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Mensageira
do Senhor
O Ministério Profético de Ellen G. White
“Cedo, em minha juventude, foi-me perguntado
várias vezes: V...
Sumário
Prefácio ix
Agradecimentos xi
Apresentação xiii
O Sistema Divino de Comunicação
1 O Revelador e o Revelado 2
2 Deu...
vii
Como Avaliar a Crítica
41 A Verdade Ainda Liberta 468
42 Crítica Sobre Relacionamentos Pessoais 478
43 Predições e Obs...
ix
Prefácio
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m meados da década de 1950, T. Housel Jemison, um dos diretores associados do Pa-
trimônio Literário White, ...
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aquelas pessoas,...
xiii
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xiv xv
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bem e o mal.
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Limitado por Sua natureza ...
xvi xvii
• analisando a capacidade incomum que
ela possuía de falar em meio a circunstâncias
físicas que afligiriam as pes...
IO Sistema Divino
de Comunicação
1 O Revelador e o Revelado
2 Deus Fala Pelos Profetas
3 Características dos Profetas
CAPÍ...
terminados homens e mulheres que logo co-
municam a outros a verdade sobre Jesus. Eis a
descrição da função do Espírito: “...
CAPÍTULO 1
O REVELADOR
E O REVELADO
Muitíssimas vezes, após contemplar a con-
descendência de Cristo na condição de Ho-
me...
CAPÍTULO 1
O REVELADOR
E O REVELADO
vina por parte dos corações abatidos e neces-
sitados. Para aqueles que a ouvem, Ellen...
Como Deus Transpôs o Abismo do Pecado
Como o abismo do pecado poderia ser trans-
posto? Deus sempre tem uma solução. Ele s...
CAPÍTULO 2
DEUS FALA
PELOS PROFETAS
mas faltavam homens e mulheres pelos quais
pudesse, de maneira segura, comunicar Sua
p...
CAPÍTULO 2
DEUS FALA
PELOS PROFETAS
anúncios oficiais feitos por reis a seus súditos.
Alguns dos inspirados escritos profé...
CAPÍTULO 2
DEUS FALA
PELOS PROFETAS
Paulo utilizou diversos assistentes literários
com variados talentos de redação.10
Ped...
CAPÍTULO 2
DEUS FALA
PELOS PROFETAS
da a Escritura é inspirada por Deus”. II Tim.
3:16. A palavra grega usada por Paulo pa...
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  1. 1. Mensageira do Senhor O Ministério Profético de Ellen G. White “Cedo, em minha juventude, foi-me perguntado várias vezes: Você é uma profetisa? Tenho respondido sempre: Sou a mensageira do Senhor. ... Meu Salvador declarou-me ser eu Sua mensageira.” – Mensagens Escolhidas, livro 1, pág. 32. Herbert E. Douglass Tradução José Barbosa da Silva Casa Publicadora Brasileira Tatuí, São Paulo
  2. 2. Sumário Prefácio ix Agradecimentos xi Apresentação xiii O Sistema Divino de Comunicação 1 O Revelador e o Revelado 2 2 Deus Fala Pelos Profetas 8 3 Características dos Profetas 26 A Verdadeira Ellen White 4 A Pessoa e a sua Época 44 5 Mensageira, Esposa e Mãe 52 6 Saúde Física 62 7 Características Pessoais 68 8 Como Outros a Conheceram 80 9 Bom Humor, Bom Senso e Conselheira Prática 94 10 Pioneira Americana e Mulher Vitoriana 102 11 A Escritora Prolífica 108 12 A Oradora Solicitada 124 A Mensageira que Escuta 13 Transmitindo a Mensagem de Deus 134 14 Confirmando a Confiança 144 15 Instruções e Predições Oportunas 150 16 Percepção da Mensageira Sobre Si Mesma 170 II v I SEÇÃO CAPÍTULO SEÇÃO III SEÇÃO
  3. 3. vii Como Avaliar a Crítica 41 A Verdade Ainda Liberta 468 42 Crítica Sobre Relacionamentos Pessoais 478 43 Predições e Observações Científicas 486 44 A Porta Fechada – Estudo de um Caso 500 Relevância Permanente da Mensageira do Senhor 45 Preenche Ellen White as Condições? 514 46 Ela Ainda Fala 528 47 Mensageira e Mensagem Inseparáveis 534 Apêndice A Reuniões Campais no Início do Século Dezenove 542 Apêndice B Contexto da Troca de Correspondência Entre Tiago e Ellen White em 1874 543 Apêndice C Trechos do livro de Robert Louis Stevenson Across the Plains (1892) 544 Apêndice D Lista Parcial das Visões de Ellen G. White 546 Apêndice E Pressuposições Básicas Compartilhadas Pela Maioria dos Críticos da Questão da Porta Fechada 549 Apêndice F Condicionada Pelo Tempo ou Relacionada com o Tempo? 550 Apêndice G O Progresso de Ellen White na Compreensão das Próprias Visões 552 Apêndice H Ellen White Enriqueceu a Expressão “Porta Fechada” 554 Apêndice I Ellen White Liderou o Desenvolvimento de uma Mensagem Orientada Pela Bíblia 555 Apêndice J Resposta Quanto à Supressão da Expressão “Mundo Ímpio” 557 Apêndice K Por que Ellen White Parecia Alcançar Somente os Defensores da Porta Fechada 559 Apêndice L Principais Acusações Contra Ellen White Sobre a Questão da Porta Fechada e Refutações Através dos Anos 560 Apêndice M Carta de 13 de Julho de 1847 a José Bates 566 Apêndice N Última Vontade e Testamento de Ellen G. White 569 Apêndice O Comentários de Líderes Nacionais, no Início da Década de 1860, a Respeito da Crise Escravista 572 Apêndice P A Elipse da Verdade da Salvação 573 Bibliografia 576 Índice Geral 580 vi A Voz de um Movimento 17 Organização e Desenvolvimento Institucional 182 18 Crises Teológicas 194 19 Evangelismo Regional e Relações Raciais 210 20 Mordomia e Relações Governamentais 220 21 Dissidentes, Dentro e Fora 228 21a Personalidades do Mundo Adventista de Ellen G. White (Seção de Fotos) 239 Promotora de Conceitos Inspirados 22 O Tema Unificador 256 23 Esclarecimento Acerca das Principais Doutrinas 268 24 Princípios de Saúde/1: Surgimento de uma Mensagem de Saúde 278 25 Princípios de Saúde/2: Relação Entre Saúde e Missão Espiritual 288 26 Princípios de Saúde/3: Melhor Qualidade na Saúde Adventista 300 27 Princípios de Saúde/4: Princípios e Práticas 310 28 Princípios de Saúde/5: Um Século de Princípios de Saúde 320 29 Educação/1: Princípios e Filosofia 344 30 Educação/2: Estabelecendo Instituições Educacionais 354 31 Princípios Editoriais, Sociais e de Temperança 362 Como Escutar a Mensageira 32 Hermenêutica/1: Princípios Básicos 372 33 Hermenêutica/2: Regras Básicas de Interpretação – Internas 386 34 Hermenêutica/3: Regras Básicas de Interpretação – Externas 394 35 Hermenêutica/4: Os Escritores Bíblicos e Ellen White 408 36 Hermenêutica/5: Autoridade e Relação com a Bíblia 416 37 Hermenêutica/6: A Autoridade de Ellen White em sua Época 426 38 Hermenêutica/7: Congresso Bíblico em 1919 434 39 Como os Livros Foram Escritos 444 40 Como os Livros Foram Preparados 456 IVSEÇÃO CAPÍTULO VII SEÇÃO CAPÍTULO VIII SEÇÃO V SEÇÃO VI SEÇÃO
  4. 4. ix Prefácio E m meados da década de 1950, T. Housel Jemison, um dos diretores associados do Pa- trimônio Literário White, escreveu um livro intitulado A Prophet Among You. Essa abrangente obra sobre o dom de profecia focalizou especificamente a vida e o minis- tério de Ellen G. White e foi, durante muitos anos, utilizada nos colégios adventistas como livro didático sobre o dom de profecia. Em décadas recentes, porém, temos aprendido muita coisa a respeito de inspiração/revela- ção. Foi isso o que levou os Depositários do Patrimônio Literário White em 1989 a autorizar a produção de um novo livro. Entre os patrocinadores desse projeto, acham-se o Patrimônio Literário White, e também o Departamento de Educação e o Conselho de Educação Supe- rior da Associação Geral. Herbert E. Douglass foi a pessoa escolhida para escrever este livro. O Dr. Douglass, pro- fessor de Espírito de Profecia em seminários teológicos, também havia trabalhado como di- retor de colégio, redator associado da Adventist Review e editor de livros da Pacific Press. Ele começou a trabalhar no projeto imediatamente, fazendo uma pesquisa completa sobre o assunto. Embora as referências ao longo do livro reflitam a influência de uma plêiade de eruditos e de idéias, o fato de um autor ser citado a respeito de determinado assunto não deve ser en- tendido como endosso a ele nem a todas as idéias e posturas por ele defendidas. Cremos que este livro apresenta o ministério profético de Ellen G. White de um modo que o torna atrativo tanto para jovens como para idosos. Ao invés de abordar o assunto partindo do abstrato para o pessoal, ele o faz do pessoal para o abstrato. Em resultado, os leitores vão conhe- cer o dom de profecia à medida que obtiverem informações pessoais sobre a Sra. White. Além disso, eles serão dirigidos para mais perto do Deus pessoal a quem ela servia; admirarão a ma- neira sábia e cuidadosa como Ele transmitia Suas mensagens a Sua mensageira; e ficarão sur- presos ao observarem o modo como Ele a guiou através dos campos minados da teologia, da medicina e da sociologia de sua época. Os leitores encontrarão no fim de cada capítulo uma série de perguntas que os levará a um estudo mais avançado e profundo do assunto abrangido pelo capítulo. As perguntas podem funcionar como uma recapitulação do capítulo e podem ser um estímulo à pesquisa, aumen- tando a compreensão dos leitores sobre o tema apresentado. Cremos que todos quantos lerem este livro compreenderão melhor a maneira como Deus atua por meio de Seus profetas, e ficarão profundamente convictos de que Ellen White rece- beu o chamado divino para o ofício profético. Enfrentarão o futuro com confiança renovada e fé robustecida, exclamando juntamente com a mensageira de Deus: “Nada temos que re- cear quanto ao futuro, a menos que esqueçamos a maneira em que o Senhor nos tem guiado, e os ensinos que nos ministrou no passado.” – Life Sketches, pág. 196 (ver Mensagens Escolhi- das, livro 3, pág. 162). Depositários do Patrimônio Literário White Silver Spring, Maryland M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White
  5. 5. xi O s livros não surgem do nada. Uma vida toda de influências se derra- ma na mente do escritor, e todas aquelas pessoas, livros e professo- res do seu passado superlotam o ônibus cere- bral que o autor dirige na elaboração do seu manuscrito. Embora o escritor reconheça plenamente que foram outros que encheram para ele este imenso reservatório, ser-lhe-ia impossível agradecer a todas essas contribui- ções, pois elas se transformaram em pensa- mentos sem rosto. Contudo, na tarefa específica de atender à solicitação do Conselho de Educação Supe- rior da igreja e do Patrimônio Literário White, o autor deseja reconhecer o mérito daqueles que tornaram possível a produção de um livro um tanto técnico como este. Sem a enorme visão e a habilidade edito- rial de Kenneth H. Wood, este livro não te- ria sido idealizado nem completado em seu estado atual. Seu estímulo empático e suas percepções durante os mais de três anos de pesquisa e redação do material estabelece- ram as condições de raciocínio em áreas que muitos consideram nebulosas. Os dois diretores do Patrimônio Literário White – Paul Gordon e Juan Carlos Viera – em cuja administração fui incumbido de es- crever este livro e durante a qual o concluí deram-me não somente estímulo, mas tam- bém excelentes sugestões em pontos decisi- vos. A incansável e eficiente diretora associa- da, Norma Collins, inseriu pacientemente na cópia final em computador as muitas suges- tões e os comentários do autor, freqüente- mente revisados. O Patrimônio Literário White tem a sor- te de poder contar com dois experientes eru- ditos em suas especialidades particulares – Jim Nix em história e doutrinas adventistas, e Tim Poirier, arquivista e técnico perito dos materiais de Ellen White. Conquanto eles não sejam responsáveis pelos erros ou omis- M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White sões presentes no texto, muito contribuíram para o nível de exatidão deste livro. Além destes dois eruditos, sinto-me em grande dé- bito para com os Drs. Robert Olson e Roger Coon, que, em anos anteriores, fizeram meti- culosa pesquisa sobre muitos dos temas trata- dos neste livro. Entre muitos outros que prestaram ajuda e forneceram sugestões oportunas, encontram- se meu irmão Melvyn, que atuou como meu “navegador” no misterioso mundo da Inter- net, localizando em muitas ocasiões, quase que instantaneamente, informações as mais vagas; os Drs. John Scharffenberg e Gary Fraser, que leram pacientemente os capítulos sobre saúde e fizeram contribuições; o Dr. Ri- chard Schwarz, que usou seu micrômetro his- toriográfico na revisão das últimas páginas; e Francis Wernick, Neal Wilson e Rowena Rick, membros da Comissão de Depositários do Patrimônio Literário White, que leram e criticaram o original. Desejo também expressar apreço especial a eruditos e especialistas capazes como P. Ge- rard Damsteegt, Frizt Guy, Bert Haloviak, Roland Hegstad, Robert Johnston, Mervyn Maxwell e Alden Thompson, os quais parti- lharam suas valiosas idéias sobre certos pon- tos do texto. Nenhum escritor pode ir muito longe sem uma editora que o compreenda e o estimule. Robert Kyte e Russell Holt deram os reto- ques necessários nos momentos exatos, o que conservou a janela para o futuro sempre aberta e cheia de luz. Eles estavam resolvidos a fazer do produto de suas mãos algo digno do assunto deste livro. E a tudo isso acrescento a contribuição de minha compreensiva esposa, querida Norma, que durante três anos e meio continuamente reajustou prioridades ao captar as dimensões desta tarefa. A Deus seja a glória! Herbert E. Douglass Agradecimentos
