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  • 1. Cassiana Turíbio Amaral1Jairo Falcucci Beraldo2 Leonel Dangelo Queiroz Saraiva3Edicássia Rodrigues de Morais Cardoso4Neste artigo discute-se a administração e o gerenciamento e sua aplicabilidade na gestão eadministração como modelo nos paradigmas do enfermeiro enquanto gestor e administrador,abordando o movimento da qualidade no contexto histórico e as conseqüências daimplementação destes programas para as organizações de saúde. Identificam-se, com basenas características histórico-estruturais das organizações hospitalares e dos conceitos etécnicas dos programas de qualidade, elementos que podem contribuir para seu sucesso oufracasso, como forma de desenvolver uma visão crítica e delimitar melhor o alcance dosprogramas no incremento gerencial destas organizações.Palavras-chave: enfermagem, novos modelos gerenciais e administrativos.This article discusses the administration and management and its applicability in themanagement and administration as a model in the paradigms of the nurse as manager andadministrator, addressing the quality movement in historical context and the consequences ofimplementing these programs for healthcare organizations. It identifies, based on historical andstructural characteristics of hospitals and the concepts and techniques of quality programs,elements that may contribute to its success or failure as a way to develop a critical view and todelimit the scope of the programs in increasing management of these organizations.Key words: nursing, new managerial and administrative models.4 Coordenadora e Docente do curso de Enfermagem da Faculdade Estácio de Sá de Goiás –FESGO, Bacharel1 Discente do curso de Enfermagem da Faculdade Estácio de Sá de Goiás-FESGO; 2 Discentedo curso de Enfermagem da Faculdade Estácio de Sá de Goiás-FESGO; 3 Discente do cursode Enfermagem da Faculdade Estácio de Sá de Goiás-FESGO; em Enfermagem UFG, Pós-Graduada em Docência Universitária UFG, Mestre em Ciências da Religião PUC/GO.Observa-se nas últimas décadas, em vários países, uma mobilização em torno da aplicação denovas técnicas de ensino para aprimorar os programas de qualidade nas organizaçõeshospitalares, com o objetivo de incrementar sua administração e seu gerenciamento paramelhorar a eficiência destes serviços (Camacho, 1998).Dentro deste contexto, desenvolve-se no Brasil, já há alguns anos, instrumentos oficiais deavaliação da performance das organizações hospitalares do Sistema Único de Saúde - SUS,utilizando-se um conjunto de critérios de ensino para que acadêmicos utilizem destesconhecimentos e façam com que os hospitais preencham, a partir de padrões
  • 2. preestabelecidos, tendo por base a aplicação de conceitos e técnicas da qualidadeadministrativa e gerencial (Quinto Neto, 2000). Fenômeno semelhante pode ser observado noshospitais da rede privada suplementar, que fazem uso de certificações proferidas pororganizações avaliadoras de reconhecimento internacional como diferencial de mercado,demonstrando uma crescente preocupação com a qualidade de gerenciamento eadministração no âmbito de unidades de saúde e prestadoras de serviços de saúde por parteda enfermagem.Conforme Costa (1996), atualmente, a adoção dos programas de qualidade no setor saúdeestá fortemente relacionada ao crescimento dos custos da assistência hospitalar, quandocomparados ao gasto total em saúde. Nos últimos anos a agenda mundial de reforma do setorsaúde adota um conjunto de ações com o objetivo de reduzir os custos da assistência à saúdedentro de uma política de atenção administrada bastante discutida entre acadêmicos da áreada saúde, principalmente na Enfermagem.Neste sentido, faz-se necessário uma ocorrência contumaz das disciplinas Gestão eAdministração de Enfermagem, para que os hospitais passem a ter um melhor gerenciamentoatravés de programas de qualidade.Analisar novos modelos gerenciais e administrativos no contexto hospitalar e curricular doenfermeiro e a compreensão das disciplinas de Administração e Gestão aplicadas àEnfermagem atribuídas para enfermeiros que atuarão como gerentes ou chefes deenfermagem e relacionar o conhecimento adquirido nas disciplinas e a práticas vivenciadaspelo acadêmico, como Administração e Gestão Aplicadas à Enfermagem.Dentre o conjunto de disciplinas, tem-se percebido uma articulação importante que