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Relatorio marajo Document Transcript

  • 1. Cadeias de Comercialização de Produtos Florestais NãoMadeireiros na Região de Integração Marajó, Estado do Pará RELATÓRIO TÉCNICO 2011 BELÉM – PARÁ 2011
  • 2. Governo do Estado do Pará Simão Robison Oliveira Jatene Governador Helenilson Cunha Pontes Vice-Governador / Secretário Especial de Estado de Gestão - Seges Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará Maria Adelina Guglioti Braglia Presidente Diretoria de Pesquisa e Estudos Ambientais Jonas Bastos da Veiga DiretorDiretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural Cassiano Figueiredo Ribeiro Diretor Diretoria de Estatística, Tecnologia e Gestão da Informação Sérgio Castro Gomes Diretor Diretoria de Administração, Planejamento e Finanças Helaine Cordeiro Félix Diretora
  • 3. Cadeias de Comercialização de Produtos Florestais NãoMadeireiros na Região de Integração Marajó, Estado do Pará RELATÓRIO TÉCNICO 2011 BELÉM – PARÁ 2011
  • 4. ExpedienteDiretor de Pesquisa e Estudos AmbientaisJonas Bastos da VeigaCoordenadora do Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e InovaçãoMarli Maria de MattosElaboração Técnica: Coleta de dados:Marli Maria de Mattos– Coordenadora Adriana Pinheiro dos SantosEllen Claudine Cardoso Castro Ana Cristina Parente BritoDivino Herculys Peres da Silva Lima Divino Hercules Peres da Silva LimaJosé de Alencar Costa Gilzibene Marques da SilvaAna Cristina Parente Brito Isaac Luiz Magalhães LopesIsaac Luiz Magalhães Lopes José de Alencar CostaMaria Glaucia Pacheco Moreira Joyse Tatiane Souza dos SantosNanety Cristina Alves dos Santos Raquel Lopes de Araújo Rodrigo dos Santos LimaParceria:Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do ParáJosé Alberto da Silva Colares, Diretor GeralRevisão:Jonas Bastos da VeigaNormalização:Adriana Taís G. dos Santos e Anna Márcia Malcher Muniz _______________________________________________________________________ INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E AMBIENTAL DO PARÁ Cadeias de comercialização de produtos florestais não madeireiros na Região de Integração Marajó, Estado do Pará: relatório técnico 2011./ Belém: IDESP, 2011. 205p. 1.Cadeias de comercialização.2.Produtos florestais não madeireiros.3.Contas sociais alfa.4.Economia regional.I.Região de Integração.II.Pará (Estado).III.Titulo. CDD: 381.098115 ________________________________________________________________________
  • 5. APRESENTAÇÃO A extração dos produtos florestais não madeireiros (PFNM) no Brasil é de grandeimportância social, econômica e ambiental. Apresenta-se como uma forma de exploraçãosustentável, pois na maioria das vezes, não implica na remoção dos indivíduos das espécies.Há tempos, populações tradicionais, extrativistas, ribeirinhas e agricultores familiares utilizamprodutos não madeireiros (frutos, fibras, resinas, plantas medicinais, utensílios entre outros)para subsistência e renda. Apesar da relevância do tema, há poucas informações sobre omercado das espécies florestais não madeireiras, constituindo dessa forma um fator críticopara a gestão das florestas. O mercado internacional desses produtos é relativamente conhecido, todavia, omesmo não ocorre sobre a cadeia de produção e comercialização no mercado doméstico. Nãohá, nos sistemas de dados oficiais, uma lista completa de produtos florestais que sãocomercializados, principalmente no que diz respeito as espécies locais e regionais, comovárias espécies medicinais e frutíferas. No estado do Pará, bem como em todos os estados daAmazônia Legal, há uma carência de dados sobre o mercado de muitos produtos nãomadeireiros de valor local ou regional e sua relevância para as populações rurais e urbanasenvolvidas nas cadeias de produção. As estatísticas oficiais não detectam as espéciesextrativistas que possuem mercado local, bem como as recentes demandas por produtos paraatender as indústrias cosméticas no mercado nacional e internacional. Em razão da relevância do tema exposto, o Instituto de DesenvolvimentoEconômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp), em parceria com o Instituto deDesenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor), desenvolveu o estudo sobre as cadeiasde comercialização dos PFNM do Estado do Pará, como forma de contribuir com informaçõespara a formulação de políticas públicas. Assim foi firmado o Termo de Cooperação Técnica eFinanceira TCTF No.02/2010, tendo sua vigência iniciada em março de 2010, e tem comoobjetivo identificar e analisar as cadeias de comercialização dos PFNM em cinco Regiões deIntegração (RI) do estado do Pará (Rio Caeté, Baixo Amazonas, Guamá, Xingu e Marajó). Os resultados destas pesquisas podem contribuir para o entendimento da economiados PFNM no Estado do Pará, destacando as potencialidades econômicas e identificandoentraves (produção e comercialização) desses diversos produtos, evidenciando os PFNM nãodetectados nas estatísticas oficiais, contribuindo com a conservação e gestão florestal. O presente relatório contempla os resultados das análises das cadeias decomercialização dos PFNM da Região de Integração (RI) Marajó.
  • 6. RESUMO Na busca do desenvolvimento sustentável, o estado do Pará necessita de atividadeseconômicas produtivas que dinamizem e gerem renda as populações locais, que evitem odesmatamento, que agreguem valor aos produtos e que reduzam as desigualdades entreregiões. O método das Contas Sociais Ascendentes Alfa (CSα) aplicado neste estudo,utilizando o modelo Matriz Insumo-Produto, permitiu identificar o valor da produção de BaseAgroextrativista, de 55 produtos identificados, em 16 municípios da Região de Integração doMarajó e, acompanhar os fluxos ao longo das cadeias estudadas, passando pelos setores debeneficiamento, transformação, comércio e serviços até seu destino final. Constatou-se que osprodutos estudados (17 alimentícios; 14 artesanatos e utensílios; 19 medicinais, fármacos ecosméticos; 4 derivados da madeira e; 1 derivado animal) têm significativa importância nadinâmica da economia local, assim como para outras regiões do Pará, além dos mercadosnacionais e internacionais. O principal produto de destaque na RI foi o açaí (R$ 690 milhões),porém com 52% da renda bruta gerada e circulada na RI Marajó, diferente do palmito (R$ 460milhões) com 44% gerada e circulada fora do Pará. Outros produtos de destaque foram acastanha-do-brasil, a bacaba, o bacuri, o artesanato regional, os utensílios e o cupuaçu. Acontabilidade social ascendente na região tem origem em milhares de famílias envolvidas nosetor da produção extrativa local (e extralocal), que receberam pela venda de todos osprodutos o montante de R$ 127 milhões (VBPα), que gerou R$ 398 milhões (VBP) na compradestes produtos (predomínio in natura) e com a agregação de valor de mais de R$ 351milhões (VAB), chegando a uma renda bruta total (RBT) gerada e circulada em R$ 750milhões, com seus efeitos para frente e para trás nas cadeias de comercialização. O estudotambém demonstrou as fragilidades e potencialidades identificadas nas cadeias, envolvendo ainiciativa privada, os órgãos governamentais e a sociedade direta e indiretamente relacionadaas cadeias dos produtos do agroextrativismo.Palavras-chave: 1.Cadeias de comercialização, 2.Produtos florestais não madeireiros,3.Contas sociais alfa, 4.Economia regional.
  • 7. LISTA DE SIGLASANVISA Agência Nacional de Vigilância SanitáriaAPA Área de Proteção AmbientalATER Assistência Técnica e Extensão RuralCONAB Companhia Nacional de AbastecimentoCSα Contas Ascendentes AlfaEMATER Empresa de Assistência Técnica e Extensão RuralEMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuáriaGPS Sistema de Posicionamento GlobalIBGE Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaIDEFLOR Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do ParáIDESP Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do ParáITTO International Tropical Timber OrganizationLSPA Levantamento Sistemático da Produção AgrícolaMDA Ministério do Desenvolvimento Agrário Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior /MDCIC/SECEX Secretaria de Comércio exteriorMIP Matriz Insumo ProdutoNAEA/UFPA Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do ParáNPCTI Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação do IdespPAA Programa de Aquisição de AlimentosPAM Pesquisa Agrícola MunicipalPEVS Produção da Extração Vegetal e da SilviculturaPFNM Produtos Florestais Não MadeireirosPIB Produto Interno BrutoPPM Produção da Pecuária Municipal αPRB Produto Regional Bruto de Base AgroextrativistaRBT Renda Bruta TotalRI Região de IntegraçãoSBRT Serviço Brasileiro de Respostas TécnicasSEIR Secretaria de Estado de Integração RegionalSEMA Secretaria Estadual de Meio AmbienteSTR Sindicato dos Trabalhadores RuraisTCTF Termo de Cooperação Técnica e FinanceiraUC Unidade de ConservaçãoUFPA Universidade Federal do ParáVAB Valor Agregado Bruto ou Valor Adicionado Bruto αVAB Valor Agregado Bruto de Base AgroextrativistaVBP Valor Bruto da Produção αVBP Valor Bruto da Produção de Base AgroextrativistaVTE Valor Transacionado Efetivo
  • 8. LISTA DE FIGURASFIGURA 1- Municípios pertencentes a Região de Integração Marajó, estado do Pará. ........ 378FIGURA 2- Localização da Região de Integração Marajó, estado do Pará. ............................ 42FIGURA 3- Localização dos agentes mercantis do açaí na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................................................... 44FIGURA 4- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 47FIGURA 5- Preço médio do açaí (R$/kg de fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..................................................................................................................... 50FIGURA 6- Localização dos agentes mercantis do palmito na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................ 57FIGURA 7- Estrutura (%) da quantidade amostral do palmito comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 61FIGURA 8- Preço médio do palmito (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ....... 62FIGURA 9- Localização dos agentes mercantis da bacaba na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................ 68FIGURA 10- Estrutura (%) da quantidade amostral da bacaba comercializada na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 71FIGURA 11- Preço médio da bacaba (R$/kg de fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ................................................................................................................ 72FIGURA 12- Localização dos agentes mercantis do artesanato regional na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ..................................................................................... 78FIGURA 13- Estrutura (%) da quantidade amostral do artesanato regional comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ....................................................... 81FIGURA 14- Preço médio do artesanato regional (R$/un.) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..................................................................................................................... 82FIGURA 15- Localização dos agentes mercantis do cupuaçu na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................ 86FIGURA 16- Estrutura (%) da quantidade amostral do cupuaçu comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 88FIGURA 17- Preço médio do cupuaçu (R$/un.) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ....... 90FIGURA 18- Localização dos agentes mercantis do bacuri na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................ 91FIGURA 19- Estrutura (%) da quantidade amostral do bacuri comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 93FIGURA 20- Preço médio do bacuri (R$ correntes/un.) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..................................................................................................................... 94
  • 9. FIGURA 21- Localização dos agentes mercantis do muruci na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................ 95FIGURA 22- Estrutura (%) da quantidade amostral do muruci comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 96FIGURA 23- Preço médio do muruci (R$/l) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. .................. 97FIGURA 24- Localização dos agentes mercantis do taperebá na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................ 98FIGURA 25- Estrutura (%) da quantidade amostral do taperebá comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................ 101FIGURA 26- Preço médio do taperebá (R$/kg) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..... 102FIGURA 27- Localização dos agentes mercantis do cacau amêndoa na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................ 108FIGURA 28- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do cacau amêndoa na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................. 110FIGURA 29- Localização dos agentes mercantis do carvão na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 111FIGURA 30- Estrutura (%) da quantidade amostral do carvão comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................ 113FIGURA 31- Preço médio do carvão (R$/saca) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..... 114FIGURA 32- Localização dos agentes mercantis dos utensílios na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................................................. 115FIGURA 33- Estrutura (%) da quantidade amostral dos utensílios comercializados na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................... 117FIGURA 34- Preço médio dos utensílios (R$/un.) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..... 118FIGURA 35- Localização dos agentes mercantis da castanha-do-brasil na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................... 11920FIGURA 36- Estrutura (%) da quantidade amostral da castanha-do-brasil comercializada na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ..................................................... 121FIGURA 37- Preço médio da castanha-do-brasil (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ............................................................................................................... 12223FIGURA 38- Localização dos agentes mercantis da lenha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 129FIGURA 39- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/m³) da lenha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ..... 130FIGURA 40- Localização dos agentes mercantis do mel na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................................................. 131FIGURA 41- Estrutura (%) da quantidade amostral do mel comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................ 133
  • 10. FIGURA 42- Preço médio do mel (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ................ 134FIGURA 43- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$/kg) da borracha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............... 135FIGURA 44- Localização dos agentes mercantis do breu-branco na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................ 136FIGURA 45- Estrutura (%) da quantidade amostral do breu-branco comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................... 138FIGURA 46- Preço médio do breu-branco (R$/kg) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..... 139FIGURA 47- Localização dos agentes mercantis da andiroba na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 140FIGURA 48- Estrutura (%) da quantidade amostral da andiroba comercializada na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................ 142FIGURA 49- Preço médio da andiroba (R$/l) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ................ 143FIGURA 50- Localização dos agentes mercantis da copaíba na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 144FIGURA 51- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$/l) da copaíba na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .................... 146FIGURA 52- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do cipó-titica na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................................... 148FIGURA 53- Localização dos agentes mercantis das plantas medicinais na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................................... 149FIGURA 54- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) das plantas medicinais na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................... 1501FIGURA 55- Localização dos agentes mercantis da pupunha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 151FIGURA 56- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/cacho) da pupunha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................................... 153FIGURA 57- Localização dos agentes mercantis dos leites na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 154FIGURA 58- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) dos leites na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...... 155FIGURA 59- Localização dos agentes mercantis do piquiá na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 156FIGURA 60- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un. Fruto) do piquiá na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................. 158
  • 11. FIGURA 61- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do açaí (semente) na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................. 160FIGURA 62- Localização dos agentes mercantis do uxi na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................................................. 161FIGURA 63- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) do uxi (fruto) na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................................... 162FIGURA 64- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do urucum na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. . 164FIGURA 65- Localização dos agentes mercantis do mari na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 165FIGURA 66- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do mari na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...... 166FIGURA 67- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do tucumã na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ... 168FIGURA 68- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) do cacau (fruto) na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................. 169FIGURA 69- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un. Fruto) da cajarana na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................. 171FIGURA 70- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) do patauá (óleo) na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................................... 172
  • 12. LISTA DE TABELASTABELA 1- Produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Marajó, com quantidade e valor pago a produção local, de acordo com a amostragem realizada em campo, no ano de 2010. ............................................... 43TABELA 2- Demanda Final (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados na RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008 (Idesp). ................................................................................................................. 174TABELA 3- Valor Adicionado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados na RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008 (Idesp). ................................................................................. 176TABELA 4- Valor Agregado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados na RI Marajó, estado do Pará, organizados em categorias (Alimentícios, Artesanatos/Utensílios, Derivado Animal, Derivado da Madeira e Fármacos/Cosméticos), estimados para 2008 (Idesp). ................................................................................................................. 177TABELA 5- Renda Bruta Total (R$) na esfera local, estadual e nacional dos produtos florestais não madeireiros identificados na RI Marajó, estimados para 2008, organizados em três categorias relativas com escalas de valor do RBT (acima de R$ 600 mil, de R$ 100 mil a R$ 599 mil e abaixo de R$ 100 mil) (Idesp). ........ 179TABELA 6- Indicadores econômicos dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Marajó, estado do Pará, compostos pelo Valor Bruto da Produção Alfa Local (VBPα), o Valor Bruto da Produção Alfa extralocal, a margem de lucro (mark-up), o Valor Bruto da Produção (VBP), o Valor Agregado Bruto (VAB) e a Renda Bruta Total (RBT), em R$, nas esferas local, estadual e nacional, estimado para 2008 (Idesp). ................................................................. 184
  • 13. LISTA DE GRÁFICOS αGRÁFICO 1- VBP , em R$, pela ótica da oferta na comercialização do açaí da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ...................................... 51GRÁFICO 2- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do açaí da região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ........................................................ 54GRÁFICO 3- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do açaí, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ..................... 56GRÁFICO 4- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do palmito da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ...................................... 63GRÁFICO 5- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do palmito da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ...................................... 65GRÁFICO 6- Valor Da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do palmito, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ..................... 67GRÁFICO 7- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da bacaba da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ...................................... 73GRÁFICO 8- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização da bacaba da região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ...................................... 75GRÁFICO 9- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da bacaba, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Marajó, estado do pará, estimado para 2008. ..................... 77GRÁFICO 10- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do artesanato Regional da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. .............................................. 83GRÁFICO 11- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do artesanato regional da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ........................................................ 84GRÁFICO 12- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do artesanato regional, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................... 85GRÁFICO 13- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização das frutas (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá) da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................................................................................. 103GRÁFICO 14- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização das frutas (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá) da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................................................................................. 105GRÁFICO 15- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização das frutas (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá), considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. .................................................................................................................... 106
  • 14. GRÁFICO 16- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da castanha-do-brasil da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ................................................. 123GRÁFICO 17- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização da castanha-do-brasil da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ................................................. 125GRÁFICO 18- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da castanha-do- brasil, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ................................... 127
  • 15. LISTA DE QUADROSQUADRO 1- Descrição dos agentes mercantis na comercialização de açaí na RI Marajó, Estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 44QUADRO 2- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do palmito da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 58QUADRO 3- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da bacaba da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 68QUADRO 4- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do artesanato regional da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................... 78QUADRO 5- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cupuaçu da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 86QUADRO 6- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do bacuri da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 91QUADRO 7- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do muruci da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 95QUADRO 8- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do taperebá da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 98QUADRO 9- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau amêndoa da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 109QUADRO 10- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do carvão na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 111QUADRO 11- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos utensílios da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 116QUADRO 12- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da castanha-do-brasil da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................ 119QUADRO 13- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da lenha da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 129QUADRO 14- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do mel da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 132QUADRO 15- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da borracha da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 135QUADRO 16- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do breu-branco da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 137QUADRO 17- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da andiroba da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 141QUADRO 18- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da copaíba da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 144
  • 16. QUADRO 19- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cipó-titica da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 147QUADRO 20- Descrição dos agentes mercantis na comercialização das plantas medicinais da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................ 149QUADRO 21- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da pupunha da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 152QUADRO 22- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos leites (amapá, sucuúba e seiva de jatobá) da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........ 154QUADRO 23- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do piquiá da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 156QUADRO 24- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do açaí (semente) da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 159QUADRO 25- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do uxi da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 161QUADRO 26- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do urucum da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 163QUADRO 27- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do mari da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 165QUADRO 28- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do tucumã da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 167QUADRO 29- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau (fruto) da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 168QUADRO 30- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da cajarana da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 170QUADRO 31- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do patauá (óleo) da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 171
  • 17. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 252 OBJETIVOS .......................................................................................................................... 262.1 GERAL ............................................................................................................................... 262.2 ESPECÍFICOS ................................................................................................................... 263 METODOLOGIA .................................................................................................................. 274 RESULTADOS ..................................................................................................................... 364.1 REGIÃO DE INTEGRAÇÃO MARAJÓ .......................................................................... 364.1.1 CARACTERIZAÇÃO ..................................................................................................... 364.1.2 INFRAESTRUTURA DE COMERCIALIZAÇÃO........................................................ 394.2 ANÁLISE DAS CADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO .................................................. 414.2.1 AÇAÍ ............................................................................................................................... 434.2.2 PALMITO ....................................................................................................................... 574.2.3 BACABA ........................................................................................................................ 674.2.4 ARTESANATO REGIONAL ......................................................................................... 774.2.5 CUPUAÇU ...................................................................................................................... 844.2.6 BACURI .......................................................................................................................... 894.2.7 MURUCI ......................................................................................................................... 944.2.8 TAPEREBÁ .................................................................................................................... 974.2.9 FRUTAS (CUPUAÇU, BACURI, MURUCI E TAPEREBÁ) ..................................... 1014.2.10 CACAU AMÊNDOA .................................................................................................. 1084.2.11 CARVÃO .................................................................................................................... 1104.2.12 UTENSÍLIOS .............................................................................................................. 1144.2.13 CASTANHA-DO-BRASIL ......................................................................................... 1184.2.14 LENHA........................................................................................................................ 1284.2.15 MEL ............................................................................................................................. 1304.2.16 BORRACHA ............................................................................................................... 1344.2.17 BREU-BRANCO ........................................................................................................ 1364.2.18 ANDIROBA ................................................................................................................ 1394.2.19 COPAÍBA.................................................................................................................... 1434.2.20 CIPÓ-TITICA .............................................................................................................. 1464.2.21 PLANTAS MEDICINAIS ........................................................................................... 1484.2.22 PUPUNHA .................................................................................................................. 1514.2.23 LEITES (AMAPÁ, JATOBÁ E SUCUÚBA) ............................................................. 1534.2.24 PIQUIÁ........................................................................................................................ 1554.2.25 AÇAÍ (SEMENTE) ..................................................................................................... 158
  • 18. 4.2.26 UXI .............................................................................................................................. 1604.2.27 URUCUM.................................................................................................................... 1624.2.28 MARI ........................................................................................................................... 1644.2.29 TUCUMÃ .................................................................................................................... 1664.2.30 CACAU (FRUTO) ...................................................................................................... 1684.2.31 CAJARANA ................................................................................................................ 1694.2.32 PATAUÁ ÓLEO ......................................................................................................... 1714.3 ANÁLISES ECONÔMICAS AGRUPADAS .................................................................. 1735 CONCLUSÕES ................................................................................................................... 1856 RECOMENDAÇÕES.......................................................................................................... 1887 REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 193APÊNDICES .......................................................................................................................... 197
  • 19. 251 INTRODUÇÃO Segundo o Ministério da Agricultura de Moçambique (2008), os Produtos FlorestaisNão Madeireiros (PFNM) são aqueles derivados da floresta, exceto a madeira, cuja definiçãoengloba as fibras, frutos, raízes, cascas, folhas, taninos, cogumelos, exudados, mel, plantasmedicinais, lenha e carvão, entre outros. Silva et al. (2010) ressaltam que estes produtostambém podem ser obtidos de plantas semidomesticadas em plantios ou sistemasagroflorestais, assim como peixes ornamentais e produtos da fauna silvestre. Estes últimosautores ainda destacam que este é um conceito em construção. Nas últimas décadas, assiste-se em todo o mundo, o crescimento da preocupaçãorelacionada a fatores como aquecimento global e o desmatamento das florestas tropicais, queatraem o interesse de diversos atores sociais, que anseiam em equacionar tais impactos.Dentro deste contexto, a extração e comercialização dos PFNM no Brasil têm apresentadogrande importância social, econômica e ambiental, em virtude de atuar prioritariamente empequenas propriedades, preservar parte importante da biodiversidade das florestas nativas(FIEDLER et al., 2008) e gerar renda. Em relação ao comércio dos PFNM, nota-se que o mercado internacional dessesprodutos é relativamente conhecido, entretanto, o mesmo não ocorre sobre a cadeia deprodução e comercialização no mercado doméstico. No estado do Pará, assim como nosoutros estados inseridos na Amazônia Legal, é restrita a literatura e dados existentes sobre omercado “invisível” de muitas espécies de valor local ou regional e sua importância para aspopulações rurais e urbanas envolvidas ao longo da sua cadeia de produção (MONTEIRO,2003). Dessa forma, gestores estão desinformados sobre o fluxo desse comércio, quepermanece oculto (SILVA, 2010). Apesar da magnitude socioeconômica dos PFNM, verifica-se que há poucainformação sistematizada sobre quantidade, valor, processos de produção, industrialização ecomercialização desses produtos. Essa escassez de informações é um empecilho aconservação e ao desenvolvimento de estratégias mercadológicas para esses produtos, sendo,portanto, necessário produzi-las para o crescimento e desenvolvimento das atividadesenvolvendo estes produtos (FIEDLER et al., 2008). Esta pesquisa teve como objetivo principal identificar e analisar as cadeias decomercialização dos PFNM na Região de Integração (RI) Marajó, Estado do Pará,identificando os fatores críticos e potencialidades, como forma de subsidiar políticas públicas.
  • 20. 262 OBJETIVOS2.1 GERAL Identificar e analisar as cadeias de comercialização de produtos florestais nãomadeireiros da Região de Integração Marajó, Estado do Pará, identificando fatores críticos epotencialidades.2.2 ESPECÍFICOS Identificar e descrever as estruturas das cadeias de comercialização dos produtos florestais não madeireiros da Região de Integração Marajó, e Quantificar o Valor Bruto da Produção (VBP), explicitando a produção agroextrativista do setor alfa (VBPα), o Valor Agregado Bruto (VAB) juntamente com a margem bruta de comercialização (mark-up) e a Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização dos produtos identificados.
  • 21. 273 METODOLOGIA No intuito de descrever e analisar as cadeias de comercialização dos produtosflorestais não madeireiros (PFNM), a partir do conjunto dos 16 municípios pertencentes a RIdo Marajó, estado do Pará, desde os agentes que compraram do produtor até os que venderampara o consumidor, este estudo baseou-se na metodologia das Contas Ascendentes Alfa CSα(COSTA, 2002, 2006 e 2008a), que permite construir Contas Sociais de base agroextrativista,para uma região, utilizando o modelo Matriz Insumo-Produto de Leontief (1983). As “Contas Sociais Alfa” (CSα) referem-se a metodologia de cálculo ascendente dematrizes de insumo-produto de equilíbrio computável e, que se baseia nos parâmetros eindicadores de cada produto que compõem os setores originários e fundamentais, justifica-sepelo fato de permitir uma análise pontual ou com foco na real problemática local, haja vistaque as estatísticas de produção são obtidas mais irredutível possível de uma economia local.Ou seja, este método além de fazer uma “fotografia” da realidade macroeconômica e social deuma delimitação geográfica, fornece respostas a questões que envolvem os impactos geradospor ações e programas de desenvolvimento ali implementados. Conforme explica Costa (2008b), o método consiste em identificar a produção decada agente que pode ser agregado nos “setores alfa”, de certa delimitação geográfica eacompanhar os fluxos até sua destinação final. Nesse trajeto define parametricamente ascondições de passagem pelas diversas interseções entre os setores derivados (quantidadestransacionadas em cada ponto e o mark-up correspondente), tratados como “setores beta”, osquais são ajustados a três níveis diferentes: o local (βa), o estadual (βb) e o nacional (βc). Esta metodologia foi aplicada na região sudeste do Pará, caracterizada por tensõesentre grandes projetos pecuários e minerais, e a expansão camponesa, com assentamentos dareforma agrária. O trabalho desenvolvido por Costa (2008b), contempla a análise de insumo-produto com metodologia ascendente que explicita a diversidade estrutural dos setores debase primária e os impactos econômicos da programação de investimento da Companhia Valedo Rio Doce (CVRD) de 2004 até 2010. Os resultados do estudo indicam que a metodologiaascendente CSα permitiu fazer as diferenciações estruturais necessárias na geração de umamatriz de insumo-produto mais aderente a complexidade da economia local, evidenciando ainfluência expressiva na economia do setor mineral do Sudeste Paraense, com complexidadede tal ordem que sua expansão cria possibilidades de crescimento para os demais setores daeconomia local. Por outro lado, demonstrou vazamentos de vulto (em termos de renda,
  • 22. 28agregação de valor, entre outros) – tanto da economia local e no entorno mais próximo, para aeconomia do resto do Pará, quanto para o resto do Brasil. Em outro estudo Costa e Costa (2008) descreveram a economia da cultura do festivalde bois de Parintins, estado do Amazonas, utilizando a metodologia das CSα conjuntamenteorientada pelo conceito de Arranjos Produtivos Locais (APL). O estudo identificou limitaçõesde infraestrutura, apontou impactos para a economia do município com a produção erealização do evento, com isso o município recebeu tratamento diferenciado por parte dospoderes públicos, que se converteram em investimentos reais e o APL da cultura identificadorepresentou 10% da economia local e se apresentou como uma nova base de exportação, comum efeito multiplicar elevado. A aplicação da metodologia CSα por Dürr (2008) no Departamento1 de Sololá, naGuatemala, permitiu descrever as cadeias produtivas dos principais produtos da agriculturacamponesa, construiu a Contabilidade Social de base agrária do Departamento, ou seja,calculou o Produto Interno Bruto mostrando a contribuição de diferentes setores,especialmente no setor rural e da economia regional e, por último, identificou os impactossobre a agricultura e o desenvolvimento econômico das zonas rurais locais, estimado atravésdo uso de Matrizes de Insumo-Produto como ferramenta para o planejamento estratégico doDepartamento de Sololá. Devido as repercussões deste estudo, o autor replicou para odepartamento de El Quiché (DÜRR et al., 2009), para o território chamado de Bacia do rio"Polochic. "(LOZA et al., 2009) e para o departamento de Petén (DÜRR et al., 2010). O trabalho de Carvalho (2010) apresenta as contribuições que os produtos florestaisnão madeireiros têm na economia do Estado do Amapá, fazendo o uso do método de ContasSociais Alfa em razão da inexistência de informações sistematizadas ou agregadas em nívellocal. Contudo, consegue estabelecer as análises estruturais a partir das interrelaçõesexistentes entre os agentes mercantis que participam do arranjo produtivo dos PFNM,analisando os efeitos dos multiplicadores setoriais, os impactos do crescimento econômico naprodução, trabalho e renda setorial de toda a economia. Na mesma linha, Gomes (2007) identificou e caracterizou cadeias decomercialização de produtos existentes nas florestas secundárias nas categorias de frutíferas,derivados da madeira (lenha, carvão e estaca), mel e diversas plantas medicinais nosmunicípios de Bragança, Capitão Poço e Garrafão do Norte, Estado do Pará. A autora utilizouo método de Contas Sociais Alfa para captar as especificidades econômicas e sociais que ao1 Unidade federativa equivalente a estado.
  • 23. 29contrário dos cálculos das contas regionais do IBGE, que consideram as regiões homogêneasnas estimações conjunturais impossibilita captar as especificidades locais. O estudo detectou acirculação aproximada de quatro milhões de reais, para o ano de 2005, identificando aimportância da vegetação secundária como reserva de valor e como agente dinamizador darenda rural e dos setores econômicos associados como atacadistas, varejistas e agroindústrias. No caso deste estudo desenvolvido pelo Idesp em parceria com o Ideflor, ametodologia foi adequada para a contabilidade social ascendente que engloba além daprodução agroextrativista, as atividades na indústria e nos serviços que atuam diretamente nossetores com foco nos produtos florestais não madeireiros. Trata-se de um modelo de calculode renda e do produto social do agroextrativismo que permitiu mensurar variáveis como oValor Bruto da Produção de Base Agroextrativista (VBPα), o Valor Agregado Bruto de BaseAgroextrativista (VABα) e o Produto Regional Bruto de Base Agroextrativista (PRBα). Deacordo com Considera et al. (1997) o Produto Regional Bruto (PRB) seria o equivalenteregional ao Produto Interno Bruto (PIB) deste setor. O modelo também produziu as matrizes das interrelações intersetoriais que asfundamentam, por uma metodologia que maximiza a utilização dos dados do IBGE, tanto osdo Censo Agropecuário de 2006, quanto as séries históricas de 1990 a 2008 da ProduçãoAgrícola Municipal (PAM), da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e daProdução da Pecuária Municipal (PPM) e, correlacionando-os aos dados da pesquisa primáriaexecutada pelo Idesp, permitiu agregações as mais variadas, orientadas tanto por atributosgeográficos, quanto por atributos estruturais do setor. A metodologia adotada permite descrever trajetórias de agregação, tanto em funçãode um espaço geográfico limitado (município, região, território, etc.), quanto em decorrênciadas estruturas da produção: formas de produção, tipos de atividades, níveis tecnológicos,sistemas de produção, entre outros. A metodologia apresenta uma série de vantagens, taiscomo: rapidez na coleta de dados primários em campo, identificação dos maiores volumescomercializados junto aos agentes mercantis chaves, quantificação dos valores pagos ao setorda produção agroextrativista, principais gargalos evidenciados nas cadeias decomercialização, a economia antes invisível passa a ser explícita para diversos produtos eaponta indicativos para subsidiar políticas publicas. As etapas adotadas desde a identificação do agente mercantil, até as análises dascadeias de comercialização, consistiram em uma série de ações descritas a seguir. Articulação prévia, feita em Belém e/ou na chegada a cada um dos dezesseismunicípios visitados da Região de Integração Marajó, junto a informantes-chaves (como os
  • 24. 30técnicos dos escritórios da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado doPará - Emater/Pará, dos sindicatos de trabalhadores rurais, das secretarias municipais deagricultura, das cooperativas, das associações, das feiras, dos mercados locais, entre outros),no que se referiu a produção e/ou comercialização dos produtos florestais não madeireirosexistentes no município, para o período de doze meses e, fazer a identificação dos agentesmercantis envolvidos nestas atividades, para serem entrevistados. A coleta de dados ocorreu junto aos agentes mercantis com aplicação de questionário(Apêndice A). Nesta etapa, buscam-se os principais agentes (vendedores/compradores) decada produto, que geralmente representam importantes elos da cadeia, os quais em seguida,direcionam os elos para trás (comprou de quem) e para frente (vendeu para quem) na cadeia,compondo uma amostragem não probabilística autogerada (CABRAL, 2000), até chegar aprodução local de um lado, bem como ao último que vendeu o produto para o consumidorfinal, no outro extremo da cadeia (DÜRR; COSTA, 2008). Esta metodologia identificourelações existentes entre agentes mercantis, que atuam tanto na formalidade até os decompleta informalidade, e foi capaz de apontar o fluxo de comercialização para cada produtoidentificado. Neste tipo de amostragem o tamanho e a localização da população não sãoconhecidos a priori pelo pesquisador, então, esta é composta na medida em que o pesquisadoridentifica um agente mercantil, e solicita ao mesmo que indique os que também fazem parteda população em estudo, e assim, sucessivamente, a amostra é construída (MATTAR, 1997).Deste modo, para o levantamento dos dezesseis municípios foram aplicados trezentos e vintequestionários junto aos agentes mercantis envolvidos direta ou indiretamente com acomercialização dos PFNM. Durante a aplicação dos questionários, foi possível georreferenciar cadaestabelecimento, utilizando o sistema de posicionamento global (GPS), compondo uma dasbases de dados com as coordenadas geográficas. Além disso, foi possível compor uma base dedados qualitativos disponíveis na plataforma Windows, Microsoft Office 2007 no aplicativoAccess, e outra base de dados quantitativos no sistema NETZ2, com circuitos (referentes aosprodutos) e lançamentos (referentes as transações comerciais realizadas pelos agentes, porprodutos). A padronização dos dados coletados em cada entrevista foi necessária para que asunidades de quantidade (medida usada em kg, litro, saca entre outros) e de preço praticadofossem uniformizadas conforme cada produto. As informações inseridas no sistema NETZ2 Software desenvolvido por Francisco de Assis Costa – NAEA/UFPA.
  • 25. 31referem-se aos dados primários de preço e quantidade para cada produto, em cada relaçãomercantil de compra e venda, classificando por setor (produção, varejo, atacado, indústria econsumidor) e por recorte espacial (local, estadual e nacional). Depois deste processo, foram elaboradas as matrizes que descrevem a probabilidadeda distribuição das quantidades e de atribuição dos preços a partir das relações entre osagentes e, uma vez determinadas suas posições estruturais, entre os setores. As MatrizesInsumo-Produto (MIP) descrevem nas colunas as compras e nas linhas as vendas dos setoresda produção primária e intermediaria (indústria, atacado e varejo), entre si, e as vendas para ademanda final local, estadual ou nacional. No entanto, como forma de melhor visualizar cadamatriz, a equipe do Idesp envolvida no estudo desenvolveu um modelo de apresentar osmesmos dados, com os fluxos de compra e venda e os setores responsáveis por cada elo dacadeia. A inovação trata-se da disposição visual dos diversos agentes mercantis ou setoresrepresentados por pequenas caixas retangulares (produção local e extralocal, varejo, indústriade beneficiamento, de transformação, atacado, consumidor, etc.) e espacialmente distribuídosna economia local, estadual ou fora do estado (nacional e internacional), representados porretângulos maiores em três cores distintas. Foram adotadas setas em diferentes formatos paraa representação dos canais ou fluxos de comercialização, que iniciam na produção local eextralocal até os consumidores finais. Quanto aos fluxos da comercialização por produto estudado, estes foram organizadospara três dimensões geográficas: a) local, que corresponde aos dezesseis municípiospesquisados na RI Marajó; b) estadual, para os demais municípios do estado do Pará e; c)nacional, que foram comercializados para outros estados e/ou países. O estudo possibilitoucompreender os fluxos existentes nas relações entre agentes/setores e seu papel relativo aolongo da cadeia em função dos volumes transacionados. Ainda com base nas matrizes depreço e quantidade, a relação dessas gera os respectivos preços médios praticados ouimplícitos por produto e por setor (em Reais por unidade do produto), agregado ou não, aolongo da cadeia, da produção até o consumo final. A metodologia permite a atualização dos dados para os anos seguintes daContabilidade Social da Produção de Base Agroextrativista (CSα) obtida com os dados maisrecentes divulgados pelo IBGE, neste caso com o Censo Agropecuário de 2006. Para tanto,foram construídos indexadores de quantidade e preço baseados nas séries municipais da PAM,PEVS e PPM, no mesmo recorte regional, assim como as séries de preços dos produtos daagricultura do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA).
  • 26. 32 Existem duas especificidades na construção dos indexadores: aquela em que o produtoem questão é levantado sistematicamente e faz parte do acervo de estatísticas conjunturais,acima explicitado, e aquela em que o produto estudado não é levantado sistematicamente. Naprimeira situação os indexadores de quantidade (IQ) são os números índices do total dasquantidades do produto v, para o conjunto dos municípios que atendem a restrição s, tendo nocaso do agroextrativismo, 2006 como ano base. E para os indexadores de preço (IP) osnúmeros índices do preço médio do produto v, para os municípios que atendem a restriçãogeográfica s, tendo 2006 também como ano base (COSTA, 2002, 2006 e 2008). Os indexadores de quantidade e de preço são assim construídos: Onde: : atributo geográfico (local: municípios da RI Marajó; estadual: demais municípios do estado do Pará e nacional: outros estados e/ou países), : produto, : ano da pesquisa oficial (2006, 2007 e 2008), : quantidade do produto conforme seu atributo geográfico no ano da pesquisa oficial, : quantidade do produto conforme atributo geográfico no Censo Agropecuário de 2006, : preço médio (ou implícito) conforme seu atributo geográfico no ano da pesquisa, e : preço médio (ou implícito) conforme atributo geográfico no Censo de 2006. Em relação aos produtos não levantados sistematicamente, estes foram indexadospela evolução do conjunto da produção numa certa delimitação geográfica. A evolução doconjunto da produção é observada pelos números índices da evolução do produto real e dospreços implícitos para a restrição geográfica s. O produto real é a soma dos resultados damultiplicação das quantidades de cada produto no ano a, pelo preço em um ano escolhidopara fornecer o vetor de preços, neste caso, média dos anos de 2006, 2007 e 2008. Portanto,os indexadores dos PFNM que não estão presentes nas estatísticas oficiais foram elaboradosconforme agrupamentos, tendo como referências as categorias dos alimentícios, dosoleaginosos e gerais do IBGE.
