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Relatorio tocantins

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  • 1. Cadeias de Comercialização de Produtos Florestais NãoMadeireiros na Região de Integração Tocantins, Estado do Pará RELATÓRIO TÉCNICO 2012 BELÉM – 012
  • 2. Governo do Estado do Pará Simão Robison Oliveira Jatene Governador Helenilson Cunha Pontes Vice-Governador / Secretário Especial de Estado de Gestão - Seges Governador Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará Maria Adelina Guglioti Braglia PresidenteDiretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural Cassiano Figueiredo Ribeiro Diretor Diretoria de Pesquisa e Estudos Ambientais Jonas Bastos da Veiga Diretor Diretoria de Estatística, Tecnologia e Gestão da Informação Sérgio Castro Gomes Diretor Diretoria de Administração, Planejamento e Finanças Planejamento Helaine Cordeiro Félix Diretora 2
  • 3. Cadeias de Comercialização de Produtos Florestais NãoMadeireiros na Região de Integração Tocantins, Estado do Pará RELATÓRIO TÉCNICO 2012 BELÉM – PARÁ 2012 3
  • 4. ExpedienteDiretor de Pesquisa e Estudos ambientaisJonas Bastos VeigaCoordenadoraMarli Maria de MattosElaboração Técnica: Coleta de dados:Antônio Marcos da Silva Pereira Antônio Marcos da Silva PereiraDaniela Monteiro da Cruz Daniela Monteiro da CruzEllen Claudine Cardoso Castro Ellen Claudine Cardoso CastroJosé de Alencar Costa José de Alencar CostaMaricélia Gonçalves Barbosa Maricélia Gonçalves BarbosaNelma Santos Amorim dos Santos Nelma Santos Amorim dos SantosRafael da Silva Moraes Rafael da Silva MoraesTânia de Sousa Leite Tânia de Sousa LeiteApoio Técnico:Bruna Stafanie Carvalho MaiaRevisão:Jonas Bastos Veiga, Fernanda Graim e Gustavo SilvaNormalização:Glauber Ribeiro _______________________________________________________________________ INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E AMBIENTAL DO PARÁ Cadeias de comercialização de produtos florestais não madeireiros na Região de Integração Tocantins, Estado do Pará: relatório técnico 2011./ Belém: IDESP, 2011. 222p. 1.Cadeias de comercialização.2.Produtos florestais não madeireiros.3.Contas sociais alfa.4.Economia regional.I.Região de Integração.II.Pará (Estado).III.Titulo. CDD: 381.098115 ________________________________________________________________________ 4
  • 5. APRESENTAÇÃO A extração dos produtos florestais não madeireiros (PFNM) no Brasil é de grandeimportância social, econômica e ambiental. Apresenta-se como uma forma de exploraçãosustentável, pois, na maioria das vezes, não implica na remoção dos indivíduos das espéciesutilizadas. Há tempos, populações tradicionais, extrativistas, ribeirinhas e agricultoresfamiliares utilizam produtos não madeireiros (frutos, fibras, resinas, plantas medicinais,utensílios entre outros) para subsistência e renda. Apesar da relevância do tema, há poucasinformações sobre o mercado das espécies florestais não madeireiras, constituindo dessaforma um fator crítico para a gestão das florestas. O mercado internacional desses produtos é relativamente conhecido, todavia, omesmo não ocorre sobre a cadeia de produção e comercialização do mercado doméstico. Nãohá, nos sistemas de dados oficiais, uma lista completa de produtos florestais que sejamcomercializados, principalmente no que diz respeito às espécies locais e regionais, como asvárias espécies medicinais e frutíferas. No estado do Pará, bem como em todos os estados daAmazônia Legal, há uma carência de dados sobre o mercado de muitos produtos nãomadeireiros de valor local ou regional e sua relevância para as populações rurais e urbanasenvolvidas nas cadeias de produção. As estatísticas oficiais não detectam as espéciesextrativistas que possuem mercado local, bem como as recentes demandas por produtos paraatender as indústrias cosméticas no mercado nacional e internacional. Os resultados destas pesquisas podem contribuir para o entendimento da economiados PFNM no estado do Pará, destacando as potencialidades econômicas e identificandoentraves (produção e comercialização) desses diversos produtos, evidenciando os PFNM nãodetectados nas estatísticas oficiais, contribuindo assim para a conservação e gestão florestal. O presente relatório contempla os resultados das análises das cadeias decomercialização dos PFNM da Região de Integração (RI) Tocantins. 5
  • 6. RESUMO Na busca do desenvolvimento sustentável, o estado do Pará necessita de atividadeseconômicas produtivas que dinamizem e gerem renda às populações locais, que evitem odesmatamento, que agreguem valor aos produtos e que reduzam as desigualdades entreregiões. O método das Contas Sociais Ascendentes Alfa (CSα) aplicado neste estudo,utilizando o modelo Matriz Insumo-Produto, permitiu identificar o valor da produção de BaseAgroextrativista, de 34 produtos, em 10 municípios da Região de Integração Tocantins eacompanhar os fluxos ao longo das cadeias estudadas, passando pelos setores debeneficiamento, transformação, comércio e serviços até seu destino final. Constatou-se que osprodutos estudados (10 alimentícios; 7 artesanatos e utensílios; 11 fitoterápicos e cosméticos;1 derivado da madeira e; 1 derivado animal) têm significativa importância na dinâmica daeconomia local, assim como para outras regiões do Pará, além dos mercados nacional einternacional. O principal produto de destaque na RI foi o açaí (R$ 1,3 bilhão), porém com37% da renda bruta gerada e circulada na RI Tocantins, diferente do palmito (R$ 5 milhões)com 74% gerada e circulada fora do Pará. Outros produtos de destaque foram o cacauamêndoa, a castanha-do-brasil, o cupuaçu, o carvão, o artesanato de miriti, o buriti e o mel. Acontabilidade social ascendente na região tem origem em milhares de famílias envolvidas nosetor da produção extrativa local, que receberam pela venda de todos os produtos o montantede R$ 205,5 milhões (VBPα), o qual gerou R$ 766,1 milhões (VBP) na compra destesprodutos (predomínio in natura) e agregando mais de R$ 712,9 milhões (VAB), chegando auma renda bruta total (RBT) gerada e circulada de R$ 1,4 bilhão, com seus efeitos para frentee para trás nas cadeias de comercialização. O estudo também demonstrou as fragilidades epotencialidades identificadas nas cadeias, envolvendo a iniciativa privada, os órgãosgovernamentais e a sociedade direta e indiretamente relacionada com as cadeias dos produtosdo agroextrativismo.Palavras-chave: 1.Cadeias de comercialização, 2.Produtos florestais não madeireiros,3.Contas sociais alfa, 4.Economia regional. 6
  • 7. LISTA DE SIGLASATER Assistência Técnica e Extensão RuralCONAB Companhia Nacional de AbastecimentoCSα Contas Ascendentes AlfaEMATER Empresa de Assistência Técnica e Extensão RuralEMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuáriaGPS Sistema de Posicionamento GlobalIBGE Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaIDEFLOR Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do ParáIDESP Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do ParáLSPA Levantamento Sistemático da Produção AgrícolaMDA Ministério do Desenvolvimento AgrárioMDS Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à FomeMIP Matriz Insumo ProdutoMMA Ministério do Meio AmbienteNAEA/UFPA Núcleo de Altos Estudos Amazônicos / Universidade Federal do ParáPAA Programa de Aquisição de AlimentosPAM Pesquisa Agrícola MunicipalPEVS Produção da Extração Vegetal e da SilviculturaPFNM Produtos Florestais Não MadeireirosPIB Produto Interno BrutoPPM Produção da Pecuária MunicipalPRBα Produto Regional Bruto de Base AgroextrativistaRBT Renda Bruta TotalRI Região de IntegraçãoSEIR Secretaria de Estado de Integração RegionalSEMAGRI Secretaria Municipal de AgriculturaSTR Sindicato dos Trabalhadores RuraisUFPA Universidade Federal do ParáVAB Valor Agregado Bruto ou Valor Adicionado BrutoVABα Valor Agregado Bruto de Base AgroextrativistaVBP Valor Bruto da ProduçãoVBPα Valor Bruto da Produção de Base AgroextrativistaVTE Valor Transacionado Efetivo 7
  • 8. LISTA DE FIGURAS Figura 1- Municípios pertencentes à Região de Integração Tocantins. ..................... 30 Figura 2- Localização da Região de Integração Tocantins, estado do Pará. .............. 32 Figura 3- Delimitação do município de Cametá (linha vermelha) e a localização depontos georeferenciados dos agentes mercantis, entrevistados em diversas regiões domunicípio (pontos numerados). ................................................................................................ 33 Figura 4- Pontos georeferenciados dos agentes mercantis entrevistados na áreaurbana de Cametá (pontos numerados). ................................................................................... 33 Figura 5- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí comercializado na RITocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009. ........................................................... 37 Figura 6- Principal fluxo de comercialização do açaí na RI Tocantins, estado do Pará,no período de 2008 a 2009. ...................................................................................................... 38 Figura 7- Preço médio do açaí (R$/kg de fruto in natura) praticado nas transaçõesentre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins,estado do Pará. .......................................................................................................................... 39 Figura 8- Estrutura (%) da quantidade amostral do cacau amêndoa comercializada naRI Tocantins, no período de 2008 a 2009. ................................................................................ 51 Figura 9- Variação de preço do cacau amêndoa no mercado internacional, com basena Bolsa de Nova York, 2008................................................................................................... 52 Figura 10- Preço médio do cacau amêndoa (R$/kg) praticado nas transações entre ossetores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado doPará. .......................................................................................................................................... 53 Figura 11- Estrutura (%) da quantidade amostral do palmito comercializado na RITocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009. ........................................................... 60 Figura 12- Preço médio do palmito (R$/kg) praticado nas transações entre os setoresda cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará. . 61 Figura 13- Estrutura (%) da quantidade amostral da castanha-do-brasilcomercializada na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009. ........................ 68 Figura 14- Preço médio da castanha-do-brasil (R$/kg) praticado nas transações entreos setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estadodo Pará. ..................................................................................................................................... 69 Figura 15- Estrutura (%) da quantidade amostral do cupuaçu comercializado na RITocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009. ........................................................... 75 8
  • 9. Figura 16- Preço médio do cupuaçu (R$/un.) praticado nas transações entre ossetores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado doPará. .......................................................................................................................................... 77 Figura 17- Estrutura (%) da quantidade amostral do carvão comercializado na RITocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009. ........................................................... 82 Figura 18- Preço médio do carvão (R$/saca) praticado nas transações entre os setoresda cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará. . 83 Figura 19- Estrutura (%) da quantidade amostral do buriti comercializado na RITocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009. ........................................................... 89 Figura 20- Preço médio do buriti (R$/kg) praticado nas transações entre os setores dacadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará....... 90 Figura 21- Estrutura (%) da quantidade amostral da bacaba comercializada na RITocantins, no período de 2008 a 2009. ..................................................................................... 95 Figura 22- Preço médio da bacaba (R$/kg) praticado nas transações entre os setoresda cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará. . 96 Figura 23- Estrutura (%) da quantidade amostral do mel comercializado na RITocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009. ......................................................... 101 Figura 24- Preço médio do mel (R$/l) praticado nas transações entre os setores dacadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará..... 102 Figura 25- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/un.) dos utensílios comercializados na RI Tocantins, estado do Pará,no período de 2008 a 2009. .................................................................................................... 108 Figura 26- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/un.) do coratá comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, noperíodo de 2008 a 2009. ......................................................................................................... 112 Figura 27- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/un.) do bacuri comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, noperíodo de 2008 a 2009. ......................................................................................................... 116 Figura 28- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/Kg) do murumuru comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, noperíodo de 2008 a 2009. ......................................................................................................... 121 Figura 29- Estrutura (%) da quantidade amostral do artesanato de miriticomercializado na RI Tocantins, no período de 2008 a 2009. ............................................... 125 9
  • 10. Figura 30- Preço médio do artesanato de miriti (R$/braça) praticado nas transaçõesentre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins,estado do Pará. ........................................................................................................................ 126 Figura 31- Estrutura (%) da quantidade amostral da andiroba comercializado na RITocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009. ......................................................... 132 Figura 32- Preço médio da andiroba (R$/ l) praticado nas transações entre os setoresda cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará................................................................................................................................................. 133 Figura 33- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/ l) da copaíba na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a2009. ....................................................................................................................................... 139 Figura 34- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/kg) do inajá na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a2009. ....................................................................................................................................... 143 Figura 35- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/kg) do breu-branco comercializado na RI Tocantins, estado do Pará,no período de 2008 a 2009. .................................................................................................... 147 Figura 36- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/rolo) dos cipós comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, noperíodo de 2008 a 2009. ......................................................................................................... 151 Figura 37- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/l) dos leites na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a2009. ....................................................................................................................................... 155 Figura 38- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/kg) do taperebá comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, noperíodo de 2008 a 2009. ......................................................................................................... 159 Figura 39- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/kg) do urucum comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, noperíodo de 2008 a 2009. ......................................................................................................... 163 Figura 40- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/kg) das plantas medicinais na RI Tocantins, estado do Pará, noperíodo de 2008 a 2009. ......................................................................................................... 167 10
  • 11. Figura 41- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/kg) da semente de cupuaçu na RI Tocantins, estado do Pará, noperíodo de 2008 a 2009. ......................................................................................................... 172 Figura 42- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/kg) do cumaru na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a2009. ....................................................................................................................................... 176 Figura 43- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médiopraticado (R$ correntes/braça) do guarumã na RI Tocantins, estado do Pará, no período de2008 a 2009. ........................................................................................................................... 180 11
  • 12. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do açaí da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ....................................................................... 41 Gráfico 2- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do açaí da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008....................... 42 Gráfico 3- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do açaí, considerandosua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado doPará, estimado para 2008. ......................................................................................................... 44 Gráfico 4 - Destino do volume (%) de açaí identificado na RI Tocantins, a fim deatender as demandas de consumo local, estadual e nacional. ................................................... 45 Gráfico 5- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do cacau amêndoada RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................. 54 Gráfico 6- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do cacau amêndoa da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ... 55 Gráfico 7- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do cacau amêndoa,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008.......................................................................................... 56 Gráfico 8- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do palmito da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ....................................................................... 62 Gráfico 9- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do palmito da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ................ 63 Gráfico 10- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do palmito,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008.......................................................................................... 64 Gráfico 11- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da castanha-do-brasil da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ................................................... 70 Gráfico 12- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização da castanha-do-brasil da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008................................................................................................................................................... 71 Gráfico 13- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da castanha-do-brasil, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ....................................................................... 72 Gráfico 14- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do cupuaçu da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ....................................................................... 78 12
  • 13. Gráfico 15- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do cupuaçu da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ............... 79 Gráfico 16 - RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do cupuaçu,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008.......................................................................................... 80 Gráfico 17- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do carvão da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ....................................................................... 84 Gráfico 18- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do carvão da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ................. 85 Gráfico 19- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do carvão,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008.......................................................................................... 86 Gráfico 20- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do buriti da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ....................................................................... 91 Gráfico 21- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do buriti da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ................... 92 Gráfico 22- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do buriti,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008.......................................................................................... 93 Gráfico 23- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da bacaba da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ....................................................................... 97 Gráfico 24- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização da bacaba da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ................. 98 Gráfico 25- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da bacaba,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008.......................................................................................... 99 Gráfico 26- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do mel da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 103 Gráfico 27- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do mel da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. .................... 104 Gráfico 28- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do mel,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 105 13
  • 14. Gráfico 29- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização dos utensílios da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 109 Gráfico 30- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização dos utensílios da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ......... 110 Gráfico 31- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização dos utensílios,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 111 Gráfico 32- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do coratá da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 113 Gráfico 33- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do coratá da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ................ 114 Gráfico 34- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do coratá,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 115 Gráfico 35- VBPα, em R$ gerado na comercialização do bacuri, pela óptica da oferta,em 2008, em dez municípios da RI Tocantins, estado do Pará. ............................................. 117 Gráfico 36- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do bacuri da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ................ 118 Gráfico 37- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do bacuri,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 119 Gráfico 38- VBPα, em R$ gerado na comercialização do murumuru, pela óptica daoferta, em 2008, em dez municípios da RI Tocantins, estado do Pará. .................................. 122 Gráfico 39- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do murumuru da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ......... 123 Gráfico 40- A RBT, em R$ na comercialização do murumuru, considerando suacomposição pela óptica da demanda (VBP + VAB), em dez municípios da RI Tocantins,estado do Pará, em 2008. ........................................................................................................ 124 Gráfico 41- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do artesanato demiriti da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ................................................. 127 Gráfico 42- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do artesanato de miriti da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008................................................................................................................................................. 128 14
  • 15. Gráfico 43- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do artesanato demiriti, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 129 Gráfico 44- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da andiroba da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 134 Gráfico 45- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização da andiroba da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ............ 135 Gráfico 46- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da andiroba,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 136 Gráfico 47- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da copaíba da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 140 Gráfico 48- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização da copaíba da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. .............. 141 Gráfico 49- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da copaíba,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 142 Gráfico 50- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do inajá da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 144 Gráfico 51- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do inajá da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. .................. 145 Gráfico 52- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do inajá,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 146 Gráfico 53- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do breu-branco daRI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ................................................................ 148 Gráfico 54- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do breu-branco da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ....... 149 Gráfico 55- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do breu-branco,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 150 Gráfico 56- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização dos cipós da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 152 15
  • 16. Gráfico 57- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização dos cipós da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ................ 153 Gráfico 58- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização dos cipós,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 154 Gráfico 59- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização dos leites da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 156 Gráfico 60- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização dos leites da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ................ 157 Gráfico 61- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização dos leites,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 158 Gráfico 62- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do taperebá da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 160 Gráfico 63- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do taperebá da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ............ 161 Gráfico 64- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do taperebá,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 162 Gráfico 65- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do urucum da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 164 Gráfico 66- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do urucum da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. .............. 165 Gráfico 67- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do urucum,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 166 Gráfico 68- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização das plantasmedicinais da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ......................................... 168 Gráfico 69- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização das plantas medicinais da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008................................................................................................................................................. 169 Gráfico 70- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização das plantasmedicinais, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 170 16
  • 17. Gráfico 71- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da semente decupuaçu da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................. 173 Gráfico 72- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização da semente de cupuaçu da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008................................................................................................................................................. 174 Gráfico 73- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da semente decupuaçu, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 175 Gráfico 74- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do cumaru da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 177 Gráfico 75- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do cumaru da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. .............. 178 Gráfico 76- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do cumaru,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 179 Gráfico 77- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do guarumã da RITocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................................................... 181 Gráfico 78- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado nacomercialização do guarumã da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008. ............ 182 Gráfico 79- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do guarumã,considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins,estado do Pará, estimado para 2008........................................................................................ 183 17
  • 18. LISTA DE TABELAS Tabela 1- Produtos florestais não madeireiros identificados na Região de IntegraçãoTocantins, com quantidade e valor pago à produção local, de acordo com a amostragemrealizada em campo, no período de 2008 a 2009. .................................................................... 34 Tabela 2- Demanda final (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtosflorestais não madeireiros, identificados nos dez municípios da RI Tocantins, PA, em 2008................................................................................................................................................. 185 Tabela 3- VAB (local, estadual e nacional), em R$ dos produtos florestais nãomadeireiros, identificados nos dez municípios da RI Tocantins, PA, em 2008. .................... 186 Tabela 4- VAB (R$) na esfera local, estadual e nacional dos produtos florestais nãomadeireiros, identificados na RI Tocantins, em 2008; organizados em cinco categorias:alimentícios, derivados de madeira, artesanato, derivados de animal efitoterápicos/cosméticos. ........................................................................................................ 187 Tabela 5- RBT, em (R$), na esfera local, estadual e nacional dos produtos florestaisnão madeireiros, identificados na RI Tocantins, em 2008, organizados em três categoriasrelativas com escalas de valor da RBT (acima de R$ 600 mil, entre R$ 90 mil a 599 mil eabaixo de R$ 90 mil). ............................................................................................................. 188 Tabela 6- Variáveis econômicas dos produtos florestais não madeireiros,identificados na RI Tocantins, compostas pelo VBPα, a margem de lucro (mark-up), o VBP, oVAB e a RBT, em R$ nas esferas local, estadual e nacional, em 2008. ................................ 190 18
  • 19. SUMÁRIOAPRESENTAÇÃO..................................................................................................................... 51 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 172 OBJETIVOS .......................................................................................................................... 202.1 GERAL ............................................................................................................................... 202.2 ESPECÍFICOS ................................................................................................................... 203 METODOLOGIA.................................................................................................................. 214 RESULTADOS ..................................................................................................................... 304.1.1 Caracterização da RI Tocantins ....................................................................................... 304.1.1.1 Características gerais .................................................................................................... 314.2 ANÁLISES DAS CADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO ............................................... 324.2.1 Açaí .................................................................................................................................. 354.2.2 Cacau amêndoa ................................................................................................................ 494.2.3 Palmito ............................................................................................................................. 584.2.4 Castanha-do-brasil ........................................................................................................... 654.2.5 Cupuaçu ........................................................................................................................... 734.2.6 Carvão .............................................................................................................................. 804.2.7 Buriti ................................................................................................................................ 874.2.8 Bacaba ............................................................................................................................. 934.2.9 Mel ................................................................................................................................. 1004. 2.10 Utensílios (cuia, paneiro e tipiti) ................................................................................ 1064.2.11 Coratá .......................................................................................................................... 1114.2.12 Bacuri .......................................................................................................................... 1154.2.13 Murumuru .................................................................................................................... 1194.2.14Artesanato de miriti ...................................................................................................... 1244.2.15 Andiroba ...................................................................................................................... 1304.2.16 Copaíba ........................................................................................................................ 1384.2.17 Inajá ............................................................................................................................. 142 19
  • 20. 4.2.18 Breu-branco ................................................................................................................. 1464.2.19 Cipós ............................................................................................................................ 1504.2.20 Leites (amapá, jatobá e sucuúba)................................................................................. 1544. 2. 21 Taperebá .................................................................................................................... 1584.2.22 Urucum ........................................................................................................................ 1624.2.23 Plantas medicinais ....................................................................................................... 1664.2.24 Semente de cupuaçu .................................................................................................... 1704.2.25 Cumaru ........................................................................................................................ 1754.2.26 Guarumã ...................................................................................................................... 1794.3 INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DEARTESANATOS NA REGIÃO ............................................................................................ 1834.4 ANÁLISES ECONÔMICAS AGRUPADAS .................................................................. 1854.5 PROBLEMAS E POTENCIALIDADES IDENTIFICADOS NA COMERCIALIZAÇÃODE PFNMs ............................................................................................................................. 1914.5.1 Em Cametá .................................................................................................................... 191Problemas ............................................................................................................................... 191Potencialidades ....................................................................................................................... 1914.5.2 Em Abaetetuba .............................................................................................................. 192Problemas ............................................................................................................................... 1924.5.3 Em Baião ....................................................................................................................... 193Potencialidades ....................................................................................................................... 1944.5.4 Em Mocajuba................................................................................................................. 194Problemas ............................................................................................................................... 194Potencialidades ....................................................................................................................... 1954.5.5 Em Oeiras do Pará ......................................................................................................... 195Problemas ............................................................................................................................... 195Potencialidades ....................................................................................................................... 1964.5.6 Em Limoeiro do Ajuru .................................................................................................. 196 20
  • 21. Problemas ............................................................................................................................... 196Potencialidades ....................................................................................................................... 1964.5.7 Em Barcarena ................................................................................................................ 197Problemas ............................................................................................................................... 197Potencialidades ....................................................................................................................... 1974.5.8 Em Igarapé-Miri ............................................................................................................ 198Potencialidades ....................................................................................................................... 1994.5.9 Em Moju ........................................................................................................................ 199Potencialidades ....................................................................................................................... 1995 CONCLUSÕES ................................................................................................................... 202REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 208 21