diz respeitoà inserção das disciplinas de Administração e Gestão no currículo de graduação emEnfermagem, tendo como pano de fundo o processo histórico de desenvolvimento das políticaspúblicas desde o início do século. É sabido que as políticas sanitárias do início do séculoestavam voltadas para o "controle" de doenças que ameaçavam a manutenção da força detrabalho e consequentemente a expansão das atividades econômicas capitalistas. Esse"controle" visava superar setorialmente as ameaças advindas do adoecer em massa, omitindoa análise da natureza das relações sociais que determinavam os processos demorbimortalidade (COSTA, 1985).Conforme salienta MENDES (1994) neste século o sistema de saúde brasileiro transitou, dosanitarismo campanhista para o modelo médico-assitencial privativista, até chegar, nos anos80, ao projeto neoliberal. Fica evidente que ao longo das diferentes décadas a evolução daspolíticas norteadoras do setor saúde no Brasil sofrem influência direta das políticas públicascontencionistas, sendo que a formação de recursos humanos na saúde vai se dando à reboquee não de modo prospectivo. Fica evidente, também, ao final da década de 60, a instauração deum modelo assistencial orientado para a acumulação de capital, traduzido pela tecnificação dosatos médicos, enfatizando a assistência hospitalar, a divisão técnica e social do trabalho, comtendência à especialização, fragmentação do processo assistencial e
  • 3. expansão de indústrias de medicamentos, instrumentais e equipamentosrecursos humanos como materiais, físicos e financeiros (ROCHA, 1985, p.167)Nesse processo vai se dando a mercantilização e expansão da medicina privada, dosconvênios celebrados pela previdência com os hospitais, clínicas e laboratórios, direcionando aforma de pagamento por unidade de serviço. Nesse contexto a administração e a gestão naenfermagem exerciam o papel preponderante de controle dos recursos para a assistência,tanto no aspecto deEsse enfoque foi sustentado pelas teorias de administração, que mesmo introduzindo adimensão das relações humanas como importante no contexto do trabalho, o faz de modoutilitarista. Com o movimento da reforma sanitária que culmina na perspectiva deimplementação do Sistema Único de Saúde (SUS), vem à tona os paradoxos dos modelosassistenciais que norteiam os diferentes projetos de intervenção em saúde. De acordo com osprincípios e diretrizes do novo sistema proposto, a questão da gerência de serviços de saúdecomeça a ser rediscutida no sentido de viabilizar a articulação dos diferentes níveis deassistência na busca de soluções.Assim o planejamento, a organização e o gerenciamento dos serviços de saúde, tantohospitalares quanto de unidades básicas ou especializadas devem ter como eixo norteador aassistência humanizada. Nesse sentido o modelo clínico de assistência é importante, mas nãoé suficiente. A partir desse referencial, passa-se a repensar o ensino da administração e gestãode enfermagem, que vinha se mantendo predominantemente no enfoque intra-hospitalar.Diante das mudanças acima expostas, considera-se que os tradicionais modelos de gestão aosquais se vinha utilizando, não mais respondem às demandas presentes no nosso contexto desaúde.Assim, é necessário o início de um processo de reformulação de conteúdos da disciplinaAdministração e Gestão de Enfermagem, tanto no ensino de graduação como naPós- Graduação.A reorganização dos serviços de saúde baseadas no pensamento sanitário vêm levando àreformulação dos conteúdos, criando novos cursos de gestão e planejamento de sistemas desaúde, dando surgimento a um novo especialista:“o administrador, profissional que deverá dominar tanto os tradicionais conhecimentos desaúde, como a habilidade para gerenciar, planejar e organizar os serviços de saúde na buscade uma maior capacidade de resolver problemas da área, lidando com todo o complexo dedeterminantes desses processosCompetências específicas para preparar enfermeiros para o exercício da administração /gestão em enfermagem /saúde: 1. Planejamento e organização de serviços deenfermagem/saúde 2. Gerência de serviços de enfermagem/saúde 3. Gestão do trabalho emenfermagem/saúde