  • 27. 33 Sendo assim, para doze produtos foram utilizados os indexadores para a categoria dealimentícios: bacaba, bacuri, cacau (fruto), cajarana, mari, muruci, piquiá, pupunha, taperebá,tucumã, urucum e uxi. Na categoria de indexador dos oleaginosos foram três produtos:andiroba, copaíba e patauá. E na categoria de indexador geral foram trinta e três produtos:jucá fava e cascas de andiroba, barbatimão, cajuaçu, cedro, copaíba, jatobá, muruci, ipê-roxo,sucuúba, unha-de-gato, pariri, uxi e verônica, leites de amapá, de jatobá e de sucuúba,urucum, breu-branco, açaí semente, artesanato regional, bolsa artesanal, chapéu de palha,artesanato de miriti, abano, matapi, vassoura de timbó, tipiti, cesto, pari, paneiro, peneira ecipó-titica. Enquanto que nove deles, como: açaí, cacau amêndoa, carvão, castanha-do-brasil,cupuaçu, lenha, mel, palmito e borracha, tiveram cada qual seu indexador utilizado com baseno seu respectivo produto, das estatísticas oficiais. Finalmente, foi estimada a CSα para o ano de 2008, por ser o início do estudo,multiplicando os indexadores obtidos com a matriz de estrutura, que descrevem aprobabilidade da distribuição das quantidades e, com a matriz de preços a partir das relaçõesentre os agentes. O resultado gera uma Matriz de Insumo Produto (MIP) para cada produtopesquisado, contendo o Valor Bruto da Produção de base agroextrativista (VBPα) sob a óticada oferta, o VBP sob a ótica da demanda (ou seja, compra de insumo), o Valor TransacionadoEfetivo (VTE) que equivale ao Valor Adicionado ou Agregado Bruto (VAB), a Renda BrutaTotal (RBT) e, a margem bruta de comercialização (mark-up), que é a relação entre adiferença do valor estimado do VAB com o VBPα (sob a ótica da oferta) pelo VBPα, para quesejam feitas as análises econômicas (estimadas para 2008) e os impactos que cada produtonão madeireiro exerceu na economia local, estadual e fora do estado. Frisa-se, no entanto, queno cálculo do VAB como na estimação do mark-up, não se levou em consideração os custosprodutivos e/ou de comercialização, pois não foram foco da pesquisa. Em algumas cadeias,também não foi possível descrever a proporção dos PFNM utilizados como insumo napreparação de certos produtos finais, como doces, cosméticos, medicinais, entre outros. A definição em estimar a CSα para o ano de 2008 foi adotada para este estudo(Marajó) e para as demais regiões estudadas (Tocantins, Guamá, Rio Caeté, Xingu e o BaixoAmazonas), permitindo assim comparações entre as economias de cada região. O métodopermite também fazer atualizações desta economia conforme novos cálculos dos indexadorespor produto, após divulgação de estatísticas oficiais. Para cada um dos 55 produtos não madeireiros identificados em campo (Tabela 1),39 deles constam no Apêndice B. Tais produtos foram classificados em dezessetealimentícios [açaí (fruto), bacaba, bacuri, cacau (amêndoa), cacau (fruto), cajarana, castanha-
  • 28. 34do-brasil, cupuaçu, mari, muruci, palmito (de açaí), piquiá, pupunha, taperebá, tucumã,urucum e uxi]; um derivado animal (mel de abelha com e sem ferrão); dezenove medicinais,fármacos e cosméticos [andiroba (casca e óleo), barbatimão, cajuaçu, cedro, copaíba (casca eóleo), ipê-roxo, jatobá (leite e casca), jucá, leite-de-amapá, pariri, patauá, sucuúba (leite ecasca), unha-de-gato, uxi (casca) e verônica]; quatro derivados da madeira (carvão, lenha,breu-branco e borracha) e quatorze artesanatos e utensílios [açaí semente; artesanato regional(paneiros, peças com sementes de açaí e cestarias); bolsas artesanais (buçu de onde se extrai afibra de tururi); artesanato de buriti ou miriti (quadros e araras); cipó-titica (em rolo); abano,tipiti e peneira (guarumã); paneiro (cipó-titica, guarumã e jacitara); cesto (inajá, jupati);matapi (jupati e timbó); chapéu (jupati); pari (jupati) e vassoura (timbó)]. Cada produto identificado foi analisado individualmente, por estruturas de fluxo dequantidade e preço médio praticado ao longo das cadeias de comercialização e, descritos ossetores mercantis das esferas local, estadual e nacional. Para outros produtos queapresentaram similitude como: uma pequena amostragem de dados, semelhança do fluxo decomercialização entre os agentes e, principalmente, utilidades similares, as análises foramagrupadas em: artesanato regional, utensílios, plantas medicinais e leites. Além disso, para nove produtos com maior destaque [açaí fruto, palmito, bacaba,artesanato regional, frutas (cupuaçu, bacuri, muruci e taperebá) e castanha-do-brasil] asanálises econômicas detalhadas estão apresentadas com VBP pela ótica da oferta, com VAB ea margem bruta de comercialização por setor, assim como a RBT gerada pela ótica dademanda. A classificação dos agentes nas cadeias de comercialização foram adaptadas aosseguintes conceitos, conforme Costa (2002) e Dürr (2004). Produção local: Produção primária agroextrativista do município ou da região; Produção Extralocal: Produção primária agroextrativista oriunda de outras regiões de integração que não fazem parte da região estudada. Varejo rural local: Pequenos comerciantes do interior dos municípios que compram dos produtores, comumente denominados atravessadores rurais; Indústria de beneficiamento local: Unidades de beneficiamento da produção, localizadas na região; Indústria de transformação local: Unidades de transformação da produção, localizadas na região;
  • 29. 35 Atacado local: Grandes compradores (atacadistas, representantes de empresas), localizados nos centros urbanos da região, que normalmente compram do varejo e/ou vendem para o varejo; Varejo urbano local: Pequenos comerciantes nas cidades (varejistas, feirantes, marreteiros, vendedores ambulantes); Indústria de beneficiamento estadual: Unidades de beneficiamento no Pará, localizadas além da RI Marajó; Indústria de transformação estadual: Unidades de transformação no Pará; Atacado estadual: Empresas compradoras da produção no Pará; Varejo urbano estadual: Comércios (supermercados, etc.) no Pará, que vendem para o consumidor estadual; Indústria de beneficiamento nacional: Unidades de beneficiamento no Brasil; Indústria de transformação nacional: Unidades de transformação no Brasil; Atacado nacional: Empresas compradoras do nível nacional; Varejo urbano nacional: Comércios nacionais que vendem para o consumidor nacional. As categorias de agentes mercantis estão descritas por produto não madeireiroidentificado, quer seja individual ou em grupo. As análises econômicas de todos os produtos identificados estão descritas emdetalhes no item 4.3.
  • 30. 364 RESULTADOS4.1 REGIÃO DE INTEGRAÇÃO MARAJÓ4.1.1 Caracterização A Região de Integração (RI) Marajó está consorciada a um total de 16 municípios(Figura 1), com uma população de aproximadamente 487.010 habitantes em 2010, o quecorresponde a 6,4% da população do Estado do Pará, sendo a sétima mais populosa(IBGE/IDESP, 2010). Há um predomínio da população rural sobre a urbana, com um índicede 57 em relação a população total da região, constituindo-se a região com maior participaçãoda população rural. Entretanto, apenas Soure, Salvaterra e Breves apresentaram a populaçãourbana superior a rural, com o primeiro atingindo o índice de 91, diferenciando-se de Chaves,Melgaço e Afuá em que 88%, 78% e 73%, respectivamente, de suas populações residem nomeio rural. A área territorial da RI corresponde a 8,35% em relação ao Estado e, com umadensidade demográfica de 4,68 hab/km². Apenas um (Santa Cruz do Arari), dos 16 municípiosé de pequeno porte, pois possui população menor que 20 mil habitantes (8.155). E treze(Afuá, Muaná, Gurupá, Curralinho, Ponta de Pedras, Melgaço, Anajás, Bagre, Soure, SãoSebastião da Boa Vista, Chaves, Cachoeira do Arari e Salvaterra) estão na faixa entre 20 mil a50 mil habitantes. Enquanto, Breves se aproxima da faixa dos 100 mil habitantes,contabilizando 92.860 habitantes, equivalente a 19% da população da região, Portelcontabilizou 52.172 habitantes.
  • 31. 37 FIGURA 1- Municípios pertencentes a Região de Integração Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Nesta região, está relacionada a presença de grandes empresas do ramo daexploração e processamento industrial da madeira voltado a exportação de produtos semi-elaborados, com baixo valor agregado, pouca articulação com a economia local e alto custosócio-ambiental, de acordo com Costa (1987) os chamados “enclaves de exportação”. Alémda presença de pequenas e médias agroindústrias processadoras do palmito, identificadas pelapesquisa em campo, em 2010, nos municípios de Afuá, Chaves, Bagre e Muaná. No entanto, aatividade agropecuária é essencialmente a base da economia regional, apesar do setor deserviços representar a maior parte do PIB. No que tange a exportação, a RI Marajó configura-se como exportadora de matériaprima pautada preponderantemente na madeira, o qual no ano de 2010 contabilizou US$ 17,1milhões, registrando um decréscimo de 23,3% em relação ao ano anterior (BRASIL, 2011),devido a crise global de 2009 que ocasionou uma redução substancial na demanda mundial,assim como e, principalmente, pelas ações dos órgãos de fiscalização ambientais, junto acomercialização ilegal da madeira. E, esta variação negativa só não é mais significativaporque os produtos não madeireiros identificados na RI Marajó, palmito e frutas, queconstituíram 2,5% (U$$ 429.218) no valor total da exportação realizada pela região em 2010,teve uma variação positiva de 29,2% em relação ao mesmo período em 2009, aumentando asua representatividade no total exportado em 2010, em torno de 1% a mais que a do anoanterior.
  • 32. 38 Com relação as estatísticas disponíveis das exportações realizadas em 2011, noperíodo entre janeiro a setembro, o valor exportado foi na ordem de US$ 8,0 milhões tendoregistrado um decréscimo de 46% em relação a igual período de 2010, ou seja, US$ 6,8milhões a menos entre os dois períodos analisados (BRASIL, 2011), seja em função davalorização cambial entre os períodos, seja pela atuação dos órgãos de fiscalização ambientalno que se refere a extração e comercialização tanto da madeira quanto do palmito. A que seconsiderar também, que na RI Marajó como um todo, os extrativistas afirmaram que estãogradativamente preferindo comercializar o açaí (aumento da demanda pelo fruto) em vez dofornecimento do palmito para as “fabriquetas”, pois segundo Homma (2005), quandoconcentraram as suas atividades na coleta e venda de frutos, a valorização teve efeitoeconômico e ecológico positivo sobre a conservação de açaizais. Entre os municípios que integram esta região, apenas Breves, Chaves e Portelconstam nas estatísticas oficiais de exportação, contudo, apenas Chave se configura comoexportador dos produtos não madeireiros em ambos os períodos acima analisados. Com relação ao Indicador de Desenvolvimento Humano, esta região apresentou umÍndice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de 0,63, em 2000, menor que oíndice apresentado pelo estado do Pará de 0,72, devido aos baixos índices apresentados nastrês dimensões que compõem o IDH, principalmente o IDH-M/Renda, de apenas 0,50, IDH-M/Educação de 0,68, em ambos os casos, os menores entre as doze Regiões de Integração(PARÁ, 2010). Entretanto, esta região foi a que apresentou o maior nível de igualdade dedistribuição de renda, ou seja, o menor coeficiente de Gini, em 2005, calculado em 0,34. Em 2008 o Produto Interno Bruto – PIB somou R$ 1.217 milhão, com uma variaçãode 9,4% em relação ao PIB contabilizado no ano anterior (R$ 1.113 milhão), porém semanteve na penúltima (11ª) colocação no ranking entre as regiões de integração e participoucom um percentual de 2,1% no PIB estadual. Já o PIB Per capita regional, na ordem de R$2.647,22, correspondente a 33% do PIB Per capita estadual, configurou-se como o últimocolocado entre as regiões, apesar da variação de 4,3%, que se deve ao crescimento dasatividades econômicas e da arrecadação de impostos. As participações dos setoreseconômicos, considerando somente o Valor Agregado, corresponderam a: 15,6%Agropecuário, 13,7% Indústria e 70,8% Serviços. Considerando o crescimento relativo ao anode 2007, o setor de serviços foi o que obteve a maior variação, correspondente a 20%, o deindústria 7,3% e o agropecuário com crescimento de 6,6%. O setor de serviços, por sua vez,além do crescimento, também se configurou como o de maior participação do PIB de todos os
  • 33. 39municípios que compõe a região, sendo que em Curralinho e Bagre, o setor de serviçoscorrespondeu a aproximadamente 80% (78% e 77%, respectivamente) dos seus valoresadicionados (PARÁ/IDESP, 2011). Entre os municípios que fazem parte da região de estudo, Santa Cruz do Arari secaracteriza como o de menor participação na economia da região, pois representaram 1,6%(R$ 19.927) do PIB, em termos nominais, caracterizado pela baixa concentração demográficae forte dependência em relação ao setor de serviços e administração pública. Emcontrapartida, Breves foi o município com maior participação no PIB regional, comaproximadamente 21% (R$ 251.684), pois o setor de indústria e serviços obteve um valor, emtorno de, duas vezes maior que os valores obtidos pelo segundo colocado Portel e, o valoragropecuário de R$ 15.460 só não foi maior que os valores obtidos nos municípios de Chaves(R$ 22.865) e Cachoeira do Arari (R$ 17.520). A RI Marajó apresenta uma área equivalente a 69.248 km² de floresta da classeombrófila densa. Com base nos dados do Macrozoneamento Ecológico-Econômico do Estadodo Pará (MZEE – PA) (PARÁ, 2010), a região possui uma área protegida deaproximadamente 50.229 km² distribuídas em: Unidades de Conservação (UCs) de UsoSustentável (com destaque para APA do Arquipélago do Marajó, com 42.521 km²) e Área deQuilombos. No que tange as Zonas de Consolidação e Expansão, estas somam em torno de39.515 km², o que corresponde a 44% da região (PARÁ, 2010).4.1.2 Infraestrutura de comercialização A comercialização dos PFNM na RI Marajó foi realizada tanto na forma maiscomplexa, através dos mercados municipais, dos varejistas (mini mercados, mercearias,quitandas, tabernas), atravessadores e atacadistas, quanto na forma direta, como os casos decomercialização realizada na propriedade rural, no sindicato, via associação ou cooperativa,nas feiras livres e/ou do produtor (geralmente as margens dos rios, mais especificamente nostrapiches), informalmente nas calçadas até acabar a mercadoria, nas “indústrias debeneficiamento e transformação” (que na sua maioria refere-se a própria residência doagroextrativista), gerando e fazendo circular a renda em nível local. É preciso ressaltar que osagroextrativistas, que residem em ilhas, se direcionam aos finais de semana para a sede domunicípio, com uma produção significativa, pois é onde se concentra o maior mercadoconsumidor do município. Na área urbana são utilizados os mais variados tipos de barcos erabetas, que servem tanto para o escoamento da produção como meio de transporte.
  • 34. 40 Na maioria dos municípios, foi verificada a existência de dois tipos de pontos paracomercialização, onde as transações dos PFNM aconteceram: no mercado municipal e, emalguns municípios, também na feira do produtor, com o funcionamento diário obedecendo aohorário comercial, com poucos boxes para a quantidade de comerciantes e sem divisão de alaspor categorias de produto (carnes, frutas, tijolos, lanches, roupas, barbearias, etc.). E na feiralivre, formada no cais do porto (identificado na região como trapiche) com funcionamentosomente no período matutino, sem qualquer padronização e condições de higiene,condicionando não somente o consumidor, aos mais variados tipos de doenças. Porém, frisa-se que a comercialização em áreas livres aconteceu pela demora na entrega da reforma dosmercados municipais, ou pela sua inexistência ou ainda pelo fato da feira se encontrar distantedo centro de abastecimento no município, isto é, o cais do porto. O estado de conservação dos pontos de comercialização, da maioria dos PFNMidentificados, encontravam-se deteriorados e sem qualquer padrão de higiene, o que dificultaas vendas dos produtos. Outros estabelecimentos, apesar de reformados e/ou recémconstruídos, no período da pesquisa, estavam sem funcionamento.
  • 35. 414.2 ANÁLISE DAS CADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO Nos dezesseis municípios da Região de Integração Marajó (Figura 2) foramidentificados cinquenta e cinco produtos florestais não madeireiros, durante a pesquisa decampo realizada em outubro e novembro de 2010, com quantidade comercializada no períodode doze meses e o valor pago a produção local (Tabela 1). A relação das espécies / produtosestudados estão descritos no Apêndice B. FIGURA 2- Localização da Região de Integração Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A comercialização de dezenas destes produtos acontece em diferentesestabelecimentos e feiras, explicitando a diversidade e a realidade regional, conforme imagensregistradas nos municípios visitados (Apêndice C).
  • 36. 42TABELA 1- Produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Marajó, com quantidadee valor pago a produção local, de acordo com a amostragem realizada em campo, no ano de 2010.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 37. 434.2.1 Açaí a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do açaí. Foram identificados cento e sessenta e oito agentes que comercializam o produto,sendo que noventa e sete trabalham exclusivamente com o açaí, e os demais comercializambacuri, bacaba, carvão, verônica, andiroba, palmito, peneira, paneiro, copaíba, matapi e breu-branco. Os agentes estão divididos em cento e trinta e três indústrias de beneficiamento(batedores e agroindústrias), vinte e dois produtores e vinte e três atravessadores. Algunsagentes trabalham há pouco tempo no ramo, tendo entre três a seis meses, outros em média 38anos (com variação de 1 a 40 anos). Esses agentes exercem atividades paralelas como mototaxi, motorista de máquina pesada, cozinheira, doméstica, vigilante, costureira, pedreiro,pescador, professor, auxiliar de enfermagem, comerciante, carpinteiro, agricultor, disco-jóquei de aparelhagem, vendedor de lanches, garçom, trabalhador em oficina e vendedor dechurrasco. Na Figura 3 estão espacializados os agentes mercantis entrevistados nos municípiosda região estudada. FIGURA 3- Localização dos agentes mercantis do açaí na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 1 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodo açaí, de acordo com seus respectivos setores e mercados.
  • 38. 44QUADRO 1- Descrição dos agentes mercantis na comercialização de açaí na RI Marajó, Estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção primária de açaizais do município de Limoeiro do Extralocal Produção Ajuru (RI Tocantins). Produção Produção primária de açaizais manejados e extrativos identificados em dezesseis municípios da RI Marajó; Varejo rural Pequenos comerciantes do interior dos municípios que compram o açaí in natura dos produtores locais e extralocais, denominados atravessadores. Indústria de Setor responsável pelo processamento do açaí in natura. beneficiamento Existem dois tipos de estrutura de empresa beneficiadora, a composta por comerciantes que possuem máquinas despolpadeiras, chamadas de “batedores de açaí” no qual Local vendem diretamente a polpa do açaí para os consumidores locais. A segunda categoria composta por uma agroindústria que beneficia o açaí em polpa pasteurizada e/ou congelada para atender o mercado nacional; Indústria de Sorveterias locais, que adquirem o produto in natura transformação diretamente da produção local. Atacado Cooperativa de produtores rurais, localizada na cidade de Curralinho, que vende o açaí como matéria-prima para agroindústria estadual. Indústria de Existem dois tipos de estrutura de empresa beneficiadora, a beneficiamento composta por “batedores de açaí”, que vendem diretamente a polpa para os consumidores estaduais e, a segunda, composta por duas agroindústrias que produzem polpa de açaí Estadual pasteurizada e/ou congelada destinada para o mercado nacional; Atacado Comerciantes que transacionam grandes quantidades de açaí in natura, que compram da produção local e de outros atravessadores (varejo rural); Indústria de Batedores de açaí encontrados fora do Pará, mais beneficiamento precisamente da cidade de Macapá (Estado do Amapá); Atacado Comerciantes que transacionam açaí in natura, que compram Nacional da produção local e de outros atravessadores (varejo rural); Varejo urbano Comércios varejistas situados fora do Estado, que vendem para o consumidor nacional.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os produtores de açaí e atravessadores que exercem a profissão de produtor possuemáreas que vão de 1,5 a 10.000 hectares, localizados em ilhas e beiras de rios, bem como nosmunicípios da RI Marajó. Muitos destes terrenos são arrendados para a produção/coleta dosfrutos e comercialização. No que se refere aos locais de armazenamento, os produtores não necessitam de localpara armazenar o açaí, pois sua comercialização é imediata ou, as vezes, é deixado no trapiche
  • 39. 45para ser arrecadado pelo atravessador, que utiliza embarcação, ou levado pelo produtor para oporto ou trapiche, para ser comprado pelo beneficiador e o atravessador. Os atravessadoresapresentam dois tipos de armazenamento para comercialização: embarcações com capacidadeentre 100 a 500 rasas, onde ficam guardados para serem levados para outros municípios ouEstados. E, o segundo, são depósitos próprios, que geralmente servem apenas para proteger oaçaí do sol e da chuva. As indústrias de beneficiamento possuem entre um a três armazéns emalvenaria, com lajotas recobrindo o chão e paredes, e dimensões que variam de 1,5 m² a 144m2, que são utilizados para armazenar e beneficiar o açaí, e outros utilizam espaços em suaspróprias residências. Nesta região o acesso é quase todo via fluvial, e os barcos consistem no meio principalpara escoamento de toda a produção, quer seja dos produtores quanto dos atravessadores, quetrazem o açaí de lugares longínquos. O setor da indústria de beneficiamento paga para os carroceiros (carro de mão demadeira) R$ 0,50/rasa ou R$ 5,00/frete. Bicicletas cargueiras, motocicletas e triciclos tambémsão utilizados como meio de transporte e para comercialização da polpa pelas ruas dascidades. O maquinário empregado para o beneficiamento dos frutos, com produção das polpas,consiste em despolpadeira de 5l e 18l, câmaras frigoríficas com capacidade de 50 toneladas,máquinas de sorvete, tanques de homogeneização, freezers com capacidade de 350l a 400l,pasteurizadores, geladeiras, isopores de 60l a 160l e purificadores de água, pois algunsmunicípios carecem de água potável. Alguns moradores criaram um purificador natural a basede seixo e areia grossa, colocadas dentro de caixas d’água, com a finalidade de limpar aferrugem da água. Outros equipamentos auxiliares foram citados como, liquidificadoresindustriais, seladoras, mesas em aço inoxidável e balanças. Os problemas relatados quanto ao armazenamento estão relacionados ao espaço físicopequeno para os equipamentos e a necessidade de mais contêineres para armazenar aprodução. Geralmente os batedores (indústria de beneficiamento) utilizam a mão de obrafamiliar, com apenas um membro, ou, as vezes, a família nuclear ou com auxilio de outrosparentes, que trabalham para obter renda no período da safra, ou durante o ano todo. Poucostrabalham na entressafra devido a escassez do produto e ao preço elevado. A produção deentressafra é oriunda de Limoeiro do Ajuru (RI Tocantins), no período de setembro a
  • 40. 46fevereiro. Com relação ao horário de funcionamento das indústrias de beneficiamento, foirelatado ser das 9h as 19h. Para as agroindústrias de maior porte, a mão de obra é compostapor trinta e três funcionários, que recebem salário mínimo e, com funcionamento em horáriocomercial, durante o ano todo. Já a indústria de transformação contrata dois funcionários quetrabalham em horário comercial, o ano todo, recebendo diárias de R$ 30,00. Os produtorestrabalham com a família no período de safra. Porém, quando estes não possuem meios detransporte, entregam a produção para um proprietário de embarcação, que faz a venda do açaíe devolve o pagamento tirando o frete do barco. Os produtores/atravessadores que possuemterrenos com plantio de açaí, trabalham na safra do produto e pagam para seus peconheiros3R$ 2,00/paneiro de 14 kg colhido, ou trabalham em sistema de meia, sendo R$ 10,00/dia naentressafra e R$ 7,00/dia na safra e mais R$ 1,00/rasa para o carregador que faz odesembarque no porto. Os outros atravessadores pagam R$ 30,00 para o ajudante do barco,por viagem realizada, três vezes na semana. Aspectos importantes citados para melhorar a produção, de acordo com osentrevistados: ter mercado consumidor para suprir toda a oferta do produto; necessidade decorrigir os problemas de oscilação da energia elétrica, que constantemente prejudicam aprodução de gelados e, a presença mais constante dos órgãos de assistência técnica. Outrosagentes citaram a necessidade de capital de giro para melhorar a infraestrutura dos pontos decomercialização, mais conhecimento sobre o mercado do produto e sobre o manejo dosaçaizais. Segundo os produtores não existem planos de manejo para aumentar aprodutividade, são poucas as cooperativas ou associações para ajustar o preço e escoar aprodução, falta de licença ambiental para manejar as áreas e de financiamento para plantio. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do açaí. A Figura 4 permite visualizar as proporções da quantidade produzida do açaí quetransitam entre os diferentes setores, constituindo assim, os canais de distribuição (ou canaisde comercialização) do fruto nos dezesseis municípios da RI Marajó. A cadeia decomercialização do açaí identificada pela pesquisa é complexa e constituída por vários níveisde intermediários. Do total da quantidade do fruto in natura comercializado, 94,2% foramoriundos da própria região e apenas 5,8% vieram RI Tocantins. O principal nível de canal de comercialização do açaí identificado, com as maioresquantidades comercializadas, refere-se a compra do varejo rural de 58% do total da produção3 Pessoas que sobem no açaizeiro para coletar os cachos de frutos maduros, utilizando nos pés uma tala confeccionada com fibras naturais ou artificiais, denominada peconha.
  • 41. 47local mais 4,9% da produção extralocal identificada, que venderam 36,9% para os batedoresde açaí local (indústria de beneficiamento local), 14,3% para o setor da indústria debeneficiamento estadual (quase 70% para batedores do fruto em Belém, Abaetetuba eAlmeirim e os 30% para as agroindústrias localizadas nos municípios de Castanhal eMarituba), 0,9% para os batedores de açaí nacional (neste caso refere-se a Macapá, que temfronteira com os municípios marajoaras de Chaves e Afuá) e 9% para os atacadistas estaduais(grandes atravessadores de Belém e Abaetetuba). Os batedores de açaí locais (indústria de beneficiamento) apresentam duaspeculiaridades em relação ao mercado consumidor: i) volume destinado para obeneficiamento em pequena escala (batedores de açaí) para atender o consumidor local com49,8% da produção identificada e; ii) destinado para a exportação de polpas (agroindústria)comercializando somente 5,4% da produção identificada (Figura 4). FIGURA 4- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O setor atacadista local, caracterizado pela cooperativa de produtores rurais, por suavez, comprou 6,6% do açaí in natura ofertado pelo setor da produção local (cooperados) erevenderam (o fruto in natura) para a indústria de beneficiamento estadual, especificamentepara a agroindústria localizada em Castanhal (RI Guamá). Destacaram-se também osatacadistas nacionais, caracterizados pelos grandes atravessadores de Macapá e Manauscomercializando 0,1% da produção local identificada.
  • 42. 48 c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do açaí, no ano de 2010. São nos trapiches dos municípios da RI Marajó que são formados os preços do açaí,quando nas primeiras horas do dia, começa-se a aglomerar as pequenas embarcações (rabetas,canoas) oriundas das ilhas com os frutos. O setor dos varejistas rurais (atravessadores)comprou da produção local e da produção extralocal em média a R$ 0,71/kg e vendeu emmédia a R$ 1,01/kg no próprio mercado local (para a indústria de beneficiamento local). Nomercado estadual os seus preços foram variáveis devido as vendas terem sido para setoresdiferentes com função diferenciadas na cadeia: R$ 0,74/kg para os atacadistas(atravessadores) e R$ 1,08/kg para os batedores e agroindústrias. O mesmo acontecendo nomercado nacional, no qual vende o fruto a R$ 1,12/kg para a indústria de beneficiamento e R$2,14/kg para os atacadistas (Figura 5). O setor da indústria de beneficiamento local comprou da produção extralocal a R$0,71/kg, do varejo rural a R$ 1,01/kg e da produção local a R$ 1,04/kg (Figura 5). Logo, émais vantajoso para o setor adquirir o produto da produção de oriunda de outra região deintegração. Após realizar o beneficiamento do fruto, este setor o vendeu com uma margem deR$0,55/kg a mais do que o preço de custo do insumo (revendeu para o consumidor local aopreço de R$ 1,59/kg, uma pequena parte para a indústria de transformação local (sorveterias elanchonetes) a R$ 1,32/kg e, para o varejo urbano nacional a R$ 1,37/kg). Com relação ao preço pago pelo consumidor final no âmbito local, dependo da suapreferência pelo produto chegou a R$ 25,75/kg, quando o adquiriu um produto final (sorvete)processado pela indústria de transformação (Figura 5). No mercado estadual, o consumidor final pagou em média R$ 2,02/kg (Figura 5),pelo produto beneficiado pelos tradicionais batedores do fruto. Já no mercado nacional, oconsumidor final pagou preços diferentes por se tratar de centros consumidores diferentes,pois enquanto os consumidores do sudeste do país, juntamente com os do estado doAmazonas e até mesmo o mercado exterior, pagaram em média R$ 2,86/kg junto as redes desupermercados. Os consumidores finais do estado do Amapá, mais precisamente domunicípio de Macapá, pagaram em média R$ 2,38/kg diretamente dos batedores.
  • 43. 49 FIGURA 5- Preço médio do açaí (R$/kg de fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do açaí. Os valores recebidos por todos agentes que realizaram as vendas (oferta) do açaí apartir da RI do Marajó, foi contabilizado em R$ 690,3 milhões, cujo mercado local recebeuR$ 359 milhões, que corresponde a 52% do VBP total. O mercado estadual contabilizou R$163,5 milhões (em torno de 24% do VBP total) e o mercado (inter) nacional R$ 167,9 milhões(mais de 24%) (Gráfico 1). Analisando o total ofertado pelo mercado local, o setor da produção contabilizoumais de R$ 122,3 milhões, oriundos das transações com setores nos três mercados. Enfatiza-se, no entanto, que na composição deste valor foi identificado que uma parte se refere ao valoradquiridos pelos agentes agroextrativistas localizados no município de Limoeiro do Ajurupertencente a RI Tocantins (que de acordo com o IBGE/PEVS 2009, tanto o município quantoa RI se configuram como os maiores produtores deste fruto), ofertaram este fruto na suaforma in natura, no período de entressafra, no comércio de alguns municípios da regiãoMarajó, a fim de suprir a demanda local. Sendo assim, o valor bruto da produção local (VBPα)é a soma do valor de vendas deste alimentício tanto dos agroextrativistas da RI Marajó, o qualrecebeu um pouco mais de R$ 116 milhões pela oferta do fruto in natura e em polpa, quantodos agroextrativistas extralocais que receberam em torno de R$ 6,3 milhões das vendas nomercado e/ou feiras dos municípios de Breves, Melgaço e Portel (Gráfico 1).
  • 44. 50 GRÁFICO 1- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do açaí da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Deste total adquirido pelo setor da produção (VBP local e extralocal), 85,2% (em tornoR$ 104,2 milhões) foram oriundos das transações no âmbito local, sendo 55,5% foram dasvendas ao setor de varejo rural, 23,5% foram vendidos diretamente as indústrias beneficiadoras(“batedores”), 5,8% foram do setor atacadista e, apenas 0,4% foram oriundos das vendasdiretamente aos consumidores, por se tratar de agroextrativistas que possuem maquinas de batero fruto. O restante do valor adquirido pelo setor da produção, 11,3% (R$ 13,8 milhões) foi dassuas transações do fruto in natura no âmbito estadual (11,1% com atacadista e 0,2% com osbatedores), de modo particular na feira do açaí em Belém e nas feiras de Abaetetuba. E, 3,6%foram das suas transações com agentes mercantis (batedores e atacadistas) no mercado nacional,representativo do estado do Amapá, mais especificamente a sua capital, no período de safra afim de suprir a demanda crescente deste estado por este fruto. É importante frisar, que os agroextrativistas locais por não estarem organizadosacabaram dependentes dos atravessadores, que por sua vez, aproveitam que estes seencontram dispersos e longínquos dos centros consumidores acabaram pagando um preçomuito aquém do que o preço pago pela agroindústria, por exemplo. Na cadeia decomercialização deste fruto, não foi verificada a venda ao Programa de Aquisição deAlimentos (PAA) do MDA, tendo como justificativa mais presente nos discursos destesagentes a falta de informação a respeito deste programa.
  • 45. 51 Com relação aos outros setores ofertantes, o varejo rural, composto poratravessadores que se caracterizaram como o mais importantes na comercialização com osagroextrativistas quanto com o setor de beneficiamento fora da região, pois foi o eloresponsável pela compra do fruto in natura junto as comunidades que a extraem, cujo valortotal de suas vendas foi equivalente a mais de R$ 95 milhões (Gráfico 1), dos quais R$ 78,2milhões foram oriundo das transações com o setor de beneficiamento local (60%), estadual(17% ) e Nacional(2% ). A indústria de transformação (sorveteria) arrecadou R$ 107,6 milcom as vendas aos consumidores locais. O setor atacadista, correspondente a umacooperativa, adquiriu R$ 10 milhões com as vendas do fruto in natura a uma dasagroindústrias do município pólo da RI Guamá (Castanhal), outrora classificada comoindústria de beneficiamento estadual. E, por fim, o setor da indústria de beneficiamento(categoria dos inúmeros batedores e uma agroindústria) foi quem constituiu o maior VBPlocal, R$ 131,6 milhões, com as vendas do vinho no âmbito local e nacional, sendo nesteúltimo caso de responsabilidade da agroindústria. Com relação ao VBP constituído no nível estadual e, orçada em R$ 163,5 milhões,mais de 78% foi de responsabilidade da indústria de beneficiamento, composto por duascategorias que atenderam mercados consumidores distintos, pois enquanto a os batedoresatenderam o consumo final estadual as agroindústrias forneceram a polpa deste frutopasteurizada e/ou congelada ao setor de varejo urbano nacional a fim de atender o mercadoconsumidor nacional e internacional. O restante do VBP estadual, aproximadamente R$ 35,6milhões, de responsabilidade do setor atacadista obtidos com a venda ao setor debeneficiamento estadual (Gráfico 1). No sistema nacional, onde foram gerados em torno deR$ 167,9 milhões, 89% foi oriundo das vendas do varejo urbano (redes de supermercados) doCentro Sul do país para os seus clientes finais, mais de 6% foi das vendas do vinho deresponsabilidade dos batedores do município de Macapá, no estado do Amapá, para osconsumidores deste município e, 4% foram oriundos da venda do fruto, tanto in natura quantoem polpa, realizado pelo atacadista para o setor de beneficiamento e supermercado. Verificou-se que dos R$ 359 milhões gerados na comercialização do açaí a nívellocal e, considerando somente as vendas, a partir da RI em estudo, para além de suasfronteiras, somente R$ 11,4 milhões, deste montante, foram oriundos das vendas do produtobeneficiado em forma de vinho (pasteurizado e congelado) as redes de supermercado (varejourbano) no âmbito nacional, sob responsabilidade de uma agroindústria sediada no municípiode Breves. O que significa dizer que as vendas deste fruto para fora da RI Marajó, se
  • 46. 52desenvolveu preponderantemente na sua forma in natura para os agentes mercantis dossetores estaduais e nacionais, demonstrando de certa maneira, tanto a importância econômicaque a comercialização deste fruto tem para a região do Marajó, quanto o seu papel defornecedor desta matéria prima (insumo) tanto para as agroindústrias de outras RI, tal como, aRI Guamá, onde há uma concentração deste segmento econômico, quanto para batedores deoutros estados da região Amazônica, especificamente Amapá e Amazonas. e) VAB - gerado na comercialização do açaí e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB ao longo da cadeia de comercialização do açaí, desde o setor alfa (produçãolocal e extralocal) da RI Marajó até os consumidores finais, contabilizou um valor superior aR$ 319,5 milhões e, constituiu uma margem de agregação de valor ao produto, ou mark-uptotal, na comercialização na ordem de 161% (Gráfico 2). Esta margem foi calculada a partirdo valor total adicionado na comercialização do açaí – VAB (R$ 319,5 milhões), menos oValor Bruto da Produção - VBPα (R$ 122,3 milhões), dividido por este mesmo VBPα. Estamargem demonstra, em termos percentuais, o quanto foi adicionado ao longo de toda a cadeiade comercialização do açaí a partir do setor alfa (α), com base nos valores de compra e vendanão levando em conta os custos adicionados na comercialização, pois não foram captados e,em alguns casos a proporção do fruto utilizado por um setor para a fabricação de um produtofinal. No que se refere a agregação de valor por mercado, os setores no âmbito local foramresponsáveis pela agregação de R$ 198,7 milhões, conforme Gráfico 2, cujo entre os setoresque agregaram pelo processo de majoração de preço, o setor varejo rural, composto porpequenos atravessadores, contribuiu com aproximadamente 14% deste valor e constituiu ummark-up de 40%, pois este setor negociou diretamente a compra do fruto in natura com osetor da produção, propiciado pelo fato de ter meios de transporte e conhecimento dos locaisde produção, assim como também possui vantagem de negociar com os setores que realizam obeneficiamento do fruto localizado no mercado local, estadual e nacional. O atacado, por suavez, agregou R$ 2,9 milhões e constituiu um mark-up de 41%. Ressalta-se que o mark-upcalculado para o setor corresponde a relação entre o Valor Transacionado Efetivo (VTE),equivalente ao Valor Adicionado pelo setor com o Valor Bruto da Produção (VBP) pela óticada demanda, ou seja, compra de insumos realizada pelo setor.
  • 47. 53 GRÁFICO 2- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do açaí da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Em seguida, a indústria de beneficiamento adicionou em torno de R$ 46,2 milhõescom ações de processamento do fruto (Gráfico 2), fato determinante para o seu mark-up de54%. E a indústria de transformação apesar de ter adicionado somente de R$ 102,1 mil comos processos automatizados de transformação do fruto em sorvete, constituiu e mark-up de1851%. Vale a pena ressaltar, que o setor da produção local transaciona o valor efetivosomente no que se refere as vendas do produto (açaí) in natura e parte em polpa na ordem deR$ 122,3 milhões, configurando quase 62% do VAB local, e devido a isso, não foi calculadoo seu mark-up. O mercado estadual por sua vez, obteve uma agregação de valor superior a R$ 73,2milhões (Gráfico 2), com a participação preponderante, mais de 90%, da indústria debeneficiamento estadual (principalmente das agroindústrias localizadas no município deCastanhal e batedores de açaí de Belém). Este setor está fortemente relacionado ao grau denegociação que mantém com os setores do mercado local, de modo mais preponderante com ovarejo rural e o atacadista, dos quais adquire o produto in natura e vende tanto para oconsumidor final estadual quanto para o mercado nacional, para este último um produtobeneficiado pasteurizado e congelado, a preços bem mais atrativos em relação ao mercadoestadual. Com relação a sua margem de comercialização, ou seja, o mark-up, foi calculado em
  • 48. 54107%. Ainda no mercado estadual o setor atacadista (composto por grandes atravessadores)adicionou R$ 7,1 milhões e apresentou um mark-up de 25%. No mercado nacional, cuja agregação de valor foi estimada na ordem de R$ 47,6milhões, 87% ficou a cargo do setor do varejo urbano com um mark-up de 38%, 10% foramdevidos os batedores do municio de Macapá/AP, os quais constituíram um mark-up de 81% e,3% foram da majoração de preço realizada pelos atacadistas, que por isso, constituíram mark-up de 25%. Por tanto, no que tange ao valor adicionado total ou do Valor Transacionado Efetivo(VTE), orçado em R$ 319,5 milhões, observou-se que o processo de majoração de preço,correspondente a ação de compra e venda do fruto in natura, fora responsável poraproximadamente 25% deste montante (R$ 80 milhões), sendo 13% sob responsabilidade dossetores no âmbito nacional, principalmente das redes de supermercado no Centro Sul do país.E R$ 117,1 milhões (37%) foram devidos os processos de beneficiamento e transformaçãoque o fruto passou ao longo da cadeia, antes do consumidor final, do qual as indústrias debeneficiamento estadual (agroindústrias e batedores de açaí) foram responsáveis por 21%deste valor. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do açaí. A Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização do produto seformalizou a partir da soma de compra de insumo (VBP, pela ótica da demanda) com o ValorAdicionado. Deste modo, a renda gerada na comercialização do açaí a partir da região doMarajó foi contabilizada na ordem de R$ 690,4 milhões (Gráfico 3). Dos quais o sistemalocal foi responsável por gerar 52% desta renda, o estadual gerou 23,7% e o nacional 24,3%.
  • 49. 55 GRÁFICO 3- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do açaí, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Na RI Marajó, ou seja, mercado local, cuja renda bruta somou R$ 359 milhões, osetor de varejo rural, o qual representa um elevado número de atravessadores, gerou umarenda bruta no valor de R$ 95 milhões (Gráfico 3), pois comprou o açaí in natura diretamentedos agroextrativistas no valor de R$ 67,9 milhões e adicionou um montante próximo de R$27,1 milhões sem qualquer tipo de beneficiamento ou incremento tecnológico ao fruto, sócom o acréscimo dos seus custos de transporte e armazenamento e sua margem de lucro. Já aindústria de beneficiamento (representativo de um elevado número de batedores de açaí e umaagroindústria) arrecadou um montante de R$ 131,6 milhões com a venda do vinho para osconsumidores finais locais e polpa para o mercado nacional, resultante da compra de insumo,açaí in natura, no valor de quase R$ 85,4 milhões e agregação no valor de R$ 46,2 milhõescom o seu beneficiamento. O atacado, por conseguinte, gerou uma renda bruta no valor de R$10 milhões, resultado da soma da compra do açaí in natura no valor de R$ 7,1milhões eadicionou um pouco mais do que R$ 2,9 milhões. A indústria de transformação com aagregação de R$ 102 mil com a soma do valor da compra do insumo R$ 5,5 mil resultou emuma renda de R$ 107 mil com as vendas de sorvete para os consumidores finais. E, por fim, arenda bruta do setor de produção (α), no valor de 122,3 milhões, é resultante da venda para ossetores econômicos que compõem os três mercados.