  • 22. 1 INTRODUÇÃO O crescimento das atividades produtivas econômicas e principalmente o aumento dadensidade demográfica em escala mundial, resultou em um forte avanço sobre os recursosnaturais, dentre eles as florestas primárias, culminando em altos índices de desmatamento.Diante desse contexto a Região Amazônica vem alcançando destaque, ao longo dos anos, nocenário mundial, explicitando a necessidade da conservação de sua mega diversidade pelopapel que esta desempenha, bem como em razão dos riscos assumidos conforme o quadro demudanças globais (IPCC, 2007). Diante da ênfase dada às questões ambientais na Região Amazônica, o Pará é um dosestados que antecedem os primeiros lugares no ranking do desmatamento na região, com umaárea desmatada de 63.235 km², no acumulado de 1999 a 2008, cerca de 5% do seu território.Quando relacionado com o desmatamento da Amazônia Legal, no período, o Estado contribuicom aproximadamente 34% do total da região amazônica (INPE, 2009). Em resposta a esse cenário, o governo estadual assumiu o compromisso com ummodelo de desenvolvimento baseado na sustentabilidade, apresentando políticas para odesenvolvimento e valorização do extrativismo, incentivo ao surgimento de novosempreendedores florestais e de produtos sustentáveis (Ideflor, 2008). Em 2009, o governo federal formalizou o Plano Nacional de Promoção das Cadeiasde Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB), que seleciona dez produtos-chave em funçãodo papel desempenhado por estes na economia e do envolvimento de famílias com essesprodutos em todo o Brasil, com ações integradas para a promoção e o fortalecimento dascadeias, iniciado em 2007 pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério doDesenvolvimento Agrário (MDA), e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate àFome (MDS) - (PNPSB, 2009). Quatro dessas cadeias prioritárias ocorrem no Pará (açaí,castanha-do-brasil, andiroba e copaíba). De forma concomitante, em 2008, o Ideflor passa aser um dos interlocutores pelo Pará junto ao PNPSB, com o apoio de outros órgãos do Estado,de organizações de produtores e extrativistas, assim como da sociedade civil. Considerando a pressão sofrida e a importância das nossas florestas no cenárionacional, o estado do Pará necessita de modelos de desenvolvimento com atividadeseconômicas produtivas que evitem o desmatamento. O manejo de recursos florestais, dadas àscaracterísticas e potencialidades da Região Amazônica, se coloca como um dos principaiscaminhos para se alcançar um desenvolvimento em bases sustentáveis. 17
  • 23. Diversos estudos realizados nos últimos dez anos por (Monteiro, 2003; Couly, 2004;Medina e Ferreira, 2004; Shanley & Medina, 2005; Castro, 2006; Gomes, 2007; Dürr &Costa, 2008), apontam o potencial econômico dos Produtos Florestais Não Madeireiros, alémda sua grande relevância sociocultural e ambiental. O manejo dos PFNM, conduzido demaneira racional, além de tornar as florestas rentáveis, mantém sua estrutura e biodiversidadepraticamente inalteradas (MACHADO, 2008). Um estudo desenvolvido por Menezes, Homma & Santana (2001), dentro de umassentamento agroextrativista no município de Nova Ipixuna-PA, identificou que a produçãoagrícola e extrativa é muito superior a que vem sendo estimada ou conhecida pelas estatísticasoficiais de produção. Esses produtos acabam compondo a renda familiar de forma indireta pormeio do consumo familiar, troca e/ou até mesmo de venda esporádica. No nordeste paraense, um estudo das cadeias de comercialização dos PFNM1,desenvolvido em três municípios, detectou a circulação aproximada de quatro milhões dereais, para o ano de 2005, identificando a importância da vegetação secundária como reservade valor e agente dinamizador da renda rural e dos setores econômicos associados, como osatacadistas, varejistas e agroindústrias (GOMES, 2007). Poucos são os estudos desenvolvidos para entender a estrutura das cadeias decomercialização dos PFNM, as relações estabelecidas entre os agentes mercantis e suarespectiva participação na composição do valor dos produtos que apontem os principaisgargalos para o desenvolvimento dessa economia. Esse tipo de estudo permite entender comoo produtor participa no processo mercantil e as possibilidades existentes para que o mesmoatue mais eficientemente nas respectivas cadeias de comercialização. Esse viés metodológicoé utilizado para a formulação de estratégias de comercialização que aumentem o resultadoeconômico e a eficiência reprodutiva dos estabelecimentos familiares (INHETVIN, 1998). Diante do exposto, o “Estudo das Cadeias de Comercialização de Produtos FlorestaisNão Madeireiros no Pará” se propõe a identificar e a caracterizar as cadeias decomercialização de produtos florestais não madeireiros em municípios do Estado, descrever equantificar como se dá a participação dos diferentes setores da cadeia na economia regional eseus desdobramentos para o Estado e fora dele, além de testar uma metodologia de coleta dedados que viabilize informações mais precisas desses produtos, que apresentam um papelimportante para a renda de milhares de famílias, que contribuem para a manutenção da1 Produtos estudados: açaí, bacuri, buriti, mel, unha-de-gato, verônica, copaíba, andiroba, sucuuba, lenha, carvão e estaca. 18
  • 24. floresta em pé e que colaboram de maneira considerável para o Produto Interno Bruto (PIB)do Estado. Esse método se revela rápido na coleta de dados em campo, mas requer uma basetécnica científica densa para as análises das matrizes, com resultados que permitam identificarpossibilidades produtivas locais e regionais, gargalos tecnológicos, necessidades deinvestimentos, regularização e especialização dos agentes locais e regionais, além de apontarnovos produtos que não constam das estatísticas oficiais, ou que são subestimados. 19
  • 25. 2 OBJETIVOS2.1 GERAL • Identificar e analisar as cadeias de comercialização de produtos florestais nãomadeireiros da Região de Integração Tocantins, estado do Pará, identificando fatores críticose potencialidades.2.2 ESPECÍFICOS • Identificar e descrever as estruturas das cadeias de comercialização dos produtosflorestais não madeireiros da Região de Integração Tocantins, e • Quantificar o Valor Bruto da Produção (VBP), explicitando a produçãoagroextrativista do setor alfa (VBPα), o Valor Agregado Bruto (VAB) juntamente com amargem bruta de comercialização (mark-up) e a Renda Bruta Total (RBT) gerada e circuladana comercialização dos produtos identificados. 20
  • 26. 3 METODOLOGIA No intuito de descrever e analisar as cadeias de comercialização dos produtosflorestais não madeireiros (PFNM) a partir do conjunto dos 10 municípios pertencentes a RITocantins, estado do Pará, desde os agentes que compraram do produtor até os que venderampara o consumidor, este estudo baseou-se na metodologia das Contas Ascendentes Alfa CSα(COSTA, 2002, 2006 e 2008a), que permite construir Contas Sociais de base agroextrativista,para uma dada região, utilizando o modelo Matriz Insumo-Produto de Leontief (1983). As “Contas Sociais Alfa” (CSα) referem-se à metodologia de cálculo ascendente dematrizes de insumo-produto de equilíbrio computável que se baseia nos parâmetros eindicadores de cada produto que compõem os setores originários e fundamentais, justifica-sepelo fato de permitir uma análise pontual ou com foco na problemática local, haja vista que asestatísticas de produção são obtidas mais irredutível possível de uma economia local. Ou seja,este método além de fazer uma “fotografia” da realidade macroeconômica e social de umadelimitação geográfica, fornece respostas a questões que envolvem os impactos gerados porações e programas de desenvolvimento ali implementados. Conforme explica Costa (2008b), o método consiste em identificar a produção decada agente que pode ser agregado nos “setores alfa”, de certa delimitação geográfica eacompanhar os fluxos até sua destinação final. Nesse trajeto define parametricamente ascondições de passagem pelas diversas interseções entre os setores derivados (quantidadestransacionadas em cada ponto e o mark-up correspondente), tratados como “setores beta”, osquais são ajustados a três níveis diferentes: o local (βa), o estadual (βb) e o nacional (βc). Esta metodologia foi aplicada na região sudeste do Pará, caracterizada por tensõesentre grandes projetos pecuários e minerais, e a expansão camponesa, com assentamentos dareforma agrária. O trabalho desenvolvido por Costa (2008b) contempla a análise de insumo-produto com metodologia ascendente que explicita a diversidade estrutural dos setores debase primária e os impactos econômicos da programação de investimento da Companhia Valedo Rio Doce (CVRD) de 2004 até 2010. Os resultados do estudo indicam que a metodologiaascendente CSα permitiu fazer as diferenciações estruturais necessárias à geração de umamatriz de insumo-produto mais aderente a complexidade da economia local, evidenciando ainfluência expressiva na economia do setor mineral do Sudeste Paraense, com complexidadede tal ordem que sua expansão cria possibilidades de crescimento para os demais setores daeconomia local. Por outro lado, demonstrou vazamentos de vulto (em termos de renda, 21
  • 27. agregação de valor, entre outros) – tanto da economia local e entorno quanto, para a economiado resto do Pará, e do resto do Brasil. Em outro estudo, Costa e Costa (2008) descreveram a economia da cultura dofestival de bois de Parintins, estado do Amazonas, utilizando a metodologia das CSαconjuntamente orientada pelo conceito de Arranjos Produtivos Locais (APL). O estudoidentificou limitações de infraestrutura, apontou impactos para a economia do município coma produção e realização do evento, com isso o município recebeu tratamento diferenciado porparte dos poderes públicos, que se converteram em investimentos reais e o APL da culturaidentificado representou 10% da economia local e se apresentou como uma nova base deexportação, com um efeito multiplicador elevado. A aplicação da metodologia CSα por Dürr (2008) no Departamento2 de Sololá, naGuatemala, permitiu descrever as cadeias produtivas dos principais produtos da agriculturacamponesa, construiu a Contabilidade Social de base agrária do Departamento, ou seja,calculou o Produto Interno Bruto mostrando a contribuição de diferentes setores,especialmente no setor rural e da economia regional e, por último, identificou os impactossobre a agricultura e o desenvolvimento econômico das zonas rurais locais, estimado atravésdo uso de Matrizes de Insumo-Produto como ferramenta para o planejamento estratégico doDepartamento de Sololá. Devido as repercussões deste estudo, o autor replicou para odepartamento de El Quiché (DÜRR et al., 2009), para o território chamado de Bacia do rio"Polochic. "(LOZA et al., 2009) e para o departamento de Petén (DÜRR et al., 2010). O trabalho de Carvalho (2010) apresenta as contribuições que os produtos florestaisnão madeireiros têm na economia do estado do Amapá, fazendo o uso do método de ContasSociais Alfa em razão da inexistência de informações sistematizadas ou agregadas em nívellocal. Contudo, consegue estabelecer as análises estruturais a partir das interrelaçõesexistentes entre os agentes mercantis que participam do arranjo produtivo dos PFNM,analisando os efeitos dos multiplicadores setoriais, os impactos do crescimento econômico naprodução, trabalho e renda setorial de toda a economia. Na mesma linha, Gomes (2007) identificou e caracterizou cadeias decomercialização de produtos existentes nas florestas secundárias nas categorias de frutíferas,derivados da madeira (lenha, carvão e estaca), mel e diversas plantas medicinais nosmunicípios de Bragança, Capitão Poço e Garrafão do Norte, estado do Pará. A autora utilizouo método de Contas Sociais Alfa para captar as especificidades econômicas e sociais que ao2 Unidade federativa equivalente a estado. 22
  • 28. contrário dos cálculos das contas regionais do IBGE, que consideram as regiões homogêneasnas estimações conjunturais impossibilita captar as especificidades locais. O estudo detectou acirculação aproximada de quatro milhões de reais, para o ano de 2005, identificando aimportância da vegetação secundária como reserva de valor e como agente dinamizador darenda rural e dos setores econômicos associados como atacadistas, varejistas e agroindústrias. No caso deste estudo desenvolvido pelo Idesp, a metodologia foi adequada para acontabilidade social ascendente que engloba além da produção agroextrativista, as atividadesna indústria e nos serviços que atuam diretamente nos setores com foco nos produtosflorestais não madeireiros. Trata-se de um modelo de cálculo de renda e do produto social doagroextrativismo que permitiu mensurar variáveis como o Valor Bruto da Produção de BaseAgroextrativista (VBPα), o Valor Agregado Bruto de Base Agroextrativista (VABα) e oProduto Regional Bruto de Base Agroextrativista (PRBα). De acordo com Considera et al.(1997) o Produto Regional Bruto (PRB) seria o equivalente regional ao Produto Interno Bruto(PIB) deste setor. O modelo também produziu as matrizes das inter-relações intersetoriais que asfundamentam, por uma metodologia que maximiza a utilização dos dados do IBGE, tanto osdo Censo Agropecuário de 2006, quanto às séries históricas de 1990 a 2008 da ProduçãoAgrícola Municipal (PAM), da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e daProdução da Pecuária Municipal (PPM) e, correlacionando-os aos dados da pesquisa primáriaexecutada pelo Idesp, permitiu agregações as mais variadas, orientadas tanto por atributosgeográficos, quanto por atributos estruturais do setor. A metodologia adotada permite descrever trajetórias de agregação, tanto em funçãode um espaço geográfico limitado (município, região, território, etc.), quanto em decorrênciadas estruturas da produção: formas de produção, tipos de atividades, níveis tecnológicos,sistemas de produção, entre outros. A metodologia apresenta uma série de vantagens, taiscomo: rapidez na coleta de dados primários em campo, identificação dos maiores volumescomercializados junto aos agentes mercantis chaves, quantificação dos valores pagos ao setorda produção agroextrativista, principais gargalos evidenciados nas cadeias decomercialização, a economia antes invisível passa a ser explícita para diversos produtos eaponta indicativos para subsidiar políticas publicas. As etapas adotadas desde a identificação do agente mercantil, até as análises dascadeias de comercialização, consistiram em uma série de ações descritas a seguir. Articulação prévia, feita em Belém e/ou na chegada a cada um dos dez municípiosvisitados da Região de Integração Tocantins, junto a informantes-chaves (como os técnicos 23
  • 29. dos escritórios da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará -Emater/Pará, dos sindicatos de trabalhadores rurais, das secretarias municipais de agricultura,das cooperativas, das associações, das feiras, dos mercados locais, entre outros), no que sereferiu a produção e/ou comercialização dos produtos florestais não madeireiros existentes nomunicípio, para o período de doze meses e, fazer a identificação dos agentes mercantisenvolvidos nestas atividades, para serem entrevistados. A coleta de dados ocorreu junto aos agentes mercantis com aplicação de questionário(Apêndice A). Nesta etapa, buscou-se os principais agentes (vendedores/compradores) decada produto, que geralmente representam importantes elos da cadeia, os quais direcionam oselos para trás (comprou de quem) e para frente (vendeu para quem) na cadeia, compondo umaamostragem não probabilística autogerada (CABRAL, 2000), até chegar a produção local deum lado, bem como ao último que vendeu o produto para o consumidor final, no outroextremo da cadeia (DÜRR; COSTA, 2008). Esta metodologia identificou relações existentesentre agentes mercantis, que atuam tanto na formalidade quantos que atuam na completainformalidade, sendo capaz de apontar o fluxo de comercialização para cada produtoidentificado. Neste tipo de amostragem o tamanho e a localização da população não sãoconhecidos a priori pelo pesquisador, então, esta é composta na medida em que o pesquisadoridentifica um agente mercantil, e solicita ao mesmo que indique os que também fazem parteda população em estudo, e assim, sucessivamente, a amostra é construída (MATTAR, 1997).Deste modo, para o levantamento dos dez municípios foram aplicados trezentos e noventa esete questionários junto aos agentes mercantis envolvidos direta ou indiretamente com acomercialização dos PFNM. Durante a aplicação dos questionários, foi possível georreferenciar cadaestabelecimento, utilizando o sistema de posicionamento global (GPS), compondo uma dasbases de dados com as coordenadas geográficas. Além disso, foi possível compor uma base dedados qualitativos disponíveis na plataforma Windows, Microsoft Office 2007 no aplicativoAccess, e outra base de dados quantitativos no sistema NETZ3, com circuitos (referentes aosprodutos) e lançamentos (referentes às transações comerciais realizadas pelos agentes, porprodutos). A padronização dos dados coletados em cada entrevista foi necessária para que asunidades de quantidade (medida usada em kg, litro, saca entre outros) e de preço praticadofossem uniformizadas conforme cada produto. As informações inseridas no sistema NETZ3 Software desenvolvido por Francisco de Assis Costa – NAEA/UFPA. 24
  • 30. referem-se aos dados primários de preço e quantidade para cada produto, em cada relaçãomercantil de compra e venda, classificando por setor (produção, varejo, atacado, indústria econsumidor) e por recorte espacial (local, estadual e nacional). Depois deste processo, foram elaboradas as matrizes que descrevem a probabilidadeda distribuição das quantidades e atribuição dos preços a partir das relações entre os agentes,uma vez determinadas suas posições estruturais, entre os setores. As Matrizes Insumo-Produto(MIP) descrevem nas colunas as compras e nas linhas as vendas dos setores da produçãoprimária e intermediaria (indústria, atacado e varejo), entre si, e as vendas para a demandafinal local, estadual ou nacional. No entanto, como forma de melhor visualizar cada matriz, aequipe do Idesp envolvida no estudo desenvolveu um modelo para apresentar os mesmosdados, com os fluxos de compra e venda e os setores responsáveis por cada elo da cadeia. Ainovação trata-se da disposição visual dos diversos agentes mercantis ou setores representadospor pequenas caixas retangulares (produção local, varejo, indústria de beneficiamento, detransformação, atacado, consumidor, etc.), espacialmente distribuídos na economia local,estadual ou fora do estado (nacional e internacional), representados por retângulos maiores emtrês cores distintas. Foram adotadas setas em diferentes formatos para a representação doscanais ou fluxos de comercialização, que iniciam na produção local e vão até os consumidoresfinais. Os fluxos da comercialização por produto estudado foram organizados para trêsdimensões geográficas: a) local, que corresponde aos dez municípios pesquisados na RITocantins; b) estadual, para os demais municípios do estado do Pará e; c) nacional, que foramcomercializados para outros estados e/ou países. O estudo possibilitou compreender os fluxosexistentes nas relações entre agentes/setores e seu papel relativo ao longo da cadeia em funçãodos volumes transacionados. Ainda com base nas matrizes de preço e quantidade, a relaçãodessas gerou os respectivos preços médios praticados ou implícitos por produto e por setor(em Reais por unidade do produto), agregado ou não, ao longo da cadeia, da produção até oseu consumo final. A metodologia permite a atualização dos dados para os anos seguintes daContabilidade Social da Produção de Base Agroextrativista (CSα) obtida com os dados maisrecentes divulgados pelo IBGE, neste caso com o Censo Agropecuário de 2006. Para tanto,foram construídos indexadores de quantidade e preço baseados nas séries municipais da PAM,PEVS e PPM, no mesmo recorte regional, assim como as séries de preços dos produtos daagricultura do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). 25
  • 31. Existem duas especificidades na construção dos indexadores: aquela em que o produtoem questão é levantado sistematicamente e faz parte do acervo de estatísticas conjunturais,acima explicitado, e aquela em que o produto estudado não é levantado sistematicamente. Naprimeira situação os indexadores de quantidade (IQ) são os números índices do total dasquantidades do produto v, para o conjunto dos municípios que atendem a restrição s, tendo nocaso do agroextrativismo, 2006 como ano base. E para os indexadores de preço (IP) osnúmeros índices do preço médio do produto v, para os municípios que atendem a restriçãogeográfica s, tendo 2006 também como ano base (COSTA, 2002, 2006 e 2008a). Os indexadores de quantidade e de preço são assim construídos: ࡽ ࢙ࢗ࢜ࢇ ഥ ࡼ࢙࢜ࢇ ࡵ࢙࢜ࢇ ൌ ࢋ ࡵࡼ ൌ ࢙࢜ࢇ ࢙ࢗ࢜૛૙૙૟ ഥ ࡼ࢙࢜૛૙૙૟ Onde: ‫ :ݏ‬atributo geográfico (local: municípios da RI Tocantins; estadual: demais municípios do estado do Pará e nacional: outros estados e/ou países), ‫ :ݒ‬produto, ܽ: ano da pesquisa oficial (2006, 2007 e 2008), ‫ݍ‬௦௩௔ : quantidade do produto conforme seu atributo geográfico no ano da pesquisa oficial, ‫ݍ‬௦௩ଶ଴଴଺ : quantidade do produto conforme atributo geográfico no Censo Agropecuário de 2006, ‫݌‬ҧ௦௩௔ : preço médio (ou implícito) conforme seu atributo geográfico no ano da pesquisa, e ‫݌‬ҧ௦௩ଶ଴଴଺ : preço médio (ou implícito) conforme atributo geográfico no Censo de 2006. Em relação aos produtos não levantados sistematicamente, estes foram indexadospela evolução do conjunto da produção numa certa delimitação geográfica. A evolução doconjunto da produção é observada pelos números índices da evolução do produto real e dospreços implícitos para a restrição geográfica s. O produto real é a soma dos resultados damultiplicação das quantidades de cada produto no ano a, pelo preço em um ano escolhidopara fornecer o vetor de preços, neste caso, média dos anos de 2006, 2007 e 2008. Portanto,os indexadores dos PFNM que não estão presentes nas estatísticas oficiais foram elaboradosconforme agrupamentos, tendo como referências as categorias dos alimentícios, dosoleaginosos e gerais do IBGE. 26
  • 32. Sendo assim, para os frutos bacaba, bacuri, buriti e taperebá foram utilizados osindexadores da categoria de alimentícios. Na categoria de indexador geral das oleaginosasforam cinco produtos: andiroba, copaíba, cumaru, inajá e murumuru. E na categoria deindexador geral (que utiliza o conjunto de todos os produtos identificados pelo IBGE) foramutilizados quinze produtos: resina do breu-branco, cascas de barbatimão, pau-doce, unha-de-gato e verônica, cipó timbó, cipó torcido, leites de amapá, de jatobá e de sucuúba, cupuaçusemente, cuia, paneiro de guarumã, tipiti de guarumã, tala de guarumã e coratá. Os únicos produtos que tiveram seus próprios indexadores, criados com base nasestatísticas oficiais, foram: açaí fruto, cacau amêndoa, carvão, castanha-do-brasil, cupuaçu,fibra de buriti, mel, palmito de açaí e o urucum. Foi estimada a CSα para o ano de 2008, por ser o início do estudo, multiplicando osindexadores obtidos com a matriz de estrutura, que descrevem a probabilidade da distribuiçãodas quantidades e, com a matriz de preços a partir das relações entre os agentes. O resultadogera uma Matriz de Insumo Produto (MIP) para cada produto pesquisado, contendo o ValorBruto da Produção de base agroextrativista (VBPα) sob a ótica da oferta, o VBP sob a ótica dademanda (ou seja, compra de insumo), o Valor Transacionado Efetivo (VTE) que equivale aoValor Adicionado ou Agregado Bruto (VAB), a Renda Bruta Total (RBT) e, a margem brutade comercialização (mark-up), que é a relação entre a diferença do valor estimado do VABcom o VBPα (sob a ótica da oferta) pelo VBPα, para que sejam feitas as análises econômicas(estimadas para 2008) e os impactos que cada produto não madeireiro exerceu na economialocal, estadual e fora do estado. Frisa-se, no entanto, que no cálculo do VAB como naestimação do mark-up, não se levou em consideração os custos produtivos e/ou decomercialização, pois não foram foco da pesquisa. Em algumas cadeias, também não foipossível descrever a proporção dos PFNM utilizados como insumo na preparação de certosprodutos finais, como doces, cosméticos, medicinais, entre outros. A proposta metodológica de estimar a CSα para o ano de 2008 foi adotada para esteestudo (Tocantins) e para as demais regiões estudadas (Guamá, Rio Caeté, Xingu, Marajó e oBaixo Amazonas), permitindo assim comparações entre as economias de cada região. Ométodo permite também fazer atualizações desta economia conforme novos cálculos dosindexadores por produto, após divulgação de estatísticas oficiais. Para cada um dos 34 produtos não madeireiros identificados em campo (Tabela 2),24 deles constam no Apêndice B. Tais produtos foram classificados em nove alimentícios[açaí (fruto e palmito), bacaba, bacuri, cacau (amêndoa), castanha-do-brasil (fruto), cupuaçu(fruto), taperebá, buriti e urucum]; onze fitoterápicos e cosméticos [andiroba, barbatimão, 27
  • 33. copaíba, cumaru, jatobá (leite), murumuru, pau-doce, leite-de-amapá, cupuaçu, sucuúba(leite), unha-de-gato e verônica] e seis artesanatos e utensílios [breu-branco, fibra de buriti,cipó timbó (em rolo), cuieira, guarumã (tipiti e peneira) e inajá (coratá)]. Cada produto identificado foi analisado individualmente, por estruturas de fluxo dequantidade e preço médio praticado ao longo das cadeias de comercialização e, descritos ossetores mercantis das esferas local, estadual e nacional. Além disso, as análises econômicasdetalhadas estão apresentadas com VBP pela ótica da oferta, com VAB e a margem bruta decomercialização por setor, assim como a RBT gerada pela ótica da demanda. Para outros produtos que apresentaram similitude como: uma pequena amostragemde dados, semelhança do fluxo de comercialização entre os agentes e, principalmente,utilidades similares, as análises foram agrupadas em: utensílios, leites e plantas medicinais. A classificação dos agentes nas cadeias de comercialização foram adaptadas aosseguintes conceitos, conforme Costa (2002) e Dürr (2004). • Produção local: Produção primária agroextrativista do município ou da região; • Varejo rural local: Pequenos comerciantes do interior dos municípios que compram dos produtores, comumente denominados atravessadores rurais; • Indústria de beneficiamento local: Unidades de beneficiamento da produção, localizadas na região; • Indústria de transformação local: Unidades de transformação da produção, localizadas na região; • Atacado local: Grandes compradores (atacadistas, representantes de empresas), localizados nos centros urbanos da região, que normalmente compram do varejo e/ou vendem para o varejo; • Varejo urbano local: Pequenos comerciantes nas cidades (varejistas, feirantes, marreteiros, vendedores ambulantes); • Indústria de beneficiamento estadual: Unidades de beneficiamento no Pará, localizadas além da RI Tocantins; • Indústria de transformação estadual: Unidades de transformação no Pará; • Atacado estadual: Empresas compradoras da produção no Pará; • Varejo urbano estadual: Comércios (supermercados, etc.) no Pará, que vendem para o consumidor estadual; 28
  • 34. • Indústria de beneficiamento nacional: Unidades de beneficiamento no Brasil; • Indústria de transformação nacional: Unidades de transformação no Brasil; • Atacado nacional: Empresas compradoras do nível nacional; • Varejo urbano nacional: Comércios nacionais que vendem para o consumidor nacional. As categorias de agentes mercantis estão descritas por produto não madeireiroidentificado, quer seja individual ou em grupo. As análises econômicas de todos os produtos identificados estão descritas emdetalhes no item 4.2. 29
  • 35. 4 RESULTADOS 4.1.1 Caracterização da RI Tocantins A Região de Integração Tocantins abriga um total de onze municípios (Figura 1),com uma população de aproximadamente 655.955 habitantes. A região abriga o porto de Vilado Conde, o maior do Estado. Suas principais cargas são minérios (bauxita), alumínio, óleoscombustíveis e madeira (Secretaria de Estado de Integração Regional - SEIR, 2007). No ano de 2009, até o mês de novembro, o porto teve uma participação de 80,11% namovimentação de cargas do Estado (Companhia Docas do Pará - CDP, 2010). Em 2007, o Produto Interno Bruto (PIB) da RI Tocantins somou R$ 5.408.071,00mil, ocupando a terceira colocação e participando com um percentual representativo noEstado no valor de 10%, que se deve ao polo mineral e portuário do município de Barcarena.As participações dos setores econômicos corresponderam a: 8% no setor Agropecuário, 50%no setor da Indústria e 42% no setor de Serviços. Dentro da composição do setor agropecuárioa participação dos produtos de origem extrativista corresponde a 12,7 % (Idesp, 2009).Figura 1- Municípios pertencentes à Região de Integração Tocantins.Fonte: IDESP 30
  • 36. Apesar das grandes mudanças econômicas que alguns municípios da região sofreramnos últimos anos, em Barcarena, por exemplo, foi instalado o complexo da companhiaAlumínio Brasileiro S.A. (Albras) e da Alumina do Norte do Brasil S.A. (Alunorte); sendoque na sua estrutura econômica ainda sobrevive uma cultura tradicional ribeirinha. É umaregião de colonização antiga com forte identidade cultural. Existe no local uma extensa áreade várzeas propícias à produção do açaí. Em termos de potencialidades econômicas destacam-se: o extrativismo da madeira; o setor da indústria moveleira; o setor oleiro-cerâmico; obeneficiamento de fibras vegetais (coco); a fruticultura do açaí; a cultura da mandioca e outrasculturas permanentes como o dendê, a pimenta-do-reino e o coco, como também a doartesanato (SEIR, 2007).4.1.1.1 Características gerais • População Absoluta (Idesp, 2009): 655.955 habitantes; • Densidade Demográfica (Idesp, 2009): 18,29 hab./km²; • PIB 2007 (Idesp, 2009): R$ 5.408.071,00 mil; • Índice de Desenvolvimento Humano (IDH, 2000): 0,68; • PIB 2007 Per capita (Idesp, 2009): R$ 8.245,00; • Valor Adicionado – Setor Agropecuário (Idesp, 2009): 8 %; • Valor Adicionado – Setor Industrial (Idesp, 2009): 50 %; • Valor Adicionado – Setor Serviços (Idesp, 2009): 42 %. 31
  • 37. 4.2 ANÁLISES DAS CADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO Dos onze municípios pertencentes à Região de Integração Tocantins (Figura 2), dezforam estudados, a saber: Abaetetuba, Acará, Baião, Barcarena, Cametá, Igarapé-Miri,Limoeiro do Ajuru, Mocajuba, Moju e Oeiras do Pará.Figura 2- Localização da Região de Integração Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. Foram aplicados trezentos e noventa e sete questionários junto aos agentes mercantis,com pontos georeferenciados (Figuras 3 e 4). Houve necessidade de fechamento de algumascadeias em municípios fora da região tocantina, como foram os casos de Castanhal e deBelém, principalmente. A comercialização de dezenas destes produtos acontece em diferentesestabelecimentos e feiras, explicitando a diversidade e a realidade regional, conforme imagensregistradas nos municípios visitados (Apêndice C). 32
  • 38. Figura 3- Delimitação do município de Cametá (linha vermelha) e a localização de pontos georeferenciados dos agentes mercantis, entrevistados em diversas regiões do município (pontos numerados).Fonte: IDESP.Elaboração: IDESP.Figura 4- Pontos georeferenciados dos agentes mercantis entrevistados na área urbana de Cametá (pontos numerados).Fonte: IDESP.Elaboração: IDESP. 33
  • 39. Com base na comercialização dos mais de trinta produtos identificados em nossaamostragem, as produções vendidas e os valores pagos aos produtores da região foramorganizados em ordem decrescente em função do percentual de valor (Tabela 1).Tabela 1- Produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Tocantins, com quantidade e valor pago à produção local, de acordo com a amostragem realizada em campo, no período de 2008 a 2009. PFNM Quantidade Valor (R$) Valor/Total (%) Açaí fruto (kg) 59.116.449 43.916.347,45 88,25 Cacau amêndoa (kg) 646.845 2.452.930,21 4,93 Palmito (kg) 834.656 1.406.997,35 2,83 Castanha-do-brasil (kg) 680.450 734.695,00 1,48 Cupuaçu (un.) 402.468 448.908,42 0,90 Carvão (saca) 91.087 349.636,99 0,70 Buriti (kg) 173.586 178.056,96 0,36 Bacaba (kg) 93.438 71.107,52 0,14 Mel (l) 3.949 53.430,00 0,11 (1) Utensílios (un.) 18.736 42.500,72 0,09 Coratá (un.) 62.000 31.000,00 0,06 Bacuri (un.) 36.050 14.866,00 0,03 Murumuru (kg) 9.640 11.280,00 0,02 Artesanato miriti (braça) 26.500 10.107,50 0,020 Andiroba (l) 1.111 8.159,00 0,016 (2) Cipós (kg) 2.155 8.105,00 0,0163 Copaíba (l) 253 6.250,00 0,0126 Inajá semente (kg) 5.200 5.040,00 0,0101 Breu-branco (kg) 1.725 4.112,50 0,0083 (3) Leites (l) 476 3.121,50 0,0063 Taperebá (kg) 2.100 2.400,00 0,0048 Urucum (kg) 470 965,00 0,0019 (4) Plantas medicinais (kg) 200 600,00 0,0012 Cupuaçu semente (kg) 300 360,00 0,0007 Cumaru (kg) 20 60,00 0,00012 Guarumã (braça) 100 12,00 0,00002 Total 49.761.049,11 100,00 (1) Cuia, paneiro e tipiti. (2) Cipó timbó e cipó torcido. (3) Amapá, jatobá e sucuúba. (4) Cascas de barbatimão, pau-doce, unha-de-gato e verônica.Fonte: IDESP. 34
  • 40. 4.2.1 Açaí a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do açaí. O açaí é o principal produto comercializado na RI Tocantins, tanto em volumequanto em moeda circulante. Sua produção provém tanto de açaizais nativos quanto de áreasde manejo ou plantações. A seguir a descrição dos agentes mercantis identificados na cadeiade comercialização do açaí (Figura 5), considerando a abrangência para o âmbito local (osdez municípios), estadual (fora da RI Tocantins) e nacional (outros estados do Brasil e outrospaíses). LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Trata-se da produção primária da agropecuária e extrativista dos dezmunicípios da RI Tocantins; Varejo rural: Incluem todos os pequenos comerciantes do interior do Município quecompram o açaí in natura dos produtores, comumente denominados atravessadores; Indústria de beneficiamento: É a empresa que realiza o processamento do açaí innatura. Existem dois tipos de estrutura de empresa beneficiadora, a composta por pequenoscomerciantes, as quais possuem máquinas despolpadeiras, chamadas de “batedores de açaí” asquais vendem diretamente a polpa do açaí para os consumidores locais. A segunda categoria écomposta por um número reduzido de agroindústrias, as quais realizam a primeira agregaçãode valor ao açaí in natura, ou seja, a produção de polpa de açaí pasteurizada e/ou congelada; Atacado: São os comerciantes (atacadistas ou representantes de empresas) quecompram o fruto in natura em grandes quantidades do varejo rural (e/ou do produtor) evendem para agroindústrias estaduais; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Indústria de beneficiamento: Tratam-se as unidades de beneficiamento da produçãolocalizadas no Pará, fora da região tocantina, que apenas beneficiam o açaí em polpapasteurizada e/ou congelada; Indústria de transformação: Englobam as unidades de transformação da produçãoestadual. São processadoras e beneficiadoras de polpa de açaí e também de geleias, compotas,etc.; e em pequena escala, os blends (açaí misturado com outras frutas, guaraná, etc.) e paraempresa de cosméticos; 35
  • 41. Atacado: São as empresas (atacadistas, representantes de empresas) compradoras daprodução do Estado diretamente dos produtores regionais; Varejo urbano: Tratam-se dos comerciantes varejistas que realizam a venda da polpade açaí para o consumidor estadual; NACIONAL (Fora do estado do Pará) Indústria de beneficiamento: Englobam as unidades de beneficiamento situadas forado Estado que apenas beneficiam o açaí em polpa pasteurizada e/ou congelada; Indústria de transformação: Incluem as unidades de beneficiamento situadas fora doEstado que beneficiam o açaí em blends (lanchonetes, sorveterias, restaurantes, entre outros); Atacado: São as empresas (atacadistas, representantes de empresas) compradoras noâmbito nacional; Varejo urbano: Englobam os comércios varejistas situados fora do Estado quevendem para o consumidor nacional. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do açaí. A cadeia de comercialização do açaí possui a mais complexa estrutura dentre todasas identificadas no estudo. Nos dez municípios foram entrevistados duzentos e oitenta e cincoagentes mercantis que atuam, em média, há onze anos no ramo (variação de um a quarentaanos). Os que trabalham somente com o açaí são 84% e os demais trabalham com outrosprodutos (artesanato, bacaba, patauá, andiroba, murumuru, cupuaçu, buriti, cacau, carvão,cipó, palmito, mel e taperebá). Na descrição da capacidade instalada dos agentes mercantis entrevistados da regiãoidentificou-se que 28% possuem local para armazenagem com capacidade média de 16m2(variação de 4 a 144 m2); 37% possuem transporte (oitenta e sete barcos com capacidade de0,5 a 15 toneladas, cinco canoas, uma caminhonete, onze motos e dezessete bicicletas). Emrelação aos equipamentos 61% possuem (cento e setenta e cinco despolpadeiras, setenta e umfreezers, doze filtros, onze geladeiras, três câmaras frias, dois pasteurizadores, dois seladores,duas envasadoras, um container, uma caldeira e uma balança), 38% não possuemequipamentos e 3% não informaram. A mão-de-obra predominante é a familiar em 47% dos entrevistados, com umaequipe de até cinco pessoas. Dos demais agentes mercantis, 6% pagam uma diária para cincopessoas em média, no valor de R$ 10,00 a R$ 30,00; 2% pagam semanalmente para uma atrês pessoas, valores entre R$ 20,00 a R$ 120,00; 3% pagam em média para seis pessoas por 36
  • 42. rasa colocada no barco ou caminhão o valor de R$ 0,30, o restante não informou. Em relaçãoao período de trabalho, 70% trabalham o ano todo e 12%, somente na safra. Os demais nãoinformaram. Os problemas identificados foram: baixa capacidade de armazenagem e detransporte, pouco capital de giro, carência de investimentos para melhorar a produção eaquisição de equipamentos e falta de treinamento para os batedores de açaí sobre amanipulação adequada.Figura 5- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. A Figura 5 permite visualizar as proporções da quantidade produzida do açaí quetransitam entre os diferentes setores - constituindo assim, os canais de distribuição (ou canaisde comercialização) do fruto nos dez municípios estudados. A cadeia de comercialização doaçaí identificada pela pesquisa é complexa e constituída por vários níveis de setoresintermediários. Conforme Santana (2005), cada conjunto de intermediários que desempenhamalgum tipo de atividade relacionada ao escoamento da produção do produtor até o consumofinal é um elo do canal de distribuição. O principal canal de comercialização do açaí (Figuras 5 e 6) identificado com asmaiores quantidades é a compra do varejo rural de 77% do total da produção localidentificada, que vendem cerca de 60,4% para o setor da indústria de beneficiamento nomercado estadual, são empresas localizadas fora da RI Tocantins, nos municípios de 37
  • 43. Castanhal (cinco empresas); Tomé-Açu (uma); Santa Bárbara (uma); Marituba (uma);Benevides (uma) e Belém (uma) no estado do Pará. Todas comercializam o açaí em forma depolpa congelada. O equivalente a 53% da quantidade dessa polpa vai para o varejo urbanonacional, que são lojas especializadas e/ou redes de supermercados que vendem 54,2% daquantidade produzida para o consumidor nacional. As empresas demandantes do açaí,produzido nos dez municípios estudados se comportam num ambiente oligopolista, ou seja,setor caracterizado com um pequeno número de empresas atuando no mercado de compra deinsumo (no caso o açaí in natura).Figura 6- Principal fluxo de comercialização do açaí na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. Outro canal importante é composto pela indústria de beneficiamento local queapresenta duas peculiaridades, i) volume destinado para o beneficiamento em pequena escala(batedores de açaí) para atender o consumidor local com 24% da produção identificada e; ii)destinado para a exportação de polpas (as agroindústrias) no âmbito da indústria detransformação estadual e nacional (fora do Estado) comercializando somente 0,2% daprodução identificada (Figura 5). Destaca-se a venda direta do produtor de açaí para oconsumidor local, comercializando 3% da produção identificada. 38
  • 44. Na cadeia do açaí foi identificada a presença da Companhia Nacional deAbastecimento (Conab)4, que atua no Programa de Aquisição de Alimentos, do MDS, sendo ointermediador responsável pelo abastecimento da merenda escolar e entidades sociais nomunicípio de Abaetetuba. Foi classificada como atacadista estadual que comercializoucinquenta e duas toneladas de açaí para o consumidor estadual, representando 0,04% dovolume da produção identificada. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do açaí, no período de 2008 a 2009. Os preços médios do açaí praticados entre os diferentes agentes da cadeia decomercialização são determinados pela oferta e qualidade do fruto transacionado, conforme amatriz (Figura 7), que contém os preços do quilo do açaí fruto, praticado pelos setores quevendem (nas linhas) para os setores que compram (nas colunas).Figura 7- Preço médio do açaí (R$/kg de fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP.4 A Conab é a empresa oficial do Governo Federal, encarregada de gerir as políticas agrícolas e de abastecimento, promovendo por meio seguro a comercialização eletrônica de produtos e serviços relacionados às atividades finalísticas e de produtos e insumos para terceiros e, também, presta serviços de armazenagem e de classificação de produtos agrícolas. Atua em todo o território nacional por meio de suas superintendências regionais localizadas nos estados. Disponível em: <www.conab.gov.br/conabweb/> Acesso em: 15 dez. 2009. 39
