, meus irmãos,amigos, colegas da nossa turma, e finalmente a meu pai,Manoel Gomes de Sousa, in memória e minha irmã,Maria Edivalda de Sousa, in memória.
  • 8. 7“Viver a vida não significa apenas cumpri-laem seu tempo, mas viver cada momento noseu tempo como se o tempo de viver fosseinfinito” .Claudio Rola
  • 9. 8RESUMOO presente trabalho aborda como problemática a busca por resposta à seguinte indagação:Qual o perfil da agricultura familiar sob a perspectiva de sustentabilidade da cadeia deprodução de farinha de mandioca da comunidade do Córrego da Ramada, Trairi-Ce?Caracterizou-se como estudo de caso e teve como objetivo principal realizar um diagnósticode modo a traçar o perfil da agricultura familiar sob a perspectiva de sustentabilidade dacadeia de produção de mandioca, usando o caso da comunidade do Córrego da Ramada,Trairi-Ce., e como objetivos específicos: conceituar agricultura familiar e contextualizar suaevolução no Brasil e no Ceará; definir desenvolvimento sustentável e abordar as suasdimensões; contextualizar a agricultura familiar como instrumento para desenvolvimento;apresentar a cadeia produtiva da mandioca e identificar como esta atividade pode serpotencialmente desenvolvida no Ceará, como instrumento de desenvolvimento ruralsustentável; pesquisar o perfil socioeconômico e a situação em que se encontram osAgricultores Familiares selecionados. Primeiramente fez-se revisão bibliográfica com oobjetivo de contextualizar a agricultura familiar, na sequência, procedeu-se uma exposiçãoacerca dos aspectos conceituais sobre agricultura familiar e suas características; além dosaspectos conceituais sobre desenvolvimento agrícola sustentável; Realizou-se ainda umadescrição da cadeia de produção da mandioca, discorrendo o conceito de cadeia produtiva,composição de cadeia de produção e cadeia produtiva da mandioca. A partir daí, efetuou-seuma pesquisa de campo, através de entrevistas junto a vinte agricultores familiares dacomunidade de Córrego da Ramada no município de Trairi – CE. Logo após foi apresentado oestudo de caso da cadeia produtiva da mandioca na comunidade de Córrego da Ramada emTrairi-Ce. Por fim, fez-se uma análise e interpretação dos dados da pesquisa. Concluiu-se pormeio desse estudo que a cadeia da mandiocultura na comunidade necessita de muito apoiopara atingir a sustentabilidade, embora que já se perceba alguns avanços. Constatou-setambém o baixo nível escolar dos agricultores, a fuga dos jovens do meio rural em busca deoportunidade nas cidades, a ausência de tecnologias no campo e muita resistência àsmudanças por parte dos agricultores como fatores que dificultam o desenvolvimentosustentável daquela comunidade.Palavras Chave: Sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, cadeia produtiva, agricultoresfamiliar, Farinha de mandioca.
  • 10. 9ABSTRACTThis paper discusses how problematic the search for the answer to one question: What is theprofile of family farming from the perspective of sustainability of the production of cassavaflour in the community of the Stream of Ramada, Trairi-Ce betray? It was characterized as acase study and aimed to make a diagnosis in order to profile the family farm from theperspective of sustainability of the production of cassava, using the case of the community ofthe Stream of Ramada, Trairi-Ce. and specific objectives: to conceptualize and contextualizefamily farming in Brazil and its evolution in Ceará, defining sustainable development and toaddress their dimensions; contextualize family farming as a tool for development; presentcassava production chain and identify how this activity can be potentially developed in Ceará,as a tool for sustainable rural development, research the socioeconomic profile and situationin which family farmers are selected. First we reviewed the literature in order to contextualizethe family farm, as a result, we proceeded to a presentation on the conceptual aspects offamily farms and their characteristics, in addition to the conceptual aspects of sustainableagricultural development, carried out a further description of cassava production chain,discussing the concept of chain, chain composition and production of cassava productionchain. Thereafter, we performed a field research through interviews with twenty familyfarmers of the community of Stream in the city of Ramada Trairi - Ce. Shortly after filing thecase study of the production chain of cassava in the Stream Community Ramada in Trairi-Ce. Finally, we did an analysis and interpretation of research data. It was concluded throughthis study that the chain of cassava in the community needs a lot of support for sustainability,although theyre already seeing some progress. It was also the low educational level offarmers, the flight of youth in rural areas in search of opportunity in the cities, the lack oftechnology in the field and a lot of resistance to change by farmers as factors that hinder thesustainable development of that community.Keywords: Sustainability, sustainable development, supply chain, family farmers,cassava flour.
  • 11. 10SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO 191.1 IMPORTÂNCIA DO TEMA 191.2 PROBLEMA DA PESQUISA 221.3 OBJETIVOS 221.3.1 OBJETIVO GERAL 221.3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 221.4 JUSTIFICATIVA 231.5 REFERENCIAL TEÓRICO 241.5.1 AGRICULTURA FAMILIAR 241.5.2 DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL 261.5.3 CADEIA PRODUTIVA DA MANDIOCA 291.6 METODOLOGIA 291.6.1 MÉTODO DA ABORDAGEM 301.6.2 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA 301.6.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 311.6.4 MÉTODO DE ANÁLISE 311.6.5 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS 321.6.6 A COLETA DE DADOS 321.7 ESTRUTURA DA PESQUISA 342 ASPECTOS CONCEITUAIS SOBRE AGRICULTURA FAMILIAR ESUAS CARACTERÍSTICAS352.1 CARACTERIZAÇÃO DOS EMPREENDIMENTOS AGRICOLAS 352.2 CONCEITO AGRICULTURA FAMILIAR 362.3 EVOLUÇÃO AGRICULTURA FAMLIAR NO BRASIL 402.4 EVOLUÇÃO AGRICULTURA FAMLIAR NO CEARÁ 432.5 CARACTERIZAÇÃO DOS EMPREENDIMENTOS FAMILIARES 452.6 GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS DA AGRICULTURA FAMILIAR 462.7 AGRICULTURA FAMILIAR E SUA RELEVANCIA NA ECONOMIACEARENSE493 OS ASPECTOS CONCEITUAIS SOBRE DESENVOLVIMENTOAGRICOLA SUSTENTÁVEL523.1 CONCEITO DE CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTOECONÔMICO53
  • 12. 113.2 DESENVOLVIMENTO X CRESCIMENTO 563.3 TIPOS DE DESENVOLVIMENTO 583.3.1 DESENVOLVIMENTO HUMANO 583.3.2 DESENVOLVIMENTO SOCIAL 593.3.3 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO 613.4 DESENVOLVIMENTO AGRICOLA SUSTENTÁVEL 633.4.1 ASPECTOS CULTURAIS 633.4.2 ASPECTOS ORGANIZACIONAIS 653.4.3 ASPECTOS ECONÔMICOS 673.4.4 ASPECTOS FINANCEIROS 693.5 DESAFIOS E ENTRAVES DA GESTÃO DE EMPREENDIMENTOSAGRÍCOLAS FAMILIARES704 CADEIA DE PRODUÇÃO 764.1 DEFINIÇÃO DE CADEIA DE PRODUÇÃO 764.2 COMPOSIÇÃO DE CADEIAS DE PRODUÇÃO 784.3 CADEIA PRODUTIVA DA MANDIOCA 805 ESTUDO DE CASO 825.1 METODOLOGIA DO ESTUDO DE CASO 825.2 CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE DA PESQUISA 846 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS 896.1 PERFIL SOCIOECONÔMICO DOS AGRICULTORES 896.2 PERFIL DA MANDIOCUTURA NA COMUNIDADE 956.3 ANALISE DAS CASAS DE FARINHA TRADICIONAIS 1106.4 ANÁLISE DA CASA DE FARINHA MODERNA 1136.5 NÍVEL DE SATISFAÇÃO DOS AGRICULTORES DA COMUNIDADE 1207 CONSIDERAÇÕES FINAIS 125APENDICESREFERENCIAS
  • 13. 12LISTA DE SIGLASACACE - Associação Aroeira e Associação de Cooperação Agrícola do Estado do CearáACB - Associação Comunitária de BaseADAO - Associação de Desenvolvimento de Agropecuária OrgânicaADEC - Associação de Desenvolvimento Educacional e CulturalAF – Agricultor familiarBB – Banco do BrasilBNB – Banco do NordesteCAA – Centro de Aprendizado AgroecológicoCEBS - Comunidades Eclesiais de BaseCEPEMA- Centro de Educação Popular em Defesa do Meio AmbienteCETRA – Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao TrabalhadorCMMAD - Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o DesenvolvimentoCONAB – Companhia Nacional de AbastecimentoCONTAG - Confederação Nacional dos Trabalhadores RuraisCPT - Comissão Pastoral da TerraDAP – Declaração de Aptidão ao PRONAFDRS – Desenvolvimento Rural SustentávelEMATER – Empresa de Assistência Técnica e Extensão RuralEMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa e AgropecuáriaESPLAR - Centro de Pesquisa e AssessoriaFAO – Food and Agriculture Organization of the United NationsFETRAECE – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais na Agricultura do EstadoFETRAF - Federação dos Trabalhadores na Agricultura FamiliarFIPE- Fundação Estudos e Pesquisas EconômicasFKA - Fundação Konrad AdenauerIBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaIDH - Índice de Desenvolvimento HumanoINCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma AgráriaIPECE – Instituto de Pesquisa Econômica e Estratégia do CearáMDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário.MDS - Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a FomeMST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
  • 14. 13ONGs – Organização não GovernamentalPAA – Programa de Aquisição de AlimentosPAP – Plano Agrícola e PecuárioPDP – Plano de Desenvolvimento ParticipativoPDRS - Plano de Desenvolvimento Rural SustentávelPIB - Produto Interno BrutoPNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de DomicíliosPNAE – Programa Nacional de Alimentação EscolarPNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultora FamiliarPSJ – Programa São José.SAG - Sistema AgroindustrialSDA – Secretaria de Desenvolvimento AgrárioSDR – Secretaria de Desenvolvimento RuralSEAGRI - Secretaria de AgriculturaSEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas EmpresasSINTRAF – Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura FamiliarUFC – Universidade Federal do CearáUSP - Universidade de São Paulo
  • 15. 14LISTA DE MAPAMapa 01 - Mapa do Ceará com foco em Trairi ---------------------------------------------------86Mapa 02 - Mapa do Território Vales do Curu/Aracatiaçu--------------------------------------87Mapa 03 - Localização por satélite do Córrego da Ramada------------------------------------88
  • 16. 15LISTA DE TABELASTabela 01 - Distribuição da idade dos entrevistados-----------------------------------------------90Tabela 02 - Distribuição da faixa de renda dos entrevistados------------------------------------91Tabela 03 - Distribuição do grau de escolaridade--------------------------------------------------92Tabela 04 - Número de filhos dos entrevistados----------------------------------------------------93Tabela 05 - Tempo de residência na comunidade--------------------------------------------------94Tabela 06 - Área de Plantio ---------------------------------------------------------------------------95Tabela 07 - Produção de mandioca (cargas)--------------------------------------------------------96Tabela 08 - Produção de farinha de mandioca------------------------------------------------------97Tabela 09 - Local de compra de insumos e ferramentas-------------------------------------------98Tabela 10 - Destino da mandioca produzida--------------------------------------------------------99Tabela 11- Forma de compra de insumos.---------------------------------------------------------100Tabela 12 - Local de vendas da produção ---------------------------------------------------------100Tabela 13 - Forma de venda da produção ---------------------------------------------------------101Tabela 14 - Interferência dos concorrentes --------------------------------------------------------102Tabela 15 - Peso da mandiocutura para a sobrevivência da família----------------------------103Tabela 16 - Nível de contribuição da associação para o desenvolvimento da mandiocutura-104Tabela 17 - Motivação para participar da associação --------------------------------------------105Tabela 18 - Pontos Positivos e Negativos da mandiocutura-------------------------------------106Tabela 19 - Há incentivos do governo -------------------------------------------------------------108Tabela 20 - Tipo de incentivo do governo para a mandiocutura -------------------------------108Tabela 21 - Qualidade da farinha das casas de farinha tradicional-----------------------------110Tabela 22 - Avaliação dos equipamentos das casas de farinha tradicional--------------------111Tabela 23 – Vantagens e desvantagens das casas de farinha tradicional-----------------------112Tabela 24 – Nº de Conhecedores da casa de farinha----------------------------------------------114Tabela 25 – Opinião sobre casa de farinha moderna----------------------------------------------114Tabela 26 - Despesas de produção da casa de farinha moderna--------------------------------115Tabela 27 – Qualidade da farinha da casa de farinha moderna----------------------------------116Tabela 28 – Facilidade de venda--------------------------------------------------------------------117Tabela 29 – Melhor preço----------------------------------------------------------------------------118Tabela 30 – Vantagens e desvantagens da casa de farinha moderna ---------------------------119Tabela 31 – Satisfação com as Casas de farinha tradicionais -----------------------------------121Tabela 32 - Satisfação com a Casa de farinha moderna------------------------------------------122
  • 17. 16Tabela 33 - Nível de satisfação com assistência técnica------------------------------------------122Tabela 34 - Satisfação com a produção de mandioca -------------------------------------------123
  • 18. 17LISTA DE GRÁFICOSGráfico 01 - Distribuição da idade dos entrevistados-----------------------------------------------90Gráfico 02 - Distribuição da faixa de renda dos entrevistados------------------------------------91Gráfico 03 - Distribuição do grau de escolaridade--------------------------------------------------92Gráfico 04 - Número de filhos dos entrevistados---------------------------------------------------93Gráfico 05 - Tempo de residência na comunidade--------------------------------------------------95Gráfico 06 - Área de Plantio --------------------------------------------------------------------------96Gráfico 07 - Produção de mandioca (cargas)-------------------------------------------------------97Gráfico 08 - Produção de farinha de mandioca-----------------------------------------------------98Gráfico 09 - Local de compra de insumos e ferramentas------------------------------------------98Gráfico 10 - Destino da mandioca produzida-------------------------------------------------------99Gráfico 11- Forma de compra de insumos.---------------------------------------------------------100Gráfico 12 - Local de vendas da produção ---------------------------------------------------------101Gráfico 13 - Forma de venda da produção ---------------------------------------------------------102Gráfico 14 - Interferência dos concorrentes -------------------------------------------------------103Gráfico 15 - Peso da mandiocutura para a sobrevivência da família---------------------------104Gráfico 16 - Nível de contribuição da associação para o desenvolvimento da mandiocutura----------------------------------------------------------------------------------------------------------------105Gráfico 17 - Motivação para participar da associação --------------------------------------------106Gráfico 18 - Pontos Positivos e Negativos da mandiocutura-------------------------------------107Gráfico 19 - Há incentivos do governo -------------------------------------------------------------108Gráfico 20 - Tipo de incentivo do governo para a mandiocutura -------------------------------109Gráfico 21 - Qualidade da farinha das casas de farinha tradicional-----------------------------110Gráfico 22 - Avaliação dos equipamentos das casas de farinha tradicional-------------------111Gráfico 23 – Vantagens e desvantagens das casas de farinha tradicional----------------------112Gráfico 24 – Nº de Conhecedores da casa de farinha---------------------------------------------114Gráfico 25 – Opinião sobre casa de farinha moderna---------------------------------------------115Gráfico 26 - Despesas de produção da casa de farinha moderna-------------------------------116Gráfico 27 – Qualidade da farinha da casa de farinha moderna---------------------------------117Gráfico 28 – Facilidade de venda-------------------------------------------------------------------118Gráfico 29 – Melhor preço----------------------------------------------------------------------------119Gráfico 30 – Vantagens e desvantagens da casa de farinha moderna --------------------------120Gráfico 31 – Satisfação com as Casas de farinha tradicionais ----------------------------------121
  • 19. 18Gráfico 32 - Satisfação com a Casa de farinha moderna-----------------------------------------122Gráfico 33 - Nível de satisfação com assistência técnica----------------------------------------123Gráfico 34 - Satisfação com a produção de mandioca ------------------------------------------124
  • 20. 191. INTRODUÇÃOEste estudo faz uma reflexão acerca da agricultura familiar, no Brasil, no Ceará e emTrairi, e ainda, traça o perfil da mandiocultura na comunidade de Córrego da Ramada.Discorre sobre os conceitos de Agricultura familiar, sustentabilidade, cadeia produtiva edesenvolvimento sustentável.1.1 Importância do temaO conceito “agricultura familiar” não é novo na estrutura legal brasileira. Outrosconceitos muito semelhantes eram utilizados no Programa Nacional de Fortalecimento daAgricultura Familiar – PRONAF (Brasil, 2006). Esse conceito, do mesmo modo, não é novona academia e foi empregado em inúmeros trabalhos, por exemplo, os da pesquisa daOrganização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (Food and AgricultureOrganization of the United Nations - FAO)/Instituto Nacional de Colonização e ReformaAgrária - INCRA.No entanto, não obstante destes conceitos conterem uma forte coincidência depúblicos, não são exatamente iguais, e suas delimitações estão sujeitas a análises concisas(IBGE, 2006, p. 15).A agricultura familiar no Brasil teve mais espaço nos debates na década de 90, apesarde ser praticada há muito mais tempo no Brasil. Com isso, Martins Silva e Mendes ressaltamque:O aumento das discussões acerca da agricultura familiar, no decorrer da década de1990, é atribuído a uma série de fatores, entre eles, destacam-se os problemasrelacionados à grande concentração fundiária e a diversidade de situaçõesapresentadas pelas regiões brasileiras, ao modelo de organização sociopolítico eeconômico, reforçados por segmentos governamentais comprometidos com osinteresses dos grandes proprietários, com os interesses internacionais e com ofortalecimento do movimento dos trabalhadores que lutam pelo direito dereconquistar a terra (MARTINS SILVA e MENDES, 2009, p 28).Santana (2008, p. 3) cita que a agricultura brasileira tem sido comumente subdivididadicotomicamente com base em características sócio-econômicas e tecnológicas.Historicamente, tem-se diferenciado a agricultura de subsistência, ou a pequena agricultura,ou agricultura de baixa renda da agricultura comercial ou empresarial. Ultimamente, adicotomia passou a caracterizar-se em termos de agricultura familiar e patronal. De acordocom Abramovay (2000), a agricultura familiar não contrata trabalhadores permanentes,
  • 21. 20possibilitando, entretanto, ter até cinco empregados temporários. Já a Agricultura patronalpode contratar empregados permanentes e/ou temporários.No Ceará, o agricultor era chamado de trabalhador rural, um equívoco considerado,pois, conforme a revista eletrônica Central Jurídica: Trabalhador rural é toda pessoa físicaque, em propriedade rural ou prédio rústico, prestar serviços de natureza não eventuala empregador, sob a dependência deste, mediante salário (REVISTA CENTRAL JURÍDICA,2011).Até bem pouco tempo, agricultura familiar era conhecida como agricultura desubsistência. Após a reformulação e o surgimento de algumas políticas públicas visandomelhorar a vida dos agricultores, essa atividade teve outro olhar e outra denominação.Segundo Nunes (2007, p. 1-2) “Mais recentemente, a adoção da noção de agriculturafamiliar contribuiu para criar uma nova identidade política entre as organizações emovimentos sociais do campo, o que também contribuiu para alterar interesses, projetos eopções políticas”.Costabeber e Caporal (2003) acentuam que o conceito oficial de DesenvolvimentoSustentável surge a partir do Relatório Brundtland, em 1987 (CMMAD, 1992), onde ocrescimento econômico contrasta com a noção de sustentabilidade. Dissemina-se a idéia deque, para ser sustentável, o desenvolvimento precisa combinar crescimento econômico,distribuição da riqueza e preservação ambiental, empreitada considerada por muitos comoinviável. De acordo com essa orientação, o desenvolvimento sustentável é aquele que satisfazas necessidades da geração presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras parasatisfazer suas próprias necessidades.Picolotto (2009, p. 03) em seu artigo: Sindicalismo da Agricultura Familiar eAgroecologia no alto Uruguai do RS cita esse trecho:Um projeto Alternativo de Desenvolvimento que garanta a viabilização daAgricultura Familiar implica em: a) um novo modelo tecnológico que leve em contaas questões sociais e ecológicas da produção agrícola; b) novas formas deorganização da produção, comercialização, beneficiamento da produção eabastecimento; c) reforma agrária enquanto instrumento para transformação do atualmodelo de desenvolvimento da agricultura brasileira; d) política agrícoladiferenciada para o pequeno agricultor; e) pesquisa e extensão rural voltados para ointeresse dos trabalhadores; f) construir as bases culturais de um desenvolvimentoalternativo, resgatando valores como a solidariedade, a cooperação e estabelecendouma nova relação homem-natureza (DETR-RS, 1993, p.14-17 apud PICOLOTTO2009, p. 03).
  • 22. 21De acordo com o censo de 2006, a agricultura familiar detém 84,4% dosestabelecimentos brasileiros. Isso aponta para a grande contribuição desse setor para aprodução de alimentos e geração de trabalho e renda. Tendo em vista esta realidade, pode-seafirmar que o desenvolvimento da zona rural perpassa pela organização da agriculturafamiliar (IBGE, 2006, p. 19).A mandiocultura, tema foco desta pesquisa, é uma atividade disseminada em muitosmunicípios cearenses. Os subprodutos da mandioca, como a farinha, a goma, manipueira,dentre outros, fazem parte dos costumes alimentares culturais da nossa população.Há no estado do Ceará uma vocação natural para o cultivo da mandioca. O Estadoconta 3,2 milhões de hectares com propriedades edafoclimáticas1capazes para o cultivo,sendo uma das principais atividades agrícolas (CIAT 1993 apud SALES, et al, 2004, p. 2-4).Afirma-se ainda, que no ano 2000 foram colhidas 712,9 mil toneladas de raiz de mandiocanuma área de 84,5 mil hectares, resultando numa produtividade média de 8,5 t/ha. Essesmesmos autores asseveram que no Ceará o cultivo da mandioca abrange um período médio de18 meses, ocupando aproximadamente 62 mil pessoas.Na comunidade de Córrego da Ramada, no município de Trairi, deu-se um processode organização dessa cadeia através da instalação de campo experimental de inserção denovas espécies, instalação de casa de farinha moderna, capacitação, etc. Contudo, em virtudede vários motivos, dentre eles, culturais, o processo de organização no Córrego da Ramadanão evoluiu muito. A casa de farinha moderna instalada na comunidade do Córrego daRamada, no município de Trairi-Ce, foi um empreendimento executado pelo Projeto São José2. Este projeto de combate à Pobreza Rural no Ceará está incluído no Plano deDesenvolvimento Sustentável do Governo como um dos programas estruturantes na área decapacitação da população. Dentro desse enfoque, o programa concentra suas ações na área dedesenvolvimento social, redução das desigualdades e promoção do trabalho.Os Agricultores Familiares da comunidade apresentam muitas resistências parautilizar a Casa de Farinha moderna e resolveram continuar produzindo a Farinha d’água eFarinha branca nas casas de farinha antigas, abandonando assim, a nova casa de farinha da1Características definidas através de fatores do meio, tais como o clima, o relevo, a litologia, a temperatura, ahumildade do ar, a radiação, o tipo de solo, o vento, a composição atmosférica e a precipitação pluvial. Ascondições edafoclimáticas são relativas à influência dos solos nos seres vivos, em particular nos organismos doreino vegetal, incluindo o uso da terra pelo homem, a fimde estimular o crescimento das plantas.2O Projeto São José é um programa do Governo estadual do Ceará que visa combater a pobreza rural e o atrasoda agricultura nos municípios com baixo IDH (SDR,1999, p.02).
  • 23. 22comunidade adquirida através do Projeto São José, o que despertou o interesse em estudar ocaso.1.2 Problema da pesquisaO presente trabalho aborda como problemática a busca por resposta à seguinteindagação: Qual o perfil da agricultura familiar sob a perspectiva de sustentabilidade dacadeia de produção de farinha de mandioca da comunidade do Córrego da Ramada, Trairi-Ce?1.3 ObjetivosPara responder ao questionamento identificado no problema esta pesquisa tem osseguintes objetivos geral e específicos.1.3.1 Objetivo GeralRealizar um diagnóstico de modo a traçar o perfil da agricultura familiar sob aperspectiva de sustentabilidade da cadeia de produção de mandioca, usando o caso dacomunidade do Córrego da Ramada, Trairi-Ce.1.3.2 Objetivos Específicos Conceituar agricultura familiar e contextualizar sua evolução no Brasil e no Ceará; Definir desenvolvimento sustentável e abordar as suas dimensões; Contextualizar a agricultura familiar como instrumento para desenvolvimento; Apresentar a cadeia produtiva da mandioca e identificar como esta atividade pode serpotencialmente desenvolvida no Ceará, como instrumento de desenvolvimento ruralsustentável; Pesquisar o perfil socioeconômico e a situação em que se encontram os AgricultoresFamiliares selecionados: idade, escolaridade e renda familiar, número de filhos dacomunidade do Córrego da Ramada – Trairi - Ce.
  • 24. 231.4 JUSTIFICATIVANo nordeste do Brasil a agricultura familiar se apresenta atrasada em relação a outrasregiões brasileiras, por isso a FKA coloca que os produtores familiares no Sul e no Nordeste,se diferencia por que em média, a produtividade por estabelecimento da agricultura familiarno Sul é seis vezes maior do que no Nordeste, sendo que a produtividade é cerca de oito vezesmaior do que no Nordeste. Isso se explica pela situação econômica precária das unidades daagricultura familiar no Nordeste, já que o tamanho médio das unidades produtivas são bemmenores do que no sul. Verifica-se que a produção agropecuária em áreas de 5 a 10 ha, nonordeste não garante a sobrevivência física (FUNDAÇÃO KONRAD ADENAUER, 2004, p.26).Conforme análise do desenvolvimento da agricultura familiar no Brasil tem-seconstatado que a organização e modernização é uma necessidade cada vez mais enfáticadentro do processo de fortalecimento dessa atividade, já que através da transformação dosprodutos agrícolas, é que se pode agregar valor e ampliar a renda dos AF.A agricultura familiar é uma importante atividade econômica do município de Trairi–Ce. Segundo a estimativa da população, realizada pelo IBGE para 2007-2008, divulgadapelo Perfil Básico municipal publicado pelo (2009), 68,78% da população do municípioresidem na zona rural. Segundo o Perfil socioeconômico do município de Trairi (2009, p. 08),“a estrutura fundiária do município não difere muito da realidade de outras regiões do estado,onde existe uma predominância de propriedades com área inferior a 10ha, os chamadosminifúndios, e um pequeno número ocupando extensas áreas”. O que caracteriza a presençamassiva de agricultores familiar.As grandes dificuldades de produzir, vender e adquirir insumos, bem como, aausência dos serviços essenciais à sobrevivência, como água potável, energia, educação,saúde e etc, ao longo da história colaboraram para que os nordestinos fossem os maiorescontribuintes para o êxodo rural. O desenvolvimento da agricultura familiar vem colaborarefetivamente para a manutenção das famílias no campo, para qualificar as condições de vida egerar segurança alimentar, conforme a Fundação Konrad Adenauer (2004).Segundo o IBGE (2006), o município de Trairi está inserido na região do litoral oestedo estado do Ceará, e é um dos maiores produtores de mandioca desse estado. Tem de acordo
  • 25. 24com o Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA, cerca de 5093 dapianos3, ou seja,agricultores familiares (MDA, 2011, on line).Com o fim de organizar a cadeia produtiva da mandioca na comunidade do Córregoda Ramada, no município de Trairi-Ce, a mesma foi beneficiada com uma casa de farinhamodernizada no ano de 2008, totalmente mecanizada, dentro das especificações técnicas esanitárias exigidas. Contudo, de acordo com as observações realizadas, percebeu-se que areferida casa de farinha não estava sendo usada pela comunidade, quebrando assim o processode organização da cadeia produtiva. A partir dessa situação, decidiu-se fazer tal pesquisa parainvestigar as causas desse fato e analisar as conseqüências que o mesmo trará para acomunidade.1.5 Referencial teórico1.5.1 Agricultura FamiliarAgricultura familiar só foi reconhecida por lei no ano de 2006, que estabeleceu asdiretrizes da política nacional para o setor e para os estabelecimentos rurais, quando foisancionada a Lei 11.326 (Brasil, 2006).Os agricultores familiares possuem, em seu conjunto de práticas, técnicas de naturezaeconômica, social e ambiental, ligados à realidade e finalidade do seu sistema de produção,uso do solo e com as suas necessidades fundamentais. Destaca ainda que a combinação dosobjetivos familiares com o meio ambiente e a interação produtiva é que motiva cada um delesàs razões que admitem explicar por que agem de maneiras diferentes entre si e emcomparação ao agricultor capitalista(SUNDERHUS, 2008).Esse autor afirma também que, para compreender a lógica da produção familiar, éimperativo que impetremos uma visualização da autonomia produtiva com o grau de relaçãofamiliar. É forçoso caracterizarmos as unidades produtivas através dos seus conceitos ecritérios que acolham as necessidades e interesses dos agricultores familiares. Tendo comobase estes critérios sócio-econômicos e ambientais, enfatiza-se que os sistemas de produçãofamiliar, os sistemas fundiários que permitem o acesso a terra e os sistemas de organizaçãosócio-familiares é que se configuram na incongruência da subordinação versus autonomia. Eassegura também que a lógica da produção familiar está focada na diversificação e integração3Agricultores familiares com Declaração de Aptidão ao PRONAF.
