Webjornalismo Participativo: sua digital na era digital
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Produzido por Dayane Nascimento e Iara Viela. Aborda o webjornalismo participativo e estuda as matérias publicadas nos poprtais G1 e Terra.

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Webjornalismo Participativo: sua digital na era digital Webjornalismo Participativo: sua digital na era digital Document Transcript

  • UNIVERSIDADE DE CUIABÁ FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIALWEBJORNALISMO PARTICIPATIVO: SUA DIGITAL NA ERA DIGITAL. DAYANE DO NASCIMENTO IARA CRISTINA DIAS VILELA Cuiabá 2009
  • DAYANE DO NASCIMENTO IARA CRISTINA DIAS VILELAWEBJORNALISMO PARTICIPATIVO: SUA DIGITAL NA ERA DIGITAL. Monografia apresentada à Faculdade de Comunicação Social da Universidade de Cuiabá, para obtenção do título de Bacharel em Jornalismo. Orientadora: Profª Ms. Silvia Ramos Bezerra do Nascimento. Cuiabá 2009
  • DAYANE DO NASCIMENTOIARA CRISTINA DIAS VILELA Monografia do Curso de Jornalismo, para obtenção do grau de Bacharelado em Jornalismo apresentado à Faculdade de Comunicação Social da Universidade de Cuiabá (UNIC). Orientadora: Profª Ms. Silvia Ramos Bezerra do Nascimento. BANCA EXAMINADORA ______________________________ Profª. Ms. Silvia R. B. do Nascimento Orientadora ____________________________ Prof. Yuri Gomes _____________________________ Prof. Augusto Figliaggi Cuiabá, ____ de __________de 2009. Nota final: _____________
  • A união para essa monografia não aconteceu apenas porafinidades.O nosso refúgio, nossa segurança e nosso espelho são osmesmos: Fátima Dias e Leane Maciel.Nossas vitórias dedicamos a elas, nossas mães!
  • AGRADECIMENTOSA Deus por permitir essa conquista.A orientadora Prof Ms. Silvia Ramos Bezerra pelo acompanhamento competente e por nosoferecer segurança.A nossas irmãs Fabiane e Kariny pelo amor que ultrapassa fronteiras.A nossas avós Neli e Francisca, por oferecer carinho e dedicação constantes.A nossos pares, Gustavo e Eberson, pela compreensão e amor.As amigas Cristiane, Danielle, Fabiane, Mayara, Najylla, Nátalie Luna e Nathalia Monteiropelo companheirismo diário.Agradecemos a todas as pessoas que fazem parte do nosso dia a dia e que de algumaforma contribuíram para que realização desse sonho fosse plena.
  • De um lado, um impulso em direção ao conformismo e oproduto padrão, de outro lado, um impulso em direção àcriação artística e à livre invenção. Edgar Morin
  • RESUMONa presente pesquisa, propomos analisar uma nova forma de fazer jornalismo que está emascensão junto com a Internet, o Webjornalismo Participativo. Os objetivos sãocompreender os avanços tecnológicos e a influência destes no surgimento de um novofazer jornalístico: o jornalismo participativo. Verificar de que forma esse jornalismo sedesenvolve na Internet e se o mesmo apresenta efeitos positivos como defende seusconceitos, além de examinar o que os portais Terra e G1 denominam de jornalismoparticipativo. Buscamos ainda entender a relação entre emissor e receptor, que nesse casopassa por alterações. Quanto à escolha metodológica buscamos na pesquisa qualitativa,mais precisamente através dos métodos histórico e comparativo, estudar os portais denotícia Terra e G1, especificamente seus canais de webjornalismo participativo, o Vcrepórter e o Vc no G1 respectivamente. Para tanto, antes apresentamos conceitos decibercultura e ciberespaço, além de um breve contexto histórico do surgimento edesenvolvimento da Internet e desse fazer jornalismo nestes novos meios. Levantou-sedados sobre o webjornalismo participativo por meio de uma análise de matérias do Vc norepórter e Vc no G1, escolhidas de forma aleatória no período de fevereiro a abril de 2009.Para alcançar os objetivos propostos fizemos análise das noticias que os leitores mandampara o Terra e o G1, de forma a verificar se todos os critérios apresentados, tantoparticulares de cada portal quanto relacionado ao conceito de webjornalismo participativo.Palavras-chave: webjornalismo, jornalismo participativo, cibercultura, ciberespaço.
  • SUMÁRIOINTRODUÇÃO 091 O ESPAÇO E A CULTURA NA REDE DAS REDES1.1 CIBERESPAÇO 101.2 CIBERCULTURA 111.3 HISTÓRIA DO WEBJORNALISMO - A CHEGADA DA INTERNET 12BRASIL1.4 WEBJORNALISMO E WORLD WIDE WEB – AS DIFERENÇAS DOS 13MEIOS DE COMUNICAÇÃO TRADICIONAIS2 JORNALISMO PARTICIPATIVO2.1 INTERATIVIDADE, VC QUEM FAZ 162.2 BLOG, TWITTER E IPHONE. É FÁCIL SE COMUNICAR 172.3 O CIDADÃO REPÓRTER 192.4 JORNALISMO PARTICIPATIVO E WEBJORNALISMO PARTICIPATIVO: 20DIFERENÇAS E APROXIMAÇÕES3 VC REPÓRTER E VC NO G1 – WEBJORNALISMO PARTICIPATIVONO BRASIL3.1 OHMYNEWS - UMA EXPERIÊNCIA QUE DEU CERTO 233.2 VC REPÓRTER – PORTAL TERRA. 253.3 VC NO G1 – PORTAL DA GLOBO.COM 263.4 A CONTROVÉRSIA DO WEBJORNALISMO PARTICIPATIVO NO G1 294 CONSIDERAÇÕES FINAIS 335 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 34
  • 8LISTA DE FIGURASFigura 1- Tabela de Idiomas 18Figura 2 - Página Inicial do OhmyNews 24Figura 3 - Notícia do Vc Repórter 25Figura 4 - Notícia do Vc no G1 26Figura 5 – Participação do assessor no Vc no G1 29Figura 6 – Participação do mesmo assessor no site Mídia News 30Figura 7 – A Notícia 31
  • 9Introdução Há dezenove anos, em 1990, o Brasil passou a conectar-se com a rede mundial decomputadores. Mas só em maio de 1995 tem início a Internet comercial no país. Desdeentão as novas tecnologias tomaram conta do cotidiano das pessoas e o meio digital ganhaespaço devido à interatividade com o público que a Internet propõe (PINHO 2003, p. 39). O advento da Internet trouxe mudanças significativas nos contextos sociais, culturaise da comunicação, sobretudo. A possibilidade de conectar-se para compartilharinformações conquista cada vez mais espaço fazendo surgir novas formas de fazerjornalismo. Não só o jornalismo tradicional passa por mudanças, mas todas as formas decomunicação existentes. No caso do jornalismo, surgem modalidades diferentes de fazê-lo,de forma que o leitor, agora chamado de internauta, seja disputado clique a clique, foto afoto e notícia a notícia. Dessa forma, porque não contar com o mesmo para tais produções? Uma nova forma de pensar e fazer jornalismo surge, um exemplo é o jornalismoparticipativo que ganha espaço e notoriedade com a Internet, por isso torna-se conhecidopor diferentes nomenclaturas como: jornalismo participativo, jornalismo colaborativo,jornalismo código aberto, jornalismo grassroots, open source, jornalismo cidadão. Termosque estão relacionados a mesma forma de fazer jornalismo: aquela que permite aparticipação de pessoas sem necessariamente a formação jornalística, o cidadão comum.Para padronizar, neste trabalho optou-se pela nomenclatura webjornalismo participativo, porestar relacionado a web. No capítulo 1 intitulado O espaço e a cultura na rede das redes, vamos apresentar osconceitos de ciberespaço e cibercultura além de um breve histórico sobre webjornalismo e achegada da Internet no Brasil. No capitulo 2 conceitos sobre jornalismo participativo são apresentados para umamaior compreensão das alterações relacionadas a participação popular na Internet, além dediscorrer brevemente sobre os meios e ferramentas usadas para essas participações No capitulo 3 faz-se a análise de como o webjornalismo participativo começou ecomo acontece na prática no Brasil em portais como o Terra e a Globo.com.
