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Diálogo sobre os valores
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Diálogo sobre os valores

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  • 1. Diálogo 1 - O que são valores Pedro: Julgo saber o que é um facto. Mas o que são os valores? Joana: Não é muito difícil. Pedro: Então explica. Joana: Tenho a certeza que concordas com isto: os valores reflectem aquilo que achamos que é importante e significativo na nossa vida. Damos importância à honestidade, à democracia, à liberdade, à beleza, por exemplo. Todas estas coisas têm valor para nós. Queremos que elas façam parte da nossa vida. Pedro: Concordo. Joana: Então concordas que uma pessoa que dê importância à honestidade oriente a sua vida de forma honesta. Os valores são critérios de acção porque servem para guiar as nossas acções e decisões. Se um político acreditar realmente no valor da democracia, não fará nada para a limitar – por exemplo, aprovando leis que a ponham em causa. Os valores dirigem as nossas acções. Pedro: Queres dizer que mesmo sem termos consciência disso, os valores dizem-nos como devemos agir? Por exemplo, que não devemos permitir a aprovação de leis que diminuam a democracia se acreditamos no seu valor, ou que não devemos mentir se acreditamos no valor da honestidade, etc.? Joana: Os valores são critérios de acção. Critérios com base nos quais orientamos a nossa vida e tomamos decisões. Pedro: Queres, então, dizer que um critério é uma espécie de regra que seguimos para fazer determinada coisa? Os árbitros, quando dirigem um jogo, têm critérios. Não o fazem ao acaso, só porque lhes apetece. As faltas são marcadas de acordo com certas normas ou regras fixadas antes. Pedro: Julgo que percebi. Quando escolhemos dizer a verdade em vez de mentir, por exemplo, estamos a usar como critério a honestidade para decidir o que fazer. Quando um pintor usa certas cores e formas está a decidir em função de certos valores estéticos, como a beleza e a harmonia. A honestidade, a beleza etc. são algo a que damos importância e que queremos que esteja presente na nossa vida. Diálogo 2 - Fazer ou formular um juízo Pedro: Parece que há uma diferença entre formar um juízo sobre um facto e formar um juízo sobre questões que envolvem valores. Mas não estou certo de perceber bem o que é um juízo. Consegues dizer-me? Joana: Suponho que sim. Formar um juízo sobre um assunto é a mesma coisa que formar uma opinião. Formular um juízo significa emitir ou dar uma opinião. Dizer que Picasso foi um grande pintor, significa que, no meu juízo ou opinião Picasso foi um grande pintor. Como vês, não é difícil. Pedro: Muito bem. Avancemos. Diálogo 3 - Juízos de facto e juízos de valor Pedro: Os valores são critérios que usamos para orientaras nossas escolhas e decisões. Esta ideia já ficou clara. Mas os valores também estão presentes quando avaliamos os outros e as suas acções.
  • 2. Joana: Exacto. Pedro: Se eu disser que um quadro é bonito, estou a avaliá-lo esteticamente, e o mesmo se passa se disser que um deputado é honesto: também estou a avaliá-lo, só que desta vez no plano moral. Joana: Acho que tens toda a razão. Os juízos de valor servem precisamente para exprimirmos as nossas avaliações. Pedro: Dar uma opinião é o mesmo que dizer o que penso, não é? Estou a dizer como é que avalio as coisas. Joana: Nem sempre. Ao formares uma opinião sobre a forma da Terra estás a limitar-te aos factos. Ao dizeres que a Terra é redonda estás apenas a constatar como as coisas são. Não há avaliação. Pedro: Humm… E se disser que o 25 de Abril trouxe a democracia a Portugal? Parece-te um juízo de facto? Joana: Sem dúvida. Não estás a avaliar esse facto, não disseste se isso ter acontecido foi uma coisa boa ou má. Estás apenas a descrever algo que aconteceu. Limitas-te a constatar o que se passou. Pedro: Estou a ver. O que distingue os dois tipos de juízos é que os juízos de valor servem para fazer avaliações com base em valores. Se eu disser que o João é honesto, por exemplo, estou a avaliar o seu comportamento com base na honestidade. Estou a dizer que o João é uma pessoa como deve ser. Joana: Concordo. Pedro: Por sua vez, os juízos de facto servem para descrever a realidade tal como ela é. Não avaliam nada. Joana: Exacto. Os juízos de facto limitam-se a dizer como as coisas são, sem fazerem qualquer avaliação. Dizer que a pena de morte é aplicada na China ou nos Estados Unidos, serve apenas para constatar factos. Pedro: Só estarias a fazer uma avaliação se acrescentasses que a pena de morte é injusta, por exemplo. Os juízos de valor dizem como, de acordo com os nossos valores, as coisas deviam ser. Se pensas que a pena de morte é injusta é porque achas que ela não devia existir! Nada mais óbvio. Joana: Deixa-me pegar outra vez no exemplo só para resumir. Um juízo de facto como “A pena de morte é aplicada na China” é apenas descritivo: limita-se a dizer como as coisas se passam na China. Pedro: Certo. Joana: Mas um juízo de valor como “A pena de morte é injusta” não é apenas descritivo: faz uma avaliação. Diz-nos como as coisas deviam ser. Diz-nos que a pena de morte não deveria existir. Ora, ao dizermos como as coisas deviam ser, estamos a usar um critério de valor para fazer a nossa avaliação. Neste caso, o critério é a justiça. Quando há avaliação têm de existir critérios. Pedro: Isso quer dizer que os juízos de valor, ao permitirem-nos fazer avaliações, reflectem-se certos critérios ou normas. As normas com base nas quais avaliamos. Critérios estéticos (como a beleza, por exemplo), morais (como a honestidade, a justiça, etc.) e outros. Os juízos de valor são, portanto, normativos. Joana: Exacto. Os juízos de facto dizem apenas como as coisas se passam: são descritivos. Os juízos de valor, pelo contrário, fazem uma avaliação: dizem como as coisas deviam ser; são normativos. Paulo Ruas