  6. 6. xiii E ste livro foi escrito com dois propósi- tos em mente: (1) fornecer aos ad- ventistas do sétimo dia uma nova perspectiva da vida e do testemunho de Ellen White e (2) fornecer para colégios e universidades material de pesquisa sobre o dom de profecia, especialmente conforme manifesto na vida e ministério desta inspira- da mensageira de Deus. Algumas pessoas, a quem falta clara com- preensão da maneira como funciona a reve- lação/inspiração, deixaram que “problemas” e críticas enfraquecessem ou destruíssem sua confiança nos setenta anos do ministério singular da Sra. White. Apesar disso, mi- lhões de pessoas ao redor do mundo conside- ram Ellen White uma líder religiosa inspira- da que marcou época. Essas pessoas percebe- ram que o amor que sentiam por Jesus se aprofundou à medida que a escritora lhes di- rigiu a mente para a Bíblia, sua principal fonte de esclarecimento e alegria. Descobri- ram que os escritos dessa mulher fornecem idéias claras, bastante nítidas e precisas, so- bre o viver saudável e disciplinado. Mais im- portante ainda, descobriram nos escritos de- la concepções coerentes com a história bí- blica da salvação. Deste modo, além dos dois propósitos mencionados acima, este livro foi escrito pa- ra, pelo menos, duas classes de pessoas: (1) as que são imensamente gratas pela produção li- terária de Ellen White e desejam saber mais sobre ela, e (2) as que possuem problemas não resolvidos relativos a determinados as- M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White pectos de seu longo ministério. Este livro apresenta abundantes razões que confirmam sua alegação de ser mensageira de Deus; for- nece ampla evidência capaz de satisfazer a mente mais perspicaz. Convicção, Autoridade e Confiança A preocupação do autor é com a maneira pe- la qual jovens e idosos adquirem convicção. Existe acaso alguma “autoridade”, em algum lugar, capaz de falar com tal clareza que satis- faça tanto à mente como ao coração? Os adventistas do sétimo dia respondem: “Sim! Há uma Autoridade.” Apontamos pa- ra Aquele que nos fez, a quem chamamos Deus – o Deus que Se comunica. Além dis- so, Ele nos fez com a capacidade de respon- der-Lhe. Que pensamento maravilhoso! Fo- mos feitos para escutar a nosso amigável Criador! E quando escutamos, ouvimos a verdade sobre quem somos, por que existi- mos e que espécie de futuro eterno Ele pla- nejou para nós – se tão-somente continuar- mos a ouvi-Lo. De que maneira Deus “fala” aos seres hu- manos? “Muitas vezes e de muitas maneiras”, escreveu Paulo em Hebreus 1:1. Por exemplo: • Por meio das obras criadas, que chama- mos “natureza”. • Por meio do Espírito Santo, que faz con- tato com a consciência de cada pessoa. • Por meio de Jesus Cristo, que era o pró- prio Deus. Mas Deus foi além. Ele sabia que milhares de anos antes de Jesus vir como ser humano, homens e mulheres precisavam ouvir a Sua Apresentação
  7. 7. xiv xv versão da história do grande conflito entre o bem e o mal. Sistema Divino de Comunicação Limitado por Sua natureza humana, Jesus não podia estar em toda a parte ao mesmo tempo. Foi assim que, para poder comunicar Sua mensagem, Deus acrescentou ao Seu sistema próprio de comunicação um plano de inter- mediação humana: Ele falou “muitas vezes e de muitas maneiras... por meio dos profetas”. Heb. 1:1-3. Este sistema de comunicação “por meio de profetas” era bem conhecido durante os tem- pos bíblicos. O povo de Deus aprendeu por experiência própria que estava na sua melhor forma quando davam ouvidos aos profetas: “Crede no Senhor, vosso Deus, e estareis se- guros; crede nos Seus profetas e prospera- reis.” II Crôn. 20:20. Além disso, eles sabiam por experiência própria que Deus não lhes permitiria penetrar cegamente pelo futuro. “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os profetas.” Amós 3:7. A comunicação divina por meio dos profe- tas não ficou limitada aos tempos do Antigo Testamento. Durante Suas últimas horas na Terra, nosso Senhor prometeu que esta linha de comunicação entre o Céu e a Terra seria mantida sempre aberta – por meio do Espíri- to Santo, o Espírito da verdade, Seu represen- tante pessoal. Hoje, assim como nos tempos do Antigo Testamento, o Espírito Santo con- tinua a falar, não apenas à consciência de ca- da pessoa, mas por meio dos profetas: “Eu ro- garei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco o Espírito da verdade.” João 14:16 e 17. “E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas.” Efés. 4:11; ver I Cor. 12:28. O Espírito da verdade é também o Espíri- to de profecia! Isto significa que esses ho- mens e mulheres especialmente escolhidos “falaram da parte de Deus, movidos pelo Es- pírito Santo”. II Ped. 1:21. A igreja foi avisa- da de que este sistema de comunicação da verdade funcionaria até a volta de Jesus. conflito a respeito da verdade, isto é, quem está correto sobre a maneira como dirigir o Universo: Deus ou Satanás? A posição de Deus é que a verdade não precisa de defesa. Ela precisa apenas ser vista e demonstrada. Satanás, que é “mentiroso e pai da mentira” (João 8:44), consegue o que quer por meio de engano. Questionador esperto e insinuador astuto, Satanás pede com instância que o “coração” egocêntrico seja o árbitro final da “verdade”. Uma de suas ferramentas mais eficazes é susci- tar dúvida, provocando hesitação e adiamento do compromisso espiritual. Por esta razão, per- verter a verdade seja da maneira que for, lan- çar sombras injustificadas sobre o que talvez não esteja inteiramente claro, é um ato imoral. É parte de uma conspiração cósmica para obs- curecer a verdade e frustrar os planos divinos. Ellen White não podia ser mais clara do que quando pede encarecidamente para sermos francos e afastar o temor ao separar fatos de opiniões. Ela sabia que a fé está em perigo toda vez que impomos limites à pesquisa por temor de que novas descobertas possam desestabilizar a fé. Muitas vezes, porém, ela torna evidente que nossa fé também corre riscos quando per- mitimos que a razão ou os sentimentos huma- nos estabeleçam os limites da fé. Para ela, a verdade deve ser honrada, custe o que custar. Como o Livro Está Organizado Este livro se divide em oito seções: I. O Sistema Divino de Comunicação (capítulos 1 a 3). II. A Verdadeira Ellen White (capítulos 4 a 12). III. A Mensageira que Escuta (capítulos 13 a 16) IV. A Voz de um Movimento (capítulos 17 a 21) V. Promotora de Conceitos Inspirados (capítulos 22 a 31) VI. Como Escutar a Mensageira (capítu- los 32 a 40) VII. Como Avaliar a Crítica (capítulos 41 a 44) VIII. Relevância Permanente da Mensa- geira do Senhor (capítulos 45 a 47) Os capítulos 1 a 3 fazem uma breve análi- se do ensino bíblico relativo à maneira como Deus tem revelado a homens e mulheres as M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White Esta visão bíblica geral ensina que nun- ca foi desejo de Deus que homens e mu- lheres ficassem na incerteza quanto ao propósito da vida. Especialmente durante o estresse sem paralelo dos últimos dias, Ele nos deu a certeza de que podíamos co- nhecer a verdade a respeito do futuro. Sempre que homens e mulheres ouvem cuidadosamente os profetas de Deus, eles “reconhecem” que estão ouvindo a “ver- dade”. A verdade carrega consigo sua pró- pria autoridade porque apela e satisfaz nossa busca de convicção objetiva e subje- tiva – o vínculo entre a mente e o cora- ção. Este livro ajudará a responder as se- guintes perguntas: Preencheu Ellen White as qualificações bíblicas de um profeta? Sob que base pode alguém considerá-la uma autoridade em seu papel como men- sageira de Deus? Ao recapitular seu ativo ministério de setenta anos, que diferença fez seu conselho na determinação do rumo e desenvolvimento da igreja? Qual o efei- to de seus conselhos pessoais? Manifestou ela as características de coerência e de confiabilidade e, por conseguinte, a prova da autoridade? Levaremos em conta “o peso da evidên- cia”. Seu longo ministério e os frutos do seu trabalho são um livro aberto. Não é necessá- ria nenhuma “evidência” ou “argumento” ar- tificial para confirmar sua pretensão de ser a mensageira de Deus. O próprio princípio permanente empre- gado por Ellen White governará a viagem que faremos juntos: “Os assuntos que apre- sentamos ao mundo devem ser para nós uma realidade viva. É importante que, ao defen- der as doutrinas que consideramos artigos fundamentais da fé, nunca nos permitamos o emprego de argumentos que não sejam in- teiramente retos. Eles podem fazer calar um adversário, mas não honram a verdade. De- vemos apresentar argumentos legítimos, que não somente façam silenciar os oponentes, mas que suportem a mais profunda e pers- crutadora investigação.” – Obreiros Evangéli- cos, pág. 299. No coração do grande conflito entre Deus e Satanás, entre o bem e o mal, acha-se o “boas novas” (o evangelho) da salvação. As “boas-novas” são a verdade sobre Deus e Seu modo de dirigir o Universo – um quadro em nítido contraste com as mentiras e calúnias de Satanás. Deus Se revela por meio de Jesus Cristo, o Revelador. O Espírito Santo trans- mite, por intermédio do “dom de profecia”, a verdade tal qual revelada em Jesus. Os capítulos 4 a 12 focalizam primeira- mente a infância e adolescência de Ellen Harmon. Depois, seu papel como a Sra. Ellen G. White – esposa, mãe, vizinha, ganhadora de almas e personalidade pública – exami- nando sua vida a partir de seus escritos, bem como a partir do ponto de vista daqueles que melhor a conheceram. Pelo fato de o pensa- mento e o temperamento de uma pessoa se- rem grandemente determinados pelas in- fluências sociais, econômicas e filosóficas do seu tempo, chamaremos brevemente a aten- ção para as circunstâncias predominantes no Nordeste dos Estados Unidos, e para os fato- res nacionais posteriores que provavelmente mais influíram sobre ela enquanto ela amadu- recia cumprindo a missão divina. Estudare- mos sua fascinante mistura de mulher vitoria- na e vigorosa pioneira norte-americana. Os capítulos 13 a 16 investigam a manei- ra como o dom profético atuava no ministé- rio de Ellen White. O pano de fundo históri- co das décadas de 1840 e 1850 nos ajudarão a compreender o clima desfavorável que existia para todo aquele que alegasse ter vi- sões. Apesar disso, o fenômeno visionário de Ellen White proveu clareza e segurança àqueles que desejavam uma explicação bíbli- ca para a experiência de 1844. Estudaremos Ellen White como escritora e oradora: • chamando a atenção para a evolução de seu estilo e conteúdo enquanto reagia às cir- cunstâncias em transição e a uma iluminação intensificada durante seus setenta anos de ministério; • reconstituindo a maneira como, à seme- lhança de qualquer outro escritor, ela empre- gou material de pesquisa para ampliar e tor- nar mais específica a mensagem central que recebeu a missão de apresentar; • chamando a atenção para a impressio- nante receptividade que os não adventistas davam a suas palavras faladas e escritas; APRESENTAÇÃO
