1     RELIGIÃO, TRANSFORMAÇÕES     CULTURAIS E GLOBALIZAÇÃO  IV CONGRESSO INTERNACIONAL EM CIÊNCIAS DA            RELIGIÃO...
2Anais do IV Congresso Internacional em Ciências da Religião       Programa em Ciências da Religião – PUC-GO              ...
3    IV CONGRESSO INTERNACIONAL EM CIÊNCIAS DA                     RELIGIÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM    ...
4COMISSÃO ORGANIZADORAPRESIDENTE: Dra. Irene Dias de OliveiraMEMBROSDra. Ivoni Richter ReimerDr. José Carlos Avelino da Si...
5
6                                            ÍNDICEAPRESENTAÇÃO ----------------------------------------------------------...
7GT 9: RESISTÊNCIA, ASSIMILAÇÃO E ACOMODAÇÃO NA CONSTRUÇÃO DEIDENTIDADE NOS INÍCIOS DA IGREJACOORD.: Dra. Ivoni Richter Re...
8RESUMOS        RELIGIÃO, TRANSFORMAÇÕES CULTURAIS E GLOBALIZAÇÃO      O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciênci...
9grandes conferências apresentadas por pesquisadores e pesquisadoras nacionais einternacionais que estiveram presentes em ...
10 GRUPOS TEMÁTICOS – GTsCOMUNICAÇÕES CIENTÍFICAS
11GT 1: IMPACTOS DAS TRANSFORMAÇÕESCULTURAIS E DA GLOBALIZAÇÃO NA(INTER)RELAÇÃO ENTRE RELIGIÃO ESAÚDE                     ...
12          A INTERFERÊNCIA DA BENZEDURA NO PROCESSO TERAPÊUTICO                                               Filipe Gome...
13Segundo Parker (1995), nos mais diversos lugares os indivíduos buscam amuletos,talismãs, bênçãos, e cumprem ritos, com a...
14No contexto de religião e saúde, a fé desempenha um papel crucial, pois acredita-seque a partir dela é que os indivíduos...
15relatos das benzedeiras, as mesmas aconselham os clientes a procurarem omédico.A cura das enfermidades, obtidas por meio...
16O último aspecto abordado diz respeito ao público que recorre às práticas debenzedura. Verificou-se que 75% das entrevis...
17LEMOS, Carolina Teles. Religião e Saúde: (re)significando as dores na vidacotidiana. Rio de Janeiro: Descubra, 2008.PARK...
18        PRINCÍPIOS E PRÁTICAS DE SAÚDE NO MOVIMENTO ADVENTISTA:                        A RELAÇÃO ENTRE SAÚDE E RELIGIÃO ...
19desse momento que há a sistematização de crenças e a organização institucional,passando a se denominar Igreja Adventista...
20      As noções, pressupostos, concepções acerca de saúde possuem estritarelação com o estágio do conhecimento e a idéia...
21funcionar eficientemente, o movimento adventista estabeleceu as bases nodesenvolvimento de sua Filosofia de saúde com o ...
22  mundo é feita por esse corpo. Ele é a escritura viva do Ser, espaço significante, possibilidade de  nossa instituição ...
23REFERÊNCIASBAKER, Beth. Scientists finding more evidence of link between mind and health.AARP Bulletim, 1993.DEROSCHE, H...
24    ASSOCIAÇÃO ENTRE PRÁTICA RELIGIOSA E DE ATIVIDADE FÍSICA EM                 UNIVERSITÁRIOS GUANAMBIENSES            ...
25condição humana e de suas relações‖. Quanto à relação saúde e religiosidadeGuimarães e Avezum (2007, p.93) dizem que:   ...
26         Amostra foi composta por 41 avaliados, com idade de 20,85+3,4 anos,estudantes do 1º bloco dos cursos de saúde d...
27        Conclui-se que a prática religiosa é um importante fator no que diz respeito àmanutenção de níveis saudáveis de ...
28
29GT 2 - RELIGIÃO, VIOLÊNCIA, ETNICIDADEE GLOBALIZAÇÃO                                               Coordenação: Drª Iren...
30 AFRICANIDADE, RESISTÊNCIA CULTURAL E RELIGIOSIDADE: LEITURAS DA      NÃO DISCIPLINARIZAÇÃO DO CORPO NA CAPOEIRA EM BELÉ...
31     que determinados seguimentos faziam a respeito da capoeiragem, como era     definido o delito, na época imperial, m...
32     com esses seguimentos formados por ex-escravos, criminosos, desordeiros, que     agora exibiam pelas ruas uniformes...
33  envolvem valores como identidade, confiança, companheirismo, respeito e  lealdade, sintetizados na complexa noção de f...
34SALLES, Vicente. A defesa pessoal do negro: a capoeira no Pará. Brasília: Micro-edição autor, 1994.SOARES, Carlos Eugêni...
35                     A compreensão tradicional das relações entre a sociedade e a natureza                     desenvolv...
36relações sociais, também essas mesmas injustiças, abusos violência e exploraçãoaparecem nas relações com a natureza. A s...
37                    existem também setores opulentos no Terceiro Mundo (uma                    primeiromundialização do ...
38                      também a Terra sob o esgotamento sistemático de seus recursos não                      renováveis ...
39miseráveis e condenados a uma vida de sacrifícios e inferioridade social (DALLARI,1999, p. 13).A consciência política - ...
40Algumas mudanças ocorridas no pensamento social e ambiental foram provocadaspelos movimentos ecologistas. A humanidade c...
41                     O movimento ecológico enfrenta no Sul, maiores desafios que no Norte,                     devido à ...
42BOFF, Leonardo. Ética da Vida. Rio de Janeiro: Sextante, 2005._____________. Princípios de Compaixão e Cuidado. Petrópol...
43           JOHN LOCKE E O PRENÚNCIO DA INDIVIDUALIDADE RELIGIOSA                                                  AZIZE ...
44no Tibet; e o humor entre turcos, árabes e cristãos na Europa e Estados Unidosreflete momentos de tensão e provocação mú...
45acontecimentos contemporâneos e, consequentemente aos escritos do filósofoempirista inglês John Locke.       Em    sua  ...
46apesar de seu liberalismo incipiente, não estendia a doutrina da tolerância aosateus.                       [...] os que...
47propõe que os magistrados busquem outras causas para os males existentes, emvez de que simplesmente atribuí-los à religi...
48determinada igreja. A excomunhão não poderia jamais despojar o indivíduo de seusbens civis ou de suas posses, que deveri...
49      O que adquire um caráter surpreendente na leitura da Carta acerca datolerância é a constatação de que esse tema, c...
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
A simbologia das relações de poder em Corinto
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

A simbologia das relações de poder em Corinto

1,874

Published on

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
1,874
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
8
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Transcript of "A simbologia das relações de poder em Corinto"

  1. 1. 1 RELIGIÃO, TRANSFORMAÇÕES CULTURAIS E GLOBALIZAÇÃO IV CONGRESSO INTERNACIONAL EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO – PUC-GOIÁS Realização PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS Programa stricto sensu em Ciências da Religião ApoioCAPES – PAULINAS – PAULUS – VOZES – OIKOS – SINODAL – METODISTA Parceria Universitá di Sociologia di Padova - Dipartimento di Sociologia International Society for the Sociology of Religion (ISSR) IRENE DIAS DE OLIVEIRA IVONI RICHTER REIMER SANDRA DUARTE DE SOUZA (ORGS.)
  2. 2. 2Anais do IV Congresso Internacional em Ciências da Religião Programa em Ciências da Religião – PUC-GO GRUPOS TEMÁTICOS E RESUMOS EDIÇÃO DIGITAL – EBOOK PAULINAS ISSN 2177 – 3963 Periodicidade: anual
  3. 3. 3 IV CONGRESSO INTERNACIONAL EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS TEMARELIGIÃO, TRANSFORMAÇÕES CULTURAIS E GLOBALIZAÇÃOLOCAL: Pontifícia Universidade Católica de Goiás27 a 29 de setembro de 2010Goiânia, Goiás, Brasil
  4. 4. 4COMISSÃO ORGANIZADORAPRESIDENTE: Dra. Irene Dias de OliveiraMEMBROSDra. Ivoni Richter ReimerDr. José Carlos Avelino da SilvaDra. Maria Eliane Rosa de SouzaMndo. Adelman Soares AsevedoDranda. Cristhyan Martins Castro MilazzoMnda.Cilma Laurinda Freitas e SilvaMnda.Cristina Galdino de AlencarDranda.Danielle Ventura Bandeira de LimaDrando. Eleno Marques de AraújoDranda. Hulda Silva Cedro da CostaMndo. Iran Lima AragãoMndo. Israel Serique dos SantosMnda. Luzia Ireny e SilvaDranda. Maria Cristina BonettIMndo. Oli Santos da CostaMnda. Sandra Célia de OliveiraMndo. Sérgio Batista de OliveiraMs. Uene José GomesDrando. Welthon Rodrigues CunhaSECRETÁRIA EXECUTIVA: Geyza PereiraCOMITÉ TÉCNICO CIENTÍFICODR. AFONSO MARIA LIGÓRIO SOARES (SOTER)DR. CARLOS RIBEIRO CALDAS FILHO (UPM)DR. CRISTIAN PARKER (UNIVERSIDAD DE SANTIAGO DE CHILE)DR. ENZO PACE (UNIVERSITÁ DI PADOVA)DR. GILBRAZ DE SOUZA ARAGÃO (UNICAP)DR. GERALDO DE MORI (FAJE)DR. JUNG MO SUNG (UMESP)DR. SILAS GUERRIERO (PUC-SP)DR. MÁRIO SANCHES (PUC-PR)DR. NEY DE SOUZA (PUC-SP)DR. WILHELM WACHHOLZ (EST)DR. VALMOR DA SILVA (PUC-GO)
  5. 5. 5
  6. 6. 6 ÍNDICEAPRESENTAÇÃO -------------------------------------------------------------------------- GRUPOS TEMÁTICOS – GTs: COMUNICAÇÕES CIENTÍFICASGT 1 - IMPACTOS DAS TRANSFORMAÇÕES CULTURAIS E DAGLOBALIZAÇÃO NA (INTER)RELAÇÃO ENTRE RELIGIÃO E SAÚDECOORD.: Drª Carolina Teles LemosGT 2 - RELIGIÃO, VIOLÊNCIA, ETNICIDADE E GLOBALIZAÇÃOCOORD.: Drª Irene Dias de OliveiraGT 3: PROTESTANTISMO E GLOBALIZAÇÃOCOORD.: Dr. Eduardo Gusmão de QuadrosGT 4: SANTIDADE, PROFECIA E SABEDORIACOORD.: Dr. Valmor da SilvaGT 5: TRANSE E RELIGIOSIDADE PÓS-MODERNACOORD.: Drando. Welthon Rodrigues CunhaGT 6: RELIGIÃO E MODERNIDADECOORD.: Dra. Sandra Duarte de SouzaGT 7: RELIGIÃO, FILOSOFIA E GLOBALIZAÇÃOCOORD.: Dra. Maria Eliane Rosa de SouzaGT 8:. O SAGRADO FEMININO E A GLOBALIZAÇÃOCOORD.: Dr. José Carlos Avelino da Silva e Dranda. Maria Cristina Bonetti
