O Alcoolismo

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O Alcoolismo

  1. 1. Francisco da Graça O ALCOOLISMO Noções gerais
  2. 2. Introdução <ul><li>Foi a pensar nos jovens de hoje - homens de amanhã – que o Francisco da Graça (alcoólico recuperado há 30 anos) se propôs fazer o que aqui apresenta. </li></ul><ul><li>Juntou os livros técnicos ao saber prático, para te ajudar a ti, jovem, a pensar, a observar, a descobrir o mundo que te rodeia. </li></ul><ul><li>Quando chegar a hora de tomares nas tuas mãos o teu mundo, constrói um mundo novo, sem amarras nem cadeias ao alcoolismo, que tem reduzido muito boas pessoas a caricaturas de gente. </li></ul>
  3. 3. O que é o alcoolismo? <ul><li>É uma intoxicação progressiva do organismo, derivada do consumo de doses elevadas de bebidas alcoólicas. </li></ul><ul><li>A doença do alcoolismo consiste na incapacidade </li></ul><ul><li>do lesado abandonar o consumo de bebidas alcoolizadas, ainda que as queira evitar, por impedimento da força de vontade e respectiva capacidade de decisão. </li></ul>
  4. 4. Existem dois tipos de alcoolismo <ul><li>agudo – confunde-se com a embriaguês; </li></ul><ul><li>crónico – caracteriza-se pela perda de apetite, sensação de queimaduras no esófago, vómitos pela manhã, etc. </li></ul><ul><li>Os prejuízos económicos causados pelo alcoolismo são maiores do que os lucros que a sociedade recebe da produção e comercialização das bebidas alcoolizadas. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>O alcoolismo alastrou a partir do séc. XIX, com a industrialização do álcool, espalhando-se largamente por todo o mundo. </li></ul><ul><li>Tornou-se um flagelo social e marginalizou os indivíduos incapazes de controlar o consumo da bebida, cuja sociedade os incrimina e enjeita. </li></ul><ul><li>Em 1951 o alcoolismo foi cientificamente reconhecido pela O.M.S. como uma doença que é urgente combater e tratar, pois toda a sociedade é vítima dos seus efeitos ruinosos. </li></ul><ul><li>Em Portugal a mentalidade permanece no milénio anterior: um alcoólico é um “deficiente” e, como tal, por comodidade e egoísmo, ignora-se e rejeita-se. </li></ul>O alcoolismo é uma doença ? Um vício?
  6. 6. Como se chega a alcoólico? <ul><li>Tipos de bebedor: </li></ul><ul><li>Ocasionais; </li></ul><ul><li>Esporádicos; </li></ul><ul><li>Regulares; </li></ul><ul><li>De consumo fraco e de </li></ul><ul><li>consumo elevado; </li></ul><ul><li>Grande parte dos alcoólicos procede do grupo de bebedores de consumo elevado, cujo hábito é de origem familiar e/ou social. </li></ul>
  7. 7. Muitos percorrem este caminho... <ul><li>Fase pré-alcoólica : </li></ul><ul><li>Habituação </li></ul><ul><li>Perda de memória </li></ul><ul><li>Perda de controle </li></ul><ul><li>Tentativa de abstinência </li></ul><ul><li>Fase crucial : </li></ul><ul><li>Pretextos para beber sem medida </li></ul><ul><li>Beber isolado de forma anti-social </li></ul><ul><li>Consumo pela manhã </li></ul><ul><li>Sentimento de culpa </li></ul><ul><li>Saúde precária </li></ul><ul><li>Perda do emprego. </li></ul>
  8. 8. fazem figuras como esta
  9. 9. como esta
  10. 10. como esta
  11. 11. como esta
  12. 12. como esta
  13. 13. ...e acabaram aqui! <ul><li>Fase crónica : </li></ul><ul><li>O alcoólico bebe dias a fio. A cisma não o deixa parar. Torna-se prisioneiro e só se vai libertar da amarra se, quando, como e onde pedir ajuda; </li></ul><ul><li>A vida deixa de ter horizontes, a única ocupação é beber, não há outra ocupação. Cai-se no fosso do qual nunca se sai sozinho. </li></ul>