  • 26. 25de atividades vegetais, animais, de transformação primária e de prestação de serviços e, comotrabalham em pequenas áreas, pode ser a oportunidade para desenho de um modelo dedesenvolvimento de uma agricultura ecologicamente social, econômica e ambientalmentecorreta e sustentável.Tinoco (2006, p. 02 ) cita Bittencourt e Bianchini (1996) os quais dizem que:Em um estudo feito na região sul do Brasil, adota-se a seguinte definição“Agricultor(a) familiar é todo(a) aquele (a) agricultor (a) que tem na agricultura suaprincipal fonte de renda (+ 80%) e que a base da força de trabalho utilizada noestabelecimento seja desenvolvida por membros da família. É permitido o empregode terceiros temporariamente, quando a atividade agrícola assim necessitar. Em casode contratação de força de trabalho permanente externo à família, a mão-de-obrafamiliar deve ser igual ou superior a 75% do total utilizado no estabelecimento.”As formas sociais de produção na agricultura, a superioridade dos grandesestabelecimentos sobre os pequenos e médios, a maior eficiência do trabalho familiar emrelação ao trabalho assalariado, a supremacia das unidades de produção individuais sobre asformas coletivas, são pautas de debates há muito tempo dentre os intelectuais e políticos domundo todo. Atualmente, o debate está cada vez mais presente no cenário internacional, e asquestões em torno da agricultura familiar conseguem uma dimensão universal (LAMARCHE,1998, p.17).Sobre esse tema, Abramovay relata que:Existemdois preconceitos semcuja superação é difícil avançar na discussão do temaproposto para esta mesa-redonda. O primeiro é o que assimila, confunde, transformaem sinônimos “agricultura familiar” e expressões como “produção de baixa renda”,“pequena produção” ou até mesmo “agricultura de subsistência”. O segundo é o queconsidera as grandes extensões territoriais trabalhadas por assalariados como aexpressão mais acabada do desenvolvimento agrícola. Os dois preconceitos sãoevidentemente solidários e respondem pela visão tão freqüente de que, apesar de suaimportância social, não se pode considerar a agricultura familiar como relevante sobo ângulo econômico (ABRAMOVAY, 1997, p. 01).A FAO publicou em 1995 uma pesquisa baseada em grande parte nos documentosque deram origem ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, apoiamesta tendência internacional apontando com base em uma amostra que os estabelecimentospatronais estariam entre 500 e 10.000 hectares, já os familiares entre 20 e 100 hectares, e queo segmento familiar intensifica mais o uso do solo que o patronal. As lavouras são três vezesmais importantes no segmento familiar e cinco vezes mais importantes quando se trata de
  • 27. 26lavouras permanentes. O segmento familiar possui o maior peso na produção de pequenosanimais, ainda que usando área muito menor, supera o patronal em 15 importantes produtosagropecuários. Além disso, os rendimentos físicos da agricultura familiar são superiores aosda patronal em mais da metade de suas atividades (ABRAMOVAY, 1997, p. 05).1.5.2 Desenvolvimento rural sustentávelO Desenvolvimento rural sustentável é um conceito que surgiu na década de setenta,tendo em vista a degradação ambiental, a extinção de espécies animais e vegetais, comotambém o comprometimento da sobrevivência humana. (COSTABEBER e CAPORAL, 2000)Define-se por Desenvolvimento rural sustentável um modelo econômico, político,social, cultural e ambiental equilibrado, que satisfaça às necessidades das gerações atuais, semcomprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades. Estaconcepção começa a se formar e difundir junto com o questionamento do estilo dedesenvolvimento adotado, quando se constata que este é ecologicamente predatório nautilização dos recursos naturais, socialmente perverso com geração de pobreza e extremadesigualdade social, politicamente injusto com concentração e abuso de poder, culturalmentealienado em relação aos seus próprios valores e eticamente censurável no respeito aos direitoshumanos e aos das demais espécies (CAVALCANTI , 1994. p. 61).Almeida (1995, p. 41) coloca que:A noção de desenvolvimento (rural) sustentável tem como uma de suas premissasfundamentais o reconhecimento da “insustentabilidade” ou inadequação econômica,social e ambiental do padrão de desenvolvimento das sociedades contemporâneas(Schmitt, 1995). Esta noção nasce da compreensão da finitude dos recursos naturaise das injustiças sociais provocadas pelo modelo de desenvolvimento vigente namaioria dos países.A agricultura familiar e o desenvolvimento rural sustentável estão intrinsecamenteligados, dependendo um do outro, visto que, segundo Costabeber e Caporal, (2003, p. 01),A agricultura familiar se apresenta como um segmento que tem sérias dificuldadespara sua reprodução social, ao mesmo tempo em que representa a forma deorganização mais adequada para potencializar o desenvolvimento agrícola e rural.Nesse contexto, exemplifica-se esse potencial a partir da indicação de algumasestratégias que vêm sendo adotadas pela Extensão Rural do serviço público no RioGrande do Sul, nos últimos 4 anos. Conclui-se pela necessidade imediata de novasdescobertas científicas e produção tecnológica que considere a diversidade biológicae sociocultural presente no rural, o que coloca nas mãos das Universidades, EscolasAgrárias e Institutos de Pesquisa uma importante parcela da responsabilidade que
  • 28. 27tem o Estado de promover processos de Desenvolvimento Rural compatíveis com oimperativo ambiental e com as expectativas sócio-econômicas e culturais daquelessegmentos da população que até agora ficaram marginalizados das políticaspúblicas. Porém, essa produção de conhecimentos e tecnologias, para ser útil e nãoser inerte, precisa estar associada organicamente, no seu planejamento, execução eavaliação, ao público a quem se dirige, pois já se assistem novos riscos derivados doprocesso de ecologização em curso.Costabeber e Caporal, (2003, p. 02) diz ainda que:Um conceito oficial de Desenvolvimento Sustentável surge, nesse contexto, a partirdo Relatório Brundtland, em 1987 (CMMAD, 1992), onde o crescimento econômicopassa a ser contrastado com a noção de sustentabilidade e se difunde a idéia de que,para ser sustentável, o desenvolvimento necessita compatibilizar crescimentoeconômico, distribuição da riqueza e preservação ambiental, tarefa considerada pormuitos como inviável ou mesmo impossível. Conforme essa orientação, o“desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades da geraçãopresente sem comprometer a capacidade das gerações futuras para satisfazer suaspróprias necessidades”. Segundo o mesmo relatório, esta definição encerra em sioutros dois conceitos fundamentais: i) o conceito de necessidades, em particular asnecessidades essenciais dos pobres, as quais se deveria outorgar prioridadepreponderante; e ii) a idéia de limitações impostas pelo estado da tecnologia e aorganização social entre a capacidade do meio ambiente para satisfazer asnecessidades presentes e futuras. O desenvolvimento sustentável implica, ademais,uma transformação progressiva da economia e da sociedade, aumentando o potencialprodutivo e assegurando a igualdade de oportunidades para todos. A grandedificuldade que esse conceito nos traz reside na palavra necessidades, que, por seruma construção social, varia segundo as pessoas e a sociedade em que vivem. Comose verá mais adiante, essa dificuldade conceitual resulta na conformação de distintascorrentes do Desenvolvimento Sustentável, com repercussões nas orientações quedefinemas possibilidades e concepções de DRS e de Agricultura Sustentável.A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992 (a Rio 92), veio dar início ao grande debateonde se aprovou uma série de documentos importantes, dentre os quais a Agenda 21, umplano de ação mundial para orientar a transformação desenvolvimentista, identificando, em 40capítulos, 115 áreas de ação prioritária. A Agenda 21 apresenta como um dos principaisfundamentos da sustentabilidade o fortalecimento da democracia e da cidadania, através daparticipação dos indivíduos no processo de desenvolvimento, combinando ideais de ética,justiça, participação, democracia e satisfação de necessidades. O processo iniciado no Rio em92, reforça que, antes de se reduzir a questão ambiental a argumentos técnicos, devem-seconsolidar alianças entre os diversos grupos sociais responsáveis pela catalisação dastransformações necessárias (CAVALCANTI. 1994. p. 09).Dentre os focos discriminados na Agenda 21, podemos destacar: Cooperação internacional
  • 29. 28 Combate à pobreza Mudança dos padrões de consumo Habitação adequada Integração entre meio ambiente e desenvolvimento na tomada de decisões Proteção da atmosfera Abordagem integrada do planejamento e do gerenciamento dos recursos terrestres Combate ao desflorestamento Manejo de ecossistemas frágeis: a luta contra a desertificação e a seca Promoção do desenvolvimento rural e agrícola sustentável Conservação da diversidade biológica Manejo ambientalmente saudável dos resíduos sólidos e questões relacionadas com osesgotos Fortalecimento do papel das organizações não-governamentais: parceiros para umdesenvolvimento sustentável Iniciativas das autoridades locais em apoio à agenda 21 A comunidade científica e tecnológica Fortalecimento do papel dos agricultores Transferência de tecnologia ambientalmente saudável, cooperação e fortalecimentoinstitucional A ciência para o desenvolvimento sustentável Promoção do ensino, da conscientização e do treinamentoPara Almeida (1995, p. 52), o grande desafio pode residir na aptidão das forçassociais envolvidas na procura de outras formas para o desenvolvimento de imprimir sua marcanas políticas públicas, a fim de que estas venham a afirmar política econômica e socialmente aopção pela agricultura familiar, forma social de uso da terra que responde muito bem a noçãode sustentabilidade e as carências locais, regionais e do país. As causa das vitórias dasiniciativas atuais na busca de um novo e diferente modo de desenvolvimento reside na razãodireta dos resultados alcançados nesta direção, isto é, através do fortalecimento dos processosorganizativos da agricultura familiar nas suas diferentes formas associativas.
  • 30. 291.5.3 Cadeia Produtiva da mandiocaCadeia produtiva é o processo constituído por etapas consecutivas, nas quaisinsumos pertinentes à cadeia passam por certa transformação, para atingir seu grau deproduto final (bem ou serviço) e sua instalação no mercado (MIELKE, 2002 apudWIKIPEDIA, 2011, on line).Sobre a cadeia produtiva da mandioca, pode-se dizer que:A cadeia produtiva envolve desde a fabricação de insumos, a produção nas fazendas,a sua transformação até o seu consumo. Esta cadeia incorpora todos os serviços deapoio, desde a pesquisa e assistência técnica, processamento, transporte,comercialização, crédito, exportação, serviços portuários, dealers, bolsas,industrialização, até o consumo final. O valor agregado do complexo agroindustrialpassa, obrigatoriamente, por 5 mercados: o de suprimento; o de produçãopropriamente dito; o do processamento; o de distribuição; e “o do consumidor final”(SEBRAE-MT, 2003, p. 17).Conforme o Sebrae-MT, 2003, a mandioca compõe um dos principais alimentosenergéticos para aproximadamente 500 milhões de pessoas, especialmente nos países emdesenvolvimento, nos quais é cultivada em pequenas áreas com baixo nível tecnológico. Aotodo, são mais de noventa países produtores (SEBRAE-MT, 2003, p. 23).1.6 MetodologiaOs procedimentos metodológicos servem para apresentar e detalhar os passos dapesquisa, indicar os caminhos seguidos, as características técnicas e instrumentosempregados, como foram selecionadas as amostras e o percentual estudado, apresentar osinstrumentos utilizados e demonstrar como se deu o tratamento e a análise dos dadoscoletados.Com o fim de realizar o levantamento de dados como referencial teórico e dadosestatísticos para compor a pesquisa, foram utilizados os passos metodológicos descritos aseguir.
  • 31. 301.6.1 Método da abordagemFoi aplicado nessa pesquisa o método de estudo de caso, numa abordagem qualitativae quantitativa, utilizando estatística descritiva e análise de conteúdo. Segundo Yin (2001, p.205), a pesquisa, em forma de estudo de caso, investiga fenômenos contemporâneos dentro desua realidade, fundamenta-se nas diferentes fontes de evidências reais. Para tanto, foramutilizados procedimentos exploratório e descritivo: exploratório visto que buscou alçarquestões para este estudo, e descritivo, por incluir acontecimentos e fatos de certas realidadesdentro do setor da agricultura familiar. Para a análise quantitativa dos dados, foramempregados recursos para elaborar planilhas e gráficos com base no software Excel.1.6.2 Classificação da pesquisaEsta pesquisa se classifica como bibliográfica, pois, conforme Gil (1999, p. 48), apesquisa bibliográfica é toda pesquisa “desenvolvida a partir de material elaborado,constituído principalmente de livros e artigos científicos”. Os dados do material preparadocompreenderam artigos publicados em eventos, dissertações, teses, livros e reportagensdivulgadas sobre temas de Agricultura familiar, desenvolvimento rural sustentável e cadeiaprodutiva da mandiocultura.Vergara (2000, p. 48), diz que pesquisa bibliográfica:É o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros,revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao público em geral.Fornece instrumental analítico para qualquer outro tipo de pesquisa, mas tambémpode esgotar-se em si mesma. O material publicado pode ser fonte primária ousecundária.Para que se construa uma pesquisa muito bem fundamentada é necessário obtermuita informação inerente ao assunto da análise. Para tanto, a pesquisa bibliográfica vemcorroborar imensamente para que se possa conhecer as diversas opiniões dos autores que seativeram a investigar o mesmo assunto.
  • 32. 311.6.3 Procedimentos metodológicosRealizou-se também uma pesquisa documental em jornais, revistas e sites paraconhecer os diversos trabalhos publicados e utilizá-los como referencial teórico, sobreagricultura familiar, desenvolvimento rural sustentável e cadeia da mandiocultura. Gil (2002,p.45) afirma que “a pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam ainda umtratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetos dapesquisa”.1.6.4 Método de AnáliseGil (1999) e Triviños (1992) acentuam que de acordo com Husserl (19--), o métodofenomenológico não é dedutivo nem indutivo. Este se preocupa em fazer a descrição direta daexperiência da forma como ela se apresenta. A realidade é estabelecida socialmente epercebida como o compreendido, o interpretado, o comunicado. Desse modo, a realidade nãopode ser considerada única: pode existir uma diversidade de acordo com as suasinterpretações e comunicações. O protagonista é considerado importante no processo deconstrução do conhecimento Esse método foi utilizado por fazer entender e respeitar como seapresentam as sociedades, sua cultura e os fenômenos que ocorrem no seu seio.Com relação à utilização de métodos e técnicas de análise de dados, na procura deconsolidar os dados quantitativos, foi aplicado o método descritivo de distribuição defreqüência, apoiado pelo software Excel. Os dados colocados no software foram apresentadosem forma de gráficos estatísticos, o que viabiliza a melhor visualização dos resultados.Anderson et al (2002, p. 39) apontam que “uma distribuição de freqüência é um sumáriotabular de dados que mostra o número de observações em cada uma das diversas classes nãosobrepostas”. A finalidade da estatística descritiva é gerar a sintetização e a exposição dedados numéricos para possibilitar um melhor entendimento dos dados (LEITE, 2004), atravésdo uso de gráficos, para melhor esclarecer os dados sobre os agricultores familiares e a cadeiaprodutiva da mandioca.Os métodos como as técnicas são aconselhados tanto para as pesquisas quantitativasquanto qualitativas (VERGARA, 2005), no caso deste estudo, caracterizando-se,especialmente, pela exigência de categorias fatigantes, reciprocamente específicas, práticas epertinentes, pela possibilidade que proporciona ao tratamento e armazenamento de grande
  • 33. 32quantidade de dados, permanecendo a sua interpretação, entretanto, na responsabilidade dopesquisador.1.6.5 Instrumento de coleta de dadosOs dados primários foram coletados por meio de formulários de entrevista semi-estruturada e em penetração, aplicados aos agricultores familiares. “O formulário é um dosinstrumentos essenciais para a investigação social, cujo sistema de coleta consiste em obterinformações diretamente do entrevistado” (LEITE, 2004, p.187).A coleta de informações abarca outros possíveis vieses, já que as entrevistas estãosujeitas a vieses tanto na resposta do entrevistado quanto na interpretação do pesquisador.Finalmente, o uso de amostras pequenas pode não permitir uma generalização confiável emvirtude da ausência de controle estatístico sobre as variáveis relevantes. O roteiro deentrevista semi-estruturada constitui o Apêndice A.O indicador de pessoas entrevistadas não pode ser deliberado a priori, já que aquantidade das entrevistas pode comprometer a qualidade das informações conseguidas emcada depoimento, assim como, o grau de multiplicação e desavença entre as informaçõesobtidas (DUARTE, 2002 apud OLIVEIRA, 2006, p. 70).Segundo Selltiz (1974, p. 272), “A entrevista é a técnica mais adequada pararevelação da informação sobre assuntos complexos, emocionalmente carregados ou paraverificar os sentimentos subjacentes a determinada opinião apresentada”.Após a escolha do instrumento de pesquisa e escolha da amostra, procedeu-se adistribuição e aplicação dos questionários na comunidade.1.6.6 A coleta de dadosConforme informações da Associação Comunitária dos Moradores do córrego daRamada - ACMCR (2011), a região, universo da pesquisa, possui cerca de 145 famílias que sededicam à agricultura familiar, sendo que todos praticam a mandiocultura.A coleta de dados realizou-se em duas etapas. A primeira refere-se à elaboração dematerial, tendo como fonte a pesquisa bibliográfica, enquanto a segunda corresponde à coletade dados primários, realizada por meio da pesquisa de campo. A execução destas etapas sedeu entre os meses de novembro a dezembro de 2011.
  • 34. 33O período de aplicação do formulário de entrevista ocorreu entre os dias 1º a 15 denovembro de 2011, aplicados pelo entrevistador. A aplicação teve duração aproximada de 1hora por entrevistado, o que permitiu a obtenção de todas as informações imprescindíveis paraaprontar o estudo.A população-alvo ou universo consiste nos agricultores familiares da comunidade deCórrego da Ramada, situada no município de Trairi-Ce. Uma comunidade de agricultores, quetem na agricultura seu principal meio de sobrevivência. O universo, ou população, significa ogrupo de elementos que possuem as características que serão objeto do estudo (VERGARA,2004 apud OLIVEIRA, 2006, p. 69).A amostra, ou população amostral, é uma parcela do universo recomendado,selecionado a partir de um critério de representatividade (VERGARA, 2004 apudOLIVEIRA, 2006, p. 69). Ao delimitar a pesquisa, optou-se por estudar uma amostra,representada por 20 (vinte) agricultores familiares da comunidade, foco da pesquisa.No segundo momento da análise, empregou-se a técnica de Análise de Conteúdo,indicada por Bardin (1977), com o desígnio de aferir maior entendimento das análises. Esseprocedimento busca separar os riscos da compreensão espontânea e lutar contra aproeminência do saber subjetivo, segundo Bardin (1977). Para tanto, faz-se necessário muitaatenção e um bom roteiro metodológico e o emprego de técnicas, apresentando-se muito maisútil para os pesquisadores das ciências humanas, quanto mais ele tenha sempre uma impressãode familiaridade em face do seu objeto de análise.Bardin (1977, p. 115) pondera a análise de conteúdo como um conjunto de técnicasde análise das comunicações, objetivando conseguir, por procedimentos sistemáticos efinalidade de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores que admitam a dedução deconhecimentos referentes às condições de produção e recepção destas mensagens.Na coleta de dados, destacaram-se como preocupações: averiguar o perfil dosagricultores e da mandiocultura na comunidade; analisar as casas de farinha tradicionais emodernas e o nível de satisfação dos agricultores, bem como a opinião destes a respeito daestrutura de tais casas e da qualidade da farinha produzida nelas; indagar acerca da satisfaçãocom os equipamentos das casas de farinha tradicional e moderna; procurar entender sobre asvantagens e desvantagens da casa de farinha tradicional e da moderna; saber se existediferença entre as despesas de produção e se há diferença no preço de comercialização doproduto nos dois casos; pesquisar qual tipo de farinha tem mais venda; descobrir as diferençasda farinha produzida tradicionalmente e a produzida na nova casa de farinha; perceber o nívelde satisfação geral dos agricultores com as casas de farinha tradicional e com a modernizada.
  • 35. 341.7 Estrutura do trabalhoQuanto à estrutura do presente trabalho, seu desenvolvimento obedeceu à seguintesequência: primeiramente na seção 2, procedeu-se uma exposição acerca dos aspectosconceituais sobre agricultura familiar e suas características.Na seção 3, demonstram-se os aspectos conceituais sobre desenvolvimento agrícolasustentável.Na seção 4, é feita uma descrição da cadeia de produção da mandioca, descrevendo oconceito de cadeia produtiva, composição de cadeia de produção e cadeia produtiva damandioca.Na seção 5 é apresentado o estudo de caso da cadeia produtiva da mandioca nacomunidade de Córrego da Ramada em Trairi-Ce.Por ultimo, na seção 6, é feita a analise e interpretação dos dados da pesquisa.Traga um desfecho à sua introdução, apresentando de forma breve seu interesse emcontribuir para o avanço das pesquisas sobre o tema, oferecendo subsídios à futuras pesquisassobre o desenvolvimento sustentável e a agricultura familiar.
  • 36. 35ASPECTOS CONCEITUAIS SOBRE AGRICULTURA FAMILIAR E SUASCARACTERÍSTICASA presente seção pretende fazer uma apresentação das características dosempreendimentos agrícolas, do conceito da agricultura familiar, da evolução da agriculturafamiliar no Brasil e no Ceará, da caracterização dos empreendimentos familiares, da gestão deempreendimentos familiares e da agricultura familiar e sua relevância na economia cearense.Através desses tópicos poder-se-á ter uma breve visão histórica da agriculturafamiliar, das idéias conceituais que permeiam o contexto das pesquisas desse assunto,conhecer suas características, sua relevância e modelos de gestão adotados e os necessários.2.1 Caracterização dos empreendimentos agrícolasOs empreendimentos agrícolas são os entes responsáveis pela produção de alimentosno campo. Conforme Duarte, (2010, p. 45) “A agricultura foi tipificada em dois seguimentos -patronal e familiar – com base nos estudos realizados conjuntamente pela Organização dasNações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e pelo INCRA – Instituto Nacionalde Colonização e Reforma Agrária.Segundo o Censo Agropecuário, o IBGE (2006) qualifica como estabelecimentoagropecuário: Toda unidade de produção dedicada, total ou parcialmente, a atividadesagropecuárias, florestais e aquícolas, subordinada a uma única administração: a do produtorou a do administrador.Hoffmann e Ney (2010, p. 9) descrevem que além das unidades voltadas à produçãocomercial e de subsistência, são considerados como empreendimentos agrícolas recenseáveisos hortos, reformatórios, asilos, escolas profissionais, hotéis fazendas e locais para lazer,desde que tenham algum tipo de exploração agropecuária, florestal ou aquícola, com exceçãodos quintais de residência com pequenos animais e hortas domésticas.A área dos empreendimentos declarada na PNAD diz respeito a uma unidade deposse e não necessariamente de propriedade. Os empreendedores agrícolas podem serproprietários, posseiros, parceiros, arrendatários e outras condições (IBGE, 2008 apudHOFFMANN e NEY, 2010, p. 12).Segundo Schultz os estabelecimentos agrícolas têm características próprias deorganização interna, de repartição do trabalho, bem como de inserção no mercado e noambiente de forma geral. Tais características de produção peculiares são originárias das
  • 37. 36condições sociais e culturais, diferenciando-se dos modos de produção empresariaistecnicamente administrados. Os seus pequenos negócios agrícolas são geridos comracionalidades próprias, distinguido-se geralmente, de outras unidades com característicasidênticas (SCHULTZ, 2001, p. 02).De acordo com as explanações dos autores citados acima, os estabelecimentosagrícolas são complexos e variam conforme sua localização e sua administração. Cada umpossui suas características próprias, podem ser unidades pequenas, médias e grandes, sendoque os estabelecimentos da agricultura familiar são geralmente pequenos.Diante do conhecimento acerca dos estabelecimentos agrícolas, é relevante que oconceito de agricultura familiar seja explicado afim de que se possa ter uma visão daspeculiaridades das unidades produtivas familiares.2.2 Conceito de agricultura familiarConforme Schultz (2001, p. 03), os agricultores familiares são conhecidos tambémcomo colonos, pequenos agricultores, camponeses e ou pequenos produtores rurais. Afirma-seainda, que fundamentalmente os conceitos divergem entre si, quando relacionados à origem eo objetivo para que foram criados. Têm ainda conceitos que possuem visões procedentes daárea sociológica, ou da área econômica, de órgãos governamentais e de organismosinternacionais.Segundo o autor acima, há uma série de origens dos conceitos. A FAO publicou umestudo com base no Censo Agropecuário de 1985, publicado em 1996, o qual definiu comofamiliares aqueles agricultores com um empregado permanente. Já o Ministério daAgricultura, baseou-se no PRONAF, e ponderou como familiares todos os agricultores quepossuem até dois empregados permanentes e detinham área inferior a quatro módulos fiscais.Afirma também que a CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais)“considera como familiares todos os agricultores que trabalham em menos de quatro módulosfiscais e que não contratem mão-de-obra permanente” (SCHULTZ, 2001, p. 03).Antes de usar consensualmente a expressão Agricultura Familiar, até meados dosanos 1990, falava-se em “pequena produção”, “pequena agricultura”, “agricultura debaixa renda” ou até “de subsistência”, expressões que indicavam fragilidade e faltade perspectivas. Praticamente metade dos estabelecimentos familiares, os 2,8milhões correspondentes aos segmentos mais pobres, produzem apenas 7,7% dovalor bruto da produção agropecuária (FUNDAÇÃO KONRAD ADENAUER, 2004, p.25)
  • 38. 37Schultz (2001, p. 03) cita Abramovay (1997) e apresenta como definição paraagricultura familiar: aquela em que a gestão, a propriedade e a maior parte do trabalho vêm deindivíduos que mantêm entre si laços de sangue ou de casamento. Narra também que estadefinição não é única nem operacional sendo corretamente inteligível, uma vez que osdiversos setores sociais têm construído categorias científicas com o fim de servir a algumasfinalidades práticas: a definição de agricultura familiar, para fins de atribuição de crédito,pode não ser exatamente a mesma daquela estabelecida com finalidades de quantificaçãoestatística num estudo acadêmico. O importante é que estes três atributos básicos (gestão,propriedade e trabalho familiares) estão presentes em todas elas.Percebe-se que os diversos autores ainda não chegaram a um consenso acerca doconceito de agricultura familiar. No entanto, há que se concluir que esta categoria possuicaracterísticas bem definidas e uma organização produtiva capaz de impactar a econômicalocal e nacional, como também os costumes e práticas voltadas para o setor agrícola.Jalcione (1998 apud SCHULTZ, 2001, p. 04) destaca seis estratégias dos pequenosagricultores:1. Buscam ultrapassar a ruptura entre as funções de produção e aquelas detransformação e de comercialização dos produtos, utilizando-se para isso acomercialização direta e a diversificação das atividades produtivas;2. São caracterizados por umprocedimento que consiste em romper com a separaçãoentre o agrícola e o não agrícola, produzindo produtos não alimentares, ou através deatividade de complemento da renda fora da propriedade;3. Os agricultores buscam incorporar novas produções ao seu sistema tradicional,diversificando as produções, visando assegurarem a entrada de dinheiro ao longo doano (porcos, galinhas, piscicultura, hortícolas, etc.);4. Divisão clara das atividades agrícolas dentro da propriedade, integrando estas avida familiar, como por exemplo, a mulher torna-se responsável pelo leite,manutenção do lar, o agricultor assegura a ligação comos mercados.5. São os que procuram manter as práticas tradicionais e um maior respeito ao meioambiente;6. Busca uma auto-organização, através de grupos, cooperativas ou associações.Finalmente, fala que estes tipos de estratégias se cruzam entre si, possibilitando oencontro de muitos elementos idênticos nos vários modos de produção.Schultz cita também em seus relatos Carrieri et al (1993) o qual delineia que asdiferenças entre os processos de gestão de unidades de produção familiares e empresascapitalistas são essenciais. Diz que o pequeno agricultor não procura organizar suas atividadesprodutivas para obter lucro, o seu único objetivo visa à satisfação das necessidades sociais doseu grupo familiar.
