9.cap3 estetica relacional

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9.cap3 estetica relacional

  1. 1. Cap. III No extremo da história 3. Estética Relacional
  2. 2. A s narrativas particulares em contraposição às metanarrativas conduzem tambéma uma mudança na maneira em que se organiza a política. No sistema moderno omundo estava politicamente dividido entre esquerda e direita. Hoje, estes valoresuniversalistas perdem força frente aos valores particulares. Assim a política sefragmenta em diversas comunidades articuladas entorno a interesses políticosespecíficos e cotidianos como o meio ambiente, os direitos civis, assuntos degênero, justiça, fome, terra, etc. Estas são as chamadas micro políticas e a artereflete estas atitudes sociopolíticas ligadas às questões da realidade.Assim como as fronteiras entre arte e ciência se diluem, assim também asfronteiras entre arte e política se abrem a um terceiro espaço em que aconteceuma arte engajada no espaço relacional da sociedade (que é o espaço da política,polis é cidade organizada, sociedade). Acontece no tecido das relações sociaistanto para questionar a luta do poder (a política) como para proporcionar espaçosde relacionamento alternativos.A estrutura de um mundo fragmentado e em constantes crises é o material sobre oqual os artistas criam. A adversidade, a incerteza, a precariedade, a troca, o espaçode relação são tanto meios como linguagens para a poética da criação.
  3. 3. Bourriaud - A obra relacionalenfatiza o uso antes que acontemplação. A arterelacional privilegia asintersubjetividades antesque a opticalidade. Retóricaaberta, open-ended,emancipação do leitor.A obra relacional criaespaços de relações. Ênfaseno espaço como um entre-lugar.Espaço relacional dascamadas (layers)fragmentadas dos espaçospolíticos. Espaço de relaçãoentre a arte a vida. Ana Teixeira, Escucho Histórias de Amor, 2005, Chile
  4. 4. A aura da obra de arte deslocou-se para seu públicoNicolas Bourriaud - Estética Relacional: “[...]não foi a modernidade que morreu, e sim asua versão idealista e teleológica. [...] Hoje amodernidade prolonga-se em atividades debricolagem e reciclagem do dado cultural, nainvenção do cotidiano e na ordenação dotempo vivido, objetos tão dignos de atençãoe estudo quanto as utopias messiânicas ouas novidades formais que caracterizavam opassado.” (2009, p. 17-19) Felix Gonzalez-Torres, Grupo Material, A Escolha do povo, 1979 Rirkrit Tiravanija
  5. 5. Política, cultura, locaçãoMaurizio Cattelan, a Nona Hora, 1999
  6. 6. Antropologia Reversa (Roy Wagner) “todo entendimento de uma outra cultura é uma experiência com a sua própria”Coco Fusco, Operação Atropos,2006, cubana-americana.http://vimeo.com/3562432 Guillermo Gómez- Peña
  7. 7. Rosalind Krauss – Noção de campo expandido – “Deste modo o campoproporciona ao artista um conjunto finito porém ampliado de posiçõesrelacionadas para empregar e explorar , assim como uma organização daobra que não esteja ditada pelas condições de um meio em particular.”(2006). Damian Ortega “Coisa Cósmica” 2001
  8. 8. José Bedia, Cubahttp://www.youtube.com/watch?v=OdbiIfKsrxA“Un Baca”, acrílico, 2008 “Figura que define sua própria linha de horizonte”, instalação, 2011-2012 http://www.youtube.com/watch?NR=1&v
  9. 9. RedeSistema de ligações multipolar eextensível com um número nãodeterminado de entradas. Umavez na rede pode ser ter acesso atodas as entradas. Uma redeforma uma trama, um tecido derelações que formam outrostecidos de maneira complexa ousimples. Idéia de InteligênciaColetiva de Pierre Lèvy (1999).Esculturas:Loiuse Bourgeois, Alexandre Calder,Henry Moore, Bruce Nauman, ClaesOldenburg, Maurizio Cattelan e Coosjevan BruggenFilmes: Solyent Green, Solaris e LaRègion Centrale. Dominique Gonzalez Foerester