  • 45. A variação do preço implícito do açaí fruto, praticado pela produção local varia deR$ 0,48/kg na venda para o atacadista local até R$ 1,42/kg para os beneficiadores locais.Enquanto que os preços de venda praticados pelo varejo rural são diversos, destacando: R$1,40/kg às indústrias de beneficiamento local, R$ 0,63/kg para as indústrias de beneficiamentoestadual e R$ 1,21/kg para os atacadistas estaduais e nacionais que são estabelecidos por meiode contratos. Os batedores de açaí locais (ou seja, indústria de beneficiamento de pequena escala),em sua maioria, praticam preços de venda para o consumidor final local conforme orendimento do fruto e a época do ano (safra e entressafra do açaí), em média a R$ 2,23/kg(Figura 7). Por outro lado, os preços praticados pelas agroindústrias locais (indústrias debeneficiamento de maior escala) são determinados pelos contratos de venda. Assim, os preçosimplícitos de venda são diversos em diferentes âmbitos como R$ 1,00/kg para a indústria debeneficiamento e de transformação estadual; R$ 1,65kg para o atacado estadual e, para aindústria de transformação e varejo urbano nacional foram R$ 2,63/kg e R$ 2,58/kg,respectivamente. Pode parecer estranho o preço de R$ 1,00/kg praticado na venda da indústria detransformação estadual para o consumidor nacional. No entanto, a explicação é que essaindústria de transformação estadual ainda não foi entrevistada, portanto o preço de venda realpraticado não foi identificado (Figura 7). Dessa forma, a metodologia adota o valor derepasse, ou seja, o mesmo preço praticado na compra. Nesse caso trata-se de uma empresa decosmético instalada no Pará, fora da RI Tocantins. O preço médio adotado pela venda da produção direta a R$ 0,71/kg para a indústriade beneficiamento nacional pode ser explicado pela transação de empresas de beneficiamentodo Maranhão, estado vizinho, que compra diretamente o fruto da produção local tocantina evende ao consumidor nacional (maranhense, no caso) ao preço médio de R$ 1,44/kg (Figura7). Outra transação importante é a vinda de atravessadores do estado do Amapá (atacadistanacional), que compra a um preço médio de R$ 1,21/kg de atravessadores locais (varejo rurallocal), quantidades significativas de açaí fruto (mil trezentas e quarenta e três toneladas aoano), levadas por grandes embarcações, que utilizam um processo rústico de armazenagem erefrigeração (cobrem as rasas com lonas e colocam gelo na superfície). Esses atravessadoresvendem, em média, a R$ 1,45/kg para batedores do Amapá (indústria de beneficiamentonacional) que abastecem o consumo do Amapá a um preço médio de R$ 1,44/kg (preço derepasse). 40
  • 46. d) Valor Bruto da Produção - VBP, pela ótica da oferta, na comercialização do açaí. Somando os valores recebidos pela venda do açaí de todos os produtores da RITocantins, o Valor Bruto da Produção Alfa (VBPα) foi de R$ 192,9 milhões; o varejo rural foide R$ 151,6 milhões; a indústria de beneficiamento local foi de R$ 140,8 milhões e o valor doatacado local, de R$ 7,1 milhões - gerando R$ 492,4 milhões nas vendas do açaí na RITocantins, que representa 37% do total gerado, sob a óptica da oferta (Gráfico 1).Gráfico 1- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do açaí da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. Em relação aos R$ 420 milhões, gerados na venda do açaí no Estado do Pará (31%do total gerado), os setores que se destacaram foram os da agroindústria (indústria debeneficiamento estadual), cujo VBP foi na ordem de R$ 381,9 milhões; sendo que o do setordo varejo urbano estadual, de R$ 21,2 milhões. No mercado nacional foram gerados R$ 432,3milhões na venda do açaí fora do Estado, o que representou 32% do total gerado; sendo que ovarejo urbano nacional foi o principal setor responsável pelas vendas, com R$ 411 milhões. Aeconomia do açaí gerada a partir da RI Tocantins, portanto, foi responsável por cerca de R$1,3 bilhão, com um produto regional atingindo diversos setores que dinamizam a economiaregional, estadual e nacional. e) Valor Adicionado Bruto - VAB, gerado na comercialização do açaí e a margem de comercialização de cada setor (%). 41
  • 47. Ao longo da cadeia de comercialização do açaí da produção local do Tocantins até ademanda final, ao valor de R$ 665,4 milhões foram adicionados VABs ao produto açaí(Gráfico 2), correspondendo a uma margem de agregação ao produto na comercialização ou aum mark-up total de 240%.Gráfico 2- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do açaí da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. O mark-up total (no caso, de 240%) é calculado a partir do VAB total (R$ 665,4milhões), menos o VBP da produção local (R$ 192,9 milhões), dividido pelo VBP daprodução local. Essa margem mostra, em termos relativos, o valor adicionado na cadeia toda apartir da produção primária (Setor α). Do total do valor adicionado dos dez municípios, o setor com maior participação foia indústria de beneficiamento estadual, com R$ 262,1 milhões, agroindústrias localizadas emmunicípios fora da RI Tocantins, que agregam ao produto uma margem de comercialização(mark-up do setor) de 219% (Gráfico 2), que está relacionado, principalmente, ao grandepoder de compra desse setor o qual, adquire o açaí in natura do sistema local e vende parafora do Estado um produto beneficiado (pasteurizado e congelado) a preços mais atrativos emrelação ao mercado estadual. Ou melhor, o mark-up do setor é o Valor Adicionado (R$correntes/kg in natura) do setor, dividido pelo VBP pela óptica da demanda, representado em 42
  • 48. termos percentuais (%), que inclui todos os custos da comercialização e do beneficiamento doproduto analisado, os quais não foram captados pela pesquisa. Em relação ao sistema local destacam-se as indústrias de beneficiamento (formadasem sua maioria pelos batedores de açaí) e o varejo rural (os atravessadores) com um valoradicionado de R$ 51,5 milhões (mark-up de 58%) e R$ 34,6 milhões (mark-up de 30%),respectivamente (Gráfico 2). O setor da produção local transaciona o valor efetivo referentesomente ao montante das vendas de R$ 192,9 milhões do açaí in natura. Em âmbito nacional,o setor do varejo urbano foi o que mais agregou valor no montante de R$ 98,2 milhões; porémcom um mark-up de apenas 31%. Do que se infere que, do total do valor adicionado, osistema local participou com 43%, o sistema estadual com 42% e o nacional com 15% departicipação. f) Renda Bruta Total - RBT, gerada pela ótica da demanda, na comercialização do açaí. A RBT e a comercialização formam-se a partir da soma da compra dos insumos, pelaóptica da demanda, com o VTE; o qual equivale ao Valor Adicionado (R$ correntes/kg innatura). Assim, a pesquisa de campo identificou que a renda bruta total gerada para acomercialização do açaí nos dez municípios estudados foi de R$ 1,3 bilhão. O mercadonacional foi responsável por 32% dessa renda bruta total; seguido pelo local, com 37% e peloestadual com 31% (Gráfico 3). 43
  • 49. Gráfico 3- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do açaí, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. Na RI Tocantins o setor do varejo rural gerou a maior renda bruta na ordem de R$151,6 milhões, pois comprou de insumos cerca de R$ 117 milhões e agregou um valor naordem de R$ 34,6 milhões (Gráfico 3). A indústria de beneficiamento local foi responsávelpela RBT de R$ 140,8 milhões, pois comprou de insumo o açaí fruto in natura por R$ 89,3milhões e adicionou o montante de R$ 51,5 milhões. O setor do atacado local gerou umarenda bruta equivalente a R$ 7,2 milhões, sendo R$ 4,7 milhões em insumos e R$ 2,5 milhõesno valor adicionado. No âmbito estadual, o setor das agroindústrias (indústrias de beneficiamento) atingiuuma RBT no valor de R$ 381,9 milhões, dos quais R$ 119,8 milhões equivalem à compra dosinsumos (açaí in natura) e R$ 262,1 milhões, ao valor adicionado na comercialização do açaíem polpa. O setor do varejo urbano estadual gerou uma renda bruta equivalente a R$ 21,2milhões; destes, R$ 16,2 milhões foram usados na compra de insumos (açaí in natura) e R$ 5milhões foram adicionados ao produto (Gráfico 3). O setor que mais comprou insumos da RITocantins foi o varejo urbano nacional, no valor de R$ 312,8 milhões e adicionou mais R$98,2 milhões, compondo uma RBT desse setor, equivalente a R$ 411 milhões; mostrando queo açaí já ganhou importância nesse mercado. g) Destino da produção de açaí identificado nos dez municípios estudados da Região de Integração Tocantins 44
  • 50. Do volume total de açaí identificado na Região de Integração Tocantins, 28% fica naprópria região em função do hábito alimentar da população local (Gráfico 4), em quepredomina a ribeirinha (Abaetetuba, com 6,8%; Moju, com 4,4%; Cametá, com 5,6%;Barcarena, com 3,1%; Oeiras do Pará, com 2,6%; Mocajuba, com 2,5%; Igarapé-Miri, com1,7% e Limoeiro do Ajuru, com 1%). Destinam-se 10% para o consumidor de outrosmunicípios do Pará, como Ananindeua (0,2%); Belém (7,9%); Benevides; Castanhal (0,9%);Marituba (0,9%); Santa Bárbara (0,02%) e Tomé-Açu. Exportam-se 62% para o mercadonacional e internacional, porém o método conseguiu identificar apenas alguns estadosbrasileiros (Amapá, com 2,4%; Maranhão, com 0,9%; São Paulo, com 0,1% e Goiás, com0,02%) e dois países (Japão, com 3,6%; e Estados Unidos, com 0,1%).Gráfico 4 - Destino do volume (%) de açaí identificado na RI Tocantins, a fim de atender as demandas de consumo local, estadual e nacional.Fonte: IDESP. h) Informações complementares sobre a comercialização do açaí. Um fato interessante identificado foi a padronização da Feira do Açaí de Cametá,que difere dos demais municípios, pois possui supervisores que fiscalizam a disposição doproduto para evitar a contaminação, os feirantes devem obedecer o padrão com disposição dospaneiros sobre bancadas de madeira, uso de sacos plásticos novos para entrega aoconsumidor, além da padronização dos recipientes de venda para o varejo, fornecidos pelaprefeitura. Usam o espaço formado por 35 tabuleiros, com 70 trabalhadores cadastrados, com 45
  • 51. capacidade de cada tabuleiro comportar 24 rasas de 14 kg. Eles reclamam da ausência de umaindústria beneficiadora de açaí que poderia gerar emprego e renda no município. O Centro Miriti Pousada Escola, de Cametá, é formado por 950 mulheresorganizadas em uma cooperativa, que funciona desde 2004, composta por 41 grupos nocampo e 9 grupos na cidade. Comercializam açaí beneficiado para duas empresas umalocalizadas Amazonfruit – Frutas da Amazônia Ltda. (Marca: Amazonfrut) e Bolthouse doBrasil Ind. e Com. de Frutas, Sucos e Polpas Ltda. (Marca: Bolthouse do Brasil). Utilizamliquidificadores para processar as polpas de cupuaçu, taperebá e graviola. Trabalham com ocultivo de plantas medicinais, assistidas por um pesquisador da Embrapa. Tudo que éproduzido pela cooperativa também é comercializado em uma loja chamada “Puçanga”. O açaí faz parte da dieta alimentar da maioria das famílias de Baião, principalmenteas ribeirinhas, que também vêem no produto, uma fonte de renda. O fruto que abastece acidade é oriundo de comunidades e municípios vizinhos como Cametá. Geralmente o açaí écomercializado no porto da cidade, em pequenas embarcações. O açaí que chega em Baião étodo encomendado por batedores locais. Durante a comercialização acontece um rodízio deagentes mercantis (atravessadores/produtores), quando ocorre o revezamento, cada agenteleva seu produto apenas duas vezes por semana e em dias alternados. O consumo de açaí no município de Mocajuba é elevado, pois faz parte da dietaalimentar dos moradores. Existem 68 projetos de plantio de açaí de terra firme no município.A maioria dos batedores de açaí dispõe de uma infra-estrutura mínima, alguns locais onde éprocessado não possuem piso adequado, nem água filtrada. Em outros estabelecimentos ofruto fica próximo de animais correndo risco de contaminação e comprometendo a qualidadedo produto final. Alguns batedores já solicitaram financiamento especifico para melhorar aestrutura de seus estabelecimentos, porém continuam sem resposta. O açaí que é vendido no município de Oeiras do Pará vem dos ribeirinhos e abasteceo mercado local, mas, às vezes, vai para alguns municípios próximos, como Curralinho. Oaçaí faz parte da alimentação diária das famílias, por isso existem muitos batedoresespalhados pela cidade. No período da entressafra o açaí vem de outros municípios paraabastecer a população de Oeiras do Pará, com preço alto, o que reduz o consumo e osbatedores acabam vendendo mais o vinho fino. Faltam orientações, por parte dos órgãos deassistência, para aumentar a produção de açaí na entressafra com práticas de manejo dosaçaizais. O açaí é incluído na merenda escolar numa iniciativa da prefeitura e do Programa deAquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento - CONAB. 46
  • 52. A produção de açaí de Limoeiro do Ajuru é significativa, chegando a abasteceroutros municípios, principalmente na entressafra. De acordo com relato de alguns produtorese de uma técnica, a Emater atua no manejo de açaí para que o município produza bastante açaína entressafra. A Emater e outros órgãos sempre ministram cursos de manejo de açaí para ascomunidades. Os produtores de açaí entregam sua produção para a cooperativa Cooper açaíque, por sua vez, manda in natura para Macapá, Belém e outros municípios do estado. Os batedores de açaí de Barcarena passaram por qualificações para padronizar seuspontos de venda e dar qualidade ao produto além de uma melhor higienização durante oprocessamento do produto. Em Igarapé Miri evidenciou-se um grande volume de açaí comercializado no períododa safra e em menor quantidade na entressafra. A comercialização é quase toda feita para forado município. O açaí chega diariamente nos portos, em grande quantidade, e é vendido paravárias fábricas de Castanhal, Tomé-Açu, e outros municípios. No município existem trêsfábricas de açaí, sendo que só duas estão funcionando. A produção de açaí está aumentando acada ano devido o manejo feito nos açaizais dos produtores. Enquanto em outros municípios asafra do açaí esta terminando, em Igarapé Miri a produção é estendida em função da graneprodução decorrente do manejo feito nos açaizais. Em visita à fábrica de açaí da Cooperativa Agroindustrial dos Moradores eProdutores Rurais de Igarapé -Miri (Coopfrut), em 2008, o entrevistado informou que nãoestava funcionando. Quando a fábrica funcionou, beneficiava 20% da produção local eexportava. De acordo com um membro da Coopfrut, a cooperativa foi criada em 2000, comapoio de organizações não governamentais, do Programa Pobreza e Meio Ambientes (Poema)e de outros órgãos, servindo por vários anos como termômetro de preço da comercializaçãolocal de açaí. Já tiveram 280 cooperados e, na data da entrevista, tinham somente 150atualizados. A capacidade da fábrica era de 120 latas por hora e contava com câmaras deresfriamento com capacidade de 12 toneladas e armazenamento de 200 ton. Pararam defuncionar, em 2007, devido problemas administrativos e de gestão. Em 2007 venderam 60 t(R$1,40 a R$2,00/Kg) para o Rio de Janeiro; 99 t (R$1,40 a R$2,00/Kg) para São Paulo; 10 t(R$5,70 a 6,00/Kg) para o Havaí; 80 t para a J. C. Ind. e Com. Exp. de Açaí Ltda. (Marca:Açaí Mania / Açaí Amazon). Na época tinham novos acordos com Fortaleza e a EmpresaBrasileira de Bebidas e Alimentos S/A (Marca: DaFruta e a Maguary), de Recife. Além doaçaí possuem projetos de oleaginosas como andiroba e copaíba e de uso do buriti paramerenda escolar. Em 2008 estavam com nova gestão, e tinham um projeto para beneficiar1.200 latas por dia, mas para atingir essa produção precisariam de parcerias. Outras duas 47
  • 53. fábricas de açaí em Igarapé Miri não deram entrevistas, pois alegaram não ter um responsávelpara falar dos trabalhos. Durante a safra de açaí em Igarapé Miri são carregados, em média, 20 caminhões pordia no porto, com uma capacidade de aproximadamente 1.200 a 1.500 rasas cada caminhão;somados também a muitos carros pequenos que comportam entre 50 e 80 latas. Na safra deaçaí a maior produção vai para Belém e Castanhal, e uma pequena quantia sai para omunicípio de Tailândia. Na entressafra o açaí vai direto para Belém. São cinco os maiores atravessadores de açaí em Igarapé Miri. Segundo umentrevistado os maiores compradores são a CAMTA, J.C. Ind. e Com. Exp. de Açaí Ltda;Sabor do Açaí Ind. e Comércio (Marca: Maria Luiza); Castanhal Comércio de Polpas Ltda e aDibony Ind. Com. e Exp. de Bebidas Ltda (Marca: Dibony). De acordo com o técnico da EMATER a produção estimada em Igarapé Miri para2008 é cerca de 130.000 toneladas de açaí. O manejo do açaí BRS-Pará foi grande nomunicípio. As empresas de açaí que vem buscar o produto em Igarapé Miri são a CastanhalComércio de Polpas Ltda (Castanhal-PA), a CAMTA (Tomé Açu-PA), a Bolthouse do BrasilInd. e Com. de Frutas, Sucos e Polpas Ltda do distrito de Icoaraci (município de Belém-PA),a Dibony (Marituba-PA) e a Amazonfrutas Polpas de Frutas da Amazônia Ltda (Marca: RajáFrutas / Pai dégua / Sabor do Pará / Nativo / Mix / Amazon Mania) localizadas em SantaBárbara-PA. A Cooperativa de Desenvolvimento do Município de Igarapé Miri (CODEMI),possui mais de duas centenas de cooperados, formados em 13 núcleos (Joarimbu, SãoLourenço, Boa Esperança, Alto KG, Anapu, Miritipucu Seco, Salento, Alto Miritipucu, SãoJorge, Ampresa, Mamagualzinho, Nova Aliança e a cidade), cada qual representado porcoordenadores. A CODEMI somente comercializa açaí e vende para a maioria das empresasdo Sindicato das Indústrias de Frutas e Derivados do Estado do Pará (Sindfruta). Acooperativa tem parceria com a UFPA – Centro Tecnológico de Empreendimento Popular eSolidário. Uma fábrica de polpa de açaí foi desativada em Igarapé Miri por causa da qualidadeda água. O açaí de Moju é quase todo consumido no próprio município e uma parte é levadopara Tailândia e Belém. A entrevista com o técnico da EMATER apontou que o “Projeto deAçaizal Nativo” representa 70% da fonte de renda da população ribeirinha, que gera empregoao longo de toda sua cadeia produtiva. Comparou que um açaizal manejado produz duas vezesmais que o não manejado. Se a média do não manejado por hectare é de 200 rasas/safra, a do 48
  • 54. manejado atinge até 500 rasas no mesmo período. No projeto de “Industrialização artesanaldo açaí” o vinho é de alto valor energético e aproveitado no preparo de mingaus, sorvetes,bolos, brigadeiros, cocadas, doces e licores. Toda produção do açaí manejado da várzea écomercializado no Porto do Pelé, localizado na área comercial de Moju, parte vai para IgarapéMiri (Coopfrut) e Acará. Os produtores ribeirinhos chegam com o açaí e vendem no portopara os batedores e alguns atravessadores que vendem principalmente para Belém. O principalproblema é o transporte para a comercialização. Na entressafra o açaí vem de áreas manejadasde Igarapé Miri. O açaí é o PFNM mais produzido na região, faz parte da alimentação diária dasfamílias de Moju que sofrem com a falta do produto na entressafra, porque o preço aumenta. 4.2.2 Cacau amêndoa a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do cacau amêndoa. Os agentes envolvidos na cadeia de comercialização do cacau (Figura 8), segundomaior produto não madeireiro identificado na RI Tocantins, apresentam as seguintesdenominações, considerando a abrangência para o âmbito local (os dez municípios), estadual(fora da RI Tocantins) e nacional (fora do estado do Pará e do Brasil). A seguir a descrição dos setores envolvidos na comercialização do cacau amêndoa: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: É a produção primária (ascendente) da agropecuária e extrativista dos dezmunicípios pesquisados que comercializam o cacau seco ou molhado; Varejo rural: São os pequenos atravessadores ou representantes de atacadistasestaduais que compram cacau seco ou molhado dos produtores locais e realizam obeneficiamento primário da amêndoa (fermentação e a secagem natural do fruto); Atacado: Trata-se dos comerciantes (atacadistas ou representantes de empresas detransformação nacional ou multinacional) que transacionam grandes quantidades de cacauseco e também, na maioria das vezes, realizam o beneficiamento primário da amêndoa(fermentação e a secagem natural do fruto) com o objetivo de armazenar o produto comqualidade; 49
  • 55. ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Atacado: Incluem os atacadistas que transacionam volumosas quantidades de cacauseco por meio de contratos com as maiores processadoras de cacau do Brasil, ou seja, do setorda indústria de transformação (multi) nacional; Indústria de transformação: São grandes empresas nacionais e multinacionais que sededicam na moagem da amêndoa extraindo a manteiga de cacau, líquor5, torta e o pó decacau, para depois serem vendidos para as indústrias chocolateiras, que os transformam juntocom outros ingredientes (principalmente açúcar e leite em pó) em chocolate; Varejo urbano: É a instância de comércio de varejo, situada fora do Estado que vendepara o consumidor nacional. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do cacau amêndoa. Nos dez municípios foram entrevistados vinte e sete agentes mercantis que atuam,em média, há vinte anos no ramo (variação de cinco a sessenta e seis anos), sendo que 26%deles atuam somente com cacau, 52% com cacau e o açaí fruto e os demais trabalham comoutros produtos (castanha, palmito, buriti, uxi, cupuaçu, andiroba, copaíba, artesanato e mel).Na descrição da capacidade instalada dos agentes mercantis entrevistados da região,identificou-se que 44% possuem local para armazenagem com capacidade média de 78m2(variação de 9 a 300 m2); 52% possuem transporte (57% barco com capacidade de uma a trêstoneladas, 14% canoa, 14% caminhão, 7% bicicleta e 7% trator); e como equipamento foiidentificado à utilização da balança por um agente. A mão-de-obra predominante é a familiarem 70% dos entrevistados, com equipe de até cinco pessoas; 3% deles possuem de seis a dezpessoas e 27% não informaram. Dos agentes entrevistados, oito pagam diária no valor de R$15,00 a R$ 20,00; sete referem-se à renda familiar e somente um deles paga salário. Emrelação ao período de trabalho, 63% atuam somente na safra, 18% trabalham o ano todo e osdemais não informaram. Os problemas identificados foram: baixa capacidade dearmazenagem e de transporte, perda de peso do produto, ataque de broca se o produto nãoestiver seco, falta de capital de giro e de investimentos a fim de melhorar a produção e aaquisição de equipamentos, a falta de energia para armazenagem e de assistência técnica parao manejo.5 O líquor de cacau é uma pasta grossa e viscosa, marrom-escura, quando se prensa obtém a manteiga e o pó de cacau (A NOTÍCIA, 2008). As porcentagens do chocolate dizem respeito à quantidade de líquor. 50
  • 56. Figura 8- Estrutura (%) da quantidade amostral do cacau amêndoa comercializada na RI Tocantins, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. A cadeia de comercialização do cacau consiste em canais simples, apresentandogargalo no atacado estadual (Figura 8). Existem apenas três tipos de intermediários queparticipam do escoamento da produção desde o produtor até o consumo final, são eles: ovarejo rural, o atacado local e o atacado estadual. Os atacadistas locais compram 62,3% dosprodutores e 17,7% do varejo rural e vendem 74,8% das amêndoas secas para os atacadistasestaduais e 5,3% diretamente para a indústria de transformação no âmbito nacional. O varejorural (atravessadores) compra 37% do total da produção identificada, sendo 17,7% destavendida para os atacadistas locais e 19,3% para os atacadistas estaduais (Figura 8). O setor atacadista estadual é caracterizado pela presença de grandes atravessadores,localizados na cidade de Santa Izabel e na Região Metropolitana de Belém, os quaisconstituem o elo principal entre os intermediários locais e as indústrias de transformaçãonacionais, por meios de acordos ou contratos de suprimento da matéria-prima do cacau, sendocaracterizado por um mercado dito oligopolista, ou melhor, aquele que determina os preços.Com isso, eles interagem com os setores locais para reunir quantidades suficientes para 51
  • 57. atender as maiores indústrias moageiras6. Dessa forma, a estrutura da cadeia decomercialização do cacau do estado do Pará não apresenta agroindústria para verticalizar aamêndoa dos dez municípios estudados, toda safra atende o mercado nacional, maisprecisamente da Bahia e de São Paulo. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do cacau amêndoa, no período de 2008 a 2009. Como o cacau é uma commodity tais preços são determinados pelo movimento dasduas principais bolsas internacionais (Nova York e Londres), apresentando assim um altoíndice de instabilidade, como pode ser observado na flutuação do preço, ao longo de 2008, nomercado internacional (Figura 09). Nesse contexto, os preços médios praticados pelosprincipais intermediários que são os atacadistas locais e os estaduais são vantajosos nosacordos de compra e venda do cacau.Figura 9- Variação de preço do cacau amêndoa no mercado internacional, com base na Bolsa de Nova York, 2008.Fonte: Bolsa de New York, 2008.Elaboração: IDESP. Os preços médios de compra de insumo (cacau), praticados pelos atacadistas locaiscom os produtores e com os atravessadores (varejistas rurais) são de R$ 3,80/kg e de R$4,14/kg, respectivamente, (Figura 10). Por outro lado, os preços de venda praticados pelosatacadistas locais são de R$ 4,05/kg com os atacadistas estaduais, sendo que com as indústriasde transformação nacional são de R$ 4,49/kg (Figura 10). Em relação aos atacadistas6 As principais empresas moageiras que compram o cacau dos dez municípios são a Cargill, ADM Cocoa (Archer Daniels Midland Company (Joanes), Barry Callebut, Nestlé e a Indústria e Comércio de Cacau Ltda. (Indeca). 52
  • 58. estaduais praticam-se preços de compra de insumo conforme os custos de transporte doproduto, pois a maior dificuldade é o escoamento da produção do campo até o armazémestadual. O preço de compra praticado por esse agente com os produtores locais foi em médiade R$ 3,64/kg, com os varejistas rurais de R$ 4,12/kg, com os atacadistas locais de R$4,05/kg e com outros agentes do mesmo setor chega a ser de R$ 4,98/kg (Figura 10). Notocante ao preço de venda, praticado por eles para as indústrias de transformação nacional,este é de R$ 5,50/kg.Figura 10- Preço médio do cacau amêndoa (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. O processo de beneficiamento primário do cacau visa a obter um produto finalconstituído de amêndoas fermentadas e secas com o mínimo possível de umidade. Assim, opreço de compra do cacau molhado (sem o beneficiamento primário) varia entre R$ 0,70/kg aR$ 1,00/kg e o preço de compra do cacau seco é de R$ 4,00/kg. O rendimento de cem quilosdo cacau molhado equivale a quarenta quilos de cacau seco (dados obtidos em campo). d) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização do cacau amêndoa. O VBPα dos produtores identificados nos dez municípios atingiu um patamar de R$8,4 milhões, enquanto que o VBP de todos os setores chega a R$ 88,6 milhões (Gráfico 5).Os setores que mais ofertam no âmbito local são o atacado, com R$ 7,2 milhões - e o varejo 53
  • 59. rural (atravessadores), com R$ 3,4 milhões. No âmbito estadual somente o atacadista com R$12,5 milhões. No nacional o VBP dos dois setores foi estimado, pois não houve entrevista. Noentanto, a presença da indústria de transformação (indústrias moageiras) apresentou um VBPestimado na ordem de R$ 23,4 milhões - e o varejo urbano, em R$ 33,9 milhões.Gráfico 5- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do cacau amêndoa da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) VAB - gerado na comercialização do cacau amêndoa e a margem de comercialização de cada setor (%). Na cadeia de comercialização do cacau foi agregado ao produto um valor de R$ 33,9milhões, subtraindo o VAB total (R$ 33,9 milhões) do VBP da produção local (R$ 8,4milhões) e dividindo o resultado pelo VBP da produção local, obtêm-se uma margem deagregação ou mark-up total de 305% (Gráfico 6). Do montante, o sistema local foi responsável por R$ 9,0 milhões, no qual o produtorconsegue agregar um valor de R$ 8,4 milhões com a comercialização da amêndoa seca,valorizando o produto em relação ao preço de venda (Gráfico 6). Melhor dizendo, o produtorrealiza na maioria das vezes o processo de beneficiamento composto por etapas básicas como:colheita, quebra do fruto, fermentação e secagem da amêndoa do cacau. Ainda localmentedestacam-se o atacadista e o varejista rural que agregam somente R$ 363,6 mil e R$ 283,6mil,respectivamente. 54
  • 60. Gráfico 6- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do cacau amêndoa da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. Em âmbito estadual, o setor do atacado agrega R$ 3,0 milhões com um mark-up de32% (Gráfico 6). A justificativa é a pequena margem de comercialização dos agentesestaduais devido à dependência do mercado internacional e a venda do produto com baixaagregação de valor, ou seja, o cacau é vendido em forma de amêndoas secas. Por outro lado, aindústria de transformação nacional agrega cerca de R$ 11,3 milhões o que justifica um mark-up de 95%. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do cacau amêndoa. Do somatório dos setores que compram e que também adicionam valor ao produtoforam movimentados no total um valor de R$ 88,6 milhões, o que equivale à renda brutagerada na comercialização do cacau, sendo o mercado (inter-) nacional responsável por 65%,o local por 21% e o estadual por 14% (Gráfico 7). 55
  • 61. Gráfico 7- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do cacau amêndoa, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. O setor que mais comprou cacau da RI Tocantins e adicionou valor ao produto foi ovarejo urbano nacional, com uma RBT do setor no montante de R$ 33,9 milhões. Destes, R$23,4 milhões referem-se ao valor pago pela compra dos insumos (cacau) e R$ 10,5 milhõesforam adicionados ao produto. Vale lembrar que esses valores são estimados para o varejourbano nacional, pois a pesquisa concentra esforços nas análises regionais. Outro setorimportante foi a indústria de transformação nacional com uma RBT de R$ 23,3 milhões,sendo R$ 12 milhões para a compra de insumos (valores obtidos pela presente pesquisa juntoao setor) e R$ 11,3milhões o valor adicionado (estimado) ao produto. Na RI Tocantins o atacado local gerou a renda bruta total do setor de R$ 7,2 milhões,pois comprou em insumos R$ 6,8 milhões e agregou muito pouco valor ao produto na ordemde R$ 363,6 mil (Gráfico 7). Assim como o setor do varejo rural local, o qual gerou umarenda bruta no valor de R$ 3,3 milhões, com a compra de cacau na ordem de R$ 3,1 milhões eadicionou apenas R$ 283,6 mil. A renda bruta do setor da produção local equivale ao valoradicionado que foi de R$ 8,4 milhões, valor este considerado alto, pois na maioria das vezes,vende o produto já beneficiado (amêndoas secas) para atender o mercado estadual e nacional.Na esfera estadual, o atacado comprou cacau no valor de R$ 9,5 milhões, adicionou apenasR$ 3 milhões e alcançou uma RBT no valor de R$ 12,5 milhões. Esse setor, na realidade, 56
  • 62. agrega pouco valor ao produto; porém compensa pelo grande volume transacionado por meiode contratos com as indústrias moageiras. O que se percebe na cadeia de comercialização do cacau dos dez municípios é que noâmbito estadual e local a comercialização tem baixa geração de renda, devido à concentraçãodo mercado atacadista (oligopolizado), o qual controla a demanda por insumos do mercadolocal e, por consequência, o preço de compra, que é determinado pelo mercado internacional,unido à falta da verticalização da cadeia do cacau no Estado. g) Informações complementares sobre a comercialização de cacau amêndoa. De acordo com o técnico da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira(Ceplac), em Cametá, existem seis mil hectares de cacau nativo, espalhados pelas ilhas devárzea, com destaque para as Ilhas de Mendaruçu, Mutuacá eTamanduazinho. O município deCametá já foi o maior produtor do Estado. A produção de cacau recebe destaque ainda no município de Baião, principalmentedevido ao declínio das plantações de pimenta. O processo de substituição da pimenta porplantios de cacau ocorreu de forma progressiva e com grande aceitação no mercado local. Ofruto vem sendo cultivado principalmente por comunidades ribeirinhas e comercializado nasede de Baião e em Cametá. Atualmente os plantios de cacau em Mocajuba vêm se destacando como um mercadoem ascensão, substituindo gradativamente os plantios de pimenta, que sofreram problemaspatológicos, falta de assistência técnica e queda na economia desse produto. A Secretaria Municipal de Agricultura de Mocajuba possui projetos de manejo docacau, os quais elevaram a produção em 2008, como também projetos de diversificação decultura, com o objetivo de substituir a pimenta pelo cacau de forma gradativa. Existem cercade 90 produtores cadastrados. Mocajuba possui relativa produção de cacau que é, geralmente, escoada diretamentepara outros estados da Federação, como São Paulo e Bahia. Segundo informações de agentesmercantis locais, esse comércio geralmente é firmado por meio de contrato entre a empresa deexportação e o agente mercantil local, com um alto grau de confiança, pois a empresa chega afazer adiantamentos a este, a fim de adquirir o produto, denominado “pagamento em folha”, oqual consiste num tipo de negociação em que o agente mercantil compra o produto que aindaestá sendo cultivado. Segundo o secretário municipal de agricultura, o cacau é considerado asegunda cultura mais plantada em Mocajuba, ficando apenas atrás da pimenta. O Banco do 57
  • 63. Brasil e o Banco da Amazônia financiaram oitenta e sete projetos entre os anos de 2005 a2008. A cacauicultura poderia ser mais explorada dentro do município de Mocajuba, mas areduzida assistência técnica inibe a atividade, pois a Ceplac, atualmente dispõe de apenas umatécnica para atender toda a demanda do Município. A Emater de Oeiras do Pará está incentivando os produtores a plantarem cacauvisando a melhorar a renda das famílias. A maioria do cacau de Limoeiro do Ajuru é nativo das ilhas. Atualmente osprodutores estão plantando cacau para repor os pés que morreram. A produção de cacau(sementes secas e molhadas) é vendida para atravessadores, os quais o comercializam emCametá e outros municípios. Na ilha de Saracá foram entrevistados diversos produtores eatravessadores de açaí e de cacau. Em Moju existem dez projetos de cacau como unidades demonstrativas de sistemasagroflorestais, de preparo da área e produção de mudas. 4.2.3 Palmito Na região de estudo o palmito é extraído do açaizeiro (Euterpe oleracea Mart.). a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do palmito. Nos dez municípios foram entrevistados dezenove agentes mercantis que atuam, emmédia, há dezesseis anos, no ramo do palmito (variação de tempo um a trinta e seis anos),sendo que 58% deles atuam somente com palmito e os demais trabalham com outrosprodutos, como com o açaí fruto, cacau, buriti, taperebá e andiroba. Na descrição dacapacidade instalada dos agentes mercantis, entrevistados da região, identificou-se que 47%possuem local para armazenagem do produto, com capacidade média de 64m2 – excluindoduas empresas que possuem armazéns bem maiores com 1.800m2 e 10.100m2; 68% possuemmeio de transporte (93% barco com capacidade entre duas a quinze toneladas e 7% caminhão)e; 63% possuem maquinário (esteira, estufa, caldeira, codificador, recravadeira, rotulador,datador, motosserra). A mão-de-obra com uma equipe de até cinco trabalhadores ocorre em53% dos agentes entrevistados; 16%, com seis a dez pessoas; 21%, com mais de dez pessoas eos demais não informaram. Em relação ao período de trabalho, 68% atuam o ano todo, 16%,somente na safra e os demais não informaram. Os problemas identificados foram: baixacapacidade de armazenagem na safra, necessidade de ampliar a capacidade de transporte, falta 58
  • 64. fiscalização nas fabriquetas ilegais, bem como necessidade de treinamento, qualificação ecapacitação para o manejo dos açaizais. Os agentes envolvidos na cadeia de comercialização do palmito na RI Tocantins(Figura 11) apresentam as seguintes características: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Constituído por extratores de palmito em áreas de açaizais nativos oumanejado; Varejo rural: São pequenos comerciantes que compram o palmito da produção local,conhecido regionalmente como “cabeça”, e são denominados atravessadores; Indústria de beneficiamento: São empresas que realizam o processamento industrialdo palmito em conserva. Nesse setor existem dois tipos de estruturas de empresasprocessadoras na região: a) As “fabriquetas”, operadas por moradores locais e situadas àsmargens dos rios dos dez municípios estudados, as quais operam como “produtoras exclusivasterceirizadas” para empresas, as quais fornecem o capital de giro, os produtos químicos para aconservação do produto (ácido cítrico) e os potes (vidros e latas) para embalagem. b) Asagroindústrias, normalmente Filiais situadas nas áreas urbanas da RI Tocantins, as quaistambém operam com o capital de giro de empresas exportadoras e distribuidoras, que são as“Matrizes”, que possuem diversas marcas, localizadas no estado do Pará ou fora dele; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Indústria de beneficiamento: São agroindústrias que realizam o processamentoindustrial do palmito em conserva. Comercializam com diversas marcas, tanto no mercadoexterno como no mercado interno, onde contam com uma rede de representantes em váriospontos do Brasil; Varejo urbano: Formado por atravessadores de palmito in natura (cabeças), os quaisvendem para indústrias de beneficiamento estadual ou a comerciantes (supermercados), quevendem o palmito em conserva diretamente para os consumidores estaduais; NACIONAL (Fora do Estado do Pará) Atacado: São comerciantes que transacionam volumosas quantidades de palmito emconserva; Varejo urbano: Formado instâncias de comércio de varejo situadas fora do Estado eque transacionam o palmito em conserva para o consumidor nacional. 59
  • 65. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do palmito. A cadeia de comercialização do palmito, identificada na presente pesquisa, éconstituída por vários níveis de canais de distribuição. Do total da produção da regiãoidentificada, 84% são vendidos diretamente para o setor da indústria de beneficiamento local,que por sua vez comercializa em torno de 56% para o setor do varejo urbano nacional, 34%vai para o setor atacadista nacional, composto pelas empresas matrizes e 9% para o setor debeneficiamento estadual, que constituem no repasse da produção das empresas filiais parasuas matrizes localizadas fora da região (Figura 11).Figura 11- Estrutura (%) da quantidade amostral do palmito comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. Do total da produção local, 15% do palmito in natura é adquirido como insumo pelosatravessadores locais (varejo rural), os quais revendem quase tudo para as fabriquetas(Indústria de Beneficiamento local). Nas fabriquetas, após o processamento do palmito, aslatas e os vidros são embalados em caixas e enviados de barco a uma empresa de distribuiçãoem Belém. A rotulagem acontece na fabrica matriz, com vários rótulos representando diversasmarcas. Percebe-se claramente que o palmito da RI Tocantins vai quase todo para o mercadonacional. As populações ribeirinhas não têm hábito e nem tradição de comer palmito. Muitopouco fica na esfera estadual (0,2%). 60
  • 66. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do palmito, no período de 2008 a 2009. A produção local vende a R$ 1,49/Kg para a indústria de beneficiamento local; a R$2,63/Kg para a indústria de beneficiamento estadual; a R$ 2,70/Kg para o varejo rural e a R$2,99/Kg para o varejo urbano estadual (Figura 12). O setor da indústria de beneficiamentolocal do palmito compra-o a um preço de R$ 1,49/Kg da produção, a R$ 3,11/Kg do varejorural e a R$ 6,05/Kg de outras indústrias de beneficiamento do setor local – as quais, por suavez, vendem-no a R$ 6,70/Kg para a indústria de beneficiamento estadual, a R$ 3,90/Kg parao atacado nacional e a R$ 7,58/Kg para o varejo urbano nacional (Figura 12).Figura 12- Preço médio do palmito (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. Essas indústrias de beneficiamento estaduais vendem a R$ 7,56/Kg para o varejourbano estadual e a R$ 16,54/Kg para o varejo urbano nacional (Figura 12). A transaçãocomercial que obtém maior diferença entre o preço de compra com o valor de venda foi o doatacado nacional, que compra palmito já envasado da indústria de beneficiamento doTocantins a um valor de R$ 3,90/Kg e vende a R$ 25,08/Kg para o varejo urbano nacional(Figura 12). d) VBP pela ótica da oferta, na comercialização do palmito. 61
  • 67. O VBPα dos extratores de palmito da produção local, identificado nos dez municípiosatingiu um patamar de R$ 221,4 mil – da indústria de beneficiamento local foi de R$ 805,9mil e do varejo rural local, de R$ 62,7 mil; enquanto que o VBP de todos os setores queofertam na cadeia do palmito foi de R$ 5,1 milhões (Gráfico 8). Em relação aos R$ 235,1 mil gerados na venda do palmito no estado do Pará (5% dototal gerado), os setores que se destacaram foram a indústria de beneficiamento estadual, cujovalor foi na ordem de R$ 225,9 mil, bem como o setor do varejo urbano estadual com apenasR$ 9,2 mil (Gráfico 8). No mercado nacional foram gerados R$ 3,7 milhões na venda dopalmito fora do Estado, representando 74% do total gerado, sendo que o varejo urbanonacional foi o principal setor responsável pelas vendas com R$ 2,6 milhões e o atacadonacional, com R$ 1,1 milhões, sendo esses valores estimados, pois a pesquisa não entrevistoutais setores (Gráfico 8).Gráfico 8- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do palmito da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) VAB - gerado na comercialização do palmito e a margem de comercialização de cada setor (%). Ao longo da cadeia de comercialização do palmito foi agregado o valor total de R$2,6 milhões (Gráfico 9), que significa uma margem de agregação ou mark-up total de1.093%, subtraindo o VAB total (R$ 2,6 milhões) do VBP da produção local (R$ 221,4 mil) edividindo o resultado pelo VBP da produção local. 62
  • 68. Do total do VAB, o sistema local foi responsável por R$ 810,9 mil, sendo a indústriade beneficiamento local o setor com maior participação, com R$ 581,5 mil; a produção localcom um valor de R$ 221,4 mil, pois o extrator realiza o primeiro processamento do palmito,com o corte e retirada das bainhas e o setor varejista rural com apenas R$ 8,1 mil (Gráfico 9).O setor da indústria de beneficiamento estadual teve maior participação no âmbito estadualcom R$ 142,3 mil somente, pois a agregação desse setor é realizada pelas filiais localizadasnos dez municípios. O setor que mais demandou palmito da RI Tocantins e adicionou valor aoproduto foi o atacado nacional, com R$ 940,0 mil e o varejo urbano nacional com R$ 743,0mil, ressaltando que esses valores são estimados por fontes secundárias e também porentrevistas realizadas pela equipe no âmbito estadual (Gráfico 9).Gráfico 9- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do palmito da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. O setor com a maior margem de agregação na comercialização foi a indústria debeneficiamento local, com 259% (Gráfico 9), justificado pelo poder de mercado que essesetor detém na compra de insumo (palmito in natura). Em segundo lugar está à indústria debeneficiamento estadual, com 170%, devido à compra de produtos acabados de suas filiais oude fabriquetas, bem como pelo preço baixo de compra de insumos dos atravessadores. f) RBT- gerada pela ótica da demanda, na comercialização do palmito. 63