  • 39. 38Contudo, diferentemente, o empresário organiza o seu trabalho visando sempre olucro, colocar bem os seus produtos no mercado, administrar o seu empreendimentotecnicamente, sempre focado na divisão eficiente do trabalho e no controle dos custos, mão deobra e capital (CARRIERI et al.,1993 apud SCHULTZ, 2001, p. 04).Schultz diz que:No modo de produção familiar existe uma unidade de trabalho, produção econsumo, sendo que esta unidade orienta as ações dos agricultores, sendo que otrabalho no processo produtivo é realizado por todos os membros da família. Aprodução é realizada para autoconsumo e o mercado é considerado o local onde oagricultor comercializa os excedentes e adquire os produtos que não produz e repõeos seus meios de produção, ocorrendo assim uma forma de produção com umaracionalidade própria que se distingue da racionalidade empresarial capitalista(Chayanov, 1974; Heredita, 1979; Garcia, 1989; Ribeiro, 1989 apud Carrieri et al,1993). Ainda segundo este mesmo autor, o empresário assume as funções decisivasdentro da sua atividade econômica, enquanto que no modo de produção familiar é ogrupo familiar que assume as funções e é responsável como um todo pelas decisõese ações do seu processo produtivo (SCHULTZ, 2001, p. 04).Seguindo os ensinamentos de Altieri (1989 apud SCHULTZ 2001, p. 04) coloca queos pequenos agricultores usam como estratégia produtiva, a lógica da diversificação e dospolicultivos, visualizando uma dieta diversificada, geração de renda satisfatória, estabilidade,tendo a subsistência e a diminuição dos riscos como objetivos principais; com isso elespreferem preservar a posse da terra, a qual é o principal meio de produção do sustento da suafamília, do que alcançar um maior retorno financeiro e maiores lucros.Com relação ao conceito de agricultura familiar Schultz (2001), traz à baila que:Patriarca (1998) apresenta o conceito de agricultura familiar utilizado pelaEmbrapa como sendo “caracterizada por uma forma de organização daprodução em que os critérios utilizados para orientar as decisões relativas àexploração não são vistos unicamente pelo ângulo da produção erentabilidade econômica, mas considera também as necessidades e objetivosda família. Ao contrário do modelo patronal, no qual há completa separaçãoentre gestão e trabalho, no modelo familiar estes fatores estão intimamenterelacionados” (SCHULTZ , 2001, p. 04-05).Os escritos de Schultz (2001) relatam que são muitos os fatores que diferenciam asunidades de produção empresariais das unidades de produção familiares. Estas devem serconsideradas sem qualquer estudo das práticas agrícolas e administrativas, que estejamrelacionadas com os aspectos comportamentais e com as intenções e alvos dos sistemas deprodução aspirados pelos produtores. Tais aspectos já foram estudados em várias áreas das
  • 40. 39ciências sociais e humanas. Notadamente, a área da administração rural possui uma carênciamaior de abordagens especiais para interferir adequadamente neste tipo produção agrícolas.Ainda nesses mesmos estudos, Carrieri (1993 apud SCHULTZ 2001, p. 05), os quaisconfirmam certas confusões que acontecem nas abordagens metodológicas empregadas nomeio rural, as quais tratam as diversas unidades de produção agrícolas homogeneamente,como sendo de caráter capitalista, tendo os mesmos objetivos e tratando os agricultores, comose tivessem comportamento igual. Ele completa asseverando que as distintas formas deprodução no meio rural, não são contempladas pela administração rural (SCHULTZ, 2001, p.05).Por fim, Schultz (2001, p. 05) ressalta que:As relações de produção que caracterizam a agricultura familiar, tais como aindissociabilidade entre decisão e ação, ou trabalho e gestão e as diversasracionalidades em que se estabelecem as práticas operacionais e estratégicas, sofremfortes pressões oriundas do mercado, que podem causar conflitos quando se buscauma inserção competitiva adequada. Isto ocorre por se tratar de modos de produçãoopostos (familiar e capitalista), tendo-se, portanto o desafio de se harmonizar estasdiferentes visões, para que não ocorra o rompimento do equilíbrio das relaçõesfamiliares, que provoque o fracasso das atividades produtivas e relações conflituosasno meio rural, criando-se assim mais barreiras para a inserção dos diversos tipos deagricultura com posicionamentos condizentes, tanto comsuas realidades quanto comas características do ambiente de negócios.Seguindo também o mesmo pensamento, ao citar Salazar (1998) assenta que esteautor deposita que tradicionalmente, nas ciências de gerência empresarial, são empregadas aspalavras “doutrina” e “teoria” com o fim de se instituir as regras que venham servir para todasas empresas.Apesar dos agricultores terem características semelhantes, cada um possui vidaprópria e métodos particulares. A agricultura familiar não pode ser tratada comoempreendimento capitalista, uma vez que a conduta desse segmento difere muito doscapitalistas, posto que, primeiramente não tem o lucro como principal objetivo. Contudoapesar disso, todo empreendimento necessita ter rendimentos para crescer e se tornar umviável e sustentável. É o lucro que contribui para as melhorias do empreendimento, sem elenão há como realizar investimentos em tecnologias, capacitação, e estruturação física.Mediante a análise das características e dos conceitos desse importante segmentoeconômico, há que se conhecer melhor a evolução da agricultura familiar no Brasil a fim deque se possa compreender o seu comportamento e as causas e conseqüências desse setor paraa população brasileira.
  • 41. 402.3 Evolução agricultura familiar no BrasilSegundo Felício (2006 apud OLIVEIRA et al., 2010, p. 4), menciona que aagricultura familiar se faz presente no mundo desde a origem dos primeiros grupos humanossedentários, tendo a família, como proprietária dos meios de produção, é responsável pelotrabalho no estabelecimento produtivo rural.Os mesmos autores apontam que a agricultura familiar é responsável por grandeparte da produção agrícola no Brasil e tem um grande peso nesse setor, já que, conforme oMinistério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS) a agricultura familiar noBrasil é responsável por mais de 40% do valor bruto da produção agropecuária. Suas cadeiasprodutivas correspondem a 10% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país, além disso, éresponsável pela maioria dos alimentos na mesa dos brasileiros (OLIVEIRA et al., 2010, p.8).Esses autores falam também que, de acordo com o Censo Agropecuário de 2006,foram catalogados no Brasil mais de quatro milhões e trezentos e sessenta milestabelecimentos da agricultura familiar, representando 84,4%dos estabelecimentos ruraisbrasileiros. E ainda conforme o Censo, existem 12,3 milhões de pessoas trabalhando naagricultura familiar, correspondendo a 74,4% do pessoal ocupado no total dosestabelecimentos agropecuários (OLIVEIRA et al., 2010, p. 8).Sabe-se que há uma extensa representatividade dos agricultores familiares no campo,mas, a área ocupada por esses importa apenas 24,3% da área ocupada pelos estabelecimentosagropecuários brasileiros. Deste modo, o IBGE (2006) afirma que esses resultados indicamuma estrutura agrária ainda concentrada no País, onde, os estabelecimentos não familiares,mesmo que representem 15,6% do total dos estabelecimentos, ocupavam 75,7% da áreautilizada. Entretanto, não obstante de cultivar uma área menor com lavouras e pastagens, aagricultura familiar é uma respeitável fornecedora de alimentos para o mercado interno egaranti parte da segurança alimentar do país (OLIVEIRA et al., 2010, p. 8).Conforme se vê acima, a agricultura familiar é um importante segmento produtivono Brasil, mesmo não ocupando uma área territorial significativa. Apesar das grandespropriedades serem exploradas pelo agronegócio, e sendo em quantidade bem inferior aonúmero de estabelecimentos familiares, estes têm a agricultura familiar como um forteconcorrente, uma vez que sua forma de organização contribui para o barateamento dos custosde produção, já que usa a mão-de-obra familiar de forma coletiva e solidária.
  • 42. 41De acordo com um estudo realizado pela Organização das Nações Unidas para aAlimentação e Agricultura (FAO, 2007) acerca da abertura comercial e a agricultura familiar,a qual mostra que as políticas encaminhadas à agricultura familiar no Brasil não consideram aimportância do setor, sendo desarticulada dos mecanismos de incentivo e com problemas desustentabilidade. Através desse estudo foi também analisado o Programa Nacional deFortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), evidenciando que sozinho esse programanão é capaz de criar as condições indispensáveis para o fortalecimento da agricultura familiar(OLIVEIRA, et al., 2010, p. 9).Com relação às dificuldades da agricultura familiar durante sua evolução no Brasil,Oliveira, et al., (2010, p. 9) citam:Batalha et al. (2009) mostra ainda as dificuldades enfrentadas pela agriculturafamiliar brasileira. Um deles é quanto à modernização da agricultura no Brasil,tendo em vista a baixa adoção de novas tecnologias na produção, principalmentepelo produtor familiar. Esse problema é representado,sobretudo, pela falta de capitaldos agricultores familiares, a resistência na adoção de novas tecnologias ou atémesmo pela falta de conhecimento, o que reflete numa produtividade inferior amédia nacional. Contudo, segundo os autores, essa situação vem se alterandogradativamente devido às exigências do mercado consumidor.Conforme o artigo “Agricultura familiar do agronegócio do leite em Rondônia,importância e características” o qual cita Batalha et al., (2009), em respeito a assistênciatécnica afirma:“que apesar de estar disponível para grande parte dos produtores rurais noBrasil, essa assistência é incapaz de atender às necessidades do agricultor”. Uma vez que nãoatendem as expectativas e condições de cada produtor (OLIVEIRA, et al., 2010, p. 9).O artigo citado acima menciona ainda que as políticas de crédito são um importanteinstrumento de modernização da agricultura familiar, pois possibilitam a aquisição demaquinário e insumos necessários ao processo produtivo. Mas, no Brasil, essas políticas nãotêm sido implementadas, mesmo existindo um leque de recursos institucionais que obrigamque o valor definido pelo Conselho Monetário Nacional e disponibilizado por instituiçõesestatais, como o Banco do Brasil são ineficientes e burocráticos quanto à concessão, sendo ascondições de pagamento inadequadas, dessa forma não atendendo a muitos pequenos emédios produtores rurais (BATALHA et al., 2009 apud OLIVEIRA. et al., 2010, p. 9).
  • 43. 42Esses autores firmam que diante desses aspectos:Verifica-se a falta de políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento daagricultura familiar no Brasil. Muller (2007) afirma que o debate estabelecido sobrea relação Estado-Agricultura Familiar no caso brasileiro toma uma direção bemdiferente daquela dos países de capitalismo avançado, devido, sobretudo, à falta quehá de incentivos à agricultura familiar. Portanto, segundo a autora, é preciso que oEstado se faça mais presente com políticas públicas para manutenção efortalecimento da agricultura familiar (OLIVEIRA, et al., 2010, p. 9).Conforme o exposto nos parágrafos acima, compreendem-se que muitos autoresconsideram as políticas do estado destinadas ao desenvolvimento da agricultura familiar noBrasil, são muito tímidas e ineficientes. Contudo, nos últimos anos, notadamente após o iniciodo governo Lula, o Brasil passou por transformações significativas, sendo que osinvestimentos no PRONAF cresceram muito nos últimos anos e de certa forma contribuempara o crescimento do setor, como apresenta o quadro abaixo.Quadro 1 - Valores aplicados e Anunciados no PRONAF (R$ mil) a partir da safra 1999/2000Ano-Safra ValorProgramadoValor Aplicado Aplicado/programado (% )Valor aplicadodeflacionado IGP-DI*1999/2000 3.460.000 2.149.434 62,1 4.025.588.6122000/01 4.040.000 2.168.486 53,7 3.698.567.5182001/02 4.196.000 2.189.275 52,2 3.382.361.8632002/03 4.190.000 2.376.465 56,7 2.904.474.7692003/04 5.400.000 4.490.478 83,2 5.097.087.6642004/05 7.000.000 6.131.600 87,6 6.206.681.0722005/06 9.000.000 7.579.669 84,2 7.579.669.303Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário – Secretaria da Agricultura Familiar. * IGP-DI calculado pelaFundação Getúlio Vargas (FGV). Considerou-se o índice do último dia do ano-safra (31/12/1996, por exemplo).Elaboração: DeserApesar do quadro 1 apresentar que houve um crescimento no valor do PRONAFprogramado e no valor aplicado, observa-se que ainda não atinge a 100% do programado.Nunes (2009, p. 37) relata que, os pequenos produtores rurais enfrentam algumasdificuldades para acessarem às linhas de crédito do programa do PRONAF, tais como: Ausência de título da terra e/ou avalistas; Condições de pagamento impróprias, com taxas de juros altos e pouco prazo parapagamento; Medo de correr risco e de perder o patrimônio; Desinformações sobre as linhas de créditos; Dificuldades para elaborar projetos e analisar a sua viabilidade;
  • 44. 43 Despreparo dos agentes financeiros para atender os agricultores;Com relação ao PRONAF, é chegada a confirmação de que apesar de ter sido umprograma animador para os agricultores familiares, não tem apresentado os resultadosesperados, uma vez que, há muitas dificuldades para acessar o crédito, como também nemtodos que conseguem o crédito aplicam adequandamente. E ainda há os mau intencionadosque se revestem de agricultor familiar para obter o financiamento subsidiado.2.4 Evolução da agricultura familiar no CearáO Ceará, por ser um estado do nordeste com mais de 70% de seu território encravadono semi-árido brasileiro, onde há muitas irregularidades climáticas, locais com pouca águadoce, terras pouco férteis, dentre outras características, possui uma agricultura ainda muitoatrasada.A agricultura familiar, por ser a mais praticada dentre as famílias cearenses, é a quemais enfrenta barreiras, posto que, a maioria dos atores desse setor produtivo, são semi-analfabetos, praticam uma agricultura rústica sem tecnologias e ou sem conhecimentos.Contudo, têm-se verificado alguns avanços nos últimos anos através de algumaspolíticas públicas, como o projeto São José, programa de reforma agrária, PRONAF,programa de cisternas, programa Garantia safra, dentre outros.Segundo Souza:Historicamente a agricultura familiar enfrenta dificuldades decorrentes, além deoutros fatores, de uma discriminação negativa da política agrícola que semprefavoreceu os grandes produtores, impedindo o desenvolvimento da mesma. Apolítica agrícola sempre favoreceu os interesses dos grandes empresários e, nasultimas décadas, deu lugar as políticas macroeconômicas e neoliberais, prevalecendosempre às políticas fiscal, monetária e cambial. Contudo, ela não apenas sobreviveua essas condições adversas, como reforçou sua posição como produtora demercadorias para o mercado doméstico e internacional (SOUZA, 2006, p. 9).No Ceará, a agricultura sempre foi marcada pela dominação, exclusão, concentraçãode terras, disputa pela terra, ausência de políticas publicas eficazes e sérias e pela miséria. Aoanalisar o processo histórico do desenvolvimento da agricultura familiar podemos observarque a concentração de renda e de terra, assim como as diversas formas de exclusão social nomeio rural cearense representa a conseqüência direta do modo como aconteceu o processo deocupação do seu território e a gestão patrimonial do poder político (XAVIER, 1999, p. 2).
  • 45. 44Com relação à situação da agricultura no Ceará, Xavier expõe que:A predominância no Estado do Ceará de uma agricultura rudimentar de baixo níveltecnológico, constatado pelo Censo Agropecuário (IBGE: 1995-1996), bem como oagravamento da situação sócio-econômica dos trabalhadores rurais não é por faltadesconhecimentos técnicos de como conviver de forma sustentável com a realidadede semi-árido. Essa situação é fruto do descaso político e do não compromisso dosque estão no poder com os interesses econômicos dos pequenos produtores,microempresários agrícolas, assalariados rurais e sem terra. Partindo dessepressuposto é que podemos entender, porque as três prioridades – reforma agráriacom promoção do acesso a terra, apoio a produção e aumento da produtividade;implantação de um vasto programa de irrigação e apoio a produção pesqueiraartesanal – da " revolução social no campo", anunciada por Tasso no seu Plano deMudanças (1987), até agora não foram implementadas(Xavier, 1999, p 28). A atualestrutura fundiária do Ceará caracteriza-se, ao mesmo tempo, pelo minifúndioimprodutivo e pelo latifúndio ocioso (XAVIER, 1999, p. 2).Conforme Duarte (2009, p. 62) a agricultura familiar no Ceará, tendo como base aagroecologia teve seu processo implantado e fortalecido por ONGs que propagam tecnologiassociais e gerenciam projetos sociais. Como exemplo, podemos citar: Instituições como oCentro de Pesquisa e Assessoria (ESPLAR), CETRA, Comunidades Eclesiais de Base(CEBS), Florestan Fernandes, Centro de Educação Popular em Defesa do Meio Ambiente(CEPEMA), Projeto Dom Helder Câmara, Associação Comunitária de Base (ACB),Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural (ADEC), Cáritas, Centro deAprendizado Agroecológico (CAA), Associação de Desenvolvimento de AgropecuáriaOrgânica (ADAO), Konrad Adenauer, NIC, Elo Amigo, Comissão Pastoral da Terra (CPT),Associação Aroeira e Associação de Cooperação Agrícola do Estado do Ceará (ACACE).Também têm contribuído para o processo os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais,MST, FETRAECE e mais recentemente o SINTRAF. E ainda as universidades como UFC eas Escolas Técnicas como a Escola Técnica Federal do Crato e seu anexo no município deUmirim, (CDT, 2011).Desde o ano de 2007, Governo do Estado do Ceará, escolheu fortalecer políticas eestratégias com o fim de beneficiar a agricultura familiar cearense utilizando o modelo doMDA. A Secretaria da Agricultura (SEAGRI) passou a ser chamada de Secretaria doDesenvolvimento Agrário (SDA). Por meio dessa alteração de foco, teve início em abril de2007 o Plano de Desenvolvimento Rural Sustentável (PDRS), congregando 166 municípios emais de dois mil representantes. Foram realizados vários encontros seguindo metodologiasparticipativas que priorizaram quarenta ações mais relevantes com a finalidade de garantir ocrescimento econômico com eqüidade e sustentabilidade, sendo implantado de 2008 a 2011(DUARTE, 2009, p.64).
  • 46. 45Outras metodologias utilizadas pelo Estado do Ceará foram a territorialização,baseando-se no Programa Território da Cidadania do Governo Lula, que tem como objetivocentral: a Superação da pobreza e geração de trabalho e renda no meio rural por meio de umaestratégia de desenvolvimento territorial sustentável. No Ceará existem seis territórios dacidadania e oito territórios estaduais. O município de Trairi está inserido no Território Vale doCuru/aracatiaçu, que congrega 18 municípios (DUARTE, 2009, p. 64)No Ceará foi desenvolvido também o Projeto São José, Segundo Xavier (2009, p.14):O Projeto São José é a continuidade de uma linha de projetos como o Polonordeste,Projeto Sertanejo, Projeto São Vicente, Projeto Ceará, Programa de Apoio aoPequeno produtor rural – PAPP, que desde o final da década de 70 vêm prometendodesenvolver o meio rural nordestino. A cada governo são feita algumasmodificações em seus programas e nomes. O mesmo projeto ganha nome diferenteem cada estado do Nordeste. O projeto de Combate à pobreza Rural, executado noCeará e popularizado como Projeto São José, é a continuação aperfeiçoada doPAPP.O Projeto São José (PSJ) como uma ação social é um projeto que tem como objetivoapoiar através de investimentos prioritários não reembolsáveis, subprojetos selecionados esolicitados por grupos de beneficiários das comunidades carentes, através de suasorganizações comunitárias representativas, legalmente constituídas. Xavier, (2009, p 14).Segundo dados do Governo do Estado, já foi executado o PSJ 1 e 2. Atualmenteestão trabalhando para implantar o PSJ 3 com foco no desenvolvimento produtivo,abastecimento de água e mecanização (SDA, 2011).É visível que a agricultura familiar no Ceará teve muitas dificuldades para sedesenvolver. Os autores revelam que os governos não tinham compromisso em apoiar edesenvolver este setor. Porém, diante de todos os entraves, a resistência dos agricultoresfamiliares lhes rendeu frutos, e hoje têm reconhecimento social e já surgiram várias políticasvoltadas para seu aprimoramento como citado acima.Para evidenciar melhor como os empreendimentos da agricultura familiarconseguiram resistir e se fortalecer, faz-se a seguir uma breve caracterização dos mesmos.2.5 Caracterização dos empreendimentos familiaresOs empreendimentos familiares se caracterizam por serem pequenos, com áreas deaté 4 módulos fiscais conforme a Lei Federal da agricultura familiar n° 11.326. O modelo de
  • 47. 46produção desses empreendimentos se caracteriza pela grande diversificação produtiva(BRASIL, 2006).De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária-INCRA(2010), um módulo fiscal é uma unidade de medida expressa em hectares, fixada para cadamunicípio, considerando alguns fatores, tais como: tipo de exploração predominante nomunicípio; renda obtida com a exploração predominante; outras explorações existentes nomunicípio que, embora não predominantes, sejam significativas em função da renda ou daárea utilizada; e o conceito de propriedade familiar (OLIVEIRA, et al, 2010, p.16).Segundo a Fundação Konrad Adenauer (2004, p. 25), os segmentos mais pobres dosagricultores familiares do Brasil se concentram no Nordeste, onde as políticas de geração derenda se deparam com maior dificuldade em sua implementação. Nessa região a tradiçãocamponesa é quase imperceptível porque praticamente todas as terras férteis eramdirecionadas para a produção de cana e algodão em grande escala, marginalizando boa parteda população rural a lugares com baixa fertilidade e produtividade. Diante da comparaçãoentre os produtores familiares no Sul e no Nordeste as diferenças regionais ficam maisvisíveis: em média, a produtividade por estabelecimento da agricultura familiar no Sul é seisvezes maior do que no Nordeste. E a produtividade por ha é quase oito vezes maior do que noNordeste. A maior causa da baixa produtividade e da situação precária das unidades daagricultura familiar no Nordeste é o tamanho médio das unidades produtivas.Como citado anteriormente, os estabelecimentos rurais da agricultura familiar sãounidades pequenas, com produção pequena e com potencial produtivo muito reduzido. Asituação deles na região Nordeste é muito mais grave do que na região Sul, onde o solo é maisrico e conseqüentemente mais produtivo. Mesmo assim, a produção desses estabelecimentossignifica muito para a sobrevivência das famílias.Há certa preocupação de acordo com alguns autores sobre a gestão dosempreendimentos da agricultura familiar, para tanto, procede-se um estudo sobre o assunto aseguir.2.6 Gestão de empreendimentos da agricultura familiarBatalha, et al., (2002, p. 11) afirmam que a gestão do empreendimento rural, a qualenvolve a coleta de dados, geração de informações, tomada de decisões e ações que derivamdestas decisões, não tem sido tratada satisfatória na literatura nacional e internacional. Aspesquisas realizadas nesta área geralmente se prendem aos aspectos financeiros e econômicos
  • 48. 47da gestão do empreendimento rural (custos, finanças e contabilidade). Dizem que comumentea questão da gestão na propriedade rural, notadamente aquela de menor porte, é vista de formamuito compartimentada e específica. Desse modo, os modelos disponíveis existentes sãoapenas para controle de custos na produção leiteira ou para programação da produçãopecuária bovina.Os autores citados no parágrafo anterior consideram também que os esforçosdedicados a outras ferramentas de gestão são ineficazes, por exemplo, os critérios de definiçãodo produto e do processo de produção que ultrapassem a visão de curto prazo das margens decontribuição, sistemas de gestão da qualidade, sistemas de planejamento e controle daprodução, sistemas de gestão logística, dentre outras. Relatam também que os mecanismos dedifusão tecnológica são insuficientes e inadequados para preparar o produtor na prática eutilização das técnicas acessíveis. A inclusão de práticas gerenciais e a completa integração daprodução rural às necessidades do processo de transformação industrial ou de distribuiçãoestão aquém de serem as usadas com mais freqüência. As técnicas administrativas, tais como:Noções como planejamento e controle da produção, gestão da qualidade e redução dedesperdícios, logística, desenvolvimento de embalagens apropriadas, bem como outrastécnicas, ainda são olhadas de forma limitada, e os agricultores ainda não percebem a suaimportância diante de suas atividades de produção.No que diz respeito à sensibilização do agricultor, Batalha, et al., (2002, p. 11)explanam que:A falta de atenção e sensibilização do agricultor e de parte importante dos técnicosresponsáveis pela assistência rural tem contribuído para a sobrevivência da idéiaequivocada de que o bom agricultor é aquele que cuida bem das tarefas exercidas nasua propriedade. Qualquer atividade diretamente vinculada aos trabalhosagropecuários significaria perda de tempo para o agricultor. Esta visão reflete atémesmo na própria caracterização dos agricultores familiares e no peso que atribui àstarefas de campo emdetrimento das funções de gestão.Continuando a relatar sobre o trabalho de Batalha, et al., (2002, p. 11), esses autoresapontam que alguns estudiosos da agricultura familiar são unânimes em constatar a baixaeficiência gerencial destes empreendimentos. Rezende e Zylbersztajn (1999 apud BATALHA,et al., 2002, p. 11) relatam em estudo concretizado com produtores agropecuários do Estadode Goiás, que verificaram que os aspectos relacionados à produção (assistência técnica, níveldos funcionários e mecanização), de regra, fazem parte da rotina operacional das propriedadesrurais. Confirmaram também que no conjunto das propriedades analisadas, não havia a
  • 49. 48utilização de instrumentos de gestão (aspectos comerciais e contábeis, planilhas de resultadosetc). Já junto aos grandes produtores foram percebidos os usos de tais ferramentas.Em referência à utilização de ferramentas gerenciais aplicadas tanto à gestão de redesde agricultores como nas propriedades, Batalha, et al., (2002, p. 4), enaltecem que seapresenta como condição para os agricultores familiares à procura de novas oportunidadesque surgiriam a partir da desenvolvimento das redes e do aproveitamento de tecnologias epráticas que exigem uma gestão da produção mais eficiente. Assim sendo, a utilização dessasferramentas permitiria aos agricultores familiares produzir e comercializar sua produção commais eficácia.Ressalte-se ainda que a capacidade de gestão é uma ferramenta de competição dentrodo mercado, Batalha, et al., (2002, p. 5).Muitas vezes o principal problema dos agricultores familiares não se encontra nastécnicas agropecuárias que, dentro da realidade de cada produtor, estão plenamentedisponíveis. Ele reside, sobretudo, na compreensão do funcionamento dos mercados,que impõe articulação com os segmentos pré e pós-porteira, novas formas denegociação e práticas de gestão do processo produtivo. Além disso, é necessárioencontrar um ponto de equilíbrio entre a articulação com os agentes da cadeia deprodução e a conseqüente perda de poder decisório, em troca da maior rentabilidadee estabilidade.Gaiger (2008, p. 66) comenta Singer (2000, p. 22) o qual fala que é convenienterecordar que a boa administração de um empreendimento econômico, ainda que cada vezmais deva apoiar-se no conhecimento profissional especializado, não pode ser consideradauma questão de competência científica, e sim de habilidade em lidar com problemas diários osmais variados, isso requer “tarimba e liderança”. A experiência é capaz de conduzir aoaprendizado coletivo. Na ausência de competência especial ao ramo de negócios escolhido,ela “será construída ao longo da vida prática da empresa, da mesma forma que acontece naempresa capitalista. Contudo, nessa o aprendizado está centralizado principalmente aosintegrantes do grupo de executivos, mas, na empresa solidária ele se alarga a todos osmembros.”O modelo de gestão é de fundamental importância para o bom funcionamento dequalquer empreendimento. Nos empreendimentos rurais constata-se um total desprezo pelastécnicas de gerenciamento, o que contribui para a estagnação dos agricultores. Observa-se quealguns técnicos não sabem como abordar os agricultores e muitos tentam implantar umacultura de gestão empresarial no estabelecimento rural, enfrentando muita resistência. O quese conclui é que para esses empreendimentos, que são geridos por pessoas simples e que
  • 50. 49muitas vezes possuem um nível de escolaridade muito baixo, há que se implementar umsistema de gestão simples que favoreça ao agricultor a sua adaptação e compreensão acercado processo produtivo, técnico, administrativo.Diante do conhecimento explicitado sobre as características e da gestão dosempreendimentos agrícolas, é cabível revelar a relevância dos mesmos para a economia doestado do Ceará.No item que se segue, será abordada a agricultura familiar e sua relevância naeconômica cearense.2.7 Agricultura familiar e sua relevância na economia cearenseMesmo sendo uma atividade praticada com muitos entraves e sem a estruturanecessária, a mesma é de suma importância para a economia do Ceará. Tal fato se dá devidoao grande numero de pessoas vivendo dessa atividade.A população cearense é tipicamente rural, e tem a agricultura enraizada em seusangue, até mesmo nas zonas urbanas é praticada.Conta-se também no Ceará com uma industrialização tardia, o que contribuiu paramanter a população praticando a agricultura, apesar de muitos terem abandonado e migradopara outros estados expulsos pelas estiagens e conseqüentemente pelo desemprego e pelafome.Conforme o portal de notícias do MDA:Mais de 90% dos estabelecimentos agropecuários do Ceará são da agriculturafamiliar. São mais de 341 mil estabelecimentos em 3,5 milhões de hectaresque respondem por 62% do valor bruto da produção. Para esse universo deagricultores e agricultoras familiares e assentados da reforma agrária, o ministro doDesenvolvimento Agrário, Afonso Florence, anunciou nesta segunda-feira (10) uminvestimento de R$ 771 milhões para a safra vigente durante lançamento do PlanoSafra da Agricultura Familiar 2011/2012, em Fortaleza.“Estamos disponibilizando mais recursos com as mais baixas taxas de juros dentrodo contexto de uma crise internacional e de uma perspectiva nacional de solidez eincentivo à produção”, afirmou Florence, que anunciou as medidas do Plano para oestado reforçando os objetivos do Governo Federal de garantir mais alimentos para amesa dos brasileiros e a segurança alimentar.Para fortalecer essas ações no Ceará, o ministro Afonso Florence e o governadorCid Gomes assinaram Termo de Compromisso de Execução do Plano Safra 2011-2012, pelo qual o MDA destina R$ 650 milhões para ações do Programa Nacionalde Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) no Ceará. Deste montante,R$ 350 milhões são destinados para operações de investimento e R$ 300 milhõespara operações de custeio. Os recursos estão disponíveis nas instituições financeirasque operam o PRONAF desde 1º de julho. Na safra 2010/2011 foram destinados R$370 milhões ao Ceará (MDA, 2011, online)
  • 51. 50De acordo com Anchieta Dantas Jr., repórter do Diário do Nordeste, baseado emdados da FIPE- Fundação Estudos e Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo(USP), a agricultura familiar é a grande fornecedora dos produtos que compõem a cestaalimentar da população local. Cerca de dois terços do que chega à mesa do cearense sãoproduzidos em terras cultivadas por agricultores familiares. A participação de alguns produtosdo que é suprido por estas propriedades é bem superior à média estadual: 82% do feijão éproduzido no Ceará, 81% da produção de milho, 78% da mandioca, 64% do arroz, 77% doplantel de suínos e cerca de 76% do leite. Já no caso das frutas, mesmo que a produção dosagricultores familiares permaneça abaixo da média do que é fornecido por esse segmento daagricultura no Estado, mesmo assim, 55% da fruticultura que é cultivada em territóriocearense são de propriedades gerenciadas por agricultores familiares. Segundo a pesquisa daFIPE, a participação no PIB do agronegócio no Estado é superior a do Brasil, 32% contra25%. Nesse panorama, o complexo formado pela agricultura familiar, que se compõe pelaprodução de lavouras e criações administradas pela gerência familiar e dos setores ligadas aessas atividades rurais, representa cerca de 12% da economia cearense –ressaltado que jáalcançou 15% em 2003, com a participação da produção patronal, correspondente às grandespropriedades equivalendo a 20%, tendo chegado a 24%, também naquele ano (DANTASJUNIOR, 2011).Neste capitulo deu-se ênfase a discussão sobre as características dosempreendimentos agrícolas, onde os autores pesquisados caracterizam esses empreendimentosprocurando nortear uma visão geral das particularidades que fazem a agricultura familiarpersistirem no cenário produtivo. Sobre o conceito da agricultura familiar, apresentou-sealgumas idéias que conceitua a agricultura familiar e mostra como essas categoria sediferencia das demais atividades. Falou-se também da evolução da agricultura familiar noBrasil e no Ceará, fazendo uma exposição do passo-a-passo que consolidou esse setor e que ofortaleceu diante do sistema capitalista e do agronegócio. Enfatiza-se também a caracterizaçãodos empreendimentos familiares demonstrando a diferença entre esses empreendimentos e osempreendimentos do agronegócio. Já com relação a gestão de empreendimentos familiares eda agricultura familiar e sua relevância na economia cearense foi trazido a baila a visão devários autores que procuraram contribuir para propiciar novos rumos para agricultura familiar.Pode-se perceber que a agricultura familiar é uma atividade histórica e cultural noBrasil e no mundo. Na verdade, faz-se concluir que essa atividade veio contribuir para aorganização e o fortalecimento de uma categoria que já existia, mas que não era reconhecida,
  • 52. 51nem possuía direitos garantidos por lei. Somente a partir de 2006, através da lei 11.326, é queforam definidas as características, delimitações, definições, regras e direitos dessa categoria.Não se pode ignorar que, mediante todos os estudos apresentados nesse capitulo, aagricultura familiar é um evento mundial e muito mais forte nas economias dos países maisdesenvolvidos. Como a agricultura praticada nos países colonizados tinha como base amonocultura que teve início com a cana-de-açúcar, os agricultores familiares erammarginalizados e não possuíam terras para desenvolver suas atividades, o que contribuiu parao atraso dessa atividade nos países em que foram colonizados visando à exploração de seusrecursos naturais e terras férteis. Até hoje, os considerados agricultores familiares nãopossuem terras ou se possuem, são pequenas áreas informais.No Brasil, a agricultura familiar tem se mostrado como uma solução para aorganização produtiva e para a redução da pobreza na zona rural, permeada por pequenaspropriedades, uma vez que quase toda produção é voltada para o sustento das famílias. Esseprocesso se deu movido pelos movimentos sociais, os quais exigiam o reconhecimento dosetor e o respeito do poder publico, através da distribuição de terras, de financiamentos e decriação de políticas com o fim de oferecer condições aos agricultores familiares para produzire se fixar no campo.No Ceará, apesar de muitas políticas e projetos terem sido desenvolvidos pelosúltimos governos, como o projeto São José, dentre outros, ainda há um atraso na organizaçãoda categoria. Os agricultores ainda não conseguem produzir com regularidade nem inserirseus produtos no mercado capitalista competitivo e exigente. Enfrentam muitas dificuldades,desde assistência técnica, que é a base para o sucesso da atividade até mesmo ao acesso afinanciamentos, devido à burocracia dos bancos.Procura-se desenvolver no capitulo seguinte uma explanação acerca dos aspectosconceituais sobre desenvolvimento agrícola sustentável.