  14. 14. O que é o alcoolismo?? <ul><li>. É uma doença progressiva do bebedor excessivo que perde o controlo dos consumos; </li></ul><ul><li>Doença – porquanto não é um vício, nem uma fraqueza mental; a O.M.S. reconheceu o alcoolismo como doença há mais de 50 anos; </li></ul><ul><li>Progressiva – porque de dia para dia cada vez é mais difícil ao bebedor viver sem álcool; </li></ul><ul><li>Excessiva – a liberdade de saber beber desapareceu; o que se bebe não é considerado bebida, mas uma necessidade; </li></ul><ul><li>Descontrolada – de uma vez por todas, o alcoólico perde a capacidade de decisão de consumo de bebidas alcoólicas. </li></ul>
  15. 15. Causas <ul><li>Relações sociais </li></ul><ul><li>A oferta de bebidas é uma constante. Quando alguém as recusa, é alvo de comentários irónicos e até ofensivos. </li></ul>
  16. 16. Tensões internas <ul><li>Refúgio para vários problemas pessoais, grupais, sociais. </li></ul>
  17. 17. Consumo ao ritmo do dia a dia <ul><li>O bebedor excessivo ingere a qualquer hora, a toda a hora e toda e qualquer hora é boa hora. </li></ul>
  18. 18. Más condições de trabalho <ul><li>Frequentes nas grandes cidades são um convite a quem depois de um dia de trabalho, procura na taberna a evasão do desconforto em que vive e o desgosto do regresso à casa-martírio. </li></ul>
  19. 19. A dureza de certas profissões <ul><li>O trabalho na fábrica, na oficina ou na mina, são um incentivo à embriaguês; </li></ul><ul><li>Os pintores de construção civil e naval bebem com frequência, parece que devido à acção incentivadora das tintas e vernizes na mucosa bucal. </li></ul>
  20. 20. Consequências fisiológicas do alcoolismo <ul><li>Danos nos órgãos vitais </li></ul><ul><li>O alcoolismo é uma doença progressiva ou definitiva . </li></ul><ul><li>Enfraquece e altera o funcionamento dos órgãos essenciais: cérebro, estômago, intestinos, coração, fígado, entre outros; </li></ul><ul><li>Devido ao estado frágil do organismo, potencia doenças graves: cancro, tuberculose, pneumonia, terminando numa cirrose que, detectada a tempo, tem cura. </li></ul>
  21. 21. Cirrose hepática <ul><li>As células do fígado vão desaparecendo, não se renovam, sendo substituídas por um tecido cicatrizado e fibroso; </li></ul><ul><li>O fígado é um alambique, que precisa de descanso. O uso abusivo do álcool provoca o desgaste irreversível da maquinaria. </li></ul>
  22. 22. O «delirium tremens» <ul><li>É uma doença que tem algo de sinistro. O doente revela angústia, agitação, tremura. Entra em fase de delírio, imaginando catástrofes, começando com ciúme sexual, tendo alucinações visuais e tácteis (sente correr insectos na pele ou deslizar répteis na parede); </li></ul><ul><li>Pode tornar-se agressivo para as pessoas que o rodeiam, principalmente para esposa. </li></ul>
  23. 23. Consequências sociais do alcoolismo <ul><li>Miséria no lar </li></ul><ul><li>A vida no dia a dia com um doente alcoólico é penosa; ele é visto como um indivíduo sem personalidade, sem moral, inconsciente, gastando quase tudo com a bebida; só sabendo fazer ameaças, bater na mulher e nos filhos, nos quais provoca para sempre perturbações físicas e psíquicas; </li></ul><ul><li>Uma elevada % de divórcios deve-se ao alcoolismo. </li></ul>
  24. 24. Alienação mental e degeneração da raça <ul><li>O álcool não só atinge a pessoa no que possui de mais nobre - a integridade mental – como também altera as células sexuais; </li></ul><ul><li>Quando não morrem, os descendentes de um alcoólico são mal constituídos, de altura reduzida, cérebro sem vontade própria; correm o risco de debilidade mental, surdês-mudês, epilepsia, demência, vadiagem, prostituição, criminalidade; </li></ul><ul><li>Disse alguém que “O alcoólico está para a loucura como os descendentes estão para a tuberculose”. </li></ul>
