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Perfil Institucional – Versão em Português
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Perfil Institucional – Versão em Português

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    Perfil Institucional – Versão em Português Perfil Institucional – Versão em Português Document Transcript

    • Instituto Peabiru - PerfilVersão em portuguêsInstitucional2011Rua Ó de Almeida, 1083 | CEP: 66053-190 | Belém, Pará, BrasilF +55 91 3222 6000 | peabiru@peabiru.org.br | www.peabiru.org.br
    • Perfil Institucional I. Introdução O Instituto Peabiru é uma organização da sociedade civil que tem comomissão valorizar a diversidade cultural e ambiental e apoiar processos detransformação social na Amazônia. Nosso público preferencial são as comunidades rurais da AmazôniaOriental: os estados do Amapá, Maranhão e Pará. Juridicamente, o InstitutoPeabiru é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP,criado em 1998, com sede em Belém, Pará. Nossa ação centra-se no impacto do modelo de desenvolvimento vigentesobre a maior floresta tropical do planeta e seus habitantes. Em termosambientais, as temáticas relacionam-se à conservação da água, à proteção dabiodiversidade e ao equilíbrio climático global, num quadro de forte impacto dodesmatamento e degradação dos recursos naturais. Em termos socioeconômicos, aprioridade relaciona-se a alavancar a mobilização social, trabalhar naimplementação dos direitos básicos e consequente melhoria de qualidade de vida,intervindo no cenário de ausência de políticas públicas, exclusão social e excessivaconcentração de renda.
    • II. Contexto Desde a ditadura civil-militar na década de 1960, o Governo Brasileiroincentiva e subsidia a expansão econômica predatória na Amazônia. Com aabertura democrática e novos meios de comunicação, o fortalecimento dasorganizações da sociedade civil e o maior monitoramento do desmatamento,evidencia-se a dimensão dos impactos sociais e ambientais. É baixo o nível deconsciência regional ou nacional diante do fato que em menos de cinco décadas aárea desmatada engoliu 20% da floresta, elevando-se de menos de 50 mil km2para 700 mil km2 (maior que os estados da Região Sul, São Paulo e Rio de Janeirojuntos) e que o rebanho bovino multiplicou dezesseis vezes, de 5 milhões para 80milhões de cabeças. Importante lembrar que a pecuária bovina, em função daemissão de gases CO2, metano e outros, é uma das atividades que mais contribuipara as mudanças climáticas. Recentemente, com os debates internacionais acerca da biodiversidade edas mudanças climáticas, alerta-se para a grave situação da conservação deespécies (principalmente na Amazônia Oriental), bem como para a contribuiçãodo desmatamento e das queimadas da Amazônia às emissões de gases quecontribuem ao efeito estufa (a Amazônia responde por cerca de 4% das emissõesglobais e cerca de metade das emissões brasileiras).Importante mencionar que aspolíticas públicas resultam em forte incentivo à migração e pressão sobrepopulações tradicionais e seus recursos naturais. Neste cenário não é difícil avaliara situação de exclusão em que vive a maioria da população rural da Amazônia.Esta depende, em boa parte, da economia de subsistência, e de atividadesaltamente predatórias como a pecuária bovina extensiva e a extração seletiva demadeira. Tanto os migrantes como os grupos tradicionais (indígenas, quilombolas,caboclos etc.) são excluídos como beneficiários potenciais da expansãoeconômica, por falta de acesso a: a) serviços básicos (educação, saúde, energia,transporte etc.); b) segurança fundiária; c) acesso ao mercado e oportunidadeseconômicas; e d) conhecimento técnico e capacidade para se beneficiar daparticipação potencial na economia formal; entre outras questões. O cenário deexclusão para as mulheres e os jovens é ainda pior, uma vez que esses grupossociais têm menor acesso a esses recursos quando comparadas aos homens. A Amazônia do Século XXI enfrenta um desafio ainda maior diante da novaleva de mega-empreendimentos, que exerce forte pressão sobre o frágil quadrofundiário, os recursos naturais e os precários núcleos urbanos. Segundo BetoVeríssimo, do IMAZON, estão previstos para a Amazônia Continental, nestadécada, centenas de empreendimentos em infra-estrutura (hidrelétricas, estradas,ferrovias e portos), mineração e agronegócio (pecuária, soja, biocombustíveis epapel e celulose), com investimentos superiores a R$ 500 bilhões1. Em que medida1 http://www.forumamazoniasustentavel.org.br/wp-content/uploads/2011/12/boletim36.pdf