  8. 8. xvi xvii • analisando a capacidade incomum que ela possuía de falar em meio a circunstâncias físicas que afligiriam as pessoas de seu tempo, ou mesmo alguém da atualidade. Os capítulos 17 a 21 exploram o extraordi- nário relacionamento entre Ellen White e a igreja com a qual ela esteve tão intimamente ligada durante setenta anos. Nenhuma outra pessoa afetou de maneira tão direta o cresci- mento e a formação da Igreja Adventista do Sétimo Dia, tanto teológica quanto institucio- nalmente. Ela teve muito que ver com o pla- nejamento estratégico da denominação. Da Austrália até a Europa e através de toda a América do Norte se buscava seu conselho a respeito do estabelecimento de escolas, insti- tuições de saúde e casas editoras. Seus escritos tornaram-se faróis de luz a serem avidamente estudados pelas gerações posteriores. Os capítulos 22 a 31 examinam o papel de Ellen White como educadora conceitual. Ela possuía a capacidade singular de sinteti- zar a clara mensagem profética com a expe- riência humana e as idéias de outros. A par- tir desta síntese desenvolveu, de maneira fir- me e uniforme, um corpo de pensamento distintamente integrado e coerente, com fundamento bíblico firme e sólido. Esta inte- gração unificou sua vasta contribuição aos princípios práticos da educação, evangelis- mo, organização e saúde, pelos quais os ad- ventistas do sétimo dia se tornaram ampla- mente conhecidos. O Tema do Grande Conflito Analisaremos a maneira como usou ela deter- minados princípios de pesquisa à medida que processava e transmitia a verdade. Instrutiva é sua introdução ao Grande Conflito: “Os grandes acontecimentos que assinalaram o progresso da Reforma nas épocas passadas constituem assunto da História bastante co- nhecidos e universalmente reconhecidos pe- lo mundo protestante; são fatos que ninguém pode negar. Esta história apresentei-a de ma- neira breve, de acordo com o objetivo deste livro e com a brevidade que necessariamente deveria ser observada, havendo os fatos sido condensados no menor espaço compatível com sua devida compreensão. “Em alguns casos em que algum historia- pode ser diferente ao seguirmos esta regra da hermenêutica. Para entendermos Ellen White é funda- mental nossa necessidade maior de com- preender como Deus comunica Suas men- sagens a Seu povo por meio de Seus men- sageiros. Em anos passados, os adeptos da inspiração verbal ficaram grandemente perturbados com o que parecia serem “er- ros” e “contradições” bíblicas. Esta mesma confusão entre a inspiração mecânica ou na forma de ditado (cada palavra seria uma transcrição exata do que Deus falou ao profeta) e a inspiração do pensamento (Deus inspirou os profetas, não suas pala- vras) tem perturbado muitas pessoas que lêem os escritos de Ellen White. Mostrare- mos como esta compreensão incorreta do processo de revelação/inspiração levantou dúvidas e críticas injustificadas contra Ellen White. Uma questão igualmente importante é a relação existente entre os escritos de Ellen White e a Bíblia. Procuraremos entender ex- pressões como “níveis de inspiração”, “reve- lação progressiva”, “autoridade canônica” e “luz menor, luz maior”. Nos capítulos 39 e 40, examinaremos co- mo Ellen White escrevia seus livros. Obser- varemos como se relacionava com suas assis- tentes de redação e o papel que estas desem- penharam na produção dos livros Caminho a Cristo, O Desejado de Todas as Nações e O Grande Conflito. Nos capítulos 41 a 43, faremos uma ava- liação das críticas em relação a Ellen White. Os profetas inevitavelmente serão criticados por seus contemporâneos, principalmente porque se encontram muito à frente na compreensão do conflito de Deus contra o mal. Nenhum profeta bíblico desfrutou de condições favoráveis ao cumprir a tarefa que lhe fora confiada. Este fato lastimável nos leva a refletir que uma geração mata seus profetas apenas para que a próxima construa monumentos em honra deles. Algumas críticas têm sua origem na rea- ção constante daqueles que se opõem à ver- dade porque esta contraria inclinações pes- soais ou orgulho de opinião. Encontramos M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White APRESENTAÇÃO dor agrupou os fatos de tal modo a proporcio- nar, em síntese, uma visão compreensiva do assunto, ou resumiu convenientemente os pormenores, suas palavras foram citadas tex- tualmente; nalguns outros casos, porém, não se nomeou o autor, visto como as transcri- ções não são feitas com o propósito de citar aquele escritor como autoridade, mas porque sua declaração provê uma apresentação do assunto, pronta e positiva. Narrando a expe- riência e perspectivas dos que levam avante a obra da Reforma em nosso próprio tempo, fez-se uso semelhante de suas obras publica- das.” – O Grande Conflito, pág. 7. O princípio organizacional que, à seme- lhança de um ímã, reuniu este material é, em sua síntese, o Tema do Grande Conflito. Pe- lo fato de ver a Bíblia como um todo e a re- lação de suas partes, Ellen White esclareceu as questões básicas relativas ao caráter de Deus, a natureza do homem, o surgimento do pecado e a maneira como Deus planeja final- mente tratar com este planeta rebelde. A compreensão do Tema do Grande Con- flito por parte de Ellen White forneceu ex- traordinária estabilidade e harmonia à Igreja Adventista à medida que esta desenvolvia sua teologia e estrutura denominacional. Es- sa compreensão tornou-se o centro concei- tual que lhe permitiu proporcionar conforto pessoal e correção teológica em situações em que outras organizações religiosas geralmen- te se fragmentam. Na seção 6, “Como Escutar a Mensagei- ra”, os capítulos 32 a 38 enfatizam a maneira como homens e mulheres devem “ouvir” a mensagem de Ellen G. White. Qualquer es- tudo de documentos escritos, sejam eles so- netos shakespeareanos sejam trechos das Sa- gradas Escrituras, envolve “hermenêutica”, isto é, o emprego de princípios de interpreta- ção que ajudam o leitor a entender o autor. Examinaremos regras de interpretação que nos ajudarão a determinar o que Ellen White queria dizer para aqueles que a ouviam e o que esses mesmos escritos significam em tempos modernos. Uma das regras, por exemplo, é levar em conta o tempo, o lugar e as circunstâncias ao fazermos uma aplica- ção atual de seu conselho. Os princípios são permanentes, mas a aplicação do princípio exemplos dessa rejeição nas críticas feitas a Jesus, Jeremias, Paulo e Ellen White. Esses capítulos não procuram contestar toda acusação ou crítica dirigida contra Ellen White, mas chamar a atenção para as formas mais comuns. Depois de avaliar tais críticas, o leitor será capaz de estabelecer a diferença entre a humanidade do vaso terreno e a au- toridade da mensagem transportada por esse vaso. (Ver II Cor. 4:7.) O capítulo 44 é um estudo da questão da “porta fechada”, que foi, por mais de um sé- culo, grande fonte de controvérsia. Como Ellen Preenche as Condições Na última seção, “Relevância Permanente da Mensageira”, perguntamos: Preenche Ellen White as condições de uma mensageira de Deus nos tempos modernos? Seu ministério de setenta anos estabelece suas credenciais como mensageira divina? Consideraremos a maneira como realizou seu trabalho, tan- to em público como em particular, e reca- pitularemos a relação, por assim dizer, inse- parável que havia entre o seu ministério e o desenvolvimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Os adventistas do sétimo dia geralmente têm crido que Ellen G. White foi a mensa- geira de Deus. Por que os adventistas de sua época chegaram a tal conclusão, e por que, desde sua morte, os adventistas continuam chegando a esta mesma conclusão? Nas páginas de encerramento deste livro, perguntamos: Até que ponto Ellen White é re- levante para os dias atuais? Ela morreu em 1915. Será que ela é capaz de falar de modo significativo a um povoado global transistori- zado, onde a informação via Internet entre os computadores por todo o planeta é instantâ- nea, onde a ciência parece ter sempre, “no mo- mento exato”, mais uma solução para as neces- sidades do mundo? Embora as circunstâncias tenham mudado drasticamente, e o mundo só- cio-político seja extremamente diferente, per- ceberemos que os escritos de Ellen White fa- lam de maneira incisiva aos nossos dias, sendo neste tempo do fim cada vez mais relevantes. O Autor
  9. 9. IO Sistema Divino de Comunicação 1 O Revelador e o Revelado 2 Deus Fala Pelos Profetas 3 Características dos Profetas CAPÍTULO SEÇÃO
  10. 10. terminados homens e mulheres que logo co- municam a outros a verdade sobre Jesus. Eis a descrição da função do Espírito: “Falar a res- peito de” Jesus por meio de pessoas dotadas com o dom de profecia. Conhecer Jesus e aquilo que Ele nos pode dizer sobre Deus é a informação mais importante de que a família humana necessita, pois “conhecer [Jesus] é vida eterna”. João 17:3. No livro de Apocalipse, o profeta João escreveu sobre a maneira como este dom atuava em sua própria vida: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mos- trar... ao Seu servo João, o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo.” Apoc. 1:1 e 2. Vemos aqui o sistema divino de comunica- ção em funcionamento. O Revelador atuan- do por intermédio do Espírito para revelar a verdade sobre Deus por meio do Seu profeta. No capítulo 19, o anjo que visitava João lhe fez lembrar que o “testemunho de Jesus é o Espírito de Profecia”. Verso 10. A finalidade do dom de profecia é contar a história de Jesus. O Agente motivador que inspira o profeta humano a contar a verdade sobre Jesus é o Espírito Santo. No fraseado curto e simplificado da Bíblia, o Espírito de Profecia é “o testemunho de Jesus”. Pedro compreendia este sistema divino de comunicação: “Vocês O amam, mesmo sem O terem visto, e crêem nEle, mesmo que não O estejam vendo agora. Assim vocês se ale- gram com uma alegria tão grande e gloriosa, que as palavras não podem descrever. Vocês têm essa alegria porque estão recebendo a sua salvação, que é o resultado da fé que pos- suem. Foi a respeito dessa salvação que os profetas perguntaram e procuraram saber com muito cuidado. Eles profetizaram a res- peito da salvação que Deus ia dar a vocês e procuraram saber em que tempo e como essa salvação ia acontecer. O Espírito de Cristo, que estava neles, indicava esse tempo, ao pre- dizer os sofrimentos que Cristo teria de supor- tar e a glória que viria depois. Quando os pro- fetas falaram a respeito das verdades que vo- cês têm ouvido agora, Deus revelou a eles que o trabalho que faziam não era para o benefí- cio deles, mas para o bem de vocês. Os men- sageiros do evangelho, que falaram pelo po- der do Espírito Santo mandado do Céu, anunciaram a vocês essas verdades. Essas são coisas que até os anjos gostariam de enten- der.” I Ped. 1:8-12. Os profetas verdadeiros não são motivados por recompensa ou capricho pessoal, mas pe- la influência direta do Espírito de Cristo, o “Espírito Santo mandado do Céu”. Num sen- tido, o “Espírito de Profecia” é o Espírito de Cristo atuando por Seu Divino Auxiliador, o Espírito Santo, dado a conhecer a homens e mulheres por meio do profeta humano. Nou- tro sentido, o “Espírito de Profecia” é tam- bém o testemunho sobre Jesus, o alvo princi- pal do dom de profecia. Desde que Jesus voltou para o Céu, esta re- gra simples e de duplo aspecto tem constituí- do uma das maneiras mais claras e seguras de provar a autenticidade de alguém que alega ser “profeta”: Ele ou ela diz a verdade sobre Jesus? No espírito de Jesus? Por que o simples nome de Jesus tem, atra- vés dos anos, suavizado a voz e tranqüilizado o coração de pessoas em todos os continentes? Porque homens e mulheres lembram do ânimo que recobraram, da esperança que sentiram re- nascer dentro de si e da explosão de força que receberam para tornar a enfrentar os desafios da vida ao vir-lhes à memória o fato de que são importantes para Jesus, o mesmo Jesus que dis- se pelo Espírito de Profecia: “Não temas, por- que Eu sou contigo.” Isa. 41:10. “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandona- rei.” Heb. 13:5. Essas pessoas aprenderam por experiência própria o que Jesus queria dizer quando afirmou: “Não vos deixarei órfãos, vol- tarei para vós outros.” João 14:18. Dizendo a Verdade Sobre Deus Por que confiar tanto em um Homem chama- do Jesus, que viveu apenas trinta e três anos na antiga Palestina? Porque homens e mulhe- res chegaram a conhecê-Lo como o Criador que Se fez homem. Por quê? Porque Ele era o único ser no Universo que poderia, convin- centemente, dizer a verdade sobre Deus – Aquele que fora descrito de maneira tão des- virtuada pelo grande rebelde e por muitos dos 3 M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White O evangelho não é algo sobre Jesus; o evangelho é Jesus e o que Ele ensi- nou. Embora os ensinamentos sobre Jesus forneçam a estrutura para a procla- mação das “boas novas”, o próprio Jesus é as “boas novas”. Jesus e Seus ensinos não são o prelúdio do evangelho; eles são o evangelho!1 As “boas novas” são que, na mente mara- vilhosa de Deus, uma das pessoas da Divinda- de decidiu vir a este planeta rebelde, de bra- ços abertos, convidando homens e mulheres de todos os lugares para retornarem à família de Deus. As “boas novas” são que o Deus- que-Se-fez-homem “deu-Se” para sempre à família humana. E para quê? Para mostrar- nos como é Deus! (João 14:7.) Conforme veremos, chamamos o Revela- dor de “Jesus”; chamamos o Revelado