  10. 10. Desterritorialização[...] a inadequação da noção usual de pertencimento (auma nação) para a compreensão da dinâmica de ummundo globalizado- baseado que está em uma idéia A noção dede territórios apartados- e o conseqüente rompimento identidade seda associação imediata e exclusiva entre lugar, cultura desterriorizae identidade [...] (Moacir dos Anjos, 2005, p. 9) Chang Xugong, Representante do fazendeiro, bordado, 2008
  11. 11. “O que faz as pessoas se sentirem tão ofendidas pelas imagens? [...] A imagem possui um tipo de caráter vital, vivo que é capaz de sentir o se faz a ela. Não é só um meio transparente de comunicar uma mensagem, mas uma coisa animada, viva, um objeto com sentimentos, intenções, desejos e agência” (W.J.T. Mitchell, What do Imagens Want?, 2005, p. 127)Maurizio Cattelan, L.O.V.E. Piazza Affari,Milão, 2010http://www.youtube.com/watch?v=Yy3zOTCSPHc&feature=player_embedded
  12. 12. “Totems, fetiches e ídolos não são só objetos, imagens ou mesmo ‘coisas’ estranhasque desafiam nossos modos de objetividade. [...] Mas se são, usando os termos dofilósofo Nelson Goodman “maneiras de fazer o mundo” são também maneiras dedesfazer os vários mundos nos quais circulam. Não são simplesmente manifestaçõesde figuras coerentes do mundo ou cosmologias cujas mitologias devem ser mapeadase narradas, mas lugares de luta sobre histórias e territórios.” (W. J. T. Mitchell, 2005, p.196) Entrevista com Renèe Stout Minkisi, Zinkisi ou Nkisi – figura na qual habita um espírito Renée Stout, Fetish No. 2, 1988 Trigo Piula, Ta Tele, 1988 http://www.reneestout.com/
  13. 13. Moacir dos Anjos - “As reconstruções identitárias,que formuladas nas regiões periféricas,acompanham o processo de globalização sãoenunciados críticos à universalização de códigoscriados nas regiões que detêm o poder de difundirvalores simbólicos mundialmente. Em vez de apenasrejeitar formulações a eles estranhas ou dereproduzir mimeticamente uma linguagem artísticasupostamente internacional, os criadores daquelasregiões instituem por meio de obras hibridas quetraduzem e aproximam formações culturaisdiversas, um espaço agonístico de negociaçãoentre diferenças que não se reconciliam.Também condenam por esse procedimento, idéiasde pertencimento, que associam de modo unívoco eatemporal, territórios e culturas. Evitam, assim ,serapreendidos pelo olhar do outro quer comoexóticos, quer como imitadores, avocando anatureza tensa e transacional de suas identidades,irredutíveis tanto a um passado idealizado eimutável quanto a modelos universalizantes.”(2005, p. 51) Efrain Almeida, 2007
  14. 14. “Eco argumenta que toda obra dearte é potencialmente aberta já quepode provocar uma gama ilimitadade possíveis leituras; a arte, a músicae a literatura contemporâneasimplesmente apontaram este fato.Bourriaud mal interpreta estesargumentos aplicando-os a obrasespecíficas (àquelas que requereminteração literal) e assim re-dirige oargumento á intencionalidade doartista antes que ás questões derecepção. Eco via a obra de artecomo uma reflexão das condições deexistência numa cultura modernafragmentada, Bourriaud vê a arteproduzindo estas condições.”(Bishop, 2004) Jorge Pardo (Cuba) , Bulgogi, 2010
  15. 15. Construção de espaços concretos, espaços de convívio, pontos de encontro, (Nicolas Bourriaud ) Liam Gillick, Driving Practice, 2004Neste projeto um grupo de ex-trabalhadores que voltam ao seu lugarde trabalho fechado (clausura) ondeimprovisam novos modos de produçãousando sinalização redundante dafábrica “Não existe a idéia, existem tal vez 20,000 idéias brilhando entre a ilusão do presente e a ilusão do passado”
  16. 16. Santiago Sierra, Bienal de Veneza,2001, Homens não europeuspagados para se tingir o cabelo deloiro.
  17. 17. “Eu não acredito que exista uma ‘arte política’. Eu penso no MVC como umativismo social, mas estou usando meios e instituições do contexto da arte.Uma coisa é usar elementos de um contexto social especifico para produzir umapeça de arte e outra dar a um projeto uma utilidade em termos sociais.”(Minerva Cuevas em entrevista com Hans Ulrich Obrist) Minerva Cuevas, “Mejor Vida Corp.”