  7. 7. 7GT 9: RESISTÊNCIA, ASSIMILAÇÃO E ACOMODAÇÃO NA CONSTRUÇÃO DEIDENTIDADE NOS INÍCIOS DA IGREJACOORD.: Dra. Ivoni Richter ReimerGT 10: DEMANDAS HISTÓRICO-SOCIAIS E CUIDADO ECOLÓGICO NATRADIÇÃO BÍBLICACOORD.: Dr. Haroldo ReimerGT 11: TRADIÇÃO HEBRAICA: HISTÓRIA, EMERGÊNCIAS E ACOMODAÇÕESCULTURAISCOORD.: Dr. Haroldo Reimer e Drando. Claude DetienneGT 12: SOFIA COMO BUSCA DAS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS EM CORINTOCOORD.: Dr. Joel Antônio FerreiraGT 13: RECUPERAÇÃO DA DIMENSÃO CRÍTICA DA FÉ DIANTE DOSDESAFIOS DA GLOBALIZAÇÃOCOORD.: Dr. Élio Estanislau GasdaGT 14: JUVENTUDE E RELIGIÃO NA (PÓS) MODERNIDADECOORD.: Dr. Flávio Munhoz SofiatiGT 15: CELEBRAÇÕES FESTIVAS: A VALORIZAÇÃO DA RELIGIOSIDADEPOPULAR NO BRASILCOORD.: Drando. João Guilherme da Trindade Curado e Dranda. Tereza CarolineLoboGT 16: RELIGIOSIDADE SERTANEJA: CULTURA IDENTIDADE EGLOBALIZAÇÃOCOORD.: Ângela Cristina Borges
  8. 8. 8RESUMOS RELIGIÃO, TRANSFORMAÇÕES CULTURAIS E GLOBALIZAÇÃO O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião daPontifícia Universidade Católica de Goiás, após uma década de atividades voltadaspara a pesquisa e a produção científica sobre o fenômeno religioso e a formação depesquisadores (as), realizou, de 27 a 30 de setembro de 2010, o seu IV CongressoInternacional em Ciências da Religião, visando discutir o tema “Religião,transformações culturais e globalização”. Desde suas primeiras edições, esses eventos contaram com o apoio daprópria instituição (PUC Goiás), de editoras e livrarias (Paulus, Paulinas, Vozes) e deoutras instituições locais. A partir do formato de Congresso Internacional, a CAPESvem prestando significativo apoio, o que tornou possível dar continuidade aoseventos referidos, dando assim maior visibilidade e credibilidade às pesquisasdesenvolvidas no Centro-Oeste Brasileiro, em âmbito nacional e internacional.Parcerias também foram estabelecidas com a SOTER Nacional e, nesse ano, com oPrograma de Pós-Graduação Stricto Sensu da Universidade Metodista de São Pauloe da Universidade de Bologna e a Associazione Internazionale di Sociologia dellaReligione (seção italiana). O IV Congresso Internacional em Ciências da Religião contou com aparticipação de pesquisadores e instituições renomadas em nível nacional einternacional. Todos eles pesquisam e se debruçam sobre o tema “Religião,transformações culturais e globalização” o que possibilita maior consolidação doPrograma e o amadurecimento de seus docentes e alunos envolvidos empesquisas interdisciplinares. Além do mais contribuem para o fortalecimento de laçosde internacionalização do Programa e parcerias entre docentes pesquisadores (as),fatores extremamente importantes para a pesquisa no Centro-Oeste. Os Anais dos Congressos são publicados regularmente e nesse anocontamos com o apoio da REVISTA ON-LINE CIBERTEOLOGIA para publicarmosem sua seção de ANAIS todos os resumos e as melhores comunicações científicasaprovadas e apresentadas. Em breve será também publicado o livro contendo as
  9. 9. 9grandes conferências apresentadas por pesquisadores e pesquisadoras nacionais einternacionais que estiveram presentes em nosso Congresso. Nesse número de CIBERTEOLOGIA, apresentaremos os resultados dapesquisa de teólogos(as) e cientistas da religião que apresentaram suascomunicações distribuídas pelos vários Grupos de Trabalho multidisciplinares que,apesar de terem a religião como tema central, tentaram discutir os impactos dastransformações culturais e da globalização sobre ela. Portanto, é com imensa alegria que socializamos algumas das comunicaçõese todos os resumos de trabalhos aprovados e apresentados por nossos (as)estudantes e pesquisadores(as) presentes no IV CONGRESSO INTERNACIONALEM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO e que se debruçam sobre a religião e seus desafiosem uma sociedade em constante transformação cultural.Profa. Dra. Irene Dias de OliveiraPresidente e Coordenadora doIV CONGRESSO INTERNACIONAL EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃOPROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO DAPONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
  10. 10. 10 GRUPOS TEMÁTICOS – GTsCOMUNICAÇÕES CIENTÍFICAS
  11. 11. 11GT 1: IMPACTOS DAS TRANSFORMAÇÕESCULTURAIS E DA GLOBALIZAÇÃO NA(INTER)RELAÇÃO ENTRE RELIGIÃO ESAÚDE Coordenação: Dra. Carolina Teles LemosResumo: Se a reflexividade da vida social moderna consiste no fato de que aspráticas sociais são constantemente examinadas e revisadas à luz de novasinformações sobre estas próprias práticas, alterando constitutivamente seu caráter(Giddens), também a tradicional (inter)relação entre religião e saúde passa poressas revisões. Os impactos dessa reflexividade incidem tanto sobre a religião, quereconfigura seu olhar em relação à saúde, quanto sobre a área da saúde(pesquisadores da área, profissionais, pessoas acometidas de doenças graves ounão), que revisa suas concepções e buscas religiosas. Tendo presente essaconjuntura, o GT visa ser um espaço de debate sobre os impactos dastransformações culturais e da globalização na (inter)relação entre religião e saúde.Palavras-chave: religião, saúde, transformações culturais.
  12. 12. 12 A INTERFERÊNCIA DA BENZEDURA NO PROCESSO TERAPÊUTICO Filipe Gomes Gadeia Brito1 Sandra Célia C. G. S. S. Oliveira2 RESUMO O presente trabalho tem por objetivo conhecer de que forma as benzedeiras contribuem para o tratamento terapêutico e a possível cura, assim como o ritual utilizado e como ele é transmitido. Para tal, foi realizado uma pesquisa quanti/qualitativa, com informações coletadas a partir de entrevista semi-estruturada. Percebe-se que existe a interferência da benzedura no processo terapêutico e vale salientar que a mesma não exclui o tratamento médico, visto que existem determinados males onde os benzimentos não podem intervir. A prática de benzimentos alcançou ao longo dos tempos lugar de grande importância, pois os que recorrem às benzedeiras sejam movidos por uma fé no ritual, palavras e objetos utilizados, tentam encontrar ali a cura de enfermidades.A constante busca pelo estado de saúde faz com que muitos indivíduos busquemmétodos e formas alternativas para o alcance do bem-estar físico, psíquico e social,sendo a benzedura uma dessa formas que alcançou grande difusão ao longo dostempos. A benzeção realiza um dos momentos mais importantes da me-dicina [sic] popular. Nela, os artifícios e estratégias do saber popular, criados e recriados pela cultura popular rural, com os conhecimentos sobre plantas, banhos, receitas, chás, sim-patias [sic], massagens, escalda-pés, suadouros, garrafadas, medicamentos caseiros e às vezes até mesmo industrializados, se corporificam nas concepções terapêuticas da benzedeira [...]. (LEMOS, 2008, p. 71-72)O presente estudo tem como objetivo conhecer de que forma as benzedeirascontribuem para o tratamento terapêutico e a possível cura, assim como o ritualutilizado e como ele é transmitido e para isso teve como campos de estudo ascidades de Brumado, Guanambi, Macaúbas e Urandi, no estado da Bahia.A IMPORTÂNCIA DA CULTURA POPULAR NO CONTEXTO DA SAÚDEDesde os primórdios da humanidade, a busca pelo estado de saúde motivou ohomem a procurar meios e formas que lhe garantissem um estado de equilíbrio.1 Graduando em Enfermagem pela Universidade do Estado da Bahia – lippe_ggb@hotmail.com2 Mestranda em Ciências da religião da PUC - GO e Professora auxiliar da Universidade do Estado daBahia. Departamento de Educação, Campus XII, Guanambi : sandraccgs@hotmail.com
  13. 13. 13Segundo Parker (1995), nos mais diversos lugares os indivíduos buscam amuletos,talismãs, bênçãos, e cumprem ritos, com a finalidade de evitar os males, geralmenterelacionados à saúde.O ato da benzedura é uma forma cultural muito procurada por pessoas dediferentes etnias, gêneros, classes sociais, idades e religiões, a fim de obterem umestado saudável. Este ato cultural, segundo Cavalcante & Chagas (200-), teve seuinício no período colonial brasileiro, bem como outras práticas médicas.Segundo Ximenes (2000, p. 273), cultura é um conjunto de costumes, atitudes,comportamentos, crenças, instituições, produções artísticas e intelectuais quecaracterizam um povo. Dessa forma, a cultura popular é algo de grande importânciapara a formação da identidade de um povo e Gorzoni (2005, p. 69) ainda acrescentaque os benzimentos são realizados por diversas culturas, de diferentes formaspossíveis e contam com o auxílio dos elementos da natureza e da religião, e todostêm o mesmo objetivo: curar, abençoar e proteger as pessoas de forças negativasdo universo.A INFLUÊNCIA DA RELIGIÃO E FÉ NO PROCESSO DE CURAO homem sempre procurou o auxílio de uma força maior que o ajudasse a superaros desafios encontrados no decorrer de sua vida, isso pode ser evidenciado nastentativas de superação das doenças, sendo estas sinônimo de caos e desordem,além de ser considerada um castigo divino. Neste sentido a religião se encontranuma concepção de intermediária entre os homens e deus(es), para assim obterema almejada graça, como a cura da doença. Para Priori (2007apud Cavalcante &Chagas, 2000, p.4) A enfermidade era vista por muitos pregadores e padres, e também por médicos da época, como um remédio salutar para os desregramentos do espírito. Nessa perspectiva, a doença nada mais era do que o justo castigo por infrações e infidelidades perpetradas pelos seres humanos.Mesmo nos dias atuais, com o intenso desenvolvimento tecnológico e o grandeavanço na área da medicina, percebe-se que uma considerável parcela dapopulação ainda vê na religião uma forma de alcançarem a solução para os seusproblemas. A relação entre saúde e religião pode ser demonstrada de diversasformas, como os ritos de imposição das mãos, benzeduras, exorcismos,curandeirismo, xamanismo, pajelança, entre outros, cada um com sua crença, mastodos convergem a um mesmo ponto: a cura das enfermidades.