  • 4. 4. Planejamento e gestão financeira 5. Gestão de recursos físicos e materiais 6. Gestão dainformação em enfermagem/saúde 7. Desenvolvimento de políticas e planificação de propostasde atenção à enfermagem /saúde 8. Gestão do processo de cuidar em enfermagem 9.Elaboração de estratégias de avaliação, controle, auditoria e acreditação de serviços desaúde/enfermagem10. Coordenação da educação em serviçoSegundo GOMES (1990), a historicidade da inserção da disciplina Administração e Gestão nocurrículo de Enfermagem inicia-se conforme a partir do fim do século XIX, na EscolaProfissional de Enfermeiros e Enfermeiras , com o Decreto n.° 791 de 1890. Os determinantesde sua criação foram perdurar a idéia de que o preparo dos acadêmicos de enfermagemdestinava-se apenas ao atendimento do paciente. No entanto, com a reinauguração em 1905 edispondo de um quadro de professores já devidamente reorganizado, em termos de recursoshumanos, administrativos e gerenciais, elaborou-se um currículo mais adequado ao ensino deenfermagem no Brasil, constituído pelas seguintes disciplinas:anatomia e fisiologia elementares; pequena farmácia e administração de medicamentos;curativas e pequenas cirurgias; higiene oral e tratamento dos pacientes; cuidados e tratamentodos pacientes; práticas administrativas, gerenciais e disciplinares.Na década de 20, com a implantação do modelo Nightingale na Escola deEnfermagem do Departamento Nacional de Saúde Pública, atual Anna Nery, a formação dosenfermeiros voltou-se para saúde pública, preservando-se a disciplina Administração, emboracom o enfoque hospitalar. Em 1949 passa a ser regulado pela Lei n.° 775/49, regulamentadapelo Decreto n.° 27.426/49 que dispõe sobre o currículo dos cursos e as condições depreparação de enfermeiros, estipulando a duração de quatro anos e a exigência de conclusãodo curso colegial, sendo esse currículo uma adaptação do "Curriculum Guide", norteamericanode 1937, onde foi incluída a disciplina Princípios de Administração Sanitária. Em 1961, com aLei n.° 2.604/5, regulamentada pelo Decreto n.° 50.387/ 61, sobre o exercício da enfermagem,dá-se ao enfermeiro o poder de mando em relação aos auxiliares e atendentes de enfermageme aos cuidados de enfermagem.(BRASIL, 1984)Nesse momento, dá-se a passagem definitiva dos cursos de enfermagem para o nível superior,em obediência ao disposto na Lei n° 2.995/56. A seguir, o Conselho Federal deEducação baixou o Parecer n.° 271/62 que fixou o currículo mínimo e determinou a duração de3 anos para o Curso de Enfermagem. Foi nesta reestruturação, como relatou CARVALHO(1991), que a disciplina Administração passou a integrar as especializações especificadasneste currículo. Em 1972 foi aprovado o Parecer n.° 163/72, como consequência da reformauniversitária, com a carga horária de 2500 horas, onde o número de disciplinas deAdministração elevou-se para cinco, uma vez que foi incorporada nas habilitações:Enfermagem Obstétrica; Enfermagem Médico-Cirúrgico e Enfermagem de Saúde Pública.
  • 5. No ano de 1986 foi aprovada a nova lei do exercício profissional em enfermagem, Lei n.°7.498/86, cujo conteúdo evidenciou a importância do ensino da disciplina Administraçãoaplicada à Enfermagem na formação do profissional, uma vez que, segundo seu enunciado, éprerrogativa do enfermeiro, entre outras atividades, a de planejar, organizar, coordenar,orientar e avaliar os serviços de assistência de enfermagem, bem como participar dosprogramas de treinamento e aprimoramento do pessoal de saúde, particularmente dosprogramas de educação continuada.Em 1994, foi aprovada a Portaria n.° 1.721/94, que regulamenta atualmente o ensino dosCursos de Graduação em Enfermagem, compreendendo uma carga horária de 3500 horas,com duração mínima de 4 anos, onde a disciplina Administração em Enfermagem passou aabranger 15% (525 horas) da carga horária total do curso, evidenciando o reconhecimento dasua importância para a formação do enfermeiro.AS TEORIAS DE TAYLOR E FAYOLestabelecidasAo resgatar o ensino da disciplina Administração aplicada à Enfermagem, Leite (1994) relataem sua tese de doutorado, que inicialmente pautava-se nas teorias de Taylor e Fayol,definindo-se a administração, para os acadêmicos, como instrumento de organização eracionalização do trabalho, cabendo aos enfermeiros, portanto planejar, dirigir, controlar eorganizar as atividades da equipe de enfermagem, visando o cumprimento das tarefasAssim os objetivos enunciados eram de que os acadêmicos fossem capazes de planejar ecoordenar o trabalho em equipe, de orientar os