  18. 18. Exposição Da adversidadevivemos (Helio Oiticica) em 2001em Paris e A Estrutura daSobrevivência na Bienal deVeneza de 2003 curadas porCarlos Basualdo: a experiência darealidade latino americanacaracterizada pela constanteprecariedade e adversidade emcontexto socioeconômicostragicamente instáveis.A arte se centra na crise, não paraapontá-la mas pelas respostasque gera.Gerardo Mosquera: “o artista seexporta a si mesmo, se tornandonum transeunte cosmopolita quecondensa processos globais”. Francis Alys, Turista, 1996
  19. 19. Fernanda Gomes, 2003 Marjetica Potrc, Casa crescente, 2003 “O mundo em que vivemos agora é sobre auto-sustentação, iniciativa individual, projetos a pequena escala” Potrc
  20. 20. Stuart Hall - Os cenáriospolíticos do mundo são cadavez mais fragmentados emidentificações quedesterritorializam e deslocamas identidades. A nova basepolítica é definida pelosmovimentossociais:ecológicos, feministas,homossexuais, de liberação,religiosos, etc. Uma políticada “diferença”.Mujeres Creando, Principio Potosí, Museu Reina Sofia, Madrid 2010http://www.youtube.com/watch?v=Et1v16uog4U&feature=relatedhttp://mujerescreando.org/potosi/pag/conferencia.htm
  21. 21. Proposta de Lei: Elizabeth Velázquez, Colaboraçãoarte e política: Joe Hateley e Hugo Vera, ProjetoTransgênero, Equador, 2010http://www.proyecto-transgenero.org/http://www.youtube.com/watch?v=DjM0rfcflOA
  22. 22. Ênfase no valor relacional pode levar a uma concepção socializante, de entretenimento e moralizante da arte “Muito do que é feito atualmente nas artes é produzido e circula de acordo com as regras das inovações e obsolescência periódica, não por causa do impulso experimentador, como no tempo das vanguardas, mas sim por que as manifestações culturais foram submetidas aos valores que “dinamizam”o mercado e a moda: consumo incessantemente renovado, surpresa e divertimento”. (Canclini, 1999).Carsten Holler, The Unilever Series,Tate Modern 2006-2007
  23. 23. Claire Bishop - Arte dos 90: obras que são abertas, interativas, que se resistema serem fechadas, muitas vezes parecendo um ‘work in progress’ antes queobjetos completos. Estes trabalhos parecem derivar de uma criativainterpretação errada da teoria pós-estruturalista: ao invés das interpretaçõesserem abertas a uma continua reavaliação, a própria obra de arte se coloca emperpetuo fluxo. (Bishop, 2004) Phillipe Parreno, Kunsthall Zurich, 2009
  24. 24. Pierre Huyghes, “Remake” (Hitchcok JanelaIndiscreta, 1954) 1995
  25. 25. Deleuze, Imagem – tempo:Cinema: a imagem -movimento onde o tempo procede como ditado pelaação (narrativa causa e efeito, racionalidade) a temporalidade estágovernada pelo esquema senso-motor. Tudo responde a uma causalidadelinear (ainda quando é interrompida por um flashback) Tudo tem umaprogressão razoável.A imagem- tempo, a diferença da imagem-movimento se desliga doesquema senso-motor. A experiência se desloca da progressão de imagens áimagem em si, aberto à diferentes modalidades temporais. A imagem-tempoexiste não como cronologia, mas como presentes justapostos.O cinema é único como meio porque tem mobilidade e temporalidade.O valor do cinema é a capacidade de mobilizar a percepção. Tendemos aimobilizar o fluido da vida para atuar, o cinema nos abre á percepção com ofluido do movimento. Pensamos o tempo como a ligação entre pontosimóveis ou vemos o tempo como um fluido de um ponto de vista imóvel. Ocinema libera a imobilidade do ponto de vista singular do observador. Istonos permite pensar a verdade da arte e da vida como movimento quesubseqüentemente imobilizamos em nossas percepções.