  • 10CAPÍTULO 1 – O espaço e a cultura na rede das redes.1.1 – Ciberespaço Pierre Lévy aponta que a palavra ciberespaço surgiu em 1984 no romance de ficçãocientífica Neuromancer de William Gibson. O livro trata de uma realidade que se constituiatravés da produção de um conjunto de tecnologias, enraizadas na sociedade, e que acabapor modificar estruturas e princípios desta e dos indivíduos que nela estão inseridos. Parauma melhor conceituação, Lévy define ciberespaço como o espaço de comunicação abertopela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores (LÉVY1999, p. 92). Sabe-se que as novas tecnologias da comunicação geram profundas transformaçõesnas relações sociais contemporâneas, que passam cada vez mais a serem estabelecidasem um ambiente virtual, o ciberespaço. Isto diminui gradativamente a necessidade docontato presencial e do compartilhamento do mesmo espaço físico, tornando as relaçõeshumanas cada vez mais virtualizadas. Chama-se a esse fenômeno de desterritorialização da comunicação, que afeta nãoapenas as relações sociais, mas os campos econômicos, políticos e culturais, nos quais asnoções de tempo-espaço e de identidade passam a ter outros significados, diferentes dasque tinham na Modernidade (OIKAWA e PINTO 2007, p. 15). Moraes (MORAES 2001, p. 72) diz que o ciberespaço configura-se como umuniversal indeterminado, sem controles aparentes, sem local ou tempo claramenteassinaláveis, sendo essa outra característica dessa desterritorialização, onde o físico ésubstituído facilmente pelo espaço virtual. O autor continua descrevendo que auniversalidade do ciberespaço favorece a aproximação dos seres humanos em um meioubíquo, que está ao mesmo tempo em toda parte, paradoxalmente operado por umatecnologia real. O ciberespaço tem como principal ambiente a Internet, mas não deixa de estarrelacionado a outras tecnologias como celulares e pagers, por exemplo. Essa ligação dohomem a todo esse contexto traz novas experiências com relação a tempo e espaço. Por isso Trivinho diz que o ‘cyberspace’ se impõe sub-repticiamente, como um novocampo para o entretenimento e o lazer, para a troca de correspondência, o aprendizadocultural e a constituição e transmissão do saber. Com o mesmo estatuto, serve de suportepara os novos jogos de poder, da prática política, da cidadania de redes. Nesses casos, a
  • 11estrutura do ‘cyberspace’ também possibilita o que há de mais avançado (TRIVINHO1998, p. 131).1.2 - Cibercultura Com o alcance global de um novo sistema eletrônico de comunicação, que tambémconverge todos esses meios, além de interagir, ocorre a migração de grupos sociais para ociberespaço. Nesse sentido, cibercultura especifica o conjunto das técnicas, sejam materiais ouintelectuais, de práticas, atitudes, modos de pensamentos e valores que se desenvolvemjunto com o crescimento do ciberespaço (LÉVY 1999, p. 17). É nesse espaço que surgirá uma nova manifestação social, a cibercultura. Portanto,vale dizer que: A cibercultura mundializa modos de organização social contrastantes, sem favorecer pensamentos únicos. Congrega forças, ímpetos e desejos contraditórios, com a peculiaridade fundamental – apontada por Pierra Lèvy – de universalizar sem totalizar. Na direção aqui indicada, a totalidade tem a ver com a descontextualização dos discursos, que permite o domínio dos significados, o anseio pelo todo, a tentativa de instaurar em cada lugar unidades de sentido idênticas. A noção de totalidade busca bloquear a variedade de contextos e os múltiplos segmentos que neles deveriam intervir (MORAES 2001, p. 72). Desde sua criação, a Internet fez com que a comunicação ficasse mais dinâmica. Diaapós dia, surgem novas formas de se comunicar, seja por meio de ferramentas queproporcionam uma conversa instantânea ou por um canal da web que lhe permita enviar asnotícias, esses são alguns dos elementos relacionados a essa nova cultura. O acelerado desenvolvimento da tecnologia digital provoca significativas mudanças nos modos de percepção, pensamento e ação no mundo a que denominamos real, além das modificações nas esferas social, política e econômica da vida mundial (SOARES e PEREIRA, 2008, p. 4) Cada vez mais rápido as distâncias se encurtam e a percepção de tempo e espaçose alteram, de forma que as pessoas de todo o mundo possam se comunicar seja com ummicrofone ou até mesmo através de uma câmera conectada ao computador. Assim, umapessoa que está no Japão e a outra que está no Brasil, por exemplo, têm a sensação deestarem muito próximas, ou seja, fronteiras são derrubadas.
