História Japonesa

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História Japonesa

  1. 1. Kitsune) raposa em japonês
  2. 2. No folclore japonês, a raposa e o texugo eram considerados ilusionistas eviviam pregando partidas. Conta uma antiga lenda que, nos arredores de umapequena cidade, vivia uma família de raposas. Elas eram famosas pelo modooriginal de iludir as pessoas. Muito criativas, ninguém conseguia escapar àssuas artimanhas.Uma dessas raposas transformava-se num homem barbeiro e deixava carecastodos os clientes que o procuravam para fazer penteados ou aparar oscabelos. Assim, todos os homens da cidade ficaram de cabeças rapadas. Porisso, o animal encantado acabou ganhando o apelido de kitsune tokoya, ouseja, “raposa barbeira”.Certo dia, houve, na casa do conselheiro da cidade, uma reunião para pôr fimàquela situação. Afinal, numa época em que os penteados estavam na modapara homens em todo o Japão, não era admissível que só aqueles da pequenacidade não pudessem andar de cabeça erguida. Apesar de haver unanimidadena decisão de fazer a raposa parar com a brincadeira, ninguém tinha umasugestão de como fazer isso.
  3. 3. Então, descobriram que, entretodos os homens da cidade, haviaum que ainda mantinha seu belopenteado. Era um samurai jovem eesperto chamado Saizoemon.Diziam que o seu único defeito eraser convencido.Assim, o conselho de cidadãosresolveu chamá-lo para sabercomo havia conseguido safar-se daardilosa brincadeira da raposabarbeira.
  4. 4. Chegando ao local da reunião, o samurai foi logo dizendo:– Sabem por que se deixaram enganar por uma raposa?Simples, porque vocês são uns tolos. Sendo assim, nãoadianta ficar discutindo o dia todo, porque não vão chegar aconclusão alguma. No entanto, eu sei como dar um jeito.Então, o que estão esperando? Admitam a incompetência eme implorem para castigá-la!Apesar da arrogância irritar os presentes, ninguém viu outraalternativa senão pedir humildemente para que Saizoemondesse um jeito na atrevida raposa.
  5. 5. A moça, assustada, esquivou-se do golpe deixando aparecer uma cauda branca.O samurai pegou uma lança e foi para o – Eu tinha razão, sua raposabosque, onde todos diziam que havia safada! Agora, não vaisesconderijos de raposas. Quando caminhava escapar de meu golpe – assimpor uma trilha entre árvores de pinho, cruzou dizendo, atacou a raposa, quecom uma bela garota de olhar malicioso, que voltou ao seu formato e fugiuo cumprimentou: apavorada.– Boa tarde, Saizoemon, está passeando pelo Vitorioso na primeirabosque? O samurai logo desconfiou que era investida, ele ficou ainda maisum truque ilusionista da raposa e atacou com convencido da sua esperteza ea sua afiada lança. foi caminhando mata adentro.
  6. 6. Numa clareira do bosque, viu outramulher que parecia estardescansando. Logo desconfiou deque se tratava de outra raposa.Assim que a mulher saiuandando, ele seguiu-a, escondendo-se atrás das árvoresenquanto a observava.Num momento, a mulher agachoue juntou um punhado de capimseco. Dobrou os capins e, comeles, fez um boneco.
  7. 7. Saizoemon segurou a respiração eobservou atentamente.A mulher esticou os braços levantando oboneco e assoprou com força. Comonum passe de magia, o boneco ganhouvida, transformando-se num bebéhumano. Embora espantado, o samurainão tinha mais dúvida de que se tratavade uma raposa.Com o bebé no colo, a mulher entrou nacasa de um lenhador e foi recebida poruma velhinha com grande alegria.