  14. 14. 14No contexto de religião e saúde, a fé desempenha um papel crucial, pois acredita-seque a partir dela é que os indivíduos têm a esperança de alcançar o benefícioesperado. Afirma Santo Agostinho que a fé se baseia na crença e na aceitação doque não é manifesto à razão, sendo seu objeto próprio os mistérios.Sendo assim, podemos perceber a forte relação entre o tripé religião, fé e cura, poisa religião não pode ser entendida como uma razão pura, mas sim por meio da fé, e éesta fé que impulsiona o homem a crer nos mais diversos métodos que tenham porobjetivo alcançar a cura.A PRÁTICA DE BENZIMENTOS NO PROCESSO TERAPÊUTICOParece contraditório nos dias atuais, que apesar de tantos avanços na área médicae de pesquisas no campo da saúde existirem ainda as práticas de benzedura.Comenta Cavalcante & Chagas (2000, p. 3) Diante dos avanços do saber médico-científico[...] deveria supor que práticas mágicas de intervenção no corpo estariam superadas, restando a elas o espaço da literatura ou praticadas em comunidades tradicionais. No entanto, isso não é o que a realidade mostra.O ato da benzedura, uma prática cultural que atravessou os séculos e está presenteno cotidiano de muitas pessoas, consiste de um ritual em que se utilizam símbolos,palavras e gestos, e tem por finalidade o restabelecimento da saúde. Asbenzedeiras, também chamadas de rezadeiras, realizam o ritual de cura, motivadaspela fé. Com relação a benzeção, afirma Aguiar (200-, p. 50): As práticas de cura das mulheres benzedeiras não são um saber especializado no mesmo sentido do saber dos médicos [...] a prática das benzedeiras faz parte de uma vivência que é social, religiosa, econômica e moral ao mesmo tempo. O exercício da benzedura envolve todos os aspectos da vida da comunidade. As benzedeiras são pessoas conhecidas das famílias da comunidade, donas de casa, mães e avós, vizinhas, que, para retribuir o dom recebido de Deus, rezam e curam.Percebe-se que existe a interferência da benzedura no processo terapêutico e valesalientar que a mesma não exclui o tratamento médico, visto que existemdeterminados males onde os benzimentos não podem intervir. Neste caso, segundo
  15. 15. 15relatos das benzedeiras, as mesmas aconselham os clientes a procurarem omédico.A cura das enfermidades, obtidas por meio dos benzimentos, é a responsável peloreconhecimento do ofício das benzedeiras.ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOSTrata-se de uma pesquisa quanti/qualitativa, com informações coletadas por meio deentrevista semi-estruturada, realizada com quatro benzedeiras e quarentaentrevistados que recorreram às práticas de benzimentos, distribuídos nas cidadesde Brumado, Guanambi, Macaúbas e Urandi, no estado da Bahia.Levando-se em consideração como as benzedeiras adquiriram o dom dobenzimento e de como ele pode ser transmitido, nota-se que 100% dasentrevistadas adquiriram atráves de herança familiar, podendo ser transmitido aqualquer pessoa que tenha interesse em aprender. Com relação às enfermidadesem que se recorrem aos benzimentos, mau-olhado e quebranto são as maiscomuns. De acordo com as benzedeiras entrevistadas, as pessoas recorrem aosbenzimentos porque se sentem bem com a oração que elas praticam. E as mesmasafirmam que há uma relação da cura com a fé.Quanto ao dia e horário em que realiza-se os rituais verificou-se algumas diferençasexistentes. Dona Maria não reza aos domingos e nos outros dias só até às 9 hs danoite. Dona Joana reza aos domingos só em caso de urgência e nos outros diasreza normalmente, mas não às 18 hs e às 24 horas. Dona Norma e Ana rezamqualquer dia e horário, não havendo restrições. Com relação ao ritual utilizado, DonaNorma antigamente fazia uso dos ramos e após ser integrante da RenovaçãoCarismática Católica (RCC) passou a adotar a imposição das mãos, citandopassagem do Evangelho (Mc. 16), oração única e válida para todos os tipos deenfermidades. As outras utilizam ramos no seu ritual, fazendo o sinal da cruz. DonaMaria usa fitas, cartelinhas que contém as orações e cordão de São Francisco parapessoas muito neuróticas. Dona Joana usa também faca de ponta, algodão e galhoseco. Dona Ana para realizar o ritual precisa de três ramos. Segundo Gorzoni (2005)os benzimentos auxiliam na superação de situações de caos, como no caso depatologias e grande parte das benzedeiras utilizam ervas, utensílios domésticos erezas no seu ritual.
  16. 16. 16O último aspecto abordado diz respeito ao público que recorre às práticas debenzedura. Verificou-se que 75% das entrevistadas (Brumado, Guanambi eMacaúbas) atendem todos os públicos de todas as classes sociais. Entretanto, aentrevistada de Urandi atende apenas crianças, não importando a classe socialpertencente.Na entrevista realizada com as dez pessoas de cada cidade que já recorreram aosbenzimentos, verificou-se que a média de idade era 46 anos e sãopredominantemente católicos. Tratando-se de gênero, a maior parte são mulheres,representando um total de 72,5%. Com relação à obtenção de cura por parte dosbenzimentos, foi constatado que 37 pessoas afirmaram ter alcançado. No quesito deenfermidades mais comuns, notou-se que a predominância era mau-olhado, vermes,dor de estômago, alcoolismo e quebranto. Foi questionado também à quem aspessoas atribuem a cura e notou-se que a maioria atribui a fé do cliente, a Deus e afé da benzedeira. Vale salientar que os nomes citados são todos fictícios.CONSIDERAÇÕES FINAISDiante das entrevistas e levantamento bibliográfico realizado, pode-se constatar querealmente as práticas de benzimento contribuem de forma positiva no processoterapêutico, isto, pois a maioria dos entrevistados relataram ter alcançado a cura pormeio do ritual e também foi possível detectar que há uma forte relação da cura coma fé, seja por parte da benzedeira ou por parte do cliente.Vale salientar que por meio dos dados coletados nos questionários feitos com asbenzedeiras, existem alguns malefícios onde os benzimentos não podem intervir,neste caso aconselha-se o acompanhamento médico para a realização do devidotratamento da patologia.REFERÊNCIASAGUIAR, Gilberto Orácio de. Mulheres negras da montanha: as benzedeiras de Riode Contas, Bahia, na recuperação da saúde. Ciberteologia - Revista de Teologia eCultura. [S.l.]. Ano III, n. 21, p. 48-51, [200-].CAVALCANTE, Joel Martins; CHAGAS, Waldeci Ferreira. As mulheresbenzedeiras: entre o sagrado, a saúde e a política. p.1-11, [2000].GORZONI, Priscila. Mulheres de fé. Raízes, [S.l.], p.69-76, dez. 2005.
  17. 17. 17LEMOS, Carolina Teles. Religião e Saúde: (re)significando as dores na vidacotidiana. Rio de Janeiro: Descubra, 2008.PARKER, Cristián. Religião popular e modernização capitalista: outra lógica naAmérica Latina. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.XIMENES, Sérgio. Minidicionário da língua portuguesa. 2.ed. São Paulo:Ediouro, 2000. 980 p.
  18. 18. 18 PRINCÍPIOS E PRÁTICAS DE SAÚDE NO MOVIMENTO ADVENTISTA: A RELAÇÃO ENTRE SAÚDE E RELIGIÃO Francisco Luiz Gomes de Carvalho (PUC-SP)3 Nailton Santos de Matos (UNINOVE)4RESUMOEste trabalho visa discutir os princípios e as práticas de saúde dentro do movimentoadventista na segunda metade do século XIX. Neste período, os hábitos alimentaresdos norte-americanos já não propiciavam melhores condições físicas. Os princípiosfundamentais de saúde abraçados pelos adventistas vem de sua percepção daestreita relação entre saúde física e saúde espiritual. Tais princípios estãoalicerçados nos trabalhos dos reformadores, médicos e fisiologistas do século XIX.Segundo White (1997: 346 ), ―tudo que nos diminui a força física enfraquece a mentee a torna menos capaz de discernir entre o bem e o mal. Ficamos menos aptos paraescolher o bem, e temos menos força de vontade para fazer aquilo que sabemos serjusto‖. Compreender as práticas de saúde dentro do movimento adventista éentender o modo como este movimento vê o homem e sua relação com seu Criador.Palavras-chave: adventismo, saúde, religião, princípios, reflexividadeMovimento Adventista no século XIX e seus desdobramentos no século XX O movimento adventista tem nos Estados Unidos da América o seu berço denascimento, em um período histórico em que o ambiente político foi marcado pelofenômeno social com as relações raciais, polarizações sociais, questões escravistas,mas também de grande efervescência religiosa. Gaustad (1975) ao descrever oambiente religioso afirma que ―revivalistas e milenialistas, comunitários e utopistas,espiritualistas e prognosticadores, celibatários e polígamos, perfecionistas etranscendentalistas‖ compunham o cenário que anteriormente era dominado pelasorganizações religiosas convencionais. Este movimento lança as suas bases ideológicas a partir do fracasso dautopia pregada por Guilherme Miller e vivida no desapontamento de 1844. É a partir3 fluizg@yahoo.com.br4 nailtonmatos@yahoo.com.br
  19. 19. 19desse momento que há a sistematização de crenças e a organização institucional,passando a se denominar Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD). Ao descrever ascrenças particulares da IASD Derosche (2000) lista cinco crenças sucintamente, edentre elas destaca: a prática de reforma sanitária e alimentar, como elemento dasantificação pessoal. Nascida no século XIX a IASD continua a propagar suas bases ideológicasfundadas na compreensão de inspiração e inerrância da Bíblia como livro sagrado eno reconhecimento da função orientadora da profetisa Ellen G. White. Ao sugerirrazões para o avanço ideológico e institucional desse movimento, Numbers (1987)atribui dentre outras, o desenvolvimento do interesse adicional pela educação,regime alimentar, cuidado médico, liberdade religiosa e observância rigorosa dodescanso. Apesar de uma orientação fortemente fundada na crença dos eventosescatológicos e iminente resgate inédito dos crentes, o movimento adventistamantém investimentos consistentes em meios de solidificação de suas ideologias,bem como na propagação universal de sua mensagem, fazendo-se valer deinstituições educacionais, hospitais e clínicas, fábricas de alimentos, bem comoeditoras e publicações. Segundo dados,5 ao redor do mundo são 7.597 instituiçõesde ensino, 600 estabelecimentos (clinicas, hospitais, sanatórios) de saúde, 23indústrias de alimentos, 61 editoras e 435 periódicos.A concepção de saúde nos EUA na segunda metade do século XIX O nascimento da medicina perpassa momentos de práticas de magia naantiqüíssima Babilônia, lições de Hipócrates na Grécia, medicina árabe na IdadeMédia até à elaboração cientifica. Difícil é a tarefa de estabelecer fronteiras nasatitudes face às doenças, por um lado marcadas pela busca constante da pesquisacientifica no saber médico, e por outro a crença inveterada na eficácia da magia(orações ou ervas) e nos mágicos (bruxas, milagreiros, curandeiros).5 Para ver na íntegra acesse: <http://www.adventistarchives.org/docs/ASR/ASR2008.pdf>Acesso em 05.09.2010
