Cocção e aquecimento de água ENE 5703 Usos finais e demanda de energia 2 a parte
COCÇÃO
Processos térmicos
ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer
Roteiro
Introdução
Antecedentes
Princípios
Qualidade do combustível
Controle fino
Fogão a lenha
Fogão solar
Cocção por indução
Fogão elétrico
Forno de microondas
Melhoria tecnológica e uso eficiente
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Introdução
Função da cocção
Saúde – eliminação de microrganismos e esterilização
Nutrição – facilitação da digestão; disponibilização de nutrientes que não o seriam pelos alimentos in natura .
Operações comuns da cocção
Cozimento
Fritura
Assado
Grelhado
O conjunto de componentes que permite a obtenção do serviço energético de cocção, e que portanto interfere na eficiência do processo, não envolve apenas o fogão, mas uma série de outros:
O combustível
Os utensílios (panelas)
As quantidades envolvidas (água, alimentos)
As características finais desejadas
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Antecedentes
A cocção de alimentos é tão antiga quanto o fogo
A “cozinha” e equipamentos de cocção são mais modernos
Até a Idade Média, não era comum haver um cômodo destinado exclusivamente ao preparo de alimentos; algumas culturas ainda cultivavam o hábito de cozinhar do lado de fora da casa (indígenas, ciganos...)
O “fogão” era de fato uma lareira, aberto, onde se suspendiam as panelas. Também era usado para o aquecimento do ambiente
O primeiro registro de um fogão construído é do século XVI, na França (Alsácia), feito inteiramente de tijolos e azulejos, inclusive a chaminé
Os fogões de ferro fundido começaram a ser fabricados na Alemanha, no início do século XVIII
Benjamin Franklin inventou um fogão de ferro com forno aberto, que ficou conhecido como fogão Franklin e aumentando muito a eficiência obtida no aquecimento em comparação às antigas lareiras-fogão
Frans Wilhelm Lindqvist, suíço, inventou, no final do século XIX, o fogão a querosene, que operava a ar comprimido e não enferrujava. Este fogão – Primus – foi produzido industrialmente e atingiu uma marca de meio milhão de fogões por ano em 1910. A partir dele foi possível fabricar fogões portáteis.
Com a 1ª Revolução Industrial houve um incremento no projeto de fogões. Apareceram os fogões redondos, a carvão, que tinham a dupla função de aquecer e cozinhar. O primeiro fogão a carvão, prático, foi inventado em 1833 por Jordan Mott, inglês.
Com a invenção do aquecimento central, o fogão perdeu a importância nos lares do hemisfério norte, sendo relegado apenas à cozinha e deixando de ser o centro social da casa. O primeiro fogão construído com a função exclusiva de cozinhar foi inventado em 1780, por Thomas Robinson, na Inglaterra
A 2ª Revolução Industrial também influenciou os ofícios culinários. Os primeiros fogões a gás surgiram nos EUA, em 1860. Era utilizado gás natural, ou gás de carvão ou uma mistura de ambos. Também nessa época foi inventada a lâmpada piloto, tornando a ignição mais segura. Estes fogões começaram a ser utilizados em domicílios na década de 1920.
Os fogões elétricos apareceram em 1890, nos Estados Unidos, utilizados inicialmente em restaurantes. Somente na década de 1930 eles começaram a ser introduzidos em casas.
Em 1946, Percy Spencer, engenheiro da Raytneon, EUA, ao pesquisar um novo tubo de vácuo para utilização em radares - magnetron, notou as possibilidades deste aparato para cocção. Assim surgiu o forno de microondas.
ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer Fontes: Mary Bellis, World of Invention, Alice Ross, websites, 2008..
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Antecedentes ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer Cozinha colonial americana Franklin stove Microondas de Percy Spencer Um dos primeiros fogões inventados apenas para cozinhar. 1818.
Princípios
Processo termoquímico
Reação exotérmica – combustão
Processos termodinâmicos
Transferência de calor – radiação, condução, convecção
Tecnologias
Fogões a lenha
Fogões solares
Cocção por indução
Fogões elétricos
Forno de microondas
Fogões a gás
Condicionantes e limitantes
São condicionantes na cocção todos os fatores que influenciam a combustão e os processos térmicos envolvidos.
A qualidade das fontes de energia - não se limita às características termodinâmicas, mas inclui as especificações das variáveis que afetam o desempenho no uso, como o nível de poluição ambiente ocasionado, a facilidade de manuseio e de controle.
No uso efetivo de um sistema energético a possibilidade de controle fino do processo, portanto a flexibilidade de uso da fonte primária, é as vezes a característica mais importante. A dificuldade de modulação de um processo pode levar a dobrar o consumo de energia primária na execução de uma mesma tarefa.