  • 12 Com a Web, houve uma mudança na forma de nos comunicarmos atualmente por possibilitar a troca imediata de informações. Ela também transformou a nossa definição do que é local ou global. Considerado o maior profeta da Web, o filósofo canadense Herbert Marshall Mcluhan (1911-1980) estabeleceu o conceito de Aldeia Global na década de 1960, ao descrever a influência da mídia na vida das pessoas. Os meios de comunicação, na opinião de McLuhan, deixam a interação social humana no mundo semelhante a verificada dentro das antigas aldeias. (VITAL, Ericksen , 2008 p, 14) A web, portanto, oferece mais que um novo meio de comunicação, rompe asbarreiras de tempo e espaço, permite a acumulação de conteúdo rompendo os paradigmasorganizacionais que o jornalismo tinha criado (ALVES, 2006) e oferece interatividade atéentão desconhecida. Ferramentas perfeitas para a consolidação do conceito dewebjornalismo.1.3 - História do Webjornalismo - A chegada no Brasil O termo Internet foi criado com base na expressão inglesa INTERaction orINTERconnection between computer NETworks. Internet pode ser definida como a rede dasredes, o conjunto das centenas de redes de computadores conectados em diversos paísesdos seis continentes para o compartilhamento de informações ou recursos computacionais(PINHO 2003, p. 41). Segundo Pinho, o Brasil passou a conectar-se com a rede mundial de computadoresem 1990. É nesse mesmo ano que o primeiro provedor de acesso comercial do mundo, oWorld, permite que usuários comuns alcancem a grande rede por telefone, no entanto, sócinco anos mais tarde, em 1995, a Internet comercial no Brasil começa a ser usada. A convergência desde então se torna seqüência do processo. Os meios decomunicação tradicionais (rádio, TV, jornais) convergem com os novos meios na busca atémesmo da sobrevivência. Com isso, o jornalismo também passa por alterações eadaptações. Surge assim o chamado jornalismo digital. Jornalismo digital é todo produto discursivo que constrói a realidade por meio da singularidade dos eventos, tendo como suporte de circulação as redes telemáticas ou qualquer outro tipo de tecnologia por onde se transmita sinais numéricos e que comporte a interação com os usuários ao longo do processo produtivo (GONÇALVES 2000, p. 19 apud PINHO 2003, p. 58).
  • 13 Para Palacios, Mielniczuk, Barbosa, Ribas e Narita (2001) é possível observar trêsfases diferentes do jornalismo na Web. Em um primeiro momento, distinto pelo modelotranspositivo que é quando os grandes jornais impressos, que passavam a ocupar espaçona Internet, adaptavam uma ou duas de suas principais matérias de algumas editorias (esseera o chamado jornal online). Com o tempo e aperfeiçoamento da estrutura técnica e mesmo aos moldes de textosdos jornais impressos, os autores destacam que na segunda fase é que passa a existir umatentativa de aproveitar melhor as características únicas já oferecidas pela rede. Astransposições do impresso ainda continuam, mas começam a surgir seções ou editoriaspara noticias que aconteceram entre os plantões (tinham o nome de “Plantão” ou “ÚltimasNoticias”). Com a iniciativa de empresas e editorias na tentativa de fazer sites que saiam daidéia fixa de fazer uma versão do jornal impresso para a web, começa a constituição dowebjornalismo. Esse terceiro e atual momento tem toda uma estrutura técnica que permite atransmissão mais rápida de sons e imagens.1.4 - Webjornalismo e World Wide Web – As diferenças dos meios de comunicaçãotradicionais Para tratar do conceito de webjornalismo é importante destacar que: De certa forma, o conceito de jornalismo encontra-se relacionado com o suporte técnico e com o meio que permite a difusão das notícias. Daí derivam conceitos como jornalismo impresso, telejornalismo e radiojornalismo”.(MURAD apud CANAVILHAS, 1999). Por isso, define-se por padronização o termo webjornalismo. O webjornalismo não é somente a atualização do factual online. Esse jornalismoonline pode usar a capacidade que a Internet possui de instantaneidade da informação que,segundo Pinho, modifica até mesmo o sentido do furo de reportagem, que é aquela noticiaimportante publicada em primeira mão por um órgão da imprensa antes dos seusconcorrentes. Essa mudança de sentido quanto ao furo deve-se ao fato de que quando umamídia online dá a notícia em primeira mão, em poucos minutos vários outros jornais na webse apropriam da notícia sem muitas vezes dar o crédito (PINHO 2003, p. 51).
  • 14 Outras características da web que, sobretudo a diferencia dos meios tradicionais,são apontadas por Pinho: • Não-lineariedade: o autor diz que a informação alojada na Internet é não- linear, pois nela o hipertexto permite que o usuário se movimente mediante as estruturas de informação do site sem uma seqüência predeterminada, mas sim saltando entre os vários tipos de dados de que necessita. Segundo o autor, uma das principais características do hipertexto é a sua maneira natural de processar a informação, ou seja, o internauta navega pelas páginas de hipertexto e vai acumulando conhecimento segundo seus interesses até se satisfazer. • Fisiologia: a recomendação é que o texto para Internet seja cerca de 50% mais curto que o escrito para papel, isso porque quando as pessoas lêem online, elas lêem mais vagarosas. É o que aponta um estudo desatualizado, mas um dos poucos na área, feito pela Sun Microsystems feita em 1997. O internauta, portanto, lê mais devagar na Internet, por não poder afastar ou aproximar o documento dos seus olhos como o faria com papel. • Dirigibilidade: uma das grandes vantagens da Internet é que a informação pode ser instantaneamente dirigida para a audiência sem nenhum filtro, direcionando a mensagem a alvos específicos. • Qualificação: ainda segundo Pinho, a Internet apresenta um público jovem e qualificado, com alto nível de escolaridade, elevado poder aquisitivo e um perfil ocupacional em que se destacam empresários, executivos e autônomos. “Por essas características, a audiência da Internet deve merecer a atenção também como importante formadora de opinião” (PINHO 2003, p. 53). E mesmo tendo um alto índice de analfabetos digitais, no país as chamadas lan houses se disseminam entre as comunidades mais pobres, aproximando um pouco mais a população das grandes redes. • Custo de produção e veiculação: relaciona-se ao custo baixo de produções para a Internet, se comparado aos custos elevados de televisão e mídia impressa. • Interatividade: se um telespectador não estiver satisfeito com o que aquele canal lhe oferece, ele pode mudar de canal em canal até que encontre um que lhe interesse. “Esse é o máximo de interatividade que a televisão
