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Cognição social em primatas
 

Cognição social em primatas

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Teoria da mente e sua importancia no desenvolvimento da inteligencia em primatas - Autoria: Renata Lourenço

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    Cognição social em primatas Cognição social em primatas Presentation Transcript

    • A importância da Teoria da Mente no desenvolvimento da inteligência em primatas
    • Porquê o estudo da cognição em primatas não Humanos ?
      • O ser humano é filogeneticamente um primata
      • O chimpanzé é o primata não Humano mais próximo dos Humanos
      • É por isso um dos primatas mais estudados no âmbito da cognição com a finalidade de percebermos as tendências evolutivas que conduziram ao desenvolvimento da inteligência na nossa espécie.
    • Definir inteligência
      • Os primatas são de uma forma geral animais relativamente mais inteligentes do que a maioria dos mamíferos (Cartright,2000)
      • Definir inteligência:
      • Howard Gardener : não existe uma inteligencia única mas inteligencias multiplas
      • Goleman : Teoria da inteligencia emocional.
      • Piaget : capacidade de adaptação do organismo a uma situação nova.
    • Custos de um cérebro grande
      • Existe uma clara associação entre inteligência e tamanho cerebral relativo.
      • A tendência para o aumento do volume cerebral está presente em toda a ordem dos primatas (Dunbar,2006).
      • O ser Humano tem um cérebro 3 vezes superior ao que seria de esperar para um mamífero do seu porte. Este aumento de volume deve-se sobretudo ao desenvolvimento do neocórtex (Dunbar,2006).
      • Para os seres Humanos o aumento do volume cerebral tem enormes custos:
        • Maior consumo calórico
        • Complicações no parto
        • Nascimentos precoces que aumentam a dependência do recém nascido face aos progenitores
      • Pela lei da selecção natural os benefícios de um órgão tão caro terão de ter compensado os custos para os seus portadores (Goleman,2007).
    • Compreender a Inteligência Humana
      • Não obstante as capacidades cognitivas dos outros animais, o ser humano possui capacidades mentais que o distinguem :
        • O raciocínio abstracto, filosófico e cientifico
        • Pensamento religioso
        • A expressão artística; música, literatura, cinema, humor , artes gráficas etc.
        • A engenharia complexa
        • Entre outros
      • Qual a origem / pressão selectiva, que terá potenciado o desenvolvimento destas extraordinárias capacidades mentais ?
    • Origem do desenvolvimento cerebral
    • Hipótese Ecológica
      • Defende que a inteligência se terá desenvolvido para superar desafios ecológicos maximizadores da sobrevivência tais como :
        • Elaboração de mapas mentais
        • Fabrico de ferramentas
        • Conhecimento de tipos alimentares mais adequados (inclusivamente medicinais)
        • Possibilitar melhores estratégias de prevenção ou fuga face a predadores
        • Alguns autores consideram que estes desafios não são suficientes para justificar um tão grande e genérico desenvolvimento cerebral (Casanova, 2006) .
    • Hipótese Social
      • Defende que a inteligência se terá desenvolvido para dar resposta às exigências sociais de grupos socialmente complexos (Buller, 2005; Foley,1995).
      • A sociabilidade dos primatas supera a concepção da gregaridade simples implicando:
        • Mais do que o contrário de se ser um animal solitário
        • O inter-conhecimento individual entre os indivíduos do grupo
        • O reconhecimento de papeis sociais, hierarquias,
        • direitos e deveres de cada um
        • A construção de alianças e coligações para
        • contornar / alterar as hierarquias que
        • não são lineares (Casanova, 2006).
    • Cognição social e Modularidade
      • Muitos psicólogos defendem que o cérebro humano não é uma máquina de processamento genérico mas sim constituída por módulos especializados para o desempenho de tarefas específicas (Módulos mentais).