  • 53. 523 OS ASPECTOS CONCEITUAIS SOBRE DESENVOLVIMENTO AGRÍCOLASUSTENTÁVELOs conceitos de desenvolvimento rural sustentável vêm sofrendo muitas alteraçõesdesde seu surgimento. Atualmente, esses conceitos estão presos à questão ecológica,alimentar, educacional, cultural e ambiental, devido a problemática da baixa produção dealimentos e dos problemas climáticos enfrentados pelo mundo, assim como a escassez derecursos naturais e de terras férteis. Hoje, a busca pela sustentabilidade tornou-se uma práxisno cotidiano dos agricultores.Esta seção objetiva apresentar os conceitos debatidos sobre desenvolvimento agrícolasustentável, Crescimento e Desenvolvimento, assim como, travar um comparativo entrecrescimento econômico e desenvolvimento econômico, analisar e classificar os tipos dedesenvolvimento, tais como desenvolvimento humano, social e econômico; levantar osconhecimentos acerca dos aspectos culturais, organizacionais, econômicos e financeiros, bemcomo explanar os desafios e entraves da gestão dos empreendimentos agrícolas familiares.Busca também provocar uma discussão e uma compreensão desses temas assimcomo levantar novas idéias acerca do desenvolvimento agrícola sustentável no mundo, a fimde que construir uma visão global do tema.Quando se fala de natureza e atividade econômica humana, os autores dizem que:A economia não pode ser vista como um sistema dissociado do mundo da natureza,pois não existe atividade humana semágua, fotossíntese ou ação microbiana no solo.A comparação, nesse contexto, do sistema econômico com um mecanismo não é dasmais felizes, pois isto lhe retira o sentido da irreversibilidade própria das mudançasqualitativas que o processo econômico desencadeia (GEORGESCU-ROEGEN, 1974apud CAVALCANTI, 1994, p. 8).A humanidade atualmente coexiste com duas realidades. Uma, mais durável, a doplaneta Terra, e outra, mais efêmera, que procede da ação humana e que habitualmenteapelida-se de Mundo (CALDWELL, 1990). Contudo, enquanto a Terra é tida como umajuntamento constituído por ecossistemas altamente unificados tem-se o Mundo seapresentando, de forma antagônica, como uma realidade misturada de sistemas culturais,sociais, políticos e naturais, onde seus elementos se expõem mais desintegrado e conflitantedo que com sistema de cooperação e solidariedade. A dualidade Terra x Mundo deu origem aesta crise na qual se vive, melhor dizendo, no extremo desta dualidade na modernidade, umaque ela é inseparável do princípio ativo da civilização e, por conseguinte, fatal. O
  • 54. 53ambientalismo anuncia, portanto, uma disposição essencial e orgânica de estilo preservativo,em conseqüência da extrema entropia do modelo adotado por nossa civilização(CAVALCANTI, 1994, p 44).Silva (2006) expõe o desenvolvimento sustentável como o:[...] resultado da interação social em um determinado espaço, com bases culturaiscultivadas no decorrer do tempo, com finalidades econômicas e obedecendo àsinstituições reconhecidas naquela sociedade e considerando a manutenção doestoque ambiental existente (SILVA, 2006, p. 17).Tendo em vista o foco no desenvolvimento sustentável, faz-se a seguir umaabordagem sobre o que é crescimento e desenvolvimento, e explicita ainda os diversos tiposde desenvolvimento.3.1 Conceito de crescimento e desenvolvimento econômico.Matos e Rovella (2011) expõem que o conceito de crescimento econômico apareceem 1776 no livro “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, obra na qual o autor estuda aconstituição da riqueza de uma nação, ponderando sobre o funcionamento dos mercados e arelação da expansão destes para proveitos de escala de produção, com o fim de obter aredução dos custos médios e a geração de lucros. Para Smith, o crescimento econômico éconsiderado como condição principal para atingir o desenvolvimento, ou seja, como o própriodesenvolvimento.Schumpeter (1961 apud SOUZA 1999, p.16) aproveitou a distinção entrecrescimento e desenvolvimento para ressaltar a falta de lucro econômico no andamentocircular onde adviria no máximo crescimento. O crescimento seria apenas o aumento da rendaper capita, e o desenvolvimento abarcaria transformações sociais e políticas. Foi tambémSchumpeter que, em meio às discussões de um conceito distinto de desenvolvimento, noinício do século XX, que atribuiu ao crescimento uma característica exclusivamenteexpansiva, e afirma que desenvolvimento, somente aconteceria “na presença de inovaçõestecnológicas, por obra de empresários inovadores, financiados pelo crédito bancário. Nessecaso o processo produtivo não é mais uma mera rotina e sim produtor de lucroextraordinário.”
  • 55. 54Sachs (2004, p. 13 apud MATOS e ROVELLA 2011):[...] os objetivos do desenvolvimento vão bem além da mera multiplicação dariqueza material. O crescimento é uma condição necessária, mas de forma algumasuficiente (muito menos é um objetivo em si mesmo), para se alcançar a meta deuma vida melhor, mais feliz e mais completa para todos.Furtado (1974 apud VEIGA 2005) afirma que:[...] a idéia de desenvolvimento econômico é um simples mito. Graças a essa idéia,diz ele, tem sido possível desviar as atenções da tarefa básica de identificação dasnecessidades fundamentais da coletividade e das possibilidades que abre ao homemo avanço da ciência, para concentrá-lo em objetivos abstratos, como são osinvestimentos, as exportações e o crescimento.A partir da década de 1960, a idéia de desenvolvimento sugerida ao Terceiro Mundofoi baseada na mesma seguida pelas nações ocidentais, consideradas “ricas” ou “avançadas”industrialmente. Acreditava-se que para países mais pobres se tornarem também “ricos” e“avançados”, era necessário seguir o mesmo caminho do processo de industrializaçãodesenvolvido nos países ocidentais (ALMEIDA, 1995, p. 04).Almeida, diz também que,De um modo geral, as teorias desenvolvimentistas querem sejam (neo)liberais oumarxistas, inspiram-se nas sociedades ocidentais para propor modelos para oconjunto do mundo. A idéia-mestre de desenvolvimento que fundamenta esta visãoreside no paradigma do humanismo ocidental (MORIN, 1977); ou seja, nodesenvolvimento socioeconômico provocado pelos avanços técnico-científico,assegurando ele próprio o crescimento e o progresso das virtudes humanas, dasliberdades e dos poderes dos homens. O que parece emergir como verdade supremadesta visão de desenvolvimento pode ser sintetizado como: desenvolvimentotécnico-científico,desenvolvimento socioeconômico, progresso e crescimento(ALMEIDA, 1995, p.04).Segundo a autora citada acima, esta analogia, é falsa e enganosa, uma vez que, Morin(1977 apud ALMEIDA, 1995, p. 04) afirmam que “cada desenvolvimento biológico é arepetição de um desenvolvimento precedente inscrito geneticamente”. Isso significa que é oretorno cíclico de um passado, e não a construção inédita do futuro. Diante disso, percebe-seque há uma quebra com o pensamento “oficial” de desenvolvimento, ou seja, aquele que vê odesenvolvimento socioeconômico volvido basicamente para a construção do futuro.
  • 56. 55De acordo com Almeida desenvolvimento é,[...] um bem para todos os lugares. É por isso que foi pensado e aplicado de maneirauniformizante. Ao invés das originalidades se exprimirem e se fortificarem,aparecem as características singulares dos povos e das culturas. É um modeloidêntico que se propaga em detrimento de todas as diferenças de situação, de regimee de cultura (ALMEIDA, 1995, p. 05).Ainda seguindo as idéias de Almeida, a qual relata que comumente o conceito dedesenvolvimento é confundido com o de modernização, tendo como conseqüência, ojulgamento dos países do Terceiro Mundo “à luz dos padrões dos países desenvolvidos”. Istocontribuiu para a aplicação no mundo inteiro de um modelo único de modernização e, destemodo, classificando como atrasados os países “subdesenvolvidos”. A diferença entremodernização e desenvolvimento ainda não foi bem esclarecida. Podendo dizer que a primeiraindica a “capacidade que tem um sistema social de produzir a modernidade; a segunda serefere à vontade dos diferentes atores sociais ou políticos de transformar sua sociedade”(ALMEIDA, 1995, p. 05).José Eli da Veiga defende a idéia de que:O desenvolvimento pode permitir que cada indivíduo revele suas capacidades, seustalentos e sua imaginação na busca da autorealização e da felicidade, medianteesforços coletivos e individuais, combinação de trabalho autônomo e heterônomo ede tempo gasto em atividades não econômicas. Maneiras viáveis de produzir meiosde vida não podem depender de esforços excessivos e extenuantes por parte de seusprodutores, de empregos mal remunerados exercidos em condições insalubres, daprestação inadequada de serviços públicos e de padrões subumanos de moradia(VEIGA, 2005, p. 80-81).Sobre desenvolvimento, Antunes (2004 apud Revista Lusófona de Ciências Sociais2004, p. 05 on line) insere:Entendo por desenvolvimento a simplificação e eficiência organizativa dosprocessos de produção, distribuição e consumo, a todos os níveis, de um sistemasocial - econômico, jurídico, político, ideológico, cultural -, com vista à realizaçãodo ser humano, emharmonia coma Natureza.Os julgamentos acerca dos temas desse tópico, apesar de estarem em constanteflexibilização, apresentam um entendimento dos diversos modelos de crescimento e dedesenvolvimento utilizados pelos governos e idealizados pelos economistas.No processo de desenvolvimento, há algumas subdivisões, tais comodesenvolvimento econômico, desenvolvimento social e humano, os quais reservam suasparticularidades, que serão anunciadas nos tópicos a seguir.
  • 57. 56Também se apontam as diferenças entre desenvolvimento e crescimento, para melhorcompreender os conceitos e suas peculiaridades.3.2 Crescimento x DesenvolvimentoUma das conclusões extraídas do contraste entre crescimento e desenvolvimento éque somente o crescimento econômico, não traz automaticamente o desenvolvimento. Comose observa, a relação entre crescimento e desenvolvimento, não conta ainda com suasvariáveis contrabalançadas; os economistas ainda são desafiados e questionam se odesenvolvimento socialmente justo e ambientalmente sustentável confronta com crescimentoeconômico (VECCHIATTI, 2004, p. 90).O crescimento econômico não está ligado diretamente ao processo dedesenvolvimento, posto que, nem sempre os dois acontecem em conjunto e nem de formaglobal.Sachs (2001, p. 157-158) contribui ao enfatizar:Por outro lado, o fato de que o desenvolvimento não está contido no crescimentoeconômico não deve ser interpretado em termos de uma oposição entre crescimentoe desenvolvimento. O crescimento econômico, se repensado de forma adequada, demodo a minimizar os impactos ambientais negativos, e colocado a serviço deobjetivos socialmente desejáveis, continua sendo uma condição necessária para odesenvolvimento. [...] Precisamos de taxas mais altas de crescimento econômicopara acelerar a reabilitação social, uma vez que é mais fácil operar nos acréscimosdo PNB que distribuir bens e rendas numa economia estagnadaO desenvolvimento, apesar de compreender o crescimento econômico, não abrangetoda a complexidade estrutural da sociedade. Para que haja desenvolvimento paralelo com ocrescimento é preciso que seus efeitos satisfaçam toda a coletividade.Matos e Rovella (2011) mencionam Furtado (1983, p. 90) o qual diferencia osconceitos de crescimento e desenvolvimento da seguinte forma:Assim, o conceito de desenvolvimento compreende a idéia de crescimento,superando-a. Com efeito: ele se refere ao crescimento de um conjunto de estruturacomplexa. Essa complexidade estrutural não é uma questão de nível tecnológico. Naverdade, ela traduz a diversidade das formas sociais e econômicas engendrada peladivisão do trabalho social. Porque deve satisfazer às múltiplas necessidades de umacoletividade é que o conjunto econômico nacional apresenta sua grandecomplexidade de estrutura. Esta sofre a ação permanente de uma multiplicidade defatores sociais e institucionais que escapam à análise econômica corrente. Oconceito de crescimento deve ser reservado para exprimir a expansão da produçãoreal no quadro de um subconjunto econômico. Esse crescimento não implica,
  • 58. 57necessariamente, modificações nas funções de produção, isto é, na forma em que secombinam os fatores no setor produtivo emquestão.No que diz respeito ao modelo de desenvolvimento aplicado atualmente, conclui-se queesse modelo não está preocupado com a sustentabilidade, não controla o uso dos recursos naturais,distribuição de riquezas igualmente, inclusão social e bem estar social.Por isso Brasileiro (2006, p.88 apud Matos e Rovella , 2011) aponta que:[...] os resultados alcançados com a implantação do modelo de desenvolvimentovigente, baseado na otimização dos lucros, na industrialização como única via dedesenvolvimento, no uso indiscriminado dos recursos naturais, no crescimentoeconômico como fator antecedente ao desenvolvimento, propiciaram a emergênciade novas formas de pensar o desenvolvimento, procurando atender ou mesmoexplicar, a questões até então negligenciadas, tais como: a distribuição desigual dasriquezas; o agravamento da pobreza e exclusão social; a precarização das relações detrabalho; e o esgotamento dos recursos naturais.Em todas as idéias que se referem às diferenças entre crescimento e desenvolvimentoeconômico, observa-se que há uma clara diferença entre esses temas. O crescimentoeconômico está intrinsecamente ligado ao acúmulo de capital e reprodução dos investimentosrealizados; enquanto o desenvolvimento econômico é muito mais abrangente e envolve toda acomplexidade estrutural da sociedade. Todos os segmentos, tais como humano, social eeconômico, perfazem um tripé, cuja satisfação dos mesmos é relevante para que o processo dedesenvolvimento seja sustentável.Silva (2005, p. 38), a despeito do desenvolvimento sustentável, conclui que:O conceito de desenvolvimento sustentável deve ser visto como uma nova forma deenxergarem, teoricamente, os fatos. A sociedade evolui esteada emsua inter-relação nasdimensões sociais, ambientais, culturais, econômicas e espaciais e, por isso, não se podeanalisar, parcialmente, o processo de desenvolvimento. Visto esse processo como umsistema adaptativo complexo, nota-se que as mudanças são irreversíveis e contínuas,ampliando a responsabilidade de toda sociedade como seu presente e com o das futurasgerações. Essa responsabilidade demanda ações construtivas de uma base de discussãoteórica e aplicada que se sustenta na busca contínua da evolução da sociedade e dasalternativas decisórias, com as quais conta para otimizar os recursos existentes,considerando as dimensões inter-relacionadas, com a intenção de avançar de formaharmoniosa para o objetivo da sustentabilidade.O desenvolvimento sustentável perpassa pela produção de alimentos. Tendo em vistaesse foco, o desenvolvimento agrícola sustentável é primordial para garantir odesenvolvimento humano e social no meio rural.
  • 59. 58Com o fim de complementar a discussão acerca de desenvolvimento, no próximotópico será apresentado um estudo sobre desenvolvimento e seus subtemas, os quais serãodissecados sucessivamente para propiciar o melhor entendimento desse debate.3.3 Tipos de desenvolvimentoA complexidade social e econômica exige que o processo de desenvolvimento sejadividido em três linhas, a fim de que se possa analisá-los e entendê-los. Essa tríade,constituída por desenvolvimento humano, social e econômico, é sem dúvida a base para que apopulação possa atingir um nível equacionado de avanço econômico sustentável, socialmentejusto e humanizado.3.3.1 Desenvolvimento humanoO conceito de desenvolvimento humano se originou como observou Amartya Sen,(2011) no pensamento clássico e, notadamente, com as ideias de Aristóteles, o qual acreditavaque conseguir a plenitude do florescimento das capacidades humanas é o sentido.Desenvolvimento humano pode ser considerado como:O processo pelo qual uma sociedade melhora a vida dos seus cidadãos através de umaumento de bens com os que pode satisfazer suas necessidades básicas ecomplementares, e a criação de um entorno que respeite os direitos humanos detodos elos. Também é considerado como a quantidade de opções que tem um serhumano em seu próprio médio, de ser ou fazer o que ele deseja ser ou fazer. Odesenvolvimento humano também pode ser definido como uma forma de medir aqualidade da vida humana no médio que se desenvolve, e uma variável chave para aclassificação de um país ou região (WIKIPÉDIA, 2011, on line).Conforme o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (1990), odesenvolvimento humano associa aspectos de desenvolvimento concernentes aodesenvolvimento social, o desenvolvimento econômico (incluindo o desenvolvimento local erural) e desenvolvimento sustentável. Ainda pode-se falar que o desenvolvimento humanosugere satisfazer as carências identificadas por Abraham Maslow na chamada pirâmide deMaslow.O novo modelo de desenvolvimento propõe um modelo com foco nodesenvolvimento comunitário, ou seja, priorizando o desenvolvimento local sustentável.
  • 60. 59O novo modelo de promover o desenvolvimento que possibilita o surgimento decomunidades mais sustentáveis, capazes de suprir suas necessidades imediatas,descobrirem ou despertar suas vocações locais e desenvolver suas potencialidades(FRANCO, 1998, p.55).Conforme Martins (2011) a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225,adotou o desenvolvimento sustentado, ao dispor: “Todos têm o direito ao meio ambienteecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade devida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo para as presentes efuturas gerações”.Sabe-se que as Nações Unidas durante décadas, apostaram tudo no crescimentoeconômico, do qual os Relatórios do Desenvolvimento Mundial, do Banco Mundial,começaram, por meio do PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, apublicar o seu Relatório do Desenvolvimento Humano, tendo início na década de 1990, ondecomeça um novo modelo de desenvolvimento.Para enfrentar o crescente desafio da segurança humana é necessário um novomodelo de desenvolvimento que coloque o povo no centro, que olhe o crescimentoeconômico como um meio e não como um fim, que proteja as oportunidades de vidadas futuras gerações, assim como das atuais e respeite os sistemas naturais dos quaisa vida depende (ANTUNES, 2004, p. 5)As variadas colocações acerca de desenvolvimento humano deixam claro que oprocesso de crescimento econômico deve estar vinculado ao desenvolvimento humano com ointuito de proceder a um complexo de ações que venham colaborar para o desenvolvimentocoletivo.Tão relevante nessa discussão, quanto o desenvolvimento humano é o social, umavez que um não acontece sem o outro, portanto, discorre-se também nos itens seguinte o que édesenvolvimento social e como este se insere no contexto do desenvolvimento agrícolasustentável.3.3.2 Desenvolvimento SocialO desenvolvimento social só acontece quando se colocam políticas que aprimorem asrelações entre os componentes de um conjunto e a forma como interagem entre si e com omeio externo. Percebe-se como conjunto uma pequena comunidade rural, um centro urbanoou, inclusive, uma nação inteira.
  • 61. 60Para se ter uma imagem mais conceitual, expõe-se sobre o conceito dedesenvolvimento social:O conceito de “desenvolvimento social” é algo que não constava originalmente daCarta das Nações Unidas. Emergira, aos poucos, na década de 60, quando a questãodo desenvolvimento, na esteira do processo de descolonização, passara a ocupar ocentro das atenções internacionais. Nunca fora, porém, definido com clareza.Envolvia basicamente a adição, às vezes sucessiva, outras vezes cumulativa, desetores como os da educação, da saúde, do trabalho, da moradia, dos serviços sociaise da previdência social à avaliação do funcionamento geral das sociedades (ALVES,1997, p. 144)Desenvolvimento social e sustentabilidade estão intimamente ligados, haja vista que,para se promover um precisa conhecer e praticar o outro.A sustentabilidade do desenvolvimento requer a descoberta das potencialidadeslocais, no enfrentamento das desigualdades na esfera econômica. Tem, porconseguinte, três princípios básicos: a conservação do meio ambiente, a justiçasocial e o crescimento econômico. É essencial, portanto, criar condições favoráveisàs negociações políticas e à mobilização social. A estratégia de ação deve seconcentrar na busca da equidade social, a preservação ambiental e da racionalidadeeconômica. Obviamente, sem esquecer a ampliação do regime democrático. Éimportante, portanto, considerar as características de cada região ou localidade,tendo emvista as realidades diferenciadas (BARRETO, 2011 apud MARTINS 2011,p 21).Conforme o site pesquisado, o “desenvolvimento social só ocorre se todos oscomponentes da sociedade forem beneficiados”. Assim, uma determinada comunidade podeacender economicamente, mesmo não tendo um desenvolvimento social.Dizemos que um país é socialmente desenvolvido quando a sua população tem umótimo nível de qualidade de vida. Mas o "ótimo" é sempre relativo a um "menosótimo", o que significa que só a comparação entre duas ou mais populações é quepermite avaliar o nível de desenvolvimento social de um país.Então, o que deve serconsiderado para se fazer a avaliação? Em primeiro lugar, a proporção de pessoasque têmas suas necessidades básicas satisfeitas (alimentação necessária para atenderaos requisitos nutricionais mínimos, trabalho, escola, hospital e assistência médica,moradia servida de água tratada, esgotamento sanitário, energia elétrica e coleta delixo). Em segundo lugar, a comparação destas proporções entre países, ou entreregiões de um mesmo país (WIKIPÉDIA, 2011, on line).O desenvolvimento sustentável está intimamente ligado ao desenvolvimento social,posto que um dos principais objetivos do primeiro é a garantia e a preservação dos recursosnaturais para atender as necessidades das sociedades futuras.
