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Peter Singer: Ética Prática <ul><li>Em qualquer abordagem séria dos valores ambientais, a questão do valor próprio será se...
Peter Singer: Ética Prática <ul><li>Discutindo essa questão, sobressaiu que, quando a construção de uma barragem inunda um...
Peter Singer <ul><li>Será possível uma ruptura mais radical com a posição tradicional, indo não só além dos interesses hum...
Peter Singer <ul><li>O ecologista norte-americano Aldo Leopold defende uma &quot;ética da terra&quot;, que trata da relaçã...
O Holismo e os seres sencientes <ul><li>Lawrence Johnson destaca a ideia de holismo, afirmando que os interesses de uma es...
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Filosofia sara e mafalda

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  1. 2. <ul><li>Introdução </li></ul><ul><li>Conceito de ecologia </li></ul><ul><li>Movimentos ecologistas </li></ul><ul><li>A nossa responsabilidade e intervenção </li></ul><ul><li>Resumo do capitulo 10 do livro de Peter Singer “ Ética Prática” </li></ul><ul><li>Conclusao </li></ul>
  2. 3. <ul><li>Este trabalho foi realizado no âmbito da disciplina de Filosofia, em que o tema escolhido pelo meu grupo foi “ A Responsabilidade ecológica”, pretendemos assim que quem esteja a ler este trabalho fique a saber um pouco mais acerca deste tema e que tenha curiosidade em descobrir mais. </li></ul>
  3. 4. A Responsabilidade ecológica <ul><li>O conceito de ecologia foi desenvolvido pela primeira vez pelo cientista alemão Ernst Haeckel, em 1869, para designar a parte da biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ambiente, bem como a sua distribuição. A ecologia só teve importância quando os profundos desequilíbrios ambientais provocados pelo desenvolvimento tecnológico acelerado obrigaram a reflectir sobre a relação do ser humano com a Natureza. A ciência moderna, iniciada no sec. XVII por Francis Bacon, Galileu, Descartes e Newton, foi pensada como um instrumento capaz de aumentar o poder do ser humano sobre a Natureza, melhorar as suas condições de vida e eliminar as preocupações e a miséria da Humanidade. </li></ul>
  4. 5. <ul><li>A revolução industrial e o consequente desenvolvimento tecnológico permitiram a exploração em grande escala dos recursos naturais que conduziram: </li></ul><ul><li>- ao aumento do crescimento económico, estabelecendo uma nova ordem mundial em que a produção e o consumo se tornaram cada vez maiores; </li></ul><ul><li>- ao crescimento desmedido das zonas urbanas e a uma aceleração do crescimento da população mundial; </li></ul><ul><li>- a uma alteração das relações do ser humano com o meio. </li></ul>
  5. 6. <ul><li>Claro que os enormes e inegáveis benefícios resultantes das grandes invenções e descobertas da ciência, o “ progresso” tecnológico também trouxe impactos negativos, ora vejamos: </li></ul><ul><li>- poluição industrial, com produção excessiva de detritos; </li></ul><ul><li>- contaminação das águas e da atmosfera; </li></ul><ul><li>- exploração desenfreada de recursos naturais com a consequente eliminação de áreas florestais e de outros recursos naturais; </li></ul><ul><li>- contaminação de solos; </li></ul><ul><li>- perigo de extinção de espécies de animais. </li></ul><ul><li>  </li></ul>
  6. 7. <ul><li>Formaram-se movimentos ecologistas e associações de protecção do meio ambiente, em alguns países constituíram-se mesmo partidos políticos. Despertou-se a necessidade de inverter a situação e encontrar caminhos novos de desenvolvimento que possam evitar a destruição do nosso planeta, tem-se promovido conferências e outras acções concertadas com esse objectivo. </li></ul>