    • as comunidades da Amazônia se integram a estes empreendimentos e o impactoem suas vidas e das futuras gerações? III. A abordagem do Instituto Peabiru Nossa visão exige mudanças imediatas no paradigma atual dedesenvolvimento econômico. Um modelo econômico sustentável deveria sebasear na conservação dos recursos naturais e da biodiversidade, nodesmatamento zero, no respeito aos direitos básicos, na efetiva participação dascomunidades na tomada de decisão acerca de suas vidas e uso e manejo de seusrecursos, e no combate à desigualdades socioeconômicas. Como organização, valorizamos a equidade e a diversidade social eambiental. Vemo-nos como facilitadores de processos de desenvolvimento social,seja para comunidades, organizações da sociedade civil ou empresas. Atuamos pormeio de processos participativos de pesquisa, reflexão e tomada de decisão,respeitando o tempo das comunidades. Entendemos como principal resultado de nossa ação o momento em quecomunidades e organizações da sociedade civil local alcançam maior capacidadede agir, reclamar os seus direitos, enfim, exercitar sua completa cidadania. Esteprocesso se completa na medida que alcança-se maior nível de desenvolvimentohumano, garantindo-se benefícios socioeconômicos duradouros e a necessáriaconservação ambiental. Outrossim, acreditamos fortemente em parcerias com o setor privado.Reconhecemos que este desempenha relevante papel no desenvolvimento deestratégias relacionadas ao impacto socioeconômico e ambiental de suas própriasatividades. A incorporação de aprendizados pelo setor privado e seus públicos(stakeholders) resulta em enormes avanços em prol da justiça social esustentabilidade. Atualmente, dedicamo-nos a três áreas temáticas, a saber: 1)Desenvolvimento Local e Áreas Protegidas; 2) Responsabilidade SocioambientalCorporativa; e 3) Cadeias de Valor Inclusivas.
    • IV. Áreas temáticas de trabalho1. Desenvolvimento Local e Áreas Protegidas Nossa principal ferramenta de trabalho é a Agenda 21 Local, na qual oplanejamento e a implementação de planos de desenvolvimento local sãorealizadas de forma participativa. No processo de fortalecimento dascomunidades, estas identificam alternativas, buscam e negociam soluções parasuas próprias demandas socioeconômicas, culturais e ambientais, adquirem voz,reivindicam seus direitos básicos e estabelecem sistemas de monitoramento daimplementação e acompanhamento de plano de ação por meio de indicadores. O Instituto Peabiru visa contribuir para o fortalecimento das comunidadeslocais, para que estas alcancem maior qualidade de vida, e para que participemativamente no controle do planejamento, implementação e monitoramento deplanos de desenvolvimento local. Entre as finalidades deste processo estão: a)aumentar a capacidade de compreensão das atuais limitações de suas vidas(relacionadas a meios de vida sustentável); b) desenvolver o potencial desolidariedade do grupo para alcançar mudanças sociais; e c) dedicar-se a alcançarimpactos positivos, a partir do uso sustentável de recursos naturais. A metodologia visa facilitar diálogos locais, a participação efetiva natomada de decisões, e no processo de negociação com instituições gestoras daárea protegida e outros atores locais (governo local, empresas e partesinteressadas (stakeholders)), que apresentam impacto significativo na qualidade devida do grupo e em seu acesso aos recursos naturais. Nossa prioridade é para as áreas protegidas pelo Sistema Nacional deUnidades de Conservação - SNUC e seu entorno, em áreas criticas para aconservação e sob forte pressão no uso de recursos naturais. Os principaisprogramas desta Área de Trabalho são o Viva Marajó e o Casa da Virada.
