esscp - 2007/08 - elisa Para mim há uma coisa sagrada: Ser livre como o vento. Luís de Sttau Monteiro
Ficcionista, autor dramático, encenador e jornalista, formado em Direito.
De ascendência espanhola, viveu uma parte da adolescência em Inglaterra, onde o seu pai foi embaixador.
Nos anos 70 desenvolveu actividade como jornalista.
Da segunda geração neo-realista, recebeu com Felizmente Há Luar! , em 1962, o Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores.
As suas sátiras sobre a ditadura e a Guerra Colonial, fruto do seu espírito crítico e combativo, tornaram-no objecto de perseguição política, chegando mesmo a ser preso.
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Conteúdos Essenciais:
Contextualização – histórica – social;
Classificação da obra – drama narrativo;
Teatro Épico Vs Teatro Aristotélico;
Personagens – o Poder – o Contrapoder;
Espaço;
Tempo – sobreposição metafórica de dois tempos.
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Contextualização
– histórica – social
-Revolução Francesa (1789).
-Invasões napoleónicas abalam o Ocidente da Europa.
-Só a Inglaterra resiste ao imperador Napoleão Bonaparte.
-Em 29 de Novembro de 1807, com as tropas de Junot às portas de Lisboa, D. João VI, e grande parte da corte, embarcam para o Brasil, para evitar a capitulação.
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Contextualização
– histórica – social
-A corte pede ao governo inglês um oficial para reorganizar o exército.
-É nomeado o general Beresford, generalíssimo do exército português, quando o País sofre as invasões das forças comandadas por Soult e, depois, por Massena.
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Contextualização
– histórica – social
-Após as invasões, Beresford vê os seus poderes consolidados, mas começa a atrair inimigos.
-Começa então uma acção repressiva, nomeadamente contra conspiradores, agrupados em sociedades secretas.
-Em 1815, o general Gomes Freire de Andrade chega a Lisboa, o Intendente da Polícia avisa Beresford da simpatia que o povo nutre pelo general e do ambiente de conspiração que se respira.
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Trata-se de uma drama narrativo de carácter épico que retrata a trágica apoteose do movimento liberal oitocentista, em Portugal;
Apresenta as condições da sociedade portuguesa do séc. XIX e a revolta dos mais esclarecidos, muitas vezes organizados em sociedades secretas;
Segue a linha de Brecht e mostra o mundo e o homem em constante transformação;
Mostra a preocupação com o homem e o seu destino, a luta contra a miséria, a alienação, a denúncia da ausência de moral, a busca de uma sociedade solidária que permita a verdadeira realização do homem;
De acordo com Brecht, Sttau Monteiro proporciona uma análise crítica da sociedade, mostrando a realidade, de modo a levar os espectadores a reagir criticamente e a tomar uma posição.
esscp - 2007/08 - elisa Classificação da obra – drama narrativo
Predomina a acção;
Proporciona ao espectador uma experiência afectiva, implicando-o na acção;
Desperta-lhe sentimentos;
Sugere;
Proximidade entre o espectador e a peça, levando a maior envolvimento.
Predomina a narração;
Proporciona ao espectador uma experiência intelectual, levando-o a observar;
Obriga-o a tomar decisões;
Argumenta;
Distanciação entre o espectador e a peça, levando na maior nitidez de análise.
esscp - 2007/08 - elisa Teatro Épico Vs Teatro Aristotélico
“ preocupado com as aparências, despreza os que o rodeiam, ganancioso, cínico”
Principal Sousa
“ imponente, fanático, hipócrita”
Vicente
“ é do povo, mas despreza-o, inteligente, mas contraditório, traidor”
Morais Sarmento
Andrade Corvo
“ denunciantes, só dedicados à sua própria causa”
Dois polícias
“ iguais a todos os polícias”
esscp - 2007/08 - elisa Personagens – o Poder : Os 3 governantes – Os delatores – A polícia
Gomes Freire
“ um homem às direitas, um homem como todos nós”
“ lúcido, inteligente, idolatrado pelo povo”
Adquire uma dimensão mítica, sobretudo por nunca aparecer ao longo de toda a obra.
Matilde
“ é a companheira de todas as horas do General”
“ vestida de negro e desgrenhada” é a verdadeira imagem da dor.
António de Sousa Falcão
“ o amigo inseparável de Matilde e de Gomes Freire”
esscp - 2007/08 - elisa Personagens – o Contrapoder : Gomes Freire – Matilde – António de Sousa Falcão
Manuel
“ o mais consciente dos populares, mas indeciso na acção”
“ sem esperança de que as coisas mudem”
Rita
“ submissa à vontade do marido”
“ impulsiva e solidária com Matilde”
Outros Populares
“ são sempre o pano de fundo da cena”
“ revoltados contra a miséria, mas receosos do poder repressivo”
Antigo Soldado
“ mostra a influência do General sobre os seus homens”
“ a noite ainda ficou mais escura quando prenderam o General”
Frei Diogo
“ é um homem sério, que procura mostrar a outra face do poder religioso”
esscp - 2007/08 - elisa Personagens – o Contrapoder : Manuel, Rita, Outros Populares, Antigo Soldado, Frei Diogo
Espaço
esscp - 2007/08 - elisa Rossio Largo do Rato S. Julião da Barra
ESPAÇO
O espaço físico não assume grande relevância, por isso são escassas as referências explícitas aos locais;
Só os diferentes espaços sociais importam;
A acção começa na rua
(segundo Brecht é o espaço mais próprio para revelar o homem nas suas relações sociais)
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A agitação social que levou à revolta liberal de 1820 - conspirações internas; revolta contra a presença da Corte no Brasil e influência do exército britânico;
regime absolutista e tirânico
classes sociais fortemente hierarquizadas;
classes dominantes com medo de perder privilégios;
povo oprimido e resignado;
Obscurantismo;
Miséria, medo, ignorância;
Perseguições dos agentes de Bereford;
Denúncias de Vicente, Andrade Corvo e Morais Sarmento, hipócritas e sem escrúpulos;
Censura;
Severa repressão dos conspiradores;
Processos sumários e pena de morte;
Execução do General Gomes Freire.
esscp - 2007/08 - elisa Tempo: sobreposição metafórica de 2 tempos Tempo da história
Agitação social dos anos 60 - conspirações internas; guerra colonial;
Regime ditatorial de Salazar;
Maior desigualdade entre abastados e pobres;
Classes exploradas, com reforço do seu poder;
Povo reprimido e explorado;
Miséria, medo e analfabetismo;
Obscurantismo, mas crença nas mudanças;
Luta contra o regime totalitário e ditatorial;
Agitação social e política com militares antifascistas a protestarem;
Perseguições da PIDE;
Denúncias dos chamados "bufos", que surgem na sombra e se disfarçam, para colher informações e denunciar;
Censura à imprensa;
Prisão e duras medidas de repressão e de tortura;
Condenação em processos sem provas.
esscp - 2007/08 - elisa Tempo: sobreposição metafórica de 2 tempos Tempo do discurso
Tempo histórico : século XIX.
Tempo da escrita : 1961, época dos conflitos entre a oposição e o regime salazarista.
Tempo da representação : 1h30m/2h.
Tempo da acção dramática : a acção está concentrada em 2 dias.
Tempo da narração : informações respeitantes a eventos não dramatizados, ocorridos no passado, mas importantes para o desenrolar da acção.
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