  • 15 proporciona, pois a mídia tradicional é, notoriamente, um veículo de mão única” (PINHO 2003, p. 53). A Internet em contrapartida oferece várias formas de interatividade. Um exemplo são os grupos de discussão que oferecem propositadamente interação entre os participantes do grupo com um interesse focado em um assunto especifico. Para reforçar o conceito de interatividade, Pinho afirma que na Internet não se está falando para uma pessoa, mas sim conversando com ela.• Pessoalidade: característica que, segundo o autor, tem relação direta com a interatividade proporcionada pela rede mundial, pois o que a faz interativa a faz também muito pessoal.• Acessibilidade: um site está disponível sempre, a qualquer hora do dia todos os dias do ano.• Receptor ativo: com tantos sites disponíveis na Web, a audiência precisa buscar as informações de maneira mais ativa. Daí se dizer que a Web é uma mídia pull, que deve puxar o interesse e a atenção do internauta, enquanto a TV e o rádio são mídias push, nas quais a mensagem é empurrada diretamente para o telespectador ou ouvinte, sem que ele tenha solicitado (PINHO 2003, p. 55)
  • 16CAPÍTULO 2 - Jornalismo Participativo2.1 - Interatividade – Vc quem faz Cada vez mais, o modelo clássico do jornalismo se altera e o público, seja ele leitorou telespectador participam da produção do jornal. Pode ser sugerindo pautas, fazendoreclamações e o último modelo, e mais atual, é escrevendo a própria matéria. Interatividade é um conceito que quase sempre está associado às novas mídias decomunicação e principalmente às que estão ligadas a Internet. Não está ligada somente auma troca de comunicação, mas também faz parte da geração de conteúdo. A medida que a informação/notícia deixa de ser exclusividade de um jornalista epassa a um produto da interaticidade social. Aí estaremos falando de jornalismoparticipativo. A interatividade pode ser definida como uma medida do potencial de habilidade de uma mídia em permitir que o usuário exerça influência sobre o conteúdo ou a forma da comunicação mediada (JENSEN, 1998. p 185–204). Dale Peskin e Andrew Nachison do Centro de Mídia do Instituto Americano deImprensa vislumbram uma sociedade da informação colaboradora em um modelo chamadopor eles de "Nós, a Mídia”. Luciano Martins em seu artigo, ressalta que Peskin observa que existem três modosde entender como a sociedade se informa. A primeira versão considera que o público éessencialmente crédulo e vai ler, ouvir ou assistir qualquer coisa que se coloque à suafrente. Essa é a tendência que se observa nos jornais ditos populares e seuscorrespondentes no rádio e na televisão. A segunda versão faz crer que o público precisade um intermediário que lhe diga o que é bom, relevante ou significativo entre os eventos. Éo modo como a chamada grande imprensa compreende sua relação com os leitores,ouvintes ou telespectadores – uma relação de mentor e tutelado. O terceiro modo de ver a questão tem como pressuposto que o público é inteligente elúcido – dados os meios, ele próprio pode discriminar os fatos por si mesmo e encontrar suaprópria versão da verdade. Essa, na opinião dos autores do estudo, é a forma como aimprensa participativa irá se relacionar com a sociedade.
  • 17 A interatividade é estabelecida por três fatores: estrutura tecnológica do meio usado (velocidade, alcance, flexibilidade do sincronismo e complexidade sensorial); característica do ajuste da comunicação; e percepção dos indivíduos (proximidade, velocidade percebida, ativação sensorial e tele-presença) (KIOUSIS, 2002. p. 355-383). Entre tantas qualidades, o webjornalismo nos oferece um ‘produto’ novo e comlinguagem mais acessível que é a webnotícia. Para Canavilhas, esse é o grande desafiofeito ao webjornalismo: a procura de uma "linguagem amiga" que imponha a webnotícia,uma notícia mais adaptada às exigências de um público que demanda maior rigor eobjetividade, pois: No webjornalismo a noticia deve ser encarada como o princípio de algo e não um fim em si própria. Deve funcionar apenas como o "tiro de partida” para uma discussão com os leitores. Para além da introdução de diferentes pontos de vista enriquecer a notícia, um maior número de comentários corresponde a um maior número de visitas, o que é apreciado pelos leitores. (CANAVILHAS)2.2 - Blog, twitter e Iphone. É fácil se comunicar. A era da Internet, proporciona bem mais do que facilidades do dia a dia. Nuncahouve tanta comunicação, interatividade e troca de informações como agora. Cada vezmais pessoas passam a se comunicar e a se informar pela internet. Não somos maispessoas, somos usuários. A princípio, os blogs eram pequenos diários disponibilizados em rede, agora são umcanal forte de opiniões, debates e fóruns. Um meio de discutir qualquer assunto comdinamismo entre o autor e o público, de uma forma direta e rápida. O crescimento da blogosfera (espaço virtual dos blogs) cresceu a passos largos,atingindo uma marca surpreendente. Segundo a Technorati, um site que interliga blogueirosde todo o mundo, hoje existem mais de 70 milhões de blogs. Desse total, uma fatia superior a 70% está escrito em Japonês ou Inglês, e apenas2% é escrito em português.
  • 18Figura 1 – Tabela de idiomas Em cada blog, a escolha dos conteúdos é feita de forma livre, você pode escrever oque e do tamanho que quiser. Com a idéia de obter informação rápida e de forma com que somente o necessárioseja escrito, nasceu o Twitter. A utilização dele é bem simples : você entra no site, secadastra e diz o que você está fazendo no momento. O próximo passo é seguir seus amigos, dessa forma, cada vez que você adiciona umamigo você começa a receber as mensagens dele (o que eles estão fazendo naquelemomento) e quando você envia uma mensagem, todo mundo que te segue recebe a suamensagem. O Twitter permite que você responda a pergunta pelo celular, e-mail, blog e até MSN.A idéia é atualizar seus amigos das atividades que você pratica em apenas 140 caracteres. Mas, você pode acessar seu blog, atualizar seu Twitter, ler e-mails, tirar fotos, gravarvídeos com apenas um aparelho: o Iphone. Em apenas um ano de existência, foramvendidos mais de quatro milhões de aparelhos que entre suas várias funções, possuiconexão wi-fi integrada.