  • 69. A comercialização do palmito gerou uma RBT de R$ 5,1 milhões, dos quais 21%foram movimentados nos dez municípios estudados, apenas 5% na esfera estadual e 74% noâmbito nacional (Gráfico 10). Na região pesquisada, o setor da indústria de beneficiamentolocal gerou a maior renda bruta na ordem de R$ 805,9 mil, pois comprou de insumos cerca deR$ 224,4 mil e agregou valor na ordem de R$ 581,5 mil. O varejo rural local foi responsávelpela renda bruta total de R$ 62,7 mil, visto que comprou de insumo o palmito in natura porR$ 54,6 mil e adicionou o montante de R$ 8,1 mil.Gráfico 10- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do palmito, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. Na esfera estadual, o setor da indústria de beneficiamento atingiu uma RBT no valorde R$ 225,9 mil, dos quais R$ 83,6 mil equivalem à compra dos insumos (palmito in natura)e R$ 142,3 mil ao valor adicionado na comercialização do palmito envasado Gráfico 10). Noâmbito nacional, o VBP dos dois setores foi estimado, já que não houve entrevistas. Noentanto, a renda nacionalmente gerada foi estimada em R$ 3,7 milhões. g) Informações complementares sobre a comercialização do palmito. Nos últimos anos diversas agroindústrias de palmito de açaí em Cametá foramfechadas por causa da exploração da cultura sem plano de manejo. Já em Abaetetuba, durante 64
  • 70. a entressafra do açaí fruto, é feito o manejo dos açaizais, com a retirada dos estipes maisvelhos e o aproveitamento para a extração do palmito (parte terminal). O município de Oeiras do Pará possui uma agroindústria de palmito, que há poucotempo foi regularizada e envia a produção para Belém. Existe uma fabriqueta de palmitoirregular que está concorrendo com a empresa citada. Em Limoeiro do Ajuru, existe uma fábrica de beneficiamento de palmitofuncionando há quinze anos, gerando trabalho e renda aos moradores, contudo não há umafiscalização dos órgãos competentes no que diz respeito à origem e a qualidade do produto.Essa fábrica compra palmito dos produtores locais, beneficia o palmito, embala e manda paraBelém na embarcação que faz transporte de passageiros e cargas. Já em Belém, os potes elatas são rotulados e vendidos para vários Estados. O palmito surgiu na década de 70 em Igarapé-Miri, quando o potencial era a cana-de-açúcar7 e o arroz. Na entressafra do açaí, a coleta dos frutos é feita de maneira racional, unidaao manejo para a extração do palmito. Na Vila Maiauatá, existe uma fábrica de palmito degrande porte que compra o palmito das fabriquetas localizadas dentro das ilhas, gerando rendapara as famílias ribeirinhas e emprego para a população local. A fábrica é fiscalizadaanualmente, o que não ocorre com as fabriquetas, que prejudicam a comercialização dasagroindústrias. As famílias que trabalham na produção manual do palmito desejam entrar nalegalidade, entretanto, afirmam existir muita burocracia, além de não haver financiamentonem assistência técnica. Citam ainda, que o palmito era extraído de forma predatória, porém,nos últimos anos, os produtores têm procurado trabalhar de maneira sustentável, retirando-ode plantas oriundas do desbaste praticado para o aumento do fruto do açaí (manejo dosaçaizais). Segundo produtores da região, o controle de qualidade e a fiscalização nasfabriquetas são os gargalos na produção de palmito. 4.2.4 Castanha-do-brasil a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da castanha-do-brasil. Nos dez municípios foram entrevistados sete agentes mercantis que atuam, emmédia, há vinte e cinco anos no ramo (variação de tempo de atividade no ramo de vinte atrinta anos), sendo que 14% trabalham somente com a castanha, 71% deles atuam comcastanha e cacau e 14% com castanha e mel. Na descrição da capacidade instalada dos7 Existiam cerca de dez alambiques em Vila Correia. 65
  • 71. agentes mercantis entrevistados da região, identificou-se que 71% possuem local paraarmazenagem com capacidade média de 68m2 (variação de 7 a 160 m2) e 43% possuemtransporte (três caminhões, um trator e uma bicicleta). A mão-de-obra predominante é aremunerada por diária, em 57% dos entrevistados, com uma equipe de uma a duas pessoas;28% deles pagam salário no período de safra (duas e três pessoas). Os problemas identificadosforam: baixa capacidade de armazenagem falta de investimentos para melhorar a produção,falta capital de giro, produção de mudas selecionadas e assistência técnica. Os agentes envolvidos na cadeia de comercialização da castanha-do-brasil (Figura13) na RI Tocantins apresentam as seguintes características: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Incluem os extratores efetuam a coleta e a quebra dos ouriços, liberandoas sementes para serem comercializadas; Varejo rural: Constituído por agentes (ou representantes), localizados no interior dosdez municípios, os quais possuem contratos com empresas de beneficiamento estadual e quecompram a castanha-do-pará em forma de sementes diretamente dos castanheiros; Indústria de beneficiamento: É a empresa que realiza o processamento industrial dacastanha. Os procedimentos e equipamentos utilizados são segredos de cada indústria. Asprincipais etapas são: armazenagem adequada, limpeza, secagem, separação (ou seja, aclassificação da semente), cozimento, descascamento a fim de obter a amêndoa,acondicionamento em embalagens aluminizadas e fechados a vácuo, organizadas em caixasde papelão, para então serem embarcadas para atender o mercado; Indústria de transformação: É uma unidade de transformação da produção local. Aempresa compra a amêndoa já beneficiada da indústria de beneficiamento local e transformaem biscoitos e mistura para mingau. Conta com mão-de-obra especializada e máquinas eequipamentos que permitem uma produção de três toneladas ao dia; Atacado: Formado por dois tipos diferentes de agentes: i) os comerciantes(atacadistas, representantes de empresas), localizados nas sedes dos dez municípios, queadquirem grandes quantidades de castanha do varejo rural (e/ou do produtor) por meio deacordos com as indústrias de beneficiamento estadual; ii) prefeituras dos dez municípios queadquirem os produtos finais de castanha (biscoito ou farinha) para a merenda escolar; Varejo urbano: Composto por feirantes e comerciantes varejistas que comercializama castanha na forma de semente para o consumidor final local; 66
  • 72. ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Indústria de beneficiamento: São as unidades de beneficiamento, situadas no âmbitoestadual, as quais realizam o processamento industrial da castanha. A presente pesquisa nãoconseguiu informações sobre os procedimentos e equipamentos utilizados no beneficiamento,considerados segredos de empresa. Esse fato é justificado pelo setor ser oligopolizado; NACIONAL (Fora do Estado do Pará) Varejo Urbano: Constituído pelos comércios varejistas, situados fora do Estado. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da castanha-do-brasil. A cadeia de comercialização da castanha é típica de uma economia de oligopólio,pois é comandada por um número muito reduzido e tradicional de empresas que controlam omercado. O principal canal de comercialização da castanha é formado pelo setor da indústriade beneficiamento local, o qual compra 63,5% da produção local (Figura 13); vende 62,5%para a indústria de beneficiamento estadual (localizada na Região Metropolitana de Belém),que por sua vez compra mais 16% do varejo rural e 19% do atacado local e, em seguida,vende quase toda a produção de castanha do Tocantins (98%) para o varejo urbano nacionalaté chegar ao consumidor nacional. Fica para o consumidor local apenas 2% de toda aprodução dos dez municípios. 67
  • 73. Figura 13- Estrutura (%) da quantidade amostral da castanha-do-brasil comercializada na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia da castanha-do-brasil, no período de 2008 a 2009. Os preços praticados na cadeia da castanha também apontam o poder das empresasde beneficiamento em definir o preço do produto in natura, que chega a ser vendido peloprodutor local a R$ 0,91/kg para o atacado local, a R$ 1,10/kg tanto para o varejo rural quantopara a indústria de beneficiamento local (Figura 14). 68
  • 74. Figura 14- Preço médio da castanha-do-brasil (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. O setor da indústria de beneficiamento estadual compra do varejo rural a R$ 1,30/kg;do atacado local, a R$ 1,32/kg e da indústria de beneficiamento local, a R$ 4,25 após fazertodas as etapas do beneficiamento na fábrica, vende ao preço de R$ 17,00/kg a amêndoa secapara o varejo urbano nacional (Figura 14). Convém lembrar que todos os preços aquidescritos, para todos os setores, foram convertidos para a unidade de R$ correntes porquilograma de amêndoas secas da castanha-do-brasil. d) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização da castanha-do-brasil. Somando todos os valores recebidos pela venda da castanha por todos oscastanheiros dos dez municípios estudados, ou seja, o VBPα dos produtores locais foi desomente R$ 729,9 mil, totalizando no final da cadeia (soma de todos os setores que ofertamna cadeia de comercialização da castanha) em R$ 29,2 milhões (Gráfico 11). Do total do VBP, R$ 3,2 milhões pertence à região estudada; R$ 11,3 milhões, aoâmbito estadual e R$ 14,7 milhões ao nacional. Os setores que mais ofertam nos dezmunicípios são, portanto, a indústria de beneficiamento (R$ 1,9 milhões), o atacado (R$ 332,4mil), a indústria de transformação (R$ 162,5 mil) e o varejo rural (R$ 143,9 mil). O sistema 69
  • 75. estadual participa com 39% do VBP, sendo o único setor ofertante; a indústria debeneficiamento no montante de R$ 11,3 milhões (Gráfico 11).Gráfico 11- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da castanha-do-brasil da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) VAB - gerado na comercialização da castanha-do-brasil e a margem de comercialização de cada setor (%). Ao longo da cadeia até a demanda final, o valor de R$ 14,7 milhões (VAB) foiadicionado ao produto, correspondendo à margem ou mark-up total de 1.942%. A castanhafoi, dentre os produtos florestais não madeireiros pesquisados, a que gerou a maior agregaçãode valor ao longo da cadeia de comercialização. A indústria de beneficiamento local teve maior participação no valor agregado local(R$ 1,4 milhões) com um mark-up de 295% (Gráfico 12), sendo que o setor da indústria detransformação participou com somente R$ 92,9 mil, porém obteve uma margem significativade 134%. No âmbito estadual somente o setor indústria de beneficiamento agrega R$ 9,1milhões, o que justifica o mark-up de 436%. Esse setor é composto por empresasbeneficiadoras de castanha, localizadas na Região Metropolitana de Belém, sendo todaspertencentes à mesma família tradicional do setor no estado do Pará. 70
  • 76. Gráfico 12- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização da castanha-do-brasil da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização da castanha-do-brasil. A pesquisa de campo identificou que a RBT para a comercialização da castanha-do-brasil nos dez municípios estudados foi de R$ 29,2 milhões. O sistema nacional foiresponsável por 50% dessa renda bruta, seguido pelo sistema estadual com 39% e pelo localcom somente 11% (Gráfico 13). A maior demanda por castanha local é exercida pelasempresas (indústria de beneficiamento estadual) com exercício de poder de oligopsônio(pequeno número de empresas compradoras de um dado produto) nas aquisições de castanha.Com a habilidade de pagar, por um insumo, preços menores do que o preço que seria pagonum mercado competitivo, mantendo lucros econômicos em longo prazo justifica-se então R$2,1 milhões em compra de insumos e R$ 9,1 milhões ao valor adicionado (Gráfico 13). Na região dos dez municípios estudados foi gerada uma renda bruta total de R$ 3,2milhões. A indústria de beneficiamento local gerou uma renda bruta no valor de R$ 1,8milhão, sendo R$ 472,1 mil, na compra de insumos (em forma de sementes) e R$ 1,4 milhão,adicionados ao produto. A indústria de transformação local foi responsável pela renda brutade R$ 162,4 mil, pois comprou de insumo a amêndoa de castanha já beneficiada da indústriade beneficiamento local por R$ 69,5 mil e adicionou o montante de R$ 92,9 mil (Gráfico 13). 71
  • 77. Gráfico 13- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da castanha-do-brasil, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. g) Informações complementares sobre a comercialização da castanha-do-brasil. Cametá possui uma área extensa com castanheiras, a qual está em plena produção,localizada na área periurbana. Uma empresa de processamento de castanha iniciou no ramo hádezesseis anos, usando castanha em misturas para merenda escolar, passou por váriasdificuldades, ficou parada por seis anos e, mais recentemente, voltou à atividade. A mão-de-obra é formada por uma cooperativa de quebradores de castanha, os quais recebem pelaprodução e trabalham no período de abril a agosto. O processamento da castanha envolvesecagem, quebra seleção das amêndoas (quebradas e inteiras), secagem, e fechamento a vácuo(uso de N2 para aumentar a durabilidade). Os tipos de classificação das amêndoas são:miudinha, miúda, pequena, média (mais vendida), extra, média, grande (mais valorizada),ferida e a quebrada. A empresa utiliza a casca da castanha como insumo energético. Existedestino para o rejeito, com o reaproveitamento do excedente. O resto é triturado e doado paraa comunidade utilizar como adubo. A empresa realiza tratamento da fumaça (sem fuligem). Acapacidade de processamento da empresa é de vinte e cinco mil hectolitros. O volume de umhectolitro equivale a cinquenta e um quilos, e a cada 2 a 2,5 hectolitros têm-se a produção devinte quilos de castanhas para consumo. A castanha vai para o mercado externo e volta já 72
  • 78. beneficiada para o mercado doméstico. A empresa conta com uma técnica de manipulação dealimentos. No estado do Pará existem poucas indústrias familiares que comercializam acastanha, como a dos Mutran, dos Abraão (Oriximiná) e dos Florenzano (Óbidos). A castanha possui um significado especial para os moradores de Baião, pois nopassado existiam muitas castanheiras na região, sendo que por muitos anos foi a principalrenda familiar local. Seu fruto foi muito explorado e ainda hoje existem pessoas que vivem dacompra e da venda da castanha. 4.2.5 Cupuaçu a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do cupuaçu. Nos dez municípios foram entrevistados dezenove agentes mercantis, os quais atuam,em média, há doze anos no ramo (variação de tempo de atividade no ramo de dois a trintaanos), sendo que 37% deles atuam somente com o cupuaçu e 63%, com outros produtos comoo açaí fruto, a bacaba, o bacuri, o taperebá, o mel, o cacau e o muruci. Nenhum possui localpara armazenagem, 21% possuem transporte (quatro bicicletas e uma moto); sendo que 37%possuem alguns equipamentos (seis freezers, duas despolpadeiras de açaí e dois seladores). Amão-de-obra predominante é a familiar caracterizada em 90% das entrevistas, com equipemédia de três pessoas, sendo que 5% deles pagam diárias no valor de R$ 20,00 e 5% pagamsalário. Em relação ao período de trabalho, 42% trabalham o ano todo, 26% somente na safra,e os demais não informaram. Os problemas identificados foram: baixa capacidade dearmazenagem, a falta de investimentos para aquisição de equipamentos para despolpar, quedade energia para conservar produto, falta de capital de giro e assistência técnica para o manejo. Os agentes envolvidos na cadeia de comercialização do cupuaçu (Figura 15) secomportam de forma semelhante nos municípios estudados, considerando a abrangência parao âmbito local (os dez municípios), estadual e nacional (ou fora do Estado). A seguir a descrição dos setores envolvidos na cadeia de comercialização do açaí: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: É composta por agentes responsáveis pela oferta do produto in natura, quesão provenientes de cultivos ou de ocorrência natural. Em alguns casos os produtores realizambeneficiamento primário (despolpamento dos frutos feito com tesoura) para a obtenção demelhor preço de venda; 73
  • 79. Varejo rural: Constituído por “Atravessadores”, que são pequenos comerciantes quecompram o cupuaçu in natura ou polpa dos produtores. A maioria deles faz o despolpamentoe vende para diferentes agentes; Indústria de beneficiamento: Formado por comerciantes que fazem o beneficiamentoprimário, com mão-de-obra familiar e também agroindústrias que realizam a primeiraagregação de valor ao cupuaçu in natura; Varejo urbano: Incluem os pequenos comerciantes que transacionam o fruto innatura ou na forma de polpa e vendem para o consumidor final local; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Indústria de beneficiamento: São as agroindústrias, localizadas no âmbito estadual,que realizam a primeira agregação de valor ao cupuaçu in natura, ou seja, fazem a produçãode polpa e vendem diretamente para o consumidor final estadual; Indústria de transformação: São as unidades de transformação da produção,composta por lanchonetes e restaurantes que adquirem polpa de cupuaçu e as transformam emdiferentes produtos finais, como sucos, vitaminas, sorvetes, entre outros; Atacado: Constituído por dois tipos de agentes nesse setor, formado poratravessadores, os quais comercializam a polpa do fruto para o consumo estadual e o agenteconstituído pela Conab, que atua no PAA, do MDS, que compra a polpa e o xarope, os quaissão repassados para a merenda escolar e as instituições ligadas ao programa; Varejo urbano: É o setor de comércio varejista (feirantes e supermercados), situadosno âmbito estadual, que comercializam o cupuaçu de várias formas (in natura, em polpa ouem forma de outros produtos finais). b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do cupuaçu. Nos dez municípios foram entrevistados dezenove agentes mercantis que atuam, emmédia, há dezesseis anos no ramo (variação de tempo de atividade no ramo de dois a trintaanos), sendo que 37% deles atuam somente com o cupuaçu e os demais trabalham com outrosprodutos. Na descrição da capacidade instalada dos agentes mercantis entrevistados da regiãoidentificou-se que nenhum possui local para armazenagem do produto; 21% possuemtransporte (bicicleta e motocicleta); 37% possuem maquinário (nove freezers e duasseladoras). A mão-de-obra familiar predomina em 79% dos entrevistados, com equipe atécinco pessoas. 5% deles possuem de seis a dez pessoas, sendo que 16% não informaram. Em 74
  • 80. relação ao período de trabalho, 26% trabalham somente durante a safra; 42% trabalham o anotodo e os demais não informaram. Os problemas identificados foram: baixa capacidade deresfriamento e falta de estrutura para a armazenagem das polpas. Alguns alugam freezers paraa estocagem. Os canais de comercialização do cupuaçu, identificados nos dez municípios,caracterizam-se por canais complexos, pois abrangem vários níveis de agentes intermediáriosentre a produção local até o consumidor final (Figura 15). O principal canal de comercialização do cupuaçu, identificado com maioresquantidades é composto pelo setor da indústria de beneficiamento local, a qual comercializa57% da quantidade do fruto. Compram exclusivamente de produtores os frutos in natura,vendem em torno de 5% para o varejo urbano nacional, 13,6% para o varejo urbano estadual e38% para o atacado estadual (Conab), que, por sua vez, repassa para o consumidor local(Figura 15). O setor da indústria de transformação estadual (lanchonetes, restaurantes,sorveterias, entre outros; localizados na Região Metropolitana de Belém) têm preferênciapelas polpas obtidas por meio do beneficiamento primário.Figura 15- Estrutura (%) da quantidade amostral do cupuaçu comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. Durante a safra do cupuaçu, ocorre a comercialização direta da polpa entre oprodutor local e o setor do varejo urbano (feirantes) local e estadual (2,4%). Além disso, o 75
  • 81. produtor comercializa diretamente para o consumidor local e estadual, na maioria das vezes, ofruto in natura (Figura 15). Os atacadistas estaduais possuem dois canais distintos de comercialização docupuaçu: i) em forma de polpa, adquirida pela Conab e repassada diretamente para o consumidor local (Escolas e instituições ligadas ao PAA); ii) somente em forma de polpa, que comercializam para o varejo urbano estadual. Os varejistas rurais (atravessadores) adquirem 27% da produção identificada evendem 20% para o varejo urbano local, 1% para o consumidor local e 5,8% para diversosagentes no âmbito estadual (Figura 15). Uma característica comum, portanto, entre osatravessadores rurais envolvidos na cadeia de comercialização do cupuaçu local é a realizaçãodo beneficiamento primário do fruto na forma de polpa. O sistema de comercializaçãoconsiste na compra do fruto in natura dos produtores dispersos e a comercialização da polpado fruto, podendo destacar-se também que existe a compra na forma de polpa preparada pelospróprios produtores locais visando a melhores preços de venda. Dessa forma, obeneficiamento manual do cupuaçu nos dez municípios consiste na quebra dos frutos, naseparação da polpa das amêndoas com tesoura, na selagem da embalagem e no congelamentoda polpa. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do cupuaçu, no período de 2008 a 2009. O preço médio de compra do insumo (cupuaçu), praticado pelas indústrias debeneficiamento locais com os produtores foi de R$ 1,12/un. (Figura 16). Os preços de vendapraticados pelas indústrias de beneficiamento locais são: R$ 1,67/ un. para o consumidorlocal; R$ 2,09/ un. para o atacado estadual; R$ 1,21/ un. com os varejistas urbanos estaduais;R$ 5,17/ un. para os consumidores estaduais e com o varejo nacional o preço médio é de R$1,33/ un. (Figura 16). O varejo rural compra da produção a R$ 0,98/ un. e vende para ossetores estaduais a preços que variam de R$1,17 a R$ 1,20/ un., enquanto que no âmbito localvende a R$ 1,65 e R$ 2,67/ un.. Os varejistas estaduais praticam vários tipos de preço de compra de insumoconforme os custos de transporte do produto, pois a maior dificuldade é o transporte da polpa.O preço de compra praticado por esse agente com os produtores locais é em média de R$0,86/ un.; com os varejistas rurais é R$ 1,20/ un.; com as indústrias de beneficiamento locais éde R$ 1,21/ un. e com o atacado estadual chega a R$ 1,50/ un. (Figura 16). 76
  • 82. Figura 16- Preço médio do cupuaçu (R$/un.) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. Os preços médios de venda de insumo, praticados pelos produtores locais docupuaçu, oscilam entre R$ 0,51/ un. e R$ 1,78/ un., em função da forma de comercializar ofruto (isto é, cupuaçu in natura ou polpa), pelo processo rústico de beneficiamento, pela faltade capacidade de armazenagem (a maioria limitando o beneficiamento e a venda somente nasafra) e pela falta de infraestrutura adequada para o escoamento da produção (Figura 16). d) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização do cupuaçu. O VBPα do setor produtivo do cupuaçu da região estudada alcançou R$ 1,3 milhão; oda indústria de beneficiamento local foi de R$ 1,2 milhão, o do varejo urbano local foi de R$542,1 mil e o do varejista rural foi de R$ 517,3 mil; gerando no âmbito local um total de R$3,6 milhões nas vendas do cupuaçu, o que representa 69% do total do Valor Bruto gerado nacadeia de comercialização (Gráfico 14). Na esfera Estadual foram gerados R$ 1,5 milhão pelaoferta do cupuaçu, representando 29% do montante dos setores que mais ofertaram, como oatacadista, com R$ 1 milhão e o varejista urbano, com R$ 428,4 mil. 77
  • 83. Gráfico 14- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do cupuaçu da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) VAB - gerado na comercialização do cupuaçu e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB total foi de R$ 2,3 milhões ao longo da cadeia do fruto, correspondendo àmargem de agregação ao cupuaçu ou mark-up total de 74% (Gráficos 15). Do total do valoradicionado na cadeia, a partir da produção primária, o sistema local teve maior participação,com 93%; o sistema estadual, com 6% e o nacional somente com 1% (Gráfico 15). O sistemalocal, portanto, agrega R$ 2,1 milhões, destacando-se o papel dos produtores com maiorparticipação, pois conseguem agregar valor equivalente a R$ 1,3 milhão, realizando obeneficiamento primário com o despolpamento dos frutos feito com tesoura, para obtenção deum melhor preço de venda. Os atravessadores (varejo rural) também apresentam um mark-upalto de 67%, porém adicionam pouco no montante de R$ 206,9 mil, pois compram, na maioriadas vezes, por preço baixo o cupuaçu já beneficiado (polpa) dos produtores locais (Gráfico15). 78
  • 84. Gráfico 15- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do cupuaçu da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. Outro setor que apresenta também uma participação considerável na agregação devalor é a indústria de beneficiamento local, os quais adicionam um valor de R$ 469,6 mil, oque justifica o mark-up de 63% (Gráficos 15). A participação do sistema estadual naagregação de valor foi de somente R$ 131,9 mil, com destaque para o varejo urbano queadiciona R$ 117,0 mil e apresenta um mark-up considerável de 38%. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do cupuaçu. O resultado da alta margem de comercialização no sistema local justifica o montantede Renda Bruta total gerada nos dez municípios na ordem de R$ 3,6 milhões, representadopor 69% do total gerado pela cadeia (Gráfico 16). O setor da produção local gerou a maior renda (R$ 1,3 milhão) comparada aosdemais setores, pois realizam o beneficiamento primário do fruto, que torna a comercializaçãorentável. A indústria de beneficiamento gerou R$ 1,2 milhão de renda localmente, poiscomprou R$ 750,5 mil de insumo e agregou R$ 469,6 mil ao produto, sendo esta compostapor comerciantes e uma cooperativa de mini e pequenos produtores. Observa-se que noâmbito estadual o setor que mais gerou renda (R$ 1 milhão) foi o atacadista, sendo o maiordemandante de polpa de cupuaçu do sistema local, evidenciando o consumo alto no mercado 79
  • 85. estadual. Apesar de ser em pequena quantidade, o cupuaçu está entrando no mercado nacionalvia varejo urbano.Gráfico 16 - RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do cupuaçu, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. g) Informações complementares sobre a comercialização do cupuaçu. No município de Acará, quando os produtores de cupuaçu não conseguem vender,deixam o fruto se estragar pela dificuldade em escoar a produção, em função da estrada queliga Oeiras a Cametá estar praticamente intrafegável. No município de Limoeiro do Ajuru, a empresa de cosméticos prometeu comprar dosprodutores quatro mil quilos por ano de sementes de cupuaçu seca. Diversos agricultores do município de Igarapé-Miri vendem polpa de cupuaçu nascomunidades próximas das estradas mais movimentadas. 4.2.6 Carvão a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do carvão. Nos dez municípios foram entrevistados trinta e seis agentes mercantis que atuam,em média, há oito anos no ramo (variação de tempo de atividade no ramo de um a vinte e dois 80
  • 86. anos), sendo que 83% deles atuam somente com carvão, 11% com o açaí fruto e 6% comoutros produtos (artesanato e breu-branco). Na descrição da capacidade instalada dos agentes mercantis entrevistados da região,identificou-se que apenas 36% possuem local para armazenagem com capacidade média de39m2 (variação de 4 a 250 m2); 16% possuem transporte (três canoas, dois barcos, umabicicleta e um trator). A mão-de-obra predominante é a familiar em 42% dos entrevistados,com uma a cinco pessoas, sendo que 11% deles pagam diárias ou salários também a uma ou acinco pessoas. Destaca-se que 47% não forneceram informações. Os problemas identificados foram: baixa capacidade de armazenagem, a falta capitalde giro, carência de investimentos para melhorar a produção, adquirir equipamentos, falta detransporte e dificuldade de legalizar a origem da madeira. Os agentes mercantis do carvão (Figura 17), identificados na região apresentam asseguintes características: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Constituído por grandes e pequenos produtores de carvão vegetalespalhados nos dez municípios; Varejo rural: São os comerciantes (ou atravessadores) ou representantes de empresas,os quais comercializam o carvão; Varejo urbano: Trata-se de um setor de comércio varejista composto por feirantes esupermercados, situado no âmbito estadual, que comercializa o carvão para o consumo local; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Atacado: Formado por comerciantes que comercializam diretamente o carvão com osetor siderúrgico estadual; Consumidor final: São as empresas produtoras de ferro gusa, as quais necessitamcomprar uma grande quantidade de carvão vegetal, utilizado como insumo energético e comocomponente do processo de produção do ferro gusa. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do carvão. Os canais de comercialização do carvão, identificados nos dez municípiospesquisados se caracterizam por canais simples, os quais apresentam apenas três setoresintermediários que são o varejo rural, o varejo urbano local e o atacado estadual, os quaiscomercializam diretamente com os consumidores locais e estaduais, nesse caso as guseiras(Figura 17). 81
  • 87. Figura 17- Estrutura (%) da quantidade amostral do carvão comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. Os varejistas rurais compram 37% da produção identificada nos dez municípios,sendo 7% vendidos para os consumidores locais e 30% para os atacadistas estaduais. O varejourbano local compra da produção identificada 19% diretamente dos produtores e vendesomente para os consumidores locais (Figura 17). No sistema estadual, o atacadista compra 31% diretamente do produtor e 30% dosvarejistas rurais e vende o total de 61% diretamente para o consumidor estadual, que nessecaso são as guseiras localizadas no município de Marabá (Figura 17). c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do carvão, no período de 2008 a 2009. O preço médio de venda, praticado pelos produtores de carvão dos municípiosestudados varia conforme a finalidade da utilização do carvão, ou seja, se for utilizado comobem de consumo ou bem final ou como insumo ou bem intermediário. 82
  • 88. Figura 18- Preço médio do carvão (R$/saca) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. Assim, o preço adotado pelo carvoeiro, quando vende diretamente para o consumidorlocal é de R$ 9,04/kg; com o varejo urbano local é de R$ 6,22/kg; com o varejista rural é deR$ 2,51/kg e com os atacadistas estaduais é de R$ 1,83/kg (Figura 18). d) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização do carvão. Somando todos os valores recebidos na venda do carvão pelos carvoeiros da RITocantins, o VBPα foi de R$ 859,7 mil e o do varejo rural local (os atravessadores de carvão)de R$ 330,2 mil; gerando um total de R$ 1,5 milhão nas vendas do carvão na RI Tocantins.Isso representa 71% do total gerado, sob a óptica da oferta (Gráfico 17). No estado do Pará, a oferta do carvão gerou um valor de R$ 617,2 mil,correspondente a 29% do total, devido à concentração de um único setor intermediando ocarvão - o atacadista estadual com contrato com as guseiras. 83
  • 89. Gráfico 17- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do carvão da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) VAB - gerado na comercialização do carvão e a margem de comercialização de cada setor (%). Ao longo da cadeia de comercialização do carvão da produção local do Tocantins atéa demanda final estadual, o valor de R$ 1,3 milhão foi adicionado (VAB) ao produto (Gráfico18), subtraindo o VAB total (R$ 1,3 milhão) do VBP da produção local (R$ 859,7 mil) edividindo o resultado pelo VBP da produção local obtemos o mark-up total de 59%. Do total do valor adicionado dos dez municípios, o setor com maior participação noâmbito local foi o produtor local, com o maior valor agregado da cadeia na ordem de R$859,7 mil (Gráfico 18). Esse valor é o resultado da utilização de matéria-prima barata (muitasvezes a lenha é retirada diretamente da floresta local, ou das áreas de roçado) para a produçãodo carvão. O varejo urbano contribui com R$ 64,9 mil, pois consegue adicionar valor somentecom o fracionamento da saca de carvão de quinze quilos em sete unidades de sacolas. Emrelação ao sistema estadual, somente o atacadista participa da agregação do VAB total comR$ 315,1 mil, já que possui contratos de fornecimento de insumos para diversas indústriasguseiras, obtendo o maior mark-up da cadeia, com 104% (Gráfico 18). 84
  • 90. Gráfico 18- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do carvão da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do carvão. A RBT identificada na comercialização do carvão vegetal foi de R$ 2,1 milhões. Omercado estadual foi responsável por 29% dessa RBT e o local, com 71% (Gráfico 19). Naregião estudada, o setor carvoeiro gerou a maior renda bruta na ordem de R$ 1,5 milhão. Osatravessadores (varejo rural local) foram responsáveis pela renda de R$ 330,1 mil, poiscompraram os seus insumos por R$ 206,6 mil e adicionaram R$ 123,5 mil. Os varejistas urbanos geraram R$ 324,5 mil, sendo R$ 259,6 mil na compra docarvão em saca de 15 kg e R$ 64,9 mil foram adicionados quando comercializaramfracionados em sacolas de mais ou menos 1,5 kg de carvão (Gráfico 19). O setor responsávelpela compra de carvão da RI Tocantins foi o atacadista estadual no valor de R$ 302,1 mil, queadicionou R$ 315,1 mil, gerando para o sistema estadual uma RBT equivalente a R$ 617,2mil. 85
  • 91. Gráfico 19- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do carvão, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. g) Informações complementares sobre a comercialização do carvão. O carvão comercializado em Cametá é oriundo das ilhas, extraído da mata, das roças,e de outros locais, sendo levado até a feira pelos próprios ribeirinhos. Geralmente acontece atroca de serviço, pois o dono da área quer seu roçado limpo para o plantio e os carvoeirosentram com a limpeza do terreno para a produção do carvão. O carvão usado no município de Abaetetuba é oriundo das derrubadas feitas em áreaspara o plantio de culturas anuais. A produção de carvão no município de Baião é pequena, basicamente parasubsistência e há pouca comercialização, somente para atender a demanda interna.Geralmente o carvão é oriundo de refugos de roças. O município de Moju é um grande produtor e exportador de carvão. A equipe visitouprodutores de carvão no assentamento Calmaria II, localizado entre os municípios de Moju,Tailândia e Acará, formado por diversas comunidades (Vila Israel II, Monte Sinai,Continente, Moraes, Limoeiro, Vicinal 8, Água Preta e Filadélfia), com dezessete a vinte anosde criação, mas ainda não possuem título. Produzem grandes volumes de carvão, cuja madeiraé oriunda da mata. Existem cinco atravessadores de carvão no Assentamento. Diariamentesaem pelo menos quinze caminhões de carvão direto para o pólo siderúrgico de Marabá. 86
  • 92. Alguns moradores já se preocupam com a falta da matéria-prima (“a madeira ta ficando cadavez mais longe”) e demonstram interesse em plantios florestais com fins energéticos. Há cercade trezentas e cinquenta famílias morando no Assentamento e a maioria possui de um a doisfornos produzindo carvão duas vezes por mês. Esse problema deve ser atacado com rapidez, pois as reservas de florestas estão seesgotando naquela região. O primeiro contato com os atravessadores de carvão para assiderúrgicas foi há cinco anos. Em agosto de 2008, o preço de 60 m3 do carvão, em Moju,estava entre 4 a 5 mil reais a “carrada” ou “caminhão gaiola” e, em novembro de 2008, baixoupara 1,6 a 2 mil reais. “Essa redução do preço foi devido à crise dos EUA, que reduziu asimportações de ferro”. Os principais compradores de carvão são as guseiras de Marabá. Na época destaentrevista, em novembro de 2008, existiam em Calmaria aproximadamente quatrocentosfornos, com quinze caminhões apanhando carvão diariamente. Um forno produz em média de12 a 14m3. Para a produção de carvão são necessários seis dias, sendo três dias paracarbonizar e mais três para esfriar. Pessoas do município vizinho de Tailândia vieram ensinar a fazer carvão, usando otijolo e o barro para construir os fornos que vêm de Igarapé-Miri e São Miguel do Guamá. Omilheiro do tijolo custa R$ 260,00 e um forno, na época, custava, em média, um mil reais. Ocusto da mão-de-obra para a construção do forno varia de duzentos a trezentos reais, o qualmede entre 3,80 e 5 metros de diâmetro. A maioria dos atuais caminhoneiros de carvão quecirculam em Moju já foram boiadeiros e mudaram de ramo devido ao alto lucro. Ocaminhoneiro paga R$ 210,00 para carregar o caminhão durante três horas. Na Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Moju existem projetos de liberaçãode carvoejamento para áreas de plantio, sendo que trezentas famílias estão licenciadas comtrês a quatro fornos. 4.2.7 Buriti a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do buriti. Os agentes envolvidos na cadeia de comercialização do buriti (Figura 19) na RITocantins apresentam as seguintes características: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) 87
  • 93. Produção: Constituído por pequenos agricultores que comercializam o fruto in naturasomente na safra. O buriti, na região tocantina, é considerado um produto substituto ao açaí naépoca da escassez (entressafra); Indústria de beneficiamento: Formado por pequenos comerciantes que utilizammáquinas despolpadeiras do açaí para obter a polpa ou “vinho” do buriti, que é vendidodiretamente para os consumidores locais; e ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Varejo urbano: Constituído por feirantes que comercializam o fruto in natura para oconsumidor estadual. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do buriti Nos dez municípios foram entrevistados oito agentes mercantis que atuam, emmédia, há dezenove anos no ramo (desvio-padrão 9,2 anos), sendo que 25% deles atuamsomente com o buriti e os demais trabalham com outros produtos, principalmente com o açaí. Na descrição da capacidade instalada dos agentes mercantis, entrevistados da regiãoidentificou-se que 37% possuem um pequeno local de 10 m2 (desvio-padrão 3m2) paraarmazenagem do produto. Somente 25% possuem transporte (barco com capacidade de duastoneladas e bicicleta); 50% possuem maquinário que são as mesmas despolpadeiras de açaí. Amão-de-obra predominante é a familiar, em 87% dos entrevistados, com uma equipe de até 5pessoas, sendo que os valores informados sobre a remuneração foram de R$ 10,00/diária (nasafra) e de R$ 7,00/rasa. Em relação ao período de trabalho, 50% atuam o ano todo, 25% somente na safra eos demais não informaram. Os problemas identificados foram: baixa capacidade dearmazenagem e de transporte do produto e o consumo baixo de vinho de buriti, por não serhábito na região. Os canais de comercialização do buriti, identificados nos dez municípios secaracterizam por canais simples, são quase lineares, já que apresentam apenas dois setoresintermediários que são a indústria de beneficiamento local e o varejo urbano estadual, os quaiscomercializam diretamente com os consumidores (Figura 19). 88
  • 94. Figura 19- Estrutura (%) da quantidade amostral do buriti comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. O setor da indústria de beneficiamento local comercializa 44% da quantidadeidentificada do fruto, compra diretamente dos produtores e vende exclusivamente para osconsumidores locais na forma de polpa ou “vinho” de buriti. É importante destacar a cultura e o hábito regional de consumir o mingau de buriti. Oconsumo de buriti in natura e do “vinho” é relativamente significativo durante a entressafrado açaí, pois os consumidores consideram o buriti como um fruto substituto ao açaí. Emâmbito estadual, o varejo urbano (feirantes) comercializa em torno de 55% da quantidadeidentificada do buriti, que é comprado exclusivamente dos produtores e vende diretamentepara os consumidores estaduais. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do buriti, no período de 2008 a 2009. Os feirantes estaduais (varejistas urbanos estaduais) e os batedores (indústrias debeneficiamento local) são os principais intermediários da cadeia do buriti na região. NaFigura 20, destacam-se os preços médios de venda de insumo (buriti), praticados pelosprodutores com outros agentes no montante de R$ 1,47/kg às indústrias de beneficiamentolocais; R$ 0,70/kg para os consumidores locais e de R$ 0,68/kg para os varejistas estaduais.Estes varejistas estaduais não foram entrevistados, por isso o preço de venda para o consumo 89
  • 95. final estadual equivale ao valor de repasse, isto é, também a R$ 0,68/kg. O fruto écomercializado somente na safra em sacolas de cinco quilos e quando beneficiados rendemem média cinco a sete litros de polpa. As indústrias de beneficiamento locais (batedores)vendem em média a R$ 2,24/kg para os consumidores locais em forma de polpa ou “vinho”.Figura 20- Preço médio do buriti (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. d) VBP - pela óptica da oferta, na comercialização do buriti. O VBPα do buriti, identificado na pesquisa é de R$ 305 mil, totalizando em R$ 709,9mil, isto é, a soma das vendas realizadas por todos os setores que constituem a cadeia(Gráfico 20). Do total do VBP do buriti, R$ 292,7 mil pertencem ao setor da indústria debeneficiamento local e R$ 111,8 mil, ao setor varejista urbano estadual. 90
  • 96. Gráfico 20- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do buriti da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) VAB - gerado na comercialização do buriti e a margem de comercialização de cada setor (%). O Valor Agregado (ou Adicionado) Bruto do buriti totalizou R$ 406,2 mil,correspondendo à margem total de somente 33% (MIP do buriti) (Gráficos 21). A indústriade beneficiamento local foi responsável pela maior agregação com R$ 100,8 mil, commargem bruta de 53% (Gráficos 21). Apesar de o varejo urbano estadual possuir um valorbruto da produção de R$ 111,8 mil, não apresenta margem de comercialização poiscomercializa o produto totalmente in natura. 91