      • Os primatas superiores, especialmente os Humanos, baseiam-se nas suas capacidades para inferir o que os outros possam estar a pensar , para determinarem as suas acções (Adolph, 2003).
      • Quem detém esta capacidade detém também um maior poder para manipular a informação social e os outros indivíduos (Pensamento maquiavélico).
      • Evidências indicam que a Teoria da mente (TOM) pode constituir um módulo mental
    • O que é a Teoria da Mente ?
      • A teoria da mente é a “ferramenta” que permite realizar inferências sobre o estado mental do outro, definindo-se essencialmente como:
        • Capacidade para raciocinar sobre estados mentais
        • (Povinelli e Vonk, 2004)
        • Capacidade para deter duas ideias contraditórias
        • e continuar a processar (Fitzgerald in Cheney e Seyfarth,1990)
        • Capacidade para distinguir entre o seu próprio
        • conhecimento e emoções e o conhecimento e
        • emoções do outro (Casanova, 2006; Premack e Woodruff (1978) in Cheney
        • e Seyfarth 1990; cohen,2001; Hues,1998).
    • Aferir a detenção da teoria da mente
      • O ser humano adquire a teoria da mente entre os 3 e os 4 anos (Tomasello e Call 1997 in Casanova, 2006;)
      • Indivíduos autistas não adquirem a teoria da mente
      • Utiliza-se o teste da “falsa crença” para aferir se um individuo tem a teoria da mente (Ex: Teste dos smarties , Sally-Anne, etc.).
      • Não é possível aplicar linearmente os testes desenvolvidos para os Humanos em primatas não Humanos.
      • Em primatas não humanos a aferição faz-se com base na observação comportamental e com auxilio de testes específicos.
    • Beneficios da teoria da mente
      • A detenção da teoria da mente confere aos seus possuidores:
      • Capacidade de manipular os outros socialmente em seu beneficio
      • Capacidade de antecipar as acções dos outros tanto em actividades cooperactivas como em interacções competitivas (Sterelney in Heyes e Huber, 2000).
      • Capacidade de imaginar e representar cenários/acções não existentes (Dunbar,2006)
      • Capacidade de detectar comportamentos oportunistas e não cooperativos por parte dos outros individuos
    • Evidências da teoria da mente em primatas não Humanos
      • Os grandes símios são os únicos primatas não Humanos capazes de ultrapassar testes de falsa crença
      • Estes demonstram também a capacidade para imaginar e fingir. Foram observados em chimpanzés os seguintes comportamentos: (Byrne,1995)
        • Inventar monstros imaginários para assustar conspecificos
        • Ingerir de comida imaginária
        • Aproximar-se de outros individuos com postura amigavel para posteriormente os agredir
        • Ser mordidos nos dedos por bonecas de plástico
        • Esconder objectos imaginários e recupera-los mais tarde
      • Alguns destes comportamentos foram também reportados em gorilas mas não em macacos
    • Desvio evolutivo
      • As capacidades evidenciadas pelas várias espécies permite-nos inferir que terá havido um desvio dentro da linhagem dos primatas que separa cercopitecineos de pongídeos ao nível cognitivo (Sterelny in Heyes e Huber, 2000)
      • A diferença essencial parece ser a forma como estes percepcionam o mundo :
      Resultado Percepção do mundo Constante percepção de um mundo novo = menor dominio desse mundo Abstracção e categorizaão permitem a percepção de mundos conhecidos, facilitando um maior dominio sobre os mesmos.
    • Evidências funcionais da Teoria da Mente
      • A teoria da mente ter-se-á desenvolvido para facilitar e optimizar as relações sociais, favorecendo beneficios sociais a longo termo como a coesão , o altruismo ou a punição social mais do que benefícios individuais (Adolph, 2003).
      • Uma das evidencias da função social da teoria da mente é a existencia de emoções complexas:
      Ex: Desenv.
    • Emoções complexas em primatas não humanos?