  • 50. 56 Com relação a renda bruta na esfera estadual, contabilizada em R$ 163,5 milhões(Gráfico 3), houve a participação de apenas dois setores: indústria de beneficiamento (compostopor batedores de Belém, Abaetetuba, agroindústrias de Castanhal e Marituba) foi quem teve umaparticipação predominante para a formação deste montante, estimada em R$ 127,9 milhões,obtido pela venda do produto para o mercado nacional (representando mais de 70% das vendas),sob responsabilidade das agroindústrias, e para o consumidor final estadual, sob tutela dosbatedores de açaí. A renda bruta deste setor foi resultante da compra de insumo (açaí in natura) novalor aproximado de R$ 61,8 milhões e pelo valor agregado no beneficiamento primário ecomercialização do produto em polpa e vinho no valor de R$ 66 milhões. O setor atacadistaparticipou com um pouco mais de R$ 35,6 milhões na formação da renda bruta na esfera estadual,o qual comprou o produto in natura com negociação direta com os agroextrativistas locais eatravessadores no valor de R$ 28,4 milhões e adicionou R$ 7,2 milhões com o repasse para asagroindústrias de Castanhal (indústria de beneficiamento estadual). Na esfera nacional, o setor de varejo urbano (as redes de supermercados no CentroSul do país e varejistas da cidade de Manaus) gerou renda bruta orçada um pouco mais de R$149,7 milhões, oriunda do somatório da compra de produto em forma de polpa junto asagroindústria de Castanhal, Marituba e Breves no valor de R$ 108,4 milhões e agregação devalor R$ 41,3 milhões. O setor atacadista, grandes atravessadores de Manaus e Macapá,constituiu uma renda de R$ 7,5 milhões, resultante da compra do fruto na sua forma in naturajunto aos agroextrativistas e atravessadores o valor de R$ 6 milhões e agregação em torno deR$ 1,5 milhão. E a indústria de beneficiamento, correspondente aos batedores deste fruto nomunicípio de Macapá, contabilizaram uma renda bruta no valor de R$ 10,7 milhões com avenda do vinho deste fruto para os consumidores finais e, fora resultante da compra do frutoin natura (junto a agroextrativistas e atravessadores oriundos da RI Marajó e, atacadistas deMacapá que comprou de atravessadores) no valor de R$ 5,9 milhões e agregação com o seubeneficiamento no valor de R$ 4,8 milhões. É necessário frisar, que o fruto in natura que osbatedores de Macapá comercializam foi, especificamente, oriundo do excedente da produçãodo município de Chaves e Afuá, que por questões da distância com a capital amapaenseacarreta em baixos custos com transporte e, de certo modo, tornar-se conveniente para ambosos lados, pois para quem compra, além de adquirir um produto de melhor produtividade(melhor rendimento da rasa por litro), acaba também pagando um preço relativamentecompetitivo (Gráfico 3).
  • 51. 574.2.2 Palmito a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do palmito. Foram identificados treze agentes mercantis (Figura 6), divididos em um atacadista,dois atravessadores (um é representante de firma), cinco indústrias de beneficiamento e cincoprodutores. Os agentes também comercializam outros produtos como açaí, lenha, andiroba e mel. FIGURA 6- Localização dos agentes mercantis do palmito na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os produtores entrevistados possuem propriedades rurais com áreas que variam de 5a 70 ha, sendo que uma propriedade é arrendada. Uma indústria de beneficiamento possuipropriedade com dimensão de 10.000 ha que, no período de entressafra, retira 600 milheirosde palmito. Somente seis agentes declararam possuir armazém, com capacidade que variamde 60m2 a 1.200m2. Os agentes possuem meios de transporte do tipo barcos com capacidadede 3t a 16t e rabetas. O trabalho é realizado no período da safra pelos produtores e durante oano todo pelos atravessadores, atacadistas e indústrias, sendo que este último relata que noperíodo de safra, com a valorização do açaí, a produção de palmito diminui, pelo fato doribeirinho preferir coletar o açaí que o palmito. A seguir a descrição dos agentes mercantis envolvidos na comercialização dopalmito (Quadro 2).
  • 52. 58QUADRO 2- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do palmito da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Agroextrativistas que extraem o palmito na época da entressafra Produção do açaí ou durante o manejo de seus açaizais; Comerciantes que se deslocam pelas comunidades ribeirinhas Varejo rural da região e compram o palmito diretamente dos extrativistas; Empresas que realizam o processamento industrial do palmito na forma em conserva. Neste setor existem dois tipos de estruturas de empresas processadoras na região, as denominadas “fabriquetas” operadas por moradores locais e situadas as margens dos rios, que operam como “produtorasLocal exclusivas terceirizadas” para empresas que fornecem o capital Indústria de de giro, os produtos químicos para conservação (ácido cítrico) e beneficiamento os potes (vidros e latas) para embalagem. O outro tipo são as agroindústrias, normalmente Filiais situadas nas áreas urbanas da região do Marajó que também operam com o capital de giro de empresas exportadoras e distribuidoras, que são as Matrizes (que possuem diversas marcas) localizadas no Estado do Pará ou fora dele; Comerciantes (supermercados) que vendem o palmito em Varejo urbano conserva diretamente para consumidores locais; Empresas que realizam o processamento industrial do palmito na Indústria de forma em conserva. Comercializam com diversas marcas tanto noEstadual beneficiamento mercado externo como no mercado interno onde contam com uma rede de representantes em vários pontos do país; Comerciantes (supermercados) que vendem o palmito em Varejo urbano conserva diretamente para consumidores estaduais;Nacional Comércio de varejo situado fora do Estado que transaciona o Varejo urbano palmito em conserva para o consumidor nacional.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Entre os produtores, existe a reclamação pela falta de informações sobre o manejodas palmeiras para extração do palmito, além da dificuldade de obter financiamentos paramelhorar a produção. As indústrias trabalham exclusivamente com o palmito in natura durante o ano todo,e contam com 5 a 40 funcionários assalariados e outros 20 terceirizados, contratadosconforme a quantidade de palmitos e de pedidos. De cada estipe se retira o palmito especial(começo = Tipo 1), fibroso (meio = Tipo 2) e picado (fim = Tipo 3). Os maquinários eequipamentos mais utilizados são: máquina de rotulagem, caldeira, recravadeira, tanque inox,rotuladeira e cortador de papel para vedar caixas de papelão. O atacadista trabalha com 170 famílias de cooperados, que trabalham comagricultura e extrativismo em oito pólos de produção. Os cooperados foram capacitados parao manejo de açaizais, pois a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA) liberou a retirada
  • 53. 59de 200 estipes por hectare, que repassavam para as indústrias de beneficiamento, cujopagamento era feito conforme a quantidade de potes enchidos. Já os produtores utilizam mão-de-obra familiar ou terceirizada e pagam de R$ 15,00 a R$ 30,00/dia ou dividem o lucro. Oatravessador paga por viagem o equivalente a R$ 30,00 e trabalha o dia todo na safra deGurupá que, segundo ele, vai de junho a novembro. Segundo os agentes, a extração do palmito é realizada em áreas com projetoslegalmente autorizados e, as indústrias são legalizadas pela ANVISA. Apontam que aliberação de projetos para exploração de palmitos, melhoraria a capacidade da produção, bemcomo o contrato para exportação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do palmito. A cadeia de comercialização do palmito identificada é constituída por vários níveisde canais de distribuição. Do total da produção da região identificada 82,1% são vendidosdiretamente para o setor de indústria de beneficiamento local que por sua vez vende em tornode 22,4% para o próprio setor (neste caso, são fabriquetas e uma cooperativa que revende paraas agroindústrias maiores), 72,1% para o setor do varejo urbano nacional, 8,3% para o setorde beneficiamento estadual, que constituem no repasse da produção da empresa local paraoutra agroindústria localizada fora da região (RI Tocantins), 1,7% para o setor varejistaestadual e somente 0,1% para o varejo local (Figura 7). Do total da produção local 17,9% do palmito in natura é adquirido pelosatravessadores locais (varejo rural) que revendem 0,1% para a indústria de beneficiamentolocal e 17,8% para a estadual.
  • 54. 60 FIGURA 7- Estrutura (%) da quantidade amostral do palmito comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre os setores mercantis da cadeia do palmito, no ano 2010. A produção local vende a R$2,12/kg para a indústria de beneficiamento local para e aR$1,94 kg para o varejo rural (Figura 8). A indústria de beneficiamento local adquire opalmito in natura ao preço de R$ 2,12/kg da produção local, R$ 2,23/kg dos atravessadores(varejistas rurais) e o palmito já envasado sem rótulo ao preço de R$ 8,51/kg das fabriquetas.Após fazer o descascamento, a classificação, os cortes, o cozimento com acréscimo deconservantes, o palmito envasado em latas ou potes de vidro são vendidos sem rótulos para aindústria de beneficiamento estadual a R$ 8,64/kg enquanto que o palmito com o rótulo, ouseja, com a marca da indústria local, são vendidos em média a R$ 11,42/kg para o varejolocal, a R$ 12,65/kg para o varejo estadual e a R$ 11,52/kg para o nacional (Figura 8).
  • 55. 61 FIGURA 8- Preço médio do palmito (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do palmito. O Valor Bruto da Produção (VBP) do palmito, resultante do valor recebido por todosos setores que realizaram as venda (oferta) do palmito a partir da RI do Marajó, foicontabilizado em R$ 46,3 milhões, com as transações entre os setores da demandaintermediária e final local, estadual e nacional. Cujos setores do mercado local arrecadaramR$ 17,1 milhões, os do mercado estadual contabilizaram R$ 8,7 milhões e os setores noâmbito nacional R$ 20,5 milhões (mais de 10% do VBP total) (Gráfico 4). Do total arrecadado pelos setores no mercado local, o setor da produção contabilizouaproximadamente R$ 2,5 milhões (VBPα), oriundos das transações com setores somente noâmbito local e, polarizado em dois setores apenas: 17% (R$ 410,5 mil) para o varejo rural e83% (R$ 2,1 milhões) a indústria de beneficiamento. Para o primeiro agente intermediário, osextrativistas venderam o produto em sua forma in natura (correspondente a “cabeça” dopalmito com três tipos de diferentes preços), que se deslocaram até a sua propriedade,geralmente estes extrativistas se caracterizaram por não deterem em sua propriedade umapequena fábrica, tão pouco é funcionário de uma, no entanto, no período de entressafra doaçaí, ele consegue uma segunda renda com a extração do palmito. Para o segundo agenteintermediário, os extrativistas venderam o palmito também em “cabeça” para as pequenasfábricas nas margens dos furos dos rios da RI em estudo, para uma cooperativa e diretamenteas agroindústrias. O importante a se frisar nesta transação é o fato de que os extrativistas após
  • 56. 62a extração do palmito, preponderantemente transacionam primeiro com as pequenas fabricase/ou com a cooperativa, quando é associado, pois, encontram-se mais próximas, estas, porconseguinte, após o produto envasado com a solução preservativa (água, sal e ácido cítrico),os comercializam com as agroindústrias, que para deter exclusividade na compra, osforneceram o material para envasamento (vasilhame com tampa). GRÁFICO 4- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do palmito da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Com relação aos outros ofertantes no âmbito local, o varejo rural, composto poratravessadores que se caracterizaram pela compra do fruto in natura diretamente nas ilhas, ovalor das vendas foi o equivalente a R$ 531,6 mil (Gráfico 4), oriundo praticamente (99,7%)das transações com o setor de beneficiamento estadual, ou seja, agroindústria que estão forada RI Marajó, mais especificamente localizada na RI Metropolitana (Belém) e na RI BaixoAmazonas (Almeirim). O restante (R$ 172,58) ele adquiriu das vendas para uma agroindústriano âmbito local. O varejo urbano (um mini mercado) adquiriu R$ 1,1 mil com as vendas aosseus clientes. E, por fim a indústria de beneficiamento, por sua vez, arrecadou R$ 14,1milhões, correspondente a mais de 82% do VBP local, com as transações com agentes domesmo setor e com agentes do varejo urbano. No primeiro caso, trata-se das transações entreas pequenas fabricas (que envasam o produto juntamente com a solução) com asagroindústrias locais (estimadas em R$ 2,2 milhões) e estaduais (estimadas em R$ 852,5 mil)que após a chegada do produto colocam o rótulo de suas respectivas marcas e identificaçõesnos recipientes de vidro. Na segunda transação, trata-se das vendas das agroindústrias para os
  • 57. 63supermercados no âmbito local (orçada em R$ 883,74), estadual (R$ 249,5 mil) epreponderantemente para o nacional (estimada em R$ 10,7 milhões). Com relação ao VBP constituído no mercado estadual e, orçada em R$ 8,7 milhões,50,6% foi de responsabilidade da indústria de beneficiamento, composto pelas agroindústriasde Almeirim, Belém e Abaetetuba que venderam aos supermercados de Belém e as redesnacionais. O restante do VBP estadual, 49,4%, foi das vendas do setor de varejo urbano aosconsumidores finais (Gráfico 4). No sistema nacional, onde foram gerados em torno de R$20,5 milhões, foi exclusivamente oriundo das vendas das redes de supermercados para osconsumidores. Afirma-se que na comercialização deste produto, os papeis dos setores no âmbitolocal ficaram bem definidos, no entanto, o retorno financeiro, isto é, a rentabilidade foi maiorpara as agroindústrias que desenvolveram o papel de distribuição do produto envasado erotulado junto as redes de supermercado e, por isso, adquiriram mais R$ 10,9 milhões com asvendas, equivalente a 64% do VBP local, pois acabaram adquirindo um preço melhor. Aspequenas fábricas, que tiveram como função a seleção dos produtos advindo da floresta(pedaços e/ou cabeças) e o seu envasamento com a solução preservativa e, com a venda asagroindústrias, detiveram R$ 3,1 milhões, 18% do VBP local. E, os extrativistas, querepresentam a origem da cadeia, que desempenharam a função de adentrar na floresta e extrairas “cabeças” do palmito das palmeiras dos açaizais, adquiriram R$ 2,5 milhões (17% do VPBlocal). É preciso ressaltar ainda, que deste valor obtido pelos extrativistas, parte dele poderiaser alocada e somada com o valor adquirido pelas pequenas fábricas, uma vez que, umaminoria dos extrativistas desempenha a função de sócio dessas pequenas indústriasprocessadoras. e) VAB - gerado na comercialização do palmito e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB ao longo da cadeia de comercialização do palmito, desde o setor alfa(extrativistas) da RI Marajó até os consumidores finais, contabilizou um valor equivalente aR$ 24,8 milhões e, constituiu uma margem de agregação de valor ao produto, ou mark-uptotal na comercialização na ordem de 903% (Gráfico 5). Esta margem foi calculada a partirdo valor total adicionado na comercialização do palmito – VAB (R$ 24,8 milhões), menos oValor Bruto da Produção - VBPα (R$ 2,5 milhões), dividido por este mesmo VBPα. Estamargem demonstra, em termos percentuais, o quanto foi adicionado ao longo de toda a cadeiade comercialização do palmito a partir do setor alfa (α), com base nos valores de compra e
  • 58. 64venda não levando em conta os custos adicionados na comercialização, pois não foramcaptados. GRÁFICO 5- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do palmito da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. No que tange a agregação de valor por mercado, os setores no âmbito local foramresponsáveis pela agregação de aproximadamente R$ 12,3 milhões, conforme Gráfico 5,cujos setores que agregaram pelo processo de majoração de preço, o varejo rural, contribuiucom aproximadamente 1% deste valor e constituiu um mark-up de 30%, o varejo urbano nãochegou a representar 0,002% e constituiu um mark-up 25%. O valor de mark-up que foracalculado para cada setor, corresponde a relação entre o Valor Transacionado Efetivo (VTE),equivalente ao Valor Adicionado Bruto pelo setor com o Valor Bruto da Produção (VBP) pelaótica da demanda, ou seja, compra de insumos realizada pelo setor. Em seguida, a indústria de beneficiamento local adicionou em torno de R$ 9,7milhões com ações de processamento do fruto (Gráfico 5), o que determinou um mark-up de225%. Processos estes que ocorreram de duas formas distintas: artesanalmente desenvolvidopelas pequenas indústrias localizadas próximas ao local de coleta (nos furos das ilhas) e, oautomatizado a par das indústrias que comercializam diretamente a produção com ossupermercados. O restante do VAB local corresponde ao que o setor da produção localtransacionou e que, por tanto, equivale ao valor efetivo, mas que se refere as vendas do
  • 59. 65produto (palmito) in natura na ordem de R$ 2,5 milhões e, devido a isso, não foi calculado oseu valor de mark-up. O mercado estadual que consolidou uma agregação de valor de aproximadamente R$4,2 milhões (Gráfico 5), 73% foi de responsabilidade da indústria de beneficiamento, que estáfortemente relacionado ao grau de negociação que mantém com os setores do mercado local,principalmente com as pequenas fabricas fornecendo o material de envasamento e, com osatravessadores advindo da RI Marajó. Com relação a sua margem de comercialização, ou seja,o mark-up, foi calculado em 219%, com os processos automatizados e em função do preço devenda. E, 27% corresponderam a agregação do varejo urbano (supermercados), que comprocesso de majoração de preço apresentou um mark-up de 36%. No mercado nacional, cuja agregação de valor foi estimada na ordem de R$ 8,3milhões, ficou exclusivamente a cargo do setor de varejo urbano, que com a majoração dopreço no produto apresentou um mark-up de 68%. Por tanto, no que referiu ao VAB total ou VTE, orçado em R$ 24,8 milhões,observou-se que os processos (artesanal e automatizado) realizados pelas indústrias (local eestadual) foram responsáveis por mais da metade (51,5%) deste VAB. O processo demajoração de preço, correspondente a ação de compra e venda do fruto in natura e,preponderantemente do produto pronto para o consumo, fora responsável poraproximadamente 38% deste montante. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do palmito. A Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização do produto seformalizou a partir da soma de compra de insumo (VBP, pela ótica da demanda) com o ValorAdicionado. Deste modo, a renda gerada na comercialização do palmito a partir da região doMarajó foi contabilizada na ordem de R$ 46,2 milhões (Gráfico 6). Dos quais o sistema localfoi responsável por gerar 37% desta renda, o estadual gerou 19% e o nacional 44%.
  • 60. 66 GRÁFICO 6- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do palmito, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Na RI Marajó, ou seja, o mercado local, cuja renda bruta somou R$ 17 milhões, osetor de varejo rural, o qual representa os atravessadores, gerou uma renda bruta no valor deR$ 531,6 mil (Gráfico 6), pois comprou o palmito in natura diretamente dos extrativistas novalor de R$ 410,5 mil e adicionou um montante próximo de R$ 121,1 mil sem qualquer tipode beneficiamento ou incremento tecnológico ao palmito, só com o acréscimo dos seus custosde transporte e armazenamento e sua margem de lucro. O varejo urbano, por sua vez,arrecadou R$ 1,1 mil com a venda do produto pronto para os consumidores finais, este valorfoi resultante da soma da compra do produto final junto a indústria local no valor de R$884,00 e agregação de R$ 221,31. Já a indústria de beneficiamento (representativo daspequenas fábricas, agroindústrias e uma cooperativa) arrecadou um montante de R$ 14milhões com a venda do produto pronto para consumo e, foi resultante da soma de compra deinsumo no valor de quase R$ 4,3 milhões (junto ao setor da produção e atravessadores eagentes do mesmo setor) e agregação no valor de R$ 9,7 milhões com o seu beneficiamento.E, por fim, a renda bruta do setor de produção (α), no valor de 2,5 milhões, é resultante davenda para os setores econômicos que compõem o mercado local, principalmente para o setorde beneficiamento, mas também para os atravessadores que chegam as ilhas para negociar.
  • 61. 67 Com relação a renda bruta na esfera estadual, contabilizada em R$ 8,7 milhões(Gráfico 6), houve a participação de apenas dois setores que o compõem, mas que se inter-relacionam: a indústria de beneficiamento com uma renda bruta estimada em R$ 4,4 milhões,resultante da compra de insumo (in natura) no valor aproximado de R$ 1,4 milhões e pelovalor agregado no beneficiamento e comercialização do produto final no valor de R$ 3milhões. O setor varejo urbano com renda bruta estimada em R$ 4,3 milhões, foi oriunda dacompra o produto final da indústria de beneficiamento estadual no valor de R$ 3,2 milhões eagregação de R$ 1,1 milhão. Na esfera nacional, com renda bruta estimada em R$ 20,5 milhões, houve aparticipação exclusiva das redes de supermercados, que compraram R$ 12,2 milhões doproduto final (palmito envasado e rotulado) das indústrias locais (88%) e estaduais (12%) eadicionaram (com o aumento de preço) R$ 8,3 milhões, antes das vendas aos consumidores,cuja soma destes dois valores resultou no montante da renda bruta nacional (Gráfico 6).4.2.3 Bacaba a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da bacaba. A bacaba é bastante comercializada na RI Marajó, foram identificados vinte e seisagentes mercantis do produto (Figura 9), divididos em cinco atravessadores, dezenoveindústrias de beneficiamento e dois produtores, que atuam no ramo, em média, há 15 anos(variação de 2 a 33 anos). Estes, além da bacaba comercializam o açaí, sendo que em maiorquantidade e, exercem profissões paralelas de pescador, comandante de embarcações,carpinteiro, agricultor, professora, operador de máquina e lancheiro.
  • 62. 68 FIGURA 9- Localização dos agentes mercantis da bacaba na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 3 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores.QUADRO 3- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da bacaba da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010.MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Coletores de bacaba de áreas nativas do município de CametáExtralocal Produção (RI Tocantins), que abastecem a RI Marajó. Coletores de bacaba de áreas nativas, que abastecem o Produção mercado local; Atravessadores que compram dos extrativistas o fruto daLocal Varejo rural bacaba; Indústria de Batedores de bacaba que utilizam para o beneficiamento o beneficiamento mesmo maquinário para extração da polpa do açaí. Batedores de bacaba de Belém (RI Metropolitana) e Almeirim Indústria de (RI Baixo Amazonas), que utilizam o mesmo maquinário para beneficiamentoEstadual extração da polpa do açaí; Atacadistas de Belém que vendem para os batedores de bacaba Atacado da capital; Indústria de Batedores de bacaba do município de Macapá (AP), queNacional beneficiamento utilizam as mesmas máquinas para extração da polpa do açaí.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Três atravessadores, três batedores e um produtor possuem propriedades rurais comdimensões de 2,5 a 100 ha, de onde os produtores e batedores retiram o produto para a venda.Os atravessadores comercializam a bacaba junto com outros frutos comprados de
  • 63. 69produtores/extrativistas. A bacaba é comercializada somente na safra, em pontos comerciaiscom dimensões entre 3 m2 a 46 m2. A mão de obra é praticamente familiar, mas, uma indústriade beneficiamento contrata ajudante que recebe R$ 15,00/dia para beneficiar os frutos e doisatravessadores pagam R$ 30,00/viagem a dois ajudantes e mais R$ 2,00/rasa ao peconheiro. O processo de beneficiamento do vinho da bacaba é realizado com a máquinautilizada para despolpar o fruto do açaí. Após o processo de beneficiamento, o produto éarmazenado em freezers, geladeiras e isopores (70 L). O meio de transporte utilizado pelosagentes para levar da produção até seus estabelecimentos foram bicicletas cargueiras e barcos. Para melhoria nas condições de comercialização os agentes sugerem: ampliar oespaço físico de trabalho, para vender a bacaba em porções servidas no próprioestabelecimento, acessar capital de giro para aquisição de novos equipamentos e melhoria nainfraestrutura para atender as exigências da vigilância sanitária. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da bacaba. Os canais de comercialização deste fruto, identificados nos dezesseis municípios e,com parte da produção identificada com origem da RI Tocantina, foi realizado para as trêsesferas de mercado, sendo que a maior parte (43,9%) foi para atender a demanda da própriaRI (demanda interna), pela sua importância, no período de safra, na alimentação da populaçãolocal (Figura 10). Assim como no âmbito estadual, correspondente a 38,1% para atender asfeiras e batedores da bacaba em Belém. É preciso ressaltar, que parte da produção (18%) foracomercializada para estado vizinho (Amapá), demonstrando que a demanda por este fruto ésignificativa. A partir do setor da produção da bacaba verificou-se que, assim como nacomercialização do açaí, o setor do varejo rural (atravessadores) foi o principal nível de canalde comercialização, pois 65,4% da produção total identificada foram comercializadas comeste setor, que forneceu este fruto aos batedores locais (9,3%), se deslocaram e venderam noâmbito estadual (8,3%) para batedores de Almeirim - RI Baixo Amazonas e (29,8%) paraatacadistas da feira do açaí em Belém - RI Metropolitana (Figura 10). Assim como para onacional, correspondente a feira localizada no porto (Igarapé das Mulheres) da cidade deMacapá – Amapá, cujos atravessadores venderam 18% do que adquiriram deste produtodiretamente aos batedores de bacaba (e de açaí) deste município.
  • 64. 70 FIGURA 10- Estrutura (%) da quantidade amostral da bacaba comercializada na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Outro canal utilizado pelos extrativistas correspondeu a venda de 34,1% da produçãolocal ao setor da indústria de beneficiamento local, sendo que este também adquiriu 0,5% dosetor da produção extralocal (provenientes de Cametá, RI Tocantins) (Figura 10). Osbatedores, por sua vez, venderam 43,9% da produção identificada na forma de vinho debacaba para os consumidores locais. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia da bacaba, no ano de 2010. O preço médio de venda da bacaba in natura praticado pelos produtores locais comos “batedores de bacaba” (indústria de beneficiamento local) foi de R$ 0,57/kg (Figura 11),porém, quando os batedores adquiriram este fruto da produção extralocal, pagou menos, emmédia de R$ 0,36/kg. No entanto, como parte da matéria prima adveio por intermédio deatravessadores, os batedores pagaram a estes R$ 1,18/kg. Estes atravessadores, porconseguinte, conquistaram preço melhor quando transacionaram diretamente com osbatedores de açaí de outras RI (mercado estadual) ou até mesmo de outros estados (mercadonacional), pois, em ambos, receberam R$ 1,56/kg. O consumidor final local, por sua vez, adquiriu o produto beneficiado a R$ 1,10/kg,enquanto o consumidor estadual pagou R$ 2,07/kg, um pouco a mais do que os consumidores
  • 65. 71nacionais (amapaenses) que pagaram R$ 1,95/kg (Figura 11). Na região do Marajó o rendimentode uma rasa de 14 kg do fruto de bacaba é, em média, equivalente a sete litros de polpa. FIGURA 11- Preço médio da bacaba (R$/kg de fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização da bacaba. O valor recebido por todos os setores que realizaram as vendas (oferta) da bacaba a partirda RI do Marajó, foi contabilizado em R$ 3,5 milhões, cujo mercado local arrecadou R$ 1,9milhão, 55% do VBP total. O mercado estadual contabilizou R$ 1,2 milhão (em torno de 35% doVBP total) e o mercado nacional R$ 338,7 mil (mais de 10% do VBP total) (Gráfico 7).
  • 66. 72 GRÁFICO 7- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da bacaba da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Analisando o total arrecadado pelos setores no mercado local, o setor da produçãocontabilizou mais de R$ 742,7 mil, oriundos das transações com setores somente no âmbitolocal e, polarizado em dois setores apenas: varejo rural e indústria de beneficiamento. Nacomposição deste montante foi identificado que uma parte se refere ao valor adquirido pelosagentes extrativistas localizados no município de Cametá pertencente a RI Tocantins, queofertaram este fruto na sua forma in natura, no período de entressafra, no comércio de um dosmunicípios que integra a região Marajó, a fim de suprir o consumo local. Sendo assim, o valorbruto da produção local (VBPα), corresponde a soma do valor adquirido pelas vendas destealimentício realizado tanto pelos extrativistas da RI Marajó, um pouco mais de R$ 741 mil,quanto pelos extrativistas extralocais, ou seja, pertencente a outra RI e, que receberam emtorno de R$ 1,7 mil nas vendas na feira (no calçadão do trapiche) do município de SãoSebastião da Boa Vista (Gráfico 7). Deste total adquirido pelo setor da produção (VBP local e extralocal), 75% (em tornoR$ 553,7 mil) foram oriundos das transações com o setor de varejo rural e 25% foramvendidos diretamente as pequenas indústrias beneficiadoras (“batedores de açaí”). O fato importante a ser considerado e que os extrativistas locais por não estaremorganizados acabaram praticamente dependentes dos atravessadores, que por sua vez,aproveitam que a maioria deles se encontra dispersos e longínquos (ilhas) dos centrosconsumidores muitas vezes acabaram pagando um preço melhor do que o pago pelos
  • 67. 73pequenos batedores, pois conforme disposto no item b da respectiva cadeia, eles terminaramlevando este produto para outros centros consumidores com maior potencial de consumo(estadual e nacional), garantido assim uma rentabilidade maior. Com relação aos outros ofertantes no âmbito local, o varejo rural, composto poratravessadores que se caracterizaram como o setor mais importante tanto na comercializaçãocom os extrativistas (pela compra do fruto in natura diretamente nas ilhas) quanto por suafunção de ter sido o elo responsável pela venda ao mercado estadual e nacional, cujo valortotal foi equivalente a mais de R$ 718,2 mil (Gráfico 7), sendo que deste valor, só 15% foramoriundas das vendas no comércio local para os pequenos batedores. O restante (85%) eleadquiriu das vendas no mercado estadual e nacional. No primeiro caso, onde o valor dasvendas foi orçado em R$ 340,9 mil, dos quais 63% corresponderam as transações comatacadista na feira do açaí em Belém (RI Metropolitana) e 37% com batedores de açaí domunicípio de Almeirim (RI Baixo Amazonas). E no caso, os atravessadores vendaramdiretamente a batedores de açaí no município de Macapá, no estado do Amapá, ondereceberam R$ 271 mil. O outro setor a ofertar este fruto no mercado local foi a indústria debeneficiamento (categoria dos inúmeros batedores açai) que constituiu R$ 467,4 mil, com asvendas do vinho no âmbito local. Com relação ao VBP constituído no nível estadual e, orçada em R$ 1,2 milhão, maisde 61% foi de responsabilidade da indústria de beneficiamento, composto por batedores queatenderam o consumo final estadual. O restante do VBP estadual, aproximadamente 39%,foram das vendas do setor atacadista ao setor de beneficiamento estadual (Gráfico 7). Nosistema nacional, onde foram gerados em torno de R$ 338,7 mil, foi exclusivamente oriundodas vendas dos batedores do município de Macapá, no estado do Amapá, para osconsumidores deste município. Por tudo isso, verificou-se que dos R$ 1,9 milhão gerados na comercialização dabacaba a nível local e, considerando somente as vendas, a partir da RI em estudo, para alémde suas fronteiras, se desenvolveu preponderantemente na sua forma in natura para os agentesmercantis dos setores estaduais (Belém e Almeirim) e nacionais (Macapá/AP), cuja somaorçou R$ 611,9 mil, equivalente a 32% do VBP local, sob responsabilidade dosatravessadores. Isso de certa maneira, demonstra tanto a importância econômica que acomercialização deste fruto tem para a RI Marajó (assim como para RI Tocantins, já quecomercializou parte da sua produção nesta RI), quanto identifica o seu papel de fornecedor
  • 68. 74desta matéria prima (insumo) para batedores de outro estado da região Amazônica,especificamente Amapá. e) VAB - gerado na comercialização da bacaba e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB ao longo da cadeia de comercialização da bacaba, desde o setor alfa(extrativistas locais e extralocais) da RI Marajó até os consumidores finais, contabilizou umvalor equivalente a R$ 1,6 milhão e, constituiu uma margem de agregação de valor aoproduto, ou mark-up total na comercialização na ordem de 111% (Gráfico 8). Esta margemfoi calculada a partir do valor total adicionado na comercialização da bacaba – VAB (R$ 1,6milhão), menos o Valor Bruto da Produção - VBPα (R$ 742,7 mil), dividido por este mesmoVBPα. Esta margem demonstra, em termos percentuais, o quanto foi adicionado ao longo detoda a cadeia de comercialização da bacaba a partir do setor alfa ( α), com base nos valores decompra e venda não se levando em conta os custos adicionados na comercialização, pois nãoforam captados. GRÁFICO 8- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização da bacaba da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. No que tange a adição de valor por mercado, os setores no âmbito local foramresponsáveis pela agregação de aproximadamente R$ 1,1 milhão, conforme Gráfico 8, cujosetor que agregou pelo processo de majoração de preço, varejo rural, contribuiu comaproximadamente 15% deste valor e constituiu um mark-up de 30%. Ressalta-se que o mark-
  • 69. 75up calculado para o setor corresponde a relação entre o Valor Transacionado Efetivo (VTE),equivalente ao Valor Adicionado Bruto pelo setor com o Valor Bruto da Produção (VBP) pelaótica da demanda, ou seja, compra de insumos realizada pelo setor. Em seguida, a indústria de beneficiamento local adicionou em torno de R$ 172,1 milcom ações de processamento do fruto (Gráfico 8), fato este determinante para o seu mark-upde 58%, quase o dobro do varejo rural. O restante do VAB local corresponde ao que o setorda produção local transacionou e, por tanto, equivale ao valor efetivo, mas que se referevendas do produto (bacaba) in natura na ordem de R$ 742,7 mil e, devido a isso, não foicalculado o seu mark-up. O mercado estadual por sua vez, obteve uma agregação de valor superior a R$ 417,2mil (Gráfico 8), com a participação preponderante, 64%, dos atacadistas, que está fortementerelacionado ao grau de negociação que mantém com os setores do mercado local, de modomais preponderante com os atravessadores advindos da RI Marajó, dos quais adquire oproduto in natura e vende para o setor de beneficiamento estadual. Com relação a suamargem de comercialização, ou seja, o mark-up, foi calculado em 123%, com a ação demajoração de preço. Ainda no mercado estadual o setor de indústria de beneficiamento(composto por batedores de açaí) adicionou R$ 151,6 mil e apresentou um mark-up de 25%. No mercado nacional, cuja agregação de valor foi estimada na ordem de R$ 67,7 mil,ficou exclusivamente a cargo do setor de beneficiamento, que com o beneficiado do frutoapresentou um mark-up de 25%. Por tanto, no que tange ao valor adicionado total ou do Valor Transacionado Efetivo(VTE), orçado em R$ 1,6 milhão, observou-se que o processo de majoração de preço,correspondente a ação de compra e venda do fruto in natura, fora responsável poraproximadamente 27% deste montante (R$ 430,2 mil), sendo 17% só de responsabilidade dosetor atacadista no âmbito estadual. E R$ 391,4 mil (25% do VAB Total) foram devidos osprocessos de beneficiamento que o fruto passou ao longo da cadeia, antes do consumidorfinal, do qual as indústrias de beneficiamento local (batedores de açaí) foram responsáveis por11% deste valor. E o setor da produção, composto por extrativistas locais e extralocais,configurou mais de 47% do VAB total. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização da bacaba. A Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização do produto seformalizou a partir da soma de compra de insumo (VBP, pela ótica da demanda) com o Valor
  • 70. 76Adicionado. Deste modo, a renda gerada na comercialização da bacaba a partir da região doMarajó foi contabilizada na ordem de R$ 3,5 milhões (Gráfico 9). Dos quais o sistema localfoi responsável por gerar 55% desta renda, o estadual gerou 35% e o nacional 10%. GRÁFICO 9- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da bacaba, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Na RI Marajó, ou seja, o mercado local, cuja renda bruta somou R$ 1,9 milhão, osetor de varejo rural, o qual representa um elevado número de atravessadores, gerou umarenda bruta no valor de R$ 718,2 mil (Gráfico 9), pois comprou o bacaba in naturadiretamente dos extrativistas no valor de R$ 553,7 mil e adicionou um montante próximo deR$ 164,5 mil sem qualquer tipo de beneficiamento ou incremento tecnológico ao fruto, sócom o acréscimo dos seus custos de transporte e armazenamento e sua margem de lucro. Já aindústria de beneficiamento (representativo de um elevado número de batedores de açaí)arrecadou um montante de R$ 467,4 mil com a venda do vinho para os consumidores finaislocais, resultante da soma de compra de insumo, bacaba in natura, no valor de quase R$ 295,3mil (junto ao setor da produção e atravessadores) e agregação no valor de R$ 172,1 mil com oseu beneficiamento. E, por fim, a renda bruta do setor de produção (α), no valor de 742,7 mil,é resultante da venda para os setores econômicos que compõem o mercado local,principalmente para os atravessadores que chegam as ilhas para negociar este frutojuntamente com o açaí.
  • 71. 77 Com relação a renda bruta na esfera estadual, contabilizada em R$ 1,2 milhão(Gráfico 9), houve a participação de apenas dois setores, que se inter-relacionam: a indústriade beneficiamento com uma renda bruta estimada em R$ 758,1 mil, resultante da compra deinsumo (in natura) no valor aproximado de R$ 606,6 mil e pelo valor agregado nobeneficiamento e comercialização do produto em vinho no valor de R$ 151,5 mil. O setoratacadista participou com R$ 481,5 mil na formação da renda bruta na esfera estadual, o qualcomprou o produto in natura com negociação direta com os atravessadores no valor de R$215,8 mil e adicionou R$ 265,7 mil com o repasse para a indústria de beneficiamentoestadual. Na esfera nacional, a indústria de beneficiamento, correspondente aos batedoresdeste fruto no município de Macapá, contabilizaram uma renda bruta no valor de R$ 338,7mil com a venda do vinho deste fruto para os seus clientes finais e, fora resultante da soma dacompra do fruto in natura (junto a atravessadores oriundos da RI Marajó) no valor de R$ 271mil e agregação com o seu beneficiamento no valor de R$ 67,7 mil. É necessário frisar, que ofruto in natura que os batedores de Macapá comercializam foi, especificamente, oriundo doexcedente da produção do município de Gurupá, que por questões da distância com a capitalamapaense acarreta em baixos custos com transporte para os atravessadores e, de certo modo,torna-se conveniente para ambos os lados, pois para quem compra, além de adquirir umproduto de melhor produtividade (melhor rendimento da rasa por litro), acaba tambémpagando o mesmo preço de comercialização por quilograma fruto no âmbito estadual(Gráfico 9).4.2.4 Artesanato regional a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do artesanato regional. Caracterizam-se por artesanato regional os produtos na forma de paneiros e cestas deguarumã, peças de semente de açaí (miniaturas de bonecas, pássaros e animais), bolsaartesanal de fibra de tururi4, chapéu de palha de jupati e tururi e, quadros e araras feitos comtalas de miriti. Na cadeia de comercialização do artesanato foram identificados vinte e dois agentes(Figura 12), sendo que 62% destes trabalham com outros produtos como a venda de açaí4 Os frutos da palmeira buçu (Manicaria saccifera Gaertn.) são protegidos por um invólucro fibroso, denominado tururi, cuja fibra é utilizada na confecção de artesanato e moda (produção de roupas e acessórios, como bolsas, chapéus, entre outros) (OLIVEIRA e D’ALMEIDA, 2010).
  • 72. 78fruto, bacaba, bacuri, pupunha, óleo de andiroba e utensílios feitos com cipó titica, miriti,jacitara e jupati (abano, matapi e tipiti) como forma de complementar a renda. Os agentesentrevistados foram quatorze artesãos, seis produtores e duas associações, que estão nesteramo, em média, há 20 anos (com variação de 3 a 55 anos). FIGURA 12- Localização dos agentes mercantis do artesanato regional na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A seguir a descrição dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercializaçãodo artesanato regional (Quadro 4).QUADRO 4- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do artesanato regional da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extrativistas/artesões que utilizam fibras e palhas vegetais, Produção especificamente para confeccionar bolsas de fibra de tururi, Local chapéus de palha de jupati e tururi e quadros de miriti; Comerciantes envolvidos na comercialização dos artesanatos Varejo urbano para o mercado local, principalmente para turistas. Lojas especializadas na comercialização de artesanatos Nacional Varejo urbano regionais.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Dentre os agentes há uma cooperativa que trabalha com tururi e conta com 25associadas, que trabalham em dois turnos, devido a pouca quantidade de máquinas de costura,em um armazém com dimensões de 64m2. Porém, quando há encomendas trabalham durante
  • 73. 79o turno da noite. O pagamento é por hora de trabalho, que custa R$ 3,00. O preço foiestipulado conforme o custo da matéria prima e hora de trabalho realizada. As artesãs utilizamtécnicas ensinadas por instrutores e designes, lançando a cada ano coleções com padrõesúnicos. Um produtor/artesão de Muaná possui uma área de 1.200m2, de onde tira o materialusado para o artesanato. Os outros agentes armazenam e confeccionam as peças dentro decasa ou em barracões de madeira de 30m2 de comprimento. No caso dos comerciantes, estespossuem barracas ou pontos comerciais de 12m2 e a mão de obra é familiar. Os equipamentos utilizados para a confecção das peças são alicates, lixadeiras,polidor, tesouras, facas, cerras, furadeiras, agulhas, tachas, grampos, máquinas de costura,martelos, tinta, barbante, cola, lixas e pincel. O problema relatado quanto ao armazenamento, foi a necessidade de galpões maiorese mais arejados. Com relação aos equipamentos, a falta de maquinário adequado é outroentrave para a melhoria da produção, pelo motivo de muitas artesãs necessitarem de máquinasde costura e não terem equipamentos suficientes para atender a demanda, devido algumasmáquinas estarem com peças quebradas e as artesãs não terem como repor. O produtor/artesãoproduz suas peças sem auxílio de máquinas e equipamentos e trabalha durante o ano todo.Quando há mais pessoas envolvidas na atividade, o lucro das peças vendidas é dividido entretodos. Porém, há um produtor/artesão que ensina 55 alunos em uma escola de artesanato e, dolucro obtido, metade é para abastecer a escola com merenda e materiais e o restante é divididoentre os alunos e o professor. Com relação a melhoria na capacidade de produção, os agentes informaram que amaioria dos artesões necessita de cursos de capacitação, capital de giro para produzir e exporos produtos fora do município e adquirir equipamentos. Apontaram também a falta doincentivo da ação social, que era mais ativa, pois incentivava o comércio de artesanato daregião. Além da falta de interesse do comercio local em absorver o artesanato, que geralmenteé comprado por pessoas vindas de outros lugares. Outra necessidade é a qualificação depessoas para administrarem seus negócios. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do artesanato regional. A cadeia de comercialização do artesanato regional identificada incide em canaissimples (Figura 13). Portanto o principal nível consiste na compra direta do varejista estadualcom os produtores locais, comercializando 50,4% da produção identificada enquanto que o
  • 74. 80varejista local comercializa 20,7% da produção. Existem também os canais diretos entre osetor da produção com os consumidores estaduais e locais comercializando 20,6% e 8,3%,respectivamente. FIGURA 13- Estrutura (%) da quantidade amostral do artesanato regional comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do artesanato regional, no ano de 2010. O setor do varejo urbano estadual compra o artesanato regional diretamente daprodução ao preço de R$ 86,04/un. e revende para o consumidor estadual em média a R$107,72/um (Figura 14). Por outro lado, o varejo urbano local compra o artesanato daprodução ao preço médio de R$ 0,15/un. e revende para o consumidor local a R$ 4,00/un.,neste caso o artesanato é menos elaborado e não é voltado para o turismo. A produção localvende diretamente para o consumidor local ao preço de R$ 8,29/un. e para o consumidorestadual a um valor de R$25,30/um (Figura 14).