  25. 25. Acidentes no trabalho e perda do mesmo <ul><li>Falta de atenção, pouca agilidade, medo doentio, alucinações (numa fase adiantada da doença), conduzem o doente a trabalhar mal, a cometer erros que constituem grave risco para ele e para os outros; </li></ul><ul><li>A falta de diálogo coerente na profissão, a irritação, o mau humor e o mau comportamento, levam-no ao despedimento. </li></ul>
  26. 26. Acidentes na circulação rodoviária <ul><li>Actualmente, mais de 50% dos acidentes rodoviários são atribuídos ao alcoolismo; </li></ul><ul><li>O álcool actua no cérebro, nos órgãos dos sentidos e no sistema nervoso, perturba a atenção, provoca euforia, o prazer pelo risco, que se traduz no excesso de velocidade. </li></ul>
  27. 27. A maior toxicodependência em Portugal chama-se alcoolismo <ul><li>Cerca de 10% da população portuguesa tem problemas com o álcool. </li></ul><ul><li>Esta é a bebida mais solicitada pela juventude nas discotecas. </li></ul>
  28. 28. As bebidas destiladas são as de maior consumo entre os jovens.
  29. 29. Sumos alcoolizados ao dispor da juventude. <ul><li>As bebidas intencionalmente projectadas e conhecidas por “alcopops”, são uma mistura de leite ou sumo fortemente adocicado, para neutralizar o sabor do álcool e estão à venda em qualquer supermercado. </li></ul>
  30. 30. A alcoolemia taxa de 0,2 g/litro de sangue <ul><li>É a razão entre o grau de álcool consumido e o peso, vezes um coeficiente dado. </li></ul><ul><li>Álcool puro (gramas) </li></ul><ul><li>_______________ X coeficiente </li></ul><ul><li>Peso (quilos) </li></ul><ul><li>Coeficiente: </li></ul><ul><li>0,6 para a mulher </li></ul><ul><li>0,7 para o homem </li></ul><ul><li>1,1 à refeição </li></ul><ul><li>Ex. _40 g__ = 1,42 (mulher) </li></ul><ul><li> 47 x 0,6 </li></ul><ul><li> </li></ul><ul><li> _40 g__ = 0,71 (homem) </li></ul><ul><li> 80 x 0,7 </li></ul>
  31. 31. Um doente alcoólico pode curar-se? <ul><li>SIM – se entendermos por cura a livre vontade de deixar de beber, depois de um tratamento com ou sem internamento; </li></ul><ul><li>NÃO – se entendermos por cura a ilusão de voltar a beber, depois de ter sido tratado; (todo o doente alcoólico – sem excepção - alimenta este sonho). </li></ul><ul><li>Nota : o doente está curado, se não voltar a beber, se voltar, regressará à doença; </li></ul><ul><li>Uma recaída é tanto maior quanto maior for o tempo de abstinência. </li></ul>
  32. 32. Notícia publicada no jornal “24 horas”, de 23 de Maio de 2006 <ul><li>Jovens a beber - com o auxílio de uma palhinha - a poção mais solicitada nas discotecas. </li></ul><ul><li>Por ser uma bebida quente, não se pode pegar no copo, ao mesmo tempo que é extremamente alcoólica. </li></ul>
  33. 33. Adeus às dores de cabeça depois de uma noite de copos. Como passar o Verão sem ressacas. (24H, de 23/05/06) <ul><li>Os portugueses já podem apanhar uma bebedeira sem se preocuparem com a ressaca. A partir de 25 de Maio de 2006 passou a estar disponível no mercado um novo suplemento alimentar, que acaba com as dores de cabeça, as náuseas e os vómitos, tão comuns depois de uma noite de copos. </li></ul><ul><li>O produto chama-se, nada mais nada menos, que KGB. Foi desenvolvido por cientistas russos nos anos 70, durante a Guerra Fria, para manter sóbrios os espiões quando bebiam com o inimigo. O objectivo principal da fórmula era funcionar como um antídoto para o álcool, para que os espiões