    • 1.1. Programa Viva Marajó A Mesorregião do Marajó, com dezesseis municípios, no estado do Pará,abrange um território maior que sete estados brasileiros, superior a Portugal (104mil km2). O Marajó apresenta grande diversidade biológica em seus 48ecossistemas. No entanto, menos de 1% é de áreas de proteção integral. A maiorparte é composta de regiões inundáveis. A região recebe as águas do RioAmazonas e do Rio Tocantins que, juntas, representam ¼ das águas de todos osrios do planeta, o que a torna extremamente sensível a mudanças climáticas. O Marajó possui o maior conjunto de sítios arqueológicos da Amazônia(totalmente desprotegidos), além de patrimônio imaterial entre os mais ricos ediversos do Norte. Ao mesmo tempo, trata-se de uma das áreas mais excluídas doBrasil, onde vive meio milhão de pessoas, com acesso precário à maioria dosserviços públicos essenciais (mais de 90% das comunidades é alcançada apenasem embarcações precárias e inseguras; 70% dos jovens estão atrasados na relaçãoidade/série escolar; 85% são analfabetos funcionais; 75% não recebem águatratada; inexistem UTIs e há apenas 1 leito hospitalar a cada mil habitantes). Recentemente, o Plano Marajó, do Governo Federal avançou naorganização do Conselho de Desenvolvimento Territorial do Marajó - CODETEM,na construção do Linhão do Marajó, no assentamento de mais de 20 milribeirinhos em 2,4 milhões ha, além de dedicar alguma atenção aos 700 mil ha deunidades de conservação de uso sustentável (equivalente a 7% do Marajó,quando o mínimo deveria ser três vezes esta área, uma vez que a maior parte dosribeirinhos continuam com alta insegurança fundiária). É neste cenário que se insere o Programa Viva Marajó, para contribuir naimplementação e consolidação de áreas protegidas, para a melhoria da qualidadede vida, a conservação da biodiversidade e valorização da cultura e promoção dasustentabilidade. Estas ações visam, num primeiro momento, apoiar a candidaturado Marajó como Reserva da Biosfera, proposta pela Secretaria de Estado de MeioAmbiente - SEMA, perante o Programa Homem e Biosfera – MAB, da UNESCO.Como Reserva da Biosfera, espera-se maior atenção para sua população eambiente, na medida que esta possui quatro funções, que se reforçammutuamente: Conservação; Valorização Cultural; Desenvolvimento Sustentável eApoio Logístico à Pesquisa Cientificas e à Educação. O Instituto Peabiru acredita que pode contribuir como facilitador doprocesso de fortalecimento das organizações da sociedade civil local, em prol daefetivação das políticas publicas. É chegada a hora do marajoara decidir sobre suavida e seu território. O Viva Marajó é uma parceria do Instituto Peabiru e o FundoVale, e conta com a colaboração do Museu Paraense Emílio Goeldi, daUniversidade Federal Rural da Amazônia, entre outras organizações.