      • Não sabemos ao certo se os primatas não humanos detêm emoções complexas. De qualquer forma evidenciam comportamentos que requerem algum grau de percepção sobre o lugar do outro, o seu estatuto, e noção do que é esperado de sí socialmente :
      • EX:
        • Existencia de reconciliações – necessidade de estabelecer boas relações com possiveis futuros aliados (Franz de Wall 1989b in Byrne,1995).
        • Estratégia política? pensamento a longo prazo?
        • 1 chimpanzé treinado para utilizar linguagem simbólica, mente acerca de uma acção que praticou, confessando após insistencias do tratador (Fouts in Byrne, 1995)
      • Medo? Vergonha? Capacidade de mentir/omitir?
    • Níveis de Intencionalidade
      • A teoria da mente pode aferir-se através dos níveis de intencionalidade:
        • Nivel 0 – não tem consciência da sua existência (REAGE)
        • Nivel 1 – Tem consciência da sua existência (AGE)
        • Nivel 2 – Concebe outro estado mental para além do seu (PODE FAZER AGIR)
      • Apenas os primatas superiores :
      • Conhecem-se ao espelho (Têm consciência de sí)
      • Mostram evidencias consistentes de compreenderem as crenças de outros
      • Podem aplicar o engano táctico não de uma forma sensorial simples ( eu sei que X provoca Y ) mas sim por saberem que determinado individuo acredita em algo que não é verdade (Byrne,1995).
    • Evidências de um motor social para o desenvolvimento da inteligência
      • É possivel deter-se uma vida social complexa sem a pré-existencia de inteligencia ecológica /técnica evoluida (Lémures de cauda anelada) (Alison Jolly ,1996 in Byrne ,1995)
      • As exigencias do contexto ecológico não parecem ser suficientes para o desenvolvimento de um aparelho mental tão poderoso (Casanova,2006).
      • Os primatas apresentam um interesse inato pelo mundo social , conhecem-se individualmente, detêm estatutos, direitos, espectativas de deveres dentro dos grupos onde vivem.
      • 4. Os primatas superiores detectam a intencionalidade dos outros indivíduos sugerindo que a teoria da mente poderá ter surgido como forma de detectar indivíduos oportunistas e não cooperativos.
      • 5. Os primatas superiores praticam o engano táctico com recurso á intencionalidade de segundo grau.
      • 6. E xiste uma relação entre o tamanho do neo-córtex e o tamanho dos grupos sugerindo que este se possa ter desenvolvido para dar resposta ás crescentes exigências dos mesmos (Dunbar,2008).
      • 7. Ent re os primatas, o “ jogo” social pode ser mais determinante do que o porte corporal para o sucesso de um individuo (Casanova)
    • O exponenciar da inteligência social em Humanos
      • Um teste realizado com orangutangos, chimpanzés e humanos (com 2,5 anos de idade) evidenciaram:
        • Resultados semelhantes para cognição fisica, espacial, quantitativa e causal
        • Resultados distintos entre Humanos e restantes primatas não Humanos para a cognição social (Humanaos superam 74% das tarefas, contra 33% das restantes espécies)
      • Chimpanzés jovens desempenhando melhor do que humanos adultos em tarefas que exijam memória fotográfica (Inoue e Matzuzawa, 2007)
      • Estes resultados sugerem um desenvolvimento mental diferente no que respeita ás capacidades sociais entre humanos e restantes símios superiores.
    • Conclusões
      • Existem algumas evidências da existência de uma teoria da mente em primatas superiores, especialmente chimpanzés embora nem todos os investigadores estejam de acordo.
      • Embora o seu desenvolvimento seja inferior à teoria da mente em Humanos, esta parece já estar presente em primatas não Humanos, espelhando uma tendência evolutiva.
      • São ainda necessárias mais investigações para desambiguar duvidas relacionadas com as formas de aprendizagem (visual/mental) nos grandes símios.