  • 19 Então, em qualquer parte do mundo, com um aparelho que não mede 10centímetros, você pode se atualizar ou informar o mundo inteiro. As novas mídias estão convergindo para que os usuários possam em pouco tempo,com poucos itens a mão, se transformar em um jornalista de plantão. Assim, diminuem oscustos de viagens e grandes produções, além de poder contar com milhões de‘funcionários’ espalhados pelo mundo.2.3 - O cidadão repórter Um dos fenômenos comunicacionais mais interessantes está presente em todo omundo. A mídia antiga, clássica, está passando por grandes transformações aliada a umapeça que não havia antes: o jornalista cidadão, representado por toda a sociedade. Muitos portais de notícias produzem e espalham a idéia de que ‘todo cidadão é umrepórter’ e permite ao internauta deixar de ser apenas um receptor, para tornar-se umcriador, um jornalista. Esse espaço transforma o jornalismo em algo que o cidadão deixa deser somente o espectador que recebe as informações e passa a ser também emissor, umprodutor de notícias. Então, dentro da Internet deixa de existir a diferença entre quem faz a notícia e quema recebe. O modelo de emissão se altera e é modelado constantemente: de um para um,um para muitos e de muitos para muitos. A pragmática da Internet desfaz a polaridade entre um centro emissor ativo e receptores passivos. As interfaces tecnológicas instituem um espaço de transação, cujo suporte técnico, em processamento constante, proporciona comunicações intermitentes, precisas e ultra- rápidas, numa interação entre todos e todos, e não mais um e todos. No ciberespaço, cada um é potencialmente emissor e receptor num espaço qualitativamente distinto (MORAES 2001, p. 70). Mas o jornalismo cidadão cria uma grande discussão em relação aos ideaisjornalísticos e até mesmo à ética. Alguns questionamentos surgem: quem garante averacidade da notícia dada? Em tempos de desregulamentação do diploma, é precisocursar uma faculdade para exercer a função de jornalista? Quais são os limites da noticianum mundo onde todos são repórteres de plantão? Questões como estas são abertas ecom respostas ainda em formulação nas pesquisas sobre webjornalismo.
  • 20 Com a ajuda da Internet, o cidadão pode distribuir seus materiais para um mundoamplo de leitores. O conteúdo passa a ser de responsabilidade de quem o publica e entãoos maiores sites fazem uma triagem antes da publicação. Quando você se torna uma fonte‘confiável’, seu material entra direto na lista de reprodução. Funciona assim em portaiscomo ‘Vc no Terra’ e ‘Vc no G1’.2.4 – Jornalismo Participativo e webjornalismo participativo: diferenças eaproximações. Jornalismo participativo pode ser definido como toda forma de participação quecidadãos comuns fazem nos meios de comunicação. A forma mais recente de jornalismoparticipativo observa-se na web: o internauta participa de forma ativa com textos, fotos ouvídeos. Essa participação pode ser atribuída também a insatisfação das pessoas com aqualidade do jornalismo que se mostra muitas vezes parcial e comprometido com interessescomerciais e políticos. Tais manifestações são conhecidas pelo nome de “jornalismo participativo” porque envolvem a participação total ou parcial do cidadão comum no processo da produção de notícias. É também por esse motivo que esse tipo de produção é conhecida por outros nomes como jornalismo cidadão, jornalismo colaborativo, entre outros (NEGREIROS, 2007, s/p) Quando o leitor é especialista em determinado assunto “irrita-se” com as imprecisõese erros tão comuns em reportagens. Essas pessoas recorriam, até então, a cartas do leitor,telefones e publicações caseiras de alcance mínimo para expressarem suas opiniões. Hoje,com esforços individuais, essa interferência ocorre de forma mais rápida. A estrutura da noticia vinda do cidadão comum permite que seus textos fujam dospadrões utilizados no meio jornalístico, a pirâmide invertida e o lead são deixados de lado ea pouca ou nenhuma técnica é aceita nos meios colaborativos. Essas notícias caracterizam-se pela independência de grandes empresas decomunicação e da imprensa oficial, e segundo Primo e Träsel, não deixam de ter caráterpolítico, sendo com freqüência um instrumento de resistência e ativismo. O modelo básico de que o emissor é apenas um ou poucos e os receptores sãovários e estáticos está se alterando conforme a Internet se constrói. Hoje é possível
  • 21escrever para os canais de jornalismo participativo dos maiores portais da web sem serjornalista, basta ser cidadão. O jornalismo participativo ganha cada vez mais espaço, principalmente pelasfacilidades interativas que a Internet, as novas tecnologias e a instantâneidades geradasproporcionam. Através dessas novas tecnologias é que o jornalismo participativo quebrouas barreiras e se fixou na Internet. É aí então que ele se torna ‘webjornalismo participativo’. Primo e Träsel afirmam que além da dimensão tecnológica, é preciso tambémapontar os discursos em defesa da livre circulação de informações como outro fator queinspira e justifica a emergência de experiências com o jornalismo participativo, pois oconhecimento deve ser visto não como mercadoria, mas como um bem coletivo que,portanto, precisa ser compartilhado. A grande mudança no Webjornalismo Participativo é que o modelo de emissão erecepção se flexibilizam e se alteram. O modelo mais usado que é o ‘um-todos’, no qualpoucos (ou um) indivíduos são quem repassam as informações é atualizado para ‘todos-todos’. Nesta forma, qualquer indivíduo pode mandar ou receber informações. Seja ela pormeio de vídeo, foto, texto ou até mesmo por meio de sons. Moraes (MORAES, 2001, p. 68) diz que aquela imagem clássica dos aparelhos dedivulgação no topo da pirâmide e dos receptores confinados em sua base está serompendo na arquitetura dos espaços multipontuais da web. Savi comenta também que com o aumento da interatividade e simplicidade dasferramentas, a audiência assume mais espaço na produção de conteúdos, o que leva aosurgimento de uma mídia mais participativa. Esta mídia bidirecional acabou abrindo espaçopara o público participar ativamente do processo de produção e disseminação deinformações e notícias, originando termos como jornalismo open source, jornalismo cidadãoe jornalismo participativo (SAVI, 2007, p.29). Para Foschini e Taddei, esse fenômeno está em pleno desenvolvimento e, por isso,coexistem várias formas de nomeá-lo:Jornalismo participativo – Ocorre, por exemplo, nas matérias publicadas por veículos decomunicação que incluem comentários dos leitores. Os comentários somam-se aos artigos,formando um conjunto novo. Dessa forma, leitores participam da notícia. Isso é maisfreqüente em blogs.