    • 1.2. Programa Casa da Virada Curuçá, no litoral do Pará, está na região de mais antiga colonização daAmazônia, que apresenta baixos índices de IDH e é a mais desmatada (mais de95% da floresta desapareceu). Na última década foram criadas uma dezena deunidades de conservação federais de uso sustentável para proteger os manguezais(entre São Luis e Belém está a maior área de manguezais do Brasil e o maiorconjunto continuo do planeta). Em Curuçá foi decretada a Reserva ExtrativistaMãe Grande de Curuçá, que conserva cerca de 20 mil ha de manguezais. Ao mesmo tempo, em Curuçá situa-se o extremo sul do Estuário doAmazonas-Tocantins, a Ponta da Tijoca, que apresenta características naturaisideais para portos off-shore, o que atrai forte debate sobre dois projetos: o SuperPorto do Espadarte, e a Estação Flutuante de Transbordo. Preocupado com estas questões, desde 2007 o Instituto Peabiru atuaatravés do Programa Casa da Virada em pesquisas científicas para identificar asprincipais problemáticas socioeconômicas e ambientais e fortalecer os grupostradicionais locais. Este trabalho é financiado pelo edital público PETROBRASAmbiental, complementado por recursos dos editais públicos Criança Esperança(Rede Globo e UNESCO) e Ministério do Turismo. Entre os principais resultados estão: 1) o lançamento do Fórum da Agenda21 abrangendo 52 comunidades rurais; 2) a formação de 120 agentes ambientais,estudantes de escolas públicas locais; 3) o desenvolvimento de duas cadeias devalor inclusivas: a) o ecoturismo de base comunitária que fundou a organizaçãolocal Instituto Tapiaim atual parceira; e b) a produção de mel de abelhas nativas,com a associação local, a ASMELC, atual parceira; e 4) Pesquisas científicas que,entre outros resultados, levaram ao registro das cinco espécies tartarugas marinhaspresentes na costa brasileira, bem como à identificação de um novo tipo deecossistema – a Floresta Amazônica Atlântica – entre os manguezais e as florestasde terra firme. Na presente etapa, a Casa da Virada visa consolidar estesresultados, para que fortaleçam as políticas públicas para a região.
    • 2. Responsabilidade Socioambiental Corporativa Para o Instituto Peabiru é fundamental envolver o setor privado, o principalbeneficiário do modelo de desenvolvimento vigente, no enfrentamento doaumento da pobreza e da exclusão social, bem como do crescimento dadegradação ambiental. Acreditamos que as empresas têm um papel relevantecomo cidadãs e são capazes, ao considerar a responsabilidade socioambientalcorporativa e a sustentabilidade, de promover e estimular grandes avançossocioambientais e culturais em suas regiões de interesse. Esta Área de Trabalho sededica a parcerias inter-setoriais, na busca de melhoria de qualidade de vida daspopulações do entorno desses grandes empreendimentos por meio de: a) Efetivaaplicação dos conceitos de Responsabilidade Social e Ambiental, priorizando odiálogo entre corporações e comunidades de seu entorno; b) Desenvolvimento desistemas participativos de monitoramento, baseados em indicadoressocioeconômicos e ambientais, capazes de mensurar o impacto das atividadesempresariais, garantindo-se o envolvimento ativo dos multiple stake-holders (asdiferentes partes interessadas, como a empresa, as comunidades, os clientes, osfornecedores etc.); c) facilitar a reflexão das comunidades sobre a realidade local ede seu entorno, internalizando os aprendizados em planos de desenvolvimentolocal ou políticas e práticas empresarias; d) Incorporação das temáticas de Gêneronas políticas e práticas empresariais (a gênese das desigualdades einsustentabilidade); e e) Implementação de ações para evitar a perda dabiodiversidade e para enfrentar as mudanças climáticas. A prioridade institucional é para os grandes empreendimentos demineração, do agronegócio e de infra-estrutura (hidroelétricas, portos, ferrovias erodovias), especialmente da Amazônia Oriental. Entre os principais programasdessa Área de Trabalho estão: 2.1. Programa Dendê, em parceria com a Agropalma Desde 2007 a Agropalma e o Instituto Peabiru constroem uma relação deparceria, que se realiza na mesorregião do Nordeste Paraense, Municípios deTailândia e Mojú, uma região histórica de exploração madeireira e degradação deseus recursos naturais, em 2008 com a operação Arco de Fogo do governofederal, que fechou serrarias e carvoarias obteve uma mudança no cenárionacional sendo hoje uma região de grande potencial para a produção de biodiesel.A Agropalma tem seu projeto de cultivo de palma e extração do óleo de palmavoltado para o mercado de produtos alimentícios desde 1982. Essa parceria visa a melhoria da qualidade de vida para as populações doentorno e agricultores familiares que possuem uma relação comercial com aempresa por meio de duas iniciativas: 1) Indicadores de sustentabilidade:desenvolvimento de sistema de monitoramento participativo, para medir a
    • melhoria da qualidade de vida e impactos das relações comerciais entre 150produtores de agricultura familiar, fornecedores de frutos de palma para aAgropalma. Estes indicadores foram elaborados pelos agricultores familiares e seumonitoramento é feito pela juventude local; 2) Desenvolvimento local da Vila dosPalmares: a Metodologia da Agenda 21 Local foi utilizada para desenvolver, deforma participativa, o Plano de Desenvolvimento da Vila dos Palmares. O Plano deDesenvolvimento é uma ferramenta de negociação, visando aumentar acapacidade de reivindicação dos direitos básicos da comunidade.. O desafio atualé implementar o “Plano” e fortalecer a posição da comunidade no contextomunicipal. A Vila dos Palmares é uma comunidade que possui oito mil habitantese seu perímetro rodeado pelo plantio de Palma, tendo uma relação direta com asatividades empresariais Além destes dois projetos, outras iniciativas dedicaram-seao fortalecimento de associações locais e o melhor relacionamento entre aempresa e seu entorno. 2.2. Outras iniciativas 2.2.1. Levantamento de Parâmetros Preliminares para Diagnósticos Socioambientais em Propriedades Rurais e pólos de Desenvolvimento Agrícola em Tailândia/PA” (Marco Zero) Em 2010 A PETROBRAS BIOCOMBUSTIVEL iniciou suas operações deprodução de biocombustíveis na Amazônia. O Instituto Peabiru realizou, de formapioneira, o levantamento de parâmetros preliminares para diagnósticos sócio-ambientais em propriedades rurais de polos de desenvolvimento agrícola nosmunicípios de Moju e Tailândia, PA. Este trabalho, envolvendo cerca de 36pesquisadores nas áreas social, arqueológica e ambiental (hidrologia, botânica,zoologia e microbiologia dos solos) resultou em um Marco Zero da região visandosubsidiar o planejamento de atividades empresariais, de maneira a minimizar seuimpacto socioambiental. 2.2.2. Levantamentos ambientais e socioeconômicos no entorno de empreendimentos rurais O Instituto Peabiru realiza, desde sua origem, diagnósticos ambientais esocioeconômicos de empreendimentos rurais. Para a AMATA BRASIL, empresapioneira no ramo do reflorestamento de espécies nativas, realizamos, desde 2009,pesquisas primárias e secundárias sobre o entorno de suas propriedades emCastanhal, Paragominas e Ipixuna, no Pará. 2.2.3. Demais ações
