Pin Ups

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Uma volta no tempo e lembranças das artistas de cinema do século passado.

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Pin Ups

  1. 1. Pin-ups
  2. 2. Ainda guardo no fundo de minha garagem a velha geladeira, com os “pin-ups” de minhas artistas favoritas do século passado, nela colados.
  3. 3. Claro que a isso cabe uma explicação: no auge do cinema romântico, houve um tempo em que a onda eram “pin-ups”; peças em plástico próprios para serem colados em geladeiras.
  4. 4. Essas peças passaram a ser colecionadas e tê-las era o mesmo que ter a mulher do cinema de seus sonhos um pouco mais perto de você.
  5. 5. O elo sentimental entre o espectador de filmes (maioria americanos) se completava com essas pequenas peças, que ficavam expostas com muito orgulho por dias, meses, anos. No meu caso, até hoje, e aí de quem tirá-los de lá. Ali está um pouco de minha história.
  6. 6. Artistas naquele tempo era coisa mais ou menos sagrada, e isso por muitas razões. Ditavam moda, mostravam o que havia de mais moderno no mundo, provocavam a sensualidade comedida própria da época, além de nos fazerem sorrir e chorar na medida ditada pelo autor do filme ou seu diretor.
  7. 7. Os “pin ups” vinham sempre reportando a uma cena especial de um filme famoso. Eu colecionei das artistas que me fizeram rir, chorar e sonhar... sonhar muito.
  8. 8. Nem sei se a nova geração sabe o que é colecionar peças, figurinhas, etc. Mas era no mesmo sistema, pois haviam os “pin ups” mais difíceis, os encontrados com mais facilidade, etc.
  9. 9. Acho que aí cabe uma explicação, pois isso aconteciam com adolescentes, jovens e mesmo adultos. Veja que coisa saudável: os adolescentes ainda jogavam bola na rua, mas também brincavam com seus sonhos e fantasias. E os “pin ups” estimulavam esse exercício.
  10. 10. Quantas vezes não acordei encerrando um sonho provocado por um filme, no qual eu era o artista e beijava ardentemente Gina Lolobrígida. Sophia Loren, essa ocupava minha cabeça de adolescente e me fez muitas vezes acordar em situação pouco recomendável para aquela época.
  11. 11. E assim ia. Conforme o sucesso da época, uma nova peça no mercado (e importada) e a disputa dos fãs brasileiros. Dá pra imaginar quanto romantismo?
  12. 12. Claro que haviam os “pin ups” super insinuantes, como este. A saia levantada iniciava a viagem em nossas cabeças. Daí pra frente tudo era imaginação. A isso atribuo estímulo, que fazia da geração de então muito mais criativa e sonhadora.
  13. 13. <ul><li>Os “pin ups” fizeram soldados americanos da 2ª Guerra Mundial sonharem em pleno campo de batalha. </li></ul><ul><li>O que começou como um exercício de óleos, logo foi tomando rumos diferentes, alcançando as fuselagens das máquinas dos combatentes e tornando-se uma característica essencial do mundo masculino de garagens e casernas. </li></ul>
  14. 14. <ul><li>Falar sobre as pin-ups é voltar ao fim do século 19, época em que o teatro de revista transformava dançarinas em estrelas, fotografadas para revistas, anúncios, cartões e maços de cigarros. Em Paris, dois artistas, Alphonso Mucha e Jules Cheret, criaram as primeiras imagens de mulheres em poses sensuais para pôsteres, com trabalhos marcados pela presença de contornos e detalhes. </li></ul>
  15. 15. <ul><li>E é justamente a partir do ato de pendurar ilustrações nas paredes que o nome pin-up surgiu. </li></ul><ul><li>Foi na década de 40, contudo, que as pin-up girls (ou “garotas penduradas”) viveram o auge do sucesso. </li></ul>
  16. 16. <ul><li>Mostrar as pernas era atitude subversiva e ser fotografada nua, atentado ao pudor. O jeito era se contentar o com resultado provocado pelo artista, com seu lápis, papel e tinta. Os chamados posters, que vieram antes dos “pin ups”. </li></ul>
  17. 17. <ul><li>Betty Grable foi uma das mais populares dentre as primeiras “pin-ups”. Um de seus posters em forma adesiva tornou-se onipresente nos armários de soldados na Segunda Guerra e a mania se estendeu para o mundo todo. O conceito das garotas pin-up era bastante claro: eram sensuais e ao mesmo tempo inocentes. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>A verdadeira pin-up jamais poderia ser vulgar ou oferecida, apenas convidativa. Asseguradas pelos traços sofisticados vindos da art-nouveau , elas vestiam peças de roupa que deixavam sutilmente à mostra suntuosas pernas e definidas cinturas. </li></ul>
  19. 19. <ul><li>Era o bastante para alimentar a fantasia dos marmanjos. Das ilustrações de papel, as pin-ups logo ganharam vida ao serem encarnadas por atrizes como Betty Grable e Marilyn Monroe, ou fotografadas por modelos voluptuosas como Bettie Page, também chamada de “rainha das curvas”. </li></ul>
  20. 20. <ul><li>A partir dos anos 70, a indústria do sexo passou a desmanchar a aura misteriosa dessas mulheres, graças a filmes pornográficos e revistas de nu feminino. </li></ul><ul><li>O mundo masculino da época suspirava pela beleza feminina. Um pouco diferente do que ocorre hoje, com tudo muito fácil, muito ao alcance de todos a todos os momentos. </li></ul>
  21. 21. Avanço ou não (não me compete julgar), mas que a pitada de dificuldade, o que estava por vir, o que não foi mostrado, faziam das relações algo muito mais prazeroso. Isso porque tinham as pessoas envolvidas na relação, um forte desejo estimulado pelas imaginações, sem no entanto perder o respeito necessário a duas pessoas que se procuraram e se entenderam.
  22. 22. Às vezes a arte vinha em forma de uma ilustração bem humorada, sem no entanto deixar de exibir a proposta de insinuar.
  23. 23. E como dizia Cazuza, “o tempo não para”. Houve o tempo dos seios grandes, que aliás voltou com tudo agora. Aqui, como esse detalhe era exibido.
  24. 24. E sob a visão artística, um detalhe: as imagens eram na maioria alegres. Isso fazia com que a viagem fosse ainda mais divertida e completa. O sonho parecia percorrer um roteiro, com o início no encontro com a mulher imaginada em pose espontânea, a abordagem, as primeiras manifestações e a conclusão que sempre se dava intensa e muito prazerosa.
  25. 25. É isso, coisas de uma época romântica. Um tempo muito diferente dos atuais, com a imaginação respondendo por todas as conquistas. Isso, talvez, porque no real aquilo era inatingível. Mas como era gostoso sonhar.
  26. 26. Eu beijei Elisabeth Taylor, dormi com Betty Gable, casei-me com Barbara Bates, tive um longo caso com Vivian Leigh e fui disputado por Carole Lombard. Estive na filmagem de “Cleópatra”, atuei em “Assim Caminha a Humanidade” e estrelei em “Os dez mandamentos”. “Eu nasci a dez mil anos atrás”.
  27. 27. Penso ter acordado. Mas às vezes me pego conversando com John Wayne, trocando tiros com Rock Hudson numa cena de bang bang e em outras vezes estou tascando um longo beijo em Glória Swanson. E quero continuar sonhando... alguém tem que contar essa história.
  28. 28. Texto e apresentação por Renato Cardoso
  29. 29. www.vivendobauru.com.br

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