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  • 1. Cadeias de Comercialização de Produtos FlorestaisNão Madeireiros na Região de Integração Rio Caeté, Estado do Pará RELATÓRIO TÉCNICO 2011 BELÉM – PARÁ 2011
  • 2. Governo do Estado do Pará Simão Robison Oliveira Jatene Governador Helenilson Cunha Pontes Vice-Governador / Secretário Especial de Estado de Gestão - Seges Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará Maria Adelina Guglioti Braglia Presidente Diretoria de Pesquisa e Estudos Ambientais Jonas Bastos da Veiga DiretorDiretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural Cassiano Figueiredo Ribeiro Diretor Diretoria de Estatística, Tecnologia e Gestão da Informação Sérgio Castro Gomes Diretor Diretoria de Administração, Planejamento e Finanças Helaine Cordeiro Félix Diretora
  • 3. Cadeias de Comercialização de Produtos Florestais NãoMadeireiros na Região de Integração Baixo Amazonas, Estado do Pará RELATÓRIO TÉCNICO 2011 BELÉM – PARÁ 2011
  • 4. ExpedienteDiretor de Pesquisa e Estudos AmbientaisJonas Bastos da VeigaCoordenadora do Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e InovaçãoMarli Maria de MattosElaboração Técnica: Coleta de dados:Marli Maria de Mattos Ellen Claudine Cardoso CastroEllen Claudine Cardoso Castro Daniela Monteiro da CruzDivino Herculys Peres da Silva Lima Nelma Santos Amorim dos SantosJosé de Alencar Costa Maricélia Gonçalves BarbosaAna Cristina Parente Brito José de Alencar CostaAdriana Pinheiro dos Santos Rafael da Silva MoraesIsaac Luiz Magalhães Lopes Tânia de Sousa LeiteGilzibene Marques da Silva Antônio Marcos Silva PereiraRodrigo dos Santos Lima Adriana Pinheiro dos SantosRaquel Lopes de Araújo Ana Cristina Parente BritoJoyse Tatiane Souza dos Santos Rodrigo dos Santos LimaApoio Técnico:Francisco Assis Costa, UFPA/NAEAParceria:Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do ParáJosé Alberto da Silva Colares, Diretor GeralRevisão:Jonas Bastos da Veiga, Cassiano Figueiredo Ribeiro e Marcílio Chiacchio.Normalização:Adriana Taís G. dos Santos e Anna Márcia Malcher Muniz _______________________________________________________________________ INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E AMBIENTAL DO PARÁ Cadeias de comercialização de produtos florestais não madeireiros na Região de Integração Rio Caeté, Estado do Pará: relatório técnico 2011./ Belém: IDESP, 2011. 160p. 1.Cadeias de comercialização.2.Produtos florestais não madeireiros.3.Contas sociais alfa.4.Economia regional.I.Região de Integração.II.Pará (Estado).III.Titulo. CDD: 381.098115 ________________________________________________________________________
  • 5. APRESENTAÇÃO A extração dos produtos florestais não madeireiros (PFNM) no Brasil é de grandeimportância social, econômica e ambiental. Apresenta-se como uma forma de exploraçãosustentável, pois na maioria das vezes, não implica na remoção dos indivíduos das espécies.Há tempos, populações tradicionais, extrativistas, ribeirinhas e agricultores familiares utilizamprodutos não madeireiros (frutos, fibras, resinas, plantas medicinais, utensílios entre outros)para subsistência e renda. Apesar da relevância do tema, há poucas informações sobre omercado das espécies florestais não madeireiras, constituindo dessa forma um fator críticopara a gestão das florestas. O mercado internacional desses produtos é relativamente conhecido, todavia, omesmo não ocorre sobre a cadeia de produção e comercialização no mercado doméstico. Nãohá, nos sistemas de dados oficiais, uma lista completa de produtos florestais que sãocomercializados, principalmente no que diz respeito às espécies locais e regionais, comovárias espécies medicinais e frutíferas. No estado do Pará, bem como em todos os estados daAmazônia Legal, há uma carência de dados sobre o mercado de muitos produtos nãomadeireiros de valor local ou regional e sua relevância para as populações rurais e urbanasenvolvidas nas cadeias de produção. As estatísticas oficiais não detectam as espéciesextrativistas que possuem mercado local, bem como as recentes demandas por produtos paraatender as indústrias cosméticas no mercado nacional e internacional. Em razão da relevância do tema exposto, o Instituto de DesenvolvimentoEconômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp), em parceria com o Instituto deDesenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor), desenvolveu o estudo sobre as cadeiasde comercialização dos PFNM do Estado do Pará, como forma de contribuir com informaçõespara a formulação de políticas públicas. Assim foi firmado o Termo de Cooperação Técnica eFinanceira TCTF No.02/2010, tendo sua vigência iniciada em março de 2010, e tem comoobjetivo identificar e analisar as cadeias de comercialização dos PFNM em cinco Regiões deIntegração (RI) do estado do Pará (Rio Caeté, Baixo Amazonas, Guamá, Xingu e Marajó). Os resultados destas pesquisas podem contribuir para o entendimento da economiados PFNM no Estado do Pará, destacando as potencialidades econômicas e identificandoentraves (produção e comercialização) desses diversos produtos, evidenciando os nãodetectados nas estatísticas oficiais, contribuindo com a conservação e gestão florestal. O presente relatório contempla os resultados das análises das cadeias decomercialização dos PFNM da Região de Integração (RI) Rio Caeté.
  • 6. RESUMO Na busca do desenvolvimento sustentável, o estado do Pará necessita de atividadeseconômicas produtivas que dinamizem e gerem renda às populações locais, que evitem odesmatamento, que agreguem valor aos produtos e que reduzam as desigualdades entreregiões. O método das Contas Sociais Ascendentes Alfa (CSα) aplicado neste estudo,utilizando o modelo Matriz Insumo-Produto, permitiu identificar o valor da produção de BaseAgroextrativista, de 34 produtos identificados, em 15 municípios da Região de Integração doRio Caeté e, acompanhar os fluxos ao longo das cadeias estudadas, passando pelos setores debeneficiamento, transformação, comércio e serviços até seu destino final. Constatou-se que osprodutos estudados (10 alimentícios, 13 medicinal, fármacos e cosméticos, 8 artesanatos eutensílios, 2 derivados da madeira e 1 derivado animal) têm significativa importância nadinâmica da economia local, assim como para outras regiões do Pará, além dos mercadosnacionais e internacionais. O principal produto de destaque na RI foi o açaí (R$ 16 milhões),porém com 27% da renda bruta gerada e circulada fora do Pará, diferente do bacuri que teveR$ 1,3 milhão e 95% gerada e circulada somente no Rio Caeté. Outros produtos de destaqueforam o buriti, mel, malva e o carvão. A contabilidade social ascendente na região tem origemem milhares de famílias envolvidas no setor da produção extrativa local (e extralocal), quereceberam pela venda de todos os produtos o montante de R$ 4,5 milhões (VBPα), que gerouR$ 12 milhões (VBP) na compra destes produtos (predomínio in natura) e com a agregaçãode valor de mais de R$ 10 milhões (VAB), chegando a uma renda bruta total (RBT) gerada ecirculada em R$ 22 milhões, com seus efeitos para frente e para trás nas cadeias decomercialização. O estudo também demonstrou as fragilidades e potencialidades identificadasnas cadeias, envolvendo a iniciativa privada, os órgãos governamentais e a sociedade direta eindiretamente relacionada às cadeias dos produtos do agroextrativismo.Palavras-chave: 1.Cadeias de comercialização, 2.Produtos florestais não madeireiros,3.Contas sociais alfa, 4.Economia regional.
  • 7. SIGLASCEASA Central de Abastecimento do ParáConab Companhia Nacional de AbastecimentoDAP Diâmetro à Altura do PeitoEMATER Empresa de Assistência Técnica e Extensão RuralEmbrapa Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuáriaGPS Sistema de Posicionamento GlobalIBGE Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaIDEFLOR Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do ParáIDESP Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do ParáIPEA Instituto de Pesquisa Econômica AplicadaMDS Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à FomeMIP Matriz Insumo ProdutoNAEA / UFPA Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do ParáPAM Pesquisa Agrícola MunicipalPEVS Produção da Extração Vegetal e da SilviculturaPFNM Produtos Florestais Não MadeireirosPIB Produto Interno Bruto Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos daPNPPS SociobiodiversidadePPM Produção da Pecuária MunicipalRBT Renda Bruta TotalRI Região de IntegraçãoSEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas EmpresasSEIR Secretaria de Estado de Integração RegionalSENAR Serviço Nacional de Aprendizagem RuralSTR Sindicato dos Trabalhadores RuraisUFPA Universidade Federal do ParáVAB Valor Agregado Bruto ou Valor Adicionado BrutoVBP Valor Bruto da ProduçãoVBPα Valor Bruto da Produção do setor αVTE Valor Transacionado Efetivo
  • 8. LISTA DE FIGURASFIGURA 1- Municípios pertencentes à Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ...... 36FIGURA 2- Localização da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ........................ 37FIGURA 3- Localização dos agentes mercantis do açaí na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 40FIGURA 4- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................... 41FIGURA 5- Preço médio do açaí (R$/Kg de fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ................................................................................... 43FIGURA 6- Localização dos agentes mercantis do bacuri na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 51FIGURA 7- Estrutura (%) da quantidade amostral do bacuri comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................... 53FIGURA 8- Preço médio do bacuri (R$/unidade de fruto in natura) praticado nas transações entre diversos setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ............................................................ 54FIGURA 9- Localização dos agentes mercantis da andiroba na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................... 61FIGURA 10- Estrutura (%) da quantidade amostral da andiroba comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................... 63FIGURA 11- Preço médio da andiroba (R$/Kg da semente) praticado nas transações entre diversos setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ................................................................. 63FIGURA 12- Localização dos agentes mercantis da bacaba na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................... 65FIGURA 13- Estrutura (%) da quantidade amostral da bacaba comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................... 66FIGURA 14- Preço médio da bacaba (R$/Kg de fruto) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ................................................................................... 67FIGURA 15- Localização dos agentes mercantis do mel na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 68FIGURA 16- Estrutura (%) da quantidade amostral do mel comercializado na Região Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................... 70
  • 9. FIGURA 17- Preço médio do mel (R$/l) praticado nas transações entre os diversos setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará...................................................................................................... 71FIGURA 18- Localização dos agentes mercantis do carvão na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................... 79FIGURA 19- Estrutura (%) da quantidade amostral do carvão comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................... 80FIGURA 20- Preço médio do carvão (R$/saca de 15 Kg) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ................................................................................... 81FIGURA 21- Localização dos agentes mercantis da copaíba na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................... 85FIGURA 22- Estrutura (%) da quantidade amostral da copaíba comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................... 86FIGURA 23- Preço médio da copaíba (R$/l de óleo) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ......................................................................................... 87FIGURA 24- Localização dos agentes mercantis do cupuaçu da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................... 88FIGURA 25- Estrutura (%) da quantidade amostral do cupuaçu comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................... 90FIGURA 26- Preço médio do cupuaçu (R$/unidade de fruto) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ................................................................................... 91FIGURA 27- Localização dos agentes mercantis do muruci da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................... 92FIGURA 28- Estrutura (%) da quantidade amostral do muruci comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................... 94FIGURA 29- Preço médio do muruci (R$/l do fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ................................................................. 95FIGURA 30- Localização dos agentes mercantis da pupunha na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................... 96FIGURA 31- Estrutura (%) da quantidade amostral da pupunha comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................... 97FIGURA 32- Preço médio da pupunha (R$/cacho) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará...................................................................................................... 98
  • 10. FIGURA 33- Localização dos agentes mercantis do murumuru na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................... 99FIGURA 34- Estrutura (%) da quantidade amostral do murumuru comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................... 100FIGURA 35- Preço médio do murumuru (R$/Kg semente) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ................................................................................. 101FIGURA 36- Localização dos agentes mercantis do taperebá na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 102FIGURA 37- Estrutura (%) da quantidade amostral do taperebá comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará no ano de 2010. ..................................... 103FIGURA 38- Preço médio do taperebá (R$/Kg fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ............................................................... 104FIGURA 39- Localização dos agentes mercantis do buriti na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................ 105FIGURA 40- Estrutura (%) da quantidade amostral do buriti comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. .................................... 106FIGURA 41- Preço médio do buriti (R$/Kg fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ................................................................................. 107FIGURA 42- Localização dos agentes mercantis do breu-branco na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 113FIGURA 43- Estrutura (%) da quantidade amostral do breu-branco comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará no ano de 2010. ................................ 114FIGURA 44- Preço médio do breu-branco (R$/Kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ....................................................................................... 115FIGURA 45- Localização dos agentes mercantis do leite de amapá na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................... 116FIGURA 46- Estrutura (%) da quantidade amostral do leite de amapá comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará no ano de 2010. .................... 117FIGURA 47- Preço médio do leite de amapá (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ....................................................................................... 118FIGURA 48- Localização dos agentes mercantis das plantas medicinais na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. .................................... 119
  • 11. FIGURA 49- Estrutura (%) da quantidade amostral das plantas medicinais comercializadas na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ................... 120FIGURA 50- Preço médio das plantas medicinais (R$/Kg in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ............................................................... 121FIGURA 51- Localização dos agentes mercantis do artesanato na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 122FIGURA 52- Estrutura (%) da quantidade amostral do artesanato comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................... 123FIGURA 53- Preço médio do artesanato (R$/unidade da semente) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ............................................................... 124FIGURA 54- Localização dos agentes mercantis dos utensílios na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 125FIGURA 55- Estrutura (%) da quantidade amostral dos utensílios comercializados na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................... 126FIGURA 56- Preço médio dos utensílios (R$/unidade de produto) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ............................................................... 127FIGURA 57- Localização dos agentes mercantis do tucumã na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 128FIGURA 58- Estrutura (%) da quantidade amostral do tucumã comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. .................................... 129FIGURA 59- Preço médio do tucumã (R$/Kg do fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ............................................................... 130FIGURA 60- Localização dos agentes mercantis da borracha na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 131FIGURA 61- Estrutura (%) da quantidade amostral da borracha comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. .................................... 132FIGURA 62- Preço médio da borracha (R$/Kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará.................................................................................................... 133FIGURA 63- Localização dos agentes mercantis da malva na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................ 134FIGURA 64- Estrutura (%) da quantidade amostral da malva comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará no ano de 2010. ..................................... 135
  • 12. FIGURA 65- Preço médio da malva (R$/Kg da fibra) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ....................................................................................... 136FIGURA 66- Localização dos agentes mercantis da castanha-do-brasil da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. .................................... 137FIGURA 67- Estrutura (%) da quantidade amostral da castanha-do-brasil comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. ................... 138FIGURA 68- Preço médio da castanha-do-brasil (R$/Kg da semente) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. ............................................................... 139
  • 13. LISTA DE GRÁFICOSGRÁFICO 1- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do açaí da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............................... 44GRÁFICO 2- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do açaí da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............................... 46GRÁFICO 3– Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do açaí, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. .............. 48GRÁFICO 4- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do bacuri da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............................... 55GRÁFICO 5- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do bacuri da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............................... 57GRÁFICO 6– Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do bacuri, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. .............. 59GRÁFICO 7- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do mel da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............................... 72GRÁFICO 8- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do mel da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............................... 75GRÁFICO 9– Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do mel, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. .............. 77GRÁFICO 10- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do carvão da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............................... 82GRÁFICO 11- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do carvão da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............................... 83GRÁFICO 12– Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do carvão, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. .............. 84GRÁFICO 13 - VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do buriti da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............................. 108GRÁFICO 14 - VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do buriti da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............................. 110GRÁFICO 15- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do buriti, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............ 112
  • 14. LISTA DE TABELASTABELA 1- Produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Rio Caeté, com quantidade e valor pago à produção local, de acordo com a amostragem realizada em campo, no período de 2009 a 2010. ........................... 38TABELA 2- Demanda Final (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados nos quinze municípios da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................... 140TABELA 3- Valor Adicionado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados nos quinze municípios da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. ............ 142TABELA 4- Valor Agregado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, organizados em categorias (Alimentícios, Artesanatos/Utensílios, Derivado Animal, Derivado da Madeira e Fármacos/Cosméticos), estimado para 2008. .................................................... 143TABELA 5- Renda Bruta Total – RBT (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, organizadas em três categorias relativas às escalas de valor do RBT (acima de R$ 600mil, de R$ 100mil a R$ 600mil e abaixo de R$ 100mil), estimada para 2008. ........................................................................................... 145TABELA 6- Indicadores econômicos dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, compostos pelo Valor Bruto da Produção Alfa Local (VBPα), o Valor Bruto da Produção Alfa Extralocal (VBPα), a margem bruta de comercialização (mark-up), o Valor Bruto da Produção (VBP), o Valor Agregado Bruto (VAB) e a Renda Bruta Total (RBT), em R$, nas esferas local, estadual e nacional, estimados para 2008. ................ 149
  • 15. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 252 OBJETIVOS .............................................................................................................................. 262.1 GERAL ................................................................................................................................... 262.2 ESPECÍFICOS ....................................................................................................................... 263 METODOLOGIA ...................................................................................................................... 274 RESULTADOS ......................................................................................................................... 364.1 REGIÃO DE INTEGRAÇÃO RIO CAETÉ .......................................................................... 364.1.1 Caracterização ..................................................................................................................... 364.2 ANÁLISE DAS CADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO ...................................................... 374.2.1 Açaí ...................................................................................................................................... 384.2.2 Bacuri .................................................................................................................................. 504.2.3 Andiroba .............................................................................................................................. 604.2.4 Bacaba ................................................................................................................................. 644.2.5 Mel ....................................................................................................................................... 674.2.6 Carvão .................................................................................................................................. 784.2.7 Copaíba ................................................................................................................................ 844.2.8 Cupuaçu ............................................................................................................................... 874.2.9 Muruci ................................................................................................................................. 924.2.10 Pupunha ............................................................................................................................. 964.2.11 Murumuru .......................................................................................................................... 984.2.12 Taperebá ............................................................................................................................ 1014.2.13 Buriti .................................................................................................................................. 1044.2.14 Breu-Branco ...................................................................................................................... 1134.2.15 Leite de Amapá .................................................................................................................. 115
  • 16. 4.2.16 Plantas Medicinais ............................................................................................................. 1194.2.17 Artesanato .......................................................................................................................... 1214.2.18 Utensílios ........................................................................................................................... 1244.2.19 Tucumã .............................................................................................................................. 1274.2.20 Borracha ............................................................................................................................ 1304.2.21 Malva ................................................................................................................................. 1334.2.22 Castanha-do-Brasil ............................................................................................................ 1364.3 ANÁLISES AGRUPADAS ................................................................................................... 1405 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................... 1506 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 152APÊNDICES ................................................................................................................................ 155
  • 17. 251 INTRODUÇÃO Segundo o Ministério da Agricultura (2008), os Produtos Florestais Não Madeireiros(PFNM) são aqueles derivados da floresta, exceto a madeira, cuja definição engloba as fibras,frutos, raízes, cascas, folhas, taninos, cogumelos, exudados, mel, plantas medicinais, lenha ecarvão, entre outros. Silva et al. (2010) ressaltam que estes produtos também podem serobtidos de plantas semidomesticadas em plantios ou sistemas agroflorestais, assim comopeixes ornamentais e produtos da fauna silvestre. Estes últimos autores ainda destacam queeste é um conceito em construção. Nas últimas décadas, assiste-se em todo o mundo, o crescimento da preocupaçãorelacionada a fatores como superaquecimento global e o desmatamento das florestas tropicais,que por sua vez, atraem o interesse de diversos atores sociais, que anseiam em equacionar taisimpactos. Dentro deste contexto, a extração e comercialização dos PFNM no Brasil têmapresentado grande importância social, econômica e ambiental, em virtude de atuarprioritariamente em pequenas propriedades, preservar parte importante da biodiversidade dasflorestas nativas (FIEDLER et al., 2008) e gerar renda. Em relação ao comércio dos PFNM, nota-se que o mercado internacional dessesprodutos é relativamente conhecido, entretanto, o mesmo não ocorre sobre a cadeia deprodução e comercialização no mercado doméstico. No estado do Pará, assim como nosoutros estados inseridos na Amazônia Legal, é restrita a literatura e dados existentes sobre omercado “invisível” de muitas espécies de valor local ou regional e sua importância para aspopulações rurais e urbanas envolvidas ao longo da sua cadeia de produção (MONTEIRO,2003). Dessa forma, os gestores e as demais audiências estão desinformados sobre o fluxodesse comércio, que permanece oculto (SILVA, 2010). Apesar da magnitude socioeconômica dos PFNM, verifica-se que há poucainformação sistematizada sobre quantidade, valor, processos de produção, industrialização ecomercialização desses produtos. Essa escassez de informações se constitui como umempecilho à conservação e ao desenvolvimento de estratégias mercadológicas para essesprodutos, sendo, portanto, necessárias para o crescimento e desenvolvimento das atividadesenvolvendo estes produtos (FIEDLER et al., 2008). Com isso, esta pesquisa teve como objetivo principal identificar e analisar as cadeiasde comercialização dos PFNM na Região de Integração (RI) Rio Caeté, Estado do Pará,identificando os fatores críticos e potencialidades, como forma de contribuição para subsidiarpolíticas públicas.
  • 18. 262 OBJETIVOS2.1 GERAL Identificar e analisar as cadeias de comercialização de produtos florestais não madeireiros da Região de Integração Rio Caeté, Estado do Pará, buscando evidenciar fatores críticos e potencialidades.2.2 ESPECÍFICOS Identificar e descrever as estruturas das cadeias de comercialização dos produtos florestais não madeireiros da Região de Integração Rio Caeté, e Quantificar o Valor Bruto da Produção (VBP), explicitando a produção agroextrativista do setor alfa (VBPα), o Valor Agregado Bruto (VAB) juntamente com a margem bruta de comercialização (mark-up) e a Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização dos produtos identificados.
  • 19. 273 METODOLOGIA No intuito de descrever e analisar as cadeias de comercialização dos produtosflorestais não madeireiros (PFNM), a partir do conjunto dos 15 municípios pertencentes a RIRio Caeté, estado do Pará, desde os agentes que compraram do produtor até os que venderampara o consumidor, este estudo baseou-se na metodologia das Contas Ascendentes Alfa CSα(COSTA, 2002, 2006 e 2008a), que permite construir Contas Sociais de base agroextrativista,para uma região, utilizando o modelo Matriz Insumo-Produto de Leontief (1983). As “Contas Sociais Alfa” (CSα) referem-se a metodologia de cálculo ascendente dematrizes de insumo-produto de equilíbrio computável e, que se baseia nos parâmetros eindicadores de cada produto que compõem os setores originários e fundamentais, justifica-sepelo fato de permitir uma análise pontual ou com foco na real problemática local, haja vistaque as estatísticas de produção são obtidas mais irredutível possível de uma economia local.Ou seja, este método além de fazer uma “fotografia” da realidade macroeconômica e social deuma delimitação geográfica, fornece respostas a questões que envolvem os impactos geradospor ações e programas de desenvolvimento ali implementados. Conforme explica Costa (2008b), o método consiste em identificar a produção decada agente que pode ser agregado nos “setores alfa”, de certa delimitação geográfica eacompanhar os fluxos até sua destinação final. Nesse trajeto define parametricamente ascondições de passagem pelas diversas interseções entre os setores derivados (quantidadestransacionadas em cada ponto e o mark-up correspondente), tratados como “setores beta”, osquais são ajustados a três níveis diferentes: o local (βa), o estadual (βb) e o nacional (βc). Esta metodologia foi aplicada na região sudeste do Pará, caracterizada por tensõesentre grandes projetos pecuários e minerais, e a expansão camponesa, com assentamentos dareforma agrária. O trabalho desenvolvido por Costa (2008b), contempla a análise de insumo-produto com metodologia ascendente que explicita a diversidade estrutural dos setores debase primária e os impactos econômicos da programação de investimento da Companhia Valedo Rio Doce (CVRD) de 2004 até 2010. Os resultados do estudo indicam que a metodologiaascendente CSα permitiu fazer as diferenciações estruturais necessárias na geração de umamatriz de insumo-produto mais aderente a complexidade da economia local, evidenciando ainfluência expressiva na economia do setor mineral do Sudeste Paraense, com complexidadede tal ordem que sua expansão cria possibilidades de crescimento para os demais setores daeconomia local. Por outro lado, demonstrou vazamentos de vulto (em termos de renda,
  • 20. 28agregação de valor, entre outros) – tanto da economia local e no entorno mais próximo, para aeconomia do resto do Pará, quanto para o resto do Brasil. Em outro estudo Costa e Costa (2008) descreveram a economia da cultura do festivalde bois de Parintins, estado do Amazonas, utilizando a metodologia das CSα conjuntamenteorientada pelo conceito de Arranjos Produtivos Locais (APL). O estudo identificou limitaçõesde infraestrutura, apontou impactos para a economia do município com a produção erealização do evento, com isso o município recebeu tratamento diferenciado por parte dospoderes públicos, que se converteram em investimentos reais e o APL da cultura identificadorepresentou 10% da economia local e se apresentou como uma nova base de exportação, comum efeito multiplicar elevado. A aplicação da metodologia CSα por Dürr (2008) no Departamento1 de Sololá, naGuatemala, permitiu descrever as cadeias produtivas dos principais produtos da agriculturacamponesa, construiu a Contabilidade Social de base agrária do Departamento, ou seja,calculou o Produto Interno Bruto mostrando a contribuição de diferentes setores,especialmente no setor rural e da economia regional e, por último, identificou os impactossobre a agricultura e o desenvolvimento econômico das zonas rurais locais, estimado atravésdo uso de Matrizes de Insumo-Produto como ferramenta para o planejamento estratégico doDepartamento de Sololá. Devido as repercussões deste estudo, o autor replicou para odepartamento de El Quiché (DÜRR et al., 2009), para o território chamado de Bacia do rio"Polochic. "(LOZA et al., 2009) e para o departamento de Petén (DÜRR et al., 2010). O trabalho de Carvalho (2010) apresenta as contribuições que os produtos florestaisnão madeireiros têm na economia do Estado do Amapá, fazendo o uso do método de ContasSociais Alfa em razão da inexistência de informações sistematizadas ou agregadas em nívellocal. Contudo, consegue estabelecer as análises estruturais a partir das interrelaçõesexistentes entre os agentes mercantis que participam do arranjo produtivo dos PFNM,analisando os efeitos dos multiplicadores setoriais, os impactos do crescimento econômico naprodução, trabalho e renda setorial de toda a economia. Na mesma linha, Gomes (2007) identificou e caracterizou cadeias decomercialização de produtos existentes nas florestas secundárias nas categorias de frutíferas,derivados da madeira (lenha, carvão e estaca), mel e diversas plantas medicinais nos1 Unidade federativa equivalente a estado.
  • 21. 29municípios de Bragança, Capitão Poço e Garrafão do Norte, Estado do Pará. A autora utilizouo método de Contas Sociais Alfa para captar as especificidades econômicas e sociais que aocontrário dos cálculos das contas regionais do IBGE, que consideram as regiões homogêneasnas estimações conjunturais impossibilita captar as especificidades locais. O estudo detectou acirculação aproximada de quatro milhões de reais, para o ano de 2005, identificando aimportância da vegetação secundária como reserva de valor e como agente dinamizador darenda rural e dos setores econômicos associados como atacadistas, varejistas e agroindústrias. No caso deste estudo desenvolvido pelo Idesp em parceria com o Ideflor, ametodologia foi adequada para a contabilidade social ascendente que engloba além daprodução agroextrativista, as atividades na indústria e nos serviços que atuam diretamente nossetores com foco nos produtos florestais não madeireiros. Trata-se de um modelo de calculode renda e do produto social do agroextrativismo que permitiu mensurar variáveis como oValor Bruto da Produção de Base Agroextrativista (VBPα), o Valor Agregado Bruto de BaseAgroextrativista (VABα) e o Produto Regional Bruto de Base Agroextrativista (PRBα). Deacordo com Considera et al. (1997) o Produto Regional Bruto (PRB) seria o equivalenteregional ao Produto Interno Bruto (PIB) deste setor. O modelo também produziu as matrizes das interrelações intersetoriais que asfundamentam, por uma metodologia que maximiza a utilização dos dados do IBGE, tanto osdo Censo Agropecuário de 2006, quanto as séries históricas de 1990 a 2008 da ProduçãoAgrícola Municipal (PAM), da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e daProdução da Pecuária Municipal (PPM) e, correlacionando-os aos dados da pesquisa primáriaexecutada pelo Idesp, permitiu agregações as mais variadas, orientadas tanto por atributosgeográficos, quanto por atributos estruturais do setor. A metodologia adotada permite descrever trajetórias de agregação, tanto em funçãode um espaço geográfico limitado (município, região, território, etc.), quanto em decorrênciadas estruturas da produção: formas de produção, tipos de atividades, níveis tecnológicos,sistemas de produção, entre outros. A metodologia apresenta uma série de vantagens, taiscomo: rapidez na coleta de dados primários em campo, identificação dos maiores volumescomercializados junto aos agentes mercantis chaves, quantificação dos valores pagos ao setorda produção agroextrativista, principais gargalos evidenciados nas cadeias decomercialização, a economia antes invisível passa a ser explícita para diversos produtos eaponta indicativos para subsidiar políticas publicas.