  • 75. 81 FIGURA 14- Preço médio do artesanato regional (R$/un.) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização do artesanato regional. O Valor Bruto da Produção (VBPα) dos artesãos (produção local) identificado naregião do Marajó atingiu um patamar de R$ 434,3 mil, do varejo urbano local foi de apenasR$ 7,3 mil e do varejo urbano estadual obteve R$ 478,3 mil, enquanto que o VBP de todos ossetores que ofertaram na cadeia do artesanato regional foi de R$ 919,8 mil (Gráfico 10).
  • 76. 82 GRÁFICO 10- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do artesanato regional da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Com relação ao VBP formado no mercado estadual, estimado em R$ 478,3 mil(Gráfico 10), houve a participação exclusiva do setor do varejo urbano, que corresponde aocomercio especializado na comercialização de artesanatos, principalmente para turistas. e) VAB - gerado na comercialização do artesanato regional e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB ao longo da cadeia de comercialização do artesanato regional, desde o setoralfa (produção local) da RI Marajó até a demanda final, contabilizou mais de R$ 537,5 mil(Gráfico 11), o qual desencadeou uma margem bruta de agregação de valor ao produto, oumark-up total, na comercialização de 24%.
  • 77. 83 GRÁFICO 11- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do artesanato regional da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. No que diz respeito ao VAB formado no mercado local, estimado na ordem de R$441,3 mil, o setor do varejo urbano adicionou apenas de R$ 7 mil e, constitui um valor demark-up de 2.567%, proveniente do baixo preço médio (Preço/Kg) pago aos artesãos(Gráfico 11). Por outro lado, o varejo urbano estadual agregou o equivalente a R$ 478,3 milcom um valor de mark-up de apenas 25%, pois este setor adquire o artesanato mais elaboradoassim com preços altos. f) RBT - gerada pela ótica da demanda, na comercialização do artesanato regional. A renda bruta total gerada (RBT) na comercialização deste produto, a partir da RIMarajó, foi estimada na ordem de R$ 919,9 mil, dos quais 48% desse valor forammovimentados nos municípios estudados e 52% na esfera estadual (Gráfico 12). O varejourbano estadual foi responsável pela renda bruta total de R$ 478,3mil, pois comprou oartesanato diretamente dos artesãos por R$ 382 mil e adicionou o montante de R$ 96,3 mil.Este setor representa agentes mercantis do município de Belém (pertencente a RIMetropolitana), mais especificamente os agentes da casa do artesanato e pólo joalheirolocalizados no espaço São José liberto. No âmbito local, o setor da produção, formada pelos artesãos, arrecadou R$ 434,3mil com as vendas aos setores do varejo urbano local e estadual. O varejo urbano localarrecadou R$ 7,3 mil com as vendas, este valor foi resultante das compras de R$ 300,00
  • 78. 84aproximadamente dos artesanatos junto aos artesãos e agregação de valor (majoração depreço) de em torno R$ 7 mil. GRÁFICO 12- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do artesanato regional, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.5 Cupuaçu a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do cupuaçu. Foram identificados trinta e seis agentes (Figura 15), sendo que todos comercializamoutros produtos, tais como: cacau, açaí fruto, taperebá, muruci, buriti, carvão, taperebá,castanha-do-brasil, copaíba, óleo de andiroba e artesanato regional. Os agentes se dividem nasseguintes categorias: produtor (9), varejista (1), comerciante (3), atravessador (3), feirante (8)e indústria de transformação e beneficiamento (12) - representado por fábrica de polpas,lanchonetes, sorveterias e doceiras. Alguns agentes iniciaram a atividade há pouco tempo,outros estão no ramo, em média, há 14 anos (variação de 1 a 40 anos), sendo que algunspossuem profissão paralela, tais como: agente de saúde, cobrador de ônibus, freteiro,costureira, professor e serviços gerais.
  • 79. 85 FIGURA 15- Localização dos agentes mercantis do cupuaçu na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Quanto a infraestrutura desses comerciantes, foram verificados que os produtorespossuem propriedade rural com áreas de 2,5 a 100 ha, localizadas no Rio Camarapi, RioJurupari e Transpiriá. Os agentes varejistas e industriais possuem entre um a quatro locaispara armazenagem e comercialização, do tipo box, barraca e ponto comercial, com dimensõesque variam de 3m2 a 300m². Com relação aos equipamentos, as indústrias de transformaçãopossuem máquinas de fabricação de sorvete e picolé, e outros equipamentos assistenciaiscomo liquidificadores, freezers, garrafas plásticas, geladeiras, carrinhos de venda e isopores.Os produtores utilizam apenas tesouras para manipulação do produto e sacos plásticos paraembalar a polpa. Os outros agentes possuem balança com capacidade de 30 kg, freezers ebasquetas para armazenagem das frutas. Os agentes que comercializam os frutos in natura trabalham com o produto somenteno período de safra, já os que comercializam na forma de polpa dispõem do produto durante oano todo. As polpas são comercializadas na Região e fora dela. Referente a mão de obra, osetor varejista, quando não utiliza a mão de obra familiar, contrata entre um a sete ajudantesque recebem diárias de R$ 5,00 a R$ 15,00 ou pagam salário mínimo para apenas umfuncionário fixo. As indústrias de transformação têm entre três a sete funcionáriosassalariados e contrata, em média, dois vendedores e dois atendentes que recebem diárias deR$ 15,00 a R$ 50,00. O atravessador paga para dois a três ajudantes diárias de R$ 30,00. Para
  • 80. 86os produtores a mão de obra é basicamente familiar. Existem outros estabelecimentos naregião que comercializam o produto, sendo restaurantes, lanchonetes, sorveterias, comércios,varejistas e feirantes. No que tange a melhoria na capacidade de produção, foram relatados vários entraves,tais como: a falta de assistência técnica, de infraestrutura e de manutenção das estradas paraescoar a produção; necessidade de ampliar a oferta do produto e, melhorar o fornecimento deenergia, visto que ocorrem constantes quedas comprometendo a qualidade dos produtosarmazenados nos freezers. Os produtores declaram a necessidade de aprender a fazer omanejo florestal, pois no município não há representantes de empresas de assistência técnica.Outra limitação dos agentes se refere a estabilização dos preços das polpas no período daentressafra, pois devido ao preço alto, muitos estão fabricando sorvete com sucos artificiais. O Quadro 5 mostra a caracterização dos agentes envolvidos na comercialização docupuaçu, de acordo com seus respectivos setores e mercados.QUADRO 5- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cupuaçu da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010.MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Agroextrativista da RI Metropolitana (Belém). O fruto foiExtralocal Produção comercializado in natura e na forma de polpa. Agroextrativista da RI Marajó. O fruto foi comercializado in natura Produção e na forma de polpa; Agentes mercantis que adquiriram o cupuaçu in natura diretamente Varejo rural dos agroextrativistas;Local Pequenas empresas que realizam a transformação do fruto in natura Indústria de ou da polpa em outros produtos finais como sorvete, suco, doce e transformação creme. A maioria é familiar; Feirantes, pequenos estabelecimentos comerciais (mercearias e Varejo urbano frutarias) e mini mercados que realizam a venda do cupuaçu in natura e em polpa. Feirantes e frutarias da RI Metropolitana e do Baixo Amazonas, queEstadual Varejo urbano realizam a venda do cupuaçu in natura e polpa, oriundos da RI Marajó. Feirantes e frutarias do município de Macapá (AP) que realizam aNacional Varejo Urbano venda do cupuaçu in natura e polpa, oriundos da RI Marajó.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do cupuaçu. Os canais de comercialização do cupuaçu, com parte da produção identificada comorigem em outra região de integração (7% da RI Metropolitana), caracterizaram-se poratender predominantemente o mercado local, pois somente 16,2% da produção identificadaforam comercializadas para além da RI Marajó: sendo 9% para outras regiões de integração,
  • 81. 87ou seja, transacionada para o mercado estadual e 7,2% foram para o mercado nacional,correspondente ao estado do Amapá, por estar próximo aos municípios de Afuá, Chaves eGurupá (RI Marajó), a sua capital acaba sendo o maior mercado consumidor dos produtosoriundos destes municípios (Figura 16). Os canais de comercialização do cupuaçu, a partir da RI Marajó, se caracterizam porcanais complexos, pois abrangem vários níveis de agentes intermediários entre a produçãolocal até o consumidor final (Figura 16). O principal nível de canal de comercialização foicomposto pelo setor varejo rural (atravessadores) que adquiriu 49,6% da quantidade do fruto,junto ao setor da produção local, que posteriormente foi o responsável pelo abastecimento domercado estadual e parte do comercializado para o mercado nacional. No primeiro caso, osatravessadores venderam 9% do que adquiriram para feirantes de Belém (RI Metropolitana),Almeirim e Santarém (ambos pertencentes a RI Baixo Amazonas), no segundo caso, elesvenderam (6,7%), dos 7,2%, do adquirido pelos feirantes localizados no porto (Igarapé dasMulheres) da cidade de Macapá – Amapá (consumidor final nacional). No entanto, foi nomercado local que os varejistas rurais tiveram o seu maior parceiro comercial, pois venderam31,4% do que adquiriram para o varejo urbano local (feirantes e mini mercados) quetotalizaram uma compra de 60,5% da produção identificada, pois além da compra acima, estesetor também adquiriu este produto diretamente do setor da produção local (29,1%), assimcomo da produção do fruto em polpa advinda da RI Metropolitana (0,8% do extralocal), queem seguida vendeu tudo para os consumidores locais. A indústria de transformação local comprou um total de 17,5% da produção do fruto(tanto in natura quanto em polpa), sendo 8,1% do setor da produção local, 6,2% da produçãoextralocal, 2,4% de atravessadores e 0,8% do varejo urbano local (Figura 16). E, após osprocessos produtivos de transformação do cupuaçu em produtos finais (sorvetes, doces,cremes e sucos) venderam para os consumidores.
  • 82. 88 FIGURA 16- Estrutura (%) da quantidade amostral do cupuaçu comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do cupuaçu, no período de 2010. O preço médio praticado pelo produtor local foi diferenciado devido as suastransações terem sido dispersas (vendeu a todos os agentes da demanda intermediária etambém ao consumidor final local) e sob diferentes formas, pois com o varejo urbano local opreço foi de R$ 1,46/un. do fruto in natura e, R$ 1,35/un. quando vendeu a atravessadoresrurais (Figura 17). No entanto, quando o produtor local vendeu diretamente a indústria detransformação, composta por lanchonetes e sorveterias, ele recebeu R$ 2,46/un.. Com relaçãoaos preços nas transações dos agroextrativistas extralocais, estes conseguiram barganhar umpreço melhor do que os locais, pois receberam R$ 2,61/un. da indústria de transformação e R$2,33/un. dos varejistas urbanos. O varejo rural, por conseguinte transacionou este fruto de duas formas, in natura eem polpa e, sendo assim, vendeu por preços distintos, no primeiro caso o setor recebeu R$2,08/un. da indústria de transformação e no último caso, ele recebeu R$ 1,77/un. dosvarejistas locais. R$ 1,66/un. dos varejistas tanto estaduais quanto nacionais (Figura 17).
  • 83. 89 FIGURA 17- Preço médio do cupuaçu (R$/un.) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O consumidor local, por sua vez, comprou mais barato quando adquiriu dosatravessadores pagando R$ 1,57/un. de que quando adquiriu diretamente do setor daprodução, pagando R$ 2,06/un. e do setor de varejo urbano a um preço de R$ 2,50/un.. Jáquando comprou o cupuaçu transformado em sorvetes e/ou sucos pagou R$ 15,53/un. (Figura17). O consumidor estadual, por conseguinte, pagou um preço maior (R$ 2,08/un.), emrelação ao preço pago pelo consumidor nacional (R$ 2,04/un.)4.2.6 Bacuri a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do bacuri. Foram identificados vinte e sete agentes mercantis do produto (Figura 18), os quaisestão inseridos nas seguintes categorias: um varejista, dois atravessadores, dois comerciantes,cinco indústrias de transformação, sete feirantes e dez produtores, que comercializam váriosoutros produtos regionais, como: uxi, taperebá, pupunha, muruci, castanha-do-brasil, cupuaçu,açaí, mel, mari, piquiá, cajarana e carvão. Os agentes trabalham neste ramo em média há 12anos (variação de 2 a 40 anos), e exercem profissões paralelas de pescador, cobrador, vendade cosméticos, garçom, vendedor de caranguejo, operador de máquina, ambulante e ajudantede pedreiro.
  • 84. 90 FIGURA 18- Localização dos agentes mercantis do bacuri na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os produtores possuem propriedades rurais com dimensões de 5 a 400 hectares, comcerca de 180 bacurizeiros de onde são retirados os frutos para a venda. Dos entrevistados,cinco produtores não possuem local para comercialização/armazenamento, os demaispossuem entre um a quatro locais de venda do tipo barracas, boxes e ponto comercial, comdimensões que variam de 1,5m2 a 300m2. Com relação aos equipamentos e máquinas, um produtor não necessita visto que ofruto é vendido in natura no período de safra, porém, dois produtores despolpam as sementescom o auxílio de tesouras, para abastecer as indústrias e supermercados no período de safra.Já as indústrias de transformação possuem máquinas de fabricação de sorvete e de picolé, eequipamentos auxiliares como carrinhos de venda, freezers, baldes com capacidade de 10L,liquidificadores e isopores. Os outros agentes não necessitam de máquinas, poiscomercializam o fruto in natura em unidades, durante a safra, ou na forma de polpa, durante oano todo, armazenados em freezers. Cinco feirantes, duas indústrias, um comerciante e quatro produtores trabalham commão de obra composta entre um a cinco membros familiares, os demais dividem o pagamentoentre ajudantes que recebem diárias de R$ 10,00 a R$ 50,00. Uma indústria admite setefuncionários assalariados e um supermercado um funcionário com salário mínimo.
  • 85. 91 Com relação ao transporte os agentes citaram utilizar moto, carro e bicicletacargueira. Para melhoria nas condições do trabalho os produtores necessitam de equipamentospara beneficiamento do produto em polpa para garantir melhor preço, e os feirantes citaramque para melhorar a capacidade de produção seria necessário infraestrutura nas feiras e que asbarracas que atualmente são de madeira fossem de alvenaria. O Quadro 6 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores.QUADRO 6- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do bacuri da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010.MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Agroextrativistas da RI Metropolitana (Belém). O fruto foiExtralocal Produção comercializado in natura e na forma de polpa. Agroextrativistas da RI Marajó. O fruto foi comercializado in Produção natura e na forma de polpa; Agentes mercantis que adquiriram diretamente o bacuri in Varejo rural natura dos agroextrativistas; Pequenas empresas que realizam a transformação do fruto inLocal Indústria de natura ou da polpa em outros produtos finais como sorvete, transformação suco e creme. A maioria é familiar; Atacado Um agente que comprou em grande quantidade o fruto; Feirantes, pequenos estabelecimentos comerciais (mercearias e Varejo urbano frutarias) e mercados que realizam a venda do bacuri in natura e em polpa. Agentes da RI Metropolitana que realizam a compra do bacuri Atacado in natura e polpa, oriundos da RI Marajó e vendem para feirantes da RI Metropolitana;Estadual Refere-se aos feirantes e frutarias, da RI Metropolitana, que Varejo Urbano realizam a venda do bacuri in natura e polpa, oriundos da RI Marajó.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do bacuri. Os canais de comercialização do bacuri, com parte da produção de origem em outraregião de integração, caracterizaram-se por atender predominantemente o mercado local, poissomente 17,8% da produção identificada foi comercializada para além da RI Marajó, maisespecificamente transacionada para o mercado estadual (Figura 19). Os canais de comercialização do bacuri, a partir da RI Marajó, se caracterizam porcanais complexos, pois abrangem vários níveis de agentes intermediários entre a produçãolocal até o consumidor final (Figura 19). O principal nível de canal de comercialização foicomposto pelo setor varejo rural (atravessadores) que adquiriu 46,4% da quantidade do fruto,
  • 86. 92junto ao setor da produção local, que posteriormente foi o responsável pelo abastecimento damaior parte da produção enviada para o mercado estadual, pois eles venderam 13,7% (dos17,8%) do adquirido pelos feirantes localizados no mercado Ver-o-Peso e de Icoaraci, nomunicípio de Belém (RI Metropolitana). Porém, foi no mercado local que os varejistas ruraistiveram o seu maior parceiro comercial, pois venderam 31,6% do que adquiriram para ovarejo urbano (feirantes e mini mercados) que totalizaram uma compra de 47% da produçãoidentificada, pois além desta compra, este setor também comprou o produto do atacadistalocal (1,2%), diretamente do setor da produção local (13,6%), que em seguida vendeu tudopara os consumidores. FIGURA 19- Estrutura (%) da quantidade amostral do bacuri comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A indústria de transformação local comprou um total de 31% da produção do fruto(tanto in natura quanto em polpa), sendo 22,2% do setor da produção local, 7,9% da produçãoextralocal e 0,9% junto a atravessadores (varejo rural). E, após os processos produtivos detransformação do bacuri em produtos finais (sorvete, creme e suco) venderam para osconsumidores locais (Figura 19). c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do bacuri, no ano de 2010. O preço médio praticado pelo produtor local foi diferenciado devido a complexidadedas suas transações (vendeu a todos os agentes da demanda intermediária e também ao
  • 87. 93consumidor final local) cuja demanda pelo produto se deu de diferentes formas. Deste modo,quando vendeu para aos atravessadores o preço médio praticado foi de R$ 0,45/un. que seconstituiu o melhor preço adquirido pelo produtor local, pois até quando transacionou comsetores de fora da RI, ele conseguiu um preço abaixo deste. Os agroextrativistas extralocais,por sua vez, conseguiram um preço bem melhor, tanto quando transacionou com o varejourbano local cujo preço recebido foi de R$ 0,60/un. do fruto in natura, o mesmo preçoadquirido junto a indústria de transformação, composta por lanchonetes e sorveterias (Figura20). O varejo rural, por conseguinte transacionou este fruto de duas formas, in natura e empolpa e, sendo assim, vendeu por preços distintos, no primeiro caso o setor recebeu R$1,70/un. da indústria de transformação e no último caso, ele recebeu R$ 0,66/un. dosvarejistas locais e R$ 0,49/un. dos varejistas estaduais. FIGURA 20- Preço médio do bacuri (R$ correntes/un.) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. No que tange aos consumidores deste fruto, o local compra mais barato quandocompra do setor de varejo rural, in natura, a um preço de R$ 0,25/un. ou até mesmodiretamente do produtor a R$ 0,36/un., no entanto, quando comprou o bacuri transformadoem sorvetes e/ou suco pagou R$ 9,56/un. (Figura 20). O consumidor estadual, porconseguinte, pagou um preço bem mais caro (R$ 0,65/un.), em relação ao preço pago peloconsumidor local.
  • 88. 944.2.7 Muruci a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do muruci. Foram identificados treze agentes mercantis do produto (Figura 21), sendo que todostrabalham com outros produtos, tais como: bacaba, taperebá, açaí fruto, muruci, bacuri epaneiro de cipó-titica. Estão divididos nas categorias de indústrias de transformação (duaslanchonetes e duas sorveterias), três produtores, três feirantes, um comerciante (panificadora)e quatro atravessadores. Os agentes estão no ramo em média há 8 anos (variação de 1 a 40anos). FIGURA 21- Localização dos agentes mercantis do muruci na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Seis agentes trabalham paralelamente como cobrador de ônibus, vendedor decaranguejo, garçom, balconista, lavrador e ambulante. Um produtor citou ser detentor depropriedade rural com dimensões de 100 ha. Referente aos locais de armazenamento e/oucomercialização, oito agentes os possuem e são diversificados como barraca de 12m²,depósito de 10m², pontos comerciais de 12m2, 9m2 e 50m2. Os meios de transporte mais utilizados pelos agentes foram bicicleta cargueira emoto. Os maquinários e equipamentos utilizados pela indústria de transformação forammáquinas de sorvete, freezer e liquidificador. Já os demais agentes citaram utilizar balança de10 kg, freezers, basquetas e liquidificadores. O maior problema enfrentado nesta cadeia é,
  • 89. 95segundo declaração dos agentes, o espaço físico insuficiente para armazenar a produção depolpas, e por este fato, não podem aumentar a produção. O produto é comercializado durante o ano todo em forma de picolés, sucos e polpa.O atravessador identificado trabalha somente na safra e paga o valor de um salário para seuajudante. A feirante contrata entre um a dois ajudantes que recebem R$ 80,00/semana. A mãode obra empregada pela produção é familiar. A indústria de transformação adota o regime decontrato temporário, pagando o valor de R$ 50,00 diariamente. Segundo os agentes, a principal dificuldade está no mercado consumidor que nãoconsegue absorver a oferta do produto. Outro problema enfrentado pelos agentes refere-se aausência de maquinários e equipamentos para beneficiamento, tais como: despolpadeiras ecâmara fria. Os agentes envolvidos na cadeia de comercialização do muruci na RI Marajó estãodescritos no Quadro 7.QUADRO 7- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do muruci da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extrativistas da RI Metropolitana (Belém). O fruto foiExtralocal Produção comercializado in natura em embalagens de sacos plásticos de 1 litro, ou na forma de polpa. Extrativistas da RI Marajó. O fruto foi comercializado in Produção natura em embalagens de sacos plásticos de 1 litro, ou na forma de polpa; Agentes mercantis que adquiriram diretamente dos extrativistas Varejo rural o muruci in natura, e venderam para varejistas locais e estaduais;Local Pequenas empresas que realizam a transformação do fruto in Indústria de natura ou da polpa em outros produtos finais como sorvete, transformação suco, entre outros; Feirantes, pequenos estabelecimentos comerciais (mercearias e Varejo urbano frutíferas) e mini mercados que realizam a venda do muruci in natura e em polpa. Feirantes da RI Metropolitana, que realizam a venda do frutoEstadual Varejo urbano muruci in natura e a polpa oriundos da RI Marajó.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do muruci. Os canais de comercialização do muruci, identificados nos dezesseis municípios e,com parte da produção identificada com origem em outra região de integração, foi realizadobasicamente no âmbito local, apesar de 32,9% da produção identificada tenha sido
  • 90. 96comercializada para outra região integração, ou seja, transacionada para o mercado estadual(Figura 22). Entre os canais apresentados, o principal refere-se ao setor da produçãovendendo 43,4% para o varejo urbano local, que totalizou uma compra de 45,5%, dos quais1% foi oriunda da produção extralocal e 1,1% foi adquirida junto aos atravessadores (varejorural). O setor da indústria de transformação, por sua vez, comprou 14% da produção juntoaos extrativistas locais e vendeu diretamente para o consumidor na forma de produtos finais(sorvetes e sucos). O varejo rural foi o setor responsável pelas transações para além da RIMarajó, pois do total adquirido (28,4%) junto ao setor da produção local, 27,3% foramvendidos para varejistas do mercado Ver-o-Peso, localizado em Belém, pertencente a RIMetropolitana. FIGURA 22- Estrutura (%) da quantidade amostral do muruci comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do muruci, no ano 2010. O preço médio praticado pelo produtor local foi diferenciado devido as suastransações terem sido dispersas e para setores que demandaram o produto de diferentesformas, pois com o varejo urbano local o preço foi de R$ 1,00/l do fruto de muruci in natura,enquanto o produtor extralocal conseguiu vender a R$ 2,08/l um produto beneficiado empolpa (Figura 23). No entanto, quando o produtor local também vendeu o produto em polpa
  • 91. 97diretamente a indústria de transformação, composta por lanchonetes e sorveterias, ele recebeuR$ 2,30/l. O consumidor local, ou seja, os demandantes da RI Marajó, por sua vez, comproumais barato quando pagou ao setor de varejo urbano a um preço de R$ 2,13/l, quandoadquiriu diretamente dos agroextrativistas pagou o equivalente a R$ 2,67/l e, quando comprouo muruci transformado em sorvetes e/ou sucos pagou R$ 25,97/l (Figura 23). O consumidorestadual, por conseguinte, pagou um preço bem mais em conta (R$ 2,07/l), em relação aopreço pago pelo consumidor local, devido a alta concorrência que este fruto, oriundo da RIMarajó, enfrenta, já que no mercado Ver-o-Peso chegam inúmeras frutas oriundas de diversasregiões. FIGURA 23- Preço médio do muruci (R$/l) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.8 Taperebá a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do taperebá. Foram identificados oito agentes mercantis do produto (Figura 24), divididos em umatravessador, quatro indústrias de transformação (lanchonetes) e quatro varejistas(supermercado, feirantes e padaria). Sendo que estes trabalham com outros produtos, taiscomo: açaí fruto, cupuaçu, bacuri, carvão, palmito e muruci. Os agentes atuam no ramo emmédia há 14 anos (variação de 1 a 40 anos).
  • 92. 98 FIGURA 24- Localização dos agentes mercantis do taperebá na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 8 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores.QUADRO 8- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do taperebá da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores envolvidos na coleta dos frutos pertencentes ao Extralocal Produção município de Tomé-açu (RI Rio Capim). Agentes envolvidos na coleta dos frutos nos municípios da Produção região; Atravessadores que se deslocam pelas comunidades Varejo rural ribeirinhas da região e compram o fruto in natura ou em forma de polpa, diretamente dos extrativistas; Local Indústria de Lanchonetes que compram o taperebá in natura ou em transformação forma de polpa; Feirantes e supermercados que realizam a venda do Varejo urbano taperebá in natura ou em forma de polpa para o consumidor local. Feirantes de Belém que realizam a venda do taperebá in Varejo urbano Estadual natura para o consumidor estadual.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os agentes citaram, com relação ao local de comercialização, possuir pontocomercial e boxes, com dimensões que variam de 9m2 a 750m2 e a bicicleta cargueira foi
  • 93. 99utilizada como meio de condução. As indústrias de transformação utilizam liquidificador parabeneficiar o fruto na forma de polpa. Já os equipamentos para armazenagem citados foramfreezers de 380L e isopores. As pessoas envolvidas na atividade são em número de uma a três. A mão de obra dosvarejistas varia de um a dois membros familiares, já as indústrias empregam entre dois a trêsfuncionários, sendo que para uma indústria dois são assalariados e um foi contratado, comdiárias de R$ 25,00. As outras indústrias pagam entre R$ 15,00 a R$ 50,00/dia para osajudantes. O atravessador possui três ajudantes com diárias de R$ 30,00 no período da safra. Para melhoria na capacidade de produção, os agentes declararam que há necessidadede equipamentos para beneficiamento dos frutos, energia elétrica de qualidade, poisconstantemente acontecem quedas de energia que acabam prejudicando osaparelhos/equipamentos e a produção, além da maior oferta do produto na região e mercadoconsumidor. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do taperebá. Os canais de comercialização do taperebá, com pequena parte da produçãoidentificada (4,4%) com origem em outra região de integração (Rio Capim), caracterizaram-sepor atender predominantemente o mercado local (84,9%), pois somente 15,1% da produçãoidentificada foi comercializada para o mercado estadual (Figura 25). Entre os canaisapresentados, o principal refere-se ao setor da produção local vendendo 71,7% do produtopara o varejo rural, que por sua vez, teve a responsabilidade de abastecer os setoresintermediários localizados nos centros urbanos dos municípios da RI Marajó (40,4% varejourbano e 16,2% para a indústria de transformação) e para o mercado estadual (15,1%) paravarejistas do Mercado Ver-o-Peso, localizada na capital paraense, Belém (RI Metropolitana).O setor da indústria de transformação também comprou 23,9% da produção junto aosextrativistas locais e vendeu tudo o que adquiriu (40,1%) diretamente ao consumidor na formade produtos finais (sorvetes e sucos). O varejo urbano local, por sua vez, foi o setor queadquiriu toda a produção oriunda de outra região de integração (4,4%), caracterizada comoextralocal (Figura 25).
  • 94. 100 FIGURA 25- Estrutura (%) da quantidade amostral do taperebá comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do taperebá, no ano de 2010. O preço médio praticado pelo produtor extralocal junto ao varejo urbano local foi deR$ 0,75/kg do fruto in natura, muito abaixo do preço adquirido pelo produtor local, poisquando vendeu o produto diretamente a indústria de transformação, composta por lanchonetese sorveterias, ele recebeu R$ 1,22/kg e quando as vendas foram para atravessadores rurais elerecebeu R$ 1,37/kg (Figura 26). O varejo rural, por conseguinte transacionou este fruto deduas formas, in natura e em polpa e, sendo assim, vendeu por preços distintos, no primeirocaso o setor recebeu R$ 2,06/kg da indústria de transformação e no último caso, ele recebeuR$ 1,50/kg tanto dos varejistas locais quanto estaduais. O consumidor local adquiriu este produto de dois setores, sendo mais barato quandoadquiriu do setor de varejo urbano a um preço de R$ 4,66/kg e quando comprou o taperebátransformado em sorvetes e/ou sucos pagou R$ 23,68/kg (Figura 26). O consumidor estadualpagou um preço bem mais em conta (R$ 1,88/kg), em relação ao preço pago pelo consumidorlocal, devido a alta concorrência que este fruto, oriundo da RI Marajó, enfrenta, já que nomercado Ver-o-Peso chega produção desta e de outras frutas, oriundas de outras regiões.
  • 95. 101 FIGURA 26- Preço médio do taperebá (R$/kg) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.9 Frutas (cupuaçu, bacuri, muruci e taperebá) Com o aumento do consumo das frutíferas da Amazônia, nas últimas décadas, entreas quais as frutas do Pará pelo sabor exótico, aroma, textura, qualidade e diversidade, aliado aprocura por produtos orgânicos, que propiciam a segurança alimentar, as análises que seguemse desenvolverá com base na comercialização das quatro principais frutas identificadas na RIMarajó: bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá. Pois, apesar de apresentarem em suas respectivascadeias, um fluxo homogêneo na forma do produto (fruto in natura), no que se referiu acomercialização além de atender basicamente a demanda interna, ou seja, o consumo daprópria RI, uma parte da produção foi transacionada para outros mercados. Apesar da demanda local ser prevalecente na comercialização dos quaro frutos, ademanda estadual, no caso do muruci correspondeu a 32,9% da sua oferta, do bacuri 17,8%, otaperebá 15,1% e o cupuaçu 9%, sendo que este último foi o único a ser comercializado noâmbito nacional, 7,2% da sua produção identificada. E, em quase todos os casos, estacomercialização ficou a cargo dos produtores/atravessadores e atravessadores que osvenderam principalmente na feira do Ver-o-Peso em Belém, pertencente a RI Metropolitana,classificada como mercado estadual. a) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização das frutas.
  • 96. 102 No que tange a oferta das frutas (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá) a partir da RIMarajó, o valor recebido pelos setores foi estimado na ordem de R$ 2 milhões e correspondeao VBP total, sendo que os setores situados no mercado local adquiriram o equivalente a R$1,9 milhão, os do mercado estadual R$ 67,1 mil e o varejo urbano nacional adquiriram R$15,3 mil, conforme Gráfico 13. GRÁFICO 13- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização das frutas (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá) da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Do VBP local, conforme o Gráfico 13, somente R$ 304,4 mil corresponderam aovalor adquirido pelo setor da produção, resultante das vendas em torno de 94% aos setoresintermediários, sendo mais preponderante ao varejo rural (44%) e ao varejo urbano (22%). E,apenas 6% de seu valor adquirido fora oriunda das vendas realizadas diretamente aosconsumidores finais locais. É importante ressaltar, que na composição do valor adquirido pelosetor da produção (VBPα), 11% (R$ 33,2 mil) correspondem ao valor pago ao setor daprodução de outra RI, equivalente a agroextrativista extralocal, pela oferta a dois setores(indústria de transformação e varejo urbano) em três municípios que integram a RI Marajó(São Sebastião da Boa Vista, Santa Cruz do Arari e Cachoeira do Arari), os frutos jábeneficiados em polpa. Com relação ao valor adquirido pelos outros setores de domínio local, osatravessadores, agregados no setor de varejo rural, arrecadaram um valor equivalente a maisde R$ 180 mil (6% do VBP local), das vendas tanto para os setores no âmbito local
  • 97. 103(transformação, varejo urbano e diretamente ao consumidor) quanto para os varejistas noâmbito estadual e nacional. O setor de varejo urbano, composto por inúmeros feirantes, porsua vez, arrecadou R$ 265,5 mil pelas vendas de forma preponderante (99%) aosconsumidores locais, apesar de ter vendido também ao setor de transformação destes frutos. Aindústria de transformação (setor onde foram inseridas as inúmeras sorveterias e/oulanchonetes e doceiras), por sua vez, consagrou-se como o maior setor arrecadador com asvendas dessas frutíferas transformadas em produtos finais (sorvetes, sucos, cremes e doces)aos consumidores locais, pois adquiriu aproximadamente R$ 1,2 milhão (61% VBP local).Um atacadista com a venda para o setor de varejo urbano local de uma dessas frutíferasarrecadou R$ 2 mil. (Gráfico 13). Com relação ao VBP formalizado no âmbito estadual e obtido com as vendasrealizadas pelos setores, orçada em R$ 67,1 mil, em torno de, R$ 61,4 mil corresponderam asvendas do varejo urbano aos seus clientes finais. Na composição do setor, os agentesmercantis correspondem aos feirantes de Belém e Icoaraci pertencente a RI Metropolitana e,Almeirim e Santarém pertencentes a RI Baixo Amazonas. O restante do VBP estadual (R$ 5,7mil) adveio das vendas do setor atacadista a outras feiras de Belém. No sistema nacional, cujovalor do VBP foi estimado na ordem de R$ 15,3 mil, foi exclusivamente oriundo das vendasdo setor de varejo urbano ao consumidor final (Gráfico 13). Este setor de varejo integra osagentes mercantis que atuam como feirantes do município de Macapá-AP, que compraram ocupuaçu fruto de produtores/atravessadores de Chaves e atravessadores de Gurupá. Apesar do montante (próximo de R$ 2 milhões) gerado pela oferta desses quatrofrutos (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá), a partir da RI Marajó, a comercialização sedesenvolveu preponderantemente na sua forma in natura, sendo pouco comercializado empolpa, beneficiamento este realizado pelos próprios produtores e até mesmo algunsatravessadores e, por conta disso, o setor de transformação (sorveterias e/ou lanchonetes edoceiras) quando comprou o seu insumo já em polpa para a fabricação do seu produto final(sorvete, sucos, doces e cremes), o que reduz tempo e custos, teve que adquirir de setores defora da RI Marajó (extralocal). É importante frisar também, que na formação deste VBP, nãofoi verificada a intermediação da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab com oPrograma Aquisição de Alimentos (PAA), apesar de alguns agentes do setor alfa da RI emestudo, isto é, dos agroextrativistas locais, terem o seu conhecimento. b) VAB - gerado na comercialização das frutas (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá) e a margem de comercialização de cada setor (%).
  • 98. 104 O VAB ao longo da cadeia de comercialização dos frutos acima citados, desde osetor alfa (coleta/produção) da RI Marajó até o consumidor final, foi de R$ 1,5 milhão(Gráfico 14), que resultou em uma margem bruta de agregação de valor ao produto, ou mark-up total, na comercialização de 339%, calculada a partir do valor total do VAB (R$ 1,5milhão), menos o VBPα (R$ 304,4 mil), dividido por este mesmo valor do VBPα, expõe, emtermos percentuais, o quanto foi adicionado a estes frutos, ao longo de toda a cadeia decomercialização, a partir do setor alfa (α). Este valor de mark-up foi expressivo pelo motivodo setor alfa, após realizar a coleta/produção destes frutos, pouco os beneficiou, contrário dossetores da demanda intermediária, principalmente das indústrias de transformação local. O cálculo do VAB na cadeia de comercialização das frutas foi necessário porqueidentifica onde a economia esta em processo de crescimento, uma vez que expõem as açõesde beneficiamento, transformação e/ou majoração de preço que estes produtos adquiriram nossetores, ao longo das cadeias de comercialização, antes do demandante final. GRÁFICO 14- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização das frutas (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá) da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Como visto nos itens b das respectivas cadeias desses frutos, em que as suascomercializações se desenvolveram basicamente para atender ao mercado local, ou seja, ademanda da própria RI Marajó e, assim sendo, foi no sistema local em que se adicionouaproximadamente 99% do valor agregado ao longo da cadeia de comercialização (Gráfico14). Cujo processo de transformação das frutas em um determinado produto final (sorvetes,
  • 99. 105sucos, cremes e doces), considerando-se as suas características e especificidades edesenvolvido pelo setor de indústria de transformação foi responsável por mais de 71% doVAB Local, que devido a isso, constitui a maior margem de comercialização (mark-up) entreos setores e, estimado em 1.175%. Já o processo de somente majorar o preço (acréscimos doscustos de comercialização) contribui com mais de 8,4% para o somatório do valor do VABlocal e, praticado pelo setor de varejo rural (3%), varejo urbano (5,4%) e atacadistas (0,1%),que constituiriam um valor mark-up de 33%, 44% e 60%, respectivamente . Ainda para acomposição do VAB local, considera-se o valor das vendas do setor da produção desses frutosna sua forma in natura na ordem de R$ 304,4 mil, o qual é equivalente ao valor adicionado dosetor e/ou seu valor efetivo, isto é, o setor agroextrativista agregou valor ao produto, somenteno que se referiu as vendas e, por isso, não foi estimado o seu valor de mark-up, que éresultante da relação do que foi adicionado pelo setor e o valor de compra de insumo,correspondente ao VBP, sob a ótica da demanda. O mark-up, em termos gerais, representadoem termos relativos (%), inclui todos os custos de beneficiamento e comercialização doproduto analisado, que não são captados pela pesquisa. Com relação aos setores que contribuíram para o VAB constituído no mercadoestadual, estimado na ordem de R$ 15,3 mil (1% do VAB total), conforme o Gráfico 14, foidesenvolvido explicitamente pelo processo de majoração de preço antes das vendas, praticadotanto pelo setor de varejo urbano que contribui com aproximadamente 88% deste VAB(equivalente a R$ 13,1 mil) e, configurou um margem de comercialização (mark-up) de 28%.Quanto pelo setor atacadista que adicionou R$ 1,9 mil, estabelecendo um mark-up de 49%. Omesmo aconteceu para o VAB formado no mercado nacional e, estimado na ordem de R$ 3,3mil (equivalente a 0,2% do VAB total), que ficou por conta do setor de varejo urbano, quedevido ao aumento preço apresentou um mark-up de 28%. Portanto, no que se referiu ao VAB total (R$ 1,5 milhão), equivalente ao VTE, aolongo da cadeia de comercialização desses frutos, observou-se que o processo detransformação, desencadeado por um número considerável de pequenas unidades industriaisfamiliares, contribuiu com mais de 70% para a sua formação, enquanto que, a formação depreço praticada de forma aleatória, pois, trata-se de um percentual determinadosubjetivamente por partes dos agentes mercantis, contribuiu com apenas 13% para a somatóriado VAB total. Sendo, desta maneira, o restante do valor VAB, oriundo das transações do setorda produção estimada em R$ 304,4 mil.