  8. 8. – Nossa – pensou Saizoemon – a raposa está tentando enganar a pobre velhinha.Preciso agir imediatamente. Assim dizendo, entrou em casa derrubando a portacom o pé. Encostando a lança no pescoço da mulher, disse:– Cuidado, minha senhora, esta raposa está tentando enganá-la. Este bebé é umpunhado de capim seco, vi com meus próprios olhos quando ela fez a magia –dizendo isso, o samurai apanhou uma corda e amarrou a mulher. A velhinha, quenão estava entendendo nada, protestou:– Senhor samurai, o que está fazendo com a minha nora, o senhor é um maluco?– Santa ignorância a sua, minha senhora! Será que não percebe que esta é umaraposa astuta?! Fique olhando calada que vou provar o que estou dizendo.– Pare, senhor, está completamente enganado. Meu neto não é um punhado depalha, veja é uma criança de carne e osso.– Minha senhora, quando uma raposa se faz passar por gente, para quebrar oencanto, é necessário fazer fumaça com folha de cedro. Assim que a fumaçaencobrir a raposa encantada, logo aparece um rabo branco e, depois, ela volta aoseu formato original.
  9. 9. Assim dizendo, Saizoemon arrastou a mulher amarrada para fora da casa, fez um monte de folhas de cedro e lançou fogo para fazer fumaça.A velhinha gritava desesperada para que Saizoemon parasse com aquele atobárbaro.– Por favor, pare com isso, o senhor vai matar a minha nora, a mãe de meuquerido netinho.Sem se importar com as súplicas da velha senhora, o samurai deixou a mulhercoberta de fumaças, o que provocou muitas tosses.– Não se preocupe, senhora, assim que quebrar o encanto, seu netinho vaivoltar a ser um simples punhado de capim.Por mais que a fumaça envolvesse a mulher, não aparecia nenhum rabo deraposa e ela continuava tossindo desesperadamente.– Pare com isso, ela está morrendo, não está vendo o mal que está fazendo?Saizoemon não parava. Estava convicto que aquela era uma raposa encantada.De repente, a mulher caiu e ficou esticada no chão.– Minha nora morreu! Você matou a minha nora! Meu netinho vai ficar órfão!Quanta crueldade!
  10. 10. A alma da pobre mulher, morta por engano,inconformada por tamanha injustiça, não terápaz. Vai se tornar, com certeza, uma almapenada. É necessário que reze muito, masmuito mesmo, por ela. Raspe sua cabeça etorne-se um monge, assim poderá dedicarmuitas orações à sua pobre alma.Saizoemon concordou que essa era a melhorsolução, já que era indigno de continuar sendoum samurai. Pediu, então, ao sacerdote quelhe raspasse a cabeça e o ordenasse monge.Atendendo à vontade do samurai arrependido,o monge raspou a cabeça de Saizoemon.Quando terminou de raspar, o mongedesapareceu num passe de mágica. Não só elecomo a casa, o bebé, a velhinha e a mulher queparecia morta.
  11. 11. Nisso, o povo da cidade encontrou Saizoemon sentadosobre uma pedra com a cabeça rapada.– Vejam, a raposa barbeira conseguiu enganar Saizoemontambém!A raposa conseguiu iludir Saizoemon seguindo todos osseus passos. Assim, o samurai tornou-se alvo de gozo detodos na cidade, até que se tornou um cidadão humilde.
  12. 12. Saizoemon apanhou um susto. Balançou edesamarrou a mulher desesperadamente.Todas as tentativas para reanimá-lapareciam inúteis. O samurai foi tomado deum grande arrependimento e, prostradono chão, reconheceu o seu engano.– Matei essa pobre mulher por engano.Que erro terrível cometi! Não sou dignode continuar sendo um samurai.Nesse exato instante, apareceu um mongeno local.– O que aconteceu por aqui? Parece umatragédia.O samurai contou todo o seu infortúniodizendo quanto estava pesaroso peloimperdoável engano.– Sua alma jamais terá paz enquanto nãopurificar o seu espírito.

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