    • Desde 2004 o Instituto Peabiru realiza ações em parceria com a NaturaCosméticos (comunidades plantadoras de priprioca na Grande Belém, e com aAssociação Ver As Ervas). Desde 2005 somos apoiados pela Sambazon do Amapá,de Macapá nos programas de abelhas nativas e açaí. Em 2009 realizamos estudospara a ALBRAS (Barcarena, PA), e em 2010 a primeira ação da Escola Juruti deSustentabilidade, com apoio da ALCOA e Fundação ALCOA (em Juruti, PA).3. Cadeias de Valor Inclusivas Nossa crença é que, para promover a sustentabilidade da AmazôniaOriental a longo prazo é preciso também fortalecer a posição econômica dascomunidades rurais excluídas, ao mesmo tempo que se valoriza a biodiversidade eos recursos socioambientais. Fundamentamos nossas ações no conceito geral de cadeia de valor (valuechain approach), que considera cinco dimensões centrais: 1) Econômica: ahabilidade de gerar renda, de consumir e gerar recursos fundamentais para asegurança alimentar, o bem-estar material e a posição social. 2) Capacidadeshumanas: fortalecimentos das organizações locais buscando a implementação dosdireitos básicos saúde, educação, água potável etc.; 3) Cidadania: voz e habilidadepara influenciar políticas públicas e processos; 4) Cultural: valorização da própriacultura, tanto material como imaterial; 5) Ambiental: habilidade para uso e manejodos recursos naturais valorizando a biodiversidade e sua integração com a culturalocal. No momento, atuamos em três frentes: 1) Desenvolvimento de cadeias devalor prioritárias: a) Ecoturismo de Base Comunitária, e b) Abelhas Nativas daAmazônia; 2) Estudos de cadeias de valor de produtos tradicionais: visandoconsolidar o conhecimento acerca de outras cadeias de valor relacionadas àbiodiversidade como açaí, mandioca, pesca, madeira, além do ecoturismo eabelhas nativas, acima mencionadas; 3) Pecuária Bovina e Mudanças Climáticas:para orientar políticas públicas de contenção ao avanço da pecuária na região. 3.1. Desenvolvimento de Cadeias de Valor Prioritárias 3.1.1. Programa de Ecoturismo de Base Comunitária Vale destacar o papel pioneiro da entidade neste setor, desde suafundação, em 1998, quando se denominava Instituto Peabiru de Ecoturismo.Mencione-se, outrossim, que o ecoturismo é uma das poucas cadeias de valorpermitidas em unidades de proteção integral, como parques nacionais ouestaduais. Atualmente, nosso trabalho é focado no incentivo à criação de negóciospara a geração complementar de renda a comunidades tradicionais, especialmentepara mulheres e jovens. Entendemos que, ao envolver a comunidade em todo oprocesso de construção da atividade, esta forma de turismo possibilita odesenvolvimento de capacidades humanas, a promoção da consciência ambientale a valorização do patrimônio cultural e ambiental.
    • Considerando-se que um dos grandes desafios para as comunidades éacessar mercados, priorizamos a busca de relações com agentes especializados(Estação Gabiraba (Belém, PA) e Turismo Consciente (São Paulo, SP)). Nomomento realizamos atividades em parcerias com o Instituto Tapiaim ecomunidades de Curuçá (como parte do Programa Casa da Virada) em MonteAlegre e Almeirim (como parte do Programa Almeirim Sustentável, em parceriacom o Instituto Floresta Tropical), todas no Pará. 3.1.2. Programa de Abelhas Nativas em Comunidades Tradicionais As abelhas nativas (melíponas) estão entre os principais polinizadores daAmazônia. Trata-se de um dos grupos que mais sofre com a degradaçãoambiental. O propósito do Programa é criar oportunidades complementares degeração de renda, a partir de um recurso da biodiversidade local, o mel dasabelhas nativas (néctar). Nosso trabalho inicia-se com a pesquisa científica sobreespécies de ocorrência na região e a capacitação técnica para a criação de abelhas(meliponicultura). Os cinco anos de aprendizado, com o apoio da Universidade Federal doAmapá e financiadores (SANTANDER, Embaixada dos Países Baixos, PETROBRASe SAMBAZON) com cerca de 350 famílias entre comunidades tradicionais –quilombolas do Amapá, índios do Oiapoque, ribeirinhos do Marajó e agricultoresfamiliares de Curuçá – permitem-nos avançar na estruturação de um programa demeliponicultura, e compreender os múltiplos benefícios desta cadeia de valor. Emtermos ambientais, sua introdução demonstra o impacto positivo na diminuição dequeimadas, desmatamento, poluição