  20. 20. 20 As noções, pressupostos, concepções acerca de saúde possuem estritarelação com o estágio do conhecimento e a idéia de ciência que lhe sãocontemporâneas, o que demonstra que a medicina é por natureza histórica e muitasvezes misturada à religiosidade, ingenuidade, charlatanismo e iluminismo da época.(LE GOFF, 1991) Nos Estados Unidos na primeira metade do século XIX, a medicinacaminhava a passos curtos e enfrentava desafios cada vez maiores. Estatísticas dealgumas cidades enumeravam uma ampla relação de causa mortis ―desde extensavariedade de febres (tifóide, tipo, ´febre pútrida´) e doenças comuns da época(cólera e sarampo).‖ (LAND, 1987). A expectativa de vida média em 1840 era de22,6 anos e a causa mais comum de óbito era a tísica pulmonar (tuberculose). Paraespecialistas da época, a saúde era um estado intermediário de agitação, e a tarefado médico consistia em ajustar o nível dessa agitação. O tratamento das doençasseguia um modelo constituído principalmente em sangria, purgação e polifármacos(REID, 1982). Na declaração do Dr. Oliver Wendell Holmes em 1860 sobre amedicina aplicada na época entende-se a gravidade do caso, pois afirma que: [...]se toda a ―matéria médica‖ empregada atualmente pudesse ser lançada no fundo do mar, seria bem melhor para a humanidade, embora bem pior para os peixes. (NUMBERS, 1976) A segunda metade do século XIX foi inundada de inovações e idéiascentradas no ser humano que superaram a ordem racional e clássica do séculoprecedente, o que inspirou reformas em diversas áreas institucionais, dentre elas asaúde. A medicina heróica e seus resultados dão lugar ao que podia ser feito combom senso. Trata-se da multiplicação de manuais de saúde destinados àqueles quenão tinham como recorrer ao médico (LAPLANTINE, 1991). Estudiosos tais comoHorace Mann, James C. Jackson, Russel T. Trall, Larkin B. Coles, Dio Lewis, JoelShew, Sylvester Graham, William A. Alcott, dentre outros exaltavam aspectos doviver saudável, mas em sua maioria os livros eram técnicos, volumosos, caros echeios de verbosidade. Partindo de uma compreensão em que a pessoa é uma unidade indivisível decorpo, mente e espírito, e que os componentes interativos e integrativos do corpo,mente e espírito exigiam a saúde de cada componente para que todos pudessem
  21. 21. 21funcionar eficientemente, o movimento adventista estabeleceu as bases nodesenvolvimento de sua Filosofia de saúde com o senso teológico de totalidade.Esta filosofia de saúde fornece os conceitos pelos quais os aderentes dessemovimento têm ordenado sua vida pessoal. Tal filosofia também levanta apossibilidade de a própria natureza conter virtudes curativas inerentes, comoHipócrates muito antes havia crido.A concepção de ser humano e seus desdobramentos no movimento adventista A noção de dualismo em relação ao ser humano está presente em quasetodas as religiões cristãs. A crença na existência de entidades desencarnadas(almas, espíritos, fantasmas, demônios, divindades, etc) é central em praticamentetodas as religiões contemporâneas. Entretanto, vale ressaltar que a noção dematerialidade da mente humana não é estranha ao judaísmo e aos antigos cristãos. Segundo Locke (1690, Bk. IV, Cap 3, S. 6): Todos os grandes objetivos da moralidade e da religião estão suficientemente a salvo, sem provas filosóficas da imaterialidade da alma; uma vez que é evidente que nosso criador... pode e irá nos restaurar para a mesma sensibilidade em um outro mundo. Além disso, Priestly (1977, apud Brown, 1962, p. 271), o erudito teólogo equímico, escreveu que o materialismo "dá muita importância à doutrina daressurreição dos mortos‖. Para este mesmo autor, "o que denominamos mente, ou princípio dapercepção e do pensamento, não é uma substância diferente do corpo, mas oresultado da organização corpórea" (p. 265). Em conseqüência, o mental cessa coma morte, que é a decomposição; mas "tudo que é decomposto pode ser recompostopelo Ser que o compôs pela primeira vez" (p. 272). A concepção cartesiana de corpo foi retardatária no seio do cristianismo.Deve-se ao filósofo Plotino e ao filósofo judeu Filo esta concepção de dualismopsicofísico que não encontra sustentação nas Escrituras para os que o tem comolivro sagrado e crêem em sua mensagem como Revelação. O movimento adventista é defensor desta percepção materialista do corpo. Para o movimento, os sujeitos são unos. É o corpo que nos coloca no mundo. A síntese de nossos engajamentos nesse
  22. 22. 22 mundo é feita por esse corpo. Ele é a escritura viva do Ser, espaço significante, possibilidade de nossa instituição no mundo, do nosso habitar no espaço e no tempo. Esta concepção de unidade corpo/mente dá ao movimento uma dimensão integral do ser humano. O que afeta o corpo afeta a mente. O corpo é o veículo de ação do Ser no mundo e do ser com o transcendente. Seguindo o principio bíblico de que o corpo é o templo do Espírito Santo, os adventistas vêem nisto uma prerrogativa para o cuidado com o corpo. Ao longo da história do movimento, desenvolveram uma verdadeira busca pela compreensão integral do ser humano sabendo que aquilo que afeta o corpo também interfere em sua relação com o sagrado. Nesta perspectiva filosófica bíblica o corpo é a morada do Espírito. Ele é o canal através do qual o ser humano entre em contato com Deus, nesta compreensão o transcendente supremo. O corpo é o veículo de ação do Ser no mundo, e ter um corpo significa estar em um meio definido com o compromisso decorrente dessa implicação, pois com ele o homem habita o mundo e através dele o divino toca o mundo. A restauração da imagem do Criador não é apenas na esfera espiritual uma vez que estas esferas são indissociáveis. Portanto, não é possível ver nenhuma delas de forma isolada.Considerações finais O movimento adventista desde o seu surgimento no século XIX tem sededicado em oferecer uma concepção de religiosidade baseada na compreensão doser humano como uma unidade integral, indivisível e indissociável de mente e corpo.Tal concepção é corroborada pelo discurso do psiquiatra George F. Solomon,(cunhou o termo ―psicoimunologia‖, depois expandido para ―psiconeuroimonologia‖por Robert Ader) quando afirmou que ― mente e corpo não podem ser separadas...obem-estar físico e mental acham-se intrinsecamente entrelaçados‖ As obras produzidas pelo movimento ao longo deste período visam orientarseus adeptos a preservarem seu corpo/mente saudável. São obras sobre regimealimentar, cuidados com o corpo, uso dos recursos naturais para promoção dasaúde e criação de indústrias de alimentos naturais. Vale ressaltar que o estilo devida defendido pelo movimento não tem nenhuma implicação determinista parasalvação. A mudança de hábitos alimentares implica melhoria na qualidade de vidapara uma religião que entende que enquanto o homem aguarda a manifestação dodia do Senhor pode e deve viver com qualidade agora.
  23. 23. 23REFERÊNCIASBAKER, Beth. Scientists finding more evidence of link between mind and health.AARP Bulletim, 1993.DEROSCHE, Henri. Dicionário de Messianismos e Milenialismos. São Bernado doCampo: UMESP, 2000.DOUGLAS, Herbert E. Mensageira do Senhor. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira,2001.GAUSTAD, Edwin, ed. The Rise of Adventism. New York: Harper & Row, 1975.LAND, Gary. The World of Ellen G. White. Washington, DC: RHPA, 1987.LAPLANTINE, François. Antropologia da Doença. São Paulo: Livraria Martins FontesEditora, 1991.LE GOFF, Jacques. As Doenças tem História. Lisboa: TERRAMAR, 1991.NUMBERS, Ronald L. Prophetess of Health. New York: Harper & Row, 1976. Ediçãorevisada. Knoxville, TN: The University of Tennesse Press, 1992.NUMBERS, Ronald L e Jonathan M. Butler, eds. The Disappointed. Bloomington, IN:Indiana University Press, 1987.REID, George W. A Sound of Trumpets. Washington, D.C: RHPA, 1982.WHITE,Ellen G. Parábolas de Jesus .Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1997.
  24. 24. 24 ASSOCIAÇÃO ENTRE PRÁTICA RELIGIOSA E DE ATIVIDADE FÍSICA EM UNIVERSITÁRIOS GUANAMBIENSES Deyvis Nascimento Rodrigues6 Aleone de Oliveira Martins7 Ricardo Franklin de Freitas Mussi 8 Sandra Célia Coelho Gomes da Silva S de Oliveira9INTRODUÇÃO Independente do período histórico e grupo social as práticas religiosasparecem desempenhar importante papel nas relações humanas, costumando―desempenhar papel central na experiência humana, influenciando nossa forma deperceber os ambientes deste mundo em que vivemos e de reagir a eles‖ (GIDDENS,2005, p.426). Podendo ser considerada importante fator nas experiências dohomem, fazendo-se necessário estudar as práticas religiosas associadas as maisvariadas atividades humanas, verificando o grau de sua interferência no cotidiano dohomem. A religião influencia o modo como o homem percebe o mundo, interferindonas relações do indivíduo com os seus semelhantes. Neste sentido Malinowski,1988 apud Lemos (2008, p.13) expõe a sua influência na compreensão do indivíduoquanto a si e sua identidade, segundo valores e crenças da natureza humana edestino. Além disso, Lemos (2008, p.12) acrescenta que ―a religião é indispensávelpara a sociedade por ser ela que mantém os indivíduos em relação uns com osoutros‖. Uma vez que A religião consegue manter a vida em sociedade porque além dela oferecer a possibilidade de que os indivíduos vivam muito bem e por muitos anos, quando a concretização dessa oferta se torna impossível, a religião abre ainda a possibilidade de que essa promessa se realize em um tempo, no tempo futuro. (LEMOS, ano, p.16) Ao se pensar em indivíduos longevos e vivendo bem, deve-se pensarprioritariamente em uma vida saudável. Terrin (1998) apud Lemos (2008, p.53)mostra que saúde e salvação originaram-se do termo svastha e partilharam mesmosignificado, bem-estar e plenitude, por um longo período. Sendo a saúde o estadode bem-estar e salvação, ainda é possível estabelecer a relação existente entre adoença e a interferência de espíritos maus, possessão demoníaca e o pecado. Romano (1998) apud Lemos (2008, p.62) defende que ―a doença é umaquebra de equilíbrio biopsicossocial do indivíduo e obrigatoriamente remete opaciente à revisão de valores, ações e desencadeia mecanismos de resgate da6 Graduando em licenciatura plena em Educação Física – UNEB, Pesquisador LEPEAF e GAMA;rodriguesdeyvis@yahoo.com.br7 Graduanda em licenciatura plena em Educação Física – UNEB;8 Orientador: Professor da UNEB–Campus IV; Mestrando em Saúde Coletiva – UEFS; PesquisadorLEPEAF e GAMA;9 Professora da UNEB–Campus XII; Mestranda em Ciências da religião – PUC/GO;
  25. 25. 25condição humana e de suas relações‖. Quanto à relação saúde e religiosidadeGuimarães e Avezum (2007, p.93) dizem que: a influência da religiosidade/espiritualidade tem demonstrado potencial impacto sobre saúde física, definindo-se como possível fator de prevenção ao desenvolvimento de doenças, na população sadia, e eventual redução de óbito ou impacto de diversas doenças. Ainda, deve ser compreendida a idéia de que a saúde é dinâmica, variandodentro de um continuum com pólos positivo (capacidade de apreciar a vida e resistiraos desafios cotidianos) e negativo (relacionado às morbidades e mortalidadeprematura). (NAHAS, 2006) Sendo a religião construtora de entendimentos relacionados à saúde e obem-estar, surge a necessidade do desenvolvimento de estudos relacionando-a comos principais fatores de promoção de saúde, inclusive quanto a pratica de atividadefísica regular, uma vez que a esta vem sendo ―associada ao bem-estar, á saúde e aqualidade de vida das pessoas em todas as faixas etárias‖ (BARROS & NAHAS,2003, p.10). Caspersen, Powell & Christenson (1985) apud Pitanga (2000) definematividade física como qualquer movimento corporal, advindo da musculaturaesquelética, com gasto energético. Barbanti (2003, p.53) acrescenta que esta seriarepresentada pelo esporte, aptidão física, recreação, brincadeira, jogo e exercício. Na prevenção das doenças Gonçalves e Basso (2005, p.33) dizem que ela―é compreendida como prática relevante para beneficio à saúde‖. Desta maneira, opresente trabalho teve por objetivo identificar as relações entre o nível de AtividadesFísicas Habituais (NAFH) e prática religiosa em universitários da área da saúde dasuniversidades presenciais com campus em Guanambi/BA.PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O trabalho possui característica descritiva (THOMAS, NELSON eSILVERMAN, 2007, p. 29-30) Além de correlacional, neste caso representado peloacometimento e inter-relações da Religião e do NAFH. Finalmente apresentacaracterísticas quantitativas e qualitativas por pontuar, mensurar e avaliar variáveisde estudo (MINAYO, 2007). A coleta de dados foi precedida pela instrução das questões fundamentaisdo estudo, entrega e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.Seguindo-se as orientações da norma regulamentadora CNS 196/96. O instrumento foi composto por questionário com itens sobre informaçõessócio-demográficas, prática religiosa e Questionário de Atividades Físicas Habituais(Pate apud Nahas, 2006: 46). Sendo importante salientar que o NAFH foi classificado em―Insuficientemente Ativos‖ (escore inferior/igual a 11 pontos) e ―Ativos‖ (superior/iguala 12 pontos). Os dados foram tabulados e analisados descritivamente e por freqüência noSPSS 11.5 for Windows, seguida de análise correlacional em tabela cruzada entreReligião e NAFH.RESULTADOS