  • 22Jornalismo colaborativo - É usado quando mais de uma pessoa contribuiu para oresultado final do que é publicado. Pode ser um texto escrito por duas ou mais pessoas ouainda uma página que traga vídeos, sons e imagens de vários autores.Jornalismo código aberto - Surgiu para definir um estilo de jornalismo feito em sites wiki,que permitem a qualquer internauta alterar o conteúdo de uma página. Também pertencema esse grupo vídeos, fotos, sons e textos distribuídos na rede com licença para seremalterados e retrabalhados.Jornalismo grassroots - Refere-se à participação na produção e publicação de conteúdona web das camadas periféricas da população, aquelas que geralmente não participam dasdecisões da sociedade. Quando elas passam a divulgar as próprias notícias, causam umefeito poderoso no mundo da comunicação. Quem usa esse termo defende a idéia de que ojornalismo cidadão está diretamente relacionado à inclusão dessas camadas no universocriado pelas novas tecnologias de comunicação. Hoje é possível que sua foto seja vista por milhares de pessoas. Através de seu textovocê pode ser considerado um cidadão repórter. A cada instante mais leitores setransformam em escritores, tudo isso através da Internet. Isso é webjornalismo participativo.CAPÍTULO 3 - Vc repórter e Vc no G1 – Webjornalismo participativo no Brasil
  • 233.1 - Ohmynews - Uma experiência que deu certo O OhmyNews foi a primeira experiência de sucesso na Internet usando o internautacomo fonte. Criado pelo coreano Oh Yeon-ho, o lema do site é “cada cidadão é umrepórter”. De acordo com o seu criador, o objetivo do jornalismo participativo é contribuirpara a democratização da imprensa, redistribuir o controle sobre os meios de informação etransformar o receptor num produtor de notícias. O seu modelo de publicação de matérias,todas revisadas, enviadas por jornalistas cidadãos na Coreia do Sul e no mundo, além doscolaboradores que são pagos. Toda essa participação faz com que o site consiga atingir a média de 1,7 a doismilhões de visitas diariamente. De acordo com a matéria publicada no Observatório daImprensa em dezembro de 2002, nas eleições presidenciais sul-coreanas, o número depage views que o site recebeu foi de 25 milhões. A novidade agora é que depois de ministrar alguns cursos para ensinar como ser um‘jornalista cidadão’, eles acabam de fundar uma escola para tal objetivo. Situada a 90minutos de carro de Seul, a nova faculdade tem grife OhmyNews, o investimento inicial foide US$ 400 mil, a nova sede foi implantada numa antiga escola rural que estavaabandonada. O projeto prevê um centro colaborativo de conhecimento para atender 60 milrepórteres e cidadãos, com muito espaço (9,5 mil metros quadrados), salas para abrigar até100 alunos e áreas ao ar livre para práticas esportivas.Página inicial do site OhmyNews Internacional: http://english.ohmynews.com/
  • 24 Figura 2 – Página Icinial do OhmyNews3.2 - Vc repórter – Portal Terra Antes dos relatos das análises dos canais considerados webjornalismo participativo,‘Vc repórter’ e ‘Vc no G1’, é interessante entender o conceito de portal. Os portais credenciam-se como pontos de passagem obrigatória para milhões de internautas. Disponibilizam ferramentas de buscas, noticiário em tempo real, horóscopo, previsões meteorológicas, cotações financeiras, ofertas gratuitas (download de sofwares, e-mails e caixas postais, hospedagem e homepages, traduções simultâneas), chats, fóruns virtuais e compras. As metas são idênticas: popularizar suas homepages; engordar os bancos de dados com cadastramento de milhões de usuários; assegurar visitas mais demoradas; fisgar anúncios (MORAES, 2001, p. 31).O canal de webjornalismo participativo do Terra, o Vc repórter, funciona com a intervençãode jornalistas que selecionam os materiais enviados pelos internautas, editando-os. Em
  • 25funcionamento desde de fevereiro de 2006, esse canal tem o trabalho de análise, seleçãoe edição do seu conteúdo feito pela equipe editorial do portal. Com o slogan: “Mande fotos, vídeos e vire noticia Terra”, o Vc repórter apresenta linkna página inicial do portal Terra. Na página inicial do canal, são destacadas as trêsprincipais matérias enviadas pelos internautas. É interessante observar que todas asmatérias apresentam espaço para que o internauta/leitor comente-as. Em seguida, tem olink ’Noticias’, no mesmo canal, onde o internauta dispõe de todas as noticias divulgadasrecentemente ordenadas em data e em horário divulgadas. Em ‘Como enviar’, o internauta tem acesso a orientações básicas de como mandar otexto, foto ou vídeo para a redação do Terra. Em ‘Dicas’, existem direcionamentos pararesponder as perguntas básicas: o que, quando, onde, como e por quê, no caso de textos;dicas de fotos, inclusive com aparelho celular, como obter um bom enquadramento; quandofor vídeo, o site traz dicas de iluminação, movimento, organização das informaçõesrelacionadas aos fatos. O período que analisamos foi a partir do dia 20 de fevereiro, commonitoria feita semanalmente, coletando aleatoriamente as notícias que foram veiculadaspelos portais. Cada um dos portais tem um padrão: O ‘vc repórter’ produz mais notícias de âmbitojornalístico e notícia casos como da penitenciária do interior do Mato Grosso que estavasujando o córrego que corta a cidade de Água Boa. Figura 3 – Notícia do Vc Repórter
  • 263.3 - Vc no G1 – Portal Globo.com É um site que nasceu de um grande grupo de comunicação, Rede Globo deTelevisão. Nele vamos analisar o canal ‘Vc no G1’, canal participativo do site que tem comoproposta a participação dos internautas como jornalistas cidadãos. Esse canal de colaboração iniciou suas atividades em 23 de maio de 2007,objetivando a interatividade com o público já leitor constante do G1. ‘O Vc no G1’ não contacom editorias para separar os assuntos, mesmo assim o canal apresenta muitas imagens evídeos. É de forma bem atrativa, “Presenciou um fato importante? Registrou um flagrantede notícia em foto ou vídeo? Envie sua reportagem para o G1 e seja um jornalista cidadão”,que os internautas são chamados a participar. Com a intenção de cativar o público, foi criada dentro da própria editoria, uma seçãoque classifica as matérias mais lidas e as melhores matérias produzidas pelos internautas. O Vc no G1 aborda curiosidades e fatos inusitados. Os acontecimentos que sãonoticiados nesse canal de jornalismo participativo são sempre ligados á comportamento eaté mesmo notícias com fofocas de famosos ‘globais’. Veja o exemplo a baixo: Figura 4 – Notícia do Vc no G1