  • 22. 30 As etapas adotadas desde a identificação do agente mercantil, até as análises dascadeias de comercialização, consistiram em uma série de ações descritas a seguir. Articulação prévia, feita em Belém e/ou na chegada a cada um dos quinzemunicípios visitados da Região de Integração Rio Caeté, junto a informantes-chaves (como ostécnicos dos escritórios da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado doPará - Emater/Pará, dos sindicatos de trabalhadores rurais, das secretarias municipais deagricultura, das cooperativas, das associações, das feiras, dos mercados locais, entre outros),no que se referiu a produção e/ou comercialização dos produtos florestais não madeireirosexistentes no município, para o período de doze meses e, fazer a identificação dos agentesmercantis envolvidos nestas atividades, para serem entrevistados. A coleta de dados ocorreu junto aos agentes mercantis com aplicação de questionário(Apêndice A). Nesta etapa, buscam-se os principais agentes (vendedores/compradores) decada produto, que geralmente representam importantes elos da cadeia, os quais em seguida,direcionam os elos para trás (comprou de quem) e para frente (vendeu para quem) na cadeia,compondo uma amostragem não probabilística autogerada (CABRAL, 2000), até chegar aprodução local de um lado, bem como ao último que vendeu o produto para o consumidorfinal, no outro extremo da cadeia (DÜRR; COSTA, 2008). Esta metodologia identificourelações existentes entre agentes mercantis, que atuam tanto na formalidade até os decompleta informalidade, e foi capaz de apontar o fluxo de comercialização para cada produtoidentificado. Neste tipo de amostragem o tamanho e a localização da população não sãoconhecidos a priori pelo pesquisador, então, esta é composta na medida em que o pesquisadoridentifica um agente mercantil, e solicita ao mesmo que indique os que também fazem parteda população em estudo, e assim, sucessivamente, a amostra é construída (MATTAR, 1997).Deste modo, para o levantamento dos quinze municípios foram aplicados cento e cinquentaquestionários junto aos agentes mercantis envolvidos direta ou indiretamente com acomercialização dos PFNM. Durante a aplicação dos questionários, foi possível georreferenciar cadaestabelecimento, utilizando o sistema de posicionamento global (GPS), compondo uma dasbases de dados com as coordenadas geográficas. Além disso, foi possível compor uma base dedados qualitativos disponíveis na plataforma Windows, Microsoft Office 2007 no aplicativoAccess, e outra base de dados quantitativos no sistema NETZ2, com circuitos (referentes aos2 Software desenvolvido por Francisco de Assis Costa – NAEA/UFPA.
  • 23. 31produtos) e lançamentos (referentes as transações comerciais realizadas pelos agentes, porprodutos). A padronização dos dados coletados em cada entrevista foi necessária para que asunidades de quantidade (medida usada em kg, litro, saca entre outros) e de preço praticadofossem uniformizadas conforme cada produto. As informações inseridas no sistema NETZreferem-se aos dados primários de preço e quantidade para cada produto, em cada relaçãomercantil de compra e venda, classificando por setor (produção, varejo, atacado, indústria econsumidor) e por recorte espacial (local, estadual e nacional). Depois deste processo, foram elaboradas as matrizes que descrevem a probabilidadeda distribuição das quantidades e de atribuição dos preços a partir das relações entre osagentes e, uma vez determinadas suas posições estruturais, entre os setores. As MatrizesInsumo-Produto (MIP) descrevem nas colunas as compras e nas linhas as vendas dos setoresda produção primária e intermediaria (indústria, atacado e varejo), entre si, e as vendas para ademanda final local, estadual ou nacional. No entanto, como forma de melhor visualizar cadamatriz, a equipe do Idesp envolvida no estudo desenvolveu um modelo de apresentar osmesmos dados, com os fluxos de compra e venda e os setores responsáveis por cada elo dacadeia. A inovação trata-se da disposição visual dos diversos agentes mercantis ou setoresrepresentados por pequenas caixas retangulares (produção local, varejo, indústria debeneficiamento, de transformação, atacado, consumidor, etc.) e espacialmente distribuídos naeconomia local, estadual ou fora do estado (nacional e internacional), representados porretângulos maiores em três cores distintas. Foram adotadas setas em diferentes formatos paraa representação dos canais ou fluxos de comercialização, que iniciam na produção local até osconsumidores finais. Quanto aos fluxos da comercialização por produto estudado, estes foram organizadospara três dimensões geográficas: a) local, que corresponde aos quinze municípios pesquisadosna RI Rio Caeté e extralocal, relacionado aos municípios que não fazem parte da RI RioCaeté; b) estadual, para os demais municípios do estado do Pará e; c) nacional, que foramcomercializados para outros estados e/ou países. O estudo possibilitou compreender os fluxosexistentes nas relações entre agentes/setores e seu papel relativo ao longo da cadeia em funçãodos volumes transacionados. Ainda com base nas matrizes de preço e quantidade, a relaçãodessas gera os respectivos preços médios praticados ou implícitos por produto e por setor (emReais por unidade do produto), agregado ou não, ao longo da cadeia, da produção até oconsumo final.
  • 24. 32 A metodologia permite a atualização dos dados para os anos seguintes daContabilidade Social da Produção de Base Agroextrativista (CSα) obtida com os dados maisrecentes divulgados pelo IBGE, neste caso com o Censo Agropecuário de 2006. Para tanto,foram construídos indexadores de quantidade e preço baseados nas séries municipais da PAM,PEVS e PPM, no mesmo recorte regional, assim como as séries de preços dos produtos daagricultura do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). Existem duas especificidades na construção dos indexadores: aquela em que o produtoem questão é levantado sistematicamente e faz parte do acervo de estatísticas conjunturais,acima explicitado, e aquela em que o produto estudado não é levantado sistematicamente. Naprimeira situação os indexadores de quantidade (IQ) são os números índices do total dasquantidades do produto v, para o conjunto dos municípios que atendem a restrição s, tendo nocaso do agroextrativismo, 2006 como ano base. E para os indexadores de preço (IP) osnúmeros índices do preço médio do produto v, para os municípios que atendem a restriçãogeográfica s, tendo 2006 também como ano base (COSTA, 2002, 2006 e 2008). Os indexadores de quantidade e de preço são assim construídos: Onde: : atributo geográfico (local: municípios da RI Rio Caeté; estadual: demais municípios do estado do Pará e nacional: outros estados e/ou países), : produto, : ano da pesquisa oficial (2006, 2007 e 2008), : quantidade do produto conforme seu atributo geográfico no ano da pesquisa oficial, : quantidade do produto conforme atributo geográfico no Censo Agropecuário de 2006, : preço médio (ou implícito) conforme seu atributo geográfico no ano da pesquisa, e : preço médio (ou implícito) conforme atributo geográfico no Censo de 2006.
  • 25. 33 Em relação aos produtos não levantados sistematicamente, estes foram indexadospela evolução do conjunto da produção numa certa delimitação geográfica. A evolução doconjunto da produção é observada pelos números índices da evolução do produto real e dospreços implícitos para a restrição geográfica s. O produto real é a soma dos resultados damultiplicação das quantidades de cada produto no ano a, pelo preço em um ano escolhidopara fornecer o vetor de preços, neste caso, média dos anos de 2006, 2007 e 2008. Portanto,os indexadores dos PFNM que não estão presentes nas estatísticas oficiais foram elaboradosconforme agrupamentos, tendo como referências as categorias dos alimentícios, dosoleaginosos e gerais do IBGE. Sendo assim, para os frutos bacaba, bacuri, buriti, muruci, pupunha, taperebá etucumã foram utilizados os indexadores da categoria de alimentícios. Na categoria deindexador das fibras vegetais foram cinco produtos todos tendo a fibra do guarumã e do buriticomo insumo principal: abano, cesto, peneira, paneiro e tipiti. E na categoria de indexadorgeral (que utiliza o conjunto de todos os produtos identificados pelo IBGE) foram dezesseisprodutos: andiroba óleo, copaíba óleo, murumuru óleo, castanha-do-brasil, resina de breu-branco, açaí semente, paxiúba semente, olho-de-boto, cascas de barbatimão, ipê-roxo, jatobá,sucuuba, unha-de-gato e verônica, cipó-titica, leites de amapá e cumaru amêndoa. Os únicos produtos que tiveram seus próprios indexadores, criados com base nasestatísticas oficiais, foram: açaí fruto, borracha, carvão, cupuaçu, malva e o mel. Finalmente, foi estimada a CSα para o ano de 2008, por ser o início do estudo,multiplicando os indexadores obtidos com a matriz de estrutura, que descrevem aprobabilidade da distribuição das quantidades e, com a matriz de preços a partir das relaçõesentre os agentes. O resultado gera uma Matriz de Insumo Produto (MIP) para cada produtopesquisado, contendo o Valor Bruto da Produção de base agroextrativista (VBPα) sob a óticada oferta, o VBP sob a ótica da demanda (ou seja, compra de insumo), o Valor TransacionadoEfetivo (VTE) que equivale ao Valor Adicionado ou Agregado Bruto (VAB), a Renda BrutaTotal (RBT) e, a margem bruta de comercialização (mark-up), que é a relação entre adiferença do valor estimado do VAB com o VBPα (sob a ótica da oferta) pelo VBPα, para quesejam feitas as análises econômicas (estimadas para 2008) e os impactos que cada produtonão madeireiro exerceu na economia local, estadual e fora do estado. Frisa-se, no entanto, queno cálculo do VAB como na estimação do mark-up, não se levou em consideração os custosprodutivos e/ou de comercialização, pois não foram foco da pesquisa. Em algumas cadeias,
  • 26. 34também não foi possível descrever a proporção dos PFNM utilizados como insumo napreparação de certos produtos finais, como doces, cosméticos, medicinais, entre outros. A definição em estimar a CSα para o ano de 2008 foi adotada para este estudo (RioCaeté) e para as demais regiões estudadas (Guamá, Tocantins, Xingu, Marajó e o BaixoAmazonas), permitindo assim comparações entre as economias de cada região. O métodopermite também fazer atualizações desta economia conforme novos cálculos dos indexadorespor produto, após divulgação de estatísticas oficiais. Para cada um dos 34 produtos não madeireiros identificados em campo (Tabela 1),28 deles constam no Apêndice B. Tais produtos foram classificados em dez alimentícios[açaí, bacaba, bacuri, buriti, castanha-do-brasil, cupuaçu, muruci, pupunha, taperebá etucumã], treze medicinais, fármacos e cosméticos [açoita-cavalo, amapá (leite), andiroba,barbatimão, breu-branco, copaíba, cumaru, ipê-roxo, jatobá, murumuru, sucuúba, unha-de-gato e verônica] e seis artesanatos e utensílios [açaí (semente), guarumã, malva, olho-de-boto,paxiúba e borracha]. Cada produto identificado foi analisado individualmente, por estruturas de fluxo dequantidade e preço médio praticado ao longo das cadeias de comercialização e, descritos ossetores mercantis das esferas local, estadual e nacional. Além disso, as análises econômicasdetalhadas estão apresentadas com VBP pela ótica da oferta, com VAB e a margem bruta decomercialização por setor, assim como a RBT gerada pela ótica da demanda. Para outros produtos que apresentaram similitude como: uma pequena amostragemde dados, semelhança do fluxo de comercialização entre os agentes e, principalmente,utilidades similares, as análises foram agrupadas em: utensílios, leites e plantas medicinais. A classificação dos agentes nas cadeias de comercialização foram adaptadas aosseguintes conceitos, conforme Costa (2002) e Dürr (2004). Produção extralocal: Produção primária agroextrativista oriunda de outras regiões de integração que não fazem parte da região estudada; Produção local: Produção primária agroextrativista do município ou da região; Varejo rural local: Pequenos comerciantes do interior dos municípios que compram dos produtores, comumente denominados atravessadores rurais; Indústria de beneficiamento local: Unidades de beneficiamento da produção, localizadas na região;
  • 27. 35 Indústria de transformação local: Unidades de transformação da produção, localizadas na região; Atacado local: Grandes compradores (atacadistas, representantes de empresas), localizados nos centros urbanos da região, que normalmente compram do varejo e/ou vendem para o varejo; Varejo urbano local: Pequenos comerciantes nas cidades (varejistas, feirantes, marreteiros, vendedores ambulantes); Indústria de beneficiamento estadual: Unidades de beneficiamento no Pará, localizadas além da RI Marajó; Indústria de transformação estadual: Unidades de transformação no Pará; Atacado estadual: Empresas compradoras da produção no Pará; Varejo urbano estadual: Comércios (supermercados, etc.) no Pará, que vendem para o consumidor estadual; Indústria de beneficiamento nacional: Unidades de beneficiamento no Brasil; Indústria de transformação nacional: Unidades de transformação no Brasil; Atacado nacional: Empresas compradoras do nível nacional; Varejo urbano nacional: Comércios nacionais que vendem para o consumidor nacional. As categorias de agentes mercantis estão descritas por produto não madeireiroidentificado, quer seja individual ou em grupo. As análises econômicas de todos os produtos identificados estão descritas emdetalhes no item 4.3.
  • 28. 364 RESULTADOS4.1 REGIÃO DE INTEGRAÇÃO RIO CAETÉ4.1.1 CARACTERIZAÇÃO A Região de Integração Rio Caeté tem em sua composição um total de quinzemunicípios (Figura 1), com uma população de 469.484 habitantes (IBGE, 2010), o quecorresponde a 6,2% da população do Estado do Pará. Há um leve predomínio da populaçãourbana sobre a rural, com um índice de 54% em relação à população total da região. Sua áreatotal corresponde a 1,3% em relação ao Estado, com densidade demográfica de 28 hab/km²,sendo que apenas três municípios (Bragança, Capanema e Viseu) possuem população maiorque 50 mil habitantes (53 a 101 mil). FIGURA 1- Municípios pertencentes à Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Com relação ao indicador de Desenvolvimento Humano, a Região de Integração RioCaeté apresentou um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal- IDHM de 0,64, em2000, menor que o estadual de 0,72 (PARÁ, 2010). Em 2007 o Produto Interno Bruto – PIB da Região Rio Caeté somou R$1.329.746,00 mil, com uma variação de 14% maior em relação ao PIB do ano anterior, porémse manteve na 10ª colocação no ranking entre as 12 regiões de integração e participandoapenas com 2,7% do PIB estadual. Já com relação ao PIB per capita, na ordem de R$
  • 29. 373.082,00, configurou-se como o segundo pior ficando a frente apenas da região do Marajó. Asparticipações dos setores econômicos, considerando somente o Valor Agregado,corresponderam a 15,3% Agropecuário, 12,3% Indústria e 72,4% Serviços. Dentro dacomposição do setor agropecuário a participação dos produtos de origem extrativistacorresponde a 12,7 % (IDESP, 2009). Entre os municípios da Região Rio Caeté, Santarém Novo se configurou como o demenor participação na economia da região, representando 1,1% do PIB, caracterizado pelabaixa concentração demográfica e forte dependência em relação ao setor de serviços.4.2 ANÁLISE DAS CADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO Nos 15 municípios pertencentes à Região de Integração Rio Caeté (Figura 2) foramidentificados 34 produtos florestais não madeireiros, durante a pesquisa de campo realizadaem 2009 e 2010, com quantidade e valor pago à produção local (Tabela 1). FIGURA 2- Localização da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 30. 38TABELA 1- Produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Rio Caeté, comquantidade e valor pago à produção local, de acordo com a amostragem realizada em campo, no período de 2009a 2010. Produtos Florestais Não Madeireiros Quantidade Valor (R$) Valor/Total (%) Açaí fruto (kg) 17.100.454 16.309.034,00 90,20 Mel (l) 97.338 844.409,83 4,67 Buriti (kg) 155.234 265.092,76 1,47 Bacuri (un.) 670.750 183.222,50 1,01 Malva (kg) 110.000 137.500,00 0,76 Carvão (saca) 11.793 84.314,90 0,47 Utensílios (un.) (1) 29.570 59.978,84 0,33 Cupuaçu (un.) 43.140 59.257,50 0,33 Bacaba (kg) 28.784 40.576,48 0,22 Muruci (l) 14.462 24.240,01 0,13 Borracha (kg) 12.540 21.932,40 0,12 Andiroba (l) 7.308 19.177,20 0,11 Pupunha (cacho) 2.550 9.810,00 0,05 Breu-branco (kg) 2.235 6.732,50 0,04 Copaíba (l) 160 4.870,00 0,03 Plantas medicinais (kg) (2) 1.828 3.591,00 0,02 Taperebá (kg) 1.780 2.390,00 0,013 Murumuru (kg) 778 1.681,00 0,009 Tucumã (kg) 2.955 975,15 0,005 Leite amapá (l) 96 576,00 0,0032 Artesanato regional (un.) (3) 21.300 366,90 0,0020 Castanha-do-brasil (kg) 164 328,58 0,0018 Total 18.080.057,55 100,001 Abano, (1) tipiti, peneira, paneiro de tala de guarumã e cesto de palha de buriti.2 Abano, tipiti, peneira,paneiro de tala de guarumã e cesto de palha de buriti . Casca de barbatimão, de ipê-roxo, de sucuúba, de jatobá, de verônica e de unha-de-gato e semente de cumaru.3 (2) Caroço dede barbatimão, ipê-roxo,jatobá,sucuúba, unha-de-gato, verônica e semente de cumaru. Cascas açaí, olho de boto e semente de paxiuba.Fonte: Instituto de Desenvolvimento e paxiúba. Social e Ambiental do Pará, 2011. (3) Sementes de açaí , olho-de-boto Econômico,Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A comercialização de dezenas destes produtos acontece em diferentesestabelecimentos e feiras, explicitando a diversidade e a realidade regional, conforme imagensregistradas nos municípios visitados (Apêndice C). As análises das principais cadeias de comercialização da Região Rio Caeté estãodescritas e ilustradas a seguir.4.2.1 AÇAÍ a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do açaí. Apresentando-se como um dos produtos econômicos mais emergentes, entre os trintae quatro, o açaí e sua estrutura de cadeia de comercialização são ilustrados de acordo com a
  • 31. 39amostragem, composta por 68 agentes que comercializaram o produto nos municípiosvisitados da RI Rio Caeté, sendo que 60% trabalham somente com o açaí, 34% destescomercializam outros produtos como mel, carvão, açaí caroço, sementes (olho de boto esemente de paxiúba), cupuaçu, bacuri, bacaba, buriti, tucumã, cajuaçu, murumuru, borracha(látex), carvão, breu-branco e utensílios de fibra de guarumã (paneiro, peneira, e tipiti) e os6% não informaram. Dos agentes entrevistados, 63% são batedores, 13% atravessadores, 10% produtores,4% varejistas, 5% feirantes, um artesão e 5% não informaram. Do total de agentesentrevistados, 76% atuam (em média) na comercialização deste fruto há 15 anos (variação de1 a 58 anos). Cerca de 3% informaram possuir propriedade rural, com áreas de 0,20 a 30 ha.Com referência a capacidade de armazenagem, foi identificado que 54% dos agentes possuemarmazéns com dimensões que variam de 2,30m² a 64,00m². A seguir a descrição dos agentes mercantis envolvidos na comercialização do açaí: EXTRALOCAL (Municípios que não fazem parte da Região de Integração RioCaeté) Produção extralocal: Engloba a produção primária de açaizais da Região Tocantins(principalmente dos municípios de Igarapé Miri e Abaetetuba), da Região Guamá e do Estadodo Maranhão; LOCAL (Municípios da Região de Integração Rio Caeté) Produção local: Trata-se da produção primária de açaizais manejados e extrativistas,identificada em quinze municípios da Região Rio Caeté; Varejo rural: Incluem todos os pequenos comerciantes, denominados atravessadores,do interior dos quinze municípios que compram o açaí in natura dos produtores; Indústria de beneficiamento: São pequenos comerciantes, que possuem máquinasdespolpadeiras, chamadas de “batedores de açaí”, e que vendem diretamente a polpa do açaípara os consumidores locais; Atacado: São os comerciantes (atacadistas ou associações) que comercializam o frutoin natura em grandes quantidades; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da Região de Integração RioCaeté)
  • 32. 40 Indústria de beneficiamento: Existem dois tipos de estrutura de empresabeneficiadora, a composta por pequenos comerciantes que possuem máquinas despolpadeiras,chamados de “batedores de açaí”, que vendem diretamente a polpa para os consumidoresestaduais e, a segunda, composta por um número reduzido de agroindústrias que produzempolpa de açaí pasteurizada e/ou congelada destinada para o mercado nacional; Atacado: Englobam os comerciantes (grandes atravessadores ou representantes deempresas) que comercializam grandes quantidades de açaí in natura; NACIONAL (Fora do Estado do Pará) Varejo urbano: São os comércios varejistas situados fora do Estado, que vendem parao consumidor nacional. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do açaí. Na amostragem em campo o setor produtivo é responsável por abastecer comaproximadamente 17.100 toneladas de fruto in natura para o comércio. Na Figura 3 estãoespacializados os agentes mercantis entrevistados nos municípios da região estudada. FIGURA 3- Localização dos agentes mercantis do açaí na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 33. 41 A Figura 4 permite visualizar as proporções da quantidade de açaí que transitampelos diferentes setores identificados pela pesquisa, a partir da produção local e extralocal, atéatingir a demanda final, ou seja, os consumidores finais nos diferentes âmbitos (local, estaduale nacional). FIGURA 4- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Do total da quantidade do fruto in natura comercializado na região, 78,8% foramoriundos da própria região e 21,2% foram da região do Tocantins, Guamá e do Estado doMaranhão. O principal nível de canal de comercialização do açaí identificado, com as maioresquantidades comercializadas, refere-se à compra do varejo rural de 68,6% do total daprodução local e 7,8% da produção extralocal identificada, que vendem 53,7% para o setor daindústria de beneficiamento estadual (43,3% para a agroindústria localizada município deCastanhal-PA e 10,4% para batedores do fruto em Belém), 10% para o mercado nacional (demodo específico para o varejo urbano nacional, composto por atravessadores dos municípiosdo Estado do Maranhão que fazem fronteira com o Estado do Pará), 8,6% para os batedoresde açaí local (indústria de beneficiamento local) e 4,1% diretamente para o consumidor local. O setor atacadista local, caracterizado pelos grandes atravessadores ou representantesde agroindústrias, por sua vez, compram 6,5% do açaí in natura ofertado pelo setor daprodução local e 8,82% da produção extralocal, que revendem (o fruto in natura) para a
  • 34. 42indústria de beneficiamento local (8,82%) e estadual, especificamente para a agroindústria(6,5%). No que se refere ao mercado consumidor, o consumo nacional correspondeu a 58,5%da produção, dos quais 48,5% correspondem à comercialização do fruto em forma de polpacongelada e/ou pasteurizada realizada pela agroindústria (de Castanhal), classificada comoindústria de beneficiamento estadual, localizada no município de Castanhal por questões decompetitividade, pois além de apresentar uma boa via de acesso e/ou escoamento (BR- 010 ouBelém-Brasília) a este mercado consumidor, os preços (dos produtos in natura) praticadosneste município (pólo da RI Guamá) são menores quando comparados com os preçospraticados na capital paraense, isto é, Belém, onde existem cerca de quatro mil pontos devenda do açaí (SEBRAE/PA, 2009). Dos agentes entrevistados 53% possuem meios de transporte para a comercializaçãodo fruto, tais como: bicicletas, caminhões, carros e motos. No que diz respeito às máquinas eequipamentos utilizados no processo produtivo, 79% possuem alguns tipos, como batedeiras,despolpadeiras, basquetas, filtros e freezers. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do açaí, em 2010. A produção local vende a R$ 1,04/kg para o varejo rural, a R$ 1,24/kg para aindústria de beneficiamento local (batedores de açaí), a R$ 0,54/kg e R$ 0,71/kg para oatacadista local e estadual, respectivamente (Figura 5). Enquanto que os preços de vendapraticados pelos produtores extras locais são estabelecidos conforme a oferta do fruto,destacando: R$ 0,73/kg para o varejo rural, R$ 0,71/kg para as indústrias de beneficiamentolocal e R$ 0,76/kg para o atacadista local. O setor dos varejistas rurais (atravessadores) vende em média a R$ 1,51/kg para aindústria de beneficiamento local, R$ 1,39/kg para a estadual e R$ 1,17/kg para osconsumidores locais (Figura 5). Por outro lado, os batedores de açaí locais (indústria debeneficiamento) vendem em média a R$ 2,08/kg para o consumidor local, sendo importantedestacar que os maiores batedores de açaí do município de Bragança vão buscar o açaí innatura na Região do Tocantins, principalmente na entressafra do fruto na região.
  • 35. 43 FIGURA 5- Preço médio do açaí (R$/Kg de fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. De acordo com 15% dos agentes entrevistados declararam ter problemas comarmazenagem do produto tanto in natura quanto beneficiado, como ausência de freezer,espaço físico insuficiente, falta de higiene e má conservação do produto. Outros 5% têmproblemas com manutenção das máquinas e dos equipamentos. Do total de agentes, 37%afirmam comercializar o produto somente no período de safra. O valor médio pago para ostrabalhadores é de R$ 10,00 a diária, R$ 70,00 por semana e R$ 415,00 o salário mensal. As demandas dos agentes mercantis para melhoria na capacidade de produção foramem relação à ampliação do espaço físico, do local adequado para armazenagem da produção,aquisição de maquinários e manejo dos açaizais para uma maior oferta do produto emperíodos de entressafra. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do açaí. Os valores recebidos por todos os agentes que realizaram as vendam (oferta) do açaía partir da RI Rio Caeté, foi contabilizado em R$ 16,7 milhões, cujo mercado local recebeuR$ 8,2 milhões, que corresponde a 49% do VBP total. Já o mercado estadual recebeu R$ 4milhões (24% do VBP) e o mercado nacional R$ 4,5 milhões (27%) (Gráfico 1).
  • 36. 44 GRÁFICO 1- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do açaí da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Analisando o total ofertado pelo mercado local, o setor da produção contabilizouaproximadamente R$ 2,9 milhões. No entanto, na composição deste valor foi identificado queuma parte se refere aos agentes agroextrativistas localizados em outra região de integração ou,até mesmo, em outro Estado da federação (denominados como agentes extralocais), mas queofertaram este fruto na sua forma in natura no comércio de alguns municípios da região RioCaeté, a fim de atender o abastecimento do consumo local. Sendo assim, o valor bruto daprodução local (VBPα), isto é, o setor agroextrativista da RI Rio Caeté, recebeu um poucomais de R$ 2,4 milhões pela oferta do fruto in natura, enquanto que, os agentes extralocaisreceberam em torno de R$ 480 mil no mercado ou feiras dos municípios da região do Caeté,sendo os mais importantes dos municípios de Bragança, Capanema, Cachoeira do Piriá eViseu. Deste valor pago ao extralocal, mais de 92% teve como destino os agentesagroextrativistas da RI Tocantins, mais especificamente dos municípios de Abaetetuba (comuma representatividade de 69%) e Igarapé Miri (23%). Já 7% foram recebidos pelos agentesdo município de São Domingos do Capim da RI Guamá. E por fim, 1% do valor extralocalcorresponde ao destinado aos agroextrativistas localizados nas pequenas comunidades àsmargens do rio Gurupi (rio que delimita a fronteira do estado do Pará com Maranhão) noterritório do estado do Maranhão. Por tudo isso, considera-se o valor bruto da produção àsoma do valor recebido pelos agentes agroextrativistas locais (RI Rio Caeté) com extralocal
  • 37. 45(outras regiões), que pela oferta do fruto in natura receberam mais de R$ 2,9 milhões(Gráfico 1). Deste total de R$ 2,9 milhões contabilizados pela oferta do setor da produção (VBPlocal e extralocal), cerca de 81% desse valor (em torno R$ 2,4 milhões) foram oriundos dasvendas ao setor de varejo rural local, 11% ao setor atacadista local e, apenas 8% foramvendidos diretamente para às indústrias beneficiadoras e 1% teve como destino o setoratacadista estadual. Portanto, os agroextrativistas (local e/ou extralocal) não tiveram comocanal de comercialização as vendas diretamente para os consumidores finais, tendo comocausas a falta de uma melhor organização (produtiva, administrativa e, de comercialização)em forma de cooperativa ou sindicato, a falta de infra-estrutura nas feiras e mercados (poismuitos se encontravam deteriorados), e a distância entre o local de coleta e o mercadoconsumidor. O setor do varejo rural, composto por agentes mercantis considerados os maisimportante na comercialização tanto com os agroextrativistas quanto com o setor debeneficiamento fora da região, pois foi o elo responsável pela compra do fruto in natura juntoàs comunidades que extraem o fruto para posterior venda às empresas beneficiadoras do fruto(tanto local como estadual), assim como também para o varejo urbano nacional e oconsumidor local, cujo valor total de suas vendas foi equivalente a mais de R$3,1 milhões(Gráfico 1). Ainda analisando o mercado local, o setor da indústria de beneficiamento(categoria dos batedores locais) adquiriu mais de R$ 1,6 milhão com as vendas do vinho paraos consumidores locais, já o setor atacadista recebeu um pouco mais de R$ 450 mil com asvendas para as indústrias de beneficiamento local e estadual (sendo 76% oriundos da indústrialocal e 24% da estadual. Com relação às receitas obtidas com as vendas realizadas a nível estadual, orçada emR$ 4 milhões, mais de 99% deste valor foi de responsabilidade da indústria debeneficiamento, composto por duas categorias que atenderam mercados consumidoresdistintos, pois enquanto os batedores atendem o consumo final estadual as agroindústriasforneceram a polpa pasteurizada e/ou congelada deste fruto ao setor de varejo urbano nacionala fim de atender o mercado consumidor nacional. Ficando apenas um valor irrisório, de umpouco mais de R$ 537,00, a par do setor atacadista obtidos com a venda para a indústria debeneficiamento estadual. No sistema nacional foram gerados em torno de R$ 4,5 milhõesoriundos das vendas do açaí para os consumidores finais, com participação exclusiva dovarejo urbano, que corresponde às grandes redes de supermercado (Gráfico 1).