  • 62. 61Retomando Fernandes (2003), a autora analisa que a preocupação central da políticaambiental, sob a égide do conceito de desenvolvimento sustentável, tem sido a deassegurar a gestão internacional dos principais ecossistemas, com o objetivo degarantir a durabilidade e disponibilidade de importantes estoques de recursosnaturais funcionais ao desenvolvimento econômico, para assegurar àqueles povosque são privilegiados em seu desenvolvimento social, a manutenção de seus níveisde desenvolvimento e consumo (MATOS E ROVELLA, 2011, p. 8).O desenvolvimento social, muito bem conceituado nos termos acima, é um dos tripésdo processo de desenvolvimento agrícola sustentável. Constata-se que como os modelos dedesenvolvimento eram baseados estritamente no desenvolvimento econômico, deu-se umatraso no desenvolvimento social muito acentuado, o que levou aos pensadores a rever seusconceitos e concluir que se não construir um processo desenvolvimentista focado na tríadehumana, social e econômica, não há como obter a sustentabilidade.3.3.3 Desenvolvimento econômicoO conceito de desenvolvimento que serviu de base para aquele debatido atualmente,diferente do conceito puro de crescimento econômico, deu-se no período pós-guerra(BOISIER 2001; SACHS 2004).Sachs (2004, p. 31-31) conclui que:Em grande medida, o trabalho da primeira geração de economistas dodesenvolvimento foi inspirado na cultura econômica dominante da época, quepregava a prioridade do pleno emprego, a importância do Estado de bem-estar, anecessidade de planejamento e a intervenção do Estado nos assuntos econômicospara corrigir a miopia e a insensibilidade social dos mercados.O processo de desenvolvimento econômico sugere que são necessários ajustesinstitucionais, fiscais e jurídicos para incentivar as inovações e investimentos, bem como parafornecer condições para um sistema eficiente de produção e distribuição de bens e serviços àpopulação.O desenvolvimento econômico éUm processo pelo qual a renda nacional real de uma economia aumenta durante umlongo período de tempo. A renda nacional real refere-se ao produto total do país debens e serviços finais, expresso não em termos monetários, mas sim em termosreais: a expressão monetária da renda nacional deve ser corrigida por um índiceapropriado de preço de bens e consumo e bens de capital. E, se o ritmo dedesenvolvimento é superior ao da população, então a renda real per capitaaumentará. O processo implica a atuação de certas forças, que operam durante umlongo período de tempo e representam modificações em determinadas variáveis. Osdetalhes do processo variam sob condições diversas no espaço e no tempo, mas, nãoobstante, há algumas características comuns básicas, e o resultado geral do processo
  • 63. 62é o crescimento do produto nacional de uma economia que, em si própria, é umavariação particular a longo prazo (WIKIPÉDIA, 2011,on line).Matos e Rovella (2011) fazem referência que Sen (2000) questiona o atual modelo dedesenvolvimento econômico, e qualifica-o como uma política cruel de desenvolvimento. Estemodelo possibilita o colapso da base de recursos naturais, e pode ampliar as deformidadessociais. Em virtude disso, segundo o autor, o alicerce de desenvolvimento não deve se basearsomente na busca pela dimensão econômica, mas também na dimensão sociocultural, em cujocontexto os valores e as instituições são fundamentais.No cenário agrícola, o desenvolvimento perpassa pela visão dos agricultores. Por issoa orientação técnica desses deve estar focada num único modelo de desenvolvimento que lhepropicie uma vida equilibrada dentro de sua organização produtiva e familiar.Um agricultor com dupla orientação, que considera a razão técnico-econômica e aomesmo tempo a questão ambiental, envolvendo outros elementos de ordem culturalou subjetiva, isto é, um agricultor que tende a construir um projeto de vida segundouma razão socioambiental ou eco-social”. Nesse sentido, as mudanças não tenderiama reorganizar a agricultura segundo um novo paradigma de mudanças, mas seriam;“uma forma de organização da produção que ao incluir elementos de um outropadrão técnico de produção forma um outro personagem na agricultura: o agricultoralternativo-sustentável (BRANDENBURG, 1999, p. 264).Confere-se que o desenvolvimento econômico é o maior foco dos economistas.Devido ao fato de ter centralizado o crescimento econômicos das sociedades apenas noprocesso de industrialização, exploração dos recursos naturais descontrolado, acúmulo decapitais, crescimento de lucro, etc, obteve-se como conseqüência o desequilíbrio social eambiental, que ameaça a sobrevivência humana.O desenvolvimento agrícola sustentável é, sem dúvida uma modalidade de técnicaeficiente que possibilitará a segurança alimentar e produtiva das gerações futuras. “[…] odesenvolvimento para ser sustentável, deve ser não apenas economicamente eficiente, mastambém ecologicamente prudente e socialmente desejável” (ROMEIRO, 1998, p. 248).Foram explicadas nesse tópico, as muitas visões existentes acerca dos conceitos deCrescimento econômico, desenvolvimento econômico, suas diferenças e relações; e ainda, assubdivisões dos conceitos de desenvolvimento, a saber, desenvolvimento humano, social, eeconômico.Para promover o melhor entendimento sobre esse assunto, será travado daqui emdiante, uma exploração do tema desenvolvimento agrícola sustentável, traçando-se um estudosobre os aspectos culturais, organizacionais, econômicos e financeiros que se relacionam entre
  • 64. 63si, com o fim de compor todo esse corpo processual que culmina com o acumulo deexperiências que provocam o estado pleno de desenvolvimento humano e melhoria de vidacoletiva.3.4 Desenvolvimento agrícola sustentávelMediante as diversas conceituações de desenvolvimento sustentável, faz-senecessário conhecer os diversos aspectos que constituem o contexto social, cultural,organizacional, econômico e financeiro.“Desenvolvimento sustentável significa atender às necessidades do presente, semcomprometer a capacidade das gerações futuras de atender suas próprias necessidades”(CMMAD, 1988, p. 28).3.4.1 Aspectos culturaisCultura, conforme Mowen e Minor (2003) é a acumulação de significados, rituais,normas e tradições compartilhadas entre os membros de uma organização ou de umasociedade.Faz-se necessário implantar efetivamente e com urgência uma política agrícoladiferenciada em relação ao desenvolvimento rural sustentado. Para isso é preciso muito maisdo que decisão política, é imperativo que o conhecimento técnico, teórico e metodológicoidentifique e proponha, de forma participativa um planejamento estratégico participativo, quepermita recomendar caminhos entre as distintas formas de interpretar e entender a lógica deprodução da agricultura familiar e sua sustentabilidade.Todo agricultor familiar tem em seu conjunto de práticas técnicas de naturezaeconômica, social e ambiental coerentes com a sua realidade e finalidade do seusistema de produção, uso do solo e com as suas necessidades essenciais, quecompatibilizam os objetivos familiares com o meio ambiente e a interação produtivaé que determina a cada um deles as razões que permitem explicar por que atuam demaneiras diferentes entre si e em relação ao agricultor capitalista (SUNDERHUS,2011, p. 3)É essencial que se relacionem as dinâmicas sociais com diversos sistemas técnicos eambientais existentes neste cenário cultural, a fim de que possa obter uma concepção de umplanejamento estratégico que esteja comprometido com a sustentabilidade da agriculturafamiliar de forma real.
  • 65. 64Sunderhus (2011, p.5) afirma queA valorização do conhecimento através da interação do conhecimento científico como conhecimento e saber do agricultor familiar são interpretados e valorizados comoum fator de poder que promove a auto-suficiência e a sustentabilidade. Cada vezmais o grande desafio das políticas públicas busca como eixo central diminuir asdesigualdades sociais. No entanto estas desigualdades se acentuam.Almeida (1995, p. 14) enaltece que em meio às distintas visões, a estratégia dedesenvolvimento agrícola sustentável apresenta como filosofia, neutralizar ou minimizar osefeitos das perturbações antrópicas no meio ambiente. Tais perturbações, que tornam umagroecossistema “insustentável”, manifestam-se quando indicam, segundo Altieri (1993 apudALMEIDA 1995), a redução: 1º - da capacidade homeostática, tanto nos mecanismos decontrole de pragas como nos processos de reciclagem de nutrientes; 2° - da capacidade“evolutiva” do sistema, em função da erosão ou da homogeneização genética provocada pelasmonoculturas; 3º - da disponibilidade e qualidade de recursos que atendam as necessidadesbásicas (acesso a terra, água, etc.); e 4º da capacidade de utilização adequada dos recursosdisponíveis, principalmente devido ao emprego de tecnologias impróprias.Em termos culturais verifica-se, atualmente, uma hibridização entre o local e oglobal. Ou seja, os traços da globalização se encontram nos mais diversos elongínquos lugares,expressos principalmente pela oferta de mercadorias cujasmarcas são globalmente conhecidas. A oferta de mercadorias produzidas emdiferentes locais do mundo, o avanço das comunicações e dos transportes e a“mercantilização dos produtos culturais” têm promovido rápidas mudanças nacultura e nos “modos de vida”, inclusive e até mais rapidamente no meio rural. Noentanto, isso não significa que o global, representado pela cultura e pelasmercadorias, tenha substituído o local, mas o que ocorre é uma hibridização. O quepraticamente não há mais é o local isento das interferências do global (NUNES2007, p. 16).A observância dos aspectos culturais de uma civilização é fundamental para que sepossam desenvolver técnicas e sistemas de desenvolvimento calcados nos costumes dasociedade, nos seus conhecimentos e até mesmo nas deficiências sociais, a fim de que seconstrua um modelo social justo, equilibrado e sustentável.Outro ponto importante nesse processo são os aspectos organizacionais, que sãoresponsáveis pelo tipo de organização que caracteriza os grupos sociais, os quais serãorelatados a seguir.
  • 66. 653.4.2 Aspectos organizacionaisSegundo Giessman, as políticas de produção agrícola são improvisadas e asproduções agropecuárias no semi-árido comumente se caracterizam pela natureza do produtoe pela localização, pelo modo de obtenção e pelo calendário a que estão atreladas econjugadas na empresa rural e agro-industrial, fundamenta-se na economia de mercado sempreocupação com a cultura organizacional do meio socioambiental do semi-árido(GIESSMAN, 2000).Ana Rita Nogueira diz que a gestão participativa é a que mais se adapta as empresasdo terceiro setor, as micro empresas, sobretudo as organizações do meio rural (NOGUEIRA,2007).Conforme MENDONÇA (1987), os objetivos genéricos da gestão participativa seresumem em: responsabilidades sociais da empresa; equilíbrio dos interesses dos váriosenvolvidos; cultura democrática; redução da alienação; utilização de todo o potencial daspessoas; diminuição de conflitos através da cooperação; satisfação das pessoas e maiorcompetitividade.Segundo Leite (2000, p. 32) a gestão participativa é o conjunto de conhecimentoscientíficos, sistematizados e específicos, com técnicas e métodos próprios, queestuda a aglutinação de pessoas emorganizações ou empresas, unidades de produçãode bens ou serviços, para alcançar sua missão seus objetivos, com a participaçãodireta e ativa dos recursos humanos: de direção (staff), intermediário e operativo,sobretudo nas decisões.Albuquerque (1996, p. 47) compreende que adotar sistemas de gestão maisparticipativos é premissa essencial dentro da nova compreensão de sistemas de gestão naempresa competitiva. Segundo o autor, a administração participativa se concretiza ao utilizarum número satisfatório de programas com a intenção de desenvolver um senso de inclusãoentre os empregados. Portanto, a administração participativa, amplia o ambiente para estudossobre o comportamento humano nas organizações, onde se propõe superar o conflito entre oindivíduo e a organização. Se constitui de várias técnicas para a implementação de umacultura participativa, no qual os estudos sobre tópicos pertinentes são desenvolvidos,motivando o nascimento das mais diferentes propostas. Por exemplo: o enriquecimento eampliação das tarefas, o trabalho em equipe, a rotação de cargos, etc.Na concepção de Motta (1991, p. 42), a gestão participativa brota da consciência deque o alcance dos objetivos empresariais está diretamente dependente do uso apropriado dopoder e da solução de conflitos organizacionais. Assim sendo, o autor enfatiza que a
  • 67. 66administração participativa abrange cinco dimensões básicas: econômica, social, política,organizacional e psicológica. A econômica refere-se à melhora de eficiência, a intenção éproporcionar melhor produção e produtividade.Carmo (1998, p. 12) coloca que as três principais funções apostas à exploraçãofamiliar: produção, consumo e acumulação do patrimônio, conferem-lhe uma coerência deprodução e reprodução, na qual cada geração busca garantir um nível de vida estável para ogrupo familiar e a reprodução dos meios de produção.O funcionamento de uma exploração familiar passa necessariamente pela famíliaenquanto elemento básico de gestão financeira - destinação dos recursos monetáriosauferidos e do trabalho total disponível internamente na unidade do conjuntofamiliar. Nesse sentido, as decisões sobre a renda líquida obtida com a venda daprodução, fruto do trabalho da família, pouco tem a ver com a categoria lucro "puro"de uma empresa, representado pela diferença entre renda bruta e custo total(CARMO, 1998, p. 12 -13)Para os agricultores familiares o sentido da remuneração do seu capital, terra e meiosde produção, são reduzidos diante, da quantia de dinheiro que obtêm do sistema de produção,quantidade tal, que lhes favoreçam viver e propiciar o prosseguimento da família. É o projetofamiliar que vai definir a aplicação do dinheiro angariado (CARMO, 1998, p. 13).Ao longo das últimas três décadas, surgiram e se consolidaram no Brasil diversasformas de organização socioeconômica da agricultura familiar quese contrapõem aosistema hegemônico (associações de produção, de comercialização direta,agroindústrias, cooperativas de produção,cooperativas de crédito, cooperativas dehabitação, feiras). Esse conjunto de experiências, apesar de terem uma participaçãopequena no conjunto da produção e de abrangerem um número de agricultores (as)restrito, revelaram-se instrumentos importantes no processo de construção e deimplementação do projeto de desenvolvimento sustentável e solidário (FETRAF-SUL, 2007, p. 75 apud NUNES, 2007, p. 64).Segundo a mesma autora, cada agricultor tem um grupo de práticas e técnicas,econômicas e sociais, conexos entre si, com o fim unido ao seu sistema de exploração.Combinando os desígnios familiares com o meio ambiente, integrando informações esubsistemas muito longe da verificação da sua composição produtiva e das sugestões técnicas.Com relação à organização da produção da agricultura familiar, Carmo (1998),também fala que:A produção familiar, dada as suas características de diversificação/integração deatividades vegetais e animais, e por trabalhar em menores escalas, pode representar
  • 68. 67o lócus ideal ao desenvolvimento de uma agricultura ambientalmente sustentável. Éfundamental, porém, que seja alvo de uma política estruturada e implementada paraeste fim. Um novo padrão de desenvolvimento definido pela auto-sustentabilidades,potencializa a participação da agricultura familiar na oferta agrícola, embora nãoseja umsegmento homogêneo (CARMO, 1998, p. 15)Os aspectos organizacionais corroboram para a unificação dos formatos sociais quese juntam para promover suas ações coletivas ou individuais com o fim de construir odesenvolvimento econômico, social e humano. A organização é fundamental para atingir osobjetivos, uma vez que, isoladamente ou desorganizados os seres humanos são fracos e nemsempre conseguem atingir seus intentos.Foi relatado nos itens anteriores que os aspectos sociais e organizacionais sãoestruturantes para embasar o desenvolvimento econômico familiar.Conclui-se, pois, que realmente esses aspectos são fundamentais para que o processode desenvolvimento seja bem estruturado e sustentável. Sem uma base social organizada ecapacitada, não há como propagar a sustentabilidade econômica.A organização produtiva da agricultura familiar depende da organização social, porisso a metodologia produtiva usada nos empreendimentos familiares está focada na unidade ena cooperação da família. Esses aspectos se ligam aos aspectos econômicos que geralmentesão a base para a sobrevivência dos grupos sociais.Face a isso, oferecem-se em seguida os detalhes dos aspectos econômicos quedisporão como esses incidem no processo de desenvolvimento.3.4.3 Aspectos econômicosConforme Lamarche (1993 apud CARMO, 1998, p. 14), o nível de conexão familiare a afinidade entre autonomia e dependência da exploração ao mercado, apontam variadastipologias de exploração agrícola. Dentre suas pontualidades, podem-se determinar quatrocategorias de exploração: a empresa agrícola, a empresa familiar, a exploração moderna e aexploração camponesa. Desse modo, em um sistema de eixos cartesianos da autonomia emrelação ao grau de relação familiar, as empresas agrícolas e colocariam como totalmentedependentes do mercado e não familiar; a empresa familiar como dependente do mercado efamiliar; a exploração moderna como de máxima autonomia e não familiar e o camponêscomo autônomo e totalmente familiar.
  • 69. 68Em relação às explorações familiares, Carmo diz que:A maioria das explorações familiares se localiza entre esses extremos em diferentesníveis de autonomia em relação ao mercado e em múltiplos planos de atuação,acarretando uma ampla variedade na constituição desse segmento. Afirma tambémque a existência simultânea de unidades produtivas, comdistintas dinâmicas internasbloqueia um esclarecimento geral voltado para o funcionamento da produçãofamiliar. Faz-se necessário, pois, estabelecer categorias com estas unidadesutilizando critérios pré-estabelecidos.Entre os principais critérios sócio-econômicosde funcionamento estão os sistemas de produção, que podem ser enfocados,principalmente, em relação à variável tecnológica como a necessidade demodernização; os sistemas fundiários que propiciam o acesso à terra; e os sistemasde organização sócio-familiar que se configuram na contradição subordinação versusautonomia (CARMO, 1998, p. 15)Conforme a autora citada acima, estas análises levam a exagerar os julgamentosmeramente econômicos com o fim de perceber as ligações entre a organização interna daprodução em bases familiares e o mundo externo, referenciado no processo deprodução/reprodução/acumulação, o que elucida, de certa forma, a lógica do agricultor diantedo processo produtivo e a estabilização da família.Carmo (1998) cita também que o reordenamento do sistema agroalimentar, mesmono Brasil, implica que o tema da produção agropecuária é um aprofundamento, em maior oumenor veemência do progresso dos padrões de demanda. Os agricultores familiares, commão-de-obra disponível, adequam-se com mais facilidade à aquisição de produtosdistinguidos, que se assinalam em relação às commodities, pelo ajuntamento de maiorquantidade de trabalho. Pode-se ponderar que a qualificação sustentável do desenvolvimentoe da agricultura não se abrevia puramente aos conhecimentos técnicos de produçãoagronômica, contudo acarreta a necessidade de políticas que tenham a faculdade para causar oacesso livre aos meios de produção e à desconcentração da renda.Pedroso (2000, p. 31) cita Magalhães (1997) e acentua que:A agricultura familiar, apesar de toda a problemática que enfrenta, ainda não foieliminada e está presente em todas as regiões do país. Continua sendo um segmentode enorme importância econômica e social do meio rural, com grande potencial defortalecimento e crescimento. É um setor estratégico para a manutenção erecuperação do emprego, para a redistribuição da renda, para a garantia da soberaniaalimentar do país e para a construção do desenvolvimento sustentável(MAGALHÃES, 1997 apud PEDROSO, 2000, p. 31).O setor econômico familiar é um dos mais frágeis, face às barreiras enfrentadas pelosetor agrícola familiar. Esses aspectos estão amarrados aos demais aspectos inerentes ao
  • 70. 69desenvolvimento agrícola sustentável, já que sem organização, sem conhecimentos não hácomo promover crescimentos econômico.No próximo tópico, discorrer-se-á sobre os aspectos financeiros que contribuem paragerar os recursos necessários para a sobrevivência dos grupos sociais.3.4.4 Aspectos financeirosA situação financeira da agricultura familiar tem sido uma preocupação constante.Nunes (2007, p. 59) anota que diante da divisão do trabalho, a agricultura possui tendência aperder sua participação na composição do Produto Interno Bruto (PIB) com o decorrer dosanos, Esse fato se deve ao afastamento, como também da especialização das etapas dotrabalho que consente que sejam produzidas novas mercadorias e serviços e em maioresquantidades. Na agricultura, muitos processos que eram desempenhados pelos agricultores,hoje passaram a ser realizados em outros setores (indústria ou serviços). As conseqüênciasdesse processo, no que se refere à concentração dos meios de produção e renda e do nível deemprego, são diversas.Para melhorar a renda financeira do agricultor familiar, o Estado deveria direcionarsuas compras de modo a favorecer esse setor. Contribuindo desse modo, também paraestimular a diversificação das atividades agrícolas, o fortalecimento das economias locais esistemas produtivos menos agressivos ao meio ambiente, os quais não são estimulados pelolivre mercado (NUNES 2007, p. 68).Com relação aos programas do governo, Nunes fala que,O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) é considerado o melhor exemploesse tipo de intervenção do Estado. Os beneficiários do PAA fazem parte dediversos grupos sociais de produtores e consumidores. São considerados comogrupos de produtores os agricultores familiares, agro-extrativistas, quilombolas,famílias atingidas por barragens, trabalhadores rurais sem terra acampados,comunidades indígenas, pescadores artesanais, aqüiculturas e produtores familiaresem condições especiais (CONAB, 2006). Os beneficiários consumidores são asinstituições governamentais ou não governamentais que desenvolvam trabalhospublicamente reconhecidos de atendimento às populações em situação de riscosocial. Em geral, os beneficiários do PAA devem estar organizados em gruposformais (cooperativas e associações) ou em grupos informais, dependendo doinstrumento acessado. Através do programa, o governo federal adquire produtosagrícolas (alimentos) de agricultores que se encaixam nas condições do programa, osquais são destinados, principalmente, à escolas, creches e entidades assistenciais(NUNES 2007, p. 69).
  • 71. 70No que diz respeito à situação financeira dos agricultores familiares, foramimplementadas linhas de crédito rural, conforme a citação abaixo:O credito rural foi um dos instrumentos básicos da modernização agrícola efortaleceu, de maneira acelerada, o processo de capitalização no campo. Paraconcessão de financiamento exigia-se certo padrão tecnológico, elevada densidadede capital, monetarização, alem de farta aquisição de fertilizantes e outros insumos.A diversidade de linhas de créditos, bem como as taxas de juros subsidiadas,estimularam grande numero de interessados a se instalar nos Cerrados (ESTEVAM,2004, p. 738 apud MARTINS SILVA e MENDES, 2009, p. 09).Como se lê acima, os aspectos financeiros são um dos gargalos para odesenvolvimento agrícola familiar, visto que, a falta de financiamento e a exclusão doprocesso de comercialização promoviam a estagnação dos agricultores.Contudo, a partir do surgimento de políticas de financiamento agrícola maisfacilitado e desburocratizado, bem como programas de comercialização, houve umareanimação no campo, estimulando muitas famílias a permanecer no setor rural e atrair devolta muitas outras que saíram.Como fechamento desses itens, poder-se-á confirmar que os aspetos econômicos efinanceiros são um composto que compõe o ápice do desenvolvimento. Dependendo de comoforam construídos esses aspectos, deverá obter um desenvolvimento sustentável ou não.Para que o desenvolvimento sustentável seja atingido, é preciso que os aspectoseconômicos e financeiros demonstrem que há uma viabilidade nos investimentos realizados,que há capacidade de gestão, conhecimento técnico, sustentabilidade social e ambiental eacima de tudo, condições de comercializar seus produtos a um preço justo que garanta umamargem de lucro capaz de promover a sustentabilidade da atividade e a reprodução dosrecursos investidos.As famílias que vivem da agricultura de pequeno porte, usando apenas a mão-de-obra familiar, ainda enfrentam muitos desafios e entraves, e um dos maiores é a capacidade degestão. Por isso, são expostos no próximo tópico os desafios e entraves da gestão deempreendimentos agrícolas familiares para uma melhor compreensão.3.5 Desafios e entraves da gestão de empreendimentos agrícolas familiaresA gestão do empreendimento rural, que envolve a coleta de dados, geração deinformações, tomada de decisões e ações que derivam destas decisões, não tem sidoconsiderada satisfatoriamente na literatura nacional e internacional. Até então, os trabalhos
  • 72. 71construídos nesta área são geralmente limitados aos aspectos financeiros e econômicos doempreendimento rural (custos, finanças e contabilidade). Comumente o tema da gestão napequena propriedade rural é tratado muito segmentado e específico. Os esforços dedicados aferramentas de gestão são insignificantes, notadamente nos critérios que definirão o produto eo processo de produção que superem a visão de curto prazo das margens de contribuição,sistemas de gestão da qualidade, sistemas de planejamento e controle da produção e sistemade logística (BATALHA, et al, 2005 apud BORTOLINI, 2010, p. 16).No que diz respeito a gestão agrícola:A gestão agrícola consiste em formalizar, isto é, colocar no papel, o que se pretendeque aconteça em determinado momento no futuro. No caso dos empreendimentosrurais, muitos fatores dificultam o planejamento da produção. “A gerência daprodução agrícola é diferenciada e particularmente mais difícil que nos demaissetores da economia. O equilíbrio entre a oferta e a demanda da produção, numasituação de queda de preços não é retomado simplesmente por uma decisãogerencial” (BATALHA, 1997 apud BORTOLINI, 2010, p. 17).Conforme Hoffmann et al. (1987 apud BORTOLINI 2010, p. 17-18), existem algunsriscos para as propriedades que não têm as ferramentas de controle de custos, orçamentos efluxo de caixa são, tais como: Desconhecimento do resultado econômico; Aumento ou diminuição das atividades exploradas com base somente na intuição dogestor; Investimentos desnecessários, mal dimensionados ou realizados em momentosimpróprios; Facilidade de endividar-se; Influenciado facilmente por terceiros; Perdas e ganhos obtidos por produtividade e ou aumento dos preços dos produtos e Crescimento sem sustentação.O desconhecimento do resultado econômico é causado pela falta de planejamento econtrole; o aumento ou diminuição das atividades exploradas com base somente na intuiçãodo gestor, ou seja sem nenhuma análise previa pode ser um fator de desgovernança; osInvestimentos desnecessários, mal dimensionados ou realizados em momentos imprópriostambém são uma conseqüência da ausência de gestão planejada, isso pode comprometer o
  • 73. 72empreendimento seriamente; a facilidade de endividar-se que surgiu com a desburocratizaçãodo crédito tem levado muitos agricultores a cair nesse erro, sem fazer um diagnóstico de seuinvestimento e potencial de retorno. Geralmente os agricultores são influenciados facilmentepor terceiros, posto que, não possuem conhecimento suficiente para tirar suas própriasconclusões, notadamente por alguns espertalhões que desejam tirar proveito de suaignorância. Devido à falta de planejamento, os agricultores não mensuram as perdas e ganhosobtidos por produtividade e/ou aumento dos preços dos produtos e, por conseguinte às vezesvivenciam um crescimento sem sustentação. Hoffmann et al. (1987 apud BORTOLINI 2010,p. 17-18), apontam também outros elementos que criam a indispensável reestruturação nagestão da propriedade, como: Alto endividamento; Descapitalização; Aumento dos custos financeiros; Margens de lucros declinantes; Escassez ou aumento dos custos dos insumos e serviços; Eventos climáticos; Falta de crédito; Políticas governamentais.A possibilidade de obtenção de crédito sem que os agricultores estivessempreparados para gerir os mesmo, provocou, em muitos, o alto endividamento. Posteriormentea má aplicação de recursos oriundos de financiamentos sem o retorno desejado causa umadescapitalização nos agricultores, fazendo com que abandonem a atividade e fiquemendividados; outro fator preocupante na gestão é o custo dos financiamentos, pois o aumentodesses gera um descontrole do empreendimento. Geralmente as margens de lucro dosprodutos agrícolas são instáveis e pequenas, isso causa também a instabilidade da gestão noespaço agrícola; há ainda a possibilidade de escassez ou aumento dos custos dos insumos, quesem duvida é outro causador de insucesso e prejuízo. O agricultor pode ainda se deparar comeventos climáticos, falta de crédito e políticas governamentais desfavoráveis. Todos essespormenores exigem do agricultor uma boa gestão de negócio familiar, caso contrário, nãoconseguirá progredir, e ainda, com o crescimento do seu negócio, o controle administrativoprecisa aumentar também.