  • 27 A interatividade neste caso é, então, guiada pelos recursos e ferramentas demultimídia que a web disponibiliza, é o que se observa no G1. O foco está que nestacaracterística do webjornalismo a intenção é atrair e instigar o internauta a colaborar com ojornalismo convencional ou, como eles mesmos citam, com a sociedade através dadivulgação de um “fato importante” ou um ”flagrante de notícia”, termos usados pelo próprioportal. Márcia Menezes, diretora de conteúdo do Portal de Notícias da Globo definiu quaiscontribuições devem ser publicadas e os critérios de avaliação para que se possa tornar umjornalista cidadão. Segundo ela, o ‘Vc no G1’ é um meio de jornalismo colaborativo com os seguintesdetalhes: É criada uma página especial, onde são depositados todos os e-mails recebidos.Dentro desse depósito de textos e imagens são pescadas as informações que os editoresjulgam relevantes. Aí são apuradas as veracidades desses fatos. Quando a pessoa, ou melhor, o jornalista cidadão manda mais de uma notíciarelevantes ela ganha uma espécie de classificação e passa a ter canal livre para publicaçãoda notícia. Antes de enviar sua contribuição, saiba os critérios do VC no G1: ● O VC no G1 é um meio de jornalismo colaborativo, voltado para leitores dispostos a contribuir com textos, fotos, vídeos e áudios relacionados a fatos verídicos. ● Não serão publicados textos contendo palavrões, ofensas, preconceitos de qualquer ordem, incitação à violência, manifestações de racismo, sexo ou pedofilia, ou qualquer conteúdo ofensivo, que estimule a prática de condutas ilícitas e contrário às leis brasileiras, à ordem, à moral e aos bons costumes. ● Não serão veiculados conteúdos de propaganda comercial, institucional ou política, nem textos enviados por assessorias de imprensa ● Acusações a terceiros, sugestões de reportagens, textos opinativos e comentários não serão publicados no VC no G1. Os mesmos devem ser enviados à redação do G1, por meio do serviço do Fale Conosco, e serão avaliados, podendo ou não ser publicados. O internauta também pode fazer comentários em matérias, blogs e artigos do G1.
  • 28 ● A equipe do VC no G1 poderá editar o conteúdo enviado pelos internautas, sem alterar o sentido. Por exemplo: alterar os títulos das notícias sugeridos pelos leitores; corrigir eventuais erros de digitação, ortografia e/ou informação contidos nos textos; publicar apenas o texto e não publicar as fotos e/ou vídeos enviados; reunir conteúdos de leitores diferentes; despublicar notícias anteriormente publicadas; e acrescentar links nos textos para outros conteúdos produzidos pelo G1. ● O material enviado deve ser da autoria de quem o envia; não serão aceitos textos plagiados, que violem os direitos autorais de terceiros, copiados de outros veículos de comunicação ou já publicados em outros meios. ● Todos os vídeos, áudios, textos e imagens publicados terão a assinatura de quem os enviou. ● A escolha dos temas do conteúdo a ser enviado pelos internautas é livre. A equipe do VC no G1 também pode incentivar os internautas a enviar conteúdo sobre temas relacionados à atualidade ● O conteúdo enviado para o VC no G1 poderá ser publicado em todos os programas, sites e mídias das Organizações Globo. ● Todo o material enviado pelo internauta será analisado pela equipe do VC no G1 e sua publicação está sujeita à aprovação dos editores do G1.3.4 – A controvérsia do webjornalismo participativo no G1 Essa é uma notícia do Vc no G1. Nota-se que é bem estruturada, clara e objetiva,concluí-se então que certamente esse leitor seguiu as regras ensinadas pelo site para fazeruma boa notícia. Poderia até ser isso mesmo, mas aí está a prova da maior discussão que oWebjornalismo Participativo causa: a participação de assessores de imprensa nas notícias.
  • 29Figura 5 – Participação do assessor no Vc no G1
  • 30 Nas regras gerais de como ser um colaborador, o G1 deixa claro que: ‘Não serãoveiculados conteúdos de propaganda comercial, institucional ou política, nem textosenviados por assessorias de imprensa.’ Figura 6 – Participação do mesmo assessor no site Mídia News A figura de número 5, mostra uma notícia do ‘Vc no g1’. O jornalista cidadão queescreveu a matéria chama-se Antônio Carlos Miranda de Souza, ele discorre sobre ocarnaval 2009 da cidade de Corumbá/MS. Procuramos por ele, e com a ajuda da internet descobrimos a matéria da figuranúmero 6, um site do estado do Mato Grosso do Sul chamado Mídia News, onde constaque o nosso jornalista cidadão trata-se então de um Assessor de Imprensa. Abre-se espaço então para o primeiro questionamento : Trata-se do mesmo AntônioCarlos Miranda de Souza? Pois bem, além da confirmação de que na prefeitura de Corumbá, existe umassessor com o mesmo nome, vamos acompanhar outra exigência do ‘Vc no G1’ para apublicação das matérias-cidadãs :
  • 31 Segundo o G1, “o material enviado deve ser da autoria de quem o envia; não serãoaceitos textos plagiados, que violem os direitos autorais de terceiros, copiados de outrosveículos de comunicação ou já publicados em outros meios”. Figura 7 – A notícia usada Vamos então acompanhar trecho a trecho da matéria publicada no ‘Vc no g1’ e nosite da Prefeitura Municipal de Corumbá.G1 - A Império do Morro é a grande campeã do carnaval de Corumbá (MS) com a soma de175,3 pontos. O título foi conquistado após um belo desfile na segunda-feira (23) à noitecom o enredo "A Império do Morro vem mostrar liberté, égalité, fraternité".