funcionários, de elaborar normas, rotinas eprocedimentos, e tomar decisões. É um ensino idealizado, dissociado da realidade, quedificulta a reflexão, por parte dos acadêmicos, sobre a prática vivenciada nas unidades deestágio, o que, posteriormente, é reiterado na atuação profissional. A partir de 1980, ocorreramfatos marcantes para o desenvolvimento destas disciplinas, uma vez que tiveram sua cargaampliada de 345 horas para 540 horas, evidenciando o quanto os docentes a consideramimportante para a formação do enfermeiro. Foi nesse período que os acadêmicos começaramum processo de discussão, onde se avaliam negativamente a disciplina tanto em relação aoconteúdo que estava sendo ministrado quanto ao relacionamento professoracadêmico.Em função destes acontecimentos, iniciou-se um processo de discussões e questionamentos,buscando a reestruturação da disciplina, com a participação de acadêmicos e enfermeiros decampo. Como resultado foi-se evidenciando, como bem Ciampone (1987) relatou na suadissertação de mestrado, o quanto o ensino e a prática da função administrativa seguiam ospressupostos da administração tradicional onde, na enfermagem, os enfermeiros ditavamregras cabendo ao pessoal auxiliar executá-las. Ainda como decorrências destas discussões,reflete-se sobre qual era o marco conceitual que se busca para a disciplina, considerando:O educando como elemento ativo, dotado de potencialidade e capacidade para provermudanças, capaz de agir de forma consciente e reflexiva; o docente como elemento capaz deproporcionar aos acadêmicos condições que o desenvolvam em um processo onde oacadêmico e o docente estão inseridos num contexto mais amplo, que é a sociedade
  • 6. contextualizada nos seus aspectos econômico-político-social, onde se desenvolve aassistência àPassa-se, portanto, a compreender o processo educacional influenciado pelos determinantesindividuais, organizacionais e político-sociais onde está inserido. Outro fato importante a serressaltado é que, até então, a bibliografia que era utilizada para ministrar os conteúdosespecíficos de administração e gestão advinha sempre de livros escritos por administradorese/ou psicólogos, e na área especifica de enfermagem eram utilizadas monografias, teses elivros norte-americanos. Decide-se, então, escrever um livro sobreAdministração em Enfermagem (KURCGANT et al, 1991) abordando o conteúdo programáticoque hoje é ministrado nas disciplinas. A elaboração desse livro constituiu-se num momentoimportante porque levou a analisar o ensino, refletindo sobre “o que” e “o como” direcionar oconteúdo abordado junto aos acadêmicos. Escrevê-lo, deu a oportunidade de refletir sobre aprática da enfermagem à luz de diferentes enfoques administrativos.Dando continuidade ao processo reflexivo da avaliação sobre o ensino da disciplinaAdministração e Gestão aplicadas à Enfermagem, nos anos 90, os docentes iniciaram estudospesquisas para melhor compreensão da sua prática. Assim se dá a publicação de CIAMPONEet al (1993) que apresentou como estava sendo desenvolvido o ensino da disciplina emquestão; os de KURCGANT et al (1994 e 1994a) que objetivaram conhecer as opiniões dosalunos sobre a referida disciplina, ao inicio e ao término do bloco teórico; a tese de doutoradode LEITE (1994) que desvelou a concepção dos acadêmicos sobre esta disciplina; a tese dedoutorado de TAKAHASHI (1994) cujo objetivo foi o de identificar os critérios que osacadêmicos consideraram na escolha da profissão e as expectativas desses acadêmicosquanto à sua formação profissional; e o trabalho de GAIDZINSKI et al (1995) que buscourevelar como os egressos aos Cursos de Graduação em Enfermagem percebem a influênciada disciplina na sua prática profissional. KURCGANT et al (1994 e 1994a) mostraram que osacadêmicos ao chegarem para cursar a disciplina perceberam a administração e a gestãodentro das abordagens clássicas e cientificas de Taylor e Fayol, enfocando o "polo"organização e não o "polo" trabalhador. As falas revelaram que os estudantes, consideraram aadministração e gestão aplicadas à enfermagem como exercício da burocracia, associado àineficiência administrativa.Porém, ao término do bloco teórico, modificaram essa percepção quando relataram ser afunção administrativa um papel que o enfermeiro desempenha no exercício profissional,percebendo o enfermeiro como um elemento responsável pelas propostas de desenvolvimentode pessoal e pela melhoria da qualidade da assistência prestada. LEITE (1994) verificou queos acadêmicos apresentavam dúvidas em relação ao significado da função administrativa,tendo dificuldade em relacioná-la com a função assistencial, provavelmente porque esta é adiretriz da formação durante os Cursos de Graduação em Enfermagem, onde se valoriza ocuidado individualizado. Ainda este desvelou que, embora os docentes, por meio dos objetivose conteúdos, vêm buscando contemplar a compreensão da função administrativa comoinstrumento de mudança da prática de enfermagem, as falas dos acadêmicos mostraram, ao