  • 100. 106 c) Renda Bruta Total (RBT), gerada pela ótica da demanda, na comercialização das frutas (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá). A Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização destes frutos eorçada em R$ 2 milhões, formou-se a partir da soma de compra de insumo (VBP pela ótica dademanda) no valor de R$ 475,7 mil, realizado pelos setores da demanda intermediária, comValor Transacionado Efetivo (VTE), que corresponde ao VAB constituído ao longo da cadeiacontabilizada em R$ 1,5 milhão, tanto pelos setores da demanda intermediária quanto o setorda produção. O sistema local foi responsável por mais de 96% desta renda, o estadual 3% e onacional 1%, conforme o Gráfico 15. GRÁFICO 15- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização das frutas (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá), considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Na Região de Integração Marajó, classificada como mercado local, o setor deindústria de transformação foi quem gerou a maior renda bruta no valor de R$ 1,2 milhão,resultante das compras dos frutos na sua forma in natura e/ou polpa no valor de R$ 91,2 mil(junto aos agroextrativistas, atravessadores e feirantes) com o seu valor adicionado de R$ 1,1milhão com os seus processos de transformação dos frutos em produtos finais (Gráfico 15). Ovarejo rural gerou uma renda bruta no valor de R$ 180 mil, resultante da soma da compra deinsumo no valor, em torno de, R$ 135 mil junto ao setor da produção e, na maioria das vezes,in lócus, e agregação de R$ 45 mil. O varejo urbano, por sua vez, comprou insumos no valorde R$ 184,7 mil junto ao varejo rural, agroextrativistas e atacadistas, nos próprios pontos de
  • 101. 107comercialização dos centros urbanos e, adicionou R$ 80,8 mil, gerando uma renda bruta novalor de R$ 265,5 mil. Os atacadistas geraram uma renda bruta no valor de R$ 2 mil,resultante da soma da compra de insumo no valor, em torno de, R$ 1,3 mil junto ao setor daprodução e agregação de R$ 763,57. Na esfera estadual, com renda bruta contabilizada em mais de R$ 67,1 mil, quemmais atuou para a formação deste montante foram os feirantes, com R$ 61,4 mil, obtidos coma soma do valor agregado de R$ 13,5 mil com o valor da compra dos frutos in natura no valorde R$ 47,9 mil. O atacado, por conseguinte, gerou uma renda no valor de, emaproximadamente, R$ 5,7 mil, gerados pela compra das frutas in natura no valor de R$ 3,8mil junto aos produtores/atravessadores e agregação de valor em torno de R$ 1,9 mil (Gráfico15). Com relação a esfera nacional, o varejo urbano comprou as frutas in natura no valor deR$ 12 mil, e adicionou o equivalente a R$ 3,3 mil, gerando uma renda bruta no valor de R$15,3 mil. Estas rendas brutas geradas no âmbito local, estadual e nacional, demonstram aimportância que estas frutas tiveram não somente para a economia da região, no que tange ageração de renda e emprego. Entretanto, dos R$ 2 milhões gerados e circulados na cadeia decomercialização das frutas, apenas 15% deste montante (R$ 304,4 mil) corresponderam aovalor retido pelo setor que dá origem a toda a cadeia, ou seja, agroextrativistas, ver Gráfico15. Pois, foram os diferentes motivos que, agindo concomitantemente, contribuíram para talproblemática: primeiro as vendas dos produtos foram parcialmente maiores, na sua forma innatura, para os varejistas (composto por atravessadores e feirantes) que pagaram os menorespreços médios, que devido a; falta de uma melhor organização social (seja em forma desindicato, associação ou via cooperativa), contribuiu para que as vendas tenham sido dispersase vendidas em maior quantidade para os setores que não estão ligados ao beneficiamento,assim como, contribuiu para que as vendas para a Conab não se realizasse caso este, também,fosse amplamente conhecido e; o local de produção/extração do produto, encontrar-se distantedos centros consumidores, o que por sua vez, pelo custo, acaba lhe impondo dependências emrelação a comercialização, ou seja, o escoamento de parte da produção fosse realizado porintermédio de terceiros (atravessadores) e, por fim; a precariedade em que se encontraram ospontos de comercialização nos municípios (feiras e mercados), que por sua vez, fez com quealguns agroextrativistas saíssem da região para vender a sua produção em outras regiões, maisprecisamente a Metropolitana e, até mesmo em outro estado, que no caso tratou-se do estadodo Amapá.
  • 102. 1084.2.10 Cacau amêndoa Foram identificados dois agentes que comercializam a amêndoa do cacau na RIMarajó (Figura 27), que atuam como atravessadores do produto. Sendo que um tambémtrabalha atravessando carvão. Estão no ramo, em média, há cinco anos e um exercia profissãoanterior de verdureiro. FIGURA 27- Localização dos agentes mercantis do cacau amêndoa na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O cacau amêndoa é comercializado durante o período de safra, sendo armazenado emum galpão cedido pela prefeitura. Os agentes não citaram meios de transporte, apenas quepagam frete de R$ 3,00 a R$ 4,00 por saca. A quantidade de pessoas envolvidas no trabalhofoi de uma a duas, sendo que os agentes não citaram o tipo de mão de obra. Os agentesrelataram que necessitam de melhorias como assistência técnica e financiamento de plantiospara aumento da produção, para atender a demanda do mercado. A seguir a descrição dos agentes mercantis envolvidos na comercialização do cacauamêndoa (Quadro 9).
  • 103. 109QUADRO 9- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau amêndoa da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Pequenos produtores da região, mas que totalizam uma Produção expressiva quantidade de 58 toneladas no ano estudado, que Local foram vendidos diretamente para atravessadores; Atravessadores, que compram a produção in loco, geralmente Varejo rural possuem compradores certos, como os atacadistas no mercado estadual; Atacadistas pertencentes principalmente a RI Xingu, líder Estadual Atacado estadual em produção cacaueira, que comercializam diretamente para as indústrias de transformação nacionais. Indústria de Grandes empresas nacionais, que transformam o produto bruto transformação em diversos subprodutos; Nacional Redes de supermercados em geral, que vendem a produção Varejo urbano industrializada para o consumo final nacional.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis do cacau amêndoa. A estrutura da cadeia do cacau amêndoa apresentou uma cadeia linear, passando porsetores intermediários a nível local, estadual e nacional (Figura 28). Da produção identificadana região (equivalente a 58 t), 100% foi vendido para o varejo rural (atravessadores) ao preçode R$ 4,79/kg, que vendeu para o agente atacadista estadual (localizado em Altamira) a R$5,37/kg, que revendeu a R$ 6,44/kg para uma grande empresa multinacional do setor daindústria de transformação nacional, localizada na Bahia, para produção de chocolate em póque, por sua vez, comercializou com o varejo urbano nacional (supermercados) a R$ 7,80/kg,que fez a venda para o consumidor final num preço estimado em R$ 10,93/kg. O preço médiodo cacau não varia muito entre os setores da cadeia, pois geralmente é definido pelo mercadointernacional, com cotação na bolsa de valores, e sofre pequena flutuação de preço entresafras.
  • 104. 110 FIGURA 28- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do cacau amêndoa na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.11 Carvão a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do carvão. O comércio de carvão geralmente tem sido acompanhado da venda do açaí, visto queo batedor utiliza o carvão para aquecer a água que amolece a polpa do açaí, econsequentemente, também comercializa o excedente do carvão. Foram identificados setentae dois agentes mercantis do produto (Figura 29), sendo que trinta e cinco comercializamexclusivamente o carvão, e os demais trabalham com mel, açaí, polpa de cupuaçu, cacau,taperebá, tipiti e breu-branco. Cinco agentes envolvidos nesta cadeia estão neste ramo hápouco tempo (entre um a cinco meses), os outros estão no ramo, em média, há 16 anos(variação de 1 a 59 anos) e exercem profissões paralelas de açougueiro, proprietário de bar,auxiliar de enfermagem, ajudante de pedreiro, costureira, pescador, ambulante e aposentado.
  • 105. 111 FIGURA 29- Localização dos agentes mercantis do carvão na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 10 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores.QUADRO 10- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do carvão na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Carvoeiros de Limoeiro do Ajuru, Oeiras do Pará, Abaetetuba e Extralocal Produção Barcarena (RI Tocantins) que produzem o carvão e comercializam em sacas de 15 kg. Provinda da fabricação de carvão por carvoeiros, muitas vezes são agricultores familiares que produzem a partir da matéria- prima proveniente da limpeza dos seus terrenos, em fornos Produção artesanais cavados no chão, chamados de “caieiras”, e consideram essa atividade complementar para a renda familiar. Local O carvão também pode vir da matéria-prima dispensada pelas serrarias; Agentes que se deslocam até as comunidades para comprar o Varejo rural carvão diretamente dos carvoeiros; Comerciantes e feirantes que compram o carvão em sacas de 15 Varejo urbano kg dos produtores.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os produtores possuem propriedades rurais com extensões que variam de 1 a 200hectares, localizadas em Melgaço, Salvaterra, Rio Canaticu, Rio Batata, Rio Purús e IlhaAtuirá. Apesar de possuírem áreas, a produção do carvão é feita em frente ou próximo das
  • 106. 112madeireiras. Com relação ao espaço de comercialização e armazenagem dos produtos, 17agentes (quatro produtores, onze comerciantes e um atravessador) não possuem ouarmazenam no pátio da casa, já os restantes dispõem de locais com dimensões que variam de1m² a 48m². Os meios de transporte mais utilizados nesta atividade são carros de mão, carros,bicicletas, barcos com capacidade de uma tonelada e rabeta. Porém, os produtores eatravessadores pagam frete para o transporte do carvão até o local de comercialização novalor de R$ 4,00. Os materiais e equipamentos utilizados pelos produtores/carvoeiros para fabricaçãodo carvão resumem-se a pá, terçado, machado, paneiro e lata, sendo que, boa parte daprodução das caieiras é realizada com aproveitamento de refugo de serrarias. As caieiras sãoburacos feitos no chão, com dimensões de 4m², onde ficam empilhados refugos de madeiradispostos longitudinalmente, que quando cobertas com areia formam uma espécie de forno.Os comerciantes, atravessadores e feirantes que trabalham o ano todo com o produto, citaramque há necessidade de local maior e protegido para armazenagem do carvão, pois devido aschuvas fica úmido e/ou molhado, tendo que ser posto para enxugar em lonas na frente doestabelecimento. A mão de obra empregada é na maioria dos casos familiar, a qual serve comocomplemento para as famílias que em alguns casos sobrevivem desta atividade em situaçãobastante precária. Um agente produtor adota o sistema de meia com seu “ajudante” cedendo aárea e os equipamentos para produção do produto e o lucro obtido com a venda é divididoentre eles. Os problemas relatados são decorrentes da falta de espaço físico dos boxes e, comrelação a capacidade de melhoria, a legalização de áreas de coleta de madeira e para aatividade de produção de carvão. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do carvão. Os canais de comercialização do carvão, identificados nos dezesseis municípios, secaracterizam por canais simples, que apresentam apenas dois setores intermediários que são ovarejo rural (atravessador) e o varejo urbano local (feirantes) (Figura 30). Do total da produçãoidentificada pela pesquisa, 65,9% são da própria região estudada e o restante (34,1%) é originárioda RI Tocantins (Abaetetuba, Barcarena, Limoeiro do Ajuru e Oeiras do Pará). O principal canal de comercialização do carvão é formado pelo setor do varejourbano que compra 37,9% da produção local, 13,7% da produção extralocal e 29,2% dos
  • 107. 113atravessadores (varejo rural) e vendem 80,8% diretamente para os consumidores locais(Figura 30). É importante destacar que o setor do varejo urbano também é constituído porpequenos e grandes batedores de açaí, classificados nesta cadeia como varejistas, poiscompram carvão diretamente de produtores de açaí, que usam como insumo no processo deesquentar a água, para amolecer o fruto do açaí. Estes comerciantes aproveitam para vendertambém o carvão. Outro canal importante é a venda direta da produção local (17,4%) com osconsumidores locais, neste caso são constituídos principalmente por restaurantes echurrascarias locais (Figura 30). Os varejistas rurais compram somente 10,6% da produçãolocal e 20,4% da extralocal, devido a proximidade dos municípios, e foram vendidos 29,2%para os varejistas urbanos locais e 1,8% diretamente para os consumidores locais. FIGURA 30- Estrutura (%) da quantidade amostral do carvão comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do carvão, no ano de 2010. O varejo rural compra a saca do carvão dos carvoeiros da RI Tocantins (produçãoextralocal) a um preço médio de R$ 6,00/saca e dos carvoeiros locais a R$ 9,45/saca e nasequencia, vende diretamente ao consumidor local por R$ 12,00/saca e para os varejistasurbanos a R$ 10,75/saca (Figura 31).
  • 108. 114 O varejo urbano (feirantes) compra, em média, a R$ 9,45/saca dos carvoeiros da RITocantins, a R$ 10,31/saca dos carvoeiros locais e a R$ 10,75/saca dos atravessadores e vendea saca fracionada ou não ao consumidor local a R$ 15,06/saca. Enquanto que os carvoeiroslocais vendem em média a R$ 6,50/saca diretamente para os consumidores locais, neste caso,a maioria são restaurantes/churrascarias (Figura 31). FIGURA 31- Preço médio do carvão (R$/saca) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.12 Utensílios a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização dos utensílios. Os utensílios encontrados foram: abano de tala de guarumã, cesto de palha de inajá etala de jupati, matapi de tala de jupati e cipó timboí5, paneiros confeccionados por diversastalas e cipós (guarumã, cipó-titica, miriti e jacitara6), pari7 feito de tala de jupati e cipó-titica5 O cipó timboí é usado na armação do matapi, que é uma armadilha cilíndrica usada para captura de camarões, pois reforça a estrutura e permite que se faça o arremate do matapi (PINTO e MOREIRA, 2005).6 As talas de jacitara são extraídas do estipe, caule da palmeira Desmoncus orthacanthos Martius, e são comumente usadas para confecção de cestos, paneiros e outros artefatos (ITTO, 2011).7 Parede móvel e plana confeccionada com talas de jupati fixadas lado a lado com cipó titica ou timboí, possuindo em média 2x3m utilizado para compor o curral de pesca, mais especificamente do tipo curral de beira (LIMA, 2010).
  • 109. 115que é utilizado como insumo principal para compor o curral de pesca8, peneira de tala deguarumã, tipiti feito de fibra de guarumã e vassoura regional de cipó timbó. Trinta agentes comercializam os produtos (Figura 32) e, dividem-se nas categoriasde comerciantes e de artesões, sendo que estes comercializam outros produtos como,castanha-do-brasil, açaí, casca de ipê, unha-de-gato, leite-de-sucuúba, andiroba e óleo depracaxi. Os agentes mais antigos trabalham a 55 anos neste ramo e os mais recentes há quatroanos, e exercem profissões paralelas de agricultor, pescador, roçador e madeireiro. FIGURA 32- Localização dos agentes mercantis dos utensílios na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Três agentes/artesões possuem propriedades rurais de 25 a 140 ha de onde retiramparte do material utilizado na confecção do artesanato. Com relação a armazenagem dosprodutos, os comerciantes citaram locais com tamanhos que variam de 25m2 a 96m2, já osartesões armazenam e confeccionam as peças em suas próprias residências. Utilizam como meio de transporte barcos, rabetas e bicicletas que levam osartesanatos até os pontos dos comerciantes. Os artesões que não possuem transporte pagamfrete ou alugam transporte para levarem a produção.8 O curral é uma armadilha de pesca, construída com talas de jupati (Raphia taedigera (Mart.) Mart.) amarradas com cipó-titica (Heteropsis spp.) ou timboí, para cercar e pegar os peixes, conforme a vazante da maré (LIMA, 2010).
  • 110. 116 Os equipamentos utilizados pelos artesões para confecção dos utensílios são: faca,tesoura, grampos, cola, tinta, verniz, pregos, lápis e martelo. E os comerciantes dispõemapenas de uma calculadora e balanças. No que tange a quantidade de pessoas, toda a produção dos artesões foi feita duranteo ano todo, em horários esporádicos, com dois a seis membros familiares envolvidos nafabricação dos utensílios, cuja renda tem sido dividida entre todos. Já o comerciante trabalhadurante o ano todo, e conta com a ajuda de membros familiares no comércio. Para melhoria da produção, os agentes citaram a necessidade de espaço físico maior,aquisição de produtos na região, divulgação da atividade, além de capacitação dos artesões.Pois acham que tendo orientação técnica haverá mais venda e valorização dos produtos. De acordo com o Quadro 11, os agentes da cadeia dos utensílios apresentam asseguintes características:QUADRO 11- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos utensílios da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Artesãos/produtores que retiram a matéria prima na forma de Produção fibras vegetais (cipós, palhas, fibras de guarumã e outros produtos), para tecerem objetos e utensílios; Atravessadores que se deslocam pelas comunidades ribeirinhas Varejo rural da região e compram o artesanato diretamente dos artesões; Local Agentes (comerciantes, varejistas e feirantes) que compram Varejo urbano utensílios da produção local e do varejo rural (comerciantes ou atravessadores), que possuem pontos comerciais ou trabalham em feiras dos municípios. Lojas de artesanato de Macapá que realizam a venda dos Nacional Varejo urbano utensílios como objetos utilitários e para decoração.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) dos utensílios. Os canais de comercialização dos utensílios identificados se caracterizam por níveisde canais de distribuição simples, abrangendo três setores intermediários. O varejo urbanolocal compra 46,3% da produção local e vendem diretamente para os consumidores locais.Por outro lado, 36,9% da produção identificada são comercializadas pelo varejo rural(atravessadores) que revendem 33,0% para o setor do varejo urbano nacional (Macapá),03,8% para o varejo urbano local e 0,1% diretamente para os consumidores locais (Figura
  • 111. 11733). Os produtores locais vendem 8,1% da produção diretamente para o setor de varejistanacional, 1,2% para os consumidores estaduais e 7,5% para os consumidores locais. FIGURA 33- Estrutura (%) da quantidade amostral dos utensílios comercializados na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia dos utensílios, no ano de 2010. O preço médio praticado pelos produtores com o varejo rural é de R$ 4,19/un. quevende para o varejo urbano local a R$ 6,50/un., para o consumidor local a R$ 2,50/un. e parao varejo nacional a R$ 5,56/un. (Figura 34). O varejo urbano local compra da produção a R$3,43/un dos utensílios e revende-os ao preço médio de R$ 4,38/un. para os consumidoreslocais. Uma pequena parte da comercialização de utensílios é vendida diretamente para osetor da produção no valor de R$ 5,40/un. para os consumidores locais, R$ 8,67/un. para osconsumidores estaduais e a R$ 3,32/un. para o varejo nacional.
  • 112. 118 FIGURA 34- Preço médio dos utensílios (R$/un.) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.13 Castanha-do-brasil a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da castanha-do-brasil. Foram identificados dez agentes mercantis do produto (Figura 35), sendo que apenasum trabalha exclusivamente com a castanha, e os demais com andiroba, bacaba, bacuri,copaíba, mel, mari, piquiá, tucumã, pupunha e uxi. Os agentes se dividem em quatroatravessadores, três feirantes, dois produtores e um comerciante. Trabalham neste ramo, emmédia, há 16 anos (variação de 2 a 30 anos). O Quadro 12 descreve a caracterização dos agentes mercantis envolvidos nacomercialização da castanha-do-brasil, de acordo com seus respectivos setores e mercados.
  • 113. 119 FIGURA 35- Localização dos agentes mercantis da castanha-do-brasil na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.QUADRO 12- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da castanha-do-brasil da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção primária da castanha-do-brasil, ou seja, coleta realizada por extrativistas na floresta, que realizam ainda, no Produção local de coleta, a quebra dos ouriços liberando as sementes para serem comercializadas;Local Atravessadores (cuja maioria, via de regra, atua como representante de indústria de beneficiamento “tradicional” no Varejo rural estado do Pará) que compram a castanha-do-brasil, somente na safra, diretamente dos coletores; Feirantes e frutarias que comercializam a castanha na forma de Varejo urbano semente para o consumidor final local. Refere-se a uma unidade de beneficiamento situada em Belém Indústria de (RI Metropolitana), que realiza o processamento industrial beneficiamento deste produto;Estadual Representada por uma das redes de supermercado (Belém) que Varejo urbano comercializa a castanha beneficiada pela indústria para o consumidor final estadual. Redes de supermercado situadas fora do Estado, ou até mesmoNacional Varejo urbano fora do Brasil.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os produtores possuem propriedades rurais com áreas de 5 a 800 ha, localizadas noRio Jurupari e Rio Parauaú. Com relação a armazenagem, todos os agentes possuem local
  • 114. 120para comercialização do tipo box ou ponto comercial, com dimensões variadas entre 3 a 100m2 e, utilizam como meio de transporte bicicletas, barcos com capacidade de 1.200 hectolitrose rabetas. Porém, um atravessador despacha as castanhas via balsa e o frete é pago pelocomprador. Os equipamentos utilizados nesta atividade são: calculadoras e balanças comcapacidades que variam de 150 a 300 kg. Referente a problemas com armazenamento, foirelatada a necessidade de ampliar os espaços físicos. Com relação a tempo de trabalho, os agentes trabalham com o produto somente noperíodo da safra e a mão de obra utilizada, geralmente, é familiar. Foi informada a existênciade outros agentes que comercializam o produto, todavia a produção da castanha estádefinhando devido a redução dos castanhais na região, fato este ligado ao desmatamento. Osagentes identificaram diversas necessidades, como incentivos governamentais para o plantiode castanhais, para a preservação dos existentes, para a assistência técnica e uma boa praticade manejo, assim como capital de giro para investir na atividade. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da castanha-do-brasil. Os canais de comercialização da castanha-do-brasil identificados na RI Marajó, secaracterizam por canais não muito complexos entre a produção local até o consumidor final.A análise da sua estrutura de comercialização, feita a partir das inter-relações existentes entreos agentes mercantis, indica que há desequilíbrios de forças no mecanismo decomercialização (Figura 36). O importante a se destacar é que o comércio da castanha, apartir da região do Marajó, obedece basicamente o mercado externo. O principal canal de comercialização é formado pelo setor de varejo rural quecompra 97,9% diretamente dos extrativistas, e vende o adquirido quase em sua totalidade(97,7%) para a indústria de beneficiamento estadual, que após realizar os seus processosprodutivos a fim de garantir uma melhor qualidade ao produto, os vendeu as redes desupermercados, sendo 2,2% no âmbito estadual e 95,5% no âmbito nacional. Depreende-se,no entanto, que deste percentual nacional, 31,3% foram transacionadas pela indústria aosagentes mercantis no exterior, ou seja, para outros países. Os outros canais que os extrativistas utilizaram para a geração de renda foram asvendas (1,9% do produto coletado) para os feirantes e, diretamente aos consumidores finais daRI Marajó, porém este último não representou nem 1% (Figura 36).
  • 115. 121 FIGURA 36- Estrutura (%) da quantidade amostral da castanha-do-brasil comercializada na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Portanto, o mercado (inter) nacional demandou 95,5% de toda castanha oriunda daRI do Marajó, ficando inexpressivos 2,3 % para serem consumidas a nível local e 2,2% aestadual. Sendo que, enquanto na RI a comercialização do produto se deu tanto em forma desemente quanto ainda com casca. Os consumidores a nível estadual adquiriram o produto demelhor qualidade, já que antes passaram por beneficiamento da indústria. Na comercialização da castanha foram identificadas transações comerciais(compra/venda) pela utilização da prática do aviamento, que em termos gerais, significa que omaior comprador, que no caso foi a indústria, adianta o pagamento do quilo do produto aosatravessadores ou “regatões” (varejistas) e estes, por sua vez, para garantir um retorno peloseu “trabalho”, pagam aos extrativistas um preço (por quilograma) menor do que recebeu noadiantamento. Este sistema se consolida neste mercado (há muito tempo, desde o inicio destasrelações), por ter entre os seus objetivos os de reduzir custos para as indústrias, haja vista quese reduz o custo de transporte e mantém o preço do produto inalterado (ou pouco alterado) poralguns anos, assim como, mantém o extrativista refém do comprador, por não “entender” e/ounão ter forças para modificar esses mecanismos de comercialização. E por fim, torna-setambém vantajoso para o comerciante, pois obtém uma margem de comercializaçãoexpressiva (mark-up) sem nenhum incremento ao produto.
  • 116. 122 c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia da castanha-do-brasil, no ano de 2010. Os preços de venda praticados pelos extratores da castanha com outros agentesvariam conforme o volume comercializado, tais como, R$ 0,87/kg com o varejo rural, R$1,30/kg com o varejo urbano e R$ 2,00/kg com consumidores locais (Figura 37). Com relação ao principal elo da cadeia de comercialização, o setor da indústria debeneficiamento estadual compra de atravessadores a R$ 1,09/kg e, após fazer todas as etapasdo beneficiamento na fábrica, vende ao preço de R$ 9,00/kg da amêndoa seca (com ou semcasca) para o varejo urbano estadual e, estimado a R$ 15,00/kg para o varejo urbano nacional.Convém lembrar que todos os preços aqui descritos, para todos os setores, foram convertidospara a unidade de R$ correntes por Kg de amêndoas secas da castanha-do-brasil (Figura 37). FIGURA 37- Preço médio da castanha-do-brasil (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. d) Valor Bruto da Produção, pela ótica da oferta, na comercialização da castanha-do- brasil. Na soma do valor recebido por todos os setores que realizaram a oferta da castanha-do-brasil a partir da RI Marajó, foi estimado na ordem de R$ 4,5 milhões (Gráfico 16), sendoo mercado nacional o seu maior arrecadador, composto pelos setores que não pertencem a RIem estudo, tão pouco ao estado do Pará, cuja parte deste montante, aproximou-se dos R$ 2,3milhões (52% do VBP total, sob a ótica da oferta), devido ser o maior mercado consumidor
  • 117. 123deste produto. O mercado estadual adquiriu algo em torno de R$ 1,9 milhão (43% do VBPtotal), pelo fato de ter sido beneficiado e, o nacional contabilizou em torno de R$ 257,2 mil(6% do VBP total), devido ser o local de extração e origem da comercialização. GRÁFICO 16- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da castanha-do-brasil da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Conforme o Gráfico 16, do total ofertado pelos setores que compõem o mercadolocal, o setor produção (VBPα), composto pelos extrativistas/coletores, recebeu um poucomais de R$ 113,1 mil das transações realizadas predominantemente no âmbito local, dos quaisaproximadamente 97% (R$ 109,3 mil) foram oriundos das vendas para o setor de varejo rural,pois, foi que teve o contato com a indústria de beneficiamento no âmbito estadual. O restanteadveio das transações de 3% com o setor de varejo urbano e, 0,5% das vendas aosconsumidores da RI. O setor de varejo rural, representativo dos atravessadores que atuam hávários anos na comercialização do produto, recebeu algo superior a R$ 137,2 mil,provenientes quase em sua totalidade (99,8%) das vendas para grande demandador do recursono âmbito estadual, mais especificamente o setor de beneficiamento estadual, já que, partedeste valor, os atravessadores venderam diretamente aos consumidores da própria RI. E ovarejo urbano, setor onde foram associados os feirantes, adquiriu R$ 6,9 mil com as vendasaos consumidores finais, sob a ótica da oferta. Com relação as receitas obtidas com as vendas dos setores realizadas no nívelestadual, orçada em mais de R$ 1,9 milhão, conforme o Gráfico 16, em torno de 98% (R$ 1,9
  • 118. 124milhão) foi proveniente das vendas da indústria de beneficiamento, referente a uma indústriaprocessadora e exportadora da castanha-do-brasil com sede na capital paraense e, quenegociou com o setor de varejo urbano no âmbito estadual e nacional, sendo 2% e 98%respectivamente. E, somente R$ 31,8 mil ficaram a par do setor varejista urbano(supermercados da capital paraense, Belém), oriundo das vendas diretas para o consumidorfinal estadual. No mercado nacional, onde o valor das vendas foi estimado em R$ 2,3 milhões(Gráfico 16), houve a participação exclusiva do setor de varejo urbano nacional, compostopelas redes de supermercado e, que venderam para os consumidores. Por tudo isso, verificou-se que na formação do VBP total, sob a ótica da oferta, deaproximadamente R$ 4,5 milhões, teve como principal agente comercializador a nível local,os atravessadores, pois, praticamente os extrativistas individualizados que tiveram nestaatividade a sua principal e/ou uma das fontes de renda, se vêem “obrigados”, por questõesmercadológicas (sendo o mais justificável os custos), a vender praticamente toda a produção aeste setor, que, por conseguinte venderam o adquirido ao setor de indústrias debeneficiamento no âmbito estadual, que por ser um dos poucos agentes com grande potencialde compra deste produto na região e, detentores do processo de automação, cujos níveistecnológicos adotados melhoram a qualidade do produto final, acabam também influenciandona determinação do preço de compra junto aos agentes mercantis locais, demonstrando que omercado da castanha-do-brasil, na RI Marajó, apresentou fortes característicasoligopsonistas9. No entanto, as redes de supermercado estadual, classificado como varejourbano, constituíram o maior arrecadador. e) VAB - gerado na comercialização da castanha-do-brasil e a margem de comercialização de cada setor (%). O VAB ao longo da cadeia comercialização deste recurso, desde o setor alfa(coleta/produção) da RI Marajó até o consumidor final, foi de R$ 2,3 milhões (Gráfico 17),que resultou em uma margem bruta de agregação de valor ao produto, ou mark-up total, nacomercialização de 1.975%. Esta margem calculada a partir do valor total do VAB (R$ 2,3milhões), menos o VBPα (R$ 113,1 mil), dividido pelo mesmo valor do VBPα, expôs, emtermos percentuais, o quanto foi adicionado ao produto, ao longo de toda a cadeia decomercialização, a partir do setor alfa (α), os extrativistas. É imperativo afirmar que este valor9 Oligopsônio refere-se a estrutura de mercado em que o número de compradores é bem pequeno.
  • 119. 125de mark-up foi expressivo pelo fato do setor alfa, após realizar a coleta/extração, poucoagregou ao fruto, diferente dos setores da demanda intermediária, principalmente dasindústrias de beneficiamento estadual. O cálculo do VAB é necessário porque identifica onde a economia esta em processode crescimento, uma vez que expõem as ações de beneficiamento, transformação e/oumajoração de preço que este produto adquiriu nos setores, ao longo das cadeias decomercialização, antes dos demandantes finais. GRÁFICO 17- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização da castanha-do-brasil da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Apesar do visto no item b) da respectiva cadeia desse produto, em que a suacomercialização se desenvolveu basicamente para atender ao mercado nacional, foi no âmbitoestadual em que se contabilizou 74% do VAB ao longo de toda a cadeia (Gráfico 17). Cujosprocessos automatizados de beneficiamento a fim de melhorar e, se adequar as exigências, noque se refere a qualidade do produto, considerando-se as suas características e especificidadese desenvolvido pelo setor de indústria de beneficiamento fora responsável por mais de R$ 1,7milhão (99,8% do VAB estadual). E devido a isso, constitui a maior margem decomercialização (mark-up) entre os setores e, estimado em 1.266%, resultante da relação entreo seu valor adicionado e o seu valor de compra do recurso (insumo). Os processosautomatizados desenvolveram-se desde higienização da semente e tratamento contra osfungos, conforme os órgãos de vigilância sanitária e de comércio, até a descasca da semente,
  • 120. 126seleção e empacotamento da amêndoa, como também pela compra da semente por baixopreço (por quilograma) junto ao seu fornecedor. Já o processo de somente majorar o preço (considerando os acréscimos dos custos decomercialização) contribui com mais de 21% para o somatório do valor do VAB total, sendo1,5% no âmbito local e desencadeado pelo setor de varejo rural (1,2%), varejo urbano (0,2%),que constituiram um valor mark-up de 26% e 144%, respectivamente (Gráfico 17). O setor devarejo urbano estadual, por sua vez, contribui com aproximadamente 0,3% do VAB total e,configurou um margem de comercialização (mark-up) de 25%. O mesmo aconteceu com osetor de varejo urbano nacional, que com o aumento do preço apresentou um mark-up de 28%e contribuiu com 20% do VAB Total. O restante do VAB, fora oriundo das transações do setor da produção estimada emR$ 113,1 mil. Logo, o setor extrativista agregou valor ao produto somente no que se referiu asvendas do produto na sua forma in natura (ainda dentro da casca) e, por isso, não foi estimadoo seu valor de mark-up. Portanto, no que se referiu ao VAB total, equivalente ao VTE, ao longo da cadeia decomercialização deste fruto, observou-se que as indústrias “tradicionais” de beneficiamento eexportação, localizadas fora da RI Marajó, conseguiu adicionar valor superior aos outrossetores, assim como também, formalizou um elevado valor de mark-up, fatos estes,propiciados simultaneamente tanto pelo grau de especialização/negociação, quanto pela suacapacidade instalada, como também devido as poucas ações de beneficiamento que esterecurso adquiriu antes das compras realizadas pelo setor. f) RBT (em R$), gerada pela ótica da demanda, na comercialização da castanha-do- brasil. No que diz respeito a Renda Bruta Total (RBT) gerada na comercialização doproduto e, contabilizada na ordem de R$ 4,5 milhões, o sistema local foi responsável porapenas 6%, o estadual 43% e o nacional mais de 52% (Gráfico 18). Este valor da RBT foiresultante da soma do valor de compra de insumo (VBP, pela ótica da demanda) com VTE,que corresponde ao valor estimado para o VAB total, formado pelos setores ao longo dacadeia de comercialização.
  • 121. 127 GRÁFICO 18- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da castanha- do-brasil, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Na RI Marajó, sistematizado como mercado local, cuja renda bruta somouaproximadamente R$ 257,1 mil, o setor do varejo rural foi quem gerou a maior renda bruta,no valor de R$ 137,2 mil, com as vendas para o setor de beneficiamento no âmbito estadual e,resultante da compra da castanha-do-brasil em forma de semente no valor de R$ 109,3 mil eagregação num montante de R$ 27,9 mil com a majoração de preço sob o fruto (Gráfico 18).O varejo urbano, por conseguinte, comprou mais de R$ 3,2 mil do produto diretamente dosextrativistas e adicionou um pouco mais de R$ 3,7 mil, que gerou uma renda bruta em maisde R$ 6,9 mil. No que tange a renda bruta do setor de produção (α), no valor de 113,1 mil,resultante da venda para os setores econômicos que compõem o sistema local,preponderantemente para os atravessadores. Vale destacar que o setor alfa transacionou oproduto já em forma de semente, contudo, a sua renda poderia ser maior se eles seorganizassem no intuito de fomentar a capacidade produtiva (meios de produção), pois assim,poderia barganhar recursos para os investimentos em máquinas e equipamentos para obeneficiamento do produto antes da comercialização, especificamente os processos dedesidratação e embalagem. Assim como abdicar uma assistência técnica eficiente e outrasbenesses para a atividade.
  • 122. 128 Com relação a renda bruta na esfera estadual, contabilizado em mais de R$ 1,9milhão, foi obtido com a interação de praticamente dois setores, o da indústria debeneficiamento, o qual teve uma participação significativa para a formação deste montante,em torno de 98%, resultante da venda do produto (amêndoa) para as redes de supermercadoestadual e do mercado nacional. A renda bruta deste setor foi resultante da compra da sementeno valor aproximado de R$ 137 mil e pelo valor agregado na comercialização do produto novalor de R$ 1,7 milhão. O outro setor, do varejo urbano, participou com R$ 31,8 mil naformação da renda bruta na esfera estadual, o qual comprou o produto com negociação direta,principalmente com a indústria de beneficiamento estadual, no valor de R$ 25,4 mil eagregação de R$ 6,4 mil antes das vendas aos consumidores finais (Gráfico 18). Na esfera nacional somente o setor de varejo urbano gerou renda bruta, o qual orçou umpouco mais de R$ 20 milhões, e sendo assim, este valor também corresponde a renda brutanacional proveniente da castanha identificada e comercializada a partir da RI Marajó. Este setorcomprou a castanha-do-brasil beneficiada junto aos setores de beneficiamento estadual, no valorestimado em torno de R$ 1,8 milhão e adicionou R$ 461,4 mil (Gráfico 18).4.2.14 Lenha a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da lenha. Foram identificados oito agentes mercantis (Figura 38), que estão inseridos nacategoria de consumidor final (padarias, matadouro, olarias, comerciante e indústria debeneficiamento de palmito) e um produtor. Estes agentes estão no ramo há 13 anos (variaçãode 4 a 40 anos), trabalham com outros produtos como mel, carvão, palmito e açaí e possuemarmazém com capacidade entre 12m2 a 60m2. O Quadro 13 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores. A indústria de beneficiamento trabalha durante o ano todo com ajuda de 40funcionários assalariados e a lenha é utilizada no forno de aquecimento da caldeira. Oprodutor trabalha em sistema de meia com o ajudante que retira a lenha por semana, já orestante dos agentes utiliza a lenha para aquecer a água e os fornos de cozimento de tijolos,que no inverno são duas queimas por mês e no verão são três queimas por mês, sendo quecada queima de 10 milheiros de tijolos consomem seis toneladas de lenha de refugo deserrarias ou de manejo de açaizais.
  • 123. 129 FIGURA 38- Localização dos agentes mercantis da lenha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.QUADRO 13- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da lenha da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Coletores de lenha da RI Marajó, que retiram a madeira de áreas derrubadas para formação de pastagens e de refugos de serrarias e vendem, principalmente, ao consumidor final, que neste caso é composto por indústrias de Produção transformação tanto alimentícia (padarias e restaurantes), Local quanto a que utiliza a lenha para aquecer fornos na preparação de seus produtos (tijolos e telhas), representado por indústria de transformação (olaria); Refere-se a um feirante que compra a lenha para revendê- Varejo urbano la aos seus clientes.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Como meio de transporte os agentes citaram possuir balsas e barco de carga comcapacidade para 40 cabeças de gado, e entre três a vinte toneladas. Para melhoria nacapacidade de produção informaram a necessidade de aquisição de maquinários. E relataramainda que quando chega o período da safra os ribeirinhos preferem tirar açaí e não vendem alenha que, geralmente, é retirada do próprio terreno quando fazem a limpeza do mato e osagentes têm que ir comprar a lenha em serrarias, que acaba encarecendo o preço do refugo.
  • 124. 130 b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/m³) entre os setores mercantis da lenha. Verificou-se que esta cadeia de comercialização foi estritamente local, composta porprodutores/coletores que vendem praticamente toda a lenha (99,2%) diretamente aosconsumidores finais ao preço médio de R$ 50,24/m³ (Figura 39). É preciso ressaltar, noentanto, que os agentes mercantis que compõem este setor (consumidor final), são na verdade,pequenas e médias indústrias, descritas no quadro 13, que utiliza este produto como insumona preparação de seus respectivos produtos finais. O restante da lenha identificada, o setor daprodução (0,8%) transacionou com um feirante (varejo urbano) que pagou R$ 70,00/m³ e orevendeu por R$ 100,00/m³ a seus clientes. FIGURA 39- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/m³) da lenha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.15 Mel a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do mel. A extração do mel foi identificada como atividade alternativa de renda para muitosprodutores rurais na RI Marajó, com possibilidade de ocupação para toda família. Nos dozemunicípios foram entrevistados vinte e sete agentes mercantis (Figura 40) que atuam, emmédia, há 14 anos no ramo (variação de 3 a 28 anos), e estão divididos em oitoapicultores/produtores, oito feirantes, nove comerciantes e dois atravessadores. Os agentestrabalham com outros produtos, tais como: carvão, lenha, cupuaçu, muruci e produtos
  • 125. 131medicinais (barbatimão, casca de ipê-roxo, casca de pariri, copaíba, jucá, leite-de-amapá,leite-de-sucuúba, óleo de andiroba, óleo de piquiá, seiva de jatobá, unha-de-gato e verônica). FIGURA 40- Localização dos agentes mercantis do mel na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Nesse contexto, foram encontrados apiários e meliponários em áreas rurais eperiurbanas, com criação de abelhas híbridas (Apis mellifera), e uruçu (Melipona scutellaris).Os equipamentos utilizados nos apiários são: centrifugador, decantador, melgueiras, peneira,bacia, mesa operculadora, cilindro, fumigadores, caixas, baldes, balança, freezer, crivo,coletor de mel e o kit do apicultor com equipamentos individuais. No entanto, algunsprodutores utilizam técnicas primitivas de retirada do mel com a destruição das colméiasencontradas nos troncos de árvores pela floresta. Os meios de transporte mais utilizados são: carro, moto, barco e a rabeta 10. Osagentes possuem propriedades rurais com dimensões que variam de 10 a 400 hectares.Referente aos locais de comercialização e armazenagem, o produtor trabalha na própria casa,os demais possuem de um a dois estabelecimentos do tipo box, barraca e ponto comercial,com dimensões entre 4m2 a 100m2. Doze agentes possuem meios de transportes, sendo osmais utilizados: carro, moto, barco e bicicleta.10 Pequena embarcação com motor de popa e hélice traseira, usada em rios e lagos de pouca profundidade.