  • 38. 46 Por tudo isso, dos R$ 8,2 milhões gerados na comercialização do açaí a nível local,somente R$ 1,7 milhão foram oriundos das vendas ao demandante final local. Isso significadizer que as vendas para fora, do fruto ainda na sua forma in natura, teve uma importânciamaior para os agentes mercantis dos setores locais, demonstrando, de certa maneira, aimportância econômica que a comercialização deste fruto tem para a região do Rio Caeté. Omesmo aconteceu no mercado estadual, pois dos R$ 4 milhões obtidos, apenas R$ 748 milforam oriundos das vendas ao consumidor, sendo o restante exportado via agroindústrias(Castanhal) para o mercado nacional. e) VAB - gerado na comercialização do açaí e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB ao longo da cadeia de comercialização do açaí, desde o setor alfa (produçãolocal e extralocal) da região do Rio Caeté até os consumidores finais, contabilizou um valorsuperior a R$ 7 milhões e, constituiu uma margem de agregação de valor ao produto, oumark-up total, na comercialização na ordem de 141% (Gráfico 2). Esta margem foi calculadaa partir do valor total adicionado na comercialização do açaí – VAB (R$ 7 milhões), menos oValor Bruto da Produção - VBPα (R$ 2,9 milhões), dividido pelo Valor Bruto da Produção -VBPα (R$ 2,9 milhões). Esta margem demonstra, em termos percentuais, o quanto foiadicionado ao longo de toda a cadeia de comercialização do açaí a partir do setor alfa (α),com base nos valores de compra e venda não se levando em conta os custos adicionados nacomercialização, pois não foram captados. GRÁFICO 2- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do açaí da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 39. 47 No que se refere à agregação de valor por mercado, o local agregou 64% (R$ 4,5milhões) do valor adicionado total, conforme Gráfico 2, cujo setor varejo rural, composto porpequenos atravessadores, contribuiu com mais de R$ 805 mil, que constituiu um mark-up de34%, pois este setor negociou diretamente a compra do fruto in natura com o setor daprodução, propiciado pelo fato de ter meios de transporte e conhecimento dos locais deprodução, assim como também possui vantagem em negociar com os setores que realizam obeneficiamento do fruto localizado tanto no mercado local quanto estadual, e, deste modo,conseguiu adquirir um preço médio maior. Este mark-up do setor é o Valor TransacionadoEfetivo (VTE), que corresponde ao Valor Adicionado do setor (R$ 805 mil), dividido peloValor Bruto da Produção (VBP) pela ótica da demanda (em torno de R$ 2,4 milhões), ou seja,compra de insumos realizada pelo setor. O mark-up, representado em termos relativos (%),inclui todos os custos de beneficiamento e comercialização do produto analisado, que não sãocaptados pela pesquisa. Em seguida, vem a indústria de beneficiamento, constituída por pequenos e médiosbatedores, a qual adicionou em torno de R$ 663 mil com ações de beneficiamento ao fruto(Gráfico 2), fato determinante para o seu mark-up de 68%, o dobro do setor de varejo rural. Epor fim, o setor atacadista, constituído por associações de produtores e/ou extratores, comvalor adicionado de R$ 135 mil e mark-up de 43%, oriundo da negociação direta com osbatedores de açaí da região em estudo e com as agroindústrias do município de Castanhal(mercado estadual). Vale a pena ressaltar, que o setor da produção local transaciona o valorefetivo somente no que se refere às vendas do produto (açaí) in natura na ordem de R$ 2,9milhões, resultante da soma do valor da produção local e extralocal, e, por isso, não foicalculado o seu mark-up. O mercado estadual por sua vez, obteve uma agregação de valor superior a R$ 1,6milhão (Gráfico 2), que representa 23% do VAB total (dos R$ 7 milhões), com a participaçãoquase que exclusiva, tanto em termos percentuais (99%), quanto em valores econômicos, daindústria de beneficiamento estadual (agroindústrias localizadas no município de Castanhal ebatedores de açaí de Belém). Este setor está fortemente relacionado ao grau de negociaçãoque mantém com os setores do mercado local, de modo mais preponderante com o varejorural e o atacadista, dos quais adquire o produto in natura e vende tanto para o consumidorfinal estadual quanto para o mercado nacional, para este último um produto beneficiado(pasteurizado e/ou congelado), a preços bem mais atrativos em relação ao mercado estadual.Com relação à margem de comercialização verificada no setor da indústria de beneficiamento
  • 40. 48estadual, ou seja, o mark-up, foi calculado em 67%. Ainda no mercado estadual o setoratacadista (composto por atravessadores) só adicionou R$ 180,90 com um mark-up de 51%.No mercado nacional, cuja agregação de valor foi na ordem de R$ 895 mil, ficou a cargo dosetor do varejo urbano com um mark-up de 25%. Por tudo isso, no que tange ao total adicionado ou do Valor Transacionado Efetivo(VTE), observou-se que entre os setores da demanda intermediária, as indústrias debeneficiamento (agroindústrias e batedores de açaí) localizadas fora da RI Rio Caeté, ou maisespecificamente localizados em Castanhal e Belém (mercado estadual), conseguiramadicionar valor superior aos outros setores localizados tanto na região do Rio Caeté como aoque se encontram a nível nacional. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do açaí. A Renda Bruta Total (RBT) gerada na comercialização do produto forma-se a partirda soma de compra de insumo (pela ótica da demanda) com o Valor Adicionado. Deste modo,a renda gerada na comercialização do açaí a partir da região do Rio Caeté foi contabilizada naordem de R$ 16,7 milhões (Gráfico 3). Dos quais o sistema local foi responsável por gerar49% desta renda, o estadual gerou 24% e o nacional 27%. GRÁFICO 3– Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do açaí, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 41. 49 Na região do Caeté, identificado como mercado local, cuja renda bruta somou R$ 8,2milhões, o setor de varejo rural, o qual representa um elevado numero de atravessadores, foiquem gerou uma maior renda bruta no valor próximo de R$ 3,2 milhões (Gráfico 3), poiscomprou o açaí in natura no valor de R$ 2,4 milhões e adicionou um montante próximo deR$ 805 mil sem qualquer tipo de beneficiamento ou incremento tecnológico ao fruto, só como acréscimo dos seus custos de transporte e armazenamento e sua margem de lucro. Já aindústria de beneficiamento (representativo de um elevado número de batedores de açaí)arrecadou um montante de R$ 1,6 milhão com a venda do vinho para os consumidores finaislocais, resultante da soma de compra de insumo, açaí in natura, no valor de quase R$ 980 mile agregação no valor de R$ 663 mil com o seu beneficiamento. O atacado por sua vez, gerouuma renda bruta no valor de R$ 450 mil, resultado da soma da compra de insumo no valor emtorno de R$ 315 mil e adicionou um pouco mais do que R$ 135 mil. Já a renda bruta do setorde produção (α), no valor de 2,9 milhões, é resultante da venda para os setores econômicosque compõem o sistema local e estadual apenas. Com relação à renda bruta na esfera estadual, contabilizado em R$ 4 milhões(Gráfico 3), houve a participação de apenas dois setores; a indústria de beneficiamento foiquem teve uma participação predominante para a formação deste montante, obtido pelavenda do produto para o mercado nacional (representando mais de 81% das vendas), sobresponsabilidade das agroindústrias, e para o consumidor final estadual, sob tutela dosbatedores de açaí. A renda bruta deste setor foi resultante da compra de insumo (açaí innatura) no valor aproximado de R$ 2,4 milhões e pelo valor agregado no beneficiamentoprimário e comercialização do produto em polpa e vinho no valor de R$ 1,6 milhão. O outrosetor, o atacadista, participou com apenas um pouco mais de R$ 537,00 na formação da rendabruta na esfera estadual, o qual comprou o produto in natura com negociação direta com osextrativistas locais no valor de R$ 356,00 e adicionou somente R$ 180,90 com o repasse paraas agroindústrias de Castanhal (indústria de beneficiamento estadual). Na esfera nacional somente o setor de varejo urbano gerou renda bruta, orçada umpouco mais de R$ 4,5 milhões, e sendo assim, este valor também corresponde à renda brutanacional. Entre as atividades que compõem este setor estão: as redes de supermercados quecompraram o açaí já beneficiado (em polpa) do setor de indústria de beneficiamento estadual;e os atravessadores que compraram de outros atravessadores a nível local para revenderemaos pequenos batedores de outros estados do Brasil, em especial o nordeste. A soma dessas
  • 42. 50compras resultou em um valor em torno de R$ 3,6 milhões, e o setor adicionou R$ 895 mil(Gráfico 3).4.2.2 BACURI a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do bacuri. Tradicionalmente usado na alimentação, o fruto é bastante difundido na região, coma produção de sucos, cremes, sorvetes e o consumo in natura. O bacurizeiro se reproduz porsemente (forma sexuada) e por brotação de raiz (forma assexuada). A produção atual temorigem basicamente na coleta dos frutos oriundos da regeneração atual. De acordo comdiversos estudos da Embrapa Amazônia Oriental sobre a espécie (CARVALHO et al., 2002;FERREIRA, 2008; HOMMA et al., 2010), para atender a crescente demanda de mercado,deve-se investir em técnicas de manejo da regeneração natural e de estabelecimento depomares provenientes de mudas que assegurem a variabilidade genética. Para o manejo dasbrotações espontâneas, os bacurizeiros mais vigorosos devem ser selecionados, os demais sãoeliminados mantendo cerca de 10 metros entre eles, devendo roçar nos primeiros anos,obtendo a primeira produção de frutos no prazo de cinco a sete anos, com densidade de 100 a120 plantas/ha. Para a produção de mudas as sementes que produzem mais polpa sãoescolhidas, e a planta produzirá os primeiros frutos após 10 anos, já no caso das mudasenxertadas, o tempo se reduz para quatro a cinco anos. Sugere-se também o plantio de mudastrazidas de outras regiões. A cultura de extração e comércio desse fruto é difundida em diversas comunidadesdos municípios pertencentes à RI Rio Caeté e, com base na amostragem encontrada emcampo, foi possível espacializar esses agentes, como pode ser observado na Figura 6.
  • 43. 51 FIGURA 6- Localização dos agentes mercantis do bacuri na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Foram identificados trinta e dois agentes que comercializam o produto, sendo que18% comercializam somente o bacuri e 78% trabalham também com o cupuaçu. Os agentesdividem-se em produtores (4), atravessadores (9), comerciantes (7), feirantes (8), varejistas(2), atravessador/extrativista (1) e atravessador/produtor (1). Os agentes mais antigos estão noramo há 40 anos e os mais novos há um ano, com média de quatorze anos. EXTRALOCAL (Municípios que não fazem parte da RI Rio Caeté) Produção extralocal: Oriunda da produção primária e extrativista encontrada nosmunicípios de Capitão Poço (RI Rio Capim) e Castanhal (RI Guamá); LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção local: Procedente da produção primária e extrativista encontrada nosquinze municípios da região; Varejo rural: São pequenos comerciantes do interior dos quinze municípios da regiãoque compram o bacuri in natura dos produtores locais e dos extras locais, também conhecidoscomo atravessadores;
  • 44. 52 Varejo urbano: Constituído por feirantes, comerciantes e atravessadores que vendemo fruto in natura para o consumidor local e para sorveterias (indústria de transformação)estaduais; Indústria de beneficiamento: Composto por pequenas e grandes empresas quebeneficiam o fruto com a extração da polpa; Indústria de transformação: Instituído por sorveterias locais, que adquirem o produtoin natura diretamente da produção; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Rio Caeté) Indústria de beneficiamento: Formado por empresa beneficiadora de frutas quevendem o produto em forma de polpa; Atacado: Representado pela Central de Abastecimento – CEASA, que atua nasatividades de abastecimento e comercialização de produtos hortifrutigranjeiros e outrosgêneros alimentícios; Varejo Urbano: São feirantes localizados na região metropolitana de Belém. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do bacuri. A estrutura da comercialização do bacuri apresenta vários canais de escoamento,sendo que as analisadas serão as de maior volume. O varejo urbano local (feirantes, atravessadores e comerciantes) comprou 47,8% daprodução local e 13,2% da produção extralocal e vendeu 44% para a indústria detransformação local e 30,5% para o consumidor final local (Figura 7). O varejo rural compra37,6% da produção local e depois revende 13,4% para o varejo urbano local e 10,1 para oestadual e, também, 9,4% para a indústria de transformação local. O setor da indústria de transformação local comprou dos varejistas 53,4% (44% dourbano e 9,4% do rural) e vendeu para o consumidor final local.
  • 45. 53 FIGURA 7- Estrutura (%) da quantidade amostral do bacuri comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Foi verificado que 12% dos agentes possuem propriedade rural com áreas que variamde 0,27 a 30 hectares. Cerca de 70% dos agentes possuem armazém com dimensões quevariam de 3 a 42m² e, 50% possuem meios de transporte (motos, bicicletas, carros ecaminhonete). Somente sete agentes possuem equipamentos (freezer, tesouras, provetas,máquina de fabricação de sorvetes e picolé, liquidificador, seladoras, balanças,despolpadeiras, carro de mão e geladeira). Segundo declaração dos entrevistados os extratores têm problemas comarmazenamento, por falta de espaço adequado. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do bacuri, em 2010. Na cadeia da comercialização do bacuri o preço médio praticado da unidade do frutoin natura comprado pela indústria de beneficiamento estadual foi de R$ 0,48/un da produçãoextralocal e para o varejo urbano de R$ 0,20/un (Figura 8). O varejo urbano comercializa aR$ 0,40/un para a indústria de transformação e direto para o consumidor final local ao preçode R$ 0,48/un. A indústria de transformação local comercializa a R$ 1,49/un. para o consumidorfinal e a indústria de beneficiamento estadual vende para o varejo urbano local a R$ 0,64/un(Figura 8).
  • 46. 54 A produção local vende para o varejo rural ao preço médio de R$ 0,31/un do fruto, eem paralelo comercializa também com o varejo urbano a R$ 0,26/un, para a indústria debeneficiamento a R$ 0,56/un e o consumidor final local (R$ 0,48/un). Na esfera estadual decomércio, o varejo urbano absorve boa parte dos produtos provenientes dos atravessadores, ouvarejo rural, pagando o preço médio de R$ 0,45/un, repassando para o consumidor finalestadual por R$ 0,60/un. O consumidor estadual paga até R$ 1,00/un quando compradiretamente do atacadista estadual (Figura 8). FIGURA 8- Preço médio do bacuri (R$/unidade de fruto in natura) praticado nas transações entre diversos setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Dos entrevistados, 15 agentes informaram trabalhar com o produto somente na safra.O valor pago ao coletor varia de R$ 70 a 200,00/mês, dependendo da produção. Foiinformada a existência de agentes que trabalham com a coleta em diversas comunidades daregião. Para melhoria na capacidade de produção, os agentes declararam que necessitam deapoio, financiamento, melhoria no espaço físico e aquisição de transporte para facilitar ocomércio dos produtos. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do bacuri. Os agentes que realizaram as vendas do fruto bacuri, a partir da RI Rio Caeté,receberam algo em torno de R$ 1,27 milhão (VBP), com predomínio dos setores que
  • 47. 55compõem o mercado local, os quais canalizaram mais de R$ 1,2 milhão (95%), conforme oGráfico 4. Já R$ 61,7 mil (5%) foram recebidos pelos setores que comercializaram este frutono mercado estadual. Logo, a comercialização e o consumo do bacuri acontecem com maiorfreqüência no interior dos 15 municípios que compõem a região do Caeté, tendo comoprincipais pontos de comercialização as feiras livres e/ou mercados municipais, sob a ótica daoferta. GRÁFICO 4- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do bacuri da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Do valor recebido pelos agentes que compõem os setores do mercado local, o setorda produção contabilizou em torno de R$ 211 mil (Gráfico 4), pela oferta do fruto, dos quais(VBPα) da RI Rio Caeté recebeu aproximadamente R$ 190 mil, sendo o restante pago aosagentes do setor da produção extralocal, oriundos das RI Rio Capim e Guamá, mas queofertaram este fruto no comércio de alguns dos municípios que integram a RI Rio Caeté e,receberam aproximadamente R$ 21 mil, sendo que 98% foram canalizados para a RI RioCapim, mais especificamente o município de Capitão Poço, uma vez que são freqüentes asrelações de comércio entre os agentes ligados ao setor da produção deste município e osagentes mercantis das feiras livres e mercados do município de Bragança, pois além dobacuri, eles também comercializam (ofertam) outros produtos alimentícios amazônicos, taiscomo: o cupuaçu, o taperebá, a pupunha, o muruci e o mel, todos identificados na pesquisa. Jáa RI Guamá, de modo particular os agentes mercantis do setor da produção do município deCastanhal, receberam apenas 2% do valor direcionados ao agente extralocal. Entretanto,
  • 48. 56diferente dos agentes mercantis da RI Rio Capim, venderam este fruto em forma de polpa, ouseja, um produto já beneficiado. Diante do exposto, do valor total recebido pelo setor da produção (soma do valor alfalocal e extralocal) de R$ 211 mil, em torno de R$ 116 mil (55%) foram oriundos das vendaspara os agentes do setor de varejo urbano local, e aproximadamente R$ 90 mil (43%) foirecebido pelas vendas para o setor varejo rural local, são em sua maioria produtores, maispara atender sua demanda e assim também aumentar a sua renda, pelo fato também deusufruírem de uma melhor infra-estrutura de comercialização (caminhão), comprando o frutoin natura e/ou em polpa de outros produtores da sua comunidade quanto de outras adjacentes.O setor da produção também recebeu mais de R$ 4 mil das vendas direcionadas aosconsumidores finais da RI Rio Caeté. Já das vendas para os setores que realizam obeneficiamento deste fruto, os valores de R$ 664,00 (para a indústria de beneficiamento local)e R$ 414,00 (para a indústria de beneficiamento estadual), não chegaram a representar juntosnem 1% do valor total contabilizado nas vendas da produção (Gráfico 4). Com relação aos valores recebidos pelos outros setores que compõem o sistemalocal, a indústria de transformação local foi o setor que obteve o maior valor bruto daprodução, oriundos das vendas deste fruto na forma de sorvete no valor R$ 613,4 mil para osconsumidores finais locais (Gráfico 4). Já o varejo rural, setor onde estão classificados osagentes que atuam como atravessadores, arrecadaram aproximadamente R$ 138,5 mil, sendoque 96% foram oriundos das vendas para os agentes mercantis dos setores com demandaintermediária e 4% são das vendas para os demandantes finais locais, ou seja, consumidorfinal local. Das vendas para demanda intermediária, o varejo rural recebeu do varejo urbanolocal e do estadual os maiores valores R$ 61,2 mil e R$ 35,1 mil, respectivamente. Aindústria de beneficiamento, que corresponde à cooperativa mista, por sua vez, recebeu emtorno de R$ 700,00 com as vendas para os consumidores finais da região. E por fim, o setorde varejo urbano, que engloba feirantes e comerciantes, recebeu mais de R$ 249 mil, sendo54% oriundos das vendas para a indústria de transformação e 46% para os consumidoresfinais locais (Gráfico 4). Com relação ao valor bruto da produção recebido pelos setores que integram osistema estadual, que arrecadou um valor próximo de R$ 61,7 mil, 76% deste valor foram dasvendas do varejo urbano, composto por feirantes do mercado Ver-o-Peso, em Belém (RegiãoMetropolitana) para os consumidores finais estaduais. E, 23% foram das vendas do setoratacadista (grande comerciante na CEASA, em Belém) para os consumidores finais estaduais.
  • 49. 57E apenas R$ 552,00 foram oriundos das vendas da indústria de beneficiamento (agroindústrialocalizada no município de Castanhal, RI Guamá) para os comerciantes dos municípios queintegram a região em estudo, classificado de varejo urbano local (Gráfico 4). e) VAB - gerado na comercialização do bacuri e a margem de comercialização de cada setor (%). Na cadeia de comercialização do fruto bacuri, VAB, desde o setor alfa, isto é,coleta/produção local da RI Rio Caeté até os demandantes finais, foi orçado em R$ 798,4 mil,sendo que o mercado local foi responsável por adicionar 98% (mais de R$ 780 mil) doregistrado ao longo da cadeia, enquanto que o sistema estadual adicionou o restante, algo emtorno de R$ 18 mil (Gráfico 5). Este valor adicionado constituiu, por sua vez, uma margemde agregação de valor ao produto na comercialização, ou mark-up total, de 279%. Estamargem teve sua origem a partir do valor total adicionado na comercialização do fruto – VAB(mais de R$ 798,4 mil), menos o VBPα local e extralocal (em torno de R$ 211 mil), divididopelo mesmo VBPα - R$ 211 mil. GRÁFICO 5- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do bacuri da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Já no que diz respeito a qual setor do mercado local que agrega mais valor aoproduto e qual o seu mark-up (margem de comercialização por setor), o setor da indústria detransformação, constituído por sorveterias, foi o responsável por adicionar um pouco mais deR$ 449 mil ao fruto, algo em torno de 58% do que foi adicionado no mercado local, formadonos 15 municípios que integram a RI Rio Caeté, e constituiu um mark-up de 273%, calculado
  • 50. 58pela divisão do VAB no valor de R$ 449 mil , pelo VBP pela ótica da demanda, mais de R$163 mil, ou seja, compra de insumos realizada pelo setor, incluindo todos os custosoperacionais de comercialização do produto analisado, que não são captados pela pesquisa(Gráfico 5). Em seguida vem o setor da produção que adquiriu uma expressiva participação,equivalente a 27% do que foi adicionado na região (mercado local), o que corresponde a R$211 mil, pois os agentes que compõem este setor além de realizar a coleta/produção do fruto,na maioria das vezes, é também quem realiza, dependendo do seu demandante, obeneficiamento primário, ou seja, a transformação do fruto in natura em polpa, a fim deadquirir um melhor preço de venda, e assim sendo, garantir uma renda melhor. Entretanto, épreciso ressaltar que este setor transaciona o valor adicionado somente no que se refere àsvendas deste recurso seja in natura e/ou em polpa, e por isso, não se tem como calcular omark-up (Gráfico 5). Posteriormente vem o setor de varejo urbano local (feirantes e comerciantes) quecompra o fruto in natura e/ou em polpa e os vende com valor adicionado em R$ 71,7 mil emark-up de 40%. O varejo rural, atravessadores que atuam na região em estudo, adicionou umpouco mais de R$ 48,7 mil e constituiu um mark-up de 54%. E por fim, R$ 46,00 foramadicionados pela a indústria de beneficiamento local (Cooperativa Mista de AgricultoresFamiliares) com mark-up de apenas 7%. Já no que diz respeito ao VAB pelos setores do sistema estadual, orçado em mais deR$ 18 mil, o setor de varejo urbano (feirantes e comerciantes do mercado Ver-o-Peso, emBelém), adicionou em torno R$ 11,5 mil (64% do adicionado no mercado estadual),constituindo um mark-up de 33%. Já os atacadistas (comerciante da CEASA – Centrais deabastecimento e Armazéns – de Belém) apesar de terem adicionados quase R$ 6,5 mil (36%do acionado no mercado estadual), constituíram um mark-up de 82%. E a indústria debeneficiamento (agroindústria localizada no município de Castanhal) adicionou R$ 138,00,com um mark-up de 33% (Gráfico 5). Portanto, no que se refere ao total do (VAB) ao longo da cadeia de comercializaçãodo bacuri, orçado em mais de R$ 798 mil, observou-se a proeminente participação dassorveterias localizadas na região em estudo, classificadas como indústria de transformação,foram responsáveis por 56% do que foi agregado. Uma das explicações é que, em média, decada quilograma da polpa do fruto (que na média corresponde a 25 unidades do fruto innatura) comprado pelo setor e, depois de processado, resulta em um balde de 7 litros desorvete e/ou se transformam em 120 picolés em média, que refletem numa substancial
  • 51. 59margem de comercialização, considerando-se somente o preço/Kg comprado do fruto epreço/Kg do fruto vendido já transformado em outro produto, porque os custos de produção eas devidas proporções dos insumos utilizados não são captados pela pesquisa. f) RBT, gerada pela ótica da demanda, na comercialização do bacuri. A renda bruta total (RBT) contabilizada na ordem de R$ 1,27 milhão, gerada nacomercialização do bacuri a partir da região do Rio Caeté, forma-se pela soma de compra deinsumo, (que corresponde ao VBP, pela ótica da demanda) com VAB. Na contabilização dovalor da renda bruta, o sistema local foi responsável por gerar 95% desse montante e osistema estadual apenas 5% (Gráfico 6). GRÁFICO 6– Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do bacuri, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Fazendo a análise somente dos setores do sistema local, com renda bruta gerada emmais de R$ 1,2 milhão, a indústria de transformação (as sorveterias) foi quem obteve a maiorrenda ao longo da cadeia de comercialização, em mais de R$ 613 mil, o que corresponde amais da metade (51%) da renda gerada a nível local, resultante da soma de compra de insumono valor de R$ 164,4 mil com o valor adicionado em R$ 449 mil (Gráfico 6). O varejourbano (feirantes e comerciantes) vem logo em seguida, pois foi o setor que obteve o maiorvalor de compra de insumos R$ 177,5 mil e adicionou em torno de R$ 71,7 mil, gerando umarenda bruta no valor superior a R$ 249 mil com as vendas. O setor da produção (α) obteve
  • 52. 60uma renda bruta ao longo da cadeia, no valor de R$ 211 mil, esta renda é resultante dasvendas para os setores econômicos que compõem o mercado local e estadual. Ainda no sistema local, o varejo rural gerou uma renda bruta de aproximadamenteR$ 138,5 mil, resultante da compra de insumo no valor de R$ 89,8 mil e o ganho (acréscimo)de R$ 48,7 mil com o repasse para agentes de outros setores tanto do mercado local como doestadual. Já a indústria beneficiamento (cooperativa mista), que demandou insumo no valorsuperior a R$ 644,00, conseguiu agregar com o seu beneficiamento somente R$ 46,00, e quepor isso, gerou uma renda bruta no valor de R$ 690,00 com as vendas para os consumidoresfinais da região. Esses baixos valores tanto na compra de insumo, que no caso foi o fruto emforma de polpa, quanto na agregação de valor, se justificam pelo fato de que este recurso foicomercializado em pouca quantidade pelo setor a fim de ser processado com o intuito se obterum produto final com utilidade na hidratação da pele. No entanto, o mercado consumidor dohidratante corporal com base no fruto bacuri, que no acaso é o bacuri, ainda é restrito. Éimportante frisar que os entrevistados não disseram a proporção do fruto que é utilizado para afabricação de 300 mililitros (ml) de hidratante (Gráfico 6). E por fim, o sistema estadual gerou uma renda bruta no valor próximo de R$ 61,7mil, com maior participação do setor de varejo urbano (composto por feirantes e comerciantesdo mercado Ver-o-Peso e da CEASA, ambos localizados na capital paraense, Belém), quecompra este fruto de atravessadores da região do Caeté no valor de R$ 35,2 mil e os vendecom uma agregação no valor de R$ 11,6 mil para os consumidores finais estaduais obtendouma renda bruta de mais de R$ 46,7 mil. Subseqüente vem o setor atacadista que compra emtorno de R$ 8 mil do fruto e agrega um valor próximo de R$ 6,5 mil constituindo uma rendabruta de R$ 14,4 mil. E por fim, a indústria de beneficiamento que compra apenas R$ 414,00em insumos junto à ao setor da produção extralocal (localizado fora da região em estudo), e asvende com uma agregação de valor em torno de R$ 140,00 aos comerciantes da região doCaeté, cuja renda bruta (R$ 552,00) não chega a configurar 1% da renda gerada sistemaestadual (Gráfico 6).4.2.3 ANDIROBA a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da andiroba. A comercialização deste produto deu-se por meio da venda do óleo, bastanteutilizado na medicina popular da região. Dos quinze municípios integrantes da região, foramencontrados agentes em três deles (Figura 9), sendo sete agentes mercantis entrevistados,
  • 53. 61contabilizando dois varejistas, quatro comerciantes e um feirante, sendo que os mais antigosestão há vinte e dois anos no ramo e os novatos há três anos, cuja média é de dez anos. Todostransacionam além da andiroba, vários produtos como mel, artesanato, açaí, buriti,barbatimão, copaíba, unha-de-gato, ipê-roxo, cascas de jatobá, de sucuúba e verônica, bacuri,cupuaçu, muruci, taperebá, castanha-do-brasil e leite de amapá. FIGURA 9- Localização dos agentes mercantis da andiroba na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. EXTRALOCAL (Municípios que não fazem parte da Região de Integração RioCaeté) Produção extralocal: É a produção oriunda de produtores dos municípios que fazemparte da RI Guamá e da RI Tocantins que realizam coleta das sementes para extração do óleoe sua comercialização. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção local: Proveniente de produtores locais que coletam as sementes daandiroba e realizam o beneficiamento primário com a fervura e a extração do óleo;
  • 54. 62 Atacado: Composto por uma cooperativa que fornece o produto, em grandesquantidades, geralmente com contrato de fornecimento para indústrias de transformação; Varejo urbano: Formado por comerciantes e feirantes que compram o óleo e dividemem pequenos frascos para revender ao consumidor local; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Rio Caeté) Indústria de transformação: Formado por uma unidade industrial de cosmético,situada no município de Ananindeua, região metropolitana de Belém (PA), que realiza oprocessamento de sementes, resinas, castanhas, cascas, polpas e refino de óleos de frutas,provenientes de florestas nativas ou cultivadas em terras de agroextrativistas; Varejo urbano: Constituído por empresa que comercializa grandes quantidades deervas medicinais, para atender as necessidades do mercado local (RI Rio Caeté) e estadual. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da andiroba. A estrutura da cadeia de comercialização da andiroba pode ser visualizada na Figura10, cuja produção local é responsável por 42,9% do montante circulado e a extralocal por57,1% vindas dos municípios de Castanhal, Santa Isabel e Terra Alta (RI Guamá) e deAbaetetuba (RI Tocantins). A cadeia de comercialização apresenta diversos canais indiretos. O primeiro é caracterizado pela produção local repassando 38,3% para o atacadolocal (cooperativa), que repassa a mesma quantidade para a indústria de transformaçãoestadual (de cosméticos), que vende para o consumidor final nacional. O outro canal indiretoé analisado como a produção extralocal vendendo 4,6% da produção para o varejo urbanoestadual (empresa), que por sua vez repassa a mesma quantidade para o varejo urbano local(comerciantes e feirantes), que acrescenta mais 4,6% oriundo da produção local e 52,5% daprodução extralocal, que somados o setor do varejo urbano local vende 61,7% para oconsumidor final local.
