Naturalismo

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Aula do professor André Guerra sobre a literatura do movimento Naturalista

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Naturalismo

  1. 1. O CARÁTER NATURALISTA<br />
  2. 2. DETERMINISMO<br />
  3. 3. O MARGINALIZADO<br />
  4. 4. SEXUALIDADE<br />
  5. 5. NATURALISMO<br />MÉTODO CIENTÍFICO<br />OBSERVAÇÃO<br />ANÁLISE<br />DA CLASSE MARGINALIZADA DA SOCIEDADE<br />DO GRUPO SOCIAL<br />RAZÃO CIENTÍFICA<br />NÃO-EU<br />ROMANCE SOCIOLÓGICO<br />
  6. 6. “Na rua passa um operário. Como vai firme! Não tem blusa. No conto, no drama, no discurso político, a dor do operário está na blusa azul, de pano grosso, nas mãos grossas, nos pés enormes, nos desconfortos enormes.”<br /> (Operário do mar – Drummond)<br />
  7. 7. ConstruçãoChico Buarque<br />
  8. 8. Construção (Chico Buarque)<br />Amou daquela vez como se fosse a últimaBeijou sua mulher como se fosse a últimaE cada filho seu como se fosse o únicoE atravessou a rua com seu passo tímidoSubiu a construção como se fosse máquinaErgueu no patamar quatro paredes sólidasTijolo com tijolo num desenho mágicoSeus olhos embotados de cimento e lágrimaSentou pra descansar como se fosse sábadoComeu feijão com arroz como se fosse um príncipeBebeu e soluçou como se fosse um náufragoDançou e gargalhou como se ouvisse músicaE tropeçou no céu como se fosse um bêbadoE flutuou no ar como se fosse um pássaroE se acabou no chão feito um pacote flácidoAgonizou no meio do passeio públicoMorreu na contramão atrapalhando o tráfego<br />
  9. 9. Amou daquela vez como se fosse o últimoBeijou sua mulher como se fosse a únicaE cada filho seu como se fosse o pródigoE atravessou a rua com seu passo bêbadoSubiu a construção como se fosse sólidoErgueu no patamar quatro paredes mágicasTijolo com tijolo num desenho lógicoSeus olhos embotados de cimento e tráfegoSentou pra descansar como se fosse um príncipeComeu feijão com arroz como se fosse o máximoBebeu e soluçou como se fosse máquinaDançou e gargalhou como se fosse o próximoE tropeçou no céu como se ouvisse músicaE flutuou no ar como se fosse sábadoE se acabou no chão feito um pacote tímidoAgonizou no meio do passeio náufragoMorreu na contramão atrapalhando o público<br />
  10. 10. Amou daquela vez como se fosse máquinaBeijou sua mulher como se fosse lógicoErgueu no patamar quatro paredes flácidasSentou pra descansar como se fosse um pássaroE flutuou no ar como se fosse um príncipeE se acabou no chão feito um pacote bêbadoMorreu na contra-mão atrapalhando o sábado<br />
  11. 11. O ANTICLERICALISMO EXACERBADO DE EÇA DE QUEIRÓS<br />
  12. 12. O CRIME DO PADRE AMARO<br />Eça de Queirós<br />
  13. 13. ‘<br />
  14. 14. DENÚNCIA SOCIAL:<br />O RACISMO<br />
  15. 15. O MULATO<br />1881<br />Aluísio Azevedo<br />
  16. 16. “— Um cabra! berrou a sogra. E era muito bem feito que acontecesse qualquer coisa, para você<br /> ter mais cuidado no futuro com as suas hospedagens! Também só nessa cabeça entrava a maluqueira de<br /> andar metendo em casa crioulos cheios de fumaças! Hoje todos eles são assim! Súcia de apistolados!<br /> Dá-se-lhes o pé e tomam a mão! Corja! Julgue-se mas é muito feliz em não lhe ter recebido o coice!<br /> porém fique você sabendo que só a mim o deve!—sei a educação que dei a minha neta!... por esta<br /> respondo eu!.. E, quanto ao cabra... é tratar de despachá-lo já, e já, se não quiser ao depois ter de<br /> pegar-se com trapos quentes!...”<br /> (O mulato – Aluísio Azevedo. P.62)<br />
  17. 17. O CIENTIFICISMO<br />
  18. 18. — Mas, nesse caso, o senhor não tem religião!<br /> — Tenho, tenho...<br /> — Pois não parece!... Pelo menos não devia fazer tão pouco caso das rezas, que nos foram ensinadas pelos apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo!...<br /> Raimundo não pôde conter uma risada, e, como o outro se formalizara, acrescentou em tom sério “que não desdenhava da religião, que a julgava até indispensável como elemento regulador da sociedade. Afiançou que admirava a natureza e rendia-lhe o seu culto, procurando estudá-la e conhecê-la nas suas leis e nos seus fenômenos, acompanhando os homens de ciência nas suas investigações, fazendo, enfim, o possível para ser útil aos seus semelhantes, tendo sempre por base a honestidade dos próprios atos”.<br />(O mulato – Aluísio Azevedo. Cap. 10))<br />
  19. 19. O Cortiço<br />Aluísio Azevedo<br />
  20. 20. Aspecto Naturalista<br />personagens psicologicamente pobres<br />predileção por tipos <br />A moradia coletiva comporta-se como um só personagem, um ser vivo <br />um mergulho nas diferentes taras e facetas da decadência humana <br />
  21. 21. Aspecto Naturalista<br />A maneira como são descritos os moradores em sua agitação, semelhantes a larvas minhocando num monte de esterco, é de uma escatologia tradicional a essa escola literária, rebaixadora ou mesmo aniquiladora da nobreza humana (zoormorfismo)<br />
  22. 22. Trechos para Análise<br />
  23. 23. “Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. <br /> Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da ultima guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia. <br /> A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. As pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma palidez grisalha e triste, feita de acumulações de espumas secas. <br />
  24. 24. Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. As portas das latrinas não descansavam, era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas. Não se demoravam lá dentro e vinham ainda amarrando as calças ou as saias; as crianças não se davam ao trabalho de lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos, por detrás da estalagem ou no recanto das hortas. <br />

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