  • 97. Gráfico 21- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do buriti da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. f) RBT - gerada pela óptica da demanda, na comercialização do buriti. Os dados levantados mostram que o buriti gerou uma RBT de R$ 709,9 mil, em que84%, que foram movimentados nos dez municípios. Desse montante, o produtor gerou R$305,4 mil somente pela comercialização do buriti in natura durante a safra, sendo que aindústria de beneficiamento local gerou R$ 292,7 mil; destes, R$ 191,9 mil, pela compra dofruto in natura e R$ 100,8 mil de adição de valor, mostrando uma baixa agregação de valorpara o consumo final (Gráfico 22). 92
  • 98. Gráfico 22- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do buriti, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. g) Informações complementares sobre a comercialização do buriti. A palmeira do buriti tem um grande destaque na região, o município de Limoeiro doAjuru está rodeado de ilhas que apresentam condições que propiciam seu aparecimento. AEmater local fez a mobilização com produtores de algumas comunidades que secomprometeram em extrair (beneficiar) o óleo de buriti e entregar a um intermediário, o qualfornece para uma indústria de comércio de óleos e alimentos, que vai capacitar os produtorese cinco pessoas para secarem as sementes a fim de retirarem o óleo e comprar a produção paralevar a São Paulo e à Bahia. A empresa já mandou maquinários para a retirada do óleo, queestão na Emater para serem entregues aos produtores. A partir de janeiro inicia a safra doburiti e os produtores começam a fazer o trabalho de retirada do óleo. A previsão é que sejamentregues dez mil litros de óleo na safra de 2009. 4.2.8 Bacaba a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da bacaba. Os agentes envolvidos na cadeia de comercialização da bacaba (Figura 21) na RITocantins apresentam as seguintes características: 93
  • 99. LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Coletores de bacaba de áreas nativas, que abastecem o mercado local; Indústria de beneficiamento: Constituído por empresa que realiza o processamentoindustrial da bacaba in natura, ou seja, são pequenos comerciantes, os quais utilizammáquinas despolpadeiras do açaí para obter a polpa da bacaba, que é vendida diretamente paraos consumidores locais; Atacado: Formado por comerciantes (atacadistas, representantes de empresas), queadquirem a bacaba in natura em grandes quantidades dos produtores; Varejo urbano: Composto por comerciantes que realizam a compra direta dosprodutores e vendem a bacaba in natura para os consumidores locais. ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Indústria de beneficiamento: Englobam as unidades de beneficiamento, situadas noâmbito estadual que apenas beneficiam a bacaba in natura (polpa), voltada para o consumofinal; Indústria de transformação: É a unidade industrial de cosmético, situada nomunicípio de Benevides (PA), considerada um polo de pesquisa e desenvolvimento que abrigauma fábrica de massa de sabonetes e também uma planta para extração de óleos vegetais; Varejo urbano: Composto por comerciantes que realizam a compra direta dosprodutores da RI Tocantins e vendem a bacaba in natura para os batedores de bacaba(Indústria de beneficiamento). Dos nove agentes entrevistados na região, oito deles comercializam também o açaífruto e somente um agente a bacaba, que é proveniente de uma Comunidade Quilombola domunicípio de Baião, a qual possui um projeto de manejo. Outros agentes trabalham tambémcom patauá, cupuaçu, cipó, coratá do inajá8 e ouriço da castanha. O tempo de atuação no ramo da bacaba varia entre seis a dez anos; cominfraestrutura para armazenagem com capacidade de um pequeno espaço de 9 m2, outro com30 m2 e o maior com 700 m2 (que também possui um barco com capacidade de quinzetoneladas); 55% possuem maquinários (despolpadeiras de açaí, câmara fria, envasadora,pasteurizador e caldeira). A mão-de-obra envolvida predominante é a familiar, sendo que seis agentes possuemde uma a cinco pessoas, dois agentes com dez a quinze pessoas e uma comunidade com8 Coratá é a bainha da folha que sustenta o cacho da palmeira inajá, a qual é comercializada como artesanato e possui a forma de uma barcaça. 94
  • 100. sessenta e sete famílias envolvidas. As principais necessidades identificadas foram a deampliar a estrutura física e também a de maquinários. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da bacaba Conforme demonstra a Figura 21, os canais de comercialização da bacaba,identificados nos dez municípios se caracterizam por diversos níveis de canais de distribuição,abrangendo vários setores intermediários entre o produtor e o consumidor final. O varejourbano estadual comercializa 40,5% da quantidade identificada do fruto in natura, que écomprado diretamente dos produtores e vendido exclusivamente para a indústria debeneficiamento estadual (batedores de bacaba), os quais vendem para os consumidoresestaduais em forma de polpa.Figura 21- Estrutura (%) da quantidade amostral da bacaba comercializada na RI Tocantins, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. No âmbito local a indústria de beneficiamento comercializa 26,4% da produçãoidentificada. São batedores do açaí que também beneficiam e comercializam a bacaba demaneira semelhante ao açaí. Existe na cadeia da bacaba (6,5%) a venda direta do fruto innatura para o consumidor local, devido ao costume da população ter suas próprias máquinasde despolpar, tanto a bacaba como o açaí. Os varejistas urbanos locais (feirantes) da bacabacomercializam 24,6% da produção identificada e vendem diretamente para o consumidorlocal. A presença do setor de transformação estadual enfatiza o interesse de empresas 95
  • 101. nacionais de cosméticos pela bacaba, que comercializam 2% da produção identificada, quecompram diretamente do atacado local. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia da bacaba, no período de 2008 a 2009. Os preços médios da bacaba, praticados entre os diferentes agentes da cadeia decomercialização, são determinados pela safra do fruto. Os preços médios de venda de insumo(bacaba), praticados pelos produtores com outros agentes são de R$ 1,21/kg, com asindústrias de beneficiamento locais; de R$ 0,78/kg, com o atacadista local; R$ 0,70/kg, com ovarejo urbano local; de R$ 0,54/kg, com os consumidores locais e com os varejistas estaduais(Figura 22). O preço médio adotado pela venda da indústria de beneficiamento local para oconsumidor local é de R$ 1,47/kg, conforme o rendimento do fruto.Figura 22- Preço médio da bacaba (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. d) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização da bacaba. Na cadeia de comercialização da bacaba, a produção local gerou um VBP de R$ 390,4 mil(Gráfico 23). O VBP no âmbito local (59%) é maior do que no estadual (41%), em função do altoconsumo do fruto na esfera local. Os setores que mais vendem são a indústria de beneficiamentoestadual, com (R$ 95,5 mil); a indústria de beneficiamento local, com (R$ 62,2 mil); o varejourbano estadual, com (R$ 57,7 mil) e o varejo urbano local, com (R$ 39,4 mil). 96
  • 102. Gráfico 23- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da bacaba da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) VAB - gerado na comercialização da bacaba e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB total da bacaba ao longo da cadeia foi de R$ 209,5 mil para os dezmunicípios, correspondendo à margem ou mark-up de 72% (Gráfico 24). Do total do valoradicionado na cadeia a partir da produção primária, o sistema local teve maior participação,com 71% - e o sistema estadual, com somente 29%. Os setores da indústria de beneficiamento (R$ 37,7 mil) e do varejo urbano estadual(R$ 22,7 mil) tiveram maior participação nesse valor agregado. Cada qual com um mark-upde 65% (Gráficos 24). Por outro lado, o setor do atacado local participou com somente R$ 4,2 mil, noentanto obteve a maior margem de comercialização na cadeia, ou seja, um mark-up de 156%(Gráficos 24). O resultado dessa margem está relacionado, principalmente, pelo preço alto devenda à indústria de transformação. 97
  • 103. Gráfico 24- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização da bacaba da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização da bacaba. A RBT, identificada pela pesquisa foi de R$ 390,4 mil, sendo que desse total 59%foram movimentados nos dez municípios e 41% no Estado (Gráfico 25). O sistema local gerou o equivalente a R$ 230,4 mil, sendo que a indústria debeneficiamento foi responsável por R$ 62,2 mil, já que comprou de insumo cerca de R$ 51,1mil e agregou apenas R$ 11,1 mil. O varejo urbano foi responsável pela renda bruta de R$39,3 mil, pois comprou de insumo R$ 27,5 mil e adicionou o montante de R$ 11,8 mil. Poroutro lado, no sistema estadual, o setor de beneficiamento atingiu uma renda bruta total de R$95,4 mil, dos quais R$ 57,7 mil equivalem à compra de insumos (bacaba in natura) e R$ 37,7mil ao valor adicionado (Gráfico 25). 98
  • 104. Gráfico 25- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da bacaba, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. g) Informações complementares sobre a comercialização da bacaba. A produção da bacaba no município de Baião se concentra basicamente naComunidade de Baixinha, área remanescente de quilombo. Baixinha é detentora de uma áreacom ocorrência da bacaba com grande produtividade. O Projeto Bacaba, desenvolvido nessaComunidade, tem como objetivo a industrialização da bacaba nativa. A organização nãogovernamental Instituto para o Desenvolvimento da Economia, do Indivíduo, do Ambiente eda Sociedade (IDEIAS) firmou convênio com o Conselho Nacional de DesenvolvimentoCientífico e Tecnológico (CNPq) e a Universidade do Estado do Pará (UEPA), a fim dedesenvolver pesquisas e receber orientações sobre o potencial da polpa, do óleo, do caroço,além de outros subprodutos da bacaba. Atualmente já desenvolveram o licor, a geleia, a polpae uma bebida. A produção da Comunidade é comercializada diretamente para barqueiros(atravessadores), os quais passam para comprar o produto. Além da comercialização do frutoda bacaba, outras partes do vegetal como canoinha, vassoura, açareua de bacaba, palha debacaba, cacho verde, entre outros estão sendo comercializados para fins artesanais. A produção da bacaba de Oeiras do Pará é enviada para Belém e, segundo ummorador da reserva Arioca Pruanã, em 2009, deve ter havido uma grande produção do fruto.A população de Oeiras não tem o hábito de consumir a bacaba. 99
  • 105. 4.2.9 Mel a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do mel. O mel da RI Tocantins provém, em sua maioria, do manejo das abelhas européias ouafricanizadas e muito pouco das abelhas nativas (sem ferrão), as quais utilizam a flora localcomo pasto, com base no manejo das abelhas (apicultura). Os agentes mercantis, identificadosna cadeia de comercialização do mel (Figura 23) foram: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: A produção advém de indivíduos ou associações de apicultores querealizam o beneficiamento do mel e fornecem o produto envasado ao mercado (em galões ouem garrafas menores); Varejo rural: Constituído por pequenos comerciantes do interior do Município,comumente denominados atravessadores, que compram o mel dos produtores já envasados ounão têm varejistas, que também são apicultores; Atacado: É constituída por uma cooperativa de apicultores que realiza obeneficiamento e vende diretamente para o consumidor local; Varejo urbano: Incluem os comerciantes (alguns feirantes) que compram o mel daprodução local e o vendem para os consumidores locais e estaduais. Dos dezoito agentes entrevistados, 61% são apicultores, sendo que 50% atuamsomente no comércio de mel, os demais diversificam com um ou outro produto como:andiroba, leites de sucuúba9 e de amapá, seiva de jatobá, barbatimão, copaíba, cupuaçu,castanha, artesanato e açaí. Dos 66% que informaram o tempo de atuação no comércio demel, cinco são novatos (atuando entre um a sete anos) e os sete outros com maior tempo noramo (atuando entre quinze a vinte e cinco anos). Em relação à capacidade instalada, 38% deles possuem local para armazenagem com 220 m de capacidade (em média); 44% possuem meio de transporte (bicicleta, moto, carroalugado por diária e barco). A mão-de-obra predominante é a familiar, com trabalhoexecutado por duas pessoas (50%), uma pessoa (22%), três pessoas (11%), sendo que háapenas uma associação de apicultores contando com vinte associados. Há algumasnecessidades explicitadas pelos agentes como: assistência técnica, capital de giro,investimentos em equipamentos e maquinários (centrífuga e decantador), bem comoproblemas com rotulagem do produto, escoamento da produção e espaço físico.9 O potencial médio de uma árvore de sucuuba é de seis litros de leite (GONÇALVES, 2002). 100
  • 106. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do mel. É interessante notar que o produtor de mel (apicultor) vende 46% da sua produçãodiretamente para o consumidor e 1% para o estadual (Figura 23). A produção também vende53% para os setores intermediários da cadeia na esfera local, como o varejo urbano, quecompra 24%; o varejo rural, com 17% e o atacado, com 12%.Figura 23- Estrutura (%) da quantidade amostral do mel comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do mel, no período de 2008 a 2009. O varejo rural compra o mel da produção local a um preço médio de R$ 12,32/l evende ao consumidor local por R$ 15,54/l (Figura 24). O atacado local compra a R$ 12,98/l evende ao consumidor local a R$ 15,00/l. O varejo urbano local compra o mel a R$ 11,93/l doprodutor, vende ao consumidor local a R$ 15,77/l e ao estadual a R$ 15,00/l. 101
  • 107. Figura 24- Preço médio do mel (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. d) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização do mel. Somando todos os valores recebidos pela venda do mel dos apicultores dos dezmunicípios, o VBPα foi de R$ 392,1 mil, o valor do varejo rural local foi de R$ 76,6 mil, ovalor do atacado local foi de R$ 53,9 mil e o valor do varejo urbano local foi de R$ 106,8 mil,gerando R$ 629,4 mil pela oferta do mel na RI Tocantins (Gráfico 26). 102
  • 108. Gráfico 26- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do mel da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) VAB - gerado na comercialização do mel e a margem de comercialização de cada setor (%). Ao longo da cadeia de comercialização do mel, da produção local do Tocantins até oconsumidor final local, o valor de R$ 439 mil foi adicionado (VAB) ao produto ‘mel’(Gráfico 27). O valor adicionado na cadeia do mel só acontece no sistema local; o produtoradiciona o maior valor na cadeia, equivalente a R$ 392,1 mil, realizando o beneficiamentoprimário para a obtenção de um melhor preço de venda. Outros setores apresentam tambémuma participação na agregação de valor, como o varejista urbano, o qual adiciona ummontante de R$ 23,8 mil, o que justifica o mark-up de 29% (Gráfico 27), pois esses feirantescompram o mel em grandes quantidades e para a venda fracionam em frascos menores; ovarejo rural, com R$ 15,9 mil, que obtém uma margem de 26% e o setor atacadista local, comR$ 7,3 mil, que apresentam um mark-up de 16%. 103
  • 109. Gráfico 27- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do mel da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. f) RBT - gerada pela óptica da demanda na comercialização do mel. A RBT, gerada pela comercialização do mel, produzido e identificado nos dezmunicípios, foi movimentada somente na região estudada, atingindo um valor de R$ 629,4mil (Gráfico 28). O setor da produção local gerou a maior renda na ordem de R$ 392,1 mil, comparadaaos demais setores, pois realizam o beneficiamento do mel, que torna rentável a atividade daapicultura para a região. O setor do varejo urbano local (feirantes) gerou uma renda de R$106,7 mil, pois comprou R$ 82,9 mil de insumo e agregou R$ 23,8 mil ao produto, já quesomente fraciona o mel em embalagens menores. O setor de varejo rural gerou R$ 76,7 mil, sendo R$ 60,8 mil em insumos e R$ 15,9mil no valor adicionado. O setor do atacado local proporcionou uma renda bruta equivalente aR$ 54 mil, sendo R$ 46,7 mil em insumos e R$ 7,3 mil no valor adicionado - sendo esta umacooperativa constituída por apicultores que vendem diretamente para o consumidor local. 104
  • 110. Gráfico 28- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do mel, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. g) Informações complementares sobre a comercialização do mel A Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes (APACC) funciona como auxílio do Governo do estado do Pará, Prefeitura de Belém e República Francesa e atua em:Limoeiro do Ajuru, Oeiras do Pará, Cametá e Belém. Recebe apoio para os “Projetos de Mel”na região, além de ministrar cursos sobre a utilização de plantas medicinais e saúde damulher. A produção de mel em Baião é recente e realizada por um grupo de apicultores emfase de organização, porém não possuíam assistência técnica especializada para alavancar aprodução e nem financiamentos. O mel é um produto com grande potencial no Município,devido à cobertura vegetal rica em diversidade e bem preservada na região. Algumas comunidades de Oeiras do Pará possuem produção de mel, mas nãopossuem financiamento e nem incentivos para melhorar a produção. Na comunidade chamada Paruru de Joana Ceres, que se localiza numa ilha doMunicípio de Limoeiro do Ajuru, existe um grupo formado por vinte apicultores, os quaisproduzem mel há mais de quatro anos. Segundo um dos integrantes do grupo, já chegaram aproduzir mais de setecentos litros de mel. Atualmente estão produzindo pouco por não teremmercado para escoar a produção. Em estoque, estavam com duzentos litros de mel. 105
  • 111. Existe outra comunidade em terra firme chamada BR 422, que fica no km 5 daRodovia do mesmo nome, tal comunidade possui uma associação de mel, atualmente, comvinte produtores. O mel é vendido para Cametá, pois o preço e a venda são melhores do queem Limoeiro. Alguns avanços ocorrem em Abaetetuba na exploração sustentável de produtos debase extrativa, como a apicultura que começa a ganhar importância dos agricultores. Aatividade, entretanto, vem encontrando problemas com a falta de organização e gestão dasassociações, além de não possuírem equipamentos adequados, tanto para a colheita quantopara o processamento do mel; comprometendo diretamente a qualidade do produto. Háapicultores que mantêm seus apiários muito próximos às residências, ocasionando perigo aosmoradores das proximidades, usando ainda caixas maiores que o tamanho padrão. Alguns apicultores de Igarapé-Miri recebem apoio da Emater. Esta informou queforam vendidos quinhentos quilos de mel, no valor de R$ 7,00/kg, pelo PAA, coordenado pelaConab. O mel é usado apenas para consumo interno no município de Moju. De acordo com Venturieri et. al. (2009), entre os insetos que visitam as flores doaçaizeiro na região nordeste da Amazônia, foram identificadas as abelhas com ferrãoafricanizadas (Apis mellifera) e as abelhas nativas da região (Meliponíneos) sem ferrão, quesão agentes importantes no processo de polinização dos açaizeiros (Euterpe oleracea Mart. –Arecaceae), inclusive para o aumento da produção de frutos. A conclusão que se faz sobre oestudo do açaizeiro é que este é uma importante espécie apícola na Amazônia por ofertarpólen e néctar durante a floração, em períodos de menor oferta de recursos florais. 4. 2.10 Utensílios (cuia, paneiro e tipiti) a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização dos utensílios. Na cadeia de comercialização do utensílio foram identificados dez agentesenvolvidos, entre eles sete artesões e três atravessadores. Sendo que estes trabalham com avenda de utensílios feitos com talas de jupati, miriti e guarumã. Possuem armazéns comdimensões que variam entre 10m2 e 260m2. Utilizam mão de obra familiar e relatam quepossuem problemas relacionados à secagem do material, incentivo dos órgãos gestores,mercado consumidor, organização entre os artesões e oferta da matéria prima. Os agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização dos utensílios(Figura 25) apresentam as seguintes características: 106
  • 112. LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: O setor é formado por três tipos de agentes: os produtores, que extraem ecomercializam os feixes de guarumã; os artesões, que fabricam as peças artesanais e oprodutor/artesão, que utiliza sua matéria prima para fabricação das peças. No que se referem àcategoria dos trançados, dois utensílios foram analisados: o paneiro e o tipiti. Os artesõesutilizam fibras vegetais, especificamente a tala do guarumã para tecer tais objetos. No caso daconfecção das cuias, os ribeirinhos ou moradores da região estudada, em geral, apanham afruta da cuieira e realizam o processo rústico (limpam, fervem e tingem a cuia com o jenipapoou o cumaté), até obter a cuia, usada regionalmente como vasilha para tomar tacacá; Varejo rural: Constituído por intermediários ou atravessadores que compram devários artesãos os utensílios para decoração e vendem para lojas de artesanato nacional; Varejo urbano: Constituído de comerciantes ou feirantes que adquirem os utensílios evendem para o consumidor local; NACIONAL (Fora do estado do Pará) Varejo urbano: Inclue as lojas de artesanato, as quais realizam a venda dos utensílios,como os objetos de decoração para os consumidores nacionais. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un.) entre os setores mercantis da cadeia dos utensílios. A cadeia de comercialização desses utensílios é composta por poucos intermediários,com a maior parte da produção local passando pelo varejo urbano local (92%) e sendovendida exclusivamente para os consumidores locais. 107
  • 113. Figura 25- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) dos utensílios comercializados na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. Existe também a comercialização desses produtos ao mercado nacional, como osobjetos de decoração, que seguem para o varejo urbano nacional (comerciantes de artigos dedecoração), os quais os comercializam em torno de 8% da quantidade identificada que écomprada exclusivamente dos varejistas rurais, sendo vendidos diretamente para osconsumidores nacionais. (Figura 25). Com relação aos preços médios dos utensílios praticados entre os diferentes agentesda cadeia de comercialização estes são determinados pela oferta, qualidade e utilidade doproduto transacionado. O varejo urbano local compra da produção ao preço de R$ 1,77/un. erevende ao consumidor local ao preço de R$ 2,42/un. Enquanto que o varejo rural compra dosprodutores ao preço médio de R$ 8,00/un. e vende ao varejo urbano nacional ao preço de R$9,00/un. neste caso são utensílios de decoração (Figura 25). c) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização dos utensílios. Somando todos os valores recebidos pela venda dos utensílios dos artesãos dos dezmunicípios estudados, ou seja, o VBPα dos produtores locais foi de R$ 72,6 mil, totalizando 108
  • 114. no final da cadeia (soma de todos os setores que ofertam na cadeia de comercialização dosutensílios) em R$ 192,5 mil (Gráfico 29).Gráfico 29- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização dos utensílios da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. Do total do VBP, R$ 166,9 mil pertence à região estudada e R$ 25,6 mil, diz respeitoao âmbito nacional. Os setores que mais ofertam nos dez municípios são, portanto a produção(R$ 72,6 mil), o varejo urbano (R$ 71,2 mil) e o varejo rural (R$ 23,1 mil). O sistemanacional participa com 13% do VBP, sendo o único setor que oferta e o varejo urbano (lojasde artesanato) no montante de R$ 25,6 mil (Gráfico 29). d) VAB - gerado na comercialização do s utensílios e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB total dos utensílios ao longo da cadeia foi de R$ 96,7 mil, correspondendo àmargem ou mark-up de 33% (Gráfico 30). Do total do valor adicionado na cadeia a partir daprodução primária, o sistema local teve maior participação, com 97% - e o sistema nacional,com somente 3%. O varejo urbano local foi responsável pela maior agregação com R$ 19,1mil, com margem bruta de 37% (Gráficos 30). 109
  • 115. Gráfico 30- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização dos utensílios da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) RBT - gerada pela óptica da demanda na comercialização dos utensílios. A comercialização dos utensílios gerou uma RBT de R$ 192,5 mil, em que 87%,foram movimentados nos dez municípios. Desse montante o produtor gerou R$ 72,6 mil pelacomercialização dos utensílios, sendo que o varejo urbano local gerou R$ 71,2 mil; destes, R$52,1 mil, pela compra dos utensílios e R$ 19,1 mil de adição de valor, enquanto o varejo ruralgerou R$ 23,1 mil de renda, pois comprou R$ 20,5 mil de insumo e agregou somente R$ 2,6mil ao produto, sendo um grande atravessador de objetos de decoração. (Gráfico 31). 110
  • 116. Gráfico 31- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização dos utensílios, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. 4.2.11 Coratá a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do coratá. Os agentes ligados à cadeia de comercialização do coratá envolvem a RI Tocantins ea esfera nacional, que apresentam as seguintes características: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: É constituída pelos extrativistas dos dez municípios estudados; Varejo rural: É constituída pelos comerciantes (ou atravessadores) que compram ocoratá in natura dos extrativistas e vendem para os atacadistas locais; Atacado: Constituída por Comerciante situado no âmbito local que apenas realiza obeneficiamento primário do coratá in natura para exportação; NACIONAL (Fora do estado do Pará) Varejo urbano: Constituída por comerciante varejista situado fora do Estado, quecomercializa com o mercado internacional. Nesse caso, a pesquisa identificou que a produçãodo Tocantins vai diretamente para a Europa, mais precisamente para a Alemanha. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un.) entre os setores mercantis da cadeia do coratá. 111
  • 117. A cadeia de comercialização do coratá identificada incide em canais simples. Oprincipal setor desta cadeia refere-se ao setor atacadista local (atravessador) que compra 96,7% da produção local identificada na RI Tocantins e mais 3,2% proveniente do varejo rural,abastecendo o mercado internacional (varejo urbano nacional) (Figura 26).Figura 26- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) do coratá comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. O preço médio praticado pelo produtor com o varejo rural é de R$ 0,50/unidade docoratá in natura; bem como atacadista local que também é de R$ 0,50/unidade. Em relação aopreço de venda praticado pelo atacadista local com os varejistas urbanos nacionais, este é deR$ 2,00/unidade. c) VBP - pela óptica da oferta, na comercialização do coratá. O VBPα, ou seja, todo o valor recebido pela venda do coratá pelos extrativistas da RITocantins foi de R$ 53 mil (Gráfico 32). Em relação ao varejo rural local foi de R$ 2,9 mil;do atacado local foi de R$ 211,8 mil e do varejo urbano nacional foi de R$ 264,8 mil, gerandoum valor de R$ 532,5 mil pela oferta do coratá na RI Tocantins (Gráfico 32). 112
  • 118. Gráfico 32- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do coratá da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. d) VAB - gerado na comercialização do coratá e a margem de comercialização de cada setor (%). Ao longo da cadeia de comercialização do coratá, da produção local até a demandafinal que, nesse caso, é o mercado europeu, o valor de R$ 264,8 mil foi adicionado aoproduto, atingindo um mark-up total de 400% (Gráfico 33). Do total do valor adicionado, osetor com maior participação foi o atacado local, com R$ 157,7 mil, o qual agregou aoproduto uma margem de comercialização (mark-up do setor) de 291%. Em relação ao sistemanacional, o varejo urbano agregou o valor de R$ 52,9 mil, apresentando a menor margem ecomercialização da cadeia, 25% apenas. Por outro lado, o varejo rural agregou o valor de R$1,2 mil e atingiu um mark-up de 70% (Gráfico 33). 113
  • 119. Gráfico 33- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do coratá da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) RBT - gerada pela óptica da demanda na comercialização do coratá. A RBT, gerada pela comercialização do coratá, identificada nos dez municípios, foimovimentada somente na região estudada e no sistema nacional, atingindo um valor de R$267,7 mil e R$ 264,8 mil, respectivamente. O setor do atacado local gerou a maior renda, naordem de R$ 211,9 mil, quando comparada aos demais setores, pois realizou obeneficiamento primário do coratá. O setor varejista rural gerou R$ 2,9 mil. 114
  • 120. Gráfico 34- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do coratá, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. 4.2.12 Bacuri a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do bacuri. Nos dez municípios foram entrevistados dois agentes mercantis que atuam, emmédia, há nove anos com o fruto e a polpa do bacuri, incluindo outros produtos como ocupuaçu e o muruci. Eles não possuem local para armazenagem; o transporte é feito combicicleta, e possuem um freezer alugado. A mão-de-obra é familiar. As necessidadesidentificadas foram a necessidade de aquisição de uma despolpadeira para reduzir o trabalhomanual e conseguir uma barraca na feira para a comercialização do produto. A seguir a descrição dos setores envolvidos na cadeia de comercialização do bacuri: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Caracteriza-se pela produção primária e extrativista dos dez municípios; Varejo rural: Constituído por pequenos comerciantes que compram o bacuri innatura dos produtores, sendo denominados de atravessadores; Varejo urbano: Constituído por feirantes que realizam a venda do bacuri in naturapara os consumidores locais; 115
  • 121. ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Varejo urbano: Tratam-se dos feirantes que realizam a venda do bacuri in naturapara os consumidores estaduais. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un.) entre os setores mercantis da cadeia do bacuri. Os canais de comercialização do bacuri, identificados nos dez municípios, secaracterizam por canais simples, pois abrangem somente três agentes intermediários queparticipam da comercialização do fruto. O principal canal de comercialização do bacuri é avenda direta do produtor para o consumidor local, comercializando 88,8% da produçãoidentificada, ao preço médio de R$ 0,44/un.do fruto in natura (Figura 27).Figura 27- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) do bacuri comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. Outro canal importante é composto pelo varejo rural que compra 10,4% do produtorao preço médio de R$ 0,20/un. e vende diretamente para o varejo urbano estadual a R$0,28/un.. Já o varejo urbano local compra somente 0,8% diretamente da produção ao preçomédio de R$0,12/un. e revende a R$ 0,25/un. o fruto in natura para os consumidores locais(Figura 27). c) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização do bacuri. 116
  • 122. O VBPα dos produtores identificados nos dez municípios atingiu R$ 25,5 mil,enquanto que o VBP de todos os setores chegou a R$ 29,7 mil (Gráfico 35). Os setores quemais ofertam foram o varejo rural, com R$ 1,8 mil e o varejo urbano estadual com R$ 2,3 mil.Gráfico 35- VBPα, em R$ gerado na comercialização do bacuri, pela óptica da oferta, em 2008, em dez municípios da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. d) VAB - gerado na comercialização do bacuri e a margem de comercialização de cada setor (%). Na cadeia de comercialização do bacuri foi agregado ao fruto um valor de R$ 26,5mil, com uma margem de agregação de apenas 4%, devido o fruto ser comercializado innatura (Gráfico 36). Do VAB total, o sistema local foi responsável por R$ 26,9 mil dos quais o produtorconseguiu agregar R$ 25,5 mil e o varejo rural, R$ 500,00, apresentando um mark-up de 40%.Por outro lado, o varejista urbano local agregou um valor de R$ 100, 00, atingindo a maiormargem de comercialização da cadeia, que foi de 108% (Gráfico 36). 117
  • 123. Gráfico 36- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do bacuri da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) RBT - gerada pela óptica da demanda na comercialização do bacuri. A RBT, identificada pela pesquisa na comercialização do bacuri, foi de R$ 29,6 mil,sendo que, desse total, 92% foram movimentados nos dez municípios e 8% nas demaisregiões do Estado (Gráfico 37). O sistema local gerou o equivalente a R$ 27,4 mil; o varejorural foi responsável pela renda bruta de R$ 1,8 mil, já que comprou de insumo R$ 1,3 mil eadicionou o montante de R$ 515,00. O produtor local, por sua vez, gerou R$ 25,5 mil. Ovarejo urbano estadual atingiu uma renda bruta total de R$ 2,2 mil, dos quais R$ 450,00foram usados na compra de insumos, sendo que R$ 1,8 mil agregados ao valor adicionado. 118
  • 124. Gráfico 37- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do bacuri, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. 4.2.13 Murumuru a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do murumuru Foram três os agentes mercantis entrevistados que comercializam murumuru. Umdeles informou possuir um espaço para armazenagem de seis metros quadrados e outro localem que comercializa também o açaí e o óleo de andiroba. As principais demandasidentificadas na comercialização do murumuru foram relacionadas a necessidade de entendercom mais detalhes a cadeia produtiva completa dessa espécie e identificar novos nichos demercado. A manteiga de murumuru possui características que promovem a nutrição, aemoliência e a hidratação para a pele e os cabelos (IDEALFARMA, 2009). Na cadeia de comercialização do murumuru (Figura 28), foram identificados osseguintes agentes mercantis: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Composta pelos agentes responsáveis pela coleta das sementes nas áreasde ocorrência natural em Cametá e Limoeiro do Ajuru; 119
  • 125. Varejo rural: Constituído por agente conhecido como “Atravessador” ou pequenocomerciante, o qual compra a semente do murumuru de vários produtores e revende para aindústria de cosmético estadual; Atacado: Constituída por uma cooperativa agrícola que compra da produção local evende para o demandante, no caso, a indústria de cosmético estadual; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Indústria de transformação: Constituída por uma filial de uma grande empresa decosmético nacional, localizada no âmbito estadual (Região Metropolitana de Belém), a qualcompra as sementes de atravessadores (varejo rural e atacado local), processa para obtençãoda manteiga de murumuru (possivelmente realizada em São Paulo). b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$correntes/Kg da semente) entre os setores mercantis da cadeia do murumuru. Na cadeia de comercialização do murumuru fica explícito que toda a produção da RITocantins (100%) abastece uma indústria de transformação estadual (filial de uma grandeempresa de cosmético), localizada no estado do Pará, vindo 73% do atacado local e 27% dovarejo rural. Ambos negociam a compra das sementes com os produtores de Cametá eLimoeiro do Ajuru (Figura 28). Tal indústria de transformação estadual envia para o mercadonacional, no entanto, esta empresa não foi entrevistada pela equipe. O varejo rural paga ao produtor local R$ 0,30/kg da semente de murumuru e revendea R$ 1,50/kg para a indústria de transformação estadual. O atacado local compra a R$ 1,50/kgda produção local e revende para a mesma indústria de transformação estadual ao preço de R$2,32/kg da semente (Figura 28). 120
  • 126. Figura 28- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/Kg) do murumuru comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. e) VBP - pela óptica da oferta, na comercialização do murumuru. Na cadeia de comercialização do murumuru, a produção local gerou um VBPα de R$18,8 mil (Gráfico 38). O VBP do âmbito local (56%) equivale à oferta de R$ 27 mil peloatacado e a R$ 6,6 mil ao varejo rural. Em termos estaduais observa-se que o setor detransformação responde pelo total do VBP gerado pela oferta de murumuru com R$ 41,8mil. 121
  • 127. Gráfico 38- VBPα, em R$ gerado na comercialização do murumuru, pela óptica da oferta, em 2008, em dez municípios da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. d) VAB - gerado na comercialização do murumuru e a margem de comercialização de cada setor (%). Ao longo da cadeia de comercialização do murumuru da produção local da RITocantins até a demanda final estadual, o valor de R$ 41,7 mil foi adicionado (VAB) aoproduto (Gráfico 39), subtraindo o VAB total (R$ 41,7 mil) do VBP da produção local (R$18,8 mil) e dividindo o resultado pelo VBP da produção local obtemos o mark-up total de122%. Observando que, em termos relativos, o valor adicionado ao longo da cadeia a partir daprodução primária (Setor α) é significativo. Do total do VAB, o sistema local foi responsável por R$ 33,6 mil, sendo o setor commaior participação o da produção local, pois apresenta um valor significativo de R$ 18,8 mil,a maior da cadeia (Gráfico 39), justificado pelo beneficiamento primário de custo baixo daoleaginosa. Em segundo, foi o varejista rural com R$ 5,3 mil, gerando com isso o maiormark-up de 408%, o maior da cadeia como um todo (Gráfico 39), pois se tratam de agentesde empresas de transformação estadual e, ainda, o atacadista urbano com R$ 9,5 mil,apresentando um mark-up de 55%. O sistema estadual participa com 19% do VAB total, coma indústria de transformação no montante de R$ 8,1 mil, que é o único setor que demanda omurumuru da região estudada. 122
  • 128. Gráfico 39- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do murumuru da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) RBT - gerada pela óptica da demanda na comercialização do murumuru. A RBT, identificada pela pesquisa, foi de R$ 94,2 mil, sendo que do total, 56%foram movimentados nos dez municípios e 44% no Estado (Gráfico 40). O setor da produçãolocal gerou R$ 18,8 mil. Esse resultado demonstra que a comercialização do murumuru érentável para os extratores dessa oleaginosa. O sistema local gerou o equivalente a R$ 52,4 mil, sendo que o atacado foiresponsável por R$ 27 mil, já que comprou de insumo cerca de R$ 17,5 mil e agregou apenasR$ 9,5 mil. O varejo rural foi responsável pela renda bruta de R$ 6,6 mil, pois comprou deinsumo R$ 1,3 mil e adicionou o montante de R$ 5,3 mil. Por outro lado, no sistema estadual,o setor de indústria de transformação atingiu uma RBT de R$ 41,8 mil, dos quais R$ 33,7 milequivalem à compra de insumos e R$ 8,1 mil ao valor adicionado. 123
  • 129. Gráfico 40- A RBT, em R$ na comercialização do murumuru, considerando sua composição pela óptica da demanda (VBP + VAB), em dez municípios da RI Tocantins, estado do Pará, em 2008.Fonte: IDESP. 4.2.14Artesanato de miriti a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia da comercialização do artesanato de miriti. Os agentes envolvidos na cadeia da comercialização do artesanato de miriti (Figura29) na RI Tocantins apresentam as seguintes características: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Constituída por extratores da estirpe da palmeira do buritizeiro conhecidocomo “isopor natural” da Amazônia que serve de matéria-prima para o artesanato com miriti; Indústria de transformação: Incluem os pequenos núcleos familiares de artesãos, osquais confeccionam brinquedos e artesanatos com miriti. No município de Abaetetuba essaatividade é tradicional. A presente pesquisa identificou como agentes uma grande amostra deartesãos e duas associações; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Varejo urbano: Constituída por lojas de artesanatos localizadas na RegiãoMetropolitana de Belém, que comercializam diretamente para o consumidor final eprincipalmente para os turistas; 124
  • 130. NACIONAL (Fora do estado do Pará) Varejo urbano: Constituída por associações de artesanato, central de artes e museuslocalizados em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do artesanato de miriti. A cadeia de comercialização do artesanato consiste de canais simples, constituídospor diversos níveis de distribuição, abrangendo três setores intermediários. A indústria de transformação local compra toda a produção (100%) do miritidiretamente do extrator e vende 7,5% da produção identificada para o consumidor local; 53%vão para o varejo urbano estadual; 18% seguem diretamente para os consumidores estaduais(Figura 29). São empresas, instituições públicas e, principalmente, os consumidores e turistasque adquirem o produto em épocas festivas, nesse caso, durante o Círio de Nossa Senhora deNazaré e o Natal. O setor da indústria de transformação local também vende para o varejourbano nacional (12%) e diretamente para o consumidor nacional (9%).Figura 29- Estrutura (%) da quantidade amostral do artesanato de miriti comercializado na RI Tocantins, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. É importante destacar que durante as festividades do Círio de Nossa Senhora deNazaré, realizado na segunda quinzena de outubro, acontece a Feira do Miriti e sãoorganizados alguns pontos de venda em praças públicas. 125
  • 131. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do artesanato de miriti, no período de 2008 a 2009. Os produtores vendem a braça do miriti (mede 2,5 a 3 metros, em média) para aindústria de transformação por R$ 0,38 a braça (Figura 30), ou seja, para os artesãos e suasassociações transformarem as braças do miriti em peças artesanais com uma infinidade deformas, cores e tamanhos, sendo os brinquedos feitos com miriti, os mais conhecidos emminiaturas na forma de: barcos, pássaros, roda gigante, casas, animais, objetos domésticos,entre outros, os quais representam o cotidiano do ribeirinho e também do homem da cidadegrande.Figura 30- Preço médio do artesanato de miriti (R$/braça) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. Os preços de venda da braça, praticados pela indústria de transformação local são:R$ 15,10, aos consumidores estaduais; R$ 7,76, para os varejistas estaduais; R$ 6,69, para osconsumidores nacionais; R$ 5,41, para os varejistas nacionais e R$ 2,80, para osconsumidores locais. A variação dos preços médios praticados é justificada pelo tipo deartefato comercializado. d) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização do artesanato de miriti. 126