de “Deus”; e a Pessoa pela qual a Divindade acha conveniente “revelar” o Revelador à humanidade é o Espírito Santo. Jesus tornou isto bem evidente poucas ho- ras antes do Getsêmani: “Eu pedirei ao Pai, e Ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre.” João 14:16. “É o Espírito Santo, o Espírito que conduz a toda a verdade [acerca de Deus].” João 14:17. Mais adiante: “Mas o Au- xiliador, o Espírito Santo, que o Pai vai en- viar em Meu nome, ensinará a vocês todas as coisas e fará com que lembrem de tudo o que Eu disse a vocês.” João 14:26. E para certificar-Se de que o assunto es- tava bem claro, afirmou: “Quando chegar o Auxiliador, o Espírito da verdade, que vem do Pai, Ele falará a respeito de Mim.” João 15:26. Jesus disse ainda: “Porém, quando o Espíri- to da verdade vier, Ele ensinará toda a verda- de [acerca de Deus] a vocês. O Espírito não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que ou- viu e anunciará a vocês as coisas que estão para acontecer. Ele vai ficar sabendo o que tenho para dizer, e dirá a vocês, e assim Ele trará glória para Mim. Tudo o que o Pai tem é Meu. Por isso Eu disse que o Espírito vai fi- car sabendo o que Eu Lhe disser e vai anun- ciar a vocês.” João 16:13-15. O Espírito Santo é o representante de nosso Senhor. O Espírito dirá e fará exata- mente o que Jesus diria e faria se estivesse hoje na Terra! Como tudo isso funciona? O Espírito San- to atribui a cada cristão algum dom especial: “Existem tipos diferentes de dons espirituais, mas é um só e o mesmo Espírito quem dá es- ses dons. ... Para o bem de todos, Deus dá a cada um alguma prova da presença do Espíri- to Santo.” I Cor. 12:4 e 7. O Dom de Profecia Um desses dons especiais é o dom de “profe- cia”. (I Cor. 12:10; Efés. 4:11.) Por meio do dom de profecia, o Espírito Santo liga-Se a de- 2 CAPÍTULO 1 SEÇÃO I O Sistema Divino de Comunicação O Revelador e o Revelado “Quando chegar o Auxiliador, o Espírito da verdade, que vem do Pai, Ele falará a respeito de Mim. E sou Eu quem enviará esse Auxiliador a vocês da parte do Pai.” João 15:26.
  11. 11. CAPÍTULO 1 O REVELADOR E O REVELADO Muitíssimas vezes, após contemplar a con- descendência de Cristo na condição de Ho- mem perseguido e finalmente crucificado, os crentes pensam que o “dom” com que Deus presenteou a Terra cessou na cruz. Mas Deus não deu “Seu único Filho” (João 3:16) numa espécie de empréstimo ou arrendamento tem- porário. O Criador das centenas de bilhões de galáxias, Aquele que andou por entre as estre- las e fez os universos gravitarem em órbitas, aprisionou-Se dentro de Sua própria criação, não apenas por nove meses, não apenas por trinta e três anos, mas para sempre! Essa espécie de amor desperta amor. E apreciação sincera. E compromisso profundo, acima dos apelos mais sedutores deste mun- do, para com Aquele que muito nos amou. Antes de poder dizer a verdade sobre Deus, conforme revelada por Jesus, o profeta deve conhecer Jesus pessoalmente. Discutir teologia é coisa fácil; a experiência pessoal, porém, exige um preço. A Dedicação de Ellen G. White a Jesus Ellen White correspondeu a este amor de to- do o seu coração e fez dele o tema principal de seus escritos. Não importa o lugar onde abramos os volumosos livros que ela escreveu ou as cartas que endereçou a familiares, ami- gos e cooperadores, sempre encontramos evi- dências da profunda afeição que ela dedicava ao Salvador. Muitos que entraram em conta- to pela primeira vez com os adventistas do sé- timo dia por meio dos escritos de Ellen White ficaram admirados pela intuição e profunda apreciação manifestadas pela escritora ao tra- tar das dimensões do “Dom” de Deus a este planeta rebelde. Suas percepções espirituais começaram ce- do. Logo nos primeiros anos de sua adoles- cência, profundamente afetada pela pregação de Guilherme Miller, ela almejou por uma experiência religiosa mais profunda: “Ao orar, o fardo e a agonia de alma que por tan- to tempo eu havia experimentado deixaram- me, e as bênçãos de Deus vieram sobre mim como suave orvalho. Dei glória a Deus pelo que eu sentia, mas ansiava mais. Eu não esta- ria satisfeita até que estivesse repleta da ple- nitude de Deus. Inexprimível amor por Jesus encheu minha alma.”6 Ellen White era, acima de tudo, uma pes- soa espiritual, cheia de apreço por seu Salva- dor e Senhor. Este senso pessoal da presença divina a colocou em comunicação direta com Deus, permitindo que Ele lhe revelasse muito mais de Sua própria pessoa e dos Seus planos para este mundo. A experiência pessoal por que ela passou quando reagiu favoravelmente à simplicidade do evangelho precedeu a teo- logia. Jesus era o centro de interesse de todo o seu pensamento teológico. Eis um exemplo do tema que repassa toda a sua obra – a exaltação de Jesus: “Será pro- veitoso contemplar a condescendência, o sa- crifício, a abnegação, a humilhação, a resis- tência divinas que o Filho de Deus enfrentou ao realizar Sua obra em benefício do homem caído. Bem podemos sair da contemplação de Seus sofrimentos, exclamando: ‘Assom- brosa condescendência!’ Os anjos se maravi- lham a observarem com intenso interesse o Filho de Deus descendo passo a passo a sen- da da humilhação. Este é o mistério da pie- dade. É a glória de Deus ocultar a Sua Pessoa e os Seus caminhos, não para manter as pes- soas na ignorância da luz e conhecimento celestiais, mas porque isso está para além da capacidade do conhecimento humano. Uma compreensão parcial: isso é tudo o que o ser humano pode suportar. O amor de Cristo ‘excede todo o entendimento’. Filip. 4:7. O mistério da redenção continuará a ser o mis- tério, a ciência inesgotável e o incessante cântico da eternidade. A humanidade bem pode exclamar: ‘Quem pode conhecer a Deus?’ Talvez possamos, como Elias, cingir- nos com nosso manto e procurar ouvir a voz mansa e delicada de Deus.”7 Ellen White andou com Jesus na alegria e na tristeza. Escrevendo a seu filho William e à jovem noiva dele, Mary, falou sobre o com- panheirismo que desfrutara com o marido Tiago e da experiência que lhes era comum: “Estamos tentando seguir humildemente os passos de nosso amado Salvador. Precisamos a cada hora de Seu Espírito e de Sua graça, do contrário cometeremos graves erros e causa- remos dano.”8 Algumas semanas depois, durante uma viagem extremamente cansativa, do Texas para Kansas, numa carruagem coberta, ela tornou a escrever para Mary: “Estou exausta. Sinto-me como se tivesse 100 anos de idade. 5 M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White mais ilustres pensadores do mundo. Deus não era ríspido, arbitrário e implacável, como fo- ra retratado. Quando Ele pedia a homens e mulheres que O servissem com lealdade vo- luntária, dava a conhecer que Ele mesmo, por natureza, também era um ser abnegado. Mos- trava-lhes que amar significa fazer pelos ou- tros aquilo que eles não podem fazer por si mesmos ou que nem ao menos o merecem. Como essas coisas foram reveladas? Paulo contemplou a magnífica revelação de Cristo como um “esvaziamento” de Suas prerrogati- vas divinas ao entrar Ele para a família huma- na. (Filip. 2.) Não de maneira súbita como um príncipe valente empunhando a espada da justiça, mas, lentamente, a partir do ventre de uma mulher. Não para ser honrado como um convidado especial, mas para ser mal com- preendido e caluniado devido à Sua integrida- de e maneira inequívoca de encarar as coisas. Como é possível que a única esperança da Terra se tornasse o alvo dos maus-tratos humi- lhantes deste planeta? “Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam.” João 1:11. Os cris- tãos sentem-se não apenas horrorizados com es- sa monstruosa ingratidão, mas também movi- dos de estranho pesar e resolvem acolhê-Lo afe- tuosamente na própria vida. Os cristãos ficam admirados da condescendência do Deus-ho- mem, e esta admiração torna-se parte da razão diária para honrá-Lo em tudo quanto fazem. Tanto o Sacrifício Como o Sumo Sacerdote Ao olharem para Jesus, vêem nEle tanto o Sacrifício como o Sumo Sacerdote.2 Ao der- rotar no Calvário o “salário do pecado”, Jesus fez algo que mudou para sempre nossa relação com Deus: Ele morreu! Ele é a única Pessoa que já morreu no verdadeiro sentido da pala- vra! Todos os outros homens e mulheres que “morreram” se acham agora dormindo,3 com exceção daqueles poucos que ressurgiram ou foram trasladados e agora estão no Céu.4 So- mente Jesus provou da “morte”, para que to- dos quantos fazem dEle o Senhor de sua vida jamais “morram”. “Porque o salário do peca- do é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Rom. 6:23. E que dom! Por meio de Jesus, es- capamos daquilo que merecíamos! Mas isso não é tudo! Agora Ele está vivo e é nosso Sumo Sacerdote. O que significa isso? Que Ele Se encontra diante dos seres celes- tiais e dos mundos não caídos como um Ho- mem cuja alegre obediência provou que Deus não havia sido injusto em pedir obediência voluntária dos seres criados. Satanás estava errado! E eles vêem este heróico Vencedor, que passou pela inexprimível angústia de ser o “Deus-desamparado” do Calvário, provar que o próprio Deus realmente Se importava com Sua criação e que Ele era altruísta, a es- sência do verdadeiro amor. Todo o Universo (além dos confins da Terra) vêem Jesus no Lugar Santíssimo do santuário celestial como a resposta de Deus para as mentiras que Sata- nás inventou contra Ele. E nós, o que vemos quando pensamos em Jesus como nosso Sumo Sacerdote? Vemo- Lo como o Mediador entre Deus e a huma- nidade pecadora. Vemo-Lo como nosso Ad- vogado, que une justiça e misericórdia ao re- bater todas as acusações contra Deus e con- tra os crentes. (I João 2:1.) Ele é nosso Inter- cessor, o qual não só nos representa diante do Pai, senão que intervém entre nós e o mal. (Heb. 4:16.)5 O apóstolo Paulo expressa isso nos seguin- tes termos: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que pene- trou os Céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fra- quezas; antes, foi Ele tentado em todas as coi- sas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.” Heb. 4:14-16. Esta é a espécie de intercessão de que to- dos nós carecemos cada dia: a paz decorrente do perdão e o poder proveniente da graça in- tercessora. A presença poderosa de Cristo, por meio do Espírito Santo e dos anjos, esten- de-se a todos quantos com Ele estejam com- prometidos. Ele quebra o poder com que Sa- tanás mantinha as pessoas cativas. Comuni- ca-Se com seu sistema nervoso. Robustece a força de vontade do crente. E está sempre pronto para ajudar os seres humanos a resistir ao pecado, tanto o interno quanto o externo. Jesus literalmente compartilha conosco o sis- tema de defesa que usou para vencer a tenta- ção. (Apoc. 3:21.) 4 SEÇÃO I O Sistema Divino de Comunicação