  • 74. 73Essencial é que a propriedade seja administrada como uma empresa, seguindotécnicas e procedimentos gerenciais apropriados à realidade da agricultura familiar para que oprodutor familiar cresça e acompanhe a evolução da esfera rural. Tais procedimentos são: oplanejamento das atividades produtivas, que tem como objetivo tornar a empresa maiseficiente e competitiva, e a imprescindível tomada de decisões envolvidas nessas atividades(VILCKAS 2005 apud BORTOLINI 2010, p. 18).O planejamento das atividades é a primeira ação do agricultor, pois essa faserepresenta um ponto chave, uma vez que as falhas ou a deficiência do planejamentoinfluenciarão fatalmente no desempenho do negócio.Bortolini relata que:No processo de planejamento, uma das primeiras decisões a serem tomadas peloprodutor refere-se às atividades a seremdesenvolvidas na propriedade. No entanto, atomada da decisão é, em geral, feita de maneira não estruturada, de acordo com aperspectiva, alógica, o bom senso e a capacidade cognitiva limitada de cadaprodutor, uma vez que o ser humano tem limitações para compreender todos ossistemas ao seu redor e/ou processar todas as informações que recebe (GOMES etal., 2002). Desta foram, destaca-se a importância de se ter um modelo que ajude oprodutor a estruturar sua tomada de decisão (BORTOLINI, 2010, p. 19).Segundo Vilckas (2005 apud BORTOLINI 2010, p. 19) a finalidade do planejamentoda produção é auxiliar o produtor rural a decidir e planejar as suas atividades agrícolas. Isto é,procura-se controlar ao máximo os fatores internos à unidade de produção rural, dentre eles: aescolha da cultura a ser produzida, ponderando além das características internas à unidade deprodução rural, as externas também.Bortolini (2010, p. 22) assevera também que de uma forma geral, a maior parte dosnegócios familiares tem como finalidade crescer sustentavelmente, melhorar sua viabilidade ese preparar para a passagem à geração seguinte.Ele alega também que o empreendimento familiar precisa ser gerenciado tendo comofim a procura da viabilidade em curto prazo e da riqueza, em longo prazo.O negócio familiar mistura emoção e sentimentalismo com objetividade eracionalidade. A família e o negócio são inseparavelmente conectados, apesar derelativa incompatibilidade entre os dois componentes. O negócio familiar,diferentemente do negócio corporativo, deve tratar as demandas dosrelacionamentos familiares tão bem como as demandas do mercado consumidor(ROBBINS e WALLACE, 1992 apud BORTOLINI 2010, p. 22).Assim sendo, o comportamento da agricultura familiar é definido por um conjugadode variáveis, oriundas das políticas públicas e da conjuntura macroeconômica, ou de
  • 75. 74especificidades locais e regionais. A maior parte dessas variáveis escapa do domínio daunidade de produção, contudo a gestão da produção está diretamente ligada ao seu controle.O autor referenciado no parágrafo anterior preconiza que de acordo com Queiroz eBatalha (2003), na agricultura familiar devem-se considerar algumas características especiaisda gestão da atmosfera agrícola, tais como:A sazonalidade - característica particular da produção agrícola, especialmente aprodução de leite, ocorre em função de algumas variáveis como doenças, quantidadede alimento disponível, sanidade dos animais e as condições climáticas (chuvas,estiagens, geadas). Sob essas condições conclui-se que um sistema de gestão decustos para o setor agrícola não pode ser o mesmo que é utilizado nos ambientesindustriais, onde os processos de fabricação se repetemnos vários meses do ano.Perecibilidade da matéria prima -Uma outra faceta importante que afeta a gestão dasunidades de produção agropecuária em geral é a perecibilidade dos produtos ealgumas matérias primas. Alguns produtos devem ser transformados rapidamente outransportados em curto prazo para a unidade industrial,como é o caso do leite. Estacaracterística introduz problemas de logística, de aprovisionamento e deplanejamento de produção (BORTOLINI, 2010, p. 22 - 25)Diante da complexidade do funcionamento das condutas culturais não é fácilentender de que forma tomam as decisões e como desenvolvem em suas mentes os processosque têm como interesse o sucesso de seus empreendimentos.Contudo, Simon (1979, p.16 apud BORTOLINI 2010, p. 27) enaltece que:As decisões são algo mais do que simples proposições factuais. Para ser maispreciso, elas são descrições de um futuro estado de coisas, podendo essa descriçãoser verdadeira ou falsa, num sentido empírico. Por outro lado, elas possuem,também, uma qualidade imperativa, pois selecionam um estado de coisas de futuroem detrimento de outro, e orientam o comportamento rumo à alternativa escolhida.Com o fim de consolidar seus projetos, os produtores adotam várias decisões eexecutam diferentes ações. Os objetivos estratégicos orientados pelas decisões dependem daspotencialidades e limitações de sua situação. Comumente, na agricultura familiar, a estratégiaseguida incide em variar a produção conforme os recursos disponíveis, “garantindo asubsistência, reduzindo os riscos e elevando a renda total da família, mesmo que isso nãosignifique a melhor remuneração do capital investido e a maximização dos lucros” (LIMA etal., 2005 apud BORTOLINI 2010, p. 28)Ao longo da história da humanidade, desde o ponto em que o homem começou aexploração dos recursos naturais para produzir bens, que viesse atender suas necessidades,deu-se um transcurso de desenvolvimento promovido pela produção de objetos e alimentos
  • 76. 75através do uso da terra. No entanto, isso levou a escassez de recursos e a depredação do meioambiente. Portanto, como se pode afirmar que houve desenvolvimento quando se constata aredução de potencial produtivo?O que se pode perceber é que o crescimento econômico causa o decrescimento dasriquezas naturais. Já que de onde se tira e não repõe, tende a se esgotar. É exatamente issoque temos presenciado nos países considerados desenvolvidos, onde a potencialidade deprodução agrícola da terra, bem como os componentes necessários a essa produção, comoágua, fauna e flora tem sido reduzidos drasticamente.Percebe-se que houve algumas evoluções no processo de fortalecimento financeirodos agricultores familiar, apesar de ainda não ter chegado ao ponto ótimo. Nos últimos anos, ogoverno federal tem criado programas de governo visando à qualificação financeira e afomentação da agricultura familiar, tais como: o PRONAF e o PAA. Esses programas visamfacilitar o acesso a financiamentos através dos bancos de fomento e ao acesso acomercialização, um dos maiores entraves das cadeias produtivas do setor agrícola depequeno porte. Contudo, o PRONAF ainda não produziu um efeito satisfatório na economiados pronafianos, nem no crescimento da produção.Outro fato a considerar é que as condições culturais, educacionais e sociais dosagricultores não lhes permitem ainda acompanhar o processo de desenvolvimento. Osmesmos não possuem conhecimentos da maioria das inovações tecnológicas e muitos nãoaceitam o uso delas, isso especificamente no norte e nordeste.Em fim, o desenvolvimento agrícola sustentável não acontecerá enquanto não houverum desenvolvimento global dos aspectos sociais, culturais e educacionais.Por fim, cabe afirmar que a principal barreira para o desenvolvimento dosestabelecimentos agrofamiliares é a gestão. Concluiu-se que sem um treinamento adequadovisando à capacitação dos agricultores em técnicas de gerenciamento, dificilmente os mesmosterão sucesso. Enquanto o empreendimento agrícola não for considerado como empresa e nãofor estabelecida uma prática de gestão moldada nas técnicas administrativas não há comoacontecer o desenvolvimento econômico desses estabelecimentos.Será apresentada na seção seguinte uma visão sobre a cadeia produtiva da mandioca.
  • 77. 764 CADEIA DE PRODUÇÃOEstudar aspectos da agricultura familiar de qualquer produto demanda uma análise dacadeia de processos que esta seqüência de atividades e ações supre e são supridas, pois seexige um entendimento mais sistêmico. Desta maneira esta seção se propõe a possibilitar oentendimento do que é cadeia produtiva e de como sua composição pode influenciar noprocesso produtivo gerando bons resultados ou não. Para isto, inicialmente será exposto adefinição de cadeia produtiva, em seguida apresenta-se a composição de cadeia de produção,posteriormente expõe-se o que é a cadeia produtiva da mandioca, como se comporta, de queforma se insere na economia e ainda como se estrutura e se organiza.A cadeia de produção é composta de todos os processos envolvendo os diversosprodutos. Tendo início na aquisição de insumos, equipamentos e vai até a fase final, ou seja, ofechamento da comercialização.No inciso que se segue, será definida uma cadeia produtiva.4.1 Definição de cadeia de produçãoA organização sistêmica e coordenada da cadeia produtiva compõe o Sistemaagroindustrial (SAG). Envolve um conjugado de atuantes econômicos, distribuídossucessivamente que tendo início na atividade agrícola e seguindo na agroindustrialização,sendo responsável por diversas etapas de produção, modificação e comercialização de umproduto de origem agrícola, até chegar a mesa do consumidor final. Esse sistema podeabranger muitas empresas de indústrias diferentes e dominar díspares espaços geográficos, atémesmo de vários países, sendo influenciados por regras institucionais diferenciadas(ZYLBERSZTAJN, 1995 apud NUNES, 2009, p. 09).No que se referem ao acompanhamento do desempenho da cadeia produtiva,Harrington (1997 apud NUNES 2009, p. 09) constata que para chegar a níveis de desempenhoelevados em uma cadeia produtiva, é preciso construir um sistema de medição dedesempenho. O uso das medidas de desempenho é fundamental, a fim de que se possamponderar os resultados e desempenho de uma empresa, isto é, deve conjeturar os princípiosfundamentais da organização.
  • 78. 77De acordo com Prochnik (2002, p. 01)Cadeia produtiva é um conjunto de etapas consecutivas pelas quais passam e vãosendo transformados e transferidos os diversos insumos. Esta definição abrangentepermite incorporar diversas formas de cadeiasAs cadeias produtivas resultam da crescente divisão do trabalho e maiorinterdependência entre os agentes econômicos. Por um lado, as cadeias são criadaspelo processo de desintegração vertical e especialização técnica e social. Por outrolado, as pressões competitivas por maior integração e coordenação entre asatividades, ao longo das cadeias, amplia a articulação entre os agentes. O conceitode cadeia produtiva pode se tornar uma ferramenta mais comum nos estudoseconômicos. As aplicações existentes, algumas das quais mencionadas neste texto,demonstram, de forma convincente, sua utilidade. Do ponto de vista teórico,observa-se, uma progressão, em várias correntes de pensamento econômico, nadireção de uma melhor formatação do conceito de cadeia produtiva.Porter (1990 apud NUNES 2009, p. 51), designa cadeia produtiva como cadeia devalor. Ao meditar sobre cadeia produtiva, este autor separa-a em atividades distintasexecutada por ela no projeto, tais como: produção, marketing e distribuição de seu produto.Entende-se que o olhar de Porter, não obstante de atender os elos externos, volta-seinternamente para uma única empresa e especificamente para empresa industrial.Contudo, pode-se dizer que,O enfoque de cadeia produtiva dado por Shank e Govindarajan (1997) é consideradomais amplo do que o de Porter (1990), pois considera que “a cadeia de produção dequalquer empresa em qualquer setor é o conjunto de atividades criadoras de valordesde as fontes de matérias-primas básicas, passando por fornecedores decomponentes e até o produto final entregue nas mãos do consumidor”. Esta éportanto, uma visão que abrange todo o processo produtivo, considerando cadaempresa como uma das partes de umconjunto formador de valor,que é mais amplo, indo desde o fornecedor mais elementar até o consumidor doproduto ou serviço finais disponibilizados (NUNES 2009, p. 52).Nunes (2009, p. 53) firma que ao sopesar a cadeia produtiva interna à empresa,segundo Porter prioriza, não é o bastante, uma vez que, Shank e Govindarajan (1997, p. 85),asseveram que “cada empresa deve ser entendida no contexto da cadeia global das atividadesgeradoras de valor da qual ela é apenas uma parte”. Portanto, é visível que através de umaanálise sistêmica, todos os aspectos devem ser considerados na atualidade. Tudo deve serestudado de forma interligada, já que a observação dos fatos sociais de forma simplóriaimpede visão, tornando-se arbitrária e irrelevante, até mesmo para os para os estudos sociaisaplicados.
  • 79. 78Pelo que se podem avaliar diante dos conteúdos exposto nesta seção com respeito aanálise de cadeia de produção, vale concluir que é por meio do conhecimento da estrutura dacadeia produtiva que se pode executar as atividades dentro de cada fase, com o fim de chegara última etapa, que é fechar a venda, e obter o resultado esperado, ou seja o lucro do bemproduzido.Na próxima seção, será feita uma explanação da composição de cadeia de produçãoda mandioca.4.2 Composição da cadeia de produção da mandiocaA cadeia da mandioca que tem como destino a indústria é constituída de um maiornúmero de elementos intermediários e/ou agentes entre os mandiocultores e o consumidorfinal, visto que uma vez que as raízes se submetem a processos mais complexos e tambémservem de matéria-prima para a produção de muitos produtos industrializados. A farinha e afécula de mandioca são os dois principais produtos desta rede de valor; esta última, emespecífico, proporciona diferentes probabilidades de aproveitamento no setor alimentício efora dele. (SEBRAE, 2008, p. 25). A cadeia produtiva da mandioca se compõe conforme afigura 1 a seguir:Figura 1: Cadeia Produtiva da MandiocaFonte: Representação esquemática da Cadeia Produtiva da Mandioca – EMBRAPA (2002)Ambiente institucional: Leis, Normas, Resoluções, Padrões de comercializaçãoAmbiente organizacional: Órgãos de governo, Instituições de credito, Empresas de pesquisa, Agencias credenciadorasFluxo de mercadoria Fluxo de capital
  • 80. 79Conforme evidencia a figura 1 e segundo Silva (2005) os componentes da cadeiaprodutiva são: Fornecedores de Insumos: São aquelas empresas que têm como fim fornecersementes, adubos, ferramentas, máquinas, calcário, adubos, herbicidas, fungicidas eimplementos agrícolas; Sistemas Produtivos (Agricultores): São os produtores de mandioca; Processadores (casas de farinha): As agroindústrias que beneficiam o produto innatura transformando-o em produtos ou subprodutos; Comerciantes: Os atacadistas são os grandes comerciantes que intermediam as vendaspara os grandes supermercados e os varejistas são aqueles que vendem o produto paraos consumidores finais. Mercado consumidor: É o ponto final da cadeia e se constitui de grupos deconsumidores. Podem ser municipais, estaduais, nacionais ou internacionais.As referências feitas nesta seção acerca dos componentes da cadeia produtiva damandioca fazem com que se perceba que são etapas necessárias para fechar o ciclo doproduto. Cada componente é responsável por contribuir para que esse ciclo seja efetivo damaneira mais eficiente, a fim de que colabore para produzir um bem que sejaeconomicamente viável e proporcione ao produtor um custo remunerável e ao consumidoruma satisfação completa.Cada fase da cadeia de produção possui seu custo e seus entraves. É preciso que hajauma sintonia entre cada uma, para que qualquer gargalo seja eliminado, já que um simplesatraso da entrega de um insumo pode afetar o resultado final.No caso da mandioca, por exemplo, que é passível aos efeitos climáticos, se ocorrerum estiagem forte e prolongada, afetará a queda de produção da matéria prima e porconseqüência a falta do produto final e a elevação de seus preços. Portanto, é um efeitodominó, e é um sistema muito bem interligado e dependente um do outro. A cadeia produtivaé uma sucessão de acontecimentos provocados pelos entes participantes do processo, cada umcom sua importância.Portanto, para complementar o entendimento dos componentes da cadeia produtivada mandioca faz-se no item 4.3, uma aposição da origem, importância, estatísticas, damandioca, produção de farinha, estudo sobre a comercialização e importância comercial ealimentar da mandioca.
  • 81. 804.3 Cadeia produtiva da mandiocaA mandioca foi cultivada por diferentes nações indígenas da América Latina queconsumiam suas raízes, sendo que foi exportada para outros pontos do planeta, sobretudo paraa África, onde se apresenta como a base da dieta alimentar. No Brasil, o hábito de cultivo econsumo da raiz ainda permanece muito forte (LOPES 1999, p. 200 apud WIKIPEDIA 2011,on line).A cultura da mandioca se estabelece, mundialmente, entre as latitudes de 30º N a 30ºS, sobretudo nas zonas tropicais e subtropicais das Américas, África e Ásia, sendo sua origema região da fronteira entre Brasil e Paraguai. Mais de 80 países produzem mandioca, sendoque o Brasil participa com mais de 15% da produção mundial (EMBRAPA, 2002 apudSEBRAE, 2003, p. 23).O Brasil produz em torno de 24 milhões de toneladas da raiz de mandioca, o país é osegundo maior produtor mundial, sendo que a Nigéria lidera a produção, com 32,5 milhões detoneladas. Outros países produtores são, em ordem, o Congo – 18,5 milhões de toneladas, aTailândia – 18,0 e a Indonésia – 16,0 (GAMEIRO, 2002 apud SEBRAE, 2003, p. 23).Segundo o SEBRAE-Ba,A mandioca é uma planta que resiste à seca e a solos de baixa fertilidade, de origembrasileira e cultivada em todo país. A composição química média da raiz damandioca é: 65% água, 25% amido, 3% proteína, 2% de celulose e 5% outros. OBrasil já foi o primeiro produtor mundial desta raiz, alcançando produções de até 30milhões de toneladas/ano no início da década de 70. Hoje é o segundo maiorprodutor mundial da raiz, com produção em torno de 25 milhões de toneladas/ano(SEBRAE-Ba, 2009, p. 9)A raiz dessa planta tem seu principal uso alimentar na produção de farinha, que é abase da alimentação em alguns estados brasileiros. Como derivado mais comum da mandioca,a farinha é um alimento com grande valor calórico, e com muitas variações quanto à cor,textura, granulometria, acidez, apresentando problemas, com grande diversidade de tipos,falta de padronização e mercado (SEBRAE-Ba, 2009, p. 9).A Embrapa relata que o plantio da mandioca é realizado com manivas ou manivas-sementes, também denominadas manaíba ou toletes ou rebolos, que são partes das hastes ouramas do terço médio da planta, com mais ou menos 20 cm de comprimento e com 5 a 7gemas. Devido a multiplicação vegetativa a seleção das ramas e o preparo das manivas sãopontos importantes para o sucesso da plantação (EMBRAPA, 2011, on line).
  • 82. 81De acordo com o (SEBRAE-Bahia, 2009, p. 9), existem dois tipos de mandioca: amandioca doce, conhecida por aipim ou macaxeira que é consumida na alimentação, cozidana água e sal, já está pronta para ser consumida. É também um excelente ingrediente parabolos, pães, salgadinhos. Ela é insubstituível no preparo de alguns pratos típicos brasileiroscomo o tutu à mineira e os pirões de peixe. E a mandioca brava, que utilizada na produção defarinha, fécula, beijus, etc.Com relação à comercialização, os agricultores familiares precisam se aperfeiçoar eampliar suas relações com o mercado, pois têm se preocupado apenas com a produção,deixando a comercialização limitada aos intermediários, cooperativas e indústrias (ROSA,2003).Rosa (2003), coloca também que sistema de comercialização abrange o produto,desde a produção até sua inserção no mercado para ser obtido pelos consumidores, no local,na hora e na forma desejada. Ter ciência do funcionamento da comercialização é fundamentalpara os agricultores que carecem tomar decisões eficientes para disporem seus produtos nomercado.Segundo o estudo da cadeia produtiva da mandioca feito pelo SEBRAE, a raiz damandioca é uma das fontes de carboidratos mais importantes para uma parte expressiva dapopulação de baixa renda no Brasil. O consumo dessa raiz acontece por meio da compra doproduto e de seus derivados como também através da produção doméstica. Devido à dispersãoda mandioca em plantações caseiras, é difícil mensurar o volume agregado nacional efetivo.Oficialmente, considera-se apenas a quantidade formalmente comercializada. Constata-se quea aquisição de mandioca e de seus derivados pelas famílias com renda inferior a um saláriomínimo é de 10% da despesa anual com alimentação, ficando em segundo lugar nos gastosalimentares dessa população, atrás apenas do feijão, que representa 13% (SEBRAE, 2008, p.17).Em termos econômicos, estima-se que as atividades ligadas ao cultivo da mandioca eseu processamento em farinha e fécula gerem aproximadamente um milhão de empregosdiretos (CARDOSO, 2003, p. 5). A receita bruta anual dessa atividade ficou em R$ 4,1milhões no ano de 2005, o que representa cerca de 4,3% da produção agrícola brasileira(IBGE, 2005 apud SEBRAE, 2008, p. 17).Como apresentamos neste item, a cadeia da mandiocultura é de extrema relevânciapara a sustentabilidade da agricultura familiar e para a sobrevivência das famílias brasileiras.É uma cadeia complexa como muitas e depende de diversos segmentos para que tenham umefetivo resultado produtivo e comercial. Sua importância na economia brasileira é percebida
  • 83. 82diante do consumo de seus produtos agroindustrializados, como a farinha e a fécula, bemcomo do uso de seus subprodutos para a alimentação animal, como a raspa e a maniva.Finalizando esse capitulo, observa-se que a constituição da cadeia produtiva damandioca está ligada diretamente à agricultura familiar, uma vez que a maioria dos produtorescultiva uma área entre 0,5 a 10 ha.A cadeia da mandiocultura apesar do seu tempo de existência, ainda não conseguiuchegar a um nível de organização adequado para garantir a sustentabilidade da atividade epropiciar uma boa renda aos produtores. Em virtude do elevado número de produtores e daquantidade de raízes produzidas no Brasil, mesmo sendo a maioria para o consumo familiar,isso contribui para a desvalorização dos produtos e dos subprodutos no mercado. Geralmente,os produtores de mandioca são analfabetos ou semi-analfabetos, isso contribui para odespreparo organizativo e administrativo de suas produções, deixando-os a margem da cadeia,na fase da comercialização, dando espaço para os atravessadores.Contudo, há que se destinar um apoio técnico maior aos mandiocultores visando suaorganização produtiva e administrativa, a fim de que venha fortalecer a cadeia como o umtodo e possibilitar a ascensão econômica dos produtores e dos produtos.No capitulo seguinte será apresentado o estudo de caso, realizado através deentrevista com perguntas semiestruturadas.5 ESTUDO DE CASOEsse estudo de caso se dedica a estudar o perfil da agricultura familiar e a cadeiaprodutiva da mandioca da comunidade de Córrego da Ramada – Trairi - Ce.Será notificada nesta seção, a metodologia aplicada no estudo de caso e acaracterização do ambiente da pesquisa.5.1 Metodologia do estudo de casoA pesquisa trata-se de um estudo de caso executado por meio de visita domiciliar,nos dias 16, 17 e 18 do mês de novembro, utilizando como instrumento de pesquisa, aentrevista através de formulários com questionário semiestruturado e com perguntas fechadas,distribuídos em seis tópicos. Segundo Yin (2001), “o estudo de caso representa umainvestigação empírica e compreende um método abrangente, com a lógica do planejamento,da coleta e da análise de dados”.
  • 84. 83Para Chizzotti (2005), o estudo de caso como modalidade de pesquisa tem início nosestudos antropológicos de Malinowski e na Escola de Chicago e, depois, seu uso foi ampliadopara o estudo de eventos, processos, organizações, grupos, comunidades etc.Segundo Gil (1995), sua origem é bastante distante e se pauta com o métodointroduzido por C. C. Laugdell no ensino jurídico nos Estados Unidos.O pesquisador não teve o interesse de conhecer a opinião de toda a população,somente de um grupo que reunia as características desejadas para atingir o objeto de pesquisa(MARCONI & LAKATOS, 1996, p. 47).Neste trabalho, o método empregado para o estudo do tema, foi o método de Survey,pois se acredita que este explicaria melhor o objeto de estudo.O método de pesquisa Survey pode ser delineado como a aquisição de dados ouinformações sobre características, ações ou opiniões de determinado grupo de pessoas,representantes de uma população pré-selecionada, através de um instrumento de pesquisa,normalmente um questionário (FREITAS et al 2000).Para complementar a pesquisa foram feitos registros fotográficos de produtosagrícolas, feiras agroecológicas, criação de galinha caipira, liberação do PRONAF em Trairi-CE, inauguração do posto do PAA em Trairi, policultivos, plantações de mandioca, casas defarinha, os mesmo serão dispostos no apêndice B deste estudo.A amostra, intencionalmente escolhida, foi composta por 20 agricultores, querepresenta cerca de 14% da população da comunidade, selecionados dentre as famíliasmoradoras na comunidade do Córrego da Ramada com mais de 10 anos de residência, epraticantes da mandiocultura.A pesquisa teve como foco analisar o perfil socioeconômico das famíliasentrevistadas, o perfil da mandiocultura na comunidade e o perfil das casas de farinhas.A análise dos dados envolveu um método principalmente descritivo qualitativo, poisabrangeu um conjunto de diversas técnicas, que visam interpretar, descrever e decodificar oscomponentes de um sistema complexo de significados. Seu objetivo é traduzir os fatos,aproximando o pesquisador do objeto pesquisado.Para analisar os dados da pesquisa, procedeu-se um estudo dos questionários eposteriormente, a montagem de tabelas no Excel, para inserir os dados coletados e em seguidagerar o gráfico demonstrativo através do método descritivo de Distribuição de Freqüência.
  • 85. 84Anderson et al. (2002, p. 39 apud PESSOA 2009, p.142) assinalam queUma distribuição de freqüência é um sumário tabular de dados que mostra o númerode observações em cada uma das diversas classes não sobrepostas. O objetivo daestatística descritiva é promover a sintetização e a descrição de dados numéricospara proporcionar melhor entendimento dos dados (LEITE, 2004), através do uso degráficos, como forma de melhor explicar a importância da rede para o trabalhoapícola brasileiro.Foi considerado para obter as conclusões o percentual obtido em cada questão quedetermina o perfil ou a opinião do entrevistado, e ainda que defina a real situação da cadeiaprodutiva da mandioca na comunidade.Na seqüência será exibida a caracterização do ambiente da pesquisa.5.2 Caracterização do ambiente da pesquisaÉ importante destacar que a cultura da mandioca na agricultura no Ceará erapraticada pelos escravos ou camponeses das fazendas de gado desde sua colonização atravésdo sistema de sesmaria. Era conhecida como agricultura de subsistência, ou seja, produção dealimentos apenas para a sobrevivência dos camponeses.As primeiras propriedades no Brasil colônia eram doadas aos Colonizadores vindosde Portugal para explorar as terras brasileiras pela Lei da Sesmaria. Era nestas propriedadesque eram feito os monocultivos com fim de exportação. Nela era também realizada aagricultura de subsistência para o sustento dos colonizados.Segundo Lima, (1991 apud GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2011, online)Sesmaria foi um instituto jurídico português que normatizava a distribuição de terrasdestinadas à produção. O Estado, recém-formado e sem capacidade para organizar aprodução de alimentos, decide legar a particulares essa função. Este sistema surgiraem Portugal durante o século XIV, com a Lei das Sesmarias de 1375, criada paracombater a crise agrícola e econômica que atingia o país e a Europa, e que a pestenegra agravara.Barros (2006 apud WIKIPÉDIA 2011, on line) conceitua agricultura de subsistência:Aquela em que, basicamente, a plantação é feita geralmente em pequenaspropriedades (minifúndios), e a finalidade principal é a sobrevivência do agricultor ede sua família, não para a venda dos produtos excedentes, em contraposiçãoà agricultura comercial.O conceito econômico da subsistência, portanto, difere do de agriculturafamiliar, naquela não há objetivo de lucro, que pode estar presente nesta última: ou
  • 86. 85seja, conceitualmente, a agricultura de subsistência pode ser um tipo da agriculturafamiliar; mas a agricultura familiar ainda pode apresentar outras formas deprodução.O contraponto da agricultura familiar é a agricultura patronal.A agricultura de subsistência, por sua vez, pode conviver com outras formas deprodução, como por exemplo, nas grandes plantações do café no Brasilcolonial muitas vezes os colonos praticavam esta forma de cultivo para a suamanutenção pessoal e familiar.Com relação ao local da pesquisa, ou seja, o Município de Trairi, onde se insere acomunidade foco do presente estudo, o mesmo se situa no centro-norte do estado do Ceará.Está inserido ainda na Microrregião Geográfica do município de Itapipoca, juntamente com osmunicípios de Amontada e Itapipoca. E ainda, conforme a nova política de territorialização dogoverno Federal, o município faz parte do território da cidadania do Vale do Curu/Aracatiaçu,conforme figura 2. O município está dividido administrativamente em 07 (sete) distritos:Distrito-Sede, Flecheiras, Mundaú, Canaã, Gualdrapas, Munguba e Córrego Fundo. Todas assedes distritais já apresentam conformação urbana, com destaque para a Sede dos Distritos deFlecheiras e Mundaú, que vêm passando por um processo de crescimento acelerado emfunção do turismo. O município de Trairi possui, ainda, 209 localidades distribuídas pelosseus 924,56 km2, são áreas situadas tanto na parte do litoral como na parte do semi-árido,onde a seca é predominante. Isso acaba conferindo ao município uma diversidade cultural eeconômica interessantes (PDP-Trairi, 2009).
  • 87. 86MAPA DO CEARA COM FOCO EM TRAIRIMapa 01 - Ceará com foco em Trairi – Fonte: PDP – Trairi-2009.O mapa 01 demonstra a localização do município, onde se situa a comunidade focoda pesquisa, na qual foi escolhida a amostra para realizar a entrevista acerca do perfil damandiocultura.Vem em seguida o mapa do território da cidadania Vale do Curu/Aracatiaçu.
  • 88. 87MAPA DO TERRITORIO DA CIDADANIAMapa 02 - Mapa do Território Vales do Curu/AracatiaçuFonte: (MDA, 2010)A comunidade do Córrego da Ramada, como já ressaltamos, pertence ao municípiode Trairi, no estado do Ceará, e conta com aproximadamente 175 famílias (Cadastro familiarSUS - Trairi-Ce, 2009).O acesso a comunidade é razoável, possui cerca de 12km de estrada de piçarra até asede do município, o qual dista cerca de 135km da cidade de Fortaleza e cerca 90km do Portodo Pecém, na cidade de São Gonçalo do Amarante (PDP-Trairi, 2009).Essa comunidade foi escolhida para esse estudo de caso, devido à alta concentraçãode mandiocultores na área. Segundo os moradores, das 175 famílias residentes nacomunidade, cerca de 75% pratica a cultura da mandioca, sendo a maioria para o consumofamiliar, e um pequena parte para comercializar a farinha e a goma.