  • 55. 63 FIGURA 10- Estrutura (%) da quantidade amostral da andiroba comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia da andiroba, em 2010. Nos resultados encontrados, vemos a produção extralocal vendendo para o varejourbano local ao preço de R$ 2,09/Kg da semente e para o varejo urbano estadual ao preço deR$ 1,43/Kg (Figura 11). FIGURA 11- Preço médio da andiroba (R$/Kg da semente) praticado nas transações entre diversos setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 56. 64 O varejo urbano estadual vende ao preço de R$ 1,79/Kg para o varejo urbano localque intermedia o produto, em frascos menores do óleo, para o consumidor local que adquireao preço de R$ 3,89/kg (Figura 11). A produção local vende para o atacado local ao preço deR$ 3,60/Kg da semente e vende a R$ 4,15/Kg para a indústria de transformação estadual,partindo daí para o mercado nacional como produto cosmético. Somente um agente possui equipamentos laboratoriais, tais como pipeta, becker,balança, proveta, entre outros. A carga horária de trabalho médio é de 8 horas/dia. No que dizrespeito à renda, parte dela é familiar e alguns agentes pagam funcionários ou diaristas. Ovalor pago por semana varia de R$ 70,00 a R$ 200,00. Em vários pontos da região podem ser encontrados outros agentes que comercializamo produto. Para melhoria na capacidade de produção, foi relatada a necessidade de maioroferta do produto na região, uma vez que parte da mercadoria procede de atravessadores quetrazem o produto de Belém, o que torna o produto mais caro. E, todos foram unânimes emafirmar que necessitam de capital de giro e investimento para aumentar suas vendas.4.2.4 BACABA a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da bacaba. Foram identificados cinco agentes que comercializam o produto na Região (Figura12), destes quatro são batedores e um atravessador, e todos trabalham paralelamente comoutros produtos, tais como açaí, buriti, breu-branco e artesanato em tala (paneiro de guarumãe tipiti). Os agentes encontrados têm entre 5 a 15 anos de experiência nesse ramo, com médiade atuação há 10 anos.
  • 57. 65 FIGURA 12- Localização dos agentes mercantis da bacaba na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. LOCAL (Municípios da Região de Integração Rio Caeté) Produção: Proveniente da produção primária da bacabeira identificada emmunicípios da RI Rio Caeté; Indústria de beneficiamento: Formado por pequenos comerciantes que utilizammáquinas despolpadeiras do açaí para obter a polpa da bacaba, que é vendida diretamente paraos consumidores locais. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da bacaba. A cadeia de comercialização da bacaba consiste em um canal simples apresentandoapenas um setor intermediário (indústria de beneficiamento local) e toda a produçãoidentificada é destinada para o mercado local (Figura 13).
  • 58. 66 FIGURA 13- Estrutura (%) da quantidade amostral da bacaba comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Foi verificada a presença de três espaços de trabalho com dimensões que variam de 6a 12 m², que além da bacaba dividem espaço com o comércio de açaí. Como meio detransporte utilizam bicicletas e motos. Todos os agentes possuem máquina de bater açaí, esomente dois possuem freezer para armazenar a produção, sendo que a capacidade varia de300 a 500 litros. Como alternativa, os outros agentes utilizam caixas de isopor, porémdeclaram que o fato de não possuir local adequado para armazenar a produção tem sido umgrande entrave na comercialização. Os agentes extraem a bacaba da floresta, seja de área particular ou comunitária, paradiversificação de sua renda familiar. Eles relatam a importância do acesso ao crédito paraaquisição de ponto comercial e/ou reforma, de equipamentos/utensílios para melhoria davenda do produto e assistência técnica, pois não há manejo nas áreas, fato este que poderiainfluenciar no aumento da produção. No período de safra a média de trabalho é de 8 horas diárias. O trabalho ébasicamente familiar, somente um agente paga o valor semanal de R$ 70,00 para seuajudante. c) Preço médio praticado nas transações entre os agentes mercantis da cadeia da bacaba, em 2010.
  • 59. 67 O preço médio de venda da bacaba in natura praticado pelos produtores com os“batedores de açaí” local (indústria de beneficiamento local) é de R$ 1,41/kg (Figura 14). Opreço médio adotado pela venda da indústria de beneficiamento para o consumidor local é deR$ 1,88/kg conforme o rendimento do fruto. Na região o rendimento de uma rasa de 14 Kg dofruto é, em média, equivalente a 12 litros de polpa. FIGURA 14- Preço médio da bacaba (R$/Kg de fruto) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.5 MEL a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do mel. Foram identificados vinte e oito agentes comerciantes (Figura 15), 46% sãoapicultores, 36% são feirantes e 18% são intermediários. Dentre os entrevistados trêsempresas privadas e quatro associações de apicultores dos municípios de Bragança, Viseu,Tracuateua, Nova Timboteua e Salinópolis. O tempo de experiência no ramo varia de 22 anosaté os mais recentes com apenas um ano, cuja média foi de 10 anos.
  • 60. 68 FIGURA 15- Localização dos agentes mercantis do mel na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. EXTRALOCAL (Municípios que não fazem parte da Região de Integração RioCaeté) Produção extralocal: Proveniente de agricultores familiares dos municípios quefazem parte da RI Guamá (Castanhal, São Francisco e Terra Alta) e RI Rio Capim (CapitãoPoço) que desenvolvem a atividade apícola como complemento da renda familiar; LOCAL (Municípios da Região de Integração Rio Caeté) Produção local: Provinda de agricultores familiares que desenvolvem atividadesagrícolas tradicionais e a apícola como alternativa de renda, sendo que alguns fazem parte deassociações. Varejo rural: Formada por atravessadores que compram diretamente de váriosapicultores locais e extralocais e revende para o mercado consumidor local; Indústria de beneficiamento: Representado por uma empresa beneficiadora de melque compra de vários apicultores locais e revende para o varejo urbano local;
  • 61. 69 Atacado: Composto pela prefeitura local que adquire mel de uma associação local deapicultores que é destinado para merenda escolar, creches entre outros; Varejo urbano: Trata-se se um setor de comércio varejista (feirantes esupermercados) que comercializa o mel para o consumo local; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Rio Caeté) Indústria de transformação: Representado por indústria que fabrica produtosalimentícios a base de mel e seus derivados; Atacado: Representado pela Companhia Nacional de Abastecimento - Conab, queatua no Programa de Aquisição de Alimentos, do Ministério do Desenvolvimento Social eCombate à Fome (MDS), sendo o intermediador responsável pelo abastecimento da merendaescolar na própria região e no Estado. Varejo urbano: São pequenos feirantes de ervas e plantas medicinais. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do mel. Os produtores entrevistados declararam possuir lotes de tamanhos que variam entre 1a 150 hectares. Referente ao armazenamento, 41% dos agentes afirmaram possuir armazénscom galpões de 80x80m e de 2 x 1,3 m, os outros 59% não possuem armazém. Do total da quantidade do mel comercializado na região, 98,4% são da própriaregião e somente 1,6% são das regiões do Guamá e Rio Capim. A cadeia decomercialização do mel é constituída de canais de comercialização complexas, poisabrangem vários agentes intermediários entre a produção local e extra até o consumidorfinal local e estadual (Figura 16). O principal nível de canal de comercialização do mel identificado com as maioresquantidades comercializadas é a compra do atacado estadual (Conab) de 40,3% do total daprodução local, que vendem 31,4% para o consumidor estadual e 8,9% para o consumidorlocal (Figura 16). Outro canal importante é composto pela indústria de transformaçãoestadual que adquire 16,5% do mel diretamente da produção local e revende produtosalimentícios a base de mel e seus derivados para o consumidor estadual. Destaca-se também avenda direta dos apicultores para a indústria de beneficiamento local comercializando 13,5%da produção identificada.
  • 62. 70 FIGURA 16- Estrutura (%) da quantidade amostral do mel comercializado na Região Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do mel, em 2010. O setor da produção local pratica preços de venda diferenciados, pois além deapicultores isolados existem também associações que comercializam grandes quantidadesatravés de contratos. Portanto, os preços médios praticados entre os diferentes produtoreslocais são determinados pela quantidade comercializada. Este setor da produção local vendediretamente para o varejo rural (atravessadores) ao preço de R$ 5,22/l (Figura 17), para ovarejo urbano local a R$ 7,83/l, para o consumidor local a R$ 14,73/l, para o consumidorestadual a R$ 7,23/l e para a indústria de beneficiamento local a R$ 3,66/l (são váriosapicultores vendendo para uma empresa que beneficia e envasa o mel, para então sercomercializado). Enquanto as associações vendem para o atacado local (prefeitura local) a R$15,30/l, para a indústria de transformação estadual a R$ 4,00/l (neste caso, como são grandesquantidades o preço diminui), para o atacado estadual (Conab) a R$ 11,61/l e para o varejourbano estadual a R$ 3,60/l. Os produtores extralocais estabelecem seus preços de venda conforme a quantidadecomercializada e o custo de transporte. Assim, os preços de venda praticados por este setorsão: R$ 6,40/l do mel para o varejo rural (atravessadores) e R$ 10,71/l para o varejo urbanolocal (Figura 17).
  • 63. 71 FIGURA 17- Preço médio do mel (R$/l) praticado nas transações entre os diversos setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Foi verificado que 50% dos agentes possuem meios de transporte para locomoçãotais como moto, bicicleta, carro de mão, caminhão com capacidade para oito toneladas, umacaminhonete, um caminhão baú, e um furgão. Quando perguntados se possuíam máquinas, algumas associações declararam possuirtodo maquinário e uma Casa do Mel, enquanto que outras associações declararam possuirapenas centrífugas e decantadores, mas possuíam também outros equipamentos como: o kit doapicultor, fumegadores, mesa operculadora e freezer. Alguns entrevistados citaram ter problemas com armazenamento relacionado aotamanho dos decantadores, outros por não possuírem mesas operculadoras,homogeneizadores, derretedores e purificadores. Outro problema seria referente à falta deespaço físico adequado para o beneficiamento do produto (a Casa do Mel). O tempo detrabalho para os agricultores/produtores depende da colheita do mel e para os demais é emfunção do horário comercial. A renda gerada pela venda do produto geralmente é familiar, mas alguns agentespagam de R$ 20,00 a 25,00/diária e R$ 200,00/semanal para ajudantes durante o período deextração.
  • 64. 72 Diversas dificuldades foram relatadas pelos agentes tais como a ausência deassistência técnica, de capacitação ou de parcerias com instituições, ampliar a oferta doproduto no mercado e falta de investimentos para o setor. As dificuldades com relação à produção foram a menor oferta do produto nomercado devido ao desmatamento na região e por ser a cera processada apenas emSalinópolis, o que encarece o preço do insumo. Relatam também a competição dos produtorescom os atacadistas que barateiam o preço do mel, por comprar em grandes quantidades. Semcontar que o custo inicial para a produção de mel é elevado. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do mel. Os agentes que realizaram as vendas deste produto alimentício, a partir da região doRio Caeté, receberam mais de R$ 805 mil, o qual corresponde ao VBP, sob a ótica da oferta.Na formação deste valor, constitui-se o predomínio dos setores que compõem o mercadolocal, pois canalizaram mais de R$ 548,5 mil (68% do VBP). O restante, mais de R$ 256,5mil (32%), foi direcionado aos setores que comercializaram o produto no mercado estadual.Logo, a comercialização e o consumo do mel aconteceram com maior freqüência no interiordos 15 municípios que compõem a RI Rio Caeté (Gráfico 7). GRÁFICO 7- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do mel da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Do valor recebido pelos agentes que compõem os setores do mercado local, o setorda produção (alfa), formado pelos apicultores, contabilizou aproximadamente R$ 363 mil pelaoferta do produto, estabelecendo-se como o maior VBP ao longo da cadeia decomercialização. Deste valor, em torno de R$ 252,5 mil (70% do VBPα), foi oriundo das
  • 65. 73vendas para o mercado estadual e R$ 110,3 mil (mais de 30%) foram das vendas o mercadolocal. (Gráfico 7). Do valor pago aos apicultores pelos setores que compõem o mercadoestadual, o atacado, setor que representou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)localizada em Belém, pagou aproximadamente R$ 196 mil; a indústria de transformação(indústria de produtos alimentícios a base de mel, residente na região metropolitana de Belém- Icoaraci) pagou R$ 27,6 mil; o varejo urbano (feirantes) R$ 8,1 mil e os consumidores finaispagaram, em torno de, R$ 21 mil. Com relação aos valores pagos pelos setores que compõemo mercado local ao setor da produção, o atacado, que representa uma das prefeituras queintegram a região do Rio Caeté, pagou R$ 39,4 mil, a indústria de beneficiamento pagou R$20,6 mil, o varejo urbano (atravessador, feirantes e comerciantes) pagou R$ 9,4 mil, o varejorural (atravessadores) R$ 7,6 mil e os consumidores locais pagaram R$ 33,2 mil totalizandoR$ 110,3 mil. É preciso enfatizar, no entanto, que do valor recebido pelos apicultores,contabilizado em R$ 363 mil (Gráfico 7), o equivalente a R$ 6,4 mil foram pagos aosapicultores das regiões de integração Rio Capim e Guamá que ofertaram este alimentício nocomércio de alguns municípios que integram a RI Rio Caeté, sendo que esta comercializaçãoaconteceu com maior frequência no comércio do município de Capanema, através do setor devarejo urbano. Estes apicultores foram classificados como agentes extralocais, pois nãopertencem à região em estudo. E, na formação do valor extralocal, orçado em R$ 6,4 mil, 62%foram canalizados ao setor da produção da RI Rio Capim, mais especificamente do municípiode Capitão Poço e 32% foram pagos aos apicultores dos municípios de Castanhal, SãoFrancisco do Pará e Terra Alta, pertencentes à RI Guamá. Com relação aos valores recebidos pelos outros setores que compõem o sistemalocal, o setor de varejo urbano, formado por feirantes e comerciantes, obteve um valor brutoda produção superior a R$ 77,3 mil (Gráfico 7), oriundos das vendas deste alimentíciodiretamente aos consumidores finais locais. A indústria de beneficiamento, por sua vez,recebeu em torno de R$ 52,5 mil com as vendas para o setor de varejo urbano da região. Já osetor atacadista recebeu R$ 39,5 mil dos consumidores finais locais. E por fim, o varejo rural,setor onde estão classificados os agentes que atuam como atravessadores, arrecadaramaproximadamente R$ 16,3 mil das vendas para os demandantes finais locais. Já aos valores recebidos pelos setores que compõem o sistema estadual, com VBP naordem de R$ 256,5 mil, mais de 76%, que condiz a R$ 195,9 mil, foram das vendas do setoratacadista, composto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab/Belém), para os
  • 66. 74consumidores finais locais e estaduais, que pagaram R$ 32,5 mil e R$ 163,4 mil,respectivamente. A indústria de transformação (composto por uma indústria de produtosalimentícios a base de mel) adquiriu R$ 34,5 mil com as vendas para os consumidores finaisestaduais. E, R$ 26,1 mil foram oriundos das vendas do varejo urbano (feirantes) para osconsumidores finais estaduais (Gráfico 7). Portanto, no que se referiram às vendas, ou seja, ao VBP, sob a ótica da oferta, ossetores que compõem tanto o mercado local quanto estadual, venderam este alimentíciodiretamente aos consumidores finais, com exceção da indústria de beneficiamento local quevendeu toda sua produção ao setor de varejo urbano local, isto é, aos feirantes e comerciantes.Destacam-se também, tanto o fato de que somente o setor alfa (apicultores) forneceu estealimentício ao mercado estadual, quanto que nenhum setor, seja no âmbito local seja noestadual, conseguiu realizar a venda ao mercado nacional. e) VAB - gerado na comercialização do mel e a margem de comercialização de cada setor (%). Na cadeia de comercialização do mel, o VAB, desde o setor alfa, coleta/produçãolocal da região do Rio Caeté, até os demandantes finais (local e estadual), foi orçado em R$443,8 mil (Gráfico 8), sendo que o mercado local foi responsável por adicionar 94% (valorpróximo de R$ 419 mil), enquanto que o mercado estadual adicionou o restante, algo emtorno de R$ 25 mil. Este valor adicionado constituiu, por sua vez, uma margem de agregaçãode valor ao produto obtidos na comercialização, ou mark-up total, de 22%. Esta margem tevesua origem a partir do VAB de R$ 443,8 mil, menos o (VBPα ) local e extralocal, em torno deR$ 363 mil, dividido pelo mesmo VBPα (R$ 363 mil).
  • 67. 75 GRÁFICO 8- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do mel da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. No que se refere a qual setor estabelecido no mercado local agregou mais valor aoproduto e qual o seu mark-up, calculado pela divisão do VAB do setor pelo VBP pela ótica dademanda, ou seja, compra de insumos realizada pelo setor, incluindo todos os custosoperacionais de comercialização do produto analisado, que não são captados pela pesquisa. Osetor da indústria de beneficiamento, o qual é constituído por uma indústria de pequeno porteno município de São João de Pirabas, foi o responsável por adicionar aproximadamente R$31,9 mil ao produto e constituiu um mark-up de 154%, calculado pela divisão do VAB, novalor de R$ 32 mil , pelo VBP pela ótica da demanda, mais de R$ 20,6 mil, ou seja, comprade insumos realizada pelo setor (Gráfico 8). Em seguida vem o setor de varejo urbano,composto por feirantes e comerciantes, que compra o produto em frascos maiores e apósrealizar o seu fracionamento em frascos menores, os vende com valor adicionado em R$ 15,4mil e mark-up de 25%. O varejo rural, que corresponde aos atravessadores que atuam naregião em estudo, adicionou algo próximo de R$ 8,7 mil com a realização da majoração depreço e constituiu um mark-up de 114%. E por fim, setor da produção, ou seja, os apicultores,que adquiriu uma expressiva participação no valor adicionado na região (mercado local), poisé o setor responsável pelo beneficiamento primário deste produto. Entretanto, é precisoressaltar que este setor transaciona o valor efetivo somente no que se refere às vendas desterecurso, contabilizado em R$ 363 mil e, que por isso, não teve como calcular o mark-up.
  • 68. 76 Já no que diz respeito ao valor adicionado pelos setores do sistema estadual, comvalor adicionado orçado em R$ 24,9 mil, o setor de varejo urbano (composto por feirantes),adicionou em torno R$ 18 mil (que corresponde a 72% do adicionado no mercado estadual)através do acréscimo de preço, e constitui um mark-up de 221%. Já a indústria detransformação (indústria de produtos alimentícios a base de mel – na região metropolitana deBelém) adicionou quase R$ 6,9 mil (28% do acionado no mercado estadual) e, constituíramum mark-up de 25%. (Gráfico 8). Ressalta-se que na cadeia de comercialização do mel houve setor que não adicionouvalor ao produto, tanto no mercado local quanto estadual, pois, tratou-se de comprasrealizadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a nível estadual e daPrefeitura a nível local junto ao setor da produção (de associações de apicultores), a fim deutilizar este alimentício na merenda escolar. Ambos agentes, acima citados, foramcategorizados no setor de atacado. Por tudo isso, no que tange ao VAB ao longo da cadeia de comercialização do mel,observou-se que os apicultores da RI Rio Caeté e de fora dela (Rio Capim e Guamá),conseguiram adicionar valor superior aos outros setores localizados na região e os que seencontram no mercado estadual, seja pelo grau de especialização/negociação, seja pornenhuma ação ou pelas poucas ações de beneficiamento e/ou transformação que este recursosofre após o beneficiamento primário até o demandante final. Haja vista que dos R$ 443,8 miladicionados ao longo da cadeia, os apicultores (setor alfa – coleta/produção) foramresponsáveis por adicionar R$ 363 mil, enquanto que os setores de beneficiamento etransformação juntos conseguiram adicionar somente R$ 38,7 mil, equivalente a 8,7% dovalor total adicionado, e os atravessadores, feirantes e comerciantes (categorizados no setor devarejo) adicionaram R$ 42 mil (9,5% do valor total adicionado em toda a cadeia). f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do mel. A renda bruta total (RBT) aproximada em R$ 805 mil, gerada na comercialização domel a partir da região do Rio Caeté, forma-se a partir da soma de compra de insumo, quecorresponde ao VBP, pela ótica da demanda, com o VAB. Na contabilização do valor darenda bruta, o sistema local foi responsável por gerar 68% desse montante e o sistemaestadual 32% (Gráfico 9).
  • 69. 77 GRÁFICO 9– Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do mel, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Fazendo uma análise dos setores do sistema local, com renda bruta gerada em maisde R$ 548,5 mil, o setor da produção (α), isto é, os apicultores obtiveram a maior renda brutaao longo de toda a cadeia, no valor de R$ 363 mil (Gráfico 9), resultante das vendas para ossetores da demanda intermediária que compõem o mercado local e estadual assim como parao consumidor final local e estadual. O varejo urbano (feirantes e comerciantes) foi o setor queobteve o maior valor de compra de insumos, no valor de R$ 61,9 mil junto aos setores domercado local e ao setor da produção extralocal e, adicionou em torno de R$ 15,4 mil,gerando uma renda bruta no valor superior a R$ 77,3 mil com as vendas para os consumidoresfinais da região. O setor atacado (Prefeitura do município de Capanema) obteve uma renda deaproximadamente R$ 39,5 mil, resultante da compra de insumo no valor de quase R$ 39,5 miljunto à produção local, pois este setor não adiciona valor, uma vez que repassaram o quecompram às creches, a fim de auxiliar na merenda escolar. Ainda no sistema local, o varejorural (atravessadores) gerou uma renda bruta de aproximadamente R$ 16,3 mil, resultante dacompra de insumo no valor de R$ 7,6 mil (dos quais R$ 1,4 mil foram compras extralocal) e oganho (acréscimo) de R$ 8,7 mil com o repasse para o consumidor final do mercado local. Jáa indústria beneficiamento (em São João de Pirabas), que demandou insumo no valor superiora R$ 20,6 mil, e conseguiu agregar com o seu beneficiamento algo em R$ 31,9 mil, e que por
  • 70. 78isso, gerou uma renda bruta no valor de R$ 52,5 mil com as vendas para os varejistas urbanosda região (Gráfico 9). E por fim, o sistema estadual que gerou uma renda bruta no valor próximo de R$256,5 mil, com notável participação do setor de atacadista (Conab/Belém) que compra emtorno de R$ 196 mil deste alimentício junto ao setor da produção (associações), sendo queeste valor também acaba constituindo a sua renda bruta, pois o que este setor comprou foitotalmente repassado às instituições educacionais para servir como insumo na merendaescolar. Subseqüente vem o setor de varejo urbano (composto por feirantes), que compra esteproduto de apicultores da região do Caeté no valor de R$ 8,1 mil e os vende com umaagregação no valor de R$ 18 mil para os consumidores finais estaduais obtendo uma rendabruta de mais de R$ 26,1 mil. E por fim, a indústria de transformação (indústria de produtosalimentícios a base de mel) que compra R$ 27,6 mil em insumos junto ao setor da produçãolocal, e vende com uma agregação de valor em torno de R$ 6,9 mil aos consumidores finaisda região do Caeté, cuja soma gerou uma renda bruta de R$ 34,5 mil (Gráfico 9).4.2.6 CARVÃO a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do carvão. Foram identificados trinta e um agentes que comercializam o produto (Figura 18),sendo que 42% são produtores e 32% atravessadores e sete comerciantes, que atuam no ramo,em média, há quatorze anos (variação de 1 a 38 anos). O comércio de carvão é local, paraabastecer as necessidades da população.
  • 71. 79 FIGURA 18- Localização dos agentes mercantis do carvão na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. LOCAL (Municípios da Região de Integração Rio Caeté) Produção: Provinda da fabricação de carvão por carvoeiros, muitas vezes sãopequenos agricultores que produzem a partir da matéria-prima proveniente da limpeza dosseus terrenos, com fornos artesanais cavados no chão, chamados de “caieiras”, e consideramessa atividade complementar para a renda familiar. O carvão também pode vir da matéria-prima dispensada nas serrarias; Varejo urbano: Representados por comerciantes que compram o carvão em sacas de15 Kg dos produtores e fracionam em sacolas de plásticos de 5 Kg que são vendidas para oconsumidor final local. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do carvão. Os agentes que trabalham exclusivamente com o carvão compõem cerca de 84% e,os 15% restantes trabalham com outros produtos (paneiro, lenha, cupuaçu e pupunha). Algunspossuem propriedades rurais com áreas que vão de 1 a 25 Ha. Existem agentes que estão noramo há 38 anos.
  • 72. 80 Os canais de comercialização do carvão, identificados nos quinze municípios, secaracterizam por canais simples, pois apresentam apenas um agente intermediário. O principalnível de canal de comercialização do carvão é composto pelo varejo urbano que compra91,3% da produção e vende diretamente para o consumidor local (Figura 19). Outro canal é avenda direta do produtor para o consumidor local comercializando 8,7% da produçãoidentificada. FIGURA 19- Estrutura (%) da quantidade amostral do carvão comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do carvão, em 2010. O preço médio praticado pelo produtor com o varejo urbano é R$ 6,86/saca decarvão e com os consumidores locais atinge R$ 10,19/saca (Figura 20). Em relação ao preçode venda praticado pelos varejistas urbanos com o consumidor local é em média R$ 9,40/saca.Os comerciantes compram as sacas de carvão de 15 kg, em média, e realizam o fracionamentoem sacolas plásticas de 2,5 Kg, em média.