  12. 12. CAPÍTULO 1 O REVELADOR E O REVELADO vina por parte dos corações abatidos e neces- sitados. Para aqueles que a ouvem, Ellen White tem a marca inconfundível do “Espíri- to de Profecia”: Ela dá testemunho de Jesus. 7 M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White ... Minha ambição acabou; minha força se esgotou, mas isso não vai perdurar. ... Tenho esperança que, mediante a luz animadora da face de meu Salvador, eu consiga recobrar as energias.”9 Enquanto aguardava o Natal de 1880, na época com 53 anos de idade, ela escreveu a uma amiga: “Passarei o Natal pedindo a Je- sus que seja o convidado de honra do meu coração. Sua presença dissipará todas as sombras.”10 Ellen White escreveu centenas de artigos para as revistas Review and Herald e Signs of the Times. Quase todo artigo continha alguma referência a seu Senhor, que Se tornara para ela não apenas a sua força, mas também a ale- gria de sua vida. Aos 69 anos de idade, ela es- creveu: “Gosto muito de falar sobre Jesus e Seu incomparável amor. ... Sei que Ele é ca- paz de salvar perfeitamente todos os que se chegam a Ele. Seu precioso amor é para mim uma realidade, e as dúvidas expressas por aqueles que não conhecem a Jesus, nenhuma influência exercem sobre mim. ... Crê você que Jesus é seu Salvador e que manifestou Seu amor por você ao dar Sua preciosa vida para salvá-lo? Aceite a Jesus como seu Salva- dor pessoal. Venha a Ele exatamente como está. Entregue-se a Ele. Apodere-se de Sua promessa com viva fé, e Ele lhe será tudo quanto você desejar.”11 Ellen White considerava Jesus seu Salva- dor e melhor Amigo.12 Contudo, mais do que isso, Ele era o seu Senhor. Disseram-lhe na Europa que as pessoas seriam mais receptivas à mensagem do advento “se falássemos mais sobre o amor de Jesus”. Chamaram a atenção para o “perigo de perder nossas congregações, caso insistíssemos nas questões mais severas do dever e da lei de Deus”. Tendo ouvido esse tipo de comentário an- tes, ela escreveu em suas notas de viagem: “Prevalece por toda parte uma experiência não genuína. Muitos dizem constantemente: ‘Tudo que precisamos fazer é crer em Cristo.’ Afirmam que fé é tudo de que necessitamos. Em seu sentido mais pleno, isto é verdade; mas eles não empregam a palavra no sentido mais pleno. Crer em Jesus é aceitá-Lo como nosso redentor e modelo. Se permanecemos nEle e Ele em nós, somos participantes de Sua natureza divina e praticantes de Sua Pa- lavra. O amor de Jesus no coração levará à obediência a todos os Seus mandamentos. Mas o amor que não vai além dos lábios é uma ilusão; não salvará nenhuma alma. Mui- tos professam grande amor por Jesus, ao passo que rejeitam as verdades da Bíblia. O apósto- lo João, porém, declara: ‘Aquele que diz: Eu O conheço, e não guarda os Seus mandamen- tos, é mentiroso, e nele não está a verdade.’ I João 2:4. Embora Jesus já tenha feito tudo no que diz respeito ao mérito, temos algo que fa- zer no que diz respeito ao cumprimento das condições.”13 O Tema do Grande Conflito O profundo discernimento manifesto por Ellen White em sua instrução teológica sobre o tema preponderante da Bíblia – o Tema do Grande Conflito14 – tornou clara a razão por que Jesus Se fez homem. Esta compreensão fundamental permeia todos os seus escritos. Por exemplo: “A fim de crescer na graça e no conhecimento de Cristo, é essencial que me- ditem muito nos grandes temas da redenção. Você deve perguntar-se por que Cristo assu- miu a natureza humana, por que sofreu sobre a cruz, por que levou os pecados dos homens, por que Se tornou pecado e justiça por nós. Deve estudar para saber por que Ele ascendeu ao Céu em natureza humana, e qual é Sua obra por nós hoje. ... Julgamos conhecer bem o caráter de Cristo, e não compreendemos claramente quanto se pode ganhar ao estu- darmos nosso esplêndido Modelo. Damos por certo que sabemos tudo sobre Ele, embora não compreendamos Seu caráter nem Sua missão.”15 “Escutar” Ellen White, página após pági- na, é como ouvir o “Messias” de Haendel. O “Espírito de Cristo” impregna seu ministério. Harmonia, clareza e coerência caracterizam a dedicação que ela consagra a seu melhor Amigo. Mais do que tudo isso, é provável que Ellen White ajude a satisfazer nosso anseio humano por graça. Em cartas pessoais, artigos de revista e apresentações diante de grandes auditórios, suas mensagens direcionadas para a graça aumentaram a aceitação da graça di- 6 SEÇÃO I O Sistema Divino de Comunicação 1. “O evangelho é glorioso porque é constituído da justiça de Cristo. O evangelho é Cristo revelado, e Cristo é o evangelho personificado. ... Não devemos exaltar o evangelho, mas a Cristo. Não devemos adorar o evangelho, mas o Senhor do evangelho.” – Manuscrito 44, 1898, citado em Seventh-day Adventist Bible Commentary (SDABC), vol. 7, pág. 907. 2. Atos dos Apóstolos, pág. 33. 3. A Bíblia fala da primeira morte como um “sono”. (Ver João 11:11-14; I Tess. 4:13-16; 5:10.) A segunda morte é reserva- da aos pecadores que rejeitam o convite do evangelho. (Ver Apoc. 20:6 e 14; 21:8.) 4. Enoque (Gên. 5:24), Elias (II Reis 2:11), Moisés (Jud. 9) e os que ressurgiram com Jesus (Mat. 7:52 e 53). 5. “Todo aquele que se libertar do cativeiro e do serviço de Sata- nás e se colocar sob a bandeira ensangüentada do Príncipe Emanuel, será guardado pela intercessão de Cristo. Na quali- dade de nosso Mediador, à destra do Pai, Cristo sempre nos conserva debaixo de Suas vistas, pois é tão necessário que Ele interceda por nós quanto o foi que nos redimisse pelo Seu san- gue. Se Ele nos deixa escapar por um só momento a Seu con- trole, Satanás está pronto para destruir. Aqueles a quem Cris- to comprou por Seu sangue, a estes protege Ele agora por Sua intercessão.” – Manuscrito 73, 1893, em SDABC, vol. 6, comen- tários sobre Romanos 8:34, pág. 1.078; também Manuscript Re- leases (MR), vol. 15, pág. 104. 6. Primeiros Escritos, pág. 12. 7. Bible Echo, 30 de abril de 1894. 8. Carta 18, 1879, citada em Arthur White, Ellen G. White Bio- graphy, vol. 3, (Washington, D.C.: Review and Herald Pu- blishing Association, 1984), pág. 105. Daqui em diante as re- ferências à biografia em seis volumes de Ellen White feita por Arthur White serão indicadas apenas pela palavra Bio- graphy, seguida do número do volume e das páginas. 9. Carta 20, 1879, citado em Biography, pág. 117. 10. Carta 51, 1880, citada em Biography, pág. 149. 11. Review and Herald, 23 de junho de 1896. 12. Ver James Nix, “Oh, Jesus, How I Love You!”, Adventist Re- view, 30 de maio de 1996, págs. 10-14. 13. Historical Sketches of the Foreign Missions of the Seventh-day Adventists (Basle, Suíça: Imprimerie Polyglotte, 1886), pág. 188; ver também Biography, vol. 3, pág. 320. 14. Ver págs. 256-263. 15. Signs of the Times, 1o de dezembro de 1890. Perguntas Para Estudo 1. Por que é errado fazer distinção entre Jesus e o evangelho? 2. Se o Espírito Santo é a Pessoa que “revela” as mensagens de Deus aos profetas, por que se fala de Jesus como o Revelador? 3. Qual a principal finalidade do “dom de profecia”? 4. Que textos do Novo Testamento ensinam que Deus continua a falar em tempos pós- apostólicos? 5. Que duplo papel desempenha Cristo como nosso Sumo Sacerdote? 6. Escolha um capítulo do Caminho a Cristo ou de O Desejado de Todas as Nações, leia-o e fa- ça uma lista de algumas coisas que lhe falam sobre Jesus. Referências
  13. 13. Como Deus Transpôs o Abismo do Pecado Como o abismo do pecado poderia ser trans- posto? Deus sempre tem uma solução. Ele sa- be como adaptar-Se a circunstâncias em mu- tação. Por exemplo, em vez da comunicação face a face, Ele “fala” a todos através da “consciência”. (Ver João 1:9; Rom. 2:15.) De uma forma significativa, o Espírito Santo pe- de aos seres racionais que prefiram o certo ao errado, seja qual for a situação. Além disso, para aqueles que especificamente buscam o auxílio divino, ainda que não conheçam muito a Deus, estende-se a todos a promessa: “Reconhece-O em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas.” Prov. 3:6.2 Deus também Se revela por meio dos an- jos: “Não são todos eles espíritos ministrado- res, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?” Heb. 1:14.3 Embora desfigurado pelos resultados do pecado, o mundo físico ainda revela muita coisa sobre a natureza e o caráter de Deus: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o Seu eterno poder, como também a Sua pró- pria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebi- dos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis.” Rom. 1:20. Pessoas de todos os continentes e através da História têm associado Deus a “atributos” como ordem, beleza, previsibili- dade e desígnio, vistos nos corpos celestes ou nas maravilhas terrenas, tanto as animadas como as inanimadas.4 Antes que Moisés guiasse os israelitas para fora do Egito, Deus havia Se comunicado com homens e mulheres por meio dos pa- triarcas Noé (Gên. 5-9), Abraão (Gên. 12- 24), Isaque (Gên. 26:2-5) e Jacó (Gên. 32:24-30). Moisés foi o ilustre exemplo de um ser humano com quem Deus conversava (Êxo. 3, etc.). Com referência à nação de Israel em seus primeiros anos, Deus “falava” por Urim e Tu- mim, duas pedras preciosas engastadas no peitoral (éfode) do sumo sacerdote israelita. Quando os líderes da nação queriam conhecer a vontade de Deus, o sumo sacerdote fazia as perguntas específicas, e estas eram respondi- das pela luz que repousava sobre o Urim ou o Tumim.5 Para uma nação jovem, recém-saída do cativeiro e antes de existir a Palavra escri- ta, esse método de comunicação era decisivo e confirmatório. Deus falou também por meio de sonhos. Considere o significado do sonho profético de José (Gên. 37), os sonhos do copeiro e do padeiro de Faraó (Gên. 40), o sonho de Fa- raó (Gên. 41), o sonho do soldado midiani- ta (Juí. 7) e os sonhos de Nabucodonosor (Dan. 2 e 4). Não resta dúvida de que a revelação mais clara de Deus e de Sua vontade para homens e mulheres foi por intermédio de Jesus Cris- to: “Havendo Deus antigamente falado mui- tas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pe- los profetas, nestes últimos dias a nós nos fa- lou pelo Filho.” Heb. 1:1 e 2. Jesus foi explí- cito: “Quem Me vê a Mim vê o Pai.” João 14:9. Mas Cristo não chamou a atenção para Deus como todos os profetas vinham fazen- do; Ele era Aquele para quem eles chama- vam a atenção. AFormaMaisReconhecidadeRevelaçãoDivina Embora Deus tenha empregado muitos mé- todos, o “profeta” foi a forma mais reco- nhecida de comunicação divina. Os sacer- dotes de Israel eram os representantes do povo perante Deus; os profetas eram os re- presentantes oficiais de Deus perante Seu povo. O chamado do sacerdote era heredi- tário; o profeta era especificamente chama- do por Deus.6 Os profetas têm sido os canais mais visí- veis no sistema divino de comunicação. “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os profetas.” Amós 3:7. “O Senhor, Deus de seus pais, começando de ma- drugada, falou-lhes por intermédio dos Seus mensageiros, porque Se compadecera do Seu povo.” II Crôn. 36:15. Deus foi bastante explícito quando disse que, se o povo não desse ouvido a Seus profe- tas, Ele não teria outro remédio para ajudá-lo a superar seus problemas pessoais ou nacio- nais: “Eles, porém, zombavam dos mensa- 9 M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White D eus tem-Se comunicado com os seres humanos desde que criou Adão e Eva.1 Os seres humanos foram criados à semelhança de Deus, feitos “à Sua ima- gem”. Gên. 1:27. Ele os fez responsáveis, isto é, capazes de responder a Deus e às outras pessoas. Deus proveu todas as coisas imaginá- veis para a felicidade de nossos primeiros pais. “Plantou... um jardim” (Gên. 2:8) já flo- rido, cheio de plantas comestíveis. O primei- ro casal não precisava passar por dificuldade, nem lutar pela sobrevivência. Além disso, Deus fez homens e mulheres com capacidade de gerar filhos à imagem de- les, assim como criara Adão e Eva à Sua ima- gem. Nada foi omitido. Tudo o que homens e mulheres precisavam estava no lugar apro- priado – a espécie correta de alimento, a ale- gria do trabalho, a contemplação diária de um deslumbrante jardim de flores, sem chu- va e ferrugem, bem como o perfeito compa- nheirismo de um com o outro e com o pró- prio Deus. O plano de Deus para nossos pri- meiros pais ainda hoje continua a ser um projeto realizável para nós que buscamos paz e saúde em meio à ruína lastimável daquilo que o Senhor tinha em vista em relação à fa- mília humana. Comunicação Antes do Pecado Antes de pecarem, nossos primeiros pais desfrutavam constante comunhão com Deus e com Seus anjos. Foi dessa maneira que aprenderam a cuidar de todas as criaturas vi- vas e a suprir as próprias necessidades como mordomos deste fantástico paraíso chamado planeta Terra. É possível que todo dia, ao pôr-do-sol, eles realizassem um culto a Deus “na parte fresca do dia”. Gên. 3:8. Eles sa- biam que nem tudo era seguro, nem mesmo no Éden! O mal se emboscava na sombra da “árvore do conhecimento do bem e do mal”. Gên. 2:17. Terríveis mudanças ocorreram quando Adão e Eva pecaram. Já não conseguiam falar com Deus face a face. Não porque Deus hou- vesse mudado, mas porque o primeiro casal mudara – o pecado reconfigurou-lhes a men- te e as emoções. Isaías descreveu essa nova si- tuação em suas verdadeiras cores: “As vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o Seu rosto de vós.” Isa. 59:2. O pecado danifica a trajetória dos nervos. Pessoa alguma continua a mesma depois de pecar. Formam-se novas ligações nos prolon- gamentos nervosos tornando mais fácil a re- petição do pecado. O pensar claramente de novo requer o auxílio especial de Deus. As- sim, quando nossos primeiros pais pecaram, Deus teve que mudar Seu sistema de comuni- cação com os seres humanos. Nem todos os deploráveis resultados do pecado sobrevieram a Adão e Eva imediatamente, mas a triste de- generação da humanidade começou no dia em que eles condescenderam com “a con- cupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida”. I João 2:16. 8 CAPÍTULO 2 SEÇÃO I O Sistema Divino de Comunicação Deus Fala Pelos Profetas “Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas.” Heb. 1:1. “Se entre vós há profeta, Eu, o Senhor, em visão a ele Me faço conhecer, ou falo com ele em sonhos.” Núm. 12:6.
