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O relativismo dos sofistas
 

O relativismo dos sofistas

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Texto extraídodo blogue do Prof. Luís Rodrigues

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    O relativismo dos sofistas O relativismo dos sofistas Document Transcript

    • O relativismo dos Sofistas O relativismo dos Sofistas não se limita a evidenciar a convencionalidade das instituições políticas, isto é, das normas que governam a vida dos homens em sociedade. Os conceitos morais fundamentais sofrem igualmente uma relativização: o bem e o mal não são conceitos universalmente válidos, imutáveis, pois para cada indivíduo bem e mal, justo e injusto possuem significações diferentes. Esta falta de unanimidade entre os homens quanto à definição do bem e do mal salta à vista não somente comparando os códigos morais de indivíduos ou grupos dentro de uma mesma sociedade. A este ponto de vista dos Sofistas que nega a possibilidade de uma ciência moral (já que não é possível definir os conceitos morais de modo a ultrapassar a divergência das opiniões acerca do que eles sejam) deu-se o nome de cepticismo moral. A impossibilidade de uma ciência, seja a que nível for, é atestada pela famosa proposição de Protágoras: "O Homem é a medida de todas as coisas." Esta frase por si só não nos poderia legitimamente conduzir à afirmação de uma descrença na ciência, conhecimento universal e constante. Contudo, PROTÁGORAS, de acordo com a interpretação de Platão, conclui, numa perspectiva individualista, que o verdadeiro, acerca do bem e do mal, "é o que parece a cada um" de modo que o mesmo objecto para uns será bom para outros mau: "Sobre cada coisa, dizia ele, há dois discursos em oposição um com o outro." O bem e o mal, entre outros conceitos, são degradados para a condição de simples pontos de vista individuais e mutáveis que não se harmonizam entre si. Com efeito, esse homem, dito medida de todas as coisas, não é um sujeito universal, constante, alheio a paixões e interesses. É o indivíduo sensível, mutável, submetido a uma grande diversidade de estados de espírito, inconstante. Dado que cada indivíduo varia no tempo de acordo com as diversas condições da sua sensibilidade, ao conflito das apreciações de diferentes indivíduos junta-se o conflito de cada um consigo mesmo. Verdadeiro é o que a mim me parece tal. Mas um outro julgará verdadeiro o que lhe parece tal sem que um terceiro resolva a contenda (bem pelo contrário). Apesar de, à primeira vista, sermos levados a pensar que a sofística degenera num subjectivismo e individualismo extremos, geradores de lutas incessantes e de incompreensão entre os indivíduos, tal não é absolutamente correcto. Durante muitos séculos e em grande parte devido à influência de imponentes pensadores como Platão e Aristóteles, os Sofistas foram objecto de muito pouca estima. Contudo, a partir do século XVIII começou a sua reabilitação. Algumas das suas ideias são importantes no nosso tempo, o seu papel na difusão da cultura pelas cidades gregas foi relevante, criaram um modelo de ensino de acordo com o sistema democrático, foram notáveis oradores que, embora preocupados com assuntos práticos, colocaram profundos problemas filosóficos como o da relação entre a linguagem e a realidade e o da capacidade humana de atingir verdades absolutas. Pela sua crítica das instituições tradicionais e pela sua tarefa de difusão do saber foram considerados os primeiros iluministas da história. 1
    • Nota - O termo Sofista (Sophistés) foi, a princípio, sinónimo de sábio (sophós) e foi atribuído, por exemplo, a Pitágoras. Só mais tarde, com Platão, adquire um sentido pejorativo: charlatão, hábil enganador, malabarista com as palavras, manipulador pretensioso que se afirma possuidor de um saber universal (polimathía), isto é, enciclopédico, mas que não atinge a essência das coisas. Os Sofistas eram estrangeiros que formaram a maior parte dos políticos de Atenas. Ensinavam a retórica. As suas ideias (sobretudo o seu relativismo) prestavam-se a diversos tipos de manipulações por parte de políticos ambiciosos. SÓCRATES E A PROCURA DA VERDADE Sócrates está preocupado com os temas de vida moral e de um modo mais geral com a determinação da essência do saber. Aos Sofistas que ensinavam que havia apenas opiniões válidas para o indivíduo, Sócrates replica procurando um saber igualmente válido mas para todos. Perante a inconstância e a multiplicidade das representações individuais. Sócrates aspirava a algo de permanente e único que todos deviam reconhecer: o conceito. Este deve ser aquilo que vale para todos. Antes de Sócrates, os pré-socráticos interessavam-se predominantemente pelo exterior: cosmos, physis. Sócrates, de forma diferente dos Sofistas, inverte esta tendência apropriando- se da máxima do oráculo de Delfos: "Conhece-te a ti mesmo". O homem deve procurar em si o universal e não o particular, escutar a voz da razão que muitas vezes o egoísmo e as paixões abafam. Conhece-te a ti mesmo, conhece aquilo que em ti é fonte de conhecimento verdadeiro: a Razão. A viragem antropológica em Sócrates encara o homem não como indivíduo mas como Razão. Para encontrar a Verdade não é preciso escutar os discursos que estão na moda, nem pagar a mestres. A Verdade emana do interior de cada um e guiados pela razão todos, mesmo o mais ignorante, podem chegar a metas idênticas. A contraposição (entre Sócrates e a Sofística) é aqui total. Os Sofistas impõem pontos de vista. Não pretendem convencer - ou seja: vencer juntamente o falso saber - mas simplesmente vencer. Para Sócrates a atitude doutrinária é dogmática e revela falta de auto-análise, de autocrítica. Assim, por exemplo, não começará o seu diálogo dizendo "a justiça é", "a valentia é" - como se possuísse a verdade -, mas baseando-se em perguntas e respostas encadeadas e severamente analisadas, acabará perguntando: "Estamos de acordo em que esta palavra significa?" Quem se crê possuidor da verdade, impõe-na; quem a busca, a procura dar à luz, compartilha dúvidas e esforços. Podemos sintetizar a essência do método socrático nesta frase APRENDEMOS COM OS OUTROS MAS OS OUTROS NADA NOS ENSINAM. Nada nos ensinam porque, como a maiêutica o ilustra, a verdade está no seio de cada um, não é transmitida pelos outros, não é comunicada mas sim descoberta. Contudo aprendemos com os outros porque através do diálogo eles nos ajudam a despertar o que em nós está adormecido, encoberto pelo falso saber. "O professor" é simplesmente aquele que orienta e participa na descoberta de uma verdade universal. Remove o véu do falso saber e "espicaça" para a descoberta do saber real. Luis Rodrigues 2