  26. 26. 26 Amostra foi composta por 41 avaliados, com idade de 20,85+3,4 anos,estudantes do 1º bloco dos cursos de saúde das faculdades presenciais deGuanambi/BA, sendo 63,4%(26) mulheres e 36,6%(15) homens, 82,9%(34)solteiros, 12,2%(5) casados e 4,9%(2) com outra situação, 48,78%(20) católicos,36,58%(15) evangélicos, 2,44% (1) espírita e 12,20%(5) de outra religião,51,22%(21) insuficientemente ativos e 48,78%(20) ativos.- Associação entre prática religiosa e Nível de Tabela 1 – Relação entre Religião e Nível de Atividade Física Nível de Atividade Física Insuficientemente Ativo AtivoReligião Católico 30% (6) 70% (14) Evangélico 86,6% (13) 13,4% (2) Outra 33,4% (2) 66,6% (4)DISCUSSÕES Observando-se os dados presentes na Tabela 1 nota-se há uma influenciadiferenciada entre a prática religiosa e o nível de atividade física, uma vez que70%dos ditos católicos são considerados fisicamente ativos, no entanto 86,6% dos quese dizem evangélicos são classificados como insuficientemente ativos, em contrapartida, os de outras religiões não houve um contingente amostral para expressar acorrelação entre as variáveis. Desta forma, nota-se que o grupo dos que se dizemcatólicos é aderente a programas de atividade física, no entanto esta aderência écomprometida no grupo dos evangélicos. Barbanti (1994) apud Tahara, Schwartz e Silva (2003, p.8) define aderênciacomo, ―a participação mantida constante em programas de exercícios, consideradosnas formas individual ou coletiva, previamente estruturados ou não‖. O processo de aderência não acontece por acaso, Pollock (1988) citado porGonçalves e Compane (2005, p.19) relata que os principais fatores que podemafetar a aderência a programas de atividade física são: Atitude em relação à atividade física; personalidade; tipos de programas de exercício (freqüência, duração, intensidade e o modo da atividade); peso e composição corporal; problemas médicos (lesões, nível de aptidão, supervisão do grupo); estabilidade; influência do cônjuge; idade; sexo; estado socioeconômico; custo e método de pagamento e fatores relacionados com o tempo. Além destes fatores, Guarnieri (1997) mencionado por Tahara, Schwartz eSilva (2003, p.8) descreve que os principais fatores que levam a população adulta aaderir a programas de atividade física regular são: ―benefícios para a saúde, sentir-se bem, controlar o peso, melhorar a aparência e reduzir o estresse‖. No que diz respeito aos benefícios da atividade física Carvalho et. al. (1996p. 79) descreve que ―a saúde e a qualidade de vida do homem podem serpreservadas e aprimoradas pela prática regular de atividade física‖ Sendo assim oscatólicos estão mais propensos a atingir os benefícios a saúde, propostos pelaprática regular de atividade física do que os evangélicos.CONSIDERAÇÕES FINAIS
  27. 27. 27 Conclui-se que a prática religiosa é um importante fator no que diz respeito àmanutenção de níveis saudáveis de atividades físicas, uma vez que, como sugeremos resultados deste trabalho, a religião interfere na adesão a programas de atividadefísica. No que diz respeito aos benefícios destes programas, nota-se que osevangélicos se encontram em situação de risco, pois, como refere Carvalho et. al.(1996 p. 79) ―o sedentarismo é condição indesejável e representa risco para asaúde‘.REFERÊNCIASBARBANTI, V.J. Dicionário de Educação Física e Esporte. 2ª Ed. Barueri: Manole,2003BARROS, M.V. G. de & NAHAS, M.V. Medidas da Atividade Física: teoria eaplicação em diversos grupos populacionais. Londrina: Midiograf, 2003.CARVALHO, T. de; et al. Posição oficial da Sociedade Brasileira de Medicina doEsporte: atividade física e saúde. Rev Bras Med Esport. v.2, n.4, 1996.GONÇALVES, A.; e BASSO, A. C. Atividade Física. In: GONZÁLEZ, F.J. &FENSTERSEIFER, P.E. Dicionário Crítico de educação Física. Ijuí: Unijuí, 2005.GONÇALVES, A.; e COMPANE, R. Z. Aderência. In: GONZÁLEZ, F.J. &FENSTERSEIFER, P.E. Dicionário Crítico de educação Física. Ijuí: Unijuí, 2005.GIDDENS, Anthony. Sociologia/ Anthony Gidenns; tradução Sandra Regina Netz. 4ed. Porto Alegre: Artmed, 2005GUIMARÃES, H. P.; AVEZUM, A O impacto da espiritualidade na saúde física. Rev.Psiq. Clín. v.34, n.1, p.88-94, 2007.GIDDENS, Anthony. Sociologia/ Anthony Gidenns; tradução Sandra Regina Netz. 4ed. Porto Alegre: Artmed, 2005MADUREIRA, A.S.; FONSECA, S.A. & MAIA, M. de F. M. Estilo de Vida e AtividadeFísica Habitual de Professores de Educação Física. Revista Brasileira deCineantropometria & Desempenho Humano. V.5, n.1, p.54-62, 2003.MINAYO, M. C. de S. O Desafio do Conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde.10ª ed. São Paulo: Hucitec, 2007.NAHAS, M. V. Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida: conceitos e sugestõespara um estilo de vida ativo. 4 ed. rev. e atual. Londrina: Midiograf, 2006.PITANGA, F. J. G. Testes, medidas e avaliação em Educação Física e esportes.Francisco José Gondim Pitanga. Salvador, 2000.TAHARA, A. K.; SCHWARTZ G. M.; SILVA K. A. Aderência e manutenção da práticade exercícios em academias Revista bras. Ci. e Mov. v.11 n.4 p. 7-12, 2003.THOMAS, J. R.; NELSON, J. K.; SILVERMAN, S. J. Métodos de pesquisa ematividade física. Tradução Denise Regina de Sales, Márcia dos santos Dornelles. 5ed, Porto Alegre: Artmed, 2007.
  28. 28. 28
  29. 29. 29GT 2 - RELIGIÃO, VIOLÊNCIA, ETNICIDADEE GLOBALIZAÇÃO Coordenação: Drª Irene Dias de OliveiraResumo: Esta mesa pretende analisar a relação entre religião, violência eetnicidade no âmbito da sociedade globalizada, multicultural e plurirreligiosa. Aviolência tem tido um aumento considerável na sociedade atual e exige reflexãomais acurada e atenta. De outro lado a relação entre violência, religião e etnicidadetem dado origem a polêmicas generalizadas e por vezes superficiais impedindo umolhar mais atento e acurado para as dimensões históricas, culturais e sociais emrelação a determinados grupos étnicos. Esta mesa pretende portanto acolherpropostas que debatam e questionem a relação religião, violência e etnicidade nasociedade atual.Palavras-chave: religião, etnicidade e violência.
  30. 30. 30 AFRICANIDADE, RESISTÊNCIA CULTURAL E RELIGIOSIDADE: LEITURAS DA NÃO DISCIPLINARIZAÇÃO DO CORPO NA CAPOEIRA EM BELÉM. Leila do Socorro Araújo Melo10Resumo A Capoeira, manifestação da cultura afro-brasileira constitui campoprivilegiado de estudos na atualidade, porém a existência da capoeira, espécie dejogo/luta/dança, parece remontar o Brasil colonial, mais precisamente ao contexto deluta dos negros contra o sistema de escravidão, sendo o corpo o principal referencialdessa resistência física e simbólica, haja vista que, nessa estrutura de extremadominação, ocorre o esforço de imposição de novos valores, como a línguaportuguesa, a religião católica, os costumes em geral, principalmente aos negrosescravos, parcela importante da população, que ao longo de seu desenvolvimentocria estratégias de luta e formas de organização que se passam desde o conflitoaberto contra os senhores, bem como pela negociação11. 1. Capoeira e Perseguição Tida como ―coisa de negro‖, assim como outras manifestações (o samba, o batuque, os afoxés) ligadas a uma tradição negro-africana no Brasil, a capoeira, ao longo do século XIX e início do século XX, emerge como uma prática associada ao universo da vagabundagem e da marginalidade, sendo duramente perseguida e inclusive enquadrada como crime no código penal brasileiro de 1890, permanecendo nessa situação até a década de 30 deste século, quando é elevada a categoria de esporte pelo Estado Novo de Getúlio Vargas (SOARES, 1994) Ao longo de sua trajetória, a prática da capoeira comportou vários significados. Se, no início da fase republicana, a criminalização refletia a leitura10 Mestre em Antropologia Social e docente do curso de Ciências da Religião da Universidade doEstado do Pará ( leilamelo1@yahoo.com.br)11 Sobre o caráter de resistência negra no Brasil, uma recente produção historiográfica vemchamando atenção para as estratégias cotidianas desenvolvidas por homens e mulheres para aconquista da liberdade. A barganha e a negociação constituem os principais mecanismos de luta,sendo que as imagens construídas de Zumbi (reforçando a rebelião) e ―Pai João‖ (representando asubmissão) representam dois extremos de um processo pautado sobretudo por uma zonaintermediária, na qual as formas de negociação ganham maior peso. Cf. Reis e Silva (1989),Chalhoub (1990).
  31. 31. 31 que determinados seguimentos faziam a respeito da capoeiragem, como era definido o delito, na época imperial, momentos de tolerância e repressão se alternavam demonstrando o jogo de interesses do período. Marcos Bretas nos fornece um quadro a respeito da presença de capoeiras no Rio imperial e sua participação no enlace da ordem e desordem política do contexto. As maltas- bandos de capoeiras – tomam parte nos grandes eventos urbanos: desfilam sempre à frente das bandas de música e procissões, exibindo sua destreza e provocando tumultos {...}. Pouco a pouco eles são incorporados à atividade política, produzindo segurança ou insegurança, dependendo de quem seja o dono do comício ou da eleição. Exército das ruas, os capoeiras incorporam-se também – através das práticas do favor – às fileiras das forças regulares, tornando-se além de exímios navalhistas, agentes de polícia, a celebrar a identidade entre a ordem e a desordem (BRETAS, 1989, p. 57). Inserido na conjuntura política do período, o capoeira do contexto pós- escravista contraria, muitas vezes, a alcunha de ―vagabundo‖ e ―vadio‖, corrente no momento, integrando-se ao universo profissional do final do século XIX. Através da análise dos registros da Casa de Detenção do Rio de Janeiro, durante a dura repressão iniciada no alvorecer da República, Bretas chama a atenção para o perfil profissional dos indivíduos presos por capoeiragem. Havia uma diversidade de atividades que incluía “artesões, vendedores ambulantes, empregados nos transportes e serviços urbanos, cozinheiros, pedreiros, cocheiros, vendedores de bala, pescadores, etc”12, o que parece reproduzir a mistura que o ambiente urbano ocasionou entre os ex-escravos e o conjunto dos homens livres e pobres. Um outro momento de valorização dos capoeiras durante o Império se percebe na participação desses homens na Guerra do Paraguai. Atraídos pelas promessas de alforria, muitos cativos aumentaram os contigentes do exército brasileiro que, após o término do conflito, teve o seu prestígio consideravelmente elevado. Por outro lado, a presença em massa de elementos das camadas populares na guerra ocasionou o ressurgimento do temor, por parte das elites,12 BRETAS, op. cit. Pág.58.