  • 32Site Corumbá - A Império do Morro é a grande campeã do carnaval corumbaense comum total de 175,3 pontos. O título foi conquistado após um belo desfile na segunda-feira ànoite com o enredo A Império do Morro vem mostrar... Libertê, Igualitê, Fraternitê....G1 - A Vila Mamona ficou em segundo lugar com 174,5 pontos, seguida da Major Gamacom 161,3, e em quarto, a Acadêmicos do Pantanal com 149 pontos. Com o resultado, aagremiação desce para o segundo grupo em 2010.Site Corumbá - A Vila Mamona ficou em segundo lugar com 174,5 pontos, seguida daMajor Gama com 161,3, e em quarto, a Acadêmicos do Pantanal com 149 pontos. Com oresultado, a agremiação desce para o segundo grupo em 2010.G1 - A Império foi a terceira escola a se apresentar. Entrou na avenida saudada pelopúblico e por um show pirotécnico. Fez uma bela apresentação, com muito luxo, belasfantasias e muita animação. A escola passou cantando o samba da agremiação.Site Corumbá - A Império foi a terceira escola a se apresentar. Entrou na avenida saudadapelo público e por um show pirotécnico, Fez uma bela apresentação, onde pequenosproblemas não chegaram a atrapalhar. Foi muito luxo, com belas fantasias e muitaanimação. A escola passou cantando o samba da agremiação. Fica claro que a matéria publicada no ‘Vc no G1’ não era de conteúdo exclusivo dosite, pois foi publicado praticamente na íntegra em outro site.Podemos dizer então que alémde ferir uma das regras do ‘Vc no G1’, que é a utilização do mesmo por assessorias deimprensa, a pessoa em questão fez o uso de um material publicado na mesma data nosdois sites. Com as informações obtidas procuramos por Antônio Carlos Miranda de Souza, no e-mail disponibilizado pela Prefeitura : antonio.miranda@corumba.ms.gov.br. Mas até o finaldessa monografia não obtivemos resposta.Considerações Finais O que mais fomenta a discussão quanto ao Webjornalismo Participativo é a formacomo é feito e a aparente ruptura com a forma de fazer jornalismo tradicional. Por isso éimportante lembrar que o que se vê, na verdade, é que o mesmo ainda encontra-se em um
  • 33processo de adaptação não só entre os cidadãos, que se tornam ativos nesse processo,mas também entre os jornalistas que procuram entender e adaptar-se a esse novojornalismo em que as pessoas deixam de ser fontes e tornam-se parceiros na produção denoticias. Sem deixar de lado as discussões sobre webjornalismo participativo, vale lembrarque é preciso que os alunos e profissionais de comunicação fiquem mais atentos e levem asério a chamada ‘alfabetização digital’. A partir do momento em que a notícia ‘cai na rede’, ela está disponível para quequalquer pessoa possa usa-la. Na Internet é assim, tudo está interligado. Cada vez mais acomunicação está convergindo, e nos dias de hoje a base de qualquer estrutura jornalísticaestá ligada diretamente com a Internet. Trata-se de uma tendência ou uma evolução naturaldo processo comunicacional e jornalístico. A Internet está ativa no modo de se fazer jornalismo que pessoas ‘comuns’ estãousando a web para publicar notícias em que o repórter não esteve lá para apurar, por isso éimportante que os jornalistas estejam aptos e dispostos a interagir e integrar cada vez maisno dia a dia com essas novas ferramentas e esses novos aliados. Esse atual modelo deixa brechas para que jornalistas se aproveitem de algo novo,que é a participação direta, que deveria ser feito por cidadãos para cidadãos. A grande questão a ser debatida era se os canais de Werbjornalismo Participativo,mais precisamente o ‘Vc no G1’ e o ‘Vc Repórter’ poderiam ser assim chamados :participativos. Até que ponto o cidadão passa a ser um jornalista de plantão ou colaboradorde notícias e também mostrar de que nada adianta o espaço para a pessoa comum, semformação jornalística se assessores e jornalista competem com o cidadão na divulgação dematérias. Não podemos deixar de citar essa nova forma de fazer jornalismo com o momentomercadológico. É muito mais fácil e barato simplesmente esperar que o cidadão escrevauma matéria e lhe envie. Assim, de graça. Dessa forma, não se tem custos com jornalistas, que precisam ir á campo sempreque necessário para que a apuração e a matéria sejam feitas. Basta, um cidadão com umIphone na mão, como citamos nessa monografia. Com apenas um aparelho, o cidadão pode fotografar, redigir o texto e mandar dalimesmo, por esse celular a cobertura do acidente, do engarrafamento ou até mesmo doassalto ao banco. Em apenas um click, essa é a frase da era da Internet.
  • 34 Também é importante que se leve em conta o momento pelo qual o jornalismobrasileiro está passando. A queda da Lei de Imprensa, a discussão envolvendo anecessidade ou não de um diploma para que a função possa ser exercida. Esse momentode insegurança atinge não só os jornalistas já formados, quanto nós, estudantes decomunicação. Esse espaço entre o jornalista e o cidadão comum fica ainda maior, pois não se tratamais de um relacionamento entre uma fonte e um repórter. É possível que o jornalistapasse a ver o cidadão/fonte como uma ameaça, um concorrente, e dessa forma quemperde é o jornalismo e notícias deixarão de ser dadas. Por fim, observamos que quem já faz uso desse novo jornalismo busca usar ainteração que ele proporciona na intenção de descentralizar a emissão de informações eassim torná-la acessível e com mais espaço.Referencias BibliográficasALVES, R. C.; Jornalismo Digital: Dez anos de web... e a revolução continua.Comunicação e Sociedade, vol 9 -10, 2006.
  • 35CANAVILHAS, J. M.; Webjornalismo – considerações gerais sobre jornalismo naweb. Comunicação apresentada no I Congresso Ibérico de Comunicação – Universidade daBeira Interior.MORAES, Denis; O concreto e o virtual – Mídia, cultura e tecnologia. Rio de Janeiro:DP&A Editora, 2001.NEGREIROS, Karina. Jornalismo participativo: o cidadão tomando o (quarto) poder.En publicacion: Divercidade, no. 13. CEBRAP, Centro Brasileiro de Analise e Planejamento:Brasil. abril-junho. 2007Acceso al texto completo:http://www.centrodametropole.org.br/divercidade/numero13/2.htmlOIKAWA, Erika; PINTO, Sonia Ferro e Silva. A (con) fusão dos mundos on e off line :novas formas de socialidade no Orkut. Santos, p. 15, Agosto. 2007. Disponível em:<http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R1835-1.pdf>. Acesso em:13/05/2008.PALACIOS, M; MIELNICZUK, L.; BARBOSA, S.; RIBAS, B.; NARITA, S. Um mapeamentode características e tendências no jornalismo online brasileiro. In: Comunicarte,Revista de Comunicação e Arte, vol.1, n.2, Universidade de Aveiro, Portugal, 2002.Disponível em: http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2002_palacios_mapeamentojol.pdf.PIERRE, L.; Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.PINHO, J. B.; Jornalismo na Internet: planejamento e produção da informação on-line.São Paulo: Summus, 2003.TRIVINHO, E.; Redes: obliterações no fim do século. São Paulo: Annablume/FAPESP,1998.FOSCHINI, Ana Carmen; TADDEI, Roberto Romano. Jornalismo Cidadão: Você faz aNotícia
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