  • 126. 132 A seguir a descrição dos agentes mercantis envolvidos na comercialização do mel(Quadro 14).QUADRO 14- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do mel da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010.MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Agricultores familiares do município de Abaetetuba (RIExtralocal Produção Tocantins) que desenvolvem a atividade apícola como complemento da renda familiar. Agricultores familiares que desenvolvem atividades agrícolas tradicionais e também atividade apícola como alternativa de Produção renda, sendo responsável pelo manejo das colméias, produção, beneficiamento e envasamento do mel;Local Atravessadores que compram mel diretamente dos Varejo rural produtores/apicultores e revendem para os consumidores locais; Comerciantes (donos de mercearias e supermercados) e/ou Varejo urbano feirantes que compram da produção (local e extralocal) e de atravessadores e vendem para o consumidor local.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Com relação aos problemas identificados com o armazenamento do produto, osapicultores foram unânimes em citar a necessidade de ampliar os espaços de trabalho assimcomo a aquisição de equipamentos complementares. Referente a mão de obra, os apicultores, os feirantes e os comerciantes trabalhamcom um ou dois membros familiares, sendo que o tempo de trabalho para os apicultores é emépocas de florada, já os comerciantes e os feirantes trabalham o ano todo. Apenas um varejistapaga o valor de um salário mínimo para seus seis funcionários, que trabalham o ano todo. Com relação a melhoria na capacidade de produção, foi relatada a necessidade demanejo das abelhas, assistência técnica, capital para investir em espaço físico adequado,reflorestamento nas áreas degradadas e intercâmbio entre criadores e a juventude do campo,haja vista que estes são velozes na assimilação e investimento na capacitação dos apicultores,pois atualmente, apenas 20 pessoas receberam treinamento para coleta de pólen e própolis. Osapicultores estão tentando montar o “Barco do mel”, que passaria pelos furos e rios coletandoo mel produzido pelos apicultores, para comercializar nas sedes dos municípios. Além docomércio do mel, esperam ampliar também com própolis e pólen. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do mel. Do total da quantidade do mel identificada 95,8% são oriundos da região esomente 4,2% da RI Tocantins. A cadeia de comercialização do mel é constituída de
  • 127. 133canais simples, pois abrangem apenas dois setores intermediários entre a produção até oconsumidor final (Figura 41). O principal nível de canal de comercialização do mel identificado refere-se ao varejourbano local (feirantes e comerciantes) que compraram 69,4% da produção local e 4,2% daextralocal, que por sua vez revenderam em litro, ou fracionado, para o consumidor local(Figura 41). Outro canal importante é a venda direta dos apicultores locais para osconsumidores locais comercializando 23,2% da produção identificada. Destaca-se também avenda direta de 1,5% da produção local com os consumidores estaduais. E por último, osatravessadores (varejistas rurais) que compraram apenas 1,7% da produção local identificadae venderam diretamente 0,2% para os consumidores locais e 1,5% para os varejistas urbanos. FIGURA 41- Estrutura (%) da quantidade amostral do mel comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do mel, no ano de 2010. O varejo urbano (feirantes e pequenos comerciantes) foi o principal intermediário dacadeia do mel. O preço médio de compra do mel praticado pelos varejistas com os apicultoreslocais foi em média de R$ 11,52/l e com os apicultores extralocais foi de R$ 9,03/l (Figura42). Por outro lado, o preço de venda praticado pelo setor varejista urbano, com osconsumidores locais, foi em média de R$ 16,98/l, pois normalmente fracionam em frascos
  • 128. 134menores (100 ml ou 500 ml). O varejo rural comprou da produção a R$ 11,72/l e vendeu paraos varejistas urbanos a R$ 15,22/l e a R$ 30,00/l para os consumidores locais. A venda direta do mel praticado pela produção local para o consumidor local foi deR$ 17,43/l e, para o consumidor estadual, de R$ 100,00/l, pois neste caso o preço mais alto éjustificado devido o mel ser proveniente de colméias de abelhas nativas, sem ferrão, no casoabelha uruçu, cujo valor de mercado é maior que o mel das abelhas com ferrão (Figura 42). FIGURA 42- Preço médio do mel (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.16 Borracha a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da borracha. Foi entrevistado um agente mercantil pertencente a esta cadeia, classificado comoatravessador. Este está no ramo há cinco anos e exerce profissão paralela de secretário deagricultura. A borracha foi armazenada em um galpão cedido pela prefeitura e mandada denavio ou via balsa para a indústria de transformação nacional. O agente não citou aquantidade de pessoas envolvidas, somente relatou que trabalha com o produto durante o anotodo. E que para melhoria da produção seria necessário a retomada do comércio da borracha. A seguir a descrição dos agentes mercantis envolvidos na comercialização daborracha (Quadro 15).
  • 129. 135QUADRO 15- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da borracha da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores locais que fazem a extração do látex das Produção seringueiras;Local Pequenos comerciantes do interior do município que compram Varejo rural a borracha dos produtores, denominados atravessadores. Grandes empresas multinacionais que se dedicam na produção Indústria de de pneus e outros produtos utilizando a borracha como matéria- transformaçãoNacional prima principal; Redes varejistas que comercializam a produtos derivado do Varejo urbano látex nacionalmente.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis da borracha. A cadeia de comercialização da borracha consiste em canal simples cuja produção étoda exportada para o mercado nacional (Figura 43). FIGURA 43- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$/kg) da borracha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A estrutura de comercialização das 32 toneladas identificadas de borracha descreveque o setor do varejo rural comprou 100% da produção ao preço de R$ 1,80/kg, e vendeuexclusivamente para o setor da indústria de transformação nacional, para fabricação de pneuse outros derivados, ao preço de R$ 2,20/kg (Figura 43). E estes venderam para o setor
  • 130. 136varejista nacional ao preço de R$ 3,75/kg. Vale lembrar que estes valores são estimados, poisos agentes nacionais não foram entrevistados.4.2.17 Breu-branco a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do breu-branco. Foram identificados cinco agentes que comercializam o produto (Figura 44), sendoque um comercializa exclusivamente o breu, e os demais trabalham com outros produtos, taiscomo: açaí fruto, tipiti, mel, castanha-do-brasil, carvão, vassoura de cipó-titica, óleo depracaxi, peneira de cipó-titica, casca de preciosa, cacau, casca de verônica, casca de ipê-roxo,casca de unha-de-gato, leite-de-sucuúba, leite-de-amapá, copaíba, óleo de andiroba, casca desucuúba e paneiro de cipó-titica. Os agentes estão inseridos nas categorias de produtor (1),atravessador (1) e comerciante (3), e estão nesse ramo em média há 9 anos (variação de 1 a 20anos). FIGURA 44- Localização dos agentes mercantis do breu-branco na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 16 descreve a caracterização dos agentes mercantis envolvidos nacomercialização do breu-branco de acordo com seus respectivos setores e mercados.
  • 131. 137QUADRO 16- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do breu-branco da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção Extrativistas que coletam a resina do breu-branco; Atravessadores que compram dos extrativistas a resina do Varejo rural breu-branco; Indústria de Uma fábrica que compra a resina do breu-branco e utiliza Local transformação como cola na produção de vassouras; Pequenos e médios estabelecimentos que também comercializam produtos alimentícios e outros utilizados na Varejo urbano medicina popular (cascas, resinas, óleos entre outros) e vendem para o consumidor final. Feirantes que comercializam produtos utilizados na medicina Estadual Varejo urbano popular (cascas, resinas, óleos entre outros) e vendem para o consumidor final. Uma fábrica de Fortaleza-CE que compra a resina do breu- Indústria de branco e utiliza como insumo na preparação de produtos finais: Nacional transformação tintas, papel, borracha sintética, etc.; Supermercados que comercializaram produtos finais, que tem Varejo urbano como insumo a resina do breu.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O produtor retira a resina do breu de sua propriedade com dimensões de 140 hectarese comercializa durante todo ano com a ajuda de dois membros da família. Os demais agentestambém comercializam o breu durante o ano todo. Referente a local para armazenagem, todos os agentes possuem e em geral o breu écomercializado com outros produtos, os pontos de venda identificados têm dimensões quevariam entre 18 a 35 m2. Como meio de transporte, os agentes utilizam bicicleta ou no caso doatravessador, aluga um barco para buscar o breu. O equipamento mais comum utilizado nestacadeia é balança de 15 kg e calculadora. Os agentes citaram que apresentam problemas com armazenagem, devido o breuatrair insetos, havendo constantes dedetizações no local armazenado, além de comprarem obreu molhado e sujo, apresentando restos de galhos, pedras e folhas, e terem que limpá-lo esecá-lo, caso contrário fica impróprio para comercialização. Para melhoria nas condições de comercialização, os agentes declaram necessidade deaquisição de pontos comerciais, mercado consumidor, capital de giro para comprar mais breue contrato fixo com empresas. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do breu-branco.
  • 132. 138 O importante a se destacar é que o comércio desta resina, a partir da região doMarajó, além de atender a demanda local, também, atendeu a demanda estadual, assim como,fora enviado para o mercado nacional, pois é um dos insumos básicos na preparação deprodutos finais. Produtos estes, que conforme o Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas –SBRT (2007) variam desde produtos alimentícios, como goma de mascar, até a tinta, papel,borracha sintética, entre outros. FIGURA 45- Estrutura (%) da quantidade amostral do breu-branco comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Como podem ser visualizados na Figura 45, os canais de comercialização da resinado breu-branco se caracterizam por canais pouco complexo. Sendo que o principalcorrespondeu a venda do setor da produção ao varejo rural (atravessadores) que adquiriram91,8% da quantidade identificada do breu-branco e, por conseguinte, foram os agentesresponsáveis pela comercialização do produto para além da RI Marajó, pois, 51% doadquirido foram transacionados para uma indústria de transformação no âmbito nacional,mais especificamente para capital do estado do Ceará. O restante, 40,8%, elescomercializaram com feirantes (varejo urbano estadual) da capital paraense (Belém),pertencente a RI Metropolitana. Os consumidores locais, que utilizam este produto preponderantemente paraimpermeabilização de embarcações (calafetagem), mas também (alguns) para defumação,
  • 133. 139compram a resina tanto diretamente dos extrativistas, quanto das mercarias ou feirantes(varejo urbano local), totalizando 8,2% da produção identificada (Figura 45). c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia do breu-branco, no ano de 2010. O preço médio de venda do breu-branco praticado pelos extrativistas com o varejorural foi, em média, de R$ 1,50/kg da resina, que os vendeu a R$ 2,50/kg para o varejo urbanoestadual e para a indústria de transformação nacional (Figura 46). A indústria detransformação local comprou a R$ 1,68/kg e vendeu a R$ 5,00/kg para o varejo urbano local,que os vendeu a R$ 5,20/kg para o consumidor local. FIGURA 46- Preço médio do breu-branco (R$/kg) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.18 Andiroba a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da andiroba. Foram identificados vinte e nove agentes mercantis do produto (Figura 47), estesestão divididos nas categorias de produtor, atravessadores (varejo rural), feirantes e varejistas(varejo urbano), tanto da esfera local, estadual e nacional. Os agentes trabalham no ramo, emmédia, há 10 anos (variação de 3 a 28 anos). Cinco deles trabalham exclusivamente com aandiroba, os demais comercializam outros produtos, tais como: abano, açaí fruto, bacuri,barbatimão, breu-branco, carvão, casca de andiroba, casca de cedro, casca de sucuúba, matapi,seiva de jatobá e vassoura regional.
  • 134. 140 Os produtores são detentores de propriedades rurais com áreas de 10 a 400 ha,localizadas nos municípios de Curralinho, Ponta de Pedras, Portel e Muaná. Porém, fatointeressante, alguns beneficiadores coletam as sementes na areia da praia, trazidas pela maré,e a coloração do óleo obtido da massa da semente fica esverdeado, que segundo os agentes, édevido ao limo produzido na casca da semente. Todos possuem ponto comercial, boxes ou barracas com dimensões que variam de3m2 a 300m2, que são utilizados para armazenagem dos equipamentos e materiais. Vinte edois agentes dispõem de um a dois tipos de transporte como barco, rabeta, moto e bicicleta.Porém, ainda pagam R$ 15,00 para carreteiros trazerem a andiroba ao destino final. Os outrossete agentes citaram que os produtores são responsáveis pela entrega do produto. FIGURA 47- Localização dos agentes mercantis da andiroba na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A comercialização se dá com as sementes que são beneficiadas para extração do óleode forma tradicional, feito com a utilização de utensílios para coleta da semente e parafacilitar o manuseio como, facão, paneiros, panela, faca, tesoura, calha, camburão paraarmazenar o óleo e panelas de alumínio e plástico. Os produtores que utilizam mão de obrafamiliar trabalham durante o ano todo comercializando o óleo, mas as sementes são coletadasno período de safra. Estes não possuem maquinários de extração do óleo, pois o trabalho éfeito manualmente, sendo dois dias para cozinhar as sementes e postas para descansar noabafado, por um mês. Após, é retirada com auxílio de uma colher a polpa, que será amassada
  • 135. 141e colocada na macieira (calha) para escorrer o óleo. Já os feirantes trabalham durante o anotodo e usam embalagens de garrafas pet e/ou de vidro para fracionar e armazenar o óleo, cujamão de obra utilizada é familiar. Os atravessadores e comerciantes contratam entre um a trêsdiaristas que recebem R$ 25,00 ou admitem mão de obra assalariada. O Quadro 17 apresenta a classificação desses agentes de acordo com seusrespectivos setores e mercados.QUADRO 17- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da andiroba da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores/extrativistas dos municípios de Belém (RI Metropolitana), Abaetetuba e Cametá (RI Tocantins), que Extralocal Produção coletam as sementes da andiroba e realizam o beneficiamento primário, com a fervura das sementes para a extração do óleo. Produtores/extrativistas dos municípios estudados da RI Marajó, que coletam as sementes da andiroba e realizam o Produção beneficiamento primário com a fervura das sementes para a extração do óleo; Local Atravessadores que compram o óleo e revendem ao Varejo rural consumidor ou comerciante local; Varejistas (feirantes e donos de estabelecimentos comerciais) Varejo urbano que compram o óleo e dividem em pequenos frascos para revender ao consumidor local. Feirantes de Belém que comercializam o óleo para o Estadual Varejo urbano consumidor estadual. Comerciantes de Manaus que comercializam o óleo para o Nacional Varejo urbano consumidor estadual.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Para melhoria na capacidade de produção foram relatados gargalos nacomercialização, tais como mercado consumidor, financiamento para ampliar os espaços detrabalho, licença para vender os remédios, saber onde encontrar o produto/óleo na região enecessidade de capacitação dos pequenos produtores locais na manipulação do produto. Osagentes também citaram que a produção da castanha, andiroba e copaíba têm diminuídobastante em função da atividade madeireira e que são necessários novos plantios deandirobeiras. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) da andiroba. A cadeia de comercialização da andiroba identificada na presente pesquisa éconstituída por três níveis de canais de distribuição (Figura 48). Do total da produção
  • 136. 142identificada pela pesquisa 73,5% (o equivalente a 928 l) são do local e 26,5% (474 l) pelaprodução extralocal (RI Metropolitana e Tocantins). A produção local vendeu 50,9% para o varejo urbano (feirantes e comerciantes),18,2% diretamente para o consumidor local, 1,3% para o varejo rural (atravessadores), 1,8%para o varejo urbano estadual (feirantes) e 1,3% para o varejo urbano nacional (comerciantes)(Figura 48). A produção extralocal vendeu 26,5% exclusivamente para o varejo urbano local,que contabilizou com o comprado pela produção local (50,9%) e pelo varejo rural local(1,0%), o montante de 78,4% comercializado diretamente para o consumidor final. FIGURA 48- Estrutura (%) da quantidade amostral da andiroba comercializada na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. c) Preço médio praticado nas transações entre diversos setores mercantis da cadeia da andiroba, no ano de 2010. O varejo urbano local é o principal canal de comercialização, pois comprou daprodução local a R$ 18,31/l e da produção extralocal a R$ 10,54/l e vendeu a R$ 32,97/l parao consumidor final (Figura 49). Já o varejo urbano estadual comprou da produção a R$10,00/l e vendeu para o consumidor final estadual a R$ 12,50/l e o varejo urbano nacionalcomprou a R$ 27,50/l e vendeu a R$ 34,37/l para o consumidor final nacional. O varejo ruralcomprou da produção a R$ 16,50/l e vendeu a R$ 100,00/l para o consumidor final, devido ofracionamento do óleo em frascos de 100 ml.
  • 137. 143 FIGURA 49- Preço médio da andiroba (R$/l) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.19 Copaíba a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da copaíba. Foram identificados em campo treze agentes que comercializam o óleo da copaíba(Figura 50), sendo que estes trabalham com outros produtos, tais como: óleo de andiroba,mel, barbatimão, óleo de piquiá, verônica, unha-de-gato, leite-de-sucuúba, castanha-do-brasil,leite-de-amapá, uxi-amarelo, jucá, casca de ipê-roxo e de sucuúba. Os agentes envolvidos sedividem nas seguintes setores: varejistas urbanos (comerciantes e feirantes), atravessadores(varejo rural) e produtores. Os agentes estão neste ramo, em média, há 12 anos (variação de 3a 28 anos). Alguns possuem profissão paralela como açougueiro, ambulante, balconista,doméstica, costureira, funcionário particular e garçom, sendo que um dos agentes recebeaposentadoria.
  • 138. 144 FIGURA 50- Localização dos agentes mercantis da copaíba na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 18 descreve os setores identificados na comercialização da copaíba na RIMarajó.QUADRO 18- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da copaíba da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores dos municípios de Belém (RI Metropolitana) e Abaetetuba (RI Tocantins), que realizam a extração do óleo Extralocal Produção das copaibeiras, utilizando normalmente broca para o processo de perfuração, em seguida envasamento em garrafas de vidro. Produtores e extrativistas que realizam a extração do óleo das Produção copaibeiras, com uso de broca ou trado, encontradas na RI Marajó; Atravessadores que compram o óleo de Local Varejo rural produtores/extrativistas e comercializam para feirantes; Comerciantes e feirantes que fracionam os litros de copaíba Varejo urbano para revender ao consumidor em frascos menores.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Referente a propriedade rural, o produtor foi identificado como detentor depropriedade rural com área de 400 ha, de onde retira sua produção. Quanto ao local decomercialização e armazenamento, são de três tipos: barracas, boxes e pontos comerciais,
  • 139. 145cujas dimensões variam de 3m2 a 300m². Os meios de transporte mais utilizados são barco,moto e bicicleta. Os maquinários utilizados pelos feirantes e comerciantes são apenas balançaeletrônica com capacidade de 10 kg, além de equipamentos auxiliares na comercializaçãocomo faca, bandeja, garrafas plásticas e de vidro. Ressaltando que alguns destes equipamentosservem também para o comércio de outros produtos. A atividade é realizada durante o ano todo e, em geral, a mão de obra é familiar.Vários agentes comercializam o produto na região, porém existem algumas dificuldadesrelatadas como espaço físico insuficiente para armazenagem da produção e as péssimascondições estruturais das feiras, pois no período de chuva molha os produtos, pois sãoarmazenados em caixas de papelão dentro dos boxes. Com relação a melhoria nas condições de comercialização os agentes citaram anecessidade de capacitação para os manipuladores dos produtos, conhecer e atender omercado consumidor e acessar capital de giro para comprar novos produtos. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$/l) entre os setores mercantis da copaíba. Verificou-se que esta comercialização ocorreu somente na esfera local, envolvendo osetor do varejo urbano e varejo rural (Figura 51). A produção local é responsável por ofertar76,7% do óleo de copaíba (equivalente a 1.812 l), distribuído em 3,6% para o varejo rural aopreço médio de R$ 20,00/l e, para o varejo urbano 73,1% ao preço de R$ 25,00/l. Já aprodução extralocal ofertou no mercado da RI Marajó 23,3%, o equivalente a 234 l, queforam comercializados para o varejo urbano ao valor de R$ 17,31/l, e depois vendeu o óleo deforma fracionada para os consumidores ao preço de R$ 30,60/l.
  • 140. 146 FIGURA 51- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$/l) da copaíba na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.20 Cipó-titica a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do cipó-titica. Foram identificados quatro agentes na cadeia do cipó-titica, classificados em trêsartesões e um comerciante. Os artesões utilizam o cipó-titica para confeccionar paneiros e oscomerciantes compram da produção o cipó em rolo. Os artesões mais antigos trabalham com avenda do titica há 40 anos e os mais recentes há quatro anos. Já o comerciante esta a poucomenos de seis meses no ramo. Estes agentes exercem profissões paralelas de serigrafista eagricultor. O proprietário do estabelecimento comercial, geralmente comercializa o cipó-titicapara artesões, que o transformam em móveis, vassouras, cestas, lustres e adornos para casacom o auxílio de equipamentos como, lixadeira, faca, martelo, serrote, alicate, tesoura epregos. Já o comerciante apresentou como equipamento apenas uma balança de 5 kg, utilizadapara pesar o cipó-titica. Em termos de infraestrutura o comerciante possui um box de 9m2 e dois artesõespossuem depósitos de 48m2 e 72m2, utilizados para fabricar e armazenar os produtos e, umartesão relatou produzir suas peças no quintal de sua casa. Os agentes mencionaram possuirbicicletas para deslocamento e comercialização de seus produtos.
  • 141. 147 O Quadro 19 apresenta a classificação dos agentes mercantis de acordo seusrespectivos setores e mercados.QUADRO 19- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cipó-titica da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extrativistas de Belém (RI Metropolitana) que colhem o cipó- Extralocal Produção titica e vende in natura. Produção Extrativistas que colhem o cipó-titica e vende in natura; Indústria de Artesões que utilizam o cipó-titica como insumo na confecção Transformação de peças de artesanato; Local São comerciantes locais que compram tanto o produto in Varejo urbano natura quanto já transformado em artesanato e vendem para o consumidor final.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os artesões declararam que necessitam de espaço físico maior para trabalhar, além deuma loja para expor os produtos. Já o comerciante citou que quando o cipó-titica éarmazenado diminui de peso e tem que ser vendido em peça (trançado em forma de círculocomo um rolo). Com relação a quantidade de pessoas envolvidas na produção, os artesões citaramutilizar de um a oito membros familiares, e o comerciante recebe a ajuda da família. Ambostrabalham durante o ano todo e para os artesões o dinheiro das despesas é retirado e o restantedividido entre todos que participaram da produção. Os agentes citaram que para haver melhoria na capacidade produtiva é necessárioaquisição de equipamentos, mercado consumidor, matéria prima e capital de giro para comprade materiais. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis do cipó-titica. A estrutura da cadeia do cipó-titica se restringe a esfera local, com 97,6% daprodução extraída da região e apenas 2,4% proveniente de Belém - RI Metropolitana,categorizada como produção extralocal (Figura 52). O principal canal de comercializaçãorefere-se a venda de 81,4% da produção do cipó titica, ao preço médio de R$ 3,83/kg para osetor da indústria de transformação (artesões locais) que, adquirem mais 2,4% do extralocalao preço de R$ 8,00/kg e confeccionam diferentes artefatos, os quais são vendidos aoconsumidor final ao preço médio de R$ 26,00/kg. O setor do varejo urbano (feirante) compra
  • 142. 14816,2% da produção local, ao preço de R$ 4,00/kg e revende aos artesões (Ind. Transf.) aopreço de R$ 6,00/kg. FIGURA 52- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do cipó-titica na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.21 Plantas medicinais a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização das plantas medicinais. As plantas medicinais encontradas na pesquisa foram cascas de: andiroba,barbatimão, cajuaçu, cedro11, copaíba, jatobá, ipê-roxo, sucuúba, unha-de-gato, pariri12, uxi-amarelo, verônica e as favas de jucá. Os agentes identificados que comercializam o produto foram em número de nove(Figura 53), divididos em seis comerciantes e três feirantes. Sendo que todos trabalham comoutros produtos, tais como: óleo de andiroba, carvão, leite-de-amapá, mel, vassoura regional,abano, seiva de jatobá e breu-branco. Estão no ramo, em média, há 12 anos (variação de 2 a24 anos), sendo que um agente (aposentado) trabalha para complementar a renda e outros11 A casca do cedro roxo (Cedrela fissilis Vellozo), denominação no Pará, é usada na medicina popular, na forma de chá, como tônico para pessoas enfraquecidas, adstringente, no combate a febre, disenterias e artrite (FRANCO, 1997, citado por CARVALHO, 2005). Todas as partes da planta, quando esmagadas, apresentam cheiro de alho (CARVALHO, 2005)12 Pariri (Arrabidaea chica (HBK) Verlot) arbusto indicado para tratar sintomas de inflamações e afecções da pele (BARBOSA et al., 2008) e diversas outras utilidades como corante para pintura do corpo e utensílios, para tratamento de conjuntivite, propriedades adstringentes contra cólica intestinal, entre outras (KALIL FILHO, et. al. 2010).
  • 143. 149possuem profissão paralela de venda de jóias, ajudante de pedreiro, pescador e funcionáriopúblico. FIGURA 53- Localização dos agentes mercantis das plantas medicinais na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 20 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores.QUADRO 20- Descrição dos agentes mercantis na comercialização das plantas medicinais da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extrativistas que coletam as plantas ou parte delas e vendem Produção para o varejo urbano; Local Feirantes e comerciantes que compram as cascas e o jucá da Varejo urbano produção, em grandes quantidades e revendem para o consumidor final em embalagens menores e fracionadas.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Referente a armazenagem, os agentes dispõem de boxes localizados na feira, comdimensões de 3m² a 28m2, porém, um feirante não possui local adequado para armazenar e vendero produto e o aloca em uma banca improvisada na esquina da rua, este guarda o produto em sacosde 60 kg ou acondicionados dentro de isopores e o armazena na casa de um amigo. Com relação a maquinários ou equipamentos, nesta atividade utilizam calculadora,faca, tesoura, garrafas de plástico e vidro e balança eletrônica com capacidade de 60 kg.
  • 144. 150 Com relação ao meio de transporte utilizam bicicletas para deslocamento. Estescitaram que os produtores trazem a produção até a feira. Os produtos foram comercializadosdurante o ano todo e o horário de funcionamento dos estabelecimentos é de seis horas/dia. Amão de obra empregada varia de uma a três pessoas, sendo geralmente membros da família.Apenas um comerciante paga o valor de R$ 10,00/dia para seu ajudante. Para melhoria nas condições de comercialização, os agentes declararam que asdificuldades encontradas pelos agentes são referentes ao espaço físico insuficiente, incentivaras associações, melhorar e ampliar os pontos de venda, financiamento e capacitação dosprodutores para manipulação das ervas, pois esta atividade é realizada sem instruções,propiciando o aparecimento de fungos e mofos. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis das plantas medicinais. A estrutura da cadeia das plantas medicinais é simples e circunscrita somente nolocal (Figura 54). FIGURA 54- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) das plantas medicinais na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O setor da produção vendeu para o varejo urbano 96,5% das plantas medicinaisidentificadas (equivalente a 2.003 kg) ao preço de R$ 6,72/kg, que comercializou com oconsumidor local ao preço de R$ 13,56/kg (Figura 54). Por outro lado, a produção vendeu3,5% diretamente para os consumidores locais (equivalente a 72 kg) ao preço de R$ 6,00/kg.
  • 145. 1514.2.22 Pupunha a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da pupunha. Foram identificados sete agentes mercantis do produto (Figura 55), que atuam noramo há treze anos (variação de 2 a 28 anos), sendo que também trabalham com outrosprodutos como: casca de cedro, casca de jatobá, casca de verônica, casca de copaíba, seiva dejatobá, andiroba, breu-branco, peneira, taperebá, açaí fruto, cupuaçu, uxi, bacuri, castanha-do-brasil e bacaba. Estes agentes exercem outras funções paralelas de ambulante, professor,estudante e dono de bar. E se encontram na categoria de varejistas (três feirantes e umcomerciante) e produtores (três). FIGURA 55- Localização dos agentes mercantis da pupunha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Um produtor possui propriedade rural de 400 hectares e outro uma área de coleta dofruto de 2.000 metros, ambas localizadas em Pacajazinho. Os agentes armazenam o produtoem locais do tipo Box, com tamanhos de 3m2 e, ponto comercial de 6m2 a 300m2, e comomeio de transporte utilizam motos, bicicletas cargueiras e barcos. A venda é realizada peloproprietário e com a ajuda de membros familiares que trabalham durante o período de safra e,não utilizam máquinas e equipamentos devido o produto ser vendido em cachos e in natura.
  • 146. 152 O Quadro 21 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores.QUADRO 21- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da pupunha da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Agentes envolvidos na retirada dos cachos de pupunha Produção encontrados nos municípios da região; Local Comerciantes e feirantes que vendem o fruto in natura para o Varejo urbano consumidor local.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Para melhoria na capacidade de produção, o agente declara a necessidade deampliação do espaço físico e que houvesse plantios de frutos variados, haja vista que após operíodo de safra o preço de compra das frutas oriundas de outros lugares fica mais caro einfluencia na quantidade e no preço de venda. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/cacho) entre os setores mercantis da pupunha. O canal de comercialização da pupunha tem como setor central o varejo urbanolocal, que compra 79,9% do setor da produção por R$ 9,61/cacho e vende para o consumidorlocal a R$ 13,17/cacho (Figura 56). Outro canal de comercialização é a venda direta de20,1% da produção local por R$ 5,28/cacho para o consumidor local.
  • 147. 153 FIGURA 56- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/cacho) da pupunha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.23 Leites (amapá, jatobá e sucuúba) a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização dos leites. Nesta cadeia foram agrupados três produtos leite-de-amapá, leite-de-sucuúba e seivade jatobá, comercializados com finalidades medicinais. Foram identificados doze agentesenvolvidos nesta cadeia de comercialização (Figura 57). O tempo de trabalho no ramo dosagentes é de aproximadamente 11 anos (com variação de 4 a 28 anos). Esses agentes sãocomerciantes, feirantes e produtores extrativistas. Além dos leites, estes agentescomercializam mel, lenha, palmito, carvão e açaí.
  • 148. 154 FIGURA 57- Localização dos agentes mercantis dos leites na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 22 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores e mercados.QUADRO 22- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos leites (amapá, sucuúba e seiva de jatobá) da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção composta por extrativistas que retiram o leite (seiva) Produção com o uso de ferramentas simples; Local Englobam feirantes que revendem o produto fracionado ou em Varejo urbano litro.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os leites são comercializados durante o ano todo. A produção é realizada empropriedades rurais com dimensões de 10 a 400 ha, localizadas no Rio Maruaru ePacajazinho. Os extrativistas retiram os leites das árvores com auxílio de terçado e recipiente comcapacidade para 600 ml para armazenar cada produto. Como meio de transporte paraescoamento da produção utilizam barco e bicicleta. O produto é armazenado em barracas oubox com dimensões que variam entre 3m2 a 30m2. Vários agentes na cidade comercializam o produto, todavia há a necessidade demaior divulgação da importância das plantas medicinais. A mão de obra geralmente é
  • 149. 155familiar, ou quando utilizam mão de obra externa pagam o valor que varia de R$ 5,00 a R$15,00 a diária. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/l) entre os setores mercantis dos leites. A comercialização dos leites apresentou dois canais, um direto com a produçãovendendo 3,6% para os consumidores locais ao preço de R$ 10,77/l, e outro indireto com apresença de um setor intermediário entre a produção e o consumidor (Figura 58). O setorintermediário é o varejo urbano, representado por feirantes, que compraram 96,4% daprodução, equivalente a 1.056 l de leite, ao preço de R$ 9,03/l e venderam para o consumidorfinal a R$ 16,20/l. FIGURA 58- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) dos leites na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.24 Piquiá a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do piquiá. Foram identificados nove agentes mercantis do produto (Figura 59), sendo que todostrabalham com outros produtos, tais como: bacaba, taperebá, açaí fruto, muruci, bacuri,castanha-do-brasil e paneiro de cipó-titica. Estão divididos nas categorias de atravessador(um), produtor (um), feirantes (cinco) e comerciantes (dois mercadinhos). Os agentes estão no
  • 150. 156ramo, em média, há 12 anos (variação de 2 a 26 anos). E exercem profissão paralela deambulante, operador de máquinas, agente comunitário de saúde e pescador. FIGURA 59- Localização dos agentes mercantis do piquiá na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 23 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores.QUADRO 23- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do piquiá da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Agricultores e/ou extrativistas locais, encontrados na pesquisa, Produção que fazem a coleta do fruto do piquiá em áreas de ocorrência; Local Varejo rural Atravessadores que se deslocam até as comunidades e compram o piquiá in natura; Comerciantes e feirantes que comercializam o piquiá in natura Varejo urbano para o consumo local.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Dois agentes (um feirante e um comerciante) citaram ser detentores de propriedadesrurais com dimensões de 100 ha e 5 ha, localizadas em Melgaço e no Rio Camarapi, emPortel, onde coletam os frutos e comercializam juntamente com frutos comprados deatravessadores e produtores. Referente ao local de armazenamento e comercialização, feirantes e comerciantespossuem box de 3m² e pontos comerciais de 9m2, 28m2 e 48m2.
  • 151. 157 Os meios de transporte mais utilizados pelos agentes foram bicicleta cargueira emoto. Pelo fato do produto ser comercializado in natura, os agentes não necessitam demáquinas, apenas de equipamentos como balança de 10 Kg, freezers e basquetas. O maiorproblema enfrentado nesta cadeia é, segundo declaração dos agentes, o espaço físicoinsuficiente nos freezers para armazenar a produção, e por este fato não podem aumentar aprodução. O produto é comercializado pelos agentes durante o período de safra. O atravessadoridentificado paga o valor de R$ 5,00/dia para seu ajudante. Os feirantes contratam entre um adois ajudantes que recebem R$ 80,00/semana ou trabalham sozinhos e recebem ajuda de seusfamiliares. Já a mão de obra utilizada pela produção e comerciantes é familiar. Segundo os agentes, a principal dificuldade está no mercado consumidor que nãoconsegue absorver a oferta do produto. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un. Fruto) entre os setores mercantis do piquiá. O fluxo de comercialização do piquiá ficou concentrado no mercado local, sendo queo varejo urbano, mais representativo dentro deste contexto, comercializou 91,8% da produçãoao preço médio de R$ 0,35/un. e, com o consumidor ao preço de R$ 0,49/un. (Figura 60). Ovarejo rural comprou 4,6% da produção ao preço de R$ 0,25/un. e vendeu para osconsumidores locais ao preço de R$ 0,30/un. E por último, o setor da produção vendeu 3,6%diretamente para os consumidores locais ao preço de R$ 0,25/un.
  • 152. 158 FIGURA 60- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un. Fruto) do piquiá na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.25 Açaí (semente) a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do açaí (semente). As sementes de açaí, também denominadas de caroço, são utilizadas para geração deenergia, adubo orgânico, extrato para produção de orquídeas e, para esta cadeia especifica,como artesanato na forma de colares, pulseiras, brincos e outras peças. Tanto as sementes doaçaí branco quanto do tradicional podem ser usadas no artesanato regional, no entanto, asemente do branco é mais resistente para os processos de furar, polir e tingir. Os frutos do açaíbranco (também denominado açaí tinga – em tupi significa branco) apresentam epicarpo decoloração verde-escuro e mesocarpo de coloração creme, sendo a polpa de coloração cremebem claro, diferente da polpa do açaí roxo (OLIVEIRA et al, 2000). Na cadeia de comercialização do açaí semente foram identificados seis agentesartesões que estão no ramo, em média, há 11 anos (variação de 3 a 27 anos). Dentre os agentes há duas associações (Soure e Curralinho) com 25 e 17 associadas,que trabalham durante o ano todo em um barracão com dimensões de 30m2, porém, quando háencomendas, trabalham durante o turno da noite e recebem por peça vendida ou, o lucro édividido entre todas. Já o restante de artesões trabalha sem o auxílio de ajudantes. O problemarelatado refere-se a necessidade de um galpão maior e mais arejado, para o trabalho e
  • 153. 159armazenamento dos produtos. Uma agente relata que para melhorar a produção precisa de umfurador para as peças e um equipamento para polir as sementes. Outra reivindicação é para otransporte, a melhoria da infraestrutura das cidades e de hospitais, pois assim é possível atrairturistas para a região. O Quadro 24 descreve a caracterização dos agentes mercantis envolvidos nacomercialização deste produto de acordo com seus respectivos setores e mercados.QUADRO 24- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do açaí (semente) da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores/artesões e lojas especializadas de Belém que vendem as sementes de açaí polidas, furadas, naturais eExtralocal Produção tingidas para os artesões e associações localizadas em diversos municípios da RI Marajó; Artesões e duas associações que produzem diferentes tipos de Indústria de peças de artesanato regional (colares, pulseiras, brincos entreLocal transformação outros) com sementes compradas na capital (Belém) já beneficiadas.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Somente uma associação informou que possui equipamentos utilizados para aconfecção das peças como lixadeira e furadeira. Outras duas artesãs possuem agulhas decrochê, alicates, arames, tesouras e facas. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis do açaí (semente). A cadeia de comercialização do açaí semente é composta pelos setores da produçãoextralocal e da indústria de transformação local (Figura 61). A produção extralocal, origináriade produtores e artesões de Belém, abastece 100% do setor da indústria de transformaçãolocal (formada por artesãs, artesões e associações de artesões), ao preço de R$ 19,51/kg dasemente de açaí, que são vendidos para o consumidor final, na forma de colares, pulseiras eoutras peças artesanais, por R$ 139,27/kg.
  • 154. 160 FIGURA 61- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do açaí (semente) na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.26 Uxi a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do uxi. Foram identificados quatro agentes mercantis do uxi in natura (Figura 62), os quaissão feirantes e trabalham com vários produtos, tais como: cupuaçu, castanha-do-brasil,muruci, taperebá, bacuri e pupunha. Trabalham neste ramo há cerca de doze anos (variação de2 a 26 anos), em locais de comercialização do tipo ponto comercial e box, com dimensões de3m², 2,5m2 ,9m2 e 30m2.
  • 155. 161 FIGURA 62- Localização dos agentes mercantis do uxi na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 25 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores envolvidos.QUADRO 25- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do uxi da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extrativistas locais, que realizam manualmente a colheita na Produção safra dos frutos maduros de uxi; Local Comerciantes (feirantes) que vendem o fruto in natura para o Varejo urbano consumidor local.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A atividade com o produto é realizada somente no período de safra, com auxilio debicicletas para deslocamento e carregamento dos frutos e equipamentos de medida de peso(balança) e isopores para acondicionar os frutos, pois é comercializado in natura. O maior problema enfrentado nesta cadeia é, segundo declaração dos agentes, aperecividade dos frutos, e por este fato não podem aumentar a produção. Com relação a quantidade de pessoas envolvidas, os feirantes contratam entre um adois ajudantes que recebem R$ 80,00 por semana ou trabalham sozinhos e recebem ajuda deseus familiares.
  • 156. 162 Segundo os agentes, a principal dificuldade está no mercado consumidor que nãoconsegue absorver a oferta do produto. Além da necessidade de ter câmara fria para prolongara vida útil dos frutos. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un.) entre os setores mercantis do uxi. A produção identificada tem apenas um canal de comercialização com um setorintermediário. O varejo urbano comprou toda produção identificada (15.840 Kg de fruto innatura), ao preço de R$ 0,14/un. e, vendeu tudo para os consumidores locais ao preço de R$0,22/un. (Figura 63). FIGURA 63- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) do uxi (fruto) na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.27 Urucum a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do urucum. O produtor possui propriedade rural com área de 400 hectares, um galpão de 50m2,equipamentos como peneira, crivo, pilão e frigideira para beneficiar o urucum e como meiode transporte utiliza caminhão e rabeta. A falta de equipamentos para beneficiar a produção foi um problema citado peloagente. Com relação a mão de obra foram duas pessoas envolvidas (proprietário e sócia), quetrabalham durante o ano todo e dividem o lucro entre si.
  • 157. 163 Para melhoria da capacidade de produção é necessário aquisição de equipamentospara montar um moinho. Foi identificado um agente mercantil que está no ramo do urucum há três anos. Acaracterização dos setores envolvidos na comercialização deste produto está descrita noQuadro 26.QUADRO 26- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do urucum da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores que realizam o beneficiamento primário do urucum, que consiste na pré-secagem dos frutos, debulhagem, Produção peneiramento, secagem da semente e maceração com trigo ou Local fubá de milho; Comerciantes que compram o urucum e revendem para o Varejo urbano consumo local.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg semente) entre os setores mercantis do urucum. A cadeia de comercialização do urucum apresentou apenas um tipo de intermediário,que é o varejo urbano que comprou toda a produção de 48 quilos, e vendeu exclusivamentepara os consumidores locais (Figura 64). O preço médio de venda praticado pelo produtorpara o varejo urbano foi de R$ 60,00/kg, sendo revendido aos consumidores locais ao preçode R$ 75,00/kg.