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Qualidade das fontes de energia ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer 1 MJ = 277,778 MWh
Controle fino Um caso simples – o fogão brasileiro e o europeu ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer
Controle fino Cozinhando 1 kg de batatas ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer Fonte: Barghini, 1999.
Fogão a lenha
Método tradicional
Componente social
Componente ambiental
Combustível
Madeira seca (utilizada como lenha)
Água – 10%
Resinas (que se tornam gases inflamáveis) – 70%
Fibras (que se tornam carvão quando aquecidas) – 29%
Cinzas – 1%
Energia fornecida pelos componentes da lenha
Madeira e resinas – 60%
Carvão – 40%
O processo
De início praticamente toda a resina é queimada. As chamas são fortes. A resina não se queima completamente
Os vapores não queimados se depositam nas paredes do fogão e no fundo das panelas (frio), condensando e formando a “picumã”
O restante sai pela chaminé com fumaça, CO, causando poluição
Problemas
Se a saída da resina é forte no início, torna-se difícil promover a queima completa dos vapores fornecendo mais oxigênio
O tempo não é suficiente para promover a combustão completa dos vapores de resina
As panelas, mais frias, colocadas diretamente sobre o fogo diminuem a temperatura de chama
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Fogão solar
Componente social
dissemina-se nos países mais pobre, com apoio de organizações internacionais. China e Índia – mais de 100.000 unidades em operação (Bezerra, 1998)
Componente ambiental
Vantagens
Fonte energética
Energia concentrada na zona focal fornece poder calorífico suficiente para realizar qualquer das ações de cocção
Redução do custo financeiro (para o usuário) e ambiental
Desvantagens
Exige presença da radiação solar direta (princípio de funcionamento, sem conversão) conseqüências
O controle do processo é praticamente impossível
Princípios
Aquecimento passivo
Efeito estufa
Reflexão da luz
Construção
Box de material com boa condutividade, isolado, mais refletores para aumentar a captação de luz
ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer Fonte : Solar Cookers International, 2003.
Cocção por indução
Tecnologia relativamente recente
Componente ambiental
Vantagens
Aquecimento rápido, reduzindo o tempo de cocção
Segurança – sem panela não há aquecimento
Eficiência média entre 75 – 85%, contra 45 – 55% dos métodos por radiação convencionais
Desvantagens
Custo
Acesso desigual, não universal
Necessita utensílios especiais - magnéticos
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Fogão elétrico
Tecnologia convencional
Impacto no consumo energético dos segmentos industrial e comercial, em especial em países mais industrializados
Componente mbiental
Vantagens
Aquecimento mais uniforme e rápido
Eficiência
Manutenção
Controle
Segurança
Desvantagens
Custo/acesso
Não tão racional do ponto de vista da 2a lei da termodinâmica
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Forno de microondas
Funcionamento: moléculas de água dos alimentos vibram em consonância com as microondas produzidas no magnétron aquecimento
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Melhoria tecnológica
Fogão a lenha
Introdução de grelha e chaminé:
O fogo não se forma nos espaços entre as madeiras, evitando a queima rápida das resinas
Não há contato com as panelas evitando a perda de temperatura
A chaminé cria fluxo de ar, facilitando a combustão completa
Fogão solar
Adaptação do fogão para criar “bocais” que se ajustem ao tamanho das panelas
Construção de fogões híbridos, integrando fonte solar com combustíveis
Adaptação do princípio para construção de “panelas solares”
Métodos para conservação do calor
Fogão elétrico
Usar o máximo da capacidade
Evitar perda de calor
Reduzir preaquecimento
Usar preferencialmente temperatura reduzida
Utilizar panelas que aumentem a eficiência, incluindo a panela de pressão
Tamanho da panela – aproveitamento da área aquecida
Cozinhar com a panela tampada
Manutenção adequada (limpeza, revisão...)
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AQUECIMENTO DE ÁGUA
Processos térmicos
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Roteiro
Estatísticas
ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer 2005 Canadá
Chuveiro elétrico automático invenção brasileira, da década de 1950 - Lorenzetti
O principal componente do chuveiro é a resistência elétrica.
A maioria dos chuveiros funciona sob tensão elétrica de 220V e com duas possibilidades de aquecimento: inverno e verão. Cada uma delas está associada a uma potência.
Na posição verão, o aquecimento da água é menor, e corresponde à menor potência do chuveiro. Na posição inverno, o aquecimento é maior, e corresponde à maior potência.
As ligações inverno-verão correspondem para uma mesma tensão, à diferentes potências. A espessura do fio enrolado - o resistor - comumente chamado de "resistência“ é a mesma.
O circuito elétrico do chuveiro é fechado somente quando o registro de água é aberto. A pressão da água liga os contatos elétricos através de um diafragma. Assim, a corrente elétrica produz o aquecimento no resistor. Ele é feito de uma liga de níquel e cromo (em geral com 60% de níquel e 40% de cromo).