  32. 32. 32 com esses seguimentos formados por ex-escravos, criminosos, desordeiros, que agora exibiam pelas ruas uniformes, medalhas e o título de ―heróis da pátria‖. O confronto se tornava inevitável, demonstrando o inconformismo com os papéis anteriores que esses sujeitos ocupavam na ordem social urbana (SOARES, 2004). Enfim, a guerra representou uma expectativa de prestígio social e reconhecimento, desses soldados negros13, o que dificilmente ocorreria sem o conflito, e colocou em cena esses personagens de grande importância no jogo político da época imperial. Sobre a capoeira desenvolvida em Belém, Salles (1994) demonstra através de documentos jornalísticos e literários sobre o tema a forte presença de capoeiras em eventos religiosos e festas populares, demonstrando, talvez, uma forma particularizada de organização. Seguindo as pistas deixadas por Salles, Leal (1997) utilizando documentações distintas (obras literárias, processos-crimes, jornais, legislação, etc), relaciona a capoeira a outras manifestações populares na cidade de Belém (o carnaval, o futebol). O autor procura discutir como o discurso letrado do século XIX caracteriza esses personagens, atento para os locais de suas aparições e também para os mecanismos institucionalizados que irão agir na repressão dessa atividade. Atualmente entre um conjunto de significados e práticas a capoeirapode ser lida como uma linguagem cultural, que expressa a articulação deexperiências individuais e coletivas, no qual o corpo é o guardião dessa historicidadede resistência e luta imprescindível para o conhecimento de nossas raízes. Nesse processo de formação identitária o aprender a ser capoeira envolve pontos inovadores para o campo da educação, pois sua base não se encontra em um modelo de conhecimento fechado, modular, e sim na elaboração do conhecimento pelo auto-conhecimento. Os componentes reafirmadores do educar13 A guarda negra formada por esses soldados, surge, como uma milícia anti-republicana, cujo símbolo era aprincesa Isabel, transformando-se em uma força de expressiva atuação na vida política da corte, cf. GOMES,Flávio dos Santos. No meio das águas turvas: racismo e cidadania no alvorecer da República: a Guarda negrana corte: 1888-1889. Rio de Janeiro: Estudos Afro-Asiáticos, (21) 75-96, dez. 1991, SOARES, Op. Cit. Areias(1983).
  33. 33. 33 envolvem valores como identidade, confiança, companheirismo, respeito e lealdade, sintetizados na complexa noção de fundamentos. No entanto, a ambigüidade (Reis, 1997) marca o desenvolvimento da capoeira contemporânea. Seus vários aspectos (jogo, luta, dança) alternam-se de acordo com as concepções particularizadas de seus atores. Barbieri (1993, p. 54) demonstra o caráter ambíguo ao apresentar a capoeira como um continuum que tem como pólos o sentido da destruição e o sentido da cooperação. Esses pólos apresentam-se de modo alternado dependendo do tipo de diálogo travado e objetivo delimitado no desenrolar do jogo, ou seja, sua feição é dada pela intencionalidade e pelos preceitos que norteiam os integrantes da roda de capoeira, do grupo. Nesse sentido, a capoeira pode ser um mecanismo educacional pautado nos princípios da corporeidade (ludicidade, auto-percepção, liberdade e participação), afirmando a roda enquanto espaço de expressividade humana, de encontro, de troca, de reflexão sobre os valores éticos da sociedade mais geral, da “grande roda”; por outro lado, a capoeira pensada como mecanismo de eficiência física, privilegiando a competividade não crítica, que conduz ao reforço de valores reafirmadores da luta e, muitas vezes, geradores de conflito. As posturas diferenciadas diante do real expressam, portanto, os aspectos contraditórios desse jogo e as elaborações construídas sobre a prática. As escolhas seguidas por seus praticantes refletem as posturas assumidas diante da historicidade contraditória desse jogo.REFERÊNCIASBRETAS, Marcos Luiz. Navalhas e Capoeiras: Uma outra queda. Rio de Janeiro:Ciência Hoje, (59) 56-64, Nov. 1989.LEAL, Luiz Augusto Pinheiro. Amolando as gambias: significados e prática daCapoeira em Belém (1840 1853). Belém: Departamento de História/UFPa, mimeo.Monografia de graduação em História, 1997.MELO, Leila do Socorro Araújo. Nas trilhas da ginga: Tradição e Fundamentoconstruindo a prática educativa da capoeira em Belém.Belém, Laboratório deAntropologia/UFPA, mimeo. Dissertação de Mestrado em Antropologia Social, 2000.
  34. 34. 34SALLES, Vicente. A defesa pessoal do negro: a capoeira no Pará. Brasília: Micro-edição autor, 1994.SOARES, Carlos Eugênio Líbano. A Negregada Instituição. Rio de Janeiro: ColeçãoBiblioteca Carioca, 1994. SOCIEDADE, POLÍTICA E MEIO AMBIENTE ROBERTO FERNANDES DE MELOResumoO presente artigo, fazendo uso da pesquisa bibliográfica, faz uma análise dasrelações entre sociedade e natureza, mostrando que as injustiças e violências nasrelações humanas e sociais promovem também a exploração do meio ambiente.Desta forma as consciências políticas e ambientais caminham juntas. Ecologia ecidadania são inseparáveis quando se pretende estabelecer um equilíbriosocioambiental, assim os movimentos ambientais são apresentados como modelosna busca de mudanças paradigmáticas das relações sociedade e meio ambiente.AbstractThis article, using the literature search, analyzes the relationships between societyand nature, showing that the injustices of human and social relations also promotethe exploitation of the environment. Thus the political and environmental awarenessgo together. Ecology and citizenship are inseparable when envisaging a socio-environmental balance, and environmental movements are presented as models inthe search for a paradigm shift in relations society and environment.Palavras Chaves: Políticas, violência, problemas socioambientais, consumismo emovimentos ambientais.Sociedade e naturezaAs relações entre sociedade e natureza, até o século XIX, em sua compreensãotradicional, analisava o homem e a natureza como pólos excludentes, tendo comoreferência a compreensão da natureza como objeto e fonte ilimitada de recursospara a utilização do homem. Assim afirmam Bernardes e Ferreira (2005):
  35. 35. 35 A compreensão tradicional das relações entre a sociedade e a natureza desenvolvidas até o século XIX, vinculadas ao processo de produção capitalista, considerava o homem e a natureza como pólos excludentes, tendo subjacente a concepção de uma natureza objeto, fonte ilimitada de recursos à disposição do homem (p. 17).Essa visão tradicional reflete as fases da evolução terrestre e da história humana e,sobretudo, a fase da chamada sociedade industrial que é a mais reduzida de todasas fases históricas anteriores. Segundo De Masi (2000): Nesta longa trajetória da evolução terrestre e da história humana, a fase que, segundo convencionamos, corresponde à sociedade industrial – da metade do século XVIII à metade do século XX – é muito mais reduzida do que todas as fases históricas anteriores, caracterizadas sucessivamente pela caça, pelo pastoreio, pelo trabalho agrícola, pela grande transformação mercantil (p. 12).Existem três fenômenos que emergem da sociedade industrial , segundo de Masi 1(2000, p. 18 -20). O primeiro refere-se a uma convergência progressiva entre ospaíses industriais, que independe do regime político, como foi o caso de EUA eURSS. O segundo consiste no crescimento das classes médias (no nível dasociedade) e da tecno-estrutura (no nível de empresa). O terceiro, refere-se àdifusão do consumo de massa e da sociedade de massa que, segundo o mesmoautor, é uma das mais significativas da transição da sociedade industrial para a pósindustrial. É justamente sobre as relações violentas entre sociedade de consumo enatureza que focamos nossos estudos.Segundo a leitura e interpretação que os autores Bernardes e Ferreira (2005) fazemsobre as idéias de Marx em relação à sociedade e natureza, essas relaçõesacontecem como formas de determinada sociedade se organizar para ter acesso eutilizar os recursos naturais existentes. Vale citar que ―na abordagem de Marx, asrelações sociedade/natureza são enfocadas em termos das formas comodeterminada sociedade se organiza para o acesso e o uso dos recursos naturais‖(p.19).Desta forma, fica evidente que a relação com a natureza sempre acompanha asrelações sociais . Quando existem injustiças , abusos, violência e exploração nas 2 3
  36. 36. 36relações sociais, também essas mesmas injustiças, abusos violência e exploraçãoaparecem nas relações com a natureza. A sociedade de consumo necessita daprodução de excedentes, esses excedentes são produzidos por meio de uma maiorexploração da natureza.Produzir em excesso é uma condição necessária para a intensificação das relaçõescomerciais, desenvolvimento do capital e geração do lucro. Isso implica uma novaforma de relacionamento com a natureza. Assim, vale apontar: Sob o processo de acumulação, o capitalismo deve expandir-se continuamente para sobreviver enquanto modo de produção, ocorrendo a apropriação da natureza e sua transformação em meios de produção em escala mundial. Com a produção da natureza nessa escala, a relação com a natureza passa a ser, antes de mais nada, uma relação de valor de troca: é a partir da etiqueta de preço que se coloca, na mercadoria é que se determina, o destino da natureza, passando a relação com a natureza a ser determinada pela lógica do valor de troca (BERNARDES e FERREIRA, 2005, p. 21).O aumento do consumo e da produtividade são marcas da sociedade capitalista, taismarcas incentivam o desperdício e com isso geram um ciclo de mais produção emaior intensificação do consumo, e conseqüentemente, maior destruição danatureza. Como membros de uma sociedade de consumidores, na atual fase do capitalismo, vivemos num mundo em que a economia se caracteriza pelo desperdício, onde todas as coisas devem ser devoradas e abandonadas tão rapidamente como surgem...(BERNARDES e FERREIRA, 2005, p. 21).Podemos falar de uma crise fundamental provocada justamente pelo consumismoexagerado. Esse tipo de comportamento se difundiu ou foi imposto praticamente aomundo inteiro, caracterizando e formando um tipo de civilização. Qual é o primeiro sinal visível que caracteriza esse tipo de civilização? É que ela produz sempre pobreza e miséria de um lado e riqueza e acumulação do outro. Esse fenômeno se nota em nível mundial. Há poucos países ricos e muitos países pobres. Nota-se principalmente no âmbito das nações: poucos estratos beneficiados com grande abundância de bens de vida (comida, meios de saúde, de moradia, de formação, de lazer) e grandes maiorias carentes do que é essencial e decente para a vida. Mesmo nos países chamados industrializados do hemisfério norte notamos bolsões de pobreza (terceiromundialização no Primeiro Mundo) como