      • A hipótese da cognição social apresenta-se como uma hipótese sustentada para o desenvolver da inteligência em primatas Humanos e não Humanos, embora não seja ainda possível afirmar com certeza que tenha sido este o único motor incial.
      • A hipótese da cognição social reforça a ideia da existência de módulos mentais uma vez que crianças autistas ou primatas não humanos embora partilhem muitas outras características e competências não apresentam consistentemente a teoria da mente.
    • Referências bibliográficas
      • Baron-Cohen, S. 2001. Theory of mind in normal development and autism. Prisme , 34, 174-183.
      • Byrne, Richard. 1995. The Thinking Ape : Evolutionary origins of Intelligence
      • Oxford University Press, USA
      • Heyes, C. & Ludwit, H. 2000. The evolution of cognition . MIT Press. Springer Berlin / Heidelberg
      • Heyes, C. M. (1998). Theory of mind in nonhuman primates. Behavioral and Brain Sciences 21 (1): 101-134. unedited preprint
      • Higher Social Skills Are Distinctly Human, Toddler And Ape Study Reveal. ScienceDaily (Sep. 7, 2007) Online http://www.sciencedaily.com/releases/2007/09/070906144113.html
      • Casanova, C. 1996. Primatologia : sobre o Comportamento e a organização social de um grupo de chimpanzés (pan troglodytes) em cativeiro . Lisboa, ISCSP.
      • Casanova, C. 2002. Status and friendship in captive female chimpanzees . Cambridge
      • Dunbar, R. 2006, A história do homem. Uma nova história da evolução da humanidade, Lisboa, Quetzal Editores
      • Foley, Robert, (1995) Humans Before Humanity . Cambridge, Massachusetts: Blackwell Publishers, Inc.
      • Inoue, Sana & Matsuzawa Tetsuro (2007) Working Memory of numerals in chimpanzees. Current Biology Vol. 17 No 23 R1004
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      • Sana, Inoue e Tetsuro Matsuzawa. 2007 . Working memory of numerals in chimpanzees
      • Current Biology Vol 17 No 23
      • Tomasello, Michael; Call, Josep e Hare Brian 2003. Chimpanzees understand psychological states – the question is which ones and to what extent. TRENDS in Cognitive Sciences Vol.7 No.4 April 153 . Elsevier
      • Povinelli, D. e Vonk, J.2004. We don't need a microscope to explore the chimpanzee's mind . In Mind & Language, n1, February 2004 , pp. 1-28(28)
      • Casanova, Catarina (2006) Introdução á Antropologia Biológica : Principios Evolutivs, Genética e Primatologia . Lisboa, ISCSP-UTL
      • Foley, Robert, (1995) Humans Before Humanity. Cambridge, Massachusetts: Blackwell Publishers, Inc.
      • Dunbar, Robin, 2006, A história do homem. Uma nova história da evolução da humanidade , Lisboa, Quetzal Editores
      • Baron-Cohen, Simon. 2001. Theory of mind in normal development and autism , in Prisme, 34, 174-183.
      • Baker, L. J.; Welkowitz, L. A. 2005 . Asperger's Syndrome : Intervening in schools, clinics, and communities . Keene state college. New Jersey, London. Lawrence Erlbaum associates, publishers,
      • Adolphs, R. 2003. Cognitive Neuroscience of human social behaviour. Nature Reviews in Neuroscience. volume 4 , Março.
      • Goleman, Daniel 2007. Social Inteligence: The New Science of Human Relationships . New York. Arrow Bookd.
      • Buller, David J. 2005. Adapting Minds: Evolutionary Psychology and the presistent Quest for Human Nature . Bradford MIT Press, Cambridge, Massachusetts, London.
      • Sousa, C. 1999. The Use of Tokens by Chimpanzees: A New Approach to Tool - Use And Intelligence . Dissertação de mestrado em Evolução Humana. Departamento de Antropologia - Universidade de Coimbra.
      • Fim