  7. 8. <ul><li>A primeira reunião internacional foi em 1972, em Estocolmo onde 113 países reflectiram globalmente sobre a relação entre protecção do ambiente e o desenvolvimento humano. A segunda grande conferencia reuniu 170 países em Junho de 1992 no Rio de Janeiro , ECO-92, foi reconhecida como a cimeira da terra, dado ter sido a maior conferência sobre o ambiente realizada até hoje. A terceira grande conferência foi a Convenção do Quadro das Naçoes Unidas, sobre alterações climática, que teve lugar no Japão em Dezembro de 1997, e onde surgiu o Protocolo de Quioto, um protocolo internacional legalmente vinculativo, que estabelece objectivos para os países industrializados no que concerne às suas emissões de Gases com Efeito de Estufa, estabelecendo-se uma gradual limitação de emissões. A quarta cimeira realizou-se em Agosto de 2002, em Joanesburgo, reafirmou o compromisso sustentável, neste evento foi acordado o tratamento equilibrado e integrado dos três pilares do Desenvolvimento Sustentável: económico, social e ambiental. </li></ul>
  8. 9. <ul><li>O Greenpeace é talvez a organização mais mediática e interveniente na defesa do ambiente, por realizar acções de grande impacto na opinião publica. Em Portugal, as organizações não governamentais, como a Quercus, o Geota, Os amigos da terra e a Liga Para a Protecçao da Natureza, têm tido igualmente, uma intervenção importante neste domínio. </li></ul>
  9. 10. <ul><li>O que podemos nós fazer, para mudar drasticamente o nosso modo de viver: </li></ul><ul><li>- fazer uma reestruturação dos padrões de produção; </li></ul><ul><li>- adoptando novas atitudes de consumo, escolhendo produtos “verdes”; </li></ul><ul><li>- usando recursos de forma mais racional e controlada, de modo a compatibilizar o desenvolvimento económico e a qualidade de vida com a satisfação das necessidades dos povos e o equilíbrio ambiental. </li></ul>
  10. 11. <ul><li>Devemos também empenharmo-nos a nível individual, como consumidores conscientes devemos: </li></ul><ul><li>- lutar pela redução do consumo, pondo fim ao consumismo pelo consumismo a que somos levados pela pressão publicitária, isto é, Reduzir; </li></ul><ul><li>- exigir produtos que sejam funcionais, “saudáveis”, não poluentes, recicláveis, feitos de matérias- primas renováveis, evitando assim produzir desperdícios e a acumulação de lixos não biodegradáveis, isto é, Reutilizar; </li></ul><ul><li>- Reutilizar. </li></ul>
  11. 12. <ul><li>Peter Singer examina a questão das decisões relacionadas com o meio ambiente, focando os valores em jogo nas polémicas sobre a preservação das regiões incultas. </li></ul><ul><li>A tradição ocidental dominante perante a natureza tem origem em ideias defendidas pelos hebreus e pelos gregos antigos. Para esses, o mundo natural foi criado por Deus para o benefício dos seres humanos e posto para o seu poder. Os humanos são os únicos membros moralmente importantes deste mundo. A natureza não tem nenhum valor interior e a destruição de plantas e animais não pode ser reprovada excepto se prejudicar os humanos. O grande nível de destruição, que põe em risco a sobrevivência humana, confere às regiões selvagens um valor muito raro que fortalece o argumento a favor da preservação, ainda nos termos de uma ética centrada no ser humano. O autor também destaca que é preciso tomar cuidado para não dar perdas irreparáveis às próximas gerações, sendo necessário decidir sobre a cortada de árvores, por exemplo, levar em conta o valor que poderão ter para as gerações do futuro. A ética centrada no homem apresenta argumentos a favor de &quot;valores ambientais&quot; ao considerar que o crescimento económico baseado na exploração dos recursos não-renováveis traz benefícios à presente e às próximas gerações, mas a um preço que poderá ser pago pelas gerações futuras. </li></ul>
  12. 13. Peter Singer: Ética Prática <ul><li>Em qualquer abordagem séria dos valores ambientais, a questão do valor próprio será sempre central. Algo tem &quot;valor próprio&quot; se for bom ou desejável em si; em contraste com o &quot;valor instrumental&quot;, valor em forma de meio para a obtenção de algum outro fim. O autor defende o ponto de vista de que é arbitrário pensar que só os seres humanos têm valor próprio. E pergunta: Até onde chega esse valor? A todos os seres com sentimentos, mas exclusivamente a eles? Ou esse valor ultrapassa a fronteira da sensibilidade? </li></ul>