  • 7. contrário, que eles acabam aceitando passivamente que os enfermeiros desenvolvam suasatividades de, modo funcionalista, centrado na tarefa, tendo o controle, a disciplina, a ordem ea hierarquia como premissas básicas na gerência das equipes de enfermagem. O que seconcluiu da análise do discurso dos acadêmicos no final da disciplina é que questionam, masaceitam esse modo de "ser enfermeiro", desvelando a influência dos enfermeiros assistenciaisna compreensão do significado da função administrativa. Também, o trabalho de GAIDZINSKIet al(1995) realizado a partir dos relatos de um grupo de enfermeiros egressos revelou que osmesmos consideram a referida disciplina como de extrema importância por ter oferecidosegurança e desenvolvimento de uma atitude reflexiva, fatores que auxiliaram a enfrentarsituações de trabalho, diferenciando-os em relação aos colegas formados por instituições quenão oferecem as disciplinas. Os conteúdos abordados pelas disciplinas relativos às questõesde relacionamento e de desenvolvimento pessoal no trabalho são referidos como suficientes,entretanto, necessitando de uma abordagem mais ampla por ser essa habilidade mais difícil deser desenvolvida na prática da enfermagem. Ainda, a função administrativa é referida comotendo dois significados: um relacionado à burocracia tendo como objetivo o controle, amanutenção e a ordem dos recursos da unidade e, outro relacionado à administração e gestãodo cuidado de enfermagem. Este último significado foi considerado como o único processo detrabalho que o enfermeiro gostaria de exercer. Nestes dois trabalhos, ficou tambémevidenciado a necessidade de mudanças nos Cursos de Graduação em Enfermagem,principalmente na estrutura da grade curricular, para que administração, gestão e assistênciase integrem em todos os momentos da formação do acadêmico.Os Cursos de Enfermagem apontam que esta disciplina deve ser ministrada desde o início docurso, instrumentalizando as demais, para a formação da identidade profissional pois,possibilita que os discentes tenham a oportunidade de perceber que as atividadesdesenvolvidas pelos enfermeiros estão voltadas para o processo de administração egerenciamento e não só para o processo do cuidado do paciente. Cabe ressaltar, queparalelamente às essas modificações que ocorreram durante a década de 1980 e nosprimeiros anos da década de 1990, em relação à disciplina de Administração e Gestão aplicadaàEnfermagem, também ocorriam no processo de reorientação curricular de muitas instituições.Isso implica, então, em rever os paradigmas, a tecnologia educacional e principalmente,explicitar posições a serviço de uma sociedade mais justa, igualitária onde a saúde seja, defato, um direito do cidadão e um dever do Estado.Segundo Octavian et al. (2003) a pesquisa bibliográfica consiste em levantamento bibliográficoatravés de livros, visitas a web sites e outras fontes de dados. Assim sendo, quanto ao tipo depesquisa e procedimentos de coleta este estudo é classificado por revisão bibliográfica. Osdados foram coletados a partir de livros e levantamento de produções científicas sobreadministração, processo gerencial de enfermagem e administração em enfermagem. As basestambém utilizadas foram livros e bancos de dados da SCIELO e LILACS, em artigosproduzidos entre 2001 e 2010 e teses de mestrado e doutorado entre 1987 e 2010. Osdescritores usados no levantamento de dados através dos bancos de dados foram as palavras:
  • 8. ADMINISTRAÇÃO DE ENFERMAGEM, GESTÃO DE ENFERMAGEM, MODELOSGERENCIAIS E ADMINISTRATIVOS DE ENFERMAGEM.Spagnol (2000) salienta que, apesar da mudança de paradigmas proposta pelas teoriascontemporâneas da administração, às quais estão pautadas na organização do trabalho emequipe, redução das linhas hierárquicas e intensa comunicação horizontal, observa-se que, namaioria das organizações, a enfermagem ainda reproduz nas suas relações a herança do estilotradicional de gerência. Assim, as relações hierárquicas são rígidas e o poder decisório aindaestá centrado na figura do enfermeiro “chefe” que dá as ordens aos seus “subordinados”. Estepor sua vez, parece que, na maioria das vezes, também mantém no imaginário a figura doenfermeiro que se graduou somente para mandar e dar ordens de forma autoritária. Este estilode gerência adotado pela enfermagem foi descrito e criticado por vários autores como: Santos(1986); Trevizan et al. (1991); Carrasco (1993); Collet et al. (1994); Ferraz (1995); Fávero(1996); Bellato et al. (1997); Lima, M.A.D.S. (1998); Lima, R.C.D. (1998); Spagnol (2002), entreoutros, que defendem e apostam numa outra configuração para a gerência em enfermagemnos serviços de saúde.Ainda segundo Spagnol (2004), no cotidiano de trabalho estas relações rigidamentehierarquizadas são, às vezes, reais quando determinados enfermeiros adotam uma posturaautoritária perante a equipe, mas em alguns momentos não passam de imagens e estereótiposda figura deste profissional, que foram historicamente construídos ao longo do tempo e queatualmente necessitam ser desconstruídos para se construir novas relações de trabalho nasaúde e na enfermagem. O contexto atual mostra a necessidade de se criar espaços coletivose democráticos nas organizações que permitam aos gerentes e trabalhadores analisar suasrelações de trabalho, explicitando e conduzindo os conflitos, tendo em vista a produção desujeitos em espaços coletivos organizados. Assim, o enfermeiro necessita compreender asrelações e as demandas do seu grupo de trabalho para juntos elaborarem, de formacompartilhada, projetos terapêuticos que atendam às necessidades da população queprocuram os serviços de saúde. O enfermeiro, como coordenador da equipe de enfermagem, éum profissional que necessita ter subsídios teóricos e vivências práticas para gerenciar aassistência juntamente com sua equipe. Como gerente da assistência, este profissional deveser capaz de identificar, analisar e conduzir as relações de trabalho sem que estas interfiramde forma negativa na assistência prestada aos clientes. Sendo assim, a função gerencialdesempenhada pelo enfermeiro nos serviços de saúde deve contemplar os aspectosassistencial, pedagógico, técnico-científico e político, bem como aqueles que dizem respeito àsrelações interpessoais,visando ao planejamento de uma assistência integral, prestada de formasegura e livre de riscos, ao indivíduo, à família e à comunidade. Estes profissionais têm umpapel fundamental na produção de sujeitos sociais, em que os trabalhadores possam analisar erefletir coletivamente o seu processo de trabalho, tendo em vista a prestação de umaassistência de enfermagem de forma ética, digna e humanizada. Assim, para subsidiaralgumas reflexões acerca da gerência em enfermagem pode-se encontrar aporte teórico nasobras relacionadas à temática da gestão em saúde, elaboradas principalmente pelos autoresMerhy & Onocko (1997), Cecílio (1997) e Campos (2000 b). Nesta perspectiva, é precisoencontrar estratégias de intervenção que propiciem aos trabalhadores deixarem de ser
  • 9. subordinados e passivos, os quais somente acatam as ordens dos seus superiores e deixamde exercer o seu papel de sujeitos produtivos e criativos no desenvolvimento do trabalho. Alémdisso, a formação destes profissionais, gerentes, deve possibilitar a aquisição de um referencialteórico, de análise e de intervenção, que permita uma reflexão constante da sua práticagerencial, do seu papel como coordenador da equipe de enfermagem e das relações sociaisinerentes ao ambiente de trabalho.Por fim, um aspecto relevante para esta reflexão é a visão que Campos (1997a) tem da gestãoem saúde. Este autor propõe, a partir de novos conhecimentos e novas formas de agir, superaro eixo central de todas as escolas de administração que buscam de diferentes maneiras reduzirsujeitos humanos à condição de instrumentos dóceis aos objetivos da empresa, transformando-os em insumos ou em objetos. Neste sentido, enfatiza que o desafio atual dos dirigentes estápautado na diretriz de se “governar para produzir sujeitos .”

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