  14. 14. CAPÍTULO 2 DEUS FALA PELOS PROFETAS mas faltavam homens e mulheres pelos quais pudesse, de maneira segura, comunicar Sua palavra. Quando as visões não eram freqüen- tes, a situação espiritual e política de Israel tornava-se embaraçosa. Israel só recuperava seu bem-estar quando o ofício profético era restaurado. Exemplo: a restauração de Israel como uma nação livre e abençoada coincidiu exa- tamente com o ministério profético de Sa- muel. A longa vida deste profeta é um relato surpreendente da maneira como um só ho- mem pode alterar o curso de toda uma nação. Os primeiros anos de sua vida, depois de sua mãe o haver entregue ao Senhor, são bem co- nhecidos: “E o menino Samuel ia crescendo em estatura e em graça diante do Senhor, co- mo também diante dos homens”. I Sam. 2:26. À medida que Samuel amadurecia, sua lide- rança espiritual se tornava manifesta: “Cres- cia Samuel, e o Senhor era com ele, e nenhu- ma de todas as suas palavras deixou cair em terra. Todo o Israel, desde Dã até Berseba, co- nheceu que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor.” I Sam. 3:19 e 20. Poste- riormente, o “Senhor apareceu a Samuel em Siló. ... E veio a palavra de Samuel a todo o Israel.” I Sam. 3:21-4:1. A fidelidade de Samuel como mensageiro de Deus tornou possível a Deus inverter a desgraça de Israel. O exemplo espiritual, a exortação e a liderança nacional do profeta foram tão eficientes que o relato declara: “Assim, os filisteus foram abatidos e nunca mais vieram ao território de Israel, porquan- to foi a mão do Senhor contra eles todos os dias de Samuel.” I Sam. 7:13. A vida de Samuel é uma ilustração clara e profunda de como o Espírito de Profecia po- de ser eficiente no estabelecimento do pro- grama de Deus na Terra. Quem pode imagi- nar o que será possível realizar nestes últimos dias se dermos ouvido ao Espírito de Profecia! Tendo Samuel idade avançada, algo quase inexplicável aconteceu. Os líderes israelitas vieram ter com ele pedindo que lhes consti- tuíssem “um rei..., para que nos governe, co- mo o têm todas as nações”. I Sam. 8:4. Esque- ceram que sua soberania restaurada e situação aprazível se deviam à liderança profética de Samuel. Deus advertiu os líderes de que um rei tra- ria provas e dificuldades a seu país – mas eles persistiram: “Para que sejamos também como todas as nações; o nosso rei poderá governar- nos, sair adiante de nós e fazer as nossas guer- ras.” Verso 20. Embora Israel tenha rejeitado o plano de Deus governar Seu povo (teocracia), Deus, porém, não rejeitou a Israel. Não retirou o dom profético. Desde o tempo de Saul, o pri- meiro rei de Israel, até os dias da desolação em que tanto Israel como Judá foram levados cativos para Assíria e para Babilônia, trinta profetas são mencionados pelo nome na Bí- blia. Além deles, houve profetas anônimos, junto com os “filhos dos profetas”. Pouco Sucesso Quanto sucesso obtiveram os profetas? Bem pouco, em grande parte devido aos líderes na- cionais que os rejeitaram. Repare Jeoaquim (Jer. 36), para quem o profeta Jeremias rece- beu ordens de Deus de enviar palavras de condenação e esperança. Baruque, o assisten- te de redação de Jeremias, leu a mensagem “diante de todo o povo”. Verso 10. O rolo caiu sem demora nas mãos dos conselheiros da corte, os quais também ficaram grande- mente impressionados. Eles insistiram com o rei Jeoaquim para que também lesse a mensa- gem de Jeremias. O rei pediu a Jeudi que o lesse em voz alta. Mas, tendo o ministro de confiança do rei lido apenas “três ou quatro folhas do livro, cortou-o o rei com um canivete de escrivão e o lançou no fogo que havia no braseiro, e, as- sim, todo o rolo se consumiu no fogo que es- tava no braseiro. Não se atemorizaram, não rasgaram as vestes”. Jer. 36:23 e 24. Lamentavelmente, Jeoaquim era o tipo de muitos líderes espirituais, até mesmo de líde- res cristãos de nossa época, que destruiriam completamente, se pudessem, a mensagem de Deus e Seus mensageiros. Muitos têm pro- curado, através dos anos, seja com o “canive- te de escrivão”, seja com benigna negligên- cia, anular a eficácia de um profeta. 11 M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White geiros de Deus, desprezavam as Suas palavras e mofavam dos Seus profetas, até que... não houve remédio algum.” II Crôn. 36:16. No livro A Prophet Among You,7 T. Housel Jemison alistou oito razões por que Deus usou profetas em vez de alguns recursos dramáticos e espetaculares tais como escrever Sua vonta- de nas nuvens ou proferi-la como trovão no amanhecer de cada dia: 1. Os profetas prepararam o caminho para o primeiro advento de Cristo. 2. Como representantes do Senhor, os pro- fetas mostraram ao povo que Deus valorizava os seres humanos a ponto de escolher dentre eles homens e mulheres para representá-Lo. 3. Os profetas eram um lembrete constan- te da proximidade e disponibilidade da ins- trução divina. 4. As mensagens comunicadas pelos profe- tas cumpriam o mesmo propósito que uma comunicação pessoal do Criador. 5. Os profetas eram uma manifestação do que a comunhão com Deus e a transformado- ra graça do Espírito Santo podia realizar na vida humana. 6. A presença dos profetas punha o po- vo à prova no tocante à atitude deles para com Deus. 7. Os profetas tomaram parte no plano da salvação, pois Deus tem coerentemente em- pregado uma combinação do humano e do divino como o meio mais eficaz de alcançar a humanidade perdida. 8. O resultado mais notável da atividade dos profetas é sua contribuição à Palavra Escrita. A Obra dos Profetas Dupla era a obra dos profetas: receber a mensa- gem divina e transmiti-la fielmente. Esses as- pectos se refletem nas três palavras hebraicas para “profeta”. Para ressaltar o papel dos profe- tas em ouvir a vontade de Deus conforme lhe era revelada, o escritor hebraico usava chozeh ou ro’eh, que traduzido significa “vidente”. A palavra hebraica nabi (a palavra hebraica mais freqüentemente usada para profeta) descreve os profetas enquanto transmitem sua mensa- gem pela palavra falada ou escrita. Em I Sa- muel 9:9, percebe-se ambos os papéis: “Anti- gamente em Israel, indo alguém consultar a Deus, dizia assim: Vinde, vamos ao vidente [ro’eh]; porque ao profeta [nabi] de hoje, ou- trora se chamava vidente [ro’eh].” Chozeh, derivada da mesma raiz da qual re- cebemos a palavra portuguesa visão, salienta o fato de que o profeta recebe mensagens por meio de visões dadas por ministração divina. Cada um dos três termos hebraicos para “profeta” sublinha o ofício profético como o la- do humano do plano divino de comunicação. No Novo Testamento, a palavra grega prophetes, equivalente a nabi do Antigo Tes- tamento, é transliterada como “profeta”. Seu sentido básico é “falar em nome de”. O verdadeiro “profeta” é aquele que fala em nome de Deus. Longa Linhagem de Esplendor O primeiro (tanto quanto sabemos) desta surpreendente linhagem de corajosos, fiéis e ilustres profetas por intermédio dos quais Deus disse o que pensava foi “Enoque, o séti- mo depois de Adão”. Jud. 14. Depois veio Abraão (Gên. 20:7) e Moisés (Deut. 18:15). Miriã foi a primeira mulher a ser chamada de profetisa (Êxo. 15:20). Com o passar do tempo, a nação de Israel perdeu seu enfoque espiritual e tornou-se igual a seus vizinhos na adoração de outros deuses. Durante o longo e sombrio período dos juízes, Israel foi oprimido e humilhado pelas nações vizinhas. Quando Samuel rece- beu o chamado para seu papel profético, os fi- listeus exerciam implacável domínio sobre Is- rael. Eli, o sumo sacerdote, era homem idoso e ineficiente. Seus dois filhos, Hofni e Fi- néias, embora responsáveis pela liderança do governo e do sacerdócio, “eram homens ím- pios; não conheciam ao Senhor”. I Sam. 2:12. Não é de admirar que “naqueles dias, a palavra do Senhor era mui rara; as visões não eram freqüentes”. I Sam. 3:1.8 A “palavra do Senhor era mui rara” em Is- rael porque raros eram os homens e mulheres a quem se podia confiar as mensagens celes- tiais. Deus estava disposto a guiar Seu povo, 10 SEÇÃO I O Sistema Divino de Comunicação
  15. 15. CAPÍTULO 2 DEUS FALA PELOS PROFETAS anúncios oficiais feitos por reis a seus súditos. Alguns dos inspirados escritos proféticos nem mesmo foram escritos pelos profetas. Das abundantes mensagens proféticas apresentadas através de vários milhares de anos, Deus supervisionou uma compilação que chamamos de Bíblia. Esta amostragem foi preservada para um propósito: “Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram es- critas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.” I Cor. 10:11. Como os Profetas Transmitiam as Mensagens Através da História, o Espírito de Profecia tem usado três métodos para apresentar as mensagens de Deus: Oral, Escrito e Dra- matizado. Oral. A apresentação sob a forma de ser- mão normal talvez seja a modalidade mais conhecida da obra de um profeta. Pensamos imediatamente em Jesus proferindo Seu ser- mão no Monte das Bem-aventuranças (Mat. 5-7) ou do sermão de Pedro no dia de Pente- costes (Atos 2). Todo o livro de Deuteronô- mio foi um discurso oral em que Moisés pas- sou em revista os quarenta anos da história is- raelita. Muitos dos profetas menores apresen- taram primeiramente suas mensagens sob a forma oral. Além dessas apresentações de caráter mais formal, os profetas também registraram por escrito os conselhos dados anteriormente a lí- deres ou grupos. Isaías registrou sua entrevis- ta com Ezequias (Isa. 37). A maior parte do livro de Jeremias é um resumo escrito de suas mensagens públicas. Ezequiel transcreveu suas primeiras conversas com os líderes de Is- rael. Por exemplo: “No sexto ano, no sexto mês, aos cinco dias do mês, estando eu senta- do em minha casa, e os anciãos de Judá, as- sentados diante de mim, sucedeu que ali a mão do Senhor Deus caiu sobre mim.” Ezeq. 8:1. (Ver 20:1.) Algumas entrevistas particulares, como a de Natã com Davi (II Sam. 12:1-7), a de Je- remias com Zedequias (Jer. 38:14-19), e a de Jesus com Nicodemos (João 3), foram tam- bém consideradas pelo Espírito de Profecia como dignas de uma aplicação mais ampla. Além de seus deveres públicos e oficiais, os profetas escreviam cartas particulares às pessoas que tinham necessidades específicas. Escrito. As mensagens escritas apresentam vantagens sobre as outras formas de comuni- cação. Podem ser lidas e relidas. Comparadas com a apresentação oral, elas são menos su- jeitas a interpretações errôneas. O Senhor or- denou a Jeremias que escrevesse um livro contendo as palavras que Ele lhe daria. Jere- mias pediu a Baruque para ser seu assistente de redação, e o livro finalmente foi lido pe- rante o povo de Jerusalém e perante o rei. Anos depois, o profeta Daniel (9:2) declara haver lido as mensagens de Jeremias, nas quais este profeta prometia libertação para o povo de Deus após setenta anos de cativeiro. O próprio Daniel recebeu instruções