  37. 37. 37 existem também setores opulentos no Terceiro Mundo (uma primeiromundialização do Terceiro Mundo), no meio da miséria generalizada (BOFF, 2005, p. 20).Dessa forma, o espaço é modelado conforme os interesses (capitalistas)econômicos e sociais de um determinado modelo vigente , estas relações não 4acontecem no mundo abstrato, mas no espaço concreto, conforme afirma demaneira contundente Bernardes e Ferreira (2005). As relações sociais e econômicas não se realizam num distanciado circuito abstrato, mas, ao contrário estão solidamente inseridas numa materialidade espacial. Portanto, é pelas vias espaciais que o modo de produção veicula seus valores de troca e de uso, drenando os lucros obtidos neste processo e funcionando como um instrumento de concentração de renda (p. 23).A política econômica vigente gera exclusão, pobreza e exploração – do homem em 5relação à natureza e do homem em relação ao próprio homem – sendo urgente aescolha e aplicação de novas práticas políticas. Sobre a exclusão promovida pelomercado, afirma L.Boff: Este tipo de mercado excludente cria níveis de pobreza mundial jamais vistos. É injusto e impiedoso ver que 20%da humanidade detenham 84% dos meios de vida (em 1970 eram 70%), e os 20% mais pobres tenham que contentar-se com apenas 1,4% (em 1960 eram 2,3%) dos recursos. É injusto e cruel manter mais de um bilhão de pessoas em extrema pobreza e tolerar que 14 milhões de crianças morram antes de completar cinco dias de existência (p. 8).Essa política de exploração é uma ameaça constante ao sistema Terra. O grito dosexplorados é o grito também da Terra. As relações do homem com o homem, e dohomem com a natureza (sociedade e natureza) precisam ser direcionados porpolíticas que valorizem a solidariedade e tenha compromisso com a preservação domeio ambiente. Sobre o drama da exploração da Terra, afirma Boff (2000): A este drama é preciso acrescentar a ameaça que pesa sobre o sistema Terra. A aceleração do processo industrial faz com que a cada dia desapareçam 10 espécies de seres vivos e 50 espécies de vegetais. O equilíbrio físico–químico da Terra, construído sutilmente durante milhões e milhões de anos, pode romper-se devido à irresponsabilidade humana. A mesma lógica que explora as classes oprime as nações periféricas e submete a Terra à pilhagem. Não são somente os pobres que gritam, grita
  38. 38. 38 também a Terra sob o esgotamento sistemático de seus recursos não renováveis e sob a contaminação do ar, do solo e da água...(p. 9).Política e práticas socioambientaisQuando falamos em equilíbrio entre as relações da sociedade com a natureza éimportante afirmar a necessidade de políticas que verdadeiramente possamcontribuir para práticas efetivas de preservação. Primeiramente é necessária umadefinição do que seja política. Dallari (1999) define política como: Os gregos davam o nome de polis à cidade, isto é ao lugar onde as pessoas viviam juntas. E Aristóteles diz que o homem é um animal político, porque nenhum ser humano vive sozinho e todos precisam da companhia de outros. A própria natureza dos seres humanos é que exige que ninguém viva sozinho. Assim sendo, ―política‖ se refere à vida na polis, ou seja, à vida em comum, às regras de organização dessa vida, aos objetivos da comunidade e às decisões sobre todos esses pontos (p.8).Pedro Demo (2006) também faz a sua definição sobre política da seguinte forma: Não vou aqui reconstruir uma discussão complexa e longa (Demo, 2002), mas indicar algumas pistas mais pertinentes à nossa discussão. Desde os gregos fala-se de ―zoón politikón‖ (animal político), sugerindo essa expressão que o ser humano não lida apenas com estruturas às quais se curva de modo geral, mas também com dinâmicas históricas, nas quais pode conquistar alguma margem de manobra, como regra através da habilidade de aprender e conhecer. Damos a essas dinâmicas o nome de ―politicidade‖, quase sempre em referência a Paulo Freire (1997), que por primeiro falou de ―politicidade da educação‖, ao discutir o desafio da autonomia (p. 8).A natureza humana necessita da vida em sociedade, portanto, o homem é um sersocial por natureza e tudo o que ele tem e realiza é tido e realizado em sociedade.Todos os seres humanos valem exatamente a mesma coisa, por natureza todosnascem iguais e é a sociedade que estabelece as diferenças. Assim, as diferençasde valor entre os seres humanos são artificiais, não naturais, é contra a naturezapermitir que uns nasçam ricos e socialmente bem situados enquanto outros nascem
  39. 39. 39miseráveis e condenados a uma vida de sacrifícios e inferioridade social (DALLARI,1999, p. 13).A consciência política - e da prática da cidadania – e ambiental estão diretamenterelacionadas, não existe uma separação ou ruptura entre elas. A problemáticasocioambiental amplia a consciência de suas causas sociais, podendo promoveruma maior participação política e cidadã. Assim afirma Carvalho (2008): Nessa perspectiva, a introdução da problemática socioambiental na esfera pública não apenas denuncia os riscos ambientais, mas também amplia a consciência de suas causas sociais. Essa consciência de riscos compartilhados pode atuar como força agregadora, cooperando para a formação de redes de ações solidárias (p. 169).Desta forma, as consciências ambientais e sociais caminham juntas e mostram-seindispensáveis à convivência e sobrevivência humana. Da mesma forma, continuaCarvalho falando sobre a consciência e ação socioambiental: Tais ações, por sua vez, contrapõem-se aos mecanismos de desintegração social e degradação ambiental relativos à apropriação dos bens ambientais por parte dos interesses privados, contribuindo assim para a preservação tanto do planeta quanto dos vínculos de solidariedade social, indispensáveis à convivência humana (2008, p. 169).As questões socioambientais contribuem para ampliar a noção de cidadania e justiçasocial, principalmente quando enfatiza a dimensão ambiental das lutas sociais eapóia as ações em favor da justiça no acesso aos bens ambientais e no uso dessesbens (CARVALHO, 2008, p. 170).Os movimentos ambientais e as questões sociais
  40. 40. 40Algumas mudanças ocorridas no pensamento social e ambiental foram provocadaspelos movimentos ecologistas. A humanidade conseguiu perceber que os recursosnaturais são finitos, que a sua própria existência corre risco, e que degradaçãoambiental e injustiças sociais estão interligadas. Um dos mais importantes movimentos sociais dos últimos anos, promovendo significantes transformações no comportamento da sociedade e na organização política e econômica, foi a chamada ―revolução ambiental‖. Com raízes no final do século XIX, a questão ambiental emergiu após a Segunda Guerra Mundial, promovendo importantes mudanças na visão do mundo. Pela primeira vez a humanidade percebeu que os recursos naturais são finitos e que seu uso incorreto pode representar o fim de sua própria existência (BERNARDES E FERREIRA, 2005, p. 27).L.Boff (2005) descreve a definição e a importância dos movimentos ambientais e 10ecológicos. Assim diz: Eles constatam que os tipos de sociedade e de desenvolvimento existentes não conseguem produzir riqueza sem simultaneamente produzir degradação ambiental. O que o sistema industrialista produz em demasia: lixo, rejeitos tóxicos, escórias radioativas, contaminação atmosférica, chuvas ácidas, diminuição da camada de ozônio, envenenamento da terra, das águas e do ar; numa palavra, deterioração da qualidade geral da vida. A fome da população, as doenças, a falta de habitação, de educação e lazer, a ruptura dos laços familiares e sociais são agressões ecológicas contra o ser mais complexo da CRIAÇÃO, o ser humano, especialmente o mais indefeso, que é o pobre, o excluído (p. 24).Essas preocupações acabam promovendo uma cultura ecológica, ou seja,despertam a consciência coletiva da responsabilidade pela sobrevivência do planetaem sua enorme biodiversidade e pelo futuro da espécie humana (BOFF, 2005, p.24). No entanto, são enormes os desafios enfrentados pelos movimentosambientalistas e ainda existe uma longa estrada para ser percorrida. Quanto maiorforem as injustiças sociais maior será o desafio a enfrentar, assim afirma Jacobi(2003):
  41. 41. 41 O movimento ecológico enfrenta no Sul, maiores desafios que no Norte, devido à explosiva combinação dos problemas de degradação ambiental e injustiça social. Existe uma complexa tensão entre a justiça social e o ecologismo (p.23).Jacobi (2003) continua apontando algumas dificuldades também em relação a―distância‖ entre os movimentos, por não perceberem sua essencial semelhança,assim diz: Os setores populares do Sul (movimento sindical, movimentos populares urbanos e rurais) mantêm-se distantes do discurso ecologista, apesar que alguns dos objetivos mais importantes destes movimentos são profundamente ecologistas (luta por condições de trabalho, saneamento básico, melhoria dos serviços de saúde pública, propriedade da terra para quem a trabalha) (p.23)A visão da vida humana que o movimento ecológico traz constitui-se um novoparadigma. Esse caráter reestruturador cultural e político se transformam em meiode surgimento de novos partidos políticos, partidos verdes ou ecopacifistas. Essespartidos verdes são partidos de valores que não pretendem apenas governar outomar revolucionariamente o poder, pretendem sim, agir como transformadores dacultura política introduzindo valores pós materialistas (JACOB, 2003, p. 23).Portanto, a transformação socioambiental exige uma consciência política e práticada cidadania; exige também um compromisso global e regional na superação daagressão à vida, seja ela humana ou não. É necessário mais que uma ―puraconsciência ecológica‖, é preciso uma profunda consciência política voltada parapráticas efetivas de preservação, justiça social busca da paz e da promoçãohumana.ReferênciasBERNARDES, Júlia Adão e FERREIRA, Francisco Pontes de Miranda. A QuestãoAmbiental: Diferentes Abordagens. In: Cunha e Guerra (org). - 2ª- Ed. Rio deJaneiro: Bertrand Brasil, 2005.
  42. 42. 42BOFF, Leonardo. Ética da Vida. Rio de Janeiro: Sextante, 2005._____________. Princípios de Compaixão e Cuidado. Petrópolis, RJ: Vozes,2000.BOFF, Clodovis. Teoria do Método Teológico. - 2ª- Ed. Petrópolis, RJ: Vozes,1998.CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação Ambiental: a formação dosujeito ecológico. – 4 ed.- São Paulo: Cortez, 2008.DALLARI, Dalmo de Abreu. O Que é Participação Política. São Paulo: Brasiliense,1999. (Coleção primeiros passos; 104).DE MASI, Domenico. A Sociedade Pós Industrial. -3ª- Ed. São Paulo: Senac SãoPaulo, 2000.DEMO, Pedr. Charme da Exclusão Social. -2ª- Ed. Campinas, SP: AutoresAssociados, 2002. (Coleção polêmicas de nosso tempo; 61).__________. Pobreza Política – a pobreza mais intensa da pobreza brasileira.Campinas, SP: Armazém do Ipê (Autores Associados), 2006.JACOBI, Pedro. Movimento Ambientalista no Brasil. Representação social ecomplexidade de articulações de práticas coletivas. In: Ribeiro, W. (org).Publicado em Patrimônio Ambiental – EDUSP – 2003.LIBÂNEO, J.B. Cristianismo, humanismo e democracia. In: Bento, Fábio Régio(org). São Paulo: Paulus, 2005. (Temas da atualidade).SOUZA, Herbert Souza de. Como se faz Análise de Conjuntura. -20ª- Ed.Petrópolis, RJ: vozes, 1999.