  • 73. 81 FIGURA 20- Preço médio do carvão (R$/saca de 15 Kg) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Referente à armazenagem 32% dos agentes possuem espaços com dimensões quevariam de 4 a 42m². Utilizam como meio de transporte: três carroças, quatro bicicletas, umamoto e uma mula de carga. Foram relatados pelos agentes problemas com armazenagemcomo espaço insuficiente e inadequado para guardar o produto e até mesmo o local imprópriopara o comércio. O trabalho é realizado praticamente durante todo ano e a mão-de-obra ébasicamente familiar (cinco pessoas em média), sendo que somente dois agentes pagam amédia de R$ 20,00/diária e R$ 415,00/mensal. Para melhoria na capacidade de produção osagentes declararam que necessitam de capital de giro para compra de equipamentos eaquisição de espaço físico. Os produtores têm como principais dificuldades a legalização da atividade e aobtenção de matéria-prima. O principal gargalo para os atravessadores na comercialização doproduto é que são poucos os compradores fixos. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do carvão. No que concerne ao valor recebido pelos agentes que realizam as venda (oferta) docarvão ocorrido exclusivamente na região do Rio Caeté, estimado em R$ 604 mil, de acordocom o gráfico 10, fora canalizado com participação ativa do setor da produção e do varejourbano antes do demandante final, sob a ótica da oferta.
  • 74. 82 Deste modo, o VBPα, ou seja, os agentes que produzem o carvão (carvoeiros)receberam o valor de R$ 274,6 mil, o qual teve uma representação de 45% do valor totalcontabilizado. Deste valor, R$ 240,5 mil (em torno 88%) foram oriundos das vendas ao setorde varejo urbano local. E R$ 34 mil (12%) foram das vendas realizadas diretamente aosconsumidores finais. Já o setor de varejo urbano, composto por comerciantes e feirantes, por sua vezrecebeu pelas vendas para o consumidor final, um valor equivalente a R$ 329,5 mil, o quecorresponde a 55% do valor bruto da produção, pela ótica da oferta (Gráfico 10). GRÁFICO 10- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do carvão da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. e) VAB - gerado na comercialização do carvão e a margem de comercialização de cada setor (%). Ao longo da cadeia de comercialização do carvão, a partir do setor alfa (carvoeiros)até a demandante final, o VAB obteve a cifra de R$ 364 mil aproximadamente, o quecorrespondeu a uma margem de agregação de valor ao produto, ou mark-up total nacomercialização de 32%. Esta margem é calculada a partir da diferença do valor totaladicionado na comercialização deste produto – VAB (R$ 364 mil), menos o VBPα (R$ 275mil), dividido pelo mesmo valor do VBPα (R$ 275 mil). Na formação deste VAB, acima citado e inteiramente formalizado nos quinzemunicípios que compõem a RI Rio Caeté, houve o predomínio da participação do setor da
  • 75. 83produção, já que adicionou o equivalente a R$ 275 mil, que corresponde a 76% do totaladicionado, pois foi o setor que realizou a transformação das “sobras de árvores derrubadas”em carvão com a utilização de caieiras, buracos feitos no chão. Convém ressaltar, que o setorda produção local transacionou o valor efetivo somente no que se refere às vendas do produto(carvão), e, portanto, não teve como se calcular a margem de comercialização ou mark-up(Gráfico 11). Já o setor de varejo urbano adicionou o equivalente a R$ 89 mil e obteve um mark-up de 37%, apenas com a divisão do produto em embalagens menores, pois assim, conseguereceber um preço médio por quilograma maior. GRÁFICO 11- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do carvão da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do carvão. A renda bruta total (RBT) gerada na comercialização do carvão se formou a partir dasoma da compra de insumo (pela ótica da demanda) com VAB. Deste modo, a renda geradana comercialização do carvão foi contabilizada na ordem de R$ 604 mil, geradoexclusivamente com a participação do sistema local (Gráfico 12). Sendo que o setor de varejo urbano foi responsável por gerar uma renda bruta novalor próximo de R$ 330 mil, resultante da soma da compra de insumo no valor em torno deR$ 241 mil e agregação no valor de R$ 89 mil. E, a renda bruta do setor de produção (α), no
  • 76. 84valor próximo de R$ 275 mil resultante da venda para os setores econômicos (varejo urbano econsumidor final) que compõem o sistema local. GRÁFICO 12– Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do carvão, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Por tudo isso, verifica-se que o setor da produção, formado por um elevado número decarvoeiros, apesar de ter adicionado três vezes mais que o setor de varejo urbano, composto porfeirantes e comerciantes, não conseguiu obter o mesmo retorno financeiro, ou seja, constituiu umarenda menor que este setor intermediário. Tal problemática se desenvolveu pelo simples fato deque o setor intermediário após realizar compra da saca de carvão, que geralmente pesa 15 quilos,junto ao setor da produção, realiza a divisão do produto em embalagens menores (sacolasplásticas de 2,5 Kg) antes das vendas aos consumidores finais e, deste modo, acabaramadquirindo um preço médio por quilograma maior.4.2.7 COPAÍBA a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da copaíba. Foram identificados seis agentes mercantis (Figura 21), sendo que tambémcomercializam outros produtos como andiroba, barbatimão, mel, unha-de-gato, verônica, ipê-roxo, casca de jatobá, casca de sucuúba, artesanato, castanha-do-brasil, leite de amapá, semente de
  • 77. 85cumaru e ipê-roxo. Os agentes se dividem em dois comerciantes, dois feirantes e dois varejistas.Estão no ramo há 11 anos, em média (variação entre quatro e vinte e dois anos). FIGURA 21- Localização dos agentes mercantis da copaíba na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. EXTRALOCAL (Municípios que não fazem parte da RI Rio Caeté) Produção extralocal: Proveniente de produtores dos municípios que fazem parte dasRegiões de Integração Baixo Amazonas (Almeirim), Guamá (Santa Isabel) e Tocantins(Abaetetuba) que realizam a extração do óleo das copaibeiras, utilizando normalmente brocapara o processo de perfuração, em seguida envasamento em garrafas de vidro; LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Varejo urbano: São comerciantes e feirantes que fracionam os litros de copaíba pararevender ao consumidor em frascos menores; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Rio Caeté) Varejo urbano: Compreende empresa que comercializa maiores quantidades de ervasmedicinais, para atender as necessidades do mercado estadual e local (RI Rio Caeté). b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da copaíba.
  • 78. 86 Toda a quantidade comercializada de óleo de copaíba identificada na Região deIntegração Rio Caeté é proveniente de outras regiões de integração. O principal intermediárioda copaíba é o varejista urbano local que comercializa toda a quantidade identificada.Portanto, os feirantes e/ou comerciantes (varejo urbano local) compram 62,5% diretamentedos produtores extras locais e 37,5% do varejo urbano estadual (Figura 22), compraexclusivamente dos produtores da RI Guamá. FIGURA 22- Estrutura (%) da quantidade amostral da copaíba comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia da copaíba, em 2010. Os preços médios praticados entre os diferentes produtores extras locais sãodeterminados pela quantidade comercializada. O setor da produção extralocal vendediretamente para o varejo urbano estadual ao preço de R$ 23,00/l e para o varejo urbano locala R$ 34,90/l (Figura 23). Portanto, o varejo urbano local vende diretamente ao consumidorlocal ao preço médio de R$ 59,69/l (óleo fracionado em frascos menores).
  • 79. 87 FIGURA 23- Preço médio da copaíba (R$/l de óleo) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Foi verificado que três agentes possuem armazéns com dimensões de 6m². Apenasum possui meio de transporte (carro). Não possuem maquinário ou equipamentos. A mão-de-obra é basicamente familiar, assim como a renda. Foi verificada a existência de outrosagentes, localizados em diversos pontos da cidade, que comercializam o produto. Paramelhorar a capacidade de produção o agente necessita de transporte próprio.4.2.8 CUPUAÇU a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do cupuaçu. Foram identificados vinte e nove agentes mercantis do produto (Figura 24), sendoque 10% trabalham exclusivamente com o cupuaçu, e 90% trabalham com outros produtos,tais como: murumuru, açaí, muruci, taperebá, bacuri, pupunha, lenha e carvão. Dos agentesentrevistados 48% são feirantes e comerciantes, 20% são produtores, 17% atravessadores, 7%varejistas e 8% empresas. Os agentes trabalham neste ramo, em média, há onze anos (variaçãoentre um e trinta anos).
  • 80. 88 FIGURA 24- Localização dos agentes mercantis do cupuaçu da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Contando com uma produção de mais de 295 toneladas e comércio de abrangêncialocal, estadual e nacional, as estruturas dos setores encontrados na pesquisa do cupuaçupodem ser descritas como: EXTRALOCAL (Municípios que não fazem parte da RI Rio Caeté) Produção extralocal: Formada por produtores, dos municípios que fazem parte dasRegiões de Integração Rio Capim (Capitão Poço e Tomé-açu) e do Guamá (Castanhal), querealizam a coleta dos frutos manualmente. A maioria dos produtores realiza o beneficiamentoprimário do cupuaçu (despolpamento dos frutos artesanalmente) para obtenção de melhorpreço de venda e para armazenamento para serem vendidas na entressafra; LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção local: Constituída por agentes que comercializam o fruto in natura emforma de polpa, com beneficiamento primário do cupuaçu (despolpamento dos frutosartesanalmente) para obtenção de melhor preço de venda na safra e na entressafra; Varejo rural: São pequenos comerciantes que compram o cupuaçu in natura ou polpados produtores locais;
  • 81. 89 Indústria de beneficiamento: Formada por uma cooperativa que comercializa a polpade cupuaçu dos seus associados; Indústria de transformação: São unidades de transformação da produção compostapor sorveterias que adquirem polpa de cupuaçu e as transformam em diferentes produtosfinais como sucos, vitaminas, sorvetes entre outros; Atacado: Formado por uma cooperativa que comercializa grandes quantidades dapolpa de seus cooperados para o mercado nacional; Varejo urbano: Compreende pequenos comerciantes e feirantes que transacionam ofruto in natura ou na forma de polpa e vendem para o consumidor final. ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Rio Caeté) Indústria de beneficiamento: Representados por agroindústrias responsáveis pelaembalagem e agregação de valor, retirando a polpa do fruto e vendendo para o mercadonacional; NACIONAL (Fora do Estado do Pará) Varejo urbano: São grandes redes de supermercados que distribuem o produto emoutros estados brasileiros. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do cupuaçu. A cadeia do cupuaçu é composta por canais de comercialização complexos (Figura25). A pesquisa identificou que do total do fruto comercializado na RI Rio Caeté, 71,77% éproveniente de outras Regiões de Integração, mais precisamente das RI Rio Capim(municípios de Tomé-açu e Capitão Poço) e Guamá (município de Castanhal) e o restante(28,23%) são da própria região. O setor varejo urbano local (comerciantes e feirantes) participa do principal canal decomercialização, pois comercializam 73,87% do total da quantidade identificada (Figura 25),que por sua vez compram a maior parte (64,7%) dos produtores extralocais e apenas 7,9% dosprodutores locais, na maior parte fruto in natura, e vendem exclusivamente para o consumidorlocal. É interessante destacar que a Região de Integração Guamá abastece o mercado local(RI Rio Caeté) com polpa de cupuaçu, isto é, a indústria de beneficiamento estadual compra0,17% da produção extralocal e vende diretamente para o setor do varejo urbano local em
  • 82. 90forma de polpa. Enquanto que o setor de transformação local (sorveterias) compra 6,9% dosprodutores extra locais e vendem para os consumidores locais. O setor atacadista local (cooperativa) compra 3,2% da produção local (Figura 25)que é vendida diretamente para o mercado nacional (setor varejista). Por outro lado, existeoutra cooperativa, caracterizada na cadeia como indústria de beneficiamento local, quecompra 0,03% dos produtores locais, que são seus cooperados, e vende direto ao consumidorlocal. Existem dois canais de comercialização do tipo direto, ou seja, contato direto entre oprodutor e o consumidor, que são 2,1% da produção identificada do fruto em forma de polpacom o consumidor estadual e 7,3% para o consumidor local na forma de polpa e também innatura para o consumidor local (Figura 25). Por último, do total da produção local 5,5% dofruto é vendido diretamente para uma indústria de beneficiamento de grande porte, localizadana Região de Integração Rio Capim, que vende para o mercado nacional. FIGURA 25- Estrutura (%) da quantidade amostral do cupuaçu comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Foi verificado que quatro produtores possuem propriedade rural com áreas de 1 a 145ha e os demais não informaram. A produção de cupuaçu na Região de Integração Rio Caetéencontrada durante a pesquisa foi de 43.140 frutos, equivalente a 14.380 kg da polpa do fruto. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do cupuaçu, em 2010.
  • 83. 91 Os preços médios do cupuaçu praticados entre os diferentes produtores, sendo eleslocais ou extralocais, são determinados pela safra do fruto, pelo seu beneficiamento e pelalogística do mercado consumidor. Nesse contexto, os preços médios de venda do fruto praticados pelos produtoresextralocais com outros agentes são R$ 1,50/fruto in natura com a indústria de transformaçãolocal (sorveterias), R$ 1,28/fruto com os feirantes e comerciantes locais e R$ 1,33/fruto com aindústria de beneficiamento estadual (Figura 26). Por outro lado, os produtores locaisvendem em média a R$ 1,81/fruto e a R$ 2,16/fruto diretamente para os consumidores locaise estaduais, respectivamente. Para o varejo rural o preço de venda é de R$ 1,33/fruto, a R$1,67/fruto para a indústria de beneficiamento local (cooperativa), a R$ 1,52/fruto para aatacadista (cooperativa), a R$ 1,20/fruto para o varejo urbano local e a R$ 1,67/fruto para aindústria de beneficiamento estadual. FIGURA 26- Preço médio do cupuaçu (R$/unidade de fruto) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Cerca de 50% dos agentes possuem armazém, com dimensões entre três e 46m².Com relação a maquinários e equipamentos 69% possuem freezers, geladeiras, despolpadeira,liquidificador industrial, balança de 10 kg, máquina de fabricação de sorvete/picolé) eequipamentos/materiais individuais (luva, tesoura e touca). Os problemas identificados comarmazenamento são espaços restritos e roubos ocasionais de mercadoria.
  • 84. 92 Referente a meios de transportes 45% dos agentes possuem motos, carro, bicicletas ecaminhonete. Aproximadamente 31% dos agentes trabalham com o produto somente na safra,e 58% trabalham o ano todo e utilizam polpas armazenadas durante a safra. A mão-de-obra ébasicamente familiar assim como a renda. Sendo que três agentes (indústria e empresa) pagamum salário mínimo mensal e R$ 70,00 a R$ 200,00 semanais. Foi informada a existência deoutros agentes que comercializam o cupuaçu, localizados em vários pontos da cidade. Para melhoria na capacidade de produção os agentes declararam que necessitam dediversos apoios como investimento e financiamento para produção, compra de equipamentos,melhoria nas estradas para escoamento da produção, e garantia de mercado consumidor.4.2.9 MURUCI a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do muruci. Foram identificados onze agentes mercantis (Figura 27), sendo que dois sãoatravessadores, quatro feirantes, um produtor, um varejista e três comerciantes. Todos osagentes trabalham com outros produtos (bacuri, cupuaçu, taperebá, açaí, buriti, pupunha, mel,andiroba, tucumã, cajuaçu, copaíba e verônica). Os entrevistados trabalham no ramo emmédia há onze anos (variação de cinco a trinta e dois anos). FIGURA 27- Localização dos agentes mercantis do muruci da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. EXTRALOCAL (Municípios que não fazem parte da RI Rio Caeté)
  • 85. 93 Produção extralocal: Proveniente de pequenos agricultores da RI Rio Capim (CapitãoPoço) que realizam a coleta dos frutos manualmente junto às árvores do muruci. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção local: Oriunda de pequenos agricultores que realizam a coleta dos frutosmanualmente dos municípios da RI Rio Caeté; Varejo rural: Compreende pequenos comerciantes (atravessadores) que compram omuruci in natura de vários produtores locais; Indústria de beneficiamento: Formada por uma cooperativa que realiza obeneficiamento do fruto e a fabricação de polpa, juntamente com a embalagem; Indústria de transformação: São agentes responsáveis por modificar o produto innatura, compostos por lanchonetes e sorveterias, que adquirem a polpa e transformam emdiferentes produtos finais, como sucos e sorvetes; Varejo urbano: São feirantes que realizam a venda do muruci in natura para oconsumo local. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do muruci. Conforme demonstra a Figura 28, os canais de comercialização do muruciidentificados se caracterizam por diversos níveis de canais de distribuição, abrangendo váriossetores intermediários entre o produtor local, extralocal e o consumidor final local,restringindo-se somente no âmbito local. Do total da produção comercializada 55,8% do frutoprovém da produção extralocal (município de Capitão Poço) e os 44,2% restantes da produçãodos quinze municípios da região estudada. O varejo urbano local compra 22,2% da produção local e comercializa toda aprodução extralocal (55,8%), que são vendidas diretamente para os consumidores locais. Poroutro lado, 14,9% da produção local é comercializada pelo varejo rural (atravessadores) quevende exclusivamente para o setor de transformação local (sorveterias) (Figura 28). Osprodutores locais vendem 1,6% da produção diretamente para o setor de beneficiamento(Cooperativa), que são identificados como sócios da cooperativa que comercializam o fruto nasafra, como alternativa de renda. Existe o canal direto entre o produtor local e o consumidorlocal que comercializa somente 5,5% da produção.
  • 86. 94 FIGURA 28- Estrutura (%) da quantidade amostral do muruci comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do muruci, em 2010. Os preços médios do muruci praticados entre os diferentes agentes da cadeia decomercialização são determinados pela safra do fruto transacionado e pela distânciapercorrida pelos produtores. Os preços médios de venda do fruto praticados pelos produtores locais com outrosagentes são R$ 1,67/l com o varejo rural, R$ 2,50/l com as indústrias de beneficiamentolocais, R$ 1,77/l com o varejo urbano local e R$ 3,33/l com os consumidores locais (Figura29). Os produtores extralocais vendem em média a R$ 1,45/l do fruto diretamente para osfeirantes locais (varejo urbano). O preço médio adotado pela venda da indústria debeneficiamento para o consumidor é de R$ 2,92/l. Enquanto que o preço adotado pelassorveterias locais (indústria de transformação) atinge em média R$ 31,00/l conforme acomposição e a qualidade do sorvete.
  • 87. 95 FIGURA 29- Preço médio do muruci (R$/l do fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Dentre os três entrevistados que citaram possuir armazém, as dimensões relatadasvariam de 3m2, 12m² e 46m2. Como meio de transporte foram citados caminhonete, moto,carro e bicicleta. Dentre as máquinas e equipamentos informaram possuir: quatro freezers, sendo trêscom capacidade para 300 l e um para 1.000 l, uma despolpadeira, uma seladora, trinta e cincocarrinhos de sorvete, liquidificador industrial, uma máquina de fabricar sorvete e uma depicolé. Todos citaram não ter problemas com armazenamento e com as máquinas, apenas acapacidade dos equipamentos apresentou ser insuficiente para a demanda do mercado. O trabalho com o muruci é realizado em média por quatro pessoas, não somente nasafra, mas em diversos períodos do ano. A mão-de-obra varia de familiar a assalariado. Para melhoria na capacidade de produção os agentes declararam que necessitam demelhoria no espaço físico dos locais e melhores condições nos meios de transporte. Gostariamde ter mais consumidores, investimentos, condições de escoamento da produção com meiosde transporte adequados, que foram citados como melhoria para a capacidade de produção.
  • 88. 964.2.10 PUPUNHA a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da pupunha. Foram identificados vinte e um agentes comerciantes (Figura 30), sendo que 52%são atravessadores, 19% feirantes e 29% produtores. FIGURA 30- Localização dos agentes mercantis da pupunha na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. EXTRALOCAL (Municípios que não fazem parte da RI Rio Caeté) Produção extralocal: São pequenos agricultores do município de Capitão Poço (RIRio Capim) que retiram os cachos de pupunha. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção local: Formada por agentes envolvidos na retirada dos cachos de pupunhaencontrada nos municípios da região; Varejo urbano: São feirantes que comercializam a pupunha in natura para oconsumidor local. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da pupunha. De acordo com a Figura 31 os canais de comercialização da pupunha são simplesapresentando somente o varejo urbano como intermediário. Os feirantes locais (varejo
  • 89. 97urbano) compram da produção extralocal 88,2% e somente 11,8% são provenientes daprodução da própria região. Alguns dos agentes possuem profissão paralela, sendo que um é pescador, dois sãocomerciantes, seis agricultores, um feirante, um que recebe o beneficio de aposentadoria, edez não informaram. FIGURA 31- Estrutura (%) da quantidade amostral da pupunha comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia da pupunha, em 2010. Os feirantes locais (varejo urbano) compram a pupunha da produção local ao preçomédio de R$ 3,00/cacho e a R$ 3,96/cacho dos produtores extralocais e, vende para oconsumidor local a R$ 5,04/cacho (Figura 32). O fruto in natura é comercializado em kg ouem cacho somente na safra.
  • 90. 98 FIGURA 32- Preço médio da pupunha (R$/cacho) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Somente três agentes possuem local para armazenagem com dimensões que variamde 11 a 40 m², sendo que o principal problema relatado refere-se ao espaço insuficiente dosarmazéns. Dos agentes entrevistados 66% possuem meio de transporte como motos,caminhonete, bicicleta, canoa simples, canoa motorizada e carro. Cerca de dez agentestrabalham no período da safra. Tanto a renda quanto a mão-de-obra são basicamentefamiliares. Para melhorar a produção foram relatados vários aspectos a serem consideradoscomo assistência técnica, apoio para escoamento da produção, financiamento e investimentoem energia elétrica.4.2.11 MURUMURU a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do murumuru. Foram identificados três agentes mercantis do produto (Figura 33), sendo que duassão cooperativas, da própria região, que comercializam há pouco tempo o murumuru. Um dosentrevistados possui uma propriedade rural com área de 27 ha. A cooperativa que está desdemarço de 2010 no ramo, possui um armazém com dimensões de 42m². Com relação atransporte e maquinários foram identificados: caminhonete, freezer, prensa, becker, balança,
  • 91. 99proveta, liquidificador e batedeiras que usam para a fabricação de hidratante artesanal, a partirda manteiga do murumuru. Por ser de fabricação artesanal e em estágio inicial decomercialização o produto é divulgado e vendido em feiras e eventos de agricultura familiar.A cooperativa citou ter problemas com equipamentos principalmente com a prensa para aextração do óleo. A cooperativa tem trinta e um associados, que trabalham na safra eentressafra do produto, com repasse para a indústria de transformação estadual, localizada naregião metropolitana de Belém, que utiliza o murumuru para a fabricação de cosméticos. Ovalor pago aos associados não foi identificado. O produtor trabalha somente no período dasafra do produto e a renda é basicamente familiar. Para melhoria na capacidade da produçãoos agentes declararam que devem ser criadas infraestruturas para que as comunidadesproduzam mais e, no caso da cooperativa, faltam equipamentos mais modernos paraarmazenamento e beneficiamento do produto, além de uma sede própria. FIGURA 33- Localização dos agentes mercantis do murumuru na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção: Composta por extrativistas responsáveis pela coleta das sementes nasáreas de ocorrência natural na região estudada;
  • 92. 100 Atacado: São duas cooperativas que atuam na região (uma localizada no municípiode Santa Luzia e a outra em Bragança) que compram grandes quantidades de semente demurumuru de seus associados, ou de produtores locais, e vendem exclusivamente para umaindústria de transformação estadual. ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Rio Caeté) Indústria de transformação: Formada por uma unidade industrial de cosmético,situada no município de Ananindeua, região metropolitana de Belém (PA), que realiza oprocessamento de sementes, resinas, castanhas, cascas e polpas provenientes de florestasnativas ou cultivadas em terras de agricultores, e também refina óleos de frutas. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do murumuru. A cadeia de comercialização do murumuru consiste somente em um canal indireto,que tem como característica a existência de mais de um tipo de intermediário entre o produtore o consumidor, que são o atacado local e a indústria de transformação estadual. O atacadolocal (cooperativas) comercializa 100% da quantidade identificada da semente, que écomprada diretamente dos produtores ou associados e, vendida exclusivamente para aindústria de transformação estadual (Figura 34) que transforma o produto em cosmético. FIGURA 34- Estrutura (%) da quantidade amostral do murumuru comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do murumuru, em 2010.
  • 93. 101 O preço médio de venda do murumuru praticado pelo setor produtivo com o atacadolocal é, em média, R$ 2,16/kg da semente, que por sua vez vende em média a R$ 2,50/kg dasemente para a indústria de transformação estadual (Figura 35). FIGURA 35- Preço médio do murumuru (R$/Kg semente) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Alguns cursos de cooperativismo para trabalhar com oleaginosas já foramdesenvolvidos, nessa região, pelo SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e peloSEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). A criação dacooperativa é resultado de um projeto desenvolvido pela Cáritas de Bragança, em parceriacom o Serviço Alemão de Cooperação. O trabalho é desenvolvido principalmente com a mão-de-obra familiar. O mercado de cosméticos que envolve esse tipo de produto está emcrescimento, no entanto, faltam maiores incentivos financeiros e divulgação dasfuncionalidades que os produtos amazônicos proporcionam, assim como melhor assistênciatécnica para aumentar a capacidade produtiva.4.2.12 TAPEREBÁ a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do taperebá. Foram identificados quatro agentes que comercializam o produto (Figura 36), umintermediário e três feirantes. Todos comercializam outros produtos tais como bacuri,cupuaçu, açaí, muruci, e pupunha.
  • 94. 102 FIGURA 36- Localização dos agentes mercantis do taperebá na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. EXTRALOCAL (Municípios que não fazem parte da RI Rio Caeté) Produção extralocal: São os produtores envolvidos na coleta dos frutos pertencentesao município de Capitão Poço (RI Rio Capim); LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção local: Compostas por agentes envolvidos na coleta dos frutos encontradanos municípios da região; Varejo urbano: Englobam feirantes que realizam a venda do taperebá in natura parao consumidor local. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do taperebá. A cadeia de comercialização do taperebá consiste em canais simples apresentandosomente um intermediário que participa do escoamento da produção desde o produtor local eextralocal até o consumo final local e estadual (Figura 37). O varejo urbano (atravessadores)compra 67,4% da produção extralocal e 28,1% da produção identificada da própria região,sendo vendidos diretamente para os consumidores locais. Também existe a venda de 4,5% da
  • 95. 103produção local identificada diretamente para o consumidor estadual, mais precisamente para omunicípio de Belém. Dos agentes que estão no ramo em média há 14 anos (variação de 10 a 16 anos),apenas um comerciante declarou não ter armazém, os demais afirmaram possuir armazémcom dimensões de 3m2 e com capacidade de 200 Kg. FIGURA 37- Estrutura (%) da quantidade amostral do taperebá comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do taperebá, em 2010. A produção local vende a R$ 5,50/kg do fruto in natura para o consumidor estadual ea R$ 1,50/kg para o varejo urbano local, que por sua vez vende diretamente para oconsumidor local por R$ 1,76/kg do fruto (Figura 38). Enquanto que os produtores extraslocais vendem a R$ 1,00/kg do fruto diretamente para os feirantes locais (varejo urbano).
  • 96. 104 FIGURA 38- Preço médio do taperebá (R$/Kg fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Como meio de transporte um agente citou possuir uma moto. Dois citaram possuirfreezers como equipamentos. Um citou ter problemas com o armazenamento devido à falta deoutro freezer. Os dois comerciantes entrevistados citaram entre duas a três pessoas quetrabalham no período da safra ou 6 horas por dia. Para melhorar a capacidade de produção são necessários incentivo para o produto e acomercialização, meios de transporte para escoar a produção e melhoria no espaço físico dafeira, bem como no quesito segurança. Um comerciante observou que o preço da venda daspolpas não é atraente para os fregueses, que preferem consumir refrigerante, por ser maisbarato.4.2.13 BURITI a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do buriti. Foram identificados vinte e um agentes mercantis do produto (Figura 39), sendo quetodos trabalham com outros produtos, tais como açaí, bacaba, cajuaçu, cupuaçu, tucumã emuruci. Os agentes mais recentes trabalham no ramo há um ano e os mais antigos há 58(média de trinta anos).