para es- crever um livro dirigido especificamente àqueles que viveriam no “tempo do fim”. Dan. 12:4. O apóstolo Paulo escreveu catorze livros do Novo Testamento, sendo todos, exceto um, cartas para várias igrejas ou seus pastores. Algumas de suas cartas não foram incluídas na Bíblia, como é o caso da carta à igreja de Laodicéia (Col. 4:16). Pedro também escreveu cartas a vários grupos de igreja: “Amados, esta é, agora, a se- gunda epístola que vos escrevo; em ambas, procuro despertar com lembranças a vossa mente esclarecida.” II Ped. 3:1. Ele também escreveu cartas particulares, como a que foi endereçada a Silvano (I Ped. 5:12). João escreveu pelo menos três cartas, além do Evangelho e do livro de Apocalipse: “Es- tas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa.” I João 1:4. Cartas Cheias de Autoridade As cartas dos profetas encerravam a mesma autoridade que seus sermões convencionais. Em alguns casos, as cartas eram mais úteis do que um sermão, pois eram escritas a pessoas específicas com problemas específicos. As cartas endereçadas a uma pessoa ou a uma igreja tornaram-se igualmente benéficas a ou- tras, à medida que essas cartas (e sermões) eram copiadas e amplamente distribuídas. Pessoas de todos os lugares, através dos tem- 13 M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White A mensagem de Deus, porém, sobrevive em benefício daqueles que buscam conhecer Sua vontade. Davi é outro exemplo de líder israelita que recebeu uma mensagem de reprovação da par- te de um profeta. Mas o resultado foi o opos- to da experiência de Jeoaquim. Depois de o rei Davi ter mandado assassinar Urias para poder casar-se com Bate-Seba, a esposa de Urias, Deus enviou o profeta Natã a Davi. Sem procurar evasivas com palavras de com- paixão ou favor, Natã apontou o dedo para Davi e proferiu a palavra de condenação: “Tu és o homem!” II Sam. 12:7. Davi aceitou a pa- lavra do Senhor – e rendeu-se: “Pequei contra o Senhor.” II Sam. 12:13. (Ver também Sal. 51.) Davi é um dos mais admiráveis exemplos daqueles que, atendendo às palavras condena- tórias do Senhor, mudaram seu futuro para melhor. Seu exemplo tem sido muitas vezes mencionado na história da igreja. Nomes Aplicados às Mensagens Proféticas Diversos termos são empregados na Bíblia pa- ra descrever as mensagens apresentadas pelos profetas: conselho (Isa. 44:26); mensagem do Senhor (Ageu 1:13); profecia ou profecias (II Crôn. 9:29; 15:8; I Cor. 13:8); testemunhos (I Reis 2:3; II Reis 11:12; 17:15; 23:3; muitos versos do Sal. 119) e Palavra de Deus (I Sam. 9:27; I Reis 12:22). Cada termo, apesar de facilmente inter- cambiável, enfatiza determinado aspecto do sistema divino de comunicação. “Testemu- nhos”, por exemplo, sugere “mensagens”. O pensamento incluso na expressão “testemu- nho de Jesus” (Apoc. 12:17 e 19:10) é que as mensagens ou a vontade de Jesus são revela- das quando um profeta fala ou escreve. Como Deus e os Profetas Interagem Os profetas reconhecem claramente a pre- sença e o poder do Espírito Santo no papel que desempenham como mensageiros de Deus. Pedro compreendia bem essa relação: “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da par- te de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo.” II Ped. 1:21. Considere a experiência de Saul: “Che- gando eles a Gibeá, eis que um grupo de pro- fetas lhes saiu ao encontro; o Espírito de Deus se apossou de Saul, e ele profetizou no meio deles.” I Sam. 10:10. Ezequiel referiu-se muitas vezes à presença do Espírito Santo: “Então, entrou em mim o Espírito, quando falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que me falava.” Ezeq. 2:2. (Ver também 3:12, 14 e 24; 8:3; 11:5; 37:1.) De que modo o profeta reconhecia a pre- sença e o poder do Espírito Santo? Por meio de visões e sonhos fora do comum, acompa- nhados de fenômenos físicos. Muitos viram o cumprimento da promessa de Deus: “Se entre vós houver profeta, Eu, o Senhor, a ele Me fa- rei conhecer em visão, em sonhos falarei com ele.” Núm. 12:6. (A Bíblia não faz distinção clara entre visão profética e sonho profético. Os termos parecem ser usados de maneira permutável.) Em Daniel 10, o profeta descreve alguns dos fenômenos físicos que acompanharam “esta grande visão”. Verso 8. Embora ele ti- vesse caído “sem sentidos, rosto em terra”, conseguiu ouvir “a voz das suas palavras”. Verso 9. Havia outras pessoas com Daniel du- rante a visão, mas só ele teve “aquela visão”. Verso 7. Daniel sofria alterações físicas enquanto se achava em visão: “Não ficou força em mim; e transmudou-se em mim a minha for- mosura em desmaio, e não retive força algu- ma.” Verso 8. Quaisquer que possam ter sido os fenôme- nos específicos que acompanhavam uma vi- são ou sonho, os profetas sabiam que Deus lhes falava. O que sabemos sobre as mensagens dos profetas e a maneira como estas foram profe- ridas acha-se registrado na Bíblia. A princí- pio nem todas as mensagens que temos hoje estavam na forma escrita. Algumas eram ser- mões públicos, outras eram cartas a amigos ou a grupos congregacionais; algumas eram 12 SEÇÃO I O Sistema Divino de Comunicação
  16. 16. CAPÍTULO 2 DEUS FALA PELOS PROFETAS Paulo utilizou diversos assistentes literários com variados talentos de redação.10 Pedro se referia a seu assistente de redação pelo nome de Silvano (Silas), “nosso fiel ir- mão”. I Ped. 5:12. Por que Pedro precisaria de auxílio em redação? Por várias razões: além de não ter recebido instrução acadêmica, Pe- dro passava pelas mesmas restrições carcerá- rias de Paulo; e visto que sua língua materna era o aramaico, ele provavelmente não era fluente no grego. A primeira epístola de Pe- dro é escrita em grego elegante e de alto ní- vel, sinal de uma mente culta que reflete a as- sistência de Silvano. A segunda epístola de Pedro, no entanto, é escrita num estilo literá- rio rudimentar, embora a verdade resplande- ça de maneira notável. Obviamente, Silvano não estava disponível a curto prazo, e Pedro escreveu-a ele mesmo ou contratou outro es- criba sem o talento literário de Silvano.11 Diferenças Óbvias Entre I e II Pedro A diferença entre a primeira epístola de Pe- dro e a segunda é tão óbvia que a autoria de Pedro, de uma ou mesmo de ambas as cartas, tem sido questionada. Allan A. McRae ob- servou: “Não podemos descartar a idéia de que um escritor possa, ocasionalmente, haver transmitido a um assistente a idéia geral do que ele queria, dizendo-lhe para colocar isto na forma escrita.12 Nesse caso, ele teria veri- ficado o original para ter a certeza de que o texto representava o que ele havia querido dizer e, portanto, ele podia verdadeiramente ser chamado seu autor. O Espírito Santo teria guiado todo o processo para que a redação de- finitiva exprimisse as idéias que Deus deseja- va transmitir a Seu povo. “É provável que Paulo raramente seguisse este último procedimento, visto ser bastante culto e ter confiança em sua capacidade de expressar-se em grego. Mas a situação pode ter sido diferente no caso de Pedro e João. O estilo da primeira epístola de Pedro difere tanto do da segunda que alguns críticos suge- riram uma fraude. Contudo, Pedro podia muito bem ter ele mesmo escrito um livro em grego (II Pedro?) e expresso seu pensa- mento em aramaico a um assistente que ti- vesse mais experiência de redigir em grego (I Pedro). Esse assistente podia então ter regis- trado as idéias de Pedro em seu estilo, efe- tuando depois as alterações sugeridas por Pe- dro. As duas cartas difeririam assim em esti- lo, mas, sob a orientação do Espírito Santo, expressariam o pensamento de Pedro como se ele houvesse verdadeiramente ditado cada palavra. João Calvino defendia esse ponto de vista, embora não tivesse dúvidas de que am- bas apresentavam com exatidão o pensa- mento de Pedro.”13 Ao comparar o Evangelho de João com o livro de Apocalipse, vemos novamente esti- los literários surpreendentemente diferentes. As evidências parecem indicar que o apósto- lo João escreveu ambos os livros, ainda que o estilo literário seja muito dessemelhante. O livro de Apocalipse é geralmente construído numa estrutura grega frouxa (ver pág. 541), enquanto o Evangelho de João se conforma aos padrões literários clássicos – uma indica- ção clara de que os escribas eram pessoas di- ferentes.14 Parte da diferença pode ser atri- buída ao fato de João estar em idade avança- da quando escreveu o Apocalipse. Como o Evangelho de Lucas Foi Escrito Outro modo de encarar a assistência editorial no preparo do material bíblico é fornecido pela análise de como e por que o livro de Lu- cas foi preparado. Lucas não foi uma testemu- nha ocular do ministério de Cristo. Provavel- mente ele nunca ouvira Jesus falar. Contudo, o Evangelho de Lucas pode ser comparado ao de Mateus, Marcos e João no que se refere à fidelidade com que palavras e atos de Jesus foram registrados. Como Lucas fez isto? Obtendo de testemu- nhas oculares os relatos mais válidos e apre- sentando-os de maneira coerente.15 Lucas diz isso da seguinte maneira: “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemu- nhas oculares e ministros da palavra, igual- mente a mim me pareceu bem, depois de pro- 15 M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White pos, têm-se identificado com essas inspiradas e práticas aplicações dos princípios divinos às particularidades da vida. Dramatização. A apresentação de parábo- las por palavras ou ações é um recurso de en- sino muito empregado pela Bíblia. Jesus fez uso abundante de parábolas para tornar claro o valor dos princípios divinos. O ministério de Jeremias utilizou muitas vezes a parábola da ação e do exemplo. Deus lhe pediu que não se casasse (Jer. 16:1 e 2) a fim de tornar-se para os judeus um lembrete vivo da experiência penosa por que estavam prestes a passar durante a destruição de Jeru- salém. Pense nos recursos audiovisuais da “botija de oleiro” (Jer. 19), quebrada como si- nal da queda de Jerusalém; ou das “correias e canzis” (Jer. 27) que pressagiavam o iminen- te jugo de Babilônia. À semelhança de Jeremias, Ezequiel mui- tas vezes exprimiu suas mensagens proféticas sob a forma de parábolas. Os exemplos in- cluem o rolo que ele deveria comer (Ezeq. 3:1-3); a espada afiada que usou como nava- lha de barbeiro na cabeça e na barba (Ezeq. 5:1); o caldeirão com comida (Ezeq. 24:3 e 4); e o vale de ossos secos (Ezeq. 37). As mensagens veiculadas por meio de parábolas captavam a atenção e eram mais facilmente relembradas. Ao examinar esses vários métodos de cap- tar a atenção, ficamos impressionados ao constatar o fato de que Deus selecionava o método que melhor se adaptasse à ocasião. Deus Se adapta com facilidade e é persisten- te. Todos os métodos são autênticos, pois pro- cedem da mesma Fonte. O sermão deutero- nômico de Moisés, as entrevistas pessoais de Isaías, os sermões transcritos de Jeremias, as cartas de Paulo, as dramatizações