Observe que o resistor tem três pontos de contato, sendo que um deles permanece sempre ligado ao circuito.
As ligações inverno-verão são obtidas usando-se comprimentos diferentes do resistor.
Na ligação verão usa-se um pedaço maior deste mesmo fio, enquanto a ligação inverno é feita usando-se um pequeno trecho do fio, na posição verão é utilizado um trecho maior.
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Aquecimento solar
Em residências com grande demanda de água quente e suficiente insolação, o aquecimento solar torna-se interessante. O funcionamento é simples: bombeamento da água fria até o aquecedor, de onde é enviada para um acumulador. Um aquecedor convencional é acionado se a temperatura programada não é atingida.
O sistema 1 é chamado “ativo” por utilizar bombeamento elétrico da água fria para o aquecedor. O sistema 2, de batelada, reúne aquecedor e acumulador numa única peça, tornando-se simples. O sistema 3 é conhecido como “termo-sifão” ou passivo, por aproveitar o fenômeno de expansão e contração da água com a variação térmica, para o seu transporte entre o aquecedor e o acumulador, sem necessidade de energia elétrica.
Os coletores solares, parte importante do sistema, são normalmente locados nos telhados, estando expostos ao resfriamento excessivo e ao congelamento, em alguns casos. Para evitá-los, sugere-se utilização de anti-congelante em lugar de água, como fluido de transferência de calor.
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Aquecimento elétrico
Aquecedores elétricos funcionam pelo contato da água com resistências. Podem ser de passagem ou possuir reservatórios de acumulação (abaixo centro). Estes últimos, a despeito das perdes de calor, que podem ser controladas, são mais disseminados por disponibilizarem a água a qualquer tempo em que a demanda ocorra. Independentemente do combustível empregado é preciso prover o sistema de isolamento e proteção contra a corrosão e o super aquecimento.
As bombas de calor para aquecimento de água são 2 a 3 vezes mais eficientes que os outros tipos. Entretanto, os custos de investimento e manutenção são maiores. O princípio de funcionamento é o mesmo do condicionamento ambiental.
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Aquecimento a gás
Princípio de funcionamento – correntes de convecção
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Bomba de calor a gás
Uma bomba de calor trabalha como um condicionador, exceto que ela puxa ou “bombeia” o calor do ar interior no tanque ao invés de liberá-lo ao ar livre.
Há dois tipos de bombas de calor: integradas e add-on. As integradas ou completas têm as bobinas da troca de calor imersas em um tanque de armazenamento com a bomba de calor unida ao alto do tanque. Estas unidades vêm com dois pequenos aquecedores, para ajudar em períodos de uso elevado de água quente.
As add-on consistem em uma bomba de calor que se conecta a um tanque de água quente existente. O processo da troca de calor ocorre fora do tanque em uma unidade pequena que abriga a bomba de calor. Uma vez que não podem aquecer a água rapidamente, em geral é mantida uma das bobinas elétricas originais do tanque de armazenamento da água quente na unidade adaptada para permitir a recuperação rápida do calor.
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Os diferentes balanços
Chuveiro, acumulação elétrica, acumulação a gás, gás de passagem
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Aquecimento de água na indústria inovações tecnológicas
Segundo estudos realizados pela Comissão Européia, existe um potencial ainda não devidamente explorado no segmento industrial para promover eficiência energética:
2/3 do uso final de energia na indústria européia é empregado na produção de calor
1/3 do calor de processo necessita temperatura abaixo de 200 o C
nesta faixa de temperaturas há potencial para aproveitamento de outras fontes, que não os combustíveis fósseis, por exemplo, aquecimento solar, geotermia, biomassa
ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer EUA, 2006. UE, 2007. Fonte : EIA/DOE, 2006.. Fonte : European Solar Thermal Industry Federation, 2005.
Requerimentos de temperatura por tipo de processo industrial ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer Fonte : European Solar Thermal Industry Federation, 2005.
Equipamentos e processos
Equipamentos
Caldeiras
Fornos
Chillers
Bombas de calor
Sistemas de cogera ção
Processos
Lavagem, esterilização, limpeza
Produção de vapor
Secagem e desumidificação
Evaporação
Destilação
Concentração
Separação
Aquecimento e resfriamento (ambiente, insumos, produtos)
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Inovação tecnológica
Aquecimento solar industrial
ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer Operações e processos em setores industriais potencialmente aptos ao uso do aquecimento solar Fonte : International Energy Agency, 2005.
Inovação tecnológica
Distribuição de plantas solares industriais na UE25, por tipo de indústria e por país
ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer 2004 Fonte : International Energy Agency, 2005.
Exemplo ENE 5703 2008 Prof. Ildo Luís Sauer El NASR Pharmaceutical Chemicals, Egypt. Installed capacity: 1,33 MWth Source: Fichtner Solar GmbH. Germany apud ESTIF, 2005.
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