  • 97. 105 FIGURA 39- Localização dos agentes mercantis do buriti na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção local: São compostas por três tipos de agentes (extrativistas) que sãoresponsáveis pela oferta do buriti na região. Os produtores que realizam o despolpamento dosfrutos e revendem forma de polpa, ou aqueles que transformam a polpa em óleo ou ainda, emfarinha de buriti, para obtenção de melhor preço de venda; Indústria de beneficiamento: São pequenos comerciantes que utilizam máquinasdespolpadeiras do açaí para obter a polpa ou “vinho” de buriti; Atacado: Trata-se de uma cooperativa que compra o buriti dos associados ou dosprodutores locais na forma de óleo ou farinha; Varejo urbano: São feirantes que compram o buriti em forma de polpa do setor daprodução; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Rio Caeté) Indústria de transformação: Composta por uma unidade industrial de cosmético,situada no município de Ananindeua, região metropolitana de Belém (PA), que realiza o
  • 98. 106processamento de sementes, resinas, castanhas, cascas e polpas provenientes de florestasnativas ou cultivadas em terras de agricultores, e também refina óleos de frutas. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do buriti. Conforme demonstra a Figura 40, o setor atacadista local (cooperativa) comercializaa maior quantidade (43,5%) identificada da produção pela pesquisa, que é compradadiretamente dos produtores e associados e, é vendida exclusivamente para a indústria detransformação estadual (empresa de cosmético). O setor da indústria de beneficiamento local(batedores de açaí) comercializa 40,2% da produção identificada, que vende diretamente paraos consumidores locais em forma de polpa. Existe na cadeia do buriti 15,6% que são vendidosdiretamente para o consumidor local o fruto in natura. FIGURA 40- Estrutura (%) da quantidade amostral do buriti comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Dos vinte e um agentes, dezessete deles possuem equipamentos comodespolpadeiras, freezers com capacidades de 350 a 500L e seladores de sacos plásticos. Foiverificada a existência de quinze agentes que possuem armazéns, com dimensões que variamde 6 a 12m². Referente a meios de transportes, os mais utilizados são bicicletas e motos quesão usados por dezesseis agentes. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do buriti, em 2010.
  • 99. 107 Na Figura 41 destacam-se os preços médios de venda de insumo (quilo do frutoburiti in natura) praticados pelos produtores com outros setores no valor de R$ 1,76/kg paraas indústrias de beneficiamento locais, R$ 1,84/kg para o setor atacadista local (cooperativa),R$ 1,25/kg para os varejistas locais e para os consumidores locais a R$ 1,96/kg. As indústrias de beneficiamento locais (batedores) vendem em média a R$ 3,33/kgpara os consumidores locais em forma de “vinho” (Figura 41). O fruto in natura étransformado em polpa, sendo comercializado somente na safra, em sacolas de 1 kg de polpae, quando beneficiados, rendem em média 1 a 2,5 litros de “vinho”. Enquanto que o preçomédio adotado pela venda do setor atacadista local para a indústria de transformação estadualé, em média, de R$ 2,02/kg. A cooperativa local conta com a indústria de transformaçãoestadual como parceira na compra de farinha e óleo de buriti. FIGURA 41- Preço médio do buriti (R$/Kg fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O produto buriti é comercializado durante todo o ano por quinze agentes, os outrosseis trabalham somente na safra. A mão-de-obra é basicamente familiar, sendo que trêsagentes contratam mão-de-obra externa, pagando o valor de R$ 70,00 a R$ 90,00 por semana.Para melhoria na capacidade de produção foram sugeridas algumas demandas como anecessidade de melhoria nos pontos de venda, em financiamentos, capital de giro e aquisiçãode maquinários para implementação do setor.
  • 100. 108 d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do buriti. O valor recebido por todos os agentes, que realizam as vendas (Valor Bruto daprodução - VBP) do buriti a partir da região do Rio Caeté, contabilizado aproximadamente emR$ 898 mil, se desenvolveu no mercado local que recebeu R$ 702,3 mil e o estadual R$ 195,5mil, sob a ótica da oferta (Gráfico 13). GRÁFICO 13 - VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do buriti da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Do valor recebido pelo mercado local, o valor bruto da produção local (VBPα), isto é,o setor dos agentes que realizam a coleta do fruto, recebeu um valor próximo a R$ 305 mil,dos quais mais de 88% foram das vendas realizadas para os setores intermediários quedemandam no próprio mercado local, seja para revender seja para vender o produtobeneficiado e, aproximadamente 12% foram oriundas das vendas diretamente aosdemandantes finais da região do Rio Caeté. De maneira geral, após a coleta do fruto do buritios extrativistas comercializaram nas feiras e comércios dos próprios municípios em queresidem, sendo que, tal processo, de coleta e venda, aconteceu com maior intensidade nosmunicípios de Bragança e Tracuateua. Este valor recebido pelos extrativistas teve umarepresentatividade de 43% do total contabilizado no mercado local, pela ótica da oferta, poiseste produto foi comercializado de várias formas, seja concomitantemente ou de formaindividualizada, dependendo de quem o comprou, quais sejam: o fruto in natura; em polpa;em farinha e até mesmo já retirado o óleo.
  • 101. 109 Este valor recebido pelos agroextrativistas é resultante das vendas para o setoratacadista local (composto por uma Cooperativa Mista – com sede no município de Bragança)no valor de R$ 142,7 mil (que corresponde a 47% do valor recebido pelos agroextrativistas),para a indústria de beneficiamento local (batedores de açaí que no período de safra do burititambém o processa) no valor R$ 126,2 mil (41%), e R$ 1,4 mil (0,5%) foram oriundos dasvendas ao setor de varejo urbano local (composto por feirantes), e R$ 34,5 mil (11%) são dasvendas realizadas diretamente para os consumidores da região do Rio Caeté (Gráfico 13).Depreende-se deste modo que, os agroextrativistas não tiveram no setor de varejo rural, ouseja, nos atravessadores, um elo de comercialização, o que de certo modo, resultou em umretorno monetário maior para os agentes que têm na coleta deste fruto sua fonte de renda. Já a indústria de beneficiamento local, por sua vez, recebeu pelas vendas do vinho deburiti um valor superior a R$ 239 mil, o que corresponde a 34% da renda gerada a nível local.É imperativo ressaltar, que o consumo do vinho deste fruto é comum no interior das famíliasna região do Caeté, haja vista que o período de entressafra do açaí coincide com o período desafra do buriti, e o vinho deste passa a ser o seu substituto natural do vinho de açaí. Ainda nosistema local, o setor atacadista obteve mais de R$ 156 mil com a venda para o mercadoestadual, especificamente para uma indústria de transformação com sede no município deAnanindeua. Em seguida o varejo urbano local recebeu um pouco mais de R$ 1,7 mil dasvendas para o consumidor final. (Gráfico 13). Com relação ao sistema estadual que arrecadou R$ 195,6 mil, houve a participaçãoexclusiva do setor de indústria de transformação que vendeu tudo que adquiriu para oconsumidor final nacional (Gráfico 13). Entre as áreas de atuação desta indústria, esta a defornecer ingredientes naturais e orgânicos provenientes da biodiversidade amazônica para aindústria cosmética, farmacêutica e de fragrâncias. e) VAB - gerado na comercialização do buriti e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB ao longo da cadeia de comercialização do buriti, desde o setor alfa(coleta/produção local) da região Rio Caeté até a demandante final, contabilizou mais de R$471 mil, o qual desencadeou uma margem de agregação de valor ao produto, ou mark-uptotal, na comercialização de 55%. Esta margem mostra percentualmente, o quanto foiadicionado ao longo de toda a cadeia de comercialização a partir do valor das vendas do setoralfa, e o seu calculo se dá pela relação da diferença entre o valor total adicionado nacomercialização do buriti – VAB (mais de R$ 471 mil), menos VBPα (em torno de R$ 305
  • 102. 110mil), dividido pelo VBPα (R$ 305 mil). Partindo-se deste pressuposto, quando se analisa aagregação de valor por mercado é preciso ressaltar que o local foi responsável por 92% dototal adicionado (Gráfico 14), que corresponde a mais de R$ 432 mil adicionados ao longo dacadeia, enquanto que o sistema estadual adicionou o restante, algo em torno de R$ 39 mil. GRÁFICO 14 - VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do buriti da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Já no que diz respeito ao mercado local - formado nos quinze municípios quecompõem a região do Rio Caeté – o setor que agregou mais valor ao fruto, foi o da produçãoque adquiriu uma expressiva participação, uma vez que adicionaram aproximadamente R$305 mil, o que corresponde a mais de 70% do que foi adicionado no mercado local, pois esteagente além de realizar a coleta do fruto é também quem realiza tanto o beneficiamentoprimário com a transformação do fruto in natura em polpa, quanto o seu processamento coma intenção de se obter a farinha e/ou o óleo. Entretanto, convém ressaltar, que este setortransaciona o valor adicionado somente no que se refere às vendas deste fruto, e por isso, nãose tem como calcular o mark-up. (Gráfico 14). Posteriormente vem o setor da indústria de beneficiamento local, composto por umgrande número de batedores de açaí (e, também do buriti), que adicionou um valor oequivalente a R$ 113 mil (26% no total adicionado no sistema local), com o beneficiamentoprimário, transformando o fruto in natura em vinho. Com relação à margem decomercialização do setor (indústria de beneficiamento local), isto é, mark-up do setor, o qual écalculado pela divisão do VAB, valor próximo a R$ 113 mil , pelo VBP, pela ótica da
  • 103. 111demanda (R$ 126,2 mil), ou seja, que representa a compra de insumos realizada pelo setor. E,neste caso, o mark-up deste setor, representado em termos relativos foi de 89%, incluindotodos os custos operacionais citados pelos entrevistados (conta de água, energia e dofinanciamento da maquina de bater - maioria) e de comercialização do produto analisado, quenão são captados pela pesquisa. Ainda no sistema local, o setor atacadista, isto é, umacooperativa mista que atuou como o elo da comercialização entre os agroextrativistas e aindústria de transformação localizada fora da região do Caeté, adicionou algo próximo de R$14 mil e, mark-up de apenas 10%. Por sua vez, o setor de varejo urbano adicionou somenteR$ 288,00, através da majoração de preço antes do consumidor final, no entanto, apresentouum mark-up de 20% (Gráfico 14). Já o valor adicionado pelo sistema estadual, constituído em R$ 39 mil, ficou sob aresponsabilidade da indústria de transformação, que representa uma empresa de SociedadeAnônima (S.A.) localizada na região Metropolitana de Belém, e apresentou um mark-up de25% (Gráfico 14). Portanto, no que se refere a agregação de valor ao longo da cadeia do buriti, orçadoem um valor superior a R$ 471 mil, observou-se que os agroextrativistas da região em estudo,conseguiram adicionar valor superior aos outros setores localizados tanto na região quantofora dela, seja pelo grau de especialização/negociação destes agentes, seja pela pouca e/ounenhuma ação de beneficiamento e/ou transformação que este recurso sofre pelosdemandantes intermediários após a sua compra. Pois, de acordo com o desejo do demandante,estas ações variaram desde a venda do fruto ainda na sua forma in natura até acomercialização do óleo, e deste modo, os preços de venda acabam variando também, o quepor sua vez, findaram refletindo na renda final dos que têm na coleta deste fruto sua atividadeprincipal e/ou como complemento de outras atividades. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do buriti. A renda bruta total gerada (RBT) na comercialização do buriti a partir da região doCaeté foi contabilizada na ordem de R$ 898 mil. Este valor se forma a partir da soma decompra de insumo (pela ótica da demanda) com o valor que foi adicionado pelo setor. Naformação do valor da renda bruta gerada, o sistema local foi responsável por gerar 78% domontante e o sistema estadual 22% (Gráfico 15).
  • 104. 112 GRÁFICO 15- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do buriti, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Fazendo uma análise restrita ao sistema local, com renda bruta gerada em mais de R$702mil (Gráfico 15), o setor da produção alfa (α) foi quem obteve a maior renda bruta aolongo da cadeia, no valor de R$ 305 mil, esta renda é resultante das vendas para os setoreseconômicos que compõem somente o mercado local. Ainda no sistema local, o setor atacadista (cooperativa) gerou uma renda bruta de R$156,5 mil, resultante da compra de insumo no valor de R$ 142,6 mil e o ganho de R$ 13,9 milcom o repasse dos insumos (farinha e o óleo – obtidos do fruto) para a indústria detransformação estadual. Já a indústria beneficiamento, que exerceu a função de um dosmaiores demandantes junto ao setor da produção, gastou R$ 126,3 mil com a compra do frutoin natura e, conseguiu agregar com o seu beneficiamento um valor superior a R$ 113 mil,resultando em uma renda bruta no valor de R$ 239,3 mil obtidos com as vendas para osconsumidores finais da região, haja vista que o consumo do vinho de buriti pelas famílias naregião já se tornou “cultural”. O varejo urbano vem logo em seguida, pois comprou insumosdo setor da produção no valor superior a R$ 1,4 mil e adicionou mais de R$ 288, gerando umarenda bruta no valor de R$ 1,7 mil com as vendas para os consumidores finais locais. E por fim, o sistema estadual que gerou uma renda bruta no valor acima de R$ 195,5mil (Gráfico 15), o qual ficou a cargo do setor de indústria de transformação estadual (S.A)
  • 105. 113que comprou R$ 156,5 mil em insumos junto ao setor atacadista, localizado na RI Rio Caeté,e os vendeu com uma agregação de valor em torno de R$ 39 mil aos consumidores finaisnacionais, entre os quais se encontra uma grande empresa de cosméticos com reconhecimentonacional.4.2.14 BREU-BRANCO a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do breu-branco. Foram identificados nove agentes que comercializam o produto (Figura 42), sendoque dois são atravessadores, dois comerciantes, três feirantes e dois varejistas. Dos sete quedeclararam tempo de atuação no ramo variaram entre 1 e 15 anos, sendo a média 7 anos. Oitoagentes trabalham com outros produtos. Verificou-se que sete deles possuem armazéns comdimensões que variam de 9 a 18m². FIGURA 42- Localização dos agentes mercantis do breu-branco na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção: São extrativistas que coletam a resina breu-branco manualmente, Varejo rural: Também conhecido como atravessadores, que são pequenoscomerciantes que compram o breu dos extratores locais;
  • 106. 114 Varejo urbano: Incluem os feirantes e os comerciantes, que compram o breu erevendem por conta de suas diversas utilizações como afastar mosquitos e outros insetos,impermeabilizar as embarcações como um verniz natural e, na fitoterapia, é utilizado paratratar doenças venéreas e males da cabeça. NACIONAL (Fora do Estado do Pará) Varejo urbano: Tratam-se dos comerciantes situados no âmbito nacional que compragrande quantidade dos atravessadores local. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do breu-branco. Como pode ser visto na Figura 43 os canais de comercialização do breu, secaracterizam por canais semi-diretos, pois abrangem somente um intermediário em cadacanal. O varejo urbano local comercializa 55,3% da quantidade identificada da resina de breu-branco, que é comprada diretamente dos produtores e vendida exclusivamente para osconsumidores locais. O varejo rural vende 44,7 % da resina identificada exclusivamente parao varejo urbano nacional (Estado do Maranhão). Referente a equipamentos e maquinários somente (1 balança), e 2 agentes possuemtransporte (carro). O trabalho é basicamente familiar assim como a renda. Trabalham naextração cerca de 4 pessoas da família, todavia 2 agentes pagam valores semanais de R$ 70,00a R$ 200,00 para seus ajudantes. FIGURA 43- Estrutura (%) da quantidade amostral do breu-branco comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 107. 115 c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do breu-branco. O preço médio de venda do breu-branco praticado pelos extrativistas com o varejorural é em média R$ 2,00/kg da resina, e o preço de venda desses para com os varejistasnacionais atinge o valor de R$ 4,00/kg (Figura 44). Enquanto que o preço de venda dosextrativistas para o varejo urbano local é em média R$ 3,83/kg e o preço de venda desses paracom os consumidores locais atinge o valor de R$ 6,33/kg da resina. FIGURA 44- Preço médio do breu-branco (R$/Kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.15 LEITE DE AMAPÁ a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do leite de amapá. Foram identificados dois agentes mercantis do produto (Figura 45) sendo que ambostrabalham com outros produtos, tais como: barbatimão, castanha-do-brasil, copaíba, mel,unha-de-gato, verônica, semente de cumaru, ipê-roxo, óleo de andiroba e artesanatos. Estãono ramo há 12 anos e não possuem armazenamento, transporte ou equipamentos. Trabalhamde segunda a sábado, meio período. A mão-de-obra assim como a renda é basicamentefamiliar. Foi identificada a existência de outros agentes em diversas frutarias da cidade, cujospreços e fluxos de mercado praticados são os mesmos localmente.
  • 108. 116 Para melhoria na capacidade de produção os agentes foram unânimes em declararque precisam de capital de giro para compra de mercadoria e padronização do espaço físico devenda do produto. FIGURA 45- Localização dos agentes mercantis do leite de amapá na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção: São os agentes que realizam a extração do látex (chamado popularmente deleite de amapá) artesanalmente da árvore de amapá; Varejo urbano: São feirantes que compram os leites dos extrativistas locais erevendem para o consumidor final local. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do leite de amapá. O canal de comercialização do leite de amapá identificado caracteriza-se por ser semi-direto, pois apresentam apenas um tipo de intermediário entre o extrator (setor de produção) eos consumidores finais (Figura 46). Toda a produção identificada (100%) é comercializadasomente pelo varejo urbano local, representado em sua maioria por feirantes que compram aprodução de extrativistas e revendem para o consumidor final local e que, além de vendido in
  • 109. 117natura, muitas vezes serve de “base” no preparo de garrafadas, na mistura com outrosprodutos para fins fitoterápicos. FIGURA 46- Estrutura (%) da quantidade amostral do leite de amapá comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do leite de amapá, em 2010. O varejo urbano local compra o leite do setor da produção local pelo preço médio de R$6,00/l e vende para o consumidor local ao preço de R$ 12,00/l do leite de amapá (Figura 47).
  • 110. 118 FIGURA 47- Preço médio do leite de amapá (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O leite de amapá como fitoterápico é utilizado na ação antiinflamatória e analgésica.No caso da comercialização deste produto, alguns comerciantes apontam um fator limitante,como a dificuldade de conservação de sua essência, que necessita de refrigeração, quando amaioria das comunidades produtoras não dispõe de energia elétrica. Produtores enfatizaram os cuidados necessários com o manejo das árvores para aobtenção do leite de amapá, que é realizado por meio de cortes no tronco das árvores. Apreocupação, segundo eles, é que o excesso e profundidade dos cortes prejudiquem aprodução de leite da árvore, tornando-a fraca e comprometendo sua conservação no local. Deacordo com Silva (2010), o manejo do leite de amapá é realizado com técnicas desenvolvidasao longo de décadas pelos extrativistas, com conjunto de cortes na forma de espinha de peixe,obedecendo à determinada distância entre eles, até atingir os vasos laticíferos, de onde seextrai o látex com a faca de seringueiro. A extração ocorre quando o diâmetro a altura peito(DAP) atinge 27 cm, em indivíduos que apresentam intenso fluxo de látex. Os painéis(conjunto de cortes) podem variar de dois a quatro. Um corte na extração pode demorar de uma dois anos para cicatrizar, dependendo da intensidade, torna-se importante registrar então ointervalo de tempo para realizar novos cortes.
  • 111. 119 Foram relatados vários pontos a serem considerados para melhorar a produção, taiscomo investimentos, financiamentos, local para armazenagem do produto e maquinárioadequado para a extração do líquido.4.2.16 PLANTAS MEDICINAIS a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização das plantas medicinais. Foram identificados doze agentes mercantis (Figura 48) que comercializam, no setordo varejo urbano, sete tipos de plantas medicinais (casca de barbatimão, de ipê-roxo, desucuúba, de jatobá e de verônica, assim como semente de cumaru, e a erva unha-de-gato).Estes varejistas atuam no ramo há doze anos (variação 9 a 22 anos), e também comercializamoutros produtos como artesanatos, alimentícios e medicinais. FIGURA 48- Localização dos agentes mercantis das plantas medicinais na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção local: È composta por coletores de plantas medicinais de ocorrêncianatural;
  • 112. 120 Varejo urbano local: São comerciantes ou feirantes que compram plantas medicinaisdos extratores locais e revendem para o consumidor final. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) das plantas medicinais. O canal de comercialização das plantas medicinais é do tipo semi-direto, poisapresenta um intermediário, varejo urbano local. Portanto, toda a produção identificada dasplantas medicinais dos quinze municípios estudados (100%) é comercializada pelo varejourbano local (feirantes), destinado exclusivamente para o consumo local (Figura 49). FIGURA 49- Estrutura (%) da quantidade amostral das plantas medicinais comercializadas na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia das plantas medicinais, em 2010. O varejo urbano local compra as plantas medicinais da produção local pelo preçomédio de R$ 1,96/kg e vende para o consumidor local ao preço de R$ 6,07/kg (Figura 50).As plantas medicinais são geralmente fracionadas em “saquinhos” de 200g, que proporciona oaumento da margem de lucro.
  • 113. 121 FIGURA 50- Preço médio das plantas medicinais (R$/Kg in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Foi identificado que o tempo de trabalho no ramo varia de 2 a 22 anos e a maiorianão possui armazém, maquinário ou equipamentos. O trabalho é realizado durante todo o ano,em períodos de 2ª a sábado, com 44h semanais. A mão-de-obra nesse tipo de atividade ébasicamente familiar, assim como a renda gerada. Para melhorar a capacidade de produção os agentes informaram que é necessáriocapital de giro para compra de mercadoria, bem como melhoria no espaço físico dasinstalações, como um ponto comercial maior para armazenar os produtos.4.2.17 ARTESANATO a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do artesanato. Foi identificado um agente mercantil que é artesão e trabalha com açaí caroço,semente de paxiúba e de olho-de-boto (Figura 51). O entrevistado possui uma máquina que foi adaptada para furar e dar brilho nassementes. Sua maior dificuldade foi aquisição de equipamentos, pois todos têm de seradaptados para a atividade.
  • 114. 122 A renda gerada pelas vendas do artesanato é basicamente familiar e informou quepara melhorar a capacidade de produção seria necessário maquinário para o beneficiamentodas sementes. FIGURA 51- Localização dos agentes mercantis do artesanato na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção: Agentes envolvidos na coleta das sementes através de catação manual nosolo, próximo das plantas. ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Rio Caeté) Indústria de transformação: São artesãos que transformam a matéria prima emcordões, pulseiras, brincos, entre outros. O beneficiamento das sementes é realizado com autilização de equipamentos que vão desde ferramentas manuais até materiais rústicosadaptados. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do artesanato.
  • 115. 123 A cadeia de comercialização do artesanato é linear, sendo composta pela indústria detransformação estadual, a qual compra 100% das sementes coletadas diretamente da produçãolocal e vende para o consumidor estadual (Figura 52). FIGURA 52- Estrutura (%) da quantidade amostral do artesanato comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do artesanato, em 2010. O preço médio de venda das sementes praticado pelo setor produtivo com a indústriade transformação estadual é em média R$ 0,03/unidade da semente (Figura 53), que por suavez vende em média a R$ 0,47/unidade da semente para os consumidores estaduais.
  • 116. 124 FIGURA 53- Preço médio do artesanato (R$/unidade da semente) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.18 UTENSÍLIOS a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização dos utensílios. Foram identificados onze agentes mercantis (Figura 54) que comercializam cincotipos de utensílios (abano, tipiti, peneira, paneiro de tala de guarumã e cesto de palha deburiti), e, ainda comercializam outros produtos tais como: leite de amapá, óleo de andiroba,carvão e breu-branco. Estes agentes estão divididos em um feirante, quatro artesões, doiscomerciantes e quatro varejistas. Os agentes trabalham no ramo na média de 1 a 38 anos. Possuem armazém comdimensões entre 9 a 16m², outros armazenam na própria casa e outro citou que a capacidadedo local é de 800 cestos. São desprovidos de qualquer maquinário ou equipamento. Referentea meios de transporte, os agentes utilizam bicicletas ou carro para locomoção. O pequenoespaço foi citado como um problema ao armazenamento. O trabalho é praticado durante todo o ano, em jornadas que vão de 7 as 21 horas outrabalham em horário comercial, no caso dos estabelecimentos comerciais. A mão-de-obrageralmente é familiar e apenas alguns estabelecimentos contratam mão-de-obra extra, sendo ovalor do pagamento entre R$ 70,00 a R$ 200,00 por semana para um ajudante.
  • 117. 125 Os agentes citaram a existência de agentes similares, que estão localizados nomercado municipal. Quando perguntados sobre a questão da melhoria da capacidade deprodução, apenas um citou que falta padronização na feira livre. Para melhoria na capacidadede produção os agentes declararam que necessitam de maior clientela para compra daprodução, capital de giro para compra de mercadoria, transporte para coleta de matéria prima,padronização da feira e aumento na margem de lucros dos mesmos. FIGURA 54- Localização dos agentes mercantis dos utensílios na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção: Os artesãos/produtores utilizam fibras vegetais, a tala do guarumã e oscipós para tecerem objetos e utensílios; Varejo urbano: Englobam comerciantes e feirantes que adquirem os utensíliosdiretamente da produção e vendem para os consumidores locais; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Rio Caeté) Varejo urbano: São lojas de artesanato que realizam a venda dos utensílios comoobjetos utilitários e para decoração. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) dos utensílios.
  • 118. 126 A cadeia de comercialização destes utensílios é composta por poucos intermediários,com a maior parte da produção local passando pelo varejo urbano local (83,09%) e vendidoexclusivamente para os consumidores locais (Figura 55). Destaca-se a venda direta doprodutor para o consumidor local comercializando 8,79% da produção identificada. Existe também a comercialização de tais produtos para o mercado estadual, comoobjetos de decoração, que seguem para o varejo urbano estadual (comerciante de artigos dedecoração) que comercializam em torno de 8,12% da quantidade identificada que é compradaexclusivamente dos produtores e vendem diretamente para os consumidores estaduais. FIGURA 55- Estrutura (%) da quantidade amostral dos utensílios comercializados na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia dos utensílios, em 2010. A variação dos preços dos utensílios praticados pela produção local varia de R$1,00/unidade na venda direta para os consumidores locais, R$ 1,36/ unidade para o varejourbano local e R$ 10,00/ unidade para o varejista estadual (Figura 56), que neste caso, trata-se de utensílios para decoração. Enquanto que o preço de venda praticado pelo varejo urbanopara os consumidores locais atinge em média R$ 1,86/ unidade. Por outro lado, o preço médiopraticado pelo varejista estadual com os consumidores estaduais atinge R$ 12,50/ unidade.
  • 119. 127 FIGURA 56- Preço médio dos utensílios (R$/unidade de produto) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.19 TUCUMÃ a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do tucumã. Foram identificados dois agentes mercantis do produto tucumã (Figura 57), sendoum produtor que trabalha com outros produtos tais como buriti, cupuaçu, muruci e cajuaçu, eo outro que trabalha com inajá caroço e está no ramo há 30 anos. O primeiro agente possui umarmazém e como meio de transporte utiliza uma moto e uma bicicleta. O segundo informouapenas que trabalha o ano todo. Foram identificados maquinários e equipamentos, sendo duasmáquinas batedoras, três freezers com capacidade de 300 l cada e uma seladora. Ressaltouque tem problemas relacionados com a capacidade de armazenamento dos freezers, que nãosuportam toda a produção. O trabalho com o produto é diário ao longo de todo ano. Para melhoria na capacidadede produção os agentes declararam que necessitam de um bom canal para escoamento doproduto e obtenção do apoio da prefeitura.
  • 120. 128 FIGURA 57- Localização dos agentes mercantis do tucumã na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção: São os extrativistas dos municípios estudados que comercializam otucumã in natura; Varejo urbano: Incluem os feirantes que realizam a venda do tucumã in natura para oconsumidor local. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do tucumã. A cadeia de comercialização do tucumã é constituída por canais simples. O varejourbano local comercializa 91,4% da quantidade identificada do fruto, que é compradodiretamente dos produtores e vendido exclusivamente para os consumidores locais (Figura58). Ocorre também a venda direta da produção para o consumidor local que transacionamapenas 8,6% da produção identificada.
  • 121. 129 FIGURA 58- Estrutura (%) da quantidade amostral do tucumã comercializado na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia do tucumã, em 2010. O preço médio de venda do quilo do fruto in natura praticado pelos produtores como varejo urbano local e com o consumidor local é de R$ 0,33/kg (Figura 59). O preço médioadotado pela venda do varejo urbano local para o consumidor local é de R$ 0,80/kg do fruto.
  • 122. 130 FIGURA 59- Preço médio do tucumã (R$/Kg do fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.20 BORRACHA a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da borracha. Foram identificados dois agentes mercantis do produto borracha (Figura 60), sendoum produtor e um atacadista e, um destes comercializa o mel e afirma estar no ramo de látexhá 15 anos. Ambos possuem armazém com dimensões de 100m2, e um deles utiliza comomeio de transporte um carro utilitário. Em relação aos equipamentos possuem um kit apicultore carrinho de mão. O trabalho é realizado durante todo ano. A mão-de-obra é basicamente familiar assimcomo a renda. Alguns pontos para melhoria da produção foram levantados pelos agentes tais comoo incentivo de projetos para extração da borracha, bem como capacitação para tal atividade emaior oferta do produto.