parabólicas de Ezequiel, os livros de Daniel, o sermão de Pedro no Pentecostes, a entrevista de Jesus com Nicodemos – tudo foi inspirado pelo Es- pírito. “Homens santos de Deus falaram ins- pirados pelo Espírito Santo.” II Ped. 1:21. Assistentes de Redação Sabemos bem pouco sobre a maneira como os autores bíblicos preparavam seus materiais. Sabemos apenas o que nos contaram. Jeremias explicou a maneira como utilizava Baruque como seu assistente de redação: “En- tão Jeremias chamou a Baruque, filho de Ne- rias; e escreveu Baruque, no rolo dum livro, enquanto Jeremias lhas ditava, todas as pala- vras que o Senhor lhe havia falado.” Jer. 36:4. Quando os oficiais do rei ouviram Baruque ler essas mensagens, perguntaram: “Declara- nos, como escreveste isto? Acaso, te ditou o profeta todas estas palavras?” Baruque lhes respondeu: “Ditava-me pessoalmente todas estas palavras, e eu as escrevia no livro com tinta.” Jer. 36:17 e 18. Baruque, conhecido como escrivão (36:26), ao que parece era bastante culto. Je- remias utilizava as habilidades literárias deste homem a fim de preparar a forma escrita das mensagens que comunicava oralmente: “To- mou, pois, Jeremias outro rolo e o deu a Ba- ruque, filho de Nerias, o escrivão, o qual es- creveu nele, ditado por Jeremias, todas as pa- lavras do livro que Jeoaquim, rei de Judá, queimara; e ainda se lhes acrescentaram mui- tas palavras semelhantes.” Jer. 36:32. Diversos Assistentes de Paulo No Novo Testamento, Paulo utilizou diversos assistentes de redação. Tércio ajudou-o a pre- parar o original da epístola aos Romanos (16:22). Ao que parece, Sóstenes o ajudou na escrita da primeira carta aos Coríntios (1:1). Na prisão romana, Paulo ditou sua segunda carta a Timóteo; e Lucas, seu médico, a prepa- rou na forma escrita.9 Paulo tinha excelentes conhecimentos de grego, conforme o atesta- vam os líderes judeus. Mas havia justas razões para que ele empregasse assistentes de reda- ção. Na prisão, sua capacidade de escrever fi- cara extremamente reduzida, mas os assisten- tes podiam tomar seus pensamentos e registrá-los da maneira mais conveniente. Alguns acham que seu “espinho na carne” era uma vista fra- ca (I Cor. 12:7-9; Gál. 4:15). Seja qual for o método que Paulo tenha empregado na escri- ta de suas epístolas, aqueles que liam essas car- tas (ou as ouviam ser lidas) sabiam que esta- vam escutando mensagens inspiradas. A diferença significativa no estilo grego (não necessariamente no conteúdo) de cada uma de suas cartas sugere nitidamente que 14 SEÇÃO I O Sistema Divino de Comunicação
  17. 17. CAPÍTULO 2 DEUS FALA PELOS PROFETAS da a Escritura é inspirada por Deus”. II Tim. 3:16. A palavra grega usada por Paulo para “inspiração” é theopneustos, uma contração de duas palavras: “Soprado por Deus.” Isso é mais descritivo do que uma simples impressão poética. Quando Daniel, por exemplo, estava em visão, ele literalmente não conseguia res- pirar (Dan. 10:17)! Pedro disse que os profetas eram “movidos pelo Espírito Santo”. II Ped. 1:21. A palavra grega para “movidos” é pheromeni, a mesma palavra que Lucas usou (Atos 27:17 e 27) pa- ra descrever a maneira como o barco em que ele se encontrava estava sendo “impelido” por uma terrível tempestade através do Mar Mediterrâneo. Os profetas não confundiam o “movimento” do Espírito com as emoções normais. Eles sabiam quando o Senhor lhes falava. Eles eram inspirados! Outra palavra bastante usada para descre- ver o sistema divino de comunicação é ilumi- nação. Quando os profetas proferem suas mensagens, como homens e mulheres reco- nhecem que essas mensagens são autênticas? O mesmo Espírito que fala por meio dos pro- fetas fala àqueles que ouvem ou lêem a men- sagem do profeta. O ouvinte ou leitor é “ilu- minado” (mas não inspirado). Além disso, o Espírito Santo capacita o crente sincero a entender a mensagem e fazer dela uma apli- cação pessoal.19 A maneira como o processo de revela- ção/inspiração atuou no ministério de Ellen White será discutida no capítulo 13. Feliz- mente, a Sra. White falou convincente e cla- ramente sobre como funcionava esse proces- so tanto nos tempos bíblicos como em seu ministério. Mensagens Proféticas não Preservadas A Bíblia não contém tudo quanto os profetas falaram ou escreveram. Não dispomos, por exemplo, de tudo o que Jesus disse ou fez.20 Significa isso que as mensagens não pre- servadas eram menos importantes ou menos inspiradas do que as que foram registradas na Bíblia? Não! Tudo o que Deus diz é importan- te e inspirado. Algumas mensagens, porém, eram de interesse local. Algumas já estavam inclusas em outras mensagens que foram pre- servadas. Sem dúvida, a maior quantidade de mensagens proféticas, incluindo as palavras de Jesus, não foi preservada. Pode-se classificar os profetas bíblicos em quatro grupos:21 1. Profetas que escreveram uma parte da Bí- blia, tais como Moisés, Jeremias, Paulo e João. 2. Profetas que não escreveram nada da Bíblia, mas cujas mensagens e ministérios são amplamente descritos na Bíblia, tais como Enoque, Elias e Eliseu. 3. Profetas que deram testemunho oral (talvez até mesmo escrito), mas cujas pala- vras não foram preservadas. Através de todo o Antigo Testamento, há muitos profetas anônimos, incluindo os setenta anciãos, que receberam o Espírito Santo e profetizaram (Núm. 11:24 e 25), o grupo que se uniu a Saul depois que ele se tornou rei (I Sam. 10:5, 6 e 10) e aqueles que Obadias escondeu em cavernas (I Reis 18:4 e 13). No Novo Tes- tamento, por exemplo, as quatro filhas de Fi- lipe profetizavam, mas suas mensagens não foram registradas (Atos 21:9). 4. Profetas que escreveram livros que não foram preservados. Entre esses estavam Natã (I Crôn. 29:29), Gade (I Crôn. 29:29), Se- maías (II Crôn. 12:15), o autor do Livro dos Justos (Jos. 10:13; II Sam. 1:18), Ido (II Crôn. 12:15; 9:29), Odede (II Crôn. 28:9), Aías (II Crôn. 9:29) e Jeú (II Crôn. 20:34). O que foi preservado na Bíblia é a essência da gloriosa linhagem de esplendor pela qual Deus falou a homens e mulheres, “muitas ve- zes e de muitas maneiras”. Heb. 1:1. O propó- sito dos escritos bíblicos não é escrever a his- tória completa de tudo o que aconteceu ao povo de Deus no Antigo e no Novo Testa- mentos. O objetivo principal da Bíblia é dar aos leitores uma compreensão clara do plano da salvação e os melhores lances do grande conflito entre Cristo e Satanás. Além disso, Paulo escreveu que a Bíblia fornece “exem- plos” do que é certo e do que é errado, da ver- 17 M E N S A G E I R A D O S E N H O R O ministério profético de Ellen G. White funda investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste ins- truído.” Luc. 1:1-4. Deus comunicou Sua mensagem não por meio de transcrição mecânica, mas pelos atos e palavras que homens e mulheres podiam entender. Os profetas que ouviram Deus lhes falar diretamente comunicaram essas mensa- gens usando os processos mentais de sua épo- ca e os idiomas e analogias que seus ouvintes seriam capazes de entender. Compreender corretamente o processo de revelação/inspiração evita as angustiosas in- quietações que as pessoas sentem quando vêem nos Evangelhos claras diferenças entre os relatos do mesmo acontecimento ou até mesmo nas mensagens de Jesus. Nada pertur- ba mais alguns estudantes sinceros do que ob- servar as formas diferentes como os escritores bíblicos descrevem o mesmo acontecimento, “citam” o mesmo diálogo ou narram as pará- bolas de Jesus. Ter duas versões da Oração do Senhor, conforme registradas em Mateus 6 e Lucas 11, desconcerta aqueles que acreditam erroneamente que os escritores bíblicos es- creveram, palavra por palavra, o que o Espíri- to Santo lhes ditava. Inspiração Verbal ou de Pensamento A inspiração verbal e isenta de erro faz supor que o profeta é um aparelho de gravação, que transmite de maneira mecânica e infalível a mensagem de Deus. A crença numa inspira- ção mecânica não concebe diferenças no re- gistro de uma mensagem ou acontecimento. A inspiração verbal requer profetas que transmitam as palavras exatas fornecidas pe- lo Guia celestial assim como um escrivão re- gistra tudo quanto é dito pelas testemunhas num tribunal. Não se dá aos profetas nenhu- ma oportunidade para usarem sua própria in- dividualidade (e limitações) na expressão das verdades que lhe foram reveladas. Um dos problemas óbvios enfrentados pe- los que crêem na inspiração verbal é o que fa- zer ao traduzir a Bíblia, do hebraico ou ara- maico do Antigo Testamento ou do grego do Novo Testamento, para outras línguas. Outro problema é Mateus 27:9 e 10, onde o evangelista faz uma referência a Jeremias em vez de a Zacarias (11:12) como fonte do Antigo Testamento para uma profecia mes- siânica. Isso pode ter sido um erro do copista. Mas se o erro foi do próprio Mateus, é um equívoco humano que qualquer professor ou pastor pode cometer, um equívoco que não causa problema para os defensores da inspira- ção de pensamento. Por quê? Porque os de- fensores da inspiração de pensamento enten- dem o que Mateus queria dizer! Ou, o que Pilatos realmente escreveu na inscrição posta sobre a cruz de Cristo? Mateus 27:37, Marcos 15:26, Lucas 23:38 e João 19:19 registram a inscrição de modo diferen- te. Para os defensores da inspiração de pensa- mento, a mensagem é clara; para os propo- nentes da inspiração verbal, é um problema! Os Profetas São Inspirados, não as Palavras Para os que crêem na inspiração de pensa- mento, Deus inspira o profeta, não suas pala- vras.16 Os defensores da inspiração de pensa- mento lêem a Bíblia e vêem Deus atuando por intermédio de seres humanos com suas características individuais. Deus comunica os pensamentos; e os profetas, ao transmitirem a mensagem divina, usam toda a capacidade li- terária que possuem.17 Especialistas universi- tários relatarão uma mensagem ou descreve- rão um acontecimento de forma muito dife- rente da de um pastor de ovelhas. Mas se am- bos foram inspirados por Deus, a verdade será ouvida igualmente tanto por instruídos como por iletrados. Essa é a maneira como a Bíblia foi escrita, todos os escritores usando as melhores palavras para expressar fielmente a mensagem que haviam recebido do Senhor. No processo de revelação/inspiração, a re- velação enfatiza a ação divina que comunica informação. Os adventistas do sétimo dia crêem que a mensagem, ou conteúdo, divina- mente revelada é infalível e autorizada. “Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra, e luz para os meus caminhos.” Sal. 119:105.18 Já a inspiração se refere ao processo pelo qual Deus habilita uma pessoa para ser Sua mensageira. Esse tipo de inspiração é diferen- te do uso coloquial da palavra quando descre- vemos algum poeta ou cantor talentoso como sendo “inspirado”. Paulo escreveu ao jovem Timóteo que “to- 16 SEÇÃO I O Sistema Divino de Comunicação
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