conseguissem embriagar os seus inimigos e roubar-lhes as informações pretendidas. Apesar de a embriaguês se verificar, o efeito de ressaca não se manifestava. </li></ul><ul><li>O suplemento é composto por duas cápsulas – uma vermelha e outra preta. O Dr. João Rolo Garcia, especialista em medicina interna do Hospital dos Capuchos, explica como estas substâncias actuam no organismo: “A vermelha é para tomar antes de começar a beber e é composta por substâncias que se encontram naturalmente no organismo e que ajudam a metabolizar o álcool mais depressa”. É que, de acordo com este médico, o metabolismo do ser humano funciona sempre à mesma velocidade, independentemente da quantidade de álcool que se ingere. </li></ul><ul><li>“ Quando se acaba de beber, deve tomar-se a cápsula preta, que é composta por carvão activado e funciona como uma espécie de mata-borrão, ou seja, absorve o álcool do organismo e as outras substâncias químicas que fazem parte da composição das bebidas alcoólicas.” </li></ul><ul><li>Outra das vantagens da fórmula KGB, além de minimizar os efeitos mais imediatos do álcool, é evitar os danos a longo prazo que podem ocorrer no organismo. Estas substâncias protegem o fígado e diminuem os riscos de doenças associadas ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. </li></ul><ul><li>Aquele médico garante que esta nova substância não tem qualquer efeito secundário para o ser humano, uma vez que é constituída apenas por produtos naturais. “Por isso, as pessoas podem tomar várias vezes, não lhes faz mal nenhum”, concluiu aquele médico. </li></ul>
  34. 34. Medida preventiva do alcoolismo <ul><li>A educação do cidadão </li></ul><ul><li>Só devidamente esclarecidos os jovens podem recusar seguir o caminho dos adultos que enveredaram pela dependência do álcool; </li></ul><ul><li>As medidas preventivas são as únicas eficazes. </li></ul>
  35. 35. Pensando bem... <ul><li>* Embrutece </li></ul><ul><li>* Faz do Rei um escravo </li></ul><ul><li>* Faz do rico um mendigo </li></ul><ul><li>* Faz do atleta um trémulo velhinho </li></ul><ul><li>* Apaga a luz da inteligência </li></ul><ul><li>* Enfraquece a memória </li></ul><ul><li>* Diminui a força de vontade </li></ul><ul><li>* Encurta a existência </li></ul><ul><li>* Envenena as fontes da vida </li></ul><ul><li>* Semeia a desunião na família </li></ul><ul><li>* Converte o lar numa prisão de tortura </li></ul><ul><li>* Rouba o pão aos filhos </li></ul><ul><li>* Extingue a alegria </li></ul><ul><li>* Semeia lágrimas </li></ul><ul><li>* Arruína fortunas </li></ul><ul><li>* Desfaz reputações </li></ul><ul><li>* Põe nas Escolas crianças falhadas </li></ul><ul><li>* Inunda de doentes os hospitais </li></ul><ul><li>* Atira para a cadeia homens e mulheres </li></ul><ul><li>* Provoca acidentes no trabalho e nas estradas </li></ul><ul><li>* Abre as portas a todos os vícios </li></ul><ul><li>* É inimigo do Homem, da Família e da Sociedade </li></ul><ul><li>* Faz do Homem – Obra-prima da Natureza – uma grotesca criatura ! </li></ul>
  36. 36. VALSA TRISTE Posto que o alcoolismo qualquer rei torna escravo, o amigo cai no abismo, o rico fica sem chavo, a família é hospital, a escola é um vazio, a estrada é letal, o patrão fica na cama, o operário é vadio, a vida fica pela rama, presa por um frágil fio, e nem Deus está seguro, por causa do sacristão, que, com o copo em riste, vê tudo ficar escuro e dança na confusão que acaba em valsa triste, em jeito de conclusão aqui vai a descrição deste vero cataclismo, que é o vício do alcoolismo.

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