As Feias Que Nos Perdoem

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2 comments

Comments 1 - 2 of 2 previous next Post a comment

  • + guestc79f8f guestc79f8f 2 years ago
    Me perdoe você também. Pena não ter entendido, mas sou da paz.

    Veja outras e sejamos amigos.

    Quem é você? Me fale um pouco.

    abraços
  • + AryFlower AryFlower 2 years ago
    Q apresentação ridicula!!!
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As Feias Que Nos Perdoem - Presentation Transcript

  1. RECEITA DE MULHER Vinicius de Moraes
  2. As muito feias que me perdoem , m as beleza é fundamental.
  3. É preciso q ue haja qualquer coisa de flor em tudo isso .
  4. Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture e m tudo isso
  5. (ou então q ue a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
  6. Não há meio-termo possível.
  7. É preciso q ue tudo isso seja belo.
  8. É preciso que , súbito , t enha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada
  9. e que um rosto a dquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
  10. É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche n o olhar dos homens.
  11. É preciso, é absolutamente preciso q ue seja tudo belo e inesperado.
  12. Alguma coisa além da carne: que se os toque
  13. É preciso que umas pálpebras cerradas l embrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
  14. Como no âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
  15. Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
  16. Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
  17. Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem c om olhos e nádegas.
  18. Nádegas é importantíssimo.
  19. Uma boca f resca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
  20. Olhos então n em se fala, que olhe com certa maldade inocente.
  21. É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos d espontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas n o enlaçar de uma cintura semovente.
  22. Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras é como um rio sem pontes. Indispensável.
  23. Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida a mulher se alteie em cálice, e que seus seios s ejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca
  24. E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
  25. Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral l evemente à mostra;
  26. e que exista um grande latifúndio dorsal!
  27. Os membros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas
  28. E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
  29. No entanto, sensível à carícia em sentido contrário. É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
  30. Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!). Preferíveis sem dúvida os pescoços longos .
  31. De forma que a cabeça dê por vezes a impressão d e nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre f l ô res sem mistério.
  32. Pés e mãos devem conter elementos góticos d iscretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso, e na face
  33. Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior a 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras de primeiro grau.
  34. Os olhos, que sejam de preferência grandes e de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e q ue se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão q ue é preciso ultrapassar.
  35. Que a mulher seja em princípio alta o u, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
  36. Ah, que a mulher de sempre a impressão de que se fechar os olhos a o abri-los ela não estará mais presente c om seu sorriso e suas tramas.
  37. Que ela surja, não venha; parta, não vá e que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber o fel da dúvida.
  38. Oh, sobretudo q ue ela não perca nunca, não importa em que mundo n ão importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade d e pássaro;
  39. e que acariciada no fundo de si mesma . Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre o impossível perfume;
  40. e destile sempre o embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto d a sua combustão;
  41. e não deixe de ser nunca a eterna dançarina d o efêmero;
  42. Um dos mais polêmicos e belos poemas do “Poetinha”. Desrespeitoso para muitos, pertinente para alguns, na verdade o “Poetinha” quis prestar sua homenagem às mulheres bonitas e não faz qualquer definição do que vem a ser a “mulher feia”. Pouco se tem divulgado na íntegra o “discutido” poema e está ele aí, também não pretendendo promover qualquer ligação entre o belo descrito com as imagens ilustrativas (da Internet)
  43. Apresentação por Renato Cardoso

+ guestc79f8fguestc79f8f, 2 years ago

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