  • 89. 88Para conhecer melhor as características humanas e produtivas da comunidade foirealizada uma pesquisa na primeira quinzena de novembro de 2011. Nessa fase, percebem-setodas as dificuldades enfrentadas pelos produtores, bem como a potencialidade produtiva dacomunidade.Foi identificado na comunidade 4 casas de farinha tradicionais e 1 moderna.Contudo, descobriu-se também que a maioria dos agricultores prefere fazer sua farinha nascasas de farinha antigas.Conforme a Ematerce (2011), a mandiocultura é uma das principais atividadeseconômicas do município de Trairi e em particular da comunidade foco desse estudo. Diantedisso e das condições dos agricultores da localidade e das resistências em utilizar a casa defarinha moderna, persistindo a produzir sua farinha nas casas de farinha antigas, as quais nãoapresentam estrutura adequada à produção de alimentos, procedeu-se essa pesquisa com o fimde conhecer melhor a realidade que se apresenta na comunidade.Localização da comunidade de Córrego da RamadaMapa 03 - Localização por satélite do Córrego da RamadaFonte: Google earth – 26 nov. 2011.O mapa 3 apresenta a localização da comunidade de Córrego da Ramada através defoto via satélite, para que se tenha um visão geográfica de onde ocorreu o estudo do caso.No próximo tópico será mostrada a análise e interpretação dos dados.
  • 90. 896 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOSPara conhecer e entender o comportamento dos agricultores familiares e da cadeiaprodutiva da mandioca foi realizado uma pesquisa de campo, divida em seis grupos deanálise.No tópico que analisa o perfil socioeconômico dos agricultores é feito um estudoacerca da distribuição da idade dos entrevistados, renda familiar, grau de escolaridade,número de filhos e tempo de residência na comunidade.Foi estudado também o Perfil da mandiocultura na comunidade de Córrego daRamada, onde se procurou saber sobre: a área do plantio da mandioca, a produção demandioca, a produção de farinha, onde são feitas as compras, as ferramentas e insumosutilizados na atividade, o destino das raízes de mandioca, como são feitas as compras deinsumos e ferramentas, onde a produção é vendida; como se vende a produção, se osconcorrentes interferem na atividade, a importância da mandiocultura para a sobrevivência dafamília, a contribuição da associação comunitária para o desenvolvimento da mandiocultura eda comunidade, motivação para participar da Associação Comunitária, pontos positivos enegativos da cadeia produtiva da mandioca, incentivos do governo para a cultura damandioca, bem como seus tipos.Em seguida fez-se um questionamento para saber sobre as características, pontospositivos e negativos, vantagens e desvantagens das casas de farinha tradicional e moderna,por fim, procedeu-se a indagação acerca do nível de satisfação dos agricultores com amandiocultura na comunidade.6.1 Perfil Socioeconômico dos agricultoresPara conhecer melhor a caracterização dos agricultores, realizou-se um estudo doperfil socioeconômico dos entrevistados, buscando saber sobre a idade, renda, escolaridade,filhos e tempo de residência na comunidade. Após a coleta dos dados, elaboraram-se astabelas abaixo para sistematizar e analisar cada um.Para Rocha (1997), um questionário do perfil socioeconômico tem como finalidadeavaliar a situação social, tecnológica e socioeconômica, bem como a deterioração das famíliasde uma região.Na tabela 01 e no gráfico 01 será apresentada a faixa etária dos entrevistados com afreqüência de ocorrência.
  • 91. 90Tabela 01 - Distribuição da idade dos entrevistadosIdade Nº Freqüência0 a 20 0 0%20 a 30 1 5%30 a 40 2 10%40 a 50 10 50%> 50 7 35%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 01 – baseado na tabela 01 - autoria própriaCom relação à faixa etária dos entrevistados, de acordo como gráfico 1 constatou-seque 50% estão na faixa de quarenta a cinquenta anos, 35% com mais de cinquenta anos, 10%entre trinta e quarenta anos, e apenas 5% entre vinte e trinta anos. Diante disso pode-seafirmar que a maioria dos agricultores entrevistados está acima dos quarenta anos, issosignifica que os jovens da comunidade estão fora da agricultura, ou não a privilegiam comoatividade principal.A caracterização do perfil socioeconômico é o retrato social, econômico e culturalque permite o entendimento da estrutura vinculada à agricultura familiar.Habermeier (1995) afirma que o conhecimento produzido pela entrevista é muitomais que uma mera observação direta, contudo confessa que um dos fatores limitantes daentrevista é que esse conhecimento produzido oferece informações abalizadas numa visãosubjetiva dos entrevistados, proporcionando conhecimento parcial dos fatos.
  • 92. 91A tabela 02 juntamente com o gráfico 02 tem como objetivo fazer uma explanaçãoda renda familiar da amostra foco da pesquisa.Tabela 02 - Distribuição da faixa de renda dos entrevistadosRenda(salário mínimo) Nº Freqüênciaate 1 18 90%1 a 2 1 5%2 a 3 1 5%3 a 4 0 0%4 a 5 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 02 – Baseado na tabela 02 - autoria própriaAvaliando os dados apurados acerca da renda familiar dos entrevistados no gráfico 2,conferiu-se que 90% vivem com uma renda abaixo de um salário mínimo. 5% possuem rendade um a dois salários mínimos e os outros 5% com renda de dois a três salários. Salienta-seque aqueles que detêm renda entre um e três salários, contam com aposentadoria rural.Grau de escolaridade é o nível de estudo dos indivíduos participantes da pesquisa.Segundo Demartini (1983, p.25),Numa caracterização geral de seu nível de instrução e formação poder-se-ia concluirque a população rural compõe-se, em sua maioria, de pessoas que apresentam umaescolaridade reduzida e desempenham o trabalho agrário basicamente com oaprendizado informal obtido pela experiência direta no trabalho junto com a famíliae não dispõem praticamente de conhecimentos adquiridos por outras vias,sistemáticas ou não, para o desempenho de suas funções.
  • 93. 92Para ter uma visão da formação cognitiva dos AF, demonstra-se na tabela 03 e nográfico 03 o estudo do grau de escolaridade dos entrevistados.Tabela 03 - Distribuição do grau de escolaridadeEscolaridade Nº FreqüênciaAlfabetizado 17 85%E. Fundamental 1 5%E. Médio 2 10%E. Superior 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 03 – baseado na tabela 03 - autoria própriaNo Gráfico 03 observa-se que na comunidade, 85% dos entrevistados são somentealfabetizados, sabem apenas ler e escrever, alguns com certa dificuldade. Isso demonstra ograu de atraso educacional e consequentemente socioeconômico da população, o querepercute no atraso da atividade econômica desenvolvida, como também nos hábitos e naresistência às mudanças. Esse fato é prejudicial para o desenvolvimento econômico daagricultura, pois, o baixo nível educacional impede que os agricultores acessem aosconhecimentos técnicos e sejam abertos para receber novas informações e as interprete.Com relação ao número de filhos, ou crescimento demográfico familiar, para se teruma visão do tamanho das famílias e do impacto na economia familiar e fez-se um estudobaseado na tabela 04 e representado graficamente no gráfico 04.
  • 94. 93Tabela 04 - Número de filhos dos entrevistadosFilhos Nº Freqüência0 a 2 5 25%2 a 4 7 35%4 a 6 3 15%> 6 5 25%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 4 – baseado na tabela 4 - autoria própriaComo se pode perceber no gráfico 4, das famílias dos entrevistados 35% tem entedois e quatro filhos; 25% têm mais de seis filhos, outros 25% têm entre 0 e 2 filhos e apenas15% estão na faixa de quatro a seis filhos. Tendo em vista esses dados, concorda-se que otamanho das famílias no campo tem diminuído, mostrando uma redução na taxa de natalidadena zona rural. Pode-se considerar que este dado é positivo, já que demonstra que há certaconsciência dos agricultores com relação ao tamanho da família, e se previnem para não termuitos filhos.Para fazer uma análise da prática da agricultura na comunidade faz-se um estudo dotempo de residência dos agricultores, para se ter uma idéia do tempo de atuação na atividade,os quais são expostos na tabela 05 e no gráfico 05.
  • 95. 94Tabela 05 - Tempo de residência na comunidadeTempo (anos) Nº Freqüência0 a 5 1 5%5 a 10 0 0%10 a 15 0 0%> 15 19 95%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 05 – baseado na tabela 05 - Autoria própriaO tempo de residência na comunidade registrado entre os entrevistados,demonstrado no gráfico 05 é de mais de 15 anos para 95% dos informantes. Esse fato vemapresentar o sedentarismo dos nossos agricultores que se fixam num pedaço de chão paraproduzir o seu alimento. O tempo de residência no local influencia na questão do hábitocultural, o que pode dificultar o acesso a novos procedimentos e tecnologias.A constatação é de que a estabilidade residencial é benéfica à prática agrícola, poisestabelece um vinculo comunitário muito forte.Quando se analisa o perfil da agricultura familiar no Brasil, percebe-se que esta temum grande potencial para continuar contribuindo de forma efetiva para o desenvolvimentolocal, sendo necessário, para tanto, reconhecer o seu papel no processo de tomada de decisões.
  • 96. 956.2 Perfil da mandiocultura na comunidadePerfil da mandiocultura é a imagem ou o diagnóstico da atividade que apresentadados sobre a mesma e como esta se comporta. Com o fim de ter um olhar acerca da realidadeda mandiocultura na comunidade alvo do estudo, pesquisou-se o tamanho da área de plantiopor família, a quantidade de produção, a forma e o local de compra de insumos eequipamentos, a forma e o local de venda da produção, a influencia da concorrência, aimportância da mandiocultura, a contribuição da associação comunitária, a motivação paraparticipar da associação, se há incentivos do governo para desenvolver a atividade, e que tiposde incentivos são dispensados para a mandiocultura.Na tabela 06 e respectivamente no gráfico 06, faz-se a demonstração da área deplantio por família.Tabela 06 - Área de PlantioÁrea (há) Nº Freqüência0 a 1 11 55%1 a 2 7 35%2 a 3 2 10%3 a 4 0 0%4 a 5 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 06 – baseado na tabela 06 - Autoria própria
  • 97. 96Conforme se vê no gráfico 06 construído com base na tabela 06, dos entrevistados55% plantam numa faixa de 0 a 1 ha. Somente 35% planta numa área entre 2 e 3 ha e osúltimos 10% com numa área entre 2 a 3 ha. Dentre eles não há um sequer que exerça suaatividade numa área maior que 3ha, o que esclarece para todos que os agricultores detêm umaárea muito pequena destinada a sua cultura, contribuindo assim para uma estagnação daprodução e o estresse da terra, levando-a a ficar improdutiva. É possível conferir que essedado não é bom para a mandiocultura da comunidade, já que a quantidade de área usada émuito pequena e não contribui para o aumento da produção, mantendo assim um reduzidopercentual de produção na comunidade.Dando sequência a exposição dos dados da pesquisa, na tabela 07 e no gráfico 07 épublicado o resultado da entrevista para a produção de mandioca na comunidadeTabela 07 - Produção de mandioca (cargas)Cargas Nº Freqüência0 a 10 0 0%10 a 20 11 55%20 a 30 4 20%30 a 40 3 15%40 a 50 2 10%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 07 - baseado na tabela 07 - autoria própriaA produção de mandioca do grupo de entrevistados, de acordo com o gráfico 07apresenta-se assim: 55% produzem entre dez a vinte cargas, 20% entre vinte e trinta e cargas,outros 15% entre trinta a quarenta, e por fim, apenas 10% conseguem entre quarenta a
  • 98. 97cinqüenta cargas. Entende-se assim que, como uma pequena parte possui uma área utilizadapara plantio, ou seja, acima de 01 ha, também uma pequena parcela de produtores possui umaprodução significativa acima de 40 cargas. Essa decorrência também não pode serconsiderada boa, porque há uma estagnação da produção, já que somente uma pequenaparcela produz acima de 40 cargas, sendo assim, a renda familiar também é pequena e nãocontribui para a sustentabilidade financeira da atividade e da família.Para conhecer sobre a produção de farinha, a tabela 08 oferece os números daprodução de farinha obtidos pela entrevista. Em seguida apresenta-se no gráfico 08 afrequência de produção.Tabela 08 - Produção de farinha de mandiocaAlqueires Nº Freqüência0 a 5 0 0%5 a 10 0 0%10 a 15 10 50%15 a 20 5 25%20 a 25 3 15%25 a 30 2 10%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 08 – baseado na tabela 8 - autoria própriaO gráfico 08 mostra que 50% dos agricultores que participaram da pesquisa disseramque produzem entre dez a quinze alqueires de farinha. 25% afirmam que produzem entrequinze a vinte; 15% colocam que têm produção entre vinte e vinte e cinco alqueires, e osúltimos 10% chegam a produzir numa faixa de 25 a 30 alqueires. Esse dado esclarece que aprodução de farinha é baixa como a produção de mandioca, já que uma depende da outra.
  • 99. 98Sobre o local de aquisição de insumos de equipamentos, a tabela 09 oferece oresultado obtido na pesquisa, que também é apresentado no gráfico 09.Tabela 09 - Local de compra de insumos e ferramentasLocal Nº FreqüênciaComercio local 0 0%Municípios vizinhos 20 100%Fortaleza 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 09 – baseado na tabela 09 - autoria própriaQuestionados sobre o local onde compram seus insumos e ferramentas, todosresponderam que compram nos municípios vizinhos. Tal procedimento não pode serconsiderado viável, pois encarece o custo da produção.Já na tabela 10, faz-se a apresentação do resultado alcançado quando se perguntasobre o destino da mandioca produzida na comunidade. E no gráfico 10, são representados osdados da tabela referida nesse parágrafo.Tabela 10 - Destino da mandioca produzidaDestino Nº Freqüênciaprodução de farinha 20 83%ração animal 0 0%venda in natura 0 0%produção de goma 4 17%Total 24 100%Fonte: Pesquisa direta
  • 100. 99Gráfico 10 – baseado na tabela 10 - autoria própriaConforme os entrevistados, no gráfico 11, está demonstrado que 83% da produçãode mandioca é destinada à produção de farinha, enquanto o restante, 17% é usada na produçãode goma. Comumente, todos os agricultores usam parte da mandioca para produzir a goma,outro subproduto que muito usado para fazer a conhecida tapioca, hábito herdado dos índios.Com o interesse de saber como os agricultores fazem suas compras, na tabela 11 e nográfico 11, baseado na mesma tabela, vêm ofertar as respostas dos entrevistados.Tabela 11- Forma de compra de insumos.Forma de compras Nº FreqüênciaIndividual 20 100%Coletivo 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 11 – baseado na tabela 11 - autoria própria
  • 101. 100Constata-se pelo gráfico 11, que todos os agricultores responderam que fazem suascompras individualmente. Esse hábito dos agricultores demonstra seu grau de individualidadee desorganização social, o que não tem vantagem para o empreendimento familiar, já que seas compras fossem feitas coletivamente, poderiam barganhar menores preços, e ganhariamtambém com o custo de frete.Para que seja entendido mais sobre a produção da mandioca na comunidade e dacomercialização da produção, a tabela 12, e o gráfico 12 respectivamente fazem uma análisedo local de venda da produção.Tabela 12 - Local de vendas da produçãoLocal Nº FreqüênciaComercio local 1 5%Municípios vizinhos 11 55%Fortaleza 0 0%Feiras livres 2 10%Atravessadores 6 30%Governo 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 12 – baseado na tabela 12 - autoria própriaQuando inquiridos acerca do local de venda de sua produção, como se vê no gráfico12, dentre os pesquisados 55% responderam que vendem sua produção nos municípiosvizinhos, 30% afirmaram que vendem para atravessadores, 10% dizem que vendem em feiraslivres e apenas 5% revelam que vendem para o comércio local. Verifica-se que não há uma
  • 102. 101organização da comercialização, o que causa enormes prejuízos para os agricultoresfamiliares, já que precisam transportar sua produção para outros municípios e vender seuproduto mais barato.Dando seqüência à investigação acerca da comercialização da produção, a tabela 13,reproduzida no gráfico 13, oferece a realidade do individualismo na comunidade, quandoefetuam a venda de sua farinha.Tabela 13 - Forma de venda da produçãoForma de vendas Nº FreqüênciaIndividual 20 100%Coletivo 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 13 – baseado na tabela 13 - autoria própriaQuando interrogados sobre a forma de venda da produção, todos são unânimes aoafirmar que vendem a produção individualmente. Não há como negar que o individualismo nacomunidade é enraizado, como na forma de compra de seus insumos, também vendem suaprodução de forma isolada, ficando reféns dos atravessadores, dos comerciantes espertalhões,e em consequência dos baixos preços, que causam prejuízos para o empreendedoresfamiliares.Com o fim de entender qual a é o papel dos concorrentes na cadeia produtiva damandioca, sendo que pode ser considerado concorrente, os produtores de mandioca, e oscomerciantes entre si, a tabela 14 oferta como estes se comportam na comunidade na visãodos agricultores familiares.
  • 103. 102Tabela 14 - Interferência dos concorrentesForma de vendas Nº Freqüênciano preço 7 35%na oferta 0 0%na procura 12 60%na comercialização 1 5%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 14 – baseado na tabela 14 - autoria própriaCom relação à interferência dos concorrentes na cadeia produtiva da mandioca, 60%asseguraram que se dá na procura, 35% proferiram que acontece no preço, e 5% citam que éna comercialização. A concorrência às vezes é benéfica à cadeia produtiva, contudo, quandoessa concorrência ocorre na fase secundária da cadeia, ou seja, na produção da matéria-prima,torna-se mais prejudicial, pois, contribui para baratear muito o produto, fato que tambémproporciona poucos ganhos aos produtores.Conforme os estudos bibliográficos feitos nessa pesquisa, a mandiocultura é tidacomo atividade econômica fundamental para a sobrevivência de muitas famílias,principalmente as de baixa renda que vivem na zona rural. Diante disso, procurou-se saberqual o peso e a importância da mandiocultura na comunidade ambiente da pesquisa, dadosque serão explicitados na tabela 15 e posteriormente para melhorar a compreensão no gráfico15.
  • 104. 103Tabela 15 - Peso da mandiocutura para a sobrevivência da famíliaPeso Nº Freqüência0 a 2 0 0%2 a 4 0 0%4 a 6 14 70%6 a 8 6 30%8 a 10 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 15 – baseado na tabela 15 - autoria própriaDe acordo com o gráfico 15, setenta por cento (70%) dos entrevistados responderamque a nota para o peso da importância da mandiocultura para suas famílias está entre 4 a 6, ouseja, responde por aproximadamente cinquenta por cento de sua sobrevivência . Os outros30% deram nota de 6 a 8. Para a economia esse dado é muito relevante e corrobora para queos governos vejam essa atividade como base para a segurança econômica, alimentar enutricional de nossa população, ofertando assim mais condições para seu fortalecimento.A Associação Comunitária do Córrego da Ramada conseguiu uma casa de farinhamodernizada através do PSJ. Diante desse evento, foi indagado também sobre a contribuiçãoda Associação para o desenvolvimento da mandiocultura na comunidade, que vem serapresentado na tabela 16.
  • 105. 104Tabela 16 - Nível de contribuição da associação para o desenvolvimento damandioculturaNível de contribuição Nº Freqüênciamuito 0 0%pouco 2 10%médio 6 30%não sabe 12 60%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 16 – baseado na tabela 16- autoria própriaQuando interrogados sobre a contribuição da Associação Comunitária para odesenvolvimento da mandiocultura, 60% responderam que não sabiam. 30% expuseram quecontribui médio. E os outros 10% asseveraram que a associação contribui pouco, segundo ográfico 16. Os dados obtidos demonstram o desligamento dos entrevistados da Associação ounegaram-se a responder adequadamente ao questionário, já que a maioria afirma que não sabese a Associação contribui ou não para o desenvolvimento da atividade. Isso não parece umfato positivo, tendo em vista que, do ponto de vista organizacional, as estruturas coletivaspossuem mais vantagens para promover a sustentabilidade e a organização produtiva.Na tabela 17, que se segue, expõem-se os resultados da questão acerca da motivaçãopara participar da Associação, comportamento que fundamental para promover a organizaçãosocial.
  • 106. 105Tabela 17 - Motivação para participar da AssociaçãoMotivação Nº FreqüênciaSim 14 70%Não 2 10%médio 4 20%pouco 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 17 – baseado na tabela 17 - autoria própriaAo serem examinados sobre a motivação para participar da Associação Comunitáriada comunidade, 70% responderam que se sentem motivados. 20% afirmaram que suamotivação é média; apenas 10% acentuaram que não sentem vontade de participar. Aocomparar esse resultado com o da tabela 16, ocorre certa contradição, já que se não sabem daimportância da contribuição da Associação para a cadeia produtiva da mandioca, por que nãose sentem motivados a participar da associação? Essa questão requer uma apuração posterior.Quantos aos pontos positivos e negativos da mandiocultura visualizados pelosentrevistados, a tabela 18 vem demonstrar suas impressões que serão apostas também ográfico 18, e para melhor compreensão no quadro 01.
  • 107. 106Tabela 18 - Pontos Positivos e Negativos da mandioculturaItem P NPreço da farinha 5% 95%Mecanização 5% 95%Produção baixa 0% 100%Produtividade baixa 95% 5%Acesso a mercado 50% 50%Estradas 35% 65%Assistência técnica 0% 100%Atravessadores 45% 55%Excesso de produção 5% 95%Custo de produção 70% 30%Preço de insumos 40% 60%Terra 65% 35%Qualidade da farinha 5% 95%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 18 – baseados na tabela 18 – autoria própriaSegundo o gráfico 18, a 95% dos agricultores acham a que a qualidade da farinhaproduzida é o ponto mais positivo, 70% declaram que a terra é o segundo ponto mais positivo,
  • 108. 10765% dizem que o preço dos insumos também são pontos positivos, 50% dizem que o custo deprodução e positivo, outros 50% afirmam que é negativo, 55% colocam que por excesso deprodução é negativo, pois causa a baixa de preços, 60% acham os atravessadores negativos,porque os exploram, 65% dizem que a assistência técnica é ponto negativo pois é muitoausente e descontínua. 90% confirmam que as estradas, o acesso ao mercado, a produçãobaixa, a produtividade e a produção baixa são pontos negativos. Por fim 100% confirmam quea mecanização e os preços são os pontos mais negativos, esses dois últimos, justificam-seporque os preços da farinha geralmente são muito baixos não compensando os custos e não hámecanização para melhorar a produção.Para se ter uma ideia sobre a atuação governamental no processo de desenvolvimentoda cadeia produtiva da mandioca na comunidade, a tabela 19 vem citar a opinião dosentrevistados sobre os incentivos do governo.Tabela 19 - Há incentivos do governoOpinião Nº FreqüênciaSim 18 90%Não 0 0%não sabe 2 10%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 19 – baseado na tabela 19 - autoria própriaO gráfico 19 expõe a resposta dos entrevistados se há incentivo dos governos para acadeia da mandiocultura. Dos inquiridos, 90% proferem que há incentivo do governo para amandiocultura, enquanto apenas 10% citaram que não sabiam. Como a maioria absolutaafirma que há incentivos governamentais, isso demonstra que o governo está se preocupandocom a atividade e está injetando recursos para aprimorar a mesma. Isso se revela muito
  • 109. 108positivo, já que contribuirá para o avanço e sustentabilidade da cadeia produtiva da mandioca.Como foi identificado que há incentivos governamentais para a mandiocultura na comunidadede Córrego da Ramada, procurou-se saber quais incentivos existiam, sendo que na tabela 20será apresentada a resposta.Tabela 20 - Tipo de incentivo do governo para a mandiocuturaIncentivo Nº FreqüênciaEmpréstimo 16 80%Assistência técnica 3 15%Cursos 1 5%Apoio a comercialização 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 20 – baseado na tabela 20 - autoria própriaEm relação ao principal tipo de incentivo que o governo dispensa para promover odesenvolvimento da mandiocultura, de acordo com o gráfico 20, dos agricultores interrogados80% confirmaram que eram os empréstimos do PRONAF através dos BNB e BB. 15%disseram que era a assistência técnica, apenas 5% citaram que eram cursos de capacitação, enenhum citou apoio à comercialização. Compreende-se aqui que atualmente o maior incentivosão os financiamentos através do PRONAF, contudo será que somente esse incentivo ésuficiente para promover o desenvolvimento da mandiocultura ou outras cadeias? Já comrelação aos outros incentivos, conforme a amostra percebe-se que são muito poucosefetivados ou pouco percebidos, ou ainda pouco valorizados.Nesta seção foram apresentados os dados acerca do perfil da mandiocultura nacomunidade de Córrego da Ramada. Seguindo o teor da das opiniões coletadas, conclui-seque ainda há certo nível de desorganização social, muito desconhecimento por parte dos
  • 110. 109agricultores, muita acomodação e descompromisso com a melhoria da atividade. A produçãoé muito baixa e a as áreas plantadas são poucas, geralmente não passa de um hectare porfamília, até porque muitos não possuírem muita terra, e plantam em áreas arrendadas, comotambém por fala de equipamentos, maquinários tecnologia necessária à aplicação do plantio eem consequência da produção.Com relação aos pontos positivos e negativos da mandiocultura na comunidade,parece que de acordo com os dados coletados que há muito poucos pontos positivos e muitospontos negativos, havendo necessidade de averiguar com muita eficácia o porquê desseevento, se é porque os agricultores não sabem avaliar a atividade, se estão sendo pessimistasou se realmente têm razão. No que se refere aos incentivos governamentais, a maioriaabsoluta afirma que há incentivos e que o mais importante deles são os empréstimos doPRONAF, notadamente o microcrédito através do programa do Banco do Nordeste chamadode Agroamigo. Cabe se perguntar, se esse olhar dos agricultores se deve ao fato de dar maisimportância ao dinheiro do que aos outros incentivos, ou se têm acesso a esse incentivo commais facilidade do que aos outros.6.3 Análise das casas de farinha tradicionaisNessa seção expor-se-á uma análise das casas de farinha tradicionais da comunidadedo Córrego da Ramada, procurando entender a opinião dos agricultores acerca da qualidadeda farinha tradicional, equipamentos, vantagens e desvantagens e sobre o que mais gostam nacasa de farinha tradicional.Na tabela 21, apõem-se a opinião dos entrevistados sobre a qualidade da farinha feitanas casas de farinha tradicional.Tabela 21 - Qualidade da farinha das casas de farinha tradicionalOpinião Nº Freqüênciaótimo 2 10%boa 10 50%regular 8 40%ruim 0 0%não sabe 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa direta
  • 111. 110Gráfico 21 – baseado na tabela 21 – autoria própria.Consta-se através do gráfico 21, que 50% dos participantes da pesquisa consideram afarinha das casas de farinha tradicionais boa; 40% acham regular e 10% avaliam como ótima.Conforme a visão de qualidade dos agricultores, eles ainda consideram a farinha feita nascasas de farinha tradicionais de boa qualidade, embora não entendam que o padrão dequalidade dos consumidores atualmente mudou muito.No que diz respeito à avaliação dos equipamentos, na tabela 22 é feito a exposição daopinião dos entrevistados.Tabela 22 - Avaliação dos equipamentos das casas de farinha tradicionalOpinião Nº Freqüênciaótimo 0 0%Boa 9 45%Regular 10 50%Ruim 1 5%Não sabe 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa direta
  • 112. 111Gráfico 22 – baseado na tabela 22 - autoria própria.Verificou-se que 50% dos agricultores pesquisados consideram os equipamentos dascasas de farinha tradicionais regular, 45% avaliam como ótimos e 5% ponderam como ruins.Sente-se que os agricultores devido ao costume com o tradicional se afeiçoam muitosaos equipamentos das casas de farinha tradicionais, uma vez que metade dos entrevistadosafirma que os equipamentos são regulares e 45% dizem que são bons.Em seguida, na tabela 23 podem-se ver os dados sobre as vantagens e desvantagensdas casas de farinha tradicionais, os quais serão representados no gráfico 23.Tabela 23 – Vantagens e desvantagens das casas de farinha tradicionalDesvantagem VantagemFaz goma 0% 100%O tipo de farinha 0% 100%Piso grosso 0% 100%Forno de tijolo 5% 95%Costume 70% 30%É toda manual 80% 20%É aberta 95% 5%Não gasta muita energia 100% 0%Fonte: Pesquisa direta
  • 113. 112Gráfico 23 – baseado na tabela 23 - autoria própria.Consoante a representação no gráfico 23, dentre os entrevistados 100% dizem que opiso é uma desvantagem já que quase todo piso é grosso ou muito irregular e sujo, 70%acentuam que o forno de tijolo é uma desvantagem porque geralmente solta barro que semistura à farinha; outros 80% acham que o fato de ser quase toda manual é também umadesvantagem, e 95% afirmaram que a casa de farinha aberta é outra desvantagem porqueentram animais e poeira, 80% colocam que o fato de ser toda manual é outra desvantagem. Já100% dizem que na casa de farinha tradicional é possível fazer goma que é uma boavantagem, também no mesmo percentual dizem que como não gasta muito energia elétricatem mais vantagem, 95% asseveram que outra vantagem importante é o costume em fazerfarinha nessas casas de farinha. Por fim, todos aceitam que o tipo de farinha produzidatambém é outra vantagem relevante.É possível chegar à conclusão por meio desta seção que os agricultores familiares dacomunidade de Córrego da Ramada estão ainda muito presos ao tradicional e aos costumesherdados de seus antepassados.Não percebem que seus métodos de produção estão ultrapassados e não atendem àsexigências do mercado. Com relação à consideração acerca dos equipamentos e da estruturadas casas de farinha tradicionais, são visíveis suas desvantagens para que se produza umafarinha de boa qualidade, mesmo assim a maioria dos entrevistados considera a farinhaproduzida de boa qualidade. Diante do contexto no qual vivem os agricultores da comunidade,
  • 114. 113percebe-se que os mesmos não buscam se aperfeiçoar, adquirir novos conhecimentos,modernizar-se e qualificar-se.6.4 Análise da casa de farinha modernaApós realizada a análise das casas de farinha tradicionais, proceder-se-á agora àanálise da casa de farinha moderna da mesma comunidade, para que se possa fazer umcomparativo entre elas e se possa ter um diagnóstico do comportamento dos agricultoresdiante da casa de farinha tradicional e da moderna.Para investigar os agricultores da comunidade sobre suas sensações acerca da casa defarinha moderna, procurou-se saber se todos conheciam a referida casa de farinha, o que serádemonstrado na tabela 24.Tabela 24 – Nº de Conhecedores da casa de farinha modernaOpinião Nº FreqüênciaSim 20 100%Não 0 0%não sabe 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 24 – baseado na tabela 24 - autoria própria.