  • 132. Somando todos os valores recebidos pela comercialização da braça de mitiri dosextratores da RI Tocantins, isto é, o VBPα foi de R$ 33,3 mil, da indústria de transformaçãode R$ 730,1 mil; do varejo urbano estadual, de R$ 382,8 mil e do varejo urbano nacional, deR$ 80 mil, gerando no total R$ 1,2 milhão em vendas com o artesanato do miriti (Gráfico41).Gráfico 41- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do artesanato de miriti da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) VAB - gerado na comercialização do artesanato de miriti e a margem de comercialização de cada setor (%). Ao longo da cadeia de comercialização do artesanato com miriti da produção localaté a demanda final, o valor de R$ 773,8 mil foi adicionado ao produto, atingindo um mark-upde 2.222%. Do total do valor adicionado, o setor com maior participação foi a indústria detransformação local, com R$ 696,8 mil, o que agregou ao produto uma margem decomercialização (mark-up do setor) de 2.091% (Gráfico 42). Em relação ao sistema estadual, o varejo urbano adicionou o valor de R$ 20,6 mil,apresentando a menor margem e comercialização da cadeia, 6% apenas. Por outro lado, ovarejo urbano nacional agregou o valor de R$ 23,1 mil e atingiu um mark-up de 40%. 127
  • 133. Gráfico 42- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do artesanato de miriti da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. f) RBT - gerada pela ótica da demanda na comercialização do artesanato de miriti. A RBT, gerada na comercialização do artesanato foi de R$ 1,2 milhão. A regiãoestudada foi responsável por 62% dessa RBT, seguida pelo estadual com 31% e a nacionalcom apenas 7% (Gráfico 43). No sistema local, o setor da indústria de transformação (artesãos) gerou a maiorrenda na ordem de R$ 730,1 mil, pois comprou de insumos cerca de R$ 33,3 mil e agregouvalor de R$ 696,8 mil. O setor do varejo urbano estadual gerou uma renda bruta de R$ 382,8mil; sendo R$ 362,26 mil em insumos e somente R$ 20,6 mil de agregação de valor. E, nosistema nacional, o varejo urbano atingiu uma renda de R$ 80,2 mil dos quais R$ 57,10 milequivalem à compra de insumos e R$ 23,1 ao valor adicionado (Gráfico 43). 128
  • 134. Gráfico 43- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do artesanato de miriti, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. g) Informações complementares sobre a comercialização de artesanato com miriti. Abaetetuba é tradicionalmente conhecida pelos famosos brinquedos feitos com miritique integram as festividades no período do Círio de Nazaré. A Associação Arte Miriti deAbaetetuba (Miritong), uma organização não governamental, conquistou sua valorização coma venda dos brinquedos durante as festividades do Círio da Nossa Senhora de Nazaré e temseu trabalho reconhecido internacionalmente. Até 1999 todos faziam os brinquedostradicionais, com pinturas somente em riscos e pingos. Com a ação do Serviço de Apoio àsMicro e Pequenas Empresas (Sebrae), em Abaetetuba, surgiu a ideia de trabalhar o ano todo.No evento denominado Miriti-Design, realizado em 1999, novos conceitos de design foramincorporados ao artesanato com o miriti, fato considerado pela Associação como um “divisorde águas”. Desenvolveram o corte mais preciso do miriti, utilizando um “cabo de freio debicicleta” ou corte de arame. O trabalho foi reconhecido pela Fundação de Telecomunicaçõesdo Pará (Funtelpa), durante a gestão do presidente Ney Messias, que deu todo o suporte para afundação da ONG. Ao todo são duzentos artesãos, que sustentam suas famílias com o queproduzem de artesanato. Atualmente contam com três tipos de artesanato: os tradicionais(barcos, canoas, pila-pilas, cobras, pássaros, bonecos, outros); os utilitários (diversas 129
  • 135. embalagens) e os decorativos (luminárias, quadros, arranjos, entre outros). Tambémtrabalham na fabricação de brinquedos pedagógicos, no entanto, na época da execução dasentrevistas os serviços estavam parados. Disseram que havia novos pedidos e, em 2009,começariam novamente a produzir. A empresa de cosmético procurou a organização para fazer embalagens, mas essetipo de artesanato não tem condições de padronização no nível exigido pela empresa. De acordo com o técnico Vieira, em informação cedida em entrevista pessoal, no anode 2008, o Centro Internacional de Pesquisa Florestal (Cifor) iniciou o “Projeto ecologia,manejo, economia e mercado do miriti em florestas de uso múltiplo no estuário do baixoTocantins”, em parceria com a Embrapa, o Sebrae, a Universidade Federal Rural daAmazônia (UFRA), o Museu Paraense Emilio Goeldi, a Associação dos Artesãos deBrinquedos e Artesanatos de Miriti de Abaetetuba (Asamab), a Miritong, a Associação doTauerá de Beja (Amprotab) e o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais deAbaetetuba – com o objetivo de identificar as formas de extração do miriti, as partes usadasda planta, entender a atividade artesanal dos “brinquedos de miriti”; assim como identificar astécnicas para o manejo sustentável dessa palmeira tão significativa para a região; visto que jáestão enfrentando problemas para conseguir a matéria-prima. Segundo declarações da equipetécnica do projeto, as fibras do miritizeiro constituem o principal recurso utilizado, assimcomo os brinquedos feitos com miriti, produzidos com a parte interna do pecíolo da folha(bucha), as cestarias da parte externa do pecíolo (talas) e das palhas das folhas mais novasdesfiadas. Além disso, do fruto é extraído o vinho de miriti (termo regional usado para suco). A Asamab teve apoio de uma empresa que fabrica barra de alumínio. São cento etreze pessoas que vivem do artesanato. Os que possuem atelier próprio trabalham o ano todo.Em 2008, levaram aproximadamente, trinta e cinco a quarenta mil peças feitas à base do miritipara as festividades do Círio de Nazaré da cidade de Belém. Apesar de os artesãos não teremuma sede própria para realizar suas reuniões e organizar melhor a produção ecomercialização, a atividade destaca-se com grande potencial para o desenvolvimento local.Grande parte dos produtos artesanais é feito nas ilhas próximas à sede de Abaetetuba. 4.2.15 Andiroba a) Caracterização dos agentes mercantis, envolvidos na cadeia de comercialização da andiroba. Os agentes mercantis, envolvidos na cadeia de comercialização do óleo de andiroba,(Figura 31) atuam no âmbito local e estadual, conforme a descrição a seguir: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) 130
  • 136. Produção: É composta por produtores locais, os quais coletam as sementes deandiroba e realizam o beneficiamento primário, geralmente feito pelas mulheres, com afervura e a extração do óleo; Varejo rural: Composto por agentes conhecido como atravessadores, que sãopequenos comerciantes que compram o óleo de andiroba dos produtores locais; Atacado: Constituída por comerciantes que compram o óleo em maior quantidade doprodutor local e vendem para o varejo urbano estadual; Varejo urbano: São os pequenos comerciantes que adquirem o óleo de andiroba daprodução local e vendem para o mercado local; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Varejo urbano: Trata-se de um setor de comércio constituído por varejista (feirantese supermercados), situado no âmbito estadual, que compra do atacado local e vende o óleo deandiroba para o consumidor estadual. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) de andiroba Os nove agentes entrevistados que trabalham com óleo de andiroba estão no ramo emmédia há vinte e um anos (variação de treze a quarenta e oito anos). Todos tambémcomercializam outros produtos, tais como: mel, açaí, murumuru, semente de cumaru, cacau,palmito, artesanato plantas medicinais (leite de amapá, de sucuuba, seiva de jatobá,barbatimão, unha-de-gato, verônica e óleo de copaíba). A capacidade instalada em armazéns possui em média 32m2 (variação de 12 a 60m2), com transporte feito por meio de bicicleta ou moto. A mão-de-obra predominante é afamiliar com uma a três pessoas atuando o ano todo. As necessidades identificadas são porequipamentos apropriados para a prensagem, financiamentos para a produção e apoio dopoder público às farmácias de remédios naturais. O varejo urbano local comprou 64,9% do óleo de andiroba da produção, tendovendido somente para o consumidor. O varejo rural é responsável pelo repasse de 24,3% parao consumidor (Figura 31). Há produtores que conseguem vender 7,2% do total diretamentepara o consumidor estadual. Deste montante, 3,6% seguem para os varejistas de fora daregião. 131
  • 137. Figura 31- Estrutura (%) da quantidade amostral da andiroba comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia da andiroba, no período de 2008 a 2009. A produção local vendeu óleo de andiroba para o varejo rural ao preço de R$ 6,50/l;para o varejo urbano, a R$ 6,77/l; para o atacado local, a R$ 8,00/l e, diretamente para oconsumidor estadual, a R$ 15,00/l (Figura 32). O varejo urbano local vende diretamente parao consumidor local ao preço de R$ 11,50/l. O atacadista local vende para o varejo urbanoestadual a R$ 16,00/l, que, por sua vez, revende ao consumidor estadual ao preço de R$20,00/l. 132
  • 138. Figura 32- Preço médio da andiroba (R$/ l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no período de 2008 a 2009, da RI Tocantins, estado do Pará.Fonte: IDESP. d) VBP - pela óptica da oferta, na comercialização da andiroba. Na cadeia de comercialização do óleo de andiroba a produção local gerou um VBPαde R$ 13,6 mil (Gráfico 44), totalizando no final da cadeia um valor de R$ 33,9 mil. Domontante, R$ 13,8 mil pertencem ao setor varejista urbano local; R$ 4,1 mil ao varejo rural;R$ 1,1 mil ao setor atacadista local e somente R$ 1,3 mil ao varejista urbano estadual. 133
  • 139. Gráfico 44- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da andiroba da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) VAB - gerado na comercialização da andiroba e a margem de comercialização de cada setor (%). Na cadeia de comercialização da andiroba foi agregado ao produto um valor de R$21,2 mil (Gráfico 45). Do montante, o sistema local foi responsável por R$ 20,9 mil, no qualo produtor conseguiu agregar um valor de R$ 13,6 mil, com a comercialização do óleo semnenhum tratamento. O varejista rural agregou somente R$ 1,1 mil, com uma margem de comercializaçãode 38%. Dessa forma, considerou-se essa atividade rentável apesar da pouca agregação devalor. O varejista urbano local agregou R$ 5,7 mil, apresentando o segundo maior mark-up dacadeia (70%). O atacado local agregou R$ 533,3 e obteve o maior mark-up de 100%. Emâmbito estadual, o setor do varejo urbano agregou apenas R$ 266,7, mas apresentou um mark-up de 25% (Gráfico 45). A justificativa é o preço de venda alto por meio do fracionamento doproduto em vidros menores. 134
  • 140. Gráfico 45- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização da andiroba da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização da andiroba. A RBT, identificada pela pesquisa, foi de R$ 33,8 mil, sendo que desse total 96%foram movimentados nos dez municípios e apenas 4% no Estado (Gráfico 46). 135
  • 141. Gráfico 46- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da andiroba, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. O sistema local gerou o equivalente a R$ 32,4 mil, o setor da produção local gerou amaior renda equivalente a R$ 13,6 mil, comparada aos demais setores, visto que realizam obeneficiamento primário do fruto, o qual torna a comercialização rentável. O varejo urbano local foi responsável por R$ 13,8 mil, visto que comprou de insumoR$ 8,1 mil e agregou R$ 5,7 mil. O varejo rural foi responsável pela renda bruta de R$ 4 mil,pois comprou de insumo R$ 2,9 mil e adicionou apenas R$ 1,1 mil. O atacado local obteveuma renda bruta de R$ 1 mil, com valores de compra de insumo e adicionado em iguaisproporções de R$ 0,533 mil cada. Por outro lado, no sistema estadual, o setor de varejo urbano atingiu uma RBT de R$1,4 mil, dos quais R$ 1,1 mil equivalem à compra de insumos e R$ 0,267 mil, ao valoradicionado. g) Informações complementares sobre a comercialização da andiroba. Em Abaetetuba, a extração da andiroba ainda é feita de forma tradicional, algumasfamílias que utilizam essa prática costumam comercializar o produto, outras a utilizamsomente para o consumo nas comunidades. No município de Mocajuba está instalada, há mais de três anos, a filial de umagrande empresa que trabalha com sementes oleaginosas junto às comunidades ribeirinhas da 136
  • 142. região e faz o beneficiamento primário da andiroba. Atualmente, a empresa alocada noMunicípio trabalha exclusivamente com a semente de andiroba e possui embarcação própriapara a coleta das sementes junto às comunidades ribeirinhas. A Empresa beneficia óleo deandiroba geralmente vindo da Região das Ilhas, onde as sementes são coletadas porribeirinhos, mas quem determina os preços do produto é a empresa. A filial compra a sementemolhada ou suja por R$ 0,25/kg, entrega as embalagens e realiza o transporte para que aprodução chegue até Mocajuba. A empresa compra aproximadamente duzentas toneladas desemente de andiroba durante a safra, que vai de janeiro até meados de junho, dependendo doperíodo chuvoso. Essa filial funciona apenas como um apoio logístico de estoque, devido àsdificuldades de abastecimento de energia elétrica e de mão-de-obra qualificada na RITocantins. A empresa então priorizou estabelecer-se em Ananindeua-PA. A matriz possuiuma estrutura de aproximadamente doze prensas “Piratininga” com uma capacidade deprodução de 2,5 toneladas de óleo por hora. Segundo informações da empresa, a maioria da população conhece a andiroba e sabedas suas propriedades medicinais, a semente é bem conhecida na região, porém poucovalorizada. Hoje uma árvore de andiroba custa para o ribeirinho R$ 20,00, quandocomercializada para madeireiros, e uma árvore produz, em média, cem quilos de semente, porsafra. Na safra de 2008, duzentas toneladas de semente foram produzidas somente emMocajuba, mas a empresa também compra sementes em municípios da região, como Cametáe Barcarena, assim também em outras regiões como a do Salgado (Vigia, Santo Antônio doTauá e Mosqueiro) e Região do Marajó. Toda a negociação é realizada diretamente com osprodutores, a empresa não negocia com os atravessadores. O pagamento é feito à vista. Apósa compra, a empresa lava, pesa, seleciona e ensaca a semente. Sua armazenagem é feitasubmersa em água, evitando o apodrecimento e ataque de insetos e roedores. A empresa estabelece a programação da passagem do barco nas comunidades pararecolher as sementes na safra. Em 2007, compraram cerca de sessenta toneladas de óleo jábeneficiado pelas comunidades, que possuem tradição na retirada do óleo artesanal e, comisso, atenderam a uma demanda da empresa que necessitava do mesmo, sem importar-se coma qualidade. A Empresa compra mais a semente do que o óleo artesanal na região.Dependendo do volume, a extração do óleo é feita na filial da empresa em Mocajuba, pormeio de prensa e, o processo de refino é realizado na matriz em Ananindeua. Na cadeia decomercialização da andiroba não foram incluídos os dados da empresa de Mocajuba, poisfalta realizar a entrevista em sua matriz em Ananindeua. 137
  • 143. A Emater informou que em Igarapé-Miri há muitas árvores de andirobas nas áreasribeirinhas, no entanto não são aproveitadas, o que foi constatado em campo como grandepotencial. De acordo com entrevistados, isso ocorre por falta de incentivos e escoamento daprodução. Existe apenas um comprador que determina um preço muito baixo do óleo (R$2,00/l). 4.2.16 Copaíba a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da copaíba. Os quatro agentes entrevistados que trabalham com óleo de copaíba estão no ramoem média há dezesseis anos (variação de sete a vinte anos de atuação). Todos tambémcomercializam outros produtos, tais como: mel, semente de cumaru, cacau, artesanato, plantasmedicinais (leite de amapá, de sucuuba, seiva de jatobá, barbatimão, unha-de-gato, verônica eóleo de andiroba). A capacidade instalada de armazenamento atinge um tamanho médio de30m2 (variação de 12 a 60 m2), com transporte feito por meio de bicicleta ou moto. A mão-de-obra predominante é a familiar, com duas pessoas atuando o ano todo. As necessidadesidentificadas são a ampliação do espaço para o comércio, os financiamentos no sentido deampliar a produção e o apoio do poder público às farmácias de remédios naturais. Os agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do óleo de copaíbaatuam somente em âmbito local, conforme se demonstra na Figura 33 e na descrição a seguir: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: É composta pelos produtores locais que fazem a extração do óleo dascopaibeiras, utilizando normalmente broca para o processo de perfuração e em seguida oenvasamento em garrafas de vidro; Varejo urbano: Constituída por comerciantes que compram o óleo de copaíba dosprodutores locais e revendem para o consumo final. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/ l) entre os setores mercantis da copaíba. Toda a produção de óleo de copaíba (100%) passa pelo varejo urbano local e depoisvai para o consumidor local. O varejo urbano local compra o óleo de copaíba da produçãolocal por um preço médio de R$ 24,70/l e o vende para o consumidor local a um custo de R$31,48/l (Figura 33). 138
  • 144. Figura 33- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/ l) da copaíba na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. c) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização da copaíba. O VBPα da copaíba identificado na pesquisa é de R$ 10,4 mil, totalizando em R$23,7 as vendas totais realizadas, incluindo o setor do varejo urbano, responsável por R$ 13,3mil (Gráfico 47). 139
  • 145. Gráfico 47- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da copaíba da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. d) VAB - gerado na comercialização da copaíba e a margem de comercialização de cada setor (%). Ao longo da cadeia de comercialização da copaíba foi agregado um valor total de R$13,3 mil para a região estudada e o setor responsável foi o extrator de óleo com R$ 10,4 mil,pois se trata de um produto totalmente extrativo com custo baixo de coleta e o varejista localcom R$ 2,9 mil, apresentando um mark-up de 27%, pois é embalado em vidros para então sercomercializado (Gráfico 48). 140
  • 146. Gráfico 48- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização da copaíba da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização da copaíba. A RBT, identificada pela pesquisa, foi de R$ 23,7 mil, sendo toda gerada emovimentada na RI Tocantins (Gráfico 49). 141
  • 147. Gráfico 49- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da copaíba, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. O setor da produção local gerou uma renda equivalente a R$ 10,4 mil e o restante foino setor do varejo urbano (R$ 13,3 mil), que compra de insumo cerca de R$ 10,4 mil e agregaapenas R$ 2,9 mil. Nesse setor do varejo, o óleo é fracionado para fins de consumo local. 4.2.17 Inajá a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do inajá. Os agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do inajá atuamsomente no âmbito local, conforme a descrição a seguir: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Composta por extratores locais, os quais coletam os frutos; Varejo rural: Constituído por “atravessadores”, representantes de empresasnacionais, e pequenos comerciantes que compram o fruto dos produtores locais; Varejo urbano: Formado por pequenos comerciantes que adquirem os frutos daprodução local e vendem-nos para o consumidor local, os quais os utilizam para artesanato; NACIONAL (Fora do estado do Pará) 142
  • 148. Varejo urbano: Formado por um setor do comércio varejista (comerciantes) queutilizam o inajá para a produção de artesanato ou retira o óleo para outros fins. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/ kg) entre os setores mercantis do inajá. O varejo urbano local comercializa 61,5% da quantidade identificada do inajá, que écomprada diretamente dos produtores e vendida exclusivamente para o consumidor local(Figura 34). Por outro lado, o varejo rural compra 38,4% e vende para o varejo urbanonacional.Figura 34- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do inajá na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. Os preços médios referentes à venda do fruto do inajá, praticados pelos extratores comoutros agentes, são de R$ 0,97/kg da semente, com o varejo urbano local e de R$ 0,95/kg,com os varejistas rurais (Figura 34). O preço médio adotado pela venda no varejo urbanolocal para o consumidor local é de R$ 2,25/kg, sendo que e o preço de venda do varejo ruralpara o varejo urbano nacional é de R$ 2,00/kg (Figura 34). c) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização do inajá. O VBPα dos produtores do inajá da região estudada alcançou R$ 8,4 mil (Gráfico50). No varejo rural a VBPα foi de R$ 6,7 mil; no varejo urbano local, foi de R$ 12 mil e, no 143
  • 149. varejista urbano nacional, foi de R$ 7,5 mil, gerando no final da cadeia um total de R$ 34,6mil em vendas do fruto do inajá.Gráfico 50- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do inajá da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. d) VAB - gerado na comercialização do inajá e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB total do inajá ao longo da cadeia de comercialização foi de R$ 19,5 mil paraos dez municípios (Gráfico 51). Do total do valor adicionado na cadeia, o varejo urbano localteve maior participação, com R$ 6,9 mil, atingindo uma margem de comercialização de137%. Em segundo lugar ficou o varejo rural, com R$ 3,3 mil, apresentando uma margem de100%. 144
  • 150. Gráfico 51- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do inajá da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do inajá. A RBT, identificada pela pesquisa, foi de R$ 34,6 mil, sendo que desse total 78%foram movimentados nos dez municípios e 22% em âmbito nacional. 145
  • 151. Gráfico 52- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do inajá, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. O sistema local gerou o equivalente a R$ 27 mil, já o varejo urbano foi responsávelpor R$ 12 mil, pois comprou de insumo cerca de R$ 5,1 mil e agregou R$ 6,9 mil. O varejorural foi responsável pela renda bruta de R$ 6,6 mil, pois comprou de insumo R$ 3,3 mil eadicionou o mesmo montante. 4.2.18 Breu-branco a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do breu-branco. Foram dois os agentes mercantis entrevistados, os quais trabalham com o breu-branco, bem como com artesanato e carvão, usando como base a mão-de-obra familiar. Umdeles trabalha a vinte e dois anos no ramo e possui um armazém com 250 m2. Acaracterização dos agentes mercantis identificados, apenas na esfera local, foi: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Baseia-se na produção extrativista dos dez municípios que comercializama resina do breu-branco; Varejo urbano: Constituído por feirantes que realizam a venda da resina pronta parao consumidor local, a qual é utilizada para calafetar barcos e repelir insetos. 146
  • 152. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un.) entre os setores mercantis do breu-branco. O canal de comercialização do breu-branco identificado é simples e indireto, poisabrange apenas um intermediário que participa da comercialização da resina (Figura 35).Figura 35- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do breu-branco comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. O único setor intermediário é o varejo urbano, representado por feirantes, quecompraram toda a produção (100%), equivalente a 1,7 toneladas de resina, ao preço de R$2,38/kg e venderam para o consumidor final a R$ 3,44/kg da resina (Figura 35). c) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização do breu-branco. Na cadeia de comercialização da resina do breu-branco a produção local gerou um αVBP de R$ 7 mil, totalizando ao final da cadeia R$ 17,1 mil (Gráfico 53). O único ofertanteda cadeia é o varejo urbano local com R$ 10,1 mil. 147
  • 153. Gráfico 53- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do breu-branco da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. d) VAB - gerado na comercialização do breu-branco e a margem de comercialização de cada setor (%). O Valor Agregado (ou Adicionado) Bruto do breu-branco totalizou R$ 10,1 mil(Gráfico 54). O varejo urbano local agregou ao produto apenas R$ 3,1 mil, atingindo umamargem bruta de 44% (Gráfico 54). 148
  • 154. Gráfico 54- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do breu- branco da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do breu-branco. A RBT, identificada pela pesquisa na comercialização do breu-branco, foi de R$ 17,1mil (Gráfico 55). O varejo urbano local foi responsável pela renda bruta de R$ 10,1 mil, poiscomprou de insumo R$ 7 mil e adicionou o montante a R$ 3,1 mil, sendo que o produtor localgerou o equivalente R$ 7 mil. 149
  • 155. Gráfico 55- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do breu-branco, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. 4.2.19 Cipós a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização dos cipós Os agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização dos cipós atuamsomente em âmbito local, conforme a descrição a seguir: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Constituído por coletores de cipós; Atacado: Constituído por comerciante situado no âmbito local que apenas realiza obeneficiamento primário dos cipós para exportação; Varejo urbano: Constituído por comerciantes ou feirantes que compram dos coletoreslocais e revendem para o consumidor local. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/rolo) entre os setores mercantis da cadeia dos cipós. A estrutura da cadeia dos cipós apresenta canais de comercialização simplesapresentando apenas dois intermediários (Figura 36). 150
  • 156. Figura 36- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/rolo) dos cipós comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. O principal canal de comercialização refere-se à venda de 70% da produção doscipós, ao preço médio de R$ 0,50/rolo para o atacadista local que revende para osconsumidores nacionais (neste caso mercado internacional - Alemanha), ao preço médio deR$ 3,13/rolo. O setor do varejo urbano (feirante) compra 30% da produção local, ao preço deR$ 5,04/rolo e revende aos consumidores locais ao preço de R$ 7,17/rolo. Indicando que oscipós são comercializados com baixa agregação de valor, pois são utilizados como matéria-prima na fabricação de artefatos como o matapi, paneiros, entre outros. c) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização dos cipós. Somando os valores recebidos pela venda dos cipós, dos agentes envolvidos em suaextração - o VBPα dos produtores locais foi de R$ 6,9 mil, totalizando no final da cadeia umvalor de R$ 22,9 mil. Os setores que ofertaram nos dez municípios foram o varejo urbano e oatacado, com R$ 8 mil cada (Gráfico 56). 151
  • 157. Gráfico 56- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização dos cipós da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. d) VAB - gerado na comercialização dos cipós e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB total dos cipós ao longo da cadeia de comercialização foi de R$ 16 mil paraos dez municípios. Do total do valor adicionado na cadeia a partir da produção primária, oprodutor teve uma maior participação, com R$ 6,9 mil, pois se trata de um produto totalmenteextrativo com baixo custo de coleta (Gráfico 57). O setor varejista urbano local participoucom R$ 2,4 mil na agregação, apresentando uma margem de 42% e o atacadista local agregouR$ 6,7 mil gerando a maior margem de 526% na cadeia. 152
  • 158. Gráfico 57- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização dos cipós da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização dos cipós. A RBT, originada pela comercialização de cipós da região estudada, gerou para oâmbito local um valor de R$ 22,9 mil - sendo que desse total, R$ 6,9 mil foi gerada pelo setorda produção local (Gráfico 58). 153
  • 159. Gráfico 58- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização dos cipós, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. O varejo urbano local foi responsável por R$ 8 mil, visto que comprou de insumo R$5,6 mil e agregou R$ 2,4 mil. O atacadista local foi responsável pela renda bruta também deR$ 8 mil, pois comprou de insumo R$ 1,3 mil e adicionou apenas R$ 6,7 mil. 4.2.20 Leites (amapá, jatobá e sucuúba) a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização dos leites. Os dois agentes entrevistados que trabalham com os leites de amapá, sucuúba ejatobá estão no ramo há dezessete e vinte anos. Eles também comercializam outros produtosmedicinais, tais como: mel, óleo de andiroba, copaíba, semente de cumaru, unha-de-gato everônica. A capacidade instalada para armazenamento é de 16 e 24 m2, com transporte feitopor meio de bicicleta. A mão-de-obra é familiar com uma a três pessoas. Os agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização dos leites (Figura 37)atuam somente em âmbito local, conforme a descrição a seguir: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: É composta pelos extrativistas locais que fazem a extração dos leitesartesanalmente; 154
  • 160. Varejo urbano: Constituído por comerciantes que compram os leites dos extrativistaslocais e revendem para o consumidor final local. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/l) entre os setores mercantis dos leites. A comercialização dos leites apresentou dois canais, um direto com a produçãovendendo 22% para os consumidores locais ao preço de R$ 13,86/l, e outro indireto com apresença de um setor intermediário entre a produção e o consumidor (Figura 37). O setorintermediário é o varejo urbano, representado por feirantes, que compraram 78% da produção,equivalente a 476 l de leite, ao preço de R$ 4,48/l e venderam para o consumidor final a R$9,22/l (Figura 37).Figura 37- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) dos leites na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. c) VBP - pela óptica da oferta, na comercialização dos leites. O VBPα dos extratores de leite da região estudada alcançou R$ 5,3 mil, contandocom a participação do varejo urbano local, também como o do ofertante, de R$ 5,8 mil(Gráfico 59). 155
  • 161. Gráfico 59- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização dos leites da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. d) VAB - gerado na comercialização dos leites e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB dos leites totalizou apenas R$ 8,3 mil (Gráfico 60). Apesar de o varejourbano local possuir um valor bruto de R$ 5,8 mil, apresenta uma margem de comercializaçãoalta de 106%, pois comercializa o produto com agregação de valor (Gráfico 60). 156
  • 162. Gráfico 60- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização dos leites da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização dos leites. Os dados levantados mostram que os leites geraram uma renda equivalente a R$ 11,1mil, movimentada somente na região tocantina (Gráfico 61). Desse montante, o produtorgerou R$ 5,3 mil e o varejo urbano gerou R$ 5,8 mil, sendo que R$ 2,8 mil foram em funçãoda compra de insumo e R$ 3 mil de adição de valor, mostrando haver uma baixa geração derenda nessa comercialização. 157
  • 163. Gráfico 61- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização dos leites, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. 4. 2. 21 Taperebá a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do taperebá. Os dois agentes entrevistados, que trabalham com o fruto do taperebá, estão no ramohá doze anos. Comercializam também cupuaçu, açaí fruto e palmito. O transporte é feito pormeio de moto e por barco com capacidade de carga para cinco toneladas. Há também umfreezer usado para fazer a conservação. A mão-de-obra é a familiar com três a quatro pessoasatuando o ano todo. Os agentes envolvidos na cadeia de comercialização do taperebá (Figura 38), na RITocantins e na escala estadual, apresentam as seguintes características: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Trata-se da produção extrativista dos municípios estudados quecomercializam o taperebá in natura; Varejo urbano: Constituído por feirantes que realizam a venda do taperebá in naturapara o consumidor local; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) 158
  • 164. Varejo urbano: Constituído por feirantes que compram diretamente da produçãolocal e vendem o taperebá in natura para o consumidor estadual. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$correntes/Kg) entre os setores mercantis da cadeia do taperebá. O varejo urbano local (feirantes) comprou da produção 86% da quantidadeidentificada do taperebá, ao preço médio de R$ 1,20/kg do fruto in natura e, vendeu ao preçode R$ 3,00/kg para os consumidores locais. Por outro lado, os feirantes estaduais (varejourbano estadual) que também comprou 14% direto da produção, ao preço médio de R$0,80/kg do fruto in natura e vendeu para os consumidores estaduais ao preço de R$ 1,00/kg(Figura 38).Figura 38- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do taperebá comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. c) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização do taperebá. Na cadeia de comercialização do taperebá a produção local gerou um VBPα de R$4,1 mil (Gráfico 62), pela sua oferta. Sendo que nessa cadeia os setores ofertantes são ovarejo urbano local, com R$ 9,3 mil e o varejo urbano estadual com apenas R$ 514,6. 159
  • 165. Gráfico 62- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do taperebá da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. d) VAB - gerado na comercialização do taperebá e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB do taperebá totalizou R$ 9,7 mil, atingindo um mark-up total de 138%(Gráfico 63). Observando-se, portanto que, em termos relativos, o valor adicionado ao longoda cadeia do fruto, a partir da produção primária (Setor α), é significativo. 160
  • 166. Gráfico 63- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do taperebá da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. O varejo urbano local foi responsável pela maior agregação com R$ 5,5 mil (Gráfico63), com uma margem bruta de 150% (Gráfico 63), sendo que o varejo urbano estadualapesar de agregar pouco (R$ 102,9) apresenta uma margem de apenas 25%. e) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do taperebá. A RBT, identificada pela pesquisa, foi de R$ 13,9 mil, sendo que do total 96% forammovimentados nos dez municípios e 4% no Estado (Gráfico 64). O sistema local gerou oequivalente a R$ 13,4 mil, sendo que o varejo urbano foi responsável por R$ 9,3 mil, já quecomprou o fruto in natura por R$ 3,7 mil e agregou R$ 5,6 mil ao fruto já embalado para oconsumo final local. No sistema estadual, o varejo urbano atingiu uma RBT de R$ 514,6 dosquais R$ 411,7 equivalem à compra do fruto in natura e R$ 102,9 ao valor adicionado. 161
  • 167. Gráfico 64- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do taperebá, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. 4.2.22 Urucum a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do urucum. Os agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do urucum (Figura39) atuam somente no âmbito local, conforme a descrição a seguir: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: É composta por produtores locais que fazem a colheita e o primeiroprocessamento do urucum, por meio de secagem e moagem com pilão, do qual se oriunda umconcentrado com o urucum em água, embalados em garrafas de vidro; Varejo rural: Constituído por atravessadores que compram o urucum dos produtoreslocais e revendem para o varejo urbano estadual (feirantes); Varejo urbano: Engloba os comerciantes que compram o urucum dos produtoreslocais e revendem para o consumo final; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Varejo urbano: Constituído por comerciantes que compram o urucum do varejo rurale revendem para o consumidor estadual. 162
  • 168. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg semente) entre os setores mercantis do urucum. Da produção identificada na RI Tocantins 89% abastece o comércio local e 11% saipara atender o comércio estadual (Figura 39). O varejo urbano local comprou 89% daprodução identificada, ao preço médio de R$ 2,00/kg e revendeu para o consumidor finallocal a R$ 4,00/kg. Já o varejo urbano estadual comprou 11% diretamente do varejo ruralpreço médio de R$ 2,80/kg que por sua vez vendeu a R$ 6,00/kg para o consumidor estadual.Figura 39- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do urucum comercializado na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. c) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização do urucum. O VBPα do urucum, identificado na pesquisa, é de R$ 1,2 mil totalizando em R$ 3,8mil, ou seja, o equivalente à soma das vendas realizadas por todos os setores que constituem acadeia. Do total do VBP do urucum são ofertados R$ 2,1 mil pelo setor do varejo urbanolocal; R$ 172,4 pelo setor varejista rural e, no âmbito estadual, o setor do varejo urbano porR$ 369,5 (Gráfico 65). 163
  • 169. Gráfico 65- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do urucum da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. d) VAB- gerado na comercialização do urucum e a margem de comercialização de cada setor (%). Do total do VAB dos dez municípios, o setor com maior participação no âmbito localfoi o produtor local, com o maior valor agregado da cadeia na ordem de R$ 1,2 mil, pois esteexecuta as primeiras transformações do urucum. Na esfera local, o varejo urbano contribuiucom R$ 1,0 mil (mark-up de 100%) e o varejo rural com R$ 18,5. No âmbito estadual, ovarejo urbano contribuiu com R$ 197,1 um mark-up de 114% (Gráfico 66). 164
  • 170. Gráfico 66- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do urucum da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) RBT - gerada pela ótica da demanda na comercialização do urucum. A RBT, gerada na comercialização do urucum nos dez municípios estudados, foi deR$ 3,7 mil. Na região estudada, o setor do varejo urbano atingiu uma RBT no valor de R$ 2,1mil, já que comprou de insumos cerca de R$ 1,0 e adicionou o mesmo valor. O setor deprodução foi responsável pela renda bruta de R$ 1,2 mil (Gráfico 67). 165
  • 171. Gráfico 67- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do urucum, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. 4.2.23 Plantas medicinais a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização das plantas medicinais. Nos dez municípios foram entrevistados dois agentes mercantis que atuam nacomercialização de verônica, pau-doce, unha-de-gato e barbatimão, bem como com outrosprodutos derivados de plantas medicinais como óleos de copaíba e andiroba, leites de amapá ede sucuúba, seiva de jatobá e semente de cumaru. Eles atuam, respectivamente, há sete e vinteanos no ramo, contendo local para armazenagem com capacidade de 12 e 24m2; não possuemmeio de transporte e a mão-de-obra é do tipo familiar, com duas e três pessoas que trabalhamdiariamente. Os agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização das plantasmedicinais atuam somente em âmbito local, conforme a descrição a seguir: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: Constituída pelos coletores de plantas medicinais; Varejo urbano: Constituído por comerciantes ou os feirantes que compram as plantasmedicinais dos produtores locais e revendem para o consumidor final. 166
  • 172. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis das plantas medicinais. Toda a produção identificada das plantas medicinais dos dez municípios estudados(100%) é comercializada somente pelo varejo urbano local, ao preço de R$ 12,00/kg, quecomercializou com o consumidor local ao preço de R$ 16,00/kg (Figura 40).Figura 40- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) das plantas medicinais na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. c) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização das plantas medicinais. Somando todos os valores recebidos pela venda das plantas medicinais, por todos osagentes envolvidos em sua extração, depreende-se que o VBPα dos produtores locais foi desomente R$ 2,9 mil, totalizando, no final da cadeia, R$ 6,8 mil (Gráfico 68). O varejo urbano,com R$ 3,9 mil, é, portanto, o único setor ofertante nos dez municípios estudados. 167
  • 173. Gráfico 68- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização das plantas medicinais da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. d) VAB - gerado na comercialização das plantas medicinais e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB total das plantas medicinais, ao longo da cadeia, foi de apenas R$ 3,9 milpara os dez municípios; sendo o setor responsável o varejista urbano local que adicionou R$978,4, com uma margem de comercialização de apenas 33% (Gráfico 69). 168
  • 174. Gráfico 69- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização das plantas medicinais da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. e) RBT- gerada pela ótica da demanda, na comercialização das plantas medicinais. Os dados levantados mostram que a comercialização das plantas medicinais gerouuma RBT de R$ 6,8 mil (Gráfico 70). O produtor gerou R$ 2,9 mil somente pelacomercialização in natura dessas plantas e o varejo urbano (feirantes) gerou R$ 3,9 mil, sendoR$ 2,9 mil pela compra das plantas medicinais e R$ 978,4 de adição de valor ao produto,apontando uma baixa agregação de valor para o consumo final. 169
  • 175. Gráfico 70- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização das plantas medicinais, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. f) Informações complementares sobre a comercialização de plantas medicinais. Em Cametá, o Centro Popular de Orientação à Saúde (CPOS) possui uma “farmáciaviva”, a qual atende às famílias da região, produzindo e manipulando diversos remédios:banhos, xaropes e cremes. O uso de plantas medicinais no tratamento de doenças faz parte do cotidiano dasfamílias do município de Baião, geralmente pertencentes à área rural, com transações naforma de doação ou troca dos produtos entre as famílias. Já na zona urbana, existe umapequena comercialização de plantas, porém o Município apresenta grande potencial emdecorrência de a região possuir áreas pouco exploradas e com ocorrência de espécies nativas. 4.2.24 Semente de cupuaçu a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da semente de cupuaçu. Os agentes envolvidos na cadeia de comercialização da semente de cupuaçu (Figura41) na RI Tocantins apresentam as seguintes características: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) 170