  • 123. 131 FIGURA 60- Localização dos agentes mercantis da borracha na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção: Composta por produtores locais que fazem a extração do látex dasseringueiras; Varejo rural: Incluem pequenos comerciantes do interior do município que comprama borracha dos produtores, denominados atravessadores; ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Rio Caeté) Atacado: São comerciantes (atacadistas ou representantes de empresas) que comprama borracha em grandes quantidades do varejo rural (e/ou do produtor) e vendem paraindústrias de transformação nacionais; NACIONAL (fora do Estado do Pará) Indústria de transformação: Englobam grandes empresas multinacionais que sededicam na produção de pneus e outros produtos utilizando a borracha como matéria-primaprincipal. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da borracha.
  • 124. 132 A cadeia de comercialização da borracha consiste em canais simples (Figura 61). Osatacadistas estaduais compram 97,6% diretamente da produção identificada, e 2,4% apenas dovarejo rural e revendem 100% diretamente para o setor da indústria de transformação noâmbito nacional. FIGURA 61- Estrutura (%) da quantidade amostral da borracha comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia da borracha, em 2010. Os preços médios de compra de insumo (borracha - látex) praticados pelosatacadistas estaduais com os produtores locais e com os atravessadores (varejistas rurais) sãoR$ 1,76/kg e R$ 1,30/kg da borracha respectivamente (Figura 62). Em relação aos preços devenda dos atacadistas estaduais e da indústria de transformação nacional são valoresestimados, pois a pesquisa não entrevistou tais setores.
  • 125. 133 FIGURA 62- Preço médio da borracha (R$/Kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.21 MALVA a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da malva. Foi identificado um agente mercantil (Figura 63), sendo este atravessador eagricultor, ressaltando que arrenda sua área, esporadicamente para outros agricultores. Oagente comercializa somente a malva, atuando neste ramo há 52 anos. Possui um armazém de40m² e 3 caminhões. O trabalho é realizado por quatro pessoas, sendo que dois sãofuncionários, porém o valor pago não foi informado. A malva é comercializada somente nasafra. Para melhoria na capacidade de produção o agente declara que necessita deinvestimentos na produção por parte do governo ou de empresas privadas. O agente relatou asdificuldades que enfrenta em relação à falta de assistência técnica e mostrou sua insatisfaçãocom o comércio deste produto.
  • 126. 134 FIGURA 63- Localização dos agentes mercantis da malva na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Produção: Produção agrícola baseada na extração de fibras vegetais. Esses agentesrealizam a extração da fibra através do processo de maceração em água corrente ou parada; Varejo rural: Englobam grandes comerciantes do interior do município que comprama fibra da malva dos produtores, denominados atravessadores e vendem para a indústria detransformação estadual (fábrica têxtil); ESTADUAL (Municípios paraenses que estão fora da RI Rio Caeté) Indústria de transformação: Trata-se de uma companhia têxtil localizada nomunicípio de Castanhal (RI Guamá). A empresa produz sacos de fibras têxteis de malva e jutapara embalagem (café, batata, cacau, castanha, amendoim, entre outros), telas naturais emistas para diversas finalidades e aplicações, fios e outros materiais. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da malva. O canal de comercialização da malva é simples e indireto, pois abrange dois setoresintermediários que participam da cadeia de comercialização da fibra. O varejo rural
  • 127. 135comercializa 100% da quantidade identificada da malva, que é comprada diretamente dosprodutores locais e vendida, exclusivamente, para a indústria de transformação estadual(Figura 64). FIGURA 64- Estrutura (%) da quantidade amostral da malva comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos agentes mercantis da malva, em 2010. O preço médio de compra de insumo (fibra de malva) praticado pelo setor dosvarejistas rurais com os produtores foi de R$ 1,25/kg da fibra. O preço de venda praticadopelo setor do varejo rural para a indústria de transformação estadual foi de R$ 1,50/kg(Figura 65).
  • 128. 136 FIGURA 65- Preço médio da malva (R$/Kg da fibra) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.22 CASTANHA-DO-BRASIL a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da castanha-do-brasil. Foi identificado um agente mercantil do produto na região Rio Caeté (Figura 66),sendo que este trabalha com outros produtos como óleo de andiroba, artesanato, barbatimão,copaíba, leite de amapá, mel, unha-de-gato, verônica, semente de cumaru e ipê-roxo, mas nãoinformou o tempo que atua no ramo. A atividade é realizada em bancas improvisadas próximoao mercado Municipal. Referente a maquinários e equipamentos, o agente não possui.
  • 129. 137 FIGURA 66- Localização dos agentes mercantis da castanha-do-brasil da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. EXTRALOCAL (Municípios que não fazem parte da RI Rio Caeté) Produção extralocal: Incluem os extratores de São Domingos do Capim (RI Guamá)que efetuam a coleta e a quebra dos ouriços, liberando as sementes para seremcomercializadas; LOCAL (Municípios da RI Rio Caeté) Varejo rural: São os agentes (atravessadores) que comercializam a castanha na formade semente para outros varejistas locais; Varejo urbano: Comerciantes que vendem as sementes da castanha diretamente parao consumidor final local. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da castanha-do-brasil. O canal de comercialização da castanha-do-brasil é caracterizado pela produçãoextralocal que vende 100% do produto in natura para o varejo rural, que repassa para o varejourbano local a mesma quantidade, que revende para o consumidor final de forma fracionado(Figura 67).
  • 130. 138 FIGURA 67- Estrutura (%) da quantidade amostral da castanha-do-brasil comercializada na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores da cadeia da castanha-do- brasil, em 2010. O preço médio praticado pela produção extralocal com o varejo rural é de R$ 2,00/kgda semente, o varejo rural vende a R$ 2,70 para o varejo urbano, que comercializa ao preço deR$ 5,00/kg para o consumidor final (Figura 68).
  • 131. 139 FIGURA 68- Preço médio da castanha-do-brasil (R$/Kg da semente) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A atividade é realizada pelo agente sem ajuda de mão-de-obra externa. A renda éutilizada para subsistência da família. Foi informada a existência de outro agente quecomercializa o produto na região, porém não foi localizado. Para melhoria na capacidade deprodução declarou ser necessário capital de giro para compra do produto.
  • 132. 1404.3 ANÁLISES AGRUPADAS Ao analisar do ponto de vista do somatório das vendas realizadas pelos setoreseconômicos diretamente aos consumidores finais, ou seja, as vendas pela ótica da demandafinal dos produtos florestais não madeireiros produzidos e comercializados a partir da RI RioCaeté, alguns com origem de produção de regiões vizinhas (Tabela 2), identifica-se que dototal contabilizou mais de R$ 10 milhões, o sistema nacional foi responsável por 52% dademanda final, pois efetuou compras no valor de R$ 5,2 milhões, em seguida vem o mercadolocal cuja demanda foi equivalente a R$ 3,7 milhões (que corresponde a 37% da demandatotal) e, por fim, o mercado estadual com demanda em quase R$ 1,1 milhão, equivalente a11% do valor da demanda total.TABELA 2- Demanda Final (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireirosidentificados nos quinze municípios da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimado para 2008. Demanda Final (Valores R$) Porcentagem (%)Produto Florestal Não Nacional NacionalMadeireiro Local Estadual Total Local Estadual (Estimado) (Estimado)Carvão (saca) 363.611,27 - - 363.611,27 100 - -Muruci (l) 108.102,09 - - 108.102,09 100 - -Bacaba (kg) 62.343,06 - - 62.343,06 100 - -Pupunha (cacho) 14.766,00 - - 14.766,00 100 - -Plantas medicinais (kg) (1) 13.577,42 - - 13.577,42 100 - -Copaíba (l) 11.685,14 - - 11.685,14 100 - -Tucumã (kg) 2.580,77 - - 2.580,77 100 - -Leite de amapá (l) 1.409,59 - - 1.409,59 100 - -Castanha-do-brasil (kg) 1.005,13 - - 1.005,13 100 - -Bacuri (un.) 737.288,00 61.122,50 - 798.410,50 92 8 -Cupuaçu (un.) 35.661,72 655,10 2.974,44 39.291,26 91 2 8Taperebá (kg) 3.450,00 506,00 - 3.956,00 87 13 -Breu-branco (kg) 9.562,43 4.894,40 14.456,83 66 - 34Utensílios (un.) (2) 48.239,00 30.000,00 - 78.239,00 62 38 -Buriti (kg) 275.572,57 - 195.557,50 471.130,07 58 - 42Andiroba (kg) 21.442,81 - 17.644,31 39.087,12 55 - 45Subtotal 1.710.296,99 92.283,60 221.070,65 2.023.651,25 85 5 11Artesanato (un.) (3) - 12.150,35 - 12.150,35 - 100 -Mel (l) 198.817,12 244.936,91 - 443.754,03 45 55 -Subtotal 198.817,12 257.087,26 - 455.904,38 44 56 0Malva (kg) - - 263.732,60 263.732,60 - - 100Borracha(kg) - - 221.705,68 221.705,68 - - 100Murumuru (kg) - - 2.979,64 2.979,64 - - 100Açaí (kg) 1.791.796,40 748.040,87 4.501.812,53 7.041.649,80 25 11 64Subtotal 1.791.796,40 748.040,87 4.990.230,44 7.530.067,71 24 10 66Total Geral 3.700.910,52 1.097.411,73 5.211.301,10 10.009.623,34 37 11 521 Casca de barbatimão, de ipê-roxo, de sucuúba, de jatobá, de verônica e de unha-de-gato e semente de cumaru.2(1) Abano, tipiti, peneira, paneiro de tala de guarumã verônica ede palha de buriti. Casca de barbatimão, de ipê-roxo, de sucuúba, de jatobá, de e cesto de unha-de-gato e semente de cumaru.3(2) Caroço tipiti, peneira, paneiro de tala de guarumã epaxiuba. Abano, de açaí, olho de boto e semente de cesto de palha do buriti.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. (3) Sementes de açaí , olho-de-boto e paxiúba.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 133. 141 Ao fazer a classificação por percentagem relativa das demandas por produtos pelastrês escalas regionais, os mais demandados pelo mercado nacional foram: a malva, a borrachae o murumuru, com 100% das suas ofertas demandadas pelo mercado nacional; e o açaí comrepresentatividade de 64% do que foi ofertado; (Tabela 2). Já no que diz respeito ao mercadoestadual, o artesanato foi o produto que teve 100% das suas demandas efetuadas pela escalaestadual, enquanto que o mel obteve 55%, no mercado estadual e, o restante das comprasrealizadas na escala local, representada por 45% da oferta. Com relação ao mercado local dosquinze municípios que compõem a RI Rio Caeté, os produtos que tiveram suas demandassomente no nível local, ou seja, produtos que tiveram tanto a oferta quanto a demanda naprópria região foram: carvão, muruci, bacaba, pupunha, plantas medicinais, copaíba, tucumã,leite de amapá e castanha-do-brasil. Os demais (bacuri, cupuaçu, taperebá, breu-branco,utensílios, buriti e a andiroba) tiveram suas demandas efetuadas em consórcios com outrasescalas regionais, às vezes com o mercado estadual e/ou nacional, variando conforme aespecificidade e utilidade do produto (Tabela 2). Vale ressaltar que a demanda do açaí apesar de ter sido classificado apenas nosistema nacional, levando-se em consideração apenas a sua representatividade percentual,configurou-se como sendo o produto mais demandado nas três escalas regionais, em termosde valor, cujo total ultrapassou os R$ 7 milhões, o que corresponde a 70% da demanda totalde todos os produtos florestais não madeireiros a partir da RI Rio Caeté. Sendo quepraticamente R$ 1,8 milhão foi demandado na própria região, R$ 748 mil comprados pelomercado estadual e R$ 4,5 milhões comprados pelo mercado nacional, com expressivopercentual da demanda total nacional referente a 86% (Tabela 2). No que diz respeito ao mercado que adiciona mais valor aos produtos florestais nãomadeireiros, conforme Tabela 3, verificou-se que o mercado local adicionou um pouco maisde R$ 7,1 milhões, o que representou 72% do total adicionado ao longo de todas as cadeias decomercialização, tanto pelo fato de algumas cadeias de comercialização serem estritamentelocais, quanto em função do valor adicionado pelos agentes mercantis locais do açaí. Osistema estadual agregou um valor próximo de R$ 1,8 milhão (18% do VAB total) e, na esferanacional, foi adicionado em torno de R$ 1 milhão (10% do VAB total). Logo, as somas dosvalores adicionados pelos mercados contabilizaram um total de R$ 10 milhões.
  • 134. 142TABELA 3- Valor Adicionado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais nãomadeireiros identificados nos quinze municípios da Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, estimadopara 2008. Valor Adicionado Bruto (VAB) (Valores em R$) Porcentagem (%)Produto Florestal Não Madeireiro Nacional Nacional Local Estadual Total Local Estadual (Estimado) (Estimado)Carvão (saca) 363.611,27 - - 363.611,27 100 - -Muruci (l) 108.102,09 - - 108.102,09 100 - -Bacaba (kg) 62.343,06 - - 62.343,06 100 - -Pupunha (cacho) 14.766,00 - - 14.766,00 100 - -Breu-branco (kg) 14.456,83 - - 14.456,83 100 - - (1)Plantas Medicinais (kg) 13.577,42 - - 13.577,42 100 - -Taperebá (kg) 3.956,00 - - 3.956,00 100 - -Tucumã (kg) 2.580,77 - - 2.580,77 100 - -Leite de amapá (l) 1.409,59 - - 1.409,59 100 - -Castanha-do-brasil (kg) 1.005,13 - - 1.005,13 100 - -Bacuri (un.) 780.246,25 18.164,25 - 798.410,50 98 2 -Cupuaçu (un.) 38.501,55 215,08 574,63 39.291,26 98 1 1Mel (l) 418.899,68 24.854,35 - 443.754,03 94 6 -Buriti (kg) 432.058,82 39.071,25 - 471.130,07 92 8 -Utensílios (un.) (2) 72.239,00 6.000,00 - 78.239,00 92 8 -Copaíba (l) 10.804,14 880,99 - 11.685,14 92 8 -Andiroba (kg) 35.513,03 3.574,09 - 39.087,12 91 9 -Murumuru (kg) 2.379,90 599,74 - 2.979,64 80 20 -Malva (kg) 208.209,94 55.522,65 - 263.732,60 79 21 -Açaí (kg) 4.530.908,87 1.615.771,96 894.968,97 7.041.649,80 64 23 13Subtotal 7.115.569,37 1.764.654,36 895.543,60 9.775.767,32 73 18 9Artesanato (un.) (3) 448,94 11.701,41 - 12.150,35 4 96 -Subtotal 448,94 11.701,41 - 12.150,35 4 96 -Borracha (kg) 44.365,31 67.944,05 109.396,32 221.705,68 20 31 49Subtotal 44.365,31 67.944,05 109.396,32 221.705,68 20 31 49TOTAL GERAL 7.160.383,61 1.844.299,82 1.004.939,91 10.009.623,34 72 18 101 Casca de barbatimão, de ipê-roxo, de sucuúba, de jatobá, de verônica e de unha-de-gato e semente de cumaru.2 Abano, tipiti, peneira, paneiro de tala de guarumã e cesto de palha de buriti.3 Caroço de açaí, olho de boto e semente de paxiuba.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Esta análise, com base no valor agregado, é importante para se entender a economiaseja ela endógena para a maioria dos produtos identificados, seja exógena como é o caso doartesanato, que mais de 96% do seu valor adicionado ocorreu na esfera estadual. Ou aindanacional tal como aconteceu com a borracha que foi direto para fora do Estado do Pará a fimde ser processada por uma indústria de transformação no Estado da Bahia, que adicionou 49%do seu valor total agregado (Tabela 3). É importante frisar que, entre os produtos da Tabela 3, o açaí se constituiu comoproduto que mais adicionou valor, em termos monetários, nas três escalas regionais, sendoresponsável por 70% (em torno de R$ 7 milhões) do que fora adicionado em todacomercialização dos não madeireiros a partir da RI Rio Caeté. Isso demonstra a magnitude daimportância que o açaí desempenha na região, assim como também fora dela.
  • 135. 143 Quando se examina o valor agregado levando em consideração os produtosescalonados em categorias (Tabela 4). A categoria dos alimentícios foi quem mais agregouvalor com mais de R$ 8,5 milhões, que correspondeu a 85% do valor adicionado VAB total.Deste valor, 70% foram agregados no sistema local, 20% no estadual e 10% no mercadonacional. Entre os produtos classificados nesta categoria, destaca-se o açaí, pois o seu valoradicionado total representou mais de 82% do valor agregado dos alimentícios, o que, emtermos gerais, significa dizer que este recurso é o mais importante produto da fruticultura daRI Rio Caeté, o qual é comprovado quando se analisa a sua participação no valor agregadonos três mercados na sua categoria, já que foi responsável por 76% (em torno de R$ 4,5milhões), do que foi adicionado no mercado local, 97% do que foi adicionado no mercadoestadual (R$ 1,6 milhão) e, 99,9% (R$ 894 mil) do que foi adicionado no mercado nacional.TABELA 4- Valor Agregado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais nãomadeireiros identificados na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, organizados em categorias(Alimentícios, Artesanatos/Utensílios, Derivado Animal, Derivado da Madeira e Fármacos/Cosméticos),estimado para 2008. Valor Agregado Bruto (VAB) (Valores em R$) Porcentagem (%) Produto Florestal NãoCategorias Nacional Nacional Madeireiro Local Estadual Total Local Estadual (Estimado) (Estimado) Muruci (l) 108.102,09 - - 108.102,09 100 - - Bacaba (kg) 62.343,06 - - 62.343,06 100 - - Pupunha (cacho) 14.766,00 - - 14.766,00 100 - - Taperebá (kg) 3.956,00 - - 3.956,00 100 - - Tucumã (kg) 2.580,77 - - 2.580,77 100 - -Alimentícios (85,4%) Castanha-do-brasil (kg) 1.005,13 - - 1.005,13 100 - - Bacuri (un.) 780.246 18.164,25 - 798.410,50 98 2 - Cupuaçu (un.) 38.501,55 215,08 574,63 39.291,26 98 1 1 Buriti (kg) 432.058,82 39.071,25 - 471.130,07 92 8 - Açaí (kg) 4.530.908,87 1.615.771,96 894.968,97 7.041.649,80 64 23 13Total Alimentícia 5.974.468,55 1.673.222,54 895.543,60 8.543.234,69 70 20 10 (1) Utensílios (un.) 72.239,00 6.000,00 - 78.239,00 92 8 - Artesanato & Utensílios (3,5%) Malva (kg) 208.209,94 55.522,65 - 263.732,60 79 21 - Artesanato (un.)(2) 448,94 11.701,41 - 12.150,35 4 96 -Total Artesanato & Utensílios 280.897,88 73.224,06 - 354.121,94 79 21 -Derivado Animal (4,4%) Mel (l) 418.899,68 24.854,35 - 443.754,03 94 6 -Total Derivado Animal 418.899,68 24.854,35 - 443.754,03 94 6 - Carvão (saca) 363.611,27 - - 363.611,27 100 - -Derivados da Madeira (5,8%) Borracha (kg) 44.365,31 67.944,05 109.396,32 221.705,68 20 31 49Total Derivados da Madeira 407.976,58 67.944,05 109.396,32 585.316,95 70 12 19 Breu-branco (kg) 14.456,83 - - 14.456,83 100 - - Plantas medicinais (kg)(3) 13.577,42 - - 13.577,42 100 - - Fármacos & Cosméticos (0,8%) Leite de amapá (l) 1.409,59 - - 1.409,59 100 - - Copaíba (l) 10.804,14 880,99 - 11.685,14 92 8 - Andiroba (kg) 35.513,03 3.574,09 - 39.087,12 91 9 - Murumuru (kg) 2.379,90 599,74 - 2.979,64 80 20 -Total Fármacos & Cosméticos 78.140,92 5.054,81 - 83.195,73 94 6 -TOTAL GERAL 7.160.383,61 1.844.299,82 1.004.939,91 10.009.623,34 72 18 101 Abano, tipiti, peneira, paneiro de tala de guarumã e cesto de palha de buriti.2 Caroço de açaí, olho de boto e semente de paxiuba.3 Casca de barbatimão, de ipê-roxo, de sucuúba, de jatobá, de verônica e de unha-de-gato e semente de cumaru.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 136. 144 Para os produtos classificados como artesanato e utensílios a agregação de valorgirou em torno de R$ 354 mil (3,5% do VAB total), que ocorreram na esfera local e naestadual somente, configurando 79% e 21% respectivamente (Tabela 4). Nesta categoria amalva se destacou porque atuou com aproximadamente 75% na composição do valoragregado pela categoria, sendo mais preponderante a participação do mercado local naformação do valor adicionado ao produto. Já o mel, único produto de origem animalencontrado, agregou mais valor no mercado local, com 94% do total, contabilizado em R$443,7 mil, que equivale a 4,4% do VAB total. No que tange aos derivados da madeira, carvão e borracha, a agregação de valor foina ordem de R$ 585,3 mil (Tabela 4), sendo que o carvão adiciona valor somente a nível loca(na região do Rio Caeté), na ordem de R$ 363,6 mil, com uma representatividade de 62% doagregado pela categoria. Enquanto que a borracha além de ter tido uma representação de 38%(R$ 221,7 mil) no agregado pela categoria, adiciona valor nas três escalas regionais, sendoque este processo foi mais intenso no mercado nacional. E por fim a agregação de valor dosfármacos e cosméticos, que se processa sem a intermediação do mercado nacional, agregou94% no mercado local e 6% no estadual, de um total orçado, em torno de, R$ 83,2 mil. Entreos produtos desta categoria, a andiroba foi o que mais agregou valor tanto no mercado local(91%) quanto no estadual (9%), pois foi utilizada como insumo para a produção de váriosprodutos de cosméticos (hidratante, sabonete, creme para cabelo e óleos corporais), assimcomo para fins farmacêuticos, verificada de forma mais intensa a nível local (Tabela 4). Com relação ao valor da renda bruta total (RBT), a Tabela 5 esta organizada emcategorias a fim de se analisar a economia de tais produtos de forma mais coerente, uma vezque os produtos não se encontram em um mesmo patamar econômico e, sendo assim, ficadifícil realizar comparações quando alguns produtos estão em escalas de milhões de reais eoutros em centenas de reais. Deste modo, a estratégia adotada foi dividi-los em três categoriasem função da RBT, gerada e circulada na comercialização dos produtos, quais sejam: i) osque atingiram valores acima de R$ 600 mil do RBT; ii) para os intermediários com RBT entreR$ 100 mil e R$ 599 mil e; iii) os abaixo de R$ 100 mil.
  • 137. 145TABELA 5- Renda Bruta Total – RBT (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais nãomadeireiros identificados na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, organizadas em três categoriasrelativas às escalas de valor do RBT (acima de R$ 600mil, de R$ 100mil a R$ 600mil e abaixo de R$ 100mil),estimada para 2008. Renda Bruta Total (RBT) (Valores em R$) Porcentagem (%) Produto Florestal Não Categorias Nacional Nacional Relativa a Madeireiro Local Estadual Total Local Estadual (Estimado) (Estimado) RTB Açaí (kg) 8.197.099,68 4.011.484,40 4.501.812,53 16.710.396,61 49 24 27 79,81 RBT acima de Bacuri (un.) 1.212.557,13 61.674,50 - 1.274.231,63 95 5 - 6,09 R$ 600 mil Buriti (kg) 702.357,99 195.557,50 - 897.915,49 78 22 - 4,29 Mel (l) 548.524,66 256.528,50 - 805.053,15 68 32 - 3,85 Malva (kg) 381.718,23 263.732,60 - 645.450,83 59 41 - 3,08 Carvão (saca) 604.173,95 - - 604.173,95 100 - - 2,89Total Parcial 11.646.431,63 4.788.977,50 4.501.812,53 20.937.221,66 56 23 22 100,00 Borracha (kg) 45.150,99 112.309,36 221.705,68 379.166,02 12 30 58 49,62 R$ 100 mil RBT entre a R$ 600 Muruci (l) 140.323,86 - - 140.323,86 100 - - 18,36 mil (1) Utensílios (un.) 105.617,84 30.000,00 - 135.617,84 78 22 - 17,75 Bacaba (kg) 109.006,02 - - 109.006,02 100 - - 14,27Total Parcial 400.098,70 142.309,36 221.705,68 764.113,74 52 19 29 100,00 Andiroba (kg) 59.126,26 18.380,23 - 77.506,49 76 24 - 29,48 Cupuaçu (un.) 55.157,35 1.599,34 2.974,44 59.731,12 92 3 5 22,72 RTB abaixo de R$ 100 mil Breu-branco (kg) 22.694,72 - 4.894,40 27.589,12 82 - 18 10,49 Pupunha (cacho) 26.047,50 - - 26.047,50 100 - - 9,91 Copaíba (l) 17.644,07 2.569,56 - 20.213,63 87 13 - 7,69 Plantas medicinais (kg)(2) 17.971,37 - - 17.971,37 100 - - 6,83 Artesanato (un.)(3) 448,94 12.150,35 - 12.599,29 4 96 - 4,79 Murumuru (kg) 4.436,77 2.979,64 - 7.416,41 60 40 - 2,82 Taperebá (kg) 6.198,50 - - 6.198,50 100 - - 2,36 Tucumã (kg) 3.605,42 - - 3.605,42 100 - - 1,37 Leite de amapá (l) 2.114,38 - - 2.114,38 100 - - 0,80 Castanha-do-brasil (kg) 1.949,94 - - 1.949,94 100 - - 0,74 Total Parcial 217.395,22 37.679,12 7.868,84 262.943,18 83 14 3 100,00 TOTAL GERAL 12.263.925,56 4.968.965,97 4.731.387,05 21.964.278,58 56 23 22 100,001 Abano, tipiti, peneira, paneiro de tala de guarumã e cesto de palha de buriti.2 Casca de barbatimão, de ipê-roxo, de sucuúba, de jatobá, de verônica e de unha-de-gato e semente de cumaru.3 Caroço de açaí, olho de boto e semente de paxiuba.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Assim sendo, os produtos classificados na primeira categoria, com maiores rendasbrutas totais (RBT), em ordem decrescente de valor, foram: o açaí (com mais de R$ 16,7milhões), o bacuri (em torno de R$ 1,3 milhão), o buriti (R$ 898 mil), o mel (R$ 805 mil), amalva (R$ 645,4 mil) e, por fim, o carvão (com R$ 604 mil) (Tabela 5). Nesta categoria(acima de R$ 600 mil), o açaí foi o responsável por gerar algo, em torno de, 80% da RBTgerada e circulada a partir da região e contabilizados em R$ 20,9 milhões. Além disso, a suarenda bruta foi a única a ser gerada e circulada com a participação das três escalas regionais(local, estadual e nacional). O que reafirma que o açaí além de ser fonte de alimentação dapopulação local, de modo geral, se constitui como principal produto do agroextrativismogerador de emprego e renda para a RI Rio Caeté. Dentre os produtos da segunda categoria (de R$ 100 mil a R$ 599 mil), a borrachafoi o produto que obteve a maior RBT, em torno de R$ 379 mil, gerada e circulada nas trêsescalas regionais, porém com uma maior proporção para o mercado nacional (58%). Já omuruci e a bacaba tiveram suas RBTs geradas e circuladas no mercado local que somaram R$
  • 138. 146140,3 mil e R$ 109 mil, respectivamente. Com relação aos utensílios, sua RBT foi gerada ecirculada tanto no mercado local quanto no estadual, somado em R$ 135,6 mil, entretanto,com 78% gerado e circulado no nível local (Tabela 5). E por fim, dos produtos classificados na terceira categoria (RBT abaixo de R$ 100mil), apenas o cupuaçu e o breu-branco tiveram suas RBT (R$ 59,7 mil e R$ 27,6 mil,respectivamente) geradas com participação do mercado nacional (5% e 18%,respectivamente) (Tabela 5). Já os produtos identificados com importância tanto no mercadolocal como estadual (andiroba, copaíba, artesanato e o murumuru) somam R$ 117,7 mil, noentanto, o artesanato teve no mercado estadual 96% do valor de sua RBT gerados ecirculados. Já os que têm suas RBT, exclusivamente, gerada e circulada no mercado local(pupunha, plantas medicinais, taperebá, tucumã, leite de amapá e castanha-do-brasil)somaram R$ 57,9 mil, o que corresponde a mais de 22% do total da RBT da categoria. Desta maneira, conforme Tabela 6, ao se considerar a Contabilidade SocialAscendente Alfa, que tem no seu ponto de partida o setor da produção agroextrativista, deprodutos de espécies nativas, dos quinze municípios estudados (Setor α) e, que integram a RIRio Caeté, recebeu um montante de R$ 4,5 milhões (VBPα) oriundos das vendas de todos osprodutos florestais não madeireiros identificados (34 produtos no total), e, com as transaçõescomerciais realizadas pelos setores que vendem tais produtos até o consumidor final foramadicionados valores a estes num montante de R$ 10 milhões (VAB), que somado com o valorbruto da produção (VBP) pela ótica da demanda, isto é, com o valor total da compra deinsumos contabilizados em R$ 11,9 milhões, chega-se a um total de R$ 21,9 milhões,referente à renda bruta total (RBT) gerada e circulada na economia destes produtos, com seusefeitos para frente e para trás nas cadeias de comercialização. Ao longo das cadeias de comercialização dos 34 produtos florestais não madeireirosidentificados, alguns apresentaram uma margem bruta de comercialização (mark-up) bastanteexpressiva em relação aos apresentados por outros, pois, quanto mais ações debeneficiamento, transformações, e/ou majoração de preço o produto adquiriu ao longo dacadeia e, a partir do setor da produção, maior foi o seu valor de mark-up. Esta margem mostrao quanto, em termos percentuais, foi adicionado ao longo das cadeias dos produtos após asvendas realizadas pelo setor da produção e, por isso, o seu valor é calculado pela diferençaentre o VAB e o valor obtido pela da venda do setor da produção, do produto, ou seja, VBPα,dividido pelo VBPα. Assim, o artesanato foi o produto que obteve maior mark-up, calculadoem 2606%, pois, mais de 96% do seu valor adicionado foi constituído por ações de um agente
  • 139. 147da demanda intermediária, ou seja, após a venda do setor da produção. E, no outro extremo,temos o valor do mark-up estimado na comercialização do mel, de 22%, porquanto, poucas ounenhumas ações de beneficiamento este produto obteve após as vendas dos apicultores,outrora classificado como setor da coleta/produção (Tabela 6). Salienta-se também, que no valor recebido pelo setor alfa (R$ 4,5 milhões), mais deR$ 562,3 mil (12%) foram oriundos dos valores recebidos pelo setor da produção extralocal,isto é, por agentes agroextrativistas que estão localizados em municípios que integram outrasregiões de integração, como a RI Tocantins (com participação de 88% no valor recebido), RIGuamá (7%), RI Rio Capim (3%) e RI Baixo Amazonas (com 0,1%) ou até mesmo de fora doestado do Pará (como é o caso dos agroextrativistas de açaí do estado do Maranhão quereceberam dos agentes mercantis da RI Rio Caeté 1,1% do valor). Estes agentes, do setor alfaextralocal, forneceram de forma parcial e/ou integral, dependendo do período e do produto,aos agentes de comercialização da RI Rio Caeté, dez produtos florestais não madeireirosidentificados (Tabela 6), quais sejam: o açaí, o bacuri, o muruci, a pupunha, o cupuaçu, aandiroba, a copaíba, o mel, o taperebá e a castanha-do-brasil. Entre os municípios queintegram essas outras regiões que abasteceram a RI Rio Caeté de produtos florestais nãomadeireiros estão, Abaetetuba e Igarapé Miri, ambos da RI Tocantins, que ganharam destaquepela sua representatividade no valor da produção extralocal, 69% e 23% respectivamente. Noentanto, o município de Capitão Poço, da RI Rio Capim, teve uma grande representatividadena contabilidade extralocal, não pelo valor transacionado, mas pela quantidade de produtosque comercializaram com a região em estudo, pois foi quem forneceu a maioria dos produtosacima citados. Assim sendo, considerando a soma do valor da produção local e extralocal, entre osprodutos mais importantes para a geração de renda e emprego para o setor da produção, o açaífoi o grande responsável, pois arrecadou mais de R$ 2,9 milhões, o que corresponde a 65% dovalor da produção alfa total (VBPα), dos quais 84% (R$ 2,4 milhões) foram recebidos pelosagentes do setor alfa local (região do Rio Caeté) e o restante, mais de R$ 480 mil, correspondeao valor recebido pelos agentes do setor alfa extralocal, constituído pela RI Tocantins (92%),RI Rio Capim (7%) e 1% pelo agente mercantil agroextrativista do estado do Maranhão. Porconseguinte, os apicultores (setor da produção do mel) receberam em torno de R$ 363 milcom a sua oferta, sendo que R$ 6,3 mil foram pagos aos agentes extralocal das RI’s RioCapim (62%) e Guamá (38%). O setor da produção do buriti recebeu quase R$ 305 mil, o docarvão R$ 275 mil, e do bacuri um valor superior a R$ 210 mil, dos quais 10% foram pagos
  • 140. 148ao setor extralocal das regiões do Rio Capim (98%) e Guamá (2%). O setor da produção damalva recebeu R$ 173,5 mil. No caso, da castanha-do-brasil e da copaíba, cujos setores daprodução receberam R$ 402 e R$ 5,9 mil respectivamente, foram totalmente arrecadados porprodutores extralocais, pois para suprir a demanda da RI Rio Caeté, agentes mercantis(atravessadores de recursos florestais) desta região compram estes produtos de extratores deoutras regiões de integração. Já em relação ao valor bruto da produção (VBP) pela ótica da demanda, ou seja, dacompra de insumos dos setores mercantis intermediários identificados por recortesgeográficos (local, estadual e nacional), referidos na Tabela 6, estes insumos, dependendo daposição e função do agente mercantil, podem variar desde matéria prima ou subproduto atéproduto final. O fruto in natura do buriti, por exemplo, esta sendo utilizado tanto comomatéria prima na indústria de transformação para a fabricação de produtos como sabonetes,hidratantes e óleos, quanto sendo consumido como alimento, em forma de vinho(beneficiados pelos batedores de açaí e buriti), pelo último elo da cadeia, o consumidor final.