  • 115. 114Segundo o gráfico 24, tendo como base a tabela 24, todos os agricultores pesquisadosdemonstraram serem conhecedores da existência da casa de farinha moderna da comunidade.Perguntou-se aos entrevistados sua opinião sobre a casa de farinha moderna parapoder elaborar uma conclusão sobre os sentimentos dos mesmos, apresentado-se na tabela 25.Tabela 25 – Opinião sobre casa de farinha modernaOpinião Nº FreqüênciaMelhor que a tradicional 12 60%Pior que a tradicional 0 0%Não tem diferença 0 0%Não sabe 8 40%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 25 – baseado na tabela 25 - autoria própria.Ao serem questionados sobre o que achavam da casa de farinha moderna, 60%ressaltaram que é melhor do que a tradicional e os outros 40% asseveraram que não sabiam,de acordo com o gráfico 25. Diante desse resultado percebe-se que a maioria acha que amoderna é melhor, mesmo assim só produzem sua farinha nas casas de farinha tradicionais.Pode-se inferir que isso se dá por conta do dispêndio alto de energia, e talvez pela falta dequalificação no manuseio do equipamento, soma-se a isso a questão culturalA seguir, na tabela 26 expõe-se a análise sobre a despesa da casa de farinha modernae após apresenta-se a mesma no gráfico 26.
  • 116. 115Tabela 26 - Despesas de produção da casa de farinha modernaOpinião Nº FreqüênciaMais alto 10 50%Mais baixo 1 5%Igual 1 5%Não sabe 8 40%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 26 – baseado na tabela 26 - autoria própria.Os agricultores foram questionados também sobre as despesas de produção das casasde farinha tradicionais e moderna. Dentre eles, 50% afirmaram que a despesa de produção nacasa de farinha moderna é mais alta do que na tradicional, 30% responderam que não sabiam,pois não tinha feito farinha lá, 5% colocaram que era igual e os últimos 5% disseram que eramais baixo. Conclui-se por meio dessas respostas que metade dos entrevistados percebe queas despesas podem ser mais baixas na casa de farinha moderna, que a qualidade seria melhor eque poderiam mudar muito a imagem de seu produto.Após ter sido mostrado que os agricultores consideram que as despesas de produçãona casa de farinha moderna são mais baixas do que na tradicional, investigou-se sobre aqualidade da farinha, e os dados foram apresentados pela tabela 27.
  • 117. 116Tabela 27 – Qualidade da farinha da casa de farinha modernaOpinião Nº Freqüênciaótima 6 30%boa 9 45%regular 2 10%ruim 0 0%não sabe 3 15%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 27 – baseado na tabela 27 – autoria própria.Quando se perguntou aos pesquisados sua opinião acerca da qualidade da farinhaproduzida na casa de farinha moderna, 45% relataram que achavam boa; 30% revelaram que éótima; 15% informaram que não sabiam e 10% disseram que consideravam regular. Apercepção é que os entrevistados sabem que por meio da casa de farinha moderna podemobter um produto de melhor qualidade.Depois de se ter avaliado o sentimento quanto à qualidade da farinha produzida nacasa de farinha moderna, averiguou-se sobre qual farinha é mais fácil de vender, revelando-sena tabela 28 e no gráfico 28.
  • 118. 117Tabela 28 – Facilidade de vendaOpinião Nº FreqüênciaFeita da casa de farinhatradicional 13 65%Feita da casa de farinha moderna 7 35%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 28 – baseado na tabela 28 – autoria própria.Sobre a facilidade de venda da farinha de mandioca, o gráfico 28 revela que 65%dos agricultores acentuaram que a farinha mais fácil de vender era a produzida na casa defarinha tradicional e 35% disseram que era a feita da casa de farinha moderna, outro pontoque corrobora a permanência da farinha tradicional. Fica também difícil de mensurar essaquestão, pois como a casa de farinha mais utilizada ainda é a tradicional; na região, a maioriado produto disposto à venda será aquele produzido tradicionalmente, portanto, o mais fácil deser vendido. Consoante esse dado, vale salientar que mesmo a farinha produzidatradicionalmente não sendo de boa qualidade, já que as casas de farinha tradicionaisapresentam estrutura inadequada, presença de animais e possibilidades de contaminação, émais aceita pelos compradores mais conhecidos.Na tabela 29 depara-se com a opinião dos entrevistados sobre qual farinha temmelhor preço no mercado local.
  • 119. 118Tabela 29 – Melhor preçoOpinião Nº FreqüênciaFeita da casa de farinhatradicional 6 30%Feita da casa de farinha moderna 14 70%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 29 – baseado na tabela 29 - autoria própria.Com relação ao preço, 70% afirmaram que a farinha que tem melhor preço é aquelaproduzida na casa de farinha moderna, os outros 30% acham que a feita tradicionalmente.Salienta-se que mesmo sabendo que podem conseguir melhores preços com a farinhaproduzida com melhores condições técnicas e com mais higiene, ainda assim acham que atradicional é melhor de venda. O que se percebe é que os agricultores só conhecem oscompradores locais e os atravessadores e se acomodam vendendo sua farinha para os mesmos,não buscando, contudo, outros mercados consumidores que valorizem um produto maisqualificado.Com a finalidade de conhecer as vantagens e desvantagens da casa de farinhamoderna e fazer um comparativo com as tradicionais, questionaram-se os agricultores sobresuas opiniões, dissecando-as na tabela 30 e no gráfico 30, baseado nessa tabela.
  • 120. 119Tabela 30 – Vantagens e desvantagens da casa de farinha modernaDesvantagem VantagemPiso de cerâmica 0% 100%Forno de ferro 0% 100%é mecanizada 0% 100%é fechada 0% 100%O tipo de farinha 0% 100%Não Faz goma 100% 0%gasta muita energia 100% 0%Costume 100% 0%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 30 – baseado na tabela 30 – autoria própria.Acerca das vantagens e desvantagens da casa de farinha moderna, todos afirmaramque as principais vantagens são: piso de cerâmica, a casa de farinha é fechada, é todamecanizada, possui forno de ferro a o tipo de farinha é de ótima qualidade. Comodesvantagens, todos declararam que não faz goma, gasta muito energia e não têm costume.Como conclusão dessa etapa da pesquisa de campo, que se refere à análise da casa defarinha moderna, é factível se certificar que os agricultores familiares da comunidadeinvestigados têm conhecimento da existência da casa de farinha modernizada da comunidade,sabem de sua importância, percebem que através dela podem obter uma farinha com mais
  • 121. 120qualidade e com mais possibilidade de obter um bom preço. Contudo, não demonstramnenhum interesse de mudar de atitude e de comportamento e deixam transparecer seu apegoao tradicional e aos maus hábitos de produção.6.5 Nível de satisfação dos agricultores da comunidadeNesta seção que finaliza o estudo de caso, busca-se notificar o nível de satisfação dosagricultores com as casas de farinha tradicionais, com a moderna, com a assistência técnica ecom a produção de mandioca na comunidade.Na tabela 31, será exposto o nível de satisfação dos agricultores com a casa defarinha tradicional.Tabela 31 – Satisfação com as Casas de farinha tradicionaisOpinião Nº FreqüênciaMuito satisfeito 1 5%Satisfeito 10 50%Pouco Satisfeito 6 30%Insatisfeito 3 15%Não sabe 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 31 – baseado na tabela 31 - autoria própria.
  • 122. 121Ao serem inquiridos sobre sua satisfação com as casas de farinha tradicionais, 50%citaram que estão satisfeitos, 30% apresentaram-se pouco satisfeitos, 15% se mostraraminsatisfeitos e 5% muito satisfeitos, de acordo com o gráfico 31. Desse modo, mais uma vezse constata o apego dos agricultores ao tradicional e aos costumes adquiridos, não sentindodesejo de mudar.Após a captação do nível de satisfação dos agricultores com as casas de farinhatradicionais, procedeu-se a investigação acerca de sua satisfação com a moderna que seráapresentada na tabela 32 e para se ter um melhor entendimento foi figurado no gráfico 32.Tabela 32 - Satisfação com a Casa de farinha modernaOpinião Nº FreqüênciaMuito satisfeito 4 20%Satisfeito 14 70%Pouco Satisfeito 1 5%Insatisfeito 1 5%Não sabe 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 32 – baseado na tabela 32 - autoria própria.Acerca da satisfação com a casa de farinha moderna, 70% se dizem satisfeitos, 20%demonstraram-se muito satisfeitos, 5% pouco satisfeitos e 5% insatisfeitos.Quanto ao nível de satisfação com a assistência técnica, a tabela 33 expressa osresultados obtidos junto aos entrevistados.
  • 123. 122Tabela 33 - Nível de satisfação com assistência técnicaOpinião Nº FreqüênciaMuito satisfeito 1 5%Satisfeito 7 35%Pouco Satisfeito 2 10%Insatisfeito 0 40%Não sabe 10 10%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 33 – baseado na tabela 33 – autoria própria.Em referencia à satisfação dos agricultores com a assistência técnica, 40%demonstraram-se insatisfeitos, 35% aludiram que estão satisfeitos, 10% se apresentaraminsatisfeitos, 10% pouco satisfeitos e 5% não souberam responder. Pode-se acentuar aausência de assistência técnica seja uns dos motivos do desuso da casa de farinha moderna.Concluindo a análise dos dados do estudo de caso, a última tabela de nº 34demonstra a satisfação dos agricultores familiares com sua produção de mandioca.
  • 124. 123Tabela 34 - Satisfação com a produção de mandiocaOpinião Nº FreqüênciaMuito satisfeito 2 10%Satisfeito 16 80%Pouco Satisfeito 2 10%Insatisfeito 0 0%Não sabe 0 0%Total 20 100%Fonte: Pesquisa diretaGráfico 34 – baseado na tabela 34 – autoria própria.Sobre a satisfação dos agricultores pesquisados com produção de mandioca, 80%mencionaram que estão satisfeitos, 10% garantiram que estão muito satisfeitos e os últimos10% disseram que se encontram pouco satisfeitos.Concluindo esse estudo, deu para compreender que os agricultores familiares dacomunidade ainda estão num nível de organização instável, desestruturado e individualista.Embora nos últimos anos tenham surgido muitos avanços nos processosorganizativos da agricultora familiar, chegar à sustentabilidade ainda é um foco muitodistante.Conforme os indicadores obtidos na pesquisa, o perfil da agricultura familiar nacomunidade onde foi realizada a pesquisa encontra-se num processo de organização lento,devido as resistências as mudanças oferecidas pelos agricultores da comunidade.
  • 125. 124A comunidade possui muitas potencialidades para galgar a sustentabilidade produtivada cadeia da mandiocultura. Já dispõe de uma estrutura de agroindústria, com acesso aocrédito, possui associação constituída, motivação para participar da associação, dentre outras.Apesar de também existir muitos pontos negativos, como pouca terra, ausência de tecnologia,assistência técnica frágil, comodismo e individualismo, há possibilidades de se construir umprocesso baseado em outros exemplos de organização sustentável da cadeia produtiva damandioca.Foi identificada durante a pesquisa bibliográfica a existência de muitos programas degoverno que têm como objetivo apoiar a agricultura familiar. Entretanto, o que falta éorganização da comunidade para acessar a esses programas e se dedicar para evoluir emodificar o perfil da mandiocultura em Trairi e por consequência no Ceará.7 CONSIDERAÇÕES FINAISEste estudo teve por objetivo realizar um diagnóstico de modo a traçar o perfil daagricultura familiar sob a perspectiva de sustentabilidade da cadeia de produção de mandioca,o qual foi atingido por meio da investigação realizada através das entrevistas realizadas juntoaos agricultores familiares da comunidade do Córrego da Ramada, que proporcionou oconhecimento da realidade dos mandiocultores que serviram de amostra para a pesquisa.A pesquisa bibliográfica mostrou os diversos conceitos de agricultura familiar,desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, a história da agricultura familiar no mundo, noBrasil e no Ceará, bem como suas dificuldades e potencialidades, que contribuiu paraconhecer melhor todo o contexto da agricultura familiar e suas nuances.Algumas hipóteses foram comprovadas, como a falta de organização associativa, oindividualismo, o comodismo dos agricultores, a baixo nível educacional, a ausência deassistência técnica, resistência às mudanças e o apego ao tradicional.Esta pesquisa atingiu a todos os objetivos propostos na medida em que: Conceituou agricultura familiar e contextualizou sua evolução no mundo, noBrasil e no Ceará; Definiu desenvolvimento sustentável e abordou as suas dimensões; Contextualizou a agricultura familiar como instrumento paradesenvolvimento;
  • 126. 125 Apresentou a cadeia produtiva da mandioca e identificou como esta atividadepode ser potencialmente desenvolvida no Ceará como instrumento dedesenvolvimento rural sustentável; Pesquisou o perfil socioeconômico e a situação em que se encontram os AFselecionados: idade, escolaridade e renda familiar, números de filhos.Percebeu-se também que a agricultura familiar ainda não é muito aceita no mundocapitalista e há governos que não acreditam muito nesta modalidade econômica. O agricultorfamiliar ainda é tratado da mesma forma que o camponês e /ou o agricultor de subsistência eratratado. Na verdade, não há muitas diferenças entre essas categorias, o que há na verdade éuma organização maior das forças sociais que defendem os interesses do público componentedessa cadeia.Com o estudo de caso, foi possível conhecer de perto o comportamento dosagricultores familiares. Identificou-se um grupo de pessoas muito carente de organizaçãoeconômica, habituada a viver com o pouco que ganha através da atividade agrícola ou dosbenefícios sociais do Governo Federal. Descobriu-se também que o jovem rural não tem omenor interesse pela agricultura.Conforme os estudos feitos, a agricultura familiar propicia apenas o básico para oconsumo das famílias. Os rendimentos auferidos nesta atividade não são suficientes paraoferecer ao jovem o tipo de vida desejado por eles, como também o esforço de trabalhodispensado na atividade rural é muito grande, o que afasta a juventude do trabalho naagricultura.Segundo as impressões obtidas pela entrevista de campo, constatou-se que aagricultor familiar ainda pratica sua atividade do mesmo modo que há muitos anos. Astecnologias e o conhecimento científico ainda não são utilizados pelos mesmos, talvez devidoà falta de possibilidade ou por desinteresse, uma vez que as poucas tecnologias ao seu alcancesão desperdiçadas. Um exemplo é a casa de farinha moderna, visto que conforme os dadoscoletados na entrevista, tais como insatisfação com assistência técnica, falta decomercialização, algumas desvantagens, como não produzir a goma, os custos de produção,notadamente o consumo de energia elétrica, demonstra o desinteresse em usar a casa defarinha moderna.Alguns autores acreditam que a agricultura agroecológica dispensa as tecnologias,contudo, usando as mesmas ferramentas que utilizaram até hoje, não há como prosperar eauferir uma renda maior.
  • 127. 126Uma das principais tecnologias necessárias à organização produtiva é oconhecimento de gestão administrativa, o que está muito longe de ser dominada pelosagricultores familiares. Talvez por isso, a maioria ainda vive com menos de um saláriomínimo por mês.No que diz respeito à cadeia produtiva da mandioca, conclui-se que não é muitocomplexa, contudo, a maior dificuldade está na fase final, ou seja, na comercialização. Apesarde que a fase de produção merece muita atenção e investimento para possibilitar melhoresresultados.Durante a pesquisa foram enfrentadas algumas restrições, tais como, pouco materialde pesquisa e resistência dos agricultores para responder ao questionário.Como recomendações de pesquisa, diante da relevância desse tema, é importante queo mesmo continue sendo explorado pelos pesquisadores, investigue-se as resistências àsmudanças, os entraves da modernização da agricultura familiar, como também aimplementação de um sistema educacional voltado para promover a capacitação das famíliasde agricultores familiar no campo, que os prepare para enfrentar os desafios da agriculturafamiliar no Brasil e ainda os resultados da aplicação dos investimentos dos recursos doPRONAF no Ceará.Enfim, esse assunto é muito amplo e de certa forma muito novo. Ainda há muito a sepesquisar para chegar a conclusões mais precisas. Esse trabalho pode contribuir muito paraoutras pesquisas, mas sugere-se que investiguem mais o assunto, o qual é muito rico eenriquecedor, notadamente, para a melhoria de vida do agricultor familiar.
  • 128. 127REFERÊNCIASABRAMOVAY, Ricardo. De volta para o futuro: mudanças recentes na agricultura familiarin: Seminário Nacional do Programa de Pesquisa em Agricultura Familiar daEMBRAPA. Programa Sistemas de Produção na Agricultura. Anais, Petrolina 1997.______. Agricultura, Diferenciação Social e Desempenho Econômico. Projeto IPEA-NEAD/MDA – Banco Mundial, São Paulo, FEA-USP, 2000.______. Agricultura familiar e uso do solo. São Paulo em Perspectiva – Abr/jun, vol. 11, nº2:73-78. Disponível em: http://www.abramovay.pro.br/artigos_científicos/1997/Agricultura_familiar.pdf. Acesso em 20 out. 2011.______. Seminário Nacional de Assistência Técnica e extensão Rural, 1997, Brasília, DF.In: GIPAF. Uma nova extensão para a agricultura familiar - anais. Brasília: PNUD, 1997.ACMCR – Associação Comunitária do Córrego da Ramada – 2011.ALMEIDA, Jalcione. O problema da validação das tecnologias “alternativas” naagricultura. Trabalho apresentado na Conferência Internacional sobre Tecnologia eDesenvolvimento Rural Sustentável. Porto Alegre, 1995a______. Significados sociais da agroecologia e do desenvolvimento sustentável no espaçoagrícola e rural do Sul do Brasil. Relatório CNPq, Porto Alegre, 1995b.______. Tecnologias agrícolas alternativas: nascimento de um novo paradigma?, EnsaiosFEE, Porto Alegre, v. 19, n. 2, p. 116-131, 1998.ALTIERI, M. A. Agroecologia: as bases científicas da agricultura alternativa. Rio deJaneiro: PTA-FASE, 1989.______. Sustainability and the rural poor: a Latin American perspective. In: ALLEN, PFood for the future. New York : John Wiley & Sons. p. 193-209. (1993).ALVES, J. A. Lindgren. A Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Social e osparadoxos de Copenhague. Rev. bras. polít. int., Jun 1997, vol.40, no.1, p.142-166.Disponível em: http://www.cielo.br/cgibin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=article%5Edlibrary&format=iso.pft&lang=i&nextAction=lnk&indexSearch=AU&exprSearch=ALVES,+J.+A.+LINDGREN. Acesso em 02 dez 2011.ANDERSON, David R; SWEENEY, Dennis J; WILLIAMS, Thomas A. EstatísticaAplicada à Administração e Economia. Pioneira, São Paulo: 2002.ANTUNES, Manuel de Azevedo. Do Crescimento Econômico ao DesenvolvimentoHumano em Tempos de Globalização 2004. Disponível em: revistas.lusofona.pt/index.php/campussocial/article/view/178. Acesso em 02 dez. 2011.BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Edições 70, Lisboa:, 1977.
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  • 137. 136SOUZA, Adervan Fernandes. Indicadores de sustentabilidade em sistemas agroecológicospor agricultores familiares do Semi-Árido Cearense. Fortaleza, 2006. 93f. Dissertação(Mestrado em Agronomia). Universidade Federal do Ceará.SOUZA, Nali de Jesus. Desenvolvimento econômico. 4º ed. São Paulo: Atlas, 1999.SUNDERHUS, Adolfo Brás. Agricultura Familiar - Desafiando Um Paradigma Social EPolítico Para Sustentabilidade. Disponível em: www.faser.org.br/anexos/textoadolfolnovo.doc. Acessado em 08 out. 2011.TINOCO, S. T. J. Conceituação de agricultura familiar uma revisão bibliográfica. 2008.Disponível em: http://www.cati.sp.gov.br/Cati/ tecnologias/ teses/tesesoniatinoco.pdf. Acessoem 20 set.2011.TRAIRI – PDP - Plano de Desenvolvimento Participativo – 2009.TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais. São Paulo: Atlas, 1992.VECCHIATT, Karin. Três fases rumo ao desenvolvimento sustentável: do reducionismo àvalorização da cultura. 2004. São Paulo. 2004, p. 90-95.VEIGA, J. E. da. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro:Garamond, 2005.VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 3ª ed.São Paulo:Atlas, 2000.______. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2004.______. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005.VIEIRA, Lizt. Fragmentos de um discurso ecológico. São Paulo: Gaia, 1990. 64pVILCKAS, M. Modelo de planejamento para atividades produtivas rurais: umaproposta para unidades de produção familiares. 2005, 137 p. Dissertação (Mestrado emEngenharia de Produção). Universidade Federal de São Carlos.WIKIPEDIA. Disponível em: http:// pt.wikipedia. org/wiki/Crescimento_economico. Acessoem 04 nov. 2011.______. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_humano. Acesso em04 nov. 2011._______. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_economico. Acessoem 04 nov. 2011.______. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_social. Acesso em 04nov. 2011.
  • 138. 137XAVIER, Uriban. Desenvolvimento rural no Ceará e o projeto cédula da terra: Inclusãosocial ou um cavalo de troia? Fortaleza, CE: UFCE 120p. Março de 1999. 8pYIN, R. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2a ed. Porto Alegre: Bookman; 2001.
  • 139. 138APÊNDICES
  • 140. 139APÊNDICE APESQUISA DE OPINIÃO SOBRE A CADEIA PRODUTIVA DA MANDIOCA E A CASADE FARINHA MODERNA NA COMUNIDADE DOCORREGO DA RAMADA-TRAIRI-CE PERFIL SÓCIOECONOMICO DOS AGRICULTORES1. Qual a idade?( ) até 20 anos ( ) 20 a 30 anos ( ) 30 a 40 anos ( ) 40 a 50 anos ( ) Acima de 50 anos2. Qual a renda?( ) até 1 salário ( ) de 1 a 2 salários mínimos ( ) de 2 a 3 salários mínimos( ) de 3 a 5 salários mínimos ( ) maior que 5 salário mínimos.3. Qual é o grau de Escolaridade?( ) Alfabetizado ( ) Ensino Fundamental ( )Ensino Médio ( ) Ensino Superior4. Quantos filhos tem?( ) 0 a 2 ( ) 2 a 4 ( ) 4 a 6 ( ) mais de 65. Quanto tempo mora na comunidade (anos) ?( ) 0 a 5 ( ) 5 a 10 ( ) 10 a 15 ( ) mais de 15 PERFIL DA MANDIOCUTURA NA COMUNIDADE6. Qual a área do plantio da mandioca( ) 0 a 1ha ( ) 1 a 2ha ( ) 2 a 3ha ( )3 a 4ha ( ) 4 a 5ha7. Qual produção de mandioca em cargas:( ) 0 a 10 ( ) 10 a 20 ( ) 20 a 30 ( )30 a 40 ( ) 40 a 508. Qual produção de farinha (alqueire)( ) 0 a 5 ( ) 5 a 10 ( ) 10 a 15 ( )15 a 20 ( ) 20 a 25 ( )25 a 309. Onde compra as ferramentas e insumos utilizados na atividade?( ) Comercio local ( ) Nos municípios vizinhos ( ) Fortaleza10. Qual o destino das raízes de mandioca?( ) produção de farinha ( ) ração animal ( ) Venda in natura ( ) Produção de goma11. Como faz as compras de insumos e ferramentas?( ) individual ( ) em grupo12. Onde vende sua produção?( ) Comercio local ( ) municípios vizinhos ( ) Fortaleza( ) feiras livres ( ) atravessadores ( ) governo
  • 141. 14013. Como vende sua produção?( ) individual ( ) em grupo14. Como os concorrentes interferem na atividade?( ) no preço ( ) na oferta ( ) na procura ( ) na comercialização15. Qual a peso da mandiocutura para a sobrevivência da família?( ) 0 ( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( ) 5 ( ) 6 ( ) 7 ( ) 8 ( ) 9 ( ) 1016. A Associação Comunitária contribui para o desenvolvimento da mandiocutura e dacomunidade?( ) muito ( ) pouco ( ) médio ( ) não sabe17. Você se sente motivado a participar da Associação Comunitária?( ) sim ( ) não ( ) médio ( ) pouco18. Coloque N para negativo e P para positivo para cada item abaixo em relação a cadeiaprodutiva da mandioca( ) produção baixa ( ) assistência técnica ( ) terra( ) produtividade baixa ( ) mecanização ( ) atravessadores( ) preço da farinha ( ) excesso de produção ( ) preço de insumos( ) qualidade da farinha ( ) acesso a mercado ( ) estradas( ) Custo de produção19. Há incentivo do governo para a cultura da mandioca?( ) Sim ( ) Não ( ) Não sabe20. Tipo de incentivo do governo:( ) Empréstimo ( ) Assistência técnica ( ) Cursos ( ) apoio acomercialização ANALISE DAS CASAS DE FARINHA TRADICIONAIS21. Como você avalia a qualidade da farinha produzida nas casas de farinha tradicionais?( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Não sabe22. Como você avalia os equipamentos das casas de farinha tradicionais?( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Não sabe23. Quais as vantagens e desvantagens da casa de farinha tradicional?Coloque V – Vantagem e D - Desvantagem( ) Faz goma ( ) Não gasta muita energia ( ) Estão acostumados ( ) É aberta( ) O piso é grosso ( ) O forno de tijolo ( ) É toda manual ( ) O tipo de farinha ANALISE DA CASA DE FARINHA MODERNA24. Você conhece a casa de farinha moderna implantada pelo Governo do estado do Ceará?( ) Sim ( ) Não ( ) Não sabe
  • 142. 14125. Qual sua opinião sobre a casa de farinha moderna?( ) Melhor que a tradicional ( ) Pior que a tradicional( ) Não tem diferença ( ) Não sabe26. A despesa de produção das casas de farinha tradicional em relação a moderna?( ) Mais alto ( ) Mais baixo ( ) Igual ( ) Não sabe27. Como você avalia a qualidade da farinha produzida na casa de farinha moderna?( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Não sabe28. Qual farinha é melhor de venda?( ) Feita da casa de farinha tradicional ( ) Feita da casa de farinha moderna29. Qual farinha tem o melhor preço?( ) Feita da casa de farinha tradicional ( ) Feita da casa de farinha moderna30. Quais as vantagens e desvantagens da casa de farinha moderna?Coloque V – Vantagem e D - Desvantagem( ) Não faz goma ( ) Gasta muita energia ( ) Não estão acostumados ( ) Éfechada( ) Tem cerâmica no piso ( ) O forno de ferro ( ) É mecanizada ( ) O tipo defarinha NIVEL DE SATISFAÇAO DOS AGRICULTORES DA COMUNIDADE31. Nível de satisfação com a casa de farinha moderna?( ) Muito satisfeito ( ) Satisfeito ( ) Pouco Satisfeito ( ) Insatisfeito( ) Não sabe32. Nível de satisfação com as casas de farinha tradicional?( ) Muito satisfeito ( ) Satisfeito ( ) Pouco Satisfeito ( ) Insatisfeito( ) Não sabe33. Nível de satisfação assistência técnica?( ) Muito satisfeito ( ) Satisfeito ( ) Pouco Satisfeito ( ) Insatisfeito( ) Não sabe34. Nível de satisfação com a produção de mandioca?( ) Muito satisfeito ( ) Satisfeito ( ) Pouco Satisfeito ( ) Insatisfeito ( ) Não sabe