  13. 14. Peter Singer: Ética Prática <ul><li>Discutindo essa questão, sobressaiu que, quando a construção de uma barragem inunda um vale e mata milhares ou milhões de criaturas sencientes, deve-se atribuir a essas mortes uma grande importância no espaço das avaliações dos custos e benefícios da construção. Para os utilitaristas, se a barragem destrói o habitat dos animais, é preciso considerar o facto de que essa perda é contínua. Se fundamentarmos a nossa decisão além dos interesses humanos, teremos mais elementos contrários às vantagens económicas da construção da represa. Nesses cálculos devem agora entrar os interesses de todos os animais que vivem na área a ser inundada. E não seria o caso de darmos importância apenas ao sofrimento e à morte desses animais, mas também ao facto de que toda uma espécie pode desaparecer. Temos aqui uma divergência moral fundamental - quais tipos de seres devem ser levados em conta nas nossas reflexões morais? </li></ul>
  14. 15. Peter Singer <ul><li>Será possível uma ruptura mais radical com a posição tradicional, indo não só além dos interesses humanos, mas também além dos interesses dos seres sencientes? Será possível mostrar que alguns ou todos os aspectos da inundação do vale têm valor próprio, de tal modo que devam ser levados em conta independentemente dos seus efeitos sobre seres humanos ou animais? Uma ética feita nos interesses de criaturas sencientes parte de premissas bem conhecidas - as criaturas sencientes têm vontades e desejos. Mas ao abandonarmos os interesses de criaturas sencientes como fonte de valor, onde encontraremos valor? O que é bom ou mau para as criaturas não-sencientes, e por que isso tem importância? Podemos ver o florescimento das plantas de qualquer região inculta como bom em si, independentemente de sua utilidade para as criaturas sencientes? Como avaliar a importância relativa do florescimento de diferentes formas de vida? Um pinheiro de dois mil anos de idade é mais digno de ser preservado do que um tufo de relva? Não considerando a senciência, o limite entre objectos naturais vivos e inanimados fica mais difícil de defender. Seria pior abater uma velha árvore do que destruir uma bela estalactite que levou muito mais tempo para atingir a forma actual? Com que base se poderia dizer tal opinião? A melhor defesa conhecida de uma ética que abranja todas as coisas vivas poder ser a de Albert Schweitzer com sua expressão &quot;respeito pela vida&quot;, para ele o princípio fundamental de moralidade. É bom conservar e acalentar a vida; é terrível destruir e “acabar” a vida. Paul Taylor, de forma semelhante, diz que toda coisa viva está &quot;em busca do seu próprio bem, de uma maneira que lhe é única&quot; e, pensando dessa forma, estaremos aptos a atribuir à existência de todas as coisas vivas o mesmo valor que atribuímos à nossa. O autor critica a abordagem ética de &quot;respeito à vida&quot; feita por Schweitzer através da utilização de termos como &quot;anseio&quot;, &quot;exaltação&quot;, &quot;prazer&quot; e &quot;terror&quot;, já que esses não dizem respeito às plantas. E destaca que, na ausência de consciência ou senciência, não é obvio por que devemos ter mais respeito por uma árvore do que por uma estalactite, por um organismo celular do que por uma montanha. </li></ul>