  • 176. Produção: Caracterizada pelos produtores que realizam o beneficiamento primário docupuaçu (despolpamento do fruto feito com tesoura) e comercializam a semente de cupuaçu; Varejo rural: Constituído por atravessadores que compram a semente de cupuaçu; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Indústria de beneficiamento: Constituído por Cooperativa Agrícola localizada nomunicípio de Tomé-Açu, a qual extrai a manteiga de cupuaçu das sementes. Indústria de transformação: Formada por uma unidade industrial de produção decosmético, situada no município de Benevides, região metropolitana de Belém (PA), a qualrealiza a produção do noodle (massa de sabonete). b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis da semente de cupuaçu. O varejo rural comercializa 100% da quantidade identificada da semente de cupuaçu,que é comprada diretamente dos produtores, ao preço de R$ 1,20/kg da semente, aqual foivendida exclusivamente para a indústria de beneficiamento estadual, ao preço de R$ 1,50/kgda semente, sendo que esta vende diretamente para a indústria de transformação estadual, porR$ 13,00/kg (Figura 41). 171
  • 177. Figura 41- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) da semente de cupuaçu na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. c) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização da semente de cupuaçu. O VBPα dos produtores que comercializam a semente de cupuaçu, identificado pelapesquisa, atingiu somente R$ 615,0 (Gráfico 71). 172
  • 178. Gráfico 71- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da semente de cupuaçu da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. O valor bruto da produção do varejo rural local foi de R$ 768,8 enquanto que daindústria de beneficiamento e de transformação estadual atingiram R$ 6,6 mil cada, e o VBPde todos os setores que ofertam na cadeia foi de R$ 14,7 mil (Gráfico 71). d) VAB - gerado na comercialização da semente de cupuaçu e a margem de comercialização de cada setor (%). Ao longo da cadeia de comercialização da semente de cupuaçu foi agregado umvalor total de R$ 6,6 mil (Gráfico 72), que significa uma margem de agregação ou um mark-up total de 983%. 173
  • 179. Gráfico 72- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização da semente de cupuaçu da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. Do total do VAB, o sistema local foi responsável por apenas 12%, enquanto que osistema estadual responsabilizou-se por 88% (Gráfico 72). A indústria de beneficiamentoestadual foi responsável por R$ 5,9 mil, com uma margem de agregação de 767% (Gráfico72), a de transformação estadual não teve seu valor de agregação estimado, pois a presentepesquisa não obteve dados suficientes para tal cálculo. e) RBT- gerada pela ótica da demanda, na comercialização da semente de cupuaçu. A RBT gerada na comercialização da semente do cupuaçu, identificada pelapesquisa, foi de R$ 14,7 mil, sendo que o varejo rural foi responsável pela renda bruta de R$768,8, pois comprou de insumo R$ 615,0 e adicionou R$ 153,8 (Gráfico 73). O produtorlocal gerou R$ 615,0. A indústria de beneficiamento estadual atingiu uma RBT de R$ 6,7 mil,dos quais R$ 768,8 equivalem à compra de insumos e R$ 5,9 mil ao valor adicionado. 174
  • 180. Gráfico 73- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da semente de cupuaçu, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. 4.2.25 Cumaru a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do cumaru. Os agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do cumaru (Figura42) atuam somente em âmbito local, conforme a descrição a seguir: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: É composta por extrativistas locais que fazem a coleta das sementes documaru em suas áreas; Varejo urbano: Constituído por Feirantes que comercializam o cumaru comomedicinal em pequenas quantidades para o consumidor final b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis do cumaru. Tendo uma cadeia exclusivamente local, o setor varejista urbano compra toda aprodução identificada ao preço de R$ 3,00/kg da semente, que é revendido aos consumidoreslocais ao preço médio de R$ 20,00/kg da semente (Figura 42). 175
  • 181. Figura 42- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do cumaru na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. c) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização do cumaru. O VBPα dos coletores das sementes do cumaru da região alcançou apenas R$ 102,5;enquanto que o varejo urbano local ofertou o equivalente a R$ 683,4 totalizando, no final dacadeia, um montante de R$ 785,9 pelas vendas das sementes (Gráfico 74). 176
  • 182. Gráfico 74- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do cumaru da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. d) VAB - gerado na comercialização do cumaru e a margem de comercialização de cada setor (%). O Valor Agregado Bruto das sementes do cumaru totalizou apenas R$ 683,4(Gráfico 75). 177
  • 183. Gráfico 75- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do cumaru da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. Apesar de o varejo urbano local ter atingido um valor bruto de R$ 683,4 (Gráfico75), apresentou uma margem de comercialização altíssima de 567%, pois comercializou oproduto com uma agregação de valor para fins medicinais (em sacos plásticos deaproximadamente 100 gramas de semente). e) RBT- gerada pela ótica da demanda, na comercialização do cumaru. Os dados levantados mostram que a comercialização das sementes do cumaru gerouuma RBT de R$ 785,9 (Gráfico 76). O produtor gerou R$ 102,5 somente pela comercialização in natura dessas sementese o varejo urbano (feirantes) gerou R$ 683,4, sendo R$ 102,5 pela compra das sementes e R$580,9 de agregação de valor (Gráfico 76). 178
  • 184. Gráfico 76- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do cumaru, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. 4.2.26 Guarumã a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do guarumã. Os agentes envolvidos na cadeia de comercialização do guarumã, na RI Tocantins,apresentam as seguintes características: LOCAL (Municípios da RI Tocantins) Produção: É composta pelos extratores da fibra do guarumã; Varejo rural: Constituído por atravessadores da fibra que não realizam obeneficiamento da mesma; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Tocantins) Varejo urbano: Constituído por feirantes que comercializam a fibra do guarumã paraos artesãos. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/braça) entre os setores mercantis do guarumã. 179
  • 185. A produção local vende para o varejo rural a fibra ao valor de R$ 0,12/braça (Figura43). O varejo rural entrega para varejo urbano estadual a R$ 0,40/braça, que vende para osconsumidores estaduais (artesãos) a R$0,90/braça.Figura 43- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/braça) do guarumã na RI Tocantins, estado do Pará, no período de 2008 a 2009.Fonte: IDESP. c) VBP - pela ótica da oferta, na comercialização do guarumã. Na cadeia de comercialização do guarumã, a produção local gerou um VBPα de R$20,5 (Gráfico 77). 180
  • 186. Gráfico 77- VBP, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do guarumã da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. O VBP, no âmbito estadual, foi de (63%), sendo significativamente maior do que naesfera local (37%), em função do alto consumo desse produto para a produção de artefatos (ouartesanatos) mais elaborados (Gráfico 77). Os setores que mais venderam foram o varejorural (R$ 68,3) e o varejo urbano estadual (R$ 153,8). d) VAB - gerado na comercialização do guarumã e a margem de comercialização de cada setor (%). Ao longo da cadeia de comercialização do guarumã na produção local da RITocantins até a demanda final estadual, o valor de R$ 153,7 foi adicionado (VAB) ao produto,subtraindo-se o VAB total (R$ 153,7) do VBP da produção local (R$ 20,5) (Gráfico 78).Dividindo-se o resultado pelo VBP da produção local, obtemos um mark-up total de 650%.Observou-se, pois, em termos relativos, que o valor adicionado ao longo da cadeia a partir daprodução primária (Setor α) é significativo. 181
  • 187. Gráfico 78- VBP, VAB e a margem de comercialização (mark-up) em %, gerado na comercialização do guarumã da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. Do total do VAB, o sistema local foi responsável por R$ 68,3, sendo o setor commaior participação o varejista rural, com R$ 47,8, gerando com isso um mark-up de 233%, omaior da cadeia como um todo (Gráfico 78). É importante ressaltar o papel do produtor local, que apresenta um valor de R$ 20,5,pois o extrator realiza o primeiro processamento dessa fibra sendo totalmente manual. Poroutro lado, em âmbito estadual, o setor do varejo urbano apresenta a maior participação nacadeia toda, com R$ 85,4, justificando um mark-up de 125% (Gráfico 78). e) RBT- gerada pela ótica da demanda, na comercialização do guarumã. A RBT, identificada pela pesquisa na comercialização do guarumã, foi de R$ 242,6;sendo que desse total, 37% foram movimentados nos dez municípios e 63% no Estado(Gráfico 79). 182
  • 188. Gráfico 79- RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do guarumã, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Tocantins, estado do Pará, estimado para 2008.Fonte: IDESP. O sistema local gerou o equivalente a R$ 88,8, o varejo rural foi responsável pelarenda bruta de R$ 68,3, pois comprou de insumo R$ 20,5 e adicionou o montante a R$ 47,8,sendo que o produtor local gerou R$ 20,5 (Gráfico 79). O varejo urbano estadual atingiu umaRBT de R$ 153,8, dos quais R$ 68,3 equivalem à compra de insumos e R$ 85,4 ao valoradicionado.4.3 INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DE ARTESANATOS NA REGIÃO Em Cametá foi identificada quase uma centena de diferentes formas de matérias-primas, colhidas na floresta10 que passam por processos bem simples de preparo para a10 Abacaxizinho, bola-de-natal, cabaças (gd, md, pq, gg), cabaça-peito-de-moça, cacho-bacaba, cacho-flor-de- madeira (sororoca), cacho de palma real, cacho de coco babaçu (inteiro ou cortado), cacho-da-amazônia (jupati), cálice (gd e pq), canoa de babaçu, canoa-de-brasília, canoa de açaí/canoa-fina, canoa-de-bacaba, canoinha, capim- chuveirinho, cipó-escada, cipó-trançado, cipó-grosso, caracol-branco, caracol-verde, caroço de miriti, caroço de uxi, caroço de murumuru, caroço de jatobá, caroço de tucumã (jabarana), caracolzinho, casca de feijão, cavalo de açaí, cavalo de bacaba, cavalo de bacaba lavado, Cabo para flores trabalhadas, castanha-do-pará, chifre-de-boi (gd, md, pq Maranhã/Cametá), chapeuzinho, cipó-rosca de 2 a 3 cm, conchas, cutite, crespinho, copo de paxiúba, envira, miriti, espeto de bambu (50cm ou 70cm), escamadinho, espanador (1 ou 2), espinho-liso, fava-enrolada, fava-leitosa, fava-bié, fava-marrom, flor de abacaxizinho/flor de inajá, flor da madeira/limpa, flor-de-madeira, flor do coco babaçu, flor-do-campo, folha-da-amazônia, folha-cortada, folha-holandesa (açaí, miriti, bacaba, inajá e caranã), folha-cortada, folha-verdosa, folha-de-ubim, fruto- 183
  • 189. comercialização, alguns somente com lavagem e secagem. São cipós, partes de plantas,folhas, sementes, frutos como o inajá, o buriti, o murumuru, entre outros, os quais sãoretirados da floresta, alguns ainda verdes, cuja quantidade a ser extraída está em função dademanda do comprador. Esses produtos naturais, os quais possuem aspectos ou formasinteressantes que podem ser usados como enfeites ou utensílios artesanais, que sãocomercializados para mercados externos. Os artesanatos identificados em Baião foram os utensílios domésticos e de trabalhocomo o tipiti, a peneira, os paneiros, os abanos, entre outros todos confeccionados em fibra,geralmente do guarumã e comercializados localmente. Uma potencialidade de Barcarena é a grande produção de artesanatos em fibras ecipós da comunidade Tinga Açu, os quais são comercializados em Belém e em outros estados.Os artesãos confeccionam variedades de cestarias. O transporte do artesanato ocorre viafluvial em embarcações, que saem da comunidade toda sexta-feira, sendo vendidos na feira doVer-O-Peso. Os artesãos trabalham principalmente por encomenda e vendem mais na épocade junho, durante as festas juninas. O artesanato do Moju com produtos da floresta (sementes, fibras, cascas, troncos,folhas e outros) são comercializados nas casas dos artesãos e não possuem mercado certo.Constatou-se estar sendo solicitado apoio para a expansão da produção e para acomercialização. Uma família moradora na margem da PA 150 (entre Moju e o município deTailândia) produz artesanatos em madeira, cipós, fibras e sementes. A matéria-prima éretirada de uma área de floresta da família, o artesanato em questão é variado e bemtrabalhado, já fizeram exposições com mais de duzentas peças diferentes em Moju, emdezembro de 2008, previam fazer outra exposição nas festividades do Município. amarelo (taperebá), fruto de aracanga, fruto de caranã, fruto carrapeta-belém, fruto de carrapeta-cametá, fruto do inajá, frutos do jutaí, fruto-pintado, fruto-rajado, fruto-tanã, galeras (pq e lavadas), girassol-espinho (gd, pq, peludo preto ou verde), Ingá-cipó, jacitara (gd, grossa ou pq, fina), laranja-selvagem (seca , viva), maçã vermelha, madeira ornamental (ou 55), miniostra, moeda, ninja, ninho, olho-de-boi (rajado ou preto), orelha- branca, orelha-de-burro (ou pq), ouriços (castanha inteiro, lavados, etc.), ovo-de-pombo (1, pq ou 2), palma- real (gd, md, pq, pp), panari /nozes chinesas (gd, pq, lavado), pé de coqueiro, pendão-chinês peneira (nº1 cametá, nº2 bambu), pétala de flor-de-madeira, paxiúba em metro, pinheiro-africano/açairinha (pq, nº1, nº2), prego-seru, ramo de açaí (maços), ramo de bacaba (fardo de 20 kg), ramo de bacaba lavado, ráfia e rosa-de- tefé aberta. 184
  • 190. 4.4 ANÁLISES ECONÔMICAS AGRUPADAS Ao se fazer uma análise do ponto de vista da demanda final dos produtos florestaisnão madeireiros, produzidos na RI Tocantins, os quais somados equivalem a R$ 766,18milhões; constatamos que o sistema nacional é o grande responsável (50%) por comprar essesprodutos R$ 380,06 milhões, o mercado estadual demanda 21% do valor equivalente a R$161,35 milhões e o mercado local demanda R$ 224,76 milhões (Tabela 2).Tabela 2- Demanda final (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros, identificados nos dez municípios da RI Tocantins, PA, em 2008. Demanda Final (Valores R$) Porcentagem (%)Produto Florestal Não Estadual Nacional Estadual NacionalMadeireiro Local Total Local (Estimado) (Estimado) (Estimado) (Estimado)Carvão (saca) 466.278,68 302.093,73 - 768.372,41 61 39 -Buriti (kg) 191.884,59 111.797,96 - 303.682,55 63 37 -Mel (l) 190.379,42 - - 190.379,42 100 - - (1)Utensílios (un.) 72.609,45 - 23.063,79 95.673,24 76 - 24Andiroba (l) 11.598,33 1.066,67 - 12.665,00 92 8 -Copaíba (l) 10.416,67 - - 10.416,67 100 - -Inajá semente (kg) 8.400,00 - 6.666,67 15.066,67 56 - 44Breu-branco (kg) 7.016,90 - - 7.016,90 100 - - (2)Cipós 6.923,41 - - 6.923,41 100 - -Taperebá (kg) 3.704,93 411,66 - 4.116,59 90 10 - (3)Plantas medicinais (kg) 2.935,32 - - 2.935,32 100 - - (4)Leites (l) 2.834,28 - - 2.834,28 100 - -Urucum (kg) 1.188,47 172,42 - 1.360,89 87 13 -Cumaru (kg) 102,51 - - 102,51 100 - -SubTotal 976.272,96 415.542,44 29.730,46 1.421.545,85 69 29 2Bacaba (kg) 81.353,44 99.576,90 - 180.930,34 45 55 -Murumuru (kg) 18.800,00 33.640,00 - 52.440,00 36 64 -Bacuri (un.) 1.348,18 1.801,01 - 3.149,19 43 57 -Cupuaçu semente (kg) 615,03 7.431,67 - 8.046,70 8 92 -Guarumã (braça) 20,50 68,34 - 88,84 23 77 -SubTotal 102.137,16 142.517,91 - 244.655,07 23 61 16Açaí fruto (kg) 210.965.901,13 147.400.529,25 330.955.015,40 689.321.445,78 31 21 48Cacau amêndoa (kg) 9.926.244,68 9.474.095,41 35.363.592,13 54.763.932,21 18 17 65Castanha-do-brasil (kg) 958.448,75 2.108.400,48 11.308.258,01 14.375.107,24 7 15 79Palmito (kg) 279.001,10 87.346,89 2.064.510,09 2.430.858,09 11 4 85Cupuaçu (un.) 1.465.932,46 1.366.789,88 75.689,38 2.908.411,72 50 47 3Artesanato miriti (braça) 33.327,43 362.255,92 57.102,59 452.685,95 7 80 13Coratá (un.) 55.865,62 - 211.845,17 267.710,79 21 - 79SubTotal 223.684.721,17 160.799.417,82 380.036.012,78 764.520.151,78 29 21 50Total Geral 224.763.131,29 161.357.478,17 380.065.743,23 766.186.352,70 29 21 50(1) Cuia, paneiro e tipiti.(2) Cipó timbó (rolo) e cipó torcido (un.)(3) Cascas de barbatimão, pau-doce, unha-de-gato e verônica.(4) Amapá, jatobá e sucuúba.Fonte: IDESP. No entanto, se esta análise se faz do ponto de vista de quem adiciona mais valor aoproduto (VAB), conforme a Tabela 3, o sistema estadual agrega R$ 285,53 milhões (40%) onacional, R$ 128,41 milhões (18%) e o local, um montante de R$ 298,97 milhões (42%). 185
  • 191. Tabela 3- VAB (local, estadual e nacional), em R$ dos produtos florestais não madeireiros, identificados nos dez municípios da RI Tocantins, PA, em 2008. Valor Adicionado Bruto (VAB) (Valores R$) Porcentagem (%)Produto Florestal Não Madeireiro Nacional Nacional Local Estadual Total Local Estadual (Estimado) (Estimado)Açaí fruto (kg) 281.499.212,75 272.641.632,12 101.319.241,66 655.460.086,53 43 42 15Cupuaçu (un.) 2.123.738,83 131.930,83 26.747,37 2.282.417,04 93 6 1Carvão (saca) 1.048.074,68 315.065,86 - 1.363.140,53 77 23 -Artesanato miriti (braça) 730.134,24 20.602,79 23.076,83 773.813,85 94 3 3Mel (l) 439.010,84 - - 439.010,84 100 - -Buriti (kg) 406.216,53 - - 406.216,53 100 - -Coratá (un.) 211.845,17 - 52.961,29 264.806,46 80 - 20Bacaba (kg) 149.060,59 60.441,43 - 209.502,02 71 29 - (1)Utensílios (un.) 94.243,77 - 2.562,64 96.806,41 97 - 3Murumuru (kg) 33.640,00 8.133,33 - 41.773,33 81 19 -Bacuri (un.) 26.080,32 450,25 - 26.530,57 98 2 -Andiroba (l) 20.940,00 266,67 - 21.206,67 99 1 -Inajá semente (kg) 18.666,67 - 878,91 19.545,57 96 - 4 (2)Cipós 16.042,15 - - 16.042,15 100 - -Copaíba (l) 13.275,00 - - 13.275,00 100 - -Breu-branco (kg) 10.130,78 - - 10.130,78 100 - -Taperebá (kg) 9.673,99 102,91 - 9.776,90 99 1 - (3)Leites (l) 8.327,74 - - 8.327,74 100 - - (4)Plantas medicinais (kg) 3.913,76 - - 3.913,76 100 - -Urucum (kg) 2.241,47 197,05 - 2.438,53 92 8 -Cumaru (kg) 683,37 - - 683,37 100 - -SubTotal 286.865.152,62 273.178.823,26 101.425.468,71 661.469.444,59 43 41 15Castanha-do-brasil (kg) 2.293.212,19 9.199.857,53 3.413.977,25 14.907.046,97 15 62 23Cupuaçu semente (kg) 768,79 5.894,08 - 6.662,87 12 88 -Guarumã (braça) 68,34 85,42 - 153,76 44 56 -SubTotal 68,34 85,42 - 153,76 44 56 -Cacau amêndoa (kg) 9.009.390,20 2.997.569,18 21.894.484,32 33.901.443,70 27 9 65Palmito (kg) 810.982,22 147.725,53 1.682.995,24 2.641.702,99 31 6 64SubTotal 810.982,22 147.725,53 1.682.995,24 2.641.702,99 31 6 64TOTAL GERAL 287.676.203,18 273.326.634,21 103.108.463,95 664.111.301,33 43 41 16(1) Cuia, paneiro e tipiti.(2) Cipó timbó (rolo) e cipó torcido (un.)(3) Amapá, jatobá e sucuúba.(4) Cascas de barbatimão, pau-doce, unha-de-gato e verônica.Fonte: IDESP. Se a análise, no entanto, for feita pela capacidade de agregar valor aos produtosflorestais não madeireiros, ou seja, com base no VAB, o qual aponta onde a economia estámais atuante e imprime ações de beneficiamento e transformação nos produtos doextrativismo, nos diversos setores ao longo das cadeias de comercialização, conformedemonstrado na Tabela 4, constatamos que perceberemos que a categoria dos alimentícios foia campeã com 99,57% do VAB total, o equivalente a (R$ 709,84 milhões). A castanha agregamais valor em âmbito estadual por intermédio das agroindústrias de beneficiamento dacastanha, instaladas no Pará. Já o cacau e o palmito são produtos alimentícios que apresentamno mercado nacional os maiores agregadores de valor. Os demais produtos alimentícios (açaí,cupuaçu, buriti, bacaba, bacuri, taperebá e urucum) têm no mercado local o maior poder deagregação de valor. 186
  • 192. Tabela 4- VAB (R$) na esfera local, estadual e nacional dos produtos florestais não madeireiros, identificados na RI Tocantins, em 2008; organizados em cinco categorias: alimentícios, derivados de madeira, artesanato, derivados de animal e fitoterápicos/cosméticos. VAB (Valores) Porcentagem (%) Produto Florestal NãoCategorias Estadual Nacional Estadual Nacional Madeireiro Local Total Local (Estimado) (Estimado) (Estimado) (Estimado) Açaí fruto (kg) 281.499.213 272.641.632 101.319.242 655.460.087 43 42 15 Cacau amêndoa (kg) 9.009.390 2.997.569 21.894.484 33.901.444 27 9 65 Alimentícias (99,57%) Castanha-do-brasil (kg) 2.293.212 9.199.858 3.413.977 14.907.047 15 62 23 Palmito (kg) 810.982 147.726 1.682.995 2.641.703 31 6 64 Cupuaçu (un.) 2.123.739 131.931 26.747 2.282.417 93 6 1 Buriti (kg) 406.217 - - 406.217 100 0 0 Bacaba (kg) 149.061 60.441 - 209.502 71 29 0 Bacuri (un.) 26.080 450 - 26.531 98 2 0 Taperebá (kg) 9.674 103 - 9.777 99 1 0 Urucum (kg) 2.241 197 - 2.439 92 8 0 Total 296.329.809 285.179.907 128.337.446 709.847.162 42 40 18 Derivado Madeira (0,19%) Carvão (saca) 1.048.075 315.066 - 1.363.141 77 23 0 Total 1.048.075 315.066 - 1.363.141 77 23 0 Artesanato miriti (braça) 730.134 20.603 23.077 773.814 94 3 3 Coratá (un.) 211.845 - 52.961 264.806 80 0 20 Artesanato (0,16%) Utensílios (un.) (1) 94.244 - 2.563 96.806 97 0 3 (2) Cipós 16.042 - - 16.042 100 0 0 Guarumã (braça) 68 85 - 154 44 56 0 Total 1.052.334 20.688 78.601 1.151.623 91 2 7 Derivado Animal (0,06%) Mel (l) 439.010,84 - - 439.011 100 0 0 Total 439.011 0 0 439.011 100 0 0 Murumuru (kg) 33.640,00 8.133,33 - 41.773 81 19 0 Fitoterápicos e Cosméticos Andiroba (l) 20.940,00 266,67 - 21.207 99 1 0 Inajá semente (kg) 18.666,67 - 878,91 19.546 96 0 4 Copaíba (l) 13.275,00 - - 13.275 100 0 0 (0,02%) Breu-branco (kg) 10.130,78 - - 10.131 100 0 0 (3) Leites (l) 8.327,74 - - 8.328 100 0 0 Cupuaçu semente (kg) 768,79 5.894,08 - 6.663 12 88 0 (4) Plantas medicinais (kg) 3.913,76 - - 3.914 100 0 0 Cumaru (kg) 683,37 - - 683 100 0 0 Total 110.346 14.294 879 125.519 88 11 1TOTAL GERAL 298.979.574 285.529.955 128.416.926 712.926.455 42 40 18(1) Cuia, paneiro e tipiti.(2) Cipó timbó (rolo) e cipó torcido (un.)(3) Amapá, jatobá e sucuúba.(4) Cascas de barbatimão, pau-doce, unha-de-gato e verônica.Fonte: IDESP. O único derivado de madeira estudado na RI Tocantins é o carvão. Sua agregação devalor é de 77% conforme dados da Tabela 4. O mesmo acontece com o único derivadoanimal estudado, o mel, que tem sua economia baseada somente na esfera local com umaagregação de valor equivalente a R$ 439,01 mil. No que se refere à categoria dos artesanatos(fibras e utensílios), o valor agregado total equivale a R$ 1,1 milhão. Nesse setor, a economialocal é a que mais agrega valor aos diversos produtos identificados (91%). Os fitoterápicos e os cosméticos ainda não possuem estratégias locais para aagregação de valor em escala comercial, pois necessitam de ciência, tecnologia einvestimentos, por isso a agregação é pequena e refere-se basicamente à coleta de partes das 187
  • 193. plantas, alguns processos rústicos de extração e utilização de embalagens simples aosprodutos que atingiram o montante de R$ 125,51 mil de valor agregado. Como alguns produtos estudados estão num patamar econômico bem mais alto emrelação aos demais, fica difícil comparar quando alguns poucos estão em escalas de bilhões eoutros em dezenas de milhares. Dessa forma, uma estratégia adotada para analisá-los foidividi-los em três categorias em função da RBT circulada na comercialização dos produtos: i)os que atingiram valores acima de R$ 600 mil da RBT; ii) os intermediários com a RBT entreR$ 90 a 599 mil e iii) os abaixo de R$ 90 mil (Tabela 5).Tabela 5- RBT, em (R$), na esfera local, estadual e nacional dos produtos florestais não madeireiros, identificados na RI Tocantins, em 2008, organizados em três categorias relativas com escalas de valor da RBT (acima de R$ 600 mil, entre R$ 90 mil a 599 mil e abaixo de R$ 90 mil). Renda Bruta Total (RBT) (Valores R$) Porcentagem (%) Produto Florestal Não Categorias Estadual Nacional Estadual Nacional Relativa a Madeireiro Local Total Local (Estimado) (Estimado) (Estimado) (Estimado) RTB Açaí fruto (kg) 492.465.113,87 420.042.161,37 432.274.257,06 1.344.781.532,31 37 31 32 91 RBT acima de R$ 600 mil Cacau amêndoa (kg) 18.935.634,88 12.471.664,58 57.258.076,45 88.665.375,91 21 14 65 6 Castanha-do-brasil (kg) 3.251.660,95 11.308.258,01 14.722.235,26 29.282.154,21 11 39 50 2 Cupuaçu (un.) 3.589.671,30 1.498.720,72 102.436,75 5.190.828,77 69 29 2 0 Palmito (kg) 1.089.983,32 235.072,42 3.747.505,34 5.072.561,07 21 5 74 0 Carvão (saca) 1.514.353,36 617.159,59 - 2.131.512,94 71 29 - 0 Artesanato miriti (braça) 763.461,67 382.858,71 80.179,43 1.226.499,80 62 31 7 0 Buriti (kg) 598.101,12 111.797,96 - 709.899,08 84 16 - Mel (l) 629.390,25 - - 629.390,25 100 - - 0Total Parcial 522.837.370,72 446.667.693,35 508.184.690,28 1.477.689.754,35 35 30 34 100 Coratá (un.) 267.710,79 - 264.806,46 532.517,25 50 - 50 44 R$ 90 mil a R$ 599 mil RBT de Bacaba (kg) 230.414,03 160.018,34 - 390.432,36 59 41 - 32 (1) Utensílios (un.) 166.853,22 - 25.626,43 192.479,65 87 - 13 16 Murumuru (kg) 52.440,00 41.773,33 - 94.213,33 56 44 - 8Total Parcial 717.418,04 201.791,67 290.432,89 1.209.642,60 59 17 24 100 Inajá semente (kg) 27.066,67 - 7.545,57 34.612,24 78 - 22 16 Andiroba (l) 32.538,33 1.333,33 - 33.871,67 96 4 - 16 Bacuri (un.) 27.428,50 2.251,26 - 29.679,76 92 8 - 14 RBT abaixo de R$ 90 mil Copaíba (l) 23.691,67 - - 23.691,67 100 - - 11 (2) Cipós 22.965,55 - - 22.965,55 100 - - 11 Breu-branco (kg) 17.147,68 - - 17.147,68 100 - - 8 Cupuaçu semente (kg) 1.383,83 13.325,74 - 14.709,57 9 91 - 7 Taperebá (kg) 13.378,92 514,57 - 13.893,49 96 4 - 7 (3) Leites (l) 11.162,02 - - 11.162,02 100 - - 5 (4) Plantas medicinais (kg) 6.849,07 - - 6.849,07 100 - - 3 Urucum (kg) 3.429,95 369,47 - 3.799,42 90 10 - 2 Cumaru (kg) 785,88 - - 785,88 100 - - 0 Guarumã (braça) 88,84 153,76 - 242,60 37 63 - 0Total Parcial 187.916,90 17.948,14 7.545,57 213.410,62 88 8 4 100 TOTAL GERAL 523.742.705,66 446.887.433,16 508.482.668,75 1.479.112.807,57 35 30 34 100(1) Cuia, paneiro e tipiti.(2) Cipó timbó (rolo) e cipó torcido (un.)(3) Amapá, jatobá e sucuúba.(4) Cascas de barbatimão, pau-doce, unha-de-gato e verônica.Fonte: IDESP. Os produtos com maior RBT foram, em ordem decrescente, o açaí, com (R$ 1,3bilhão); o cacau, com (R$ 88 milhões); a castanha-do-brasil, com (R$ 29 milhões); o cupuaçu,com (R$ 5,1 milhões); o palmito, com (R$ 5 milhões); e o carvão, com (R$ 2,1 milhões)(Tabela 5). Ainda na primeira categoria foram enquadrados os produtos diversificados que 188
  • 194. desempenham um papel importante na economia regional, como o artesanato de miriti, o frutodo buriti o fruto de uma palmeira que pode complementar a dieta paraense na entressafra doaçaí e o mel, produto do manejo das abelhas que, além de fazer bem à saúde humana atravésdo manejo proporciona ganhos ambientais, pois as abelhas servem como polinizadoras paraalgumas plantas da região (VENTURIERI, 2009). Na segunda categoria tem-se o coratá (bainha do inajá), a bacaba, os utensílios e omurumuru. Na terceira e última categoria (RBT abaixo de R$ 100 mil), com exceções para oguarumã e a semente de cupuaçu, que possuem mais da metade de sua RBT voltada para omercado estadual; o murumuru, por sua vez, desempenha seu papel nos mercados local eestadual, e as RBTs do inajá, andiroba, bacuri, taperebá e urucum foram geradas e circuladascom a participação do mercado estadual e nacional. Todos os demais produtos (copaíba, cipó-titica, breu-branco, leites, plantas medicinais e o cumaru) são produtos que circulamexclusivamente no mercado local dos dez municípios, com uma RBT ainda baixa. Se considerarmos, portanto, a Contabilidade Social Ascendente α, a qual inicia nosetor da produção extrativista local dos dez municípios estudados (Setor α), os quaisreceberam pela venda de todos os produtos florestais não madeireiros identificados omontante de R$ 205,51 milhões (VBPα) e com as transações comerciais realizadas pelossetores que vendem tais produtos até o consumidor final, foi agregado um valor a essesprodutos no montante de R$ 712,92 milhões (VAB) somando-se ainda o VBP equivalente àcompra de insumos no montante de R$ 766,12 milhões, chega-se assim a um valor total de R$1,4 bilhão, o equivalente à RBT gerada e em circulação na economia desses produtos, comefeitos para frente e para trás na cadeia de comercialização (Tabela 6). Em relação ao VBP pela compra de insumos nos setores mercantis, referido naTabela 6, tais insumos, dependendo da posição e da função do agente comercial, podemvariar desde a matéria-prima original, o fruto in natura do açaí, por exemplo, até o penúltimoagente da cadeia que pode adquirir como insumo a polpa congelada e transformá-la emsorvete, antes do último elo da cadeia, que é o consumidor final. 189
  • 195. 190Tabela 6- Variáveis econômicas dos produtos florestais não madeireiros, identificados na RI Tocantins, compostas pelo VBPα, a margem de lucro (mark-up), o VBP, o VAB e a RBT, em R$ nas esferas local, estadual e nacional, em 2008. (2) (3) (4) α Mark-up VBP (Compra de insumo) Total VAB RBT Total gerada e circuladaProduto Florestal Não VBP da (margem bruta de Estadual Nacional Estadual Nacional Estadual NacionalMadeireiro Produção Local (1) Local Total Local Total (4) Total comercialização) Local (Estimado) (Estimado) (Estimado) (Estimado) (Estimado) (Estimado)Açaí fruto (kg) 192.947.754,62 240% 210.965.901 147.400.529 330.955.015 689.321.446 281.499.213 272.641.632 101.319.242 655.460.087 492.465.114 420.042.161 432.274.257 1.344.781.532Cacau amêndoa (kg) 8.362.123,16 305% 9.926.245 9.474.095 35.363.592 54.763.932 9.009.390 2.997.569 21.894.484 33.901.444 18.935.635 12.471.665 57.258.076 88.665.376Cupuaçu (un.) 1.310.106,02 74% 1.465.932,46 1.366.789,88 75.689,38 2.908.412 2.123.739 131.931 26.747 2.282.417 3.589.671 1.498.721 102.437 5.190.829Carvão (saca) 859.654,26 59% 466.278,68 302.093,73 - 768.372 1.048.075 315.066 - 1.363.141 1.514.353 617.160 - 2.131.513Castanha-do-brasil (kg) 729.922,83 1942% 958.448,75 2.108.400,48 11.308.258,01 14.375.107 2.293.212 9.199.858 3.413.977 14.907.047 3.251.661 11.308.258 14.722.235 29.282.154Mel (l) 392.089,28 12% 190.379,42 - - 190.379 439.011 - - 439.011 629.390 - - 629.390Buriti (kg) 305.411,52 33% 191.884,59 111.797,96 - 303.683 406.217 - - 406.217 598.101 111.798 - 709.899Palmito (kg) 221.447,06 1093% 279.001,10 87.346,89 2.064.510,09 2.430.858 810.982 147.726 1.682.995 2.641.703 1.089.983 235.072 3.747.505 5.072.561Bacaba (kg) 121.966,90 72% 81.353,44 99.576,90 - 180.930 149.061 60.441 - 209.502 230.414 160.018 - 390.432 (5)Utensílios (un.) 72.609,45 33% 72.609,45 - 23.063,79 95.673 94.244 - 2.563 96.806 166.853 - 25.626 192.480Coratá (un.) 52.961,29 400% 55.865,62 - 211.845,17 267.711 211.845 - 52.961 264.806 267.711 - 264.806 532.517Artesanato miriti (braça) 33.327,43 2222% 33.327,43 362.255,92 57.102,59 452.686 730.134 20.603 23.077 773.814 763.462 382.859 80.179 1.226.500Bacuri (un.) 25.498,85 4% 1.348,18 1.801,01 - 3.149 26.080 450 - 26.531 27.429 2.251 - 29.680Murumuru (kg) 18.800,00 122% 18.800,00 33.640,00 - 52.440 33.640 8.133 - 41.773 52.440 41.773 - 94.213Andiroba (l) 13.598,33 56% 11.598,33 1.066,67 - 12.665 20.940 267 - 21.207 32.538 1.333 - 33.872Copaíba (l) 10.416,67 27% 10.416,67 - - 10.417 13.275 - - 13.275 23.692 - - 23.692Inajá semente (kg) 8.400,00 133% 8.400,00 - 6.666,67 15.067 18.667 - 879 19.546 27.067 - 7.546 34.612Breu-branco (kg) 7.016,90 44% 7.016,90 - - 7.017 10.131 - - 10.131 17.148 - - 17.148 (6)Cipós 6.923,41 132% 6.923,41 - - 6.923 16.042 - - 16.042 22.966 - - 22.966 (7)Leites (l) 5.332,86 56% 2.834,28 - - 2.834 8.328 - - 8.328 11.162 - - 11.162Taperebá (kg) 4.116,59 138% 3.704,93 411,66 - 4.117 9.674 103 - 9.777 13.379 515 - 13.893 (8)Plantas medicinais (kg) 2.935,32 33% 2.935,32 - - 2.935 3.914 - - 3.914 6.849 - - 6.849Urucum (kg) 1.188,47 105% 1.188,47 172,42 - 1.361 2.241 197 - 2.439 3.430 369 - 3.799Cupuaçu semente (kg) 615,03 983% 615,03 7.431,67 - 8.047 769 5.894 - 6.663 1.384 13.326 - 14.710Cumaru (kg) 102,51 567% 102,51 - - 103 683 - - 683 786 - - 786Guarumã (braça) 20,50 650% 20,50 68,34 - 89 68 85 - 154 89 154 - 243TOTAL 205.514.339,28 224.763.131 161.357.478 380.065.743 766.186.353 298.979.574 285.529.955 128.416.926 712.926.455 523.742.706 446.887.433 508.482.669 1.479.112.808(1) Valor Bruto da Produção total (R$) recebido pelos produtores/extrativistas da RI Tocantins.(2) Valor Bruto da Produção (VBP) referente ao total da compra de insumos nos setores mercantis.(3) Equivale ao valor que foi adicionado (ou agregado) ao produto (VAB) ao longo da cadeia de comercialização.(4) Equivale a geração e circulação de renda na RI Tocantins (RBT Local).(5) Cuia, paneiro e tipiti.(6) Cipó timbó (rolo) e cipó torcido (un.)(7) Amapá, jatobá e sucuúba.(8) Cascas de barbatimão, pau-doce, unha-de-gato e verônica.Fonte: IDESP.
  • 196. 4.5 PROBLEMAS E POTENCIALIDADES IDENTIFICADOS NA COMERCIALIZAÇÃO DE PFNMs 4.5.1 Em Cametá Problemas a) Infraestrutura precária dos portos de embarque e desembarque de passageiros e mercadorias no mesmo local; b) Transporte coletivo deficitário; c) Precária rede de abastecimento elétrico, principalmente nas ilhas, o que dificulta o processamento e o armazenamento de produtos como as polpas de frutas e outros PFNM; d) Além do trajeto pelo Rio Tocantins, o acesso à Cametá pode ser feito por estrada toda asfaltada. Os passageiros e as mercadorias, no entanto, têm de passar por duas travessias de balsa (dois rios estreitos), o que dificulta nos casos de emergência; e) Falta de acesso à água encanada tratada, o sistema de esgoto sanitário inexiste e os dejetos são lançados ao rio. Potencialidades a) Existência de Unidade de compostagem e reciclagem de lixo, que tem o apoio da Albras, da Alunorte e da Prefeitura de Cametá, a qual trabalha ainda com educação ambiental nas escolas e nas ilhas; b) A recém criada Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA) possui um projeto de coleta de lixo, com classificação por origem: residenciais, comerciais, industriais, públicos, agrícolas, hospitalares e provenientes de entulhos; c) Na Região das Ilhas de Cametá um barco chamado “Papa lixo” passa três vezes na semana, recolhendo o lixo produzido nas comunidades; d) Há uma Casa Familiar Rural que trabalha com a formação de agentes multiplicadores locais e utiliza a pedagogia da alternância; e) Há o Centro Miriti - Pousada Escola, o qual executa um trabalho produtivo pedagógico com novecentas e cinquenta mulheres, voltado para a produção e a comercialização de plantas medicinais e polpas de frutas; f) A UEPA executa trabalhos de conclusão de curso sobre temas amazônicos, voltados a alguns produtos florestais não madeireiros; 191
  • 197. g) O Centro Integrado de Educação Profissional do Baixo Tocantins – Escola Tecnológica implantou em 2008 cursos técnicos de Agricultura e Aquicultura em 2009, cursos Técnicos relacionados ao Meio Ambiente, ao Agronegócio, à Agropecuária, Administração e Informática;h) A Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes - APACC, com apoio do Governo do estado do Pará, da Prefeitura de Belém e do Governo Francês atua em Limoeiro do Ajuru, Oeiras do Pará, Cametá e Belém, apoiando os “Projetos de Mel” na RI Tocantins, e a realização dos cursos sobre a utilização de plantas medicinais e saúde da mulher;i) A Associação da Mulher é uma entidade com quinze mil sócios, sendo 60% compostos por mulheres. Os associados recebem informações sobre plantas medicinais e seu cultivo, saúde da mulher, confecção de artesanatos (matapi, paneiros, tupés, tipitis, entre outros), bem como sobre merenda alternativa regionalizada;j) É enorme a quantidade de matéria-prima para confecção de artesanatos comercializados (quase cem tipos diferentes);k) O Instituto de Desenvolvimento, Educação Ambiental e Solidariedade (IDEAS) desenvolve o “Projeto Açaí” com cursos sobre gestão e comercialização, junto aos ribeirinhos de várias comunidades. Apoiam ainda as associações, como o Centro Comunitário de Jaituba e Jabutiapecu (Cejojar), a Associação de Preservação do Rio Jorocazinho (Acopremaj), a Associação das Criadoras de Pequenos Animais (Ascrias), a Associação de Preservação de Marituba (Asprim), a Associação do Mupi, que trabalha com a comercialização do açaí, palmito, buriti, camarão, madeira, óleos, mel e plantas medicinais – e ainda a Cooperativa Agrícola Resistência de Cametá, que possui cerca de trezentos e dez sócios que são, em sua maioria, produtores de açaí, trabalhando também com o murumuru, o patauá, o mel, inajá e a andiroba, sendo que, alguns desses produtos, estão sendo comercializados para a Natura.4.5.2 Em AbaetetubaProblemasa) A Região das Ilhas, apesar de próxima à sede do Município, não possui água encanada e energia elétrica; 192
  • 198. b) Nas feiras de Abaetetuba são comercializados, sem fiscalização, carnes de animais silvestres, como de capivara, jacaré e animais vivos para o consumo.4.1.5.4 Potencialidades em Abaetetubaa) A Associação Arte Miriti de Abaetetuba – Miritong conquistou sua valorização com a produção e comercialização de brinquedos;b) Conta com o Movimento de Ribeirinhos e Ribeirinhas das Ilhas e Várzeas de Abaetetuba (Moriva), instituição que tem como objetivo organizar os ribeirinhos e as ribeirinhas a fim de planejar e executar atividades que venham a melhorar a região. São vinte ilhas, todas com associações filiadas ao Moriva. O movimento trabalha em parceria com o Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Abaetetuba (STTR), a Emater, a Secretaria de Agricultura do Estado do Pará (Sagri), a CPT, as Secretarias Municipais, entre outros e demonstra grande preocupação com o meio ambiente, tanto no tocante à realidade das ilhas como em relação à cidade;c) Os ribeirinhos estavam na época se mobilizando em prol de um projeto de assentamento agroextrativista, com cerca de dois mil e quatrocentos produtores;d) A Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) tem atuado no município de Abaetetuba e em outros na Região do Baixo Tocantins;e) Há um projeto de pesquisa sobre ecologia, manejo, economia e mercado do miriti no estuário do baixo Tocantins, sendo executado pelo Cifor, em parceria com vários órgãos de pesquisa e associações de produtores para entender a atividade artesanal dos “brinquedos de miriti” e identificar as técnicas para o manejo sustentável dessa palmeira.4.5.3 Em BaiãoProblemasa) O último trajeto de acesso ao município de Baião é feito por uma estrada sem pavimentação asfáltica, o que dificulta a chegada e a saída de produtos, principalmente em períodos chuvosos;b) A estrutura portuária comporta dois portos pequenos, os quais recebem embarcações de médio calado pelo rio Tocantins;c) A implantação da Usina Hidrelétrica de Tucuruí ocasionou a diminuição do pescado e a população passou a importar peixe de outros municípios, pagando mais caro por um produto que existia com fartura no Município;d) O comércio de Baião é pequeno, escasso em variedades e quantidades de produtos. A maioria dos produtos consumidos vêm de fora do Município; 193
  • 199. e) O Município necessita importar o açaí de municípios vizinhos;f) Há ausência de créditos para a execução de projetos voltados à produção dos PFNM (açaí, mel, bacaba, etc.);g) Falta assistência técnica especializada e comprometida com o desenvolvimento sustentável da região.Potencialidadesa) A comunidade de Baixinha é detentora de uma área com ocorrência de bacaba de grande produtividade, com potencial de diversificação e agregação de valor à diversos produtos (vinho, geleias, licores, partes da planta como artesanato, etc.);b) A Associação de Produtores de Mel - (meliponicultura – manejo das abelhas nativas sem ferrão) possui um produto que apresenta grande potencial, devido à cobertura vegetal rica em diversidade e bem preservada da região;c) Está ocorrendo o plantio de seringueiras em algumas regiões do Município, essas estavam praticamente abandonadas e sem utilização por falta de estruturação da cadeia produtiva;d) Uma organização não-governamental, o IDEAS, atua em vários municípios da região, com projetos socioambientais; alguns destes relacionados aos PFNM, como o “Projeto Bacaba”, desenvolvido na Comunidade de Baixinha, com o objetivo de promover a industrialização. O IDEIAS firmou convênio com o CNPq e a UEPA, a fim de desenvolver pesquisas e receber orientações sobre o potencial da polpa, do óleo do caroço; além de desenvolver outros subprodutos da bacaba. Atualmente já desenvolveram o licor, a geleia, a polpa e uma bebida;e) A Comunidade de Baixinha também possui uma fábrica de artesanatos com estrutura adequada para a produção de pulseiras, brincos e colares, a qual funciona no posto de saúde da comunidade;f) A Casa Familiar Rural de Baião trabalha com vários projetos, com destaque para o “Produto da Mata Não Madeireiro”; com o objetivo de conscientizar o público juvenil sobre a preservação do meio ambiente e a utilização racional dos recursos florestais não-madeireiros. A dificuldade financeira, porém, é um dos fatores limitantes na promoção dessa iniciativa.4.5.4 Em MocajubaProblemasa) A população também sofre com os impactos da implantação da Usina de Tucuruí;b) Há problemas em relação ao saneamento básico, principalmente ao tratamento de água e esgoto;c) Na orla da cidade, o esgoto das casas converge diretamente para o Rio Tocantins;d) ocorre poluição em função do lixo deixado pelos banhistas e pela lavagem dos carros na beira da praia;e) A violência na cidade é preocupante e tem aumentado nos últimos anos;f) O comércio local é pequeno, com pouca variedade e quantidade de produtos; 194