  • 158. 164 FIGURA 64- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do urucum na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.28 Mari a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do mari. Foram identificados oito agentes mercantis (Figura 65), que estão inseridos nascategorias de feirantes e varejistas (6) e produtores (2), os quais estão no ramo, em média, há13 anos (variação de 2 a 26 anos) e, trabalham com outros produtos como mel, carvão,palmito e açaí e possuem armazém com capacidade entre 12m2 a 60m2.
  • 159. 165 FIGURA 65- Localização dos agentes mercantis do mari na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 27 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores.QUADRO 27- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do mari da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extrativistas locais, encontrados na pesquisa, que fazem a Produção coleta do mari em áreas de ocorrência do fruto; Local Feirantes e comerciantes que realizam a venda do mari in Varejo urbano natura para o consumo local.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Quanto a infraestrutura desses agentes, os produtores possuem propriedade rural comáreas de 5 a 10 ha, localizadas em Melgaço e Portel. Os agentes varejistas possuem entre um adois locais para armazenagem e comercialização, do tipo box, com dimensões que variam de3m2 a 200m². Com relação aos equipamentos, possuem balança com capacidade de 10 kg,freezers e basquetas para armazenagem das frutas. Os problemas citados com relação aoarmazenamento referem-se a perecividade da fruta e ao calor, que acaba murchando eprejudicando a venda, sendo necessário equipamento como câmaras frias, para prolongar adurabilidade e a comercialização.
  • 160. 166 Os agentes que comercializam o fruto in natura trabalham somente no período desafra. Referente a mão de obra, o varejista quando não utiliza a mão de obra familiar contrataum ajudante, que recebe diária de R$ 5,00. Outro varejista paga para dois ajudantes R$450,00/mensal. Para os produtores a mão de obra é basicamente familiar. No que tange a melhoria na capacidade de produção, foi relatado como entrave, afalta de oferta do produto na região, pois muitas frutas vêm de outras regiões encarecendo opreço. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un. Fruto) entre os setores mercantis do mari. Os canais de comercialização do mari se caracterizam por fluxos simples, poisapresenta apenas um setor intermediário que é o varejo urbano local (feirantes) quecomercializa com os consumidores locais. Os feirantes compraram 80% da produçãoidentificada e pagaram R$ 0,11/un. do fruto e venderam para os consumidores locais ao preçode R$ 0,16/un. (Figura 66). Por outro lado, o setor da produção vendeu 20% diretamente paraos consumidores locais ao preço de R$ 0,08/un. FIGURA 66- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do mari na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.29 Tucumã a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do tucumã.
  • 161. 167 Na cadeia de comercialização do tucumã foram identificados dois agentes mercantisclassificados como atravessador e feirante, que estão no ramo há dois anos e trabalham comoutros produtos da Amazônia como: castanha-do-brasil, bacuri, mari, piquiá, uxi, açaí,taperebá, cupuaçu, muruci, casca de unha-de-gato e carvão. Os agentes mercantis envolvidosna cadeia de comercialização do tucumã atuam somente no nível local. O Quadro 28 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores.QUADRO 28- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do tucumã da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extrativistas locais que fazem a coleta do tucumã em áreas de Produção ocorrência do fruto; Pequenos comerciantes (atravessadores) do interior dos Local Varejo rural municípios que compram o tucumã dos extrativistas; Feirantes que realizam a venda do tucumã in natura para o Varejo urbano consumo local.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Referente ao espaço de comercio e armazenagem, o feirante possui uma frutaria de28m2 e o atravessador um ponto de 9m2. Ambos não possuem transportes para escoar aprodução, porém, o feirante citou que paga frete de R$ 35,00 para ir buscar os frutos em outralocalidade. Pelo fato do produto ser vendido in natura, os agentes não precisam de máquinas,mas, fazem uso de equipamentos como balança e basquetas para acondicionar os frutos. Afalta de espaço e de equipamentos nos estabelecimentos para armazenar o produto foi citadacomo um dos entraves na cadeia. O tempo de trabalho com o produto é anual e em horáriocomercial, sendo exercido por duas a quatro pessoas incluindo o proprietário e, o valor médiopago aos ajudantes é de R$15,00. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/kg) entre os setores mercantis do tucumã. O canal de comercialização do tucumã apresentou apenas dois setores intermediáriosque são o varejo rural (atravessador) e o varejo urbano local (comerciantes) quecomercializam com os consumidores locais (Figura 67). O varejo rural comprou 50% daprodução identificada pela pesquisa ao preço de R$ 15,00/kg e vendeu para o varejo urbanoao preço de R$ 15,00/kg e, os outros 50% o varejo urbano comprou da produção ao preço deR$ 2,75/kg e o fruto do tucumã foi vendido para os consumidores locais ao preço médio deR$ 17,20/kg.
  • 162. 168 FIGURA 67- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do tucumã na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.30 Cacau (fruto) a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do cacau (fruto). Foi identificado na pesquisa um agente produtor que está no ramo há 10 anos, ecomercializa outros produtos como cupuaçu, açaí, pupunha, bacaba e castanha-do-brasil. O Quadro 29 descreve a caracterização dos agentes mercantis envolvidos nacomercialização deste produto, de acordo com seus respectivos setores e mercados.QUADRO 29- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau (fruto) da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores de cacau da região que comercializam o fruto inLocal Produção natura.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O produtor possui uma área de 200 hectares, em Portel (localidade de Pacajazinho) e,um pequeno local para armazenagem de 3m2. Para deslocamento o agente utiliza bicicleta ebarco e não necessita de máquinas e equipamentos, pelo fato do produto ser comercializado innatura no período de safra, com a ajuda de dois membros familiares.
  • 163. 169 Com relação a melhoria na capacidade de produção, o agente citou que a falta decapital de giro impede que amplie o estabelecimento para armazenar mais produtos. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un. fruto) entre os setores mercantis do cacau (fruto). A cadeia de comercialização identificada pela pesquisa é constituída por um canaldireto de comercialização, isto é, a produção vendendo 100% para os consumidores locais, aopreço de R$ 0,75/un. do cacau fruto (Figura 68). FIGURA 68- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) do cacau (fruto) na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.31 Cajarana a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização da cajarana. Foi identificado na pesquisa um agente atravessador que está no ramo há 40 anos, ecomercializa outros produtos como cupuaçu, açaí, pupunha, bacaba e castanha-do-brasil. NoQuadro 30 estão descritos os agentes envolvidos na comercialização da cajarana, conformeos setores e mercados. O agente citou possuir um local para armazenamento de 12m2, para deslocamentouma bicicleta e não necessita de máquinas e equipamentos, pelo fato do produto sercomercializado in natura, no período de safra. O trabalho é desenvolvido por três pessoas,sendo dois ajudantes que recebem R$ 30,00 diariamente, mais o proprietário.
  • 164. 170 Com relação a melhoria na capacidade de produção, o agente citou que a falta decapital de giro impede que amplie o estabelecimento para armazenar mais produtos.QUADRO 30- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da cajarana da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Extrativistas locais, que fazem a coleta da cajarana em áreas de Produção ocorrência do fruto; Local Pequenos comerciantes (atravessadores) do interior dos Varejo rural municípios que compram o fruto dos extrativistas; Comerciantes que vendem o fruto in natura para o consumidor Estadual Varejo urbano extralocal (Belém).Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/un. Fruto) entre os setores mercantis da cajarana. O canal de comercialização da cajarana identificado é simples e indireto, poisabrange dois setores intermediários que participam da comercialização do fruto (Figura 69).O varejo rural comercializou 100% da quantidade identificada da cajarana produzida naregião, que foi comprada diretamente dos produtores locais ao preço médio de R$ 0,05/un. dofruto, e vendida para o varejo urbano estadual, no valor de R$ 0,10/un. Por sua vez, o varejistaurbano estadual comercializou para os consumidores estaduais ao preço de R$ 0,13/un.
  • 165. 171 FIGURA 69- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un. Fruto) da cajarana na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.4.2.32 Patauá óleo a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do patauá (óleo). Foi identificado um agente mercantil do produto, que é atravessador e atua no ramohá oito anos e trabalha também com o óleo de andiroba. O Quadro 31 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodeste produto, de acordo com seus respectivos setores.QUADRO 31- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do patauá (óleo) da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produtores do óleo de patauá, que fazem coleta do fruto e Produção extração do óleo; Local Comerciantes que compram direto da produção o óleo de Varejo rural patauá, que comercializam para fins medicinais.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O produto é comercializado durante o ano todo, mas, principalmente quando hápedidos. O agente trabalha com o irmão e o lucro é dividido entre eles. O mesmo não possuimaquinários e equipamentos, e como meio de transporte utiliza um barco com capacidade deuma tonelada, para coleta das ervas e dos óleos pelos furos e rios da região. Para melhoria na
  • 166. 172capacidade de produção, o agente declara a necessidade de capacitação dos produtores eribeirinhos para manipulação adequada das ervas (plantas medicinais). b) Estrutura da quantidade comercializada (%) e preço médio praticado (R$ correntes/l) entre os setores mercantis do patauá (óleo). Verificou-se que esta comercialização ocorreu somente na esfera local, envolvendo osetor do varejo rural, o qual demandou toda a produção local ao preço de R$ 15,00/l e depoiscomercializou o óleo de patauá, de forma fracionada, para os consumidores locais ao preço deR$ 25,00/l (Figura 70). FIGURA 70- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) do patauá (óleo) na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 167. 1734.3 ANÁLISES ECONÔMICAS AGRUPADAS Ao analisar do ponto de vista do somatório das vendas realizadas pelos setoreseconômicos diretamente aos consumidores finais, ou seja, as vendas pela ótica da demandafinal dos produtos florestais não madeireiros produzidos e comercializados a partir da RIMarajó, alguns com origem de produção de regiões vizinhas (Tabela 2), identifica-se que dototal contabilizou mais de R$ 351,8 milhões, o sistema nacional foi responsável por 52%desta demanda final, pois efetuou compras no valor de R$ 184 milhões, por sua vez omercado estadual cuja demanda foi equivalente a R$ 44 milhões (que corresponde a 13% dademanda total) e, por fim, o mercado local com demanda em quase R$ 123,7 milhões,equivalente a 35% do valor da demanda total. Ao fazer a classificação por percentagem relativa das demandas por produtos pelastrês escalas regionais, os mais demandados pelo mercado nacional foram: o cacau amêndoa ea borracha, com 100% das suas ofertas demandadas pelo mercado nacional, maisprecisamente os setores econômicos do estado da Bahia e; a castanha-do-brasil, palmito, breu-branco, açaí fruto e os utensílios com representatividades entre 98% a 50% do que foiofertado, considerando-se a suas características e especificidades, foram demandadas pelomercado nacional e/ou internacional (no caso do açaí e castanha-do-brasil) (Tabela 2). No que diz respeito a demanda final no mercado estadual, só a cajarana teve 100%da sua oferta demandada pela escala estadual, enquanto que o artesanato regional e a bacabaobtiveram, respectivamente, 98% e 48% demandada no mercado estadual, porém, enquanto orestante das compras dos artesanatos foi realizado na escala local, a bacaba foi demandadasnas outras duas escalas: 30% foram para suprir a demanda local e 22% foram a nível nacional,especificamente pelos setores econômicos do município de Macapá, no estado do Amapá. Com relação ao mercado local dos dezesseis municípios que compõem a RI Marajó,os produtos que tiveram suas demandas somente no nível local, isto é, produtos que tiveramtanto a oferta quanto a demanda efetuadas na própria região foram: cipó-titica, carvão, lenha,copaíba, açaí semente, plantas medicinais, pupunha, leites, piquiá, uxi fruto, tucumã, mari,urucum, cacau fruto, óleo de patauá. Os demais (andiroba, taperebá, bacuri, cupuaçu, mel e omuruci) tiveram suas demandas efetuadas em consórcios com outras escalas regionais, asvezes com o mercado estadual ou nacional, variando conforme a especificidade e utilidade doproduto (Tabela 2).
  • 168. 174TABELA 2- Demanda Final (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireirosidentificados na RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008 (Idesp). Demanda Final (Valores R$) Porcentagem (%)Produto Florestal Não Madeireiro Nacional Nacional Local Estadual Total Local Estadual (Estimado) (Estimado)Cipó-titica (kg) 145.865,39 - - 145.865,39 100 - -Carvão (kg) 145.002,78 - - 145.002,78 100 - -Lenha (m³) 127.248,26 - - 127.248,26 100 - -Copaíba (l) 54.460,19 - - 54.460,19 100 - -Açaí semente (kg) 45.295,11 - - 45.295,11 100 - -Plantas medicinais (kg)(1) 41.816,54 - - 41.816,54 100 - -Pupunha (cacho) 28.651,35 - - 28.651,35 100 - -Leites (l)(2) 26.589,65 - - 26.589,65 100 - -Piquiá (un.) 9.923,48 - - 9.923,48 100 - -Uxi fruto (kg) 5.604,60 - - 5.604,60 100 - -Tucumã (kg) 3.086,35 - - 3.086,35 100 - -Mari (un.) 2.958,83 - - 2.958,83 100 - -Urucum (kg) 2.863,39 - - 2.863,39 100 - -Cacau fruto (kg) 477,23 - - 477,23 100 - -Patauá óleo (l) 265,64 - - 265,64 100 - -Andiroba (l) 94.060,77 708,36 1.393,83 96.162,96 98 1 1Taperebá (kg) 24.334,89 598,13 - 24.933,02 98 2 -Bacuri fruto (un.) 897.326,08 31.704,04 - 929.030,12 97 3 -Cupuaçu (un.) 454.852,29 19.549,81 15.317,95 489.720,05 93 4 3Mel (l) 106.454,53 9.630,67 - 116.085,20 92 8 -Muruci (l) 67.504,07 9.541,38 - 77.045,46 88 12 -SubTotal 2.284.641,40 71.732,39 16.711,78 2.373.085,58 96 3 1Cajarana (un.) - 620,40 - 620,40 - 100 -Artesanato regional (un.) (3) 13.355,29 524.174,11 - 537.529,40 2 98 -Bacaba (kg) 467.378,96 758.132,84 338.738,50 1.564.250,30 30 48 22SubTotal 480.734,25 1.282.927,35 338.738,50 2.102.400,10 23 61 16Cacau amêndoa (kg) - - 162.293,94 162.293,94 - - 100Borracha (kg) - - 32.730,99 32.730,99 - - 100Castanha-do-brasil (kg) 7.725,38 31.767,50 2.306.925,42 2.346.418,30 0 1 98Palmito (kg) 1.105,06 4.308.802,03 20.476.469,86 24.786.376,95 0 17 83Breu-branco (kg) 12.585,62 37.948,58 59.256,76 109.790,96 11 35 54Açaí fruto (kg) 120.769.586,34 38.300.175,42 160.415.396,93 319.485.158,68 38 12 50Utensílios (un.) (4) 187.189,96 7.883,73 194.998,70 390.072,39 48 2 50SubTotal 120.978.192,37 42.686.577,25 183.648.072,61 347.312.842,22 35 12 53Total Geral 123.743.568,02 44.041.236,99 184.003.522,89 351.788.327,89 35 13 52(1) Jucá fava e cascas de andiroba, barbatimão, cajuaçu, cedro, copaíba, jatobá, muruci, ipê-roxo, sucuúba, unha-de-gato, pariri, uxi e verônica.(2) Amapá, jatobá e sucuúba.(3) Bolsa artesanal (fibra de tururi), chapéu de palha (jupati e tururi), quadro e arara (artesanatos de miriti).(4) Abano (guarumã), matapi (jupati e timboí), vassoura (timbó), tipiti (guarumã), cesto (palha de inajá e jupati), pari (tala de jupati e cipó-timboí), paneiro(titica, miriti, guarumã e jacitara) e peneira (guarumã).Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Quanto a análise individualizada e em termos de valor desses produtos da Tabela 2,a demanda do açaí fruto se caracterizou como o recurso mais demandado nas três escalas,cujo total se aproximou dos R$ 319,5 milhões, correspondente a 91% do valor da demandatotal, pois além da sua importância na alimentação diária das populações locais e estaduais,este fruto nas últimas décadas vem se consagrando com uns dos frutos, oriundo da Amazônia,mais consumido no âmbito nacional. No entanto, acrescentando-se a demanda do açaí, ademanda do palmito e da castanha-do-brasil chega-se aos principais produtos oriundos da RI
  • 169. 175Marajó mais demandados pelos setores econômicos dos três níveis de mercados, os quaissomaram aproximadamente 99% do valor da demanda das 31 cadeias. No que compete verificar qual mercado mais contribuiu para a formação do valoradicionado (VAB) aos produtos florestais não madeireiros da RI Marajó, estimado em R$351,8 milhões, conforme Tabela 3, o mercado local agiu de forma preponderante, pois osseus conjuntos de setores adicionaram R$ 215,5 milhões, que representou 61% do VAB total,o sistema estadual adicionou mais de R$ 79,7 milhões (23% do VAB total) e na esferanacional foram adicionados R$ 56,6 milhões (16% do VAB total). Esta averiguação do valor agregado e/ou adicionado é importante para se entender aeconomia dos PFNM da RI em estudo seja ela local, para a maioria dos produtosidentificados, ou estadual tal como aconteceu com a castanha-do-brasil, e ainda nacionalcomo no caso da borracha, em que grande parte das respectivas produções foi para fora doestado do Pará, para ser beneficiado e/ou transformado pelo setor de indústria, os quaisadicionaram 74% e 53% do seu valor total agregado, respectivamente. Ou ainda, o cacauamêndoa o qual obteve 41% do seu VAB realizado no âmbito nacional (Tabela 3). Entre o VAB constituído nos produtos exclusivamente ou com predomínio nomercado local e, orçado em mais de R$ 349,4 milhões (Tabela 3), o açaí fruto, o palmito e abacaba tiveram uma proeminente participação, considerando-se a quantidade de produtos,pois juntos foram responsáveis por em torno de 99% deste valor, sendo que 91% foramoriundos da agregação realizada na cadeia açaí fruto. No entanto, na cadeia do palmito 69%do seu VAB foram constituídos na própria RI.
  • 170. 176TABELA 3- Valor Adicionado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais nãomadeireiros identificados na RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008 (Idesp). Valor Adicionado Bruto (VAB) (Valores R$) Porcentagem (%)Produto Florestal Não Madeireiro Nacional Nacional Local Estadual Total Local Estadual (Estimado) (Estimado)Cipó-titica (kg) 145.865 - - 145.865 100 - -Carvão (kg) 145.003 - - 145.003 100 - -Lenha (m³) 127.248 - - 127.248 100 - -Mel (l) 116.085 - - 116.085 100 - -Copaíba (l) 54.460 - - 54.460 100 - -Açaí semente (kg) 45.295 - - 45.295 100 - -Plantas medicinais (kg) (1) 41.817 - - 41.817 100 - -Pupunha (cacho) 28.651 - - 28.651 100 - -Leites (l)(2) 26.590 - - 26.590 100 - -Piquiá (un.) 9.923 - - 9.923 100 - -Uxi fruto (un.) 5.605 - - 5.605 100 - -Tucumã (kg) 3.086 - - 3.086 100 - -Mari (un.) 2.959 - - 2.959 100 - -Urucum (kg) 2.863 - - 2.863 100 - -Cacau fruto (kg) 477 - - 477 100 - -Patauá óleo (l) 266 - - 266 100 - -Andiroba (l) 95.743 142 279 96.163 99,6 0,1 0,3Taperebá (kg) 24.812 121 - 24.933 99,5 0,5 -Bacuri fruto (un.) 919.637 9.393 - 929.030 99 1 -Cupuaçu (un.) 482.460 3.935 3.325 489.720 99 1 1Muruci (l) 75.144 1.901 - 77.045 98 2 -Utensílios (un.)(3) 351.199 - 38.874 390.072 90 - 10Artesanato regional (un.) (4) 441.268 96.262 - 537.529 82 18 -Cajarana (un.) 477 143 - 620 77 23 -Breu-branco (kg) 80.784 7.638 21.369 109.791 74 7 19Bacaba (kg) 1.079.255 417.247 67.748 1.564.250 69 27 4Açaí fruto (kg) 198.674.504 73.210.931 47.599.724 319.485.159 62 23 15Palmito (kg) 12.325.559 4.172.349 8.288.470 24.786.377 50 17 33Cacau amêndoa (kg) 79.670 15.954 66.670 162.294 49 10 41SubTotal 215.386.705 77.936.017 56.086.457 349.409.179 62 22 16Castanha-do-brasil (kg) 144.658 1.740.375 461.385 2.346.418 6 74 20SubTotal 144.658 1.740.375 461.385 2.346.418 6 74 20Borracha (kg) 15.354 - 17.377 32.731 47 - 53SubTotal 15.354 - 17.377 32.731 47 - 53TOTAL GERAL 215.546.717 79.676.392 56.565.219 351.788.328 61 23 16(1) Jucá fava e cascas de andiroba, barbatimão, cajuaçu, cedro, copaíba, jatobá, muruci, ipê-roxo, sucuúba, unha-de-gato, pariri, uxi everônica.(2) Amapá, jatobá e sucuúba.(3) Abano (guarumã), matapi (jupati e timboí), vassoura (timbó), tipiti (guarumã), cesto (palha de inajá e jupati), pari (tala de jupati e cipó-timboí), paneiro (titica, miriti, guarumã e jacitara) e peneira (guarumã).(4) Bolsa artesanal (fibra de tururi), chapéu de palha (jupati e tururi), quadro e arara (artesanatos de miriti).Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Quando se analisa o valor agregado levando em consideração os produtosescalonados em categorias, conforme a Tabela 4, a categoria dos alimentícios foi quem maisadicionou valor, equivalente a R$ 349,9 milhões, contribuindo com mais de 99% na formaçãodo VAB total (R$ 351,8 milhões). Este VAB dos alimentícios foi oriundo da agregação devalor obtida nas três esferas regionais: local (61%), estadual (23%) e nacional (16%), sendo
  • 171. 177que o percentual do mercado nacional foi mais em função da majoração de preço do açaí,palmito e da castanha-do-brasil.TABELA 4- Valor Agregado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais nãomadeireiros identificados na RI Marajó, estado do Pará, organizados em categorias (Alimentícios,Artesanatos/Utensílios, Derivado Animal, Derivado da Madeira e Fármacos/Cosméticos), estimados para 2008(Idesp).Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Depreende-se, no entanto, que a agregação de valor desta categoria poderia ser maissignificativa se houvessem políticas de incentivo e/ou investimentos nos setores econômicosque poderiam realizar o beneficiamento de alguns desses produtos no âmbito local, ou até
  • 172. 178mesmo no nível estadual. Pois, com exceção do açaí, bacaba e a castanha-do-brasil, as frutasforam comercializadas na sua forma primária (in natura), isto é, sem beneficiamento. Para os produtos classificados como artesanato e utensílios, cuja agregação de valorgirou em torno de R$ 1,2 milhão (0,35% do VAB total) e, que se processou nos três mercados(Tabela 4), sendo que a participação do artesanato regional se destacou pelo fato da suaagregação ter contribuído com 44% do valor agregado pela categoria. Com relação ao únicoproduto de origem animal, o mel, cuja agregação de valor foi contabilizada em R$ 116,1 mil(0,03% do VAB total), formalizado totalmente no âmbito local. No que se refere aosderivados da madeira, a agregação de valor foi na ordem de R$ 305 mil (0,09% do VABtotal), cujos processos ocorreram predominantemente no mercado local, com exceção daborracha que 53% do seu valor adicionado foram desenvolvidos por setores econômicos naesfera nacional. E por fim, os produtos classificados como fármacos e cosméticos que adicionaramem torno de 0,06% do VAB total (em torno de R$ 219,3 mil), cuja maioria agregou valorsomente na esfera local. A andiroba agregou valor nas três escalas regionais, no entanto, ovalor adicionado na escala local foi preponderantemente superior as outras escalas regionais. Com relação aos valores da renda bruta total (RBT) gerada e circulada, a Tabela 5esta organizada em categorias de valor para que a análise dos produtos seja mais coerente,uma vez que os produtos não se encontram em um mesmo patamar econômico e, sendo assim,fica difícil realizar comparações quando alguns produtos estão em escalas de milhões de reaise outros em centenas de reais. Deste modo, em função da renda bruta total (RBT) gerada ecirculada na comercialização dos produtos, a estratégia adotada foi dividi-los em trêscategorias: i) os que atingiram valores acima de R$ 600 mil de RBT; ii) para os intermediárioscom RBT entre R$ 100 mil e R$ 599 mil e; iii) os abaixo de R$ 100 mil. Deste modo, os produtos classificados na primeira categoria com maiores renda brutatotal (RBT) identificados (Tabela 5), em ordem decrescente de valor, foram: o açaí fruto (R$690,3milhões), o palmito (R$ 46,2 milhões), a castanha-do-brasil (R$ 4,4 milhões), a bacaba(R$ 3,5 milhões), o bacuri (R$ 1,1 milhão), o artesanato regional (R$ 919 mil), os utensílios(R$ 778,8 mil) e o cupuaçu (R$ 737,7 mil). Logo, nesta categoria (RBT acima de R$ 600mil), somente a comercialização do açaí fora o responsável por 92,3 % da RBT gerada ecirculada, do qual 52% foram gerados no âmbito local. Diferente do que aconteceu nacomercialização do palmito e castanha-do-brasil, em que das suas RBT, a maior parte ficouno âmbito nacional, assim como, do artesanato regional em que a maior parte da RBT foi
  • 173. 179gerada e circulada no âmbito estadual. Em contrapartida a bacaba, o bacuri e o cupuaçu,apesar de terem contribuído com apenas 0,08% no somatório da RBT da categoria, suasrendas foram geradas e circuladas de forma preponderante no mercado local, sob açõesprincipalmente do setor de indústrias: beneficiamento, no caso da bacaba e; transformação nocaso do bacuri e cupuaçu e, sob tutela das lanchonetes/sorveterias.TABELA 5- Renda Bruta Total (R$) na esfera local, estadual e nacional dos produtos florestais não madeireirosidentificados na RI Marajó, estimados para 2008, organizados em três categorias relativas com escalas de valordo RBT (acima de R$ 600 mil, de R$ 100 mil a R$ 599 mil e abaixo de R$ 100 mil) (Idesp). Renda Bruta Total (RBT) (Valores R$) Porcentagem (%) Categorias Produto Florestal Não Madeireiro Nacional Nacional Relativa a Local Estadual Total Local Estadual (Estimado) (Estimado) RTB Açaí fruto (kg) 359.031.227,01 163.455.228,62 167.876.271,63 690.362.727,26 52 24 24 92,3 RBT acima de R$ 600 mil Palmito (kg) 17.057.556,77 8.726.756,81 20.476.469,86 46.260.783,45 37 19 44 6,2 Castanha-do-brasil (kg) 257.155,87 1.902.721,84 2.306.925,42 4.466.803,13 6 43 52 0,6 Bacaba (kg) 1.928.287,51 1.239.644,83 338.738,50 3.506.670,84 55 35 10 0,5 Bacuri fruto (un.) 1.089.820,70 37.399,00 - 1.127.219,70 97 3 - 0,2 Artesanato regional (un.) (1) 441.540,42 478.316,35 - 919.856,76 48 52 - 0,1 Utensílios (un.)(2) 583.783,05 - 194.998,70 778.781,75 75 - 25 0,1 Cupuaçu (un.) 702.830,65 19.549,81 15.317,95 737.698,41 95 3 2 0,1Total Parcial 381.092.201,98 175.859.617,25 191.208.722,07 748.160.541,31 51 24 26 100 Cacau amêndoa (kg) 150.840,13 95.624,24 278.112,13 524.576,50 29 18 53 29,57 Breu-branco (kg) 133.394,85 37.948,58 106.692,48 278.035,91 48 14 38 15,67 RBT de R$ 100 mil a Carvão (kg) 258.766,27 - - 258.766,27 100 - - 14,58 R$ 599 mil Cipó-titica (kg) 173.519,96 - - 173.519,96 100 - - 9,78 Mel (l) 171.683,85 - - 171.683,85 100 - - 9,68 Andiroba (l) 135.431,72 708,36 1.393,83 137.533,91 98,5 0,5 1 7,75 Lenha (m³) 128.670,39 - - 128.670,39 100 - - 7,25 Muruci (l) 91.885,36 9.541,38 - 101.426,74 91 9 - 5,72Total Parcial 1.244.192,53 143.822,57 386.198,44 1.774.213,54 70 8 22 100 Copaíba (l) 97.944,71 - - 97.944,71 100 - - 21,21 Borracha (kg) 27.915,56 - 58.901,82 86.817,38 32 - 68 18,80 Plantas medicinais (kg) (3) 62.218,15 - - 62.218,15 100 - - 13,48 Açaí semente (kg) 51.640,58 - - 51.640,58 100 - - 11,19 RBT abaixo de R$ 100 mil Pupunha (Cacho) 47.652,30 - - 47.652,30 100 - - 10,32 Leites (l)(4) 41.053,75 - - 41.053,75 100 - - 8,89 Taperebá (kg) 29.530,84 598,13 - 30.128,97 98 2 - 6,53 Piquiá (un.) 16.816,98 - - 16.816,98 100 - - 3,64 Uxi fruto (un.) 9.208,65 - - 9.208,65 100 - - 1,99 Tucumã (kg) 6.024,66 - - 6.024,66 100 - - 1,30 Urucum (kg) 5.154,09 - - 5.154,09 100 - - 1,12 Mari (un.) 4.783,76 - - 4.783,76 100 - - 1,04 Cajarana (un.) 715,85 620,40 - 1.336,25 54 46 - 0,29 Cacau fruto (kg) 477,23 - - 477,23 100 - - 0,10 Patauá óleo (L) 425,02 - - 425,02 100 - - 0,09Total Parcial 401.562,14 1.218,53 58.901,82 461.682,49 87 0 13 100 TOTAL GERAL 382.737.956,65 176.004.658,35 191.653.822,33 750.396.437,33 51 23 26 100(1) Bolsa artesanal (fibra de tururi), chapéu de palha (jupati e tururi), quadro e arara (artesanatos de miriti).(2) Abano (guarumã), matapi (jupati e timboí), vassoura (timbó), tipiti (guarumã), cesto (palha de inajá e jupati), pari (tala de jupati e cipó-timboí), paneiro (titica, miriti, guarumã ejacitara) e peneira (guarumã).(3) Jucá fava e cascas de andiroba, barbatimão, cajuaçu, cedro, copaíba, jatobá, muruci, ipê-roxo, sucuúba, unha-de-gato, pariri, uxi e verônica.(4) Amapá, jatobá e sucuúba.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Dentre os produtos da segunda categoria (de R$ 100 mil a R$ 599 mil), com valorestimado de renda bruta em aproximadamente R$ 1,7 milhão, gerada e circulada nas três
  • 174. 180escalas regionais, porém com uma maior proporção para o mercado local (70%), já que ocarvão, o cipó-titica, o mel, a lenha e praticamente a andiroba e o muruci, tiveram suas RBTsgeradas e circuladas no âmbito local (Tabela 5). Os outros produtos classificados na categoria(cacau amêndoa e o breu-branco) tiveram suas RBTs geradas e circuladas com a participaçãode setores localizados nas três escalas regionais, no entanto, no caso do primeiro produto, asua respectiva renda foi mais representativa no mercado nacional e, no segundo produto, aRBT foi maior no local. Na terceira e última categoria (RBT abaixo de R$ 100 mil), apenas a borracha tevesua RBT gerada e circulada com participação do mercado nacional. E as RBTs do taperebá eda cajarana foram geradas e circuladas com a participação do mercado estadual. Com relaçãoaos outros produtos escalonados (copaíba, plantas medicinais, açaí semente, pupunha, leites,piquiá, uxi, tucumã, urucum, mari, cacau fruto e o óleo de patauá) tiveram exclusivamente nomercado local as suas RBTs geradas e circuladas. Quando se analisa a renda gerada e circulada, somente no âmbito local das 31cadeias, ou seja, os produtos com suas RBT 100% formadas na RI Marajó e, estimadas em R$1,1 milhão aproximadamente, os produtos utilizados como alimento (pupunha, piquiá, uxi,tucumã, urucum, mari e o cacau fruto) pelos consumidores locais corresponderam a somente8% deste montante, que conforme as especificidades de cada uma, umas foram consumidas innatura (fruto) e/ou em forma de cremes, sucos e sorvetes. Os produtos utilizados para finsmedicinais (mel, copaíba, os leites e óleos de patauá) contribuíram com 35%. Os utilizadoscomo utensílios e artesanatos (cipó-titica e a semente do açaí) com 21%. E, os usados comoinsumo (carvão e lenha) pelas inúmeras famílias da RI Marajó, formalizaram 36% da RBT(Tabela 5). De modo geral, o açaí fruto foi que gerou e circulou a maior renda no âmbito local,estimada em mais de R$ 359 milhões (Tabela 5), aproximadamente 94% da RBT gerada pelacomercialização de todos os produtos identificados. Desta renda gerada na comercialização doaçaí no âmbito local, os tradicionais batedores, classificados como indústria debeneficiamento local, adquiriram R$ 131,6 milhões, que de uma maneira singular, significouo processo de beneficiamento do fruto em polpa, o popularmente conhecido vinho de açai. Desta maneira, conforme Tabela 6, ao se considerar a Contabilidade SocialAscendente Alfa, que tem no seu ponto de partida o setor da produção agroextrativista, deprodutos de espécies nativas, dos dezesseis municípios estudados (Setor α) e, que integram aRI Marajó, recebeu um montante equivalente a R$ 127,3 milhões (VBPα) oriundos das vendas
  • 175. 181de todos os produtos florestais não madeireiros identificados (55 produtos no total) eorganizados em 31 cadeias, e, com as transações comerciais realizadas pelos setores quevendem tais produtos até o consumidor final foram adicionados valores a estes num montantede R$ 351,8 milhões (VAB), que somado com o valor bruto da produção (VBP) pela ótica dademanda, correspondente ao valor total da compra de insumos contabilizados em R$ 398,6milhões, chega-se a um total de R$ 750,4 milhões, referente a renda bruta total (RBT) geradae circulada na economia destes produtos, com seus efeitos para frente e para trás nas cadeiasde comercialização. Salienta-se, porém, que no valor recebido pelo setor alfa (R$ 127,3 milhões), emtorno de R$ 6,4 milhões (5% do VBPα) correspondeu ao valor recebido pelo setor daprodução extralocal, isto é, por agentes agroextrativistas que estão localizados em municípiosque integram outras regiões de integração: RI Tocantins (Abaetetuba, Barcarena, Cametá,Limoeiro do Ajuru e Oeiras do Pará) e Metropolitana (Belém). Estes agentes transacionaramde forma parcial e integral (no caso da semente do açaí), dependendo do período e do produto,aos agentes de comercialização da RI Marajó doze produtos florestais não madeireirosidentificados (Tabela 6), quais sejam: o açaí fruto, a bacaba, o carvão e o mel, oriundos da RITocantina; o açaí semente, o bacuri, o cupuaçu, o muruci, o taperebá e o cipó-titica, vindos daRI Metropolitana e; o óleo de copaíba e da andiroba, oriundos de ambas as RI. Entre essas RI,a Tocantina, teve uma grande representatividade na contabilidade do valor extralocal, poismais de 99% dos R$ 6,5 milhões foram pagos aos seus agentes mercantis. Já os agentes da RIMetropolitana ganhou importância pela forma com que transacionaram os produtos com a RIMarajó, pois além da comercialização da semente do açaí trabalhada, as frutas foram enviadasem forma de polpa. Considerando a soma do valor adquirido pelo setor da produção local e extralocal,entre os produtos mais importantes para a geração de renda e emprego para o setor, acomercialização do açaí fruto atuou de forma preponderante, pois os agroextrativistasarrecadaram mais de R$ 122,3 milhões, o que corresponde a 96% do valor da produção alfatotal de R$ 127,3 milhões (VBPα), sendo R$ 6,3 milhões pagos aos agroextrativistasextralocais. Por conseguinte, os agroextrativistas do palmito receberam em torno de R$ 2,5milhões com a sua oferta. Os extrativistas da bacaba receberam quase R$ 743 mil, sendo R$1,7 mil pagos aos extrativistas extralocais. Com relação a renda gerada e comercializada por produto, a partir da RI Marajó, e aparte do montante da RBT que foi retido pelo respectivo setor alfa, que dá origem a toda base
  • 176. 182produtiva, verificou-se, simultaneamente, dois princípios básicos: o primeiro e maisimportante, pois demonstra outras funções desenvolvidas pelo setor alfa (além de plantar,extrair e colher, inerentes a ele), que quanto mais ações de beneficiamento o setor impor nosprodutos antes das transações comerciais com outros setores da demanda intermediária, maiorfoi a sua participação na RBT, ou seja, mais ele adquirirá da renda gerada e circulada. Osegundo se refere a assertiva de que, quando a comercialização do produto (de toda produçãoe/ou grande parte dela) se desenvolve de forma direta entre a base produtiva e consumidorfinal, ou seja, sem (e/ou com poucas) intermediações de outros setores, mais da renda geradae circulada, também foi retida. Tal como aconteceu nas cadeias de comercialização do cacaufruto e da lenha em que de suas RBTs geradas, 100% e 98% respectivamente, foramadquiridas pelo setor da produção. Partindo-se do primeiro princípio, supracitado, osagroextrativistas que tiveram no mel sua fonte de renda, receberam 52% da RBT gerada ecirculada na sua comercialização. Os artesãos que produziram os artesanatos regionais, queadquiriram 44% da RBT gerada. Enquanto que os extrativistas do açaí fruto, do palmito e dacastanha-do-brasil adquiriram somente 17,7%, 5,3% e 2,5% das suas rendas geradas ecirculadas e estimadas em R$ 690,4 milhões, R$ 46,2 milhões e R$ 4,5 milhões,respectivamente, configurando-se, como os recursos de menor retorno financeiro para os queatuam na base produtiva. É necessário ressaltar, que outros princípios também se fazem presente e, sendoassim, contribuíram, mesmo que de forma secundária, mas concomitantemente com osbásicos, para maior ou menor retorno financeiro deste setor, tais como: baixo grau deorganização social formal (associações e cooperativas); falta de corporativismo; infraestruturade comercialização precária (estradas, rodovias; que geralmente os deixam sob dependênciados atravessadores ou de grandes compradores, denominados de atacadistas); capacitaçãotécnica e baixo grau de escolaridade. Ao longo das 31 cadeias de comercialização, alguns apresentaram uma margem brutade comercialização (mark-up) bastante expressiva em relação aos apresentados por outros,pois, quanto mais ações de beneficiamento, transformações, e/ou majoração de preço oproduto adquiriu ao longo da cadeia e, a partir do setor da produção, maior foi o seu valor demark-up. Esta margem mostra o quanto, em termos percentuais, foi adicionado ao longo dascadeias dos produtos após as vendas realizadas pelo setor da produção e, por isso, o seu valoré calculado pela diferença entre o VAB e o valor obtido pela da venda do setor da produção,do produto, ou seja, VBPα, dividido pelo VBPα. Assim, a castanha-do-brasil e o palmito foram
  • 177. 183os produtos que obtiveram os maiores valores de mark-up, estimados em 1.975% e 903%respectivamente, pois, nessas cadeias mais de 90% (95% e 90%) dos seus valores adicionadosforam constituídos por ações de agentes da demanda intermediária, ou seja, após a venda dosetor da produção. Com uma diferença, enquanto a castanha-do-brasil teve 94% do seu valoradicionado desenvolvido fora da RI Marajó, o palmito teve apenas 50%, devido em grandeparte pela concentração de pequenas indústrias processadoras na RI Marajó. E, no outro extremo, temos o valor do mark-up estimado na comercialização da lenhae do cacau fruto com um índice de 0%, porquanto nenhuma ação de beneficiamento estesprodutos obtiveram após as vendas dos agroextrativistas, outrora classificado como setor dacoleta/produção, no caso do cacau comercializado e consumido in natura. No caso da lenha,parte da produção ainda fora comercializado com a intermediação do setor de varejo(feirantes). Logo, verifica-se também que a comercialização do produto quando aconteceusem e/ou com poucas intermediações, entre o setor alfa e o consumidor final, esta assertivatambém proporcionou que o valor de mark-up tendesse a zero (Tabela 6). Em relação ao valor bruto da produção (VBP) pela ótica da demanda, ou seja, dacompra de insumos dos setores mercantis intermediários identificados por recortesgeográficos (local, estadual e nacional), referidos na Tabela 6, estes insumos, dependendo daposição e função do agente mercantil, variaram desde matéria prima ou subproduto atéproduto final. O breu-branco, por exemplo, foi utilizado tanto como matéria prima pelosconsumidores final da RI Marajó (donos de embarcações) e utilizado na calafetagem dosbarcos. Quanto para a fabricação de produtos finais (tintas, entre outros) pela indústria detransformação nacional. Ou ainda os frutos açaí, bacuri, muruci, taperebá, cupuaçu in natura,por exemplo, até o penúltimo agente da cadeia, que o adquiriu como insumo na transformouem cremes, sucos e sorvetes, antes do último elo da cadeia, o consumidor final. Ou comoaconteceu com o carvão e a lenha, que foram utilizados como matérias primas na indústria detransformação (pelas famílias, padarias e restaurantes) classificadas como consumidor final.Assim como o mel, os óleos de patauá, andiroba e copaíba, as plantas medicinais (e outrasfrutas) foram utilizadas como remédios pelos consumidores finais da RI em estudo. .