  15. 16. Peter Singer <ul><li>O ecologista norte-americano Aldo Leopold defende uma &quot;ética da terra&quot;, que trata da relação do homem com a terra, incluindo o solo, a água, as plantas e os animais que nela vivem&quot;. </li></ul><ul><li>Para Leopold, &quot;uma coisa é certa quando, tende a preservar a integridade, a estabilidade e a beleza da comunidade biótica; é errada quando apresenta a tendência contrária&quot;. </li></ul><ul><li>O filósofo norueguês Arne Naess estabeleceu a distinção entre as tendências &quot;superficiais&quot; e &quot;profundas&quot; do movimento ecológico, originando a expressão &quot;ecologia profunda&quot; - preservação da integridade da biosfera pela necessidade dessa preservação, ou seja, independentemente dos possíveis benefícios que essa preservação possa trazer para os humanos. </li></ul><ul><li>Richard Sylvan e Val Plumwood também levam a sua ética além das coisas vivas, incluindo a obrigação de &quot;não por em risco o bem-estar de objectos ou sistemas naturais sem uma boa razão para fazê-lo&quot;. </li></ul><ul><li>Bill Devall e George Sessions defendem a ideia do &quot;igualitarismo biocêntrico&quot; - na biosfera, todas as coisas têm o mesmo direito de viver e florescer, bem como alcançar as suas formas individuais de desenvolvimento e auto-realização; enquanto partes do todo interligado, todos os organismos e todas as entidades da ecosfera são iguais em termos do seu valor intrínseco. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Para o autor essa ideia não deixa claro o valor dos seres vivos considerados individualmente, já que nenhum indivíduo é necessário para a sobrevivência do ecossistema, como também não sugere que tenham, todos, um valor interior essencial ou mesmo um valor interior essencial igual. Sugere que a ética ecológica poderia tornar-se mais digno se fosse aplicada no nível das espécies ou dos ecossistemas. </li></ul>
  16. 17. O Holismo e os seres sencientes <ul><li>Lawrence Johnson destaca a ideia de holismo, afirmando que os interesses de uma espécie ou de um ecossistema devem ser levados em conta, juntamente com os interesses individuais, em nossas deliberações morais. Freya Mathews afirma que qualquer &quot;sistema auto-realizador&quot; tem valor intrínseco no sentido de que procura manter-se ou preservar-se, incluindo espécies e ecossistemas como entidades holísticas, ou individualistas, dotadas de sua própria forma de realização. O autor pondera que a ética da ecologia profunda tem problemas semelhantes aos levantados com a ideia do respeito pela vida - não basta que se afirme que árvores, espécies e ecossistemas têm interesses, mas que têm interesses moralmente significativos. Podemos avaliar essa questão perguntando o que significa para a entidade afectada ter um interesse não realizado. É possível, segundo o autor, dar respostas claras a essas perguntas quando elas são feitas a propósito de seres sencientes, mas não de árvores, espécies ou ecossistemas, constituindo-se um limite e um problema desse argumento ético. Para Peter Singer, a menos que se possa dar a esse uma fundamentação mais sólida, devemos nos limitar aos argumentos baseados nos interesses das criaturas sencientes presentes e futuras, humanas e não-humanas, transparecendo que o valor da preservação do que resta de regiões naturais excede em muito, pelos motivos já expostos, os valores económicos obtidos através de sua destruição. </li></ul><ul><li>Os contornos gerais de uma ética verdadeiramente ambiental incluem, em seu nível mais fundamental, o incentivo à consideração dos interesses de todas as criaturas sencientes, inclusive das gerações que habitarão o planeta num futuro remoto, acompanhada da ideia de uma estética da apreciação dos lugares naturais não devastados pelo homem. Além disso, t ira a vontade de existência de grandes famílias nas cidades, avalia o sucesso em termos do desenvolvimento das aptidões individuais e da conquista da satisfação e da realização e incentiva as medidas para a diminuição da poluição e da exploração prejudicial e exagerada do meio ambiente (incluindo a destruição de florestas e o consumo de carne). </li></ul><ul><li>  </li></ul>
  17. 18. <ul><li>Com este trabalho concluímos que podemos preservar o nosso planeta se assim o quisermos, basta simples acções no nosso dia a dia que fazem a diferença, podemos não notar a mudança agora mas no futuro quem sabe os nossos filhos não viveram num planeta melhor. </li></ul>
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