  26. 26. “O rizoma opera porvariação, por expansão,conquista, captura,Mapa que deve serproduzido, construído, quepode ser extraído,conectado, reversível,modificável com múltiplasentradas e saídas com suaspróprias linhas depercurso. Sistema semcentro, sem hierarquia semsignificado, definidasomente pela circulação deestados”. (Deleuze eGuattari, 1997) Guillermo Kuitca, (sem título) Mapa, 1990
  27. 27. “’Campo iconográfico’ [...] ‘conjunto de camadas de informações’ [...] uma arte baseadana produção de relações com o Outro. Exposição como espaço ‘fotogênico’: a obra nãose apresenta como totalidade espacial a ser percorrida pelo olhar, mas como umaduração a ser atravessada, seqüência por seqüência, como uma curta metragem em queo espectador deve se locomover . (Nicolas Bourriaud) Exposição Ozone, Dominique Gozalez Foerster, Berbard Jionsten, Pierre Joseph e Philippe Parreno, 1989
  28. 28. David Harvey (espaços da esperança) – novas considerações com o problema da espacialidade e da temporalidade (noções de descartável e instantâneo)Sylvie Fleury, Almine Rech Gallery, 2010
  29. 29. Eugenia Vargas, Amalia Caputo,Martina Alvarez, THT TalkingHead Transmitters, Miami ArtMuseum, 2010http://www.talkingheadtransmitters.com/
  30. 30. “Mas penetrar a imagem,assim como no amor carnal,significa ser penetrado por ela.O olhar se impregna de cor, osouvidos de sonoridade. Não hánada no espírito que nãoesteja nos sentidos: nada naidéia que não esteja naimagem. Eu me transformo noplano e a profundidade doolho do pintor que me olha[...]. Eu me transformo nadissonância da harmonia, nopulo do passo de dança. ‘Eu’:mas não é mais uma questãodo ‘Eu’. Cogito se torna Imago.(NANCY, J.L., 2005 p. 10) Marina Abramovic, The Artist is Present, MoMA, 2010
  31. 31. BibliografiaBISHOP, CLAIRE. Antagonism and Relational Aesthetics. Magazine and MassachusettsInstitute of Technology. October 110, Fall 51-79. 2004. Encontrado emhttp://roundtable.kein.org/files/roundtable/claire%20bishop-antagonism&relational%20aesth em 12/05/2010CANCLINI, NESTOR. Consumidores e cidadãos: Conflitos Multiculturais da globalização.Rio de Janeiro: editora UFRJ. 1999.BOURRIAUD, NICOLAS. Estética Relacional. São Paulo: Martins, 2009.___________,__. Pós-produção: Como a arte reprograma o mundo contemporâneo. SãoPaulo: Martins. 2009.KRAUSS, Rosalind. La originalidad de la Vanguardia y otros mitos modernos. Madrid:Alianza Editorial. 2006.DELEUZE, G. e GUATTARI F. Mil Platôs. São Paulo: Editora 34. 1997.________,_. A Imagem- tempo. São Paulo: Brasiliense. 2007.NANCY, JEAN LUC. The Ground of the Image. New York: Fordham University Press. 2005.CANTON, KATIA. Temas da Arte Contemporânea. São Paulo: Editora WMF MartinsFontes. 2009.ANJOS, MOACIR dos. Local/global: Arte em trânsito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2005.LEVY, PIERRE. Cibercultura. São Paulo. Editora 34. 1999.HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.MITCHELL, W.J.T. What do Pictures Want?. Chicago: University of Chicago Press, 2005
  32. 32. WebtecaEstudos pós-coloniais em reflexão, Frank Nilton MarconMinerva Cuevas, websiteThriving on Adversity: the Art of Precariousness, Anna DezeuzeWebsite de Mujeres Creando, BolíviaCarsten Holler, The Unilever Series, Tate Modern, Londres, 3D da instalação no museuGerardo Mosquera, Cinco continentes y una ciudad, em espanholIdentidade Cultural na Pós-modernidade, Stuart Hall, trecho em portuguêsEntrevista de Nadja Vladi com Marepe, YoutubePierre Levy fala sobre Inteligência ColetivaVideo sobre performance de Marina AbramovicEntrevista com Dominique Gonzalez Foerster, Canal ContemporaneoPhilippe Parreno na revista Contemporary Art DailyAntropologia Reversa de Roy Wagner

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