  43. 43. 43 JOHN LOCKE E O PRENÚNCIO DA INDIVIDUALIDADE RELIGIOSA AZIZE MARIA YARED DE MEDEIROS14ResumoEste trabalho apresenta uma reflexão sobre a Carta acerca da tolerância escrita noano de 1689 por John Locke (1632 – 1704). Nesse texto o filósofo inglês não sóargumenta a favor da tolerância entre as religiões, uma decorrência natural dopróprio Evangelho, como também demonstra o equívoco em que se constitui ainterferência do Estado em assunto tão evidentemente privado como é a religião. Oque chama a atenção é que, nessa busca pela tolerância, Locke permite entrever oscaminhos que a religião deverá buscar, com uma acentuada defesa da instituição deum Estado laico. A argumentação lockeana sobre a tolerância religiosa e asimultânea instauração de um Estado laico traz como consequência, na verdade ede forma implícita, a defesa da individualidade religiosa como meio de impedir aviolência e instaurar o respeito pelas diferenças culturais e étnicas. Do mesmomodo, é possível antever a consolidação da individualidade religiosa nos séculosvindouros, o que se caracterizará, de modo bastante específico, na pós-modernidade globalizada.Palavras-chave: Tolerância. Estado laico. Individualidade religiosa.Com muita freqüência, a mídia internacional fornece notícias estarrecedoras sobreconflitos religiosos espalhados pelo planeta. Regularmente são divulgados dadossobre centenas de mortes provocadas por homens-bomba de diferentes movimentosmuçulmanos; sikhs e hindus frequentemente entram em conflito na fronteira da Índiacom o Paquistão; católicos e protestantes permanecem com os ânimos acirrados navelha Irlanda; vilarejos cristãos são destruídos e seus moradores massacrados porgrupos muçulmanos na África; budistas e muçulmanos se agridem constantementena Tailândia e Miyanmar; templos e monges budistas são destruídos pelos chineses14 Doutoranda em Ciências da Religião pela PUC GOIÀS (azizemedeiros21@yahoo.com.br)
  44. 44. 44no Tibet; e o humor entre turcos, árabes e cristãos na Europa e Estados Unidosreflete momentos de tensão e provocação mútua. Tudo isso, em nome de Deus?Essas questões resultantes do chamado fundamentalismo religioso e suasmanifestações no mundo contemporâneo exigem uma análise que transcende oslimites de uma simples compreensão dos aspectos que caracterizam o mundoglobalizado. As mudanças econômicas, políticas e culturais que se sucederam nassociedades contemporâneas demonstram o alcance do capitalismo em escalamundial e a inevitabilidade das transformações ocorridas no planeta. São fronteirasque se desfazem, novas nações que surgem, intenso intercâmbio de informações,encontros, desencontros e confrontos de etnias e de diferentes grupos sociais. Ainsegurança diante do outro, o medo do desconhecido e a constante sensação deinvasão e ameaça decorrente da novidade criam situações em que as respostastradicionais mais comumente aceitas não apresentam soluções. Atualmente essassituações têm-se agravado de forma intensa, pelas condições climáticas adversas. Esse quadro nos fez refletir sobre o longo processo histórico que orientou asrelações entre religião e política e determinou a laicização do Estado. No entanto, apersistência de confrontos religiosos, que ocorrem paralelamente àinstitucionalização, em diferentes Estados, de expressões como “God save theQueen”, “God Bless America”, “In God we trust” ou até mesmo ―Deus é Brasileiro‖,mostra- nos que a ligação entre religião e Estado está longe de ser resolvida oubanida do universo da chamada modernidade globalizada. Tais pensamentos nosconduziram a uma reflexão sobre o papel significativo da intolerância humana nos
  45. 45. 45acontecimentos contemporâneos e, consequentemente aos escritos do filósofoempirista inglês John Locke. Em sua Carta acerca da tolerância, escrita em 1689, Locke,reconhecidamente cristão, argumenta a favor da separação entre Estado e religião,ao discorrer sobre os deveres dos magistrados e afirmar que ―não cabe nas funçõesdo magistrado punir com leis e reprimir com a espada tudo o que acredita ser umpecado contra Deus‖ (1973, p. 24). Declara com firmeza que não compete aomagistrado civil, portanto autoridade do Estado, o cuidado das almas, porque ―ocuidado da alma de cada homem pertence a ele próprio, tem-se de deixar a elepróprio‖ (1973, p. 18). O que provoca reflexão acerca das ideias de Locke não é tanto a sua defesade um estado laico, uma vez que o filósofo é considerado um dos precursores doliberalismo e ferrenho opositor do absolutismo e do chamado ―poder divino‖ dos reis,responsável direto pelas mais absurdas e tiranas atitudes. Importa-nos, sobretudo, ofato de que o filósofo não só esclarece as funções do Estado e da religião, mas,principalmente, apresenta alguns princípios para a preservação da tolerância. É importante lembrar que na época de Locke a Inglaterra estava lidandoconstantemente com embates entre católicos e protestantes e uma permanenteperseguição aos judeus e maometanos. A estes, não era permitida a construção detemplos, devia-se prestar seus cultos apenas em casa. É preciso também acrescentar, a título de ilustração, que o aspecto religiosoera tão determinante naquele período da história inglesa que o próprio Locke,
  46. 46. 46apesar de seu liberalismo incipiente, não estendia a doutrina da tolerância aosateus. [...] os que negam a existência de Deus não devem ser de modo algum tolerados. As promessas, os pactos e os juramentos, que são os vínculos da sociedade humana, para um ateu não podem ter segurança ou santidade, pois a supressão de Deus, ainda que apenas em pensamento, dissolve tudo. Além disso, uma pessoa que solapa e destrói por seu ateísmo toda religião não pode, baseada na religião, reivindicar para si mesma o privilégio de tolerância. (1973, p. 30). Locke, inicialmente, elucida o papel da verdadeira religião. Afirma que ela nãofoi instituída para manutenção da pompa exterior, do domínio eclesiástico ou doexercício da força, mas, diz ele, ―para regular a vida dos homens segundo a virtudee a piedade‖ (1973, p. 9); e que não poderá jamais ser denominado cristão aqueleque não combate seus próprios vícios, orgulho e luxúria. O cristão deve buscar asantidade da vida, pureza de conduta, benignidade e brandura do espírito. ParaLocke, ninguém pode forçar outra pessoa a se tornar cristã se não tiver realmenteoptado pelo cristianismo em seu próprio coração; o verdadeiro Evangelho ensina aagir não pela força, mas pelo amor. O filósofo esclarece que não cabe ao magistrado civil e a nenhum outrohomem o poder sobre as almas. ‖Porque não parece‖, diz ele, que ―Deus jamaistenha delegado autoridade a um homem sobre outro para induzir outros homens aaceitar sua religião‖ (1973, p. 11). Segundo Locke, o poder dos magistrados consisteem coerção, e o das religiões, na persuasão interior do espírito. Em seus argumentos, afirma que a tolerância deveria ser uma decorrêncianatural dos ensinamentos do Evangelho. E, em tais assuntos, o Estado não poderiajamais se imiscuir, por se tratarem de temas alheios à sua área de atuação e,certamente, privados. Enfatiza claramente o aspecto pacífico da religião cristã e
  47. 47. 47propõe que os magistrados busquem outras causas para os males existentes, emvez de que simplesmente atribuí-los à religião. Afirma Locke: Não é a diversidade de opiniões (o que não pode ser evitado), mas a recusa de tolerância para com os que tem opinião diversa, o que se poderia admitir, que deu origem à maioria das disputas e guerras que se tem manifestado no mundo cristão por causa da religião. (LOCKE, 1973, p. 33).Locke critica de forma contundente a avareza e o desejo de domínio das autoridadesreligiosas, que incitam a comunidade contra os não ortodoxos e se aliam aosmagistrados, que, segundo o filósofo, em nome de sua própria ambição e emoposição às Leis do Evangelho, despojam-nos de suas casas e os destroem.O filósofo insiste em que os magistrados deveriam punir e suprimir aqueles que sãoassassinos, ladrões, caluniadores, sediciosos, independentemente da igreja a quepertençam, pois sua função é defender os direitos e bens civis da comunidade. E asautoridades eclesiásticas, que se abstenham da violência, pilhagem e de todos osmodos de perseguição, pois o seu dever é praticar a caridade, a humanidade e atolerância.Para Locke, os bens civis são a vida, a liberdade, a saúde física, a libertação da dore a posse de coisas externas, como terras, dinheiro, móveis etc. Cabe, portanto, aomagistrado determinar leis uniformes que assegurem ao povo em geral e ao cidadãoem particular a posse justa e a preservação desses bens da vida.O cuidado das almas cabe à Igreja, ―sociedade de membros que se unemvoluntariamente para esse fim‖ (LOCKE, 1973, p. 13). Uma Igreja, como diz Locke,também tem suas leis, o que devem ater-se somente aos assuntos relacionados aoculto público de Deus. Suas armas deveriam ser: exortações, admoestações econselhos; e, aos teimosos e obstinados, a pena máxima: a exclusão daquela
  48. 48. 48determinada igreja. A excomunhão não poderia jamais despojar o indivíduo de seusbens civis ou de suas posses, que deveriam estar sob a proteção do magistrado,pois se referem à vida do cidadão.Segundo Locke, o que torna as pessoas indignadas, agressivas e violentas é aopressão e a injustiça de que são vítimas em nome da religião. Em defesa danecessidade de separação entre religião e Estado, o filósofo afirma: ―Falemosfrancamente. O magistrado teme as outras igrejas e não a sua, porque favorece etrata bem de sua igreja, sendo severo e cruel com as outras‖ (1973, p. 30).Locke defende a ideia de que uma religião só é útil e verdadeira se a pessoaacredita nela como verdadeira; de nada vale, portanto, a imposição de autoridadesque tentam obrigar os súditos a pertencerem a determinada igreja, com o pretextode salvar-lhes a alma. Para o filósofo, os indivíduos vão à igreja por sua livrevontade, por acreditarem nela, não por serem forçados a isso. Deve-se, diz Locke,―deixá-los à sua própria consciência. Libertemos, assim, todos os homens de sedominarem mutuamente em assuntos religiosos‖ (1973, p. 20). Para concluir esta reflexão, observa-se que, ao longo de toda sua Cartaacerca da tolerância, Locke insiste em dois aspectos fundamentais. Primeiro: areligião é um assunto privado e, como tal, deve ser respeitada a escolha individual,sem nenhum tipo de interferência das autoridades civis ou eclesiásticas. Segundo: atolerância é a única forma de evitar violência e dominação de um grupo sobre outro;é, portanto, um princípio essencial a ser ensinado por todas as igrejas e diferentesreligiões.
  49. 49. 49 O que adquire um caráter surpreendente na leitura da Carta acerca datolerância é a constatação de que esse tema, cujo resgate é tão absolutamentenecessário nos dias atuais, já tenha sido motivo de muitas especulações filosóficas esociais em épocas distantes, quando o pluralismo cultural era menor e bem menosameaçador. O apelo à tolerância como uma virtude a ser ensinada e cultivadarepresenta, no mundo contemporâneo, não apenas uma questão urgente a sercolocada na pauta das grandes negociações internacionais, mas, talvez, a únicasaída possível para a sobrevivência de muitos grupos humanos. Portanto,individualidade religiosa e tolerância deveriam ocupar o mesmo espaço na estruturada consciência humana. Juntas e entrelaçadas – como o próprio sagrado.REFERÊNCIALOCKE, J. Carta acerca da tolerância. Tradução de Anoar Aiex. São Paulo: AbrilCultural, 1973. Coleção Os Pensadores – vol. XVIII

×