da água e disposição do lixo, com efeitosmensuráveis na emissão de gases para o efeito estufa (REED). Neste quesito, umdos temas importantes é o bom manejo florestal e de recursos naturais. Na questão social esta é a oportunidade de priorizar questões de Gênero,fortalecendo a posição da mulher e de jovens na geração e controle de recursosfinanceiros e recursos naturais, bem como tratar diretamente da segurançaalimentar. Neste quesito, a criação de abelhas oferece maior disponibilidade defrutos no pomar, além de garantir maior produção de frutos comerciais (açaí,cacau, urucum, café e frutos para polpa). A meliponicultura reforça, ainda,questões essenciais ao fortalecimento do tecido social local, como o associativismoe a formalização de relações, bem como a posição na cadeia de valor. 3.2. Estudos de Cadeias de Valor de Produtos Tradicionais Nossa atuação dirige-se a estudar cadeias de valor do Marajó, em parceriacom a Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA e o Museu ParaenseEmílio Goeldi - MPEG. Nesta primeira etapa pesquisamos o açaí (Euterpeolereacea), a pesca artesanal, a farinha-de-mandioca (Manihot utilissima), e a
    • pecuária bovina e bubalina. No processo de pesquisa do diagnósticosocioeconômico, estes produtos foram identificados entre as principais fontes derenda pelas comunidades locais. Além de mapear as cadeias de valor, estamosinteressados em compreender as condições de vida associadas à produção e, deque maneira, esta contribuem para a sustentabilidade da região. Nossa intenção éaprofundar estes estudos e mobilizar as comunidades envolvidas para melhorar asua posição na cadeia de valor a partir dos diagnósticos realizados. 3.3.Pecuária Bovina e Mudanças Climáticas Entre as cadeias de valor pesquisadas pela instituição destaca-se o impactoda pecuária bovina e as mudanças climáticas. A principal razão reside no fato quea pecuária bovina é a atividade que mais área ocupa no Brasil (cerca de 220milhões ha), 25% do Brasil. Ao invés de incentivar a melhoria da produtividade dapecuária bovina nos 150 milhões de hectares do Brasil extra-amazônico e nos 70milhões ha da Amazônia, as políticas públicas priorizam aumentar a áreadesmatada, o que causa forte impacto regional, nacional e internacional. De acordo com o CIFOR (Center for International Forest Research) pelomenos 91% dos desmatamentos desde a década de 1970 são para a criação degado bovino (CIFOR, 2004). Além de contribuir para as mudanças climáticas,promovendo o desmatamento e as queimadas e emitindo gases como carbono emetano, a pecuária na Amazônia gera poucos empregos, e exige grandesextensões de terra. Para o Instituto Peabiru é fundamental que a opinião pública conheça oimpacto da atividade que mais destrói as florestas do planeta e emite 18% dosgases do efeito estufa, e que se estabeleçam políticas publicas que enfrentem oforte aumento do consumo de carne bovina (segundo a FAO, o aumento previstoé de 71% para 2050). Também é nossa prioridade o estabelecimento demelhores praticas na pecuária bovina e bubalina nas regiões onde atuamos,especialmente para os micro e pequenos produtores das várzeas e do entorno demega-empreendimentos. Em 2011, com o apoio da Fundação AVINA publicamosum documento que trata desta questão (MEIRELLES & BARNEY, 2011). IV. Parcerias e Recursos Trabalhar em parceria é essencial para a abordagem da instituição. Naimplementação dos programas e outras atividades desenvolvemos parcerias comas comunidades locais, o setor privado e as instituições de ensino e pesquisa. Entreos principais parceiros estão: no terceiro setor (Instituto Floresta Tropical, VitaeCivilis), nas pesquisas científicas, no Brasil (Museu Paraense Emílio Goeldi -MPEG, Universidade Federal do Pará - UFPA, Universidade Federal do Amapá -UNIFAP e Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA), e no exterior (TheRoyal Tropical Institute - KIT e Erasmus University, ambas da Holanda). Entre as