  • 141. 149TABELA 6- Indicadores econômicos dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Rio Caeté, estado do Pará, compostos pelo Valor Bruto da ProduçãoAlfa Local (VBPα), o Valor Bruto da Produção Alfa Extralocal (VBPα), a margem bruta de comercialização (mark-up), o Valor Bruto da Produção (VBP), o Valor Agregado Bruto (VAB) ea Renda Bruta Total (RBT), em R$, nas esferas local, estadual e nacional, estimados para 2008. Mark-up VBP (Compra de insumo) (3) Total VAB (4) RBT gerada e circulada (6) VBPα da Produção VBP da Produção αProduto Florestal Não (1) (2) (margem bruta de Nacional Nacional NacionalMadeireiro Local Extralocal Local Estadual Total Local Estadual Total (5) Estadual Total Comercialização) Local (Estimado) (Estimado) (Estimado)Açaí (kg) 2.447.142 479.730 141% 3.666.191 2.395.712 3.606.844 9.668.747 4.530.909 1.615.772 894.969 7.041.650 8.197.100 4.011.484 4.501.813 16.710.397Mel (l) 356.543 6.373 22% 129.625 231.674 - 361.299 418.900 24.854 - 443.754 548.525 256.528 - 805.053Buriti (kg) 304.857 - 55% 270.299 156.486 - 426.785 432.059 39.071 - 471.130 702.358 195.558 - 897.915Carvão (saca) 274.626 - 32% 240.563 - - 240.563 363.611 - - 363.611 604.174 - - 604.174Bacuri (un.) 189.802 20.904 279% 432.311 43.510 - 475.821 780.246 18.164 - 798.411 1.212.557 61.675 - 1.274.232Malva (kg) 173.508 - 52% 173.508 208.210 - 381.718 208.210 55.523 - 263.733 381.718 263.733 - 645.451Utensílios (un.) (7) 59.979 - 30% 33.379 24.000 - 57.379 72.239 6.000 - 78.239 105.618 30.000 - 135.618Bacaba (Kg) 46.663 - 34% 46.663 - - 46.663 62.343 - - 62.343 109.006 - - 109.006Borracha (kg) 44.184 - 402% 786 44.365 112.309 157.460 44.365 67.944 109.396 221.706 45.151 112.309 221.706 379.166Muruci (l) 14.429 13.447 288% 32.222 - - 32.222 108.102 - - 108.102 140.324 - - 140.324Andiroba (kg) 13.074 10.391 67% 23.613 14.806 - 38.419 35.513 3.574 - 39.087 59.126 18.380 - 77.506Breu-branco (kg) 8.238 - 75% 8.238 - 4.894 13.132 14.457 - - 14.457 22.695 - 4.894 27.589Cupuaçu (un.) 6.409 13.560 97% 16.656 1.384 2.400 20.440 38.502 215 575 39.291 55.157 1.599 2.974 59.731Plantas medicinais (kg)(8) 4.394 - 209% 4.394 - - 4.394 13.577 - - 13.577 17.971 - - 17.971Murumuru (kg) 2.057 - 45% 2.057 2.380 - 4.437 2.380 600 - 2.980 4.437 2.980 - 7.416Tucumã (kg) 1.121 - 130% 1.025 - - 1.025 2.581 - - 2.581 3.605 - - 3.605Pupunha (cacho) 1.035 10.247 31% 11.282 - - 11.282 14.766 - - 14.766 26.048 - - 26.048Taperebá (kg) 863 1.380 44% 2.243 - - 2.243 3.956 - - 3.956 6.199 - - 6.199Leite de amapá (l) 705 - 100% 705 - - 705 1.410 - - 1.410 2.114 - - 2.114Artesanato (un.)(9) 449 - 2606% - 449 - 449 449 11.701 - 12.150 449 12.150 - 12.599Castanha-do-brasil (kg) - 402 150% 945 - - 945 1.005 - - 1.005 1.950 - - 1.950Copaíba (l) - 5.959 96% 6.840 1.689 - 8.528 10.804 881 - 11.685 17.644 2.570 - 20.214TOTAL 3.950.077 562.392 5.103.542 3.124.666 3.726.447 11.954.655 7.160.384 1.844.300 1.004.940 10.009.623 12.263.926 4.968.966 4.731.387 21.964.2791 Valor Bruto da Produção total (R$) recebido pelo setor alfa local, agroextrativistas da RI Rio Caeté2 Valor Bruto da Produção total (R$) recebido pelo setor alfa extralocal, agroextrativistas provenientes de outras regiões de integração.3 Valor Bruto da Produção (VBP) referente ao total da compra de insumos nos setores mercantis.4 Equivale ao valor que foi adicionado (ou agregado) ao produto (VAB) ao longo da cadeia de comercialização.5 Equivale a geração e circulação de renda na RI Rio Caeté (RBT local).6 Valor da renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada em R$, equivale a soma do valor bruto da produção (VBP) referente à compra de insumos mais ao valor adicionado (VAB), ou sejaRBT = VBT +VAB.7 Abano, tipiti, peneira, paneiro de tala de guarumã e cesto de palha de buriti.8 Casca de barbatimão, de ipê-roxo, de sucuúba, de jatobá, de verônica e de unha-de-gato e semente de cumaru.9, Caroço de açaí, olho de boto e semente de paxiuba.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 142. 1505 CONSIDERAÇÕES FINAIS Por tudo isso, a região de integração Rio Caeté expressou que a economia geradapelos 34 produtos florestais não madeireiros estudados, foi expressiva, uma vez que a rendagerada, no ano de 2010, foi orçada em um valor, em torno, de R$ 22 milhões. Deste valor, osetor produtivo agroextrativista, considerado o setor alfa (Setor α) deste modelo decomercialização, recebeu um pouco a mais de R$ 4,5 milhões, o que corresponde próximo de21% da renda gerada total. É preciso destacar, no entanto, que deste valor que o setor alfarecebeu, mais de R$ 562 mil correspondeu ao valor que foram recebidos pelos agentes alfasextralocais, ou seja, agroextrativistas que não pertencem aos municípios da região em estudo,mas que forneceram parte dos produtos identificados no comércio da região. Frisa-se também,do valor de R$ 4,5 milhões, pago ao setor alfa (local e extralocal), os agroextrativistas quetem no açaí sua fonte de renda (e/ou uma delas), receberam R$ 2,9 milhões, o quecorrespondeu, aproximadamente, 65% do total pago ao setor. Já no que se refere à agregação de valor, realizadas no ano de 2010 e, estimado emaproximadamente R$ 10 milhões, o sistema local foi o que mais adicionou valor a quase todosos produtos identificados, pois representou 72% do total agregado. As exceções ficam porconta da borracha, cuja agregação de valor é realizada de forma mais intensa fora do estadodo Pará, mais especificamente no estado da Bahia e, o artesanato, que mais de 96% do seuvalor adicionado fora realizado no mercado estadual. Deste modo, se faz necessáriosinvestimentos nos setores que realizam o beneficiamento e/ou transformação desses produtos,a fim de que as agregações de valor sejam indutoras de geração de emprego e na melhoria darenda para as populações, tanto no âmbito local quanto no estadual, de forma a dinamizar aspotencialidades das economias locais. Assim como, se fazem necessários também, realizaçõesde políticas voltadas para o setor da produção, com o intuito de aumentar a produtividade equalidades desses produtos ofertados. No que tange a agregação de valor por produtos identificados, o açaí foi oresponsável por 63% (R$ 4,5 milhões) da agregação de valor no mercado local, 88% do valorestadual e 89% do nacional, tendo como agente indutor de tal processo as indústrias debeneficiamento, que na região são popularmente conhecidos como “batedores de açaí”, quecompram o produto in natura e os vendem em forma de “vinho” para os consumidores finaise, no âmbito estadual, além dos batedores atenderem o consumo estadual, teve as ações dasagroindústrias que transacionam o fruto em forma de polpa congelada e/ou pasteurizada parao mercado nacional.
  • 143. 151 Com relação à renda gerada e comercializada na região e a parte desta (valor) que foiretido pelo setor alfa, setor que dá origem a toda base produtiva de cada produto, ao açaí lheconfere como o principal produto comercializado (R$ 16,7 milhões), dos quais em torno de18% (R$ 2,9 milhões) ficou com o setor alfa. Em seguida vem o bacuri com uma renda de R$1,2 milhão com 17% (um pouco mais de R$ 210 mil) retido pelo setor alfa, o buriti com R$898 mil e 34% retido pelo setor alfa, o mel com uma renda em torno de R$ 805 mil ficandopara o setor alfa, ou seja, apicultores, em torno de 45% (R$ 363 mil), o carvão com uma rendabruta em torno de R$ 604 mil e 45% retidos pelo setor alfa. Por outro lado, o artesanatoobteve uma renda gerada e circulada orçada em R$ 12,5 mil, sendo que apenas 4% deste valorficaram de posse dos artesãos, que corresponde ao menor valor retido pelo setor da produção.
  • 144. 1526 REFERÊNCIASCABRAL, E. R. Desenvolvimento agrícola e mobilidade camponesa: um estudo da trajetóriasocial do campesinato em Capitão Poço. In: COSTA, F.A. (Org.). Agricultura familiar emtransformação no nordeste paraense: o caso de Capitão Poço. Belém: UFPA; NAEA, 2000.p. 95-130.CARVALHO, Antonio Claudio Almeida de. Economia dos produtos florestais não-madeireiros no Estado do Amapá: sustentabilidade e desenvolvimento endógeno. 2010. 152f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) - Núcleo de AltosEstudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém. 2010.CARVALHO, José Edmar Urano de; MULLER, Carlos Hans; NASCIMENTO, WalniceMaria Oliveira do. Métodos de propagação do bacurizeiro (Platonia insignis Mart.).Belém: Embrapa, 2002.12p. (Circular Técnica, 30)COSTA, Francisco de Assis. A dinâmica da economia de base agrária do "Pólo Marabá”(1995- 2000): uma aplicação da metodologia de contas sociais ascendentes. CadernosNAEA, Belém, n.5, p. 35-72, 2002.______. Contas Sociais Alfa: uma metodologia de cálculo ascendente para a configuraçãomacro-estrutural de economias locais. Interações, Campo Grande, v. 7, n.12, p. 37-68, 2006.______. Decodificando economias locais: estrutura e dinâmica do sudeste paraense, umaregião crítica da Amazônia. In: RIVERO, S.; JAYME JR., F. G. (Org.). As Amazônias doSéculo XXI. Belém: EDUFPA, 2008a. p. 175-230.______. Corporação e economia local: uma análise usando contas sociais alfa - do programade investimentos da CVRD no sudeste paraense (2004 a 2010). Nova Economia, BeloHorizonte, v. 18, n. 3, dez. 2008b. Disponível em: <http://www.scielo.br/>. Acesso em: 22fev. 2010.______; COSTA, José de Alencar. APLS Baseados em Cultura e Economia Local: o casode Parintins. RedeSist, 70 p. dez. 2008. (Nota Técnica).______. INHETVIN, Tomas. A agropecuária na economia de Várzea da Amazônia: osdesafios do desenvolvimento sustentável. Manaus: IBAMA, 2007. 200 p.DÜRR, Jochen. Manual metodologia de pesquisa empírica para construção de cadeiasprodutivas e contas sociais de base agrária. Belém: NAEA; UFPA, 2004. 17p.______; Cadenas productivas, cuentas sociales de base agraria y el desarrollo económicolocal: el caso de Sololá. Guatemala: Magna Terra, 2008.______; et al. Cadenas productivas, cuentas sociales de base agraria y el desarrolloeconómico territorial: el caso de el Quiché. Guatemala: Magna Terra, 2009.______; ZANDER, Markus; MAZARIEGOS, Sergio Armando Rosales. Cadenasproductivas, dinámicas agrarias y cuentas territoriales de base agropecuaria: el Sur dePetén. Guatemala: Magna Terra, 2010.
  • 145. 153______; COSTA, Francisco de Assis. Cadeias Produtivas de Base Agrária e DesenvolvimentoRegional: o caso da Região do Baixo Tocantins. Amazônia: Ciência & Desenvolvimento,Belém, v.3, n.6, p. 7-44, jan./jun. 2008.FERREIRA, Maria do Socorro Gonçalves. Bacurizeiro (Platonia insignis Mart.) emflorestas secundárias: possibilidades para o desenvolvimento sustentável no NordesteParaense. 2008. 246 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável) - Universidade deBrasília, Brasília, 2008.FIEDLER, Nilton César; SOARES, Thelma Shirlen; SILVA, Gilson Fernandes da. ProdutosFlorestais Não Madeireiros: importância e manejo sustentável da floresta. Revista CiênciasExatas e Naturais, Vitória, v.10, n.2, 263-278, jul./dez. 2008.GOMES, D.M.A. Cadeia de comercialização de produtos de floresta secundária dosmunicípios de Bragança, Capitão Poço e Garrafão do Norte - Pará. 2007. 84 f.Dissertação (Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável) – Núcleode Estudos Integrados sobre Agricultura Familiar, Universidade Federal do Pará, Belém.2007.HOMMA, Alfredo; CARVALHO, José Edmar Urano de; MENEZES, Antonio José EliasAmorim de. Bacuri: fruta amazônica em ascensão. Ciência Hoje, v.46, n.271, p. 40-45, jun.2010.INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Agropecuário. Riode Janeiro, 2006._____.Censo Demográfico. Rio de Janeiro, 2010.______.Pesquisa Agrícola Municipal. Rio de Janeiro, 2006 -2009.______.Pesquisa Extrativa Vegetal e Silvicultura. Rio de Janeiro, 2006-2009.______. Produção da Pecuária Municipal. Rio de Janeiro, 2006 - 2009.INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E AMBIENTAL DOESTADO DO PARÁ. Produto Interno Bruto do Estado do Pará. Belém: IDESP, 2007. 1CD.LEONTIEF, Wassily. A economia do insumo-produto. São Paulo: Abril Cultural, 1983.226p.LOZA, Jorge Estuardo Molina; DÜRR, Jochen; MAZARIEGOS, Sergio Armando Rosales.Cadenas productivas, cuentas sociales de base agraria y el desarrollo económico local: elcaso de la Cuenca del Polochic (Municipios Purulhá, Santa Catalina la Tinta y Panzós).Guatemala: Nueva Guatemala de La Asunción, 2009.MATTAR, F.N. Pesquisa de marketing. São Paulo: Atlas, 1997. 4. ed. 273p.MOÇAMBIQUE. Ministério da Agricultura. Manual para a elaboração e implementaçãodo plano de maneio da concessão florestal. Maputo, 2008. 75p.
  • 146. 154MONTEIRO, Raimunda. Biodiversidade da Amazônia e mercados locais. 2003. 285 f.Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) - Núcleo de AltosEstudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém, 2003.PARÁ. Secretaria de Estado de Integração Regional. Atlas de Integração Regional doEstado do Pará. Belém: SEIR, 2010. 347p.SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICROS E PEQUENAS EMPRESAS. ProjetoFruticultura do Açaí nas Regiões de Belém e Marajó: batedores artesanais de açaí sãoqualificados em boas práticas. Disponível em: <http://www.pa.sebrae.com.br/>. Acesso em:08 de jul. 2010.SILVA, M. S. Leite de amapá (Parahancornia fasciculata (Poir) Benoist): remédio e rendana floresta e na cidade. 2010. 100 f. Dissertação (Mestrado em Agroecossistemas) - Centro deCiências Agrárias, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2010.SILVA, Eliana Nobre da; SANTANA, Antônio Cordeiro de; SILVA, Ismael Matos da;OLIVEIRA, Cyntia Meireles. Aspectos socioeconômicos da produção extrativista de óleos deandiroba e de copaíba na floresta nacional do Tapajós, Estado do Pará. Revista de CiênciasAgrárias, Belém, v.1, n.53, p.12-23, jan./jun. 2010.
  • 147. 155APÊNDICES
  • 148. 156
  • 149. 157APÊNDICE A – Questionário aplicado junto aos agentes mercantisEntrevistador _________________ Nº ________ Nº entrevista: _______Estudo sobre a Comercialização de Produtos Florestais Não Madeireiros no Estado do Pará Entrevista com Agentes MercantisO objetivo da pesquisa é obter informações sobre as cadeias de comercialização dos principaisprodutos da região, com o intuito de estudar as potencialidades da economia regional. Todasas informações obtidas nessa pesquisa são de caráter sigiloso e anônimo e servirão parafinalidades científicas.Nome do entrevistador: ______________________________________Data: ___________Município:___________________________Localidade:_____________________________GPS Nº ___ : S _____ o _____´ _____” W _____ o _____´ _____” Obs.: ________________Nome do entrevistado / da empresa: ___________________________________________ __________________________________________________________________________Tipo de comerciante / cargo do entrevistado: ____________________________________ __________________________________________________________________________Categoria:a. Indústria/Empresa ( ) b. Intermediário ( ) c. Produtor ( )a. Empresa: Matriz ( ) Filial ( )Nome / local da matriz: _______________________________________________________Tempo de trabalho no ramo / no local: ___________________________________________b. Intermediário: Nascido em: ________________________________________________Profissão anterior: ___________________________________________________________Profissão paralela: ___________________________________________________________c. Produtor: Nascido em: _____________________________________________________Local / tamanho do lote: ______________________________________________________Descrever atividades extrativas (locais, técnicas usadas no manejo, equipamentos,negociações, acesso/controle, etc.)_______________________________________________Qual é a infra-estrutura que dispõe?Armazéns (número, capacidade): _______________________________________________Meios de transporte (tipo, número, capacidade): ___________________________________ __________________________________________________________________________
  • 150. 158Máquinas e Equipamentos (tipo, número, capacidade): ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Tem problemas com capacidade de armazenamento, com os equipamentos/ maquinário?Quais?______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Quantas pessoas trabalham no empreendimento (por categoria)?______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Como é o tempo de trabalho (ano inteiro, períodos, tempo integral / parcial etc.)? __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________Qual é o valor pago aos trabalhadores em média (por categoria, por mês, diária, porempreitada (descrever), etc.)?_______________________R$ _________/________________________________R$ _________/________________________________R$ _________/________________________________R$ _________/_________Existem outros que atuam no mesmo ramo (número, local, nome, endereço)?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Informações para contato (endereço e telefone do entrevistado):______________________________________________________________________________________________________________________________________________________O que é necessário para melhorar sua capacidade produtiva?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Observações Gerais (manejo, transporte, negociações, financiamento, assistência técnica,etc.): __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________
  • 151. 159 Categoria De quem ? / Para quem? Preço Formas Quando/ do Merca- Serviços C/V1 Quant. Unid. Período/ por Município/ de doria Nome Categoria prestados3 agente mês Unid. Estado Pagamento2entrevistado 1) (C) Comprado (V) Vendido 3) (F) Financiamento (T) Transporte (C) Classificação 2) (AV) A vista (NF) Na folha (B1) Beneficiamento nível 1 (A) Armazenagem (primário) (AP) A prazo (F) Fiado (T) Troco (E) Embalagem (B2) Beneficiamento nível 2 (extração) (B3) Beneficiamento nível 3 (processamento)
  • 152. 160APÊNDICE B- Famílias, espécies, usos e partes utilizadas dos produtos florestais nãomadeireiros identificados nas cadeias de comercialização na Região de Integração do BaixoAmazonas no período de 2009 a 2010. Família (nº de Espécies Nome popular Uso Parte utilizada espécies) Euterpe oleracea Mart. Açaí Alimentício e artesanal Fruto e semente Astrocaryum vulgare Mart. Tucumã Alimentício Fruto Mauritia flexuosa L. f. Buriti Alimentício Fruto e fibraArecaceae (7) Bactris gasipaes Kunth Pupunha Alimentício Fruto Socratea exorrhiza (Mart.) H. Wendl. Paxiúba Artesanal Semente Oenocarpus bacaba Mart. Bacaba Alimentício Fruto Astrocaryum murumuru Mart. Murumuru Cosmético Semente Parahancornia amapa (Huber) Ducke Amapá Fármacos e cosmético LeiteApocynaceae (3) Spondias mombin L. Taperebá Alimentício Fruto Himatanthus sucuuba Spruce ex Müll. Arg. Medicinal e cosmético Sucuúba Casca (1)Bignoniaceae Tabebuia impetiginosa (Mart. ex DC.) Standl. Ipê-roxo Medicinal e cosmético CascaBurseraceae (1) Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand Breu-branco Medicinal e cosmético Resina (1)Clusiaceae Platonia insignis Mart. Bacuri Alimentício Fruto (1)Euphorbiaceae Hevea brasiliensis (Willd.ex A. Juss.) Müll. Arg. Seringueira Utensílio Látex Hymenaea courbaril L. Jatobá Medicinal e cosmético Leite Copaifera sp . Copaíba Medicinal Óleo (5)Fabaceae Stryphnodendron obovatum Benth. Barbatimão Medicinal e cosmético Casca Veronica officinalis L. Verônica Medicinal Casca Coumarouna odorata Aubl. Cumaru Medicinal e cosmético Amêndoa (1)Lecythidaceae Bertholletia excelsa Bonpl. Castanha-do-brasil Alimentício Semente Luehea sp. Açoita-cavalo Medicinal Casca (3)Malvaceae Urena lobata L. Malva Artesanal Fibra Theobroma grandiflorum (Willd. Ex Spreng.)K.Schum. Cupuaçu Alimentício Fruto (1)Malpighiaceae Byrsonima crassifolia (L.) Kunth Muruci Alimentício FrutoMarantaceae (1) Ischnosiphon obliquus (Rudge) Körn. Guarumã Artesanal FibraMeliaceae (1) Carapa guianensis Aubl. Andiroba Medicinal e cosmético Fruto (1)Rubiaceae Uncaria tomentosa (Willd. Ex Roem. & Schult.) DC. Unha-de-gato Medicinal Casca (1)Papilionaceae Dioclea violacea Mart. ex Benth. Olho-de-boto Artesanal SementeFonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 153. 161APÊNDICE C- Imagem capturada nos municípios da Região de Integração Rio Caeté.Foto 13- Ponto de comercialização do açaí no Foto 14- Preparação do buraco para servir demunicípio de Bragança. caieira no chão.Foto 15- Caieira em processo de beneficiamento Foto 16- Refugo de serraria utilizada parada madeira em carvão. produção do carvão (nas caieiras).Foto 17- Comercialização do carvão em saca e a Foto 18- Polpas de frutas em embalagens pararetalho. comercialização.
  • 154. 162Foto 19– Plantio de priprioca em Capanema. Foto 20– Secagem de murumuru para comercialização.Foto 21– Sementes de murumuru embaladas para Foto 22– Artesanato de folha de buritizeiro.comercialização.Foto 23–Ouriço de castanha-do-brasil. Foto 24– Artesanato de cipó titica.
  • 155. 163Foto 13- Comercialização fracionada de mel em Foto 14- Fabricação de cera alveolada.embalagens de vidro.Foto 15- Equipamentos utilizados para Foto 16- Caixas de abelhas com produção debeneficiamento do mel. mel.Foto 17- Cera bruta utilizada para produção das Foto 18- Polpas de açaí em embalagens parafolhas de cera alveolada. comercialização.