  • 200. g) Alguns batedores de açaí não possuem instalações adequadas (piso, equipamento, qualidade da água, frutos armazenados no mesmo ambiente que animais, com grandes riscos de contaminação);h) Há apenas um técnico da Ceplac para atender toda a demanda do Município;i) Há ausência de crédito para projetos voltados à produção de açaí, mel, bacaba, entre outros;j) Há falta de assistência técnica especializada e comprometida com o desenvolvimento sustentável da região;l) Devido às dificuldades de abastecimento de energia elétrica e de mão-de-obra qualificada na Região de Mocajuba, uma empresa que processa óleos priorizou estabelecer sua filial em Ananindeua.Potencialidadesa) O acesso à cidade é asfaltado, sendo a principal via de escoamento da produção e de integração às outras regiões;b) O Município possui uma Casa Familiar Rural, uma escola de formação técnica, baseada na pedagogia da alternância, a qual qualifica jovens camponeses e filhos de agricultores;c) Os plantios de cacau vêm se destacando como um mercado em ascensão, substituindo gradativamente os plantios de pimenta na região;d) Existem sessenta e oito projetos de plantio do açaí de terra firme em Mocajuba;e) Há uma grande produção de semente de andiroba para prensagem e refino;f) Há uma filial de empresa instalada no Município para fazer prensagem primária de óleo de andiroba;g) Os produtos não madeireiros com potencialidades no Município são o açaí, o cupuaçu, o taperebá e outras frutas; assim como o mel, o cacau em grande quantidade, os óleos de andiroba, a copaíba e a castanha-do-brasil, bem como algumas plantas medicinais e essências;h) O açaí está incluso na merenda escolar em função de uma iniciativa da Prefeitura e do PAA da Conab.4.5.5 Em Oeiras do ParáProblemasa) Ocorre falta de divulgação dos artesanatos, de incentivos, de cursos de capacitação e investimentos para os moradores da reserva;b) Devido à exploração irregular de madeira, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) começou a fiscalizar a atividade madeireira foi reduzida e, em consequência, a economia também sofreu queda;c) A estrada que liga Oeiras do Pará à Cametá estava, na época, praticamente intrafegável, dificultando o escoamento da produção;d) Há necessidade de financiamentos e incentivos para melhorar a produção de mel no Município; 195
  • 201. e) Há falta de assistência técnica que incentive a prática do manejo dos açaizais para aumentar a produção do açaí na entressafra.Potencialidadesa) A Reserva Extrativista Arioca Pruanã, criada em 2005, com área de 83.445 hectares, possui cerca de mil e duzentas famílias em trinta e duas comunidades, com uma diversidade de espécies, como o barbatimão, o amapá, a sucuuba, a verônica, o jatobá, o ipê-roxo, o uxi-amarelo, a andiroba, o patauá, o murumuru, entre outros, que são ainda pouco explorados e comercializados;b) Na busca de melhoria de renda, os coordenadores da Resex firmaram parceria com uma empresa de cosméticos que, na época da entrevista, ainda não havia efetivado a compra dos produtos;c) A Associação de Moradores da Reserva Extrativista Arioca Pruanã (Amoreap), que controla a extração e a retirada dos produtos oriundos da reserva, informa que existem muitas espécies: sementes, cipós, frutos e outros produtos que servem para confeccionar artesanato;d) A comunidade Ribeira, situada na Resex, produz artesanatos na forma de bonecas, tipitis e outros artefatos que são retirados do miriti, tala de guarumã, galhos de árvores, sementes, etc.;e) Na economia do Município, a pesca se destaca seguida do açaí, que é produzido nas áreas dos ribeirinhos;f) A Emater de Oeiras do Pará está incentivando os produtores a plantarem cacau visando melhorar a renda das famílias;g) Há um projeto para instalação da estrutura física da Casa Familiar Rural de Oeiras, a fim de buscar a formação de pessoas com base na realidade dos camponeses, voltadas para a melhoria da produção agrícola e da exploração sustentável de produtos de base extrativa, por iniciativa do STTR de Oeiras, em parceria com a Casa Familiar Rural de Cametá.4.5.6 Em Limoeiro do AjuruProblemasa) A feira do produtor rural funciona apenas uma vez por mês e as comunidades se juntam para vender produtos, como o mel, a andiroba e outros;b) Há dificuldades de escoamento no tocante à produção de mel.Potencialidadesa) A economia de Limoeiro do Ajuru vem praticamente do açaí, da pesca e do cacau, além de diversos produtos oriundos do extrativismo, como o miriti, a andiroba, o murumuru, o breu-branco, o mel, a castanha e outros;b) Pelo menos duas associações de apicultores foram identificadas no Município;c) Há uma estratégia entre a empresa compradora, a Emater local e os produtores para a futura extração de óleo de buriti e da semente de cupuaçu; 196
  • 202. d) Existem duas reservas para a reprodução de peixes, com o apoio da Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura (SEPAq) junto à Colônia dos Pescadores. A secretaria fornece apoio para a compra de equipamentos como o matapi e outros. A Colônia tem quatro mil e quinhentos sócios que são beneficiados com os recursos do governo federal para a época de defeso, no qual cada família recebe quatro salários mínimos por ano;e) Na abertura da temporada de pesca de 2008 chegaram a pegar noventa toneladas de mapará, peixe típico e famoso na região;f) O Rio Tocantins possui diversos tipos de peixes como a tainha, a pescada e outros, mas o mapará é o mais abundante;g) Existe também bastante camarão nos rios do município. O camarão fresco vai para Belém e o salgado vai para Moju e Tomé-Açu;h) Existe uma Reserva de Preservação Permanente (RPP) para a piscicultura, onde os pescadores só podem pescar de anzol.4.5.7 Em BarcarenaProblemasa) A apicultura vem encontrando problemas com a falta de organização e gestão das associações, além de não possuírem equipamentos adequados, tanto para a colheita do mel quanto para o processamento do mel, comprometendo diretamente a qualidade do produto;b) Alguns apicultores mantêm seus apiários muito próximos às residências, proporcionando perigo para os moradores das proximidades. Também estão utilizando caixas maiores do que o tamanho padrão.Potencialidadesa) Há uma grande produção de artesanatos em fibras e cipós (cestarias) produzidos na comunidade de Tinga Açu, os quais são comercializados em Belém e em outros estados;b) A apicultura começa a ganhar importância pelos agricultores em Barcarena;c) A Cooperativa de Extração e Desenvolvimento Agrícola de Barcarena (Cedab), em parceria com a Alunorte, desde 2007, possui um projeto para a produção de cento e dez mil mudas de açaí (BRS-Pará) e quinze mil mudas de cupuaçu. A ideia é diversificar com outras mudas de essências florestais (andiroba, acapu, copaíba);d) A Secretaria Municipal de Agricultura (Semagri) vem desenvolvendo projetos de qualificação com Cursos de Manejo (dia de campo), doação de ferramentas e mudas, bem como dando apoio ao projeto de produção de mudas na Escola Agrícola (localizada na PA 151), que é composta atualmente por somente sessenta alunos;e) O escoamento dos produtos de Barcarena é realizado em três rotas: às Centrais de Abastecimento (Ceasa), para o mercado do Ver-O-Peso ou para a feira da sede local; 197
  • 203. f) A Emater trabalha com projetos de manejo do açaí e de incentivo ao plantio de cupuaçu, cacau, graviola e pimenta; g) Os batedores de açaí passaram por qualificações para padronizar os pontos de venda, melhorar a higiene durante todo o processo e proporcionar maior qualidade ao produto. 4.5.8 Em Igarapé-Miri Problemas a) Uma fábrica de polpa de açaí foi desativada por causa da qualidade da água; b) As fabriquetas ilegais prejudicam o mercado do palmito, pois a extração ilegal não é fiscalizada; c) As famílias que trabalham na produção manual do palmito desejam entrar na legalidade, mas afirmam haver muita burocracia e que não há financiamento e assistência técnica; d) Igarapé-Miri tem um índice de violência alto e preocupante, pois os ribeirinhos sofrem com os assaltos nos rios, com os roubos de embarcações e do dinheiro da venda dos produtos produzidos por eles; e) A equipe do Idesp teve dificuldades em obter informações junto aos agentes mercantis em Igarapé-Miri, pois passavam a impressão de que estavam sendo fiscalizados, agindo com agressividade na maioria das vezes. Quando se dispunham a falar, informavam o mínimo, mas defendiam que o Município possui o melhor açaí do Estado. As dificuldades de acesso às informações se devem a uma pesquisa sobre o açaí, realizada no ano anterior, em 2007. Logo depois, a mídia publicou a ocorrência de casos da doença de Chagas, oriundas do açaí, ocasionando sérios problemas no Município. A equipe foi intimidada por pessoas portando armas brancas. Foi entrevistado, entretanto, um comerciante, dentre quinze outros do mesmo ramo; f) Existem quatro portos no Município, o de Santo Antônio (Estrada Nova), o do Meruú, o da balsa e o da Vila Maiauatá; g) Os caroços do açaí são lançados diretamente nos rios, sem preocupação com transtornos ambientais, assoreamento e decomposição da matéria orgânica; O município de Igarapé-Miri precisa ter um espaço maior e mais adequado paradispor sua produção. Alguns agentes mercantis fizeram críticas ao local onde sãocomercializados os seus produtos, principalmente o açaí, pois o trapiche é pequeno, o produtofica exposto ao chão, o local não dispõe de cobertura e nem de segurança; Diversos batedores de açaí do Município usam água de péssima qualidade, comcoloração amarelada. Alguns jogam os caroços na rua, outros não possuem piso adequado e,diversos deles reivindicam linhas de crédito para solucionar problemas de infraestrutura ecapacitação. 198
  • 204. Potencialidadesa) Além dos grandes destaques do açaí e do palmito, outros produtos não madeireiros comercializados em Igarapé-Miri são o cupuaçu, o cacau, os óleos e o mel;b) No Município são três fábricas de açaí instaladas, sendo que duas estavam funcionando na época;c) A produção de açaí está aumentando a cada ano devido ao manejo que está sendo feito nos açaizais;d) Enquanto a safra do açaí está terminando em outros municípios, em Igarapé-Miri, a produção é grande por causa do manejo;e) Na entressafra do açaí, a coleta dos frutos é feita de maneira racional unida ao manejo para a extração do palmito;f) A Codemi possui mais de duzentos cooperados, formados em treze núcleos, que somente comercializam o açaí para a maioria das empresas do Sindfruta. A Cooperativa tem parceria com a UFPA – Centro Tecnológico de Empreendimento Popular e Solidário;g) Foram comercializados 500 kg de mel, no valor de R$ 7,00/kg, pelo PAA, coordenado pela Conab.4.5.9 Em MojuProblemasa) São poucos os produtos oriundos do extrativismo que são comercializados no município de Moju, como o açaí, o carvão, o mel e o artesanato regional (folhas, fibras, frutos, cipós);b) O principal problema é o escoamento e o transporte para a comercialização do açaí da Região de Moju;c) Diversas famílias pararam de produzir em locais por onde passa o mineroduto da Vale em razão da empresa ter assinado termo de ajustamento de conduta com as famílias que passaram a receber para não produzirem nas áreas de influência do mineroduto.Potencialidadesa) A secretaria Municipal de Meio Ambiente de Moju atua com projetos de capacitação em empreendedorismo no setor de artesanatos na Região das Ilhas, fortalecendo a atividade para gerar renda e trabalho. Possui diversos projetos: sustentabilidade da pesca, criação de peixes regionais, novas culturas, plantas exóticas, aquicultura (quelônios), artesanato, panelas de barro, móveis, cestarias, reciclagem de tecido e bijuterias;b) A Lei Ambiental do município de Moju, Lei nº 737, foi criada em agosto de 2003;c) A SEMMA possui a biblioteca “Sala Verde” com apoio do MMA. A Secretaria tem como base o “Programa Nosso Ambiente” com o licenciamento ambiental, os recursos hídricos e os deveres do produtor rural;d) Em 2006/2007, começou o interesse da Natura pelo buriti, pela andiroba e pela copaíba na região; 199
  • 205. e) A coordenadora da Secretaria Municipal de Promoção e Assistência Social (Sempas) nos apresentou os projetos em parceria com o Sebrae de processamento de frutas (cupuaçu, bacuri, açaí e castanha) para a fabricação de biscoitos, licores, geléias e compotas - de reaproveitamento de sobras de madeira, vassoura do açaí, entre outros, além de fornecer capacitação para a produção de sabonetes com a andiroba e outros frutos;f) De acordo com o representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Moju, o Município possui mais de cem comunidades e trinta associações;g) Nas áreas de terra firme, há cultivo de cacau (dez mil pés), abacaxi e culturas agrícolas;h) A empresa Natura compra semente seca de cupuaçu e cacau e já fez contato para aquisição de sementes do murumuru;i) Os produtores comentam sobre a necessidade de incentivar uma agroindústria para a agregação de valor do patauá, da andiroba e do murumuru, da semente de cupuaçu e do cacau;j) A UFPA possui um projeto de incubadora tecnológica em Moju, Abaetetuba e Igarapé-Miri, o qual auxilia os produtores afetados com a quebra da AMAFRUTAS, para que passem a utilizar novamente as frutas plantadas por eles para desenvolver outros produtos como polpa, licor, geléia, etc.l) Moju possui a um campus da UEPA, a Universidade aberta com ensino técnico à distância, com o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação Jovens e Adultos (Proeja), o Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) com cursos técnicos, a Casa Rural de Moju, o Programa da erradicação do trabalho infantil nas carvoarias do Ministério do Trabalho e uma organização que trabalha com a problemática do escalpelamento;m) Na comunidade quilombola de Jambuaçu funciona a Escola Familiar Rural Padre Sergio Tonetto, que assiste a quinze comunidades quilombolas e tem dois anos de existência. Conta com a ajuda de uma mineradora, da Prefeitura e outros. Atualmente, a escola está com algumas dificuldades para se manter. A parceria com a mineradora se deve ao fato de um mineroduto passar nas terras das comunidades. Com isso, foram investidos recursos para construção de um posto de saúde. Durante dois anos, trinta e oito famílias receberam dois salários mínimos mensais, até fevereiro de 2009. Nesta comunidade possuem andiroba e castanha-do-brasil. A empresa Vale vai investir com duas mil mudas de castanha, piquiá, uxi, bacuri, buriti e copaíba. As principais atividades da comunidade são a pimenta e a mandioca. Incentiva-se à política de conscientização com a preservação da mata, o destino adequado ao lixo, a coleta seletiva e a compostagem; bem como ao fortalecimento da agricultura familiar. A empresa de reciclagem de lixo fica na estrada do Sarapuí;n) Há o projeto do carro da cozinha do Serviço Social da Indústria (SESI), tendo como parceiros o Sebrae, C.F.R e uma mineradora, com receitas acessíveis para a alimentação das famílias;o) Existe um projeto da UFRA, trabalhando as potencialidades da região; 200
  • 206. p) Existe o Plano do Desenvolvimento do Território Quilombola do Jambuaçu;q) A outra parceria é uma indústria de Palmas, porém existem conflitos em função das invasões em parte do território;r) O projeto de “Gestão Ambiental” da Emater contribui na divulgação ou implantação de sistemas de esgotamentos sanitários individuais para as famílias rurais residentes em áreas de várzea. 201
  • 207. 5 CONCLUSÕES Os produtos florestais não madeireiros identificados nos dez municípios do estudorealmente interferem de forma positiva e significativa na dinâmica econômica da RITocantins, com seu encadeamento para frente nas escalas estadual e nacional, comprovandoque o método das Contas Sociais Alfa consegue identificar, quantificar e explicitar o papel decada produto na economia extrativa da região - alguns visíveis pelas estatísticas oficiais (açaí,cacau, palmito, carvão, cupuaçu, castanha, fibra do buriti, mel e urucum); outros quepertencem à categoria “outros” (outras alimentícias e outras oleaginosas); alguns na categoria“geral” e produtos que ainda são invisíveis. O produto que mais se destacou em todos os quesitos do estudo, foi o açaí comrecordes em todos os valores econômicos, na ordem de R$ 192,94 milhões de valor brutopago somente ao setor produtivo regional (VBPα). Em seguida, quando outros setores dacadeia compram de insumos o valor bruto atinge R$ 766,18 milhões (VBP total). Na sequência, outros setores agregam mais R$ 689,32 milhões, sendo 82%provenientes das escalas estadual e local, referente ao valor adicionado bruto (VAB). Essessetores que mais agregam e os que possuem maior peso são as grandes agroindústrias debeneficiamento da polpa (dez identificadas), instaladas em municípios-polo do Estado(Castanhal, Tomé-Açu, Santa Bárbara, Marituba, Benevides e Belém) e, na escala local, osetor também de beneficiamento, porém com centenas de pequenos estabelecimentos“batedores” de açaí, os quais atendem à demanda da população tocantina. Para completar acadeia, somando-se o VBP e o VAB do açaí do Tocantins, chega-se à cifra de R$ 1,3 bilhãoda RBT e circulada em toda a cadeia de comercialização do açaí. Essa produção do açaí doTocantins provém tanto de açaizais nativos, quanto de áreas de manejo ou plantados. Algunsproblemas identificados foram: a baixa capacidade de armazenagem e de transporte dosagentes envolvidos, bem como a falta capital de giro - a ausência de investimentos paramelhorar a produção e aquisição de equipamentos e insuficiência de treinamento para oscoletores e batedores de açaí sobre a manipulação adequada do produto. O segundo maior produto de destaque foi o cacau, cujo setor produtivo local (VBPα)recebeu R$ 8,3 milhões. Comprou de insumos um VBP total de R$ 54,7 milhões (65% naesfera nacional). Agregou um VAB na ordem de R$ 34 milhões, também na esfera nacionalcom as indústrias de transformação e o varejo nacional (65%) e, ao final, gerou uma RBT, aqual circulou em toda a cadeia, alcançando um montante de R$ 88,6 milhões (apenas 21%circulada na RI Tocantins junto aos comerciantes do varejo e atacado). 202
  • 208. A castanha-do-brasil, quinto produto ranqueado, teve o setor local produtivo (VBPα),recebendo um montante de R$ 730 mil, sendo que foi comprado de insumos (VBP) oequivalente a R$ 14 milhões. Destes, 79% foram no varejo nacional e 15%, na indústria debeneficiamento estadual – concentrado numa economia típica de monopsônio, com um valoragregado de R$ 14,9 milhões (61% na indústria de beneficiamento em Belém) – e uma RBTde R$ 29,2 milhões, sendo que 50% circularam na esfera nacional e 39% na estadual. Oumelhor, somente R$ 3,2 milhões circularam na RI Tocantins, dos quais R$ 1,8 milhõesocorreram no setor de beneficiamento localizado na RI Tocantins. A margem de lucro dacadeia da castanha foi uma das mais altas, com 1.942% de mark-up. O ideal seria que todos os agentes das cadeias conhecessem esses valoreseconômicos, principalmente os envolvidos no setor da produção local extrativa, para quetenham melhor noção sobre a dimensão dos valores que esses produtos atingem. Alguns produtos não madeireiros da região estão inseridos no mercado nacional e/ouinternacional, como o cacau, a castanha e o palmito, porém com destino exclusivo, o quetorna a economia local dependente do que acontece nesses mercados, principalmente notocante à definição dos preços. Se quisermos, no entanto, alavancar uma economia regionalequilibrada, com base numa produção sustentável, não se pode ter no mercado internacionalou em determinados nichos nosso único foco. Diversos produtos apresentam uma escala somente local, alguns em quantidades evalores ainda incipientes (semente de cumaru, plantas medicinais, leites, copaíba, cipó-titica,breu-branco e o mel), demonstrando a riqueza da diversidade regional, o potencial de gerarrenda às famílias e de conquistar novos mercados. A agregação de valor aos produtos identificados ocorre em maior percentual naescala local e estadual (82%), principalmente nas cadeias do açaí, castanha-do-brasil, cupuaçu(fruto e semente) e do carvão. No caso do cacau amêndoa e palmito ocorre na escala nacional(18% do total). Somando o VAB local com o VAB estadual, tem-se 82% da agregação devalor total acontecendo dentro do estado do Pará, condição essencial para se ter uma maiorautonomia, a fim de induzir políticas para a verticalização das cadeias, com apoios de créditopara o setor de beneficiamento e transformação, porém em diversas escalas que permitambeneficiar desde grupos locais, como cooperativas e associações, como também empresas demaior porte. Do total da produção identificada na Região de Integração Tocantins, encontramos arelação de venda direta dos produtores para o consumidor final local (L) ou estadual (E) emdez produtos, ou seja, sem o atravessador, como nos casos do açaí (3% L), ou seja, 3% de 203
  • 209. toda a produção do açaí da região foi vendida diretamente para o consumidor local, cupuaçu(2% L e 1,5% E); carvão (13% L); castanha (0,7% L); buriti (1% L); mel (46% L e 1% E),bacuri ;(88% L); bacaba (6,5% L); andiroba (7% E) e os leites (22% L). Na busca de melhorias às cadeias de comercialização desses PFNM, existem algunsgargalos identificados nos municípios estudados em relação à infraestrutura instalada quedevem receber atenção especial para a alavancagem de alguns produtos. Em relação àinfraestrutura regional dos portos, quase todos devem ser mais bem equipados para oembarque e desembarque de mercadorias, com adequação sanitária, fiscalização e espaçoseparado para o transporte dos PFNM e dos passageiros. Para a interligação da estrada queacessa a RI Tocantins, há necessidade urgente da construção de duas pontes (comcomprimentos que não ultrapassam trezentos metros), a fim de otimizar o enorme fluxo detransporte de cargas da região (de açaí principalmente) e, especialmente para atender àpopulação que sofre em casos emergenciais nas travessias das balsas. A população ribeirinha, que vive nas ilhas, sofre com a falta de abastecimento deágua e, principalmente, com a falta de energia elétrica, pois apesar de estarem muito perto deuma enorme fonte de geração de energia, a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, não conseguemprocessar, beneficiar e armazenar seus produtos. Em relação à segurança, os produtores e comerciantes reclamam dos assaltos queacontecem nas cidades e também ao longo dos rios, tanto nas moradias como nasembarcações; aumentando a sensação de insegurança da população em decorrência do aparatopolicial instalado ser insuficiente. Alguns mercados e feiras dos municípios devem receber melhorias do poder públicolocal e estadual, pois são pontos importantíssimos na estratégia de comercialização dosprodutos regionais. São necessários espaços amplos, com piso e barracas de alvenaria, sistemade ventilação, controle de qualidade dos produtos e condições de higiene adequadas aovolume de carga circulante. O açaí, por exemplo, destaque na região em geração de renda ealimento básico na dieta regional, deveria ser tratado com mais cuidados. O papel dainiciativa privada é crucial, pois muitas instalações comerciais são negligenciadas por falta decondições, desinteresse ou por desconhecimento. No setor de beneficiamento do açaí, os batedores devem receber treinamento einvestimentos de envergadura para adequação dos espaços higienizados, com água potável eequipamentos para refrigeração, de tal forma que essas ações melhorem na prestação deserviços ao consumidor regional. 204
  • 210. Uma necessidade recorrente, identificada em quase todos os setores de quase todas ascadeias é a necessidade de investimentos em qualificação da mão-de-obra. Além disso, sãoessenciais ainda investimentos em tecnologia de transformação para esse enorme elenco depotencialidades identificadas na região, para que possam ser transformados em remédios,alimentos, utilidades, artesanatos e inúmeras matérias-primas. É preciso estimular a identificação das boas práticas de manejo para algumasdezenas, ou centenas de produtos da região, através do apoio de instituições de ensino epesquisa, para tal. Dessa forma, o papel de milhares de famílias da RI Tocantins, envolvidas emdiversas formas de negociação, como: a venda antecipada (“na folha”, caso do cacau), comcontratos informais (“de boca”) ou formais, com troca de mercadoria, com dinheiro “na mão”,alguns atuando numa economia invisível para as estatísticas oficiais, com formatosdiferenciados de organização, de negociação “corpo a corpo” até as melhores organizadas emassociações ou cooperativas, que atuam em mais de um setor das cadeias de comercialização,demonstrando, com mais clareza, como interferem e contribuem no encadeamento para frenteda economia do setor extrativista. A comercialização identificada e quantificada nas regiões de integração Tocantinsgera efetivamente para milhares de famílias envolvidas no manejo, cultivo, coleta, extração,colheita e algum prévio beneficiamento, três a quatro dezenas de produtos florestais nãomadeireiros o equivalente a cerca de R$ 205 milhões de reais, referentes ao valor bruto pago àprodução local (VBPα), dos dez municípios da RI Tocantins. São milhares de famílias que compõem o setor produtivo alfa, responsável pormanter a floresta em pé, por plantar alguns desses produtos, por manejar de forma empírica outradicionalmente, transmitida e apreendida por séculos, por abastecer os diversos setoresintermediários das cadeias até chegar às demandas finais dos consumidores locais, regionais e(inter-) nacionais. Os consumidores finais dessa biodiversidade riquíssima encontrada na região sãoformados pelos paraenses ribeirinhos, que não vivem sem seu açaí diário; pelo belemense, quefaz uso das diversas frutas, ervas e óleos medicinais encontrados no Ver-O-Peso e eminúmeras feiras; pelo carioca, que toma o açaí com granola na academia por ser um produtoque combate os radicais livres; pelo paulista, que come sua salada ou pastel de palmito vindodas matas do Pará – visto que o da mata Atlântica já foi quase todo exaurido; pela mulher, quepode estar em qualquer país do mundo e que, ao usar um perfume, ou um hidratante, ou umbatom pode estar consumindo algum produto da flora regional paraense sem ao menos saber 205
  • 211. sua origem; da mesma forma que uma criança, em qualquer lugar do mundo, pode tomar umsorvete ou comer uma barra de chocolate feita com o cacau paraense, que passa apenas pelobeneficiamento primário no estado do Pará, e em seguida passa por um processo de refino naBahia e, em seguida, é transformado em produto final seja numa fábrica em São Paulo ou naSuíça. Os produtos que mais geram e circulam renda no estado do Pará são aqueles quepossuem em sua cadeia diversas estratégias de agregação de valor realizadas nas esferas locaise regionais, por exemplo, o açaí. Para tal, há necessidade de políticas públicas que venhamcontribuir para a dinamização dessas cadeias, com investimentos consideráveis em AssessoriaTécnica, Social e Ambiental (ATES), em capacitação em todos os setores, do fomento àprodução, do investimento responsável nos setores de beneficiamento e transformação,principalmente em agroindústrias geridas por associações ou cooperativas. Diversas políticas públicas e programas já instalados e que melhoram as condiçõeslocais devem ser mais divulgados e incentivados como o “Programa de Aquisição deAlimentos” da agricultura familiar (envolvendo a produção de mel e do açaí, já inseridos namerenda escolar de alguns municípios); “Luz para Todos” que leva energia às áreas rurais; ossistemas de crédito e fomento ao setor produtivo; a assessoria técnica da Emater e deempresas terceirizadas; bem como os investimentos no aparato da segurança pública nas áreasurbanas, rurais e nas estradas e rios. Uma força motriz para alavancar o desenvolvimento regional e reduzir asdesigualdades é possuir uma massa crítica de cidadãos, que tenham acesso à rede de ensinoestabelecida com qualidade e direcionada para enfrentar tais desafios e que sejam atendidosdesde o Ensino Fundamental até o Superior, incluídos os cursos técnicos. As experiências das“Casas Familiares Rurais”, que educam os filhos de agricultores, utilizando a pedagogia daalternância, têm dado bons resultados pelo interior do Pará. A valorização da biodiversidade dos recursos existentes na Amazônia implica emdirecionarmos os investimentos para a valoração e a valorização dos recursos florestais, bemcomo desenvolver novos produtos, favorecendo o manejo adaptativo e sustentável dasespécies locais, bem como investir na melhoria tecnológica adequada que venha promover ascadeias dos inúmeros produtos que fazem parte do uso cotidiano das populações locais. É preciso haver estratégias de promover as cadeias dos inúmeros produtos emparceria com as empresas instaladas na região e junto ao setor da produção, a fim de que hajaum encadeamento produtivo que venha a estimular novas formas de manejos sustentáveis aosprodutos da floresta. 206
  • 212. Os setores intermediários, que fazem passagem da compra e venda dos produtos,com pouca ou nenhuma agregação de valor exige uma tarefa hercúlea, importantíssima nascadeias de comercialização, por essa razão, necessitam de estímulos e melhorias nacapacidade de transporte, capacitação e melhoria das formas de armazenagem dos produtos. 207
  • 213. REFERÊNCIASA NOTÍCIA, O fascinante mundo do cacau. [S.n]: Joinville, 21.mar. 2008:<http://www.an.com.br/2008/mar/21/0per.jsp>. Acesso em: 27 dez. 2009.CABRAL, E. R. Desenvolvimento Agrícola e Mobilidade Camponesa: um estudo datrajetória social do campesinato em Capitão Poço. In: COSTA, F.A.; CARVALHO, V.R.V. etal. Agricultura familiar em transformação no nordeste paraense: o caso de Capitão Poço.Belém: UFPA. NAEA, 2000. p. 95-130.CARVALHO, Antonio Claudio Almeida de. Economia dos produtos florestais não-madeireiros no Estado do Amapá: sustentabilidade e desenvolvimento endógeno. 2010. 152f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) - Núcleo de AltosEstudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará: Belém. 2010.CASTRO, D. A. Práticas e técnicas agroextrativistas: um estudo de caso com famílias nopólo Rio Capim do Proambiente. 2006. 137f. Dissertação (Mestrado em AgriculturasFamiliares e Desenvolvimento Sustentável) – Núcleo de Estudos Integrados sobre AgriculturaFamiliar, Universidade Federal do Pará: Belém. 2006.COMPANHIA DOCAS DO PARÁ (CDP). Complexo Industrial Portuário de Vila doConde. Disponível em: <http://www.cdp.com.br/forms/ >. Acesso em: 02 fev. 2010.CONSIDERA, C. M.; RAMOS, R. L. O.; FILGUEIRAS, H. V.; SOBRAL, C. B. 1997.Matrizes de Insumo-Produto Regionais (1985 e 1992) – Metodologia e Resultados. Rio deJaneiro: IPEA, 1997.COSTA, Francisco de Assis. A dinâmica da economia de base agrária do "Pólo Marabá”(1995- 2000): uma aplicação da metodologia de contas sociais ascendentes. CadernosNAEA, Belém, n.5, p. 35-72, 2002.____________. Contas Sociais Alfa (CSα) – Uma metodologia de cálculo ascendente para aconfiguração macro-estrutural de economias locais. Interações. Campo Grande, v. 7, n.12, p.37 – 68. 2006.____________. Decodificando Economias Locais: Estrutura e Dinâmica do Sudeste Paraense,uma Região Crítica da Amazônia. In: RIVERO, S.; JAYME JR., F. G. (Org.). As Amazôniasdo Século XXI. Belém: EDUFPA, 2008a.p. 175-230.______. Corporação e economia local: uma análise usando contas sociais alfa - do programade investimentos da CVRD no sudeste paraense (2004 a 2010). Nova Economia, BeloHorizonte, v. 18, n. 3, dez. 2008b. Disponível em: <http://www.scielo.br/>. Acesso em: 22fev. 2010.______; COSTA, José de Alencar. APLS Baseados em Cultura e Economia Local: o casode Parintins. RedeSist: [s.l.], 70 p. dez. 2008. (Nota Técnica).COULY, C. Plantes médicinales dans les forêts secondaires du Nord Est du Pará(Amazonie brésilienne): aproche prélimaire sur une valorisation possible par lês 78communautés locaies. Fouillole Guyane: Université des Antilles et de la Guyane. 2004. 84 p. 208
  • 214. DÜRR, Jochen. Manual metodologia de pesquisa empírica para construção de cadeiasprodutivas e contas sociais de base agrária. Belém: NAEA; UFPA, 2004. 17p.______; Cadenas productivas, cuentas sociales de base agraria y el desarrollo económicolocal: el caso de Sololá. Guatemala: Magna Terra, 2008.______; et al. Cadenas productivas, cuentas sociales de base agraria y el desarrolloeconómico territorial: el caso de el Quiché. Guatemala: Magna Terra, 2009.______; ZANDER, Markus; MAZARIEGOS, Sergio Armando Rosales. Cadenasproductivas, dinámicas agrarias y cuentas territoriales de base agropecuaria: el Sur dePetén. Guatemala: Magna Terra, 2010.______; COSTA, Francisco de Assis. Cadeias Produtivas de Base Agrária e DesenvolvimentoRegional: o caso da Região do Baixo Tocantins. Amazônia: Ciência & Desenvolvimento,Belém, v.3, n.6, p. 7-44, jan./jun. 2008.GOMES, D.M.A. Cadeia de Comercialização de Produtos de Floresta Secundária dosMunicípios de Bragança, Capitão Poço e Garrafão do Norte - Pará. 2007. 84 f.Dissertação (Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável) – Núcleode Estudos Integrados sobre Agricultura Familiar, Universidade Federal do Pará, Belém.2007.IDEALFARMA, 2009. Manteiga de Murumuru. Disponível em:<http://www.idealfarma.com.br/produtos_manteiga_de_murumuru.html>. Acesso em: 04 fev.2010.INHETVIN, T. Agricultores familiares, agentes mercantis e a comercialização deprodutos agrícolas: o caso de Capitão Poço. NAEA: Belém1998. 102 p. (Paper do NAEA).INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E AMBIENTAL DOESTADO DO PARÁ (Idesp). 2009. Produto Interno Bruto- estado do Pará 2009. (CD-ROM).Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor). Fortalecimento daCadeia Produtiva Florestal, Belém: IDEFLOR, 2008. Disponível em<http://www.ideflor.pa.gov.br/index.php?q=node/29>. Acessado em: 05 jul. 2008.INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE). Monitoramento dafloresta amazônica por satélite 2008. Disponível em:<http://www.obt.inpe.br/prodes/index.html>. Acessado em: 15 mai. 2009.INTERGOVERNAMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE - IPCC. Climate Change2007: Syntthesis Report. 2007. 52 p.LEONTIEF, Wassily. A economia do insumo-produto. Tradução de Maurício Dias David. São Paulo: Abril Cultural, 1983. 226 p.MACHADO, Frederico Soares. Manejo de Produtos Florestais Não Madeireiros: ummanual com sugestões para o manejo participativo em comunidades da Amazônia. FredericoSoares Machado. Rio Branco: PESACRE; Cifor, 2008. 104 p.MATTAR, F.N. Pesquisa de marketing. São Paulo: Atlas, 1997. 4. ed. 273p. 209
  • 215. MEDINA, G. e FERREIRA, M.S.G. Bacuri (Platonia insignis Mart – Clusiaceae): o frutoAmazônico que virou ouro. In: Alexiades, M.N. & Shanley, P. (Ed) Productos Forestales,Medios de Subsistencia y Conservación. Estudios de Caso sobre Sistemas de Manejo deProductos Forestales No Maderables. Volumen 3 – América Latina. Cifor, 2004. pp. 203-218.MENEZES, A. J. E. A.; HOMMA, A. K. O.; SANTANA, A. C. D. A importância da"produção invisível" para a agricultura familiar na Amazônia: o caso dos projetos deassentamentos agroextrativistas Praialta e Piranheira, Município de Nova Ipixuna, Pará.Cadernos NAEA, Belém,n.4, p. 5-26, 2001.MONTEIRO, Raimunda. Biodiversidade da Amazônia e mercados locais. 2003. 285 f.Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) - Núcleo de AltosEstudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém. 2003.PLANO NACIONAL DE PROMOÇÃO DAS CADEIAS DE PRODUTOS DASOCIOBIODIVERSIDADE (PNPSB). Ministério do Meio Ambiente. Ministério doDesenvolvimento Agrário, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome(MDS). Brasília, julho de 2009. 21p. Disponívelem:<www.territoriosdacidadania.gov.br/.../sociobiodiversidade/PLANO_NACIONAL_DA_SOCIOBIODIVERSIDADE.pdf>. Acesso em: 23 jul. de 2009.PARÁ. Secretaria de Estado de Integração Regional. Atlas de Integração Regional doEstado do Pará. Belém: SEIR, 2007. 347p.SHANLEY, P.; MEDINA, G. Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica. Belém, PA:Cifor: IMAZON, 2005. 304 p.VENTURIERI, Giorgio C.; RODRIGUES, Silvane T.; PEREIRA, Charles A. B. As abelhase as flores do açaizeiro (Euterpe oleracea Mart. – Arecaceae). Embrapa Amazônia Oriental.Disponível em: <http://www.apacame.org.br/mensagemdoce/80/ abelhas4.htm>. Acesso em:24 out. 2009. 210
  • 216. APÊNDICES 211
  • 217. APÊNDICE A – Questionário aplicado junto aos agentes mercantis.Entrevistador _________________ Nº ________ Nº entrevista: _______Estudo sobre a Comercialização de Produtos Florestais Não Madeireiros no Estado do Pará Entrevista com Agentes MercantisO objetivo da pesquisa é obter informações sobre as cadeias de comercialização dos principaisprodutos da região, com o intuito de estudar as potencialidades da economia regional. Todasas informações obtidas nessa pesquisa são de caráter sigiloso e anônimo e servirão parafinalidades científicas.Nome do entrevistador: ______________________________________Data: ___________Município:___________________________Localidade:_____________________________GPS Nº ___ : S _____ o _____´ _____” W _____ o _____´ _____” Obs.: ________________Nome do entrevistado / da empresa: _______________________________________________ ______________________________________________________________________________Tipo de comerciante / cargo do entrevistado: ________________________________________Categoria:a. Indústria/Empresa ( ) b. Intermediário ( ) c. Produtor ( )a. Empresa: Matriz ( ) Filial ( )Nome / local da matriz: ___________________________________________________________Tempo de trabalho no ramo / no local: _______________________________________________b. Intermediário: Nascido em: ____________________________________________________Profissão anterior: _______________________________________________________________Profissão paralela: _______________________________________________________________c. Produtor: Nascido em: _________________________________________________________Local / tamanho do lote: __________________________________________________________Descrever atividades extrativas (locais, técnicas usadas no manejo, equipamentos,negociações, acesso/controle, etc.)_______________________________________________Qual é a infra-estrutura que dispõe?Armazéns (número, capacidade): _____________________________________________________Meios de transporte (tipo, número, capacidade): _________________________________________Máquinas e Equipamentos (tipo, número, capacidade): ____________________________________Tem problemas com capacidade de armazenamento, com os equipamentos/ maquinário?Quais? ________________________________________________________________________________ 212
  • 218. Quantas pessoas trabalham no empreendimento (por categoria)? ________________________________________________________________________________ Como é o tempo de trabalho (ano inteiro, períodos, tempo integral / parcial etc.)? ________________________________________________________________________________ Qual é o valor pago aos trabalhadores em média (por categoria, por mês, diária, por empreitada (descrever), etc.)? _______________________R$ _________/_________ Existem outros que atuam no mesmo ramo (número, local, nome, endereço)? ___________________________________________________________________________ Informações para contato (endereço e telefone do entrevistado): ___________________________________________________________________________ O que é necessário para melhorar sua capacidade produtiva? ___________________________________________________________________________ Observações Gerais (manejo, transporte, negociações, financiamento, assistência técnica, etc.): ________________________________________________________________________________ Categoria De quem ? / Para quem? Preço Formas Quando/ do Merca- Serviços C/V1 Quant. Unid. Período/ por Município/ de doria Nome Categoria prestados3 agente mês Unid. Estado Pagamento2entrevistado 1) (C) Comprado (V) Vendido 3) (F) Financiamento (T) Transporte (B1) Beneficiamento nível 1 (primário) 2) (AV) A vista (NF) Na folha (B2) Beneficiamento nível 2 (extração) (AP) A prazo (F) Fiado (T) Troco (B3) Beneficiamento nível 3 (processamento) (C) Classificação (A) Armazenagem (E) Embalagem 213
  • 219. 214APÊNDICE B- Produtos florestais não madeireiros identificados, usos, espécies e partesutilizadas nas cadeias de comercialização da Região de Integração Tocantins, no período de2008 a 2009. Família (nº de espécies) Espécies Nome popular Uso Parte utilizada Astrocaryum murumuru Mart. Murumuru Cosmético Amêndoa Euterpe oleracea Mart. Açaí Alimentício Fruto e palmito Utensílio e Coratá eArecaceae (5) Maximiliana maripa (Aubl.) Drude Inajá artesanato semente Alimentício e Mauritia flexuosa L. f. Buriti Fruto e a fibra artesanato Oenocarpus bacaba Mart. Bacaba Alimentício FrutoSapindaceae (1) Serjania laruotteana Cambess. Cipó timbó Artesanato Caule Parahancornia amapa (Huber) Ducke Amapá Medicinal LeiteApocynaceae (3) Spondias mombin L. Taperebá Alimentício Fruto Himatanthus sucuuba Spruce ex Müll. Arg. Leite Sucuúba MedicinalBurseraceae (1) Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand Breu-branco Utensílio ResinaBixaceae (1) Bixa orellana L. Urucum Alimentício SementeClusiaceae (1) Platonia insignis Mart. Bacuri Alimentício Fruto Copaifera sp . Copaíba Medicinal Óleo Hymenaea courbaril L. Jatobá Medicinal LeiteFabaceae (4) Stryphnodendron obovatum Benth. Barbatimão Medicinal Casca Cosmético e Coumarouna odorata Aubl. Cumaru Amêndoa medicinalLecythidaceae (1) Bertholletia excelsa Bonpl. Castanha-do-brasil Alimentício Fruto Theobroma cacao (Mill.) Bernoulli Cacau Alimentício AmêndoaMalvaceae (2) Alimentício e Fruto e Theobroma grandiflorum (Willd. Ex Spreng.)K.Schum. Cupuaçu cosmético sementeMarantaceae (1) Ischnosiphon obliquus (Rudge) Körn. Guarumã Artesanal FibraMeliaceae (1) Carapa guianensis Aubl. Andiroba Medicinal ÓleoPlantaginaceae (1) Veronica officinalis L. Verônica Medicinal CascaRubiaceae (1) Uncaria tomentosa (Willd. Ex Roem. & Schult.) DC. Unha-de-gato Medicinal CascaBignoniaceae (1) Crescentia cujete L. Cuieira Artesanal FrutoFonte: IDESP.
  • 220. APÊNDICE C- Imagens capturadas nos municípios da Região de Integração Tocantins.Foto 1- Açaí acondicionado em rasas no Foto 2- Comercialização do carvão em sacasmercado de Cametá. de 50 kg no município de Moju.Foto 3- Cestarias de fibra de guarumã, em Foto 4- Artesanato de Cipó titica emBarcarena. BarcarenaFoto 5- Comercialização de cascas de plantas Foto 6- Artesanato de miriti em Abaetetuba.medicinais. 215
  • 221. Foto 7– Pilha de palmito in natura em Igarapé Foto 8- Portos sem infraestrutura dificultam aMiri. comercialização de produtos.Foto 9– Comercialização de mel em litro ou Foto 10– Embalagens de comercialização defracionado, em Limoeiro. leites, em Cametá.Foto 11– Lona utilizada para secagem das Foto 12– Comercialização de castanha emsementes de cacau. Cametá. 216
  • 222. Foto 13- Frutos de cupuaçu comercializados Foto 14- Comercialização de urucum em feirasem unidade. dos municípios.Foto 15- Sementes de murumuru em Foto 16- Frutos de taperebá comercializadosLimoeiro do Ajuru. na feira de Abaetetuba.Foto 17- Buriti in natura comercializado na Foto 18- Secagem de coratá para seremfeira de Abaetetuba. vendidos para exportação. 217

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