  • 178. 184TABELA 6- Indicadores econômicos dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Marajó, estado do Pará, compostos pelo Valor Bruto daProdução Alfa Local (VBPα), o Valor Bruto da Produção Alfa extralocal, a margem de lucro (mark-up), o Valor Bruto da Produção (VBP), o Valor Agregado Bruto (VAB) e aRenda Bruta Total (RBT), em R$, nas esferas local, estadual e nacional, estimado para 2008 (Idesp). Mark-up VBP (Compra de insumo) (3) Total VAB (4) RBT Total gerada e circulada (6) VBP α da VBP da ProduçãoProduto Florestal Não Madeireiro (margem bruta de Nacional Nacional Nacional Produção Local (1) Extralocal (2) Local Estadual Total Local Estadual Total Local (5) Estadual Total comercialização) (Estimado) (Estimado) (Estimado)Açaí fruto (kg) 116.033.068,75 6.280.047,54 161% 160.356.723 90.244.298 120.276.547 370.877.569 198.674.504 73.210.931 47.599.724 319.485.159 359.031.227 163.455.229 167.876.272 690.362.727Palmito (kg) 2.471.854,78 903% 4.731.998 4.554.408 12.188.000 21.474.406 12.325.559 4.172.349 8.288.470 24.786.377 17.057.557 8.726.757 20.476.470 46.260.783Bacaba (kg) 741.062,74 1.667,64 111% 849.032 822.397 270.991 1.942.421 1.079.255 417.247 67.748 1.564.250 1.928.288 1.239.645 338.739 3.506.671Artesanato regional (un.) (7) 434.265,93 24% 273 382.055 - 382.327 441.268 96.262 - 537.529 441.540 478.316 - 919.857Utensílios (un.)(8) 290.095,20 34% 232.584 - 156.125 388.709 351.199 - 38.874 390.072 583.783 - 194.999 778.782Cupuaçu (un.) 147.881,79 18.985,56 193% 220.370 15.615 11.993 247.978 482.460 3.935 3.325 489.720 702.831 19.550 15.318 737.698Lenha (m³) 126.638,78 0% 1.422 - - 1.422 127.248 - - 127.248 128.670 - - 128.670Castanha-do-brasil (kg) 113.062,20 1975% 112.497 162.347 1.845.540 2.120.385 144.658 1.740.375 461.385 2.346.418 257.156 1.902.722 2.306.925 4.466.803Bacuri fruto (un.) 100.900,33 13.839,70 710% 170.184 28.006 - 198.190 919.637 9.393 - 929.030 1.089.821 37.399 - 1.127.220Mel (l) 86.898,66 2.379,34 30% 55.599 - - 55.599 116.085 - - 116.085 171.684 - - 171.684Cacau amêndoa (kg) 71.170,33 128% 71.170 79.670 211.442 362.283 79.670 15.954 66.670 162.294 150.840 95.624 278.112 524.577Carvão (kg) 65.148,06 27.000,93 57% 113.763 - - 113.763 145.003 - - 145.003 258.766 - - 258.766Breu-branco (kg) 45.336,42 142% 52.611 30.310 85.324 168.245 80.784 7.638 21.369 109.791 133.395 37.949 106.692 278.036Andiroba (l) 43.025,86 8.845,66 85% 39.689 567 1.115 41.371 95.743 142 279 96.163 135.432 708 1.394 137.534Copaíba (l) 34.718,55 7.172,16 30% 43.485 - - 43.485 54.460 - - 54.460 97.945 - - 97.945Pupunha (Cacho) 21.619,36 33% 19.001 - - 19.001 28.651 - - 28.651 47.652 - - 47.652Cipó-titica (kg) 21.107,53 1.091,17 557% 27.655 - - 27.655 145.865 - - 145.865 173.520 - - 173.520Plantas medicinais (kg) (9) 21.056,31 99% 20.402 - - 20.402 41.817 - - 41.817 62.218 - - 62.218Muruci (l) 19.829,69 277,94 283% 16.741 7.640 - 24.381 75.144 1.901 - 77.045 91.885 9.541 - 101.427Leites (l) (10) 15.100,62 76% 14.464 - - 14.464 26.590 - - 26.590 41.054 - - 41.054Borracha (kg) 12.562,00 161% 12.562 - 41.524 54.086 15.354 - 17.377 32.731 27.916 - 58.902 86.817Piquiá (un.) 7.084,40 40% 6.894 - - 6.894 9.923 - - 9.923 16.817 - - 16.817Uxi fruto (un.) 3.604,05 56% 3.604 - - 3.604 5.605 - - 5.605 9.209 - - 9.209Taperebá (kg) 2.677,84 69,20 808% 4.719 477 - 5.196 24.812 121 - 24.933 29.531 598 - 30.129Urucum (kg) 2.290,71 25% 2.291 - - 2.291 2.863 - - 2.863 5.154 - - 5.154Mari (un.) 2.176,17 36% 1.825 - - 1.825 2.959 - - 2.959 4.784 - - 4.784Tucumã (kg) 1.592,52 94% 2.938 - - 2.938 3.086 - - 3.086 6.025 - - 6.025Cacau fruto (kg) 477,23 0% - - - - 477 - - 477 477 - - 477Cajarana (un.) 238,62 160% 239 477 - 716 477 143 - 620 716 620 - 1.336Patauá óleo (l) 159,38 67% 159 - - 159 266 - - 266 425 - - 425Açaí semente (kg) 0,0 6.345,47 614% 6.345 - - 6.345 45.295 - - 45.295 51.641 - - 51.641TOTAL 120.936.704,81 6.367.722,31 167.191.240 96.328.267 135.088.603 398.608.109 215.546.717 79.676.392 56.565.219 351.788.328 382.737.957 176.004.658 191.653.822 750.396.437(1) Valor Bruto da Produção total (R$) recebido pelos produtores/extrativistas da RI Marajó.(2) Valor Bruto da Produção total (R$) recebido pelos produtores/extrativistas provinientes de outras Regiões de Integração(3) Valor Bruto da Produção (VBP) referente ao total da compra de insumos nos setores mercantis.(4) Equivale ao valor que foi adicionado (ou agregado) ao produto (VAB) ao longo da cadeia de comercialização.(5) Equivale a geração e circulação de renda na RI Marajó (RBT Local).(6) Valor da Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada, em R$, equivale a soma do valor bruto da produção (VBP) rerefente à compra de insumos mais ao valor adicionado (VAB), ou seja RBT = VBP + VAB.(7) Bolsa artesanal (fibra de tururi), chapéu de palha (jupati e tururi), quadro e arara (artesanatos de miriti).(8) Abano (guarumã), matapi (jupati e timboí), vassoura (timbó), tipiti (guarumã), cesto (palha de inajá e jupati), pari (tala de jupati e cipó-timboí), paneiro (titica, miriti, guarumã e jacitara) e peneira (guarumã).(9) Jucá fava e cascas de andiroba, barbatimão, cajuaçu, cedro, copaíba, jatobá, muruci, ipê-roxo, sucuúba, unha-de-gato, pariri, uxi e verônica.(10) Amapá, jatobá e sucuúba.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 179. 1855 CONCLUSÕES O estudo mostrou que a economia gerada pelas trinta e uma cadeias de produtosflorestais não madeireiros estudadas na região de integração Marajó foi expressiva, uma vezque a renda gerada e estimada para o ano de 2008 (ano em que iniciou o estudo) foi orçada emtorno de R$ 750,4 milhões (RBT total). Cujo setor produtivo agroextrativista local eextralocal, considerado o setor alfa (Setor α) deste modelo de comercialização, recebeu emtorno de R$ 127,3 milhões (sendo 5% destinados a remunerar os agroextrativistasextralocais), o que correspondeu a aproximadamente 17% da renda gerada e circulada total.Do total da renda gerada, mais de 98% (R$ 736,6 milhões) foram das atividades que tem suaorigem na exploração da palmeira Euterpe oleracea Mart., tanto para extração do seu frutoquanto para a extração do palmito, que por sua vez, acarreta no corte do estipe. No entanto,viu-se que os agroextrativistas que comercializaram o fruto açaí, além de terem adquiridomais, em termos percentuais, da renda total gerada na sua comercialização, quandocomparado com o adquirido com a comercialização do palmito, ainda mantiveram a florestapreservada. É preciso ressaltar que a RI esta inserida no mercado (inter) nacional, haja vista que100% da produção da borracha e do cacau amêndoa, 98% (sendo 31% para o exterior) dacastanha-do-brasil e 83% da produção do palmito tiveram como destino final este mercado.Assim como o breu-branco, açaí (3% para o exterior), utensílios, bacaba, cupuaçu e aandiroba só que em menores percentuais. No que se referiu a agregação de valor, estimada para o ano de 2008 e, calculada emtorno de R$ 351,8 milhões, o mercado local se consagrou com mais de 61% de participaçãoneste montante. Apesar disso, em apenas três cadeias tiveram a participação do setor debeneficiamento: a do açaí, da bacaba e do palmito. Sendo que nas duas primeirascorresponderam as ações de beneficiamento realizadas pelos tradicionais batedores de açaí afim de atender estritamente a demanda local e, no caso específico do açaí, uma pequena parteda produção identificada (5,5%) foi beneficiada por uma agroindústria para atender ademanda externa (nacional). Já o setor de beneficiamento do palmito correspondeu há doistipos de agentes, que apesar de transacionarem entre si, as suas funções são pré-definidas, poisenquanto as pequenas fábricas (e uma cooperativa), localizadas nos furos dos rios, selecioname cortam as “cabeças” e, posteriormente depois de envasados com a solução preservativa, osvendem as agroindústrias, que tiveram a função de distribuição do produto.
  • 180. 186 Com relação aos produtos que passaram pelo setor de transformação, algumas dasfrutas (açaí, bacuri, cupuaçu, muruci e o taperebá) identificadas foram transformadas emproduto final (sucos, sorvetes, cremes e doces) pelas inúmeras lanchonetes e/ou sorveteriasantes do consumidor final. A semente de açaí e o cipó-titica, antes dos demandantes finais,passaram pelas mãos dos artesãos tanto individualizados ou quando organizados emassociações. E o último produto a passar pela indústria de transformação, correspondeu aobreu-branco, utilizado como um dos insumos na fábrica de vassoura. Logo, a maioria dosprodutos foi comercializada, a partir da RI Marajó e, na maioria deles somente nesta RI, como beneficiamento primário realizado pelo setor da produção (o mel, os óleos, e o carvão),assim como, na sua forma in natura, isto é, sem qualquer agregação de beneficiamento e/outransformação (a castanha-do-brasil). Nestes casos, o processo de majoração de preçoparticipou preponderantemente para o valor adicionado estimado. Dentro da RI Marajó, os maiores valores de mark-up, entre as 31 cadeias, foram dasfrutíferas (açaí, bacuri, muruci, taperebá e o cupuaçu) sob ação da indústria de transformação,chegando a 1.941% e, com um mínimo de 521%. Fora da RI, mais especificamente nomercado estadual, os PFNM chegaram a ser comercializados com uma margem bruta decomercialização de até 1.266%. Por tudo isso, mesmo que o valor adicionado de praticamente quase todos osprodutos não madeireiros (com as exceções) tenha sido maior no âmbito local, fazem-senecessários investimentos em ações que dêem condições de que esta agregação seja indutorade geração de emprego e, desta maneira melhorar (e/ou gerar) a renda na RI Marajó, como aampliação das oportunidades de negócios na RI, que em termos gerais, primeiramente atuariaem duas ações: o incentivo a demanda, o qual viria com a ampliação e/ou divulgação doPrograma de Aquisição de Alimentos – PAA13, intermediada pela CONAB, que atuaria emtrês frentes: incentivaria e/ou aumentaria a oferta dos não madeireiros, pois muitos afirmaramque por falta de demanda deixam de potencializar a produção e/ou extração; incentivaria amelhorar a gestão das organizações sociais (cooperativas, associações e sindicatos) dosagroextrativistas já existentes ou a criá-los e; determinaria um preço mínimo. E, a outra açãoseria também o apoio (as organizações sociais e indústrias já existentes) e/ou atração a RI, de13 O PPA tem como finalidade o apoio aos agricultores familiares, por meio da aquisição de alimentos de sua produção, com dispensa de licitação, adquiridos diretamente dos agricultores familiares ou de suas associações e cooperativas e são destinados à formação de estoques governamentais ou à doação para pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional, atendidas por programas sociais locais. A operacionalização do PAA é simples, pois a compra é feita diretamente pela Conab, por preço compensador, respeitando as peculiaridades e hábitos alimentares regionais e a situação do mercado local (CONAB, 2011).
  • 181. 187empreendedores capazes e que possam aumentar a produtividade e a melhorar a qualidade dosprodutos não madeireiros (interiorização da produção), afim de que possam sercomercializados além das suas fronteiras. Comercialização esta que teria como fomento outraação: a criação da certificação da produção sustentável, cujo papel seria de valorização dosprodutos. Em suma, estas ações, atreladas a outras, principalmente as voltadas a suprir osentraves, contribuiriam tanto para a manutenção da floresta em pé, quanto para o crescimentoeconômico de base sustentável da RI Marajó, ou seja, traria além do efeito ecológico positivopara RI, benefícios a população local, como a geração de emprego e na melhoria da sua renda,através da dinamização das potencialidades das economias “tradicionais” locais.
  • 182. 1886 RECOMENDAÇÕES É fato que a comercialização dos PFNM sempre foi uma opção (e/ou principal fonte)de renda para as inúmeras famílias da RI Marajó e, com o passar dos anos, vem-seapresentando como uma das suas atividades que melhor os remunera e, ainda mantêm o seuhabitat inalterado, isto é, apesar do uso há a conservação dos recursos florestais. A favordestas atividades, encontra-se o fato de que com os problemas ambientais advindos doaquecimento global, a redução do desmatamento na Amazônia com base em economiassustentáveis vem sendo a retórica dos governos federal, estaduais e municipais da Amazônia,das organizações não governamentais e até dos agentes diretamente envolvidos nas atividadesagroextrativistas - as populações tradicionais. No entanto, devido as forças dos mercadosglobalizados, parte dessa atividade fica a mercê destas instituições públicas, por apresentardeterminadas limitações de escala (geográfica e produtiva, as mais justificáveis) que osimpedem de serem alvos de políticas de fomento, haja vista que a grande dialética de manter afloresta em pé e gerar crescimento econômico parecem conflitantes. Depreende-se, deste modo, que os montantes econômicos mostrados neste relatóriovão a favor da dialética, apesar disso, a comercialização dessas 31 cadeias dos nãomadeireiros apresentaram entraves esporadicamente ao setor da produção e a indústria(setores chaves a potencializar a atividade) que os mantêm em condições de desassistidos porparte das políticas públicas e, suprir estes estorvos certamente contribuirá para o crescimentoeconômico sustentável da RI, ou seja, transformará o potencial em produto e, desta maneiraatingir o objetivo maior: desenvolvimento sustentável. É necessário afirmar, no entanto, que oprimeiro passo esta sendo dado com este relatório, com a produção de informaçõesnecessárias para a formulação de políticas públicas condizentes com a potencialidade daregião. Ao longo da descrição de cada cadeia de comercialização estudada na RI Marajóforam apontados vários gargalos assim como aspectos positivos. A seguir, de forma maisabrangente, pontuamos os principais entraves identificados nas cadeias de comercializaçãodos PFNM, tanto do setor da produção quanto da indústria, contendo entraves e algumasrecomendações para subsidiar políticas públicas. a) Principais entraves ao setor da produção, considerando o agente agroextrativista(setor alfa) deste modelo:
  • 183. 189 Ausência de planos de manejo condizentes com o potencial da RI, principalmente no que se referiu a comercialização dos principais produtos: açaí fruto e palmito; A problemática da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), pois além da demora das visitas técnicas, em um dos municípios da RI não foi encontrado o escritório, como no caso de Chaves; Baixo nível de empreendedorismo; Baixo nível de escolaridade das famílias envolvidas na atividade dos não madeireiros; Baixos níveis de qualidade e identidade dos produtos (embalagem, especificações técnicas, validade, etc.), devido os processos extrativos terem sido muitas vezes desenvolvidos ainda de forma artesanal e, comercializados sem padrões; Falta de registro junto aos órgãos de regulamentação e fiscalização, para a produção e comercialização dos não madeireiros; Baixo grau de associativismo e corporativismo, que infere nas oscilações de preços e, resulta em baixos retornos financeiros; Pouco conhecimento do potencial de mercado dos PFNM, pois muitos deixam de aumentar, e/ou até mesmo iniciar uma produção, por falta do conhecimento desta demanda crescente por produtos de apelo sustentável, tanto dos setores econômicos (indústrias, consumidores de fora da RI principalmente), quanto dos programas de compra do Governo, como o PAA do governo Federal; Pouco acesso aos créditos rurais, tanto pelo grau de escolaridade apresentado pelo setor, quanto pela ausência de bancos públicos e/ou privados; Comercialização dos produtos basicamente de desenvolveu devido a ação dos atravessadores, porque os pontos de comercialização (feiras livres, mercados municipais e feiras do produtor), na maioria dos municípios, se encontravam fechados, deteriorados e/ou ineficientes (falta de higienização; organização dos produtos) para a comercialização; O desenvolvimento das atividades ocupou basicamente a mão-de-obra familiar, só nos casos excepcionais (safra) se “contratou” um ajudante, ou mais, que receberam conforme a sua produtividade diária (nº de rasas, nº de “cabeças”, entre outros);b) Principais entraves no setor da indústria:
  • 184. 190 Baixo grau de competitividade do setor, principalmente dos fatores estruturais da oferta/demanda (agroindústria tem dificuldade em adquirir o insumo por questões como: a dispersão dos fornecedores, a falta de organização do setor agroextrativista e a dependência dos atravessadores) e fatores internos (pois muitos atuam na informalidade). Já que os fatores sistêmicos se encontram favoráveis. Entre outras questões (abaixo citadas) agindo concomitantemente; Baixo nível tecnológico e de segurança no processo de beneficiamento e transformação dos não madeireiros; Estrutura física tanto para os processos produtivos quanto para o armazenamento dos produtos, não seguem os padrões exigidos; Pouco acesso aos créditos e financiamentos, pois na RI em estudo, poucos municípios apresentaram uma rede bancária; Mão de obra utilizada basicamente a familiar, sendo deste modo, com poucos empregos formais gerados; Baixo nível de escolaridade dos empresários, que acaba influenciando nas tomadas de decisões; Baixo nível empreendedor, devida a baixa capacidade empresarial para atuar nas mudanças intrínsecas ao sistema capitalista. c) Algumas recomendações para potencializar as cadeias de comercialização dosPFNM e subsidiar políticas públicas: Capacitação para execução de planos de manejo condizentes com a potencialidade local e que tomem como premissa o conhecimento das populações tradicionais; Capacitação dos agentes locais e regionais da assistência técnica e extensão rural a fim de orientar a organização da produção e melhorar a renda dos agroextrativistas; Capacitação para o crédito, a fim de melhorar os processos produtivos, de armazenamento e de comercialização; Capacitação para o setor da produção valorar adequadamente os produtos agroextrativistas, pois surgem novos produtos no mercado, principalmente fármacos e cosméticos, que o setor desconhece; Melhoria da qualidade dos produtos ao longo da cadeia produtiva; Incentivo e capacitação para o cooperativismo/associativismo. Haja vista que, devido a natureza da atividade, baseada no (agro) extrativismo e coleta, pequenas
  • 185. 191unidades de produção são geradas, e a comercialização de PFNM temdemonstrado ser a melhor alternativa para eliminar os atravessadores mediantecriação de associações comunitárias e cooperativas, proporcionando preço maisjusto aos envolvidos nesta atividade;Capacitação em técnicas de gerenciamento;Busca de novos mercados: criação e/ou participação dos agentes em feiras eeventos para os produtos não madeireiros, seja no âmbito local, quanto noestadual e até nacional, com apoio público e privado;Melhorias na infraestrutura de comercialização dos produtos: construção e/oureforma das feiras e mercados municipais, assim como das feiras do produtor;Melhoria e manutenção de estradas e rodovias, permitindo acesso e escoamentoda produção;Ampliação da modalidade de Ensino para Jovens e Adultos (EJA), pois o baixonível de escolaridade apresentado pelos agentes mercantis, principalmente dossetores citados nos entraves, implica na falta de informações técnicas e decapacitação a respeito do manejo e otimização da produção de PFNM;Investimentos e capacitação direcionados para agregação de valor aos produtos,fazendo com que os agroextrativistas aumentem seu interesse por estas atividades;Ampliação e/ou fortalecimento do Programa de Fortalecimento a AgriculturaFamiliar, tanto através dos programas de concessão de crédito, quanto pelosProgramas de Aquisição de Alimentos (PAA) e alimentação escolar,Valoração e valorização dos produtos não madeireiros: como por exemplo, acriação de certificação orgânica;Maior investimento integrado (entre Secretarias e Ministérios) em Ciência eTecnologia (C&T) para produzir informações, assim como em Pesquisa eDesenvolvimento (P&D) para garantir qualidade e completar o entendimentosobre as cadeias de produção. Pois, precisa-se criar um modelo dedesenvolvimento sustentável que mantenha a floresta em pé e que ainda gerecrescimento econômico;Apoios institucionais formais direcionados para atividades extrativistas;Organização de seminários na RI com agentes mercantis, principalmente osagroextrativistas, convidados de fora da região, técnicos, representantes deinstituições publicas (municipal, estadual e nacional), a fim de interagirem na
  • 186. 192formulação de planos de trabalho, em que as partes envolvidas relatem asdificuldades encontradas nas cadeias dos não madeireiros (produção, distribuiçãoe comercialização), assim como, as potencialidades, com intuito de traçarobjetivos a serem atingidos, definir metas e potencializar resultados;Fomento aos Arranjos Produtivos Locais (APLs) existentes na região estudada.
  • 187. 1937 REFERÊNCIASBARBOSA, W.L.R.; et al. Arrabidaea chica (HBK) Verlot: phytochemical approach,antifungal and trypanocidal activities. Revista Brasileira Farmacogn, 18(4): 544-548,Out./Dez. 2008.BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Secretaria deComércio Exterior. Balança Comercial Brasileira por Município, 2010. Disponível em:<http://www.mdic.gov.br//sitio/sistema/balanca/>. Acesso em: 12 abr. 2011.CABRAL, E. R. Desenvolvimento agrícola e mobilidade camponesa: um estudo da trajetóriasocial do campesinato em Capitão Poço. In: COSTA, F.A. (Org.). Agricultura familiar emtransformação no nordeste paraense: o caso de Capitão Poço. Belém: UFPA; NAEA, 2000.p. 95-130.CARVALHO, Antonio Claudio Almeida de. Economia dos produtos florestais não-madeireiros no Estado do Amapá: sustentabilidade e desenvolvimento endógeno. 2010. 152f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) - Núcleo de AltosEstudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém. 2010.CARVALHO, P.E.R. Cedro Taxonomia e Nomenclatura. Colombo: EMBRAPA, 2005. 17 p.(Circular Técnica, 113)COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Programa de Aquisição de Alimentos –PAA. Disponível em: <http://www.conab.gov.br/ >. Acesso em: 13 de out. 2011.COSTA, Francisco de Assis. A dinâmica da economia de base agrária do "Pólo Marabá”(1995- 2000): uma aplicação da metodologia de contas sociais ascendentes. CadernosNAEA, Belém, n.5, p. 35-72, 2002.______. Contas Sociais Alfa: uma metodologia de cálculo ascendente para a configuraçãomacro-estrutural de economias locais. Interações, Campo Grande, v. 7, n.12, p. 37-68, 2006.______. Decodificando economias locais: estrutura e dinâmica do sudeste paraense, umaregião crítica da Amazônia. In: RIVERO, S.; JAYME JR., F. G. (Org.). As Amazônias doSéculo XXI. Belém: EDUFPA, 2008a. p. 175-230.______. Corporação e economia local: uma análise usando contas sociais alfa - do programade investimentos da CVRD no sudeste paraense (2004 a 2010). Nova Economia, BeloHorizonte, v. 18, n. 3, dez. 2008b. Disponível em: <http://www.scielo.br/>. Acesso em: 22fev. 2010.______; COSTA, José de Alencar. APLS Baseados em Cultura e Economia Local: o casode Parintins. RedeSist, 70 p. dez. 2008. (Nota Técnica).______. INHETVIN, Tomas. A agropecuária na economia de Várzea da Amazônia: osdesafios do desenvolvimento sustentável. Manaus: IBAMA, 2007. 200 p.COSTA, José Marcelino Monteiro da (Coord.). Os Grandes projetos da Amazônia: impactos eperspectivas. Novos cadernos NAEA, Belém, 168 p, 1987.DÜRR, Jochen. Manual metodologia de pesquisa empírica para construção de cadeiasprodutivas e contas sociais de base agrária. Belém: NAEA; UFPA, 2004. 17p.
  • 188. 194______; Cadenas productivas, cuentas sociales de base agraria y el desarrollo económicolocal: el caso de Sololá. Guatemala: Magna Terra, 2008.______; et al. Cadenas productivas, cuentas sociales de base agraria y el desarrolloeconómico territorial: el caso de el Quiché. Guatemala: Magna Terra, 2009.______; ZANDER, Markus; MAZARIEGOS, Sergio Armando Rosales. Cadenasproductivas, dinámicas agrarias y cuentas territoriales de base agropecuaria: el Sur dePetén. Guatemala: Magna Terra, 2010.______; COSTA, Francisco de Assis. Cadeias Produtivas de Base Agrária e DesenvolvimentoRegional: o caso da Região do Baixo Tocantins. Amazônia: Ciência & Desenvolvimento,Belém, v.3, n.6, p. 7-44, jan./jun. 2008.FIEDLER, Nilton César; SOARES, Thelma Shirlen; SILVA, Gilson Fernandes da. ProdutosFlorestais Não Madeireiros: importância e manejo sustentável da floresta. Revista deCiências Exatas e Naturais, v.10, n.2, 263-278, jul./dez. 2008.GOMES, D.M.A. Cadeia de comercialização de produtos de floresta secundária dosmunicípios de Bragança, Capitão Poço e Garrafão do Norte - Pará. 2007. 84 f. Dissertação(Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável) – Núcleo de EstudosIntegrados sobre Agricultura Familiar, Universidade Federal do Pará, Belém. 2007.HOMMA, A.K.O. Sistema de Produção do Açaí: mercado e comercialização. EMBRAPA,2005. Disponível em: <http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br>. Acesso em: 11 denov.2011INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Agropecuário. Riode Janeiro, 2006._____.Censo Demográfico. Rio de Janeiro, 2010._____.Pesquisa Agrícola Municipal. Rio de Janeiro, 2006 -2009._____.Pesquisa Extrativa Vegetal e Silvicultura. Rio de Janeiro, 2006-2009._____. Produção da Pecuária Municipal. Rio de Janeiro, 2006 - 2009.INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E AMBIENTAL DOESTADO DO PARÁ. Produto Interno Bruto do Estado do Pará. Belém: IDESP, 2008. 1CD.INTERNATIONAL TROPICAL TIMBER ORGANIZATION. Oficina Regional paraAmérica Latina y El Caribe. Projeto: “Extrativismo não-madeireiro e desenvolvimentosustentável na Amazônia (ITTO - PD 31/99 Ver.3(I)”. Banco de dados “Non Wood”.Disponível em: <www.ittorolac.org/.../Desmoncus%20orthacanthos.pdf/download>. Acessoem: 10 de nov. 2011.JARDIM, M.A.G.; SANTOS, G.C.; MEDEIROS, T.D.S.; FRANCEZ, D.C. Diversidade eestrutura de palmeiras em floresta de várzea do estuário amazônico. Amazônia: Ciência &Desenvolvimento, Belém, v.2, n.4, jan./jun.2007.
  • 189. 195KALIL FILHO, A.N.; KALIL, G.P.C.; LUZ, A.I.R. Conservação de germoplasma de plantasaromáticas e medicinais da Amazônia brasileira para uso humano. Embrapa. (ComunicadoTécnico), No. 50, dez/00, p.1-4.LEONTIEF, Wassily. A economia do insumo-produto. São Paulo: Abril Cultural, 1983. 226p.LOZA, Jorge Estuardo Molina; DÜRR, Jochen; MAZARIEGOS, Sergio Armando Rosales.Cadenas productivas, cuentas sociales de base agraria y el desarrollo económico local: elcaso de la Cuenca del Polochic (Municipios Purulhá, Santa Catalina la Tinta y Panzós).Guatemala: Nueva Guatemala de La Asunción, 2009.LIMA, W.C.R. Reflexões acerca da potencialidade cênica do cacuri. Ensaio Geral, Belém,v.2, n.4, p. 123-132, ago/dez. 2010.MATTAR, F.N. Pesquisa de marketing. São Paulo: Atlas, 1997. 4. ed. 273p.MOÇAMBIQUE. Ministério da Agricultura. Manual para a Elaboração e Implementação doPlano de Maneio da Concessão Florestal. Maputo, 2008. 75p.MONTEIRO, Raimunda. Biodiversidade da Amazônia e mercados locais. 2003. 285 f.Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) - Núcleo de AltosEstudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém. 2003.OLIVEIRA, A.K.F.; D’ALMEIDA, J.R.M. 2010. Caracterização da fibra de tururi comoelemento para fabricação de eco-compósitos. Congresso Brasileiro de Pesquisa eDesenvolvimento em Design (9). Disponível em:<http://blogs.anhembi.br/congressodesign/anais/artigos/66922.pdf> Acesso em: 10 nov. 2011.OLIVEIRA, M.S.P.; CARVALHO, J.E.U.; NASCIMENTO, W.M.O. Açaí (Euterpe oleraceaMart.). 2000. Disponível em: <http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/>. Acesso em: 17 deNov. 2011.PARÁ. Secretaria de Estado de Integração Regional. Atlas de Integração Regional doEstado do Pará. Belém: SEIR, 2010. 347p.PINTO, J. e MOREIRA, T. Manejo Comunitário de Camarões. Manaus: Ibama, ProVárzea,2005. 28p.Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas – SBRT. 2007. Disponível em:<http://sbrtv1.ibct.br/upload/sbrt-referencial3844.pdf>. Acesso em: 21 out. 2011.SILVA, M. S. Leite de amapá (Parahancornia fasciculata (Poir) Benoist): Remédio erenda na floresta e na cidade. 2010. 100 f. Dissertação (Mestrado em Agroecossistemas) -Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2010.SILVA, Eliana Nobre da; SANTANA, Antônio Cordeiro de; SILVA, Ismael Matos da;OLIVEIRA, Cyntia Meireles. Aspectos socioeconômicos da produção extrativista de óleos deandiroba e de copaíba na floresta nacional do Tapajós, Estado do Pará. Revista de CiênciasAgrárias, v.1, n.53, p.12-23, jan./jun. 2010.
  • 190. 196
  • 191. 197APÊNDICES
  • 192. 198APÊNDICE A – Questionário aplicado junto aos agentes mercantisEntrevistador _________________ Nº ________ Nº entrevista: _______Estudo sobre a Comercialização de Produtos Florestais Não Madeireiros no Estado do Pará Entrevista com Agentes MercantisO objetivo da pesquisa é obter informações sobre as cadeias de comercialização dos principaisprodutos da região, com o intuito de estudar as potencialidades da economia regional. Todasas informações obtidas nessa pesquisa são de caráter sigiloso e anônimo e servirão parafinalidades científicas.Nome do entrevistador: ______________________________________Data: ___________Município:___________________________Localidade:_____________________________GPS Nº ___ : S _____ o _____´ _____” W _____ o _____´ _____” Obs.: ________________Nome do entrevistado / da empresa: _______________________________________________ ______________________________________________________________________________Tipo de comerciante / cargo do entrevistado: ________________________________________Categoria:a. Indústria/Empresa ( ) b. Intermediário ( ) c. Produtor ( )a. Empresa: Matriz ( ) Filial ( )Nome / local da matriz: ___________________________________________________________Tempo de trabalho no ramo / no local: _______________________________________________b. Intermediário: Nascido em: ____________________________________________________Profissão anterior: _______________________________________________________________Profissão paralela: _______________________________________________________________c. Produtor: Nascido em: _________________________________________________________Local / tamanho do lote: __________________________________________________________Descrever atividades extrativas (locais, técnicas usadas no manejo, equipamentos,negociações, acesso/controle, etc.)_______________________________________________Qual é a infra-estrutura que dispõe?Armazéns (número, capacidade): _____________________________________________________Meios de transporte (tipo, número, capacidade): _________________________________________Máquinas e Equipamentos (tipo, número, capacidade): ____________________________________Tem problemas com capacidade de armazenamento, com os equipamentos/ maquinário?Quais? ________________________________________________________________________________
  • 193. 199 Quantas pessoas trabalham no empreendimento (por categoria)? ________________________________________________________________________________ Como é o tempo de trabalho (ano inteiro, períodos, tempo integral / parcial etc.)? ________________________________________________________________________________ Qual é o valor pago aos trabalhadores em média (por categoria, por mês, diária, por empreitada (descrever), etc.)? _______________________R$ _________/_________ Existem outros que atuam no mesmo ramo (número, local, nome, endereço)? ___________________________________________________________________________ Informações para contato (endereço e telefone do entrevistado): ___________________________________________________________________________ O que é necessário para melhorar sua capacidade produtiva? ___________________________________________________________________________ Observações Gerais (manejo, transporte, negociações, financiamento, assistência técnica, etc.): ________________________________________________________________________________ Categoria De quem ? / Para quem? Preço Formas Quando/ do Merca- Serviços C/V1 Quant. Unid. Período/ por Município/ de doria Nome Categoria prestados3 agente mês Unid. Estado Pagamento2entrevistado 1) (C) Comprado (V) Vendido 3) (F) Financiamento (T) Transporte (B1) Beneficiamento nível 1 (primário) 2) (AV) A vista (NF) Na folha (B2) Beneficiamento nível 2 (extração) (AP) A prazo (F) Fiado (T) Troco (B3) Beneficiamento nível 3 (processamento) (C) Classificação (A) Armazenagem (E) Embalagem
  • 194. 200APÊNDICE B- Produtos florestais não madeireiros identificados, usos, espécies e partesutilizadas nas cadeias de comercialização da Região de Integração Marajó, em 2010. Família (nº de Espécies Etnoespécie Uso Parte utilizada espécies) Spondias dulcis G. Forst. Cajarana Alimentício FrutoAnacardiaceae (2) Anacardium giganteum W. Hancock ex Engl. Caju-açú Medicinal Casca Spondias mombin L. Taperebá Alimentício FrutoApocynaceae (3) Parahancornia fasciculata (Poir) Benoist Leite-de-amapá Medicinal Látex Himatanthus sucuuba (Spruce ex Müll. Arg.) Woodson Sucuúba Fármaco e cosmético Casca e seivaAraceae (1) Heteropsis spp. Cipó-titica Artesanal Caule Astrocaryum vulgare Mart. Tucumã Alimentício Fruto Euterpe oleracea Mart. Açaí Alimentício e artesanal Fruto, palmito e semente Oenocarpus bacaba Mart. Bacaba Alimentício Fruto Bactris gasipaes Kunth Pupunha Alimentício Fruto Oenocarpus bataua Mart. Patauá Medicinal ÓleoArecaceae (10) Manicaria saccifera Gaertn. Buçu Artesanal Fibra Tururi Mauritia flexuosa L. f. Buriti Artesanal e Alimentício Fibra e Fruto Desmoncus orthacanthos Martius Jacitara Artesanal Tala Raphia taedigera (Mart.) Mart. Jupati Artesanal Tala Maximiliana maripa (Aubl.) Drude Inajá Utensílio Palha Arrabidaea chica (HBK) Verlot Pariri Medicinal CascaBignoniaceae (2) Tabebuia impetiginosa (Mart. ex DC.) Standl. Ipê-roxo Medicinal CascaBixaceae (1) Bixa orellana L. Urucum Alimentício SementeBurseraceae (1) Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand Breu-branco Utensílio ResinaCaryocaraceae (1) Caryocar villosum (Aubl.) Pers. Piquiá Alimentício e medicinal Fruto e óleoClusiaceae (1) Platonia insignis Mart. Bacuri Alimentício FrutoEuphorbiaceae (1) Hevea brasiliensis (Willd.ex A. Juss.) Müll. Arg. Borracha Utensílio Látex Hymenaea courbaril L. Jatobá Medicinal Leite e casca Stryphnodendron sp. Barbatimão Medicinal CascaFabaceae (5) Dalbergia sp. Verônica Medicinal Casca Caesalpinia ferrea Mart. Jucá Medicinal Semente Copaifera spp. Copaíba Medicinal Óleo e cascaHumiriaceae (1) Endopleura uchi (Huber) Cuatrec. Uxi Alimentício e medicinal Fruto e cascaIcacinaceae (1) Poraqueiba paraensis Ducke Marí Alimentício FrutoLecythidaceae (1) Bertholletia excelsa Bonpl. Castanha-do-brasil Alimentício e medicinal Semente e óleoMalpighiaceae (1) Byrsonima crassifolia (L.) Kunth Muruci Alimentício e medicinal Fruto e casca Theobroma cacao (Mill.) Bernoulli Cacau Alimentício Fruto e amêndoaMalvaceae (2) Theobroma grandiflorum (Willd. Ex Spreng.) K.Schum. Cupuaçu Alimentício FrutoMarantaceae (1) Ischnosiphon spp. Guarumã Artesanal e utensílio Fibra Cedrela fissilis Vellozo Cedro Medicinal CascaMeliaceae (2) Carapa guianensis Aubl. Andiroba Medicinal Óleo e cascaRubiaceae (1) Uncaria tomentosa (Willd. Ex Roem. & Schult.) DC. Unha-de-gato Medicinal CascaSapindaceae (1) não identificado Timbó Utensílio CauleFonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração:Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  • 195. 201APÊNDICE C- Imagens capturadas nos municípios da Região de Integração Marajó.Foto 1- Comercialização do açaí do tipo “branco” Foto 2- Carreteiro levando o açaí in natura parae roxo. os “batedores”.Foto 3- O açaí após processado é despejado em Foto 4- O açaí é acondicionado em rasas equalquer lugar, a céu aberto. basquetas para atender exigências do mercado.Foto 5- Agroindústria abandonada. Foto 6- Batedor de açaí.
  • 196. 202Foto 7- Ribeirinho coletando o palmito. Foto 8- Lenha para o beneficiamento do palmito.Foto 9- Após acondicionamento do palmito na Foto 10- Frascos de palmito sem rótulo definido.salmoura, esterilização dos frascos em banho-maria.Foto 11- Transporte de “cabeças” de palmito. Foto 12- “Cabeças” de palmito prontas para a comercialização.
  • 197. 203Foto 13- Comercialização da lenha no município Foto 14- Refugo de serraria utilizada parade Muaná. produção do carvão (nas caieiras).Foto 15- Caieira em processo de beneficiamento Foto 16- Caieira de barro, coberta com folhasda madeira em carvão. metálicas e camada de terra para abafar.Foto 17- Resina do breu-branco para colar os Foto 18- No trapiche, o carvão é despachadotafolhos da vassoura. pelos agentes.
  • 198. 204Foto 19– Atravessadores de Anajás transportando Foto 20– Ponto de comercialização de ervascascas de plantas para serem comercializadas em medicinais em Anajás.Belém.Foto 21– Foto 22– Cascas de cedro.Foto 23– Leites e óleos medicinais. Foto 24– Fava de jucá.
  • 199. 205Foto 25– Cestarias de São Sebastião da Boa Foto 26– Matapis de São Sebastião da BoaVista. Vista.Foto 27– Cipó em rolo de São Sebastião da Foto 28– Vassoura de cipó.Boa Vista.Foto 29– Peneiras de guarumã. Foto 30– Mercado de Portel.
  • 200. 206Foto 31– Ateliê de produtos de tururi, em Foto 32– Fibra do tururi em Muaná.Muaná.Foto 33– Bolsa de guarumã, Curralinho. Foto 34– Bolsa de tururi, Muaná.Foto 35– Quadro de miriti, São Sebastião da Boa Foto 36– Arara de miriti, Curralinho.Vista.