    • organizações comunitárias parceiras estão: Associação de Moradores dos Distritode Palmares, Associação do Desenvolvimento Comunitário do Ramal Arauaí e daComunidade de Soledade; Grupo de Pesquisadores Socioambientais, de Tailândia;Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém, de Cotijuba; Associação Ver-As-Ervas, Belém; Instituto Tapiaim e Associação de Meliponicultores de Curuçá,Curuçá; no Pará, bem como o Conselho das Associações das Comunidades deAfro-descendentes do Amapá - CCADA, de Macapá, AP. Importante mencionarainda, o trabalho em parceria com Sindicatos dos Trabalhadores e TrabalhadorasRurais das regiões em que atuamos. Os recursos financeiros advém de sete naturezas de fontes distintas, comvistas a não depender de uma única natureza de fonte ou de um únicofinanciador. Os recursos são de doações de empresas e fundações empresariais (AGROPALMA, ALCOA, Fundo Vale, NATURA, PETROBRAS BIOCOMBUSTIVEL,SAMBAZON); editais públicos (Banco Mundial (Programa PPP-ECOS Cerrado),Bolsa de Valores Ambientais & Sociais, Criança Esperança (Rede Globo eUNESCO), PETROBRAS AMBIENTAL, OI Futuro); convênios com organismospúblicos (Instituto Estadual de Florestas (Amapá), Ministério do Turismo) ecooperação internacional (Embaixada dos Países Baixos, Fundação AVINA, TheNature Conservancy). Além disto, realizamos assessorias em responsabilidadesocial para a ALBRAS (NORSK HYDRO) e AMATA. V. Participação em associações e redes O Instituto Peabiru participa do debate sobre responsabilidade social eambiental no Brasil, bem como sobre a sustentabilidade na Amazônia, por meio daRede AVINA (da qual o diretor geral é líder-parceiro desde 1999), do FórumAmazônia Sustentável (desde sua fundação, da qual o diretor geral é membro doComitê de Ética). Desde 2010 participamos da construção da agenda da sociedadebrasileira para a RIO+20, contribuindo, inclusive na organização, juntamente coma Rede GTA e o Instituto Vitae Civilis de reunião preparatória da Amazônia para aConferencia da ONU.
    • VI. Governança O Instituto Peabiru tem em sua Assembléia Geral, composta de 17membros, e que se reúne duas vezes ao ano, seu órgão máximo, do qual participao diretor geral, desde sua fundação, João Meirelles Filho. Um conselho fiscal detrês membros titulares e três suplentes atua como órgão de acompanhamento. A condução dos programas e ações institucionais é liderada por um GrupoGestor, composto por 7 membros: João Meirelles Filho – Diretor Geral,representante legal da entidade; Hermógenes Sá – Tesoureiro e Coordenador daÁrea de Administração; bem como os coordenadores de Programas – AnaCarolina Vieira –Programa Dendê; Ana Gabriela Fontoura –Projeto AlmeirimSustentável; Carlos Augusto Ramos – Programa Viva Marajó; Richardson Frazão –Programa Casa da Virada; e Maria José Barney Gonzalez – ConsultoraInternacional em Metodologias. A equipe é composta de dezoito colaboradores,sendo sete assistentes e quatro estagiários. Contato Institucionalsecretaria@peabiru.org.brRua Ó de Almeida, 1083, Bairro: Reduto,Belém, Pará, CEP 66.053-360Tel (91)3222.6000 Referências bibliográficasCentre for International Forestry Research - CIFOR, 2004FAO Annual Report, 2009Instituto do Desenvolvimeto Econômico-Social do Pará - IDESP, 2010Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, Censo 2010Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. November 2010MEIRELLES, João, Livro de Ouro da Amazônia, Ediouro, Rio de Janeiro, 5a edição2007MEIRELLES, João e BARNEY, Maria Jose Gonzalez, Delicious 500gms of Amazonian Beef Steak produced by 7.000 grams of carbon dioxide,7.000 litres of water, mixed with belched methane, is the ideal recipe for climate change. Peabiru Working Paper No 1, 2011